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REVISTA EDIÇÃO 11 l ANO 4 www.abimo.org.br

ABIMO EM REVISTA - AGOSTO/2016

TECNOLOGIA ASSISTIVA BRASILEIRA TIPO EXPORTAÇÃO

PING-PONG Mara Gabrilli

MERCADOS-ALVO Colômbia e Costa Rica

MEMORIAL Knud Sorensen


16-19 maio17 24ª Evento internacional de soluções, produtos, serviços, tecnologia, inovações e equipamentos para a cadeia da saúde Negócios

Networking

Conhecimento

12h-20h Expo Center Norte São Paulo

Inovação

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Top

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razões para expor

Integre ações digitais e impressas e gere um maior número de contatos em apenas 4 dias. Mais de 90.000 profissionais Destaque-se da concorrência, aumente a visibilidade da sua empresa Torne assertivas suas estratégias de marketing e vendas Seja o primeiro a ser lembrado Lance suas soluções, tecnologias, produtos, serviços e equipamentos na mais importante vitrine da cadeia da saúde nas Américas Encontre os principais players nacionais e internacionais

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REALIZAÇÃO


SUMÁRIO

EXPEDIENTE A ABIMO em Revista é uma publicação da ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios), direcionada a associados, fornecedores, órgãos governamentais e profissionais da área. A reprodução total ou parcial deste conteúdo é expressamente proibida sem prévia autorização. A ABIMO não se responsabiliza pelas informações contidas nos anúncios, qualidade dos produtos anunciados e outros detalhes de eventuais negociações, sendo essas de responsabilidade exclusiva das empresas anunciantes. GESTÃO 2015-2019 ABIMO Presidente: Franco Pallamolla (Lifemed) Vice-Presidente: Walban Damasceno de Souza (Becton Dickinson) Diretor Tesoureiro: Luís Calistro Balestrassi (Neurotec) Conselheiros Titulares: Djalma Rodrigues (Fanem), Eliane Lustosa (Labtest), Kurt Kaninski (St Jude), Andre Ali Mere (Olidef), Caetano Biagi (Dabi Atlante), Giancarlo Schneider (Kavo do Brasil) Conselheiros Suplentes: Patricia Braile (Braile Biomédica), Marcelo Roberto de Menezes Dourado (Phlips), André Pacheco (Cremer), Patricia Bella Costa (Colgate), Oscar Porto (Medtronic), Jose Roberto Pengo (Biomecânica), Rodolfo Candia (Conexão), Adailton Becker (JJGC), José Ricardo (Ibramed) Conselheiros Fiscais: Regiane Marton (Heraeus), Augusto Olsen (Olsen), Gabriel de Figueiredo Robert (Silimed) Conselheiros Fiscais Suplentes: Valdevir Aquino (Auto Suture), Wiliam de Paula (Hospimetal), Roberto Queiroz (Angelus) SINAEMO Presidente: Ruy Salvari Baumer (Baumer) Secretário: Paulo Henrique Fraccaro (Implus) Tesoureiro: Tatiane Galindo (Ortosintese) Diretores Suplentes: Paulo Akio Takaoka (Medical Cirúrgica), Anselmo Quinelato (Schobell), Gilberto Nomelini (Gnatus) Conselheiros Fiscais: Jamir Dagir Junior (Dorja), Fabio Colhado Embacher (Emfils), William Pesinato (Fami), Conselheiros Fiscais Suplentes: Jose Tadeu Leme (Engimplan), Orlando de Carvalho (Carci) Conselho Editorial: Knud Sorensen (in memoriam) Márcio Bosio (Diretor Institucional) Clara Porto (Gerente de Projetos) Joffre Moraes (Gerente de Estratégia Regulatória) CONTEÚDO / EDIÇÃO DE TEXTOS E PRODUÇÃO: Jornalista Responsável: Deborah Rezende (MTB 46691)

REDAÇÃO: Deborah Rezende, Elaine Alves, Flávia D’Angelo, Letícia Cislinschi Revisão: Carolina Machado

16 Passo a Passo pelo Mundo

22 Mapa do Tesouro para Exportar

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26 De Olho na Vizinhança: Colômbia e Costa Rica

Capa - Tecnologia Assistiva

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38 Ping-Pong com Mara Gabrilli

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Memorial Knud Sorensen Artigo Franco Pallamolla Artigo Ruy Baumer Dia a dia Regulação Artigo - Roberta Ribas

Odontologia Hospitalar

EDIÇÃO E ARTE: Cecil Rowlands Filho ILUSTRAÇÃO E INFOGRAFIA: Stephan Strojnowski PUBLICIDADE: Márcio Bertoni bertoni@abimo.org.br

ABIMO - Av. Paulista, 1.313 - 8º andar - sala 806 - 01311-923 - São Paulo - SP Tel.: 11. 3285.0155- www.abimo.org.br

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Acabamos de ingressar no segundo semestre do ano e nos vemos ainda convivendo com a instabilidade política e a forte crise econômica incidente sobre as forças produtivas do nosso país. Temos vivenciado intensamente os efeitos avassaladores dessa crise, que, entre outras consequências, concentrou nossas atenções unicamente na busca de alternativas para preservação das nossas empresas. Precisamos reagir. É hora de azeitar a engrenagem que faz crescer, produzir, vender, faturar e gerar resultados para os negócios. Em tempos de crise, mais do que nunca, é preciso que as empresas continuem com o seu olhar e as suas ações voltados à inovação, porque também nas mãos delas está o caminho para a recuperação econômica do Brasil.

FRANCO PALLAMOLLA é presidente da ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios)

Num lastro de severas adversidades, a criatividade é a ferramenta fundamental para o sucesso, muito embora vivamos o paradoxo representado pelas demissões, pelos cortes nos investimentos, pelo PIB negativo e pela sensação de que ninguém está escapando do momento negativo da economia. Vale ressaltar que o setor de saúde movimenta 10% do PIB brasileiro e, mesmo no cenário atual, mantém atendido o mercado interno com agilidade e qualidade. No âmbito internacional, em 2015, as nossas indústrias passaram a exportar ainda mais, contribuindo para a redução do deficit na balança comercial. Essa conquista é fruto da nacionalização dos itens estrangeiros via investimentos da indústria de equipamentos para a saúde em tecnologias locais. Esse ponto positivo e estratégico nos coloca na privilegiada condição de poder concorrer em igualdade de condições, em qualquer mercado, e atingir resultado positivo, oportunidade proporcionada pela atitude inovadora. Abraham Lincoln nos presenteia com o pensamento de que “o êxito da vida não se mede pelo caminho que você conquistou, mas sim pelas dificuldades que superou no caminho”. O caminho que trilharemos juntos é o do pensamento único em prol da Nação e da confiança na efetivação das reestruturações que se fazem necessárias. Dessa maneira, estaremos cumprindo o nosso compromisso como empresários e cidadãos brasileiros.

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Temos uma nova realidade no país! Depois de muito tempo com tendência de queda, aprofundamento da crise e poucas perspectivas, temos um novo governo com intenção de corrigir os rumos da economia, sem populismo e com responsabilidade. Um novo ministro da Saúde que, finalmente, definiu parte importante de sua equipe. Um ministro político que, esperamos, escute o setor e utilize sua capacidade de articulação para executar as ações necessárias à melhoria da Saúde. Há pouco mais de 30 meses, despontaram reveses políticos que comprometeriam a economia brasileira, resultando na perda da credibilidade política e na queda do poder aquisitivo. Agora, se ainda não temos o desejado crescimento, já enxergamos algum sinal de estabilidade. Para ganhar é necessário primeiro parar de perder. Já é previsto, adiante, melhoria dos fundamentos econômicos e crescimento dos negócios. Estamos parando de perder. RUY BAUMER é presidente do SINAEMO (Sindicato da Indústria de Artigos e Equipamentos Odontológicos, Médicos e Hospitalares do Estado de São Paulo)

Nosso desafio será o equilíbrio entre ações imediatas, de médio e de longo prazos: administrar as dificuldades atuais de falta de liquidez, pois o mercado ainda está restrito, bem como a perda de parte da vantagem cambial, a volta da concorrência internacional e as incertezas políticas; além de investirmos e prepararmos empresa, estrutura, produtos e serviços para participar do crescimento que vislumbramos em futuro próximo. Como manter as empresas competitivas? Como entidade setorial cabe a nós o aumento da atuação política junto às equipes de governo em todas as esferas, buscando diminuir entraves para as empresas e influenciar os rumos da saúde. Não é simples, mas temos cada vez mais uma associação em constante fortalecimento. As linhas de ação e promoção dos últimos anos direcionadas a internacionalização, inovação, treinamento e maior participação setorial; servem de norte para atravessarmos esta etapa. Ações conjuntas de todos, com os mesmos objetivos, certamente nos trarão melhores resultados e mais poder de ação e influência. Aproveito este espaço para prestar homenagem ao nosso amigo Knud Sorensen, que aproximou todo o setor odontológico – indústria e profissionais – das nossas entidades.

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DIA A DIA

ABRIL

ENCONTRO ANUAL DE ASSOCIADOS Mais de 100 membros do setor da saúde nacional reuniram-se para proporcionar aos associados e parceiros da ABIMO uma oportunidade de relacionamento e networking durante o V Encontro Anual dos Associados ABIMO e SINAEMO.

Finalistas categoria Odontologia: Aditek, Angelus, Dabi Atlante, FGM e Yller.

Ruy Baumer em seu discurso: “Apesar da grave crise, vemos nossas empresas aumentando seus investimentos em inovação, apresentando cada vez mais propostas, ideias e soluções. Nós, como empresários e entidades, somos um pouco responsáveis pela situação atual do país. Responsáveis, talvez, por comodismo ou omissão e por isso precisamos nos unir”.

A empresa Aditek foi a primeira vencedora da categoria odontológica do Prêmio Inova Saúde. Em sua sétima edição, é a primeira vez que a premiação reconhece inovações da indústria médico-hospitalar e do setor odontológico em grupos separados. O produto vitorioso foi o EasyClip.

Finalistas categoria Médico-Hospitalar: Apramed, Braile, Corcam, Lifemed, Medecell.

Veja mais fotos em: http://migre.me/uhzYL

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WORKSHOP SOBRE NEGÓCIOS COM O ORIENTE MÉDIO

A Lifemed foi a grande vencedora com a inovadora Bomba de Infusão Smart. “Nós, que gostamos de inovação e que somos apaixonados pelo tema, percebemos claramente que a cultura da inovação está a cada dia se fortalecendo e se petrificando dentro das empresas do nosso setor na medida em que os cases se apresentam cada vez mais robustos sob o ponto de vista de tecnologia, e essa é a grande missão que nós temos”, discursou Franco Pallamolla.

Dr. Luiz Calistro Balestrassi, criador do Prêmio Inova Saúde, agradeceu ao público presente.

Em mais uma iniciativa de incentivo a pequenas e médias empresas para expansão de seus negócios ao mercado externo, a ABIMO promoveu o workshop “Como fazer negócios no Oriente Médio e Norte da África?” no dia 6 de maio, no auditório da Fiesp, em São Paulo. O evento contou com a presença do ex-CEO da Siemens Nigéria e da Healthcare da Siemens Middle East, Waclaw Lukowicz, bem como com a da gerente de operações no escritório da Apex-Brasil para o Oriente Médio e o norte da África, Karen Fernandes Jones. Os palestrantes exibiram o panorama do mercado da saúde na região e apontaram caminhos para os associados introduzirem seus produtos e negócios nesses países de maneira efetiva.

Veja mais em: http://migre.me/uhA1r

Encontro reúne associados e parceiros da ABIMO. 7


DIA A DIA

MAIO

ABIMO TEM FORTE ATUAÇÃO EM MAIS UMA FEIRA HOSPITALAR Entre os dias 17 e 20 de maio, a cidade de São Paulo recebeu a 23ª edição da Feira Hospitalar, maior evento de saúde das Américas e terceira maior feira do setor no mundo. Em mais um ano, a ABIMO teve importante atuação. A Feira Hospitalar é um evento marcado no calendário anual dos empresários e profissionais da saúde. Agora com a administração da UBM, a Feira mostrou excelência em sua estrutura nos pavilhões e no conteúdo dos congressos. “A Hospitalar é o espaço que temos para trocar ideias, fazer balanços, analisar os passos que estão sendo dados pela indústria e buscar soluções que estimulem o crescimento e desenvolvimento sustentável do mercado de equipamentos médicos”, diz o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro.

Ruy Baumer discursa na abertura da Hospitalar 2016. Leia o discurso na íntegra em:http://migre.me/uucgM

Clara Porto, gerente de marketing e exportação da ABIMO, participou da abertura do Congresso Internacional de Serviços de Saúde. Essa edição do evento teve como foco analisar e discutir como se interconectam dois elementos fundamentais da sociedade moderna: economia e saúde. 8

Mais uma vez, o Pavilhão ABIMO foi um dos destaques da Hospitalar. Com a participação de 12 empresas associadas, o pavilhão recebeu visitantes de todo o Brasil, além de estrangeiros interessados em novas parcerias. Leia mais: http://migre.me/ut14C

Durante o encerramento do Congresso, o diretor institucional da ABIMO, Márcio Bósio, moderou a mesa sobre como a economia afeta a capacidade de produção e inovação da indústria médico-hospitalar. Leia mais: http://migre.me/uhA6k e http://migre.me/uhA8U


ABIMO e entidades homenageiam Dr. Paulo Niemeyer Filho durante o tradicional jantar que ocorre no segundo dia de Hospitalar.

O diretor institucional da ABIMO, Márcio Bosio, participou do Painel Sebrae, promovido pelo Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, em colaboração com a Hospitalar, que tratou do tema “Logística Reversa para Equipamentos Eletromédicos”. Leia mais: http://migre.me/uhAb3

ABIMO e Caisal (Cámara de Industrias de la Salud de Córdoba) assinam uma carta de intenções de cooperação internacional relacionadas ao design e à tecnologia de produtos, bem como a colaborações de comércio para ambos os lados.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, visitou no dia 19 de maio a 23ª Hospitalar. Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO, disse ao ministro que a indústria brasileira de saúde tem capacidade para suprir de 90 a 95% das necessidades de equipamentos e materiais de consumo de um hospital geral nos padrões atuais. No stand da entidade, o ministro recebeu um exemplar da ABIMO em Revista.

Franco Pallamolla, Paulo Fraccaro e Ruy Baumer estavam entre os homenageados pelo prêmio “100 Mais Influentes da Saúde 2016”, promovido anualmente pelo Grupo Mídia, nas categorias “Inovação”, “Entidade” e “Empresário”, respectivamente.

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DIA A DIA

ABIMO E ANVISA REALIZARAM JORNADA REGULATÓRIA

Realizada pela ABIMO em cooperação com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a sétima edição da Jornada de Ação em Política Industrial e Regulamentação para Produtos de Saúde, realizada durante a Hospitalar Feira+Fórum, teve entre seus principais temas a revisão da nomenclatura e avaliação clínica de dispositivos médicos, a regulação de software no Brasil, o processo de Certificação de Boas Práticas de Fabricação de dispositivos médicos, as Normas Técnicas na Área da Saúde, entre outros. Segundo o gerente de estratégia regulatória da ABIMO, Joffre Moraes, esses assuntos foram escolhidos para a pauta deste ano devido à relevância na interação entre os temas, principalmente relacionada às Normas Técnicas. Na abertura ocorrida na tarde do primeiro dia de Feira (17), o superintendente da ABIMO, Paulo Fraccaro, ressaltou a importância de regulação eficaz para o desenvolvimento das empresas tanto no mercado interno quanto no externo. “Nesses quatro dias de jornada, temos que nos unir para fortalecer o setor de equipamentos para a saúde”, disse. 10

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José Carlos Moutinho, diretor da Anvisa, também esteve presente na abertura da Jornada e ressaltou a profícua parceria da Agência com a ABIMO e a importância de a regulação andar de mãos dadas com as inovações:

No terceiro dia de evento, Jangley Bahia Costa, da CRPOD (Coordenação de Inspeção e Fiscalização de Produtos para Saúde), explicou como funciona o processo de certificação de boas práticas de fabricação de dispositivos médicos. Ele também detalhou o trabalho da Anvisa e como a certificação é realizada. Também palestrou na Jornada Neriton Ribeiro de Souza, da GPIS (Coordenação de Gestão da Qualidade do Processo de Inspeção Sanitária), falando sobre os procedimentos harmonizados no âmbito do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária no contexto de implantação de Sistema de GPIS. O dia terminou com Maria da Gloria Vicente, da equipe da GGMON, que fez uma avaliação da adesão das empresas à regulamentação da tecnovigilância no Brasil. As Normas Técnicas na Área de Saúde foram o foco do último dia da VII Jornada de Ação em Política Industrial e Regulamentação para Produtos de Saúde. Além do papel da ABNT para o setor da saúde, foi abordado o contexto normativo frente à regulamentação de produtos para saúde, pelo representante da GGTPS, Anderson de Almeida Pereira, e também as Normas Técnicas e a Avaliação da Conformidade em produtos para saúde, por Marcelo Carvalho, do Inmetro.

“Temos que estar preparados para esses processos de mudanças”, disse. “Por isso, a Anvisa está se empenhando bastante, discutindo muito com o setor regulado e também com academia.

“Entendemos que a Jornada da ABIMO na Hospitalar assume cada vez mais um papel importante no âmbito das discussões regulatórias, colocando o evento entre os principais fóruns que acontecem anualmente para o setor”, comenta Joffre Moraes.

”Após a abertura houve a apresentação do relatório de atividades das áreas em 2015 e foram elencados os desafios para 2016. Leandro Rodrigues Pereira, da GGTPS (Gerência Geral de Tecnologia de Produtos para Saúde), Fábio Quintino, da GGFIS (Gerência-Geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária), e Maria Eugênia Cury, da GGMON (Gerência Geral de Monitoramento de Produtos sujeitos à Vigilância Sanitária), foram os palestrantes. No dia seguinte (18), foram abordados temas como a revisão da nomenclatura de dispositivos médicos, a avaliação clínica de dispositivos médicos na Anvisa e a regulação de software no Brasil.

“Por mais um ano tivemos aumento de público, que superou 300 pessoas diariamente discutindo regulamentos e normas técnicas, bem como interagindo com especialistas da Anvisa, Inmetro e ABNT.” 11


DIA A DIA

ABIMO E FIESP ASSINAM ACORDO COM HC Com o objetivo de fomentar a inovação e o desenvolvimento de iniciativas de curto e médio prazo, a ABIMO e a Fiesp assinaram, na tarde do dia 19 de maio, um acordo de cooperação técnico-científica para o desenvolvimento do projeto “Coalisão pela Inovação da Saúde”, com o Instituto de Inovação do Hospital das Clínicas. A ação busca viabilizar ideias inovadoras ocorridas dentro da academia e transformá-las em produtos comerciáveis, por meio da ABIMO e da Fiesp, fazendo parceria com a indústria. O documento foi assinado pelo coordenador titular do BioBrasil, Ruy Baumer; pelo presidente da ABIMO e coordenador adjunto do BioBrasil, Franco Pallamolla; pelo diretor geral da FFM (Fundação Faculdade de Medicina), Flávio Fava de Moraes; pelo vice-diretor geral da FFM, Yassuhiko Okay; e pelo superintendente do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade

de Medicina da Universidade de São Paulo), Antônio José Rodrigues Pereira. “A carta é a realização de uma das nossas propostas, que é aproximar academia, escola e centro de pesquisa das indústrias para promover tecnologia nacional. O Brasil ainda está em tempo de concorrer em condições de igualdade com o resto do mundo no mercado de biotecnologia, afirmou Baumer.

ABIMO AMPLIA INTERLOCUÇÃO COM A ÍNDIA A ABIMO iniciou um novo contato com o cônsul geral da Índia no Brasil, Abhilasha Joshi, ampliando o relacionamento com o país asiático a fim de promover o relacionamento comercial entre as duas nações. “O cônsul veio nos convidar para participar de algumas feiras na Índia, sendo a primeira em outubro deste ano, com o intuito de iniciarmos uma abertura de relacionamento, construindo uma ponte de possíveis negócios para o futuro dos dois países”, comentou Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO. Reconhecida por investir em inovação na área da Saúde, principalmente no que diz respeito à gestão financeira sem interferência na qualidade dos serviços de seus hospitais de alto nível que, inclusive, receberam selos de qualidade da Joint Commision International, a Índia pode gerar boas oportunidades de negócios para empresas brasileiras. “Fui convidado, inclusive, para visitar o país neste segundo semestre e conhecer a associação local equivalente à ABIMO, abrindo as portas para a indústria brasileira”, completou Fraccaro.

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JUNHO

SEMINÁRIO COM PARLAMENTARES EM BRASÍLIA O diretor institucional da ABIMO, Márcio Bosio, participou do seminário “O setor da saúde como modelo produtivo e de desenvolvimento econômico”. O evento foi realizado pelo Icos (Instituto Coalizão Saúde), em parceria com a AMB (Associação Médica Brasileira) e o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), e aconteceu no dia 1º de junho, em Brasília (DF). Na ocasião, parlamentares e os principais representantes da cadeia produtiva da saúde discutiram os desafios no cenário atual. A Saúde representa cerca de 9,2% do PIB (Produto Interno Bruto) e gera mais de 4 milhões de empregos diretos no país, com nível de qualificação bastante superior à média nacional.

O presidente da ABIMO, Franco Pallamolla, e o presidente do Sinaemo, Ruy Baumer, participaram no dia 8 de junho de encontro no Palácio do Planalto com o presidente em exercício, Michel Temer, e mais de 200 empresários de vários setores produtivos com o objetivo de ouvir sugestões para solucionar a crise econômica. O encontro foi promovido pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). “Este momento marca a retomada da confiança no Brasil”, disse o presidente da ABIMO.

Foto: Beto Barata/PR

ENCONTRO COM MICHEL TEMER E LÍDERES EMPRESARIAIS

ENTIDADES DA SAÚDE VISITAM O MINISTRO RICARDO BARROS Membros da diretoria da ABIMO, do Sinaemo, da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) e do Sindhosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo) estiveram, na tarde do dia 8 de junho, em Brasília para visita ao ministro da Saúde, Ricardo Barros. Na pauta do encontro estava a realização de evento para organizar a agenda do setor da Saúde. Uma reunião na sede da Fiesp deve ocorrer em breve. 13


DIA A DIA

ABIMO APRESENTA SISTEMA DE SAÚDE BRASILEIRO NA MISSÃO À HOLANDA O superintende da ABIMO, Paulo Fraccaro, apresentou-se em Hague, na Holanda, no dia 14 de junho, para empresários interessados em investir no sistema de saúde brasileiro. A palestra fez parte da agenda da Missão à Holanda, organizada pelo consulado holandês, que reuniu lideranças da Saúde de 12 a 16 de junho para fomentar as relações entre o país europeu e São Paulo, tendo como principal foco a inovação e também as pesquisas em empreendedorismo e educação.

EMPRESAS DO BHD PARTICIPAM DE WORKSHOP SOBRE ARÁBIA SAUDITA Empresas associadas à ABIMO e que fazem parte do projeto Brazilian Health Devices, executado pela entidade em parceria com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), tiveram no dia 22 de junho a oportunidade de participar de um workshop sobre a Arábia Saudita como mercado-alvo. A ação serviu como preparação para a missão comercial que o BHD fará ao país no início do ano que vem. O evento, organizado em parceria com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, teve como palestrante o coordenador de inteligência de mercado da Câmara, João Paulo Paixão. Em sua apresentação, Paixão trouxe dados gerais sobre a Arábia Saudita, país que vem apresentando crescimento em seu PIB e que apresenta, segundo ele, crescimento importante na economia. “Houve desaceleração desde a queda dos preços do petróleo, e esse fato tem feito o país começar a investir em outras indústrias”, explicou. Veja mais em: http://migre.me/uhzUy

ABIMO PARTICIPA DE MESA-REDONDA ENTRE SÃO PAULO - AMSTERDÃ A gerente de marketing da ABIMO, Clara Porto, participou da mesa de debate São Paulo - Amsterdã na manhã de 20 de junho, no Hotel Renaissance, em São Paulo. O evento foi promovido pelo consulado holandês para fortalecer as oportunidades de cooperação entre as capitais e discutir a inovação na saúde. Veja mais em: http://migre.me/uhAg1

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MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES PARTICIPA DE REUNIÃO NA SEDE DA FIESP

ABIMO PARTICIPOU DO PRIMEIRO SIMPÓSIO SOBRE MEDICAL DEVICES NO BRASIL A ABIMO esteve presente no primeiro simpósio de discussão sobre o setor de equipamentos médicos no Brasil, que aconteceu no dia 3 de junho, em São Paulo. O evento foi organizado pela ABMF (Associação Brasileira de Medicina Farmacêutica) em parceria com a Johnson & Johnson Medical Innovation Institute e teve como tema principal “Os novos desafios de medical affairs e health economics em medical devices no Brasil”. Na ocasião, o gerente de estratégia regulatória da ABIMO, Joffre Moraes, apresentou o tema “Assuntos regulatórios para medical devices”.

JULHO O ministro das Relações Exteriores, José Serra, participou no dia 20 de junho de reunião na sede da Fiesp que contou com a presença do presidente da entidade, Paulo Skaf, e de vários representantes de entidades e associações, entre eles o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro. Serra propôs que seja criado um canal direto de comunicação entre o Itamaraty e a Federação por meio do Coscex (Conselho Superior de Comércio Exterior) da entidade, cuja presidência será do embaixador José Rubens Barbosa. Durante a reunião, foi ressaltada a nova estrutura do Itamaraty, com a mudança na Camex (Câmara de Comércio Exterior). “A Camex estava sem poder de decisão”, afirmou Skaf. “Agora será presidida por Michel Temer, com José Serra na vice-presidência. A Apex-Brasil acertadamente foi para o MRE (Ministério das Relações Exteriores)”, lembrou Skaf. Na visão da ABIMO, a recente mudança da Apex-Brasil para o comando do MRE é muito positiva, considerando que haverá maior alinhamento entre políticas de governo e acordos em prol da exportação. “A Apex-Brasil vem há anos fazendo um trabalho de promoção comercial de empresas brasileiras para atuação no cenário internacional muito importante, mas que carecia de apoio de outros órgãos e agências do governo”, comenta o superintendente da entidade, Paulo Henrique Fraccaro. Veja mais em: http://migre.me/uhAdw

ENCONTRO EM RIBEIRÃO APRESENTA MISSÃO DE PROSPECÇÃO NA MEDICA

A ABIMO, em parceria com a LexMercatoria, empresa especializada na realização de missões empresariais em feiras de negócios, realizará uma missão empresarial à Medica, maior feira do mundo do setor de produtos médico-hospitalares, que ocorrerá em Düsseldorf de 14 a 17 de novembro. Para apresentar às empresas interessadas como será a missão, no dia 21 de julho houve um encontro para o lançamento oficial na sede da Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto). O evento contou com a presença de Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO, que falou sobre as perspectivas da ação. “O objetivo de uma missão como essa é fortalecer a mentalidade dos empresários brasileiros de que a exportação é necessária para a sobrevivência da empresa”, destacou o superintendente, que ainda ressaltou: “A cidade Ribeirão Preto foi escolhida para o evento, pois a região é caracterizada pelo grande volume de empresas voltadas para o setor da saúde, e o lançamento da missão pode atrair empresários para a atividade exportadora”. Veja mais em: http://migre.me/ut1th

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BHD

PASSO A PASSO PELO MUNDO

VEJA A COBERTURA DAS MISSÕES PELO MUNDO, FEIRAS NA ÁFRICA E SUÍÇA E O PROJETO COMPRADOR NO BRASIL Já sabíamos em meados de 2015 que o ano de 2016 não seria fácil. Mais do que nunca, as empresas precisaram trabalhar intensamente em estratégias comerciais alternativas. A balança comercial brasileira de equipamentos médicos e odontológicos ainda apresenta deficit. São mais de 1,12 milhão entre os meses de janeiro e maio de 2016. As empresas apoiadas pelo projeto Brazilian Health Devices, parceria entre a ABIMO e a Apex-Brasil, registraram entre os meses de janeiro e abril (último período apurado até o fechamento desta edição) mais de US$ 22,8 milhões, sendo os produtos odontológicos os mais exportados: mais de US$ 10,4 milhões.

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Para manter as exportações e melhorar esses números o trabalho é incessante: depois das feiras nos Emirados Árabes, ocorridas no primeiro trimestre do ano, pela quarta vez na história do BHD, empresas que fazem parte do Projeto voaram a Johannesburgo, na África do Sul, para a Africa Health 2016, principal congresso e feira da área da saúde da região, que aconteceu entre os dias 8 e 10 de junho. A região é mercado-alvo para as empresas associadas ao BHD. “Nosso objetivo era reforçar a promoção comercial realizada na feira e atrair mais distribuidores ao Pavilhão Brasileiro, possibilitando, assim, melhores resultados práticos para as empresas participantes do evento”, explica a coordenadora de promoção comercial da ABIMO, Laísa França.

O setor de saúde na África cresce de maneira sustentável há anos, com investimentos cada vez maiores dos governos. Vários países estão na fase de implantação de sistema universal de saúde, como Gana, onde 54% da população já têm cobertura. Relatórios apontam que, até 2022, a maioria da população na África será coberta por algum tipo de plano de saúde, público ou privado. Isso está gerando demanda de produtos e de know-how. A comitiva brasileira contou com 11 empresas: Baumer, Carci, DFV, Drillermed, Engimplan, Exxomed, Fanem, Hpbio, Ibramed, Loktal e Olidef.

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BHD

ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA Inserida no calendário do BHD neste ano, a 17ª edição da Efort (European Federation of National Associations of Orthopaedics and Traumatology), que aconteceu entre os dias 1º e 3 de junho, em Genebra, na Suíça, recebeu cinco empresas do setor: Baumer, Biomecanica, Bionnovation, Exxomed e Traumec. O evento é itinerante, voltado totalmente para o mercado de ortopedia e traumatologia, e reuniu 44 países.

As empresas dizem que ainda é cedo para mensurar os impactos da participação em números de negócios, mas garantem que há intenção de participar de novos eventos

“Nosso objetivo nesta feira foi focar em um único segmento de produtos (próteses) para que houvesse resultados mais efetivos”, explica a gerente de marketing e exportação da ABIMO, Clara Porto.

direcionados como esse. “Ainda é cedo para fazer essa avaliação, mas podemos dizer que nossas expectativas foram concretizadas com sucesso e que temos intenção de fazer parte de outros eventos como este”, disse Colaciti.

Segundo a supervisora de vendas internacionais da Baumer, Aline Akemi, a estratégia deu certo. “Participar de eventos direcionados é, com certeza, muito mais produtivo e assertivo para as indústrias brasileiras em relação a expectativas de negócios. Iniciativas como essa nos proporcionam muitos ganhos, principalmente em eventos focados e com um público selecionado”, diz Aline.

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A Baumer contatou 25 possíveis clientes, tanto da Europa quanto da Ásia. “Tivemos muita procura de países como Itália, Grécia, Rússia, Egito. Foi uma oportunidade de estar mais próximo do mercado, dos distribuidores, de cumprir uma agenda prévia para a região e também de manter a imagem institucional presente internacionalmente”, disse Aline.

Durante os três dias de evento, as empresas brasileiras realizaram por volta de 100 contatos. A Biomecanica prospectou cerca de 30 novos clientes e considera o evento uma boa oportunidade para ganhar visibilidade no mercado internacional. “Tivemos a chance de desenvolver contatos no mercado europeu e introduzir nossa nova linha de produtos nesse mercado tão representativo e competitivo”, avalia o representante de vendas e exportação da empresa, André Colaciti.

“Ainda é prematuro dimensionar em números nossos resultados, porém os objetivos foram cumpridos e a probabilidade de fecharmos distribuição para as linhas apresentadas no evento são bem altas. Oportunidades como essa nos proporcionam muitos ganhos e pretendemos participar de outras feiras internacionais segmentadas, como a Efort”, complementou Aline, da Baumer. A Feira também é palco para um dos maiores congressos de ortopedia do mundo que, neste ano, abordou o julgamento clínico da idade na coluna, a influência da idade sobre a reconstrução nos tumores ósseos, como o atendimento precoce pode possibilitar mobilidade para o resto da vida, bem como doenças degenerativas de pé e tornozelo.


BRASIL TECNOLÓGICO A Apex-Brasil, em parceria com a embaixada do Brasil no Peru, realizou, entre os dias 12 e 13 de julho, a sétima edição do evento Brasil Tecnológico. A ação é uma das principais iniciativas da Agência para promoção de negócios na América Latina e focou em exportações, internacionalização e atração de investimentos de empresas brasileiras no Peru. A comitiva contou com empresas de tecnologia da informação, defesa, maquinário, eletrônicos, equipamentos médicos e hospitalares e plásticos para participar de seminários técnicos e rodadas de negócios em Lima. O BHD esteve presente e apresentou um panorama da indústria brasileira na área da saúde para distribuidores e hospitais locais. Durante o evento, Laísa França, coordenadora de promoção comercial da ABIMO, fez uma apresentação com base nos dados do setor médico-hospitalar e com foco no potencial inovador que as empresas brasileiras têm na área da saúde, assim como destacou a importância da Anvisa como órgão regulatório.

“Tivemos a oportunidade de apontar para o mercado peruano alguns cases de inovação que concorreram ao prêmio Inova Saúde, mostramos as empresas vencedoras e seus respectivos produtos inovadores”, disse a coordenadora, que ainda acrescentou: “O Peru é o nosso 11º país de destino para exportações, porém muitas empresas importam de países como China e Turquia, por isso, procuramos entender melhor a demanda peruana por meio de reuniões de negócios com empresas interessadas no mercado brasileiro”. A Diagnext, Freedom e Magnamed, empresas associadas à ABIMO e que participam do BHD, fizeram reuniões com potenciais compradores. De acordo com a Apex-Brasil, o continente latino-americano oferece muitas oportunidades a serem exploradas pelo Brasil.

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BHD

NEGÓCIOS DO OUTRO LADO DO MUNDO O mercado asiático entrou no alvo de exportadores brasileiros nos últimos anos. Conhecidos como bons pagadores e pela economia estável com alto PIB, os orientais despertam interesse em empresas de todos os setores, que começam a explorar o mercado com as maiores taxas de crescimento do setor de tecnologia atualmente. Com tanto potencial local, a ABIMO embarcou para o Japão no dia 7 de março para apresentar o Brazilian Health Devices ao Ministério da Saúde japonês a fim de discutir as oportunidades da indústria odontológica brasileira no país. Como resultado, entre os dias 14 e 20 de julho aconteceu uma nova missão comercial, organizada em parceria com a Embaixada do Brasil de ambos os países e com o apoio do escritório avançado da Apex-Brasil na China, que contou com a participação das empresas: Bionnovation Biomedical, Exxomed Equipamentos e a Ibramed Brasil, na missão ao Japão e Exxomed Equipamentos, Ibramed e HPBio, na missão à China. No Japão os resultados foram muito positivos para o setor odontológico. “Queria agradecer muito a ABIMO e a Apex-Brasil pela oportunidade dessa missão. Para nós foi uma experiência fantástica e com certeza desses contatos vão sair novos e bons negócios”, disse Celso Marques, diretor financeiro e industrial da Bionnovation.

Na China, foram realizados 27 contatos no total, com perspectiva de negócios de US$ 700 mil para os próximos 12 meses. “A missão foi muito proveitosa, tivemos a oportunidade de conhecer detalhadamente o mercado chinês e as reuniões foram muito produtivas e eficazes. A matchmaking fez um bom trabalho nos trazendo compradores e fornecedores, e pudemos conhecer o mercado e o seu potencial”, pontuou Daniel Marques, analista comercial da Ibramed. Para Flávia Carvalho, gerente de exportação da HPBio, a iniciativa da ABIMO de promover a missão foi importantíssima para que os empresários pudessem compreender a necessidade que a indústria brasileira tem para se inserir nesse mercado de ampla demanda. “A impressão que tenho é que a China, apesar de todo seu potencial de mercado, tem sido evitada pela indústria médico-hospitalar brasileira. Parte por inadequação de custos e parte por falta de informação. Longe de ignorar esses entraves, a missão comercial promovida pela ABIMO foi o primeiro passo para entender a necessidade (e urgência) que a indústria brasileira tem para se adequar e se inserir nesse mercado de demanda extraordinária”, ressaltou a gerente, que ainda enfatizou: “Se assim já tivéssemos feito, o impacto de redução de mercado interno sofrido na atualidade teria sido no mínimo em menor escala”. Na edição 10 da ABIMO em Revista você conhece mais sobre esses mercados-alvo. Acesse em http://migre.me/uuevn

20


RODADA DE NEGÓCIOS: CASA CHEIA E MUITAS EXPECTATIVAS O BHD também promove rodada de negócios entre suas empresas e compradores internacionais no Brasil. Para isso, ocupa o palco da Feira Hospitalar, maior evento de saúde do continente americano e terceiro do mundo. A Rodada Internacional de Negócios trouxe para o Expo Center Norte, em São Paulo, 57 empresas, associadas ao projeto Brazilian Health Devices, que receberam 10 compradores de países da América Latina, para mais de 300 reuniões. As expectativas de negócios efetuados nos dias do evento, e para os próximos 12 meses, é de US$ 13 milhões. “O objetivo dos projetos é fomentar as exportações das empresas que estão começando, e, em um ano de crise, conseguimos identificar oportunidades de negócios pontuais na Hospitalar”, explicou a coordenadora de promoção comercial, Laísa França. A América Latina foi a região eleita para essa ação por representar uma área propícia, de fácil acesso e língua semelhante. A Quirurgil Colômbia é uma das empresas que estiveram no Projeto Comprador da Hospitalar Alcides Verde, representante da empresa na Feira, comentou sobre os negócios com empresas brasileiras. “A minha companhia faz negócios

com quatro empresas brasileiras e estamos procurando mais uma para agregar ao nosso ninho de produtos. Eu recomendo que as empresas da América Latina e de todo o mundo venham à Hospitalar para procurar equipamentos médicos de alta qualidade”, disse. Victor Hugo Omaña, representante da Intermédicos México, comentou como a tecnologia tem sido um fator de decisão para estabelecer relações comerciais com o Brasil. “Somos uma empresa importadora de produtos de alta especialidade e estamos expandindo nosso mercado. Por esse motivo, nos interessou compartilhar mais experiências com os amigos brasileiros, já que vocês também têm uma tecnologia de primeira qualidade, muito superior ao México, e com um preço acessível aos países latino-americanos”, afirmou. 21


COMEX

O MAPA DO TESOURO PARA EXPORTAR MERCADO INTERNACIONAL OFERECE VALIOSAS OPORTUNIDADES ÀS EMPRESAS BRASILEIRAS PARA AUMENTAR A CARTEIRA DE CLIENTES NA ÁREA DE SAÚDE Embora possa parecer, exportar não é um bicho de sete cabeças. As oportunidades estão aí e podem representar uma saída sustentável de negócio. Especialmente porque é um universo muito pouco explorado. Segundo a CNI (Confederação Nacional das Indústrias), das quase 710 mil empresas industriais brasileiras, somente 3% – ou pouco mais de 21 mil – realizam negócios com o mercado externo. Outro dado interessante: segundo o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), em fevereiro deste ano foi interrompida uma série de 17 meses de queda nas exportações, com um crescimento de 4,6% nas exportações brasileiras. No primeiro semestre do ano, as exportações somaram US$ 90,23 bilhões, com média diária de US$ 727 milhões (queda de 5,9% sobre o mesmo período do ano passado). No entanto, as importações somaram US$ 66,6 bilhões, ou US$ 537 milhões por dia útil, uma queda de 28,9% em relação ao mesmo período de 2015.

PLANEJAR É PRECISO Diferentemente do mercado interno, o internacional é muito suscetível às cotações cambiais e aos humores externos. Ou seja, a empresa que tem planos de exportar deve saber que subsídios, embargos, normas sanitárias, barreiras alfandegárias, acordos comerciais, incentivos fiscais, blocos econômicos e política cambial podem afetar diretamente e trazer instabilidade ao negócio. Para estar seguro ao lidar com essas variáveis, o primeiro passo para exportar é realizar um plano de negócios detalhando todos os aspectos operacionais, legais e estratégicos de sua operação de exportação.

B i e v d p p s e p b

Apesar da desvalorização do real, que torna os produtos brasileiros mais competitivos no exterior, as empresas ainda não exploraram todo o potencial de seus produtos em terras estrangeiras. Os motivos são muitos e vão desde a falta de certificações, rede de contatos ineficaz, desconhecimento dos mercados-alvo até produtos que não atendem às demandas dos compradores. O fato é que existem valiosas oportunidades para as empresas brasileiras aumentarem a carteira de clientes internacionais. Além do câmbio, a facilidade para vender no mercado externo se dá pelo barateamento dos meios de transporte e pelo desenvolvimento das novas tecnologias de comunicação, que aprofundaram o processo de integração econômica mundial. A ampliação do mercado de consumo para os países em desenvolvimento também aproximou pessoas e empresas, o que permitiu a qualquer corporação estar apta a comprar e vender bens e serviços no mundo inteiro com custos de transação bem reduzidos. 22

e e b a q c L b p

Para isso, é preciso levantar uma pesquisa de mercado. Entrar em sites gratuitos do governo para saber se o seu produto tem compradores no exterior, identificar os países, volumes adquiridos, preços pagos pelos países e até os endereços completos dos compradores que se cadastram no consulado brasileiro para contatos de compra.

O o n d e n p l c

A comunicação é feita em linguagem técnica diferente do cotidiano, por isso a fluência em outros idiomas, principalmente inglês e espanhol, pode ajudar bastante.

A c a


o

Segundo o coordenador de projetos setoriais da Apex-Brasil, Igor Brandão, a indústria brasileira é o parceiro ideal para os compradores que veem a saúde como área estratégica e, portanto, planejam seus investimentos com base em aspectos como qualidade, confiabilidade e cost effectiveness. “Especialmente no setor de equipamentos médico-hospitalares, a análise da oferta exportável do setor demonstra que nossos produtos têm excelente relação custo-benefício, com padrão de entrega bem acima de alguns concorrentes diretos”, ressalta. De acordo com ele, o projeto setorial Brazilian Health Devices, que trabalha mercados-alvo segundo análise técnica conjunta, atualmente atende aos EUA, a países da América Latina, ao Oriente Médio e à África. “Temos proativamente buscado maior inserção na Ásia, especialmente na China, pelo potencial como parceiro comercial.” Brandão destaca ainda que para as exportações das indústrias de artigos e equipamentos da área da saúde, entre outras informações estratégicas, é interessante verificar dados de mercado como número de médicos, dentistas, tamanho da rede hospitalar, orçamento público para saúde, utilização de saúde privada e/ou pública e prevalência de certas enfermidades. “Todas essas questões são importantes e ajudam o exportador a não incorrer em erro, já que nem sempre um mercado que à primeira vista parece maior é de fato o mais vantajoso para as exportações brasileiras”, ressalta. Outro ponto para a efetividade da negociação é conhecer o cliente. E isso quer dizer realmente conhecê-lo: hábitos, necessidades e expectativas. A partir do conhecimento do comprador, entra mais uma etapa importante para exportação: adequar a mercadoria a determinada necessidade. Não precisa alterar o produto, mas realizar pequenas modificações, como manual e interface na língua local podem ser diferenciais, tornando-o muito mais competitivo. A empresa precisa ter uma equipe preparada para atuar conforme os costumes culturais do mercado-alvo que está atacando. Por exemplo, ao realizar reuniões de negócio

na Ásia, espere tomar chá ou água quente, mas não café. Também existe um jeito certo de receber e entregar cartões de visita. Ao visitar alguns países islâmicos a negócios, é importante observar regras de conduta, especialmente para mulheres, que em vários casos devem usar um lenço para cobrir os cabelos e usar roupas compridas. Além disso, homens e mulheres em geral não se cumprimentam com aperto de mão nesses países. Tais regras e costumes devem sempre ser pesquisados antes do início das negociações, para que nenhum erro seja cometido e o cliente não se sinta ofendido pelas atitudes que consideramos normais. Busque pessoas e profissionais, mesmo de outras áreas, que já tiveram experiências com os países que são focos da empresa. Dessa forma, é possível conhecer dicas de comportamento e costumes, para evitar o inicial choque de culturas e evitar contratempos. Construir, portanto, uma rede de contatos com representantes e distribuidores faz muita diferença. Ter um representante local é também respeitar a cultura do país-alvo. O representante conhece os hábitos dos compradores, domina a linguagem, as práticas comerciais e a legislação, sendo essencial para uma negociação eficaz. O relacionamento com os parceiros comerciais também é primordial. Nas transações internacionais, o compromisso com prazos, quantidades e preços é a condição básica para que se tenha credibilidade e acesso ao mercado externo. No caso de exportação, o governo brasileiro ainda oferece benefícios fiscais, como isenção de IPI e ICMS, e linhas de crédito facilitadas via BNDES, como o BNDES Exim. 23


COMEX

ESTRATÉGIA DA VITRINE Você já identificou oportunidades e até vislumbra um país para vender seus produtos? O caminho é mostrar, expor, colocar na “vitrine”. Não são raros os eventos organizados por entidades ligadas ao comércio exterior para propiciar encontros de importadores e exportadores em todo o mundo. As feiras e rodadas de negócios internacionais podem ajudar a encontrar o cliente ideal. Nesse sentido, Apex-Brasil, MDIC, Sebrae e outros auxiliam bastante ao promover esses encontros e levar parceiros brasileiros para expor. As ações do Brazilian Health Devices podem auxiliar a empresa aspirante à exportadora, ou que já exporta, mas quer aumentar suas vendas no mercado internacional, especialmente através de feiras de negócio. São 13 feiras por ano, divididas entre os segmentos de equipamentos médico-hospitalares, odontologia e tecnologias assistivas, com o intuito de fortalecer a marca-país e proporcionar ao empresário brasileiro do setor oportunidades de promoção comercial. Iniciado em 2002, o projeto Brazilian Health Devices reúne cerca de 170 indústrias exportadoras do setor e as representa internacionalmente. Em 13 anos de atuação, contribuiu de forma efetiva para o aumento de 260% nas vendas internacionais do setor. A participação em feiras internacionais por meio do projeto BHD possui um custo de 10 a 20% do que seria o custo de participação individual (sem auxílio do projeto).

LICENÇAS E CERTIFICAÇÕES Toda empresa, antes de vender para outros países, deve obter sua habilitação no Siscomex (Serviço Integrado de Comércio Exterior), que também é conhecida como Radar, uma espécie de licença para exportar mercadorias e serviços. No caso de produtos para saúde, conquistar certificações internacionais é uma exigência. Para conquistá-las, é preciso atender a uma série de requisitos que mostram que o produto segue os parâmetros de qualidade necessários para ser vendido em determinados países.

24

Segundo Brandão, existem as certificações necessárias e as não obrigatórias. “As certificações internacionais necessárias para acessar cada mercado, em diferentes categorias de produtos, são distintas. Dessa forma, vale a recomendação de buscar orientação com a própria equipe de

gestão do projeto setorial. Para cada caso, o conjunto de exigências pode ser mais ou menos restritivo, devendo ser sempre realizada uma análise individual. Mesmo no caso de certificações não obrigatórias, devem ser considerados os potenciais impactos positivos ou negativos de sua obtenção, inclusive em termos de imagem e posicionamento global”, pontua. No caso de quem quer exportar para os Estados Unidos, por exemplo, é preciso obter o registro do produto na FDA (Food and Drugs Administration), órgão governamental desse país responsável pelo controle dos alimentos, suplementos alimentares, medicamentos, cosméticos, equipamentos médicos, materiais biológicos e produtos derivados do sangue humano. “A mesma certificação, exigida nos EUA, sem sombra de dúvidas aumenta a competitividade das empresas em mercados do Oriente Médio, Ásia e até mesmo em alguns países da América Latina”, comenta Luiz Monteiro.

MUDANÇA DE MINDSET A atratividade da atividade exportadora deve ser muito bem planejada, especialmente quando a empresa toma a decisão de fazê-la. Para o professor adjunto I do Curso de Relações Internacionais da ESPM, Diego Bonaldo Coelho, o câmbio é muito importante economicamente e tem impacto no comércio exterior no médio e no longo prazo, mas não pode ser o único atrativo para a decisão. “Só aproveitar o câmbio não se sustenta setorialmente no tempo. É como alçar o voo da galinha”, diz. Segundo ele, existe todo um trabalho de mudança cultural que deve ser feito antes de a empresa de fato começar a exportar. “A mudança do mindset do empreendedor é o principal. Se a empresa pretende expandir internacionalmente o câmbio é muito importante economicamente e tem um impacto no comércio exterior no médio prazo, mas ele não pode ser o único atrativo. A empresa deve pensar de forma estratégica que está construindo uma nova unidade, um braço de negócios com o mercado internacional. Deve se comportar como uma empresa que vai se inserir de maneira sustentável no mercado internacional”, pontua ele, lembrando que é trabalho cultural, não é técnico. “Quando o empresário está interessado, a qualificação técnica anda mais rápido. O que precisa se adaptar é a postura empresarial. Ser uma empresa que, além do mercado interno, também atua no externo.”


25

Fonte: Gente & Mercado


MERCADOS-ALVO

.

Mercados prioritários do PNE (Plano Nacional de Exportações), Colômbia e Costa Rica chamam atenção devido à melhora nas relações que vêm se fortalecendo na última década. A Colômbia está entre as três maiores economias sul-americanas e é um importante destino de investimentos brasileiros. Há, atualmente, cerca de 50 empresas brasileiras lá estabelecidas atuando em setores estratégicos, como siderurgia e infraestrutura, nas áreas de petróleo e mineração, finanças, telecomunicações, tecnologia da informação e no setor de alimentos e bebidas. A economia da Costa Rica também tem melhorado significativamente após a implementação de um plano destinado à expansão da indústria de alta tecnologia. O Brasil exportou em 2015 mais de US$ 2 bilhões para a Colômbia e mais de US$ 267 milhões para a Costa Rica. Desse total, soma-se que mais de US$ 40 milhões foram investidos em equipamentos médicos e odontológicos. Das empresas associadas ao Brazilian Health Devices, 81 atuaram exportando mais de 80 tipos de produtos para esses países no ano de 2015, entre eles artigos e aparelhos ortopédicos liderando em 2015 em ambos os países.

ESTABILIDADE MACROECONÔMICA E CRESCIMENTO FAVORECEM O ADENSAMENTO DAS RELAÇÕES COMERCIAIS COM COLÔMBIA E COSTA RICA

O total exportado por essas empresas é de quase US$ 7 milhões, sendo US$ 653.098 para a Costa Rica e US$ 6.240.341 para a Colômbia. Os números representam 46,4% e 34,3% do total de exportações de produtos médicos e odontológicos do Brasil para esses países, um número considerado ótimo pela gerente de marketing e exportação da ABIMO, Clara Porto. “É uma grande representatividade das empresas do nosso projeto, e das empresas nacionais, ainda mais que o restante dessas exportações é, em sua maioria, de multinacionais baseadas no Brasil, que fabricam aqui e fazem exportação para suas próprias filiais nesses países (intercompany)”, explica ela. Apesar de o número estar dentro do esperado, há espaço para mais exportações brasileiras entrarem no país. “Além de toda a facilidade geográfica que o Brasil tem em relação aos dois países, nossos produtos têm custo efetivo extremamente positivo levando em consideração a alta qualidade e o

26


preço competitivo”, explica Larissa Gomes, analista de promoção comercial do Projeto Brazilian Health Devices. Este ano, o BHD fez um primeiro ciclo de reuniões no mês de junho com os dois países objetivando conhecer as oportunidades para setor brasileiro de equipamentos médicos e odontológicos. Os encontros aconteceram entre os dias 6 e 10 de junho. Na primeira reunião da agenda em San José, na Costa Rica, Larissa se encontrou com a Crecex, Câmara de Comércio Exterior do país, com o objetivo de entender os desafios e as oportunidades para setor brasileiro de equipamentos médicos e odontológicos. Em um segundo momento, a analista se reuniu com representantes da Cinde – agência de promoção de investimentos do país – para discutir futuras parcerias. Na Colômbia, ela se encontrou com o primeiro secretário da embaixada brasileira no país, Guilherme Bayer, no dia 8 de junho, e com os representantes da Apex-Brasil na Colômbia, Camila Rey e Carlos Sanchez, no dia 9. Entre os dias 24 de agosto e 2 de setembro, ocorrerá uma missão comercial para os países. “Essa será uma grande oportunidade para mostrar os produtos e atrair potenciais clientes”, diz a analista de promoção comercial da ABIMO. Colômbia e Costa Rica fazem parte do Grupo de Trabalho da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) em Dispositivos Médicos. Em linhas gerais, segundo a Anvisa, os representantes das autoridades se reúnem para discutir a situação regulatória de produtos para a saúde nas Américas, as fraquezas, as fortalezas e os desafios. As autoridades apresentam as mudanças ocorridas (updates) e buscam a convergência de procedimentos regulatórios em dispositivos médicos nesses encontros.

COLÔMBIA Do conjunto de 76 projetos setoriais da Apex-Brasil, 38 têm a Colômbia como alvo, incluindo, além dos setores da ABIMO, os de máquinas e equipamentos, farmacêutico, calçadista, de eletrônicos e tecnologia da informação. O país é o segundo que mais atrai interesse das empresas apoiadas pela Apex-Brasil, perdendo apenas para os Estados Unidos. A Colômbia tem registrado crescimento muito importante nos últimos anos, principalmente depois que o governo começou a negociar o processo de paz com a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). “É um mercado promissor, com classe média em expansão, sendo o segundo país mais populoso da América do Sul”, comenta a gerente de marketing e exportação da ABIMO, Clara Porto. A região é extremante importante para a Magnamed, pois é a maior base da empresa instalada na América Latina. Segundo Reginaldo Damião, gerente de exportação, o país é seu

COLÔMBIA BALANÇA COMERCIAL - COLÔMBIA - US$ FOB 2013

2014

2015

Var. % 14/13

Var.% 15/14

Exportação

33.480.694

35.466.868

30.232.220

5,9

Importação

24.973.929

18.408.819

15.430.655

- 26,3

-16,2

BC

8.506.765

17.058.049

100,5

-13,2

14.801.565

- 14,8

Fonte: ALICEWEB – MDIC

27


MERCADOS-ALVO

segundo maior importador devido ao rápido crescimento econômico do país e ao aumento significativo nos investimentos na área da saúde. “A Magnamed manda seus ventiladores pulmonares para a Colômbia desde 2012. A inovação de nossos produtos foi uma grande porta de entrada no país, pois o Oxymag é um ventilador de transporte que atende a neonatal, pediátrico e adulto”, ele conta.

“De fato, o país é um dos preferidos das empresas iniciantes”, comenta Clara. “O registro sanitário de produtos médicos e odontológicos na Colômbia pode sair em poucos dias, dependendo do caso, ou em poucos meses, mas raramente leva mais do que 90 dias para ser efetivado”, explica.

Para Damião, o que mais dificulta a exportação é o fato de o governo brasileiro não ter uma linha de crédito direto para hospitais colombianos, como acontece com outros países que negociam equipamentos médicos com a Colômbia. Em contrapartida, o fato de as empresas daqui poderem exportar seus produtos com o certificado de origem brasileira diminui algumas taxas de importação, o que é uma grande facilidade. Além disso, não há restrições dos financiadores nacionais, como Banco do Brasil e BNDES, em prover recursos de financiamentos tanto para o exportador quanto para o importador. “Podemos citar também a similaridade nas oscilações de câmbio, o que facilita o pagamento pelo distribuidor e os aspectos logísticos que facilitam o envio dos produtos por navio”, lembra José Flosi, gerente de exportação da Fanem, empresa que teve a Colômbia como um dos primeiros destinos de exportação, na década de 1970. “Foi em 2002 que se iniciou um ciclo de exportação bastante forte por meio de um distribuidor”, conta.

A Anvisa concluiu em maio deste ano seu projeto de cooperação internacional com a Autoridade Sanitária da Colômbia – o Invima. O escopo geral do projeto abarcou diversas atividades, inclusive aquelas relacionadas a produtos médicos. Ainda segundo a Agência, do encerramento do projeto de cooperação surgiu a elaboração de um Memorando de Entendimento entre a Anvisa e o Invima, para o aprofundamento das nossas relações bilaterais, que ainda está em fase de avaliação. Há ainda a realização constante de atividades isoladas de cooperação, como consultas realizadas entre as áreas técnicas de ambas as entidades, realização de teleconferências, bem como participação de representante do Invima no programa de intercâmbio regulatório da Anvisa. A Colômbia tem uma posição importante também nas exportações da Olidef para a América Latina. “O país é o segundo no ranking de vendas na região e um dos cinco principais em nossa pauta de exportações”, conta o presidente da empresa, André Ali Mere. Os produtos da Olidef já estão no

Exportações BI - PROJETO BHD Costa Rica

N. empresas N. NCMs exportadas valor exportado US$ % exp. total Brasil taxa cresc %

28

Colômbia

2013 23

2014 20

2015 23

2013 53

2014 54

2015 58

28

29

30

49

53

57

738.094

835.902

653.098

6.231.133

6.524.203

6.240.341

50,50%

55,20%

46,40%

30

31,3

34,3

30

45,8

-18,6

9,2

5,6

-2,6


país desde o início da década de 1990 e são muito bem aceitos pelo mercado colombiano. A empresa tem metas ambiciosas, porém realistas, para o mercado de equipamentos voltados à neonatologia. Nos últimos três anos, as vendas da Olidef têm crescido a uma taxa de 55% por ano, em média.“Sem dúvida isso tem relação com a qualidade e a boa reputação dos nossos produtos”, comemora.“A competição passa por algumas especificações técnicas e documentais que eventualmente são exigidas, e temos enfrentado esse desafio com muita agilidade na adequação de nossos produtos.”

COSTA RICA A Costa Rica é um dos países democráticos mais consolidados das Américas. Sua economia emergiu de uma recessão em 1997 e desde então mostra forte crescimento. A localização no istmo da América Central dá-lhe acesso fácil aos mercados norte-americanos, visto que se situa no mesmo fuso horário de parte dos Estados Unidos, e acesso direto por oceano à Europa e à Ásia. Várias empresas globais de alta tecnologia já se instalaram na área. Existem isenções fiscais para os investidores que quiserem investir no país. Com seu nível elevado de residentes formados, Costa Rica é um local atraente para investimentos.

marcas. “Porém os hospitais são bastante equipados e contam com redundância de equipamentos em quase todas as áreas, resultado de grandes licitações ocorridas há um tempo”, lembra o executivo da Fanem. Já a Magnamed projeta trabalhar em parceria com as instituições de ensino locais e aumentar a participação em eventos no país. “A Costa Rica é um mercado muito importante também, por isso estamos no processo de adquirir o registro sanitário”, conta ele. Tanto Colômbia quanto Costa Rica são mercados que interessam à Olsen para ampliar sua atuação no Continente, onde já se destaca em destinos como México, Chile e Cuba. “As negociações com a Costa Rica existem, são frequentes”, conta o representante da empresa, Santiago Carrau Chiarino.

O sistema de licitação do país, segundo José Flosi, é um pouco diferenciado, pois não leva em consideração exclusivamente o preço, ou seja, existe maior liberdade para escolher modelos e marcas, além de ser um país com elevado grau de exigência e fiel a algumas

COSTA RICA

BALANÇA COMERCIAL - COSTA RICA - US$ FOB 2013

2014

2015

Exportação

11.146.872

11.347.686

9.926.590

Importação

22.482.768

20.869.205

BC

- 11.335.896

- 9.521.519

Var. ar. % 14/13

Var.% 15/14

1,8

- 12,5

26.131.616

- 7,2

25,2

- 16.205.026

- 16,0

70,2

Fonte: ALICEWEB – MDIC

29


CAPA

TECNOLOGIA

ASSISTIVA

BRASILEIRA TIPO EXPORTAÇÃO COM BOAS PERSPECTIVAS NO MERCADO LOCAL, TECNOLOGIA ASSISTIVA É TAMBÉM OPORTUNIDADE; FABRICANTES SE PREPARAM PARA INTERNACIONALIZAÇÃO Na Alemanha a acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida é regra e não exceção. Além de as cidades serem pensadas e construídas para ser completamente acessíveis – calçadas bem feitas, niveladas e sem obstáculos; bondes com piso baixo que facilita o acesso ao transporte público; sistemas de orientação para cegos e pessoas com baixa visão –, o país tem a maior indústria de tecnologia assistiva do mundo, seguido dos Estados Unidos. Em terceiro lugar no ranking vem o Brasil que, embora ainda tenha muito espaço para crescer até estar apto a ser comparado à Alemanha (considerada benchmarking no quesito tecnologias assistivas), tem participação de 18% no mercado global de tecnologia assistiva.

30

Segundo dados do Censo de 2010, existem cerca de 45 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, o equivalente a 23% da população. Nesse contexto, entende-se como pessoas com deficiência o público que nasceu ou adquiriu ao longo da vida algum problema físico, visual ou auditivo que impeça a plena mobilidade.


Inclui-se aqui também o crescente número de idosos no país. Para atender essa parcela da população, existe o mercado de bens e serviços de tecnologia assistiva. Segundo dados da ABIMO no primeiro semestre de 2016, as exportações de produtos de acessibilidade apenas na área de saúde, como próteses, caíram 52,7% em relação ao mesmo período de 2015. Foram US$ 22,1 milhões de janeiro a junho 2016 e US$ 46,7 milhões no mesmo período de 2015. Destaque é para o crescimento das exportações de cadeiras de rodas (89,1%), de aparelhos para facilitar a audição dos surdos (83,6%) sem os acessórios; só acessórios cresceram 322%. Um estudo realizado pelo CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) a pedido da Secis/MCTI (Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) identificou que o Brasil tem grande competência para o desenvolvimento de tecnologia assistiva, mas, para que ocorra, é fundamental que ações planejadas e integradas sejam implementadas considerando a participação de governo, associações de classe e indústria. Na avaliação do especialista do CGEE e coordenador do estudo, Milton Paz, há potencial intelectual no Brasil para o desenvolvimento dessas tecnologias, em condições semelhantes ou até superiores em relação a iniciativas de instituições de países de primeiro mundo, como a Alemanha, a Inglaterra ou os Estados Unidos. Para incentivar e incrementar os negócios na área, a Apex-Brasil tem voltado esforços para aumentar o número de empresas brasileiras da área de tecnologia assistiva no exterior. A Agência firmou parceria com a ABIMO para pôr em prática um plano de negócios que indicará potenciais mercados no exterior. Nesse projeto se pretende organizar internamente uma parte do setor, regulamentá-lo e prepará-lo para o mercado internacional. Segundo Clara Porto, gerente de marketing e exportação da ABIMO, a ideia é fazer um planejamento estratégico que impulsionará as exportações dos fabricantes

31


CAPA

brasileiros de produtos de tecnologia assistiva de saúde. Além de fazer um estudo detalhado sobre o mercado local – com mapeamento dos fabricantes e identificação de lacunas e pontos a melhorar para fortalecer a indústria nacional –, a ABIMO trabalhará em conjunto com associações de países cujo segmento de tecnologia assistiva já está estrategicamente organizado.

segmento. O objetivo inicial era apenas sondar o mercado e compreender melhor o setor nos EUA, porém o resultado foi tão bom que, segundo Clara Porto, da ABIMO, a expectativa é de cerca de US$ 500 mil em negócios para os próximos 12 meses para as duas empresas que expuseram soluções na feira, Jumper Wheelchairs e Ibramed.

“A ABIMO buscará fazer um trabalho de aproximação para troca de experiências, mantendo sempre a Apex-Brasil envolvida no processo. Além de associações alemãs, também consultaremos a Medilink UK, contraparte britânica com a qual a ABIMO já tem Memorando de Cooperação assinado, e a ADVAMED, contraparte dos Estados Unidos”, explica. Segundo ela, dados prévios mostram que ao menos 30 grupos brasileiros do setor têm capacidade de exportação. No entanto, o potencial é muito maior, pois empresas menores ainda enfrentam algumas dificuldades para exportar, como o custo de obtenção de certificações, por exemplo.

Com a exposição de produtos com layout bonito e cores que chamaram a atenção de quem passava, a participação do Brasil foi muito positiva. Além dos produtos, o stand brasileiro trouxe alguns para-atletas para a demonstração. Foi o caso da para-atleta da seleção brasileira de basquete sobre rodas e medalhista de bronze nos jogos Parapan-Americanos de 2015, Paola Klokler, que foi modelo para a fisioterapeuta Juliana Corrêa, da Ibramed Brasil, e que utiliza cadeiras Jumper Wheelchairs.

A parceria já começa a render frutos. Em maio deste ano, empresas associadas à ABIMO e que fazem parte do projeto Brazilian Health Devices participaram, em Nova Jersey, Estados Unidos, de uma das maiores feiras de tecnologia assistiva que existem no mundo, a Abilities Expo New York Metro. Essa foi a primeira participação brasileira em uma feira focada em um único

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A fisioterapeuta realizou um fortalecimento muscular usando Corrente Aussie com Paola. A técnica foi desenvolvida na Austrália e traz melhora para o tônus muscular e para a circulação sanguínea.


O atleta de Crossfit Diego Coelho também participou da feira no stand brasileiro. Com a ajuda do fisioterapeuta da Ibramed Daniel Marques, ele fez um trabalho de fortalecimento muscular com a cadeira da Jumper. Voltada à comunidade de pessoas com deficiência, famílias, idosos, veteranos e profissionais de saúde, a Abilities Expo acontece também em Chicago (Illinóis), Houston (Texas), Boston (Massachusetts), Los Angeles (Califórnia), Bay Area (Califórnia), DC Metro (Washington DC); no Canadá, em Toronto (Ontário).

PORTAS ABERTAS De acordo com a Apex-Brasil, existem mais de 7 mil empresas na área, e o mercado cresce até 20% ao ano, movimentando cerca de R$ 5,5 bilhões em 2015. Para 2016, a previsão é de investir R$ 2 milhões na promoção comercial das empresas do setor de tecnologia assistiva. Além de trabalhar para conseguir os certificados internacionais necessários para a internacionalização dessas empresas, o projeto Brazilian Health Devices, executado pela ABIMO em parceria com a Apex-Brasil, já confirmou a participação do Brasil em três grandes feiras internacionais do ramo por ano, entre elas a Rehacare 2016, na Alemanha, a maior do mundo. A participação e o comprometimento de todos os atores envolvidos no tema são essenciais para alavancar esse mercado, inclusive no exterior. Segundo a secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Battistella, é impossível fazer avançar as políticas públicas e transformar a sociedade sem o comprometimento de todos. Isso se aplica aos governos, ao setor privado e produtivo, à sociedade civil organizada, às instituições acadêmicas e a cada um de nós. “O setor produtivo deve estar comprometido

com a sustentabilidade de suas ações, com a redução de custos que garanta nível apropriado de qualidade e com o acompanhamento adequado após o fornecimento de seus produtos”, pontua. Oportunidades existem e sobram. Segundo ela, que cita um levantamento da ABOTEC (Associação Brasileira de Ortopedia Técnica) realizado em 2011, a demanda não atendida por produtos assistivos indicava 20 milhões de brasileiros na época. No âmbito internacional, a possibilidade de crescimento da indústria mundial do setor é de 180 vezes a atual. Ou seja, podemos desempenhar um papel importante em nossa região, fomentando a produção de dispositivos assistivos de qualidade para o mercado externo. “Contudo, ao longo dos últimos anos, nossas importações de produtos assistivos não só cresceram como aumentaram em ritmo mais acelerado do que as nossas exportações. Hoje o nível de participação desses produtos em nossa balança comercial é pequeno e tem se mantido constante”, alerta. Segundo Linamara, a Secretaria de Estado dos Direitos das Pessoas com Deficiência de São Paulo contribui para o desenvolvimento de políticas públicas, programas e projetos orientados a fomentar a cadeia produtiva do 33


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setor de tecnologias assistivas, de pesquisa e inovação ao desenvolvimento, manufatura, distribuição, logística e comércio, incluindo serviços públicos e privados de saúde, mercado e, em especial, usuário. Entre as ações, ela destaca o Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência, realizado anualmente, que inclui um seminário internacional e uma exposição de inovação em tecnologias assistivas com a participação de profissionais de saúde, representantes do setor público, empresas de base tecnológica, universidades, organizações da sociedade civil, imprensa e pessoas com deficiência e suas famílias. Além disso, para promover a inovação, gerar interesse e fomentar os temas da deficiência, da reabilitação e da tecnologia assistiva entre alunos de graduação de áreas afins, promovem eventos como o TOM São Paulo, estreitando a relação entre a Universidade, as empresas e os potenciais usuários das soluções criadas por meio de técnicas de engenharia rápida. Outro destaque da secretaria estadual é um projeto em parceria com o Ministério dos Esportes para a criação de um laboratório de tecnologia assistiva, que funcionará com base no IMREA (Instituto de Medicina Física e Reabilitação) e no Centro Paraolímpico Brasileiro. “É preciso que a ciência do esporte e da reabilitação caminhem juntas. Por meio do Centro Paraolímpico Brasileiro, promoveremos um conceito interdisciplinar que combina medicina, fisioterapia, psicologia, fisiologia, biomecânica, nutrição e metodologia de treinamento, entre outros”, pontua ela. No Centro Paraolímpico estão sendo preparados o Laboratório de Ciência do Esporte, o Laboratório de Força, de Avaliação Cardíaca, de Medidas Antropométricas e o de Controle de Doping. O IMREA, por sua vez, conta com Laboratório de Análise do Movimento, de Bioengenharia, de Tecnologia de Cadeira de Rodas, além de uma oficina de Órteses, Próteses e Meios Auxiliares completa e de diversos equipamentos para a avaliação e a terapia de pessoas com deficiência. “O que queremos é coordenar nossos esforços para que 34

haja o maior nível possível de sinergia entre nossas ações. O ganho obtido na preparação dos atletas com deficiência de alto rendimento deve ser transferido para a realidade de pessoas com deficiência em processo de reabilitação, o que inclui o desenvolvimento de novos produtos assistivos capazes de aumentar o desempenho”, diz. A cidade de São Paulo desponta como uma metrópole de convergência da criação científica e políticas públicas de incentivo à produção tecnológica, segundo a secretária municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo, Marianne Pinotti. São diversos editais e formas de incentivo à inclusão na cultura, educação, mobilidade urbana e saúde. De acordo com ela, o avanço se deu por conta da Lei 12.613 que, desde 2012, permite a concessão de subvenção econômica para bancos federais em financiamentos de bens e serviços de tecnologia assistiva. “Isso consequentemente estimula o mercado produtor nacional e demonstra o compromisso do Brasil no desenvolvimento do setor, inclusive”, pontua. Na Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marianne destaca a criação da CIL (Central de Interpretação de Libras) para atender às demandas de comunicação de pessoas com deficiência auditiva e surdos, seja com um intérprete presencialmente ou com o vídeo do aplicativo da CIL. Além disso, pontua que a produção de novas modalidades de tecnologias assistivas ganham força com o Programa VAITEC, da Adesampa (Agência São Paulo de Desenvolvimento), cujo edital premia com pontos extras os projetos proponentes com enfoque em acessibilidade e inclusão.


“Esses esforços também aparecem em ações do transporte e planejamento urbano com a criação de aplicativos com navegação universal e que fornecem, mais uma vez, a tão estimulada autonomia da pessoa com deficiência visual, por exemplo, de circular pelas linhas de ônibus e trens da capital.” “Hoje universidades, instituições de ensino e organizações são polos de fomento a tecnologias que conseguem olhar para a pessoa com deficiência como um público em potencial e que devem ter suas necessidades desestigmatizadas como problemas”, destaca Marianne. Essa nova geração de pesquisadores que está sendo formada pelo país – inclusive com o incentivo de programas como o Ciência Sem Fronteiras e diversos outros em âmbito municipal – consegue ter a sensibilidade de olhar diretamente para as barreiras sociais e usam seu potencial para desenvolver essas habilidades funcionais para a

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Hoje o Brasil é um dos principais países que desenvolvem tecnologias assistivas. Se ainda não somos os principais fabricantes da mais alta tecnologia, ganhamos em relação à criatividade e ao potencial de adaptação.” Daniel Blanco

melhoria de vida da pessoa com deficiência. Para contribuir ainda mais com o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à tecnologia assistiva, foi criado, em 2012, pelo CTI/MCTI (Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) o CNRTA (Centro Nacional de Referência em Tecnologia Assistiva). O centro, segundo Roque Eduardo Cruz, pesquisador do CNRTA, além de contribuir para o planejamento, elaboração e implementação da Política Nacional de tecnologia assistiva, tem a missão de promover serviços de informação, divulgação, assessoria, formação e apoio sobre produtos e serviços de tecnologia assistiva, e também incentivar a pesquisa, o desenvolvimento e a

inovação (PD&I) em tecnologia assistiva. “Nosso trabalho é referência global em tecnologia assistiva para o Brasil e para a América Latina. Isso só se tornou possível porque nos primeiros anos houve um trabalho de criação da rede nacional de pesquisa”, destaca. De acordo com ele, a iniciativa deu origem aos 84 Núcleos de Pesquisas da atual Rede Nacional. Para Cruz, nos próximos anos as perspectivas são de desafios e oportunidades. “Desafios porque a demanda de tecnologia no mundo e no Brasil tende a crescer rapidamente. Identificamos oportunidades em conversas com representantes da indústria e do governo de países desenvolvidos, cuja demanda já é atendida. Hoje, eles trabalham somente com reposição. Já para Brasil e América Latina, a demanda reprimida é maior do que a que os países desenvolvidos já atenderam”, ressalta.

PRODUTOS INCLUSIVOS O Brasil se destaca no mercado não só pelas iniciativas governamentais voltadas a estimular e fomentar o mercado de produtos de tecnologias assistivas mas também pelos produtos inovadores. Para a Ibramed, fabricante de aparelhos para reabilitação, a tecnologia assistiva tem como objetivo primordial promover o melhor conforto e acessibilidade para as pessoas com deficiência física. Sua importância consiste em desenvolver cada paciente ao máximo dentro de sua limitação. “Hoje o Brasil é um dos principais países que desenvolvem Tecnologias Assistivas. Se ainda não somos os principais fabricantes da mais alta tecnologia, ganhamos em relação a criatividade e potencial de adaptação”, afirma Daniel Blanco Marques, gerente do Departamento de Marketing e Comércio Exterior da empresa. Segundo Marques, apesar de ainda não nos igualarmos à Alemanha, o Brasil está avançando consideravelmente em direção a uma sociedade mais inclusiva, mas ainda falta mobilização social e governamental para que esse objetivo possa ser alcançado. Na Ibramed, uma grande porcentagem do faturamento é reinvestida na 35


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Mais do que simplesmente ensinar a construir uma cadeirinha, a intenção é estimular o empoderamento dos pais na busca de soluções para seus filhos.” Erika Foureaux

empresa para desenvolvimento de novos produtos. “Dispomos de um amplo número de engenheiros que estão sempre se capacitando dentro e fora do país para desenvolvimento de tecnologia de ponta”, destaca o executivo. O produto mais vendido da Ibramed é o Sonopulse III, um equipamento compacto de ultrassom de 1 e 3 MHz. Ele realiza uma das terapias mais conhecidas na área da fisioterapia – é responsável pelo trabalho analgésico, anti-inflamatório e de regeneração de tecidos. Fundada em 2003, a ONG Noisinho da Silva, de Belo Horizonte (MG), tem como propósito utilizar o design universal como ferramenta de inclusão. Assim projeta mobiliário, objetos e equipamentos que atendam crianças, deficientes ou não, oferecendo acessibilidade, independência e autonomia em ambientes escolares, domésticos e públicos. Atuando basicamente com recursos provenientes de patrocínios e de doações, a ONG já desenvolveu dois produtos: a Carteira Escolar Inclusiva e a Ciranda, uma cadeira para chão usada antes do período escolar que permite à criança ficar sentada. Segundo Erika Foureaux, idealizadora e fundadora da ONG, nenhuma criança deve ser julgada ou definida por alguma de suas deficiências. “Na nossa sociedade, vemos as nossas diferenças nos definindo.

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A deficiência só é mais uma característica da pessoa”, afirma. Os produtos são vendidos através de um site. No entanto, como o projeto tem como mote principal a inclusão, a ONG promove encontros para que os pais também possam colaborar no desenvolvimento dos produtos. No caso da cadeirinha Ciranda, é feita desde 2007 a Oficina da Ciranda. Durante dois dias famílias em situação econômica vulnerável participam de um evento social gratuito no qual os pais podem construir a cadeira em MDF enquanto as crianças participam de atividades culturais. “Mais do que simplesmente ensinar a construir uma cadeirinha, a intenção é estimular o empoderamento dos pais na busca de soluções para seus filhos, de maneira personalizada, fortalecendo a relação”, diz ela. Antes de desenvolver os produtos, Erika conta que pesquisou. No caso da ciranda, em 2006 foram consultadas 340 famílias em situação de vulnerabilidade econômica. Embora sejam industrializadas, as cirandas contêm toda uma tecnologia que permite ajustes para crianças com deficiências.


ESPORTE E DIGNIDADE

É o caso da jogadora da Seleção Feminina de Basquete em Cadeira de Rodas Paola Klokler. Pronta para participar dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, Paola, que nasceu com má-formação congênita no membro inferior esquerdo, diz que o Brasil vem crescendo muito no que diz respeito a desenvolvimento de tecnologias assistivas. “Já em relação à acessibilidade, o país continua ruim. Eu uso uma prótese e não consigo andar nas calçadas, por exemplo. É muito complicado ter que se adaptar o tempo todo ao ambiente onde vivemos”, diz ela, que pratica também dança do ventre e já participou de competições de natação. O fato de o Crossfit ainda não ser uma modalidade olímpica não desanima o atleta Diego Coelho. A determinação nunca some. Diego ficou paraplégico em um acidente em 2011 e, depois de ganhar 130 kg, fez uma cirurgia bariátrica e passou a pesar 65 kg. Aí, o esporte

entrou na sua vida e, em maio deste ano, ele foi o único cadeirante brasileiro a se classificar para o UGSERIES, evento internacional de Crossfit no Canadá, ficando entre os top 5 da competição. Para ele, cujos feitos incluem organizar o primeiro Games Crossfit Cadeirantes do Brasil, a tecnologia assistiva tem um papel primordial na vida do cadeirante. “Melhora a qualidade de vida dos atletas e, mais que isso, acrescenta no potencial do atleta na sua modalidade. Apoia a recuperação muscular, aumenta o desempenho de atletas”, pontua. Steven Dubner, da ADD (Associação Desportiva para Deficientes), diz que o Brasil ainda precisa evoluir muito no que diz respeito à inclusão e que isso abre muitas portas para a indústria local, especialmente no quesito de tecnologia assistiva. “São enormes as possibilidades de desenvolvimento de produto. O empresário brasileiro ainda não percebeu que é um segmento não explorado. Enquanto nos EUA 10 mil pessoas ficam paraplégicas por ano, no Brasil são 10 mil por mês”, ressalta ele. “Se formos avaliar todos os equipamentos tecnológicos que existem fora do Brasil, percebemos que não temos quase nada”, diz. Ele é formado em Educação Física e se especializou nos últimos 29 anos em esportes para as pessoas com deficiência no Brasil e nos Estados Unidos e em diversas paralimpíadas.

Fonte: Portaria 142 de 16 de novembro de 2006 (CAT).

O esporte é, hoje, um dos maiores meios de inclusão da pessoa com deficiência. E também, sobretudo, meio de divulgação das iniciativas. Empresas já enxergam valor em patrocinar atletas que utilizam alguma tecnologia assistiva para suprir alguma deficiência como forma de fortalecer o setor. Em contrapartida, os atletas também ajudam nas demonstrações de produtos em eventos de negócios, como feiras internacionais e congressos.

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PING-PONG

PING-PONG COM MARA GABRILLI Mara Gabrilli atualmente é Deputada Federal e Terceira Secretária da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados pelo PSDB de São Paulo. Ela é também empreendedora social, à frente, desde 1997, do Instituto Mara Gabrilli, ONG que apoia atletas com deficiência, promove o Desenho Universal e fomenta pesquisas científicas e projetos sociais. Publicitária e psicóloga, em 20 de agosto de 1994, Mara sofreu um acidente de carro que a deixou tetraplégica. Passou cinco meses internada – dentre os quais dois em respirador artificial – e recebeu uma nova condição para a vida: a impossibilidade de se mexer do pescoço para baixo. O que parecia o começo de uma vida paralisada acabou se tornando o oposto. Desde então, são tantos os movimentos dessa paulista de 48 anos em prol dos direitos das pessoas com deficiência e da acessibilidade que fica difícil listá-los. “Costumo dizer que sou um exemplo prático de que sozinhos não chegamos a lugar algum”, diz. No currículo, ela também tem os cargos de secretária da Pessoa com Deficiência da Prefeitura da capital paulista e vereadora na Câmara Municipal de SP. Em dezembro de 2011, foi avaliada pela Revista Veja como a terceira melhor parlamentar do ano, entre os 513 da Câmara dos Deputados, sendo a primeira colocada entre as mulheres e entre os parlamentares de São Paulo. Em agosto de 2008, foi avaliada como a segunda melhor vereadora paulistana, entre os 55 vereadores, por estudo da ONG Voto Consciente. Como Deputada Federal, por cinco anos consecutivos foi laureada pelo Prêmio Congresso em Foco, onde ficou entre os melhores parlamentares da Câmara dos Deputados na visão de 186 jornalistas de 45 veículos de comunicação que cobrem o Congresso Nacional. Nessa entrevista exclusiva para a ABIMO em Revista, a Deputada fala sobre suas vitórias e pleitos atuais e também sobre a importância da indústria da saúde para a melhoria da qualidade de vida e acessibilidade de pessoas com deficiência.

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ABIMO em Revista: A Sra. esteve no Evento em Nova York que comemorou 10 anos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Quais foram os pontos fortes da convenção? Mara Gabrilli: A reunião em Nova Iorque discutiu diversas temáticas dentro do universo da pessoa com deficiência, mas as principais mesas abordaram três temas: pobreza, deficiência intelectual e tecnologias assistivas e para comunicação. AR: Quais são as suas ações contra a suposta extinção da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência? M.G.: A Secretaria foi extinta pela Dilma Rousseff um pouco antes de ela ser afastada pelo Congresso Nacional. Minha primeira medida foi protocolar, na Câmara dos Deputados, uma emenda à Medida Provisória 726/16 para corrigir essa omissão e listar textualmente a Secretaria Nacional e suas atribuições na estrutura e organização do Ministério da Justiça e Cidadania. Posteriormente, estive pessoalmente reunida com o presidente em exercício Michel Temer e com o Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para falar da importância da Secretaria e pedir-lhes sua volta. Felizmente fomos atendidos e, alguns dias depois, o presidente Temer assinou um Decreto recriando a Secretaria Especial dos Direitos das Pessoas com Deficiência. AR: A Sra. visitou as repartições do Centro de Treinamento Paraolímpico em São Paulo. Quais foram as suas impressões? M.G.: Fiquei impressionada com a estrutura do Centro. A expectativa é de que seja o principal centro de excelência do Brasil e da América Latina para o esporte paraolímpico, aumentando muito as chances para que o Brasil alcance sua meta de terminar os Jogos Paralímpicos de 2016 entre os cinco primeiros do quadro geral de medalhas. Mais do que isso, vai estimular o paradesporto de alto rendimento, estimulando e desenvolvendo o esporte adaptado no país. O esporte é, hoje, um dos maiores meios de inclusão da pessoa com deficiência.

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PING-PONG

AR: Falando um pouco das tecnologias assistivas, principalmente no que diz respeito às empresas associadas à ABIMO, qual é a sua opinião sobre os produtos fabricados no país?

assistiva; e facilitar e agilizar o processo de inclusão de novos recursos de tecnologia assistiva no rol de produtos distribuídos no âmbito do SUS e por outros órgãos governamentais.

M.G.: Os produtos brasileiros de tecnologias assistivas tiveram um grande avanço nos últimos anos. Quando sofri o acidente que me deixou tetraplégica, em 1994, tínhamos outra realidade, com os produtos brasileiros deixando muito a desejar. Com o tempo, as empresas do setor passaram a perceber a importância e necessidade de desenvolver produtos de qualidade, passaram a aumentar investimentos, e hoje colhemos o fruto disso tudo. Hoje, por exemplo, a cadeira que utilizo é de marca brasileira. No entanto, quando comparamos com os produtos de tecnologia assistiva de países como Estados Unidos e Japão, ainda estamos atrasados. Os produtos chegam aqui com dois ou três anos de defasagem em relação aos produtos de ponta dos países citados. Isso se deve muito ao processo regulatório do setor, que precisa ser revisto o quanto antes.

AR: A Sra. cobrou providências do governo federal, que ainda não garantiu aos trabalhadores com deficiência o direito previsto na Lei Brasileira de Inclusão e protocola PL para incluir também os dependentes do trabalhador no saque do FGTS para aquisição de órteses e próteses. Qual seria o impacto dessa decisão favorável às pessoas com deficiência?

AR: A Sra. tem alguma proposta referente ao tema de tecnologias assistivas? M.G.: Em 2011 fui relatora da MP 550/11, convertida na Lei 12.613/12, que oferece linha de crédito para aquisição de tecnologia assistiva, como cadeiras de rodas, muletas e aparelhos auditivos, destinada a pessoas com deficiência. Já na relatoria da Lei Brasileira da Inclusão, que entrou em vigor no início deste ano, garantimos à pessoa com deficiência o acesso a produtos, recursos, estratégias, práticas, processos, métodos e serviços de tecnologia assistiva que maximizem sua autonomia, mobilidade pessoal e qualidade de vida. Neste momento, minha luta é pela regulamentação do artigo 75 da LBI, que determina que o poder público desenvolva um plano específico de medidas, a ser renovado a cada quatro anos, com a finalidade de facilitar o acesso a crédito especializado, inclusive com oferta de linhas de crédito subsidiadas, específicas para aquisição de tecnologia assistiva; simplificar e priorizar procedimentos de importação de tecnologia assistiva; criar mecanismos de fomento à pesquisa e à produção nacional de tecnologia assistiva, inclusive por meio de concessão de linhas de crédito subsidiado e de parcerias com institutos de pesquisa oficiais; eliminar ou reduzir a tributação da cadeia produtiva e de importação de tecnologia

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M.G.: A recente aprovação da Lei Brasileira da Inclusão representou um marco na trajetória brasileira rumo à inclusão das pessoas com deficiência na plenitude de seus direitos. Uma das novidades relevantes consta em seu artigo 99, que acrescentou o inciso XVIII ao artigo 20 da Lei nº 8.036, de 1990, para possibilitar o direito de saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço): “quando o trabalhador com deficiência, por prescrição, necessite adquirir órtese ou prótese para promoção de acessibilidade e de inclusão social”. A ideia do novo projeto de lei apresentado é ampliar a proteção das pessoas com deficiência incluindo também os dependentes do trabalhador na hipótese de saque do FGTS para aquisição de órteses e próteses, em razão de deficiência e mediante prescrição. AR: Como a indústria de equipamentos médicos pode ajudar na luta por maior inclusão dos deficientes? M.G.: A indústria de equipamentos médicos tem papel fundamental na inclusão das pessoas com deficiência. Sem saúde, a pessoa não consegue sair de casa. Existe um grande número de pessoas, seja com deficiência, seja com doenças neuromusculares, que precisam de aparelhos como o Cough Assist, por exemplo, que ajuda a tossir. O avanço na produção e no desenvolvimento de equipamentos como esse podem salvar vidas. Num segundo momento, as órteses e próteses podem devolver a dignidade à pessoa com deficiência, possibilitando seu ir e vir, sua autonomia. É um papel fundamental. AR: A Lei Brasileira de Inclusão das Pessoas com Deficiência já está em vigor. A Sra. pode nos falar um pouco dos termos mais relevantes dessa lei? M.G.: Olha, são muitas novidades e direitos conquistados. Para citar alguns, na educação, tivemos


a proibição de escolas privadas cobrarem a mais de alunos com deficiência, a oferta de profissionais de apoio escolar, a obrigatoriedade de escolas de idiomas, informática e outros cursos livres oferecerem material acessível. Na assistência social, temos mudanças no critério de renda para receber o BPC e a previsão de serviços e equipamentos do SUS (Sistema Único de Saúde) e SUAS (Sistema Único da Assistência Social ) com um olhar integrador das políticas públicas. Em cultura e lazer, as pessoas com deficiência poderão escolher os locais acessíveis em casas de shows e espetáculos, as salas de cinema terão de exibir sessões acessíveis, as editoras não poderão usar nenhum argumento para negar a oferta de livro acessível, os hotéis deverão oferecer ao menos 10% de dormitórios acessíveis. Na área do trabalho e previdência social, temos a criação do direito ao Auxílio Inclusão, um benefício de renda complementar ao trabalhador com deficiência que ingressar no mercado de trabalho. Também alteramos o código civil, garantindo às pessoas com deficiência intelectual o direito a votar e ser votado, ao casamento e a ter filhos. Na saúde, os planos de saúde foram proibidos de cobrarem a mais de pacientes com deficiência. E, para finalizar, alteramos o Estatuto das Cidades, passando a responsabilidade da reforma de todas as calçadas para o Poder Público, que deverá tornar todas as rotas acessíveis.

AR: Em dezembro, o ministro da Saúde recebeu um pedido de definição da política de fornecimento de cadeira de rodas no Brasil. Como está o andamento disso? M.G.: Estive reunida com o então ministro da Saúde, Marcelo Castro, depois fui recebida pela presidente Dilma Rousseff e, mais recentemente, pelo presidente em exercício, Michel Temer. Nas três ocasiões, levei um projeto para a criação de um banco de cadeiras de rodas. Hoje, no Brasil, enfrentamos uma fila muito grande para receber uma cadeira pelo SUS. Em alguns estados, essa espera chega a cinco anos. Ou seja, a criança deixa de ir à escola por falta de uma cadeira e o pior: quando essa cadeira chega, ela não serve para a criança, que já cresceu. A ideia do banco é que o governo empreste as cadeiras, que serão devolvidas quando não servirem ou não forem mais necessárias, podendo ser repassadas para outros

usuários. Assim como Dilma, Temer gostou da ideia e está analisando a sugestão.

AR: Gostaria de abordar algum assunto que ache relevante e que não tenha sido perguntado? M.G.: Durante toda minha trajetória política pude contar com o apoio de pessoas que acreditam na política do bem para melhorar a vida de pessoas. Meus projetos são baseados nas necessidades e demandas que recebo da população. Os fabricantes de tecnologia assistiva têm um papel fundamental para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Por isso, deixo meus contatos e peço que mandem sugestões, opiniões e cobranças para que possamos juntos construir um Brasil com mais acessos.

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REGULAÇÃO

CADEIRA DE RODAS MANUAL: por que normalizar? A NORMA REGENTE QUE AVALIA A PRODUÇÃO DE CADEIRAS NO BRASIL É A ABNT NBR ISO 7176:2009. EM SEU ESCOPO, AS CADEIRAS DE RODAS MANUAIS E MOTORIZADAS, INCLUINDO SCOOTERS, SÃO ENTENDIDAS COMO INSTRUMENTOS DE USO DESTINADO AO TRANSPORTE DE UMA PESSOA, COM VELOCIDADE MÁXIMA NÃO SUPERIOR A 15 KM/H Certificar um produto ou serviço significa comprovar junto ao mercado e aos clientes que a organização tem sistema de fabricação controlado, que garante a confecção de produtos ou a execução dos serviços de acordo com normas específicas. No caso das cadeiras de rodas manuais, a norma que atualmente é utilizada para determinar o modo de produção é a mesma usada para cadeiras motorizadas. Assim, ela aborda temas como serviços elétricos, por exemplo, e não é obrigatória. No entanto, uma movimentação de órgãos responsáveis pelo controle de qualidade de produtos no Brasil deve, em breve, mudar esse cenário.

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Cerca de 10% da população, ou seja, 650 milhões de pessoas, vivem com alguma deficiência, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).

No Brasil, 45,6 milhões de pessoas declararam ter ao menos um tipo de deficiência no último Censo do IBGE, realizado em 2010. Desses, 7% disseram ter deficiência motora. A mobilidade pessoal dessa parcela da população, precondição para desfrutar os direitos humanos e viver com dignidade, é garantida pelo uso da cadeira de rodas. Para muitos, o equipamento é o primeiro passo para a inclusão e participação na sociedade. Por isso, para a segurança dos usuários, esses produtos precisam ser fabricados e atender aos requisitos das normas técnicas. Atualmente quem regula o setor e determina quais normas devem obrigatoriamente ser atendidas é a Anvisa. Um OCP (Organismo de Certificação de Produto) acreditado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia)


certifica os produtos que cumprem as exigências colocadas em vigor pela agência. No início deste ano, o Inmetro lançou uma proposta de regulamento para certificação compulsória das cadeiras de rodas manuais em consulta pública. Esses novos requisitos devem mudar o atual processo de certificação e permitir que os produtos passem a atender às condições técnicas na hora da fabricação, da importação e da comercialização. Embora a certificação seja somente o primeiro passo para o registro do produto, cuja manutenção é posteriormente revista, no contexto regulatório comercializar é diferente de usar.

ATUALIZAÇÃO NECESSÁRIA A cadeira de rodas não deve ser um produto de compra deliberada. Sua aquisição requer uma avaliação personalizada, devendo ser prescrita a cada usuário, mediante a avaliação do binômio de necessidades versus características. O último teste realizado pelo Inmetro em cadeiras de rodas foi há mais de três anos. Na ocasião, o Programa de Análise de Produtos do órgão avaliou oito marcas de cadeiras de rodas, com capacidade entre 75 e 100 quilos, e todas demonstraram algum tipo de problema. Realizado em função de reclamações de usuários, o teste identificou, por exemplo, falhas de alinhamento, resistência do apoio para os pés, dos manípulos e da durabilidade dos freios das cadeiras de todos os fabricantes. “Há risco real à segurança do cadeirante, que pode sofrer acidentes caso utilize essas cadeiras”, explicou um diretor do Inmetro na época. O teste foi só um alerta, mas incentivou a movimentação do mercado para propor melhorias no processo de fabricação de cadeiras de rodas manuais. Para melhorar o setor produtivo e incrementar a acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, o Inmetro então lançou uma proposta de certificação compulsória especificamente para esse tipo de equipamento. Além de estabilidade e sistema de freio, os requisitos avaliados serão alinhamento das rodas, dimensões e ergonomia da cadeira, que inclui o encosto, o assento e o apoio para pés. As peças serão submetidas a ensaios de impacto e fadiga, assim só as que forem aprovadas irão obter o selo de identificação da conformidade do órgão. A regulamentação atende a um pedido da Anvisa e da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República. Segundo Juliano Tesser, da Anvisa, o alto índice de reprovação dos produtos analisados pelo Inmetro incentivou a necessidade de regulamentação técnica para cadeiras de

rodas manuais. Embora tenha como premissa garantir que os produtos fabricados ou importados no mercado brasileiro atendam minimamente a critérios de segurança estabelecidos por uma norma reconhecida internacionalmente, Tesser avalia que ter somente um laboratório acreditado para realizar esse processo possa ser um gargalo. “Há pouca adesão dos laboratórios quanto à acreditação para realizar os ensaios pela norma ISO 7176, e isso é um ponto negativo para execução da regulamentação vigente”, afirma. De acordo com a engenheira e pesquisadora do Inmetro Milene Cleto da Fonseca, a importância da regulamentação vai além de propor melhorias. Trata-se de uma ação de inclusão social ao prover mecanismos de mobilidade com nível adequado de segurança aos usuários. A falta de acreditação de novos laboratórios, segundo ela, acontece porque é uma atividade voluntária, ou seja, o laboratório decide se quer ou não investir no escopo em questão. “O Inmetro tem projetos de implantação assistida, os quais monitoram e sensibilizam laboratórios com interesse na acreditação, de maneira a criar a infraestrutura necessária ao PAC (Programa de Avaliação da Conformidade)”, ressalta ela, lembrando que o laboratório SENAI CETEMO do Rio Grande do Sul é o único que já tem acreditação em algumas partes da série de normas ISO 7176.

BOM PARA O MERCADO O Comitê Brasileiro da ABNT, ABNT/CB-26 – que traduz, elabora e determina a normalização no campo odonto-médico-hospitalar brasileiro – já trabalha há alguns anos na regulamentação. Segundo o coordenador da Comissão de Estudo de Cadeira de Rodas, Rodrigo Real, o trabalho se intensificou bastante a partir de 2014. “No ano de 2015, tivemos seis normas publicadas e mantivemos um bom ritmo no início de 2016, até agora com duas normas já publicadas. Temos intensificado nossa participação nas discussões internacionais através do envio de contribuições e sugestões para as normas que estão por sair ou para as atualizações das normas”, afirma. Segundo Real, as normas internacionais relacionadas às cadeiras de rodas atendem ao perfil do mercado brasileiro. “Elas determinam principalmente como devem ser testados os produtos e estabelecem padrões de ensaio que geram parâmetros comparativos entre modelos diferentes. Além das questões de segurança e desempenho, as normas ajudam a avaliar produtos de outros pontos de vista, como capacidade de 43


REGULAÇÃO manobra das cadeiras, espaço que ocupam, entre outros.” Além de incentivar um ciclo virtuoso de busca pela melhoria na qualidade dos produtos, a certificação compulsória de cadeiras de rodas manuais também beneficia as indústrias, que passam a contar com laboratórios com competência para ensaios nos produtos. “Além disso, o mercado fica restrito a empresas que pretendem estar nele por um longo prazo, eliminando as que surgem quando é interessante comercialmente e desaparecem quando a situação não fica boa, causando assim distúrbios na concorrência e deixando usuários sem atendimento de pós-venda”, avalia. Para o Inmetro, a regulamentação técnica e o programa de certificação compulsória para cadeira de rodas não beneficiam somente o usuário, mas também o setor produtivo, que passa a ter regras nas quais é possível estabelecer um ambiente de concorrência justa, e também o governo, em especial a área da Saúde, que conta com uma importante ferramenta de apoio às compras públicas. Passadas as consultas públicas, o órgão pretende enviar expediente a representações de governo interessadas no tema, bem como fazer a consolidação e os ajustes finais do documento para sua definitiva publicação. Mesmo que não estejam no radar, Milene não descarta novos testes em cadeiras manuais. “Futuramente, caso o Inmetro julgue pertinente, tal produto poderá ser avaliado através do Programa de Verificação da Conformidade Inmetro.”

IMPACTO Segundo Tesser, da Anvisa, a agência pretende regulamentar a necessidade de certificar as cadeiras de rodas manuais e as outras normas para certificação de cadeiras de rodas, das séries ABNT NBR ISO 7176 e ISO 7176, que entrarão em vigor a partir de dezembro de 2017. “Um dos objetivos da definição de prazos estabelecidos nos anexos das regulamentações da Anvisa quanto à exigibilidade compulsória, conforme pode ser observado na própria IN nº 04 de 2015 e em suas regulamentações anteriores, é minimizar o impacto da aplicação da norma aos fabricantes de cadeiras de rodas manuais e prepará-los para atender aos requisitos da norma”, ressalta. Real concorda que a possibilidade de ensaiar os produtos segundo as normas em laboratórios capacitados é algo muito bom para as empresas já 44

que incentiva o crescimento nas estratégias comerciais. “Será possível aferir de forma padronizada as características técnicas de cada produto. Empresas que pensam em exportação, por exemplo, precisam desse tipo de recurso no Brasil para que possam se qualificar e também ter comparativos técnicos com os produtos de fora do Brasil”, diz. De acordo com ele, a indústria tem marcado presença nas comissões de estudos das normas. “O setor está bem representado. Algumas empresas mantêm um representante participando de todas as reuniões; outras, de forma mais esporádica.” Já Milene, do Inmetro, avalia que o fabricante comprometido com produzir algo de qualidade para o consumidor já deve apresentar condições de cumprimento do proposto na regulamentação Inmetro. “O impacto da regulamentação como um todo será positivo para a sociedade, uma vez que trará para o usuário de cadeiras de rodas um produto mais seguro, de acordo com os requisitos estabelecidos na regulamentação”, afirma.


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MEMORIAL

ODONTOLOGIA SE DESPEDE DE KNUD SORENSEN 46 44


Após 50 anos trilhando passos visionários que abriram caminhos para a odontologia brasileira, a classe se despede do então vice-presidente do setor odontológico da ABIMO, Knud Hove Sorensen. O cirurgião-dentista faleceu na noite do dia 25 de maio e deixa sua esposa, Maristela Sorensen, duas filhas e três netos. Knud nasceu em Copenhague, na Dinamarca, mas mudou-se para o Brasil aos três anos de idade. Ele dedicou grande parte da vida ao setor e ainda jovem começou a trabalhar na indústria odontológica. Em uma de suas últimas entrevistas, na sétima edição do Prêmio Inova Saúde, em abril deste ano, o vice-presidente falou orgulhoso do reconhecimento da categoria. “A odontologia brasileira é reconhecida com excelência no Brasil e no mundo. Temos o segundo maior número de dentistas – só atrás dos Estados Unidos –, e eu acredito que os nossos profissionais têm uma habilidade excepcional.

UM DOS MAIORES VISIONÁRIOS DO SETOR Também contamos com tecnologia de ponta e os melhores equipamentos do mundo. É muito gratificante ver esse desenvolvimento do setor”, disse realizado. Lembrado como um homem determinado pelos familiares e pelos profissionais ao redor, Knud cuidava com afinco das empresas do setor e deixa para a ABIMO e para o segmento uma lição de entusiasmo no trato com os associados e suas demandas. “Uma das maiores virtudes do Knud era ser um homem agregador. Eu mantinha contato quase que semanal há mais de dois anos com ele por conta dos serviços da associação e nunca o vi se desentender com ninguém. Ele era uma pessoa que conseguia conversar com todo mundo e tinha portas abertas em todos os lugares”, diz o diretor do SINAEMO, Fabio Embacher, ressaltando que o cirurgião-dentista era um “homem otimista, bem-humorado e que estava sempre motivado para executar projetos em prol da odontologia”. Aos familiares, desejamos que a dor dessa irreparável perda se transforme brevemente em saudades e que o legado deixado por ele o mantenha imortalizado em nossos corações. 47


ODONTOLOGIA HOSPITALAR

BUSCANDO ESPAÇO NA ROTINA DAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE ÁREA DA ODONTOLOGIA AUMENTA O CAMPO DE MERCADO DOS PROFISSIONAIS, PROTEGE O PACIENTE E MOVIMENTA A INDÚSTRIA; MESMO ASSIM, AINDA ENFRENTA OBSTÁCULOS NA IMPLEMENTAÇÃO DO SERVIÇO EM HOSPITAIS E CENTROS DE SAÚDE

A inclusão de cirurgiões-dentistas nos centros de saúde e hospitais é um debate persistente entre lideranças do setor, que sempre traz à tona a importância dos profissionais especializados para a prevenção de doenças e infecções bucais no ambiente hospitalar. A prática, no entanto, sempre foi colocada às margens das políticas públicas e ainda enfrenta dificuldades diárias para se efetivar nas rotinas de centros de saúde. A atividade promove saúde, prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças orofaciais, de manifestações bucais de doenças sistêmicas ou de consequências de seus respectivos tratamentos. A odontologia hospitalar abrange ainda os serviços de emergência e internações de curta ou longa duração prestados a pacientes em hospitais gerais e especializados, hospitais universitários, maternidades, hospitais psiquiátricos e outras instituições de saúde com internação. 48


“O maior obstáculo ainda é mostrar a importância deste serviço aos gestores de hospitais. É preciso ressaltar que a implementação do serviço não se trata de um investimento alto e, após essa mudança de paradigma, [é preciso] dar o tempo para que os centros de saúde possam ir ao mercado e solicitar profissionais habilitados para esse trabalho”, avalia o cirurgião-dentista e moderador do CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde) Dr. Keller de Martini.

Segundo o manual da odontologia hospitalar, idealizado pela Secretaria da Saúde em 2012 para promover avanços e melhorias na saúde bucal do estado, o serviço compreende campos de diagnósticos de lesões e auxílio no tratamento de manifestações bucais provenientes de doenças sistêmicas, além do diagnóstico e tratamento das condições bucais que possam acarretar complicações infecciosas, hemorrágicas ou cardiovasculares. “A atuação dos cirurgiões-dentistas no âmbito hospitalar tem demonstrado aos gestores de hospitais que o trabalho da odontologia não é despesa, mas sim um investimento necessário e urgente. O retorno dos serviços odontológicos já é reconhecido por conseguir antecipação em até cinco dias da alta e redução de despesas com internação e remédios. Além disso, a prática 49


ODONTOLOGIA HOSPITALAR

também promove maior segurança no pré-operatório e menor risco no período pós-operação”, afirma a cirurgiã-dentista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e palestrante do CIMES Denise Caluta Abranches. Além da democratização do atendimento à população e dos inúmeros benefícios para pacientes idosos, oncológicos, gestantes e internados em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), a odontologia hospitalar também amplia a rede de trabalho de cirurgiões-dentistas de todo o país. “A inclusão de cirurgiões-dentistas no ambiente hospitalar representa uma nova oportunidade de trabalho ao profissional, aumentando o leque de empregos que hoje é praticamente restrito aos consultórios particulares e postos de serviços. Além disso, a área também exige uma capacitação que o estudante não recebe na graduação, na qual ele terá que aprender clínica médica, leitura de prontuários, prescrições e a trabalhar de maneira multidisciplinar”, afirma Denise.

AVANÇOS No dia 5 de maio deste ano, foi aprovado o PLC (Projeto de Lei da Câmara) 34/2013, da senadora Ana Amélia (PP-RS) pela CAS (Comissão de Assuntos Sociais), que deu um passo à frente e regulamentou a presença do cirurgião-dentista nas UTIs e incluiu a assistência odontológica no atendimento e internação domiciliares do SUS (Sistema Único de Saúde). Se aprovado em Plenário, o texto voltará para a avaliação da Câmara dos Deputados. A aprovação do PL traz aos cirurgiões-dentistas a oportunidade de realizar o trabalho necessário e, finalmente, oferecer à população um serviço adequado que atenda de maneira completa às necessidades do paciente. “Como agentes públicos executores das políticas em saúde e prestadores de serviços, cabe-nos trazer à luz a importância

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da implementação de serviços em odontologia hospitalar com o cirurgião-dentista ocupando um espaço ao qual pertence de fato”, avalia a presidente da comissão odontológica do CFO (Conselho Federal de Odontologia) e presidente da comissão de odontologia hospitalar do CRO (Conselho Regional de Odontologia) do Rio Grande do Sul, Dra. Jacqueline Webster.


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Como agentes públicos executores das políticas em saúde e prestadores de serviços, cabe-nos trazer à luz a importância da implementação de serviços em odontologia hospitalar com o cirurgião-dentista ocupando um espaço ao qual pertence de fato.” Dra. Jaqueline Webster

Além disso, a presidente explica que é imprescindível o olhar analítico sobre o processo da regulação dos pacientes, de modo a favorecer o cuidado da cavidade bucal. “Neste contexto, certos de que um dos direitos do cidadão – o exercício da cidadania – está associado à manutenção das funções de mastigação, fala, respiração e deglutição, bem como respeitando os princípios da integralidade e universalidade, os órgãos públicos devem facilitar e normatizar a inclusão da odontologia na atenção hospitalar, pois a atuação da equipe odontológica comandada pelo cirurgião-dentista é peça fundamental dessa engrenagem”, complementa Jaqueline. “Para os profissionais de odontologia, o PLC 34/2013 representa mais segurança jurídica e dá tratamento claro, na legislação, quanto à atuação mais segura desses profissionais”, diz a relatora Ana Amélia. “É evidente que essa iniciativa inclui profissionais cuja atividade é relevante para a saúde.” Ainda segundo ela, a população poderá ter mais uma medida preventiva pontual para atender melhor e de modo preventivo pacientes que estiverem em tratamento nas UTIs: “É mais segurança para os pacientes e familiares”. O PLC diz ainda que os planos de saúde que incluem internação hospitalar devem cobrir a assistência odontológica aos pacientes internados. Em todas as situações, esse atendimento vai depender do consentimento do paciente ou de seu responsável e, quando a assistência odontológica tiver de ser custeada pelo paciente, ele será informado sobre os custos antes de autorizar o

tratamento. A rede pública também conta com o programa Sorria Mais São Paulo, implementado pelo governo estadual em 2012 com objetivo de garantir a manutenção da saúde bucal tanto dos pacientes internados como dos portadores de doenças crônicas atendidos regularmente nas unidades. A Secretaria de Saúde do Estado calcula investir R$ 35 milhões ao ano com o projeto.

IMPACTOS PARA A INDÚSTRIA Interessada em promover o debate sobre essa nova área da odontologia e seus impactos, a ABIMO abordou o assunto no primeiro dia da quinta edição do CIMES. Foi desenvolvido um painel de odontologia especificamente voltado à atuação do novo mercado e os desdobramentos que devem ser notados pela categoria. Segundo o moderador do evento, Dr. Keller de Martini, a indústria também deve ser movimentada com a ampliação dessa nova área de atuação, e muitos investimentos devem ser feitos para adaptação ideal do ambiente destinado à odontologia hospitalar. “Os custos da implementação em hospitais dependem do perfil da instituição, do número de leitos e do tamanho da equipe que será montada, mas na UTI, por exemplo, temos a necessidade de ter um aparelho de RX móvel e pequeno, uma vez que diversos hospitais não têm o aparelho panorâmico, dificultando muito o diagnóstico de algumas doenças e infecções bucais. Nos atendimentos ambulatoriais e nos terciários, abre-se um grande mercado de consultórios completos com cadeiras, fotopolimerizadores, lasers e outros equipamentos”, afirma Martini. Atualmente, o CFO realiza estudos de quantos hospitais devem ser adaptados para exercer a atividade de maneira adequada. “Temos mais de 5 mil hospitais no Brasil, e haverá um impacto na indústria de equipamentos, pois a adequação do parque tecnológico das instituições se faz necessária para atender à demanda de atenção ao paciente com necessidades odontológicas. Os equipamentos, instrumentais e insumos, necessários, são de toda ordem para garantir o processo de atenção”, finaliza Jacqueline.

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INOVAÇÃO

RIO GRANDE DO SUL

GANHA NOVO CENTRO TECNOLÓGICO Pouco mais de 1,2 milhão de habitantes da região do Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, serão contemplados com um novo centro tecnológico que promoverá a criação de inovações e soluções, além de incentivar a abertura de empresas, melhorias na saúde do estado e, consequentemente, um melhor atendimento à população. O projeto é uma idealização do ZiMT (Instituto Central de Engenharia Biomédica da Alemanha) sob a coordenação do banco Badesul. O novo centro seguirá os moldes do Medical Valley, em Bavária, na Alemanha, que é um dos complexos mais ricos para engenharia voltada à medicina no mundo e atualmente conta com a participação de 500 companhias, 65 hospitais e mais de 80 universidades e institutos de pesquisa. Entre as dezenas de impactos que a indústria da saúde perceberá depois da instalação do projeto, destacam-se fortalecimento da economia, substituição das importações, mais investimentos em tecnologia e desenvolvimento de novas soluções, além da ampliação do comércio do setor em nível nacional. A expectativa é de que a fase inicial do projeto esteja pronta em três anos, mas os frutos só aparecerão em longo prazo.

REGIÃO A região do Rio Grande do Sul foi escolhida após um amplo estudo que analisou os predicados de diversos estados do país. O diretor do ZiMT, Tobias Zobel, ressaltou a importância da região no desenvolvimento do projeto. “Estávamos procurando uma estrutura que conectasse negócios, tecnologia, logística e indústria. Depois de diversas visitas técnicas de prospecção ao Brasil, encontramos o estado do Rio Grande do Sul, que tem sido um ótimo parceiro de nosso projeto.” Em agosto do ano passado, o governador do estado gaúcho, José Ivo Sartori, assinou o termo de cooperação para o estabelecimento do Cluster de Tecnologias para a Saúde.

Atualmente mais de 300 pessoas de 44 entidades ativas do setor e 50 empresas participam de um Cluster da Saúde que realiza reuniões periódicas envolvendo organização e execução de projetos. A presidente do Badesul, Susana Kakuta, garante ser um projeto inclusivo e que qualquer organização que tenha interesse pode fazer parte das atividades do grupo. “Estamos realizando as ações de curto e médio prazo que envolvem, por exemplo, a participação coletiva em feiras internacionais, workshops com a Vigilância Sanitária do Estado e a Anvisa, que foram apontadas como principais gargalos para implementação do projeto. Com a visibilidade que o grupo tem conquistado, também começamos a receber consultas iniciais de alguns empreendimentos no setor”, explicou. 52

Susana acrescentou que a escolha da região certa foi fator fundamental para que o projeto pudesse se instalar da forma mais adequada. “O estado já tem hospitais de alta complexidade com certificações internacionais, universidades de referência que formam profissionais da área, centenas de pesquisas em andamento, parques tecnológicos amplamente reconhecidos, empresas desenvolvendo produtos de ponta. O que faltava era a organização de todos esses entes, e é isso que está sendo feito”, finalizou.


Fonte: Badesul


ARTIGO

POR QUE UMAS EMPRESAS SÃO BEM-SUCEDIDAS E OUTRAS NEM TANTO

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Sempre que leio ou ouço a história de sucesso de um empresário ou executivo, imagino que, sem um bom time, ele não teria conseguido sozinho. O mesmo ocorre com um grande cirurgião, um maestro de renome, um técnico de futebol ou de qualquer outro esporte coletivo; ninguém consegue resultado de excelência sozinho. No início da carreira de um profissional, o resultado depende exclusivamente de seu desempenho individual. Mas quando esse profissional cresce e assume posição de liderança, os resultados deixam de ser “meu resultado” e passam a ser “nosso resultado”. Por que algumas empresas são bem-sucedidas e outras nem tanto? Para responder, costumo indagar sobre o verdadeiro papel do líder nas organizações. A meu ver, a missão do líder é desenvolver pessoas e atingir resultados de alta performance. Peter Drucker, no livro “O Essencial de Drucker”, diz que gestão é sobre seres humanos, e a tarefa do líder é fazer com que as pessoas sejam capazes de atuar conjuntamente, possibilitando que seus pontos fortes sejam eficazes e suas

O empresário que investir no autoconhecimento de seus líderes e equipes gerará emoções superiores às dos concorrentes nos seus funcionários.” fraquezas, irrelevantes. Qual seria a forma de otimizar esse processo? Se o resultado de um líder depende de seu time, é assustador ver a quantidade de líderes que não conhecem o potencial e os motivadores individuais de seus times. Ter esse conhecimento proporciona ao líder colocar seus talentos nas posições certas, manter a equipe motivada, extrair todo o seu potencial e minimizar os entraves de comunicação.

Contribuir para o desenvolvimento e crescimento de organizações é um trabalho que Roberta Ribas tem feito desde que decidiu deixar o mundo corporativo como executiva de vendas para se tornar Coach de Liderança. Sua decisão foi motivada pela paixão por desenvolver pessoas, destravando todo o seu potencial, possibilitando melhores resultados para elas e para as empresas em que trabalham. E-mail: roberta@iunic.com.br.

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Em outras palavras, se formos formatar essa ideia em um processo, poderíamos sugerir que os líderes percebessem a importância de: • Liderar a s i mesmo • Liderar o time • Liderar mudanças Quando me perguntam quanto custa isso, respondo que certamente está dentro do orçamento da empresa, pois realmente não é um investimento assustador ou impraticável neste momento econômico, principalmente considerando o retorno de uma ação dessas e a vantagem competitiva que a organização terá frente aos seus concorrentes. Trata-se mais de uma questão de prioridade ou, se falarmos de forma estratégica, trata-se de uma questão de sobrevivência. Falando em concorrentes, você já parou para pensar que, a partir do conhecimento dos talentos de sua empresa, você pode definir quais são os seus diferenciais únicos e em que vocês podem ser melhores no mercado em que atuam? A melhor maneira de você superar a concorrência é desenvolver a sua equipe! Na era digital e da globalização, produtos e serviços são cada vez mais parecidos, mas pessoas não são! Alguns empresários operam com excelência em tempos de boa economia, contudo poucos mantêm essa mesma garra em momentos incertos como os que vivemos hoje. O empresário que investir no autoconhecimento de seus líderes e equipes gerará emoções superiores às dos concorrentes nos seus funcionários, impactando em decisões e resultados diferenciados. O autoconhecimento possibilita que cada funcionário individualmente assuma a responsabilidade e contribua com excelência para o sucesso do negócio. Concluindo, o capital humano é o que possibilita a sustentabilidade das empresas, ou seja, se as organizações deixarem de olhar para dentro, não prepararem seus líderes, não conhecerem o potencial deles e de suas equipes, e não criarem formas de extrair a máxima contribuição de cada um, estarão perdendo uma chance de aproveitar seus recursos internos com o mínimo de investimento externo.


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