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4ª CAPA

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ABIMO resgata 55 anos de história...

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SUMÁRIO

EXPEDIENTE A ABIMO em Revista é uma publicação da ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios), direcionada a associados, fornecedores, órgãos governamentais e profissionais da área. A reprodução total ou parcial deste conteúdo é expressamente proibida sem prévia autorização. A ABIMO não se responsabiliza pelas informações contidas nos anúncios, qualidade dos produtos anunciados e outros detalhes de eventuais negociações, sendo essas de responsabilidade exclusiva das empresas anunciantes. GESTÃO 2015-2019 ABIMO Presidente: Franco Pallamolla (Lifemed) Vice-Presidente: Walban Damasceno de Souza (Becton Dickinson) Diretor Tesoureiro: Luís Calistro Balestrassi (Neurotec) Conselheiros Titulares: Djalma Rodrigues (Fanem), Eliane Lustosa (Labtest), Kurt Kaninski (St Jude), Andre Ali Mere (Olidef), Caetano Biagi (Alliage), Giancarlo Schneider (Kavo do Brasil) Conselheiros Suplentes: Maria Cecilia Patricia Braga Braile Verdi (Braile Biomédica), Patricia Bella Costa (Colgate), José Roberto Pengo (Biomecânica), Rodolfo Alba Candia Junior (Conexão), Adailton Becker (JJGC), José Ricardo de Souza (Ibramed), Marcelo Roberto de Menezes Dourado (Phillips), Andre Augusto Spicciati Pacheco (Cremer) Conselheiros Fiscais: Regiane Marton Heraeus (Kulzer), Gabriel de Figueiredo Robert (Silimed) Wiliam Donisete de Paula (Hospimetal) Conselheiros Fiscais Suplentes: Roberto Queiroz Martins Alcantara (Angelus), Valdevir Pereira de Aquino (Medtronic), Elisa Freitas Olsen (Olsen) SINAEMO Presidente: Ruy Salvari Baumer (Baumer) Secretário: Paulo Henrique Fraccaro (Implus) Tesoureiro: Tatiane Galindo (Ortosintese) Diretores Suplentes: Paulo Akio Takaoka (Medical Cirúrgica), Anselmo Quinelato (Schobell), Gilberto Nomelini (Alliage) Conselheiros Fiscais: Jamir Dagir Junior (Dorja), Fabio Colhado Embacher (Emfils), William Pesinato (Fami), Conselheiros Fiscais Suplentes: José Tadeu Leme (Engimplan), Orlando de Carvalho (Carci)

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14

Capa - Do legado ao futuro

Parceiros

56

40 BHD

68 Ping-pong

Mercados-alvo

Artigo Franco Pallamolla Artigo Ruy Baumer Dia a dia Falando nisso

Conselho Editorial: Clara Porto (Gerente de Projetos e Marketing Internacional) Joffre Moraes (Gerente de Estratégia Regulatória) Márcio Bosio (Diretor Institucional)

CONTEÚDO / EDIÇÃO DE TEXTOS E PRODUÇÃO: Jornalista Responsável: Deborah Rezende (MTB 46691) contato@dehlicom.com.br REDAÇÃO: Deborah Rezende, Elaine Cristina, Marcela Marques Revisão: Carolina Machado FOTOGRAFIA: Cleber de Paula EDIÇÃO E ARTE: Cecil Rowlands Filho e Marcela Marques PUBLICIDADE: Márcio Bertoni bertoni@abimo.org.br ABIMO - Av. Paulista, 1.313 - 8º andar - sala 806 - 01311-923 - São Paulo - SP Tel.: 11. 3285.0155- www.abimo.org.br

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A ABIMO completou, neste ano, 55 anos de atuação em defesa do nosso setor, e aqui estamos para revisitar os aspectos marcantes dessa caminhada vitoriosa. Depois de tanto tempo, algumas poucas decepções e inúmeras alegrias, estou certo de termos colaborado para a edificação da entidade sólida e tão respeitada por parceiros e órgãos do governo, nossos interlocutores. Ao assumir a presidência da entidade em 2007, encontrei uma ABIMO já muito robusta e tecnicamente estruturada, resultado do trabalho competente de cada uma das gestões anteriores, comandadas por grandes nomes deste nosso segmento, os quais travaram batalhas importantíssimas para que pudéssemos investir no projeto de profissionalização que ainda nos levará muito mais longe. O virtuoso crescimento da ABIMO é devido aos muitos que trabalharam arduamente pela consolidação deste ideal e principalmente a todos os associados que, com a sua confiança e o seu apoio, deram sustentação às causas e aos planos que nos levaram às conquistas celebradas hoje.

FRANCO PALLAMOLLA é presidente da ABIMO

A cada vez que revemos a trajetória da ABIMO, constatamos com justo orgulho como é significativa a sua história. A união, que nos fez fortes, é o atributo principal na luta para que a nossa indústria consiga se reerguer após momentos sombrios e de crise política e econômica. O nosso passado vitorioso é a energia que nos fará seguir em frente. Uma das coisas que nunca podemos deixar de nos lembrar é que somos parte fundamental de um setor que movimenta 10% do PIB nacional e que atende, de forma exemplar, ao mercado interno, ao mesmo tempo que transpõe as fronteiras e as barreiras geográficas para mostrar ao mundo a nossa capacidade e qualidade de produção na área de artigos e equipamentos médicos, hospitalares, odontológicos e de laboratórios. Ao encerrar essas felizes lembranças, desejo que a leitura que encontrarão a seguir também os inspire. Se hoje já somos mais de 400 associados, em 2018 seremos ainda mais, unindo nossas forças e comprovando, novamente, que juntos somos muito mais fortes.

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Na primeira semana de agosto, recebemos na Fiesp o Deputado Federal Luiz Carlos Hauly, relator do projeto da Reforma Tributária da Câmara, para uma reunião sobre o tema e seus impactos em nosso setor. Estavam presentes também representantes de toda a cadeira produtiva da saúde, em um recinto lotado de pagadores de impostos não voluntários. Dos fornecedores aos prestadores de serviço, dos profissionais aos pagadores, todos, dentro de um sistema único que une público e privado, têm o mesmo objetivo: levar saúde à população. Prestamos um serviço que está garantido na Constituição. A maioria dos custos é paga, direta ou indiretamente, pelo setor público e pela população. O setor privado, quando atua, desafoga e reduz custo do setor público. Por que onerá-lo? Fornecedores apoiam essa estrutura com produtos, serviços, treinamento e melhoria de processos, cuja carga tributária também é altíssima, o que só resulta em aumento de custos para a própria população e para o setor público.

RUY BAUMER é presidente do SINAEMO

Entre todos esses atores, a cadeira produtiva forma uma rede de fornecimento intersetorial, que sempre vai terminar na prestação de serviço. Não existem justificativas para tributar cada etapa intermediária, porque isso só aumenta os custos e a burocracia. Ao final, temos uma carga maior do que o custo do serviço. Aliada à alta tributação, temos a alta complexidade do sistema, que representa enorme custo adicional somente para sermos taxados. Pagamos muito para pagarmos muito. Gastamos mais com impostos e seus reflexos do que com inovação, com pessoal, com fabricação… o que em um círculo vicioso encarece e tira a competitividade da produção, que fica mais cara. Isso tudo só pode servir para justificar a enorme, cara e ineficiente máquina pública, que só entende como poder a capacidade de atrapalhar o crescimento. Tenho certeza de que não é sufocando o setor produtivo que vamos gerar riqueza. O Brasil, como nação, ainda nos traz muitos empecilhos, muitas vezes aparecem pedras em nossos sapatos, mas continuaremos correndo, pois é aqui que estamos e é aqui que venceremos

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DIA A DIA

ABRIL

ABIMO participa da 12ª reunião do Gecis em Brasília Aconteceu no dia 27 de abril, em Brasília, a 13ª reunião do Gecis (Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde). Durante o encontro, a extensão do Programa Brasil Mais Produtivo para a indústria da saúde foi oficialmente lançada, o que representa importante avanço para o setor de produtos para saúde. Na ocasião, estiveram presentes Franco Pallamolla e Márcio Bosio, respectivamente o presidente e o diretor institucional da ABIMO. O programa Brasil Mais Produtivo é uma realização do Senai, do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), com a parceria do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). No estado de São Paulo, o programa é operado pelo Senai-SP.

ABIMO participa de audiência pública sobre inovação tecnológica na saúde brasileira O diretor institucional da ABIMO, Márcio Bosio, participou de uma audiência pública da Comissão Especial de Inovação Tecnológica no dia 25 de abril. O encontro destacou o processo de inovação e a incorporação tecnológica no complexo produtivo da saúde, contando com a participação de vários representantes de associações da indústria da saúde no Brasil. Durante a apresentação, Bosio enfatizou a necessidade da criação de políticas industriais, visando à ampliação do acesso da população a produtos estratégicos e à redução da vulnerabilidade do SUS. Além disso, mirou a inexistência de fomento ao progresso tecnológico e o intercâmbio de conhecimentos para a inovação em prol do desenvolvimento do Ceis (Complexo Econômico e Industrial da Saúde).

Leia mais em: https://goo.gl/v 8DB1o

Workshop Brasil Mais Produtivo – Saúde O evento foi realizado pelo Departamento Nacional do Senai por meio das ações do Programa Brasil Mais Produtivo, em parceria com o MDIC, o Ministério da Saúde e a ABIMO. -O objetivo do encontro foi identificar as principais demandas e oportunidades do setor de dispositivos médico-hospitalares a fim de que se possa desenvolver, de forma assertiva, a aplicação de ferramentas para aumento da produtividade e eficiência dos processos das empresas.

Leia mais em: https://goo.gl/gJaqLH

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ABIMO participa do lançamento do Hub 55 em New Haven, nos EUA

No dia 3 de abril, aconteceu a cerimônia de lançamento do Hub 55, um escritório para empresas brasileiras iniciarem operações em New Haven, no estado americano de Connecticut. O Hub 55 é iniciativa da Paseli, consultoria especializada no desenvolvimento de negócios internacionais, em parceria com ABIMO, entidades brasileiras e norte-americanas, e apoio do governo de Connecticut. Na ocasião, a analista de promoção comercial da ABIMO, Larissa Gomes, assinou um memorando de entendimento (Memorandum of Understanding – MoU) firmando oficialmente a parceria. O Hub 55 disponibilizará um escritório mobiliado, onde os recursos serão compartilhados, próximo ao campus da Universidade Yale, que ajudará as empresas a construírem seu plano de negócios bem como prospectarem clientes e parceiros no mercado americano.

Leia mais em: https://goo.gl/LiyRtR

Intel e Microsoft falam sobre saúde e conectividade em evento da ABIMO Buscando aumentar o conhecimento e fomentar as discussões sobre o uso da tecnologia na área da saúde, a ABIMO promoveu em 20 de abril o workshop Indústria 4.0 – Saúde e Conectividade, com a presença de representantes das empresas Intel e Microsoft como palestrantes. Em seu discurso de abertura, o presidente da ABIMO, Franco Pallamolla, disse que já há quatro anos a ABIMO discute o impacto que a tecnologia traria para a indústria da saúde, porém, as discussões, por serem pontuais, não estavam convergindo para um fórum que tratasse diretamente com os players do setor. “Por esse motivo criamos um grupo de trabalho sobre conectividade na área da saúde, que certamente vai se desdobrar como um dos setores abarcados pela ABIMO em seu escopo, o qual organizará outros eventos como esse”, disse. “É um prazer para a ABIMO termos uma discussão para aumentar a velocidade dessa realidade que já é presente na nossa vida”, complementou o diretor institucional Márcio Bosio, frisando que o debate será ainda mais aprofundado durante o próximo CIMES (Congresso de Inovação em Saúde), promovido pela ABIMO em agosto.

Leia a cobertura completa em: https://goo.gl/YwouH3

Missão para Oriente Médio e norte da África Durante o mês de abril, a gerente de projetos e marketing internacional Clara Porto e o analista de acesso a mercados Rafael Cavalcante representaram o projeto Brazilian Health Devices em uma missão de prospecção para a região do Oriente Médio e do Norte da África. A ação busca entender melhor os mercados da Arábia Saudita, do Egito, dos Emirados Árabes Unidos e do Irã. Para tanto, reuniões com atores diversos, como empresas e distribuidores locais, consultorias, câmaras de comércio e setor público, foram realizadas. Na capital iraniana, Teerã, houve uma visita ao Embaixador do Brasil, Rodrigo de Azeredo, e a representantes do setor público do Imed (Iran Medical Equipment Department), além de consultorias, companhias e associações empresariais do país. Parte da equipe da missão esteve na Arábia Saudita, cuja agenda na cidade de Jeddah incluiu visitas a câmaras de comércio, hospitais, empresas e um centro odontológico de atendimento ao público. Também foi realizado trabalho em campo pela equipe do projeto na cidade de Riyadh, capital do país, com uma série de reuniões e visitas a locais-chave do mercado. A visita à feira Mediconex no Cairo e a missão prospectiva na Arábia Saudita foram realizadas em parceria com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira e com o escritório da Apex-Brasil em Dubai. Outra parte da equipe responsável pela missão cumpriu agenda nos Emirados Árabes Unidos com empresas e consultorias que atendem a toda a região do Golfo Pérsico, ação que contou igualmente com o apoio do escritório da Apex-Brasil sediado em Dubai. Além disso, aconteceu uma reunião com potenciais parceiros para projeto de internacionalização de empresas participantes do BHD na região do Oriente Médio. A missão de prospecção do projeto Brazilian Health Devices ainda esteve no Irã.

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DIA A DIA

Fiesp recebe secretário municipal da Saúde de São Paulo, Wilson Pollara Em 7 de abril, dia mundial da saúde, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) recebeu o secretário da Saúde do município, Wilson Pollara, que apresentou os novos programas da prefeitura no evento “A nova saúde da cidade de São Paulo”, promovido pelo ComSaúde (Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia), da Fiesp. O presidente do ComSaúde e também do SINAEMO (Sindicato da Indústria de Artigos e Equipamentos Odontológicos, Médicos e Hospitalares do Estado de São Paulo), Ruy Baumer, ao lado de Franco Pallamolla, presidente da ABIMO, recebeu Francisco de Assis Figueiredo, secretário de Atenção à Saúde (SAS) do Ministério da Saúde, e José Medina, presidente da Sociedade de Nefrologia do Estado de São Paulo. Em sua apresentação, Pollara apresentou os planos da secretaria para temas como a melhoria da atenção primária, que inclui a integração dos sistemas de gestão municipal e estadual; a distribuição por complexidade nos hospitais e centros de atendimento da prefeitura; a finalização de obras; a integração do Samu e do Grau; a ampliação do Doutor Saúde, que busca levar atendimentos médicos e exames para todas as regiões da cidade em carretas adaptadas; e também apresentou os resultados do programa Corujão da Saúde, que em menos de três meses atendeu 99,65% dos 485.300 exames em espera no ano passado, praticamente zerando a fila. O superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro, questionou o secretário a respeito da continuidade dos projetos apresentados em caso de mudanças na gestão. “Por isso apresentamos projetos de lei: para que os bons programas se perpetuem”, finalizou Pollara. Em dezembro de 2016, a ABIMO e a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo assinaram um termo de cooperação técnica com o objetivo de unir esforços para que os dispositivos médicos, odontológicos e de laboratórios produzidos no Brasil sejam utilizados em demandas da cidade.

Leia mais em: https://goo.gl/3z2fkD

ABIMO participa do evento “Defesa Comercial: Apoio aos Exportadores Brasileiros” O gerente de Estratégia Regulatória da ABIMO, Joffre Moraes, participou do evento “Defesa Comercial: Apoio aos Exportadores Brasileiros”, iniciativa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) em parceria com o MDIC. O encontro objetivava esclarecer para o setor privado o papel do governo brasileiro quanto ao apoio aos exportadores que são alvos de medidas de defesa comercial no exterior. Há 209 medidas de defesa comercial em vigor no mundo e 37 delas afetam os exportadores brasileiros. As medidas de defesa comercial podem ser antidumping, antissubsídios e salvaguardas, sendo usadas para combater importações desleais. O problema é que o aumento generalizado dessas práticas indica acirramento do protecionismo, principalmente das principais economias do mundo, e nem sempre estão ligadas a práticas ilegais de comércio.

Leia mais em: https://goo.gl/N6eQGh

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Setor nacional de dispositivos médicos investe 2,8% de seu faturamento em inovação Realizado na primeira semana de abril, o primeiro Warm up do CIMES discutiu a importância da inovação na cadeia de saúde. Coordenado pelo professor doutor Renato Zângaro, responsável pelo gerenciamento das atividades do Centro Tecnológico em Saúde do Parque Tecnológico de São José dos Campos e pesquisador da Universidade Anhembi Morumbi na área de Engenharia Biomédica, o evento contou com a presença de importantes nomes da academia e também da indústria nacional.

Leia mais: https://goo.gl/QfuUVv


Dabi Atlante e Braincare são as empresas vencedoras do Prêmio Inova Saúde 2017

Durante o VI Encontro de Associados da ABIMO e do SINAEMO aconteceu a cerimônia de premiação da oitava edição do Inova Saúde, iniciativa que visa reconhecer e incentivar ações de inovação aplicadas a produtos e serviços que contribuem para elevar o patamar tecnológico em benefício da saúde humana. A Dabi Atlante, fabricante de dispositivos odontológicos, e a Braincare, responsável pelo desenvolvimento de tecnologia médica, foram premiadas. Cada uma recebeu um troféu em reconhecimento e um cheque no valor de R$ 50 mil. Nessa edição, a premiação da área odontológica recebeu o nome de “Prêmio Knud Sorensen”, como homenagem póstuma ao cirurgião-dentista e vicepresidente do setor odontológico da ABIMO. Durante o

jantar, Knud foi homenageado pela professora e doutora Mônica Talarico Duailibi que, em nome de anos de amizade, fez o discurso. A família recebeu uma placa com a seguinte mensagem: “Pelos seus anos de trabalho, estímulo e dedicação à saúde brasileira. Seu legado permanecerá vivo, assim como sua lembrança no coração de todos que lhe acompanharam”. Durante o seu discurso, Franco Pallamolla, presidente da ABIMO, enfatizou o engajamento da associação para estimular a inovação entre as empresas do setor. “Em 2007, quando assumimos as entidades, tínhamos a missão de entender as necessidades do segmento, e ficou evidente que, entre tantas agendas, a inovação era fundamental”, pontuou.

Veja a cobertura completa em: https://goo.gl/9uvRZc

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DIA A DIA

MAIO

Ministro Ricardo Barros faz balanço de sua atuação na área O ministro da Saúde, Ricardo Barros, apresentou no último dia 29 de maio os resultados do primeiro ano de sua gestão à frente do Ministério da Saúde ao ComSaúde na Fiesp. Com a adoção de medidas para tornar a administração mais eficiente, foi possível realocar, em um ano, R$ 3,2 bilhões para o custeio de mais serviços do SUS. O encontro recebeu mais de 230 pessoas, na maioria ligadas às principais entidades de setores que movimentam a saúde, não somente da indústria, mas de setores como medicina, odontologia e de laboratórios. O superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro, esteve presente no evento e considerou como positiva essa iniciativa do ministro de encontrar representantes e profissionais que atuam no segmento.

Executivos da ABIMO estão entre os 100 Mais Influentes da Saúde Na noite de 18 de maio, o Grupo Mídia promoveu mais uma edição especial do prêmio “100 Mais Influentes da Saúde”, que homenageou os profissionais de maior destaque no último ano em diversas áreas, como gestão, qualidade, indústria, associações, saúde suplementar, suprimentos e logística, entre outras.

Anvisa fecha mais estabelecimentos de implantes odontológicos falsos A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), com o apoio das Visas Estadual e Municipal, fechou no dia 2 de maio, na Zona Leste de São Paulo, uma fábrica irregular de implantes odontológicos com peças produzidas sem as mínimas condições de higiene. Essa foi a segunda intervenção da agência no estabelecimento, que já fora fechado em julho de 2016, com a apreensão de mais de 90 mil peças. Segundo o coordenador de Segurança Institucional na Anvisa, Marcel Figueira, desta vez foram apreendidas mais de 25 mil unidades. Já no dia seguinte (3), na região central da capital paulista, foi a vez de uma distribuidora que, apesar de ter AFE (Autorização de Funcionamento de Empresa), comercializava implantes dentários falsificados adquiridos de um fabricante de Valinhos (SP), preso em dezembro do ano passado em uma operação.Essas ações fazem parte da Operação “Fake”, que acontece em todo o país e tem o apoio da ABIMO.

JUNHO

Wilson Chediek assume a presidência da APCD e reforça a importância de parceria com a indústria Em evento no último dia 24 de junho, estiveram reunidos dirigentes, profissionais e especialistas do setor odontológico brasileiro. Na sede da APCD (Associação Paulista de CirurgiõesDentistas), foram empossados os novos eleitos que comandarão pelos próximos anos tanto a entidade estadual quanto a ABCD (Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas). Adriano Forghieri, que comandou a APCD pelas últimas duas gestões, entrega o cargo para Wilson Chediek, que assume como presidente até 2020 juntamente com Silvio Cecchetto, 1º vice-presidente; Helenice Biancalana, 2ª vicepresidente; Miguel Haddad, secretário-geral; e Pedro Fernandes, tesoureiro-geral.

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ABIMO participa de audiência pública sobre fim da desoneração da folha de pagamento A ABIMO, por meio da presença de seu superintendente, Paulo Henrique Fraccaro, participou ativamente de audiência pública realizada na tarde de 6 de junho, no Senado Federal, para debater a MP nº 774/2017. A medida provisória reduz os setores que podem recolher a contribuição previdenciária com base em sua receita bruta, gerando insegurança no setor industrial como um todo.

ABIMO fortalece vínculo com as empresas da região Sul com dois eventos em Porto Alegre Com o propósito de estreitar ainda mais o relacionamento com a indústria gaúcha, a ABIMO realizou em 27 de junho dois eventos em Porto Alegre. Pela manhã, associados e não associados à ABIMO foram recebidos no Badesul para um encontro regional. Durante o evento foram apresentados os trabalhos desenvolvidos pela entidade em prol da indústria brasileira de produtos para a saúde e também dados que demonstravam o crescimento sustentável dos setores médico-hospitalar e odontológico no mercado nacional e no internacional.

ABIMO discute, com Anvisa, propostas e melhorias para o setor. Trabalhando para melhorar os processos regulatórios e impulsionar a internacionalização dos produtos nacionais, a ABIMO, representada por seu superintendente, Paulo Henrique Fraccaro, esteve reunida em 13 de junho com Jarbas Barbosa, diretor-presidente da Anvisa, e outras entidades para debater entraves que limitam a exportação brasileira ao gerar atrasos e burocratizar as relações comerciais com o Mercosul.

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Inteligência artificial na odontologia

JULHO SINAEMO participa de formatura na Escola Senai Mariano Ferraz No dia 23 de julho, o SINAEMO foi representado pelo seu diretor administrativo, José Augusto Queiroz, na formatura dos alunos do curso Técnico em Equipamentos Biomédicos da Escola Senai Mariano Ferraz, em São Paulo.

Com a expectativa de suscitar reflexões acerca de como a saúde bucal pode ser melhorada por meio da tecnologia, no dia 21 de julho, o líder do Grupo de Trabalho da Indústria 4.0 da ABIMO, Donizetti Louro, realizou um talk show sobre a importância da inteligência artificial na odontologia. O discurso ocorreu durante o Ciorj (Congresso Internacional de Odontologia no Rio de Janeiro), evento que reuniu empresários, professores das universidades locais, alunos de medicina e odontologia e governo.

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ABIMO conhece nova cônsul de inovação, tecnologia e ciência da Holanda No dia 12 de julho o superintendente Paulo Henrique Fraccaro; a gerente de projetos e de marketing internacional da ABIMO, Clara Porto; e o diretor do ComSaúde, Eduardo Giacomazzi, deram boas-vindas à nova consulesa da Holanda e diretora-executiva do departamento de ciência, tecnologia e inovação, Petra Smits. O encontro contou também com a participação de Rens Koele, do consulado holandês, e Nico Schiettekatte, que deixa seu cargo no início de agosto para trabalhar na Embaixada da Holanda em Paris.

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DIA A DIA

Rodada de negócios encerra com mais de US$ 10 milhões em expectativa de negócios Buscando promover as exportações da indústria brasileira da saúde por meio da aproximação entre empresas nacionais e estrangeiras interessadas em adquirir produtos brasileiros, a ABIMO realizou 356 reuniões durante os três dias da 24ª Hospitalar com empresas associadas ao Brazilian Health Devices, projeto executado pela ABIMO em parceria com a Apex-Brasil. A Rodada fechou com US$ 10,5 milhões em expectativa de negócios gerados para os próximos 12 meses. O evento recebeu compradores do México, da Colômbia e do Peru, países especialmente escolhidos por serem mercados-alvo do projeto e os três latino-americanos que mais importaram dispositivos médicos das empresas brasileiras participantes do BHD em 2016. Além disso, Colômbia e Peru são países que, após missão prospectiva feita pelo projeto, mostraram-se mercados potenciais para próteses e componentes para implantes e procedimentos cirúrgicos, bem como para dispositivos eletromédicos e produtos das áreas de laboratório, de neurocirurgia, de ventilação pulmonar e dispositivos cirúrgicos.

Já a República Dominicana, devido a uma recente restruturação em seu sistema de saúde pública, que absorveu todo o seguro social do país, está em busca de produtos de diversos segmentos e de novas tecnologias. Argentina, Bolívia, Nicarágua, Paraguai e Uruguai completam a lista de países escolhidos que vieram ao Brasil e conheceram os produtos das 45 empresas brasileiras participantes da ação.

ABIMO apresenta panorama da indústria de tecnologia assistiva na Hospitalar 2017 Realizado no dia 18 de maio, o Simpósio Latino-Americano de Reabilitação e Tecnologia Assistiva recebeu Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO, para apresentar um complexo estudo que detalha todo o setor industrial de tecnologia assistiva no Brasil, bem como analisa países que se mostram excelentes mercados para exportação da produção nacional. “O mercado da saúde movimenta US$ 8,5 bilhões, sem considerar a área farmacêutica. O de tecnologia assistiva já atinge a marca de US$ 1,35 bilhão. Trata-se de um mercado respeitável com grande potencial de crescimento”, diz Fraccaro sobre a atual situação da produção e do comércio de produtos e soluções voltadas às pessoas com deficiência.

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ABIMO recebe ministro da Saúde em visita à Hospitalar O presidente, Franco Pallamolla; o diretor institucional, Márcio Bosio; o gerente de estratégia regulatória da ABIMO, Joffre Moraes; e o presidente do SINAEMO, Ruy Baumer, receberam o ministro da Saúde durante visita à montagem da Feira Hospitalar, na segunda-feira (15). Ricardo Barros esteve presente no pavilhão de exposições para destacar a participação do Governo Federal, para promover o Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde).

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Com cerca de 130 projetos apresentados por hospitais de excelência, muitos deles parceiros da Hospitalar, o programa ultrapassa R$ 1,8 bilhão em isenções fiscais. Após o encontro, o ministro visitou alguns stands, entre eles o da Baumer e o da Lifemed.


ABIMO firma parceria com grupo da Holanda

ABIMO e Anvisa renovam Protocolo de Cooperação Técnica e Operacional O presidente da ABIMO, Franco Pallamolla, e o diretor-presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, assinaram, durante a VIII Jornada de Ação em Política Industrial e Regulamentação para Produtos de Saúde, a renovação do Protocolo de Cooperação Técnica e Operacional, que em 2013 estabeleceu uma agenda positiva para as duas instituições.

A ABIMO e a holandesa Task Force Health Care, instituição sem fins lucrativos que estimula a cooperação entre organizações do setor de saúde na Holanda, agora são parceiras. As entidades assinaram durante a 24ª Hospitalar um acordo-incentivo na formação de parcerias entre Brasil e Holanda no campo das ciências da vida e da saúde, abrindo oportunidade de negócios no segmento da saúde brasileira. “Há muito que podemos aprender com o Brasil, e acreditamos que temos muitas coisas acontecendo agora que são interessantes para o país. Essa parceria é muito importante, pois nos coloca em contato com entidades privadas e com a indústria, permitindo um intercâmbio de tecnologias entre nossos países, promovendo a melhoria no setor de saúde de forma conjunta”, disse Peter Post, diretor de gestão da Task Force Health Care.

Em mais um ano, Jornada Regulatória lota auditórios da Hospitalar Realizada pela oitava vez pela ABIMO, sempre com apoio da Anvisa, a VIII Jornada de Ação em Política Industrial e Regulamentação para Produtos de Saúde lotou os auditórios do Expo Center Norte mais uma vez. Em seu discurso de boas-vindas aos palestrantes e participantes, o presidente da ABIMO, Franco Pallamolla, reiterou o que havia dito pela manhã durante a cerimônia de abertura da 24ª edição da Hospitalar Feira+Fórum sobre o momento de profunda transição econômica pelo qual passa o Brasil. “Várias transformações estão impactando e vão impactar o sistema de saúde”, frisou Pallamolla, ao ressaltar que, ao contrário dos anos anteriores, neste a ABIMO optou por agendas verticais. “São tão importantes e cruciais quanto as transversais. Estamos olhando as necessidades específicas da nossa indústria.”

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“DO LEGADO AO FUTURO”

Como a ABIMO nasceu, fortaleceu-se e tornou-se indispensável


Década de 1960. A industrialização nacional ensaiava seus primeiros passos. O cenário político e econômico não era estável, e era visível a necessidade de fortalecimento da indústria para que o país encontrasse, de fato, o caminho do desenvolvimento. Eis que, da gana de um empresário confiante de que seu negócio podia ir muito mais longe firmando boas parcerias e angariando investimentos governamentais, a primeira semente da ABIMO foi plantada. E foi do afinco e da determinação de Manoel Amaral Baumer que essa semente germinou. Ao sair em busca de apoio do BNDES para alavancar a Baumer, empresa que leva seu sobrenome e hoje é a maior fabricante de próteses da América Latina, ele deparou com uma grande dificuldade. Como uma empresa poderia solicitar investimento sem estar formalmente vinculada a uma associação? Mas o problema ia mais fundo: o setor de equipamentos médicos e hospitalares não tinha uma entidade que o representasse, que defendesse seus pleitos, que buscasse soluções para suas demandas. Com tudo pronto para crescer, mas sem uma instituição à qual se filiar, Baumer tomou a frente da situação e foi em busca de solucionar essa pendência. Encontrou, na figura ilustre do doutor Gentil Leite Martins, da Atlante, um excelente parceiro, que o acompanharia por muitos e muitos anos na luta pelas melhorias do sistema de saúde no país. Enquanto a indústria médica ainda ensaiava como se firmar, o setor odontológico já se mostrava um pouco mais organizado graças à formação da Associação Profissional da Indústria de Artigos e Equipamentos Odontológicos de São Paulo. Organizado, sim, porém com pouca força.

“Não existia quase nada no mercado. Tudo o que havia era simples, pequeno, e tínhamos dificuldades para avançar. Foi um momento gostoso esse de começar a fazer algo e ver que realmente aquilo cresceu”, comenta o senhor Baumer, hoje com 90 anos de idade. Munindo-se do conceito de que “juntos somos mais fortes”, ambos visualizaram que seria vantajoso para todos se os empresários tanto da indústria de equipamentos médicos quanto da indústria de equipamentos odontológicos tentassem, juntos, angariar melhorias para o setor. E foi assim, de uma conversa inicial no Parque do Ibirapuera durante o II Salão de Ciências e Aplicações Médicas, que a ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Hospitalares, Odontológicos e de Laboratórios) começou a ser desenhada. Mas Baumer e Martins não estavam sozinhos nessa empreitada. Podiam contar com a parceria de outros profissionais da área que também viam as dificuldades e buscavam se desvencilhar delas para levar suas respectivas empresas adiante. Foi o caso de Djalma Rodrigues que, à frente da Fanem, ainda muito novo, reunia todo o entusiasmo que um profissional precisa para galgar ganhos presentes e futuros. Além dele, também toparam o desafio João Klinger (Micronal), Navarro (Atlante), Guido Marchetti (Mercedes-Imec) e Nicolau Rachid Athiê (Emai). Esses sete profissionais se reuniram, então, no pequeno escritório da Baumer localizado na avenida Santo Amaro, na capital paulista. “Na ocasião, o Baumer se apresentou e o doutor Gentil falou dos problemas que enfrentava por

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não ter uma representação adequada junto aos órgãos governamentais. E, ali, naquela salinha, saíram as ideias de como iríamos nos unir para juntar forças”, Rodrigues conta hoje. E foi em 1962 que enfim nasceu a ABIMO, inicialmente chamada de Associação Profissional da Indústria de Artigos e Equipamentos Médico-Odontológicos e Hospitalares do Estado de São Paulo que, hoje, carrega o peso de ser a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios.

UM POUCO DE HISTÓRIA As batalhas eram diárias para a indústria nacional. A situação política indefinida, somada às questões econômicas e também à falta de conhecimento do mercado, levava a ABIMO a enfrentar uma grande sequência de batalhas – muitas delas trouxeram resultados memoráveis. Criada para organizar um segmento da indústria nacional, a associação montou sua primeira diretoria. Presidida por Gentil Leite Martins, tinha Baumer como secretário e Klinger como tesoureiro. Juntos e com o apoio do restante da diretoria, começaram a lutar pelo seu setor, que tinha muitas carências: de investimento, regulação, normalização e representatividade. Com cerca de 25 empresas associadas em sua fundação, foi sob o comando de Martins que a ABIMO assistiu ao país entrar na ditadura, um novo regime político que, em 1964, transformou muito mais do que apenas a Presidência da República, pois interferiu diretamente também na área da saúde. Um dos pontos fortes desse período foi a criação do INPS (Instituto Nacional de Previdência Social). Graças a esse projeto, a indústria brasileira da área da saúde começou a ter mais espaço em uma sequência de desenvolvimento que, inclusive, colocou as marcas nacionais em linha de competição direta com as importadas. Era preciso atender à demanda brasileira que vinha com toda a força. Então a ABIMO mostrou seu potencial ao ajudar a indústria 16


1974 nacional de dispositivos médicos a participar do reequipamento hospitalar, uma fase entre as décadas de 1950 e 1970 durante a qual houve aumento de 127% no número de hospitais e de leitos no país. Com o mercado mais movimentado, a ABIMO se fez ainda mais presente nas batalhas da classe. Em 1968, Manoel Baumer assumiu pela primeira vez a presidência da entidade que ajudou a fundar. Durante sua gestão na presidência, surgiu também o SINAEMO, uma associação civil criada para garantir a representatividade do setor no Ministério do Trabalho. Em 1972, chegou a vez de Djalma Luiz Rodrigues (Fanem) assumir a presidência da ABIMO. Ele, que ficaria à frente da entidade até 1974, logo enfrentou nova mudança estrutural no país que trouxe impactos diretos no setor. Com a crise do petróleo estourando em 1973, a restrição às importações contribuiu para equilibrar a balança comercial, fato que foi incentivador à produção brasileira. Como prova do crescimento do empresariado nacional nessa época, em 1974 um estudo estatístico do governo anunciava que 73% dos produtos do setor hospitalar e odontológico eram produzidos dentro do nosso país.

Assim começava uma nova batalha que seria árdua: a questão do similar nacional. Para promover a produção interna, a ABIMO reuniu-se com o CDI (Conselho de Desenvolvimento Industrial), do Ministério da Indústria e do Comércio, para travar essa luta em defesa do produto brasileiro. Foram criadas, então, leis e regras que priorizavam a escolha pela produção nacional. Além dos custos de importação, a aquisição de soluções nacionais trazia também outras vantagens para os compradores internos. Quantas e quantas vezes máquinas e equipamentos importados ficavam parados nos hospitais aguardando assistência técnica? A ABIMO usou esse conhecimento para contribuir com a preferência pelo produto nacional. “Foi importante conseguirmos direcionar os olhares do governo para as coisas que eram fabricadas no Brasil. Sempre foi dito que éramos autossustentáveis no geral, que éramos capazes de oferecer 90% do que é necessário em um hospital”, declara Rodrigues sobre a importância de reconhecer a produção nacional, limitando as importações feitas por puro status, e trazer os importados apenas para suprir o que de fato não podia ser produzido internamente (como produtos mais sofisticados, de alta tecnologia e, consequentemente, de alto custo). 17


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Nessa mesma época, a entidade sentiu a necessidade de começar a trabalhar a questão tributária, questionando isenções de impostos para produtos importados quando o nacional era altamente taxado, luta que acontece até hoje.

FEIRAS E EVENTOS

1976

Visando aumentar a notoriedade do produto nacional, bem como a das entidades, ABIMO e SINAEMO realizaram, em 1976, uma exposição da indústria médico-hospitalar e odontológica, que contou com a participação de 40 empresas. As empresas já vinham de participações em outras mostras, tanto no Brasil como fora dele, mas essa era a primeira vez que se reuniam institucionalmente, sob o chapéu de uma entidade de classe, visando a uma demonstração institucional. Já no ano de 1980, a necessidade cada vez maior de uma atuação em marketing institucional levou a entidade a organizar a Exposição da Indústria Médica, Hospitalar, Odontológica e de Laboratórios no Parque do Ibirapuera. Outras edições ocorreram em 1982 e 1984 e a quarta evoluiu para um evento de repercussão nacional, denominado Exposaúde 87, sediado no Pavilhão da Bienal, com 130 expositores e 12 mil visitantes do Brasil.

1994

O evento foi até 1993, quando, no ano seguinte, a ABIMO tornou-se parceira da Feira Hospitalar. “Uma associação de classe tem como objetivo lutar pelos seus associados e precisa concentrar todos os seus esforços para isso”, comenta a fundadora da Hospitalar, Waleska Santos. “Então, tivemos algumas reuniões e chegamos a um acordo de a ABIMO passar a ser nossa patrocinadora e instituição parceira, sendo a única representante do setor à época.” Waleska lembra que essa foi uma aproximação bastante festejada. “Ali comecei a tomar conhecimento do tamanho e da importância da ABIMO.”

1994 18


SEGMENTAR PARA CRESCER

os interesses de cada setor de forma mais objetiva para que fosse possível gerar resultados melhores.”

Também nos anos 1980, o país começou a encarar nova mudança política e estrutural que, Sob a presidência de Dorival dos Santos mais uma vez, viria para cutucar a indústria de Moraes, a ABIMO foi setorizada. Composta artigos e equipamentos médicos, odontológicos por presidente, vice-presidente, secretário e hospitalares. Durante a redemocratização do e tesoureiro, a diretoria da país, quem presidiu a ABIMO foi entidade ganhou novos Dorival dos Santos Moraes, da As reuniões vice-presidentes para cada Mercedes-Imec, que permaneceu se tornaram setor e subsetor. O segmento no cargo ininterruptamente de mais produtivas, Médico-Hospitalar subdividiu-se em 1974 a 1986. Esse processo discutindo os Equipamentos e Artigos para de investimento na democracia interesses de cada setor Laboratórios; Equipamentos de acompanhou o nascimento de forma mais objetiva. Radiologia; Equipamentos do SUS, que trouxe consigo Médico-Hospitalares; Seringa e mais 150 milhões de novos Giancarlo Schneider, KaVo Agulhas; e Suturas Cirúrgicas. assegurados e oportunidades de Já o setor odontológico crescimento para a indústria. subdividiu-se em Equipamentos; Material de Consumo; e Instrumental. Em determinado momento, a ABIMO começou a sentir a necessidade de se reestruturar Conforme mencionou Arthur Biagi, que foi viceadministrativamente. E investir na setorização presidente do setor Odontológico da ABIMO, foi a escolha da entidade para dois momentos em entrevista à produção do livro “História da de sua história. Ainda que tenha havido uma ABIMO e do SINAEMO”, publicado em 2007, primeira setorização na década anterior, a essa iniciativa foi fundamental para dar caráter importância da segmentação voltou a ser pauta mais próprio a cada área. Essa segmentação da diretoria da ABIMO quando se notou que as permitiu que cada um dos setores tomasse reuniões eram sempre plenárias muito extensas corpo e representatividade, “Embora o setor envolvendo representantes das diversas empresas odontológico seja da área da saúde, ele não independentemente de suas áreas de atuação. É gravita em torno do setor médico. Os setores o que destaca Giancarlo Schneider, conselheiro poucas vezes se encontram. Com a criação dos titular da entidade e presidente da KaVo do setores, imediatamente todos eles robusteceram Brasil. “Ao dividir a entidade por segmento, as e, consequentemente, a entidade cresceu.” reuniões se tornaram mais produtivas, discutindo

1980


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INVESTIMENTO EM QUALIDADE A ABIMO nasceu com o intuito de representar o setor produtivo brasileiro, por isso qualidade e eficiência sempre foram questões amplamente levantadas em todas as reuniões de diretoria. Para atingir maior competitividade no mercado internacional, era indispensável que a indústria investisse em pesquisa e desenvolvimento. Para falarmos de qualidade, é imprescindível entrarmos no mérito da regulação e normalização. Foi com base nisso que com a chegada da década de 1990 a ABIMO firmou uma grande parceria com a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). O ponto de partida para que essa cooperação fosse constituída foi a publicação, em 1993, da Portaria Conjunta nº 1 pela Secretaria de Vigilância Sanitária e pela Secretaria de Assistência à Saúde. Essa portaria, dedicada especialmente a produtos correlatos, foi de fundamental importância para a entidade. Atenta às necessidades do segmento, a ABIMO prontamente entrou em contato com a ABNT para iniciar um processo de criação de normas técnicas brasileiras para os produtos do setor. Foi quando, em meados de 1995, surgiu o CB-26 (Comitê Brasileiro Odonto-MédicoHospitalar), órgão que exerce papel fundamental para o processo de modernização do país ao traduzir, elaborar e determinar a normalização no campo da saúde. “O empenho dos especialistas e a liderança dos coordenadores em cada uma das Comissões de Estudos trazem, ao contexto normativo do setor, o grande diferencial para a qualidade e segurança de nossos produtos”, comenta Joffre Moraes, hoje superintendente do CB-26 e gerente de estratégia regulatória da associação, sobre o time responsável por fixar os padrões para desenvolvimento de produtos para a saúde estabelecendo requisitos e métodos que auxiliam a fabricação e a avaliação de nossa produção. 20

1995

Em 1999 nasce a Anvisa: a Secretaria de Vigilância Sanitária ganha peso e se transforma em agência reguladora. Para a ABIMO, que já estava imersa na busca pela normalização e pela garantia de qualidade, a entidade viria para somar. “Desde antes do nascimento da agência, a ABIMO já contribuía e muito apoiando a elaboração dos marcos regulatórios do setor, até mesmo porque o conhecimento acumulado estava dentro da indústria”, conta Dirceu Barbano, presidente da Anvisa até 2014. “Com a criação da agência, a ABIMO ajudou a formar pessoas e elaborar o marco regulatório que carrega muito da experiência dos fabricantes de artigos e equipamentos médicos que já atuavam aqui”, complementa Barbano. No que diz respeito à agência, desde sempre a posição da entidade era de que a atuação da Anvisa era imprescindível para o sucesso da política industrial que o governo começava a criar, e a intenção sempre foi de firmar uma parceria construtiva. Em 2005, apenas seis anos após a criação formal da agência, o setor já contava com 456 normas aplicáveis. Com um mercado de qualidade se fortalecendo e entrando em processos regulatórios, o Brasil ganha força no ambiente externo e começa a conquistar mercados internacionais. Enquanto diretor-presidente da Anvisa, Barbano visualizou de perto o bom relacionamento construído entre a ABIMO e a agência, relacionamento este que contribuiu de forma direta para outras diversas conquistas


como, por exemplo, a isonomia de tratamento entre os fabricantes instalados no Brasil e os fabricantes com produção no exterior nas questões regulatórias. “Debatemos muito, na época, a decisão de passar a cobrar também dos produtores de fora a certificação de boas práticas de fabricação que, até aquele momento, era exigida unicamente das marcas nacionais”, menciona Barbano, que completa que esse debate também contribuiu para a interação efetiva entre o órgão regulador e o setor regulado: “Essa discussão gerou um ganho efetivo para ambas as partes sobre o papel que a regulação no Brasil tinha tanto na garantia da isonomia quanto no processo de internacionalização da indústria brasileira”.

PROFISSIONALIZAÇÃO Iniciada no ano de 2007, a gestão do atual presidente, Franco Pallamolla, vem buscando a profissionalização. Reconhecida por toda a diretoria da ABIMO e também pela do SINAEMO como uma gestão promissora que contribui para que a entidade conduza o setor com maestria, essa diretoria executiva instituiu uma mudança

estrutural na associação, que passou a contar com profissionais dedicados à atuação associativa. “A BD é a associada da ABIMO desde 1969, e tradicionalmente diversos Executivos da empresa fizeram parte da diretoria da ABIMO, muitos deles exerceram a vice-presidência em diversos mandatos na história da associação”, conta Walban Damasceno de Souza, diretor da empresa. “Sem dúvida a nossa associação vive uma jornada de profissionalização, intensificada nos últimos anos.” De fato os últimos anos da entidade pediram que a ABIMO se expandisse. A criação do Gecis (Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde) em 2008, por exemplo, exigiu uma base em Brasília para que pudesse acompanhar mais de perto todas as medidas e ações do Governo Federal para a área da saúde. “A entidade precisava estar mais presente na criação das políticas públicas para o desenvolvimento do setor, por isso eu fui designado para ficar na capital do país”, conta o diretor institucional da ABIMO, Márcio Bosio. Na mesma época foi criado um grupo de trabalho para levar os assuntos da Odontologia à Anvisa.

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Regiane Marton, presidente da Kulzer Brasil, conta que foi convidada a apresentar os expressivos números que envolvem, apoiam e realizam a saúde bucal no Brasil, assim como os grandes desafios que enfrentamos. “Essa participação mais ativa me proporcionou o convite para compor a diretoria hoje em dia, me permitindo representar a Odontologia e colaborar continuamente com um grupo diferenciado de profissionais que, mais que executivos, são líderes de uma sociedade que se torna cada vez mais consciente de seu fundamental papel no todo”, comemora.

OS DESAFIOS DA NOVA DÉCADA Muito se fala, nos últimos tempos, sobre a nova revolução industrial, mas o assunto vem sendo destaque na ABIMO bem antes de inovação ser moda. Em 2010 foi lançado o Prêmio Inova Saúde, iniciativa que visa destacar uma indústria do setor médico-hospitalar e outra do setor odontológico que tenham contribuído com a elevação do patamar tecnológico em benefício da saúde da população. “Percebemos, a cada edição, a ampliação do nível dos projetos

inscritos e apresentados para análise”, explica o criador do Prêmio, Luiz Calistro Balestrassi, que hoje integra a comissão julgadora. “Por si só esses projetos já são, para o setor da saúde, uma grande conquista que amplia o alcance social e as exportações das empresas premiadas” afirma. À época, o sistema de inovação no Brasil, que compreende ações governamentais, geração de conhecimento tecnológico e investimento das empresas em ações inovadoras, ainda era bastante recente e produzia ainda menos resultados do que hoje são obtidos. “Apesar do atraso e da timidez dos investimentos, nossa indústria começava a entrar na agenda da inovação tecnológica e, com isso, a ABIMO passou a concentrar seus esforços para criação de um ambiente institucional propício à inovação”, lembra o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro. “Caminhamos para um futuro melhor, realizando um trabalho em equipe, de vida inteligente, com pessoas e empresas proativas, que não se preocupam apenas com a parte econômica, mas, sim, com o ciclo inteiro do processo. Trabalhamos para promover uma indústria forte e um país sustentável, o que nos dá grande

2017


2016

alegria e satisfação, além da sensação do dever cumprido”, declara Balestrassi.

produza soluções que atendam tanto ao mercado interno quanto ao externo.

“Sempre presente nos mais importantes fóruns de discussão, a ABIMO tem promovido outras ações muito importantes, como o CIMES (Congresso de Inovação de Materiais e Equipamentos para a Saúde) que rapidamente se tornou um dos fóruns mais importantes para a discussão da inovação na saúde”, comenta Anselmo Quinelato, diretor conselheiro da ABIMO e diretor geral da Quinelato Instrumentos Cirúrgicos.

Durante as três primeiras edições, o congresso trabalhou arduamente para que os players envolvidos conseguissem visualizar quais eram suas principais dificuldades, bem como as prioridades de discussão e trabalho dali para frente. A partir da quarta edição, o evento mergulhou em novo formato, agora sob o comando total da ABIMO, que vinha com o intuito maior de propor ideias criativas e inovadoras para sanar todos os entraves que tinham sido desvendados. “Foi quando criamos a Rodada de Inovação Tecnológica que, paralelamente ao congresso, promove a interação prática entre a academia e a indústria”, explica com orgulho Clara Porto, atual coordenadora do CIMES, ao lado de Márcio Bosio, sobre a ação que em sua segunda edição concretizou mais de 80 reuniões, número quatro vezes maior do que o conquistado na primeira rodada em, 2014.

Iniciado em 2012, em parceria com a Protec, associação que trabalha em prol da inovação tecnológica nacional, para estruturar um ambiente propício à interação entre os diversos segmentos interessados em inovação tecnológica, o congresso se desenvolveu e chega com sucesso à sua sexta edição em 2017 mostrando a importância da aproximação entre governo, indústria e universidade para que a integração

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Enquanto nas primeiras edições do CIMES os temas destacavam o papel do governo no estímulo à produção e inovação, os entraves tributários e a lentidão da Anvisa, as edições mais recentes deram ênfase à importância da inovação no setor médico-odontológico e à conectividade. “Desde 2015 o CIMES tem focado nas soluções, e não nos problemas e gargalos, promovendo conteúdos tangíveis e informações mais concretas às empresas, tudo isso atendendo à demanda dos associados e da comissão científica. Tratase de um amadurecimento do congresso enquanto evento e da entidade enquanto promotora da inovação, fortalecendo ano a ano uma agenda positiva de desenvolvimento e política industrial para o setor”, finaliza Clara, que reconhece os avanços e as conquistas.

eu fui para a Alemanha e vi o trabalho que a equipe do projeto de exportação da ABIMO estava fazendo com a Apex-Brasil, fiquei apaixonado. Quando voltei, me aproximei da Paula Portugal [então gerente do projeto Brazilian Health Devices] e comecei a discutir programas e estratégias como um todo”, comenta ele sobre o momento em que foi formalmente convidado a assumir a superintendência da ABIMO. O caráter regulatório da ABIMO em constante contato com a ABNT e a Anvisa ganhou muito mais força dedicada após o processo de profissionalização pelo qual a ABIMO vem passando. Ao representar todas as empresas associadas, a entidade passou a levantar a bandeira do setor, porém com cautela para observar criteriosamente as questões que necessitavam de intervenção junto à agência reguladora.

Como parte de seu processo de expansão, em 2011 acontece a imersão da entidade no IMDRF (International Medical Device Regulators Forum), criado em 2011, que realiza dois encontros anuais para acelerar a convergência Joffre Moraes, ABIMO regulatória de dispositivos médicos, tendo participação ativa tanto do Brasil quanto da Austrália, do Canadá, da China, da União Europeia, do Japão, da Rússia, de Singapura e dos Estados Unidos. “Mais uma A administração eficaz somada à atuação vez a ABIMO teve papel fundamental, apoiando direta e eficiente no âmbito regulatório não são os grupos de estudo e as decisões que se suficientes para manter ativa uma entidade que concretizaram quando a Anvisa passou a integrar precisa abordar e se relacionar com todas as o IMDRF”, declara Barbano. O Brasil já foi paísesferas para defender um setor industrial. Para sede e está frequentemente em contato com os isso, a representatividade política da ABIMO outros profissionais integrados ao projeto para cresce ano a ano. trazer benefícios amplos à indústria nacional que tem, na internacionalização, sua principal Convidado para representar a entidade na décima estratégia de negócios. participação da indústria nacional na MEDICA, maior feira de saúde do mundo realizada Desde a setorização da ABIMO, a odontologia anualmente na Alemanha, Paulo Fraccaro, então vinha somando vitórias. Destacado pelo doutor tesoureiro do SINAEMO, encantou-se pelos Rodolfo Alba Candia Jr., conselheiro da entidade rumos que ali estavam sendo traçados. “Quando É unânime entre todos os atuantes na ABIMO a importância das conquistas políticas e regulatórias ao longo desses 55 anos de entidade e que essas se devem ao amadurecimento da entidade e daqueles que a fazem.

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Nosso radar gira justamente na procura por demandas que são iguais entre as empresas.


2011

e presidente da Conexão Sistemas de Próteses, o decreto resultado de um convênio com o Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) beneficiou o setor também em 2011 ao ampliar a isenção do ICMS aos implantes para fixação de próteses dentárias, equiparando-os aos implantes ortopédicos, que já contavam com o benefício. “Essa foi uma das grandes conquistas que o setor angariou graças ao apoio da ABIMO. Foi uma demanda do segmento que conseguimos sanar e que nunca mais voltará a nos causar problemas”, declara sobre a medida que também dispensa recolhimentos de eventuais débitos tributários relativos aos implantes odontológicos. “Nosso radar gira justamente na procura por demandas que são similares entre as empresas. Se uma empresa nos entrega uma certa demanda e depois vemos mais uma ou duas com o mesmo problema, é um alerta para que iniciemos a ação”, declara Moraes sobre a preocupação da entidade de filtrar as questões antes de levar às autoridades, atitude que criou credibilidade para a ABIMO.

REPRESENTATIVIDADE O aniversário de 50 anos da ABIMO foi um marco na história da entidade, que assume sua essência de colaboração para apoio às indústrias médico-hospitalares e odontológicas em seus desafios de crescimento e adequação aos mercados brasileiro e internacional. Hoje, ao completar 55 anos, a entidade entra em período de amadurecimento, fase em que a profissionalização já se instalou e agora tende a render melhorias bastante

efetivas. Com um orçamento equilibrado que permite a tomada de decisões e um planejamento estratégico formatado, a entidade parte para novos desafios. “Temos que tornar a ABIMO ainda mais robusta, trazer mais associados, e fortalecer a indústria nacional dentro dos cenários interno e externo”, diz o superintendente Paulo Fraccaro. “Antes de iniciarmos este processo de profissionalização, toda a diretoria era composta por trabalho voluntário. Era uma dedicação parcial, visto que cada um tinha sua empresa para tocar. E mesmo assim, mesmo com essa dedicação não sendo integral, esta fase começou a colher os frutos do trabalho”, comenta Fraccaro. “O intuito da profissionalização chegou na hora certa. A ABIMO tinha crescido o suficiente e, agora, precisava de pessoas para tocar o dia a dia. E o Franco [Pallamolla] me entregou essa responsabilidade”, declara ele sobre a confiança do atual presidente na equipe montada para gerir a ABIMO. “A ABIMO se tornou uma gigante, uma referência. Cumpre muito bem seu papel de comprometimento com a saúde do país. Além disso, leva nosso nome para o mundo, busca estratégias comerciais, industriais e de desenvolvimento de novos caminhos a trilhar”, destaca José Tadeu Leme, da Engimplam. Porém o reconhecimento da entidade ultrapassa a barreira dos empresários do setor e chega ao governo e ao mercado externo.

2012


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“Uma coisa interessante a notar é que dificilmente somos convidados para um evento para sermos espectadores. As pessoas querem nos ouvir, querem entender e conhecer nosso posicionamento. No âmbito governamental nossa entidade é reconhecida e somos constantemente procurados para que saibam o que estamos produzindo em termos de conhecimento”, acrescenta Joffre Moraes. De modo geral, o balanço das políticas industriais ocorridas a partir de 2012 vinha sendo positivo para o setor produtor de artigos para a saúde. Alguns incentivos foram conseguidos, como a regulamentação da Lei no 12.564/11 que passara a valer naquele ano, desonerando a folha de pagamento para o setor da saúde, beneficiado com a substituição da base de incidência da contribuição previdenciária patronal sobre a folha de pagamentos pela receita bruta ajustada.

Já em maio de 2013, ocorreu outro momento marcante para a entidade que seguia com o objetivo de estabelecer bases gerais de cooperação técnica e operacional com a Anvisa. Foi assinado um Termo de Cooperação Técnica e Operacional junto à agência. O intuito era documentar a intenção da entidade e da agência de desenvolver mutuamente trabalhos e ações no âmbito científico, normativo e técnico de interesse comum às suas áreas, buscando aprimorar processos e práticas na área de vigilância sanitária, visando à promoção e à proteção da saúde no país. A ideia era a realização conjunta de estudos, pesquisas, intercâmbio de informações, planejamento, estruturação e realização de cursos de formação técnica para os servidores da Anvisa, bem como para profissionais do setor de saúde.

2013

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2017

Para a execução das ações propostas, ambas comprometeram-se em compartilhar informações sobre o setor, além de promover apoio operacional e técnico à realização de fóruns de discussões, como comitês, câmaras, comissões ou grupos de trabalho. “O termo documenta ações que já eram feitas e conduzidas pelas entidades de uma forma proativa e colaborativa”, resume Moraes.

recebido da Anvisa e dos Ministérios do Desenvolvimento e da Saúde nos últimos anos mostra que todos estão entendendo a importância da convergência entre os diversos atores do setor. Outro excelente exemplo do fortalecimento dessa relação é a Jornada Regulatória, evento realizado durante a Hospitalar Feira+Fórum e que a cada ano é ampliado para permitir a participação de todo o público interessado.

“Uma coisa ficou muito clara nos últimos dez anos de relacionamento da ABIMO com a Anvisa: foi aberto o diálogo entre Anvisa e indústria, sem receios de nenhuma das partes, e isso foi um fato extremamente importante”, diz Fraccaro.

Em sua oitava edição neste ano de 2017, a Jornada já chegou a reunir mais de 300 pessoas em um auditório do Expo Center Norte e, por algumas vezes, fez a Anvisa trazer a São Paulo uma comissão bastante ampla, com mais de 40 servidores da agência. “Essa parceria com

Barbano concorda: “Governo e indústria ocupam funções distintas, mas nem por Uma coisa ficou isso antagônicas. Quanto mais muito clara nos forte o órgão regulador, mais forte últimos dez anos de se torna o setor. Do outro lado, relacionamento da quando se tem uma entidade que ABIMO com a Anvisa: representa os anseios do setor e tem Foi aberto o diálogo a capacidade de organizar uma entre Anvisa e indústria, agenda de trabalho que pode orientar sem receios de nenhuma o órgão regulador, a sinergia das partes, e isso foi torna-se maior”, diz. umfato extremamente Franco Pallamolla, presidente da ABIMO, ressalta que o apoio

importante.

Paulo Fraccaro, ABIMO

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a Anvisa para a jornada torna os temas muito leves. Os questionamentos, assim como o próprio posicionamento da agência frente a algumas abordagens, ficam muito mais objetivos”, declara Moraes. Foi na edição deste ano, inclusive, que o presidente da ABIMO e o atual diretor-presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, assinaram a renovação do Protocolo de Cooperação Técnica e Operacional. “Com o protocolo, tivemos vários avanços, como o marco regulatório, e as questões de microagendas que podem e certamente impactarão na competitividade das nossas empresas, tanto em processos regulatórios como no Programa Brasil Mais Produtivo”, ressaltou Pallamolla. Segundo Barbosa, o Protocolo de Cooperação foi bastante produtivo tanto para a Anvisa como para a ABIMO nesses cinco anos de duração. “O termo de cooperação entre a Agência e o setor regulado é extremamente benéfico para o setor e tem ajudado a esclarecer melhor as questões regulatórias”, diz o diretor-presidente da Anvisa. Voltando ao âmbito da inovação, mais um pleito antigo da ABIMO tornou-se realidade em 2013:

com o apoio do BNDES, FINEP e Ministério da Saúde, o “Plano Inova Saúde – Equipamentos Médicos” visava incentivar o desenvolvimento e a produção de equipamentos e dispositivos médicos no Brasil, em iniciativa que buscava aumentar a competitividade das empresas brasileiras e ampliar o acesso da população a bens e serviços de saúde. Era a primeira política pública voltada para a inovação de equipamentos médicos no Brasil e contava com a colaboração da ABIMO. “Foi a partir de nosso relacionamento estreito com os membros do Gecis que políticas como essas começaram a ser implementadas”, explica o diretor institucional Márcio Bosio, lembrando-se ainda das PDPs (Parcerias de Desenvolvimento Produtivo) firmadas para que o governo começasse a utilizar seu poder de compra para desenvolver o setor de equipamentos médicos. A falta de isonomia tributária perante os importados ainda se configurava como um dos mais graves problemas enfrentados pelo setor e, no decorrer de 2013, a ABIMO buscou ainda mais apoios estratégicos para um de seus pleitos mais importantes, participando de eventos, audiências públicas e reuniões. A última reunião do Gecis daquele ano foi marcada pelo incremento do setor nas políticas públicas do Ministério da Saúde.

2013


No começo do ano seguinte, em uma reunião ocorrida em São Paulo, o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, sinalizou a intenção do governo de adicionar à agenda estratégica do período a concessão da isonomia tributária para os equipamentos médicos produzidos no país. Com isso, os membros da indústria nacional vislumbraram em um horizonte próximo a igualdade de tratamento tributário com os produtos importados. Mas foi apenas no final de 2014 que a Lei no 13.043 foi sancionada, prevendo a isenção de PIS e Cofins nas compras de produtos nacionais pelos hospitais públicos e filantrópicos, assim como nas compras de equipamentos importados. “Foi uma vitória do setor a aprovação da Lei da Isenção, porém até hoje há uma batalha sendo travada no sentido de regulamentá-la”, comenta Márcio Bosio.

ANO DE BOAS NOTÍCIAS A redução de prazo para registro, em 2015, foi uma das conquistas regulatórias tangíveis para os empresários e, justamente por isso, é muito bem vista e reconhecida por todo o grupo. A criação da RDC nº 40/2015 definiu os requisitos do regime de cadastro para o controle sanitário de produtos médicos integrantes das classes 1 e 2, ou seja, aqueles com risco mais baixo. Fruto do trabalho conjunto com a Anvisa, esse novo fluxo culminou em processos muito mais ágeis. “Hoje produtos com classe de risco mais baixas, têm seus cadastros aprovados entre 30 e 40 dias e os de maior risco, desde que não tenham exigências, são registrados em até 90 dias. Considerando que no passado um implante ortopédico, por exemplo, poderia permanecer até dois anos em uma fila de espera para análise, neste contexto temos uma grande vitória”, analisa Moraes. Ainda em 2015 tivemos um enorme impacto no setor com a publicação da Portaria Interministerial nº 701/2015, que atualizava os valores da TFVS (Taxa de Fiscalização de Vigilância Sanitária). “Reconhecemos, à época, que a atualização monetária da TFVS era necessária, visto que os valores até então vigentes não acompanharam a inflação acumulada dos últimos 16 anos; entretanto, a atualização foi realizada fora de qualquer parâmetro constitucional”, relembra Fraccaro.

Porém, associados da entidade obtiveram garantia, por meio de liminar, ao direito de recolherem as TFV S sem aplicação da atualização pretendida pela portaria. Dentro da odontologia, uma ação de inteligência da Anvisa com apoio da ABIMO começou a ganhar destaque na mídia e virou assunto constante nos encontros do setor. Considerando que mais de 30% dos mais de 2 milhões de implantes feitos no país são realizados com produtos sem procedência autorizada, agência e associação somaram forças para fechar o cerco contra a pirataria. “Essa ação tem tido uma repercussão importantíssima no mercado implantodôntico por quebrar a imagem da impunidade. Se não fosse a atuação direta da diretoria da ABIMO junto à Anvisa, esse trabalho jamais teria sido possível”, declara Fábio Embacher, conselheiro fiscal do SINAEMO e diretor da Emfils Implantes Odontológicos. Tido como o maior pleito da odontologia nos últimos tempos, essa ação motiva todos os envolvidos no setor; é aprovada e apoiada pela indústria bem como pelas entidades de classe e representativas dos profissionais, com grande peso também para a saúde pública, visto que a utilização de implantes de procedência duvidosa gera danos graves ao paciente, que pode sofrer rejeição, além de ter infecções por falta de esterilização e pela ausência de matéria-prima qualificada, consequências que podem resultar na extração do implante dentário com perda de massa óssea e até mesmo levar a óbito. “O combate à pirataria da implantodontia tem sido uma grande vitória, assunto plenamente atendido pela atual presidência. Uma conquista muito expressiva neste momento”, declara Candia. “A ABIMO é consciente, convicta e parceira da Anvisa na perseguição de uma melhor qualificação desse setor e no combate frontal à pirataria”, comenta o presidente Franco Pallamolla sobre o trabalho de combate à pirataria e a luta contra produtos fabricados e comercializados sem qualquer tipo de controle da legislação. O segmento odontológico, inclusive, foi ganhando destaque ano após ano e ação após ação, o que o levou a ser apontado em 2015 como uma das 29


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áreas mais promissoras na indústria da saúde. Representando o setor odontológico, um dos nomes mais citados é o do saudoso Knud Hove Sorensen, falecido em 2016, um dos mentores da gestão e do desenvolvimento do setor no país. “O Knud foi o grande responsável por colocar a odontologia na pauta da diretoria”, enfatiza Embacher.

vai nos permitir fazer a travessia desse momento turbulento e cada vez mais preparar as nossas organizações para que possamos seguir a agenda de inovação que o país precisa, que o setor deseja e que nós como empresários perseguimos”, finalizou Pallamolla.

Para Fraccaro, superintendente da ABIMO, a atuação de Sorensen junto à entidade foi indispensável para que houvesse aproximação com as associações parceiras.

A participação da ABIMO na cadeia de saúde não está limitada à indústria e às suas mazelas. Engloba todo o contexto do setor, incluindo preocupação com a garantia de que toda a população tenha acesso a melhores tratamentos e suporte adequado por parte do governo. Fundador do ComSaúde e presidente do SINAEMO, Ruy Baumer enfatiza: “Lutamos para que o programa de saúde seja um programa de estado que tenha durabilidade e no qual sejam feitas apenas correções de rumo a cada novo governo que se inicia. Não podemos permitir que um sistema seja criado e, após quatro ou oito anos, seja jogado fora para abrir espaço para um novo”.

“Já aposentado, Sorensen criou uma proposta para promover estes relacionamentos e foi assim que me despertou o interesse em trazê-lo como consultor. O trabalho por ele iniciado em 2014 fez com que, hoje, a ABIMO estivesse fortalecida com as entidades odontológicas”, diz. O atual desafio diz respeito à Medida Provisória no 774, que tornou novamente obrigatória a contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha de pagamento a partir de julho de 2017, alterando a Lei no 12.546/11. Por meio de ação judicial, empresas associadas à ABIMO, que optaram pelo regime da desoneração da folha de pagamento, conseguiram suspender os efeitos da reoneração da folha de pagamento e vão se manter no regime até 31 de dezembro deste ano.

REFERÊNCIA, VISIBILIDADE E CAPITAL HUMANO

“Eu acho que nós estamos em um novo tempo da ABIMO”, ressalta a diretora da Colgate, Patricia Bella Costa. “A entidade hoje está sendo bastante ativa nessa gestão, nos interesses do grupo da saúde e em várias questões estão sendo debatidas que vão trazer impacto para a população, para a sociedade”, diz.

“A MP tem validade até 10 de agosto e há uma grande chance de ela não ser Cinquenta e cinco anos após votada, perdendo o efeito”, o seu nascimento em uma A ABIMO é, hoje, adianta Bosio. “Estamos sala no centro de SP, os referência para esperando essa conclusão.” associados enxergam a ABIMO vários órgãos e Ainda com esses entraves, para como fonte de conhecimento entidades da área Franco Pallamolla, ver o setor de acessível e confiável. A entidade da saúde nacional e saúde incluído no Programa Brasil hoje é vista não só como internacional. Mais Produtivo em 2017 é digno de representativa, mas como uma Jamir Dagir Junior, Dorja grande satisfação para a ABIMO. instituição que trabalha Iniciativa do Governo Federal, (e muito) para os seus o programa é uma ferramenta associados. “Hoje temos prioritária para o setor médico-hospitalar, segundo entregas tangíveis e conquistas contínuas. avaliou. “Entendemos que esta é uma chave que Buscamos expor e valorizar esse trabalho para

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que o associado tenha consciência do quanto trabalhamos para ele”, ressalta Clara Porto, gerente de projetos e marketing da ABIMO. Jamir Dagir Junior, que tem uma história familiar na ABIMO visto que seu pai, Jamir Dagir, também contribuiu com os primórdios da entidade, ressalta: “Nos últimos dez anos vemos uma entidade com um quadro associativo respeitado e com grande atuação na área pública e privada. A ABIMO é, hoje, referência para vários órgãos e entidades da área da saúde nacional e internacional”.

“Ressalto o capital humano da entidade e a diretoria sempre preocupada com a capacitação e em garantir uma base regulatória sólida”, diz Luiz Calistro Balestrassi, conselheiro da ABIMO e presidente da Neurotec.

Falando em cursos de capacitação, o que antes era direcionado apenas para assuntos regulatórios desenvolveu-se e hoje aborda diversas outras áreas do empresariado como, por exemplo, passo a passo para a exportação, criação de preço, marketing de produto e marketing internacional, entre outros. O contato com os diversos públicos também vem Tendo ciência de que o sendo otimizado. Do pequeno investimento na comunicação é informativo lançado em 1970 Ressalto o capital sempre necessário, o processo para publicação de artigos humano da de profissionalização após de interesse dos associados, entidade. 2010 também atuou no sentido reportagens de empresas do de promover a imagem da setor, debates sobre temas Calistro Balestrassi, Neurotec entidade. Com a formalização de atuais e relatórios de atividades, um departamento de marketing, hoje a ABIMO oferece diversas vieram outras melhorias. “Os eventos nacionais formas de comunicação para seus associados. eram quase inexistentes. Tínhamos reuniões Além do livre contato com a entidade, o portal na setoriais, mas não oferecíamos workshops, internet reúne todas as principais informações, cursos de capacitação, encontro de associados. como dados sobre diretorias, projetos e parcerias, Nesse âmbito a ABIMO ainda não era muito calendário de eventos e as principais notícias proativa”, explica Clara. do segmento em tempo real. Semanalmente, a 31


CAPA

ABIMO dispara um newsletter eletrônico com conteúdo exclusivo e produz, a cada três meses, a ABIMO em Revista que, hoje, traz a história dos 55 anos da entidade, mas já se dedicou a desbravar muitos assuntos, como isonomia tributária, tecnologia assistiva e normas técnicas. Complementando o segmento de comunicação, a entidade conta também com outras publicações, como o Senso da Odontologia e o Código de Conduta e Ética para Associados. A presença maciça que a ABIMO vem ganhando na mídia também é destaque. A entidade é procurada sempre para comentar e se posicionar a respeito de assuntos ligados ao setor, tornando-se cada vez mais uma fonte segura para a imprensa no decorrer dos anos.

A NOVA INDÚSTRIA Com o passar dos anos, a ABIMO foi vivenciando lutas e conquistas que fundamentam toda a estrutura que hoje é mantida. Se hoje o setor se mostra muito mais estabilizado mesmo diante de situações de conflito econômico nacional, é porque houve congruência geral dos interesses da classe. A ABIMO tem sido primordial não apenas na defesa dos interesses da indústria, mas principalmente na discussão sobre os rumos da saúde no país. “O Brasil deixou de ser apenas o país do futebol e do carnaval para se tornar também desenvolvedor detecnologia e de produtos da área da saúde encontrados em todo o mundo”, diz André Ali Mere, conselheiro da ABIMO e CEO da JP Indústria Farmacêutica. Enquanto a associação corria atrás de benfeitorias, os próprios empresários investiram em seu amadurecimento, uma evolução 32

contínua que contribuiu para que o mercado se mostrasse proativo e aberto a receber seus próprios produtos. Além da absorção tecnológica, o compliance é outro ponto que deve ser tema de muitos debates atuais e futuros. A entidade lançou, em 2015, o Código de Ética dos Associados, por acreditar fortemente que empresas e entidades pautadas por atitudes de excelência serão as responsáveis pela construção de relações mais sólidas e sustentáveis, motivadoras do sucesso da indústria brasileira de produtos para a saúde. Para o conselheiro Rodolfo Candia Jr., a transparência estará em alta. “Vemos que, internacionalmente, cada vez mais há a exigência de uma cultura e de uma política

2015


de compliance, o que tem sido diferencial para melhores negociações. Para tal, a ABIMO deve manter sua política de compliance bem definida, pois o Brasil precisa mostrar seriedade em todos os setores, sejam eles governamentais ou industriais. É da maturidade das empresas lutar pela transparência”, diz.

O FUTURO JÁ COMEÇOU

suporte, soluções que as indústrias do nosso setor poderão agregar aos seus produtos”, diz sobre o projeto da ABIMO de conscientizar os associados sobre as tecnologias que estão chegando e que transformarão a saúde no país e no mundo. Composta prioritariamente por pequenas e médias empresas, a ABIMO terá um grande desafio nas mãos ao investir em um cenário no qual toda e qualquer empresa produtora de artigos e equipamentos médicos, odontológicos e hospitalares esteja familiarizada com a tecnologia.

Os primeiros dez anos da ABIMO foram indispensáveis para que a engrenagem começasse a girar. A fundação foi o ponto de partida de uma mudança enorme que transformaria o setor. Na sequência, com a gestão de Djalma Rodrigues, teve início uma Fazer essa conexão para que as grandes empresas fase mais técnica, na qual foram debatidos e os centros tecnológicos deixem de atuar apenas com afinco questionamentos sobre regulação no ambiente acadêmico, trazendo benesses para e normalização, além do excelente incentivo à a indústria geral, deve ser a preocupação da exportação. Foi um período que entidade pelos próximos anos. deu corpo à entidade e permitiu que finalmente a terceira (e Para isso a ABIMO planeja a Não há dúvidas de atual) fase viesse com força criação de um instituto privado, que a indústria 4.0 total para transpor barreiras e sem fins lucrativos, que terá e o paciente 4.0 são ultrapassar fronteiras. como objetivo a realização nossa missão. Estamos de cursos, eventos e outros criando um setor que “Tive a felicidade de partilhar trabalhos de qualificação, bem envolve tecnologia e momentos históricos da ABIMO como para promover projetos internet. com os associados. Cada nova de pesquisa e desenvolvimento gestão que entra vai aprimorando e inovação tecnológica na Paulo Fraccaro, ABIMO e melhorando o que a anterior área da saúde, que poderá deixou de fazer”, relata o até gerir um escritório de ex-presidente, sobre as diferenças entre as fases inovação. “Queremos trabalhar com celebração da entidade. O atual presidente do SINAEMO, de convênios com o poder público e parcerias Ruy Baumer, complementa: “O começo foi com a iniciativa privada para atuar no melhor político. Depois de um tempo, a entidade dava aproveitamento de leis de incentivos e mais suporte técnico para as empresas. Agora benefícios”, explica Fraccaro. fizemos uma união: retomamos o caráter político mantendo o perfil técnico. Hoje a ABIMO tem Agora, passados 55 anos da fundação da uma força enorme no mercado”. entidade, a ABIMO juntamente com todos as suas associadas, convoca o setor industrial Se perguntarmos qual o futuro do setor, da saúde para um futuro bastante próspero. Fraccaro é incisivo ao afirmar: a tecnologia “O processo pelo qual nossa indústria e nosso proposta pela nova revolução industrial. setor estão passando não tem volta. “Não há dúvidas de que a indústria 4.0 e o E nem deveria ter”, finaliza Franco Pallamolla, paciente 4.0 são nossa missão. Acabamos presidente da ABIMO, sobre todas as de criar o Núcleo de Conectividade e conquistas ao longo dessas mais de cinco Inteligência Artificial, pois é fundamental décadas de lutas e benfeitorias para a classe. entendermos os impactos que a quarta revolução industrial trará. O intuito é trazer empresas que trabalham com ferramentas de 33


PARCERIA

Uma parceria é um arranjo em que duas ou mais partes estabelecem um acordo de cooperação para atingir interesses comuns. Parcerias podem ser estabelecidas entre sujeitos públicos ou privados, individuais ou coletivos, para a realização de intervenções que buscam sobretudo o desenvolvimento econômico ou social de determinado grupo ou território. Funcionam como uma estratégia empresarial com vista à otimização da sustentabilidade empresarial. Entre várias vantagens destaca-se: a compatibilidade de objetivos estratégicos, o aumento da rentabilidade, a confiança, a melhoria de acesso ao mercado, o fortalecimento das operações, a melhoria da capacidade tecnológica. Por isso, além de sua parceria com empresas e associados, a ABIMO cultiva relações com outras entidades congêneres, afinal,

JUNTOS SOMOS MAIS FORTES.

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É por meio da ABIMO que vemos, constantemente, as ações coerentes e organizadas das indústrias para levar aos profissionais os melhores equipamentos, instrumentos e materiais – sem nunca deixar de lado o diálogo com as entidades que os representam. Sabemos que uma indústria forte e sustentável alavanca o país e nos leva ao progresso. Também sabemos que essa é exatamente a importância da ABIMO. Não se trata de uma ou outra indústria, de um ou outro produto e, menos ainda, de atividades em uma ou outra área. A relevância dessa entidade está fortemente ligada ao desempenho do Brasil. Por este motivo, a ABO faz questão de sua parceria, abrindo espaço para a divulgação nos seus diversos congressos em todo o território nacional, bem como colaborando no que for preciso para fortalecer toda a cadeia produtiva. Parabenizo toda a diretoria da ABIMO pelo excelente trabalho e espero que continuemos juntos nesta longa e árdua – porém gratificante – jornada pela Odontologia.

Luis Fernando Varrone, presidente nacional da ABO

A ABIMO tem desempenhado um papel extremamente relevante no setor de dispositivos médico-hospitalares e odontológico, estimulando o desenvolvimento e a geração de valor no país, como também atuando na melhoria do ambiente regulatório, industrial e político. Ao longo dos anos ABIMO e ABIMED desenvolveram uma sólida relação de cooperação, sempre compartilhando o objetivo comum de fortalecer o setor e aperfeiçoar políticas públicas que beneficiem a população e a melhoria da saúde no país. A ABIMED valoriza muito esta cooperação e espera vê-la cada vez mais ativa. Os 55 anos de atuação da ABIMO representam um marco que traduz a importância e consistência do trabalho desenvolvido pela associação. Estamos muito contentes por sermos parceiros e podermos compartilhar com a ABIMO esta festa.

Carlos Goulart, presidente-executivo da ABIMED – Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde

Comemorar mais de meio século, exatamente 55 anos, não é uma tarefa nada fácil. Felicitamos a ABIMO pelas comemorações e ainda parabenizamos a atual diretoria e as anteriores que colocaram a Associação no lugar de destaque que hoje ocupa na sociedade brasileira. É um privilégio termos a ABIMO no Conselho Consultivo do Instituto Ética Saúde.

Gláucio Libório, presidente do Instituto Ética Saúde

Parabenizo a ABIMO pela passagem do seu aniversário de 55 anos. Em um momento em que estamos passando o Brasil a limpo, é extremamente importante termos entidades sólidas e longevas que continuam atuando e defendendo os seus pleitos e valores perante a sociedade. O setor de saúde, como um todo, precisa se fortalecer e estar cada vez mais representado por todos os segmentos em prol do paciente. A ABIMO exerce o seu papel representando muito bem a indústria nacional. Felicidades aos atuais dirigentes e também aos que idealizaram e construíram a entidade e que venham outros 55 anos.

Sérgio da Rocha, presidente da ABRAIDI

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PARCERIA

Há 55 anos o setor de saúde foi presenteado com a brilhante ideia de industriais visionários, que decidiram unir esforços com foco na regulamentação para fortalecer o setor e garantir a qualidade de produtos médicos e odontológicos. Essa iniciativa só trouxe benefícios pois, além de agregar as indústrias do setor, estimula a competitividade, estabelece padrões de conformidade e estabelece equilíbrio entre o poder público e o privado. Hoje a ABIMO, além de promover essa união, é responsável pelo intercâmbio entre entidades nacionais e estrangeiras do setor, o que só agrega a área de saúde e tudo isso de forma sustentável e expandindo suas ações a toda cadeia produtiva da saúde, por meio de parcerias sólidas e disseminando o conhecimento. O setor de saúde precisa de entidades fortes e representativas, a união das forças, a convergência de interesses e o trabalho conjunto é essencialmente benéfico a todos. Juntos, atuamos em prol de conquistarmos a igualdade. É com muita satisfação que parabenizamos a ABIMO pelos seus 55 anos de existência, trabalhando, lado a lado, com a FBAH, entidade que há 46 anos também luta por um sistema de saúde mais justo para a população brasileira.

Waldomiro Monforte Pazin, Presidente da FBAH / Federação Brasileira de Administradores Hospitalares

Nos últimos quatro anos, desde que a ABCD assumiu a missão da FDI (Federação Dentária Internacional) de realizar a campanha mundial de Saúde Bucal para populações desfavorecidas, nossos laços com a ABIMO se estreitaram não apenas dentro da estratégia necessária para um trabalho desta envergadura. Essa ligação foi além das relações exigidas entre as duas entidades e configurou-se como forte comprometimento social e, podemos dizer, afetivo. A ABCD tem o privilégio de contar desde o início, ainda com a figura do inesquecível Knud Sorensen, e seguindo com os atuais dirigentes, especialmente Paulo Fraccaro e Franco Pallamolla, ao apoio irrestrito às nossas atividades. Sem isso não teríamos atendido cerca de 30 mil pessoas e salvado vidas com a detecção precoce de câncer bucal entre a população. À ABIMO, entidade que é a mola propulsora da indústria brasileira ligada à saúde e que elevou o setor odontológico como o único superavitário no mercado nacional, aperfeiçoando o desenvolvimento e incentivando a constante competitividade industrial e empresarial, abrindo oportunidades tanto no mercado interno como na exportação nacional e gerando empregos mesmo em momentos de crise, desejamos que estes 55 anos se multipliquem por muitos outros mais e que possamos, juntos, prosseguir neste caminho, comemorando a integração do setor com os objetivos da saúde pública brasileira. Parabéns!

Silvio Cecchetto, presidente da ABCD

A Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios completa agora 55 anos de história e de sucesso. Uma instituição só alcança tal marco se for gerida com competência e ampla consciência de sua missão e responsabilidade para com a sociedade. Com papel decisivo no mercado de tecnologia assistiva do país, a ABIMO tem promovido o desenvolvimento de pesquisas e soluções inovadoras não apenas no âmbito da indústria, mas também nos setores acadêmico, clínico e regulatório. A grande beneficiada é a população brasileira, que tem cada vez mais acesso a tecnologias e recursos de ponta em saúde. Importante destacar que a ABIMO é uma das grandes fomentadoras do desenvolvimento da saúde bucal no Brasil, tendo promovido amplos debates e ações a favor de uma Odontologia moderna e sustentável. Faço votos de que a associação se mantenha forte e atuante, de forma que todos possamos buscar juntos novas conquistas e progressos para o setor. Deixo aqui meus sinceros cumprimentos a Franco Pallamolla, Ruy Salvari Baumer e Paulo Henrique Fraccaro, assim como a todos os demais membros da diretoria, por seus esforços à frente da associação. Parabéns, ABIMO!

Claudio Miyake, presidente do (CROSP) Conselho Regional de Odontologia de São Paulo 36 32


As trajetórias da FEHOSUL (Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do Sul) e da ABIMO se confundem ao longo dos últimos anos. A indústria brasileira de produtos para a saúde conseguiu avançar significativamente, gerando produtividade e resultados para o setor da saúde e para a economia nacional. O competente presidente Franco Pallamolla, amigo por quem nutro especial admiração, sempre defendeu uma cooperação forte entre todos os segmentos da saúde em “uma agenda propositiva”, direcionada a uma assistência qualificada para todos os brasileiros. Seguidamente, nossas entidades promovem atividades neste sentido, e pretendemos avançar ainda mais. Acredito que o papel desempenhado pela ABIMO é de extrema importância para consolidar o Brasil entre os maiores players de inovação tecnológica no setor de health devices. A ABIMO vem demonstrando ao longo dos seus 55 anos que o Brasil pode dar certo. Ela é o exemplo vivo de que a devida alocação de esforços deve ser direcionada a entidades e empreendedores que comprovadamente geram desenvolvimento e conhecimento.

“Ao longo dos seus 55 anos, que celebramos neste momento, a ABIMO tem desenvolvido um importante trabalho para o mercado do setor da saúde, garantindo a segurança e a qualidade dos equipamentos médico-hospitalares e sempre prezando pelo crescimento sustentável da indústria. A FENAESS felicita pelo aniversário de fundação e deseja vida longa à associação, que venham mais 50 anos de compromisso com o setor e com a saúde pública-privada.”

Breno de Figueiredo Monteiro, presidente da FENAESS (Federação Nacional dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde)

Cláudio José Allgayer, presidente da FEHOSUL

“É notável a importância que a ABIMO vem exercendo durante esses seus 55 anos. Além do suporte à cadeia produtiva, essa associação também faz o respeitável trabalho de fomentar a inovação entre as empresas. Exemplo disso é o já consagrado Prêmio Inova Saúde que, ano após ano, vem destacando importantes produtos e serviços da Saúde. Destaco também a sua iniciativa de organizar importantes encontros entre governo, indústria e academia por meio do CIMES, que já faz parte da agenda da Saúde. Para o Grupo Mídia, a ABIMO é uma entidade fundamental para o desenvolvimento do setor e vem prestando com destreza as missões as quais se propõem.

Edmilson Jr. Caparelli, CEO e publisher do Grupo Mídia 33 37


PARCERIA

É motivo de satisfação para a Federação Brasileira de Hospitais acompanhar mais um ano de existência e vivenciar os 55 anos da ABIMO. Uma entidade importante para o setor que durante todas essas décadas tem participado ativamente de todo o desenvolvimento, não só da indústria, mas também da gestão dos serviços de saúde do Brasil. A ABIMO nunca se esquivou de atuar ao lado de todas as entidades nacionais, no sentido de aprimorar o relacionamento setorial e de ajudar a todos para que se adequem a nova realidade em que o mundo se apresenta hoje. É uma entidade que sempre incentivou a construção de políticas e diretrizes que potencializem a capacidade produtora das empresas do setor. Durante todas essas décadas, a ABIMO atuou com excelência, superando inúmeros desafios apresentados pelo nosso setor e continua representando com firmeza os interesses da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos e também do setor da saúde, merecendo toda a nossa parceria, respeito, apoio e reconhecimento. Parabéns à ABIMO, sua diretoria e colaboradores, por atuarem e contribuírem para a melhoria da saúde do país.

Luiz Aramicy Pinto, presidente da Federação Brasileira de Hospitais

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Nossas felicitações pela passagem do 55º aniversário da ABIMO. Tivemos o privilégio de vivenciar grande parte dessa trajetória e, por isso, sabemos que esta é uma entidade pioneira e vanguardista que, com muita luta e profissionalismo, vem impulsionando o desenvolvimento do setor de saúde no país. Vida longa à ABIMO!!!!

Quero parabenizar a todos da ABIMO pelos 55 anos de atuação. Para nós, da APCD, trata-se de uma grande parceira, sempre alinhada com os avanços e as necessidades da indústria odontológica e da nossa categoria. Especialmente nos últimos anos, a ABIMO tem contribuído muito no combate à pirataria, coibindo práticas ilegais como empresas sem licença ou autorização de funcionamento, fabricação e comercialização de produtos sem registro na Anvisa. Além disso, para atestar a força desta indústria, o mercado odontológico tem sido o único segmento que apresenta superavit na balança comercial. Nos últimos anos, tivemos grandes avanços em todos os setores da Odontologia. Também é preciso mencionar a presença ímpar da ABIMO, nossa entidade parceira, no Ciosp (Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo), o maior congresso de Odontologia do mundo, realizado anualmente, e que está a caminho da sua 36ª edição. Nossa feira comercial é um espaço consolidado entre expositores e congressistas, principalmente por conta das oportunidades de bons negócios. Ao unirem suas forças, a ABIMO e a APCD mantêm o compromisso de fortalecer a imagem da Odontologia brasileira, que é reconhecida mundialmente pela sua excelência, e, ainda, valorizar e potencializar o mercado brasileiro no setor da saúde, em todos os continentes. Isso traz mais confiança ao segmento que é reconhecido por unir as principais empresas líderes em produtividade da cadeia de saúde. O que a APCD puder fazer para consolidar ainda mais esse segmento da economia, estejam certos de que faremos. Sucesso!

Adilson Mendonça, Publimed Editora

Wilson Chediek, presidente da APCD


Ao agregar representantes da indústria brasileira de produtos para o setor médico-hospitalar e odontológico, promovendo o crescimento sustentável tanto no mercado nacional quanto internacional, a ABIMO se legitima como porta-voz e entidade incentivadora da nossa indústria da saúde. Na Anahp, sempre refletimos sobre a nossa contribuição para o desenvolvimento da saúde no país. E, com alegria, entendo ser este também o momento para a ABIMO, que celebra seus 55 anos de trajetória – um trabalho intenso e em constante evolução. Nossos votos de sucesso à associação. Que venham mais décadas de conquistas.

Francisco Balestrin, presidente do Conselho de Administração da Anahp

A Confederação Nacional de Saúde tem o prazer de prestigiar a ABIMO nesses 50 anos de história. A entidade se destaca por expandir suas ações, através de conselhos e grupos de trabalho, que respondem por todos os aspectos técnicos, operacionais e associativos do segmento de saúde. A CNS tem orgulho em fazer parte dessa transformação que segue com a inovação tecnológica, um alvo estratégico das principais economias do sistema mundial moderno, que demanda alto grau de articulação econômica e política. A CNS felicita a ABIMO pelo trabalho prestado durante esses 55 anos a todos os profissionais de saúde. Parabéns pelo profissionalismo e dedicação! Parabéns pelo sucesso, ABIMO!

Tércio Kasten, presidente da CNS

Quando a Hospitalar foi lançada em uma grande festa em São Paulo, há mais de 20 anos, recebemos grandes personalidades e fizemos um jantar para mais de 500 pessoas, entre líderes setoriais e políticos. Nesse lançamento, eu tive conhecimento do trabalho que a ABIMO fazia e após várias reuniões fechamos uma parceria para que a ABIMO fosse patrocinadora da feira e nossa instituição parceira. Foi uma harmonização muito festejada por nós e ficamos muito honrados por ter uma associação tão importante para o setor ao nosso lado. A partir de então, comecei a ter conhecimento da dimensão de trabalho da entidade. A relação da entidade com a Hospitalar é regada de boas lembranças, não só pelo fato de promover grandes negócios para o setor, mas principalmente pelo relacionamento que carrego comigo de bem-querer, de lealdade, de cumplicidade em uma construção de um convívio bom e bonito. Para mim é sempre uma recordação muito prazerosa de trabalho em conjunto, pois fazíamos vários encontros e compartilhávamos alegrias e conquistas. Sobre o relacionamento humano que a ABIMO, a Hospitalar e outras grandes instituições do nosso setor tiveram, tenho certeza que todos os envolvidos guardam lembranças marcantes desse passado tão recente. Tudo era sempre comemorado com muito regozijo e parecemos uma grande família. Essa é uma linda história que precisa ser sempre lembrada e documentada. Parabéns à ABIMO!

Waleska Santos, presidente da Hospitalar Feira+Fórum

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BHD

BRAZILIAN HEALTH DEVICES PROJETO LEVA PRODUTOS BRASILEIROS A MAIS DE 180 PAÍSES

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Com a fundação da ABIMO, a indústria de dispositivos para a saúde seguiu no desafio de se fortalecer diante do mercado interno. Porém, ainda nas décadas de 1960 e 1970, o fomento à exportação começou a ganhar força. O lema “Exportar é a solução” norteou a indústria, em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, na condução de suas marcas a grandes feiras fora do Brasil, atuando primeiramente nos países vizinhos. A criação de possibilidades para que a indústria nacional vencesse as barreiras geográficas foi um dos grandes passos iniciados pela ABIMO. Daí para frente, com o passar dos anos, o pavilhão brasileiro foi firmando presença nos eventos em países como México, Portugal, Espanha, África do Sul e Líbano. “Começamos a exportar e foi algo sensacional. Ninguém fazia, simplesmente importávamos”, relata Manoel Baumer, fundador da ABIMO. “Foi quando disseram que exportar era a solução para nossos negócios que começamos a pensar nisso entrando em contato, primeiro, com nossos vizinhos menores.” “Quando começamos o primeiro consórcio de exportação, na década de 1970, o batizamos com o nome de Cibra (Consórcio Industrial Brasileiro de Equipamentos) e começamos a dar os primeiros passos”, lembra Djalma Rodrigues, presidente da Fanem e principal responsável pelo

destaque e pela importância com que as exportações começaram a ser vistas dentro da ABIMO, em sua gestão como presidente. “Mas realmente eram necessários muitos esforços e investimentos para que as empresas brasileiras conquistassem espaço no mercado externo”, relembra. Muitos episódios ocorreram e contribuíram para que a indústria nacional observasse quais eram seus principais entraves e como contorná-los. Durante a Brasil Export 72 – primeira feira brasileira para exportação organizada pelo Ministério das Relações Exteriores – por exemplo, um grupo francês visitou o stand da K.Takaoka e, ao deparar com o revolucionário design empregado em um modelo de respirador, duvidou que o produto fosse realmente produzido no Brasil.

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BHD

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Em todos esses anos o cenário mudou muito, e o hoje denominado Brazilian Health Devices teve a grande competência de levar a indústria brasileira de produtos médicos e odontológicos para mais de 180 países, por meio de ações constantes e minuciosamente planejadas, que fizeram de nossos dispositivos médicos, odontológicos e de laboratório uma opção de qualidade e preço justo, competindo em mercados com os mais altos padrões de exigência.

ABIMO ENCONTRA APEX-BRASIL Além de romper barreiras e vislumbrar sucesso no comércio exterior para um setor que ainda era pouco reconhecido, o projeto setorial da ABIMO foi um dos primeiros a planejar o desenvolvimento de uma estratégia setorial como um todo. Foi no início dos anos 2000 que, observando as parcerias de sucesso da Apex-Brasil com outros segmentos, a entidade ficou entusiasmada com a possibilidade de desenvolver um projeto setorial fomentado pela agência. Quando, em 2002, o projeto de internacionalização foi realmente iniciado, as expectativas eram bastante diferentes. A indústria de maneira geral ainda não estava tão preparada para a exportação e apenas dava pequenos passos em direção ao mercado internacional, por meio de algumas ações pioneiras. Dessa forma, a ida à MEDICA, maior feira do segmento do mundo que acontece na Alemanha, foi realmente um marco. Era a primeira vez que um pavilhão nacional era montado em uma feira desse porte. Para Adriana Rodrigues, atualmente coordenadora de Competitividade da Apex-Brasil e gestora do Projeto em 2004, naquela época o setor ainda não tinha um olhar consistente para o cenário internacional. “Ali desenvolvemos um modelo que trouxe visão de futuro e maior coesão entre as empresas do setor”, diz. “Agradeço ao Djalma Rodrigues, presidente da ABIMO na época, por ter apoiado a iniciativa.”

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ABIMO e Apex-Brasil fizeram e fazem uma das melhores parcerias em prol do desenvolvimento das exportações brasileiras de que se tem notícia “ Maurício Manfré

Após esse fato, ano após ano, outros países puderam receber o pavilhão verde e amarelo. Em 2003, as empresas odontológicas participaram pela primeira vez da IDS (International Dental Show), também na Alemanha, no principal momento para a indústria odontológica brasileira no mercado internacional; em 2004, foi a vez da Arab Health, em Dubai, segunda maior feira na área da saúde do mundo; em 2006, AEEDC (Feira e Conferência Internacional de Odontologia), maior feira odontológica do Oriente Médio, entre tantas outras. O sucesso do BHD é notado por todos os envolvidos. Maurício Manfré, atual gerente do Gabinete da Diretoria de Negócios da Apex-Brasil, destaca como uma das alianças mais produtivas da agência. “ABIMO e Apex-Brasil fizeram e fazem uma das melhores parcerias em prol do desenvolvimento das exportações brasileiras de que se tem notícia.


Sempre mudando para melhor”, declara. Já Wagner Paes, gestor de projetos setoriais na Apex-Brasil, frisa o balanceamento entre entidade e agência. “A característica mais marcante do BHD é que se trata de uma parceria que representa tudo o que se espera de um projeto setorial, em que realmente a entidade parceira e as empresas participantes entendem o espírito de um projeto com a Apex-Brasil. Pude observar esse tipo de atitude nas reuniões com as empresas e nas participações nos eventos.” Essa percepção é compartilhada também pelas empresas, como exemplifica José Tadeu Leme, da Engimplan: “Trata-se de um projeto que leva o nosso nome para o mundo ao buscar estratégias comerciais, industriais e o desenvolvimento de novos caminhos que devemos trilhar”, acredita. “Acompanhei o projeto desde o início. É um trabalho com resultados palpáveis que levou dezenas de empresas ao universo do comércio exterior, trabalhando desde a qualificação técnica até o amadurecimento da gestão empresarial”, diz André Ali Mere, CEO da JP Indústria Farmacêutica.

ESTRATÉGIA DO NEGÓCIO O projeto setorial junto com a Apex-Brasil entra, em 2017, em sua oitava edição. E, ao longo dos anos, é notável o crescimento dessa parceria. Hoje, ainda que o Brazilian Health Devices não seja mais a única ferramenta utilizada pela entidade para promover a indústria nacional no cenário externo, ele é o principal projeto da ABIMO na área de internacionalização e figura como o mais estratégico. Ao longo de 16 anos, ganhou tanta importância que constituiu uma equipe própria, composta por cinco profissionais dedicados e tantos outros que despendem seu tempo parcialmente ao projeto. “É nítida a evolução do projeto BHD tanto em agendas operacionais quanto em agendas estratégicas”, comenta o supervisor de Projetos Setoriais da Apex-Brasil e gestor do projeto BHD em 2013, André Limp.

De dois em dois anos, o projeto passa por um processo de renovação que não é automático, depende de resultados e de apresentação de estratégias, como é de praxe para os projetos realizados pela agência. A ABIMO busca resgatar tudo o que foi discutido e validado pelas empresas participantes ao longo dos 24 meses de projeto, e discutir o plano estratégico que comandará a proposta para o próximo biênio. Esse plano engloba, principalmente, quais serão os mercados-alvo prioritários, secundários e quais ações serão fortalecidas e tomadas para que a indústria alcance seus objetivos. “Os esforços selecionados para compor o plano de trabalho do projeto sempre foram pautados pelo principal objetivo: elevar a capacidade competitiva das empresas no mercado internacional através de capacitação, certificação e qualificação de produtos. Uma máxima repetida por vários dos projetos, mas que era levada a sério pelas empresas participantes do Brazilian Health Devices”, comenta Maurício Manfré. Em 2013, a ABIMO, enquanto entidade gestora do projeto, já se encontrava mais fortalecida e demonstrava a busca por inovações que propusessem melhorias significativas para quem está interessado em investir na cultura de exportação. Implementou, na época, uma política de segmentação para classificar as empresas de acordo com sua maturidade exportadora, utilizada até hoje. Essa classificação

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não apenas nivela as empresas e define qual ação beneficiará cada um dos grupos, mas também cria agendas de mudança que são estratégicas e factíveis para essas empresas poderem evoluir na escala de maturidade exportadora. “Essa política de segmentação é fruto do amadurecimento da ABIMO e se transformou em uma das estruturas que norteiam o desenvolvimento do plano estratégico do BHD e da associação como um todo”, comenta Clara Porto, atual gerente do projeto dentro da entidade. A Apex-Brasil também destaca o fato de o projeto atender a empresas em diversos graus de maturidade. “É um apoio que possibilita a essas companhias fazerem um avanço que, sozinhas, talvez não conseguissem ou que, então, seria mais custoso e lento. Em particular, com relação ao segmento de medical devices, é notável a aceleração da presença no mercado global a partir do uso desta ferramenta”, esclarece Gabriel Isaacsson, atual gestor do BHD na agência. “Devemos consolidar nossa imagem de fornecedores de produtos de alta qualidade e confiabilidade a preços justos, além de buscar maior união e coordenação entre entes importantes para a redução dos gargalos que afetam a performance da indústria”, destaca o atual gestor do BHD, mencionando que ampliar o portfólio dando ênfase a setores como de laboratórios e tecnologia assistiva também é meta para um segmento que busca avanço estruturado em novos mercados.

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Devemos consolidar nossa imagem de fornecedores de produtos de alta qualidade e confiabilidade a preços justos, além de buscar maior união e coordenação entre entes importantes para a redução dos gargalos que afetam a performance da indústria.” Gabriel Isaacsson

E o modelo seguido pelo convênio também é muito aplaudido pelos associados. “Somos associados da ABIMO há mais de 45 anos e durante esse tempo só temos visto o crescimento da entidade, que sempre se preocupou em trabalhar em prol do setor. O BHD é um exemplo, um modelo para projetos de outras entidades”, comenta William Pesinato, diretor técnico da FAMI Tecnologia Médica.

OS GRANDES DESAFIOS DO PRÓXIMO BIÊNIO Assim como o cenário é dinâmico, os entraves também vão mudando. No começo dos anos 2000, a barreira linguística, por exemplo, era muito mais forte. Hoje o mundo está mais globalizado e falar um segundo idioma tornou-se quase uma obrigatoriedade para quem quer se manter em destaque no mercado de trabalho, o que facilita para que as empresas encontrem profissionais que possam atuar com desenvolvimento de mercado externo.


Naquela época, a comunicação também tinha seus entraves. Com a internet não tão popularizada, poucos eram os dispositivos para facilitar o contato e encurtar as distâncias geográficas. Com tantos aplicativos e sistemas de comunicação a distância sendo criados, essa barreira também foi se dissolvendo aos poucos. “Imagino que a palavra-chave, agora, seja a sustentabilidade dos negócios internacionais para nossas empresas. Principalmente se levarmos em conta os revezes sofridos pelo setor nos períodos mais recentes como, por exemplo, a diversificação de origem, a obtenção e a manutenção de certificações internacionais, e a internacionalização do processo produtivo, temas que merecem atenção especial para os próximos ciclos”, esclarece Igor Brandão, coordenador de Projetos Setoriais da Apex-Brasil. Outro entrave está nas barreiras técnicas para exportação, em especial as regulatórias sanitárias. Assim como no Brasil a Anvisa impõe uma série de requisitos para que os produtos estrangeiros possam ser comercializados dentro do país, cada nação aplica suas próprias regras. E esses requisitos, muitas vezes, transformam-se em gargalos a serem vencidos pelo empresariado nacional. Com uma multiplicidade de países e sistemas reguladores, a empresa precisa estar atenta, trabalhando de forma estratégica. “Com os produtos já estabelecidos em diversos países, nossas indústrias devem amadurecer ainda mais com relação à regulação sanitária internacional”, recomenda Isaacsson. Ainda dentro da questão regulatória, as empresas devem se preocupar também com o pós-mercado, como alerta Clara: “Muitas vezes a empresa consegue

fazer todo o trabalho até a obtenção do registro sanitário, mas não sabe gerenciar, correndo o risco de perder o registro e, como consequência, o cliente”.

MARCA BRASIL Um grande ponto que vem sendo trabalhado pelo projeto setorial é o fortalecimento da imagem do país. A marca Brasil ainda não é reconhecida como uma fabricante de produtos com alto valor tecnológico agregado, mas sim como exportadora de commodities, mesmo com uma indústria que incorpora itens de grande valor à pauta exportadora. “Exportar tecnologia em saúde, que é nosso negócio, é bastante difícil. O Brasil é um reconhecido exportador de outros tipos de produtos, como carnes, grãos, moda e beleza. Toda empresa brasileira já inicia seus trabalhos no mercado internacional com essa desvantagem”, expõe Clara Porto. Porém, a indústria brasileira aos poucos vem quebrando esse paradigma. “O empenho das empresas foi elevando os patamares de sua capacidade competitiva de forma a tornar a indústria nacional de equipamentos para saúde reconhecida em âmbito mundial, contestando objetivamente aqueles que ainda resistiam a reconhecê-la como tal até render-se ao fato de que os produtos brasileiros efetivamente entregam qualidade e confiabilidade”, declara Manfré. Além da barreira regulatória e da falta de reconhecimento do país como um exportador de soluções efetivas na área de saúde, a multiplicidade de produtos e opções presentes no mercado faz com que a vantagem competitiva seja um ponto ainda mais importante. Com o custo interno alto, os produtos brasileiros acabam tendo valor elevado, se comparados a alguns grandes concorrentes como China, Índia, Indonésia, Argentina, México e Turquia, porém com qualidade muito mais bem percebida. Para isso é que a imagem do Brasil como um país exportador de soluções inovadoras deve ser trabalhada.

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Outro ponto, ainda pensando em imagem e cultura do país, é a percepção interna sobre a importância e os caminhos da internacionalização. A ala industrial ainda sofre com uma cultura muito importadora e pouco exportadora. “Falta a conscientização, a sensibilização da empresa como um todo, em todas as áreas e patamares, sobre o que é exportar”, comenta Clara, enfatizando que, com a falta da cultura de exportação, falta também a estruturação interna das companhias, afinal, para se internacionalizar é preciso estruturar estoque, área regulatória, marketing e comunicação, bem como investir em mais pessoas bilíngues para atender às necessidades específicas dessa estratégia. Brandão enfatiza que, apesar do alto nível do empreendedorismo nacional, não é comum a empresa brasileira nascer pensando em expansão internacional. “Temos um grande desafio no sentido de promover essa cultura exportadora no primeiro estágio e sedimentá-la à medida que a empresa avança neste processo de internacionalização, seja por meio da qualificação da empresa e adequação da oferta exportável, seja por meio do mapeamento de oportunidades em outros mercados”, diz e complementa: “É um setor estratégico no contexto dos demais projetos, visto que carrega de forma mais evidente a bandeira da inovação brasileira que entrega valor”.

programa como uma iniciativa importante e confiável, e a ver o Brasil como um player global do segmento”, diz Brandão. O primeiro pavilhão brasileiro na MEDICA, por exemplo, contava com oito empresas. Em 2009, sete anos depois do início do projeto, o espaço já reunia quase 50 marcas nacionais. “Hoje, temos um pavilhão com 60 empresas gerando uma grande quantidade de negócios”, enfatiza Clara sobre como, com o passar do tempo, o pavilhão ganhou notoriedade.

CRESCIMENTO DECLARADO Por meio da exposição nacional nas feiras internacionais, podemos ter um panorama de como o Brazilian Health Devices cresceu ao longo desses 15 anos. “O projeto amadureceu e foi responsável por algumas inovações em relação ao formato da promoção comercial que fazíamos em 2002. Isso fez com que o setor, tanto no Brasil quanto no mercado internacional, passasse a reconhecer o

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Destacando a mudança de perspectivas em um comparativo entre os anos 1990 e os anos 2000, ou seja, antes do início do projeto e atualmente, Isaacsson, que está bastante imerso na parceria, comenta: “Anteriormente, havia um foco quase que exclusivo no mercado consumidor brasileiro, que é de fato muito representativo. Passada uma década e meia, as empresas do setor não somente mantiveram


‘‘ sua firme atuação no mercado interno como cresceram consideravelmente no âmbito internacional”. Outro ponto, desta vez ainda mais estratégico, que revela o desenvolvimento e a maturidade do projeto que entra agora em sua oitava edição, é a definição dos mercados-alvo. “Antes o BHD focava em mercados mais tradicionais e de fácil abertura, principalmente a América Latina. Hoje vemos, pela primeira vez no planejamento estratégico, as empresas escolhendo alvos como Reino Unido. Em 2015, por exemplo, o Japão entrou pela primeira vez na lista, tendo sido escolhido novamente este ano”, comenta Clara ao enfatizar que essa escolha por mercados altamente exigentes demonstra a maturidade das empresas representadas pelo projeto e a busca por desafios mais complexos com relação à internacionalização. Dessa forma, além de feiras globais como a MEDICA, Arab Health e IDS; outras como a Medic West Africa em Lagos, na Nigéria; a Zdravookhraneniye, na Rússia; IDEM, em Cingapura; e Sino Dental, na China, também já foram palco para as empresas nacionais mostrarem o seu valor. “A cada 24 meses, as ações são repensadas e propostas, de acordo com a estratégia definida para o próximo biênio, buscando sempre a coerência com o momento vivido pelas empresas participantes. Nossa equipe trabalha com as necessidades daquele

Enquanto as exportações da indústria brasileira de dispositivos da área da saúde encerraram o primeiro trimestre de 2017 com crescimento de 4,95%, no comparativo com o mesmo período do ano passado as empresas apoiadas pelo BHD somaram crescimento de 33,6%. Gabriel Isaacsson

momento e com tudo o que pode ser feito para que obtenhamos o melhor retorno possível, não apenas em termos de valor exportado, mas principalmente em termos de consolidação da presença brasileira no cenário internacional e aprimoramento das empresas participantes no projeto, de acordo com a nossa matriz de maturidade exportadora”, afirma Clara Porto, demonstrando o amadurecimento da ABIMO e da Apex-Brasil. “Além de trabalhar o presente, jamais nos esquecemos da nossa visão de futuro, uma visão que tanto a entidade quanto a agência têm juntas para internacionalizar cada vez mais o setor”, complementa. “As empresas nacionais saíram de um patamar incipiente para um posicionamento sólido em muitos mercados. Temas como preparação para competir globalmente, defesa de interesses, reconhecimento dos produtos produzidos no Brasil e, especialmente, formação de relacionamentos comerciais duradouros foram a tônica deste crescimento”, complementa Isaacsson. O resultado positivo do BHD pode ser medido ano a ano. Entre 2013 e 2014, ele ficou ainda mais evidente ao distanciar-se dos resultados obtidos pela balança comercial. Na ocasião, as empresas apoiadas pelo BHD apresentaram resultados melhores do que a indústria nacional como um todo. Enquanto o Brasil encolheu 14,8% em suas exportações, as empresas integrantes do projeto aumentaram seus índices em 7,1%. Somada a esses dados, a informação de que 26% das exportações de equipamentos para a saúde

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do país foram feitas pelas empresas participantes do projeto destaca a importância da ideia concretizada pela ABIMO e apoiada pela Apex-Brasil. Na mudança de 2014 para 2015, o resultado voltou a surpreender, já que mais uma vez as empresas apoiadas pelo BHD superaram a balança comercial do país. No período, as 160 empresas integrantes do projeto cresceram 24,8% enquanto o rol das que não fazem parte do BHD cresceu apenas 0,2%. Analisando apenas as empresas do setor de odontologia, o resultado é ainda mais impressionante: transformaram o deficit de US$ 14 milhões em superavit de US$ 13 milhões. Nos dias atuais, enquanto as exportações da indústria brasileira de dispositivos da área da saúde encerraram o primeiro trimestre de 2017 com crescimento de 4,95%, no comparativo com o mesmo período do ano passado as empresas apoiadas pelo BHD somaram crescimento de 33,6%. O aumento das exportações é reflexo do alto investimento em ações estratégicas que elevam a visibilidade da indústria brasileira diante de compradores internacionais. Uma década e meia após sua criação, o grande objetivo do projeto setorial Brazilian Health Devices continua sendo fortalecer a base da indústria nacional e levar o setor a um novo patamar. Muito já foi conquistado, mas ainda há muito caminho a percorrer. A odontologia nacional já vivencia outro momento, no qual o reconhecimento mundial é bastante amplo, e a tendência é levar as outras verticais por esse mesmo percurso ascendente: “O projeto é um upgrade para nós. Vivemos em um país grande, com um mercado amplo, e damos pouca atenção ao mercado de fora. Mas com o projeto tivemos oportunidades reais e nos surpreendemos com como a medicina e a odontologia brasileiras podem ser bem-vistas. Foi a ABIMO, junto com a Apex-Brasil, que nos deu essa real vitrine”, comenta o presidente da Conexão, Rodolfo Cândia. Em uma democracia em desenvolvimento como o Brasil, em 15 anos todo o cenário político e econômico pode mudar muito. A instabilidade sempre

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foi uma das marcas do país e para a indústria esse é e sempre será um desafio. Para o projeto setorial Brazilian Health Devices, o cenário também passou por muitas mudanças ao longo desse período. “Em momentos como os atuais, projetos como o BHD representam, além de importantes plataformas de promoção e expansão das exportações brasileiras, movimentos fundamentais de articulação e integração entre setor produtivo e órgãos como a Apex-Brasil”, diz André Limp. Outra grande vantagem interna focada na internacionalização está na diversificação das fontes de receitas e, consequentemente, à mitigação do risco associado aos ciclos do mercado doméstico. “Essa questão é muito ampla, visto que a internacionalização pode e deve ser entendida como ferramenta estratégica de incremento da competitividade de qualquer indústria. A exposição a padrões e exigências internacionais; o acesso a parcerias, tecnologias e fornecedores; a pressão mais forte por inovação e otimização de recursos e processos; são todos fatores fundamentais para tornar o setor mais competitivo. É isso que percebemos ao longo deste período de retração da economia brasileira”, revela ele, afirmando que há casos em que a internacionalização foi a responsável pela continuidade da empresa no mercado. “O mercado nacional está saturado de produtos, e a exportação é sim vista como uma saída. Mas, mais do que isso, a ABIMO quer ver a indústria forte e saudável, com crescimento e desenvolvimento sustentável e, principalmente, quer ver as empresas ganhando competitividade tanto no mercado nacional quanto no internacional”, finaliza Clara.


COMO A ABIMO INICIOU NA EXPORTAÇÃO DO SEGMENTO Assim, a primeira a receber empresas brasileiras foi a Feira Internacional de Bogotá, na Colômbia, em 1966. O pavilhão brasileiro lá montado para exposição exclusiva dos produtos nacionais resultou na fundação do Cibra. “Esse foi nosso primeiro consórcio de exportação, a primeira vitrine da produção nacional ao mundo, especialmente para a América Latina”, relata Djalma Luiz Rodrigues, um dos fundadores da ABIMO e presidente da Fanem, multinacional brasileira líder na fabricação de equipamentos médicos e de laboratórios. Depois da presença na Colômbia, a participação nacional em eventos no exterior tornou-se ainda mais assídua, e as marcas brasileiras expuseram na Feria Internacional de Equipos y Productos para Medico y Hospitales, no Peru, que rendeu acesso aos mercados da América Central, da América Latina e do Caribe. Visando a essa divulgação internacional, o Ministério das Relações Exteriores organizou a Brasil Export 72, feira realizada no Parque Anhembi, em São Paulo, e que contou com a participação ativa da ABIMO apresentando

MITOS QUE O BHD

20 marcas: Albion, Armentano, Baumer, Card, Cia. Geral das Indústrias, Dabi/Atlante, D.F. Vasconcelos, Emai, Erwin Guth/Augusto Nevoni, Fanem, Indústria Gaúcha, Instituto de Cardiologia, Jornal Brasileiro de Medicina/Dental Tenax, Júpiter Dental, Lutz Ferrando, Máquinas Santo André, Mercedes-Imec, Nicolau Aloísio, Sgai e Takaoka. Com incentivo do Governo Federal, que convidou os maiores compradores do mundo, e graças à divulgação feita pela mídia em países como Estados Unidos e Japão, a feira foi um sucesso, principalmente pelo fato de que se tratava de um evento realizado pela primeira vez num país em desenvolvimento.

AJUDA A DESCONSTRUIR

O Brazilian Health Devices atua em todo o âmbito da internacionalização e também tem como objetivo derrubar alguns mitos incutidos no empresariado brasileiro e que dificultam o ingresso das empresas no comércio exterior. É preciso derrubar:

1. Exportar é só para os grandes – O industrial brasileiro tem tendência a acreditar que exportação é atividade apenas das grandes e poderosas empresas, marcas que já têm faturamento exemplar quando, na verdade, o porte da empresa ou mesmo sua margem de lucro não são parâmetros para definição de quem pode ou quem não pode iniciar no comércio exterior. “A exportação não é um gasto, ela é mais uma fonte de faturamento para a empresa”, comenta Clara Porto.

2. Profissional de exportação é aquele que viaja – O profissional dedicado às atividades exportadoras tem agenda atribulada e repleta de viagens, visto que precisa prospectar nos mercados externos, fechar novos contratos, fortalecer o relacionamento com os clientes já firmados, cuidar da manutenção e da consolidação da marca naquele território, vislumbrar iniciativas de incentivo ao público final, entre outros tantos afazeres. Porém, para que esse profissional possa obter sucesso em suas atividades no exterior, é necessário todo um trabalho de back office. “É necessário que tenha uma equipe forte por trás, pessoas dedicadas a business intelligence, às questões regulatórias, às pendências burocráticas e ao processo de exportação como um todo”, explica Clara.

3. O resultado é imediato – Para que o processo de exportação seja concretizado e torne-se sustentável, a empresa precisa se firmar no país a que está dedicada a investir, e esse é um processo que leva tempo. “Os resultados da exportação não são imediatos, são de médio a longo prazo. A empresa começa a ver resultados mais palpáveis no mínimo um ano após o início, mas é natural que demore de dois a três anos para que comece a colher os frutos de um bom trabalho de internacionalização”, afirma Clara.

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ENSINANDO A PESCAR O foco do BHD é justamente dar total suporte às empresas que estão começando seus processos de internacionalização e, portanto, ao observar tantas marcas que começaram a trabalhar o mercado externo dentro do BHD alçando voos sozinhas em grandes feiras como a MEDICA e a IDS, a gestão do projeto se vê otimista sobre todo o trabalho que já foi e continua sendo feito. Empresas como a Magnamed e a Fanem, por exemplo, começaram a expor na MEDICA dentro do pavilhão brasileiro montado pelo BHD. Hoje já realizam seus stands próprios, que crescem a cada ano. O mesmo ocorre com marcas como Alliage, FGM, Bioart e Microdont que, na área odontológica, começaram a expor na IDS dentro do pavilhão BHD e hoje estão sozinhas totalmente fortalecidas e firmadas na exposição, além de tantas outras que são expositoras destas feiras desde muito antes de o BHD existir. “É muito gratificante ver que os stands individuais têm crescido. Temos muito orgulho dessas empresas por todo o esforço que dedicam, toda a estratégia planejada e executada. É louvável que essas empresas façam esse tipo de investimento não só financeiro, mas de tempo e recursos humanos, para fazer as feiras acontecerem. Dá orgulho de ser brasileiro”, relata Clara. Com a autoridade de quem entende muito do assunto e contribuiu para que a Fanem se tornasse uma

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multinacional presente em mais de cem países, com 40% do seu faturamento proveniente das vendas ao exterior, Djalma Rodrigues destaca: “O acesso ao exterior é muito positivo. O nosso sucesso fora do país se deve totalmente ao projeto BHD, que foi o combustível que nos faltava. Hoje a internacionalização é o único caminho que vejo para a sustentabilidade das empresas. Não podemos depender apenas do comércio no nosso país. Somos atacados por todos os players internacionais, temos que contra-atacar”. Ao sair do pavilhão brasileiro em uma feira para montar um stand próprio, além de demonstrar que a empresa cresceu e se fortaleceu diante daquele mercado, abre-se espaço para que outras empresas que estão começando passem a integrar o projeto. É um ciclo que será repetido para, no todo, fomentar o desenvolvimento da indústria nacional. “A associação gostaria muito de ver todas as empresas tão bem-firmadas no mercado internacional a ponto de sentirem necessidade de expor fora do pavilhão brasileiro, que é uma ferramenta para ajudar as marcas através de um subsídio quase que integral e toda a comodidade de ter uma equipe de especialistas organizando a participação na feira”, complementa Clara. “Há cinco anos temos nosso próprio stand na MEDICA e, a partir do ano que vem, devemos ter nosso próprio espaço também na Arab Health e na Africa Health”, declara Djalma, da Fanem.


A MARCA BRAZILIAN HEALTH DEVICES Hoje o projeto setorial criado pela ABIMO em parceria com a Apex-Brasil responde pelo nome Brazilian Health Devices, marca adotada em 2010, quando a associação viu que era necessário dar mais identidade ao projeto. “Essa, com certeza, foi uma grande mudança. Não tínhamos plano de branding internacional e foi feito um trabalho com uma consultoria para identificar como a indústria de medical devices era vista no exterior e como deveríamos nos posicionar”, explica Paula Portugal, gerente de exportação da ABIMO na ocasião. “A marca trouxe, além de reconhecimento internacional sobre nosso posicionamento, a união das indústrias”, complementa ela sobre as companhias, que mesmo sendo concorrentes no Brasil estão unidas em parceria para a divulgação da indústria nacional no exterior.

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Roberto Jaguaribe presidente da Apex-Brasil, fala para a ABIMO em Revista:

ABIMO em Revista - Qual a visão da Apex-Brasil sobre o crescimento do projeto setorial Brazilian Health Devices ao longo desses 15 anos? Roberto Jaguaribe - O fato mais relevante a destacar é o salto que conseguimos dar a partir de uma base de 40 empresas inicialmente atendidas. Hoje esse número é quatro vezes maior. E há algo de notável nessa evolução: o DNA sustentável do trabalho com um imenso know how acumulado. Apesar dos substanciais desafios impostos ao setor, há competência instalada para vencê-los e para avançarmos no processo de internacionalização. AR - Qual a importância de projetos como o Brazilian Health Devices para a economia brasileira? RJ - São duas dimensões principais. A primeira delas é a dimensão do mercado, trazendo itens de grande valor agregado à pauta exportadora, com destaque para a tecnologia embarcada nos nossos equipamentos, especialmente os médicos e odontológicos. A segunda envolve a imagem do Brasil e a oportunidade de consolidá-la por meio do projeto, apresentando um país capaz de atuar no mercado internacional e fornecer soluções inovadoras e confiáveis para o mundo. AR - Qual o grande desafio que a Apex-Brasil aponta para a indústria da saúde, que tem na internacionalização uma de suas estratégias de negócios? RJ - Diante de um mercado doméstico com características tão peculiares quanto as do Brasil, incluindo a natureza introspectiva voltada prioritariamente ao atendimento das demandas internas, o desafio que se coloca em primeiro plano é, sem dúvida, a necessidade de olhar para fora, sedimentando a visão de que o caminho rumo ao mercado internacional constitui uma opção sem volta. Devemos considerar que a abertura para a exportação beneficia inicial e diretamente a produção interna. Ou seja, precisamos estar convencidos de que a escolha pela internacionalização é parte da estratégia não só de expansão e acesso a novos mercados, mas também de ganho de qualidade e de competitividade da nossa indústria.

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AR - Hoje, graças ao Brazilian Health Devices e ao apoio da Apex-Brasil, a indústria nacional do setor médico, odontológico e hospitalar já se posiciona de forma bastante fortalecida em encontros de grande peso como é o caso da Feira IDS – considerada a maior do setor odontológico do mundo – e a MEDICA – maior evento de saúde do planeta. Considerando que o Brasil já tem essa visibilidade no mercado externo, qual o papel da Apex-Brasil para os próximos anos de apoio ao projeto setorial? RJ - A promoção comercial de qualidade garantiu essa visibilidade. Mas ainda há muito trabalho a ser feito, e as contribuições da Apex-Brasil se darão no sentido de intensificar a capacitação e qualificação para exportação, bem como no desenvolvimento de frentes de atividades que assegurem o aumento do leque de atributos competitivos da indústria nacional do setor médico, odontológico e hospitalar. Como fazer isso? Adotando práticas sustentáveis como diferencial competitivo, inserindo a agenda do design na criação e no melhoramento de produtos, serviços e embalagens, monitorando barreiras e outros impedimentos que comprometam a entrada do produto brasileiro em mercados estratégicos e apoiando a superação desses entraves, inclusive aqueles relacionados às certificações e aos padrões privados, cada vez mais comuns, inclusive no contexto da saúde.


PROJETO PREMIADO O reconhecimento do sucesso do BHD não vem apenas dos associados que recebem o incentivo, vem também do setor de saúde como um todo. Em 2006, a ABIMO foi contemplada com o prêmio de Excelência em Exportação, promovido pela Apex-Brasil, e ainda foi uma das selecionadas para integrar a categoria “Novas Empresas no Esforço do Exportador”. Fora isso, foi destaque na categoria “Agregação de Valor na Exportação”, que envolve design, inovação tecnológica e certificação técnica internacional. Já em 2014, o projeto setorial voltou a ser destaque ao vencer, graças ao PIC (Programa de Incentivo à Certificação FDA), a categoria “Iniciativa Inovadora de Promoção Setorial Entidade Parceira” do Prêmio Apex-Brasil, criada para reconhecer as empresas, entidades e personalidades que se destacam em ações de promoção das exportações brasileiras e atração de investimentos que contribuem para o desenvolvimento do país. “Receber esse reconhecimento foi muito importante para a ABIMO e para os membros do Brazilian Health Devices”, relembra Paula Portugal, que gerenciou o projeto entre 2009 e 2014 dentro da ABIMO. “Sermos indicados e ainda vencer nos mostrou que estávamos seguindo uma estratégia correta na promoção comercial de nossa indústria e produtos.” Todo esse reconhecimento reflete a seriedade com que a equipe da ABIMO comanda o Brazilian Health Devices. Orgulhosa por ter feito parte dessa ação, Paula destaca: “O que posso dizer é que fui me apaixonando cada vez mais pela maneira como o projeto auxiliava as empresas e como víamos os resultados efetivos do auxílio de um órgão do governo quando falamos de

tecnologia médica fabricada no Brasil”, comenta ela ao afirmar ainda que os seis anos à frente do projeto a tornaram muito mais patriota e orgulhosa de ser brasileira.

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FOCO DESIGN FOCO NONO DESIGN Quem quer se destacar em um mercado competitivo como o da saúde precisa encontrar alternativas para se diferenciar da concorrência. Uma das frentes trabalhadas pelo projeto BHD juntamente com a Apex-Brasil diz respeito especificamente ao design do produto, algo que muitas companhias do setor deixavam em segundo plano, mas que pode se tornar o grande promotor da marca, principalmente no mercado externo. Após uma pesquisa realizada pela CNI afirmando que 75% das empresas que investiram em design registraram aumentos em suas vendas e 41% também conseguiram reduzir seus custos, a ABIMO passou a apoiar o Design Export, programa inédito da Apex-Brasil com o Centro Brasil Design para dar suporte às empresas brasileiras que buscam desenvolver produtos inovadores e com design diferenciado. Diversas empresas associadas ao BHD investiram no programa, e a primeira delas a lançar um produto desenvolvido com essa assessoria foi a Sino Vinces, que apresentou o EVO, um kit instrumental destinado à cirurgia odontológica que possui todas as ferramentas necessárias para auxiliar o cirurgião-dentista no processo de implantodontia e outros procedimentos. Mais compacto, prático e funcional do que os outros modelos similares já no mercado, o kit foi um dos responsáveis por validar a importância do investimento em design para o aumento da competitividade empresarial.

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C ASE S

BHD

Empresa apoiada supera a crise e cresce por meio da exportação Mesmo diante de um cenário de incertezas e dificuldade para a economia brasileira, a fabricante de produtos odontológicos, Bionnovation, consegue alavancar resultados por meio das exportações. Para o diretor comercial Heddie Ricci, os principais motivos que levaram a empresa ao sucesso no mercado exterior foram o projeto Brazilian Health Devices, que contribuiu para o fortalecimento da marca internacionalmente, e os produtos inovadores e de qualidade. “Superar as expectativas dos nossos clientes e distribuidores, por meio de produtos e serviços inovadores, nos assegurou vantagens competitivas e nos permitiu ocupar espaço em mercados altamente competitivos que valorizam qualidade e não apenas preço”, disse. A Bionnovation está presente em todos os continentes e conta com um crescimento considerável em diversos novos mercados. Atua nos seguintes países: Suécia, Holanda, Dinamarca, Alemanha, Reino Unido, França, Bulgária, Austrália, Taiwan, Tailândia, Tunísia, Síria, Líbano, Trinidad & Tobago, Arábia Saudita, Egito e Vietnã. Ricci explica: “Como temos produtos relacionados à saúde, há alguns países onde já temos acordo comercial fechado, porém estamos apenas aguardando a liberação pelas autoridades competentes nesses países para iniciarmos novos negócios”.


ABIMO abre portas para a internacionalização da Neurotec® A desenvolvedora de sistemas e soluções para neurofisiologia clínica, Neurotec®, já aspirava o comércio exterior. Porém, o grande empecilho para a empresa exportar era a preocupação com a sua filosofia de nunca deixar o cliente desassistido. “Procuramos uma distribuidora no exterior que tivesse o cuidado com o pós-venda. Felizmente conseguimos encontrar no México um distribuidor, que nos foi apresentado durante a Rodada de Negócios promovida pela ABIMO”, conta Esperança Balestrassi, administradora da empresa. Foi então que, graças ao incentivo e apoio da ABIMO, a companhia começou a dar os primeiros passos rumo ao mercado mexicano com a comercialização do Neuromap® EQSA260, um eletroencefalógrafo digital para monitoramento cerebral, vídeo-EEG, polissonografia e poligrafia. Segundo Esperança Balestrassi, a ABIMO teve papel fundamental tanto na parte de legalização de documentos como na parte burocrática do processo de exportação. A Neurotec® pretende atingir outros mercados com a colaboração da pesquisa mercadológica realizada pela ABIMO. “Estamos muito satisfeitos com todo o suporte oferecido. Nossas expectativas com a internacionalização são excelentes, já que temos a marcação CE que nos permite a exportação para toda Europa, bem como a certificação em EN ISO 13485”, finaliza.

Com projeto BHD, representatividade da Angelus no exterior trouxe bons frutos à empresa Na trajetória da Angelus, fabricante de produtos odontológicos, a decisão de exportar foi um marco impulsionador dos seus negócios. “Conseguimos fazer a exportação representar quase 49% do faturamento. Lembrando que há oito anos representávamos algo em torno de 23%; portanto, nos últimos anos, mais que dobramos o número”, comemora Sidarta Cypriano, gerente de comércio internacional da empresa. “Sem dúvida, é um marco na nossa história! Agradeço o suporte da ABIMO nas ações que fazemos, assim como a todos que contribuíram e foram muito importantes na conquista desse marco”, completa. Por meio da atividade exportadora, a solidificação no mercado dos EUA, a abertura de filial no Chile e a entrada no mercado japonês, o que impactou positivamente os números da empresa. Como estratégia de mercado, a Angelus marca presença nos mercados atuais e nos principais eventos internacionais como a AEEDC, em Dubai, e a IDS, na Alemanha, por meio de stands subsidiados pelo projeto Brazilian Health Devices, assim como por outras ações que o projeto apoia. Neste ano a empresa recebe o Prêmio Destaque de Comércio Exterior, na categoria Destaque Conquista de Mercado. A premiação visa homenagear as empresas que se destacaram por sua atuação no mercado internacional, bem como iniciativas reconhecidas pelo relevante significado no apoio ao comércio exterior de mercadorias e serviços.

Corcam: do Brasil para o mundo Focada na criação de soluções tecnológicas para monitorar a saúde, a Corcam buscava alcançar novos mercados pleiteando salvar vidas por meio de um sistema capaz de aproximar o paciente cardíaco do seu médico. Conhecido como Nexcor, esse sistema foi o primeiro passo dado para destacar a atuação da empresa no mercado, já que foi um dos cinco projetos finalistas da sétima edição do Prêmio Inova Saúde da ABIMO. Posteriormente, por meio do projeto Brazilian Health Devices, representantes da Corcam estiveram na FIME (Florida International Medical Equipment Trade), importante evento da indústria médico-hospitalar nos Estados Unidos e, antes do evento, a empresa visitou autoridades de Connecticut com o intuito de ingressar no território americano aproveitando incentivos cedidos pelo estado. A oportunidade oferecida pelo BHD com o apoio da Consultoria Paseli foi um divisor de águas para que a empresa fizesse parte do Hub 55, que ajuda empresários a construírem seu plano de negócios e a prospectarem clientes no mercado americano. A Corcam objetiva ainda alcançar os mercados do Hemisfério Norte. “Começamos a colocar em prática nossa estratégia internacional pelo México, onde já temos adiantados entendimentos para a implantação de um Centro de Monitoramento Nexcor na empresa hospitalar Salud Interactiva”, diz o CTO da empresa, César Margarida.

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MERCADOS-ALVO

VERTICAIS MÉDICO-HOSPITALAR, DE LABORATÓRIOS E REABILITAÇÃO MERCADOS PRIORITÁRIOS Arábia Saudita Argentina China Estados Unidos Indonésia Irã México Rússia

MERCADOS SECUNDÁRIOS África do Sul Chile Colômbia Emirados Árabes Peru Tailândia

DE OLHO NO FUTURO BHD DEFINE SEUS MERCADOS-ALVO PARA 2018 E 2019

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O processo que envolve a escolha dos mercados-alvo do projeto Brazilian Health Devices é resultado de uma metodologia desenvolvida pela própria ApexBrasil, em que os mercados são ranqueados de acordo com critérios quantitativos gerais (tais como PIB, crescimento, população, renda per capita, entre outros) e específicos do setor (número de leitos hospitalares, quantidade de clínicas e gasto público com saúde são alguns dos exemplos).


“A Apex-Brasil dá notas aos países de acordo com dados macroeconômicos e setoriais. Quanto melhor forem os dados, melhor será a nota quantitativa”, explica a gerente do BHD na ABIMO, Clara Porto. Após essa etapa, as empresas participantes do projeto reúnem-se com a entidade e a agência para classificar os países de maneira qualitativa, apresentando-se então o conhecimento sobre trâmites burocráticos, alfandegários e regulatórios de cada país, além de aspectos culturais que podem favorecer ou dificultar as relações comerciais. Posteriormente, as empresas escolhem os mercados prioritários onde querem trabalhar guiando-se pelas melhores notas que eles receberam na média dos critérios quantitativos e qualitativos.

As atividades do projeto não precisam necessariamente ser sediadas em um mercado-alvo, porém as participações se configuram como instrumentos de grande valia para o acesso a esses mercados selecionados. “Feiras de caráter global, como a MEDICA, Arab Health e IDS, bem como grandes feiras regionais, cumprem bem esse papel, dada a multiplicidade de nacionalidades de expositores e visitantes”, explica Clara. Veja, um a um, os mercados que estão no radar do projeto Brazilian Health Devices nos próximos dois anos.

VERTICAL DE ODONTOLOGIA MERCADOS PRIORITÁRIOS China Espanha Estados Unidos Índia Irã México Reino Unido Turquia

MERCADOS SECUNDÁRIOS Arábia Saudita Colômbia Indonésia Japão Nigéria Rússia

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AMÉRICAS,

MERCADOS-ALVO

OS VIZINHOS Recentemente foi firmado um acordo de cooperação bilateral entre a ABIMO e a Beacon (Biomedical Engineering Alliance & Consortium) visando incentivar a troca de experiências e o desenvolvimento entre as regiões. A parceria já gerou encontros de negócios, debates e visitas técnicas. A maior economia mundial não pode ficar de fora do alvo das empresas exportadoras brasileiras, por isso os Estados Unidos mais uma vez figuram na lista de mercados interessantes para os associados, graças ao alto poder de consumo de sua população. Maior importador mundial de produtos para saúde, o que vale também para os dispositivos fabricados no Brasil, deve continuar como alvo de ações para manutenção de posicionamento no mercado e prospecção de novos nichos para atuação de empresas apoiadas.

“A ideia é aproveitarmos esse acordo para desenvolvimento de produtos, pesquisa, inovação e até mesmo novas oportunidades para instalação de empresas em Connecticut. São ações que contribuem para o posicionamento das companhias brasileiras nos Estados Unidos”, analisa Clara. (Leia mais sobre o mercado dos Estados Unidos na edição 13 da ABIMO em Revista, pelo link: https://goo.gl/KrtEVB.)

• V antagens: maior importador dos produtos do setor fabricados no Brasil • Desafios: obtenção do registro dos produtos junto ao FDA; capacitação das empresas brasileiras quanto ao selo UL (para eletromédicos) e contratação obrigatória de seguro para atuação no mercado estado-unidense • R anking BHD Jan-Jul 2017: 1º • R anking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 1º

Com um mercado entendido como atraente e com alto grau de diversificação, o Chile tem seu potencial reforçado pelo fato de o país ser o terceiro principal destino das exportações apoiadas pelo projeto em 2016. As relações entre Brasil e Chile caracterizam-se pela intensidade e pelo dinamismo do intercâmbio comercial e empresarial. Os investimentos bilaterais crescem ano a ano, beneficiando as economias e as sociedades dos dois países. O Brasil concentra o maior estoque de investimentos externos chilenos no mundo, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

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• Vantagens: mercado diversificado com pouca presença de fabricação nacional de produtos para saúde • Desafios: mercado relativamente saturado e consolidada presença de fornecedores estrangeiros • R anking BHD Jan-Jul 2017: 3º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 5º


País com classe média crescente e mercado consumidor de porte médio, o Peru figurou como quarto maior destino das exportações apoiadas pelo projeto em 2016. A partir da parceria firmada entre a ABIMO e a gerência da Tecnosalud, o evento mais especializado na área de medicina e da saúde no Peru, que reúne todos os fornecedores de dispositivos médicos, produtos farmacêuticos e odontológicos, associados terão desconto especial de 15% na locação de espaço para participação no evento.

O México é o segundo país mais industrializado e a segunda maior economia da região latino-americana depois do Brasil, ocupando o 12º lugar entre as maiores economias do mundo. É também o maior exportador e importador entre os países da América Latina, segundo dados de julho de 2017 da Apex-Brasil. A Apex-Brasil está organizando rodadas de negócios, em setembro deste ano, com compradores mexicanos previamente selecionados e também seminários técnicos, nos quais serão apontadas as melhores oportunidades de internacionalização e negócios entre o Brasil e o México.

Essa será uma grande oportunidade para empresas do setor médico-hospitalar exibirem seus produtos e serviços, além de participarem de rodadas de negócios com diretores regionais de saúde, conferências, seminários e reuniões de negócios. O país já foi destacado pela própria Apex-Brasil como importante parceiro comercial do Brasil e tem oportunidades de negócios para as empresas brasileiras em diversos setores produtivos da economia.

• V antagens: economia dinâmica e com crescente inserção no comércio internacional espaço para consolidação da presença de produtos brasileiros no país • Desafios: crescente concorrência comercial com países da Aliança do Pacífico e Ásia por espaço de consolidação no mercado • R anking BHD Jan-Jul 2017: 7º • R anking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 13º

A ideia é que a ação seja uma ponte das pontes entre as oportunidades existentes no mercado mexicano e os empreendedores brasileiros, potencializando suas exportações, fortalecendo seu processo de internacionalização e consolidando a imagem competitiva do país como fornecedor de tecnologia. “Existe muito espaço para crescimento da presença e fortalecimento da imagem da marca Brasil no país”, acredita o analista da ABIMO Rafael Cavalcante.

• Vantagens: o país ocupou a 5ª posição no ranking de exportações do projeto em 2016 • Desafios: convergência regulatória e ampliação de compras governamentais de produtos brasileiros • Ranking BHD Jan-Jul 2017: 2º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 3º

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MERCADOS-ALVO

segundo maior importador de dispositivos médicos do Brasil e sétimo no ranking das empresas do BHD. Houve queda de 15,7% nas vendas de produtos argentinos para o Brasil este ano em relação ao anterior.

As relações entre Argentina e Brasil são tanto estreitas como históricas e abrangem todas as dimensões possíveis: economia, comércio, educação, cultura, turismo, defesa, ciência e tecnologia, entre outras. Da guerra e rivalidade à amizade e aliança, essa complexa relação se estende por mais de dois séculos. Ser um país-membro do Mercosul e ter proximidade geográfica e similaridades culturais são as principais vantagens de acesso ao mercado argentino, que fechou 2016 como

A expectativa é que o cenário melhore nos próximos meses, com vantagens para os dois países. Até junho deste ano, para as empresas apoiadas pelo projeto, a Argentina já era o sexto maior país importador de nossos produtos.

• Vantagens: localização, afinidades culturais, facilidade de comunicação e cenário econômico promissor • Desafios: aproximação regulatória entre Anvisa e sua congênere local, a ANMAT • R anking BHD Jan-Jun 2017: 4º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 2º

Adicionalmente, conta com tratados de livre comércio com as principais economias de escala mundial (em especial Estados Unidos, Canadá e América do Sul) e uma localização estratégica que a torna destino ideal para o estabelecimento de operações.

A Colômbia é um país com desenvolvimento e renda per capita similares aos do Brasil, porém com pouca tradição na fabricação local de dispositivos tanto médicos como odontológicos, o que se torna uma grande oportunidade para produtores brasileiros. O país representa uma das principais economias da América do Sul, com crescimento constante do PIB e inflação controlada, ocupando a segunda posição em termos de população.

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O país ocupa posição de alta relevância para as exportações brasileiras, sendo o segundo principal destino das exportações do projeto em 2016, atrás apenas dos Estados Unidos.

• Vantagens: mercado grande, com bom poder aquisitivo para a região, processo regulatório pouco problemático e concorrência menos consolidada • Desafios: consolidação em curso como destino atrativo para investimentos e como plataforma de exportação para países da região • Ranking BHD Jan-Jul 2017: 6º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 6º


DE OLHO NO

MERCADO EUROPEU 2017), vêm adensando ainda mais a já profícua cooperação que só tende a crescer com o firme apoio dado pela Espanha ao Acordo Mercosul-União Europeia e o protagonismo a ser assumido por este país na União Europeia com a finalização do Brexit.

Laços históricos, culturais, humanos e políticos tradicionalmente aproximam Brasil e Espanha. A partir da década de 1990, os investimentos espanhóis no Brasil conferiram maior dinamismo ao vínculo bilateral, e a vertente econômica se transformou no principal eixo da relação. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a Espanha é hoje o terceiro maior investidor estrangeiro no Brasil. Em 2016, a corrente de comércio foi de US$ 5,17 bilhões. Recentes visitas de alto nível, como a do então Ministro das Relações Exteriores, José Serra, à Espanha (novembro de 2016) e a visita do Presidente de Governo Mariano Rajoy ao Brasil (24 e 25 de abril de

A Espanha é o principal destino na Europa das exportações das empresas apoiadas pelo Projeto BHD. Fatores como tamanho do mercado, proximidade cultural e concorrência doméstica menos acirrada em comparação a outros países europeus representam vantagens e oportunidades para a atuação de empresas brasileiras.

• V antagens: tamanho do mercado, proximidade cultural • Desafios: concorrência com produtos do mercado comum europeu • R anking BHD Jan-Jul 2017: 10º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 14º

Como país historicamente abastecido pela produção vinda de países próximos integrantes do mercado comum europeu, a saída do Reino Unido da União Europeia representa uma janela de oportunidade vislumbrada principalmente pela vertical de Odontologia.

O governo britânico tem destacado o Brasil como um dos países prioritários para sua política externa. Além da importância conferida ao país nos domínios do comércio e dos investimentos, o Brasil é identificado como parceiro estratégico do Reino Unido nos mais importantes foros internacionais, em vista da convergência de valores (democracia, proteção ao meio ambiente, promoção dos direitos humanos) e da percepção da capacidade diplomática do Brasil em exercer liderança entre os países em desenvolvimento.

A pouca produção local abre espaço para a entrada de outros fornecedores estrangeiros de qualidade, como o Brasil. • Vantagens: Brexit e baixa produção local para dispositivos odontológicos • Desafios: para dispositivos médico-hospitalares, de laboratório e para reabilitação, a produção doméstica é bem competitiva; o país também é referência em termos de acesso à saúde por sua população • Ranking BHD Jan-Jul 2017: 31º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 28º

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MERCADOS-ALVO

LESTE

EUROPEU aproximar empresas brasileiras e russas, além de facilitar a exportação de produtos e serviços e a atração de investimentos ao Brasil.

O mercado russo é de interesse das indústrias nacionais, pois é extremamente dependente de importações e apresenta-se como grande desafio às empresas do BHD. A eventual entrada em países próximos de difícil acesso para exportações brasileiras, a boa a aceitação cultural ao produto brasileiro, bem como o espaço para crescer em produtos de bom custo-benefício são destacados pelos especialistas do BHD como bons motivos para investir nesse mercado. A Rússia é estratégica para a Apex-Brasil, que desde 2010 mantém um escritório em Moscou com o objetivo de

Nos últimos anos, o relacionamento entre os dois países tem sido estreitado de maneira significativa por meio das visitas de altas autoridades, do diálogo no âmbito multilateral (ONU, G-20, Brics), do aumento do intercâmbio comercial, dos fluxos de investimentos e do aprofundamento da cooperação, especialmente em matéria aeroespacial e técnico-militar.

• V antagens: tamanho do mercado e posição estratégica para acesso a mercados próximos • Desafios: prazos extremamente elevados e altos custos para registro e burocracia excessiva • R anking BHD Jan-Jul 2017: 26º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 20º

Demonstra também interesse mútuo no diálogo franco e construtivo sobre as grandes questões mundiais, como segurança, comércio e cooperação para o desenvolvimento. No campo econômico, as relações entre Brasil e Turquia também viram grande crescimento na última década. País-alvo para o setor odontológico, a Turquia tem grande mercado consumidor com níveis de desenvolvimento e renda per capita similares aos do Brasil. Além disso, é situada em posição estratégica para acesso a mercados próximos. Ambos os países defendem o fortalecimento de instituições multilaterais como a ONU, o FMI e o G-20 econômico.

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• V antagens: tamanho do mercado e posição estratégica para acesso a mercados próximos • Desafios: concorrência com a própria produção local e falta de competitividade brasileira quanto à política de preços • R anking BHD Jan-Jul 2017: 16º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 29º


O GRANDE

CONTINENTE ASIÁTICO

Buscando importações com excelente custo-benefício para suprir sua carência de produtos odontológicos, a China desperta interesse da indústria brasileira e é pela segunda vez mercado-alvo prioritário do projeto Brazilian Health Devices. O país é a segunda maior economia do planeta, responsável por 14,9% do PIB mundial, atrás somente dos Estados Unidos. Sua população, que deve atingir 1,4 bilhão até 2030, tem 400 milhões de habitantes na classe média (duas vezes mais que o Brasil) e exige produtos de qualidade em áreas específicas nas quais temos ofertas exportadoras. Considerando todas as dificuldades em acessar o mercado, quem ultrapassa essa barreira encontra um mar de oportunidades.

“A autoridade reguladora obriga que todos os ensaios clínicos sejam realizados em território chinês, aumentando o custo do processo e também o tempo para liberação do registro sanitário”, explica Clara Porto. “Porém, a empresa que tem possibilidade de fazer esse investimento inicial mergulha no gigantesco mercado chinês que, culturalmente, aceita bem os produtos brasileiros.” Contribuindo enfaticamente com o acesso da indústria nacional na China, a ABIMO reconhece que um dos passos primordiais para ampliar a visibilidade e a comercialização de produtos brasileiros na Ásia é compreender com acurácia as exigências do sistema regulatório chinês, especialmente o que diz respeito aos requisitos regulatórios sanitários.“Além disso, é fundamental buscar fontes alternativas de financiamento, que possam contribuir para o aporte inicial necessário à obtenção de registros na China”, salienta Clara.

• V antagens: tamanho do mercado e da classe média, com oportunidades para odontologia, dermatologia, estética e cirurgia plástica • Desafios: idioma, custo e tempo para registro de produtos, que funcionam como barreiras não tarifárias às exportações • R anking BHD Jan-Jul 2017: 59º • R anking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 25º

alto nível de renda. Conhecidos como bons pagadores e pela economia estável com alto PIB, os japoneses despertam interesse em empresas de todos os setores, que começam a explorar o mercado com as maiores taxas de crescimento do setor de tecnologia atualmente. Os mercados chinês e japonês já foram pauta de uma matéria especial na edição 10 da ABIMO em Revista, que você pode ler em https://goo.gl/y9FBMf. Porém, vale ressaltar que, sobretudo na vertical odontológica, não há espaço para aumentar a presença de empresas brasileiras no Japão, mercado grande e de

• Vantagens: renda. A preocupação com home care e envelhecimento da população como oportunidades para nichos específicos • Desafios: idioma e concorrência com produtos domésticos e importados da região • Ranking BHD Jan-Jul 2017: 27º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 11º

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MERCADOS-ALVO

de vasta extensão territorial e com grande população, compartilhando objetivos como a promoção do crescimento econômico com progresso tecnológico, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável.

A Índia é a terceira maior economia entre os países asiáticos e uma das que mais crescem no mundo. Tem mercado gigantesco e até 2025 terá a maior população do planeta, segundo relatório elaborado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas. Apesar dos números, o Brasil ainda explora muito pouco as possibilidades de negócio com o país. Um estudo desenvolvido recentemente pela área de inteligência da Apex-Brasil apontou que a economia indiana cresce com variação positiva de 7,4% ao ano. É um dos maiores índices entre os países em desenvolvimento e, assim como o Brasil, é um país democrático, multiétnico, multicultural e multirreligioso,

Reconhecida por investir em inovação na área da saúde, principalmente no que diz respeito à gestão financeira sem interferência na qualidade dos serviços de seus hospitais de alto nível que, inclusive, receberam selos de qualidade da Joint Comission International, a Índia pode gerar boas oportunidades de negócios para as empresas brasileiras.

• V antagens: tamanho do mercado • Desafios: concorrência com mercado interno e países asiáticos vizinhos competitivos, sobretudo, em preço • R anking BHD Jan-Jul 2017: 13º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 18º

Os produtos asiáticos, em geral, são muito competitivos em preço, mas de qualidade inferior. Não há problema, como em outros mercados, com a aceitação cultural ao produto brasileiro, que é bem visto e aceito.

Estabelecidas em 1953, as relações entre Brasil e Indonésia têm sido impulsionadas nos últimos anos, particularmente após a troca de visitas presidenciais em 2008, ano em que também foi firmada a Parceria Estratégica entre os dois países. O Plano de Ação da Parceria Estratégica (2009) deu contornos definidos à aproximação entre os dois países, incluindo na agenda bilateral assuntos como energias renováveis; defesa; mineração; políticas de inclusão social; cooperação acadêmica e educacional; cooperação científica e tecnológica; e temas nos planos plurilateral e multilateral.

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Há espaço para crescer em produtos de bom custo-benefício, isto é, com qualidade superior e preço competitivo. O país figurou na 8ª posição no ranking de exportações do projeto em 2016.

• V antagens: grande mercado consumidor e pouca fabricação local • Desafios: moroso processo de registro e grande concorrência de países fornecedores do próprio continente asiático • R anking BHD Jan-Jul 2017: 8º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 21º


A Tailândia também é vizinha de Singapura, notório hub de exportações e investimentos do sudeste asiático, o que propicia oportunidades na região. Isso se aplica, em uma primeira possibilidade, a empresas que podem se valer deste país para seu comércio exterior na região, exportando para Tailândia e arredores. Outra opção é utilizarem o próprio país como base para operações na região. O mercado da Tailândia é relativamente similar ao da Indonésia, ou seja, um mercado de boas proporções (embora não seja dos maiores para os padrões regionais, em que muitos países têm grandes populações), mas que, como principal desafio, enfrenta a forte concorrência de países fornecedores vizinhos. Isso vale tanto para países asiáticos exportadores muito competitivos em preço, como China e índia, quanto para países com produção que apresentam bom custo-benefício – e mesmo maior nível de tecnologia agregada em alguns casos –, como Japão e Coreia do Sul.

Em relação ao processo de registro a percepção geral é que na Tailândia ele é menos problemático em termos de prazos e custos do que em relação a outros países asiáticos.

• V antagens: menor nível geral de custos e preços em comparação à países vizinhos • Desafios: forte concorrência de países fornecedores vizinhos. • R anking BHD 2017 (Jan-Jun): 23o • Ranking Exportações Setor Brasil Jan-Jun 2017: 37º

ORIENTE

MÉDIO

Outro país eleito como mercado-alvo para o próximo biênio é o Irã, que recebeu neste ano uma missão de prospecção do projeto Brazilian Health Devices. O governo iraniano tem demonstrado interesse no estabelecimento de parcerias entre empresas locais e companhias estrangeiras, visando, sobretudo, ao abastecimento do mercado local. O país representa o acesso a um mercado de grandes proporções – cerca de 300 milhões de consumidores quando

considerado todo o entorno próximo – em que ainda há carência de muitos produtos como efeito das sanções praticadas até 2015. “Esse momento se caracteriza como uma janela de oportunidade para entrada no país que, caso seja desperdiçada, as empresas brasileiras dificilmente terão penetração no mercado iraniano após a retomada integral das operações de comécio exterior do Irã”, sentencia Clara Porto. • V antagens: hub de exportação para países próximos do Oriente Médio, abertura do governo local e espaço para exportações pela carência do mercado em consequência das sanções comerciais recentes • Desafios: pleno restabelecimento das transações bancárias no país após as sanções comerciais recentes • R anking BHD Jan-Jul 2017: 51º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 75º

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MERCADOS-ALVO

O foco das ações nessa região deve ser em consolidar a imagem e presença brasileira em toda a região do Golfo Pérsico. A realização da segunda maior feira de saúde no mundo em Dubai, a Arab Health, faz dos Emirados Árabes um foco permanente de atenção das empresas brasileiras. Principal hub para distribuição e exportações em sua região, os Emirados Árabes já têm como principal vantagem seu alto poder aquisitivo. “De maneira geral, as perspectivas para exportar para o Oriente Médio são sempre positivas, por significar a diversificação de mercados e pelo fato de que essa região tem se mostrado simpatizante dos produtos brasileiros e do modo de negociar que a cultura brasileira carrega consigo”, avalia Clara Porto.

• Vantagens: a região dispõe de elevada renda per capita, população com alto índice de consumo, economia progressiva, baseada na liberalização e diversificação • Desafios: presença massiva de multinacionais do setor da saúde, algumas inclusive com fabricação local, maximizar a potência da região também como hub para exportações e enfrentar a concorrência graças à alta visibilidade desse mercado na região • Ranking BHD Jan-Jul 2017: 22º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 42º

A principal oportunidade está no aumento da participação do setor privado na provisão de serviços de saúde no país. Há ainda espaço para consolidação frente a distribuidores e hospitais privados com importância crescente no país.

A importância do mercado árabe para exportações de produtos brasileiros já é realidade para diversos segmentos da economia brasileira. Além disso, com a elevação do preço do petróleo, desde 30 de novembro a tendência é que os países do bloco tenham mais divisas para gastar com importações, o que poderá beneficiar as vendas para o mundo árabe em 2017. Essa poderá ser uma excelente oportunidade para setores com grande potencial de crescimento naquele mercado, como é o caso da indústria de dispositivos médicos.

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A Arábia Saudita vem apresentando crescimento em seu PIB e em sua economia, com a desaceleração ocorrida desde a queda dos preços do petróleo, fato que tem feito o país começar a investir em outras indústrias. • V antagens: maior mercado árabe da região do Golfo Pérsico, que exerce importante papel de liderança regional • Desafios: concorrência das multinacionais estabelecidas na região; trabalhar mais a marca Brasil e alcançar a consolidação da imagem de qualidade dos produtos brasileiros • R anking BHD Jan-Jul 2017: 47º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 57º


ÁFRICA

Visando à consolidação de dispositivos médicos, odontológicos e de laboratório em todo o continente africano, a ABIMO escolheu a Nigéria como mercado-alvo devido a ser a maior economia no continente e um dos países mais populosos, além de ser formador de opinião e gerador de tendências na África. Maior país africano em população, a Nigéria disputa com o Quênia a posição de principal líder regional.

O Brazilian Health Devices, que participou pela primeira vez da Medic West Africa em 2016, maior evento de equipamentos médicos do oeste da África, aposta no mercado, já que a Nigéria tem aumentado os investimentos no segmento médico-hospitalar, que resultaram na abertura de mais de 10 mil centros de saúde em todo o território. • V antagens: iniciativa de facilitação de negócios planejada junto ao Ministério da Saúde local e o país é o responsável pelo abastecimento dos pequenos países da região • Desafios: processo de registro não está ainda amadurecido, causando dúvidas e morosidade • R anking BHD Jan-Jul 2017: 67º • Ranking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 84º

renda não muito distantes do Brasil”, explica o analista de acesso a mercados da ABIMO, Rafael Cavalcante. “Diante disso, há espaço no mercado para que importações atendam à necessidade dos consumidores locais. Soma-se a isso o fato de o Brasil e a África do Sul estarem ainda conectados por voos diretos diários entre São Paulo e Johanesburgo”, complementa. De janeiro a abril deste ano, o Brasil exportou US$ 1.132.253 em dispositivos médicos, odontológicos Integrante dos BRICS, a África do Sul tem grande e de laboratórios para a África do Sul, representando influência econômica na região e disputa a condição de quase metade do valor exportado até abril para a líder regional do continente africano como um todo com África Subsaariana. Entre os principais produtos Nigéria e Quênia. “O mercado da África do Sul é comercializados estão instrumentos e aparelhos para diversificado e não tem capacidade suficiente para medicina e cirurgia, incubadoras, artigos e aparelhos de produzir na indústria local a maioria dos itens de saúde prótese, raios-x, dentes artificiais de acrílico, cimentos demandados por sua população, que tem condições de para obturação odontológica, entre outros. • Vantagens: afinidades culturais com Brasil, semelhanças macroeconômicas entre os dois países • Desafios: mercado consideravelmente nacionalista, voltado à defesa de sua produção interna e forte presença de grandes países exportadores do mundo em função de a África do Sul ser o principal mercado mais visado do continente africano; as concorrências chinesa e europeia em segunda instância também devem ser consideradas • R anking BHD Jan-Jul 2017: 14º • R anking Exportações Brasil Jan-Jul 2017: 32º

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ESTUDO TA PING-PONG

DUAS GERAÇÕES

E UM PROPÓSITO 68


O jovem industrial, recém-casado, teve sua vida e história transformadas após um acidente sofrido pela esposa, ocasionado por um motorista de caminhão, que a deixou em grave estado de saúde. Mais de dois anos de internação no Hospital das Clínicas se tornaram um “laboratório”, pelo qual Manuel Baumer, hoje aos 90 anos, resolveu trocar a fabricação de peças para indústria automobilística pelo ramo dos equipamentos médicos. Nascia aí a Baumer, que junto a Micronal e Atlante foram as primeiras a fazer parte da Associação Profissional da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos e Hospitalares do Estado de São Paulo, hoje Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios, a ABIMO. Agora é Ruy Baumer, um dos nomes mais respeitados, influentes e atuantes da área da saúde, que toca a empresa e faz parte do time à frente da entidade fundada pelo pai, como presidente do SINAEMO, e à frente do ComSaúde, na Fiesp. Em comum, além do sarcasmo e bom humor, vê-se o brilho nos olhos de quem sabe – e ama – o que está fazendo. 69


PING-PONG MEMORIAL

Por que o senhor resolveu iniciar a ABIMO? Manuel Baumer: Eu estava iniciando no ramo e precisava de um meio de divulgação. Havia ido ao BNDES para pedir aporte e não consegui porque a empresa não estava ligada a nenhuma associação. Foi aí que descobri a Federação das Indústrias e fui bater à porta deles para entender como deveria fazer. Eles me ensinaram e eu fiz.

E como se deu esse momento? Manuel Baumer: Já em 1965, com aquela indicação de que para me desenvolver eu precisava ter uma associação do meu setor, conversando com o Djalma (Luiz Rodrigues) durante um evento do segmento no Parque do Ibirapuera, nos juntamos ao (João) Klinger e procuramos o Gentil Leite Martins, que já tinha organizado a associação de equipamentos odontológicos dentro da Fiesp. 70


A partir daí, unimos forças e juntamos os setores médico-hospitalar e odontológico para que a nossa indústria ganhasse reconhecimento e pudesse ultrapassar as grandes barreiras que enfrentávamos. Lembro-me bem da nossa primeira reunião, feita nos fundos da minha loja na avenida Santo Amaro. Djalma era uma criança, eu era o mais velho. Além de nós quatro, contávamos também com Guido Marchetti, Nicolau Rachid Athiê e Navarro; ali demos início, de fato, ao que hoje é a ABIMO. Foi divertido e tivemos sorte que deu tudo certo.

O senhor imaginava que o que estava fazendo naquele momento chegaria ao ponto aonde chegou? Comemorando 55 anos de entidade, chegando ao número expressivo de associados que ela tem hoje? Manuel Baumer: De jeito nenhum! Geralmente quem produz alguma coisa, quem inventa alguma coisa, quem vence alguma coisa não tem consciência do que fez.

Nunca imaginei que chegaria a esse ponto. Quando comecei não existia nada no Brasil. Tudo era pequeno, simples e com muita dificuldade. Por isso é muito gratificante ver todo esse resultado.

Muitos percalços nessa história? Manuel Baumer: Muitos. Mas faz parte do jogo. Ruy, de lá para cá, são muitos anos. Muitas adequações e muitas mudanças… Ruy Baumer: Muitas mudanças. A primeira, claro, no número de associados. Com menos associados, as reuniões no passado eram mais concentradas na diretoria e basicamente técnicas. Franco (Pallamolla, atual presidente da ABIMO) e eu assumimos a diretoria das entidades pensando que era o momento de trazer de volta essa atuação mais política, para ter mais força na casa e trazer também os associados cada vez mais para perto.


PING-PONG

Essa retomada da atuação política parece ser uma retomada às raízes, pois a entidade foi fundada devido a uma necessidade política… Ruy Baumer: Se começa uma associação pensando em fortalecer o setor e conseguir mais poder de negociação. O começo foi político: BNDES, mercado. Passado um tempo, começou a focar no suporte técnico para as empresas.

E depois de um tempo o ciclo recomeça? Ruy Baumer: Não diria que recomeça porque não deixamos de dar o apoio técnico. Continuamos mantendo esse perfil de suporte, mas atuando também de forma política. Pelo reconhecimento da ABIMO, do SINAEMO, junto com o ComSaúde, temos uma força no mercado que, unindo-se aos nossos associados, conseguiu fazer com que o setor conversasse mais.

O que mudou da indústria do Baumer pai para a indústria do Baumer filho? Ruy Baumer: Primeiro o tamanho. Eram 30 empresas entre odonto e médico, e hoje somos quase 400 associados. O tamanho do mercado também, a tecnologia, a profissionalização e a visibilidade. 72


As dificuldades mudaram muito? Ruy Baumer: Não são as mesmas, são outras. Do mesmo jeito que ele brigava no passado, brigamos hoje. Não me esqueço de quando a Baumer resolveu exportar, teve que superar enormes barreiras. O Brasil não sabia, tudo era confuso e difícil. Hoje é menos difícil, mas está longe de ser fácil. “O Brasil” atrapalha a nossa vida desde que meu pai começou até hoje.

E como a gente faz? Ruy Baumer: Continuamos remando porque é aqui que nós estamos. É preciso continuarmos mostrando as enormes dificuldades para produzir no Brasil e lutarmos para a melhoria do ambiente de negócios.

O senhor vê seu filho passando mais aperto do que o senhor passou, Sr. Manuel? Manuel Baumer: Muito mais! Mas, apesar disso, temos conseguido vencer. Vejo os que estão à frente agora fazendo ainda mais bonito do que nós fizemos. 73


FALANDO NISSO... A capa da última edição da ABIMO em Revista não poderia ser mais atual. Falamos sobre o paciente 4.0 e a grande revolução industrial que está modificando a forma como a cadeia de saúde se relaciona. Enquanto associação, já estamos em alerta: nossa missão é conscientizar os nossos associados de que essas tecnologias estão chegando e de que a saúde precisa delas. Aliás, que ótimo momento para falarmos de revoluções. Estamos completando 55 anos de entidade, de dedicação ao setor industrial da saúde. E as vitórias que acumulamos até aqui são imensuráveis. São cinco décadas de trabalho contínuo, um trabalho que veio se adaptando ao mercado e que hoje encara uma nova fase, a da profissionalização.

PAULO HENRIQUE FRACCARO é superintendente da ABIMO

Mesmo para os mais jovens, é perceptível que toda história está conectada e nada acontece se não houver uma provocação. Na ABIMO não foi diferente. Aqueles que, lá atrás, se juntaram para desbravar esse setor foram os grandes responsáveis pelo despertar da nossa indústria. Em 2010, quando eu integrava a diretoria da entidade, viajei para acompanhar o grupo na MEDICA, na Alemanha, e voltei com muitas ideias em mente. Passei a participar mais, a discutir programas e estratégias. Ali notei que eu tinha mais a oferecer à associação, a qual carecia de alguns ajustes. Foi quando fui convidado, pelo Franco Pallamolla, a assumir a superintendência, cargo em que me mantenho até hoje. Ao longo dos 55 anos da entidade, passamos por momentos incríveis de vivência junto à indústria, ao governo e à academia. Contribuímos com a união do setor. Criamos o projeto junto à Apex-Brasil, que foi e ainda é uma das atuações mais louváveis da entidade. Na área regulatória, em que hoje estamos bastante fortalecidos, foi uma grande luta, repleta de brigas e de confusão. Com a diretoria inteira sob trabalho voluntário de membros que tinham suas atividades empresariais e ainda assim se dedicavam exaustivamente à associação, a cada vez que íamos a Brasília era um longo processo de convencimento. Quando chegávamos às reuniões com a Anvisa, nos víamos encurralados, tendo de demonstrar que estávamos ali defendendo os interesses da classe, e não de nossas empresas. Mesmo que cada diretor coordenasse um grupo de companhias divididas por segmento, muito se misturava e havia conflito. Foi então que despertamos para a necessidade de mudarmos o nosso foco, de nos profissionalizarmos. A ABIMO tinha crescido o suficiente e agora precisava de pessoas dedicadas para cuidar dos assuntos do dia a dia. O que faremos agora? Vamos tornar a ABIMO ainda mais forte, reunir mais associados, fortalecer a indústria nacional dentro e fora do Brasil. Hoje quem observa o CB 26 vê como estamos presentes. Nas reuniões com o BNDES, sabemos qual a linguagem o empresário deve adotar. Ampliamos e melhoramos nosso relacionamento com a Anvisa. Tudo isso representa um amadurecimento complexo da ABIMO e dos empresários que, por conta própria, também evoluíram. A ABIMO, sozinha, não faria nada. São 55 anos de história até o momento. O futuro, repleto de novos desafios, nos mostrará que o caminho que trilhamos foi a nossa base e que temos muito a percorrer. Esta edição mostrou um pouco da nossa história. Na próxima, contaremos mais sobre o nosso futuro e sobre tudo o que planejamos para o nosso crescimento.

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Até lá.


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ABIMO em Revista - Edição 14  

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