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Brasil presente no encontro mundial da indústria gráfica No início de junho, a cidade de Barcelona, na Espanha, sediou o World Print & Communication Forum, que contou com a participação de lideranças gráficas de diversos países.

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m âmbito mun­d ial, o World Print & Com­mu­ni­ca­tion Forum (WPCF), promovido pela Eu­ro­pean Fe­de­ra­tion for Print and Digital Com­m u­n i­c a­t ion (Intergraf) e a Printing In­dus­tries of America (PIA) é, certamente, um dos mais im­ portantes eventos para a indústria gráfica. Novamente convidado pelos organizadores a participar com uma apresentação sobre o mercado de impressão brasilei­ ro, o presidente do Sindigraf-SP, Fabio Arruda Mortara, represen­ tou o País no fórum. O tema des­ te ano foi “Ques­tões da impressão gráfica para o futuro”, e o local de rea­li­za­ção a cidade espanhola de Barcelona, em 6 de junho. De acordo com Mortara, o evento foi cria­do para congregar a participação dos em­p re­s á­r ios gráficos de paí­ses considerados relevantes pelos organizadores. Sua participação pelo segundo

ano consecutivo representou a oportunidade de apresentar não apenas os números da indústria brasileira, como também promo­ ver junto aos demais participan­ tes o projeto Two Sides, cria­do em 2012 na Inglaterra, e que recente­ mente foi lançado no Brasil, pela Abigraf Na­cio­nal. “Percebi uma repercussão muito positiva, com es­pe­cial interesse do Japão pelo projeto Two Sides. E recebi con­ vite para me apresentar em Nova Delhi, em setembro”. Com abertura de Havard Grjot­ heim, presidente da Intergraf, e Mi­chael Makin, presidente da PIA, o WPFC ocorreu um dia depois da assembleia da Intergraf. O pro­ grama incluiu estudos de caso de grandes impressores, de paí­s es como o Reino Unido e Alemanha, bem como palestras sobre uso de impressos × recursos digitais na educação; inovação e pesquisa

na indústria gráfica; aplicações de recursos inovadores aos impres­ sos; e mudanças nos perfis dos consumidores. Também a Drupa 2016 foi tema de debate, com a demonstração de um estudo glo­ bal das ten­dên­cias que deverão ser vistas no evento. “Pude conhecer vá­rios te­ mas interessantes, desde cases de impressores extremamente bem-​­sucedidos até a si­tua­ção de mercado em paí­ses que até bem pouco tempo estavam em crise”. Mortara refere-​­se à recuperação dos dois mais fortes paí­ses nes­ se setor: os Estados Unidos e o Ja­ pão. Tanto nos dados apresenta­ dos pelo presidente da Printing In­d us­t ries of America, Mi­c hael Makin, quanto nos demonstrados pelo diretor da Japan Fe­de­ra­tion of Printing In­dus­tries (JFPI), Kunio Ishibashi, o panorama que se tem é de estabilidade. O Japão, em

particular, na comparação com o ano 2000, registrou aumento de 107% em seu PIB (Produto Inter­ no Bruto) em 2011. “O grande ga­ nho de eventos como o WPFC é o acesso que nos dá aos números da indústria gráfica mun­dial, como é o caso das principais in­dús­trias gráficas mundiais, que passaram por uma profunda crise a partir de 2007 e, agora, vislumbram um pequeno crescimento”. Com participação dos presi­ dentes das federações da China/ Pequim, Coreia e Índia, o fórum também marcou a troca da pre­ sidência da Intergraf e o anún­ cio da aquisição de sede própria, em Bruxelas (Bélgica). Deixando as marcas de uma gestão equi­ librada, Havard Grjotheim foi subs­t i­t uí­d o por Francesc Hos­ tench-​­Feu, que con­ti­nua­rá com o apoio de Bea­tri­ce Klose como secretária executiva.

A pauta política e econômica também foi explorada por Tho­ maz Zanotto, da F­ iesp, e pelo cien­ tis­ta político Carlos Melo. Zanot­ to falou dos serviços de assessoria em assuntos re­la­cio­na­dos ao co­ mércio externo prestados pelo De­ rex às empresas fi­lia­das à ­Fiesp e das es­tra­té­gias adotadas dian­te da perda de espaço da indústria brasi­ leira para produtos chineses. Com o objetivo de responder à per­ gunta “o que a indústria brasileira pode fazer para melhorar seu co­ mércio ex­te­rior?”, o departamento lançou o Documento de Posição

da ­Fiesp e passou a dedicar aten­ ção extra à ne­go­cia­ção de acordos comerciais e à defesa co­mer­cial.

A apresentação inspirou alguns membros da mesa a sugerir a cria­ ção de um novo grupo de traba­ lho, destinado à discussão dos principais temas políticos que interessem à cadeia. Os grupos de trabalho em ati­ vidade destacaram as últimas con­ quistas dos órgãos representa­ tivos do setor, como a Instrução Normativa 1.341, que combate o desvio do uso de papel imune, e também pautas em andamento, como a inclusão das embalagens de papel-​­cartão entre os itens fi­ nanciáveis no portal de operações

do cartão BNDES. Igor Archipo­ vas, do grupo de trabalho Valo­ rização da Comunicação Impres­ sa, falou sobre o lançamento do braço brasileiro da Two Sides, en­ tidade de propagação da susten­ tabilidade da comunicação im­ pressa, rea­li­z a­do em abril. Além da repercussão do caso, foram apresentados os próximos passos da entidade, como uma pesquisa de mercado para descobrir qual a visão dos brasileiros sobre pa­ pel e comunicação impressa, in­ formações que devem balizar o restante da sua campanha.

MAIS ATENÇÃO AO BRASIL Carlos Melo apresentou um pano­ rama das eleições presidenciais, mostrando não só as vantagens e desvantagens dos principais can­ didatos mas também os “nós es­ truturais” do cenário político bra­ sileiro. Desatar esses nós e não subestimar a importância da po­ lítica são passos fundamentais para superar problemas como alta da inflação e baixo crescimento.

julho /agosto 2014  REVISTA ABIGR AF

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Revista Abigraf 272  
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