Page 1

Mensagem do

PRESIDENTE Divulgação ABORL-CCF

Márcio Abrahão

É

com muito orgulho que trazemos para você os resultados do primeiro congresso deste ano, o III Combined Meeting, que trouxe nessa edição profissionais de Foniatria, Otoneurologia e Otologia. Com 464 inscritos, o evento ofereceu três dias de programação científica intensa, com cursos hands-on que focaram na prática diária do otorrino e que foram um sucesso. Agradeço a todos os que compareceram e que tornaram esse evento um dos melhores já vistos! Durante o Combined, aconteceu, também, o II Exame de Suficiência para Obtenção do Certificado da Área de Atuação em Foniatria, uma grande conquista para os profissionais dessa área. Além disso, foi realizada a Assembleia Geral, na qual foram discutidos e aprovados dois temas de imensa relevância para a ABORL-CCF. O primeiro deles é a consulta eletrônica aos associados, que permite a participação virtual nas discussões de temas relevantes e que é essencial para aumentar o engajamento do associado,

acompanhando o ritmo do desenvolvimento tecnológico em que vivemos. O segundo é sobre a participação de não médicos em eventos da ABORL-CCF, uma conquista primordial para a formação de todos, com uma visão multidisciplinar no atendimento do nosso paciente, sempre em conformidade com a Lei do Ato Médico e com as prerrogativas estatutárias da Associação. Com a aproximação do 48° Brasileiro, novas decisões começam a se estabelecer e o evento vai se tornando ainda mais concreto. Com a programação social definida, podemos dizer, em primeira mão, que teremos uma das festas de encerramento mais promissoras do evento, com a presença das bandas Falamansa e Paralamas do Sucesso. Além disso, na cerimônia de abertura, a presença de Dr. Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, promete levar a todos importantes reflexões sobre a longevidade e seus impactos nas sociedades brasileira e mundial. Nos vemos em João Pessoa!

Diretoria 2018 Presidente Dr. Márcio Abrahão - São Paulo (SP) Primeiro Vice-Presidente Dr. Luiz Ubirajara Sennes - São Paulo (SP) Segundo Vice-Presidente Dr. Geraldo Druck Sant’Anna - Porto Alegre (RS) Diretor-Secretário Dr. Edson Ibrahim Mitre - São Paulo (SP) Diretor-Tesoureiro Dr. Leonardo Haddad - São Paulo (SP) Diretor-Secretário Adjunto Dr. Ronaldo Frizzarini - São Paulo (SP)

Diretora-Tesoureira Adjunta Dra. Renata Dutra de Moricz - São Paulo (SP) Assessores Dr. Fernando Veiga Angelico Junior - São Paulo (SP) Dr. Rodolfo Alexander Scalia - São Paulo (SP) Dr. Eduardo Baptistella - Curitiba (PR)

PRESIDENTES DOS COMITÊS Comitê de Eventos e Cursos Dra. Thais Knoll Ribeiro - São Paulo (SP) Comitê de Comunicação Dr. Marco Antonio Dos Anjos Corvo - São Paulo (SP)

Comitê de Educação Médica Continuada Dr. Thiago Freire Pinto Bezerra - Recife (PE) Comitê de Ética e Disciplina Dr. Marcelo Miguel Hueb - Uberaba (MG) Comitê de Residência e Treinamento Dr. Eduardo Macoto Kosugi - São Paulo (SP) Comitê de Título de Especialista Dr. Fernando Danelon Leonhardt - São Paulo (SP) Comitê de Defesa Profissional Dr. Paulo Saraceni Neto - São Paulo (SP) Comitê de Planejamento Estratégico Dr. Jose Eduardo Lutaif Dolci - São Paulo (SP)


5 Carta ao leitor 6 Conquistas: Conheça a ouvidoria: novo canal de comunicação para os associados da ABORL-CCF 8 Páginas azuis: Mindfulness: saúde mental em foco 12 Brasileiro: fique por dentro da programação 14 Gestão e carreira: Corte no orçamento: como reduzir os gastos pode auxiliar na gestão do consultório 18 Capa: Cobrança no atendimento particular: qual opção escolher? 24 Conduta Médica: Consulta médica

R$ 100,00 Cancel

Enter

26 Internacional: Globalização da informação: facilidade na educação do médico 30 Vox news 34 Qualidade de vida: Badminton: uma paixão inusitada 36 Educação médica continuada: Casos clínicos 38 ABORL-CCF em ação: Conheça mais sobre o Departamento de ORL Geriátrica 40 O que diz a Lei: Publicidade médica sob a ótica do Conselho de Classe 42 Imagem destaque


EXPEDIENTE ABORL-CCF

CARTA AO

LEITOR Trabalho e consolidação

Marco Antonio Corvo Presidente do Comitê de Comunicações

VOX Otorrino Presidente: Marcio Abrahão

Comitê de Comunicações:

Alexandre Beraldo Ordones Allex Itar Ogawa Fabrizio Ricci Romano Ingrid Helena Lopes de Oliveira Marco Antonio dos A. Corvo Maria Dantas C. L. Godoy Renata Dutra Moricz Ricardo Landini Lutaif Dolci

Assistente de Comunicação da ABORL-CCF: Aline Pereira Cabral

Editora-chefe:

Gabriela Rezende

Revisão: Leonardo de Paula

Reportagem:

Bárbara Mello, Julia Lins, Paula Netto e Silvia Buzinari

Fotos:

Divulgação, arquivo pessoal e Gabriela Rezende

Diagramação:

Douglas Almeida, Monica Mendes e Tatiana Couto

Produção:

DOC Content Fone: (21) 2425-8878

Periodicidade: Bimestral

Tiragem:

6.500 exemplares

O

mais simples conselho que se pode receber para o equilíbrio econômico de um consultório, de uma casa, de uma empresa ou de qualquer business é: a entrada de capital do negócio deve ser sempre maior que os custos para mantê-lo. Esse é o destaque desta edição da Vox Otorrino, a revista de todos os otorrinos do Brasil. A matéria de capa aborda como cobrar o paciente particular. Cheque, dinheiro ou cartão? Confira as dicas e as orientações que podem te ajudar a tomar sua decisão no assunto. Enquanto isso, a seção de Gestão e carreira dá dicas de como economizar em sua clínica, dos itens mais básicos aos mais complexos. Abordamos, igualmente, a publicidade médica, do ponto de vista legal. Você sabe se pode fazer publicidade de sua especialidade? Não basta ter somente o CRM e o título de especialista para se divulgar como otorrino, você sabia disso? Para balancear o tema “dinheiro”, aprenda a realizar o mindfullness nas Páginas Azuis, técnica de concentração que pode auxiliar você na tomada de decisões, em sua vida pessoal ou até mesmo na condução de um caso em seu consultório. Como em todas as edições da revista, apresentamos mais detalhes do Congresso Brasileiro de 2018, que está sendo minuciosamente preparado para atender a suas expectativas cientificas e, não obstante, suas necessidades para o congraçamento pessoal. Por fim, foram inauguradas duas novas formas de comunicação com nossos associados e que divulgamos nesta edição da Revista VOX: uma delas é a ouvidoria da ABORL-CCF - espaço destinado para encaminhar anonimamente seu relato sobre alguma situação que potencialmente está ferindo a ética da nossa especialidade. Os relatos são analisados e as decisões deliberadas de forma “cega” e anônima pelo Comitê da ABORL-CCF. Já o outro meio de comunicação é a seção de Imagem Destaque, um espaço para que você divulgue e compartilhe aquele caso peculiar que seus amigos precisam conhecer. Sua participação é mais do que bem-vinda nessa seção da VOX. Aproveite a leitura, que está fluindo muito fácil nesta edição. Saudações, Marco Antonio Corvo

Espaço do leitor

Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da ABORL-CCF.

Sugestões de pauta, críticas ou elogios? Fale conosco: comunicacao@aborlccf.org.br (11) 95266-1614

VOX Otorrino | 5


CONQUISTA S

Ouvidoria: novo canal de comunicação para os associados da ABORL-CCF

Associação institui ouvidoria para envio de denúncias relacionadas ao exercício profissional da Otorrinolaringologia

Por Bárbara Mello

C

om a responsabilidade de defender os princípios éticos, morais e profissionais da Otorrinolaringologia, o Comitê de Ética e Dis-

ciplina (CED) da ABORL-CCF recebe, continuamente, denúncias de colegas associados para a avaliação de possíveis desvios ético-disciplinares de outros otorrinolaringologistas. “Até então, essas denúncias deveriam ser feitas por escrito, com o denunciante obrigatoriamente identificado, devendo esse associado estar quite com a ABORL-CCF, ou ex officio pelo Conselho Administrativo e Fiscal (CAF), caso esse órgão tomasse conhecimento dos fatos, conforme o Estatuto Social da associação. Inclusive, sugiro aos colegas associados que revejam os parágrafos 19 a 22 desse documento para terem uma compreensão melhor dessa questão”, esclarece Dr. Marcelo Hueb, presidente do CED. 6 | VOX Otorrino


Contudo, foi observado que alguns associados que procuravam informalmente algum membro do comitê para relatar os possíveis desvios na prática da Otorrinolaringologia preferiam não se identificar oficialmente por questões variadas. “Para dar vazão a esse fluxo de queixas e para preservar o desejo desses ‘denunciantes’ em não se identificar abertamente decidimos propor ao CAF a criação de uma ouvidoria para a recepção das denúncias, o que foi aceito por unanimidade por esse órgão colegiado da ABORL-CCF. “A partir dessa decisão, o denunciante pode atender plenamente ao determinado em nosso estatuto, porém com sigilo absoluto quanto a sua identificação, caso seja seu desejo, sendo assegurado sigilo em ambiente eletrônico especificamente preparado para isso e controlado por nosso Departamento Jurídico”, informa Dr. Marcelo. No Departamento Jurídico da ABORL-CCF, Dra. Vania Rosa Moraes foi indicada para exercer o cargo de ouvidora. Dessa forma, o CED passará a receber as denúncias, sem identificação do denunciante ou do denunciado, caso essa formatação seja seguida, avaliará e julgará todos os casos e emitirá seu posicionamento, cujos trâmites vão seguir o estabelecido no Estatuto Social. “Essa avaliação ‘às cegas’ e a tramitação pelo CED, além do sigilo assegurado, serão de conhecimento da Ouvidoria e, caso necessário, do presidente do CAF, para os devidos encaminhamentos”, complementa o presidente do CED. Dra. Vania reforça que o Departamento Jurídico da ABORL-CCF é formado por advogados especialistas, que atuam em prol da associação e de seus associados de modo preventivo, consultivo e contencioso. “Sigilo, confidencialidade e ética são os princípios que balizam nosso exercício profissional e que serão estendidos e aplicados à ouvidoria”, destaca a advogada. Por meio do novo canal, o CED e o Departamento Jurídico acreditam que será possível manter uma atuação pautada nos valores éticos e disciplinares da Medicina. “Esperamos que a abertura desse novo canal possa favorecer a manutenção de nossa atuação, direitos e deveres como associados otorrinolaringologistas e fazemos votos para que estimule os colegas associados a se inteirarem cada vez mais acerca das determinações do Conselho Federal de Medicina. Nosso comitê estará sempre à disposição para esclarecimentos e orientações, no intuito de prevenir estas eventuais denúncias”, informa Dr. Marcelo Hueb.

A ouvidora terá a função de receber as denúncias dos associados e todo o conteúdo enviado será tratado estritamente como sigiloso. Caberá à ouvidora, mantendo o sigilo do denunciante, encaminhar a denúncia ao Comitê de Ética e Disciplina, para apuração dos fatos e deliberação quanto ao encaminhamento da questão.

A importância do CED

na ABORL-CCF Dr. Márcio Abrahão, presidente da ABORL-CCF, considera o CED um órgão de grande importância na estrutura da entidade e ressalta que, atualmente, com a massificação dos canais de comunicação e a rápida disseminação de notícias, é preciso atenção para manter a ética e a disciplina na Otorrinolaringologia. Para isso, o presidente acredita que é necessário ouvir os possíveis desvios sem expor qualquer associado. “Esse canal, além de responder aos anseios dos associados e manter seu caráter sigiloso, com certeza, será uma forma eficiente de detectar padrões e produzir diretrizes para a valorização da especialidade”, avalia.

VOX Otorrino | 7


PÁGINAS A ZU IS

Mindfulness: saúde mental em foco Por Bárbara Mello

Aplicada na Medicina, a prática de mindfulness envolve exercícios de treinamento da mente e da atenção, proporcionando benefícios para profissionais da área da Saúde e pacientes

A

técnica de mindfulness, também conhecida como “atenção plena”, é caracterizada como um estado mental que tem por base a experiência direta no momento presente. De acordo com Dr. Marcelo Demarzo, fundador e atual coordenador do Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde, a prática pode proporcionar benefícios na área da Saúde, tanto para profissionais como para pacientes. Em entrevista à VOX Otorrino, o especialista aborda o surgimento do conceito, sua presença no Brasil e como as atividades de mindfulness podem ser realizadas na prática. 8 | VOX Otorrino


VOX: Como o senhor define o termo mindfulness e a prática da atenção plena? Dr. Marcelo Demarzo: Existem várias definições, mas a maneira mais fácil de entender o termo é definindo-o como o treinamento de atenção. O aspecto de mindfulness é o estado mental. Seria um estado mental em que você está atento ao que está fazendo sem inspeções, diferente do piloto automático ou de viver desatento. O mindfulness pode ser caracterizado como um treinamento para voltar a atenção ao que está sendo feito no presente. Para que isso seja possível, existem práticas e cursos ou programas de mindfulness. Esses programas podem ser aplicados tanto às pessoas em geral quanto para prevenção ou promoção da saúde e da qualidade de vida, podendo ser voltado, nesses casos, para médicos e pacientes. Pacientes com depressão, por exemplo, são beneficiados pela prática de atenção plena, evitando recaídas. VOX: Quais são os principais conceitos e atividades apresentados nos cursos e programas de mindfulness? Quais profissionais estão habilitados a ser instrutores? MD: Em geral, o curso padrão é realizado uma vez por semana, durante duas horas, com duração total de oito semanas. Nesses encontros, os exercícios são praticados com a ajuda de um instrutor. Quando o aluno aprende como desenvolver as atividades, seguindo recomendações de exercícios para casa ou para o ambiente de trabalho, é possível incorporá-las no dia a dia. O instrutor que deseja trabalhar dentro de empresas deve ter uma formação adequada, como Administração ou Psicologia. Já no caso de trabalhos realizados com pacientes, de maneira geral, médicos, psicólogos e profissionais da área da Saúde estão habilitados a ensinar práticas de mindfulness. VOX: Quem foram os principais responsáveis pelos primeiros esforços e disseminação da prática de atenção plena? MD: Os conceitos de mindfulness já existem há milênios e estão presentes em diversas tradições humanas, como Islamismo e Cristianismo, mas, especialmente, no Budismo. Hoje, no entanto, esses conceitos são representados em uma linguagem contemporânea e acadêmico-científica – um processo que teve início há cerca de 40 anos. Nos Estados Unidos, Jon Kabat-Zinn, que foi professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts, desenvolveu

Orientações para a prática de

MINDFULNESS

Tente encontrar um local silencioso e com poucas distrações. O uso de proteção sonora para os ouvidos pode ajudar, em caso de locais barulhentos; Usar roupas confortáveis e adequadas à temperatura do local onde os exercícios serão praticados evita possíveis desconfortos durante a prática de mindfulness; Aconselha-se sentar ou deitar em uma posição que causa pouco ou nenhum desconforto. Para isso, o uso de colchonetes, travesseiros ou almofadas pode ajudar; Os olhos podem ser mantidos fechados ou abertos. Se abertos, devem ficar relaxados e sem foco específico; O tempo de duração da prática pode ser por períodos menores, no início (dois a três minutos), aumentado de maneira progressiva, de acordo com as possibilidades e necessidades de cada um; O apoio de um instrutor qualificado ou profissional de saúde é fundamental em casos de pacientes com alguma doença aguda ou crônica.

programas laicos, que não possuem vínculos com religiões, mas que trabalham com o conceito e com as práticas de mindfulness. VOX: E no Brasil? Quando a técnica de mindfulness passou a ser praticada com mais frequência? A prática é comum no país atualmente? MD: Stephen Little foi um dos primeiros profissionais a trazer a técnica de mindfulness para o Brasil. Contudo, a atenção plena ainda é um tema que se encontra no VOX Otorrino | 9


PÁGINAS A ZU IS

Divulgação

“Em geral, os exercícios envolvem o treinamento da atenção e utilizam muito o corpo. A técnica em si não é complexa. Você precisa encontrar um ponto, chamado de âncora, onde irá tentar manter sua atenção”

Dr. Marcelo Demarzo

imaginário dos brasileiros, pois aqui a presença não é tão concreta como nos Estados Unidos e na Europa. Ainda assim, observamos que há cinco anos, mais ou menos, vários setores da sociedade têm apresentado um maior interesse pelas técnicas de mindfulness. O Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde existe desde 2011 e é uma parceria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq). O ambulatório conta com uma equipe de pesquisadores da universidade e voluntários, que prestam serviços a pacientes com diversas demandas, principalmente as relacionadas ao estresse e à dor crônica. Esse é o maior centro voltado para atividades de mindfulness no Brasil VOX: Quais exercícios podem ser realizados para que a prática seja mais bem-sucedida? E como eles podem beneficiar a saúde de quem os pratica? MD: Em geral, os exercícios envolvem o treinamento da atenção e utilizam muito o corpo. A técnica em si não é complexa. Você precisa encontrar um ponto, chamado de âncora, onde irá tentar manter sua atenção. Normalmente, esse ponto é uma parte do seu corpo, sendo a respiração o mais comum deles. A sugestão é que você tente manter a atenção na respiração e observe, também, como sua mente saiu do lugar durante o

processo, porque, quando sua mente não está mais na âncora, é possível que você redirecione sua atenção para esse ponto. Uma das vantagens dessa atividade é que, ao treinar sua atenção, você pode estar mais consciente de seu estado emocional. VOX: De que maneira a atenção plena pode ser colocada em prática na Medicina? Como o conceito pode ser utilizado em tratamentos médicos e em consultórios? MD: Existem duas aplicações principais das técnicas de atenção plena na Medicina. A primeira é direcionada ao médico, um dos profissionais mais sujeitos ao burnout (esgotamento profissional). Ao praticar as técnicas de mindfulness, o médico administra melhor o estresse do trabalho e tem mais qualidade de vida. Além disso, por estar mais equilibrado, do ponto de vista pessoal, esse profissional consegue melhorar sua relação com o paciente. A segunda aplicação envolve programas voltados aos pacientes, pois o mindfulness é uma opção terapêutica para casos de ansiedade, doenças crônicas ou condições relacionadas ao estresse, como hipertensão, diabetes, doenças inflamatórias e doenças intestinais. Pacientes com diferentes condições clínicas podem se beneficiar com a aprendizagem da atenção plena, por meio de programas específicos que ajudam a amenizar determinados sintomas de tais condições.

Para conhecer mais sobre a técnica acesse o site do Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde pelo QR code:

10 | VOX Otorrino


Lawrence, Trompetista, usuário de WIDEX BEYOND™ A VIDA SEM LIMITES Com o aparelho auditivo BEYOND™ da Widex, você poderá aproveitar o melhor que a vida tem para lhe oferecer. Nenhuma solução auditiva feita para iPhone proporciona um som tão bom. E nenhum outro aparelho oferece as mesmas possibilidades de conexão com o mundo ao seu redor. WIDEX BEYOND™ permite a você experimentar o som da forma que mais gosta.

A PA R E L H O S AU D I T I VO S

widex.com.br widexdobrasil

Widex e WIDEX BEYOND são marcas registradas da Widex A/S. BEYOND: Registro ANVISA: 10332480087. A Apple e o logo da Apple são marcas registradas de Apple Inc., registrada nos EUA e em outros países. App Store é uma marca de serviço de Apple Inc.


BRASILEIR O 2018

48 Brasileiro: °

fique por dentro da programação Por ABORL -CCF

12 | VOX Otorrino


Sempre com ótimas novidades para você, o Congresso Brasileiro torna-se cada dia mais: Prático

Interativo

Tecnológico

Atrativo

Divulgação

De 31 de outubro a 3 de novembro, o Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, desembarca em João Pessoa (PB), com ótimas novidades e imperdível. De acordo com Dra. Thais Knoll, presidente do Comitê de Eventos e Cursos da ABORL-CCF, o trabalho é intenso para levar um evento agradável a todos. “Somos naturalmente impulsionados a buscar sempre o melhor a cada dia. A cada edição um novo desafio, uma nova conquista e muitas novidades”, afirma. Dando segmento ao sucesso da edição anterior, o 48° Brasileiro da ABORL-CCF manterá as cirurgias ao vivo e outras atividades, como a dissecção de cadáveres, atendendo à demanda dos associados e levando praticidade em confluência aos conteúdos científicos. O aplicativo, completamente reformulado, dará total liberdade aos participantes para interagirem durante as aulas, além de compartilhar experiências, programar e gerenciar as agendas. Outra novidade fica por conta de salas multidisciplinares, com a participação de profissionais não médicos que participam diretamente da rotina do otorrinolaringologista, pensando sempre no bem comum e no melhor para a saúde dos pacientes. Essas salas, que receberão fonoaudiólogas, fisioterapeutas e nutricionistas, por exemplo, terão sua programação desenvolvida sempre respeitando a Lei do Ato Médico. Palestrantes e convidados internacionais também têm presença confirmada no evento, que irá sediar o Congresso Ibero-Americano de Otorrinolaringologia e trazer consigo importantes nomes da especialidade. Como ninguém é de ferro, e também aproveitando esse momento fora da rotina dos consultórios, a programação social do evento foi cuidadosamente elaborada, oferecendo um momento de descontração e uma excelente oportunidade de reencontrar, colegas que atuam em outros estados e amigos dos tempos de faculdade e residência. Dessa forma, a programação social complementa a parte científica. A cerimônia de abertura terá como palestrante Dr. Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, uma das autoridades no assunto, para um bate-papo sobre a expectativa de vida. Intitulada A Revolução da Longevidade – implicações para a Sociedade como um todo, a palestra expõe uma abordagem

Globalizado

do aumento da média de vida da população brasileira, destacando a importância do esforço coletivo no preparo para o envelhecimento. Para fechar com bastante alegria e descontração, a festa de encerramento traz uma programação que, certamente, vai agradar a todos os públicos e não vai deixar ninguém parado ao som do Falamansa, com raízes do ritmo de nossos colegas anfitriões, e dos Paralamas do Sucesso, com muito rock, além de ótimo DJ para complementar. Tudo isso vai acontecer em uma das cidades mais bonitas e acolhedoras do Brasil, com belos hotéis muito bem localizados e preços extremante convidativos. Para seus voos, você pode escolher ir direto ou passar por Recife, onde poderá adquirir um transfer, preparado exclusivamente para nossos congressistas. Entre em contato com a agência oficial <www.pontestur.com.br> e saiba mais sobre os pacotes, o transfer e a sala VIP em Recife. Dr. Marcio Abrahão, que está acompanhando de perto cada detalhe do Congresso, e bastante entusiasmado, destaca que “além de ótimas programações científica e social e de um ambiente muito agradável, o participante vai se surpreender com ótimo custo-benefício de passagem, hospedagem e alimentação”. Não fique de fora! João Pessoa está de portas abertas para receber todos os otorrinolaringologistas do Brasil. VOX Otorrino | 13


GESTÃO E CA RRE IRA

Corte no

orçamento:

como economizar no consultório

Entenda como reduzir os gastos pode auxiliar na gestão do consultório

Por Julia Lins

14 | VOX Otorrino


M

anter um consultório é uma tarefa árdua. O médico precisa garantir um bom atendimento a seus pacientes e, em muitos casos, gerenciar o próprio consultório. Mas o cargo de gestor exige uma preocupação maior em relação aos gastos: colocar as finanças em ordem e realizar alguns cortes, quando necessário. Cortar os gastos em um consultório médico pode parecer uma tarefa complicada, mas com organização e uma boa gestão, é possível economizar. De acordo com Dr. Francinaldo Gomes, neurocirurgião e educador financeiro com MBA em Finanças e Gestão de Investimentos, a primeira medida a ser tomada é avaliar os gastos fixos do consultório e calcular o orçamento. “É preciso analisar a eficiência do que está sendo feito. Por exemplo, se o médico possui duas secretárias, mas não tem demanda suficiente, isso é um tipo de gasto fixo desnecessário”, orienta. O neurocirurgião também ressalta que algumas atitudes tomadas pelos médicos podem levar ao desperdício de tempo e dinheiro. “A primeira atitude errônea é misturar as despesas pessoais com as do consultório”, ressalta. De acordo com o otorrinolaringologista Dr. Bruno Rossini, a criação de uma cultura antidesperdício é fundamental para ajudar a economizar. “Entendo que toda equipe tem que desenvolver um sentimento de ‘ser dono’ - isto é, se toda a equipe sentir-se como dona do negócio, com certeza, o desperdício será minimizado. Para isso, temos que exercer a liderança do modo mais adequado possível, treinando, motivando, supervisionando e tendo feedbacks periódicos”, explica.

Cortando custos Economizar nas contas corriqueiras, como luz, água e telefone, pode interferir diretamente no aumento de orçamento do consultório. “Por serem gastos fixos, essas contas independem da produção e podem, sim, interferir no orçamento do médico. Para mudar isso, é necessário negociar tarifas mais baixas, com planos mais em conta, que sejam adequados às necessidades do consultório”, ensina Dr. Francinaldo. Completando os direcionamentos em economia, Dr. Bruno acredita que negociar com os fornecedores também ajuda na redução de custos. “De tempos em tempos, devemos conversar com novos fornecedores, de forma a entender se o preço que nós pagamos é adequado. Renegociar preços com fornecedor pode, sim, gerar uma economia sensível”, propõe. Dr. Bruno também aposta nos métodos de comunicação digital como forma de economia. “Uma economia importante possibilitada pelos meios de comunicação digital, é a redução nas contas de telefone. Conseguimos nos comunicar eficientemente com os pacientes por meio do WhatsApp e e-mails para marcar e confirmar as consultas”, relata.

Outro fator que pode afetar o orçamento é confundir faturamento e lucro, de acordo com Dr. Francinaldo. “Essa é uma falha típica do médico. Se o consultório faturou 100 mil reais, ele acredita que aquilo é o lucro e acaba gastando aquele dinheiro, sem pensar que ainda vai ter que pagar todas as despesas. Faturamento, ou receita, é tudo o que entra no caixa do consultório, já o lucro é o que sobra depois que todas as contas forem pagas”, explica.

VOX Otorrino | 15


GESTÃO E CA RRE IRA

Arqwivo pessoal

“A cultura antidesperdício é fundamental - isto é, se toda a equipe sentir-se como dona do negócio, com certeza o desperdício será minimizado”

Dr. Bruno Rossini

Ajuda tecnológica Atualmente, a tecnologia é uma grande aliada da Medicina. Diversos recursos que foram surgindo ao longo dos anos ganharam espaço na área médica. “Hoje, já existem softwares que marcam e gerenciam a agenda de consultas pela internet. Se o paciente entrar em contato on-line, seja por site ou rede social, o próprio sistema já

vê na agenda a disponibilidade de horário e faz o agendamento do paciente, sem que seja necessária uma secretária para tal função”, informa Dr. Francinaldo. Para o especialista, além de reduzir custos, esses sistemas permitem ter uma visão melhor sobre a parte financeira do consultório. “Eles reduzem os custos com contratação de funcionários, pois o próprio software faz a gestão, então, não há a necessidade de manter um

P A S S O A P A S S O para montar um orçamento Em geral, o equilíbrio financeiro de um consultório é alcançado quando o médico se dedica à elaboração de um orçamento.

1° Passo Relacione todas as contas que o consultório possui, incluindo receitas, despesas e faturamento. 2° Passo Crie categorias de despesas e agrupe as contas de acordo com sua especialidade. Exemplo: estrutura (aluguel, condomínio, IPTU, luz, telefone e etc.), terceiros (advogado, contador, provedor de internet e manutenção de equipamentos) etc. 3° Passo Mantenha um controle diário de todas as movimentações financeiras, sempre registrando: data, categoria, conta e o valor referente àquela transação. 4° Passo Crie um “Mapa Financeiro Mensal” e preencha-o utilizando os dados da etapa acima. Por meio desse mapa será possível manter o controle das finanças e buscar novas formas de faturamento. Fonte: DOC Manager – Ed. Finanças no consultório

16 | VOX Otorrino


Arqwivo pessoal

funcionário apenas para desempenhar essa função. Além disso, o controle financeiro torna-se mais eficiente, pois os dados ficam todos gravados e é possível, inclusive, acompanhar o histórico das finanças”, comenta.

Sustentabilidade ajuda a economizar? A sustentabilidade está cada vez mais presente nos meios de produção, e na área da Saúde não poderia ser diferente. Aderir a técnicas sustentáveis pode ajudar o consultório a economizar e, ainda, a preservar o meio ambiente. “Atualmente, há consultórios que já utilizam energia solar, além de adaptadores de energia solar. Também existem consultórios que possuem uma secretária eletrônica para realizar o agendamento das consultas, e isso já diminui a necessidade de ter mais de uma secretária. Todas essas situações contribuem para que o profissional não desperdice tempo e, consequentemente, dinheiro”, expõe Dr. Francinaldo.

“Essa é uma falha típica do médico. Se o consultório faturou 100 mil reais, ele acredita que aquilo é o lucro e acaba gastando aquele dinheiro, sem pensar que ainda vai ter que pagar todas as despesas. Faturamento, ou receita, é tudo o que entra no caixa do consultório, já lucro é o que sobra depois que todas as contas forem pagas”

Dr. Francinaldo Gomes e jamento d e n la P e o Orientaçã sociados s a s o a a édic carreira m L-CCF s da ABOR édico, ma mia do m

a econo ORL-CCF r não só n ia il x u a o eira, a AB rr a c Visand e o a o em gestã continuad a educaçã ão médica ç a c u d também n e e rma d anal. ma platafo m um só c oferece u s temas e o d a taforma: ri a v ais íveis na pla n o p com os m is d a lestr lgumas pa e do Brasil; Conheça a ara a Saúd p a in ic d e lem l; ância da te sta Possíve • A import uma Propo e d a id lic e eF • Sucesso articular; nsultório P o C m u i te on • Como M ado; ento inform ica numa consentim e d o rm Te e uma clín d • s e õ ç a nsform fios da tra • Os desa empresa; essoal; ação Interp • Comunic e Publicidad Éticos da s o ri té ri C • Médica.

VOX Otorrino | 17


CAPA

R$ 100,00 Cancel

18 | VOX Otorrino

Enter


Cobranças no atendimento

PARTICULAR: qual opção escolher? Especialista, médicos e representantes de empresas do segmento esclarecem as principais formas de pagamento no consultório, a ética no momento da cobrança e outros tópicos sobre o assunto

Por Bárbara Mello e Paula Netto

M

uitos médicos atuam em clínica ou consultório próprios, mesmo aqueles que já possuem vínculo empregatício com outra empresa. Ao abrir um negócio, é natural que o profissional tenha o desejo de ser independente no trabalho e, consequentemente, cobrar pelos serviços prestados de maneira livre. Para que isso seja possível, o médico precisa definir quais formas de pagamento vai disponibilizar aos pacientes. Contudo, essa decisão pode ser mais difícil do que se pensa, já que não existe uma fórmula pronta para ser utilizada e a adoção de cada modalidade leva em consideração diversos fatores. Sandra Chiarantano, consultora administrativa e financeira de clínicas médicas e sócia da XHL Consultoria Empresarial, explica que a cobrança em dinheiro ou cheque ainda é prática predominante entre os médicos. Contudo, embora o uso de cartões seja cada vez mais frequente, muitos estabelecimentos evitam esse tipo de recebimento por causa das tarifas envolvidas. “No ambiente particular, ainda observo que o pagamento maior costuma ser em cheque ou dinheiro, especialmente em serviços que envolvem cirurgias e implantes. Existe uma questão cultural envolvida também. Por hábito, os médicos gostam de guardar o dinheiro ou cheque recebido em um cofre ou até mesmo dentro do próprio bolso, principalmente quando se trata de um consultório pequeno”, relata a especialista.

VOX Otorrino | 19


CAPA

Sandra ressalta que se o médico atende de maneira particular, mas em um lugar do qual não seja proprietário, o procedimento normal é receber pelo serviço no final do dia. “Isso acontece, claro, quando o estabelecimento lida com cheque e dinheiro. Se for disponibilizado o pagamento via cartão, por exemplo, provavelmente o médico só irá receber no final da semana aquilo que poderia receber no próprio dia”, argumenta.

Formas de pagamento: dinheiro, cheque ou cartão? De acordo com a consultora, além de passar pelo aspecto cultural e pela praticidade, as despesas com o aluguel de máquinas de cartão de crédito e débito também são fatores que costumam pesar no momento da decisão da forma de pagamento a ser utilizada no consultório, já que os tributos envolvidos dependem da negociação que o estabelecimento possui com o banco, ou seja, do quanto ele movimenta financeiramente na entidade financeira com a qual trabalha. “Quando há uma movimentação razoável, é possível diminuir essa tarifa, que é cobrada por movimentação. Existem algumas entidades financeiras que cobram um percentual fixo de 2% a 3%, podendo chegar até a 5%. Vale ressaltar que essa taxa precisa, de fato, existir, pois o banco realiza a cobrança de uma conta corrente e passa para outra como uma transferência normal, mas também é importante que haja uma negociação para que essa tarifa não comprometa uma fatia muito grande do recebimento do médico”, detalha. Sandra avalia que, apesar dos custos, a aceitação de cartões no consultório como forma de pagamento vale a pena para os dois lados envolvidos. “A cobrança via cartão é mais confortável para o paciente e é a certeza do recebimento por parte do profissional. O pagamento por meio de dinheiro ou cheque é complicado, inclusive por questões de segurança, já que as pessoas não se sentem tranquilas em caminhar na rua portando dinheiro. Nesse contexto, as despesas oriundas do uso de pagamento via cartão valem a pena pela segurança que esse modelo oferece”, considera. 20 | VOX Otorrino

Quem deve realizar a cobrança? Ao analisar as diversas formas de pagamento, o médico também deve avaliar de que maneira a cobrança deve ser feita. Nesse cenário, surge a questão: quem faz a cobrança, médico ou secretária? De acordo com Sandra Chiarantano, se a instituição for pequena, ou seja, com três consultórios, no máximo, o responsável pelo recebimento deve ser a secretária. Porém, acima desse número, o adequado é que seja criado um setor de caixa/tesouraria, para a centralização de todos os recebimentos particulares. “Não é aconselhável que o médico realize a cobrança, pois é muito importante que a relação desse profissional com o paciente seja fundamentada somente no atendimento à saúde”, define a consultora administrativa.


Arquivo pessoal

“O pagamento por meio de dinheiro ou cheque é complicado, inclusive por questões de segurança, já que as pessoas não se sentem tranquilas em caminhar na rua portando dinheiro. Nesse contexto, as despesas oriundas do uso de pagamento via cartão valem a pena pela segurança que esse modelo oferece”

Sandra Chiarantano

Máquina de cartão de crédito e débito: aquisição e modelos De acordo com Luciana Damasceno, colaboradora do portal Transações Móveis, existem três modelos essenciais de dispositivos de recebimento: máquina tradicional, máquina sem aluguel e máquinas para celular. A primeira opção é a mais conhecida entre consumidores, tendo como principal vantagem a maior quantidade de bandeiras aceitas e a qualidade de recepção de sinal. No entanto, costumam ter taxas fixas mensais, referentes à locação, e taxas eventuais – como percentuais por cada transação realizada. As últimas são variáveis e negociáveis com a instituição fornecedora, o que pode ser interessante para quem recebe muitos pagamentos e dilui o custo fixo na quantidade de transações. Já as máquinas sem aluguel são mais vantajosas para quem recebe poucos pagamentos, já que VOX Otorrino | 21


CAPA

são taxados apenas os valores recebidos. Além disso, seu custo de aquisição também costuma ser mais alto que o das tradicionais. As máquinas para celular, por sua vez, são leves e operam conectadas em dispositivos móveis, sendo ideais para quem atende em domicílio ou em mais de uma clínica ou consultório. Uma desvantagem desse modelo, no entanto, é que, geralmente, os pagamentos são creditados em uma conta digital própria do sistema e precisam ser transferidos para a conta corrente.

Conforme o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o valor pago em máquinas de cartão é creditado em conta corrente. No entanto, os prazos irão variar de acordo com a modalidade do recebimento. Vendas a débito: até 24 horas após o pagamento, respeitando horários e dias de expediente bancário; Vendas a crédito à vista: disponíveis em até 30 dias; Vendas a crédito parcelado: primeira parcela creditada na conta corrente em até 30 dias após a transação e as demais em 30 dias após o primeiro vencimento.

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA AQUISIÇÃO DE MÁQUINA DE CARTÃO EMPREENDEDOR INDIVIDUAL

MICRO E PEQUENA EMPRESA

• Certificado do Empreendedor Individual;

• Contrato social e suas alterações;

• Documentos pessoais, como RG e CPF;

• Cartão atualizado de CNPJ;

• Comprovante de endereço;

• Inscrição estadual (se solicitada pelo banco);

• Inscrição estadual (se solicitada pelo banco);

• Inscrição municipal (se solicitada pelo banco);

• Inscrição municipal (se solicitada pelo banco);

• Todas as licenças e certidões de órgãos reguladores da atividade da empresa;

• Declaração Anual do Empreendedor Individual – DASN; • Decore – declaração de comprovação de renda (se solicitado pelo banco).

• Declaração de faturamento real dos últimos 12 meses; • Balanço patrimonial, balancetes e demonstrativos de resultado; declaração de imposto de renda do último exercício.

Fonte: Como proceder para adquirir máquina de cartão junto às instituições financeiras. Sebrae [Internet]. Disponível em: <http:// www.bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/567C4DAABD86E53C83257A08004BF479/$File/ NT0004763E.pdf>

Entenda como proceder para adquirir uma máquina de cartão de crédito.

Soluções para pagamentos via cartão O uso de cartões como método de pagamento tem se expandido entre os brasileiros. No entanto, a adesão ainda é baixa no meio médico. De acordo com Maria Inês Dolci, vice-presidente do Conselho Diretor 22 | VOX Otorrino

Saiba como adquirir a máquina de cartão junto às instituições financeiras.

da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor e membro da Comissão de Planos de Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), oferecer esse tipo de pagamento no consultório é uma forma de levar maior comodidade e conveniência aos pacientes, que não terão que optar apenas entre cheque e dinheiro. “Atualmente,


Arqwivo pessoal

“Atualmente, o mercado oferece muitas opções para quem utiliza máquinas para pagamento via cartão no consultório. Porém, é preciso fazer uma análise do perfil dos pacientes. Nesse contexto, quem deve definir o tipo de bandeira a ser utilizada é o próprio consultório, que conhece seus clientes”

Maria Inês Dolci

o mercado oferece muitas opções para quem utiliza máquinas para pagamento via cartão no consultório. Inclusive, algumas dessas máquinas não têm grandes custos ou, até mesmo, custo zero. Porém, é preciso fazer uma análise do perfil dos pacientes. Nesse contexto, quem deve definir o tipo de bandeira a ser utilizada é o próprio consultório, que conhece seus clientes”, avalia. Maria Inês reforça que os médicos que atuam em consultório devem analisar as mudanças no mercado, e acrescenta que o controle e o planejamento financeiro devem estar alinhados às opções de pagamento ofertadas pelo consultório. “Ao oferecer diferentes alternativas e analisar as preferências dos clientes, é possível conhecer melhor o perfil dos pacientes, algo que oferece muitas vantagens ao médico. O profissional também deve estar

preocupado em trazer para dentro do consultório formas seguras de pagamento”, recomenda. No consultório do otorrinolaringologista Dr. Marco Antonio Corvo, a implementação do cartão de crédito favoreceu muito o controle da caixa. Segundo o especialista, o uso de cartão também vai ao encontro da preferência dos pacientes, que se beneficiam com programas de milhas ou outras vantagens. “Além disso, as taxas cobradas sobre as transações podem ser negociadas com o gerente do banco, assim como o tipo da máquina de cartão utilizada. Também é importante lembrar que sempre é possível acordar com a instituição financeira para que todas as bandeiras sejam aceitas em um único dispositivo, reduzindo custos com aquisição ou locação de equipamentos”, informa. VOX Otorrino | 23


CONDUTA M É D ICA

CONSULTA MÉDICA Por Vania Rosa Moraes e Carlos Michaelis Jr do Departamento Jurídico da ABORL-CCF

A

consulta médica, conforme preconizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), compreende a anamnese, o exame físico e a elaboração de hipóteses ou conclusões diagnósticas, a solicitação de exames complementares, quando necessários, e a prescrição terapêutica como ato médico completo, que pode ser concluído ou não em um único momento. Trata-se de ato profissional médico regulamentado pela resolução CFM nº 1958/2010, que dispõe a respeito do ato da consulta médica e do princípio da autonomia do profissional. 24 | VOX Otorrino

Apesar de constar expressamente na resolução que o ato da consulta é prerrogativa do médico, há instituições de assistência hospitalar ou ambulatorial que atuam na saúde suplementar e operadoras de saúde estabelecendo prazos específicos de intervalo entre consultas e retorno. Nota-se que a adoção de tal medida interfere na autonomia do médico e na relação médico-paciente, pois cabe livremente ao médico estabelecer tanto o tempo da consulta como o de retorno, ou seja, exercer o princípio da autonomia profissional, considerando a complexidade das reações orgânicas e a particularidade de cada paciente.


O Capitulo I – Princípios Fundamentais do Código de Ética Médica apresenta nos incisos: “VIII – O médico não pode, em nenhuma circunstância ou sob nenhum pretexto, renunciar à sua liberdade profissional, nem permitir quaisquer restrições ou imposições que possam prejudicar a eficiência e a correção de seu trabalho. XVI – Nenhuma disposição estatutária ou regimental de hospital ou de instituição, pública ou privada, limitará a escolha, pelo médico, dos meios cientificamente reconhecidos a serem praticados para o estabelecimento do diagnóstico e da execução do tratamento, salvo quando em benefício do paciente.”

O médico é o profissional competente e capaz para identificar modificações no quadro evolutivo do paciente e determinar, por livre e expressa autonomia, o tempo que será dispendido àquele indivíduo, podendo, ainda, quando houver necessidade, solicitar exames complementares necessários para avaliação do paciente. Desse modo, não há como estabelecer tempo de atendimento, tampouco número de consultas por carga horária. São critérios técnicos-científicos de competência do profissional médico que definem o tempo da consulta e retorno, e não normativas meramente baseadas em atos administrativos de instituições, planos e operadoras de planos de saúde.

Determinação do número de atendimentos médicos por carga horária de trabalho O Departamento Jurídico reitera que adotar tal medida e definir tempo para o atendimento médico afrontam os princípios éticos e a boa pratica médica. Tentar mensurar o tempo do atendimentos médico ou o número de atendimento por carga horária de trabalho é ofender os princípios da autonomia profissional e da boa prática médica. Entender de modo diverso é colocar em risco a relação médico-paciente, e principalmente, a saúde do ser humano. É óbvio não ser correto aferir tempo de consulta, tampouco número de atendimentos, mas, sim, recomendar que o bom senso, a boa prática médica, a autonomia médica e os cuidados com a saúde sejam parâmetros para o atendimento humanitário e de qualidade e não normativas meramente administrativas que confrontam preceitos éticos-legais e princípios fundamentais da autonomia profissional médica. Desse modo, o médico deve primar pela autonomia profissional assegurada pelo CFM e recusar toda e qualquer normativa que tente violar o princípio fundamental assegurado pelo Código de Ética Médica, pois não há parâmetros legais que determinem tempo ou número de consultas mensais, mas, sim, que asseguram autonomia para exercer a Medicina sem restrições mercadológicas. Caso tenha se identificado com as questões apresentadas neste artigo, e havendo necessidade de esclarecimentos adicionais, consulte o Departamento Jurídico da ABORL-CCF, que está gratuitamente à disposição dos associados pelos e-mails <juridico@aborlccf.org. br> e <juridico1@aborlccf.org.br> e pelo telefone (11) 5053-7500. VOX Otorrino | 25


INT ERNACIO NA L

Globalização

da informação: fa c i l i d a d e n a e d u c a ç ã o d o m é d i c o

26 | VOX Otorrino


Cursos on-line e bolsas de estudo no exterior são exemplos de oportunidades de crescimento na carreira Por Julia Lins

I

nvestir na capacitação profissional faz parte dos pré-requisitos para se tornar um profissional da Saúde. Nos últimos anos, os avanços tecnológicos têm encurtado distâncias e beneficiado a Medicina, com maior acesso à informação e evolução do aprendizado. Conforme Dr. Sady Selaimen, presidente da comissão de Relações Internacionais da ABORL-CCF, atualmente, a tecnologia é uma grande aliada da Medicina, fazendo-se necessária para um melhor exercício da profissão. “Há alguns anos, nós dependíamos dos correios, e as informações dos serviços eram precárias. Hoje, está tudo a um clique: nós sabemos tudo, entramos no serviço, analisamos os departamentos, os currículos, pessoas que trabalham, linhas de pesquisa... Realmente, é muito mais fácil”, afirma. Nessa tendência crescente, diversas universidades passaram a oferecer cursos de graduação e pós-graduação a distância, além de bolsas de estudo para especialização no exterior. De acordo com Dr. Agrício Crespo, membro da comissão de Relações Internacionais da ABORL-CCF, cursar uma graduação no exterior tem

um grande peso na carreira médica. “Nosso país não tem oferecido bons modelos de organização. Mesmo as melhores universidades do país vivem escassez de recursos e de tecnologia. Por isso, viajar ao exterior e conhecer outras realidades é a oportunidade de perceber que há um mundo diferente e que podemos fazer mais e melhor para transformar o nosso entorno”, analisa. Por experiência própria, Dr. Agrício recomenda que o residente se organize e direcione seus esforços desde o início de seu programa. É recomendável buscar informações, hoje facilmente encontráveis, na internet e conhecer as possíveis fontes de financiamento, caso não haja recursos próprios para estágios mais longos. “Não é gasto, é investimento. E esse vai ser o melhor momento da carreira, quando ainda não existem muitas amarras, pessoais e profissionais. Recomendo um período mínimo de três a seis meses, tempo para assimilar a fluência do idioma e os fatores culturais. Além do interesse técnico, é a oportunidade de conhecer novas realidades que ampliam a visão de mundo e as possibilidades profissionais”, orienta o médico.

Arqwivo pessoal

“Há alguns anos, nós dependíamos dos correios, e as informações dos serviços eram precárias. Hoje, está tudo a um clique” Dr. Sady Selaimen

VOX Otorrino | 27


INT ERNACIO NA L

Informação na palma da mão Os cursos on-line também fazem parte dessa internacionalização da informação, aprimorando o conhecimento de estudantes e profissionais da Saúde por meio das telas. Para Dr. Agrício, os cursos de educação a distância (EAD) fazem parte de um novo momento da história da educação. “Esse é um dos grandes avanços de nossa época. Só não aprende ou não se atualiza quem não quer. O EAD torna-se ainda mais importante em um país como o Brasil, de imensa extensão territorial, pois reduz drasticamente os custos com viagens e hospedagem e o absenteísmo ao trabalho, na busca de aprendizado. Pela primeira vez na história, o conjunto do conhecimento universal está ao alcance de todos, em nossas casas”, ressalta. Quando se trata de educação a distância, Dr. Sady é um entusiasta das novas tecnologias na Medicina. “Eu fui o primeiro a promover, na ABORL-CCF, um congresso 100% on-line na área. A educação a distância, por meio da internet, é uma realidade, então, acho que nós precisamos criar mecanismos para usufruir dessa realidade fantástica o máximo possível”, declara.

Gabriela Rezende

Apesar de ser adepto do uso das tecnologias no ensino da Medicina, Dr. Sady sugere que os cursos on-line sejam usados como uma forma de aprimorar o conhecimento, mas sem excluir o ensino presencial. “É claro que um curso médico não pode ser dado a distância, pois a questão mais singela e mais importante de toda a ciência paramédica é o relacionamento do médico com o paciente – a experiência prática –, e isso não pode ser obtido por meio do computador”, pondera.

Eventos internacionais no Brasil Em meio a essa tendência, há diversos congressos e simpósios internacionais sendo trazidos para o Brasil. Conforme Dr. Sady, esses eventos viabilizam uma troca de experiências, impactando a educação e a profissionalização dos médicos brasileiros. “Um palestrante internacional é convidado para um congresso brasileiro quando é reconhecido como portador de um de conhecimento que seja interessante compartilhar com os médicos locais. Essa transmissão de conhecimento, que também é facilitada pelo mundo digital, é absolutamente fundamental na construção de uma Otorrinolaringologia mais próxima da excelência que nós almejamos”, define.

“Com os cursos a distância, pela primeira vez na história, o conjunto do conhecimento universal está ao alcance de todos, em nossas casas” Dr. Agrício Crespo

28 | VOX Otorrino


VOX NEWS

VOX NEWS

III COMBINED

MEETING Evento se aprofundou em três subespecialidades e contou com uma área de aprendizado prático, a hands-on Por Silvia Buzinari, com colaboração de Gabriela Rezende

A

conteceu entre os dias 25 e 27 de maio a terceira edição do Combined Meeting, realizado pela ABORL-CCF, na Amcham Brasil, na zona sul de São Paulo. Este ano, o evento foi promovido juntamente com o Four Otology, congresso da Sociedade Brasileira de Otologia (SBO). “O Combined Meeting tem uma filosofia diferente, no sentido de aprofundar o conhecimento de cada área específica. Então, neste ano, reunimos Otologia, Otoneurologia e Foniatria. Em 2017, nós tivemos Laringologia/Cabeça e Pescoço, Medicina do Sono e Otorrinolaringologia Pediátrica. Essa divisão nos dá mais tempo para debater assuntos mais específicos de cada área de atuação do otorrino”, afirma Dr. Márcio Abrahão, presidente da associação. O evento contou com a presença de dois palestrantes internacionais, o professor Jacques Magnan, da França - um dos melhores cirurgiões de base lateral de crânio da Europa, e o professor George Wanna, dos Estados Unidos - chefe da Divisão de Otologia e Neutologia no Centro Médico Mount Sinai. Além disso, o Combined recebeu a participação e a colaboração de mais de 120 palestrantes nacionais. De acordo com Dr. Márcio Abrahão, o evento superou todas as expectativas: foram quase 500 participantes, o dobro da edição passada. Esse fato é de extrema importância para o otorrino e para a associação, afinal, é obrigação da ABORL-CCF fomentar conhecimento de qualidade. Logo, quando temos esse retorno, vemos que estamos atingindo nosso objetivo”, acrescenta. 30 | VOX Otorrino


Para Dra. Berenice Dias, coordenadora do Departamento de Foniatria, um ponto diferencial do Combined Meeting é a possibilidade de alongar mais os assuntos, já que o tempo para cada palestra é maior. “Como temos mais tempo, é possível fazer um curso mais completo, pois, nos congressos nacionais, normalmente, os participantes têm 10 a 15 minutos para falar, e aqui cada expositor pode falar em torno de 40 minutos. Outro aspecto fundamental é que, ao final de cada painel, os participantes puderam fazer todas as perguntas e sanar suas dúvidas”, analisa. A especialista destaca, também, a importância dos temas abordados durantes as palestras, como o cuidado e a atenção com o paciente na área de Foniatria. “Ao final da consulta, o médico tem que orientar a família, não só

Gabriela Rezende

Divulgação

O especialista e presidente da SBO, Dr. Rubens Brito, relatou que o número de inscritos não foi apenas maior que o esperado, mas que também houve um perceptível aumento na interação dos participantes. “As expectativas foram muito superadas. Não tivemos só inscrições: os inscritos participaram de forma efetiva, deixando todas as salas lotadas durante as palestras e debates”, comemora. De acordo com Dr. Márcio Salmito, do Departamento de Otoneurologia, um dos maiores diferenciais do evento é a possibilidade de aprofundar tópicos mais complexos, como a Otoneurologia, focando os detalhes sem deixar de abordar o básico. Para o especialista, outro ponto alto é o hands-on, um espaço segmentado por subespecialidades em que os participantes praticaram diversos procedimentos. “Foram dois turnos de hands-on, tanto da parte de exames a beira do leito quanto dos principais procedimentos da área, como as manobras de VTTB. O hands-on esgotou rapidamente e ainda havia procura por vagas”, conta.

em relação aos comportamentos médicos, mas também aos comportamentos do paciente, em especial a criança, tratando de aspectos como alimentação, horário de dormir e a não utilização de aparelhos eletrônicos. Isso está sendo muito falado aqui no evento, a necessidade de se conversar com as crianças, afinal, é fato que o Facebook e o Whats App estão tirando a atenção dos pais em relação aos filhos. Isto tem repercussão importante e estamos percebendo dentro do consultório algumas crianças normais com atraso na linguagem por falta de estimulação”, alerta. O presidente da ABORL-CCF Dr. Márcio Abrahão destacou o fato de os inscritos buscarem alternativas de locomoção até o evento, apesar dos problemas com transporte em todo o país, devido à greve recente dos caminhoneiros. “Tivemos um grande número de participantes, apesar desse período de problemas com transporte, e praticamente todas as salas estavam cheias. Percebo que o povo brasileiro, apesar das barreiras, tem interesse em melhorar e se atualizar. Faz parte do jeito brasileiro: superar dificuldades”, ressalta. VOX Otorrino | 31


Gabriela Rezende

VOX NEWS

Entrega de documento científico sobre venda de medicamento vasoconstritor Também esteve presente Dr. Eduardo Baptistella, membro do Comitê de Defesa Profissional e presidente da Comissão Legislativa da ABORL-CCF, que entregou ao deputado federal Luiz Henrique Mandetta um documento científico que ajudará na elaboração de um projeto de lei com o objetivo de restringir a venda de qualquer medicamento vasoconstritor apenas com apresentação de receita médica. De acordo com o especialista, o intuito é beneficiar, em especial, o paciente, que acaba, muitas vezes, comprando o medicamento sem conhecer as contraindicações. “Nosso costume, como brasileiros, é não ler a bula dos fármacos, mas é preciso lembrar que esses medicamentos podem causar infarto e hipertensão arterial. Os riscos são muito maiores do que o benefício de comprar diretamente na farmácia, sem uma receita médica”, alerta. A ideia de ajudar a elaborar uma lei com esse intuito não é novidade, mas um desejo de vários otorrinos, e de acordo com Dr. Eduardo, é extremamente comum ouvir queixas, no consultório médico, de pacientes que utilizaram medicamentos vasoconstritores e tiveram problemas. “Por meio da comissão legislativa da ABORL-CCF, da qual sou o atual presidente, decidimos agir. Buscamos um projeto de lei que já existe, mas voltado para antibióticos, e vimos que era possível enquadrar o vasoconstritor. Contatamos, então, alguns professores da área de Rinologia, e fizemos uma pesquisa de campo, para ver se os médicos que mais 32 | VOX Otorrino

atendem esse tipo de pacientes no Brasil concordavam com nossa ideia, e recebemos um retorno afirmativo. Os profissionais responderam a um questionário enviado pela ABORL-CCF e, então, a associação compilou todos esses dados no documento que foi entregue ao deputado”, explica. Conforme o médico, a forma de venda do medicamento proposta no documento produzido pela ABORL-CCF já é praticada em lugares, como os Estados Unidos e em países da Europa. “Os Estados Unidos já fazem desta forma: é possível encontrar uma quantidade enorme de vasoconstritores no balcão, mas o cliente só tem acesso a um folheto. É preciso levá-lo ao caixa e ali, após solicitada e apresentada a prescrição médica, ocorre a entrega do fármaco”, argumenta. O presidente da Comissão Legislativa da ABORL-CCF explica que o projeto de lei pode levar seis meses a um ano para ser aprovado, devido ao processo obrigatório a ser percorrido. O projeto deverá ser dado como viável pela Câmara dos Deputados e levado à votação, que, provavelmente, será em uma audiência pública. A partir do momento em que for votado, a lei começa a valer. “Acredito que o projeto tem tudo para ser aprovado, pois beneficia o paciente, e o o mais importante, sem malefício algum. Talvez diminua a venda? Não, pois quem precisa vai ter a prescrição, como foi com os antibióticos. Se você perguntar se as vendas de antibiótico diminuíram, por exemplo, verá que não, pois continuam sendo vendidos igual ou mais do que eram antes, só que, agora, com indicações corretas”, avalia.


Aprovada consulta eletrônica para associados e a participação de não médicos em eventos da ABORL-CCF Divulgação

A pauta da assembleia realizada durante o Combined e publicada em um edital no site da associação no dia 19 de março versou sobre dois pontos essenciais: a consulta por vias eletrônicas e a participação de não médicos em todos os eventos organizados, patrocinados ou apoiados pela ABORL-CCF. A consulta eletrônica tem como objetivo acompanhar o desenvolvimento tecnológico dos meios de co-

“Acredito que o projeto tem tudo para ser aprovado,

municação para acesso a informações, permitindo um engajamento maior dos associados nos assuntos institucionais da entidade. A partir de uma modificação estatutária, fica definido que eventuais consultas serão

pois beneficia o paciente,

realizadas por meio eletrônico, com a participação de

e o mais importante, sem

referendados em assembleia ordinária. “A consulta

associados adimplentes, e que seus resultados serão

malefício algum. Talvez

eletrônica é um passo necessário para acompanhar as

diminua a venda? Não,

é imprescindível para aumentar o engajamento dos

pois quem precisa vai ter a prescrição, como foi com os antibióticos. Se você

formas de comunicação mais comuns e modernas, e associados na ABORL-CCF e o da própria associação nos temas atuais”, informa Dr. Márcio Abrahão. Já a participação de não médicos em eventos proposta e aprovada, tem como embasamento a inclusão de profissionais cuja atuação é conjunta com a

perguntar se as vendas de

dos otorrinolaringologistas e necessária para a ação

antibiótico diminuíram, por

será realizada com respeito à Lei do Ato Médico, nº

exemplo, verá que não, pois

nº 1718, de 3 de maio de 2004. “Tendo sempre em

em benefício do paciente. Essa atuação, entretanto, 12.842, de 10 de julho de 2013, e a resolução CFM

continuam sendo vendidos

vista o desenvolvimento científico e profissional da

igual ou mais do que eram

de outras áreas permite novas perspectivas para os

antes, só que, agora, com

especialidade, a confluência de ideias com colegas conceitos médicos, além de fornecer a esses colegas conteúdos de qualidade e que garantem o aprimora-

indicações corretas”

mento de sua formação e, consequentemente, de sua

Dr. Eduardo Baptistella

seja, é um benefício mútuo e que só tem a contribuir

atuação conjunta com a Otorrinolaringologia. Ou para atuação profissional e acadêmica de todos os associados”, define. VOX Otorrino | 33


QUALIDAD E D E V ID A

Badminton: Uma paixão inusitada O otorrinolaringologista Dr. Luiz Figueiredo conta como o esporte se tornou seu hobby

Julia Lins

D

r. Luiz Figueiredo, médico otorrinolaringologista, divide o amor pela medicina com uma outra paixão: o badminton. Apesar de ser pouco conhecido no Brasil, o esporte é o segundo mais praticado no mundo, atrás apenas do futebol. Utilizando uma raquete e uma peteca, o esporte consiste em fazer com que a peteca toque o campo do adversário, passando por cima da rede, podendo ser praticado individualmente ou em dupla, assim como o tênis. Mesmo sendo um esporte olímpico desde 1992, o badminton é pouco conhecido no Brasil. Para Dr. Luiz, o esporte começou a ganhar notoriedade em nosso país durante as Olimpíadas do Rio, em 2016. “Nas Olimpíadas, ele foi um esporte diferente do que costumávamos a assistir, que chamou atenção. Eu pratico no Clube Paulistano, em São Paulo. Mas já existem clubes em diversos lugares do Brasil com essa prática”, relata. 34 | VOX Otorrino


Há três anos, o médico começou a praticar o esporte devido ao incentivo de seu cunhado, e desde então, não parou mais. Ele conta que no início, o que mais lhe atraiu no badminton foi o ambiente agradável. “As pessoas que praticam esse esporte são muito receptivas, proporcionando sempre momentos divertidos, então eu comecei a gostar. É um esporte que o pessoal recebe muito bem quem tá começando”, recomenda. Desde a faculdade, Dr. Luiz já demonstrava interesse por esportes pouco populares no país. “Eu sempre gostei de esportes diferentes. Na faculdade, eu jogava rúgbi, também praticava baseball, fazia lançamento de dardos. Ou seja, sempre gostei de esportes alternativos (risos). Eu sempre gostei muito de correr também, mas o badminton realmente é um esporte que me captou”, conta. Mesmo com pouco tempo de prática, Dr. Luiz já passou por algumas competições no esporte. “Eu me considero um iniciante, jogando há apenas uns três anos. Mas eu já competi algumas vezes. já participei de algumas competições da Federação de Badminton de São Paulo, para a minha idade. Tive a oportunidade de ganhar até algumas medalhas”, orgulha-se. Arqwivo pessoal

“Na faculdade, eu jogava rúgbi, também joguei baseball, fazia lançamento de dardos. Ou seja, sempre gostei de esportes alternativos, mas o badminton realmente é um esporte que me captou” Dr. Luiz Figueiredo

Segundo o otorrino, qualquer pessoa pode praticar o esporte e um de seus maiores benefícios é o preparo físico. “Eu acho que o badminton é o tipo de esporte que pode ser tanto competitivo quanto de lazer. Você pode jogar com pessoas de diferentes níveis, diferentes idades, e pode jogar competitivamente. A vantagem é que ele é um esporte fácil de aprender e a parte física é muito boa”, descreve. Entre suas experiências com o esporte, o médico destaca uma que guarda com carinho na lembrança que mostra como o esporte pode ser uma ferramenta de diversão e integração. “Eu já fui jogar com um amigo em Cuiabá. Viajei para a cidade e fiquei na casa dele, e lá nós acabamos indo jogar com outras pessoas, sem programação prévia, sem nada”, lembra. Para quem ainda não praticou badminton e tem vontade de começar, o médico atleta aconselha: “É um esporte que você pode jogar em família, com seus filhos, com pessoas da sua idade, ou idades mais avançadas. Então ele proporciona uma interação grande entre as pessoas”, conclui. Acesse o site da Confederação Brasileira de Badminton (CBBd) e saiba mais sobre o esporte!

VOX Otorrino | 35


Esta seção é de inteira responsabilidade do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORL-CCF.

EDUCAÇÃO M É D ICA CO NTINU A D A

Casos clínicos

Migrânea vestibular Dra. Ligia Oliveira Gonçalves Morganti Otorrinolaringologista no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Hospital Mater Dei Contorno, em Belo Horizonte (MG); fellow em Otoneurologia pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); mestre pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp; especialista em Medicina do Sono pela Associação Médica Brasileira (AMB)

CASO 1 Identificação: mulher, 39 anos. HDA: há sete meses, apresenta episódios recorrentes de tontura espontânea, com duração de horas, e sintomas neurovegetativos associados. Refere, ainda, zumbido e plenitude aural bilateral intermitentes, além de cefaleia hemicraniana esquerda, em aperto, não concomitantes à tontura. Apresenta fotofobia e fonofobia associadas à cefaleia e à tontura. HPP: enxaqueca de longa data, com crises no período menstrual. AMF: mãe e irmã têm enxaqueca. Exame físico: sem alterações (incluindo avaliação neurológica). Exame complementares: ressonância magnética de encéfalo sem alterações. Audiometria sem alterações. Não conseguiu concluir a prova calórica, devido a sintomas neurovegetativos intensos. HD: migrânea vestibular. CD: orientada a evitar gatilhos para enxaqueca, a praticar atividade física e a observar a regularidade de sono. Iniciado tratamento com venlafaxina. Retornou em um mês, com melhora considerável.

36 | VOX Otorrino


CASO 2 Identificação: mulher, 62 anos. HDA: vertigem rotatória ao se levantar, há 15 dias. Há um mês, apresenta vertigens desencadeadas pelos movimentos cefálicos, com duração menor que um minuto, várias vezes ao dia, associadas a sintomas neurovegetativos e fotofobia. Entre as crises, apresenta sensação de “cabeça vazia”. Sem sintomas auditivos. HPP: hipertensão arterial sistêmica, em uso de hidroclorotiazida. Episódio de vertigem tratado há um ano. Enxaqueca de longa data. Faz uso diário de dipirona. Abuso de carboidratos. Apresenta cinetose. AMF: irmã tem “labirintite”. Exame físico: Dix-Hallpike com cabeça para esquerda, presença de tontura e nistagmo torcional para esquerda, não fatigável, com cabeça para direita. Apresentou tontura e nistagmo torcional para direita, não fatigável. Ao sentar, após ambos os testes, apresentou tontura, sem nistagmo. Restante do exame físico otoneurológico sem alterações. Exames complementares: audiometria normal. Video head impulse test normal. Traz RM de encéfalo, sem alterações. HD: migrânea vestibular. CD: orientada a evitar abuso de analgésicos e exposição aos gatilhos para enxaqueca, a iniciar atividade física, a tratar o distúrbio de sono e a usar medicação antivertiginosa e anti-inflamatório não esteroidal para alívio nas crises. Foi proposta a substituição do medicamento anti-hipertensivo atual por atenolol, com o objetivo de controlar as duas comorbidades. Retornou em 30 dias, com melhora.

Comentários • A migrânea vestibular pode ocorrer em qualquer idade e gênero, embora seja mais frequente entre as mulheres; • É imprescindível excluir outros diagnósticos neurológicos; • RM, exames de motricidade ocular e de função vestibular (VHIT, prova calórica e VEMP) são, geralmente, normais;

• Graças à anamnese dirigida, pôde-se chegar ao diagnóstico, que foi o mesmo para os dois casos; • A migrânea vestibular tem como principais diagnósticos diferenciais a doença de Ménière e a vertigem posicional paroxística benigna, a depedender das características dos sintomas vestibulares presentes; • Diversas classes de drogas podem ser usadas como profilaxia de enxaqueca. Deve-se avaliar o perfil de cada paciente para obter o melhor benefício, com a menor quantidade de medicamentos.

Critérios diagnósticos (Bárány Society e ICHD*): Migrânea vestibular

Migrânea vestinular provável

A) Cinco episódios de sintomas vestibulares, de moderada a severa intensidade, durando entre 5 minutos e 72 horas

A

B) História atual ou prévia de migrânea, com ou sem aura, de acordo com a ICHD*

B ou C

C) Um ou mais sintomas de migrânea durante, pelo menos, 50% dos episódios vestibulares: cefaleia migranosa; foto e fonofobia; aura visual

-

D) Excluídos outros diagnósticos

D *The International Classification of Headache Disorders VOX Otorrino | 37


ABORL- CC F E M A ÇÃ O

Conheça mais sobre o

DEPARTAMENTO DE ORL

Geriátrica Departamento foi criado durante o 46° Congresso Brasileiro para ampliar a área de atendimento a idosos

Por Julia Lins

38 | VOX Otorrino


C

riado em 2016, o departamento de Otorrinolaringologia Geriátrica (ORL Geriátrica) reúne profissionais relacionados a todas as áreas da

Geriatria, além do geriatra, e tem como objetivo promover um atendimento especializado a seu público-alvo: os idosos. Atualmente, o departamento é formado por 12 membros: o coordenador, Dr. Herton Coifman, o secretário Roberto Meireles, Dra. Berenice Dias Ramos, Dra. Elisabeth Araújo Pereira, Dr. Fernando Ganança, Dra. Gisele Hennemann, Dr. José Fernando Polanski, Dr. Mara Gandara, Dr. Marco Aurélio Fornazieri, Dr. Paulo Eduardo Przysiezny, Dr. Sady Selaimen da Costa e Dra. Tanit Ganz Sanchez. “A necessidade recém-descoberta sobre problemas audiológicos e sua relação com problemas centrais (pela privação auditiva) e demência nos levaram a pensar que era impossível tratar de problemas de idosos enxergando o problema apenas pela nossa área de atuação”, descreve. Conforme Dr. Herton, por ser o coordenador, sua principal função é reunir as pessoas que se interessam pela área e tentar conseguir um capítulo especial para a área geriátrica dentro dos congressos. “Atualmente, nós temos um problema muito sério. Quando vamos a qualquer congresso, percebemos que os temas relacionados a idosos são colocados no mesmo horário, em diferentes áreas. Esse é um cuidado que precisamos ter”, analisa. Para o especialista, o ideal seria montar um programa

Conquistas do departamento Com apenas dois anos, o departamento já coleciona conquistas e vem conseguindo destaque na área. Este ano, a novidade é a presença do maior especialista do mundo na área de Neuroplasticidade, Dr. Frank Lin, de Baltimore (EUA), no 48° Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirúrgia Cervico-Facial, no final do ano, em João Pessoa. Outra conquista é a publicação do primeiro livro sobre Otorrinogeriatria publicado em Língua Portuguesa, com previsão de lançamento para o final deste ano. Em relação ao futuro do departamento, Dr. Herton ressalta a importância de despertar o interesse por meio de palestras e seminários em congressos. Para o especialista, essa medida será importante para a entrada de novos membros. “Pretendemos despertar o interesse e mostrar que o atendimento ao idoso não deve contemplar simplesmente a queixa que o levou ao consultório, mas deve ser mais amplo, abrangente. Gostaríamos, também, que em todos os eventos regionais de Otorrino seja possível ter algum módulo de Otorrinogeriatria, que nos prepare para a Otorrinolaringologia do século XXI ”, conclui.

racional, para que todos os interessados em temas relacionados aos idosos pudessem assistir, em uma mesma sala, a uma sequência de palestras sobre o assunto. Questionado sobre a adesão ao departamento, Dr. Herton conta que o departamento foi aceito de forma positiva pelas sociedades. “Assim que a ABORL-CCF separou um módulo para a Otorrinogeriatria, nós pupelo tema e montamos então um módulo de Otorrinogeriatria, com palestras, painéis e mesas-redondas e

ABORL-CCF separou um módulo para a Otorrinogeriatria, nós pudemos, então, reunir os colegas que se interessavam pelo tema e montamos então um módulo de

o interesse foi enorme. As salas ficaram lotadas; havia

Otorrinogeriatria, com palestras, painéis e mesas-

gente sentada no chão. Daí pudemos perceber que, sim,

-redondas e o interesse foi enorme”

estávamos no caminho certo”, analisa o especialista.

Divulgação

demos, então, reunir os colegas que se interessavam

“Assim que a

Dr. Herton Coifman VOX Otorrino | 39


O QUE DIZ A L E I

Publicidade MÉDICA sob a ótica do Conselho de Classe Consequências legais pela ausência do Registro de Qualificação da Especialidade Por Vania Rosa Moraes e Carlos Michaelis Jr do Departamento Jurídico da ABORL-CCF

A

publicidade médica é regulamentada pela resolução CFM nº 1974/2001, e, de acordo com os atos estatutários do Conselho, é a Comissão de Divulgação dos Assuntos Médicos (Codame) o órgão competente para apurar, fiscalizar e aplicar as penalidades nos casos de infrações éticas ligadas à publicidade médica. Convêm esclarecer, antes de tratar especificamente do Registro de Qualificação da Especialidade (RQE), que na legislação brasileira, de acordo com o decreto nº 8.516, de 10 de setembro de 2015, há duas formas 40 | VOX Otorrino

de obter o título de especialista: quais sejam médicos portadores do Certificado de Residência Médica expedido por instituição com programa de residência médica regularmente credenciado pela CNRM/MEC – Comissão Nacional de Residência Médica e os aprovados no Exames de Suficiência para Obtenção do Título de Especialista realizado pelas Sociedades de Especialidades por meio do convênio firmado com a Associação Médica Brasileira, Conselho Federal de Medicina (CFM) e Comissão Mista de Especialidade (CME).


Nota-se que apenas e tão somente é possível divulgar à especialidade médica da qual possa comprovar por meio de registro do Título de Especialista AMB ou Certificado de Residência Médica/CNRM/MEC no Conselho Regional de Medicina de sua jurisdição, pois é vedado fazer publicidade sem o respectivo registro, conforme preconizado pelo artigo 115 do Código de Ética Médica: “É vedado ao médico: Art. 115 – Anunciar títulos científicos que não possa comprovar e especialidade ou área de atuação para qual não esteja qualificado e registrado no Conselho Regional de Medicina”.

Pois bem, em posse do título de especialista o profissional médico pode fazer publicidade médica da especialidade? Não. O médico somente poderá anunciar a especialidade a partir do momento em que tenha seu título de especialista registrado no CRM para obtenção do RQE, atendendo, assim, à exigência do Código de Ética Médica.

Mas, afinal, o que é RQE? É o registro de qualificação da especialidade que confere ao portador o direito de fazer publicidade médica de sua especialidade, pois o número do RQE é um dos requisitos que deve constar obrigatoriamente na publicidade. Entender o contrário é cometer infração ao Código de Ética, passível de denúncia, instauração de sindicância e de ser apenado desde aplicação de pena administrativa até impedimento do exercício profissional, dependendo da gravidade do ato praticado. O médico poderá se identificar como especialista, sem incorrer em inobservância ao que determina a resolução CFM nº1974/2001, se realizar a publicidade contendo as seguintes informações: nome do médico, especialidade, número do CRM e número do RQE. Entretanto, ainda que seja um dever obrigacional do médico, é recorrente nos depararmos com publicidade na atividade médica realizada sem à observância da lei, com a divulgação da especialidade sem que esteja

registrada no CRM. Dados do Conselho Regional de Medicina demonstram que o número de títulos de especialista registrados no CRM não condiz com o de títulos emitidos tanto pela CNRM/MEC como pela AMB em decorrência dos exames de suficiência realizados anualmente pelas sociedades de especialidade médica. Vale ressaltar que a publicidade médica é regulamentada pelas determinações do Conselho de Classe e também amparada pelo Código de Defesa do Consumidor, portanto, pode ser apenada tanto no âmbito do Conselho de Classe como no das regras consumeristas. Desse modo, as boas práticas médicas devem ser extensivas aos atos inerentes à publicidade médica. Se pretende divulgar sua especialidade médica e/ou área de atuação, a recomendação do Departamento Jurídico é: procure o CRM para obter registros independentes e, a partir da obtenção deste, poder iniciar a publicidade médica.

Atenção! De acordo com o Código de Ética Médica o médico pode fazer publicidade de até duas especialidades ainda que seja detentor de outros títulos de especialistas. A recomendação do Departamento Jurídico é: procure o Conselho Regional de Medicina para que obtenha o RQE e a partir da obtenção do registro possa iniciar à publicidade médica, por obvio, observando e cumprindo com às determinações que regulamentam a questão, a fim de evitar sensacionalismo, autopromoção, concorrência desleal, quebra de sigilo, entre outros.

Fique atento, cumpra as normas que regulamentam a publicidade médica e evite problemas perante o CRM. Caso tenha se identificado com as questões apontadas neste artigo, e havendo necessidade de esclarecimentos adicionais, consulte o Departamento Jurídico da ABORL-CCF, que está à disposição dos associados gratuitamente pelos e-mails <juridico@ aborlccf.org.br> e <juridico1@aborlccf.org.br> e pelo telefone (11) 5053-7500. VOX Otorrino | 41


IMAGEM DE S TA Q U E

IMAGEM DESTAQUE I

niciamos nesta edição da Revista VOX Otorrino a seção Imagem Destaque. Nela, iremos trazer aos leitores uma imagem curiosa do universo da Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, com um breve questionamento.

Paciente de 82 anos, sexo feminino, com paralisia facial periférica direita há um dia. Refere lesões dolorosas na língua e no ouvido direito.

Qual é o diagnóstico? ( A ) Paralisia de Bell ( B ) Penfigoide ( C ) Síndrome de Ramsay Hunt ( D ) Síndrome de Melkersson-Rosenthal

Para saber a resposta correta e obter mais informações sobre as imagens, basta ir até o site da ABORL-CCF <http://aborlccf.org.br/enquetes.asp> ou acessar pelo QR Code. Se você tem uma imagem curiosa e gostaria de compartilhar com os leitores da Revista VOX Otorrino, envie para comunicação@aborlccf.org.br.

42 | VOX Otorrino

Vox Otorrrino 165  
Vox Otorrrino 165