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EDIÇÃO 12 l ANO 4 www.abimo.org.br

INDÚSTRIA 4.0 A saúde cada vez mais conectada BHD COMITÊ GESTOR

PING-PONG RETROSPECTIVA 2016

MERCADO-ALVO ÁFRICA


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SUMÁRIO

EXPEDIENTE A ABIMO em Revista é uma publicação da ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios), direcionada a associados, fornecedores, órgãos governamentais e profissionais da área. A reprodução total ou parcial deste conteúdo é expressamente proibida sem prévia autorização. A ABIMO não se responsabiliza pelas informações contidas nos anúncios, qualidade dos produtos anunciados e outros detalhes de eventuais negociações, sendo essas de responsabilidade exclusiva das empresas anunciantes. GESTÃO 2015-2019 ABIMO Presidente: Franco Pallamolla (Lifemed) Vice-Presidente: Walban Damasceno de Souza (Becton Dickinson) Diretor Tesoureiro: Luís Calistro Balestrassi (Neurotec) Conselheiros Titulares: Djalma Rodrigues (Fanem), Eliane Lustosa (Labtest), Kurt Kaninski (St Jude), Andre Ali Mere (Olidef), Caetano Biagi (Dabi Atlante), Giancarlo Schneider (Kavo do Brasil) Conselheiros Suplentes: Patricia Braile (Braile Biomédica), Marcelo Roberto de Menezes Dourado (Phlips), André Pacheco (Cremer), Patricia Bella Costa (Colgate), Oscar Porto (Medtronic), Jose Roberto Pengo (Biomecânica), Rodolfo Candia (Conexão), Adailton Becker (JJGC), José Ricardo (Ibramed) Conselheiros Fiscais: Regiane Marton (Heraeus), Augusto Olsen (Olsen), Gabriel de Figueiredo Robert (Silimed) Conselheiros Fiscais Suplentes: Valdevir Aquino (Auto Suture), Wiliam de Paula (Hospimetal), Roberto Queiroz (Angelus) SINAEMO Presidente: Ruy Salvari Baumer (Baumer) Secretário: Paulo Henrique Fraccaro (Implus) Tesoureiro: Tatiane Galindo (Ortosintese) Diretores Suplentes: Paulo Akio Takaoka (Medical Cirúrgica), Anselmo Quinelato (Schobell), Gilberto Nomelini (Gnatus) Conselheiros Fiscais: Jamir Dagir Junior (Dorja), Fabio Colhado Embacher (Emfils), William Pesinato (Fami), Conselheiros Fiscais Suplentes: Jose Tadeu Leme (Engimplan), Orlando de Carvalho (Carci)

20 Brasil comemora 15 anos na MEDICA

REDAÇÃO: Deborah Rezende, Ediane Tiago, Elaine Cristina Flávia D’Angelo, Marcela Marques Revisão: Carolina Machado

Mercados-Alvo: África

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32 Comitê Gestor

Capa - Indústria 4.0

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46 Manufatura Aditiva

Conselho Editorial: Knud Sorensen (in memoriam) Márcio Bosio (Diretor Institucional) Clara Porto (Gerente de Marketing e Exportação) Joffre Moraes (Gerente de Estratégia Regulatória) CONTEÚDO / EDIÇÃO DE TEXTOS E PRODUÇÃO: Jornalista Responsável: Deborah Rezende (MTB 46691) contato@dehlicom.com.br

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Odontologia Digital Artigo Franco Pallamolla Artigo Ruy Baumer Dia a dia BHD na Casa Brasil Ciosp Hospitalar

Ping-Pong: Franco Pallamolla

EDIÇÃO E ARTE: Cecil Rowlands Filho ILUSTRAÇÃO E INFOGRAFIA: Stephan Strojnowski PUBLICIDADE: Márcio Bertoni bertoni@abimo.org.br

ABIMO - Av. Paulista, 1.313 - 8º andar - sala 806 - 01311-923 - São Paulo - SP Tel.: 11. 3285.0155- www.abimo.org.br

04 05 06 26 44 58


Embora na edição de dezembro da ABIMO em Revista os nossos leitores poderão conferir a entrevista em que faço um balanço do trabalho da nossa entidade em 2016, gostaria de abordar neste meu editorial outros pontos relevantes. Uma vez definida a sucessão presidencial, muitas mudanças ocorreram no país e, ainda que tenhamos afirmado a existência da crise e com todas as dificuldades, sobrevivemos! Estou certo de vivermos o momento oportuno para despertar e inclinar o pensamento às ações geradoras de melhorias para o nosso segmento. Evidentemente foi um árduo desafio nos mantermos no atual patamar; contudo, acredito veementemente que esse cenário não será eterno e considero que as empresas que estão se mobilizando neste ano terão um 2017 melhor. Para 2018, vislumbramos o Brasil caminhando para a normalidade econômica e industrial.

FRANCO PALLAMOLLA é presidente da ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios)

Todas essas considerações, devidamente ponderadas, não me deixam dúvida de que as severas adversidades nos estimularam a explorar a inventividade para chegar ao sucesso, encontrando novas formas de sobrevivência. Somos um setor formado por empresas inovadoras e criativas, que colherão os frutos dessa nova organização econômica que está por vir. Lembro Paulinho da Viola, na sua composição Argumento, quando diz: ”Faça como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro, leva o barco devagar”. Navegamos ainda sob forte nevoeiro, sem saber ao certo quando ele se dissipará. Mas de uma coisa estamos certos: não durará eternamente. A prudência e equilíbrio recomendados para este momento, devem obrigatoriamente conviver com o olhar esperançoso para o futuro, pois só assim estaremos prontos a aproveitar as novas oportunidades reservadas para os tempos de calmaria. Aproveito este momento para me despedir desejando a todos nossos amigos, colaboradores e associados um Feliz Natal e um Novo Ano repleto de realizações.

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Vivemos um momento de transição, ações para redução de despesas, melhoria de gestão, economia fraca persistente, grande dependência do governo. Porém, acompanhamos na última eleição a importância que a Saúde alcançou na preocupação dos brasileiros e, em contrapartida, as propostas dos candidatos eleitos para projetos na área. Temos discutido intensamente a busca de modelos ideais para contribuirmos com a melhoria da saúde; nesse contexto, a inovação tem sido foco de programas, convênios e parcerias entre o setor. Já perdi a conta de quantos foram os eventos e as reuniões sobre saúde, inovação e competitividade das quais participei pelo Brasil. E fora do Brasil. Além disso, quantas outras ocorreram em várias partes. Ainda assim, continuamos caindo no ranking mundial da produtividade, da inovação e também da educação. Esses tristes dados foram divulgados pela imprensa não há muito tempo.

RUY BAUMER é presidente do SINAEMO (Sindicato da Indústria de Artigos e Equipamentos Odontológicos, Médicos e Hospitalares do Estado de São Paulo)

Viajando o mundo percebemos sempre uma total incorporação desses conceitos pelas empresas globais que, infelizmente não são assimilados tão bem no Brasil. É uma deficiência, uma dificuldade de assimilar a cultura de inovação e competitividade, tanto nas empresas pequenas e médias, que são a maioria no país, como também em nosso governo. Conversando com diversos especialistas que navegam nesse universo e conhecem não só os entraves como também as melhores práticas de inovação, percebo que para conseguirmos, em última instância, precisamos elevar o padrão do nosso país na capacidade de competir. Se quisermos trazer para este universo as empresas de todos os tamanhos como fazem os países mais competitivos e evitarmos morrer na praia, precisamos aproveitar a característica que o Brasil tem, apesar dos entraves, de ser um dos países mais empreendedores do mundo. Sabemos das dificuldades do país. No entanto, análises constantes e atualizações possíveis são imprescindíveis para manter nossa capacidade de operação. Com limitação orçamentária e crescimento lento, teremos de disputar com outras prioridades os recursos existentes no mercado. Acreditamos, porém, que com essas condições o setor da saúde será marcado por grande aumento da demanda e muita pressão nos custos. Nossa única saída é sermos muito inovadores e criativos para encontrarmos soluções em um ambiente que penaliza, complica e dificulta nossa competitividade. Grandes oportunidades, tanto para fornecedores do sistema quanto para melhoria do atendimento, surgirão. Nesse cenário, é nosso papel criar ações intersetoriais conjuntas para atender a essas condições de mercado.

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DIA A DIA

AGOSTO

CIMES 2016 ABORDA INOVAÇÃO E COMPETITIVIDADE

Com o objetivo de discutir sobre a efetividade das políticas públicas da saúde e propor melhorias e novos caminhos para elevar a competitividade dos produtos nacionais, a ABIMO promoveu nos dias 18 e 19 de agosto o CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para a Saúde), evento anual que está em sua quinta edição e recebe grandes nomes nacionais e internacionais da indústria, academia e governo, para dois dias de debates sobre a importância da inovação em dispositivos médicos e odontológicos. Veja os melhores momentos:

PLENÁRIA INTERNACIONAL A agenda do 5º CIMES deu abertura ao debate sobre os melhores caminhos para a inovação no setor. Com a plenária “Experiência internacional de inovação e competitividade”, moderada pelo superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro, os participantes foram impactados com cases de sucesso e as melhores estratégias para inovar.

TELESSAÚDE – MELHOR QUALIDADE DE VIDA AOS PACIENTES E REDUÇÃO DE CUSTOS AO SISTEMA

Moderado por Paulo Pialarissi, médico otorrinolaringologista e pesquisador do programa de medicina, tecnologia e intervenção em cardiologia do Instituto Dante Pazanese de Cardiologia, o debate contou com a apresentação de três grandes nomes do segmento: Julius Ladeira, da ITMS; Aldenor Falcão Martins, da SigNove; e Elton Chaves, do Conasems.

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AVALIAÇÃO DA GESTÃO ESTRATÉGICA Em formato de talk show, especialistas discutiram sobre como fazer um planejamento de pesquisa, baseado no desenvolvimento adequado da inovação, e como fazer a gestão estratégica da inovação dentro de uma empresa do setor da saúde. O conhecimento e a prática de técnicas e ferramentas de gerenciamento de projetos de inovação são imprescindíveis.


NOVO MERCADO DA ODONTOLOGIA HOSPITALAR Mesa de debate foi moderada por Adriano Albano Forghieri, presidente da APCD (Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas), com a participação de Keller de Martini, cirurgião-dentista, especializado em odontologia em UTIs hospitalares e presidente da Câmara Técnica de Odontologia Hospitalar do Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo) e Denise Caluta Abranches, cirurgiã-dentista e docente da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e especialista em Odontologia Hospitalar.

INDÚSTRIA E CENTROS DE PESQUISA SE UNEM PARA TRANSFORMAR IDEIAS EM NEGÓCIOS

PAINEL MÉDICO-HOSPITALAR

Vinte e quatro empresas e quinze centros de pesquisas participaram de uma Rodada de Inovação Tecnológica com o objetivo de reunir projetos compatíveis para parcerias em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias na área da saúde.

Talk show apresentou cinco cases de sucesso da indústria médico-hospitalar, premiados no Inova Saúde 2016.

ODONTOLOGIA DIGITAL COMO OPORTUNIDADE PARA INOVAÇÃO O primeiro painel apresentado na 5ª edição do CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde), na manhã do dia 19 de agosto, tratou das oportunidades para inovação no mercado brasileiro por meio da odontologia digital. 7


DIA A DIA

PELA PRIMEIRA VEZ, TECNOLOGIAS ASSISTIVAS NA AGENDA DO CIMES O segundo dia do 5º CIMES começou tratando de um assunto inédito nas discussões do congresso: as tecnologias assistivas. O Painel foi moderado pelo diretor do Centro de Inovação Tecnológica em Saúde do Parque Tecnológico de São José dos Campos, Renato Zângaro. Para a gerente de marketing e exportação da ABIMO, Clara Porto, o debate sobre tecnologias assistivas foi muito importante. Ao final das apresentações, ela falou das ações que a ABIMO tem feito em prol do setor, ao firmar parceria com a Apex-Brasil para pôr em prática um plano de negócios que indicará potenciais mercados no exterior.

A INOVAÇÃO QUE O BRASIL JÁ REALIZA Painel de odontologia que destacou as inovações que o Brasil já realiza por meio da apresentação de cases de sucesso da indústria odontológica.

PALESTRA SOBRE FONTES E MODELOS DE INVESTIMENTOS Sessão apresentou diferentes opções para o setor de saúde, que trabalha a vertente da inovação e busca o desenvolvimento contínuo.

Veja a cobertura completa em: http://migre.me/vCfHS

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INDÚSTRIAS BRASILEIRAS E NORTE-AMERICANAS DO SETOR SE UNEM PARA TROCAR EXPERIÊNCIAS A ABIMO e a Biomedical Engineering Alliance & Consortium (Beacon), do estado norte-americano de Connecticut, firmaram um acordo de cooperação bilateral para incentivar a troca de experiências e o desenvolvimento entre as regiões. O documento final do tratado foi assinado durante a FIME (Florida International Medical Equipment Trade), mais importante evento voltado ao setor médico-hospitalar dos Estados Unidos, que aconteceu em Miami, entre 2 e 4 de agosto. A primeira ação concreta, resultante da aproximação entre as duas instituições, aconteceu em 30 de julho, por meio de uma missão empresarial. A comitiva participou de uma intensa agenda de encontros de negócios, debates e visitas técnicas em Hartford, Connecticut. “A missão foi muito proveitosa, pois demos o primeiro passo para aproximação com Connecticut e com certeza daremos continuidade por meio de outras ações e projetos”, afirmou a gerente de marketing e exportação da ABIMO, Clara Porto, que ainda acrescentou: “A ideia é que nós possamos aproveitar essa parceria justamente para o desenvolvimento de produtos, pesquisa, inovação e até mesmo, as próprias oportunidades para instalação de empresas em Connecticut, ações que resultarão no posicionamento das companhias brasileiras nos EUA”.

ABIMO PARTICIPOU DE DEBATE SOBRE PDPs NO COMPLEXO INDUSTRIAL DA SAÚDE A Alfob (Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil) realizou em 1º de agosto o Encontro Nacional do Complexo Industrial e Inovação em Saúde, que teve como objetivo delinear estratégias com diferentes parceiros para impulsionar o Complexo Industrial da Saúde. Na ocasião, o diretor institucional da ABIMO, Márcio Bósio, esteve presente falando sobre a necessidade de aprimorar a ferramenta das PDPs (Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo) como estratégia fundamental para promoção da inovação no setor da saúde. Durante o seu discurso, Bósio ressaltou que a saúde é um indutor do desenvolvimento, que rapidamente incorpora tecnologias. “É importante entender a saúde como

um setor inovador”, declarou. Segundo o diretor, para avançar é preciso fortalecer a governança do Complexo Industrial da Saúde, criar uma política industrial, mecanismos para uso do poder de compras do estado e fomentar a inovação setorial.

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DIA A DIA

MS QUER AMPLIAR A CAPACIDADE DE FABRICAÇÃO DE DISPOSITIVOS MÉDICOS Mais de 400 empresários, representantes de entidades e de órgãos públicos estiveram presentes. Em sua exposição, o ministro da Saúde citou entre as metas a interligação pela informatização de todas as esferas de gestão do SUS (federal, estadual e municipal), intensificação da participação de brasileiros no programa Mais Médicos, modernização da atual forma protocolar de atendimento, incorporação de novas tecnologias sem aumentar os custos assistenciais, qualificação permanente para profissionais da saúde e o fortalecimento das ações de prevenção de doenças e promoção da saúde, a fim de evitar ou combater sedentarismo, obesidade e enfermidades. Franco Pallamolla, presidente da ABIMO, e Sobre o setor de equipamentos médicos, o ministro Ruy Baumer, presidente do SINAEMO e coordenador comentou a respeito das PPPs (Parcerias Públicotitular do BioBrasil / ComSaúde participaram em Privadas), afirmando que vai ampliar a capacidade 8 de agosto de um debate promovido pelo Lide de fabricação de dispositivos médicos, levando-os às (Grupo de Líderes Empresariais), em São Paulo, regiões que mais necessitam com a presença do ministro da Saúde, Ricardo Barros. desses aparelhos.

ABIMO E BIOBRASIL FIRMAM PARCERIA COM O HC

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), através do seu departamento BioBrasil – Comitê da Bioindústria, juntamente com ABIMO, Fundação Zerbini, Fundação Faculdade de Medicina e Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, assinaram, na manhã do dia 17 de agosto, um contrato de cooperação com o objetivo de unir esforços para o desenvolvimento do projeto “Coalisão pela Inovação na Saúde”. 10

A iniciativa visa fomentar a inovação e o desenvolvimento de iniciativas de curto e médio prazo que possam apresentar projetos que irão gerar valor à cadeia produtiva, criativa e de conhecimento. A ação busca viabilizar ideias inovadoras ocorridas dentro da academia e transformá-las em produtos comerciáveis, por meio da ABIMO e da Fiesp, fazendo parceria com a indústria. “Faz parte do nosso projeto incentivar institutos de pesquisa, universidades, hospitais, usuários e a indústria instalada no Brasil para acelerar a inovação de produtos”, ressaltou Ruy Baumer, presidente do SINAEMO e coordenador titular do BioBrasil/ ComSaúde, que acrescentou: “Acreditamos que as entidades educacionais e de pesquisa, usuários e professores têm o compromisso de compartilhar os seus conhecimentos dentro do setor para melhorar produtos, serviços, sistemas e processos que existem no Brasil”.

Veja a cobertura completa em: http://migre.me/vCaDZ


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MISSÃO DO BHD PROMOVE NOVOS NEGÓCIOS NO PERU, COLÔMBIA E COSTA RICA O Brazilian Health Devices promoveu uma missão comercial em Lima, Bogotá e San José entre os dias 24 de agosto e 2 de setembro. As empresas associadas tiveram a oportunidade de participar de rodadas de negócios e reuniões estratégicas para o desenvolvimento dos mercados. O Peru foi escolhido em função de análises da equipe de Estratégia de Mercado da Apex-Brasil, nas quais se constatou que o país segue como importante parceiro comercial do Brasil e possui oportunidades de negócios para as empresas brasileiras em diversos setores produtivos da economia. Em preparação para a viagem, os empresários se reuniram com um matchmaker, contratado pela ABIMO. Já a Colômbia está entre as três maiores economias sul-americanas e é um importante destino para investimentos brasileiros. Durante a missão, a ABIMO participou de encontros com alguns órgãos do governo

como o Ministério da Saúde, a Invima (Instituto Nacional de Vigilância de Medicamentos e Alimentos), e outras associações de forte atuação do setor no país. Essa foi a primeira vez que o Brazilian Health Devices atuou na América Central. A ida à Costa Rica foi um passo importantíssimo para o projeto, pois a América Central possui forte influência dos Estados Unidos e as empresas associadas têm condições de oferecer produtos com boa relação custo-benefício, o que pode proporcionar rentabilidade aos mercados dessa região.

ABIMO DISCUTE AGENDA REGULATÓRIA COM A ANVISA

Em 24 de agosto, o superintendente Paulo Henrique Fraccaro e o diretor institucional Márcio Bósio representaram a ABIMO no encontro que apresentou propostas para a Agenda Regulatória do biênio 2017/2018. A Agenda é o instrumento que define o conjunto de temas prioritários a serem discutidos e submetidos à ação regulatória da Anvisa no período. O presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, ouviu ainda as reivindicações dos representantes e recebeu sugestões. “As solicitações colocadas por todos eram bem parecidas com as da ABIMO.

Sugerimos a criação de uma agenda com todas as demandas para que fossem cumpridas”, disse o superintendente da Associação. A falta de mais funcionários nos portos também foi um fator de discussão na reunião. “Estamos trabalhando para resolver esse problema, isso é nossa prioridade no planejamento estratégico. Não vamos contratar mais pessoas, mas iremos remanejá-las. Estamos fazendo um benchmarking com algumas iniciativas para oferecer alternativas”, destacou Jarbas Barbosa, presidente da Anvisa. Sobre como levar discussões aos secretários municipais, relacionadas à regulamentação das assistências técnicas dos produtos para saúde, Fraccaro citou a assinatura do Protocolo de Cooperação Técnica e Operacional entre a ABIMO e o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), com o intuito de estabelecer um acordo de cooperação técnico-científica para a realização de estudos e desenvolvimento de pesquisas na área da saúde, com capacitação em inovação e tecnologia, foco em análise de mercado, demanda, riscos, logística e apoio ao cuidado em saúde.

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DIA A DIA

SETEMBRO

ABIMO PARTICIPOU DE OFICINA SOBRE PRODUTOS PARA A SAÚDE NO CONTEXTO DAS PDPs No dia 16 de setembro, ocorreu uma oficina sobre compras governamentais e transferência de tecnologia, evento organizado pela ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), DECIIS/SCTCIE/MS (Departamento do Complexo Industrial da Saúde da Secretaria de Ciências, Tecnologias e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde) e ABIMO. A oficina objetivou discutir os processos de aquisição e logística no âmbito das PDPs de equipamentos e produtos para a saúde, assim como disseminar informações sobre a realização de off-set, transferência de tecnologia e encomenda tecnológica. Participaram do evento representantes da Secretaria de Atenção à Saúde, responsável por identificar a demanda de produtos para saúde no ministério, e a Secretaria Executiva, responsável por efetivar as negociações de preços e realização de contratos de aquisição destes produtos, além de todos os laboratórios públicos e as respectivas empresas parceiras envolvidas nas PDPs atualmente vigentes. Veja a cobertura completa em: http://migre.me/vpLJN

ABIMO ESTEVE PRESENTE EM SEMINÁRIO SOBRE O DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIAS EM SAÚDE No dia 20 de setembro, o diretor institucional da ABIMO, Márcio Bósio, participou do seminário “Da ideia ao mercado”, evento realizado pelo Laboratório de Engenharia Biomédica, cujo tema principal foi a “Inter-relação do desenvolvimento de tecnologias em saúde e o Processo de Licenciamento Tecnológico”. O seminário contou com a parceria do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da UNB (Universidade de Brasília). Durante o seu discurso, Bósio destacou a importância e a necessidade da indústria e das universidades se aproximarem, pois, caso contrário, muitos projetos importantes desenvolvidos pelas universidades continuarão invisíveis ao mercado. “Também sugeri que os projetos de desenvolvimento contenham a previsão de recursos para as etapas de certificação e preparação da documentação para o efetivo registro na Anvisa”, pontuou o diretor institucional. O evento contou ainda com a participação do dr. Rodrigo Gomes Marques Silvestre, diretor do 12

DECIIS, vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde; Fotini Santos Toscas, consultora técnica do Ministério da Saúde; Marco Aurélio de Carvalho Nascimento, coordenador substituto do CGEMS (Coordenação Geral de Equipamentos e Materiais de Uso em Saúde-MS); prof. Adson da Rocha, coordenador dos Projetos Sofia e Vera, entre outros convidados.


BHD EXPÕE EM FEIRA DE TA NA ALEMANHA Com o propósito de fomentar as exportações brasileiras de produtos voltados para tecnologias assistivas (TA) e reabilitação, empresas associadas à ABIMO estiveram na Alemanha, entre os dias 28 de setembro e 1o de outubro, para participação na Rehacare, feira mais importante da Europa no setor de reabilitação. O evento aconteceu em Düsseldorf e é a plataforma ideal para qualquer pessoa com necessidades de cuidados ou doenças crônicas, bem como para os idosos, pois proporciona troca de experiências e uma ampla variedade de atividades. A diversidade de temas, tais como prevenção, mobilidade, inclusão, turismo, esportes, oportunidades de carreira e muito mais estarão à disposição dos participantes, pesquisadores, bem

EMPRESAS BRASILEIRAS PARTICIPAM DA MAIOR FEIRA ODONTOLÓGICA DA RÚSSIA

Empresas associadas à ABIMO estiveram presentes em Moscou, entre os dias 26 e 29 de setembro, para participação na Dental Expo, principal feira de produtos odontológicos da Rússia. O evento, que acontece anualmente no International Exhibition Centre Crocus Expo, é focado na apresentação de produtos e inovações na área odontológica. Nesta terceira participação da comitiva brasileira, seis empresas estiveram presentes. O mercado russo é de interesse das indústrias nacionais por ser extremamente dependente de importações.

como os mais de 900 expositores e especialistas de todo o mundo. Durante o evento, alguns para-atletas fizeram demonstrações de produtos brasileiros, e no dia 30 de setembro, houve um Happy Hour no pavilhão para promover networking entre os visitantes da feira e os fabricantes do Brasil.

FDI ACONTECE EM POZNAN, NA POLÔNIA. Entre os dias 7 e 10 de setembro, o Brasil participou do Congresso Mundial de Odontologia da FDI (Federação Dentária Internacional), principal congresso odontológico do mundo que aconteceu na cidade de Poznan (Polônia), um dos mercados prioritários do BHD. A FDI já aconteceu na Índia, Turquia, China, México, Brasil, Singapura e Tailândia. A Polônia foi sede do evento pela primeira vez. Especialistas e empresários de vários países marcaram presença para acompanhar os principais lançamentos e inovações na área odontológica, bem como participam de debates sobre os aspectos da política global nos tratamentos odontológicos.

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DIA A DIA

OUTUBRO

ABIMO ESTEVE PRESENTE NA REUNIÃO DO GECIS EM BRASÍLIA O Ministério da Saúde garantiu investimentos de R$ 6,4 bilhões para incentivar a produção nacional de medicamentos, insumos e tecnologias em saúde que gerarão emprego, renda e benefícios aos brasileiros. O anúncio foi feito no dia 19 de outubro pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante a 11ª reunião do Gecis (Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde) e faz parte da nova Política de Plataformas Inteligentes de Tecnologia em Saúde. A aplicação desse recurso permite a geração de mais de 7.400 vagas de empregos qualificados; além de envolver cerca de 450 doutores especializados em pesquisas para auxiliar o desenvolvimento de medicamentos e produtos para a saúde.

Na ocasião, Franco Pallamolla e Márcio Bósio, respectivamente o presidente e o diretor institucional da ABIMO, estiveram presentes. Durante o encontro, foram apresentados ainda os resultados e os impactos das Parcerias de Desenvolvimento Produtivo, além do anúncio de contratos com instituições de pesquisas. “A boa notícia é que o nosso setor de produtos para saúde foi incluído no Programa Brasil Mais Produtivo, o que representa um grande avanço para o segmento”, pontuou Bósio. O programa é uma resposta para a baixa produtividade da indústria brasileira. Visa atender a 3 mil empresas industriais de pequeno e médio porte em todo o Brasil, com objetivo de aumentar em pelo menos 20% a produtividade no setor da aplicação de ferramentas para pequenas e médias indústrias participantes. O conceito baseia-se na redução dos sete tipos de desperdícios (superprodução, tempo de espera, transporte, excesso de processamento, inventário, movimento e defeitos). 14

Durante a reunião, a ABIMO entregou ao Ministério da Saúde uma proposta de estruturação e criação de centralização de compras públicas das PDPs e encomendas tecnológicas do setor de produtos para saúde. “Entendemos que estamos diante de uma oportunidade única de dar sustentabilidade ao nosso SUS, uma vez que a ferramenta combina autonomia e aumento da densidade tecnológica e o fortalecimento do setor através do uso do poder de compras; por outro lado, permite a redução de custos e a possibilidade de ampliação do sistema”, ressaltou Franco Pallamolla.

O Gecis, coordenado pelo Ministério da Saúde, promove medidas e ações visando à criação e implementação do marco regulatório brasileiro, referente à estratégia de desenvolvimento do governo federal para a área da saúde, segundo as diretrizes das políticas nacionais de fortalecimento do complexo produtivo e de inovação em saúde, bem como propor outras medidas complementares.

A S


ABIMO PARTICIPOU DO SEMINÁRIO BRASIL – JAPÃO SOBRE REGULAÇÃO DE PRODUTOS MÉDICOS A ABIMO, representada pelo gerente de estratégia regulatória Joffre Moraes, participou do III Seminário Brasil – Japão sobre Regulações de Produtos Farmacêuticos e Dispositivos Médicos. Além da participação da ABIMO, o evento, que aconteceu em 4 de outubro, contou com o apoio de instituições públicas brasileiras e japonesas para abordar temas como a melhoria na eficiência da revisão de medicamentos e a certificação de qualidade de produtos para a saúde. O seminário foi realizado em parceria entre instituições dos dois países, do lado brasileiro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e do lado japonês, o MHLW (Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão); a PMDA (Agência de Produtos Farmacêuticos e Equipamentos Médicos do Japão) e a Jetro (Japan External Trade Organization).

ABIMO SE REÚNE COM LÍDERES DA ÁREA ODONTOLÓGICA Alguns dos líderes da odontologia, juntamente com Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO, se reuniram na manhã do dia 26 de outubro, em sua sede, no prédio da Fiesp, para discutir as perspectivas do setor. Na ocasião, estiveram presentes: Keller de Martini do Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo); Marcelo Marucci da ABO (Associação Brasileira de Odontologia); Denise Abranches do Crosp; Patrícia Lima Ferraz da CNSB (Coordenação Nacional de Saúde Bucal); Wilson Chediek do Crosp; Dr. Silvio Jorge Cecchetto da ABCD (Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas); Adriano Albano Forghieri da APCD (Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas); Marcos Capez do CROSP/APCD; Pedro Antônio Fernandes da APCD e Priscilla Martins da Fiesp.

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DIA A DIA

CAMPANHA SORRIA PARA VIDA PROMOVE AÇÕES NA AVENIDA PAULISTA A campanha Sorria para Vida, que promove ações de prevenção e diagnóstico precoce do câncer bucal, teve uma edição especial no dia 25 de outubro, em comemoração ao Dia Nacional do Dentista. Na ocasião, profissionais voluntários atenderam gratuitamente a população em consultórios móveis instalados sob a marquise da Fiesp, na Avenida Paulista. Realizada pela ABCD (Associação Brasileira dos Cirurgiões-Dentistas), com o apoio do Crosp, a campanha está em sua terceira edição e neste ano já atendeu 5 mil pessoas. Em 2015 a campanha totalizou 4.890 atendimentos e identificou 390 casos suspeitos que receberam o devido encaminhamento. Vinte cidades de todo o país participaram da iniciativa que tem o intuito de prevenir uma das doenças mais comuns no Brasil, o câncer da cavidade oral. De acordo com estimativas do Inca (Instituto Nacional do Câncer), 15 mil novos casos surgem a cada ano e 5 mil pessoas chegam a óbito, neste mesmo período. A incidência é maior entre os homens.

WORKSHOP ABORDA FORMAS DE FINANCIAMENTOS PARA INDÚSTRIAS DA SAÚDE Na manhã do dia 27 de outubro, a ABIMO recebeu representantes de bancos e agências de fomento na sede da Fiesp, com o intuito de atualizar as empresas participantes a respeito das possibilidades de financiamento em cada uma das fases de um produto. O evento contou com a participação de João Paulo Pieroni, gerente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social); Jorge Almeida Guimarães, diretorpresidente da EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial); Mauro Patrocínio Faria de Miranda, gerente de negócios e operações da Desenvolve SP (Agência de Desenvolvimento Paulista); e Igor Ferreira Bueno, superintendente da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). Veja a cobertura completa em: http://migre.me/vpLu9

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ABIMO E FIESP RECEBEM SENADORA ANA AMÉLIA Ruy Baumer, coordenador do BioBrasil na Fiesp e presidente do SINAEMO, e Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO, receberam no dia 21 de outubro a senadora Ana Amélia, na sede da entidade, em São Paulo, para um encontro que tratou da conjuntura político-econômica do Brasil. Durante o encontro, a senadora falou sobre a importância de estabelecer um teto de gastos no setor público, o que, segundo ela, permitirá o combate à corrupção e investimentos com mais qualidade. Francisco Balestrin, presidente do Conselho de Administração da Anahp; Giovanni Guido Cerri, presidente do Instituto de Radiologia da HCFMUSP; Márcio Bósio, diretor institucional da ABIMO; e Marco Aurélio Ferreira, chefe de gabinete da senadora, também participaram do encontro.

WORKSHOP DEBATE CAMINHO SEM VOLTA DA INOVAÇÃO NA SAÚDE Todos os participantes do Workshop Indústria 4.0, evento realizado dia 27 de outubro, pela ABIMO e pela USP (Universidade de São Paulo), foram categóricos em dizer que a medicina está recomeçando pelo acesso às novas tecnologias na área da saúde e que o Brasil está inserido nesse processo irreversível, ainda que de maneira incipiente. O evento, em São Paulo, recebeu Rodrigo Silvestre, diretor do DECIIS/SCTIE/MS. Leia a cobertura completa em: http://migre.me/vBHEs

NOVEMBRO

ABIMO PRESENTE NO XXV CONGRESSO DA ORDEM DOS MÉDICOS DENTISTAS O superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro, esteve em Porto, Portugal, para participação no XXV Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas. O evento, que começou em 10 de novembro, é uma oportunidade para estar em contato com os maiores nomes da odontologia nacional e internacional, proporcionado por um programa científico multidisciplinar. Fraccaro representou a indústria odontológica brasileira juntamente com dentistas e representantes de várias nacionalidades. O evento é o local ideal para acompanhar as novidades do segmento e é considerado um centro de negócios por excelência. Além disso, o Congresso conta com uma importante exposição nacional de equipamentos odontológicos, na qual estão presentes marcas reconhecidas do setor.

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DIA A DIA

FRANCO PALLAMOLLA RECEBE HOMENAGEM NOS 50 ANOS DA FBH Na noite do dia 22 de novembro, o presidente da ABIMO, Franco Pallamolla, recebeu o troféu “Juntos Somos Mais Fortes” da FBH durante o Prêmio Synapsis FBH de Jornalismo no espaço Unique, em Brasília. A homenagem foi em reconhecimento pelas parcerias realizadas ao longo desses 50 anos, já que a FBH considera algumas personalidades que se dedicaram e contribuíram para o seu fortalecimento e a evolução do setor saúde no país. Veja a cobertura completa em: http://migre.me/vCggu

ABIMO PARTICIPA DO CONGRESSO NACIONAL DE HOSPITAIS PRIVADOS No dia 17 de novembro, a quarta edição do Conahp (Congresso Nacional de Hospitais Privados), evento promovido pela Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), levantou discussões sobre boas práticas na cadeia de suprimentos. A sessão plenária contou com a participação de Franco Pallamolla, presidente da ABIMO, que falou a respeito das principais preocupações que a cadeia de fornecedores tem com o mercado e as projeções do futuro desse segmento.

Veja a cobertura completa em: http://migre.me/vCgkA

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MINISTRO DA SAÚDE APRESENTA BALANÇO DE 2016 E AS PERSPECTIVAS PARA 2017

Na manhã do dia 4 de novembro, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, apresentou o balanço de seus primeiros 100 dias de governo juntamente às principais estratégias que serão adotadas para 2017. Além disso, respondeu aos questionamentos de todos os participantes, que trouxeram questões fundamentais às melhorias da saúde pública do país. Organizado pelo BioBrasil – Comitê da Bioindústria da Fiesp, o encontro contou com a presença da ABIMO, representada pelo presidente Franco Pallamolla e pelo superintendente Paulo Henrique Fraccaro. Apresentada durante a última reunião do Gecis, em Brasília (DF), a proposta de centralização de compras feita diretamente ao Ministério da Saúde pela ABIMO foi novamente mencionada. “Recebemos, da ABIMO, uma proposta que vamos estudar para analisar como poderíamos centralizar a compra de equipamentos, aparelhos, próteses e órteses de forma estratégica que nos permita criar assistência às pessoas, gerando economia em escala, que permite mais acesso”, disse o ministro durante sua apresentação.

Ainda sobre a proposta de centralização criada como uma das estratégias para contribuir com as melhorias do sistema, Barros mostrou-se aberto a negociar. “Entendo a questão dos equipamentos, de ter prioridades, estabelecer estratégias, fazer a PDP, desenvolver e depois não efetuar a compra. Precisamos construir a viabilidade para que o investimento feito tenha real possibilidade de retorno. As compras plurianuais estão na nossa visão para que esses investimentos sejam sustentados e amortizados e para dar, também, segurança a quem quer investir”, completou. Em seu discurso de abertura, Ruy Baumer, presidente do SINAEMO e coordenador titular do BioBrasil, comentou o atual panorama do setor da saúde no país: “Acreditamos que, com estas condições, o setor da saúde será marcado por grande aumento da demanda e muita pressão nos custos. Grandes oportunidades, tanto para fornecedores do sistema quanto para a melhoria do atendimento, surgirão”, afirmou.

Veja a cobertura completa em: http://migre.me/vsRV8

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MEDICA

BRASIL FAZ 15 ANOS DE HISTÓRIA NA MAIOR FEIRA DE SAÚDE DO MUNDO COMEÇANDO COM OITO EMPRESAS, PAVILHÃO BRASILEIRO ESTÁ SEIS VEZES MAIOR Foi no ano de 2002 que empresas brasileiras pisaram pela primeira vez no pavilhão oficial do Brasil na MEDICA, em Düsseldorf, na Alemanha, maior feira de saúde do mundo. Ainda que naquele ano não existisse a marca Brazilian Health Devices como hoje é conhecida, nascia ali a brilhante trajetória do projeto desenvolvido em parceria entre a ABIMO e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), que tem como missão fomentar as exportações da indústria brasileira de dispositivos médicos e odontológicos. Nessa época, o Brasil praticamente não exportava dispositivos médicos e importava quase tudo o que consumia em termos de equipamentos de ponta e produtos com alto grau de sofisticação.

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“A indústria de uma maneira geral ainda não estava tão preparada para a exportação, e apenas dava pequenos passos em direção ao mercado internacional, através de algumas empresas pioneiras”, relembra a gerente de marketing e

exportação da ABIMO, Clara Porto. “Há 15 anos levávamos pela primeira vez os associados para essa feira, o que com certeza foi um marco na trajetória de todas as empresas que foram conosco”, conta o presidente da ABIMO na época, Djalma Rodrigues, também à frente da Fanem. “Nossa primeira participação foi cheia de emoções, pois estávamos aterrissando no espantoso mundo da alta tecnologia”, relembra. Cinquenta empresas estiveram na Alemanha neste ano para essa edição especial focada no Brasil. Foram 39 empresas no pavilhão principal, que fica no Hall 17; quatro no Hall 3, de laboratórios; e outras quatro no Hall 4, de fisioterapia e ortopedia. Outras três empresas participaram com estandes próprios. Os resultados superaram as expectativas: foram quase 2 mil contatos feitos em quatro dias de evento, que resultaram em US$ 348 mil em negócios imediatos, com projeção para os próximos 12 meses de US$ 12 milhões. Clara Porto atribui o bom resultado


ao extenso trabalho de relações públicas e imagem, feitos desde o final da edição de 2015, ao longo do ano todo. “Trabalhamos incessantemente a imagem dos 15 anos do pavilhão brasileiro na MEDICA e isso nos ajudou muito na promoção comercial”, conta.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES Segundo Rodrigues, a primeira vez do Brasil na Alemanha foi um choque para todos, até mesmo para os visitantes, que desconheciam a capacidade do Brasil de produzir dispositivos médicos e inclusive, curiosamente, confundiam os produtos com aqueles provenientes de outros países, como México e Turquia. “Foi através dessa presença na feira, e organizado em um pavilhão nacional, que o Brasil pôde mostrar ao mundo que era, sim, uma opção de qualidade na área de dispositivos médicos. E tenho certeza que a vida de muitas dessas empresas mudou a partir dali”, diz o ex-presidente da ABIMO. Outra pessoa que pode contar com propriedade o que ocorreu há 15 anos é Waleska Santos, fundadora da Feira HOSPITALAR, maior evento de saúde da América Latina e terceiro do mundo: “Antes mesmo da primeira edição da HOSPITALAR, em 1994, já iniciamos nossa participação naquela que viria a ser a maior e mais importante feira do setor médicohospitalar do mundo”, conta a empresária. A Olidef Equipamentos Médicos e a JP Farma participam como expositoras da Feira MEDICA desde o início. “Como empresas exportadoras para mais de 50 países, consideramos a feira um momento especial para encontrarmos clientes atuais e futuros distribuidores”, conta o diretor das empresas, André Ali Mere Jr. “O projeto BHD, em parceria com a Apex-Brasil, deve ser saudado como um importante e imprescindível lançamento para o mercado externo.”

MEMÓRIAS De 2002 para cá, ano após ano, o pavilhão brasileiro coleciona novidades e bons resultados para o país. De oito empresas participantes no primeiro ano, que contabilizaram US$ 100 mil dólares em negócios, já na terceira participação o número de empresas expositoras era muito mais expressivo: 40 empresas. Em sua quinta participação, o pavilhão do Brasil viria a ocupar o lugar no qual permanece até hoje. O primeiro recorde de fechamento de negócios foi atingido em 2009, pelas já 50 empresas participantes, com mais de 3.500 contatos realizados, e US$ 19 milhões de expectativa de negócios. Ao completar 10 anos de participação na MEDICA, em 2011, o Brazilian Health Devices era lançado internacionalmente como a nova marca da indústria brasileira de dispositivos para saúde e comemorava aumento de 232% nas exportações brasileiras desde 2002. A primeira década foi marcada pelo lançamento da marca, hoje já consagrada, em um evento para autoridades brasileiras e estrangeiras, imprensa e clientes internacionais. Malu Sevieri, diretora da empresa brasileira que representa a Messe Düsseldorf (empresa promotora da MEDICA), conta que muita coisa mudou nos últimos 15 anos: “Primeiro o que é notável fisicamente é a mudança em qualidade e quantidade dos expositores. A cada feira que passa, o pavilhão Brasileiro conta com mais empresas aderindo ao projeto, e particularmente eu acho que nos últimos dois, três anos o layout dos estandes ficou muito mais bonito”, diz. Ela conta também que percebe uma participação mais madura dos expositores: “Eles vão muito bem preparados para se apresentar na feira, o que com certeza ajuda a ter um resultado positivo. 21


MEDICA

Nós brasileiros, culturalmente, temos a tendência a achar que a tecnologia estrangeira é melhor, e na Feira MEDICA fica nítido que fabricamos produtos de alta qualidade e somos muito competitivos”, diz. A importância e representatividade dos produtos brasileiros ficavam cada vez mais evidentes. Tanto que, em 2013, garantiram grande visibilidade na MEDICA com a maior participação do país desde que iniciou sua exposição internacional na feira. Além do pavilhão principal, pela primeira vez o Brasil foi representado por quatro empresas na área da feira exclusivamente dedicada a Laboratórios e Diagnóstico, no Hall 3. O objetivo, além de fortalecer a imagem do Brasil como fornecedor de produtos para laboratório, foi estabelecer negócios mais efetivos para as empresas deste setor, afinal, é neste pavilhão onde se encontram os principais players mundiais da cadeia de diagnóstico. Em 2014, o Brasil passou a ser representado também no hall dedicado a fisioterapia e ortopedia, o Hall 4. “Essa segmentação permitiu que nossas empresas estivessem lado a lado com seus principais concorrentes e com oportunidades iguais de encontrar compradores interessados especificamente em seus segmentos”, conta Clara. “A cada ano procuramos melhorar as estratégias e implantar ações inovadoras. Tem funcionado. Nossa trajetória na MEDICA é um orgulho para o Projeto Brazilian Health Devices e para a ABIMO”, finaliza.

EDIÇÃO 2016 Com o apoio da ABIMO, representantes da Fipase (Fundação Instituto Polo Avançado da Saúde), gestora do Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto, e de empresas do APL (Arranjo Produtivo Local) da Saúde; empresas ligadas à AGDI (Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento) e membros da Feira Hospitalar também fizeram parte da Comitiva. Membros da Apex-Brasil, do Ministério da Saúde e da Anvisa também estiveram no estande da ABIMO.

O aniversário de 15 anos do pavilhão brasileiro foi comemorado durante o já tradicional Brazilian Happy Hour, com comidas e bebidas típicas do Brasil para o público internacional, além de música brasileira ao vivo. A festa foi restrita aos convidados das companhias brasileiras, e cada empresa poderia convidar até dez dos seus compradores e parceiros. Ainda assim, mais de 500 pessoas, entre representantes de empresas, clientes, distribuidores e mídia internacional, estiveram presentes. A Apex-Brasil foi homenageada pela ABIMO pela contribuição e pelo incentivo ao Projeto Brazilian Health Devices. “Há 15 anos, a participação do Brazilian Health Devices na MEDICA foi o pontapé inicial em termos de ações concretas de promoção comercial internacional de uma longa parceria construída entre Apex-Brasil e ABIMO”, relembra o gestor do projeto dentro da Agência, Gabriel Isaacsson. Um trabalho conjunto que, segundo ele, até hoje envida esforços de ambas as partes em torno de um objetivo comum: fomentar a competitividade do complexo industrial brasileiro de dispositivos médicos e odontológicos através do posicionamento internacional do nosso país no mercado e da realização concreta de

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negócios, deixando como fruto uma extensa carteira de clientes e parceiros satisfeitos em fazer negócios com o Brasil. “Hoje, nosso país é reconhecido como parceiro importante globalmente, não apenas como um enorme mercado consumidor, mas também como fornecedor de health devices com excelente relação custo-benefício”, diz. “São muito importantes os resultados da continuidade e da evolução brasileiras neste evento que, sem dúvida, é o grande encontro anual da indústria do setor.” Outra figura homenageada foi o diretor da MEDICA em 2002, Manfred Kotschedoff, pela iniciativa de ter lançado oficialmente o pavilhão brasileiro no evento daquele ano e por ter apoiado o BHD desde a primeira participação. Joachim Schäfer, atual presidente, também foi homenageado pelo apoio à

EMPRESAS “Nós participamos da MEDICA para fortalecer o contato com parceiros que já temos de outras feiras e que hoje fazem parte dos nossos fornecedores, assim como viemos buscar novos mercados e explorar novos parceiros na Europa”, conta Mônica Guanabara, da Estek Tecnologia. O produto destacado durante o evento foi o Facebox, um moderno equipamento para padronização de fotos da face dotado de ótica especial que evita reflexos, deformações e permite fotografia UV colorida das fluorescências (porfirina, entre outras). Acompanhando a modernidade e tecnologia, o Facebox oferece adaptador para quase todos os smartphones, permitindo o uso de softwares livres. As exportações representam 10% do faturamento da empresa e, para 2017, a ESTEK pretende buscar novos mercados na União Europeia e continuar ampliando o comércio nos países árabes.“Nosso objetivo foi plenamente alcançado. Encontramos novas pessoas, firmamos parcerias e conseguimos fechar negócios com fornecedores de outros países. Neste ano tivemos muito êxito no nosso propósito”, comemora. Para Flávia Carvalho, gerente de exportação da HPBio, a participação na MEDICA foi importante para apresentação e introdução do Cateter de Monitorização de Pressão e temperatura Intracraniana no mercado europeu, que deve ocorrer em 2017, além da prospecção de novos clientes para países onde já atua e onde ainda não atua. “O cateter foi bem aceito, e os clientes gostaram bastante da tecnologia”, conta Flávia.

participação de empresas brasileiras no evento. “Acredito que esses 15 anos trouxeram maturidade internacional para os empresários brasileiros. Maturidade essa que fez com que as empresas tivessem seus produtos e padrões de qualidade em níveis internacionais, compromissos de entrega, principalmente considerando a capacidade instalada no Brasil hoje, já que é capaz de atender a mais de 95% das necessidades de um hospital”, comenta Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO.

Com o lançamento do monitor, a HpBio passará a fornecer solução completa para a Monitorização da PIC com microssensor, muito simples de utilizar, sem a necessidade de calibração pré-implante do cateter e zeramento do monitor. Para o próximo ano, a empresa espera maior expansão do mercado com a finalização de alguns registros em países com grande potencial de consumo como Indonésia, Egito, Argentina e Rússia. “Agora vamos focar no processo de certificação, mas a demanda está alta para o contrato de distribuição na Europa”, finaliza. 23


MEDICA

de bilirrubina com tecnologia 100% brasileira e a Incubadora de Transporte RWT-Plus com alta tecnologia embarcada. “A Olidef participa da Feira MEDICA há 15 anos e essa tem sido uma importante vitrine para empresas de todos os portes que atuam globalmente”, avalia André Ali Mere, presidente do Grupo JP. Segundo o executivo, além de reverter em vendas, a presença na feira serve para identificar potenciais distribuidores, se aproximar dos atuais distribuidores internacionais, atualizar dados sobre concorrência e mercado, além de ajudar na divulgação dos produtos e da marca da empresa.

Outra empresa que só depende da certificação CE para entrar no mercado é a Corcam Tecnologia, companhia que desenvolve soluções tecnológicas para monitorar a saúde humana, que esteve pela primeira vez da MEDICA. As expectativas eram grandes em função da feira ser realizada no Hemisfério Norte, com grande potencial de mercado para os produtos da família Nexcor, que conta com sistema de monitoramento autônomo e inteligente para acompanhamento da saúde do coração, capaz de detectar precocemente possíveis intercorrências cardíacas.

A Phoenix Luferco recentemente obteve a marcação CE para seu principal produto – a autoclave horizontal – e empregou muitos esforços para mostrá-lo aos clientes internacionais: “Sabemos das dificuldades políticas e econômicas enfrentadas pelos países europeus e pelos exportadores de petróleo, principalmente, mas estamos otimistas de que começamos a construir uma nova imagem nessa edição da MEDICA que vai trazer bons frutos em um futuro próximo”, diz Keila Vitola Druzian, representante da empresa.

Segundo o diretor Carlos Melo, a feira foi muito proveitosa: “Recebemos vários interessados, e destaco um distribuidor importante que está fazendo toda a troca de sua tecnologia de monitoramento”, diz. Melo ressalta também contatos com Sri Lanka e Índia, países carentes de tecnologias na área cardiológica.

O BRASIL NA MEDICA

O Grupo JP, formado pelas empresas JP Farmacêutica e Olidef, lançou no evento o primeiro medidor

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Primeira participação com 8 empresas, US$ 100 mil em negócios.

Cinco anos de participação na MEDICA. O pavilhão brasileiro passou a ocupar a localização atual.

Indústrias brasileiras participantes fecharam negócios na ordem de US$ 3 milhões durante a feira.

2002

2006

2010

2004

A participação passou a ser de 40 empresas brasileiras.

2009

Recorde de fechamento de negócios pelas 50 empresas participantes nesta primeira década de projeto BHD.


ESTANDES PRÓPRIOS

Outra empresa que considera 2016 um ano proveitoso e de expansão é a Neoortho. “A influência do dólar auxiliou a flexibilização de preços e condições comerciais, e com isso a Neoortho pôde ser mais atrativa aos mercados internacionais”, conta o gerente de vendas, Mayton Augusto Chacon. Com a participação da MEDICA, a expectativa é atrair mercados do leste Europeu e de países emergentes nos quais a Neoortho possa ser considerada como uma opção viável em relação ao custo-benefício.

A Magnamed, empresa brasileira voltada para o mercado de cuidados intensivos e especializada em ventilação pulmonar, marcou presença mais uma vez na feira. “Participar desta feira é muito importante, pois é a oportunidade de apresentar nosso portfólio para os principais compradores do mundo. Temos boas perspectivas de negócios”, ressalta Reginaldo Damião, gerente de Exportação da Magnamed. “Para nós é estratégico marcar presença na Feira MEDICA, pois se trata de uma vitrine mundial para o setor”, explica Persio Carleto de Almeida, supervisor de comércio exterior da Carci. Segundo o executivo, o compartilhamento de informações e a troca de experiências tem ajudado a empresa a ampliar seus horizontes desde a primeira participação. “Ao longo dos anos, fomos ganhando reconhecimento e aumentando nossa presença em outros países também”, destaca. Neste ano a companhia apresentou no evento diversas linhas, com destaque para os aparelhos de Eletroterapia e o CPM. “Estamos aprimorando nosso mix para oferecer ainda mais acurácia e eficácia”, completa Almeida. A expectativa da empresa é aproveitar o fluxo de formadores de opinião e agentes multiplicadores de todo o mundo, além de abrir novos mercados. “A MEDICA, por ser a mais importante do mundo, é a melhor vitrine que o empresário brasileiro pode ter para que seus produtos alcancem diferentes territórios”, finaliza Paulo Fraccaro, da ABIMO.

2011

Primeira edição do Brazilian Happy Hour no pavilhão brasileiro.

ABIMO promoveu o 1º Fórum de Discussão de Política Industrial e Regulação na Internacionalização.

Comemoração de 15 anos na MEDICA.

2012

2014

2016

A indústria da saúde comemora 10 anos de participação e lança sua marca internacional, a Brazilian Health Devices.

2013

O Brasil foi representado por 4 empresas na área da feira exclusivamente dedicada a Laboratórios e Diagnóstico.

2015 ABIMO participou de um Fórum promovido pela IVAM (Associação Internacional de Micro e Nanotecnologia).

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BHD AÇÕES

PROMOVE AÇÕES NA CASA BRASIL Em parceira com a Apex-Brasil, o Projeto Brazilian Health Devices aterrissou no Rio de Janeiro para uma temporada na Casa Brasil – espaço idealizado pelo governo federal para ser a vitrine do país durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 – com um showroom de produtos de tecnologias assistivas voltados à funcionalidade e ao bem-estar da pessoa com deficiência. Entre os dias 4 de agosto a 18 de setembro, estiveram em exposição no local os produtos mais inovadores da indústria nacional de equipamentos médicos ligados à tecnologia assistiva. Na inauguração, Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO, recebeu os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Ricardo Barros, da Saúde, assim como Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, e Roberto Jaguaribe, presidente da Apex-Brasil. A recepção ocorreu no espaço reservado à ABIMO, dedicado à demonstração de produtos de tecnologias assistivas voltados à funcionalidade e ao bem-estar da pessoa com deficiência. “Sem dúvida, esse é um bom momento para a Saúde brasileira”, apontou Fraccaro.

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Durante todo o dia 7 de setembro, data da abertura


Durante todo o dia 7 de setembro, data de abertura dos jogos paralímpicos, o BHD promoveu dois seminários no local: o primeiro com o tema “A Tecnologia Assistiva a favor da inclusão do esporte”, que contou com a participação de Elisandra Denise Benetti, da Ibramed; Pablo Moya e Carolina Kobylanski, ambos da Jumper Wheelchairs. No período da tarde, o seminário “O desenvolvimento das Tecnologias Assistivas para funcionalidade do indivíduo” trouxe o gerente de vendas da Freedom, Márcio Luis Weissheimer, e a fundadora e idealizadora da ONG Noisinho da Silva, Erika Foureaux. “Com a tecnologia da comunicação, cada vez mais as indústrias estarão se preparando para trazer produtos que possam atender com eficiência e de acordo com as expectativas dos usuários”, ressaltou o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro, que participou dos dois seminários. “Acredito que, com a liberdade da comunicação, a engenharia terá um grande desafio, pois os pacientes vão estar à procura de produtos cada vez mais inovadores e que atendam às suas necessidades, e não vejo limite para isso”, completou Fraccaro.

O gestor de projetos da Apex-Brasil, Gabriel Isaacsson, destacou o trabalho desenvolvido pela agência durante sua apresentação. “A Apex-Brasil trabalha fortemente o posicionamento da imagem do nosso país no exterior, e nada é mais positivo para o Brasil do que estar vinculado a um evento global como esse, que simboliza superação, resiliência e uma grande capacidade de vencer”, pontuou Isaacsson, que ainda complementou: “Quando nos foi dado o desafio de trabalhar o fomento ao comércio exterior da indústria brasileira de tecnologia assistiva, nos demos conta de que não teríamos como trabalhar a tecnologia assistiva como trabalhamos a maioria dos setores industriais brasileiros. Nos propusemos a trabalhar intersecções de tecnologias assistivas com os diferentes setores industriais cujas exportações já apoiamos e com isso, notamos potencial sinergia para início dos trabalhos com a ABIMO e o projeto Brazilian Health Devices”. Durante todo o dia, os atletas Pedro Henrique Amorim, praticante de WCMX, ou Wheelchair Motocross; Diego Coelho, praticante de crossfit e João Henrique (John), atleta de skate, estiveram no estande do BHD e fizeram demonstrações dos produtos.

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MERCADOS-ALVO

BERÇO DA HUMANIDADE, CONTINENTE AFRICANO DESPERTA INTERESSE DE EXPORTADORES BRASILEIROS

A África é o terceiro continente mais extenso (atrás da Ásia e da América): tem cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados, cobrindo 20,3% da área total da terra firme do planeta. É o segundo continente mais populoso da Terra (atrás da Ásia) com cerca de 1 bilhão de pessoas (estimativa de 2005), o que representa cerca de um sétimo da população mundial, em 54 países independentes.

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8% de crescimento anual do PIB do continente, poderá adicionar US$ 1,1 bilhão ao PIB africano até 2019. Estima-se para a economia africana um crescimento de 7,7% ao ano entre 2014 e 2019, cerca do dobro da taxa de economias avançadas. O Brasil é um país que tem forte influência da cultura africana e detém a produção dos principais produtos consumidos pela população da África. Porém, mesmo estando em ascensão econômica, a África ainda não é alvo das exportações brasileiras.

Ainda que seja o continente mais pobre do mundo, onde a continuidade dos conflitos armados, o avanço de epidemias e o agravamento da miséria põem em dificuldade o desenvolvimento, algumas nações africanas alcançaram relativa estabilidade política, como é o caso da África do Sul, que gera sozinha um quinto do PIB de toda a África.

O país tem participação inexpressiva no comércio exterior para esse continente, representando apenas 1,85% das exportações para aquela região, explica o especialista em Tratados de Livre Comércio da Área de Negócios de Comércio Exterior da Thomson Reuters, Marcos Piacitelli. Se formos considerar os países pertencentes ao BRICS, o Brasil é o quarto exportador, à frente apenas da Rússia.

Segundo informações da Thomson Reuters e da AfroChamber (Câmara de Comércio AfroBrasileira), o aumento do consumo pela classe média emergente africana, aliado a uma média de

Segundo Marcos Piacitelli, a principal barreira para o aumento das exportações é imagem distorcida que o brasileiro tem da região. “Por anos, a imagem que chegava para nós dos países


que aplicam considerável fatia de seu PIB para ampliar a infraestrutura de saúde. Ainda assim, o setor cresce de maneira sustentável há anos, com investimentos cada vez maiores dos governos. Segundo o relatório sobre financiamento da saúde na África intitulado “Financiamento Público da Saúde em África: desde Abuja até aos ODS”, desde 2001, a maioria dos governos africanos têm aumentado a proporção da despesa pública total atribuída à saúde. Outro ponto de atenção: até 2022, a maioria da população na África será coberta por algum tipo de plano de saúde, público ou privado. Isso está gerando demanda de produtos e de know-how. Vários países estão na fase de implantação de sistema universal de saúde, como Gana, onde 54% da população já têm cobertura.

MERCADO africanos era de que se tratava de um lugar de pobreza e assistencialismo”, explica. “No entanto, os países que formam o continente passaram por uma transformação que começou há pelo menos 30 anos e hoje se tornaram potências econômicas sólidas, que contemplam a formação de uma classe média com elevado nível de consumo e que contam com uma juventude empreendedora”, analisa. O especialista explica também que alguns países como Tunísia, Quênia e Nigéria, por exemplo, têm apresentado crescimento exponencial. “A Tunísia tem hoje uma economia moderna e uma jovem população altamente educada, que busca cada vez mais mudanças para elevar a economia daquele país. Já o Quênia se tornou o centro econômico do leste africano, assim como a Nigéria, que hoje tem o maior PIB do continente”, explica.

SAÚDE Os países africanos, em maior ou menor grau, enfrentam deficit de leitos e profissionais da saúde, de maneira que investimentos incessantes são necessários para reduzir essa carência. Além de programas internacionais de melhoria da qualidade de vida, diversos são os países

De janeiro a setembro de 2016, o Brasil exportou mais de US$ 7,2 milhões de dispositivos médicos, odontológicos e de laboratórios. O dígito já supera o mesmo período de 2015 e ultrapassa os 70% de todo o ano passado. “Este número indica o crescimento da presença brasileira no continente africano”, comenta a gerente de marketing e exportação da ABIMO, Clara Porto. O Brasil abriu em 2016 mercados em Suazilândia, Gabão, Benin, Seicheles, Burkina Faso, Mali, Comores, Mauritânia e Serra Leoa. Esse resultado significativo atribui-se ao fato das empresas estarem focando esforços conjuntos na região, participando de missões, feiras, licitações e fazendo expedições ao continente em busca de ampliação do mercado.

CASE DE SUCESSO A Fanem já é uma multinacional brasileira conhecida e exporta seus produtos para mais de 100 países, tendo cerca de 40% do seu faturamento proveniente das vendas ao exterior. Desde o ano passado, o continente africano representa importante parcela dos negócios da empresa e tem despontado cada vez mais como continente de boas oportunidades e potencial comercial. 29


MERCADOS-ALVO COMEX

A empresa venceu em 2015 uma licitação na Etiópia para fornecimento de 2.625 unidades, em um contrato de R$ 22 milhões. “Esta foi uma das maiores vendas da nossa história, coroando as celebrações de 90 anos da empresa”, ressalta Djalma Luiz Rodrigues, diretor executivo. Mais recentemente a empresa também fez vendas no Quênia, em nível nacional, de incubadoras para transporte, que foram entregues uma para cada constituinte que divide o país. “Desta forma, nossos produtos estão presentes em todo o território”, explica Fernando Jacinto, trader internacional da Fanem. O principal desafio da área, segundo Jacinto, é a identificação de parceiros adequados à linha de produtos da empresa, que requer a formação de assistência técnica local. “Para isso, os programas da Apex-Brasil e da ABIMO são os canais mais adequados”, diz. Reginaldo Damião, gerente de Exportação da Magnamed, acredita que os compradores da África muitas vezes valorizam o preço em detrimento da qualidade do produto. “Também é um entrave para conseguir crédito para as empresas africanas, o que dificulta as vendas”, diz. Já os médicos são formadores de opinião; segundo Damião, participam de congressos internacionais e muitas vezes se graduam em outros países. “Com este profissional, temos o desafio de apresentar uma marca nova, que eles não conhecem.”

BHD NA ÁFRICA África do Sul, Argélia, Marrocos, Egito e Quênia são top 5 no ranking de exportações das empresas do Brazilian Health Devices para a África. Incubadoras para bebês, aparelhos de eletrodiagnóstico e dispositivos respiratórios de reanimação estão entre os produtos mais exportados. “Somente as empresas associadas ao projeto de exportação venderam para 28 países africanos mais de US$ 3,3 milhões”, ressalta Clara, da ABIMO.

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África - Exportação (US$) de dispositivos médicos, odontológicos e de laboratórios País África do Sul Marrocos

Jan-Set 2015

Jan-Set 2016

1.813.356

1.984.852

391.640

1.181.703

Argélia

634.214

645.572

Costa do Marfim

22.791

308.756

Quênia

213.357

276.792

Gana

151.602

198.962

Senegal

28.172

80.801

Uganda

22.000

64.759

-

57.882

Guiné Equatorial

41.323

44.970

Zâmbia

1.099

22.745

Zimbábue

6.104

20.592

Suazilândia

Gabão

-

19.179

Guiné

134

18.131

Benin

-

12.360

Camarões

1.202

4.088

Seicheles

-

3.788

Burkina Faso

-

2.386

Burundi

-

2.193

Mali

-

1.115

Comores

-

574


Quase toda a exportação para o Quênia, por exemplo, é de empresas do projeto. “Esses resultados devem-se às participações nas principias feiras do mercado africano, além dos esforços individuais de muitas empresas que possuem a África como principal target”, ressalta a executiva da ABIMO. O Brazilian Health Devices participou em 2016 pela primeira vez do maior evento de equipamentos médicos do oeste da África. A Medic West Africa, em Lagos, na Nigéria, aconteceu entre os dias 12 e 14 de outubro e reuniu mais de 280 expositores, de 32 países.

2013

BC África Exportação (US$) de dispositivos médicos, odontológicos e de laboratórios

2014

2015

Exportação

18.102.509

18.856.587

21.450.061

Importação

4.496.032

4.209.907

4.189.440

13.606.477

14.646.680

17.260.621

BC

O pavilhão brasileiro teve a participação de sete empresas, e durante o evento foram feitos mais de 300 contatos, sendo 90% provenientes da Nigéria. “A nossa participação foi muito produtiva, pois pudemos apresentar a nossa produção para o sétimo maior país do mundo, que conta com mais de 180 milhões de habitantes. Nosso pavilhão foi o único representando um país como grupo, e os visitantes estavam curiosos para conhecer os produtos brasileiros, os quais têm grandes condições de suprir as necessidades do mercado”, destacou a coordenadora de promoção comercial da ABIMO, Laísa França. Este ano o Brasil já mandou ao país quase US$ 100 mil.

Exportação (US$) Empresas BHD - Jan-Set 2016

Marrocos - 518.061 Argélia - 551.351

Mais de US$ 80 mil somente das empresas do BHD. No segundo dia da feira, a comitiva brasileira recebeu a visita do ministro da Saúde da Nigéria, Isaac Adewole, no pavilhão. Anteriormente, em junho, 11 empresas associadas estiveram em Johanesburgo, África do Sul, para a quarta participação na Africa Health, principal evento da saúde da região da África Subsaariana. “A Africa Health oferece oportunidade para que os visitantes apreciem as recentes tecnologias em exposição”, explica Laísa França.

Egito - 337.647

Tunísia - 202.110

Nigéria - 82.127

Gana - 76.686 Quênia - 229.383

Tanzânia - 89.622 Angola - 119.790

África do Sul - 689.083

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COMITÊ GESTOR

DIREÇÃO BEM DEFINIDA

COMITÊ GESTOR FISCALIZA E TOMA DECISÕES PARA BOM ANDAMENTO DO BHD Ter um convênio como uma agência de fomento como a Apex-Brasil requer o cumprimento de uma série de exigências. Uma delas é a criação e manutenção de um Comitê Gestor, responsável pela governança do projeto.

Algumas regras são definidas internamente pelas entidades conveniadas. Na ABIMO, por exemplo, se uma empresa com cadeira no Comitê faltar em três reuniões consecutivas, esta será substituída por outra empresa.

“Os projetos setoriais têm uma estrutura de governança muito bem definida, sendo o Comitê Gestor sua instância maior”, explica o gestor do Projeto Setorial da ApexBrasil, Gabriel Isaacsson. “O Brazilian Health Devices não foge à regra, buscando uma composição muito representativa em termos de verticais produtivas, porte e maturidades exportadoras da indústria de health devices.”

No Brazilian Health Devices, a formação do grupo busca ainda representar os diferentes níveis de maturidade exportadora e os diferentes tamanhos das empresas, com relação a faturamento, e que representam os diferentes segmentos nos quais essas empresas atuam.

Desta forma, segundo ele, o projeto pode apoiar de forma mais equilibrada um número crescente de empresas, sem desviar-se do seu eixo estratégico. O Comitê Gestor tem como principal atribuição fiscalizar o andamento do projeto, se está tudo sendo feito conforme o planejado e também tomar as principais decisões referentes às ações que não tenham regras estabelecidas pela Apex-Brasil, mas que sejam regra de funcionamento que a entidade propõe, por exemplo. O Comitê atua também na fase de elaboração da renovação do projeto, e serve de fórum para validação dos aspectos mais importantes como o público-alvo, o objetivo geral, o foco estratégico, as premissas, os resultados e as ações do projeto. Formado por no máximo 12 pessoas, a composição do grupo deve envolver o gerente do projeto na entidade proponente, o gestor da Apex-Brasil e um grupo de empresários participantes do projeto. 32

“A ideia é que o Comitê Gestor seja um mix das empresas, representando desde aquelas que não sejam exportadoras, ou que sejam iniciantes, até aquelas mais internacionalizadas, que têm inclusive fábrica fora do Brasil”, explica a gerente do projeto na ABIMO, Clara Porto. “Temos, dessa forma, empresas do setor médico-hospitalar, de laboratórios, odontologia, tecnologias assistivas e implantes”, explica. É função do Comitê, ainda, tomar todas as decisões estratégicas do projeto, avaliar sua execução, propor possíveis correções, monitorar as condições e pensar estrategicamente o futuro do setor, no que se refere a um incremento da competitividade dos produtos e serviços brasileiros no mercado internacional. “A todo momento surgem fatos novos e as necessidades vão mudando. É preciso que o Comitê Gestor esteja atento a isso e atue sempre que necessário. Um bom exemplo é a administração do orçamento, que é fixo em reais, enquanto que as despesas são na maioria das vezes em dólar ou euro. Nos últimos meses,


com as taxas de câmbio desfavoráveis, isso foi um grande desafio”, conta Anselmo Quinelato, diretor geral da empresa que leva seu sobrenome e um dos integrantes do Comitê Gestor. Marcelo Toledo, da Olidef, concorda que as diretrizes discutidas são críticas para o desempenho de exportações das empresas. O grupo deve se reunir pelo menos uma vez a cada seis meses, de acordo com as regras da Apex-Brasil. “Aqui no nosso projeto, é prática que o Comitê se reúna a cada três meses, ou seja, quatro vezes por ano”, explica Clara. “A ideia é que o Comitê Gestor seja um canal em que as empresas possam nos procurar para que seus problemas sejam levados à mesa de discussão em busca de soluções”, ratifica a gerente da ABIMO. “Além de ser obrigatória por uma exigência do regulamento da agência, a existência do Comitê cumpre um papel importante de representar as empresas do projeto perante a Apex-Brasil. Este é um canal importante para que a gente continue levando cada vez mais pleitos das empresas de nosso setor para serem discutidos no Comitê, buscando sempre aumentar a competitividade das empresas no mercado internacional, agindo como um verdadeiro facilitador de negócios para nossos associados”, opina. Para William Pesinato, da Fami, membro do Comitê desde o início do Projeto, em 2002, a forte atuação do grupo prova que o BHD da ABIMO é exemplo dentro da Apex-Brasil: “Basta as empresas nos consultarem que as informações são conseguidas”, elogia. Eliane Lustosa conta que o seu principal motivador para estar no Comitê é poder participar de forma ativa na construção dos projetos e ações que serão desenvolvidos visando auxiliar as empresas a iniciarem ou aumentarem suas exportações: “O Comitê vem desenvolvendo um trabalho focado na realidade das empresas e no potencial dos mercados”, diz. “O Comitê Gestor é a voz das empresas dentro do Projeto Setorial”, diz Djalma Rodrigues, da Fanem. “A criação do grupo foi fundamental para que as ações do Projeto Setorial fossem desenhadas no foco das prioridades das empresas, para que elas pudessem alavancar suas exportações.” Associada da ABIMO há muitos anos, a Angelus tem seu representante no grupo desde 2015.

“Sempre tivemos uma participação muito ativa junto a ABIMO em feiras e congressos, e a possibilidade de me juntar ao Comitê foi uma agradável surpresa, pois o alto nível dos membros proporciona reuniões com resultados muito positivos para as nossas indústrias”, comemora Sidarta Cypriano. “Posso dizer que o trabalho é eficaz! O suporte e envolvimento com que a equipe da ABIMO trata de nossos temas faz toda a diferença.” “Poder participar ativamente no Comitê Gestor de um projeto que trouxe bons resultados, não apenas para nossa empresa como também para todas as outras, é gratificante”, diz Heddie Ricci, da Bionnovation, que acaba de se juntar ao grupo. “A necessidade de sobreviver e prosperar neste cenário em que nosso país vive foi um dos motivos de ter aceitado o convite de participar do Comitê Gestor do projeto, pois este momento é uma ótima oportunidade para conquistarmos novos mercados e aumentarmos nossas receitas.” Bruno Alzuguir, da Baumer, ressalta que o trabalho do comitê é de extrema importância para todos os associados e para a imagem do Brasil no exterior: “Não somente por criar oportunidades de melhoria no setor médico-hospitalar e odontológico, mas também por abrir portas para a internacionalização das empresas brasileiras.” “O trabalho do Comitê vem sendo muito útil para o bom andamento do projeto”, diz Daniel Blanco Marques, da Ibramed, que participa há dois anos do Comitê. “Temos a oportunidade de contribuir com toda a experiência adquirida no passar dos anos para o crescimento do projeto como um todo.” Por ser participante do Brazilian Health Devices há quase 7 anos com sua linha de implantes cirúrgicos para a coluna vertebral e já conhecê-lo, quando a Jumper Equipamentos iniciou sua linha de fabricação de produtos de Tecnologia Assistiva e Reabilitação esperava que esse setor fizesse parte do projeto. “Quando soubemos que em 2016 seria iniciado o trabalho, ficamos muito otimistas”, conta a diretora Carolina Kobylanski. “A importância do Comitê é manter o foco do projeto, direcionar junto as visões de empresários do setor e quais os melhores caminhos a serem seguidos.” O trabalho desenvolvido pelo Comitê é determinante para a comercialização e a consagração do Brasil no exterior. “É possível observar uma atuação cada vez mais presente e organizada”, diz Ricardo Brito, CMO da Biomecanica. 33 33


COMITÊ GESTOR

“A maior contribuição do projeto BHD para as exportações é apoiar as empresas através de informação, capacitação e acessibilidade a feiras e novos mercados.” Eliane Lustosa – LABTEST “O projeto BHD amplia a chance de sucesso de empresas brasileiras que buscam mercados de exportação, atuando de várias maneiras. Primeiro existe uma ação de inteligência de mercado, onde são avaliadas as oportunidades potencialmente maiores para as empresas brasileiras. Como consequência, o projeto otimiza a aplicação de recursos de maneira a trazer o maior retorno possível, ou seja, o maior volume possível de exportações.” Anselmo Quinelato – QUINELATO

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“A maior contribuição do BHD para as exportações das empresas associadas é o apoio e as informações da ABIMO e da ApexBrasil, cursos, troca de informações entre os associados, feiras e missões. Todas estas contribuições são importantes, dependendo do estágio de internacionalização da empresa. Mas, se tiver que escolher apenas um, escolho o apoio às empresas principalmente em início de processo de internacionalização.” William Pesinato – FAMI

“O suporte e o respaldo da participação em uma ação que vem acompanhada da chancela da ABIMO e da Apex-Brasil fazem toda a diferença para as empresas que estão iniciando suas negociações em um determinado mercado, proporcionando uma maior segurança para o futuro cliente comprador. Além disso, a experiência prévia da Associação nestes mercados auxilia as empresas na preparação para que se tornem boas exportadoras.”

“A consolidação da nossa marca no exterior (mais de 30 países) através da forma como as empresas brasileiras são projetadas internacionalmente foi um dos pontos primordiais para entendermos a seriedade do projeto BHD e nos tornarmos um parceiro ‘fiel’, pois essa parceria nos trouxe novas conquistas, novos mercados e um crescimento considerável em nossas vendas internacionais.” Heddie Ricci – BIONNOVATION

Djalma Rodrigues – FANEM

“A principal contribuição do BHD para as empresas associadas tem sido o incentivo às feiras no exterior.”

Marcelo Toledo – OLIDEF


“A maior contribuição do projeto é no auxílio que a empresa tem para exposição internacional. O projeto permite maior facilidade em participação em feiras e missões comerciais internacionais.” Carolina Kobylanski – JUMPER

“A maior contribuição é primeiramente a possibilidade de troca de experiências entre as diferentes empresas, nos distintos segmentos, permitindo não somente adquirirmos mais conhecimento, mas também a exploração de novas oportunidades para nossas empresas.”

“O projeto vem contribuindo de forma significativa nas exportações das empresas associadas, contamos; com pessoas capacitadas desde a inteligência de mercado, onde se decide o local e as ações a serem realizadas, até na execução dos projetos, que sempre são realizados de forma exemplar. Além dos argumentos citados, os associados contam com uma série de apoios e treinamentos para capacitar os envolvidos.” Daniel Blanco Marques – IBRAMED

“A maior contribuição do Projeto BHD para as exportações das empresas associadas é o subsídio oferecido, não apenas pela infraestrutura, mas por todo o apoio que a ABIMO dá às empresas expositoras. A parceria entre a ABIMO com a Apex-Brasil é fundamental para a representação internacional das empresas brasileiras, possibilitando a nossa atuação de forma mais ativa e eficaz pelo mundo, diante de um mercado de exportação extremamente competitivo que nos deparamos atualmente.” Ricardo Brito – BIOMECÂNICA

“Além da contribuição com informações de inteligência de mercado, suporte com órgãos regulamentadores e presença nas principais feiras mundiais, vejo a maior contribuição do projeto BHD para empresas exportadoras iniciantes, na exportação. Estas empresas iniciantes por fazerem parte do projeto BHD, têm a oportunidade de se estruturarem da maneira correta e profissional para alçarem voos aos mercados externos.” Sidarta Cypriano – ANGELUS

Bruno Alzuguir – BAUMER 35


ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0

INDÚSTRIA 4.0 .

A SAÚDE CADA VEZ MAIS CONECTADA

Muito se fala nos impactos que a revolução 4.0 trará. O principal é a criação de novos modelos de negócios que devem atender a um mercado cada vez mais competitivo e exigente. Com o avanço exponencial da capacidade dos computadores, a imensa quantidade de informação digitalizada e as estratégias de inovação, nasce uma nova lógica de produção que tem como pilar a tecnologia combinada com a inteligência no processamento de dados. Máquinas e homens trabalharão conjuntamente em um processo que usará a capacidade máxima de produção com o menor custo e erro zero. Baseada nesses valores e conhecida como a quarta revolução industrial, a indústria 4.0 é um conceito proposto recentemente e engloba as principais inovações tecnológicas nos campos de automação, controle e tecnologia da informação aplicadas aos processos de manufatura. O termo surgiu na Alemanha, na edição de 2011 da Feira de Hannover, e propõe transpor os limites entre o mundo digital, o físico e o biológico. Assim, o mundo físico ganha acesso ao poder do digital, possibilitando que sistemas ciberfísicos, internet das coisas, big data e internet dos serviços tornem cada vez mais eficientes, autônomos e customizáveis os processos de produção.

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A indústria 4.0 vai alterar o ambiente de trabalho, afinal as fábricas inteligentes terão capacidade e autonomia para agendar manutenções, prever falhas nos processos e se adaptar a requisitos e mudanças não planejadas na produção. Os principais desafios, além da segurança em todas as etapas do processo, englobam a internet das coisas e a interação entre os modelos. Outro ponto abalado pela quarta revolução industrial será a pesquisa e o desenvolvimento nos campos de segurança em TI, confiabilidade da produção e interação máquina-máquina. Trata-se de um novo modelo de produtividade para diversas verticais. Na saúde, impacta diretamente no desenvolvimento de novos tratamentos, no monitoramento do paciente e na gestão dos recursos dos hospitais. Em um hospital, por exemplo, a indústria 4.0 incentivará a colaboração e geração de conhecimento, o que leva cada vez mais inteligência ao processamento de exames laboratoriais. A conexão entre máquinas permite a troca de comandos, o envio de material biológico para o equipamento correto, gerando resultados mais precisos e em tempo cada vez mais curto. “Máquinas que usam tecnologias 4.0 antecipam a necessidade de manutenção; materiais que usam essas tecnologias viabilizam o inventário automático; mão de obra que usa tecnologias da quarta revolução industrial elimina tarefas que não agregam valor para o paciente”, exemplifica Elcio Brito, pós-doutorando de Gestão em Automação e TI da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (GAESI/USP). O professor Elcio participou do workshop Indústria 4.0, promovido pela ABIMO, e explica que todos esses fatores afetam a saúde em aspectos definitivos, como a forma de desenvolvimento dos tratamentos, de interação com o paciente, de execução de atividades por parte dos médicos e até mesmo na forma de operação dos hospitais. “Máquinas que usam tecnologias da quarta revolução industrial antecipam a necessidade de manutenção, materiais que usam essas tecnologias viabilizam o inventário automático, a Mão de

obra que usa tecnologias da quarta revolução eliminam tarefas que não agregam valor para o paciente”, exemplifica. “Ou seja: Métodos que usam tecnologias da quarta revolução industrial aumentam o fluxo dos pacientes, a utilização dos ativos e dos materiais, além do aproveitamento do staff”, exemplifica o professor. Antes mesmo de se falar em internet, prontuário digital, monitoramento em tempo real e todos esses termos, uma empresa brasileira fundada em 1984 desenvolvia um sistema no Brasil que fazia o exame de EEG (eletroencefalografia) quantitativo e topográfico, bem como o mapeamento cerebral. “Preencheríamos um espaço importante na função cerebral preenchido até então por um sistema analógico, que rastreava em uma faixa pequena para não fazer ruído e tinha limitações de concepção de um sistema mecânico com poucos canais, sem contar o calhamaço de papel e as referências limitadas”, lembra o presidente e fundador da Neurotec, Calistro Balestrassi. A empresa é a pioneira na criação do amplificador biológico com algoritmo computacional. “Lançamos os equipamentos em congressos e disponibilizamos para vários médicos que adquiriram o sistema”, conta o executivo que também é neurocirurgião e idealizador do Prêmio Inova Saúde, promovido pela ABIMO. Desde então, a empresa não parou mais de inovar. A partir da necessidade sugerida pelos clientes pesquisadores, a Neurotec adotou como opção o modo de exportação de arquivos em EDF (European Data Format) – formato de dados padronizado que pode ser utilizado para análise do exame, análise estatística, comparação de dados entre pacientes etc. “Para nossa surpresa, houve grande aderência ao recurso”, explica Balestrassi.

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ESPECIAL INDÚSTRIA 4.0

A profusão do trabalho foi muito grande. Atingiu Curitiba, Vitória, Rio de Janeiro e São Paulo e chegou à Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica, que reconheceu o pioneirismo da Neurotec. “Isso deu um estímulo muito grande para continuar os trabalhos, pois estávamos com a metodologia correta”, emociona-se. Em meados dos anos 2000, a empresa já criava um novo aparelho para diagnóstico diferencial na topologia de lesão e auxiliar de diagnóstico para cirurgia de epilepsia, que já contemplava os conceitos de integração à internet e inteligência. “Tudo isso mostra como uma equipe precisa ser visionária. Ela tem que mostrar entusiasmo, persistência e se antecipar”, resume. A Neurotec hoje tem convênio com um software de acesso remoto para interconectar os médicos com base em nuvem, entre outras inovações.

Muitos apostam que é apenas criatividade, ou agilidade, ou que empresários não podem estudar inovação. Nós não acreditamos nisso. Para nós, o que faz a boa inovação é apostar em abordagem multidisciplinar”, comenta Fazio. Para o especialista, quando uma empresa investe em inovação ela não deve direcionar todos os seus esforços (e investimentos) em uma única vertente. Muitas pecam, por exemplo, ao dedicar todos os seus aportes financeiros no desenvolvimento do produto, deixando de lado outras tantas pontualidades essenciais. O processo de gestão da inovação, por ser dinâmico, requer acompanhamento, avaliação, atualização e redirecionamento constantes, aprendendo com o sucesso e com o fracasso, sendo necessário estabelecer e monitorar um sistema de indicadores em que considere, além da relação custo-benefício, pessoas (adequação e capacitação de equipes), estratégia (clareza de foco e desdobramentos), processos (efetividade e eficácia) e recursos (disponibilidades e adequação aos objetivos empresariais), entre tantas outras questões bastante relevantes. Planejamento significa olhar para a própria empresa, entender e conhecer sua cultura e seus valores, pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades, explicitando e desdobrando sua estratégia de inovação. É conhecer e aplicar métodos e técnicas de gestão essenciais para estruturar os processos, saber identificar as principais barreiras às inovações e visualizar como transpô-las.

PLANEJAR É PRECISO! Inovar é sempre um desafio também pela questão de investimentos e posteriormente por exigir processo e gestão eficientes. Segundo Francesco Fazio, representante da Deloitte, que participou da quinta edição do CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para a Saúde), promovido em agosto pela ABIMO, apenas 5% dos processos inovadores têm sucesso de fato. “Muita gente acha que inovação é incentivar os engenheiros a trabalhar e descobrir ideias.

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Para Luiz Carlos Bruzadin, diretor de negócios da Intel para América Latina, o que pode ajudar a potencializar a gestão estratégica da inovação é olhar com mais afinco para a indústria médica. “A colaboração entre indústria e entidades para que os produtos desenvolvidos sejam disponibilizados para o ecossistema é muito importante. É preciso também trabalhar com o governo para a regulamentação de produtos inovadores”, ressalta. “A condição necessária para a gestão estratégica da inovação se consolida com a governança de dados e inteligência nas decisões, aumentando


a resposta advinda do mercado e das práticas médicas e odontológicas”, diz Donizetti Louro, presidente da Lauris Tecnologia.

INOVAÇÃO, COMPETITIVIDADE, SEGURANÇA E ECONOMIA Ainda que nem todas as empresas tenham a preocupação de investir em inovação e tecnologia desde o começo de sua história, foi nos últimos cinco anos que mais houve investimento em digital healthcare. O movimento de mercado produzido por esse tema também é inegável: sensores, aplicativos, dispositivos, máquinas, equipamentos e toda a infraestrutura de IoT (Internet of Things) deverão movimentar globalmente cerca de US$ 6 trilhões, projetando uma intensa busca por inovação e conscientização da sociedade, segundo Mônica Araújo, diretora da Feira Hospitalar – que desde a edição de 2016 promove um fórum completo sobre saúde na era digital. “Estamos no século XXI, dentro da Quarta Revolução Industrial, sentados à beira da mais revolucionária geração de sistemas e dispositivos digitais que a ciência médica jamais ousou prever”, diz a executiva.

Em estudo sobre os impactos da IoT no mercado de saúde, a Deloitte aponta que a análise dos dados é fundamental para o sucesso do uso desse conceito. “Em cinco anos, a maioria dos dados clinicamente relevantes será recolhida fora do ambiente clínico”, aponta o instituto. Ainda, de acordo com o levantamento do instituto, nas próximas décadas, mudanças demográficas aumentarão as oportunidades para aplicar a IoT no apoio aos cuidados de bem-estar e saúde para segmentos específicos da população. “Essas mudanças não resultam apenas em mais saúde para o paciente, mas também em mais competividade para a indústria como um todo, que precisa acompanhar a velocidade com que as coisas acontecem no mundo digital para manter-se competitiva”, comenta a gerente de marketing da ABIMO, Clara Porto. Não há como a empresa, sendo um negócio, não ser afetada. Elcio Brito, da USP, acredita que, quando um empresário elimina as barreiras entre os mundos, ele altera também a cadeia de valor do seu negócio. “Desenvolvendo processos

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de inovação mais inteligentes, produtos mais inteligentes, fábricas mais inteligentes e cadeias de valor mais inteligentes, sua empresa pode aumentar as receitas, diminuir os custos ou ambas as coisas ao mesmo tempo”, diz. A tecnologia é, também, aliada da medicina mais segura. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), erros no atendimento médico atingem uma a cada dez pessoas internadas em hospitais bemequipados. Problemas na aplicação de medicação ou no uso inapropriado dos recursos prejudicam o paciente e ampliam os custos do sistema de saúde. “Na área de equipamentos inteligentes, o crescimento no uso de dispensadores automáticos de medicação e suprimentos tem ampliado a segurança”, comenta o superintendente da ABIMO, Paulo Fraccaro. “Equipamentos inteligentes e que se “autodiagnosticam” são uma realidade na indústria brasileira.” De fato, uma das ilustrações chave da Indústria 4.0 é a possibilidade de “conversar” com o equipamento. Aldenor Martins, da Signove, empresa do grupo Lifemed, explica que a empresa vem construindo ferramentas para a adoção destas tecnologias, que tem como ponto principal uma produção mais eficiente, culminando com um produto “ajustado” para as necessidades do cliente: “Começamos a jornada através da solução de monitoramento remoto que permitirá conversar com nossos equipamentos”, diz. “ A bomba de infusão da Lifemed, que ganhou o prêmio Inova Saúde da ABIMO, é assistida por uma solução de central de monitoramento que permitirá que alguns aspectos do dispositivo sejam capturados e analisados através da Central por meio de técnicas de aprendizado de maquina. 40

As vantagens, em termos operacionais, desse “auto diagnostico” é a redução de custos e melhor integração do dispositivo na estrutura do cliente. “Na operação, isto permitirá uma melhoria contínua no tempo de resposta e programação de calibração dos dispositivos”, exemplifica.

IOT, TELEMEDICINA, ETC. De todas as perspectivas para o uso de tecnologia na área da saúde, a IoT é uma das mais promissoras. “Em essência, a IoT é definida como a habilidade que as máquinas têm de monitorar, analisar, predizer e verdadeiramente automatizar os negócios em tempo real”, explica Elcio Brito, do GAESI/USP. A IMS Research estima que, em 2020, existirão cerca de 22 bilhões de sistemas embarcados e outros dispositivos portáteis conectados à internet que produzirão mais de 2,5 quintilhões de bytes de dados novos a cada dia. Segundo a consultoria Gartner, entre 2014 e 2015, houve aumento de 30% no uso de aparelhos inteligentes, alcançando 4,9 milhões de dispositivos conectados no período, e esse número deve chegar a 23,4 milhões, em 2017, e 25 bilhões, em 2020. Na área de saúde, a contribuição é ainda maior, visto que o conceito de IoT engloba não só a conexão de dados em tempo real, mas também a análise e a reação com base no entendimento dos dados capturados. Por exemplo, a conexão de monitores acoplados pode permitir ao médico acompanhar pacientes e até prescrever remédios com base nas informações coletadas. A tecnologia RFID, que utiliza código de barras, também permite monitoramento de medicamentos, localização de arquivos ou movimentação de pacientes no hospital. Basicamente é a IoT facilitando os processos, atuando a favor da saúde e aprimorando o relacionamento entre médico e paciente.


O primeiro provedor de telerradiologia brasileiro é um aparelho da Diagnext. Leonardo Severo Melo, diretor executivo da empresa, conta que, a partir da curiosidade e da vontade de oferecer tecnologia inovadora para a área de saúde em formato diferente, a empresa teve a ideia de um projeto que visava atender aos anseios da sociedade pelo menor tempo possível de resposta para exames clínicos. “Desenvolvemos nossa própria tecnologia a fim de proporcionar a pessoas que residem em locais distantes e sofrem com comunicação precária atendimento radiológico de qualidade, com rapidez, confiança e agilidade”, pontuou.

O diretor também cita a rede de mamógrafos que está conectada por um sistema de comunicação por satélite a uma central de laudos que funciona em um hospital de Manaus, onde uma equipe de especialistas analisa as imagens geradas nos municípios e emite os laudos, que retornam por e-mail para o médico, nas unidades de saúde do interior. “A ferramenta de transmissão de dados, que dá suporte ao modelo, foi implantada e vem sendo administrada pela Secretaria de Saúde em conjunto com a Diagnext”, explicou. A solução da Diagnext reduziu em mais de 60% o custo de conectividades da rede de comunicação do estado do Amazonas e criou uma rede de custo muito baixo para unidades móveis de mamografia – empregando múltiplos modems móveis de operação simultânea, atuando nos estados de São Paulo e da Bahia. “Mais recentemente, desenvolvemos ferramentas ágeis para uso em telerradiologia – dando fim à tradicional sofrida lentidão de todo o mercado desse segmento – e a sensacional solução de Archiving da Diagnext, a custos reduzidíssimos”, comemora Melo. Outra indústria brasileira 4.0 é a Corcam, empresa que desenvolve soluções tecnológicas para monitorar a saúde humana. Se diagnóstico

INDÚSTRIA 4.0 EM OUTROS PAÍSES Marca forte Indústria 4.0 Elevado nível de formação e qualificação Pontos fortes no setor de produção Excelente reputação internacional

Forte foco em novos modelos de negócios Grande mercado interno Startups em TI para Indústria 4.0 Impulsionado por organizações privadas

Empresas operacionais de alta tecnologia e PMEs de baixa tecnologia Programas de governo ambicioso (China 2025) Estrutura jurídica frágil

Dominância de “Chaebols” Concentra-se em eficiência de produção Know-how em tecnologias de consumo Pontos fortes em infraestrutura para TI

Setor de produção forte Concentra-se em novos modelos de negócios Cenário complexo para padronização Pontos fortes em ciência robótica e trabalho

Concentra-se na industrialização Setor PD&I forte Pontos fortes em serviços inteligentes Cooperação nos “Catapult” centers

Fonte: Bruno Vath Zarpellon, Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha / German Academy of Science and Engineering (Acatech)

A Fanem investiu recentemente na startup de tecnologia Sensorweb, empresa catarinense especializada em soluções baseadas no conceito IoT com foco na área de saúde que atualmente dispõe de uma plataforma completa composta por sensores, gateways IoT e portal web para o monitoramento online de temperatura e outras grandezas. “A internet das coisas não para de crescer, e o futuro aponta para a conectividade total. Teremos quase todos os objetos de nosso cotidiano interligados à rede e na área da saúde o uso desse tipo de tecnologia vem crescendo de forma acelerada”, afirma explica Douglas Pesavento, CEO e co-founder da Sensorweb.

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bem feito e socorro rápido são importantes para a saúde do coração, a empresa inovou com o Nexcor, sistema idealizado para levar a tecnologia existente nos hospitais e nas clínicas de saúde até o usuário, aproximando o paciente cardíaco do seu médico. O monitor pode identificar infartos em fase inicial e síndromes raras de arritmia por meio de software que comunica esses dados do paciente, em tempo e localização reais, para a central, encarregada de passar a informação aos médicos. Foram cinco anos de pesquisas e trabalho para reunir várias tecnologias em um aparelho único no mundo. Além de mandar alerta de infarto ou arritmia, o novo monitor cardíaco detecta quedas, tem GPS para localizar um paciente que desmaiou e botão antipânico para acionar o pedido de ajuda em um toque. “Investimos muitos recursos nos últimos anos para a proteção de propriedade intelectual e obtenção de licenças das agências reguladoras no Brasil e no mundo”, conta o executivo da empresa, Carlos Melo. “Esse é o resultado do trabalho conjunto durante cinco anos da FIT (Flextronics Instituto de Tecnologia), uma organização sem fins lucrativos; da Corcam; e da participação do Hospital do Coração, de São Paulo, centro de referência cardiovascular do país”, conta Melo. No projeto trabalharam 40 profissionais, entre médicos, engenheiros, projetistas e pesquisadores.

GARGALOS Os hospitais brasileiros estão investindo pesado em conectividade e dispositivos inteligentes, mas precisam compreender que a inteligência artificial pressupõe a inteligência humana. “Precisaremos de profissionais com alcance satisfatório para realizar a gestão das tecnologias, bem como desenvolver um departamento de educação continuada específica para tecnologias emergentes”, explica Louro, da Lauris. Logo, a aproximação dos profissionais ocorrerá de maneira gradual e com intenção de entender melhor primeiro antes de implantá-la, o que também é uma boa estratégia, porque com conhecimento maior sobre o alcance dessa tecnologia eles poderão contratar as empresas que verdadeiramente estão preparadas para 42

desenvolver e entregar esses projetos em IoT na saúde, especificamente. A questão da privacidade é também um ponto contraditório. O que se discute é a privacidade dos dados do paciente ou a privacidade dos dados da instituição em ambientes online chamados de nuvem. “Dentro de uma instituição de saúde já temos consenso de que os dados são dos pacientes, mas [precisamos saber] qual é o tipo de controle na geração e no armazenamento desses dados”, acredita o especialista. “Acredito que a questão da privacidade seja de simples solução, mas a questão da arquitetura e precisão desses dados é que ainda vai tirar as noites de sono de muitos profissionais da saúde em suas tomadas de decisão.” Louro também explica que consolidar essas informações será parte integrante do sucesso nos investimentos de qualquer hospital, clínica etc., bem como na segurança de aplicação e usabilidade dessas informações. “A questão de se estabelecer métricas por modelos será também um fator decisivo para a aquisição de tecnologias emergentes”, explica. “Os portfólios de empresas que estão oferecendo essas tecnologias e soluções no mercado devem incluir um acervo de informações que contribua para as melhores práticas médicas em todas as instâncias. Não teremos lugar para empresas que estiverem em desacordo com essas avaliações do usuário, pois cada vez mais o consumidor, seja profissional da saúde, instituição, seja cidadão comum, estará mais bem informado e terá acesso a sistemas em tempo real”, sentencia.

MINISTÉRIO DA SAÚDE AVANÇA NA INFORMATIZAÇÃO DO SUS 40 O MS deu um passo fundamental para informatização do SUS ao assinar duas resoluções que vão aprimorar o registro de dados de serviços, reduzindo custos e tempo de alimentação por parte dos gestores de saúde: a que constitui o CMD (Conjunto Mínimo de Dados), ferramenta que unificará os sistemas existentes, e a que institui o Comitê Gestor da Estratégia e-Saúde, um grupo de ações de saúde por meio eletrônico. O aperfeiçoamento dos sistemas de informação


do SUS é uma das prioridades já anunciadas pelo ministro. O objetivo é integrar o controle das ações, permitindo a correta aplicação dos recursos públicos e o fornecimento de dados adequados para o planejamento e para a execução das prioridades do setor. “Essa estratégia vai facilitar o registro de informações, em layout único, evitando o abastecimento da mesma informação em sistemas diferentes, e ainda possibilitando economia financeira com a manutenção de cada sistema, tanto no nível local quanto nacional, e de capacitação de usuários”, avaliou o ministro Ricardo Barros. Para ele, este avanço colocará o SUS no patamar de sistemas de saúde avançados do ponto de vista do gerenciamento das informações. Rodrigo Silvestre, diretor do DECIIS/SCTIE/MS (Departamento do Complexo Industrial e Inovação em Saúde da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde), diz que, para o MS, tratar do tema tecnologia como sistema ciberfísico é um dos desafios da pasta: “Queremos, no curto prazo, vencer as atividades de implementação de uma política industrial, mas em médio prazo pensar em um sistema de saúde que vai sair de uma fase indústria para uma indústria de serviços de alta tecnologia”, diz. Durante o primeiro workshop organizado pela ABIMO sobre o tema, Silvestre frisou que o setor de equipamentos para a saúde não é mais visto em segundo plano. “Sistemas de supervisão de equipamentos que estão em ambientes hospitalares hoje são uma grande oportunidade para explorar esse tema”, adiantou, frisando que um dos grandes custos do SUS hoje está associado à manutenção de equipamentos. “O Brasil precisa se posicionar e descobrir qual é a sua vocação. Temos competência para isso”, finalizou.

ABIMO CRIA GRUPO DE TRABALHO SOBRE A INDÚSTRIA 4.0 O Grupo de Trabalho da ABIMO tem foco em Saúde 4.0 – Políticas Industriais Baseadas em Conectividade e IoT, Repositórios de Códigos de Ética e Normas Técnicas em Automação, Informática Médica e Telemedicina. As aplicações e soluções da tecnologia da informação e comunicação em processos industriais são muitas e estão evoluindo rapidamente. A capacidade que máquinas têm de monitorar, analisar, predizer e automatizar os negócios em tempo real forçou as empresas a refletirem de forma cautelosa sobre os modelos usados para diminuir riscos, otimizar processos, aumentar a produtividade e reduzir o dispêndio de toda e qualquer atividade humana, bem como reduzir o consumo de energia, entre outras possibilidades. A ABIMO antecipa, de maneira prática e científica, sua notoriedade em estar à frente das discussões e decisões que facilitam as operações e produções nas indústrias, buscando reunir atores de empresas no mercado. Empresas essas que estão alinhadas para discutir as questões de tráfego de dados na infraestrutura de hardware e software das plantas industriais para a transição de tecnologias e cultura corporativa. Tal debate será focado na Indústria 4.0 e na Saúde 4.0. Para isso, as reflexões acerca desse assunto fundamentam-se em: internet das coisas, conectividade sustentável, armazenamento e mineração de dados, além de extração de informações e análises preditivas como apoio à tomada de decisão em tempo real. A estrutura que vem sendo trabalhada com o GT Saúde 4.0 e Políticas Industriais objetiva, portanto, a discussão de soluções reais para problemas reais, enfrentados por toda a indústria da saúde no Brasil. Seria possível, por exemplo, responder à seguinte pergunta: “Qual cliente deixará uma empresa nos próximos seis meses?”. Pretende-se, dessa forma, mudar o sentido e a direção das soluções para as indústrias, a fim de adequar as empresas de soluções às necessidades mais básicas do setor da indústria da saúde. Para isso acontecer, há parcerias com líderes das indústrias de conectividade, softwares e hardwares. Com a ajuda desses, será traçado um panorama das atuais tecnologias e estruturas de serviços disponíveis para atender às expectativas das indústrias de dispositivos médicos e odontológicos, delineando, igualmente, os eixos fundamentais para os diversos tipos de problemas que enfrentaremos na implementação da Saúde 4.0 no Brasil. Uma vez que essa etapa esteja consolidada, os líderes da indústria da saúde serão chamados a participar desta significativa evolução de modelo flexível de soluções em Saúde 4.0, em toda a sua amplitude.

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PARCEIROS

APCD VAI COMEMORAR 60 ANOS NO CIOSP Entre os dias 1 e 4 de fevereiro de 2017, acontece o Ciosp (Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo), no Expo Center Norte, considerado o maior da América Latina e um dos maiores do mundo. Com o temário geral “Há 60 anos transformando a história da Odontologia”, esta edição celebrará a tradição da APCD em promover por seis décadas um evento que tem o compromisso de oferecer atualização técnico-científica para milhares de cirurgiões-dentistas. Nos últimos cinco anos, o Ciosp cresceu tanto em número de congressistas, quanto em número de empresas que expõem na feira comercial. A parceria e o apoio da ABIMO é fundamental para a promoção e o sucesso do evento, pois promove uma odontologia de excelência, e reforça a importância que o congresso tem para a indústria do setor nacional, ao proporcionar por meio da Fiosp (Feira Internacional de Odontologia de São Paulo), grandes oportunidades de negócios. 44

Para 2017, 205 expositores já estão com espaço garantido. E, apesar de toda a crise político-econômica que se desenrolou ao longo deste ano, a indústria da odontologia é superavitária, e cirurgiões-dentistas de todas as partes do país estão buscando recursos para enfrentar a concorrência, quer através de expertise, quer fazendo investimentos em novas tecnologias. O objetivo do Ciosp é apresentar aos cirurgiões-dentistas todo tipo de fornecedor da indústria odontológica. Por isso, além das grandes marcas que ocupam grandes espaços, foi criado um setor para pequenos expositores internacionais. Essa diversidade engrandece o congresso. Além do Brasil, expositores de 11 países já confirmaram presença: Argentina, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Finlândia, Holanda, Israel, Malásia, Paquistão, Polônia e Suíça. A grade científica também está bastante diversificada e atende às grandes demandas do mercado. Já foi confirmada a participação de 169 palestrantes que são referência em suas especialidades. Além de grandes profissionais do Brasil, vamos receber professores do Peru, Equador, Colômbia, Estados Unidos, Portugal e Itália.

. www.ciosp.com.br Mais informações no site


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MANUFATURA ADITIVA

FUTURO SOB MEDIDA TÉCNICA DE IMPRESSÃO 3D PERMITE AVANÇOS NA SAÚDE, MAS EXIGE AGILIDADE NA REGULAMENTAÇÃO DE PROCESSOS E MATERIAIS Partícula por partícula, um cabeçote eletrônico adiciona material à peça. Sem desperdício e seguindo desenhos complexos. Essa é a diferença fundamental entre os métodos tradicionais de fabricação – baseados em desgaste – e a impressão em três dimensões, ou 3D. A construção é feita camada a camada. A variedade de soluções desenvolvidas por meio da impressão 3D tem sido aliada do desenvolvimento de pequenas, médias e grandes empresas. São exemplos um pequeno molde de ferramentaria, passando por uma peça ortopédica com baixo custo e alto benefício social, até mesmo equipamentos para as indústrias aeroespacial, automotiva e da medicina, entre inúmeros outros segmentos, que comprovam o potencial dessa tecnologia. De acordo com organizadores da edição 2016 da INSIDE 3D PRINTING, versão brasileira da maior feira mundial desse segmento, numa recente sondagem da consultoria Wohlers Associates, o mercado global de manufatura aditiva e impressoras 3D atingiu, em 2015, US$ 5,5 bilhões e, para 2016, US$ 7,3 bilhões. Hoje o preço das impressoras varia entre cerca de US$ 2 mil e US$ 300 mil, tornando-se uma opção de negócio viável para pequenas, médias e grandes empresas. 46

Outra pesquisa, essa da IDC (empresa líder em inteligência de nas indústrias de tecnologia da informação e correlatas), relata que o mercado global de impressão 3D deve chegar ao patamar de US$ 16 bilhões neste ano, saltando para US$ 35,4 bilhões em 2020. Na área da saúde, a personalização não é apenas uma questão de gosto, mas de qualidade de vida. As possibilidades de tratamento utilizando a manufatura aditiva são imensas. Para Nadja Brito, coordenadora do LT3D (laboratório de tecnologias tridimensionais) do Nutes (Núcleo de Tecnologias Estratégicas em Saúde) da Universidade Estadual da Paraíba, essa já é uma realidade na área de saúde e, muito em breve, estará disponível para uso médico em larga escala. “Com o desenvolvimento contínuo dos biomateriais, poderemos chegar à impressão de órgãos, eliminando filas de transplante”, diz. Com um modelo físico do paciente em mãos – o biomodelo –, o médico tem visão clara da situação clínica, podendo planejar e simular intervenções cirúrgicas e modelar implantes exclusivos para cada caso. Tais procedimentos reduzem o tempo e os custos da operação, minimizam o desconforto e aceleram a recuperação do paciente.


O Nutes iniciou suas atividades em 2012 e desde então tem se dedicado à pesquisa e ao desenvolvimento de aplicações da Manufatura Aditivada nas diversas áreas de saúde, analisando procedimentos cirúrgicos médicos e odontológicos, produzindo biomodelos de protótipos para cirurgias nas áreas de ortopedia, neurocirurgia, traumatologia bucomaxilofacial e ortognática, cirurgia craniomaxilofacial e plástica, implantodontia, oncologia, entre outras.

Metalurgia e Mineração) no desenvolvimento de biomateriais para a fabricação de próteses com impressão 3D. O projeto nasceu de uma consulta da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), que busca melhores processos para a produção de próteses. “Sugerimos a manufatura aditiva e, devido às propriedades do nióbio e do titânio, convidamos a CBMM para desenvolver as ligas metálicas”, comenta Daniel Leal Bayerlein, pesquisador da Fundação de Apoio ao IPT.

Os primeiros usos, no entanto, ocorrerem nas áreas de próteses e órteses, que passam a ser fabricadas com as medidas exatas de cada paciente, garantindo aderência anatômica. “A partir de dados obtidos por diagnósticos com imagens em 3D, desenham-se os implantes”, afirma. Outra aplicação é a construção de exoesqueletos, utilizados para reabilitar a mobilidade dos pacientes. “Com o equipamento, eles voltam a andar”, exemplifica Nadja.

Segundo o pesquisador, o objetivo é produzir ligas metálicas com propriedades mecânicas e biocompatibilidade melhores que as utilizadas atualmente. Após o desenvolvimento dos materiais, o desafio será transformá-las em pó para impressoras 3D. “O Instituto Senai de Inovação em Laser será responsável por produzir as peças, por meio de fusão seletiva a laser (método de impressão 3D)”, destaca Bayerlein.

A impressão 3D também é tema relevante dentro do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), que se uniu à Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e à CBMM (Companhia Brasileira de

Outro local de prestígio no país é o CTi (Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer), uma unidade de pesquisa do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação). Situado em Campinas, no estado de São Paulo, um dos maiores centros de empresas dos setores de informática e de telecomunicações do país e um

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MANUFATURA ADITIVA

dos principais polos científicos e tecnológicos da América Latina, o CTI congrega competências na qualificação de produtos e processos, tendo uma unidade de competência dedicada a tecnologias tridimensionais. O uso das tecnologias tridimensionais na medicina é assunto por lá desde 2011, quando o projeto ProMed foi criado com o objetivo de desenvolver e aplicar processamento de imagens e prototipagem rápida para diagnóstico e planejamento de cirurgias de casos complexos.

BANCO DE IMAGENS A tecnologia de impressão 3D está avançando em ritmo rápido, mas é difícil de encontrar ou criar modelos 3D imprimíveis cientificamente precisos ou medicamente aplicáveis. Por isso, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), agência de pesquisa médica do país, lançou em 2014 um site dedicado ao compartilhamento de arquivos para impressão em 3D, relacionados à saúde e à ciência, como peças de laboratório e modelos anatômicos humanos. “A impressão 3D é um potencial divisor de águas para a pesquisa médica. No NIH nós vimos um incrível retorno dos investimentos: um plástico que vale centavos ajudou pesquisadores a investigar questões científicas importantes, economizando tempo e dinheiro”, afirmou Francis Collins, diretor do instituto, no lançamento do site.

INDÚSTRIA

competência e capacidade para apresentar ao mercado produtos médicos para saúde de alta qualidade, competitivos, seguros e eficazes. A Baumer é uma das empresas que acompanha essa tendência participando ativamente das discussões: “A empresa tem engenharia capacitada para isso e projetos de desenvolvimento de novos produtos em parceria com instituições de ensino e pesquisa de renome nacional e internacional”, explica Lourdes Maria de Camargo, diretora de pesquisa e desenvolvimento da empresa. “Temos condições tecnológicas e científicas para acompanhar a evolução na manufatura na área médica”, defende. Segundo ela, será possível apresentar ao mercado produtos brasileiros de alta qualidade, competitivos, seguros e eficazes. “A manufatura aditiva encurtará o ciclo do desenvolvimento de produtos, com impactos positivos nos custos e tempo menor de chegada ao consumidor”, afirma. Além do fomento à inovação, os avanços da tecnologia também permitirão a produção de dispositivos que são considerados de difícil manufatura e de alto custo. Entre os obstáculos para a maior penetração da manufatura aditiva, Lourdes cita os custos envolvidos e prazos de entrega dos equipamentos (hoje importados); o fornecimento de matéria-prima adequada ao processo; e a capacitação de mão de obra. Ela ainda reitera que, apesar do método de produção por manufatura aditiva se

A indústria brasileira tem plenas condições tecnológicas e científicas para acompanhar mais esta etapa da evolução da manufatura. Tecnicamente, o Brasil está alinhado com conhecimentos e experiências, e no momento se encontra no início do caminho para ter linhas ou mesmo fábricas inteiras dedicadas a este modelo de produção, como já existem em alguns países da Europa e dos EUA. Assim como a indústria se capacitou e se aparelhou para fabricar produtos de ponta por meio da manufatura tradicional, no campo da manufatura aditiva a indústria brasileira tem 48

tornar cada vez mais uma realidade e o avanço ser bastante rápido, não deverá ser de uma mudança abrupta e radical que se criarão empresas aptas a fornecer produtos médicos ao mercado, que farão


parte da vida de um paciente por muitos e muitos anos. “É preciso incorporar ao novo processo de fabricação a experiência de quem há muitos anos fabrica produtos médicos implantáveis e tem responsabilidade e competência já comprovadas”, completa Lourdes.

REGULAR É PRECISO O uso de implantes personalizados ainda não é regulamentado pela Anvisa. Para experimentar a técnica, é preciso enfrentar certa burocracia. Porém Nadja, do Nutes, ressalta que está atenta ao movimento dos reguladores em outros países. “O desafio é que a impressão 3D exige o registro do processo e não do produto. É uma nova forma de trabalhar”, comenta. Para produtos customizados, há ainda a necessidade de definição clara dos critérios que serão utilizados para aprovação. Ainda existem temas à espera de adequação, como validação do processo e normas aplicáveis na análise dos produtos submetidos ao registro. “Rastreabilidade também é um tema a ser mais bem explorado”, lembra Lourdes, da Baumer. Responsabilidade civil e estudos de pós-mercado são temas ainda pouco discutidos.

Um perigo é o falso entendimento de que será suficiente ter o aparato tecnológico para fornecer produtos médicos ao mercado. A indústria brasileira passou por uma grande evolução, em conjunto com a Anvisa, para ter boas práticas e atender às normas de fabricação de produtos médicos para saúde. Será, portanto, necessário 49


MANUFATURA ADITIVA

preservar esta padronização, com o entendimento que a manufatura aditiva é uma apenas parte dentro do processo de fornecimento ao paciente de produtos médicos seguros e eficazes. “O tema é novo no mundo inteiro. Estados Unidos e Europa se mobilizam para criar um conjunto de normas e padronizações para tornar a manufatura aditiva segura para os pacientes”, completa Lourdes, da Baumer. Segundo a legislação brasileira, explica Leandro Rodrigues Pereira, gerente geral de tecnologia de produtos para a saúde da Anvisa, o enquadramento sanitário dos insumos não depende do processo fabril, mas de características específicas, como indicação de uso, modo e tempo de utilização, materiais construtivos específicos, entre outros. “Os produtos podem ser de baixo risco, como os guias cirúrgicos, ou de alto risco, como os implantes”, comenta. O desafio é atualizar o marco legal – baseado na Lei 6.360/1976 e nos critérios específicos criados em 2001 – para regular uma tecnologia incipiente. “Não dispomos de mecanismos claros para regulamentar esse tipo de tecnologia, nem de parâmetros para avaliar quesitos como segurança e eficácia dessas novas tecnologias, especialmente para produtos customizados”, alerta Pereira. Diante desse cenário, a Anvisa tem atuado caso a caso. Pereira lembra que é preciso ter cautela. “Antes de definir um modelo adequado de avaliação, temos de entender as questões-chaves do processo”, alerta. A agência deve, na opinião dele, primeiro definir o que vai regulamentar: impressora, matéria-prima, tecnologia, serviços ou produto acabado. Além de conhecer especificações de matéria-prima, se existem diferenças entre os insumos utilizados pela impressão 3D e método tradicional de fabricação.

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Para Heitor Luz Neto, membro do Comitê Brasileiro Odonto-Médico-Hospitalar da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), os especialistas da área (pesquisadores e tecnólogos) precisam mostrar maior interesse na elaboração das normas sobre manufatura aditiva. “A ABNT ainda não criou um comitê para a matéria, a exemplo do ISO/TC 261, da Organização Internacional de Padronização”, diz. Neto admite que o maior desafio é mobilizar os atores para estruturar uma base normativa nacional – acompanhando de perto os trabalhos realizados no exterior. “Temos de posicionar a capacitação do Brasil neste explosivo segmento industrial”, defende. O envolvimento de especialistas em materiais e manufatura aditiva é essencial, na visão de Neto, para auxiliar o segmento da saúde no desenvolvimento de produtos, uma vez que para o Comitê Brasileiro Odonto-Médico-Hospitalar (ABNT/CB26) trata-se de uma área nova do conhecimento: “Ainda há muito o que estudar nesta área”, conclui Neto.

PASSO A PASSO DA IMPRESSÃO 3D O processo de impressão do protótipo começa com o envio dos exames dos pacientes para o laboratório, como tomografia, ressonância magnética ou ultrassonografia. Com a utilização de um software, a equipe converte o arquivo em uma imagem em três dimensões e, com base nas imagens do paciente, elabora-se o biomodelo tridimensional. Na impressora 3D, o protótipo ganha forma em um processo que varia de 8 a 14 horas.


ODONTOLOGIA DIGITAL

ODONTOLOGIA DIGITAL

Um futuro promissor o cirurgião

O uso de tecnologias digitais está mudando todas as áreas profissionais da sociedade, e não seria diferente na odontologia. A busca constante por métodos de tratamento que aliem resultados estéticos e duradouros à facilidade de execução e redução de tempo, tanto para o profissional, quanto para o paciente, é sem dúvida uma característica marcante da odontologia contemporânea. O termo se refere a toda tecnologia ou instrumental que contêm aspectos digitais ou controlados por computador. “Hoje, o cirurgião-dentista pode ser auxiliado pela máquina de forma muito precisa sobre a dosagem de anestesia ou óxido nitroso que está empregando em determinado paciente, ou até mesmo planejar todas as etapas de um implante” comenta Adriano Forghieri, presidente da APCD (Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas). E as vantagens vão além: a eficiência dos computadores na odontologia se estende para estágios mais avançados do tratamento, progredindo de forma muito eficiente para a gestão prática do consultório. De fato, a odontologia digital está presente em diversos segmentos da área, desde gestão administrativa, comunicação e marketing até educação continuada, pesquisa e desenvolvimento, diagnóstico por imagens, planejamento e execução de tratamentos nas áreas de estética bucal, prótese dentária, ortodontia e cirurgia oral.

Segundo Claudio Fernandes, cirurgião-dentista e coordenador do Centro de Odontologia Sustentável da UFF (Universidade Federal Fluminense), na área de gestão administrativa, apesar de não haver estatísticas oficiais, é possível deduzir que grande parte dos consultórios já utiliza algum tipo de aplicativo de gestão de agendas, contatos, planejamento financeiro, compras/estoque, gestão de serviços de laboratórios de prótese e seguros de saúde. “O uso de leitores de imagens radiológicas e imagens clínicas também está bastante difundido”, acredita. Para Maria Lucia Zarvos Varellis, conselheira do Crosp, (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo), as tecnologias as tecnologias trouxeram grande avanço nos tratamentos, permitindo que cada vez mais se obtenha sucesso com qualidade e colocando a odontologia brasileira entre as melhores do mundo. “Ela simplifica procedimentos, algo que mudará por completo a realidade de clínicas e laboratórios”, crê. A área de imagem foi a primeira a abraçar a tecnologia digital e, na parte de educação a distância, a impressão 3D ainda está num futuro próximo. Esse meio de produção vai alterar definitivamente a forma como a odontologia atende a população. É o que diz Claudio Fernandes, cirurgião-dentista e coordenador do Centro de Odontologia Sustentável da UFF (Universidade Federal Fluminense). “Nota-se também o aumento do controle de qualidade na produção de próteses dentárias”, diz.

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ODONTOLOGIA DIGITAL

Em contrapartida, o cirurgião-dentista, membro associado a ABO (Associação Brasileira de Odontologia), Silvio Ramos Evangelista, acredita que a tecnologia está demorando a chegar à odontologia com a força com que já chegou a outras áreas como arquitetura, indústria automobilística, desenho industrial e todas as áreas que trabalham com precisão. “A demanda real ainda é baixa. Mas está crescendo, principalmente por causa de uma propriedade que a tecnologia tem: a inevitabilidade”, diz. A Angelus se insere no contexto da odontologia digital, pois foca seus desenvolvimentos em produtos e na produção de insumos que possam ser utilizados no tratamento digital. Roberto Alcântara, presidente da empresa, acredita que a qualidade e produtividade que a inovação oferece ao tratamento são os principais benefícios tanto para o dentista como ao paciente. Para o executivo, ainda que a odontologia digital seja um assunto incipiente é óbvio que a qualidade e produtividade que oferecem ao tratamento são os principais benefícios, tanto para o dentista, como ao paciente. Na Angelus há um desenvolvimento de uma linha Oral-Care da Angelus que utilizará de meios digitais para promover a motivação nos procedimentos de higiene bucal em pacientes na faixa de 0 a 12 anos.

INOVAÇÕES A principal inovação na odontologia digital é no desenvolvimento CAD/CAM de tratamentos odontológicos nos segmentos de próteses dentárias, ortodontia e cirurgia oral. A expressão vem do inglês computer aided design – computer aided manufacturing, que traduzida para o português significa “desenho assistido por computador – fabricação assistida por computador”. Com base nesse sistema, as restaurações indiretas podem ser planejadas e criadas com auxílio do computador, eliminando o caráter artesanal desse processo que antes era realizado exclusivamente por um técnico em prótese dental. Portanto, o CAD/CAM representa a junção de conhecimentos de informática e engenharia com as necessidades da clínica odontológica: a imagem de uma restauração indireta é deslocada para um computador e em seguida sua confecção é feita 52

pela máquina de fresagem, atuando como uma espécie de impressora 3D. “As áreas de planejamento e desenvolvimento de tratamentos CAD/CAM ainda estão na fase inicial, isto é, são terceirizadas aos laboratórios de prótese, mas a tendência é de crescimento devido à expansão de oferta de sistemas de scanners clínicos e soluções Chairside”, afirma Fernandes, da UFF.

PRODUTIVIDADE X CUSTO Falar em gargalos em meio aos avanços que temos experimentado não é tarefa fácil. Claudio Fernandes, da UFF, destaca a manipulação de dados e imagens clínicas, bem como a produção indevida de componentes de implantes por sistemas de CAD/CAM, sem atender às devidas exigências regulatórias, às normas técnicas existentes ou às boas práticas de fabricação, como preocupações contemporâneas e futuras. Além do mais, ainda não são todos os cirurgiõesdentistas que têm capital para investir nas novas tecnologias, ainda que seja importante se modernizar para enfrentar a concorrência. “Existem custos elevados para conversão das rotinas convencionais para digitais, como o de equipamentos, de treinamento de funcionários e da própria capacitação da equipe técnica odontológica”, diz o professor. Ainda segundo ele, a falta de soluções de financiamento de baixo custo e as reduzidas oportunidades de incentivo ainda tornam os custos de entrada expressivos. “A solução é montar um plano de atualização tecnológica e implementar aos poucos essas novas soluções, priorizando a eficiência, a qualidade e a satisfação dos pacientes”, explica o presidente da APCD, Adriano Forghieri. Para Silvio Ramos Evangelista, há ainda um “gargalo silencioso” que poucos conhecem: a resistência à mudança da cultura manufatureira para a cultura digital: “Ninguém quer assumir que tem, mas a notamos quando trabalhamos no ensino de novas tecnologias à categoria odontológica”, diz.

BENEFÍCIOS Talvez a parte mais significativa da odontologia digital seja justamente o que ela tem a oferecer para tornar melhor a vida dos pacientes.


“Não se trata apenas de satisfação, mas de modificar o comportamento das pessoas, tornando todo o processo mais atraente e levando-as a fazer o check-up odontológico a cada seis meses, bem como os tratamentos necessários”, diz Forghieri. Segundo ele, dados extraídos da pesquisa GallupHealthways Well-Being Index revelam que um terço dos norte-americanos adultos simplesmente não vai ao dentista. Pior: o restante da população vai para resolver problemas pontuais. São cerca de 40 milhões de pessoas que não recorrem aos profissionais, ou por medo e ansiedade, ou simplesmente porque desconhecem a importância vital de manter a boca saudável. “Apesar de não termos esses dados consolidados no Brasil, sabemos que, mesmo concentrando 25% de todos os cirurgiões-dentistas do mundo (cerca de 260 mil profissionais), ainda assim metade da nossa população adulta apresenta perda dentária grave. Por isso, quanto mais investirmos em processos que vão melhorar todas as etapas do atendimento odontológico – o que, no longo prazo,

deve baixar os custos –, mais estaremos contribuindo para melhorar a saúde e a autoestima do brasileiro”, afirma Forghieri, presidente da APCD. Evangelista concorda que a tecnologia tem aproximado o dentista do paciente e dos colegas, bem como tem feito o profissional perceber melhor seu paciente e seus detalhes. “A odontologia digital tem empoderado a equipe interdisciplinar nas tomadas de decisões”, opina. “Ainda mais: tem possibilitado que estes resultados sejam cada vez mais duradouros e estéticos”. O profissional reitera que aos dentistas cabe a procura do contato com as tecnologias e a dedicação em aprender a lidar com elas, inclusive comunicando às empresas do setor quais dificuldades sentem. “Às indústrias, sugiro que invistam mais em comunicação com a ponta final da linha de consumo. Ou seja, com os dentistas que sentem as reais necessidades do dia a dia do consultório; e com os pacientes, que sentem na pele a falta – ou dificuldade ao acesso – da tecnologia.”

1

CAD/CAM e imagem intraoral, tanto em laboratório, como no consultório;

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diagnóstico de cárie;

3

implantodontia auxiliada por computador (incluindo design e fabricação de guias cirúrgicas);

4

radiografia digital (tanto intraoral, quanto extraoral e tomografia computadorizada de feixe cônico);

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manufatura de implantes;

6

combinação de cores e tons;

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lasers;

8

análise e diagnóstico de oclusão e ATM;

9

fotografia (intra e extraoral);

*Fonte: Adriano Forghieri, presidente da APCD

A odontologia digital está diretamente envolvida em vários processos de um tratamento odontológico. As principais áreas envolvem:

10 gestão do paciente (incluindo a didática sobre etapas do tratamento).

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PING-PONG MEMORIAL

PING-PONG COM FRANCO PALLAMOLLA Estamos chegando ao final de 2016, e a ABIMO em Revista entrevista o presidente da ABIMO, Franco Pallamolla, em um bate-papo que aborda o trabalho da entidade neste ano. Reconhecido como líder no setor da saúde, ele que também preside a Lifemed, comenta as ações da entidade e fala de perspectivas para o próximo ano.

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ABIMO em Revista: Não podemos começar essa entrevista com outra pergunta: qual é a sua avaliação sobre 2016? Franco Pallamolla: Podemos dividir o ano de 2016 em duas etapas. A primeira delas foi a espera do tempo necessário para que o impeachment ocorresse, espera essa que provocou a estagnação de toda a economia e de todos os projetos do Brasil. A segunda etapa é a consequência dessa espera: a situação econômica que o Brasil atravessou e ainda atravessa. Esse cenário escasseou ainda mais os recursos para a área da saúde, provocando retração provavelmente nunca vista nesse setor, cujo desempenho vinha apresentando crescimentos anuais na faixa de dois dígitos.

ABIMO em Revista: E 2017 deve ser melhor? FP: Para que o próximo ano seja melhor, devemos adotar resoluções. O plenário do Senado concluiu [até o fechamento desta edição] a votação [em primeiro turno] da Proposta de Emenda à Constituição 55, que estabelece limite para os gastos públicos pelos próximos 20 anos, e esperamos que ela seja realmente aprovada.

ABIMO em Revista: Mas se já não temos dinheiro suficiente, um teto para gastos não seria mais prejudicial? FP: A aprovação da PEC 241 não implica em que a saúde vá receber menos dinheiro, porque o governo poderá realocar verbas de outros setores para o nosso. Por isso não temos essa preocupação, ainda que os repasses não tenham sido suficientes nos anos anteriores. As reformas previdenciária, tributária e administrativa, concernindo inclusive a reforma política, devem ser a base, a coluna de sustentação, da nossa retomada.

ABIMO em Revista: Então há otimismo pairando no ar? FP: Lógico que ninguém está otimista a ponto de dizer que essas reformas trarão de volta o crescimento na velocidade que tínhamos em anos passados, mas esperamos que a saúde possa ter maior desenvolvimento do que outros setores.

ABIMO em Revista: Como a ABIMO avalia as parcerias público-privadas? Algo foi estabelecido neste ano? FP: As parcerias público-privadas andaram muito morosas em função das mudanças que ocorreram no Ministério da Saúde, mas o atual ministro – Ricardo Barros – nos recebeu e a ele entregamos, em novembro último, um procedimento para implementação dessas parcerias. Isso porque a grande dúvida do Governo era de como adquirir esses produtos e distribuí-los aos hospitais. Esse processo não estava muito claro para o Governo, devido ao desconhecimento sobre o processo e a logística envolvidos.

ABIMO em Revista: E a proposta da ABIMO resolve esse gargalo? Como foi feita? FP: Contratamos uma empresa de consultoria que nos ajudou a criar esse caminho. A proposta está em fase de análise, mas acreditamos que agora será possível efetivar essas parcerias já em 2017. Terminamos 2016 otimistas com o andamento das PDPs.

ABIMO em Revista: Vamos retomar um pouco as ações da ABIMO em 2016. O primeiro grande evento da entidade no ano, o Prêmio Inova Saúde, reafirma a preocupação da entidade com a inovação…

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PING-PONG

FP: O Prêmio Inova Saúde é um título de excelência que reflete e compartilha com todo o setor da saúde as conquistas e os progressos da indústria nacional. Sem inovação não iremos a lugar algum. A empresa que não inovar está fadada ao insucesso e, se continuar com esse pensamento, até ao fechamento. A inovação deve fazer parte da cultura, do gene da empresa, e da cabeça do empresário.

ABIMO em Revista: Mas inovar não é “complicado”? FP: Nós frisamos que a inovação não precisa ser radical. Às vezes uma mudança de embalagem, na quantidade de produtos ou na maneira de vender pode ser um caminho de inovação. O que a empresa precisa é pensar ativamente em ser inovadora 36 horas por dia.

ABIMO em Revista: Outra novidade deste ano foi a inclusão de um prêmio exclusivo para as indústrias odontológicas... FP: Creio que separar a premiação era fundamental. São áreas distintas, e a odontologia tem apresentado desenvolvimento significativo no mercado brasileiro e mundial. A próxima edição promete ser muito emocionante, já que o prêmio da área odontológica recebe agora o nome de Prêmio Knud Sorensen, em homenagem a essa figura que cuidava com afinco das empresas do setor, deixando para a ABIMO e para o segmento uma lição de entusiasmo no trato com os associados e suas demandas.

ABIMO em Revista: Já que estamos falando de inovação, como foi a edição 2016 do CIMES? FP: Durante dois dias debatemos sobre vários assuntos. Começamos pela demonstração inequívoca da capacidade que a indústria nacional tem de inovar. Houve também a manifestação clara de que o Brasil tem e reúne competência científica. Nossas academias são um manancial de competências, uma vez que nelas ocorre grande geração de conhecimento. Porém, ainda continuam muito distantes da indústria, e o grande objetivo do CIMES é aproximar cada vez mais a academia do setor industrial. 56

ABIMO em Revista: Em 2014/2015, o setor estava esperançoso com a possibilidade da isonomia tributária nas compras de produtos para a saúde realizadas por instituições públicas e filantrópicas. Como está esse assunto? FP: No começo do ano nos reunimo em Brasília com deputados federais e presidentes de frentes parlamentares para tratar sobre a regulamentação da lei já aprovada sobre isonomia tributária. Estivemos também em reunião com o secretário executivo do Ministério da Fazenda buscando a aprovação da lei. A paralisação da economia ocorrida em 2016 acabou provocando a paralisação também de vários projetos dentro do Ministério da Fazenda, que passou a adotar outras prioridades. À medida em que a economia começou a normalizar, a isonomia passou a ter espaço para uma nova discussão. Para isso, conseguimos apoio de alguns parlamentares e terminamos 2016 esperançosos de que o projeto tenha continuidade e siga em velocidade muito maior do que neste ano.

ABIMO em Revista: Como foi o relacionamento com a Anvisa nesse último ano? A regulação ainda é um gargalo? FP: Nossa relação com a Anvisa melhora a cada ano. Participamos ativamente da proposta da Agenda Regulatória do biênio 2017/2018 – o instrumento que define o conjunto de temas prioritários a serem discutidos e submetidos à ação regulatória da Anvisa no período – e temos sido atendidos prontamente ao solicitarmos alguma agenda. Um exemplo é o caso dos atrasos verificados em portos e aeroportos na liberação de mercadorias. Recebemos na nossa sede o diretor de Controle e Monitoramento Sanitários da Anvisa, Dr. José Carlos Magalhães da Silva Moutinho, e discutimos soluções. É claro para nós que o pessoal de que a Anvisa dispõe para portos e aeroportos é mais do que suficiente, porém eles estão alocados – muitas vezes por decisões judiciais – em portos e aeroportos com menor demanda de serviço.


ABIMO em Revista: Vamos falar um pouco de mercado externo. Agora em novembro, a ABIMO comemorou 15 anos na maior feira do setor do mundo… FP: Só temos a comemorar o nosso desempenho nas feiras em que atuamos. Assinamos um novo convênio em outubro do ano passado e aumentamos nossa presença em feiras e missões pelo mundo. Além de mantermos nossa participação com o pavilhão brasileiro tanto no setor médico-hospitalar quanto no odontológico nas já consagradas maiores feiras do mundo – CDS, Fime, IDS, MEDICA, Africa Health, Arab Health e AEEDC –, novas feiras também foram incluídas no calendário de ações: Medic West Africa, Zdravookhraneniye, IDEM, Sino Dental, Abilities Expo, Rehacare e Efort. Preparamo-nos agora para a já habitual renovação desse convênio, que deverá ocorrer em 2017. Com a celebração desse novo convênio, a ABIMO e a Apex-Brasil assumirão mais um compromisso desafiador: alavancar o setor de tecnologias assistivas e reabilitação, segmento que sempre esteve voltado às demandas do mercado interno e que agora investe vigor e competência na conquista do mercado internacional.

ABIMO em Revista: Para encerrarmos, a ABIMO em toda sua história vem se destacando como interlocutora de grandes ações para o desenvolvimento da indústria da saúde. A interação é uma característica cada vez mais forte da Associação... FP: A ABIMO, em cada gestão, reforça o diálogo da indústria com toda a cadeia produtiva da saúde, mas, principalmente, com as lideranças políticas. Nossa atuação junto a elas é deixar clara a sua acuidade em todo o contexto econômico e no complexo industrial do país. Podemos dizer que até há 8 anos atrás a saúde não participava das grandes discussões em plenárias governamentais. Hoje temos interlocução. As entidades setoriais agora integram grandes movimentos e colaboram para as causas das suas categorias. Não se trata exatamente de um novo modelo de atuação das entidades, mas sim do aumento da importância política e estratégica

das instituições com vistas ao bem comum, ao crescimento e ao desenvolvimento do país. É uma grande conquista para todos nós. As entidades também precisam estar sempre inovando, e essa inovação deve buscar atendimento melhor e mais eficiente para os seus associados. É natural que, com o crescimento do país, outras entidades tenham surgido, e por isso a inovação deve ser o chapéu a ser conduzido na cabeça de toda associação que almejar ser importante. Sugestão de mudança: É natural que, com o crescimento do país, outras entidades tenham surgido, e por isso a inovação deve ser o processo a ser conduzido por toda associação que almejar ser importante. 57


PARCEIROS

HOSPITALAR se consolida como ferramenta de marketing 360º para organizações de saúde A comunicação é essencial para o relacionamento e o compartilhamento de conhecimento entre os indivíduos. Na área de saúde, ela ganha um papel ainda maior: evidencia aspectos relacionados à medicina preventiva e promoção do bem-estar. Por conta disso, a HOSPITALAR, maior evento do setor na América Latina, revisou toda a sua estratégia de marketing para ser o principal elo de relacionamento e negócios dos players de saúde. Com base na avaliação dos interesses dos visitantes do evento, a empresa criou novos pilares para nortear as comunicações nos diferentes canais. São eles: Tecnologia e Inovação, em que o conteúdo aborda inovações tecnológicas e processos; Networking & Melhores práticas, voltado a gerar conteúdo para fóruns, atividades e encontros de networking, assim como ações de melhores práticas do setor; Lançamentos da Indústria, uma seção dedicada aos expositores do evento com espaço para vitrine de produtos que serão levados para o evento; Mercado & Negócios, em que são abordados aspectos macroeconômicos e relacionados ao setor e ao evento; e Agenda, divulgação de eventos e ações de interesse do setor, assim como datas comemorativas.

MARKETING 360º O novo direcionamento de marketing, batizado de marketing 360º, permite não só potencializar as ações de marketing digital, tendo como foco principal o cliente, mas utilizar o máximo de ferramentas disponíveis para impactar o setor. Ou seja, a estratégia permite a interação com o mercado de saúde a partir da oferta de informações pertinentes a seu interesse. Segundo Viviane Santos, gerente de marketing da HOSPITALAR, é vantajosa para a indústria e para os 58

profissionais da área. “A HOSPITALAR é um momento de grande visibilidade e de oportunidades para a indústria e para os visitantes.” São 1,2 mil marcas expositoras que podem fazer uso da ferramenta de marketing ativo 365 dias por ano. Para o canal online, a empresa disponibiliza várias ferramentas para fomentar negócios dos seus players. No site da empresa é possível divulgar no catálogo online (que permite a inclusão de fotos e vídeos) e alimentá-lo durante todo o ano, não só durante o período da feira. Outra ferramenta útil é o envio de e-mail marketing, com divulgação de campanhas de vendas e visitação segmentadas (Consumíveis, Hospitais, TI, etc.), e newsletter com as principais novidades e tendências do setor. O portal de notícias, outra ferramenta disponível aos players de saúde, é um espaço dedicado à divulgação das notícias mais relevantes da área. No canal off-line, a Hospitalar trabalha com a revista e assessoria de imprensa para divulgação de novidades, lançamentos e participação em eventos no Brasil e no exterior. A assessoria de imprensa tem uma grande importância nesse conceito de marketing 360º, já que fica à disposição dos expositores para o recebimento de informações sobre a movimentação das empresas no mercado, publicadas no portal e na newsletter, o ano todo. Mais do que conhecer os lançamentos dos expositores, o conceito de marketing 360º da Hospitalar permite fazer contatos estratégicos e ficar atualizado com as centenas de ações promovidas por empresas, instituições e órgãos do poder público. São congressos, seminários, workshops, demonstrações técnicas e lançamentos de livros. Ou seja, a feira é o ponto de encontro na área de saúde.


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ABIMO em Revista - Edição 12  

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