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ABCFARMA FITOTERÁPICOS ESPECIAL

& Alimentos Funcionais

Novembro 2016 • Ano 6 • nº

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Contém o Lactobacillus acidophilus liofilizado que contribui para a restauração da flora intestinal, mantendo o equilíbrio no organismo. LEIBA® (Lactobacillus acidophilus liofilizado) MS 6.6325.0004.001-9 / 6.6325.0001.001-2 / 6.6325.0003.001-3. Deve ser associado a uma alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis. Não contém glúten. SAC 0800 11 15 59 - www.uniaoquimica.com.br -Out/16.

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Editorial

Presidente Pedro Zidoi Presidente Executivo Renato R. Tamarozzi Jornalista Responsável Celso Arnaldo Araujo MTB: 13.064 Gerente de Marketing e Vendas Graziele C. Lucato Diagramação e Arte Sergio R. Bichara

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A farmácia verde C

onvido você a dar mais um passeio pelo mundo promissor dos fitoterápicos. Os chamados “remédios verdes” continuam avançando, na busca de uma terapia mais natural e menos agressiva - mas sem deixar de lado as exigências sanitárias da legislação que regula a farmacologia brasileira. Neste suplemento, mostramos algumas inovações e recentes incorporações da fitoterapia brasileira - como princípios ativos que ajudam as pessoas a reduzir sua ansiedade e, em consequência, conciliar o sono. Ou que são auxiliares dos neurologistas no tratamento do temível Mal de Alzheimer - um dos subprodutos mais dolorosos do envelhecimento progressivo da população. Falamos também de fitoterápicos que ajudam a regular o fluxo intestinal, vencendo a desagradável prisão de ventre. E mais: alimentos funcionais - apresentamos alimentos que, segundo os próprios médicos, podem até curar, ou nomínimo prevenir, aproveitando todas as potencialidades da natureza. Boa leitura

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Remédios verdes

Fitoterapia

Até onde ela p D

O farmacêutico, Luiz Francisco Pianowski

estruir o vírus que está oculto tornou-se um dos maiores desafios dos cientistas que combatem o HIV nos laboratórios de todo o mundo. No Brasil, um time de pesquisadores está somando vitórias nesse campo. Depois de dois anos de pesquisa em animais, uma medicação desenvolvida por eles conseguiu tirar o HIV dos reservatórios, tornando-o finalmente vulnerável ao ataque das drogas antirretrovirais. A façanha é do farmacêutico Luiz Francisco Pianowski, do Laboratório Kyolab, e do pesquisador Amílcar Tanuri, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os dois coordenam os trabalhos, que incluem a participação de cientistas do Hospital Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e do instituto Aurigon,

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na Alemanha. A peça-chave para o sucesso observado até aqui do remédio criado pelos brasileiros é seu princípio ativo. Ele é extraído da planta aveloz, de origem africana e cultivada em alguns estados do Nordeste. O composto e seus derivados semissintéticos demonstraram eficácia para deslocar o HIV “adormecido” das células que servem como seu esconderijo para o sangue. Os estudos com a planta aveloz começaram com foco no câncer (AM10) e se desdobraram em duas outras linhas de tratamento: a dor crônica (AM11) e o HIV (AM12). São novas e nobres potencialidades das plantas medicinais brasileiras – aqui descritas A flora do Brasil concentra a maior biodiversidade do mundo. No total, são cerca de 55 mil espécies conhecidas e catalogadas em território nacional, o equivalente a 20% do que existe em todo o planeta. Para Luiz Francisco Pianowski, pesquisador brasileiro que já trabalhou na elaboração de mais de 25 patentes de fitomedicamentos baseados em nossa flora, temos um verdadeiro tesouro vivo em nossas florestas, com potencial para que sejam desenvolvidos novos tratamentos médicos. Mas o especialista alerta: é preciso que seja empregado

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a pode chegar? rigor científico na utilização das plantas para fins curativos. “O primeiro mito a ser esclarecido é a crença de que tudo o que é natural não faz mal”, salienta o Dr. Pianowski. “As plantas podem conter recursos químicos tóxicos e causar sérios danos à saúde humana. Por isso, é preciso cautela”, diz ele. Outra confusão, segundo o pesquisador, é considerar que plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos são a mesma coisa. “Fitoterápicos são remédios, passaram por avaliação rigorosa sobre segurança e eficácia do seu uso, assim como posologia. Quando falamos no uso de folhas e chás, nem sempre esses produtos passaram por esse crivo”. Além disso, as plantas medicinais nem sempre interagem bem com remédios alopáticos de uso contínuo. Por isso, a recomendação é sempre consultar um médico antes de optar pelo uso simultâneo.

Fitoterápicos: doença a doença, segundo a ciência Câncer

– A mesma equipe liderada pelos pesquisadores Luiz Francisco Pianowsk e Amílcar Tanuri avançou nos testes com moléculas isoladas também da planta medicinal

Avelós (Euphorbia tirucalli L) no combate ao câncer. Essa é possivelmente a primeira vez que o Brasil submete um medicamento dessa natureza, obtido em solo nacional, aos rigorosos testes médicos para aprovação de uma nova droga, e os resultados obtidos foram promissores. O princípio ativo – chamado até o momento de AM10 – está em estudo para combate a diversos tipos de câncer e já está sendo testado em humanos. O próximo passo é diversificar as características dos pacientes que receberão o teste, para aumentar o escopo da pesquisa. O produto em questão induz a uma maior apoptose (uma espécie de “suicídio celular”). Ele age na fase de multiplicação celular induzindo a célula cancerígena à apoptose. Passada a fase pré-clínica, onde se observaram a ação e os mecanismos da substância, foram realizados testes toxicológicos em duas espécies de animais: ratos e cães. Terminada esta fase, iniciaramse os testes em humanos.

Tratamento antiinflamatório - Doenças de pele como

psoríase, dermatite atópica e até mesmo o câncer têm origem em ações inflamatórias nas células e podem vir a tornar-se crônicas se não tratadas. Por essa razão, é de grande interesse clínico a descoberta de novos agentes anti-inflamatórios capazes de tratar ou prevenir essas condições. Vencendo a dificuldade em encontrar soluções para essas patologias, surge agora uma novidade promissora: a conceituada publicação ABCFARMA • Especial Fitoterápicos • Novembro 2016

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Remédios verdes científica inglesa European Journal of Pharmacology traz um artigo sobre estudos e descobertas de um grupo de pesquisadores brasileiros, que atua no desenvolvimento de um fitomedicamento antiinflamatório, produzido a partir do princípio ativo euphol, extraído do látex do Avelozl.

Esclerose Múltipla - Desde

o final da década de 80, com o avanço da ressonância magnética, e início dos anos 90, com a descoberta dos tratamentos com interferons e acetatos de glatiramer, o diagnóstico e tratamento da Esclerose Múltipla avançou muito. Os pacientes são diagnosticados cada vez mais cedo e a primeira fase da doença – a inflamação – é controla parcialmente. O que falta, no entanto, são mecanismos de tratamento mais abrangentes e com menos efeitos colaterais, grandes vilões dos medicamentos atuais. Mas as novidades no setor são promissoras. Pesquisadores brasileiros do laboratório Kyolab, de Campinas, realizaram estudos que apontam, com sucesso, a ação antiinflamatória do princípio ativo do aveloz, o euphol, um álcool triterpeno tetracíclico, no tratamento da doença. A princípio, a pesquisa realizou testes em ratos, mas a descoberta pode revolucionar o tratamento em humanos.

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Colite

- A colite ulcerativa é um tipo de doença inflamatória intestinal (DII) que afeta o intestino grosso (cólon) e reto, e cuja causa ainda é desconhecida. A doença geralmente começa na área retal e pode eventualmente se estender por todo o intestino grosso. O inchaço repetido leva ao engrossamento da parede do intestino e reto com tecido cicatricial. A morte do tecido do cólon ou sepse (infecção grave) podem ocorrer no estado grave da doença. O problema é que os pacientes com colite ulcerativa mais grave tendem a não responder tão bem aos medicamentos disponíveis no mercado. Mas as novidades são promissoras. Outros estudos no laboratório Kyolab, de Campinas, apontam, com sucesso, outro efeito da ação anti-inflamatória do euphol no tratamento da doença. A pesquisa ainda está em fase animal.

Dor Crônica

- Segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, estima-se que os brasileiros convivem com a dor como poucos no mundo. Hoje a dor é um dos principais motivos das consultas médicas no país, atingindo cerca de 85% dos pacientes atendidos – ao mesmo tempo em que muitos profissionais do setor continuam pouco informados sobre o tema, muitas vezes negligenciando sua importância. Recentemente, a equipe de cientistas brasileiros que desenvolve analgésico e anti-inflamatório de origem vegetal para tratamento de dor crônica (AM11) acaba de dar mais um passo importante: foram iniciados, na Alemanha, os últimos estudos do produto antes do teste em humanos. Sem dúvida, um grande avanço, que pode trazer o tão esperado alívio aos pacientes. A empresa é a alemã Aurigon, referência mundial em ciência da saúde para os estudos de farmacocinética, especialidade que determina com precisão o caminho que o medicamento faz no organismo. Com isso, ficam claras todas as etapas pelas quais a droga passa no organismo desde a administração até a excreção. E é possível que seja identificada a posologia e administração ideais do produto nos humanos. S

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Dieta Saudável

ALIMENTOS FUNCIONAIS

SAÚDE À MESA

A

limentos funcionais são um novo conceito na nutrição humana: tratam-se de alimentos que, além de suas qualidades nutricionais, contêm substâncias que ajudam na prevenção e no controle de doenças, pois contêm componentes ativos capazes de prevenir ou reduzir males que vão da constipação intestinal à osteoporose, arteriosclerose e até mesmo certos tipos de câncer. Nesta matéria, o nutrólogo e cardiologista Daniel Magnoni, do Hospital do Coração, explica o que é preciso saber para ter em casa uma mesa mais saudável Historicamente, a utilização de certos alimentos na redução do risco de doenças é registrada há milhares de anos. Hipócrates, 2.500 anos atrás,

já defendia a alimentação como saúde em sua célebre frase “Faça do alimento o seu medicamento”. No entanto, somente no final do século 20, entre a década de 80/90, é que o termo “alimento funcional” passou a ser adotado. De início, é preciso esclarecer que os alimentos funcionais não curam doenças, ao contrário dos remédios. Eles apresentam componentes ativos capazes de prevenir ou reduzir o risco de certas doenças. Dentre os benefícios mais investigados, estão a melhora do sistema imunológico, redução do risco de doenças cardiovasculares, câncer, hipertensão, diabetes, doenças inflamatórias, intestinais, certas afecções reumáticas e Mal de Alzheimer. Na verdade, os alimentos funcionais fazem sucesso num momento em que os consumidores estão cada vez mais conscientes da ligação entre saúde e nutrição. A tendência atual é dar preferência à prevenção e não à cura de doenças. Os componentes ativos dessa “nutrimedicina” estão presentes principalmente no reino vegetal: verduras verde-escuras, como couve, rúcula, ABCFARMA • Especial Fitoterápicos • Novembro 2016

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Dieta Saudável

agrião, brócolis, vegetais como repolho, couve-flor, tomate vermelho, pimentão, alho, cebola, são fontes dessas substâncias benéficas. Entre as frutas, praticamente todas possuem um ou mais componentes com ação positiva à saúde, daí a importância de se ter um consumo variado delas. Cereais como aveia, cevada, centeio e farelo de trigo também são importantes. No reino animal, o principal destaque são os peixes de água salgada como sardinha, atum, salmão, arenque, cavala etc. Diretor do Instituto de Metabolismo e Nutrição do HCor de São Paulo, o nutrólogo e cardiologista Daniel Magnoni é um dos maiores especialistas brasileiros em alimentos funcionais – e conduziu pesquisa recente sobre o tema. Ele explica aqui como esses alimentos devem ser consumidos

Essa expressão “alimentos funcionais” não é mais uma febre como foi, nos anos 90, a “medicina ortomolecular”?

De forma alguma. Os alimentos funcionais são os alimentos normalmente usados, com características boas de prevenção às doenças e sem risco à saúde, em consumo regular e por muitos anos.

Em tese, o sistema cardiovascular é o principal órgão-alvo que se beneficia dos alimentos funcionais?

Sim, os alimentos funcionais atuam na prevenção do envelhecimento. E a aterosclerose faz parte desse rol de doenças.

Todos os alimentos citados em pesquisa do HCor – azeite, soja, chá verde, repolho, goiaba, etc - podem ser considerados, oficialmente, como alimentos funcionais? Nem todos os alimentos citados são funcionais. Para brócolis, alho, cebola, repolho e goiaba, não existe definição de alimento funcional. Mas podemos, sim, incluir na lista azeite de oliva, soja, suco de uva, omega 3 e aveia.

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O azeite, campeão da pesquisa, é um lipídio. Qual é o limite entre o uso funcional do azeite e o abuso que resulta em aumento de colesterol? Toda gordura, mesmo sendo boa como o azeite de oliva, pode provocar obesidade, quando consumida em excesso, pois fornece nove calorias por grama. No caso do azeite, recomendamos o consumo de 20 gramas por dia, ou seja, duas colheres de sopa, inseridas nos alimentos, não tomadas de colherada.

Há diferenças, funcionais e nutricionais, entre azeites extravirgem e azeites inferiores?

Sim, o extravirgem, alem da gordura monoinsaturada, possui elementos antioxidantes

Se você tivesse que escolher cinco, entre todos os vegetais comestíveis, qual seria sua seleção para nosso cardápio cotidiano em termos de alimentos funcionais? Tomate, cenoura, aveia, maçã e mamão

Um paradoxo da vida moderna: ao mesmo tempo em que mais pessoas se convencem dos benefícios da alimentação saudável, estamos assistindo a uma epidemia de obesidade no mundo ocidental. Onde estamos errando? No consumo exagerado de açúcar, sal e na diminuição da atividade física.

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Alimentos como linhaça, omega três e soja, que na verdade não são alimentos prontos para consumo, mas apenas ingredientes de outros alimentos, são facilmente incorporáveis à nossa dieta? Sim, esses elementos devem ser incorporados após um processo de educação nutricional e popularização do consumo. A indústria pode também incorporá-los nos alimentos industrializados – veja o exemplo dos iogurtes enriquecidos com fibras.

Como nutrólogo e cardiologista, você poderia formular, em tese, a dieta ideal para o coração? Reduzir o consumo de açúcar e sal, aumentar o consumo de frutas, legumes e verduras, trocar a gordura saturada pela monoinsaturada, reduzir o consumo calórico de forma global e aumentar a atividade física. S

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Digestão Saudável

Intestinos disciplinados A

imagem é muito sugestiva: especialistas comparam os intestinos a uma autoestrada. Frutas, verduras, grãos integrais e alguns fitoterápicos – verdadeiros laxantes naturais – transitam com facilidade nessa rodovia, estimulando o fluxo constante e uniforme de alimentos em seu interior, prevenindo assim a prisão de ventre

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Digestão Saudável É a prisão mais “populosa” do mundo: segundo a Organização Mundial de Saúde, quase dois bilhões de pessoas sofrem de constipação intestinal – a popular prisão de ventre. Sem dúvida, um dos grandes males da vida moderna, é um dos problemas que mais levam os brasileiros a consultórios médicos. Ou a farmácias. Aliás, os os especialistas são unânimes em advertir contra o uso de remédios de efeito laxativo, que nossas avós chamavam de purgantes, sem a devida prescrição médica. A saída mais saudável dessa prisão é, com certeza, apelar aos laxantes naturais, encontrados em diversas frutas e verduras, além de fazer pequenas mudanças no cardápio e no estilo de vida. Alimentos integrais também devem fazer parte dessa lista. Consumidos todos os dias, eles podem normalizar o funcionamento do intestino em pelo menos 60% das pessoas acometidas pela constipação comum. “Nutrólogos e antropólogos constataram que nossos antepassados medievais comiam cerca de 600 gramas de pão integral por dia. Hoje a média é de 150 gramas, muitas vezes produzidos somente com farinha branca e refinada”, diz a Dra. Jocelem Salgado, professora titular de Nutrição da Esalq/USP, especialista em alimentos funcionais e autora de livros como Previna doenças: faça do alimento o seu medicamento e Pharmácia de alimentos.

ATENÇÃO: Muitos laxantes que se dizem naturais ou homeopáticos têm fenolftaleína, uma substância química que aumenta o movimento intestinal. Seu uso prolongado deixa o intestino preguiçoso e ainda pode resultar em problemas mais sérios, como o desequilíbrio da concentração de minerais (sódio e potássio), a colite e as inflamações crônicas. Os líquidos são outros itens que não devem faltar: beba muita água e sucos naturais, pois eles são como uma espécie de lubrificante, colaborando, e muito, com o ritmo dos intestinos. Ao acordar: a nutróloga Jane Corona, do Rio de Janeiro, recomenda um copo de suco de mamão batido com laranja, uma colher (sopa) de germe ou farelo de trigo e uma colher (sopa) de linhaça. Na hora de dormir: a Dra. Elisabete Almeida, médica especializada em prevenção e qualidade de vida, ensina sua receita para o período noturno: “Deixe uma ameixa seca de molho, por algumas horas, em 1/4 de copo de água. Depois pique a fruta e bata com a água e um pote de iogurte desnatado, bebendo em seguida. Se o intestino estiver muito preso, use duas ameixas. Não há contraindicações”, garante ela.

Coma a coisa certa A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) recomenda a ingestão de 25 gramas de fibras diariamente. E é bem simples cumprir essa cota: basta incluir na dieta três ameixas secas, 1/2 papaia, duas ou três colheres (sopa) de farelo ou germe de trigo, duas fatias de pão integral e um prato grande de salada verde.

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Passos para o equilíbrio intestinal

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A digestão começa pela boca. Mastigue bem os alimentos e nunca faça refeições apressadas.

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Adote a prática de exercícios físicos, mesmo que sejam leves, três dias por semana.

Jamais ignore a sensação de que você precisa ir ao banheiro. O organismo se acostuma a ser reprimido e o intestino torna-se preguiçoso

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Sempre tome café da manhã. Essa é a melhor maneira de estimular o intestino, levando-o ao bom funcionamento.

Alimentos do dia a dia que também ajudam a manter o intestino em perfeita ordem: Farelo de arroz: é apontado por alguns pesquisadores como um laxante e um regulador mais potente que o farelo de trigo. A dica é começar com medidas pequenas, como uma colher (chá). Ameixa seca: universalmente

indicada para prisão de ventre, ela tem poder laxativo, especialmente se consumida em forma de chá (com a fruta diluída em água fervente).

Escarola: verdura riquíssima em

fibras solúveis e insolúveis, ela deve estar constantemente presente no prato.

Tamarindo: fruta com grande

concentração de fibras solúveis e altamente laxativa. Experimente fazer uma geleia com a polpa da fruta, um pouco de água, adoçante ou frutose. Mas atenção à dose: consuma, no máximo, uma colher (chá) por dia. Em excesso, pode causar diarreia.

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Digestão Saudável Tabule: esse prato da culinária árabe é um autêntico laxante natural. A razão é que a salada inclui as fibras do trigo integral moído grosso e dos vegetais e ainda contém cebola rica em fruto-oligossacarídeos, nutrientes que melhoram o funcionamento do intestino.

Uva, melancia, melão e morango: gostosas e fresquinhas, essas frutas possuem leve ação laxativa e merecem ser incorporadas ao cardápio sempre que possível.

Mulheres:

a vítima número 1

Segundo os médicos, o funcionamento do intestino entre três vezes ao dia e três vezes por semana está dentro da normalidade. Mas é preciso ficar atento se houver falta de movimento natural de evacuação depois de dois ou três dias, com cerca de sete tentativas por semana sem sucesso. O ideal é avaliar o desempenho do organismo pela satisfação ou desconforto que ele costuma demonstrar.

A constipação intestinal é três vezes mais frequente entre as mulheres. “Diferentemente dos homens, elas não foram ensinadas a reservar um tempo para as necessidades. Acredito que essa deformação cultural seja responsável em grande parte pelo problema no sexo feminino”, diz a Dra. Jocelem Salgado. “Stress e hormônios também colaboram para agravar o quadro”, completa a nutróloga Jane Corona.

Fitoterápicos com ação intestinal Chapéu de Couro (Echinodorus

macrophyllus, Kunt) – Indicado como laxante e diurético. Dosagem: 50 a 500 mg/dia

Frângula (Rhamnus Agar-agar (Gracilaria Edulis) Indicado como moderador de apetite e como laxante nas doses de 100 a 500 mg/dia. Cáscara Sagrada

(Rhamnus purhiana) – Arbusto da família das ramnáceas, cuja parte terapêutica é a casca. A atividade laxativa da cáscara sagrada é atribuída aos C-heterósidos (cascarósidos). Dosagem: 250 a 3000 mg/dia

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frangula) – Planta da família das ramnáceas, da qual se extraem os princípios ativos de suas cascas, que devem ser dessecadas em forno a 100 graus centígrados para que se destruam os princípios ativos indesejáveis. Os princípios ativos que lhe conferem atividades laxativas são antraquinônicos, como: glucofragulina, fragulina e emodina.

Fucus (Fucus vesiculosus L) – É uma alga do gênero feofícea, do grupo laminariáceas, que são colhidas na maré baixa e deixadas secas ao sol. São algas microscópicas que, quando rehidratadas, aumentam o seu tamanho em até 10 vezes, sendo essa propriedade muito explorada com fins terapêuticos com agente dilatador de canais e trajetos fistulosos. O fucus vesiculosus atua como estimulante da glândula tireoide, sendo indicado para o tratamento da obesidade e hipotireoidísmo. Dosagem 1 a 2 gramas diárias. Sabugueiro (Sambucus

nigra L.) – Indicado como laxante nas doses de 50 a 500 mg/dia. Pode ser usado como diurético. S

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Dieta Saudável

Fito X Alzheimer

Uma luta possível

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m dos pontos altos do X Congresso Internacional de Nutrição Funcional, realizado em São Paulo este ano, foi a palestra da nutricionista Neiva Souza, do Departamento Científico da VP Consultoria Nutricional. Ela falou sobre a ação dos fitoterápicos na luta contra a forma mais frequente de demência – a Doença de Alzheimer

A doença de Alzheimer é caracterizada pela redução progressiva da memória e deterioração de funções cognitivas, efeitos secundários à perda de neurônios colinérgicos no hipocampo e no córtex cerebral, o que também pode ocasionar perda de peso cerebral. Em conjunto, essas alterações vão ocasionar os efeitos deletérios já citados. Os sintomas mais comuns são: perda de memória, capacidade de orientação, cálculo, compreensão, linguagem e julgamento, o que impacta sobre atividades cotidianas, incluindo autonomia para execução de tarefas, comportamento e convívio social. A Dra. Neiva destaca: “A inclusão da fitoterapia em condutas nutricionais como terapia alternativa é recente, mas sua utilização na prevenção e tratamento de diversas doenças é milenar, tendo como base os conhecimentos fitoterápicos de diversas civilizações, especialmente da medicina tradicional chinesa. A estimativa, conforme dados do Censo de 2010, é que 7,59% da população acima de 65 anos seja acometida por síndromes demenciais. É descrito pela literatura que o Alzheimer é a doença neurodegenerativa mais comum, representando cerca de 2/3 das síndromes demenciais na população mundial”.

Mas como os fitoterápicospodem contribuir para melhora do paciente? A nutricionista destaca alguns exemplos: “A Huperzia serrata é uma planta utilizada há centenas de anos pela medicina popular chinesa para o tratamento de diversas doenças. Sua ação na doença de Alzheimer se deve, principalmente, à presença de seu composto bioativo, a huperzina A, que tem demonstrado

exercer uma importante ação inibitória da enzima acetilcolinesterase, responsável pela degradação da acetilcolina, o que pode resultar em melhora das funções cognitivas e da memória. A substância tem, ainda, ação antioxidante e anti-inflamatória. Assim, pode agir como coadjuvante no tratamento da doença de Alzheimer, efeito já mostrado por estudos em humanos”. Outro fitoterápico apontado pela Dra. Neiva é o Allium sativum, popularmente conhecido como alho, que possui, entre suas ações, capacidade anti-inflamatória, antioxidante e hipotensora, atribuídas aos seus componentes organossulfurados. Entre esses compostos, a S-alil-cisteína é a que desempenha ação neuroprotetora mais descrita, auxiliando na prevenção contra danos oxidativos aos neurônios relacionados às funções cognitivas e ação supressora sobre a formação de placas beta-amiloide.

Potencial terapêutico Um terceiro fitoterápico indicado pela nutricionista é a Curcumalonga, conhecida como açafrão-daterra, com efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes, queladores de metais e antiamiloidogênicos - indicando o potencial terapêutico da curcumina sobre processos neurodegenerativos. A Dra. Neiva Souza enfatiza: “Ainda são necessários mais estudos para comprovação dos efeitos neuroprotetores em humanos com a utilização de Allium sativum e Curcuma longa”, Mas, ela reforça, apesar de ser recente a inclusão da fitoterapia em condutas nutricionais como terapia alternativa, sua utilização na prevenção e tratamento de diversas doenças é milenar e demonstrada ao longo do tempo. S ABCFARMA • Especial Fitoterápicos • Novembro 2016

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Tranquilidade

Tenha uma

boa noite O

s chamados transtornos de ansiedade estão entre os distúrbios psiquiátricos mais frequentes na população geral. Os sintomas da ansiedade incluem manifestações corporais involuntárias, como secura da boca, sudorese, arrepios, tremor, vômitos, palpitação, dores abdominais e outras alterações biológicas e bioquímicas – como distúrbios do sono, sobretudo a insônia clássica e os terrores noturnos. Também nessa área os fitoterápicos podem ter uma ação terapêutica surpreendente

e palpitações e melhora da auto-estima. E o paciente se reconcilia com seu período obrigatório de sono. Para isso, contribui a Valeriana officinalis L. obtida das raízes da valeriana, que contém Sesquiterpenos (ácido valerênico, ácido acetoxivalerênico), sendo esse o agente indicado em casos de insônia leve. O extrato de Valeriana tem demonstrado um efeito sedativo comparado, segundo alguns autores, aos efeitos de pequenas doses do diazepam e clorpromazina. Há também observações significativas quanto à melhora da qualidade do sono na dose de 120mg, com aumento da atividade do sono REM e um despertar agradável. Crianças maiores de sete anos também podem se beneficiar desse fitoterápico. S

Os medicamentos fitoterápicos usados contra distúrbios de ansiedade não devem ser utilizados sem prescrição – mesmo que não tenham efeitos colaterais dignos de nota. São medicamos industrializados e avalizados pela Anvisa – o que os faz seguir as regras farmacológicas gerais. Mas um fitoterápico cuja composição inclui extrato seco de passiflora 50mg, extrato seco de Valeriana officinalis L. 40mg e extrato seco de Crataego 30mg tem produzido resultados animadores em estudos de casos de pacientes com graves fragilidades em sua arquitetura de sono. Os sintomas de ansiedade diminuem drasticamente, além da diminuição da sudorese

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