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AGORA BINHI Cultura e Comunicação Regional

O Mercadinho Histórias, sabores e cores


EXPEDIENTE Edição e Diagramação ANDRÉ WALLYSON MARIO ALVES Projeto Gráfico ANDRÉ WALLYSON MARÍLIA OTERO MARIO ALVES MARIZÉ VIEIRA PRISCILA GAMA Reportagens e Fotografias ANDRÉ WALLYSON MARÍLIA OTERO MARIO ALVES MARIZÉ VIEIRA PRISCILA GAMA


Iniciar um projeto editorial não é tarefa fácil, mas com muita vontade e uma boa dose de sonho iniciamos o processo de edição da revista “Agora Binhí”. O projeto nasceu como blog e hoje nos desafia a alçar maiores vôos. O nome, que faz alusão a uma expressão lingüística muito falada na cidade, pretende guardar detalhes de uma cultura em plena transformação. “Agora Binhí” nasce com o intuito de informar sob uma nova ótica, notícias de uma cidade comumente retratada de forma pejorativa nas mídias tradicionais locais. Permeiam nossas páginas cultura, diversidade, costumes, personagens anônimos, curiosidades, sempre contados de forma leve, não abrindo mão dos valores jornalísticos que tanto prezamos. Agora Binhí quer ajudar o leitor a pensar uma nova Imperatriz, contribuir com uma reflexão saudável sobre nosso cotidiano. Arde em nossos corações a vontade de contar a história dessa cidade, e mais que isso, fazer parte da sua história. | Os Editores


ALEXANDRE MACIEL Jornalista e Mestre em Comunicação

MARCOS FÁBIO Jornalista e Doutor em Linguística

JORDANA FONSECA Jornalista e Fotógrafa

PAULO EDSON Estudante de Jornalismo

COLABORADORES


SUMÁRIO MINHA CIDADE Lado A

.6 Sobre homens e celas .10 O que é que o mercadinho tem? .14 Meninos do Rio .24 Escurinho do Samba

CULTURANDO Lado B

3. Expressões de Imperatriz 4. Não é mais do mesmoCinema 6. O Príncipe de ImperatrizTeatro 10. Okazajo Teatro 12. ‘‘Longe é um lugar que não existe’’ Música 16. Energia Lima Música 18. Sem ‘contra-indicação’ Lugares 20. Os livros são objetos transcendentes Livros 22. Quem faz com as mãos sabeArte dos calos


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ENCONTRO com ESCURINHO DO SAMBA E le traz na face um aspecto cansado, marcas de longos anos de luta, mas nos olhos, guarda um sorriso, uma expressão de quem apesar de sofrido pelas condições da vida, aprendeu a ser feliz. Ele ensina, e nós estamos aqui, atentos, dispostos a aprender um pouco com o Sr. Manoel Eugênio da Silva, que prefere mesmo é de ser chamado de “Escurinho do samba”. MARIZÉ VIEIRA, PRISCILA GAMA | Texto MARIO ALVES, PRISCILA GAMA | Fotos

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A

os 74 anos, Escurinho comemora o fato de guardar na memória as letras das músicas que compôs ao longo de uma vida. Analfabeto, nunca registrou as próprias composições, mas não erra. “Eu sou o escurinho do samba, provo com a minha cor, se você está duvidando, foi Jesus quem me pintou...” cantarola pra gente, com um sorriso largo. “Eu canto para lembrar meus amigos e meu tempo bom”, confessa. Conta ele que o apelido surgiu quando estava em Fortaleza, Ceará, participando de um concurso de dança. “Na rádio Iracema teve um concurso de dança e eu dancei. Na época fui campeão e ganhei 100 mil réis. Foi uma alegria maior por ficar conhecido por esse nome.” Natural do Piauí, já mora em Imperatriz há quase 40 anos. “Eu me considero filho dessa terra, fico feliz por viver aqui, aqui todos são amigos”, explica, ao deixar claro que considera Imperatriz o melhor lugar para ele. A cidade ganha uma aura mais pura nas canções de Escurinho. Parece até mais bela, licença poética à parte, ele pinta uma Imperatriz de quem enxerga com outros olhos, de quem acredita que as coisas podem mesmo melhorar. Das suas andanças por alguns cantos do país, com muita simpatia ele fala das alegrias que passaram, e das que, com esperança, chegarão. “Certa vez, fui a Belo Horizonte, Minas Gerais, a trabalho. Lá tive a oportunidade de conhecer com um amigo, o time de futebol do Cruzeiro. AGORA BINHÍ|8


Nessa época Tostão jogava nesse time. Pedi o nome de todos os jogadores do time. Daí, pedi licença para cantar uma música, na hora inclui o nome dos jogadores. Improvisado. Foi uma alegria grande por que todos cantaram, muitos vieram me abraçar. Foi um momento muito bom ver toda aquela juventude me aplaudir”.

música

trabalho

´´Eu sou Escurinho do Samba e provo com a minha cor...´´ Mas o Sr. Eugenio não vive da música. Sapateiro desde a adolescência, ele sustenta a família com o oficio que é uma herança. Aprendeu com o irmão, José, que aprendeu com o pai, e hoje, com orgulho, repassa aos filhos e netos. Perguntado se falta alguma coisa para a vida melhorar, Escurinho não pensa muito e com a resposta na ponta da língua deixa claro que não é preciso muito para ser feliz. Com a família, um cantinho pra trabalhar, os amigos e uma dose ou outra de pinga, ele explica que “a vida já está boa como está”. E é ali, naquele mesmo cantinho do camelódromo de Imperatriz que há 25 anos Escurinho trabalha cantando e tocando seu triangulo, fazendo amizades, conquistando a admiração de quem tem a oportunidade de sentar um pouco naquele banco gasto, e descobrir que é possível ser feliz em meio à adversidade, em meio às dificuldades da vida. AGORA BINHÍ|9

MINHA CIDADE

histórias


SOBRE HOMENS E CELAS PRISCILA GAMA | Texto ANDRÉ WALLYSON | Fotos

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lhares que perseguem passos, passos que espreitam olhares, cochichos ao pé do ouvido, receio expresso à flor da pele suada, pingando angústia pelos poros enquanto adentramos a um novo mundo. Somos estranhos nesse ninho de pássaros enjaulados. A sensação é mesmo esta: jaula. Os homens aqui são “desprovidos de asas, possuem vida, mas não sabem”. O odor que circula pelos corredores é de sujeira, comida estragada sendo preparada, suor, exclusão, punição, pena! Pena que perdura até descobrirmos suas histórias, o porquê de estarem nesse lugar. Pavor que se expressa nos olhares curiosos de estudantes ávidos por construir uma notícia, uma reportagem, ou quem sabe, um ensaio fotográfico. Estamos na Central de Custódia de Presos de Justiça, uma visita, uma descoberta e “um calor gélido e ansiado permanece na boca do estômago, uma sensação de: o que é mesmo que se passa? Um certo estado de humilhação conformada”. Manuscritos de presos indignados, outros apaixonados, alguns revoltados, dão alma às paredes do presídio. Tudo aqui parece ter vida, tudo parece gemer e gritar, anseio de liberdade imerecida, desejo de dignidade dispensada. Segredos vão sendo desvendados. “Sabe aquela primeira cela?”, diz um agente carcerário - “É de estupradores, eles não podem ficar com os outros (...) aquele rapaz de cabelinho encaracolado e olho azul já matou seis mulheres. A última ele estuprou, matou, esquartejou e queimou”. Pausa para o pasmo, arrepios e até choro de alguns mais AGORA BINHÍ|10 BINHÍ|6


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sensíveis. “Quero sair daqui”, disse uma colega. Mas é preciso abandonar o medo e o preconceito para percorrer estas celas. Assim é possível descobrir talentos, ouvir lamentos, saber de vidas estranhas, humanas, que no estado em que estão, dificilmente encontrarão um caminho de reabilitação. A estrutura do presídio nem de longe oferece saída e dignidade aquele que comete crimes.

CCPJ – A que se destina? A prisão, do ponto de vista sociológico, é um reflexo do poder soberano do Estado, constituindo-se num instrumento de controle social. Acerca da sua existência como manifestação do poder, Foucault afirma que “Prender alguém, mantê-lo na prisão, privá-lo de alimentação, de aquecimento, impedilo de sair, de fazer amor, etc., é a manifestação de poder mais delirante que se possa imaginar. (...) A prisão é o único lugar onde o poder pode se manifestar em estado puro em suas dimensões mais excessivas e se justificar como poder moral”. É relevante frisar, que nesse panorama se desenvolve um sentimento de injustiça nos presos que não são assistidos adequadamente pelos familiares ou advogados, bem como a ansiedade de vê-se julgado, o que às vezes demora o tempo suficiente do cumprimento da pena em abstrato. Não é bem o que acontece na CCPJ. Aqui existem condenados de justiça dividindo espaço com presos provisórios, em total desacordo com a lei.

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MINHA CIDADE AGORA BINHÍ|13


SOBRE HOMENS E CELAS PRISCILA GAMA | Texto e Fotos

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lhares que perseguem passos, passos que espreitam olhares, cochichos ao pé do ouvido, receio expresso à flor da pele suada, pingando angústia pelos poros enquanto adentramos a um novo mundo. Somos estranhos nesse ninho de pássaros enjaulados. A sensação é mesmo esta: jaula. Os homens aqui são “desprovidos de asas, possuem vida, mas não sabem”. O odor que circula pelos corredores é de sujeira, comida estragada sendo preparada, suor, exclusão, punição, pena! Pena que perdura até descobrirmos suas histórias, o porquê de estarem nesse lugar. Pavor que se expressa nos olhares curiosos de estudantes ávidos por construir uma notícia, uma reportagem, ou quem sabe, um ensaio fotográfico. Estamos na Central de Custódia de Presos de Justiça, uma visita, uma descoberta e “um calor gélido e ansiado permanece na boca do estômago, uma sensação de: o que é mesmo que se passa? Um certo estado de humilhação conformada”. Manuscritos de presos indignados, outros apaixonados, alguns revoltados, dão alma às paredes do presídio. Tudo aqui parece ter vida, tudo parece gemer e gritar, anseio de liberdade imerecida, desejo de dignidade dispensada. Segredos vão sendo desvendados. “Sabe aquela primeira cela?”, diz um agente carcerário - “É de estupradores, eles não podem ficar com os outros (...) aquele rapaz de cabelinho encaracolado e olho azul já matou seis mulheres. A última ele estuprou, matou, esquartejou e queimou”. Pausa para o pasmo, arrepios e até choro de alguns mais

O que é que o Mercadinho tem?

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O QUE É QUE O MERCADINHO TEM? ANDRÉ WALLYSON | Texto JORDANA FONSECA | Fotos

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inda são cinco horas da manhã. Enquanto parte da cidade dorme, outra, no coração de Imperatriz, segunda maior cidade do Maranhão, está bem acordada. Comprando, vendendo, trocando, negociando. O Mercadinho vive antes de o sol nascer e já movimenta o comercio local. Originada de pequenos comércios de carne que eram construídos com madeira e cobertos de palha, no então bairro Bacuri, o Mercado Vicente Fitz ou “Mercadinho”, como é mais conhecido, dá nome ao bairro onde está localizado atualmente e é uma das maiores feiras da região tocantina. De acordo com dados da Secretaria de Agricultura do Município, são cerca de 300 pontos formais e informais de comércio, contando somente com as duas quadras onde está localizada a feira, por onde passam diariamente cerca de 5 mil pessoas. Considerado pela população como uma referência na compra de diversas mercadorias, o Mercadinho passou por muitas modificações ao longo dos anos. Uma pequena feira que não era mais que um quarteirão no inicio da década de 1960, teve um grande crescimento com a chegada da rodovia Belém-Brasília e se tornou o maior centro abastecedor de hortifrutigranjeiros da região.

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O local, que é um verdadeiro universo paralelo, já passou por muitas dificuldades por causa de problemas antigos, como a falta de higiene e infra-estrutura, mas melhorou no ano de 2003. Depois de passar por uma reforma, reinaugurou com o nome de Mercado Vicente Fitz. Em Imperatriz, o Mercadinho é sinônimo de diversidade, em nenhum outro lugar da cidade e da região se encontra tanta variedade de mercadorias que vão de alimentos e remédios a eletrodomésticos. São várias feiras em uma só. MINHA CIDADE

Troca – troca É muito comum em feiras de todo o Brasil a existência dos troca-trocas, no mercadinho em Imperatriz não poderia ser diferente. Esse tipo de comércio consiste em comprar, vender e principalmente trocar qualquer tipo de mercadoria e no Mercadinho se troca de quase tudo. Neste setor da feira encontra-se uma variedade de produtos que é de impressionar. São TVs, aparelhos de som, microondas, geladeiras, fogões, celulares, computadores, carros, motos, bicicletas, brinquedos, relógios e muitas outras mercadorias que são vendidas a preços acessíveis

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cestas, tapitis, abanos, potes de barro, vassouras, negociados no ato da compra ou trocadas por outro objeto de valor equivalente. José de Ribamar Bezerra Lima trabalha no Mercadinho desde 1979 e conta que já viu de quase tudo enquanto trabalhava no troca-troca. “Outro dia um cara me apareceu com um macaco prego querendo trocar numa TV de 14 polegadas. Não fizemos negócio porque fiquei com medo de ter problemas como o Ibama, mas depois ele trouxe dois cachorros de raça e tudo deu certo. Aqui a gente troca até mulher de 50 anos por duas de 25”, conta, com bom humor característico de quem trabalha nesse setor. José de Ribamar afirma ainda que o único ponto negativo do troca-troca são os problemas com a polícia que, volta e meia, realiza operações fechando comércios e apreendendo mercadorias que não tem os documentos legalizados. Mas ele ressalta que “quem não deve não teme” e por isso já está há 30 anos neste negócio, que para ele é um vício. “Isso aqui é como uma droga, você começa e não consegue mais parar. Certa vez fiz uma viagem que era para durar dois meses, não fiquei fora nem 20 dias. Eu amo isso aqui”.

A moda do mercado Numa organização que segundo Agenor Jesus Almeida, 74 anos, aconteceu naturalmente, uma área do Mercadinho é dedicada exclusivamente à venda de roupas, calçados, bijuterias e acessórios. Agenor conta que na década de 1970 ele era um dos poucos que vendia confecções naquela área e por isso não tinha lugar fixo. Chegava bem cedo, armava uma lona no chão e pronto, a mercadoria estava exposta. Seus principais clientes na época eram as pessoas que trabalhavam no próprio Mercadinho e que não tinham tempo de se deslocar até o centro da cidade para fazer compras. “A moda aqui segue o ritmo do que passa na TV, a diferença AGORA BINHÍ|18


MINHA CIDADE

é que é mais barato que em outros lugares. Daqui eu tirei o dinheiro para criar meus quatro filhos e hoje o mais velho trabalha aqui comigo”. Andando pelos corredores não é difícil encontrar histórias de famílias inteiras que passaram o trabalho no Mercadinho de geração para geração. “O gosto por esse lugar parece correr nas veias. Eu desde pequena ficava fascinada vendo minha mãe vender os calçados aqui”, declara Maria Zuleide de Sousa, 17 anos, uma das mais jovens do setor de moda que afirma acompanhar a mãe desde os oito anos de idade. “Eu sempre comprei roupas e calçados aqui no Mercadinho e ninguém nunca achou as roupas que uso e que vendo cafonas”, ressalta Ana Priscila do Nascimento, cliente de Zuleide que compra confecções no Mercadinho para revender na cidade de Dom Elizeu, no estado do Pará.

Sabores e os cheiros Nordestinos, paraenses e pessoas das mais variadas regiões do país deixaram como herança para a cidade de Imperatriz sabores e temperos que marcaram e fazem parte de nossa cozinha. Para encontrá-los não existe melhor lugar que o mercadinho. São quase 120 pontos de vendas dedicados somente a alimentos, que vão de carnes, frutas e verduras a temperos exóticos preparados na hora. São esses temperos que dão um cheiro especial, que chega a disfarçar o odor vindo dos esgotos a céu aberto nas ruas que cortam o mercado. Francisca Piauí presta serviço para a empresa que cuida da limpeza do setor há três anos. Ela conta que no mercadinho, apesar de ter ela e mais sete colegas cuidando diariamente da higienização do local, é difícil mantê-lo limpo. Segundo Francisca, a população que frequenta e que trabalha no local ainda não se conscientizou de que o lixo causa danos a própria saúde. “Aqui como todo lugar tem seu lado bom e ruim. Eu sou amiga de todos daqui

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e, além disso, já encontrei muita coisa de valor em meio ao lixo. Essa é a parte boa, porque também existe muita gente que não respeita o nosso trabalho e já tentaram até me agredir, mas nada que uma pá não resolva”, conclui, dando risada. As frutas regionais têm destaque tanto pelas cores como pelos preços que costumam ser bem baixos em relação a outros locais de venda na cidade. Cupuaçu, manga, açaí, castanhas, melancia, banana, murici, cajá, buriti e pequi são só algumas dessas frutas que têm a vantagem de serem originadas, em sua maioria, de plantações da própria cidade. Na hora das refeições opções não faltam. José Anselmo de Oliveira, o “Neguinho”, começou a trabalhar no mercadinho em 1969. Segundo ele, o comércio era basicamente de carnes e verduras e por isso decidiu que não queria vender algo que já tivesse por lá. Foi então que começou a vender café da manhã em uma “banquinha” que hoje é uma lanchonete, ponto de referência para se alimentar dentro da feira. “A vida inteira tirei o sustento da minha família aqui deste lugar, não me vejo mais trabalhando fora daqui, já é parte de mim”. Além das bancas de frutas e verduras, é muito comum ver pequenos restaurantes que comercializam comidas típicas da cidade. Panelada, cozidão, sarapatel, galinha caipira, chambarí, caldeirada de peixe, buchada de bode, assado de panela e caças são alguns dos principais pratos, que são sempre servidos com pimenta, limão e farinha de mandioca, por preços que não ultrapassam os seis reais. Antonia Catarina de Jesus, 93 anos, conta que quando chegou ao Mercadinho em 1972 vendia cuscuz para as pessoas que iam ao local, bem cedo, para fazer compras ou comercializar suas mercadorias. Aos poucos a clientela foi crescendo e

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Artesanato e cultura As bancas de artesanato são em número bem reduzido no Mercadinho. De acordo com a administração do local, isso se dá devido a pouca divulgação turística que a feira tem. As barracas que trabalham nessa área normalmente vendem artigos artesanais que são de utilidade diária de muitas pessoas que vivem da pesca e da agricultura. São coufos, quibanos, jacás, colares, cestas, tapitis, abanos, potes de barro, vassouras, espetos e outros objetos produzidos por artistas que utilizam o barro, madeira, pedra, metal, palha, coco, cordas e o couro como matériasprimas. A música também é algo muito presente nas ruas do Mercadinho. Além do comércio de CD's e DVD's piratas, normalmente vistos, existe a rádio Cipó, que faz comercial do comércio daquele setor e, a pedidos da população, toca muito forró e música

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MINHA CIDADE

Antonia passou a vender refeições. O cardápio característico da cidade possibilitou o crescimento do negócio, que atraiu outras pessoas para o ramo. De acordo com Antonia, foram 20 anos de trabalho em um lugar pela qual ela afirma até hoje ser apaixonada. Suas filhas também trabalhavam lá, cada um com o seu restaurante. Devido à idade avançada, Antonia teve que deixar o trabalho em 1992. “Mas foi de lá que eu tirei o sustento da minha família inteira, são cinco filhos e 17 netos, todos educados na base da panelada, do chambarí, do cozidão e do sarapatel”. Segundo a ex-dona de restaurante, trabalhar no Mercadinho só lhe trouxe experiência de vida e muitas alegrias. “Viver ali era bom demais, fiz amigos que nunca esqueci, sinto saudades demais”.


de gosto popular, ou ainda, alguém imitando o cantor Michael Jackson, ou fazendo mágicas em troca de moedas, que são dadas pelo público impressionado com o trabalho desses artistas.

O povo Maria Augusta Félix é cliente do Mercadinho há 40 anos e diz que vai todos os dias lá para fazer suas compras. Ela conta que já é amiga da maioria dos comerciantes e até quando não tem dinheiro sai de sacolas cheias. “Venho aqui quando estou feliz, quando estou triste e até mesmo quando estou doente”. Mas se Dona Maria vai ao Mercadinho quando está doente não é por outro motivo. Lá também se encontra uma incrível variedade de remédios naturais para doenças que prometem curar de uma simples gripe ao câncer. Além destes, vendem-se também plantas, sementes, frutos e raízes que prometem verdadeiros milagres como a garrafada “chama marido”, facilmente encontrada nas barracas especializadas que tem como campeão de vendas o Viagra natural, feito de uma série de misturas prometendo fazer o casamento “pegar fogo”. E assim é este lugar tão importante da grande Imperatriz. O Mercadinho é um lugar de cheiro, cores e sabores, mas é principalmente um local de histórias, lembranças e esperanças de um povo trabalhador e persistente que “como todo brasileiro, não desiste nunca”. Só precisa ser mais valorizado pelos governantes e pela própria população como um bem cultural de Imperatriz.

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Ensaio Fotográfico

MENINOS Fotos | ANDRÉ WALLYSON, MARÍLIA OTERO MARIO ALVES, MARIZÉ VIEIRA e PRISCILA GAMA

Elemento peculiar da cultura regional, o rio Tocantins inv crepuscular do fim da tarde imperatrizense meninos se ref AGORA BINHÍ|24


DO RIO

voca relações afetivas com o povo. Na luz frescam do “calor que provoca arrepio”. AGORA BINHÍ|25


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MINHA CIDADE

Meninos do Rio AGORA BINHÍ|27


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Revista AB  

Comunicação e Cultura Regional

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