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SUSTENTABILIDADE

Marcelo Ferreira, consultor de produtividade e qualidade da ABTG

“Temos um longo caminho a trilhar dentro des­ te desafio cada vez mais gritante, alarmante e tardio combate aos des­per­d í­c ios da indústria gráfica brasileira. Um dos poucos gestos e traba­ lhos que temos envolvidos nestes assuntos são os cinco ou seis colaboradores vo­lun­tá­r ios do mercado gráfico que dedicam quatro horas do seu tempo a cada dois meses atuan­do na Comis­ são de Estudos Normativos de Controle de Pro­ cessos da ABTG, comissão esta que estou ten­ do a honra de presidir, voltada à elaboração de cartilha com orien­ta­ções”, conclui o consultor.

CONTROLE É PRIMORDIAL

Para uma empresa que busca ge­ren­ciar o des­ perdício, outro aspecto importante é identificar em qual dos es­tá­g ios a gráfica se encontra: sobreviver, viver, crescer ou per ­pe­tuar? Chegar a um consenso é importante para evitar, por exem­ plo, investir em equipamentos com maiores ve­ locidades em busca de melhores condições de volumes de produção, sem perceber que isso só será benéfico se antes tratar a melhor efi­ciên­ cia das horas de produção destinadas aos equi­ pamentos e processos já existentes na gráfica. Recomenda-​­se, ainda, o controle rígido das quantidades destinadas de matéria-​­prima para cada processo, através de contagens e con­fe­rên­ cias entre as á­­ reas, desde a entrada do papel em estoque até a saí­d a dos materiais para as en­ tregas. Pesagens de entradas e saí­das de ma­té­ rias-​­primas e de perdas geradas em cada pro­ cesso produtivo também ajudarão a identificar as origens dos des­v ios. “Seguramente, entre todos os segmentos gráficos, o que mais gera des­per­d í­cios é o pro­mo­cio­nal, devido à combi­ nação de fatores de cria­ções de projetos pelos clien­tes e/ou agên­cias sem considerar as carac­ terísticas de formatos e performances dos equi­ pamentos das gráficas que efe­tua­ram os seus trabalhos”, declara Marcelo. A boa notícia é que é plenamente possí­ vel mensurar — e minimizar — os des­per­d í­ cios. As ferramentas principais são controles e apontamentos eletrônicos, com a utilização de soft­wares e ERPs pró­prios para esta finalidade.

80 REVISTA ABIGR AF  julho /agosto 2014

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O fim do desperdício na prática

ocalizada em Mogi Gua­çu (SP ), a Gráfica Marreco é es­pe­cia­li­za­da no segmento de sacolas impressas em offset. A empresa de pequeno porte começou, junto à ABTG , um trabalho de estruturação de PCP e combate aos des­per­dí­cios. De acordo com o gerente co­mer­cial Luiz Ma­xi­mia­no, havia um sensível desperdício gerado pelo grande tempo com espera de chapa, corte de papel, retorno de uma prova e até mesmo a aprovação do clien­te. “Como na maioria das gráficas, sem­ pre havia uma folga entre uma troca de ma­ te­rial e outro, setups de máquina vagarosos e falta de matéria-​­prima ou insumos no início de um trabalho, fazendo que o equipamento fique ocio­so”. Embora o processo esteja em andamento, Ma­xi­mia­no informa que já é pos­ sível verificar alguns ganhos. Ini­cial­men­te, o número de trabalhos executados em um dia era três vezes menor que atual­men­te. “Com isso apareceram in­dí­cios de melhora na quali­ dade, ou seja, máquinas produzindo próximo da velocidade limite, preços ajustados, tra­ balhos sequenciados e prazos sa­tis­fa­tó­rios, be­ne­fi­cian­do o empresário, o colaborador e principalmente o clien­te. Para que isso ocorra, o pro­fis­sio­nal gráfico tem que estar muito bem focado, pois ele é o elemento es­sen­cial para que se produza mais”, ensina o gerente da Gráfica Marreco.

Revista Abigraf 272  
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