Issuu on Google+

A REVISTA DA AGROPECUÁRIA Ano 4 - Nº 12 - 5,00€ janeiro | fevereiro | março 2014 (trimestral) Diretor: Nuno Marques www.revista-ruminantes.com

Entrevista Produzir leite, fabricar e vender queijo, uma oportunidade? Febre Q doença que pode afetar a produtividade da exploração MASSA DE CERVEJA um alimento proteico interessante


LINHAProvi A Cargill Company

A Cargill Company

A Cargill Company

A Cargill Company


EDITORIAL

edição nº12 janeiro | fevereiro | março 2014

O momento, as previsões e a decisão Quer gostemos ou não, o mundo em que vivemos está em constante mudança, obrigando as empresas a um estado de permanente alerta para se manterem lucrativas. A tão falada globalização da economia, que facilitou o comércio, o investimento, as movimentações de pessoas e a disseminação do conhecimento, trouxe também elevados padrões de exigência competitiva, e hoje já não é possível estarmos no mercado sem nos irmos adaptando, de preferência antecipadamente, às expetativas dos clientes. Para que esta evolução aconteça, as empresas têm que investir para melhorar a sua capacidade produtiva, seja em instalações, tecnologia, recursos humanos e marketing, para se tornarem diferenciadas e, logo, mais competitivas. Porém, sendo o investimento o motor de arranque do negócio, pode também ser a causa de insucesso do mesmo quando o momento escolhido para investir não é o momento certo. No negócio da produção de leite e carne, como em quase todos, a decisão de investir comporta riscos. Àqueles que conseguimos medir acresce, especificamente nestes setores, a volatilidade dos preços das matérias primas e do leite que tem caraterizado o mercado nos últimos anos, deitando por terra algumas previsões de entidades idóneas. O que mostra que não basta confiarmos em conjeturas mais ou menos otimistas nas decisões de investimento que possam ter um impacto importante no negócio e nos seus parceiros. Não esquecendo que a melhoria da eficiência e da produtividade são razões fundamentais de qualquer investimento, há que ponderar bem quais os fatores de produção a melhorar por forma a torná-lo rentável. A questão do bem estar animal, tantas vezes esquecida, ilustra bem esta situação, já que, sem aumentar o efetivo e a estrutura, se consegue incrementar de forma mais ou menos significativa, a produtividade da exploração.

Nuno Marques

Diretor

Nuno Marques | nm@revista-ruminantes.com Colaboraram nesta edição Ana Maria Gaspar; Ana Pedro; Ana Rita Diniz; Ana Rita Simões; Ana Vieira; Andrew J. Bradley; António Cannas; António Moitinho; Carlos Flecha; Carlos Vouzela; Dário Guerreiro; David Catita; Elisabete Carneiro; Felipe de Almeida; Francisco Marques; George Stilwell; Helder Duarte; IACA; Inês Ajuda; Jerónimo Pinto; José Caiado; José Leitão; José María Bello; José Miguel Lopes Jorge; Juhani Vuorenmaa; Maria Luísa Ferrão; Mariana Toscano; Marta Murta; Marta Santos; Nuno Prates; Paulo Costa e Sousa; Pedro Campos; Pedro Castelo; Severiano Silva; Sofia de Menezes; Suomen Rehu Oy; Tereza Moreira; Upseerrinkatu, Uziel de Carvalho.

Publicidade

Américo Rodrigues, Catarina Gusmão | comercial@revista-ruminantes.com

Design e PrÉ-impressão | prepress@revista-ruminantes.com

Assinaturas

João Correia | logistica@revista-ruminantes.com

Impressão

Jorge Fernandes, Lda Rua Quinta Conde de Mascarenhas, Nº9, Vale Fetal 2825-259 Charneca da Caparica Tel. 212 548 320

Escritórios

R. Nelson Pereira Neves, Nº1, Lj.1 e 2 - 2670-338 Loures Tel. 219 830 130 | Fax. 219 824 083 | geral@revista-ruminantes.com

Propriedade / Editor Nugon, Lda. / Nuno Gusmão Contribuinte nº 502 885 203 Sede: Rua São João de Deus, Nº21 2670-371 Loures Tiragem: 8.000 exemplares Periodicidade: Trimestral Registo nº: 126038 Depósito legal nº: 325298/11 O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, anúncios e imagens, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação. Reprodução proibida sem autorização da NUGON, LDA. Alguns autores nesta edição ainda não adotaram o novo acordo ortográfico.

www.revista-ruminantes.com www.facebook.com/revistaruminantes


Índice Alimentação 12 Alternativa na engorda de borregos 20 Controlo de micotoxinas em explorações de bovinos de leite 22 VivActiv´, a eficácia comprovada 32 Leveduras hidrolisadas de cerveja para vacas leiteiras 35 Sistema exclusivo Cargill de Nutrição Integrada para vacarias de leite 36 Maximizar a eficiência proteica na produção leiteira

Atualidades 08 Tendências 2014 do mercado mundial da carne 50 Melhoria da qualidade da silagem de erva e da fertilidade das vacas

10

Conheça a Lei

Produzir leite, fabricar e vender queijo, uma oportunidade?

ECONOMIA

Entrevista a Marta Santos, sócia gerente da SenrasDairy

72 Alterações às obrigações fiscais impostas pelo atual OE 38 Observatório de matérias primas 40 Observatório do leite 42 Índice VL

Entrevista 28 A boa gestão na base do negócio 64 VI Jornadas HVME 66 Italmix na Produção de Leite

Equipamento 68 Novidades

GENÉTICA 44 Concursos da raça Frísia 48 Consumo de carne de bovino

Pastagem 16 “Overseeding”

24

56

MASSA DE CERVEJA

Febre Q

Um alimento proteico interessante

Doença que pode afetar a produtividade da exploração

Saúde Animal 58 Controlo da mastite por coliformes 62 Tremor, Epizoótico (TE) ou Scrapie

Saúde e Bem-estar Animal 52 Avaliação da condição corporal nos caprinos 61 A descorna

boletim de assinatura 1 ano, 4 exemplares

dados pessoais

Portugal: 20,00 €

Nome.............................................................................................................................................................................................

Europa: 60,00 €

Morada..........................................................................................................................................................................................

Pagamento • Por transferência bancária: NIB: 0038 0000 3933 1181 7719 0 Enviar comprovativo por fax (219 824 083) ou email (contabilidade@abolsamia.pt) • Por cheque: À ordem de NuGon, Lda.

............................................................................................................................................................................................................. CP............................................................................Localidade.............................................................................................. Email.............................................................................................................................................................................................. Tel............................................................................NIF................................................................................................................. Morada para envio: Revista Ruminantes - R. Nelson Pereira Neves, Lojas 1 e 2 - 2670-338 Loures ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 5


atualidades

“FLOCK-REPROD” futuro selo de qualidade no mercado do leite de cabra

“Campanha pela lã” valoriza setor ovino Escolher a lã em vez de materiais sintéticos na confeção de uma peça de vestuário ou de um artigo de decoração. Este é o principal objetivo da “Campanha pela lã”, iniciativa internacional, que nasceu em 2010 no Reino Unido. Apadrinhada pelo príncipe de Gales, a campanha reúne produtores de ovinos, designers de moda, decoradores e artesãos de todo o mundo, que visam mostrar as vantagens da utilização desta matéria-prima produzida pela ovelha, sem o contributo da mão do homem. A lã é apresentada como um material 100% natural, renovável e biodegradável. Isolante natural, uma vez que tem a capacidade de gerar e manter o calor, a campanha destaca ainda a estrutura natural da lã que permite deixar respirar a nossa pele de acordo com a necessidade que temos, tendo em conta o ambiente onde nos encontramos, assim como a resistência da matéria-prima que pode ser dobrada muitas vezes sem partir, mantendo uma boa aparência e uma

longa vida útil. Destaca-se ainda a particularidade de ser capaz de bloquear as moléculas de odor, uma vez que absorve a humidade do corpo, reduzindo a quantidade de suor deixada à flor da pele e, em consequência, o odor produzido. A semana internacional dedicada à lã aconteceu em vários países como Itália, Alemanha, E.U.A, Japão e Espanha. A mais recente teve lugar em Madrid numa das principais galerias comerciais da cidade. Pastores e ovelhas de raça merina rumaram à calle Serrano e, numa ação conjunta com os lojistas, procuraram sensibilizar o consumidor para conceitos como sustentabilidade e valor natural desta matéria-prima com o objetivo de valorizar a produção de lã e contribuir para a rentabilidade do setor ovino demonstrando como este é um pilar crucial no desenvolvimento rural.

Para mais informações www.campaignforwool.org

6 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

O projeto de investigação europeu “FLOCK-REPROD”, no qual estiveram envolvidos quinze parceiros de sete estados-membros, entre eles, o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária e a Associação Nacional de Caprinos de Raça Serrana, propôs-se estudar, ao longo de quatro anos, métodos de reprodução naturais numa amostra de cerca de 13,2 milhões de cabras de várias raças, entre elas a raça serrana. O estudo teve como objetivo fornecer aos produtores de lacticínios de origem caprina tecnologia inovadora, necessária à reprodução via inseminação artificial, na qual não existisse a utilização de hormonas artificiais. Desta forma, a indústria europeia de lacticínios pode agir em conformidade com a regulamentação da UE, cada vez mais rigorosa na utilização de hormonas exógenas, recorrentemente utilizadas pelos produtores de cabras leiteiras na prática da inseminação artificial. A utilização destes métodos de reprodução naturais que

Para mais informações www.flock-reprod.eu

consiste, entre outros, no chamado “efeito macho” e em tratamentos foto periódicos nos períodos de anestro, sempre com o objetivo de provocar o cio nas fêmeas, rompe assim com a sazonalidade de reprodução da cabra que tende a concentrar o seu período fértil entre a primavera e o verão, evitando a utilização de hormonas que necessariamente interferem na qualidade do leite e derivados. Os produtores que apliquem estes novos métodos de reprodução, seguindo os procedimentos estabelecidos na presente investigação, podem utilizar a marca “FLOCK-REPROD” para efeitos de comercialização. O projeto visa assegurar a sustentabilidade da indústria numa perspetiva económica e ecológica garantindo ao consumidor de lacticínios de cabra produtos sem hormonas durante todo o ano.


atualidades

Teste permite deteção precoce de gestação em ovelhas Saber se uma ovelha está gestante ao final de dezoito dias era, até agora, algo improvável. Com o novo meio de diagnóstico, cujo trabalho de investigação foi publicado na revista Theriogenology, é possível saber, através de uma simples análise ao sangue, se a ovelha está prenha após 18 dias de gestação. Portador de um nível de fiabilidade perto de 100%, o novo teste, de rápida aplicação, pode vir a ser uma ferramenta útil na melhoria da eficiência reprodutiva e no maneio dos rebanhos. É apresentado como uma alternativa ao ecógrafo, o meio de diagnóstico mais popular entre os produtores de ovinos, sobretudo em explorações

vocacionadas para a produção de reprodutores, que deteta a gestação após 45 dias. O projeto de investigação foi levado a cabo pelo Centro de Investigação e Tecnologia Agroalimentar de Aragão (CITA), pelo Instituto Nacional de Investigação e Tecnologia Agrária e Alimentar (INIA), pelo Grupo Cooperativo Oviaragón e pelo Instituto Nacional de Investigação Agronómica Francês (INRA) tendo sido registada a respetiva patente na Oficina Espanhola de Patentes e Marcas (OEPM).

Para mais informações www.cita-aragon.es

Plantas marinhas podem ser utilizadas na alimentação animal A atual situação económica leva os produtores de gado a procurarem alternativas, no que respeita à alimentação animal, com o objetivo de reduzirem os custos de produção. Sabemos que uma vaca deve ingerir quantidades aceitáveis de minerais, energia, proteínas e fibra, e estes componentes podem encontrar-se em restos forrageiros marinhos, também denominados plantas marinhas. A posidonia oceânica, conhecida como olival do mar, existe em grande quantidade no mar mediterrâneo, e constitui uma fonte de alimento para todos os herbívoros marinhos. As folhas da planta que são arrastadas pelas marés até à costa contêm um alto teor de minerais e não necessitam

de sofrer transformação, conservação ou maturação, funcionando como um bom complemento utilizado na alimentação animal. Analisando a composição nutricional da posidonia oceânica, verificou-se que esta pode funcionar como uma boa alternativa à palha de cevada, dado a quantidade de fibra bruta verificada na planta marinha. Esta fibra traduz-se em altos níveis de digestibilidade. A planta do mar tem efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios, devido à quantidade elevada de taninos e flavonoides que a constituem, propriedades muito valorizadas na dieta animal. Para mais informações www.mundoganadero.es

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 7


atualidades

Tendências 2014

do mercado mundial dA carne Segundo o relatório “Livestock and Poultry: world markets and trade” do USDA (United States Department of Agriculture), prevê-se um crescimento mundial no mercado da carne na ordem de 1,6 milhões de toneladas face a 2013. de toneladas, o consumo 5% e as exportações reduzam também 6%, valor que se traduz em 1 milhão de toneladas. Já na União Europeia a produção sofrerá um aumento, (7,8 milhões de toneladas), dado que os custos de produção, como o preço da alimentação, tendem a reduzir. O consumo manter-se-á, prevendo-se que a produção interna adicional seja exportada, calculandose um aumento de 4% nas exportações, correspondendo a 270,000 toneladas.

produção de carne bovina dos eua declina bruscamente milhões de toneladas 13

Equivalente peso carcaça

Nos últimos nove anos, entre 2005 e 2014, a exportação mundial de carne (bovina, suína e aves) aumentou 40%. Em 2014 as previsões apontam para um novo recorde na exportação, sobretudo da carne de vaca e de aves. O crescimento da exportação de carne bovina deve-se ao aumento da procura, verificada na Ásia Oriental, enquanto a carne de aves, que continua a ser a mais procurada no mercado mundial, é cada vez mais consumida no Médio Oriente e na África subsariana.

12

12

11

11 2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

Fonte: USDA | Tradução: BeefPoint (www.beefpoint.com.br)

Brasil

Carne bovina

Também no Brasil, as previsões apontam para um crescimento da produção na ordem dos 3%, (9,9 milhões de toneladas), devido ao aumento dos rebanhos,

E.U.A. Os E.U.A., o maior produtor mundial de carne bovina, prevê que a produção diminua 6%, para 11 milhões

Exportações milhões de toneladas 30

25

CWE/RTC

20

China

carne de aves

15

carne suína

10

5

carne bovina

0 2005 2006

2007

2008

2009

2010

consequência de uma política subsidiada pelo governo, que visa promover a melhoria das pastagens e da genética do gado bovino. O consumo terá um crescimento modesto e as exportações deverão aumentar 8%, para 1,9 milhões de toneladas, devido ao ganho de competitividade numa economia global, em consequência da desvalorização do real.

2011

Fonte: USDA | Tradução: BeefPoint (www.beefpoint.com.br)

8 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

2012

2013

2014

Na China as previsões dizem que a produção de carne de vaca aumentará 2%, o que se traduz em 5,8 milhões de toneladas. As elevadas margens de lucro continuarão a atrair multinacionais ligadas à indústria da carne, enquanto os produtores locais tendem a fechar os

seus negócios, devido à baixa eficiência dos mesmos e à capacidade limitada que têm de investimento. É esperado que o consumo de carne bovina continue a ultrapassar a produção e que as importações aumentem 19%.

India Na India, estima-se que a crescente procura de lacticínios estimule o crescimento de rebanhos de bovinos. Espera-se que o governo, à semelhança de políticas anteriores, continue a encorajar a produção de carne bovina, através de várias ações de sensibilização dirigidas a produtores e a consumidores. As exportações terão um aumento de 6%, representando 1,8 milhões de


atualidades

toneladas, cerca de 20% da comercialização de carne de vaca no mercado mundial.

Argentina Na Argentina, a previsão inclinase para um ligeiro aumento na produção, (2,8 milhões de toneladas), enquanto as exportações crescem 22%, devido à desvalorização do peso e à forte procura externa, sobretudo da China e de Hong Kong.

Austrália e Nova Zelândia Na Austrália a produção manter-se-á estável, na ordem dos 2,3 milhões de toneladas. As exportações sofrerão um ligeiro aumento, devido ao crescimento da procura de carne a nível mundial. No Canadá prevê-se uma diminuição na produção, num

total de 1 milhão de toneladas, e um ligeiro aumento nas exportações, para 325,000 toneladas, após quatro anos de declínio. As importações sofrerão uma quebra de 2% o que se traduz em 315,000 toneladas. Também na Nova Zelândia é esperada uma quebra ligeira na produção, para 640,000 toneladas, e uma diminuição das exportações na ordem de 2%, o que corresponde a 536,000 toneladas.

Carne de peru No que respeita à produção de carne de perú, as previsões apontam para um aumento de 3% nos EUA, (2,7 milhões de toneladas), resultado da redução do custo da alimentação. As exportações deverão aumentar 5%, o

que se traduz em 354,000 toneladas, devido à procura crescente deste tipo de carne em países como a China e o Japão. Na União Europeia estima-se que a produção se mantenha e que as exportações desçam 7%, dado os preços pouco competitivos que a carne de perú apresenta no mercado global.

Carne de suíno Relativamente à carne de suíno, as previsões apontam para um crescimento da produção, estimando-se um recorde de 108,9 milhões de toneladas em 2014, sobretudo devido aos baixos custos de alimentação e à franca expansão da procura na Ásia Oriental e nos E.U.A. Calcula-se que os norteamericanos vejam a

produção de suínos aumentar para 10,8 milhões de toneladas, sobretudo devido à crescente procura interna e aos custos reduzidos na alimentação animal. As exportações atingirão 2,4 milhões de toneladas, em consequência do aumento da procura em países como o México e a Coreia do Sul e as importações mantêm-se inalteradas em 390,000 toneladas. Já na União Europeia prevêse uma estabilidade quer na produção de carne suína, estimada em 22,5 milhões de toneladas, quer no consumo. As exportações também não sofrerão alterações, mantendo-se em 2,2 milhões de toneladas. A quebra de procura na Rússia estima-se que seja compensada com o aumento das importações por parte da China e da Coreia do Sul.

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 9


entrevista

Produzir leite, fabricar e vender queijo,

uma oportunidade? Entrevista a Marta Santos, sócia gerente da SenrasDairy. Por ruminantes

Marta, Elisabete e Célia Santos são irmãs e gerem em conjunto uma exploração leiteira e uma fábrica artesanal de queijo na localidade de Ribeirão, concelho de Vila Nova de Famalicão. O negócio começou há mais de 30 anos com os seus pais, e hoje emprega já cinco pessoas a tempo inteiro e três a tempo parcial. A exploração situa-se numa propriedade com 15 hectares e conta com um efetivo de cerca de 100 animais da raça Holstein Frísia, dos quais 45 estão em ordenha. A produção média anual por vaca ronda os 10.500 litros de leite. Como

alimentação base para as vacas estabuladas é utilizada a silagem de milho feita na exploração, para além de concentrados proteicos e energéticos, complementados em determinadas épocas do ano com luzerna desidratada e palha ou feno. Ruminantes - Sempre fez queijo? Porque se iniciou neste negócio? Marta Santos – Há cerca de 36 anos que os meus pais iniciaram o negócio de produção de leite. Na altura a qualidade do leite não era valorizada, apenas a quantidade, por isso em 1982 decidiram

10 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

começar a transformar o leite que produziam, em queijo. Já na altura os meus pais tinham muito cuidado com a alimentação dos animais e com a qualidade do leite, e viram na produção de queijo uma forma de acrescentar valor ao leite que produziam, podendo assim rentabilizar melhor o negócio. A que estrutura obriga o fabrico de queijo? Temos mais duas pessoas a tempo inteiro e duas a tempo parcial só na queijaria. O investimento inicial em maquinaria, tanques e outros produtos é bastante


entrevista

elevado e diariamente a estrutura de custos também é grande, nomeadamente a fatura energética e a mão-deobra têm um peso importante. Como fazem o escoamento dos queijos? Têm contratos de venda? Uma das quatro pessoas ligadas à queijaria faz a distribuição e isso obriganos a ter um carro específico para isso. A parte comercial propriamente dita não existe, o crescimento de vendas foi muito lento e gradual ao longo dos anos. Foi o próprio produto que foi fazendo a venda. Atualmente, 35% vendas de queijo são para a grande distribuição; 15% para grossistas; 5% para exportação; e o resto é para o retalho. Os contratos que temos, por exemplo com o Continente e Jumbo, é com o preço fixo ao longo do ano. Alguma vez pensou em vender leite do dia? Sabemos que esse negócio existe noutros países e achamos que pode ser uma boa ideia para acrescentar valor ao leite produzido, mas pensamos que teriamos que “gastar” imensa energia, tempo e trabalho na divulgação desse conceito, porque hoje em dia não temos o hábito de

consumo de leite do dia em Portugal. O plano alimentar estabelecido é igual todo o ano? Sim, fazemos por manter o mesmo plano todo o ano. O ideal para a qualidade do queijo seria utilizar pasto, mas como não o conseguiríamos manter todo o ano, optámos por utilizar como base a silagem de milho e o concentrado. O grande cuidado que temos está essencialmente focado na qualidade dos alimentos que utilizamos, nomeadamente na silagem, que é toda produzida por nós. O plano alimentar foi definido em função do tipo de queijo e sabor que lhe queria conferir? Sim, orientámos o plano essencialmente para a capacidade de o conseguirmos manter homogéneo ao longo do ano, e com a proibição de utilização de determinados alimentos que poderão dar um sabor indesejado ao queijo, como por exemplo a polpa de citrinos. O queijo está certificado? O queijo não está certificado; estamos a pensar fazer uma certificação HALAL para a

PROCESSO DE FABRICO A Coalhada é cortada em pequenos grãos possibilitanto o dessoramento.

comunidade Muçulmana, mas apenas quando tivermos as novas instalações. Quando vê o preço do leite subir aos produtores em geral, consegue passar esse acréscimo de preço aos seus clientes de queijo? Nestas alturas não pensa voltar a vender leite em vez de queijo? Não passamos esse diferencial de preço do leite aos nossos clientes de queijo, da mesma forma que quando baixamos o preço do leite também não baixamos o preço do queijo. Achamos que é muito mais constante a margem do negócio de vender queijo, do que a de vender leite. O preço do leite sobe hoje, mas amanhã desce, e provavelmente estará mais tempo a preços mais baixos e portanto “menos interessantes” para nós. Para quem quer investir no negócio do leite, pensamos que é muito mais seguro transformar o leite em queijo e vendê-lo, as previsões de margem do negócio são mais fiáveis.

Nos próximos 5 anos que investimentos pensa realizar? Vamos fazer novas instalações, tanto para a queijaria como para a vacaria, de forma a duplicar a capacidade atual, ou seja passar para um milhão de litros ano, com a capacidade de poder aumentar, caso seja necessário. As perspetivas de crescimento de vendas do negócio do queijo estão essencialmente na zona de Lisboa, onde não vendemos atualmente, e no mercado externo.

QUEIJO SENRAS CURADO, AMANTEIGADO, DE LEITE DE VACA

PROCESSO DE FABRICO Durante 30 dias de cura, o queijo desenvolve a sua textura amanteigada e sabor único.

De formato arredondado, pasta mole, crosta maleável, cor amarelada, aroma suave e sabor único. Embalagens de 0,5; 1,0 e 1,3kg www.queijosenras.com

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 11


Alimentação

josé maría bello Chefe de Produto Ovino e Caprino Nanta jm.bello@nutreco.com

KOMPLET KONCEPT KOMPLECOR, ALTERNATIVA NA ENGORDA DE BORREGOS Tal como nos outros setores da pecuária, o mercado da engorda de borregos também está a mudar substancialmente.

De um modo geral, na Península Ibérica está a aumentar o peso médio dos animais engordados, paralelamente ao incremento da exportação. O consumo interno está praticamente estagnado e são cada vez mais frequentes os esforços dos fornecedores para diferenciar a qualidade das carcaças que oferecem aos seus clientes. Existe um grande interesse em investir na cor da carne e no teor de gordura das carcaças. Do lado da produção, a preocupação de há alguns anos a esta parte com os

preços da palha e com o trabalho que envolve o fornecimento da mesma aos animais, fez com que tivesse sido lançado no mercado um sistema de alimentação baseado em misturas completas de cereais e em concentrados proteicos como único alimento, prescindindo da palha. Estes sistemas tiveram diferentes graus de sucesso nas explorações onde foram utilizados mas, embora cumprindo os objetivos para os quais foram criados, apresentavam alguns inconvenientes, nomeadamente: acidoses

12 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

ruminais com paraqueratose (muito evidente em alguns matadouros) e excesso de gordura, bem como o facto de ficarem restos de alimento deixados pelos borregos. A NANTA, desde o ano de 2009, tem sido sensível a esta preocupação do mercado, tendo lançado o sistema KOMPLECOR (KOMPLET CONCEPT) que consiste num programa de alimentação de rações granuladas e completas para engorda de borregos concebido para eliminar, na medida do possível, os inconvenientes descritos para as misturas.

O que é KOMPLECOR? É um sistema de alimentação para engorda de borregos em que não é necessária a utilização de palha. Desde 2009 que se tem uma ampla experiência em resultados experimentais e de campo. A apresentação do alimento é em granulado, administrado como um alimento convencional, ad libitum, com água limpa e potável. As normas básicas de utilização são as seguintes: • Alimento à livre disposição. • É utilizada cama de palha


alimentação

• •

na maioria das nossas experiências. Quando os animais provêm de outras explorações onde estavam a comer palha, é conveniente fornecer palha durante 2 a 3 dias para adaptação. Produz carcaças menos gordas que as rações convencionais de alta energia. Consegue poupança em mão de obra e em consumo de palha. As velocidades de crescimento são similares, mas conseguem-se piores índices de conversão.

Em que se baseia tecnicamente o KOMPLECOR? A NUTRECO dispõe de um modelo nutricional próprio para ruminantes de leite, baseado em estudos realizados durante vários anos, relacionados com a degradabilidade dos componentes da dieta, assim como a criação de nutrientes que visam uma melhor orientação da alimentação para determinados fins produtivos. A definição de parâmetros indicadores de saúde ruminal tem sido um dos principais objetivos destes trabalhos que foram realizados em vacas fistuladas. Este modelo, chamado NOVALAC, permitiu adaptar o conhecimento da cinética ruminal aos Pequenos Ruminantes, criando o KOMPLET CONCEPT, cuja expressão na produção de carne é o KOMPLECOR. Os primeiros protótipos de produtos foram submetidos a experiências realizadas em várias explorações desde 2009. Isto permitiu conhecer melhor o comportamento alimentar dos borregos, assim como o desempenho dos produtos testados (ver tabela 1).

TEMPO ENSAIO

TALAVERA

14 Meses

KOMPLECOR CEBIAL

MÚRCIA

3 Meses

KOMPLECOR CEBIAL

CATALUNHA

3 Meses

KOMPLECOR CEBIAL

LA MANCHA

1.5 Meses

KOMPLECOR SP

SI

EXTREMADURA

CONTROLO MATADOURO

CONTROLO PESOS

RAÇÃO

pHs PANÇA

pHs CARCAÇA

SI

SI

TABELA 1

SI

1 Mes

KOMPLECOR CEBIAL

SI

ANDALÚZIA

3 Meses

KOMPLECOR CEBIAL

SI

SI

PORTUGAL 1

1.5 Meses

KOMPLECOR SP

SI

SI

PORTUGAL 2

1.5 Meses

KOMPLECOR SP/LIGERO

SI

CASTELA E LEÃO

1.5 Meses

KOMPLECOR SP/LIGERO

SI

Alguns resultados experimentais e de campo Os ensaios relacionados anteriormente estão perfeitamente documentados e foram um elemento fundamental na conceção dos atuais produtos KOMPLECOR. Dois deles foram realizados em Portugal e vamos apresentar os resultados:

GRÁFICO 1 Ensaio KOMPLECOR Portugal 2011 (Aumento diário). 0,400 0,350 0,300

0,358

0,346

0,303

0,282

0,250

Ensaio KOMPLECOR SP

0,200

(Paulo Brito - Fundão 2011)

0,100

0,150

58 borregos de diferentes sexos e genótipos foram criados com KOMPLECOR SP desde os 12 kg até ao abate (ainda que a pesagem inicial de referência tivesse 15 kg de peso vivo). Registaramse os dados de crescimento e do matadouro por borrego. Mediu-se a velocidade de crescimento (GMD), o rendimento carcaça, o pH ruminal, o pH e conformação da carcaça e estado de gordura. Os consumos de ração e o índice de conversão ração/carne (IC) foram retirados de todo grupo de animais sem diferenciação de raças. Os resultados estão detalhados na tabela 2. Globalmente, a velocidade de crescimento foi de 345 gramas de carne por dia, o índice de conversão (kg de ração por kg de carne reposto) foi de 3.04 e o rendimento de carcaça no matadouro foi de 47.2% (de 15.1 kg a 28.8 kg). Nos gráficos 1 e 2 estão detalhados os aumentos diários e os rendimentos de carcaça por raças e sexos.

0,050 0,000

Cruzados Femêa

Cruzados Macho

Merino Femêa

Merino Macho

GRÁFICO 2 Ensaio KOMPLECOR Portugal 2011 (Rendimento Carcaça). 50,0%

49,3%

49,0% 48,0% 47 , 0 %

47,3% 46,7% 45,8%

46,0% 45,0% 44,0% 43,0%

Cruzados Femêa

Cruzados Macho

Merino Femêa

Merino Macho

TABELA 2 RAÇA

SEXO

Nº BORREGOS

PESO ENTRADA

PESO SAÍDA

GMD

Desv St GMD

DÍAS EM ENGORDA

REND. CARCAÇA

CRUZADOS

FEMÊA

10

15.08

28.54

0.303

0.08

45

47.3%

CRUZADOS

MACHO

20

15.07

29.44

0.358

0.07

41

45.8%

MERINO

FEMÊA

7

14.10

25.92

0.282

0.08

44

49.3%

MERINO

MACHO

21

14.54

28.76

0.346

0.08

42

46.7%

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 13


Alimentação

TABELA 3

Ensaio KOMPLECOR SP (PASTO ALENTEJANO SOUSEL 2012) 200 animais, machos e fêmeas de raça merina, em 4 lotes. Dois com ração convencional e palha e dois com KOMPLECOR SP e sem palha. A ração convencional estava medicada com clorotetraciclina e sulfadiazina-trimetoprim e o KOMPLECOR apenas com decoquinato. Os resultados do ensaio estão detalhados na tabela 3. Como pode ser observado, os resultados obtidos na engorda foram semelhantes no crescimento (GMD), mas piores nos consumos de ração para reposição de carne (IC). Os resultados no matadouro a nível do estado de gordura (ver tabela 4) revelaram uma menor cobertura de gordura em geral, especialmente nas fêmeas, quase dentro dos resultados esperados e longe dos máximos (GESTICOR MODEL *, 4200 registos), facto muito apreciado pelo produtor.

TRATAMENTO

ADIÇÃO

SEXO

Nº ANIMAIS

1

NCL Esp M5 (300ppm CLT + 300ppm SxT)

FEMÊAS

50

1

16,4

27,1

0,283

MACHOS

50

2

16,2

30,0

0,363

2

COMPLECOR (40ppm Decoquinato)

FEMÊAS

50

3

16,9

27,8

0,286

MACHOS

50

4

17,1

30,3

0,348

Os piores resultados económicos, segundo o produtor, foram compensados pelo menor consumo de palha (contabilizando o consumo do animal e palha da cama) e mão de obra, de modo que os custos praticamente se igualaram. A análise é feita com o GESTICOR MODEL * na tabela 5. Existem muitos outros ensaios que mostram o bom desempenho do KOMPLECOR e suportam as conclusões retiradas dos resultados apresentados.

PARQUE

PESO INICIAL PESO FINAL

GMD

GMD

IC

0,323

3,20

0,317

3,44

PRODUTOS KOMPLECOR Dependendo do tipo de borrego, dos objetivos zootécnicos da engorda (diferentes graus de gordura, maior eficácia de engorda ou maior segurança ruminal) e da época do ano, a NANTA oferece uma gama de produtos KOMPLECOR para serem utilizados com critérios nutricionais semelhantes às rações convencionais. Os produtos estão descritos na tabela 6.

KOMPLECOR LIGERO

KOMPLECO SP

KOMPLECOR CEBIAL

16.5%

16.0%

16.0%

FB

6.0%

6.0%

6.0%

GB

4.5%

4.4%

3.0%

ALM+AZ

38.0%

36.0%

35.0%

MM

6.2%

6.3%

6.4%

TABELA 6

TABELA 4 KOMPLECOR SP

NCLE

NÍVEL GORDURA (1-5) MACHOS

FÊMEAS

MACHOS

FÊMEAS

3.5

4.0

3.5

4.0

OBTIDO

3.4

3.0

3.6

3.5

PREVISTO

2.9

3.2

2.9

3.2

MAXIMO

TABELA 5 NCL ESP

KOMPLECOR SP

1/16/12

1/16/12

Peso entrada (KG)

16.30

17.00

G.M.D. (Kg/día)

0.323

0.317

I.C.

3.20

3.44

Data entrada DADOS GLOBAIS

CUSTOS RAÇÃO

PALHA

CUSTO TOTAL

Custo borrego

12.40 €

12.61 €

Custo borrego/Dia

0.33 €

0.33 €

Custo Quilo Reposto

1.01 €

1.04 €

Mão de Obra

0.05 €

0.03 €

Palha

0.33 €

0.10 €

Total

0.38 €

0.13 €

Alimentação + Mão Obra

12.78 €

12.74 €

14 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

RESUMO E CONCLUSÕES • Existe uma alternativa na alimentação de borregos em engorda que tem em consideração os custos associados com palha (muito cara em alguns anos de má colheita ou seca) e a mão de obra associada ao fornecimento da palha. • Os resultados e a larga experiência de campo com os clientes que passaram muitos meses a consumir estes produtos, revela o seu bom desempenho, eliminando grande parte das desvantagens das misturas integrais de cereais/concentrado. • Este sistema está apoiado pelo modelo nutricional criado pela NUTRECO, (NOVALAC) e nos resultados de campo obtidos. • O sistema é, do ponto de vista zootécnico, menos eficiente que os convencionais, mas essas diferenças são compensadas pela economia no consumo de palha e mão de obra associada ao fornecimento. • Os produtos da gama KOMPLECOR podem cumprir as expectativas na engorda de borregos em qualquer tipo de situação ou tipo de animal.

Nota: * GESTICOR MODEL - é um sistema de gestão e melhoria em parques de engorda de borregos, desenvolvido pela NANTA, que tem como objetivo comparar os resultados da engorda, matadouro e outros aspetos zootécnicos, com valores de referência obtidos a partir de uma extensa base de dados recolhidos no campo.


pastagem

“overseeding” “Overseeding” é a designação para uma sobre-sementeira, técnica de renovação da flora de um prado já instalado sem destruir a vegetação instalada, através da introdução de variedades já existentes ou de novas variedades. por Ana Rita Diniz

“Quando é que um prado é considerado degradado? Quando em cada metro quadrado aparecem zonas com o diâmetro de um prato sem qualquer tipo de vegetação.”

Objetivo desta técnica O objetivo é sempre melhorar qualitativamente e quantitativamente a produção forrageira futura. Esta técnica permite a introdução de sementes de gramíneas puras e/ou mesmo de consociações, renovando áreas de pastagem degradadas ou mesmo infestadas. Uma das grandes vantagens desta técnica comparativamente à instalação de um novo prado é que permite recuperar zonas degradadas causando menos problemas de erosão do solo, arrastamento de pedras para outras parcelas que não foram mobilizadas, bem como uma menor perturbação da vida animal existente no solo. O tempo que o agricultor não pode utilizar o prado é também muito menor quando comparamos com o de uma nova instalação.

Quando é que um prado é considerado degradado? Quando em cada metro quadrado aparecem zonas com o diâmetro de um prato sem qualquer tipo de vegetação. Ao aplicarmos a técnica da “sobresementeira” estas zonas livres serão aquelas onde as jovens plantas encontrarão lugar para se instalar.

definição muito sumária mas as condições para o sucesso da germinação têm que ser criadas. 5. Se possível intervir quando as condições forem ótimas,

TABELA ESPÉCIE

Cuidados a ter na aplicação desta técnica: 1. Não adubar com azoto antes da sementeira para não favorecer a flora existente. 2. A intervenção deve ser efetuada com a vegetação o mais rasa possível para que a luz chegue ao solo no seu máximo. 3. Utilizar espécies agressivas. 4. A intervenção deve ser efetuada sobre um solo leve. A preparação do solo será por

16 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

ou seja, um solo reanimado pelo calor, friável e ligeiramente húmido. 6. Não enterrar demasiadamente as sementes. Estas devem ficar a 1 cm de profundidade.

DOSE

DACTYLIS GLOMERATA

GRAMÍNEAS

LEGUMINOSAS

CONSOCIAÇÕES*

15 a 20 Kg/ha

FESTUCA

15 a 20 Kg/ha

AZEVÉM ITALIANO DIPLÓIDE

15 a 20 Kg/ha

AZEVÉM ITALIANO TETRAPLÓIDE

20 a 25 Kg/ha

AZEVÉM INGLÊS

20 a 25 Kg/ha

TREVO VIOLETA DIPLÓIDE

15 A 20 Kg/ha

TREVO VIOLETA TETRAPLÓIDE

20 a 25 Kg/ha

TREVO BRANCO + GRANÍNEA

2 a 3 Kg/ha

TREVO VIOLETA + AZEVEM HIBRIDO

12 + 10 Kg/ha

*Colocar no máximo 20-30Kg de mistura no semeador de forma a evitar a separação das sementes por diferença de densidades.


pastagem

7. Aconchegar bem a terra após efetuar a “sobre-sementeira” de forma a favorecer o contacto terra/semente. 8. Esta técnica deve ser efetuada após um primeiro corte ou no final do verão para que a vegetação já instalada seja menos exuberante que no início da primavera.

Quando deve ser feito? Existem 3 períodos possíveis. O que corresponde ao renascer da vegetação, fim de fevereiro até início de abril, é uma época com algum risco nomeadamente em terras frias que penalizam fortemente a rápida germinação, e também noutro tipo de solos pode existir uma forte concorrência devido ao desenvolvimento da flora já existente. Outro período será na primavera após um corte do prado para silagem ou mesmo feno. O solo já estará menos frio mas atenção que se o enfardamento levar muito tempo as sementes que ficam no solo vão concorrer com aquelas que queremos instalar. Por último, fim de agosto é outra opção, tem o inconveniente do nível de humidade no solo ser um fator limitante.

O que semear É importante dar preferência a espécies agressivas e de rápida instalação gramíneas tipo azevém italiano, azevém inglês, brome, quanto a leguminosas o trevo branco quando queremos um prado mais orientado para ser pastoreado ou trevo violeta quando falamos de enfardar.

Que máquinas utilizar Existem três tipos de opções mas o importante é ter sempre em mente que não se pode enterrar a semente a mais de 1 cm de profundidade. 1. Semeadores de sementeira direta. O único risco é em solos argilosos ocorrer o alisamento das paredes da linha de sementeira.

2. Semeadores clássicos de cereais. Obriga, antes de semear, a uma gradagem seguida da passagem do rolo, transformando esta operação num processo demorado e com maiores necessidades de maquinaria. 3. Grade de dentes rígidos. Alfaia combinada, equipada com um distribuidor centrífugo ou localizador e rolo: esta técnica tem a desvantagem de distribuir os grãos de forma aleatória principalmente as gramíneas, especialmente se o dia for ventoso.

Quantidade a utilizar A dose recomendada varia entre 15 e 30 kg/ha de sementes de gramíneas puras ou em consociação. A dose varia com a técnica utilizada e com o estado do prado.

Favorecer o contato semente/terra Uma das chaves para o sucesso é que a terra esteja bem aconchegada de forma a favorecer o contacto semente/terra aproveitando assim a humidade residual do solo que é muitas vezes o fator limitante. Assim, esta técnica muito utilizada permite a recuperação de prados sem um grande investimento, mas para ter sucesso todos os fatores intervenientes têm que ser devidamente valorizados e bem aplicados de forma a evitar perdas económicas.

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 17


atualidades

Provimi lança projeto Rural Refresh

Coro de Natal Zoetis

Decorreu em Aveiro, no passado dia 12 de dezembro, o lançamento oficial do Projeto Rural Refresh. O evento juntou a equipa comercial da Provimi e mais de 200 clientes e contou com a presença de Alberto Martinez (Diretor Ibérico) e Jorge Almeida (Diretor Geral Provimi). “Presentes há mais de 50 anos no mercado português, queremos promover a renovação e criar as condições capazes de nos assegurar mais 50 anos de presença com sucesso no mercado Nacional”, referiu o actual Diretor Comercial e responsável pelo projeto, Eng. Carlos Martinho, que apresentou o contexto atual, as motivações e razões que estão na base deste projeto e por trás da transformação agora apresentadas: “ter um negócio sustentável a longo prazo, reforçar a nossa liderança de mercado, servir com excelência e proporcionar oportunidades de crescimento”. Carlos Flecha (Gerente Nacional de Vendas) apresentou as duas novas linhas de produtos que nascem com este projeto.

Carlos Flecha Gerente Nacional de Vendas

Linha Provi Uma linha premium, sob o slogan “50 anos de Tecnologia e Inovação” apresenta programas alimentares inovadores assentes em produtos que incorporam as soluções tecnologicas mais recentes do universo Provimi /Cargill.

Linha Qualy Esta linha, sustentada no valor “Qualidade é a nossa tradição” reforça a já reconhecida qualidade dos produtos atuais.

Carlos Martinho Diretor Comercial e responsável pelo projeto

18 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

A Zoetis, líder mundial de medicamentos e vacinas dedicada exclusivamente à saúde animal, desenvolveu no dia 12 de dezembro uma ação de recolha de fundos para o Zoe, um Axis (veado) do Jardim Zoológico de Lisboa que será apadrinhado por esta empresa durante 2014. Nesta ação atuou o coro de Natal da equipa da Zoetis, que cantou na Baixa-Chiado com o objetivo de entregar ao Jardim Zoológico o valor das contribuições no local, em duplicado, para além de um valor base.

Ferramenta informática prevê a evolução do preço do leite A Junta da Galiza desenvolveu uma ferramenta informática que vai permitir aos produtores de leite prever a evolução futura do preço do leite. Esta ferramenta foi apresentada ao setor no passado mês de dezembro. O objetivo é que este software esteja disponível já na próxima campanha. Trata-se de um instrumento criado para funcionar como um índice de valorização de preços que permita aos produtores prever como vai evoluir o preço do leite no futuro. Não apenas analisar comparativamente com valores do mês anterior, mas também obter uma previsão do preço em campanhas futuras. Este software permitirá avaliar todos os elementos que se devem ter em conta para abrir uma exploração, desde o preço do combustível e da ração, à amortização de capital. Haverá também a possibilidade, usando determinados indicadores, de ir avaliando o preço que o leite vai ter na Galiza e no mundo nos meses seguintes. Os produtores poderão começar a usar este índice para estabelecer os contratos com a indústria. O preço do leite em Espanha atravessa um bom momento, pois subiu mais de 26,6% em relação ao ano anterior, ou seja, os preços são altos e a rentabilidade da explorações é boa.


Alimentação

CONTROLO DE MICOTOXINAS ana pedro REQUIMTE, ICBAS, Universidade do Porto

Pedro1, A.R.V., Caramona2, P., Cabrita1, A.R.J., Santos3, I., Correia3, J., Fonseca1, A.J.M. 1 REQUIMTE, ICBAS, Universidade do Porto

Alltech

2

Laboratório de Qualidade do Leite, Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, CRL 3

EM EXPLORAÇÕES DE BOVINOS DE LEITE PARTE 2

CONTEXTUALIZAÇÃO Enquadramento Na edição anterior (Controlo de Micotoxinas em Bovinos de Leite – Parte 1) fez-se uma breve referência à importância das práticas de maneio na exploração e de que forma as mesmas poderão influenciar o risco de micotoxicose em bovinos de leite. No presente artigo pretende-se, sobretudo, referir algumas das micotoxinas com maior relevância em bovinos e clarificar os sinais clínicos associados. Far-se-á uma breve abordagem a possibilidades futuras de diagnóstico no animal e, finalmente, o relato de um ensaio realizado numa exploração comercial de bovinos de leite com o objetivo de avaliar o efeito da inclusão de um adsorvente na produção e na imunidade de vacas leiteiras.

Principais micotoxinas e efeitos em bovinos

TABELA 1 Efeito da inclusão de 15 g/vaca/dia de Mycosorb®, na dieta, no proteinograma de vacas leiteiras.

Parâmetro

Conhecem-se atualmente centenas de fungos produtores de micotoxinas. Uma vez que uma só estirpe fúngica poderá produzir várias e distintas micotoxinas, a probabilidade de contaminações múltiplas e de interações numa mesma matriz alimentar (aditivas e sinergísticas) tornam-se bastante elevadas. A severidade do quadro clínico depende do tipo de micotoxinas ao qual o animal está exposto, de eventuais interações entre elas, da dose e do tempo de exposição e da suscetibilidade individual. No

Mycosorb ®

Proteinograma

Sem

Com

EPM

P

Proteínas Plasmáticas Totais (g/dl)

7,19

7,95

0,241

0,039

Albumina:Globulina (g/dl)

0,49

0,46

0,017

NS

Albumina (g/dl)

2,35

2,42

0,063

NS

α-Globulinas (g/dl)

1,29

1,40

0,050

NS

β-Globulinas (g/dl)

1,40

1,05

0,106

0,031

γ-Globulinas (g/dl)

2,16

2,90

0,148

0,002

EPM – Erro padrão da média • P – Probabilidade • NS – Não significativo

20 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

entanto, o mais frequente em vacas leiteiras são os quadros crónicos, nos quais surgem aumentos de patologias infeciosas devido à imunodepressão, quebras de produção, diminuição da ingestão e agravamento dos índices reprodutivos. Salientese, também, que o stress produtivo, mais elevado em vacas de alta produção, ao influenciar o estado imunitário do animal, pode contribuir para o efeito imunodepressor das micotoxinas. As aflatoxinas, consideradas os carcinogéneos mais potentes que se conhecem, dentro do grupo de compostos de origem não antropogénica, possuem ainda efeitos hepatotóxicos, imunotóxicos e teratogénicos. A aflatoxina B1 (AFB1) é, atualmente, a de maior relevância em bovinos de produção leiteira, uma vez que é excretada no leite sob a forma de aflatoxina M1 (AFM1). Em quadros agudos há manifestação de lesão hepática severa, prostração, anorexia, hemorragias, edemas, congestão e esteatose hepáticas. Na aflatoxicose crónica surgem quebras de ingestão e de produção, agravamento de índices reprodutivos, degeneração e neoplasia hepáticas e diminuição da resposta vacinal e da resistência a agentes infeciosos. A zearalenona é uma micotoxina agonista dos recetores de estrogénio com efeitos negativos importantes na reprodução e na produção de vacas leiteiras. A toxicidade resulta em quebras de produção, diarreias, depressão do sistema imunitário e agravamento geral dos índices reprodutivos: anestros, diminuição das taxas de conceção, aumento de mortalidade embrionária e de abortos, vaginites, metrites, hipertrofia genital e mamária em fêmeas pré-púberes e feminização de machos. O desoxinivalenol (DON) apresenta essencialmente propriedades inibidoras da síntese proteica. Está frequentemente associado a quebras de ingestão, de produção, diminuições dos teores de gordura do leite, aumentos de contagem de células somáticas, alterações metabólicas e imunodepressão. As fumonisinas são importantes agentes inibidores da biossíntese de esfingolípidos e promotores da peroxidação lipídica. Apresentam efeitos neurotóxicos, carcinogénicos e imunotóxicos. Apesar da metabolização ruminal e da absorção


Alimentação

PROJETO Enquadramento O estudo incidiu numa exploração comercial de bovinos de leite na qual foram descritas quebras de ingestão e de produção de leite associadas a diarreias em alguns dos animais. Este quadro terá coincidido com a abertura de um silo trincheira no qual estava conservada silagem de milho. Antes e após a incorporação de um adsorvente de micotoxinas, foi realizada uma avaliação hematológica com o objetivo de estudar o seu efeito em parâmetros do hemograma e do proteinograma.

Métodos Procedeu-se à recolha de uma amostra de dieta completa (TMR) para análise de micotoxinas através do programa 37+, da Alltech®, que recorre a técnicas de LCMS/MS (Liquid Chromatography Tandem Mass Spectrometry). A recolha foi realizada em vários pontos da manjedoura, imediatamente após a sua distribuição, tendo sido congelada para não sofrer deterioração até à análise. Foram recolhidas amostras de sangue a 14% do efetivo, na veia caudal mediana, utilizando tubos com EDTA para realização do hemograma e tubos sem anticoagulante para o proteinograma, de acordo com

instruções do laboratório. No mesmo dia, após a recolha de amostras de sangue, foi incluído Mycosorb® na dieta a uma dose de cerca de 15 g/vaca/dia, que se manteve durante 33 dias. Efetuou-se, por fim, nova recolha de amostras de sangue aos mesmos animais que coincidiu, de forma não propositada, com a vacinação habitual (semestral) do efetivo.

Resultados e Discussão As micotoxinas detectadas por LCMS/ MS (fumonisinas, DON e ácido fusárico) sugerem a infeção por Fusarium sp., que poderá ter ocorrido previamente à colheita ou durante a conservação inadequada no silo por manutenção incompleta de condições de anaerobiose. Registou-se a produção de leite da exploração através dos dados de recolha de leite da Agros, URL. Após a inclusão do adsorvente na dieta observou-se um aumento de produção gradual, com alguma flutuação, até atingir um máximo de 29 kg/ vaca/dia, correspondendo a um aumento de cerca de 10% (Gráfico 1). No que respeita aos resultados do hemograma e do proteinograma obtiveram-se diferenças significativas nos valores de proteínas plasmáticas totais (PPT), gamaglobulinas e betaglobulinas do período 1 (sem adsorvente incluído na dieta) para o período 2 (após a inclusão de adsorvente), sendo que os valores das duas primeiras aumentaram e o da última diminuiu (Tabela 1). O aumento das PPT poderá ser explicado por uma diminuição de perda gastrointestinal, por uma recuperação da capacidade hepática de produção proteica ou por uma menor perda proteica a nível renal. Visto que vários animais apresentavam diarreia antes da inclusão do adsorvente, os resultados sugerem algum grau de perda proteica a nível gastrointestinal que diminui após a supressão do quadro clínico observado inicialmente. Esta mesma patologia inflamatória do tubo digestivo poderá, ainda, ser a causa da elevação das betaglobulinas no período 1, uma vez que esta fração do proteinograma é constituída por proteínas de fase aguda (entre outras). O aumento das gamaglobulinas é explicado pela vacinação efetuada uma semana antes da segunda recolha de amostras de sangue. A vacinação é um dos métodos in vivo utilizados para a avaliação da imunidade humoral, pelo que o aumento desta fração proteica sugere uma resposta imunitária adequada. A avaliação deste parâmetro permite verificar

GRÁFICO 1 Produção de leite diária, na exploração em kg/vaca/dia. Produção de leite (kg/vaca/dia)

sistémica serem francamente baixas estão descritas quebras de ingestão e de produção em bovinos expostos a esta toxina. A toxina T-2 apresenta propriedades inibidoras de síntese proteica e promotoras de peroxidação lipídica, sendo também um potente irritante quando em contacto com epitélios. Os sinais clínicos poderão incluir anorexia, perda de condição corporal, quebra de produção, diarreia, gastroenterite hemorrágica, necrose e ulceração do tubo digestivo, imunodepressão e morte. O ácido fusárico possui um efeito essencialmente sinergístico quando combinado com outras micotoxinas. Possui, ainda, capacidade de inibição de Ruminococcus albus e de Methanobrevibacter ruminanticum, mesmo a baixas concentrações, com subsequentes desbioses ruminais. Conforme o exposto, constata-se que a maioria das micotoxinas presentes na dieta dos animais possui efeitos ao nível do sistema imunitário, pelo que se torna importante estudar qual o real impacto destes compostos na saúde animal.

29,0 28,5 28,0 27,5 27,0 26,5 26,0 1/3/13

15/3/13

29/3/13

12/4/13

26/4/13

Tempo (dias) - 2013 A inclusão do adsorvente na dieta iniciou-se a 15 de março de 2013 (marcada pela linha a tracejado).

quais os efeitos exercidos no sistema imunitário, uma vez que as micotoxinas encontradas na análise supracitada (principalmente DON e fumonisinas) levam, essencialmente, à diminuição de síntese proteica e à fragilidade celular decorrente de instabilidade membranar.

CONCLUSÕES Na exploração alvo de estudo o uso de adsorvente numa dieta contaminada por fusariotoxinas afetou as concentrações de proteínas séricas circulantes. Uma vez que a contaminação da dieta poderá resultar numa maior predisposição a patologias devido à imunodepressão provocada por estes compostos, os objetivos do uso de adsorventes baseiam-se na redução da suscetibilidade a infeções e a patologias metabólicas como também na diminuição das quebras de ingestão, de produção e na prevenção do agravamento dos índices reprodutivos. Nessa perspetiva, a análise hematológica poderá possibilitar, no futuro, o estudo indireto do efeito imunodepressor resultante de micotoxicoses e do efeito obtido com o uso de adsorventes. Neste estudo, especificamente, as diferenças obtidas poderão resultar da resposta vacinal efetiva (indicativa de capacidade de resposta imune) e de uma menor perda proteica pelo tubo digestivo.

Agradecimentos: Os autores agradecem a colaboração do Dr. Miguel Costa, da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde,CRL, e ao produtor de leite que, gentilmente, acedeu participar no estudo. Referências Bibliográficas Este trabalho é parte integrante do relatório de estágio: Pedro, A.R.V., 2013. Análise e controlo de micotoxinas em explorações de bovinos de leite. Relatório Final de Estágio do Mestrado Integrado em Medicina Veterinária, Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, Universidade do Porto, Porto, 36 pp.

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 21


Nu

alimentação

VIVACTIV’ a eficácia comprovada Há mais de 15 anos que o grupo CCPA disponibiliza uma solução natural, à base de extractos vegetais, - a técnica VIVACTIV´- com o objetivo de valorizar a proteína e a energia do alimento. POR DEPARTAMENTO RUMINANTES Ibersan / CCPA

Uma nova geração de extratos vegetais: os estimulantes enzimáticos (SE).

TurboViv’ SE O TurboViv’ SE estimula a digestão da fibra no rúmen e melhora a absorção da matéria gorda no intestino. Utiliza-se em regimes pobres em amido de degradação rápida e ricos em matéria gorda. Este produto é mais utilizado em bovinos de carne e em pequenos ruminantes em que a base forrageira é palha e feno. Neste caso, e em bovinos de carne, conseguem-se obter GMD superiores (+ 110g) mantendo os mesmos níveis de proteína.

Para aumentar a rentabilidade das explorações a Ibersan,SA (filial do Grupo CCPA em Portugal) propõe duas soluções da técnica VivActiv´ SE: o AmiViv´ SE e o TurboViv’ SE.

GRÁFICO 1 Um melhor controlo do pH graças à degradação lenta, no rúmen, do amido da ração total. Testemunha VivActiv’ SE

7,0 6,8

Ambos os produtos permitem aumentar a proteína by-pass, bem como, a proteína microbiana.

pH

6,6 6,4 6,2

33 32 31

+ 2,9 Kg de leite*

Melhoria dos resultados técnico-económicos

GRÁFICO 2 Aumento da produção leiteira

produção leiteira (kg leite/dia)

AmiViv´ SE O AmiViv´ SE utiliza-se em regimes alimentares ricos em amidos rápidos, diminuindo a sua velocidade de degradação. Este produto destina-se essencialmente a bovinos leiteiros que têm como base forrageira a silagem de milho. Esta solução permite aumentos, em média, de cerca de 2,5 kg de leite por dia.

30 29 28 27 26

Testemunha

5,8

0

1

2

Horas após a refeição Fonte CCPA, Inra Theix

22 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

Alimento com técnica VivActiv’ SE

* Para a mesma quantidade de corrector/vaca (3,2kg). Ensaio em vacas leiteiras 2000-2010.

GRÁFICO 3 Aumento do crescimento em bovinos de carne 1650 1600 1550 1500 1450 1400 1350 1300

Testemunha 6,0

Alimento com técnica VivActiv’

+ 60g de GMD ou seja 4,5%*

VivActiv´ SE

Os estimulantes enzimáticos favorecem as secreções das enzimas e enriquecem o suco gástrico, sendo indispensáveis para digerir o amido, a proteína e a matéria gorda no intestino. Esta ação é muito importante nos animais jovens (fase em que o funcionamento do rúmen é limitado) mas também nos adultos para completar a acção do rúmen.

GMD (g/dia)

Esta técnica está disponível em vários produtos para ruminantes, desenvolvidos em parceria com o INRA (Institut National de la Recherche Agronomique, França), todos eles testados e validados no terreno. Os produtos VivActiv´ asseguram uma melhor eficácia alimentar, um aumento da produção de leite e de carne, uma melhoria da qualidade do leite e uma redução dos riscos metabólicos. Além disso, contribuem ainda para a redução da produção de metano (entre 10 a 20%) e para a diminuição da taxa de ureia (entre 10 a 15%).

Alimento com técnica VivActiv’

Alimento com técnica VivActiv’ SE

4 * Com uma diminuição do teor proteico de 0,5% na ração. Ensaio CCPA 2003-2010.


Nutrição Natural Ruminantes

A solução natural

para valorizar as vo vossas o rações!

Mais rentabilidade, mais performance e mais conforto digestivo, graças aos extractos vegetais. Maior eficiência alimentar, diminuição da produção de metano e dos resíduos azotados e uma solução utilizável em agricultura biológica

VivActiv’®, uma técnica de sucesso com provas dadas no mundo inteiro!

para ver o vídeo

Contacte a Ibersan pelo (+351) 261 416 450 Casal Vale Medo | Apartado 68 | 2534 - 909 LOURINHA (PORTUGAL) | geral@ibersan.pt | www.ibersan.pt


Alimentação

pedro castelo Engº agrónomo, reagro sa. pedro.castelo@reagro.pt

MASSA DE CERVEJA

um alimento proteico interessante A massa de cerveja é um subproduto vegetal resultante da fabricação de cerveja. Este alimento proteico de origem vegetal pode ser integrado na dieta dos animais. A massa de cerveja permite diversificar as fontes proteicas da ração além de permitir reduzir os custos alimentares.

composição química Em relação à composição química (valores médios indicativos) apresenta os seguintes valores: Matéria Seca: 22-26% Proteína Bruta: 27% MS Amido: 7,5% MS Fibra Bruta: 15% MS Matéria Gorda Bruta: 7,3% MS Cálcio: 3 g/kg MS Fósforo: 5 g/kg MS

Como podemos verificar, este produto contém uma percentagem elevada de água, logo a densidade dos elementos nutritivos é baixa. A tabela 1 compara a massa de cerveja com outras matériasprimas ricas em proteína utilizadas na alimentação de ruminantes. A massa de cerveja é utilizada principalmente na alimentação de vacas leiteiras e, em menor proporção, em bovinos de engorda. Também se pode utilizar em pequenas quantidades em cabras e ovelhas.

Energia na matéria seca Em relação à energia na matéria seca, podemos comparar a massa de cerveja à silagem de milho. Além disto, o seu elevado teor em proteína torna-o um alimento proteico apreciado para complementar rações ricas em energia, como é o caso de rações ricas em silagem de milho. Devido à sua baixa degradabilidade de proteínas da massa no pré-estômago (sobretudo na pança) dos ruminantes, o seu teor de proteínas absorvido no intestino (PDI) é comparável ao Bagaço de Colza. Em vacas leiteiras, o potencial de produção leiteira de 1 kg de Matéria-Seca de massa de cerveja fresca é de 2,8 kg em relação à PDI e 2 kg sobre a base de energia (UFL). Assim, estamos perante um produto com grande aptidão para equilibrar rações ricas em energia. Além disto, na alimentação de vacas leiteiras e bovinos de engorda, a baixa

24 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

degradabilidade da proteína da massa de cerveja na pança permite uma combinação ideal com o milho, onde a degradabilidade do amido também é relativamente lenta. Devido à baixa degradação da sua matéria azotada, a massa de cerveja contribui de maneira muito positiva ao aprovisionamento de proteína utilizável do intestino delgado dos animais. A massa de cerveja apresenta, ainda, muitas vezes um efeito estabilizador e inibe a diarreia. Podemos explicar esta ação principalmente pelo seu forte potencial de retenção de água no intestino grosso.

Rúmen

Intestino Delgado

x

x

PDIM

PDIA

Proteinas degradáveis PB DT

NH3 Proteossíntese

FIGURA 1 Digestão da proteína.

Aminoácidos


Alimentação

Potencial de Produção de leite / Kg MS

Alimento Proteico

MS %

Proteina Bruta g/kg MS

Fibra Bruta g/kg MS

Gordura Bruta g/kg MS

PDIN g/kg MS

PDIE g/kg MS

PDIA g/kg MS

UFL / kg MS

UFV / kg MS

PDI

UFL

Massa Cerveja

22-27

27

15

7.3

200

176

141

0.92

0.84

2,8 kg

2 kg

B. Colza

91

363

117

75

232

134

109

0.94

0.9

2,7 kg

2,3 kg

B. Soja 44

88

499

65

20

368

261

196

1.2

1.19

5,2 kg

2,7 kg

tabela 1 Comparação dos valores nutritivos entre diferentes alimentos ricos em proteina.

Utilização

Quantidade diária em matéria fresca (kg)

Espécie

Em termos práticos de utilização (tabela 2) para vacas leiteiras é recomendado o fornecimento de 5 a 8 kg/vaca/dia, no entanto num arraçoamento com elevado milho pode-se aumentar até aos 12 kg. No caso de bovinos de engorda, as recomendações são de 1 a 1,5 kg por cada 100 kg de peso vivo do animal. Resumindo, em associação com o milho, a utilização da massa de cerveja apresenta um elevado interesse na mistura da ração total (TMR – Total Mix Ration).

Máxima

5a8

12

Teor em proteina e matéria gorda, estrutura insuficiente

Vacas leiteiras Bovinos engorda

Principais restrições

Recomendada

0,5 a 1,5 kg/100 PV

3 kg/100 kg PV

Teor em proteina

Cabras

1

2

Teor em proteina

Ovelhas

0,5 a 1

1,5 a 2

Teor em cobre

tabela 2 Quantidades de massa de cerveja recomendadas na alimentação.

dois arraçoamentos possíveis A – com massa de cerveja B – sem massa de cerveja

Preços Em relação aos preços das matériasprimas, consideramos preços atuais de mercado (tabela 3). De acordo com o nosso caderno de encargos para o objetivo de produção definido fizemos dois arraçoamentos (tabela 3). Numa primeira fase podemos afirmar que é possível obter o mesmo nível nutricional a um menor custo com massa de cerveja

De seguida iremos apresentar dois arraçoamentos possíveis adequados para vacas em início e meio de lactação com uma produção média de 39 litros. No que diz respeito às forragens consideramos valores que facilmente encontramos em Portugal.

(5,20 €/vaca/dia) do que sem esta (5,47 €/vaca/dia).

Proteína Relativamente à proteína verificamos que no arraçoamento com massa de cerveja a quantidade de proteínas alimentares não degradáveis no rúmen e disponíveis ao nível intestinal (PDIA) são superiores em relação ao outro arraçoamento. A

tabela 3 Dois arraçoamentos com as mesmas características nutricionais.

A Custo por Animal/Dia= 5,20 €

(105 €/ton MB)

(221 €/ton MS)

Quantidade Distribuida Preço (€/ton)

Matéria-Prima

Kg MB

MS

Caracteristicas Nutricionais (/Kg MS) MS

UFL

PDIN

PDIE

PDIA

Ca

g

g

g

g

P g

Silagem de Milho PB8 AMD30

50

29.00

8.93

30.80

0.91

49.78

69.15

17.63

2.00

1.80

Feno Azevém PB8

90

3.90

3.53

90.00

0.76

71.06

83.07

32.30

3.50

2.40

Massa Cerveja

38

6.00

1.68

28.00

0.92

208.43

188.20

135.39

3.15

5.84

Milho

180

4.65

4.05

87.00

1.26

76.16

115.70

56.98

0.29

2.91

B. Soja 44

440

2.24

1.97

88.00

1.20

371.59

256.82

196.59

3.41

6.82

B. Colza

255

2.92

2.59

88.50

0.94

248.59

162.71

109.60

10.06

11.30

Nucleo VL 40 Litros

800 Total

0.76

0.75

99.34

0.82

84.79

195.48

212.14

144.79

13.65

49.47

23.50

47.48

0.97

118.86

117.86

66.40

7.60

4.22

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 25


Alimentação

tabela 3 Dois arraçoamentos com as mesmas características nutricionais (continuação).

b Custo por Animal/Dia= 5,47 €

(113 €/ton MB)

(227 €/ton MS)

Quantidade Distribuida Preço (€/ton)

Matéria-Prima

Kg MB

MS

Caracteristicas Nutricionais (/Kg MS) MS

UFL

PDIN

PDIE

PDIA

Ca

g

g

g

g

P g

Silagem de Milho PB8 AMD30

50

32.05

9.87

30.80

0.91

49.78

69.15

17.63

2.00

1.80

Feno Azevém PB8

90

4.10

3.69

90.00

0.76

71.06

83.07

32.30

3.50

2.40

Milho

180

4.22

3.67

87.00

1.26

76.16

115.70

56.98

0.29

2.91

B. Soja 44

440

2.95

2.60

88.00

1.20

371.59

256.82

196.59

3.41

6.82

B. Colza

255

3.30

2.92

88.50

0.94

248.59

162.71

109.60

10.06

11.30

Nucleo VL 40 Litros

800

0.75

0.75

99.34

0.82

84.79

195.48

212.14

144.79

13.65

47.37

23.50

49.60

0.97

118.66

115.00

63.47

7.65

4.18

Total

proteína bruta (PB) representa a matéria azotada total enquanto a DT representa a proporção de matéria azotada total degradada no rúmen que contribuirá para a proteossíntese microbiana depois da degradação em amoníaco. A produção de proteínas microbianas no rúmen (PDIM) poderá ser limitada pela energia fermentescível (PDIME) ou pela proteína degradável (PDIMN). Assim, em termos teóricos, o arraçoamento com massa de cerveja (tabela 4) permite produzir, considerando o nível proteico, mais 1 litro de leite/dia quando comparado com o outro.

tabela 4 Balanço Azotado dos arraçoamentos. Balanço Azotado

A

B

PL por PDIN

Litros

50.97

50.87

PL por PDIE

Litros

50.46

49.02

PDIN

g/Kg MS

117.86

118.66

PDIE

g/Kg MS

117.86

115

PDIA

g/Kg MS

66.4

63.47

% MS

16.82

16.89

DT

Balanço Energético

PL por UFL UFL

tabela 6 Análise Económica.

Arraçoamento

%

58.75

61.04

LYSDI/PDIE

% PDIE

6.79

7.01

METDI/PDIE

% PDIE

2.13

2.15

Proteina Digestível por Dia

Kg/dia

2.32

2.42

Energia

Análise económica

Arraçoamento

Unidade

A

B

Unidade

A

B

Litros

39.41

39.45

Custo Total

€/animal

5.2

5.47

UFL/Kg MS

0.97

0.97

Custo Total/1000 L

€/1000 L

133

140

Amido + Açucar

% MS

28.65

28.6

Custo Concentrado

€/animal

3.4

3.5

Glucidos Rápidos

% MS

15.08

15.77

Custo Concentrado/1000 L €/1000 L

87.18

89.74

GTD

% MS

49.44

47.71

Margem bruta/dia

€/animal

9.62

9.35

Matéria Gorda Bruta

% MS

4.99

4.71

Margem Bruta/1000 L

€/1000 L

247

240

Análise económica

Arraçoamento

Unidade

Proteina Bruta

tabela 5 Balanço energético dos arraçoamentos.

Finalmente, uma análise económica torna-se imprescindível para comparar a importância da utilização deste subproduto na alimentação de vacas leiteiras. Através da observação da tabela 6, podemos concluir que o arraçoamento com massa de cerveja permite obter um resultado económico vantajoso de, pelo menos, 7 €/1000 litros. No entanto, neste benefício está a ser considerado apenas a diferença de preço de cada arraçoamento para a mesma produção, mas como vimos anteriormente em termos proteicos o lote com massa de cerveja permite produzir mais 1 litro (representa um acréscimo de 0,38 €/vaca/dia).

No que concerne à energia, ambos os arraçoamentos têm o mesmo nível energético e permitem produzir a mesma quantidade de leite por vaca e por dia (tabela 5).

26 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

Conclusão As principais propriedades da massa de cerveja são: 1) rica em proteína, apresentando esta proteína uma elevada estabilidade na Pança; 2) rica em fibra bruta, embora a eficácia desta fibra bruta seja relativamente baixa ao nível de estrutura; 3) pobre em açúcar; 4) rica em matéria gorda quando comparada com outras forragens proteicas. Além das vantagens descritas anteriormente, existem outras que beneficiam a sua utilização: 1) redução de utilização de outros concentrados proteicos mais caros (preço por ponto de proteína); 2) substituição parcial de forragens grosseiras; 3) muito bom complemento de rações base pobres em proteína; 4) bom efeito para compensar as forragens ricas em energia; 5) boa utilização possível de rações misturadas no unifeed (TMR).


entrevista

A boa gestão

na base do negócio Entrevista a Uziel de Carvalho por ruminantes

Uziel de Carvalho iniciou a sua vida como produtor de leite, já lá vão 35 anos. A exploração que gere, Uziel de Carvalho, Lda., fica situada junto ao Vale do Liz, na localidade de Aroeira, Monte Redondo, concelho de Leiria. O milho e o azevém para forragem têm sido as culturas de eleição para a alimentação do gado e mais recentemente foi introduzida a luzerna.

de lactações por animal muito baixa, cerca de duas e pontualmente menos; um intervalo entre partos demasiado grande para o meu gosto (mais de 490 dias) e um nível elevado de consanguinidade. Por outro lado, se noutras espécies produtivas (galinhas, porcos, novilhos de carne...) sempre se utilizaram os cruzamentos para obter o vigor híbrido, porque não utilizá-los nas vacas de leite?

Ruminantes - Qual é a base genética do seu efetivo? Uziel de Carvalho – A base é Holstein, mas há cerca de seis anos começámos com o programa Procross (cruzamento rotativo a 3 raças). Hoje temos cerca de 50% neste programa.

O que procura quando pensa na genética da sua exploração? Produzir o máximo de leite possível da forma mais económica. Ou seja, evitando problemas de reprodução e sanidade para permitir uma maior vida produtiva dos animais. Quando decidi introduzir o vigor híbrido na exploração foi a pensar no aumento do nível de resistência dos animais, ainda que com uma possível

Porque decidiu sair da linha pura Holstein? Porque tinha muitos refugos, uma média

28 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

quebra de produção. O que aconteceu foi exatamente isso, a sanidade melhorou e a produção desceu alguma coisa, mas penso que o balanço foi positivo. Que indicador prefere: a quantidade de leite produzido por uma vaca durante a sua vida produtiva ou a produção média por lactação? As vacas com grandes produções por lactação têm por norma muitos problemas associados. Sendo a produção média por lactação um fator importante, não se pode desligá-lo da produção total de leite ao longo da vida produtiva da vaca. O intervalo entre partos passou de 444 dias em janeiro de 2013, para 402 em dezembro de 2013. Porquê? Estão vários fatores por trás deste resultado. Primeiro, o facto de o maneio


entrevista

ter sido completamente alterado com o apoio de um novo médico veterinário; para além disto, as produções médias por vaca baixaram pela redução das ordenhas de três para duas, o que por norma facilita que as vacas engravidem; e por último, muito provavelmente o Vigor Híbrido.

“Um animal só começa a ser rentável depois da 3ª lactação.”

Com base nos dados que forneceu no tabela 1, percebe-se que os valores médios do rebanho melhoraram significativamente. Todo o melhoramento reprodutivo que se confirma na média do grupo do ano de 2013 advém grandemente da utilização do Vigor Híbrido das várias raças leiteiras envolvidas, mas também da condição genética destes animais que não entram em balanço energético negativo. Assim, todo o processo hormonal entra naturalmente em funcionamento poucos dias após o parto com evidentes demonstrações de cio naturais. Tendo em consideração que cada dia em aberto (data entre o parto e a vaca grávida) acima dos 90 dias custa ao produtor cerca de € 5,00 vaca/dia/ano, nota-se já claramente os benefícios económicos do programa rotativo Procross de valorização do Vigor Híbrido.

Porque decidiu passar de três ordenhas diárias para duas, e agora pensa voltar às três? Por questões económicas. O preço do leite pago à produção melhorou e os preços das matérias primas baixaram, por isso penso voltar às 3 ordenhas diárias. Esta alteração implica mais mão de obra e um maior consumo de energia, mas a produção média de leite/vaca/dia pode subir cerca de 5 litros.

Quais são os problemas que tem tido com maior incidência na sua exploração? O maior problema é provavelmente o da sanidade podal. O Vigor Híbrido melhorou significativamente este problema das patas, apesar de ainda estar longe do desejável. A dedicação do médico veterinário também teve a sua quota de responsabilidade na melhoria destes resultados.

O negócio da produção de leite tem vindo a tornar-se cada vez mais exigente na análise dos dados para conseguir baixar os custos de produção do litro de leite. Na sua exploração, e nos últimos cinco anos, quais foram os fatores que mais contribuíram para diminuir os custos? Fundamentalmente, a qualidade da produção dos alimentos em que posso interferir, nomeadamente a silagem de milho e o azevém, quer no campo quer no processo de ensilagem. Muitas vezes existe uma boa qualidade de forragem no campo mas o processo de ensilagem não é feito de forma correta. O resultado traduz-se na qualidade deficiente do alimento que se fornece às vacas. Aqui, incidimos os nossos esforços na nutrição vegetal (adubações) mas sobretudo na rapidez de corte, tentando não falhar a altura ideal, no período em que

TABELA 1 Tanela demonstrativa do impacto reprodutivo das vacas Procross nos efetivos de vacas leiteiras Holstein assim que atingem cerca de 50% do efetivo.

Média Taxa de IA Ciclo de Cio

Média geral do Rebanho

Média geral do Rebanho

Media geral do grupo das Vacas Adultas Procross

Ano 2009

Ano 2013

(95 animais – 43% efetivo)

39.00%

56.00%

-

Média 1ª IA (dias)

103

77

-

Média Dias em Aberto (dias)

226

149 (*)

106

Média Intervalo Partos (dias)

500

423 (**)

375

Média Anual Taxa Prenhez

9.70%

18.50%

-

3

2,6 (***)

1.8

Média nº doses / vaca Grávida (doses) Média dias em Lactação (dias) Média de Produção Diária da Exploração

246

194

168

-

28.5

26.1

(*) Atualmente 122 dias; (**) Atualmente 402 dias; (***) Atualmente 2,2 doses

as plantas possuem maior concentração de nutrientes. Temos também em atenção o equipamento utilizado, sobretudo no que se refere ao afinamento das máquinas. Por exemplo, no esmagamento do grão do milho, muitas vezes os rolos dos cortaforragens não estão equilibrados e isso leva a que não haja esmagamento de alguns grãos, assim como as facas mal afiadas e afinadas provocam forragens “ripadas” em vez de cortadas e um tamanho de corte pouco interessante para o animal. O nosso objetivo é fazer da forma mais rápida possível o corte, a ensilagem e o calcamento, juntando um inoculante no corte. Também temos a preocupação de forrar os silos trincheira com plástico nas partes laterais, e superior, para que o isolamento seja quase total. Outros aspetos importantes na redução de custos foram: a redução das sobras de alimento dos lotes de vacas em produção, que cada vez são mais controladas e hoje não ultrapassam os 2% do que é fornecido diariamente; e ainda a melhoria na reprodução e a diminuição do refugo. Que indicador utiliza diariamente para saber se tudo está a correr bem na exploração? A produção de leite por hora e por vaca, das vacas que apresentam quebras de produção em relação ao seu normal. Tenho em ponderação o controlo da produção por hora porque me parece muito mais fiável. Através da recolha eletrónica de dados consigo observar de uma forma simples esse indicador. Repare, uma vaca pode adoecer de manhã e à tarde baixa a produção. Quando deteto quebras neste indicador vou imediatamente saber o que se passou com o historial desta vaca, a

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 29


entrevista

exploração UZIEL DE CARVALHO, LDA.

Situada junto ao Vale do Liz, Monte Redondo, Leiria. produção na ordenha, o tempo de ordenha, etc. Utilizo 4 gráficos que me permitem fazer uma boa avaliação do problema – produção por hora; fluxo médio; condutividade elétrica; atividade do animal. O número de litros de leite no tanque por dia é um dado que não tenho como indicador prioritário para avaliar a saúde o negócio.

dados gerais da exploração Número de vacas em lactação: 212 Litros de leite produzidos/ano: 2.000.000 litros Quota anual: 2.800.000 litros Produção média de leite/vaca/dia: 27,5 litros com 2 ordenhas e 35 litros com 3 ordenhas Base da alimentação forrageira: silagem de milho, silagem de azevém, feno de azevém, e palha de trigo ou cevada nos grupos de baixa produção, nas novilhas e vacas secas. Forragens compradas: palha Tipo de sala de ordenha: 2 salas em espinha, com um total de 25 pontos de ordenha Número de ordenhas por dia: 2 desde janeiro de 2013, mas deve voltar às três. Número de trabalhadores: 13

444

444

GRÁFICO 1 Com o aumento gradual do número de animais Procross no rebanho é notório o impacto na média global do IP.

Utiliza algum indicador para medir a rentabilidade do seu negócio? O principal indicador que uso está baseado na relação entre o custo médio do arraçoamento por animal e o preço do leite. Outro é que um animal só começa a ser rentável depois dos 37 mil litros, ou seja, tem que fazer mais de 3 lactações na exploração. Outro ainda baseiase no número de litros de leite produzidos por dia de vida do animal. Segue sempre o mesmo plano alimentar? A silagem de milho e de azevém e a palha estão sempre presentes no arraçoamento, mas podem não estar

442

sempre nas mesmas proporções dependendo da disponibilidade de stock. A quantidade de concentrado é dada em função dos lotes de produção. Qual o custo do litro de leite? Que percentagem é alimentação? O custo atual é de 0.31 €/litro, onde se incluem medicamentos e energia. A percentagem do custo alimentar anda próximo dos 60%, mas nos últimos anos tem ultrapassado este valor. Considero um bom valor quando está abaixo dos 50%. Quais os fatores que gostava de ver melhorados nos próximos cinco anos? Gostava de melhorar ainda mais o intervalo entre partos. Não no sentido de o encurtar mais, porque entendo que em termos produtivos devem situar-se entre 400 e 410 dias, mas por forma a que todos os animais estejam neste intervalo. Não quero ter uns com 370 dias e outros com 450, porque isso traz custos muito elevados.

Lactação 1+’. Média intervalo entre partos 439

438

437 432 424

423

412 406

404

Set.

Out.

402

402

Nov.

Dez.

400

Jan.

30 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

Fev.

Mar.

Abr.

Mai.

Jun.

Jul.

Ago.


Testemulhos de produtores E TÉcnicos nacionais com experiência de vacas Procross Alexandre A. Cunha “O vigor da vaca Procross começa-se a notar logo à nascença pois revela uma forte vontade de viver, passando pelas dificuldades dos primeiros dias de vida com uma agilidade que a vaca Holstein já há muito perdeu.

lactação, devido em grande parte à prioridade que dá à conservação da sua condição corporal, perde relativamente pouco peso e, por isso, não só reduz as sequelas de um prolongado balanço energético negativo, como se aguenta firme sempre que uma vaca melhor colocada na hierarquia da manada, e mais pesada, compete com ela por um lugar à manjedoura.

Esta vaca é, em média, um animal trabalhador, discreto, fiável, produtivo, funcional, duradouro, que raramente precisa de cuidados especiais e que, por fazer uma entrada suave na

Sendo a vaca Holstein um monumento à generosidade, a vaca Procross está melhor preparada para o desafio de produzir bom leite, manter intervalos entre partos curtos e conservar a

Proprietário da exploração Casal de Quintanelas (Sabugo)

saúde, tudo num ambiente altamente competitivo, em chão de cimento, com três ordenhas diárias e dentro de estábulos carregados de animais. Se pudesse mudar alguma coisa nesta vaca de alto Vigor Híbrido, reduziria a sua forte tendência para mamar nas colegas, torná-la-ia menos gregária, procuraria reduzir a sua hipersensibilidade a uma expressão mais tolerável e melhoraria o ligamento suspensório do seu úbere. Na minha exploração, este interessante animal segreda-me diariamente: vim para ficar!

José A. C. S. Guerreiro

José Paulo

Eng. Técnico da Exploração Leiteira de Diamantino Jesus Lagoa

Louagri, Soc. Agro Pecuária de grupo Loureiros, Lda. (Fradelos-Famalicão)

“A vaca Procross para mim significa Maior Rentabilidade. O Procross, veio trazer “ar fresco” a esses mesmos animais, através do Vigor Híbrido Não um qualquer Procross, mas o Procross com Montbelier e Sueca Vermelha. Acredito e começo a confirmar que com melhores índices reprodutivos e maior rentabilidade no refugo voluntário (vacas e vitelos), os lucros vão aumentar e provavelmente o tempo para gozar os lucros.”

Desde o primeiro parto PROCROSS que notamos que estes animais têm uma maior vitalidade, uma vantagem do Vigor Híbrido que se tem vindo agora a demonstrar na performance reprodutiva, com vantagem de 22 dias para a conceção com menos 0,3 serviços e com mais cios naturais atingindo o desejável IPP= 374 dias. Em breve, um maior grupo de animais estará em produção (30%) e os dados serão mais consistentes”.

LuÍs Ponte

Joaquim Carneiro

Sociedade Agro-pecuária Irmãos Italianos, Lda. (S. Miguel – Açores)

Produtor de Leite, (Landim – Famalicão)

“Entrei no programa PROCROSS na tentativa de melhorar a fertilidade do meu rebanho. Passados 3 a 4 anos, verifico que a vaca PROCROSS é algo mais: saúde invejável, maior fertilidade, boa produção e baixa contagem de células somáticas.”

“É com boa perspetiva que vemos o PROCROSS como solução para a sustentabilidade do efetivo sem condenar a produção. Esperamos que a longevidade e a saúde da manada resulte no excedente de recria para crescer o número de animais do efetivo, e acima de tudo, aumentar a rentabilidade da produção. Temos já nascidas cerca de 50 vitelas da nossa opção de Crossbreed a 100% “

HÉlder Duarte Sócio Gerente da Exploração Agropecuária Agroleite de Canha, Lda., (Canha – Montijo) “Há onze anos chegou à minha exploração o Dr. Rebelo de Andrade, acompanhado por um técnico da Raça Norueguesa para me falar do Crossbreeding entre as vacas Holstein e as Vermelhas Norueguesas. Meti a orelha à escuta e ouvi: fertilidade/ melhoramento de patas/ausência de mastites/ausência de doenças/boas produções. Só não ouvi vacas com 8

tetos. Com tanta oferta interessante fiquei com 50 doses e passado algum tempo comprovei o sucesso das doses utilizadas. Algum tempo depois surgiu o Carlos Serra também a falar em Crossbreeding mas com uma outra filosofia onde entrava uma terceira raça. Para verificar esta teoria na prática tenho feito uma série de visitas a explorações e feiras nos EUA (Califórnia, Madison e Texas), entre 2007 e 2013, onde o Crossbreeding está numa fase mais avançada e fiquei adepto incondicional deste conceito.

Uma vez que toda a nossa produção é para o fabrico de queijo, tenho ainda a vantagem da kca BB . Atualmente estamos a utilizar este programa em 100% do efetivo, cerca de 500 animais em produção, 100 dos quais já são Procross e alguns já na quarta lactação. Estes animais não são vacas de concursos, mas são certamente ótimas ferramentas de trabalho.

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 31


Alimentação

Leveduras hidrolisadas de cerveja

para vacas leiteiras Os suplementos alimentares de leveduras têm sido relatados para melhorar a produção de leite e a eficiência alimentar em vacas leiteiras. por Juhani Vuorenmaa, Suomen Rehu Oy, Upseerinkatu I, PO Box 401, FI-02601, Espoo, Finland. adaptado para português por Ana Maria Gaspar, Vetalmex Lda

As melhorias no desempenho são atribuídas principalmente ao aumento do número de bactérias ruminais e mudanças nos AGV do rúmen. No entanto, as respostas dos animais não têm sido consistentes. A fase da lactação ou diferenças na alimentação base, podem afetar a resposta bem como a dosagem, o tipo e a qualidade da levedura. Apesar das respostas de produção indicadas, o modo de ação específico da levedura no rúmen ainda é incerto. Os produtos de levedura mais comuns usados em ruminantes são células vivas . No entanto, por exemplo, Oezturk et al 2005 demonstraram que a adição de Saccharomyces boulardii, leveduras vivas e as inativadas, ambas estimulam o metabolismo microbiano, sem grandes diferenças entre as formas vivas e mortas. Nos ensaios realizados com levedura hidrolisada de cerveja inativada (Progut) ficou provado que melhora significativamente a fermentação ruminal, devido ao aumento da biomassa microbiana e produção de AGV . Nos ensaios de desempenho em vacas leiteiras, verificou-se o aumento de produção de leite e eficiência alimentar.

Aumento da energia A fermentação ruminal converte o alimento tal qual

em proteína microbiana e ácidos gordos voláteis, que são a principal fonte de energia da vaca. Por conseguinte, um aumento no número de microrganismos e de fermentação após a alimentação significa mais proteína e energia para a vaca. Rapidez de fermentação também significa melhor degradação do alimento no rúmen, permitindo um maior consumo de ração necessário aos altos volumes de produção de leite . Em estudos de simulação no rúmen realizados por Alimetrics Ltd, na Finlândia, Progut aumentou tanto a produção de proteína como de energia, devido ao aumento do número de microrganismos do rúmen aumentando assim a produção de ácidos gordos de cadeia curta durante este processo de simulação (ver gráfico 1). A quantidade de alimentos que não foram degradados diminuiu com a adição de Progut . Os estudos foram feitos com um lote simulado em que a relação silagem - concentrado foi de 50:50. A levedura hidrolisada de cerveja reforçou a fermentação ruminal tanto com a silagem de erva escandinava como com a típica silagem de milho europeia. O efeito do Progut foi também comparado com um produto de leveduras vivas e com uma mistura de cultura

32 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

GRÁFICO 1 Efeito do Progut nos parâmetros da fermentação ruminal.

100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0%

Basic 3h

Progut 3h

Alimento não degradado

Basic 6h

Progut 6h

Micróbios

SCFAs

Basic 9h

Progut 9h

Gás

TABELA 1 Efeito dos diferentes produtos de leveduras nos parâmetros da fermentação ruminal in vitro

Progut™

Produto de leveduras vivas

Produto de cultura de leveduras inativadas

+++ ****

+++ ***

NS

Total AGCC

+++ **

++ *

NS

Ácido acético

++ **

NS

NS

Propionato

+++ **

NS

NS

Butirato

+++ **

+++ ****

++ ****

Microorganismos

+++ ***

NS

NS

-*

- **

NS

Taxa de fermentação 0-6 horas

pH

+(-) Aumento significativo (diminuição) de 0-5 % ++ Aumento significativo de 5-10 % +++ Aumento significativo de > 10 % * 0.05 < valor de p < 0.01 ** 0.01 < valor de p < 0.001 *** 0.001 < valor de p < 0.0001 **** valor de p < 0.0001

de leveduras nas mesmas taxas de inclusão. Enquanto o Progut teve efeitos positivos sobre todos os parâmetros de fermentação

ruminal estudados a levedura viva só tinha eficácia na taxa de fermentação, AGCC totais e produção de butirato (ver tabela 1).


alimentação

GRÁFICO 2 Efeito do Progut e da pouca hidrolise das leveduras no metabolismo do rúmen, in vitro. Progut, dose baixa Progut, dose alta Pouca Hidrolise, dose baixa Pouca Hidrolise, dose alta

25 20

80

mM

15

100

60 40

10

20

5

0

0

Total AGCC

Ácido Acético

Propionato

Butirato

Co nt ro lo

% Controlo

GRÁFICO 3 Efeito do Progut na concentração de Ácidos Gordos Voláteis em vacas fistuladas (Alimetrics Ltd 2006).

1

2

3

4

5

6

Dias com Progut Rúmen

7

1

2

3

4

5

6

7

Dias depois de Progut Rúmen

Neste ensaio, a mistura de culturas de leveduras não melhorou a fermentação ruminal . Na Universidade de Veterinária de Hannover foi testado o efeito do Progut sobre a fermentação ruminal, em comparação com a levedura de cerveja menos hidrolisada utilizando uma técnica (Rusitec) de simulação ruminal contínua. A adição de Progut em ambas as doses testadas, tendeu a aumentar a produção de AGCC totais, acetato e propionato (ver gráfico 2). O efeito da levedura menos hidrolisada, a partir da mesma matéria-prima foi insignificante. Isto indica que o grau de hidrólise é importante para a eficácia deste tipo de levedura no rúmen.

A fermentação ruminal Para confirmar os resultados dos estudos de simulação ruminal foi realizado um ensaio com uma vaca fistulada. A vaca recebeu um alimento composto básico no dia 0 e o Progut a um nível de 15 g por dia misturado com a alimentação durante o período de uma semana de teste, sendo seguido por um período de lavagem (uma semana), sem Progut adicionado. De acordo com o modelo equipado com os dados medidos (p = 0,003 **) a concentração de AGV aumentou durante os primeiros quatro dias da alimentação com Progut, depois estabilizou e começou a diminuir após a retirada de Progut (ver gráfico 3). Todos os outros parâmetros de fermentação ruminal medidos, seguiram um padrão semelhante.

Distribuido em Portugal por: Campo Grande, 30 4º A/B 1700 - 093 Lisboa Tel: +351 217 815 620 Fax: +351 217 815 629 Email: vetalmex@vetalmex.com

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 33


Alimentação

Resultados sobre o desempenho Os resultados do Progut sobre o desempenho em vacas leiteiras têm sido estudados na Universidade de Helsínquia e em ensaios agrícolas em diferentes países. Os testes incluíram vacas em início, meio e fim de lactação e as doses diárias testadas de Progut variaram entre 8 e 20g. Nestes ensaios o Progut aumentou a produção média diária de leite de 1,5 para 3,4 kg dependendo da taxa de inclusão, fase de lactação e do tempo durante o qual foi utilizado Progut. No ensaio da Universidade de Helsínquia um suplemento energético especial, com e sem Progut adicionado (20g) foi dado a vacas durante duas semanas antes e oito semanas pós-parto. A adição de Progut na dieta aumentou a produção de leite em energia corrigida (ECM) 5,3%, durante as primeiras oito semanas de lactação (ver tabela 2). Foi também melhorada a eficiência alimentar calculada ECM por ingestão MS.

Modo de ação proposto As leveduras têm capacidade limitada para crescer no ambiente ruminal e são considerados organismos passageiros. As teorias populares sugerem que as leveduras proporcionam um fornecimento de nutrientes especiais para os microrganismos do rúmen. No entanto, as baixas taxas de inclusão dos produtos de leveduras tornam esta teoria questionável. Na natureza, leveduras e microrganismos estão numa situação de competição e é possível que os microrganismos do rúmen sintam as leveduras ou os componentes de levedura como “inimigos estranhos”, começando a crescer e ativar para sobreviver. Um tipo semelhante de sinalização, conhecido

como quórum sensing, é bem demonstrada entre os microrganismos. O processo de produção patenteado do Progut rompe a parede celular da levedura em pequenas partículas, aumentando consideravelmente a quantidade de oligossacáridos solúveis. Isto aumenta a quantidade de partículas solúveis da levedura no rúmen, podendo assumir-se que há muito mais “inimigos estranhos” para os micróbios ruminais do que numa levedura de cerveja normal. Esta teoria pode ser suportada pelo estudo realizado na Universidade Veterinária de Hannover, em que o efeito do Progut na fermentação ruminal foi superior em comparação com levedura de cerveja menos hidrolisada, a partir da mesma matéria-prima.

TABELA 2 Efeito da dieta na produção de leite em vacas leiteiras Semanas 1-8

Progut -

Progut +

%

Leite (Kg/d)

46.5

47.3

-

Gordura (g/d)

1899

2087

-

Proteína (g/d)

1537

1541

-

ECM (Kg/d)

46.8

49.3

5.3

ECM/IMS

2.15

2.29

6.5

ECM = Produção de leite corrigida, IMS = Ingestão de matéria seca

Jornadas de Pequenos Ruminantes em Castelo Branco Em novembro realizaram-se, na Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco (ESACB), as jornadas “Pequenos Ruminantes - Que aspetos melhorar”. Neste evento, que contou com a participação ativa da associação de estudantes, estiveram presentes cerca de 250 pessoas, entre produtores, transformadores de leite, técnicos de campo, dirigentes associativos e estudantes do ensino superior. Do programa fez parte a intervenção de Ruben Mendes, da Deosan Farm, sobre a higiene nas explorações leiteiras e os fatores que a

afetam — temperatura, tempo, química e mecânica —, bem como as etapas que devem ser percorridas para se conseguir a higiene máxima numa sala de ordenha. João Pedro Várzea Rodrigues, da ESACB, abordou o tema dos testes andrológicos como forma de melhorar a reprodução em explorações ovinas. O autor referiu que, ainda que a percentagem de carneiros estéreis seja baixa, cerca de 10 a 15% dos carneiros falha ou apresenta baixa fertilidade, o que representa custos elevados nas explorações. Como conclusão considerou que o “exame andrológico é um investimento”.

34 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

Jose Maria Bello, Chefe de Produto, NANTA apresentou o Gestimilk, um programa de gestão prática em ovinos e caprinos de leite. Referiu as capacidades do programa e a necessidade de haver uma gestão deste tipo nas explorações que permita entre outros, comparar os resultados atuais com os históricos, com resultados de animais da mesma raça e época e interpretar resultados pontuais. Explicou também porque é prático trabalhar com indicadores. João Mateus, da NANTA apresentou o sistema KOMPLET como sistema alimentar alternativo em ovinos e

caprinos. A inovação presente neste sistema resulta da sua simplicidade, pois basta fornecer um concentrado especifico e com palha ad libitum. A nova PAC e as implicações na produção de pequenos ruminantes foi o tema apresentado por Deolinda Fonseca Alberto e José Pedro Fragoso de Almeida, ambos da ESACB. Depois de uma explicação sobre as ideias gerais da PAC, foram apresentadas simulações e impactos dos cenários alternativos. Apresentações disponíveis em http://pessoas.ipcb.pt/amrodrig/ poster_jornada.htm


alimentação

carlos flecha Provimi Iberia - departamento de ruminantes cflecha@pt.provimi.com

Dairy MAX

TM

o sistema exclusivo Cargill de Nutrição Integrada para as vacarias de leite PARTE 1 O sucesso dos programas de nutrição e alimentação está dependente de muitos fatores: • a qualidade da forragem e melhor utilização desta; • o teor de nutrientes dos ingredientes utilizados; • a variabilidade de nutrientes dos ingredientes de carga/ lote para carga/lote; • a capacidade para compreender como os nutrientes que não são medidos pelo laboratório

• •

• •

podem ser afetados pelos nutrientes medidos; a digestibilidade de “nutrientes chave”, tais como FDN, amido e aminoácidos; o efeito de potenciais ingredientes alternativos no desempenho da dieta e no seu preço; a gestão correta do inventário de ingredientes a compreensão das “necessidades chave” que mais influem para o melhor desempenho dos animais, aminoácidos digestíveis, as frações da fibra, as formas de amido, o “mix” de ácidos

gordos e a composição da gordura; • quanto melhor for a interpretação da fermentação ruminal maior será a eficiência da utilização dos nutrientes; • o potencial genético e a respetiva aptidão para a produção e o seu impacto sobre os custos totais da dieta; • a capacidade dos programas de nutrição para, de uma forma eficiente e detalhada, avaliarem as oportunidades do mercado e os cenários de mudança.

Nutrição Integrada Nutrição Integrada significa abordar cada uma dessas áreas através de processos ligados entre si. É esta aptidão que vai determinar o grau de sucesso do programa nutricional.

Principais Funções do Sistema Dairy MAXtm Definição da composição em nutrientes dos ingredientes. Definição das necessidades em nutrientes por animal. Análise e formulação de dietas alimentares. Criação de produtos personalizados. Gestão da composição do leite em função da forma de pagamento. Decisão de aquisição de ingredientes. Gestão do inventário de ingredientes da exploração. Análise económica da empresa.

Dairy MAXTM O Dairy MAXTM assenta num sistema integrado que funciona para gerir a variação de nutrientes – “sistema nutriente base”. A abordagem do sistema MAXTM ,baseada em nutrientes, é fundamentalmente diferente da abordagem do “sistema ingrediente base”, típica dos outros programas disponíveis para a indústria, assentes no ingrediente.

Dairy Maxtm Cálculo de dieta (ecrã de trabalho)

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 35


alimentação

Maximizar a eficiência proteica

Na produção leiteira! No atual contexto económico a proteína é o nutriente mais caro da alimentação da vaca leiteira, tendo um grande impacto na rentabilidade da exploração!

Elisabete Carneiro Nutricionista Ruminantes INVIVONSA Portugal ecarneiro@invivo-nsa.pt

Em média, os concentrados utilizados para completar a forragem contêm entre 20 a 27% proteína bruta na matéria seca. Além de dispendiosos, níveis tão elevados de proteína levam a grandes excreções de azoto nas fezes e urina, prejudicando o ambiente e aumentando as discussões à volta da poluição causada pelo setor leiteiro. Porém o conhecimento das necessidades das vacas de leite e as mais recentes tecnologias disponíveis permitem-nos ir mais além, trabalhando para a eficiência proteica! Sabemos que aminoácidos são os “blocos de construção” das proteínas e que a vaca leiteira assimila o azoto da “ração” na forma de aminoácidos das proteínas alimentares e das proteínas microbianas. Para satisfazer as necessidades nutricionais das vacas leiteiras de alta produção e evitar desperdício, é essencial equilibrar as dietas com precisão. O primeiro passo, é fornecer à vaca a quantidade correta de proteína, para otimizar a função da microflora ruminal (PDIMN = PDIME) permitindo assim disponibilizar proteína digestível no intestino (PDI) satisfazendo as necessidades de manutenção e produção de leite. Mas alguns dos aminoácidos essenciais não conseguem ser sintetizados

pelas bactérias ruminais (ou são-no em quantidade insuficiente) e têm de ser adicionados aos “concentrados”. Tais aminoácidos são definidos como “aminoácidos limitantes”. Os mais importantes são: Metionina e Lisina. De acordo com Henri Rulquin 2001 (investigador do INRA), a suplementação das vacas de alta produção com um ou dois dos aminoácidos mais limitantes, aumenta 5% na eficiência metabólica. As vacas são pouco eficientes na utilização da proteína (cerca de 30%) mas é possível aumentar esta eficiência em 15%, formulando a dieta com a “proteína ideal”. As necessidades em aminoácidos estão tabeladas em diferentes trabalhos do INRA. A necessidade mínima em Lisina Digestivel (LisDi) é 6,8% do PDIE e as necessidades em Metionina Digestível (MetDi) é 2% do PDIE. A eficácia proteica aumenta com a relação MetDi / LisDI. Um aporte de Met Di/LisDi de 1 para 3 é o ideal, para a máxima utilização do azoto. A eficiência proteica (%) é igual à = quantidade de proteínas transformadas/ quantidade de proteínas ingeridas. Ou seja: (Quantidade de leite produzido x Taxa do TP do leite) / (MS ingerida x Taxa proteína Bruta do concentrado). O objetivo deve ser superior a 30%.

FIGURA 1 Barril de Liebig – Lei do mínimo

digestível ao nível intestinal). • Aporte do azoto ruminal necessário à máxima produção de proteínas de origem microbiana. • Aporte equilibrado de aminoácidos digestíveis.

Conclusão A formulação PROTeAM demonstrada cientificamente e avaliada no programa Aliplan (formulação INVIVO NSA) permite: • Economizar 10 a 30 €/ tonelada no alimento concentrado. • Maior eficiência, (mesmo nível de produção com o menor custo). • Aumentar em + 7% a eficácia proteica; • Melhorar as performances Zootécnicas.

E a pergunta impõem-se:

Como podemos então satisfazer as necessidades em LisDi E MetDi nas dietas das vacas leiteiras? A INVIVOnsa, desenvolveu e propõe a inovação PROTeAM. Esta técnica de formulação para vacas leiteiras com base na alimentação azotada, melhora a eficiência da proteína usando três pilares: • Suplementação otimizada das necessidades em PDI (proteína

36 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

PROTeAM: Proteínas e Aminoácidos que formam uma equipa (Team) para maximizar a eficiência proteica das dietas e otimizar os custos alimentares das explorações leiteiras.


Existem outras formas de fixar micotoxinas

T5X

Muito mais que um adsorvente de micotoxinas T5X possui quatro ações principais: - Os componentes adsorventes do T5X foram selecionados num sofisticado modelo “invivo”. As micotoxinas não passam pela parede intestinal. - T5X estimula a produção de enzimas naturais especificas de neutralização/desintoxicação que catalisam a eliminação das micotoxinas. - Os poderosos antioxidantes presentes no T5X inibem os radicais livres e previnem a degradação da membrana celular. - T5X estimula o sistema imunitário não especifico, fortalecendo os animais.

Distribuído por INVIVONSA Portugal, SA. Zona Industrial de Murtede 3060-372 Murtede Cantanhede Tel: 231 209 900 – Fax: 231 209 909 geral@invivo-nsa.pt www.invivo-nsa.pt


economia

Mercado de cereais, “Land of Confusion”?

observatório

Quando pensamos na situação atual do mercado de cereais (sobretudo do milho) vem-nos à memoria o tema dos Génesis, “Land of Confusion”. Para onde se inclinará este mercado num curto/médio prazo? por paulo costa e sousa

Depois de uma baixa drástica devido a uma boa produção por toda a parte, os últimos meses foram de alguma subida, fundamentalmente devida ao caos logístico dos portos do Mar Negro que fizeram com que os preços para um embarque imediato subissem em flecha e influenciando também os meses mais a diferido. Que irá acontecer, se e quando a situação normalizar? Normalmente, seria de esperar que normalizasse a curto prazo, mas agora está aí o inverno que tendencialmente fará atrasar, quer os embarques, quer os transportes de cereais até aos portos, por isso essa normalização poderá dar-se no início ano e mais para a frente. Será que quando tudo isto ficar alinhado ainda restará milho na Ucrânia para enlaçar com a próxima colheita?. Nos últimos 2 meses foram exportadas quantidades recorde da Ucrânia o que, a manter-se este ritmo de cerca de 3 milhões de toneladas/mês, faria desaparecer as exportações de 18 a 20 milhões de toneladas em maio/junho. Estaríamos assim numa situação de dependência da colheita sul-americana, fazendo com que até lá o mercado não apresentasse uma tendência fortemente baixista, mas provavelmente um potencial de alguma subida possivelmente não muito drástica. Além de tudo isto, mais 2 atores estão esperando para poderem entrar em cena: o milho americano e o direito nivelador.

Todos os países do sul da Europa estão à espera de uma decisão de Bruxelas para autorizarem a importação de milho americano através da aprovação de um último evento OGM. Se este milho americano chegar a aparecer em cena, deverá pressionar o milho do Mar Negro, embora não se saiba se tal virá a acontecer. Acerca do direito nivelador: com a baixa do preço do milho na Bolsa de Chicago, bem como com o incremento do euro/usd estão criadas condições para voltarmos a ter o direito nivelador sobre o milho de países terceiros; ora esse custo será repercutido sobre o preço do milho, o que fará com que o seu valor absoluto em euros venha afetado de mais um custo, pondo assim algum travão a uma baixa de preços. Face a toda esta amálgama de problemas logísticos e políticos com consequências sobre o mercado, parece prudente fazer uma “navegação à vista” sem ter a tendência de tomar grandes compromissos a longo prazo uma vez que estes atores podem fazer mudar os preços em sentidos contrários muito marcados.

Colheita de 2014/2015 Começa a ser oferecida a colheita do ano seguinte, ou seja, a que irá ser semeada a partir de abril de 2014 e que sairá em setembro. Levando em linha de conta o número de fatores que ainda poderão

38 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

afetar uma colheita que está a 3 meses de ser semeada, uma tomada de posição pode ter algumas comparações com uma ida a um Casino (sendo que esta última é normalmente mais agradável do que comprar ou vender milho). No caso dos cereais, um véu algo denso paira no ar, mas pensamos que dentro de pouco tempo se poderão vir a revelar algumas facetas desta questão. Quanto ao trigo, parece ter um comportamento mais definido. Embora o seu consumo em Portugal seja marginal em relação ao milho, o trigo tem estado bastante sustentado e não parece com grande tendência de ter uma baixa forte até à próxima colheita. Quanto às proteínas e até algum novo fator aparecer no horizonte, seguimos na convicção de que quando começar a colheita sul-americana, salvaguardando alguma questão logística que normalmente tem um impacto forte nos preços, a tendência deverá ser para alguma baixa de preços, uma vez que até agora não se conhece nada de particularmente nocivo para a colheita que está para chegar. A Logística nos portos sul-americanos poderá no entanto fazer com que isso possa acontecer ou não, pondo maiores ou menores dificuldades no embarque. Parece de alguma forma mais importante e prudente assegurar mercadoria a diferido do que esperar pelo último preço e ficar sem ela.


economia

Evolução do preço de matérias primas (em Euros/tonelada) Preços semanais de 14 de março 2011 a 13 de dezembro 2013 milho

cevada €/ton

€/ton

310

300

290

280

270

260

250

240

230

220

210

200

190

180

170

160

9 a 13 dezembro

9 a 13 dezembro

trigo

bagaço de soja €/ton

€/ton

600

310

550

290

500

270 250

450

230

400

210

350

190

300

170

250

9 a 13 dezembro

9 a 13 dezembro

bagaço de colza

bagaço de girassol €/ton

€/ton

360

440 400

330

360

270

320

240

280

210

240

180

200

150

160

120

9 a 13 dezembro

9 a 13 dezembro

Fonte: www.revista-ruminantes.com

Evolução do preço médio de alimentos compostos para animais (em Euros/tonelada) vacas leiteiras em produção

novilhos de engorda

2010 2011 2012

€/ton

€/ton

2013

500 550

450

500

400

450

350

400

300 250

350

200

300

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12 meses

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

meses

Fonte: IACA

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 39


economia

USDA, LTO, INE,

observatório por felipe de almeida Fontes: CEGEA, USDA, Lusa, Agrodigital, INE, LTO

O ano de 2013 Nos primeiros meses de 2013 os preços do leite no mercado mundial permaneciam estáveis, não sendo muito altos, principalmente devido à carência de suprimentos mas também em consequência de um ligeiro incremento da produção leiteira. No final do primeiro trimestre deste ano a situação mudou quando a seca intensa e o final da produção leiteira na Nova Zelândia fizeram com que os preços subissem bruscamente. O que, associado às más condições meteorológicas na Europa no início da época de produção, levou a um aumento repentino do preço e dos custos de produção. O aumento dos custos de produção, juntamente com a subida dos preços, as flutuações do consumo de leite e a competitividade do mercado fizeram do ano de 2013 um grande desafio à produção leiteira mundial. Obviamente que as diferentes épocas produtivas em ambos os hemisférios

fazem com que o mercado mundial no que diz respeito à produção de leite verifique variações interessantes.

EUA e Austrália É curioso notar que, embora os EUA tenham passado por uma crise económica marcada, principalmente devido ao grande atraso na aprovação do orçamento de estado do país, durante o último trimestre de 2013, seguindo a tendência dos primeiros trimestres verificou-se um aumento na produção mensal de leite, assim como na produção mensal de leite por vaca. Com um mercado competitivo e mediante o aparecimento de novos mercados importadores, os EUA fecham o ano confiantes de que o próximo ano seja igualmente favorável. A Austrália também encerra o ano de modo positivo, prevendo um aumento na produção na ordem dos 2% para 2014. Essa previsão devese principalmente a um aumento no

40 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

número de vacas produtoras. Com a desvalorização do dólar australiano e com o aumento do preço do mercado mundial, os preços nacionais na Austrália tendem a ser favoráveis a um aumento da produção.

Índia e Japão Os novos mercados mundiais sofrem às mãos dos grandes titãs de produção mundial de leite. O Japão, com a desvalorização do yen face ao dólar e com a competitividade do mercado internacional, surge neste panorama como grande importador de leite e de produtos lácteos. Para além disso verifica-se que um grande número de pequenos e médios produtores têm-se visto forçados a cessar a produção devido à grande competitividade internacional e pelos elevados custos de produção. A Índia, curiosamente, aparece neste fim de ano com uma situação contrária do que é verificado no mercado


economia

oriental, apresentando previsões de crescimento e aumento da produção de leite, principalmente devido aos preços favoráveis e ao forte poder exportador deste país.

Preço médio do leite de janeiro a outubro 2013 40 39,86

Europa

38

países

companhia

preço do leite (€/100kg) outubro 2013

média dos ultimos 12 meses (4) 36,62

Milcobel

40,03

Alois Müller

39,88

36,18

Nordmilch

41,03

35,48

Arla Foods

39,03

37,58

Hameenlinnan Osuusmeijeri

45,17

45,11

Bongrain CLE (Basse Normandie)

39,44

34,83

Danone

38,43

35,09

Lactalis (Pays de la Loire)

36,18

34,48

bélgica alemanha Dinamarca Finlândia

França

Inglaterra

Irlanda

38,00

34,69

39,95

35,95

First Milk

35,41

33,72

Glanbia

39,01

37,09

Kerry

38,84

36,42

34 33,58

32

2013 2012

30

2011 Dez

Nov

Out

Set

Ago

Jul

Jun

Mai

Abr

Mar

Fev

Jan

28

Portugal tem sofrido com a crise e as dificuldades económicas do país, prejudicando o consumo. Os últimos dados a que tivemos acesso à data de fecho desta edição apontam para quebras da produção nos meses de agosto e setembro (de respetivamente 4,6% e 2,6%). Relativamente ao próximo ano, sabe-se apenas que os desafios produtivos não serão menores do que os verificados em 2013.

leite à produção Preços médios mensais em 2013 meses

eur/kg

teor médio de matéria gorda (%)

Contin.

Açores

Contin.

outubro

0,292

0,320

novembro

0,312

0,324

dezembro

0,312

0,323

3,91

janeiro

0,320

0,319

3,86

teor proteico (%)

Açores

Contin.

Açores

3,78

3,94

3,30

3,17

3,91

3,98

3,37

3,23

3,97

3,33

3,20

3,88

3,32

3,13 3,14

Granarolo (North)

44,11

41,27

fevereiro

0,321

0,318

3,86

3,78

3,31

DOC Kaas

39,83

37,01

março

0,322

0,316

3,79

3,84

3,32

3,17

Friesland Campina

43,43

39,29

abril

0,337

0,312

3,75

3,73

3,27

3,21

37,82

35,24

Maio

0,319

0,309

3,72

3,64

3,26

3,20

Emmi A.G.

54,38

48,85

Junho

0,330

0,313

3,69

3,70

3,22

3,15

Nova Zelândia

Fonterra

40,09

33,75

Julho

0,325

0,326

3,60

3,76

3,16

3,11

EUA

EUA (3)

Agosto

0,327

0,327

3,64

3,79

3,19

3,10

Setembro

0,358

0,342

3,71

3,87

3,25

3,14

outubro

0,360

0,343

3,78

3,92

3,28

3,24

Holanda

Preço médio leite (2) Suiça

32,82

Fonte: LTO (1) Preços sem IVA, pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG e 3,4 de teor proteico • (2) Média aritmética (3) Ajustado para 4,2% gordura, 3,4% proteina e contagem de células somáticas 249,999/ml • (4) Inclui o pagamento suplementar mais recente

33,83

2013

Itália

Sodiaal Dairy Crest (Davidstow)

35,50

2012

preço do leite standardizado (1)

36

euro/100 kg

O mercado europeu tem sofrido imenso com a contração da economia da União Europeia e com o constante aumento nos custos de produção acompanhados pela diminuição do poder de compra. Porém, verifica-se que a Europa do Norte tem tido forças para combater no mercado internacional, tendo aumentado a produção de leite ao longo do ano de 2013. O mesmo não se verifica com os países do sul, principalmente na medida em que os países mediterrânicos são os que mais têm sido afetados pela crise económica europeia. Contudo, a Espanha surge como uma exceção, onde o consumo de produtos lácteos tem aumentado, garantindo condições para que a produção de leite se mantenha forte, sendo assim o único país da Europa do Sul que aumentou a sua produção este ano.

Fonte: SIMA Gabinete de Planeamento e Políticas

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 41


economia

ÍNDICE VL

Bom momento para a produção de leite POR: António Moitinho Rodrigues, docente/investigador, Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco Carlos Vouzela, docente/investigador, Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores Nuno Marques, revista Ruminantes

No n.º 11 da revista Ruminantes, editado em outubro de 2013 (Ruminantes, Ano 3 – N.º 11), foi publicado, pela primeira vez em Portugal, o Índice VL que é um indicador que pretende medir a rentabilidade da produção de leite e que está muito dependente do custo da alimentação. O Índice VL refletiu para o período de julho de 2012 a julho de 2013 a evolução do cociente entre a receita obtida com a venda do leite produzido por vaca da exploração e os custos associados à alimentação da mesma vaca (Rodrigues et al., 2012). Analisando neste número o período de agosto a outubro de 2013, verifica-se que a evolução dos preços do leite e dos alimentos foi favorável ao produtor uma vez que o preço do leite subiu (SIMA, 2013) e os custos alimentares desceram. Isso refletiu-se no Índice VL que em outubro de 2013 atingiu 1,833 quando há um ano estava em 1,428. Se considerarmos que o valor 1,5 é um valor moderado representando um negócio saudável e 2 é um valor elevado muito

favorável para o sucesso económico da exploração (Schröer-Merker et al., 2012), vemos que os produtores vivem um bom momento. Ainda que o Índice VL não possa ser calculado para novembro e dezembro de 2013, as previsões apontam para a manutenção daquela tendência, prevendo-se que os preços do leite e da alimentação se continuem a manter “interessantes”. O bom momento que atravessa o negócio da produção de leite deve ser encarado pelos produtores de forma positiva, como uma oportunidade, mas sem esquecer que, no verão de 2012, o Índice VL esteve muito abaixo do considerado “negócio saudável”. Como cada vez mais os negócios são instáveis, quer pelo preço de venda do leite quer pelo preço de compra dos alimentos, esse mau momento pode (infelizmente) voltar a acontecer. Os investimentos feitos nos “bons momentos” não devem comprometer os momentos menos bons do negócio.

notas: O preço do leite pago ao produtor do continente aumentou acentuadamente de julho a outubro de 2013. Em outubro atingiu 0,360€/kg; O preço das 3 principais matérias-primas que entram na formulação do alimento composto diminuíram de julho a outubro. Esta variação traduziu-se numa tendência decrescente do preço do alimento composto; Desde setembro que o preço da silagem de milho e da palha de cevada está mais baixo do que na mesma altura do ano passado; Os 3 aspetos anteriores refletem-se no Índice VL que, em outubro de 2013, foi de 1,833. De acordo com SchröerMerker et al. (2012), o Índice VL próximo de 2 é elevado sendo indicador de condições favoráveis para o sucesso económico da exploração de leite. Bibliografia: Rodrigues, AM; Vouzela, C; Marques, N (2013). Índice Vl, uma ferramenta útil para a bovinicultura leiteira. Ruminantes, Ano 3, N.º 11: 42-43. Schröer-Merker, E; Wesseling, K; Nasrollahzadeh, M (2012). Monitoring milk:feed price ratio 1996-2011. In: Chapter 2 – Global monitoring dairy economic indicators 1996-2011, IFCN Dairy Report 2012, Torsten Hemme editor, p 52-53. Published by IFCN Dairy Research Center, Schauenburgerstrate, Germany. SIMA (2013). Leite à produção - Preços Médios Mensais em 2013. Sistema de Informação de Mercados Agrícolas, Gabinete de Planeamento e Políticas. http://www.gpp.pt/cot/ acesso em 14-12-2013.

Evolução do Índice VL

2013

2012

Outubro

Índice VL 1,428

Novembro

1,524

Dezembro

1,522

janeiro

1,605

fevereiro

1,613

março

1,615

abril

1,700

Maio

1,585

Junho

1,643

Julho

1,651

Agosto

1,603

Setembro

1,853

outubro

1,833 Valor do Índice VL

DE JULHO DE 2012 a outubro de 2013 O valor é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor português e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca tipo (concentrado 9,5 kg/dia; silagem de milho 33 kg/dia; palha de cevada 2 kg/dia). 2,0

Valores do Índice VL

últimos 13 Meses

1,5

1,0 julho 2012

Limiar de rentabilidade

42 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

outubro 2013

Negócio saudável

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração


genética

Pedro Campos

Concursos da raça Frísia

Eng.º Zootécnico pedrocampos@semex.pt

Se uma vaca tem um bom tipo funcional, tem maior possibilidade de produzir grandes volumes de leite, de forma mais fácil e económica, ao longo de mais lactações, trazendo, portanto, mais rentabilidade para o criador.

FIGURA 1 World Dairy expo 2013.

É exclusivamente em torno da morfologia das fêmeas da raça Frísia que se desenrolam os concursos. Estas competições garantem a promoção e desenvolvimento da Holstein, baseada na conformação funcional, que se relaciona intimamente com a longevidade e todos os aspetos associados ao bem-estar animal. Os concursos têm por objetivo a avaliação morfológica dos bovinos da raça Holstein Frísia e os progressos que se têm verificado no seu desenvolvimento genético, bem como proporcionar aos criadores a oportunidade de mostrarem o esforço que vêm desenvolvendo na sua seleção. Constituem ainda oportunidade de aprender sobre gado leiteiro para aquelas pessoas que não estão diretamente ligadas a esta atividade. A qualidade e a quantidade das explorações participantes, o ambiente de competição saudável, a comparação

com os demais, conviver e socializar com os colegas do país e do estrangeiro, são alguns dos ingredientes que fazem desses eventos os “palcos” de excelência das Holstein. Nos países em que se dá a importância devida ao melhoramento, um animal que se destaque num concurso adquire enormes vantagens comerciais e de mercado. De forma automática, o exemplar campeão e sua descendência, convertem-se em animais de mais valor. Ganhar um concurso também significa muito para a empresa de sémen proprietária do pai e dos filhos do animal premiado. Como exemplo paradigmático, em 2009 foi vendida num leilão no Canadá uma vaca de 3 anos (Eastside Lewisdale Gold Missy) por 1,2 M$, até então o valor mais alto num evento publico. Acabava de se destacar num concurso e posteriormente foi campeã suprema nos dois maiores concursos do mundo, com perspetivas de fornecimento de descendência para empresas de genética num valor superior a 3 M$. Em Portugal, infelizmente, ainda há um longo caminho a percorrer na valorização da genética bovina. Os animais que se destacam nos concursos não têm o reconhecimento devido, como atenuante, os prémios pecuniários com que se distinguem os animais vencedores, são por si só. um bom incentivo à participação. Um concurso comporta várias secções, de acordo com a idade e estado da lactação dos animais. Em relação à abrangência dos criadores podem ser de âmbito local, regional, nacional, aberto ou internacional. Em Portugal cabe à Associação Portuguesa dos Criadores da Raça Frísia (APCRF) acreditar os concursos

44 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

pecuários da raça. A organização de determinado concurso elabora um regulamento que serve de guião, onde constam todas as informações e procedimentos obrigatórios (secções, condições sanitárias, prazos a cumprir, normas, âmbito, prêmios, etc.) que todos os participantes terão cumprir.

Os juízes O julgamento dos animais em pista é delegado num juiz, quase sempre um criador de referência, com experiência prática na apresentação de animais em concurso. O trabalho do juiz é analisar individualmente cada animal, classificar do melhor para o pior os participantes de cada secção, com base na sua conformação (tendo em mente o modelo da vaca Frísia ideal), a sua preparação e apresentação em pista. Por fim explicar, de forma simples, clara e concisa aos exibidores e espetadores, porque os ordenou daquela forma. Os juízes adquirem a sua formação nas denominadas escolas de juízes. Estes eventos contribuem para a formação geral dos criadores, atraem novos participantes e entusiastas para esta temática. Por outro lado, avalizam alguns deles para exercer funções de juízes nacionais. A APCRF realiza com alguma regularidade estas ações. A opinião do juiz é soberana, todos os exibidores têm a obrigação de acatar ordeiramente as suas ordens e decisões. Portugal através da Apcrf faz parte da European Holstein & Red Holstein Confederation (EHRC) que tem um grupo de trabalho para harmonização de juízes na Europa (tendo sido já realizada uma reunião no nosso país, em 2002). Os esforços que se estão a fazer com a harmonização do julgamento das


genética

Holstein em concurso, visam uma maior clareza e transparência, baseada num critério mais justo e de menor erro por parte do juiz, bem como, uniformização de critérios e protocolos de julgamento e partilha de conhecimentos.

Os concursos em Portugal Na última década o panorama dos concursos a nível nacional alterou-se consideravelmente. Se até então apenas se realizavam o concurso nacional, o regional de Aveiro e o da Moita (que acabou por desaparecer), no início da década surgiram novos concursos, maioritariamente a norte do país e nas ilhas. Atualmente são concursos de referência, colmatando a inexistência de concursos em regiões que se destacam pela quantidade e qualidade de animais e explorações. Em 2013 realizaram-se, no continente, os seguintes concursos: Trofa (11ª edição), Agro – Braga (3ª edição), Alto Minho – Ponte de Lima (6ªedição), Águeda (6ª edição), Leicar (10ª edição), Faceco – Odemira (10ª edição), Ferreira-a-Nova (11ª edição), Arazede (12ª edição) e a 1ª edição do concurso de Santa Catarina em Celorico de Basto. Nas ilhas, o 12º concurso de S.Miguel, o 15º da Ilha Terceira e a Feira Açores no Faial. Realizam-se também com regularidade concursos no Pico, S.Jorge e Graciosa. Ficaram por realizar o concurso mais antigo do país, o regional de Aveiro (que já conta com 56 edições), e o 33º Nacional, que se realizava também em Aveiro no final do ano, a encerrar a temporada dos concursos. A maioria destes concursos é de âmbito regional ou local. Nos últimos anos as exceções são o Nacional, que é aberto a criadores de todo o país, tendo inclusive já concorrido criadores açorianos, e a Feira Açores onde competem animais das ilhas com maior expressão na produção de leite. Em Portugal, a tendência que se verifica nos últimos anos, aponta para um número reduzido de criadores por Concurso, participando cada um com muitos animais, o que de alguma forma empobrece a competição. No Continente, um dos concursos de maior dimensão, pela sua abrangência territorial, o Nacional, é o que reúne maior número de produtores, mas mesmo assim, aquém do que acontece noutros países. Neste aspeto o melhor exemplo que temos é o concurso de S.Miguel, que nos últimos anos é o concurso português com maior número de animais e de criadores em competição, graças à grande qualidade dos animais e à grande importância que os seus criadores dão ao melhoramento animal e aos concursos. Para este facto, muito contribui o empenho, o profissionalismo e brio que a Associação Agricola de S. Miguel coloca na promoção da genética Holstein Micaelense. De forma geral, parece notar-se um certo rejuvenescimento nos participantes dos

concursos, com entrada de novos jovens criadores. Esperemos que esta tendência continue e que estes eventos alcancem a notoriedade devida, de forma a serem um contributo válido na economia das nossas explorações. Para tal é necessário o empenho de todos os protagonistas do setor promovendo a necessária mudança de mentalidades de muitos dos nossos criadores. Por exemplo, os concelhos que lideram a produção de leite em Portugal têm uma baixa expressividade em termos de participação nos concursos.

Os concursos lá fora É na América do Norte que os concursos têm mais peso e notoriedade. Todo o aficionado sonha um dia poder viajar para os EUA no início de outubro para assistir à World Dairy Expo em Madison, ou um mês mais tarde, ao Royal Winter Fair em Toronto, no Canadá, as duas melhores pistas de concurso do mundo, onde poderá ver desfilar as melhores Holstein do planeta. A nível europeu, a generalidade dos países com mais tradição na produção de leite, já realizam concursos de muito bom nível. Sem ter de efetuar grandes viagens temos oportunidade de assistir em Espanha a vários concursos de boa qualidade, onde se destacam os regionais/ autonómicos da Galiza, Astúrias e Cantábria, a par do Nacional de outono em Gijon. Aqui, é possível comparar o que se faz no país vizinho com o que temos dentro de portas. Merece igualmente destaque a Confrontação Europeia, onde concorrem na mesma pista vacas de vários países europeus. As últimas edições realizaram-se em Itália (2010) e em março último na Suíça, sendo que em ambas

painel de juízes nacional O painel de juízes nacional é composto por 6 elementos. Os que exercem funções há mais tempo, Eng. Simões Dias e Luis Mota, fazem parte do painel de juízes Europeu. O ano 2012 ficará para história no reconhecimento aos juízes portugueses já que tivemos pela primeira vez um juiz nacional, Luís Mota, a julgar um concurso nacional estrangeiro, o da Suécia. E em 2013 voltou a ser chamado para ajuizar um dos mais importantes concursos espanhóis, o regional da Cantábria, factos que por si só constituem a prova da qualidade dos nossos juízes, do esforço e da credibilidade da APCRF. Apesar da existência de juízes nacionais com méritos reconhecidos para os principais concursos que se realizam entre nós são chamados juízes estrangeiros, tendo já julgado em Portugal muito dos juízes mais conceituados a nível mundial, que já julgaram os grandes concursos da América do Norte, a confrontação europeia e os principais concursos nacionais da Europa. A titulo de exemplo, Callum Mckinven, John Crowley, Donald Dubois, David Crack Jr., Tom Kelly , David Boyd, John Gribbon, Eric Hansen, Neils Erik Haahr, Markus Mock e quase todos os juizes espanhois.

FIGURA 2 Concurso S. Miguel 2013.

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 45


genética

saíram triunfadoras as vacas apresentadas pelos suíços. Por seu lado, Espanha arrecadou o título de melhor grupo por país no último evento. A próxima edição está prevista para 2016 em França. E que bom seria para a promoção e visibilidade do nosso país, do setor leiteiro em geral e da nossa genética em particular, se apresentássemos em França as nossas melhores vacas!? Até porque já vão longe as participações de Portugal em Confrontações Europeias (Barcelona e Bruxelas na década de 90). Apesar deste facto, é em Portugal que se passa, provavelmente, um caso único a nível mundial, em que a mesma vaca alcançou o título de Vaca Grande Campeã Nacional durante quatro anos consecutivos. Trata-se da “Senras Crew Marina”, da exploração Senras Dairy de V. N. de Famalicão. Honras sejam feitas a esse belíssimo animal, a melhor vaca Holstein que nasceu em Portugal, e ao seu criador.

FIGURA 3 Senras Crew Marina.

Resumindo A participação em concursos e exposições requere investimento em tempo e dinheiro, sem garantias de retorno económico, mas, em contrapartida o reconhecimento do nosso trabalho e a satisfação pela obtenção de um prémio, acompanhadas de um bocadinho de paixão, fazem com que valha a pena. Os concursos vão beneficiar, a longo prazo, não só os criadores que intervêm diretamente, mas o setor leiteiro no seu conjunto. Através dos mesmos vão-se fixando standards que ajudam a melhorar a seleção de exemplares para reprodução e produção, no fundo, a aumentar a rentabilidade de um setor tão importante para a economia nacional, que tem como pilar a vaca Holstein Frísia, a rainha das raças bovinas leiteiras. E as pistas de concurso são provavelmente o único lugar para ver reunidos “Os melhores da raça Frísia...”

Produção “greening” no contexto da PAC 2014-2020 POR Jerónimo Pinto, Engº Agrónomo, Eurocereal, SA

No contexto das novas regras da PAC 2014-2020, as produções animais, nomeadamente as de ruminantes, terão que ser mais amigas do ambiente, sobretudo no que se refere à gestão do ciclo do azoto entre o solo, as culturas forrageiras e arvenses e a produção de leite/carne. A gestão do ciclo do azoto obriga a atuações bem concertadas, simultaneamente sobre os diversos inputs (fertilização azotada, fixação de azoto por rhizobium com leguminosas, gestão da proteína na alimentação animal) e sobre os outputs, tanto nas produções (leite/carne), como nos efluentes (estrumes/chorumes) e nos impactos ambientais das suas emissões (amoníaco e nitratos/nitritos). Mais que nunca, é necessária uma visão global do conjunto agropecuário-ambiental de cada

Leite e carne Alimentação Animal

Forragens

Rhizobium

Amoníaco

Efluentes

Solo

Fertilização N2O, NOx

Nitrato

Gestão Global Greening

exploração, com decisões muito bem encadeadas/coerentes a todos os níveis da produção (solos, culturas, leite/carne).

46 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

É imprescindível uma gestão global que resulta da perfeita coordenação entre todas as áreas operacionais e os diversos profissionais intervenientes (produção/conservação das forragens, formulação nutricional da alimentação animal, gestão e valorização agronómica dos efluentes, etc). A gestão global dos inputs-outputs para cada exploração é a base do sistema Holandês MINAS (1998), do Dairy Cattle Nitrogen Excretion Calculator (2005) de Cornell University Dept. of Animal Science e do simulador CowNex (2013) desenvolvido pelo INRA – Institut National de Recherche Agronomique, no âmbito do projeto “RedNex” – Reduce Nitrogen Excretion by Ruminants (www.rednex-fp7.eu) que reuniu 10 universidades europeias num projeto conjunto para o desenvolvimento de soluções inovadoras e práticas no sentido de reduzir a excreção de azoto para o ambiente.


atualidades

VI Seminário de Ruminantes

Previsão aponta para aumento de produção de carne em 2014

No passado mês de outubro realizou-se o VI Seminário de Ruminantes organizado pela empresa Invivonsa, sob o lema “Eficiência na Produção Leiteira”. Deste seminário fizeram parte comunicações sobre diversos temas como “Micotoxinas – controlo analítico como fator de eficiência alimentar” por Erwan Leroux da Neovia; “Eficiência Leiteira – rentabilidade da exploração” por Elisabete Martins da Invivonsa; “Maximizar a eficiência proteica na produção leiteira” por Elisabete Martins da Invivonsa; “Prémisturas à Lupa” por Carla Aguiar da Invivonsa. Jean-François Verdenal, Presidente da EDF, fechou as apresentações com a intervenção “Produção leiteira na Europa e enquadramento português”.

Segundo o relatório publicado no site do USDA[1], a produção mundial de carne irá aumentar em 2014, prevendo-se cerca de 58,6 milhões de toneladas face às 57 milhões de toneladas produzidas em 2013. Este aumento deve-se ao facto da maioria dos grandes produtores acreditarem que vão ter disponível alimentação para os animais a preços mais económicos, devido à abundância de cereais no mercado, e ao aumento da procura por parte de países grandes importadores de carne como a China e o Japão. A exportação mundial de carne cresceu 24% nos últimos cinco anos sendo o Brasil e a Índia os principais responsáveis por este aumento. Não obstante ser ainda o principal produtor de gado bovino, segundo o relatório “Livestock and Poultry: world markets and trade”, os EUA verão a produção de carne de vaca descer

6%, o que se traduzirá em 11 milhões de toneladas, e o consumo diminuir 5%. O declínio do número de cabeças por produtor, devido a baixas taxas de reprodução, e à diminuição da importação de gado vivo, contribuirão para manter o cenário já verificado em 2013. Na União Europeia o mercado da carne comportar-se-á de outra forma. Prevê-se um ligeiro aumento da produção de carne bovina, na ordem das 7,8 milhões de toneladas, associada a uma ligeira redução de preços. Segundo o relatório, o consumo não sofrerá alterações. A União Europeia continuará a importar 350 mil toneladas de carne e a exportar apenas 270 mil toneladas, apesar deste valor corresponder a um aumento de 4% nas exportações. [1]

United States Department of Agriculture.

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 47


Genética

david catita criador limousine, serpa - portugal fontecorcho@gmail.com

CONSUMO DE CARNE DE BOVINO NO CONTEXTO DA CRISE EM PORTUGAL

O consumo de carne em Portugal oscila inevitavelmente com a variação do poder de compra e o consumo de carne de bovino tem manifestado uma tendência decrescente no contexto da crise que Portugal atravessa.

Por mês, são abatidas em Portugal cerca de 7000 toneladas de gado bovino, um valor que representa apenas 45% das necessidades do mercado, havendo ainda uma necessidade de importação de cerca de 55%. O consumo anual nacional de carne per capita, ronda os 100 kg, dos quais cerca de 18,5 kg correspondem a carne de bovino. Este valor implica que são consumidos em Portugal cerca de 185 000 toneladas de carne de bovino, dos quais Portugal produz cerca de 84 000 toneladas.

Vale a pena pensar neste número. De acordo com informação do INE de 2009, em Portugal existem aproximadamente 420 000 vacas de carne, e cerca de 300 000 vacas leiteiras. Assim, se considerarmos uma contribuição das vacas leiteiras em termos de produtos de carne (bezerros), com apenas 100 kg de carne por vaca, e fazendo a aproximação que 1/6 da produção é para reposição do efetivo leiteiro, resulta que do efetivo leiteiro resultam anualmente 25 000 toneladas de carne. Assim, as restantes 60 000 toneladas são produzidas pelas 420 000

48 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

vacas de carne, o que, fazendo a mesma subtração de 1/6 para reposição do efetivo nacional, corresponderá a uma média de 170 kg de produção de carne por cada vaca, de uma forma muito grosseira, uma vez que muitos animais de refugo vão também para abate. Esta média, como todas as médias, mascara a verdadeira realidade, na qual muitas vacas não produzem nada, ficando a produção efetiva para os núcleos com maior qualidade. Nas raças mais produtivas, como a raça limousine, cada vaca tem um potencial de produzir, pelo menos, 340 kg de carcaça por

ano, ou seja, o dobro da média atual. É possível concluir que o melhoramento genético das vacadas e o reforço do maneio alimentar poderia fazer virar a balança comercial a favor de Portugal, e a partir das atuais vacas de carne produzirem-se cerca de 142 000 toneladas de carne, o que, somando à contribuição das vacas leiteiras, poderia tornar Portugal num país auto-suficiente em carne de bovino, e assim não estar tão sujeito a produtos de produção duvidosa, nomeadamente a proveniente de países em que é legal a utilização de transgénicos e hormonas estimulantes de crescimento. De acordo com uma recente apresentação em Portugal do Prof. Vicente Jimeno, uma autoridade espanhola do Departamento de Produção Animal da Universidade Politécnica de Madrid, é possível identificar três grupos distintos de bovinos de engorda, cada um com um desempenho diferente em termos de rendimento para o criador. Foi também referido que cada engordador deve fazer uma gestão criteriosa dos grupos de engorda, separando os animais em grupos pequenos, com 20 animais no máximo, aos quais seja possível dar a


Genética

alimentação certa, no momento adequado, e permitindo observar a quantidade de alimentos que cada grupo consome, para chegar ao índice de conversão de cada animal, ou seja, os quilos de alimentos necessários para repor um quilo de peso vivo. Não vale a pena regatear cêntimos em ração quando alguns animais desperdiçam comida sem crescimento ou com reposição excessiva de gordura que é retirada no abate. Produzir mais e melhor é possível, e o reforço expetável da produção de alimentos para o gado, com as novas áreas de regadio no sul de Portugal, implica que existem condições reais para aumentar a produção nacional, garantindo a qualidade e a sustentabilidade da nossa agricultura. De pouco serve fomentar as exportações se tivermos de importar na mesma proporção.

Desempenho

Baixo

Médio

Alto

Leiteiros e Angus

Autóctones cruzadas

Limousine e Blonde

Custo de aquisição

Baixo

Médio

Alto

Ganho médio diário

Baixo

Médio

Alto

Maior velocidade

Velocidade média

Baixa velocidade

Raças

Crescimento adiposo Consumo alimento

Alto

Médio

Baixo

Índices conversão

Alto (8 a 9)

Médio (6 a 7)

Baixo (4 a 5)

Baixo

Médio

Alto

Peso vivo no sacrifício % de carne na carcaça

Baixa

Média

Alta

Rendimento carcaça

50% a 55%

55% a 60%

60% a 65%

Baixo

Médio

Alto

Lucro (Venda – custos)

TABELA Desempenho dos três grupos de bovinos de engorda referidos pelo Prof. Vicente Jimeno, 2013

A pressão dos países do continente americano, para onde Portugal e Espanha querem enviar azeite e vinho e outros países europeus querem enviar tecnologia, torna a Europa cada vez mais permeável à

importação de carne bovina americana, o que apenas pode ser contrariado se existir produção própria e o consumidor estiver sensibilizado para escolher o que é nacional e o que tem qualidade. Cabe, no entanto,

aos produtores nacionais fazerem a primeira parte deste trabalho e melhorar a genética das vacadas para aumentar a produção. Importa melhorar em qualidade genética mais do que aumentar em número.

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 49


Atualidades

Tecadi propõe aos produtores de leite ”a melhoria da qualidade da silagem de erva e da fertilidade das vacas”

Figura 1 Simpósio em Évora.

Em dezembro, a Tecadi Lda. organizou 2 simpósios em colaboração com a Lallemand e a BASF, sobre ”Como preparar a silagem de erva e Combi CLA na alimentação da vaca leiteira”. Nestes encontros, que decorreram no Évora Hotel e na Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, estiveram presentes essencialmente produtores de leite, mas também nutricionistas, médicos veterinários e professores universitários. Por parte da Tecadi estiveram presentes os Engos. Luís Ferraz, Paula Ventura e Manuel Ortigão. O primeiro tema, “Influência da nutrição na fertilidade da vaca leiteira”, esteve a cargo do Dr. José Caiado (Dairy Consulting) que elencou de forma prática os diversos aspetos nutricionais e de maneio que interferem na fertilidade, propondo soluções para contrariar a normal tendência dos índices de

fertilidade piorarem na razão inversa do aumento da produção leiteira. O Eng.º Luís Queirós (Feed Additives Technical Support Manager - LALLEMAND), responsável pelo apoio de campo aos inoculantes Lalsil a nível internacional, falou sobre “Os desafios na execução da SILAGEM de ERVA com qualidade: como preservar a proteína”. Com imagens elucidativas sobre os efeitos de uma má preparação da silagem, lembrou a importância, no atual contexto de custos de matérias-primas, de preservar o valor da silagem. No caso concreto da silagem de erva, dois pontos deverão ser tidos em consideração: a preservação da qualidade da proteína, evitando ao máximo a proteólise, responsável pela produção de azoto amoniacal e das indesejáveis aminas biogénicas e a recuperação de matéria seca,

50 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

principalmente em silagens de erva e/ou leguminosas com teores de humidade mais baixos. Neste último caso, também dois pormenores deverão merecer a máxima atenção por parte do produtor de leite: o processo de pré-fenação que, sendo importante na concentração de açúcares solúveis, por forma a termos combustível para a fermentação desejável, deverá ser o mais curto possível, até atingirmos a matéria seca ideal, no sentido de melhorarmos a qualidade da fibra e impedirmos o consumo de nutrientes pelo processo respiratório; o segundo ponto passa pela estabilidade aeróbica da silagem de erva, durante a utilização da mesma. A produção de ácidos de fermentação, nomeadamente acético e propiónico, garante as características antifúngicas necessárias para impedir o aquecimento da silagem,

aumentando assim a sua estabilidade aeróbica. A produção destes ácidos apenas é conseguida através da utilização de bactérias heterofermentativas, como o Lactobacillus buchneri, NCIMB 40788, presente na maior parte dos inoculantes da gama LALSIL. Seguidamente o Dr. Christoph Güenther (BASF) falou sobre “Lutrell, a chave para melhorar os resultados de toda a vida produtiva da vaca leiteira”. Apresentou o princípio ativo do produto, o ácido linoleico conjugado (CLA) protegido da degradação no rúmen e seu modo de atuação. Mostrou a importância de um produto destinado ao periparto das vacas que contrarie o balanço energético negativo deste período da vida dos animais. Mostrou que dessa forma se consegue ajudar o metabolismo, reduzindo a gordura hepática e

Figura 2 Reunião na Cooperativa Agrícola de Vila do Conde.


atualidades

melhorando a disponibilidade de glucose no pós-parto. As vacas alimentadas com Lutrell apresentam melhor condição corporal, menor incidência de cetoses e outros problemas metabólicos e melhor fertilidade, consubstanciada numa melhor taxa de não retorno, num encurtamento do intervalo entre partos, num menor refugo de vacas por problemas de fertilidade e numa redução dos custos com medicação. A produção de leite é significativamente aumentada, havendo a registar também uma redução do teor butiroso do leite, compensado pelo total de gordura produzido no total da lactação. Apresentou resultados de Centros de Investigação e de ensaios de campo.

tabela 1 Utilização de Combi CLA em Portugal (2011-13). Média dos resultados de 23 explorações (total de 3170 vacas em lactação) %

Kg

para vaca ano

Produção (L leite/dia)

+ 2,3 L

+ 7,5%

Gordura do leite

- 0,16

- 4%

+ 6%

- 33 €

Proteína do leite

- 0,03

-0%

+ 8%

-9€

Intervalo entre partos (4,50€/dia open) Benefício Líquido Retorno do Investimento (ROI)

- 16 dias open

+ 240 €

+ 72 € + 223 € 5:1

O Eng.º Manuel Ortigão, técnicocomercial da Tecadi na zona Norte e Açores, apresentou uma atualização dos resultados de dois anos e meio de utilização do Combi CLA (pré-mistura de Lutrell) em 23 explorações leiteiras em Portugal. Alguns dos produtores utilizaram o Combi CLA no unifeed, outros nos alimentadores automáticos, outros em robots de ordenha, o que permitiu mostrar que se podem obter resultados muito positivos, qualquer que seja o sistema de alimentação da exploração. A Tabela 1 espelha o resultado obtido no conjunto das 23 explorações, tendo havido o cuidado de atribuir um valor económico aos resultados obtidos em termos de fertilidade e produção de leite. Quanto à fertilidade, verificou-se uma redução de 16 dias open em média, uma melhor observação dos cios no pós-parto, menor incidência de quistos foliculares e de cetoses. Foi avaliado em 4,50€ o ganho por cada dia open que se conseguiu reduzir em cada vaca. No que se refere à produção de leite, a média de incremento foi de 2,3 L/vaca e dia. A percentagem de gordura do leite reduziu 1,6 décimas mas no total da lactação produziram-se mais 6% de kg de gordura. De referir que em 3 das explorações, a empresa que recolhe o leite não penaliza a gordura, mas neste estudo fizemos o cálculo como se penalizasse, para que os resultados pudessem ser comparáveis. A variação da percentagem de proteína foi insignificante, tendo-se produzido no total da lactação mais 8% de kgs de proteína. O retorno médio do investimento (ROI) obtido nessas explorações foi de 5:1.

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 51


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

CAPRINOS

Avaliação da condição corporal A condição corporal reflete o estado nutricional dos animais e apresenta importantes implicações para a sua saúde e desempenho produtivo. POR Ana Vieira1, Severiano Silva2, Inês Ajuda1, George Stilwell1 1 Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Lisboa, 2CECAV-UTAD, Quinta dos Prados, 5000-801 Vila Real awinportugal@gmail.com

Neste artigo vamos explorar de forma sumária a condição corporal enquanto indicador de bem-estar nas explorações, apresentar o método convencional de avaliação da condição corporal e discutir algumas das suas aplicações e limites.

Condição corporal como indicador de bem-estar animal A condição corporal (CC) tem vindo a ser validada como indicador de bem-estar não apenas para o critério de ausência de fome prolongada, mas também para a ausência de doença. A CC é ainda um indicador importante para a avaliação da eficácia de programas alimentares. Tradicionalmente em sistemas extensivos, ou semi-intensivos, associamos uma baixa CC a alturas de escassez alimentar quando os animais estão em regime de pastoreio. Por outro lado, em sistemas intensivos devemos ter sempre presente a possibilidade de estarmos perante regimes nutricionais não adequados à fase produtiva em que se encontram os animais, podendo por vezes haver um deficit ou um excesso nutricional. Ao longo dos anos têm sido publicados estudos que relacionam a CC com a presença de doenças. Se este facto nos parece evidente para doenças que debilitam os animais,

como doença respiratória ou mamites, podemos considerar a CC como um bom sinal de alerta para doenças que não são clinicamente tão expressivas como a presença de abcessos por linfadenite caseosa (Ferrante et al., 2012) ou paratuberculose (Smith e Sherman, 2009). Embora os casos de CC baixa sejam associados com maior frequência a problemas de bem-estar, uma CC acima do desejado também constitui um grave problema. De facto, animais obesos têm frequentemente problemas de fertilidade e metabólicos, como a toxémia de gestação, ou doença dos gémeos, que quando instalada no animal é de difícil cura e quando curada raramente permite ao animal expressar todo o seu potencial produtivo. Num estudo realizado no Reino Unido por Anzuino et al. (2010) verificou-se a presença de cerca de 3,4% dos animais com CC inferior a 1,5 e 2,7% dos animais com CC acima 4 (escala de 1 a 5). Num estudo-piloto de levantamento de indicadores de bem-estar realizado em explorações intensivas de leite em Portugal pela equipa AWIN, verificou-se uma prevalência média de 19% de animais com CC inferior a 1,5 e 11% dos animais com CC acima de 4. Estes estudos, a par da dificuldade expressa por alguns produtores em avaliar a CC em caprinos, fundamentam a necessidade de debater esta ferramenta de avaliação.

52 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

Como avaliar a condição corporal? Existe uma grande variedade de sistemas de avaliação de CC, sendo que a grande distinção entre os mesmos é serem apenas visuais ou necessitarem de recorrer à palpação dos animais; de avaliarem o animal como um todo ou atribuírem diferentes classificações a diferentes zonas anatómicas, classificações que são posteriormente sumarizadas e ajustadas para fornecerem uma classificação final do animal. Neste artigo vamos basear-nos no método apresentado e desenvolvido por Santucci et al. (1991), por acreditarmos que este é o método que melhor se aplicará na realidade das nossas explorações. O primeiro aspecto a considerar quando se avalia a CC, é o de que estamos a fazer uma apreciação das reservas corporais dos animais em termos de tecido adiposo (TA) e a avaliar a capacidade de mobilização (em períodos de carência de alimento) ou deposição (em períodos de excesso de alimento) do mesmo. Para conseguir avaliar a CC temos de ter conhecimento da localização das reservas corporais, sob a forma de TA. O TA está distribuído por diversos depósitos, que se encontram espalhados por todo o corpo. Os mais relevantes para os ruminantes são os depósitos associados à carcaça (subcutâneo e intermuscular) e os depósitos internos (omental, mesentérico, pélvico e perirenal). Os depósitos de TA no corpo do animal mantêm a sua localização sendo, no entanto, a sua importância variável segundo a espécie e a raça, o sexo e o estado fisiológico. Nos caprinos os depósitos internos de TA são relativamente mais importantes que os da carcaça. Por outro lado, os diferentes depósitos de TA apresentam uma determinada ordem de deposição e mobilização. De uma forma geral o TA subcutâneo é o último a ser depositado e o primeiro a ser mobilizado.


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

3 4

1 2

FIGURA 1 Imagem que ilustra a localização da região lombar na cabra e pormenor da secção da região lombar com destaque para as apófises espinhosa e transversa e para o músculo Longissimus thoracis et lumborum. 1. A proeminência das apófises espinhosas e grau de cobertura das extremidades das apófises espinhosas; 2. A proeminência das apófises transversas; 3. Desenvolvimento do músculo Longissimus thoracis et lumborum; 4. Grau de cobertura das extremidades das apófises transversas.

Definição do método de notação da condição corporal Nos caprinos o método de notação da condição corporal é suportado por notas de CC que são definidas sobre bases anatómicas precisas e de características identificáveis por palpação nas regiões lombar e esternal. Região lombar A região lombar é muito conveniente para a avaliação da CC uma vez que é de fácil acesso, de estrutura anatómica simples, que apresenta desenvolvimento tardio e na qual se deposita em último lugar o TA subcutâneo. Para além destas características, o TA da região lombar apresenta uma correlação elevada com as notas de CC. Por outro lado, verifica-se uma relação estreita entre o TA

subcutâneo lombar e outros depósitos de TA (Delfa et al., 1989), o que nos permite, a partir do desenvolvimento da região lombar, inferir sobre o desenvolvimento dos outros depósitos. A palpação da região lombar compreende quatro fases distintas em que se apreciam sucessivamente ( ver Figura 1). Zona esternal Como nos caprinos se verifica um menor desenvolvimento do TA subcutâneo e uma maior proporção de depósitos internos, animais com reduzido desenvolvimento de TA lombar podem apresentar um bom desenvolvimento dos depósitos internos de TA. Esta é uma forte razão para se escolher a região esternal para uma avaliação complementar das reservas corporais nos caprinos. Nesta região observa-se a deposição de TA subcutâneo que pode ser identificado por palpação. Todavia esta região apresenta algumas particularidades que fazem diminuir a sua utilidade para a avaliação da CC: nos animais adultos, há a formação de uma calosidade, especialmente importante nos animais de idade superior a 8 anos, que prejudica a palpação (Santucci et al., 1991) e nos animais jovens o TA é de espessura reduzida, quer na região lombar quer na região esternal. Com base na palpação destas duas regiões definiu-se uma escala de notas entre 1 e 5. A cada nota corresponde

um determinado desenvolvimento do TA subcutâneo e da massa muscular. Em função destas apreciações, a CC é classificada de pobre (nota 1), mediana (nota 2), avançada (nota 3), gorda (nota 4) e muito gorda (nota 5). Nas Figuras 2 a 6 mostramse as imagens que ilustram as várias notas de condição corporal, assim como a sua descrição.

nota 1 Condição Corporal Pobre Aspeto do animal: Animal numa condição corporal muito pobre. A espinha é visível como uma crista contínua, o flanco apresentase côncavo, as costelas são visíveis e os ossos da garupa são perceptíveis. Região lombar: As apófises espinhosas são perceptíveis por palpação, como uma massa proeminente e de contornos bem marcados. Os dedos passam facilmente sob as apófises transversas, sendo possível sentir os espaços entre as vértebras. O músculo Longissimus thoracis ei lumborum apresenta-se pouco desenvolvido e virtualmente sem TA subcutâneo na sua cobertura. Região esternal: O TA subcutâneo esternal é facilmente localizável e avaliado pela ação dos dedos;

apresenta-se com uma forma plana e ligeiramente duro; move-se com a mão, da direita para a esquerda. As articulações condro-esternais e o início das costelas podem ser sentidas através de leve toque com os dedos.

nota 2 Condição Corporal Mediana Aspeto do animal: Animal ligeiramente ossudo; a espinha ainda é bem visível, a garupa é proeminente. Região lombar: As apófises espinhosas mostram-se proeminentes mas de forma arredondada. O espaço entre as vértebras identificamse por palpação sem ser necessário exercer pressão; é possível passar, com pouca pressão, os dedos sob as extremidades das apófises transversas. O músculo Longissimus thoracis et lumborum apresenta moderada profundidade, com uma fina camada de TA subcutâneo de cobertura. Região esternal: O TA subcutâneo esternal pode ainda ser localizado com os dedos, mas apresenta-se mais espesso (1 a 2 cm). Pode facilmente ser destacado ao longo de todo o seu comprimento através da ação da ponta dos dedos, uma pequena camada pode ser distinguida entre a pele e as articulações condroesternais.

FIGURA 2 Imagens ilustrativas da região lombar e da região esternal para um animal em CC pobre (adaptado de Russel et al., 1969; Santucci et al., 1991; Detweiler et al., 2008).

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 53


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

FIGURA 3 Imagens ilustrativas da região lombar e da região esternal para um animal em CC mediana (adaptado de Russel et al., 1969; Santucci et al., 1991; Detweiler et al., 2008).

FIGURA 4 Imagens ilustrativas da região lombar e da região esternal para um animal em CC avançada (adaptado de Russel et al., 1969; Santucci et al., 1991; Detweiler et al., 2008).

nota 3

nota 4

nota 5

Condição Corporal Avançada

Condição Corporal Gorda

Condição Corporal MUITO Gorda

Aspeto do animal: A espinha deixa de ser proeminente; a garupa encontra-se bem coberta.

Aspeto do animal: Sem sinais particulares.

Aspeto do animal: Sem sinais particulares.

Região lombar: As apófises espinhosas são detetadas, com pressão, como uma linha dura. As apófises transversas não podem ser sentidas encontrandose envolvidas por uma espessa camada de tecido. O músculo Longissimus thoracis et lumborum está rodeado com uma espessa camada de TA subcutâneo.

Região lombar: As apófises espinhosas não são detetadas mesmo com firme pressão, encontrando-se uma depressão no TA subcutâneo onde se sente habitualmente as apófises espinhosas. As apófises transversas não são perceptíveis. O músculo Longissimus thoracis ei lumborum está bem desenvolvido e apresenta uma camada de TA subcutâneo muito espessa.

Região lombar: As apófises espinhosas mostram uma ligeira elevação, são macias e arredondadas, só são sentidas com pressão. O perfil das apófises transversas é arredondado encontrando-se bem coberto, sendo necessária uma firme pressão para sentir os seus bordos. O espaço entre as apófises transversas e espinhosas está cheio. O músculo Longissimus thoracis et lumborum apresenta-se cheio com moderada cobertura de TA subcutâneo.

Região esternal: É difícil localizar o TA subcutâneo esternal devido à sua espessura. Este encontra-se misturado com as massas de TA e músculo que cobrem as articulações condroesternais e as costelas.

Região esternal: O TA subcutâneo esternal pode ser distinguido muito facilmente; é espesso e pouco móvel. É difícil de destacar devido às massas de tecido (TA e músculo) pelas quais é rodeado. É necessário uma palpação forte para notar as articulações condroesternais.

54 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

Região esternal: O TA subcutâneo esternal não pode ser identificado nem localizado. Uma espessa massa de tecido, que cobre igualmente o esterno e as costelas, é sentida entre os dedos.

FIGURA 6 Imagens ilustrativas da região lombar e da região esternal para um animal em CC muito gorda (adaptado de Russel et al., 1969; Santucci et al., 1991; Detweiler et al., 2008).

FIGURA 5 Imagens ilustrativas da região lombar e da região esternal para um animal em CC gorda (adaptado de Russel et al., 1969; Santucci et al., 1991; Detweiler et al., 2008).


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

avaliação da condição corporal

Bibliografia:

A avaliação da condição corporal deve ser aplicada num controlo mensal do rebanho, no entanto, durante a cobrição, o intervalo deve ser encurtado para 21 dias (Santucci et al., 1991), assim como próximo do parto, pois a variação da condição corporal nestes períodos é mais rápida (Morand-Fehr et al., 1989). A frequência de avaliação deve estar de acordo com os objetivos do criador, podendo ser limitada aos períodos chave do ciclo produtivo: após 15 dias de lactação; após 45 dias de lactação; após a secagem; durante a colocação em pastoreio; antes do período de cobrição.

Anzuino, K., Bell, N.J., Bazeley, K.J. & Nicol, C.J. 2010. Assessment of welfare on 24 commercial UK dairy goat farms based on direct observations. Vet. Record., 167:774-780. Delfa, R., Teixeira, A. & ColomerRocher, F. 1989. A note on the use of a lumbar joint as a predictor of bodydepots in Aragonesa ewes with different body condition scores. Anim. Prod., 49:327-329.

Número de animais a avaliar O número de animais a avaliar depende do conhecimento que se tem do rebanho. Quando o criador conhece a condição corporal média do rebanho, a sua avaliação deve efetuar-se por amostragem de 10 a 20% dos animais. Esta amostra do rebanho deverá ser representativa quanto à idade, quanto ao nível produtivo e quanto ao formato dos animais (Morand-Fehr et al., 1989).

Detweiler, G., Gipson, T., Merkel, R.C., Goetsch, A. & Sahlu, T. 2008. Body Condition Scores in Goats. in Proc. 23rd Ann. Goat Field Day, Langston University, Langston, OK, 127-133.

Aplicação e limites do método de avaliação da condição corporal Por ser subjetivo, a avaliação das reservas corporais de TA pelo método da notação da condição corporal depende em grande medida da experiência e nível de treino do operador. Inclusive da sua experiência de avaliação das reservas corporais de outras espécies e raças. Uma forma de contornar a subjetividade do método da notação da condição corporal consiste na utilização de métodos objetivos como a ecografia (Silva, 2013). A ecografia, embora muito promissora para a avaliação das reservas corporais de caprinos, não se enquadra na realidade das explorações pecuárias e dos sistemas de produção de caprinos, uma vez que apresenta custos elevados e tem necessidades de equipamento e conhecimento muito específico, o que limita a sua utilização às condições de campo. Assim, o método de avaliação das reservas corporais por palpação é um método de aplicação simples e de custo reduzido o que o torna atrativo para aplicação prática em produção. Com um bom processo de treino inicial e com experiência, a notação da condição corporal é um método capaz de ser posto em prática por qualquer operador em trabalho de rotina nas explorações.

No entanto, para a avaliação da condição corporal como indicador geral de bemestar animal nas explorações, o método de palpação não é exequível, uma vez que implicaria a contenção de um elevado número de animais. O mesmo se pode dizer para uma apreciação global da adequação do plano nutricional, detetando precocemente oscilações perigosas da CC. Desta forma, o projeto AWIN (Faculdade de Medicina Veterinária - Universidade de Lisboa, em colaboração com o Instituto Superior Técnico – Universidade de Lisboa e Escola Superior Agrária – Instituto Politécnico de Viseu) encontra-se a desenvolver uma escala de avaliação visual da condição corporal para identificar os animais em condição corporal extrema nas explorações. Esta escala não pretende ser um sistema substituto do método de palpação, uma vez que é de reduzida sensibilidade, mas apenas um primeiro filtro de análise da problemática nas explorações, sendo importante para determinar estratégias de amostragem. O método desenvolvido pela equipa AWIN baseia-se assim na observação à distância de uma determinada zona da cabra que mostrou uma elevada correlação com a avaliação da condição corporal por palpação; e foi determinada recorrendo a métodos de computer vision.

Ferrante, V., Battini, M., Caslini, C., Grosso, L., Mantova, E., Noè, L., Barbieri, S. & Mattiello S. 2012. Presence of abscesses as a welfare indicator in dairy goats. Proceedings of 46th Congress of International Society of Applied Ethology, Wien (Austria), July 31st-August 4th. Morand-Fehr, P., Hervieu, J. & Santucci, P. 1989. Notation de l’état corporel: A vos stylos! La Chèvre, 175: 39-42. Russel, A.J.F., Doney, J.M. & Gunn, R. G. 1969. Subjective assessment of body fat in live sheep. J. Agric. Sci., Camb., 72: 451-454. Santucci, P., Branca, A., Napoleone, M., Bouche, R., Aumont, G., Poisot, F. & Alexandre, G. 1991. Body condition scoring of goats in extensive conditions. In Goat nutrition. Ed Morand Fehr. Pudoc Weningem, pp.240-255. Silva, S.R. 2013. Avaliação da condição corporal em ovinos: Utilização dos métodos de notação e da ultrassonografia em tempo real. I Workshop de Reprodução em Ruminantes organizado pela AEMV-UTAD, 5 e 6 de outubro, Vila Real. 14pp. Smith, M. & Sherman, D. 2009. Goat Medicine. 2ª ed. WileyBlackwell. Iowa, USA.

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 55


saúde animal

Dário Guerreiro Médico Veterinário dario_guerreiro@hotmail.com

José Leitão estagiário finalista de medicina veterinária

FIGURA 1 Aborto em vaca cruzada de carne.

Febre Q doença que pode afetar a produtividade da exploração Os problemas de infertilidade são uma preocupação constante dos produtores e médicos veterinários, de forma a minimizar os prejuízos e quebras de rendimento que eles acarretam. De entre as causas infeciosas destes problemas, a febre Q é aquela que, embora não constitua novidade, tem motivado mais alertas nas publicações científicas na área dos ruminantes. Interessa pois desmistificar a doença e abordá-la diretamente no sentido da prevenção/controlo, caso a tenhamos na nossa exploração. A febre Q é uma doença infeciosa e altamente contagiosa, causada pelo patogénio intracelular Coxiella burnetii, tendo uma distribuição mundial, à exceção da Nova Zelândia, e que afeta um elevado número de animais domésticos e selvagens, bem como

56 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

seres humanos. A bactéria pode ser eliminada por estes animais nas fezes, urina, leite, e nos materiais que restam do parto. Os animais que possuem este microrganismo e o eliminam, normalmente não evidenciam quaisquer sinais de doença. Esta patologia poderá ser assintomática. Contudo, os sinais clínicos que ocorrem nos animais infetados são principalmente ao nível do sistema reprodutivo, como por exemplo infertilidade, metrite, mastite, placentite em caso de aborto, abortos esporádicos ou surtos de aborto, morte ou nascimento de vitelos prematuros, que recuperam sem outras


saúde animal

complicações. Já foram igualmente registados casos de retenção placentária durante um ou dois dias. Os microrganismos alojam-se principalmente nas glândulas mamárias, no útero, no feto, na placenta e nos gânglios linfáticos, pelo que a infeção pode-se transmitir através do contacto com fluidos corporais ou secreções, nomeadamente leite, urina, fezes ou produtos de parto (líquido amniótico, placenta) de animais infetados. Isso pode ocorrer por contacto direto, por via oral, ou através do contacto indireto com materiais contaminados, os fómites. Estas bactérias são muito resistentes ao meio ambiente e podem sobreviver por longos períodos de tempo, o que pode levar a uma infeção por inalação (aerossol) das bactérias que estão nos estábulos. As carraças,

F IGURA 2 Vaginoscopia em vaca com endometrite.

principal vetor de propagação, também podem ser responsáveis por espalhar a infeção entre os animais. A transmissão para seres humanos ocorre pela inalação de aerossóis ou por ingestão de leite não pasteurizado. A Coxiella burnetti pode ser detetada através de testes serológicos, como por exemplo por ELISA, imunofluorescência indireta ou fixação do complemento. Os materiais analisados poderão ser descargas vaginais, placenta, leite, urina, fezes, fluidos placentários ou até mesmo fetos abortados (fígado, pulmão ou conteúdo do estômago). A profilaxia desta doença pode ser efetuada através de implementação de medidas de biossegurança, por profilaxia médica com antibióticos ou pela vacina que já está

FIGURA 3 Metrite em vaca leiteira (pormenor de muco purulento no espéculo vaginal).

FIGURA 5 Abortos em exploração leiteira.

disponível em Portugal. Como medidas de biossegurança, devem-se manter os animais prenhos separados do resto do rebanho, e queimar ou enterrar os abortos restantes ou todo o tipo de materiais de parto, designadamente a placenta. Dever-se-á efetuar a quarentena de animais que possam estar infetados. A utilização de antibióticos pode reduzir, ou mesmo suprimir, os sintomas, porém não eliminam a infeção. A vacina fase I é eficiente na redução de casos de metrite, repeat breeding e aborto, quando administrada em bovinos. Esta deve ser usada com o intuito de controlar e reduzir a contaminação ambiental, por forma a diminuir o risco de transmissão ao homem. Assim, é importante o produtor e o seu médico veterinário estarem atentos a esta doença que pode afetar a produtividade da sua exploração e, se for esse o caso, possam tomar medidas médicosanitárias necessárias para minimizar este problema.

FIGURA 4 Vaginoscopia - Exame indicado para despistes de metrites e endometrites

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 57


saúde animal

Controlo da mastite

por coliformes A mastite por coliformes é causada por uma vasta gama de diferentes bactérias gram-negativas, sendo a mais comum a Escherichia coli, mas também, entre outras, a Klebsiella spp e a Serratia spp. por departamento técnico Hipra

Normalmente, a infeção origina apenas um ligeiro caso de mastite clínica, embora, por vezes, especialmente no início da lactação e quando as vacas estão com problemas metabólicos, pode ocorrer uma vertente mais grave da doença. Nos casos graves, as vacas podem sofrer de choque “tóxico”, ficarem caídas e podem morrer. Esta apresentação tornou-se normalmente associada à mastite por coliformes; no entanto, é importante não esquecer que embora uma vaca doente com mastite esteja provavelmente afetada por um organismo coliforme, a maioria dos casos de coliformes não originam mastite tóxica. Embora, historicamente, a mastite clínica por coliformes tenha sido assumida como

ocorrendo pouco tempo após a infeção, as investigações mais recentes demonstraram que as infeções intramamárias por coliformes são adquiridas durante o ciclo de lactação. Na realidade, o início e o fim do período seco são os momentos de mais alto risco de nova infeção em muitas manadas e estas infeções podem chegar a causar doença clínica na lactação posterior.

controlo da mastite O controlo da mastite por coliformes é uma questão essencial em muitas explorações leiteiras. Embora o alojamento no inverno possa

FIGURA 1 Uma apresentação clássica da mastite clínica por coliformes.

ser complicado em zonas temperadas, as temperaturas mais elevadas e a humidade nos meses de verão também podem apresentar os seus próprios desafios. Embora as condições ambientais afetem o nível de possibilidade de infeção diária, nos meses de verão, o stress do calor também pode ter um efeito significativo no consumo de alimentos, no equilíbrio energético e na “saúde” geral da vaca em, conduzindo a um aumento da gravidade, bem como da incidência da doença.

Duas vertentes Qualquer abordagem ao controlo da mastite por coliformes tem de tomar a forma de uma abordagem com duas vertentes. Primeiro, o produtor tem de centrar-se em minimizar o risco de infeção intramamária, mas apesar dos melhores esforços, algumas vacas irão inevitavelmente ser infetadas e, nestes animais, é importante mitigar o impacto e a gravidade da doença. A minimização do risco de infeção intramamária tem de centrar-se na redução da possibilidade decorrente do ambiente e na melhoria das próprias defesas da vaca. A redução da possibilidade de infeção é certamente a forma mais eficaz de reduzir o risco de infeção intramamária e é conseguida garantindo um ambiente seco, limpo e bem ventilado, durante o

58 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

ciclo de lactação ao longo do ano. A manutenção das camas, varrer frequentemente as estabulações e os corredores, bem como uma área de exercício adequada são essenciais para o sucesso. A manutenção da sala de ordenha e uma boa rotina antes da ordenha desempenham um papel importante, minimizando o risco de oportunidade de infeção durante o processo de ordenha. Nos últimos anos, a nossa abordagem para melhorar as próprias defesas da vaca centrou-se na minimização do risco de infeção durante o período seco. Os tratamentos das vacas secas com antibióticos de amplo espetro e de ação prolongada e os selantes internos de tetos foram comprovados como sendo eficazes para a redução do risco de infeção intramamária no parto e de mastite clínica na lactação posterior. Por outro lado, a mitigação do impacto da infeção tem de centrar-se em garantir uma vaca “em boa forma” e saudável para responder aos desafios intramamários. Isto pode ser conseguido, em parte, minimizando o equilíbrio energético negativo e garantindo níveis adequados de micronutrientes chave, tais como a vitamina E e o selénio. O potencial papel da vacinação é debatido em mais detalhe a seguir.


Rompa com o passado:

VACINE!

Agora já pode vacinar para evitar a mastite

Consulte o seu Médico-veterinário.

HIPRA PORTUGAL Arbuset Produtos Farmacêuticos e Sanitários de Uso Animal, Lda. Portela de Mafra e Fontaínha Abrunheira 2665 - 191 Malveira PORTUGAL Tel.: (+351) 219 663 450 Fax: (+351) 219 663 459 portugal@hipra.com www.hipra.com


saúde animal

Desenho do estudo Foi recrutado um total de 3.130 vacas em sete manadas, no sudoeste do Reino Unido. O tamanho das manadas variava entre as 190 e as 581 vacas e as produções de leite aos 305 dias situavam-se entre os 8.500 e os 10.500 litros. Antes do estudo, as CCS do tanque de leite foram calculadas como situando-se entre 190 e 350 x103 células/ ml e as incidências de mastite clínica eram entre 36 e 149 casos de mastite clínica/100 vacas/ano. Dentro de cada manada, as vacas eram distribuídas para não receberem vacinação (grupo de controlo), receberem vacinação segundo o protocolo de registo (grupo de registo) ou receberem vacinação de 90 em 90 dias no

seguimento de um protoloco de vacinação inicial (grupo varrimento). Para fins de análise da eficácia da vacina, foram avaliadas a incidência de mastite clínica, a gravidade da mastite clínica e a produção das vacas nos primeiros 120 dias de lactação.

O impacto da vacinação Embora, globalmente, a taxa de mastite clínica tenha sido inferior no grupo de vacinação de registo, não houve uma diferença significativa nas taxas de mastite entre os grupos de tratamento. Nenhuma das vacas dos grupos vacinados abandonou a manada devido a mastite tóxica e, embora tenham sido refugadas menos vacas devido a mastite no grupo

Sem vacinação Atribuição de grupo

0,56

Varrimento Registo Sem vacinação inicialmente

Início da vacinação 45 dias antes do parto, depois 10 dias antes do parto e 52 dias depois do parto

FIGURA 2 Ilustração da aleatorização dentro da manada.

60 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

Proporção de casos

0,48

a

0,46

b

0,44 0,42

Sem vacinação

Rótulo

Rolante

Apenas sinais no leite Sinais no úbere e sistémicos

GRÁFICO 2 Houve uma tendência de menor refugo nas vacas vacinadas. 1 0,995 0,990 0,985 0,980 0,975 0,970 0,965 0,960 0

10

20

30

40

50

60

70

80

90

100

110

120

Dias em leite Registo

Sem vacinação

A análise da produção nos 120 dias de lactação revelou que as vacas no grupo de registo produziram mais 231 (IC de 95% 104 - 357) litros de leite do que as vacas não vacinadas. De forma idêntica, a produção de matéria seca do leite nas vacas do grupo de registo foi mais elevada.

CONCLUSÕES Vacinação imediata D0, D28, D90 e de 90 em 90 dias a partir daí

0,52 0,50

0,40

Controlo

Atribuição de grupo

a.b

0,54

A abordagem à mastite por coliformes é necessariamente complexa. A vacinação tem um papel a desempenhar na mitigação do impacto da mastite por coliformes e, com base na investigação do Reino Unido, é provável que tenha efeitos benéficos significativos na produtividade das vacas no início da lactação.

Varrimento

GRÁFICO 3 A vacinação originou um aumento da produção. 6000

Rendimento de leite (l)

As vacinas contra a mastite por coliformes estão disponíveis há mais de 20 anos, mas só recentemente ficaram disponíveis na União Europeia. Está registada uma vacina polivalente contra a mastite, que oferece proteção contra coliformes e Staphylococcal spp. Estudos de registo relativamente pequenos demonstraram a eficácia do produto, mas um recente estudo de campo de grandes dimensões no Reino Unido investigou o uso no campo com os protocolos de vacinação de registo e a “varrer”.

Função de sobrevivência

O papel da vacinação no controlo da mastite por coliformes

GRÁFICO 1 A vacinação originou uma redução da gravidade da mastite.

de vacinação de registo, a diferença não foi significativa. No entanto, a análise da gravidade da mastite clínica demonstrou claramente que a mastite clínica era significativamente menos grave nas vacas do grupo de registo (OR 0,58 (IC de 95% 0,35-0,98)) em comparação com as vacas não vacinadas, tendo cada vacinação adicional sido também associada a uma probabilidade menor de sinais clínicos graves (OR 0,87 (IC de 95% 0,77-0,98)).

5500 5000

a

b

a.b

4500 4000 3500 3000

Não Protocolo vacinadas de Registo

Protocolo Varrimento

Andrew J Bradley MA VetMB DCHP DipECBHM PhD MRCVS RCVS Reconhecido especialista em Saúde Bovina e Produção, e Especialista Europeu em Gestão de Saúde Bovina


SAÚDE E bem estar animal

A SANOFI COMPANY

A Descorna POR José Miguel Lopes Jorge, Merial Portuguesa - Saúde Animal, Lda lopes.jorge@merial.com

Avaliação do desconforto com base no doseamento do cortisol plasmático O cortisol constitui um marcador precoce e muito sensível do desconforto. Aquando da secção com a descornadora a frio, ocorre um primeiro pico de cortisol quase imediato, ligado à operação em si (desconforto agudo). A este segue-se um segundo pico cerca de três horas mais tarde (desconforto ligado à inflamação). Um ensaio realizado na Nova Zelândia mostrou que uma anestesia local, relativamente eficaz sobre o desconforto imediato, não atua para além das três horas e que a

30

Cortisol plasmático (ng ml-l)

Avaliação do desconforto do animal através de sinais comportamentais Posteriormente ao momento da descorna com ferro quente, o desconforto persistente pode ser avaliado por critérios comportamentais, como a frequência do batimento das orelhas, esfregar ou abanar a cabeça. Com base nestes critérios, um ensaio conduzido no Canadá demonstrou que a administração de um AINE adicionalmente à anestesia local tem um efeito significativamente benéfico durante as 24 horas que se seguem à descorna (gráficos 2 e 3).

Impacto na produtividade

gráfico 1

20

10

0

-10 1

Descoma

3

Descoma + anestesia local

6

Horas

Descoma + anestesia local + AINE

Atualmente, é de conhecimento generalizado que o desconforto animal pode originar diminuição de produtividade. Esta premissa verificou-se no ensaio canadiano, no qual o grupo tratado com um AINE adicionalmente à anestesia local obteve um ganho de peso superior ao do lote testemunha, no qual só foi realizada anestesia local (gráfico 4).

GRÁFICO 2 Abanões da cabeça (n.º)

administração de um AINE, associado à anestesia local no momento da descorna, permite uma diminuição do primeiro pico de cortisol, sensivelmente maior do que apenas a anestesia local, e adicionalmente controla o desconforto do animal na segunda fase, quando a anestesia local perdeu o efeito (gráfico 1).

20

10

0 1

2

3

4

6

8

12

24

Hora de observação após a descorna

GRÁFICO 3 Batimentos das orelhas (n.º)

O conhecimento médicoveterinário atual evidência que a utilização, adicional à anestesia local, de antiinflamatórios não esteróides (AINEs) é benéfica na redução do desconforto e da dor, permitindo uma recuperação mais rápida dos animais e diminui o impacto negativo na sua produtividade.

30

20

10

0 1

2

3

4

6

8

12

24

Hora de observação após a descorna Anestesia local Anestesia local + AINE

GRÁFICO 4 Kg 1,5

p = 0,07 1,2 Ganho de peso

A descorna constitui, na maior parte dos efetivos, um ganho em matéria de segurança não só para o produtor mas também para a maioria dos animais, limitando grandemente os fenómenos de dominância e diminuindo os riscos de ferimentos. Esta operação é efetuada nos vitelos cauterizando os botões corneanos ou, nos animais mais velhos, através da secção dos cornos. Em todos os casos, a descorna que no final pode ser uma fonte de conforto para o produtor e para o efetivo, é uma fonte inegável de desconforto para o animal no momento da sua execução. Para diminuir o stresse, é conveniente efectuar a anestesia local, a qual é obrigatória na Grã-Bretanha e é recomendada em vários países. Contudo a anestesia local tem um efeito analgésico relativamente curto, não conseguindo modelar a reação inflamatória e a dor que pode persistir, por exemplo, até 6 horas após a intervenção de descorna com ferro quente.

1

0,5

0,2 0

Anestesia local

Anestesia local + AINE

Bibliografia “Effects of regional analgesia and/ or a non-steroidal anti-inflammatory analgesic on the acute cortisol response to dehorning in calves” C.M. McMeekan, K.J. Stafford, D.J. Mellor, R.ª Bruce, N.G. Gregory. Res. Vet Science 1998. 64 “Reducing pain after dehorning in dairy calves” P.M. Faulkner, D.M. Weary. Journal of Animal Science. 2002. 80:4

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 61


saúde animal

Ana Rita Simões Médica veterinária, coordenadora e executora do OPP Campo Branco e clínica de espécies pecuárias simoes.ar@gmail.com

Tremor

Epizoótico (TE) ou Scrapie O Tremor Epizoótico (TE) ou Scrapie é uma doença degenerativa do sistema nervoso central conhecida há mais de 250 anos em muitos países da Europa, que afeta ovinos e caprinos. Faz parte do grupo das Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis (EET), onde está incluída a conhecida “doença das vacas loucas”. Por ruminantes

provavelmente através de placentas infetadas. Na forma atípica os sinais que podem surgir são: marcha anormal, incoordenação motora, alteração do comportamento, perda de condição corporal, raramente se observa prurido. Por vezes, os sinais passam despercebidos, sendo os animais detetados no decurso da vigilância ativa. Até ao momento não estão descritos quaisquer casos de transmissão da doença ao Homem.

Qual a origem desta doença? A causa desta doença está associada a uma proteína infetante denominada prião (PrP - Proteína Priónica). Permanece ainda desconhecida a natureza molecular e bioquímica que está na origem da mutação da proteína normal em partícula “anormal”. Esta é muito resistente aos agentes químicos, físicos, assim como, às radiações ionizantes e ultravioletas.. Em que formas existe? Como se manifesta e transmite? Existem duas formas da doença: o TE clássico e o TE

Atípico. A grande diferença entre as duas é que a forma clássica afeta principalmente animais entre os 2 e os 5 anos e vários animais do rebanho, enquanto a forma atípica surge em um ou dois animais do rebanho com mais de 5 anos. Os principais sinais clínicos do TE Clássico são os seguintes: perda de condição corporal, prurido, resposta ao toque e à fricção ao longo da coluna vertebral, alteração de postura, da locomoção, do comportamento e hiperestesia. Pode ser transmitida das ovelhas para os borregos através do leite ou do colostro, e por transmissão horizontal,

62 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

Quais as medidas profiláticas? Em 2003, de acordo com os regulamentos comunitários, estabeleceu-se um programa de vigilância epidemiológica que se divide em vigilância passiva, na qual são avaliadas laboratorialmente os animais que manifestam sintomas e a vigilância ativa, onde são testados os animais com mais de 18 meses que são abatidos para consumo humano e os que morrem na exploração com mais de 18 meses que são recolhidos pelo Sirca [1]. Os 16 pequenos ruminantes com sinais clínicos suspeitos (Vigilância Passiva) entre 2003 e 2010 revelaram resultados laboratoriais negativos (fonte DGAV). O mesmo já não

aconteceu com a vigilância ativa. O número de casos positivos foi crescendo ao longo dos anos, sendo a forma atípica a predominante. Os primeiros casos de TE clássico só foram diagnosticados em 2008 (fonte DGAV). Em caso de aparecimento, qual o protocolo a cumprir? Quando é confirmada uma situação de TE, a exploração fica sob vigilância intensiva durante um período de dois anos que consiste em identificar eletronicamente todo o efetivo existente e na obrigatoriedade de testar todos os animais com mais e 18 meses abatidos para consumo e mortos na exploração, recolhidos pelo Sirca. Até há pouco tempo estas explorações estavam sujeitas a um conjunto de restrições de movimentação, no entanto, com a entrada em vigor do regulamento (CE) n.º 630/2013 da Comissão de 28 de Junho, os animais já podem circular para engorda, matadouro e reprodução. O produtor tem de manter um registo atualizado de toda a movimentação animal que será sujeita a um controlo semestral por parte dos serviços oficiais. É ainda obrigatória a inscrição na declaração IRCA da menção


saúde animal

FIGURA 1 Forma TE Clássico: Hiperestesia

FIGURA 2 Forma TE Clássico: Prurido e alteração do comportamento e locomoção.

FIGURA 3 Forma TE Atípica : incoordenação motora.

“Exploração sob vigilância ao tremor epizoótico”, que deve ser enviada ao matadouro de destino dos animais com 24 horas de antecedência.

da movimentação animal, às dificuldades no preenchimento dos registos dos animais e à identificação usada nos pequenos ruminantes, a marca auricular, a qual por vezes não permite uma rastreabilidade dos animais. Porém, com a entrada deste novo regulamento, assim como a identificação eletrónica nos pequenos ruminantes, o controlo da movimentação animal (idigital) e a obrigatoriedade na qualidade dos registo de existências dos ovinos e caprinos, estes programas de vigilância do TE passaram, na minha opinião, a ser encarados pelos nossos produtores de uma forma mais positiva.

Qual o ponto de situação da TE na região onde exerce a sua atividade profissional? A maioria dos casos de positividade concentra-se no Alentejo, uma vez que é a região do país com um número mais elevado de pequenos ruminantes. A região do Alentejo onde exerço a minha atividade profissional, abrangendo os concelhos de Castro Verde, Ourique, Almodôvar e Aljustrel, tem apresentado um elevado número de focos. Ao longo destes anos, tenho acompanhado bem de perto o descontentamento dos produtores resultantes dos condicionalismos daí decorrentes. Os principais motivos desta insatisfação devem-se principalmente à morosidade nos levantamentos dos sequestros, às restrições

Nota: [1] Sistema de Recolha de Cadáveres de Animais Mortos na Exploração.

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 63


entrevista

VI Jornadas HVME A Ruminantes entrevistou Nuno Vicentes Prates e Marta Murta, veterinários no Hospital da Muralha, acerca das Jornadas. por ruminantes

Nuno Vicente Prates Medico Veterinário, Clínica de Animais de Produção e Espécies Silvestres, Proprietário do Hospital da Muralha

Marta Murta Medico Veterinário, Clínica de Animais de Produção, Veterinária responsável pelo Núcleo de formação do Hospital da Muralha

na forma como se faz a produção pecuária, especialmente de bovinos em extensivo, nesta região, nomeadamente no desenvolvimento de protocolos profiláticos mais corretos e adaptados, e também na prática de técnicas de reprodução assistida. A reprodução assistida, com os diagnósticos de gestação, sincronização de cios e inseminação artificial em bovinos e ovinos em extensivo são temas abordados nas Jornadas, que têm trazido a Évora especialistas nestas áreas. Com isso, temos verificado uma crescente procura nestes serviços, quer da parte dos produtores, quer de médicos veterinários. Podemos orgulharnos de ter contribuído para dinamizar ainda mais esta área da reprodução. Qual o slogan para as VI Jornadas? Continuamos a apostar em temas fortes e de interesse para todos os que vêm às Jornadas. Para 2014, os temas escolhidos são “A sustentabilidade da produção pecuária no séc. XXI” e “Novas tendências na gestão desportiva e produção de equinos”.

O Hospital Veterinário Muralha de Évora (HVME) e a Equimuralha são duas entidades de referência na região de Évora, Alentejo. Para além dos serviços médico-veterinários, desenvolvem também ações de formação através do Núcleo de Formação e Desenvolvimento, criado em 2008 para esse fim, onde se realizam workshops, encontros e reuniões, e as Jornadas HVME. Ruminantes - Como tem sido a evolução das Jornadas desde o seu início, há cinco anos? HVME – Tem sido positiva, passámos de cerca de 200 participantes na 1ª edição, em 2009, para 400 na 5ª edição, em 2013. Os participantes incluem não só clientes do HVME e da Equimuralha, mas produtores, criadores, proprietários de animais de produção e cavalos, de toda a região e país, mas também médicos veterinários, enfermeiros veterinários, estudantes e curiosos nestas áreas. Temos verificado também uma evolução

Que cuidados têm na elaboração do programa tendo em conta que se trata de uma plateia com veterinários e produtores? O programa tem sempre em conta a grande variedade de formações de fundo dos nossos participantes, com temas técnicos do interesse de todos. Procuramos sempre temas que sejam fundamentais para a sustentabilidade das explorações agropecuárias, coudelarias e centros hípicos, a maximização do potencial genético dos animais nas suas várias aptidões e, em geral, o bem-estar animal. A principal preocupação é a especificidade científica das palestras, que será diferente no primeiro dia, em que as Jornadas são para o público em geral, e no segundo dia, em que existem workshops para Médicos Veterinários. Porquê um segundo dia destinado apenas a médicos veterinários? Como foi já referido, este segundo dia vem satisfazer a exigência dos Médicos Veterinários e estudantes de Medicina

64 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

Veterinária que nos acompanham, permitindo a realização de workshops com temas mais específicos e contribuindo assim para a sua formação. Estão a pensar introduzir no programa mais espécies produtivas, para além das vacas de carne e ovinos? Este ano, os temas estão definidos e não iremos introduzir temas de outras espécies pecuárias. No entanto, nas diversas reuniões que fazemos com os nossos produtores, abordamos sempre os temas que mais lhes interessam e que podem muitas vezes incluir outras espécies. Para uma próxima edição, estamos ainda a equacionar essa situação. Existe uma enorme lacuna de informação, em Portugal, relativa ao extensivo, nomeadamente no que se refere a maneio, nutrição, reprodução, tanto para criadores como para veterinários. As Jornadas têm sido uma forma de compilar e divulgar alguma da informação dispersa. Têm planeada alguma outra forma de difundir essa informação de forma mais regular? Incluídos no nosso Núcleo de Formação e Desenvolvimento, desenvolvemos também os Encontros da Muralha, onde os nossos clientes de animais de produção têm acesso a ações de formação. Essas reuniões ocorrem com frequência semestral, são de pequena duração (1 a 2 horas), normalmente no final do dia, com os temas de maior interesse. A última edição teve como tema “O Controlo Reprodutivo e Respiratório de bovinos em regime extensivo” e contou com cerca de 20 produtores. Qual a importância das parcerias desenvolvidas com os patrocinadores? Para a realização deste evento, contamos com o apoio de algumas empresas e de diversas instituições, portuguesas e espanholas, e o sucesso alcançado nestes 5 anos consecutivos de Jornadas só foi possível com o apoio de todas elas. Temos de referir os nossos Patrocinadores principais, a MSD e a Zoetis sem os quais não seria possível chegarmos à 6ª edição das Jornadas.


entrevista

FIGURA 1 João Martinho (Diretor Comercial Harker XXI) e Hélder Duarte (Sócio Gerente da Agroleite de Canha)

Italmix

na Produção de Leite Entrevista a Hélder Duarte, Sócio Gerente da Agroleite de Canha Por ruminantes

Situada em Canha no Porto Alto, a Agroleite de Canha conta com 430 vacas leiteiras em produção, cerca 300 hectares de área cultivada para produção de forragem (azevém e milho - 70 hectares), e ainda compram 100 hectares de silagem de milho. Tem uma produção diária por vaca de cerca de 34 litros. Tem um circuito fechado no negócio do leite, todo o leite que produzem é entregue e transformado na Montiqueijo, empresa do grupo e que fez agora 50 anos, vendendo 90% do leite como queijo fresco e requeijão e o resto com queijo curado. Ruminantes - Que custos tem a alimentação nesta exploração? Hélder Duarte – Os custos alimentares oscilaram este ano entre 59 a 68% dos

custos totais. Talvez existam períodos em que possam representar algo mais. Neste momento o custo médio dos vários grupos em produção é de 6.2 euros/ vaca/dia. Porque utiliza o Sistema de Mistura Total TMR – Unifeed? Porque posso controlar a qualidade, rastreabilidade e homogeneidade do alimento que os animais ingerem, não permitindo que possam escolher ingredientes do arraçoamento que vão desequilibrar a sua alimentação; por exemplo, se não comerem a quantidade de palha recomendada, isso vai afetar o transito intestinal e a absorção da quantidade de nutrientes necessários. No fundo, este sistema permite otimizar a ingestão de alimento; o pH do rúmen

66 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

permanece mais estável reduzindo os possíveis problemas metabólicos e melhorando tanto o índice de condição corporal como o rendimento reprodutivo. Porque comprou uma unidade automotriz? Pela simplicidade e rapidez do maneio do “fabrico” e distribuição do alimento para as vacas. Com o sistema de unifeed rebocado temos que ter várias máquinas envolvidas e o operador tem que sair e entrar no trator diversas vezes, perdendose muito tempo e obrigando a ter várias máquinas envolvidas nesta operação. O operador da máquina tem maior conforto e está menos exposto a acidentes. Poupa-se no gasóleo, em máquinas e otimiza-se o tempo do operador que fica mais livre para desempenhar outras tarefas.


entrevista

Que características destaca nesta máquina? Passámos de um unifeed rebocado de 16m3 sem fresa, para uma automotriz de 24m3 com fresa que permite um corte da forragem de tal forma preciso que elimina muito desperdício por entradas de ar e apodrecimento (cerca de 18.000 euros/ano, ou seja, cerca de 15%). Para realizar o trabalho desta máquina, eu precisaria de um trator de 170 cv. Outra característica importante desta máquina é a versatilidade: é compacta e tem uma distância entre eixos relativamente curta para a cubicagem, o que permite manobrar melhor. Quanto pensa poupar com este investimento? Penso que em 3 a 4 anos o investimento estará pago. Vou poupar no gasóleo, no tempo dedicado �� elaboração da alimentação para os animais, na qualidade do alimento obtido, na diminuição do desperdício na silagem e do número de máquinas envolvidas. Uma vantagem considerável é a fiabilidade nas pesagens de cada ingrediente que entra no unifeed: esta

máquina permite a gestão informática do arraçoamento, de forma que o operador recebe, no ecrã da máquina, a informação acerca das quantidades e a ordem pela qual deve carregar. A máquina regista todas as informações relativas às pesagens reais realizadas, aos parques em que foram descarregadas, bem como ao operador. Isto permite detetar e corrigir os erros de alimentação. Que investimentos está a pensar realizar no futuro próximo? Essencialmente aumentar o efetivo, o conforto animal e ampliação do estábulo da exploração. Estamos a ampliar as coberturas do estábulo e a aumentar o número de logetes individuais para as vacas, que estavam em regime de estabulação “livre” com cama de palha. A ideia é crescer até às 700 vacas em produção.

equipamento Reboque Unifeed Automotriz MATRIX ROVER JUMBO 24 M3 c/2 senfins verticais, fresa frontal e motor Iveco NEF diesel 175 cv, 6 cilindros Stage 3.

FIGURA 2 Silo com corte feito por fresa (esq.) e carregador frontal (dir.).

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 67


equipamento

FENDT APRESENTA

NOvidades para o próximo ano No renovado Fendt Forum de Marktoberdorf, na Alemanha, os responsáveis da marca apresentaram as novas picadoras que se vêm juntar à já existente Katana 65 e, as alterações realizadas nas séries 800 e 900 Vario. por ruminantes

SÉRIES 800 e 900 VARIO renovadas Em tratores, foram apresentadas as novas séries Fendt 800 e 900 Vario, que apresentam já novas motorizações compatíveis com a Fase 4 (Tier 4) que entrará em vigor no início de 2014. Para além disto oferecem também transmissões mais resistentes, hidráulicos que consomem menos energia e um sistema novo de regulação da pressão dos pneus. Os nove modelos que compõem estas duas séries vão de 220 a 280 cv para a 800 Vario e de 270 a 390 para a 900 Vario.

Novos motores

FIGURA 1 KATANA 50/65/85 as novas picadoras

KATANA 50/65/85 as novas picadoras Depois do lançamento em 2012 da Katana 65, a Fendt lança agora a Katana 85 (com 850 CV) e a Katana 50 (com 500 CV). A Katana 85 está equipada com um motor V12-MTU com uma cilindrada de 21 litros, com um radiador maior que a Katana 65, o que permite uma maior potência de refrigeração. A Fendt continua com a sua estratégia do triturador com discos em V. Com a utilização de discos individuais em forma de V que engrenam entre si

em dois cilindros sincronizados, o comprimento da ranhura do triturador aumentou para mais do dobro que a dos cilindros trituradores convencionais. Esta gama oferece um amplo número de acessórios para utilização em pastos, em campos de milho ou em plantas forrageiras para silagem. A produção da Katana 85 começará em março 2014, pelo que este ano apenas haverá apenas algumas unidades disponíveis.

68 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

Para ir de encontro à normativa sobre emissões Fase 4 (Tier 4), a Fendt adicionou melhoramentos à tecnologia SRC, adicionando-lhe um filtro “passivo” de partículas diesel (DPF). Este melhoramento, comparativamente com os outros sistemas disponíveis no mercado permite, segundo a Fendt, baixar os consumos porque dispensa a injeção de combustível adicional para a queima das partículas. A maior potência de refrigeração do motor, assim como a menor velocidade nominal de 2100 rpm (900 Vario) também contribuem, de acordo com o fabricante, para um menor consumo de combustível e de Ad Blue. Até agora, a bomba auxiliar da direção garantia a pressão constante no sistema hidráulico. Neste novo sistema, esta pressão é garantida por uma nova bomba de caudal variável que debita apenas a pressão necessária.


equipamento

Transmissão mais robusta A transmissão Vario também foi otimizada em robustez e manutenção. Um permutador de calor de maior capacidade em combinação com um sistema de refrigeração mais eficiente do óleo da transmissão permite baixar a temperatura em operação.

VarioGrip Para conseguir uma maior tração, a Fendt introduziu nestas séries, como opcional, um sistema integrado de regulação da pressão dos pneus a que chamou VarioGrip. Entre as vantagens referidas pela Fendt, destacase o facto de o operador poder alterar a pressão dos pneus em movimento, por exemplo ao mudar de uma operação em campo para condução em estrada. Esta função

é comandada a partir do terminal Variotronic do trator, podendo-se selecionar diferentes pressões para os pneus da frente e de trás.

Outros melhoramentos Incorporaram-se: um novo conceito de iluminação com faróis Bi-LED com farol de nivelamento; terminal Variotronic com novo visual mais atrativo, tipo smartphone, controlo de secção automático de até 24 secções de implementos como semeadores ou pulverizadores; novo ar condicionado com maior capacidade de refrigeração; limpa-pára-brisas com ângulo de limpeza de 300°.

TABELA 1 Série 800 e 900 Vario.

Modelo

Potência (hp)

822 Vario

220

824 Vario

240

826 Vario

260

828 Vario

280

927 Vario

270

930 Vario

300

933 Vario

330

936 Vario

360

939 Vario

390

Enfardamento inteligente A LSB 1290 iD (que significa “densidade inteligente” foi desenhada para produzir fardos até 25 % mais densos comparativamente com os das enfardadeiras de fardos gigantes convencionais. Uma evolução presente na LSB 1290 iD é o sistema de pistões Twinpact. Este sistema, que permite aumentar a densidade dos fardos, está dividido em duas partes (superior e inferior) para comprimir o fardo em duas fases distintas. Desta forma evitam-se picos de carga e não se exige potencia adicional ao trator comparativamente com uma enfardadeira LSB convencional. Outras caraterísticas incluem um mecanismo de alimentação de pré-câmara ativa, e um sistema de atadura melhorado. Esta enfardadeira estará disponível em 2014 num número limitado de unidades.

Dois conceitos num só A última inovação da Mitas chama-se PneuTrac. E consiste num conceito que consegue unificar num mesmo produto o melhor dos pneus tradicionais e dos rastos de borracha. De acordo com a Mitas, este conceito traz como vantagens relativamente aos pneus convencionais maior tração e maior deslizamento, com resultados numa diminuição dos custos de operação e num maior rendimento da cultura. A Mitas diz também que este novo produto, ainda em fase de testes, garante uma condução estável a baixa pressão, confortável e segura, sem necessidade de ajustar as pressões.

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 69


equipamento

Cornrower Produção de energia na colheita de milho grão A recuperação dos resíduos de colheita do milho para grão está a ganhar importância. A biomassa adicional daí resultante pode ser utilizada como matéria prima renovável em centrais de cogeração ou em instações de biogás, mas também nas camas ou na alimentação do gado. O Cornrower consiste num triturador que reduz os restos da colheita ao nível da frente de corte, através de facas especiais, depositando-os em paveias por meio de painéis defletores. Estas paveias formam a cama para as maçarocas de milho e resíduos de limpeza da ceifeira debulhadora. Pela primeira vez, é possível colher a partir da paveia terminada uma grande parte dos resíduos de colheita, com pouca percentagem de resíduos e sem esforço suplementar de trabalho.

Regulação automática do padrão de distribuição de um distribuidor de dois discos A empresa Rauch apresenta, com a AXMAT, a primeira solução no mundo para medir online a distribuição de fertilizante e a regulação automática de um distribuidor de adubo de discos consoante o tipo de fertilizante no depósito e a largura de trabalho pretendida. Pela primeira vez, é obtida uma grande precisão de distribuição de adubo de forma completamente autónoma, graças a sensores micro-ondas e a um sistema de regulação completamente automático no distribuidor de adubo. Um braço com micro-ondas que gira em torno do disco de distribuição do distribuidor dum espalhador de adubo de discos, regista a posição do defletor sob o defletor de adubo, e ajusta o setor de espalhamento de forma totalmente autónoma para a largura de

trabalho desejada através de um fundo de depósito rotativo e da abertura de dosagem. Durante a operação de espalhamento, o padrão de distribuição é monitorizado em contínuo e, se necessário, o ponto de descarga do adubo no disco do distribuidor é reajustado de forma totalmente autónoma. O novo ajuste completamente autónomo do distribuidor de adubo para a largura de trabalho desejada permite obter uma maior precisão relativamente à prática de regulação convencional sem necessidade de efetuar um teste de espalhamento em campo. Aumenta a eficácia do adubo, reduz as emissões e os custos de fertilização e aumenta a segurança da colheita. Os testes iniciais realizados pelo instituto francês IRSTEA confirmaram as vantagens do sistema.

Gadanheiras condicionadoras rebocadas John Deere 630/635 e 830/835 As novas gadanheiras condicionadoras John Deere 630/635 e 830/835, que vêm substituir as séries 500 e 800, estão disponíveis com larguras de trabalho de 3 a 3,5 metros, podendo-se escolher rotores de martelos ou rolos para o acondicionamento. A John Deere afirma que foram feitos significativos melhoramentos para aumentar o rendimento destes equipamentos, nomeadamente através de uma maior altura ao solo e do sistema de suspensão flutuante de novo desenho, para além de martelos pré-carregados que aumentam a capacidade e o fluxo de material..

70 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes


Ponto de encontro

!?

Anuncie* GRATUITAMENTE aqui

Vendo compro alugo

Onde os compradores e os vendedores se encontram. Envie o seu anúncio para geral@revista-ruminantes.com * Sujeito à disponibilidade do espaço existente.

Vendem-se fêmeas e machos Limousine puros certificados Se pretende iniciar uma criação Limousine escolha fêmeas e machos certificados. Só assim poderá produzir animais certificados, sinónimo de qualidade. No site da associação Limousine tem uma vasta gama de possibilidades, com os contatos de todos os criadores nacionais.

vendo Novilhas de alta Genética - Leiteiras Novilhas de raça Holstein de alta genética, Canadiana e Americana. Aceito permuta por animais jovens de 3-4 meses com valor genético. Carlos Barbosa Braga - Guimarães • M. 964 703 996 E: cab.barbosa@sapo.pt

Caprinos da Raça Murciana Criador / Selecionador - Venda permanente de machos e femas Sociedade Agro - Pecuaria do Vale Feijoal, lda. Vale de Cavalos - Alegrete - Portalegre M: 968 93 3196 E: vricardo79@hotmail.com http://socagropecvalfeijoal.blogspot.pt

Associação Criadores Limousine T: 283 322 674 • F: 283 322 684 E: associacao.limousine@sapo.pt

VENDO CHIBAS e novilhas frísias Chibas de raça Saanen e Alpina, até dez dias de vida ou desmamadas (+ - 4 meses). Novilhas Frísias com parto previsto para Janeiro/Fevereiro de 2013. Barão & Barão,Lda.

vendo Reprodutores de Raça Aberdeen Angus

COMPRO E VENDO LEITE DE OVELHA E CABRA

Só utilizamos inseminação artificial com touros muito testados das melhores linhas genéticas mundiais procurando incrementar e apurar cada vez mais as caraterísticas raciais que fazem da Raça Aberdeen Angus a mais utilizada na produção de carne em todo o mundo.

Sediada no Nordeste transmontano, compramos e vendemos leite de pequenos ruminantes Rural Futuro Estrada Nacional 221 5200-543 Santiago E: ruralfuturo@gmail.com

Nuno Tormenta Marques Guarda • M. 966 702 477 E: nunotormenta@hotmail.com

M: 917 575 606 E: geral@baraoebarao.com

vende-se Milho/ Borregos/ Forragem FORRAGENS / PALHA PRENSADA Vendo Forragens, Palha prensada paletizada, Luzerna granulada, Palha e luzerna em fardos e Festuca. Cobertura nacional.

Vendemos Milho / Borregos / Feno e Silagem de Milho / Azeite. Todos de produção própria. CASA AGRÍCOLA LOURENÇO Perais - Vila Velha de Rodão Carlos Lourenço • M: 935 360 255 E: carlosjdlourenco@gmail.com

LUÍS LEAL Beja . M: 963 511 081 • E: luisleal84@sapo.pt

Compra e venda de máquinas usadas

Mais de 2.500 tratores e equipamentos agrícolas, florestais, de jardinagem e industriais, para venda. Com fotos, caraterísticas e preço. Compre a empresas de confiança! Consulte: www.abolsamia.pt/ads-ocasion.php

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 71


conheça a lei

ALTERAÇÕES ÀS OBRIGAÇÕES FISCAIS IMPOSTAS PELO ATUAL

ORÇAMENTO DE ESTADO Drª Sofia Peixoto de Menezes, Advogada estagiária, www.fladvoga.com

Nesta edição, por considerarmos que já se encontram consolidadas as alterações ao regime do IVA para as atividades agrícolas, silvícolas ou pecuárias1 impostas pelo Orçamento de Estado para 2013, faremos um breve “apanhado” das aplicações práticas das principais novas regras. Com a alteração introduzida pelo artigo 198.º da Lei n.º 66-B/2012, de 31 de dezembro, que aprovou o Orçamento do Estado para 2013 (OE), foram estabelecidas novas regras para os contribuintes que, até aqui, estavam dispensados da obrigação da liquidação do IVA nas transmissões de bens e prestações de serviços no âmbito das atividades agrícolas, silvícolas ou pecuárias. Como tal, aos contribuintes que em 31 de dezembro de 2012 não estavam registados para efeitos fiscais no âmbito destas atividades, passou a ser obrigatória a apresentação de declaração de início de atividade ou a declaração de alterações. Importa, então, definir que contribuintes estão abrangidos, que tipo de operações/situações se enquadram e quais as suas obrigações e respetivos prazos. Vejamos. Estão obrigados à apresentação da declaração de início de atividade, se ainda não estão registados para efeitos

de IVA, os contribuintes que realizam ou pretendem realizar transmissões de bens ou prestações de serviços no âmbito das atividades agrícolas, silvícolas ou pecuárias, independentemente da sua dimensão económica, ainda que se tratem de operações com carácter acessório, com recurso à sua mão-de-obra e equipamentos. Ou, caso realizem qualquer uma daquelas atividades e as mesmas não constem dos elementos da sua declaração de início de atividade, estão obrigados a apresentar a declaração de alterações.

Transmissões de bens ou prestações de serviços abrangidos pelo novo regime Neste novo regime, encontram-se abrangidas as transmissões de bens ou prestações de serviços no âmbito das atividades agrícolas, silvícolas ou pecuárias exercidas de um modo independente, com caráter de habitualidade e que configurem uma atividade económica, designadamente, as seguintes: a. As comerciais ou industriais, meramente acessórias ou complementares daquelas que utilizem, de forma exclusiva, os produtos das próprias explorações agrícolas, silvícolas ou pecuárias; b. Caça e exploração de pastos naturais, água e outros produtos espontâneos, explorados diretamente ou por terceiros;

72 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes

c. Explorações de marinhas de sal; d. Explorações apícolas; e. Investigação e obtenção de novas variedades animais e vegetais, dependentes daquelas atividades. Assim, o exercício daquelas atividades de um modo independente e com regularidade constitui uma atividade económica sujeita a IVA. Importa ainda relevar que constituem rendimentos da categoria B do IRS os rendimentos gerados pela prática dessas atividades, os subsídios, as subvenções, bem como as ajudas da P.A.C. (Política Agrícola Comum) da União Europeia e ainda os rendimentos obtidos nos atos isolados que não resultem de uma prática previsível ou reiterada.

Prazos de apresentação das declarações Desde 1 de abril de 2013 que os contribuintes estão submetidos ao regime geral de tributação do IVA, conforme estipula o n.º 4 do já referido artigo 198.º da Lei que aprova o OE para 2013. O que significa que deveriam ter apresentado as suas declarações até dia 1 de abril do corrente ano. Para quem não cumpriu com o supra estabelecido, ou seja, não apresentou a declaração de início de atividade ou de alterações de atividade pode cumprir essa obrigação, sem qualquer penalidade, até ao dia 31 de janeiro de 2014 (prorrogação determinada


conheça a lei

por Despacho n.º 486/2013-XIX), produzindo tais declarações os seus efeitos à data da entrada em vigor do novo regime - 1 de abril de 2013. A declaração de início/alteração de atividade pode ser entregue, para quem já dispõe de senha de acesso, através do Portal das Finanças (www. portaldasfinancas.gov.pt), ou pode ainda ser entregue, presencialmente, em qualquer serviço de finanças. Com a entrega da declaração de início de atividade, a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) comunica o início de atividade à Segurança Social. Quanto ao enquadramento para efeitos de IRS, com a declaração de início de atividade o contribuinte passa a auferir rendimentos da Categoria B. Neste seguimento, em função dos elementos constantes da declaração de início de atividade, o contribuinte pode determinar o rendimento da categoria B sobre a fórmula do Regime Simplificado ou do Regime de Contabilidade Organizada, em função da soma do valor ilíquido das vendas e prestações de serviço ou outros, distinguindo-se os regimes da seguinte forma: 1. Regime Simplificado - Ficam abrangidos pelo regime simplificado os contribuintes que, no exercício da atividade, não tenham ultrapassado, no período imediatamente anterior, um montante ilíquido/bruto de rendimentos obtidos no decorrer da atividade igual ou inferior a € 150.000. 2. Regime de Contabilidade Organizada - Se por outro lado a soma dos valores for superior a € 150.000, a base/lucro tributável será apurada segundo a fórmula de determinação prevista no CIRC. Há ainda a possibilidade de os contribuintes abrangidos pelo regime simplificado poderem optar pela determinação dos rendimentos com base na contabilidade organizada, escolhendo a fórmula que resultar na base de incidência/valor tributável inferior.

do artigo 53.º do CIVA, ou reunindo essas condições, exerça a opção pela aplicação do regime normal.

Desta nossa breve exposição, dúvidas haverão, com certeza, nomeadamente no que diz respeito à prática de um ato isolado, se implica ou não a entrega de declaração de início de atividade. Vejamos então. A prática de um ato isolado não implica a entrega de declaração de início de atividade se o valor da operação for igual ou inferior a € 25.000. Logo, a contrário, se o valor da operação for superior a € 25.000, deve ser entregue a declaração de início de atividade nos termos já referidos. E não esquecer que terá que liquidar o IVA sobre o valor do ato isolado e que este deve ser englobado na declaração de IRS. Por falar em IVA a liquidar, passamos a destacar o regime de IVA aplicável, dando especial atenção ao que pode beneficiar o contribuinte, ou seja, ao regime de isenção previsto no artigo 53.º do CIVA. Segundo este disposto legal, o contribuinte fica isento de liquidar IVA se reunir, cumulativamente, os seguintes requisitos: • Não possua, nem seja obrigado a possuir contabilidade organizada, para efeitos de IRS; • Não pratique operações de importação, exportação ou atividades conexas; • Não efetue transmissões de bens ou prestações de serviços previstas no anexo E do CIVA (Lista dos bens e serviços do setor de desperdícios, resíduos e sucatas recicláveis); • Não indique um volume de negócios, para o ano civil, superior a € 10.000. Na prática significa que, se ficar enquadrado no regime especial de isenção, ao abrigo do artigo 53.º do CIVA, não liquidará IVA nas prestações de serviços e/ou transmissões de bens mas, em contrapartida, não terá direito à dedução do IVA suportado nas aquisições de bens e/ou serviços. Por exclusão, ficam enquadrados no regime normal, quando reúnam os seguintes requisitos: • Não preencha qualquer dos requisitos

Assim, se ficar enquadrado no regime normal, liquidará o IVA nas transmissões de bens e nas prestações de serviços, podendo exercer o direito à dedução do IVA suportado nas aquisições de bens ou serviços inerentes ao exercício da atividade, com exclusão das previstas no artigo 21.º do CIVA.

Por último elencamos as obrigações decorrentes do enquadramento de regime de IVA aplicável: No Regime Especial de Isenção, deve comunicar à AT, até dia 25 de cada mês, as faturas emitidas no mês anterior, ficando dispensado das demais obrigações decorrentes do Código do IVA. No Regime Normal de Tributação, para além do dever de comunicar à AT as faturas emitidas no mês anterior, é obrigatório liquidar o IVA nas operações que realiza, pagar o IVA apurado na declaração periódica (o pagamento é efetuado no prazo da entrega da declaração periódica), emitir fatura, fatura-recibo ou fatura simplificada, e ser titular de caixa postal eletrónica da qual deve dar conhecimento à AT no prazo de 30 dias a contar da data do início de atividade ou da data do início do enquadramento no regime normal do IVA, quando o mesmo ocorra por alteração. Não podemos deixar de aconselhar a consulta a um Técnico de Contabilidade para melhor aplicação prática desta nossa breve exposição e também poder vir a beneficiar de uma gestão contabilística economicamente mais favorável. 1 Para feito do novo regime, consideram-se atividades agrícolas, silvícolas ou pecuárias as atividades elencadas no n.º 4 do artigo 4.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (CIRS), nas condições dos n.ºs 2 e 3 do mesmo artigo e do artigo 2.º do Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado (CIVA).

ruminantes janeiro . fevereiro . março 2014 73


Não deixe de...

FEIRAS FIMA

11 a 15 de fevereiro 2014 Saragoça – Espanha www.feriazaragoza.es/fima_agricola.aspx

formação 6as Jornadas Hospital Veterinário Muralha de Évora 21 e 22 fevereiro de 2014 - Évora A iniciativa, que na sua última edição teve uma participação que superou os 400 participantes, destina-se à comunidade em geral, a produtores, criadores, proprietários de animais de produção e cavalos, mas também a médicos veterinários e estudantes. As Jornadas do Hospital Veterinário Muralha de Évora são atualmente uma referência a nível nacional para todos aqueles que estão ligados às áreas de produção pecuária e de equinos. Reflexo deste sucesso foram as empresas que apoiaram as jornadas na sua 5ª edição, cujo número, e apesar da crise que vivemos, superou aquele das edições anteriores. Os temas escolhidos para a 6ª edição das Jornadas do HVME são: • A sustentabilidade da produção pecuária no século XXI. • Novas tendências na gestão desportiva e produção de equinos. Mais informações: www.hvetmuralha.pt

AgriShow

28 de abril a 2 maio de 2014 Ribeirão Preto – S. Paulo - Brasil www.agrishow.com.br/pt-br

Livestock Event 2 e 3 julho de 2014 Birmingham – Ingaterra www.livestockevent.co.uk

World Dairy Expo “Designer Dairy”

30 de setembro a 4 outubro de 2014 Madison - USA www.worlddairyexpo.com

Eurotier

11 a 14 novembro de 2014 Hanover – Alemanha www.eurotier.com

74 janeiro . fevereiro . março 2014 Ruminantes



Ruminantes12