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SESSÃO PLENÁRIA DA ACADEMIA DE MEDICINA DE BRASÍLIA – AMeB

PALESTRA: MEDICINA CONTEMPORÂNEA E AS POLÍTICAS DE SAÚDE4 PALESTRANTE: Acadêmico Carlos Vital Tavares Correia Lima (Academia de Medicina de Pernambuco): Vice-Presidente do Conselho Federal de Medicina – CFM.

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Professor Carlos Vital, após agradecer o convite e a oportunidade de estar presente à sessão, deu inicio

à sua palestra fazendo um breve retrospecto histórico a partir da Antiguidade, mostrando como no século XX a arte médica deixou de se conciliar com a espiritualidade dos enfermos, passando a privilegiar a técnica à medida que incorporava novos paradigmas à sua prática. Demonstrou como o Código de Moral Médica de 1929 era paternalista e como se fazia de forma desigual a transferência de tecnologia entre o Norte e o Sul de nosso planeta. Lamentou a mecanização da vida nas unidades de terapia intensiva, a invasão da privacidade, a transformação dos médicos em prestadores de serviço e os pacientes em usuários, valores introdu Palestra realizada em 12/4/2011 no Auditório Tito Figuerôa – SindMédico, situado no SGAS 607, Edifício Metrópolis, Cobertura 1, Brasília-DF, sede da AMeB.

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ACADEMIA DE MEDICINA DE BRASÍLIA

zidos na prática médica principalmente em função da intermediação mercantilista praticada pelos planos de saúde. Referiu-se à maneira que o novo Código de Ética Médica, aprovado em 2009, procurou aplicar um paradigma benigno humanitário à saúde e explicou porque o modelo do SUS, efetivado a partir de1988, está fadado ao fracasso, por falta de vontade política. Afirmou que a grande maioria dos médicos é contrária ao paradigma empresarial, comercial e técnico científico atual, preferindo o humanista e social e a agir com prudência, compaixão, justiça e humildade. A palavra foi franqueada aos presentes, que concordaram em linhas gerais com as posições assumidas pelo palestrante. Após ser salientada a necessidade de “uma participação mais ativa do médico nos diversos foros nacionais” (Acadêmico Laércio Valença), “a presença mais firme do Estado na defesa do usuário final dos progressos tecnológicos” (Acadêmico Francisco Floripe Ginani) e a “necessidade de se formar melhor o médico” (Acadêmico Antonio Márcio Lisboa), o Acadêmico Carlos Vital retomou a palavra para finalizar sua exposição, concluindo que o estudante é mal formado, há escolas médicas em excesso, o trabalho do residente é, na maioria das vezes, brutal, o médico muitas vezes se especializa precocemente, o generalista não é devidamente prestigiado e que não basta ao governo gastar em saúde, mas que essa verba precisa ser bem gasta, uma vez que o médico não tem culpa de o Estado ser anárquico.

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PALESTRA: MEDICINA CONTEMPORÂNEA E AS POLÍTICAS DE SAÚDE PALESTRANTE: Acadêmico Carlos Vital Tavares Correia Lima (Academia de Medicina de P...