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N.º 11 JUN./JUL./AGO. 2012

ESPECIAL

Fotografia

analógica ESPECIAL

Guia completo e explicado passo a passo, com tudo o que precisa de saber para revelar a p&b em sua casa

BAÚ

Portugal [Cont.]

+

16

páginas

PRÁTICA

Conheça ao pormenor a Rolleiflex 2.8

€3.00

O MESMO PREÇ O

ENTREVISTA Pedro Freitas e o gosto pela fotografia analógica

GALERIA Hugo Pinho em exposição neste especial

OS GUIAS PRÁTIC

> FRUTA AOS PEDAÇOS > SAÍDO DA CASCA FOTO-AVENTURA Maurício Matos testa as Leica M8 e M9 na Costa Rica

Conhecer o flash, o seu funcionamento, modos e componentes pode ser a chave para uma fotografia expressiva e recheada de efeitos criativos. Neste artigo fazemos luz sobre um dos mais importantes acessórios que o fotógrafo tem ao seu dispôr.


click O Q U E VA I E N C O N T R A R N A z O O m

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24 03 > Livros Nesta edição os autores portugueses estão em destaque em quatro excelentes livros. 05 > Conhecer Apresentamos-lhe mais três fotógrafos internacionais que fazem muito mais do que tirar fotografias. 06 > à La Minute Aprenda, de forma simples, como oferecer mais carácter aos seus retratos.

40

19 > Prática Mais dois guias práticos: com um pouco de criatividade, humor e... ovos, conseguirá uma foto interessante; e aprenda a criar magia fotográfica com um fruto. 24 > Foto-Aventura Maurício Matos partiu para a Costa Rica para experimentar as suas novas companheiras: as Leica M8 e M9. Conheça a história e veja os resultados.

36 > Pela objectiva de... João Pina é um dos melhores fotojornalistas da atualidade. Para ele, "o Mundo é o melhor lugar do Mundo para se ser fotógrafo". Já Luís Afonso olha o Mundo de forma diferente da pessoa comum. A paisagem natural é o seu campo de eleição. 49 > ESPECIAL FOTOGRAFIA ANALÓGICA A fotografia está na moda. A fotografia analógica ressuscitou. O Fotografia digital é interessante, mas há quem ainda prefira o filme. E por- analógica que é bom conhecer o passado para entender o presente, decidimos oferecer aos nossos leitores um Especial com sabor retro. ESPECIAL

08 > Exposição Veja as imagens de outros leitores e conheça um pouco mais sobre as mesmas... e os mesmos.

30 > Destaque Neste número desvendamos-lhe alguns segredos do Flash, explicando os termos mais comuns e como pode usar os modos mais básicos e criativos.

PRÁTICA

Guia completo e explicado passo a passo, com tudo o que precisa de saber para revelar a p&b em sua casa

BAÚ Conheça ao pormenor a Rolleiflex 2.8

ENTREVISTA Pedro Freitas e o gosto pela fotografia analógica

GALERIA Hugo Pinho em exposição neste especial

> EDITORIAL Regresso ao passado (?) A fotografia digital não para de evoluir. As máquinas atuais são capazes de coisas extraordinárias. Têm capacidades impensáveis há alguns anos. Contudo, o objetivo continua a ser o mesmo: tirar ou fazer fotografias. Não sei se por vivermos numa época em que as coisas de época estão na moda, principalmente o que diga respeito aos anos 80, o certo é que há muita gente a usar, ou a continuar a usar, máquinas fotográficas analógicas. E há os que começam a usar. Uns porque está na moda, outros porque encontram nas analógicas algo que as digitais não lhes oferecem, ou transmitem. Embora, julgo, menos importante, há ainda o fator preço. Pelo valor de uma digi-

tal de gama média, pode-se adquirir uma excelente máquina analógica e, eventualmente, até algumas objetivas.

o presente, convém conhecer o passado”. São vinte páginas em que viajamos no tempo.

Existe ainda o ritual de tirar a fotografia e só passados dias, às vezes meses, poder-se ver o resultado. Os mais conhecedores optam mesmo por revelar em casa o filme, não ficando dependente do que fazem os laboratórios.

Depois, há os habituais artigos de inspiração fotográfica. Viajámos até à Costa Rica para testar duas Leica, entrevistámos dois excelentes fotógrafos, apresentamos mais dois interessantes guias passo a passo para praticar em casa, mostramos o trabalho de alguns dos nossos leitores e ainda desvendamos alguns segredos do Flash.

Mesmo que a grande maioria das pessoas nem pense sequer trocar a sua máquina digital, ou venha a comprar uma analógica, não quer dizer que não se interesse em saber mais. Com isto em mente, a zOOm oferece aos seus leitores, um especial sobre fotografia analógica, tendo como base a ideia “Para perceber

Inspire-se e... boas fotografias.

A Direção

FICHA TÉCNICA

zOOM n.º 11 [Junho/Julho/Agosto 2012]

DIRECTOR Maurício Reis REDAÇÃO Cláudio Silva, Marcos Fernandes, Paulo Jorge Dias, Pedro Portela MARKETING/CIRCULAÇÃO Sandra Mendes ARTE/GRAFISMO +ideias design IMPRESSÃO Peres-Soctip - Indústrias Gráficas, S.A DISTRIBUIÇÃO Vasp, Lda PROPRIEDADE MR Edições e Publicações, de Maurício José da Silva Reis | Contribuinte 175282609 | REDAÇÃO|PUBLICIDADE Rua da Escola, 35 - Coselhas, Apartado 97, 3001-902 Coimbra | Tel.: 239081925 | E-mail: zoom.fotografiapratica@gmail.com | zoomfp@zoomfp.com | exposicao@zoomfp.com Depósito legal: 305470/10 | Registado na E.R.C. n.º 125761

Periodicidade: Trimestral | Tiragem: 12.500 exemplares

[ Está interdita a reprodução de textos e imagens por quaisquer meios, a não ser com a autorização por escrito da empresa editora ]

http://www.zoomfp.com Foto da capa: stock

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www.flickr.com/photos/revistazoom

http://twitter.com/revista_zoom

http://www.facebook.com/pages/Revista-zOOmFotografia-Prática/183784928322852


livros Q U E D E V E T E R N A S UA E S TA N T E . T E X TO : M A R C O S F E R N A N D E S

This is Not a House © Edgar Martins

FOTOS DE EDGAR MARTINS | EDITORA: DEWI LEWIS | PÁGINAS: 108 | €42

ebentou a bolha imobiliária nos Estados Unidos em 2007. Rebentou a crise mundial em 2008. Rebentou a polémica da manipulação digital no New York Times em 2009. São três aspectos ligados a esta obra de Edgar Martins. This is Not a House é um ensaio fotográfico sobre o

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impacto da crise do subprime, que levou ao colapso do mercado imobiliário nos Estados Unidos, deixando inúmeras casas desabitadas, boa parte por finalizar. Martins tinha sido comissariado pela revista do New York Times para fotografar esses espaços vazios de presença humana, em 16 localidades. As fotografias tornaram-se mais que testemunhos documentais. Mostram uma realidade vazia, inerte. Parecem palcos de uma quase realidade, ruinas sem dono. Outras fotografias representam mais que uma casa. São autênticas cidades fantasma, que nunca o chegaram a ser. Era certamente isto que os editores do New York Times queriam, e foi isto que Edgar Martins viu e apresentou. Mas a polémica estalou quando se descobriu que o fotógrafo tinha feito alterações digitais em

pormenores de algumas imagens. Edgar Martins explicaria que os factos são sempre construídos por quem os regista, e que sempre descreveu este ensaio como um estudo que ia além da investigação e documentação, que pretendia levar à reflexão sobre uma nova forma de arquitectura americana, a que chamou de «ruinas de idade do ouro». Na altura, escreveu um comunicado a citar Roland Barthes ao dizer que a Fotografia cria sempre um novo mundo em vez de duplicar o que já existe. Explicou, também, que Fernando Pessoa considerava que algumas verdades só podem ser contadas como ficção. A polémica deu azo a reflexões de artistas, comissários, antropólogos e filósofos., mas acabou por serenar. Organizaram-se exposições, a última das quais ainda patente em São Paulo. À falta de uma mostra em Portugal, nada como espreitar o livro.

Aparições, A Fotografia de Gérard Castello-Lopes 1956-2006 © Família Castello-Lopes, Paris

FOTOS DE GÉRARD CASTELLO-LOPES | EDITORA: BESarte e Fundação Calouste Gulbenkian | PÁGINAS: 288 | €35 grande para que respipareceu. Eis que, rem as imagens com finalmente, chega diferentes tamanhos, um livro de dimentambém convém que as sões consideráveis sobre a páginas do livro tenham vida e obra de Gérard «dimensões consideráCastello-Lopes. E refiro-me veis». Aparições imortadeliberadamente e literalliza a exposição póstumente a «dimensões consima que passou pelo deráveis». Esta obra, catáloespaço BES Arte & go da exposição que esteve Finança no final de 2011. recentemente em Lisboa e Apresenta fotografias a que por estes dias mora no preto e branco mas tamCentre Culturel Calouste bém a cores. No lote de Gulbenkian de Paris, tem imagens monocromátipraticamente 30cm de comcas há provas vintage, primento. Pode parecer pormais sépia, e inéditas. É menor tolo mas lembremouma retrospectiva de nos das conhecidas preocuGérard mas foge à linha pações que Gérard Castello- Gérard Castello-Lopes, Costa de Lavos, Portugal, 1960 cronológica e historicisLopes concedia à escala das ta que é hábito atribuirimagens, ao impulso de ter lhe – e que o próprio reconhecia –, de separar fotografias grandes, refreado pela percepção a sua Fotografia em duas fases: de meados de que cada foto, afinal, tem uma tamanho dos anos 50 a meados de 60, numa veia certo para assumir o seu esplendor. Da humanista e neo-realista, e dos anos 80 em mesma forma que convém que a parede seja

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diante, numa corrente mais plástica e intimista. Aparições foi coordenado por Jorge Calado, o iniciador da Colecção Nacional de Fotografia. Está à venda exclusivamente na Gulbenkian.

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livros Q U E D E V E T E R N A S UA E S TA N T E . T E X TO : M A R C O S F E R N A N D E S

White Noise FOTOS DE ANTÓNIO JÚLIO DUARTE | EDITORA: PIERRE VON KLEIST | PÁGINAS: 78 | €38 © António Júlio Duarte

Duarte pela luz violenta e crua do flash da sua máquina de médio formato, que reflecte em superfícies brilhantes e polidas. É um ruído branco mas, simultaneamente, a luz que traz à vida cantos sombrios. O flash é a prova de que também há vida, embora passageira, nos lobbies dos casinos de Macau. Quanto mais não seja pela simples, e efémera, passagem do fotógrafo.

A

repletas, nos espaços intermédios, os lobbies dos hotéis-casino estão desertos. São locais difíceis de interpretar, ora estéreis por serem locais de passagem sem identidade, ora exageradamente ricos de ornamentos, quase rococó. Mármores, cadeiras vintage, almofadados, dourados, louças, brilhantes. Uma austeridade crua e vazia, em espaços transbordantes de luxo. Os lobbies são locais frios, acentuados nas fotografias de António Júlio

Makulatur EDITADO POR PAULO NOZOLINO | EDITORA: STEIDL | PÁGINAS: 20 | €24 akulatur parece a memória de um órfão. É uma resposta emotiva de Nozolino à morte dos pais. Retrata os entes, decrépitos, na recta final da vida. As imagens são vizinhas de outras, simbólicas, carregadas de negros em tons de luto. No todo, Makulatur é uma violenta poesia visual sobre a relação com o fim. Nozolino tem-se ocupado de cenários de desolação noutras obras, com a morte por vezes suspensa. Mas agora os fantasmas são pessoais. Makulatur foi o título da exposição que esteve no ano passado na Galeria Quadrado Azul e que é agora transposta para livro pela Steidl. Na altura, a galeria apresentava o conjunto de imagens como uma obra «sóbria e contida, uma reflexão sobre a vida e a morte». O livro foi premiado na Alemanha com a medalha de prata do Deutscher Fotobuchpreis, que

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anualmente distingue os melhores livros de Fotografia editados na Alemanha.

© Paulo Nozolino

s salas de jogo estão habitualmente repletas, mesmo a meio da semana. Levas de homens de negócios, e não só, atravessam a fronteira nas Portas do Cerco ou chegam no final da tarde nos velozes barcos de Hong Kong, para onde cumprirão o vaivém muitas horas depois, já de madrugada. De permeio, sob o luar escondido pela névoa de Macau, o vício cumpre-se nos casinos. Mas se as salas de jogo estão


conhecer FOTÓGRAFOS DE CÁ E DE LÁ

FOTÓGRAFOS

© Tim Mantoani

© Timothy Allen

© Juza

Na zOOm damos-lhe a conhecer alguns dos melhores fotógrafos do mundo, sejam eles nacionais ou internacionais. As suas fotografias são, na grande maioria, autênticas fontes de inspiração. É que, felizmente, também se aprende (e muito) sobre fotografia... a ver.

Timothy Allen

Juza

Tim Mantoani

Pode parecer exagerado, mas a National Geographic já teve o privilégio de ter publicado imagens deste fotógrafo, que começou a sua carreira no jornal londrino The Independent. Mochileiro e viajante inveterado, já esteve em mais de 50 países nos últimos 20 anos. E a nossa sorte é que juntou a sua vontade e gosto de viajar à fotografia. Para além de estar sempre envolvido em ambiciosos projetos, foi o fotógrafo oficial da poderosa série documental da BBC, “Human Planet”. Ao longo de mais de dois anos viajou com as equipas de filmagem da BBC pelos quatro cantos do mundo, registando fotografias memoráveis. Esteve no frio extremo, no calor, na humidade e deu cabo de algum material fotográfico. Pode ver grande parte das imagens deste fotógrafo no livro com o mesmo nome da série e que vale cada cêntimo que custa. Para além de tudo isto, Timothy Allen ainda vai atualizando o seu blogue com algumas ideias e truques sobre fotografia. http://humanplanet.com/timothyallen/

Este fotógrafo italiano, nascido em 1985, começou como tantos outros: comprou a sua primeira SLR, uma Nikon N60 analógica, em 1999, e as fotos que tirava eram apenas para mais tarde recordar. Com o tempo começou a aprofundar os seus conhecimentos e foi ficando envolvido pelos aspetos técnicos e artísticos da fotografia. E ainda bem, dizemos nós, que seguimos quase religiosamente o trabalho de Juza. Em 2004 adquire a sua primeira câmera digital e, graças a todas as vantagens que este sistema oferece, a sua técnica chega a um outro nível. Desde então já experimentou e foi possuidor de inúmeras objetivas e câmeras. Junte-se a isto o gosto pela viagem e o resultado pode ser visto no site do fotógrafo: espetaculares fotografias de inúmeros países, macros, vida animal, entre outras. Na sua página ainda tem acesso a dicas, testes, opiniões, tudo sobre fotografia. http://www.juzaphoto.com

A primeira ligação à fotografia aconteceu no liceu, quando fotografava para o livro do ano da escola. Sempre desejou seguir a carreira como fotógrafo, mas isso parecia-lhe algo como ser uma estrela do rock. Ainda iniciou os estudos para ser engenheiro mas, ao fim de um ano, achou tudo ridículo e que não queria ter uma vida assim. Pretendia qualquer coisa ligada às artes e, claro, a fotografia estava no topo da lista das suas preferências. Depois de concluído o curso, desbravou caminho e é agora reconhecido em todo o mundo, principalmente o seu último trabalho e livro “Behind Photographs: archiving photographic legends”, que inclui 158 imagens de criadores e as suas inesquecíveis criações. Ou seja, Mantoani mostra pessoas que dedicaram as suas vidas à fotografia e as imagens mais famosas que conseguiram. As fotos de Tim foram feitas em Polaroid 20x24, formato quase extinto e caríssimo (cada revelação custa cerca de 150 euros), ao longo de cinco anos. Vale bem a pena, não só o livro, mas conhecer um pouco mais o trabalho do autor. http://www.mantoani.com

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à la minute E D I Ç Ã O R Á P I DA D E I M AG E N S

Retratos com carácter E xistem variadíssimas formas de retratos e igual número para os editar e apresentar. Mas uma coisa é certa, quase todos gostamos daqueles que revelam o carácter do fotografado. E, nestes, podemos incluir a imagem de um pescador, de um sem-abrigo, de um velhote, só para dar alguns exemplos. Alguns fotógrafos, na fase da edição, conseguem tornar alguns rostos em mais do que simples faces. Carregam em cada ruga, em cada poro, em cada olhar. Se sempre quis aprender alguma técnica para poder fazer o mesmo a alguns dos retratos que tira, então pode aprender neste número da zOOm. Para isso vamos recorrer a um dos filtros do Photoshop, o High Pass que é altamente eficaz como ferramenta de ‘sharpening’, contornando o mais pequeno detalhe para resultados hiper-realistas. n Z

ORIGINAL

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Abra a imagem a editar no Photoshop. Depois vá a ‘Layer’ > ‘Duplicate Layer’ para duplicar a imagem para uma nova camada (‘layer’). Clique em ‘Filter’ > ‘Other’ > ‘High Pass...’ para abrir a janela do filtro. À medida que aumenta o valor ‘Radius’ começará a ter um halo à volta dos contornos da imagem. Quando este halo for muito grande, a maior parte do pequeno detalhe desaparecerá, pelo que não aconselhamos exageros.

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Na janela das camadas, mude agora o modo de combinar (‘blend’) as layers para ‘Overlay’, através do respetivo menu. Isto permite combinar as duas camadas e revelar cada detalhe, maximizando o efeito do filtro High Pass. Se ainda assim julga que é pouco, pode ir ao menu ‘Layer’ > ‘New’ > ‘Layer via copy’ para duplicar o efeito.

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De volta à pequena janela das layers, vamos criar uma camada de ajuste para preto e branco. Para isto clique no pequeno ícone no fundo da janela, representado por um círculo dividido com preto e branco. Depois use as barras deslizantes para efetuar pequenos ajustes. Normalmente, as cores a mexer para edição de retratos são o ‘Red’ e ‘Yellow’ que têm como alvo os tons de pele.

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Crie agora uma nova camada de ajuste, neste caso ‘Levels’ (ou níveis). No gráfico que aparece use as barras do ponto Preto e do ponto Branco para aumentar o contraste geral da imagem. Não se acanhe e seja até excessivo (q.b.) para conseguir a tal imagem com carácter. Por fim faça a junção de todas as camadas – ‘Flatten Image’ – e grave o resultado final.


EDITADA Esta é uma das formas de apresentar retratos com carácter. E das mais fáceis e rápidas de aplicar.

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exposição NOME: Cláudia Miranda IDADE: 21 CÂMARA: Canon 5D MK II WEBSITE: http://www.facebook.com/ClaudiaMirandaPhoto

meu nome é Cláudia Miranda, tenho 21 anos e esta paixão por fotografia começou há cerca de 5

“O

anos. Comecei por brincadeira com as minhas amigas. O meu interesse foi aumentando e passei a levar a fotografia mais a sério. Tive várias máquinas, mas só há cerca de meio ano é que tive a máquina dos meus sonhos: uma Canon 5D Mark II. Tenho adorado trabalhar com ela e sinto que consegui evoluir bastante! Apesar de gostar de fotografar de tudo um pouco, é nos retratos e moda que me baseio. No momento frequento um atelier de fotografia, no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, e é essa a única formação que tenho na área. Espero brevemente poder entrar em Fotografia e conseguir chegar ao patamar que quero. Considero os meus trabalhos ainda simples – só trabalho mesmo com a máquina e pouco mais –, mas tenho orgulho no que consegui atingir até agora. Apesar de agora ser apenas um hobbie, espero que no futuro a fotografia faça parte da minha carreira. Algumas das fotografias aqui presentes fazem parte de uma sessão que tive o prazer de realizar com a Escola Es-passo de Dança do Entroncamento. Foi um trabalho diferente de tudo o que tinha feito. E adorei.”

BALLET “Catarina Raquel” Canon 5D MKII . 102mm . f/2.8 . 1/320” . ISO 250

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DESTAQUE DA EDIÇÃO

D O S L E I TO R E S

Gostaria de ver as suas fotos nesta secção? Envie as suas imagens num CD (ou por e-mail, para zoom.fotografiapratica@gmail.com), acompanhadas do respectivo título, uma pequena descrição e, caso pretenda, pode contar a sua história de vida ligada à fotografia. As fotos devem ter pelo menos 1500 pixéis no lado maior (300 dpi) e manterem o EXIF. zOOm - Fotografia Prática Apartado 97 . 3001-902 Coimbra


BALLET “Carolina Aquino” Canon 5D MKII . 190mm . f/2.8 . 1/250” . ISO 500

BALLET “Ana Rita” Canon 5D MKII . 200mm . f/2.8 . 1/2000” . ISO 160

BALLET “Carolina Aquino” Canon 5D MKII . 102mm . f/2.8 . 1/160” . ISO 1000

BALLET “Inês Gonçalves” Canon 5D MKII . 110mm . f/2.8 . 1/320” . ISO 320

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exposição D O S L E I TO R E S

AFONSO DE SOUSA www.flickr.com/photos/domin_guex CIMA: NAZARÉ VISTA DO FAROL “Trata-se de uma perspectiva – a meu ver – invulgar, já que as habituais fotografias da Nazaré são tiradas com a praia como primeiro plano e o elevador e o farol como pano de fundo.” Canon 550D . 18mm . f/9 . 1/100” . ISO 100

CARLOS TORRES http://olhares.aeiou.pt/carlostorres “A fotografia na minha vida foi mais do que uma cura. Era modelo e troquei esse sonho pelos meus amigos, pois perdia-os a cada dia que passava. Diziam que ser modelo faz das pessoas arrogantes. Como era um sonho, abandoná-lo foi um choque e uma pequena depressão começou a tomar conta de mim, até ao dia em que senti necessidade de comprar uma máquina fotográfica e começar a disparar. Cada clique fazia-me feliz. Não percebi o porquê e o certo é que hoje também não sei a razão daquela necessidade, mas o que sei é que quando dei por mim já não passava um dia sem fotografar e... já curado. A fotografia é a razão do meu viver. Nela encontrei uma paixão e uma maneira de ver o mundo, com um sorriso nos lábios.” CIMA: FANTASY “Produção para o catálogo da estilista Carla Alves, com a modelo Ana Rita Soares.” Canon 400D . 18mm . f/8 . 1/160” . ISO 800 CÉSAR TORRES http://www.cesartorres.pt.vu “Sou de Viana do Castelo e aficionado da Macro-fotografia. Procuro, no entanto, retratar o melhor possível tudo a que me submeto fotografar.” ESQUERDA: PICCADILLY CIRCUS “A praça de maior movimento em Londres.” Nikon D90 . 17mm . f/22 . 13” . ISO 100

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JOÃO CASACA http://www.olhares.com/jlacasaca “Tenho 47 anos e desde os meus 15 que sou um apaixonado por fotografia usando, na época, uma reflex analógica ZENITH comprada na então R.D.A. e fabricada na ex-U.R.S.S. Na altura gastava imensas economias em revelações até que, felizmente, veio a fotografia digital... Assim, em 2004, adquiri uma compacta digital NIKON e a seguir, em 2005, uma compacta digital SONY W5. Quando adquiri a SONY, que tinha um modo completamente manual, comecei a dar largas de novo à minha criatividade pessoal, recordando os tempo da velhinha reflex, embora com muitas limitações... Finalmente, no ano passado,

JOHNY FARIAS http://www.flickr.com/photos/johnyfarias/ “Levo comigo a ideia de que fotografar não é apenas criar arte, mas também criar o meu próprio registo contemporâneo, para que no futuro as pessoas vejam e saibam como era o mundo há alguns anos atrás.” CIMA: RUÍNAS “Foto tirada em Miranda do Douro. Ruínas que separam Portugal e Espanha. Usei um filtro de aquecimento que deu mais charme ao sombreado e às maravilhosas cores do crepúsculo.” Canon 1000D . 55mm . f/7.1 . 1/400” . ISO 200

adquiri uma Nikon D90 e agora sim recomecei a tirar verdadeiro prazer da fotografia como meu hobby de eleição. Quando passo dois dias sem tirar pelo menos uma foto começo a sentir-me doente.” CIMA ESQUERDA: AURORA RELUZENTE ... NIKON D90 . 200mm . f/5.6 . 1/80” . ISO 200 CIMA DIREITA: FLY ME TO THE MOON... NIKON D90 . 200mm . f/6.3 . 1/1000” . ISO 200

LÚCIA GRUMETE http://www.facebook.com/pages/L%C3%BAciaGrumete-Photography/145542905510987 “Tenho 19 anos e sou de Leiria. A fotografia entrou na minha vida como um raio de luz, algo que veio dar-me vivacidade e coragem para enfrentar o mundo. Amo o que faço, pois sei que tenho a capacidade de fazer pessoas felizes e não há nada melhor do que ver o sorriso de alguém! Podem acompanhar os meus trabalhos na página de facebook.” TOPO: SECRET CAR 1 “Modelo: Rute Malagueta” Canon 1000D . 50mm . f/4.5 . 1/125” . ISO 400

DENISE FERREIRA http://500px.com/DeniseFerreira?page=2 “Sou uma mera amadora e fotografar é a minha grande paixão. Como estilo principal prefiro fotografia relacionada com moda, onde treino desde sempre com uma grande amiga minha que me ajuda neste sonho. Em 2010 substituí a minha Canon 350D pela 550D. Esta é acompanhada pela objectiva 50mm f/1.8 II. Para mim, a fotografia é uma maneira única e maravilhosa de vermos o mundo como mais ninguém vê e por isso gostaria – e vou lutar para isso – de me dedicar à fotografia profissionalmente.”

CIMA: SECRET CAR 2 “Modelo: Rute Malagueta” Canon 1000D . 50mm . f/1.8 . 1/125” . ISO 400

CIMA: BELLE “Produção fotográfica com a modelo Inês Martins.” Canon 550D . 50mm . f/1.8 . 1/3200” . ISO 400

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exposição D O S L E I TO R E S

RITA FRANCO DE SOUSA http://olhares.aeiou.pt/mrita.francodesousa/ “Tenho interesse em desenho, pintura e artes decorativas, onde aprendi regras de composição, relações cromáticas, luz/sombra. Sinto necessidade de documentar e tento transmitir aquilo que sinto e vejo através da fotografia amadora.” CIMA: LUZ Canon 400D . 47mm . f/5.6 . 1/500” . ISO 100

SÍLVIA MARTINHO http://fotofabiomoreira.gallerysblogs.com “Com os meus 16 anos, numa tarde de férias de verão, uma rapariga, Filipa João, chamou-me para ser “modelo” numas fotografias que iria realizar na sua casa. Lembro-me que trabalhava com uma máquina da categoria das bridges. Mas eu adorava as fotografias que ela fazia, como ela conseguia criar um cenário fascinante, criar uma história à volta dos seus cliques. Lembro-me até hoje que, aos poucos, depois daquela ‘sessão fotográfica’ comecei a sentir o ‘bichinho’ da fotografia a crescer dentro de mim. [...] Ao longo destes cinco anos tenho feito alguns trabalhos esporádicos que me pedem, mas tudo muito ‘caseirinho’. Adoro fotografar pessoas, adoro captar a alma. Ainda tenho muito para aprender, aperfeiçoar e melhorar.”

VANESSA CARDOSO http://www.flickr.com/photos/vanessafcardoso/ CIMA: TERRAS DE BOURO “Terras de Bouro localiza-se no interior da região minhota, em pleno coração do Parque Natural da Peneda-Gerês. Trata-se de uma terra riquíssima em história, tradições e paisagens surpreendentes.” Canon 500D . 25mm . f/8 . 1/64” . ISO 100

CIMA: ANDREIA “Ensaio com Andreia Pereira, Praia da Barra” Sony a290 . 30mm . f/10 . 1/200” . ISO 100

VITOR GOMES www.casquinhatkd.blogspot.com “Tenho 23 anos e sou natural de Santo Tirso. Sou um verdadeiro amante de fotografia e todas as suas técnicas. Iniciei-me neste mundo há cerca de 3 anos, quando comprei aquela que é a máquina que possuo hoje, uma Canon Power Shot SX10 IS. Considero-me um autodidata, pois tudo o que sei em fotografia aprendi lendo umas coisitas aqui e ali, ou então da melhor forma, experimentando a própria máquina. Para mim a fotografia é a arte de captar sentimentos, pois a quem quer que as mostremos, todos têm, no fundo, uma lembrança de um local igual ou semelhante, ou apenas de um sonho, mas ninguém fica indiferente.”

ANA GRAVE http://olhares.aeiou.pt/jlld “A minha paixão pela fotografia nasceu em 2008, tinha eu 13 anos. Uma amiga queria entrar numa agência e eu, na inocência típica da idade e na ignorância das exigências requeridas, tirei-lhe umas fotos, naquela altura com uma máquina compacta, com pouca qualidade. E foi nessa brincadeira que começou a nascer o bichinho. Comecei a andar com a máquina na mão, fotografar tudo e toda a gente. No verão de 2009 adquiri a minha máquina reflex, uma Sony a300, e foi aí que comecei a levar a fotografia mais a sério. Desde então, consegui aprender, essencialmente sozinha, tudo o que sei agora. Fotografar tornou-se um vício, mas pode dizer-se que é um bom vício.”

CARLA FERNANDES http://olhares.aeiou.pt/jlld “Tenho 39 anos e há 6 anos comecei a ter o gosto pela fotografia. Fotografava com uma Nikon Fd65, analógica e, mais tarde, com uma Sony compacta DSC-S930, até que percebi que com esse tipo de máquinas dificilmente aprendia alguma coisa. Desde 2010 que fotografo com uma Nikon D3000 e decidi aprofundar os meus conhecimentos. Fiz um workshop do IPF sobre o tema ‘Fotografar o amanhecer’; outro de Nível 1 de técnicas básicas de fotografia em Penafiel; e um sobre ‘Fotografia de Rua’ no Porto. As minhas preferências são as longas exposições, mas como não possuo material nem tempo para esse tipo de fotografia comecei a dedicar-me à fotografia de rua.”

CIMA: FAMILY “Uma família de Suricatas Africanas.” Canon Power Shot SX10 . 49mm . f/5.0 . 1/320” . ISO 200

CIMA: BALLERINA “Modelo - Íris Cardoso” Sony a300 . 50mm . f/1.8 . 1/4000” . ISO 100

CIMA: AMARGURAS DA VIDA “Fotografia de rua, técnica de retratos, focagem, texturas, pormenores.” Nikon D3000 . 48mm . f/5.6 . 1/250” . ISO 400

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Vencedores de passatempos do site

ForumFotografia.net

CARLOS CARDOSO http://www.wix.com/carlos_dlux/photography “Depois de tanto conviver com colegas de trabalho, sendo eles fotógrafos amadores e profissionais, ganhei o gosto pela fotografia numas férias em Vila Nova de Milfontes. Três meses depois decidi investir numa reflex e continuo à descoberta, lendo livros e revistas com dicas e conselhos e, sobretudo, experimentando. Prefiro fotos de arquitectura e paisagens, bem como algumas macro. Tenho uma Sony A300 e objetivas Sony AF 18-70, Tokina AF SD 28-70mm, e a “antiga” Tamron 70-210mm, bem como os habituais tripé e filtros e disparador remoto. CIMA: ATRÁS DAS GRADES “A passar por Carnaxide e ao ter a máquina comigo, achei engraçado o gato estar atrás de um portão e, baixando-me ao nível dele, parecia preso. Tendo olhado para mim, foi tudo quanto bastou para fotografá-lo.” Casio EX-Z33 . 11,2mm . f/4.2 . 1/320” . ISO 100

TIAGO SILVA http://focaessafoca.blogspot.com "Tenho 28 anos e resido em Ílhavo, distrito de Aveiro. Sou um entusiasta da fotografia. Comecei a levar este hobby mais a sério em finais de 2006. Sempre numa vertente autodidacta, fui-me dedicando à fotografia de paisagem, tendo como fundo e base a rica e belíssima Ria de Aveiro." DIREITA: STRAWBERRY KISS "Durante o ano de 2011 comecei a apostar mais no retrato e em alguns projetos pessoais. De um desses projetos, 'Tutti Frutti', resultou a foto aqui publicada, vencedora do passatempo 'Vermelho' do ForumFotografia." Canon 5D . 105mm . f/2.8 . 1/160" . ISO 100

RAFAEL VINHAS http://www.flickr.com/photos/66587465@N07/ “O gosto pela fotografia surgiu como surge a muitos fotógrafos, passando-se. Quando me puseram pela primeira vez uma máquinas nas mãos, a minha êxtase e a minha excitação era clicar e clicar. Aos 15 anos tive a minha primeira Reflex, e hoje em dia clico só quando a razão me diz e a mente me ordena. Tudo é motivo de fotografar, não há barreiras nem limites, o limite está no tempo em que clica.” DIREITA: ABRAÇAR A NATUREZA “Tudo começa com o nascer. Aprende-se com o aprender. Ser-se amigo, começa no querer. Abraçar a natureza, para nós deve ser um dever. Uma lei que domina num tema, mas deve exercer-se na vida.” Canon 450D . 28mm . f/5.6 . 1/50” . ISO 100

DIOGO FERREIRA http://www.facebook.com/pages/Diogo-FerreiraPhotography/214980445209550 “Em cada fotografia eu vejo um autorretrato. O meu objectivo é mostrar o mundo que me rodeia, a forma de viver e pensar aos 23 anos de idade. Fotografia é a melhor maneira de me expressar com alguma beleza. Desde sempre que sinto um prazer enorme em ver o mundo através de uma máquina fotográfica. Desde o início da minha pequena caminhada como fotógrafo de moda, tenho feito vários trabalhos para agências, como freelancer ou simplesmente para o meu portfolio.” CIMA: LORENZA “Modelo: Lorenza Zorer (Next)”

MÁRIO PEREIRA http://focaessafoca.blogspot.com ESQUERDA: NÉCTAR DE LIMÃO “Vencedora do desafio ‘Amarelo’ do mês de Fevereiro do ForumFotografia.” Canon 450D . 100mm . f/4 . 1/250” . ISO 200

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exposição D O S L E I TO R E S

Parabéns aos três vencedores do passatempo que levámos a cabo com o site fotogenicos.net. Foram vários os participantes e a escolha das fotos ganhadoras não foi tarefa fácil. > Carlos Silva | Filipe Sequeira | Hugo Fernandes

MARIANA DIAS http://www.flickr.com/photos/carvalhomiguel/ “Tenho 19 anos e desde bem pequena que ‘brinco’ com o mundo da fotografia. Esta tem vindo a fazer parte do meu dia a dia; acompanha-me sempre, esteja onde estiver. Já tive oportunidade de fazer várias Exposições Fotográficas, com o objetivo de dar a conhecer um pouco do meu trabalho, o meu olhar, a mensagem que tento transmitir e a minha forma de expressar aquilo que sinto. Espero que um dia a Arte de fotografar venha a ser mais valorizada pela humanidade pois, no meu entender, o futuro depende da Arte seja ela qual for.” DIREITA: VESTI-ME DE LOUCURA “Esta fotografia fez parte da minha 3.ª Exposição Fotográfica, que se realizou no Museu Casa do Bocage, em Setúbal, no mês de Fevereiro de 2011. Todas as fotografias expostas foram tiradas com o Ator Ricardo Campos, do Grupo de Teatro Metáforas; a ele dirijo um grande obrigado pelo facto de, com o seu grande talento, ter conseguido tornar intemporais as suas expressões faciais e corporais. A Dramatização foi o tema base para a concretização deste projeto. Enquanto fotografava o Ricardo, ele transmitia todos os sentimentos possíveis e imaginários que um Ator no seu refúgio sente, como o medo, a angústia, a solidão, o desespero e a insegurança; por momentos ele esquecia-se que eu estava na sua presença e a fotografá-lo pois a sua concentração era total. O nosso objetivo foi cumprido; conseguimos sensibilizar o público-alvo que entrou e viveu aquele momento, tendo ficado valorizados, desta forma, todos os sentimentos que um Ator sente enquanto não está em palco.” Nikon D90 . 42mm . f/4.8 . 1/4”

CARLOS SILVA http://avlisilva85.no.comunidades.net “Nasci no ano de 1985, em Lisboa. Gosto de fotografia desde pequeno e tiro fotos desde os meus 16 anos. Mas só em dezembro de 2010 é que adquiri uma câmara profissional e, desde então, o poder de evolução e a vontade de fotografar vêm subindo a cada dia que passa...” CIMA: FIREBALL ON PDS “Foto conseguida na praia da Cruz Quebrada, com uma técnica que ando a explorar, “Light Painting”, sendo que, neste caso, a bola de fogo é feita com palha de aço.” Nikon D7000 . 8mm . f/8 . 30” . ISO 200

ANA LUAR http://avlisilva85.no.comunidades.net “Sou fotógrafa amadora, mas com vontade de aprender a arte de retratar o ser humano no seu melhor e pior. Adoro captar expressões, contar histórias através dos seus olhos.” CIMA: A MIÚDA “Esta é apenas uma, da grande panóplia de fotos em que recriei meninos, filhos de imigrantes, tão vistos nos filmes de outros tempos, meninos perdidos entre a solidão, a fome e o desmazelo.” Canon 550D . 154mm . f/6.3 - 1/80” . ISO 1600

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ISABEL BRINCA http://500px.com/Isab3ll/ “A fotografia é uma aventura recente, mas tornouse rapidamente numa necessidade. Neste momento o meu objectivo é aprender, dominar as técnicas básicas e aprender mais. O meu primeiro e único equipamento é uma bridge Sony H2.” CIMA: ALMOÇO DIFÍCIL “Heliotaurus ruficollis a enfiar-se dentro da flor com alguma dificuldade. Foto tirada na primavera de 2010.” Sony DSC-H2 . 6mm . f/2.8 . 1/250” . ISO 320

JOÃO SANTOS http://fotofabiomoreira.gallerysblogs.com “Tenho 17 anos e sou natural de Pias, Alentejo, Portugal. Sou fotógrafo amador, que apenas descobriu o gosto pela fotografia quando me foi oferecida a minha primeira máquina digital. Desde aí tenho tentando aprender, quer a ver trabalhos de outros fotógrafos (em especial através de sites de partilha de fotos), ou a tentar colocar em prática o que vou vendo e aprendendo. No verão de 2010 o meu interesse pela fotografia aumentou, o que me levou a comprar a minha primeira câmera digital SLR, que me ajudou a explorar ainda mais alguns aspetos da fotografia. Tenho um gosto especial por fotografia de rua, paisagens, arquitectura e viagens. Tenho uma Nikon D3000 com as objectivas 18-55mm e 55-200mm VR. O próximo investimento será uma grande angular.”

JOÃO PEDRO http://davidmartinsphoto.wordpress.com “Sempre gostei bastante de fotografia, mas só recentemente entrei mais a sério neste mundo e passei a ocupar parte dos meus tempos livres a aprender técnicas fundamentais para poder conseguir tirar cada vez melhores fotografias. Não sou profissional, a fotografia representa para mim um hobby e uma paixão de olhar as coisas com outros olhos.” CIMA: CAMINHADA PELO INFINITO Sony a200 . 300mm . f/8 . 1/1000” . ISO 100

CIMA: FILHO DO VENTO Nikon D3000 . 135mm . f/5 . 1/125” . ISO 250

RAGHUNATH KADAVANOOR www.casquinhatkd.blogspot.com CIMA: PIED KINGFISHER “Viajámos durante 16 dias pela Gâmbia a convite de amigos que lá trabalham na área da investigação científica. Isso quer dizer que aproveitámos muito do conhecimento deles do terreno, de alojamento numa linda casa particular e da possibilidade de nos deslocarmos num velho, mas potente, jeep local. Pudemos visitar reservas e parques naturais, praias e sítios de observação privilegiada da Natureza. A Gâmbia tem mais de 500 espécies de pássaros! Visitámos ainda o Jardim Botânico e a reserva de chimpanzés de ABUKO. Esta foto de um Kingfisher foi escolhida como um símbolo de beleza e liberdade.” Canon 1000D . 260mm . f/5.6 . 1/180” . ISO 400

PEDRO COSTA http://olhares.aeiou.pt/jlld “Adoro fotografar. No mínimo sinto tudo o que fotografo. A minha máquina fotográfica é uma Panasonic Lumix Fz38 – máquina barata e compacta. O meu sonho é mesmo ter uma reflex com uma objectiva como deve ser, mas para tal não há possibilidades monetárias. Assim sendo, continuo na mesma a fotografar com alma e muitos sentimentos!” CIMA: PÔR DO SOL Panasonic DMC-FZ38 . 23,7mm . f/3.6 . 1/400” . ISO 125

PAULO VICENTE http://olhares.aeiou.pt/jlld “O meu primeiro contacto com a fotografia foi em miúdo, quando o meu pai me deixou levar uma Halina “Roy” 127, que ainda guardo, e que mais parecia um caixote, para uma excursão. A partir daí seguiram-se as Kodak para nos lembrarmos de férias, passeios, etc. Por volta dos 20 anos comprei uma reflex Cosina e, nessa altura, comecei a interessar-me mais, comprando livros e estudando alguma teoria da fotografia. Mas foi quando comprei uma Canon EOS 5, de 35 mm, que realmente tomei o gosto à coisa. Há cerca de ano e meio adquiri uma Olympus E 510 IS. Estou agora com um projeto de registar bandas ao vivo da minha cidade. “ CIMA: XUTOS LIVE “Xutos e Pontapés ao vivo, em Évora, num momento em que decidiram dar banho ao público.” Olympus E510 . 40mm . f/14 . 1/60” . ISO 800

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exposição D O S L E I TO R E S

DAVID MARTINS http://davidmartinsphoto.wordpress.com “Tenho 22 anos e sou natural de Cascais. Profissionalmente sou técnico de informática, mas como hobby adoro tirar fotos! Desde que o meu pai comprou uma Canon 500N, tinha eu cerca de 8 anos, apanhei uma paixão enorme pela arte de fotografar. Comecei a tirar fotografias em rolo e cada uma que tirava, apanhava mais o gosto de o fazer. Brevemente vou adquirir uma Canon EOS 5D Mark II, para fazer um projecto de grandes planos.” CIMA: A (IN)DIFERENÇA Canon 60D . 74mm . f/4.5 . 1/500” . ISO 100

EDGAR ALMEIDA http://www.edgaralmeida.net “Ao comprar a minha primeira compacta, há alguns anos atrás, surgiu o gosto pela fotografia. Da compacta passei para uma bridge e depois para uma 10D em segunda mão. Foi entre estas duas últimas máquinas que aprendi mais sobre técnica fotográfica. De momento conto com uma 7D e equipamento diverso (simpatizando bastante com as lentes 10-20mm, 50mm 1.8 e lensbaby e com os filtros Cokin e IR). Em relação à fotografia em si, tenho como preferência a fotografia paisagista, de produto, espontânea e artística/abstracta. De momento trabalho como designer gráfico, pós-produtor e fotógrafo assistente, no estúdio m – academia de fotografia em Coimbra.” CIMA: MINIMALIST TREE “Fotografia minimalista de árvore contra parede de um barracão em madeira.” Canon 7D . 135mm . f/5.6 . 1/50” . ISO 100

FILIPE MADEIRA http://www.flickr.com/photos/fdmadeira/ “Chamo-me Filipe e tenho formação na área dos Audiovisuais. Há cerca de 2 anos surgiu a paixão pela fotografia, comprei uma Canon 500D e desde aí tenho vindo a fotografar, experimentar.” CIMA: UM ANJO “Foto tirada em Las Ramblas, Barcelona. Talvez uma das artes de rua que mais admiro, pela capacidade de concentração.” Canon 500D . 75mm . f/4.5 . 1/100” . ISO 200

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FILIPE SILVA www.olhares.com/LuisGomes84 “Tenho 40 anos vivo em Vermoil, no concelho de Pombal. O meu interesse pela fotografia começou recentemente com a oferta de uma Canon 1100D. Gosto de ler revistas e livros sobre fotografia, pois acho que é importante para aprender como funciona uma máquina fotográfica e como tirar o máximo partido dela. O meu lema é fazer fotografia e não tirar fotografia.” CIMA: PARAMOTOR AO PÔR DO SOL “Desporto aéreo chamado Paramotor, em que o piloto tem uma asa e um motor às costas para lhe dar velocidade, conseguindo manobrar a asa de forma a subir, descer ou ir para onde quer.” Canon 1100D . 52mm . f/5.6 . 1/800” . ISO 100

EDGAR MAGALHÃES www.olhares.com/EgasMagalhaes “A fotografia entrou na minha vida há uns anos, mas mais a sério há cerca de um ano com a compra da minha primeira reflex. Considero-a um vício e uma paixão. Tento saber mais, partilhar experiências, aprender com quem anda nisto há muito mais tempo, ler, ver e ouvir acerca de técnicas utilizadas e ir disparando, deixando fluir a imaginação e pondo à prova novas aprendizagens.” CIMA: ESQUECIDOS “Antigos tanques onde as lavadeiras do rio Almonda lavavam a sua roupa. O progresso remeteu-os ao abandono, mas continua a ser um local fabuloso para se fotografar. As quedas de água limpa e cristalina, acabada de brotar do subsolo nesta nascente, de um dos afluentes do Tejo e no qual tantos miúdos se divertiram nas tardes de verão.” Sony a390 . 22mm . f/25 . 0,4” . ISO 200

HUGO SOARES http://www.olhares.com/Ludoviko “Chamo-me Hugo Soares, vivo em Gaia. Sempre tive o gosto pela fotografia, desde o analógico até ao digital. A fotografia faz-nos ver o meio que nos rodeia de maneira diferente; faz-nos andar sempre de olhos no ar!” CIMA: INDIFERENCIAS “Foto tirada na Foz do Douro, a um farol dos mais conhecidos – Farol das Felgueiras –, aqui num dia em que pescador e fotógrafo desafiam a natureza!” Panasonic DMC-LZ8 . 15,3mm . f/5.7 . 1/640” . ISO 100


ANTÓNIO CHORA http://www.luisdiasfotografia.weebly.com “Natural de Rio Maior, nasci em 1960, e desde muito cedo fui enfeitiçado pela arte da fotografia. Comecei com uma pequena compacta de filme 110, evoluí para as Reflex analógicas, mais tarde as compactas digitais e, claro, até chegar às reflex digitais. Tento, ao longo do meu percurso fotográfico, transmitir as minhas mensagens através da imagem. Adoro a fotografia de paisagem, natureza, mas também fotografo desporto, espectáculos, modelos e crianças. Para poder melhorar, estou a iniciar formação avançada de imagem.” CIMA: VELHO CARVALHO ATENTO AO OCASO Canon 40D . 33mm . f/4.5 . 1/40” . ISO 200

BRUNO PEREIRA http://olhares.aeiou.pt/BlackWidow “Olá, chamo-me Bruno e sou de Salvador, uma pequena aldeia no distrito de Castelo Branco. Comecei a ter gosto pela fotografia há 6 anos. Desde então ando sempre a tentar fazer boas fotos. Sou apenas um amador a tentar passar para a imagem digital as belas imagens que vejo com os meus olhos.” CIMA: RIBEIRA “Ribeira com paisagens lindíssimas perto de Castelo Branco” Canon 1000D . 50mm . f/22 . 4” . ISO 100

ARMANDO LEANDRO http://500px.com/seeyou “Atualmente não uso filtros ou polarizadores, tendo usado diversos no passado. Não uso o Photoshop devido à exigência do tempo necessário. Uso muito pouco o tripé e o flash. Geralmente viajo apenas com duas objetivas mais uma câmara. Registo o momento apenas com o material que tenho nas mãos. Gosto de fotografar o imprevisto, isso obriga-me a avaliar e analisar instantaneamente o momento do disparo. As melhores fotos partilho na Internet. Nenhuma foto publicada sofreu manipulação a não ser em brilho, contraste ou crop. O mesmo se aplica aos trabalhos em HDR.”

BEATRIZ PINTO http://www.olhares.com/faruka “Tenho 14 anos, sou de Lisboa e sou estudante. Adoro fotografia. Sempre tive paixão pela fotografia e espero, sinceramente, que siga esta área como um passatempo ou mesmo como profissional. Gosto imenso da revista zOOm, pois dá-me muitas dicas e já me ensinou várias coisas importantíssimas sobre a fotografia!” CIMA: COIMBRA “Foto tirada durante uma visita de estudo a Coimbra, realizada no mês de Março. Fujifilm FinePix S4000 . 35,8mm . f/4.9 . 1/200” . ISO 64

CIMA: EM TERRAS DE BOURO Canon 1D MK IV . 70mm . f/22 . 8” . ISO 50

BRUNO ROCHA http://olhares.aeiou.pt/jlld “Vivo no Porto e desde cedo descobri o gosto pela fotografia. Inicialmente usava uma Olympus fe230. Mais tarde, a necessidade de uma nova máquina e também para evoluir neste mundo fantástico da fotografia, comprei uma Canon EOS 1000D. Não tenho uma categoria preferida para as minhas fotografias. Gosto de fotografar tanto animais, como pessoas, ou até paisagens. O simples facto de fotografar completa-me.” CIMA: A BOIAR “Esta imagem foi capturada numa ida casual a Espanha. A estrutura do barco provocou em mim uma sensação de nostalgia e fiz o clique. E o resultado foi esta imagem que, na minha opinião, está muito gira.” Olympus FE230 . 18,9mm . f/5.9 . 1/320” . ISO 50

DAVID CARDOSO http://www.flickr.com/photos/diogogouveiaamaral “Tenho 15 anos e sou estudante. Pretendo seguir curso de fotografia e fazer desta arte a minha vida... Apesar da minha idade, comecei cedo. Aos 10 anos já tinha máquina digital, mas investi numa Olympus SP800-UZ que me ajudou a revelar o meu amor por macro – e em fotos macro é essa mesmo que uso. A fotografia é de família. O meu avô tem algumas máquinas de rolo que eu uso e vou tentando superar os desafios que a fotografia analógica me propõe. O meu pai também gosta muito de fotografia e também é ótimo fotógrafo. Tenho uma Nikon D3000 com objetivas 18-55mm, 28mm e 70-300mm. CIMA: SWITZERLAND BEAUTY “Esta linda flor ‘encontrou-me’ na Suíça quando fui lá com os escuteiros. Nos intervalos das atividades pegava na câmara e lá ia eu... Foi perto de um riacho que tirei esta foto e fiquei muito contente com a mesma.” Olympus SP800UZ . 15,2mm . f/5.6 . 1/800” . ISO 50

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exposição D O S L E I TO R E S

ALEXANDER BASTAN www.olhares.com/FranciscoBogalho “Sou Alexander Bastan de Leningrad (n.r. São Peterburgo). Emigrei para Portugal em 2001. Sou soldador certificado com experiência professional de 14 anos. Gosto de fotografia avançada, mais do que fotografia tradicional. Foto panorâmica, ou foto em 3D é o meu forte. Também tenho uma coleção de puxadores, batentes, que conta com mais de 450 peças diferentes. No Olhares.com o meu nik é Russo Soldador. Não dou grande valor às fotografias que passem por muitos tratamentos em Photoshop, sou purista. As datas nas fotografias servem como a minha assinatura... e para dar um aspeto mais amador. Utilizo câmaras tipo Bridge, como Canon SI 3S ou Fuji HS10, porque é um equipamento universal.”

ALEXANDRE ALVES http://www.henriquecastilho.com “Tenho 22 anos e só há cerca de sensivelmente dois anos descobri a fotografia e a sua essência. Tudo o que aprendi foi por minha conta, solicitando e trocando também impressões com outros fotógrafos já experientes que, sem dúvida, contribuíram para fomentar a paixão por esta arte luminosa.” CIMA: OLD LISBON “Retrata principalmente a velha Lisboa e as suas tradições e toda a história que se faz acompanhar com as belezas ainda Portuguesas.” Canon 400D . 39mm . f/5 . 1/250” . ISO 100

CIMA: PONTE DE LOUSA, DE NOITE Canon PowerShot S3 IS . 8,1mm . f/3.2 . 10”

ANA LOURO http://olhares.aeiou.pt/jpedro1982 “Tenho 26 anos e o gosto pela fotografia já surgiu há uns bons anos, mas tem vindo a crescer gradualmente. Para isto têm contribuído as inúmeras viagens que tenho feito nos últimos anos, pois é um dos meus temas favoritos para fotografar, desde paisagem natural a urbana, às diferentes gentes e costumes. Ultimamente, comecei a interessar-me bastante por fotografia nocturna, embora seja uma área em que ainda necessito de trabalhar muito. Sou apenas amadora mas não dispenso a minha CANON EOS 1000D, para onde quer que vá.” CIMA: LAGO BLED, ESLOVÉNIA “Um dos mais belíssimos lagos que tive a oportunidade de visitar. Igualmente sublime é a vista que se tem do cimo do castelo, para a paisagem alpina.” Canon 1000D . 21mm . f/3.5 . 1/400” . ISO 100

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ANA SILVA http://www.olhares.com/jlacasaca “Tenho 22 anos e desde de muito cedo que gosto de fotografia. Comecei a fotografar com uma Sony Cybershot. Este Natal consegui comprar uma Nikon D3100, o que fez com que o gosto pela fotografia aumentasse ainda mais.” CIMA: O CÉU É O LIMITE “Uma frase que me diz muito: ‘É possível impôr silêncio ao sentimento, mas não é impossível marcar-lhe limites’”. Nikon D3100 . 110mm . f/13 . 1/640” . ISO 100

ALEXANDRE SIMÕES “Sou de Olhão, tenho 36 anos e o meu gosto pela fotografia já vem de há alguns anos. Comecei com uma máquina compacta da Sony, mas há cerca de dois anos e meio comprei uma Sony a350. O pouco que sei aprendi lendo revistas e vendo vídeos na Internet. Como resolvi aprender mais sobre fotografia estou, neste momento, a frequentar um curso de fotografia digital na Casa da Juventude de Olhão, curso esse cujo formador é o fotógrafo Rui Serra Ribeiro. Os temas que mais gosto de fotografar são Natureza e Desporto.” CIMA: LUZES DE NATAL “Esta fotografia foi tirada durante uma aula de fotografia noturna, do curso de fotografia digital da Casa da Juventude de Olhão, com o formador Rui Serra Ribeiro.” Sony a350 . 26mm . f/6.3 . 1/5” . ISO 800

ANDRÉ VARELA http://www.flickr.com/photos/andre_varela/ “Sou fotógrafo. Comecei por fotografar ocasionalmente com a máquina do meu pai, uma Canon A1 e, depois, a fotografia assumiu um papel secundário na minha vida. Esse interesse voltou em força e de há um ano para cá que apenas me dedico a isso. Os meus interesses, na área da fotografia, são variados, tendo inicialmente dado mais importância à fotografia de rua. No entanto, atualmente a fotografia conceptual e o auto retrato assumem setenta por cento do meu trabalho. No início comecei por utilizar equipamento Nikon – tinha uma D3100 e uma D7000 (assim como objectivas 50mm f/1.8 e uma 55200mm). Mas agora utilizo equipamento Canon (Canon 60D, 50mm f/1.4 e 70-200mm L f/4).” CIMA: THE LAST DAY ON EARTH “Esta foto foi feita com o objectivo de transmitir uma mensagem. O que farias no teu último dia na Terra?”


prática I N S P I R E - S E C O M O S N O S S O S E X E M P L O S P R ÁT I C O S

Saído da casca á referimos, mas voltamos a frisar que não precisa de sair de casa para tirar fotografias. Mas também não é obrigatório continuar a fotografar as jarras, as flores, ou os brinquedos dos filhos, se for o caso. Com um pouco de imaginação e uma pitada de humor conseguirá imagens curiosas, como a que aqui publicamos. Confessamos que esta ideia não é original,

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tendo sido adaptada de outras que vimos na Internet. Pareceu-nos interessante para a colocarmos em prática e mostrar aos nossos leitores que precisam de muito pouco para a levar a cabo, somente um flash, uma máquina e respetiva objetiva (até pode ser a do kit), cartolina, ráfia, idealmente tripé e, por fim, uma caixa de ovos. A ideia passa por apresentar um ovo que-

brado, como que se um impaciente pinto estivesse a contar os dias para sair da sua prisão-ovo. E não se preocupe se sujar as mãos, ou tiver algum trabalho a preparar o cenário porque, como diz o ditado, não se fazem omeletes (neste caso, fotografias), sem partir alguns ovos.

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prática I N S P I R E - S E C O M O S N O S S O S E X E M P L O S P R ÁT I C O S

Dificuldade média Equipamento usado Canon 5D MKII Canon 24-70mm Canon 430EX II Tripé Mais Cartolinas Ráfia Ovos Caneta de tinta permanente

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Numa das cascas desenhe alguns traços cortados a meio (ou qualquer outra mensagem que queira) recorrendo a um marcador, de preferência de tinta permanente. Certamente que já viu esta ideia reproduzida em filmes e livros de banda desenhada.

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Agora chega o momento de preparar o equipamento fotográfico necessário. Para além da câmara necessitará de um flash e de um ‘snoot’, ou cone de luz. Este acessório existe à venda, mas pode facilmente simular um recorrendo a, por exemplo, cartolina preta enrolada na cabeça do flash, como pode ver no nosso exemplo.

Comece por partir um ovo (pelo menos) e verta o conteúdo para um copo (pode mais tarde aproveitar para fazer uma omelete). No interior terá alguns resíduos que é melhor limpar. Lave cuidadosamente, ou então use um papel absorvente para o efeito.

Com o seu cenário preparado – cartolina como fundo, ráfia e ovos cuidadosamente colocados – use o marcador para desenhar umas pegadas de pinto, saindo da direção do ninho até à borda do papel, como se fugisse de ovo.

Deixe as cascas secarem mais um pouco e prepare o restante cenário. Para o efeito recorremos a uma cartolina amarela e ráfia para simular um ninho. Obviamente que pode experimentar outras cores e formas de ninho.

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Se tem um tripé, use-o, já que vai ter que segurar no flash para direcionar a luz. Através do óculo, ou do LiveView, componha a imagem na câmara e faça a focagem (depois passe para foco manual). Com a câmara também em modo manual, defina a velocidade de sincronização da mesma com o flash (1/200” na Canon 5D MKII) e uma abertura entre f/8 e f/11. Defina também o flash para manual e na máxima potência. Coloque o cone junto ao ninho e tire algumas fotos de teste. Se necessário, socorra-se do temporizador da máquina, ou de um cabo disparador.

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As imagens resultantes podem sofrer de sobre/sub exposição. Se o resultado for muito brilhante, reduza a potência do flash e/ou movao para mais longe do ninho. Faça o inverso se a foto sair escura. Aponte mais para a frente do ninho para o fundo sair escurecido.

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Com a sessão terminada, descarregue as imagens para o computador e edite-as a gosto. Use a ferramenta de clonagem do seu programa de edição para eliminar alguns elementos mais inestéticos, ou para corrigir pequenas imperfeições, como letras nos ovos, por exemplo. Grave o ficheiro uma vez concluído o trabalho.


IMAGEM FINAL Com pouco material, paciĂŞncia e vontade para uma tarde de fotografia, pode aproveitar a ideia para simular a fuga de outros animais.

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prática I N S P I R E - S E C O M O S N O S S O S E X E M P L O S P R ÁT I C O S

Fruta aos pedaços zOOm já começa a ser conhecida no mercado. Mas não nos estamos a referir exatamente ao mercado editorial, mas ao de frutas, legumes, peixe e carne. É que na última edição trouxemos a público um guia com um kiwi. Neste número é a vez de surgir uma banana. Podemos não ser os melhores clientes, mas ninguém nos pode acusar de não termos uma alimentação equilibrada. A ideia inicial era um pouco diferente daquela que apresentamos nestas páginas. Mas as ideias às vezes são como as conversas, logo, como as cerejas... Lá estamos nós de volta à fruta. Não querendo alongar muito na primeira ideia, até porque podemos precisar dela no futuro, o certo é que a meio deste guia prático, ou logo quase inicialmente, nos lembrámos de imagens semelhantes que já encontrámos pela Internet e que seria interessante explorar. E, assim, também a banana inicial, mais madura, foi substituída por uma mais verde, que nos possibilitou um melhor resultado final. Felizmente, não precisa de nada especial, em termos de equipamento, para levar a cabo esta tarefa. A sua máquina digital, objetiva mesmo que a do kit, uma folha de cartolina branca, tripé (não essencial, mas que pode ajudar bastante), um ferro pequeno e fita cola. Estes dois últimos elementos podem ser substituídos por algo semelhante e que cumpra a mesma função, conforme poderá ver mais à frente no texto. O efeito final é curioso e pode ter inúmeras aplicações.

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Dificuldade baixa Equipamento usado Canon 5D MK II Canon 24-70mm Tripé Mais Banana Cartolina branca Bostique Espeto de ferro Fita cola

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Comece por criar a área que servirá como fundo, recorrendo à cartolina branca. Experimente também uma versão com cartolina preta para ver se resulta. Pode usar bostique, por exemplo, para segurar os cantos da cartolina e, já agora, a própria banana, colocando-a de forma a esconder o que a segura.

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Com a ajuda do LiveView, focámos manualmente a banana. Depois definimos uma abertura entre f/8 e 1/11 e tirámos uma primeira fotografia de teste. Como já suspeitávamos a imagem ficou sub exposta. Solução: aumentar a compensação à exposição em praticamente 2 stops. O resultado ficou muito melhor. Se fotografar com cartolina preta, poderá ter necessidade de compensar negativamente a exposição.

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A meio do percurso decidimos avançar com uma ideia alternativa. Descascámos e cortámos, a partir do meio, a banana aos pedaços. Contudo, por já se encontrar madura demais e por ter sido descascada pelo lado errado, decidimos fazer o mesmo mas a uma banana mais verde. Descasque-a a partir da ponta, que normalmente está livre no cacho, até meio. Corte uns três pedaços.


IMAGEM FINAL Qualquer que seja o seu equipamento fotográfico, basta juntar um pouco de imaginação e conseguirá resultados como este. Experimente com outros frutos e com fundos de cor diferente.

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Agora usámos um pequeno espeto de forma a atravessar o meio da banana e depois colocar os pedaços cortados. Só que se não tiver cuidado, os mesmos vão escorregar e ficar juntos novamente. Solução: cortámos pequenos pedaços de fita cola que enrolámos no ferro, entre cada um dos pedaços da banana, mantendo-os sensivelmente à mesma distância.

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Feito isto, com cuidado e com ajuda do bostique, por exemplo, coloque a banana sobre a cartolina. Volte a focar e defina uma abertura pequena, entre f/8 e f/11 de forma a conseguir uma boa definição do assunto. Tome mais uma vez atenção à compensação da exposição.

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Finalmente, depois de descarregadas as imagens para o computador, abra-as no seu programa de edição favorito. Ajuste os níveis e curvas de forma a clarear o máximo possível o fundo (sem perder detalhe na banana) – ou o inverso se trabalhar com cartolina preta. Depois, recorrendo à ferramenta clone, apague o ferro e “reconstrua” a parte central de cada um dos pedaços da banana. Não esquecer de fazer o mesmo à sombra. Grave o resultado final e impressione os seus amigos.

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Viagem à Costa Rica Quando compramos um carro novo damos um passeio maior e dizemos que fomos fazer a “rodagem”. Ora, então quando se compra uma câmara nova fazse o quê? Viaja-se até outro continente para fazer a rodagem do novo equipamento? Foi isso que fez o nosso viajante de eleição, Maurício Matos, que partiu rumo à Costa Rica para experimentar a sua nova Leica.

Leica M9 . 1/64” . ISO 160 Latitude: 10,471495º N Longitude: 84,758823º W

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Leica M9 . 0,5” . ISO 160 Latitude: 9,624416º N Longitude: 85,09717º W

sta foi a minha segunda visita à Costa Rica mas, na prática, foi a primeira vez que vi o país com olhos de ver. Na primeira ocasião em que lá estive a estadia foi muito breve e não tive muito tempo para perceber como eram as coisas. Estes 10 dias que lá passei, e nos quais percorri 2200 km de carro, deixaramme com uma ideia muito mais concreta em relação ao país e às pessoas. Para começar, tive bastante sorte com o tempo. Arrisquei ir numa época em que muitas vezes chove, algumas dessas vezes uma chuva torrencial, como ficou provado poucos dias depois de eu voltar, quando aconteceu uma tempestade que até pontes levou. No entanto, e no período em que eu lá estive, o tempo esteve geralmente bom e só tive chuva no final da minha viagem, quando já não me atrapalhou muito. Apesar disto, e para quem estiver a pensar visitar, nada como ir em dezembro, janeiro ou fevereiro, quando o tempo bom é garantido. A parte má é que é época alta e os preços sobem consideravelmente. E por falar em preços, a Costa Rica não é um desses países baratos onde se pode passar muito tempo com pouco dinheiro, pelo menos para quem quiser ficar em hotéis bons ou com um mínimo de qualidade. Também os restaurantes não são propriamente baratos, pelo menos

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nos locais mais turísticos, que foi onde eu andei. O preço da gasolina é igualmente alto. Não tão alto como em Portugal mas não fica tão longe assim. Sendo a Costa Rica um país pequeno, funciona um pouco como Portugal. É possível, num dia, atravessar o país de um lado ao outro. É possível acordar numa qualquer praia do Oceano Atlântico e ir ver o pôr do sol numa praia do Oceano Pacífico. O estado das estradas é, em alguns locais, miserável… muito especialmente na Península de Nicoya. Além disso, e devido ao perfil dessas estradas, as distâncias enganam um pouco. Mesmo aquelas estradas que são boas, têm um perfil sinuoso, devido à geografia do país. E visto que quase não existem estradas com duas faixas em cada sentido, é mesmo muito complicado ultrapassar, em especial nas zonas onde existem as grandes plantações de bananas, que são altamente frequentadas pelos camiões que as transportam. Apesar disto, é muito simples conduzir na Costa Rica, embora aconselhe a utilização de um GPS para encontrar facilmente os locais a visitar. No meu caso utilizei um mapa para aparelhos Garmin e funcionou na perfeição. Relativamente a documentos, a Carta de Condução portuguesa é tudo o que é preciso, juntamente com o passaporte… e sei isso por experiência própria porque fui mandado parar


Leica M9 . 1/1000” . ISO 160 Latitude: 9,808084º N Longitude: 84,90311º W

pela polícia mais do que uma vez. Em relação à beleza natural do país, penso que é visível nas fotos que tirei, embora eu me tenha concentrado especialmente nas praias, que foi onde passei a maioria do tempo. E as praias são muitas, divididas pela costa do Atlântico e do Pacífico. Daquilo que visitei, gostei mais do lado do Pacífico. E além das praias, existem os vulcões. São vários mas a jóia da coroa é o Vulcão Arenal. Desta vez, e ao contrário do que aconteceu na minha primeira visita, consegui vê-lo e fotografá-lo, embora apenas por uns minutos. É preciso, de facto, ter alguma sorte para ter uma visão perfeita de todo o cone do vulcão. Já os vulcões Poás e Irazú, nada! Apenas nevoeiro. Acontece. Existem ainda os diversos parques nacionais, com inúmeros quilómetros quadrados de floresta tropical, onde se pode observar um enorme número de espécies de fauna e flora.

Leica: “Fotografar menos, mas melhor” Poucas semanas antes desta minha viagem, tomei uma decisão drástica e arriscada em relação ao meu equipamento. Resolvi trocar as minhas DSLR por um par de Leicas. Foi uma mudança radical que

envolvia muito mais do que uma simples troca de máquinas e objetivas. Representava uma mudança completa na forma de fotografar. Agora, algumas semanas passadas, posso dizer com toda a certeza que a adaptação foi boa. A viagem foi um sucesso e estou muito satisfeito com as fotos que trouxe comigo. Como sempre digo, qualquer câmara é uma solução de compromisso: não há nenhuma que seja perfeita. Houve momentos em que senti a falta das minhas Canon, fosse pela focagem automática, fosse por ser à prova de chuva. No entanto, foram muito mais os momentos em que agradeci o facto da Leica ser uma câmara pequena, compacta… um prazer de usar. Vou começar por referir os aspetos mais chatos na utilização das Leica em fotografia de viagem. Afinal de contas, o tipo de fotografia que mais faço e que mais prazer me dá. Em primeiro lugar, e aquilo que mais me incomoda na Leica, é a sujidade no sensor, coisa à qual já não estava habituado há uns anos. As M9 e M8 não têm qualquer sistema de limpeza de sensor, comum hoje em dia em qualquer DSLR… e no meu tipo de fotografia, que usa essencialmente aberturas pequenas, qualquer partícula de pó se torna visível. Esperemos que esta questão possa ser resolvida em futuras versões da máquina.

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Leica M9 . 1/180” . ISO 160 Latitude: 9,624478º N Longitude: 85,15075º W


O LCD da máquina é simplesmente ridículo. É ria se fosse uma 1D, mais 3 ou 4 objetivas L. inadmissível que uma máquina de quase 6000 A qualidade é também visível. Em relação ao corpo euros tenha um LCD tão fraco. A mim não me faz das Leica, é aquela sensação de estar a fotografar com grande diferença porque não sou muito de avaliar uma obra de arte. Construção primorosa, sem falhas. as fotos pelo LCD. Mas para quem tem o hábito de o Simplesmente nada a apontar (tirando o LCD, do qual já fazer, é uma tragédia. Simplesmente o elo fraco da falei). Uma peça que, simplesmente pelo seu estilo, Leica M9 (e da M8 também). aumenta o prazer de fotografar. O facto de estar a fotoOutro problema que surge quando se fotografa grafar com uma máquina diferente também dá um com uma ‘rangefinder’ é a utilização de filtros, em certo prazer. Sim, para mim é tão importante o prazer especial filtros polarizadores, que eu tanto uso. Ao que tenho a usar uma máquina como a qualidade das olhar pelo visor de uma Leica, não se tem o feedimagens que esta produz. back do filtro, visto que não se está a olhar através Já em relação às objetivas Zeiss, que são a minha Leica M9 da objetiva como numa DSLR. Assim sendo não se escolha devido ao preço absurdo das Leica, a qualidade Leica M8 consegue perceber qual o efeito que o filtro está a que já esperava tendo em conta o que conhecia delas. ter na imagem. Ótima construção, nítidas, compactas. Objetivas: Existem basicamente duas soluções para isso. A respeito das fotos que saem da M9, do melhor que Zeiss 21mm f/2.8 Biogon T* ZM Uma, a minha preferida, é usar filtros que tenham já vi. Fotos nítidas, ricas em cores, com muito menos Zeiss 28mm f/2.8 Biogon T* ZM marcas, caso dos Heliopan, e ter um na lente e um necessidade de edição, mesmo fotografando em RAW, Zeiss 50mm f/1.5 C Sonnar T* ZM na mão. Rodar o da mão e olhar através dele e, coisa que sempre faço. Fotos que podem ser impressas Zeiss 85mm f/4 Tele-Tessar T* ZM quando o efeito for o desejado, ver a marca e colocar em tamanho enorme, mantendo a qualidade. Site http://www.mauriciomatos.com o filtro que está na lente na mesma posição. Sim, é O facto de ser obrigado a lidar com a focagem chato… nada prático. A outra solução é simplesmenmanual faz-me fotografar menos, mas melhor. Esta é a te ir rodando e ir tirando diferentes fotos até obter a sensação com que fiquei. Tiro menos fotos mas aproveidesejada. to mais das que tiro. Faz-me também fotografar de forma diferente, O facto da máquina também não ser resistente a chuva ou pó limioptar por coisas diferentes, e também me impede de tirar certas ta um pouco as condições em que podemos fotografar, especialmente fotos. Mas é algo que eu já sabia quando fiz esta opção. No entanto, tendo em conta o custo e o medo que temos de danificar a câmara de não são as fotos que não se tiram que importam… o que realmente alguma forma. De certeza que não fotografava com a Leica em alguimporta são aquelas que se tiram e a qualidade com que ficam. mas das condições que cheguei a fotografar com a 1D Mark IV. Em conclusão, as Leicas M9 e M8 não são máquinas perfeitas. Em relação a coisas menos positivas, estamos conversados. E os Nenhuma é. Tem os seus problemas, as suas falhas, mas é provavelaspetos que mais me agradaram? Bem… em primeiro lugar a razão mente a máquina com a qual tive mais prazer em fotografar até hoje. principal pela qual eu fiz a troca. Equipamento mais leve, mais comNão vou dizer que vão ser as minhas máquinas no longo prazo, porpacto, mais “user friendly”. que hoje em dia o mundo da fotografia muda quase de um dia para o E, após estes 10 dias na Costa Rica, posso dizer que de facto é um outro. Não se sabe o que aí vem. prazer fotografar com estas câmaras. Um pequeno saco é suficiente Mas, atualmente, não há nenhuma outra máquina que eu preferispara levar um corpo com uma objetiva e duas ou três objetivas mais. se ter. É tão simples como isso.” n Z Algo que não pesa e não incomoda da mesma forma que incomoda-

Na mala de viagem...

Leica M9 . 1/750” . ISO 160 Latitude: 9,6518º N Longitude: 85,1736º W

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FLASH SEM SEGREDOS É muito mais do que um simples clarão que denuncia a presença do fotógrafo. O sistema flash da sua câmara digital permite-lhe iluminar o sujeito e capturar um conjunto de belos efeitos criativos. Saiba como o utilizar e tirar partido de todos seus modos, para chegar ainda mais perto da fotografia perfeita.

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o nível das exposições, nunca foi tão fácil fotografar como agora, com a câmara a encarregar-se de todas aquelas fórmulas complicadas, que são necessárias para atingir exposições perfeitas. No passado, cabia ao fotógrafo todo o trabalho de calcular quais as definições da câmara que eram necessárias. Ora, isso podia dificultar a vida a alguns de nós, até mesmo para aquelas fotos aparentemente mais simples. Graças ao avanço tecnológico, os novos modelos apresentam grandes inovações ao nível da comunicação entre o flash e a câmara, o que permite todo o tipo de composições e efeitos até os mais complexos, com relativa simplicidade. Existem, atualmente, diversos modos à escolha. Tantos que podem deixá-lo confuso na hora de escolher aquele que se adequa melhor a cada situação. Mas não se preocupe que é para isso que nós cá estamos. Neste artigo vamos explicar-lhe as principais funções: o que são, para que servem, como, quando e como deve usá-las. Está aqui tudo. Quer esteja a usar o flash integrado ou externo, este guia vai dar-lhe a conhecer tudo o que precisa para tirar a melhor fotografia possível.

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O seu flash ao pormenor Peça a peça, saiba quais são os componentes do seu flash e para que servem eles.

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Porque precisamos de um flash externo? Praticamente todas as câmaras SLR dispõem de um flash integrado, que já vem de série. Ora, isso levanos à pergunta recorrente de quem se inicia no mundo da fotografia: se a câmara já está equipada com um flash, porque teremos de comprar um externo? Há várias razões para isso, mas como não temos tempo nem espaço suficiente, resumimos todas elas em três boas razões. Potência: A saída do flash que vem de série com a câmara é suficientemente boa para fotografar sujeitos posicionados a um ou dois metros. Mas não mais do que isso. Já os flash externos têm uma potência bem maior, permitindo-lhe fazer a exposição adequada de sujeitos posicionados a vários metros de distância. Caraterísticas: O flash de série dispõe de vários modos, mas não se comparam ao grau de sofisticação de um externo. Para além da cabeça inclinável, dispõem de modos adicionais que possibilitam um uso bem mais criativo do flash. Flexibilidade: A utilização de um flash externo abre-lhe todo um novo mundo de possibilidades. Por exemplo, pode combinar mais do que um flash para criar vários pontos de iluminação. Com jeitinho, vai conseguir até fazer frente aos sistemas de flash de estúdio, de forma bem mais económica e portátil.

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1) Cabeça do flash: A cabeça do flash é capaz de rodar em ângulos verticais e horizontais. Sendo inclinável, pode ser direcionada para áreas específicas, onde a luz seja mais necessária. A inclinação permite também aumentar o raio de ação do flash. 2) Lâmpada AF Assist: Na fotografia de baixa iluminação, pode haver situações em que é visível um feixe em tom avermelhado a sair do flash. Trata-se da chamada lâmpada de assistência à focagem que, como o nome indica, ajuda a câmara a fixar a focagem. 3) Difusor/refletor de origem: Para suavizar a luz, faça deslizar o difusor sobre a janela do flash. Pode também usar o refletor para redirecionar a saída do flash. 4) Tomada externa: Vários modelos de gama média e alta dispõem de uma entrada para encaixe de uma fonte de energia. 5) Monitor LCD: Alguns modelos de flash têm uma quantidade de funções de tal modo avançadas que necessitam de um pequeno monitor LCD. Aí encontra informação diversa sobre os modos de flash selecionados, bem como uma escala de distância que lhe dará uma representação do alcance do flash, de acordo com as definições escolhidas. 6) Botões de controlo: Dispor de funções avançadas implica que o flash terá um grande número de botões. Claro que, para simplificar as coisas, cada botão controla mais do que uma função, pelo que é

recomendável que perca algum tempo a experimentá-los. Nem sempre a sua utilização é intuitiva e de compreensão fácil. 7) Encaixe: O flash vem equipado com pequenos pinos que vão encaixar nos contactos da câmara, de modo a transferirem informação entre um e outro equipamento. E, claro, para acionar o flash quando premir o botão de disparo da sua câmara. Quase todos os encaixes têm o mesmo desenho, com exceção das câmaras da série Alpha, da Sony. 8) Lâmpada Pronto/Teste: A maior parte dos modelos inclui uma lâmpada “a dois tempos”, ou seja, a luz passa de verde para vermelho, conforme o flash esteja parcial ou totalmente carregado. Em alguns casos, pode premir esta lâmpada de modo a que o flash faça um disparo de teste. 9) Mecanismo de fecho: É um sistema que impede que o flash caia do encaixe, assegurando o seu fecho total, em perfeita segurança. 10) Base: Alguns flash que incluem a função wireless estão equipados com uma base. Esta permite que o flash fique em pé, de forma a posicioná-lo onde muito bem entender, sem qualquer ligação à câmara. Caso o seu flash não inclua um destes suportes, pode sempre comprar um adaptador – encontram-se facilmente na Internet – com o qual a câmara pode ficar devidamente apoiada ou, então, instalada num tripé.


Usar o “bounce flash” (rebatido) A luz do seu flash pode ser impiedosa para com os retratos. Para evitar que se arruíne uma boa fotografia, os flash externos incluem a possibilidade de rebater a cabeça (ou inclinar). Na sua posição normal, a cabeça do flash distribui a luz diretamente no sujeito, o que resulta muitas vezes em sombras que surgem por trás do sujeito. Mas, ao fazer “tabela” na parede ou no teto, a luz do flash vai ser distribuída de forma a eliminar essas sombras incómodas. O importante é que tenha em conta o ângulo da inclinação, que é como quem diz, quanto deve inclinar a cabeça do flash. O ideal é que “aponte” o flash para que ele fique ali a meio caminho entre si e o sujeito. Se apontar a cabeça do flash para um ponto demasiado baixo, o mais provável é que o flash “salte” por trás do sujeito. Aponte-a para demasiado longe e ele “cairá” em frente e ele. Além disso, certifique-se de que ele “salta” a partir de uma superfície branca ou de cor neutra, uma vez que a luz do flash vai assumir a cor da superfície. Se o seu flash tiver um refletor ou difusor, use-o para melhorar ainda mais o efeito do flash.

Compensação à exposição do flash Não é uma função que vá usar assim muitas vezes. Mas é importante que a conheça, uma vez que é uma forma rápida e simples de controlar os níveis da saída de flash. A compensação à exposição do flash é usada para aumentar ou reduzir a quantidade de flash que a câmara entendeu ser necessária. Ora, normalmente precisamos disto depois de revermos uma fotografia que acabamos de tirar e descobrimos que ela precisava de mais (ou menos) flash. Também pode recorrer a esta função quando tiver fotografado com flash de preenchimento e chegar à conclusão que o equilíbrio entre o flash e a luz ambiente não é o mais indicado. E há ainda uma outra situação na qual pode ser necessário recorrer à compensação da exposição do flash. Em alguns modelos da Nikon, Pentax e Sony, quaisquer ajustes que faça usando a compensação à exposição vão afetar a exposição do flash. Nesses casos, a compensação à exposição do flash é fundamental para compensar eventuais desvios.

Glossário flash Os termos associados ao seu flash nem sempre são os mais simples de compreender. Até porque alguns deles nem têm tradução para português. Para lhe facilitar a vida, organizámos uma espécie de dicionário que inclui aquelas palavras mais usadas.

Medição de flash TTL A sigla TTL significa Through The Lens – em português Através da Objetiva – e a sua câmara usa este tipo de medição para conseguir exposições o mais precisas possível. Em regra, a maior parte das câmaras utiliza o padrão multizonas como base para o cálculo da exposição. Algumas disponibilizam a opção como função personalizada, de alternar com a medição ponderada ao centro. Há ainda sistemas que disparam uma espécie de “pré-flash” para dar uma ajudinha à exposição e outros que incluem uma função de FE-Lock (Flash-Exposure Lock). Isto vai permitir-lhe efetuar uma leitura pontual, usando o flash naquelas situações mais traiçoeiras. Resumindo: para a esmagadora maioria das fotografias que o leitor vai tirar, o padrão TTL é o suficiente para garantir bons resultados. Red-eye Quem nunca se deparou com o problema dos olhos vermelhos numa foto, que atire a primeira pedra! Ou o primeiro clique. A verdade é que este é um problema recorrente quando se fotografa com flash. E não, não é verdade que os sujeitos que ficam com olhos vermelhos estejam possuídos pelo demónio. Isso acontece pura e simplesmente porque a luz do flash é refletida nos vasos sanguíneos da retina. Claro que para resolver isto os fabricantes já equipam as câmaras com sistemas para a redução do efeito ‘red-eye’. E mesmo quando eles não forem suficientes para o eliminar, há um ou dois truques que revelamos neste artigo. Velocidade de sincronização As câmaras digitais têm uma velocidade de disparo até onde podem ser sincronizadas com o flash. Em regra, essa velocidade situa-se entre os 1/90 e os 1/250 segundos. É possível selecionar velocidades de disparo abaixo destes valores, mas nunca acima. Isto porque a essas velocidades o mais certo era que uma boa parte da sua fotografia aparecesse toda a negro. Guide Number (número guia) O GN, ou Guide Number – em português, Número Guia – corresponde a uma indicação da potência do flash externo. Quanto mais elevado for o Guide Number, maior potência o flash terá. É frequentemente indicado como um valor seguido da referência “ISO 100, m”, que corresponde à indicação da sua potência em metros, quando usado com uma definição específica de ISO. Dificilmente terá necessidade de calcular uma exposição de flash, mas se isso

acontecer defina a câmara para modo manual, a velocidade de disparo para a sua velocidade de sincronização e calcule a exposição seguindo esta fórmula simples: Abertura = número guia / distância entre o sujeito e o flash. Sendo assim, quando o sujeito estiver a 10 metros do flash e o seu número guia for 40, vai precisar de definir uma abertura de f/4. A maior parte dos flash que vem de origem com a sua câmara tem um GN de aproximadamente 12, enquanto a maioria dos flash externos varia entre os 28 e os 50. Flash Master and Slave Nas situações em que usar vários flash externos, deve usar um flash externo “Master” que irá controlar os restantes flash. Se procurar bem, encontrará um botão na parte de trás do flash que permite defini-lo para qualquer configuração. Cobertura do Flash Esta expressão corresponde à dispersão da luz a partir do flash. Está indicado como um comprimento focal – normalmente à volta dos 18 mm – de modo a que deverá ter atenção aos valores. Se usar uma objetiva mais larga do que aquela que está indicada, arrisca-se a obter uma fotografia com cantos escuros devido à falta de cobertura do flash.

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Modos de flash Se a ideia for controlar o flash, a primeira coisa que tem de aprender são quais os modos e funções do flash que estão disponíveis e compreender quando e como os devemos usar. Antigamente era tudo bem mais simples. O flash tinha só dois modos de funcionamento: ligado e desligado. Em contraste, hoje os flashes vêm equipados com tantos os modos de funcionamento que podem deixar às aranhas não só um fotógrafo caloiro, mas também os mais experientes. Cada modo de flash é mais adequado a cada tipo de sujeito e, por esse motivo, é fundamental que saiba como e quando usar cada um dos modos. E aqui entra a vantagem do digital: pode fazer as experiências todas que muito bem entender, que a única coisa que vai gastar é tempo. Experimente cada um deles, depois experimente-os novamente e volte a experimentar… e por aí fora. Pratique e volte a praticar até começar a perceber de que forma cada um dos modos de flash se adequa a cada uma das situações com que se vai deparar na sua fotografia. É que, lá diz o ditado, a prática leva à perfeição…

OS MAIS BÁSICOS AUTOMÁTICO

Este modo Luz de Preenchimento é dos mais úteis. No caso dos retratos à luz do dia, pode usar o modo de flash forçado para remover sombras. Ou então, naquelas situações em que a face do sujeito estiver na sombra. Ou seja, em situações onde exista iluminação suficiente, o que faz com que o automático não dispare. A quantidade de luz de preenchimento é determinada pela câmara, mas pode aumentá-la ou reduzi-la usando a compensação à exposição do flash, como explicado na página 33. Quando usar: ao fotografar sujeitos em contraluz, uma vez que evita que os objetos em primeiro plano fiquem escuros e revela detalhe no sujeito; ao fotografar um sujeito posicionado na sombra (por exemplo, debaixo de uma árvore), com a cara “manchada” de sombras.

As câmaras DSLR não dispõem de um modo de flash automático. Em vez disso, estão preparadas para ativar o flash automaticamente, quando forem definidos certos modos de exposição. Nos modelos intermédios – as chamadas câmaras CSC – em alguns casos está disponível um modo de flash automático, que funciona da mesma forma que nas compactas: o flash dispara quando a fotografia for captada em condições de baixa iluminação. Quando usar: em fotografias no interior visto que é mais provável que, ao fotografar apenas com luz ambiente, as fotografias podem perder qualidade com qualquer tremor da câmara.

FLASH-OFF

FORÇADO (LUZ DE PREENCHIMENTO)

Conhecido como “Modo Desligado” a sua função é impedir o disparo do flash mesmo quando fotografa num ambiente escuro. Nem todas as câmaras dispõem dele, mas é particularmente útil em situações em que não queremos – ou podemos – usar o flash. Se estiver em modo automático o mais certo é que a nossa câmara decida que é necessário usar o flash e fazê-lo saltar cá para fora. Com este modo “off” assegura-se de que isso não acontece. Quando usar: se deseja captar a iluminação natural, sem interferência da luz padronizada do flash; para evitar reflexos (por exemplo, ao fotografar a relva); ou em locais onde o flash não seja permitido, como é o caso dos museus onde a intensidade do flash pode interferir com as cores das pinturas, ou em espetáculos musicais. REDUÇÃO DE OLHOS VERMELHOS É um modo que lhe permite eliminar – ou pelo menos reduzir – aquele irritante fenómeno que acontece ao fotografar retratos no interior: os olhos vermelhos do sujeito. A sua função consiste em enganar o olho do sujeito. Isto porque, neste

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modo, antes do flash a sério (o que é disparado no momento da fotografia) o flash vai fazer alguns disparos preliminares curtos e rápidos que vão obrigar a retina a contrair-se (a reação natural quando exposta a ele). Desse modo, vamos impedir que o vermelho dos vasos sanguíneos seja refletido no flash a valer, que é disparado logo a seguir. Para além deste modo de flash, pode reduzir o efeito de “olhos vermelhos” recorrendo a um destes truques: - posicione o flash longe da objetiva (quanto mais afastados estiverem um do outro menor é a probabilidade do “olho vermelho”, pelo que pode optar por um ou mais flash externos, situados a alguma distância da sua câmara); - aumente a luz ambiente (quanto maior for a iluminação ambiente menor o risco de pupilas dilatadas, pelo que é aconselhável que sacrifique o ambiente intimista da meia luz em favor de uma sala mais iluminada); - use flash rebatido (o “olho vermelho” resulta de exposição direta ao flash, pelo que a inclinação vai resolver parte do problema); - afaste o sujeito de bebidas alcoólicas (o álcool faz com que as pupilas se dilatem e quanto mais ela estiver dilatada maior o risco de refletir o vermelho dos vasos sanguíneos); - recorra ao software de edição (há situações em que nada disto resulta, ou então, a fotografia já está tirada e não se apercebeu do problema a tempo de repetir, pelo que é nessa altura que deve usar o programa de edição de imagem para remover o “olho vermelho”).


OS MAIS CRIATIVOS SINCRONIZAÇÃO LENTA

Fotografar nos modos de flash “normais” tem as suas desvantagens. Eles usam velocidades de disparo mais rápidas para evitar que a câmara trema, o que resulta muitas vezes num sujeito bem iluminado… mas o fundo fica escuro. Para resolver este problema existe o chamado modo de sincronização lenta. É usado para dar uma melhor exposição das áreas do plano de fundo fora do alcance do flash, permitindo-lhe ganhar claridade. A grande vantagem deste modo é que pode combinar o flash com uma baixa velocidade de disparo. Os longos tempos de exposição permitem-lhe captar a luz ambiente de toda a cena, enquanto o flash se encarrega de iluminar o sujeito. Mas há que tomar as devidas cautelas. Como o obturador vai permanecer aberto durante algum tempo, qualquer movimento que seja registado durante a exposição poderá dar cabo de uma ótima fotografia. Por isso é que recomendamos vivamente o uso de um tripé. A não ser, claro, que esteja à procura de um efeito criativo para a sua fotografia. Nesse caso, a nossa sugestão é que faça precisamente o contrário: dê movimento. Mas não um movimento à bruta! Experimente rodar a câmara no sentido dos ponteiros do relógio (e no sentido inverso), durante a exposição. E que tal? Reparou como os pontos brilhantes ficaram registados sob a forma de estrias? Realmente, este modo abre-lhe um novo mundo de possibilidades. Tem é de aprender a explorá-las devidamente. Uma boa parte das câmaras dispõe do modo Sincronização Lenta e há outros modelos que definem automaticamente o flash para este modo quando usa determinados modos de exposição. A Sincronização Lenta pode também ser usada em conjunto com o modo de Sincronia (segunda cortina) – explicado mais abaixo – mas não em todas as câmaras. Quando usar: para revelar a luz ambiente no pano de fundo e num sujeito exposto ao flash; para conseguir efeitos criativos, movimentando a câmara enquanto usa uma velocidade de disparo lenta. SINCRONIZAÇÃO À SEGUNDA CORTINA Em condições normais, a sua câmara está configurada para efetuar a sincronização do flash com a primeira cortina. Ora, isto significa que, ao tirar uma fotografia, o disparar do flash é feito no início da exposição. Isto funciona perfeitamente na maior parte das exposições, mas quando utilizar exposições mais longas pode afetar negativamente o resultado, se houver um sujeito em movimento dentro do enquadramento. O que acontece é

que o flash dispara quando premir o botão de disparo e assim regista o sujeito na sua posição original dentro de enquadramento. Mas, uma vez que este continua a mover-se, o que fica registado é uma faixa que percorre a cena. De modo a tornar a imagem mais natural, deve selecionar o modo de sincronização à segunda cortina, que vai assegurar que o flash seja disparado apenas no final da exposição. Claro que isto levanta um outro problema. Com este modo de flash, ao fotografar um sujeito em movimento nunca sabemos ao certo em que parte da cena ele estará no momento do disparo do flash. Isto não será um problema se a velocidade de disparo for razoavelmente rápida – na casa dos 1/8” – mas pode ser uma chatice dos diabos se usar velocidades de disparo mais baixas. Principalmente se o sujeito estiver a movimentarse rapidamente.

Quando usar: para captar movimento, usando baixas velocidades de disparo para fotografar sujeitos em movimento. FLASH WIRELESS (SEM FIOS) Fazer experiências com o flash é uma tentação a que poucos resistem, dada a facilidade de disparar o flash externo, sem qualquer tipo do ligações através de cabos e fios. Fotografar com a tecnologia wireless (ou “sem fios”) varia de modelo para modelo, mas a instalação básica consiste em escolher o modo de Flash Wireless e utilizar um flash de encaixa na câmara para acionar os flashes externos. O melhor de tudo é que a fotografia wireless é possível mesmo quando a sua câmara não dispuser de um modo de Flash Wireless. Basta que faça a ligação de um disparador wireless, ou trigger, ao encaixe da câmara e este acionará o flash externo. Claro que há sempre o problema do preço – os modelos de marca saem sempre caros – mas pode optar pelos chamados “disparadores independentes”. Existem modelos mais baratos que não dispõem de medição de flash TTL, enquanto os mais caros disponibilizam, regra geral, quase todas as funções.

Quando usar: instalações com múltiplos flashes externos; ou quando usar gel de flash colorido para dar cor ao seu pano e fundo. FLASH FP/ALTA VELOCIDADE É um modo que está disponível num conjunto limitado de câmaras e flash, mas que permite que o flash seja usado em qualquer velocidade de disparo. O que é uma grande vantagem, visto que não limita a utilização à sincronização de velocidade por defeito. Isto é particularmente útil para quem faz fotografia de desporto, já que possibilita o uso do flash à luz do dia para “congelar” a ação. Mas também pode ser bastante útil aos fotógrafos que procuram combinar flash com grandes aberturas em pleno dia. Ora, isto tudo, traduzido por miúdos, quer dizer que este não é um modo acessível aos caloiros ou mesmo a fotógrafos com pouca rodagem. É um modo de flash algo avançado, ideal para os mais experientes e com necessidades específicas. Quando usar: nas situações em que quiser utilizar o flash para congelar a ação durante o dia; quando pretender usar o flash à luz do dia. CONFIGURAÇÃO MANUAL DE POTÊNCIA Boa parte dos flash de encaixe na câmara fazem disparar as configurações manuais de potência. Estas estão definidas para disparar o flash numa proporção de potência muito particular: por passos, desde a potência máxima, até 1/2 de potência, 1/4 de potência e por aí fora, até aos 1/64 de potência. Quando usado numa configuração de potência manual, o flash será consistente, independentemente das definições da câmara, luz ambiente, ou qualquer outro elemento variável. Defina as configurações de potência e o flash disparará sempre com a mesma intensidade. Isto quer dizer que, uma vez configuradas, as exposições do flash são consistentes. O que é muito útil para fotografar uma enorme variedade de sujeitos, que vão desde a luz à escuridão, ou que sejam reflexivos. Uma vez definida a proporção manual de potência do seu flash (ou vários flash) de modo a assegurar uma exposição razoável, todas as exposições serão consistentes. A não ser que faça variações na distância entre o flash e o sujeito. Outra situação na qual as configurações manuais do flash podem revelarse úteis é quando utilizar um flash externo com alguma idade ou de uma marca diferente da câmara. Ao utilizá-lo em modo manual, recorrendo a disparador, por exemplo, vai poder disparar um conjunto de flashes ao mesmo tempo. Também pode recorrer a este modo naquelas situações em que pretende pintar a cena, usando o flash. Z

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pela objectiva de... T E X TO : PAU L O J O R G E D I A S . F O TO S : J OÃ O P I N A

Canon 5D . 35mm . f/1.6 . 1/125” . ISO 1250

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JOÃO PINA

“O Mundo é o melhor lugar do Mundo para se ser fotógrafo” Define o seu trabalho como fotografia de lutas. Vive em Paris, mas passa boa parte do tempo na América Latina. Fotografa cenários de guerra, com o mesmo à vontade com que fotografa uma cena de rua. E diz que não descobriu a fotografia…foi ela quem tomou conta da sua vida.

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pela objectiva de... J OÃ O P I N A

uase todos nós fizemos algo marcante aos 18 anos. Uns tiraram a carta, outros fizeram uma viagem de sonho, outros arranjaram o primeiro emprego… João Pina assinalou o seu 18.º aniversário tornando-se fotógrafo. Desde miúdo que dava uns cliques – primeiro com a câmara do avô e depois com a sua Fuji “point-and-shoot” – e o interesse foi crescendo, até ao dia em que se apercebeu de que a fotografia tomara conta da sua vida. Foi a fotografia que o levou a viajar pelo mundo, tendo passado os últimos dez anos entre a Europa e a América Latina. Mas não é só o fotógrafo quem viaja. O seu trabalho também passeia pelo mundo… nas páginas de publicações conceituadas como The New York Times, New Yorker, Time, Newsweek, Stern, GEO, El Pais, La Vanguardia Magazine, Days Japan, Expresso e Visão. Em publicações, mas também em exposições: Londres, Nova Iorque, Tóquio, Lisboa, todas elas já foram devidamente apresentadas ao trabalho de João Pina. Enfim, o Mundo é a sua casa. Mas é, mais do que isso, o melhor lugar do mundo para se ser fotógrafo.

Q

zOOm: Retrato, guerra, viagens, cidade... como é que consegue fazer caber tudo isso dentro da fotografia? João Pina: Não sou eu que consigo nada, a vida são todas essas coisas. Eu conheço pessoas, fotografo-as, viajo, visito cidades, passo por conflitos. E a minha desculpa para poder estar em todos esses lugares e visitar todas essas pessoas é tirar fotografias.

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Canon 1D . 21mm . f/3.2 . 1/80” . ISO 100

Todos temos uma “história” na fotografia? Qual é a sua? Como e quando descobriu que ela ia fazer parte da sua vida? Eu nunca descobri que ela ia fazer parte da minha vida… simplesmente a fotografia foi tomando conta dela. Comecei a fotografar desde miúdo e, devagar, fui-me interessando cada vez mais. Tudo se foi tornando mais sério, comecei a trabalhar como fotógrafo aos 18 anos e o resto está à vista. Todas as “histórias” com fotografia envolvem uma primeira câmara. Lembra-se qual foi a sua? A primeira câmara com que eu me lembro de ter fotografado foi uma Yashica-mate médio formato (6x6) do meu avô. Eu deveria ter entre 4 e 5 anos (mais tarde o meu avô ofereceu-me essa máquina), depois a minha avó ofereceu-me uma máquina muito pequenina que também servia de porta-chaves e usava filmes 110. E, aos 11 ou 12 anos, tive a minha primeira máquina a “sério”. Uma Fuji point-and-shoot muito fraquinha, que comprei com as minhas poupanças da semanada. Custou-me 11 contos e 500. E a aprendizagem, como foi? Fale-nos um pouco desse processo. A aprendizagem é um processo contínuo. Ainda hoje continuo a aprender todos os dias coisas novas. Numa primeira fase, tudo era na base da tentativa e erro: fotografava, revelava e logo se via o que saia. Uns anos mais tarde, comecei a interessar-me mais pela parte técnica da fotografia e comecei a entender o que era preciso para que este

processo mágico de conseguir gravar visualmente o que nos está à frente aconteça. Isso também me levou quando já estava a trabalhar, a ir fazer um curso de fotografia no Ar.Co para, basicamente, aprender a funcionar dentro de um laboratório. Durante um ano estive em aulas à noite a aprender a revelar/imprimir preto e branco. E logo em 2004 decidi, depois de terminar um curso superior de Marketing ao mesmo tempo que sempre trabalhei como fotógrafo, que queria continuar a estudar fotografia mas fora de Portugal. Aí decidi concorrer e entrei no International Center of Photography no curso de Fotojornalismo e Fotografia Documental. E aí terminei a minha “educação formal” em fotografia. Ninguém gosta de se rotular a ele mesmo. Mas se tivesse mesmo de ser, como é que o João Pina definiria a sua fotografia? Definiria como uma fotografia de lutas. Lutas políticas, sociais e bélicas. A América Latina é o melhor lugar do mundo para se ser fotógrafo? Eu acho que o Mundo é o melhor lugar do Mundo para se ser fotógrafo. Todos os lugares são diferentes e em todos existe um potencial fotográfico muito grande. Podemos arranjar lugares/situações/pessoas para fotografar em todos os lugares do mundo. E pode ser extraordinário ver as diferenças e as semelhanças de lugares tão distantes geograficamente. A América Latina é, sem dúvida, o lugar do planeta onde eu tenho passado mais tempo nos últimos 10 anos e,

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pela objectiva de... J OÃ O P I N A

por isso, é um lugar onde me sinto muito à vontade a viver e a trabalhar. Mas não vejo porque seria o melhor lugar para se ser fotógrafo além da enorme liberdade e à vontade que eu sinto para trabalhar lá. Foi um dos fotógrafos que cobriu a Revolução de Jasmim. É verdade que as revoluções estão cada vez mais perigosas para os jornalistas? A Revolução do Jasmim (Tunísia) foi apenas o começo de várias revoluções que começaram em 2011 às quais eu gosto de chamar “a” revolução árabe. Não acho que as revoluções especificamente estejam cada vez mais perigosas para jornalistas, mas o mundo está. Hoje em dia qualquer governante (democraticamente eleito ou não) sabe que grande parte do seu sucesso passa pela forma como consegue passar a sua mensagem para a população e a forma como consegue contornar (ou não) a forma como o jornalismo reflete a sua atuação. Isto tem levado a que, em alguns casos, os jornalistas sejam alvos diretos de repressão. Mas também foi pos-

Canon 1D . 32mm . f/5 . 1/250” . ISO 200

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TALENTO

Não Profissional n Profissional

JOÃO PINA Idade: 32 Equipamento: SpeedGraphic - 4x5 polegadas + 180mm 2.8 Hasselblad 500cm + 80mm 2.8 Canon EOS 5D e 5D MK II + 35mm 1.4 Fuji X100 http://www.joao-pina.com

sível trabalhar com níveis de abertura, em 2011, que tinham sido muitíssimo difíceis conseguir nos últimos 10-15 anos. Um desses casos é a Líbia, onde para cobrir o lado rebelde no início da guerra contra o regime de Khaddafi, os jornalistas tinham acesso praticamente sem restrições às linhas da frente, operações militares e toda a loucura que se viveu. Também por isso morreram vários colegas, porque estávamos demasiado perto e demasiado expostos. Fale-nos um pouco do seu “arsenal”. Qual a sua peça favorita? O meu par de sapatos, é sem dúvida a minha peça preferida do meu “arsenal”… e isto fora de brincadeiras. O trabalho que fazemos depende muitíssimas vezes de estarmos muitas horas em pé, à espera, andar muito. Para além disso, eu só utilizo lentes grande-angular e normais, logo preciso de estar fisicamente perto daquilo que estou a fotografar. Nada como bons sapatos, que permitam estar 10-12 horas por dia em pé sem


me doerem as costas ou os joelhos para tudo isto. Muito bem. Safou-se lindamente na pergunta do equipamento. Mas vamos lá ver como se desenrrasca com uma pergunta sobre o programa de edição. Usa muito, pouco, assim-assim? Uso tanto o programa de (tratamento, não edição) como o laboratório de preto e branco. Uso-o para ajustar o contraste das imagens, usando máscaras para “queimar” ou “abrir” a imagem. Já agora, usa qual? E que tipo de utilização lhe dá? Uso um programa para editar (escolher) as imagens que fotografo quando uso uma máquina digital, ou digitalizo os negativos que é o Expression Media. E uso o Photoshop para tratar essas imagens. OK, agora é tempo de perguntas difíceis. Qual o truque que não partilha com ninguém, mas vai abrir uma exceção e partilhar connosco? Não tenho nenhum truque em particular, para além de ser sempre muito honesto em relação ao que estou a fazer com as pessoas que estou a fotografar. Nunca tento enganar ninguém, muitas vezes as

pessoas não querem ser fotografadas, mas se sentirem que estamos a ser frontais e honestos acabam por aceitar. É tradição, nestas entrevistas, os fotógrafos recordarem aquele episódio hilariante que fica para a posteridade. Porque a fotografia é feita de momentos perfeitos, mas também de histórias divertidas. Qual é a sua? Felizmente tenho tido muitos episódios hilariantes, mas são difíceis de descontextualizar. Acho que um dos mais divertidos foi quando estive a fotografar violência urbana no Rio de Janeiro. A namorada de um dos traficantes, ao ouvir-me falar com pronúncia portuguesa, dizia que eu estava a falar inglês… mas que ela estava entendendo tudo. Pergunta final: se a sua câmara falasse. O que diria ela? Diria para lhe darem descanso. n Z

Canon 5D . 35mm . f/3.5 . 1/100” . ISO 200

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pela objectiva de... T E X TO : PAU L O J O R G E D I A S . F O TO S : L U Í S A F O N S O

LUÍS AFONSO

A fotografia do silêncio, do equilíbrio e do espaço Despertou tarde para a fotografia mas ainda foi a tempo de se tornar num excelente fotógrafo de paisagem natural. Luís Afonso conhece bem a natureza e trabalha em conjunto com ela para conseguir uma fotografia onde o silêncio ocupa sempre um lugar de destaque. 42 | zOOm


Canon 5D MK II . 21mm . f/11 . 200” . ISO 100

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pela objectiva de... LUÍS AFONSO

Canon 30D . 20mm . f/8 . 1/15” . ISO 100

zOOm: Assume-se como Fotógrafo de Paisagem Natural. Qual é o seu habitat natural? Montanha? Planície? Praia? Floresta? Luís Afonso: Montanha, planície, praia ou floresta, todos são ambientes que me apaixonam. Desde que exista algo de belo para fotografar – e há sempre… – não importa o cenário. O importante é que o local me toque de alguma maneira e, se esse clique interior acontecer, lá estou eu preparado para o registar da forma mais deslumbrante que conseguir. Isto não quer dizer que não existam elementos na natureza que sejam os meus favoritos. Água, árvores e pedras são elementos que me entusiasmam e não é difícil encontrar-me à procura deles quando deambulo pelo nosso país. E é também a lugares onde esses elementos se encontram que eu faço questão de voltar vezes sem conta. No início do meu percurso era frequente encontrarem-me junto à água salgada da costa portuguesa. É um cenário que ainda gosto de frequentar mas que cada vez mais deixo de lado. Talvez porque hoje em dia é difícil ir a uma praia, em especial na costa do Parque Natural Sintra-Cascais, sem dar de cara com mais uma dezena de fotógrafos. Atualmente, serra e floresta são os ambientes que mais procuro, principalmente porque é nesta área que o meu portfolio precisa de mais conteúdo, mas também porque é aqui que eu penso poder fazer a diferença e desfrutar do mais íntimo contacto com a natureza de forma solitária e silenciosa. O silêncio é fundamental na minha vida e na minha fotografia e nada me agrada mais do que poder percorrer, semana após semana, locais de grande beleza e raramente frequentados (pelo menos às horas a que fotografo) por outras pessoas. A planície é talvez o ambiente menos explorado na minha fotografia, mas não está de todo posta de parte. A seu tempo… Está na fotografia assim mais a sério vai para oito anos. Foi uma paixão tardia? E como é que começou? Não me lembro dos meus pais terem uma máquina fotográfica em

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casa quando era pequeno. Tenho poucas fotografias de pequeno e a fotografia não esteve muito presente na minha infância. Lembro-me de, na minha adolescência, por lá ter passado uma daquelas Kodaks Ektra dos anos 80, vermelha, com filme em cassete, e de me fascinar o ato de carregar no botão. Nessa altura fazia algumas fotos de família e os meus pais lá me deixavam revelar um rolo de quando em vez. Mas foi só em meados de 90 que, já na universidade, realmente me apaixonei pela fotografia. Na altura tinha um colega de apartamento e grande amigo que era fotógrafo e que me ensinou a revelar e ampliar fotos a preto e branco. Foi aí que verdadeiramente tudo começou. Eu de vez em quando roubava-lhe a sua SLR e fazia umas fotos. No final da licenciatura, quando deixei o apartamento onde vivíamos e a câmara escura, decidi que estava na hora de comprar a minha máquina. Comprou a primeira câmara em Viena? Qual era? E porquê Viena? Foi um impulso? Ou a cidade convenceu-o a fotografá-la? A compra da minha primeira câmara em Viena não tem nada de romântico. Foi apenas um acaso. Eu fui para Viena no contexto de um estágio curricular, ao abrigo do programa Leonardo da Vinci para recém-licenciados. Levei comigo emprestada a máquina fotográfica do meu cunhado que se avariou poucos dias depois de eu lá ter chegado. Como não concebia a ideia de lá estar sem máquina aproveitei o meu primeiro ordenado para comprar uma Canon EOS 500N. Foi essa a primeira máquina que tive e que é a responsável por ainda hoje ser fiel à marca. Diz que gosta de criar a sua própria visão de um local e não se deixa influenciar pelo trabalho de outros. É isto que carateriza a sua fotografia? Um olhar muito próprio? Eu penso que é isso que deve caracterizar a fotografia de toda a gente, ou pelo menos, aquilo que devia. Se não pretendermos apresentar um olhar nosso naquilo que fotografamos então a nossa foto-


grafia nunca será verdadeiramente nossa. Mas eu não diria que é isso que a caracteriza. Diria mais que é algo essencial a tudo o que faço e isso teria de se refletir necessariamente na minha fotografia. Quando digo que não me deixo influenciar pelo trabalho de outros é mais no sentido de não procurar o trabalho de outros para me inspirar. Só muito recentemente me senti pronto para começar a estudar o trabalho dos fotógrafos de referência de modo a não os tentar copiar, mas sim para perceber até onde se pode desenvolver trabalho no âmbito da paisagem natural. Está muito generalizada a ideia de que se aprende muito a tentar copiar uma determinada fotografia observando o local onde foi feita e os dados técnicos da mesma. A verdade é que nunca passou por aí o meu caminho de aprendizagem. Quanto mais saio para o terreno, inclusive para os mesmos locais, mais se confirma que a natureza é um ser admirável e muito temperamental e que as condições de luz que nos oferece são sempre diferentes. Não vale a pena sair de casa com ideia de que se vai fazer determinada foto, como determinada abertura e velocidade, em determinado ângulo, porque é à natureza que cabe sempre a palavra final. Cabe-nos a nós fazer o melhor com aquilo que ela nos brinda naquele momento e tem de ser a nossa alma a criar a imagem com aquilo que nos toca. É isso que tento fazer e será isso que, no fim, torna a minha fotografia eminentemente pessoal. E qual o segredo para fotografar a natureza em toda a sua magnificência? Acho que o principal segredo é estar atento ao que a natureza nos oferece nas suas vertentes de espaço, tempo e clima... Tal como o fotógrafo de moda confia no seu modelo para fazer consigo determinada foto, também o fotógrafo de paisagem natural deve trabalhar em conjunto com a natureza para extrair o que ela tem de melhor para mostrar. Conhecer a natureza e os seus caprichos é fundamental para o sucesso de qualquer fotógrafo desta área. Saber quando a luz vai estar no seu melhor, saber prever o que vai acontecer depois de um dia de tempestade, saber que no fim do dia o vento normalmente acalma e que ao nascer do sol a natureza está normalmente mais adormecida são apenas alguns dos enigmas que temos necessariamente de saber decifrar. E depois é preciso muita paciência. A fotografia de natureza não é certamente indicada para os irrequietos que gostam de chegar a um local, clicar duas ou três vezes e seguir para o próximo local. Para fazer uma determinada foto são, frequentemente, necessárias horas de espera em condições climatéricas adversas, à espera do momento de luz certo. Estar à hora certa no local certo não é, na maior parte das vezes, uma questão de sorte. É antes um trabalho de amor e muita persistência. Por fim é necessário um domínio da técnica fotográfica bastante sólido. Saber que filtro usar em determinadas condições de luz, onde colocar o ponto de foco, que abertura usar, como expor de modo a maximizar a qualidade da imagem, quantos stops de luz posso registar com a câmara que tenho em meu poder, a que sensibilidade posso chegar sem comprometer o resultado final… tudo isto é importante e deve estar previamente apreendido para quando chegar o momento de registar a natureza em todo o seu esplendor não andarmos à procura de que botões premir e que opções de menu selecionar. Mas penso que isto será verdade em qualquer estilo fotográfico. Sabemos que é um fã da fotografia com pouca iluminação. Fale-nos um pouco dessa paixão. Acho que todos os fotógrafos de paisagem natural são “fãs” de uma

Canon 5D MK II . 17mm . f/13 . 20” . ISO 200 forma ou de outra da fotografia com pouca iluminação. Acho que é uma consequência da paixão por este género e não propriamente uma escolha que se possa fazer deliberadamente. Isto porque é precisamente nas horas do dia em que a luz é mais ténue que a natureza faz normalmente a sua magia. É na alvorada e no ocaso que os céus se transformam numa paleta de cores que muitos julgam ser criada no rei dos softwares de edição; é por esta altura que as sombras se alongam dando uma terceira dimensão aos elementos; é nesta hora que o tempo corre e se deixa fundir numa única imagem, permitindo suavizar a água, o vento ou a terra. Isto não quer dizer que se fotografe apenas nestas alturas e eu cada vez mais tento também registar momentos fora da chamada hora dourada. Mas o que é certo é que estar no meio da natureza quando o planeta acorda ou assistir e gravar para sempre em memória um pôr do sol de cores inimagináveis continua a tocar quem faz e quem vê fotografia. E não há como fugir desta realidade, até porque isso não faria o mínimo sentido. Mas talvez a maior razão pelo meu gosto pela fotografia com pouco iluminação será mesmo o silêncio que permite evocar nas fotos que produzo nestas condições. A falta de luz alonga os tempos de exposição e isso permite condensar numa só imagem aquilo que aos nossos olhos é registado continuamente. Este processo permite simplificar a realidade e, na minha opinião, esta simplificação é o conceito chave na fotografia e em especial na fotografia de paisagem natural. Talvez o maior desafio de qualquer fotógrafo estará em decidir o que incluir e o que excluir numa imagem e no meio de todo esse processo ainda terá de simplificar a realidade que tem perante si de modo a construir uma imagem que a apresente de forma equilibrada.

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pela objectiva de... LUÍS AFONSO

Ponta de São Lourenço Escolher a minha fotografia favorita é impossível... mas uma das que gosto mais foi feita na Madeira, mais precisamente na Reserva Natural da Ponta de São Lourenço. Depois de trinta minutos de carro, a meio da tarde, desde o Funchal até este local, decidi fazer grande parte da vereda de São Lourenço uma vez mais. Para além das boas fotografias que proporciona, é um excelente local para praticar caminhada e fazer algum exercício físico. Costumo fazer uns 4 km de subidas e descidas o que me ocupa normalmente um bom par de horas. Na volta do caminho, a uma altitude de quase 70 metros, observo o sol a pôr-se na costa norte da ilha. O céu dramático já chamava por mim há alguns minutos e, de passo apressado, procurava o melhor ângulo e um primeiro plano perfeito. Encontrei um fabuloso bouquet de plantas e decidi que estava na hora

É isso que eu pretendo mostrar na minha fotografia: o silêncio, o equilíbrio, o espaço. E é durante a luz ténue da manhã e do fim do dia que o consigo fazer melhor. Quanto tempo fotografa por semana? E como concilia a fotografia com a “vida real”? Tento fotografar uma média de 6 a 8 horas por semana. Conciliar isto com a minha vida profissional e familiar não é tarefa simples, mas é em grande forma facilitada pelo apoio que tenho a nível familiar. O importante é manter um equilíbrio e escolher claramente as horas em que se vai fotografar e as horas em que se está com a família. Habituar a família a um ritmo certo permite que se criem rotinas e que os planos de todos possam ser cumpridos. E depois há que não ter remorsos quando se olha para um céu fabuloso mas não se pode sair para fotografar. A minha família também já os distingue e já brinca comigo repetindo a doce frase: “está um céu divinal para a prática da fotografia!”. Mas o importante mesmo é nunca deixar passar muito tempo sem sair para fotografar e isso eu nunca faço. Nós, na zOOm, gostamos sempre de aproveitar que o entrevistado está distraído para lhe “remexer” no saco de equipamento. Fale-nos um pouco do seu “arsenal”. A minha mochila anda sempre bastante carregada. Neste momento podem lá encontrar: um corpo Canon EOS 5D Mark II que me acompanha desde que a marca o lançou, no outono de 2008, e o qual considero a ferramenta de trabalho perfeita. Uma lente zoom grande angular 17-40 da série L da Canon que considero o maior achado na gama de lentes Canon, uma telezoom 70-200 da série L da Canon que tem uma qualidade de imagem do melhor que se produz no mercado e uma zoom standard 24-105mm, também da série L da Canon, que utilizo cada vez mais para não andar sempre agarrado às grandes vistas. Em termos de acessórios tenho um controlo remoto e um cabo disparador para quando a pilha do controlo acaba, uma bolha de nível para garantir que os horizontes estão direitos, vários panos de limpeza, vários cartões de memória compact flash, duas baterias, duas lanternas, um kit de 3 filtros de densidade neutra em gradiente da Lee, dois filtros de densidade neutra (um de 3 stops e outro de 10 stops) e um filtro polarizador. Os filtros são fundamentais para garantir a exposi-

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de montar o tripé. O vento era forte, como sempre é neste local, e o sol estava quase a desaparecer. Foi preciso ser rápido a colocar filtros, bolha de nível, lente grande angular. Selecionada abertura de f/22 para atingir o efeito de estrela no sol, ajustar filtro de densidade neutra em gradiente e fazer a exposição. A ISO 100 a primeira exposição – com um filtro de densidade neutra de 3 stops para suavizar a água do mar – dá uns generosos 3 segundos. Com o vento, as plantas no primeiro plano estão suavizadas pelo movimento. Subo o ISO para 1600, retiro filtros e faço outra exposição para conseguir congelar o movimento das folhas. Hora de voltar para o carro. Em casa, processo as duas exposições no Lightroom e posteriormente, no Photoshop, conjugo as duas fotos já editadas, tendo como base a primeira e aproveitando apenas a zona das plantas no primeiro plano da segunda. Foi a forma que encontrei para superar a ventania que se fazia sentir e de, mesmo assim, fazer a foto que tinha em mente.

ção perfeita, o controlo das diferenças de luz e para reduzir em muito o trabalho de edição. Um bloco de notas, cartões de visita e algumas canetas. O telemóvel é também um precioso auxiliar com algumas aplicações relacionadas com fotografia e mapas. Fora da mochila carrego um tripé dos dois que fazem parte do meu arsenal. Agora, escolha uma “peça” e explique-nos de que forma ela melhora o seu trabalho. Algo que me acompanha sempre é o tripé. Não consigo fotografar sem ele e sinto-me “despido” quando não o tenho. As vezes que me esqueci da peça que agarra o tripé à câmara estão gravadas na minha memória para sempre e não fazem certamente parte dos momentos mais felizes da minha carreira como fotógrafo. O tripé é “apenas” o utensílio que me permite fazer o tipo de fotografia que faço, em especial às horas do dia em que a faço, e chamar-lhe um acessório é seguramente faltar à verdade. Para além disso o tripé permite-me fazer as coisas com tempo e com a distância suficiente para abrandar o ritmo das coisas. Colocar a máquina em cima do tripé permite-me ter tempo para olhar e estudar as composições com a calma que preciso, se bem que hoje em dia passo mais tempo a olhar com a máquina na mochila do que com ela em cima do tripé. Mas, no início, aconselho todos a nunca saírem de casa sem o tripé e a abrandarem o ritmo dos seus cliques. É mesmo importante olhar, ver e tornar a olhar, pois só assim se fazem as fotos que se querem fazer e não se fotografa ao acaso o que está em frente de nós. O trabalho de “campo” é só uma parte. Depois vem a pós-produção. Que programa de edição é que o Luís utiliza? E que tipo de uso lhe dá? A edição é tão importante como o momento de premir o botão do obturador. Tal como um disco de música, um livro ou um filme tem de ser editado antes de poder ser fruído pelo público, também uma foto tem obrigatoriamente de ser editada antes de ver a luz do dia. Para terem uma ideia, eu nunca publico ou mostro foto nenhuma – a não ser à família mais próxima – antes de esta ser editada. A edição é aquilo que transforma a captura de uma imagem numa fotografia e é o processo criativo que transforma quem tira a fotografia num verdadeiro criador. Nos workshops que leciono, ou nas conversas que tenho com amigos,


Canon 5D MK II . 26mm . f/22 . 0.6” . ISO 100

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pela objectiva de... LUÍS AFONSO

vem muitas vezes à baila a noção que de a edição é olhei para ele só o vi a atirar-se para o chão e lentes a um processo de adulteração da fotografia. “Isso é só rolar pelo passadiço. Qual guarda-redes de futebol, Não Profissional n Profissional Photoshop” é das frases que os fotógrafos de paisaconseguiu agarrar na minha telezoom, mas a 50mm gem natural mais ouvem e à qual mais têm de resf1/8 caiu e ficou equilibrada em cima de uma rocha. ponder. Isso é, por certo, resultado de alguns exageros Ainda a consegui recuperar mas estava partida. e impróprias utilizações dos softwares de edição, mas Felizmente era a mais barata. Moral da história: nunca também falta de conhecimento e vivência de expemais deixar a mochila aberta seja em que condições riências por parte das pessoas. É interessante observar for. um fotógrafo iniciado a fotografar o seu primeiro pôr Noutra vez, na Malhada do Louriçal, ia pegar na bolsa do sol e a testemunhar as alterações de cor que se visdos filtros comprados há pouco mais de um mês e, lumbram nestas alturas e perceber o desmanchar de quando deito a mão ao bolso dos calções, nada… muitos mitos. Afinal, estas cores são mesmo naturais… Procuro na mochila e não estão lá. Toca de procurar LUÍS AFONSO Eu utilizo 90% das vezes o Adobe Photoshop pela praia toda. Quem conhece a praia sabe que não Idade: 40 Lightroom para processar os ficheiros RAW e para há areia, mas apenas milhares de pedras redondas e Equipamento: fazer trabalho de câmara escura: calibrar balanço de escorregadias. Passado mais de 30 minutos, já meio Canon EOS 5D Mark II Canon EF 17-40mm f/4L USM brancos, ajustar luminosidade e saturação das cores, desistente, lá encontro a bolsa fechada debaixo de Canon EF 24-105mm f/4L IS USM correções a deficiências da lente, ajustar contraste e uma rocha e dentro de água. Salvaram-se algumas Canon EF 70-200mm f/4L IS USM correção da exposição. Penso que é um excelente softcentenas de euros e principalmente o tempo de espera Filtros: Set de NDs Graduados Lee; Lee ProGlass 0.6 ND Standard; B+W 110 ND 3.0; ware de edição e se tivesse de viver apenas com um por mais um kit de filtros difíceis de arranjar. Heliopan 105mm Slim Multi-Coated Circular seria certamente este. Destas tristes histórias com equipamento tenho Polariser No momento de publicar ou imprimir a foto passo o várias… que não vale a pena contar. Mas partilho um Tripé Manfrotto 055CXPRO4 ficheiro já editado para o Photoshop para aumentar a sábio ensinamento: não facilitem. Os tripés caem, as nitidez (sharpness). Uso o Photoshop porque é mais objetivas e os filtros partem-se e as pedras na praia são http://www.luisafonso.com potente do que o Lightroom e porque tenho já prémuito escorregadias. Ah, e as máquinas não são à definições que são impossíveis de replicar nesse softprova de água! ware. Pergunta final: Se a sua câmara falasse? O que diria ela? Nos casos em que preciso de fazer blending, ou seja, usar duas captuBom, se ela falasse estou certo que me pediria imediatamente para a ras diferentes para produzir apenas uma foto, também uso o tirar da mochila. Pois o que ela gosta mesmo é de estar no meio da Photoshop por ser o único que me permite usar camadas. natureza, à chuva, a ser salpicada com a maresia salgada, a aguentar Vem aí uma pergunta de resposta obrigatória. Todos recordamos graus negativos na Serra da Estrela, a desbravar o escuro numa gruta alguns episódios divertidos, que aconteceram “no cumprimento do da Serra de Aire ou simplesmente a absorver o calor de um fim de dever”. Conte-nos o seu. tarde de outono. Episódios divertidos… deixa-me pensar… não sei, não me lembro efeMas, certamente, também me agradeceria por a ter levado a sítios tivamente de nenhum. Lembro de alguns não tão divertidos mas que, incríveis em Portugal, que têm tanto de belo como de selvagem e de a agora à distância, me fazem sorrir. Uma vez estava a fotografar sobre ter convidado a testemunhar momentos naturais de incrível beleza. um passadiço de madeira em Belver, sobre as margens do rio Tejo. E, no fim, também me diria obrigado por a ter limpo, lubrificado, levaTinha deixado a mochila em cima dele como costumo fazer e levei o do à revisão anual e, enfim, por a ter tratado sempre com a atenção tripé para ir fotografar mais adiante. O meu cunhado que ia comigo que ela merece, pois só assim a conseguirei conservar por mais uns resolveu agarrar na mochila para a levar para o pé de mim. Quando bons largos anos. n Z

TALENTO

Canon 5D MK II . 17mm . f/11 . 0.6” . ISO 100

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Canon 30D . 10mm . f/22 . 0.5” . ISO 100


Fotografia ESPECIAL

analógica PRÁTICA Guia completo e explicado passo a passo, com tudo o que precisa de saber para revelar a p&b em sua casa

BAÚ Conheça ao pormenor a Rolleiflex 2.8

ENTREVISTA Pedro Freitas e o gosto pela fotografia analógica

GALERIA Hugo Pinho em exposição neste especial


Rolleiflex 2.8 BAÚ por João Baptista o princípio do séc. XX um acaso juntou o técnico Keinhold Heidecke a um homem de negócios, Paul Franke. Heidecke, na altura, era já um mestre artesão e construtor, provado pela sua rápida ascensão na empresa Voigtlander, uma das maiores da época no mundo fotográfico. Tinha também a reputação de andar sempre com uma máquina fotográfica atrás e, normalmente, um protótipo, ou a ensaiar alguma inovação. Paul Franke era um homem de negócios que acreditava em produtos de qualidade, mas não queria ficar parado atrás de uma secretária. A combinação dos seus talentos foi o ideal para a criação de uma pequena empresa. Em 1920 foi fundada a “Werskstatt fur Finmechanik und Optik – Franke & Heidecke”, em Brunswick, Alemanha. Passados 16 meses da fundação, lançaram a sua primeira câmara fotográfica, a “Heidoskop”. Tratava-se de uma câmara estereoscópica (permitia visualizar fotografias com um efeito semelhante ao 3D atual), cuja fiabilidade e inovações técnicas lançaram o mote para o sucesso futuro da empresa.

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A Rolleiflex Em 1926, com base nas suas câmaras estereoscópicas, Heidecke desenvolveu uma câmara que viria a revolucionar o mundo da fotografia, a Rolleiflex. Bastou o seu sócio, Paul Franke, fazer uma peque-

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na digressão pela Alemanha para esgotar completamente a primeira série de produção. A procura foi tanta que, por volta de 1930, a empresa já tinha 800 funcionários. Na altura do lançamento da Rolleiflex, a maioria dos fotógrafos profissionais e entusiastas que necessitavam de negativos de alta qualidade via-se forçada a utilizar máquinas de grande formato que, para além de terem um tamanho e peso consideráveis, utilizavam chapas fotográficas, o que significa que só podiam tirar uma foto antes de recarregar a máquina, o que algumas vezes podia ser um processo muito inconveniente. Eis que aparece a Rolleiflex, uma máquina compacta, com mecânica fiável e lentes capazes de produzir um negativo com resolução suficiente para satisfazer a maioria dos fotógrafos da época. Ainda tinha a vantagem de utilizar um rolo de filme que permitia várias exposições antes de recarregar a máquina.

Twin Lens Reflex (TLR) Ao olharmos para uma Rolleiflex, uma das primeiras coisas em que reparamos é o facto de ter duas lentes, especialmente hoje em dia, quando o mercado está monopolizado pelas SLR’s (Single Lens Reflex). As duas lentes da Rollei têm funções distintas: a inferior é a que vai


especial fotografia analógica

expôr o negativo à luz e a superior serve para fazer a focagem e verificar o enquadramento. Comparando com as SLR, as TLR têm algumas vantagens, como a ausência de um mecanismo para elevar o espelho, o que simplifica a mecânica e reduz as hipóteses da máquina tremer devido ao movimento do espelho, especialmente se considerarmos que os espelhos de máquinas de médio formato são enormes. Outra consequência de não haver nenhum espelho a mover é que a operação da máquina torna-se muito silenciosa. O modo de utilização também é mais discreto que o de uma SLR, pois não é necessário encostar a máquina à cara para efectuar a focagem. O maior ponto negativo das TLR é o facto de, ao usar uma lente para compor a imagem e outra para a fotografar, ambas as lentes não “vêem” exactamente o mesmo enquadramento – a essa discrepância chama-se erro de paralaxe. A Franke & Heidecke minimizou esta falha usando máscaras que se movem consoante a focagem.

A Rolleiflex 2.8A O modelo que ilustra este artigo é uma Rolleiflex 2.8A, também conhecida por K7A. Lançada para o mercado em 1949, esta foi a primeira Rolleiflex a ter uma lente capaz de abrir a 2.8 para expor o negativo. Infelizmente a produção deste modelo não correu sem percalços: a Segunda Guerra Mundial tinha acabado há pouco tempo e qualquer empresa alemã tinha enormes dificuldades em restabelecer uma produção normal. Verificou-se que as primeiras Rolleis deste modelo a sair da fábrica tinham uma performance muito inferior ao esperado. Isto aconteceu devido à lente fabricada pela Carl Zeiss Jena. O que obrigou a Franke & Heidecke a recolher as máquinas e substituir a lente por uma fabricada pela Zeiss Oberkochen. Este modelo, à semelhança de outras Rolleiflex, possui algumas características interessantes, como detetar automaticamente o início do filme, a prevenção contra a dupla exposição e o facto de a alavanca de avanço do filme também armar o obturador. Funções que hoje em dia consideramos obrigatórias mas que, na altura, trouxeram

reconhecimento à Franke & Heidecke e tornaram a Rolleiflex na ferramenta de trabalho preferida de muitos fotógrafos.

Utilização Não é por esta máquina ter a idade respeitável de 60 anos, nem por se tratar de um modelo menos comum, que se vai tornar apenas numa peça de colecção. Muito pelo contrário. Desde que a recebi, provavelmente tem sido a máquina que tenho usado mais. A construção da máquina é robusta o suficiente para que sejam necessárias apenas umas afinações e limpezas ocasionais para continuar cem por cento operacional. Como quase todas as máquinas da altura, os controlos são inteiramente manuais (este modelo nem necessita de pilha para operar). Entre as objetivas encontram-se duas roldanas, uma controla a abertura da lente e outra a velocidade do obturador. Do lado esquerdo temos uma maçaneta que controla a focagem, do direito uma alavanca para avançar o filme e armar o obturador. De resto, só tem mais uma alavanca para o temporizador e uma tomada PC-Sync para ligar um flash (mas não possui sapata). Uma característica única deste modelo é possuir um mecanismo à parte para a velocidade máxima (1/400), o que só permite escolher esta velocidade antes de o obturador estar armado.

Hoje em dia Desde a sua criação em 1920, A Franke & Heidecke passou por inúmeras reestruturações, foi comprada e vendida por grandes grupos empresariais e declarou falência. Atualmente temos duas empresas que resultaram destas “manobras” comerciais: a Rollei GmBH, que está ligada à imagem digital, principalmente no segmentos de gama baixa. Felizmente também temos a “DHW Fototechnik”, uma empresa criada por antigos funcionários da Franke & Heidecke, que aposta em máquinas de médio formato de alta qualidade. Entre os modelos produzidos hoje em dia ainda se encontram três versões da Rolleiflex (já com alguns luxos modernos, como a medição TTL). <

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“OS NEGATIVOS E AS CÓPIAS FINAIS SÃO OBRAS DE ARTE IRREPETÍVEIS” Descobriu a fotografia ainda no tempo do analógico, deixou-se seduzir pelo digital mas a paixão falou mais alto e fê-lo voltar às origens. Pedro Freitas é um apaixonado pela fotografia analógica e diz que se dedica à fotografia de rua pelo prazer da “caça”. Venha conhecê-lo…

ENTREVISTA

zOOm [z] Bem vindo Pedro! Fala-nos um pouco sobre ti, como começou o gosto pela Fotografia. Pedro Freitas [PF] Começou quando peguei na minha primeira Rolleiflex, em 2008. Era um dos primeiros modelos (K2, modelo 621) e encontrei-a numa feira de velharias em muito mau estado, com várias arranhadelas e objetivas sujas. No entanto, apaixoneime imediatamente pelo objecto. Pela forma, pelo toque, pelo peso, o avanço do filme, o armar e disparar, o obturador mecânico. Foi uma altura importante, queria arranjar um meio onde pudesse dar largas à criatividade e não o estava a conseguir através da música. Toquei guitarra, mas sentia que nunca conseguiria domar aquele instrumento fabuloso. E ali estava uma hipótese de começar tudo de novo. Tábua rasa. Comprei-a, desmontei as objetivas e o obturador, limpei tudo e pu-la a funcionar. Não descansei enquanto não saiu dali um rolo de fotografias.

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Foi o bastante para me manter interessado, conhecer a máquina, quem a fez, que filme usar, como revelar, a cópia, tudo isto surgiu naturalmente, em cadeia. [z] E como foi o teu percurso enquanto fotógrafo amador? Isto é, nunca deixaste de fotografar em suporte analógico, ou converteste-te ao digital e, a determinada altura, fizeste o regresso às origens? [PF] Cresci nos anos 80. Vivi rodeado de câmaras analógicas e sempre as usei para “snaps”, nada mais. Usar rolos de filme, deixá-los no laboratório, ou esperar uns dias para levantar fotos sempre foi o procedimento normal. A transição para o digital, isso sim, foi um choque! Num instante podíamos ter acesso a todas as capturas. Voltei a usar o filme mais tarde, quando me interessei a sério sobre fotografia, a composição e descobri a motivação para fotografar. >


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[z] A pergunta que se coloca nos dias de hoje, em que o digital é acessível e a oferta de câmaras é variada, é o porquê de regressar ao analógico? [PF] O regresso ao filme foi fácil. O meu interesse por fotografia surgiu numa altura em que câmaras e objetivas de elevadíssima qualidade estavam a ser vendidas ao desbarato, consequência da migração dos fotógrafos amadores para o digital. De um dia para o outro, tinha ao meu dispor material profissional para usar durante a fase de aprendizagem! Existe melhor? Por fim, habituei-me ao processo, desde o carregar o filme, até o revelar e ampliar. É um trabalho inteiramente artesanal e laborioso que resulta em cópias com um fortíssimo vinco pessoal. [z] Sei que tens mais do que uma câmara, podes fazer uma breve apresentação do material que usas atualmente? [PF] Uso maioritariamente o formato 24x36, vulgo 35mm. Prefiro o sistema SLR da Nikon. Tenho vários corpos, mas as preferidas seriam a FE ou a EL2 porque são muito fiáveis, intuitivas, robustas, compactas e podem ser usadas com uma infinidade de objetivas, desde as Nikkor originais até às AF. Também uso muito uma compacta da Konica, a Big

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Mini BM300. Tenho várias máquinas de médio formato, a maioria Mamiya, mas raramente as uso. [z] E existe alguma sobre a qual recaia a preferência na hora de sair à rua? [PF] Tenho sempre uma compacta no bolso. Quer seja a BigMini ou outra. Muitas vezes levo comigo uma Nikon também. [z] Por falar em rua, é o local onde te sentes bem a fotografar. O que te motiva para fazer “Fotografia de Rua”? [PF] A caça. A constante busca por mais imagens e a busca pelo meu próprio cunho. Quis fugir ao rigor técnico do fotógrafo de rua clássico e tentar um género de imagem que retribuísse a mesma emoção que senti ao deparar-me com a cena fotografada. Não quero seguir uma linha documental e preservar apenas momentos fugazes do quotidiano, mas sim partilhar emoções através de uma imagem. [z] E dentro desta área, existem fotógrafos aos quais vais beber alguma inspiração? [PF] Sim. Daido Moriyama! Fiquei fascinado pelo trabalho deste senhor logo no primeiro contacto.


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[z] Ao fazeres este género de fotografia certamente já deves ter passado por episódios caricatos. Queres contar algum que te tenha ficado na memória? [PF] Já vi muitos dedos médios em riste e muitos olhares de reprovação. Mas tenho tido bom senso e escapado incólume. [z] Agora relativamente aos filmes que utilizas, porquê o preto e branco? [PF] Apesar de trabalhar quase exclusivamente com P&B, sempre fui um apaixonado pelas cores do Cheyco Leidmann e Guy Bourdin. Mas a mestria técnica deles está a anos luz do que eu alguma vez consegui. Talvez um dia lá chegue e faça imagens dignas de serem mostradas. O caminho por onde enveredei é substancialmente diferente. Interessa-me a redução da informação na imagem, perdendo tons ou cortando. Realçar a forma, a textura ou a ação. Utilizo o Tri-X da Kodak, é bastante flexível. Tanto a quantidade de grão como a gama de cinzentos podem ser facilmente controladas para atingir o resultado idealizado. Basta jogar com a exposição e os reveladores.

[z] E tu próprio fazes a revelação dos negativos em casa? [PF] Sim, mas apenas dos filmes a preto e branco. Sou bastante impaciente, por isso não quero aguardar pelos resultados de um laboratório comercial, e quero ter o controlo absoluto sobre todo o processo de criar uma imagem. O meu primeiríssimo rolo de P&B demorou uma semana a revelar numa loja perto de minha casa. A antecipação foi de morrer!!! Desde cedo aprendi que a escolha do revelador tem uma influência grande no aspeto do negativo, logo, como não sabia o que me estavam a oferecer na dita loja, teria que exigir um revelador em especial, ou fazer eu as revelações. Depois aprendi que o negativo não é mais que um intermediário entre a nossa máquina fotográfica e a cópia impressa. Terá que se sujeitar a uma interpretação por parte do fotógrafo, o que me inibia de imprimir em “minilabs”, visto que não posso controlar nada. Por esse motivo optei por ampliar em casa, pelo processo tradicional, e comprar um scanner de película para trabalhar a fotografia em programas de processamento de imagem. >

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[z] Fala-nos um pouco da tua câmara escura? Construíste-a sozinho? Como? [PF] A minha câmara escura é o quarto de banho! A casa não é suficientemente grande para construir uma câmara escura dedicada. E aquela divisão é a mais apropriada porque tem água corrente e posso efetivamente bloquear a luz exterior. Tenho um móvel onde assenta o ampliador e onde posso guardar o material de revelação e ampliação. Posso deslocar o móvel porque desliza sobre rodízios. É bastante prático. Tenho um ampliador Kaiser com cabeça de cor e uma EL Nikkor 50/2.8. [z] Tiveste alguma formação específica para revelação ou és autodidata? [PF] Autodidata. Comecei logo a revelar os primeiros rolos com a informação que procurei na Internet e fui aperfeiçoando o método com a prática. Muitos livros, em papel e suporte informático, e debates depois, cheguei à conclusão que a revelação em si é mais uma arte do que uma ciência. As variáveis são imensas, como a escolha de reveladores, tempos de revelação, temperaturas, concentra-

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ções, até a própria água usada para diluir. Os negativos e as cópias finais são obras de arte irrepetíveis. [z] Que conselhos deixas aos jovens apaixonados pela fotografia mas que, ao contrário de ti, começaram já na época do digital e vêem a fotografia analógica como um mundo bastante hermético e inibidor? [PF] Muito longe disso, a fotografia analógica é tão válida como a digital. A imagem vale por si. Acedam a fóruns dedicados à fotografia analógica, tanto nacionais como estrangeiros e exponham as vossas dúvidas. Estes lugares virtuais costumam ser populados por gente simpática e bastante conhecedora. Quanto a consumíveis, se não o encontrarem por cá porque a oferta é muito limitada, podem sempre fazer uma visita às lojas online estrangeiras. Quanto às maquinas, corram feiras, ebay, lojas de velharias, peçam emprestadas à família! <


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PRÁTICA por Paulo Pires

Tudo o que sempre desejou saber sobre

revelação a p&b

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oi-me proposto o desafio de ensaiar um pequeno passo-a-passo acerca da revelação caseira de película fotográfica a preto e branco. Fazendo uma busca rápida num qualquer motor de pesquisa, facilmente se encontrarão milhares de exmplos, mais ou menos complexos, mais ou menos intimidadores. Pois bem, será esta a tónica deste pequeno texto. Não há nada no processo de revelação a preto e branco que seja intimidador. É um processo simples e a película a preto e branco é extremamente tolerante, quer no ato de fotografar, quer na altura de a revelar. Queria apenas realçar que tudo isto foi ensaiado na minha cozinha, tal como pode ser na vossa. Tive que pedir emprestada uma digital para fotografar algumas fases do processo. Avancemos! Simplifiquemos portanto e começemos pelo início. D0 que precisamos para revelar uma película a preto e branco? Tanque de revelação; Espiral; Copos de medição; Termómetro; Revelador; Fixador; Agente molhante. Todo este equipamento vende-se isolado ou em kits. Os químicos são adquiridos à parte. Comecemos por entender as peças que se vai usar.

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TANQUE DE REVELAÇÃO

uma vez o filme dentro do tanque e o tanque fechado com a primeira tampa em funil, não entra luz, é estanque. A tampa vermelha usa-se para selar o conjunto, permitindo assim fazer as inversões manuais… mais à frente falaremos disto.

AS ESPIRAIS Existem vários tipos de espirais, com vários sistemas de encaixe. Existem também em plástico e metal. É preciso atenção quando se compra os tanques e as espirais em separado porque alguns fabricantes têm medidas próprias e pode acontecer a espiral de determinada marca não caber no tanque de revelação de uma outra. É necessário praticar um pouco o enrrolar a película na espiral. Lembrem-se de que esta operação terá que ser realizada na mais absoluta escuridão, o que a torna um pouco mais difícil. Pratiquem, sacrifiquem um rolo e pratiquem. Pessoalmente prefiro as espirais que tenham “apoios” para ajudar o rolo a fixar-se. Basta deixar a ponta do rolo cair sobre estes apoios e depois empurrar um pouco até se fixar. Nas outras é necessária uma precisão maior, que nem sempre é fácil, mesmo para fotógrafos experientes. Na foto podem ver qual a minha preferida através do seu estado de conservação. A outra foi tirada da caixa apenas para a fotografia.

O tanque de revelação é composto por 4 peças.

4 1 2 3

1- O tanque em si. 2 - Um espigão onde encaixará a espiral com o filme. 3 - Uma primeira tampa em funil. 4 - Uma segunda tampa vermelha. É no tanque que se processa a revelação. A primeira tampa preta em funil tem aberturas que permitem encher e esvaziar o tanque ao longo do processo. Não deixa no entanto entrar luz. Ou seja,

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As espirais são também adaptáveis a 35 mm ou películas de médio formato. Rodando uma espiral para trás, ela separa-se em duas metades, adaptáveis aos vários formatos de película. Podem ver na imagem uma espiral adaptada para um rolo de 35mm à esquerda e à direita, mais aberta, para a película 120.


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COPOS DE MEDIÇÃO Os copos de medição servem para se medir a quantidade de químicos e de água que iremos usar para as nossas diluições. A temperatura dos químicos é importante, poucos graus de diferença num revelador podem fazer uma grande diferença no resultado final. Sucesso ou fracasso. Normalmente os kits, que falei anteriormente já são fornecidos com termómetro mas qualquer outro tipo de solução é válida também. Num dos meus copos tenho permanentemente acoplado um pequeno termómetro de aquário. Acho-o bastante preciso, fácil de ler e custou 2 euros.

OS QUÍMICOS Os químicos são um mundo. Para o principiante, a lista de químicos necessária pode parecer enorme. Na realidade, muitos sites e blogues promovem este tipo de complexidade e “purismo” que na maioria das vezes é exagerado. São necessários o revelador e o fixador. O resto do processo é feito com água. Dependendo das zonas do país, a dureza da água varia bastante. Essa variação pode formar depósitos de calcário na película formando manchas. Será então bastante aconselhável um agente molhante no final do processo. O mesmo pode ser substituído por umas gotas de lava tudo, como o banal Fairy ou Super Pop.

Há inúmeros reveladores e fixadores. Para o fotógrafo experiente os químicos são importantes porque colabram no efeito final pretendido. Mais grão, menos grão, maior ou menor contraste, etc… Para usar o revelador é necessário que este esteja diluído com água. Existem combinações específicas de revelador e água nas embalagens. Uma diluição de 1:4, que quer dizer 1 parte de revelador para 4 partes de água. Isso aplica-se, claro, a qualquer diluição seja 1/4, 1/9 ou 1/100. Diluições menores, como por exemplo 1/4, são um bom compromisso entre o contraste e a escala de cinzentos. À medida que a diluição vai sendo maior, mais longo é o tempo de revelação e, por conseguinte, maior a escala de cinzentos e mais suave o contraste e o grão da película. Preparemos então o revelador, diluindo a quantidade necessária para revelar um rolo de 35 mm. Na base dos tanques de revelação estão as quantidades necessárias para cada tipo de rolo. Para 1 rolo de 35mm são necessários 375 ml. Imaginemos que vamos usar uma diluição de 1:4. Começamos por despejar 100 ml de revelador para dentro do copo de medição. De seguida iremos juntar 4 partes de água. Ou seja, podemos encher o copo de medição até aos 500 ml. 100 ml de revelador + 400 ml de água, perfaz os 500 ml. Ficamos com os nossos 375ml necessários e com uma pequena margem. Perfeito. Guardem essa diluição num jarro ou recipiente próprio. Podem voltar a usá-la. Pessoalmente, dependendo dos rolos e tempos de revelação, reutilizo o revelador em 3 ou 4 rolos. Vai perdendo força e isso terá que ser compensado com o tempo de revelação mas podem fazê-lo sem risco. Vamos repetir o processo com o fixador. As diluições são indicadas nas embalagens. Também se reaproveitam. Temos então um recipiente com o nosso revelador diluído e outro com o fixador. Usem a cozinha. O lava louças é perfeito para revelar.

ÀS ESCURAS O nosso rolo está fotografado, está recolhido e dentro da bobine. O primeiro passo é passar o rolo para a espiral. Esta acção tem que ser feita em perfeita escuridão. Não há aqui compromissos. A mais pequena entrada de luz irá arruinar o rolo. Até os números luminosos de um relógio de pulso interferem criando manchas no negativo. Podem confiar em mim! Vamos para um local totalmente às escuras. Levamos o tanque com o espigão e a tampa de funil, uma espiral, uma tesoura, um abre caricas e o rolo, claro! Às escuras vamos começar por abrir a bobine do rolo. O abre caricas é perfeito e com o mínimo de prática consegue-se abrir facilmente o cartucho. >

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Retira-se o rolo e com a tesoura corta-se a ponta inicial que, como sabem, forma uma língua. Sintam com os dedos e cortem-na o melhor possível. Encaixem o rolo na espiral e enrolem-no com firmeza, lembram-se do treino? Pois bem, espero que o tenham realmente feito.

Depois de enrolado na espiral, esta encaixa no espigão e o conjunto vai para dentro do tanque. Fecha-se o tanque com a tampa em funil e a partir daqui todas as outras operações podem ser feitas à luz normal. Voltamos à cozinha e começamos por despejar o revelador para dentro do tanque. Colocamos a tampa vermelha, ligamos o nosso cronógrafo e invertemos o tanque calma mas firmemente durante 10 segundos. Pousa-se o tanque durante o restante tempo. Estas agitações evitam que bolhas de revelador se fixem na película e intensificam a revelação a cada minuto, chegando a toda a película. As agitações são feitas durante os primeiros 10 segundos de cada minuto. Mais uma vez repito que isto são indicações gerais, não são leis gravadas na pedra. Muitas vezes me esqueci de agitar, deixei ultrapassar o tempo de revelação, já me aconteceram várias peripécias mas mesmo assim a película a preto e branco é muito tolerante.

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No final do nosso tempo de revelação, tira-se a tampa vermelha e despeja-se o revelador para o recipiente onde vai ficar guardado para ser usado em mais 2 ou 3 rolos. Coloca-se o tanque de revelação debaixo da torneira e abre-se a água. Lava durante 1 minuto. Esta lavagem vai interromper a revelação.

Depois de interrompida a revelação é altura de despejar o fixador para dentro do tanque. Fecha-se de novo com a tampa vermelha e agita-se durante 10 segundos. Normalmente a fixação faz-se em 3 ou 4 minutos. Há fixadores mais rápidos e outros mais lentos. Pessoalmente fixo durante 6 ou 7 minutos. No final deste tempo despeja-se o fixador para dentro do recipiente onde irá ficar para ser reutilizado. Coloca-se novamente o tanque debaixo da torneira abre-se a água. Deixem correr para dentro do tanque durante uns minutos. É a lavagem do rolo. Depois dos primeiros minutos já podem abrir o tanque, o rolo está revelado e fixado. Deixem lavar


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durante uns minutos largos. Agitem, despejem e mudem a água, deixem-na a correr mas lavem bem o rolo. No final da lavagem vamos despejar o tanque e juntar umas poucas gotas de agente molhante. Encham com água até cobrir o rolo tendo em atenção para não criar espuma. A espuma, se ficar ao nível do rolo, pode causar manchas. Deixem ficar o rolo nesta mistura durante 1 ou 2 minutos. Despejem essa água e lavem de novo o rolo generosamente durante 1 ou 2 minutos. Já está! Abram a espiral e se quiserem passem o filme debaixo de água, retirando vestígios que possam ter ficado. Segurem-no por uma ponta e passem os dedos (tipo tesoura) por ele para tirar o excesso de água. Repitam a operação se virem manchas de água. Ponham a secar.

TEMPOS DE REVELAÇÃO Existem sites com milhares de combinações de rolos e químicos, dando os tempos de revelação para cada caso. Eu uso o Dev Chart (http://www.digitaltruth. com/devchart.php). Numa tabela escolhe-se o rolo usado e noutra o revelador. O tempo é indicado caso a caso. É esse o nosso tempo de revelação. Como referi no início, a temperatura e os tempos são para respeitar tanto quanto uma correcta agitação e lavagem, mas nada deste processo é taxativo ao ponto de nos inibir de o fazer. Mais 1, 2, ou 3 minutos, menos agitado ou mais agitado… o filme a preto e branco perdoa e surpreende. Todas estas coisas são dicas, pontos de partida. Deste ponto em frente tudo é válido. <

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REGRESSO ÀS ORIGENS Numa época em que a Fotografia como actividade lúdica se encontra bastante difundida, graças ao advento do Digital que veio democratizar o acesso às câmaras, verifica-se o percurso inverso para um grupo de pessoas que resolveu regressar às origens. Hugo Pinho, fotógrafo amador, é um desses casos que ao fim de 7 anos a fotografar em digital resolveu dar uma nova vida às câmaras analógicas que vai coleccionando. GALERIA

interesse pela fotografia iniciou-se em 1993 quando recebi a minha primeira máquina fotográfica “a sério”, uma Pentax K1000. Actualmente considero que esta máquina foi uma grande escola pois, funcionando em modo totalmente manual, obriga o seu utilizador a compreender os fundamentos mais básicos da fotografia tais como velocidade de obturação, abertura do diafragma e sensibilidade das películas. A paixão foi-se intensificando, tendo em 1996 frequentado uma formação em laboratório de fotografia a preto e branco promovida pela Secção de Fotografia da Associação Académica de Coimbra. Após alguns anos, e com o acesso facilitado a câmaras digitais em qualquer loja da especialidade ou grande superfície comercial, deu-se a passagem para o digital com a compra de uma compacta da Nikon em 2003. Obviamente o controlo sobre o processo era muito inferior mas, a visualização imediata, a ausência de custo nos consumíveis, a rapidez com que as fotografias estavam disponíveis para impressão e partilha, foram factores que se sobrepuseram e a velha Pentax foi deixada de lado por vários anos. Assim, ficou para mim consumada a morte do analógico. Também a paixão se ressentiu,

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sem nunca ter desaparecido completamente, mas esmorecido. Apenas em 2010, quando vi o meu irmão com uma Pentax ME Super nas mãos, finalmente se fez luz e a paixão adormecida despertou para uma nova vida. Nesse mesmo dia a K1000 saiu da prateleira e abri uma conta no ebay. Vagueando pelos milhares de páginas repletas de câmaras analógicas disponíveis por esse mundo fora, senti-me literalmente como uma criança numa loja de doces. Num instante descobri que as câmaras com que na altura poderia apenas sonhar e cujo contacto mais próximo era através de revistas e livros da especialidade, agora estavam ali acessíveis por preços que chegam a ser 10 vezes inferiores. Por exemplo, marcas como Contax, Rolleiflex, Zenza Bronica ou Mamiya, anteriormente ao alcance apenas dos profissionais ou amadores entusiastas, podem-se hoje em dia encontrar por preços bastante simpáticos, conseguindo-se iniciar no mundo do médio formato por preços inferiores ao de uma DSLR de entrada de gama. Reacesa esta paixão, câmaras, objectivas e rolos foram objectos que começaram a fazer parte da casa. Tendo já a experiência adquirida uns anos atrás, a revelação dos filmes a preto e branco é realizada em casa no “laboratório” improvisado. Na verdade não é necessário muito material e arrumase facilmente sem ocupar muito espaço. >


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Zenza Bronica ETR-Si Zenzanon 75mm F2.8 Kodak Tmax 400

Nikon F100 Nikkor 28-85mm Kodak Tmax 100

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Nikon F100 Nikkor 28-85mm Kodak Tmax 100

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Nikon F100 Nikkor 28-85mm Kodak Tmax 100

Ricoh R10 Kodak Tmax 400

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Pentax K1000 Pentax-A 28-80mm Kodak Tri-X 400

A opção pelo P/B e revelação em casa está também relacionada com o controlo de custos, porque efectivamente se torna bastante mais económica, mas principalmente para permitir um total controlo sobre o processo, experimentando o efeito que os diferentes reveladores e diluições provocam nos resultados finais. Após algum tempo usando as versáteis SLR de 35mm, resolvi dar mais um passo e experimentar o médio formato. Primeiro com uma Mamiya M645 e actualmente com uma Zenza Bronica ETR-Si, também de formato 6x4,5 cm. Se a mudança para o analógico me fez acalmar, pensar cada fotografia, tirar uma fotografia por motivo ao invés de 5 ou 6 para escolher a melhor como fazia no digital, então o médio formato acentuou ainda mais esse processo. Cada rolo faz 15 fotografias. O filme tem um custo, revelar também, digitalizar demora o seu tempo, por isso não se pode desperdiçar nenhum dos fotogramas. Todo o processo abranda, a composição deve ser pensada, mas os resultados compensam. Claro que ao visualizar os resultados nem tudo me agrada e há sempre surpresas. Mas esse é o encanto do analógico, é

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a espera pelos resultados, o culminar de um processo. Se num rolo inteiro apenas uma fotografia realmente me agradar, já o dou como bem empregue. Além do significativo aumento da qualidade da imagem, o médio formato permite explorar ainda mais o uso das reduzidas profundidades de campo. Geralmente quando utilizo o formato 6x4,5 é com determinada foto, ou série de fotos em vista. Com alguma antecipação o equipamento é preparado, os rolos são selecionados em função do assunto, da iluminação, entre outros factores. Mas, como é raríssimo sair de casa sem uma câmara, ultimamente tenho sentido especial apetência pelas compactas de 35mm. As preferidas actualmente são a Olympus mju I e a Ricoh R1, ambas com objectiva de focal fixa, 35mm no caso da Olympus e 30mm na Ricoh. O uso de uma compacta muda radicalmente a forma de encarar a fotografia. Estas objectivas têm uma qualidade bastante aceitável, são leves, pequenas e intuitivas de utilizar. As SLR são de facto a melhor escolha para aprender os princípios da fotografia, mas uma compacta permitiu libertar-me e explorar o mundo de uma forma completamente


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Zenza Bronica ETR-Si Zenzanon 75mm F2.8 Kodak Tmax 100

Zenza Bronica ETR-Si Zenzanon 75mm F2.8 Kodak Tmax 400

distinta. Se na SLR existe uma preparação prévia, selecionar a combinação de abertura e velocidade correctas, congelar ou dar arrastamento à acção, obter uma curta ou larga profundidade de campo, a compacta é mais intuitiva. A concentração está no motivo a fotografar e não na máquina. Isso é muito importante e é o principal erro dos iniciantes, dar demasiada importância à máquina e esquecer o que realmente importa, que é o assunto fotografado. As compactas são discretas e pouco intrusivas, o que me levou a iniciar a exploração de um dos meus preferidos géneros de fotografia, a Fotografia de Rua, ou Street Photography. Em vez de procurarmos o extraordinário, é antes o vulgar, o quotidiano, a relação entre as pessoas que importa registar para memória futura. São marcos de uma época, sejam as roupas, os carros, os objectos do dia a dia, são situações que representam a actualidade e pretendo revisitar uns anos mais tarde. Fascina-me ver que “mestres” como Henri Cartier Bresson, Alfred Eisenstaedt ou Robert Doisneau continuam actuais. Dos mais recentes aprecio bastante o português Rui Palha e o japonês Daido Moriyama. A crueza das fotografias de Moriyama

não deixa ninguém indiferente. As suas fotografias tiradas com filmes puxados a sensibilidades extremas, com alto contraste, imenso grão, ganham em conteúdo o que perdem em “qualidade”. Mas, afinal, o que vem a ser a qualidade? Penso que não é pelo número de megapixéis ou evolução tecnológica de uma câmara que se conseguem melhores fotografias. O importante é apaixonarmo-nos pela Fotografia e conseguir exprimir sentimentos e emoções através dela. Desta forma despeço-me, deixando um conjunto de fotografias tiradas nos últimos dois anos. E agradeço a oportunidade que a revista zOOm me deu, mas principalmente pelo espaço que dedicou a esta temática, fora de época e simultaneamente intemporal. É uma referência para milhares de apaixonados pela Fotografia por todo este país e fora dele, e espero que esta edição tenha despertado o “bichinho” do analógico, quer aos mais velhos que se iniciaram desta forma, quer à juventude que despertou para a Fotografia já na era digital.” <

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Revista Zoom na Prática ed.11