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FOTO: ARQUIVO PESSOAL. MANIPULAÇÃO DE IMAGEM: UCHA

ARTHUR POERNER O MAIS JOVEM DOS CASSADOS PELA DITADURA

Diretor do primeiro jornal de oposição criado após o golpe militar, a Folha da Semana, ele foi cassado com apenas 26 anos pelo ditador Castelo Branco. Começava o seu tormento de torturado e exilado, sem que as punições impedissem sua ascensão como jornalista, escritor e, acreditem, compositor, parceiro de Baden Powell e do Mestre Candeia da Portela. POR BERNARDO COSTA

O

mais jovem brasileiro (26 anos na época) a ter os direitos políticos cassados, Arthur Poerner se destacou na imprensa brasileira por sua atuação contra o regime militar no Correio da Manhã. Como aluno de Direito da Faculdade Nacional, participava ativamente do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira-Caco e fazia a ponte entre o jornal e os estudantes. Na literatura, também resistia à ditadura, escrevendo livros de conteúdo político e de protesto. Em 1968, publicou pela Civilização Brasileira sua mais importante obra: O Poder Jovem – História da Participação Política dos Estudantes Brasileiros, proibido no início do ano seguinte em todo o território nacional.

Aqui, o jornalista e Conselheiro da ABI conta como foi sua prisão na redação do Correio da Manhã e sua passagem pelos porões do Doi-Codi, na Rua Barão de Mesquita, que serviu de base para o romance Nas Profundas do Inferno, publicado na Espanha quando já estava exilado. Fala ainda das parcerias musicais com Baden Powell, João do Vale e Candeia, com quem se correspondia de Berlim para saber notícias da Portela e do mundo do samba. Sempre atuando junto aos jovens, dando palestras em universidades de todo o País, lecionando Jornalismo na Uerj e acompanhando a União Nacional dos Estudantes-Une, Poerner conta que vê no jovem de hoje o mesmo interesse em mudar o mundo que havia em sua geração.

Jornal da ABI 337 Janeiro de 2009

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