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1ª Edição Julho - 2012 Vila Velha - ES


EDITOR RESPONSÁVEL Uziel de Jesus EDITORA Daiane Benedet REVISÃO Therezinha Costa Andrea Gatto CAPA Willian Reigoto Teixeira DIAGRAMAÇÃO Samuel Medeiros ILUSTRAÇÕES Yasmim Juliace FOTOGRAFIA Jordan Silveira Ponce Copyright © 2012 — Above Publicações 1ª edição Todos os direitos reservados pela autora. É proibida a reprodução parcial ou total sem a permissão escrita da autora.

www.aboveonline.com.br Ficha Catalográfica R277d Reis, Selma Nardacci dos Desconcertante : poesias e crônicas nardaccianas / Selma Nardacci dos Reis; ilustrado por Yasmin Juliace . – Vila Velha : Above publicações, 2012. 160 p. ; 14x21 cm. ISBN 978-85-8219-0007-4 1.Literatura brasileira. 2.Crônica. 3.Poesia. I.Título

CDU 869.945 Catalogação na publicação: Bibliotecária: Andréa da Silva Barboza – CRB7/6354


Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: “Buscai sempre a Sua face.” (Agostinho de Hipona)


Dedico este livro aos Quatro Queijos da minha vida: Itarny Sampaio, Willians Nardacci, Vicente Gaúcho e Gerson José. Dedico de modo especial à Arthur Lima Garcia que está sempre a nos lembrar as palavras do Mestre: “O que a mão direita dá a esquerda não precisa saber.”


Apresentação Inicialmente registro e compartilho a imensa alegria com que recebi o convite para fazer a apresentação desta obra, que reúne uma apreciável coletânea de poesias e crônicas que retratam um pouco do cotidiano da autora - seja como mulher-cidadã, mulher-mãe, mulher-professora, mulher-religiosa, mulher-dinâmica, mulher-guerreira e, principalmente, mulher-verdadeira. Sempre muito atenta aos acontecimentos do seu dia a dia em família, no trabalho e em sociedade, aborda assuntos muito próximos da realidade da maioria das pessoas, daí a importância dos temas trazidos à baila como fator de reflexão sobre o ego e sobre o universo em que habita a espécie humana. Selma Nardacci é natural da cidade do Rio de Janeiro, é casada, mãe de quatro filhos, Camila Sofia, Itarny, Carlos Alexandre e Caíque. Desde 2003, mora com sua família na cidade de Santa Maria Madalena, onde, pela sua grande capacidade de comunicação e articulação - apesar do pouco tempo na cidade - nos deixa a todos com a impressão de que já seja moradora antiga entre nós. Essa impressão é fruto também da sua intensa participação nos meios culturais, educacionais, ambientais, desportivos e sociais madalenenses. Sua formação como bacharel em História, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e pós-gradu-


ada em Educação Ambiental, pela UNICID, bem como sua atuação como professora da disciplina de História no Colégio Estadual Barão de Santa Maria Madalena e colunista do Jornal O Madalenense, também contribuem sobremaneira para revelar o seu jeito de ser e de acontecer na terra do 3º melhor clima do Brasil – Santa Maria Madalena – RJ. Como acontece com todos os que chegam a nossa cidade, Selma Nardacci foi impactada pelos encantos de Santa Maria Madalena, uma paixão que teve início numa visita que fizera à cidade em 2003, quando da realização do desfile escolar comemorativo pelo aniversário de emancipação político-administrativa do município. Naquele dia, Selma, olhando para a Igreja Matriz e observando a nave do templo apontada para o céu, disse para si mesma: - Um dia vou morar aqui! Não Sabia ela que os moradores mais antigos há muito propagam a lenda de que, quem bebe ou se banha nas águas de Santa Maria Madalena, fica de vez ou volta para ficar. Como que obedecendo a uma profecia, passado um tempo, aqui estava ela de volta, e desde então a inspiração para suas crônicas e seus poemas tem como fonte as belezas que serviram de berço natal à imortal Dercy Gonçalves. Em agosto de 2010, a autora viveu um acontecimento de grande importância para a sua vida: o lança-


mento do seu primeiro livro, “A Menina da Casa Preta”, que deu o pontapé inicial na sua carreira como escritora. Reconhecida e incentivada pelos seus leitores, registrou no livro ideias, opiniões, questionamentos e fatos da vida real, sempre de forma criativa, emotiva, bem-humorada, não deixando de fora o espírito de solidariedade, sinceridade e religiosidade sempre presentes no seu dia a dia. Agora, neste novo trabalho, a autora, habilidosamente, ao mesmo tempo em que seduz convida o leitor - seu grande aliado – a fazer importantes reflexões sobre a vida e o universo, retrata um cotidiano que é o seu, é o meu, e é o nosso, estando aí o grande mérito de “Desconcertante”. Com exceção de Amâncio Soares, é certo que os leitores serão levados pela criação da autora a uma longa viagem, como quem, numa Ferrari de fogo ou num foguete que cruza o espaço, totalmente sem noção, deixa para trás as lembranças de um domingo cheio de inspiração; a lógica do capitalismo; os demônios e os fantasmas que existem dentro de nós; e na hora H, acerta na mosca o pé de macarrão plantado por Cidnelson e Cidcreuza. Ou como os gigantes que falam grosso, alto ou baixinho e, após terem calçado uma chuteira com cinco travas e chupado uma manga, uma rápida camuflagem, pintando de dentro da banheira com cara de baleia um quadro que mostra o Príncipe da Paz anunciando ao mundo a mais nova criação da escritora que não se contenta nunca em apenas assis-


tir a banda passar, mas a acompanha para baixo e para cima, no ritmo de quem está predestinado, não a reger uma banda, mas, a ditar o tom que move a vida dos que sabem que existe uma verdade. È uma verdade que está com Selma Nardacci e com todos os que se debruçam nas suas análises, opiniões, sugestões, críticas, verdades, loucuras, imaginações, ficções, sonhos, fantasias, vaidades, emoções e realidades... Afinal, a autora é um pouquinho de cada um nós e sua obra retrata o muito que somos ou pensamos ser... Aos leitores, desejo uma boa leitura. A Selma, muito obrigado!

Nestor Lopes


Desconcertante

Sumário Apresentação 9 Quixoteando *&%@b#&!b*@$?&b*+$$@ 15 Desconcertante 20 Ferrari de Fogo 24 Uma Banheira com Cara de Baleia 29 Com Exceção de Amâncio Soares... 31 Isso Daria um Texto 35 Os Demônios que Existem Estão Dentro de Nós 38 O Biscoito e a Formiga 43 Uma Chuteira e Cinco Travas 47 Fala Grosso e Fala Baixinho 49 Fantasma 52 Hoje Chupei Manga 55 Maria de Nazaré e Capitu 57 Depois Dizem que as Plantas não Têm Sentimento 60 Essa Paixão está me Cegando 63 Às Vezes, Aparecem Gigantes Falando Grosso e Fazendo Alarde 66 Vá Pescar 70 Bater Laje 72 Síndrome de Eva 74 Está Tudo Bem com Você? 79 Quando a Coisa Estiver Preta, é Por Jesus que se Deve Clamar 81 13


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Ano Novo, Casa Nova 84 “A Minha Paz Vos Dou” 89 Existe uma Verdade que o Tempo não Conseguiu Refutar 92 Príncipe da Paz 95 “O Sol da Justiça” Por Amor e não por Medo 101 Exceções 105 Hoje é Domingo 108 Inspiração 110 Nascimento de Jesus Oriente X Ocidente 112 Lembranças 114 Eu Sou da Época da Prateleira 116 “Na Hora H” 118 Um Foguete que Cruza o Espaço 121 Deus Tem Voz e Canta para Mim 125 O Quadro 127 Camuflagem 129 Pé de Macarrão 132 “Acertei na Mosca” 134 Quatro Queijos e uma Incógnita 137 Cidnelson e Cidcreuza 141 Cafuterapia 145 A Lógica do Capitalismo em Ação 147 Deixo para Trás 151 Sem Noção 153 Cara de Caixote 156 14


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Quixoteando *&%@b#&!b*@$?&b*+$$@ O mundo está cheio de quixotes, pessoas completamente loucas que não imaginam o grau de loucura que têm. Em cada família há “um maluco beleza” e, não fossem o tal do relativismo cultural e os avanços da psiquiatria, todos estariam internados na clínica do dr. Eiras. O Alienista e Dom Quixote, leituras obrigatórias para os pirados que se consideram “normais”, ajudam a compreender o nível de loucura de cada um. Seus protagonistas ensinam a entender o funcionamento da sociedade pelo viés da loucura, uma experiência mais do que gratificante. E se depois da leitura, sua paixão por malucos aumentar, assista a Um Estranho no Ninho; dicotomia de lucidez e loucura, prova perfeita de que os loucos é que deveriam dominar o mundo. O problema é que a humanidade está sempre atrasada. Os pirados do passado são os heróis do mundo atual; eles ensinaram na prática que os sonhos têm que ser perseguidos, mesmo que o mundo ainda não esteja devidamente preparado para eles... Os loucos do 15


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passado tinham a cabeça no futuro e não se importavam com paradigmas e ideias pré-estabelecidas. A figura de Einstein, com a língua para fora e o cabelo arrepiado, não causa estranhamento porque ele era “o cara”. Agora, imagine eu, com a língua para fora na carteira de identidade? Ninguém me daria emprego! Joana d’Arc, hoje canonizada, foi uma demente muito corajosa e Raul Seixas é aquele que nunca sai de moda, “controlando a maluquez” dos que não podem assumir a carreira de doidos varridos porque a sociedade não deixa. Falar em doido varrido... Jesus foi um doido de carteirinha! Não é heresia não! Ele mudou o mundo, o calendário, a religião, o Direito e a forma de encarar a vida – através do amor, que é outra loucura. Loucura que o levou à morte. Os loucos pagam um preço muito alto para mudar o mundo. Que o diga Dom Quixote de La Mancha, Cavaleiro da Triste Figura, que quase morreu por amor à Dulcinéia del Toboso. Em contrapartida, os loucos ficam eternos na memória da humanidade. Todos querem acabar com eles porque dão trabalho, falam demais, pensam excessivamente, trabalham com afinco e questionam os que não querem ser incomodados, os que acham que “em time que está ganhando não se mexe”. Coisa nenhuma! 16


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O placar poderia ser muito melhor. Já fui chamada de maluca e tenho orgulho dessa denominação que conquistei quase – veja bem, quase – a duras penas. A história aconteceu mais ou menos assim: eu estava no Rio de Janeiro, quando peguei um ônibus em Madureira, por volta das quinze horas, sentei no banco de trás e acabei cochilando. Quando acordei, a condução estava lotada e o lugar aonde eu pretendia saltar passava diante dos meus olhos. Esbaforida, puxei a cordinha e gritei: – Motorista! Pare o ônibus que eu vou saltar! Enquanto tentava atravessar o corredor, esbarrando e comprimindo as pessoas, o ônibus continuava andando. Comecei a perceber que os passageiros não abriam espaço. Dei novo grito, agora mais alto: – Motorista mouco! Pare essa droga que eu estou passando! Depois de muito sufoco, finalmente cheguei à porta, mas com tanta raiva que perdi as estribeiras: – Ah! Vocês são todos culpados! Ficam no meio do caminho e não deixam ninguém passar! *&%@b#&!b*@$?&b*+$$@ Mal acabei de falar, pulei do ônibus para salvar a pele, pois o povo, enraivecido, posicionava-se contra mim. 17


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O motorista, fiel escudeiro, prevendo um linchamento e dando uma de Sancho Pança, arrancou com o veículo, fechando todas as portas. Mas, a gentalha, insatisfeita, colocando a cabeça na janela, gritava em uníssono, com sílabas separadas: – Ma - lu - ca ! Ma - lu - ca !

Ma - lu - ca !

Sinceramente, eu não esperava ser contemplada com título tão importante. Apenas surtei, quixoteei, larguei o verbo: – *&%@b#&!b*@$?&b*+$$@ Q=# R=$ T=% U=& A=@ E=! I=? O=+ P=* b= espaço. 13 de Novembro de 2011

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Desconcertante Acabei de receber uma visita importante. Um amigo que não quis que eu revelasse seu nome. Uma figura destituída de vaidade. Que delícia! Foram duas horas de conversas desconcertantes. No final, chegamos à conclusão de que Jesus desconcertava todo mundo com atitudes inusitadas. Imagina... Entrar em Jerusalém em cima de um jumentinho, enquanto todos o esperavam no “Cavalo Branco de Napoleão”. Caso Jesus viesse a Santa Maria Madalena, desfilaria pela rua Barão dirigindo o TL verde do Gersinho, que é o mais próximo do jumentinho da época. Isto porque ele era destituído de vaidades. E como não tinha vaidade, não pensava igual a todo mundo. Por isso, escolheu homens desconcertantes, rudes, pescadores ignorantes para conduzir o Cristianismo. Tinha até ladrão no colégio apostólico. Jesus estava lhe dando uma chance, mas ele achou que Jesus não valia a pena e o vendeu por trinta moedas de prata. Tem gente que só pensa em dinheiro. Jesus foi o maior dos antropólogos. Relativizou dentro da cultura judaica, o que era uma coisa difícil, e tudo na mais perfeita diplomacia, exceto no dia em que chicoteou os vendedores que estavam fazendo da Casa 20


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do Pai dele uma “casa de negócios”. Olha o dinheiro aí de novo. A única vez em que Jesus se desconcertou foi nesse incidente. E, neste caso, não teve tolerância. Saiu da linha mesmo. Surtou! E toma chibatada! Ele deveria aparecer de novo. Tem um grupo aí precisando daquelas chicotadas... Não sei como não aprendem... As Escrituras são tão óbvias! Não se pode vender a salvação, ela é de graça: “Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós. É dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”. Escrituras Sagradas – Bíblia. Surtar! Esta palavra agora está na moda. Há um surto de surtos à solta. Até nisso tem ensinamento. Surtar, vez por outra, é normal. É bom chutar o pau da barraca, sair do sério, abrir o verbo, mandar todo mundo às favas. Estou até vendo – na mente, é claro – aquele monte de vendedores, cambistas, com os olhos arregalados, dinheiro voando para tudo quanto é lado... E Ele lá, com aquele chicote, sozinho, enfrentando a máfia da religião. E toma chibatada! Ah! Essa é a parte da Bíblia que eu mais gosto! 21


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Olha... O que deve ter tido de gente levando prejuízo! É bem provável que tenham encomendado uma surra daquelas... Mas Ele sempre dava um jeitinho de “sair pela direita”. Confesso que tem coisas que eu não entendo no Mestre, mas respeito. Não me conformo de Ele ter permitido a degola de João Batista. Sei que João também “perdia a cabeça”, desconcertava-se com gente graúda, o que era perigoso! Minha opinião é que Jesus deveria ter surtado só mais uma vez, umazinha só, indo até Herodes, “aquela raposa velha”, e lhe dado umas boas lambadas. O Lázaro, que já estava morto havia quatro dias, Ele resolveu ressuscitar. João, que estava prestes, agora literalmente, a perder a cabeça para uma bandeja, Ele deixou morrer. É difícil entender isso! Como se tenta explicar tudo, dizem que João era Elias, aquele que foi transladado; subiu ao céu “numa Ferrari de fogo” e depois voltou para batizar no rio Jordão. Então, ele seria um “morto que não morreu”. Foi degolado por Herodes e reapareceu no Getsêmani. Mistérios! O desconcertante me atrai. Não consigo mais ver o desconcertante como desagradável ou ruim. Depois 22


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que reli tantas vezes O Menino do Dedo Verde, ando desconfiada até da minha sombra, que anda enfileirada atrás de mim. Ando apaixonada até pelo “Seu” Madruga e por todos aqueles que não foram como todo mundo, uniformes ou certinhos demais. Jesus Cristo, Gandhi, Dom Quixote, Luther King, Nelson Mandela, Joana d’Arc, Tistu, o Pequeno Príncipe... Gente boa! Não usaram grandes recursos materiais para mudar o mundo. Apenas o corpo e a mente. O problema é que quando aparece alguém diferente, de boa vontade, o povo confunde com vaidade, e acaba enquadrando o diferente no grupo dos normais. Insistem em ideias pré-fabricadas e normas pré-estabelecidas. Desconsideram a possibilidade de existir, em cada dez dedos, um polegar que seja verde. 11 de Junho de 2011

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Ferrari de Fogo – Itarnyzinho! Vem ouvir uma história da Bíblia. – Ah não! Eu quero uma história inventada de sua cabeça e que tenha carro. Tive que pensar rápido. – Essa que eu vou contar é da Bíblia e tem carro. – Naquela época não existia carro. – Existia sim, filho. Era um carro diferente, mais veloz do que uma Ferrari. O motorista usava uma habilitação especial que até hoje só ele conseguiu. – Então, conta. – Existia um homem chamado Elias, que não ligava pra nada nessa vida, a não ser agradar a Deus, aí... Bastou falar o nome de Elias e a Camila Sofia gritou lá da sala: – Itarnyzinho! Não é carro nada! É carruagem! – Ah! Então não serve. – Carruagem e carro são a mesma coisa. Os dois não têm roda? – Tá. Só vou escutar durante a propaganda da 24


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Desconcertante - Selma Nardacci  

Crônicas e Poesias Nardaccianas

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