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Edição 140 | Ano XX | março/abril 2014 www.aborlccf.org.br

O papel das entidades médicas CFM, CRM, AMB, Fenam... entenda a função de cada entidade

Páginas Azuis Dr. Emílio Zilli, diretor de defesa profissional da AMB


Mensagem do Presidente Caro associado, O primeiro trimestre do ano já passou e o tempo parece curto para tantas demandas em curso, mas nosso compromisso com o crescimento da ABORL-CCF segue firme. Nesta edição da VOX Otorrino, pela primeira vez teremos um conteúdo digital exclusivo, no qual você poderá conferir um breve balanço dos primeiros 100 dias da gestão dessa diretoria. Nosso empenho em lutar pelo crescimento da especialidade se reflete na intensa atividade de Defesa Profissional, tema que permeia esta edição. Convidamos o Dr. Emílio Zilli, Diretor de Defesa Profissional da AMB, para as Páginas Azuis. O cardiologista aponta caminhos para o fortalecimento da medicina. Entidades de classe e sociedades de especialidades estão unidas no propósito de garantir ao médico condições de trabalho dignas e remuneração justa. E a ABORL-CCF se coloca na linha de frente desse propósito com o trabalho minucioso do Comitê Conexão Brasília, sempre atento a oportunidades para valorização do otorrino.

Dr. Fernando Ganança Presidente da ABORL-CCF

O constante aprendizado profissional também é uma preocupação desta gestão. Além do Four Otology, do 3º Congresso On-Line, da diversificada grade internacional de palestrantes para o 44º Congresso Brasileiro, traremos, em maio, o curso promovido pela Comissão do BJORL, “Como redigir um artigo científico”, com o professor emérito da UnB Dr. Maurício Gomes Pereira. Um aspecto bastante importante para a ascensão da carreira, muitas vezes ignorado devido ao excesso de trabalho ou mesmo por falta de orientação. Nosso compromisso é com você, associado, e, por isso me mantenho a disposição para ouvir suas críticas, sugestões e reinvindicações. Fale comigo: presidente2014@aborlccf.org.br Forte abraço.

Veja o vídeo “ Balanço de 100 dias de gestão”:

http://panorama.srv.br/aprovacao/balanco DIRETORIA 2014

Para aproveitar melhor os sons da vida. A Phonak é líder no Brasil e no mundo em inovação tecnológica na área da audição. Com dedicação,

100

Dr. Fernando Ganança - São Paulo/SP Presidente

Dr. José Eduardo de Sá Pedroso - São Paulo/SP Diretor Tesoureiro

Dr. José Alexandre Medicis da Silveira - São Paulo/SP Presidente da Comissão de Residência e Treinamento

Dr. Sady Selaimen Costa - Porto Alegre/RS Diretor Primeiro Vice-Presidente

Dr. Paulo Saraceni Neto - São Paulo/SP Diretor Tesoureiro Adjunto

Dr. Leonardo Haddad - São Paulo/SP Presidente da Comissão de Título de Especialista

empenho e responsabilidade, supera as limitaç�es tecnológicas para au�iliar as pessoas com di�culdades

95

Dr. Domingos Tsuji - São Paulo/SP Diretor Segundo Vice-Presidente

Dr. Edilson Zancanella - Indaiatuba/SP Presidente da Comissão de Comunicações

Dr. Márcio Fortini – Belo Horizonte/MG Presidente da Comissão de Defesa Profissional

auditivas a ouvir, entender e aproveitar melhor os belos sons da vida. Presente em mais de 100 países, a

75

Dra. Francini Grecco de M. Pádua - São Paulo/SP Diretora Secretária Geral

Dra. Eulália Sakano - Campinas/SP Presidente da Comissão do BJORL

Dr. Otavio Marambaia Santos - Salvador/BA Presidente da Comissão de Ética e Disciplina

Dra. Renata Dutra de Moricz - São Paulo/SP Diretora Secretária Adjunta

Dr. Fabrízio Ricci Romano - São Paulo/SP Presidente da Comissão de Eventos e Cursos

Dr. Renato Roithmann - Porto Alegre/RS Presidente da Comissão de Educação Médica Continuada

Phonak possui um portfólio único e variado de produtos e serviços para atender as necessidades dos pro�ssionais e usuários. 25

www.phonak.com.br

5 0


Mensagem do Presidente Caro associado, O primeiro trimestre do ano já passou e o tempo parece curto para tantas demandas em curso, mas nosso compromisso com o crescimento da ABORL-CCF segue firme. Nesta edição da VOX Otorrino, pela primeira vez teremos um conteúdo digital exclusivo, no qual você poderá conferir um breve balanço dos primeiros 100 dias da gestão dessa diretoria. Nosso empenho em lutar pelo crescimento da especialidade se reflete na intensa atividade de Defesa Profissional, tema que permeia esta edição. Convidamos o Dr. Emílio Zilli, Diretor de Defesa Profissional da AMB, para as Páginas Azuis. O cardiologista aponta caminhos para o fortalecimento da medicina. Entidades de classe e sociedades de especialidades estão unidas no propósito de garantir ao médico condições de trabalho dignas e remuneração justa. E a ABORL-CCF se coloca na linha de frente desse propósito com o trabalho minucioso do Comitê Conexão Brasília, sempre atento a oportunidades para valorização do otorrino.

Dr. Fernando Ganança Presidente da ABORL-CCF

O constante aprendizado profissional também é uma preocupação desta gestão. Além do Four Otology, do 3º Congresso On-Line, da diversificada grade internacional de palestrantes para o 44º Congresso Brasileiro, traremos, em maio, o curso promovido pela Comissão do BJORL, “Como redigir um artigo científico”, com o professor emérito da UnB Dr. Maurício Gomes Pereira. Um aspecto bastante importante para a ascensão da carreira, muitas vezes ignorado devido ao excesso de trabalho ou mesmo por falta de orientação. Nosso compromisso é com você, associado, e, por isso me mantenho a disposição para ouvir suas críticas, sugestões e reinvindicações. Fale comigo: presidente2014@aborlccf.org.br Forte abraço.

Veja o vídeo “ Balanço de 100 dias de gestão”:

http://panorama.srv.br/aprovacao/balanco DIRETORIA 2014

Para aproveitar melhor os sons da vida. A Phonak é líder no Brasil e no mundo em inovação tecnológica na área da audição. Com dedicação,

100

Dr. Fernando Ganança - São Paulo/SP Presidente

Dr. José Eduardo de Sá Pedroso - São Paulo/SP Diretor Tesoureiro

Dr. José Alexandre Medicis da Silveira - São Paulo/SP Presidente da Comissão de Residência e Treinamento

Dr. Sady Selaimen Costa - Porto Alegre/RS Diretor Primeiro Vice-Presidente

Dr. Paulo Saraceni Neto - São Paulo/SP Diretor Tesoureiro Adjunto

Dr. Leonardo Haddad - São Paulo/SP Presidente da Comissão de Título de Especialista

empenho e responsabilidade, supera as limitaç�es tecnológicas para au�iliar as pessoas com di�culdades

95

Dr. Domingos Tsuji - São Paulo/SP Diretor Segundo Vice-Presidente

Dr. Edilson Zancanella - Indaiatuba/SP Presidente da Comissão de Comunicações

Dr. Márcio Fortini – Belo Horizonte/MG Presidente da Comissão de Defesa Profissional

auditivas a ouvir, entender e aproveitar melhor os belos sons da vida. Presente em mais de 100 países, a

75

Dra. Francini Grecco de M. Pádua - São Paulo/SP Diretora Secretária Geral

Dra. Eulália Sakano - Campinas/SP Presidente da Comissão do BJORL

Dr. Otavio Marambaia Santos - Salvador/BA Presidente da Comissão de Ética e Disciplina

Dra. Renata Dutra de Moricz - São Paulo/SP Diretora Secretária Adjunta

Dr. Fabrízio Ricci Romano - São Paulo/SP Presidente da Comissão de Eventos e Cursos

Dr. Renato Roithmann - Porto Alegre/RS Presidente da Comissão de Educação Médica Continuada

Phonak possui um portfólio único e variado de produtos e serviços para atender as necessidades dos pro�ssionais e usuários. 25

www.phonak.com.br

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10 13 16 20 26 30 33 37

Páginas Azuis Dr. Emílio Zilli, diretor de Defesa Profissional da AMB

Novo diretor executivo Com uma história de 14 anos na ABORL-CCF, Carlos Roberto da Silva é o novo diretor executivo

44 Congresso Brasileiro o

Conheça os palestrantes internacionais convidados

Real e virtual

EXPEDIENTE

06

Carta ao leitor

O mundo digital chegou à nossa VOX! Nesta edição, preparamos conteúdo complementar em diversas matérias e, pouco a pouco, vamos migrando do impresso para o digital, uma tendência irreversível do mercado editorial. Ao final da entrevista do Dr. Emílio Zilli, nas Páginas Azuis, você encontrará um link para a entrevista que o Dr. Florentino Cardoso, presidente da AMB, deu ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Av. Indianópolis, 1.287 CEP 04063-002 | São Paulo/SP Fone: 11 5053-7500 Fax: 11 5053-7512 Vox Otorrino

Gestão de Consultório POP de desinfecção de fibras óticas

Defesa Profissional O papel das entidades médicas e da agência reguladora

Carreira Os desafios de exercer medicina nos EUA

Diretor de Comunicação: Edilson Zancanella Comissão de Comunicações: Marcelo Piza Fabio de Rezende Pina João Vianney B. de Oliveira Paulo Roberto Lazarini Ricardo Jacob Macedo Allex Itar Ogawa Marco Antônio Corvo Maria Dantas C.L. Godoy Vinícius Magalhães Suguri Renato Marinho Correa

Dr. Edilson Zancanella Presidente da Comissão de Comunicações

Dr. Perboyre Sampaio, um homem de muitos talentos

Título de Especialista Modelo digital aprovado

Tecnologia Sistemas de gestão informatizados

Nesta edição temática, em que a Defesa Profissional está em foco, trazemos uma matéria especial sobre médicos que se aventuraram a desenvolver uma carreira no exterior e deram certo. Os obstáculos, as exigências e as realizações de quem decidiu, por livre e espontânea vontade, viver longe de suas raízes. Um pequeno paralelo das exigências para comprovar a formação médica em outro país e poder exercê-la com responsabilidade. Temos ainda a cobertura do Título de Especialista, a apresentação de Adriana Santos, jornalista contratada para coordenar a comunicação da Associação e a entrevista com nosso novo diretor executivo, nosso querido e conhecido Carlinhos. Além disso, trazemos um perfil encantador do Dr. Perboyre Sampaio, médico, cantor, escritor e... inventor de tijolos!

Jornalista Responsável: Eliana Antiqueira / MTB: 26.733 Reportagem: Sheila Godoi

Perfil

Na matéria sobre gestão de consultório, a esterilização de fibras ópticas vem gerando polêmica devido às exigências quase absurdas da Anvisa. Um alerta pelo registro de autuações da Vigilância Sanitária em diversas cidades.

Um abraço e boa leitura!

Fotos: Vicent Sobrinho / Dreamstime / Acervo Coordenação de Publicação e Diagramação: Julia Candido Produção: Estação Brasil Produção Editorial Fone: 11 3542-5264/0472 Impressão: Eskenazi Indústria Gráfica Periodicidade: Bimestral Tiragem: 6.000 exemplares Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da ABORL-CCF.

ESPAÇO LEITOR Sugestões de pauta, críticas ou elogios? Fale conosco. voxotorrino@aborlccf.org.br

Erramos

Na matéria “Neste ano, o Congresso é em Porto Alegre, tchê!”, ed. 139, pág. 14, dissemos “Porto Alegre é a cidade mais meridional do Brasil”. O correto é “Porto Alegre é a capital do Estado mais meridional do Brasil.”


10 13 16 20 26 30 33 37

Páginas Azuis Dr. Emílio Zilli, diretor de Defesa Profissional da AMB

Novo diretor executivo Com uma história de 14 anos na ABORL-CCF, Carlos Roberto da Silva é o novo diretor executivo

44 Congresso Brasileiro o

Conheça os palestrantes internacionais convidados

Real e virtual

EXPEDIENTE

06

Carta ao leitor

O mundo digital chegou à nossa VOX! Nesta edição, preparamos conteúdo complementar em diversas matérias e, pouco a pouco, vamos migrando do impresso para o digital, uma tendência irreversível do mercado editorial. Ao final da entrevista do Dr. Emílio Zilli, nas Páginas Azuis, você encontrará um link para a entrevista que o Dr. Florentino Cardoso, presidente da AMB, deu ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Av. Indianópolis, 1.287 CEP 04063-002 | São Paulo/SP Fone: 11 5053-7500 Fax: 11 5053-7512 Vox Otorrino

Gestão de Consultório POP de desinfecção de fibras óticas

Defesa Profissional O papel das entidades médicas e da agência reguladora

Carreira Os desafios de exercer medicina nos EUA

Diretor de Comunicação: Edilson Zancanella Comissão de Comunicações: Marcelo Piza Fabio de Rezende Pina João Vianney B. de Oliveira Paulo Roberto Lazarini Ricardo Jacob Macedo Allex Itar Ogawa Marco Antônio Corvo Maria Dantas C.L. Godoy Vinícius Magalhães Suguri Renato Marinho Correa

Dr. Edilson Zancanella Presidente da Comissão de Comunicações

Dr. Perboyre Sampaio, um homem de muitos talentos

Título de Especialista Modelo digital aprovado

Tecnologia Sistemas de gestão informatizados

Nesta edição temática, em que a Defesa Profissional está em foco, trazemos uma matéria especial sobre médicos que se aventuraram a desenvolver uma carreira no exterior e deram certo. Os obstáculos, as exigências e as realizações de quem decidiu, por livre e espontânea vontade, viver longe de suas raízes. Um pequeno paralelo das exigências para comprovar a formação médica em outro país e poder exercê-la com responsabilidade. Temos ainda a cobertura do Título de Especialista, a apresentação de Adriana Santos, jornalista contratada para coordenar a comunicação da Associação e a entrevista com nosso novo diretor executivo, nosso querido e conhecido Carlinhos. Além disso, trazemos um perfil encantador do Dr. Perboyre Sampaio, médico, cantor, escritor e... inventor de tijolos!

Jornalista Responsável: Eliana Antiqueira / MTB: 26.733 Reportagem: Sheila Godoi

Perfil

Na matéria sobre gestão de consultório, a esterilização de fibras ópticas vem gerando polêmica devido às exigências quase absurdas da Anvisa. Um alerta pelo registro de autuações da Vigilância Sanitária em diversas cidades.

Um abraço e boa leitura!

Fotos: Vicent Sobrinho / Dreamstime / Acervo Coordenação de Publicação e Diagramação: Julia Candido Produção: Estação Brasil Produção Editorial Fone: 11 3542-5264/0472 Impressão: Eskenazi Indústria Gráfica Periodicidade: Bimestral Tiragem: 6.000 exemplares Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da ABORL-CCF.

ESPAÇO LEITOR Sugestões de pauta, críticas ou elogios? Fale conosco. voxotorrino@aborlccf.org.br

Erramos

Na matéria “Neste ano, o Congresso é em Porto Alegre, tchê!”, ed. 139, pág. 14, dissemos “Porto Alegre é a cidade mais meridional do Brasil”. O correto é “Porto Alegre é a capital do Estado mais meridional do Brasil.”


Páginas Azuis

Páginas Azuis

Mais e melhores médicos Dr. Emílio César Zilli, diretor de Defesa Profissional da Associação Médica Brasileira, é um incansável lutador pelos direitos da classe médica e da população. O cardiologista critica a postura do Governo Federal no tratamento conferido aos profissionais de saúde e afirma: “a medicina é maior e mais importante do que qualquer governo”.

Em sete meses de programa Mais Médicos, como o senhor avalia a repercussão do programa para a classe médica e qual a alternativa oferecida pela AMB ao programa federal?

Um dos mais combativos representantes da classe médica brasileira, Dr. Zilli mantém-se atento aos rumos da medicina brasileira, tanto no que concerne à formação do jovem e à qualidade do ensino de medicina, quanto às tentativas do Governo de demonizar a figura do médico perante a sociedade.

6 | Revista VOX OTORRINO

A categoria médica, ao contrário, do que foi falado, nunca foi contra o Mais Médicos, ela é contra a mais médicos sem qualidade. Entendemos que o programa não atinge os objetivos que o governo diz que atinge. Ele tem um viés fortemente eleitoral e não vai ao ponto que é o principal problema da medicina brasileira no interior, que é a qualidade da medicina. O médico brasileiro também não se nega a ir ao interior, ele se nega a ir ao interior sem qualidade de assistência. Nosso problema não é ser contra o programa, que, de uma forma muito marqueteira, foi colocado como “Mais Médicos” para a população entender que vêm mais médicos mesmo, e isso é bom. Nós também achamos bom. Quanto mais médicos melhor! Achamos até que a concorrência não atrapalha, mas, logicamente, a concorrência com qualidade. Nós queremos saber quem são os médicos que estão vindo para o Brasil, da mesma ma-

neira, quando vamos lá pra fora, eles querem saber quem somos nós. O que nós não queremos, não entendemos e não concordamos é com uma medicina que seja colocada em vários níveis. Medicina pra rico, medicina pra pobre, medicina pra remediado, porque nós não temos médicos para ricos, pobres ou remediados. A medicina é uma coisa una e indissolúvel. A população atendida pelo programa aprova a iniciativa maciçamente porque se queixa que o médico brasileiro não quer trabalhar na periferia ou fora dos grandes centros. Isso procede? Como resolver essa situação? A solução é simples e está se criando toda uma situação como se isso fosse insolúvel. Nossa proposta é muito simples. Primeiro, criando-se uma carreira de Estado, levando o médico ao interior. Segundo, dando a este médico condições para exercer a medicina. A medicina, hoje, não pode mais ser exercida como 50, 100 anos atrás, com curandeirismos. Tem que ser exercida com tecnologia, porque isso facilita o diagnóstico, o tratamento, e esse é o nosso maior objetivo.

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

É sabido que médicos em cidades do interior, em regiões mais afastadas, são capitais eleitorais do poder local. Como garantir a esse médico a isenção para exercer seu trabalho e eliminar esse intermediário político? A carreira de estado elimina esse caráter político que você tão bem colocou. Aliás, diria que o médico é mais até do que um capital eleitoral, muitas vezes é um escravo do prefeito do interior, porque, muitas vezes, nem contrato de trabalho ele tem. Ele é contratado e no primeiro mês, recebe os 20 mil reais prometidos, no outro mês, o or-

“A medicina, hoje, não pode mais ser exercida como 50, 100 anos atrás, com curandeirismos. Tem que ser exercida com tecnologia, porque isso facilita o diagnóstico, o tratamento, e esse é o nosso maior objetivo.” çamento é reduzido e o médico já não recebe mais o prometido. Nós temos várias denúncias de colegas que foram para o interior, iludidos por um bom salário, mas bom pra quê? Temos colegas pediatras que, quando chegam ao interior, são obrigados a trabalhar como anestesistas, porque não tem esse profissional lá. E aí? Ele é médico. E a população está esperando um médico. Apesar de o médico sair da faculdade com formação geral, nós sabemos que a medicina hoje é feita de especialidades. Logicamente o médico pode exercer a medicina

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

em sua plenitude, inclusive como anestesista, mas ninguém sabe tudo, as pessoas são treinadas em sua área específica. Uma das queixas a vinda dos médicos estrangeiros é a falta de uma avaliação justa sobre seus conhecimentos. Mas o Brasil também não promove a avaliação dos seus médicos. Há algum projeto para que se crie um exame, como a OAB faz, por exemplo? Nós entendemos que existem algumas faculdades de medicina que deveriam estar fechadas, e é bom que se diga que essa desqualificação não é só culpa nossa. Nesses dias, estava dando uma entrevista para uma repórter do Rio de Janeiro, e ela me disse: “Mas quem dá aulas de medicina, são os médicos. Mesmo nas faculdades ditas ruins, os professores são médicos.” E não podemos fugir a essa constatação. Por outro lado, temos faculdades de medicina de excelente padrão. Como nivelar isso? Nós mesmos, como médicos, às vezes fazemos certas comparações com a OAB. Mas são grandezas diferentes, primeiro porque o material com o qual trabalhamos é diferente. Segundo, pelo nosso currículo acadêmico, que é pesado. Quem faz medicina tem que se dedicar integralmente por seis anos. Mas como avaliar isso, que é a sua pergunta objetiva? Se tivéssemos boas faculdades de medicina, essa seria uma avaliação automática. Os ruins automaticamente seriam expurgados, porque não sobreviveriam a esses seis anos intensos. Com currículo pesado, exigências pesadas, só ficaria quem fosse bom e interessado. Isso seria o ideal. Mas estamos no Brasil e aqui trabalhamos com o possível. Então o que vamos fazer? Pegar essas faculdades ruins todas e fechá-las? Seria o ideal? Mas, e as pessoas que fizeram o vestibular, que pagaram caro, são

culpadas? Não. São vítimas. Esse médico malformado é uma vítima do sistema. Porque alguém está se privilegiando, ganhando muito dinheiro para formar um médico ruim. O culpado também não é o médico que vai dar aula, que também ganha pouco na faculdade ruim. Para isso, a AMB defende que, a cada dois anos, haja um critério de avaliação acadêmico. Assim você tem um balizador. O que o Cremesp realiza em São Paulo é uma coisa exemplar. Está mostrando que, realmente, não existem médicos preparados para enfrentar o mercado de trabalho. Mas, quando você vai pesquisar de onde vêm esses médicos que não conseguem nota mínima, de onde eles vêm? Dessas faculdades ruins. Vamos resolver o problema? Vamos. Vamos fechar todas as faculdades ruins e pegar o pessoal que tá lá e mandar para as federais, que têm ensino de excelência. Mas, para isso, tem que ter vontade política e se tratar a medicina como se deve, como prioridade cumprindo a Constituição Brasileira, já que a saúde é um direito do cidadão e obrigação do Estado. A saúde sofre hoje um intenso processo de judicialização. Este é o caminho ou há exageros? Às vezes, sou acusado de purista. Acho que a partir do momento que você encara a saúde como um produto, nivela a saúde como um saco de açúcar. Saúde não é um produto, é um direito, é um processo continuado de bem-estar físico, mental, moral, social e espiritual. Quando você enxerga a saúde como uma relação comercial, aí acontece a judicialização. A medicina não é uma ciência exata. O compromisso do médico é fazer o melhor que puder, usar do seu talento, da sua competência, da sua arte, da sua compaixão para restabelecer a saúde do paciente. Mas o médico não pode jurar que vai con-

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Páginas Azuis

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Mais e melhores médicos Dr. Emílio César Zilli, diretor de Defesa Profissional da Associação Médica Brasileira, é um incansável lutador pelos direitos da classe médica e da população. O cardiologista critica a postura do Governo Federal no tratamento conferido aos profissionais de saúde e afirma: “a medicina é maior e mais importante do que qualquer governo”.

Em sete meses de programa Mais Médicos, como o senhor avalia a repercussão do programa para a classe médica e qual a alternativa oferecida pela AMB ao programa federal?

Um dos mais combativos representantes da classe médica brasileira, Dr. Zilli mantém-se atento aos rumos da medicina brasileira, tanto no que concerne à formação do jovem e à qualidade do ensino de medicina, quanto às tentativas do Governo de demonizar a figura do médico perante a sociedade.

6 | Revista VOX OTORRINO

A categoria médica, ao contrário, do que foi falado, nunca foi contra o Mais Médicos, ela é contra a mais médicos sem qualidade. Entendemos que o programa não atinge os objetivos que o governo diz que atinge. Ele tem um viés fortemente eleitoral e não vai ao ponto que é o principal problema da medicina brasileira no interior, que é a qualidade da medicina. O médico brasileiro também não se nega a ir ao interior, ele se nega a ir ao interior sem qualidade de assistência. Nosso problema não é ser contra o programa, que, de uma forma muito marqueteira, foi colocado como “Mais Médicos” para a população entender que vêm mais médicos mesmo, e isso é bom. Nós também achamos bom. Quanto mais médicos melhor! Achamos até que a concorrência não atrapalha, mas, logicamente, a concorrência com qualidade. Nós queremos saber quem são os médicos que estão vindo para o Brasil, da mesma ma-

neira, quando vamos lá pra fora, eles querem saber quem somos nós. O que nós não queremos, não entendemos e não concordamos é com uma medicina que seja colocada em vários níveis. Medicina pra rico, medicina pra pobre, medicina pra remediado, porque nós não temos médicos para ricos, pobres ou remediados. A medicina é uma coisa una e indissolúvel. A população atendida pelo programa aprova a iniciativa maciçamente porque se queixa que o médico brasileiro não quer trabalhar na periferia ou fora dos grandes centros. Isso procede? Como resolver essa situação? A solução é simples e está se criando toda uma situação como se isso fosse insolúvel. Nossa proposta é muito simples. Primeiro, criando-se uma carreira de Estado, levando o médico ao interior. Segundo, dando a este médico condições para exercer a medicina. A medicina, hoje, não pode mais ser exercida como 50, 100 anos atrás, com curandeirismos. Tem que ser exercida com tecnologia, porque isso facilita o diagnóstico, o tratamento, e esse é o nosso maior objetivo.

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É sabido que médicos em cidades do interior, em regiões mais afastadas, são capitais eleitorais do poder local. Como garantir a esse médico a isenção para exercer seu trabalho e eliminar esse intermediário político? A carreira de estado elimina esse caráter político que você tão bem colocou. Aliás, diria que o médico é mais até do que um capital eleitoral, muitas vezes é um escravo do prefeito do interior, porque, muitas vezes, nem contrato de trabalho ele tem. Ele é contratado e no primeiro mês, recebe os 20 mil reais prometidos, no outro mês, o or-

“A medicina, hoje, não pode mais ser exercida como 50, 100 anos atrás, com curandeirismos. Tem que ser exercida com tecnologia, porque isso facilita o diagnóstico, o tratamento, e esse é o nosso maior objetivo.” çamento é reduzido e o médico já não recebe mais o prometido. Nós temos várias denúncias de colegas que foram para o interior, iludidos por um bom salário, mas bom pra quê? Temos colegas pediatras que, quando chegam ao interior, são obrigados a trabalhar como anestesistas, porque não tem esse profissional lá. E aí? Ele é médico. E a população está esperando um médico. Apesar de o médico sair da faculdade com formação geral, nós sabemos que a medicina hoje é feita de especialidades. Logicamente o médico pode exercer a medicina

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

em sua plenitude, inclusive como anestesista, mas ninguém sabe tudo, as pessoas são treinadas em sua área específica. Uma das queixas a vinda dos médicos estrangeiros é a falta de uma avaliação justa sobre seus conhecimentos. Mas o Brasil também não promove a avaliação dos seus médicos. Há algum projeto para que se crie um exame, como a OAB faz, por exemplo? Nós entendemos que existem algumas faculdades de medicina que deveriam estar fechadas, e é bom que se diga que essa desqualificação não é só culpa nossa. Nesses dias, estava dando uma entrevista para uma repórter do Rio de Janeiro, e ela me disse: “Mas quem dá aulas de medicina, são os médicos. Mesmo nas faculdades ditas ruins, os professores são médicos.” E não podemos fugir a essa constatação. Por outro lado, temos faculdades de medicina de excelente padrão. Como nivelar isso? Nós mesmos, como médicos, às vezes fazemos certas comparações com a OAB. Mas são grandezas diferentes, primeiro porque o material com o qual trabalhamos é diferente. Segundo, pelo nosso currículo acadêmico, que é pesado. Quem faz medicina tem que se dedicar integralmente por seis anos. Mas como avaliar isso, que é a sua pergunta objetiva? Se tivéssemos boas faculdades de medicina, essa seria uma avaliação automática. Os ruins automaticamente seriam expurgados, porque não sobreviveriam a esses seis anos intensos. Com currículo pesado, exigências pesadas, só ficaria quem fosse bom e interessado. Isso seria o ideal. Mas estamos no Brasil e aqui trabalhamos com o possível. Então o que vamos fazer? Pegar essas faculdades ruins todas e fechá-las? Seria o ideal? Mas, e as pessoas que fizeram o vestibular, que pagaram caro, são

culpadas? Não. São vítimas. Esse médico malformado é uma vítima do sistema. Porque alguém está se privilegiando, ganhando muito dinheiro para formar um médico ruim. O culpado também não é o médico que vai dar aula, que também ganha pouco na faculdade ruim. Para isso, a AMB defende que, a cada dois anos, haja um critério de avaliação acadêmico. Assim você tem um balizador. O que o Cremesp realiza em São Paulo é uma coisa exemplar. Está mostrando que, realmente, não existem médicos preparados para enfrentar o mercado de trabalho. Mas, quando você vai pesquisar de onde vêm esses médicos que não conseguem nota mínima, de onde eles vêm? Dessas faculdades ruins. Vamos resolver o problema? Vamos. Vamos fechar todas as faculdades ruins e pegar o pessoal que tá lá e mandar para as federais, que têm ensino de excelência. Mas, para isso, tem que ter vontade política e se tratar a medicina como se deve, como prioridade cumprindo a Constituição Brasileira, já que a saúde é um direito do cidadão e obrigação do Estado. A saúde sofre hoje um intenso processo de judicialização. Este é o caminho ou há exageros? Às vezes, sou acusado de purista. Acho que a partir do momento que você encara a saúde como um produto, nivela a saúde como um saco de açúcar. Saúde não é um produto, é um direito, é um processo continuado de bem-estar físico, mental, moral, social e espiritual. Quando você enxerga a saúde como uma relação comercial, aí acontece a judicialização. A medicina não é uma ciência exata. O compromisso do médico é fazer o melhor que puder, usar do seu talento, da sua competência, da sua arte, da sua compaixão para restabelecer a saúde do paciente. Mas o médico não pode jurar que vai con-

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Páginas Azuis seguir, porque lidamos com seres humanos diferentes entre si, o que funciona para um, nem sempre funciona para outro. Alguém já falou, com muita propriedade, que não existe doença, existem doentes. A quem cabe fiscalizar esse processo intenso de judicialização? Esse processo seria freado se você tivesse uma agência reguladora que regulasse. O que não é o caso. Aliás, esse não é um privilégio da ANS. No Brasil, e acho que é um problema cultural, as agências reguladoras não regulam. São apenas mais um órgão do governo. A judicialização é um problema dramático da medicina. Muitas vezes temos de recorrer ao judiciário porque as coisas são tão óbvias, o direito do paciente é tão desrespeitado pelos grandes grupos, que não há saída. A gente gostaria que nenhum paciente tivesse que recorrer ao judiciário.

“... o médico é mais até do que um capital eleitoral, muitas vezes é um escravo do prefeito do interior, porque, muitas vezes, nem contrato de trabalho ele tem.”

O plano de saúde é uma aspiração das classes ascendentes, o que aumentou a base de assinantes, o número de empresas de saúde e o número de queixas. A AMB trabalha ao lado da ANS ou em oposição? O principal lado da AMB é o do paciente. Em segundo lugar, defende

8 | Revista VOX OTORRINO

Páginas Azuis a outra parte mais fraca do sistema: o médico. Ela se oporá à agência reguladora todas as vezes que esta não exercer sua função ética e constitucional de regular e melhorar a saúde do povo brasileiro, respeitando a dignidade do exercício profissional. Mas não temos nada contra a agência reguladora, pelo contrário, temos um diálogo respeitoso e aberto, e vamos procurar manter nossos canais abertos porque, muito além do corporativismo do qual somos acusados, entendemos que a medicina só é exercida e só existe por causa do paciente. Não adianta ter médico que é só cientista, porque a ciência precisa ser aplicada, senão não tem sentido. E, nós todos, em algum momento da nossa vida, seremos pacientes também. A AMB apresentou em conjunto com a OAB um Projeto de Lei de Iniciativa Popular, com 2,2 milhões de assinaturas, para que 18% da arrecadação líquida da União sejam investidos em saúde. Em que pé está este projeto, foi votado? Saúde é uma coisa muito complexa. Aplica-se pouco em saúde no Brasil. A atual aplicação do percentual per capta é ridículo. Aplicamos menos do que nossos parceiros latino-americanos, menos do que muitas repúblicas africanas, e existe outro problema: o que aplicamos, aplicamos mal. É vilipendiado pela corrupção, pela má gestão. Este projeto de iniciativa da AMB, com o apoio da população – um número enorme de assinaturas! –, com o apoio das mais éticas e valorosas entidades civis do país; ele é simplesmente desrespeitado. Que Estado é este que vai demagogicamente para a TV dizer que o programa Mais Médicos vai resolver o problema brasileiro e cria na sua base parlamentar governista situações para que sejam rejeitadas

ações de base popular de saúde? Se nem o apelo popular funciona, o que funciona então? Este é um discurso esquizofrênico. Estamos falando com quem? Será que estamos falando a mesma linguagem? Como você pode defender uma coisa e quando tem a chance de resolver isso, vota contra, ignora. A desculpa é que essa verba vai quebrar o país. Num país com tantos ralos, para não dizer esgoto, por onde escoa o dinheiro público, como assim vai quebrar? Por que o povo quer tanto ter um plano de saúde? Porque não tem uma medicina pública que possa confiar. Isso é culpa do médico? E o curioso é que o SUS é um modelo bastante elogiado. O SUS é o melhor modelo médico do mundo! Nossos programas de vacinação, de combate a AIDS são copiados no mundo inteiro. Mas o que fazer com problemas como diabetes, hipertensão? Temos que brigar por políticas públicas, mas que sejam feitas com os sanitaristas, não pelos sanitaristas. Essas políticas têm que ser feitas por quem atende, por quem entende, por quem vê paciente. Com a academia, com os sanitaristas, com o Governo. É multidisciplinar. O mundo hoje não permite mais essa demagogia de donos da verdade, principalmente porque a gente sabe que as verdades que vêm do Governo são enviesadas, atendem aos seus próprios interesses eleitorais. Qual o posicionamento da ANS em relação às reivindicações da AMB e sociedades de especialidades sobre a contratualização e a hierarquização? A agenda regulatória da ANS incorporava dois itens que interessam muito à categoria médica e aos pacientes: a hierarquização e a contratualização. O CADE (Conselho

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

Administrativo de Desenvolvimento Econômico) a todo o momento nos acusa de cartelizadores porque queremos uma tabela de preço mínimo. Se criar uma tabela de preço mínimo for cartel, então o Governo é o maior cartelizador, porque criou o salário mínimo. Mas aí são dois pesos e duas medidas. O que o governo faz não é cartel, o que você faz é. Para organizar isso, 14 anos atrás, a AMB criou a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Um trabalho feito por economistas o qual hierarquiza todos os procedimentos médicos. Um trabalho enorme, insano, e a agência reguladora, num certo momento, se propôs a criar uma hierarquização. Só que essa hierarquização era cheia de viés que atendiam aos interesses das operadoras. Aquilo que era subpago, continuaria subpago. Obviamente não aceitamos. E esse foi o primeiro embate. Fizemos outra proposta, abrindo mais concessões, para que tivéssemos uma classificação hierarquizada também dentro da saúde complementar. Até agora não conseguimos andar. Aliás, entreguei novamente essa proposta para o presidente da ANS, em março. A segunda agenda é a contratualização. O que é isso? Se você é um prestador de serviço para uma operadora e tem um contrato de trabalho, esse contrato, entre outras coisas, deve contemplar um reajuste anual. Se você vivesse num país que não tem inflação, não precisaria de reajuste. Se você já recebe um mínimo, e esse mínimo não é reajustado nem pela inflação, aí é coisa de louco! Vai discutir o quê? Que isso é cartel? A própria ANS reconheceu que isso é uma coisa desumana e ela mesma se

“A AMB se oporá à agência reguladora todas as vezes que esta não exercer sua função ética e constitucional de regular e melhorar a saúde do povo brasileiro, respeitando a dignidade do exercício profissional.” propôs a criar uma contratualização. Só que, mais uma vez, a proposta que veio era uma coisa cheia de armadilhas e que não resolveria nada. Passaria para os prestadores de serviço mais ônus, sem nenhuma garantia. A quem interessava isso? Mais uma vez discutimos e fizemos uma nova proposta. Ainda não houve nenhum avanço nessa discussão. O ministro da saúde Arthur Chioro anunciou que vai extinguir a tabela SUS. Como isso se reflete para a categoria médica? Não sei o que ele chama de eliminar, porque essa tabela, do jeito que está, nem deveria existir, é uma infâmia. Uma consulta médica pela tabela SUS deve estar hoje em seis reais, por aí. O problema é que a gente já está tão escolado com as atitudes estatizantes deste Governo, que quando ele diz que vai eliminar a tabela SUS a gente espera que virá uma coisa pior! A quebra de confiança é uma coisa muito séria. Vamos esperar. Nós estamos, mais uma vez, abertos para discutir. A gente não entende saúde segmentada, não entendemos a saúde privada diferente da saúde pública. Temos 50 milhões de pessoas na saúde suplementar, mas temos 150 milhões na saúde

pública. Não podemos ficar aqui discutindo agência reguladora na saúde suplementar sem discutir a situação do SUS real. Diante de todo esse cenário, a medicina ainda é uma carreira viável? Claro que é. É cada vez mais viável. É uma carreira apaixonante. Eu quero mais é que esses meninos que procuram a medicina, e eu tenho um filho médico, se dediquem, que acreditem, porque a medicina é muito maior do que o Mais Médicos, do que os governos. Os médicos brasileiros, ao contrário do que querem vender, são muito competentes, muito diligentes, apaixonados. Dê condições de trabalho e você vai ver. Mesmo com todos os defeitos, teremos uma medicina de alto padrão. Temos ilhas de excelência neste país que não devem nada a qualquer outro lugar do mundo. Invista em saúde, crie uma carreira de Estado, crie uma relação de confiança, de respeito e você verá que a resposta da medicina será muito maior do que eles dizem que será. Demonizar médico pela incompetência do Governo, pela corrupção do Governo, pela falta de gestão? “Ninguém engana todo mundo o tempo todo”, Winston Churchill.

Confira a entrevista com Dr. Florentino Cardoso, presidente da AMB, ao programa Roda Viva da TV Cultura: http://aborlccf.org.br/conteudo/secao_detalhes.asp?s=51&id=3852

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Páginas Azuis seguir, porque lidamos com seres humanos diferentes entre si, o que funciona para um, nem sempre funciona para outro. Alguém já falou, com muita propriedade, que não existe doença, existem doentes. A quem cabe fiscalizar esse processo intenso de judicialização? Esse processo seria freado se você tivesse uma agência reguladora que regulasse. O que não é o caso. Aliás, esse não é um privilégio da ANS. No Brasil, e acho que é um problema cultural, as agências reguladoras não regulam. São apenas mais um órgão do governo. A judicialização é um problema dramático da medicina. Muitas vezes temos de recorrer ao judiciário porque as coisas são tão óbvias, o direito do paciente é tão desrespeitado pelos grandes grupos, que não há saída. A gente gostaria que nenhum paciente tivesse que recorrer ao judiciário.

“... o médico é mais até do que um capital eleitoral, muitas vezes é um escravo do prefeito do interior, porque, muitas vezes, nem contrato de trabalho ele tem.”

O plano de saúde é uma aspiração das classes ascendentes, o que aumentou a base de assinantes, o número de empresas de saúde e o número de queixas. A AMB trabalha ao lado da ANS ou em oposição? O principal lado da AMB é o do paciente. Em segundo lugar, defende

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Páginas Azuis a outra parte mais fraca do sistema: o médico. Ela se oporá à agência reguladora todas as vezes que esta não exercer sua função ética e constitucional de regular e melhorar a saúde do povo brasileiro, respeitando a dignidade do exercício profissional. Mas não temos nada contra a agência reguladora, pelo contrário, temos um diálogo respeitoso e aberto, e vamos procurar manter nossos canais abertos porque, muito além do corporativismo do qual somos acusados, entendemos que a medicina só é exercida e só existe por causa do paciente. Não adianta ter médico que é só cientista, porque a ciência precisa ser aplicada, senão não tem sentido. E, nós todos, em algum momento da nossa vida, seremos pacientes também. A AMB apresentou em conjunto com a OAB um Projeto de Lei de Iniciativa Popular, com 2,2 milhões de assinaturas, para que 18% da arrecadação líquida da União sejam investidos em saúde. Em que pé está este projeto, foi votado? Saúde é uma coisa muito complexa. Aplica-se pouco em saúde no Brasil. A atual aplicação do percentual per capta é ridículo. Aplicamos menos do que nossos parceiros latino-americanos, menos do que muitas repúblicas africanas, e existe outro problema: o que aplicamos, aplicamos mal. É vilipendiado pela corrupção, pela má gestão. Este projeto de iniciativa da AMB, com o apoio da população – um número enorme de assinaturas! –, com o apoio das mais éticas e valorosas entidades civis do país; ele é simplesmente desrespeitado. Que Estado é este que vai demagogicamente para a TV dizer que o programa Mais Médicos vai resolver o problema brasileiro e cria na sua base parlamentar governista situações para que sejam rejeitadas

ações de base popular de saúde? Se nem o apelo popular funciona, o que funciona então? Este é um discurso esquizofrênico. Estamos falando com quem? Será que estamos falando a mesma linguagem? Como você pode defender uma coisa e quando tem a chance de resolver isso, vota contra, ignora. A desculpa é que essa verba vai quebrar o país. Num país com tantos ralos, para não dizer esgoto, por onde escoa o dinheiro público, como assim vai quebrar? Por que o povo quer tanto ter um plano de saúde? Porque não tem uma medicina pública que possa confiar. Isso é culpa do médico? E o curioso é que o SUS é um modelo bastante elogiado. O SUS é o melhor modelo médico do mundo! Nossos programas de vacinação, de combate a AIDS são copiados no mundo inteiro. Mas o que fazer com problemas como diabetes, hipertensão? Temos que brigar por políticas públicas, mas que sejam feitas com os sanitaristas, não pelos sanitaristas. Essas políticas têm que ser feitas por quem atende, por quem entende, por quem vê paciente. Com a academia, com os sanitaristas, com o Governo. É multidisciplinar. O mundo hoje não permite mais essa demagogia de donos da verdade, principalmente porque a gente sabe que as verdades que vêm do Governo são enviesadas, atendem aos seus próprios interesses eleitorais. Qual o posicionamento da ANS em relação às reivindicações da AMB e sociedades de especialidades sobre a contratualização e a hierarquização? A agenda regulatória da ANS incorporava dois itens que interessam muito à categoria médica e aos pacientes: a hierarquização e a contratualização. O CADE (Conselho

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Administrativo de Desenvolvimento Econômico) a todo o momento nos acusa de cartelizadores porque queremos uma tabela de preço mínimo. Se criar uma tabela de preço mínimo for cartel, então o Governo é o maior cartelizador, porque criou o salário mínimo. Mas aí são dois pesos e duas medidas. O que o governo faz não é cartel, o que você faz é. Para organizar isso, 14 anos atrás, a AMB criou a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Um trabalho feito por economistas o qual hierarquiza todos os procedimentos médicos. Um trabalho enorme, insano, e a agência reguladora, num certo momento, se propôs a criar uma hierarquização. Só que essa hierarquização era cheia de viés que atendiam aos interesses das operadoras. Aquilo que era subpago, continuaria subpago. Obviamente não aceitamos. E esse foi o primeiro embate. Fizemos outra proposta, abrindo mais concessões, para que tivéssemos uma classificação hierarquizada também dentro da saúde complementar. Até agora não conseguimos andar. Aliás, entreguei novamente essa proposta para o presidente da ANS, em março. A segunda agenda é a contratualização. O que é isso? Se você é um prestador de serviço para uma operadora e tem um contrato de trabalho, esse contrato, entre outras coisas, deve contemplar um reajuste anual. Se você vivesse num país que não tem inflação, não precisaria de reajuste. Se você já recebe um mínimo, e esse mínimo não é reajustado nem pela inflação, aí é coisa de louco! Vai discutir o quê? Que isso é cartel? A própria ANS reconheceu que isso é uma coisa desumana e ela mesma se

“A AMB se oporá à agência reguladora todas as vezes que esta não exercer sua função ética e constitucional de regular e melhorar a saúde do povo brasileiro, respeitando a dignidade do exercício profissional.” propôs a criar uma contratualização. Só que, mais uma vez, a proposta que veio era uma coisa cheia de armadilhas e que não resolveria nada. Passaria para os prestadores de serviço mais ônus, sem nenhuma garantia. A quem interessava isso? Mais uma vez discutimos e fizemos uma nova proposta. Ainda não houve nenhum avanço nessa discussão. O ministro da saúde Arthur Chioro anunciou que vai extinguir a tabela SUS. Como isso se reflete para a categoria médica? Não sei o que ele chama de eliminar, porque essa tabela, do jeito que está, nem deveria existir, é uma infâmia. Uma consulta médica pela tabela SUS deve estar hoje em seis reais, por aí. O problema é que a gente já está tão escolado com as atitudes estatizantes deste Governo, que quando ele diz que vai eliminar a tabela SUS a gente espera que virá uma coisa pior! A quebra de confiança é uma coisa muito séria. Vamos esperar. Nós estamos, mais uma vez, abertos para discutir. A gente não entende saúde segmentada, não entendemos a saúde privada diferente da saúde pública. Temos 50 milhões de pessoas na saúde suplementar, mas temos 150 milhões na saúde

pública. Não podemos ficar aqui discutindo agência reguladora na saúde suplementar sem discutir a situação do SUS real. Diante de todo esse cenário, a medicina ainda é uma carreira viável? Claro que é. É cada vez mais viável. É uma carreira apaixonante. Eu quero mais é que esses meninos que procuram a medicina, e eu tenho um filho médico, se dediquem, que acreditem, porque a medicina é muito maior do que o Mais Médicos, do que os governos. Os médicos brasileiros, ao contrário do que querem vender, são muito competentes, muito diligentes, apaixonados. Dê condições de trabalho e você vai ver. Mesmo com todos os defeitos, teremos uma medicina de alto padrão. Temos ilhas de excelência neste país que não devem nada a qualquer outro lugar do mundo. Invista em saúde, crie uma carreira de Estado, crie uma relação de confiança, de respeito e você verá que a resposta da medicina será muito maior do que eles dizem que será. Demonizar médico pela incompetência do Governo, pela corrupção do Governo, pela falta de gestão? “Ninguém engana todo mundo o tempo todo”, Winston Churchill.

Confira a entrevista com Dr. Florentino Cardoso, presidente da AMB, ao programa Roda Viva da TV Cultura: http://aborlccf.org.br/conteudo/secao_detalhes.asp?s=51&id=3852

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Diretoria Executiva

Diretoria Executiva

Dedicação e mérito

cutiva, com a responsabilidade na Administração Geral da associação e seus projetos. Todo início de funções requer mudanças e adequações, entendendo como principais desafios iniciais a continuidade no crescimento da entidade, com estabelecimento de metas de suporte e crescimento em curto prazo, com responsabilidade financeira e administrativa, procurando aproximar a associação dos associados em todas as regiões do país, em atenção à iniciativa da diretoria de buscar atender aos anseios e às necessidades de todos. Com um olhar já para o futuro próximo, criar mecanismos facilitadores na viabilidade de projetos das gestões eleitas, sempre com a visão de continuidade, avaliar os cenários internos e externos que façam parte das nossas diretrizes, para projetos futuros em curto, médio e longo prazo. Como projeto pessoal,

Com uma história de 14 anos na ABORL-CCF, Carlos Roberto da Silva é o novo diretor executivo da entidade.

Você tem uma longa história com a ABORL-CCF e, agora, assume um cargo de grande responsabilidade. Está preparado? Tive meu primeiro contato com a ABORL-CCF, em 1996, como prestador de serviços na área de organização de eventos. Em novembro de 99 fui convidado a auxiliar nos trabalhos de secretariado local do I Congresso Triológico de ORL. O encontro rendeu frutos e em 2000 fui convidado a fazer parte do quadro permanente de colaboradores, exercendo a função de controller de gestão, em uma estrutura bastante enxuta. Com a crescente evolução da ABORL-CCF, passei a participar em várias áreas onde, além da parte financeira, também era responsável por compras, contratação de serviços e auxiliava na organização dos Congressos junto à equipe da entidade. A crescente demanda da associação fez com que em 2005 passasse a atuar como Gerente Financeiro, mas sempre com envolvimento na parte administrativa e nos eventos. Em paralelo a tal cargo, em 2013 passei também a atuar como diretor do Departamento de Eventos, por já possuir experiência prévia.  Acredito que esta experiência e os anos “de casa” solidificaram os conhecimentos necessários e fortaleceram o convívio saudável com todos de nossa equipe e diretorias prévias

10 | Revista VOX OTORRINO

e atual, para agora no cargo de diretor executivo conduzir a ABORL-CCF com o cuidado, atenção, dedicação e olhar no futuro que ela merece.  O atual presidente, Dr. Fernando Ganança, e o Conselho Administrativo e Fiscal da ABORL-CCF foram consensuais na escolha do seu nome para o cargo. Isso demonstra muita confiança em seu trabalho. Sim, e é grande a responsabilidade de administrar uma das maiores associações na área médica em nosso país, mas demonstra o reconhecimento do meu trabalho desenvolvido ao longo dos anos. Este cargo é definido em nosso estatuto, sendo vinculado ao Conselho Administrativo e Fiscal, para dar suporte às atividades da Diretoria Executiva e às metas traçadas pelo referido conselho. Agradeço pelo honroso convite e pela aprovação colegiada, o que encaro com responsabilidade e

com muita disposição e comprometimento, para, junto à nossa equipe, darmos o nosso melhor, buscando salvaguardar os melhores interesses da ABORL-CCF, alcançando metas definidas e procurando participar com sugestões e estabelecimento de outras. A Diretoria Executiva e todos associados podem ter certeza de uma execução administrativa segura e uma plena interação com todas as esferas previstas em nosso estatuto e em nossas várias atividades. Entendo a importância da perenidade deste cargo e, ao permear gestões, procurarei apresentar uma associação cada vez melhor para as diretorias futuras. Quais os principais desafios a serem encarados neste primeiro ano como Diretor Executivo?

onde atuava para assumir a Diretoria Executiva, mas tenho segurança da condução do Departamento Financeiro pelo Anúbio Henrique e do Departamento de Eventos pela Aline Novais, ambos plenamente capacitados para o exercício destas funções, e certos de sempre contarem com o meu apoio e incentivo.

E quais são as readequações já em curso?

Qual sua expectativa nesta nova função?

Contamos com uma equipe de colaboradores que, além de profissionais, são profundos conhecedores da entidade e completamente comprometidos em suas atribuições. Já foram realizados alguns remanejamentos internos, aproveitando a nossa equipe e ampliando o Departamento de Comunicação, proposta da gestão atual. Em um curto espaço de tempo, deixei as duas importantes áreas

Tenho uma carreira gratificante dentro da ABORL-CCF, com várias pessoas que confiaram em meu trabalho, acreditaram e acrescentaram conteúdo desde o início. Confesso que, se citar nomes nesta entrevista, ocuparia muito espaço e poderia ser injusto com omissões involuntárias. Independente disto, deixo para todos eles e para todos os associados a certeza de sempre poderem contar comigo.

NOVO BJORL Agora editado pela Elsevier

Conforme já mencionei, a estruturação estatutária define este cargo como um elo entre o Conselho Administrativo Fiscal e a Diretoria Exe-

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

almejo uma integração “extramuros” com a comunidade administrativa de outras entidades congêneres, trocando ideias e buscando os melhores caminhos e mecanismos para a nossa associação. Terei o maior prazer em sempre informar aos nossos associados os nossos progressos e conquistas.

BRAZILIAN JOURNAL OF OTORHINOLARYNGOLOGY VOLUME 79, NUMBER 6 – NOV/DEC, 2013

IMPACT FACTOR 2012: 0.545 © THOMSON REUTERS JOURNAL CITATION REPORTS, SCIENCE EDITION (2012)

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Diretoria Executiva

Diretoria Executiva

Dedicação e mérito

cutiva, com a responsabilidade na Administração Geral da associação e seus projetos. Todo início de funções requer mudanças e adequações, entendendo como principais desafios iniciais a continuidade no crescimento da entidade, com estabelecimento de metas de suporte e crescimento em curto prazo, com responsabilidade financeira e administrativa, procurando aproximar a associação dos associados em todas as regiões do país, em atenção à iniciativa da diretoria de buscar atender aos anseios e às necessidades de todos. Com um olhar já para o futuro próximo, criar mecanismos facilitadores na viabilidade de projetos das gestões eleitas, sempre com a visão de continuidade, avaliar os cenários internos e externos que façam parte das nossas diretrizes, para projetos futuros em curto, médio e longo prazo. Como projeto pessoal,

Com uma história de 14 anos na ABORL-CCF, Carlos Roberto da Silva é o novo diretor executivo da entidade.

Você tem uma longa história com a ABORL-CCF e, agora, assume um cargo de grande responsabilidade. Está preparado? Tive meu primeiro contato com a ABORL-CCF, em 1996, como prestador de serviços na área de organização de eventos. Em novembro de 99 fui convidado a auxiliar nos trabalhos de secretariado local do I Congresso Triológico de ORL. O encontro rendeu frutos e em 2000 fui convidado a fazer parte do quadro permanente de colaboradores, exercendo a função de controller de gestão, em uma estrutura bastante enxuta. Com a crescente evolução da ABORL-CCF, passei a participar em várias áreas onde, além da parte financeira, também era responsável por compras, contratação de serviços e auxiliava na organização dos Congressos junto à equipe da entidade. A crescente demanda da associação fez com que em 2005 passasse a atuar como Gerente Financeiro, mas sempre com envolvimento na parte administrativa e nos eventos. Em paralelo a tal cargo, em 2013 passei também a atuar como diretor do Departamento de Eventos, por já possuir experiência prévia.  Acredito que esta experiência e os anos “de casa” solidificaram os conhecimentos necessários e fortaleceram o convívio saudável com todos de nossa equipe e diretorias prévias

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e atual, para agora no cargo de diretor executivo conduzir a ABORL-CCF com o cuidado, atenção, dedicação e olhar no futuro que ela merece.  O atual presidente, Dr. Fernando Ganança, e o Conselho Administrativo e Fiscal da ABORL-CCF foram consensuais na escolha do seu nome para o cargo. Isso demonstra muita confiança em seu trabalho. Sim, e é grande a responsabilidade de administrar uma das maiores associações na área médica em nosso país, mas demonstra o reconhecimento do meu trabalho desenvolvido ao longo dos anos. Este cargo é definido em nosso estatuto, sendo vinculado ao Conselho Administrativo e Fiscal, para dar suporte às atividades da Diretoria Executiva e às metas traçadas pelo referido conselho. Agradeço pelo honroso convite e pela aprovação colegiada, o que encaro com responsabilidade e

com muita disposição e comprometimento, para, junto à nossa equipe, darmos o nosso melhor, buscando salvaguardar os melhores interesses da ABORL-CCF, alcançando metas definidas e procurando participar com sugestões e estabelecimento de outras. A Diretoria Executiva e todos associados podem ter certeza de uma execução administrativa segura e uma plena interação com todas as esferas previstas em nosso estatuto e em nossas várias atividades. Entendo a importância da perenidade deste cargo e, ao permear gestões, procurarei apresentar uma associação cada vez melhor para as diretorias futuras. Quais os principais desafios a serem encarados neste primeiro ano como Diretor Executivo?

onde atuava para assumir a Diretoria Executiva, mas tenho segurança da condução do Departamento Financeiro pelo Anúbio Henrique e do Departamento de Eventos pela Aline Novais, ambos plenamente capacitados para o exercício destas funções, e certos de sempre contarem com o meu apoio e incentivo.

E quais são as readequações já em curso?

Qual sua expectativa nesta nova função?

Contamos com uma equipe de colaboradores que, além de profissionais, são profundos conhecedores da entidade e completamente comprometidos em suas atribuições. Já foram realizados alguns remanejamentos internos, aproveitando a nossa equipe e ampliando o Departamento de Comunicação, proposta da gestão atual. Em um curto espaço de tempo, deixei as duas importantes áreas

Tenho uma carreira gratificante dentro da ABORL-CCF, com várias pessoas que confiaram em meu trabalho, acreditaram e acrescentaram conteúdo desde o início. Confesso que, se citar nomes nesta entrevista, ocuparia muito espaço e poderia ser injusto com omissões involuntárias. Independente disto, deixo para todos eles e para todos os associados a certeza de sempre poderem contar comigo.

NOVO BJORL Agora editado pela Elsevier

Conforme já mencionei, a estruturação estatutária define este cargo como um elo entre o Conselho Administrativo Fiscal e a Diretoria Exe-

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almejo uma integração “extramuros” com a comunidade administrativa de outras entidades congêneres, trocando ideias e buscando os melhores caminhos e mecanismos para a nossa associação. Terei o maior prazer em sempre informar aos nossos associados os nossos progressos e conquistas.

BRAZILIAN JOURNAL OF OTORHINOLARYNGOLOGY VOLUME 79, NUMBER 6 – NOV/DEC, 2013

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Profissional de Comunicação

Congresso Brasileiro

Conheça a nova coordenadora de comunicação da ABORL-CCF Jornalista terá a função de estabelecer relacionamento com as regionais e associações congêneres da América Latina, e também o fluxo interno de comunicação entre os departamentos e associados. Qual sua formação profissional? Sou graduada em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo, em 2000. Pós-graduada em Administração e Organização de Eventos, pelo Senac, em 2006. Além disso, estou constantemente participando de cursos sobre Social Media. Na minha carreira, atuei como assessora de imprensa na área de saúde por muitos anos, também fui consultora de comunicação institucional do Sebrae-SP e, mais recentemente, me dediquei ao universo de Social Media, o que me capacitou para atuar com comunicação integrada.

A jornalista Adriana Santos assumiu o cargo de coordenadora de comunicação da ABORLCCF com o objetivo de unificar os processos de informação internos e externos e da entidade.

Quais suas funções na ABORL-CCF? Como Coordenadora de Comunicação Institucional serei a ponte entre nossos fornecedores da área de comunicação e a associação, além de implantar um sistema mais acolhedor de relacionamento com os associados, com o intuito de otimizar o tempo escasso dos médicos e tornar esse relacionamento mais próximo. Os associados podem e devem expressar suas opiniões, relacionar-se com outros colegas de profissão e buscar constante atualização profissional. Serei a pessoa a informar e, principalmente, ouvir. Qual será seu maior desafio? Nesta era da informação, em que a

12 | Revista VOX OTORRINO

velocidade e quantidade estão se sobressaindo à qualidade, o grande desafio será encontrar o equilíbrio entre essas as duas formas de comunicar. Qual será seu papel junto ao associado? Principalmente o de estimular o sentimento de pertencimento. Também de incentivar a cultura de colaboração e compartilhamento de informação, além de fortalecer o vínculo com nossos associados.   E, embora atualmente estejamos todos conectados, ainda não encontrei nada que substitua o olho no olho, o telefonema, a atenção individual que todos merecem.   Estar nos principais eventos da ABORL-CCF também facilitará esse contato. Vou precisar entender a realidade dos nossos associados e, para isso, precisarei da colaboração de cada um deles. Como você define a importância da comunicação dentro de uma entidade médica?

Do mundo para cá! Palestrantes internacionais renomados confirmam presença na 44ª edição do Congresso Brasileiro de ORL, em novembro, na cidade de Porto Alegre. Por Eliana Antiqueira

Temos diversos públicos e cada um necessita de uma informação diferente, em momentos distintos. E é aí que vejo a importância do envolvimento de um profissional de comunicação, para organizar os processos e comunicar o que é preciso de forma adequada.

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

O

Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial busca, ano após ano, trazer os mais renomados profissionais estrangeiros para compartilhar seu conhecimento. Com o auxílio das Academias, que indicam os nomes a serem convidados, os organizadores do congresso estabelecem o início dos contatos com cerca de um ano de antecedência. “Temos de formalizar o convite e conciliar as agendas, pois estes profissionais são muito concorridos, e é uma honra e um reconhecimento à importância do Congresso Brasileiro tê-los em nossa grade científica”, diz Dr. Fabrízio Romano, presidente da Comissão de Eventos e Cursos da ABORL-CCF. Até agora, catorze médicos estrangeiros já confirmaram presença no evento que acontece de 12 a 15 de novembro em Porto Alegre. Confira.

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Profissional de Comunicação

Congresso Brasileiro

Conheça a nova coordenadora de comunicação da ABORL-CCF Jornalista terá a função de estabelecer relacionamento com as regionais e associações congêneres da América Latina, e também o fluxo interno de comunicação entre os departamentos e associados. Qual sua formação profissional? Sou graduada em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo, em 2000. Pós-graduada em Administração e Organização de Eventos, pelo Senac, em 2006. Além disso, estou constantemente participando de cursos sobre Social Media. Na minha carreira, atuei como assessora de imprensa na área de saúde por muitos anos, também fui consultora de comunicação institucional do Sebrae-SP e, mais recentemente, me dediquei ao universo de Social Media, o que me capacitou para atuar com comunicação integrada.

A jornalista Adriana Santos assumiu o cargo de coordenadora de comunicação da ABORLCCF com o objetivo de unificar os processos de informação internos e externos e da entidade.

Quais suas funções na ABORL-CCF? Como Coordenadora de Comunicação Institucional serei a ponte entre nossos fornecedores da área de comunicação e a associação, além de implantar um sistema mais acolhedor de relacionamento com os associados, com o intuito de otimizar o tempo escasso dos médicos e tornar esse relacionamento mais próximo. Os associados podem e devem expressar suas opiniões, relacionar-se com outros colegas de profissão e buscar constante atualização profissional. Serei a pessoa a informar e, principalmente, ouvir. Qual será seu maior desafio? Nesta era da informação, em que a

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velocidade e quantidade estão se sobressaindo à qualidade, o grande desafio será encontrar o equilíbrio entre essas as duas formas de comunicar. Qual será seu papel junto ao associado? Principalmente o de estimular o sentimento de pertencimento. Também de incentivar a cultura de colaboração e compartilhamento de informação, além de fortalecer o vínculo com nossos associados.   E, embora atualmente estejamos todos conectados, ainda não encontrei nada que substitua o olho no olho, o telefonema, a atenção individual que todos merecem.   Estar nos principais eventos da ABORL-CCF também facilitará esse contato. Vou precisar entender a realidade dos nossos associados e, para isso, precisarei da colaboração de cada um deles. Como você define a importância da comunicação dentro de uma entidade médica?

Do mundo para cá! Palestrantes internacionais renomados confirmam presença na 44ª edição do Congresso Brasileiro de ORL, em novembro, na cidade de Porto Alegre. Por Eliana Antiqueira

Temos diversos públicos e cada um necessita de uma informação diferente, em momentos distintos. E é aí que vejo a importância do envolvimento de um profissional de comunicação, para organizar os processos e comunicar o que é preciso de forma adequada.

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Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial busca, ano após ano, trazer os mais renomados profissionais estrangeiros para compartilhar seu conhecimento. Com o auxílio das Academias, que indicam os nomes a serem convidados, os organizadores do congresso estabelecem o início dos contatos com cerca de um ano de antecedência. “Temos de formalizar o convite e conciliar as agendas, pois estes profissionais são muito concorridos, e é uma honra e um reconhecimento à importância do Congresso Brasileiro tê-los em nossa grade científica”, diz Dr. Fabrízio Romano, presidente da Comissão de Eventos e Cursos da ABORL-CCF. Até agora, catorze médicos estrangeiros já confirmaram presença no evento que acontece de 12 a 15 de novembro em Porto Alegre. Confira.

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

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Congresso Brasileiro

Congresso Brasileiro

Laringologia

Medicina do Sono

Peak Woo EUA

Gayle Ellen Woodson EUA

Com 25 anos de prática médica, Dr. Woo liderou o desenvolvimento do videoestroboscópio computadorizado e do sistema de imagem de vídeo de alta velocidade, agora padrão para imagens de vibração das pregas vocais.

Com mais de 35 anos de experiência, a médica é uma das principais especialistas norte-americanas em laringoscopia e distúrbios da voz. Hoje, além do atendimento clínico e cirúrgico, Dra. Gayle também leciona na Southern Illinois University.

Plástica da Face Pietro Palma Itália Cirurgião plástico especializado em rinoplastia, Dr. Palma é o atual presidente da Academia Europeia de Cirurgia Plástica Facial. Renomado palestrante e autor de mais de cem artigos científicos.

Peter A. Adamson Canadá O cirurgião plástico canadense é reconhecido por sua refinada técnica e pelo extenso trabalho humanitário realizado através da Fundação Face the Future, da qual é presidente. Ele percorre países subdesenvolvidos com uma equipe de cirurgiões, promovendo plásticas faciais reconstrutivas em crianças.

Rinologia

Jonathan Sykes EUA Diretor do Departamento de Plástica Facial e Cirurgia Reconstrutiva na UC Davis Medical Center é reconhecido como um professor inovador e conferencista nas mais recentes técnicas de cirurgia endoscópica minimamente invasiva. Também realiza trabalho voluntário ao redor do mundo promovendo plásticas reconstrutivas faciais em crianças.

Otologia

Brian Rotenberg Canadá Professor associado de Otorrino e Cirurgia de Cabeça e Pescoço na Western University, Canadá, também é diretor do Programa de cirurgia do sono na Escola Schulich de Medicina e Odontologia, membro fundador e coeditor-chefe da Sociedade Internacional de Sono Cirúrgico e presidente do Grupo de Interesse Apnéia do Sono da Sociedade Canadense de Otorrinolaringologia.

ORL Pediátrica Peter J. Koltai EUA Há 39 anos, Dr. Koltai vem se dedicando à otorrinolaringologia pediátrica com o objetivo de desenvolver técnicas e tratamentos menos invasivos e mais confortáveis às crianças.

Frédéric Chabolle França Secretário geral da Sociedade Francesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço e autor do livro “Complications et séquelles des traitements en cancérologie ORL”, um dos mais completos sobre o tema.

Cirurgia de Cabeça e Pescoço Thomas Robbins EUA Professor na Divisão de Otorrinolaringologia - Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Southern Illinois School of Medicine e diretor do Instituto de Câncer no SIU Simmons University ganhou reconhecimento internacional por suas contribuições no campo da oncologia de cabeça e pescoço. Ele é autor de mais de 160 publicações científicas e editou vários livros.

Otoneuro

Wytske Fokkens Holanda

Robert Vicent França

Steven Rauch EUA

Robert Trotic Croácia

Professora na Academic Medical Center (AMC), em Amsterdã, a médica é também epidemiologista e especialista em alergias. Atualmente trabalha no desenvolvimento de novos tratamentos para pacientes com rinite e sinusite.

O otoneurologista francês, membro honorário da Escola de Cirurgiões de Edimburgo, é especializado em estapedectomia a laser.

Diretor médico do Massachusetts Eye and Ear Balance and Vestibular Center, é especialista no diagnóstico e tratamento de ouvido interno humano e distúrbios do equilíbrio e na avaliação clínica do equilíbrio humano.

Otorrinolaringologista formado pela Universidade de Zagreb, subespecialista em fonoaudiologia e cirurgião de cabeça e pescoço, também é um perito judicial certificado na Croácia.

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Laringologia

Medicina do Sono

Peak Woo EUA

Gayle Ellen Woodson EUA

Com 25 anos de prática médica, Dr. Woo liderou o desenvolvimento do videoestroboscópio computadorizado e do sistema de imagem de vídeo de alta velocidade, agora padrão para imagens de vibração das pregas vocais.

Com mais de 35 anos de experiência, a médica é uma das principais especialistas norte-americanas em laringoscopia e distúrbios da voz. Hoje, além do atendimento clínico e cirúrgico, Dra. Gayle também leciona na Southern Illinois University.

Plástica da Face Pietro Palma Itália Cirurgião plástico especializado em rinoplastia, Dr. Palma é o atual presidente da Academia Europeia de Cirurgia Plástica Facial. Renomado palestrante e autor de mais de cem artigos científicos.

Peter A. Adamson Canadá O cirurgião plástico canadense é reconhecido por sua refinada técnica e pelo extenso trabalho humanitário realizado através da Fundação Face the Future, da qual é presidente. Ele percorre países subdesenvolvidos com uma equipe de cirurgiões, promovendo plásticas faciais reconstrutivas em crianças.

Rinologia

Jonathan Sykes EUA Diretor do Departamento de Plástica Facial e Cirurgia Reconstrutiva na UC Davis Medical Center é reconhecido como um professor inovador e conferencista nas mais recentes técnicas de cirurgia endoscópica minimamente invasiva. Também realiza trabalho voluntário ao redor do mundo promovendo plásticas reconstrutivas faciais em crianças.

Otologia

Brian Rotenberg Canadá Professor associado de Otorrino e Cirurgia de Cabeça e Pescoço na Western University, Canadá, também é diretor do Programa de cirurgia do sono na Escola Schulich de Medicina e Odontologia, membro fundador e coeditor-chefe da Sociedade Internacional de Sono Cirúrgico e presidente do Grupo de Interesse Apnéia do Sono da Sociedade Canadense de Otorrinolaringologia.

ORL Pediátrica Peter J. Koltai EUA Há 39 anos, Dr. Koltai vem se dedicando à otorrinolaringologia pediátrica com o objetivo de desenvolver técnicas e tratamentos menos invasivos e mais confortáveis às crianças.

Frédéric Chabolle França Secretário geral da Sociedade Francesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço e autor do livro “Complications et séquelles des traitements en cancérologie ORL”, um dos mais completos sobre o tema.

Cirurgia de Cabeça e Pescoço Thomas Robbins EUA Professor na Divisão de Otorrinolaringologia - Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Southern Illinois School of Medicine e diretor do Instituto de Câncer no SIU Simmons University ganhou reconhecimento internacional por suas contribuições no campo da oncologia de cabeça e pescoço. Ele é autor de mais de 160 publicações científicas e editou vários livros.

Otoneuro

Wytske Fokkens Holanda

Robert Vicent França

Steven Rauch EUA

Robert Trotic Croácia

Professora na Academic Medical Center (AMC), em Amsterdã, a médica é também epidemiologista e especialista em alergias. Atualmente trabalha no desenvolvimento de novos tratamentos para pacientes com rinite e sinusite.

O otoneurologista francês, membro honorário da Escola de Cirurgiões de Edimburgo, é especializado em estapedectomia a laser.

Diretor médico do Massachusetts Eye and Ear Balance and Vestibular Center, é especialista no diagnóstico e tratamento de ouvido interno humano e distúrbios do equilíbrio e na avaliação clínica do equilíbrio humano.

Otorrinolaringologista formado pela Universidade de Zagreb, subespecialista em fonoaudiologia e cirurgião de cabeça e pescoço, também é um perito judicial certificado na Croácia.

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Gestão de Consultório

Gestão de Consultório oral é composta por bactérias Gram positivas e negativas, aeróbios e anaeróbios, a mesma natureza de organismos é encontrada também no trato respiratório superior. A maioria destes agentes é eliminada pela desinfecção com soluções cloradas e quartenário de amônio, a chamada desinfecção de baixo nível. Essas substâncias, porém, perdem a eficácia se a mucosa apresentar microbactérias, fungos e vírus lipídicos (HIV, hepatites B e C, influenza, herpes, etc) e não lipídicos (adenovírus, rinovírus, rotavírus). Nestes casos, é recomendada a desinfecção de nível intermediário com soluções cloradas e álcool. “O álcool 70% p/v é microbactericida, virucida, bactericida vegetativo e fungicida. O álcool é bastante eficiente desde que o material seja lavado antes de seu uso”, explica a Professora titular do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da Escola de Enfermagem da USP Kazuko Uchikawa Graziano.

Desinfecção de nasofibroscópios: qual a melhor solução? Com o acirramento da vigilância por parte da ANVISA, o processo de desinfecção de fibras óticas deve ser revisto a fim de garantir maior segurança aos pacientes. Por Eliana Antiqueira Colaboração: Dra. Adriana Hachiya

O

s procedimentos endoscópicos ambulatoriais são realizados por equipamentos de fibras ótica flexíveis (nasofibroscópios) ou rígidos (telescópio de nariz e de laringe). Ambos são equipamentos de conformação simples, ou seja, sem lúmen, espaços internos e de baixa invasibilidade. Por ter contato com a mucosa integra são classificados como um equipamento semicrítico. Logo após

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A imediata descontaminação após o uso impede o fenômeno de esporulação e reduz o número de microrganismos presentes no equipamento. “Sem esporos não há a necessidade da ampliação para uma desinfecção de alto nível. “A maior vantagem da desinfecção com álcool é a facilidade de acesso à substância”, afirma professora Kazuko, orientadora da elaboração do Protocolo Operacional Padrão (POP) elaborado pela ABORL-CCF e lançado em 2012. De autoria do Dr. Marco César Jorge dos Santos, o POP foi criado para orientar sobre o procedimento de desinfecção de ópticas de nível intermediário. “Criamos a Comissão de Desinfecção de Óticas na ABORL-CCF com o objetivo de esclarecer o associado sobre nossa preocupação com o tema, uma vez que a desinfecção de alto nível iria inviabilizar a realização dos exames em consultórios fora de hospitais ou aqueles que não apresentam uma estrutura física para o processamento das óticas”, conta.

Informe-se! ANVISA Informe técnico nº02/2009: Orientações para processamento de equipamentos utilizados em procedimentos endoscópicos com acesso por cavidades naturais.

Confira aqui Resolução nº 2.606/2006: Dispõe sobre as diretrizes para elaboração, validação e implantação de protocolos e reprocessamento de produtos médicos.

Leia aqui a realização do procedimento endoscópico esses equipamentos devem ser higienizados, evitando assim a transmissão de agentes patogênicos de um paciente para o outro. Este processo de desinfecção resulta em redução do número de microrganismos vegetativos, microbactérias, fundos e vírus para um nível seguro. E é neste ponto que começa a discussão. Qual a substância mais adequada para a desinfecção e como proceder?

Para a descontaminação do material, deve se considerar o nível de risco que ele representa de acordo com sua utilização. Em 1986, Spauling propôs uma classificação dos materiais em três níveis e o tipo necessário de descontaminação que se mantém até os dias atuais. Para entender a eficácia das substâncias, vamos recorrer à biologia. A microbiota presente na mucosa da cavidade

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Protocolo Operacional Padrão

Publicado em 2012 depois de um extenso trabalho da Comissão de Desinfecção de Óticas da ABORL-CCF, o POP índica a utilização de detergente neutro líquido, com ou sem enzimas, seguida de aplicação rigorosa e repetida a álcool a 70%.

http://www.aborlccf.org.br/imageBank/Manual-POP.pdf Fontes desta matéria: serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Israelita Albert Einstein; Jornal APCIH

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

Uma discussão que permeia o tema é a efetividade do glutaradeído. Professora Kazuko aponta que a substância demanda cuidados em relação à saúde ocupacional. “Como essa solução é, via de regra, reutilizada, devem ser observados alguns detalhes para garantir sua eficácia. Deve ser verificada a concentração mínima de 2% a cada reutilização da solução, adicionada à preocupação de ser um disseminador da mycobacterium massiliense, caso a formulação não seja eficiente contra este microrganismo. Também o aldeído exige limpeza prévia”, esclarece. Em se tratando de aldeídos, a especialista recomenda limpeza prévia devido à sua característica de fixar matéria orgânica e aponta para a necessidade de enxague abundante antes da utilização do equipamento. Quanto ao ácido peracético, não há polêmicas sobre sua ação bactericida, mas sua natureza corrosiva ataca o equipamento. Importante lembrar que o processo de desinfecção exige a manutenção de expurgo, presença de profissional treinado e capacitado para a realização do procedimento, registros de rastreabilidade, uso de EPI e padrão de armazenamento. Sônia Cavinato, enfermeira do Ambulatório de ORL do HC da Unicamp, adotou o ácido peracético e se empenhou no treinamento da equipe. “Desde a enfermagem aos residentes, refiz todo o processo de desinfecção, manutenção e uso corretos dos aparelhos”, conta. Para esta iniciativa teve a parceria da Engenharia Médica e da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) da universidade. O envolvimento multidisciplinar, como o serviço de otorrinolaringologia, de controle de infecção, central de material esterilizado, diretoria e administração é fundamental para se chegar à solução mais eficiente para o hospital. O mesmo deve ser aplicado aos consultórios menores: atenção aos procedimentos já existentes e atualização constante sobre os estudos da área.

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Gestão de Consultório

Gestão de Consultório oral é composta por bactérias Gram positivas e negativas, aeróbios e anaeróbios, a mesma natureza de organismos é encontrada também no trato respiratório superior. A maioria destes agentes é eliminada pela desinfecção com soluções cloradas e quartenário de amônio, a chamada desinfecção de baixo nível. Essas substâncias, porém, perdem a eficácia se a mucosa apresentar microbactérias, fungos e vírus lipídicos (HIV, hepatites B e C, influenza, herpes, etc) e não lipídicos (adenovírus, rinovírus, rotavírus). Nestes casos, é recomendada a desinfecção de nível intermediário com soluções cloradas e álcool. “O álcool 70% p/v é microbactericida, virucida, bactericida vegetativo e fungicida. O álcool é bastante eficiente desde que o material seja lavado antes de seu uso”, explica a Professora titular do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da Escola de Enfermagem da USP Kazuko Uchikawa Graziano.

Desinfecção de nasofibroscópios: qual a melhor solução? Com o acirramento da vigilância por parte da ANVISA, o processo de desinfecção de fibras óticas deve ser revisto a fim de garantir maior segurança aos pacientes. Por Eliana Antiqueira Colaboração: Dra. Adriana Hachiya

O

s procedimentos endoscópicos ambulatoriais são realizados por equipamentos de fibras ótica flexíveis (nasofibroscópios) ou rígidos (telescópio de nariz e de laringe). Ambos são equipamentos de conformação simples, ou seja, sem lúmen, espaços internos e de baixa invasibilidade. Por ter contato com a mucosa integra são classificados como um equipamento semicrítico. Logo após

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A imediata descontaminação após o uso impede o fenômeno de esporulação e reduz o número de microrganismos presentes no equipamento. “Sem esporos não há a necessidade da ampliação para uma desinfecção de alto nível. “A maior vantagem da desinfecção com álcool é a facilidade de acesso à substância”, afirma professora Kazuko, orientadora da elaboração do Protocolo Operacional Padrão (POP) elaborado pela ABORL-CCF e lançado em 2012. De autoria do Dr. Marco César Jorge dos Santos, o POP foi criado para orientar sobre o procedimento de desinfecção de ópticas de nível intermediário. “Criamos a Comissão de Desinfecção de Óticas na ABORL-CCF com o objetivo de esclarecer o associado sobre nossa preocupação com o tema, uma vez que a desinfecção de alto nível iria inviabilizar a realização dos exames em consultórios fora de hospitais ou aqueles que não apresentam uma estrutura física para o processamento das óticas”, conta.

Informe-se! ANVISA Informe técnico nº02/2009: Orientações para processamento de equipamentos utilizados em procedimentos endoscópicos com acesso por cavidades naturais.

Confira aqui Resolução nº 2.606/2006: Dispõe sobre as diretrizes para elaboração, validação e implantação de protocolos e reprocessamento de produtos médicos.

Leia aqui a realização do procedimento endoscópico esses equipamentos devem ser higienizados, evitando assim a transmissão de agentes patogênicos de um paciente para o outro. Este processo de desinfecção resulta em redução do número de microrganismos vegetativos, microbactérias, fundos e vírus para um nível seguro. E é neste ponto que começa a discussão. Qual a substância mais adequada para a desinfecção e como proceder?

Para a descontaminação do material, deve se considerar o nível de risco que ele representa de acordo com sua utilização. Em 1986, Spauling propôs uma classificação dos materiais em três níveis e o tipo necessário de descontaminação que se mantém até os dias atuais. Para entender a eficácia das substâncias, vamos recorrer à biologia. A microbiota presente na mucosa da cavidade

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Protocolo Operacional Padrão

Publicado em 2012 depois de um extenso trabalho da Comissão de Desinfecção de Óticas da ABORL-CCF, o POP índica a utilização de detergente neutro líquido, com ou sem enzimas, seguida de aplicação rigorosa e repetida a álcool a 70%.

http://www.aborlccf.org.br/imageBank/Manual-POP.pdf Fontes desta matéria: serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Israelita Albert Einstein; Jornal APCIH

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Uma discussão que permeia o tema é a efetividade do glutaradeído. Professora Kazuko aponta que a substância demanda cuidados em relação à saúde ocupacional. “Como essa solução é, via de regra, reutilizada, devem ser observados alguns detalhes para garantir sua eficácia. Deve ser verificada a concentração mínima de 2% a cada reutilização da solução, adicionada à preocupação de ser um disseminador da mycobacterium massiliense, caso a formulação não seja eficiente contra este microrganismo. Também o aldeído exige limpeza prévia”, esclarece. Em se tratando de aldeídos, a especialista recomenda limpeza prévia devido à sua característica de fixar matéria orgânica e aponta para a necessidade de enxague abundante antes da utilização do equipamento. Quanto ao ácido peracético, não há polêmicas sobre sua ação bactericida, mas sua natureza corrosiva ataca o equipamento. Importante lembrar que o processo de desinfecção exige a manutenção de expurgo, presença de profissional treinado e capacitado para a realização do procedimento, registros de rastreabilidade, uso de EPI e padrão de armazenamento. Sônia Cavinato, enfermeira do Ambulatório de ORL do HC da Unicamp, adotou o ácido peracético e se empenhou no treinamento da equipe. “Desde a enfermagem aos residentes, refiz todo o processo de desinfecção, manutenção e uso corretos dos aparelhos”, conta. Para esta iniciativa teve a parceria da Engenharia Médica e da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) da universidade. O envolvimento multidisciplinar, como o serviço de otorrinolaringologia, de controle de infecção, central de material esterilizado, diretoria e administração é fundamental para se chegar à solução mais eficiente para o hospital. O mesmo deve ser aplicado aos consultórios menores: atenção aos procedimentos já existentes e atualização constante sobre os estudos da área.

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Artigo

Saúde nos negócios N

a agenda dos empresários do segmento de seguro-saúde, vários tópicos ocupam espaço para discussão: aumento da sinistralidade decorrente de procedimentos mais onerosos e recentes epidemias, conformidade com as exigências da ANS (Agência Nacional de Saúde), portabilidade dos planos, geração de caixa, inadimplência, crescimento versus consolidação, dentre outros itens. Todas estas questões merecem pelo menos o esclarecimento do que precisa ser feito para conviver com as mudanças que ocorrem no segmento e também no próprio sistema de gestão e comercialização do negócio. O fato é que a rapidez e eficiência nos diagnósticos de doenças crônicas e a assertividade dos tratamentos com medicamentos mais eficazes convivem agora com a escassez de recursos na área. O atendimento às resoluções da agência reguladora cria um conflito de interesses entre os prestadores de serviços e os usuários finais, impactando diretamente no desempenho das empresas de menor escala de atendimento, que se veem obrigadas a abrir espaço para os competidores mais bem estruturados à nova realidade, tendendo, assim, a desaparecer do mercado de saúde inúmeros players. Neste cenário de aparente indefinição no segmento, a dúvida que assola os empresários é crescer e adquirir musculatura para competir ou consolidar as operações a um nível adequado de sobrevivência. Sem dúvida, o interesse maior de cada empresário é continuar crescendo de forma sustentável e, para tanto, planejar este crescimento se faz necessário. O exercício de reflexão estratégica passa por estabelecer uma visão externa do mercado e uma visão interna das competências que a organização deve ter para competir. Começando pelo ambiente externo, é

18 | Revista VOX OTORRINO

Maio

Agosto

10 de maio Curso Como Elaborar um Artigo Científico Palestrante: Dr. Maurício Gomes Pereira Coordenação: Dra. Wilma Terezinha Anselmo, Dra. Mariana de Carvalho e Dra. Eulalia Sakano Local: ABORL-CCF - São Paulo/SP Informações: (11) 5053-7500 ou eventos@aborlccf.org.br 15 a 17 de maio Cariocão 2014 - VIII Congresso da Sociedade de Otorrinolaringologia do Estado do Rio de Janeiro Coordenação: Dr. Geraldo Augusto Gomes Local: Hotel Atlantico Búzios Cidade: Armação dos Búzios/RJ / Brasil Site: www.cariocao2014.com.br Informações: (21) 2215-4476 com Antonio/ Fernanda ou contato@gapcongressos.com.br

Você conhece o Cariocão? necessário monitorar os aspectos que impactam no desempenho do setor, tais como: perspectivas de crescimento, evolução da renda per capita da população abrangida, índices macroeconômicos e fatores inerentes à competição, incluindo a concorrência, política de preços, canais de venda, potenciais nichos de mercado e escopo de atuação geográfica. De posse destas informações, alguns questionamentos deverão ser formulados para definir a estratégia a ser seguida. E isso passa pela definição dos mercados-alvo, os clientes potenciais em cada segmento, o tamanho do mercado, as tendências econômicas e tecnológicas, os competidores existentes no mercado-alvo, os players emergentes, dentre outras informações. Com esta visão de mercado e demais variáveis, é possível a formulação de uma estratégia visando o aproveitamento das oportunidades ou na conquista de clientes insatisfeitos com os concorrentes. Entretanto, a organização deve estar preparada para este crescimento e isto significa torná-la mais ágil, ter equipes preparadas para administrar a mudança, conhecer suas competências essenciais e alavancar seus pontos fortes quando as oportunidades surgirem.

Para tanto, deverá promover uma reestruturação nos processos de atendimento, agilizando as decisões, estabelecendo metas de desempenho alinhadas à estratégia, integrando as informações fazendo uso da tecnologia e automação, redimensionando recursos e atuando no controle e redução dos custos e despesas, principalmente no momento em que experimentar o crescimento. Um ponto em comum em todas as organizações que vêm conseguindo bons resultados é a profissionalização de suas administrações, assunto que adquiriu importância no setor de saúde nos últimos anos.

Saiba sobre o congresso na página 40 16 a 17 de maio 3º Conesul e 8º Gauchão de Otorrinolaringologia Coordenação: Dr. Marcelo Zanini Local: Conrad Punta Del Este Resort e Cassino - Punta Del Este/Uruguay Site: www.assogot.org.br/congresso Informações: (51) 3311-8969 / 3311-9456 ou secretariageral@plenariumcongressos. com.br; plenarium@terra.com.br

Você conhece o Gauchão? Confira na página 39 a matéria sobre o evento!

As recompensas que advém de uma reflexão estratégica são várias e as empresas que não se sentem preparadas para conduzir este processo tem buscado apoio na consultoria para atuar como facilitadora, provedora de metodologias e integradora das idéias que fluem durante todo este exercício. Assim, quem pretende mudar uma organização deve procurar conhecê-la, descobrir sua identidade, sua cultura e seus valores, sem procurar impor modelos pré-concebidos.

23 a 24 de maio Cursos Teórico-Práticos no Tratamento da SAOS em 2014 - Monitorização Portátil do Sono e CPAP Coordenação: Dr. José Antonio Pinto e Dr. Nelson Colombini Local: Núcleo de Otorrinolaringologia, Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Medicina do Sono de São Paulo - São Paulo/SP Informações: (11) 5573-1970 24 de maio 6º Curso Teórico - Prático de Anatomia em Otorrinolaringologia / Cirurgia de Cabeça e Pescoço Coordenação: Prof. Dr. Ricardo Ferreira Bento e Dr. Geraldo Pereira Jotz Local: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Porto Alegre/RS Informações: (11) 3068-9855 30 a 31 de maio 2º Curso de Dissecção do Osso Temporal: Ênfase nos Métodos Cirúrgicos de Reabilitação da Audição Coordenação: Dr. Rodolpho Penna Lima Júnior Local: Natal/RN Informações: (84) 8829-6976

4 de agosto de 2014 a 9 de fevereiro de 2015 Otomaster 2014 Coordenação: Prof. Dr. Ricardo Ferreira Bento, Dr. Felipe Fortes e Dr. Luiz Carlos Barboza Júnior Local: Fundação Otorrinolaringologia - São Paulo/SP Informações: (11) 3068-9855 22 a 24 de agosto 8º Curso Prático de Rinite Alérgica e Alergia Coordenação: Dr. Sergio Maniglia e Dra. Gisele Kuntze Local: Hospital IPO - Curitiba/PR Informações: (41) 3314-1597 28 a 30 de agosto 91º Curso de Cirurgias Endoscópicas Endonasais Coordenação: Prof. Dr. Ricardo Ferreira Bento, Dr. Marcus Miranda Lessa e Prof. Dr. Richard Voegels Local: Hospital Universitário Prof. Edgard Santos - Salvador/BA Informações: (11) 3068-9855 28 a 30 de agosto 44º Curso de Cirurgia Funcional e Estética do Nariz Coordenação: Prof. Dr. José Eduardo Lutaif Dolci e Prof. Dr. Ivo Bussoloti Filho Local: Santa Casa de São Paulo - São Paulo/SP Informações: (11) 2176-7235 29 a 30 de agosto Cursos Teórico-Práticos no Tratamento da SAOS em 2014 - Cirurgia de Moldes Para Avanço Maxilo Mandibular e Cirurgia de Modelos em Prototipagem Coordenação: Dr. José Antonio Pinto e Dr. Nelson Colombini Local: Núcleo de Otorrinolaringologia, Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Medicina do Sono de São Paulo - São Paulo/SP Informações: (11) 5573-1970

Setembro

Centro de Convenções FIERGS Av. Assis Brasil, 8787 Porto Alegre/RS Coordenação: Departamento de Eventos da ABORL-CCF Informações: (71) 2104-3477/3434 (11) 5053-7500/7512

Edison Cunha Diretor de operações da Trevisan Consultoria edison.cunha@trevisan.com.br

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23 a 25 de maio 7º Curso Prático de Rinite Alérgica e Alergia Coordenação: Dr. Sergio Maniglia e Dra. Gisele Kuntze Local: Hospital IPO - Curitiba/PR Informações: (41) 3314-1597

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

21 a 24 de setembro AAO-HNSF Annual Meeting & OTO EXPOSM Coordenação: American Academy of Otolaryngology - Head and Neck Surgery (AAO-HNS) Local: Orange County Convention Center Orlando/Flórida (EUA) Informações: 703-535-3778 ou pbascomb@entnet.org

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Saúde nos negócios N

a agenda dos empresários do segmento de seguro-saúde, vários tópicos ocupam espaço para discussão: aumento da sinistralidade decorrente de procedimentos mais onerosos e recentes epidemias, conformidade com as exigências da ANS (Agência Nacional de Saúde), portabilidade dos planos, geração de caixa, inadimplência, crescimento versus consolidação, dentre outros itens. Todas estas questões merecem pelo menos o esclarecimento do que precisa ser feito para conviver com as mudanças que ocorrem no segmento e também no próprio sistema de gestão e comercialização do negócio. O fato é que a rapidez e eficiência nos diagnósticos de doenças crônicas e a assertividade dos tratamentos com medicamentos mais eficazes convivem agora com a escassez de recursos na área. O atendimento às resoluções da agência reguladora cria um conflito de interesses entre os prestadores de serviços e os usuários finais, impactando diretamente no desempenho das empresas de menor escala de atendimento, que se veem obrigadas a abrir espaço para os competidores mais bem estruturados à nova realidade, tendendo, assim, a desaparecer do mercado de saúde inúmeros players. Neste cenário de aparente indefinição no segmento, a dúvida que assola os empresários é crescer e adquirir musculatura para competir ou consolidar as operações a um nível adequado de sobrevivência. Sem dúvida, o interesse maior de cada empresário é continuar crescendo de forma sustentável e, para tanto, planejar este crescimento se faz necessário. O exercício de reflexão estratégica passa por estabelecer uma visão externa do mercado e uma visão interna das competências que a organização deve ter para competir. Começando pelo ambiente externo, é

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Agosto

10 de maio Curso Como Elaborar um Artigo Científico Palestrante: Dr. Maurício Gomes Pereira Coordenação: Dra. Wilma Terezinha Anselmo, Dra. Mariana de Carvalho e Dra. Eulalia Sakano Local: ABORL-CCF - São Paulo/SP Informações: (11) 5053-7500 ou eventos@aborlccf.org.br 15 a 17 de maio Cariocão 2014 - VIII Congresso da Sociedade de Otorrinolaringologia do Estado do Rio de Janeiro Coordenação: Dr. Geraldo Augusto Gomes Local: Hotel Atlantico Búzios Cidade: Armação dos Búzios/RJ / Brasil Site: www.cariocao2014.com.br Informações: (21) 2215-4476 com Antonio/ Fernanda ou contato@gapcongressos.com.br

Você conhece o Cariocão? necessário monitorar os aspectos que impactam no desempenho do setor, tais como: perspectivas de crescimento, evolução da renda per capita da população abrangida, índices macroeconômicos e fatores inerentes à competição, incluindo a concorrência, política de preços, canais de venda, potenciais nichos de mercado e escopo de atuação geográfica. De posse destas informações, alguns questionamentos deverão ser formulados para definir a estratégia a ser seguida. E isso passa pela definição dos mercados-alvo, os clientes potenciais em cada segmento, o tamanho do mercado, as tendências econômicas e tecnológicas, os competidores existentes no mercado-alvo, os players emergentes, dentre outras informações. Com esta visão de mercado e demais variáveis, é possível a formulação de uma estratégia visando o aproveitamento das oportunidades ou na conquista de clientes insatisfeitos com os concorrentes. Entretanto, a organização deve estar preparada para este crescimento e isto significa torná-la mais ágil, ter equipes preparadas para administrar a mudança, conhecer suas competências essenciais e alavancar seus pontos fortes quando as oportunidades surgirem.

Para tanto, deverá promover uma reestruturação nos processos de atendimento, agilizando as decisões, estabelecendo metas de desempenho alinhadas à estratégia, integrando as informações fazendo uso da tecnologia e automação, redimensionando recursos e atuando no controle e redução dos custos e despesas, principalmente no momento em que experimentar o crescimento. Um ponto em comum em todas as organizações que vêm conseguindo bons resultados é a profissionalização de suas administrações, assunto que adquiriu importância no setor de saúde nos últimos anos.

Saiba sobre o congresso na página 40 16 a 17 de maio 3º Conesul e 8º Gauchão de Otorrinolaringologia Coordenação: Dr. Marcelo Zanini Local: Conrad Punta Del Este Resort e Cassino - Punta Del Este/Uruguay Site: www.assogot.org.br/congresso Informações: (51) 3311-8969 / 3311-9456 ou secretariageral@plenariumcongressos. com.br; plenarium@terra.com.br

Você conhece o Gauchão? Confira na página 39 a matéria sobre o evento!

As recompensas que advém de uma reflexão estratégica são várias e as empresas que não se sentem preparadas para conduzir este processo tem buscado apoio na consultoria para atuar como facilitadora, provedora de metodologias e integradora das idéias que fluem durante todo este exercício. Assim, quem pretende mudar uma organização deve procurar conhecê-la, descobrir sua identidade, sua cultura e seus valores, sem procurar impor modelos pré-concebidos.

23 a 24 de maio Cursos Teórico-Práticos no Tratamento da SAOS em 2014 - Monitorização Portátil do Sono e CPAP Coordenação: Dr. José Antonio Pinto e Dr. Nelson Colombini Local: Núcleo de Otorrinolaringologia, Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Medicina do Sono de São Paulo - São Paulo/SP Informações: (11) 5573-1970 24 de maio 6º Curso Teórico - Prático de Anatomia em Otorrinolaringologia / Cirurgia de Cabeça e Pescoço Coordenação: Prof. Dr. Ricardo Ferreira Bento e Dr. Geraldo Pereira Jotz Local: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Porto Alegre/RS Informações: (11) 3068-9855 30 a 31 de maio 2º Curso de Dissecção do Osso Temporal: Ênfase nos Métodos Cirúrgicos de Reabilitação da Audição Coordenação: Dr. Rodolpho Penna Lima Júnior Local: Natal/RN Informações: (84) 8829-6976

4 de agosto de 2014 a 9 de fevereiro de 2015 Otomaster 2014 Coordenação: Prof. Dr. Ricardo Ferreira Bento, Dr. Felipe Fortes e Dr. Luiz Carlos Barboza Júnior Local: Fundação Otorrinolaringologia - São Paulo/SP Informações: (11) 3068-9855 22 a 24 de agosto 8º Curso Prático de Rinite Alérgica e Alergia Coordenação: Dr. Sergio Maniglia e Dra. Gisele Kuntze Local: Hospital IPO - Curitiba/PR Informações: (41) 3314-1597 28 a 30 de agosto 91º Curso de Cirurgias Endoscópicas Endonasais Coordenação: Prof. Dr. Ricardo Ferreira Bento, Dr. Marcus Miranda Lessa e Prof. Dr. Richard Voegels Local: Hospital Universitário Prof. Edgard Santos - Salvador/BA Informações: (11) 3068-9855 28 a 30 de agosto 44º Curso de Cirurgia Funcional e Estética do Nariz Coordenação: Prof. Dr. José Eduardo Lutaif Dolci e Prof. Dr. Ivo Bussoloti Filho Local: Santa Casa de São Paulo - São Paulo/SP Informações: (11) 2176-7235 29 a 30 de agosto Cursos Teórico-Práticos no Tratamento da SAOS em 2014 - Cirurgia de Moldes Para Avanço Maxilo Mandibular e Cirurgia de Modelos em Prototipagem Coordenação: Dr. José Antonio Pinto e Dr. Nelson Colombini Local: Núcleo de Otorrinolaringologia, Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Medicina do Sono de São Paulo - São Paulo/SP Informações: (11) 5573-1970

Setembro

Centro de Convenções FIERGS Av. Assis Brasil, 8787 Porto Alegre/RS Coordenação: Departamento de Eventos da ABORL-CCF Informações: (71) 2104-3477/3434 (11) 5053-7500/7512

Edison Cunha Diretor de operações da Trevisan Consultoria edison.cunha@trevisan.com.br

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23 a 25 de maio 7º Curso Prático de Rinite Alérgica e Alergia Coordenação: Dr. Sergio Maniglia e Dra. Gisele Kuntze Local: Hospital IPO - Curitiba/PR Informações: (41) 3314-1597

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21 a 24 de setembro AAO-HNSF Annual Meeting & OTO EXPOSM Coordenação: American Academy of Otolaryngology - Head and Neck Surgery (AAO-HNS) Local: Orange County Convention Center Orlando/Flórida (EUA) Informações: 703-535-3778 ou pbascomb@entnet.org

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Defesa Profissional

Defesa Profissional

O papel de cada um CRM, CFM, FENAM, AMB... Apoio jurídico, defesa profissional, regulação do mercado, emissão de carteira profissional, título de especialistas e outras tantas atividades institucionais cabem em cada uma dessas siglas. Por Eliana Antiqueira

A

classe médica nunca esteve tão exposta ao escrutínio da mídia e da opinião pública como agora. A população, em sua maioria, não entende que aumento nos planos de saúde, falta de atendimento em hospitais públicos, de políticas públicas de saúde e as péssimas condições de trabalho não são responsabilidade do médico. Para defender a classe, entram em cena as entidades representativas. O Conselho Federal de Medicina (CFM) e os Conselhos Regionais de Medicina (CRM) são os órgãos supervisores da ética profissional. Têm atividades complementares e jurisdição definida. O CFM é um órgão regulador, ao qual cabe fiscalizar e normatizar a prática médica. Também exerce um importante papel político, atuando na defesa da saúde da população e dos interesses da classe médica.

Já os CRMs, entre outras atividades, funcionam como tribunais, recebem denúncias contra médicos e estabelecem processos quando existem indícios de infração médica. Cabe a ele, ainda, a emissão do registro profissional. Os médicos só poderão exercer legalmente a medicina, em qualquer de seus ramos ou especialidades, após o prévio registro de seus títulos, diplomas e certificados no Ministério da Educação e Cultura e de sua inscrição no Conselho Regional de Medicina. A punição por atuar sem registro no CRM varia desde uma advertência confidencial até a cassação do direito de exercer a medicina. À Associação Médica Brasileira cabe buscar o aprimoramento científico e valorização do médico. Entre suas funções está conceder Títulos de Especialista por meio da Comissão Nacional de Acreditação, a elaboração

de Diretrizes Médicas, que padroniza e auxilia o médico na decisão clínica de diagnóstico e tratamento, a revisão e atualização da CBHPM. Com uma Comissão de Assuntos Políticos bastante atuante, a AMB tem trabalhado no Congresso Nacional para aprovar o Projeto de Lei 3466/04, que considera a CBHPM referencial na fixação de remuneração do médico junto às operadoras de saúde suplementar; e no  Projeto de Lei 268/02 (PLS), que regulamenta a medicina. O PLS foi foi apresentado no Senado em 2002 e aprovado em 2006, quando seguiu para a Câmara. O texto foi aprovado em 2009, mas com uma redação modificada, retornando ao Senado, onde tramita agora. O projeto define o que é o Ato Médico, sua abrangência e limites. Além disso, fortalece o conceito de equipe de

“A ANS sempre foi um órgão político, a representatividade médica é quase nula, por isso suas decisões sempre tendem a beneficiar as operadoras de saúde. Os planos de saúde têm a ANS, os consumidores, o Código de Defesa do Consumidor. E os médicos? Quem os defende? Por isso é tão importante o fortalecimento das entidades médicas, porque este é o único caminho legal para nossas conquistas” Dr. Márcio Fortini

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saúde, pois respeita as esferas de competência de cada profissional. Outra parceira da classe é a Federação Nacional dos Médicos (Fenam), o sindicato da categoria que tem entre suas funções brigar por melhores salários e condições de trabalho. Recentemete, a Fenam foi responsável por denúncias ao Ministério Público sobre o descumprimento de leis tra-

balhistas com os médicos estrangeiros contratados pelo programa Mais Médicos, e pela estipulação do piso salarial de cerca de 10 mil reais pos 20 horas semanais. A atual bandeira de luta do sindicato é pela criação de uma carreira de Estado, a exemplo do que ocorre no judiciário, como medida para fixação dos profissionais no interior e diminuição das distorções. 

A ABORL-CCF tem uma relação bastante estreita com essas entidades. “Essa união é importante para fortalecer a luta em defesa dos nossos interesses. A Comissão de Defesa Profissional tem participado de todas as reuniões e movimentos, sempre colocando em pauta as reinvindicações dos otorrinos”, afirma Dr. Márcio Fortini, presidente da comissão.

Qual a função da ANS? A Agência Nacional de Saúde Suplementar é a agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde  responsável pelo setor de planos de saúde no Brasil. Esta regulação pode ser entendida como um conjunto de medidas e ações do Governo que envolvem a criação de normas, o controle e a fiscalização de segmentos de mercado explorados por operadoras de planos de saúde. Criada em 2000, a ANS é muitas vezes acusada pelas entidades médicas como uma entidade eminentemente política, com pouca efetividade para a classe. O último embate público entre as entidades e a agência versa sobre o conteúdo da Resolução Normativa expressa na Consulta Pública 54/2013 da ANS, que trata de novos critérios de contratualização e hierarquização, rejeitados pelos médicos em carta aberta à sociedade.

Leia na íntegra “A ANS sempre foi um órgão político, a representatividade médica é quase nula, por isso suas decisões sempre tendem a beneficiar as operadoras de saúde. Os planos de saúde têm a ANS, os consumidores, o Código de Defesa do Consumidor. E os médicos? Quem os defende? Por isso é tão importante o fortalecimento das entidades médicas, porque este é o único caminho legal para nossas conquistas”, conclui Dr. Fortini.

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Defesa Profissional

Defesa Profissional

O papel de cada um CRM, CFM, FENAM, AMB... Apoio jurídico, defesa profissional, regulação do mercado, emissão de carteira profissional, título de especialistas e outras tantas atividades institucionais cabem em cada uma dessas siglas. Por Eliana Antiqueira

A

classe médica nunca esteve tão exposta ao escrutínio da mídia e da opinião pública como agora. A população, em sua maioria, não entende que aumento nos planos de saúde, falta de atendimento em hospitais públicos, de políticas públicas de saúde e as péssimas condições de trabalho não são responsabilidade do médico. Para defender a classe, entram em cena as entidades representativas. O Conselho Federal de Medicina (CFM) e os Conselhos Regionais de Medicina (CRM) são os órgãos supervisores da ética profissional. Têm atividades complementares e jurisdição definida. O CFM é um órgão regulador, ao qual cabe fiscalizar e normatizar a prática médica. Também exerce um importante papel político, atuando na defesa da saúde da população e dos interesses da classe médica.

Já os CRMs, entre outras atividades, funcionam como tribunais, recebem denúncias contra médicos e estabelecem processos quando existem indícios de infração médica. Cabe a ele, ainda, a emissão do registro profissional. Os médicos só poderão exercer legalmente a medicina, em qualquer de seus ramos ou especialidades, após o prévio registro de seus títulos, diplomas e certificados no Ministério da Educação e Cultura e de sua inscrição no Conselho Regional de Medicina. A punição por atuar sem registro no CRM varia desde uma advertência confidencial até a cassação do direito de exercer a medicina. À Associação Médica Brasileira cabe buscar o aprimoramento científico e valorização do médico. Entre suas funções está conceder Títulos de Especialista por meio da Comissão Nacional de Acreditação, a elaboração

de Diretrizes Médicas, que padroniza e auxilia o médico na decisão clínica de diagnóstico e tratamento, a revisão e atualização da CBHPM. Com uma Comissão de Assuntos Políticos bastante atuante, a AMB tem trabalhado no Congresso Nacional para aprovar o Projeto de Lei 3466/04, que considera a CBHPM referencial na fixação de remuneração do médico junto às operadoras de saúde suplementar; e no  Projeto de Lei 268/02 (PLS), que regulamenta a medicina. O PLS foi foi apresentado no Senado em 2002 e aprovado em 2006, quando seguiu para a Câmara. O texto foi aprovado em 2009, mas com uma redação modificada, retornando ao Senado, onde tramita agora. O projeto define o que é o Ato Médico, sua abrangência e limites. Além disso, fortalece o conceito de equipe de

“A ANS sempre foi um órgão político, a representatividade médica é quase nula, por isso suas decisões sempre tendem a beneficiar as operadoras de saúde. Os planos de saúde têm a ANS, os consumidores, o Código de Defesa do Consumidor. E os médicos? Quem os defende? Por isso é tão importante o fortalecimento das entidades médicas, porque este é o único caminho legal para nossas conquistas” Dr. Márcio Fortini

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saúde, pois respeita as esferas de competência de cada profissional. Outra parceira da classe é a Federação Nacional dos Médicos (Fenam), o sindicato da categoria que tem entre suas funções brigar por melhores salários e condições de trabalho. Recentemete, a Fenam foi responsável por denúncias ao Ministério Público sobre o descumprimento de leis tra-

balhistas com os médicos estrangeiros contratados pelo programa Mais Médicos, e pela estipulação do piso salarial de cerca de 10 mil reais pos 20 horas semanais. A atual bandeira de luta do sindicato é pela criação de uma carreira de Estado, a exemplo do que ocorre no judiciário, como medida para fixação dos profissionais no interior e diminuição das distorções. 

A ABORL-CCF tem uma relação bastante estreita com essas entidades. “Essa união é importante para fortalecer a luta em defesa dos nossos interesses. A Comissão de Defesa Profissional tem participado de todas as reuniões e movimentos, sempre colocando em pauta as reinvindicações dos otorrinos”, afirma Dr. Márcio Fortini, presidente da comissão.

Qual a função da ANS? A Agência Nacional de Saúde Suplementar é a agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde  responsável pelo setor de planos de saúde no Brasil. Esta regulação pode ser entendida como um conjunto de medidas e ações do Governo que envolvem a criação de normas, o controle e a fiscalização de segmentos de mercado explorados por operadoras de planos de saúde. Criada em 2000, a ANS é muitas vezes acusada pelas entidades médicas como uma entidade eminentemente política, com pouca efetividade para a classe. O último embate público entre as entidades e a agência versa sobre o conteúdo da Resolução Normativa expressa na Consulta Pública 54/2013 da ANS, que trata de novos critérios de contratualização e hierarquização, rejeitados pelos médicos em carta aberta à sociedade.

Leia na íntegra “A ANS sempre foi um órgão político, a representatividade médica é quase nula, por isso suas decisões sempre tendem a beneficiar as operadoras de saúde. Os planos de saúde têm a ANS, os consumidores, o Código de Defesa do Consumidor. E os médicos? Quem os defende? Por isso é tão importante o fortalecimento das entidades médicas, porque este é o único caminho legal para nossas conquistas”, conclui Dr. Fortini.

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Curso BJORL

Aprenda a redigir e publicar artigos científicos Dr. Maurício Gomes Pereira orienta sobre o que fazer e o que não fazer para elaborar um artigo acadêmico de qualidade

E

m 10 de maio, a ABORL-CCF promoverá o curso “Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar”, apresentado por Dr. Maurício Gomes Pereira, professor titular da Faculdade de Medicina da UnB, doutor  em medicina pela Columbia University, de Nova York – com mais de 40 anos de experiência em editoração científica. No curso, que acontecerá das 9h às 16h, o autor propõe esclarecer os passos necessários para que o pesquisador consiga elaborar um artigo acadêmico com todas as adequações necessárias para a sua publicação por meios de técnicas de elaboração. “A redação científica tem regras que vão além do simples escrever bem. No geral, percebo que falta conhecimento técnico. O

pensamento científico é muito lógico, mas só se chega a essa conclusão, e aprendizado, fazendo”, afirma o autor. A produção científica vem aumentando no Brasil, o que tem pressionado os pesquisadores a ampliarem o número de publicações de artigos, resenhas e ensaios em revistas científicas. No último levantamento da base de dados Web of Science, que mapeia a produção de mais de 11 mil periódicos em todo o mundo, datado de 2008, o Brasil já aparecia na 13ª posição, com o volume de publicações ultrapassando a marca de trinta mil.   Segundo Dr. Maurício, o Brasil tem uma produção científica caudalosa, mas a língua é uma barreira para se alcançar um número expressivo de publicações em revistas científicas renomadas. “Não importa seu grau de fluência, escrever em outra língua é sempre complicado. A língua inglesa é sintética, o que favorece o raciocínio lógico. Nós, latinos, somos prolixos, temos mais dificuldade em sermos objetivos”, aponta. A proposta do curso promovido pela Comissão do BJORL é apontar diretrizes de redação para os diversos tipos de pesquisa. “Um dos principais erros encontrados na redação é a conclusão que não responde ao objetivo, ou aquela que não se atém aos resultados encontrados”, observa.

COMO REDIGIR UM ARTIGO CIENTÍFICO

PALESTRANTE: MAURICIO GOMES PEREIRA

Médico, PhD pela Universidade de Columbia, em Nova York e Professor Emérito da Universidade de Brasília. Autor do livro “Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar”, da Editora Guanabara, 2011.

Quando:

10 de maio de 2014

Horário: 9h às 16h

Local:

Auditório Luc Louis Maurice Weckx Sede da ABORL-CCF

OBJETIVO DO CURSO DICAS PARA UMA BOA REDAÇÃO DE ARTIGO CIENTÍFICO Comissão Organizadora:

WILMA TEREZINHA ANSELMO-LIMA • MARIANA DE CARVALHO LEAL GOUVEIA • EULALIA SAKANO

O curso “Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar” está com inscrições abertas pelo site www.aborlccf.org.br/artigocientifico. Dúvidas e informações, mande um e-mail para eventos@aborlccf.org.br ou ligue para (11) 5053-7502.

22 | Revista VOX OTORRINO

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REALIZAÇÃO INSCRIÇÕES http://www.aborlccf.org.br/artigocientifico INFORMAÇÕES eventos@aborlccf.org.br | Telefone: (11) 5053-7502


Curso BJORL

Aprenda a redigir e publicar artigos científicos Dr. Maurício Gomes Pereira orienta sobre o que fazer e o que não fazer para elaborar um artigo acadêmico de qualidade

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m 10 de maio, a ABORL-CCF promoverá o curso “Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar”, apresentado por Dr. Maurício Gomes Pereira, professor titular da Faculdade de Medicina da UnB, doutor  em medicina pela Columbia University, de Nova York – com mais de 40 anos de experiência em editoração científica. No curso, que acontecerá das 9h às 16h, o autor propõe esclarecer os passos necessários para que o pesquisador consiga elaborar um artigo acadêmico com todas as adequações necessárias para a sua publicação por meios de técnicas de elaboração. “A redação científica tem regras que vão além do simples escrever bem. No geral, percebo que falta conhecimento técnico. O

pensamento científico é muito lógico, mas só se chega a essa conclusão, e aprendizado, fazendo”, afirma o autor. A produção científica vem aumentando no Brasil, o que tem pressionado os pesquisadores a ampliarem o número de publicações de artigos, resenhas e ensaios em revistas científicas. No último levantamento da base de dados Web of Science, que mapeia a produção de mais de 11 mil periódicos em todo o mundo, datado de 2008, o Brasil já aparecia na 13ª posição, com o volume de publicações ultrapassando a marca de trinta mil.   Segundo Dr. Maurício, o Brasil tem uma produção científica caudalosa, mas a língua é uma barreira para se alcançar um número expressivo de publicações em revistas científicas renomadas. “Não importa seu grau de fluência, escrever em outra língua é sempre complicado. A língua inglesa é sintética, o que favorece o raciocínio lógico. Nós, latinos, somos prolixos, temos mais dificuldade em sermos objetivos”, aponta. A proposta do curso promovido pela Comissão do BJORL é apontar diretrizes de redação para os diversos tipos de pesquisa. “Um dos principais erros encontrados na redação é a conclusão que não responde ao objetivo, ou aquela que não se atém aos resultados encontrados”, observa.

COMO REDIGIR UM ARTIGO CIENTÍFICO

PALESTRANTE: MAURICIO GOMES PEREIRA

Médico, PhD pela Universidade de Columbia, em Nova York e Professor Emérito da Universidade de Brasília. Autor do livro “Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar”, da Editora Guanabara, 2011.

Quando:

10 de maio de 2014

Horário: 9h às 16h

Local:

Auditório Luc Louis Maurice Weckx Sede da ABORL-CCF

OBJETIVO DO CURSO DICAS PARA UMA BOA REDAÇÃO DE ARTIGO CIENTÍFICO Comissão Organizadora:

WILMA TEREZINHA ANSELMO-LIMA • MARIANA DE CARVALHO LEAL GOUVEIA • EULALIA SAKANO

O curso “Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar” está com inscrições abertas pelo site www.aborlccf.org.br/artigocientifico. Dúvidas e informações, mande um e-mail para eventos@aborlccf.org.br ou ligue para (11) 5053-7502.

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REALIZAÇÃO INSCRIÇÕES http://www.aborlccf.org.br/artigocientifico INFORMAÇÕES eventos@aborlccf.org.br | Telefone: (11) 5053-7502


Educação Continuada

Educação Continuada

O que há de novo?

C

aros colegas, procura por técnicas cirúrgicas que sejam precisas e cada vez menos invasivas é constante em vários campos da Medicina. Nesta edição, temos um breve e muito interessante resumo da fonomicrocirurgia desde seus primordios em 1773 até os dias atuais de cirurgia simulada em ambientes virtuais. Boa leitura.

Dr. Renato Roithmann

Presidente da Comissão Educação Médica Continuada da ABORL-CCF

Fonomicrocirurgia: passado, cenário atual e perspectivas Adriana Hachiya Médica assistente do Grupo de Bucofaringolaringologia do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Doutora em Ciências pela FMUSP

Domingos Hiroshi Tsuji Professor Livre Docente e Associado da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Responsável pelo Grupo de Voz do Hospital das Clinicas da FMUSP

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No cenário atual, um dos grandes desafios da Laringologia é o tratamento do sulco vocal e da fibrose

cicatricial. Em ambos os casos, há perda dos elementos da matriz extracelular da camada superficial da lâmina própria. Ainda estamos à procura de um algum material com propriedades reológicas semelhantes à lâmina própria original que recupere a deficiência volumétrica e reestabeleça a microarquitetura histológica da prega vocal. Estudos promissores com célula troncam em processos cicatriciais em modelos animais podem representar, no futuro, uma opção para estes pacientes. A Cirurgia Robótica tem conquistado seu espaço nos últimos anos 12. A utilização de um robô, cuja bandeira é possibilitar movimentos precisos, um dos alicerces para um bom resultado cirúrgico em doenças laríngeas, ainda não é uma realidade em Fonomicrocirurgia. O campo cirúrgico restrito, custo elevado e pouca

acessibilidade a esta tecnologia são apontados como os principais obstáculos ao método das microcirurgias de laringe. A proximidade da Laringologia com a Engenharia tem possibilitado à criação de plataformas de treinamento cirúrgico denominadas de interface háptica, em que médicos residentes podem simular cirurgias laríngeas em um ambiente virtual 13-15. Como destacamos, a fonomicrocirurgia é um procedimento relativamente recente na Medicina. O desenvolvimento de métodos modernos para avaliação da vibração cordal que sirvam de embasamento para decisões cirúrgicas e avaliação de resultados, pesquisas com células tronco, criação de modelos virtuais para treinamento cirúrgico e novas tecnologias cirúrgicas permearão os próximos anos na área.

Referências Zeitels MS. Atlas of Phonomicrosurgery and Other Endolaryngeal Procedures for Benign and Malignant Disease. San Diego, CA: Singular Thompson Learning; 2001.

O

ços permitiram um campo cirúrgico estável e ampliado, possibilitando uma maior precisão no diagnóstico e tratamento das lesões laríngeas.

As cirurgias endoscópicas laringeas têm sua origem com Phillip Bozzini (1773-1809). O acesso à laringe e faringe era realizado através de um espéculo laringeo conectado a uma fonte de luz (vela) e refletores 1. Em 1859, Stoerk 2 (26) descreve a primeira manipulação laríngea controlada que envolvia a aplicação de nitrato de prata na laringe.

Pinças mais delicadas e laringoscópios que possibilitaram uma melhor exposição da glote somaram-se aos avanços na área. Em paralelo, estudos envolvendo a anatomia e a fisiologia da vibracão cordal orquestraram mudanças nos paradigmas até então conhecidos. Os estudos histológicos de Hirano 6,7 descreveram a estrutura trilaminar da prega vocal e a importância da preservação da camada superficial da lâmina própria.

O microscópio cirúrgico para ampliação da imagem nas cirurgias endoscópicas laringeas, introduzido por Scalco et al 3 (68), Jako 4 (69) e Kleinsasser 5 e a utilização da anestesia geral endotraqueal, nos moldes como é conhecida a fonomicrocirurgia nos dias atuais, foram só adotados por volta de 1960. Esses avan-

O princípio mais importante da fonomicrocirurgia moderna é o emprego de procedimentos minimamente invasivos que respeitem a integridade da estrutura trilaminar da porção vibratória da prega vocal. A preservação da camada superficial da lâmina própria no bordo livre da prega vocal é requisito fundamental para a qualidade de voz no pós-operatório.

termo “Fonocirurgia” foi introduzido por Hans Von Leden há 40 anos e representa um grupo de procedimentos que tem como objetivo a melhora ou manutenção da voz.

O conhecimento da ultraestrutura histológica da prega vocal, da fisiologia da laringe e da vibracão cordal permeiam as condutas cirúrgicas na Laringologia Moderna. O emprego de métodos propedêuticos consagrados como a videolaringoscopia e videolaringoestroboscopia é essencial para o diagnóstico das diferentes patologias. Métodos mais recentemente empregados na prática clínica e em pesquisa como a utlilização de videlaringoscopia de alta velocidade 8,9, 10 e outras tecnologias tais como a aplicação de algoritmos gráficos dos parâmetros vibratórios 11 têm acrescentado outras informações para avaliar a vibração cordal pré-operatória e os resultados pós operatórios.

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Stoerk C. On the laryngoscope. Zeitschrift der Gersellschaft der Aertze zu Wein. 1859;46:721-727. Scalco An, Shipman WF, Tabb HG. Microscopic suspension laryngoscopy. Ann Otol Rhinol Laryngol. 1960; 69:1134-38. Jako GJ. Laryngoscope for microscopic observation, surgery, and photography. Arch Otolaryngol. 1970;91:196-99. Kleinsasser O. Mikrochirurgie im Kehlkopf. Arch Ohren Nasen Kehlkopfheilkunde.1964;183:428-433. Hirano M. Phonosurgery: basic and clinical investigations. Otologia (Fukuoka). 1975;21:239-442. Hirano M. Structure and vibratory behavior of the vocal fold. In: Sawashima M, Cooper F, eds. Dynamic Aspects of Speech Production. Tokyo, Japan: University of Tokyo; 1977: 13-30. Mendelsohn AH, Remacle M, Courey MS, Gerhard F, Postma GN. The diagnostic role of high-speed vocal fold vibratory imaging. J Voice. 2013; 27(5):627-31. doi: 10.1016/j.jvoice.2013.04.011. 1: Ikuma T, Kunduk M, McWhorter AJ. Objective Quantification of Pre and Post Phonosurgery Vocal Fold Vibratory Characteristics Using High-Speed Videoendoscopy and a Harmonic Waveform Model. J Speech Lang Hear Res. 2013 Oct 28. Kendall KA. High-speed digital imaging of the larynx: recent advances. Curr Opin Otolaryngol Head Neck Surg. 2012 Dec;20(6):466-71. doi: 10.1097/MOO.0b013e328359840d. Pinheiro AP, Dajer ME, Hachiya A, Montagnoli AN, Tsuji D. Graphical evaluation of vocal fold vibratory patterns by high-speed videolaryngoscopy. J Voice. 2014; 28(1):106-11. doi: 10.1016/j.jvoice.2013.07.014. Blanco RG, Ha PK, Califano JA, Saunders JM. Transoral robotic surgery of the vocal cord. J Laparoendosc Adv Surg Tech A 2011;21(2):157-9. doi: 0.1089/lap.2010.0350. 1: Hockstein NG, Nolan JP, O’Malley BW Jr, Woo YJ. Robot-assisted pharyngeal and laryngeal microsurgery: results of robotic cadaver dissections. Laryngoscope 2005; 115(6):1003-8. 1: Mattos LS, Deshpande N, Barresi G, Guastini L, Peretti G. A novel computerized surgeon-machine interface for robot-assisted laser phonomicrosurgery. Laryngoscope. 2013; Dec 17. doi: 10.1002/lary.24566 Dagnino G, Mattos LS, Becattini G, Dellepiane M, Caldwell DG. Comparative evaluation of user interfaces for robot-assisted laser phonomicrosurgery. Conf Proc IEEE Eng Med Biol Soc. 2011;2011:7376-9. doi: 10.1109/IEMBS.2011.6091718.

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aros colegas, procura por técnicas cirúrgicas que sejam precisas e cada vez menos invasivas é constante em vários campos da Medicina. Nesta edição, temos um breve e muito interessante resumo da fonomicrocirurgia desde seus primordios em 1773 até os dias atuais de cirurgia simulada em ambientes virtuais. Boa leitura.

Dr. Renato Roithmann

Presidente da Comissão Educação Médica Continuada da ABORL-CCF

Fonomicrocirurgia: passado, cenário atual e perspectivas Adriana Hachiya Médica assistente do Grupo de Bucofaringolaringologia do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Doutora em Ciências pela FMUSP

Domingos Hiroshi Tsuji Professor Livre Docente e Associado da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Responsável pelo Grupo de Voz do Hospital das Clinicas da FMUSP

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No cenário atual, um dos grandes desafios da Laringologia é o tratamento do sulco vocal e da fibrose

cicatricial. Em ambos os casos, há perda dos elementos da matriz extracelular da camada superficial da lâmina própria. Ainda estamos à procura de um algum material com propriedades reológicas semelhantes à lâmina própria original que recupere a deficiência volumétrica e reestabeleça a microarquitetura histológica da prega vocal. Estudos promissores com célula troncam em processos cicatriciais em modelos animais podem representar, no futuro, uma opção para estes pacientes. A Cirurgia Robótica tem conquistado seu espaço nos últimos anos 12. A utilização de um robô, cuja bandeira é possibilitar movimentos precisos, um dos alicerces para um bom resultado cirúrgico em doenças laríngeas, ainda não é uma realidade em Fonomicrocirurgia. O campo cirúrgico restrito, custo elevado e pouca

acessibilidade a esta tecnologia são apontados como os principais obstáculos ao método das microcirurgias de laringe. A proximidade da Laringologia com a Engenharia tem possibilitado à criação de plataformas de treinamento cirúrgico denominadas de interface háptica, em que médicos residentes podem simular cirurgias laríngeas em um ambiente virtual 13-15. Como destacamos, a fonomicrocirurgia é um procedimento relativamente recente na Medicina. O desenvolvimento de métodos modernos para avaliação da vibração cordal que sirvam de embasamento para decisões cirúrgicas e avaliação de resultados, pesquisas com células tronco, criação de modelos virtuais para treinamento cirúrgico e novas tecnologias cirúrgicas permearão os próximos anos na área.

Referências Zeitels MS. Atlas of Phonomicrosurgery and Other Endolaryngeal Procedures for Benign and Malignant Disease. San Diego, CA: Singular Thompson Learning; 2001.

O

ços permitiram um campo cirúrgico estável e ampliado, possibilitando uma maior precisão no diagnóstico e tratamento das lesões laríngeas.

As cirurgias endoscópicas laringeas têm sua origem com Phillip Bozzini (1773-1809). O acesso à laringe e faringe era realizado através de um espéculo laringeo conectado a uma fonte de luz (vela) e refletores 1. Em 1859, Stoerk 2 (26) descreve a primeira manipulação laríngea controlada que envolvia a aplicação de nitrato de prata na laringe.

Pinças mais delicadas e laringoscópios que possibilitaram uma melhor exposição da glote somaram-se aos avanços na área. Em paralelo, estudos envolvendo a anatomia e a fisiologia da vibracão cordal orquestraram mudanças nos paradigmas até então conhecidos. Os estudos histológicos de Hirano 6,7 descreveram a estrutura trilaminar da prega vocal e a importância da preservação da camada superficial da lâmina própria.

O microscópio cirúrgico para ampliação da imagem nas cirurgias endoscópicas laringeas, introduzido por Scalco et al 3 (68), Jako 4 (69) e Kleinsasser 5 e a utilização da anestesia geral endotraqueal, nos moldes como é conhecida a fonomicrocirurgia nos dias atuais, foram só adotados por volta de 1960. Esses avan-

O princípio mais importante da fonomicrocirurgia moderna é o emprego de procedimentos minimamente invasivos que respeitem a integridade da estrutura trilaminar da porção vibratória da prega vocal. A preservação da camada superficial da lâmina própria no bordo livre da prega vocal é requisito fundamental para a qualidade de voz no pós-operatório.

termo “Fonocirurgia” foi introduzido por Hans Von Leden há 40 anos e representa um grupo de procedimentos que tem como objetivo a melhora ou manutenção da voz.

O conhecimento da ultraestrutura histológica da prega vocal, da fisiologia da laringe e da vibracão cordal permeiam as condutas cirúrgicas na Laringologia Moderna. O emprego de métodos propedêuticos consagrados como a videolaringoscopia e videolaringoestroboscopia é essencial para o diagnóstico das diferentes patologias. Métodos mais recentemente empregados na prática clínica e em pesquisa como a utlilização de videlaringoscopia de alta velocidade 8,9, 10 e outras tecnologias tais como a aplicação de algoritmos gráficos dos parâmetros vibratórios 11 têm acrescentado outras informações para avaliar a vibração cordal pré-operatória e os resultados pós operatórios.

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Stoerk C. On the laryngoscope. Zeitschrift der Gersellschaft der Aertze zu Wein. 1859;46:721-727. Scalco An, Shipman WF, Tabb HG. Microscopic suspension laryngoscopy. Ann Otol Rhinol Laryngol. 1960; 69:1134-38. Jako GJ. Laryngoscope for microscopic observation, surgery, and photography. Arch Otolaryngol. 1970;91:196-99. Kleinsasser O. Mikrochirurgie im Kehlkopf. Arch Ohren Nasen Kehlkopfheilkunde.1964;183:428-433. Hirano M. Phonosurgery: basic and clinical investigations. Otologia (Fukuoka). 1975;21:239-442. Hirano M. Structure and vibratory behavior of the vocal fold. In: Sawashima M, Cooper F, eds. Dynamic Aspects of Speech Production. Tokyo, Japan: University of Tokyo; 1977: 13-30. Mendelsohn AH, Remacle M, Courey MS, Gerhard F, Postma GN. The diagnostic role of high-speed vocal fold vibratory imaging. J Voice. 2013; 27(5):627-31. doi: 10.1016/j.jvoice.2013.04.011. 1: Ikuma T, Kunduk M, McWhorter AJ. Objective Quantification of Pre and Post Phonosurgery Vocal Fold Vibratory Characteristics Using High-Speed Videoendoscopy and a Harmonic Waveform Model. J Speech Lang Hear Res. 2013 Oct 28. Kendall KA. High-speed digital imaging of the larynx: recent advances. Curr Opin Otolaryngol Head Neck Surg. 2012 Dec;20(6):466-71. doi: 10.1097/MOO.0b013e328359840d. Pinheiro AP, Dajer ME, Hachiya A, Montagnoli AN, Tsuji D. Graphical evaluation of vocal fold vibratory patterns by high-speed videolaryngoscopy. J Voice. 2014; 28(1):106-11. doi: 10.1016/j.jvoice.2013.07.014. Blanco RG, Ha PK, Califano JA, Saunders JM. Transoral robotic surgery of the vocal cord. J Laparoendosc Adv Surg Tech A 2011;21(2):157-9. doi: 0.1089/lap.2010.0350. 1: Hockstein NG, Nolan JP, O’Malley BW Jr, Woo YJ. Robot-assisted pharyngeal and laryngeal microsurgery: results of robotic cadaver dissections. Laryngoscope 2005; 115(6):1003-8. 1: Mattos LS, Deshpande N, Barresi G, Guastini L, Peretti G. A novel computerized surgeon-machine interface for robot-assisted laser phonomicrosurgery. Laryngoscope. 2013; Dec 17. doi: 10.1002/lary.24566 Dagnino G, Mattos LS, Becattini G, Dellepiane M, Caldwell DG. Comparative evaluation of user interfaces for robot-assisted laser phonomicrosurgery. Conf Proc IEEE Eng Med Biol Soc. 2011;2011:7376-9. doi: 10.1109/IEMBS.2011.6091718.

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Carreira

Carreira

Bye, bye, Brasil! Q A decisão de tentar a carreira no exterior deve ser bem pensada. O caminho a percorrer envolve custos, frustrações, muito estudo e anos de dedicação. Mas vale a pena!

Por Eliana Antiqueira

uando saiu do Brasil rumo aos Estados Unidos, de mala e cuia, Dra. Daniela Carvalho enfrentou o que ela acredita ter sido seu maior obstáculo: a descrença da família, amigos e colegas de trabalho de que o projeto daria certo. Quatorze anos depois, chefe do setor de otorrino pediátrica do Rady Children´s Hospital há cinco e professora na Universidade de San Diego há dez, não se arrepende da decisão e, apesar das dificuldades, sente-se plenamente realizada na

profissão. “Sempre tem alguém que vai falar que você vai quebrar a cara, que vai ser mais um imigrante e tal. Só o fato de você querer já te destaca em relação aos outros, então, não desanime!”, diz. Sim, não desanime porque o caminho é longo. A maior queixa dos médicos que partem para a terra do Tio Sam é que o processo para tirar a licença é restritivo e demorado. Entre outras exigências, os médicos devem ser morador permanente ou ter um visto de trabalho e apresen-

A letra J significa que, terminado o tempo de trabalho e estudos, o médico precisa voltar ao seu país de origem ou precisará trabalhar em alguma região dos EUA considerada carente de médicos da especialidade por um período de três anos.

tar cartas de recomendação de instituições norte-americanas que não aquelas em que ele deseja trabalhar. As cartas podem ser conseguidas após trabalho voluntário ou remunerado em uma organização de pesquisa, clínica ou hospital. O visto é um caso à parte. “Quem confere o visto ao médico na maior parte dos casos é o ECFMG- Educational Comission for Foreigner Medical Graduates. O comum é receber o visto J, ou visto de treinamento, explica Dr. Robson Capasso, diretor da divisão de cirurgia do sono da Universidade de Stanford, onde trabalha desde 2010. A letra J significa que, terminado o tempo de trabalho e estudos, o médico precisa voltar ao seu país de origem ou precisará trabalhar em alguma região dos EUA considerada carente de médicos da especialidade por um período de três anos, e algumas vezes essa situação pode se prolongar por tempo indeterminado. Em casos excepcionais, se for conferido o visto H, comemore! Ele permitirá que você trabalhe em qualquer lugar, mas geralmente só é concedido em situações como a de profissionais renomados que já entram numa departamento acadêmico como professor. Dra. Daniela, porém, é taxativa: “Agarre qualquer oportunidade que aparecer, porque é uma forma de entrar no mercado, de criar possibilidades”. Outro obstáculo remete à validação do diploma. Na opinião da Dra Daniela, mesmo com título de especialistas no Brasil, para trabalhar e ascender na carreira, é imprescindível

Portunhol Português e espanhol são línguas tão próximas que costumamos pensar que somos facilmente compreendidos pelos “hermanos”. Dra. Daniela Carvalho se lembra de uma história divertida sobre uma dessas pegadinhas linguísticas. “Quando comecei a atender as crianças mexicanas, dizia para os pais quando terminava o atendimento: - Puedes pegar tu hijo. Eles me olhavam com estranheza, mas não diziam nada. Um dia, minha assistente ouve e me olha com espanto. - Doutora Carvalho, a senhora sabe o que está dizendo? Pegar em espanhol significa espancar! Não à toa os pais me olhavam feio!”

ter o board de ORL. Para tal, há duas possibilidades: obter o ECFMG e fazer residência de novo ou ser contratado de uma instituição renomada por, pelo menos, sete anos, além de todas as cartas de referências já citadas, mandar a inscrição para o board e torcer para ser aceita. Em ambas as situações, o médico terá de prestar duas provas. A primeira escrita e, cerca de seis meses depois, a prova oral, que leva um dia inteiro. “Passam a gente num ralador!”, brinca Dra. Daniela. “E, embora pareça óbvio, é fundamental dominar o idioma”, lembra Dr. Robson. “Numa sala de cirurgia, por exemplo, ninguém vai falar devagar para ajudar o estrangeiro a entender!”

“Agarre qualquer oportunidade que aparecer, porque é uma forma de entrar no mercado, de criar possibilidades” Dra. Daniela Carvalho

26 | Revista VOX OTORRINO

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

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O exame de proficiência, como TOEFL ou IELTS, não são exigidos, mas isso não torna o exame mais fácil. Uma das etapas consiste no atendimento a dez pacientes-atores com o qual deve ser feita anamnese, diagnóstico, indicação de tratamento e medicação. A fluência no idioma é avaliada assim. “Todos os anos, as faculdades de medicina realizam um simulado da prova do board, o que dá subsídios para avaliar a qualidade da instituição e a comparação com outras entidades”, conta Dra. Daniela. “Tem de estudar muito, ler muito, porque nenhuma instituição quer ser mal avaliada e perder prestígio. A cobrança é grande e o padrão é altíssimo”, completa. O médico estrangeiro enfrenta outro problema, e este, ainda mais nefasto: o baixo número de vagas para residência médica nos EUA. “Cerca de 40% dos médicos em atuação nos Estados Unidos, atualmente, são estrangeiros, e vagas para residência em ORL são raríssimas. Em 2014, foi a residência médica mais disputada, e a preferência é para os nativos”, alerta Dr. Robson. Os dados são corroborados pelo ECFMG. Nos últimos cinco anos, cerca de 40% dos médi-

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Carreira

Carreira

Bye, bye, Brasil! Q A decisão de tentar a carreira no exterior deve ser bem pensada. O caminho a percorrer envolve custos, frustrações, muito estudo e anos de dedicação. Mas vale a pena!

Por Eliana Antiqueira

uando saiu do Brasil rumo aos Estados Unidos, de mala e cuia, Dra. Daniela Carvalho enfrentou o que ela acredita ter sido seu maior obstáculo: a descrença da família, amigos e colegas de trabalho de que o projeto daria certo. Quatorze anos depois, chefe do setor de otorrino pediátrica do Rady Children´s Hospital há cinco e professora na Universidade de San Diego há dez, não se arrepende da decisão e, apesar das dificuldades, sente-se plenamente realizada na

profissão. “Sempre tem alguém que vai falar que você vai quebrar a cara, que vai ser mais um imigrante e tal. Só o fato de você querer já te destaca em relação aos outros, então, não desanime!”, diz. Sim, não desanime porque o caminho é longo. A maior queixa dos médicos que partem para a terra do Tio Sam é que o processo para tirar a licença é restritivo e demorado. Entre outras exigências, os médicos devem ser morador permanente ou ter um visto de trabalho e apresen-

A letra J significa que, terminado o tempo de trabalho e estudos, o médico precisa voltar ao seu país de origem ou precisará trabalhar em alguma região dos EUA considerada carente de médicos da especialidade por um período de três anos.

tar cartas de recomendação de instituições norte-americanas que não aquelas em que ele deseja trabalhar. As cartas podem ser conseguidas após trabalho voluntário ou remunerado em uma organização de pesquisa, clínica ou hospital. O visto é um caso à parte. “Quem confere o visto ao médico na maior parte dos casos é o ECFMG- Educational Comission for Foreigner Medical Graduates. O comum é receber o visto J, ou visto de treinamento, explica Dr. Robson Capasso, diretor da divisão de cirurgia do sono da Universidade de Stanford, onde trabalha desde 2010. A letra J significa que, terminado o tempo de trabalho e estudos, o médico precisa voltar ao seu país de origem ou precisará trabalhar em alguma região dos EUA considerada carente de médicos da especialidade por um período de três anos, e algumas vezes essa situação pode se prolongar por tempo indeterminado. Em casos excepcionais, se for conferido o visto H, comemore! Ele permitirá que você trabalhe em qualquer lugar, mas geralmente só é concedido em situações como a de profissionais renomados que já entram numa departamento acadêmico como professor. Dra. Daniela, porém, é taxativa: “Agarre qualquer oportunidade que aparecer, porque é uma forma de entrar no mercado, de criar possibilidades”. Outro obstáculo remete à validação do diploma. Na opinião da Dra Daniela, mesmo com título de especialistas no Brasil, para trabalhar e ascender na carreira, é imprescindível

Portunhol Português e espanhol são línguas tão próximas que costumamos pensar que somos facilmente compreendidos pelos “hermanos”. Dra. Daniela Carvalho se lembra de uma história divertida sobre uma dessas pegadinhas linguísticas. “Quando comecei a atender as crianças mexicanas, dizia para os pais quando terminava o atendimento: - Puedes pegar tu hijo. Eles me olhavam com estranheza, mas não diziam nada. Um dia, minha assistente ouve e me olha com espanto. - Doutora Carvalho, a senhora sabe o que está dizendo? Pegar em espanhol significa espancar! Não à toa os pais me olhavam feio!”

ter o board de ORL. Para tal, há duas possibilidades: obter o ECFMG e fazer residência de novo ou ser contratado de uma instituição renomada por, pelo menos, sete anos, além de todas as cartas de referências já citadas, mandar a inscrição para o board e torcer para ser aceita. Em ambas as situações, o médico terá de prestar duas provas. A primeira escrita e, cerca de seis meses depois, a prova oral, que leva um dia inteiro. “Passam a gente num ralador!”, brinca Dra. Daniela. “E, embora pareça óbvio, é fundamental dominar o idioma”, lembra Dr. Robson. “Numa sala de cirurgia, por exemplo, ninguém vai falar devagar para ajudar o estrangeiro a entender!”

“Agarre qualquer oportunidade que aparecer, porque é uma forma de entrar no mercado, de criar possibilidades” Dra. Daniela Carvalho

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O exame de proficiência, como TOEFL ou IELTS, não são exigidos, mas isso não torna o exame mais fácil. Uma das etapas consiste no atendimento a dez pacientes-atores com o qual deve ser feita anamnese, diagnóstico, indicação de tratamento e medicação. A fluência no idioma é avaliada assim. “Todos os anos, as faculdades de medicina realizam um simulado da prova do board, o que dá subsídios para avaliar a qualidade da instituição e a comparação com outras entidades”, conta Dra. Daniela. “Tem de estudar muito, ler muito, porque nenhuma instituição quer ser mal avaliada e perder prestígio. A cobrança é grande e o padrão é altíssimo”, completa. O médico estrangeiro enfrenta outro problema, e este, ainda mais nefasto: o baixo número de vagas para residência médica nos EUA. “Cerca de 40% dos médicos em atuação nos Estados Unidos, atualmente, são estrangeiros, e vagas para residência em ORL são raríssimas. Em 2014, foi a residência médica mais disputada, e a preferência é para os nativos”, alerta Dr. Robson. Os dados são corroborados pelo ECFMG. Nos últimos cinco anos, cerca de 40% dos médi-

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Carreira

Digital

“O trabalho do médico nos Estados Unidos é diferente na relação com o paciente, na forma de atendimento e de trabalho no sistema público e privado” Dr. Robson Capasso

cos imigrantes que se candidataram a uma vaga de residência obtiveram sucesso contra uma taxa média de 93,9% dos médicos americanos. E as notícias que vêm de lá não são animadoras. A taxa de obtenção de residência por imigrantes deve sofrer queda nos próximos anos como resultado do aumento de escolas de medicina americanas credenciadas - e o consequente aumento de formados -, ocorrido na última década. Em contrapartida, o número de vagas para residência, a maioria subsidiada pelo Medicare, não teve alterações. Além disso, o Congresso Americano mantém praticamente congelada a verba para residência médica desde 1997. Cruzando a fronteira mais ao norte, porém, há uma ponta de esperança. Algumas províncias canadenses de língua inglesa permitem que médicos estrangeiros pratiquem medicina familiar sem a exigência de cursar novamente a residência, desde que o médico tenha feito uma pós-graduação semelhante nos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido ou Irlanda. O efeito imediato é que muitos médicos estrangeiros que chegam ao Canadá não precisam refazer a residência.

Adaptar é preciso

O choque cultural é inevitável, esteja preparado. “O trabalho do médico nos Estados Unidos é diferente na relação com o paciente, na forma de atendimento e de trabalho no sistema público e privado”, afirma Dr. Robson, no que é endossado por Dra. Daniela. “Na clínica pediátrica em que atendo são dez consultórios. Uso três ao mesmo tempo e cada atendimento tem o tempo máximo estipulado em dez minutos, o que é cumprido à regra. Quando cheguei, achei que seria impossível, mas é tudo tão organizado que funciona perfeitamente”. A relação com os colegas também é diferente. “Aqui as pessoas não te puxam para baixo, elas ficam felizes quando você se dá bem. É o pensamento de que se um sobe, todos sobem juntos”, conta a médica. “Também é importante ressaltar que existe uma hierarquia mais maleável, baseada na meritocracia. É preciso ter resultado clínico, institucional e acadêmico, os títulos não são perenes. E isso se aplica do residente ao chefe do departamento”, completa Dr. Robson.

Fique por dentro das exigências >> http://www.ecfmg.org/

28 | Revista VOX OTORRINO

>> http://www.usmle.org/

Há, é claro, a adaptação a um novo estilo de vida. Dra. Daniela afirma que aprendeu muito trabalhando numa cidade tão multicultural como São Diego. “A população de imigrantes é muito grande, com culturas e religiões diferentes. Já atendi até mãe com burca! Realmente aprendemos a respeitar os outros”. E ser brasileiro é um ponto a favor. “Brasileiro é querido em todo lugar”, diz Dr. Robson, “e este é um diferencial cultural de peso. Basta você falar que é do Brasil que as pessoas se aproximam, querem conversar. O capital humano é maior valor do nosso país, tem que educar em todos os níveis, melhorar a qualidade da cidadania e profissional que as portas se abrem”, conclui.

Revista VOX Otorrino também em versão digital Revista Vox Otorrino digital

http://aborlccf.org.br/conteudo/secao.asp?s=48

Já neste número, confira o conteúdo digital exclusivo com entrevistas e links interativos

http://kaywa.me/c1KZy

U

ma tendência do mercado editorial, a publicação digital chega também à VOX Otorrino. A partir desta edição, a versão para a internet, já disponível no site da ABORL-CCF, ganha também um conteúdo complementar, com entrevistas exclusivas, links e material complementar paralelo.

Os dados são animadores para as editoras do mercado, que, no mês passado, viram a “Pesquisa Brasileira de Mídia 2014 - Hábitos de consumo de mídia pela população brasileira” revelar que 85% dos brasileiros nunca leem revistas, além de que apenas 0,3% tem esse tipo de publicação como mídia predileta. A pesquisa foi produzida pelo Ibope sob encomenda da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Download the Kaywa QR Code Reader (App Store &Android Market) and scan your code!

O Instituto Verificador de Circulação (IVC), órgão independente que audita a tiragem e circulação de publicações impressas, divulgou no final de março dados da análise referente à comercialização de revistas com edição digital no país ao longo do segundo semestre do ano passado. O estudo registra que houve crescimento de 5,8% no consumo no período em comparação aos seis primeiros meses de 2013. Em relação ao segundo semestre de 2012, houve aumento de 3,1%.

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

Presidente do IVC Brasil, Pedro Martins Silva destaca que o consumo de revistas digitais tende a aumentar, já que apesar do crescimento atual, o modelo ainda representa menos de 10% da circulação de revistas. “Em dezembro de 2013, as edições digitais representaram 9,2% da circulação das publicações que informaram esses dados. A tendência de ler revistas em dispositivos digitais é crescente e acreditamos que o mesmo ocorre em outros títulos”.

Por ser uma revista segmentada, oferecida a um mailing exclusivo, a VOX Otorrino não sofre com as oscilações de mercado. “Temos um conteúdo exclusivo, direcionado a um universo de interesse bastante distinto, e não estamos sujeitos aos altos e baixos do mercado editorial convencional, porém, no que diz respeito ao processo comunicacional, é mandatório ter uma versão digital da revista. Acredito, aliás, que a fidelização do leitor é mais eficiente pelo processo digital, pela facilidade de acessar o conteúdo a qualquer hora, de qualquer lugar”, afirma Eliana Antiqueira, editora-chefe da publicação. A princípio, a versão digital da VOX Otorrino estará disponível apenas no site, mas já está em estudo o desenvolvimento de aplicativo para iOS e Android.

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Digital

“O trabalho do médico nos Estados Unidos é diferente na relação com o paciente, na forma de atendimento e de trabalho no sistema público e privado” Dr. Robson Capasso

cos imigrantes que se candidataram a uma vaga de residência obtiveram sucesso contra uma taxa média de 93,9% dos médicos americanos. E as notícias que vêm de lá não são animadoras. A taxa de obtenção de residência por imigrantes deve sofrer queda nos próximos anos como resultado do aumento de escolas de medicina americanas credenciadas - e o consequente aumento de formados -, ocorrido na última década. Em contrapartida, o número de vagas para residência, a maioria subsidiada pelo Medicare, não teve alterações. Além disso, o Congresso Americano mantém praticamente congelada a verba para residência médica desde 1997. Cruzando a fronteira mais ao norte, porém, há uma ponta de esperança. Algumas províncias canadenses de língua inglesa permitem que médicos estrangeiros pratiquem medicina familiar sem a exigência de cursar novamente a residência, desde que o médico tenha feito uma pós-graduação semelhante nos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido ou Irlanda. O efeito imediato é que muitos médicos estrangeiros que chegam ao Canadá não precisam refazer a residência.

Adaptar é preciso

O choque cultural é inevitável, esteja preparado. “O trabalho do médico nos Estados Unidos é diferente na relação com o paciente, na forma de atendimento e de trabalho no sistema público e privado”, afirma Dr. Robson, no que é endossado por Dra. Daniela. “Na clínica pediátrica em que atendo são dez consultórios. Uso três ao mesmo tempo e cada atendimento tem o tempo máximo estipulado em dez minutos, o que é cumprido à regra. Quando cheguei, achei que seria impossível, mas é tudo tão organizado que funciona perfeitamente”. A relação com os colegas também é diferente. “Aqui as pessoas não te puxam para baixo, elas ficam felizes quando você se dá bem. É o pensamento de que se um sobe, todos sobem juntos”, conta a médica. “Também é importante ressaltar que existe uma hierarquia mais maleável, baseada na meritocracia. É preciso ter resultado clínico, institucional e acadêmico, os títulos não são perenes. E isso se aplica do residente ao chefe do departamento”, completa Dr. Robson.

Fique por dentro das exigências >> http://www.ecfmg.org/

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>> http://www.usmle.org/

Há, é claro, a adaptação a um novo estilo de vida. Dra. Daniela afirma que aprendeu muito trabalhando numa cidade tão multicultural como São Diego. “A população de imigrantes é muito grande, com culturas e religiões diferentes. Já atendi até mãe com burca! Realmente aprendemos a respeitar os outros”. E ser brasileiro é um ponto a favor. “Brasileiro é querido em todo lugar”, diz Dr. Robson, “e este é um diferencial cultural de peso. Basta você falar que é do Brasil que as pessoas se aproximam, querem conversar. O capital humano é maior valor do nosso país, tem que educar em todos os níveis, melhorar a qualidade da cidadania e profissional que as portas se abrem”, conclui.

Revista VOX Otorrino também em versão digital Revista Vox Otorrino digital

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Já neste número, confira o conteúdo digital exclusivo com entrevistas e links interativos

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ma tendência do mercado editorial, a publicação digital chega também à VOX Otorrino. A partir desta edição, a versão para a internet, já disponível no site da ABORL-CCF, ganha também um conteúdo complementar, com entrevistas exclusivas, links e material complementar paralelo.

Os dados são animadores para as editoras do mercado, que, no mês passado, viram a “Pesquisa Brasileira de Mídia 2014 - Hábitos de consumo de mídia pela população brasileira” revelar que 85% dos brasileiros nunca leem revistas, além de que apenas 0,3% tem esse tipo de publicação como mídia predileta. A pesquisa foi produzida pelo Ibope sob encomenda da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

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O Instituto Verificador de Circulação (IVC), órgão independente que audita a tiragem e circulação de publicações impressas, divulgou no final de março dados da análise referente à comercialização de revistas com edição digital no país ao longo do segundo semestre do ano passado. O estudo registra que houve crescimento de 5,8% no consumo no período em comparação aos seis primeiros meses de 2013. Em relação ao segundo semestre de 2012, houve aumento de 3,1%.

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Presidente do IVC Brasil, Pedro Martins Silva destaca que o consumo de revistas digitais tende a aumentar, já que apesar do crescimento atual, o modelo ainda representa menos de 10% da circulação de revistas. “Em dezembro de 2013, as edições digitais representaram 9,2% da circulação das publicações que informaram esses dados. A tendência de ler revistas em dispositivos digitais é crescente e acreditamos que o mesmo ocorre em outros títulos”.

Por ser uma revista segmentada, oferecida a um mailing exclusivo, a VOX Otorrino não sofre com as oscilações de mercado. “Temos um conteúdo exclusivo, direcionado a um universo de interesse bastante distinto, e não estamos sujeitos aos altos e baixos do mercado editorial convencional, porém, no que diz respeito ao processo comunicacional, é mandatório ter uma versão digital da revista. Acredito, aliás, que a fidelização do leitor é mais eficiente pelo processo digital, pela facilidade de acessar o conteúdo a qualquer hora, de qualquer lugar”, afirma Eliana Antiqueira, editora-chefe da publicação. A princípio, a versão digital da VOX Otorrino estará disponível apenas no site, mas já está em estudo o desenvolvimento de aplicativo para iOS e Android.

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Perfil

Perfil

trabalhar levou essas duas gerações para a droga. Vou te dar um exemplo: na Zona da Mata, o filho do pobre ia acompanhar o pai porque não tinha com quem ficar e a mãe ia para a roça. E o pai era o soldador da usina ou o torneiro. Ele ficava olhando o pai, brincando e aprendendo o ofício dele, que era o seu único professor. Foi isso que a Suíça fez com os relojoeiros. Todo filho de relojoeiro se tornava um relojoeiro porque aprendia com o professor, que era o pai. Hoje em dia, na Zona da Mata, estão todos traficando porque esses imbecis e maus brasileiros tiraram o único professor que ele tinha e não deram outro”, vocifera.

“Se você não tiver uma segunda profissão além da medicina, você vai ficar louco. 98% dos médicos estão ‘lascados’, tomando antidepressivos. Na velhice, você não precisa de ocupação. Você precisa de empolgação!”

Já dominando algumas técnicas da marcenaria, aos 16 anos desenvolveu os instrumentos do conjunto musical de Juazeiro. Dr. Perobyre mostra com orgulho o retrato dos cem anos de da cidade, em que aparece tocando o contrabaixo que ele mesmo produziu. Aliás, ele obriga os alunos a treinar os exercícios iniciais de piano. “Se você treina as mãos como pianista, você opera melhor, garante. O passo seguinte foi entender os fundamentos da física mecânica, atividade hoje que ocupa cerca de quatro dias da semana do médico. Sexta, sábado, domingo e segunda, eu fico internado em uma oficina, brinca.

As muitas faces do Perboyre Dr. Perboyre Sampaio tem uma história ímpar. Nascido e criado no nordeste do Brasil, ele aprendeu cedo a lidar com a agricultura e o gado. Encontrou na ORL a maior beleza da medicina e na construção de uma máquina de tijolos a paixão pela física

De tijolo em tijolo

Durante a preparação para a graduação em medicina no cursinho pré-vestibular, acabou se destacando com a fîsica. E logo após a notícia de que seria o mais novo aluno da Universidade Federal de Pernambuco, foi convidado para lecionar física para alunos pré-universitários. Ele aproveitou o embalo na área acadêmica para se graduar também na matéria, mas logo deixou o ensino em cursinhos para ser o mentor de um projeto pelo qual, nas próprias palavras, é “ apaixonado”.

Por Sheila Godoi

S

abe aquela história das 1001 utilidades? Pois é. Dr. Perboyre Sampaio as tem. Todas elas. Viver só de medicina? Imagine só! Com um energia de dar inveja a muito jovenzinho, ele carrega com orgulho os ofícios da medicina, da otorrinolaringologia e da cirurgia plástica, além de flertar com a física, a mecânica, a poesia, a música, a cavalgada e até com a fabricação de vodka!

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Filho do advogado José Perboyre Sampaio Sabiá e de Lídia Lacerda Sampaio, ele já se casou duas vezes e tem três filhas: a advogada e historiadora Maria Clara, a atriz e compositora Anna Dulce e a enfermeira Soledade. E duas netas já estudam medicina. Nascido no Recife, Pernambuco, cresceu em Juazeiro do Norte, no Ceará, e hoje adotou São Paulo como seu lar.

Relembra com saudades os primeiros passos da lida na roça e os cuidados com o gado. “Quando eu adoecia, mamãe me trancava em casa para eu não ir trabalhar e eu fugia! Eu não sabia que trabalho era punição. Para mim, era alegria, diz. E é enfático ao criticar as políticas contra o trabalho infantil nos últimos anos no país. “O que o Brasil fez há duas gerações é uma sacanagem de marca maior. A estupidez de proibir as crianças de

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Cavalgar é um de seus hobbies. E agora se prepara para um percurso de 135 quilômetros.

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

Foi num fusca branco meio amassado que Dr. Perboyre viajou a São Paulo para iniciar a residência médica no

Revista VOX OTORRINO | 31


Perfil

Perfil

trabalhar levou essas duas gerações para a droga. Vou te dar um exemplo: na Zona da Mata, o filho do pobre ia acompanhar o pai porque não tinha com quem ficar e a mãe ia para a roça. E o pai era o soldador da usina ou o torneiro. Ele ficava olhando o pai, brincando e aprendendo o ofício dele, que era o seu único professor. Foi isso que a Suíça fez com os relojoeiros. Todo filho de relojoeiro se tornava um relojoeiro porque aprendia com o professor, que era o pai. Hoje em dia, na Zona da Mata, estão todos traficando porque esses imbecis e maus brasileiros tiraram o único professor que ele tinha e não deram outro”, vocifera.

“Se você não tiver uma segunda profissão além da medicina, você vai ficar louco. 98% dos médicos estão ‘lascados’, tomando antidepressivos. Na velhice, você não precisa de ocupação. Você precisa de empolgação!”

Já dominando algumas técnicas da marcenaria, aos 16 anos desenvolveu os instrumentos do conjunto musical de Juazeiro. Dr. Perobyre mostra com orgulho o retrato dos cem anos de da cidade, em que aparece tocando o contrabaixo que ele mesmo produziu. Aliás, ele obriga os alunos a treinar os exercícios iniciais de piano. “Se você treina as mãos como pianista, você opera melhor, garante. O passo seguinte foi entender os fundamentos da física mecânica, atividade hoje que ocupa cerca de quatro dias da semana do médico. Sexta, sábado, domingo e segunda, eu fico internado em uma oficina, brinca.

As muitas faces do Perboyre Dr. Perboyre Sampaio tem uma história ímpar. Nascido e criado no nordeste do Brasil, ele aprendeu cedo a lidar com a agricultura e o gado. Encontrou na ORL a maior beleza da medicina e na construção de uma máquina de tijolos a paixão pela física

De tijolo em tijolo

Durante a preparação para a graduação em medicina no cursinho pré-vestibular, acabou se destacando com a fîsica. E logo após a notícia de que seria o mais novo aluno da Universidade Federal de Pernambuco, foi convidado para lecionar física para alunos pré-universitários. Ele aproveitou o embalo na área acadêmica para se graduar também na matéria, mas logo deixou o ensino em cursinhos para ser o mentor de um projeto pelo qual, nas próprias palavras, é “ apaixonado”.

Por Sheila Godoi

S

abe aquela história das 1001 utilidades? Pois é. Dr. Perboyre Sampaio as tem. Todas elas. Viver só de medicina? Imagine só! Com um energia de dar inveja a muito jovenzinho, ele carrega com orgulho os ofícios da medicina, da otorrinolaringologia e da cirurgia plástica, além de flertar com a física, a mecânica, a poesia, a música, a cavalgada e até com a fabricação de vodka!

30 | Revista VOX OTORRINO

Filho do advogado José Perboyre Sampaio Sabiá e de Lídia Lacerda Sampaio, ele já se casou duas vezes e tem três filhas: a advogada e historiadora Maria Clara, a atriz e compositora Anna Dulce e a enfermeira Soledade. E duas netas já estudam medicina. Nascido no Recife, Pernambuco, cresceu em Juazeiro do Norte, no Ceará, e hoje adotou São Paulo como seu lar.

Relembra com saudades os primeiros passos da lida na roça e os cuidados com o gado. “Quando eu adoecia, mamãe me trancava em casa para eu não ir trabalhar e eu fugia! Eu não sabia que trabalho era punição. Para mim, era alegria, diz. E é enfático ao criticar as políticas contra o trabalho infantil nos últimos anos no país. “O que o Brasil fez há duas gerações é uma sacanagem de marca maior. A estupidez de proibir as crianças de

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Cavalgar é um de seus hobbies. E agora se prepara para um percurso de 135 quilômetros.

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Foi num fusca branco meio amassado que Dr. Perboyre viajou a São Paulo para iniciar a residência médica no

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Perfil

Título de Especialista

Prova digital em único dia é um sucesso Com apenas catorze ausências, correção em tempo recorde e 18% de reprovação, prova digital se consolida como um dos mais importantes eventos da ABORL-CCF

F No início da década de 90, o médico deu asas ao seu lado inventor e criou uma máquina de tijolos ecológicos

Hospital das Clínicas. “Eu tinha o dinheiro para a gasolina e para sobreviver durante dois dias”, diz sorrindo. As coisas foram se acertando e ele se estabeleceu na capital paulista. Concluiu o doutorado em Otorrinolaringologia pela Universidade de São Paulo em 1975 e lá mesmo ajudou a fundar um grupo de estudo na área de cirurgia plástica facial que posteriormente formaria cerca de 1600 alunos.

família em Juazeiro. E é lá que está sua segunda casa.

Com as atividades médicas em andamento, era hora de dar sequência ao projeto física. No início da década de 1990, agora oficialmente doutor, Perboyre Sampaio desenvolveu em sua oficina uma máquina para a fabricação de tijolos ecológicos. A receita é uma mistura de barro, baixa quantidade de cimento, água, prensa e descanso de cinco dias em sombra. “Estou finalizando a PQP21, a 21a máquina em 21 anos. As dez primeiras não deram certo, mas eu sou persistente”, confirma. Hoje, a produtividade é boa. Segundo o mecânico, enquanto as máquinas comuns fabricam cerca de 400 tijolos por hora, ele atinge a marca de 960. De São Paulo, as máquinas seguem para a fábrica de tijolos da

“A otorrinolaringologia é a coisa mais bela na medicina. Todos os sentidos estão aqui.”

32 | Revista VOX OTORRINO

Ele diz que a cirurgia é sua prioridade, mas sempre que pode vai à terrinha para relembrar a infância. E, para os próximos meses, planeja uma imersão completa no universo sertanejo com uma cavalgada de 135 quilômetros na companhia de parentes e amigos.

Letras

“O líder nasce pronto? Eu quero saber que diabo é esse cara chamado líder!” Foi com essa interrogação e decisão na mente que ele fundou um seminário sobre liderança, convidando as melhores cabeças da USP e de outros países para aprofundar esse conhecimento. Daí, extraiu o seu primeiro livro não-médico Felicidade: medicamento controlado para a alma. Entre os capítulos desse assunto, ele introduziu

poemas, que acredita ser o melhor remédio para as dores da alma. O tempo diário para a leitura – diga-se de passagem – é quase sagrado. Entre os autores favoritos, estão: Menotti Del Picchia e Guimarães Rosa. “Eu escrevo desde criança e leio poesia porque me acalma. Minha loucura é harmonizada com literatura.” A rotina que não chega a ser bem uma rotina é cheia e a hora de dormir... Bem, para ele, dormir não é viver, é ensaiar a morte. Bastante ativo, o médico de tantas faces quer aproveitar o dia ao máximo e reserva cerca de cinco horas para o descanso. Não que fosse sua vontade gastar tanto tempo dormindo... Mas o corpo pede, não é?, satiriza. Louco como ele próprio diz ou não, Dr. Perboyre Sampaio é muito divertido. Não quer passar nem perto da tristeza ou da ociosidade e não suporta que pronunciem a palavra difícil na sua presença quem o conhece, sem dúvidas já ouviu um belo xingamento ao soltar a palavra proibida. E ele encerra a entrevista com uma pergunta e uma resposta próprias: “Como eu me defino? Um sonhador!.”

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

oram três anos de preparação e mais de dez reuniões com a empresa de software para chegar ao formato final da prova digital do Título de Especialista. A comissão do Título de Especialista, com mais de 30 anos, o apoio da diretoria e o empenho dos funcionários da associação foram fundamentais para o sucesso da prova.

poucos equipamentos que acusaram defeito foram trocados para não prejudicar a execução da prova prática. A realização da prova contou com uma organização britânica. A prova teórica, pela manhã, começou rigorosamente no horário. À tarde, a prova prática começou 15 minutos antes.

Como a ABORL-CCF ofereceu o almoço aos candidatos dentro da própria Fecomércio, os candidatos não precisaram se deslocar, o que agilizou o processo. A comissão, atenta ao andamento das atividades, percebeu que os candidatos já estavam prontos para a segunda etapa e decidiu adiantá-la.

Com 293 candidatos, o maior número já registrado até agora, e apenas catorze ausências, os candidatos já saíram da prova com o gabarito em mãos. A comissão, por sua vez, promoveu a correção em tempo recorde: menos de dez dias. No modelo anterior, a média para a divulgação era de um mês. Além disso, as provas foram corrigidas por especialistas de cada área. O edital com os aprovados do Tìtulo de Especialista já está disponível no site da ABORL-CCF. Foram registrados 18% de reprovações. A sede da Federação do Comércio de São Paulo recebe novamente os candidatos ao Título de Especialista. A sala de exames, com cerca de 300 computadores, foi toda climatizada para garantir o perfeito funcionamento dos equipamentos, e uma equipe de apoio, com cerca de trinta pessoas, esteve a postos durante todo o dia. Caso algum computador desse problema, o candidato era imediatamente conduzido a um aparelho reserva, sem prejuízo ao seu desempenho. Durante o intervalo de almoço, os

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Baias individuais: tranquilidade e privacidade para os candidatos

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Título de Especialista

Prova digital em único dia é um sucesso Com apenas catorze ausências, correção em tempo recorde e 18% de reprovação, prova digital se consolida como um dos mais importantes eventos da ABORL-CCF

F No início da década de 90, o médico deu asas ao seu lado inventor e criou uma máquina de tijolos ecológicos

Hospital das Clínicas. “Eu tinha o dinheiro para a gasolina e para sobreviver durante dois dias”, diz sorrindo. As coisas foram se acertando e ele se estabeleceu na capital paulista. Concluiu o doutorado em Otorrinolaringologia pela Universidade de São Paulo em 1975 e lá mesmo ajudou a fundar um grupo de estudo na área de cirurgia plástica facial que posteriormente formaria cerca de 1600 alunos.

família em Juazeiro. E é lá que está sua segunda casa.

Com as atividades médicas em andamento, era hora de dar sequência ao projeto física. No início da década de 1990, agora oficialmente doutor, Perboyre Sampaio desenvolveu em sua oficina uma máquina para a fabricação de tijolos ecológicos. A receita é uma mistura de barro, baixa quantidade de cimento, água, prensa e descanso de cinco dias em sombra. “Estou finalizando a PQP21, a 21a máquina em 21 anos. As dez primeiras não deram certo, mas eu sou persistente”, confirma. Hoje, a produtividade é boa. Segundo o mecânico, enquanto as máquinas comuns fabricam cerca de 400 tijolos por hora, ele atinge a marca de 960. De São Paulo, as máquinas seguem para a fábrica de tijolos da

“A otorrinolaringologia é a coisa mais bela na medicina. Todos os sentidos estão aqui.”

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Ele diz que a cirurgia é sua prioridade, mas sempre que pode vai à terrinha para relembrar a infância. E, para os próximos meses, planeja uma imersão completa no universo sertanejo com uma cavalgada de 135 quilômetros na companhia de parentes e amigos.

Letras

“O líder nasce pronto? Eu quero saber que diabo é esse cara chamado líder!” Foi com essa interrogação e decisão na mente que ele fundou um seminário sobre liderança, convidando as melhores cabeças da USP e de outros países para aprofundar esse conhecimento. Daí, extraiu o seu primeiro livro não-médico Felicidade: medicamento controlado para a alma. Entre os capítulos desse assunto, ele introduziu

poemas, que acredita ser o melhor remédio para as dores da alma. O tempo diário para a leitura – diga-se de passagem – é quase sagrado. Entre os autores favoritos, estão: Menotti Del Picchia e Guimarães Rosa. “Eu escrevo desde criança e leio poesia porque me acalma. Minha loucura é harmonizada com literatura.” A rotina que não chega a ser bem uma rotina é cheia e a hora de dormir... Bem, para ele, dormir não é viver, é ensaiar a morte. Bastante ativo, o médico de tantas faces quer aproveitar o dia ao máximo e reserva cerca de cinco horas para o descanso. Não que fosse sua vontade gastar tanto tempo dormindo... Mas o corpo pede, não é?, satiriza. Louco como ele próprio diz ou não, Dr. Perboyre Sampaio é muito divertido. Não quer passar nem perto da tristeza ou da ociosidade e não suporta que pronunciem a palavra difícil na sua presença quem o conhece, sem dúvidas já ouviu um belo xingamento ao soltar a palavra proibida. E ele encerra a entrevista com uma pergunta e uma resposta próprias: “Como eu me defino? Um sonhador!.”

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oram três anos de preparação e mais de dez reuniões com a empresa de software para chegar ao formato final da prova digital do Título de Especialista. A comissão do Título de Especialista, com mais de 30 anos, o apoio da diretoria e o empenho dos funcionários da associação foram fundamentais para o sucesso da prova.

poucos equipamentos que acusaram defeito foram trocados para não prejudicar a execução da prova prática. A realização da prova contou com uma organização britânica. A prova teórica, pela manhã, começou rigorosamente no horário. À tarde, a prova prática começou 15 minutos antes.

Como a ABORL-CCF ofereceu o almoço aos candidatos dentro da própria Fecomércio, os candidatos não precisaram se deslocar, o que agilizou o processo. A comissão, atenta ao andamento das atividades, percebeu que os candidatos já estavam prontos para a segunda etapa e decidiu adiantá-la.

Com 293 candidatos, o maior número já registrado até agora, e apenas catorze ausências, os candidatos já saíram da prova com o gabarito em mãos. A comissão, por sua vez, promoveu a correção em tempo recorde: menos de dez dias. No modelo anterior, a média para a divulgação era de um mês. Além disso, as provas foram corrigidas por especialistas de cada área. O edital com os aprovados do Tìtulo de Especialista já está disponível no site da ABORL-CCF. Foram registrados 18% de reprovações. A sede da Federação do Comércio de São Paulo recebe novamente os candidatos ao Título de Especialista. A sala de exames, com cerca de 300 computadores, foi toda climatizada para garantir o perfeito funcionamento dos equipamentos, e uma equipe de apoio, com cerca de trinta pessoas, esteve a postos durante todo o dia. Caso algum computador desse problema, o candidato era imediatamente conduzido a um aparelho reserva, sem prejuízo ao seu desempenho. Durante o intervalo de almoço, os

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Baias individuais: tranquilidade e privacidade para os candidatos

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Título de Especialista

Tecnologia

Da realização das provas

Pela primeira vez em modelo digital, a prova do Título de Especialista em ORL foi cercada de cuidados para garantir sua perfeita realização. Os candidatos foram alocados em baias individuais, com privacidade e tranquilidade para resolver as questões propostas. A prova teórica teve início às 8h30 da manhã, com quatro horas de duração. Após a pausa para o almoço, foi apresentada a prova prática. Com cinco casos para serem avaliados por meio de vídeos e fotos, o exame teve uma hora de duração, mas, após 40 minutos, os primeiros candidatos já deixavam a sala.

Comissão do Título de Especialista: comprometimento e dedicação

“O balanço dessa primeira prova digital é o mais positivo possível. Foi uma prova moderna, ágil, direta, de manuseio simplificado. Realmente um

Veja a opinião dos candidatos:

Julia Guedes Cardoso Bisneta – Clínica de Otorrino Leonardo Fontes – João Pessoa “Achei as provas difíceis. Tem que estudar, não dá para chegar despreparado, achando que dá. Me senti pressionada com o tempo da prova prática, de uma hora. Fiquei com medo de não conseguir fazer e fiquei ansiosa, mas uma hora é o suficiente. O modelo digital é bem ágil, mas confesso que preferia ter um avaliador sentado ao meu lado, como era antes. Me sentiria mais segura!” 34 | Revista VOX OTORRINO

Ananda Rigo Nogueira – HC USP “A prova tem um conteúdo atual e acho que mede o conhecimento de forma bem eficiente. O método digital é fácil de usar e o tempo é mais do que suficiente.”

formato que veio para ficar. Claro que faremos ajustes, este é o começo de um processo, mas, sem dúvida é um upgrade no método e reflete o profissionalismo e o comprometimento da comissão que trabalhou muito para alcançarmos este resultado”, afirmou Dr. Leonardo Haddad, presidente da Comissão do Título de Especialista. Quanto ao conteúdo programático, as opiniões variaram. Muitos candidatos acharam fácil, com situações encontradas no cotidiano dos serviços de otorrinolaringologia. Outros encontraram dificuldades. Unanime foi a percepção de que é preciso estudar e se preparar para a prova. “Tem que estudar, não dá para chegar despreparado, achando que dá”, confirmou uma candidata de João Pessoa. Leonardo Haddad, Fernando Ganança e Reginaldo Fujita: aposta no modelo digital

Veja a opinião dos candidatos:

André Pereira Costa – USP Ribeirão Preto “Este modelo informatizado é muito prático. O conteúdo é condizente com o cotidiano de um serviço de otorrino, não tem surpresas para quem estudou e para quem já trabalha. Acho que é uma forma de avaliação muito abrangente e boa.”

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

Vitor Thadeu do Vale Vitorino – Santa Casa de Santos “A prova foi muito bem elaborada, as questões estavam complexas, mas não difíceis para quem estudou. Na verdade, achei até mais fácil do que esperava. Gostei deste modelo digital que permite ir e voltar nas questões, e não precisamos ficar com um monte de papel em cima da mesa. A prova ficou bem ágil e dinâmica”

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

Sylvia de Figueiredo Jacomassi – Santa Casa de Curitiba “A prova foi bem tranquila e me surpreendeu, porque achei que a mudança de modelo seria mais complicada. O conteúdo é bem complexo e exigente. Tem que estudar pra passar!”

Mariane Barreto Brandão Martins – Hospital Universitário de Sergipe “Achei o conteúdo teórico mais difícil do que o prático. Senti que em algumas questões a pergunta sugeria mais de uma resposta, fiquei com medo de ser pegadinha. Já a prova prática foi bem objetiva: ou sabe ou não sabe, não dá espaço para dúvidas.”

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Tecnologia

Da realização das provas

Pela primeira vez em modelo digital, a prova do Título de Especialista em ORL foi cercada de cuidados para garantir sua perfeita realização. Os candidatos foram alocados em baias individuais, com privacidade e tranquilidade para resolver as questões propostas. A prova teórica teve início às 8h30 da manhã, com quatro horas de duração. Após a pausa para o almoço, foi apresentada a prova prática. Com cinco casos para serem avaliados por meio de vídeos e fotos, o exame teve uma hora de duração, mas, após 40 minutos, os primeiros candidatos já deixavam a sala.

Comissão do Título de Especialista: comprometimento e dedicação

“O balanço dessa primeira prova digital é o mais positivo possível. Foi uma prova moderna, ágil, direta, de manuseio simplificado. Realmente um

Veja a opinião dos candidatos:

Julia Guedes Cardoso Bisneta – Clínica de Otorrino Leonardo Fontes – João Pessoa “Achei as provas difíceis. Tem que estudar, não dá para chegar despreparado, achando que dá. Me senti pressionada com o tempo da prova prática, de uma hora. Fiquei com medo de não conseguir fazer e fiquei ansiosa, mas uma hora é o suficiente. O modelo digital é bem ágil, mas confesso que preferia ter um avaliador sentado ao meu lado, como era antes. Me sentiria mais segura!” 34 | Revista VOX OTORRINO

Ananda Rigo Nogueira – HC USP “A prova tem um conteúdo atual e acho que mede o conhecimento de forma bem eficiente. O método digital é fácil de usar e o tempo é mais do que suficiente.”

formato que veio para ficar. Claro que faremos ajustes, este é o começo de um processo, mas, sem dúvida é um upgrade no método e reflete o profissionalismo e o comprometimento da comissão que trabalhou muito para alcançarmos este resultado”, afirmou Dr. Leonardo Haddad, presidente da Comissão do Título de Especialista. Quanto ao conteúdo programático, as opiniões variaram. Muitos candidatos acharam fácil, com situações encontradas no cotidiano dos serviços de otorrinolaringologia. Outros encontraram dificuldades. Unanime foi a percepção de que é preciso estudar e se preparar para a prova. “Tem que estudar, não dá para chegar despreparado, achando que dá”, confirmou uma candidata de João Pessoa. Leonardo Haddad, Fernando Ganança e Reginaldo Fujita: aposta no modelo digital

Veja a opinião dos candidatos:

André Pereira Costa – USP Ribeirão Preto “Este modelo informatizado é muito prático. O conteúdo é condizente com o cotidiano de um serviço de otorrino, não tem surpresas para quem estudou e para quem já trabalha. Acho que é uma forma de avaliação muito abrangente e boa.”

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Vitor Thadeu do Vale Vitorino – Santa Casa de Santos “A prova foi muito bem elaborada, as questões estavam complexas, mas não difíceis para quem estudou. Na verdade, achei até mais fácil do que esperava. Gostei deste modelo digital que permite ir e voltar nas questões, e não precisamos ficar com um monte de papel em cima da mesa. A prova ficou bem ágil e dinâmica”

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Sylvia de Figueiredo Jacomassi – Santa Casa de Curitiba “A prova foi bem tranquila e me surpreendeu, porque achei que a mudança de modelo seria mais complicada. O conteúdo é bem complexo e exigente. Tem que estudar pra passar!”

Mariane Barreto Brandão Martins – Hospital Universitário de Sergipe “Achei o conteúdo teórico mais difícil do que o prático. Senti que em algumas questões a pergunta sugeria mais de uma resposta, fiquei com medo de ser pegadinha. Já a prova prática foi bem objetiva: ou sabe ou não sabe, não dá espaço para dúvidas.”

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Tecnologia

TRATADO DE

O to R ino L aringologia e Cirurgia Cérvicofacial

Onde está o prontuário? Pela legislação brasileira, os documentos médicos já podem ser arquivados em meio digital, mas a guarda é vitalícia. Essa é a hora em que as empresas de gestão documental aparecem… Por Sheila Godoi

V

ocê sabe quanto tempo é gasto procurando documentos em uma empresa? De acordo com uma pesquisa da PricewaterhouseCoopers (PWC), o profissional pode perder até 50% do seu tempo de trabalho na busca por documentos extraviados, que não foram armazenados nos locais adequados ou que deixaram de existir. Quando se trata de documento médico, a conversa fica ainda mais séria. A regra principal é que não se descartam documentos médicos com facilidade. A legislação brasilei-

ra exige o prazo mínimo de 20 anos para preservação do prontuário em papel. Mas desde que foi aprovada a Resolução 1.821, de 23 de novembro de 2007 é permitido o armazenamento eletrônico dos documentos relativos ao atendimento de um paciente ou mesmo a digitalização dos papéis. Se armazenado em meio eletrônico, a guarda deve ser vitalícia e é preciso observar uma série de padrões estabelecidos no Nível de Garantia de Segurança 2 (NGS2), que constam no Manual de Certificação para

“Nosso diferencial é o controle da informação de forma rápida, estruturada e segura” Marcelo Araújo, diretor comercial da P3Image

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Tecnologia

TRATADO DE

O to R ino L aringologia e Cirurgia Cérvicofacial

Onde está o prontuário? Pela legislação brasileira, os documentos médicos já podem ser arquivados em meio digital, mas a guarda é vitalícia. Essa é a hora em que as empresas de gestão documental aparecem… Por Sheila Godoi

V

ocê sabe quanto tempo é gasto procurando documentos em uma empresa? De acordo com uma pesquisa da PricewaterhouseCoopers (PWC), o profissional pode perder até 50% do seu tempo de trabalho na busca por documentos extraviados, que não foram armazenados nos locais adequados ou que deixaram de existir. Quando se trata de documento médico, a conversa fica ainda mais séria. A regra principal é que não se descartam documentos médicos com facilidade. A legislação brasilei-

ra exige o prazo mínimo de 20 anos para preservação do prontuário em papel. Mas desde que foi aprovada a Resolução 1.821, de 23 de novembro de 2007 é permitido o armazenamento eletrônico dos documentos relativos ao atendimento de um paciente ou mesmo a digitalização dos papéis. Se armazenado em meio eletrônico, a guarda deve ser vitalícia e é preciso observar uma série de padrões estabelecidos no Nível de Garantia de Segurança 2 (NGS2), que constam no Manual de Certificação para

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Gauchão

Brasil e Uruguai juntos no Gauchão 2014 O congresso regional do Rio Grande do Sul acontecerá em maio, em Punta del Este, Uruguai.

“O Gauchão oferece aos médicos otorrinolaringologistas e de áreas correlatasm a oportunidade dedividir e somar conhecimentos”

Por Sheila Godoi

Dr. Marcelo Zanini, presidente da comissão executiva Brasil

Você sabia? − É obrigatória a guarda permanente de documentos médicos; − No caso de documentos trabalhistas ou previdenciários de seus funcionários, há armazenamentos mínimos específicos. É importante buscar mais informações para evitar surpresas desagradáveis;

E

− De 3% a 5% dos arquivos de uma empresa são extraviados; − A cada 12 horas, um documento é perdido em grandes organizações; − A média diária de horas gastas por funcionários procurando documentos entre os departamentos é de duas horas; − Cerca de 7,5% do tempo gasto em um microcomputador é para a procura de arquivos.

Fonte: ABGD

Sistemas de Registro Eletrônico em Saúde. O acesso pode ser feito pelo website do Conselho Federal de Medicina (CFM) ou da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS). É neste cenário que surgem as chamadas empresas de Business Process Outsourcing (BPO) de gestão documental, um mercado que está em plena expansão. Isso porque, de acordo com a Associação de Brasileira de Gestão de Documentos (ABGD), a administração de arquivos impacta significativamente na geração de custos e despesas de uma empresa.

38 | Revista VOX OTORRINO

A P3Image criou um sistema de guarda e gestão de documentos aplicável a clientes de qualquer tamanho. “Nosso diferencial é o controle da informação de forma rápida, estruturada e segura”, explica o diretor comercial Marcelo Araújo. O sistema é um portal all store, armazenada em nuvem, na qual documentos e prontuários médicos, por exemplo, ficam hospedados e podem ser acessados remotamente. Além disso, para clientes do Rio de Janeiro e São Paulo, a P3Image oferece também armazenamento físico

em galpões especialmente criados para isso. Segundo Araújo, o investimento inicial pode ser de apenas 500 reais. “Depende do volume a ser digitalizado e armazenado”. A P3Image tem capacidade para processar sete milhões de páginas por mês. “Por exemplo, a digitalização de mil prontuários leva cerca de um mês”, afirma. O mercado apresenta diversas soluções tecnológicas que facilitam o trabalho dos funcionários, otimiza o tempo e garante a segurança e o perfeito armazenamento de documentos. Não perca mais tempo.

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Serviço: 8º Gauchão de Otorrinolaringologia e 3º Conesul Data: 16 a 17 de maio Coordenação: Dr. Marcelo Zanini Local: Conrad Punta Del Este Resort e Casino / Uruguai Site: www.assogot.org.br/congresso Informações: secretariageral@plenariumcongressos.com.br plenarium@terra.com.br (51) 3311-8969 / (51) 3311-9456

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m sua oitava edição, o Gauchão, congresso regional que aborda as diferentes áreas de atuação da otorrinolaringologia e da cirurgia de cabeça e pescoço, está programado para os dias 16 e 17 de maio. E, pela primeira vez, o evento será realizado fora do Brasil. O destino é o sofisticado balneário de Punta Del Este, conhecido como a “pérola do Uruguai”. O encontro deve reunir cerca de 300 médicos otorrinolaringologistas e de especialidades correlatas. Em paralelo, será realizado o 3º Conesul, que, além do Brasil e Uruguai, também engloba Argentina, Paraguai e Chile. De acordo com Dr. Marcelo Zanini, presidente da Associação Gaúcha de Otorrinolaringologua (Assogot) e da comissão executiva no Brasil, importantes especialistas – principalmente do Brasil e Uruguai – participarão do encontro como palestrantes. “O destaque é o convidado de

honra, Dr. Aldo Stamm, conhecido de longa data pelos uruguaios e escolhido devido ao seu conhecimento e experiência na cirurgia endonasal e na cirurgia da base do crânio. Também contaremos com o colega português Dr. José Carlos Neves, atuante profissional na cidade de Coimbra e Lisboa”, informa. Uma das propostas do evento é, segundo Zanini, estimular a troca de conhecimentos científicos entre os profissionais e contou com o importante apoio de médicos nessa relação internacional, como os colegas uruguaios Rogelio Charlone, presidente da comissão executiva, Enrique Martirena, vice-presidente da comissão, e Santiago Rivero, secretário da comissão executiva. “O benefício mais importante para ambas as sociedades é o intercâmbio, tanto de conhecimentos e experiências, como na parte social”, complementou Martirena.

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Brasil e Uruguai juntos no Gauchão 2014 O congresso regional do Rio Grande do Sul acontecerá em maio, em Punta del Este, Uruguai.

“O Gauchão oferece aos médicos otorrinolaringologistas e de áreas correlatasm a oportunidade dedividir e somar conhecimentos”

Por Sheila Godoi

Dr. Marcelo Zanini, presidente da comissão executiva Brasil

Você sabia? − É obrigatória a guarda permanente de documentos médicos; − No caso de documentos trabalhistas ou previdenciários de seus funcionários, há armazenamentos mínimos específicos. É importante buscar mais informações para evitar surpresas desagradáveis;

E

− De 3% a 5% dos arquivos de uma empresa são extraviados; − A cada 12 horas, um documento é perdido em grandes organizações; − A média diária de horas gastas por funcionários procurando documentos entre os departamentos é de duas horas; − Cerca de 7,5% do tempo gasto em um microcomputador é para a procura de arquivos.

Fonte: ABGD

Sistemas de Registro Eletrônico em Saúde. O acesso pode ser feito pelo website do Conselho Federal de Medicina (CFM) ou da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS). É neste cenário que surgem as chamadas empresas de Business Process Outsourcing (BPO) de gestão documental, um mercado que está em plena expansão. Isso porque, de acordo com a Associação de Brasileira de Gestão de Documentos (ABGD), a administração de arquivos impacta significativamente na geração de custos e despesas de uma empresa.

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A P3Image criou um sistema de guarda e gestão de documentos aplicável a clientes de qualquer tamanho. “Nosso diferencial é o controle da informação de forma rápida, estruturada e segura”, explica o diretor comercial Marcelo Araújo. O sistema é um portal all store, armazenada em nuvem, na qual documentos e prontuários médicos, por exemplo, ficam hospedados e podem ser acessados remotamente. Além disso, para clientes do Rio de Janeiro e São Paulo, a P3Image oferece também armazenamento físico

em galpões especialmente criados para isso. Segundo Araújo, o investimento inicial pode ser de apenas 500 reais. “Depende do volume a ser digitalizado e armazenado”. A P3Image tem capacidade para processar sete milhões de páginas por mês. “Por exemplo, a digitalização de mil prontuários leva cerca de um mês”, afirma. O mercado apresenta diversas soluções tecnológicas que facilitam o trabalho dos funcionários, otimiza o tempo e garante a segurança e o perfeito armazenamento de documentos. Não perca mais tempo.

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Serviço: 8º Gauchão de Otorrinolaringologia e 3º Conesul Data: 16 a 17 de maio Coordenação: Dr. Marcelo Zanini Local: Conrad Punta Del Este Resort e Casino / Uruguai Site: www.assogot.org.br/congresso Informações: secretariageral@plenariumcongressos.com.br plenarium@terra.com.br (51) 3311-8969 / (51) 3311-9456

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m sua oitava edição, o Gauchão, congresso regional que aborda as diferentes áreas de atuação da otorrinolaringologia e da cirurgia de cabeça e pescoço, está programado para os dias 16 e 17 de maio. E, pela primeira vez, o evento será realizado fora do Brasil. O destino é o sofisticado balneário de Punta Del Este, conhecido como a “pérola do Uruguai”. O encontro deve reunir cerca de 300 médicos otorrinolaringologistas e de especialidades correlatas. Em paralelo, será realizado o 3º Conesul, que, além do Brasil e Uruguai, também engloba Argentina, Paraguai e Chile. De acordo com Dr. Marcelo Zanini, presidente da Associação Gaúcha de Otorrinolaringologua (Assogot) e da comissão executiva no Brasil, importantes especialistas – principalmente do Brasil e Uruguai – participarão do encontro como palestrantes. “O destaque é o convidado de

honra, Dr. Aldo Stamm, conhecido de longa data pelos uruguaios e escolhido devido ao seu conhecimento e experiência na cirurgia endonasal e na cirurgia da base do crânio. Também contaremos com o colega português Dr. José Carlos Neves, atuante profissional na cidade de Coimbra e Lisboa”, informa. Uma das propostas do evento é, segundo Zanini, estimular a troca de conhecimentos científicos entre os profissionais e contou com o importante apoio de médicos nessa relação internacional, como os colegas uruguaios Rogelio Charlone, presidente da comissão executiva, Enrique Martirena, vice-presidente da comissão, e Santiago Rivero, secretário da comissão executiva. “O benefício mais importante para ambas as sociedades é o intercâmbio, tanto de conhecimentos e experiências, como na parte social”, complementou Martirena.

Revista VOX OTORRINO | 39


Cariocão

Notícias ORL

Búzios recebe otorrinos em maio

3º Congresso On-Line repete seu êxito 230 inscritos participaram do congresso virtual que trouxe convidados internacionais, discussão de casos e debates.

Em maio acontece o VII Congresso da Sociedade de Otorrinolaringologia do Estado do Rio de Janeiro – Cariocão 2014

A

paradisíaca cidade de Búzios, no litoral fluminense, será cenário do VII Cariocão, tradicional evento da Sociedade de Otorrinolaringologia do Estado do Rio de Janeiro, que, neste ano, traz uma série de novidades. Pela primeira vez, o evento terá a participação da comunidade científica de dois Estados, Minas Gerais e Espírito Santo. “Esperamos assim ampliar os laços de admiração e amizade e o intercâmbio científico que já temos cultivado com os colegas destes estados, além de proporcionar uma experiência ainda mais enriquecedora”, afirma Dr. Geraldo Augusto Gomes, presidente da Sociedade de Otorrinolaringologia do Estado do Rio de Janeiro (SORL-RJ). Outra novidade é a presença de representantes da sociedade estadual de geriatria. “O envelhecimento da população brasileira nos conduz a uma interface cada vez maior com

esta especialidade. Será uma ótima oportunidade para nos inteirarmos das questões específicas da população geriátrica com quem mais entende do assunto”, explica Dr. Geraldo. A diversificada programação científica trará painéis, conferências, minicursos e palestras sobre apneia do sono, otologia, rinologia, otoneurologia, laringologia, além de um simpósio sobre infectologia e otorrinolaringologia. O Cariocão 2104 terá também a participação dos palestrantes internacionais Dr. Giorgio Peretti, diretor de otorrinolaringologia do Hospital San Martino, na Itália; Dr. Enrique Iturriaga, chefe de otorrinolaringologia do Centro Médico Caracas, Venezuela, e Dr. Robson Capasso, brasileiro, Chefe da divisão de medicina do sono da Universidade de Stanford.

Serviço: Cariocão 2014 - VIII Congresso da Sociedade de Otorrinolaringologia do Estado do Rio de Janeiro Data: 15 a 17 de maio Coordenação: Dr. Geraldo Augusto Gomes Local: Hotel Atlantico Búzios Armação dos Búzios/RJ / Brasil www.cariocao2014.com.br Informações: contato@gapcongressos.com.br (21) 2215-4476 com Antonio/Fernanda

Com o propósito de oferecer informação à distância de alto nível, o presidente de cada Academia indicou um tema, os debatedores e os convidados internacionais. Cada debate, com 1h15 de duração, contou com a troca de informação entre os debatedores da mesa e um convidado à distância. Os espectadores podiam enviar suas dúvidas que eram respondidas na hora, por ordem de chegada. Dr. Felippe Félix, presidente do 3º Congresso On-Line, comemorou o sucesso da iniciativa. “A possibilidade de oferecer ensino à distância aos associados é um benefício que precisa ser explorado, pois garante comodidade e acesso aos otorrinos das mais diversas regiões do Brasil”, diz. Ao final do congresso, foram sorteados alguns prêmios aos inscritos. Ana

Maria Faria Ferreiro de Oliveira, de São Paulo, ganhou um pacote com inscrição e hospedagem para o 44º Congresso Brasileiro; Patrícia Regina Dutra Prazeres , do Maranhão, e Andreza Mariane de Azeredo, do Rio Grande do Sul ganharam a hospedagem durante o Congresso Brasileiro; Tassia Alicia Marquezan Augusto , do Rio Grande do Sul, ganhou o Tratado de ORL, e Ronaldo Oto Balieiro, de São Paulo, o livro 1000 Perguntas em ORL. “Gostaríamos de agradecer a todos os protagonistas do evento - moderadores debatedores, equipe técnica, funcionários da ABOR e colegas da educação médica continuada - , e em especial, aos associados que se mantiveram plugados e fortemente participativos até o final da última sessão. Lembramos ainda que o conteúdo das aulas do 3º Congresso On-line segue a disposição, na integra, no site da ABORL, por um ano, a todos os inscritos”, avisa Dr. Renato Roithmann, presidente da Comissão de Educação Médica Continuada.  

Ao vivo do estúdio e à distância: congresso on-line tem modelo consagrado

Começou a 7ª edição do Curso de Iniciação à Medicina do Sono

Saiba mais sobre o Cariocão 2014 no site do evento: www.cariocao2014. com.br.

Curso teve início em 28 de março e se estende até dezembro

“Esperamos assim ampliar os laços de admiração e amizade e o intercâmbio científico que já temos cultivado com os colegas destes estados, além de proporcionar uma experiência ainda mais enriquecedora” Dr. Geraldo Augusto Gomes

40 | Revista VOX OTORRINO

F

oram três estúdios simultâneos e, em cada um deles, um debate em curso. A prestigiada fórmula do Congresso On-Line chegou à sua terceira edição com 230 inscritos de todo o Brasil.

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

A ABORL-CCF promove o 7º Curso de Iniciação à Medicina do Sono. Neste ano, a grade permanece abrangente, com profissionais de diversas especialidades, como neurologistas, pneumologistas e psiquiatras. Com carga de 200 horas, o curso proporciona formação aos otorrinos que não têm possibilidade de fazer um ano de residência médica no tema. “Esta carga deve ser complementada com outros cursos na área, como o Pré-Congresso e o próprio Congresso Brasileiro. Esta carga horária é uma exigência da AMB para que o médico possa se inscrever na prova de certificação da entidade. E mais: a partir de 2016, a AMB só aceitará no concurso de certificação candidatos que tenham feito um ano de residência médica em Medicina do Sono”, avisa Dr. Zancanella.

março / abril 2014 | www.aborlccf.org.br

Dr. Edilson e a turma do Curso de Polissonografia 2014

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Búzios recebe otorrinos em maio

3º Congresso On-Line repete seu êxito 230 inscritos participaram do congresso virtual que trouxe convidados internacionais, discussão de casos e debates.

Em maio acontece o VII Congresso da Sociedade de Otorrinolaringologia do Estado do Rio de Janeiro – Cariocão 2014

A

paradisíaca cidade de Búzios, no litoral fluminense, será cenário do VII Cariocão, tradicional evento da Sociedade de Otorrinolaringologia do Estado do Rio de Janeiro, que, neste ano, traz uma série de novidades. Pela primeira vez, o evento terá a participação da comunidade científica de dois Estados, Minas Gerais e Espírito Santo. “Esperamos assim ampliar os laços de admiração e amizade e o intercâmbio científico que já temos cultivado com os colegas destes estados, além de proporcionar uma experiência ainda mais enriquecedora”, afirma Dr. Geraldo Augusto Gomes, presidente da Sociedade de Otorrinolaringologia do Estado do Rio de Janeiro (SORL-RJ). Outra novidade é a presença de representantes da sociedade estadual de geriatria. “O envelhecimento da população brasileira nos conduz a uma interface cada vez maior com

esta especialidade. Será uma ótima oportunidade para nos inteirarmos das questões específicas da população geriátrica com quem mais entende do assunto”, explica Dr. Geraldo. A diversificada programação científica trará painéis, conferências, minicursos e palestras sobre apneia do sono, otologia, rinologia, otoneurologia, laringologia, além de um simpósio sobre infectologia e otorrinolaringologia. O Cariocão 2104 terá também a participação dos palestrantes internacionais Dr. Giorgio Peretti, diretor de otorrinolaringologia do Hospital San Martino, na Itália; Dr. Enrique Iturriaga, chefe de otorrinolaringologia do Centro Médico Caracas, Venezuela, e Dr. Robson Capasso, brasileiro, Chefe da divisão de medicina do sono da Universidade de Stanford.

Serviço: Cariocão 2014 - VIII Congresso da Sociedade de Otorrinolaringologia do Estado do Rio de Janeiro Data: 15 a 17 de maio Coordenação: Dr. Geraldo Augusto Gomes Local: Hotel Atlantico Búzios Armação dos Búzios/RJ / Brasil www.cariocao2014.com.br Informações: contato@gapcongressos.com.br (21) 2215-4476 com Antonio/Fernanda

Com o propósito de oferecer informação à distância de alto nível, o presidente de cada Academia indicou um tema, os debatedores e os convidados internacionais. Cada debate, com 1h15 de duração, contou com a troca de informação entre os debatedores da mesa e um convidado à distância. Os espectadores podiam enviar suas dúvidas que eram respondidas na hora, por ordem de chegada. Dr. Felippe Félix, presidente do 3º Congresso On-Line, comemorou o sucesso da iniciativa. “A possibilidade de oferecer ensino à distância aos associados é um benefício que precisa ser explorado, pois garante comodidade e acesso aos otorrinos das mais diversas regiões do Brasil”, diz. Ao final do congresso, foram sorteados alguns prêmios aos inscritos. Ana

Maria Faria Ferreiro de Oliveira, de São Paulo, ganhou um pacote com inscrição e hospedagem para o 44º Congresso Brasileiro; Patrícia Regina Dutra Prazeres , do Maranhão, e Andreza Mariane de Azeredo, do Rio Grande do Sul ganharam a hospedagem durante o Congresso Brasileiro; Tassia Alicia Marquezan Augusto , do Rio Grande do Sul, ganhou o Tratado de ORL, e Ronaldo Oto Balieiro, de São Paulo, o livro 1000 Perguntas em ORL. “Gostaríamos de agradecer a todos os protagonistas do evento - moderadores debatedores, equipe técnica, funcionários da ABOR e colegas da educação médica continuada - , e em especial, aos associados que se mantiveram plugados e fortemente participativos até o final da última sessão. Lembramos ainda que o conteúdo das aulas do 3º Congresso On-line segue a disposição, na integra, no site da ABORL, por um ano, a todos os inscritos”, avisa Dr. Renato Roithmann, presidente da Comissão de Educação Médica Continuada.  

Ao vivo do estúdio e à distância: congresso on-line tem modelo consagrado

Começou a 7ª edição do Curso de Iniciação à Medicina do Sono

Saiba mais sobre o Cariocão 2014 no site do evento: www.cariocao2014. com.br.

Curso teve início em 28 de março e se estende até dezembro

“Esperamos assim ampliar os laços de admiração e amizade e o intercâmbio científico que já temos cultivado com os colegas destes estados, além de proporcionar uma experiência ainda mais enriquecedora” Dr. Geraldo Augusto Gomes

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oram três estúdios simultâneos e, em cada um deles, um debate em curso. A prestigiada fórmula do Congresso On-Line chegou à sua terceira edição com 230 inscritos de todo o Brasil.

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A ABORL-CCF promove o 7º Curso de Iniciação à Medicina do Sono. Neste ano, a grade permanece abrangente, com profissionais de diversas especialidades, como neurologistas, pneumologistas e psiquiatras. Com carga de 200 horas, o curso proporciona formação aos otorrinos que não têm possibilidade de fazer um ano de residência médica no tema. “Esta carga deve ser complementada com outros cursos na área, como o Pré-Congresso e o próprio Congresso Brasileiro. Esta carga horária é uma exigência da AMB para que o médico possa se inscrever na prova de certificação da entidade. E mais: a partir de 2016, a AMB só aceitará no concurso de certificação candidatos que tenham feito um ano de residência médica em Medicina do Sono”, avisa Dr. Zancanella.

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HumORL

Um marido atento ‘Cês sabem daquele problema de citar a fonte, não? Pois o nosso “ghost writer” não quer aparecer. Se não citarmos, o público perde a oportunidade de conhecer uma figura ímpar na ORL brasileira, se citarmos dá cadeia. Não tô a fim de ir para a Papuda. Vai sem seu nome. José Seligman

É

muito comum, dentre nossos pacientes portadores de crises vertiginosas, a expectativa de se curarem apenas com o uso de medicamentos maravilhosos. Mesmo frustrados com a precariedade dos resultados, tendem a desdenhar todas as demais medidas complementares, sem as quais a cura definitivamente não ocorre. Muitas situações têm solução apenas com tais medidas, mesmo sem o uso de

42 | Revista VOX OTORRINO

um único medicamento. Trata-se da vulgarmente denominada “labirintite”. Era esta a situação de uma paciente que atendi recentemente. Mulher bonita, cinquentona, elegante e sempre acompanhada pelo marido. Este, tranquilo e acomodado, assistia bem-humorado às queixas da esposa e minhas ponderações: — A senhora não precisa de nenhum medicamento: vai fazer trabalhos de re-

abilitação vestibular, conforme foi recomendado e uma dieta rigorosa. Há um modo muito prático e eficiente: fica proibido tudo o que começa com a letra “C”. Então trate de eliminar café, coca-cola, chás escuros, chocolate. Não vou falar em cigarro e cerveja, pois a senhora já me disse que não fuma nem bebe. Foi aí que o maridão entrou em cena: — Doutor, por favor, sexo é com “C” ou com “S”?

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Um marido atento ‘Cês sabem daquele problema de citar a fonte, não? Pois o nosso “ghost writer” não quer aparecer. Se não citarmos, o público perde a oportunidade de conhecer uma figura ímpar na ORL brasileira, se citarmos dá cadeia. Não tô a fim de ir para a Papuda. Vai sem seu nome. José Seligman

É

muito comum, dentre nossos pacientes portadores de crises vertiginosas, a expectativa de se curarem apenas com o uso de medicamentos maravilhosos. Mesmo frustrados com a precariedade dos resultados, tendem a desdenhar todas as demais medidas complementares, sem as quais a cura definitivamente não ocorre. Muitas situações têm solução apenas com tais medidas, mesmo sem o uso de

42 | Revista VOX OTORRINO

um único medicamento. Trata-se da vulgarmente denominada “labirintite”. Era esta a situação de uma paciente que atendi recentemente. Mulher bonita, cinquentona, elegante e sempre acompanhada pelo marido. Este, tranquilo e acomodado, assistia bem-humorado às queixas da esposa e minhas ponderações: — A senhora não precisa de nenhum medicamento: vai fazer trabalhos de re-

abilitação vestibular, conforme foi recomendado e uma dieta rigorosa. Há um modo muito prático e eficiente: fica proibido tudo o que começa com a letra “C”. Então trate de eliminar café, coca-cola, chás escuros, chocolate. Não vou falar em cigarro e cerveja, pois a senhora já me disse que não fuma nem bebe. Foi aí que o maridão entrou em cena: — Doutor, por favor, sexo é com “C” ou com “S”?

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Revista Vox Otorrino - Nº 140  

Março/Abril 2014

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