ABIGRAF/SC: 50 Anos de Associativismo e Evolução

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Textos Carlos Stegemann Roberto Kreitchmann Texto final Carlos Stegemann Pesquisa Carlos Stegemann Roberto Kreitchmann Revisão Marisa Naspolini

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Carbo Editora www.carboeditora.com.br diretor@carboeditora.com.br

Direção Editorial Carlos Stegemann Coordenação Ellen Ramos Direção Geral Cidnei Barozzi Presidente Evandro Volpato

Capa Mauro Ferreira

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Ficha catalográfica elaborada pelo Bibliotecário Luiz Carlos Peres CRB/14 -443 S817a

Stegemann, Carlos ABIGRAF/SC – 50 Anos de Associativismo e Evolução: 1969-2019. / Carlos Stegemann. - 1ª ed. – Florianópolis: Carbo Editora, 2020. 188p. ; Il. Inclui bibliografias. ISBN: 978-65-990075-0-7 1. Gráfica. 2. Entidade Associativa. 3. Associação profissional-memórias. I. Título. C DU: 655:061.231(816.4)) CDD: 766.5: 981.64




Índice

Apresentação................................................................................................................................................ 7

I O Associativismo, esse ente perfeito......................................................................................... 9

II O brilho nos olhos do pioneiro........................................................................................................ 1 5

III Família Baumgarten, a indústria gráfica no DNA......................................................................... 27

IV Baumgarten: ‘Nas veias corre tinta’, mas também associativismo............................... 37

V A ABIGRAF/SC foi a porta para o associativismo de uma das maiores

referências do estado......................................................................................................................................................... 49 VI Vitor Mário Zanetti, a maior referência................................................................................. 59 VII A Excelência Gráfica Catarinense................................................................................................ 75 VIII “SC tem um dos maiores parques gráficos do Brasil”........................................................................ 99 IX Frente Parlamentar com sotaque catarinense................................................................... 113

X Juntos pela AIDF Eletrônica.............................................................................................................. 117

XI Relacionamento, conhecimento e reconhecimento............................................................... 123 XII Legado Histórico.......................................................................................................................................... 137 XIII O inestimável valor dos voluntários............................................................................................ 141 XIV Sopros de solidariedade........................................................................................................................ 153 XV O retorno a Blumenau............................................................................................................................ 155 XVI A pedra litográfica..................................................................................................................................... 159 XVII Legado associativista em Blumenau.......................................................................................... 161 XVIII O Papel da Sustentabilidade........................................................................................................... 165 XIX Laços familiares, a sucessão na indústria gráfica................................................................. 171 XX A Merecida Homenagem..................................................................................................................... 185 Posfácio................................................................................................................................................................. 191 XXI Presidentes ABIGRAF/SC.................................................................................................................... 195



ssa obra chega com atraso, atravessando a fronteira de duas gestões da ABIGRAF/SC, mas tem o mérito de promover o justo resgate em relação àqueles que, em diferentes proporções, contribuíram para a construção de uma das mais bem-sucedidas e edificantes trajetó-

Apresentação

rias associativistas de Santa Catarina – e do setor gráfico em nível nacional. A recuperação da nossa memória envolveu dezenas de entrevistas em vários municípios do estado, ampla pesquisa de nosso acervo e a cuidadosa conferência de uma comissão da entidade, para que o resultado fosse o mais isento e preciso. Todavia, nenhum trabalho de memória é perfeito e acabado, portanto antecipamos nossas escusas por eventuais equívocos ou ausências. Nossa perspectiva foi a de exibir, em paralelo com a história da entidade, alguns fatos que marcaram o meio século da atividade gráfica em Santa Catarina e no país, em sintonia com a ABIGRAF nacional. É uma oportunidade para apresentar os diferenciais catarinenses no associativismo – prática tão corrente e vigorosa entre nós, desde tempos pretéritos da colonização do estado. Acima de tudo, é uma história de pessoas e de suas experiências – trabalhando e cooperando, confraternizando e se solidarizan-


do. Quando cada empreendedor obtém êxito em seu negócio, gerando empregos e renda, colabora de maneira essencial na construção da sociedade. Foi o que os nossos associados realizaram ao longo do tempo de nossa narrativa – e este livro é um reconhecimento a esta construção coletiva. Desejamos boa leitura e agradecemos o apoio! Cidnei Luiz Barozzi 8

Evandro Rogério Volpato


O Associativismo, este ente perfeito

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oda obra de resgate histórico é uma inevitável imersão cronológica – e como os fatos se sucedem simultaneamente, é impossível não os associar e contextualizá-los. A ABIGRAF/SC foi fundada no fim da década de 1960, período de ebulição política, social e cultural em todo o planeta. Em 1969, a história do Brasil e do mundo estaria marcada definitivamente por acontecimentos como o acirramento da Guerra do Vietnã, com os primeiros passos do Homem na Lua e pelo milésimo gol de Pelé. O Brasil era presidido por Artur Costa e Silva, considerado como o período mais duro do regime militar e também o de maior crescimento – conhecido como o ‘milagre econômico’. Nos jornais do dia 31 de março, data de fundação da ABIGRAF/SC, havia alusões discretas ao quinto aniversário do movimento de 1964 e em destaque as investigações sobre o assalto ao Banco Andrade Arnaud por um


grupo terrorista. Na TV, a novidade era estreia da novela ‘Sangue do meu Sangue’, de Sérgio Britto, na TV Excelsior, estrelando Tônia Carrero, Fernanda Montenegro e Francisco Cuoco. Em Santa Catarina as manchetes davam espaço ao esforço da Secretaria da Saúde em promover a vacinação contra a paralisia infantil e à promessa do então Ministro dos Bruno Germer, primeiro presidente da ABIGRAF/SC

Transportes, Mário Andreazza, de que até o fim daquele ano seria liberado – completamente asfaltado - o trecho da BR 101 entre a Florianópolis e Curitiba, além de verbas para

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seguir com as obras da BR 282, entre São Miguel d’Oeste e a capital. Uma interessante coincidência, à época, foi a campanha publicitária do Governo do Estado, “valorizando o papel da comunidade para o desenvolvimento consciente e fortalecendo a importância de incentivos fiscais em projetos catarinenses de pesca, turismo e reflorestamento”. Essa política de incentivos fiscais, parte do esforço de aceleração da industrialização do país, teve conexão direta com o surgimento da ABIGRAF/SC. Marlo Germer, filho de Bruno Germer, um dos fundadores e primeiro presidente da ABIGRAF/SC, explica o contexto no qual a entidade surge:


— “Quando a ABIGRAF/SC foi fundada eu era muito jovem, tinha apenas 21 anos, mas acompanhei meu pai em viagens que ele fez com o pessoal do Rio de Janeiro e São Paulo – e que motivaram a fundação da entidade. No governo militar houve um grande incentivo à industrialização do país, que ofereceu facilidades tributárias para a importação. Todos os setores industriais se organizaram em associações, que apresentavam seus pleitos ao Governo, que, por sua vez, tinha no Ministério

Marlo Germer, da Gráfica 43 e filho do primeiro presidente da ABIGRAF/SC

de Indústria e Comércio os grupos executivos para o desenvolvimento de diferentes setores têxtil, gráfico, mecânico e outros. O Grupo da indústria gráfica chamava GEIPAG (Grupo Executivo de Indústrias de Papel, Celuloses e Artes Gráficas) e as gráficas quiseram participar desse movimento desenvolvimentista”.

Marlo Germer dirige a Gráfica 43, uma indústria fundada em 1947 – entre as mais longevas do setor – em Blumenau, que iniciou as atividades como papelaria. Como o endereço tinha o número 43, se tornou a ‘Casa 43’, que vendia materiais de escritório (papelaria) e também brinquedos e similares. Nos fundos, uma pequena tipografia que produzia impressos simples. Bruno Germer tinha formação em contabilidade, exercendo essas funções na

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prefeitura local, além da Casa 43, cujo proprietário era Wilhelm Siewert. — ““Em 1947, Siewert resolveu ampliar o negócio, incentivando o crescimento da gráfica, então convidou meu pai e outras pessoas para serem sócias do que então passou a se chamar Gráfica 43 SA Indústria e Comércio”, relata Marlo.

Bruno, que integrava a diretoria da ABIGRAF Nacional desde sua fundação, 12

sempre foi mais ligado à atividade administrativa, comercial e financeira, em detrimento das áreas técnicas e de produção. Era uma pessoa de relacionamento muito fácil o que o ajudou no desenvolvimento da gráfica e, mais tarde, do associativismo – como também muito arrojado e ativo. Esse arrojo justificou o crescimento épico no final dos anos 1960. — "Ele teve a coragem de fazer grandes investimentos, foi um passo muito maior do que as pernas e por isso teve oposição dos outros sócios. Mas ele insistiu e, ao final, deu tudo certo”, prossegue o filho.

Marlo Germer seguiu a formação paterna em contabilidade e ingressou na gráfica em


1966. Com 52 anos de casa, é o mais antigo funcionário da 43. Acompanhou Bruno nas visitas ao Ministério da Indústria e Comércio, no Rio de Janeiro, e participou daquele projeto de expansão, o que lhe conferiu a experiência necessária para um envolvimento mais amplo na empresa. E dele também herdou o gosto pelo associativismo. “Meu pai se envolveu com as pessoas que lideravam a ABIGRAF no Rio e em São Paulo. Eles o estimularam – decisivamente - a liderar e fundar a ABIGRAF em Santa Catarina”, recorda Marlo Germer. Considerando que a ABIGRAF Nacional foi criada em 1965, é lógico que Bruno se envolveu com os próceres do setor gráfico nacional, como Theobaldo De Nigris e Damiro de Oliveira Volpe, responsáveis pela instalação da entidade que deflagraria uma escalada do associativismo gráfico no país. Infelizmente, Bruno Germer faleceu muito cedo, com somente 54 anos, em 1974. “Ele nos deixou no ano que dizia ter sido o melhor da gráfica. Teve um grande envolvimento com a ABIGRAF, era a iniciativa associativista que ele realmente gostava, embora tenha participado de outras”. A semente, porém, estava cultivada em solo fértil. ◆◆◆ ◆◆◆ ◆◆◆

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O brilho nos olhos do pioneiro

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e poucas palavras e muito pensativo antes de se expressar, Georg Wigand Schmidt ainda tem a voz firme - mesmo que prejudicada pelos seus 94 anos – e o forte sotaque de descendente alemão. Carrega consigo uma parcela significativa da história gráfica catarinense. Natural de Joinville, ele iniciou na atividade em 1952, na Impressora Ypiranga, na qual era proprietário e diretor. Seus olhos ainda brilham quando trata de associativismo – e sua primeira lembrança é a Associação Comercial e Industrial de Joinville (ACIJ), cujo ingresso motivou-se pela prática rotariana. — “Eu era do Rotary e fui convidado a participar da ACIJ. E lembro-me de quando fui convidado a estar presente no evento que fundou a ABIGRAF Nacional”.

Mas ele encontra outro motivo forte para inclinação associativista.


— “Isso tem a ver com a forma como a gente foi criado”.

E mais não explica. Schmidt tem memória seletiva. São poucos os temas que se dispõe a tratar, em especial seus tempos pretéritos como empresário gráfico. — “Confesso que não gosto de falar dessas coisas. Não me leve a mal. Eu fui moço e fiz minha parte. Eu fiz o que pude fazer”, avisou. 16

Todavia, diante da história da ABIGRAF/SC, volta a falar com naturalidade.

A Indústria Gráfica Catarinense - Linha do tempo em fotos - Primeiros jornais catarinenses * Reconhecido como o patrono da imprensa no estado, o então jovem militar lagunense Jerônimo Coelho em 27 de julho de 1831, editou a primeira edição de ‘O Catharinense’. No ano seguinte criou o ‘O Expositor’, publicado pela Sociedade Patriótica de Santa Catarina. Retrato de Jerônimo Coelho elaborado pelo litógrafo franco-brasileiro Sebastien August Sisson para sua obra ‘Galeria dos Brasileiros Ilustres’


— “Fomos para o Congresso Brasileiro da Indústria Gráfica, em Águas de Lindoia, uma estância termal no interior de São Paulo. Éramos três de Santa Catarina: Bruno Germer, de Blumenau; Domingos Fornara, de Campos Novos e eu, por Joinville. Viajamos separados, não nos conhecíamos. Apresentamo-nos no evento, onde havia grandes gráficos de São Paulo, Rio e Minas, que dominavam o mercado nacional. Mas nos estranhávamos um pouco, não foi

Georg Schmidt, ex-presidente da ABIGRAF/SC

amizade à primeira vista”.

O Congresso foi marcante: “Eu fui por conta, paguei todas as minhas despesas, queria participar. Foi muito bom para todos que participaram, começou a eli-

- Primeiro estabelecimento gráfico do governo de SC * O governo da Província de Santa Catarina adquire o estabelecimento gráfico de ‘O Expositor’ e inicia a Typographia Provincial publicando a comunicação oficial até 1850. Uma das primeiras gráficas do sul do Brasil, no final do século XIX

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minar aquela frieza da concorrência. O núcleo da indústria gráfica era em São Paulo, que puxava tudo e unia os gráficos no Brasil. Foi um momento histórico e eu estava lá.” Georg Schimdt atribui a fundação da ABIGRAF/SC aos esforços de Damiro de Oliveira Volpe, um catarinense que atuou fortemente na ABIGRAF Nacional. Volpe foi vice-presidente na gestão de Theobaldo De Nigris, além de presidente do SINDIGRAF/SP e da ABIGRAF/SP. Assumiu a ABIGRAF Nacional 18

quando De Nigris foi eleito para presidir a FIESP e foi homenageado com nome de rua na capital paulista.

- Santa Catarina recebe seu segundo prelo gráfico * O francês Emile Grain, quase duas décadas depois de Jêronimo Coelho, trouxe mais um prelo gráfico para o estado e marcou um novo momento do mercado gráfico em Santa Catarina. Prelo gráfico pertencente a Fabiano Bertoli, da Gráfica São Marcos


— “Ele passou a organizar uma versão regional da ABIGRAF em diversos estados. Eu não participei disso e acho que a iniciativa foi do Bruno Germer, que tinha amizade com o Damiro. Tanto que a entidade foi fundada em Blumenau”.

O veterano gráfico recorda que a ABIGRAF/SC começou presidida por empresários de Blumenau, depois por joinvilenses e mais tarde migrou para Jaraguá do Sul. — “Quem fosse mais ativo, que fizesse por merecer, dirigia a coisa. Não tinha departamentos inativos, como vemos às vezes nos governos. Também não havia muitas indús-

- Primeiro prelo gráfico fora da capital da província * Após perder suas máquinas gráficas em 1858 no naufrágio do navio Francisca o imigrante Ottokar Düerffel trouxe da Alemanha o prelo que publicou o jornal em língua alemã ‘Kolonie-Zeitung‘. Gráfica Boehms, responsável pela publicação do Kolonie Zeitung de Joinville

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trias [gráficas] em Florianópolis naquela época. Era tudo na região de Blumenau, que já era forte no setor têxtil, e Joinville, no setor metalmecânico”.

O que lhe movia? — “Do meu lado o mais forte era o companheirismo. Não me recordo de batalhar por isso ou aquilo. Não foi o caso. Aceitavam-se as leis, imune ou não imune e aquelas coisas todas. O que tínhamos em comum era que cada um 20

queria sobreviver e crescer como empresa”.

Era inevitável que Georg Schmidt assumisse a presidência da ABIGRAF/SC – o que veio a ocorrer em 1972, sucedendo a Bruno Germer.

- Blumenau inicia seu desenvolvimento no setor gráfico * Um novo capítulo das artes gráficas se inicia após o alemão Bernard Scheidemantel, precursor na elaboração de rótulos para produtos, instalar na sede da colônia sua litografia com tipografia anexa - especializada em fotografia, reprodução em pedra e litografia. Litogravura de Bernard Schdeimantel, fim do século XIX


— “Procurei dar continuidade ao que o

Bruno fazia. Tivemos boa participação das gráficas de Joinville. Fizemos um congresso em Blumenau e decidiu-se que a sede da ABIGRAF/SC seria itinerante, na cidade de quem a presidisse, nada daquela coisa pomposa de sede própria”. Em sua gestão de três anos, teve a companhia de Adolfo Guerra e Udo Wagner - esse último, de Jaraguá do Sul, seria seu sucessor e um bom amigo. Apesar de suprimir os detalhes, tem lembranças nítidas das reuniões promovidas na sede da ACIJ, que cedia o espaço para os empresários gráficos. Segundo ele, “nunca houve uma reunião que tenha começado atrasada”.

- Fundação da gráfica mais antiga de Santa Catarina em atividade * Baumgarten foi fundada por Hermann Baumgarten, filho de imigrantes alemães. Iniciou suas atividades produzindo o “Blumenauer Zeitung”. Retrato de Hermann Baumgarten, fundador da empresa

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— “Promovíamos cursos da área técnica para as gráficas, entre outras atividades. No fim do ano fazíamos nosso jantar. Foi uma época muito boa, que se criou chance para isso. Ocupou um espaço que estava vago, muito simples”.

Porém, mais do que isso, Schmidt abriu as fronteiras da entidade pelo estado. — “Fazíamos reuniões em outras cidades, em uma tentativa de dar oportunidade de 22

participar para aqueles que estavam mais longe. O Adolfo Guerra me acompanhava. Eu gostava muito de viajar e de me envolver. Em Santa Catarina eu conhecia todas as estradas, antes do asfalto”.

Anúncio publicado em 1921 de O Correio do Povo, de Jaraguá do Sul

- Fundação do jornal mais antigo em atividade no Estado * O Correio do Povo, de Jaraguá do Sul, inicia sua circulação em 10 de maio, produzido por tipografia e papelaria própria que também prestava serviços locais.


Legado – Passado quase meio século desde sua gestão, o ex-industrial joinvilense não vacila em afirmar que o companheirismo e o conhecimento foram os motores de sua vivência associativista. — “Eu conheci muita gente em função da ABIGRAF/SC, a maioria dos gráficos do estado. Eu fazia visitas às empresas para conhecer as pessoas. Também fui conhecer a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Tudo por minha conta”. 23

E prossegue: — “Antes da ABIGRAF/SC, quando um gráfico via o outro na rua, mudava de calçada.

- Criação da Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina – IOESC * Ocorrido por meio de decreto de Aristiliano Ramos, então Interventor Federal, o IOESC visava prestar serviços gráficos aos órgãos integrantes da administração pública. Aristiliano Ramos em reunião de fundação de Caçador, em 1934


Tudo isso acabou ali. A estranheza se tornou um relacionamento bom. Não precisa se falar em grandes amizades, apenas o respeito de um pelo outro. Em minha opinião, este é o maior legado. Quem não se dá bem com os outros, no fim não é bem aceito”.

Na conta deste pioneiro do associativismo gráfico, também está a participação decisiva na fundação do SIGRAF de Joinville, em 1971. Para Schmidt, o passo seguinte à amizade era o de ser conselheiro. 24

— “Meu relacionamento com o Udo Wagner foi automático, formou-se a amizade e eu o aconselhei muito. Não só para as coisas da gráfica, mas para a ABIGRAF/SC.

- Chegada da Linotipo em Santa Catarina * O jornal A Notícia, de Joinville, neste ano se tornou o primeiro jornal catarinense a ter uma linotipo, abandonando o uso de composição manual na impressão. Teclado de linotipo


Todos precisam disso, desde jovem também me aconselhava. Eu tive um conselheiro na própria Heidelberg, na Alemanha”.

Foi às feiras da DRUPA, a eventos na Finlândia, visitou empresas da Suíça e na Argentina. Por onde conseguiu ir, conheceu o mundo gráfico. E acompanhou a evolução da tipografia ao digital. “Foi o tempo da minha vida”, resume. Na janela de sua memória, nomes como Vitor Zanetti e Fernando Rocha (industriais gráficos de Florianópolis e ex-dirigentes da ABIGRAF/SC) ainda são presentes. “Não conheci o Baumgarten [Ronaldo Baumgarten, empresário gráfico blumenauense e igualmente ex-presidente da

- Primeiros sindicatos e associações laborais * O ano de 1936 marca o início da Fundação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de Joinville. Em 1939 foi fundada a Associação Profissional dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de Blumenau. Trabalhador atuando na linotipia do jornal O Estado

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entidade], mas sei o quanto ele fez sua gráfica crescer, o admirava à distância”. Georg Schmidt já cansou da entrevista, para a qual, aliás, resistiu muito e só aceitou pela insistência de seu amigo Luiz Manteufell. Fala de seu sítio em Campo Alegre e de que ainda dirige sozinho até lá nos finais de semana. Mas e a última pergunta? Qual o seu legado? O experiente senhor reflete ainda mais antes de responder; — “O importante é encarar o que a gente 26

fez com alegria. Um faz de um jeito, outro faz de outro. Mas foi bom ter feito o que queríamos. A vida passa. Cada um faz diferente, ao seu modo - e ninguém sabe qual o certo. O certo é fazer”.

Com certeza, George Schmidt fez. ◆◆◆ ◆◆◆ ◆◆◆

Nota do Autor: infelizmente, pouco antes da publicação desta obra, o Sr. George W. Schmidt faleceu, aos 95 anos, vítima de uma ocorrência de trânsito, em Campo Alegre (SC), próximo de Joinville, onde residia.


III

Família Baumgarten, a indústria gráfica no DNA omandando uma das maiores e mais antigas gráficas de Santa Catarina, a família Baumgarten iniciou sua trajetória próxima ao setor há mais de 100 anos. Tudo começou no século

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garten, da primeira geração da família nascida

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XIX com o jornal criado por Hermann Baum-

A saga da chegada e da consolidação da

no Brasil. Filho de um dos imigrantes que veio para a Colônia São Paulo de Blumenau, Hermann é descendente direto de alemães nascidos em solo brasileiro. Seu pai, Karl Friedrich Julius Baumgarten, foi influenciado pelo entusiasmado discurso do Dr. Hermann Blumenau. família Baumgarten no Brasil é contada em detalhes pela jornalista e escritora Christina Baumgarten, da quarta geração da família nascida no país, no livro ‘O espírito de uma época’. A obra relata a trajetória desde os primeiros dias de Karl Julius na colônia, vindo de Lehre, município do distrito de Helmstedt, na Baixa Saxônia.


O jovem de espírito aventureiro Karl Julius resolveu aceitar o convite do Dr. Hermann Blumenau para vir ao Brasil. O navio que o trouxe saiu da Alemanha em abril de 1853 e dois meses depois aportou em São Francisco do Sul. Dali, Karl partiu em um lombo de burro para seu destino final, a colônia denominada Itajaí Grande. Em pouco tempo ele Hermann Baumgarten, fundador da empresa

já estava estruturado nas terras, onde plantava feijão, cana de açúcar, batata e milho. O vizinho mais próximo era Gustav Pauls, que se tornou um grande amigo e com quem vi-

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ria a montar uma hospedaria – que décadas depois se tornaria o alicerce para criação do primeiro jornal da colônia. Em um ambiente totalmente instável, marcado por enchentes e ataques de indígenas, nasceu Hermann.

- Fundação da FIESC * O ano marcou o nascimento da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina- FIESC. Com ela se teve início uma grande transformação na indústria catarinense. Celso Ramos, primeiro presidente da FIESC


A colônia prosperou, com dezenas de engenhos de açúcar, moinhos de milho, serrarias, cervejarias, fábricas de charuto e vinagre. A hospedaria fundada por Karl Julius havia se tornado o principal ponto de encontro e comércio da colônia. Hermann Baumgarten já se mostrava um jovem muito inquieto, ficou bastante entusiasmado quando teve pela primeira vez em mãos um volume do periódico ‘Kolonie Zeitung’, de Joinville, e a partir dali ficou obcecado em produzir algo semelhante. Ainda na escola, apresentou uma proposta ao capitão Anton Von Hartenthal, que ministrava os ensinamentos escolares na colônia, e o jornal da escola teve somente uma edição, em 1863, mas reforçou no garoto a vontade de comandar uma publicação na sua colônia.

- Fundação da ABIGRAF/SC * Em 31 de março de 1969 foi fundada a ABIGRAF/SC entidade setorial que representa empresas que formam o parque gráfico catarinense. Registro de reunião do SIGRAF/Grande Fpolis.

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O jovem Hermann tinha muita facilidade para estabelecer amizades - e algumas delas foram épicas: com o naturalista Fritz Müller, o médico José Bonifácio e os políticos Hercílio Luz e Visconde de Taunay. Decidido a aprender o ofício de tipógrafo para materializar o projeto do jornal, Hermann foi a Porto Alegre, onde trabalhou na tipografia de Herr Ruof e em seguida retornou a Blumenau. Com o apoio do então Barão de Taunay, se transfere para o Rio de Janeiro, onde trabalha em uma redação de semanário. Uma 30

vez que conhecia as técnicas de redação e impressão, regressa à cidade natal e em parceria com Theodor Kleine iniciou sua pequena tipografia. De novo, graças às amizades mais influentes, conseguiu superar as dificul-

- Primeiro jornal offset de Santa Catarina * Recém criado, o Jornal de Santa Catarina, de Blumenau, foi pioneiro no uso de composto a frio e rotativa Offset. Os demais jornais tinham composição a quente (com linotipos) ou manual (com tipos móveis) e impressão direta plana ou no máximo rotoplana (matriz plana e entintador rotativo) Primeira edição de um jornal impresso em sistema offset em Santa Catarina


dades financeiras e realizar a proeza histórica de colocar em circulação o que veio a ser o primeiro jornal de Blumenau, o ‘Blumenauer-Zeitung’ (Gazeta de Blumenau), em 1º de janeiro de 1881. A sede provisória foi no mesmo imóvel da hospedaria de Karl Julius. Antes mesmo de ter o primeiro exemplar impresso, o jornal – publicado em alemão, vale dizer – conviveu com notícias que poderiam ser manchetes contemporâneas no Vale do Itajaí. Em setembro de 1880 ocorreu uma nova grande enchente, que quase devastou a cidade, com enormes perdas, atingindo inclusive as recém-chegadas máquinas importadas da Alemanha para o jornal e todo o estoque de papel. Nada pôde ser salvo. Os relatos informam o óbito de 40 moradores.

- Início da gestão (1972-75) de Georg Wigand Schmidt na seccional * Empresário influente de Joinville assume a presidência. Georg Schmidt, ex-presidente da ABIGRAF/SC

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No Natal daquele ano, a duras penas, Hermann, com a tipografia recuperada das enchentes, preparou a primeira edição do jornal. Seu principal sócio, Theodore Kleine, se desinteressou pelo negócio e sua empreitada passou a ser ao lado de Anton Haertel. Hermann montava as chapas e preparava para impressão, já que era o único a dominar todo o processo tipográfico. O ‘Blumenauer-Zeitung’ foi às ruas da colônia no raiar de 1881, com a assinatura anual vendida a cinco mil réis. Algumas pessoas tive32

ram o privilégio de receber os exemplares de estreia pelas mãos de Hermann. A primeira edição tinha apenas quatro páginas, no tamanho 28 x 39 cm e o editorial tratava da necessidade daquele periódico, como muitos

- Primeiro parque gráfico de grande capacidade * O Estado foi o primeiro jornal a investir em um parque gráfico de grande capacidade.

Foto que registra últimos anos antes de O Estado iniciar a impressão Offset


haviam ajudado, enquanto poucos contestavam a iniciativa. Desde o início da publicação o editor deixou claro seu gosto pela polêmica, marca registrada do jornal em seus editoriais. O periódico oferecia anúncios por oito réis por linha e onde havia debate ou contenda, estavam para dar sua versão aos fatos, sempre de forma apaixonada e parcial. Mesmo assumindo a parcialidade, o jornal permitia a publicação de artigos de ideias opostas e em 1883 ganhou seu primeiro concorrente na cidade - o ‘Immigrant’. A partir de 1891 a colônia passou a ter telégrafo, o que ajudou o jornal atualizar as notícias que vinham da capital e de maneira geral, de todo o mundo. Politicamente, Hermann era legalista, republicano extremado, abolicionista e repug-

- Lançamento da Revista ABIGRAF Nacional, na comemoração dos 10 anos da entidade. * A seccional catarinense marcou presença no aniversário celebrado no lançamento da Revista ABIGRAF na FIEPAG (Feira Internacional de Embalagem, Papel e Artes Gráficas). Exemplares da Revista ABIGRAF

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nava o imperialismo. Por conta de suas posições chegou a ser preso, na companhia de Hercílio Luz, em 1893. Mesmo detido apenas por alguns dias, o episódio foi suficiente para encolerizá-lo ainda mais contra os grupos federalistas em seus editoriais. Naquele ano a tropa federalista o prendeu novamente, por mais alguns dias. Nesta segunda vez, quando voltou ao jornal, deparou-se com todo seu escritório destruído, sua tipografia empastelada, impressoras confiscadas e vestígios de seu equipamento boiando no Rio Itajaí-Açú. 34

Dentro do escritório, os soldados fizeram suas necessidades no chão e queimaram boa parte das edições antigas do ‘Blumenauer-Zeitung’. Seis meses depois com ajuda de Hercílio Luz, já governador, o jornal voltou a funcionar.

- Início da gestão (1975-78 / 1978-81) de Udo Wagner a frente da seccional. * É eleito Udo Wagner, diretor da extinta e tradicional Gráfica Avenida de Jaraguá do Sul. É atualmente vice-prefeito de Jaraguá do Sul


Nesta época, Hermann perdeu seu pai, Karl Julius, e passou a envolver seus filhos Hermann Leopold e Alfred no ofício de tipografia. O ‘Blumenauer-Zeitung’ teve suas oficinas inicialmente instaladas na atual Alameda Duque de Caxias, para em seguida se mudar para frente do atual Teatro Carlos Gomes, na Rua XV de Novembro, principal artéria viária da cidade. Anexa às oficinas e aos escritórios, era a residência da família do editor. Hermann perdeu dois de seus quatro filhos, e com 49 anos, em 1905, teve um ataque de catalepsia e quase foi enterrado vivo. Depois do episódio ainda viveu por quase quatro anos (06/02/1908), podendo neste período se certificar que seus filhos dariam continuidade ao seu legado como gráfico,

- Fundação do SINDIGRAF do Sul-Catarinense * No dia 11 de setembro o SINDIGRAF - Sindicato das Indústrias Gráficas do Sul Catarinense foi fundado para representar as empresas do setor na região. Jantar de posse 2019-2021 do SINDIGRAF

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mas sem imaginar que sua história seria inspiração para a solidificação da mais antiga e uma das maiores indústrias gráficas de Santa Catarina. A última edição do ‘Blumenauer-Zeitung’ circulou em 02 de dezembro de 1938, 57 Ronaldo Baumgarten (in memoriam), quando presidente da Baumgarten Gráfica

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anos, portanto, de sua fundação.


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IV

Baumgarten: ‘Nas veias corre tinta’, mas também associativismo esquisa de 2019 do SEBRAE/SP confirma o que já é sabido na prática, no meio corporativo: 58% das empresas abertas ‘morrem’ até chegar ao quinto ano de atividade. Estendendo o período de monitoramento até uma década, essa ‘mortalidade’ pode chegar a 80%. Por isso é realmente impressionante constatar que a Baumgarten tenha chegado a quase um século e meio de atividades, o que a faz uma das mais antigas do planeta. “Sou a quinta geração da família dedicada à atividade gráfica e poucas empresas no mundo conseguem esse feito”, confirma Ronaldo Baumgarten Junior, 51 anos, ex vice-presidente do Conselho Consultivo da ABIGRAF/SC e membro do Conselho de Administração da All4labels Gráfica, configuração atual da empresa originalmente catarinense, após um acordo de fusão com as companhias alemãs RAKO e X-label, ocorrida em 2016, que a


posiciona entre as líderes globais da produção de embalagens. Desde seu trisavô, Hermann, a empresa foi posteriormente conduzida pelo filho Hermann Leopold, seguido de George, Ronaldo Baumgarten e por fim Ronaldo Baumgarten Junior. Com bom humor, o sucessor assegura que a partir da fundação Ronaldo Baumgarten Jr, diretor da Gráfica Baumgarten

do ‘Blumenauer-Zeitung’ “é tinta e não sangue, o que corre em nossas veias”. O filho do fundador, Hermann Leopold, já assumiu uma gráfica modificada, segundo as pala-

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vras de Ronaldo Junior, “mais direcionada às impressões comerciais, em detrimento do jornal, pois a cidade era um polo de cervejarias e fazíamos muitos rótulos”. George Baumgarten, representante da terceira ge-

- Início da gestão (1981-87 / 1993-96) de Evaldo Groskof a frente da seccional * Foi eleito o proprietário da extinta Impressora Editorial Grafil para comandar a regional. Evaldo Groskof, presidente da ABIGRAF/ SC de 1981/87 e de 1993/96.


Fernando Willadino

ração, focou-se na produção de material comercial - livros, blocos de notas, promissórias, a papelaria largamente utilizada à época. Ronaldo Baumgarten, conhecido como Roni, assumiu a empresa por volta de 1964 e foi o grande responsável pelo crescimento. — “Tivemos alguns períodos muito bons,

- Diretoria da FIESC, com representantes da BaumgartenAll4Labels, no Espaço Indústria, na sede da FIESC, em Florianópolis

meu pai promoveu uma revolução na empresa. Nenhum de nossos antecessores tinha o nível de empreendedorismo dele, de crescer e ser o melhor, de olhar os grandes gráficos e se espelhar. Na época ninguém pensava realmente grande”.

- Primeiros presidentes da região Sul na ABIGRAF Nacional * Henry Victor Saatkamp, fundador da ABIGRAF/RS gaúcha iniciou sua gestão à frente da ABIGRAF Nacional em 1983. Em 1986 o paranaense Max Schrappe assume e fica por 15 anos no cargo. Assembleia Ordinária da ABIGRAF Nacional em Teresina sob o comando do sulista Max Schrappe.

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As décadas de 1960 e 1970 foram muito importantes para o futuro da Baumgarten, quando troca a tipografia pelo universo do offset. Mesmo nos anos 1980, considerada a década perdida da economia brasileira, a indústria blumenauense conseguiu crescer. — “Nos anos 1980, com muita habilidade, meu pai começou a procurar novos mercados, a sair do mundo comercial e partir também para o negócio das embalagens, da decoração de produtos. Isto foi um dos 40

grandes propulsores do desenvolvimento da Baumgarten”.

- Primeira Missão Drupa * Em maio, onze empresas brasileiras participam da primeira Drupa, em Düsseldorf, na Alemanha. Cerca de 800 brasileiros visitam a feira, considerado o evento mais importante do mundo para o ramo gráfico. Foto do centro de eventos que abriga a Drupa em Düssedorf


Ronaldo Junior reproduz a tradição, embora com as diferenças que o tempo impõe às empresas tão longevas. — “Acho que eu nasci dentro da gráfica. Eu não me conheço sem estar dentro de uma gráfica. Minha primeira função na empresa foi bem interessante: era responsável por tirar a poeira da gráfica! Minha carteira de trabalho foi assinada aos 14 anos, tenho 36 anos de profissão e posso assegurar que conheço os quatro cantos da fábrica, da portaria até o despacho das mercadorias. Meu pai teve muita habilidade de transferir esta paixão que é o mundo gráfico. Confesso que tenho dificuldades de pensar no que fazer depois de ser gráfico. Tive até

- Início da gestão (1987-90) de Luiz Mário Guedes Villar a frente da seccional catarinense * Começo da administração do proprietário da Litografia Continental, de Blumenau.

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alguns pensamentos de juventude, porém nenhum sonho seria maior do que esse que consegui realizar”.

Ronaldo Baumgarten dirigiu a Gráfica até 2005 e faleceu com apenas 63 anos, no ano seguinte. A sucessão colocou Hercílio Baumgarten à frente da empresa por três anos e posteriormente um acordo dividiu-a. Hercílio assumiu uma das unidades (com a qual tinha maior identidade e domínio técnico), de produção de embalagens e cartuchos. 42

Ronaldo Junior e seu tio Germano assumiram a fabricação de autoadesivos, rótulos, etiquetas ‘termoencolhíveis’ e bandejas ‘hang packs’, entre outras opções de um portfólio com alta tecnologia de ponta agregada. Mais tarde,

- Fundação da primeira Associação patronal do setor na capital * Com o nome de Associação Profissional da Indústria Gráfica de Florianópolis Vitor Zanetti presidia o que viria a ser o SIGRAF Grande Florianópolis. No ano seguinte foi nomeado como sindicato. Fernando Rocha, Vítor Zanetti e Gilberto da Rosa junto a placa de 1ª ata de reunião e galeria de presidentes


também seu tio Germano deixou a sociedade. Em meados de maio de 2019, Ronaldo Junior deixou de ser o CEO da Baumgarten e assumiu uma cadeira no Conselho. — “Já vinha me preparando para isso. Temos que ter a consciência de que não somos eternos, o negócio é que tem que ser e creio que o meu trisavô já pensava assim”.

Em sua gestão a empresa se tornou multinacional, com a aquisição de plantas no México e na Argentina (2014). Dois anos após a expansão internacional, ocorreu a fusão com as duas companhias alemãs - e, finalmente, em 2018, foi a vez de fundir com a ‘Nucceria’, uma ‘big player’ italiana, com quatro unida-

- Início do SIGRAF Rio do Sul * Fundada no ano anterior, a Associação Profissional das Indústrias Gráficas do Alto e Médio Vale do Itajaí passou a se chamar Sindicato das Indústrias Gráficas de Rio do Sul (SIGRAF Rio do Sul).

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des fabris, ampliando a atuação na Europa. A pequena tipografia, fruto de muita persistência do teuto-brasileiro Hermann Baumgarten, se transformou na terceira maior do mundo no setor e a primeira de capital fechado. — “Não deixei a empresa por que me sentia velho, ainda me considero jovem, com muita garra e muita experiência a socializar com jovens empreendedores. Mas a internacionalização dos negócios e a formação de grandes grupos econômicos é um cami44

nho sem volta”, sentencia Ronaldo Baumgarten Junior.

Mas além da vocação para imprimir, a família Baumgarten ganhou notoriedade pela

- A data de 24 de junho é reconhecida como Dia da Indústria Gráfica na América Latina * A definição ocorreu durante a 36ª Assembleia da Confederação Latino-Americana da Indústria Gráfica (Conlantigraf). A data escolhida refere-se ao nascimento de Johannes Gutenberg, considerado o pai da indústria gráfica e da comunicação moderna. Gutenberg nasceu na Alemanha por volta de 1.400 e é o inventor da prensa com tipos removíveis que revolucionou a disseminação da informação. Nota aos associados no Dia do Gráfico


abnegada dedicação ao associativismo, justamente na figura de Ronaldo Baumgarten. — “Ele tinha muito potencial ainda a sociabilizar, realmente não tinha qualquer egoísmo com o conhecimento que detinha, e deixou um legado que muito me honra, muito me inspirou e inspira até hoje”.

‘Roni’ se incorporou à Associação Comercia e Industrial de Blumenau (ACIB) e em 1990, de maneira quase natural diante de sua liderança e capacidade agregadora, assumiu a presidência. Em 1996, iniciou seu mandato à frente da ABIGRAF/SC, da qual tinha sido fundador e colega de vários dos pioneiros.

- Início da gestão (1990-93) de Sylvio Pedro Victorino à frente da seccional catarinense. * Empresário blumenauense de atuação na capital assume comando da entidade. Sylvio Victorino e Joceli Jacques da Editograf recebendo em 1997 o troféu ‘Manezinho da Ilha’

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— “Ele é um líder empresarial, no primeiro contato percebe-se isso”, reconheceu Vitor Zanetti, gráfico e ex-presidente da ABIGRAF/SC (in memoriam), quando o sucedeu na direção da entidade.

Nos anos 1970, Roni Baumgarten foi pela primeira vez na lendária Drupa, na Alemanha. “Foi uma experiência que fez muita diferença para ele, inclusive para dividir as informações e as conclusões que trouxe da viagem”, relata Ronaldo Junior, que complementa: 46

— “Nós também demos a volta na roda do desenvolvimento, exatamente olhando o que as pessoas faziam lá fora. Copiar não é vergonha pra ninguém. Para que inventar,

- Criação do Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica Fernando Pini * Promovido pela ABIGRAF Nacional e ABTG para estimular a qualidade no setor – o prêmio incialmente chamava-se ‘Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica’ e passou a homenagear o técnico em artes gráficas Fernando Pini a partir de 1995 – ano de sua morte. Troféu da principal premiação nacional do setor


se já inventaram pra ti? Nenhuma gráfica hoje grande, um dia não foi pequena. Então, se qualquer empresário gráfico bater na minha porta e quiser conversar comigo, vou atender e não precisa marcar hora. Eu sempre fui assim, no sindicato ou na associação empresarial”.

A convivência associativista igualmente reforçou em Ronaldo Junior a importância da pequena e média indústria no setor. — “Considero que não existem pequenos, médios e grandes empresários gráficos. Existe o gráfico. Aquele que se acha pequeno vai continuar assim pequeno. A pessoa tem que se achar grande para continu-

- Fundação do SIGRAF Oeste * Com base territorial que compreende todo o oeste – de Joaçaba a Dionísio Cerqueira, o Sindicato das Indústrias Gráficas do Oeste de SC se estabeleceu em julho de 1992.

Sandra de Lima Tomazelli, presidente (2014-2017/2017-2020) do SIGRAF Oeste de Santa Catarina

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ar crescendo. Não pensem os gráficos que estão começando que são pequenos, que nada, eles são muito grandes. E eles têm que pensar assim”.

Ronaldo Junior honra a memória do pai na representação em entidades e atualmente é o 2º secretário da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), além de presidente da Câmara de Assuntos Legislativos da mesma entidade e presidente do Centro Empresarial de Blumenau - CEB. No 48

setor, é secretário do Sindicato das Indústrias Gráficas (SINDIGRAF) de Blumenau (no qual já exerceu a presidência) e vice-presidente do conselho consultivo da ABIGRAF/SC.


A ABIGRAF/SC foi a porta para o associativismo de uma das maiores referências do estado

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do Wagner tinha só 23 anos e o sogro o convidara para se associar ao seu empreendimento, a Gráfica Avenida, uma tipografia ainda modesta e com uma livrara anexa. — “Eu tinha a referência do seu Georg Schmidt, em Joinville, já na época era considerado um ícone do setor – e fui ouvi-lo. Ele me fez uma relação de 10 itens, o primeiro era participar de todas as reuniões do Sindicato da Indústria Gráfica e da ABIGRAF/SC, além de comparecer a todos os eventos, palestras, convenções e congressos e ir para a DRUPA, na Alemanha. Ele foi meu professor, meu inspirador”.

Terceiro presidente da ABIGRAF/SC, Udo Wagner, 70 anos, é uma estrela de primeira grandeza quando o assunto é associativismo e voluntariado. Natural de Guaramirim, há 49 anos em Jaraguá do Sul, ele foi presi-


dente da Câmara de Dirigentes Lojistas local e posteriormente da Federação das CDLs de Santa Catarina e vice da Confederação Nacional. Representando a classe empresarial, elegeu-se deputado estadual (1991 – 1995) e é o atual vice-prefeito de Jaraguá do Sul. Presidiu a SCAR – Sociedade Cultural e Artística – uma referência em atividades culturais de Udo Wagner, ex-presidente da entidade

Santa Catarina. E vale dizer, sua porta para o associativismo, foi a ABIGRAF/SC, pelas mãos de Georg Wigand Schmidt.

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Como começa seu envolvimento com a indústria gráfica? Udo Wagner - Eu ainda era namorado da minha esposa, Margaret Wagner, quando

- Inauguração da primeira Escola de Artes Gráficas de Santa Catarina * No dia 11 de novembro foi inaugurado em Florianópolis a Escola de Artes Gráficas do SENAI. Vitor Zanetti na inauguração da primeira escola de artes gráficas do estado


meu sogro, Guilherme Nitzel, me fez um convite para ser seu sócio e ampliar a atividade da indústria gráfica. A Sociedade Gráfica Avenida era uma pequena tipografia com 12 funcionários, com uma livraria anexa. Isso foi há 46 anos e fui consultar Georg Schmidt, um ícone na indústria gráfica catarinense. Como ele o recebeu? Udo Wagner – Georg Schmidt foi meu

Udo Wagner, ex-presidente da entidade

inspirador do associativismo. Eu o visitei ainda jovem e pedi dicas de como ser um eficiente gestor da indústria gráfica. Ele me fez uma relação de 10 itens e a primeira era justamente participar de todas as reuniões do sindicato da indústria gráfica e da ABIGRAF/SC. Participar de todos os eventos, palestras, conven-

- Primeiras homenagens a gráficos históricos de SC * Com o apoio da ABIGRAF/SC o SIGRAF Florianópolis entregou os prêmios Mérito Gráfico e Amigo do Gráfico para personalidades do setor. As comendas de amigo do gráfico foram recebidas por Joceli Jacques, José Antônio Aguiar. O ‘Mérito Gráfico’ foi entregue a Vitor Zanetti e Valmor Cardoso. Os homenageados Vitor Zanetti (Gráfica Zanetti), Valmor Cardoso (Gráfica Continente), Joceli Jacques (Editograf) e José Antônio de Aguiar (Seriarte)

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ções e congressos e ir para a DRUPA, na Alemanha. Ele foi meu professor, meu inspirador. Porém, além dele, lembro muito bem do Luiz Manteufell, da Gráfica Mayer (Joinville), que foi sempre um gestor e também compartilhou expertise e orientação. Ele e o Georg Schmidt foram a minha fonte de inspiração. Antes de assumir a ABIGRAF/SC, atuou no movimento lojista. Udo Wagner - Tenho uma história de 46 anos no movimento lojista. Com 23 anos fui 52

presidente da CDL de Jaraguá do Sul, até hoje o mais jovem que ocupou esse cargo. Tornei-me presidente da Federação das CDLs e posteriormente diretor vice-presidente da Confederação Nacional.

- ABIGRAF lança o Anuário Brasileiro da Indústria Gráfica * Único diretório da indústria gráfica brasileira, o material faz um raio-x do setor e é fonte indispensável de consulta para clientes e profissionais da área. 22 º edição, publicada em 2018


Portanto, o associativismo é parte de sua história de vida. Udo Wagner - Eu acredito piamente no associativismo para crescer, cresci muito intelectual e culturalmente e nas relações pessoais em razão da participação nas associações – fossem empresariais, comunitárias, na Igreja etc. Como chegou à presidência da ABIGRAF/ SC, na qual, aliás, foi o primeiro presidente reeleito (1975 - 78/ 1978 - 1981)? Udo Wagner - Georg Schmidt me convidou para a entidade e 18 meses depois eu já cheguei à presidência, tinha apenas 26 anos. Estava ávido por conhecimento e vendo que muitos dividiam a mesma ansiedade. Nossa ideia era melhorar o desempenho dos

- Início da gestão (1996-99) de Ronaldo Baumgarten à frente da seccional catarinense * Proprietário da centenária gráfica Baumgarten assume a gestão da seccional. Ronaldo Baumgarten (in memoriam)

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principais gestores das gráficas, que costuma também ser o dono. Lembro que naquela época fizemos encontros regionais em Lages, no oeste, no norte e em Florianópolis. Começamos a disseminar conhecimento. Fazíamos isso com o nosso dinheiro, levávamos conhecimento e também aprendíamos muito, além de conhecer os colegas do setor. Qual era a maior demanda da época? Udo Wagner – Identificamos que a carência de todos estava em custos. Não 54

sabiam como estavam ganhando, se realmente estavam ganhando com os preços praticados. Valorizei muito este aspecto. E cada empresa é diferente, não existem cus-

- Primeiro curso superior de design gráfico de Santa Catarina * Pioneiro no Estado o curso da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) foi criado em Florianópolis para atender a demanda crescente do mercado estadual.


tos iguais. O número de pessoas envolvidas é diferente, os equipamentos são diferentes, diretores e remunerações distintos, dependendo de cada região. A indústria gráfica é uma atividade local, no máximo regional, salvo algumas interestaduais que são as grandes fabricantes de embalagem. Então resolvemos aprimorar a gestão. As máquinas estavam querendo chegar e muita coisa nova vinha acontecendo. Todos estavam ávidos por conhecimento e investimos em feiras, convenções, congressos, cursos de custos. Trouxemos dois nomes que eram referências nacionais – os professores José Ferrari e Thomaz Caspary, ambos vieram com frequência à Santa Catarina.

- Nova edição do prêmio ‘Mérito Gráfico’ e ‘Amigo do Gráfico’ homenageia lideranças de SC * Foram homenageados com o diploma ‘Amigo do Gráfico’: João Alfredo Keenan, empresário do setor de papel, e Vânio Ruzza, colaborador da Diretoria de Tributação e Fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado. O diploma de ‘Mérito Gráfico’ foi concedido aos empresários Simões Ratek (representado por seu filho Fernando) e Reinaldo Fleming (representado por sua filha Fernanda). João Alfredo Keenan (in memoriam), recebendo de Joceli Jacques o diploma ‘O Amigo do Gráfico’

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Além dos cursos, qual o residual de sua gestão? Udo Wagner – Houve uma aproximação entre os concorrentes, que se tornaram amigos. Passamos a ter outra convivência. Eu fico muito feliz de ter sido um agente de aproximação. Pessoas que nem se falavam passaram a compartilhar bons momentos juntos em uma mesa. Isso não tem preço. E o que a ABIGRAF/SC deixa depois 56

de 50 anos? Udo Wagner – A entidade contempla 90% da indústria gráfica catarinense, que são micro e pequenos empresários. Ela foi construída por muitas mãos – Georg Schmidt, de Joinville; as famílias Baumgarten e Germer, de

- Primeiro Informativo impresso da ABIGRAF/SC * Lançado na gestão do presidente Ronaldo Baumgarten o ‘Informativo ABIGRAF/SC – Regional Santa Catarina’ teve 16 edições e circulou praticamente mensalmente até maio de 2000. Todas edições tiveram o editorial escrito por Ronaldo Baumgarten – mesmo depois que encerrou sua gestão como presidente. Primeira edição da publicação


Blumenau; os Mayer, de Pomerode, o [Vitor] Zanetti e o [Fernando] Rocha em Florianópolis e o Tadeu Bongiollo, de Tubarão. Em cada cidade sempre teve alguém a liderar o movimento. Pessoas que tiveram humildade em ensinar e aprender, em conciliar e agregar. Também precisei aprender essas práticas. Após quase 50 anos, foi a sua vez de virar a chave e deixar o setor gráfico. Como ocorreu isso e por quê? Udo Wagner – Quando comecei a Gráfica Avenida tinha apenas oito pessoas trabalhando e com tempo chegou a ser a quarta do estado em capacidade de produção. Trabalhávamos com tipografia, depois começamos a fazer offset, folhetos, catálogos, prospectos.

- ABIGRAF/SC alcança o número de 50 associados * A ABIGRAF/SC chegou pela primeira vez no número de 50 associados, reunindo empresas de 21 cidades: Blumenau, Brusque, Chapecó, Concórdia, Criciúma, Florianópolis, Guaramirim, Itajaí, Jaraguá do Sul, Joaçaba, Joinville, Lages, Mafra, Pinhalzinho, Pomerode, Rio do Sul, São José, Taió, Timbó, Tubarão e Xanxerê. Do total, 20 % eram de Blumenau, 16% de Joinville e 10% de Florianópolis. Marcos Koettker, diretor da Gráfica Recorde, de Florianópolis

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E nos últimos 10 anos eu migrei para editorial. Imprimimos três milhões de livros infantis por mês e tivemos 80% do mercado brasileiro. Criei uma linha de 300 produtos, desde dicionários inglês-português a atlas geográfico e sobre o corpo humano, livros grandes ou pequenos, coloridos ou para colorir. Mas há cinco anos resolvi desativá-la e na época não fui entendido, mas reafirmo que o empreendedor deve ter coragem e jamais persistir em um negócio que não dá resultado ou no qual 58

o risco é muito grande e de poucas garantias de retorno. Eu tinha 12 máquinas grandes, das quais vendi 11 no valor do mercado. Comprei imóveis e me adaptei. O que ficará na memória é que conseguimos construir uma empresa que foi muito respeitada e ainda está na consciência de muita gente. Eu me realizei com isso.


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Vitor Mário Zanetti, a maior referência

enhuma obra é fruto senão de um esforço coletivo – e, nesse caso, o associativismo é a melhor expressão do alcance e da importância do trabalho conjunto. Todavia, alguns personagens exercem um papel estratégico, seja pela liderança, disposição e perspicácia – e convertem-se na diferença de muitas jornadas coletivas. A atuação de Vitor Mário Zanetti nas entidades do setor gráfico catarinense é a síntese desta afirmação. A dedicação aos negócios começa na adolescência e com ela revela-se sua vocação para a representação setorial. Fundou e presidiu o SIGRAF da Grande Florianópolis, presidiu a ABIGRAF/SC e foi o único catarinense a exercer o cargo de presidente do Conselho Deliberativo da ABIGRAF Nacional. Não satisfeito, compartilhou essa abnegação com outras importantes instituições empresariais ou filantrópicas catarinen-


ses, casos da Federação das Indústrias, Câmara de Dirigentes Lojistas, APAE, Rotary etc. Embora tentasse contaminar quem o cercava com os propósitos que o moviam, não era hábito vangloriar-se de seus abnegados ideais de voluntariado. Por conta desta discrição, tornou-se difícil listar todas Vitor Zanetti na inauguração do Memorial do SIGRAF Grande Fpolis

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as causas com as quais se envolveu. — “O Zanetti foi, com certeza, uma das mais notáveis referências do nosso setor ao longo da história da ABIGRAF/SC”, reconheceu Udo Wagner, empresário de Jaraguá do Sul e ex-presidente da entidade. Neto de imigrantes italianos, Zanetti nasceu em Florianópolis em 04 de dezembro de 1942 – e as primeiras características que o des-

- Início da gestão (1999-2008) de Vitor Mário Zanetti - a frente da seccional catarinense * Com a eleição de Vitor Zanetti para a presidência da Regional, a sede da entidade foi, finalmente, instalada em um local fixo na capital. A parceria com o SIGRAF da Grande Florianópolis, presidido na época por Fernando Rocha, foi de suma importância para esta conquista. Até então, a ABIGRAF/SC possuía sede itinerante, fixando-se na cidade de atuação do empresário que a presidia, impedindo-a de construir uma infraestrutura.


tacaram foram o apego aos estudos e a liderança. Com apenas 14 anos e sem abandonar a escola, iniciou a carreira profissional sob a supervisão do pai Victorio, na gráfica adquirida pela família, à Rua Conselheiro Mafra, no centro histórico da capital. À época, já exercia ascendência sobre seus irmãos mais jovens. Aos 20 anos assumiu a direção da Gráfica, diante do falecimento do pai e em uma

Vítor Zanetti, ex-presidente

década transformou a empresa - rebatizada como Gráfica Zanetti - numa referência na Grande Florianópolis. Não há registros claros de quando teria se envolvido com o associativismo, mas suas primeiras ações estiveram relacionadas com o que foi a gênese da Associação das Indústrias Gráficas da Grande Florianópolis, nos anos 1970. Os empresários

- DRUPA * A celebração dos 35 anos da ABIGRAF Nacional ocorreu na Drupa 2000, que contou com a presença de mais de quatro mil profissionais brasileiros. Drupa 2000, em Düssedorf

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do setor se reuniam para tratar de interesses comuns, porém ainda eram encontros esporádicos e com quórum limitado. Nos anos 1970, os empresários do setor criam a Associação das Indústrias Gráficas de Florianópolis e, na década seguinte e em uma reunião realizada nas instalações da Gráfica Zanetti (14/09/1987), deliberam por sua transformação em Sindicato. O reconhecimento do Ministério do Trabalho ocorreu em 31 de maio de 1988, em um processo que reafirmou a indubitável liderança de Vitor Zanetti na cons62

trução do SIGRAF Florianópolis. Seus negócios cresceram e a empresa deixou o endereço de origem para um espaço ampliado na Rua Padre Roma, onde permaneceu até seus últimos dias de funcio-

- Secretaria da Fazenda assina convênio com a indústria gráfica catarinense * O convênio foi assinado por João Paulo Mosena, diretor de tributação da Secretaria Estadual da Fazenda, com Vitor Zanetti, presidente da ABIGRAF/SC e lideranças do setor. Com o objetivo de evitar fraudes, o convênio determinou o aval dos sindicatos e ABIGRAF/SC para emissão de documentos fiscais (AIDF) em SC. João Paulo Mosena, diretor de tributação da Secretaria Estadual da Fazenda, com a diretoria da entidade formada por Vitor Zanetti Fernando Rocha e Cláudio Bristot durante assinatura de convênio sobre AIDFs


namento. Também diversificou as atividades, abrindo a Zanetti Livraria e Papelaria e a Livraria e Papelaria Globerama, ambas no centro da capital. Quando assumiu a presidência da ABIGRAF/SC, em 1999, ele já dispunha de considerável experiência nas entidades associativistas. Nos anos 1980, como decorrência de sua vasta rede contatos e dos estabelecimentos comerciais que abrira, também passou a se dedicar ao então Clube de Diretores Lojistas (CDL – mais tarde transformada em Câmara de Dirigentes Lojistas). Nesta entidade, esteve presente na diretoria executiva por nada menos que sete mandatos consecutivos, além da participação no Conselho Superior. Foi fun-

- Nova sede da seccional * Numa parceria com o SIGRAF da Grande Florianópolis, A ABIGRAF/SC instala-se em uma nova sede em Florianópolis, localizada na Rua Liberato Bittencourt, 1757, 1º andar – Estreito, dispondo de sala de reuniões, secretaria executiva, gabinete odontológico, espaço para reuniões e treinamento no ático com churrasqueira e cozinha.

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dador da CDLCoop, cooperativa de crédito da entidade, depois incorporada ao sistema SICREDI, na qual foi membro do Conselho de Administração. Sua experiência no varejo inclui as participações como conselheiro e diretor-secretário do Sindicato Varejista da Grande Florianópolis (Sindilojas). “Zanetti foi um grande parceiro e na CDL liderou processos importantes, nos quais revelava ter senso estratégico e de organização muito superiores”, testemunha Osmar Silveira, ex-presidente da entidade lojista por quatro 64

gestões. “Ele contribuiu decisivamente para a profissionalização da CDL”, acrescenta. Em 1991, a convite do então governador Vilson Kleinübing, assumiu a direção da Imprensa Oficial de Santa Catarina (IOESC),

- Primeira edição do informativo ‘ABIGRAF/SC Notícias/SC’ * Após final do antigo informativo mensal do setor em 2000, o informativo ‘ABIGRAF/SC Notícias/SC’ é lançado com proposta de periodicidade semestral. Com novo formato e layout, o informativo resume assuntos estratégicos e cobertura de eventos do setor. A publicação está em sua 45ª edição.


exercida até 1994. - “Além do conhecimento técnico, Vitor Zanetti também sabia muito de gestão e não se curvava a quaisquer interesses que não fossem os da instituição. Sua integridade justificou a indicação do governador”, lembra Udo Wagner. Da mesma forma, a filantropia e a solidariedade eram presentes em sua pauta: integrou o Rotary Clube desde a década de 1970 e participava regularmente de iniciativas como a Feira da Esperança, organizada anualmente pela APAE de Florianópolis, além do apoio à Orionópolis, entidade sediada na capital, que acolhe idosos e pessoas com deficiência. Vitor Zanetti era um estrategista na condução das entidades que presidiu. Os estreitos

- Receita Federal faz operação para coibir uso irregular do papel imune * A ação trouxe o assunto para o centro de debates das reuniões da ABIGRAF/SC presidida por Vítor Zanetti. Guia de Utilização Papel Imune 2002

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vínculos entre a ABIGRAF/SC e os diversos Sindicatos das Indústrias Gráficas do estado foram uma iniciativa sua, conforme reconhece o empresário Fernando Rocha, ex-presidente da ABIGRAF/SC: - “Ele era muito inteligente e muito estratégico em suas ações. Tinha consciência da importância da ABIGRAF/SC, mas diante da FIESC a entidade era apenas uma concorrente. Era uma entidade de direito privado, sem nenhuma ligação com a Federação das 66

Indústrias. Mas sabia que a condição seria outra se a ABIGRAF/SC fosse parceira do sindicato, em razão de o SIGRAF ser associado e mantenedor da FIESC. Na época, Zanetti era o vice-presidente da região Sudeste na FIESC – e muito bem articulado. Com

- Primeira edição do Torneio de Futebol Sete do SIGRAF da Grande Florianópolis * Torneio foi referência entre as atividades de lazer promovidos pelos sindicatos catarinenses aos profissionais. Vitor Zanetti premiou os vencedores


isso, ele conseguiu conferir à ABIGRAF/SC a importância e o peso político que a entidade merecia e necessitava”. Cidnei Barozzi, ex-presidente da ABIGRAF/SC, reforça o juízo de Rocha: - “Ele começou a inserir na composição da ABIGRAF/SC os presidentes dos sindicatos patronais de cada uma das nove regiões da nossa entidade. Isso aumentou a responsabilidade e a participação, tornava cada um destes personagens um interlocutor da sua região, que compartilhava as demandas com o grupo. Foi uma medida importantíssima para a ABIGRAF/SC, pois aumentou a representatividade e a força da entidade”. No período no qual esteve à frente da ABIGRAF/SC (1999-2008), Zanetti conven-

- Transferência da sede da ABIGRAF/SC * O espaço da Rua Liberato Bittencourt já não comportava mais as atividades e os serviços que o SIGRAF da Grande Florianópolis e a ABIGRAF/SC ofereciam aos associados. O jeito foi transferir a sede das duas entidades para uma casa bem mais ampla, localizada na Rua Joaquim Nabuco, 1680

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ceu os demais associados e dirigentes da entidade do quanto era imprescindível dispor de uma sede própria em Florianópolis, pela importância institucional da capital do estado, entre outros aspectos. O empresário Fernando Mayer, de Pomerode, recorda com clareza desta mudança: - “Ele propôs aos empresários de Joinville e Blumenau em optarmos por uma sede fixa em Florianópolis, em detrimento do modelo itinerante - e que isso não diminuía em nada 68

o peso e o mérito dos representantes do Vale do Itajaí e do norte do estado. A liderança e a confiança que atribuíamos a ele foram fundamentais para que todos aceitassem”. O papel de agregador sempre sobressaiu em Zanetti. Georg Schmidt, de Joinville, lem-

- Início da AIDF eletrônica * Depois de dez anos de tratativas entre a ABIGRAF/SC e a Secretaria de Estado da Fazenda, finalmente, no dia 24 de outubro de 2003, uma solenidade oficial selou definitivamente o início da AIDF (Autorização de Impressão de Documentos Fiscais) eletrônica em Santa Catarina (um dos primeiros estados do país a ter esse convênio), com o objetivo de aumentar o controle do Estado na emissão de notas fiscais, evitando, conseqüentemente, a possibilidade de fraude, moralizando o setor gráfico e levando a ABIGRAF/SC a um patamar ainda mais respeitado. Graças à implantação do sistema, foi registrada uma queda significativa na expedição de notas frias. João Paulo Mosena, diretor de tributação da Secretaria Estadual da Fazenda


bra que seus primeiros contatos com “o pessoal de Florianópolis” ocorreram por intermédio de Zanetti. - “Tudo foi através do Zanetti, eu me dava muito bem com ele, que gostava muito de movimentos associativos, conseguia verba para as associações”. Ylmar Elbert, da Gráfica Elbert, observa que “a ABIGRAF/SC ampliou sua abrangência e se aproximou mais dos pequenos empresários a partir da gestão do Zanetti. Foi aí que começou uma participação mais ampla”. Industrial gráfico da região sul-catarinense, Waldemar Casagrande, o ‘Zinho’, confirma o perfil: “Por sua conduta agregadora, Vitor Zanetti foi, com certeza, uma das maiores referências de nosso movimento”.

- Bom momento da indústria gráfica * Depois de crescer apenas 2,58% em 2003, a indústria gráfica reage e encerra 2004 com 10% de expansão, atingindo faturamento global acima de US$ 5 bilhões, contra US$ 4,5 bilhões no ano anterior. Luiz Henrique da Silveira, governador de Santa Catarina, prestigia lideranças do setor em 2004

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O fortalecimento da ABIGRAF/SC como entidade estadual era uma de suas preocupações e a aproximação do empresário Cidnei Barozzi (com gráficas em Chapecó e São Miguel d’Oeste) foi saudada por Zanetti, conforme recorda o ex-presidente e atual membro da diretoria plenária da entidade: - “Lembro quando ele falou que precisavam de uma liderança no oeste e ofereceu todo o suporte necessário para fazermos um bom trabalho na região. O aprendizado com 70

ele foi marcante. Zanetti e Fernando Rocha foram as lideranças que me trouxeram para mais perto da ABIGRAF/SC”. No período de 2009 a 2011, coube a ele o desafio e o privilégio de presidir a ABIGRAF Nacional, até hoje o único catarinense a ocu-

- Implantação de reuniões mensais * ABIGRAF/SC e SIGRAF da Grande Florianópolis se unem para implantar o sistema mensal de reuniões com discussão de assuntos de interesse do setor gráfico e confraternização. Representeantes do setor gráfico catarinense em reunião em 1997 com Paulo Tatim, presidente da Celesc


par o cargo. Quando encerra seu mandato, assume a vice-presidência da entidade para a Região Sul, que engloba Paraná, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. Na FIESC, a mais forte das entidades empresariais catarinenses, Vitor Zanetti atuou por mais de duas décadas, nas gestões de Osvaldo Moreira Douat, José Fernando Xavier Faraco, Alcantaro Corrêa e Glauco José Côrte - respondendo pelas vice-presidências regionais do Litoral e do Sudeste, além de tesoureiro do Centro das Indústrias do Estado de 71

Santa Catarina (CIESC). - “Ele contribuiu para o fortalecimento da indústria catarinense e dos sindicatos patronais, especialmente os da região Sudeste e teve uma participação ativa na inauguração,

- Reunião de gráficos brasileiros em Santa Catarina * A sede da ABIGRAF/SC recebeu o presidente nacional e os líderes das regionais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Márcio Camargo, presidente da entidade, mediando reunião das associações regionais da ABIGRAF em Florianópolis


em 2010, da sede da Associação dos Sindicatos Filiados à FIESC na Região Sudeste”, observa o ex-presidente Glauco Côrte. Entre 2011 e 2012 enfrentou graves problemas em sua saúde, permanecendo um mês na UTI e perdendo cerca de 50 quilos, além de ter as funções motoras comprometidas temporariamente. Na lembrança de muitos amigos e colegas está a imagem de Zanetti numa cadeira de rodas e posteriormente amparado por muletas, participando de missões no estrangeiro ou de reuniões ordinárias das entidades, mas 72

sem renunciar aos compromissos assumidos. Em 22 de agosto de 2013, aos 70 anos, uma parada cardíaca por insuficiência renal interrompeu sua rica jornada como empresário e líder associativista, deixando a esposa Lenita

- Nova sede da ABIGRAF/SC * Inauguração da Sede ABIGRAF/SC, na Rua Thiago da Fonseca, 44 – Capoeiras. O espaço que já contava com 300 m2 de área, cozinha, secretaria, gabinete odontológico e auditório foi posteriormente reformado.


Cândida e as filhas Jozy Mari e Andrea Mare, além de três netos (Jean, George e Carol) e a bisneta Isabel. Mesmo debilitado, ainda ocupava os cargos de vice-presidente Regional da FIESC; presidente do SIGRAF Grande Florianópolis; vice-presidente da ABIGRAF Nacional; vice-presidente da diretoria executiva e presidente do conselho consultivo da ABIGRAF/SC; diretor-secretário do Sindilojas e conselheiro do Sicredi Metropolitana. Entre as muitas homenagens, em 2014 teve o seu nome concedido ao edifício que abriga a Associação dos Sindicatos Filiados à FIESC na Região Sudeste e também a ABIGRAF/SC, no bairro Capoeiras, região continental de Florianópolis. No mesmo ano, a FIESC outorgou-o, in memoriam, com a

- Setor gráfico lamenta morte de liderança em Blumenau * Ronaldo Baumgarten, faleceu enquanto integrava o conselho fiscal da ABIGRAF/SC e presidia o sindicato de Blumenau. Viúva de Ronaldo Baumgarten, Silvia Maria, inaugura auditório entre lideranças nacionais e estaduais

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Ordem do Mérito Industrial. E em 2017 a ABIGRAF/SC criou o Prêmio Catarinense de Excelência Gráfica Vitor Mário Zanetti. As palavras do empresário Luiz Carlos Manteufell, de Joinville, soam como definitivas: - “Ele tinha o associativismo no DNA. Creio que foi o mais fundamental dos personagens do associativismo gráfico catarinense”.

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C

a p í t u l o

VII

A Excelência Gráfica Catarinense

o campo semântico, a palavra excelência se traduz como ‘primazia’ – ou superioridade em seus diversos significados. A ABIGRAF/SC rendeu a definitiva homenagem ao seu líder associativista criando e batizando o evento como ‘Prêmio Catarinense de Excelência Gráfica Vitor Mário Zanetti’, destinado a estimular a qualidade gráfica e incentivar a criatividade e as inovações tecnológicas. Esta (saudável) disputa entre as empresas provocou inúmeros ganhos – não apenas no estímulo à concorrência pela qualidade, como também no relacionamento e a integração dos colaboradores e dirigentes das empresas e, mais ainda: abriu uma porta definitiva para o maior prêmio nacional do setor, comparando os produtos da indústria gráfica catarinense com as melhores referências do país. Diversas marcas do estado já marcavam presença em prêmios de ampla dimensão, mas com a iniciativa da ABIGRAF/SC todos os cinco


finalistas de cada categoria são automaticamente inscritos no Prêmio Fernando Pini de Excelência Gráfica – o que gerou um aumento significativo de finalistas de Santa Catarina e a conquista de gráficas que participavam pela primeira vez do concurso nacional. Terceira edição do Prêmio Catarinense de Excelência Gráfica Vitor Mário Zanetti

Antecedentes Em 1991, inspirada pelo grande empenho das empresas e dos profissionais em assegurar a máxima qualidade possível aos produtos

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e serviços, a ABIGRAF Nacional, em parceria com a Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG), lançou o Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica. Quatro anos depois, a ABIGRAF Nacional tornou a fortalecer sua

- 200 anos da indústria gráfica * Seccionais contribuíram para o livro "200 anos - Indústria Gráfica no Brasil" e participaram do 14º Congresso Brasileiro da Indústria Gráfica (CONGRAF) e mais uma edição da Drupa, a maior feira gráfica do mundo, na Alemanha. Livro que resgata a história da indústria gráfica no país


vocação em preservar a memória daqueles que contribuíram para edificar os pilares da história da indústria gráfica no Brasil, pois incorporou o nome de Fernando Pini à premiação, em um justo reconhecimento a um dos maiores expoentes técnicos do setor no país, falecido naquele ano. Na década seguinte, após a consolidação do Prêmio Fernando Pini como o ‘Oscar’ da indústria gráfica, as seccionais da ABIGRAF criaram versões regionais da iniciativa. Santa Catarina aderiu em 2017 e agregou-a à reputação de Zanetti, na segunda gestão de Cidnei Barozzi na presidência. - “Este era um sonho antigo do setor. Temos certeza de que contribuirá com o fortalecimento da nossa indústria e vai gerar visibilidade à qualidade e inovação presentes no

- Ação solidária às vítimas das enchentes * Com a tragédia climática que assolou Santa Catarina, na segunda quinzena de novembro, a ABIGRAF/SC mobilizou o setor em campanhas de arrecadação de itens de primeira necessidade e, posteriormente, desenvolveu uma campanha para reabilitar as gráficas atingidas, enviando mecânicos industriais e comprando peças e equipamentos (computadores e móveis para escritório). Tanque do exército em Blumenau atuando no auxílio vítimas da enchente

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cotidiano do nosso parque gráfico”, sintetizou Barozzi, no anúncio de lançamento da primeira edição. Organizado pela ABIGRAF/SC, em parceria com os nove Sindicatos das Indústrias Gráficas do Estado de Santa Catarina, o prêmio tem a coordenação técnica e auditoria da ABTG. Com os cinco finalistas de cada categoria automaticamente inscritos no Prêmio Fernando Pini, a premiação possui jurados altamente qualificados, que avaliam minuciosamente os aspectos técnicos e de 78

criação, os processos de pré-impressão, impressão, acabamento, funcionalidade e design gráfico. “O que caracteriza as empresas vencedoras de um prêmio de excelência gráfica é o

- Início da gestão (2008-2011/ 2011-2014) de José Fernando da Silva Rocha a frente da seccional catarinense * Proprietário da Gráfica Rocha ficou por dois mandatos à frente da entidade.


esforço por fazer o melhor - e isso envolve, em um sentido mais amplo, o comprometimento com uma cultura organizacional de equipes integradas e de alto nível técnico”, considera Rúbia Germer, diretora-comercial da Gráfica Tipotil, vencedora de 11 troféus do Prêmio Catarinense de Excelência Gráfica Vitor Mário Zanetti. “É um prêmio da mais absoluta seriedade, que eleva o setor, seguindo um processo ético e cuja avaliação é estritamente técnica, e que serve de inspiração em nossa tentativa diária de moralizar o país”, sentencia a executiva. “O prêmio estimula a criação de uma cultura de qualidade de alto nível e o empresário passa a se enxergar neste contexto”, ressalta Evandro Volpato, presidente do SIGRAF Joinville e atual presidente da ABIGRAF/SC.

- ABIGRAF/SC passa oferecer assessoria jurídica a seus associados * A entidade assinou convênio de assessoria jurídica, especializada em questões judiciais relacionada às empresas do setor gráfico Em 2011 contrataram o escritório de advocacia Menezes Niebuhr para prestação do serviço de consultoria jurídica.

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E assim como a premiação da ABIGRAF Nacional celebra Fernando Pini, a iniciativa catarinense homenageou Vitor Mário Zanetti. - “Considero muito importante valorizar a história, em particular quando se trata de um Prêmio que envolve novas gerações de profissionais”, observa Rúbia Germer. A cada ano a premiação vem evidenciando sua vocação para revelar talentos e reunir o mercado. E, ao que tudo indica, avança rapidamente no sentido da consagração do setor. Em seu primeiro ano, em 2017, algumas 80

gráficas escalaram o melhor de seus trabalhos para concorrer pela primeira vez a uma premiação regional. A primeira edição fez com que tanto as empresas já habituadas a concorrer a premiações nacionais

- Primeiro presidente catarinense da ABIGRAF/SC Nacional (2009-2011) * Vitor Mário Zanetti (in memoriam), ex-presidente da seccional, é eleito presidente do Conselho Diretivo para liderar a entidade nacional até 2011. Zanetti, um dos maiores ícones do setor em SC


como as estreantes em disputas ficassem entusiasmadas com o acontecimento e se mobilizassem. - “Fiquei impressionado com a qualidade dos trabalhos expostos. Isso foi o bastante para que todas as gráficas do estado procurassem aprimorar a qualidade de seus produtos”, aponta Osvaldo Luciani, 2º vice-presidente da ABIGRAF/SC, sobre suas impressões da primeira edição. A edição de 2017 incorporou um novo contexto para o mercado estadual, trazendo para o segundo e terceiro ano do prêmio um prestígio ainda maior, como relata Patrick Elbert, diretor-comercial da Elbert Indústria Gráfica, vencedora de 16 troféus. Segundo ele, que na noite da premiação estava repre-

- Criação do “Prêmio ABIGRAF/SC de Responsabilidade Socioambiental” e lançamento do Guia Ambiental da Indústria Gráfica Catarinense * O objetivo é de conscientizar as empresas do setor gráfico da importância do gerenciamento dos resíduos e responsabilidade ambiental Peça publicitária da campanha ‘Imprimir é dar vida’ entoada pela entidade

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sentado pelo seu pai e sócio Emir Elbert, na primeira edição concorreram timidamente, com menos peças, e foram surpreendidos por vencerem em quatro categorias. - “A imagem do meu pai com os olhos marejados resume como absorvemos esta conquista. É a consagração de quem batalhou uma vida por um produto e por qualidade”, destaca. Patrick Elbert admite que a partir do segundo ano o prêmio passou a ser encarado de forma ainda mais séria, principalmente por 82

sua equipe. - “Depois disso começaram a trabalhar o ano inteiro pensando naquela noite, desde a seleção, sendo muito criteriosos.”

- Lançamento do “Estudo Setorial da Indústria Gráfica no Brasil” * Em iniciativa inédita, a ABIGRAF/SC lançou, em agosto, em parceria com o Sebrae Nacional um levantamento abrangente e detalhado do perfil do setor no país.


O Reconhecimento do mercado Desde sua primeira edição o Prêmio lança holofotes nas produções do mercado, ao perceber a elevada proporção de belos e criativos trabalhos desenvolvidos em Santa Catarina. Para o empresário Marcelo Peres da Silva, diretorgeral da Gráfica Natal, de Florianópolis, o Prêmio chancela e coroa a combinação de investimentos em tecnologia, mão de obra de qualidade e a permanente cultura de qualidade.

Marcelo Peres da Silva, diretor geral da Gráfica Natal, exibindo seu Prêmio Fernando Pini

“Não produzimos pensando nos prêmios, eles são uma decorrência de nossa cultura. Muitas vezes produzimos em prazos muito estreitos e nosso senso crítico nem sempre está de acordo com o resultado, embora o cliente

- Ciclo de Palestras pelo Estado * A regional promoveu palestras sobre principais temas do setor em Joinville, Itajaí, Concórdia, Chapecó, Criciúma, Rio do Sul, Lages, Caçador, Joaçaba e Blumenau.

Romário Arthur Ferreira, professor e auditor fiscal da Receita Estadual ministrando palestra para gráficos

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elogie o que lhe entregamos. Com o passar do tempo, o olhar muda, fica mais apurado e selecionamos o que consideramos com potencial de sucesso”, relata. Peres observa que sua empresa - com 43 anos de mercado e 33 colaboradores – é de porte médio, todavia acompanha as inovações de mercado na mesma proporção que as maiores indústrias do setor. No primeiro ano, a Natal inscreveu trabalhos, mas não conquistou troféus. Nos dois seguintes a empresa esteve entre as maiores vencedoras e conseguiu um feito incomum: foi ganha84

dora do Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica Fernando Pini 2018. Sua parceira de mercado, a Gráfica Elbert, obteve o mesmo feito em 2019. Sediada próximo dali, em Palhoça, a Gráfica Rocha conquistou, em apenas três anos, o primeiro lugar em 19 categorias.

- Reeleição do presidente Fernando Rocha na ABIGRAF/SC * Foi reeleito assim como os presidentes dos sindicatos da Grande Florianópolis e Lages. Fernando Rocha, diretor da Gráfica Rocha


- “Na noite da primeira conquista lembro que nem jantei, tamanha a emoção”, recorda Rodrigo Rocha, gerente-executivo da empresa. A extensão destes feitos, no entanto, atinge limites bem mais distantes do que a comemoração na cerimônia de anúncio e entrega dos troféus, conforme admite Rocha: - “O prêmio abriu a percepção dos empresários gráficos catarinenses que competir não é só preço, é preciso de qualidade no serviço. Acaba com a visão de que a disputa por mercado se limita a quem pratica o preço mais baixo. Valorizou o produto criado em Santa Catarina, porque, a rigor, qualquer gráfica pode ganhar o prêmio”. Duas gráficas entre os grandes vencedores da categoria ‘Catálogos’, a Elbert (São

- Acordo coletivo com o sindicato laboral na capital catarinense * Sob o comando do Vitor Zanetti deu início a batalha pelo acordo coletivo com o sindicato laboral na capital catarinense, que acabou resultando numa decisão que favoreceu a todos os sindicatos patronais (o Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina concordou que o mínimo regional não vale quando há negociação coletiva).

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José) e a Tipotil (Timbó), reconhecem o peso da conquista para os seus negócios. - “A conquista credencia e reforça o consenso do mercado sobre o trabalho de cada gráfica e que a história das empresas é um componente de grande relevância neste processo, pois auxilia na construção de um DNA que a capacita a ter excelência”, define Rúbia Germer, da Tipotil, sediada em Timbó, no Vale do Itajaí e com mais de meio século de atividades. 86

- “O prêmio coroa o trabalho anual, expondo ao mercado a qualidade de cada gráfica e motivando internamente”, reforça Patrick Elbert, diretor-comercial da indústria josefense. A empresa tem raízes no sul de Santa Catarina (foi fundada em Orleans e depois transfe-

- Santa Catarina ganha visibilidade na entidade nacional * Cinco gráficos catarinenses foram empossados na diretoria da ABIGRAF Nacional - tornando Santa Catarina como a segunda maior representação dentro da entidade. Márcio Camargo (presidente da ABIGRAF Nacional de 2001 até 2011), confraternizando com Vitor Zanetti e Fernando Rocha


rida para Tubarão), na longínqua década de 1920. Novamente mudou de sede, desta vez para São José e em 1978 foi adquirida pelos irmãos Emir e Ylmar Elbert, desde então atuando com maior ênfase nas áreas promocional e editorial. Patrick destaca o peso da mão de obra no processo de qualidade. - “O maquinário é muito semelhante entre as gráficas que concorrem. A qualidade vem dos profissionais, do know-how e do comprometimento das pessoas. O Prêmio acelera este aspecto e torna o processo contínuo”, garante ele, complementado pela diretora-comercial da Tipotil. - “A participação das pessoas é que faz com que tenhamos ótimos resultados. Nossa participação como empresa só compensa quando eles estão integrados. E a celebração

- Lançamento de estudo sobre setor catarinense * Ainda no primeiro semestre, a ABIGRAF/SC contratou a empresa Delfos que, pela primeira vez na história, traçou o perfil da indústria gráfica catarinense - estratégia foi montada a fim de atender as necessidades apontadas no estudo. Apresentação do estudo

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pelos prêmios conquistados se reverte em uma grande motivação”. Neste aspecto, o depoimento de Rodrigo Rocha reforça a convicção acerca do envolvimento humano no processo. - “Com os prêmios o funcionário sente a responsabilidade de participar e oferecer ideias. O prêmio é da empresa, de toda a equipe. A partir de nosso primeiro, foi contagiante e quisemos participar cada vez mais. Depois disso os colaboradores nos pressionam para inscrevermos o máximo de peças”. 88

Em paralelo, o Prêmio encerra a virtude da integração do setor em nível estadual, exibindo para o mercado a qualidade de indústrias de quase todas as regiões. - “Teve um sabor especial para nós, por sermos da região oeste”, confirma Marlu-

- Associados catarinenses ganham bolsas de estudo * Três associados da ABIGRAF/SC foram contemplados com bolsas de estudo para cursarem os cursos de formação e pós-graduação de Gestão da Indústria Gráfica, pela Escola de Negócios Sustentare de Joinville.


sa Dall’agnol Barozzi, diretora comercial da Arcus Indústria Gráfica, em Chapecó, que ganhou 15 prêmios em três edições. “Aumentou a percepção em relação à nossa qualidade, tanto internamente quanto dos fornecedores e dos clientes – porque o Prêmio repercute muito e tem muita credibilidade”, acrescentou. Também na Arcus as conquistas trouxeram resultados na motivação interna. - “O impacto não é institucional, envolve toda a equipe, repercute no chão de fábrica. O pessoal do comercial já dedica um olhar especial aos materiais que consideram competitivos e as agências se envolvem porque compartilham do mérito – afinal, são boas ideias executadas com excelência”, descreve Marlusa.

- Missão à Alemanha – Drupa 2012 * Um grupo de 60 empresários do setor gráfico de Santa Catarina, Goiás e São Paulo - a maioria catarinense - participou da Missão à Alemanha – Drupa 2012, idealizada pela ABIGRAF/SC e viabilizada com o apoio da Fiesc e da Apex Brasil. Caravana catarinense na entrada do centro de eventos da Drupa 2012

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Ainda no oeste catarinense, outros dois empreendimentos se destacam: a MR Indústria Gráfica (Concórdia), que obteve premiações em todas as edições da iniciativa da ABIGRAF/SC e, em especial, a Mércur Indústria Gráfica (Chapecó), que não só foi finalista do Pini nos anos de 2017 e 2018 como em 2019 saiu consagrada como uma das campeãs. Sobre a participação no Prêmio Fernando Pini, o executivo Rodrigo Rocha lembra: - “As gráficas catarinenses dificilmente 90

participavam do Pini. Não viam um caminho viável para isso, não era algo que fizesse parte de nossa realidade. Não pela dificuldade e originalidade que o Pini tem, mas simplesmente porque as gráficas não enxergavam o caminho para participar. O Prêmio de Exce-

- Reabertura da Escola Gráfica Dom Jaime em Palhoça * No mês de setembro, a ABIGRAF/SC acompanhou também a assinatura do termo de cooperação entre o Governo do Estado e o Senai, que garantiu a reabertura da Escola Gráfica do Dom Jaime em Palhoça, com o objetivo de contribuir para a formação de mão-de-obra qualificada para o setor. Vitor Zanetti acompanhando o cerimonial de lançamento dos laboratórios digitais da Escola Gráfica


lência Gráfica Vitor Mário Zanetti nos mostra que temos plena capacidade de disputar com mercados de outros estados”. No topo das empresas catarinenses nacionalmente competitivas, a Gráfica 43 (Blumenau) estabelece uma relação clara entre as premiações que recorrentemente disputa e o dia a dia. - “O desenvolvimento de tecnologias pioneiras está em nosso código genético, fornecendo a seus clientes embalagens inovadoras na apresentação, sem descuidar da competitividade em custos Percebemos que nossos trabalhos tinham potencial para concorrer nacionalmente e ganhamos em visibilidade, reconhecimento e autoestima”, atesta Marlo Germer, diretor-presidente do empreendimento, que em 2019 comemorou conquistas nos prêmios Abre e

- Pesquisa sobre Certificação Ambiental * A ABIGRAF/SC promoveu, em parceria com o departamento de pós-graduação em Administração da Fundação Universidade de Blumenau, a pesquisa com um olhar atento às certificações de sustentabilidade a disposição do setor. Pesquisa promovida pela ABIGRAF/SC em parceria com a pós-graduação da FURB

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Theobaldo Nigris (repetindo a conquista de 2018), além do Fernando Pini em 2016, 2017, 2018 e 2019. - “Os parâmetros pelos quais somos avaliados nas premiações também determinam o sucesso de nossas embalagens e isso é estendido aos clientes. E, em paralelo, sentimo-nos honrados porque estamos representando a indústria catarinense que, nos mais variados segmentos, é padrão de excelência em qualidade no Brasil e no exterior”, reforça Marlo Germer. 92

A iniciativa da ABIGRAF/SC e os depoimentos dos participantes coincidem com uma afirmação atribuída ao filósofo grego Aristóteles: “A busca da excelência não deve ser um objetivo - e sim um hábito”.

- Lançamento do Manifesto da Indústria Gráfica à Nação * Documento apresenta uma série de reivindicações de melhoria para o setor. Reunião da executiva nacional definiu o conteúdo do Manifesto


A noite dos premiados ocorre em um grande evento, que reúne o mercado gráfico catarinense – fornecedores, representantes de outras entidades do setor e patrocinadores - confirmando toda a pluralidade do setor, com muito intercâmbio, descobertas e confraternização. - “No fundo, somos todos loucos por impressão e, quando reunidos, temos uma sensação ainda mais vigorosa de nossa qualidade e nossa importância”, corrobora Rodrigo Rocha. 93

- 49ª edição da Assembleia Ordinária da ABIGRAF Nacional em SC * No mês de abril , a ABIGRAF/SC sediou a 49ª edição da Assembleia. O encontro reuniu 60 participantes de 15 estados brasileiros Representantes das regionais da ABIGRAF Nacional se reuniram em Florianópolis


Histórico 1º Prêmio Catarinense de Excelência Gráfica (2017) 11 gráficas inscritas em 27categorias Premiadas Rocha Soluções Gráficas: 6 troféus 94

Arcus Indústria Gráfica: 5 troféus Elbert Indústria Gráfica: 4 troféus Mércur Embalagens e Etiquetas: 3 troféus Printbag e Tipotil: 2 troféus Baumgarten, Gráfica 43, Gráfica Nacional, Grafimax e MR Gráfica: 1 troféu 2º Prêmio Catarinense de Excelência Gráfica (2018) 20 gráficas inscritas em 37 categorias


Premiadas Gráfica Elbert: 7 troféus Gráfica Arcus, Natal e Tipotil: 5 troféus Gráfica Rocha: 4 troféus Gráfica Nacional: 2 troféus Baumgarten, Grafimax, Impressora Mayer, Mércur Embalagens e Etiquetas, MR Gráfica, Rota, Sul Oeste, Volpato, Gráfica 43: 1 troféu 3º Prêmio Catarinense de Excelência Gráfica (2019) 15 gráficas inscritas em 40 categorias Premiadas Gráfica Rocha: 9 troféus Arcus Gráfica: 6 troféus Gráfica Elbert: 5 troféus Gráfica Natal, Gráfica 43 e Tipotil: 4 troféus cada Gráfica Mércur Embalagens e Etiquetas e MR Gráfica: 2 troféus Gráfica Nacional, Gráfica Volpato, Grafimax e Printbag: 1 troféu

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Participações nacionais Finalistas Catarinenses no Prêmio Pini

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Ano

Produtos

Gráficas

2013

2

1

Printbag

2014

5

2

Printbag e Indimagem

2015

3

2

Printbag e Indimagem

2016

3

2

Gráfica 43 e Indimagem Gráfica 43, Grafimax, Gráfica Nacional,

2017

15

8

Mércur Embalagens e Etiquetas, Arcus Gráfica, Printbag, Impressora Mayer e Tipotil Gráfica 43, Arcus Gráfica, Gráfica Elbert,

2018

22

9

Gráfica Natal, Gráfica Rocha, Grafimax, Mércur Gráfica, Printbag e Tipotil Gráfica 43, Arcus Gráfica, Gráfica Elbert,

2019

31

10

Gráfica Natal, Gráfica Rocha, Gráfica Nacional, Gráfica Volpato, Mércur Embalagens e Etiquetas, Printbag e Tipotil


Campeãs Catarinenses no Prêmio Pini Ano

Produtos Gráficas

2013

1

1

Printbag e Indimagem

2014

3

2

Printbag e Indimagem

2017

2

2

Gráfica 43 e Grafimax

2018

2

2

Gráfica 43 e Natal

2019

3

3

Gráfica 43, Elbert e Mércur

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C

a p í t u l o

VIII

“SC tem um dos maiores parques gráficos do Brasil” idnei Luiz Barozzi, presidente da ABIGRAF/SC à época do cinquentenário da entidade, é natural de Descanso, onde desde cedo empreendeu. Com apenas 17 anos se tornou sócio da Tipografia Arco-Íris, na qual já trabalhava de forma voluntária - e posteriormente adquiriu a parte de seus parceiros e transformou-a na Arcus Indústria Gráfica, uma das mais importantes do setor em Santa Catarina. Barozzi admite: em algum momento de sua trajetória profissional, contaminou-se com o associativismo e seu envolvimento foi crescendo – do SIGRAF Oeste à ABIGRAF/SC, na qual a presidência teria sido seu maior desafio. Qual sua consideração sobre a indústria gráfica catarinense contemporânea? Cidnei Barozzi – Sem medo de errar: Santa Catarina tem um dos maiores parques gráficos brasileiros – e ouvimos estes depoimentos


dos fornecedores e dos clientes. Temos gráficas com equipamentos de indústria 4.0*, mas o que ainda não é 4.0 é a nossa mão de obra. Ainda está aquém e cabe a nós capacitar, reciclar, investir e mostrar os caminhos para atingir o nível desejado e necessário. A formação de profissionais é uma Cidnei Barozzi, diretor da Arcus Indústria Gráfica e ex-presidente da ABIGRAF/SC

das questões cruciais do setor gráfico. Como equacioná-la? Cidnei Barozzi – Toda gráfica - pequena, média ou grande - é uma escola. Se você for

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à minha empresa encontrará no mínimo umas 10 pessoas aprendendo em diversos setores. É preciso produzir mais, mas é difícil esperar que o profissional venha pronto. Estamos sempre capacitando nossos colaboradores, essa é uma

- ABIGRAF/SClamenta perda de ex-presidente e liderança do setor * Um dos maiores expoentes do setor gráfico nacional, Vitor Mário Zanetti, vice- presidente da Fiesc e ex-presidente da ABIGRAF/SC e Nacional, faleceu em agosto deixando grande legado para ABIGRAF/SC e para o associativismo catarinense. Homenagem a Vitor Zanetti na Revista ABIGRAF Nacional


prática comum e longeva em minha empresa - e agora mais do que nunca. Alguns profissionais saem em busca de novas oportunidades ou são procurados por outras empresas, assumem novos quadros. E é o que predomina: as gráficas são formadoras de mão de obra, para si e para o mercado. E qual o papel das entidades neste processo? Cidnei Barozzi – De extrema importância e historicamente sempre foi a nossa prioridade. Ao longo destes 50 anos foram dezenas de cursos, treinamentos, missões e iniciativas similares. Um exemplo claro são as caravanas e eventos, centenas de empresários gráficos que foram a eventos no

- Lançamento do Circuito de Cursos da ABIGRAF/SC * No mês de abril teve início o Circuito de Cursos da ABIGRAF/SC, com foco em eliminar desperdícios, aumentar produção, reduzir custos, controle de qualidade, gestão de resultados, manutenção operacional, formação de líderes e técnicas de venda. Consultor de empresas José Ferrrari em uma de suas palestras para o setor

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Brasil e no exterior, adquiriram conhecimento e ampliaram o relacionamento, a visão do negócio. São oportunidades jamais esquecidas. É importante que isso seja preservado e que se dê continuidade. Não há como ficar de fora das caravanas, eventos e feiras. E a ABIGRAF/SC sempre fomentou isso. A ABIGRAF/SC também tem uma tradição de parceria com a Federação das Indústrias do Estado de 102

Santa Catarina. Cidnei Barozzi – Diferente de outras regionais, nós sempre nos articulamos junto à FIESC nas caravanas, proporcionando oportunidades coletivas, com tradutor-intérprete, guias, tudo muito organizado. Não é somen-

- Implantação da Campanha Two Sides no Brasil * A campanha promovida por organização inglesa que divulga verdades sobre o papel e a comunicação impressa foi incorporada pela entidade catarinense. Arte de uma das peças da campanha


te ir até lá e ver equipamentos, é preciso entender o que está acontecendo no mercado. E incorporamos às missões de conhecimento de tecnologias os aspectos de informação de mercado e tendências. As missões à Druppa são o ápice deste processo? Cidnei Barozzi – A primeira Drupa a gente nunca esquece. Quando entramos no complexo do evento, com mais de 20 pavilhões e expositores mundiais com equipamentos e tecnologias, achamos que é algo muito distante de nossa realidade. Mas, ao contrário, a Feira nos mostra as tendências mundiais, o que será o setor nos próximos anos - e um dia também compraria.

- Realização do 1º Seminário Catarinense da Indústria Gráfica * Ocorreu no dia 16 de agosto na Fiesc em Florianópolis e contou com palestrantes renomados do setor, como Hamilton Terni Costa, Mário César Martins de Camargo, Fábio Mestriner, Sérgio Rossi e Márcia Biaggio. Reuniu cerca de 250 pessoas. Palestra durante o seminário

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Em sua gestão, a ABIGRAF/SC lançou o Prêmio Catarinense de Excelência Gráfica Vitor Mário Zanetti. O que o motivou? Cidnei Barozzi – A começar pelo fato de que a indústria gráfica está presente no cotidiano de todos. Todos convivem com a indústria gráfica diariamente, seja lendo um jornal ou revista, nas embalagens do supermercado, no rótulo dos produtos que consomem. Nós estamos presentes na vida das pessoas e nem sempre isso é devidamente 104

reconhecido. Nem o empresário gráfico se valoriza na proporção merecida. A criação do Prêmio é exatamente para gerar a de-

- Eleição na ABIGRAF/SC * As eleições da ABIGRAF/SC e SIGRAF Florianópolis ocorreram com tranquilidade e foram eleitos os presidentes Cidnei Luiz Barozzi e João Baptista Cardoso, juntamente com as respectivas diretorias. O dia 3 de abril, uma grande recepção marcou a posse dos novos diretores eleitos para o mandato 2014-2017. Na cerimônia de posse


vida importância àquilo que se produz em Santa Catarina. Nós temos que elevar a autoestima do gráfico. Ao atingir a terceira edição, isso foi obtido? Cidnei Barozzi – O Prêmio já existia na ABIGRAF Nacional e em outros estados e promovia visibilidade à produção do setor. Em Santa Catarina não se conseguia visualizar isso, porque cada um produzia individualmente suas peças e ia para o mercado. Com o Prêmio, se tornou possível perceber nossa qualidade, tanta coisa bonita que é produzida aqui.

- Combate à campanha ‘Fatma Sem Papel’ * A ABIGRAF/SC entrou em cena para combater a campanha equivocada da Fundação do Meio Ambiente “Fatma sem papel” e ganhou espaço na imprensa para esclarecer que o papel não é vilão ambiental. Chamada da coluna de Moacir Pereira no Diário Catarinense

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O senhor também presidiu a Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC), uma importante entidade empresarial. Como o associativismo começa a fazer parte de sua vida? Cidnei Barozzi – Comecei a enxergar a necessidade de conhecer o mercado, de participar dos eventos do setor e saber o que ele apresentava. Em 1989 procurei o sindicato patronal da região oeste e já comecei participando. Quando cheguei, ninguém me deu muita bola, no meio de nomes muito 106

conhecidos. Senti que o associativismo era o caminho para elevar ainda mais a minha empresa e de ser mais assertivo com ela. Mas quando somos ‘picados’ pelo associativismo - e eu fui, pois sempre me dediquei

- Primeira caravana aérea da ABIGRAF/SC * Planejada pela gestão anterior, 100 gráficos catarinenses puderam participar da Expoprint, em São Paulo. Caravana de gráficos catarinenses


a isso – sabe-se que esta é uma escolha praticamente sem volta. E isso é bom, porque enxergamos a diversidade de pessoas se empenhando em alguns grupos, comunidades, Rotary, Lions etc. Percebemos como existem pessoas dedicadas a construir um mundo melhor. E como foi assumir a ABIGRAF/SC? Cidnei Barozzi – Talvez tenha sido meu maior desafio. Isso porque a minha história profissional se confunde um pouco com o associativismo, se confunde com a história da ABIGRAF. É desafiador assumir o cargo vindo do interior, porque aí começam algumas demandas fora da tua realidade. Quando se atua regionalmente, domina-se a pauta.

- 50 anos ABIGRAF Nacional * Em 2015, a ABIGRAF Nacional completou 50 anos celebrados no Congraf – Congresso Brasileiro da Indústria Gráfica. Abertura do Congraf 2015

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Uma entidade de alcance estadual envolve questões mais abrangentes e políticas, onde tem que se tratar com o Governo e lideranças estadualizadas. Mas eu nunca tive medo de defender os interesses do setor. Evidentemente que ser presidente de uma entidade na qual sua diretoria está em diferentes municípios de Santa Catarina - e não do teu lado, aumenta a dificuldade de você se articular. Mas lembro do apoio que recebi, em especial do nosso ex-presidente Fernando Rocha. Ele considerava que estavam mesmo 108

precisando de uma liderança na região oeste e que daria todo o suporte para fazermos um bom trabalho.

- 1º Encontro com Gráficos em Itajaí * Realizado em Itajaí, o evento que contou com a presença do consultor Fábio Mestriner, professor universitário e referência na área de embalagem e design. Professor e palestrante Fábio Mestriner abordando o mercado gráfico


O modelo da ABIGRAF/SC parece ser muito representativo. Como foi concebido? Cidnei Barozzi – Em sua gestão, Rocha incluiu na composição da ABIGRAF Santa Catarina os presidentes dos sindicatos patronais de cada uma das nove regiões. Isso aumentou a responsabilidade, tornava cada diretor um interlocutor da sua região, que dividia as demandas com o grupo. Essa foi uma sacada importantíssima que ABIGRAF/SC teve, à época, de incluir todos os presidentes dos sindicatos em sua diretoria executiva. E também quero que as nove regionais sigam bem. Porque cada regional está levando o nome do setor gráfico, realizando cursos, reforçando nossa marca no estado. E a ABIGRAF sempre fez o papel de integrar. Quando recebia o in-

- Primeira Reunião da Presidência das ABIGRAFs da Região Sul * Sediado pela seccional catarinense, a primeira Reunião da Presidência das ABIGRAFs da Região Sul ocorreu na capital. Encontro das lideranças do sul do Brasil

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formativo no interior, quem aparecia eram os gráficos da região. Todo mundo tem o sentimento que faz parte da ABIGRAF/SC. E quais as lições que levará, ao final de seu mandato? Cidnei Barozzi – O associativismo abriu minha visão como empresário. Se eu ficasse somente dentro da minha empresa, não conseguiria solucionar questões que são tratadas abertamente com os colegas associados, que são resolvidas rapidamente. Participando do 110

associativismo consigo acelerar a resolução das minhas dúvidas. E minhas demandas também estão voltadas à comunidade, para questões políticas, na Câmara de Vereadores, Prefeitura. Isso me dá outra abertura e

- Lançamento da Frente Parlamentar do Setor Gráfico * Santa Catarina marcou presença no lançamento da Frente Parlamentar do Setor Gráfico com a maior bancada. Diretoria da ABIGRAF/SC prestigiou o acontecimento


outro olhar, outra amplitude, também para o social. O associativismo me proporcionou essa impressão mais ampla do que é o meio no qual vivemos. Começamos a entender que fazemos parte de um grupo que existe para melhorar as práticas da coletividade. Portanto, só tenho de agradecer a ABIGRAF/SC pela oportunidade de participar como gestor deste mandato, porque talvez seja eu quem ganhe mais nesta troca.

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* Indústria 4.0 é uma expressão que engloba as principais e mais inovadoras tecnologias mundiais (em especial em automação e troca de dados, além da ‘internet das coisas’ e computação em nuvem), reduzindo custos e aumentando a sua produtividade.

- Apresentação do Projeto de Fortalecimento do Setor Gráfico Catarinense * No dia 17 de setembro, foi apresentado o Projeto de Fortalecimento do Setor Gráfico Catarinense.

Fábio Mortara apresentando sua palestra durante o evento pelo fortalecimento da indústria gráfica catarinense



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IX

Frente Parlamentar com sotaque catarinense

Frente Parlamentar do Setor Gráfico e Mídia Impressa foi criada em 20 de agosto de 2015, por iniciativa conjunta da ABIGRAF Nacional e do deputado federal Baleia Rossi (MDB/SP) – em um evento que reuniu, na Câmara dos Deputados, em Brasília, todas as regionais da ABIGRAF, para igualmente mobilizar os representantes das bancadas estaduais. Santa Catarina se destacou pela maior representação, composta por seis deputados federais - Celso Maldaner (PMDB), Fabrício Oliveira (PSB), Geovânia de Sá (PSDB), Mauro Mariani (PMDB), Ronaldo Benedet (PMDB) e Valdir Colatto (PMDB) – além do senador Dalírio Beber (PSDB), entre um total de 15 parlamentares. - “Conseguimos a maioria dos deputados federais presentes, fomos o destaque entre as seccionais da ABIGRAF Nacional e tivemos um papel relevante na formação da


Frente Parlamentar”, salientou Cidnei Barozzi, ex-presidente da ABIGRAF/SC. Por iniciativa de Barozzi, acompanhado de Fernando Rocha e João Baptista, ambos da diretoria da ABIGRAF/SC, Diretoria da ABIGRAF/SC no lançamento da Frente Parlamentar do Setor Gráfico

os representantes da entidade visitaram os 16 gabinetes de deputados de Santa Catarina para apresentar a proposta, exaustivamente explicada. - “Como tínhamos representantes da Câ-

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mara e do Senado, constituiu-se uma Frente Parlamentar Mista”, acrescentou Barozzi. Representando o setor gráfico catarinense, estiveram presentes também os presidentes dos Sindicatos de Criciúma, Florianópo-

2015 - Criação de novos grupos de trabalho na seccional de SC * Criação de dois grupos de trabalho para melhor atender os diferentes interesses das indústrias gráficas catarinenses: de Empresarial Promocional e de Impressão Digital


lis, Itajaí e Joinville. O ato de lançamento da Frente Parlamentar foi seguido da realização do 3º Encontro Nacional dos Sindicatos da Indústria Gráfica, também em Brasília. A articulação política contribuiu diretamente para o desfecho do conflito tributário ISS x ICMS, que prejudicava o setor por cerca de 30 anos.

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- Debate sobre NR-12 * O presidente de SC visitou os nove sindicatos do Estado, a fim de debater a questão da NR-12 (norma que estabelece série de medidas visando a segurança coletiva e individual dos funcionários). Na ocasião foi apresentada uma proposta de convênio, em parceria com o Sebrae e Senai, com o objetivo de facilitar a adequação. Cidnei Barozzi mediou o debate em torno do tema



Juntos pela AIDF Eletrônica

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m 2003, depois de uma década de tratativas entre a ABIGRAF/SC e a Secretaria da Fazenda, finalmente a Autorização de Impressão de Documentos Fiscais (AIDF Eletrônica) começou a valer em Santa Catarina – uma pauta de máxima relevância para o setor gráfico do estado. Fernando Rocha, então vice-presidente da ABIGRAF/SC, que na época presidia o SIGRAF da Grande Florianópolis, recorda que foram necessárias muitas reuniões para debater e negociar o processo até que o convênio fosse materializado. - “Obter a autorização para imprimir documentos fiscais nos exigiu avaliar o contexto, sobre quem autorizaria e como identificaríamos as gráficas habilitadas”. Em 24 de outubro de 2003, uma solenidade marcou Santa Catarina como um dos primeiros estados a ter esse convênio, firmado por Vitor


Zanetti, então presidente da ABIGRAF/SC. Até esta conquista, foram muitos os entraves e avanços. Em uma das etapas iniciais, em 2000, a ABIGRAF/SC assinou um convênio com o João Paulo Mosena, à época diretor de Tributação da Secretaria Estadual da Fazenda, para ter o aval na emissão de documentos fiscais em Santa Catarina. Jucinei Silveira, tesoureiro da ABIGRAF/SC

Criado para substituir a AIDF em papel por serviços eletrônicos a distância, via internet, o sistema passou reger a confecção de impressos de documentos fiscais em Santa Catarina.

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Jucinei Silveira, tesoureiro da ABIGRAF/SC, considera este um dos grandes momentos da entidade ao longo dos 50 anos. -“Foi um ganho de produtividade e de tempo sem precedentes. Antes, quando se im-

- Realização do Seminário Sul-Brasileiro da Indústria Gráfica * Uma continuidade do Seminário Catarinense da Indústria Gráfica, que surgiu em 2014 em Florianópolis e contava apenas com participantes catarinenses. As ABIGRAFs dos três estados do Sul se reuniram para fazer um evento único, que passou a ser denominado Seminário Sul-Brasileiro da Indústria Gráfica, sendo realizado de forma itinerante.


primia uma nota fiscal era preciso ir à Secretaria da Fazenda, dar entrada em uma requisição e os protocolos iam se sucedendo. Demorado e complexo”, resume. A dificuldade enfrentada pelos gráficos no dia a dia fez com que os presidentes da ABIGRAF/SC e SIGRAF da Grande Florianópolis, Zanetti e Rocha, respectivamente, percebessem a oportunidade na necessidade. Para

João Paulo Mosena, ex-diretor de Tributação da Secretaria Estadual da Fazenda SC

informatizar todo o processo, reuniram suas forças para dar suporte político e técnico, capaz de levar a ideia adiante. Osvaldo Luciani, 2º vice-presidente da seccional da ABIGRAF/SC recorda e valoriza o empenho dos dois personagens:

- Realização de mais uma Missão Empresarial para a Alemanha - Drupa 2016 * Missão Empresarial para a Alemanha levou 24 empresários para a Drupa, uma das principais referências internacionais na indústria de impressão. Caravana catarinense na Drupa 2016

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- “Rocha e Zanetti praticamente resolveram o problema financeiro da entidade com a criação daquele sistema de credenciamento das gráficas junto à Secretaria da Fazenda para que as empresas do setor conseguissem autorização on-line para impressão de documentos fiscais”. A implantação da AIDF Eletrônica aumentou o controle do Estado na emissão de notas fiscais, evitando, consequentemente, a possibilidade de fraudes. O processo acentuou a moralização do setor e em pouco tempo re120

gistrou uma queda significativa na expedição de notas frias. - “Reduziu drasticamente o custo operacional, mesmo mediante a cobrança de uma pe-

- Lançamento da cartilha “Vote no Impresso” * Criada pela ABIGRAF Nacional com o apoio das ABIGRAF’s e Sindicatos regionais, também chamou a atenção da sociedade para a importância da comunicação impressa e, mais uma vez, destacou o setor na imprensa.

Campanha nacional da entidade


quena taxa, mas sem ônus para os sócios da ABIGRAF/SC”, complementa Rocha. O movimento do início da AIDF Eletrônica contribuiu para viabilizar a ABIGRAF/SC, com o ingresso de muitos associados, como também para fortalecer a relação com os sindicatos e, na mesma proporção, gerar um ganho de imagem institucional, junto ao poder Executivo, em especial. Depois da implantação, as entidades do setor agiram em conjunto para vistoriar e averiguar a existência das gráficas que solicitaram cadastramento para 121

obter a AIDF eletrônica.

- Implantação do programa de excelência da gestão sindical * Implantação do Programa de Excelência da Gestão Sindical, iniciativa viabilizada pela ABIGRAF/SC, em parceria com a FIESC. Fernando Mayer abre o evento, que teve palestra de Leonardo Costa (FIESC Fernando Mayer abre o evento, que teve palestra de Leonardo Costa (FIESC)



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XI

Relacionamento, conhecimento e reconhecimento écimo presidente da ABIGRAF/SC, Fernando Rocha tem uma trajetória exemplar na entidade, pelas muitas conquistas que ponteou (incluindo sua participação como presidente do SIGRAF Grande Florianópolis) e pelos relacionamentos construídos desde que trocou Porto Alegre (RS) pela capital catarinense. - “Abri a gráfica em 1993 e não conhecia ninguém em Florianópolis, além dos meus sogros. E desejava conhecer as pessoas do setor gráfico. Dois meses depois da minha chegada comecei a participar das reuniões do sindicato”. Sua história merece um breve recuo no tempo. O pai, Breno Rocha, aprendeu a profissão de gráfico em um internato e por dois anos encarou jornada dupla, conciliando o emprego em uma gráfica com a pequena tipografia que abrira. Quando optou pela empresa própria, suas encomendas eram de pequenas tiragens – cartões de visita ou convites


de casamento. Desta época, com parcos 10 anos, vêm as primeiras lembranças de Fernando em uma gráfica. - “Eu às vezes ajudava porque a máquina era manual. Ele colocava o cartãozinho, imprimia e eu ficava do lado e tirava. Como vivia ali, ficava um pouco, ajudava um pouco. Com 13 ou 14 anos de idade comecei a trabalhar Fernando Rocha, diretor da Gráfica Rocha

mais efetivamente com ele”. Os negócios cresceram e a Gráfica Rocha evoluiu, incluindo a contribuição de Fernando, que cursava Administração. Quando

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resolveu empreender por conta própria, tinha 26 anos e uma esposa, Gislaine Rocha - e a pequena tipografia do pai transformara-se em uma gráfica com 15 funcionários. “Recebi todo o apoio dele quando o informei que

- Inauguração da escola de artes gráficas no Senai de Blumenau * A inauguração ocorreu no mesmo momento da formatura da primeira turma de Offset Impressor de SC. Gráficos catarinenses conhecendo o Laboratório Gráfico do Senai Blumenau


pretendia me transferir para Florianópolis e abrir minha própria gráfica”. Estava nascendo a segunda geração de empresários gráficos da família, com semelhanças à trajetória do patriarca. “Viemos para cá, minha esposa estava grávida e iniciamos as atividades com uma gráfica bem pequeninha”. Fernando vislumbrou no SIGRAF as portas para conhecer melhor seus parceiros de mercado e a partir dele revelou sua vocação para o associativismo. - “Havia reuniões mensais no Sindicato, e eu achava legal, conhecia pessoas, participava dos debates. A partir dali comecei a ter esse envolvimento. Ao final deste período fui convidado a ser tesoureiro do Sindicato, de uma di-

- Eleição da gestão 2017-2020 da ABIGRAF/SC * A penúltima eleição da entidade conduziu Cidnei Luiz Barozzi e Fernando Rocha como presidente e vice, respectivamente. Cidnei Luiz Barozzi realizando seu voto

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retoria que era de responsabilidade do Cláudio Bristot. Tinha apenas 29 anos e não sabia se daria conta, mas o Bristot convenceu-me”. Fernando Rocha nunca enxergou conflitos entre a gestão do SIGRAF e o exercício profissional. - “Tenho consciência de que o desafio de assumir um cargo em entidade associativa pode prejudicar o negócio, já testemunhei vários casos. É fácil perder o foco. Quando eu assumi o Sindicato tinha clareza de que não poderia prejudicar minhas atividades. E para 126

tanto precisei equilibrar muito bem as duas frentes, administrando meu tempo e o meu foco. Creio que minha formação em Administração permitiu que eu me envolvesse em muitos assuntos simultaneamente”.

- Criação do Prêmio Catarinense de Excelência Gráfica * O Prêmio Catarinense de Excelência Gráfica Vitor Mário Zanetti, que homenageia o ex-líder do setor no Estado falecido em 2013, contou com mais de 220 produtos inscritos em 27 categorias diferentes e festa de premiação com cerca de 200 pessoas na fiesc. Os finalistas do prêmio catarinense receberam 15 indicações do Prêmio Nacional Fernando Pini. Vencedores da edição de 2017 do prêmio


Seu passo seguinte – e natural – foi assumir a presidência do SIGRAF Grande Florianópolis, em 2000. - “Fui indicado pelo Joceli Jacques (proprietário da Editograf), o que também me surpreendeu, mas encarei - em especial motivado pelo apoio recebido do Vitor Zanetti”. Uma coincidência muito interessante marca esse período: a ABIGRAF/SC estava em processo sucessório e havia a possibilidade de Vitor Zanetti ser alçado à presidência. Fernando Rocha se lembra do episódio: - “O Zanetti disse que só assumiria se tivesse um bom parceiro no SIGRAF local. O Joceli me indicou, eu aceitei e o Zanetti também concordou e me incluiu na chapa da ABIGRAF/SC. Isso foi algo histórico, para mim e acredito que também para ambas as entidades”.

- Assembleia Legislativa homenageia a ABIGRAF/SC * Reconhecimento em sessão especial da Assembleia Legislativa ao trabalho incansável desenvolvido pela ABIGRAF/SC e os nove sindicatos gráficos no estado (dez entidades foram homenageadas, assim como doze personalidades do setor). Cidnei Barozzi recebendo homenagem do deputado estadual Milton Scheffer

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A estratégia de Zanetti, compondo uma chapa com nomes de empresários gráficos com a experiência em Sindicatos regionais, gerou bons frutos à representatividade e ao fortalecimento das lideranças na ABIGRAF/SC. Como consequência quase natural, Fernando Rocha foi eleito presidente da entidade em 2008, testemunhando um avanço importante, conforme relata: - “A ABIGRAF/SC se transformou em algo similar a uma federação da indústria gráfica, 128

com forte relacionamento e, sobretudo, muito reconhecimento por parte da FIESC. Recebemos sólido apoio de seus ex-presidentes – José Fernando Xavier Faraco e Alcantaro Correa”. O ex-presidente também ressalta os ganhos em relacionamento.

- Gráfica centenária catarinense anuncia fusão com empresas alemãs * A blumenauense Baumgarten passa a fazer parte de uma nova empresa com matriz na Alemanha. O acordo de fusão visa formar uma grande companhia do mercado gráfico internacional. Integrantes do novo conselho da gráfica


“Antes da ABIGRAF/SC vir para Florianópolis os gráficos chegavam a se evitar na rua. Era algo impensável um gráfico entrar na empresa do outro. Desmistificamos completamente isso, e passamos a sentar todos juntos para falarmos dos problemas, da quantidade de serviço, dos riscos, das oportunidades e muito mais”. Inspirado em seus antecessores que buscaram aproximação dos SIGRAFs e SINDIGRAF, Rocha adotou a estratégia de incluir os presidentes dos sindicatos na diretoria da Associação. A relação entre a ABIGRAF/SC e os Sindicatos gerou uma “forte interatividade”, segundo Rocha, com a realização compartilhada de eventos ou o apoio incondicional, independentemente de quem fosse a iniciativa. E a Associação assumiu demandas técnicas de máximo mérito

- Caravana catarinense para ExpoPrint * Viagem promovida pela ABIGRAF/SC para levar gráficos catarinenses para participar da Expoprint, em São Paulo. Participantes catarinenses do evento

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para o setor – caso da Autorização para a Impressão de Documentos Fiscais (AIDF), da Secretaria da Fazenda. Esse era um processo oneroso, que exigia muitas idas e vindas – era preciso protocolar as requisições, voltar para saber do retorno etc. No mesmo dia, chegavam a ir quatro vezes à Secretaria. “Percebemos a oportunidade de transformar essas dificuldades em um processo informatizado, na qual a solicitação de AIDF ocorresse pela Internet. A lei permitia e a 130

possibilidade existia, mas tínhamos que fazer acontecer e nos empenhamos firmemente neste propósito”, resgata Rocha. A negociação com a Secretaria da Fazenda foi longa e árdua, em aspectos técnicos e políticos - e Rocha destaca o papel que o

- Segundo Prêmio de Excelência Gráfica de Santa Catarina * A segunda edição do Prêmio Catarinense de Excelência Gráfica Vitor Mário Zanetti ocorreu na sede da FIESC e teve 315 inscritos em 37 categorias. Os vencedores da premiação


ex-presidente Vitor Zanetti teve no contexto, desta que foi uma das mais importantes bandeiras da ABIGRAF/SC. - “Foi fantástico, pois reduziu drasticamente o custo operacional na obtenção destas autorizações, mesmo mediante a cobrança de uma pequena taxa. Quem se transformava em sócio da ABIGRAF/SC não tinha custos. E aí, foi uma enxurrada de sócios”. Rocha considera que “esse movimento viabilizou a ABIGRAF/SC, executado em estreita parceria com os Sindicatos, que eram essenciais neste processo. A Secretaria da Fazenda fiscalizava as gráficas, comprovavam a existência delas - e os sindicatos aceleravam este processo”. Este trabalho, além de se configurar em uma prova irrefutável da importância e da for-

- 17º Congresso Brasileiro da Indústria Gráfica (CONGRAF), em Porto Alegre * O evento ocorreu em 18 de maio e teve a participação de diversos gráficos catarinenses. A próxima edição, em 2022, será sediada em Santa Catarinas. Mais uma edição do principal congresso nacional do setor

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ça do associativismo, contribuiu decisivamente para a viabilidade financeira da ABIGRAF/SC e valorizou os Sindicatos. - “Passamos a dispor de recursos para a nossa estrutura e, a partir daí, fomos implantando vários outros serviços: palestras, cursos, missões e visitas às feiras”, comemora Rocha. O ex-presidente Fernando Rocha destaca as conquistas das entidades nos problemas de conflito tributário. - “Quando trabalhamos contra o conflito 132

tributário havia gráficos em sérias dificuldades, empresas grandes e renomadas no país inteiro e muitas demandas judiciais. O fisco estadual queria cobrar um imposto que havia sido pago para a Prefeitura e vice-versa. Existia um conflito entre o conceito de produto e

- 3 º Prêmio Catarinense de Excelência Gráfica * Com a coordenação técnica e auditoria novamente a cargo da ABTG – Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica, a edição teve 352 produtos inscritos, concorrendo em 40 categorias. A cerimônia de premiação ocorreu no dia 11 de julho, em Florianópolis. Vencedores com seus troféus no palco da premiação


serviço na produção gráfica, a lei carecia de maior clareza sobre a incidência de ICMS e ISS. Trabalhamos por vários anos neste tema, algo entre 15 e 20 anos, e exigiu – além da negociação com os órgãos de arrecadação e fiscalização – capacitação técnica para os responsáveis pelas áreas financeiras das empresas gráficas. Bandeira de igual importância tratada na gestão de Rocha envolveu a sustentabilidade do papel. O crescimento da consciência ambiental provocou uma reação descabida em relação ao papel impresso, cuja fonte de matérias-primas origina-se de espécies reflorestadas. - “Em 2010 fizemos um trabalho valorizando o papel e a comunicação impressa, inclusi-

- Nova campanha Two Sides esclarece origem do papel impresso * Divulgada em outubro, a campanha ‘Papel não desmata’ ganhou destaque na mídia impressa ao contrapor informação – equivocada - compartilhada pelo Governo de Santa Catarina. A ação reafirmou que 100% do papel fabricado no país tem origem em florestas cultivadas.

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ve com um site para a ABIGRAF Nacional. O site ‘Imprimir é dar vida’ teve boa repercussão – e além de tratar de sustentabilidade, fortalecemos a indústria gráfica”. Avaliando as sucessivas gestões da ABIGRAF/SC e dos Sindicatos Gráficos, Rocha entende que o mérito do trabalho está naquilo que repercute positivamente entre os pequenos e médios empresários. Entre os associados da ABIGRAF/SC, segundo ele, mais de 90% são empresários de pequeno porte, com unidades entre 10 e 15 funcionários. 134

- “Isso reflete a composição da pirâmide econômica do Brasil. E estes empreendedores precisam de formação, informação e capacitação, para serem melhores gestores, vendedores e formadores de preço. Investimos muito nisso – levamos às feiras, realizamos seminários e workshops, promovemos muitos eventos de integração. Nas primeiras missões à Drupa, por exemplo, havia empresários gráficos que nunca tinham saído do país ou sequer viajado de avião”. Transcorridos 26 anos da fundação, a Gráfica Rocha tem poucas semelhanças com a pequena empresa de um só funcionário – além do casal Fernando e Gislaine. Hoje instalada em um moderno prédio da


Cidade Pedra Branca, em Palhoça, está entre as mais competitivas do estado. Da época, ficou consolidada a opção preferencial pela inovação e uma gestão administrativa de máximo zelo. Gislaine, que já tinha formação em Contabilidade, graduou-se em Direito e tem as rédeas desta área. E o menino que nasceu concomitante com os primeiros passos da gráfica é Rodrigo Rocha, atual gerente-executivo, 25 anos de idade e desde os 19 trabalhando sistematicamente. Ele representa a terceira geração de gráficos da família, na versão 4.0 – graduado em Engenharia de Produção Mecânica, com sete meses de estágio na Alemanha e que Fernando projeta como “um excelente profissional” em curto prazo. E mais um residual tornou-se tão inabalável quanto uma rocha: o apego ao associativismo. - “Só se obtém três coisas de uma entidade associativista: relacionamento, conhecimento e reconhecimento. Acho que fui bem-sucedido”. ◆◆◆ ◆◆◆ ◆◆◆

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XII

Legado Histórico

difícil de imaginar o mercado gráfico que Sylvio Victorino conheceu na capital catarinense, quando começou no setor, há quase 40 anos. Sexto presidente da ABIGRAF/SC

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te nos primeiros anos do SIGRAF Grande

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(1990-1993), também teve atuação marcan-

tograf. Aposentou-se em 2010 e sua história

Florianópolis (fundado em 1987), ao lado de Vitor Zanetti. Natural de Itajaí, mas radicado desde jovem em Florianópolis, trabalhou produzindo cartazes de cinema, fotografando e fabricando mimeógrafos, até tornar-se empresário, sócio de Joceli Jacques na Edide vida confunde-se com a memória gráfica do estado. - “Quando iniciei o que tínhamos eram tipografias, praticamente não existiam impressoras em Florianópolis” – lembra. “O mercado era pequeno e isso repercutia no associativismo. o setor não era unido, tampouco participa-


tivo. Cada um ‘escondia seu jogo’ com o medo da concorrência. Era muito difícil o entrelaçamento dos proprietários de gráficas. Para nós, que já tínhamos contato com o associativismo, isso nos parecia estranho. E conversando muito, fomos mudando esta ideia e na década de 1980 conseguimos unir o setor em torno de uma associação”. Sylvio Victorino e Joceli Jacques da Editograf recebendo em 1997 o troféu ‘Manézinho da Ilha’

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Victorino foi o primeiro empresário de Florianópolis a presidir a ABIGRAF/SC. “Lembro que a diretoria estava mais concentrada nas regiões de Blumenau e Joinville, onde o setor era bem mais desenvolvido. Com o passar dos anos, Florianópolis e outras regiões foram evoluindo e a vinda da ABIGRAF/SC também pesou em favor de nossos avanços. A vinda para Florianópolis foi um passo importante, ajudou a capilaridade da entidade, compartilhou mais informações. Foi uma decisão que o pessoal de Blumenau aceitou bem e a ABIGRAF Nacional acolheu e apoiou”. A experiência como voluntário no SIGRAF o habilitou para assumir a ABIGRAF/SC. “Não lembro como o meu nome foi escolhido, mas sei que foi fruto de um consenso e que o Vitor Zanetti influenciou na decisão”.


Sylvio empenhou-se em promover o diálogo entre os empresários gráficos e para tanto percorreu o estado, expandindo a presença da entidade. “O mercado estava em crescimento, surgiram não só gráficas, mas empresas de manutenção e fornecedores de equipamentos de última geração. Saíamos para reuniões regionais pelo menos uma vez por mês, tratávamos dos desafios das novas tecnologias, das dificuldades em formar preço (era a época da hiperinflação) e das relações trabalhistas. Testemunhei muitos empresários migrando da tipografia para o offset”. Para Victorino, a mentalidade associativista levada pela ABIGRAF/SC incutiu, em paralelo, avanços em relação à evolução tecnológica e à qualidade dos serviços, pois os empresários passaram a ter maior acesso às informações e, sobretudo, a debater sobre o assunto. - “Este é o maior legado da ABIGRAF/SC”, resume.

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XIII

O inestimável valor dos voluntários Voluntário – do latim, aquele que se dedica a um trabalho sem remuneração, espontaneamente, por desprendimento e por solidariedade o longo de seus 50 anos, a ABIGRAF/SC teve muitos protagonistas – presidentes e diretores da entidade e parceiros estratégicos nos Sindicatos Gráficos. Além destes, as conquistas estão igualmente ancoradas no esforço de pessoas sem cargos, tão voluntários quanto os diretores. Alguns destes tiveram contribuições pontuais, quase despercebidas e despretensiosas, nem por isso menos imprescindíveis. Nenhuma parede, afinal, é completa se faltar um tijolo. Certos voluntários, entretanto, deixaram marcas indeléveis – e o reconhecimento dos seus nomes pela ABIGRAF/SC é extensivo a todos os que de alguma maneira colaboraram (ou ainda colaboram) com a entidade e suas causas. Desde a sua fundação, em 1969, foi o espírito associativista e a força do volun-


tariado que a moveram e inspiraram novas adesões. As palavras convencem e os exemplos arrastam. - “O primordial sempre foi aproximar aqueles nomes que tinham potencial para agregar ainda mais pessoas”, confirma Jucinei Silveira, atual diretor-tesoureiro da ABIGRAF/SC e Osvaldo Luciani, diretor da Gráfica Elo e 2º vice-presidente da ABIGRAF/SC

vice-presidente do SIGRAF Grande Florianópolis, que participa desde quando foi convidado pelo falecido Vitor Mário Zanetti, no início dos anos 2000.

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O industrial Osvaldo Luciani, proprietário da Gráfica Elo, em Blumenau, reflete essa prática: - “Comecei a me envolver na entidade com o Zanetti e quando a presidência da ABIGRAF/SC veio de Joinville para nossa cidade, ajudei a convencer o Ronaldo Baumgarten assumir a presidência. Na ABIGRAF/SC um sempre puxou o outro para perto”. Ativo participante das causas do empresariado gráfico, Luciani é membro efetivo do Conselho Fiscal da ABIGRAF/SC e membro do Conselho Fiscal da ABIGRAF Nacional. De reconhecida liderança e capacidade, não acei-


tou, entretanto, a indicação para assumir a presidência da entidade, em razão de seu comprometimento com a Elo. “Outros também não aceitaram cargos maiores, porém isso não os impediu de contribuir com o máximo possível de si em favor da ABIGRAF ou dos sindicatos”, acrescenta Luciani. Jucinei Silveira reitera que a dificuldade em ser voluntário e/ou participar da diretoria de uma entidade é ainda maior quando

Waldemar Zinho Casagrande, fundador e dirigente da Gráfica Otomar, votando em 2017

se gerencia uma empresa de pequeno porte. - “Cada vez que estou na ABIGRAF/SC é um momento no qual tiro os olhos do meu negócio. Mas, em contrapartida, tenho um ganho inestimável de conhecimento e de envolvimento com a classe”, pondera. Na região sul-catarinense as articulações em torno do SINDIGRAF começaram no final dos anos 1960 e em 1975 foi fundada a Associação, transformada em Sindicato três anos depois. - “Fomos movidos pelos problemas e questões comuns, principalmente envolvendo informações, causas trabalhistas e a atualização tecnológica. E havia um sentimento muito forte de contribuir, então nos agregamos em torno de

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um Sindicato. Tivemos o apoio do empresário Sylvio Victorino, que muitas vezes se deslocou da Capital para cá”, descreve Waldemar Luiz Casagrande, o Zinho, fundador e dirigente da Gráfica Otomar, em Içara, que presidiu o SINDIGRAF daquela região de 2004 a 2010. Descendente de imigrantes Georg Schmidt, ex-presidente da ABIGRAF/SC e Luís Manteufell, empresário gráfico

italianos vindos do Vêneto, Zinho envolveu-se com a ABIGRAF/SC na sequência de suas experiências com o SINDIGRAF. Seus mentores foram empresários que

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marcaram época em Criciúma: Dilto Rovaris, da Gráfica Líder; Joceli Ribeiro (Quica), da Gráfica Ribeiro; Evoy Zaniboni, da Gráfica SuperGraf e Venício Eliseu Martin, da Gráfica Tabajara. - “Muitos destes foram os pioneiros na região, sempre participaram e não chegaram a ser presidentes. Tivemos bons colaboradores que não presidiram o SINDIGRAF nem a ABIGRAF/SC”. Zinho observa que “a ABIGRAF/SC ampliou minha visão, me permitiu conhecer o mercado de forma mais ampla e não olhar apenas para o vizinho, alongou meu poder de observação. E quando presidi o Sindicato me esforcei para, da mesma forma, gerar e compartilhar conhecimento, promovendo cursos frequentes e outras atividades”.


E na mesma proporção do crescimento técnico, sua rede de relacionamento ampliou e representa um residual de grande valia: - “Na ABIGRAF/SC cultivei amizades que durarão para o resto da vida e meu negócio foi impactado significativamente por todo conhecimento técnico que absorvemos”. ◆◆◆ ◆◆◆ ◆◆◆ Luiz Carlos Manteufell, em Joinville, presi-

Joceli Jacques entregando diploma do curso de custos em 1978

diu o SIGRAF da região norte do estado por três gestões consecutivas (1989-2008). Descendente de imigrantes alemães, ele é ex-proprietário da Gráfica Meyer, fundada por seu avô, seu pai e seu tio, em 1951. Por uma feliz coincidência, estagiou em São Paulo na empresa de Damiro de Oliveira Volpi, um dos fundadores da ABIGRAF Nacional. O SIGRAF foi a sua porta para o associativismo – e seu envolvimento ampliou-se a partir da amizade estabelecida com Georg Schmidt, incluindo então a dedicação à ABIGRAF/SC. - “Georg Schmidt ‘puxou a corda’ aqui em Joinville durante muitos anos e promovia reuniões em outras cidades, na tentativa de gerar oportunidades àqueles de outras regiões do estado. As reuniões da ABIGRAF/SC e

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Sindicato eram conjuntas, participávamos das duas com o mesmo intuito de absorver o conhecimento, cada um à sua maneira”. O impacto, em sua opinião, foi histórico: - “A ABIGRAF/SC contribuiu e muito para que as empresas gráficas se desenvolvessem, disseminando informações de mercado, em seus informativos, nas reuniões, nas palestras e nos cursos. Sempre tentávamos absorver tudo que era transmitido de conhecimento, que normalmente tinha origem em São Paulo. A ABIGRAF/SC nos prestigiava com importantes informações. Lem146

bro que naquela época tivemos algumas restrições à importação e as informações que recebíamos eram muito valiosas”. Em 2011, a Meyer foi vendida a uma empresa de Curitiba e desde então Manteufell atua em outra área, contudo não se desgarra dos fatos do período no qual atuou como gráfico. - “Confesso que tenho saudade do setor gráfico. Acompanho de longe. Foi uma vida dentro da gráfica, onde trabalhamos bastante e cultivamos boas amizades. É difícil esquecer toda esta ligação de uma vida”. ◆◆◆ ◆◆◆ ◆◆◆


Joceli Jacques, de Florianópolis, também é do time dos voluntários e pioneiros, cuja história pessoal carrega nada menos que quase 60 anos de experiência gráfica. Ilhéu tradicional, seu primeiro trabalho era ajudar o pai na pesca de camarão na região da Costeira do Pirajubaé. Ingressou na Gráfica Recorde faltando pouco para completar 14 anos. A empresa era uma sociedade de alemães (Luften Walter Nilssen) e a maior gráfica de Florianópolis, onde Jacques permaneceu por 13 anos. Depois de um período no qual foi motorista de táxi, juntou–se a Sylvio Victorino e Eny de Souza Rosa na Editograf, uma das primeiras a imprimir em offset na capital catarinense. “As gráficas da época eram a 66, Elbert, Canarinho e Continente, Edeme, Recorde, Natal, Souza Leão e Moderna”. Em sua história de vida também consta a convivência com o turbulento período político de 1964, marcado por greves, invasões e empastelamento de gráficas pela polícia e muitas dificuldades nas negociações. Seu perfil é atípico neste aspecto: participou do Sindicato laboral e foi um dos fundadores do SIGRAF da Grande Florianópolis. “Fui ativo nas duas entidades, só nunca as presidi”.

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Essa experiência o ajudou no SIGRAF. “A criação da entidade patronal foi posterior a dos trabalhadores e a partir dela conseguimos ter uma relação mais estável com os funcionários, com regras na concessão de reajustes salariais, com data-base e o reconhecimento de outros direitos, extensivos a todas as empresas. Antes, era uma confusão e isso alimentava greves, além dos interesses políticos, que o movimento de 1964 pôs fim”. Joceli Jacques reconhece que a fundação do SIGRAF foi uma iniciativa quase pesso148

al de Vitor Zanetti – “todos sabiam que era necessário, mas quem realmente partiu para resolver foi ele” – e que gostava do papel de vice-presidente. “O Zanetti sabia que poderia contar com o meu suporte e, muitas vezes, na ausência dele, era eu quem liderava as sessões. Comigo não tinha pauta, deixava a coisa ‘pegar fogo’. Por conta disso, fui tesoureiro, secretário, nunca renunciei ao trabalho”. Quando observa a ABIGRAF/SC completar 50 anos, Jacques recorda a importância de todos os que passaram pela entidade: “o pessoal de Blumenau e Joinville carregou a ABIGRAF/SC nas costas, isso é parte da história”. E, igualmente, o quanto foi estratégica para o setor.


- “O Sindicato cuidava das questões legais, negociações salariais e questões trabalhistas. A ABIGRAF/SC fazia falta, pois seu papel era outro, uma entidade estadual, com maior poder de representar o setor”. Para Ylmar Elbert, ex-diretor-financeiro da ABIGRAF/SC e também ex-empresário gráfico, Joceli Jacques foi um modelo de voluntário. - “Na ABIGRAF/SC todos são importantes. Sem a colaboração de pessoas como o Joceli Jacques, que esteve também no sindicato laboral do setor, não teríamos, por exemplo, o entendimento que tivemos para saber lidar com o relacionamento com os funcionários”. Ainda na ativa, mas com boa parte das funções da Editograf delegada ao seu filho Jucemar, Jacques tem um olhar generoso sobre os voluntários que compõem a ABIGRAF/SC contemporânea. — “Tem que manter essa combinação: a turma de novos e os que estão há mais tempo no mercado – mas ainda têm muito fôlego. Eles têm elevado a ABIGRAF/SC, o segmento gráfico precisa muito deles”.

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Ylmar Elbert orgulha-se de ter apenas uma profissão em sua vida: é gráfico desde 1968, primeiro como funcionário e posteriormente dirigindo sua própria empresa. Dividiu a direção da Gráfica Elbert com o irmão Emir e deixou a sociedade para abrir a Gráfica Prelo, em São José, que encerrou as atividades. Foi tesoureiro do SIGRAF Grande Florianópolis por oito anos e diretor-financeiro da ABIGRAF/SC. Graduado em Administração, faz um balanço muito favorável das atividades de sua época: 150

“A ABIGRAF/SC teve um papel fundamental em transmitir o conhecimento para os gráficos, com informações de outras empresas do setor no país e até no mundo, em quais áreas estavam investindo e se aprimorando, principalmente nas palestras. Recebemos muito conhecimento na área financeira, de formação de preço - que é um dos grandes gargalos na indústria gráfica. A ABIGRAF/SC sempre se preocupou em oferecer ferramentas para o empresário gráfico se manter no mercado. E está cada vez mais difícil. Conheci muitas gráficas que fecharam”.


E une-se ao coro dos que consideram o relacionamento como um dos maiores legados. — “Nesse período que estivemos juntos o número de associados com participação triplicou. Todo o mês fazíamos um jantar na ABIGRAF/SC. Reuníamos os empresários de todos os portes, sem distinção. Isso ajudou muito”.

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XIV

Sopros de solidariedade

esde a constituição da ABIGRAF/SC em 1969, o conjunto de normas comuns e partilhadas entre os associados sempre a norteou. Baseada na igualdade entre seus membros e

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entidade teve seus valores fortalecidos em cada

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na representatividade dos interesses coletivos, a

portância para atitudes de amparo aos flage-

uma das gestões. Entre estes princípios, o da solidariedade também floresceu. Já habituada com as intempéries cíclicas e seus prejuízos à indústria do setor – as mais marcantes na metade da década de 1980 – a ABIGRAF/SC sempre concedeu a devida imlados. Em 2008, com a tragédia climática que assolou Santa Catarina na segunda quinzena de novembro, a Associação mobilizou o setor em campanhas de arrecadação de itens de primeira necessidade. Naquele ano, as enchentes afetaram em torno de 60 cidades e milhares de pessoas


em Santa Catarina. Como nas tragédias anteriores, muitas gráficas da região de Blumenau e Itajaí tiveram o maquinário e os estoques totalmente danificados. Os prejuízos humanos e econômicos dos municípios atingidos foram desoladores. Mesmo com toda a dificuldade, o cenário de calamidade, gradativamente, foi tomado pelos sopros altruístas de solidariedade. E no setor gráfico a filantropia também ganhou corpo. Além da iniciativa instantânea de acudir os necessitados, a ABIGRAF/SC desenvol154

veu uma campanha para reabilitar as gráficas atingidas. A mobilização da entidade envolveu o envio de mecânicos industriais para ajudarem na recuperação das empresas. Além disso, os associados contribuíram comprando e doando peças e equipamentos, como computadores e móveis para escritório. A ação solidária para atenuar o impacto das enchentes no setor foi conduzida por Fernando Rocha, então presidente da ABIGRAF/SC. - “Valorizar e colaborar com os profissionais que transformam a indústria gráfica catarinense é desde sempre um dos valores que traduzem o compromisso da Associação”, expressou Rocha.


O retorno a Blumenau

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XV

A gestão de Luiz Mário Guedes Villar gestão de Luiz Mário Guedes Villar, quinto presidente da ABIGRAF/SC, marcou o retorno da presidência da entidade para a cidade na qual foi fundada. Ele assumiu após liderar por dois mandatos o Sindicato das Indústrias Gráficas (SINDIGRAF) de Blumenau. - “Quando ingressei na ABIGRAF/SC já era presidente do sindicato e naquela época sentimos que a Associação estava muito regionalizada, e nossa intenção foi que adquirisse representatividade estadual, que agrupasse um número maior de empresários gráficos”. Villar é paulistano e chegou à cidade quando ainda era estudante de Engenharia Têxtil. “No final do segundo ano da faculdade estava descontente no estágio que fazia em São Paulo, quando apareceu uma vaga na Garcia, uma confecção muito tradicional, posteriormente adquirida pela Artex. Fiquei entusiasmado em


conhecer um lugar novo, perto do mar. Gostei muito de Blumenau e criei meus primeiros laços”. Retornou graduado e com experiência para ser diretor da Garcia, cargo que exerceu por cinco anos. Em 1978, surge uma oportunidade e se torna sócio da Litografia Continental, instalada no bairro da Velha havia mais de 20 anos. “Quando comprei já era offset. Naquela época eram só máquinas monocolores. Produziam folhetos, álbuns, encartes, caixas, quase tudo que aparecia”. A mudança de setor não o impactou. “Sou um profissional 156

habituado a gerir chão de fábrica e na Artex tinha uma equipe de 1.200 pessoas”. Seu perfil pessoal facilitou o envolvimento com personagens do associativismo gráfico primeiro no SINDIGRAF Blumenau, e posteriormente na ABIGRAF/SC em 1986. Quando Max Schrappe, diretor da Impressora Paranaense (que tinha uma unidade em Blumenau) assumiu a presidência da ABIGRAF Nacional, Villar despontou como potencial presidente da entidade em Santa Catarina. -“A filial da Impressora Paranaense era comandada por Etevaldo da Silva, que motivou o pessoal da região, a pedido do seu chefe, o Sr. Schrappe. A seção catarinense ABIGRAF estava em sintonia com a Nacional, que facilitou tudo”.


No comando da ABIGRAF/SC Villar preocupou-se em retomar o perfil itinerante de presidentes e fortalecer a formação de mão de obra no setor. Considera que o curso gráfico que promoveu em Balneário Camboriú, reunindo participantes de quase todo o estado – como também o de impressor gráfico, ministrado pelo SENAI/SC, foram os principais momentos de sua gestão. Mesmo depois de seu período na presidência, prosseguiu contribuindo para a história da indústria gráfica catarinense. Em 1992, integrando a direção da entidade, participou da fundação do SINDIGRAF do oeste do estado, em Concórdia, entre outras atividades. Quando avalia a ABIGRAF/SC, Villar observa o passar do tempo com muita satisfação: “a entidade está consolidada e muito evoluída e sou parte de uma geração que deixou um legado importante neste processo”. O mesmo vale para as atividades industriais. Ele foi testemunha dos avanços tecnológicos, seja na qualidade ou na automação. A Litografia Continental, por exemplo, tinha 40 colaboradores quando assumiu, contra os atuais 25. “Nosso portfólio de produtos é o mesmo, mas hoje produzimos bem mais”.

Luiz Mário Guedes Villar, expresidente da ABIGRAF/SC 157



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XVI

A pedra litográfica

m 2015, com o apoio do empresário gráfico Osvaldo Luciani, à época vice-presidente da ABIGRAF/SC, Villar doou uma pedra litográfica ao acervo do Museu da Imprensa Nacional, em Brasília. A pedra litográfica precedeu o uso das chapas metálicas, posteriormente substituídas por processos digitais. - “Luciani sabia que o Museu não dispunha desta peça e sempre via duas delas sobre a minha mesa, o que originou a intenção de doar”, relata Villar A peça do acervo é dos primeiros tempos das atividades da Litografia Continental, décadas antes de ser adquirida por Villar. Foi incorporada ao Museu da Imprensa com pompa e circunstância, em solenidade de comemoração dos 207 anos da Imprensa Nacional. A pedra calcária fazia parte da técnica de linotipia, criada em 1798 pelo tcheco Alois Senefelder e que 20 anos depois foi introdu-


zida nas oficinas da Impressão Régia do Brasil. Mesmo dois séculos depois de sua criação, muitos gráficos que ainda atuam em Santa Catarina testemunharam a utilização da técnica, caso do paulistano Clóvis Mendonça, fundador da DUGRAF, referência no fornecimento do setor. Pedra litográfica

- “Em 1950, eu carregava as pedras litográficas de um lado para o outro, depois que meus colegas talhavam a escrita e os

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desenhos. Era a litografia que dominava - e se via trabalhos maravilhosos. E isso ficou pra trás, mas deixou um grande aprendizado”. A pedra litográfica doada ao Museu mede 60 x 40 centímetros e foi utilizada por significativo tempo na Litografia Continental, para depois se tornar uma relíquia para o empresário. “As minhas pedras chegaram a ser piso de calçada na Litografia Continental, no bairro da Velha”, completa. ◆◆◆ ◆◆◆ ◆◆◆


XVII

Legado associativista em Blumenau

impossível falar do desenvolvimento do mercado gráfico da região de Blumenau sem mencionar a família Mayer, de Pomerode. Fernando Mayer é da segunda geração da Impressora Mayer, fundada por seu pai, Fridolino A.

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trativo da empresa, dividindo a direção com seu

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Mayer, em 1959. Atualmente é diretor-adminis-

1953, para trabalhar em uma gráfica - e anos

irmão Sarandy - e mantém uma expressiva dedicação ao associativismo gráfico. ‘É o presidente do SINDIGRAF Blumenau e vice-presidente do Conselho Consultivo da ABIGRAF/SC. A trajetória dos Mayer no setor começa quando Fridolino vem para Pomerode em depois compra a empresa. -“Ele era um empreendedor muito engajado. Por sorte, teve boas pessoas em sua companhia, que o auxiliaram, entre eles, bons tipógrafos. Isso foi primordial na sequência do empreendimento”, destaca Fernando.


- “Meu pai foi essencial na sucessão de valores como a conduta responsável à frente do negócio, a inovação e o bom atendimento ao cliente, mas também nas práticas associativistas. Tivemos a felicidade de conseguir absorver suas lições”. Falecido em 1993, o fundador da empresa teve estreita relação com Sindicato e a ABIGRAF/SC, enquanto foi presidida em Blumenau, e influenciou o filho Fernando a participar e a absorver a importância do associativismo. 162

- “Essa questão é quase uma herança sanguínea e hoje estou ainda mais envolvido com as entidades que meu pai participou. Há muitas questões que unem os empresários gráficos, sem prejudicar a livre concorrência”. Fernando foi estagiário na Gráfica Burti, uma das maiores do país, e fez curso de Técnico em Artes Gráficas no SENAI/SP – para finalmente graduar-se em Ciências da Computação, o que o motivou a incorporar, permanentemente, mais tecnologia à Impressora Mayer. Desde 1993, quando assumiu a direção administrativa, pôde se concentrar em inovações de grande impacto no mercado. - “Introduzimos as máquinas Macintosh (Apple), as primeiras plataformas para a geração de filmes e fomos os primeiros do estado


a dispor de uma ‘Image Setter’, que produzia o fotolito dentro da gráfica”. Para Mayer, o maior desafio do associativismo gráfico catarinense é a constância e capacitação do colaborador. - “São pessoas bem treinadas e comprometidas que tornam uma empresa tecnicamente eficiente e assertiva na entrega dos seus produtos”.

Fernando Mayer recebendo homenagem na Alesc

A maior aproximação de Fernando com a ABIGRAF/SC ocorreu durante a gestão de Osvaldo Luciani no SINDIGRAF e no período em que a presidência da Associação estava em Blumenau. “O envolvimento foi gratificante e me senti motivado em ampliar minha participação”, confirma. O empresário reconhece que a ABIGRAF/SC teve um papel de extrema importância para o sucesso de sua indústria, e hoje a Impressora Mayer conta com 92 funcionários. - “A entidade tem maior peso político e acessos mais fáceis na esfera pública e, em razão disso, possui potencial para congregar os associados e multiplicar suas ações. É uma âncora para o setor, faz com que todos possam sentar à mesa para dialogar sobre os assuntos mais estratégicos” conclui.

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XVIII

O Papel da Sustentabilidade

á pelo menos 20 anos o tema sustentabilidade ambiental figura entre as principais preocupações do setor gráfico catarinense. Equivocadamente apontada como uma das causas do desmatamento da mata nativa brasileira, a indústria gráfica utiliza já

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há largo tempo somente papel de madeiras de reflorestamento nos seus produtos. “Somos um setor industrial totalmente ‘limpo’, que não agride o meio ambiente, e, mesmo assim, estamos sempre pesquisando tecnologias e produtos que visem reduzir o impacto ambiental, por menor que ele seja”, ressalta Cidnei Barozzi, último presidente da ABIGRAF/SC. Desde o início dos anos 2000 o setor está adequado às regras que prezam pelo respeito ao meio ambiente e nas últimas décadas tem promovido diversas campanhas


para conscientizar e propagar-se como um apoiador da causa de respeito à natureza. A primeira inciativa deste perfil ocorreu em 2008, com a Campanha de Valorização do Papel promovida pela ABIGRAF Nacional, informando à população que 100% dos impressos em papel fabricado no Brasil eram de florestas replantadas. Na esteira deste movimento, a entidade criou no ano seguinte o ‘Prêmio ABIGRAF de Responsabilidade Socioambiental’. A pre166

miação, de âmbito nacional - e toda a mobilização recente do setor - gerou reflexo nas regionais da ABIGRAF. Em Santa Catarina, também em 2009, a seccional lançou o Guia Ambiental da Indústria Gráfica Catarinense, uma publicação com a intenção de conscientizar as empresas sobre a importância do gerenciamento dos reíduos e da responsabilidade que cabe ao empresário na preservação do meio ambiente. Nos anos sucessivos, as campanhas de conscientização sobre a adequação ambiental do setor se fortaleceram. Em 2010 ABIGRAF Nacional promoveu as ações intituladas ‘Imprimir é dar vida’, para informar acerca da sustentabilidade da cadeia


produtiva do papel e da comunicação impressa no Brasil. A iniciativa foi coordenada por Fernando Rocha, então diretor da ABIGRAF Nacional. - “O site que criamos para a campanha ‘Imprimir é dar Vida’, teve repercussão muito positiva. Nele abordávamos a sustentabilidade e suas nuanças e este trabalho estava alinhado com o fortalecimento da indústria gráfica e dos diferentes portfólios”, relembra Fernando Rocha, ex-presidente da ABIGRAF/SC. Em 2012, a ABIGRAF Nacional reforçou a bandeira da valorização do papel e ganhou o apoio de empresas e entidades da comunicação impressa – Associação Nacional de Jornais, por exemplo. O movimento que começou em 2008 foi validado por 26 entidades da cadeia produtiva. As já robustas campanhas de conscientização ambiental do setor receberam um grande estímulo quando, em 2014, a iniciativa mundial Two Sides aportou em terras brasileiras. Em Santa Catarina foi amplamente incorporada pela ABIGRAF/SC. A organização não-governamental britânica Two Sides tem presença em diversos países, onde esclarecem equívocos comuns sobre os impactos ambien-

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tais no segmento. O fundador Martyn Eustace, em sua passagem pelo Brasil em 2014, esclareceu, em definitivo: - “O papel, por ser proveniente de florestas certificadas e gerenciadas de forma sustentável, é um meio de comunicação excepcionalmente poderoso, de fonte renovável, reciclável e biodegradável”. As iniciativas de esclarecimentos do tema Peça publicitária da campanha Two Sides

que a ABIGRAF/SC participou - ou protagonizou - ao longo dos anos, fizeram com que a entidade obtivesse uma ampla fluência no

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assunto. Isso permitiu que a Associação fosse extremamente combativa em relação às acusações que posicionavam a indústria gráfica como vilã ambiental e repercutiam informações falaciosas. Um exemplo disso ocorreu ainda em 2014, quando a ABIGRAF/SC usou de seu conhecimento para contrapor na imprensa a equivocada publicidade da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fatma – atual IMA) ‘Fatma sem papel’. Na ocasião, ganhou espaço na mídia local para esclarecer que o papel não é um vilão ambiental. -“A campanha erroneamente decretava que os processos tinham que ser digitais para


não derrubar árvores. Eles ignoravam por completo o fato de que todo o papel da indústria é oriundo de florestas plantadas e cultivadas como em outras atividades agrícolas”, concluiu Barozzi. A sustentabilidade ambiental se tornou um dos pilares do desenvolvimento da indústria gráfica catarinense. Peça publicitária da campanha ‘Imprimir é dar vida’ entoada pela entidade 169



XIX

Laços familiares, a sucessão na indústria gráfica o mundo dos negócios, a família é um dos pilares onde começa e no qual se sustentam empresas de diferentes segmentos que, por vezes, resistem por décadas. No Brasil, da-

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que 90% das empresas são familiares, nota-

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dos recentes do IBGE e do SEBRAE mostram

companhia aérea Gol, o Banco Itaú, a Porto

damente entre aquelas de pequeno e médio porte. Representam 65% do PIB e empregam 75% da mão de obra do país. Grande parte das corporações com forte valor de marca nasceu como um negócio familiar. Empreendimentos gigantes como a Seguro Seguradora e a Magazine Luiza – são exemplos de como a estrutura familiar seja tanto um fator positivo e um diferencial, em detrimento dos usuais conflitos geracionais. Domingos Ricca, especialista em empresas familiares, observa que “mesmo consideradas como a espinha dorsal da economia nacional,


estudos destacam que 70% destas empresas encerram seus negócios antes da primeira sucessão e apenas 5% chegam à terceira geração”. O segredo, segundo Ricca, “é enxergar longe e se programar, pois desenvolver e perpetuar não são tarefas que podem ser realizadas sem planejamento”. A indústria gráfica no Brasil segue esse perfil, conforme Flávio Botana, consultor de gestão do setor e autor do livro ‘Manual do gestor da indústria gráfica’. 172

- “A grande maioria é de pequenas e médias empresas familiares. E este tipo de empresa tem, como todas as demais, vantagens e desvantagens”. Nas artes gráficas, família é um conjunto de tipos cujo desenho apresenta as mesmas características básicas, ainda que com variações. Apesar das diferenças em relação ao perfil de gestão, pais, mães e filhos compõem, na indústria gráfica mundial, um grande grupo de empresas ligado ao desenvolvimento do setor desde seu surgimento. Até a alemã Heidelberg, maior fabricante mundial de equipamentos de impressão, tem seu desenvolvimento intimamente ligado à família. Por volta de


1890, o fundador Andreas Hamm e o seu filho Karl começaram a produzir prensas e máquinas gráficas, que depois se tornariam líderes de mercado. No Brasil, o processo sucessório no grande número de indústrias gráficas familiares é uma das principais preocupações dos gestores. -“O pouco envolvimento ou a falta de vocação para o negócio são ques-

Flávio Botana, consultor de gestão do setor

tões delicadas que podem colocar em risco a continuidade da empresa. Uma boa gestão, mais profissional e focada em resultados, é fator primordial para o bom desempenho e a continuidade”, destaca Botana. Em Santa Catarina, o número de empresas familiares na indústria gráfica é igualmente relevante. O principal motivo é aparentemente a natural continuidade, mas obviamente se explica também no modelo de gestão, que permite contornar conflitos internos, criar processos mais dinâmicos e introduzir novas tecnologias com o objetivo de expandir negócios. - “Um pai, seja de qualquer profissão de valor na sociedade, gostaria que o filho se-

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guisse seus passos. Isto é evidente, tá no coração, temos a necessidade de querer passar as experiências adiante. Mas não é tão simples como pode parecer”, garante Udo Wagner, ex-presidente da ABIGRAF/SC de 1975 a 1981 e que assumiu a empresa do sogro. O empresário Cidnei Barozzi, ex-presidente da entidade, vê recentemente uma atual retomada da valorização da família na ‘entrega do bastão’ para a continuidade de empresas da indústria gráfica catarinense. 174

- “Por muito tempo muitos empresários deixaram de considerar que os filhos dessem sequência ao trabalho e procuraram fora da empresa pessoas que o fizessem. Continuar uma empresa que já está no mercado é melhor que começar do zero. Mas, em um primeiro momento, o sucessor precisa conhecer o que é o setor, e principalmente gostar do que faz”. Entre os catarinenses, o maior exemplo de sucesso e longevidade do setor é a Baumgarten, de Blumenau, com mais de 100 anos de atividade. Acostumada com os processos sucessórios, a empresa que já está em sua quinta geração, figura entre as líderes do segmento no país.


- “Não existe milagre ou receita para isso, é uma construção que deve ser exercida com muita habilidade. A atratividade da sucessão precisa ser muito bem ‘vendida’. O sucessor tem muita responsabilidade, depois de ‘comprar’ o projeto, de levar adiante, com mais sustentabilidade e planejamento para prosperar”, pondera Ronaldo Baumgarten Junior, membro do conselho da Gráfica

Família Baumgarten - Ronaldo com o filho Ronaldo Neto, a irmã Dulcemar e a mãe Sílvia Maria

Baumgarten, à época vice-presidente do conselho consultivo da ABIGRAF/SC.

Bons exemplos Além da longeva Baumgarten, encontramos em Santa Catarina outros cases de sucesso de empresas familiares que atravessaram gerações – como a 43 (Blumenau); Continente, Natal e Editograf (Fpolis); Rocha (Palhoça); Elbert (São José); Volpato (Joinville); Tipotil (Timbó) e Impressora Mayer (Pomerode), entre outras. Preparando para sucessão o filho Bruno, mesmo nome de seu pai e fundador da Gráfica 43, de Blumenau, Marlo Germer desde

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cedo o envolve em diferentes áreas para aprimorar seu conhecimento sobre o negócio. “- Ele pretende dar continuidade e tentamos oferecer os alicerces para tanto. Bruno atua na área comercial e trabalha aqui há mais de duas décadas, começou com 18 Gislaine Rocha, Fernando Rocha e Rodrigo Rocha da Gráfica Rocha

anos e aprendeu tudo. Quando a hora chegar, estará pronto”, garante Marlo, à frente da empresa junto com o irmão Marcos

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Luiz Germer. Filho do experiente gráfico Breno Rocha, Fernando Rocha, ex-presidente da ABIGRAF/SC (2008 – 2014) e proprietário da gráfica que leva seu sobrenome, também tem na figura de seu filho a continuidade da empresa. Rodrigo tem contato estreito com indústria desde seus 19 anos e hoje, aos 26, é gerente executivo. Graduado em Engenharia de Produção Mecânica, fez estágio na indústria gráfica na Alemanha antes de assumir o cargo na empresa da família. - “Suas experiências o prepararam adequadamente e tem um potencial enorme, além da nossa confiança. Desde o início mostrou muita


competência em liderar, nos aspectos técnicos, no conhecimento do produto, no serviço e nos processos. Meu filho será melhor do que eu”, conclui, orgulhoso, Fernando Rocha. Como se percebe, genericamente, nas empresas familiares, a tradição de envolver os filhos no negócio desde muito jovens se traduz em uma grande compreensão futura do sucessor sobre o setor. - “Eu comecei aos 14 anos na empresa da família. Meu pai e meu tio me acompanharam, me prepararam e me forjaram para ter o conhecimento devido e assumir a empresa” recorda Luiz Manteufell, diretor da segunda geração da Gráfica Meyer, de Joinville, fundada por seus familiares Carlos Heinz Manteufell e Karl Theodor Meyer em 1951. Em Joinville, Gráfica Volpato, e em Pomerode, a Impressora Mayer, são exemplos de empresas bem geridas pela segunda geração da família. - “Para que uma nova geração exerça o trabalho conforme o esperado, é preciso pensar em longo prazo”, opina Fernando Mayer; presidente do SINDIGRAF Blumenau e diretor da segunda geração da Impressora Mayer,

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fundada por seu pai, Fredolino Antonio Mayer, em 1959. - “Dificilmente meu pai faria as modificações que promovemos na empresa. Ele precisou da visão dos filhos para chegar até à tomada de decisão. E nós estivemos fortalecidos com ele”, explica Evandro Volpato, sóValmor Cardoso, fundador da Gráfica Continente, recebendo premiação em 1996

cio e diretor da gráfica homônima, da segunda linhagem da família no empreendimento, fundada por seus pais, Jaime e Maria Conceição. Associativista dedicado, ex-presi-

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dente do SIGRAF Joinville e atual presidente da ABIGRAF/SC, Evandro entende como impreterível na sucessão familiar “a convivência das gerações na empresa, como um processo somatório, por mais complexos e distintos que sejam os parâmetros de cada uma”. Fernando Mayer (também membro da diretoria da ABIGRAF/SC e presidente do SINDIGRAF Blumenau) e Volpato ainda não estão totalmente decididos sobre os possíveis sucessores na família e como pretendem dar continuidade às atividades profissionais. Para ambos, esta é uma questão que exige delicada análise, atentando à realidade de mercado e o grau de envolvimento no negócio de uma nova geração.


A experiência, ainda que breve, em todos os setores da empresa, é uma premissa para o exercício bem-sucedido da gestão gráfica. - “Entrei como funcionário no escritório, depois fui para a impressão e acabamento. Essa trajetória era pensamento de meu pai, que entendia como necessário conhecer todo o funcionamento da empresa, para de-

João Baptista Cardoso, diretor da Gráfica Continente, em votação da entidade em 2014

pois ter autoridade técnica e moral e liderar a equipe”, recorda João Baptista Cardoso, diretor da Gráfica Continente, de Florianópolis, que sucedeu ao pai, Walmor Cardoso, fundador da empresa. Cardoso, ex-presidente e atual secretário do SIGRAF Grande Florianópolis, lembra com carinho do período em que seu pai o questionou sobre ser seu sucessor, que o fez decidir por cursar Administração e preparar-se para assumir a gráfica. - “Meu pai foi meu melhor amigo e meu exemplo como gestor. Quando já estava afastado, eu fazia questão de chamá-lo para mostrar uma máquina ou um projeto e saber sua opinião, embasada na ampla experiência que detinha”.

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A Primeira Sucessão Também são frequentes os casos de gráficas que preparam sua primeira sucessão. Para Domingos Ricca alerta que o processo sucessório é um dos primeiros assuntos a ser tratado quando se pensa em desenvolvimento em longo prazo. - “Consiste em entender e analisar a empresa tal como ela é, a fim de fazer com que os valores e objetivos implantados pelo fundador se perpetuem”, recomenda. 180

Em Blumenau, berço da indústria gráfica em Santa Catarina, encontramos dois modelos de empresas nesta situação. A Gráfica Elo e a Litografia Continental, fundadas respectivamente em 1972 e 1978, já lapidam o conhecimento técnico e prático de sua geração de sucessores, representados por Betina Luciani e Rafael Villar. Luiz Mário Guedes Villar; ex-presidente da ABIGRAF/SC (1987-1990) e fundador da Litografia Continental, tem a convicção de que o período de transição entre as duas gerações é primordial para o sucesso na continuidade da empresa. Na Continental, Luiz Mário considera que o filho Rafael, de 35


anos, está bem alicerçado para o prosseguimento das atividades. - “A sucessão está bem encaminhada com meu filho, hoje ele ‘toca’ e eu fico na retaguarda. Reconheço que é muito importante esta relação estreita para nosso futuro como empresa, ele é produção e comercial, enquanto assumi as áreas financeira e administrativa”. Nas últimas décadas, as mulheres surgiram como uma boa-nova no contexto das sucessões. Rúbia Germer, diretora-comercial da Gráfica Tipotil (Timbó), e Sandra Tomazelli, diretora-administrativa da Mclee Editora Gráfica de São Miguel D’Oeste – são referências promissoras de uma nova tendência do mercado. Seguindo estes passos, Betina, filha de Osvaldo Luciani, fundador da Gráfica Elo, em breve também pretende compor este grupo de gestoras. Betina Luciani, 36 anos, graduou-se em Administração e se especializou em gestão e indústria gráfica na Escola Sustentare, de Joinville, além de curso de impressor offset. - “Ela domina o trabalho. Seus sistemas são melhores que os meus controles. E tem outra filosofia de trabalho, é meticulosa nas

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questões legais e atenta ao planejamento”, garante Osvaldo Luciani, orgulhoso e seguro para futura aposentadoria. O especialista Domingos Ricca ressalta que as mulheres estão qualificadas e preparadas e por terem maior afinidade e proximidade com o fundador, acabam por assumir muito facilmente a cultura da gestão, entendendo o modelo de liderança e sua importância no processo de perpetuação da empresa. - “Na maioria dos casos elas têm mais tato 182

e sensibilidade para lidar com problemas de divergências familiares. Conseguem assimilar perfeitamente os valores que sustentam a organização, bem como entendem o poder da credibilidade, além de dispor da intuição como uma aliada nas decisões”. Ronaldo Baumgarten Junior, sucessor de uma das maiores referências de gestão na indústria gráfica, garante que, independente do sexo e do perfil do gestor, a empresa que deseja realizar com sucesso este processo precisa potencializar ao máximo o negócio, traçando objetivos e reunindo uma excelente equipe.


- “Uma empresa não se faz de uma única pessoa, é preciso de um bom grupo. O sucessor e seus antecessores são peças chaves, mas precisam do alicerce de um time de alto nível”. O consenso entre os empresários e especialistas é claro: a sucessão não deve ser motivo de cisão e sim de fortalecimento dos laços familiares em prol do objetivo comum. Para tanto, o planejamento com a presença do antecessor é fundamental, estreitando este relacionamento e transmitindo os valores, a cultura e o conhecimento concentrados em toda experiência da instituição.

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A Merecida Homenagem

or cinco décadas presente no dia a dia dos catarinenses, as indústrias gráficas que compõem a ABIGRAF/SC são importantes sustentáculos para a economia do estado. O legado construído ao longo dos anos pelos empresários é motivo de reconhecimento de toda a sociedade. A data de 26 de junho de 2017 foi um marco para o setor, quando a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) preparou uma sessão especial em homenagem à ABIGRAF/SC. Para Cidnei Barozzi, então presidente da entidade, a solenidade representou uma consideração especial do Legislativo catarinense, diante do trabalho desempenhado por empreendedores gráficos, trabalhadores e toda a cadeia produtiva. - “Assistimos às justas homenagens para muitos outros setores e entendíamos que a indústria gráfica não poderia ser excluída.


Todos os colegas, do presente e do passado, contribuíram e conseguiram erguer a fortaleza que nossa entidade representa”. O evento que também celebrou o Dia da Indústria Gráfica, comemorado em 24 de junho, entregou a seis ex-presidentes da ABIGRAF/SC um Cidnei Barozzi recebendo homenagem do deputado estadual Milton Scheffer

certificado pelo trabalho exercido em favor da comunidade empresarial. Proposto pelo deputado estadual José Milton Scheffer (PP), a cerimônia homenageou os nove sindi-

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catos gráficos catarinenses, além de 12 empresários do setor e da outorga de uma placa para Associação. - “A ABIGRAF representa um setor crucial para a nossa economia, de comunicação e prestação de serviços. É um segmento que está presente na vida dos catarinenses, quaisquer que sejam suas atividades. A indústria gráfica é conhecida por seus talentos, sua competência, sua força e sua excelência”, acrescentou Scheffer. Depoimentos emocionados marcaram a sessão, originados em profissionais que dedicaram suas vidas ao setor. Joceli Jacques, por exemplo, sentenciou que o momento era “um motivo de alívio e confiança no futuro”. Já o


empresário gráfico Osvaldo Luciani, recordou que trabalha no ramo há 40 anos e que se sentiu muito grato pela lembrança em vida. - “Estou muito feliz, hoje temos a concorrência da mídia eletrônica, mas a gráfica nunca vai morrer. O gráfico não é apenas um pintor de papel e sim alguém que leva cultura ao povo”. Na época representando 1.262 empresas e mais de 11 mil trabalhadores, o setor

Evandro Volpato, atual presidente da ABIGRAF/SC, recebendo homenagem na Alesc

gráfico considerou a data como uma homenagem que se estendia a todos que fizeram parte de sua história em Santa Catarina. Para João Cardoso, à época presidente do SIGRAF da Grande Florianópolis, o momento era também de agradecimento. - “É preciso recordar e reverenciar a todos que estiveram ao nosso lado, aqueles que no passado lutaram em favor da ABIGRAF/SC e pelos sindicatos”. Tito Alfredo Schmitt, então vice-presidente para a Região Sudeste da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), reconheceu a pungência do setor e sua importância para economia catarinense. Parabenizou a atuação do segmento e ressaltou a atenção que os empresários gráficos

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destinam às transformações e inovações tecnológicas. Barozzi ainda recorda, emocionado, desta data histórica para a Associação: o dia da merecida homenagem foi um momento chave para que a roda do setor gráfico seguisse Homenagem aos gráficos na Alesc

seu curso. - “Quando entramos na ABIGRAF/SC vemos como os empresários conseguiram se doar e deixar marcas, independentemente das con-

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dições e limitações de cada época. Foi uma homenagem justa, que elevou ainda mais o nosso setor, valorizando as pessoas com trajetórias de lutas e conquistas”, completou.

Homenageados Presidentes de sindicato: João Baptista Cardoso, SIGRAF Grande Florianópolis; Edson da Silva, SINDIGRAF Itajaí, Geiser Neto, SIGRAF da Serra e Vale do Rio do Peixe; Fernando Mayer, SINDIGRAF Blumenau; Claudio Redin, SIGRAF Concórdia; Evandro Volpato, SIGRAF Joinville; Roberto Telles, SIGRAF Rio do Sul; Sandra Tomazelli, SIGRAF Oeste de SC; e Luiz Carlos Eyng, SINDIGRAF Sul-catarinense.


Ex-presidentes: Georg Wigand Schmidt (representado por Waldemar Luiz Casagrande); Udo Wagner; Evaldo Groskof (representado por Alcides Westfal); Luiz Mário Guedes Villar (representado por Jucinei Silveira); Sylvio Pedro Victorino; e José Fernando da Silva Rocha Gráficos históricos: Marlo Germer (representado por Sérgio Cavallari); Osvaldo

Homenagem aos gráficos na Alesc

Luciani; Joceli Jacques; Charles José Postalli; e Ronaldo Baumgarten Junior (representado por Ronaldo Baumgarten Neto).

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ssa obra foi concluída em meio à inesquecível época da pandemia da Covid-19, o que implicou em um prazo maior para o seu lançamento. Em grande parte de 2020 tivemos dias de imensa incerteza, angústia e sofrimento, com dificuldades imprevisíveis: do dia para noite, empresas fechadas, receitas zeradas, produtos a entregar, créditos postergados, indefinições sobre os colaboradores e muita in-

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ria o lockdown? Em quais condições ocorreria a

Posfá

formação desencontrada. Quanto tempo dura-

sociativismo reafirmou sua insubstituível impor-

retomada da produção? Porém, foi em tais circunstâncias que o astância, como está descrito neste livro que relata o meio século de atividades da ABIGRAF/SC. Afinal, desde os primeiros momentos, quando os nossos associados conviviam com a perplexidade e a desinformação, as iniciativas da nossa Associação – em alguns casos, em parceria com os SIGRAFs – forneceram dados técnicos e orientações operacionais, jurídicas e técnicas, capazes de nortear nossos parceiros de mercado em meio ao cenário obscuro e incerto. Neste contexto, a informação revestiu-se do mais amplo valor, aliada à capacidade que a tecnologia proporcionou, permitindo que atingíssemos os extremos de nosso estado. Sem


condições de se reunir presencialmente, produzimos um sequência de lives, com os conteúdos gerados por um trabalho qualificado de nosso corpo técnico, complementadas por um fluxo contínuo de informações e respostas a questionamentos, utilizando aplicativos de mensagens e e-mails. Tivemos o mérito de promover a primeira live do país no setor gráfico, aliados às ABIGRAFs do Rio Grande do Sul e Paraná, compartilhada nacionalmente e reconhecida 192

como case de sucesso! Esse esforço teve maior significado para os empresários gráficos de pequeno porte – vale dizer, a maioria do setor: 90% de nossos associados têm menos de 10 funcionários. São organizações que não dispõem de recursos para contratar assessorias ou escritórios especializados. A ABIGRAF/SC contribuiu objetivamente para solucionar problemas e evitar situações que aumentassem seus riscos. O que conseguimos durante a pandemia terá prosseguimento pela atual diretoria no restante de sua gestão: a mais extensa capilaridade possível, informações recorrentes e assertivas e sucessivos encontros virtuais. O virtual


nos tornará mais próximos – e este é um dos residuais positivos desta difícil época que enfrentamos desde março último: aprendemos a aumentar a convivência graças à tecnologia e tornamos os encontros mais funcionais e com menor custo. Uma interessante coincidência marca esta gestão – o primeiro retorno a Joinville, desde o período no qual a entidade foi presidida por Georg Wigand Schmidt, nos anos 1972-1975, uma era de pioneirismo em nossa associação – e espero que sejamos contaminados com as boas energias de então. A ABIGRAF/SC sai fortalecida deste ciclo de retração econômica e confinamento. Foi difícil e assim ainda será por muito tempo, mas, como consagrou o antigo provérbio – “em águas serenas, qualquer marinheiro navega; o bom timoneiro se revela no mar turbulento”. Que em breve tenhamos a bênção de tempos melhores. Evandro Volpato Presidente ABIGRAF/SC Outubro 2020

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Presidentes ABIGRAF/SC (1969-72)

Bruno Germer

XXI

(1972-75)

Georg Wigand Schmidt (1975-78/ 1978-81)

Udo Wagner (1981-87)

Evaldo Groskof

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(1987-90)

Luiz Mário Guedes Villar (1990-93)

Sylvio Pedro Victorino (1993-96)

Evaldo Groskof (1996-99)

Ronaldo Baumgarten (1999-2002/ 2002-05/ 2005-08)

Vitor Mário Zanetti (2008-11/ 2011-14)

José Fernando Rocha (2014-17/ 2017-20)

Cidnei Luiz Barozzi (2020 – 2023)

Evandro Rogério Volpato




Este livro foi composto em fonte Josefin Sans, corpo 18, impresso em papel couchê fosco 150 g/m² pela Gráfica Rocha para a Carbo Editora, em outubro de 2020. Os textos estão em conformidade com as regras gramaticais da última reforma ortográfica, promulgada pelos países lusófonos, acordada em 16 de dezembro de 1990 e vigente no Brasil desde 29 de dezembro de 2008 (decreto presidencial 6.583).