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EDIÇÃO 13 l ANO 5 www.abimo.org.br

PACIENTE 4.0

Sua empresa está pronta para ele? TRINCA DE ÁRABES BHD vai aos Emirados

PIRATARIA

Anvisa apreende implantes odontológicos falsos

CIOSP 2017

Veja a cobertura completa


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SUMÁRIO

EXPEDIENTE A ABIMO em Revista é uma publicação da ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios), direcionada a associados, fornecedores, órgãos governamentais e profissionais da área. A reprodução total ou parcial deste conteúdo é expressamente proibida sem prévia autorização. A ABIMO não se responsabiliza pelas informações contidas nos anúncios, qualidade dos produtos anunciados e outros detalhes de eventuais negociações, sendo essas de responsabilidade exclusiva das empresas anunciantes. GESTÃO 2015-2019 ABIMO Presidente: Franco Pallamolla (Lifemed) Vice-Presidente: Walban Damasceno de Souza (Becton Dickinson) Diretor Tesoureiro: Luís Calistro Balestrassi (Neurotec) Conselheiros Titulares: Djalma Rodrigues (Fanem), Eliane Lustosa (Labtest), Kurt Kaninski (St Jude), Andre Ali Mere (Olidef), Caetano Biagi (Alliage), Giancarlo Schneider (Kavo do Brasil) Conselheiros Suplentes: Patricia Braile (Braile Biomédica), Marcelo Roberto de Menezes Dourado (Phlips), André Pacheco (Cremer), Patricia Bella Costa (Colgate), Oscar Porto (Medtronic), Jose Roberto Pengo (Biomecânica), Rodolfo Candia (Conexão), Jafte Carneiro (JJGC), José Ricardo de Souza (Ibramed) Conselheiros Fiscais: Regiane Marton (Heraeus), Augusto Olsen (Olsen), Gabriel de Figueiredo Robert (Silimed) Conselheiros Fiscais Suplentes: Valdevir Aquino (Auto Suture), Wiliam de Paula (Hospimetal), Roberto Alcantara (Angelus) SINAEMO Presidente: Ruy Salvari Baumer (Baumer) Secretário: Paulo Henrique Fraccaro (Implus) Tesoureiro: Tatiane Galindo (Ortosintese) Diretores Suplentes: Paulo Akio Takaoka (Medical Cirúrgica), Anselmo Quinelato (Schobell), Gilberto Nomelini (Gnatus) Conselheiros Fiscais: Jamir Dagir Junior (Dorja), Fabio Colhado Embacher (Emfils), William Pesinato (Fami), Conselheiros Fiscais Suplentes: José Tadeu Leme (Engimplan), Orlando de Carvalho (Carci)

10 BHD - Trinca de Árabes

REDAÇÃO: Deborah Rezende, Elaine Cristina, Marcela Marques Revisão: Carolina Machado

BHD - IDS

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24 Mercados-Alvo - EUA

Capa - Paciente 4.0

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40 Odontologia - CIOSP

Conselho Editorial: Márcio Bosio (Diretor Institucional) Clara Porto (Gerente de Projetos e Marketing Internacional) Joffre Moraes (Gerente de Estratégia Regulatória) Fernando Valery (Gerente de Marketing)

CONTEÚDO / EDIÇÃO DE TEXTOS E PRODUÇÃO: Jornalista Responsável: Deborah Rezende (MTB 46691) contato@dehlicom.com.br

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Odontologia - Pirataria Artigo Franco Pallamolla Artigo Ruy Baumer Dia a dia Turma do Bem Regulação - IMDRF Falando nisso

Tecnologias Assistivas

FOTOGRAFIA: Cleber de Paula, André Bezerra EDIÇÃO E ARTE: Cecil Rowlands Filho ILUSTRAÇÃO E INFOGRAFIA: Stephan Strojnowski PUBLICIDADE: Márcio Bertoni bertoni@abimo.org.br ABIMO - Av. Paulista, 1.313 - 8º andar - sala 806 - 01311-923 - São Paulo - SP Tel.: 11. 3285.0155- www.abimo.org.br

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DE VOLTA PARA O FUTURO

FRANCO PALLAMOLLA é presidente da ABIMO

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Sem dúvida 2016 foi embora e não deixou saudades. Intermináveis escândalos de corrupção, impeachment presidencial, desemprego e queda do PIB marcaram um ano muito difícil para todo o empresariado brasileiro. Lembro-me do que disse em meu último editorial; que o mau cenário não seria eterno, que as empresas preparadas nesse ano teriam um 2017 melhor e que as severas adversidades nos estimulariam a explorar a inventividade para chegar ao sucesso. As mudanças foram radicais e irreversíveis. Elas transformaram nossos negócios a partir das novas necessidades que tivemos de focar na criação de processos, ambientes e incentivos. Ou seja: inovar. Essa inovação ficou evidente na entrega de mais uma edição do Prêmio Inova Saúde, promovido pela ABIMO há – orgulhosos – seis anos. Inovação que lemos em mais uma matéria nesta edição, cujo assunto principal é a conectividade dos pacientes brasileiros, que aumenta gradativamente – embora saibamos que nossa saúde tem muito a melhorar. A inovação manifesta nas protrusões de nossos modelos de negócios procede da necessária sobrevivência (sem a ajuda de aparelhos) neste panorama econômico ainda desafiador, como há muitos anos não víamos. Esse cenário advém da falta de políticas econômicas voltadas para estimular a competitividade e a inovação na economia brasileira, uma das fortes causas da recessão aguda que vivemos nos últimos meses. E ainda é uma dificuldade. Por esse motivo, considero a atuação da nossa entidade cada vez mais importante. “Mudar é complicado, mas se acomodar é perecer”, disse Mario Sergio Cortella no encerramento do congresso da micro e pequena indústria na Fiesp, no ano passado. E aqui estamos. Um ano novo. Mudamos? Espero que sim. E porque somos associados, parceiros, somos muitos em um. A ABIMO, que é de todos nós e de cada um de nós, é o produto, em constante crescimento, de nosso dinamismo sem sonolência e de nossa irmandade de ideais. O EMPRESÁRIO (assim mesmo, com letras maiúsculas) tem tido a capacidade operacional e a fortaleza moral para suportar o desafio e – por que não dizer? – o sacrifício nesta hora de riscos e inseguranças, continuando a empreender, cultuando corajosamente, com empenho e competência, o patriotismo da esperança. No Brasil, de alguns anos para cá, já há muita gente lúcida que reconhece, como título de mérito, ser EMPRESÁRIO. Por isso sinto-me feliz (diria mais: até sadiamente vaidoso) de presidir a ABIMO, uma entidade formada de lideres empresariais dessa classe qualificada de respeitáveis Empreendedores. De homens livres, enfim, comprometidos com o presente e o futuro de nosso pais, que ajudam, a cada dia, construir. A expectativa é de que o Brasil saia da recessão. Muito embora as perspectivas sejam pessimistas para o crescimento do PIB, o ponto importante é a mudança em relação aos últimos anos. Acredito que a indústria brasileira – sobretudo a da saúde – deve entrar em um ciclo de recuperação, mas ele só será sustentado e sustentável no longo prazo por políticas de incentivo à competitividade e inovação. E estamos aqui para ajudar.


OS REFLEXOS DAS INCERTEZAS TRIBUTÁRIAS

RUY BAUMER é presidente do SINAEMO

A Constituição Federal preconiza, em diversos de seus artigos, o Princípio da Isonomia, que se baseia na igualdade de todos perante a lei. Qualquer pessoa, empresa ou órgão, inclusive o próprio Executivo, é gerido por esse princípio. As boas práticas de mercado recomendam, no que lhes concerne, o princípio da segurança tanto jurídica quanto do ambiente de negócios para o desenvolvimento saudável de quem produz. Infelizmente hoje não contamos com nenhum desses dois princípios. Após anos de luta com a concordância de todas as áreas, continuamos a nossa cruzada para a aprovação de regulamentos que aliviem a carga tributária de um setor que internacionalmente é desonerado, diminuindo assim o custo da saúde. Quanto ao Princípio da Isonomia, somos o único país do mundo que onera a produção interna e protege e desonera a produção externa. Entendemos aqueles que não protegem nenhum dos lados. Entendemos aqueles que protegem a produção interna. Mas não entendemos por que não conhecemos outro país cujo modelo apresente tal grau de estupidez. Temos projetos de lei, decretos, portarias, propostas e estudos mostrando essa situação. Ainda aguardamos regulamentações. Quanto às perspectivas do país, nosso eterno otimismo nos faz prever neste primeiro semestre a aprovação das medidas e reformas propostas pelo governo, alavancando um tímido, mas consistente, crescimento para os próximos dois ou três semestres. Esse é o cenário bom. Ainda teremos de lutar contra a maior inadimplência em nosso setor nos últimos 15 anos. Corremos o risco de retorno de impostos que foram reduzidos, criação de novos e insolvência de alguns estados e municípios. Isso traz o perigo de que verbas adicionais transferidas para o setor sejam utilizadas para outros fins. Conseguimos nos últimos anos aumentar muito a interlocução de toda a cadeia produtiva da saúde, o que aumentou nosso poder de negociação. Precisamos trabalhar cada vez mais nessa direção para alcançarmos nossos pleitos.

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DIA A DIA

DEZEMBRO Secretaria da Saúde de São Paulo dará preferência a produtos brasileiros A ABIMO e a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo assinaram, no dia 13 de dezembro, um termo de cooperação técnica com o objetivo de unir esforços para que os dispositivos médicos, odontológicos e de laboratórios produzidos no Brasil sejam utilizados em demandas da cidade de São Paulo. A iniciativa leva em consideração a necessidade de desenvolvimento de produtos e tecnologias apropriadas às necessidades do SUS (Sistema Único de Saúde), bem como visa promover a qualificação e a nacionalização do parque tecnológico dos hospitais do município. Na ocasião, estiveram presentes Alexandre Padilha, à época secretário municipal da Saúde; Wilson Pollara, que viria a assumir a secretária no mês seguinte; Antônio Pedro Lovato, chefe de gabinete da Autarquia Hospitalar Municipal; Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO; e demais membros da diretoria da Associação.

Paulo Henrique Fraccaro (à direita) representa a ABIMO junto ao Secretário Wilson Pollara (ao centro)

Com o acordo, a ABIMO irá colaborar com a administração municipal apoiando tecnicamente temas de interesse para o setor da indústria de dispositivos médicos, hospitalares, odontológicos e de laboratórios. “Estamos nos colocando à disposição da prefeitura de São Paulo para que, quando houver a necessidade de aquisição de equipamentos, ela tenha o Brasil como base de fornecimento, e não somente

produtos importados”, explica o superintendente da ABIMO. “Atualmente as empresas aqui instaladas podem atender a quase 95% da demanda local, por isso pretendemos abrir o leque de informações da indústria para que a prefeitura tenha nossas companhias como referência”, acrescenta. No setor de saúde bucal, as indústrias nacionais podem suprir 100% da demanda.

Leia a matéria completa em: http://migre.me/vWqXI

A 1 e

N P d d oc W re d

D B em cr ofi at p co m

ABIMO conquista Prêmio Líderes da Saúde

na categoria Associação

Empresários e personalidades do setor da saúde estiveram presentes no Espaço APAS, em São Paulo, para a cerimônia do Prêmio Líderes da Saúde, iniciativa do Grupo Mídia que visa homenagear os grandes players do segmento que investiram em inovações neste ano, assim como reconhecer as companhias que mais se destacaram no mercado brasileiro. O evento aconteceu em 6 de dezembro. A ABIMO foi eleita na categoria Associação. Na ocasião o gerente de Estratégia Regulatória da ABIMO, Joffre Moraes, recebeu o prêmio representando a entidade. “Para nós é uma satisfação imensa receber esse prêmio. Parabenizo o Grupo Mídia, parceiro de longa data, pela oportunidade de participarmos desse momento tão importante para o nosso setor”, destacou o gerente.

Joffre Moraes (à esquerda) recebe o prêmio em nome da ABIMO

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O vi e m d m tê p e m fi at


APCD inaugura Faculdade de Odontologia em São Paulo A APCD (Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas) inaugurou, no dia 12 de dezembro, sua Faculdade de Odontologia, a FAOA (Faculdade de Odontologia da APCD), com cursos de graduação e pós-graduação. No decorrer da cerimônia, a ABIMO foi anunciada e valorizada como parceira de sucesso junto a APCD. Na ocasião, o conselheiro suplente Rodolfo Candia Alba Júnior e o diretor administrativo José Augusto Queiroz estiveram presentes representando a entidade.

Adriano Forghieri (APCD) entre Rodolfo Candia e José Augusto Queiroz (ABIMO).

ABIMO participa de coquetel de lançamento da HOSPITALAR 2017

ABIMO presente na 12ª reunião do Gecis em Brasília Novas PDPs (Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo) foram assinadas durante a 12ª reunião do Gecis (Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde) em 8 de dezembro, em Brasília. Na ocasião estiveram presentes Franco Pallamolla, Walban Damasceno de Souza e Márcio Bósio, respectivamente presidente, vice-presidente e diretor institucional da ABIMO. Durante a reunião, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, ressaltou a importância do investimento em novas tecnologias. “A indústria nacional tem crescido muito no setor saúde. Os laboratórios oficiais terão os recursos necessários para atualização e produção de novos medicamentos e produtos. Nosso interesse é comprar o tratamento completo para a população, não apenas medicamentos”, destacou. O Ministério da Saúde conta com 86 PDPs vigentes, envolvendo 18 laboratórios públicos e 43 privados para o desenvolvimento de 88 medicamentos, 4 vacinas e 13 produtos da área da saúde. Com o anúncio, serão incorporadas mais sete parcerias ao rol já existente. As PDPs têm como objetivo transferir tecnologias para a produção nacional de medicamentos, insumos e tecnologias estratégicas para a saúde. O prazo máximo para a conclusão do projeto, com a finalização da transferência de tecnologia, será de até dez anos.

Leia a matéria completa em: http://migre.me/vWr1m

Paulo Henrique Fraccaro, Edmilson Caparelli Jr., Clara Porto e Marcio Bertoni Na noite de 12 de dezembro aconteceu, em São Paulo, o coquetel de lançamento da 24ª edição da HOSPITALAR Feira+Fórum. Na ocasião, o superintendente Paulo Henrique Fraccaro, a gerente de projetos e marketing internacional, Clara Porto e o coordenador de marketing Márcio Bertoni estiveram presentes representando a ABIMO. “A HOSPITALAR cresceu e se transformou baseada na convivência com todos que atuam na área da saúde. Modificamos muita coisa, mas seguimos com o propósito de respeitar e ouvir o setor para trazer soluções e alternativas que proporcionem medicina de qualidade e muito mais humanizada. Temos diversas novidades para 2017, e é um orgulho ver que ainda temos muito a fazer”, comentou a presidente da HOSPITALAR, Waleska Santos, em seu pronunciamento. “A Feira HOSPITALAR é um evento marcado no calendário anual dos empresários e profissionais da saúde. É o espaço que temos para trocar ideias, fazer balanços, analisar os passos que estão sendo dados pela indústria e buscar soluções que estimulem o crescimento e desenvolvimento sustentável do mercado de dispositivos médicos”, ressaltou o superintendente da ABIMO, Paulo Fraccaro. “Durante os quatro dias, podemos conhecer inovações que são importantíssimas para o setor, já que a ciência ainda conhece pouco sobre o corpo humano e precisa caminhar para que novas descobertas ajudem a mudar a vida de pacientes de todo o mundo”, complementou.

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DIA A DIA

FEVEREIRO

O futuro do Sistema Único de Saúde foi tema de simpósio internacional O CBEXs (Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde), em parceria com a KPMG, promoveu na tarde de 8 de fevereiro o Simpósio Internacional de Healthcare, no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Sob o tema “O Sistema de Saúde Ideal: realidade ou sonho?”, o evento foi patrocinado pela ABIMO, representada pelo superintendente Paulo Henrique Fraccaro. O simpósio foi uma oportunidade para a entidade participar de discussões sobre os sistemas de saúde de outros países e o futuro do SUS (Sistema Único de Saúde). Dois especialistas ingleses trouxeram ao Brasil exemplos da universalidade da saúde naquele país. O consultor sênior da KPMG Global Center, Sir David Nicholson, contou sobre a experiência de ter sido ex-executivo chefe do NHS (National Health Service). O NHS é o maior e mais antigo sistema público de saúde do mundo. É uma estatal que ainda administra 100 bilhões de libras em fundos para gastar de forma eficaz no setor. “Na realidade, nós buscamos o sistema de saúde ideal. Hoje ficou claro que cada país tem que procurar o seu método de atuação. Caberá ao Brasil procurar o seu sistema com as informações de sucesso no mundo. Uma tática bem fortalecida, encaminhada e bem projetada faz com que a indústria consiga se planejar para atender àquilo que procura”, destacou o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro. O Ministro da Saúde, Ricardo Barros e o secretário de Saúde da Cidade de São Paulo, Wilson Modesto Pollara, também discursaram no evento.

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ABIMO participa do 11º Encontro Anual de OPMEs Com o objetivo de reunir todos os envolvidos para discutir as propostas e ações para a evolução ética e a competitividade do setor de DMIs (dispositivos médicos implantáveis), no dia 13 de fevereiro aconteceu, em São Paulo, o 11º Encontro Anual de OPMEs (órteses, próteses e materiais especiais). Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO, foi um dos palestrantes e representou a entidade, que foi uma das apoiadoras institucionais do evento. Fraccaro participou da mesa-redonda sobre “Modelos de Remuneração” ao lado de Aderval Paulo Filho, presidente da UNIDAS; Carlos Goulart, presidente-executivo da ABIMED (Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde); Eduardo de Oliveira, vice-presidente da FBH (Federação Brasileira de Hospitais); e Silvia Helena Rondina Mateus, conselheira do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo). O superintendente defendeu a transparência: “Enquanto não houver perspicuidade entre médicos, vice-diretor, fabricante, produtor e empresas curadoras da saúde, nós não chegaremos a lugar algum. Como brasileiro e paciente, fico indignado como uma cirurgia de joelho, por exemplo, pode custar X em um local e duas vezes mais em outro porque a saúde suplementar aceita pagar tal disparidade só porque o lugar é diferente.

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Paulo Henrique Fraccaro (à direita) representa a ABIMO no evento


BNDES apresenta novas condições de financiamento e recursos para a área da saúde No dia 8 de fevereiro, o chefe do Deciss (Departamento do Complexo Industrial e Serviço de Saúde) do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), João Paulo Pieroni, apresentou os novos programas de inovação do banco durante evento promovido pelo ComSaúde (Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na sede da entidade. Na ocasião o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro, esteve ao lado do coordenador titular do ComSaúde, Ruy Baumer; do coordenador titular adjunto do ComSaúde e presidente da ANAHP (Associação Nacional de Hospitais Privados), Francisco Balestrin.

ABIMO participa de reunião com representantes da USP e do Ministério da Saúde

Márcio Bosio (à direita) representa a ABIMO na reunião O diretor institucional da ABIMO, Márcio Bosio, participou de uma reunião com representantes da USP (Universidade de São Paulo) e do Ministério da Saúde. O intuito do encontro foi discutir alguns projetos de interesse para o setor, principalmente na área de logística, já que o Ministério da Saúde tem interesse em obter mais controle sobre as suas compras. A reunião aconteceu em 9 de fevereiro. Para o setor da saúde, a iniciativa impacta em relação às PDPs, pois o Ministério passará a fazer compras centralizadas desses produtos e terá mais controle sobre entregas. “É um projeto bem interessante e que pode trazer bons frutos para o setor”, pontua Bosio.

Ruy Baumer, presidente do SINAEMO e Coordenador do ComSaúde (no centro à direita) com João Paulo Pieroni (centro à esquerda)

Membros do Comitê Gestor reúnem-se com associados do BHD Na tarde do dia 21 de fevereiro, os representantes do Comitê Gestor do Projeto Brazilian Health Devices (BHD), executado pela ABIMO em parceria com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), receberam empresas participantes do projeto para um encontro. “Os projetos setoriais têm uma estrutura de governança muito bem definida, sendo o Comitê Gestor sua instância maior”, explicou a gerente do BHD, Clara Porto. “O Brazilian Health Devices não foge à regra, buscando uma composição muito representativa em termos de verticais produtivas, porte e maturidades exportadoras da indústria de dispositivos médicos, odontológicos e de laboratório.” Durante sua apresentação, Clara explicou que o Comitê Gestor tem como principal atribuição avaliar a execução do projeto, propor eventuais correções e sugestões e monitorá-las, além de tomar as principais decisões estratégicas das ações do projeto e do plano estratégico de internacionalização do setor. No Brazilian Health Devices, a formação do grupo busca ainda representar os variados níveis de maturidade exportadora e os diferentes segmentos de atuação. O Comitê atua também na fase de elaboração da renovação do projeto, processo que se inicia seis meses antes do encerramento do convênio vigente e serve de fórum para validação dos aspectos mais importantes, como público-alvo, objetivo geral, foco estratégico, premissas, resultados e ações do projeto. A cada 24 meses o projeto é sempre renovado, havendo a assinatura de um novo convênio.

Comitê Gestor do Projeto BHD, formado por representantes da ABIMO, da Apex-Brasil e por associados A reunião também serviu para o anúncio de ações no calendário do BHD. Além das feiras e missões, estão previstos para o primeiro semestre de 2017 workshops sobre os novos requisitos para marcação CE e sobre o processo de registro no FDA (Food and Drug Administration), reuniões de ranqueamento de mercados-alvo, que é uma das etapas para a renovação do convênio com a Apex-Brasil, a qual deve ocorrer em setembro deste ano, e ainda um Workshop sobre Oportunidades da Apex-Brasil, que ocorrerá durante a Feira HOSPITALAR. Até o final do ano, 16 ações já estão agendadas pelo mundo. Um a um os gestores foram apresentados. Depois os associados presentes puderam fazer perguntas e dar sugestões.

Leia mais sobre o comitê gestor em: http://migre.me/w7MNG

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BHD

TRINCA DE ÁRABES EMPRESAS BRILHAM EM TRÊS FEIRAS NOS EMIRADOS ÁRABES NO PRIMEIRO BIMESTRE DE 2017 A importância do mercado árabe para exportações de produtos brasileiros já é realidade para diversos segmentos da economia brasileira. Dados do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio e Serviços) relativos a novembro de 2016, compilados pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, mostram que as exportações do Brasil ao mundo árabe renderam US$ 935 milhões, um aumento de 10% sobre novembro do ano anterior. “Além disso, com a elevação do preço do petróleo, desde novembro de 2016 a tendência é que os países do bloco tenham mais divisas para gastar com importações, o que poderá beneficiar as vendas para o mundo árabe em 2017, destaca Michel Alaby, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

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Essa poderá ser uma excelente oportunidade para setores com grande potencial de crescimento naquele mercado, como é o caso da indústria de dispositivos médicos: “Para se ter uma ideia, em 2015 os países árabes importaram US$ 800 milhões em dispositivos médicos de todo o mundo, sendo que apenas 2% desse total foram importados do Brasil”, acrescenta Alaby. “Dubai tornou-se um dos destinos mais atraentes do mundo para reunir especialistas internacionais e grandes instituições para conferências e fóruns”, disse Humaid Al Qatami, presidente do conselho de administração e diretor-geral da DHA (Dubai Health Authority).


Atualmente 15% das exportações do Brazilian Health Devices são destinadas ao Oriente Médio. A região está em constante desenvolvimento, e os produtos mais exportados são incubadoras, produtos de fisioterapia e estética, além de artigos de UTI, cirurgia de maneira geral e implantáveis, como cateteres neurológicos e implantes ortopédicos e cardíacos. O primeiro compromisso do ano foi na Arab Health, segundo maior evento na área da saúde do mundo e principal feira de dispositivos médicos do Oriente Médio, que reúne mais de 4 mil expositores e 120 mil visitantes de 160 países. Embora seja realizada no Oriente Médio, a feira ganhou expressão mundial nos últimos anos, atraindo expositores e visitantes de todas as partes do mundo. “Já participamos há quase 15 anos, e a feira vem crescendo a cada edição, bem como o mercado consumidor da região do Oriente Médio”, diz Clara Porto, gerente de projetos e marketing internacional da ABIMO. “Atualmente a Arab Health é a feira em que nossas empresas participantes fecham o maior número de negócios.” Está em consonância com essa declaração a visão do Sheikh Mohammed Bin Rashid Al Maktoum, vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos,

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Atualmente a Arab Health é a feira em que nossas empresas participantes fecham o maior número de negócios.” Clara Porto, ABIMO

primeiro-ministro e governante de Dubai: “A Arab Health é uma oportunidade importante para as instituições internacionais de saúde trocarem conhecimento, acessarem o que há de mais recente em tecnologia médica e reverem o que foi alcançado dentro do setor da saúde e dos seus emergentes campos, como tecnologia inteligente”, concluiu Sua Excelência. Para Simon Page, diretor geral da Informa Life Sciences Exhibitions, organizadora da Arab Health, receber anualmente o evento de saúde mais esperado da região com a expectativa de antecipar os mais recentes avanços, tanto na exposição, como no congresso médico, é uma grande responsabilidade. “À medida que a Arab Health continua a expandir-se ano a ano, também aumenta a demanda por tecnologia e serviços médicos avançados no Oriente Médio”, disse. “Mais uma vez, estamos orgulhosos de poder 11


BHD

reunir muitos dos fabricantes mundiais de produtos médicos pioneiros, prestadores de cuidados de saúde respeitados e profissionais médicos eminentes sob um mesmo teto, para explorar as mais recentes inovações da indústria e fazer negócios.” Com foco nos mercados emergentes, 32 empresas brasileiras apresentaram grande quantidade de produtos nas áreas de cardiologia, ortopedia, fisioterapia, neonatologia, cirurgia, neurologia, entre outros, aos mais de 2,3 mil contatos que fizeram durante os quatro dias de evento.

VISITANTES E COMPRADORES

As expectativas da Baumer eram de aquisição de novos prospects e parcerias para o ano de 2017, além de reunir-se com contatos já existentes para o fechamento de negócios. “Tivemos participação ativa no que diz respeito à linha de ortopedia na região. E voltamos a explorar intensamente essa parte do mundo, agora não só na linha de ortopedia, mas também com a linha de odontologia e soluções para esterilização e controle de infecção, lavanderia, tratamento de feridas e outros”, conta Bruno Alzuguir, gerente de exportação da empresa. Segundo ele, as expectativas da Baumer não só foram alcançadas como foram acima do originalmente esperado. “Como destaque mais positivo, além da expectativa original superada, tivemos a comprovação da força da marca no mundo e a certeza de oportunidades reais”, comemora. As expectativas da Timpel também foram alcançadas, e a primeira participação nessa feira foi extremamente enriquecedora. “Conhecemos bastante sobre alguns mercados e tivemos uma visão global da região”, conta a gerente de exportação da empresa, Josiane Salva. “Recebemos muitas declarações de que nosso produto é realmente uma excelente alternativa para melhorar a qualidade dos atendimentos a pacientes em ventilação mecânica e aumentar as chances de salvar vidas.” 12

O EA OMNA (Escritório Apex-Brasil para Oriente Médio e Norte da África), em parceria com as embaixadas do Brasil na região e a ABIMO, organizou este ano um Projeto Comprador no âmbito da feira Arab Health. Estiveram presentes representantes de quatro empresas influentes vindas do Egito, do Catar e da Arábia Saudita, que se reuniram com cerca de 32 empresas brasileiras expositoras. “Os compradores se mostraram extremamente satisfeitos com a oportunidade de estabelecer contato direto com fabricantes brasileiros interessados em desenvolver negócios na região do Oriente Médio e ofereceram excelentes feedbacks quanto à qualidade dos produtos e aos preços praticados”, comemora Karen Jones, chefe de operações do EA OMNA.


Além de permitir maior exposição da oferta brasileira e dos novos contatos, as ações promovidas pelo escritório regional da Apex-Brasil tiveram impacto direto na geração de novas oportunidades de negócios e contribuirão para o alcance das metas definidas pelo setor para o ano de 2017. Yasier Daffala Ahmed, da empresa saudita Al-Hobail Medical, foi um dos convidados da Apex-Brasil: “Conhecer mais de dez empresas brasileiras foi ótimo para mim”, comenta. “Elas vieram com alta qualidade e muita experiência, já sabendo como lidar com as pessoas e conhecendo muito os produtos.” Só elogios, Jalal Thamer, da Panthéon Healthcare, também comprador saudita, diz que o mercado regional está crescendo, e as empresas brasileiras seguem no caminho certo, impressionando pela qualidade e pelo bom atendimento. “Fiquei maravilhado com as novas tecnologias”, ressalta. Além do Projeto Comprador, o EA OMNA complementou o apoio ao setor com a organização de ações de promoção dos pavilhões brasileiros durante as feiras Arab Health, AEEDC e MedLab. As ações foram executadas por promotores devidamente treinados para atrair visitantes da feira aos pavilhões brasileiros e assim conseguir agendar um maior número de reuniões de compradores da região com as empresas brasileiras participantes. A iniciativa foi muito bem recebida pela ABIMO e pelas empresas brasileiras, gerando uma movimentação que resultou em mais de 450 reuniões com empresas expositoras no âmbito das três feiras. Com o interesse em expandir a sua plataforma de negócios, Stefano Marchionni, da Aamal Medical Group, Catar, vê no Brasil um potencial fornecedor, com o qual pretende estabelecer parcerias de longo prazo. “Fomos convidados pela Apex-Brasil e descobrimos que há muitas oportunidades de negócios com os fabricantes do Brasil”, conta. “Gostaríamos de ir além e começar uma parceria de negócios e de distribuição muito forte. Agora todos os produtos que foram apresentados pela empresa serão avaliados pela nossa equipe de vendas, e esperamos construir um relacionamento de longo prazo.”

Entre as autoridades que visitaram o pavilhão brasileiro, como representantes do ministério da saúde dos Emirados Árabes e da Arábia Saudita, estavam também representantes do ministério da saúde da Nigéria. O ministro de Saúde nigeriano, Isaac Adewole, visitou em pessoa o pavilhão brasileiro para rever a Associação e as empresas que já havia conhecido pessoalmente durante a feira Medic West Africa, da qual o projeto BHD participou em meados de outubro de 2016, em Lagos, Nigéria. O pavilhão brasileiro também recebeu visitas de parceiros estratégicos da ABIMO, como associações congêneres e câmaras de comércio do Reino Unido, da Alemanha, da Turquia e da Espanha. A feira teve resultados muito positivos, avalia Clara, gerente do BHD. “Durante o evento as empresas já saíram com mais de US$ 320 mil em negócios, e chegamos com expectativa de US$ 13 milhões de negócios para os próximos 12 meses. As empresas nos sinalizaram um aumento de US$ 1 milhão nessa expectativa”, comemora. A Arab Health é também importante palco para a imagem do Brasil. Por isso, representantes da Feira HOSPITALAR, mais importante evento do setor de saúde do Brasil, juntaram-se à comitiva da ABIMO com o propósito de intensificar ações de comunicação e marketing por meio do contato pessoal com compradores, distribuidores, fornecedores, expositores e profissionais da saúde de várias partes do mundo. “Participamos com o objetivo de reforçar a HOSPITALAR como facilitadora global para negócios e relacionamentos no mercado de saúde, e para trazer mais opções de fornecedores internacionais ao nosso evento, que acontece em maio”, conta Fábio Stringhini, gerente de contas da feira. Atrasorb, Baumer, BCF, Biomecânica, BR GOODS, Carci, Casex, CBEMED, Corcam, Deltronix, DFV, Drillermed, Fanem, GMI, Hpbio, Hospitalar, Hospimetal, Indusbello, Inpromed, Instramed, Ibramed, Loktal, Magnamed, Medicone, Olidef, Óssea, Phoenix, Samtronic, Scitech, Sismatec, Timpel e Traumec são as empresas que estiveram no Pavilhão Brasileiro na Arab 2017.

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BHD

MEDLAB, AGORA INDEPENDENTE Pela primeira vez a MEDLAB aconteceu separadamente da Arab Health, como feira autônoma. A organização do evento investiu em uma programação acadêmica bastante sólida, além das várias ações de incentivo a distribuidores, como o “Dealers & Distributors Wall”, espaço destinado a troca de contatos e networking entre distribuidores buscando novos fornecedores e empresas expositoras em busca de novos clientes e distribuidores na região. Por conta disso, o evento não só estava bastante movimentado como os contatos eram focados no setor de laboratório e diagnóstico, o que contribuiu para o excelente resultado das empresas expositoras de maneira geral. “Os dois primeiros dias, principalmente, foram de excelentes contatos para as empresas”, comemora a coordenadora de promoção comercial da ABIMO, Laísa França. Bioclin, Biomedtech, DK Diagnostics, Indrel, Labtest, LB Diagnóstica e Lupetec apresentaram ao Oriente Médio seus reagentes de diagnóstico ou de laboratório, diagnóstico in vitro, aparelhos e instrumentais para análises clínicas, testes laboratoriais, refrigeradores para laboratório e produtos para patologia e hematologia. Quase não há produção local de dispositivos para diagnóstico e laboratórios, e a região é bastante dependente de importações. Também por esse motivo as perspectivas de exportar para o Oriente Médio são sempre positivas, por significarem diversificação de mercados. 14

A MEDLAB também foi muito boa para a DK Diagnostics. “Fizemos mais de 70 bons contatos na feira, e a região tem mostrado capacidade maior de absorção de nossos produtos, que estão sendo buscados por clientes novos, vindos de feiras anteriores”, ressalta Paulo Francisco Windlin, gerente de relações comerciais e exportação da companhia.


De acordo com Caio Martins, diretor administrativo da Lupetec, a intenção da empresa, durante a MEDLAB, era a prospecção de negócios na localidade, que apresenta crescimento acentuado no setor: “Foi uma surpresa para nós que havíamos participado da Arab Health no primeiro momento e de ambas juntas no ano passado”, conta. “Com certeza as negociações tiveram mais qualidade.”

A “separação” da Arab Health foi excelente na opinião da expositora: “Pudemos focar o interesse dos participantes e aproveitar os visitantes que as marcas de produtos correlacionados trouxeram à feira”, conta. As sete companhias presentes fizeram quase 600 contatos nos quatro dias de evento e trazem para o Brasil uma expectativa de vendas de US$ 1 milhão para os próximos 12 meses.

Surpresa também ficou a representante da Indrel, Flavia Rodrigues. “Não esperávamos tantas visitas”, diz. Segundo ela, a empresa passou os últimos dois anos com foco na América Latina, e o trabalho pós-feira é colher informações sobre os preços praticados pela concorrência e trabalhar os próprios. 15


BHD

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Esse é hoje um dos principais eventos no calendário internacional das empresas de odontologia” Clara Porto, ABIMO

ODONTOLOGIA INTERNACIONAL A indústria odontológica brasileira, inovadora e pioneira, é reconhecida internacionalmente como referência em qualidade de produção e pelos investimentos em estudos e pesquisas cujo propósito é oferecer qualidade ao mercado. Além disso, a habilidade dos dentistas nacionais e o tamanho do comércio brasileiro, que se expandiu nos últimos anos, têm atraído grandes empresas fornecedoras, tanto dos EUA, quanto da UE (União Europeia). Produtos odontológicos brasileiros também são destaque no exterior. Prova disso são os excelentes resultados da 11ª participação do Pavilhão Brasileiro na AEEDC (International Dental Conference & Arab Dental Exhibition), maior feira odontológica do Oriente Médio e norte da África. “Esse é hoje um dos principais eventos no calendário internacional das empresas de odontologia, uma vez que a demanda por essa feira vem crescendo devido à alta procura da região, ao aumento das classes média e alta e à intensa preocupação com estética”, afirma Clara Porto, gerente de projetos e marketing internacional da ABIMO.

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As importações totais desses produtos pelos países árabes, por sua vez, vêm crescendo de forma sustentável nos últimos anos. O último dado disponível mostra que em 2015 elas ultrapassaram US$ 590 milhões, o que significou aumento de 3% em relação a 2014. “Ainda que as exportações do Brasil tenham representado uma parcela pequena desse total – US$ 3,2 milhões –, acreditamos no potencial de crescimento desse mercado, especialmente nos Emirados Árabes Unidos, que hoje já são os principais compradores de produtos odontológicos brasileiros”, pontua Michel Alaby, da Câmara de Comércio Árabe no Brasil. A expectativa das 18 empresas participantes da AEEDC era de US$ 3 milhões resultantes de negócios durante o evento e nos 12 meses subsequentes, provenientes de contatos após a feira, superados substancialmente. Mais de US$ 1,3 milhão foi negociado nos dias de feira e há expectativa de US$ 5 milhões para o ano, número que representa um aumento de US$ 500 mil em relação ao ano anterior, que já havia apresentado aumento.


“Os contatos diminuíram em relação a 2016, então esses resultados mostram que a feira está cada vez mais focada e com visitantes realmente interessados em fazer negócios”, comemora Laísa. A Angelus, que participa da AEEDC desde 2011, já atua fortemente no Oriente. “A cada edição, as expectativas são sempre muito boas, pois a AEEDC é uma feira que vem crescendo há muitos anos”, conta Sidarta Cypriano, gerente de comércio exterior da companhia. Essa, porém, foi, em sua opinião, a melhor edição dos últimos anos. “Fora os bons clientes do Middle East, tivemos gratas surpresas com clientes europeus e asiáticos de altíssimo nível”, comemora.

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A presença e o apoio da ABIMO durante as feiras é fundamental para fortalecer os fabricantes nacionais” Eduardo Lopes, Aditek

A presença e o apoio da ABIMO durante as feiras é fundamental para fortalecer os fabricantes nacionais no mercado internacional, segundo Eduardo Lopes, da Aditek.

A Indusbello também foi outra empresa que voltou ao Brasil satisfeita e aproveitou a AEEDC para estreitar alguns contatos iniciados em outras feiras e realizar promoção de vendas com seu representante local.

“Temos buscado estar mais presentes no mercado regional, incentivando ações com nosso representante local. Entretanto, em longo prazo temos o objetivo de ter estoque na região, por exemplo, para facilitar a logística para Leste Europeu, Oriente Médio, Ásia e Oceania”, explica o representante da empresa, Guilherme Varela.

“O espaço estava muito bem montado e dá outra percepção para os clientes e distribuidores. Estamos muito contentes e motivados em participar do projeto e levar os produtos e a tecnologia do Brasil para conquistar e virar referência no mercado internacional”, diz o gerente de vendas internacionais da empresa, que passa a partir de agora a explorar o mercado árabe. “Os planos são trabalhar com distribuidores para fortalecer a presença da marca no mercado.”

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BHD

Sucesso na última edição, a Hands On Area, ação especial para promoção dos produtos oferecidos pelas companhias, causou muito boa impressão. “O espaço possibilitou às empresas realizarem não apenas a promoção comercial tradicional de maneira passiva nos stands, mas também de forma mais técnica, com demonstrações práticas de produtos”, diz Clara. Além das 18 empresas participantes, o BHD levou a Dubai quatro palestrantes qualificados.

mas pelo público e por esse espaço de Hands On no próprio pavilhão. Essa foi uma excelente forma para os dentistas, tanto os locais, como os nossos próprios distribuidores, conhecerem melhor os nossos produtos. Oito dias intensos, três pavilhões montados, 4 mil contatos feitos e mais de US$ 20 milhões em negócios para 2017 durante três feiras importantes. “O ano começou com muito trabalho, mas os resultados compensam todo o esforço”, comemora Clara.

Deborah Viegas, dentista na Nova DFL, surpreendeu-se com as oportunidades para mostrar o valor dos produtos da sua empresa em Dubai: “A AEEDC foi uma grata surpresa este ano”, revela. “Não somente pelo tamanho,

PARTICIPAÇÃO DE

31 EMPRESAS ASSOCIADAS 2.300

$ US$ 320,9 MIL NEGÓCIOS FECHADOS DURANTE O EVENTO

PARTICIPAÇÃO DE

CONTATOS GERADOS

EXPECTATIVA PARA OS PRÓXIMOS 12 MESES:

US$ 14 MILHÕES

7 EMPRESAS ASSOCIADAS 569

CONTATOS GERADOS

PARTICIPAÇÃO DE

18

US$ 1 MILHÃO

18 EMPRESAS ASSOCIADAS

$ US$ 1,3 MILHÃO NEGÓCIOS FECHADOS DURANTE O EVENTO

EXPECTATIVA PARA OS PRÓXIMOS 12 MESES:

893 CONTATOS GERADOS

EXPECTATIVA PARA OS PRÓXIMOS 12 MESES:

US$ 5 MILHÕES


TURMA DO BEM

ONG SELECIONA JOVENS PARA OFERECER TRATAMENTO DENTÁRIO GRATUITO Em 28 de abril, data em que se comemora o Dia Mundial do Sorriso, o programa Dentista do Bem, da Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Turma do Bem, irá selecionar jovens de baixa renda para receber tratamento odontológico gratuito. Nesse dia, acontecerá a quarta edição da Maior Triagem Odontológica do Mundo, evento aberto ao público que acontecerá simultaneamente em cerca de 300 municípios do Brasil, outros 10 países da América Latina e Portugal. A expectativa é que mais de 60 mil jovens sejam triados. Na entrevista a seguir, o fundador e presidente voluntário da ONG, Dr. Fábio Bibancos, explica o trabalho da organização e as perspectivas dessa ação. Confira: ABIMO em Revista: O que é a Turma do Bem? FB: A TdB é uma organização social que conta com o trabalho de uma rede de 16 mil dentistas voluntários em 14 países. Com essa força, desenvolvemos projetos que garantem o acesso da população de baixa renda a tratamentos odontológicos. Destaque vai para os projetos Dentista do Bem, focado em jovens de 11 a 17 anos, e Apolônias do Bem, que atende mulheres vítimas de violência. Nossos voluntários atendem gratuitamente os beneficiários em seus consultórios. ABIMO em Revista: Qual é o objetivo da Maior Triagem Odontológica do Mundo? FB: A Megatriagem é um evento produzido pela TdB em parceria com a Oral-B. Nele, num mesmo dia, milhares de dentistas de todo o mundo fazem triagens, por meio das quais identificamos jovens entre 11 e 17 anos, de baixa renda e com graves problemas bucais, que receberão tratamento sem nenhum custo, por meio do projeto Dentista do Bem. ABIMO em Revista:: A partir de qual cenário a ONG começou essa iniciativa? FB:: Desde 2011 a Oral-B é uma importante parceira da Turma do Bem. Graças a seu alcance global e à força de nossa rede de voluntários, conseguimos criar um evento de escala mundial, que, além de garantir que milhares de jovens tenham a vida transformada pelo tratamento odontológico, ainda denuncia a falta de acesso da população de baixa renda à odontologia – e como isso gera estigmas sociais. Quem não tem dinheiro para ir ao dentista perde os dentes, não consegue um bom emprego e segue sem dinheiro para tratar de sua saúde e viver dignamente. ABIMO em Revista: Por que somente jovens são atendidos? Há perspectivas de atender pessoas de outras faixas etárias?

FB: A Megatriagem é uma ação do projeto Dentista do Bem, por isso é focada nos jovens de 11 a 17 anos. Além disso, a TdB não daria conta de atender todo mundo que precisa de dentista e que não pode pagar pelo tratamento. São milhões e milhões de pessoas apenas no Brasil. Por isso, precisamos fazer um recorte. Os jovens que atendemos estão se preparando para entrar no mercado de trabalho, e problemas odontológicos dificultam seu êxito. Os prejuízos dessa condição impactam também no convívio social, fazendo-os sofrer discriminação em suas relações cotidianas, afetam o desempenho escolar, entre muitos outros problemas. Entretanto não só os jovens são atendidos pela TdB. Em 2012 criamos o projeto Apolônias do Bem, no qual dentistas voluntários atendem mulheres vítimas de violência que tiveram a dentição afetada nas agressões. Nesse projeto não há distinção de faixa etária. ABIMO em Revista: Qual é a importância de empresas odontológicas apoiarem os trabalhos sociais da ONG? FB: Hoje somos mantidos por Oral-B, Surya Dental e Amil Dental. Quanto mais empresas nos apoiarem, mais crianças e mulheres serão atendidas. Além disso, nossa gigantesca rede de dentistas voluntários tem um potencial gigantesco para ações de relacionamento que tornem esse apoio sustentável. Serviço Serviço: Megatriagem em São Paulo Onde Onde: Vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo) – Avenida Paulista, 1.578, Bela Vista Quando Quando: 28 de abril Quanto Quanto: Gratuito Mais informações informações: www.tdb. org.br/maiortriagemdomundo

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IDS

BRASIL TEM PARTICIPAÇÃO 10% MAIOR NA IDS 2017 Por Deborah Rezende

COM 40 EMPRESAS NA INTERNATIONAL DENTAL SHOW 2017 27 NO PAVILHÃO ORGANIZADO PELA ABIMO – INDÚSTRIA VERDE-AMARELA CONFIRMA FORÇA INTERNACIONAL NA MAIOR FEIRA ODONTOLÓGICA DO MUNDO

A IDS (International Dental Show) acontece a cada dois anos em Colônia, na Alemanha. É promovida pela GFDI mbH (Sociedade Alemã para a Promoção da Indústria Dentária) e pela VDDI (Associação Alemã da Indústria Odontológica). A realização, por sua vez, fica a cargo da Koelnmesse GmbH. Nesta edição, o futuro digital dos processos odontológicos voltado para todos os setores, principalmente implantodontia, ortodontia e endodontia, foi destaque. A impressão 3D é a grande inovação, e o setor da estética ganhou ainda mais ênfase entre as novidades dos expositores. “A IDS trouxe o futuro para dentro de consultórios e laboratórios de odontologia; facilitará os processos, tornando-os digitais; aumentará a precisão dos diagnósticos e apresentará alta tecnologia para tratamentos e resultados mais eficientes”, fala Dr. Markus Heibach, diretor da VDDI (Associação da Indústria Odontológica Alemã), organizadora da IDS. A International Dental Show é uma grande oportunidade para profissionais e empresas brasileiras se encontrarem e se relacionarem com empresas que apresentam o que há de mais moderno e de alta tecnologia no mundo da odontologia. Para 2017 os organizadores da feira tiveram que abrir mais um

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pavilhão e adicionar mais 22 mil metros quadrados de área de exposição, o que vai aumentar não apenas o número de oferta de novidades, mas também o número de visitantes. As 28 empresas do pavilhão brasileiro, promovido pelo Projeto Brazilian Health Devices, executado pela ABIMO em parceria com a Apex-Brasil, não ficaram de fora de mais essa edição, também apresentando novidades de alta tecnologia para implantes e estética dental, seguindo a tendência mundial de digitalização. “Um país tão grande com uma força de trabalho impressionante em odontologia definitivamente pertence à IDS”, diz o porta-voz da VDDI (Dental Solutions German Manufactures), associação congênere à ABIMO na Alemanha, Burkhard Sticklies. “O Brasil é um mercado muito interessante e importante, não só para os fabricantes dentais alemães, mas também para vários países e mercados do mundo que apreciam os produtos do Brasil, e porque têm uma base econômica semelhante à do nosso país.”

MERCADO PUJANTE O mercado internacional de odontologia pode atingir a marca de US$ 50 bilhões até 2020, segundo a VDDI. Amplamente segmentados, os materiais restauradores, próteses, implantes e equipamentos dentários são os mais promissores. “A participação do Brasil no IDS tem crescido em número ao longo dos anos, e as experiências que os expositores ganharam durantes esses anos melhorou suas habilidades em apresentar empresas e produtos para seus grupos-alvo”, diz Sticklies. Com isso, ele acredita que o Brasil continuará a desempenhar um papel em muitos países e mercados. “Os fabricantes brasileiros de dispositivos médicos estão ativos em muitos mercados e são especialmente fortes em negócios com países de terceiro mundo.”

O Brasil é o principal mercado da América Latina, considerado como pouco explorado e em expansão, principalmente com a ascensão da classe média, que passou a investir mais em produtos odontológicos de qualidade e em estética. “São alvos que interessam aos principais grupos estrangeiros por vislumbrarem oportunidades de negócios e parcerias”, explica Clara Porto, gerente de projetos e marketing internacional da ABIMO. Sticklies, da VDDI, concorda que a América Latina é um mercado promissor para aqueles que vêm com uma perspectiva de longo prazo. “Depois de ter compreendido que o desenvolvimento econômico sofreu muitos altos e baixos em alguns mercados, você sabe como manter a calma em tempos difíceis e ainda fazer negócios”, diz. “Quando a economia floresce novamente, já estou lá antes que outros deem o primeiro passo novamente”, exemplifica. A indústria odontológica brasileira é responsável por exportar produtos para mais de 150 países, tendo o principal market share do setor na América Latina, no Oriente Médio e de países como Rússia e Irã, por exemplo. “A IDS é o nosso principal momento no mercado internacional. Hoje o setor é o único superavitário na balança comercial da área da saúde no Brasil, graças ao número de exportações”, conta Clara Porto, gerente de projetos e marketing internacional da ABIMO. Clara ainda explica que o Brasil apresenta condições extremamente favoráveis para entrar nesse grupo de liderança da odontologia internacional, visto que ocupa a segunda posição no ranking de número de dentistas no mundo (perde somente para a Índia) e está na mesma posição em produção científica (perde somente dos EUA). “Além disso, temos a qualidade do profissional clínico brasileiro reconhecida e somos um grande produtor industrial, inclusive com aspectos de inovação e alta tecnologia”, diz.

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IDS

O pavilhão da ABIMO foi muito elogiado pelos parceiros, membros de associações e visitantes. “Muitas empresas levaram dentistas para dar explicações mais técnicas sobre seus produtos, o que com certeza contribuiu para alcançarmos esses excelentes números”, explica Clara Porto, da ABIMO.

PARTICIPAÇÃO DAS EMPRESAS A manutenção de mercado em diversos países por meio de visitas, reuniões com clientes (parceiros comerciais) e abertura de novos mercados era o ponto mais importante identificado na IDS pela empresa Bio-Art, atuante na fabricação de articuladores que levou sua linha completa de produtos para o evento. “A IDS é a maior feira do ramo odontológico e tem grande abrangência mundial. Portanto é essencial para alavancar e desenvolver os negócios, e também para a internacionalização da empresa”, destacou Maria Isabel Piccin, CEO da companhia.

Por ser um evento importante para o setor odontológico mundial, na visão da Olsen era de fundamental importância estar em mais uma IDS, já que em 2017 a empresa completa 22 anos de participação ininterrupta na mostra. Reuniões foram agendadas com antecedência, pois buscavam novas alternativas em mercados nos quais não atuavam. Nossa expectativa era de fechar negócios que superassem a marca dos US$ 300 mil, e voltamos para o Brasil com a missão cumprida, enfatizou Santiago Carrau, gerente de exportações da Olsen. Para Sidarta Cypriano, trader para os mercados da Europa, do Oriente Médio e da Ásia na Angelus, companhia fabricante de cimento e resina, a IDS é considerada a feira internacional mais tradicional 22

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Somos um grande produtor industrial, inclusive com aspectos de inovação e alta tecnologia” Clara Porto, ABIMO

e importante por atingir os principais mercados do setor. “Em todas as edições da IDS, alinhamos com nossos principais parceiros as estratégias e o volume de negócios que buscamos naquele ano e no seguinte. Sempre buscamos crescimento não inferior a 20%”, frisou.

De acordo com Yolete Carneiro, gerente internacional da Signo Vinces, fabricante de implantes odontológicos, além de ser uma vitrine, a IDS é o local onde são apresentadas as mais recentes inovações e tecnologias do setor. “Na IDS há organização perfeita; as divulgações atingem os mais variados tipos de clientes para as empresas em geral”, diz a gerente.


Para Clara, a feira possibilitou aos fabricantes brasileiros exporem seus produtos e lançamentos em uma vitrine mundial. “Na IDS não fazemos negócios apenas com o mercado europeu”. Compradores da América Latina e Arábia Saudita também estiveram presentes de forma expressiva. Há também uma série de oportunidades para fazer negócios com o mundo todo. Por isso sempre temos bons resultados e seguimos com grandes expectativas para o follow-up do trabalho pós-feira”.

IMPORTÃNCIA POLÍTICA Durante a feira também foram feitas parcerias entre a ABIMO e a associação de dentistas da Arábia Saudita, a associação de dentistas do Irã, a associação de importadores de produtos odontológicos do Irã, a associação dos fabricantes da Alemanha, bem como com a entidade que congrega todas as associações internacionais, a IDM (International Dental Manufacturers), da qual a ABIMO faz parte,

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junto com EUA, Canadá, Austrália, Japão, Alemanha e outros países da Europa que são grandes players do mercado. No penúltimo dia da feira ocorreu uma reunião que discutiu vários temas estratégicos. “A participação da ABIMO nesse grupo enriquece a atuação da entidade e a imagem da indústria odontológica brasileira no mundo”, comemora o superintendente Paulo Henrique Fraccaro”. A equipe da ABIMO também participou de um jantar organizado pela Koelnmesse e pela VDDI. O já tradicional Brazilian Happy Hour aconteceu no pavilhão brasileiro, no terceiro dia de feira. O BHD aposta nessa ação como estratégia de negócios, oferecendo comidas e bebidas típicas do Brasil ao público internacional, além de música brasileira ao vivo, proporcionando assim um ambiente descontraído para que as empresas brasileiras possam estreitar os laços de relacionamento com seus clientes e parceiros internacionais.

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1- Cassiano Facchinetti (Koelnmesse), Paulo Henrique Fraccaro (ABIMO) e Gerard Böse (Koelnmesse) 2- Equipes da ABIMO e da APCD em jantar promovido pela Koelnmesse e pela VDDI 3- Equipe ABIMO e equipe Koelnmesse no Brazilian Happy Hour 4- Paulo Henrique Fraccaro e Luiz Varrone (ABO) 5- Paulo Henrique Fracarro com Larissa Soares, Clara Porto e Laísa França (ABIMO) 6- Brazilian Happy Hour: Música ao vivo, comidas e bebidas típicas do Brasil ao público internacional

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MERCADOS-ALVO

EUA NA MIRA

INDÚSTRIA NACIONAL VISUALIZA BOAS OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS NO MERCADO NORTE-AMERICANO

Por: Marcela Marques, Deborah Rezende, Carolina Machado

O empresariado brasileiro há tempos vem enxergando a internacionalização como um direcionamento estratégico que amplia as possibilidades de negócios e aumenta o grau de competitividade das empresas tanto no território nacional quanto no internacional. Para a indústria de dispositivos médicos, odontológicos e de laboratórios, os Estados Unidos aos poucos aumentam sua notoriedade, visto que as relações econômicas, comerciais e empresariais entre brasileiros e norte-americanos sempre evoluíram independentemente de questões da conjuntura política. Com PIB de US$ 18,6 trilhões, o país segue como a maior potência mundial. Trata-se de uma república constitucional com território de 9,8 milhões de quilômetros quadrados e 321 milhões de habitantes que são reconhecidos pelo alto poder de consumo. Como parte de uma análise do atual cenário mundial, o World Trade Statistical Review 2016 (estudo que detalha o desenvolvimento do comércio global publicado pela OMC – Organização Mundial do Comércio) aponta os EUA como líderes no ranking dos principais países importadores. Somente em 2015, a nação então comandada por Barack Obama importou mais de US$ 2,3 trilhões, valor que representa 14% de todas as transações importadoras do mundo. 24


Do Brasil, os EUA em 2016 receberam mercadorias de quase 8 mil empresas que se dedicam a essa parceria ofertando produtos básicos, semimanufaturados e manufaturados. Segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), esse fluxo de investimentos diretos do Brasil em território norteamericano vem crescendo a uma taxa média anual de 6,5% (dados coletados entre 2010 e 2016). Outro ponto que beneficia esse acordo bilateral está diretamente vinculado à economia. Com o dólar valorizado perante o real, fica mais fácil equilibrar a balança comercial, e as empresas com foco em exportação saem beneficiadas, visto que têm custos em real e receitas em dólar. “Dólar mais forte significa real mais desvalorizado, o que aumenta a competitividade das nossas exportações”, comenta Deborah Vieitas, CEO da Amcham Brasil, maior câmara americana fora dos EUA. Indicadores da OECD (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico) publicados no relatório Health at a Glance 2015 apontam os EUA como a nação com a maior despesa per capita em saúde, já que 17,1% do produto interno bruto do país é direcionado a investimentos em healthcare.

No segmento de dispositivos de saúde, as empresas associadas ao projeto setorial da ABIMO em parceria com a Apex-Brasil (Brazilian Health Devices) exportaram mais de US$ 80,7 milhões ao longo de 2016, sendo que, desse montante, US$ 9 milhões foram direcionados aos EUA. Como resultado, temos o mercado norte-americano absorvendo quase 11% dos produtos exportados pelo rol de empresas associadas ao BHD.

O DESAFIO DA APROVAÇÃO NO FDA Estabelecer uma boa relação comercial com o mercado estrangeiro deve ser a prioridade de todo exportador. A indústria nacional deve adaptar-se e adaptar seus produtos para padrão de consumo norte-americano. “Para penetrar no mercado norteamericano é preciso ser persistente, ter determinação e, acima de tudo, adequar o produto às necessidades do mercado”, alerta Maria Isabel Piccin, CEO da Bio-Art que trabalha com os EUA desde a década de 1990. O sucesso nessa empreitada depende de que a empresa obtenha a certificação do FDA (Food and Drug Administration), órgão regulador que administra e controla tudo o que envolve produtos para saúde humana e animal, medicamentos, cosméticos e alimentos no país. Nesse sentido, existe uma ideia muito difundida, mas que não representa totalmente a realidade, de que o acesso ao FDA é extremamente complicado. “Existem dois tipos de ‘registros’. A notificação pré-mercado, conhecida como 510K, tem processo mais simples. 25


MERCADOS-ALVO

Já a aprovação pré-mercado, nomeada PMA, é sim mais complicada de se obter, custa caro e demora anos para ser finalizada. Porém este formato só se aplica a tipos específicos de produtos”, tranquiliza Marcelo Antunes, consultor de estratégia regulatória da SQR Consulting, empresa especializada em assuntos regulatórios para a saúde. Há, ainda, uma questão cultural no Brasil que costuma criar maior morosidade, como explica Lucas Rodrigues, diretor técnico da Passarini Regulatory Affair, consultoria especializada em assuntos regulatórios. “A principal dificuldade está na fase de projeto, antes da finalização do produto, pois muitas vezes as empresas não contemplam todas as etapas, verificações e validações que posteriormente serão avaliadas em certificações e obtenções de licenças como a 510K.” Quem inicia o processo de exportação também precisa estar atento às diferenças culturais entre distribuidores brasileiros e estrangeiros. Marco Canônico, gestor responsável pelo mercado norteamericano da Angelus, indica alguns pontos que devem ser conhecidos com antecedência. “Diferentemente de outros países, o importador e distribuidor dos EUA apenas coloca nossa marca na carteira de vendas. Somos nós, como fabricantes, que temos de trabalhar a formação de opinião, a visibilidade por meio de congressos, as aparições

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em revistas, entre outros pontos estratégicos. Por isso, na Angelus a nossa comunicação nos EUA é bem tática, está no operacional. E isso demanda investimento maior na contratação de pessoas sênior e apoio da equipe interna”, explica. A estratégia de fomentar as exportações aos Estados Unidos pode representar ganhos também por outros meios. Reconhecida por sua credibilidade, a certificação do FDA dá visibilidade à empresa, que pode ampliar suas chances de entrada também em outras nações. No passado, era comum que diversos países a aceitassem para permitir a entrada de produtos, visto que ainda não tinham sistemas regulatórios próprios. Hoje, mesmo com as regulações internacionais mais maduras, o registro norte-americano ainda pode facilitar, na prática, o acesso a outros mercados que entendem que essa certificação indica o atendimento a diversas expectativas regulatórias. “Há uma visão geral de que ter a certificação FDA mostra que o produto tem uma qualidade mínima, e isso afeta muito todos os processos relacionados”, explica Antunes.


Esse reconhecimento foi um dos motivos que levou a empresa brasileira Ortosintese a investir nos EUA. “Estamos trabalhando para exportar aos norteamericanos também pela grande dificuldade que enfrentamos para conseguir a marcação CE e entrar na UE (União Europeia). Trata-se de um processo muito complexo, demorado e custoso. Isso nos fez olhar os EUA com prioridade, visto que o registro no FDA também tem validade para outros países fora da UE”, declara Cristiano Amaral, international trade specialist da Ortosintese, companhia especializada na fabricação de implantes, próteses, instrumentais ortopédicos e equipamentos hospitalares. Ele explica que, após os inúmeros problemas gerados em meados de 2011 por uma prótese de silicone francesa com altas taxas de ruptura, a Europa reviu suas políticas e certificações, dificultando consideravelmente o acesso de países de fora do continente.

RECONHECIMENTO E CONSOLIDAÇÃO OPORTUNIZAM EXPANSÃO De olho em um salto para outros mercados além dos EUA, a consolidação em território norte-americano também pode otimizar os processos, principalmente quando o investimento representa a criação de instalações e estoque local. É o que tem feito a Neoortho, que iniciou suas atividades nos EUA com o auxílio do Brazilian Health Devices, criando um escritório de representação em Miami, na Flórida. Graças ao estabelecimento no local, a conexão com outros países da América Latina tornou-se mais próxima e impulsionou a montagem de uma ampla estrutura em Fort Myers, também na Flórida, composta por 2 mil metros quadrados de instalações fabris e administrativas. “A estrutura nos EUA é utilizada como centro de distribuição e favorece a exportação para toda a América Latina com mais agilidade, menores custos e transit time mais rápido”, afirma Mayton Augusto Chacon, gerente de vendas para América Latina. “Muitas vezes é notória a redução de tempo e requisitos, o que torna o processo menos moroso e oneroso para o fabricante,

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MERCADOS-ALVO COMEX

que pode direcionar esses recursos poupados para alavancar ainda mais sua exportação”, concorda Lucas Rodrigues, da Passarini. Esse tipo de consolidação em território estrangeiro também interessa à Aditek, que iniciou sua atividade há mais de 20 anos já para exportação a um parceiro dos EUA. “No momento ainda não utilizamos o acesso ao mercado norte-americano para chegar a outras nações, mas a estratégia de transformar os EUA em um canal de distribuição global da Aditek é interessante devido à logística e facilidade para exportação”, comenta Eduardo Nogueira Lopes, CEO da empresa.

CONNECTICUT Pensando no suporte à exportação, as empresas brasileiras contam com outro ponto de apoio nos EUA. O Hub 55, iniciativa subsidiada pelo governo de Connecticut juntamente às consultorias Paseli e Drummond Advisors, é um escritório compartilhado que oferece um espaço completamente mobiliado e com recursos, além de ajudar as empresas na construção do plano de negócios e na prospecção de clientes e parceiros locais. Com apoio administrativo bilíngue e ótima localização – visto que se encontra no campus da Universidade Yale –, promove networking com investidores, associações e entidades governamentais tanto dos Estados Unidos quanto do Canadá. “A localização privilegiada do hub vai impulsionar a entrada de empresas brasileiras no mercado americano, ampliando a participação do Brasil no cenário global”, comenta Bruno Drummond, sócio fundador da Drummond Advisors. O hub atende principalmente às áreas de TI, dispositivos médicos e aeroespacial, mas não se limita a elas. “Negócios de outros setores poderão, sim, se qualificar para participar do projeto”, destaca Karina Fensterseifer, gestora da área internacional da Paseli. A Corcam Tecnologia, que investe na consolidação de sua marca no mercado internacional, já integra o time de empresas participantes do Hub 55 e alia essa participação a alguns fatores específicos. “Com a presença na FIME, visitamos autoridades no estado de Connecticut tendo o intuito de conhecer e ingressar no território americano, aproveitando os incentivos oferecidos pelo estado. Essa oportunidade garantida pelo Brazilian Health 28

Devices com o apoio da Paseli foi um divisor de águas”, diz César Margarida, sócio da empresa autora do sistema Nexcor, aparelho capaz de identificar problemas cardíacos precocemente. Alguns estados e conexões nos EUA se destacam no âmbito da saúde. A região nordeste do país concentra quase um terço das 6,5 mil empresas do setor. O estado de Connecticut, que comentamos aqui, é reconhecido como polo da atividade com suas mais de 800 empresas do segmento; 15% da população tem escolaridade avançada nessa área de atuação, e 15% da produção total de aparatos médicos e insumos está concentrada entre as cidades New Haven e Hartford. Localizado no eixo Boston-Nova Iorque e próximo aos maiores centros do Canadá (Ontário e Quebec), Connecticut é o menor estado norte-americano em extensão territorial e o quarto maior em densidade populacional (284,98 habitantes por quilômetro quadrado). São, ao todo, 3,5 milhões de habitantes que enfrentam a crise causada pelo envelhecimento. E, como em diversos locais do mundo, uma população que envelhece gera impactos diretos na cadeia de saúde local. A indústria da saúde de Connecticut apresentou crescimento considerável ao longo dos últimos anos, e a expectativa do governo local é que essa trajetória ascendente continue firme. Como parte de uma estratégia que visa direcionar recursos de desenvolvimento econômico para empresas com a melhor oportunidade de sucesso, o estado destaca seis clusters como seus carros-chefes: saúde e ciências da vida, serviços financeiros e seguros, manufatura avançada, tecnologia sustentável, turismo e mídia digital. Além de oferecer um sistema que atende às demandas de saúde de sua população local, Connecticut aposta no desenvolvimento que cria uma paisagem convidativa à inovação. O investimento em biociência promove novas oportunidades para o crescimento econômico e na inovadora legislação local sobre pesquisas de células-tronco, que fortaleceu as universidades locais para que mantivessem seus reconhecimentos no setor de P&D. Como exemplo dessas apostas, temos a inauguração do laboratório Jackson, em Farmington, que trouxe para o estado toda a sua expertise em pesquisa de medicina personalizada.


Para a indústria brasileira que enxerga Connecticut como bom campo para investimento na área de saúde, alguns detalhes podem reforçar essa teoria. Entre 2007 e 2014, o mercado de trabalho na área de healthcare cresceu 12,5%. Hoje a indústria de saúde local emprega cerca de 20 mil profissionais, e o governo espera que o segmento empregue mais de 60 mil pessoas até 2022. Além do cenário local apontar tendência de crescimento para os próximos cinco anos, a relação direta entre Connecticut e a indústria brasileira contribui para tornar esse estado norte-americano um excelente território para o comércio da nossa produção. Recentemente foi firmado um acordo de

cooperação bilateral entre a ABIMO e a Beacon (Biomedical Engineering Alliance & Consortium) visando incentivar a troca de experiências e o desenvolvimento entre as regiões. A parceria já gerou encontros de negócios, debates e visitas técnicas. “A ideia é aproveitarmos esse acordo para o desenvolvimento de produtos, pesquisa, inovação e até mesmo novas oportunidades para instalação de empresas em Connecticut. São ações que contribuem com o posicionamento das companhias brasileiras nos EUA”, analisa Clara Porto, gerente de projetos e marketing internacional da ABIMO.

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MERCADOS-ALVO

FENÔMENO TRUMP Para quem ainda está de olho nas perspectivas para o futuro, a recente mudança governamental dos Estados Unidos mexeu com os ânimos do comércio mundial. Recém-chegado, Donald Trump surge com apelo muito mais protecionista do que seu antecessor, gerando uma infinidade de especulações sobre sua atuação como presidente da maior potência mundial. “A eleição de Trump foi uma surpresa e tanto para analistas de forma geral. Se Hillary Clinton tivesse sido eleita, haveria mais previsibilidade para a política doméstica e internacional do governo americano. Mas Trump é bastante imprevisível, principalmente por conta de todas as suas promessas de campanha. Como mercados, analistas e construtores de cenário não gostam de imprevisibilidade, surgem as preocupações”, comenta José Maria de Souza Júnior, professor de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco e doutorando em Ciência Política pela USP. São muitas as especulações que circundam o momento político, porém especialistas do setor enxergam positividade na relação direta do Brasil com os EUA agora comandados por Trump. “É claro, para mim, que o novo presidente tem restrições a acordos comerciais que foram negociados há bastante tempo e com mais prioridade à geopolítica do que à economia. Acredito que o foco estará no desenvolvimento de acordos comerciais bilaterais. Nesse sentido, o Brasil se mantém em um contexto positivo, pois não temos nenhum desgaste no que tange à política e, do lado econômico e comercial, temos um relacionamento equilibrado”, declara Deborah Vieitas, da Amcham. Habituado a traçar análises geopolíticas em momentos imprecisos como o que estamos vivendo, Oliver Della Costa Stuenkel, professor adjunto de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, destaca que há dúvidas quanto ao compromisso do governo em honrar suas promessas voltadas ao protecionismo. Porém, de forma mais generalizada, crê que a indústria brasileira estará resguardada devido a todo o seu histórico de parceria. “Não acredito que o Brasil será, de maneira direta, um dos países mais atingidos, afinal não tem sido alvo ao longo da campanha de Trump. Essas políticas estão

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Não acredito que o Brasil será, de maneira direta, um dos países mais atingidos, afinal não tem sido alvo ao longo da campanha de Trump. Essas políticas estão muito mais voltadas a países com impactos negativos na gestão política dos EUA” Oliver Della Costa Stuenkel

muito mais voltadas a países com impactos negativos na gestão política dos EUA. Ou seja, o risco deste novo governo dificultar a relação com o Brasil me parece muito pequeno.” Para o empresariado brasileiro, essa nebulosidade em torno do novo governo ainda não desperta um alerta de perigo. Alguns, inclusive, veem boas oportunidades no protecionismo prometido por Trump. É o caso da Ortosintese, cujo palpite é de que o Brasil pode ser sim afetado, porém positivamente. “Existe uma expectativa otimista em termos de negócios bilaterais. Se o governo dos EUA segurar a entrada dos produtos chineses, por exemplo, com a qualidade dos nossos produtos somada ao custo local, abriremos uma nova chance de disputar o mercado norte-americano”, pontua Amaral. Os investimentos dos EUA no Brasil também podem se manter devido a uma questão importante levantada por Stuenkel: o mercado de trabalho. Segundo ele, a grande preocupação de Trump está em manter o emprego do trabalhador norteamericano, principalmente no que diz respeito ao emprego industrial, de fábrica. E o Brasil pode contribuir. “Temos empresas produzindo nos EUA. Em uma eventual disputa, temos uma carta na manga, pois contratamos americanos para trabalhar dentro das nossas empresas instaladas por lá. O Brasil pode, inclusive, ser visto como um investidor bastante promissor por ter impacto positivo em relação à criação de emprego”, declara. Reduzindo a análise ao setor de dispositivos médicos, hospitalares e de laboratórios, José Maria indica uma observação ativa por parte da indústria


QUAL SERÁ O FUTURO DO OBAMACARE? Aprovada em 2010 e em vigor desde 2014, a ACA (Affordable Care Act), mais conhecida como Obamacare, é uma lei instaurada pelo presidente Barack Obama para democratizar o acesso aos planos de saúde, visto que proíbe as seguradoras de variar o custo do seguro de acordo com o gênero ou o histórico clínico do paciente. Em contrapartida, torna obrigatória a aquisição de um plano de saúde por qualquer pessoa localizada dentro dos Estados Unidos. Muito polêmica, a lei dividiu opiniões, e com a chegada de Donald Trump à Casa Branca passou a ser um dos assuntos mais especulados. Apesar de ser taxativo dizendo que revogaria a Obamacare assim que assumisse, Donald Trump ainda não divulgou detalhes sobre o plano para substituir essa política. O que traz insegurança para mais de 20 milhões de pessoas que ganharam cobertura graças à iniciativa, gerando desconforto para parte da indústria da saúde. Principalmente para o setor dos hospitais que, quando a Obamacare foi aprovada, fez acordo com o

brasileira. “As instituições dos EUA têm uma força singular. Trata-se de um país extremamente heterogêneo em seu sistema doméstico. Isso quer dizer que, internamente, esses grupos podem oferecer resistência ou apoio para as mudanças que Trump quer implementar. Para ser mais claro, é fundamental que a indústria brasileira fique atenta ao seu segmento, seus potenciais concorrentes, às legislações, aos congressos, às inovações tecnológicas e assim por diante.

governo aceitando cortes nos reembolsos do Medicare e do Medicaid (programas governamentais de cuidados com a população mais velha e de baixa renda) por terem a certeza de que a nova lei traria renda extra graças ao aumento do número de segurados. Caso esse número volte a cair, a dúvida é: qual será o posicionamento do governo mediante os valores dos reembolsos? Os questionamentos quanto ao futuro da Obamacare ainda são muitos, tornando mais difícil uma análise aprofundada sobre os impactos do plano substituto na indústria de saúde dos Estados Unidos, bem como de possíveis brechas e oportunidades para outros países interessados em investir em território norte-americano.

Mudanças podem acontecer com impactos diferentes em cada setor”, analisa. Para o especialista, as empresas associadas à ABIMO estão em uma área de tecnologia avançada, cujo alto valor agregado na cadeia produtiva é um dos pontos positivos para a colocação do Brasil como economia forte. “É preciso jogar xadrez em vários tabuleiros ao mesmo tempo. Com proatividade e ação, o setor encontrará caminhos profícuos de crescimento independentemente da ajuda ou desajuda de Trump”, finaliza.

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PACIENTE 4.0

PACIENTE 4.0 COMO A QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL INTERFERE E MODIFICA AS RELAÇÕES ENTRE CORPO CLÍNICO, PACIENTES E INSTITUIÇÕES Por Marcela Marques

Vivemos em uma constante evolução que modifica intensa e rapidamente o nosso dia a dia e a forma como nos comunicamos e relacionamos. Se traçarmos um panorama sobre como a relação entre médico e paciente (e até mesmo o relacionamento do paciente com sua própria condição de saúde) mudou desde a primeira revolução industrial, teremos progresso constante e grande discrepância no papel de cada um desde o século XIX.

Uma das grandes responsáveis por essa e por outras mudanças que encontramos tanto na área da saúde como em diversos outros cenários é a tecnologia, que chegou para transformar todos os processos transpondo os limites entre digital, físico e biológico. Se antigamente, ao sentir um mal-estar ou notar alguma alteração corporal, a única alternativa do cidadão era procurar um médico para averiguar seu estado de saúde, hoje o padrão é pesquisar na Internet. E com a chegada dos dispositivos móveis, então, a pesquisa tornou-se imediata. Ao primeiro sinal de dor ou incômodo, o convocado é o “Dr. Google”. E ele trará uma lista enorme de resultados contendo possíveis enfermidades, sintomas, se é ou não urgente, que especialidade procurar, médicos renomados que podem contribuir com o diagnóstico, possíveis tratamentos e chances de cura.

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Publicada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, a última pesquisa TIC Domicílios (2015) aponta que informações sobre serviços de saúde são alguns dos itens mais pesquisados pelos usuários da Internet no país (41% das pesquisas). E, com um volume tão alto de informações sendo divulgadas de forma praticamente incontrolável, a classe médica passou a se preocupar com os impactos desse tipo de busca online na rotina e na saúde efetiva dos usuários. É por isso que, recentemente, graças a uma parceria entre o Google e o Hospital Israelita Albert Einstein, foi lançado um projeto para curadoria e revisão de resultados nos mecanismos de busca. Agora, as informações que são encontradas após uma pesquisa por sintomas no Google passam a ser muito mais confiáveis por terem sido analisadas por doutores especialistas da entidade. “A busca por informação de qualidade melhora a relação médico-paciente e traz eficiência para a consulta. Nada ainda substitui a consulta médica, mas um paciente ativo e consciente é o que buscamos para ter uma sociedade mais saudável”, comenta o doutor Sidney Klajner, presidente e médico-cirurgião do Albert Einstein. Além de trabalhar na revisão dos resultados, a ferramenta agora também apresenta painéis

informativos sobre métodos contraceptivos. Mais do que uma simples atuação eficiente para quando o paciente sente um desconforto, o Google também abraça a causa da prevenção. Os avanços tecnológicos vão muito além da busca na web. Hoje qualquer pessoa tem acesso direto às suas condições de saúde como, por exemplo, quantidade de calorias gastas num dia, batimentos cardíacos, quantidade de passos, avisos de que é necessário sair do sedentarismo e muito mais. Haja vista o sucesso de gadgets como o Polar, que ainda na década de 1980 lançava seu primeiro monitor de ritmo cardíaco wireless, e o Apple Watch, em circulação desde 2015. São inúmeros os estudos e as possibilidades da aplicação da tecnologia para um sistema de saúde em que a conectividade entre todos os envolvidos se destaca. Hoje inteligência artificial, IoT (internet das coisas) e diversas outras inovações transformam a utilização de dispositivos por usuários interessados e proativos. E não se deve vincular inovação apenas a sci-fi, mas a equipamentos e sistemas que promovem economia de custos, agilidade em processos e facilidade na interação paciente – corpo clínico, melhorando a expectativa de vida e a qualidade dos tratamentos. Independentemente de qual tipo de inovação está sendo agregada, chegamos a um momento em que se tornou impossível dissociar saúde de tecnologia.

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Fotos: Consulado da Holanda

PACIENTE 4.0

TENDÊNCIA MUNDIAL A Holanda, reconhecida como gestora de um dos melhores sistemas de saúde da Europa, coloca a área de Saúde e Ciências da Vida no Topsectors, seleção de nove setores com maior relevância para a economia e a sociedade local, o que representa que governo, setor privado, universidades e institutos de pesquisa trabalham, juntos, para desenvolver e inovar nesses mercados. Encarando um momento de amplo envelhecimento da população, a gestão holandesa investe principalmente em três aspectos: prevenção, cuidado com os idosos e educação, pesquisa e inovação. “Várias organizações, assim como o Ministério da Saúde, Bem-Estar e Esporte, comprometeram-se a investir milhões de euros em parcerias público-privadas na saúde entre 2016 e 2017. Além disso, outras iniciativas estimulam a aplicação de tecnologia do setor como a ZonMw (Organização Holandesa para Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde) que investiu € 89 milhões em um programa 34

nacional de cuidados com os idosos”, comenta Nico Schiettekatte, Cônsul da Holanda para Inovação, Tecnologia e Ciência. Para garantir a saúde econômica do país, foram necessárias algumas transformações, e a aplicação tecnológica teve papel fundamental nesse processo. “Um dos instrumentos de apoio são os chamados Health Deals, parcerias públicoprivadas para estimular inovações de tecnologia médica que visam renovar certos aspectos do setor de saúde para que continuem economicamente sustentáveis e estimulem os empregos”, destaca Schiettekatte, frisando que o foco não está apenas em tecnologia de ponta, mas também em processos de menor complexidade, como e-Health, sensores e aplicativos que contribuem com a qualidade de vida e a eficiência do segmento.


Similarmente à Holanda, o Japão encara um período de envelhecimento populacional no qual o segmento de Ciências da Vida também desponta como economicamente atrativo. Alinhado a essa característica, há o interesse e o desejo do governo de prolongar da expectativa de vida saudável, ou seja, garantir que as pessoas possam viver sem problemas que restrinjam suas atividades. Segundo estudo publicado pela Jetro (Japan External Trade Organization), para chegar ao cenário ideal, a estratégia segue na garantia de uma perfeita conexão entre as etapas de pesquisa e desenvolvimento para comercialização e prestação de serviços médicos no âmbito mundial; promoção de novos serviços de cuidados de saúde; e utilização de tecnologias de informação e comunicação para realização de atendimentos eficientes. Além disso, o setor de dispositivos médicos tende a crescer. Segundo a Jetro, em 2013 o mercado doméstico japonês do segmento gerou movimentos em torno de US$ 23 milhões, valor que configura crescimento de 103% no comparativo com o ano anterior. Deste montante, US$ 11,3 milhões foram importados de empresas estrangeiras (quase 50% do total). O interesse do mercado japonês nas tecnologias internacionais também se comprova por meio de incentivos como o Subsidy Program for Global

Fotos: Consulado da Holanda

Fotos: Consulado da Holanda

Por falar em e-Health, o departamento de saúde holandês estipulou três metas a serem alcançadas até 2019, todas com foco em idosos, pacientes com doenças crônicas e pessoas que recebem cuidados profissionais em casa. A primeira visa dar acessibilidade direta a alguns dados médicos a 80% dos pacientes com doenças crônicas; a segunda visa garantir que 75% dos idosos vulneráveis e pacientes crônicos realizem medições com monitoramento de dados a distância; e a terceira oferecerá a todos que carecem de cuidados domiciliares a possibilidade de se comunicar com um profissional de saúde 24 horas por dia, sete dias por semana. “Para atingir esses objetivos, o ministério anunciou um investimento adicional de € 105 milhões para a acessibilidade aos dados dos pacientes nos próximos três anos e mais € 20 milhões em iniciativas de fast track na área de e-Health”, complementa o cônsul.

Innovation Center, programa de subsídios para empresas estrangeiras desenvolverem centros de inovação, estudos experimentais e de viabilidade relativos à medicina regenerativa ou IoT em parceria com companhias japonesas. O objetivo principal desse tipo de programa é a obtenção de investimentos do exterior promovendo o Japão como hub de alto valor agregado e base de inovação para cadeias globais. E, mais uma vez, a tecnologia se faz presente alavancando as possibilidades da área de saúde. Hoje, a robotização mais comum no país está diretamente vinculada à cirurgia endoscópica. Com uma grande quantidade de hospitais universitários introduzindo este tipo de dispositivo em suas rotinas, a demanda tende a crescer. Hoje, acredita-se que existam 200 unidades robóticas em uso no Japão, atualmente. No campo dos cuidados domésticos, o investimento em robótica deve suprir a carência de mão de obra local. Para isso, há um plano de desenvolvimento pensado para criar soluções de auxílio na locomoção e mobilidade dos idosos e também para monitoramento de pessoas com demência senil. Segundo estudo do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, divulgado pela Jetro no relatório Attractive Sectors – Life Science, o mercado de dispositivos 35


PACIENTE 4.0

robóticos para cuidados de enfermagem deve aumentar de US$ 145 milhões em 2015 para US$ 3,5 bilhões em 2035. Em cuidados com a saúde, o Japão trabalha a meta de investimento em tecnologia da informação e comunicação objetivando distribuir, até 2020, registros médicos eletrônicos em 90% dos grandes hospitais, evitando, assim, duplicidades em inspeção e administração de medicamentos. Além disso, visa expandir a rede regional de colaboração de informações médicas em todo o país até 2018, compartilhando informações dos pacientes entre as diferentes instituições médicas. O autocuidado também é um mercado-alvo da economia japonesa. Pensando na prevenção e na conscientização da população, o governo investe em dispositivos e serviços para cuidados pessoais e melhoria da qualidade de vida. Dentro dessa vertente, enquadram-se monitores diversos, esfigmomanômetros eletrônicos, analisadores de composição corporal, aparelhos domésticos para atividades físicas e cadeiras de massagem. Ainda sobre monitoramento, há um projeto científico na Universidade FAU Erlangen-Nuremberg, na Alemanha, que merece destaque. Desenvolvido em colaboração com diversos pequenos empresários, resume-se a um sistema criado para ajudar no tratamento de pacientes ou mesmo ampliar o cuidado com os idosos em diferentes situações da vida. Por meio de sensores, o monitorado terá diferentes dados capturados (quanto às atividades físicas como aceleração, velocidade e inclinação, e de parâmetros médicos como temperatura, pulso, pressão, umidade e sinais de eletrocardiograma). Esses dados serão analisados por um time de especialistas que os encaminhará a um médico responsável por dar um feedback útil sobre o que vem sendo desenvolvido como tratamento.

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“Essa tecnologia é usada para o chamado AAL . (Ambient Assisted Living). Pessoas idosas poderão ficar em casa enquanto seus movimentos são analisados e, portanto, acidentes ou outros distúrbios poderão ser detectados. É uma maneira muito discreta de controlar o estado de saúde dos pacientes sem invadir sua privacidade”, declara Tobias Zobel, diretorexecutivo do Medical Valley, um dos complexos mais ricos para engenharia aplicada à medicina no mundo. As amplas possibilidades de comunicação a distância também integram o rol de soluções que são analisadas pelos sistemas de saúde mundiais. No Reino Unido, que é considerado atualmente o maior investidor em telessaúde na UE, um projeto completo para garantir a uma classe de pacientes o primeiro contato virtual já desencadeou uma série de benefícios ao sistema de saúde local. Segundo dados do estudo “Reino Unido: seu parceiro para soluções em serviços de saúde”, o fornecimento eficaz em telessaúde pode modificar as estatísticas de forma positiva, gerando redução de 45% nas taxas de mortalidade, reduzindo em 15% as visitas às emergências dos hospitais e em 20% as admissões de emergência, além de diminuir em 14% os dias de internação. Como case de sucesso em teles saúde, o Reino Unido divulga a implementação do sistema no Hospital Airedale, que passou a oferecer serviços de telemedicina para ajudar os pacientes a gerenciar doenças crônicas de forma eficaz, evitando entradas


desnecessárias nos hospitais. O projeto é direcionado a pacientes com insuficiência cardíaca crônica, doença pulmonar obstrutiva crônica e diabetes. Os investimentos não clínicos também contribuem enormemente com as relações entre médicos, pacientes e instituições. Ainda no Reino Unido, o sistema de saúde do país foi pioneiro na inclusão de uma base de dados única que deve garantir que, até 2018, todo seu sistema seja digital. A plataforma realiza mais de 150 milhões de transações por mês em um ambiente no qual 100% dos consultórios são computadorizados. Os dados que são gerados por essa ferramenta servem de apoio para o fornecimento de serviços como identificar padrões de doenças, buscar formas mais eficazes para prevenção e tratamentos, monitorar a disseminação, alocar recursos de maneira mais justa e eficiente, bem como identificar as melhores maneiras de atender às necessidades da comunidade. Apesar da globalização que modifica a forma como o mundo enxerga os sistemas de saúde e permite troca de informações mais aprofundadas entre as nações, é importante destacar que cada território tem suas necessidades particulares e pontuais que obrigam os sistemas a serem maleáveis e adaptáveis. Na Alemanha, por exemplo, a gestão hospitalar vem passando por uma drástica mudança devido à redução do apoio financeiro público e às novas leis para estruturas hospitalares, somadas às modificações sociais. Atualmente, as instituições passaram a ser muito mais impulsionadas pela indústria, e essa alteração de status obriga os processos clínicos a serem muito mais transparentes. “O sistema completo do hospital precisa ser entendido como uma combinação de processos primários e secundários. Somente com um amplo entendimento da estrutura geral haverá um controle eficiente do hospital”, comenta Zobel.

O Brasil também avança no que diz respeito à inserção de tecnologias em sua cadeia de saúde. O SUS (Sistema Único de Saúde) recentemente investiu na implementação do prontuário eletrônico por meio de uma plataforma digital que permite que todos os serviços de saúde das cidades possam acompanhar o histórico do paciente, bem como os resultados de seus exames. Além disso, essa mesma plataforma tem, como utilidade, verificação em tempo real da disponibilidade de medicamentos, ações que contribuem com uma melhor qualidade de atendimento ao cidadão. Visualizando investimento no setor de tecnologia médica, o estado do Rio Grande do Sul firmou parceria com a Alemanha para a montagem local de um cluster de tecnologia da saúde nos moldes do Medical Valley. A ideia é promover estudos e eventos para divulgação das empresas parceiras, que recebem, inclusive, incentivos fiscais por parte do Estado. “O maior desafio de trazer o Medical Valley e suas iniciativas para o Brasil é a adoção de novos hábitos culturais no país. Modelos de negócios e propostas de colaboração na Alemanha parecem ser muito mais transparentes do que o que vemos no Brasil”, declara Zobel, que também afirma que em 2017 serão realizados diversos encontros e intercâmbios, juntamente com o lançamento do portal na web e do início de chamadas públicas para desenvolvimentos de projetos.

AVANÇOS HOSPITALARES Melhorar a experiência do paciente durante o período em que ele se encontra dentro do hospital já passou a ser uma preocupação básica nos hospitais de referência brasileiros. Hoje as equipes integradas de medicina e tecnologia estão ainda mais preocupadas com a forma como esse paciente se sente e se comporta durante o tempo em que não está mais sob os cuidados da equipe clínica.

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PACIENTE 4.0

O Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, vem trabalhando num projeto diferenciado de wearable devices. A ideia é estreitar o canal de comunicação entre a equipe e os pacientes em tratamento crônico ou em quimioterapia, acompanhando sua evolução durante o tempo em que estão em casa. “O investimento em dispositivos para acompanhar a temperatura e a respiração desses pacientes enquanto estão em suas residências nos permite saber, de forma imediata, se ele está em risco, assim podemos agir antes que uma infecção se estabeleça”, comenta a doutora Heimar de Fátima Marin, diretora de Inovação & TI do Hospital Sírio-Libanês, sobre o monitoramento a distância de sinais e sintomas como febre e respiração acelerada, que podem indicar um cenário propício a infecções. Tendo esse acompanhamento, é possível evitar eventos futuros que comprometam a melhoria do quadro. Ainda pensando na preocupação com o paciente que está fora do ambiente hospitalar, outro hospital brasileiro de referência aposta em soluções tecnológicas. No Hospital Israelita Albert Einstein, uma solução adotada dispensa o uso de papel para prescrição de medicamentos. Isso permite a adoção de práticas avançadas para reduzir de forma significativa o risco de erros e interações medicamentosas potencialmente prejudiciais aos pacientes. Por meio dessa inovação, é possível conectar os prontuários eletrônicos, gerando uma receita segura, em formato 100% legível e com assinatura digital, para ser encaminhada via SMS diretamente ao smartphone do paciente. Algumas das grandes redes de farmácias do Brasil já operam integradas a esta plataforma. E, se a tecnologia contribui com os tratamentos medicamentosos dos pacientes em alta médica, ela também reduz a possibilidade de erros na dinâmica interna dos hospitais. Atualmente os centros médicos trabalham com mais processos automatizados na busca por segurança. Um estudo realizado pela UFMG (Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais) a pedido do IESS (Instituto

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de Estudos de Saúde Suplementar) indica que, a cada três minutos, mais de dois brasileiros morrem em um hospital como consequência de um erro ou evento adverso. E entre estes equívocos, estão erros de dosagem ou aplicação de medicamentos. Como forma de combate a esse tipo de situação, no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, por exemplo, o investimento na segurança do paciente internado é notório. “Implantamos o processo de checagem à beira leito como mais uma barreira de segurança na administração de medicações. Esse sistema verifica se o medicamento prescrito está sendo ministrado na dose e no tempo corretos. São ações que aumentam drasticamente a segurança no processo de medicação”, comenta Denis da Costa Rodrigues, gerente de TI da entidade. Investimentos em automação e controle também fazem parte dos projetos criados a partir da indústria 4.0. A primeira farmácia com automação robótica da América Latina foi criada dentro do Sírio-Libanês entre 2014 e 2015. Com o objetivo de garantir os níveis de segurança e a eficiência do fluxo de medicamentos, o projeto agregou sistemas de alta tecnologia para automatizar a dispensa de medicamentos para pacientes específicos em doses unitárias e para armazená-los e retirá-los de suas embalagens originais de forma segura. Integrado ao sistema de prescrições da entidade, a automatização prevê redução de aproximadamente 70% na operação manual dos medicamentos na farmácia e envolve, também, dispensários eletrônicos instalados nas unidades de internação para atender, de forma rápida, às necessidades emergenciais dos pacientes. Em internet das coisas, o Google Glass se destaca como ferramenta capaz de otimizar processos e personalizar as relações. A UnitedHealthcare Brasil inaugurou, ao final de 2016, um Innovation Center para apresentação de projetos de modernização de sistemas de saúde que oferece, também, demonstrações de como o Google Glass pode ser uma ferramenta interessante para atendimento a pacientes nas emergências, reduzindo a necessidade de digitação, conectando médicos a pacientes via telemedicina e contribuindo com treinamentos para residentes.


PACIENTE 4.0 Quando o mercado muda, todos os players nele envolvidos também são afetados e contribuem com a promoção das mudanças. Porém é interessante observar as diferenças culturais existentes entre as diversas nações do mundo e como a tecnologia agregada pode ser recebida pela população. O Brasil é um país que costuma abraçar os avanços tecnológicos em qualquer segmento. Nossa população constantemente está entre as primeiras nos rankings de uso da web, e uma pesquisa recente realizada pela Amdocs Brasil aponta que o jovem brasileiro é o maior usuário de redes sociais como Facebook, YouTube e WhatsApp. Pensando em aplicativos de saúde, é comum a utilização de apps de monitoramento de atividades físicas e gadgets eletrônicos. Não à toa hospitais e planos de saúde investem em relacionamento virtual com seus pacientes e clientes, oferecendo suporte por meio de aplicativos disponíveis para smartphones e tablets que otimizam a rotina administrativa para ambos os envolvidos. O Hospital Sírio-Libanês oferece, desde 2008, o Portal do Paciente, uma plataforma web para acesso a resultados de exames, históricos de atendimentos, internações, medicamentos e cirurgias. Em 2014, lançou o aplicativo do portal, permitindo que todo o conteúdo pudesse ser acessado por meio de dispositivos móveis. Em menos de um ano, o aplicativo teve mais de 4 mil downloads e tem quase 5 mil acessos mensais. Na Inglaterra, os planos de saúde deram um passo à frente, visto que alguns já oferecem tele-consultas e rastreiam as atividades de seus usuários recompensando-os quando se mantêm

ativos. Jakob Rieckh-Graf, 33, é austríaco e mora em Londres há mais de um ano. Assim que chegou ao Reino Unido, optou por um seguro de saúde, e a possibilidade de ser recompensado com pequenas premiações (que vão desde ingressos para cinema até vouchers para degustação em lanchonetes locais) foi um diferencial. “Uso, em meu smartphone, o aplicativo Moves vinculado ao aplicativo do plano de saúde. Juntos eles rastreiam automaticamente meu nível diário de atividades”, explica Jakob. A questão da privacidade e da segurança em compartilhar esses tipos de dados de geolocalização e pessoais foi um ponto que levou Jakob a balancear a escolha por esse modelo de cobertura. “Antes de assinar o plano eu pensei sobre a privacidade. Compartilhar sua localização é um tema sensível, mas, no final, acredito que os benefícios superam esses questionamentos. É uma decisão muito particular e individual”, declara ele, que ainda comenta que, em seu país de origem, Áustria, as pessoas são mais relutantes quanto ao compartilhamento de suas informações privadas. A questão da segurança dessas informações e da privacidade dos pacientes é um dos assuntos mais debatidos em todos os fóruns relacionados à saúde 4.0. Com o FDA apostando que cerca de 1,7 bilhão de usuários de smartphones em todo o mundo estará usando um aplicativo médico móvel até 2018, a AMA (Associação Médica Americana) sugeriu a adoção de novas políticas sobre saúde e colocou, como parte de seus esforços, a definição de melhores práticas para orientar o desenvolvimento e o uso de aplicativos médicos móveis, visto que, a cada dia, mais e mais pacientes e médicos usam a tecnologia para aumentar a eficiência de suas ações, gerenciar condições crônicas e informar sobre cuidados gerais.

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CIOSP 2017

INDÚSTRIA ODONTOLÓGICA EM BUSCA DE APERFEIÇOAMENTO E QUALIDADE Por Deborah Rezende

Mesa solene de abertura do 35º CIOSP

CIOSP REÚNE TODO O SETOR ODONTOLÓGICO EM MAIS UMA EDIÇÃO Comemorando jubileu de diamante pelos 60 anos de existência, o 35º CIOSP (Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo), que aconteceu entre os dias 1º e 4 de fevereiro, recebeu este ano o número recorde de 112 mil pessoas. Além de reunir marcas líderes do setor, o evento traz não apenas produtos consolidados, mas também novas empresas e marcas que tentam se inserir no dinâmico mundo da odontologia, com o objetivo de apresentar aos cirurgiões-dentistas todo tipo de opção disponível na indústria odontológica. “Em cada quatro cirurgiões-dentistas do mundo todo, um é brasileiro. Apesar de termos cerca de 260 mil profissionais, ainda assim metade da nossa população adulta apresenta perda dentária grave e só recorre a serviços odontológicos em último caso. Por isso, quanto mais investirmos em processos que vão melhorar todas as etapas do atendimento odontológico, mais estaremos contribuindo para melhorar a saúde e a autoestima do brasileiro, priorizando a eficiência, a qualidade e a satisfação dos pacientes”, acredita Adriano Forghieri, presidente da APCD (Associação Paulista de CirurgiõesDentistas) – entidade que realiza anualmente o CIOSP, maior congresso de Odontologia da América Latina e um dos maiores do mundo. A mesa solene de abertura do 35º CIOSP reuniu, além de Forghieri e Capez, o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro, e Ruy Salvari Baumer, que 40

representou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Junto a eles, estavam o presidente da ABCD (Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas), Silvio Jorge Cecchetto; o porta-voz da FDI (Federação Internacional de Odontologia), Gerhard Seeberger; o presidente do CFO (Conselho Federal de Odontologia), Juliano do Vale; o presidente da ABO (Associação Brasileira de Odontologia), Luiz Fernando Varrone; a coordenadora nacional de saúde bucal do Ministério da Saúde, Livia Maria A. Coelho Souza; a presidente da FNO (Federação Nacional dos Odontologistas), Joana Batista Oliveira Lopez; o presidente do Crosp (Conselho Federal de Odontologia do Estado de São Paulo), Claudio Yukio Myiake; o deputado estadual e presidente da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), Fernando Capez; o vereador e secretário do Meio Ambiente do município de São Paulo, Gilberto Natalini; e o secretário municipal da Saúde, Wilson Modesto Pollara, representado pelo seu chefe de gabinete, Daniel Simões de Carvalho. A oportunidade de estreitar ainda mais o relacionamento com as associações parceiras faz o CIOSP ainda mais imperdível para a ABIMO. Este ano, o evento contou ainda com a visita de representantes da principal entidade que atribui o título profissional de médico dentista e regula o exercício da profissão em Portugal, a OMD (Ordem dos Médicos Dentistas).


“Tivemos reuniões com Orlando Monteiro da Silva, então bastonário (presidente) da entidade, e Pedro Pires, membro do Conselho Diretivo, com o objetivo de estreitar mais ainda o nosso relacionamento, criando um caminho para que mais empresas brasileiras possam participar do mercado português, não apenas para atender à demanda interna, mas também aos países vizinhos”, explica Fraccaro.

Ainda durante o evento, os membros da diretoria da ABIMO conheceram Lívia Maria Almeida Coelho de Souza, nova coordenadora nacional de saúde bucal do Ministério da Saúde, e colocaram a indústria odontológica nacional à disposição para discutir novos projetos em conjunto para ajudar a Coordenadoria a expandir e aperfeiçoar a Política Nacional de Saúde Bucal. Lívia esteve presente no Encontro Nacional dos Coordenadores do Ministério da Saúde que ocorreu durante o evento, em que foram discutidos os desafios e as perspectivas da Política Nacional de Saúde Bucal no país. “Devido às mudanças ocorridas na coordenação da saúde bucal, e aproveitando a oportunidade do Congresso, vimos a necessidade de nos reunir para discutir a Política Nacional de Saúde Bucal.

Chamamos a coordenadora-substituta nacional de saúde bucal do Ministério da Saúde, Carolina Martins, que, inteirada das questões nesse âmbito, conduziu as atividades desse encontro”, explicou Lívia de Almeida.

ASSOCIADOS O cenário econômico de 2016 afetou o ritmo de inovação da indústria, e isso se refletiu no evento, que não apresentou a mesma quantidade de lançamentos com o porte visto nos anos anteriores, porém quase todo expositor implantou pequenas melhorias para atrair novos compradores. E foram bem-sucedidos, segundo diagnosticou o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro, que, durante os dias de evento, visitou stands na companhia do coordenador de marketing da entidade, Márcio Bertoni. Fraccaro ressaltou também o tamanho dos stands no Congresso, que ratificou a pujança da indústria brasileira na busca de uma odontologia cada vez mais eficiente, moderna e eficaz. Bertoni explica que o CIOSP representa boa parcela do orçamento anual de marketing das empresas do setor de odontologia, além de ser um termômetro comercial para o ano. “Avaliando o dia a dia do Congresso, percebemos que a indústria nacional ficou satisfeita com os resultados de vendas obtidos nesta edição”, diz. Ele ainda ressalta o aumento no número de stands com palestras, aulas e disseminação de conteúdo, mostrando que a educação se tornou uma estratégia amplamente utilizada pelas empresas. “Isso faz o nível de conhecimento gerado no CIOSP cada vez maior”, diz. “Pelo grande público presente, houve também maior interação e divulgação de conceitos e diferenciais de produtos em palestras, atividades de hands on e demonstrações, potencializando a realização de negócios futuros.” Foram 51 empresas associadas à ABIMO que estiveram no CIOSP. A Angelus levou suas três marcas: Angelus, Angie e Angelus Prima. Segundo a gerente de marketing da empresa, Heloísa Amadeu, o evento superou as expectativas tanto em termos de público, quanto em termos de vendas pelas dentais. “As metas estabelecidas pela empresa para o evento foram cumpridas: número de dentistas abordados, divulgação das marcas da empresa e dos novos produtos, promoções no ponto de vendas, ação da equipe junto aos clientes (dentais), dentistas e formadores de opinião, visão de novos negócios nacionais e internacionais, etc.”, conta. “Verificamos que as dentais tiveram um grande giro dos produtos durante os dias do evento.” 41


CIOSP 2017

Outra empresa que atuou junto às dentais foi a Indusbello. “O público visitou nossos espaços dentro das dentais, e conseguimos a interação necessária para manter o ótimo relacionamento com os dentistas”, conta Diogo Takeo, do departamento comercial da empresa. Segundo ele, o evento ajuda a fazer contato com os profissionais de diversas áreas da odontologia, bem como a entender as necessidades e os desejos que os clientes podem ter em relação aos produtos da empresa. “Também serve para analisarmos as tendências do mercado e estarmos mais próximos dos nossos concorrentes”, diz. A marca continua com avaliação positiva, sinônimo de qualidade e inovação no segmento, segundo a empresa.

A Neodent anunciou seus planos de expansão industrial e comercial no 35º CIOSP. A empresa está expandindo e modernizando sua fábrica com um investimento de mais de R$ 60 milhões e irá gerar mais de 120 oportunidades de trabalho no país. Para isso está construindo um novo e modernizado centro logístico em Curitiba (PR) que irá movimentar mais de 10 milhões de itens de implantes dentários e componentes protéticos por ano – representando acréscimo de 50% de máquinas na sua fábrica. As unidades comerciais em Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Curitiba (PR) também foram expandidas. “A participação no CIOSP foi um grande marco, pois foi a nossa primeira apresentação como Straumann Group em um stand único da Straumann e da Neodent”, comemora Pablo Prado, CMO da empresa. “Mostramos ao mercado nossa sinergia como empresa. Também conseguimos levar soluções que atendem a todas as necessidades dos clientes.”

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CONHECIMENTO O evento científico que ocorre paralelamente às exposições também mostrou avanços significativos. Na opinião de Marcos Capez, coordenador executivo do CIOSP 2017, este foi realmente um dos pontos altos desta edição: a grande adesão de cirurgiões-dentistas, estudantes e profissionais ligados à Odontologia aos cursos oferecidos na grade científica – que foi reformulada, contando agora com 12 grandes áreas de interesse.

“Além do grande sucesso da grade científica, tivemos também a Arena CIOSP, um espaço com capacidade para receber até 80 pessoas por sessão, totalmente gratuito. Nas várias sessões diárias, quem está iniciando a carreira pôde saber mais sobre questões éticas e jurídicas, e aprender a se conduzir de forma mais segura e preventiva”, diz Wilson Chediek, consultor da Comissão Científica do CIOSP e assessor da presidência da APCD. “De fato, o CIOSP vem transformando a história da Odontologia brasileira e da América Latina”, comenta Rodolfo Candia, diretor da Conexão Implantes. “O evento tem sido palco da contínua evolução da tão desejada odontologia de excelência, promovendo uma grande troca de experiência profissional, visando à integração da ciência, da indústria e do maior beneficiado, o paciente”, comemora.


Foi nesse espaço que a ABIMO promoveu palestras sobre pirataria em implantes e componentes. O advogado Rodolfo Tamanaha, associado da ATC Advogados e presidente da Comissão Especial de Inovação da OAB/DF, abordou o tema no âmbito jurídico, traçando um panorama das apreensões que a Anvisa vem fazendo em parceria com o Ministério Público e a ABIMO. Outro convidado da ABIMO foi o coordenador de Segurança Institucional na Anvisa, Marcel Figueira. Ele abordou as implicações sanitárias do uso de produtos piratas, assim como as sanções que

empresas e dentistas podem sofrer. O gerente de estratégia regulatória da ABIMO, Joffre Moraes, encerrou o ciclo de palestras, trazendo à discussão a abordagem da indústria e a rastreabilidade desses produtos, tão necessária para o setor. “Ao trazer esse tema à Arena, a ABIMO pretendeu não apenas unir todas as entidades envolvidas, mas também conscientizar os profissionais sobre a questão da pirataria, incentivando-os a usarem apenas produtos de empresas legalizadas, promovendo mais segurança aos pacientes”, finaliza o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro.

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1 – Donizetti Louro, Márcio Bosio, Deise Garrido 2 – Paulo Henrique Fraccaro, Fernando Capez 3 – Marcos Capez, Ruy Baumer, Paulo Henrique Fraccaro, Gilberto Alfredo Pucca 4 – Paulo Henrique Fraccaro, Ana Stela Haddad, Donizetti Louro 5 – Márcio Bosio, Donizetti Louro, Gerhard Seeberger, Paulo Henrique Fraccaro, Gil Adilson, Pedro Castilho, Marcos Schroeder e Claudio Fernandes

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PIRATARIA NA ODONTOLOGIA

ABIMO INTENSIFICA GUERRA A IMPLANTES SEM REGISTRO E FALSIFICADOS FORAM APREENDIDOS MAIS DE 98 MIL PRODUTOS ILÍCITOS ATÉ O MOMENTO Por Deborah Rezende

Estima-se que a economia subterrânea (produção de bens e serviços não reportada ao governo) movimentou ao todo em 2016 mais de R$ 980 bilhões, o que equivale a 16% do PIB nacional. Seguindo essa tendência, embora a legislação brasileira estabeleça que somente produtos devidamente registrados na Anvisa possam ser utilizados por profissionais de saúde, a ABIMO observa no mercado práticas ilegais que colocam em risco a saúde dos milhares de pacientes. Segundo Jarbas Barbosa, diretor-presidente da Anvisa, o aumento da demanda explica o elevado número de produtos falsos: “A partir do momento em que temos melhoria da qualidade de vida, maior acesso e mais pessoas buscando esses serviços, claramente se abre a oportunidade de pessoas que desejam ter o benefício financeiro por meios ilícitos começarem a fabricar produtos não formalizados”, diz. Conforme já divulgado largamente à imprensa e à sociedade, cerca de 30% dos quase 3 milhões de implantes dentais realizados em média por ano no país são feitos com produtos ilegais. “Levando em conta que o mercado de implantes é de 2,9 milhões de unidades e o de componentes é duas vezes esse número, temos mais de 2 milhões de peças irregulares circulando”, diz o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro. 44


O presidente da APCD (Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas), Adriano Forghieri, acredita que é essencial que todos os setores envolvidos se unam cada vez mais para lutar um bom combate, no sentido de coibir as fraudes, diz. “Infelizmente, ainda há muito produto pirata no mercado, desde elásticos coloridos usados em ortodontia, passando por implantes e, inclusive, bancos de ossos. Precisamos, cada vez mais, informar a população do risco que corre ao aceitar investir – apesar da crise econômica – em um produto sem procedência legalizada, fiscalizada e de boa qualidade. “É fundamental que toda a classe de profissionais da Odontologia perceba que, ao se curvar aos preços de um produto pirata, também se curva ao crime organizado. Não há meio-termo. Todos os que fazem parte da cadeia produtiva, todos os que distribuem e todos os que fazem uso de produto pirata em seus consultórios odontológicos podem e devem responder criminalmente”, ressalta Forghieri. A partir deste ano, com a primeira turma de graduação em Odontologia da FAOA (Faculdade de Odontologia da APCD), os esforços para essa conscientização começarão ainda mais cedo, esclarecendo aos universitários tudo o que está envolvido na comercialização e no uso de produtos ilegais. A importância da conscientização dos profissionais também é ressaltada pelos diretores da Anvisa. “Nossa ideia é fazer a divulgação em parceria com os Conselhos de maneira que os profissionais de saúde sejam informados sobre essa questão”, afirma Barbosa. Para José Moutinho, diretor de Monitoramento e Controle Sanitário, deve-se investir na sensibilização de dentistas e demais profissionais, alertando para a importância da verificação da procedência dos produtos, bem como sua aquisição apenas de locais com autorização de funcionamento, licenças sanitárias e registro. Segundo o coordenador da Equipe de Inteligência e Contra Inteligência da Coordenação de Segurança Institucional da Anvisa, que participou de uma palestra sobre o tema no 35º CIOSP (veja cobertura na página 40), Marcel Figueira, os produtos visados pela pirataria na odontologia são os implantes, os componentes e também o ferramental. O número de empresas investigadas, segundo ele, é de 57. Por volta de 1,2 mil dentistas e protéticos também estão em processo de análise.

Máquinas são usadas não só para produzir os componentes protéticos, mas também peças de carro.

“Estamos falando de crimes de falsificação, de contrabando, que, diferentemente de pirataria de CD e DVD, coloca em risco, além da competitividade das indústrias idôneas, a saúde pública”, alerta Rodolfo Tamanaha, associado da ATC advogados e presidente da Comissão Especial de Inovação da OAB/DF, que também palestrou no Congresso. 45


PIRATARIA NA ODONTOLOGIA

OPERAÇÕES FAKE I E II “A relação entre Anvisa, entidades e associações é muito proveitosa e tem trazido bons resultados, especialmente no campo de informações para segurança de produtos para saúde, o que pôde ser percebido, por exemplo, nas ações para coibir o comércio irregular”, diz o diretor de monitoramento da Anvisa. Moutinho conta que a agência recebeu alguns alertas sobre produtos irregulares, o que causou grande preocupação com a segurança da saúde de possíveis usuários. “Ante essa informação, a Dimon (Diretoria de Controle e Monitoramento Sanitários) determinou que as áreas de fiscalização e de segurança institucional realizassem um levantamento para verificar qual era o cenário, possíveis fabricantes, locais de comércio, situação dos produtos (falsificado, sem registro), e a amplitude da distribuição”, explica. Foi então realizado um grande trabalho de inteligência acerca do tema de forma a alcançar efetividade nas ações para coibir a fabricação e o comércio desses produtos. Moutinho explica que essa fase levou alguns meses – foi a mais longa, tendo em vista a complexidade para o mapeamento dos pontos irregulares, das pessoas envolvidas e dos produtos, mas extremamente necessária para que as ações fossem cirúrgicas.

Estoque da empresa irregular, em São Paulo.

Condições precárias de higiene na fabricação dos piratas

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Os primeiros movimentos da Anvisa começaram em meados de julho de 2016, com uma grande apreensão na Zona Leste de São Paulo – mais de 90 mil peças – e um preso. Com um estoque enorme, organizado, e embalagens personalizadas, a condição precária de higiene na fabricação é o que mais chama a atenção no caso. Ainda que separados em bacias e “tratados” com esponja de cozinha, os produtos finalizados vinham com indicação de esterilidade. A partir dessa apreensão foi deflagrada a Operação Fake, que começou com uma apreensão em João Pessoa (PB), onde um dentista do Centro Paraibano de Reabilitação Oral (Cenpro) foi preso com implantes adquiridos da fabricante irregular paulista. Outro estabelecimento interditado foi o Neao (Núcleo de Estudos e Aperfeiçoamento Odontológico), uma clínica-escola que trabalha com especialidades odontológicas e cursos de graduação e pós-graduação onde, segundo o promotor de Justiça e diretor do MP-Procon, Glauberto Bezerra, além de implantes e componentes sem registro, foram encontrados medicamentos vencidos, além de equipamentos sem a segurança necessária e até mesmo irregularidades na documentação dos alunos, muitos atuando em pós-graduação sem apresentar registro de inscrição no órgão.

M d ó in e c à s d P G

J A im p e E fo v c c s fa m fr A A M (p re d d e c

A u B d m O u u

A 2 d d e A m p p In N c


Moutinho diz que o Ministério Público participa das ações e tem papel fundamental, visto que é o órgão que atua pela defesa da ordem jurídica e dos interesses da sociedade, buscando o cumprimento estrito da lei. Assim, a possibilidade do trabalho conjunto fortalece, sem dúvida, as ações de proteção à saúde pública. No caso de João Pessoa, a ação foi solicitada pela Anvisa-DF ao MP-Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério Público da Paraíba) em uma ação coordenada com a Gerência de Vigilância Sanitária. Jarbas Barbosa ressalta o trabalho em equipe da Anvisa com outros órgãos: “Essas parcerias são importantes, e a ideia é que isso permaneça pois precisamos do apoio inclusive da polícia, porque essas pessoas estão cometendo crimes”, afirma. Em dezembro de 2016, na cidade de Valinhos (SP), foram encontradas em outra fábrica clandestina várias máquinas usadas não só para produzir os componentes protéticos como também peças de carro. As peças, mais uma vez, eram produzidas sem as mínimas condições de higiene. Além da fabricação irregular, os fiscais constataram pirataria, muitos documentos e materiais de comunicação fraudulentos, como um panfleto com autorização da Anvisa falsificada, que também foram apreendidos. A ação em Valinhos teve o apoio da Guarda Municipal, resultando na prisão de pai e filho (proprietário da fábrica). “O que chama a atenção nos registros dessas apreensões é a total falta de pudor dos falsários”, comenta Paulo Henrique Fraccaro, da ABIMO. “As peças pirateadas são guardadas etiquetadas com os nomes dos fabricantes originais, com um exímio controle”, lamenta. A Anvisa chegou a essa fabricante por meio de um distribuidor, que atuava em Itapira. A empresa Bioconect, detentora do certificado de Boas Práticas de Fabricação emitido pela Anvisa, adquiria o material sem registro e revendia para a região. O proprietário, dentista, também foi acusado de utilizar alguns desses produtos durante aulas em universidades. A segunda fase da operação, já no início de 2017, começou em Goiás e teve como alvo uma distribuidora. Segundo a Anvisa, pelo menos nove dentistas compravam implantes piratas desse estabelecimento. A agência fechou, também no interior de São Paulo, mais uma fábrica e outra distribuidora. Ambas pertenciam ao mesmo dono, que fabricava cópias piratas sob o nome Concept Usinagens Especiais em Indaiatuba e as distribuía a partir de Campinas. Na fábrica foram apreendidos mais de 3,2 mil componentes falsificados e na distribuidora, outras

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PIRATARIA NA ODONTOLOGIA

34,5 mil unidades. As primeiras ações estão sendo concluídas e o cenário está sendo delimitado, o que possibilitará termos uma visão mais completa de toda a questão, bem como dos resultados alcançados até o momento. Assim, será possível dar seguimento as novas ações visando coibir ainda mais essa prática. “É preciso deixar claro que a Anvisa e as Vigilâncias Sanitárias Estaduais e Municipais não irão abrandar as ações de fiscalização desses produtos, seja na produção irregular em nosso território, seja na tentativa de entrada por nossas fronteiras”, ressalta Moutinho. Jarbas Barbosa afirma que novas fases da operação devem ocorrer, inclusive nas fronteiras com outros países, em busca de produtos importados ilegalmente. “Para isso vamos contar, inclusive, com o Ministério da Defesa”, diz.

Produtos falsos prontos para envio

Do lado da indústria, as ações vêm deixando satisfeitos os empresários que andam na legalidade: “O trabalho de repressão às empresas irregulares é muito importante para o setor da implantodontia, pois, à medida que algumas empresas irregulares estão sendo fechadas e seus responsáveis estão indo presos, a sensação de impunidade com relação a esse delito diminui”, conta o diretor da Emfils, Fábio Embacher. “Além desse recado importantíssimo com relação ao crime praticado por aqueles que vendem e também aqueles que compram produtos irregulares, essas ações permitem que o assunto de rastreabilidade volte a ser discutido entre ABIMO, CFO e Anvisa para melhorarmos a continuidade da regularização do setor.” Fernando Mazarollo, CEO da SIN implantes, concorda: “Nós acreditamos que estes trabalhos trarão resultados para reduzir os riscos à saúde pública, principalmente na direção dos estudos sobre rastreabilidade junto ao profissional dentista”, diz. A líder do mercado, Neodent, também é incomodada pelos produtos piratas: “Não raro, reclamações que envolvem queixas técnicas ou eventos adversos resultam, após investigações, na descoberta de produtos não originais”, diz o vice-presidente Jurídico e Compliance do Grupo Straumann (ao qual a empresa pertence), Jafte Carneiro. “Os casos de cópias que nos deparamos são enviados como denúncia à Vigilância Sanitária ou ainda são alvo de ações judiciais.”

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RESPONSABILIDADE Segundo Joffre Moraes, gerente de estratégia regulatória da ABIMO, cabe ao dentista informar ao paciente a procedência de implantes e componentes. “O paciente pode e deve perguntar ao profissional a origem do material, e não simplesmente abrir a boca deixando que lhe coloquem algo que ele não sabe de onde veio”, ressalta. Para as autoridades, a maior parte dos profissionais compram esses produtos sem saber que são irregulares e sem ter a dimensão do problema que podem causar aos seus pacientes e a si mesmos. “Mas há, sem dúvidas, em um número muito menor, profissionais que intencionalmente adquirem esses produtos (sem registro e falsos) visando auferir lucro”, afirma Moutinho. Moraes explica ainda que todos os componentes e implantes regulares saem da fábrica com etiquetas de rastreabilidade às quais distribuidoras e dentistas têm – ou devem ter – acesso. “E na própria embalagem do produto constam as informações como fabricação, registro, lote, etc.”, frisa. “Essa prática é um risco à saúde da população. Nossos esforços são para que o dentista tenha critério na prática do implante e no componente de escolha”, comenta o diretor científico da Conexão Sistema de Implantes, Rodolfo Cândia Alba Junior. “O paciente tem direito de exigir a etiqueta de rastreabilidade.” A ABIMO negocia, junto a entidades do setor odontológico, a obrigatoriedade de uma carteirinha para os pacientes, por meio da qual informações de rastreabilidade do produto possam ser fornecidas. Segundo o advogado Rodoldo Tamanaha, o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Odontologia têm apenas o poder de polícia do exercício profissional, mas não têm o poder de regulamentar a profissão, que é reservado à lei. Porém, os dentistas que forem pegos usando material irregular podem ser enquadrados em diversos artigos, inclusive no âmbito criminal. “Toda essa ação visa termos consumidores mais seguros, satisfeitos e confiantes, além do fortalecimento da reputação do setor odontológico e de seus profissionais”, finaliza Tamanaha.

Informações falsas de rastreabilidade e esterilização.

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REGULAÇÃO

BRASIL TEM PARTICIPAÇÃO ATIVA NO IMDRF FÓRUM QUE PROMOVE A CONVERGÊNCIA REGULATÓRIA DE DISPOSITIVOS MÉDICOS INTERNACIONAIS TEVE SUAS REUNIÕES REALIZADAS NO BRASIL EM 2016. Um dos mais importantes fóruns do setor regulatório da saúde, o IMDRF (International Medical Device Regulators Forum) foi criado em 2011 durante uma reunião voluntária de reguladores da Austrália, Brasil, Canadá, China, União Europeia, Japão e Estados Unidos. Juntos e por meio de dois encontros anuais, o time busca acelerar a convergência regulatória de dispositivos médicos. Anteriormente à criação do IMDRF, esses mesmos reguladores compunham o GHTF (Global Harmonization Task Force on Medical Devices), porém com um foco maior na produção de documentos. A mudança de status do grupo foi proposta justamente para que fosse possível ir além, estabelecendo iniciativas que, de fato, favorecessem a implementação dessas ações, trabalhando de forma ainda mais incisiva pela convergência.

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Graças à sua relevância e ao crescimento nos últimos 15 anos, o Brasil ganhou espaço nas discussões. “Atribuo a entrada do Brasil nesse fórum, que hoje é o mais importante do setor de dispositivos médicos, à nossa maturidade regulatória. Estamos trabalhando cada vez mais para ter uma regulação mais madura e mais efetiva desde a criação da Anvisa. Além disso, devemos destacar a significância do nosso mercado e a nossa capacidade técnica em contribuir com as discussões”, comenta Fábio Pereira Quintino, gerente de Inspeção e Fiscalização de Produtos para a Saúde, Saneantes e Cosméticos da Anvisa, agência responsável por representar o nosso país no IMDRF.


Em um mundo amplamente globalizado, encontros como esse são fundamentais para que haja uma conversa transparente e eficiente na busca pela harmonia regulatória, capaz de solucionar entraves e agilizar processos, beneficiando diferentes nacionalidades. A cada ano, um país é nomeado a presidir as sessões que já passaram por Austrália (2012), União Europeia (2013), EUA (2014), Japão (2015) e, em 2016, vieram ao Brasil (em março, o encontro ocorreu em Brasília, DF e, em setembro, em Florianópolis, SC). “A presidência do fórum sempre ganha visibilidade, e o legado é a experiência de direcionarmos os holofotes do mundo ao nosso país, tendo oportunidade de mostrar um pouco mais do nosso trabalho além de, obviamente, facilitarmos para que os atuantes na área de dispositivos médicos possam, sem a necessidade de se deslocar para um outro país, acompanhar de perto as discussões de alto nível que são realizadas”, enfatiza Quintino. Outro ponto importante na realização dos fóruns no Brasil no ano passado foi que, no segundo semestre de 2015, durante o encontro em Kyoto, no Japão, o comitê gestor aprovou o planejamento estratégico do IMDRF para os próximos cinco anos tendo, como principal direcionamento, trabalhar um modelo global que favoreça e estimule a inovação. Dessa forma, o Brasil realizou seu primeiro fórum já com essa premissa em mente. Atualmente o IMDRF conta com sete grupos de trabalho em andamento, com destaque para três documentos que tratam de requisitos de competência e treinamento para revisores de dossiês técnicos de dispositivos médicos, princípios na utilização de registros eletrônicos associados ao uso de dispositivos médicos e padronização de nomenclatura e codificação de eventos adversos. Finalizados os processos de consulta pública, esses documentos provavelmente passarão pela aprovação do comitê gestor na próxima reunião.

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A última reunião do Fórum aconteceu em março na cidade de Vancouver no Canadá sendo levado à plenária, um novo item de trabalho que terá como objetivo promover uma aplicação harmonizada frente aos requisitos propostos no Guia de Orientação do UDI (Unique Device Identification) publicado pelo IMDRF. As ações para este novo trabalho serão baseadas na experiência do Grupo de Trabalho do UDI e contarão com envolvimento tanto dos reguladores como também da indústria.

MDSAP O MDSAP (Medical Device Single Audit Program) é um dos itens de trabalho que merecem destaque dentro do IMDRF. Focado em desenvolver documentos que possam ser utilizados como referência para qualquer modelo de auditoria de terceira parte, de qualquer instituição, organismo ou país, é resultado de um termo de cooperação assinado entre Brasil, EUA, Canadá, Austrália e Japão que já começa a render bons frutos. “É importante frisar que em nenhum momento o programa se propõe a afetar a soberania que cada país e cada autoridade reguladora têm sobre suas ações. O real objetivo é coordenar o esforço, otimizar e tirar o melhor a partir das estruturas já existentes, mas jamais podar ou cercear a soberania de cada nação”, destaca Quintino, que representa a Anvisa no comitê gestor do IMDRF e preside o Conselho de Autoridades Regulatórias do MDSAP. O projeto-piloto foi criado durante três anos e levantou sete normas específicas e internas para governança. Na sequência, foi criado um modelo de auditoria único entre os cinco países participantes com base em seus requisitos e regulamentos específicos. E então, aos poucos, os organismos foram sendo autorizados a realizar auditorias com base nesse modelo.

É importante frisar que em nenhum momento o programa se propõe a afetar a soberania que cada país e cada autoridade reguladora têm sobre suas ações.” Fábio Pereira Quintino, da Anvisa

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ESTUDO TA

TECNOLOGIAS

ASSISTIVAS PRODUÇÃO NACIONAL TEM ESPAÇO PARA CRESCER E ULTRAPASSAR FRONTEIRAS DE OLHO NAS OPORTUNIDADES PARA A INDÚSTRIA BRASILEIRA, ABIMO E APEX-BRASIL ANALISAM ESTUDO ESTRATÉGICO SOBRE O SEGMENTO

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Vislumbrando as diversas possibilidades de crescimento da indústria nacional no setor de tecnologias assistivas, a ABIMO, em parceria com a Apex-Brasil, chega à fase final de um amplo estudo para detalhamento de ações que fortalecerão e ampliarão a produção tanto no âmbito doméstico quanto no comércio internacional. Desenvolvido pela Kaiser Associates, empresa com mais de 30 anos de experiência em pesquisas focadas na tomada de decisões estratégicas, o estudo traça um grande panorama atual do segmento que visa beneficiar cerca de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo (segundo dados da ONU). Somente no Brasil, o Censo 2010 afirma que 45 milhões de pessoas convivem com algum tipo de deficiência, número que equivale a quase um quarto da população. Hoje a indústria nacional tem capacidade produtiva notável para alguns nichos de produtos, atendendo a cerca de 70% da demanda geral. Com um mercado de tecnologias assistivas movimentando aproximadamente US$ 1,35 bilhão, apenas 30% das necessidades internas são supridas por importações. Isso abre espaço para uma grande gama de oportunidades de expansão e crescimento. “Pelo que observei, trata-se de um setor extremamente empreendedor, composto principalmente por empresas locais atendendo às necessidades locais. A ampla demanda regional pode proporcionar o desenvolvimento de uma indústria mais fortalecida do que em outros segmentos. Hoje, os únicos setores que crescem no Brasil são saúde, educação e uma parcela do agronegócio. E, como a saúde vem passando por uma reestruturação, as empresas de tecnologias assistivas estão em um momento propício para repensar seus posicionamentos”, declara Antonio Napole, senior vice-president da Kaiser Associates. Por meio de uma análise do macroambiente tanto do Brasil quanto dos atuais cenários internacionais, é possível avaliar a atratividade e os desafios que serão enfrentados em termos políticos, econômicos, regulatórios e, também, quanto às questões demográficas e sociais. Uma análise geral sobre a competitividade da indústria traça um panorama importante a quem visualiza um futuro promissor nesta área.

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Elaborando uma expectativa para os próximos quatro anos, sempre com uma análise aprofundada sobre a oferta e a demanda nacional aliada às necessidades dos países parceiros, o estudo apresenta uma situação favorável a quem planeja investir neste pujante setor: crescimento estimado em 9,4% ao ano, estatística que levará o país a movimentar mais de US$ 2 bilhões em 2020.

PRODUÇÃO NACIONAL X IMPORTAÇÕES Esmiuçando o setor, o estudo analisa o atual mercado e faz projeções individuais para cada uma das oito categorias de produtos observadas: aparelhos ortopédicos, aparelhos auditivos, próteses articulares, camas de uso clínico, cadeiras de rodas, aparelhos de mecanoterapia, lentes intraoculares e outros. No Brasil, 59% das comercializações envolvem aparelhos ortopédicos, auditivos e próteses articulares. Um dado interessante e que merece destaque é a relação entre produção nacional e importações. Na listagem de categorias estudadas, a que mais carece de importação para suprir a demanda nacional é a de lentes intraoculares, na qual 70% das utilizadas são estrangeiras. Em contrapartida, o Brasil é capaz de suprir 97% de sua demanda por cadeiras de rodas, importando apenas 3% desse tipo de produto. “Temos um alto percentual de produtos nacionais em circulação. Com financiamentos e investimentos, a indústria tem capacidade de ampliar ainda mais a sua produção”, comenta Clara Porto, gerente de projetos e marketing internacional da ABIMO. Algumas das tecnologias apontadas como as mais relevantes no país também carecem de importações para atender totalmente à demanda interna: 40% das próteses articulares são importadas, assim como 35% dos aparelhos ortopédicos e 30% dos auditivos. Pensando no setor de aparelhos auditivos, embora contemos com grandes fabricantes nacionais, a possibilidade de crescimento e expansão é notável. Para isso, é indispensável que a indústria receba apoio governamental e, principalmente, investimentos para pesquisa e desenvolvimento

O Brasil é capaz de suprir 97% de sua demanda por cadeiras de rodas, importando apenas 3% desse tipo de produto” 53


ESTUDO TA

tecnológicos. “Precisamos de inúmeras ações de fomento à indústria brasileira como apoio em certificações internacionais, acesso ao crédito para pequena empresa, redução nos impostos trabalhistas, agilidade nos processos de importação de matéria-prima e componentes, maior facilidade para exportação, entre outras tantas que contribuirão com o crescimento da nossa produção tanto no Brasil como no mercado internacional”, comenta Carolina Kobylanski, CEO da Jumper Equipamentos, fabricante nacional de cadeiras de rodas sob medida e 100% personalizadas.

FOCO NAS EXPORTAÇÕES A pesquisa encomendada pela ABIMO analisou, com prioridade, os mercados de tecnologias assistivas em países como México, Colômbia, Chile, Arábia Saudita e Turquia. Para calcular o tamanho e as particularidades de cada um desses mercados, traçou um panorama macro sobre a área no Brasil e investiu em um comparativo. Os principais fundamentos observados respondem principalmente a questões demográficas e hospitalares. É importante saber, por exemplo, qual a porcentagem de idosos com idade acima de 65 anos em cada país, visto que idosos são mais propensos a

Fonte: ABIMO

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adquirir produtos de tecnologias assistivas. Além disso, observou a quantidade de leitos hospitalares, o número de médicos, o número de deficientes e os gastos totais com saúde em cada uma das nações-alvo. Com isso, entre tantos apontamentos interessantes, destaque para o mercado mexicano de aparelhos ortopédicos, auditivos e de próteses articulares, para o mercado de camas de uso clínico da Arábia Saudita e, para o mercado de aparelhos ortopédicos da Turquia que, juntos, representam os cinco maiores mercados estrangeiros de tecnologias assistivas tendo gerado movimentos de mais de US$ 650 milhões em 2015. Estudar as características individuais de cada país, bem como as necessidades pontuais de sua população, é fundamental para que um plano de internacionalização seja bem traçado. Pensando nisso, a ABIMO investiu em benchmarking a fim de conhecer a atuação das associações ao redor do mundo. “A Alemanha, por exemplo, foca em grandes empresas já estabelecidas no mercado. Por lá, a atuação da ABIMO estará dedicada ao desenvolvimento de empresas que estão se formando. Já no Reino Unido, o trabalho é mais parecido com o que estamos habituados no Brasil, ou seja, com foco no incentivo a pequenas empresas que visam explorar o mercado internacional”, comenta Clara Porto.


De olho nesses mercados, o projeto lista algumas ações possíveis para o fomento da indústria nacional e destaca a importância de fortalecer o segmento de tecnologias assistivas no Brasil por meio de ampla orientação empresarial para envolvimento das pequenas e médias empresas e investimento na produção e inovação, sendo indispensável o apoio à criação de centros de pesquisa e a aproximação entre pesquisadores e empresários, evitando que indústria e academia envolvam-se em um sistema de concorrência, e não de parceria. A Jumper Equipamentos iniciou seus projetos de exportação entre 2015 e 2016 e hoje já tem vendas e negociações na Alemanha e nos EUA. “Com uma demanda grande como a do Brasil sendo atendida por produtos antigos, entramos no mercado de tecnologias assistivas focados em qualidade e inovação. Esse é o diferencial que tem impulsionado a empresa e tem nos destacado no cenário mundial”, afirma Kobylanski.

um stand institucional que apresentará algumas das principais soluções desenvolvidas pela indústria nacional para este mercado. Ao expor a produção brasileira para todos os visitantes do evento, a ABIMO aproxima os players da área, contribuindo positivamente com o setor.

Paralelamente a este estudo, a ABIMO criou um grupo de trabalho para debater os principais gargalos do segmento e já desenha algumas iniciativas. Em maio deste ano, por exemplo, durante a Feira HOSPITALAR, a associação terá apoio da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo e da Apex-Brasil na montagem de

Agora, com essa pesquisa trazendo um estudo ainda mais aprofundado sobre os mercados interno e externo, além de detalhar cada um dos setores de produtos, será ainda mais dinâmico fundamentar um plano de negócios capaz de indicar o caminho das pedras para que a produção nacional se destaque em um segmento que tende a crescer consideravelmente nos próximos anos.

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PING-PONG MEMORIAL

ABO: 100 ANOS DE DEDICAÇÃO E TRABALHO INTENSO EM PROL DA VALORIZAÇÃO DA ODONTOLOGIA BRASILEIRA A ABO (Associação Brasileira de Odontologia), entidade dedicada à defesa da classe odontológica e da saúde oral da população, comemora neste ano cem anos de dedicação, força e trabalho em prol da valorização do cirurgião-dentista e da saúde bucal dos brasileiros. Sua história tem origem em 1917, como FOB (Federação Odontológica Brasileira). Em 1949, a FOB passou a ser oficialmente denominada União Odontológica Brasileira e só em 1962 decidiu adotar Associação Brasileira de Odontologia como nome oficial. Independentemente da denominação ou da época, a capacitação e a evolução profissional sempre foram encaradas como prioridade. Representada nas 27 unidades federativas por meio de seções estaduais e em 294 municípios por suas regionais, a instituição atua com a missão de promover a odontologia nacional e internacionalmente. Na entrevista a seguir, o presidente da ABO nacional, Luiz Fernando Varrone, ressalta os preparativos da instituição visando às comemorações do centenário, assim como as conquistas até hoje, os anseios e as perspectivas de trabalho para os próximos anos.

ABIMO em Revista: Como a Associação está se preparando para comemorar os seus 100 anos de atuação?

Luiz Varrone: Estar à frente da ABO Nacional no ano em que ela completa seu centenário é uma honra tão grande quanto a própria entidade, e proporcional à responsabilidade que isso implica. Estamos nos preparando há bastante tempo, mesmo porque precisamos chegar aos 100 anos com uma instituição moderna, sustentável e, principalmente, pronta para atender aos anseios dos seus associados e lutar pela classe e pela odontologia. Para isso, estamos atuando em várias frentes. Uma delas é a administrativa, modernizando nossa gestão e nos reinventando. Criamos nossas mídias digitais e agora estamos completando-as com a criação das nossas contas no Instagram, no YouTube e no Twitter, além de lançarmos nossa já conhecida e respeitada revista, inteiramente digital, e transformarmos nosso site em um verdadeiro portal. Mesmo porque é inadmissível que não acompanhemos a evolução que vemos diariamente na Odontologia. Além disso, temos trabalhado na busca de novas parcerias, conseguindo novos benefícios para nossos associados e, em alguns casos, para toda a classe. Outra frente trabalhada é a atuação junto ao governo federal, incentivando os projetos de leis, além de apoiar e cobrar, dos nossos governantes, ações relacionadas à odontologia. Enfim, estamos nos preparando para comemorar 100 anos, fazendo o que devemos fazer, que é trabalhar pela odontologia. ABIMO em Revista: Haverá alguma ação especial? Conte quais serão as principais ações.

LV: Teremos, entre os dias 8 e 10 de junho, um congresso em homenagem ao nosso centenário, no Costão do Santinho, em Florianópolis. Nesse evento, teremos uma comemoração dupla, já que a Fola (Federação Odontológica Latino-Americana) também está completando seus 100 anos, e contaremos com a presença dos presidentes Varrone é graduado em Odontologia pela Universidade de Marília, especialista em Endodontia pela ABO-TO e mestre em Odontologia pela Universidade de Taubaté. Ocupa a presidência da ABO Nacional desde 2013.

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das entidades de 20 países que a compõem, durante a assembleia geral ordinária. Além disso, teremos uma grade científica recheada de profissionais reconhecidamente competentes, uma feira comercial com nossos grandes parceiros ao longo desses anos e, certamente, muita festa. ABIMO em Revista: Qual é a importância dos 100 anos de existência da Associação para o setor odontológico?

LV: A ABO é a maior rede de educação continuada em odontologia do mundo e isso não aconteceu de uma hora para outra – obviamente, uma entidade não chega a esse patamar sem contar com parceiros. Logo, podemos dizer sem sombra de dúvidas que quando comemoramos 100 anos não é só a associação que comemora, é toda a odontologia, incluindo empresas, docentes, dirigentes, membros de governos e, principalmente, seus sócios. Baseado nisso, acredito que hoje a Associação tem uma função, extremamente importante, de ser o elo entre o cirurgião-dentista e as empresas, bem como com a ciência.

ABIMO em Revista: Quantos profissionais de saúde bucal são membros da Associação atualmente? Quais são os benefícios concedidos a eles?

LV: Temos, em nossa rede, aproximadamente 90 mil associados, mas estamos trabalhando com o objetivo de criar mecanismos e condições para que esse número aumente significativamente nos próximos anos. ABIMO em Revista: A ABO tem vários programas e projetos direcionados à saúde bucal dos brasileiros. Há novos projetos em andamento? Poderia detalhar quais são os objetivos de cada um?

LV: Além do fato de termos, na maioria das nossas ABOs, o atendimento de uma grande massa desassistida da população de forma gratuita ou com baixo custo, também temos nossas atividades sociais bastante pontuais, realizadas em todo o território nacional, que fazem parte do programa “Um Sorriso do Tamanho do Brasil”. Todas as ações sociais realizadas ao longo do ano estão incluídas nesse programa e, além disso, na última Até hoje, quais foram as grandes conquistas da entidade em prol da odontologia? semana de outubro, temos uma grande ação, realizada simultaneamente, por todo o Brasil e, muito embora LV: Acho que uma das maiores conquistas que estamos só tenham acontecido duas edições, no ano passado tendo vem da nossa luta pela efetiva participação do tivemos a distribuição de 40 mil kits de higiene oral, cirurgião-dentista em ambiente hospitalar. Há alguns anos, além de atuação preventiva e curativa, com atividades tramita no Congresso Nacional a PL 2.776/2008, que torna paralelas e muita parceria e. Para este ano, queremos obrigatória nossa presença em todas as UTIs, mas temos aumentar muito esse alcance. visto que, além de precisarmos de algo mais amplo, também O objetivo maior disso tudo vai muito além do vemos morosidade nessa tramitação. assistencialismo. O que pretendemos, primeiramente, é Baseado nisso, enviamos uma correspondência, em 2015, fazer o bem ao próximo, bem como contagiar as pessoas para os Ministérios Públicos e as Defensorias Públicas ao nosso redor para que queiram também fazer o bem. de todos os estados, passando informações sobre a importância de estarmos presentes nos hospitais e falando ABIMO em Revista: O que o cirurgião-dentista sobre a RDC 07/2010, uma resolução da Anvisa que brasileiro pode esperar para os próximos anos de estabelece os padrões mínimos para o funcionamento das atuação da entidade? UTIs, incluindo aí o atendimento odontológico à beira do leito, e solicitando que nos ajudem para que esse direito do LV: Acredito que teremos, nos próximos anos, um grande cidadão seja cumprido. Enviamos outra correspondência fortalecimento da Rede ABO, e vejo isso com muito para todas as Secretarias de Estado da Saúde discorrendo entusiasmo porque sei que isso vai refletir diretamente sobre os direitos constitucionais da população citando, na forma como a classe é vista. Não basta sermos, especificamente, os artigos 196 a 200, que tratam do individualmente, respeitados em nosso bairro e nossa direito à saúde. Com essa atuação, estamos conseguindo, comunidade, precisamos levar isso para o coletivo paulatinamente, fazer os municípios e até alguns estados e só então conseguiremos nos posicionar junto aos aprovarem leis relativas a esse assunto e projetos de leis serem profissionais das demais áreas da saúde, assim como apresentados, ou seja, já que a lei não é aprovada na Câmara Federal, estamos incentivando que isso ocorra de forma diversa. junto aos governantes.

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FALANDO NISSO...

Inicio nesta edição da ABIMO em Revista uma coluna que nasceu com intuito de resgatar os assuntos abordados em cada edição anterior de nossa publicação e atualizá-los. Essa é uma forma de dar continuidade aos temas tratados e deixar cada vez mais claro o trabalho da entidade. Acompanhar as pautas que interessam ao nosso setor não é só uma boa prática, afinal; é um compromisso que assumimos com gosto porque sabemos da importância de estarmos atentos àquilo que nos compete. Assim, podemos retomar e observar de perto nossas reinvindicações, refletir um pouco mais sobre assuntos polêmicos ou superinovadores e de certa forma passar a limpo tudo o que acontece tanto no cenário da Odontologia e da Saúde brasileira quanto no cenário mundial, por meio das diversas feiras e eventos. Nossa matéria de capa da edição de dezembro trouxe um assunto que tem sido muito comentado: a indústria 4.0 e a conectividade da Saúde. Ainda que nesta edição falemos mais sobre isso de um novo ponto de vista, atualizo esse assunto falando a respeito do Grupo de Trabalho da ABIMO, criado em outubro de 2016, em uma reunião de diretoria, com o objetivo de melhorar o entendimento e a difusão desse tema. PAULO HENRIQUE FRACCARO é superintendente da ABIMO

A inovação é um processo contínuo em qualquer empresa, sobretudo em época de crise. Está cada vez mais evidente que o setor da saúde brasileiro espera por inovações que permitam oferecer melhorias ao nosso sistema e, consequentemente, propiciar maior acesso à população ao atendimento de qualidade. A empresa que não inova está fadada ao insucesso e, se continuar com esse pensamento, até a um possível fechamento. A inovação, repito, sempre deve fazer parte da cultura, do gene da empresa e da cabeça do empresário. Sob a coordenação de Donizetti Louro, já estamos preparando outros encontros para falar sobre esse assunto. Eles contarão com a presença de algumas empresas dos setores de tecnologia da informação, telecomunicações e empreendedorismo que estão em convergência com a saúde e a conectividade. Inicialmente foram convidadas instituições como Intel, Microsoft, Brasscom, IBM, Amazon, SBIS, ABCIS e GAESI-USP. Fique ligado (e eu não poderia usar outro termo) nas comunicações e nos convites da ABIMO. Seguindo em frente com a atualização dos assuntos da edição de dezembro, no ano passado comemoramos 15 anos de história da nossa entidade na maior feira de saúde do mundo, a MEDICA. Já no dia seguinte à feira – posso afirmar –, nossa equipe de marketing internacional e do projeto BHD está pensando na próxima edição desse que é um evento muito esperado por todos da nossa indústria, mesmo que o trabalho para as próximas feiras não pare, como você bem pôde ler na atual edição. Ainda falando em mercado internacional, já estamos no processo de preparar a renovação de nosso convênio com a Apex-Brasil, instrumento que nos permite apoiar as empresas brasileiras no esforço exportador. São 15 anos de ações coordenadas, e nossa expectativa é de mais trabalho para este próximo convênio. Espero vê-lo na próxima edição.

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Revista ABIMO 13ª edição  

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