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Rua Itapeva, 518, Ed. Scientia - cj. 111/112 - Bela Vista - CEP: 01332-000 - São Paulo (SP) Tel: (11) 3253-6610 - Fax: (11) 3262-1511 - e-mail: sbdens@sbdens.org.br Jornalista responsável: Renato H. S. Moreira (Mtb 338/86 - ES). PARCEIROS:

Informativo oficial da Sociedade Brasileira de Densitometria Clínica Edição nº 22 Ano XV Ago a Out de 2009

FILIADA À:

EDITORIAL

Unidos, por isso fortes Fortes, por isso unidos Carta de intenções

U

m evento histórico ocorreu em 2007: o I Congresso conjunto das Sociedades Brasileiras para o Estudo do Metabolismo Ósseo e Mineral (SOBEMOM), de Densitometria Clinica (SBDens) e de Osteoporose (SOBRAO). O grande sucesso deste evento que, posteriormente, foi denominado BRADOO (Congresso Brasileiro de Densitometria, Osteoporose e Osteometabolismo) teve sua segunda edição em 2008 e agora em 2009, esperamos pelo III BRADOO. Esta iniciativa mostrou que quando os membros desta três sociedades científicas se associam com os mesmos objetivos, todos ganham: pacientes, médicos, pesquisadores, equipes de saúde e toda a sociedade brasileira. Todos se beneficiam da divulgação do progresso científico e do aperfeiçoamento científico na abordagem às diversas condições ligadas ao metabolismo ósseo. Outras iniciativas estão sendo planejadas, considerando os objetivos comuns das três entidades. A primeira delas é criar, no pais, uma formação em Osteometabologia visando o estabelecimento, futuro, de uma nova Área de Atuação junto à AMB e CFM. Há uma extensa gama de motivos para esta iniciativa. O estudo do metabolismo ósseo está em franco crescimento e foi uma das áreas da medicina que mais avançou nos últimos anos. Estudiosos do metabolismo ósseo nos EEUU fundaram, nos anos 70, a American Society for Bone and Mineral Reseach que lançou uma revista médica especializada (JBMR), a qual, desde

então, possui grande importância na difusão desta área médica pela excelência de suas publicações. Na década de 80 a densitometria óssea foi introduzida na prática clínica permitindo o diagnóstico da osteoporose antes da ocorrência de fraturas. O avanço no conhecimento da histofisiologia, da regulação e atividade dos elementos celulares ósseos tem ensejado um crescimento franco, amplo e absolutamente incomum da verdadeira ciência que chamamos “osteometabologia”. A osteometabologia possui hoje elementos para constituir uma nova área de atuação com peculiaridades marcantes como a interdisciplinaridade, fundamental no manejo das doenças osteometabólicas. Confirmando essa percepção há o insofismável número de profissionais de


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diversas especialidades médicas empenhados, já há mais de 20 anos, na promoção de eventos multidisciplinares, na criação de novas entidades médicas e de publicações especializadas . Necessitamos agregar todos os profissionais em um trabalho conjunto e próximo, a fim de que a formação de novos pesquisadores e clínicos dedicados ao tema seja completa e sem lacunas. Apesar dos progressos da biologia molecular, métodos propedêuticos, e do desenvolvimento dos conhecimentos sobre o metabolismo ósseo, o ensino nesses campos continua bastante fragmentado. Há uma enorme deficiência de informações, a formação da disciplina de Osteometabologia propiciaria a oportunidade para que currículos universitários e deficiência no aprendizado pudessem ser corrigidos. A sociedade brasileira seria a maior beneficiada com formação de profissionais mais capazes

e reconhecidos, as Universidades sediariam um grande progresso nesta área, com novas descobertas, criando oportunidade para patentes, alem de que acadêmicos teriam uma nova opção de desenvolvimento profissional. Desta forma, a criação da área de atuação em Osteometabologia, com a correspondente e nova disciplina acadêmica será um dos principais objetivos da união das três sociedades médicas interessadas no metabolismo e avaliação da saúde óssea: SBDens, SOBEMOM, e SOBRAO. Um outro e muito importante objetivo comum é a realização de um estudo epidemiológico nacional prospectivo de incidência de fraturas. Este estudo, coordenado por uma equipe designada pelas três sociedades deverá permitir o uso do instrumento FRAX™ em nosso país. Para instrumentalizar estes objetivos, as três sociedades caminharão em uníssono, otimizando os recursos

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disponíveis e agregando pessoas e informações. Para isto propomos que as três sociedades: 1) Tenham suas sedes em um mesmo local; 2) Tenham um boletim único; 3) Caminhem para a construção de um site comum na internet; 4) Tenham seus eventos conjuntos, preparados em calendário comum e com endosso mutuo; 5) Mantenham o BRADOO como seu Congresso Nacional, tornando-se bi-anual. Em suma, acreditamos que nossos esforços de hoje para a convivência e aliança, frutificarão em progresso e bem estar do país.

Dr. Sergio Ragi Eis - SBDens Victória C. Borba - Sobemom Cristiano A. F. Zerbino - Sobrao

ARTIGO CIENTÍFICO

Aspectos controversos na suplementação com cálcio: segurança cardiovascular C

álcio é o principal componente mineral ósseo. Uma mulher adulta de 60 kg tem aproximadamente 1000 a 1200 mg de cálcio em seu corpo, sendo que 99% deste total estão nos ossos e dentes, 6 a 8 gramas em outros tecidos (intra e extracelular) e 1 grama no plasma e fluidos extracelulares. O esqueleto constitui-se em uma grande reserva de cálcio que ao longo da evolução animal adquiriu também uma função estrutural de proteção e suporte para a atividade muscular. A estrutura óssea depende em grande parte de seu conteúdo mineral e embora a reserva de cálcio do esqueleto possa ser utilizada temporariamente na manutenção do nível plasmático, perdas continuas deste elemento levam a um enfraquecimento progressivo dos ossos aumentando a probabilidade de fratura. Baixa in-

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gestão de cálcio na infancia torna os ossos frágeis na adolescencia e predispõe à osteoporose na idade adulta. O aporte alimentar de cálcio está positivamente correlacionado com a massa óssea em todas as idades, especialmente nos indivíduos idosos quando a necessidade deste nutriente é maior e sua ingestão está, frequentemente, abaixo do necessário. Para suprir esta deficiencia alimentar são utilizados suplementos de cálcio, os quais reduzem tanto a perda óssea quanto a taxa de fraturas em individuos idosos(1). A suplementação de cálcio, uma vez iniciada, é geralmente mantida por longo tempo (anos), associada ou não a outros tratamentos, com a intenção de preservar a integridade óssea. A pergunta clinica que se impõe é que outras implicações esta suplementação terá para outros or-

completamente esta questão. Suplementos de cálcio aumentam a razão HDL/LDL em cerca de 20% em mulheres na pós-menopausa, efeito que resulta da ligação do cálcio aos ácidos graxos e sais biliares no intestino, levando a uma má aborção de gordura (2) Estas alterações qualitativas no colesterol podem diminuir em 20 a 30% a taxa de doença vascular (3). Estudos também sugerem que os suplementos de cálcio podem estar associados à diminuição da pressão arterial e à perda de peso (4). Estes dados de estudos de intervenção tem respaldo também em estudos observacionais indicando que a ingestão de cálcio é inversamente associada a doença cardiovascular. Um estudo no Reino Unido mostrou uma forte relação inversa entre a ingestão de cálcio e a mortalidade por doença isquemica do coração (5). Um estudo de enfermeiras saudáveis em Boston mostrou que mulheres no quinto superior de ingestão de cálcio tinham risco de acidente vascular cerebral de 0,69 em relação aquelas no quinto mais baixo de ingestão (6). Recentemente Bolland (7) efetuou uma análise secundária de um ensaio clinico com suplementação de cálcio em mulheres na pós-menopausa primariamente desenhado para avaliar os efeitos do cálcio na densidade mineral óssea e na incidencia de fraturas durante 5 anos (732 mulheres no grupo cálcio e 739 no grupo placebo). No caminho inverso dos dados anteriores, este autor encontrou que infarto do miocardio foi mais comumente relatado nas pacientes que receberam cálcio que no grupo placebo (45 eventos em 31 mulheres versus 19 eventos em 14 mulheres, p=0,01). Quando foi anali-

sado o efeito composto de infarto do miocardio, acidente vascular cerebral e morte súbita, o grupo que recebeu cálcio também mostrou aumento significante destes eventos em relação ao grupo placebo (101 eventos em 69 mulheres versus 54 eventos em 42 mulheres). Um estudo realizado por Prince incluindo 1460 mulheres com idade média de 75 anos randomizadas para carbonato de cálcio ou placebo por 5 anos mostrou maior tendencia para doença cardiaca isquemica no grupo que recebeu o cálcio (8). Um grande estudo randomizado controlado (WHI) comparando o efeito da suplementação do carbonato de cálcio e vitamina D em 36000 mulheres seguidas por 7 anos (9) não mostrou diferença significante entre os grupos cálcio e placebo em relação aos eventos cardiovasculares ( hazard ratio = 1,04). Quando foi calculado o o efeito composto (infarto do miocardio hr=1,08, morte por doença coronariana hr= 0,99, uso de enxerto coronariano hr=1,19) a diferença entre os grupos aproximou-se da significancia porém sem atingí-la. Para este estudo deve ser levado em conta que as pacientes receberam também viatamina D e estrogeno, os quais podem ter obscurecido os efeitos cadiovasculares da suplementação de cálcio. Os dados aqui apresentados ainda não permitem conclusões definitivas, porém chamam nossa atenção para a saude cardiovascular em relação ao uso dos suplementos de cálcio e exigem que esta relação seja cuidadosamente analisada como objetivo primário em futuros estudos. Enquanto estes estudos estiverem em andamento, o possível efeito deletério da suplementação de cálcio sobre o leito

vascular deve ser medido contra os efeitos benéficos desta suplementação sobre os ossos, principalmente se as pacientes em questão forem idosas. Referências: 1) Reid IR, AmesRW, Evans MC, Gamble GD, Sharpe SJ. Effect of calcium supplementation on bone loss in postmenopausal women. N Engl J Med 1993, 328: 460-464. 2) Reid IR,Mason B, Horne A, Ames R, Clearwater J, Bava U, et al. Effects of calciumsupplementation on serum lipid concentrations in normal older women: a randomized controlled trial. Am J Med 2002, 112: 343-7. 3) Scandinavian Simvastatin Survival Study Group. Randomised trial of cholesterol loweringin4444patientswithcoronaryheart disease: the Scandinavian Simvastatin Survival Study (4S). Lancet 1994, 344:1383-9. 4) Reid IR, Horne A, Mason B, Ames R, Bava U, Gamble GD. Effects of calcium supplementation on body weight and blood pressure in normal older women: a randomized controlled trial. J Clin Endocrinol Metab 2005, 90: 3824-9. 5) Knox EG. Ischaemic-heart-disease mortality and dietary intake of calcium. Lancet 1973,ii: 1465-7. 6) IsoH, StampferMJ, Manson JE, Rexrode K, Hennekens CH, ColditzGA, et al. Prospective study of calcium, potassium, and magnesium intake and risk of stroke in women. Stroke 1999, 30: 1772-9. 7) Bolland MJ, Barber PA, Doughty RN, Mason B, Horne A, Ames R, Gamble GD, Grey A, Reid IR. Vascular events in healthy older women receiving calcium supplementation: randomised controlled trial. BMJ 2008, 336(7638): 262-6. 8) Prince RL, Devine A, Dhaliwal SS, Dick IM. Effects of calcium supplementation on clinical fracture and bone structure-results of a 5-year, double-blind, placebo-controlled trial in elderly women. Arch Intern Med 2006, 166: 869-75. 9)Hsia J, Heiss G, Ren H, Allison M, Dolan NC, Greenland P, et al. Calcium/vitamin D supplementation and cardiovascular events. Circulation 2007, 115: 846-54.

Cristiano A. F. Zerbini Maria Guadalupe B. Pippa Serviço de Reumatologia do Hospital Heliópolis (SP)

gãos e sistemas, em especial o sistema cardiovascular? Devido à alta incidencia de doença vascular em mulheres na pós menopausa qualquer efeito da suplementação de cálcio na saúde vascular pode ser tão importante em termos de morbidade e mortalidade quanto seus efeitos sobre a saude óssea. Resultados conflitantes de diferentes estudos ainda não clarificaram 3


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ARTIGO

2007-2009: dois anos de muitos sonhos, trabalho e desafios ssumimos a gestão durante o 1o0 Bradoo, em Bento Gonçalves, com muitos projetos e muita vontade de levar à frente o sonho dos fundadores e dos então mais de 800 sócios de nossa SBDens. Durante esses dois anos de muitos desafios e incontáveis dificuldades, reestruturamos nosso informativo – o Conectividade Óssea, inauguramos e mantivemos o nosso Treinamento em Densitometria para Clínicos (TDC), hoje já com mais de 54 horas aula em suas já 30 edições realizadas em 13 Estados brasileiros. Computadas as avaliações dos 1080 participantes, numa escala de avaliação de 1 a 5, nossos TDCs registram nota média 4,6 e na opinião desses colegas, também de 1 a 5, no quesito “Indicaria o curso para um colega”, registramos com orgulho a nota 4,8 recebida. Nosso site, hoje inteiramente reformulado e mais dinâmico, encontra-se com média de aproximadamente 300 mil acessos (hits) por mês, um crescimento de quase 390% desde julho de 2007 A SBDens, juntamente com suas parceiras, SOBEMOM e SOBRAO, avançou no seu objetivo de fortalecer a prática da Densitometria em nosso país. As duas edições realizadas do BRADOO confirmaram, com grande mérito, o crescimento da produção científica no campo da avaliação e saúde osteometabólica em nosso País. Foram realizados cinco cursos de certificação oficiais, requeridos para acesso ao certificado de área de atuação em densitometria óssea – atingimos, nesses dois anos, 559 participantes. Os exames de certificação realizados são reconhecidos e endossados pela International Society for Clinical Densitometry (ISCD). Hoje, graças aos cursos oficiais, mais 142 médicos e mais 49 operadores brasileiros já contam com os títulos Certified Clinical Densitometrist (CCD) e Certified Densitometry Technologist

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Arquivo SBDens

A

Curso hands on foi realizado com sucesso em Belo Horizonte

(CDT), conferido pela ISCD. Em 2008, a SBDens estabeleceu um pioneiro programa de filiação combinada, no qual, aos membros da SBDens foi dada a oportunidade de filiação conjunta SBDens/ISCD, por uma pequena parcela da anuidade cobrada regularmente por essa última. Isso resultou num acesso mais amplo a informações científicas veiculadas no importante Journal of Clinical Densitometry (JCD) e, ainda, o fato de termos, hoje, o segundo maior número de sócios naquela instituição. Somos, hoje, a segunda maior organização de Densitometria do mundo, atrás apenas da própria ISCD. Para 2010, já fechamos, em agosto último, um acordo ainda melhor com a ISCD, quando os sócios titulares da SBDens poderão ser filiados automaticamente à esta, sem nenhum custo adicional, arcando, opcionalmente, apenas com o custo de U$50,00 pela assinatura anual do JCD. Em 2008 e 2009, a SBDens se reestruturou internamente, revendo seus estatutos e seus processos internos,

o que culminou com duas importantes ações: a elaboração, aprovação e implementação de regras de conduta ética e corporativa e criação do Departamento de Profissionais Aliados, criando o necessário espaço para que os operadores DXA, tão importantes dentro do cenário da densitometria, possam ser, finalmente, representados por uma entidade forte. Nesse contexto, assumimos o compromisso de reduzir o consumo de recursos naturais com a adoção de várias medidas focadas na sustentabilidade em todos os níveis de nossa gestão. Adquirimos dois laptops para usarmos em nossos cursos de médicos e operadores, nos quais foram instalados os softwares de equipamentos DXA necessários para as atividades práticas/hands-on. Compramos, ainda, uma impressora laser colorida, de maior capacidade, que trouxe autonomia na elaboração de apostilas que passaram a ser impressas por demanda, reduzindo custos e desperdício. Em 2008, a SBDens adquiriu e reformou duas salas e em fevereiro de

2009 inaugurou sua sede própria, em São Paulo, na Rua Itapeva, onde, desde então, concentra suas atividades de gerenciamento, administração e planejamento para crescer ainda mais. Já em 2009 realizamos mais um importante investimento para dar espaço a um valoroso projeto também elaborado por essa gestão: adquirimos duas outras salas comerciais, vizinhas à nossa sede social, para a organização da primeira Escola de Densitometria, onde médicos e operadores possam receber treinamento teórico-prático, em bases reais, numa clínica modelo, conduzida e administrada pela SBDens. Para isto, dois denistômetros centrais foram doados pela Pyramid e GE Healthcare. As obras das salas estão em andamento. A inauguração da Escola está prevista para o final de novembro deste ano. Nessa gestão, avançamos profundamente nas nossas relações com a International Osteoporosis Foundation (IOF). Em 2008, a SBDens foi finalmente aceita como sociedade membro do Conselho de Sociedades Nacionais (CSN) desta, o que determinou um reconhecimento, ainda maior de nossa sociedade no cenário mundial. Temos agora, ao lado da SOBRAO, voz e voto no futuro das ações públicas, políticas e científicas, para a Osteoporose em nível mundial. Sob a liderança dessa gestão que encerra seu trabalho, nossa SBDens atinge, hoje, 998 sócios, representando um crescimento de 15% que confirmam, de forma insofismável, o retorno que só o trabalho e a dedicação podem operar. Nesses dois anos, o número de candidatos ao certificado de área de atuação, inscritos através do edital do

CBR/AMB cresceu 100%, denotando o maior interesse em qualidade. O ProQuaD avaliou 100 novos serviços, tendo aprovado mais 95 centros especializados, distribuídos em todas as regiões do país, que, a partir de agora, também passam a contar com o selo de qualidade da SBDens.

“Em 2009, adquirimos duas salas, vizinhas à nossa sede, para a organização da primeira Escola de Densitometria”

A reunião de desenvolvimento das posições oficiais, realizada em outubro de 2008, consolidou a visão brasileira das doutrinas técnicas e da consolidação das evidências disponíveis mundialmente para a prática responsável e cientificamente respaldada. Nossos eventos passaram a contar com pontuação para a Comissão Nacional de Acreditação (CNA) da AMB, legitimando sua relevância para o processo de formação e educação médica continuada. Também inauguramos novos caminhos para a SBDens, com a edição piloto do primeiro Workshop em Densitometria – realizado em agosto de 2009, na cidade de Belo Horizonte. Na ocasião, com 50 computadores instalados, pudemos discutir recursos básicos e avançados de manejo dos softwares, análise e interpretação de exames densitométricos, unifor-

mizando entre os participantes, uma série de conceitos práticos e operacionais que, nos cursos teóricos não temos a oportunidade de abordar. Graças aos membros da SBDens e, certamente, às parcerias estabelecidas com nossos vários colaboradores, a quem registramos publicamente nossos mais profundos agradecimentos (Eli Lilly, GE HealthCare, Merck Sharp & Dohme, Novartis, Pyramid, Roche, Sanofi-Aventis e Servier), a SBDens teve o necessário suporte para desenvolver todos os seus projetos traçados. Temos a certeza que a gestão que se inicia, a partir de outubro próximo, dará sequência e amplificará nossos esforços, mantendo a SBDens no seu caminho ético, científico e de realizações pela saúde óssea. Dr. Sergio Ragi Eis - ES Presidente Dr. Jose Carlos Amaral Filho - MT Vice-Presidente Dr. Bruno Muzzi Camargos - MG 1º Secretario Dra. Mirley do Prado - DF 2ª Secretaria Dra. Maria Guadalupe B. Pippa - SP 1ª Tesoureira Dr. Ben Hur Albergaria - ES 2º Tesoureiro Dra. Laura Maria C. Mendonça - RJ Diretora Científica Dra. Maria Goretti B. de Castro - MG Diretora Programa de Qualidade Sandra Rocha Secretária Executiva Lucia Haro Assistente de Secretaria Guilherme Cardenaz de Souza CDT Departamento de Profissionais Aliados

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Verticais:

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CRUZADAS

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1 - ANTI-?. Classificação atual de substâncias como os bisfosfonatos, raloxifeno e calcitonina. 2 - Substância anabólica com propriedade única de aumentar a conectividade óssea e a aposição periostal de osso hipomineralizado em ossos longos.

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Classificação da OMS e o uso do FRAXŽ em laudos de Densitometria

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5 - Substância fundamental para a homeostase do tecido ósseo.

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6 - Nome com o qual sĂŁo conhecidas as lacunas formadas durante o processo de remodelamento Ăłsseo.

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7 - Estudo de registro do primeiro medicamento de ação mista sobre o metabolismo ósseo, que confirma a redução de fraturas vertebrais.

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Horizontais 1

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Horizontais: Medicamento com resultados limitados devido Ă perda Respostas:

Hot topic em Densitometria

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3 - CÊlulas multinucleadas que só exercem suas funçþes quando ativadas por lipoproteínas citoplasmåticas sintetizadas na cadeia de do colesterol. 4 - Bisfosfonato utilizado no estudo HIP para avaliar eficåcia na redução de fraturas do fêmur proximal.

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de muitos pacientes no estudo conduzido para confirmar sua eficĂĄcia em fraturas vertebrais

C Verticais 1

ARTIGO

ANTI-?. Classificação atual de substâncias como os bisfosfonatos, raloxifeno e calcitonina

1 - Medicamento com resultados limitados devido à perda deanabólica muitos Substância com pacientes propriedade únicano de estuDoença caracterizada por alteração da relação a conectividade óssea e a aposição periostal do conduzido para confirmar em fraturas vertebrais. 2 formação/reabsorção, 2 aumentar com predomíniosua dessa eficåcia última. de osso hipomineralizado em ossos longos 2 - Doença caracterizada por alteração da relação formação/reabsorção, com predomínio dessa última.

3 - Sigla do exame padrão ouro para diagnóstico, moritoramento e avaliação do risco de fraturas em osteoporose. 4 - Estudo de Preferência e Converiência de um Antireabsortivo, realizado em duas ediçþes. 5 - Diz-se dos Bisfosfonatos em relação à reabsorção óssea (comp. ?-reabsortivos).

Verticais: 1 - Catabolicos; 2 - Teriparatida; 3 - Osteoclastos; 4 - Risedronato; 5 - Calcio; 6 - Howship; 7 - Tropos Horizontais: 1 - Calcitonina; 2 - Osteoporose; 3 - DXA; 4 - Balto; 5 - Anti; 6 - Rankl; 7 - Osteocito; 8 - Principal

6 - Substância liberada pelo osteoblasto para maturação, ativação e recrutamento dos osteoclastos. 7 - CÊlula responsåvel pela sinalização de defeitos ósseos, para que dê início o ciclo de remodelamento. 8 - Diz-se do efeito na redução de fraturas como efeito do tratamento da osteoporose.

mundo da densitometria apresenta muitas peculiaridades. Talvez a maior delas seja o dinamismo com o qual novos conceitos vêm sendo incorporados aos critÊrios de interpretação e laudos. Alguns deles são decisivos por possuirem impacto direto na pråtica mÊdica, podendo interferir diretamente na decisão mÊdica. Desde 2006, a ISCD vem recomendando com maior ênfase que a classificação diagnóstica por densitometria central seja baseada no pior segmento entre coluna lombar (L1-L4, sempre que possível, e nunca uma só vÊrtebra), colo femoral e fêmur total. Em 2006 a SBDens discutiu e adaptou as posiçþes oficiais da ISCD para a nossa pråtica, referendando, da mesma forma, a uniformização desse critÊrio no Brasil. EM 2008 esse assunto foi novamente apreciado e, mais uma vez, reforçou-se o conceito de que o diagnóstico Ê do paciente e não do sítio esquelÊtico avaliado. Assim, desde 2006, vårias clínicas de densitometria vem atualizando seus laudos para contemplar esse importante conceito. Independente desse critÊrio, não hå nenhuma recomendação atual para que se omita os valores de T-scores e Z-scores quando aplicåveis para as demais regiþes de interesse. Continua sendo extremamente útil para o

clínico o conhecimento desses dados em todos os sítios de relevância medidos pelo DXA. As figuras ao lado representam uma ilustração típica de parte de um laudo DXA, que contempla esses critÊrios discutidos acima. Nesse mesmo sentido, o emprego dos cålculos de Risco de Fraturas conforme o padrão FRAXŽ vem sendo amplamente difundido pelo mundo e, em alguns locais do país, essa idÊia, por ser extremamente intuitiva e atÊ mesmo sedutora, vem sendo utilizada em laudos para exprimir riscos. Em 2008, durante a realização do II Bradoo, um painel multidisciplinar foi realizado e debateu profundamente o assunto, levando em contra os prós e contras de uma eventual adoção desses critÊrios. Autoridades no assunto em nosso país foram ouvidas e, juntos, elaboraram um documento que, alguns meses mais tarde, foi publicado nos Arquivos de Endocrinologia e Metabolismo (Arq Bras Endocrinol Metab. 2009;53(6):783-90).

Essa importante publicação, que pode ser acessada pelos sócios da SBDens, www.sbdens.org.br, na årea reserva-

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da, revisita vários conceitos e princípios epidemiológicos e estatísticos, concluindo "…que se faz necessária a obtenção de mais dados epidemiológicos representativos da população brasileira para utilização da ferramenta FRAX®. Para isso, os estudos brasileiros deverão possuir características adequadas, como o delineamento prospectivo, avaliação da qualidade de vida, mortalidade e incapacidade física após as fraturas, levando em consideração a expectativa de vida da população brasileira e a análise de custos diretos e indiretos relacionados às fraturas por osteoporose. à luz do conhecimento atual, a utilização de qualquer um dos bancos de dados das populações, disponibilizadas pelo FRAX®, não é recomendada no Brasi." Uma alternativa válida e, relativamente segura, já discutida nacionalmente e que permanence como recurso opcional, é o emprego dos critérios publicados por Kanis em 2002 (Kanis JA, Diagnosis of osteoporosis and assessment of fracture risk. The Lancet, V:359(9321); 1929-1936, 2002) que estratifica os riscos de fraturas de femur proximal e para fraturas osteoporóticas importantes, usando a idade como referência. Ainda que seja amplamente reconhecido que outros fatores de risco possam influenciar no risco individual para futuras fraturas,

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o emprego da idade como fator independente da DMO permite uma melhor identificação de pacientes que, embora ainda não tenham alcançado T-scores muito baixo, podem já apresentarem riscos de fraturas elevados. Em 2010, no mês de Junho, será realizado na Europa um novo evento de revisão das posições oficiais da ISCD, desta vez com foco na utilização do FRAX®. Ao mesmo tempo, o pesquisadores se movimentam no Brasil para iniciarem um grande esforço conjunto visando a realização de um estudo com metodologia adequada para que, no futuro, conheçamos com maior profundidade quais são e qual o peso de cada fator de risco de relevância, o que levará a um enorme avanço na avaliação de risco de nossos pacientes e, possivelmente, numa melhor indicação terapêutica e utilização de recursos de saúde mais inteligente. Por enquanto, devemos reconhecer que os fatores de risco listados no modelo FRAX® são de grande relevância clínica e devem ser considerados no juízo para o processo decisório médico sem, no entanto, traduzirmos tais dados em números que estarão, certamente, distantes da realidade.

Sejam bem-vindos, congressistas do III Bradoo, Foz do Iguaçu 2009. A SBDens, a SOBEMOM e a SOBRAO agradecem sua participação e se colocam a sua disposição para que possamos, juntos, seguir crescendo. O Bradoo quer ser, cada vez mais, sua referência para que o campo das doenças osteometabólicas e da avaliação da saúde óssea tenham um futuro ainda mais promissor.

Bom Congresso! Sociedade Brasileira de Densitometria Clínica

Conectividade ossea 22  
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