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em EDIÇÃO 15 I ANO 5 www.abimo.org.br

ODONTOLOGIA BRASILEIRA

Sucesso em todo o mundo, a produção científica nacional do setor conquista merecido lugar ao pódio

ABIMO e Apex-Brasil renovam projeto BHD

Inovação: como integrar academia e indústria?

Veja a cobertura do CIMES 2017


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GESTÃO 2015-2019 ABIMO

2º 3º

1,81 dentistas para cada 3 mil habitantes

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Capa - Odontologia Brasileira

Presidente: Franco Pallamolla (Lifemed) 1º Vice-Presidente: Walban Damasceno de Souza (Becton Dickinson) Diretor Tesoureiro: Luís Calistro Balestrassi (Neurotec) Conselheiros Titulares: Franco Pallamolla (Lifemed), Walban Damasceno de Souza (Becton Dickinson), Luiz Calistro Balestrassi (Neurotec, Djalma Rodrigues (Fanem), Eliane Lustosa (Labtest), Kurt Kaninski (St Jude), Andre Ali Mere (Olidef), Caetano Biagi (Alliage), Giancarlo Schneider (Kavo do Brasil)Fontes: Conselheiros Suplentes: Maria Cecilia Patricia Braga * ADA (American Dental Association) Braile Verdi (Braile Biomédica), Patricia Bella Costa (Colgate), José Roberto * CFO (Conselho Federal de Odontologia) toda a produção Latam Pengo (Biomecânica), Rodolfo Alba Candia Junior (Conexão), Adailton Becker (JJGC), José Ricardo de Souza (Ibramed), Thiago Abreu (Phillips), Andre Augusto Spicciati Pacheco (Cremer) Conselheiros Fiscais: Regiane Marton Heraeus (Kulzer), Gabriel de Figueiredo Robert (Silimed) Wiliam Donisete de Paula (Hospimetal) Conselheiros Fiscais Suplentes: Maria Cecilia Patricia Braga Braile Verdi (Braile Biomédica), Ranking das Universidades Patricia Bella Costa (Colgate), José Roberto Pengo (Biomecânica), Rodolfo Alba Candia Junior ODONTOLOGIA (Conexão), José Ricardo de Souza (Ibramed), Andre Augusto Spicciati Pacheco (Cremer), Jafte Carneiro Fagundes da Silva (Neodent), Thiago Medeiros de Abreu (Phillips). Greater NY Dental Meeting 2018 (Nova Iorque, EUA)

% de

SUMÁRIO

Odontologia

15º

%

A ABIMO em Revista2º é uma publicação da 3º ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de 4º Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios), direcionada a associados, fornecedores, órgãos governamentais e profissionais da área. A reprodução total ou parcial deste conteúdo é expressamente proibida 20,7% 8,6% 8,5% 7,9% sem prévia autorização. A ABIMO não se responsabiliza pelas informações contidas nos anúncios, qualidade dos produtos anunciados e outros detalhes de eventuais produçãosendo mundial negociações, essas de responsabilidade exclusiva das empresas anunciantes.

4,29 dentistas para cada 3 mil habitantes

FDI São Francisco sco 2019 (São Francisco, EUA)

Feira AACC 2018/2019 (Chicago, EUA)

Feira FIME 2018/2019 (Orlando, EUA)

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BDIA – Dental Show Case 2018 (Reino Unido)

Mercados-alvo

FDI Argentina 2018 (Buenos Aires, Argentina)

SINAEMO

Universidade de São Paulo

Presidente: Ruy Salvari Baumer (Baumer) Secretário: Paulo Henrique Fraccaro (Implus) Tesoureiro:University Tatiane Galindo (Ortosintese)1º Diretores Suplentes: Paulo Akio Takaoka (Medical of Bern Cirúrgica), Anselmo Quinelato (Schobell), niversidade Gilberto Nomelini (Alliage) 3º e Campinas Conselheiros Fiscais: Jamir Dagir Junior (Dorja), Fabio Colhado Embacher (Emfils), 5º William Pesinato (Fami), Conselheiros Fiscais Suplentes: José Tadeu Leme (Engimplan), Orlando de Carvalho (Carci)

Harvard University

Inovação

Feira IDS 2019 ((Colônia, Alemanha)

Feira ZDRAVOOKHRANENIYE 2018 (Moscou, Rússia) Feira Medlab 2018/2019 (Dubai, EAU)

Feira MEDICA 2017/2018/2019 ((Düsseldorf, Alemanha)

Feira Sino Dental ntal 2019 (Pequim, China)

Feira Rehacare e 2018/2019 (Düsseldorf, Alemanha) Feira Arab Health 2018/2019 (Dubai, EAU)

Feira AEEDC F 2018/2019 (Dubai, EAU)

Feira Access Abilities Expo 2018/2019 (Dubai, EAU)

Renovação BHD Feira IDEM 2018 (Singapura)

World Dental Show 2019 (Mumbai, Índia)

Feira IDEX 2019 (Istambul, Turquia)

Medical Fair Asia 2019 (Bangkok, Tailândia)

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BHD Unesp

52 Planejamento estratégico

O CWUR –Conselho CentroEditorial: de Rankings Universitários Mundiais coloca três universidades Clara Porto (Gerente de Projetos e melhores na área de odontologia brasileiras entre as cinco Marketing Internacional) no mundo, medindo educação, treinamento dos alunos, Joffre Moraes (Gerentequalidade de Estratégia da Regulatória) Márcio Bosio (Diretor prestígio dosInstitucional) professores e qualidade de sua pesquisa.

Artigo Franco Pallamolla Artigo Ruy Baumer Dia a dia Falando nisso

Claudio Fernandes (Consultor do setor de odontologia) Donizetti Louro (Coordenador do GT Indústria 4.0)

CONTEÚDO / EDIÇÃO DE TEXTOS E PRODUÇÃO: Jornalista Responsável: Deborah Rezende (MTB 46691) contato@dehlicom.com.br REDAÇÃO: Deborah Rezende, Guilherme Batimarchi Marcela Marques Revisão: Allan Moraes, Carolina Machado FOTOGRAFIA: Cleber de Paula EDIÇÃO E ARTE: Cecil Rowlands Filho e Marcela Marques PUBLICIDADE: Márcio Bertoni bertoni@abimo.org.br

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE ARTIGOS E EQUIPAMENTOS MÉDICOS, ODONTOLÓGICOS, HOSPITALARES E DE LABORATÓRIOS Av. Paulista, 1.313 - 8º andar - sala 806 - 01311-923 - São Paulo - SP Tel.: 11. 3285.0155- www.abimo.org.br

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Chegamos a janeiro de 2018, mês em que muitas expectativas – e esperanças – são renovadas. Na área de saúde não é diferente. Saímos de um ano política e economicamente complexo para adentrar novos 12 meses de desafios. No segundo semestre passaremos novamente por um período de eleições presidenciais e é impossível não criar expectativas tanto positivas quanto negativas. O ano de 2017 foi intenso, muitas vitórias foram conquistadas mesmo diante de um cenário de instabilidade, e sentimos muitas perdas lamentáveis, como a despedida do nosso querido amigo e fundador da associação Manoel Baumer, que depois de uma vida amplamente dedicada à saúde nos deixou em dezembro com as saudades, mas também com a motivação para que possamos lutar pelo nosso futuro.

FRANCO PALLAMOLLA é presidente da ABIMO

Foi também em 2017 que a ABIMO orgulhosamente comemorou 55 anos de atuação pelo setor industrial de saúde no Brasil, o que nos impulsiona a seguir adiante confiantes de que, independentemente das crises que enfrentarmos, batalharemos por melhorias e para oferecer a todos os brasileiros uma produção nacional fortalecida tanto dentro quanto fora do país. Nossos resultados como cadeia produtiva são incríveis. Crescemos e nos desenvolvemos, comprovando que o empresariado brasileiro está firme e é capaz de ultrapassar todos os obstáculos. As perdas podem ser recuperadas, e as vitórias, ampliadas. Neste primeiro trimestre é justamente a hora de traçar as estratégias para que o setor possa trilhar caminhos promissores. Para isso, como entidade associativa da indústria de artigos e equipamentos de saúde, a ABIMO empenha-se em promover o diálogo entre todos os envolvidos. Por meio do Instituto ABIMO, proporcionaremos a integração entre oferta e demanda, facilitando os acessos e permitindo que os interesses coincidam. Este é inclusive um dos temas abordados nesta edição da ABIMO em Revista, que, aliás, traz uma sequência de matérias especiais mostrando como nossa indústria é capaz de avançar não só dentro como também fora do Brasil por priorizar, acima de tudo, a qualidade. Movimentar 10% do PIB nacional é grandioso, e temos de nos orgulhar por conseguir trabalhar mesmo diante de tantos entraves. Cortes de orçamentos, políticas tributárias desfavoráveis e falta de apoio governamental são apenas alguns deles. Mas estamos na luta diária para desmontar essas barreiras e permitir a passagem da inovação, do crescimento e do desenvolvimento tecnológico. Seguimos na certeza de que juntos somos mais fortes! Desejo a você uma ótima leitura.

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE ARTIGOS E EQUIPAMENTOS MÉDICOS, ODONTOLÓGICOS, HOSPITALARES E DE LABORATÓRIOS


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O que esperar da saúde brasileira em 2018? Ainda assimilando as mudanças feitas em 2017 e que parecem positivas, iniciamos o ano aguardando que tanto as novas alterações políticas e econômicas quanto seus reflexos impulsionem o segmento de saúde neste país continental. Passamos pela maior crise política, econômica e moral que minha geração já viveu no Brasil. Agora, neste ano, temos a obrigação de participar deste processo ativamente para eleger pessoas idôneas e realmente preocupadas com a saúde do (e no) Brasil. Assistimos ao governo Temer, mesmo diante de ampla rejeição, tomar medidas muito importantes para a nossa recuperação. A modernização trabalhista foi uma delas. Repleta de desafios e questionamentos, ainda enfrenta mudanças dia após dia. Agora é preciso contribuir para que a tão debatida reforma da Previdência seja concretizada. Caso não seja aprovada, sofreremos as consequências de um país em novo declínio. E nós temos grande responsabilidade na luta pela realização dessa reforma. Não podemos permanecer na inércia, precisamos exercer nosso papel de motores da economia pressionando o poder executivo para que realize essas mudanças tão necessárias para a retomada do crescimento.

RUY BAUMER é presidente do SINAEMO

Em 2017 comemoramos os 55 anos da ABIMO e tivemos a oportunidade de observar, ao relembrar essas mais de cinco décadas de forte atuação na área, quantas vitórias foram alcançadas. E é justamente isso que nos dá motivação extra para arregaçar as mangas e abraçar novos desafios. Somos muitos lutando por uma melhor perspectiva da saúde brasileira, e essa união de forças é indispensável. Uma das matérias especiais desta edição trata especialmente deste assunto: indústria e academia, cadeia produtiva e pesquisa, quando se juntam, são imbatíveis. Tudo isso, aliado ao empenho do governo em financiar e dividir os riscos, pode nos colocar à frente nessa corrida pela inovação e tecnologia. E tecnologia é fundamental para o progresso. O mundo é 4.0. Hoje tudo é 4.0, e nós não podemos ficar para trás. Além de trabalhar a tecnologia e sua forte influência sobre a saúde como um todo, da gestão à área clínica, estamos empenhados em abrir as portas da internacionalização. Uma internacionalização de mão dupla, para garantir que as nossas empresas conquistem espaço em território estrangeiro ao mesmo tempo que permitimos que as indústrias multinacionais aqui instaladas sejam fortes apoiadoras da nossa economia, contribuindo com a geração de emprego e com o fortalecimento do setor no país. Nessa linha, esta edição também traz uma matéria que mostra como o Brazilian Health Devices, projeto da ABIMO junto à Apex-Brasil que foi renovado pela oitava vez, lança seus olhares estratégicos ao Oriente Médio, visualizando grandes possibilidades para a produção brasileira além das rotas tradicionais em direção aos Estados Unidos e à Europa. Desejo a todos uma ótima leitura e que o conteúdo trazido aqui seja motivador para que possamos angariar ainda mais parceiros rumo a uma saúde acessível e de qualidade para todos nós.

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DIA A DIA CIMES

Sexto CIMES questiona o que é preciso para que o Brasil se torne inovador A sexta edição do CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde) encerrou-se em 18 de agosto com quase 400 participantes que, durante os dois dias de congresso, tiveram a oportunidade de pensar e discutir questões relacionadas ao novo modelo de saúde. “Um modelo que precisa ser pensado e arquitetado dentro do que a gente deseja para a próxima geração 4.0”, disse o diretor institucional da ABIMO, Márcio Bosio, no encerramento. O presidente do SINAEMO e diretor titular do ComSaude, Ruy Baumer, fez seu fechamento questionando os presentes sobre o que é preciso para que, efetivamente, o Brasil possa se tornar inovador, diagnosticando que ainda falta comunicação entre todos os envolvidos, pois existem promessas de leis, decretos e incentivos; existem parques tecnológicos e existe uma enorme capacidade de empreendedores que não conseguem interagir facilmente. “Tivemos aqui concentrados, além dos pesquisadores e das empresas que têm sede de inovar, todas as entidades que, de uma maneira ou outra, estão apresentando as suas soluções e apoios para as empresas poderem inovar”, disse em seu discurso. “O que precisamos é conseguir fazer com que essa união ultrapasse os dois dias de congresso, e é para isso que a ABIMO vai trabalhar.” O último painel, moderado por Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO, provocou nos participantes uma nova racionalização sobre o que a cadeia de saúde pode esperar desta enorme revolução industrial que leva o setor a um momento inovador: o da saúde 4.0. “Esse é o assunto do momento, um tema provocador que nos permite o sonho de uma medicina quase ideal, em que o médico saberá tudo o que se passa com o paciente. Vamos trabalhar essas barreiras, esses conceitos dessa fase revolucionária que estamos vivendo”, comentou Fraccaro ao abrir o debate. VEJA COMO FORAM OS DEBATES: https://goo.gl/Y63FJF

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Por que e como inovar na odontologia?

O desafio para conectividade e a segurança de dados na saúde foram temas do primeiro painel A plenária “O Desafio para Conectividade e Segurança de Dados na Saúde” abriu o ciclo de palestras da sexta edição do CIMES. Abrindo as apresentações dos convidados, o moderador Ruy Baumer destacou como atualmente a conectividade é uma realidade sem volta em todos os setores no país, principalmente na área da saúde. Contudo, a questão da segurança de dados é ainda um grande desafio. “A evolução de sistemas tem que caminhar junto com a segurança. A garantia das informações recebidas de um sensor, ou de qualquer fonte de informações, deve assegurar que os dados não são acessados por qualquer pessoa.” O painel contou com a participação da professora dra. Thankam Thyvalikakath, que atualmente dirige o núcleo de informática aplicada à odontologia na Escola de Odontologia da Universidade de Indiana.

O CIMES recebeu representantes da indústria odontológica nacional para que falassem de seus cases e experiências inovadoras nessa área, que é uma das mais promissoras e pujantes do setor da saúde. Moderados pelo advogado Marco Aurélio Braga, sócio do escritório Braga & Carvalho Advogados, os representantes das empresas Alliage, Aditek, Nacional Ossos, Heal Tech e SIN Implantes falaram um a um sobre o caminho percorrido por seus produtos desde a ideia até o nascimento. Provocados por Braga, os participantes foram unânimes em dizer que inovar no país vai além da questão da necessidade. Está no DNA de suas empresas. LEIA MAIS: https://goo.gl/yZu1Yd

Rodada de inovação tecnológica é sucesso em mais uma edição do CIMES Foram realizadas mais de 100 reuniões entre indústria brasileira e centros de pesquisa Vinte e três centros de pesquisa participaram da Rodada de Inovação Tecnológica com o objetivo de reunir projetos compatíveis para parcerias e desenvolvimento de novas tecnologias na área da saúde. A ação, que aconteceu durante a sexta edição do CIMES, superou expectativas com 118 reuniões realizadas nos dois dias de evento. LEIA MAIS: https://goo.gl/zfVwAc

LEIA MAIS: https://goo.gl/urv2yF

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DIA A DIA CIMES Novos modelos para garantir sustentabilidade na saúde

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O segundo dia de CIMES foi marcado por discussões que envolveram temas voltados para saúde 4.0, manufatura aditiva, bem como inovação e seus desafios. Ainda pela manhã aconteceu o painel “A Inovação que o Brasil já Realiza – Cases de Sucesso da Indústria Médico-hospitalar”. Durante a discussão, moderada pelo diretor-presidente da Embrapii, Jorge Almeida Guimarães, ganharam destaque dois temas: fontes de fomento e financiamento à inovação, e modelos de pagamento como bundle payment, apresentado pelo Grupo Santa Celina. LEIA MAIS: https://goo.gl/VDkhoF

Com convidados internacionais, talk show desbravou tecnologias para odontologia Os próximos anos serão de grande transformação para o setor odontológico. Essa foi a percepção dada a quem participou do talk show “Tecnologias Digitais para Prática Clínica e Educação: Realidade Aumentada”, que reuniu lideranças internacionais na apresentação de tecnologias capazes de otimizar processos, trazer melhorias significativas à rotina dos profissionais da área e transformar de forma profunda o ensino. LEIA MAIS: https://goo.gl/82g7VD

Inclusão digital e tecnologias aditivas são destaques A inclusão digital e as tecnologias aditivas foram temáticas de ampla discussão no segundo painel médico-hospitalar do CIMES. O encontro foi moderado por Dirceu Barbano, consultor da ABIMO e diretor da B2CD Consultoria Empresarial, e recebeu os convidados Tobias Zobel, diretor do Instituto Central de Engenharia Médica na Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha; Eduardo Mário Dias, pesquisador e coordenador do Gaesi (Gestão em Automação e Tecnologia da Informação, do Departamento de Engenharia de Energia e Automação Elétrica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo); e Guto Drummond, gerente comercial da TechCD. LEIA MAIS: https://goo.gl/8RP6jC

Desafios para implementar telemedicina e home care O talk show “Telemedicina e Home Care” levantou discussões de grande valia para o setor médico-hospitalar. A palestra foi moderada por Eduardo Jorge Valadares, coordenador de Infraestrutura da EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), contando com a participação de Luiz Fernando Reis, diretor de ensino e pesquisa e coordenador do programa de pós-graduação do Hospital Sírio-Libanês, e Rens Koele, do Consulado da Holanda, como convidados. LEIA MAIS: https://goo.gl/2u6SMZ

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Competitividade para exportar começa na coesão dos players A competitividade internacional da odontologia brasileira foi o tema da discussão do talk show de odontologia no primeiro dia do sexto CIMES. Moderados por Claudio Fernandes, da Universidade Federal Fluminense e membro da ABNT/CB-26; Gabriel Isaacsson, gestor na Apex-Brasil do Projeto Brazilian Health Devices; Álvaro Della Bona, da Universidade Federal de Passo Fundo e ex-presidente da Academy of Dental Materials; e Roberto Queiroz Martins Alcântara, presidente da Angelus, debateram com uma seleta plateia as dificuldades e compensações de exportar no Brasil. LEIA MAIS: https://goo.gl/Dg1b1D

ABIMO e USP assinam termo de cooperação em prol da inovação Acordo visa ao incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento de novas tecnologias para a saúde Para o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro, é uma honra para a entidade uma universidade de grande prestígio no país ter ouvido as necessidades do setor. “A ponte entre a indústria e as universidades é o principal objetivo dessa assinatura. Sinto-me extremamente grato com essa assinatura, que não é meramente simbólica e que abrirá caminho para o desenvolvimento de uma linha de produtos em benefício da saúde”, destacou Fraccaro.

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A ABIMO e o Gaesi, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, assinaram durante a sexta edição do CIMES um termo de parceria a fim de promover a troca de informações, conhecimento e experiências entre seus pesquisadores, especialmente em relação a pesquisa, desenvolvimento e inovação em automação e novas tecnologias para a área da saúde.

Representando a universidade na cerimônia, dr. Eduardo Mário Dias, professor titular da USP e representante titular do Gaesi, agradeceu o convite à ABIMO e frisou que a instituição será uma grande colaboradora no incentivo à inovação. “A USP está cumprindo sua obrigação de colocar sua inteligência à disposição da indústria. Pretendemos agregar valor e inteligência ao setor público e fazer uma ponte com o setor privado. Estou muito honrado com essa cooperação.” O termo de parceria terá vigência até dezembro de 2021.

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DIA A DIA

AGOSTO

Workshop aborda estratégias relacionadas ao FDA e às novas regulamentações europeias Com o objetivo de elucidar as principais dúvidas dos participantes em relação ao ingresso de produtos nos mercados americano e europeu, no dia 30 de agosto aconteceu o workshop “Estratégias Relacionadas ao FDA e às Novas Regulamentações Europeias”. A ABIMO pretende promover futuramente alguns cursos técnicos focados em FDA e Marcação CE para que todos os seus associados possam se aprofundar ainda mais na questão regulatória americana e europeia.

Leia a cobertura completa em: https://goo.gl/t6uJqW

ABIMO e laboratório da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LAIS) firmam parceria

Visando ao progresso de inovações na área da saúde, no dia 21 de agosto, Franco Pallamolla e Paulo Henrique Fraccaro, respectivamente o presidente e o superintendente da ABIMO, firmaram parceria com o LAIS (Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde), primeiro laboratório instalado em hospital universitário brasileiro, com a proposta de promover a inovação tecnológica em saúde. A parceria consiste na intermediação da ABIMO na localização e identificação de possíveis fornecedores que poderão levar para o mercado os produtos desenvolvidos pelo laboratório. Leia a cobertura completa em: https://goo.gl/UdEpef

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Em reunião, ABIMO discute estratégias para o setor de tecnologia assistiva e reabilitação ABIMO participa de evento sobre o desafio da padronização de processos e automação na saúde Com a proposta de trazer as principais inovações tecnológicas em automação, sistemas de controle e equipamentos industriais que permitam maior eficiência para qualquer processo produtivo, a FIEE (Feira Internacional da Indústria Elétrica, Eletrônica, Energia e Automação) teve a sua 29ª edição no São Paulo Expo. Paralelamente à feira, ocorreram algumas conferências com o intuito de conectar empresas, processos e pessoas. Uma delas tratou sobre o “Desafio da Padronização dos Processos e da Automação na Área da Saúde”, cuja moderação foi conduzida pelo gerente de estratégia regulatória da ABIMO, Joffre Moraes. “Avaliando as apresentações de nossos palestrantes, pudemos notar o enorme desafio que temos frente às novas tecnologias e a real necessidade de comunicação entre essas estruturas. O elevado custo de implementação dessas ferramentas e o ambiente extremamente regulado no qual estão inseridas serão com certeza palco para novos eventos como esse proporcionado pela FIEE”, comentou Moraes. Leia mais em: https://goo.gl/jsNW8M

Com o objetivo de aproximar fabricantes do setor de tecnologia assistiva, no dia 23 de agosto aconteceu na ABIMO uma reunião que trouxe discussões envolvendo as oportunidades para ampliação do comércio internacional e fortalecimento da indústria. O ponto principal da reunião foi a apresentação de um estudo que detalha todo o setor industrial de tecnologia assistiva no Brasil, bem como analisa países que se mostram excelentes mercados para a exportação da produção nacional. Leia mais em: https://goo.gl/sVf9Si

ABIMO leva workshop Indústria 4.0 – Saúde e Conectividade a Fortaleza No dia 27 de agosto a ABIMO buscou reforçar a inovação no setor nacional de saúde ao discutir, em Fortaleza, como a evolução digital está transformando o cenário atual. O evento, que aconteceu na Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará), atraiu profissionais e gestores da indústria médico-hospitalar. Durante o encontro, Márcio Bosio, diretor institucional da ABIMO, comentou que, apesar de ainda convivermos com as consequências da terceira revolução industrial, já estamos sendo pressionados para uma quarta revolução. O seminário também tratou da necessidade de requalificar profissionais para que acompanhem os avanços.

Leia a cobertura completa em: https://goo.gl/KzqLzP

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DIA A DIA

SETEMBRO

ABIMO acompanha Feira Industrial do Vale da Eletrônica em Minas Gerais O diretor da ABIMO e presidente da Neurotec, Luiz Calistro Balestrassi, representou a associação na 14ª Fivel (Feira Industrial do Vale da Eletrônica), uma das mais importantes do setor, realizada entre os dias 12 e 14 de setembro, por iniciativa do Sindvel (Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica). Calistro participou da cerimônia de inauguração da feira e, junto ao presidente do Sindvel, Roberto de Souza Pinto, agendou uma reunião na ABIMO para que sejam discutidas parcerias que possam beneficiar associados. Ele ainda pôde acompanhar as tendências e os lançamentos de produtos de 66 expositores de áreas como eletroeletrônica, telecomunicações, segurança, radiodifusão, construção civil, defesa, IoT (Internet das Coisas), tecnologias educacionais, entre outras centenas de inovações produzidas no último ano no Vale da Eletrônica, como é conhecido o maior polo de tecnologia eletroeletrônica do país, localizado em Santa Rita do Sapucaí (MG).

Setor da saúde participa de reunião no Palácio do Planalto

Representado pelo presidente do SINAEMO e diretor adjunto do ComSaude, Ruy Baumer, bem como por diversos membros de associações parceiras, o setor da saúde integrou a comitiva da Fiesp durante uma reunião conjunta no Palácio do Planalto com o presidente Michel Temer e as centrais sindicais. O encontro ocorreu em 12 de setembro e teve como intuito a entrega de um documento com propostas de medidas emergenciais visando à retomada da economia e à geração de empregos.

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OUTUBRO

Condenação da Lei da Informática pela OMC foi pauta de reunião no MDIC O superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro, e o diretor institucional Márcio Bosio estiveram em Brasília em 10 de outubro para reunião com Leonardo de Paula Luiz, diretor, e Leonardo Alves Figueiredo, coordenador-geral, ambos da Secretaria de Desenvolvimento e Competitividade Industrial do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), para conversar a respeito da decisão da OMC (Organização Mundial do Comércio) de condenar sete programas brasileiros de incentivo fiscal, entre eles a Lei da Informática. Em agosto, a OMC deu um prazo de 90 dias para o Brasil suspender sete programas de apoio à indústria que distribuíram mais de R$ 25 bilhões às empresas brasileiras nos últimos sete anos. A justificativa dos questionamentos feitos pelo Japão e pela União Europeia é que os programas violam as regras internacionais, e incentivos para o setor automotivo, informática e telecomunicações foram considerados como ilegais e discriminatórios. A decisão da OMC condenando o Brasil já havia sido noticiada em novembro de 2016, mas apenas em agosto as recomendações da Organização foram publicadas em detalhe.

O governo brasileiro informou à época, e reforçou para o executivo da ABIMO, que irá recorrer da decisão. “Fomos até lá reforçar a posição da ABIMO de que a Lei da Informática é importante para o desenvolvimento da indústria brasileira”, salienta Fraccaro. A reunião ainda teve na pauta as ações da ABIMO em prol da inovação no setor de equipamentos médicos. “Será agendada uma apresentação formal no MDIC sobre todas as atividades da ABIMO nesse setor”, finaliza o superintendente.

SINAEMO promove palestra sobre a modernização das Leis Trabalhistas O SINAEMO promoveu em 31 de outubro um encontro entre os seus associados e os da ABIMO com advogadas especialistas do Departamento Sindical da Fiesp para uma palestra sobre a modernização das Leis do Trabalho, que passou a vigorar em 11 de dezembro de 2017. A abertura do evento foi feita pelo secretário do SINAEMO e superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro, que ressaltou a importância da discussão e da modernização da nova ordem trabalhista: “O objetivo dessa reunião é extremamente importante, que é dar aos presentes uma ideia mais detalhada do que essa nova lei está trazendo para todos os lados, e, principalmente, mais segurança nas decisões que a gente venha a tomar.” O diretor administrativo do SINAEMO, José Augusto Queiroz, também esteve presente e ressaltou a importância da participação das empresas representadas: “O sindicato é a casa das empresas associadas. Portanto, estamos à disposição para esclarecer todas as demandas”, ressaltou. Apresentou ainda o Plantão Jurídico, físico e online, promovido pelo SINAEMO, e o grupo de RH no WhatsApp. Além de abordar os aspectos principais da nova ordem trabalhista, a dra. Veruska Farani, assistida pela dra. Maria Clara Carneiro, também esclareceu as dúvidas dos presentes.

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DIA A DIA

OUTUBRO Na Bahia, ABIMO participa do Workshop de Pesquisa, Tecnologia e Inovação O Centro Universitário Senai Cimatec, que fica em Salvador, Bahia, promoveu nos dias 19 e 20 de outubro o VII Workshop de Pesquisa, Tecnologia e Inovação (PTI) e o III Simpósio Internacional de Inovação e Tecnologia (SIINTEC). Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico do país, o PTI buscou a participação da academia e da indústria envolvida em P&D e o fomento da mudança cultural. Como patrocinadora do evento, que contou com uma ampla programação, a ABIMO participou de palestras e painéis focados na promoção da cultura empreendedora e inovadora e na inserção da tecnologia nos processos de saúde do país. O coordenador de Tecnologia e Inovação da ABIMO, Donizetti Louro, falou sobre o tema “Cloud, Privacidade, Credibilidade e Profissões do Futuro”. Ele acompanhou ainda o superintendente Paulo Henrique Fraccaro no tema “Importância da Nuvem na Área da Saúde – Privacidade e Segurança”, que contou também com a presença do dr. Roberto Badaró (Instituto de Tecnologias de Saúde do Senai Cimatec). Louro e o diretor institucional da ABIMO, Márcio Bosio, falaram ainda sobre “Inovações e Questões sobre o Futuro da Conectividade – Estratégias e Possibilidades da Quarta Revolução Industrial na Saúde”. Ainda durante o evento, foi assinado entre a associação e a unidade operacional Cimatec do Senai/DR/BA (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Departamento Regional da Bahia) um protocolo de intenções destacando os interesses

comuns em fomentar investimentos em atividades de PD&I (pesquisa, desenvolvimento e inovação). A parceria promoverá o intercâmbio de informações, a capacitação profissional por meio da realização de cursos e conferências, a utilização de laboratórios, oficinas e outras dependências da instituição para aceleração de programas de pesquisa e desenvolvimento. Segundo Louro, além dos representantes de entidades e organizadores do evento, estavam presentes Leone Peter Andrade, diretor de Tecnologia e Inovação do Senai Cimatec; Robert Badaró, diretor do Instituto de Tecnologia da Saúde (ITSSenai Cimatec); Valdir Junior, relações internacionais; e Lilian Guerreiro, coordenadora do ITS-Senai Cimatec. A iniciativa contou ainda com a presença do embaixador da União Europeia no Brasil, João Cravinho, e dos embaixadores da Áustria, Bulgária, Croácia, Eslovênia, Estônia, Finlândia, França e de Luxemburgo, bem como representantes da Dinamarca, Espanha, Itália, Irlanda, Lituânia, Holanda, de Portugal e do Reino Unido.

NOVEMBRO

ABIMO defende permanência do setor na desoneração em Comissão especial na Câmara, em Brasília A comissão especial que analisa o Projeto de Lei nº 8.456/17, que prevê o fim da desoneração da folha de pagamento para a maioria dos setores atualmente beneficiados, realizou audiência pública do dia 21de novembro. O projeto, do Executivo, tem praticamente o mesmo teor da Medida Provisória 774, que acabou revogada. O debate foi pedido pelos deputados Vanderlei Macris (PSDB-SP), Mauro Pereira (PMDB-RS), Osmar Serraglio (PMDB-PR), Renato Molling (PP-RS) e Celso Pansera (PMDB-RJ). O objetivo é discutir as consequências da proposta para o setor industrial. Segundo o texto, voltam a contribuir sobre a folha as empresas do ramo de tecnologia da informação, teleatendimento (“call center”), hoteleiro, comércio varejista e alguns segmentos industriais, como de vestuário, calçados e automóveis e o que a ABIMO representa. Além dessas mudanças, a proposta, assim como a MP 774, revoga a cobrança do adicional de 1% sobre a alíquota da Cofins-Importação, instituída pela Lei 10.865/04.

O diretor institucional da ABIMO, Márcio Bosio, esteve presente na discussão e apresentou dados importantes sobre por que o setor de saúde deve permanecer desonerado. “Por volta de 60% do faturamento da indústria provêm de vendas às Santas Casas e a de Hospitais Filantrópicos, o que significa que qualquer reoneração vai acabar refletindo no próprio orçamento do Estado”, afirmou, elencando ainda outros problemas, como o não reajuste da tabela SUS, o largo prazo de recebimento via governos estaduais e municipais e dificuldades de mão de obra, exigências regulatórias e mercado em recessão. Outro dado importante é que, caso o Projeto de Lei seja aprovado, os impactos poderão ser sentidos por mais de 75% da população, atendida exclusivamente pelo sistema público, pois, com aumento da carga tributária, estados e municípios perderão capacidade de atualizar e investir no parque de equipamentos dos serviços de saúde, afirma Bosio. Leia mais: https://goo.gl/5JBVzg

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ABIMO participa de evento de odontologia em Portugal Fraccaro também foi convidado para o painel “Responsabilidade social em medicina dentária: melhorar a saúde oral das comunidades”, que contou com o prof. Stuart M. Hirsch e com a dra. Rachel M. Hill como oradores, respectivamente vice-reitor para as iniciativas internacionais e formação contínua e diretora do departamento de iniciativas internacionais da Universidade de Nova York. A sessão enfatizou o Programa de Proximidade Global da universidade norte-americana, que visa melhorar o acesso à saúde oral das comunidades ao mesmo tempo que oferece, anualmente, a cerca de 200 estudantes e professores a oportunidade de usarem as suas capacidades de forma significativa para o coletivo.

Convidado pela organização do evento, Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO, esteve na 26ª edição do OMD (Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas), evento realizado entre 16 e 18 de novembro em Lisboa, Portugal. Representando a entidade, Fraccaro participou de dois painéis e um fórum, e visitou a Expodentária Portugal, maior feira de saúde oral do país, responsável por reunir mais de 10 mil visitantes e 121 expositores. A primeira plenária que contou com a participação de Fraccaro teve, como temática, “Empreendedorismo, liderança, inovação e neuromarketing: o caminho para conquistar o sucesso”. Moderada por Moacyr Ely Menéndez Castillero, doutor em prótese dentária pela USP (Universidade de São Paulo), buscou levantar temas dedicados às melhores práticas para motivação das equipes com foco na excelência de atendimento. Abordou ainda o uso da neurociência como gatilho para aumentar os resultados financeiros das instituições, angariando espaço no mercado altamente competitivo.

Trocando experiências sobre as indústrias odontológicas do Brasil e de Portugal, Fraccaro fortaleceu o relacionamento com a produção portuguesa e também com as entidades locais ao estar em contato diretamente com Orlando Monteiro da Silva e Pedro Pires, respectivamente presidente e conselheiro da Ordem dos Médicos Dentistas de Portugal; com o ministro da economia, Manoel Caldeira Cabral; e com a dra. Kathryn Kell, presidente da World Dental Federation. A ABIMO também marcou presença no Fórum da ADL (Associação Dentária Lusófona), que além do Brasil recebeu participantes de outros países de língua portuguesa, como Angola, Cabo Verde, Macau e Moçambique. Além da ABIMO, entidades como a ABO (Associação Brasileira de Odontologia), a APCD (Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas) e a ABCD (Associação Brasileira dos Cirurgiões Dentistas) também estiveram presentes no evento europeu, bem como marcas brasileiras como Nova DFL, SIN Implantes, Dental Press Editora, Systhex Implantes, Intralock, Neodent e Titanium Fix, que expuseram seu portfólio de produtos e soluções em estandes próprios durante toda a feira.

Franco Pallamolla é um dos 100 Mais Influentes do Mundo O presidente da ABIMO, Franco Pallamolla, foi eleito uma das 100 pessoas mais influentes do mundo na Saúde. Realizada pelo GM (Grupo Mídia), a primeira edição mundial do prêmio aconteceu durante a Feira MEDICA, maior evento do setor médico do mundo. A cerimônia homenageou os grandes influenciadores da indústria global de saúde em diferentes áreas, como gestão, negócios e pesquisa. Para Pallamolla, o prêmio internacional é um reconhecimento à enorme dedicação e ao esforço da ABIMO em relação ao projeto Brazilian Health Devices. “É com muita satisfação e orgulho que eu, pela ABIMO, recebi essa premiação. O BHD nos dá cada vez mais visibilidade nacional e internacional. Por isso esse reconhecimento coroa a série de ações que a nossa entidade promove com sucesso, apoiando a solidificação da indústria nacional e levando as nossas tecnologias e a capacidade inovadora que as empresas brasileiras têm para o mundo”, diz. “Não podemos deixar de ressaltar os nomes dos outros brasileiros premiados, que fazem parte desse momento importante para nosso país”, lembra Franco, citando Djalma Rodrigues, da Fanem; Claudio Lottenberg, presidente do UnitedHealth Group Brasil e do Conselho da Sociedade Israelita Brasileira Albert Einstein; a cientista Celina Turchi; e Roberta de Menezes, da Santa Casa da Bahia.

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DIA A DIA

NOVEMBRO

ABIMO participa de livro ​do MS

DEZEMBRO

Qualidade e segurança de pr No dia 8 de dezembro, a ABIMO promoveu para as empresas associadas ao projeto Brazilian Health Devices um workshop sobre o avanço da qualidade e segurança de implantes. O evento recebeu diversos especialistas e abordou o avanço nas normas em elaboração com a ABNT/ISO, as pesquisas realizadas, bem como os controles de marcação CE. “Esse é um tema extremamente amplo e que merece uma discussão específica, pois queremos derrubar o mito de que o produto importado é melhor do que o nacional, algo que ouvimos diariamente, sem nenhuma análise que comprove isso”, afirmou na abertura o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro.

Durante a abertura do “Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde 2017: conectando pesquisas e soluções” (CTIS 2017), evento promovido pelo Decit/SCTIE/MS (Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde), ocorreu o lançamento do livro “Avanços e Desafios no Complexo Industrial em Produtos para Saúde”. Trata-se de uma consolidação de estudos e projetos desenvolvidos no setor de produtos para a saúde com o intuito de contribuir como base de dados significativa para avanços no setor de desenvolvimento e inovação. O gerente de estratégia regulatória da ABIMO e superintendente do Comitê Brasileiro Odonto-Médico-Hospitalar da ABNT (CB26), Joffre Moraes, foi um dos autores da obra, escrevendo o capítulo sobre a Internalização de Normas Técnicas Internacionais no setor de produtos para a saúde. “Temos trabalhado para promover a concorrência igualitária entre os fabricantes de produtos médico-hospitalares e aperfeiçoar a qualidade destes produtos por meio do Projeto de Internalização de Normas Técnicas, resultado de uma parceria entre a ABIMO, o MS (Ministério da Saúde) e a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde)”, explica Moraes. “Mostrar o nosso trabalho com a chancela do Ministério da Saúde muito nos orgulha e, acima de tudo, mostra a preocupação com a qualidade que tem a nossa indústria”, diz ele, afirmando que a internalização de normas internacionais implica ao nosso mercado uma incorporação de padrões de qualidade difundidos em países de primeiro mundo, agregando valor aos produtos nacionais, tanto no país como no mercado externo.​

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O coordenador substituto da área de Materiais Implantáveis em Ortopedia da Anvisa, Leandro Garcia Bueno Silva, foi o primeiro palestrante e discorreu sobre os controles e acompanhamentos realizados pela Anvisa nos registros de produtos e nas inspeções das boas práticas de fabricação. Em sua apresentação Silva elencou os principais normativos de controle e falou a respeito do controle sanitário da agência, que é baseado no risco, sendo esse o guia de toda a atuação da Anvisa. Ainda segundo ele, são 144 processos de registro ou cadastro válidos de produtos com nome técnico de Componentes de Implante Odontológico na agência, sendo que, destes, 99 processos são exclusivamente de fabricação nacional. E são 83 registros válidos de produtos com nome técnico Implantes Dentários (osseointegrável), sendo 57 processos exclusivamente de fabricação nacional. As exigências, os controles e os acompanhamentos realizados pela CE que garantem o desempenho e a segurança na utilização de implantes odontológicos certificados foi o tema da palestra seguinte, proferida pela representante da Inspecta Consultoria, Maria Emília Branquinho Bordini.

E u e e s e c e “ e

B q p e e u p g

A C a m r e a

Q

O a d m s 5 d h m a d a

H n p c q


de produtos nacionais são abordadas em evento Ela explicou que o objetivo da diretiva consiste em assegurar um elevado nível de proteção da saúde e da segurança humana e o bom funcionamento do mercado único, e que em cada estado-membro as características de segurança, proteção da saúde e desempenho dos produtos médicos variam em teor e âmbito, assim como os procedimentos de certificação e controle desses dispositivos. “Essas disparidades constituem entraves na equidade comercial e na livre circulação”, explicou. “Sendo assim, se faz necessária a harmonização dos requisitos essenciais de segurança e desempenho dos produtos para saúde.” Bordini também discorreu bastante a respeito da EN ISO 13485, que define os requisitos para um sistema de gestão da qualidade para demonstrar habilidade em fornecer produtos para saúde e serviços relacionados que atendam aos requisitos do cliente e aos requisitos regulatórios aplicáveis. “Esta norma pode ser usada por fornecedores ou entidades externas que fornecem produtos, incluindo os serviços relacionados ao sistema de gestão da qualidade destas organizações”, explicou. Ao final, a especialista falou a respeito do futuro da marcação CE, com o Regulamento (UE) 2017/745, que deve melhorar a qualidade, a segurança e a confiabilidade dos dispositivos médicos, pois terá novas regras que irão impor controles mais rigorosos sobre dispositivos de alto risco, como implantes, exigindo que um conjunto de especialistas seja consultado antes de colocar o dispositivo no mercado.

QUALIDADE E EVOLUÇÃO DOS IMPLANTES O professor Carlos Nelson Elias apresentou a evolução da qualidade dos implantes nacionais e as metodologias para caracterizar as superfícies. Segundo ele, mais de 50 sistemas de implantes estão disponíveis no mercado nacional hoje. “Atuo com esse mercado há muitos anos e sinto orgulho em acompanhar o desenvolvimento da indústria no decorrer dos anos”, afirmou. Há uma mudança considerável nos últimos 17 anos na caracterização dos implantes, e em sua palestra o professor mostrou a evolução dos sistemas, sendo categórico ao final: “Os implantes nacionais apresentam formas, qualidade de usinagem e tratamentos de superfície semelhantes

aos importados. As empresas aprenderam a desenvolver tecnologia”, afirmou. “A matéria-prima é comprada mundialmente nos mesmos lugares, como EUA ou Japão, para todas as empresas, independentemente do seu capital”, disse o professor. “Outro adendo é que a Anvisa não permite que as empresas importem titânio de locais não certificados; portanto, podemos dizer que não há diferenças nas matérias-primas dos implantes nacionais e importados.” Um ponto de atenção para o professor é a composição química e as contaminações na superfície dos implantes. “As empresas utilizam técnicas semelhantes de limpeza”, explicou. Quando fazemos a análise para avaliar a morfologia, a qualidade e o acabamento, o que não temos são as normas específicas, mas ainda assim seguimos normas aprovadas, usadas para a ortopedia, como a de avaliação de resíduos do processo de limpeza (ABNT NBR 16466-2016) e até mesmo de acabamento de superfícies (ABNT NBR 16454-2016). “Não temos normas técnicas nacionais ou internacionais para orientar a análise de contaminantes, e as empresas têm difícil acesso aos equipamentos de análise das superfícies, os quais são instalados nas instituições de pesquisas”, explicou Elias. “A norma não estabelece valores-limites para qualquer tipo de resíduo nem trata de questões relacionadas à segurança do uso, por isso é responsabilidade do usuário estabelecer práticas de saúde e de segurança adequadas e determinar a aplicabilidade dos requisitos aos regulamentos antes do uso”. Por isso, afirma o professor: “O fabricante do implante deve determinar os critérios de aceitação para resíduos para assegurar a segurança e a eficácia dos seus produtos”. Para Claudio Pinheiro Fernandes, professor, pesquisador e coordenador do Núcleo de Odontologia Sustentável do Instituto de Saúde Nova Friburgo, da Universidade Federal Fluminense, é esse um dos maiores desafios: “Temos novas regras, mais restritas e que devem ser cumpridas, porém não temos métodos”, comenta, sobre a falta de dados e regras para avaliar performance e desempenho dos produtos. Essa ausência de instrumentos regulatórios gera riscos, segundo o professor. A expectativa de crescimento no mercado mundial de implantes dentários é de US$ 3,2 bilhões em 2010 para US$ 15,9 bilhões em 2025, o que reflete maior necessidade

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DIA A DIA

de atenção odontológica, sendo que os dados de prevalência mostram que apenas 3% da população edêntula global recebeu implantes dentários. “Esse é um mercado de potencial imenso e com diversas oportunidades”, afirmou. Reiterando o que disse o palestrante anterior, Fernandes afirmou que a ausência de normas técnicas nesse setor não permitia harmonizar a definição de contaminado/poluído/limpo e as consequências biológicas ou técnicas para qualidade e segurança de usuários no uso desse produto. “O que a comissão de estudos da ABNT encontrou, quando começou a trabalhar no âmbito dos implantes, foram apenas normas de métodos, mas nenhuma que estabelecesse performance e requisitos”, salientou. Foi assim que começou o trabalho para a criação da norma de 2012, que orienta o processo produtivo na fabricação de implantes odontológicos metálicos não revestidos, na definição dos materiais e dos ensaios necessários das avaliações de projeto, bem como estabelece as tolerâncias dimensionais da conexão implante-componente e as características superficiais. “Esta norma também determina os parâmetros de limpeza, inspeção superficial, manuseio, da embalagem mínima e a esterilização, bem como define o conteúdo obrigatório das etiquetas de rastreabilidade, da marcação, dos rótulos e das informações sobre o produto”, explica Fernandes.

ÂMBITO INTERNACIONAL Da mesma forma que a ABNT trabalha na internalização de normas internacionais, o caminho contrário ocorre. Fernandes falou ainda a respeito da participação no comitê internacional ISO TC106/SC, que trata internacionalmente da normalização para atenção em saúde bucal em relação aos dispositivos implantados cirurgicamente em osso e tecidos moles na região bucomaxilofacial e acessórios relacionados. “Dentro do escopo do trabalho desse comitê estão as definições e termos, a questão da performance, segurança e especificação de requisitos; porém, as normas eram trabalhadas somente no âmbito de testes e métodos laboratoriais, assim como no Brasil”, disse. Para reverter esse quadro, fizemos um trabalho de workshops em conjunto com a ISO, com a FDI (World Dental Federation) e outras entidades para que pudéssemos trabalhar esse assunto.” O trabalho diplomático trouxe para a ABNT a possibilidade de coordenação de dois dos quatro grupos de trabalho do SC8. “Temos capacidade de influir nessa agenda e conseguimos levar para fora do país a tendência de as normas serem voltadas para requisitos de performance”, ressalta Fernandes.

NOVAS NORMAS DEVEM SURGIR Os membros do comitê da ABNT estão debruçados agora em um projeto sobre a importância da limpeza dos implantes, já que não

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existem normas técnicas na ABNT, ASTM, ISO ou nenhuma outra instituição normativa internacional que estabeleça parâmetros sobre elementos contaminantes de implantes dentários ou sobre os processos de validação de limpeza. “Dentro dessas análises de riscos estamos em processo de definir uma norma específica para validar processos de limpeza, o que não é simples, já que faltam dados”, aponta Fernandes. “Nós precisamos de pesquisa séria, embasada, para aproveitar esse debate que cresce no mundo inteiro”, diz, usando como exemplo a criação de uma fundação alemã montada por grandes nomes da odontologia mundial para debater a questão da limpeza e contaminação de superfícies. No Brasil também há algum movimento nesse sentido; porém, é preciso ressaltar que não há referências, portanto, não é possível estabelecer problemas: “Precisamos evitar publicações que venham a alcançar os nossos clínicos de forma equivocada e como aproveitamento de uma situação, e esse é um papel da academia, da indústria e do governo”, salientou Fernandes. Sobre a pesquisa para o desenvolvimento da norma de validação de limpeza, segundo Fernandes, haverá uma primeira fase, que constitui a execução de uma pesquisa interlaboratorial com todos os sistemas de implante produzidos no Brasil para elaboração do protocolo de validação de limpeza e controle de contaminantes, definição dos métodos de ensaio e características do relatório de informação a constar da documentação de informações do produto. Na segunda fase, haverá a elaboração de pesquisa de biocompatibilidade local e sistêmica, para estabelecer limites aceitáveis de contaminantes, de modo a caracterizar os produtos aceitáveis e aqueles que podem, de certo modo, figurar como risco à saúde pública. “São fases longas, complexas, mas inevitáveis”, disse Fernandes. “A implantodontia tem sido bem-sucedida porque houve muita responsabilidade de quem estava envolvido até aqui, mas, para que isso continue, temos de enfrentar cada vez mais o desafio de reduzir os riscos e, acima de tudo, favorecer a vida humana”, finalizou.


O

ABIMO ganha “Líderes da Saúde 2017” na categoria Associação

“O evento foi muito importante, o tema pode ser considerado um tema sobre saúde pública. Os expositores foram muito bem selecionados e as palestras excelentes.” – Odair Dias Gonçalves “O workshop com foco em implantes oferecido pela ABIMO foi bastante pertinente ao atual momento que este setor está vivenciando. Os temas abordados foram muito bem discutidos pelos palestrantes; consegui entender melhor o horizonte legislativo e regulatório que norteia os registros e as exportações de implantes nacionais, que asseguram a responsabilidade de segurança e rastreabilidade dos implantes.” – Rafael Reis

“O evento foi de bom nível, e os tópicos e conteúdos vieram ao encontro das dúvidas e dos anseios que eu tinha. Com destaque para as apresentações do prof. Elias e da sra. Maria Emília.” – Max Bernardes “O evento foi bem esclarecedor e abordou temas atuais. O que eu mais gostei, talvez por estar mais ligada à minha área, foi a palestra do coronel Elias. Foi direto ao ponto. Gostaria de estar presente nos próximos workshops.” – Marcos Jorquera “O evento foi excelente em relação a temas, palestrantes e debates.” – Cristina Zeitounlian

O Grupo Mídia realizou, em 5 de dezembro, a cerimônia de premiação do Líderes da Saúde 2017, homenagem às empresas, operadoras, indústrias, entre outros players do mercado. No total, foram 69 ganhadores distribuídos em 23 categorias, como provedores de serviço, tecnologia, indústria, arquitetura e engenharia, saúde suplementar, filantropia, educação executiva, entre outros. A ABIMO foi ganhadora na categoria Associação, e diversas empresas associadas também foram prestigiadas.

Importância da indústria 4.0 no Rio de Janeiro

A ABIMO promoveu no Rio de Janeiro, em 7 de dezembro, mais uma edição do workshop Indústria 4.0, com o apoio do Sebrae. No evento, o diretor institucional da ABIMO, Márcio Bosio, falou sobre a importância da indústria da saúde no Brasil, abordando os desafios, a privacidade e a segurança no âmbito da nova tecnologia industrial. Donizetti Louro, coordenador do Grupo de Trabalho Indústria 4.0 da ABIMO, apresentou aos industriários presentes como se pode construir uma indústria de saúde bem-sucedida no Brasil e o impacto da inteligência artificial no processo produtivo. “Os participantes foram muito ativos e tiveram a oportunidade de discutir diretamente conosco”, conta Louro. “Os momentos de networking foram muito proveitosos, nos quais apresentamos a entidade, o que norteia a missão da ABIMO e, especialmente, falando do foco em tecnologia.”

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DIA A DIA

Seminário em Brasília aborda pirataria na saúde

A f p p é u p I A R L P

Aconteceu no dia 5 de dezembro, em Brasília, o seminário “Combate à Pirataria e Proteção à Saúde: enfrentamento de violências silenciosas decorrentes da comercialização de produtos piratas no setor de produtos para saúde”. Tratou-se de um evento voltado à promoção do debate público a respeito dos desafios relacionados ao enfrentamento da falsificação de produtos do setor odontológico e de outros segmentos da área de saúde que envolve o Poder Público Federal, Estadual e Civil, com falas das autoridades participantes e de representantes das entidades apoiadoras, incluindo a explanação do trabalho da Frente Parlamentar em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria e da Frente Parlamentar Mista de Combate ao Contrabando e à Falsificação.

Em seguida, Rodolfo Tamanaha também abordou a grande relevância e a transversalidade do tema, que atinge não apenas a saúde, mas também outros setores. “A pirataria não é um tema fácil, pois não tem apelo popular imediato.”

A abertura do evento contou com a participação de Claudenir Brito Pereira, secretário-executivo adjunto do Ministério da Justiça e Segurança Pública; Leandro Pereira, gerente geral da Gerência de Tecnologia e Produtos para a Saúde da Anvisa; Oswaldo Gomide, presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria; Evandro Luiz de Souza, presidente da APDESP; Glauberto Bezerra, do MP-Procon/PB; Rodolfo Tamanaha, diretor de Direitos Intelectuais, do Ministério da Cultura; e Márcio Bosio, diretor institucional da ABIMO.

Glauberto Bezerra afirmou em seguida que a pirataria na saúde é uma das maiores formas de violência, por ser extremamente danosa, mas muitas vezes silenciosa. “Pessoas morrem ou ficam cada vez mais com sequelas irreversíveis”, afirmou. “Espero que desse encontro surjam novas recomendações e até mesmo dúvidas, para que busquemos resolvê-las.”

Em sua fala, Claudenir Brito Pereira falou sobre o compromisso do Conselho Nacional de Combate à Pirataria na elaboração de um plano de trabalho contra produtos ilícitos: “É com grande satisfação que recebemos esse seminário, na certeza de que esse espaço se converterá em um importante fórum de discussão”, afirmou. “Queremos que as pessoas saiam daqui com questionamentos que se tornem iniciativas futuras em cada uma das instituições presentes”, finalizou.

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Representando a Anvisa, Leandro Pereira abordou a importância do combate a produtos piratas no âmbito da saúde: “Nesse caso, além do dano econômico às empresas, temos um incalculável dano à saúde da população”, ressaltou. “A Anvisa tem a verdadeira missão institucional de proteger a saúde da população. Dentro desse aspecto e dessa complexidade, entendemos como importante e relevante aprofundar as ações, em conjunto com os demais órgãos envolvidos.”

Na sequência o representante da APDESP falou de forma mais clara da pirataria em implantes odontológicos ressaltando um problema já identificado pela entidade: de técnicos não formados atuando no mercado. O diretor institucional da ABIMO, Márcio Bosio, finalizou a abertura do evento frisando a grande parceria que a entidade vem estreitando tanto com a Anvisa quanto com outras entidades de classe. “Este seminário foi pensado para ser efetivamente um marco na luta contra essa prática que traz tantos prejuízos à população.”

N n c P a s G d O

N d T d


A manhã seguiu com a plenária que tratou da atuação fiscalizadora dos conselhos profissionais diante de profissionais que fazem uso ou comercializam produtos piratas em relação às sanções administrativas e de caráter ético-profissional que podem ser aplicadas no caso da utilização de produtos que coloquem em risco a saúde do paciente, com a presença do coordenador de Segurança Institucional da Anvisa, Marcel Figueira; do presidente da ABO, Luiz Fernando Varrone; e com o gerente de Estratégia Regulatória da ABIMO, Joffre Moraes; moderados por Leandro Parreira, gerente geral da Gerência de Tecnologia e Produtos para a Saúde da Anvisa. Na parte da tarde foram abordadas as iniciativas da Senacon no tocante à proteção do consumidor em situações de comercialização de produtos piratas e a forma como os Procons estaduais têm trabalhado articuladamente com a Senacon e demais entidades. Palestraram Arthur Rollo, secretário nacional do Consumidor do Ministério da Justiça; Glauberto Bezerra, MP-PROCON/PB; e Moisés Hoyos, diretor do Sindireceita, moderados pelo presidente do CNCP, Oswaldo Gomide. No encerramento do evento, moderados por Frederico Ceroy, do MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios); Juliano Costa Couto, presidente da seccional do DF da OAB; Renato Pagotto, chefe substituto da

Coordenadoria-Geral da Polícia Fazendária do DPF; e Manuel Hermeto Júnior, membro do Grupo de Enfrentamento aos Crimes contra o Fisco; e a Saúde Pública da Polícia Rodoviária Federal abordaram a atuação do Ministério Público no enfrentamento da pirataria falando sobre como ocorre a articulação entre promotores, agentes de vigilância sanitária, autoridades policiais e outras autoridades para tratar das estratégias de combate a esses ilícitos. O diretor institucional da ABIMO, Marcio Bosio, frisou a importância do trabalho multissetorial para combater a pirataria: “Esse evento mostrou que a única forma de resolver esse problema é trabalhar com inteligência, mas também juntos”, ressaltou. “Somente a Anvisa não vai conseguir resolver essa questão, e é efetivamente a união e uma ação coordenada no Estado brasileiro que podem se transformar em ações concretas”. Bosio afirmou ainda que fóruns de discussão como esses deverão acontecer em outros estados e que em breve a programação será divulgada.

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ODONTOLOGIA

ODONTOLOGIA

BRASILEIRA

RESPEITO E ADMIRAÇÃO

Sucesso em todo o mundo, a produção científica nacional do setor conquista merecido lugar no pódio


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O Brasil tem motivos de sobra para se orgulhar de sua odontologia: produção industrial com amplo reconhecimento no mercado internacional e produção científica líder na América Latina que ocupa um merecido segundo lugar na escala mundial. É o setor brasileiro com melhor desempenho dentre todas as áreas de conhecimento. Os dados são indicativos do Scimago Journal & Country Rank, um dos principais parâmetros de influência científica de periódicos acadêmicos do globo. Traduzindo em detalhes, a análise mostra o Brasil como líder em produção científica odontológica na América Latina, sendo responsável por 84% de tudo o que o território latino-americano produz na área. Um número relevante e expressivo que mostra o poder da nossa nação no setor. Levando a escala para nível mundial, o Brasil ostenta sua medalha de prata: assina 9% de tudo o que a odontologia produz em termos de pesquisa científica no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos, nação que gera aproximadamente 21% de todo o conteúdo. A análise, que soma os últimos 20 anos, menciona 18.893 documentos publicados pelos pesquisadores brasileiros com apontamentos que foram citados 22 mil vezes. O destaque brasileiro no setor foi possível graças a investimentos e mudanças estruturais que foram feitas no país ao longo dos últimos 15 anos, ações conjuntas entre governo, indústria e academia que organizaram o segmento e o levaram rumo a esse patamar.

O INVESTIMENTO A odontologia brasileira é grandiosa, e a produção científica do setor reflete essa grandiosidade. País líder no número de cirurgiões-dentistas no mundo com mais de 290 mil profissionais em atividade (de acordo com o CFO – Conselho Federal de Odontologia), o segmento conta com cerca de 220 faculdades espalhadas pelo território nacional formando, segundo o Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo), aproximadamente 9 mil novos profissionais a cada ano. Para garantir que esse montante de novos cirurgiões-dentistas chegue ao mercado realmente capacitado, o controle de qualidade sobre esses cursos de formação e extensão universitária é indispensável. Vinculada ao Ministério da Educação e responsável pelos mestrados e doutorados de todo o país, a Capes

(Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) foi uma das entidades que contribuíram com o crescimento da pesquisa nacional ao exigir produção científica com mais volume e com mais qualidade para a manutenção do credenciamento das instituições de ensino. “Essa decisão de incutir uma avaliação objetiva, clara e com uma métrica bem definida criou um novo cenário na pós-graduação brasileira”, enfatiza Claudio Pinheiro Fernandes, consultor de odontologia da ABIMO. Porém, essa forte atuação da Capes ocorreu em todos os cursos e setores, levantando o questionamento sobre os motivos que levaram a odontologia a um sucesso tão destacado. Para Fernandes, que é professor, pesquisador e coordenador do Núcleo de Odontologia Sustentável do Instituto de Saúde Nova Friburgo, da Universidade Federal Fluminense, o resultado positivo está ligado a outros fatores como, por exemplo, a positiva experiência do intercâmbio acadêmico internacional e a força das associações do segmento. Segundo ele, muitos profissionais tiveram experiências internacionais e estabeleceram pontes com o Brasil, aumentando a qualidade da pesquisa e transformando-se em “faróis de referência” para dentistas daqui. “Temos bons professores brasileiros em toda parte do mundo”, declara. Além disso, Fernandes cita a 23 importância de entidades como


BHD ODONTOLOGIA

ABO (Associação Brasileira de Odontologia), ABCD (Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas) e APCD (Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas), realizadora do Ciosp (Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo). “Essas entidades também ajudaram a divulgar a ciência brasileira por meio de seus congressos, que periodicamente concentram uma grande quantidade de profissionais e de pesquisadores, promovendo a transferência de conhecimento”, diz.

PENSANDO NO FUTURO O atual cenário político-econômico preocupa a atividade científica brasileira. Com o congelamento de recursos estabelecido pelo Governo Federal, o futuro da pesquisa acadêmica pode sofrer prejuízos muito significativos. “O investimento que foi feito será perdido. As estruturas se deterioram, os insumos perdem a validade, os animais morrem, e as pesquisas clínicas se perdem. O resultado de não dar sequência a um projeto iniciado é devastador”, lamenta Fernandes ao relembrar que há, também, a perda de capital humano, visto que os pesquisadores, ao terem suas verbas cortadas, buscam realocação e, muitas vezes, saem do país para seguir no desenvolvimento de seus trabalhos. Mesmo que a estabilização das contas públicas não dependa da classe odontológica, para o professor a união de todos os profissionais envolvidos no setor pode ser um motor de arranque para a garantia dos investimentos. “Tudo depende da mobilização das partes interessadas que, juntas, podem mostrar aos órgãos competentes os impactos e as perdas, conseguindo que o setor de odontologia não fique tão atrasado quanto outros”, diz. Ao citar a união das partes, Fernandes coloca a ABIMO como uma das peças deste quebra-cabeças, assumindo um papel relevante na luta pela manutenção dos investimentos. A indústria se posiciona como uma outra peça do

207 milhões de habitantes

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quebra-cabeças. Observando o cenário, pode aproveitar o status brasileiro do setor para abrir suas portas à pesquisa aplicada. “A indústria privada não substituirá o Estado como âncora da pesquisa científica, porém pode entender que existe esse patrimônio e aproveitar melhor o grande potencial para alavancar o desenvolvimento, através de ações conjuntas de PD&I”, esclarece ao relembrar os avanços promovidos por legislações como a Lei da Inovação e o Marco Regulatório da Pesquisa. Tão elogiada por transformar a pesquisa científica no Brasil, a Capes também pode ser otimizada revendo alguns de seus critérios e balanceando o peso que dá à produção científica no comparativo com o peso dado às patentes e a outras formas de proteção intelectual na hora de avaliar as instituições. “Não são elementos de igual importância dentro de um programa de pós-graduação. A Capes ainda incentiva muito o artigo científico como produto final, deixando de incentivar a inovação tecnológica”, comenta Fernandes, que relembra que o artigo deve ser um instrumento de desenvolvimento, mas que o objetivo final da produção científica deve sempre buscar a construção da base nacional de ciência, tecnologia e inovação para apoiar a transferência do conhecimento para o setor clínico, políticas de saúde e a indústria. Traçando uma rota evolutiva para o setor e aliando todos os interessados, a odontologia brasileira tende a se desenvolver ainda mais. Além de produzir mais artigos científicos para se aproximar do mercado norte-americano, que tem uma cultura de pesquisa muito acelerada, pode trabalhar para melhorar o impacto científico de suas pesquisas, ou seja, produzir conteúdo que seja reconhecido cada vez mais pelos pesquisadores do mundo. Todas essas ações refletem em reconhecimento mundial tanto para a área acadêmica quanto para o setor produtivo.

296 mil dentistas

Fontes: Fontes: CFO (Conselho Federal de Odontologia) - Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo) CFO (Conselho Federal de Odontologia) | CROSP (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo)

220 faculdades de Odontologia


Produção Científica GERAL X ODONTOLOGIA 1º

3º 15º 22,8% 10,2% 6,4%

1,6%

Odontologia

Todas as áreas de conhecimento

Cenário EUA X BRASIL

20,7% 8,6%

8,5%

4,29 dentistas para cada 3 mil habitantes

1,81 dentistas para cada 3 mil habitantes

7,9%

* % de toda a produção mundial

Odontologia

84%

3,1% 2,9% 2,2%

3º 4º

Fontes:

* ADA (American Dental Association) * CFO (Conselho Federal de Odontologia)

* % de toda a produção Latam

Ranking das Universidades ODONTOLOGIA

Universidade de São Paulo Universidade de Campinas

University of Bern

Harvard University

Unesp

O CWUR – Centro de Rankings Universitários Mundiais coloca três universidades brasileiras entre as cinco melhores na área de odontologia no mundo, medindo qualidade da educação, treinamento dos alunos, prestígio dos professores e qualidade de sua pesquisa.

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O BHD INOVAÇÃO

CAMINHOS PARA A

INTEGRAÇÃO É possível mesclar os interesses da academia aos da indústria e levar a inovação brasileira ao paciente

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É e a d f e c t É a a

O i e d e E s fi e p d a i c g e d d

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É unânime. Todos os atores da área de saúde empenhados em promover a inovação do setor acreditam que é hora de transformar, pensar diferente e buscar caminhos que levem a uma união fortalecedora. É preciso encerrar a discordância entre a academia detentora da tecnologia e do conhecimento e a indústria responsável por transformar essa tecnologia em produto. É preciso que os dois pilares se complementem e atuem em conjunto para de fato levarem a inovação ao paciente e ao usuário final. O atual panorama da inovação em saúde engloba duas visões distintas, com focos e objetivos distintos. Enquanto a academia segue uma raiz filosófica dedicada exclusivamente à pesquisa e à produção de artigos acadêmicos, a indústria objetiva a inovação concretizada, com foco em vendas e ganho real. A chave do sucesso está exatamente em derrubar essa barreira expandindo os horizontes dos dois pilares, como comenta Márcio Bosio, diretor institucional da ABIMO. “Se em algum momento conseguíssemos fazer com que a academia continuasse pesquisando e publicando seus artigos (pois é fundamental termos pesquisadores que se tornem referência no Brasil e no mundo) e ao mesmo tempo fortalecêssemos ou criássemos centros de desenvolvimento tecnológico focados em transformar pesquisa em produto, chegaríamos ao cenário ideal”, comenta Bosio, que enfatiza que não podemos culpar nem a academia nem a indústria, tampouco dizer que ambas estão desinteressadas no diálogo. “O necessário é construirmos um ambiente técnico/ científico que incentive a pesquisa publicada para solucionarmos também os problemas do nosso sistema de saúde”, diz ele.

Assim como em qualquer outro segmento, entraves existem também na área da saúde, já que os inúmeros atores deste ecossistema chamado inovação da saúde têm formas diferentes de reconhecimento. Entender as particularidades e canalizar os esforços de cada ator para um objetivo é o desafio, independentemente da legislação vigente ou mesmo da cultura em que o país está inserido. Somente ao identificar essas dificuldades e levá-las exaustivamente ao debate é que passa a ser possível superá-las rumo ao progresso. Neste momento é importante frisar os esforços que a Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) vem fazendo em estruturar as instituições de desenvolvimento tecnológico, por meio da Rede Embrapii, que tem o objetivo de organizar as ofertas de serviços tecnológicos hoje existentes, tornando-as mais ágeis na prestação desses serviços. Empenhada em servir como ponto de convergência para a inovação, a ABIMO vem trabalhando na criação dessa nova estrutura para centralizar ofertas e demandas. Por meio do Instituto ABIMO, a união de todas as competências capazes de gerar inovação tecnológica será fortalecida. “Este é um papel que a ABIMO pode desenvolver, pois conseguimos entender a urgência da indústria e, ao mesmo tempo, conversar com a academia para a criação de um produto que atenda às duas necessidades”, complementa Bosio. Destacando que a mudança proposta não é radical no escopo da pesquisa, o atual coordenador do Núcleo de Inovação, Conectividade e Cibersegurança da ABIMO, Donizetti Louro, que também é CEO da Lauris Tecnologia, enfatiza o papel indispensável do pesquisador na produção inovadora, afirmando que o objetivo não é alterar completamente o seu perfil.

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“Ele tem que continuar pesquisando, tem que estar focado e preparado para os desafios que conseguimos traçar aqui do lado de fora”, diz. A criação deste ambiente imparcial onde todos os pilares serão bem recebidos libertará o setor da atitude passiva de apenas importar inovações. Gerente de transferência tecnológica da Auin (Agência Unesp de Inovação) e experiente no relacionamento entre pesquisador e produção industrial, Rita de Cássia Cortazzi Costoya sente-se motivada com iniciativas para integração dos atores. Pensando na ABIMO como promotora deste diálogo, acredita que “quando essa iniciativa parte de uma estrutura empresarial, tem força ainda maior, pois mostra que as empresas têm interesse em aproveitar e utilizar o know-how da academia”. É fundamental demonstrar que a indústria está interessada no que a academia produz, pois, muitas vezes, o pesquisador se mantém fechado em seus estudos e pesquisas, deixando de visualizar o que vem de fora. Consultor de odontologia da ABIMO, Claudio Pinheiro Fernandes é professor, pesquisador e coordenador do Núcleo de Odontologia Sustentável do Instituto de Saúde Nova Friburgo, da Universidade Federal Fluminense, e passa uma boa visão de como a academia vem se comportando ao longo dos anos. “A universidade brasileira está, por essência, voltada ao desenvolvimento social. Nunca teve uma orientação de desenvolvimento econômico”, diz Fernandes, que ressalta que o histórico de pesquisa acadêmica no Brasil está na universidade pública e principalmente na pesquisa básica. “O pesquisador acredita que sua tarefa é a de desenvolver esse conhecimento, e não de dar sequência ao que será produzido com base nele”, completa. Tendo vivido oito anos de sua vida acadêmica na Suécia, Fernandes traça um comparativo com o formato brasileiro de inovação. Considerando que a economia sueca é, segundo o 2017 Bloomberg Innovation Index, a segunda mais inovadora do mundo e a primeira da Europa, com certeza merece ser observada com atenção. 28

O “É um país que exige o desenvolvimento tecnológico. Com um dos maiores depósitos de patentes do mundo, a Suécia conseguiu trilhar o caminho do desenvolvimento social com amparo tecnológico-econômico”, comenta Fernandes a respeito de sua experiência na nação responsável pela invenção do marca-passo cardíaco, do implante dentário e de tantos outros produtos que mudaram a realidade e o dia a dia da população mundial. São diversos os fatores que colocam a Suécia no pódio da inovação, mas muito do sucesso dessa nação está diretamente ligado à estreita colaboração entre institutos de pesquisa e os setores público e privado. Como fator-chave do desenvolvimento, também se pode apontar o alto investimento em P&D (pesquisa e desenvolvimento): a Suécia investiu 3,6% do PIB em pesquisa e desenvolvimento em 2009. Considerando que a Europa tem, como meta, investir 3% do PIB até

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O 2020, é possível balizar como o país está à frente de seus vizinhos. O governo sueco também desempenhou um grande papel no crescimento da inovação do país quando passou a investir no financiamento das pequenas empresas em um momento em que a nação era dominada por multinacionais. Aliada à cultura mais individualista da população, o cenário tornou-se amplamente favorável para que o país crescesse mesmo diante da turbulência enfrentada pelo seu continente.

NOTÁVEIS AVANÇOS A inovação brasileira passou por melhorias significativas. “Fizemos uma boa parte do dever de casa, e os dois polos avançaram. A indústria melhorou sua estrutura, seu sistema regulatório e sua produção,

investiu em marketing e comercialização. Na área acadêmica, chegamos a muitos bons exemplos sobre o ato de inovar na busca por soluções”, aponta Fernandes, que aproveita para enfatizar a importância de algumas iniciativas governamentais dos últimos 20 anos, como a atuação da Capes e do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), órgãos do MEC (Ministério da Educação) que contribuíram para a instituição de uma política de avaliação da produção acadêmica responsável por motivar a pesquisa. A criação da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) também é destacada por Fernandes como um dos avanços obtidos pelo país nos últimos 50 anos. Desempenhando papel fundamental na infraestrutura de pesquisa no Brasil, especialmente na área básica, a Finep, vinculada ao MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), oferece uma sequência de programas para apoiar o sistema acadêmico, envolvendo universidades, institutos de pesquisa e empresas que atuam na área de inovação. “A pesquisa básica em todo o mundo costuma ser financiada pelo poder público, pois é de alto risco e precisa dar liberdade criativa ao pesquisador. Entretanto, é justamente na articulação da pesquisa básica com a pesquisa aplicada que surgem o desenvolvimento tecnológico e a inovação. A qualidade dessa articulação precisa melhorar no Brasil para criar mais mecanismos de cooperação entre a academia e a indústria”, enfatiza Fernandes. Para Wanderley de Souza, diretor científico-tecnológico da financiadora, é preciso empenho para acabar com o distanciamento entre os players. “A falta de conexão entre universidades e dos centros de pesquisa com as empresas é o problema. Por isso, ao longo dos anos fomos desenhando uma série de projetos para atender a essa demanda”, comenta. Entre as atividades, o destaque vai para a criação dos parques tecnológicos, ambientes que unem academias e empresas; o Tecnova, que visa criar condições financeiras favoráveis para apoio à inovação; e o Finep Conecta, programa que melhora a articulação entre empresas e instituições de pesquisa. 29


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“O Conecta trata-se de um acordo entre a instituição e a empresa, em que o empresário deverá optar por uma das três faixas, aplicando 15%, 25% ou 50% da verba na instituição em forma de bolsas, equipamentos ou mesmo manutenção”, explica Souza, que aproveita para relembrar que a Finep está iniciando um novo programa junto à Embrapii e deve também começar em breve o Centelha, programa dedicado a fomentar a ideia logo em seu nascimento. “A intenção de unir a academia à indústria está sempre por trás de tudo o que fazemos. Apoiamos os dois lados para promover justamente essa integração”, declara. Saindo do âmbito federal para o estadual, Fernandes aponta mais uma iniciativa que contribuiu fortemente

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com o desenvolvimento da inovação. “A criação da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que foi beneficiada por uma verba permanente do orçamento do PIB do estado, deu início a uma série de instrumentos de apoio ao desenvolvimento em pesquisa”, complementa ao destacar que, ainda assim, “a empresa não estava tão envolvida, já que a verba, na maior parte dos projetos, era destinada ao pesquisador na universidade”. Na ABIMO, um avanço recente diz respeito diretamente ao apoio e à inclusão de startups no rol de empresas associadas da entidade. Aproximando-se cada vez mais de parques tecnológicos e incubadoras para acordos e parcerias,

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a mudança visa atrair essas empresas nascentes, repletas de inovações e que, com base tecnológica, exercem papel fundamental na cadeia de saúde. “Acreditamos que é nosso papel reunir o setor e promover a inovação. Para tanto, precisamos ter espaço para empresas como essas e, principalmente, dar acesso aos nossos serviços para estes empreendimentos a fim de acelerar o processo de transformar a ideia inovadora em negócio”, comenta Clara Porto, gerente de projetos e marketing internacional da ABIMO.

OBSTÁCULOS PERSISTENTES Após conhecer as melhorias, é necessário traçar um panorama do atual momento político-econômico do país para, então, observar os entraves que persistem. No início do segundo semestre, o Governo Federal anunciou um novo corte no orçamento da União, totalizando em R$ 45 bilhões de verbas bloqueadas em 2017. Ao falar diretamente sobre o empenho da academia em desenvolvimento, pesquisa e inovação, e sabendo que o foco da pesquisa universitária no país está nas instituições públicas, é preciso conhecer a informação da Andes-SN (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior – Sindicato Nacional), que afirma que universidades e institutos federais enfrentam dificuldades até mesmo para manter serviços básicos, e algumas instituições mergulharam em uma crise profunda. A situação resume-se na fala de Louro: “Não existe facilidade quando trabalhamos com PD&I, o que existe é a vontade de fazer”. Vontade essa que precisa superar a falta de investimentos e também o medo de correr riscos. “Hoje o risco da inovação está todo na indústria. O governo cobra o imposto independentemente de o projeto de desenvolvimento ter dado certo ou não. Ele também tem a certeza de que receberá o retorno dos financiamentos, visto que as empresas, para ter o dinheiro liberado, apresentaram garantias reais”, relata Bosio, diretor institucional da ABIMO.

São muitos os aspectos a serem discutidos para que a inovação flua entre os players. E um deles está relacionado à cultura nacional, que insiste em manter processos fechados. “Toda indústria tem suas dores, seus sonhos e seus limites, mas precisa aprender que não é necessário parar a planta de produção para inovar. Há a possibilidade de open innovation, conceito já usado há mais de 25 anos no exterior”, relata Louro.

Outro grande obstáculo à inovação está na capacitação profissional, como enfatiza Joffre Moraes, gerente de estratégia regulatória da ABIMO. “Também é preciso discutir se temos gente preparada para atuar nesta área da empresa. Não adianta apontarmos o que tem de ser feito se não temos quem faça”, finaliza.

LEGISLAÇÃO PRÓ-INOVAÇÃO Quando o assunto é inovação, são três as principais leis a se observar: a Lei do Bem (Lei nº 11.196/05), a Lei da Inovação (conhecida como Marco Regulatório de Ciência, Tecnologia e Inovação – Lei nº 13.243/16) e a Lei da Licitação (Lei nº 8.666/93). Para Marco Aurélio Braga, sócio do escritório Braga & Carvalho Advogados, é importante frisar que o grande entrave da inovação não está na lei em si, mas em sua baixa exploração, visto que o uso e a criação de cases é que balizam a necessidade de atualizações. “Não falta nenhuma alteração legislativa, a não ser o aperfeiçoamento de alguns instrumentos pontuais. Estamos lidando com um ambiente novo, que tem dez anos. É preciso usá-lo melhor para entender quais são as limitações, quais melhorias precisam ser feitas e quais problemas de fato existem”, declara. A Lei do Bem, uma lei de incentivos fiscais para investimento de empresas em inovação tecnológica, 31


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diz, em linhas gerais, que a cada real investido em inovação a empresa tem um benefício que varia de 20 a 35 centavos. Já a Lei da Inovação passou recentemente por uma modificação conhecida como marco regulatório. “Alterada no ano passado para Lei nº 13.243, ela diz quem é quem no sistema. Quem é instituição de ciência e tecnologia, quem é pesquisador, quais são os objetivos de cada um, o que pode ser feito e quais tipos de contratos podem ser celebrados. É uma lei que dá os instrumentos e mecanismos para que as empresas interajam com universidades públicas e privadas”, explica Braga. Quando questionado sobre encomenda tecnológica, uma ferramenta da Lei da Inovação, Braga aponta uma confusão na legislação. “O instrumento da encomenda tecnológica está previsto, mas não está muito bem regulamentado. O governo, que se submete a um sistema de controle pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e pela CGU (Controladoria-Geral da União), tem algumas questões internas nos ministérios que inviabilizam a ação. Poderia ser um instrumento potencializado, mas sofre com a falta de clareza do ambiente regulatório”, declara. Ainda nesse contexto, é importante destacar que o governo, devido a seu alto poder de compra, deveria desempenhar um papel ainda mais ativo no fomento à inovação e na garantia de avanços no sistema. Já a Lei da Licitação, que também teve artigos alterados pela Lei nº 13.243/16, segundo Bosio carece de regulamentação. “É uma lei com aspectos importantes, mas foi pensada para o produto final e, embora haja previsão da encomenda tecnológica, os gestores públicos acabam optando apenas pela modalidade ‘menor preço’, sem avaliar critérios técnicos e o potencial indutor que traria ao desenvolvimento do setor.”

PRÓXIMOS PASSOS Sob todo esse cenário, o setor da saúde no país descobre que é preciso quebrar paradigmas e que a transformação tem de partir dos três pilares do tripé. A academia abrindo seus horizontes para enxergar que a pesquisa pode ser mais do que um artigo publicado, transformando-se em uma produção que atenderá o usuário final; o governo provendo mais acesso e investimentos no setor; e a indústria visualizando boas parcerias com o pesquisador para, inclusive, dividir propriedade intelectual. 32


Em um ambiente que abraça todos os interessados em inovação, a troca de conhecimentos torna-se mais factível, e o compartilhamento de ideias, acessível. A competitividade da indústria nacional não precisa ser colocada como fator complicador à inovação. Empresas, centros de pesquisa, pesquisadores e governo podem conversar, mantendo suas estratégias particulares, mas empenhando-se na troca de conhecimentos em prol da inovação.

OPEN INNOVATION O debate sobre os entraves para a inovação tecnológica em saúde esbarra no conceito de open innovation e na dificuldade da indústria brasileira em adotá-lo. Mas o que é essa tal “inovação aberta” de que tantos falam? Abrir a inovação significa torná-la dinâmica e acessível. Open innovation é um processo que mescla indústria, academia e centros de pesquisa na busca pelo desenvolvimento conjunto de inovação. Está diretamente ligado à promoção de ideias, pensamentos, processos e pesquisas que contribuirão com a melhoria de produtos e soluções. Para isso, é necessário reunir ideias internas e externas, ou seja, deixar de pensar dentro dos limites da corporação para expandir a visão ao mercado como um todo, pois a competência não está apenas dentro da companhia ou dentro da academia. E isso não necessariamente deve ser visto como concorrência. Significa que inovar pode envolver muitos atores e que a construção de um modelo de negócio pode ser mais valiosa do que o pioneirismo. No setor de saúde o conceito de open innovation vem ganhando força e mostrando resultados muito positivos. Segundo levantamento da Deloitte, entre 1988 e 2012, 463 medicamentos foram criados dentro do modelo fechado de pesquisa e desenvolvimento. Desses, 11% obtiveram sucesso nas submissões. Enquanto isso, no mesmo período, 355 foram criados segundo os preceitos do open innovation e, para esses, a taxa de submissão foi de 34%. O sucesso obtido com esse conceito no setor de medicamentos pode ser reproduzido na área de equipamentos e dispositivos para a saúde.

ACORDOS E PARCERIAS Dedicada a aproximar os players do setor, a ABIMO aposta em acordos e parcerias. Nos últimos meses a associação esteve envolvida em: – Protocolo de Cooperação Técnica e Operacional com a Anvisa – parceria que promove a competitividade da indústria nacional na construção de uma agenda positiva no mercado brasileiro. Firmada pela primeira vez em 2013, foi renovada em 2017. – Coalisão pela Inovação da Saúde – acordo de cooperação técnico-científica firmado entre a ABIMO, a Fiesp e o Hospital das Clínicas, que fomenta a inovação e o desenvolvimento de iniciativas de curto e médio prazo, viabilizando ideias inovadoras ocorridas dentro da academia e transformando-as em produtos comerciáveis. – Protocolo de intenções entre ABIMO e Senai-Cimatec – firmado em outubro, o protocolo promete movimentar o setor de PD&I ao promover a integração entre a academia e a indústria. – Parceria entre ABIMO e LAIS – primeiro laboratório instalado em um hospital universitário brasileiro, o LAIS tem como proposta desenvolver a inovação tecnológica em saúde. A parceria com a ABIMO promete auxiliar na identificação de potenciais fornecedores para levar ao mercado os produtos desenvolvidos pelo laboratório. – Parceria entre ABIMO e Fipase – acordo para aproximar o Supera Park, parque tecnológico de Ribeirão Preto, a suas empresas de base tecnológica e startups da entidade, proporcionando acesso aos serviços da ABIMO para essas empresas nascentes. – Parceria entre ABIMO e Gaese/USP – acordo para promover a troca de informações, conhecimento e experiências entre seus pesquisadores, especialmente em relação a pesquisa, desenvolvimento e inovação em automação e novas tecnologias para a área da saúde. 33


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Despertando o Não à toa a estratégia do Brazilian Health Devices para o próximo biênio inclui países da região; as oportunidades são muito interessantes

O caminho trilhado pela indústria nacional exportadora do setor de artigos e equipamentos para saúde indica o Oriente Médio como um dos seus principais destinos para os próximos anos. Isso se deve ao fato de a região apresentar inúmeras boas oportunidades de negócios independentemente da imagem muito difundida que lhe foi atribuída como palco de conflitos, tanto internos como entre alguns de seus países. Grande parte das nações que compõem o Oriente Médio reúne muitas características atraentes para esse segmento da economia. Dependentes das exportações de petróleo e carentes de bens manufaturados em geral, esses países têm espaço de abertura para que seus mercados sejam acessados por importações que supram suas necessidades. Essas boas oportunidades foram identificadas por meio de missões de prospecção realizadas em 2017 pelo time do Brazilian Health Devices, que enxerga um Oriente Médio alinhado com a oferta internacionalmente competitiva do Brasil, principalmente em um setor que preza por dispositivos de alta qualidade, alto valor agregado e excelente custo-benefício. Na Arábia Saudita, cuja população tem alto poder aquisitivo em comparação aos padrões regionais, há amplo desenvolvimento de centros de pesquisa em biotecnologia, além

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o Oriente Médio de forte demanda para dispositivos médicos, odontológicos e de laboratórios. Já no Irã, há grande demanda pela importação de produtos de alta tecnologia para saúde. Nesse caso, a retirada das sanções impostas ao país, seguida pelo decorrente crescimento das importações, gera um panorama interessante para a indústria brasileira. Somando-se a essas questões, há o aumento de gastos com saúde devido ao crescente investimento público, à expectativa de vida em alta e ao fato de este ser o país cujo número de hospitais é o maior do Oriente Médio. “A crescente aproximação comercial que o setor da saúde tem com seus clientes instalados no Oriente Médio reflete positivamente na balança comercial e em uma tendência de incremento dos negócios”, diz Gabriel Isaacsson, gestor de projetos da área da saúde da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), que promove, em conjunto com a ABIMO, o projeto Brazilian Health Devices. É natural que as turbulências regionais possam impactar a comercialização como um todo, porém os conflitos recorrentes no Oriente Médio não devem ser encarados como ameaça de fato, mas 35


MERCADOS-ALVO

sim como mais um ponto que deve integrar a estratégia de exportação das empresas. “A saúde é um dos setores essenciais para investimento dos países. Não é à toa que aproximadamente 60% do consumo mundial vem de compras públicas”, comenta Isaacsson citando dados do Euromonitor e relembrando que os conflitos militares também envolvem forte carga de elementos históricos e religiosos. Economicamente dependente da exploração do petróleo, a região tem mais esta particularidade a ser observada. A Arábia Saudita ocupa o segundo lugar no ranking dos maiores produtores de petróleo no mundo; Iraque e Kuwait também integram a listagem dos dez mais. Temos três países do Oriente Médio produzindo, juntos, 18,13 milhões de barris por dia. Porém, essa dependência vem sendo questionada por alguns países, que buscam alternativas para movimentar e estabilizar suas economias. “Os Emirados Árabes Unidos estabeleceram que em 2050 não mais dependerão do petróleo para seu desenvolvimento econômico. Já a Arábia Saudita estabeleceu um programa nomeado Visão 2030, que construirá cidades cuja ênfase não está no petróleo, mas sim no setor industrial como um todo”, declara Michel Alaby, diretor geral da CCAB (Câmara de Comércio Árabe Brasileira). Os processos de exportação sempre esbarram em dificuldades, e a indústria que visa exportar precisa estar atenta e disposta a driblar esses entraves, definindo boas estratégias. As missões internacionais do BHD juntamente com as parcerias organizadas pelo projeto têm, como objetivo, transpor os obstáculos e ampliar o acesso das marcas nacionais ao mercado externo. A relação da ABIMO com o Banco Paulista, especializado em operações de câmbio, surgiu justamente com este intuito. Os trâmites financeiros entre Brasil e alguns países do Oriente Médio geravam desgaste, uma vez que a empresa criava todo o projeto, fazia as prospecções, conquistava contratos e, na hora de receber diretamente de países como Irã e Argélia, esbarrava em uma dificuldade que impedia a conclusão do negócio.

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“Entramos com a experiência do banco em câmbio para fazer com que o pagamento chegasse ao exportador”, explica Paulo Machado, responsável pelo departamento comercial de câmbio do Banco Paulista. Marcando presença no ranking do Banco Central entre os sete maiores bancos no número de operações de câmbio, o Banco eliminou o entrave financeiro para que a indústria brasileira pudesse ter segurança ao realizar negociações comerciais com os países do Oriente Médio. “Notamos que o âmbito financeiro é o último ponto a ser visto, porém o mais importante neste mercado globalizado”, comenta Tarcísio Rodrigues Joaquim, diretor de câmbio da instituição, que alerta ser preciso também checar as relações diplomáticas entre os países e, no caso da indústria representada pela ABIMO, observar caso a caso a exportação de cada tipo de equipamento para garantir a entrada dos produtos no território externo. Com o mercado analisado, a estratégia traçada e os entraves financeiros sanados, a empresa precisa estar preparada para mergulhar em sociedades com culturas totalmente distintas da brasileira. “Falar inglês ou francês, reconhecer um fuso horário de cinco ou

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seis horas de diferença, entender que os empresários árabes preferem falar pessoalmente ou ao telefone e não via Internet são alguns dos pontos que devem ser lembrados pelo exportador”, comenta Alaby sobre as particularidades das relações estabelecidas diretamente com os países árabes. O diretor da câmara de comércio faz também uma observação importante quando trata especificamente do setor de equipamentos e produtos para saúde: “Se o produto estiver registrado na União Europeia ou nos Estados Unidos, já é meio caminho andado. Porém, além de participar ativamente de feiras e eventos locais, seria importante que as empresas brasileiras visitassem os hospitais e as clínicas deixando equipamentos e amostras para que fossem testados in loco. É algo que o Brasil não tem costume de fazer, mas é importante para que o comprador veja a viabilidade, a qualidade e a compatibilidade daquele produto”. A persistência e a busca por consistência nos resultados é o que pode impulsionar essas relações segundo Isaacsson. “As marcas devem fortalecer suas áreas técnicas e de comércio exterior, buscando evoluir sua maturidade exportadora. Um serviço de pós-venda excelente, por exemplo, é fator crítico de sucesso.

Essa robustez na presença internacional é essencial para a consolidação do Brasil como parceiro de negócios preferencial no Oriente Médio”, finaliza.

CONHECENDO A REGIÃO • 17 países – Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Chipre, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Israel, Irã, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Palestina, Síria e Turquia. • 407 milhões de habitantes (IBGE). • Concentra grandes reservas de petróleo, e a exploração desse minério é a principal atividade econômica da região.

• Grande parcela da população é árabe. • Região com muitos conflitos; o maior deles é a disputa territorial entre árabes e israelenses na Palestina. • Egito, Irã e Turquia são os países mais populosos.

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MERCADOS-ALVO

O QUE DIZ QUEM JÁ ATUA NO ORIENTE MÉDIO? ALLIAGE – A Alliage afirma seu interesse em exportar para todas as regiões do mundo, inclusive o Oriente Médio. Já confirmada para a próxima AEEDC em Dubai, a empresa fala sobre sua experiência ao exportar para países como Irã, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos e Turquia. “Segundo meus registros, as nossas primeiras exportações para o Oriente Médio têm mais de 20 anos. Por estar localizado no centro do mundo, é uma região estratégica, recebendo produtos de todos os grandes fabricantes mundiais. Há uma grande diferença cultural entre o Brasil e os países da região, então, para negociar com eles, é preciso compreender essas diferenças, principalmente com relação à forma como realizam seus negócios. Queremos nos consolidar como uma das empresas líderes de mercado no Oriente Médio e buscamos um crescimento expressivo nos próximos três anos.”

Rafael Barichello Ferrassini, international trader da Alliage FANEM – O Oriente Médio representa cerca de 35% das exportações da Fanem, e a empresa, que leva seus produtos para países como Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Irã, Qatar e Palestina, participa da Arab Health desde 2004.

“O que aumentou consideravelmente o volume e a variedade dos países foi a obtenção da certificação CE. Trata-se de um mercado muito promissor, com resultados bastante imediatos a partir do momento que se consegue cumprir suas exigências regulatórias. Agora, com o desenvolvimento de novos produtos, buscamos ano a ano aumentar a participação percentual do Oriente Médio na proporção da exportação da Fanem.”

José Flosi, gerente de exportação da Fanem MAGNAMED – Exportando para a Arábia Saudita e o Iêmen há três anos, e para a Jordânia e a Palestina há um ano, a Magnamed vincula a conquista desses territórios à participação na Arab Health. “Na Arábia Saudita, a barreira inicial é o certificado FDA, enquanto nos outros países é o pagamento, devido ao alto controle na remessa de divisas. A Magnamed já possuía a certificação CE, porém tínhamos grande procura dos países do Golfo Pérsico, que exigem o registro na FDA. Para os próximos anos, a nossa expectativa é muito boa, visto que estamos em fase final para obtenção da certificação FDA para nosso principal produto, o OxyMag.”

Evandro Roque, gerente comercial da Magnamed

IRÃ

• PIB de US$ 393,4 bilhões em 2015 (Banco Mundial). • Mercado de grandes proporções com considerável potencial a ser explorado. • 80 milhões de habitantes. • Região próxima à Ásia Central e ao Oriente Médio, que chega a 200 milhões de consumidores. • Importações concentradas em produtos de alta tecnologia para o setor de saúde. • Dificuldades de transações bancárias, que atualmente contam com soluções do Banco Paulista. • Gastos com saúde em alta e país dependente de importações do setor, visto que sua produção doméstica se restringe, em termos gerais, a itens básicos de saúde. 38


EMIRADOS ÁRABES UNIDOS

a • PIB de US$ 357,9 bilhões em 2015 (Banco Mundial). • 9 milhões de habitantes. • País atuante como centro de reexportação para vários países na Ásia e no resto do mundo, servindo também a Paquistão, Índia, Afeganistão e todas as ex-repúblicas soviéticas. • Com localização estratégica, tornou-se um dos principais hubs logísticos do mundo, oferecendo sistema de transportes eficiente e moderno. • Facilidade para recebimentos e pagamentos. • Um dos principais parceiros entre os países árabes, detendo 25% do volume de comércio com o Brasil.

ARÁBIA SAUDITA

• PIB de US$ 646,4 bilhões em 2015 (Banco Mundial). • 32 milhões de habitantes. • Crescimento do setor de dispositivos médicos, odontológicos e de laboratórios. • Saúde ainda atendida majoritariamente pelo setor público, porém o setor privado se encontra em ascensão, com crescentes investimentos e relevância cada vez mais acentuada no provimento de serviços de saúde no país. • País desenvolvendo centros de pesquisa em biotecnologia. 39


RENOVAÇÃO

ABIMO e Apex-Brasil renovam projeto Brazilian Health Devices para 2018-2019

Greater NY Dental Meeting 2018 (Nova Iorque, EUA)

Iniciativa movimentará FDI São Francisco sco mais de R$ 27,7 milhões 2019 (São Francisco, EUA) em internacionalização de dispositivos para a saúde Anualmente, o mercado testemunha investimentos milionários em processos e tecnologias que visam baratear os meios de produção e melhorar a qualidade dos produtos oferecidos aos mercados interno e externo com o objetivo de melhorar o diferencial competitivo e expandir os negócios. No entanto, contingenciar cifras milionárias não é garantia de crescimento nas vendas ou expansão de mercado. O trabalho por meio de agências de fomento e a parceria com órgãos governamentais, como Câmaras de Comércio, é fundamental a fim de preparar as empresas para enfrentar as peculiaridades de cada mercado. De olho nas demandas apresentadas pela indústria nacional e pelo mercado externo, a missão do projeto setorial BHD (Brazilian Health Devices), executado pela ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios) em parceria com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de 40

BDIA – Dental Sh

(Rein Feira AACC 2018/2019 (Chicago, EUA)

Feira FIME 2018/2019 (Orlando, EUA)

FDI Argentina 2018 (Buenos Aires, Argentina)


Feira IDS 2019 ((Colônia, Alemanha)

DIA – Dental Show Case 2018 (Reino Unido)

Feira ZDRAVOOKHRANENIYE 2018 (Moscou, Rússia) Feira Medlab 2018/2019 (Dubai, EAU)

Feira MEDICA 2017/2018/2019 ((Düsseldorf, Alemanha)

Feira Rehacare e 2018/2019 (Düsseldorf, Alemanha) Feira Arab Health 2018/2019 (Dubai, EAU)

Feira Sino Dental ntal 2019 (Pequim, China)

Feira Access Abilities Expo 2018/2019 (Dubai, EAU)

Feira AEEDC F 2018/2019 (Dubai, EAU)

Feira IDEM 2018 (Singapura)

World Dental Show 2019 (Mumbai, Índia)

Feira IDEX 2019 (Istambul, Turquia)

Medical Fair Asia 2019 (Bangkok, Tailândia)

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RENOVAÇÃO

Exportações e Investimentos), vem sendo, há 16 anos, preparar empresas brasileiras para exportação ou internacionalização. No dia 4 de dezembro, a ABIMO e a Apex-Brasil reuniram, em São Paulo, executivos da indústria de saúde para oficializar a renovação do convênio. A iniciativa, planejada para o biênio 2018 e 2019, injetará R$ 27,7 milhões com vistas a fomentar a exportação e internacionalização de empresas fabricantes e desenvolvedoras de produtos médico-hospitalares, laboratoriais, de reabilitação e de odontologia, bem como apresentará mais de 50 atividades para as empresas participantes do BHD, que vão desde ações estruturantes para apoiar as empresas em questões regulatórias internacionais até organização de missões e feiras internacionais. De acordo com o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro, a renovação dessa parceria, que ocorre desde 2002, completa a missão da entidade de abrir as portas do mundo para tornar as empresas exportadoras. Quando se tem uma companhia preparada para o mercado internacional, sem dúvida, ela também estará preparada para competir com fornecedores internacionais dentro do mercado nacional. Entre as ações promovidas pelo projeto, que serão gradualmente lançadas ao longo dos anos, estão a criação de oficinas de capacitação em mercados-alvo e a realização de missões de cultura exportadora para empresas, que ocorrerão concomitantemente a grandes feiras internacionais.

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“Essa iniciativa é diferente de tudo o que fizemos até agora. Este é o momento de traçarmos estratégias mais agressivas.” Clara Porto, da ABIMO

Outra ação que chamou a atenção das indústrias que participaram da apresentação foi o desenvolvimento de novas ferramentas de inteligência comercial. A partir de janeiro, a ferramenta utilizada será a VBS de matchmaking ativo para prospecção de clientes internacionais. “Essa iniciativa é diferente de tudo o que fizemos até agora. Este é o momento de traçarmos estratégias mais agressivas com o objetivo de mostrar para a indústria onde os projetos de exportação das empresas brasileiras podem mudar para melhor”, ressalta a gerente de projetos da ABIMO, Clara Porto. As missões comerciais planejadas para o próximo biênio contemplam países da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina, além da participação em feiras internacionais como a MEDICA, na Alemanha, e a Arab Health, nos Emirados Árabes Unidos. Entre as iniciativas contempladas pelo projeto está a Política de Segmentação, desenvolvida e vigente desde 2013, que prepara as indústrias e fomenta a cultura da exportação. Alguns exemplos das políticas pensadas são a implementação da classificação das empresas de acordo com a maturidade exportadora, a otimização do uso de recursos direcionados às atividades de internacionalização do setor, a melhoria na qualidade das ações, a gestão das empresas associadas ao BHD e a adequação das ações às necessidades de cada empresa. A classificação das empresas ficou da seguinte forma: exportadoras iniciantes, exportadoras intermediárias, experientes e internacionalizadas.

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ENFRENTANDO A BUROCRACIA Outro destaque da iniciativa é a criação de uma ferramenta que apresenta informações regulatórias dos principais mercados internacionais. Segundo o gerente de estratégia regulatória da ABIMO, Joffre Moraes, o BHD reunirá os dados fornecidos pelas empresas e avaliará as demandas da indústria para o desenvolvimento de programas de qualificação e capacitação. “Sabemos que o mercado internacional vem se capacitando de maneira extremamente agressiva, e os governos vêm tomando medidas protecionistas, bem como criando barreiras sanitárias e restrições técnicas. Então, quanto mais bem capacitadas nossas indústrias estiverem, maior será sua competitividade internacional”, acrescenta Moraes.

EXPECTATIVAS EM ALTA Com metas consistentes e realistas, nos próximos dois anos o projeto pretende alcançar US$ 110 milhões em 2018 e US$ 128 milhões em 2019, em produtos exportados. Espera-se que o número de empresas participantes chegue a 180 no final do biênio.

Para o gestor de projetos da Apex-Brasil, Gabriel Isaacsson, esse novo projeto apresenta novidades interessantes e excelentes oportunidades para a indústria. “Com muita satisfação renovamos essa parceria, que chega à sua oitava edição. Acreditamos que nossos projetos devem ir além da exploração tradicional do mercado.”

COMITÊ GESTOR DO BHD • Álvaro Menezes - Alliage • Anselmo Quinelato - Quinelato • Bruno Alzuguir - Baumer • Carolina Kobylanski - Spine Implantes • Daniel Marques - Ibramed • Djalma Rodrigues - Fanem • Eliane Lustosa - Labtest • Heddie Ricci - Bionnovation

“Com muita satisfação renovamos essa parceria, que chega à sua oitava edição. Acreditamos que nossos projetos devem ir além da exploração tradicional do mercado.”

• Marcelo Toledo - Olidef • Ricardo Brito - Biomecânica • Sidarta Cypriano - Angelus • Willian Pesinato - Fami Itá

Gabriel Isaacsson, da Apex-Brasil

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cada vez

mais espaço Com números expressivos e participação nas principais feiras do mundo, o Brazilian Health Devices fecha 2017 com mais de US$ 90 milhões em exportações e 10 mil contatos realizados Em ritmo acelerado, o projeto setorial BHD (Brazilian Health Devices) encerrou as atividades do segundo semestre com números expressivos e nunca alcançados. Até novembro, a equipe da ABIMO percorreu mais de 580 mil quilômetros ao redor do mundo, distância equivalente a 14 voltas em torno da Terra, participando de 13 feiras internacionais ao longo do ano, nas quais o BHD organizou o pavilhão oficial de expositores brasileiros em parceria com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Além dessas feiras, a equipe da ABIMO também participou de outros quatro eventos internacionais com recursos próprios da entidade, com estande institucional e visitas técnicas. As exportações representadas pelo BHD tiveram crescimento de 18%, totalizando US$ 90 milhões, dos quais US$ 27,1 milhões vieram no segundo semestre com as feiras FIME, FDI, REHACARE, Medic West Africa e MEDICA, grandes feiras internacionais. Somente durante as feiras de 2017 que contaram com pavilhão brasileiro, as empresas somaram mais de 10 mil contatos realizados e prospectaram cerca de US$ 50 milhões, representando 55,5% das exportações realizadas por meio do projeto. 44

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15 ANOS DE PARTICIPAÇÃO NA PRINCIPAL FEIRA DOS EUA De olho em parcerias com distribuidores norte-americanos e latino-americanos, o pavilhão brasileiro montado durante a FIME, que ocorreu entre os dias 8 e 10 de agosto em Orlando, na Flórida, expandiu ainda mais o relacionamento internacional das empresas. Especializada em dispositivos para a área médica, abrangendo produtos biomédicos, tecnologia de comunicações, dispositivos de diagnóstico, produtos médicos descartáveis, dispositivos eletromédicos, de emergência, hospitalares e de laboratório, além de produtos de reabilitação, cirurgia, aparelhos de tratamento, com foco na América Latina, a participação brasileira na FIME comemorou 15 anos. Para a analista de promoção comercial da ABIMO, Larissa Gomes, estar no evento fortalece a imagem da indústria nacional na região e é um meio de chegar a potenciais compradores. “A FIME é uma maneira econômica de atingir nosso público-alvo, pois reúne distribuidores de todas as regiões latino-americanas em um único evento. Orlando também é um destino mais barato e mais próximo para os brasileiros do que a Europa, por exemplo.” Esta foi a primeira edição da feira FIME na cidade. Até 2016, a exposição acontecia em Miami, em outro horário. A estratégia assumida pela organização da feira de alterar o local e a data foi pensando no maior conforto para expositores e visitantes, devido às vantagens de fazer o evento no centro de convenções de Orlando e não em Miami.

MIRANDO NEGÓCIOS ODONTOLÓGICOS NA EUROPA Para explorar os diferentes mercados oferecidos pelo velho continente, cinco companhias embarcaram rumo a Madri, na Espanha, para participação no congresso itinerante FDI (Congresso Mundial de Odontologia da Federação Dentária Internacional), principal conferência odontológica do mundo. Entre 29 de agosto e 1º de setembro, o BHD montou, pela segunda vez no congresso FDI, um pavilhão onde as empresas 45


BHD

mostraram as principais novidades e seus lançamentos em próteses dentárias, cimentos para obturação dentária, implantes, entre outros produtos. Por sua forte programação acadêmica, as empresas participantes do FDI também buscam a disseminação de conteúdo acerca de técnicas, tratamentos e produtos brasileiros por meio do incentivo à educação e formação. Outro objetivo da participação foi a consolidação no mercado espanhol, um dos mercados-alvo do BHD. “A participação no FDI foi fundamental para o fortalecimento da marca Brasil como importante player da odontologia mundial no que tange a inovação de produtos, normas técnicas e internacionalização de empresas”, explica a gerente de marketing internacional da entidade, Clara Porto. Em 2018, o congresso FDI ocorrerá em Buenos Aires, na Argentina, entre os dias 5 e 8 de setembro.

PARTICIPAÇÃO NA REHACARE CONSOLIDOU TRABALHO INTERNACIONAL DA ABIMO NO SETOR DE REABILITAÇÃO A 40ª edição da maior feira de tecnologia assistiva e reabilitação do mundo, com mais de 40 mil profissionais da área da saúde de 47 países, foi realmente especial para os mais de 900 expositores que apresentaram, em Düsseldorf, na Alemanha, seus produtos e soluções durante quatro dias de evento. Em uma edição comemorativa, a Rehacare promoveu novos espaços dedicados à prática esportiva, um VIP lounge para convidados indicados pelos próprios expositores e uma área voltada 46

especialmente para a apresentação de produtos inovadores. A participação das oito empresas associadas ao BHD no pavilhão brasileiro acompanhou o clima especial e festivo com demonstrações de produtos feitas por paratletas, sorteios para os visitantes e o tradicional Happy Hour, que já ocorre em outras feiras promovidas pela ABIMO. “Esse foi o nosso segundo ano de exposição na Rehacare e com certeza consolidamos o trabalho da ABIMO no setor de tecnologia assistiva e reabilitação”, comemora Clara. “Tivemos clientes das empresas brasileiras no espaço VIP promovido pela Messe, expusemos também no espaço inovação, bem na entrada da feira – o que promoveu a localização do nosso pavilhão – e reunimos mais de 200 convidados em nosso Happy Hour.” O pavilhão brasileiro na Rehacare é atração à parte, localizado em espaço estratégico, cuja arquitetura diferenciada, completamente voltada à interação com os produtos expostos, o destaca dos demais. Essa foi a percepção do gerente de exportação da Ortho Pauher, Pedro Maia: “Essa estrutura facilita muito a presença de pessoas interessadas nos produtos”, conta. “Com certeza o grande número de visitas deve-se a isso.” A representante brasileira da Messe Düsseldorf, organizadora da Rehacare, Malu Sevieri, falou a respeito da participação brasileira: “Tivemos 100% de aumento no número de empresas participantes em relação ao ano passado. As que retornaram reencontraram clientes para reforçar relações, o que é bom para aumentar as vendas.”


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Malu acredita que a exportação bem feita é uma ferramenta que gera estabilidade para as empresas: “Sempre é bom ter um misto de clientes nacionais e internacionais, e com certeza a Rehacare é uma excelente ferramenta para criar esta plataforma”.

Além de essa ser a maior participação do Brasil na história da feira, a ABIMO também levou para o evento a prof. dra. Linamara Rizzo Battistella, secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Para ela, a situação das pessoas com deficiência no Brasil mudou muito desde a década de 1980, quando o país viu mudanças significativas na proteção e promoção dos direitos das pessoas com deficiência. “A legislação brasileira melhorou bastante desde então e isso nos colocou em uma boa posição. No entanto, devemos muito à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a sua incorporação na legislação nacional”, disse. 47


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“Contar com a presença da dra. Linamara na Rehacare foi muito importante para a ABIMO, visto que ela é uma das ativistas mais respeitadas do mundo quando o assunto é inclusão”, conta Clara. “Pudemos mostrar todo o nosso trabalho, os produtos nacionais de altíssima qualidade e, principalmente, ela pôde compartilhar conhecimento com o secretário municipal dos direitos das pessoas com deficiência de Düsseldorf sobre a experiência de ser a cidade mais acessível da Europa.” Na Alemanha como um todo, a acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida é regra e não exceção. As cidades são pensadas e construídas para a completa acessibilidade. As calçadas são niveladas e sem obstáculos; bondes têm piso baixo que facilita o acesso ao transporte público; os sistemas de orientação ajudam cegos e pessoas com baixa

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visão. “Esperamos conseguir levar um pouco dessa experiência para o nosso país”, finaliza Clara.

CAMINHANDO ENTRE GIGANTES Considerada o maior evento de negócios do mundo no segmento de saúde, a MEDICA reúne anualmente cerca de 120 mil visitantes de 130 países e 5,1 mil expositores de 66 países em seus 18 pavilhões. As estimativas divulgadas pelos organizadores da feira são de um crescimento de 2,8% no volume de negócios, que poderão resultar em uma estimativa de negócios global de € 30,6 bilhões. No pavilhão brasileiro promovido pelo Brazilian Health Devices, em novembro de 2017, 47 expositores participaram de congressos, reuniões de negócios e apresentaram seus produtos e soluções, que resultaram em mais de US$ 500 mil em negócios fechados durante a feira e mais de US$ 10 milhões previstos para os próximos 12 meses. A participação do BHD e seus associados durante da MEDICA 2017 marcou a primeira ação do novo convênio da ABIMO com a Apex-Brasil. Para a gerente do projeto BHD, Clara Porto, não poderia ter sido melhor. “Esta edição foi excepcional para o Brasil em termos institucionais. Foi uma das edições em que mais fizemos contatos com outras associações, agências de governo e parceiros internacionais que nos auxiliarão no projeto ao longo do próximo ano.” A executiva destacou também a parceria com a Fenin (Federación Española de Empresas de Tecnología Sanitaria), entidade análoga à ABIMO na Espanha. Ambas as associações assinarão um acordo de cooperação em março de 2018, durante uma feira odontológica no país ibérico. “Ainda tivemos conversas com órgãos do Reino Unido, agências de governo da Alemanha e do Japão”, ressalta Clara. “As empresas fizeram negócios acima de suas expectativas”, conta o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro. “Elas vieram para a Alemanha prontas para serem competitivas – tanto quanto os outros players do setor – em preço,

qualidade e inovação nos produtos.” Gabriel Pereira Isaacsson, gestor de projetos da área da saúde da ApexBrasil, se diz muito feliz em participar da feira com a ABIMO, pois a edição 2017 demonstra a consolidação de um caminho percorrido nos últimos anos. “É com muita felicidade que vemos a maioria das empresas com operações ativas, fazendo manutenção de contatos e pavimentando de forma sólida o crescimento dos negócios internacionais da saúde brasileira.” A Loktal, indústria de equipamentos eletromédicos que participou do pavilhão brasileiro promovido pelo BHD, foi uma das empresas que saíram de Düsseldorf com contratos assinados, prospectados na edição anterior da MEDICA. Segundo Clóvis Garcia, executivo de vendas internacionais da organização, todos os objetivos propostos foram alcançados. “Nota-se uma redução no número de visitas ano a ano, porém os negócios continuam. A presença como expositor a cada feira é fundamental para manter a credibilidade no mercado.” Além dos contratos trazidos, os expositores do pavilhão brasileiro também aproveitaram para lançar novos produtos e estreitar o relacionamento em países onde ainda não atuam, como foi o caso da Traumec. “Tivemos a oportunidade de lançar a nossa nova linha de implantes para fratura de mão e podemos destacar uma excelente aceitação pelos distribuidores da região que buscavam produtos com qualidade e custo-benefício”, conta Alessandro Oliva, executivo de vendas internacionais da companhia. Ainda de acordo com Oliva, outro ponto importante para a empresa foi estabelecer novos contatos em países onde a Traumec ainda não comercializa seus produtos, e também aproveitar as oportunidades

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trazidas durante o evento para estreitar relações positivas com parceiros comerciais. Considerada pela Sismatec uma grande oportunidade para desenvolver novos negócios, Vanessa Machado, supervisora de vendas internacionais da Sismatec, conta que a feira MEDICA oferece uma plataforma internacional por meio da qual é possível levar visibilidade à marca. “Além disso, também é uma oportunidade para encontrarmos os nossos distribuidores e buscarmos fortalecer a relação comercial com eles.”

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Os bons resultados colhidos durante a MEDICA não são exclusividade das empresas veteranas. Algumas marcas novatas no pavilhão brasileiro, como a Signo Vinces, que atua na área de implantes dentários e ortopédicos na linha de bucomaxilo, aproveitaram a oportunidade para se lançar no mercado internacional e encontrar parceiros em diferentes países para ampliar ainda mais as exportações. Assim como a Signo Vinces, a Novus esteve pela primeira vez na feira. Além de apresentar seu portfólio


com uma linha de produtos para as mais diversificadas áreas da automação industrial, a marca lançou a família LogBox Connect, voltada para aquisição, monitoramento e registro de informações para o setor farmacêutico, como a temperatura de medicamentos durante o transporte. “A MEDICA nos ajuda a compreender as demandas para que possamos desenvolver ações para este nicho de mercado. No Brasil temos uma boa participação na indústria médico-farmacêutica e, atualmente, também temos forte presença em sistemas de aquisição de dados e condicionamento de sinais com sucesso na vertical de automação”, declara Rodrigo Zereu, gerente de mercados internacionais da marca. Após um ano de muito trabalho, milhares de quilômetros percorridos, dúzias de cartões de visita distribuídos e carimbos dados no passaporte, a equipe do BHD e os seus associados já pensam em 2018 com planos e estratégias para atingir as metas estabelecidas e continuar mostrando ao mundo a qualidade e a tecnologia embarcada nos produtos nacionais.

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PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

CINCO ANOS PARA O FUTURO Para novos resultados, novas ações. Para novas ações, novos caminhos. Investindo em um processo de profissionalização, a ABIMO vem se transformando. Hoje ela já é reconhecida como uma das grandes representantes da indústria nacional de produtos e soluções tecnológicas para a saúde. Vislumbrando um horizonte promissor, a entidade decidiu investir estrategicamente em sua visão de futuro para os próximos cinco anos. Para promover ainda mais a busca pela concretização dos objetivos, uniu esforços e convocou associados e parceiros a criarem, juntos, um novo planejamento estratégico que será o grande indicador de caminhos para que a associação possa batalhar rumo a tudo o que planeja para a saúde brasileira nos próximos anos.

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O projeto que detalha o que ocorrerá entre 2018 e 2022 foi construído por um grupo de executivos da entidade com a contribuição de empresários representantes de todas as verticais de produtos que a ABIMO contempla e com a Kaiser Associates, consultoria global reconhecida pelo alto padrão na elaboração e implementação de estratégias. Com tanta expertise reunida, foi elaborado um plano que detalha quais serão as principais estratégias e ações da ABIMO nos próximos cinco anos. A intenção era traçar como será o posicionamento para que sua expansão e consolidação reflitam diretamente na sustentabilidade do setor e na saúde da população.

Porém, das dez prioridades, três foram listadas como imediatas e já estão sendo formatadas: criação de um Plano de Política Industrial; segmentação dos associados e criação de um Sistema de Informação; e desenvolvimento de um Plano de Regionalização.

FOCO NA GESTÃO E GOVERNANÇA Além dos dez projetos, a ABIMO também definiu estratégias para apoiar sua gestão, melhorando a governança e o planejamento. A ideia é trabalhar cinco itens principais que a reforçarão como grande representante do setor.

“Somos reconhecidos como um grande representante nacional da indústria de produtos e de soluções tecnológicas para saúde, e o foco de nossas atividades é elevar o bem-estar da população brasileira através do desenvolvimento dos associados em inovação, tecnologia e internacionalização do setor”, diz Paulo Henrique Fraccaro, superintendente. Requisitando a participação de seus associados, a ABIMO elencou as principais ações que serão enfatizadas no período abrangido no planejamento. Devido à sua ampla representatividade no segmento de saúde brasileiro, visto que reúne quase 400 associados cuja capacidade é de, juntos, equipar 90% dos hospitais e consultórios com produtos nacionais, a ABIMO reconhece o poder de sua atuação no impacto direto à sociedade civil e ao governo. Após esse trabalho, foram definidas as dez ações prioritárias para os próximos cinco anos. Visando reestruturar a associação para, assim, fortalecer o rol de serviços e produtos oferecidos às associadas, a ABIMO também investirá diretamente no mapeamento de entraves do setor, no fortalecimento ainda maior da cultura de inovação, no aumento da competitividade da indústria no cenário internacional e na inteligência regulatória do segmento. Para todas essas iniciativas, serão definidas equipes específicas, organizadas por um diretor e um executivo. Essas equipes trabalharão para detalhar todas as etapas envolvidas em cada um dos projetos, apontando o responsável pela gestão, as estimativas de prazos e custos, bem como quais produtos e resultados serão obtidos ao término do processo.

O primeiro deles é engajar a diretoria na gestão do planejamento estratégico definindo um instrumento de perenidade. Como objetivo principal, estabeleceu-se unir o trabalho de todo o time ABIMO rumo a uma meta comum única. Além disso, o planejamento estratégico também será o grande orientador da sua atuação e gestão financeira. Isso significa que, de fato, todos os esforços estão direcionados ao cumprimento dessa estratégia.

CARÊNCIA – PROJETO DE POLÍTICA INDUSTRIAL O planejamento estratégico 2018 – 2022 da ABIMO também enfatizou a importância de o setor se unir para a criação de um projeto de Política Industrial, algo que vem sendo analisado há algum tempo no setor de saúde brasileiro. “Auxiliar na criação de instrumentos 53


PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

governamentais para incentivar a indústria de saúde do país, tão estratégica para o desenvolvimento da economia, é uma das nossas metas para os próximos cinco anos”, comenta Fraccaro. Neste contexto, a ABIMO atua como integradora e interlocutora no contato direto com órgãos governamentais que no dia a dia mudam o setor. Aqui falamos sobre o bom relacionamento da entidade com ministérios, Finep, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Gecis (Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde), entre outros.

SEGMENTAR E COMUNICAR PARA EXPANDIR Ao longo de mais de cinco décadas, a ABIMO vem construindo uma relação de confiança máxima com seus associados. “Os serviços por nós prestados à indústria nacional se ampliam a cada dia, justificando o crescimento da entidade e a expansão do alcance de seu trabalho”, comenta Paulo Henrique Fraccaro. Reconhecida pelas empresas como a principal fonte de informação do setor, é responsável por gerar e tornar acessível um alto número de informações relevantes, atuais e em tempo real sobre o mercado e suas tendências em todos os aspectos: regulatório, fiscal, trabalhista, de compliance e de pesquisa e desenvolvimento. Para além, a ABIMO não se limita à análise nacional, visto que tem na internacionalização uma de suas grandes prioridades. Também fomenta a gestão empresarial com notícias a respeito dos processos regulatórios e de certificações dos principais mercados internacionais. Tanto é que comemora mais um fato: ser reconhecida como a associação brasileira com a maior rede de relacionamento entre entidades e associações relevantes do setor de saúde global. Neste sentido, a ABIMO entende que é preciso segmentar para crescer. E isso significa que a instituição passará a definir critérios para dividir seus associados por região, porte, setor e maturidade tanto tecnológica quanto de exportação. Assim, será possível traçar procedimentos mais estratégicos para as empresas em cada uma de suas fases, desenvolvendo 54

o setor como um todo ao mesmo tempo que atua particularmente junto a cada uma de suas associadas. Além disso, a ideia é ampliar ainda mais a faceta de produtora de conteúdo e distribuidora de informações. Por isso, nos próximos cinco anos, trabalhará para abordar de forma mais aprofundada os aspectos econômicos, regulatórios, científicos; as políticas industriais e governamentais; bem como a exportação e internacionalização. Todo esse material gera um banco de informações que pode ser acessado

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pela indústria para otimizar seus processos internos e seus planejamentos estratégicos particulares. Como mencionado, as empresas que fazem parte do quadro da ABIMO são de todos os portes e têm diferentes graus de maturidade tecnológica e exportadora. “Todos os nossos produtos e serviços são segmentados para atender a diferentes empresas, desde empreendedores até pequenas, médias e grandes marcas associadas”, lembra Fraccaro

reforçando que entender os principais problemas que afetam o dia a dia dos gestores das pequenas e médias empresas associadas também é um dos motes deste plano estratégico.

SOMOS UM PAÍS CONTINENTAL As necessidades do Norte são completamente diferentes das necessidades do Sul. E isso se repete em todos os setores da economia. É impossível tratar o Brasil como um único ambiente de negócios. 55


PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

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Em um país continental como este, é indispensável considerar as regionalidades que vão desde questões culturais até de infraestrutura. Hoje uma indústria de saúde instalada no Sudeste terá, sim, muitas dificuldades a vencer. Uma outra instalada no Nordeste, também. As dificuldades, contudo, são distintas. “A ABIMO quer entender cada uma dessas particularidades para fomentar o desenvolvimento de Norte a Sul”, afirma o superintendente da ABIMO. Reconhecendo esse ponto, a estratégia da entidade para os próximos cinco anos considera estruturar um plano de regionalização que será o grande motor para entendimento de cada uma dessas demandas 56

regionais, a fim de ofertar os serviços de que as empresas necessitam em cada região.

INOVAR E INTERNACIONALIZAR Dois pilares que acompanham a ABIMO também ganharam destaque nas dez ações prioritárias para os próximos cinco anos: inovação e internacionalização. Inovação é palavra-chave para qualquer processo de crescimento e desenvolvimento. Não à toa a associação vem trabalhando essa cultura da busca pelo novo na indústria de saúde por meio de atividades como, por exemplo, a realização anual do CIMES,


que reúne em um mesmo ambiente todos os players capazes de gerar inovação na saúde, que em 2018 terá sua sétima edição, e do Prêmio Inova Saúde, que anualmente reconhece uma indústria do setor médico-hospitalar e outra do setor odontológico por sua determinação em inovar no Brasil. Já quando tratamos de internacionalização, o grande destaque é o projeto setorial Brazilian Health Devices, que em parceria com a Apex-Brasil vem otimizando a maturidade exportadora da indústria nacional para que ela se torne a cada dia mais competitiva no ambiente externo. Paralelamente ao projeto, renovado recentemente pela oitava vez, que seguirá pelos próximos dois anos motivando as associadas a alçar voos mais longos, a ABIMO vai mapear caminhos e modelos para promover ainda mais a internacionalização crescente.

FOCO NO REGULATÓRIO A indústria da saúde não é nada sem regulação. Com uma parceria fortalecida com a Anvisa e participando ativamente do IMDRF (International Medical Device Regulators Forum), a ABIMO trabalhará ainda mais focada em estruturar a inteligência regulatória nacional e internacional do setor. Para isso, realizará iniciativas com o objetivo de promover a renovação dos equipamentos de laboratórios a fim de certificar os produtos junto a entidades governamentais e universidades. Além disso, tendo conhecimento de que esses laboratórios carecem tanto de equipamentos quanto de mão de obra qualificada, a organização mapeará suas principais necessidades e, assim, contribuirá diretamente para a certificação dos produtos em território nacional.

DIAGNÓSTICO – COMO O EMPRESARIADO VÊ A ABIMO? Como parte do planejamento estratégico, a ABIMO também vem trabalhando o posicionamento de sua marca perante o mercado. Para isso, contou com a colaboração de uma consultoria de marketing que investiu todo seu conhecimento para diagnosticar a percepção dos associados e parceiros a respeito da associação e de seus serviços. Os resultados foram utilizados para consolidar e traçar um plano de expansão da marca ABIMO como uma das principais entidades do setor no país. • 71% dos associados entrevistados deram nota de 8 a 10 ao esforço da ABIMO em promover o crescimento da indústria brasileira de produtos para a saúde.

• 65% dos associados entrevistados afirmaram que a ABIMO contribui muito para o desenvolvimento de suas empresas e 43% dos não associados declararam acreditar que a associação à ABIMO poderia contribuir para o desenvolvimento do negócio. • 88% dos associados entrevistados declararam já ter precisado de algum auxílio da ABIMO. • 75% dos associados entrevistados deram notas de 8 a 10 à agilidade dos funcionários da ABIMO no contato e na resolução de suas necessidades. • 74,3% dos associados entrevistados declararam já ter participado de um encontro presencial da associação.

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FALANDO NISSO... Este mesmo governo, inclusive, vem enfrentando árduas batalhas nos projetos que podem colocar o país nos trilhos de uma economia saudável novamente: as reformas. Apoiamos a reforma trabalhista e seguimos apoiando a reforma da Previdência durante este apagar de luzes. Solicitamos aos nossos associados que exercessem pressão sobre os governantes sobre a necessidade dessa modernização. Agora, visto que ela será repensada somente em fevereiro, temos mais tempo para agir. Saindo do contexto macro, do nosso envolvimento em termos políticos e econômicos, não posso deixar de destacar o início do planejamento estratégico da ABIMO que nos baseará pelos próximos cinco anos. Toda essa desenvoltura e participação da entidade no cenário nacional nos fez elaborar um plano para que esse fortalecimento fosse concretizado em cima de plataformas factíveis a longo prazo, um planejamento que está fundamentado em pilares que nos trazem robustez. Daqui a cinco anos teremos a certeza de que veremos, na ABIMO, o mais importante ponto de referência a qualquer entidade – governamental ou não – em assuntos da saúde.

Por tradição, minha coluna na ABIMO em Revista costuma trazer um retrospecto dos principais assuntos que foram abordados na edição anterior. Porém, cabe fugirmos um pouco do protocolo e abordar, desta vez, um pouco de tudo o que a ABIMO fez em 2017, que ficou marcado como um período em que a associação esteve muito voltada a atuações de amplitude nacional. Começamos o ano com um projeto que nos preocupava: a renovação do convênio do ICMS. Sabemos que o governo está ávido por tributos para ajudar a fechar as contas, mas fomos à luta contando com o envolvimento da Fiesp e em contato direto com o Secretário da Fazenda no Rio de Janeiro, visto que a renovação do convênio carecia de aprovação unânime de todos os secretários. E essa foi a nossa primeira vitória do ano. Na sequência, tivemos a batalha da continuidade da desoneração da folha de pagamento, outro projeto que envolveu consultas e audiências públicas, reuniões no Senado Federal e diversas outras ações. Ganhamos principalmente pela falta de agenda para que a medida provisória fosse votada e aprovada no primeiro semestre de 2017, o que acabou por postergar a votação para dezembro e, agora, para 2018. Podemos dizer que essa foi a nossa segunda vitória. Outro fator no qual tivemos alto envolvimento foi a luta para que a isonomia tributária pudesse ser aprovada para vigorar em 2018. Assistimos a movimentos que nos deixaram animados, como quando recebemos do Ministério da Saúde a solicitação de fornecer os NCMs que seriam contemplados com a isonomia. Porém, o caos político instalado no governo fez com que essa agenda não fosse levada adiante. Mas continuaremos a trabalhar para que ela ocorra em 2018.

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Em 2017 também passamos por mais uma renovação com a Apex-Brasil, que é um dos grandes pontos de orgulho. E essa renovação veio com um aumento significativo do valor dispendido pela agência para a associação, mudança que impulsiona o comprometimento das nossas ações para que sejam executadas, planejadas, gerando, assim, resultados ainda mais importantes. Nossa parceria com a Apex-Brasil é vitrine junto às autoridades, às entidades governamentais e a outras associações por mostrar que a ABIMO tem significativos projetos em parceria com o Governo Federal. Dentro dessa mesma linha, também renovamos, em 2017, o projeto Opas para internalização de Normas Técnicas Internacionais no setor de produtos para a saúde e pelo qual a ABIMO tem a superintendência do CB26. Falamos, então, de duas parcerias firmadas pela ABIMO que trazem, à entidade, a responsabilidade de administrar recursos para ampliar a cadeia de exploração brasileira no mercado externo e a criação de normas cada vez mais suficientes para regulamentar a fabricação e a comercialização de produtos no Brasil. Não podemos deixar de falar sobre Inovação no Setor da Saúde. É a saúde 4.0, é o paciente 4.0 e é a indústria 4.0. Portanto, este tema também foi uma das vertentes amplamente exploradas pela associação, sobre o qual realizamos diversos seminários para fortalecer a indústria 4.0. As reuniões regionais nas principais capitais do país representam um trabalho extremamente interessante de alertar nossos associados da necessidade premente de ter os olhos abertos para esse porte de tecnologia que, sem sombra de dúvidas, será um marco da indústria a médio e longo prazo, isso sem falar que já é tema do presente. PAULO HENRIQUE FRACCARO é superintendente da ABIMO


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