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EDIÇÃO 20 ANO 6 SET/2019

FEIRA MEDICA NO BRASIL

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edição especial


TAMBÉM DISPONÍVEL PELO SITE REVISTA.ABIMO.ORG.BR E PELO APP ABIMO EM REVISTA

EDIÇÃO 20 ANO 6 SET/2019

NIGÉRIA Brasil reúne competências para ampliar qualidade da saúde do “gigante da África”

NOVO REGULAMENTO DA ANVISA Otimização dos critérios para liberação de produtos esterilizados por óxido de etileno

WOLFRAM DIENER Executivo da Messe Düsseldorf fala do apoio da ABIMO na Feira MEDICA Brasil

SETOR PET Em expansão, segmento utiliza tecnologias da indústria de saúde humana

FEIRA MEDICA NO BRASIL A pa r tir de 2020, o Brasil passa a fazer pa r te do ca l en dá rio d o maio r evento mu n di a l pa ra o seto r d e saúd e

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edição especial


EXPEDIENTE

SUMÁRIO

ABIMO EM REVISTA Publicação ABIMO direcionada a parceiros e profissionais da indústria de saúde. Única publicação do setor focada nas indústrias de equipamentos e nos artigos médicos, hospitalares, odontológicos e de laboratórios, a ABIMO em Revista é uma produção da ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios) direcionada a associados, fornecedores, parceiros, órgãos governamentais e profissionais da área de saúde. Após 17 edições no formato impresso, a ABIMO em Revista adere à plataforma virtual, ampliando consideravelmente sua distribuição a fim de atingir um maior número de atuantes na cadeia produtiva de saúde do país. Com conteúdo editorial que abrange assuntos de ampla relevância no cenário brasileiro, promove a disseminação de informações sobre o desenvolvimento do setor. Traz, a cada edição, uma ampla cobertura dos principais acontecimentos do segmento para divulgar a indústria nacional e seus pleitos. A ABIMO não se responsabiliza pelas informações contidas nos anúncios, qualidade dos produtos anunciados e outros detalhes de eventuais negociações, sendo essas de responsabilidade exclusiva das empresas anunciantes. GESTÃO MARÇO 2015 – MARÇO 2019 ABIMO Presidente: Franco Pallamolla (Lifemed) Vice-Presidente: Jamir Dagir Junior (Dorja)Diretor Tesoureiro: Luís Calistro Balestrassi (Neurotec) Conselheiros Titulares: Djalma Rodrigues (Fanem), Eliane Lustosa (Labtest), Andre Ali Mere (Olidef), José Roberto Pengo (Biomecânica), Walban Damasceno de Souza (BD), Jafte Carneiro Fagundes da Silva (Neodent) Conselheiros Suplentes: Maria Cecilia Patricia Braga Braile Verdi (Braile Biomedica), Patrícia Bella Costa (Colgate), Caetano Barros Biagi (Alliage), Andre Augusto Spicciati Pacheco (Cremer), Thiago Medeiros de Abreu (Phillips), Otavio Viegas (Alfa Med), Felipe Leonard (SIN Implante), Guarany Alves Seccadio Guimarães (Confiance Medical), Antonio Leme Junior (Maquira) Conselheiros Fiscais: Regiane Marton Heraeus (Kulzer), Rodolfo Alba Candia Jr (Conexão), José Ricardo de Souza (Ibramed) Conselheiros Fiscais Suplentes: Paulo Jéferes Wincheski (IOL Implantes), Gino Muenzer Salvador (Freedom), Elisa Freitas Olsen (Olsen) SINAEMO Presidente: Ruy Salvari Baumer (Baumer) Secretário: Paulo Henrique Fraccaro (Implus) Tesoureiro: William Pesinato (Fami) Diretores Suplentes: Tatiane Galindo Vieira (Ortosintese), Orlando de Carvalho (Carci), Mario Kajuhico Tanigawa (Nipro) Conselheiros Fiscais: José Tadeu Leme (Engimplan), Fabio Colhado Embacher (Emfils), Anselmo Ariza Quinelato (Quinelato) Conselheiros Fiscais Suplentes: Paulo Cesar Rigolo (Hexagon), Tommy Takaoka (Medical Cirúrgica), Harry Peter Grandberg (Vincula) CONSELHO EDITORIAL ABIMO EM REVISTA: Claudio Fernandes (Consultor do setor de odontologia) Donizetti Louro (Coordenador do GT Indústria 4.0) Joffre Moraes (Gerente de Estratégia Regulatória) Márcio Bosio (Diretor Institucional) Rejane Dias (Gerente de Marketing) Larissa Gomes (Supervisora de Projetos e Marketing Internacional)

CONTEÚDO

Dehlicom Soluções em Comunicação Jornalista responsável: Deborah Rezende (MTB 46691) Redação: Flavia D'Angelo, Jaqueline Mesquita, Marcela Marques, Rejane Lima Revisão: Carolina Machado Fotografia: Cleber de Paula, Giseli Bueno, Leo de Paula e Mara Garcia Edição e Arte: Agência Elemento Publicidade: Márcio Bertoni (marcio.bertoni@abimo.org.br) Foto de capa: Messe Düsseldorf na abertura da feira Medica 2018. Foto: Giseli Bueno/Agência Elemento

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EDITORIAL FRANCO PALLAMOLLA EDITORIAL RUY BAUMER SINAEMO FALANDO NISSO Bons resultados em território norte-americano

FEIRAS BHD

08

Participação brasileira em feiras internacionais realizadas nos Estados Unidos superaram as expectativas e geraram excelentes oportunidades para a indústria nacional

MERCADOS ALVO

14

Nigéria e suas carências Brasil reúne competências para ampliar qualidade da saúde do “gigante da África”

PET SOUTH AMERICA

18

MEDICA FAIR FAIR MEDICAL BRASIL BRASIL

28

Eles são parte da família Tratados com exímio cuidado e atenção, animais de estimação fomentam um mercado que vem despertando a atenção da indústria de saúde humana

Feira MEDICA agora no Brasil A partir de 2020, o Brasil passa a fazer parte do calendário do maior evento mundial para o setor de saúde; ABIMO apoia a realização daFeira Medical Fair Brasil

PING PONG

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“Não é o tamanho do mercado que nos importa, mas a qualidade dos parceiros que conquistamos pelo mundo”, diz Wolfram Diener Diretor geral da Messe Düsseldorf enfatiza a parceria com a ABIMO na construção da Feira MEDICA Brasil

REGULAÇÃO O que mudou nos processos de esterilização por óxido de etileno?

38

Publicação da RDC nº 291 ampliou os critérios para liberação de lotes de dispositivos médicos novos esterilizados dentro desta modalidade

ODONTOLOGIA

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Dentistas vetados em hospitais brasileiros: quem mais perde com isso? Projeto de lei criado há seis anos que previa assistência odontológica a pacientes internados foi considerado inconstitucional pelo presidente Jair Bolsonaro


EDITORIAL ABIMO

FRANCO PALLAMOLLA é presidente da ABIMO.

O mercado de saúde é estratégico em qualquer economia. Em países em desenvolvimento – como o Brasil – é um setor importantíssimo para balizar e fortalecer o crescimento da nação. Integrada a uma economia que busca retomar o rumo do sucesso investindo nas tão almejadas e necessárias reformas, a saúde brasileira consegue destaque no cenário internacional e atrai investimentos da Europa. Oitava maior economia do mundo e principal mercado da América Latina, o Brasil despertou o interesse da empresa mundialmente reconhecida por promover a principal feira de negócios em saúde do mundo: a MEDICA. Organizando há quase cinco décadas a Feira MEDICA na Alemanha, a Messe Düsseldorf encontrou, no Brasil, o caminho para expandir sua atuação junto às nações latino-americanas. Para isso, trará o evento ao nosso território e procurou a ABIMO para apoiar esse grandioso projeto. Para nós da Associação, é muito positivo observar que todo o trabalho de profissionalização que enfatizamos nos últimos anos, somado à nossa dedicação pelo desenvolvimento de um melhor ambiente de 6 ABIMO EM REVISTA SETEMBRO/2019

negócios para a indústria de saúde, vem sendo reconhecido pelo mundo afora. Isso porque, ao procurar a ABIMO com o objetivo de trazer a Feira MEDICA para o Brasil, a Messe Düsseldorf ratifica nossa competência e nosso envolvimento em algumas das principais plataformas de negócios em saúde do mundo. Assim, em 2020, teremos a primeira edição da Feira MEDICA Brasil – Medical Fair Brasil – em São Paulo, para reunir a indústria de saúde. Será um evento capaz de promover a competitividade da indústria nacional ao facilitar a exposição de todas as empresas atuantes no setor. Além disso, permitirá a troca de conhecimentos por meio de uma ampla agenda de conteúdo e uma excelente vitrine para que a sociedade brasileira possa observar, de perto, o elevado grau de inovação que está sendo incorporado nas complexas e múltiplas tecnologias em saúde. A realização da Feira MEDICA Brasil é um grande passo da ABIMO rumo a um ambiente de negócios em saúde mais competitivo, globalizado, motivador e com novas e importantes possibilidades de crescimento.


EDITORIAL SINAEMO

RUY BAUMER é presidente do SINAEMO.

Melhorar o ambiente de negócios é o principal foco da nossa cadeia produtiva da saúde neste período de mudanças significativas no país. De um lado, nossas entidades precisam influenciar e negociar os pontos das reformas que nos afetam diretamente e, de outro, temos que aproveitar a determinação do governo de propor inúmeras pequenas reformas infraconstitucionais para facilitar os processos e gerar novos negócios. São essas alterações que podem afastar do nosso caminho diário os entraves que transformam a vida do empresário brasileiro em um inferno. São essas as mudanças que permitirão direcionarmos nosso foco em inovar, produzir, melhorar, reduzir custos, aumentar a produtividade e, enfim, crescer e criar tanto riquezas quanto empregos. Precisamos entender como as grandes reformas como a da Previdência e a Tributária nos afetam e, juntando forças no setor, tentar evitar prejuízos alterando critérios ou mesmo encontrando opções para a nossa atuação. Se, por exemplo, a Reforma Tributária acabar com a redução de impostos, as tabelas de pagamento do governo serão reajustadas? Pensando nas pequenas reformas, as propostas partem de nós. Somos nós que enfrentamos os entraves e sabemos quais

podem ser os melhores caminhos, o que deve funcionar e, ao menos, o que não deveria existir. Para tudo isso, precisamos da atuação conjunta do empresariado do setor a fim de garantir um ambiente de negócios muito mais alinhado com a nossa realidade e expectativa. Em um cenário que se desenha com boas oportunidades e recebe, inclusive, investimentos internacionais – como a realização da Feira MEDICA Brasil – Medical Fair Brasil – em maio de 2020 –, temos pressa pelo encaminhamento dessas propostas que refletem em saúde e sustentabilidade para o país. Devemos ter força e corpo para aproveitar ao máximo as chances que estão por vir. O SINAEMO, por meio do ComSaude, está atuando nesta frente com a maioria das entidades. E temos o governo atuando conosco, inclusive em Brasília, com grande receptividade. Precisamos das propostas de todos. Não podemos permitir que o assunto esfrie. Se no primeiro semestre tínhamos todo o governo direcionando esforços para tramitar a Reforma da Previdência, é chegada a hora de garantir que mantenha o empenho para trabalhar todas essas pequenas e grandes reformas que estão rascunhadas. SETEMBRO/2019 ABIMO EM REVISTA 7


FEIRAS BHD

BONS RESULTADOS EM TERRITÓRIO NORTE-AMERICANO Par ticipação brasileira em feiras internacionais realizadas nos Estados Unidos superaram as expectativas e geraram excelentes opor tunidades para a indústria nacional

E

ntre junho e agosto deste ano, o Brazilian Health Devices, projeto setorial executado pela ABIMO em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), desembarcou duas vezes na terra comandada por Donald Trump para expor ao mundo algumas das soluções mais interessantes do setor médico-hospitalar e de laboratório brasileiras. Além disso, trouxe na mala novos contratos de comercialização e excelentes expectativas de negócios para os próximos 12 meses. Na Fime (Florida International Medical Equipment Trade), feira considerada a principal do setor médico-hospitalar das Américas, que aconteceu de 26 a 28 de junho em Miami, a indústria brasileira superou em 37% os resultados obtidos na exposição de 2018. “Fizemos contatos com 28 países durante os três dias de evento, e a expectativa de negócios das nossas empresas para os próximos 12 meses é de consolidar US$ 5,2 milhões em novos contratos”, comenta Larissa Gomes, atual supervisora do projeto Brazilian Health Devices.

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FEIRAS BHD

Fizemos contatos com 28 países durante os três dias de evento, e a expectativa de negócios das nossas empresas para os próximos 12 meses é de consolidar US$ 5,2 milhões em novos contratos Larissa Gomes supervisora do projeto Brazilian Health Devices na ABIMO, falando sobre a participação na Fime.

Já no início de agosto, o time reuniu fabricantes brasileiras na AACC, principal e mais importante feira do setor de produtos para laboratório e diagnóstico dos Estados Unidos. No evento que ocorreu de 6 a 8 de agosto na Califórnia, cinco marcas estiveram no pavilhão brasileiro fechando novos negócios e ampliando o relacionamento com clientes e parceiros. Segundo Sthefany Agrella, assistente de promoção comercial da ABIMO que acompanhou a missão, a movimentação no pavilhão brasileiro foi surpreendente. “As empresas brasileiras realizaram mais de 120 contatos durante o evento. Ao longo dos três dias foram fechados US$ 35 mil

em contratos, e a expectativa de novos negócios para os próximos 12 meses ultrapassa US$ 285 mil”, diz. Tanto a Fime quanto a AACC representam excelentes oportunidades para a indústria brasileira fomentar suas relações com todo o continente americano. Para Luiz Guilherme Mucciolo, da Konex, que esteve na Fime, o espaço colaborou de forma significativa para os bons resultados da companhia. “Estamos otimistas, e nosso objetivo é conquistar uma boa penetração no território latinoamericano com distribuidores fortes para, posteriormente, atacar outros mercados como o dos EUA”, destacou. SETEMBRO/2019 ABIMO EM REVISTA 9


FEIRAS BHD

Já a Bioclin – Quibasa, expositora da AACC, reforça que a constância em eventos internacionais é excelente para a estratégia da marca. “Após a nossa participação na AACC no ano passado, iniciamos trabalhos de registro em El Salvador e na Venezuela, país que hoje, inclusive, já se posiciona como nosso segundo melhor mercado no exterior”, declara o gerente comercial Danilo Augusto Teixeira de Andrade. Como resultado da exposição de 2019, o executivo destaca o início de um bom diálogo com a Colômbia. “Estamos há anos tentando contato com o mercado colombiano e agora conseguimos um bom parceiro para tal. Além disso, também fizemos contato pela primeira vez com Porto Rico”, complementa. 10 ABIMO EM REVISTA SETEMBRO/2019

CONHEÇA OS MERCADOS-ALVO DO BRAZILIAN HEALTH DEVICES PARA PERÍODO DE 2019 A 2021 Seguindo seu plano estratégico de estímulo à internacionalização da indústria de saúde brasileira por meio de ações prospectivas e comerciais em todos os continentes, o Brazilian Health Devices definiu seus mercados-alvo para o período entre novembro de 2019 e outubro de 2021. A escolha, feita em parceria com as empresas associadas à ABIMO e participantes do projeto setorial, visa estabelecer os territórios que oferecem as melhores perspectivas de negócios para a indústria nacional, como explica Rafael Cavalcante, coordenador de acesso a


FEIRAS BHD

FIME 2019 Miami, EUA – 26 a 28 de junho CONFIRA AQUI

3 dias de eve nto

14.100 mil visitantes

1.200 expositores no pavilhão

Pavil hã o b ra s i lei ro com 3 3 emp resa s co n q u isto u: ∙ 1.054 contatos comerciais; ∙ US$ 1 milhão em contratos fechados; ∙ US$ 5,2 milhões em expectativa para os 12 meses

seguintes ao evento.

SETEMBRO/2019 ABIMO EM REVISTA 11


FEIRAS BHD

A AC C 2 0 1 9 Califórnia, EUA – 6 a 8 de agosto CONFIRA AQUI

3 dias de eve nto

20.000 mil visitantes

800 expositores no pavilhão

Pavi lhã o b ra s i lei ro com 5 em p resa s co n q uisto u: ∙ 120 contatos comerciais; ∙ US$ 35 mil em contratos fechados; ∙ US$ 285 mil em expectativa para os 12 meses seguintes

ao evento.

12 ABIMO EM REVISTA SETEMBRO/2019


FEIRAS BHD

mercados da ABIMO. “Essa priorização é importante tanto para o melhor andamento do projeto quanto para as empresas, que, muitas vezes, deixam de concentrar seus esforços nas nações que oferecem mais oportunidades, tornando a expansão mais lenta”, pontua. Confira todas as nações que serão amplamente trabalhadas nos próximos anos: Setores médico-hospitalar, de laboratório e reabilitação

Odontologia

Mercados prioritários

Mercados prioritários

África do Sul Arábia Saudita Colômbia Egito Emirados Árabes Indonésia México Rússia

Mercados secundários Argentina Espanha Nigéria Países Baixos Quênia Tailândia

LARISSA GOMES ASSUME SUPERVISÃO DO BRAZILIAN HEALTH DEVICES Em julho deste ano Larissa Gomes, que atua desde 2015 na ABIMO e até então coordenava a promoção comercial do Brazilian Health Devices, assumiu a posição de supervisora do projeto. Graduada em relações internacionais pela Universidade Católica de Brasília e

Argélia Colômbia Estados Unidos Indonésia Irã México Rússia Turquia

Mercados secundários Austrália Costa Rica Egito Marrocos Polônia Singapura

pós-graduada em marketing e gestão pela ESPM – Escola Paulista de Propaganda e Marketing, Larissa trilha um caminho de sucesso junto à organização do projeto setorial que incentiva a internacionalização da indústria de saúde brasileira. SETEMBRO/2019 ABIMO EM REVISTA 13


N I G É R I A E S UA S CARÊNCIAS Brasil reúne competênci as para ampliar qualidade da saúde do “gigante da África”

A

Nigéria batalha para construir um sistema capaz de entregar saúde aos seus 190 milhões de habitantes distribuídos em mais de 920 mil quilômetros quadrados. E a matemática da nação apontada como a “gigante da África” assusta. Segundo projeção da ONU (Organização das Nações Unidas), em 2050 a população da Nigéria deve ultrapassar a marca dos 400 milhões. Ciente dessa projeção, o governo acelera o passo e busca alternativas para melhorar as perspectivas do país. Também em desenvolvimento e igualmente de clima tropical, o Brasil enfrenta desafios similares, mas se posiciona um passo à frente. Hoje, a nação brasileira coleciona competências úteis para a saúde dos nigerianos. Além de uma indústria forte e capaz de suprir as principais demandas internas de produtos e equipamentos médicos, nosso país reúne ampla expertise no diagnóstico e tratamento de


MERCADOS-ALVO

enfermidades tanto infecciosas quanto não transmissíveis que interrompem a vida de milhares de pessoas todos os anos mundo afora. Esse intercâmbio de soluções integrando equipamentos, serviços e expertise é justamente o que o governo da Nigéria busca no Brasil. ATENÇÃO, INDÚSTRIA A indústria brasileira produtora de dispositivos para a saúde enxerga, na

Nigéria, um mercado repleto de oportunidades. Devido a essa carência por soluções no setor – que não conta com fabricação interna significativa –, o país foi selecionado pelo Brazilian Health Devices, projeto setorial executado pela ABIMO em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), como mercado-alvo para a vertical médico-hospitalar, de laboratório e reabilitação no convênio que se estende até 2021. Isso significa que a nação nigeriana será acessada de forma mais intensa com SETEMBRO/2019  ABIMO EM REVISTA 15


MERCADOS-ALVO

ações prospectivas e projetos que levem ao maior reconhecimento da marca Brasil dentro de sua estrutura de saúde. Além da demanda interna – que soa gigantesca –, há outras vantagens em exportar para a Nigéria, e uma delas está no fato de que o país se posiciona como excelente porta de entrada para outros países menores instalados no oeste da África como, por exemplo, Benim, Gana, Libéria e Senegal. Mas, junto às oportunidades geradas por um sistema de saúde em desenvolvimento, no qual há ampla possibilidade de construção de hospitais e real aposta do governo em melhorias no setor, surgem, também, os desafios. Quem opta por exportar para a Nigéria encara uma competição acirrada com marcas chinesas e indianas. “São fabricantes que praticam valores baixos em mercados que não estão acostumados a absorver produtos com alta tecnologia e valor agregado”, comenta Thiago Feubach Otoni, coordenador de exportação da GMReis, analisando os percalços do país africano. Para vencer esse desafio, as fabricantes brasileiras têm uma carta na manga: produção de alta qualidade e preços atrativos. Segundo Rafael Cavalcante, coordenador de acesso a mercados da ABIMO, essa é uma grande vantagem competitiva. “A região como um todo preza por essa boa relação custo-benefício, além disso o 16 ABIMO EM REVISTA  SETEMBRO/2019

Brasil é considerado um parceiro amigável e muito confiável”, relata. Processos regulatórios também exigem estratégia, visto que dispositivos devem ser registrados na NAFDAC (Agência Nacional de Controle e Administração de Alimentos e Medicamentos) e parte dos distribuidores exige certificações internacionais como a FDA e a Marcação CE. Para entrar de vez no mercado nigeriano, o Brazilian Health Devices já tem ações em andamento junto à Nigéria. Entre 9 e 11 de outubro estará presente na Medic West Africa, principal feira do setor de saúde do oeste da África, que será realizada na cidade de Lagos. Na ocasião, a indústria brasileira vai expor o que há de mais moderno sendo fabricado em termos de saúde no país. Clique aqui ou acesse o QR code ao lado para saber mais a respeito da participação do Brazilian Health Devices na Medic West Africa. EXPORTANDO HUMANIZAÇÃO A exportação de saúde do Brasil para a Nigéria não se limita a produtos e equipamentos. Hoje o Brasil leva conhecimento médico ao país, que luta pelo melhor gerenciamento de seus recursos humanos e contra o turismo médico – muitos pacientes viajam para a Índia em busca de tratamentos mais qualificados, direcionando verbas a esta nação e não à Nigéria. Uma das necessidades da Nigéria diz respeito ao câncer de colo de útero, se-


MERCADOS-ALVO

gunda maior causa de morte de mulheres no país. Ao ano, segundo informações da OMS (Organização Mundial da Saúde), são diagnosticados mais de 14 mil novos casos que levam cerca de 8 mil mulheres a óbito. Preocupado com a situação, o governo nigeriano investe em prevenção e tratamento, por isso firmou uma parceria com o Brazilian Health Devices a fim de usar todo o conhecimento brasileiro sobre a patologia para ajudar as mulheres nigerianas. Além de importar soluções, a Nigéria importará nossa expertise, que pode ser comprovada por um estudo recentemente publicado pelo Hospital do Câncer de Barretos, referência em

oncologia no país. Segundo o relatório, a taxa de mortalidade entre as mulheres brasileiras por câncer de colo de útero caiu 34,88% em 14 anos. Esse intercâmbio de conhecimentos em saúde começou a ser desenhado em 2016 diretamente com o ministro da saúde nigeriano, Isaac Adewole, e agora, em 2019, ganha ainda mais notoriedade, pois, além de expor na Medic West Africa, no primeiro dia da feira um time de especialistas da indústria brasileira apresentará o workshop “Saúde da Mulher – Prevenção e Tratamento de Câncer de Colo de Útero”. A ideia é auxiliar o governo da Nigéria na luta contra a doença.

Acesse abaixo ou pelo QR code para saber mais sobre o projeto "Saúde da Mulher – Prevenção e Tratamento de Câncer de Útero". CONFIRA AQUI

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PET SOUTH AMERICA

E L E S S ÃO PA RT E DA FA M Í L I A Tratados com exímio cuidado e atenção, animais de estimação fomentam um mercado que vem desper tando a atenção da indústria de saúde humana

A

vida dos animais de estimação vem mudando de forma notável ao longo dos anos. Cães e gatos aos poucos foram saindo dos quintais para ganhar espaço dentro de casa, no sofá e até na cama dos donos. Acompanham seus tutores em passeios no parque, em almoços e em viagens. E como toda mudança social, essa relação muito mais próxima entre ser humano e animal interferiu diretamente na economia. Não à toa o Brasil se transformou no segundo maior mercado pet do mundo, perdendo apenas para os EUA. 18  ABIMO EM REVISTA SETEMBRO/2019


PET SOUTH AMERICA

P E T V E T 2019 CONFIRA M AIS FOTOS

Em 2018, os brasileiros assistiram ao setor pet movimentar R$ 23 bilhões. E a expectativa de crescimento em 2019 é de 7%. Segundo o IBGE, 45% das residências brasileiras têm pelo menos um cachorro ou um gato. São, ao todo, 65 milhões de domicílios com no mínimo um bichinho de estimação. Tratados como membros da família e até mesmo como filhos, os animais recebem muitos cuidados e atenção. Tanto que, dentro do setor, a vertical com desempenho mais fortalecido é a de pet food, seguida pela de serviços em saúde, que está diretamente vinculada à venda de medicamentos e ao atendimento de hospitais e clínicas. Com uma demanda crescente pela manutenção da qualidade de vida dos animais de estimação, a indústria de saúde que antes estava dedicada apenas à fabricação de tecnologias para saúde humana ligou seus alertas e passou a observar o mercado veterinário com outros olhos. Assim, o que antes parecia apenas uma marola, tornou-se uma onda digna dos grandes surfistas.

“Fui aprendendo que o convívio entre humanos e animais está cada dia mais íntimo. Ao mesmo tempo, noto que toda essa tecnologia desenvolvida pela indústria de saúde humana está chegando de forma bastante acelerada à área veterinária. Assim, é preciso que todos nos acostumemos a essa ideia pois não tenho dúvidas da relevância e grandeza deste mercado”, relata Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO. OS NÚMEROS NÃO MENTEM Com dados atualizados sobre o mercado, Diego de Carvalho, diretor da NürnbergMesse Brasil – empresa que organiza a PET South America, maior feira latino-americana do setor –, afirma que os tempos realmente são outros. “O mercado pet definitivamente passou a ser encarado como bus iness, e nosso papel é justamente mostrar as inúmeras oportunidades de negócios dentro deste setor”, comenta apresentando dados que consolidam essa perspectiva SETEMBRO/2019 ABIMO EM REVISTA  19


PET SOUTH AMERICA

Este é um dado bastante relevante para fomentar a indústria focada em insumos e produtos para laboratório. Analisando de forma bruta, teríamos uma margem de aproximadamente 20 mil exames mensalmente nos hospitais veterinários do país Rejane Dias gerente de marketing da ABIMO

de desenvolvimento. Hoje o cenário pet brasileiro conta com 18.205 clínicas de atendimento 24 horas, 9.220 consultórios, 667 hospitais, 1.364 laboratórios, 104 ambulatórios e 158 mil médicos veterinários ativos. Somente esses números seriam suficientes para despertar o interesse estratégico da indústria de saúde humana. 20  ABIMO EM REVISTA SETEMBRO/2019

Mas o mercado traz ainda mais motivos para que essas fabricantes nacionais dediquem tempo e esforços a compreender as necessidades de um setor em plena expansão. Uma pesquisa realizada pela ABIMO em parceria com a ABHV (Associação Brasileira dos Hospitais Veterinários) coletou dados junto a 41 associadas à ABHV e levantou um panorama sobre a prevalência de equipamentos e insumos de uso humano nos hospitais veterinários. Segundo o estudo, 10% dos estabelecimentos abordados garantem ter mais de 20 equipamentos de saúde humana em seus espaços, o que é uma informação extremamente compreensível tendo em vista que muitos dos artigos e equipamentos fabricados pela indústria de saúde brasileira podem ser adaptados para uso em hospitais e clínicas veterinárias. Das instituições entrevistadas, 46% realizam mais de 30 procedimentos cirúrgicos por mês. E, se cirurgias estão sendo feitas, há uma demanda enorme por instrumentais e suprimentos cirúrgicos, bem como por anestesias, cateteres, agulhas, sondas e descartáveis. Partindo para a segmentação de diagnóstico, fundamental para balizar decisões clínicas, 95% dos estabelecimentos entrevistados afirmaram realizar mais de 30 exames laboratoriais ao mês; e os 5% restantes confirmaram atingir pelo menos 21 exames a cada 30 dias. “Este é um dado bastante relevante para fomentar a indústria focada em insumos e produtos para laboratório. Analisando de forma bruta, teríamos uma margem


PET SOUTH AMERICA

A U B I M O N A P E T V E T 2019 CONFIRA M AIS FOTOS

de aproximadamente 20 mil exames mensalmente nos hospitais veterinários do país”, comenta Rejane Dias, gerente de marketing da ABIMO e uma das responsáveis pela consolidação da pesquisa. A vertical de odontologia também se destaca, já que o estudo mostra que 83% dos participantes afirmaram realizar, mensalmente, até 10 procedimentos cirúrgicos relacionados à saúde bucal dos animais. Além disso, a maioria dos entrevistados gasta mais de R$ 20 mil mensais em materiais de consumo, e 70% dos estabelecimentos que participaram da pesquisa afirmaram comprar prioritariamente da indústria nacional. Todos esses números são a comprovação de que há muito território para a indústria de saúde explorar. ABIMO NA PET VET 2019 Atenta a essa movimentação significativa do mercado, a ABIMO investiu em uma participação ativa e inédita

na PET VET 2019, evento reconhecido como o maior de medicina veterinária da América Latina e que aconteceu em São Paulo, dentro da PET South America, entre 21 e 23 de agosto. O Pavilhão ABIMO, com cinco fabricantes nacionais apresentando soluções e tecnologias para o setor pet, fechou R$ 225.100 em pedidos e gerou uma expectativa de R$ 836.800 em novos negócios para os próximos 12 meses. Participaram do espaço Deltronix, Dorja, Labtest, MedCir e Olsen. Clique aqui ou acesse o QR code ao lado para conferir como foi o Pavilhão ABIMO e saber a opinião de todas as marcas participantes. A ABIMO também marcou presença em outros acontecimentos ao longo dos três dias de evento: com a NürnbergMesse Brasil e a ABHV, promoveu uma reunião exclusiva para associados a fim de mostrar, em números, a relevância do mercado pet; também fomentou uma rodada de negócios em parceria com a organizadora da feira para que as expositoras do Pavilhão ABIMO fizessem contato direto com clínicas e hospitais. Além disso, foi uma das debatedoras de uma mesa-redonda criada para discutir ideias sobre como ampliar a rentabilidade e as fronteiras dos negócios da medicina veterinária a partir dos casos da medicina humana. Clique aqui ou acesse o QR code ao lado para conferir a cobertura completa da ABIMO na PET VET 2019. SETEMBRO/2019 ABIMO EM REVISTA  21


PET SOUTH AMERICA

O B RA S IL TEM

MA IO R D O MU N D O EM C A ES, G ATO S, AVES C A N O RA S E O RN AMENTA IS

MILH O ES D E PETS

MA IO R D O MU N D O EM PO PU LA C A O TOTA L D E A N IMA IS D E ESTIMA C A O

154 Fonte: Euromonitor

45%

D A S RES ID EN C IA S B RA S ILEIRA S TEM PELO MEN O S UM C A C H O RRO O U G ATO

Fonte: IBGE

O S TUTO RES G A STAM EM MED IA R$ 390 PO R MES C OM S EU S PETS, S EN D O PRIMEIRO MA IO R

23

G A STO MA IO R C OM A LIMENTO S E O S EG U N D O C OM MED IC AMENTO S

B ILH O ES FO I O FATU RAMENTO D O MERC A D O PET EM 2018 EXPECTATIVA E CRESCER 7% EM 2019

Fonte: IBGE e Adinpet

Fonte: Adinpet e Instituto Pet Brasil

NOS ESTABELECIMENTOS VETERINARIOS:

MERC A D O PET E VETERI N A RI O N O B RA S I L C O NTA C OM:

46% realizam mais de 30 procedimentos cirúrgicos ao mês 83% realizam de 3 a 10 procedimentos cirúrgicos

odontológicos por mês

95% realizam mais de 30 exames laboratoriais por mês 39% afirmam gastar mais de R$ 20 mil por mês em

materiais de consumo

7% somente compram insumos da indústria nacional 44% têm pelo menos 5 equipamentos médico-hospitalares

de uso comum para humanos em suas instalações

9,75% têm mais de 20 equipamentos médico-hospitalares de

uso humano em utilização nos estabelecimentos veterinários: instrumentais cirúrgicos e insumos em geral, raio X, ultrassom, ECG, respiradores, bombas de seringa, focos cirúrgicos, descartáveis e muitos outros *Pesquisa feita com 41 estabelecimentos (hospitais, clínicas e centros de diagnóstico) associados à ABHV

22  ABIMO EM REVISTA SETEMBRO/2019

- 158 mil veterinários ativos - 18.205 clínicas 24 horas - 667 hospitais - 9.220 consultórios - 1.364 laboratórios - 104 ambulatórios - 406 universidades de veterinária Fonte: CFMV e ABHV


PET SOUTH AMERICA

CALENDÁRIO DE EVENTOS ABIMO & COMSAUDE E V E N TO 9 a 10/set 10/set 11 a 13/set 15/set

ABIMO Avaliação Clínica de Dispositivos Médicos

São Paulo/SP

ComSaude Fórum de Cooperação Universidade e Empresa - Bioenergia ABIMO Medical Fair Thailand

São Paulo/SP Tailândia

ComSaude Mais Saúde - Doação de Órgãos

São Paulo/SP

ABIMO Rehacare | International Trade Fair for Rehabilitation and Care

Alemanha

ABIMO Treinamento Marcação CE

São Paulo/SP

23 a 24/set

ABIMO Formação de Auditores Internos

São Paulo/SP

26 a 27/set

ABIMO Monitorização pós-comercialização incluindo vigilância

São Paulo/SP

18 a 21/set 19/set

4/out 9 a 11/out 11/out 16 a 18/out 18/out 18 a 20/out 25/out 23 a 25/out 28/out 18 a 21 /nov

ComSaude Eficiência na Gestão de Saúde Corporativa ABIMO Medic West Africa

São Paulo/SP Nigéria

ComSaude Encomenda Tecnológica

São Paulo/SP

ComSaude Mais Saúde - Outubro Rosa

São Paulo/SP

ComSaude Encontro com Paulo Hartung

São Paulo/SP

ABIMO World Dental Show ComSaude Mais Saúde - Saúde Bucal ABIMO Hospitalmed ComSaude Seminário - Anemia Falciforme ABIMO Medica

Índia São Paulo/SP Recife/PE São Paulo/SP SETEMBRO/2019 ABIMO EM REVISTA  23

Alemanha


PET SOUTH AMERICA

24  ABIMO EM REVISTA SETEMBRO/2019


FEIRA MEDICA AG O R A N O B R A S I L A par tir de 2020, o Brasil passa a fazer par te do calendário do maior evento mundial para o setor de saúde; ABIMO apoia a realização da Feira MEDICA Brasil

O

Brasil é o oitavo maior mercado de saúde do mundo. Possui, segundo o Ministério da Saúde, mais de 6 mil hospitais e cerca de dois médicos para cada mil habitantes, além de mais de 2 milhões de enfermeiros, técnicos e auxiliares. Tem o SUS (Sistema Único de Saúde) como referência mundial de modelo de saúde pública, um sistema que, embora ainda


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Messe Düsseldorf na abertura da feira Medica 2018. Foto: Giseli Bueno/Agência Elemento.

necessite de avanços, representa um grande mercado para a indústria. Anualmente, o setor de saúde brasileiro movimenta cerca de R$ 25 bilhões e garante emprego para aproximadamente 100 mil pessoas. O tamanho do Brasil, bem como suas oportunidades, despertou a atenção da Messe Düsseldorf, organizadora da Feira MEDICA. O evento é realizado anualmente na Alemanha e é reconhecido como o maior do setor de saúde do mundo por reunir mais de 5.200 expositores e 120 mil visitantes, estimulando a realização de negócios no trade por todo o globo. Com base em todos esses pontos positivos visualizados no território brasileiro,

a Messe Düsseldorf trará a Feira MEDICA para o Brasil, e a primeira edição do evento já tem data marcada: entre 5 e 8 de maio de 2020 no Expo Center Norte, em São Paulo. A tradicional feira alemã já é realizada em 13 países e vê, no Brasil, um hub para o mercado latino-americano, potencializando a geração de negócios para a indústria de saúde local. Para Franco Pallamolla, presidente da ABIMO, essa é uma excelente oportunidade que agrega também um grande reconhecimento do trabalho da entidade no segmento. “A ABIMO, trabalhando pelo desenvolvimento da saúde brasileira e atendendo às necessidades desse SETEMBRO/2019 ABIMO EM REVISTA  27


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ABIMO & MESSE DÜSSELDORF Assinatura do termo de colaboração

complexo setor, aceitou o convite para ser parceira da Feira MEDICA Brasil, o que mostra não só a confiança dos organizadores em nossa competência e história, mas também o nosso comprometimento em sempre buscar e oferecer o melhor aos nossos associados”, disse Franco Pallamolla, presidente da Associação. Apoiadora do projeto, a entidade foi essencial para o desembarque do evento no país. Em uma solenidade realizada na Fiesp, as instituições se reuniram para assinar o termo de colaboração. Na ocasião, 28 ABIMO EM REVISTA SETEMBRO/2019

CONFIRA M AIS FOTOS

estiveram presentes os executivos alemães Wolfram Diener e Horst Giesen, da Messe Düsseldorf; Malu Sevieri, diretora da Emme Brasil, representante nacional da organizadora alemã; Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO; e Ruy Baumer, presidente do SINAEMO. Para Diener, que traz toda a sua expertise na direção das feiras de saúde da Messe Düsseldorf para o Brasil, as oportunidades encontradas no país são extremamente relevantes. “O Brasil é uma das principais economias da América


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CONFIRA OS VALORES PARA PARTICIPAR DA FEIRA MEDICA BRASIL Metro quadrado: R$850,00 m2 Associados ABIMO: R$750,00 m2 Contato comercial: Entre em contato pelo e-mail contato@emmebrasil.com.br ou pelo telefone +55 11 2365-4336. Tire suas dúvidas e faça sua reserva!

A ABIMO, trabalhando pelo desenvolvimento da saúde brasileira e atendendo às necessidades desse complexo setor, aceitou o convite para ser parceira da Feira MEDICA Brasil, o que mostra não só a confiança dos organizadores em nossa competência e história, mas também o nosso comprometimento em sempre buscar e oferecer o melhor aos nossos associados Franco Pallamolla presidente da Associação

Latina e há muito o que trabalhar no trade de saúde brasileiro”, explica. Reunindo todos os principais players mundiais do segmento, a MEDICA tem sido uma excelente plataforma de negócios para o setor e, na edição brasileira, não será diferente, visto que a organização espera trazer, para a primeira edição do evento, 20 pavilhões internacionais. Na assinatura da parceria, Fraccaro destacou que a demanda pelo evento já existia no Brasil e a cooperação entre a ABIMO e a Messe Düsseldorf criará a

plataforma ideal para as empresas apresentarem suas inovações e conhecerem os principais tomadores de decisão do mercado. “Não há dúvidas de que estamos dando um grande passo na história da ABIMO. Talvez um dos mais importantes”, comentou. O superintendente mencionou que a diretoria da Associação aprovou essa ação por acreditar que este é o momento ideal para ofertar, à indústria, uma exposição com custo mais efetivo para participação. Devido à parceria com a Messe Düsseldorf, SETEMBRO/2019 ABIMO EM REVISTA  29


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os associados à ABIMO têm condições especiais para participar da Feira MEDICA Brasil. O Brasil é uma das principais economias da América Latina e há muito o que trabalhar no trade de saúde brasileiro Wolfram Diener Messe Düsseldorf

Não há dúvidas de que estamos dando um grande passo na história da ABIMO. Talvez um dos mais importantes Paulo Henrique Fraccaro superintendente da ABIMO

B H D na Med ic a 2018 CONFIRA M AIS FOTOS

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ABIMO E MESSE DÜSSELDORF Antes de colaborar estrategicamente para trazer a maior feira de saúde para o Brasil, a ABIMO já atuava em outras edições das exposições do setor organizadas pela Messe Düsseldorf no mundo, sempre por intermédio do Brazilian Health Devices, projeto setorial executado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para internacionalização da indústria de saúde brasileira. Foi no ano de 2002 que empresas brasileiras pisaram pela primeira vez no pavilhão oficial do Brasil na MEDICA, em Düsseldorf, na Alemanha. Nessa época, o Brasil praticamente não exportava produtos médicos e importava quase tudo o que aqui era consumido no segmento de


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equipamentos de ponta e produtos com alto grau de sofisticação. “Era uma época em que a indústria não estava tão preparada para a exportação”, comenta Larissa Gomes, supervisora do projeto Brazilian Health Devices na ABIMO. “A ida das fabricantes nacionais pela primeira vez à MEDICA foi, com certeza, um grande marco na trajetória do país. E o progresso foi sendo notado ano a ano. Tanto que na edição de 2018 o resultado do pavilhão brasileiro foi surpreendente: foram firmados US$ 1,7 milhão em contratos, e a expectativa de negócios gerada para os 12 meses seguintes ao evento foi de US$ 14,5 milhões”, complementa Larissa. Além de levar a indústria de saúde brasileira para a MEDICA na Alemanha, o Brazilian Health Devices também organiza pavilhões brasileiros em outras edições do evento realizadas pela Messe Düsseldorf em países como Tailândia, Índia, Singapura e Colômbia. O projeto também participa ativamente da

Rehacare, evento da organizadora alemã que trabalha especificamente com produtos e soluções para reabilitação e também ocorre na Alemanha. FEIRA MEDICA BRASIL A ser realizada no Expo Center Norte, espaço de eventos em São Paulo amplamente conhecido pela comunidade de saúde, a Feira MEDICA Brasil estará dividida de forma a acomodar estrategicamente todos os players do setor. Para tal, o pavilhão estará dividido em áreas dedicadas a TI, reabilitação, fornecedores para laboratórios e consumíveis, além de um espaço dedicado a hospitais e clínicas. Mais detalhes sobre a organização da feira você pode conferir na página 34 desta edição da ABIMO em Revista, na entrevista exclusiva feita com Wolfram Diener.

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“NÃO É O TAMANHO DO MERCADO QUE NOS IMPORTA, MAS A QUALIDADE DOS PARCEIROS QUE CONQUISTAMOS PELO MUNDO”, DIZ WOLFRAM DIENER Diretor geral da Messe Düsseldor f enfatiza a parceria com a ABIMO na construção da Feira MEDICA Brasil

Tra ze r a p r i n c i p a l fe i ra d e s a ú d e d o m u n d o p a ra o B ra s i l é m a i s u m projeto audacioso da Messe Düsseldor f no mundo. Com 13 feiras de sucesso no setor circulando por diversos continentes, a empresa alemã investe na América Latina e promove, em parceria com a ABIMO, a primeira edição da Feira MEDICA Brasil. O evento, que será realizado entre 5 e 8 de maio de 2020 no Expo Center Nor te, e m S ã o Pa u l o , e s t á g e ra n d o e xc e l e n t e s expectativas tanto no mercado nacional quanto no internacional. Para falar a respeito do projeto e especificar todos os detalhes da idea l i z a ç ã o d a fe i ra , a A B I M O e m R e v i s t a conversou com Wolfram Diener, d iretorg e ra l d a M e s s e D ü s s e l d o r f , q u a n d o e l e esteve no Brasil para assinar o termo de cooperação com a Associação.


PING-PONG

ABIMO em Revista – Quem é a Messe Düsseldorf? Wolfram Diener – A Messe Düsseldorf conta com cerca de 2 mil colaboradores no mundo e temos, consolidada, uma estratégia de longo prazo para feiras em diferentes verticais. Ao todo realizamos mais de 120 feiras industriais com parceiros estratégicos para atender às demandas de setores como impressão, plástico, embalagens, vinhos, vidro e outros. Na área da saúde, começamos com a MEDICA na Alemanha há 48 anos, em Düsseldorf, e com o passar dos anos desenvolvemos vários spin-offs dela ao redor do globo. Hoje temos 13 feiras acontecendo dentro do nosso calendário de saúde.

ABIMO em Revista – E por que a empresa mira o mercado brasileiro? Wolfram Diener – O Brasil é, para nós, o maior mercado da região latino-americana e fazemos negócios com empresas brasileiras há mais de 20 anos. É a economia mais forte da América do Sul. Um país singular que, com certeza, atuará como hub da representação da Feira MEDICA na região. Na área de saúde, o Brasil vem se transformando no ponto de encontro de toda a comunidade sul-americana, o que torna o país extremamente representativo para a Messe Düsseldorf. Por aqui há demanda para a realização de feiras desse porte.

SETEMBRO/2019 ABIMO EM REVISTA  33


PING-PONG

ABIMO em Revista – Quais são as atuações da marca na América Latina e como a inserção no Brasil pode alavancar os negócios? Wolfram Diener – Dentro do nosso calendário de feiras de saúde contamos com a MEDITECH em Bogotá, na Colômbia, evento realizado a cada dois anos em julho. Nossa meta é transformar a Feira MEDICA Brasil, que será realizada em parceria com a ABIMO, na principal plataforma de eventos do setor médicohospitalar do país. Assim, junto à nossa rede mundial formada por 75 representantes estrangeiros e 12 subsidiárias, promoveremos o marketing das feiras de saúde em mais de 130 países. Tudo isso, que está totalmente alinhado com os nossos objetivos estratégicos, contribuirá para a organização e a expertise da Messe Düsseldorf no segmento. ABIMO em Revista – Por que a Messe Düsseldorf escolheu a ABIMO? Wolfram Diener – A filosofia da Messe Düsseldorf sempre foi cultivar parcerias de longa data para planejar e desenvolver feiras de negócios. Não é o tamanho do mercado que nos importa, mas a qualidade dos parceiros que conquistamos pelo mundo. Temos uma longa relação de confiança com a ABIMO e aprendemos que, para ter sucesso em feiras regionais, é preciso contar com parceiros de peso. A colaboração é o principal fundamento para gerar frutos em uma parceria. Reconhecemos a força da Associação em

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promover negócios junto ao trade de saúde local. Sem o suporte da ABIMO nós provavelmente não conseguiríamos realizar a feira no Brasil. ABIMO em Revista – Como tem sido a experiência da Messe Düsseldorf com a ABIMO em outras feiras internacionais de saúde? Wolfram Diener – A ABIMO coopera conosco em diversas feiras de saúde, inclusive na MEDICA, na Alemanha, que tem uma ampla relevância no setor. Por meio do Brazilian Health Devices – e com o intermédio da Emme Brasil, representante da Messe Düsseldorf entre os brasileiros –, temos uma relação bastante próxima com a cadeia produtiva brasileira que expõe em nossas feiras pelo mundo. Inclusive em eventos mais específicos como a Rehacare, que trabalha especificamente produtos e soluções para reabilitação e também ocorre na Alemanha. ABIMO em Revista – O que espera desta primeira edição e quais serão os esforços da Messe na divulgação do evento no Brasil para todos os seus contatos em escala mundial? Wolfram Diener – Estamos confiantes de que a ABIMO contribuirá de forma excepcional para a Feira MEDICA Brasil, transformando-a em um empreendimento de muito sucesso e num atrativo para compradores de toda a cadeia de saúde. Sabemos que nenhuma feira setorial se


PING-PONG

torna um blockbuster do dia para a noite. Por isso encaramos esse desafio com paciência e persistência para que possamos desenvolver e maturar a ideia ao longo dos próximos anos. Estamos com grandes investimentos em marketing a fim de que a Feira MEDICA Brasil seja relevante para o mercado. Nossa expectativa não é a lucratividade nesse momento, mas sim o desenvolvimento de algo que seja relevante para o mercado e contribua para a indústria de saúde brasileira. ABIMO em Revista – Como a Messe Düsseldorf planeja organizar o pavilhão tendo, como base, sua ampla expertise na organização da MEDICA anualmente na Alemanha? Wolfram Diener – Assim como é feito na MEDICA, em Düsseldorf, a feira estará dividida para acomodar todos os players da área de saúde. A exposição terá várias sessões, entre elas TI, reabilitação, fornecedores para laboratórios e consumíveis. Também teremos um espaço para empresas que oferecem serviços a hospitais e clínicas. Como essas soluções – entre elas alimentos e limpeza, por exemplo – costumam ser fornecidas por pequenas e médias empresas do setor, elas estarão em grupo, facilitando a adesão delas à feira. ABIMO em Revista – E quanto aos expositores internacionais que trazem grande peso ao evento?

Wolfram Diener – A Messe Düsseldorf tem uma grande representação internacional, e a nossa ideia é replicar isso no Brasil. Realizamos o evento na Alemanha desde 1972, o que nos permitiu contribuir para o desenvolvimento do setor em escala mundial e, principalmente, criar relacionamento com os principais players de saúde do mundo. Assim, teremos empresas nacionais e estrangeiras expondo na Feira MEDICA Brasil. Quem entrar no evento terá, à direita, uma área voltada a fornecedores brasileiros e, à esquerda, os pavilhões internacionais. Estamos esperando para esta primeira edição 20 pavilhões internacionais. ABIMO em Revista – Os associados ABIMO terão vantagens para expor? Wolfram Diener – Os associados à ABIMO já iniciam com benefícios para expor na Feira MEDICA Brasil. Nosso objetivo, e falo em nome da parceria entre a Messe Düsseldorf e a ABIMO, é promover o desenvolvimento conjunto do mercado de saúde local. Além de descontos para a aquisição de espaços e um preço extremamente atrativo por metro quadrado no pavilhão de exposições, há o fato de que o evento será realizado em um local conhecido da comunidade de saúde. E, sabendo que os associados da ABIMO fazem parte desta construção de sucesso da feira, queremos garantir que sejam muito bem assessorados nessa exposição.

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OS DADOS DA PESSOA E SUA PROTEÇÃO NO BRASIL A NOVA LEI

N

ão é de hoje que os cidadãos enfrentam severos transtornos pela divulgação, desautorizada, de seus dados pessoais, muitos deles delicados e protegidos pela garantia constitucional da intimidade. Os vazamentos de dados são constantes e reiterados, havendo, por trás da conduta do agente, ou a intenção deliberada de, com o vazamento, obter alguma vantagem, ou criar algum transtorno, ou, simplesmente, pura negligência ou desídia. Mas de onde partem esses vazamentos? De que forma? Quem enfim os coletou a ponto de, por dolo ou culpa, torná-los públicos sem consentimento de seu titular? Como foram captados? Essas são perguntas frequentes, cujas respostas têm espectro amplo. Mas cuidamos aqui dos dados que empresas, em sua atividade, com consciência ou não, para fins comerciais ou não, acabam captando


SINAEMO

e armazenando, dados esses de pessoas físicas (pessoas naturais, na dicção legal), como consumidores, empregados, fornecedores, etc. que, muitas vezes, sequer sabem que tenham sido colhidos e armazenados. Referimo-nos a dados essenciais, outros tantos sensíveis, como nome, filiação, domicílio e residência, gênero, religião, entre outros. Daí a preocupação, mundo afora, quanto à criação de normas que protejam, com mais efetividade, captação, armazenamento, tratamento/utilização e mesmo descarte dos dados pessoais dos cidadãos. No Brasil, a exemplo do que ocorreu na Europa com a edição do GPDR (General Data Protection Regulation), foi editada a Lei 13.709, em 2018, denominada Lei Geral de Proteção de Dados, ou, simplesmente, LGPD. Ao lado do marco civil da internet e da nova Lei de Introdução ao Direito Brasileiro, a LGPD vem tarde, mas não sem tempo, atendendo a um anseio social próprio de tempos modernos e representando um marco normativo eficaz para regulação e proteção de dados pessoais no território nacional. Basicamente, e em explicação bastante simples, a nova lei conceitua o que são dados pessoais e como as empresas podem captá-los, tratá-los, usá-los e descartá-los; cria uma autoridade nacional (espécie de agência reguladora), que será, como o nome diz, a palavra final, estatal, quando a questão forem dados pessoais e distorções em sua utilização; direciona obrigações e deveres importantes às pessoas jurídicas que, em qualquer

medida, obtenham dados pessoais; impõe, por fim, severas penalidades quando do uso inadequado ou não consentido deles. A interpretação da lei deverá ser feita de acordo com os demais diplomas legais vigentes, o que demandará das empresas, além da implantação de um programa específico de compliance de dados, uma rigorosa harmonização entre a LGPD e esses diplomas legais já existentes. Além disso, salvaguardas devem ser estabelecidas quanto às operações das empresas em relação aos dados pessoais de outrem, uma vez que o ônus da prova poderá pertencer à parte controladora desses dados. Enfim, trata-se de um novo paradigma que inspira – não só pela própria natureza social e protetiva da norma, mas, especialmente, por sua natureza sancionadora – um novo posicionamento das empresas, as quais, a partir de agosto de 2020 (data em que a lei entrará integralmente em vigor) – sejam elas de qualquer ramo de atividade ou mercado, de qualquer porte, públicas ou privadas –, deverão voltar seus olhos à implementação de políticas de governança mais seguras, eficazes e abrangentes, além de estar em plena conformidade com as novas imposições legais, sob pena de amargarem as sanções da lei caso não cumpram as novas regras.

Antonio Carlos Ferreira de Araujo, Sócio do Honda, Teixeira, Araujo, Rocha Advogados

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O QUE MUDOU NOS PROCESSOS DE ESTERILIZAÇÃO POR ÓXIDO DE ETILENO? Publicação da RDC nº 291 ampliou os critérios para liberação de lotes de di spositivos médicos novos esterilizados dentro desta modalidade

A

té pouco tempo atrás, a indústria brasileira que utilizava óxido de etileno para esterilizar seus dispositivos médicos obrigatoriamente devia submetê-los a uma dupla checagem composta tanto pelo indicador biológico quanto pelo teste de esterilidade para a liberação e comercialização. Esse era um requisito imposto pela Portaria Interministerial 482/1999, uma legislação antiga que não mais atendia às necessidades das fabricantes, estando inclusive desalinhada com as regras internacionais. Porém, em 26 de junho, com a publicação da RDC nº 291 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o processo foi otimizado. O novo regulamento passou a permitir a liberação paramétrica e o uso de indicadores biológicos como parte do controle do monitoramento e rotina das cargas processadas de dispositivos médicos novos esterilizados por óxido de etileno. Segundo o texto, a adoção da liberação paramétrica – que exime os fabricantes de a cada lote esterilizado realizar os ensaios


REGULACÃO

[...] as fabricantes devem fazer uma análise crítica avaliando o impacto das alterações no processo de esterilização atualmente validado a fim de justificar a necessidade – ou não – de uma requalificação ou mesmo de uma nova validação Joffre Moraes gerente de estratégia regulatória da abimo

de esterilidade em 7 e 14 dias – está atrelada ao atendimento prévio dos requisitos para desenvolvimento, validação e controle de rotina dos processos de esterilização conforme a norma ABNT NBR ISO 11135:2018 e suas atualizações. “Neste contexto, as fabricantes devem fazer uma análise crítica avaliando o impacto das alterações no processo de esterilização atualmente validado a fim de justificar a necessidade – ou não – de uma requalificação ou mesmo de uma nova validação”, comenta Joffre Moraes, gerente de estratégia regulatória da ABIMO.

A RDC nº 291 soa como uma boa conquista para a indústria de materiais médicos, odontológicos, hospitalares e de laboratórios. “Essa foi uma grande vitória para o nosso setor, que sofria com uma legislação ultrapassada enquanto tantos outros países já contavam com uma legislação atualizada. Agora a indústria de saúde brasileira encontrará um mercado mais justo para competir”, comenta Walban Damasceno de Souza, conselheiro titular da ABIMO. SETEMBRO/2019 ABIMO EM REVISTA  39


REGULAÇÃO

IMPACTO FINANCEIRO Pacientes que necessitam de um stent especial, por exemplo, desenhado sob medida para atender a alguma especificidade da sua anatomia, antes eram obrigados a aguardar o prazo de 14 dias para a liberação do produto. Hoje, com a nova legislação, temos como entregar esse produto especial de forma muito mais rápida, pois a nossa produção é ágil e não temos problemas de demora, também, na liberação por parte da Anvisa Sandro Ottoboni representante da direção da Braile Biomédica

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Segundo Damasceno, a nova norma traz um alívio para as finanças desses fabricantes. “O fabricante nacional arca com altos encargos por ser obrigado a manter os produtos estocados por 14 dias para a conclusão do teste microbiológico. Com a evolução da tecnologia, métodos mais novos – como a liberação paramétrica – são capazes de confirmar de forma mais ágil e ainda mais segura se a carga de esterilização aplicada a cada produto foi eficiente”, explica. Atuando desde 1977 com o desenvolvimento de tecnologia em saúde, a Braile Biomédica sentiu mudanças positivas imediatamente após a publicação. Segundo Sandro Ottoboni, representante da direção da marca, o custo para manter a produção em estoque ao longo desses


REGULACÃO

14 dias era altíssimo. “Tínhamos um almoxarifado só para isso”, diz. Com esterilização terceirizada, a empresa agora libera a sua produção utilizando o indicador biológico de 48 horas. “Como somos exportadores, já seguíamos todas as normas internacionais e precisamos apenas alterar o procedimento interno. E tudo isso desafogou o nosso trabalho”, afirma. Para Maria Emília, da Inspecta, consultoria especializada em sistemas de gestão da qualidade e certificação de produtos para a saúde, a publicação da RDC nº 291 traz benefícios para a cadeia de atendimento. “Com essa norma temos um controle muito maior da esterilização que beneficia tanto o hospital quanto o médico e os pacientes que passarão por procedimentos cirúrgicos. É um grande ganho para a

saúde pública por reduzir de forma brusca o risco de um produto ser liberado sem a esterilização devida”, pontua. Além disso, ao otimizar os processos de esterilização, promovendo maior agilidade e mais fluidez na entrega, a resolução garante vantagens inclusive para alguns pacientes com cardiopatias. É o que explica Ottoboni: “Pacientes que necessitam de um stent especial, por exemplo, desenhado sob medida para atender a alguma especificidade da sua anatomia, antes eram obrigados a aguardar o prazo de 14 dias para a liberação do produto. Hoje, com a nova legislação, temos como entregar esse produto especial de forma muito mais rápida, pois a nossa produção é ágil e não temos problemas de demora, também, na liberação por parte da Anvisa”, finaliza. SETEMBRO/2019 ABIMO EM REVISTA  41


DENTISTAS VETADOS EM HOSPITAIS BRASILEIROS: QUEM MAIS PERDE COM ISSO? Projeto de lei criado há seis anos que previa assistência odontológica a pacientes internados foi considerado inconstitucional pelo presidente Jair Bolsonaro

O

veto do presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre a obrigatoriedade de o governo prestar assistência odontológica a pacientes internados em hospitais abriu espaço para novos debates sobre a eficiência e aplicabilidade da pauta dentro do atual cenário de saúde no Brasil. Criado há seis anos, o PLC nº 34/2013 – que tornava indispensável a assistência dos cirurgiões-dentistas em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) – havia sido aprovado no Senado em abril. Mas o desfecho foi diferente. Ao vetá-lo no dia 5 de junho, Bolsonaro alegou inconstitucionalidade da matéria. O presidente afirmou que a medida violaria a Lei de Responsabilidade Fiscal, já que aumentaria a despesa pública obrigatória. Com profissionais, entidades e especialistas apontando prós e contras, o momento exige cautela. “Quando temos um tema de grande complexidade como este, no qual surgem pontos positivos e pontos que merecem análise criteriosa, nós, como Associação, buscamos caminhos para trazer cada vez mais esclarecimentos”,


ODONTOLOGIA

pontuou Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO, logo após encerrar uma reunião junto a associadas do setor de odontologia e que teve, como uma das pautas, o PLC nº 34/2013. Para Wilson Chediek, presidente da APCD (Associação Paulista de CirurgiõesDentistas), o veto gera prejuízos à saúde da população. “É um desrespeito aos direitos constitucionais garantidos e cabe, ao Poder Público, obrigatoriamente, zelar pela sua

execução de acordo com os dispositivos constitucionais”, pontua. Também dentista, Regiane Marton, presidente da Kulzer Brasil e conselheira fiscal da ABIMO, enumera algumas doenças que se originam na boca, seja por falta de higiene, seja por cárie ou por um canal não tratado. “Há casos desde problemas gastrointestinais até endocardite bacteriana por conta da condição oral do paciente. Quando você tem o dentista dentro do hospital – de médio e grande porte – trabalhando em conjunto para promoção de saúde, é possível prevenir”, afirma Regiane. SETEMBRO/2019 ABIMO EM REVISTA  43


ODONTOLOGIA

Em um ambiente hospitalar pode ocorrer também o caminho inverso: doentes graves chegam a ter gengivas e dentes comprometidos. Diabetes não controlada e doenças renais levam à periodontite, por exemplo. Pacientes com câncer podem sofrer de amolecimento dental. “Há doenças que inflamam e infeccionam a gengiva. Por sua vez, a gengiva infeccionada carrega bactérias para outros órgãos via corrente sanguínea, como coração e fígado. Claro, há condição de higiene que pode ser feita pelo enfermeiro. Mas a função do dentista vai além. Ele pode, além de orientar os profissionais do hospital, notar se há focos infecciosos na boca dos pacientes”, detalha Regiane. Chediek complementa que o controle das doenças bucais, a descoberta de focos infecciosos, o acompanhamento e o tratamento são medidas relevantes que apresentam urgência para prevenção e controle, “bem como para restabelecer condições clínicas em prol da saúde geral do paciente, com eficiência e

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eficácia, inclusive no pré e pós-operatório de cirurgias médicas”, diz. Contar com dentistas em hospitais gera uma conta a ser paga, mas por quem? Para Francisco Balestrin, presidente da IHF (Federação Mundial de Hospitais) e do CBEXs (Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde), que levanta essa questão, é preciso analisar o custo na assistência à saúde. “O paciente de UTI em um hospital privado é pago pela operadora, em um custo que inclui visita médica, assistência da equipe de enfermagem, exames e medicamentos. Quem iria pagar esse dentista no dia a dia? Não foram definidos, do ponto de vista dos hospitais privados, quem iria remunerar, de que forma seria feito isso. E, no SUS, iria criar despesa sem gerar receita”, diz. Segundo Balestrin, em hospitais privados, quando um paciente precisa


ODONTOLOGIA

de atendimento de saúde bucal, é acionado um dentista, mas tal necessidade não é uma rotina. Regiane Marton defende que o dentista trabalhe em conjunto com os médicos dentro do hospital. “Se você aumenta o risco para a população, acarreta o aumento de custos para o governo. Estamos dando um passo para trás em termos de promoção da saúde. Olhando para o profissional, estão tirando emprego dos cirurgiões-dentistas e desmerecendo a importância dele na saúde sistêmica”, avalia a presidente da Kulzer Brasil. A indústria também vê perda, uma vez que o veto impede o fornecimento de materiais, instrumentos e equipamentos necessários para a odontologia clínica dentro do hospital. E, pelo contexto geral, o que falta, de fato, é colocar todos os pontos às claras em busca do melhor caminho a seguir. “Quando se apresentou o projeto, não chegou a ser divulgada a estimativa do seu impacto orçamentário e financeiro”, lembra Balestrin.

Se você aumenta o risco para a população, acarreta o aumento de custos para o governo. Estamos dando um passo para trás em termos de promoção da saúde. Olhando para o profissional, estão tirando emprego dos cirurgiões-dentistas e desmerecendo a importância dele na saúde sistêmica Regiane Marton presidente da Kulzer Brasil e conselheira fiscal da ABIMO

SETEMBRO/2019 ABIMO EM REVISTA  45


FALANDO NISSO

FA L A N D O N I S S O... por Paulo Henrique Fraccaro

A

s movimentações que abriram o segundo semestre de 2019 soam muito positivas para a indústria brasileira de saúde. São diversos projetos que, mesmo atuando em frentes tão distintas, prometem alavancar os negócios. Mas só aproveitará esses bons ventos quem estiver atento às oportunidades que estão surgindo. Em agosto anunciamos que a ABIMO será apoiadora de um projeto grandioso marcado para maio de 2020. A Messe Düsseldorf realizará a Feira MEDICA Brasil, colocando o nosso país no calendário do maior evento mundial do setor de saúde. Apoiar essa iniciativa é, para nós, uma felicidade, pois demonstra que o Brasil tem potencial para se transformar e crescer, revelando que o mundo também reconhece a ABIMO como uma Associação forte no segmento. Sem tirar os olhos dos investimentos em saúde humana, conseguimos dar atenção também ao setor pet, que desponta como um excelente mercado para a nossa indústria. Na PET VET 2019 pudemos notar que há muito espaço para os fabricantes brasileiros de tecnologia para a saúde interessados em expandir seus horizontes. Os resultados da nossa participação foram excelentes, e tivemos acesso a números que comprovam aquilo que vemos em nossas casas: nossos cães e gatos estão a cada dia mais próximos de nós, 46  ABIMO EM REVISTA SETEMBRO/2019

ocupando espaços tanto no nosso dia a dia quanto nas nossas preocupações, pois queremos garantir que nossos bichinhos de estimação tenham sempre atenção e cuidado, especialmente em saúde. Mas as ações da ABIMO não param por aí e, ao longo deste segundo semestre, muitas novidades vão surgir. Acompanhamos a Reforma da Previdência e estamos nos preparando para a próxima grande reforma que será a Tributária. Também estamos trabalhando em ações específicas para a valorização da odontologia e temos projetos de aproximação com entidades como a Anvisa para melhorar a regulação e ampliar a competitividade da indústria nacional. Seguimos fortalecendo nossos projetos de internacionalização, colocando nossas associadas nas principais feiras de saúde ao redor do mundo. O Brazilian Health Devices terá sua renovação em novembro e já estamos trabalhando muito para que possamos ampliar mais ainda nossas atividades internacionais, afirmando, assim, o fortalecimento das empresas brasileiras no ambiente externo. Convidamos todos a conhecer mais a fundo os nossos projetos, a participar de nossos eventos e a caminhar conosco rumo a um cenário muito mais motivador que, mesmo repleto de desafios, promete grandes vitórias.


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ABIMO em revista edição 20  

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