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EDIÇÃO 19 ANO 6 JUN/2019

H O S P I TA L A R 2 0 1 9 Confira ações da ABIMO na maior feira de saúde das Américas Á S I A PA R A T O D O S Indonésia e Tailândia despertam interesse da indústria de saúde AVA L I A Ç Ã O C L Í N I C A Como a cadeia produtiva cria mecanismos para estar adequada à realidade global

TELEMEDICINA PRESENTE E FUTURO

Como a indústria de saúde está dan d o supo r t e a i nst i t ui çõ es, m éd i co s e pacien tes den tro dos in úm ero s avanço s t ecno l ó gi co s


O futuro da saúde 27º evento internacional de produtos, serviços, tecnologia e equipamentos para a cadeia da saúde.

19 -22 de maio 2020 São Paulo Expo - SP - Brasil 11h - 20h

Agora no São Paulo Expo A Hospitalar é a mais relevante plataforma de inovações em tecnologia, processos e ideias. Palco para a geração de novas oportunidades de negócios e desenvolvimento tecnológico, o evento é o ponto de encontro de todo o mercado nacional e internacional da saúde, aproximando compradores e fornecedores, promovendo networking e parcerias que geram ainda mais negócios. Em 2020 estaremos no São Paulo Expo, um espaço com moderna infraestrutura, que acompanha a nossa evolução. Sua localização é estratégica. Está a 700 metros do metrô, próximo as principais rodovias, aeroporto e hotéis, além de contar com um amplo estacionamento. Agora com mais espaço e comodidade, a Hospitalar vai oferecer mais opções para contribuir com a melhoria da interatividade entre expositores e visitantes.

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comercial.hospitalar@informa.com +55 11 4632-0527 hospitalar.com

Promoção e Organização

Juntos por um mundo mais saudável


EXPEDIENTE

SUMÁRIO

ABIMO EM REVISTA Publicação ABIMO direcionada a parceiros e profissionais da indústria de saúde. Única publicação do setor focada nas indústrias de equipamentos e nos artigos médicos, hospitalares, odontológicos e de laboratórios, a ABIMO em Revista é uma produção da ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios) direcionada a associados, fornecedores, parceiros, órgãos governamentais e profissionais da área de saúde. Após 17 edições no formato impresso, a ABIMO em Revista adere à plataforma virtual, ampliando consideravelmente sua distribuição a fim de atingir um maior número de atuantes na cadeia produtiva de saúde do país. Com conteúdo editorial que abrange assuntos de ampla relevância no cenário brasileiro, promove a disseminação de informações sobre o desenvolvimento do setor. Traz, a cada edição, uma ampla cobertura dos principais acontecimentos do segmento para divulgar a indústria nacional e seus pleitos. A ABIMO não se responsabiliza pelas informações contidas nos anúncios, qualidade dos produtos anunciados e outros detalhes de eventuais negociações, sendo essas de responsabilidade exclusiva das empresas anunciantes. GESTÃO MARÇO 2015 – MARÇO 2019 ABIMO Presidente: Franco Pallamolla (Lifemed) Vice-Presidente: Jamir Dagir Junior (Dorja) Diretor Tesoureiro: Luís Calistro Balestrassi (Neurotec) Conselheiros Titulares: Djalma Rodrigues (Fanem), Eliane Lustosa (Labtest), Andre Ali Mere (Olidef), José Roberto Pengo (Biomecânica), Walban Damasceno de Souza (BD), Jafte Carneiro Fagundes da Silva (Neodent) Conselheiros Suplentes: Maria Cecilia Patricia Braga Braile Verdi (Braile Biomedica), Patrícia Bella Costa (Colgate), Caetano Barros Biagi (Alliage), Andre Augusto Spicciati Pacheco (Cremer), Thiago Medeiros de Abreu (Phillips), Otavio Viegas (Alfa Med), Felipe Leonard (SIN Implante), Guarany Alves Seccadio Guimarães (Confiance Medical), Antonio Leme Junior (Maquira) Conselheiros Fiscais: Regiane Marton Heraeus (Kulzer), Rodolfo Alba Candia Jr (Conexão), José Ricardo de Souza (Ibramed) Conselheiros Fiscais Suplentes: Paulo Jéferes Wincheski (IOL Implantes), Gino Muenzer Salvador (Freedom), Elisa Freitas Olsen (Olsen) SINAEMO Presidente: Ruy Salvari Baumer (Baumer) Secretário: Paulo Henrique Fraccaro (Implus) Tesoureiro: William Pesinato (Fami) Diretores Suplentes: Tatiane Galindo Vieira (Ortosintese), Orlando de Carvalho (Carci), Mario Kajuhico Tanigawa (Nipro) Conselheiros Fiscais: José Tadeu Leme (Engimplan), Fabio Colhado Embacher (Emfils), Anselmo Ariza Quinelato (Quinelato) Conselheiros Fiscais Suplentes: Paulo Cesar Rigolo (Hexagon), Tommy Takaoka (Medical Cirúrgica), Harry Peter Grandberg (Vincula) CONSELHO EDITORIAL ABIMO EM REVISTA: Claudio Fernandes (Consultor do setor de odontologia) Donizetti Louro (Coordenador do GT Indústria 4.0) Joffre Moraes (Gerente de Estratégia Regulatória) Márcio Bosio (Diretor Institucional) Rejane Dias (Gerente de Marketing) Larissa Gomes (Coordenadora de Promoção Comercial da ABIMO)

CONTEÚDO Dehlicom Soluções em Comunicação Jornalista responsável: Deborah Rezende (MTB 46691) Redação: Deborah Rezende e Marcela Marques Revisão: Carolina Machado Fotografia: Cleber de Paula, Leo de Paula e Mara Garcia Edição e Arte: Agência Elemento Publicidade: Márcio Bertoni (marcio.bertoni@abimo.org.br)

04 05 19 42

EDITORIAL FRANCO PALLAMOLLA EDITORIAL RUY BAUMER CALENDÁRIO DE EVENTOS ABIMO E COMSAUDE FALANDO NISSO

HOSPITALAR

06 FEIRAS BHD

10 MERCADOS ALVO

Apoio, desenvolvimento e inovação Com ações diversificadas, ABIMO fortalece indústria nacional no maior evento de saúde das Américas

Consolidação e descoberta Depois de fortalecer a marca Brasil ao participar pela nona vez da mais importante feira do setor de odontologia do mundo, realizada na Alemanha, indústria brasileira obteve sucesso ao estrear no principal evento do segmento na Turquia

Ásia para todos

14 CAPA TELEMEDICINA

20

Indonésia e Tailândia despertam interesse de toda a indústria de saúde; enquanto uma nação carece de produtos para atendimento básico à população, outra está em busca de alta tecnologia e valor agregado

Telemedicina – Presente e futuro Como a indústria de saúde está dando suporte a instituições, médicos e pacientes dentro dos inúmeros avanços tecnológicos

REGULAÇÃO

28

Avaliação clínica – Investir em conhecimento é o caminho Como a cadeia produtiva cria mecanismos para estar adequada à realidade global

SINAEMO

Em defesa do setor

32

SINAEMO investe em relacionamento com associado e representatividade da classe para aumento da competitividade da indústria de saúde brasileira

PING PONG

34

Aumentar a escala e democratizar o acesso Ricardo Valentim, coordenador do LAIS, explica como a ciência humanitária pode contribuir para o modelo de saúde baseada em valor

ODONTOLOGIA

38

Qualidade Brasil Indústria odontológica brasileira conquista mercado turco com competência e reconhecimento internacional


EDITORIAL ABIMO

FRANCO PALLAMOLLA é presidente da ABIMO.

O mundo vive um momento de inúmeras incertezas e desencontros que permeiam as grandes economias: estamos em meio a um conflito comercial entre Estados Unidos e China, enfrentamos as questões socioeconômicas relacionadas aos refugiados de guerra que chegam à Europa e acompanhamos a infinidade de desdobramentos provenientes do Brexit. No Brasil, que está diretamente envolvido em todos esses assuntos, o cenário que remete à necessidade de mudanças tão urgentes quanto necessárias revela a pauta prioritária do governo centrada na reforma da previdência. Vejo este como o momento inadiável para unirmos nossas vozes, solicitando ao Congresso que ouça a sociedade. O Brasil precisa retomar imediatamente o caminho do desenvolvimento e, para isso, depende da aprovação de duas reformas fundamentais. Além da reforma da previdência, é preciso enfatizar a reforma tributária. Sem consolidar esses dois movimentos, seguiremos nos iludindo com promessas de um futuro promissor, mas que nunca se confirmará. Entendo, no entanto, ser natural, após uma mudança bastante complexa de governo – visto que saímos de um modelo mais intervencionista para um modelo liberal –, que a engrenagem governamental 4 ABIMO EM REVISTA JUNHO/2019

necessite de tempo para completar a transição que fará o ciclo produtivo vingar e nos trazer os benefícios dele esperados. Precisamos do Parlamento atuando em conjunto com as forças da sociedade para que o país consolide a sua posição de nação com o futuro desejado por todos nós e espelhado na letra do nosso Hino Nacional: “… Gigante pela própria natureza, és belo, és forte, impávido colosso, e o teu futuro espelha essa grandeza…”. Difícil conviver com mais de 14 milhões de desempregados à espera da melhora dos números. O setor de saúde, por sua vez, transformou-se praticamente em ilha de uma indústria pujante, repleta de revoluções tecnológicas e de inovação digital. Porém, por não ter como se desprender do contexto macroeconômico da nação, sofre com as indecisões do corpo político. É para reverter esse cenário que a ABIMO vem traduzir o anseio de toda a cadeia produtiva da saúde, alertando o Parlamento para a importância deste pedido de socorro e para que aprove as medidas necessárias, proporcionando ao setor de saúde, extremamente importante e estratégico, encontrar em 2020 um macroambiente acolhedor à apresentação das suas inovações e ao desenvolvimento dos grandes projetos de crescimento e contribuição para o engrandecimento do nosso país.


EDITORIAL SINAEMO

RUY BAUMER é presidente do SINAEMO.

Com 6 meses do novo governo já podemos fazer uma avaliação das realizações tanto do mundo governamental como empresarial e a visão do futuro próximo. Governo sem uma base bem definida, com foco único na reforma da previdência para, somente após aprovação, liberar projetos em gestação para acelerar o crescimento. Nós atuamos para refazer as conexões com as áreas governamentais, nas 3 esferas e nos 3 poderes, perdidas com a forte renovação de 2018. E tentando entender os vários projetos antes mencionados e como nos impactarão. Nossa avaliação até o momento é que estes projetos podem inverter a curva da economia e iniciar uma ascensão lenta, mas sustentável, do nosso mercado. Isso, apesar da velocidade, pode evitar nosso tradicional voo de galinha. Quanto ao executivo e legislativo, tivemos um período de achados e perdidos: os governos não sabiam para onde ir, nós não sabíamos com quem falar. Ajustes foram feitos, estrelas caíram, foguetes subiram, cyber-histéricos se acalmaram e irrelevantes continuaram na sua irrelevância. Ao final já temos novos interlocutores, encontramos quem apoiar e quem nos apoia, e entramos em campo para

aumentar nossa interlocução e protagonismo. Já temos um horizonte maior. Não posso deixar de nominar a equipe do Ministério da Economia e suas Secretarias, que, além dos projetos em preparação, têm nos atendido com muita atenção e proatividade. E o mercado? Apesar da queda atual e a demora em ações de fomento, o conjunto da obra permite uma expectativa positiva para os próximos períodos. As propostas são de redução do Estado, menor burocracia, redução de impostos, mais livre mercado. Por outro lado, maior competição global e menor ajuda do Estado. Temos que nos preparar para este novo cenário, sempre esperado, mas que, quando chega, não é só alegria. E institucionalmente temos que ser mais protagonistas. Apoio às reformas, cobrança dos projetos, apresentação de propostas. Entidades estão preparando futuras lideranças. Vamos fazer parte disso. Vamos treinar e colocar bons políticos. Não mais simplesmente votar em quem resolve se candidatar. O futuro próximo pode ser melhor. Vamos fazê-lo.

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APOIO, DESENVOLVIMENTO E INOVAÇÃO Com ações diversificadas, ABIMO for talece indústria nacional no maior evento de saúde das Américas

A

parceria de longa data entre a ABIMO e a Feira Hospitalar reforça a representatividade da Associação junto a todos os players diretamente envolvidos no setor de saúde. Na edição 2019 do evento, realizada entre 21 e 24 de maio em São Paulo, esse posicionamento tornou-se ainda mais visível. Com ações em diferentes segmenCumprimos com tos, a entidade garantiu uma repercussão muito sucesso uma bastante positiva, tendo sido citada inclusiextensa agenda ao ve em matérias publicadas na grande mídia longo da semana. durante os quatro dias de evento. Tudo com o suporte acolhedor da doutora Focada na tríade “apoio, desenvolviWaleska e da equipe mento e inovação”, a ABIMO ofereceu suda Hospitalar porte de excelência à indústria nacional. Paulo Henrique Fraccaro Promovendo visibilidade a suas associadas, superintendente da ABIMO investiu novamente no Pavilhão ABIMO, que, este ano, obteve resultado em vendas sete vezes maior do que o de 2018, visto que bateu R$ 3,5 milhões em negócios fechados ao longo da feira.


HOSPITALAR

ABIMO na Hospitalar 2019

Paralelamente, realizou uma nova edição do Projeto Comprador. A iniciativa que integra o rol de ações do Brazilian Health Devices – projeto setorialexecutadopelaABIMO em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) – foi responsável pela realização de 237 reuniões entre marcas nacionais e compradores de sete países árabes e latino-americanos. Gerente de marketing da ABIMO, Rejane Dias mostrou-se satisfeita com os bons resultados obtidos ao término do evento. “Neste ano de 2019 consolidamos a participação

ativa que atuou em todos os pilares da ABIMO como uma Associação que representa grandiosamente a indústria de saúde brasileira”, declarou. Na área de desenvolvimento, a Jornada de Ação em Política Industrial e Regulação para Produtos da Saúde, que chegou com sucesso à décima edição, promoveu ricos debates entre o setor regulado e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) relativos às principais demandas da indústria de saúde. As palestras chegaram a receber mais de 350 pessoas. “A jornada é uma ótima oportunidade para os

A ABIMO tem todo o reconhecimento do setor e da Hospitalar. Conquistamos muitos amigos ao longo desses anos. Amigos esses que têm ética e muita seriedade, que sabem reconhecer suas parcerias Waleska Santos fundadora e presidente da Feira Hospitalar

JUNHO/2019 ABIMO EM REVISTA 7


HOSPITALAR

Criamos um caminho de diálogo para diminuir os atritos e fazer do setor regulador e do setor regulado bons parceiros. Assim sempre podemos puxar a corda para o mesmo lado. A ABIMO pode contar conosco como parceiros do desenvolvimento William Dib diretor-presidente da Anvisa

profissionais que atuam diariamente na área regulatória conhecerem os técnicos responsáveis por sanar cada uma de suas dúvidas”, comentou Joffre Moraes, gerente de estratégia regulatória da ABIMO. Concordando com a importância do evento no calendário do segmento, Leandro Rodrigues Pereira, gerente-geral de Tecnologia de Produtos para Saúde da GGTPS/Anvisa, relatou: “Conseguimos perceber diferença nos protocolos emitidos anterior e posteriormente à Feira Hospitalar, e isso é muito importante para nós”. Além da Jornada, a ABIMO e a Anvisa ampliaram o termo de cooperação para combate à pirataria, aprimoramento de processos e práticas, apoio em estudos e pesquisas e troca de experiências. Com 8 ABIMO EM REVISTA JUNHO/2019

assinatura de William Dib, diretor-presidente da Agência, e Franco Pallamolla, presidente da ABIMO, o termo promete otimizar as ações positivas contra a pirataria e o comércio eletrônico de dispositivos médicos tão prejudiciais à indústria e, principalmente, à saúde pública. Partindo para inovação, a Associação esteve ao lado do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no lançamento do BNDES Direto 10, crédito com mecanismos inovadores para pequenas e médias empresas que permite acesso direto da indústria de saúde ao banco para operações de até R$ 10 milhões. Essa ação promete impulsionar a inovação do setor. Para conferir em detalhes todas as ações da ABIMO durante a edição 2019 da Feira Hospitalar, clique aqui e veja a cobertura completa! Caso esteja lendo a edição impressa da ABIMO em Revista, acesse o QR code ao lado.

Veja as fotos do evento!

clique aqui e confira


FEIRAS BHD

C O N S O L I DAÇ ÃO E D E S C O B E RTA Depois de for talecer a marca Brasil ao par ticipar pela nona vez da mais impor tante feira do setor de odontologia do mundo, realizada na Alemanha, indústria brasileira obteve sucesso ao estrear no principal evento do segmento na Turquia

A

indústria odontológica brasileira que integra o projeto setorial Brazilian Health Devices, executado pela ABIMO em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), esteve duas vezes na Europa entre os meses de março e abril com o objetivo de investir na internacionalização e em potenciais mercados para expansão dos negócios. Entre 12 e 16 de março o grupo se concentrou em Colônia, na Alemanha, para expor na IDS (International Dental Show), principal feira do setor de odontologia do mundo, que chega a receber mais de 160 mil visitantes vindos de aproximadamente 166 países. Já em abril, mais precisamente entre os dias 11 e 14, desbravou o mercado turco ao participar da IDEX, grande evento da odontologia local. Com expectativas diferentes, ambas as participações trouxeram resultados positivos para a indústria nacional. O empresariado 10 ABIMO EM REVISTA brasileiro  JUNHO/2019 já tem bastante conhecimento sobre a IDS e as possibilidades oferecidas pela plataforma do evento, visto que em 2019 foi a nona vez que o Pavilhão Nacional foi montado na feira. Já na IDEX, a participação tinha um caráter muito mais exploratório,


FEIRAS BHD

pois foi a primeira vez que o projeto Brazilian Health Devices levou a indústria nacional para participar do evento. “A IDS se transformou, como passar dos anos, em um excelente ponto de encontro da nossa indústria com alguns de seus principais clientes e distribuidores de todo o mundo, além de nunca ter perdido sua essência de ser uma excelente vitrine para lançamentos e soluções”, comenta Larissa Gomes, coordenadora de promoção comercial da ABIMO, reforçando que expor nesse evento é indispensável para a consolidação da marca Brasil no cenário internacional. Na edição de 2019 o Pavilhão Brasileiro, composto por 26 empresas, fechou US$ 3,5 milhões em contratos e gerou uma expectativa de nwovos negócios que ultrapassa a marca de US$ 7 milhões a serem conquistados até março de 2020. Eduardo Scarchetti, da Biodinâmica, esteve na Alemanha e saiu do evento extremamente satisfeito com todas as oportunidades que foi capaz de identificar por lá. “Foi um momento único, ímpar, em que pudemos olhar nos olhos dos nossos parceiros comerciais para conversar de forma mais direta discutindo estratégias para melhorar o nosso dia a dia e otimizar nossas ações nos próximos anos”, afirma. E se a indústria brasileira, já acostumada ao público da IDS, sabia o que encontraria ao chegar a Colônia, em abril mudou totalmente suas expectativas quando embarcou para expor na edição 2019 da IDEX. Ao pisar no território turco, o foco dos empresários e também dos membros do Brazilian Health

Devices estava em garantir o maior número de informações possível sobre o mercado para dar início a uma estratégia de fortalecimento da relação comercial entre Brasil e Turquia. “Os resultados da participação nacional foram ótimos nessas primeiras ações de aproximação com a Turquia, que já é parceira, mas ainda nos oferece muitas possibilidades para ampliarmos nossa inserção nesse território”, diz Larissa. Para ela, trata -se de um mercado com boas chances de novos negócios principalmente por se portar, também, como um hub para expansão do comércio com Europa e Ásia. “Estar na IDEX foi uma experiência muito interessante, pois pudemos mostrar nosso portfólio, nossa pesquisa e como desenvolvemos nossos produtos. Durante a feira também tivemos a chance de rever alguns dos nossos principais contatos comerciais na região, fortalecendo nosso trabalho tanto no mercado brasileiro quanto no externo”, comenta Danilo Ciotti, da Bionnovation, que se motivou a ir à Turquia para abrir novas fronteiras de negócios. Durante os quatro dias de evento, o Pavilhão Brasileiro montado na IDEX com seis empresas fechou US$ 135 mil em contratos e gerou uma expectativa de formalizar US$ 1,8 milhão em novos negócios ao longo dos próximos 12 meses. Além da IDEX, a indústria brasileira também participou do Experiência Brasil, evento realizado no dia que antecedeu a abertura da feira, que você pode conferir na página 38 desta edição da ABIMO em Revista. JUNHO/2019  ABIMO EM REVISTA 11


FEIRAS BHD

IDS 2019 – ALEMANHA 12 A 16 DE MARÇO

5 DIAS DE EVENTO

2.327 EXPOSITORES NO PAVILHÃO

160 MIL VISITANTES

PAVILHÃO BRASILEIRO CONQUISTOU: 1.278 contatos, sendo 911 com novos parceiros US$ 3,5 milhões em contratos fechados clique aqui e confira

US$ 7,1 milhões em expectativa para os 12 meses seguintes ao evento C

M

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IDEX 2019 – TURQUIA

CM

MY

CY

11 A 14 DE ABRIL

CMY

K

4 DIAS DE EVENTO

1.100 EXPOSITORES NO PAVILHÃO

16 MIL VISITANTES

PAVILHÃO BRASILEIRO CONQUISTOU: 136 contatos, sendo 86 com novos parceiros US$ 135 mil em contratos fechados clique aqui e confira

US$ 1,8 milhão em expectativa para os 12 meses seguintes ao evento

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2019

Patrocínio Ouro

Transportadora Oficial

Montadora Oficial

Agência de Turismo Oficial

Cobertura Médica

Agência Oficial de Marketing Digital

Hotel Oficial

Empilhadeira Oficial

Realização, Promoção e Organização

FEIRAS E EVENTOS

Conteúdo Médico mais empreendedor

Parceiros de Mídia


MERCADOS ALVO

ÁSIA PA R A TO D O S Indonésia e Tailândia desper tam interesse de toda a indústria de saúde; enquanto uma nação carece de produtos para atendimento básico à população, outra está em busca de alta tecnologia e valor agregado

P

ercorrer em média 17 mil quilômetros em voos com mais de 20 horas de duração. Enfrentar barreiras culturais. Encarar idiomas tão complexos. Nada disso soa como empecilho para a indústria de saúde brasileira, que aposta nas excelentes oportunidades de negócios identificadas em dois países asiáticos: Indonésia e Tailândia. Tanto que, para ampliar o conhecimento a respeito desses mercados tão peculiares, o projeto setorial Brazilian Health Devices, executado pela ABIMO em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), realizou no início do ano missões prospectivas nas duas nações, a fim de visualizar as principais oportunidades e os maiores entraves para explorar esses territórios. Com perfis diferentes, tanto Indonésia quanto Tailândia abrem espaço para toda uma indústria de saúde capaz de ofertar uma ampla gama de produtos. Enquanto a população da Indonésia soma mais de 264 milhões de habitantes e carece de produtos e

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MERCADOS ALVO

Com perfis diferentes, tanto Indonésia quanto Tailândia abrem espaço para toda uma indústria de saúde capaz de ofertar uma ampla gama de produtos.

equipamentos para compor sua cadeia de atendimento básico, a Tailândia desponta como um dos principais destinos do turismo médico e, em linhas gerais, está em busca de produtos mais personalizados, com alta tecnologia e valor agregado. Quarto país mais populoso do mundo, a Indonésia investiu recentemente em um sistema universal de atendimento de saúde. Intitulado JKN (Jaminan Kesehatan Nasional), o Sistema Nacional de Seguro de Saúde foi instaurado no país em 2014, e a perspectiva do governo é passar a cobrir 95% da população ainda este ano. Tal demanda vem exigindo demais da indústria de saúde local, que consegue

atender a apenas 10% das necessidades do país em termos de equipamentos e dispositivos médicos. Para compor sua cadeia de saúde oferecendo atendimento de qualidade à população, a Indonésia carece de importações. Dados divulgados pelo BMI (Business Monitor International) afirmam que o mercado indonésio de equipamentos médicos deve atingir US$ 1,5 bilhão até 2022. Isso representa crescimento médio de 12% ao ano. Com a atenção do mundo voltada à saúde de países asiáticos, o que diferencia a produção brasileira? Uma das grandes vantagens da nossa indústria nessa disputa por espaço em território JUNHO/2019 ABIMO EM REVISTA  15


MERCADOS ALVO

indonésio está nas diversas similarida- aspectos um pouco diferentes. Por lá, o des entre os sistemas de saúde dos dois desenvolvimento setorial é o que mais países. Com grandes territórios, ambos desperta a atenção da indústria mundial, enfrentam tribulações, por exemplo, para que já identificou as inúmeras oportunilevar o atendimento de saúde a regiões dades abertas no país, fazendo com que rurais e mais afastadas dos grandes cen- a concorrência por espaço tenha se tortros urbanos. Além disnado ainda mais acirrada. so, os dois países lutam Na última década, o inAssim como o Brasil, a contra a desigualdade Indonésia tem dificuldades vestimento em saúde feide atendimento. to pelo governo tailandês para atender à população “Assim como o Brasil, geral ao mesmo tempo que foi capaz de transformar o a Indonésia tem dificulcenário da nação. o setor privado de saúde dades para atender à poSegundo o livro Millions busca modernização pulação geral ao mesmo served: new cases of proven Rafael Cavalcante coordenador de acesso tempo que o setor privasuccess in global health, a mercados da ABIMO do de saúde busca mo25% da população tailandernização”, explica Radesa não tinha seguro de fael Cavalcante, coordenador de acesso a saúde em 2000. Somente naquele ano mercados da ABIMO, destacando que, em mais de 17 mil crianças morreram an2016 e 2017, a Indonésia esteve entre os 10 tes dos cinco anos de idade, sendo dois mercados mais acessados pelas empresas terços dessas mortes ocasionadas por apoiadas pelo Brazilian Health Devices. doenças infecciosas facilmente evitáveis. Atravessando parte do oceano ÍndiFoi quando o governo iniciou a imco, o cenário de saúde da Tailândia tem plantação do UCS (Universal Coverage 16 ABIMO EM REVISTA JUNHO/2019


MERCADOS ALVO

Scheme), uma das mais ambiciosas re- te a gama de produtos que não é organiformas de saúde já feitas em países em zada localmente. Além disso, o parque desenvolvimento. O sistema foi iniciado industrial da saúde no Brasil tem capaem 2001 e dez anos depois já cobria 98% cidade para atender a grande parte da da população, custando US$ 80 anuais por demanda interna, investe em tecnologia e pessoa – financiados pelo valor agregado, bem como imposto de renda – com A inserção no mercado consegue ofertar produtos oferta de atendimento e soluções com excelente tailandês enfrenta alguns ambulatorial, hospitalar custo-benefício, o que vai problemas regulatórios e emergencial. De acorao encontro das necessidae certa morosidade para do com gráfico do Index des do mercado tailandês. a obtenção de registros, Mundi, a taxa de morta“A Tailândia é um merprincipalmente por cado um pouco menor, mas lidade infantil (que conquestões documentais sidera as mortes de bebês extremamente desenvolviRafael Cavalcante de até um ano de idade) do. Com uma característicoordenador de acesso a mercados da ABIMO caiu de 31,4 (a cada 1.000 ca de hub, está muito abernascimentos vivos) em to ao comércio da Asean 2000 para 9,2 em 2017. (Associação de Nações do Sudeste AsiáHoje o grande desafio do governo está tico), facilitando a inserção da indústria em tornar o UCS mais eficiente pela in- brasileira nesses territórios”, comenta trodução de novas tecnologias e novos Cavalcante lembrando que as oportunimedicamentos, uma estratégia que des- dades são grandes, mas a indústria deve se perta o interesse da indústria de saúde atentar aos entraves ao comércio local. “A brasileira e é capaz de oferecer justamen- inserção no mercado tailandês enfrenta JUNHO/2019 ABIMO EM REVISTA  17


alguns problemas regulatórios e certa morosidade para a obtenção de registros, principalmente por questões documentais”, esclarece. Esse interesse em dispositivos de última geração dentro do mercado de saúde tailandês pode ser comprovado por duas vertentes atuais identificadas durante a missão prospectiva realizada pelo Brazilian Health Devices no início do ano. A primeira delas diz respeito ao turismo de saúde, que vem crescendo na Tailândia ao longo dos últimos anos. Segundo divulgado pelo The Thailand Board of Investment, entre janeiro e setembro de 2012 o país recebeu 2,5 milhões de turistas em busca de atendimentos de saúde. “Assim como Singapura, a Tailândia desponta na região como o país ideal para quem busca tratamentos de ponta”, complementa Cavalcante. Outro ponto que comprova a busca constante do país por qualidade está no fato de que, em 2017, 58 dos 1.300 hospitais do país receberam a acreditação em qualidade pela Joint Commission International, um dos mais importantes órgãos certificadores de qualidade de instituições de saúde no mundo. Abertos a toda a indústria de saúde, enquanto a

Indonésia carece de produtos para o atendimento básico à população, a Tailândia está sedenta por equipamentos e soluções capazes de otimizar o fluxo de atendimento e promover a qualidade de seu sistema, chamando ainda mais atenção de cidadãos do mundo que buscam viajar para obter os melhores tratamentos para suas enfermidades. RETORNO AGENDADO O projeto Brazilian Health Devices já tem data certa para voltar à Indonésia e à Tailândia. Entre 4 e 10 de setembro, o time realizará uma missão comercial nas duas nações promovendo a indústria brasileira interessada em atuar nesses dois territórios, com apresentações completas sobre os países e rodadas de negócios junto a líderes e distribuidores locais. Na sequência, a partir do dia 11, o time do BHD e parte das empresas participantes da missão estarão presentes no Pavilhão Brasileiro que estreará na Medical Fair Thailand, principal evento do setor no país que se prolonga até dia 13, quando a equipe encerra as atividades na região.


CALENDÁRIO DE EVENTOS ABIMO & COMSAUDE E V E N TO 2/jun

COMSAUDE Virada Feminina Fiesp

São Paulo

5/jun

COMSAUDE Fórum Saúde: Cooperação Empresas-Universidades

São Paulo

5/jun 9 a 12/jun

ABIMO Curso: Tecnovigilância

São Paulo

ABIMO Sino-Dental | China International Dental Exhibition

China

12/jun

COMSAUDE Diálogo Colaborativo sobre Saúde Suplementar

São Paulo

14/jun

COMSAUDE Seminário Operador Econômico Autorizado

São Paulo

ABIMO Fime | Florida International Medical Expo

EUA

ABIMO AACC | American Association For Clinical Chemistry

EUA

21 a 23/ago

ABIMO Pet South America

São Paulo

11 a 13/set

ABIMO Medical Fair Thailand

Tailândia

18 a 21/set

ABIMO Rehacare | International Trade Fair for Rehabilitation and Care

Alemanha

4 a 10/out

ABIMO Missão Comercial Jacarta - Indonésia e Bangkok - Tailândia

Diversos

9 a 11/out

ABIMO Medic West Africa

África

18 a 20/out

ABIMO World Dental Show

Índia

23 a 25/out

ABIMO Hospitalmed

Pernambuco

ABIMO Medica

Alemanha

26 a 28/jun 4 a 8/ago

18 a 21 /nov


TELEMEDICINA P R E S E NT E E F U T U R O Como a indústria de saúde está dando supor te a instituições, médicos e pacientes dentro dos inúmeros avanços tecnológicos

O Q U E D E FAT O É T E L E M E D I C I N A? Por muitas vezes o termo telemedicina pode levar a uma interpretação superficial de que a atividade está limitada à interação entre médicos e pacientes por meio de uma ferramenta de vídeo. Porém telemedicina é algo muito mais abrangente. A palavra, composta pelo elemento “tele”, de origem grega, significa “distância”, representa toda a prática médica que pode ser realizada a distância. E dentro da telemedicina existem diversas vertentes, como, por exemplo, teleassistência, teleconsulta, teleducação, telediagnóstico e telemonitoramento. Todo esse contexto está dentro do guarda-chuva de saúde digital.

C

omo negar que a tecnologia revolucionou a última década se hoje mal conseguimos pensar como seria a vida do brasileiro sem utilizar o WhatsApp, aplicativo que foi lançado apenas em 2009? Todos os segmentos do mercado foram impactados com as inovações, e a saúde foi um dos que mais observaram mudanças radicais derivadas de adesões tecnológicas. Dessa forma, passou a ser inevitável que debates sobre a indústria 4.0 dominassem alguns dos principais encontros relacionados à medicina. Recentemente, as questões sobre telemedicina e saúde digital ganharam ainda mais peso no Brasil. Para a indústria, ainda surgem alguns questionamentos: como as fabricantes brasileiras de dispositivos e equipamentos médicos devem atuar para dar suporte a essa revolução?


TELEMEDICINA ­– CAPA

Qual é a importância de um parque tecnológico alinhado com as principais diretrizes do mundo? Em primeiro lugar é preciso entender a relevância dos equipamentos dentro da complexa cadeia de saúde, como menciona Danilo Santos, professor da Universidade Federal de Campina Grande: “Há algum tempo os equipamentos médicos eram apenas coletores de dados biométricos, replicadores de sinais que faziam a medição para que as equipes médicas fizessem as anotações manualmente. Hoje esses equipamentos estão se tornando smart medical devices. Isso significa que passaram a ser compartilhadores de informações capazes, inclusive, de tomar decisões”, explica. Trazendo essa explanação para o dia a dia, podemos observar a utilização de smartwatches, relógios inteligentes que

Há algum tempo os equipamentos médicos eram apenas coletores de dados biométricos, replicadores de sinais que faziam a medição para que as equipes médicas fizessem as anotações manualmente. Hoje esses equipamentos estão se tornando smart medical devices. Isso significa que passaram a ser compartilhadores de informações capazes, inclusive, de tomar decisões Danilo Santos professor da Universidade Federal de Campina Grande

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CAPA – TELEMEDICINA

Temos que saber como fazer bom uso da tecnologia e ter capacidade de organizar e regular esse uso sob leis e resoluções que orientem profissionais de saúde e seus pacientes Antonio Carlos Endrigo diretor de Tecnologia da Informação da APM

22  ABIMO EM REVISTA JUNHO/2019

coletam dados e os processam em nossos smartphones traçando perspectivas muito mais aprofundadas e relevantes que podem indicar ações para seus usuários após a identificação de alterações significativas que podem estar relacionadas a graves problemas de saúde. Esses mesmos dados podem ser encaminhados ao médico responsável, que saberá como proceder para auxiliar esse paciente mesmo a distância. É claro que toda essa tecnologia que inunda o mercado de saúde precisa ser analisada com muito cuidado e atenção, passando por um filtro para observar quais valem a pena e quais realmente trarão benefícios, suprindo as reais necessidades de cada país. “A tecnologia que chega para revolucionar precisa de tempo para ser bem implementada”, comenta Paulo Henrique


TELEMEDICINA ­– CAPA

Fraccaro, superintendente da ABIMO, após mencionar que é impossível imaginar um cenário que dispensa essas novidades tecnológicas. Essa também é uma das percepções de Antonio Carlos Endrigo, diretor de Tecnologia da Informação da APM (Associação Paulista de Medicina), que participou da abertura do Global Summit Telemedicine & Digital Health, evento que durante quatro dias de abril debateu o futuro da saúde digital e da telemedicina no Brasil. “Temos que saber como fazer bom uso da tecnologia e ter capacidade de organizar e regular esse uso sob leis e resoluções que orientem profissionais de saúde e seus pacientes”, disse. Essa busca é emergencial, pois ter uma estrutura adequada é indispensável para garantir a qualidade do atendimento dentro da crescente vertente da saúde

digital. Para isso, o mercado precisa de dispositivos eficazes e inovadores em todos os pontos da cadeia. “Será que a indústria brasileira está preparada para vender essas soluções? Será que temos acurácia para trabalhar dentro de uma margem de segurança satisfatória?”, questionou Don Louro, consultor de tecnologia da ABIMO que, ao lado de Fraccaro e de outros especialistas, participou do painel “A Medicina na Era Digital”, realizado durante o Global Summit promovido pela APM. Na sequência, Louro provou que, sim, a indústria brasileira tem competência, ao apresentar cases de sucesso recentes. “Há três semanas lançamos uma plataforma de inteligência artificial no Canadá e no Japão capaz de apontar, em apenas oito segundos, se o paciente tem retinopatia diabética por meio de quatro marcadores JUNHO/2019 ABIMO EM REVISTA  23


CAPA – TELEMEDICINA

Teremos vários campos a serem explorados nessa área que busca dar sustentabilidade à cadeia de saúde principalmente no que diz respeito aos equipamentos médicos, hospitalares e odontológicos Don Louro consultor de tecnologia da ABIMO

tumorais. A acurácia dessa ferramenta é de 92,3% contra uma precisão de apenas 27% do diagnóstico do médico”, relatou. Para Aldenor Martins, da Signove, que também esteve no painel, as equipes médicas estão soterradas pela quantidade de informações que recebem e é um alívio saber que a cada dia mais dispositivos de saúde surgem para suportar essa quantidade de dados. “Se o profissional tiver ferramentas para auxiliá-lo a processar essas informações ajudando a traçar o melhor caminho, já é uma grande vantagem”, complementou. E felizmente o mercado de tecnologia em saúde está crescendo rapidamente em todo o mundo. Relatório apresentado pela KPMG enfatiza que o setor de 24  ABIMO EM REVISTA JUNHO/2019

dispositivos médicos está pronto para um aumento estável com previsão de vendas globais anuais atingindo US$ 800 bilhões até 2030. Além disso, das 300 startups “unicórnio” (empresas avaliadas em US$ 1 bilhão antes da abertura de capital em bolsas de valores) listadas pelo CB Insights em janeiro de 2019, 30 são dedicadas a projetos de healthcare . Estar atento a toda a movimentação do mercado de tecnologia em saúde é uma estratégia que deve ser adotada pela indústria imediatamente. “Hoje não podemos pensar em equipamentos de saúde como produtos isolados, pois eles fazem parte de uma cadeia de informação”, comenta Santos. É nesse conceito que mora a importância de parcerias capazes de unir academia e indústria na elaboração de projetos inovadores e disruptivos. Para Louro, há muitas oportunidades surgindo. “Teremos vários campos a serem explorados nessa área que busca dar sustentabilidade à cadeia de saúde principalmente no que diz respeito aos equipamentos médicos, hospitalares e odontológicos”, pontua. Para Santos, integração é a palavra-chave. “Cada vez mais os equipamentos médicos de um fabricante irão funcionar com o sistema de monitoramento de outro. Ou seja, é necessário que todos estejam unidos em busca de interoperabilidade em benefício do paciente. Se um falhar na cadeia de comunicação, todos perdem. E esse nível de interoperabilidade só será alcançado quando todos estiverem alinhados e discutindo os desafios tecnológicos inerentes ao setor de saúde”, finaliza.


TELEMEDICINA ­– CAPA

É PRECISO REGULAMENTAR Em fevereiro deste ano a temática da telemedicina ocupou páginas e páginas da mídia após o CFM (Conselho Federal de Medicina) publicar e, 15 dias depois, revogar a Resolução nº 2.227/2018, que visava regulamentar a prática no país. Essa resolução gerou a esperança de uma atualização que muitos setores de saúde brasileiro anseiam. Hoje a telemedicina segue as regras impostas pela Resolução CFM nº 1.643/2002, que não proíbe a prática, porém está bastante defasada por ter sido escrita e publicada há quase 20 anos, quando o cenário

da tecnologia no Brasil era outro. Considerando os inúmeros avanços tecnológicos surgidos desde então, é notável a necessidade de atualização. Recentemente, mais precisamente no dia 30 de abril, o CFM publicou o Novo Código de Ética Médica e, mais uma vez, a esperança de que houvesse mudanças positivas para regular e incentivar a prática da telemedicina foi frustrada. Segundo publicado pela Agência Brasil, o documento composto por 26 princípios listados como fundamentais para o exercício da medicina não é muito enfático ao mencionar a telemedicina. A publicação afirma apenas que o uso de

COMO ERA O MUNDO EM 2002? 1

As plataformas de comunicação utilizadas eram o mIRC ou o ICQ, nem mesmo o Skype havia sido lançado.

2 Google havia sido

4

Wi-Fi era uma tecnologia incipiente.

5

lançado há apenas quatro anos e em 2002 Google Maps e YouTube não existiam.

O celular que dominava o mercado era um modelo da Nokia sem câmera fotográfica; smartphones surgiram depois de 2007.

3 Surgia o MP3, que

revolucionaria o mercado da música; as plataformas como Spotify nem eram imaginadas e as pessoas ouviam suas músicas no discman.

6 Os televisores

eram de tubo.

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CAPA – TELEMEDICINA

mídias sociais pelos médicos será regulado por meio de resoluções específicas, o que valerá, também, para a oferta de serviços médicos a distância mediados por tecnologia. Dessa forma, o novo código transfere a regulação da telemedicina para resoluções avulsas. IMPACTOS NA ECONOMIA MUNDIAL A robótica, que até pouco tempo era uma indústria emergente, rapidamente se transformou em um segmento impul26  ABIMO EM REVISTA JUNHO/2019

sionador de grandes negócios, interferindo inclusive em transações econômicas, fusões e aquisições. E muitas dessas transações estão acontecendo dentro do cenário mundial da saúde. Como exemplo, temos o caso recente da Johnson & Johnson, que adquiriu a Auris Health por US$ 3,4 bilhões no primeiro bimestre de 2019. A Auris, desenvolvedora de tecnologia robótica para intervenções cirúrgicas, conta com uma plataforma aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora norte-americana, e promete acelerar a entrada da Johnson & Johnson na área de robótica médica.


TELEMEDICINA ­– CAPA

O QUE OS MÉDICOS PENSAM?

82,6%

98,7%

utilizam ferramentas de TI para observação dos pacientes e otimização das consultas

acreditam que as novas tecnologias trazem avanços para a medicina e a assistência dos pacientes

91,3% afirmaram que a instituição na qual trabalham já utiliza recursos tecnológicos

45% são favoráveis à realização de atendimento a distância após histórico presencial de consultas

67,6% concordam que a tecnologia não vai substituir o médico, mas pode substituir o médico que não usa tecnologia

%3,19 a e u q m ar a m r i f a lauq an oãçiutitsni a z i l i t u á j m a h l a b ar t socigóloncet sosrucer

78,6%

são favoráveis à utilização de ferramentas como WhatsApp e similares entre médicos e pacientes

83,8%

acreditam que os avanços tecnológicos podem levar os smartphones a atuar como “guardiões da saúde” para monitoramento de determinados indicadores

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REGULAÇÃO

AVA L I A Ç Ã O C L Í N I C A INVESTIR EM CONHECIMENTO É O CAMINHO Como a cadeia produtiva cria mecanismos para estar adequada à realidade global

A

indústria de saúde brasileira é formada, em sua maior parte, por pequenas e médias empresas que dedicam seu capital humano à elaboração e promoção de produtos e dispositivos capazes de mudar vidas. E a avaliação clínica – mecanismo indispensável para garantir a qualidade e o cumprimento de objetivos dessa produção – muitas vezes surge como ponto de dificuldade. Investir em conhecimento para que os caminhos se tornem mais claros e precisos é a melhor alternativa para assegurar o sucesso e a abertura de possibilidades inovadoras. Hoje ainda convivemos com muitas dúvidas que vão desde as terminologias utilizadas ao longo do processo até quais são as reais exigências para cada tipo de produto que almeja entrar no mercado nacional de saúde. Segundo Marcelo Antunes, coordenador da Comissão de Estudo de Avaliação Biológica e Clínica do CB26, comitê da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que coordena, planeja e executa as atividades de normalização técnica das áreas médica 28  ABIMO EM REVISTA JUNHO/2019


REGULAÇÃO

e odontológica, o setor precisa capacitar profissionais para atuar especificamente dentro desse contexto. “É raro encontrarmos profissionais dedicados à avaliação clínica e precisamos angariar pessoas para realizar essa atividade dentro da indústria”, comenta. Empresa brasileira referência em tecnologia médica, a Braile Biomédica já conta com um time de profissionais voltados à pesquisa e aos processos de avaliação clínica, porém as dúvidas que ainda surgem geram gargalos. “Acredito que, para melhorar esse cenário no Brasil, precisamos ter mais clareza por parte da Anvisa e também mais interesse por parte da indústria em correr atrás desse conhecimento”, revela Sandro de Felippe Ottoboni, da área de Qualidade e Regulatório da marca. A Braile está, no momento, investindo no processo de obtenção da Marcação CE para dois de seus produtos: um oxigenador e uma válvula de pericárdio bovino. Se no cenário brasileiro muitas dúvidas ainda persistem, no internacional as exigências aumentam a cada dia. Especialista no assunto, Antunes nota que

a cobrança vinda da Europa consegue impactar positivamente a nossa produção. “Nossa indústria vem melhorando a qualidade de sua avaliação também por conta do alto grau de exigência dos países europeus. É uma pena que essa melhoria seja apenas reativa”, diz. Processo contínuo – Engana-se quem acredita que a avaliação clínica apenas antecede o lançamento da solução. Trata -se de um processo contínuo, visto que a análise de dados clínicos acompanha todo o ciclo de vida do produto. Enquanto a fabricante está na fase de desenvolvimento do conceito, deve elaborar a avaliação clínica pré-mercado. Posteriormente, quando a solução está sendo projetada, a avaliação clínica deve estar em andamento. E, após a colocação do produto no mercado, a marca deve investir na monitorização pós-comercialização (PMS – Post-Market Surveillance) envolvendo, inclusive, o acompanhamento clínico pós-comercialização (PMCF – Post-Market Clinical Follow-up), que nada mais é que o processo de atualização da avaliação clínica durante o ciclo de vida do produto. JUNHO/2019 ABIMO EM REVISTA  29


REGULAÇÃO

ENTENDA AS TERMINOLOGIAS: AVALIAÇÃO CLÍNICA Consiste na análise de dados clínicos de um produto para saúde com o intuito de verificar a segurança clínica e o desempenho clínico do dispositivo. É durante a avaliação clínica que é observado se existem evidências clínicas suficientes para cumprimento dos Requisitos Essenciais (ERs).

DADOS CLÍNICOS Informações de segurança e desempenho geradas a partir da utilização clínica de um produto para saúde. Esses dados são obtidos por meio de investigações clínicas, ou outros dados clínicos da literatura, ou experiência clínica tanto do produto quanto de seus similares, desde que comprovada a equivalência.

EVIDÊNCIA CLÍNICA Dados clínicos e o relatório de avaliação clínica relacionados àquele produto.

SEGURANÇA CLÍNICA Ausência de riscos clínicos inaceitáveis quando o produto é utilizado seguindo as instruções do fabricante.

DESEMPENHO CLÍNICO Comportamento do produto ou resposta do sujeito àquele produto em relação ao uso pretendido.

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REGULAÇÃO

PASSO A PASSO DA AVALIAÇÃO CLÍNICA APLICADA A PRODUTOS E TECNOLOGIAS PARA A SAÚDE 1

2

Identificação dos Requisitos Essenciais que necessitam de suporte de dados clínicos

Identificação dos dados clínicos por busca na literatura, experiência clínica ou investigação clínica

3 4

Apreciação de conjunto de dados para avaliação da qualidade metodológica, validade científica, relevância para avaliação clínica e peso da contribuição.

Análise dos dados relevantes como a força da evidência geral e conclusões sobre o desempenho e a segurança clínica, em particular os Requisitos Essenciais específicos.

5 a) quando a evidência clínica é suficiente – geração do Relatório de Avaliação Clínica (CER, da sigla em inglês); b) quando a evidência clínica é insuficiente – geração de dados clínicos adicionais (a partir de uma investigação clínica) e repetição do processo a partir da etapa 2.

OBSERVAÇÃO Segundo a quarta revisão da MEDDEV 2.7/1, que traz as diretrizes para avaliação clínica de dispositivos médicos na União Europeia, quando dados clínicos são necessários para tirar conclusões quanto à conformidade de um dispositivo, eles precisam estar atualizados, além de ser cientificamente corretos e cobrir todos os aspectos do uso pretendido sempre considerando todos os modelos, os tamanhos e as configurações do produto previstos pelo fabricante. Caso a pesquisa não encontre toda essa cobertura, investigações clínicas adicionais devem ser planejadas e executadas.

JUNHO/2019 ABIMO EM REVISTA  31


SINAEMO

E M D E F E S A D O S E TO R SIN AEMO investe em relacionamento com associado e representatividade da classe para aumento da competitividade da indústria de saúde brasileira

A

s inúmeras atividades do SINAEMO em defesa dos direitos da indústria de saúde brasileira têm se destacado nos últimos tempos principalmente graças à representatividade que o Sindicato obteve junto aos órgãos reguladores e aos investimentos em comunicação e relacionamento com seus associados. Oferecendo, em parceria com a ABIMO, inúmeros produtos e serviços, parte para toda a indústria representada, parte exclusivamente para as associadas, a entidade se modernizou ao prestar atendimento inclusive por meio de plataformas de comunicação que se popularizaram nos últimos tempos, como o WhatsApp. Como exemplo de sucesso dessas O canal do YouTube do SINAEMO também ações, o SINAEMO destaca o Plandisponibiliza algumas tão Jurídico, que esclarece questões soluções do Linha Direta. pontuais em especialidades do direito Clique para conferir. sem nenhum custo; a Linha Direta, que oferece apoio jurídico gratuito para sanar dúvidas sobre licitações e contratos com a administração pública; e o Grupo de RH SINAEMO no WhatsApp, o qual permite que os participantes interajam abordando temas administrativos, trabalhistas e sindicais, sempre com moderação de um especialista do Sindicato. 32  ABIMO EM REVISTA JUNHO/2019


SINAEMO

“Temos como objetivo trabalhar ações de comunicação e de mobilização, bem como programas, ferramentas e iniciativas inovadoras que fortaleçam o relacionamento do Sindicato com as associadas”, comenta José Augusto Queiroz, diretor administrativo do SINAEMO. DEFESA SETORIAL E COMPETITIVIDADE Para atuar com eficácia em defesa do setor e pelo aumento da competitividade da cadeia produtiva de saúde no Brasil, o SINAEMO é tradicional aliado da ABIMO e vem representando a classe em parceria com a Associação no impedimento de retrocessos no ambiente de negócios. “Entre as ações que as entidades vêm priorizando estão, principalmente, medidas judiciais ou administrativas, acompanhamento de projetos de lei nas três esferas, medidas antidumping e participação em núcleos para discussão, debate e atualização de temas de interesse da categoria”, explica Queiroz. Como exemplos, destaque para a forte atuação do Sindicato e da ABIMO no pleito da desoneração da folha de pagamento e na compensação das estimativas mensais de IRPJ e CSLL durante o ano-calendário de 2018. É possível enfatizar ainda o empenho das entidades na luta contra a pirataria no setor, além de programas e ações realizados em prol da sustentabilidade sindical mediante a modernização trabalhista. “Foram ações inovadoras e estratégicas para a reestru-

turação dos sindicatos. A situação requeria ações urgentes para reafirmar a vigilância e o acompanhamento constantes que um sindicato atuante deve exercer quanto aos assuntos mais impactantes nas empresas associadas e representadas”, declara Queiroz. A Medida Provisória nº 873, que estabeleceu o pagamento de contribuições sindicais por meio de boleto bancário – e não mais de desconto em folha de pagamento dos empregados –, foi tema da edição de maio da newsletter SINAEMO em Movimento, material de comunicação distribuído via e-mail que a cada dois meses traz um parecer aprofundado sobre um dos temas que impactam diretamente o dia a dia das empresas. OUTROS BENEFÍCIOS DA ASSOCIAÇÃO As empresas associadas têm acesso a palestras e eventos voltados a temas de impacto na sua operação, como a implantação do eSocial, por exemplo. Além disso, recebem os benefícios oferecidos pela Fiesp, como o Programa de Descontos e Parcerias, podendo participar também das campanhas de vacinação de funcionários.

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PING-PONG

A U M E N TA R A E S C A L A E D E M O C R AT I Z A R O ACESSO A T E C N O LO G I A A L I A D A D A S A Ú D E B A S E A D A E M VA LO R Ricardo Valentim é coordenador do L AIS (Laboratório de Inovação Tecno lógica em Saúde) e doutor em engenharia elétrica e de computação pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Nor te). É um dos grandes nomes da saúde quando o assunto é ciência humanitária, tema que defende com unhas e dentes. Ao unir a saúde como alicerce soc i a l à n e c e s s i d a d e d e i m p l e m e n t a ç ã o t e cnológica e incentivo à inovação, consegue – como poucos – chegar a consensos e soluções que contribuem para a transformaç ã o d o a t u a l c e n á r i o d a s a ú d e b ra s i l e i ra . Nesta entrevista exclusiva à ABIMO em R e v i s t a , Va l e n t i m e x p l i c a c o m o a c i ê n c i a h u m a n i t á r i a , q u a n d o a p l i c a d a n a ra i z d o s e n t ra v e s d o s e to r, p o d e c o n t r i b u i r p a ra o modelo de saúde baseada em valor. 34  ABIMO EM REVISTA JUNHO/2019


PING-PONG

ABIMO em Revista – Qual é a relação entre os conceitos de saúde baseada em valor e a ciência humanitária dentro do atual cenário brasileiro? Ricardo Valentim – A ciência humanitária é o estudo global dos problemas sociais e olha as questões da saúde não somente como despesa, mas como oportunidade de desenvolvimento de soluções que podem melhorar o sistema como um todo. E, sob esse olhar, visa maximizar a escalabilidade dos serviços de saúde melhorando os investimentos e tornando o sistema mais eficiente. Essa eficiência vem em forma de redução de filas e gargalos. Obtendo sucesso nesse novo mo-

delo de negócios, o Brasil pode inclusive exportar as tecnologias a ele atreladas. ABIMO em Revista – Acredita que a tecnologia, principalmente quando falamos em inteligência artificial e abertura para telemedicina e telediagnóstico, pode ser fator de peso no incentivo à cultura do valor em saúde? Ricardo Valentim – A telessaúde é beneficiada diretamente pela inteligência artificial que, após a evolução da computação, chegou a máquinas capazes de processar grandes volumes de dados. E por meio do telediagnóstico somos capazes de romper as barreiras JUNHO/2019 ABIMO EM REVISTA  35


PING-PONG

geográficas, aumentando a escala e ampliando a qualidade e a assertividade dos laudos médicos. Tudo isso gera segurança para os governos, que são os grandes financiadores da telemedicina e, também, para a saúde suplementar. Todo o processo ganha valor ao minimizar erros, garantir mais acertos com melhor tempo de resposta e ter a possibilidade, inclusive, de avaliar os profissionais de saúde. ABIMO em Revista – Como a indústria de saúde pode contribuir para a construção de um novo cenário em que o paciente esteja no centro da atenção? Ricardo Valentim – A indústria é um dos braços indutores das respostas que a saúde brasileira procura. Depois de um aprimoramento da legislação – seja junto aos comitês de ética, seja para facilitar a integração entre os setores público e privado –, é preciso que a indústria se aproxime dos centros de pesquisa para implementação das tecnologias que darão apoio ao cuidado integral desses pacientes. E, claro, é indispensável que haja investimento em pesquisa no nosso país. Definitivamente está nas mãos da tríplice hélice formada pelo governo, pelo setor 36  ABIMO EM REVISTA JUNHO/2019

produtivo e pelas instituições de ensino e pesquisa a alavanca para acionar os responsáveis pelas mudanças na legislação. ABIMO em Revista – Quais problemas podem ser atacados e solucionados com a aplicação do conceito de saúde baseada em valor? Ricardo Valentim – O principal problema atualmente está na regulação. Hoje o SUS tem filas que só ocorrem pela falta de controle justamente pelo sistema de regulação brasileiro ser falho, deficitário e ineficiente. Para que possamos ter saúde baseada em valor, devemos resolver as questões de regulação e, então, teremos a oportunidade inclusive de auxiliar outros países que sofrem do mesmo mal. E, para resolver esses problemas, precisamos de sistemas de informação que trabalhem de forma integrada nos três níveis de atenção, partindo, sempre, do pron tuário eletrônico do paciente. ABIMO em Revista – Como convencer os empresários de que não é preciso abrir mão do lucro? E como a ciência humanitária pode contribuir para essa argumentação?


PING-PONG

Ricardo Valentim – Primeiramente é importante implementar uma política de impacto da tecnologia na sociedade. Investir em tecnologia é maximizar o lucro. A ciência humanitária é um excelente motor de promoção do desenvolvimento econômico e social que não gera passivo, mas sim aumenta o ativo. E essa sobra de recursos pode possibilitar novos investimentos em novas tecnologias. ABIMO em Revista – Certa vez você mencionou que “ciência humanitária é saúde, mas é também educação”. Acredita que grande parte da mudança para um sistema de saúde baseada em valor depende de um forte investimento em educação? Ricardo Valentim – Em tempos de inteligência artificial, qualquer sociedade precisa ser educada continuamente. Essa educação ao longo da vida, uma das metas da Agenda 2030 da ONU, quando aplicada ao desenvolvimento de novas tecnologias com olhar humanitário, é essencial para a evolução do país, sobretudo do setor industrial que pensa na saúde do país. Hoje vivemos um distanciamento da indústria do investimento em

educação, que deve ser considerado em todos os departamentos, do chão de fábrica ao setor comercial. ABIMO em Revista – Como o LAIS vem aplicando o conceito de saúde baseada em valor em seus projetos? Ricardo Valentim – Observando a inclusão de tecnologias ou novos processos dentro da rede de atenção à saúde tanto na esfera pública quanto na privada para redução do custo e para melhorias na qualidade dos serviços. Nós olhamos a saúde não somente como uma área de assistência, mas como uma área de ensino com um enorme mercado a ser impactado. A Osseus, tecnologia que desenvolvemos para levar teste de isometria óssea – que somente era feito na alta complexidade – às unidades básicas de saúde é um dos exemplos. Enquanto um equipamento tradicional de densitometria óssea custa cerca de R$ 150 mil, o Osseus custa no máximo R$ 4 mil. Uma tecnologia desenvolvida para democratizar o acesso à saúde com impacto direto no desenvolvimento humano, visto que a osteoporose é uma enfermidade que gera prejuízos econômicos e sociais. JUNHO/2019 ABIMO EM REVISTA  37


ODONTOLOGIA

Q UA L I DA D E BRASIL Indústria odontológica brasileira conquista mercado turco com competência e reconhecimento internacional

S

e havia alguma dúvida de que a odontologia brasileira desperta interesse mundial, ela foi sanada após a realização do Experiência Brasil em Istambul, capital da Turquia. A ação promovida pelo Brazilian Health Devices – projeto setorial executado pela ABIMO em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) – em abril deste ano reuniu um seleto grupo de cirurgiões-dentistas e empresários locais para conhecer com mais profundidade o amplo desenvolvimento do Brasil no setor. E o resultado foi extremamente positivo e motivador. O formato foi tão inovador quanto as soluções apresentadas pela indústria nacional. Intitulado “Facing the Oral Health Challenge – The Brazilian Experience”, o projeto contou com uma apresentação completa sobre o mercado de odontologia no Brasil realizada por Regiane Marton, conselheira da ABIMO e presidente da Kulzer-Dental. Especialista no assunto e totalmente integrada às novidades do setor, Regiane apresentou um overview do mercado, incluindo um

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ODONTOLOGIA

histórico do desenvolvimento da cadeia produtiva da odontologia brasileira, as principais inovações que ganham o mundo, os números de exportação – pois temos uma odontologia superavitária – e os motivos pelos quais os mercados globais devem se atentar a essa brasilidade. “A produção científica de odontologia do Brasil é uma das melhores do mundo. Estamos constantemente em parceria com institutos de pesquisa que aumentam o nosso nível e qualidade. E isso, por si só, já mostra nossa evolução”, enfatiza Regiane. Saindo da teoria para demonstrações práticas, empresas associadas à ABIMO fizeram apresentações específicas sobre alguns dos produtos brasileiros que são destaque no globo. A Aditek, representada pelo doutor Alexandre Gallo Lopes, falou sobre bráquetes autoligados, uma inovação na área de ortodontia; o doutor Diogo Ramos, da Implacil, falou sobre implantes dentários; e a Bionnovation, com o doutor Danilo Ciotti, falou sobre os pontos-chave para garantir a estética e saúde do implante dentário. Em um formato prático, rápido e bastante efetivo, a indústria nacional conseguiu mostrar a potenciais compradores do mercado turco que está disponível para ofertar produtos de qualidade, com alto valor agregado, tecnologias disruptivas e excelente custo-benefício. “A ação foi um sucesso e apresentamos ao mercado turco algumas das nossas soluções mais avançadas. Com profissionais renomados expondo suas técnicas e a apresentação em tempo real do uso de

Acredito que esse formato de evento contribui para disseminar a imagem positiva do Brasil, enfatizando seu vasto desenvolvimento tecnológico. Ao mesmo tempo, contribui para a criação de boas parcerias entre os dois países que fortalecem os nossos laços de cooperação e comércio Paulo Roberto França cônsul-geral do Brasil em Istambul

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ODONTOLOGIA

A ação foi um sucesso e apresentamos ao mercado turco algumas das nossas soluções mais avançadas. Com profissionais renomados expondo suas técnicas e a apresentação em tempo real do uso de alguns dos produtos mais inovadores em utilização na atualidade, pudemos reforçar a posição do Brasil como um país capaz de gerar qualidade Karina Yamamoto coordenadora de promoção comercial da ABIMO

alguns dos produtos mais inovadores em utilização na atualidade, pudemos reforçar a posição do Brasil como um país capaz de gerar qualidade”, comenta Karina Yamamoto, coordenadora de promoção comercial da ABIMO. Prestigiando as apresentações, o cônsul-geral do Brasil em Istambul, Paulo Roberto França, apoiou a ação. “Acredito que esse formato de evento contribui para disseminar a imagem positiva do Brasil, enfatizando seu vasto desenvolvimento tecnológico. Ao mesmo tempo, contribui para a criação de boas parcerias entre os dois países que fortalecem os nossos laços de cooperação e comércio”, pontua.

Veja mais fotos do evento!

clique aqui e confira

40  ABIMO EM REVISTA JUNHO/2019


ODONTOLOGIA

Estrategicamente planejado pelo time do Brazilian Health Devices, o Experiência Brasil foi realizado no dia que antecedeu a abertura da IDEX 2019, principal feira do segmento na Turquia.

Na exposição, que ocorreu entre 11 e 14 de abril, o pavilhão brasileiro construiu a expectativa de gerar US$ 1,8 milhão em novos negócios até abril de 2020.

Tr ê s p e r g u n t a s p a r a R e g i a n e M a r t o n , conselheira da ABIMO e presidente da Kulzer-Dental 1. A qualidade da indústria odontológica brasileira é reconhecida no mercado externo? Antigamente não tínhamos tecnologias tão avançadas então não conseguíamos alcançar a qualidade dos produtos importados. Mas isso não é mais uma verdade. Importamos tecnologias e investimos em desenvolvimento. Hoje prestamos um dos melhores serviços de odontologia do mundo e jamais teríamos dentistas tão bons sem produtos igualmente de qualidade.

2. Qual segmento da odontologia hoje mais tem despertado interesse? O Brasil é um dos países de referência na área de odontologia estética, que engloba desde clareamento até procedimentos mais avançados. E, nesse caso, nosso grande diferencial é que trabalhamos essa divisão não somente pela estética, mas também pelo funcional. 3. Como avalia a repercussão do Experiência Brasil na Turquia? Foi uma ótima oportunidade para estreitarmos o relacionamento com os turcos mostrando, também, nosso lado inovador e nossa produção científica somados ao compartilhamento de informações importantes que trazem credibilidade ao produto brasileiro.

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FALANDO NISSO

FA L A N D O N I S S O... por Paulo Henrique Fraccaro

O

mês de maio é um dos mais movimentados do setor de saúde devido à realização da Feira Hospitalar. O prestígio que esse evento tem no nosso segmento extrapola as barreiras geográficas e promove uma exposição da nossa indústria a diversos outros países que visitam a feira em busca das soluções que nossa cadeia produtiva tem orgulho em ofertar. Presentes desde a primeira edição desse importante encontro anual, nós da ABIMO permanecemos por quatro dias inteiros imersos em um espaço onde pessoas e máquinas convivem na busca por melhorias factíveis para a saúde mundial. Reunidos em São Paulo, marcas e profissionais extremamente capacitados se relacionam de forma profícua para ampliar o desenvolvimento de produtos que podem transformar o dia a dia das sociedades. O cenário da Hospitalar é repleto de histórias, e temos orgulho de fazer parte

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de todo esse caminho. Neste ano de 2019, na 26ª edição do evento, a ABIMO mais uma vez contribuiu para a história da saúde brasileira ao desenvolver ações muito bem planejadas e estratégicas para a construção de um ambiente de negócios a cada dia mais motivador para o empresariado de saúde do nosso país. Cada um de nós, seres humanos, somos formados por 7 octilhões de átomos e mais de 10 trilhões de células. Mas o que consolida a nossa existência são as histórias que vivemos e reproduzimos ao longo da vida. Máquinas são formadas por componentes e só se tornam soluções quando passam a incorporar as experiências de cada um dos envolvidos em sua produção. Ao longo da Hospitalar, pudemos assistir a todas essas histórias cujos reflexos em máquinas e produtos geram resultados que nos motivam a buscar sempre mais.


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