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Edição 170 | Ano XXIV | www.aborlccf.org.br

Gestão e carreira Relacionamento médico-paciente: qual a importância para o sucesso do diagnóstico e tratamento?

Combined Meeting Hands On: Atividades dinâmicas são destaque na programação do evento

Pacotização, telemedicina, invasão da especialidade... Como a ABORL-CCF se posiciona diante desses desafios.

Páginas Azuis: Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, concede entrevista exclusiva para a Vox Otorrino


Mensagem do

PRESIDENTE Divulgação ABORL-CCF

Luiz Ubirajara Sennes

O

segundo bimestre de 2019 chegou, e com ele algumas das atividades mais esperadas da ABORL-CCF. A Prova de Título de Especialista, com um número recorde de 354 candidatos inscritos, encabeça a entrada oficial de novos colegas para a especialidade. Reforçamos nosso compromisso com a qualidade do Exame, que é responsável por avaliar os profissionais que finalizam a residência médica e, consequentemente, os serviços que os formaram. Estamos às vésperas do IV Combined Meeting e os preparativos tomam reta final. A programação conta com palestrantes escolhidos para trazer temas atualizados e aprofundados para cada supra especialidade. Além disso, teremos os cursos Hands On de Rinologia e Plástica, que reúnem técnicas e atividades inovadoras para profissionais nas diversas etapas da carreira e da formação.

Ainda falando em eventos, o 49º Congresso Brasileiro da ABORL-CCF já tem programação preliminar definida. Vale a pena conferir e efetuar sua inscrição! Esse ano a maior novidade será a gravação e disponibilização de todas as aulas para os congressistas, possibilitando o acesso a todo o seu conteúdo, evitando assim a angústia de estar perdendo alguma das sessões de interesse por estar em outra atividade concomitante. Por fim, gostaria de destacar a atuação da ABORL-CCF frente às importantes demandas da defesa profissional. Nossa prioridade tem sido a defesa da especialidade! Preparamos uma reportagem sobre todas as nossas ações e estamos abertos para ouvir sugestões e ideias sobre qualquer tema ou situação. Seguimos trabalhando na defesa da especialidade e em tudo aquilo que possa contribuir para atuação profissional dos colegas otorrinos. Um abraço!

Diretoria 2019 Presidente Dr. Luiz Ubirajara Sennes - São Paulo (SP) Primeiro Vice-Presidente Dr. Geraldo Druck Sant”Anna - Porto Alegre (RS) Segundo Vice-Presidente Dr. Eduardo Baptistella - Curitiba/PR Diretor-Secretário Dr. Ronaldo Frizzarini - São Paulo (SP) Diretora-Tesoureira Dra. Renata Dutra de Moricz - São Paulo (SP)

Diretor-Secretário Adjunto Dr. Eduardo Macoto Kosugi - São Paulo (SP) Diretor-Tesoureiro Adjunto Dr. Joel Lavinsky - Porto Alegre/RS

PRESIDENTES DOS COMITÊS Comitê de Eventos e Cursos Dr. Vitor Guo Chen - São Paulo (SP) Comitê de Comunicação Dr. Ricardo Landini Lutaif Dolci - São Paulo (SP)

Comitê de Educação Médica Continuada Dra. Roberta Boeck Noer Pilla - São Paulo (SP) Comitê de Ética e Disciplina Dr. Roberto Campos Meirelles - Rio de Janeiro Comitê de Residência e Treinamento Dr. Ali Mahmoud - São Paulo - SP Comitê de Título de Especialista Dr. Rodolfo Alexander Scalia - São Paulo Comitê de Defesa Profissional Dr. Casimiro Villela Junqueira Filho - Rio de Janeiro Comitê de Planejamento Estratégico Dr. Jose Eduardo Lutaif Dolci - São Paulo


5 Carta ao leitor 6 Páginas azuis: Ministro da Saúde concede entrevista exclusiva à Vox Otorrino 10 Congresso Brasileiro: Muitas novidades sendo programadas para o evento 14 Combined: Hands On: Atividades dinâmicas são destaque na programação do evento 16 Conduta médica: Responsabilidade e ética decorrente do prontuário do paciente 18 Capa: Defesa Profissional: Como a ABORL-CCF se posiciona diante desses desafios.

24 Gestão e carreira: Relação médico-paciente 26 ABORL-CCF em ação: Comissão de História da ORL 28 Vox News: Prova de título de especialista 32 Conquistas ABORL-CCF: Brazilian Journal of Otorhinolaryngology digital 34 O que diz a lei: Guarda, armazenamento e manuseio do prontuário do paciente 36 Educação Médica Continuada: Cirurgia Endoscópica Nasossinusal 38 Internacional: Joint Meeting será realizado durante o 50º Congresso Brasileiro 40 Qualidade de vida: Médica criará associação para divulgar síndrome rara 42 Imagem destaque


EXPEDIENTE ABORL-CCF

CARTA AO

LEITOR Trabalho e consolidação

Dr. Ricardo Landini Lutaif Dolci Presidente do Comitê de Comunicações

VOX Otorrino Presidente: Dr. Luiz Ubirajara Sennes

Comitê de Comunicações:

Ricardo Landini Lutaif Dolci Alexandre Beraldo Ordones Andre Alcantara Csordas Davi Knoll Ribeiro Edson Ibraim Mitre Fabrizio Ricci Romano Hormy Biavatti Soares Ingrid Helena Lopes de Oliveira Luiz Fernando Manzoni Lourençone

Assistente de Comunicação da ABORL-CCF: Aline Pereira Cabral

Conteúdo jornalístico:

ADCom Comunicação Empresarial

Jornalista responsável: Renato Gutierrez

Revisão: Alberto M. Danon

Reportagens:

Cibele Felix Val Veríssimo Carolina Mattos Zanda

Fotos:

Divulgação ABORL-CCF e arquivo pessoal

Diagramação:

Ronaldo Lopes Tesser Leandro Galha Sgobbi

Produção:

Eskenazi Indústria Gráfica Fone: (11) 3531-7900

Periodicidade: Bimestral

Tiragem:

6.500 exemplares

A

edição 170 da Vox Otorrino chega com muitas novidades, assim como o ano de 2019, e, seguindo o planejamento da ABORL-CCF, nossa capa destaca “Defesa Profissional”, esmiuçando o trabalho que a Associação vem fazendo em relação à pacotização, telemedicina, invasão da especialidade, entre outras ações institucionais. O melhor disso tudo é que os resultados atingidos são satisfatórios para nós, otorrinolaringologistas. Trata-se de uma conquista e tanto! Nas páginas azuis, trazemos uma entrevista especial com o Ministro da Saúde, Dr. Luiz Henrique Mandetta, que aborda temas como a valorização dos profissionais na Saúde Pública, as prioridades estabelecidas para a atual gestão do Ministério da Saúde, as ações que deverão causar maior impacto na Saúde à população, a reposição de profissionais no Programa Mais Médicos, entre outras questões de extrema relevância. Outro assunto abordado nesta edição são os eventos promovidos pela ABORL-CCF no ano 2019, entre eles o 49º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia, a ser realizado em Brasília. Para tal, conversamos com o Presidente de Honra do evento, Dr. Carlos A. Oliveira, com a Presidente da AORL-DF, Dra. Luciana Miwa e com o Presidente da Academia Brasileira de Rinologia, Dr. Márcio Nakanishi. Já o Dr. Geraldo Druck Santa’Anna e o Dr. Sady Selaimen falam sobre o Joined Meeting American Academy, que ocorrerá junto ao 50º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia, a ser realizado na cidade de São Paulo, em 2020. Essa parceria trará muitos convidados internacionais, engrandecendo ainda mais o nosso Congresso. Seguindo ainda na linha dos eventos, em maio de 2019 a ABORL-CCF promove na cidade de São Paulo o IV Combined Meeting, com temas específicos e a realização de Hands On. Leia sobre essa matéria e faça a sua inscrição, você não pode perder essa oportunidade! Por fim, a coordenadora do Brazilian Journal Otorhinolaryngology, Dra. Shirley Pignatari, fala sobre o magnífico trabalho que vem sendo realizado nos últimos anos na BJORL. Hoje podemos dizer, com orgulho, que nossa revista científica está entre as maiores do mundo. Parabéns aos envolvidos, pois essa notícia merece ser comemorada todos os dias. Boa leitura a todos os associados, queremos estar cada vez mais perto e trazer a cada um de vocês todas as benfeitorias que são realizadas pela nossa Associação e, acima de tudo, diminuir a distância. Ricardo Landini Lutaif Dolci Espaço do leitor

Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da ABORL-CCF.

Sugestões de pauta, críticas ou elogios? Fale conosco: comunicacao@aborlccf.org.br (11) 95266-1614


PÁGINAS AZUIS

MINISTRO DA SAÚDE CONCEDE ENTREVISTA EXCLUSIVA

À VOX OTORRINO Luiz Henrique Mandetta fala sobre os desafios da Saúde no Brasil; como será a relação com as associações médicas, operadoras de planos de saúde e instituições de ensino da medicina; entre outros temas de relevância ligados aos profissionais e à área

Renato Gutierrez

Nomeado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, Mandetta tem a missão de promover a saúde para todos os brasileiros, melhorando a qualidade de vida da população. Médico e ex-secretário de Saúde de Campo Grande (MS), de 2005 a 2010, o Ministro já exerceu dois mandatos como deputado federal pelo Mato Grosso do Sul (2011 e 2018) Confira, a seguir, a entrevista exclusiva concedida para a VOX Otorrino Fotos: Erasmo Salomão

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VOX: Quais são as prioridades para atual gestão no Ministério da Saúde? Luiz Henrique Mandetta: Hoje o maior problema que enfrentamos é a falta de informação, a falta de uma gestão minimamente informatizada dos serviços de saúde e de um prontuário eletrônico do paciente que nos permita integrar nacionalmente o controle das ações, tornando o atendimento mais eficiente. A partir de informações, conseguiremos sistematizá-las, planejar e construir uma gestão baseada em indicadores e organizar a rede de assistência de acordo com as necessidades da população, desde Atenção Básica à Média e Alta Complexidade. Quem não tem informação, não consegue gerir bem. Por isso, a informatização dos serviços é prioridade. Outra prioridade é a reestruturação da Atenção Básica, com foco na promoção da saúde e prevenção de doenças, ou seja, não apenas tratar a doença, mas impedir o surgimento ou agravamento dela. Para dar a devida atenção a esta área, estamos nos organizando administrativamente. É na Atenção Básica que é possível resolver até 80% dos problemas de saúde da população. Também precisamos reestruturar o atendimento hospitalar. A rede está totalmente mal calibrada e o que restam são imagens chocantes da urgência brasileira. Ainda em janeiro, começamos uma ação integrada nos hospitais federais do Rio de Janeiro, de responsabilidade da União, para identificar os principais gargalos, traçar um planejamento e agir para melhoria da gestão e do atendimento em saúde. Queremos dar o exemplo para, então, cobrar melhores práticas e resultados das instituições de saúde administradas por estados e municípios. Não podemos esquecer também que o índice de vacinação no país está perigosamente baixo e, por isso, precisamos urgentemente ampliar a imunização contra doenças que já haviam sido eliminadas ou erradicadas, mas que voltaram a circular no país, como o sarampo. Propus um novo pacto sobre vacinação aos secretários estaduais e municipais de saúde na primeira reunião deste ano da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em fevereiro, porque, enquanto todos os estados não tiverem com níveis elevados de vacinação, os caminhos estarão abertos para a disseminação do vírus.

“Queremos dar o exemplo para, então, cobrar melhores práticas e resultados das instituições de saúde administradas por estados e municípios.” Luiz Henrique Mandetta

VOX: Há algum projeto por parte do Governo Federal em relação à valorização dos profissionais na Saúde Pública? LHM: Esse é um governo com muita vontade de acertar em saúde e aberto ao diálogo. Queremos reaproximar e reconstruir pontes no Ministério da Saúde com a medicina, que está muito afastada, com associações médicas brasileiras, profissionais e conselhos de farmácia, enfermagem, psicólogos, equipe de nutrição, assistência social, fisioterapia, terapia ocupacional, otorrinolaringologia, entre tantas outras especialidades. Em breve, a proposta é trazer também para dentro do Ministério da Saúde a educação física, o esporte comunitário no âmbito da política contra a obesidade, hipertensão e doenças cardiovasculares, que são as principais causas de morte no país. Inclusive, já iniciamos o debate com alguns conselhos profissionais para propor a estas categorias que participem da construção coletiva de políticas públicas de saúde. Acredito que a construção de um SUS melhor para profissionais de saúde e usuários precisa ser coletiva, com todos, em suas áreas de atuação, entendendo o que podemos fazer e onde devemos avançar.

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PÁGINAS AZUIS

“Queremos reaproximar e reconstruir pontes no Ministério da Saúde com a medicina, que está muito afastada, com associações médicas brasileiras, profissionais e conselhos.” Luiz Henrique Mandetta VOX: Como o governo avalia a reposição de profissionais no Programa Mais Médicos? LHM: O programa Mais Médicos tinha um problema de princípio no que se refere à forma de contratação dos profissionais de saúde de Cuba. O resultado disso são cerca de dois mil médicos cubanos vítimas dessa importação, que hoje estão errantes dentro do país, em situação de apelo humanitário. Em fevereiro deste ano, conseguimos preencher todas essas 8.517 vagas deixadas pelos médicos cubanos apenas com brasileiros formados no país, cerca de 7 mil, e os demais brasileiros formados no exterior. Agora, o Mais Médicos precisa ser devidamente analisado, auditado e passar por um diagnóstico profundo no que diz respeito à distribuição de vagas. Temos cidades com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) altíssimo, com faculdades de medicina, sem área de exclusão e a uma hora da capital do estado com 100% da Atenção Básica provida pelo Mais Médicos, enquanto cidades com população mais carente não tem nenhum. A primeira cidade a ser escolhida pelos médicos quando os cubanos saíram foi Brasília, a capital do país. Precisamos rever essa distribuição.

VOX: Como será a relação entre o Ministério da Saúde e as Operadoras de Planos de Saúde? LHM: A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), vinculada ao Ministério da Saúde, é a agência reguladora do setor de planos de saúde no Brasil. A orientação para os trabalhos da ANS é de que a agência trabalhe vislumbrando que queremos um sistema privado também forte, mais solidário e com menos queixas dos nossos consumidores. E, ainda, com mais apelo às pessoas de terceira idade, que hoje têm muita dificuldade de acesso e trânsito dentro do sistema suplementar. Entendo que há muito espaço para melhorias e eu vou estar muito presente nesse debate, junto à sociedade brasileira, para que a ANS cumpra sua tarefa de regular o setor suplementar de forma transparente e efetiva, para garantir os produtos adequados aos consumidores. A missão do Ministério da Saúde, incluindo a ANS, sempre será a ampliação do acesso e qualidade dos serviços de saúde, públicos e, também, privados.

“Entendo que há muito espaço para melhorias e eu vou estar presente nesse debate, junto à sociedade brasileira, para que a ANS cumpra sua tarefa de regular o setor suplementar de forma transparente e efetiva.” Luiz Henrique Mandetta 8 | VOX Otorrino


“Medicina não se ensina por atacado. Aprende-se observando o comportamento dos mestres, lendo muitos livros, por repetição, e jamais, em hipótese alguma, aceitando verdades absolutas.” Luiz Henrique Mandetta

VOX: Qual a posição do Ministério da Saúde em relação à quantidade de faculdades de medicina no país? Não há um excesso de instituições abrindo cursos de forma aleatória e formando profissionais com baixa capacitação técnica? LHM: É fundamental a sustentabilidade da política de formação médica no país por meio do ensino de qualidade. Medicina não se ensina por atacado. Aprende-se observando o comportamento dos mestres, lendo muitos livros, por repetição, e jamais, em hipótese alguma, aceitando verdades absolutas. Nós precisamos questionar tudo e estarmos amparados no que a ciência diz. Essa formação é fundamental para o bom exercício da medicina. O que vimos ao longo dos anos foi um número recorde de faculdades abertas no país, muitas vezes, sem a estrutura necessária para oferta de um ensino de qualidade. De 2003 a 2018 foram criados mais de 178 novos cursos de medicina no país. O Ministério da Educação já está discutindo a reorientação da formação médica no Brasil, juntamente com o Conselho Federal de Medicina e associações médicas. E no que compete ao Ministério da Saúde também participamos dessas discussões para zelar pela boa formação médica.

VOX: O plano de carreira médica está entre os temas a serem colocados em prática no atual governo? LHM: O nosso país é assimétrico pelas dimensões continentais e precisamos considerar essa diversidade do território brasileiro, de Norte a Sul, na perspectiva dos 5.570 municípios. Já iniciamos uma discussão junto com entidades e associações médicas para uma proposta no âmbito da Atenção Primária, sobretudo, em áreas de difícil provimento, como alternativa para a fixação de profissionais nessas áreas.

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BRASILEIRO

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º CONGRESSO BRASILEIRO

MUITAS NOVIDADES ESTÃO SENDO PROGRAMADAS PARA OS PARTICIPANTES DO MAIOR ENCONTRO DA OTORRINOLARINGOLOGIA BRASILEIRA Val Veríssimo

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Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), um dos maiores e mais modernos espaços para eventos do país, será o palco do 49º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, de 30 de outubro a 2 de novembro. Além de todo o suporte disponibilizado pelo local, Brasília dispõe do terceiro maior aeroporto do país, conta com uma grande rede hoteleira, oferece alta gastronomia e um projeto arquitetônico que salta aos olhos do visitante. Os quatro dias do encontro estão sendo preparados pelo Comitê de Eventos da ABORL-CCF e pela Comissão de Programação Científica do Congresso, que trabalham para levar aos participantes o que há de melhor e mais moderno em infraestrutura, bem como as mais recentes

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atualizações e os temas de maior relevância na especialidade. “Além da grade científica, temos o objetivo de promover discussões sobre temas pertinentes às condições adequadas para os Otorrinolaringologistas exercerem a sua profissão, o que inclui a preocupação com a qualidade de atendimento de uma forma geral, tanto no âmbito privado quanto de saúde pública”, declara a presidente da Associação de Otorrinolaringologia do Distrito Federal, (AORLDF), Dra. Luciana Miwa. Uma das grandes novidades do evento para este ano será a parceria entre ABORL-CCF e Academia Brasileira de Rinologia (ABR), que traz pela primeira vez ao Brasil o 12º Simpósio Internacional sobre Avanços Recentes em Rinossinusites e Pyllpos Nasais (ISRNP), que acontecerá em formato de Joint Meeting: “O pré-Congresso da Rinologia será o 12 ISRNP, que ocorrerá em conjunto com a 49ª edição do Brasileiro, um acontecimento inédito”, comenta o Presidente da Academia Brasileira de Rinologia, Dr. Marcio Nakanishi. Para o Presidente de Honra do 49º CBORL-CCF, Dr. Carlos A. Oliveira, um evento deste porte é importantíssimo para a rinologia brasileira. “Sediar pela primeira vez o Joint Meeting na América do Sul certamente nos coloca entre os melhores do mundo na especialidade”, comemora.

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BRASILEIRO

“Sediar pela primeira vez o Joint Meeting na América do Sul certamente nos coloca entre os melhores do mundo na especialidade”

“Um de nossos objetivos é promover discussões sobre temas pertinentes às condições adequadas para os Otorrinolaringologistas exercerem a sua profissão” Dra. Luciana Miwa 12 | VOX Otorrino

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Dr. Carlos A. Oliveira

O tema escolhido para o 12º Simpósio Internacional sobre recentes avanços na rinossinusite é Evidência Científica e Troca de Experiências. “A proposta é apresentar aos participantes as mais recentes pesquisas, trocar ideias e experiências clínico-cirúrgicas utilizadas para tratar rinossinusite, polipose nasal, rinites alérgicas e não alérgicas, e tumores. Além disso, serão discutidas as últimas pesquisas no campo da genética, microbiologia, medicina molecular, medicina de precisão, terapias imunológicas e, também, técnicas e equipamentos cirúrgicos. Tudo isso ocorrerá num formato que inclui palestras magnas, sessões plenárias, mesas redondas, debates e paineis”, finaliza Nakanishi.


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“Serão discutidas as últimas pesquisas no campo da genética, microbiologia, medicina molecular, medicina de precisão, terapias imunológicas e as mais recentes técnicas e equipamentos cirúrgicos” Dr. Márcio Nakanishi

O criador do Simpósio Internacional sobre Recentes Avanços em Pólipos Nasais e Rinossinusite foi o médico e professor italiano Desiderio Passali, com o intuito de discutir os últimos avanços da rinossinusite e polipose nasal. O encontro já passou por Zagreb, na Croácia; Bruxelas, na Bélgica; Moscou, na Rússia; Antalya, na Turquia; Kiev, na Ucrânia; Shimane, no Japão; Kuala Lumpur, na Malásia; Manila, nas Filipinas; Bangalore, na Índia; e Cidade do Panamá. Agora, pela primeira vez, o evento será sediado na América do Sul. VOX Otorrino | 13


COMBINED ME E TING

IV Combined Meeting

HANDS ON

atividades dinâmicas são destaque na programação do evento Val Veríssimo

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“Essa é uma oportunidade única de abordarmos temas relevantes e também aprendermos praticando, por meio dos módulos Hands On”

“Vamos explicar os conteúdos teóricos e depois colocar em prática, de modo que os participantes poderão acompanhar em tempo real” Dra. Flavia Diniz

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4ª edição do Combined Meeting promovido pela ABORL-CCF acontece de 23 a 25 de maio, na Câmara Americana do Comércio - AMCHAM Brasil, em São Paulo. As quatro supra especialidades abordadas no evento são: Alergia, Estomatologia, Plástica da Face e Rinologia, temas que têm como finalidade levar aos congressistas maior aprofundamento e atualização, oferecendo o máximo de conteúdo científico aos participantes. Nesta edição, o destaque é a promoção de módulos Hands On, um formato que permite ministrar aulas por meio de slides e, concomitantemente, colocar em prática os procedimentos. Além disso, o evento conta também com a participação de palestrantes e cirurgiões conceituados nas diversas áreas, que compartilharão experiências e vivências do dia a dia da profissão. Tudo isso por meio de painéis, mesas redondas, minicursos, aulas e sessões de vídeos. Com coordenação da Dra. Flávia Diniz, o Hands On de Plástica Facial abordará Técnicas de Rejuvenescimento Facial: Laser, Toxina Botulínica e Preenchimentos. “ Vamos explicar os conteúdos teóricos e depois colocar em prática, de modo que os participantes poderão acompanhar em tempo real, a aplicação da Toxina Botulínica implantada no paciente. O mesmo será reiterado com paciente que nunca fez preenchimento, ou que já fez, e precisa de correção”, explica a médica.

A expectativa é que ao longo dos três dias de evento as supra especialidades apresentem discussões de temas palpitantes e exercícios práticos em tempo real. “A ideia é mostrar que, hoje, o cirurgião não deve se limitar a apenas realizar a cirurgia, pois o ideal é que ele associe procedimentos cirúrgicos e estéticos, ou seja, preenchimentos, Toxina Botulínica e o uso de tecnologias como Rádio Frequência, Luz Pulsada e Laser CO2, quer seja ablativo ou não”, conclui a médica. Em Rinologia é grande a diversidade de temas, fazem parte da programação: curso prático de avaliação do olfato; treinamento olfatório; aquisição de habilidades cirúrgicas; dicas para evitar o desconforto no exame; limpeza e conservação das óticas e equipamentos; e elaboração do laudo e documentação. “Essa é uma oportunidade única de abordarmos temas relevantes e também aprendermos praticando, por meio dos módulos Hands On”, afirma o presidente da Academia Brasileira de Rinologia, Dr. Marcio Nakanishi. Assim, a 4ª edição do Combined Meeting promete aprofundar temas clínicos e cirúrgicos mais específicos voltados para cada supra especialidade, agregando aos participantes conteúdos inovadores.

Dr. Márcio Nakanishi VOX Otorrino | 15


CONDUTA MÉD ICA

Responsabilidade ética decorrente do

prontuário do paciente Vania Rosa Moraes e Carlos Michaelis Jr., do Departamento Jurídico da ABORL-CCF

A

o nos depararmos com o tema “Responsabilidade ética decorrente do prontuário do paciente” é necessário contextualizar pontos importantes inerentes ao exercício profissional, para então adentrarmos especificamente no tema escolhido para a Coluna “Conduta Médica” desta edição da VOX Otorrino. De acordo com o Decreto nº 44.045, de 19 de julho de 1958, os profissionais médicos legalmente habilitados ao exercício da Medicina, em virtude de diplomas conferidos por Faculdades de Medicina oficiais ou reconhecidas legalmente no país, só poderão desempenhá-la efetivamente após inscreverem-se nos Conselhos Regionais de Medicina que jurisdicionarem a área de sua atividade profissional. Com o efetivo registro e expedição da Carteira Profissional, o médico passa a constar nos quadros do Conselho Regional de Medicina e seus atos passam a ser normatizados, regulamentados e fiscalizados pelo Conselho, sejam eles relacionados à perícia médica; ao sigilo profissional; à relação médico-paciente; ao dever de informar; ao dever de expedir documentos médicos, tais como: atestado, laudo, relatório, prontuário médico, entre outros relacionados ao exercício profissional médico e que são objeto de fiscalização por parte do Conselho Regional da jurisdição do médico. Desse modo, se os atos médicos são regulados por normas emanadas pelo Conselho, entende-se que a prática, em desacordo ao que diz o Conselho, será imputada ao médico - após devida apuração - a responsabilidade ética e as penalidades cabíveis, de acordo com a gravidade da infração. Para contextualizar o número de sindicâncias, procedimento ético - profissional e penas aplicadas destacamos informações do Portal da Transparência do CREMESP. 16 | VOX Otorrino

INDICADORES DE SINDICÂNCIA Total de sindicâncias em andamento em 31/12/17: 3.803 Número de sindicâncias acumuladas. 4500 4400 4300 4200 4100 4000 3900 3800 3700 3600 3500

4379 4190

4139 3859

3803

2013

2014

Fonte: CREMESP

2015

2016

2017

PROCESSOS INSTAURADOS Número de Processos Éticos Disciplinares 800 700 600 500 400 300 200 100 0

714 539

2013

2014

606

558

507

2015

2016

2017

432

2018

Fonte: CREMESP

PENAS DISCIPLINARES Pena A

Pena B

20 (5%) 38 (9,5%) 102 (25,5%) 117 (29,3%)

123 (30,8%)

2017 Fonte: CREMESP

Pena C

Pena D

Pena E 5 (2,7%)

16 (8,6%)

49 (26,3%)

62 (33,3%)

54 (29%)

2018


De acordo com a Lei 3.268/57 - artigo 22: As penas disciplinares aplicáveis pelos Conselhos Regionais aos seus membros são as seguintes: a) advertência confidencial em aviso reservado; b) censura confidencial em aviso reservado; c) censura pública em publicação oficial; d) suspensão do exercício profissional de até 30 dias; e) cassação do exercício profissional, ad referendum do Conselho Federal.

Não restam dúvidas de que é importante trazer o tema “Responsabilidade Ética” na VOX Otorrino, já que os indicadores de sindicância e procedimento ético profissional junto aos Conselhos, por exemplo o do CREMESP, revelam expressivo número e, portanto, a atuação preventiva do Departamento Jurídico da ABORL-CCF, oportunizando aos associados informações e orientações para manutenção da segurança ética e jurídica, do exercício profissional médico, é de fundamental relevância. Dessa forma, se as normas devem ser seguidas pelos médicos no exercício da profissão e, se expedir/elaborar documento médico está disciplinado pelo Código de Ética Médica - Resolução CFM nº2217/2018, combinado com a Resolução CFM 163/2002 e com a Lei nº 8159/91, a responsabilidade ética pode ser caracterizada no caso de prontuário do paciente, exemplificando, porém não limitando pelos seguintes fatos: • não elaborar o prontuário; • elaborar de forma ilegível; • preenchimento incompleto; • roubo e/ou extravio; • ausência de registro dos cuidados médicos prestados; • ausência de documentos pertinentes ao ato médico

Mas, afinal, o que é Responsabilidade ética? É a prática de atos profissionais médicos em desacordo com as normas publicadas pelo Conselho Federal e Regional de Medicina. A apuração da infração ética profissional segue em segredo de justiça e se faz pelo Conselho Regional de Medicina da jurisdição da inscrição do médico ao tempo do fato. As penas disciplinares aplicáveis são: advertência, censura confidencial, censura pública, suspensão do exercício profissional por prazo de 30 dias e cassação do exercício profissional médico. A responsabilidade do médico é sempre pessoal e não pode ser presumida e o prontuário é um dos principais documentos médicos, tanto para o adequado registro da evolução da saúde do paciente, quanto para defesa éticajurídica do profissional médico. Pense sempre como boa prática ética e segurança profissional que o prontuário não é um mero documento burocrático ou para faturamento de seus honorários médicos, e sim que se trata de um documento médico valioso para o paciente, bem como para o médico que o assiste, para fins de ensino e pesquisa, além de poder ser utilizado na defesa do profissional, tanto no âmbito administrativo quanto legal, e a elaboração inadequada do prontuário do paciente pode inviabilizar a defesa do médico perante o Conselho ou Tribunal. Por fim, tanto nos casos de sindicância, processos éticos e jurídicos relativos às infrações dos princípios éticos profissionais, recomenda-se que o profissional médico seja sempre assistindo por advogado especializado, que pode orientá-lo, bem como elaborar sua defesa de acordo com o preconizado pelo Conselho de Classe e ordenamento jurídico. Lembre-se que atividade médica em desacordo com as normas do Conselho Federal e Regional de Medicina é fato gerador de Responsabilidade Ética a ser apurada e penalizada, desde advertência até a cassação do exercício profissional.

prestado; • ausência de informações e esclarecimentos ao paciente; • alteração de dados; • violação do sigilo; • negativa de acesso ao prontuário pelo paciente

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CAPA

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Defesa Profissional: o que a ABORL-CCF pensa e está fazendo sobre pacotização, telemedicina, invasão da especialidade... Renato Gutierrez

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área médica passa por um momento turbulento. Diversos são os problemas que atingem negativamente os profissionais, que se sentem cada vez mais desprestigiados. Questões como pacotização, telemedicina, invasão da especialidade, excessivo número de faculdades de medicina – com a consequente má formação do profissional –, baixa remuneração e falta de retaguarda governamental estão entre as questões que preocupam, em muito, toda a Classe. VOX Otorrino | 19


Com o objetivo de proteger toda a classe otorrinolaringológica, a Diretoria Executiva, o Comitê de Defesa Profissional e o Departamento Jurídico da ABORL-CCF têm realizado um trabalho incessante. Diversas reuniões estão sendo promovidas junto aos mais distintos órgãos e a entidade não tem medido esforços para resguardar os direitos adquiridos, bem como ampliar as prerrogativas médicas. Dentre os temas mais polêmicos do momento está a pacotização de consultas com exames, imposta aos médicos por alguns convênios de saúde e, em especial pela SulAmérica, na qual é realizada uma única remuneração envolvendo consultas e procedimentos realizados em consultório. De acordo com o presidente da ABORL-CCF, Dr. Luiz Ubirajara Sennes, a otorrinolaringologia possui particularidades que dificultam tal ação. “O convênio tem obrigado os médicos a aderirem sob o risco de descredenciamento. Mas, no caso da nossa especialidade, muitas avaliações são realizadas por fonoaudiólogas, o que dificulta a inclusão desses procedimentos junto com a consulta”, diz.

Divulgação

CAPA

“O convênio tem obrigado os médicos a aderirem sob o risco de descredenciamento. Mas, no caso da nossa especialidade, muitas avaliações são realizadas por fonoaudiólogas, o que dificulta a inclusão desses procedimentos junto com a consulta” Dr. Luiz Ubirajara Sennes

“Comunicamos a operadora que iríamos consultar os Conselhos Regionais de Medicina, bem como participamos de uma reunião na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em 16 de abril, onde discutimos a questão” Dr. Geraldo Druck Sant’Anna 20 | VOX Otorrino

O diretor primeiro vice-presidente da ABORL-CCF, Dr. Geraldo Druck Sant’Anna, revela que essa prática aconteceu com médicos de São Paulo e Minas Gerais, iniciando pelos oftalmologistas, especialidade em que houve muitos descredenciamentos. “Comunicamos a operadora que iríamos consultar os Conselhos Regionais de Medicina, bem como participamos de uma reunião na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em 16 de abril, onde discutimos a questão. O encontro contou com a presença dos diretores de desenvolvimento setorial da Agência, Dr. Rodrigo Aguiar e Dr. Daniel Pereira; além do gerente do setor, Dr. Gustavo Macieira. A reunião foi mais um passo rumo à defesa dos interesses de nossos associados e colegas de profissão, já que estabelecer um diálogo com todas as partes é fundamental para compreender a atuação de cada agência e para que possamos firmar o posicionamento da ABORL-CCF junto a esses órgãos”, declara.


Antecipando-se a qualquer adversidade, a ABORL-CCF, em conjunto com a Associação Médica Brasileira (AMB), entrou na Justiça pleiteando junto à Sul América prorrogação do prazo para que os médicos aceitem ou não o pacote proposto. Embora o juiz não tenha concedido liminar, a operadora voltou atrás e se comprometeu a negociar individualmente com os médicos. Em recente reunião entre representantes da ABORL-CCF e do Conselho Regional de Medicina (CREMESP), outras questões como as medidas judiciais contra as intervenções médicas realizadas por enfermeiros e dentistas e os impactos da telemedicina na especialidade da Otorrinolaringologia, também estiveram em discussão. Na oportunidade, Luiz Ubirajara Sennes, Geraldo Druck Sant’Anna e Alexandre Hamam foram recebidos pelo presidente do CREMESP, Mario Jorge Tsuchiya, e pela conselheira Regina Maria Marquezini Chammes.

Fotos: Osmar Bustos

Por sua vez, o Secretário do Comitê de Defesa Profissional da ABORL-CCF, Dr. Alexandre Hamam, revela que, após diversas tentativas, finalmente a entidade conseguiu se reunir com representantes da SulAmérica, e adianta os pontos discutidos durante o encontro. “Apesar de a operadora alegar que essa é uma tendência de mercado, insistimos pela não obrigatoriedade de se aceitar o pacote. Reafirmamos também a necessidade de excluir do pacote os exames feitos por fonoaudiólogo (a)s, queixa unânime entre os colegas. Uma vez esclarecido que nem sempre os médicos realizam todos os tipos de procedimentos, ficou ainda mais claro que não deve haver a obrigatoriedade de se realizar todos os exames na própria clínica, podendo aceitar exames feitos por outros profissionais. Por fim, reforçamos a necessidade de as negociações serem sempre individualizadas, conforme o perfil do prestador, sendo que cada um deverá fazer a contraproposta que achar mais conveniente”, conclui.

“...reforçamos a necessidade de as negociações serem sempre individualizadas, conforme o perfil do prestador...” alegou Alexandre Hamam durante reunião realizada no CREMESP. VOX Otorrino | 21


Em relação à telemedicina, a Diretoria da ABORL-CCF e o Comitê de Defesa Profissional entendem que, em algumas situações bem definidas, a prática pode ser útil, porém ressalta que a forma como foi colocada pelo Conselho Federal de Medicina não é a mais adequada, já que deixou de lado uma discussão mais ampla a respeito com a classe médica. “Desta forma, a ABORL-CCF se uniu a outras Academias, Sociedades de especialidades e Conselhos Regionais de Medicina, exigindo uma maior discussão do tema e um adiamento da implantação da telemedicina, o que foi conseguido através da revogação da resolução número 2227/18, em 22 de fevereiro”, ressalta Alexandre Hamam. Defender e proteger a otorrinolaringologia contra a invasão de outros profissionais não habilitados ao exercício profissional médico é mais um tema de grande atenção, tanto do Comitê de Defesa Profissional quanto da Diretoria Executiva. “Atuar na defesa da medicina é foco, tanto da ABORL-CCF como de outras Sociedades de Especialidade Médica, Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina, os quais têm demandado contra Conselhos Profissionais que atribuem ato médico à profissionais não médicos, colocando em risco a saúde do ser humano, que é o alvo de atenção do médico”, assegura o Departamento Jurídico da ABORL-CCF. Outra preocupação da ABORL-CCF é em relação ao aumento do número de faculdades de medicina espalhadas pelo país. “A quantidade de faculdades de medicina aumentou muito nos últimos anos. A formação, que já era deficitária nos quesitos tecnológico e de ensinamento, tem piorado ainda mais com o número exorbitante de faculdades abertas. Evidentemente isso resulta em uma redução da qualificação profissional. Preocupamo-nos muito com essa questão e entendemos que o Ministério da Educação precisa ter um sistema mais eficiente de fiscalização e de capacitação dos professores; é fundamental que o corpo docente seja adequado. Além disso, o aluno necessita de formação prática, afinal a medicina não é feita apenas de teoria. Ainda assim, algumas cidades onde foram abertos os cursos sequer possuem hospitais para desenvolvimento dos alunos”, esclarece o Diretor Segundo Vice-Presidente da ABORL-CCF, Dr. Eduardo Baptistella.

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CAPA

“...o Ministério da Educação precisa ter um sistema mais eficiente de fiscalização e de capacitação dos professores; é fundamental que o corpo docente seja adequado. Além disso, o aluno necessita de formação prática, afinal a medicina não é feita apenas de teoria. Ainda assim, algumas cidades onde foram abertos os cursos sequer possuem hospitais para desenvolvimento dos alunos” Eduardo Baptistella


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Segundo Baptistella, não é aumentando o número de médicos, indistintamente, que a qualidade da saúde no país irá melhorar. “É necessário se desenvolver uma carreira de estado médico que atenda às áreas mais remotas. Isso viabilizaria o acesso da população aos médicos, já que faltam profissionais em muitas regiões, especialmente nas mais pobres” lembra. Por conta de tantos problemas, muitas vezes a Classe Médica se sente desprestigiada. Segundo o Presidente do Comitê de Defesa Profissional da ABORL-CCF, Dr. Casimiro Villela Junqueira Filho, é hora de um posicionamento mais firme das entidades representativas. “Em resumo, vemos uma desvalorização do médico como um todo, chegando ao ponto de assistirmos profissionais sendo agredidos em pronto-socorro! Nós, médicos, temos que nos valorizar, é preciso um posicionamento mais firme junto às áreas afins, que em muitos casos foram ocupadas por outros profissionais de saúde. Acredito que seja a hora de revermos nossos conceitos e passarmos a participar mais dos movimentos importantes da área da saúde, inclusive na esfera política, onde teremos nossos representantes a lutar por nossa categoria”, defende. Apesar de tantas adversidades, o Presidente do Comitê de Defesa Profissional vê pontos positivos e segue acreditando no resultado de todo o trabalho que vem sendo realizado. “Participo da Defesa Profissional da ABORL-CCF desde 1999 e acompanhei o crescimento da nossa associação ao longo de todo esse tempo. Vejo que a cada ano o Comitê cresce em número de colegas engajados na defesa da nossa classe. Esse fato faz com que nosso trabalho voluntário seja ainda mais gratificante. Todos nós temos um certo altruísmo, temos também a participação efetiva da administração e de um corpo jurídico bastante atuante, o qual modestamente julgo ser atualmente a mola-mestre na questão da defesa de nossa classe médica”, finaliza Casimiro Junqueira. A ABORL-CCF tem se pronunciado sempre que o nome da otorrinolaringologia é citado, vale lembrar que, hoje, a entidade possui uma cadeira na Associação Médica Brasileira, participando ativamente das reuniões promovidas. Há também a Comissão Legislativa da entidade, que acompanha as leis que estão sendo formadas dentro do ato médico. Por fim, a Associação possui ainda um canal de ouvidoria que recebe denúncias relacionadas ao exercício profissional médico.

“...Nós, médicos, temos que nos valorizar, é preciso um posicionamento mais firme junto às áreas afins, que em muitos casos foram ocupadas por outros profissionais de saúde. Acredito que seja a hora de revermos nossos conceitos e passarmos a participar mais dos movimentos importantes da área da saúde, inclusive na esfera política, onde teremos nossos representantes a lutar por nossa categoria” Dr. Casimiro Villela Junqueira Filho

Acesse nosso canal de ouvidoria através do QR Code:

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GESTÃO E CAR RE IRA

Relação médico-paciente: Qual a importância para o sucesso dos diagnósticos e tratamentos? Valorização das relações entre médico e paciente traz à tona um questionamento sobre significado do humanismo na profissão Cibele Felix

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m um mundo de ganhos e avanços para as ciências médicas, onde diagnósticos são obtidos quase que instantaneamente, algo tem perdido

espaço: a interação mais próxima e intimista entre médico e paciente. Anos atrás era comum o mesmo profissional atender a duas ou três gerações de uma


“Para aliviar um pouco toda a tensão, é recomendável uma pequena pausa entre uma consulta e outra. Um respiro para se desconectar do caso anterior e estar preparado para próximo”

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Aline Barbosa Felix, Psicóloga

Rodrigo Marques acredita que recuperar a interação médico paciente de antigamente não é uma utopia e é possível a partir de uma mudança de mindset do especialista moderno, sendo que essa proximidade - aliada às tecnologias - trará diagnósticos certeiros e maior qualidade de vida ao paciente. “O bom diagnóstico vem da assertividade do paciente em falar de seus sintomas e da escuta do médico, que funciona como um radar. É necessária uma sensibilidade para que essa escuta funcione, a condição de estar doente produz marcas psíquicas, trata-se de uma cena em que um sujeito doente está frente a um outro, que supostamente não está doente, e que ainda apresenta os dissabores da doença. A doença ou o sintoma nessa cena produz a desigualdade, é a condição humana que vai então promover a igualdade. O paciente precisa sentir que tanto ele como o médico apresentam corpos frágeis e suscetíveis, que ambos estão sujeitos ao adoecimento e à morte e que aquele profissional está lá para ajudá-lo”, conclui o psicanalista.

“É importante saber reconhecer a condição humana e a dor em si mesmo. As doenças e sintomas dos pacientes podem ser iguais, porém, a identidade é única e merece atenção”

Rodrigo Marques, Psicanalista

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mesma família. Numa época com menos recursos, estar atento aos sintomas e às queixas do paciente era fundamental para reconhecer a doença e indicar o tratamento. Nos novos tempos, respaldado por diversos aparatos tecnológicos e análises laboratoriais, o relacionamento tem se tornado cada vez mais distante. Para o psicanalista graduado em psicologia, com ênfase em promoção e prevenção de saúde, Rodrigo Marques, a valorização da relação humana entre aquele que trata e o outro, que busca o tratamento, é imprescindível. “A interação só será bem sucedida quando movida pelo laço, ou seja, uma ligação emocional, que envolva confiança e responsabilidade. Para isso, é importante saber reconhecer a condição humana e a dor em si mesmo. As doenças e sintomas dos pacientes podem ser iguais, porém, a identidade é única e merece atenção”, afirma. A valorização das relações entre médico e paciente traz à tona um questionamento sobre significado do humanismo na profissão. “Muitas vezes o paciente se sente angustiado ao chegar para uma consulta, seja por estar preocupado com sua própria condição; por já ter procurado inúmeros profissionais e permanecer sem solução; por uma situação estressante no trabalho ou a caminho do consultório. Ir ao médico se torna um momento de grande vulnerabilidade. É aí que o profissional, por alguns instantes, deve tentar uma aproximação, falar sobre algo do cotidiano, acalmar o paciente e, apenas depois, iniciar a consulta”, explica Marques. Para a psicóloga Aline Barbosa Felix, o olhar do médico é objetivo e visa tratar os sintomas, quando na verdade a solução pode estar em tratar as causas e, para isso, existe a necessidade de um relacionamento que se dividirá entre a objetividade científica e a subjetividade de cada caso. “Essa interação só será possível se existir a disponibilidade, tanto do médico quando do paciente em quebrar barreiras entre si. Neste sentido, o profissional também deve estar preparando para pacientes mais resistes”, esclarece. A rotina hospitalar e ambulatorial exige muito das condições físicas e psicológicas do especialista, principalmente em atendimentos realizados pelo sistema de saúde pública do país. “Não é raro, tão pouco incomum, jornadas de trabalho superiores a 18 horas. Para aliviar um pouco toda essa tensão, é recomendável uma pequena pausa entre uma consulta e outra. Um respiro para se desconectar do caso anterior e estar preparado para próximo”, recomenda Aline.

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ABORL- CCF EM A ÇÃ O

Comissão de

História da ORL Saiba mais a respeito da cronologia da especialidade e relembre grandes nomes que fizeram história Renato Gutierrez

A

tuando permanentemente em prol da excelência na otorrinolaringologia; estimulando o ensino, a pesquisa e o intercâmbio científico; a ABORL-CCF trabalha também pela preservação e disseminação da especialidade. Neste sentido, cabe à Comissão de História da ORL este papel.

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Criada durante a gestão do Presidente Ricardo Ferreira Bento (2008 a 2010), e coordenada pelos Drs. Roberto Meirelles, Aziz Lasmar, Arthur Octavio Kós e Pedro Luiz Mangabeira Albernaz, a Comissão tem como missão resgatar a história da otorrinolaringologia brasileira.


O espaço destinado no site da ABORL-CCF reúne acervo de documentos e imagens. Desde a origem histórica da ORL brasileira, passando pela história de diversos Serviços de ORL das Faculdades de Medicina, história de procedimentos cirúrgicos, registros do 1º Congresso Brasileiro de ORL, 1º Congresso Brasileiro de Rinologia, História da Academia Brasileira de Otorrino Pediátrica, entre outros fatos marcantes. Há também a biografia de grandes nomes da otorrinolaringologia nacional, profissionais que fizeram história e se tornaram referência para todos aqueles que optaram pela especialidade. “Temos a ideia de fazer o Museu da Otorrinolaringologia, que funcionará nas dependências da ABORL-CCF, e também estimulamos os colegas a enviarem textos para o site. O espaço está aberto a todos e contamos com a contribuição de colaboradores no desenvolvimento de conteúdo que agregue à história da especialidade, todo o material recebido é sempre bem-vindo”, declara Dr. Roberto Meirelles, presidente da Comissão de História da ORL.

Acesse a página da Comissão através do QR Code:

COMISSÃO DE HISTÓRIA DA ORL Coordenadores: Roberto Meirelles Aziz Lasmar Arthur Octavio Kós Pedro Luiz Mangabeira Albernaz Espaço aberto para que colaboradores contribuam com conteúdo que agregue à história da especialidade

“História dos Serviços, dos Professores e grandes nomes que marcaram época, além de fatos pitorescos e curiosos, bem como a história dos procedimentos cirúrgicos, está tudo disponibilizado na página da Comissão, no site da ABORL-CCF”

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Dr. Roberto Meirelles

Contatos da ABORL-CCF: Instagram: @aborlccf Facebook: /aborlccf

Telefones: 0800 7710 821 - (11) 5053-7500 - Fax: 5053-7512 Whatsapp: (11) 95266-1614 e-mail: <comunicacao@aborlccf.org.br>

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VOX NEWS

VOX NEWS

EXAME PARA OBTENÇÃO DO TÍTULO DE ESPECIALISTA EM OTORRINOLARINGOLOGIA REGISTRA RECORDE DE INSCRITOS 354 PROFISSIONAIS SE INSCREVERAM PARA A PROVA, REALIZADA NO CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA, EM SÃO PAULO, NO DIA 7 DE ABRIL Renato Gutierrez

O

tradicional exame de suficiência para obtenção do Título de Especialista da ABORL-CCF registrou na edição 2019 o maior número de inscritos da história da prova. Ao todo, 354 candidatos – oriundos de todas as partes do país – realizaram inscrição para o exame, que ocorreu no domingo, 7 de abril, em São Paulo. A prova é constituída de três fases: a primeira é a análise curricular, seguida das questões teóricas e da prova teórico-prática. Para todas as três é obrigatório que o candidato tire no mínimo uma nota seis para não ser automaticamente excluído do processo.

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Durante a abertura dos trabalhos, o presidente da ABORL-CCF, Dr. Luiz Ubirajara Sennes, deu as boas-vindas aos presentes e fez uma breve explanação a respeito da relevância da prova. “Hoje é um dia de extrema importância para a Associação; o Comitê do Título de Especialista trabalha muito ao longo de todo o ano para chegar neste momento. Avaliar os candidatos de forma criteriosa e isenta, sendo rigoroso e ao mesmo tempo justo com todos é uma grande responsabilidade. Ofertar a um profissional a chancela do título de especialista em otorrinolaringologia é uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, o maior bem institucional que a associação possui”, declarou Sennes.


Na sequência, Dr. Fernando Danelon Leonhardt, que presidiu até o final de 2018 o Comitê do Título de Especialista e coordenou o processo de elaboração da prova, transmitiu aos candidatos as instruções a respeito do funcionamento do exame, deixando claro todas as restrições impostas aos participantes em termos de sigilo e confidencialidade do processo. Dando início à efetivação do exame, os candidatos foram submetidos a 80 testes de múltipla escolha, com quatro alternativas por questão, para serem respondidas em até três horas. Após intervalo para o almoço, foi a vez da prova teórico-prática, com duração de uma hora e meia, onde foram explorados assuntos de forma diferenciada em relação à primeira parte da prova, abordando casos clínicos com inclusão de vídeos e fotos.

rtura da sala para início

Candidatos aguardam abe

da prova

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VOX NEWS

“O exame é formulado ao longo de todo o ano. Desde a correção da prova anterior, passando pela liberação dos resultados. A partir de então damos início ao planejamento para o ano seguinte. Toda a prova é confeccionada exclusivamente pelos membros do Comitê, que tem uma atuação independente, e se reúne mensalmente. Tratamos de todos os detalhes com extremo cuidado, pois nos preocupamos muito com a isonomia do concurso”, explica o presidente do Comitê do Título de Especialista, Rodolfo Alexander Scalia. Scalia revela que, nas reuniões mensais, discute-se a readequação do currículo, bem como são expostas sugestões de perguntas - todas baseadas no tratado da otorrinolaringologia e na bibliografia que é passada previamente aos candidatos. “Normalmente, até o mês de agosto as questões já estão formuladas e ficam armazenadas em um banco de dados sigiloso. Existem mecanismos para que nenhum conteúdo da prova vaze; assinamos um termo de confidencialidade e somente duas pessoas têm acesso à prova na íntegra, que são o presidente atual e o anterior do Comitê. Ninguém fora dessa comissão tem acesso às questões, nem mesmo o presidente da ABORL-CCF ou a diretoria executiva”, afirma. Ao término da prova, os candidatos já levam seus respectivos gabaritos para conferência. Aproximadamente 24 horas depois, o gabarito oficial é liberado e, após a correção da prova, existe um período previamente estabelecido no edital, para liberação do gabarito final, bem como o prazo de um mês para o processo da liberação final do resultado do concurso. O elevado número de inscritos comprova o crescimento da otorrinolaringologia no Brasil, especialmente

Candidatos ouvem atentamente as instruções antes

Integrantes do Comitê do Título de Especialista: trabalho desenvolvido ao longo de todo o ano

pelo surgimento de muitas áreas de atuação dentro da especialidade, como cirurgia de cabeça e pescoço, plástica facial, medicina do sono, otoneurologia, foniatria, entre outras. Com isso, o crescimento da especialidade é inevitável, atraindo cada vez mais candidatos para realização da residência médica em otorrinolaringologia e, consequentemente, aumentando o número de candidatos a prestar a prova. “Não somos favoráveis à reserva de mercado, pelo contrário, defendemos que quanto mais profissionais atuarem na especialidade, maiores serão também as possibilidades de desenvolvimento técnico, científico e pessoal”, finaliza o presidente do Comitê do Título de Especialista.

Acesse a página do resultado oficial do exame através do QR Code: Candidatos aguardam para a entrada na sala de realizaç

ão do exame

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do início do exame


CONQUISTAS A BO RL -CCF

BRAZILIAN JOURNAL OF OTORHINOLARYNGOLOGY SERÁ DIGITAL Revista tem o objetivo de oferecer publicações atualizadas, de alta qualidade, e voltadas ao aprimoramento científico Carolina Mattos

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do que nunca, o compromisso com um trabalho sempre sério e ético, oferecendo publicações atualizadas e de alta qualidade, voltadas para o aprimoramento científico não só dos associados, mas de todos aqueles que fazem parte da comunidade de autores e profissionais que acessam os artigos. “Considero sempre fundamental agradecer ao corpo editorial de revisores, composto por profissionais de excelência em suas subáreas de especialidade, que são a verdadeira alavanca e o motor propulsor que mantém o BJORL sempre crescendo”, finaliza.

“Baseada no número de submissões nacionais e internacionais, que ultrapassa a quantidade de mil por ano - representadas por mais de 45 países, seria correto afirmar que, nos dias de hoje, o BJORL, com Fator de Impacto (FI) de 1.412, é considerada a revista mais importante da especialidade na América Latina. E a cada novo ano conquista mais espaço entre as revistas internacionais do mundo todo” Dra. Shirley Pignatari

Divulgação

O

Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, revista científica da ABORL-CCF, firma-se como uma publicação 100% digital. A partir da edição de maio/junho 2019, o BJORL, em português/inglês, será veiculada apenas na versão eletrônica, com a facilidade de os associados acessarem quando e onde quiserem. O digital está ganhando mais espaço e acaba de conquistar mais um canal exclusivo na Associação, pois ao longo dos anos houve uma acentuada mudança de comportamento e o número dos associados que preferem a versão impressa foi gradativamente diminuindo. A ABORL-CCF tem como prerrogativa a adequação dos serviços e das publicações aos recursos tecnológicos em prol dos associados, por isso a decisão de tirar de circulação a versão impressa português/inglês do BJORL. Segundo a Dra. Shirley Pignatari, coordenadora do departamento e Editora Chefe do BJORL, o encerramento da versão impressa é um tema que já vem sendo discutido há várias gestões. Entre os tópicos de discussão que motivaram a decisão da descontinuidade, estão: frequência de acesso à versão impressa, uso de papel e custo-benefício. “A decisão final foi tomada no início de fevereiro deste ano, em reunião do mini fórum da diretoria, realizado pela ABORL-CCF, bem como em reunião do Conselho Administrativo e Fiscal, onde vários temas foram analisados, planejados e deliberados, considerando a regulação da administração e gestão da instituição”, ponderou Dra. Shirley. A revista científica da ABORL-CCF é importante publicação tanto para o cenário nacional quanto internacional. A publicação está indexada no MEDLINE, Exerpta Medica, Lilacs, SciELO Brazil e ISI. Assim, o BJORL atingiu uma posição muito privilegiada. Segundo o JCR (Journal of Citation Reports), atualmente, a publicação ocupa a 25ª posição entre as revistas da categoria em todo o mundo, e a 23ª posição entre as revistas nacionais indexadas de todas as categorias. “Baseada no número de submissões nacionais e internacionais, que ultrapassa a quantidade de mil por ano - representadas por mais de 45 países, seria correto afirmar que, nos dias de hoje, o BJORL, com Fator de Impacto (FI) de 1.412, é considerada a revista mais importante da especialidade na América Latina. E a cada novo ano conquista mais espaço entre as revistas internacionais do mundo todo”, comemora a Editora Chefe do periódico. Dra. Shirley Pignatari acredita que a manutenção da qualidade e o crescimento do BJORL firmam, mais

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O QUE DIZ A L E I

Guarda, armazenamento e manuseio de

prontuário do paciente

Vania Rosa Moraes e Carlos Michaelis Jr., do Departamento Jurídico da ABORL-CCF

Foi sancionada a Lei n.º 13.787/18 que regulamenta a digitalização e a utilização de sistemas informatizados para a guarda, o armazenamento e o manuseio de prontuário de paciente. O prontuário do paciente, que é o objeto tratado nesta lei, classifica-se no capítulo dos Documentos Médicos do Código de Ética Médica como assegurado ao paciente sob qualquer aspecto da propriedade sobre seu prontuário. 34 | VOX Otorrino

Neste contexto é importante trazer ao conhecimento dos associados da ABORL-CCF a responsabilidade sobre a guarda e a utilização deste documento, especialmente ante a necessidade de justificativas de ordem técnica, administrativa, ética ou jurídica. Não restam dúvidas que, atualmente, o prontuário é reconhecido como de propriedade do paciente, que tem direito à disponibilidade permanente das informações, notadamente desde que respeitados os períodos de acesso


No quadro abaixo, destaque para os prazos estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina:

Mínimo de 20 anos após o último atendimento

Prontuário em Papel

Prontuário Eletrônico NGS-2

Prontuário Informatizado e Prontuário Eletrônico NGS-1

Permite a eliminação do papel

Não permitem a eliminação do papel

e guarda, tal qual a legislação em vigor determina. Fica claro que, no caso de prontuário físico (papel), o prazo é de 20 anos após o último atendimento, entretanto nos casos de prontuários informatizados, ou seja, aqueles que são somente digitalizados, a guarda deve ser permanente. A iniciativa da lei é de elevado avanço no que diz respeito aos critérios de digitalização por meio de sistemas informatizados, vez que aumenta o rigor da idoneidade sobre os níveis de segurança e inviolabilidade dos dados armazenados, afinal, a lei estabelece, no artigo 2º, parágrafo terceiro, a necessidade da utilização de certificado digital que atenda os critérios estabelecidos no corpo da lei, razão pela qual desde já deve o associado da ABORL-CCF buscar por empresas que ofereçam serviços de confiança efetiva. Da mesma forma deve ser observado pelo associado que os prazos estabelecidos no artigo 6º da nova lei se referem aos prazos dos documentos que forem submetidos à digitalização por sistemas informatizados, o que deve ocorrer em larga escala em consultórios, clínicas,

Guarda permanente

Papel: mínimo de 20 anos após o último atendimento Digital: Guarda permanente

hospitais, etc. É importante esclarecer que a Lei 13.787 aqui retratada caminha em compasso com lei anteriormente publicada, qual seja a Lei 13.709/18, sancionada para regrar a proteção dos dados pessoais, cujos artigos da lei estão especificamente condicionando questões sobre a utilização, publicidade e sigilosidade de dados nas questões que evolvam documentos médicos. A ABORL-CCF se preocupa em trazer aos seus associados as inovações das regras éticas e legais na busca das melhores práticas da especialidade e nos cuidados com a relação médico e paciente, afinal, as leis sancionadas em 2018 alteram um dos mais importantes documentos médicos: o prontuário, cujos efeitos merecem a atenção maior dos profissionais da saúde. Por fim, a ABORL-CCF está à disposição dos associados por meio de seu Departamento Jurídico para atendê-los no caso de dúvidas e esclarecimentos sobre digitalização, informatização, guarda de prontuário e temas comentados neste artigo pelo e-mail: juridico@aborlccf.org.br VOX Otorrino | 35


EDUCAÇÃO MÉ D ICA CO NTINU A D A

Esta seção é de inteira responsabilidade do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORL-CCF

Evitando Complicações em

Cirurgia Endoscópica Nasossinusal Bernard Soccol Beraldin Especialista em Otorrinolaringologia pela ABORL-CCF Fellowship em Cirurgia Endoscópica Nasossinusal e Base Anterior do Crânio pelo Instituto Felippu de Otorrinolaringologia, em São Paulo (SP) Professor do Serviço de Residência Médica em ORL da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (RS)

A

popularização e maior divulgação da cirurgia endoscópica endonasal se deu em meados dos anos 1980. Apesar da cirurgia ter evoluído muito nas últimas décadas, as taxas de complicações quase não se alteraram. A grande variação anatômica e a proximidade de estruturas nobres, como a fossa anterior do crânio e a órbita, fazem com que a cirurgia endoscópica endonasal possa apresentar complicações potencialmente graves, especialmente em se tratando da cirurgia do etmoide. Classificam-se as complicações de acordo com sua localização (orbital, intracraniana ou vasculares) e o grau de severidade (menores e maiores). A literatura mundial revela uma taxa de 5% de complicações menores e 0,5 a 1% de maiores. Alguns fatores podem contribuir para o aumento dessas complicações, incluindo cirurgias prévias, polipose extensa, sangramento intraoperatório

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importante e experiência do cirurgião. Mosher, em 1929, alertava sobre a etmoidectomia descrevendo-a como uma cirurgia muito fácil, teoricamente, porém na prática um dos procedimentos mais fáceis “para se matar um paciente”. O mesmo parou de realizar o procedimento 17 anos após ter iniciado, responsabilizando os riscos de navegação em cirurgia dos seios paranasais que podem levar a complicações intracranianas, cegueira e até a morte. O conhecimento profundo da anatomia, associado a um planejamento pré-operatório minucioso, através de um detalhado estudo tomográfico, onde podemos analisar, por exemplo, o número de células próximo ao ducto naso-frontal, espessura e curvatura da apófise unciforme, irregularidades ou deiscência na lâmina papirácea, contorno da fóvea etmoidal, posição da artéria etmoidal anterior, tamanho do seio esfenoidal,


Figura 1: Pontos de referência utilizados na técnica centrípeta. Lâmina papirácea (em azul) e teto etmoidal (em vermelho)

Figura 2: Espessura do teto etmoidal (base do crânio). Nota-se que quanto mais em direção a lâmina crivosa (medialmente) menos espesso ele se torna

assim como a projeção do septo interesfenoidal , além de uma boa sistematização intraoperatória, são essenciais para diminuir as taxas de complicações. Devido ao grande número de patologias e diversidades anatômicas de paciente para paciente, as técnicas cirúrgicas podem variar. Cada cirurgião se adapta e se sente mais seguro realizando determinada técnica que está mais acostumado, porém, se você puder utilizar uma técnica que usa sempre os mesmos limites anatômicos, independente da patologia, a sua chance de ter complicações é reduzida. Por exemplo, muitas vezes operamos pacientes que já foram operados mais de uma vez e não possuem mais estruturas como o corneto médio ou as lamelas do etmoide, ou até mesmo possuem patologias extensas que as destroem. Assim, a técnica centrípeta, descrita por Felippu, que utiliza como marcos anatômicos a parede medial da órbita e o piso da fossa anterior do crânio, na minha opinião, é segura e reduz a possiblidade do cirurgião se confundir ou errar a sua localização durante o procedimento (Figura 1). Trabalhar sempre paralelo à órbita reduz o risco de lesar a lâmina papirácea ou a periórbita, pois seus instrumentos cirúrgicos nunca vão na direção do olho. Trabalhar o mais lateral possível na base anterior do crânio diminui o risco de fístula liquórica, pois ela lateralmente é mais espessa, e, quanto mais medial, mais fina se torna, especialmente na fóvea etmoidal. (Figura 2).

Figura 3: Projeção da artéria etmoidal anterior na parede medial da órbita

Delimitar os limites cirúrgicos precocemente facilita a visualização cirúrgica e evita a perda de referência anatômica intraoperatória, diminuindo os tais erros de navegação que podem gerar complicações, como citou Mosher. “Theoretically, the operation is easy. In practice, however, it has proved to be one of the easiest operations with which to kill a patient” Harris P. Mosher, 1929. Portanto, podemos citar três condutas que devem ser utilizadas para minimizar os erros durante uma cirurgia endoscópica endonasal: conhecimento profundo da anatomia, estudo e planejamento pré-operatório, onde a tomografia dos seios da face é mandatária para avaliar a extensão da doença a ser operada e as variedades anatômicas, como a presença de artérias etmoidais projetadas (Figura 3), além do uso de uma técnica cirúrgica que o cirurgião esteja acostumado e se sinta confiante em realizar. Se, apesar disso, ocorrer alguma complicação intraoperatória, o mais importante é o cirurgião estar apto a reconhecê-la imediatamente e resolver de forma precoce.

Bibliografia complementar: Felippu A. Nasal centripetal endoscopic sinus surgery. Ann Otol Rhinol Laryngol 2011;120:581-5.

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INT ERNACIONAL

JOINT MEETING

SERÁ REALIZADO DURANTE O 50º CONGRESSO BRASILEIRO ABORL-CCF Encontro irá proporcionar intercâmbios técnico-científicos, administrativos, assistenciais e humanitários

Carolina Mattos

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colegas estrangeiros, não somente na composição da grade científica, mas também na assistência”, afirma Sady Selaimen, Presidente do IAB e ex-presidente da ABORL-CCF, gestão 2015. Durante o evento, os participantes irão encontrar apresentações de estudos nas mais diversas subespecialidades. “O Joint Meeting fará parte deste congresso comemorativo e contará com o que há de mais avançado em nossa especialidade”, afirma Geraldo Druck Sant’Anna. Segundo Sady Selaimen, o encontro é importante pois cria uma aproximação muito interessante entre a ABORL-CCF e a AAO-HNS. De acordo com o Chairman do IAB, não há dúvida de que esta combinação renderá inúmeros dividendos técnicos, científicos, administrativos a todas as partes envolvidas neste processo. “O objetivo principal é fomentar as relações internacionais da associação. O maior ganhador, entretanto, será o associado da ABORL-CCF, que efetivamente poderá usufruir dos produtos desta aliança e terá novos canais de comunicação e intercâmbio com o exterior”, finalizou. “O objetivo principal é fomentar as relações internacionais da associação. O maior ganhador, entretanto, será o associado da ABORL-CCF, que efetivamente poderá usufruir dos produtos desta aliança e terá novos canais de comunicação e intercâmbio com o exterior”

Sady Selaimen

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inda estamos no primeiro semestre de 2019, mas já há quem esteja de olho no final de 2020. Isso porque o Brasil recebe em novembro do próximo ano o Joint Meeting - ABORL-CCF & American Academy of Otolaryngology – Head and Neck Surgery (AAO-HNS). O evento espera reunir médicos brasileiros e estrangeiros para uma jornada de trocas de ideias e experiências. O encontro deve ser um marco para a classe, pois acontece dentro da 50ª edição do Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, que será realizado na cidade de São Paulo. “A ABORL-CCF tem como visão ser modelo de associação de especialidade médica no Brasil, com expressão internacional. Dessa forma, estamos perseguindo nossa visão, transformando cada vez mais nosso evento em atração para os associados e colegas do exterior”, adianta Geraldo Druck Sant’Anna, Diretor Primeiro Vice-Presidente da ABORL-CCF. O acordo para realizar a jornada no Brasil foi firmado após uma reunião que aconteceu em Lima, no Peru, no final de 2018. Representando o Brasil e a ABORL-CCF estiveram presentes Geraldo Druck Sant’Anna e Sady Selaimen, Chairman do International Advisory Board (IAB), da Academy of Otolaryngology. Participaram das conversas que determinaram o Brasil como sede do Joint Meeting, em 2020, Pablo Stolovizky, Diretor de Relações Internacionais da AAO-HNS e James Denneny, CEO pela AAO-HNS. “Esperamos, além da maciça presença de otorrinolaringologistas brasileiros, uma delegação maiúscula de

“A ABORL-CCF tem como visão ser modelo de associação de especialidade médica no Brasil, com expressão internacional. Dessa forma, estamos perseguindo nossa visão, transformando cada vez mais nosso evento em atração para os associados e colegas do exterior”

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Geraldo Druck Sant’Anna

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QUALIDADE DE V ID A

Ativista por amor Médica criará associação para divulgar síndrome rara Cibele Felix

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companhar a avó nas visitas periódicas ao médico despertou na otorrinolaringologista Sandra Doria Xavier, na época uma menina com 14 anos, o desejo de cursar medicina. Determinada a alcançar seu objetivo, a filha única de uma família de classe média recebeu total apoio do pai, que decidiu mudá-la de uma escola pública no bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, para um colégio particular e renomado da cidade, quando cursava a 8ª série do ginásio, hoje 9º ano do ensino fundamental. A dedicação pelos estudos fez com que Sandra ingressasse na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. No 6º ano, a estudante se encantou pela especialidade de otorrinolaringologia. “Minha primeira opção era a pediatria, mas ao conhecer melhor 40 | VOX Otorrino

a otorrinolaringologia e todos os campos possíveis de atuação não tive mais dúvidas. Eu poderia atender crianças, pessoas de todas as idades, inclusive idosos; poderia também realizar procedimentos cirúrgicos resolutivos para a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas”, explica a Doutora em Medicina do Sono pela Santa Casa de São Paulo. Dois anos após o casamento com o também médico Fernando da Silva Xavier, veio o primeiro filho do casal, Luis Fernando. Carinhosamente conhecido como Fefe, ele nasceu com uma síndrome rara: a Síndrome de Cri Du Chat, popularmente conhecida como “Síndrome do Miado do Gato”, uma condição genética resultante de uma alteração cromossômica relacionada à perda de múltiplos genes no braço curto do cromossomo 5.


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“Após o susto inicial do diagnóstico, fui buscar informações para saber mais sobre a síndrome e também sobre as opções de terapias, pois dentre tantas questões relacionadas, o meu filho tinha muita dificuldade com o sono. Após tantas noites mal dormidas, ingressei no programa de medicina do sono do Instituto do Sono e, posteriormente, fiz doutorado sobre o mesmo tema. Hoje, coordeno o Ambulatório de Ronco e Apneia do Sono da Santa Casa de São Paulo e também sou Professora Instrutora da Faculdade da mesma Instituição. Em paralelo ao meu envolvimento com a apneia do sono, percebi que havia pouca ou quase nenhuma divulgação sobre a síndrome do meu filho, na qual os portadores têm sérios problemas para manter o sono ao longo da noite. Também passei a buscar mais conhecimento a respeito, e por pais com filhos nas mesmas condições que o meu”, relata Sandra. Em sua procura, a médica encontrou outras famílias que se uniram a ela para tornar a Síndrome de Cri Du Chat mais conhecida no Brasil. “Nossa intenção é criar no país um braço da Five P Minus Society, uma organização sem fins lucrativos fundada em 1986, nos Estados Unidos, por pais de crianças com a Síndrome para compartilhar informações e gerar recursos para outras famílias que passam pelo mesmo problema”. As caminhadas realizadas em 5 de maio, data estabelecida como o “Dia Internacional da Síndrome Cri Du Chat”, também fazem parte deste projeto. Em 2018 aconteceu no Parque Vila Lobos, em São Paulo, contamos com a participação de aproximadamente

300 pessoas”, revela Sandra. Sandra conta que, no início deste ano, o grupo obteve a primeira grande conquista. “Fui oradora sobre a Síndrome Cri Du Chat em uma reunião sobre síndromes raras promovida em Brasília pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Ela tem a intenção de fazer ações públicas para melhorar a divulgação e a oferta de medicamentos para síndromes raras”, complementa. Quando perguntada sobre as mudanças em sua vida por conta das necessidades especiais do filho, ela se emociona e diz: “meu filho me transformou, suas dificuldades me abriram portas para a escolha da minha subespecialidade na otorrinolaringologia, e passei a enfrentar todas as situações com muita coragem e fé. Ele me fez perceber que não há desafio que não possa ser vencido. Como diz Mario Quintana: Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo”, finaliza a médica.

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IMAGEM DESTAQ U E

IMAGEM DESTAQUE Caso clínico: Paciente de 9 anos, sexo feminino, portadora de surdez neurossensorial congênita, apresentou traumatismo crânio encefálico por queda do escorregador no playground. Refere piora da audição após o trauma, sem outras queixas neurológicas. História Familiar: Pai, Tio (paterno) e Avô com história familiar de deficiência auditiva desde a infância. Otoscopia: sem alterações

Tomografia Ossos temporais:

Arquivo pessoal

Audiometria:

Qual a provável causa da piora auditiva unilateral: a) Otoesclerose juvenil b) Perda auditiva genética c) Disjunção de cadeia ossicular d) Colesteatoma adquirido secundário

Para saber a resposta correta e obter mais informações sobre as imagens, basta ir até o site da ABORL-CCF <http://aborlccf.org.br/enquetes.asp> ou acessar pelo QR Code. Se você tem uma imagem curiosa e gostaria de compartilhar com os leitores da Revista VOX Otorrino, envie para <comunicação@aborlccf.org.br>.

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