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EDITORIAL

Comunicar

“A forma de inteligência mais importante e mais bem paga nos Estados Unidos é a inteligência social, a capacidade de conviver bem com outras pessoas. Cerca de 85 por cento do sucesso na vida de uma pessoa é determinado pelas suas capacidades sociais, e pela sua capacidade de interagir de forma positiva e eficaz com os outros”.

Brian Tracy, presidente e CEO da Brian Tracy International, empresa especializada na formação e desenvolvimento de pessoas e organizações.

Os recursos humanos são, sem dúvida, um dos principais fatores de rentabilidade de qualquer negócio. Hoje, e sobretudo desde que as regras da globalização tornaram mais homogénea a qualidade dos produtos em geral, a vantagem competitiva das empresas, ou seja, aquilo que as diferencia, são cada vez mais as pessoas que nelas trabalham. Acontece da mesma forma nas empresas de produção de leite ou de carne: tão importante como o potencial genético, o programa alimentar, o maneio, a saúde animal ou as instalações, são as pessoas que dele tiram o seu sustento, sejam familiares ou contratados. Por isso, uma atenção constante aos recursos humanos é fundamental, não apenas com o objetivo de melhorar os resultados da empresa, como também por forma a evitar conflitos que, mais cedo ou mais tarde acabam por surgir.

Uma grande parte dos problemas com o pessoal acontece quando a comunicação se faz de uma maneira ineficaz, normalmente por falta de conhecimento, de experiência, ou de vontade de quem “comanda as operações”. Quando existe falta de clareza nas diretrizes,

nas observações ou nas críticas, situações facilmente contornáveis podem ganhar proporções mais difíceis de resolver. A clareza da comunicação é fundamental. Mas é preciso ir mais longe: fazer com que todas as pessoas que trabalham no negócio se sintam empenhadas e responsáveis pelo rumo do mesmo. E isso só se consegue quando se permite que cada uma delas perceba que o seu papel é fundamental na função que desempenha. Envolver os colaboradores na procura de soluções para problemas detetados, pedir e ouvir interessadamente a sua contribuição para melhorar alguns aspetos do negócio, e procurar compreender os seus pontos de vista, são pontos de partida importantes. O tema das relações humanas e laborais é vasto e talvez o mais complexo. Há que cuidar dele tão bem ou melhor do que qualquer outro e ter em conta que o sucesso de uma boa equipa não passa somente por uma retribuição financeira justa mas por muitos outros procedimentos, alguns dos quais sempre possíveis de serem melhorados... Francisca Gusmão

Ruminantes • abril | maio | junho • 2013

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ÍNDICE

FICHA TÉCNICA

ATUALIDADES Avanços na nutrição, em debate na Alltech................6 Zoetis: controlo do parasitismo em ruminantes ..........6 O mercado da carne bovina........................................8 Zoetis em exclusivo na saúde animal.......................12 Conferência anual do Conselho Português do Úbere..................................13 Lallemand Animal Nutrition tem novo diretor de Aditivos para Forragens ............................................13 Jornadas veterinárias................................................28 Viagem de estudo à Califórnia..................................30 Alltech Young Scientist 2012.....................................43 Espanha: entregas de leite de ovelha e cabra .........55 Pássaros “ladrões” de rações ...................................55

Krone: nova enfardadeira Comprima V 180 XC .......70 Polaris: novo XP 900 New Holland: boa performance em 2012 Manitou: MLT 629 em estreia absoluta.....................71 Deutz-Fahr: a nova Série 5.......................................71

Calendário de feiras ..................................................74

OPINIÃO Filosofando em Muês................................................42

PRODUÇÃO

CONHEÇA A LEI As Sociedades Comerciais em Portugal...................72

ECONOMIA OBSERVATÓRIO Milho “the special one”..............................................38 Perspectivas do mercado leiteiro..............................40

ENTREVISTAS Crossbreeding: ganhar mais com menos despesa .................................................14 Testemunho de um produtor de luzerna ...................47

EQUIPAMENTOS Jeantil, cadeia de alimentação automatizada ...........69 New Holland: Bigbaler, segurança reforçada............69 Belair: dispositivo de alimentação adaptável ............69 Kuhn: gadanheira de 8 discos ..................................70 Sulky: controlo automático para espalhador centrífugo .......................................70

Gestão global da rentabilidade na produção leiteira...................................................18 Recria: custo acrescido ou redução do custo?.........24 Calseagrit: utilização na nutrição de ruminantes ......26 Stress térmico em vacas leiteiras .............................32 Eficiência alimentar em produção de leite ................36 Carolo de milho: oportunidade (ainda) desperdiçada.................................................44 Luzerna, a fonte verde de proteína...........................46 Enzimas, valor demasiado elevado a pagar?...........48 Disponibilidade de silagem .......................................50 A resistência dos infestantes aos herbicidas ............52 Automatização da ordenha .......................................56 Colostro e pneumonias .............................................60 Acerca do Plano Nacional para a Redução do Risco das Resistências aos Antibióticos.............................61 Síndrome da vaca caída: medidas para prevenir .....64

RUMINARTE Fotografia do mês: Rita Cardoso ..............................75

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ABRIL | MAIO | JUNHO 2013

ESCRITÓRIOS

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Preços | Prices

EDIÇÃO Nº9

| fg@revista-ruminantes.com

FEIRAS

BEM-ESTAR ANIMAL Linfadenite Caseosa em pequenos ruminantes........66

Rum nantes

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ATUALIDADES

MUNDO

“Stay Curious” Avanços na nutrição, em debate na Alltech

A Alltech apresentou no passado dia 12 de março, no hotel Lagoas Park, Oeiras, a 27º Edição do European Lecture Tour, que contou com cerca de 60 pessoas da indústria. Sob o tema “Poderão os avanços na nutrição contribuir para uma melhor eficiência, rentabilidade e sustentabilidade?”, e com a “Curiosidade” como pano de fundo, a Alltech lançou o repto da diferença, da abertura a novas tecnologias e da procura de soluções mais eficientes. Alexandros Yiannikouris, Research Director da Alltech EUA, partilhou os objetivos do

plano de carbono Alltech a aplicados às explorações, como forma de melhorar a pegada de carbono: quantificar a pegada de carbono numa exploração; reunir os dados e recomendar mudanças específicas, nomeadamente em matéria de eficiência alimentar; implementar essas mudanças e reavaliar seis meses mais tarde. Yiannikouris reiterou ainda a importância de melhorar a eficiência da alimentação por forma a satisfazer as necessidades do animal, do consumidor e do ambiente. Referiu-se também às algas como uma opção de alimentação alternativa, de-

vido à sua sustentabilidade e composição nutricional rica em DHA. Sob o tema “Construir a nossa marca na Agricultura”, Paulo Rezende, Project Manager, Alltech EUA, abordou as mudanças e tendências de consumo modernas, que afetam a forma como as empresas comercializam os seus produtos agrícolas. E referiu-se à importância da observação dos princípios fundamentais de marketing para conseguir fazer crescer as marcas e as empresas. Andrea Malaguido, do Dep. Investigação da América Latina da Alltech abordou a situação sombria que a agricultura está a enfrentar, assim como as questões ligadas com queda dos rendimentos agrícolas e o aumento das preocupações ambientais, e a importância da identificação correta dos problemas como forma de encontrar uma solução: “Os rendimentos agrícolas

são altamente voláteis, com os custos de produção e custos de alimentação a terem um grande impacto sobre estas oscilações. Para melhorar as margens é necessário saber tudo sobre os custos. Precisamos ser curiosos. Precisamos colocar questões. Quão sustentável é a nossa indústria? Sabemos que a proteína é a parte mais cara de uma ração. A disponibilidade das fontes proteicas cada vez é menor, enquanto a procura tende a aumentar.” Marc Larousse, Vice Presidente, Europa, Alltech, refletiu sobre a importância da “curiosidade” na gestão do negócio, como forma de encontrar novas soluções e conseguir melhores desempenhos. Dando o exemplo da agricultura e do enorme desafio que representa o crescimento populacional em termos de procura de alimentos: “É uma grande oportunidade de experimentar coisas novas, abraçar novas tecnologias, ideias e oportunidades. x

em voltar a participar em reuniões deste tipo. Este foi o primeiro workshop do género, organizado pela Zoetis. O sucesso destas experiência-piloto será o mote para a realização de outros workshops, com o mesmo tema, noutras zonas do país. Está já em projecto o desenho de novos workshops subordinados a outros temas como saúde do úbere e reprodução, que de-

verão ocorrer entre este ano e o próximo. A Zoetis afirma que esta nova forma de trabalhar com os nossos clientes e parceiros está totalmente alinhada com o papel e compromisso assumidos pela empresa: “estar um passo à frente dos desafios diários dos nossos clientes para que estes possam estar exclusivamente dedicados à sua actividade.”x

Controlo do parasitismo em ruminantes Zoetis promove workshop No âmbito das Jornadas do Hospital Veterinário Muralha, de Évora, a equipa de ruminantes da Zoetis dinamizou um workshop com o tema “Abordar o controlo do parasitismo, em ruminantes, como serviço de valor acrescentado”. O evento teve lugar em Évora, em março último, e contou com a participação de 20 médicos veterinários clínicos e sanitaristas de ruminantes.

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Esta iniciativa contou com uma forte componente prática. Os médicos veterinários foram divididos por grupos de trabalho e cada grupo foi responsável pela discussão e resolução de um caso clínico relacionado com parasitismo. As opiniões foram unânimes no que diz respeito ao valor acrescentado desta iniciativa e todos os médicos veterinários intervenientes afirmaram estar interessados

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ATUALIDADES

O mercado da carne bovina Os antigos titãs da produção vs Os novos heróis

Felipe de Almeida, Estudante de Mestrado Integrado em Medicina Veterinária

felipe.de.almeida1@gmail.com

As previsões para o mercado europeu de carne bovina para 2013 não são solarengas. Em 2012 verificou-se uma quebra na produção, na importação e exportação e no consumo pelos países membros da UE-27. Prevê-se, ainda, que as exportações diminuam principalmente como consequência da grande concorrência e pressão exercida pelo mercado brasileiro. Essa tendência não se verifica apenas no mercado europeu. Juntamente com a Europa, os EUA (ambos antigos titãs dominantes na produção de carne bovina) têm sofrido quebras acentuadas na sua produção. A crise económica que se abateu sobre estes dois grandes produtores não tem sido branda. Associando isso às alterações climáticas extremas, ao aumento dos custos de produção e à diminuição dos efetivos, claramente que o futuro não parece promissor.

As leis sanitárias (que interditam animais vacinados contra a febre aftosa) e outras imposições técnicas e de maneio/produção fazem com que os "países do Pacífico" façam trocas comerciais entre si. Por outro lado, os "países do Atlântico", sem restrições sanitárias vêm-se limitados nas suas exportações devido às imposições legais da outra metade do mercado internacional.

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Este jogo económico já não é jogado apenas pelas grandes "equipas" de sempre. Aos poucos, novos jogadores são-nos apresentados. E são estes novos jogadores, os novos "heróis", que vão garantindo que a procura do consumidor seja suprida, alterando as "regras" do mercado de produção de carne bovina. Cada país, com os seus efetivos, esforça-se por garantir a sua produção interna, tendo em vista também o mercado internacional, procurando aumentar não só a qualidade, mas também a quantidade de produto exportado. Estas trocas internacionais repartem o mundo em duas grandes metades (Fig.1).

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Figura 1 - Divisão do mercado internacional. 1) “Países” Atlânticos com maior destaque: Brasil, Europa, Índia, Argentina e Uruguai (Sem restrições).

2) Países Pacíficos com maior relevância: EUA, Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Japão (Com leis sanitárias que influenciam o mercado internacional).


ATUALIDADES

Variação anual do mercado da carne na EU-27 Produção Abate

Consumo

2012/2011

2013/2012

- 4%

- 0,9%

- 4%

- 0,7%

- 3%

- 0,4%

OS PAÍSES PACÍFICOS

Os EUA, referidos anteriormente, estão em declínio de produção. Essa quebra limita a procura dos consumidores, resultando num aumento dos preços. Consequentemente, o consumo baixa, fazendo com que a produção estacione ainda mais. Paralelamente, a exportação diminuiu, consequência da concorrência dos mercados emergentes. A exportação para o Médio Oriente diminuiu em 50%, sendo que neste momento o grande pilar da exportação americana é o Japão. Com isso, os EUA perdem a sua posição de destaque como exportador de carne de vaca no Mundo. Em contrapartida, a Austrália consegue manter os seus níveis de produção, consumo e exportação graças a novos mercados no Sudeste Asiático e Médio Oriente. » Os EUA, o Canadá e a Austrália são grandes exportadores de hambúrgueres de carne de bovino acabado em erva para o Japão, Coreia do Sul e Taiwan. A Nova Zelândia garante 5% do aprovisionamento exterior europeu.

Foto: David Catita

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ATUALIDADES

» OS PAÍSES ATLÂNTICOS

Estes países, sem as imposições postas pelo mercado do Pacífico, têm vindo a crescer a olhos vistos, sendo esse crescimento marcado pela entrada de novos jogadores e pelo apogeu da Mercosur. O Brasil, que sofreu grandes quebras na sua produção em 2011, volta a assumir a posição de exportador líder, embora não tenha recuperado totalmente as suas perdas de produção. A desvalorização do Real e a diminuição do custo de produção deram grande impulso ao Brasil tornando-o responsável por 43% do aprovisionamento exterior total de carne de bovino na Europa. A Argentina, mudou as regras do seu jogo, focalizando no mercado interno. Com isso foi possível verificar-se um ligeiro aumento da sua produção, em detrimento da sua posição como grande exportador, passando de 5º para 10º lugar no ranking mundial. O Uruguai entra com grande destaque este ano devido ao bom estatuto sanitário dos seus efetivos e do seu sistema de rastreabilidade. Assim, ele ganha terreno no mercado internacional, passando a ser um grande exportador para os EUA, Canadá, Europa e China. Neste momento, o Uruguai tem os olhos postos na Coreia do Sul, podendo este mercado servir de porta para outras trocas comerciais com o Japão e o Sudeste Asiático.

Diminuição do consumo europeu de carne de bovino

A quebra de 3% no consumo de carne de bovino em 2012 associado a uma oferta insuficiente, tem sérias consequências no mercado interno europeu. O aumento dos preços é um resultado inevitável, mas que na conjuntura económica actual faz diminuir o poder de compra dos consumidores. Isso é mais evidente nos países mais afectados pela "crise", distinguindo-se a Alemanha como uma excepção (onde o consumo aumentou 1%). Foto: David Catita

A UE-27 é quem realmente sofre uma grande perda para os mercados internacionais. Com a diminuição de 1,4% dos seus efetivos, uma diminuição da exportação de 36% e uma grande dependência de importação, o mercado europeu, outrora um dos mercados mais rentáveis do mundo, fica dependente da flutuação dos preços impostos pela procura e pelos mercados internacionais. Porém, a magnitude do aumento dos preços não é uniforme entre os países membros da UE, o que reflete um mercado volátil e com diferentes dinâmicas: Prosperidade no Norte e Crise no Sul. Aproveitando a brecha que os grandes titãs deixam no mercado internacional, a Índia surge como um dos novos heróis da produção de carne de vaca. Este país, com o maior efetivo bovino do mundo - 324 milhões de cabeças - em 2012, assume-se agora como um dos maiores exportadores do Mundo. Tendo em conta o mercado em crise, a Índia mantém a dinâmica de trocas, tornando-se o segundo maior exportador do mercado internacional, negociando com o Sudeste Asiático, Norte de África e Médio Oriente. A conjuntura mundial O ano de 2013 não será um ano livre de dificuldades para o

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setor de produção de carne de bovino. A produção irá diminuir quase em escala global, resultando numa oferta insuficiente. Os preços irão subir, associados também aos elevados custos deprodução. Contudo, esse aumento não depende apenas da dinâmica da procura, mas também da concorrência entre exportadores e das valorizações e desvalorizações das diferentes unidades monetárias. Neste jogo de titãs, os novos heróis produtores e exportadores, como o Brasil e a Índia, são fulcrais no impulso do mercado internacional, podendo abrir novas perspetivas para o mercado europeu, nomeadamente no Japão, Sudeste

Os europeus "não-euro"

O mercado europeu é volátil e dinâmico. A valorização ou desvalorização do Euro é essencial para as transações económicas (importações e exportações) realizadas pelos países europeus não pertencentes à zona-Euro. Por exemplo, os mercados Ingleses e Polacos, com grande relevância no mercado europeu, têm sentido sérias quebras produtivas, parte delas resultantes das flutuações do Euro neste momento de crise económica.


ATUALIDADES

MUNDO

ZOETIS, em exclusivo na saúde animal Luís Pereira Médico Veterinário, Country Manager Zoetis Em 2013, a Pfizer anunciou que o seu negócio de saúde animal se tornou numa empresa independente chamada Zoetis™. A Zoetis é o maior fabricante mundial de medicamentos e vacinas para animais de companhia e de produção. A empresa é uma subsidiária de capital aberto da Pfizer, o primeiro produtor mundial de medicamentos, que mantém 83% de controlo na empresa. A Zoetis opera atualmente em 70 países do mundo. A propósito da recente formação da Zoetis, entrevistámos Luis Pereira, Country Manager do negócio em Portugal. O facto de a empresa passar a estar dedicada exclusivamente à saúde animal, independente da Pfizer, traz alguma vantagem ao negócio? Luís Pereira: Ao dedicarmo-nos exclusivamente à saúde animal, concentramo-nos na essência do nosso negócio para que os nossos clientes possam desenvolver os seus próprios negócios. Trabalhamos diariamente colocando os nossos clientes em primeiro lugar.

O que podem esperar os clientes com esta mudança? A Zoetis é a anterior unidade de negócio da Pfizer. Mantém a tradição e a experiência farmacêutica consolidada ao longo de 60 anos, a disponibilizar medicamentos e produtos veterinários, meios de diagnóstico e testes de genética, entre um vasto leque de serviços. Temos um novo nome, mas a mesma experiência. Os colaboradores e os produtos, em que os nossos clientes confiam, continuam a ser os mesmos a satisfazer as suas necessidades na área de Saúde Animal, dentro dos mesmos valores éticos.

Quantas pessoas compõem a Unidade de Negócio Ruminantes em Portugal? Como se organizam? Está presente em todos os segmentos de mercado? A equipa Zoetis em Portugal dedicada à Área Ruminantes mantém-se igual e está presente em todos os segmentos do mercado, nomeadamente leite e carne, produção em extensivo e intensivo.

Que apoio fornece a Zoetis aos produtores e Médicos Veterinários em Portugal? O portefólio de produtos vai manter-se? A Zoetis disponibiliza uma vasta gama de produtos e serviços que oferecem soluções fiáveis para os diversos desafios que os veterinários e os criadores enfrentam todos os dias no nosso país. Conta com um portefólio alargado de produtos, englobando cinco categorias: vacinas, desparasitantes, anti-infecciosos, prémisturas medicamentosas e outros produtos veterinários. O nosso portefólio para animais de produção representa cerca de 66% do nosso negócio.

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Disponibilizamos produtos e serviços que ajudam a prevenir ou a tratar patologias com impacto negativo nos animais de produção e a tornar rentável a produção de proteínas animais de elevada qualidade.

Os recursos financeiros para investir em investigação de novos produtos vão manter-se? Continuamos a desenvolver novos produtos e serviços cada vez melhores. A nossa área de Investigação e Desenvolvimento (I&D) pesquisa novos produtos, analisando resultados de descobertas relevantes da indústria agropecuária, farmacêutica e biotecnológica. Quanto aos nossos produtos atuais a I&D dedica-se ao desenvolvimento e expansão do portefólio existente através da inclusão de novas espécies ou de novas indicações terapêuticas. O que representa para a Zoetis o negócio do setor “Ruminantes”? O volume total de negócio anual da Zoetis em 2011 foi de USD 4.2 mil milhões de dólares norte-americanos, sendo 66% deste volume gerado por produtos para animais de produção.

Quais os objetivos para o futuro? À medida que as necessidades dos veterinários e criadores continuam a evoluir, estamos empenhados em antecipar os seus desafios e em desenvolver novas soluções que os podem ajudar a cuidar dos animais com maior eficiência e aumentar a produtividade dos seus negócios. A nossa investigação deu origem a uma vasta gama de produtos ao longo dos anos, dentre as quais destacamos antibióticos para o tratamento de vários tipos de infeções em bovinos, um anti-infeccioso no tratamento contra a doença respiratória bovina (DRB) e uma vacina eficaz contra vírus respiratórios e reprodutivos em bovinos. Temos fábricas e laboratórios de I&D em todo o mundo e continuaremos a dedicar o nosso esforço para garantir que os nossos clientes tenham acesso aos melhores produtos e à melhor informação, agora e no futuro. x


MUNDO

ATUALIDADES

Conferência anual do Conselho Português de Saúde do Úbere

Lallemand Animal Nutrition Novo Diretor de Aditivos para Forragens

O Conselho Português de Saúde do Úbere (CPSU) organizou, em fevereiro passado, a sua II Conferência Anual que teve lugar na Estação Zootécnica Nacional na Fonte Boa em Santarém. A II Conferência Anual do CPSU foi considerada, para a comissão organizadora, um êxito que ultrapassou largamente as expectativas inicialmente criadas para o evento. Contou com a presença de mais de 120 participantes no total, entre associados efectivos e estudantes, empresas associadas, parceiros de comunicação e oradores de renome a nível nacional e internacional. Com destaque para as participações de Andrew Bradley (Reino Unido) e Joséphine Verhaeghe (Bélgica), todas as apresentações tiveram um elevado nível de interesse sobre temáticas relativas à Qualidade do Leite e Saúde do Úbere. x

Luís Queirós (Engenheiro Agrário, Mestre em Nutrição Animal, na Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa e Instituto Superior de Agronomia) é o novo Diretor Técnico para a área dos Aditivos para Forragens da Empresa Lallemand Animal Nutrition. Terá como função apoiar tecnicamente os Colaboradores, Colegas e Agricultores em diversos países, nomeadamente Portugal, Espanha, Alemanha, Itália, Rússia e Arábia Saudita, entre outros. A Lallemand Animal Nutrition é parte do grupo Lallemand SAS,

Empresa Multinacional com mais de 2500 funcionários, e bastante ativa na área da preservação de forragens, há mais de 20 anos, como seja a investigação e produção de bactérias e enzimas, um pouco por todo o mundo. A Lallemand foi a primeira empresa no mercado a colocar à disposição dos seus clientes, e a patentear, a bactéria heterofermentativa Lactobacillus buchneri, responsável por uma elevada estabilidade aeróbica e qualidade de todos os tipos de silagem. x

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ENTREVISTA

Crossbreeding Agro Pecuária da Tília investe em nova “genética” "Ganhamos mais com muito menos despesa"

A empresa Agro Pecuária da Tília, Lda., situada na Herdade da Lavradia, em Fronteira, distrito de Portalegre, é propriedade de Lambert Van Der Linde e da sua mulher, Gerrie. Contam ainda com a colaboração preciosa de 3 empregados, o Óscar, o Vagner e o Pedro. A herdade tem cerca de 80 ha de terra e tem como negócio a produção de leite de vaca, com um efetivo de 260 vacas adultas, das quais cerca de 220 estão em ordenha com uma produção média de vaca dia de 32 litros de leite, com 4,1% de gordura e 3,5 % de proteína.

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Nos 80 ha da propriedade faz-se azevém para ser pastoreado ao máximo pelas vacas em produção, e o que sobra é cortado para ensilar. Toda a silagem de milho que utilizam na alimentação das vacas é comprada fora, mas sempre na zona de Fronteira. Há cerca de cinco anos, decidiu investir em nova “genética” e começou a testar o Crossbreeding através do Programa Procross comparando-o com a raça Holstein. Registámos o seu testemunho sobre estes anos de experiência com este programa.


ENTREVISTA

"Em termos gerais, posso afirmar com segurança que não ganhamos muito no aumento das receitas de exploração com as vacas, mas ganhamos mais em muito menos despesa (maior longevidade dos animais, menos utilização de medicamentos, menos sémen ...). "

Há poucos anos, tomou uma decisão um pouco fora do corrente na produção leiteira no “campo da genética”. Quais as razões em que se baseou para optar por esta nova técnica genética? Lambert: Tomei a decisão quando fui em 2008, há cerca de cinco anos, com o Carlos Serra aos Estados Unidos ver o Crossbreeding na Califórnia. Percebi que podia ser bom e decidi experimentar em alguns animais. Outro factor que me ajudou, sem dúvida alguma, a decidir por este programa, é que nos últimos anos com a Holstein, ainda que a exploração seja estável, nada cresce, apenas crescia o “hospital”. As primeiras vitelas que nasceram cruzadas com Montebéliard, eram boas, geraram confiança, e decidi ir experimentando cada vez mais, mais… até que hoje em dia estão quase todas neste programa. Tendo começado o programa em 2008, qual a percentagem de Crossbreeding que tem hoje no conjunto das vacas? Nas vacas em produção são 25%, na exploração toda representa cerca de 40%; nas novilhas já são mais de metade...

De todas as novilhas que nasceram de cada raça, que percentagem está na exploração? Das Holstein estão 69% e Cruzadas 80%.

Qual é o grau de satisfação, até ao momento, com este programa? Muito bom. Ainda estou com algumas dúvidas nas Suecas Vermelhas, parecemme um pouco mais estreitas, mas por agora vamos continuar, pois vêm de novilhas Montebeliard e tenho que dar tempo até ter uma opinião formada.

Já tem animais em produção com várias lactações em Crossbreeding? Sim, várias vacas em segunda lactação, em terceira ainda não.

Qual é o critério de escolha dos touros reprodutores das diferentes raças que usa neste programa? Estou a trabalhar com o método Triplo A, que para mim é muito importante. A minha grande preocupação são os úberes, ou seja, tem que ser um touro completo, mas os úberes e as pernas têm que ser muito boas. O Triplo A é um sistema americano em que especialistas independentes analisam a estrutura de uma vaca e ajudam a descobrir o que está em falta para que seja ótima. Em função do código que lhe é atribuído, esta vaca deverá ser inseminada com touros que tenham o mesmo código. O objectivo é que a próxima geração tenha uma estrutura melhor.

Quais as produções de leite médias? Das Holstein é 7.577 litros e Cruzadas é de 7.914 litros, ou seja, uma diferença de 337 litros lactação.

Que outros indicadores reprodutivos nos pode dar neste momento, por exemplo o numero de inseminações por vaca prenha? Nas Holstein é 1,96 contra 1,37 nas Cruzadas, ou seja, menos 0,59 inseminações por vaca prenha.

Utiliza sémen sexado? Não, nunca.

Quadro 1: Indicadores da Exploração Holstein

Cruzadas

Gestantes na segunda lactação

10%

50%

Inseminadas

35%

80%

Produção (litros) em 305 dias

8137

8503

Teor butiroso

4,05

3,88

Teor proteico

3,54

3,44

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ENTREVISTA

Está de acordo que numa exploração leiteira o principal factor para a rentabilidade de uma exploração é a reprodução? Eu acho que tudo é importante, a reprodução sim, mas também a mão-de-obra tem uma influência enorme nos resultados da exploração. Também a alimentação tem que ser sempre de grande qualidade, as silagens têm que ser feitas rapidamente e logo tapadas. Nada pode ficar ao acaso.

Qual tem sido a principal consequência positiva da utilização do Vigor Híbrido nas suas vacas? A taxa de inseminação reduziu significativamente, a estrutura física dos animais é melhor e os animais são mais “vivos”.

Sabemos que o programa de Crossbreeding que utiliza implica a utilização de três raças leiteiras. Quais são e como se aplica?

"Preciso de criar menos 10% de novilhas Cruzadas para manter o meu rebanho. " As raças são a Montebeliard, a Sueca Vermelha e a Holstein. Sempre aplicadas nesta mesma sequência. Nas novilhas Holstein ainda estou a pôr sémen Holstein porque os vitelos são um bocadinho mais fortes e não quero correr risco nenhum. Apesar de que cada vez mais irei ter menos novilhas Holstein.

Quais é que acha que são os pontos fortes e fracos de cada uma destas raças? A Holstein tem muitos problemas nos partos, no arranque da nova lactação, ao contrário da Montebeliard que é bastante melhor neste aspecto. Já esta última tem como desvantagem o facto de os animais jovens mamarem muito uns nos outros, o que nos traz alguns problemas. Com a Sueca Vermelha não temos muita experiência, apenas que são mais pequenos quando nascem e ficam pequenos durante algum tempo mais. Decidi fazer este tipo de programa por causa dos estudos americanos que vimos. Nós começámos em 2008, estamos em 2013 e ainda só temos 50 vacas em produção. Isto demora muito tempo, não podemos fazer as coisas de forma precipitada.

Quais são as principais melhorias que notou na reprodução entre o programa de vacas puras Holstein e o programa de Crossbreeding? A taxa de inseminação, que diminuiu bastante, como mínimo 25%, e os partos, que são bastante mais fáceis.

E no campo da saúde animal, consegue detectar diferenças quanto a problemas de mamites ? No que se refere a mamites não noto diferença. Já quanto a células somáticas (CS) é muito engraçado. As cruzadas com Montebeliard tem as CS mais altas no inicio da primeira lactação, mantém-se altas ao longo da lactação apenas baixando ligeiramente. Na 2ª lactação os valores mantêm-se altos. As Holstein, no nosso estábulo, têm um valor de CS baixo no início da lactação das novilhas, subindo muito até ao final da lactação. O tratamento de secagem resulta muito bem, faz baixar muito o valor CS, mas na segunda lactação sobe outra vez

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ENTREVISTA

muito. Ou seja, na Montebeliard os valores são mais estáveis, nunca baixam muito como é no caso das Holstein.

E quanto a nados mortos nos partos? Temos poucos casos de nados mortos, quer nos Cruzados quer nos animais Puros. Mas os Holstein precisam de ter mais atenção da nossa parte nos dias do parto.

E em termos de refugo geral, ou seja, que percentagem de refugo tem entre vacas e novilhas, em Holstein e Cruzadas? Os Montebeliard ainda estão jovens mas eu noto, pelos registos que tenho, que saíram bastantes mais Holstein que Montebeliard.

No que toca à produção, tem sido comentado que as produções das vacas Cruzadas são inferiores às puras Holstein. Está de acordo? Não estou de acordo. Na nossa exploração, na primeira lactação as cruzadas dão mais leite que as Puras e, na segunda lactação dão menos. O que é contrário a todos os estudos que conheço.

Qual é o seu critério de análise, lactações de 305 dias ou dados produtivos da vida útil dos animais? Tem que ser a vida útil; este valor é o mais importante para mim.

Quais são as diferenças entre os dias em leite entre os dois grupos de novilhas (Puras Holstein e Cruzadas)?

A Holstein tem um intervalo de partos de 382 dias e as Cruzadas de 356, e faz um mês de diferença na primeira lactação. A segunda lactação ainda não terminou, mas como temos muitas prenhas das vacas cruzadas a perspectiva é ser ainda melhor.

No refugo dos animais, ou seja, vitelos machos e vacas de refugo, nota alguma diferença económica entre os animais? Sim, um vitelo Montebeliard vende-se muito melhor que um Holstein; faz uma diferença de 25 € por vitelo e os compradores preferem sempre os cruzados. Quanto a vacas velhas, ainda nunca vendemos Montebeliard, por isso só com mais tempo lhe posso responder. Na conjuntura económica atual, com os preços elevados da alimentação, acredita que os animais cruzados possam ser mais eficientes do ponto de vista alimentar?

1ª Lact

2ª Lact

3ª Lact

Holstein

Cruzadas

75 dias

Os estudos dizem isso, mas a única coisa que eu estou em condições de dizer é que há sempre animais cruzados na manjedoura a comer, mas eu acho que isso é bom. Quando eu dou a última volta, às 22h, encontro sempre algumas Montebeliard a comer, enquanto que as Holstein estão deitadas. As cruzadas são animais mais “vivos”, mais fortes.

Em termos de temperamento da raça, quais são as diferenças entre as Holstein e as Cruzadas de Montbeliard? Os cruzados têm mais temperamento, mas não é para o mal. São mais curiosos, estão sempre a ver o que se está a passar, por exemplo, estão sempre a “testar” se a cerca eléctrica está mais ou menos forte. Mas o maneio em pastagem ou na sala de ordenha é igual para os dois grupos de animais. x

"Quando a vaca Holstein termina a 3ª lactação a Cruzada já vai com 75 dias na 4ª lactação." (Ver desenho ao lado)

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ECONOMIA

Gestão Global da Rentabilidade (na produção leiteira) Jerónimo Pinto Engº Agrónomo, Eurocereal SA

jeronimo.pinto@eurocereal.pt

detectar oportunidades de melhorias resultantes de pequenos pormenores ... que se aprendem com os melhores Se aumentam os custos dos factores de produção, sem que haja correspondente ajustamento nos preços pagos à produção, tem-se degradação da rentabilidade económica … a não ser que esta perda seja compensada com ganhos de eficiência e/ou eficácia no conjunto do sistema de produção.

Assistiu-se, ultimamente, a um aumento muito significativo nos custos das matérias-primas alimentares Não tendo havido o correspondente ajustamento nos preços pagos pelo leite na sua produção, houve uma degradação da margem-bruta sobre o custo da alimentação (IOFC - income over feed cost) na generalidade das explorações leiteiras. Circunstâncias como estas, determinadas por factores externos à exploração, colocam o empresário da produção leiteira perante o desafio de compensar a sua perda de margem sobre o custo da alimentação com ganhos em eficácia e/ou eficiência na sua em-

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presa, sobretudo em termos de alimentação (sempre o seu custo mais significativo), mas também noutros eventuais pontos-chave do seu sistema de produção. Neste sentido, é fundamental auditar-se todo o funcionamento e escalpelizar os resultados de cada exploração leiteira, de forma a ir adequando a gestão global da sua rentabilidade a sempre novas circunstâncias de mercado e a novos desafios de competitividade – que devem obrigar à permanente preocupação / obsessão de detectar novas oportunidades de melhorias dentro de cada empresa.


DIAGNÓSTICO

OPORTUNIDADES DE MELHORIA OBJECTIVOS

SITUAÇÃO ACTUAL

IMPACTO ECONÓMICO €/Lt

€/Ano

de

de

SECAS

SECAS

SECAS

ÇÃO

ÇÃO

ÇÃO

SECTORES / Exploração Nº Vacas Leiteiras (lactação + secas) % Vitelas & Novilhas

CRIA de VITELAS

67

< 6 meses 6-12 meses > 12 meses

17 17 33

< 1 semana 7 - 30 dias > 30 dias

< 3% < 3% < 2%

% Mortalidade em Vitelas

Pesos / Alturas médias à nascença aos 30 dias aos 3 meses

cm ALTURA

40 50 85

75 80 90

kg PESO

RECRIA de NOVILHAS

de

Pesos & Alturas médias aos 6 meses aos 15 meses aos 24 meses Idade à 1ª Inseminação Idade 1º Parto (meses) Custo alimentação €/animal/dia

VACAS SECAS

de

kg PESO

cm ALTURA

180 350 530 14.5 24

105 130 143

SECAS

cm ALTURA

€/animal/dia

€/animal/dia

Custo alimentação €/vitela/dia

kg PESO

cm ALTURA

meses

meses meses

meses

€/animal/dia

€/animal/dia

60

Duração da fase seca Condição Corporal à secagem no parto Custo alimentação €/vaca/dia

kg PESO

3.5 - 4.0 3.5 - 4.0

VACAS EM LACTAÇÃO

ÇÃO

Produtividade (305 dias) Produção média no PICO Numº de lactações / vaca Teor Butiroso leite (%TB) Teor Proteico leite (%TP) Contagem Celulas Somat. Teor Microbiano Total Intervalo Entre - Partos Intervalo "Dias - Open" % vacas c/ hipocalcémia % vacas c/ cetose clínica % vacas desloc.abomaso

11 500 50 3 3.2 <200 <40 400 <100 <5% <10% <5%

Custo alimentação €/vaca/dia Preço recebido / Lt leite

A sua participação é importante www.eurocereal.pt/benchmark


ECONOMIA

Diagnosticadas as oportunidades de melhoria, mediante software especificamente desenvolvido neste sentido, é possível fazer-se uma avaliação muito fiável de qual é o impacto econó-

mico que cada oportunidade detectada pode representar no conjunto da exploração a que se refere.

Embora este exercício possa ser feito individualmente, preferencialmente deverá ser feito colectivamente, por comparação de grupo, já que novas oportunidades de melhoria são, quase sempre, resultantes de pequenos pormenores … que geralmente se aprendem com os melhores. Aprender com os melhores sempre foi o mais eficiente motor do desenvolvimento nos sectores industrial, comercial, etc ... e também no sector agro-pecuário. São os me-

lhores produtores que têm a credibilidade para comprovar a eficácia / rentabilidade de um dado processo ou sistema de produção. Aprender com os melhores é um método de gestão (agora conhecido por “benchmarking”) generalizado às empresas de todos os sectores, sendo aplicável a todas as empresas agro-pecuárias e muito especialmente às do sector leiteiro (“Benchmarking can help dairies to succeed” Feedstuffs # 41).

Existe uma rede pan-europeia de agri-benchmark para o sector leiteiro (EDF) em que Portugal é o único país ocidental não representado. Benchmarking é uma oportunidade de identificar os segredos do sucesso das empresas líderes e tentar imitá-las, num processo conhecido por “gestão por comparação de grupo” que, já desde há muito tempo, vem sendo utilizado com

20

grande eficácia em Centros de Gestão em França e também entre nós (CGEA Vale do Ave e Vale do Sousa e o programa PAR da Purina), por organizações de produtores por todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos e no Canadá.

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ECONOMIA

BENCHMARKING NA PRODUÇÃO LEITEIRA

São inúmeros os casos de sucesso deste método de gestão aplicável às empresas do sector leiteiro, sendo evidente a sua decisiva contribuição para a melhoria, contínua e progressiva, da rentabilidade das explorações leiteiras aderentes, nomeadamente em Michigan, Wisconsin, Cornell, Canadá, etc … Trata-se de transferir para a empresa leiteira, com as necessárias adaptações, os planos de acção estratégica aplicados na gestão das empresas de outros sectores, identificando os seus pontos-fortes, pontos-fracos, oportunidades e limitações de forma a permitir concentrar a atenção e as prioridades nos pontos-chave que, em cada momento, são os mais determinantes da sua rentabilidade global. Para se proceder à gestão da produção leiteira por “comparação de grupo” ou “benchmarking”, um conjunto de explorações leiteiras não-identificáveis fornece periodicamente determinados dados referentes à sua estrutura e ao seu funcionamento - os quais são sempre absolutamente confidenciais. Quanto maior e mais significativo fôr o grupo (há grupos de gestão leiteira com centenas de explorações), mais representativos são os resultados e mais útil é este método de gestão para os seus participantes. INDICADORES Técnico-Económicos

ESTRUTURA Amortiz. Construções, silos,... Amortiz. Equipamentos (ordenha, etc) Amortiz. Máquinas e Alfaias Mão-de-Obra permanente Assist.médico-medicamentosa e reprodutiva Energia, combustíveis, água, telephone, etc Manutenção e reparação máquinas & equipam Juros e reserva p/ imprevistos Outros custos fixos Custos Fixos ESTRUTURAIS ANIMAIS Alimentação-Base (manutenção+gestação) Amortiz. das Vacas Leiteiras Custo cria + recria da reposição / ano Carência de novilhas a comprar / ano Excedente de novilhas p/ venda / ano Custos Fixos c/ ANIMAIS TOTAL Custos FIXOS FUNCIONAMENTO

Efectivo Leiteiro (vacas produção + secas) Produtividade (LLVA) Vida produtiva (lactações/vaca) Idade ao 1º parto (meses) Intervalo entre partos (dias) RESULTADOS calculados (com base em software específico)

Custos Fixos Custos Variáveis Custo Total Receita Total Resultado Global Resultado Global

(€/Lt leite) (€/Lt leite) (€/Lt leite) (€/Lt leite) (€/Lt leite) (€/vaca/ano)

25% SUPERIOR €/vaca/ano

€/vaca/ano 460 199 -80 644 1644 25% SUPERIOR 11.000 2,7 14 399 25% SUPERIOR 0,143 0,104 0,247 0,320 0,073 807

Prince Eduard Island Canada

Dairy Benchmarking Pennstate Univ

MÉDIA €/vaca/ano 125 65 50 315 80 85 50 80 95 1000 €/vaca/ano 65 484 225 15 725 1725 MÉDIA 10.000 2,6 25 409

MÉDIA 0,171 0,114 0,287 0,320 0,035 334

25% INFERIOR €/vaca/ano

€/vaca/ano 513 254 112 944 1944 25% INFERIOR 9.000 2,5 26 414 25% INFERIOR 0,209 0,127 0,336 0,320 -0,016 -145

Os dados são processados globalmente, dividindo-se em 3 grupos (MÉDIA, “25% SUP” e “25% INF”) que, para simplificar, neste exemplo vamos admitir que têm os mesmos custos fixos estruturais, naturalmente diferentes custos fixos animais (decorrentes de funcionamentos distintos), têm a mesma alimentação-base e que a sua produção é valorizada segundo os mesmos critérios qualitativos:

(Ver tabela ao lado)

ANÁLISE DE RESULTADOS

APRENDER com os melhores O segredo do sucesso do processo de análise de resultados por benchmarking / comparação de grupo está no facto de permitir que periodicamente (cada trimestre) todos os aderentes possam encontrar-se para, em conjunto, poderem analisar os resultados e sobretudo detectar oportunidades de melhoria, que quase sempre são resultantes de pequenos pormenores que aí se pode aprender com os melhores.

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ECONOMIA

CONSEQUÊNCIAS & IMPLICAÇÕES

No contexto dos actuais sistemas de valorização do leite e face à volatilidade dos custos alimentares, maximizar a margem sobre alimentação passa por optimizar (não minimizar) custos de alimentação nos vários sectores da exploração (lactação, seca, cria/recria) e a produção diária (não percentagens) de gordura e proteína, maximizando a produtividade leiteira.

1 – MARGEM sobre CUSTO ALIMENTAR (IOFC) A margem sobre o custo da alimentação é o factor que mais determina a rentabilidade da produção, sendo o IOFC (income over feed cost) o critério mais usado para avaliar a performance das explorações.

IOFC = volume de produção x [valor da produção – custos de alimentação (lactação + seca + cria/recria)] Prod. leite

Lt/vaca/dia 40 35 30 Prod. leite

Lt/vaca/dia 40 35 30

% TB

kg Gordura

kg/vaca/dia

Rendimento em leite

€/Lt leite

€/vaca/dia

-

1,4 1,4 1,4

0,316 0,320 0,320

12,640 11,200 9,600

-

3,50 4,00 4,67

% TP

kg Proteína kg/vaca/dia

Rendimento em leite

€/Lt leite

€/vaca/dia

-

1,20 1,20 1,20

0,314 0,327 0,344

12,572 11,452 10,332

-

3,01 3,44 4,01

2 – Custos Fixos & Limiar de Rentabilidade Se, por factores internos ou externos / incontroláveis pela exploração, aumentam custos alimentares, sem que haja correspondente ajustamento nos valores pagos pela produção, a perda de margem IOFC só pode ser compensada com ganhos de eficiência e/ou eficácia intrínsecos ao sistema de produção, de forma a controlar/reduzir os seus custos fixos, para maximizar o resultado da seguinte equação: Resultado = volume de produção x [valor da produção – custos de produção (fixos + variáveis)]

Embora c/ os mesmos custos fixos estruturais, dadas as diferenças nas suas performances produtivas, os 3 grupos de explorações (no n/ exemplo) têm distinto “limiar de rentabilidade” (ponto de equilíbrio em que o valor da produção é o necessário só para pagar todos os seus custos, com resultado económico nulo). As explorações menos eficientes (25% INF) precisam de, pelo menos, mais 32% de vacas p/ atingir o seu Limiar de Rentabilidade. As explorações dos grupos 25% SUP e MED atingem o seu L.R. com respectivamente 43% e 64% das suas vacas (para pagar os seus custos fixos) - ganhando efectivamente dinheiro com as restantes. Exemplo: com estrutura para 250 vacas, os limiares de rentabilidade dos 3 grupos de explorações são: Com estrutura para 250 vacas Produtividade (LLVA) Qualidade (€/Lt leite) Dimensão (nº vacas)

25% SUPERIOR Cenários

1

11000 0,320 107

22

2

11000 0,30 127

3

1

MÉDIA Cenários 2

0,32

127

161

0,30 205

Lactação

Seca/Recria

4,45 3,88 3,32

1,57 1,57 1,57

Custo alimentação €/vaca/dia

Lactação

Seca/Recria

4,45 3,88 3,32

1,57 1,57 1,57

PRODUÇÃO 1.000.000 kg/ano Nº vacas leiteiras Cria / Recria Efectivo Total % redução efectivo

Autonomia Cria+Recria 1.000.000 kg/ano

0,32

0,32

205

0,30

331

547

547

% Autonomia da exploração

3

= = =

250 vacas €/explor/dia 1 655 1 436 1 178

=

Margem sobre alimentação

p/ vaca €/vaca/dia 6,55 6,00 5,44

= = =

250 vacas €/explor/dia 1 638 1 499 1 361

25% SUPERIOR 91 67 158 24

MÉDIA 100 80 180 13

25% INFERIOR 111 96 207 -

4 – Salvaguarda de riscos sanitários As explorações mais eficientes têm maior salvaguarda sanitária, pois a sua reposição não está dependente de animais externos, ainda podendo gerar receitas extraordinárias com venda de novilhas excedentes, contrariamente às outras que têm custos acrescidos com compra de novilhas p/ reposição.

0,32

2

p/ vaca €/vaca/dia 6,62 5,75 4,71

3 – Sustentabilidade Ambiental & REAP As explorações mais eficientes obtêm a mesma produção leiteira, com menos 24% de animais, o que é muito relevante não só economicamente, mas também em termos ambientais, com consequências e implicações nomeadamente em termos de REAP e PGEP (gestão de efluentes):

9000 8438

1

Margem sobre alimentação

* para a mesma produção de proteína (1.2 kg/dia)

9000

3

=

* para a mesma produção de gordura (1.4 kg/dia)

Vacas leiteiras Cria / Recria Custos c/ compra de reposição (€/vaca/ano) Proveitos c/ venda de reposição (€/vaca/ano)

10310 10000 10000 9374 0,32

25% INFERIOR Cenários

Custo alimentação €/vaca/dia

Ruminantes • abril | maio | junho • 2013

25% SUPERIOR

MÉDIA

25% INFERIOR

-

15

112

100

93

91 67 80

105

100 80 -

111 96 -


Precisamente para ver mais longe

Precisamente a nossa empresa... Na INVIVONSA Portugal, terá sempre um parceiro fiável para todas as suas perguntas sobre nutrição e saúde animal. A nossa equipa está presente para o ajudar a encontrar soluções inovadoras e seguras em todas as situações e/ou objetivos.

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PRODUÇÃO

RECRIA, custo acrescido… ou redução do custo? (parte II)

Elisabete Martins, Médica Veterinária na INVIVONSA PORTUGAL, SA., Docente na EUVG

Poderemos considerar o processo de recria bem-sucedido quando conseguimos (1) um 1º parto antes dos 24 meses com um peso vivo de cerca de 600-650 Kg de peso vivo (PV), conseguido em boas condições após um crescimento ótimo e regular em cada fase de desenvolvimento, sem problemas de saúde; (2) um episódio de parto sem qualquer problema, e (3) com a melhor das possibilidades para exprimir o potencial genético para a produção de leite e com a maior longevidade (Soberon et al, 2012). Este sucesso depende da eficácia de todas as etapas do processo, que se inicia na seleção dos progenitores da futura vitela de reposição e termina na 1ª lactação. No entanto a importância do período do nascimento ao desmame têm vindo a ser reconhecido como o mais determinante no crescimento e produtividade, sendo a nutrição e o maneio nesta fase os fatores que mais influenciam a expressão do potencial de produção leite. O desenvolvimento das vitelas no período nascimento-desmame define a sua performance produtiva na 1ª lactação e seguintes, mediante mecanismos de imprinting e modelação epigenética associados a ganhos médios superiores (Heinrichs, 2011). Ganhos médios diários (GMD) até ao desmame superiores resultam em maior PV ao 1º parto (Moallen et al, 2010) que por sua vez se traduz em mais produção na 1ª lactação (mais 450 a 907 Kg) (Foldager e Krohn, 1994; Bar-Peled et al., 1997; Shamay et al., 2005; Terré et al., 2009; Moalled et al., 2010; Heinrichs, 2012; Soberon et al., 2012); também foi verificado que quanto maior o consumo de ração ao desmame, maior a produção de leite na vida da novilha (Heinrichs, 2011). A restrição nutricional até desmame limita o crescimento compensatório (Café et al., 2006; Greenwood et al., 2006) e atrasos de crescimento neste período não são recuperáveis.

24

Na avaliação de campo levada a cabo em explorações do norte e centro do pais (n=40), cujo objetivo foi analisar alguns aspetos da metodologia de recria, foi possível concluir que os objetivos amplamente praticados, científica e economicamente validados não estão a ser alcançados na sua maioria, apesar de ser notório que existem algumas explorações já com elevados padrões que se traduzem por menos mortalidade, menos doença, menor idade ao primeiro parto, menos refugo até ao final da primeira lactação e melhores produções no final da 1ª lactação. Da análise realizada realça-se (1) a insuficiência do volume de primeiro colostro ingerido (até às 12h) (média=2,38 L; min=1; max=4; dp=0,6; n=27), que justifica a elevada incidência de doenças neonatais e mortalidade; (2) a idade média ao desmame de 2,8 meses (min=1,5m; max=4m; dp=0,6; n=28), com os animais em muitas situações a evidenciar peso insuficiente ao desmame e uma acentuada derrapagem no desenvolvimento durante a transição; (3) idade média à primeira inseminação de 16,4 meses (min=13; max=20; dp=1,71; n=27) e idade média ao 1º parto de 27,49 meses (min=24; max =35; dp=2,54; n=25). Estas idades médias, apesar de elevadas não foram, em função dos animais avaliados, suficientes para garantir estatura e peso adequados. A inseminação de uma novilha não pode, contudo, ser determinada exclusivamente pela idade (12-14 meses); se não houver um correto desenvolvimento músculo-esquelético e um PV adequado (e só nesta situação) estaremos a aumentar o risco de distócia e doenças associadas, bem como a limitar a expressão do potencial produtivo. O PV ao 1º parto relaciona-se positivamente com a produtividade na 1ª lactação (Heinrichs, 2012) e GMD superiores (0,800 g/dia) resultam em maior pro-

Ruminantes • abril | maio | junho • 2013

dução de leite (Zanton e Heinrichs, 2005) (tabela 1).

Tabela 1: Recomendações de crescimento novilhas (parto aos 24 meses, GMD 823g/d; adaptado de Hoffman, 1997). Idade meses

Peso vivo (kg)

Altura garupa (cm)

0

42

80

3

110

97

9

263

120

14

390

131

20

542

141

24

645

149

Classicamente a estratégia de maneio nutricional pré-desmame têm tido por base a restrição de ingestão de leite a 8-10% do peso vivo/dia, com o objetivo de estimular a ingestão precoce de alimento seco e por esta via, alcançar um desmame precoce com um custo mínimo (nesta fase) mas á custa de uma intensa limitação do crescimento das vitelas; de facto neste regime a quantidade de leite apenas cobre as necessidades de manutenção do animal (tabela 2), sendo o concentrado que consegue consumir durante as três primeiras semanas de vida negligenciável. Se o vitelo for amamentado sem restrições (ad libitum) ingere 16-20% PV leite (2-2.5% em MS PV) (Hafez e Lineweaver, 1968). Maneios nutricionais que permitem a ingestão de leite a doses de cerca de 20% do PV/dia são necessários para o crescimento biologicamente adequado (que permite GMD de 1000 g/d), resultando ainda numa maior resistência imunitária, menor incidência de doenças neonatais, maior crescimento subsequente, menor idade à 1ª inseminação e maior produtividade futura, desde que o desmame seja feito apenas quando o vitelo ingere pelo menos 1 Kg de ração (Drackley, 2005). A eficácia de um plano nutricional correto será sempre derrubada por falhas no encolos-


PRODUÇÃO

Tabela 2: Necessidades nutricionais e eficiência alimentar para vitela de 50 Kg com leite de substituição, em termoneutralidade: Equações de Cornell-Illinois modificadas – NRC (2001) (adaptado de Van Amburgh e Drackley, 2005). GMD Kg/d

Ingestão MS%PV

Leite Subst g de MS

0,2

1,05

525

0,4

1,30

0,6

1,57

0,8 1,0

Leite Peso Ganho reconstit. Desmame L 60 dias

EM, Mcal/d

PB g/d

PB % da MS dieta

Ediciência alimentar GMD/gM s

4,2

12

2,34

94

18,0

0,38

650

5,2

24

2,89

150

22,4

0,63

785

6,28

36

3,49

207

26,6

0,77

1,84

920

7,36

48

4,40

253

27,4

0,86

2,30

1015

8,12

50

4,80

318

28,6

0,87

tramento (fatores de defesa e fatores hormonais e de crescimento essenciais; objetivo 4 L até às 12h de vida) por défices de higiene, bem-estar, instalações e maneio. A saúde e crescimento adequado serão sempre o resultado do equilíbrio entre fatores externos de agressão e fatores internos e externos de proteção/defesa. Deverá ter-se como objetivo duplicar o peso de nascimento às 8 semanas de vida e garantir uma transição suave para a alimentação exclusivamente sólida, atentando ainda que ao retirarmos o leite, teremos de permitir ao animal um aumento de consumo de ração que garanta um aporte nutricional equivalente ao que é retirado com o desmame (1 Kg de leite em pó ≈ 2 Kg ração). A ração deverá ser adequada para GMD de pelo menos 800 g/d controlando os níveis de gordura e aportando proteína suficiente para o crescimento estrutural, associado a correto suporte vitamínico e mineral. A suplementação vitamínica e mineral (da ração ou suplementar) é particularmente crítica na fase de desmame, para fazer face às súbitas restrições devidas à retirada do leite do plano alimentar, mudança de instalações e (re)agrupamento que resulta num pico de stress oxidativo, que quando não controlado resulta em doença (essencialmente respiratória ou coccidiose) e derrapagem do crescimento no pós desmame. A par do bom maneio alimentar, não pode ser esquecido que o vitelo jovem consome grande parte da energia disponibilizada no alimento, em 1º lugar para manter a sua temperatura corporal, em 2º lugar para construir respostas de defesa frente a doença. Apenas o que “sobra” é utilizado para crescimento. Assim, quando a temperatura ambiente se afastar da zona de conforto térmico do vitelo (15-25 °C para humidade relativa entre 70-80%), e/ou existe uma grande pressão de infeção que resulta quer da falta de higiene, quer do contacto com animais de diferentes idades, então estaremos não só a aumentar drasticamente o risco de doença e morte, mas também a limitar o crescimento e a eficiência alimentar. Pelo menos do nascimento até que os ani-

mais ultrapassem a crise do desmame é vital que tenham cama quente, seca e limpa, associada a uma ventilação adequada. A estratégia de desmame a definir em cada exploração deverá ter por objetivo minimizar o stress da transição. Desmamar o animal progressivamente (passar de duas tomas para uma, ou reduzir progressivamente durante uma semana em amamentadoras); mudar de instalações e (re)agrupar uma semana antes ou uma semana depois do desmame; garantir que as instalações de transição têm cama seca e suficiente; garantir aumento de consumo de ração; minimizar as diferenças de idade são aspetos que devem ser equacionados. Depois de ultrapassada com sucesso a fase de transição pós-desmame a vitela estará apta a manter o seu ritmo de desenvolvimento, mas deverá ter-se em conta que apenas se tornará num ruminante pleno por volta dos seis meses de vida, estando nesta fase ainda pouco capaz de digerir com eficiência a forragem, em particular quando esta é de pobre qualidade, o que se traduz frequentemente em distensões fibrosas do rúmen, disbioses, fracos crescimento associados ainda a mau estado do pêlo, que traduzem um status nutricional, vitamínico e mineral carenciado. Para controlar estes aspetos é essencial controlar o crescimento dos animais pelo menos

ao desmame, aos seis e doze meses e ao parto, não só mediante a monitorização da condição corporal, mas também associando pelo menos um parâmetro de crescimento músculo-esquelético (exº. medição da altura ao garrote). Deverá ter-se presente que uma excessiva condição corporal não é desejável devendo antes privilegiar-se o aumento de peso vivo pelo aumento de estatura. Atualmente a longevidade média da vaca leiteira não ultrapassa as 3 lactações (Hare et al., 2006). A mortalidade média nacional até ao desmame situa-se em torno dos 19%, contra 11% de média europeia (EDF report, 2012) e 8% nos EUA (NAHMS, 2007), alcançando valores mais elevados em muitas explorações. Até ao final da 1ª lactação são refugadas 15-20% das novilhas (Bach, 2011). Estes valores ilustram bem que não existe margem para erros quando falamos de recria. Por questões estruturais, na grande parte das explorações nacionais as novilhas são alojadas a partir dos últimos meses de gestação ou após o parto, com as vacas adultas (hierárquica e fisicamente superiores), e submetidas a planos nutricionais que não têm em consideração que a sua capacidade de ingestão é muito inferior. Deste modo estamos a condenar os animais com melhor genética a sofrer balanço energético negativo severo e prolongado, maior incidência de doenças puerperais (retenções, metrites, perturbações digestivas) e perturbações do retorno à ciclicidade ovárica e qualidade dos oócitos produzidos. Tudo isto contribui para infertilidade prolongada e refugo por esta (e outras) causas (Brickell e Wathes, 2011). A impossibilidade de mudar este aspeto do maneio sublinha ainda mais a importância das novilhas alcançarem o primeiro parto até aos 24meses, com um peso e estatura que lhes permita ter a melhor hipótese de sobreviver até à 2ª lactação.x

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Calseagrit ® e a sua utilização na nutrição de ruminantes Departamento Técnico Comercial Timac Agro \ Vitas Portugal O Calseagrit® é um ingrediente natural, de origem marinha, que se apresenta sob a forma de pó, obtido a partir de uma alga micronisada, Lithothamnium calcareum, recolhida tradicionalmente ao longo das costas oeste e norte da Bretanha. Esta alga micronisada é um ingrediente mineral e está autorizada em alimentação animal para todas as espécies (Diretiva CE 92/87). O interesse em nutrição animal do Calseagrit® reside na sua riqueza em Cálcio, Magnésio, Ferro e Iodo, na sua excelente assimilação e pelo facto de não reagir com outros ingredientes, minerais ou orgânicos, dos alimentos.

Lithothamnium calcareum

QUAIS AS PROPRIEDADES DO CALSEAGRIT®? O Calseagrit® é um reservatório natural de sais minerais, retidos pela filtração biológica da água do mar, sendo rico em macrominerais e em 32 oligoelementos. Estes minerais fortificam, mineralizam e reequilibram o organismo. A sua estrutura física apresenta uma elevada microporosidade, sendo a sua superfície específica superior a 10m2/g. O processo de micronização aumenta ainda mais a biodisponibilidade dos minerais do Calseagrit®. A sua elevada superfície de contacto permite uma melhor eficácia digestiva por

parte dos sucos digestivos, aumentando a capacidade do organismo reter os minerais do Calseagrit®.

Devido às suas características físicas e químicas, o Calseagrit® possui um bom efeito tampão. A sua ação sobre o pH e a sua elevada microporosidade, favorecem o desenvolvimento das bactérias ruminais. Beneficiando o ambiente microbiológico do rúmen, permite ao ruminante valorizar melhor os alimentos, limitando os riscos de problemas metabólicos (acidose, défice energético) e ajudando o trânsito alimentar.

QUAIS AS MAIS VALIAS ZOOTÉCNICAS DO CALSEAGRIT®? Devido às suas características físicas, químicas e biológicas, a utilização em nutrição animal do Calseagrit® apresenta muitas vantagens.

Estudos demonstram que a sua utilização aumenta a digestibilidade da matéria orgânica e da matéria azotada total. Fração

Controlo

Matéria Orgânica

58,20%

Matéria Azotada Total

57,90%

Cálcio

17,40%

Calseagrit® 60,20% 58,20% 25.10%

Fonte: Station de La Bouzulle / Ecole Nationale Supérieure d’Agronomie Nancy 2006

Imagem de Calseagrit® ampliada 1000x

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Imagem de Calseagrit® ampliada 3000x, mostrando o desenvolvimento bacteriano devido à sua porosidade

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ALIMENTOS MINERAIS PARA ALTA PERFORMANCE


PRODUÇÃO »

ALIMENTAÇÃO

A digestibilidade do Calseagrit®, assim como a biodisponibilidade do cálcio e do magnésio, é superior à do carbonato de cálcio terrestre. Carbonato de Cálcio terrestre

RB*

Absorvido

Retido

Digestibilidade

Absorvido

120g

14,1g

12%

30g

12g

40%

CC**

Calseagrit® Retido

Digestibilidade

120g

14,1g

12%

30g

23,6g

79%

Fonte: Station de La Bouzulle / Ecole Nationale Supérieure d’Agronomie Nancy 2006 (*Ração Base **Suplemento de cálcio ) Fração Carbonato de cálcio terrestre ®

Calseagrit

Biodisponibilidade Cálcio

Biodisponibilidade Magnésio

22 a 53%

26 a 48%

92 a 96%

Fonte: Universidade de Uberlândia, Prof. De Melo, 2003

85 a 94%

Em mM/l

Controlo

Calseagrit®

AGV totais

104

107

Proporção dos AGV em %

10.1

11.3

Acetato (C2)

59.1

57.3

Propionato (C3)

20.2

21.1

Butirato (C4)

14.4

15.1

Fonte: Station de La Bouzulle / Ecole Nationale Supérieure d’Agronomie Nancy 2006

A sua influência no desenvolvimento da flora ruminal, leva a alterações na produção dos ácidos gordos voláteis (AGV) no rúmen, responsáveis pelo fornecimento de 70% da energia ao ruminante.

Tendo em conta todos estes factores, o fornecimento de Calseagrit® aos ruminantes permite criar condições favoráveis a uma maior valorização do alimento fornecido. Devido à sua elevada porosidade, o desenvolvimento da flora ruminal é estimulado, sendo assim a digestão favorecida. Por outro lado, o poder tampão do Calseagrit® permite corrigir o pH do rúmen, diminuindo assim o risco de acidose, associado a animais de alta produção cuja alimentação se baseia em elevadas quantidades de concentrado, silagem de milho e pouca fibra estrutural.

CALSEAGRIT® E OS ALIMENTOS MINERAIS VITAS PORTUGAL

A Vitas Portugal, filial do Grupo Roullier em Portugal, conta com uma experiência de mais de 30 anos na área da nutrição animal e ao longo da sua história tem sempre desenvolvido produtos que vão de encontro às necessidades das diferentes fileiras da produção animal. Tendo em conta a mais valia nutricional do Calseagrit®, a sua incorporação nos alimentos minerais das gamas EUROBLOC e VITACOMPLEX, faz com que estes sejam produtos de excelência na produção animal. A Vitas Portugal continua a defender uma busca permanente de novas e mais adequadas soluções para os nossos clientes. Para mais informações e esclarecimentos, não hesite em contactar o

Jornadas veterinárias Aposta na formação em bovinos e equinos

Em março último, tiveram lugar, pelo quinto ano consecutivo, as Jornadas do Hospital Veterinário Muralha de Évora (HVME) em parceria com a Equimuralha. O evento juntou mais de 350 participantes e contou com a particpação de vários palestrantes especialistas nos temas propostos para esta edição, “Planeamento e Prevenção – o sucesso da produção pecuária” (sala de animais de produção) e “Impacto da nutrição na saúde e bem-estar dos equinos”. À semelhança dos outros anos, o público destas jornadas foi constituído essencialmente por criadores, médicos veterinários, cavaleiros, proprietários de cavalos e estudantes. A adesão a este evento levou a que o Hospital Veterinário Muralha de Évora e a Equimuralha apostassem num segundo dia de jornadas dedicado a temas mais específicos. No âmbito dos animais de produção, neste ano foi dado especial relevo às asso-

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ciações de criadores de bovinos de carne e a várias empresas como a Prodivet, a Melpica e a Hipra, que apresentaram vários temas relacionados com a alimentação e a valorização económica dos bovinos. A nível dos equinos, realizou se uma jornada completa dedicada à resistência equestre, actualmente a disciplina com maior cres-

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cimento internacional. Ainda neste segundo dia, decorreram vários workshops específicos para médicos veterinários, dedicados ao controlo do parasitismo em ruminantes (Zoetis), aos planos profilácticos para bovinos em extensivo (MSD) em ruminantes e às patologias estomatológicas e dentárias dos equinos.x


ATUALIDADES

Viagem de estudo à Califórnia Notas de Viagem José Caiado Médico Veterinário, Dairy Consulting “Desafiado pelo Carlos Serra a integrar a viagem que a Ugenes organizou com o objetivo de conhecer melhor a realidade americana do Crossbreeding, visitar a Feira Agrícola de Tulare, bem como diversas vacarias (algumas luso-americanas) na Califórnia e no Texas, devo dizer que ter ido valeu bem a pena. Deixo aqui umas quantas notas sucintas sobre o que vi e algumas impressões e reflexões a propósito da produção de leite naqueles dois estados dos EUA.” Ficou absolutamente claro que nenhum produtor de leite terá futuro se não produzir pelo menos 50% da matéria seca alimentar para o gado. Todos aqueles produtores de leite que não dispõem de terra para produzir as suas próprias forragens estão a vender as suas explorações, seja porque desistem do negócio, seja porque estão a deslocalizar as explorações para outros locais onde a terra está disponível e a preços suportáveis. É unânime a opinião de que a produção de leite só é sustentável com uma alimentação baseada em forragens, em quantidade e qualidade. Os produtores não esperam subidas importantes do preço do leite. Consideram que a sua so-

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brevivência decorre da sua capacidade de produzir de forma mais eficiente.

Valeu a pena visitar a Feira Agrícola de Tulare. Esta decorre todos os anos em Fevereiro e é um ponto de encontro da fileira leiteira da Costa Oeste. O mundo agrícola está ali todo e bem representado com toda a gama de novidades em produtos e serviços destinados à agricultura, sem dúvida muito interessante. A feira integra um conjunto diversificado de colóquios sobre temas variados. Assistimos ao colóquio patrocinado pela revista Agrícola Progressive Dairyman sobre o estado da arte em relação ao programa de cruzamentos em raças leiteiras, a vaca Procross.

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Palestrou o Professor Les Hansen da Universidade do Minnesota, reconhecido professor de ciência animal e responsável pelo desenvolvimento e acompanhamento dos diversos estudos já efetuados ( na Califórnia) e outros ainda a decorrer ( no estado do Minnesota) do efeito da valorização do Vigor Hibrido em vacas leiteiras, especialmente no programa da vaca Procross. Les Hansen apresentou os tópicos principais sobre as causas que têm levado muitos produtores a nível mundial a optar pelo Crossbreeding para combater os altos níveis da consanguinidade da raça Holstein que nos últimos anos se têm vindo a fragilizar cada vez mais nos valores de saúde e longevidade

da raça Global.

Nos dias seguintes visitámos diversas vacarias que usam o Procross há pelo menos 10 anos e em que todas já possuem vacas F3 em ordenha. Algumas vacarias organizaram dias abertos e foi interessante verificar a forma aberta como respondiam a todas as perguntas que lhes iam sendo feitas pelas pessoas do nosso grupo. Daquilo que me foi dado ver e ouvir, resumo em seguida um conjunto de aspetos e frases que me pareceram mais interessantes sem critério de ordem. Em termos globais o volume de leite produzido não tinha variado, mas os “sólidos no leite” sim. A performance reprodutiva era francamente boa, expressa em


ATUALIDADES

intervalos entre partos nos 12,513 meses. As vacas em transição (periparto) não têm problemas. Muito poucos casos de doenças metabólicas e pouca despesa em medicamentos.

Numa destas vacarias encontrámos um Herd Manager Português, Mozart dos Açores, que nos dizia que “com estas vacas não há que puxar um bezerro” e que já tinha dito ao patrão que, caso ele voltasse à Holstein, ele deixaria aquele emprego: “eu sei o que é puxar bezerros, aqui não tenho esse problema”. Uma das questões que a mim me interessava particularmente saber era a eficiência alimentar (EA). Vários nutricionistas me disseram que pela sua experiência a EA era a mesma. No entanto estavam a decorrer testes nas explorações com grupos diferentes para quantificar eventuais diferenças. Havia no entanto um conjunto de comentários repetidos em várias explorações em que se afirmava o seguinte: tendo em conta que as vacas cruzadas não perdem tanta condição corporal, não temos que fazer dietas com tanta energia como para as Holstein puras. Foi também reiterado que as novilhas em recria necessitam de dietas menos energéticas, pois de outra forma começam a engordar. Achei curioso o comentário de um produtor (Jack Hoeskstra) que nos disse que com as cruzadas ele tinha tempo para “socia-

lizar com a família e os amigos”. Uma das criticas mais comuns ao Procross dizia respeito ao facto de os animais mamarem uns nos outros mas, respondiam que isso se podia minimizar com alterações ao seu maneio alimentar quando jovens. E que também só se pode trabalhar com os touros de topo, para se ter sucesso.

Foi com uma ponta de orgulho que constatámos a importância dos produtores de leite de Origem Açoriana na Califórnia. Eles representam cerca de 40% da produção de leite naquele Estado. Visitámos as explorações de Mário Simões e Tony Mendonça, que não podiam ter sido melhores anfitriões do nosso grupo. Mostraram tudo o que o grupo quis ver e saber com uma abertura extraordinária. No que respeita à alimentação, foi curioso ver que na Califórnia as vacas não sabem o que é a “soja”. Por estar muito cara não se utiliza. É substituída por colza e por massa húmida de milho destilado proveniente das fábricas produtoras de bioetanol a partir do milho. Na Califórnia usa-se uma panóplia de subprodutos agroindustriais com destaque para a casca externa da amêndoa e os desperdícios do algodão. Contudo, estas dietas baseadas em subprodutos encontram-se alicerçadas numa excelente base forrageira composta por silagem de milho, de trigo e luzerna de boa qualidade.

Como forragem de inverno a silagem de trigo surpreendeu pela sua produção em grande escala. Em relação ao uso de luzerna os nutricionistas locais contactados disseram preferir a silagem ao feno. “Definitivamente”, diziam eles, o objetivo é uma MS de 40%. Menos de 35% implica alto risco de contaminação por terra e “clostrídios”. Mais de 45% faz perder folhas. Com a silagem de luzerna as vacas comerão mais 10% MS que com feno e conseguimos muita “proteína solúvel” disponível para os arraçoamentos.

O último objetivo desta viagem era a visita a grandes vacarias de mais de 10.000 vacas, no Texas. Realmente nenhum dos participantes pensou alguma vez visitar vacarias de tão grande dimensão. E não foi sem alguma emoção e orgulho que visitámos a enorme e ultramoderna vacaria

de Sebastião Faria (português dos Açores) em Dumas, no Texas. Aí ele pretende juntar 50.000 vacas em estábulo totalmente fechado e de ambiente controlado usando a técnica chamada de ventilação cruzada. Neste momento a vacaria abriga cerca de 30.000 vacas em produção com 3 carrosséis de 106 pontos, estando outros 2 em construção e em projeto, bem como novos pavilhões num investimento de largas dezenas de milhões de dólares. Durante várias horas percorremos os cerca de 400 ha que ocupa apenas toda a área da vacaria. Muita coisa vimos todos e muito fica por contar. Pelo que aconselhamos todos aqueles que possam e queiram, vir a integrar uma futura viagem àquelas paragens, que nesta ocasião foi muito proveitosa para todos, onde os produtores de origem portuguesa nos fizeram sentir em casa. x

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Stress térmico em vacas leiteiras André Silva, Médico Veterinário Serviços técnicos da Zoopan SA

Rui Cepeda, Médico Veterinário Serviços técnicos da Zoopan SA

O stress térmico ocorre quando um animal tem calor corporal excessivo e não o consegue libertar.

O stress térmico reduz a performance produtiva, reprodutiva e imunitária da vaca leiteira. Como sinais individuais de stress térmico temos a procura de sombras ou locais frescos, arfar, salivação excessiva, respiração de boca aberta, falta de coordenação e tremores. Relativamente à performance dos animais, ocorre uma quebra na ingestão, na produção de leite, no teor butiroso, temos uma menor manifestação do cio, menor taxa de conceção, e nos touros existe uma diminuição da quantidade do sémen produzido, assim como da sua qualidade (efeito que se prolonga até mais de 1 mês após o final da ocorrência de stress térmico). O funcionamento do sistema imunitário também é comprometido, existindo maior suscetibilidade às doenças e menor resposta à vacinação. Em períodos de stress térmico existe um aumento do risco de acidose ruminal. Os principais fatores na origem desta maior ocorrência de acidose são: diminuição da ingestão total, com alteração entre a proporção de forragens (diminuição) e os alimentos com hidratos de carbono rapidamente fermentescíveis (aumento); redução do efeito tampão da saliva (menor ingestão da saliva produzida e menor quantidade de bicarbonato disponível no sangue devido ao aumento da frequência respiratória). Adicionalmente, irá ocorrer uma alteração na flora microbiana ruminal com redução da flora celulolítica. Todos estes fatores contribuem para uma

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Tabela 1

Humidade Relativa (%)

Temperatura (ºC)

Isto ocorre pela combinação entre temperatura e humidade elevadas, que “anulam” o principal mecanismo de termorregulação dos mamíferos – evapotranspiração. As perdas causadas são difíceis de estimar, sendo referidas na bibliografia perdas de 422€/vaca/ano, sendo atribuídas 80% dessas perdas às quebras de produção e 20% relativos ao aumento dos custos relacionados com a saúde dos animais. As vacas leiteiras, devido ao seu elevado metabolismo, entram em stress térmico em condições de temperatura e humidade mais baixas que o Homem. De facto, numa situação de 30ºC e 60% de humidade relativa (bastante frequentes no nosso país), já existe um risco moderado de ocorrência de stress térmico, conforme se pode observar na tabela 1.

Índice de temperatura e humidade para vacas leiteiras

Sem Stress Térmico Risco de Stress Térmico Reduzido Risco de Stress Térmico Moderado Risco de Stress Térmico Elevado Risco de Stress Térmico Fatal

menor eficácia da conversão alimentar e consequentemente afetam a produção leiteira e/ou teor butiroso. Ocorrem também os problemas tradicionalmente relacionados com acidose clínica ou subclínica, como a diminuição da saúde geral dos animais, infertilidade, problemas de patas e diminuição da longevidade dos animais. Devem ser implementadas medidas de maneio geral e adaptação das instalações de forma a reduzir o impacto do stress térmico nos animais. Também se deve proceder a um ajuste do maneio alimentar e da fórmula alimentar, de forma a assegurar a maior ingestão possível, o melhor aproveitamento alimentar e evitar a acidose ruminal. Adicionalmente podem ser utilizados ingredientes como as leveduras vivas, óleos essenciais, especiarias e outros extratos de plantas que favoreçam a ingestão, eficiência alimentar e estabilização ruminal. »


PRODUÇÃO

Para os 3 grupos de animais foram registados os seguintes dados: • temperatura ambiente no interior do pavilhão às 5h00 • temperatura ambiente no interior do pavilhão às 15h00 • produção média diária • ingestão média diária • número de animais • média de dias de lactação

Ensaio do produto IMUNO-RUMI INTRODUÇÃO

O objetivo principal deste ensaio foi determinar que vantagens existiriam em termos de produção leiteira, na suplementação com 100 g/vaca/dia de Imuno-Rumi da alimentação de vacas leiteiras, durante os meses de Verão.

A ingestão média diária foi estimada considerando a hora a partir da qual as manjedouras se encontravam sem alimento, levando a um valor percentual em relação aos 100% definidos como 22.5 kg de matéria seca para os grupos NOV e AP e como 21.5 kg para o grupo MED.

O Imuno-Rumi é constituído pelos seguintes ingredientes: • Óleos essenciais específicos (a) e especiarias específicas (b) que favorecem a estabilização ruminal e o índice de conversão; • Extratos de plantas específicas (c) que aumentam a fidelização do animal ao alimento e reduzem os níveis de stress. • Adsorvente de micotoxinas (d) á base de alumino-silicatos, paredes celulares de leveduras e um potenciador das funções hepáticas.

VALORES MÉDIOS OBSERVADOS

Ao longo de todo o período de estudo foram observados os seguintes valores médios (Tabela 2).

CARATERIZAÇÃO DO ENSAIO

O ensaio foi realizado numa exploração com 296 animais em ordenha e com 31 L de média diária de produção por vaca (valores do contraste de Julho de 2012). Foi feita a administração de 100 g/vaca/dia de Imuno-Rumi entre os dias 18 de Julho e 30 de Agosto (inclusive). Essa administração incidiu sobre 2 grupos de animais: o grupo das primíparas (NOV) e o grupo de alta produção (AP), que corresponde a multíparas em início de lactação. Foi ainda monitorizado um terceiro grupo de animais, não suplementado, e que correspondia a multíparas em fases mais adiantadas da lactação (MED). Os dados foram recolhidos entre os dias 3 de Julho e 15 de Setembro (75 dias).

ANÁLISE DESCRITIVA

O registo dos dados ao longo do ensaio permitiu estabelecer algumas correlações entre parâmetros.

Tabela 2. Valores médios observados ao longo do período do estudo Valores médios

NOV

AP

Número de animais

76.3

52.8

81.4

Número de dias em lactação

150.3

56.5

275.9

Produção média por vaca (L)

30.3

40.4

29.1

Ingestão média por vaca (Kg MS)

18 AP

20

22

22

22

24

24

24

26

26

26

28

34

MED

20

28

28 35

22.3

18

NOV

30

22.7*

Figura 1 Relação entre a temperatura ambiente às 15h00 e ingestão para os grupos NOV, AP e MED respetivamente.

20

25

MED

* Não foi possível estimar a ingestão do grupo NOV e do grupo AP em separado. A temperatura média às 5h00 foi de 17.0 ºC e às 15h00 foi de 31.9ºC.

Observou-se que a ingestão diminuiu com o aumento da temperatura ambiente para os grupos NOV e AP mas não para o grupo MED (figura 1).

18

Ingestão (Kg)

»

ALIMENTAÇÃO

40

25

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35

Temperatura 15:00

40

25

30

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40


ALIMENTAÇÃO

ANÁLISE ESTATÍSTICA

A análise estatística foi realizada através de modelos de regressão linear, de forma a avaliar quais as variáveis que explicam a variação observada na produção, e de que forma esta foi afetada pela produção. Os modelos compararam para cada grupo, o período suplementado com o período não suplementado. O modelo utilizado foi o seguinte: Yi = β0 + β1X1i + β2 X2i + + β3 X3i + + β4X4i + + β5 X5i

Yi = Produção média de leite (l) por vaca do Grupo j X1i = Temperatura do ar às 05:00 X2i = Temperatura do ar às 15:00 X3i = Nº de dias em lactação do Grupo j X4i = Ingestão (kg) do Grupo j X5i = Suplemento (0: sem suplemento, 1: com suplemento) Com i = 1, ..., 75 e j = {2,3,4}

Agradecimentos: A Zoopan agradece a colaboração do Prof. Doutor Ricardo Bexiga e da Dr.ª Helena Pereira no tratamento estatístico dos dados e no delineamento do ensaio.

PRODUÇÃO

CONCLUSÕES Da análise estatística e da análise descritiva, foi possível tirar as seguintes conclusões:

1. Considerando a produção leiteira em determinado dia e as condições de temperatura e ingestão desse mesmo dia, ao compararmos o período de suplementação com Imuno-Rumi e o período sem suplementação, observou-se um efeito significativo sobre a produção leiteira para o grupo NOV (P<0.01) e para o grupo AP (P<0.01).

2. Considerando a produção de leite do próprio dia e fixando as outras variáveis, quando passamos de um período sem suplementação para um período com suplementação com Imuno-Rumi, em média a produção estimada aumenta 0.79 L por dia Grupo NOV e 0.92 L por dia para o grupo AP.

3. A um aumento da temperatura às 15h, corresponde uma diminuição da ingestão nos grupos NOV e AP. No grupo MED, a ingestão foi pouco influenciada pela temperatura às 15h. x

NOTA: A bibliografia utilizada, assim como um relatório completo do ensaio serão fornecidos a pedido.

Obs.: - (a) e (b) são os ingredientes incorporados no produto Oleobiotec®. - (c) são os ingredientes incorporados no produto VèO Premium®. - (d) são os ingredientes incorporados no Adsortox Polival Plus.

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Eficiência alimentar em produção de leite Luís Veiga, Engº Zootécnico, REAGRO SA

Pedro Castelo, Engº Agrónomo, REAGRO SA

veigaluis@reagro.pt

A objetividade na avaliação dos resultados zootécnicos (produção de carne e leite) é dos pontos menos consensuais e esclarecidos da produção animal. Selecionado o sistema, por exemplo, o nível de proteína para uma determinada produção é indiscutível. No entanto a avaliação objetiva da eficiência ainda tem caminho a percorrer sobretudo na produção de leite. Uns apostam no orgulho de elevadas produções médias, outros focam a longevidade e ausência de problemas, e há ainda os que apostam em minimizar custos alimentares ao extremo enquanto outros desvalorizam o custo desde que as produções sejam boas em litros. Como em muitos outros aspetos a virtude estará algures entre os dois pontos, e neste artigo veremos ainda que descobrir o equilíbrio não é um dado geral para todos. Cada exploração é um caso que deve ser analisado, e para além disso os fatores que influenciam a eficiência não são estáticos, é aí que reside o desafio.

Inicialmente deve-se conhecer dois conceitos. O primeiro é a eficiência alimentar (EA) que resulta da simples divisão da produção pela matéria seca ingerida. O outro é a eficiência alimentar corrigida (EAC), que não é mais do que corrigir a produção de forma a obter um valor que leve em linha de conta os fatores variáveis. Este conceito parece complexo, mas não é. Por exemplo, uma vaca a comer 22.7 kg de matéria seca por dia e a produzir 36.3 kg de leite, tem um valor fixo de EA de 1.6 independentemente da quantidade de gordura no leite. Já este valor corrigido, tendo em conta a quantidade de gordura, faz variar 0.26 por cada 1% de alteração na gordura (tabela 1). Tabela 1

Gordura %

EA (eficiência alimentar)

EAC (eficiência alimentar corrigida

3.0 3.5 4.0

1.60 1.60 1.60

1.47 1.60 1.73

Nas avaliações que devem ser feitas, controlar o Índice de leite é dos valores mais importantes. O índice de leite é um valor que utilizamos nas auditorias para aferir a eficiência real. Tendo em

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pedro.castelo@reagro.pt

conta a gordura, a proteína, o estado de lactação e a percentagem de primíparas no lote. IL (ÍNDICE DO LEITE)

=

/

(Quantidade de leite standard a 38 g/l de proteína

corrigido para o número de primípira)

Matéria seca ingerida

De acordo com varias publicações, os valores de IL podem variar de acordo com a fase de lactação (Tabela 2) dentro dos limites seguintes: Tabela 2: Valores de IL para cada fase de lactação

Fase de Lactação Início Meio Fim Standard (lote único)

Índice de Leite

Mínimo

Máximo

1,55 1,40 1,30 1,40

1,65 1,55 1,40 1,50

Na presença de valores abaixo dos recomendados para cada fase estamos na perante uma má eficiência alimentar. Pelo contrário, quando os valores estão acima do máximo recomendado, podemos verificar um emagrecimento excessivo das vacas e, por consequência, perda do estado corporal dos animais que normalmente está associado a problemas metabólicos e de fecundidade.

Outro parâmetro que utilizamos é a avaliação da eficácia alimentar por nutriente. O objetivo desta análise é comparar a produção estimada (produção teórica permitida pelo arraçoamento) com a real. É esta etapa que permite ajustar o arraçoamento a nível de quantidade e qualidade no que diz respeito a vários nutrientes, muitas vezes nutrientes que não parecem prioritários à primeira vista.

A eficácia energética e proteica é calculada com base na relação das necessidades pela produção exprimida e os aportes pela ração em (%).


ALIMENTAÇÃO Assim, é possível avaliar a parte dos nutrientes realmente valorizados através: - da produção leiteira - pelos seus teores (TB e TP) - pelo crescimento das primíparas

Na presença de uma eficácia superior a 100 % significa que a vaca produz mais do que a ração lhe permite. Ao contrário, o inverso coloca em evidência um desperdício o qual deve ser analisado com o objetivo de encontrar a causa.

Finalmente, além das análises descritas anteriormente também é importante o tempo em produção durante a vida (TPV). Este parâmetro é calculado tendo em conta o tempo em produção sobre a duração de vida da vaca. Sendo este influenciado por vários parâmetros, tais como: - Idade ao primeiro parto - Duração de lactação e de vaca seca - Longevidade (numero de lactações)

Para uma vaca cuja idade ao primeiro parto é de 24 meses e a exploração tem uma taxa de renovação de 25% (considerando um intervalo parto-parto de 400 dias e um período de secagem de 45 dias) o valor TPV é de 61%. Isto significa que a vaca passou 61 % da sua vida em produção real. Abaixo dos 60% significa que existe uma taxa de renovação excessiva, idade ao primeiro parto tardia e consequentemente custos de renovação muito altos.

PRODUÇÃO

4. Levar em linha de conta os fatores ambientais para ajustar a ingestão.

5. Calcular a produção sempre com as produções corrigidas a gordura constante.

6. Calcular a diferença na produção com base no número de distribuições e comparar.

7. Apostar em forragens de qualidade. Mais de 50% de fibra neutro detergente (FND) num feno são 20% a menos de ingestão. Ou seja uma vaca pode comer cerca de 0.9% do seu peso em fibra de forragens, a diferença de um feno com 40 % de FND (fibra neutro detergente) para um feno de pior qualidade com 60% de FND é passar de uma capacidade de ingestão de 14.6 kg MS FNDf (fibra neutro detergente de forragem) a 9.7 kg MS FND.

• Realizar uma auditoria regular de forma a verificar se os valores IL e TPV se encontram dentro dos padrões e sugerir medidas corretivas. x

A margem obtida entre o custo da alimentação e as receitas de leite é um critério empírico e muito variável. Inúmeras vezes, deparamo-nos com critérios díspares em relação à valorização das forragens, e isso tem toda a diferença. Um trabalho síntese da universidade do Wisconsin USA, 2010, estudou quatro fatores que influenciam a eficiência alimentar. A genética com o crossbreeding, regimes de baixo teor em amido, enzimas exógenas e óleos essenciais. A conclusão do mesmo trabalho aponta para alterações de eficiências muito marcadas entre explorações das mesmas zonas. Concluem ainda que as variações de 1.1 a 1.9 em EAC podem ter impactos superiores a 4 €/Vaca/dia. Demonstrando ainda que a utilização de aditivos especiais influencia a eficiência alimentar especialmente com custos de matérias-primas altos.

PONTOS A CONTROLAR:

1. Pesar e registar com rigor os alimentos ingeridos pelos animais bem como as sobras da manjedoura.

2. Controlar diariamente a condição corporal dos diferentes grupos segundo níveis de produção, assegurando que nem as vacas recém paridas perdem muita condição, nem as vacas em final de lactação sobem excessivamente.

3. Em caso de necessidade adaptar arraçoamentos aos grupos, levando em linha de conta vacas de primeira lactação, dias em produção, produção e condição corporal.

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ECONOMIA

OBSERVATÓRIO Milho"the special one" Paulo Costa e Sousa Engº. Agrónomo - Director Comercial da Louis Dreyfus Commodities - Portugal Nos primeiros meses deste ano aconteceu alguma coisa que a maioria não estaria à espera: esperava-se um mercado de milho forte e, de facto, os preços tiveram uma baixa importante, quer a bolsa de Chicago quer o mercado físico do Brasil e da Ucrânia. As consequências desta baixa foram claramente algum aumento no consumo, uma vez que o preço do trigo se situa francamente acima; a constituição de stocks nos destinos, especialmente em Espanha; e uma diminuição da cobertura das compras, ou seja o mercado não aproveitou esta baixa para cobrir as necessidades dos meses de maio, junho e julho para enlaçar com as chegadas de milho da nova colheita brasileira em agosto. No lado das origens, especialmente na Ucrânia, este efeito provocou um ritmo de exportações mais acelerado do que é habitual.

Qual é o efeito para os meses de Primavera ? Na prática, estamos limitados a uma origem competitiva, a Ucrânia, que pode não ter já milho para chegar a agosto, o que fará com que os preços se possam fortalecer mais ou menos drasticamente, contra um mercado comprador que na

sua maioria não fixou ainda as suas necessidades. Há assim indícios de que o milho da colheita atual se possa fortalecer na origem, independentemente do que faça a Bolsa de Chicago que tende a refletir mais o mercado americano do que o ucraniano.

Há ainda um fator adicional que poderá ainda determinar um pouco mais de pressão compradora sobre a Ucrânia, o facto de terem sido detetados níveis anormalmente altos de aflotoxinas no milho sérvio que habitualmente é exportado através da Bulgária/Roménia, e que determinará uma mudança de origem de uma parte das compras feitas nestes países.

Quanto aos trigos, pensamos que se deverão manter nos registos atuais até que a nova colheita comece a influenciar os preços; sobre a nova colheita ainda não pesa nada de desfavorável, até agora está normal mas ainda faltam alguns meses

onde tudo de bom ou de mau pode ocorrer.

Da cevada, temos na sua essência um comportamento muito semelhante ao do trigo, e no caso português estamos a falar de dois cereais que têm um consumo quase residual face ao milho.

Mantemos ainda a ideia de que os consumos destes dois cereais, mesmo com a nova colheita sem nenhum problema, se manterão nos níveis atuais, que será necessário uma modificação drástica nos preços para poderem substituir o milho em larga escala e que a pressão do consumo de milho se manterá, grosso modo, nos níveis atuais.

No caso das proteínas, nomeadamente no bagaço de soja, a palavra de ordem é volatilidade, se bem que numa tendência algo baixista para quando chegar a colheita nova na América do Sul, após a descida drástica a que assistimos há al-

guns meses a que a oportunidade de compra aparece mais ligada a um bom dia de Chicago e de euro/usd do que a uma tendência clara. Pensamos que até ao Verão a situação não deverá ser substancialmente distinta, pese o facto de no mercado nacional haver ainda alguma falta de físico.

Os outros bagaços devem acompanhar em traços largos as tendências da soja, ainda que o mercado do girassol possa sair afetado e um pouco mais agressivo por uma boa e crescente colheita na Ucrânia. Não seria impensável que pudéssemos ver alguma alternativa interessante a partir de agosto vinda destas paragens; veja-se a "pressa" dos extratores europeus a fechar bagaço de colza de agosto até dezembro, protegendo a sua posição contra uma eventual investida do bagaço de girassol ucraniano.* x

* O bagaço de girassol ucraniano (ao contrário do nacional) é normalmente de 34% de proteína, o que concorre praticamente na paridade com o bagaço de colza também com 34% proteína.

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ECONOMIA

Evolução do preço médio de matérias-primas (em Euros/Tonelada) Preços semanais (€/ton) de 14 de março 2011 a 15 março 2013

Fonte: Site www.revista-ruminantes.com

Milho

Cevada

Trigo

Bagaço de soja

Bagaço de colza

Bagaço de girassol

Evolução do preço médio de alimentos compostos para animais (em Euros/Tonelada) Fonte: IACA Novilhos de engorda

Vacas leiteiras em produção

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ECONOMIA

OBSERVATÓRIO Perspetivas do mercado leiteiro Fontes: Boletim Mensal da Agricultura e Pescas fevereiro 2013; INE; Revista Alimentação Animal, nº 82; IFA; USDA – WASDE.

Em dezembro de 2012, a recolha de leite de vaca em Portugal teve uma diminuição de 3,6%, sendo que o volume total de produtos lácteos produzidos apresentou também um decréscimo de 1,0% no mês em estudo. Patrick Vanden Avenne, Presidente da FEFAC, na 55ª Assembleia Geral Anual Pública, em Bruxelas, referindo-se às tendências globais dos mercados de alimentos compostos, desabafou: "Considerando a panorâmica geral, a nossa indústria tem que se acostumar ao conceito de viver perigosamente." Com a contração do mercado e o clima de instabilidade económica mundial, manter os níveis de produção leiteira favoráveis é um desafio. Associada a essa incerteza, a intempérie de ventos ciclónicos e chuvas intensas que se abateu sobre o nosso país em janeiro, alagando culturas, saturando os terreno situados em zonas baixas e nos solos mais pesados com problemas de drenagem, impedindo a entrada das má-

40

Ruminantes • abril | maio | junho • 2013

quinas para a preparação e realização das sementeiras, provocaram avultados prejuízos. Mais ainda, as forragens instaladas nas zonas mais baixas, e com drenagem mais deficiente, mostram alguns sinais de encharcamento, embora que ainda dentro dos parâmetros aceitáveis. Não só Portugal, mas também países como a França, a Irlanda e o Reino Unido têm sentido a tendência negativa de diminuição de produção devido às condições climáticas, diz a Comissão Europeia. Acrescenta ainda que a produção terá uma diminuição de 200 mil toneladas para 124,1 mil toneladas. A Rabobank afirmou que, contra as projeções de que o preço do leite se manteria firme no início do primeiro trimestre de 2013, o restabelecimento do preço do leite está a estabilizar. A FrieslandCampina prevê um débil início de ano para produção leiteira na Europa oriental, em 2013.


ECONOMIA Esta multinacional holandesa afirma que a diminuição da procura de bebidas e sobremesas lácteas e o aumento dos stocks são os grandes culpados, tendo uma significativa repercussão nos países exportadores, fazendo com que o mercado global se contraia até ao final do segundo trimestre de 2013. Porém, por um lado, contrário ao esperado, o USDA prevê um aumento no preço do leite nos EUA para 2013, estimando um aumento na produção dos 614,7 milhões de euros para 153,5 mil milhões de euros. E, por outro lado, a FrieslandCampina acrescentou que a eficiência da produção leiteira europeia está dependente de fusões e aquisições, estratégia essa que visa a rentabilidade através de um mercado de luxo, en-

PREÇO DO LEITE STANDARDIZADO

(1)

Fonte: LTO

Preço Média do leite últimos (€/100 Kg) JANEIRO 12 meses (4) 2013

quanto também explora os mercados emergentes que têm melhores perspetivas de crescimento. Se os preços associados à alimentação animal e o custos de reposição (refugo) diminuírem, a produção de leite pode estabilizar. Não existe grande espaço para investimentos tecnológicos ou aumentos de efetivos. Pode haver um certo alívio após o primeiro corte de feno e mais ainda na colheita dos cereais no próximo outono, caso o clima propicie o amadurecimento das culturas. Em algumas zonas do norte de Portugal, dado o bom desenvolvimento das forragens anuais semeadas precocemente já se efetuaram cortes para aproveitamento em verde e cujo contributo para a alimentação dos efetivos pecuários não é negligenciável. x

» Portugal

LEITE À PRODUÇÃO

Preços Médios Mensais de janeiro 2012 a janeiro 2013 Leite Adquirido a Produtores Individuais

Países

Companhia

Bélgica

Milcobel

34,79

30,95

Alois Müller

33,94

31,65

Humana Milchunion eG

33,11

31,06

Nordmilch

33,11

31,12

janeiro

0,324

0,312

3,81

3,67

3,26

3,16

0,322

0,311

3,83

3,63

3,25

3,17

Alemanha

Meses

Eur / Kg

Teor médio de matéria gorda Teor proteico (%) (%)

Contin. Açores Contin. Açores Contin. Açores

Arla Foods

32,92

33,17

Finlândia

Hameenlinnan Osuusmeijeri

41,28

44,06

março

0,315

0,296

3,74

3,63

3,25

3,20

Bongrain CLE (Basse Normandie)

34,44

33,40

abril

0,318

0,296

3,75

3,61

3,24

3,20

Danone

33,53

33,49 maio

0,312

0,299

3,71

3,65

3,21

3,19

Lactalis (Pays de la Loire)

33,47

32,69

Sodiaal

33,76

33,51

junho

0,294

0,287

3,66

3,71

3,18

3,11

Dairy Crest (Davidstow)

35,99

35,26

julho

0,293

0,285

3,65

3,70

3,18

3,09

First Milk

33,09

32,02

agosto

0,294

0,290

3,66

3,80

3,19

3,09

Glanbia

33,12

30,88

setembro

0,288

0,317

3,69

3,87

3,23

3,13

Kerry

33,16

30,44

outubro

0,292

0,320

3,78

3,94

3,30

3,17

Granarolo (North)

41,21

40,69

novembro

0,312

0,324

3,91

3,98

3,37

3,23

DOC Kaas

33,23

33,46

Friesland Campina

0,312

0,323

3,91

3,97

3,33

3,20

34,63

34,60

dezembro

PREÇO MÉDIO DO LEITE - OUTUBRO (2)

34,65

33,67

janeiro

0,320

0,319

3,86

3,88

3,32

3,13

Suiça

Emmi A.G.

46,05

46,64

Nova Zelândia

Fonterra

27,85

28,63

EUA

EUA (3)

33,42

33,44

França

2012

Dinamarca

fevereiro

Inglaterra

Irlanda Itália

2013

Holanda

Fonte: SIMA

(1) Preços sem IVA, pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG e 3,4 de teor proteico • (2) Média aritmética (3) Ajustado para 4,2% gordura, 3,4% proteina e contagem de células somáticas 249,999/ml • (4) Inclui o pagamento suplementar mais recente

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OPINIÃO

Filosofando em Muês, a revolta das vaquinhas

H

Rui Cruz, Engº Agrónomo DIN S.A.

á muito tempo atrás, havia um grupo de vaquinhas que pastavam livremente, produziam até 10 litros no pico e eram ordenhadas à mão. Na altura, só os abastados tinham posses para consumir o precioso líquido. Há algum tempo atrás, as vaquinhas foram estabuladas e umas máquinas manuais ordenhavam individualmente cada vaca e o leite continuava a ser distribuído pelo real valor. Há pouco tempo atrás, as vaquinhas foram melhoradas geneticamente para produzirem mais leite, passaram a ter Nutricionistas, Médicos Veterinários, Indústrias de Alimentos Compostos elaboradas e Laboratórios tecnologicamente evoluídos. Surgiram as Associações de produtores, as Cooperativas e todas as Instituições do Estado para controlo da higiene e qualidade do leite bem como a sanidade dos animais e seu bem-estar. Os empresários agrícolas foram financiados e estimulados a aumentar as suas explorações agrícolas e o que é certo, é que hoje temos verdadeiros profissionais no setor leiteiro em todas as áreas. Nesse tempo, dito de “vacas gordas”, em que ainda se produziam cereais em Portugal e não havia tanta especulação nas matérias-primas provenientes do estrangeiro, um kg de ração custava à volta de 15 cêntimos e o leite era vendido a 35 cêntimos, o que libertava o suficiente para cobrir todos os outros encargos e investimentos, bem como alguns imprevistos inerentes ao setor. Para manter estes padrões, as vacas tinham e têm de ter o máximo de conforto e atenção, bem como serem minimizados quaisquer fatores de stress. Nos dias que correm, as margens libertadas estão desfasadas, pois 1 kg de ração custa mediamente 40 cêntimos o kg e o litro de leite vendido a 30 cêntimos nos últimos dois anos. Os Empresários Agrícolas passaram a viver escravizados para conseguirem fazer face à nova realidade e a restar praticamente a margem da venda do refugo voluntário e involuntário tentando não ultrapassar os 30% do seu efetivo. Será a revolta das vaquinhas que viviam sem stress nas pastagens ou a reviravolta da globalização? Não seria suposto interrogarmo-nos sobre o futuro do nosso setor e o que aí vem? Sabemos que estamos em crise, que há fome e haverá escassez de alimento a nível mundial. A quem vamos comprar e a que preço os alimentos que necessitarmos? Será que o que compramos no mercado atualmente é nacional e sinó-

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nimo de qualidade ou somos impingidos com quase tudo o que é de outros países, de qualidade e valor alimentar inferior, que por esse motivo os torna mais baratos? Será que, quando a fome chegar a sério a nível mundial, os outros países nos vão vender algo para nosso sustento, mesmo que sejam sobras para enganar a saúde? Será que ainda vivemos na ilusão que ainda estamos no tempo das “vacas gordas”, e que pelo caminho que levamos, pelo menos, ainda tenhamos pão à mesa e um bom leite de qualidade, das nossas pastagens, das nossas forragens, dos nossos cereais e possamos depender de nós e sermos auto suficientes? Que ironia do destino, tirámos as vaquinhas do pasto, não cultivámos pasto para as ditas cujas e sentámo-nos à sombra do destino e de quem nos governa! Filosofando em Português ou em Muês, que desperdícios fazemos nós no nosso País!

Quando os nossos produtores de leite se esgotarem de gerir as migalhas e os quisermos de volta, já será tarde de mais, pois é preciso gostar, ter espírito de sacrifício, ser um profissional dos 7 ofícios e fazer esforços que, hoje em dia, para começar de novo é inviável economicamente. Bem hajam, todos vós que produzem riqueza para o País e boa sorte para os que espreitam uma oportunidade para lá chegarem. Felizmente ainda há Empresas Nacionais a apostarem em nós e no futuro, quer contribuir? Aposte e exija pelo seu bem-estar no futuro, exija produto comprovadamente produzido e embalado em Portugal. x


MUNDO

ATUALIDADES

Alltech Young Scientist 2012 2ª lugar foi para aluna portuguesa A Alltech Portugal informou que mais uma aluna portuguesa obteve uma boa classificação no Programa Alltech Young Scientist 2012. Teresa Tavares, da Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro (UTAD), conseguiu o segundo lugar na Categoria de Licenciado da Europa Ocidental, com um trabalho científico sobre “O Efeito da Substituição de Minerais Inorgânicos com Bioplex® e Sel-Plex® na Performance de Frangos e Qualidade da Carcaça”. Resumidamente, o trabalho científico consistiu em testar o efeito da substituição dos minerais inorgânicos por uma quantidade menor dos mesmos

minerais sob a sua forma orgânica, utilizando os produtos Bioplex (Zn, Cu, Fe, Mn) e Sel-Plex no alimento de frango industrial. Este efeito foi avaliado na performance produtiva e na qualidade de carcaça. O grupo alimentado com minerais orgânicos contou com

menor mortalidade, melhor emplumação e menor incidência de lacerações de pele. Pôde ainda observar-se um tom de vermelho mais acentuado na carne dos animais deste grupo, que poderá estar relacionada com o melhor efeito antioxidante deste tipo de minerais (nomeadamente do Se). Pôde-se concluir que é possível reduzir a incorporação de minerais através da utilização da sua fonte orgânica, mantendo a performance dos animais, e conquistando-se ainda benefícios para a qualidade da carcaça e da carne de frango. Pelo conquistado, Teresa Tavares recebeu um prémio monetário no valor de $500 USD e ainda uma medalha.

O Prémio Alltech Young Scientist é um projeto educacional da Alltech a nível mundial. Para concorrerem aos principais prémios, os alunos de gradução e pós-gradução só têm de apresentar um trabalho científico sobre um tema de agricultura como, por exemplo, ciência veterinária, nutrição, tecnologia de alimentação, desenvolvimentos agrícolas, entre outros. O programa oferece aos estudantes a oportunidade de serem premiados pelas suas descobertas e pesquisas científicas e concorrerem internacionalmente ao mais alto nível. Já estão abertas as inscrições para o ano de 2013/2014. Informações: cpereira@alltech.com.

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Carolo de milho oportunidade (ainda) desperdiçada Jerónimo Pinto, Engº Agrónomo, Eurocereal SA jeronimo.pinto@eurocereal.pt

Com a atual situação das matérias-primas alimentares, é previsível que venha a aumentar significativamente a produção de milho-grão em Portugal, para mais de 100.000 ha de área cultivada. São conhecidas diversas utilizações para o carolo de milho, tais como: • fonte de fibra alimentar para ruminantes • fibra alimentar em nutrição humana • absorvente para camas de animais domésticos e de produção • excipiente p/ indústrias farmacêutica e agro-química • abrasivo para limpeza de superfícies de edifícios • abrasivo p/ acabamento/polimento de peças metálicas • resinas para travões automóveis e fibra de vidro • solvente para refinação de óleos lubrificantes • produção de carvão vegetal / carvão ativado • produção de biocombustível / etanol • combustível para a produção de energia

Com o incremento da produção de milho-grão, também aumentará a disponibilidade de carolo de milho – um subproduto da colheita do milho-grão, que normalmente é deixado no solo, como mero desperdício sem valor, mas que pode constituir um recurso muito interessante e valioso, com diversas utilizações potenciais. Sendo um subproduto da colheita do milho-grão, o carolo de milho não tem custos adicionais aos da cultura, a não ser equipamento específico para a sua recolha. Diversas empresas de mecanização estão empenhadas em desenvolver equipamento de recolha de carolo, compatíveis com as atuais combines / ceifeiras-debulhadoras. Produzindo-se em Portugal 1.000.000 ton/ano de milho-grão, estima-se que sejam deixadas no solo cerca de 140.000 ton/ano de carolo de milho – que, em vez de desperdiçadas, poderiam ser aproveitadas e valorizadas em diversas possíveis utilizações já referidas, nomeadamente na alimentação de ruminantes, especialmente em situações de carência de fibra efetiva.x

Apresenta-se abaixo a valorização nutricional do carolo de milho (maize cobs) dada por Feedipedia

Fonte: – www.feedipedia.org

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Ruminantes • abril | maio | junho • 2013


PRODUÇÃO

Luzerna a fonte verde de proteína A Barenbrug é um dos maiores produtores mundiais de semente de luzerna. A luzerna é a planta forrageira mais importante do mundo, fixa o seu próprio azoto do ar, é tolerante à seca, muito saborosa para os animais e uma excelente fonte de proteína. Os estudos e ensaios realizados por esta empresa, comparando as suas variedades com “ecótipos* baratos”, apresentam diversas vantagens a diferentes níveis, nomeadamente: a capacidade de adaptação a diferentes áreas onde se revelaram mais persistentes; a qualidade das sementes (pureza de germinação), e ainda um maior rendimento, persistência a longo prazo, resistência a doenças e seca, assim como maior digestibilidade e proteína (qualidade da forragem).

VARIEDADE BARENBRUG

VARIEDADE ECÓTIPO

> Mais folhas > Menos caules > Planta mais saudável e forte

= melhor qualidade de forragem = maiores rendimentos

A COLHEITA – PONTOS A OBSERVAR

O corte requer uma gestão apropriada, devendo-se ter atenção aos seguintes fatores: - a altura ideal para cortar é quando 510% das plantas estão em floração, que um novo broto sairá da base do caule, mos-

trando que há reservas suficientes para rebrotar; - cortes frequentes numa fase jovem da planta podem esgotar a cultura (limitar a colheita), que irá diminuir a persistência (máximo 2 anos) e pelo menos dois cortes por ano a 5-10% de floração; - a utilização de um corta-forragens con-

Gadanheira condicionador para luzerna

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dicionador ir�� encurtar o período de campo e limita as perdas de folhas e portanto permite obter uma forragem mais rica em proteína. - após um dia de tempo seco o produto está geralmente pronto para colher; - deve-se comprimir o silo com cuidado e fechar com plástico o mais cedo possível.

O SILO - PONTOS A OBSERVAR

O silo deve ser feito tendo em atenção alguns parâmetros de pressão: - peso elevado (> 10 ton) • usar um espalhador de culturas: máx. 15-20 toneladas máquina/MS/hora • camadas finas (max. 30 cm) x

Corta forragens para luzerna


PRODUÇÃO

Testemunho de um produtor de luzerna Entrevistámos Imke Heida, produtor de luzerna proprietário e gerente da Bracamonte Agro-Pecuária, Lda. Situada na Herdade de Vale de Melão de Cima (freguesia de Igrejinha e concelho de Arraiolos), a exploração conta com um efetivo de 1.100 vacas de leite e 900 novilhas.

Há quanto tempo tem luzerna? Quantos hectares semeia? Imke Heida: Fazemos há 4 anos num total de 36 hectares.

Que fatores analisou antes de decidir fazer luzerna? Foi uma combinação de fatores, o tipo de terreno, o pH do solo, a disponibilidade efetiva de água e a proteína conseguida com esta cultura. Como conserva a luzerna? Conservamos em silagem devido ao elevado teor de matéria seca e ao menor desperdício.

É uma cultura difícil, ou seja, exige muitos cuidados e mais horas de trabalho por hectare que o milho? Sim, não é uma cultura fácil. Enquanto o milho está no terreno aproximadamente 3 meses, a luzerna está o ano inteiro, logo exige mais cuidados. Nesta cultura tem que se ter atenção ao pH do terreno, o terreno tem que estar inclinado para ambos os lados para que haja escorrimento das águas, principalmente no inverno (senão pode-se correr o risco de a cultura morrer).

Qual é a fase mais delicada ou importante da gestão desta cultura? É efetivamente o corte, deve-se ter atenção ao estado em que a luzerna se encontra, pois não pode estar muito seca, para minimizar a perda de folhas que são muito mais ricas em azoto do que os caules.

Como mede o interesse de uma variedade de luzerna? Pelas análises à proteína.

Qual é a altura ideal para os diversos cortes da luzerna? Quando a cultura tem em média 10% de plantas em floração.

Qual é a altura certa de enfardar a luzerna? Enfardamos com aproximadamente 50% de matéria seca.

Tem alguns cuidados quando enfarda? Enfardamos geralmente de manhã, dependendo do tempo.

Qual o perfil nutricional médio da silagem? Temos em média 23% de proteína bruta.

Quantos cortes faz por ano? Qual a produção anual média por hectare? Fazemos 7 cortes por ano e a produção média anual é de 14.000-17.500 ton de matéria seca.

Que quantidade máxima de silagem de luzerna utiliza por vaca e por dia? Depende dos arraçoamentos que estamos a utilizar, é muito variável.

Qual é o custo por tonelada de produzir esta silagem de luzerna? Tem um custo de produção de aproximadamente 0.035€/kg. x

Ruminantes • abril | maio | junho • 2013

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Enzimas Valor demasiado elevado a pagar? Luís Queirós Forage Additives Technical Support Manager Lallemand Animal Nutrition

As enzimas oferecem muito mais do que uma alternativa para a sua silagem! A utilização de enzimas nos aditivos para silagem melhora a preservação das forragens e podem melhorar o seu valor nutritivo. No contexto económico atual, com sucessivas secas, às quais podemos adicionar a maior utilização de culturas cerealíferas na indústria do etanol, o preço dos cereais aumentou exponencialmente, e as previsões para 2013 seguem a mesma tendência. Neste cenário, a preocupação do agricultor passa por extrair o maior valor nutritivo das forragens produzidas na sua exploração. A silagem é uma boa alternativa de preservar erva, no sentido de a utilizar durante todo o ano, desde que bem manuseada e elaborada corretamente. Os especialistas da área aconselham vivamente a utilização de aditivos para silagem acidificantes, que limitem as perdas nutritivas e o desenvolvimento de microrganismos indesejáveis (bactérias butíricas, etc.,..), dentro do silo. Sabia que certos aditivos contêm também enzimas? E que estas enzimas, que inicialmente foram adicionadas com o objetivo de facilitarem o processo de acidificação, podem também ajudar a aumentar a Digestibilidade da forragem, e assim o seu valor nutritivo? Os investigadores calcularam que, em média, as enzimas podem extrair a mais, por tonelada de silagem de erva, em energia limpa, o equivalente a 13 kg de grão de trigo: um retorno de investimento enorme, se tivermos em conta o preço atual do trigo e a sua tendência de crescimento!

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O que são enzimas? Enzimas são proteínas ativas presentes em todas as células vegetais e animais, e que facilitam as reações bioquímicas; são geralmente descritas como sendo biocatalisadores. Cada e todas as reações bioquímicas ocorridas na natureza necessitam de enzimas. Estas são altamente especializadas e cada uma é responsável pela catálise de uma reação particular: existem milhares de enzimas diferentes no nosso corpo. Por exemplo, a digestão envolve uma grande variedade de enzimas responsáveis por quebrarem cada uma das diferentes ligações químicas existentes em cada nu-

triente. As enzimas são utilizadas industrialmente em diversas áreas: panificação, vinho, indústria do papel, processamento de alimentos, alimentação animal…

Porque é que colocamos enzimas nos aditivos para silagem de erva? Na silagem, a preservação é assegurada pela acidificação da forragem. Esta acidificação ocorre devido à produção de ácido láctico pelas bactérias lácteas, do mesmo tipo das que estão presentes nos iogurtes. Para produzir ácido láctico, estas bactérias utilizam os açúcares simples (também designados hidratos de carbono solúveis), naturalmente presentes na forragem. No

Células da planta Planta

Parede celular (fibra)

Celulose

Moléculas açúcar

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Enzimas

Acúcares livres que podem ser utilizados como substrato pelas bactérias


ALIMENTAÇÃO

entanto, a concentração destes açúcares é altamente variável, dependendo da cultura, das condições de crescimento e colheita… A erva e as leguminosas (luzerna) são geralmente pobres em açúcares solúveis. Neste caso, o conteúdo dos mesmos pode ser um fator limitante, no sentido de obtermos uma acidificação rápida e eficiente do silo. Selecionámos um cocktail de enzimas naturais responsáveis pela degradação da fibra da planta em açúcares simples (betaglucanase, xilanase...) e adicionamo-las às nossas bactérias lácteas. As ações combinadas destas enzimas na forragem permitirão a libertação de açúcares simples, provenientes da degradação da fibra da planta, açúcares simples estes que podem ser utilizados como substrato pelas bactérias lácteas, para abastecerem o processo de acidificação.

Razões para a utilização de enzimas nos aditivos para silagem: Primeiro de tudo, como explicado anteriormente, as enzimas, pelo facto de libertarem açúcares simples da planta, melhoram e aceleram o processo de acidificação da silagem.

Mas o efeito das enzimas não acaba aqui: devido à fibra da planta ser “atacada” no silo, a silagem verá a sua digestibilidade aumentada para o animal também. Sabemos que a fibra da planta representa mais de 50% da energia disponibilizada à vaca, e que a sua digestão é fruto do trabalho da flora microbiana do rúmen: esta digestão leva tempo e nunca é 100% completa. As enzimas permitem uma pré digestão das fibras da forragem, e como resultado a fibra indigestível torna-se disponível para os microrganismos do rúmen: ela torna-se digestível! Os investigadores calcularam que, em média, a utilização de enzimas aumenta a energia líquida (NEL), em cerca de 26 Mcal/tone-

PRODUÇÃO

lada de Matéria Seca. Comparando com, por exemplo, o trigo, este acréscimo energético representa um beneficio substancial de 13,1 kg/trigo, por tonelada de silagem. Mais precisamente, este efeito é refletido na análise da silagem pela redução da fibra indigestível e aumento dos hidratos de carbono solúveis. O gráfico apresentado abaixo revela o efeito das enzimas na digestibilidade da forragem, tal como é demonstrado em diversos ensaios conduzidos com o inoculante LALSIL® PS (nb. as mesmas enzimas são encontradas também no inoculante LALSIL DRY). Este efeitos permitiram aos inoculantes contendo estas enzimas o reconhecimento oficial do organismo alemão DLG como “melhorando a digestibilidade da silagem”. Finalmente, o terceiro benefício da utilização de enzimas na silagem de erva prende-se com a redução de efluentes. Pelo facto das enzimas permitirem uma “abertura” das células da parede celular, a celulase e hemicelulase aumentam a su-

perfície de absorção dos efluentes pela planta, limitando as perdas de nutrientes. Assim, mais nutrientes ficam retidos no silo, permanecendo disponíveis para os animais. Este efeito é bem conhecido e documentado no Reino Unido, como exemplo.

O inoculante LALSIL PS/DRY providencia cerca de um grama de enzi-

mas por tonelada de forragem, como é que pode então ter um efeito significativo? As enzimas trabalham a uma concentração extremamente baixa, e o nosso objetivo é digerir alguma da fibra da planta, não toda ela! Na prática, a quantidade de enzimas presente por tonelada tratada foi precisamente definida para assegurar que os benefícios (fermentação, digestibilidade e redução de efluentes) sejam ótimos, sem destruir a estrutura da planta, tão necessária para uma ruminação eficiente e saudável. Outras indústrias, como a da panificação, vinificação, etc., utilizam níveis similares de enzimas com resultados muito consistentes.

Se as enzimas são moléculas ativas, elas continuam a trabalhar no silo, e se sim, por quanto tempo? Como qualquer atividade biológica, a ação das enzimas está dependente das condições ambientais físico-químicas. Por exemplo, cada enzima tem um pH ótimo de atividade. Nem todas as celulases e hemicelulases têm o mesmo, e nem todas estão adaptadas ao ambiente ácido das silagens. Quando selecionamos as enzimas para a formulação dos nossos inoculantes, asseguramo-nos que estas estão bem adaptadas às condições silageiras, e que se mantêm ativas durante todo o período de fermentação. Quando a fermentação termina, as enzimas encontram-se naturalmente desativadas e degradadas.

Os inoculantes que contêm enzimas são mais caros? O custo será um pouco mais elevado mas o Retorno de Investimento (baseado no exemplo trigo, acima descrito), é superior a 5:1. Entre 2011 e 2012, este benefício aumentou em cerca de 30%, devido ao aumento do preço dos cereais. Se considerarmos as previsões para 2013, parecenos que o benefício económico para este ano será ainda maior!

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Disponibilidade de silagem Fechar o silo de milho na altura da silagem de erva? Luis Marques, STC Nanta – Portugal

Uma questão que se coloca a muitos produtores é se devem fechar o silo de milho na altura em que começa a ter disponibilidade de silagem de erva. Muitos produtores usam silagem de erva em determinado período do ano, normalmente porque não têm silagem de milho suficiente para usar como forragem base durante todo o ano. Este tema é interessante e pode ser analisado do ponto de vista técnico e financeiro. Ou seja, é tecnicamente recomendável usar silagem de erva em conjunto com a silagem de milho, ou devemos dar em separado? É rentável fazer silagem de erva? A que preço se torna interessante? Neste artigo apenas vamos abordar o assunto do ponto de vista “técnico nutricional”, deixando o financeiro para outra oportunidade. Como se sabe, Silagem é um método de conservação das forragens húmidas por acidificação do meio, ou seja, na ausência do oxigénio a flora aeróbia é inibida e as bactérias lácticas presentes nas forragens transformam os açúcares em ácido láctico, baixando assim o pH da silagem e permitindo que os nutrientes presentes nas plantas se preservem ao longo do tempo. Tecnicamente, parece-me ser indiferente usar qualquer dos sistemas, apenas silagem de erva ou silagem de erva e milho. A decisão depende exclusivamente das condições existentes na exploração para manter dois silos abertos e manter a qualidade da forragem. Para ter dois silos abertos há que garantir a continuidade da qualidade da silagem, isto porque se a frente do silo for larga e se se retirar pouca quantidade de silagem por dia, porque se tem um numero reduzido de animais, ocorrem as fermentações indesejáveis

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dada a presença do oxigénio, promovendo a putrefação. Neste caso, na minha opinião, é preferível usar um silo de cada vez com planos alimentares distintos, isto para minimizar a probabilidade de fornecer aos animais forragens que terminam por ficar com pouca qualidade. Uma boa prática usada para manter a qualidade da silagem é pulverizar a frente dos silos com ácidos orgânicos, sendo os mais usados o ácido fórmico, o ácido propiónico e o ácido láctico. Paralelamente à conservação do silo e para que o plano nutricional seja definido corretamente e resulte nos objetivos determinados, temos que analisar o perfil nutricional de cada silagem, retirando uma amostra representativa de cada silo e, de seguida, enviá-la para o laboratório. Este ponto é muito importante para podermos minimizar o impacto da variação da composição das mesmas. Esta variação pode ter origem em erros obtidos por amostras que não são representativas, ou em erros de analítica (NIR mal calibrado), que também são

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frequentes. Depois de conhecidas as caraterísticas analíticas, elabora-se uma dieta segundo as quantidades disponíveis animal/dia e o seu interesse nutricional. Este último passo é imprescindível para se construir o perfil nutricional do concentrado que, este sim, será muito diferente nos dois sistemas em discussão. Em muitos casos, em que o processo não é bem feito, o alimento que chega a ser ingerido pelas vacas nada tem de comparável com a dieta proposta pelo consultor. Não nos podemos esquecer que, quando a dieta é alterada teremos sempre que contar com um período de adaptação da flora ruminal ao “novo alimento”. Resumindo, podemos dizer que a utilização, em conjunto ou em separado, das duas silagens em causa não limita a quantidade e a qualidade de leite produzido por vaca/dia, desde que se consiga conservar corretamente os silos abertos, ter análises de forragens que sejam fiáveis ao que está nos silos, ter a possibilidade de construir um concentrado personalizado para a realidade da exploração em causa e assim, construir uma dieta com os nutrientes necessários para atingir os objetivos produ-


PRODUÇÃO

PROTEÇÃO DE PLANTAS

Diversidade é o Futuro A resistência das infestantes aos herbicidas Engº Jorge Matias, Gestor de Culturas Bayer CropScience Jorge.matias@bayer.com

“Um monstro que está à espreita nos nossos campos, escondendo-se entre as infestantes que crescem nas nossas culturas. Uma grave e crescente ameaça para a agricultura, que todos nós conhecemos. Com a utilização, ano após ano, de herbicidas com o mesmo modo de ação e com a redução das práticas e rotações culturais, continuamos apenas a ignorar e a agravar o problema.”

Os herbicidas são atualmente o principal recurso económico para controlar as infestantes e o desenvolvimento das infestantes resistentes aos herbicidas é um grave problema da agricultura moderna. A resistência aos herbicidas é a capacidade hereditária de uma determinada população de infestantes suscetíveis resistir à

População normal

aplicação de um herbicida e completar o seu ciclo de vida, quando o herbicida está ser utilizado na dose recomendada, numa situação agrícola normal. Muitas vezes, transforma-se num grave problema quando é exercida elevada pressão de seleção sobre uma população de infestantes, durante vários anos. Pode ser o resultado do uso repe-

Após selecção regular

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A chave para a gestão das resistências é a redução da pressão de seleção através da combinação de diversas técnicas agronómicas.

População resistente

Imagem 1 - Processo de desenvolvimento de uma população de infestantes resistentes, através de selecção herbicida, de forma repetida e regular

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tido do mesmo herbicida, ou de vários herbicidas com o mesmo modo de ação e está frequentemente associada à monocultura, bem como à redução das práticas culturais. Qual a melhor forma de combater a resistência das infestantes? Diversidade. Diversidade é o futuro.

Veja o vídeo: “Diversidade é o Futuro” em: www.bayercropscience.pt.

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PRODUÇÃO

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PROTEÇÃO DE PLANTAS

Técnicas de controlo da resistência das infestantes

A Gestão Integrada das Infestantes envolve a utilização de um conjunto de técnicas de controlo que abrange métodos físicos, químicos e biológicos de uma forma integrada, sem demasiada dependência de nenhum dos métodos em particular, e deve ser usada como uma ferramenta de prevenção e gestão das infestantes resistentes aos herbicidas. O objetivo é reduzir a pressão de seleção e prevenir a dominância de infestantes resistentes numa determinada população.

1. Diversidade em práticas culturais Considere as práticas culturais mais adequadas que possam reduzir a densidade das infestantes: o controlo mecânico das infestantes, a escolha da variedade, sementes certificadas com elevado poder e vigor germinativo, a melhor época de sementeira, a densidade recomendada, etc.

3. Diversidade no uso de herbicidas A aplicação repetida e regular de herbicidas com o mesmo modo de ação pode provocar o desenvolvimento de biótipos resistentes de algumas infestantes indicadas como suscetíveis. Para evitar este fenómeno recomenda-se proceder à rotação das culturas, das práticas culturais e, de preferência, proceder à alternância com herbicidas de diferentes modos de ação. Uma vez que existem muitos herbicidas com o mesmo modo de ação, mudar apenas de produto pode não ser grande ajuda. Poderá ter que mudar para um herbicida com um modo de ação completamente diferente, ou mesmo ter que misturar herbicidas com diferentes modos de ação contra as infestantes mais difíceis de controlar.

2. Diversidade na rotação de culturas Produzir a mesma cultura, ano após ano, no mesmo campo, vai estimular inevitavelmente o desenvolvimento e a propagação de infestantes resistentes. Para manter as infestantes sob controlo, deve praticar a diversidade na rotação de culturas. A rotação entre diferentes culturas de Outono-Inverno e de Primavera-Verão, é a maneira mais eficaz e sustentável de praticar a gestão integrada das infestantes resistentes.

Diversidade no uso de herbicida Alternância de modos de açãos Quadro resumo com as substâncias ativas dos principais herbicidas registados em Portugal para combate às infestantes da cultura do milho, agrupadas por diferentes modos de ação (cores diferentes). Produto Substância ativa

Grupo químico

Option

foramsulfurão florasulame nicossulfurão rinsulfurão tiencarbazona-metilo

Sulfonilureias Triazolopirimidina Sulfonilureias Sulfonilureias Sulfonilaminocarboniltriazolinona

2,4D dicamba fluroxipir

Adengo* Adengo* Laudis

Aspect Aspect Buctril

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Modo de ação

Processo fisiológico inibido Enzima

(abreviatura)

Grupo HRAC

Biossíntese dos carotenóides Biossíntese dos carotenóides Biossíntese dos carotenóides Biossíntese dos carotenóides

4HPPD 4HPPD 4HPPD 4HPPD

F2 F2 F2 F2

Biossíntese dos aminoácidos Biossíntese dos aminoácidos Biossíntese dos aminoácidos Biossíntese dos aminoácido Biossíntese dos aminoácidos

ALS ALS ALS ALS ALS

Ácido ariloxialcanóico Ácidos benzóico Ácido piridinocarboxílico

Desenvolvimento Celular Desenvolvimento Celular Desenvolvimento Celular

"IAA" "IAA" "IAA"

O O O

dimetanamida-p s-metalacloro flufenacete

Cloroacetamida Cloroacetamida Oxiacetamida

Divisão Celular Divisão Celular Divisão Celular

VLCFA VLCFA VLCFA

K3 K3 K3

terbutilazina bentazona bromoxinil

Triazina Benzotiadiazinona Hidroxibenzonitrilo

Fotossíntese (fotosistema II) Fotossíntese (fotosistema II) Fotossíntese (fotosistema II)

PD1 PD1 PD1

C1 C3 C3

isoxaflutol mesotriona sulcotriona tembotriona

Isoxazol Tricetona Tricetona Tricetona

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B B B B B

A Bayer CropScience oferece a verdadeira alternância de soluções herbicidas para a cultura do milho, em diferentes épocas de aplicação: 4 grupos químicos diferentes, 4 diferentes modos de ação.

Utilize os produtos fitofarmacêuticos de forma segura. Leia sempre os rótulos e a informação relativa aos produtos antes de os utilizar. x

*O Adengo encontra-se em fase final de registo na DGAV.

Fonte: HRAC (www.hracglobal.com)


MUNDO

ATUALIDADES

Espanha Entregas de leite de ovelha e cabra

O governo espanhol aprovou um novo Decreto Lei que regulamenta a entrega de leite de ovelha e cabra. A partir de agora, existem declarações obrigatórias de carácter mensal para os compradores, e anual para os produtores. Em Conselho de Ministros foi aprovado um novo Decreto Lei, que regula as declarações a efetuar pelos compradores e produtores de leite e produtos lácteos de ovelha e cabra. Esta normativa permitirá dispor de informação atualizada sobre os volumes de entregas realizadas aos compradores, tornando-se numa ferramenta que importante para dar “claridade” ao sector. Esta normativa permite dispor de maior informação sobre o numero de operadores que participam nas relações comerciais do leite e sobre os volumes entregues e os preços pagos aos produtores. Com isto pretende-se garantir uma maior transparência e uma maior confiança para toda a cadeia de produção de leite cru de ovelha e cabra.

Pássaros “ladrões” de ração

Um estudo realizado pelo APHIS (uma agência da Secretaria Americana da Agricultura) publicado na edição de novembro de 2012 do Journal of Dairy Science analisa a magnitude das perdas de ração causadas pelos pássaros que vivem nas explorações leiteiras. O estudo consistiu num inquérito realizado em vários estados americanos. De acordo com os resultados relatados, as explorações com até 1.000 aves terão consumido 2,8% da ração anual gasta. Nas explorações com 1000 a 10.000 aves terá sido consumido 5,5% do gasto anual em rações. As perdas económicas anuais foram estimadas em 9.400 e 22.400 dólares, respetivamente.

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PRODUÇÃO

Automatização da ordenha Sistema de postdipping e backflush automatizado. Vale a pena? Sara Cabaço, Estudante de Mestrado em Medicina Veterinária saracabasso@gmail.com

Para alcançar a modernização no setor leiteiro é necessário associar, aos métodos atualmente utilizados, a tecnologia mais recente ao serviço do produtor. A automatização da rotina de ordenha pode poupar tempo e diminuir o impacto do fator humano que, por vezes, é difícil de controlar ou melhorar. Porém, há que comparar os resultados obtidos com a metodologia convencional para poder tomar uma decisão correta e consciente da realidade.

Neste estudo pretendeu-se avaliar o impacto da instalação de um sistema de aplicação de postdipping e backflush de lavagem de tetinas automatizado (ADF milking® - www.adfmilking.com) em duas explorações leiteiras com cerca de 350 animais em lactação e salas de ordenha de saída rápida (em espinha de peixe 2x12 e paralela 2x20). Este sistema aplica automaticamente o desinfetante nos tetos após a ordenha, quando o vácuo é desligado, sem intervenção do ordenhador. De seguida, os retiradores automáticos recolhem as tetinas e inicia-se a lavagem interior das mesmas com ciclos de solução aquosa de ácido peracético e ar comprimido. No total o processo demora cerca de 25 segundo e ao terminar, as tetinas encontram-se lavadas e desinfetadas para serem aplicadas, novamente, na vaca seguinte. Foram analisados vários parâmetros antes e depois da colocação do sistema ADF, na tentativa de determinar a eficácia e mais-valia deste sistema, nomeadamente:

CONTAGEM DE CÉLULAS SOMÁTICAS (CCS) NO LEITE DO TANQUE E TAXA DE NOVAS INFEÇÕES (MASTITES CLÍNICAS E SUBCLÍNICAS)

Analisadas mensalmente e feita a comparação com o mês homólogo do ano anterior à instalação (durante 12 meses na exploração A e 10 meses na exploração B). Considerou-se uma nova

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infeção quando uma vaca apresentava pela primeira vez, em dois meses consecutivos, CCS superiores a 200.000/ml. Na vacaria A, a contagem mensal de células somáticas no tanque diminuiu, em média, 24% e na vacaria B, 15%, em relação ao mesmo período antes da instalação do ADF milking®. A redução da taxa mensal de novas infeções foi de 3 pontos percentuais na exploração A e nula na exploração B. Durante o período de estudo após a instalação do dispositivo foram implementadas outras medidas nas duas vacarias, como a mudança para camas de areia e um acompanhamento e formação na rotina de ordenha, que podem ter contribuído cumulativamente para estes resultados.

100% 80% 60% 40% 20% 0% Exploração A Antes da instalação (100% CCS)

Exploração B Após a instalação (-24% e -15% CCS)

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Lucre com os especialistas em saúde do Úbere As vacas merecem a melhor proteção possível por isso não fique satisfeito com menos. A gama Deosan® de preventivos sem iodo, adequados a todo o tipo de aplicações, combinam uma óptima capacidade bactericida com excepcionais características hidratantes da pele para além de tempos de retenção inigualáveis no mercado. Escolha Mastocide e Teatfoam e veja os benefícios.

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PRODUÇÃO » TEMPO DE ORDENHA E GRAU

DE COBERTURA DOS TETOS PELO DESINFETANTE

Estes valores foram medidos em duas ordenhas de equipas diferentes, antes e depois da instalação do dispositivo. Para classificar a cobertura dos tetos pelo desinfetante foi usada uma escala visual de 1 a 4, como se pode ver na imagem (vista traseira do úbere), em que 1 – não aplicado (quarto anterior esquerdo), 2 – extremidade do teto não protegida (quarto posterior direito), 3 – extremidade do teto protegida mas a cobertura do teto é inferior a 60% (quarto anterior direito) e 4 – cobertura adequada (quarto posterior esquerdo). A cobertura dos tetos pelo desinfetante quando aplicado automaticamente, melhorou numa das equipas, principalmente nos tetos traseiros, sendo que a média passou de 3,19 para 3,43. Nas restantes equipas, a cobertura dos tetos pelo desinfetante piorou, em média, 0,25 pontos. O tempo total de ordenha diminuiu em todas as equipas, desde um mínimo de 1% até um máximo de 16% menos de tempo de ordenha, consoante a equipa de ordenhadores.

Redução no tempo de ordenha

(desde a entrada da primeira vaca até à saída da última)

18% 16% 14% 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% A1

A5

B1

B2

Equipas de ordenha

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CONTAGEM DE MICRORGANISMOS NO INTERIOR DAS TETINAS

Esta contagem foi feita com a passagem de uma zaragatoa na superfície interior da tetina e posterior sementeira em laboratório (24h a 37ºC em plate count agar) antes da instalação do sistema e, novamente, depois da instalação e funcionamento do mesmo. Antes da instalação do ADF milking® cerca de 84% das tetinas analisadas tinham mais de 1000 colónias de bactérias por ml, o que representa um potencial risco de contaminação. Com a desinfeção das tetinas automática (backflush) em funcionamento, apenas 19% das tetinas analisadas registaram valores superiores a 10 colónias/ml.

Sementeira da superfície interior de tetinas muito contaminadas, após 24h de incubação a 37ºC (em agar sangue à esquerda e em plate count agar à direita).

TEOR DE IODO NO LEITE DO TANQUE

Esta avaliação foi feita recolhendo leite do tanque de refrigeração antes da instalação do sistema e aproximadamente um mês após a instalação do mesmo. A concentração de desinfetante no leite do tanque aumentou, aproximadamente para o dobro nas duas explorações, mas continuou longe dos limites máximos recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que é de 0,5mg/L.

CONCLUSÃO

A utilização do dispositivo ADF milking® reduziu o número de microrganismos nas tetinas. Desta forma, poderá contribuir na prevenção da transmissão de agentes de mastites na sala de ordenha e, consequentemente, na diminuição da CCS no leite. O tempo de ordenha pode ser significativamente reduzido e a cobertura dos tetos pelo desinfetante pode melhorar ou piorar, consoante a forma de trabalhar de cada equipa. A utilização do dispositivo não afetou o cumprimento do limite máximo recomendado de iodo presente no leite. x

Agradecimentos Aos produtores das duas explorações e a todos os ordenhadores que colaboraram e contribuíram para a realização do estudo, ao Prof. Dr. Ricardo Bexiga e à Dra. Ema Roque (ConsulPec) pelo apoio e orientação e ao Laboratório de Microbiologia da FMV-UTL, em especial à Técnica Carla Carneiro, um grande bem-haja.


PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

Colostro e Pneumonias André Pires Preto, Médico Veterinário, Serviços Técnicos MSD Saúde Animal andre.preto@merck.com

Na sequência dos artigos anteriores, sobre as boas práticas de encolostramento, quer ao nível da mãe, quer ao nível do vitelo, onde procuramos construir os pilares fundamentais para a cria e recria de um vitelo (macho ou fêmea). • A baixa de defesas em relação às diarreias, afeta o estado geral do animal e reduz a eficácia no combate a outras doenças; • Mas mais importante é a baixa passagem de imunidade de origem maternal, reduz também o aporte de defesas específicas para agentes que causaram pneumonias.

Na prática, como consequências diretas desse estudos e do conhecimento prático de campo que os profissionais de saúde possuem, existe a possibilidade de ajuste dos programas de vacinação para pneumonias, no sentido de aumentar os títulos de proteção conferidos pelo colostro. Partindo do princípio que todo o maneio do colostro será feito de acordo com o recomendado.x

BRSV + PI-3 e Mannheimia haemolytica – os três agentes mais específicos de pneumonias. BVD – devido à quebra de defesas que provoca, além das consequências nefastas na reprodução e possibilidade de formação de animais persistentemente infetados (PI).

BHV-1 – mais conhecido como IBR, que provoca lesões no trato respiratório superior, além da possibilidade de patologia reprodutiva.

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PI-3 Agentes infecciosos

A duração da imunidade de origem maternal, não é igual em todos animais, e depende da carga infecciosa presente na exploração. Este ténue equilíbrio pode ser afetado pela redução do nível base de defesa, que é conferido via colostro. Enquanto não há dúvidas das consequências da falha de encolostramento frente a agentes específicos das diarreias neonatais (E. coli, Coronavírus e Rotavírus), o mesmo não era conhecido para os agentes infecciosos da chamada síndrome respiratória bovina. (Figura 1) Existiam algumas referências para a proteção de surtos de pasteurelose, mas em ovinos (Cowan, 1982; Jones et al, 1989), foi possível apenas em 2010 demonstrar essa passagem de imunidade frente à Mannheimia haemolytica (Makoschey et al., 2010). Tendo em conta que a existe uma relação quase causal entre “não toma de colostro” e existência de diarreias neonatais, o que se verifica no campo, é que também existe uma relação entre diarreia neonatal e ocorrência de pneumonias. Por dois motivos:

BRSV BHV-1 BVD 0

100

200

300

Dias de idade - ac colostrais Figura 1 – Gráfico que mostra a duração, máxima e mínima, dos anticorpos de origem maternais. A barra mais clara refere-se à duração mínima de protecção, e a mais escura, a duração máxima de positividade (foram excluídos valores extremos). Adaptado de várias fontes bibliográficas.


SAÚDE ANIMAL

PRODUÇÃO

Antibióticos Acerca do Plano Nacional para a Redução do Risco das Resistências aos Antibióticos Helena Ponte, Diretora de Serviços de Meios de Defesa Sanitária Direção-Geral de Alimentação e Veterinária

Numa altura em que a Europa vai lançar um programa para a redução da utilização de antibióticos, os produtores de gado vivem numa situação paradoxal. Por um lado, o tamanho dos seus rebanhos aumenta; e por outro o arsenal antibiótico diminui, quer pelo número de moléculas disponíveis quer pelo número de tratamentos a efetuar. Neste contexto, a prevenção dos problemas sanitários constitui uma verdadeira necessidade. Nas últimas décadas, a resistência aos antibióticos no tratamento de infeções dos seres humanos e dos animais cresceu de forma assustadora. Existe efetivamente um número crescente de bactérias extensivamente resistentes a antibióticos e um pequeno, mas relevante, número de bactérias resistentes a todos os antibióticos. Por outro lado, o número destes medicamentos em fase de investigação e desenvolvimento para efeitos de introdução no mercado é praticamente nulo, tanto no setor humano como no setor veterinário, o que nos coloca atualmente um enorme problema de saúde pública, à escala mundial, contabilizando-se só na Europa e, anualmente, cerca de 25.000 mortes de pessoas, por infeções não tratáveis, devido a microrganismos resistentes. Os antibióticos são medicamentos muito particulares porque não só têm implicações no indivíduo tratado, homem ou animal, como também nos que com ele vivem e/ou convivem e ainda no meio ambiente, pelo que o risco decorrente do seu uso incorreto ou indevido é não só individual, mas também coletivo. Com perfeita e integrada consciência deste problema, promoveu-se em Portugal o «Programa Nacional para a Prevenção de Resistências Antimicrobianas» no âmbito da Direção-Geral de Saúde, do qual a ex Direção Geral de Veterinária, atual Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) fez parte, no sentido de se promoverem iniciativas de pedagogia várias e bem assim de vigilância nesta área. Mais recentemente, a DGAV assinou também, juntamente com várias outras entidades nacionais, a «Aliança Portuguesa para a Preservação do Antibiótico», na qual se compromete, designadamente, a fomentar o respeito estrito da prescrição médico-veterinária,

a privilegiar a biossegurança e a vacinação na medicina veterinária, a promover a investigação da epidemiologia infeciosa e resistência antimicrobianas, a emanar e cumprir normas e orientações de utilização de antibióticos na medicina veterinária e a erradicar esta utilização como substituição de más práticas de maneio nos animais, promovendo um uso responsável de medicamentos nos animais, e dos antibióticos em particular. Iniciativas semelhantes de luta contra as antibiorresistências acontecem simultaneamente por toda a parte do mundo. Na União Europeia, a Comissão Europeia comunicou ao Parlamento Europeu e ao Conselho o seu próprio Plano de Ação para 5 anos e do qual fazem parte 12 propostas de ação concretas, nomeadamente aquelas que dizem respeito ao reforço dos sistemas de vigilância das resistências aos antimicrobianos nos seus Estados Membros. Em 4 de Julho de 2012 já tinham sido adotadas, pelo Conselho da União Europeia, as conclusões sobre o impacto das resistências aos antimicrobianos nos setores humanos e veterinário, sob a perspetiva de “Uma só Saúde” e durante a sua sessão plenária de 11 de Dezembro de 2012 o Parlamento Europeu adotou o Relatório sobre «O Desafio Microbiano – Aumento das Ameaças decorrentes da Resistência aos Antimicrobianos» e foi efetivamente solicitado à Comissão Europeia e aos Estados Membros a procura de maior cooperação e coordenação na deteção precoce, nos alertas e nos procedimentos de resposta coordenada no que respeita a bactérias patogénicas resistentes, nos seres humanos, nos animais, incluindo peixe e nos alimentos, no sentido da monitorização contínua da extensão e do crescimento das resistências aos antimicrobianos.

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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

Este apelo, não sendo ainda uma determinação ou imposição, exige contudo uma resposta adequada e responsável por parte das autoridades nacionais dos diferentes Estados Membros, de tudo fazerem para que se detenha ou contorne, estrategicamente e habilmente, um problema por todos reconhecido e que a todos afeta. É o que a DGAV está a diligenciar através do «Plano Nacional para a Redução do Risco das Resistências aos Antibióticos», ainda em fase de elaboração e para o qual conta naturalmente com a colaboração e contributos de todos quantos lidam com antibióticos em medicina veterinária.

A DGAV pretende, no presente ano de 2013, aprovar e implementar este Plano, o qual divulgará junto de todos quantos dele são parte interessada e nele colaborarão ativamente como objetivo de diminuir os consumos de antibióticos em Portugal, cujas quantidades estão já devidamente contabilizadas para o ano de 2010 e disponíveis para consulta pública no sítio da EMA (Agência Europeia do Medicamento) sob a designação do projeto ESVAC (European Surveillance of Veterinary Antimicrobial Consumption), prevendo-se que também os dados respeitantes a 2011 aí sejam publicados brevemente. O relatório das vendas de antibióticos em Portugal, constam igualmente do sítio da DGAV (www.dgav.pt), sob a rúbrica de medicamentos veterinários. x

Miguel Madeira, Médico Veterinário, ACOS – Agricultores do Sul

Ruminantes - Que impacto poderá ter a implementação de um plano de redução de antibióticos nas explorações de pequenos ruminantes? Que estratégia devem seguir os produtores?

Miguel Madeira - Se o Plano for bem concebido e corretamente implementado, o impacto será positivo porque, em última análise, o que se pretende é diminuir a quantidade de antibióticos utilizados pela via da redução da necessidade da sua aplicação, redução esta que decorre naturalmente da implementação de medidas melhoradoras, por exemplo ao nível do maneio, das instalações, da prevenção através de vacinas, da biossegurança e da prescrição médico veterinária. A adoção destas medidas, bem como a utilização eficaz, eficiente e

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consciente dos antibióticos, conduzirão forçosamente a melhores resultados quer para o setor produtivo, quer para esse bem inestimável que é a Saúde Pública. Não podemos continuar a assistir impávidos e serenos, a bem de todos, ao tratamento desregrado que tem sido dado aos antibióticos, mas também a outras classes de medicamentos de que são exemplo os desparasitantes, onde já se detetaram igualmente resistências significativas dos parasitas. Quer uns, quer outros, não deverão continuar a ser utilizados para colmatar, muitas vezes sem resultados ou com resultados sofríveis, más práticas no maneio dos animais. Relembramos que o teor do Plano ainda não é conhecido, pelo que importa sensibilizar a autoridade sanitária e os decisores para a importância de envolver todos os intervenientes na

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cadeia de produção de alimentos de origem animal nesta fase de conceção, não esquecendo forçosamente os produtores, os médicos veterinários assistentes das explorações e outros técnicos de produção animal. Estes atores estarão certamente mais motivados para o cumprimento do Plano se tiverem sido chamados a participar no seu delineamento. A estratégia a seguir pelos produtores deverá passar pelo correto aconselhamento junto dos técnicos e da Autoridade Sanitária, pela formação e pelo seu envolvimento informado no Plano. A implementação deste Plano não pode nem deve assustar o produtor, pelo que urge informá-lo cabalmente e envolvê-lo na resolução deste enorme desafio, pois só com a sua participação “de corpo e alma” chegaremos a bom porto. x


SAÚDE ANIMAL

PRODUÇÃO

Marta Murta, Médica Veterinária, Hospital Veterinário Muralha de Évora

Ruminantes: Que impacto poderá ter a implementação deste plano nas explorações de bovinos de carne? Que estratégia devem seguir os produtores?

Marta Murta - De acordo com o Plano Nacional para a Redução do Risco das Resistências aos Antibióticos, serão promovidas diversas iniciativas de sensibilização para a utilização de antibióticos em diversas áreas, nomeadamente na produção animal. Relativamente aos novilhos de carne e, especificamente na nossa região do Alentejo, a maior parte das explorações são de recria, com o aparecimento de pequenas microengordas e engordas, principalmente devido aos novos mercados que foram surgindo. Neste enquadramento, os produtores da região sempre tiveram uma relação mais “afastada” dos antibióticos, comparativamente com os grandes centros de engorda, quer por opções de maneio, quer por es-

colhas económicas. A publicação deste Plano vem de encontro às novas estratégias que devem ser aplicadas na produção animal, quer por motivos de saúde animal e saúde pública, mas também por razões económicas, mais importantes ainda nos tempos que correm. A nova aposta será no planeamento e prevenção. Deverão ser implementadas um conjunto de medidas de biossegurança com o objetivo de manter os grupos de animais saudáveis e evitar a propagação de doença. Essas medidas devem abranger: o correto planeamento dos lotes de animais e da sua estabulação, uma boa higiene, nutrição adequada, o acompanhamento regular da saúde dos animais, os rastreios oficiais e outros que sejam necessários. A implementação destas medidas deverá ter a assessoria do médico veterinário, com elaboração de planos profiláticos que podem ser encarados como uma ferramenta de gestão

flexível às necessidades de cada exploração. A opção de vacinação pode vir a revelar-se uma das ferramentas mais eficazes, muitas vezes até a opção economicamente mais rentável comparativamente com o tratamento de doenças que se instalam num rebanho. Quando a doença ocorre, deverá ser feito o diagnóstico correto e o tratamento deverá ser decidido em conjunto com o médico veterinário. Os medicamentos devem ser utilizados de acordo com as instruções dos médicos veterinários e deverá ser feito sempre o seu registo, nos documentos oficiais que existem para esse efeito. Os produtores devem perceber que a utilização indiscriminada de antibióticos pode provocar problemas graves de resistências aos antibióticos e problemas de saúde pública. Os antibióticos não podem, nem devem, substituir más práticas de maneio animal. x

Luís Pinho, Médico Veterinário, responsável pelo departamento de qualidade do leite da SVA, Presidente da Direção do Conselho Português de Saúde do Úbere.

Ruminantes: Que impacto poderá ter a implementação deste plano nas explorações de bovinos de leite? Que estratégia devem seguir os produtores?

Luís Pinho - O impacto que esta medida pode ter depende, em grande parte, da altura em que for transposta para a legislação nacional e do faseamento que a implementação poderá ter para a realidade da produção de bovinos de leite. Se não existir uma correta e faseada implementação desta medida, por intermédio da formação e sensi-

bilização dos produtores, receio que o impacto será gigantesco e nefasto. Esta medida implica uma mudança do paradigma de trabalho, caraterizado atualmente por um foco na terapêutica, muitas vezes sem lógica nem enquadramento clínico. A estratégia é por isso clara e óbvia do ponto de vista económico e sanitário, e passa pela aposta na prevenção. Todas as medidas profiláticas que visem a redução da patologia e, consequentemente, da utilização de antibióticos devem ser privilegiadas, quer sejam do ponto de vista alimentar, vacinal, de maneio, de desinfeção, etc.

No caso da saúde do úbere, e tendo em conta dados recentes da Apifarma, no caso do consumo de antibióticos intra-mamários, embora tenha havido uma evolução positiva nos últimos três anos, apenas cerca de 25% dos antibióticos intra-mamários utilizados em 2012 são referentes aos de secagem (considerada como uma medida profilática para a ocorrência de mastites na lactação seguinte), o que demonstra o longo percurso que temos a percorrer nos próximos anos, face à nova legislação. x

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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

Síndrome da vaca caída medidas para prevenir Entrevista pela Revista Ruminantes

João Paisana, Médico Veterinário, trabalha na Agro-pecuária Afonso Paisana e faz parte da sociedade de prestação de serviços veterinários Serbuvet Email: paisana.j@gmail.com

A síndrome da vaca caída é um problema frequente nas explorações de leite, que se caracteriza pela falta de cálcio no sangue do animal e consequentemente pela fraqueza e incapacidade de se levantar.

O que é a "Síndrome da Vaca Caída"? A hipocalcémia é o problema que, mais frequentemente, está associado à "Síndrome da Vaca Caída", mas uma síndrome é um conjunto de sintomas comuns a várias origens. Assim, outros distúrbios minerais, como a hipomagnesiemia; situações de trauma nervoso ao nível do canal pélvico, após partos demorados ou distócicos; trauma dos músculos e nervos da perna, resultantes dum tratamento tardio duma hipocalcémia simples, que deixou a vaca deitada por várias horas, ou problemas metabólicos, resultantes de fígado gordo, poderão resultar no mesmo tipo de manifestação, ou seja, na incapacidade da vaca se levantar.

Continua a ser chamado frequentemente para tratamento de vacas caídas, apesar das melhorias a nível alimentar, designadamente no que diz respeito ao maneio da vaca seca. Porquê? De facto, este problema continua a ser muito relevante. Para muitos, a vaca seca, não estando produtiva, contínua a merecer menos atenção do que as vacas em lactação, quando a abordagem devia ser bem diferente, vendo o período seco como a preparação decisiva para uma fase muito complicada e exigente que é o pós-parto imediato e o primeiro terço da lactação. Hoje, é unânime a importância de

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haver dois grupos de alimentação: vacas secas e pré-parto, que permite uma adaptação da flora ruminal e de todo o metabolismo à alimentação de lactação nas 3 semanas antes do parto, mas nem todas as explorações os têm. Contudo, nem a mais exigente alimentação no período seco vai conseguir impedir ou mesmo reduzir a deposição de gordura ao nível do fígado, que pode vir da fase final da lactação, ou que pode acontecer porque uma vaca teve que ser seca antecipadamente. Nestes casos, em que a lactação e/ou o período seco se prolongaram exageradamente, temos uma vaca de risco.

Em termos práticos, qual a abordagem no campo que lhe permite fazer um diagnóstico diferencial? O diagnóstico diferencial passa pela avaliação de cada caso em concreto, abordando a facilidade do parto, a condição corporal, a duração do período seco e da lactação anterior, etc. A resposta ao tratamento com soluções comerciais de cálcio e outros minerais permite um diagnóstico terapêutico.

Qual o seguimento a fazer a estes animais? Simultaneamente à muito urgente intervenção do médico-veterinário, ou à administração do proto-


SAÚDE ANIMAL

colo terapêutico por ele proposto, a instalação da vaca em condições particularmente confortáveis, com acesso a água (por vezes, podemos fazer a administração forçada de cerca de 30 litros de água) e comida serão determinantes. De 2 em 2 horas, a vaca deve ser ajudada a levantar-se, garantindo que vai alternando o membro sobre o qual se deita. Na minha exploração, para evitar que estas vacas tenham que se deslocar à sala de ordenha, usamos um tubo plástico de vácuo muito comprido que permite fazer a ordenha com auxílio dum balde de ordenha.

Em termos de prevenção, qual é a sua opinião relativamente à síndrome em questão? Para além do exposto, claramente, a gestão dos parques no período seco, a sua duração total e tempo de permanência em cada parque e a alimentação disponível, parecem ser os aspetos mais relevantes. Há muitos anos, li um artigo que indicava que 50% das vacas têm hipocalcémia subclínica (sem manifestação de sintomas) e fiz uma experiência simples (que não sujeitei a qualquer validação estatística): criei 3 grupos de vacas a parir, e alternei a administração de cálcio endovenoso, oral e um grupo sem tratamento. Ao fim dos 305 dias de lactação, as vacas que tomaram cálcio endovenoso registavam mais 1010 litros de leite do que as outras.

PRODUÇÃO

Desde então, e tendo em conta este efeito na produção de leite e prevenção de problemas associados à menor motilidade muscular (retenção de membranas fetais; mastites; deslocamentos de abomaso) bem como o efeito de prevenção de hipocalcémias, administramos de imediato 250 ml de solução comercial de cálcio a todas as vacas. Desde há um ano, começámos a fazer o mesmo às primíparas, pois um estudo mais recente demonstra a hipocalcémia subclínica em 25% destes animais. Contudo, quero reforçar a ideia de que este problema começa a ser prevenido com a redução do número de dias em aberto das vacas, evitando lactações excessivamente prolongadas.

Qual o tratamento adequado? O tratamento é complexo demais para poder ser generalizado, devendo ser discutido com o médicoveterinário assistente. Contudo, é unânime que a administração urgente (mas lenta) de cálcio endovenoso será o primeiro passo, seguido da demais terapia de suporte ao metabolismo do fígado. Penso que, nestes casos, as condições de bem estar são tão importantes como a terapêutica medicamentosa.x

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BEM ESTAR ANIMAL

Linfadenite Caseosa em pequenos ruminantes Ana Vieira, Inês Ajuda, George Stilwell. AWIN - Animal Welfare Indicators Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Técnica de Lisboa

awinportugal@gmail.com

A linfadenite caseosa é uma realidade vivida no dia-a-dia pelos produtores de caprinos e ovinos, que muitas vezes é tida quase como um requisito obrigatório para quem possui estes animais ou decide enveredar por esta área. Esta aceitação não se deve a um “baixar de braços” mas resulta sim da imensa dificuldade e pouca praticabilidade de que se reveste a erradicação desta doença da exploração, bem como da não existência de um tratamento que seja eficaz. No entanto, há formas de controlar a doença mantendo-a a um mínimo aceitável. Neste artigo o projecto AWIN traz-vos um olhar geral sobre esta doença e algumas sugestões para a controlar.

PATOFISIOLOGIA

Os abcessos nos pequenos ruminantes estão frequentemente associados a uma doença crónica contagiosa denominada linfadenite caseosa (LC), também denominada de pseudotuberculose. A LC é provocada por uma bactéria (Corynebacterium pseutuberculosis), gram-positiva, anaeróbia facultativa.A prevalência da linfadenite nos pequenos ruminantes é extremamente variável. Nos países em que está presente a maioria das explorações está afetada, podendo a prevalência intra exploração atingir os

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40% dos animais. No entanto, mesmo tendo em conta estes valores existem explorações que se conseguem manter indemnes a esta doença. O gado bovino, os equinos e os Humanos também se podem infetar por este agente, embora sejam considerados hospedeiros pouco importantes (Pugh, 2002). A linfadenite mantém-se e dissemina-se nas explorações através de animais infetados que transmitem o organismo a outros através do conteúdo purulento dos abcessos que ruturam. Pensa-se que a infeção ocorra após ingestão, inalação ou contaminação de feridas cutâneas com o

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agente. Com exceção da invasão do trato respiratório inferior, acredita-se que é necessário que exista uma quebra de barreira de superfície (Pugh, 2002). O agente Corynebacterium pseutuberculosis é muito resistente no ambiente e por isso as infeções podem ocorrer através de contacto direto, ou indireto, com instrumentos ou instalações contaminadas. A infeção é geralmente introduzida nos rebanhos através da compra de animais infetados (Pugh, 2002), sendo ainda possível que ocorra por outras vias (botas de visitantes ou pneus dos veículos).


BEM ESTAR ANIMAL

SINAIS CLÍNICOS

O quadro clínico da doença normalmente resume-se a tumefações na zona dos linfonodos superficiais ou então lesões abertas que drenam o conteúdo purulento dos abcessos. São essencialmente os animais adultos a demonstrar estes abcessos, por maior exposição e porque provavelmente o período de incubação é longo. Os linfonodos mais afetados são os submandibulares, pre-escapulares, prefemoral e supramamários (Fig. 1). Em cabras, os linfonodos submandibular, parotideo e pre-escapular (cabeça e pescoço) são os mais frequentemente afetados e os abcessos apresentam diâmetros de 3 a 15 cm. Em ovelhas a distribuição dos abcessos é mais uniforme (Pugh, 2002; Smith and Sherman, 2009; Simpson & Washburn, 2012). As infeções externas raramente provocam outros sinais, embora possa estar presente caquexia e depressão em animais fortemente infetados. Os abcessos internos (tórax e abdómen) são mais raros e difíceis de diagnosticar. À medida que o animal envelhece os abcessos também se podem desenvolver à volta dos pulmões, coração, fígado, rins e espinal medula. Os sinais clínicos mais frequentes dos abcessos internos são: perda de peso, com ou sem febre intermitente, e, dependente da localização dos abcessos, sinais respiratórios como dispneia, ou abdominais como cólicas (Pugh, 2002; Smith and Sherman, 2009; Simpson & Washburn, 2012).

DIAGNÓSTICO

Embora o diagnóstico seja feito frequentemente pela observação dos abcessos e aspeto do pus, o diagnóstico definitivo de LC num animal com abcessos externos é baseado na cultura e isolamento da bactéria. Em animais com suspeita de terem abcessos internos, pode ser muito difícil conseguir um diagnóstico antemortem definitivo (Simpson & Washburn, 2012). Têm vindo a ser desenvolvidos testes serológicos que permitem identificar animais portadores, mas o procedimento recomendado para a identificação do organismo nestes casos é: 1) Na LC intratorácica, radiografia torácica e/ou ecografia, e no caso de abcessos pulmonares serem confirmados, lavagens transtraqueais com subsequente citologia e cultura; 2) Na LC intra-abdominal, a ecografia é o meio de diagnóstico de eleição (Simpson & Washburn, 2012).

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Fig. 1 – Localização mais comum dos linfonodos afectados por Linfadenite Caseosa

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BEM ESTAR ANIMAL

TRATAMENTO E PREVENÇÃO

Existem algumas hipóteses para o tratamento (tabela 1), mas nenhum é 100% eficaz sendo praticamente impossível a eliminação total do agente do organismo de um animal que apresente abcessos. É sugerida uma abordagem conjunta com o médico-veterinário assistente já que este será a pessoa mais habilitada para definir a forma de gerir a situação ou, eventualmente, estabelecer um programa de erradicação.

Prevenção/Controlo

De qualquer forma é sempre melhor apostar na PREVENÇÃO (tabela 2), tanto da entrada do agente na exploração, caso

esta seja indemne, como no controlo dos animais infetados e na prevenção de aparecimento de novos casos, caso seja já uma

Tabela 1- Possibilidades de tratamento para a LC e a sua respetiva eficácia Tratamento

Eficácia

Terapêutica antibiótica

Quase nenhuma (antibiótico não penetra no abcesso)

Drenagem do abcesso

Cura em cerca de 44% dos casos (muitas recidivas)

Remoção cirúrgica do abcesso

80 a 90% de cura daquele abcesso

Tabela 2 - Sugestões para prevenção e controlo da doença Particularidades

Evitar compra de animais com abcessos (fechados ou supurados) ou cicatrizes

Não é 100% garantido que um animal sem abcessos visíveis não esteja infetado (possibilidade de presença de abcessos interiores), no entanto baixa essa probabilidade.

Inspecionar o rebanho o mais regularmente possível

A inspeção periódica pode ajudar a detetar os casos o mais cedo possível

Eliminação dos animais com abcessos

Sempre que possível, eliminar o animal do rebanho é a melhor opção uma vez que este é uma fonte de contaminação.

Vacinação (vacina de rebanho)

Ainda com uma percentagem de proteção variável, pode ajudar no controlo da infeção, vacinando os borregos/cabritos antes de serem infetados. A escolha da vacina deve ser ponderada com o veterinário assistente. Pode reduzir a excreção da bactéria por parte dos infetados.

Drenagem dos abcessos e eliminação do pus.

É preferível drenar os abcessos antes da sua rutura para que seja possível recolher o máximo de conteúdo e eliminá-lo convenientemente (incinerar). Aquando da rutura tentar que o pus seja eliminado convenientemente e que não contamine outros animais e o próprio ambiente.

Diminuição da densidade animal

Dentro dos possíveis mediante o espaço e número de animais existentes, baixar a densidade animal dos parques diminui a probabilidade de infeção dos animais livres de LC.

Evitar presença de objetos passíveis de provocar lesões cutâneas

Qualquer objeto que possa lesionar o animal, como os cornadis ou no caminho para a ordenha, aumenta a probabilidade de contaminação do animal.

Verificam-se baixas na produção de leite e na condição corporal nos animais com Linfadenite Caseosa, principalmente quando são os linfonodos da mandíbula e do úbere ou internos.

exploração contaminada. Os abcessos e o bem-estar animal: A presença de abcessos é um dos indicadores para o critério de liberdade de doença do bem-estar animal. Num estudo de observação do comportamento em cabras com e

sem abcessos externos verificou-se que os animais sem abcessos passavam mais tempo à manjedoura, enquanto as com abcessos passavam mais tempo a andar pelo parque e com comportamentos orais estereotipados (Ferrante et al., 2002).

MENSAGEM A RETER: Linfadenite é uma doença presente na maioria das explorações e difícil de erradicar, mas há interesse em controla-la e mantê-la a níveis mínimos, devido ao impacto económico, sobre o bem-estar e sobre a imagem da exploração. x

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Bibliografia: • Ferrante V., Battini M., Caslini C., Grosso L., Mantova E., Noè L., Barbieri S., Mattiello S.,2012. Presence of abscesses as a welfare indicator in dairy goats. Proceedings of 46th Congress of International Society of Applied Ethology, Wien (Austria), July 31st-August 4th 2012. • Pugh, D.G. 2002. Sheep and Goat Medicine. First edition. Saunders • Simpson, K.M. & Washburn, K.E. 2012. Caseous lymphadenitis: Realities in treatment andprevention. THE BOVINE PRACTITIONER—VOL. 46, NO. 2 • Smith, M.C., Sherman,D.M. 2009. Goat medicine. Second edition. Wiley-Blackwell.


EQUIPAMENTOS

SIMA Paris 2013 A NOSSA SELECÇÃO Cadeia de alimentação automatizada

BigBaler, segurança reforçada

Dispositivo de alimentação adaptável

JEANTIL

NEW HOLLAND

BELAIR

Esta cadeia de equipamentos completamente automatizada inclui a preparação das rações, uma estação de mistura, e um robot autopropulsionado capaz de distribuir a alimentação aos animais ao longo dos corredores de um estábulo. Este sistema em cadeia prepara todo o tipo de rações, silagem, milho, feno, e vários suplementos, farinhas e granulados. O robot assegura a distribuição e faz ainda a limpeza do chão na mesma passagem. De acordo com as necessidades do cliente podem ser adicionados ao sistema módulos com outras funções, como por exemplo o desmantelamento de fardos redondos ou retangulares. x

As novas enfardadeiras Big Baler são as únicas no mercado a dispor de sistemas simples que não exigem o recurso a ferramentas para aceder à parte mecânica. A segurança dos utilizadores foi a prioridade chave no desenvolvimento destas enfardadeiras, mas sem de forma nenhuma comprometer a produtividade. Com a aplicação de tampas de proteção de fácil abertura, a segurança foi melhorada e ao mesmo tempo os vários componentes da enfardadeira mantêm-se absolutamente acessíveis. x

O “Aviso” baseia-se num mecanismo robotizado que se encarrega da preparação e distribuição da ração num estábulo após ser programado. Adapta-se a um empilhador e não requer adaptações nos estábulos. Define-se a composição da ração que o aparelho deve recolher da silagem e a frequência com que deve ser distribuída, e ele executa esses passos sozinho. x

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EQUIPAMENTOS

Gadanheira de 8 discos

Comprima V 180 XC

Boa performance em 2012

KUHN

KRONE

NEW HOLLAND

Entre outros equipamentos da sua gama, a Krone tinha em mostra uma enfardadeira de fardos redondos da série Comprima. Este modelo de câmara variável prepara fardos com diâmetro entre 1 m e 1,80 m e imprime um aumento progressivo da prensagem à medida que o diâmetro do fardo cresce, o que garante uma elevada densidade mesmo nos fardos de maior dimensão. x

A FC 313 D é uma nova gadanheira condicionadora de suspensão hidropneumática que abarca uma largura de trabalho de 3,11m. De modo a permitir que se encontre uma afinação adequada às condições de trabalho, possui um mecanismo de regulação com 36 diferentes posições. A alfaia é transportada em posição longitudinal, ocupando uma largura de 2,5 m. Faz uso de uma válvula hidráulica de efeito simples e de uma válvula de efeito duplo, requer um regime de TDF de 1000 rpm, e está indicada para tratores com potência mínima de 102 cv. x

Novo XP 900 POLARIS

Controlo automático para espalhador centrífugo SULKY

O dispositivo permite o acesso, via Internet, à base de dados Sulky Fertitest onde o operador pode obter os parâmetros específicos de regulação do espalhador, adequados ao tipo de fertilizante que está a aplicar. x No sub-sector dos veículos com funções acessórias no campo encontrava-se o novo Polaris, com motor bicilíndrico a 4 tempos e 875 cm³. Os 60 cv deste motor a gasolina permitem-lhe rebocar até 907 kg e carregar até 454 kg em fora de estrada. Nota positiva para a completa modularidade da cabina, preparada para diferentes configurações. x

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Numa conferência de imprensa que contou com a presença de Franco Fusignani, e de Carlo Lambro, respetivamente CEO e vice-presidente da New Holland Agriculture, foram apresentados os resultados da companhia relativos a 2012.

Segundo estes responsáveis, a venda de tratores manteve-se estável na Europa mas registou um crescimento tanto na América do Norte como na América Latina. Já nos países mediterrânicos e outras regiões do mundo as vendas decresceram. Ainda assim, a marca conseguiu um aumento global de 1% de quota de mercado devido à recuperação em vários países, sendo de destacar a Polónia com uma subida de 4,8%. Os equipamentos para feno e forragem venderam mais 5%. Ao nível das ceifeiras o mercado europeu também se manteve estável, tendo-se registado um aumento global de vendas na ordem dos 7,6% devido à boa performance noutras regiões, o que significou uma conquista de 1,1% em quota de mercado. Analisando as áreas de negócio no seu conjunto a marca registou crescimento em 2012. Foi ainda revelado que a área de I&D está a trabalhar no Tier4 Final e em alternativas ao diesel – nomeadamente o etanol na América e Índia, e o gás metano na Europa. Finalmente, a New Holland anuncia a sua intenção de estar na vanguarda da agricultura de conservação na Europa, pelo que, no âmbito da parceria que tem com a brasileira Semeato, passará a distribuir as alfaias daquele fabricante no mercado europeu sob o nome “New Holland by Semeato”. x


EQUIPAMENTOS

MLT 629 em estreia absoluta MANITOU

O novo carregador telescópico MLT 629 é o mais recente membro da família Manitou. Constitui a evolução natural do MLT627 e possui características que o tornam apropriado

A nova Série 5 DEUTZ-FAHR

Uma das grandes novidades do salão francês foi a Série 5 da Deutz-Fahr. Uma série polivalente, para trabalhar tanto em campo aberto como em explorações pecuárias, transporte e aplicações florestais. Composta por seis modelos entre 100 e 130 cv, equipa com motorizações Deutz Tier 4i, injeção Common Rail de 1.600 bar e 3.620 cm3 de cilindrada.

para o setor agropecuário. Um motor Perkins de 3,4 litros, com 100 cv de potência, foi o escolhido para este novo carregador. No que respeita à cabina, são

disponibilizadas versões que variam quanto à sua dimensão e nível de equipamento. A capacidade de elevação do MLT 629 é de 2.9 toneladas a 5.55 m de altura, e a 3,20 m de alcance dianteiro. De acordo com Marc Julienne, diretor de produto da Manitou, “o MLT 629 vem dar resposta às solicitações de um grande número de utilizadores devido às suas dimensões compactas e à sua performance. A sua grande visibilidade, combinada com a alta disponibilidade de binário e desempenho suave, permitem-lhe que opere à von-

tade dentro das instalações de uma exploração”. A linha de acessórios é uma área de negócio a que a Manitou tem vindo a dar uma maior atenção. “Considerando os acessórios como um fator chave no adequado uso das nossas máquinas, reforçámos esta área através de uma equipa dedicada. Acoplar um acessório errado ou não certificado significa que os utilizadores arriscam uma redução da performance da própria máquina” referiu Olivier Vasseur, diretor da linha de acessórios. x

No design a Série 5 contou a colaboração de Giugiaro Design, com detalhes como as luzes LED, típicas dos automóveis, o capot e os grupos óticos traseiros. A transmissão está disponível em três configurações: mecânica, Powershift de 3 velocidades e TTV de variação contínua infinitamente variável. O sistema hidráulico com bomba dupla de 90 L/min da Série 5 oferece até cinco distrieletro-hidráulicos, buidores Power Beyond e sistema “Energy Saving”. Completam a

oferta hidráulica outros dois sistemas de 60 L/min com bomba única ou dupla “60 ECO”. Oferece um potente elevador eletrónico traseiro de 6.600 kg, e um dianteiro totalmente integrado na máquina, perfazendo uma capacidade de carga máxima de 8.500 kg (modelo 5130 TTV), ideal para trabalhos combinados. Para todos os modelos e versões está disponível um sistema de direcção rápida “SDD” (Steering Double Displacement) que permite diminuir para metade as

voltas do volante necessárias para efetuar uma volta total.x

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CONHEÇA A LEI

As Sociedades Comerciais em Portugal Drº Eva Ferreira, Advogado

www.fladvoga.com

Correm tempos de grandes mutações na atividade económica e, se muitas empresas vão diariamente à insolvência, a verdade é que outras se iniciam, restruturam e renovam. As sociedades comerciais são um instrumento previligiado para concretizar projectos económicos, pois permitem congregar e organizar autónomamente as pessoas, os capitais e os meios necessários ao início e desenvolvimento desses projectos.

Ao constituirem uma sociedade comercial os sócios: (i) criam entre si um contrato que define as regras que vão regular as suas condutas na sociedade; (ii) definem o projecto económico que pretendem criar em comum; (iii) quantificam as participações de cada sócio nesse projecto em capital, espécie ou trabalho; (iv) separam todos esses capitais e meios dos demais capitais e meios que individualmente possuam, para com eles constituirem uma entidade autónoma dedicada exclusivamente à execução desse projecto; (v) limitam a sua responsabilidade no âmbito do projecto às suas contribuições que afectarem ao mesmo, evitando que os demais bens que individualmente possuam, sejam afectados por uma eventual insolvência do novo projecto.

As sociedades comerciais têm assim grande importância na vida económica em geral e na dos seus sócios em particular, pois permitem juntar meios e vontades para executar projectos de maior dimensão, que muitas vezes não poderiam ser concretizados individualmente e, simultaneamente, autonomizam esses meios e vontades na sua concretização, dando-lhes interesses e responsabilidades próprias e independentes das dos sócios individualmente considerados. Daí a necessidade de se adequarem cuidadosamente os estatutos da sociedade aos fins e caraterísticas próprias do seu projecto económico, para que possam ser factores de tranquilidade e sucesso. Actualmente é possivel constituir de forma muito rápida e custos reduzidos empresas “on-line” ou pela “empresa na hora”, com estatutos “standart”. Porém recomendamos que de seguida se recorra ao aconselhamento especializado de um advogado para adequar esses estatutos ao caso concreto do projecto económico e dos sócios nele envolvidos. Em linguagem corrente diremos que para criar uma sociedade

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deve recorrer-se ao alfaiate e não ao “pronto-a-vestir”.

Em Portugal existem dois tipos principais de sociedades comerciais, a saber: I - Sociedade Por Quotas (Lda.)

É o mais uitlizado em Portugal e caracteriza-se pela sua simplicidade, flexibilidade e ligação aos sócios. É uma sociedade de responsabilidade limitada em que os sócios apenas respondem pelo valor das entradas realizadas nas respectivas participações sociais – as quotas. O capital mínimo é de € 1,00 e são registados no registo comercial o valor de cada quota, o seu proprietário, transmissões e ónus. Recomenda-se que o capital social inicial seja pelo menos o necessário à constituição da sociedade e arranque dos primeiros meses do “negócio” e até que ele comece a gerar os meios suficientes para a sua manutenção, pois de outra forma a sociedade terá de recorrer logo no seu início a financimentos que a endividarão e tornarão dependente de factores externos, merecendo também pouca confiança aos seus fornecedores, pois que o capital social é a principal garantia destes. As quotas não têm expressão física em títulos ou por outra forma, pois são meramente registrais e são transmitidas por contrato escrito assinado pelo cedente e cessionário. A sociedade por quotas constitui-se por documento particular, que contem os seus estatutos, assinado pelos sócios (sendo as assinaturas reconhecidas) e registado na Conservatória do Registo Comercial. Este registo é constitutivo, pois a sociedade só existe verdadeiramente após tal registo.

As sociedades por quotas podem ser unipessoais ou ter vários sócios e têm uma estrutura de orgãos sociais muito simples: A) Administração Gerência - Composta por um ou mais gerentes, pessoas singulares que detêm todos os poderes para administrar a sociedade, à excepção de vendas e oneração de imóveis e estabelecimentos da sociedade, podendo esta restrição ser retirada nos estatutos.


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B) Fiscalização Conselho fiscal ou fiscal único - A sociedade por quotas não tem de ter qualquer orgão de fiscalização, bastando-lhe escolher e manter registado nas finanças um técnico oficial de contas (TOC), sendo porém obrigatório ter um revisor oficial de contas (ROC) como fiscal único ou para integrar o conselho fiscal com pelo menos três membros, quando a sociedade durante dois anos consecutivos tiver simultaneamente dois dos seguintes indicadores: (i) Balanço anual igual ou superior a € 1.500.000,00; (ii) Total anual de vendas e outros proveitos igual ou superior a € 3.000.000,00; (iii) Média anual de trabalhadores igual ou superior a 50. C) Assembleia Assembleia Geral de Sócios - Plenário dos sócios da sociedade convocado pela gerência. Reúne pelo menos uma vez por ano para aprovar as contas da sociedade e delibera em geral por maioria simples dos votos emitidos, excepto para alterar os estatutos ou deliberar sobre a sua fusão, transformação, cisão ou dissolução, matérias têm de ter a aprovação de pelo menos 75% do capital social. Os sócios poderão porém fixar nos estatutos da sociedade a necessidade de maiorias diferentes para a aprovação de deliberações sobre outras matérias.

II – Sociedades Anónimas (SA)

Este tipo é uitlizado normalmente para as sociedades com numero elevado de capitais e accionistas e carateriza-se pela flexibilidade e desformalização da transmissão das suas participações sociais – as acções – e maiores garantias de fiscalização e controlo da gestão. É uma sociedade de responsabilidade limitada em que os accionistas apenas respondem pelo valor das entradas nas suas acções. O capital mínimo é de € 50.000,00 e as acções estão, quanto à sua titularidade, só registadas nos livros da sociedade ou depositadas em Bancos. As acções têm normalmente expressão física em títulos podendo porém ser só escriturais (correspondem só a um registo na sociedade ou em entidades autorizadas para o efeito). As acções são transmitidas através da entrega dos títulos, do averbamento dessa transmissão e sua comunicação escrita à sociedade ou ao Banco em que estiverem depositadas. A sociedade anónima é constituida por documento particular assinado pelos acionistas (sendo as assinaturas reconhecidas) e registado na Conservatória do Registo Comercial. Este registo é também constitutivo. Estas sociedade podem recorrer à subscrição pública de capitais, sendo então chamadas de “Sociedades Abertas”.

As sociedades anónimas devem ter pelo menos cinco accionistas e podem escolher, em alternativa, uma de três formas possiveis para estruturar os seus orgãos sociais.

A forma mais utilizada é a seguinte: A) Administração Administrador Único, (só para sociedades com capital social inferior a € 200.000,00), ou Conselho de Administração consti-

tuido por mais de um Administrador, que detêm os poderes necessários para fazer a administração corrente da sociedade. B) Fiscalização Fiscal Único, que tem de ser ROC (ou sociedade de ROCs), ou Conselho Fiscal conselho composto por um mínimo de três membros sendo um, necessárimente ROC (ou sociedade de ROCs), ou ainda Conselho fiscal e ROC, (ou sociedade de ROCs). C) Assembleia Geral Assembleia geral de acionistas é o plenário dos accionistas da sociedade e nela devem também comparecer os membros dos outros orgãos da sociedade. Reune pelo menos uma vez por ano para aprovação das contas anuais e delibera geralmente por maioria dos votos emitidos, seja qual for a percentagem de capital nela representada, excepto para alterar os estatutos e deliberar sobre a sua fusão, cisão, transformação ou dissolução, matérias em que necessita da aprovação de 2/3 dos votos emitidos ou, se estiver representada pelo menos 1/2 do capital social, apenas a maioria desses votos. Nas sociedade por quotas e nas anónimas as participações sociais podem ser realizadas em dinheiro ou em espécie, ou seja, bens que os sócios entregam à sociedade para a realização da sua atividade (imóveis, equipamentos, veiculos), que são avaliados por um ROC e passam para a propriedade desta pelo valor fixado nessa avaliação. Nestas sociedades pelo menos metade dos lucros apurados anualmente têm de ser distribuidos aos sócios/accionistas na proporção das suas participações sociais mas, por votação na Assembleia Geral aprovada por pelo menos 75% do capital social, pode deliberar-se distribuir menor percentagem desses lucros para aumentar as reservas da sociedade, tornando-a financeiramente mais robusta.

Existem mais dois tipos de sociedades raramente utilizados em Portugal, porque neles os sócios com participações de indústria (obrigações de trabalho dos sócios para a sociedade) respondem subsidiária, solidária e ilimitadamente com os seus bens pessoais pelas dívidas e obrigações da sociedade: (i) “Sociedade em Nome Coletivo” - É primordialmente uma sociedade de trabalho e confiança dos sócios que têm participações de indústria; (ii) “Sociedade em Comandita” - Nela convivem sócios/accionistas de capital (Comanditários), cuja responsabilidade se restringe ao montante das suas participações sociais e outros com participações de indústria (Comanditados).

As sociedades podem também estabelecer entre si relações de: (i) Participação – As sociedades detêm participações de outras sociedades, que podem ser de simples detenção, de detenção de participações sociais reciprocas entre várias sociedades, ou de domínio de uma sociedade com uma influência maioritária no capital ou na adminstração das outras sociedades; (ii) Subordinação –Sociedades independentes celebram entre elas contratos em que se comprometem a constituir um grupo mediante a submissão a uma direcção unitária e comum (Grupo Paritário), ou se obrigam a subordinar a gestão à direção de outra sociedade , dominante ou não (Contrato de Subordinação); (iii) Associação - As sociedades constituem um Agrupamento Complementar de Empresas (ACE), equiparado a uma sociedade comercial para efeitos de registo, para desenvolverem em comum uma actividade não directamente lucrativa e que apenas acessoriamente pode ter por fim a realiza-

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I FÓRUM SUSTAURUSVET

Vai decorrer no próximo dia 30 de Maio o 1º Fórum Sustaurusvet no Hotel Vip Executive, de Santa Iria da Azoia, sob o mote “Juntos somos carne, separados somos apenas produtores”. Numa altura que a alimentação é o tema do dia, o objetivo deste fórum é o de repensar e discutir o setor de carne bovina, indo abordar diferentes temas tais como o mercado global, a qualidade, a organização e a comercialização. O fórum contara com diversos oradores nacionais e internacionais, que representam desde os organismos estatais, organizações de produtores, organizações setoriais, universidades e técnicos do setor. Mais informações em http://forumsustaurusvet.blogspot.pt



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