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Crianças

Adolescentes ESPECIAL Edição de Outubro de 2016 • Número ABCFARMA

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Indicado também para crianças acima de 12 anos.

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Editorial

Diretor Presidente

Pedro Zidoi

Presidente Executivo

Renato R. Tamarozzi Jornalista Responsável

Celso Arnaldo Araujo MTB: 13.064

Gerente de Marketing e Vendas

Graziele C. Lucato

Diagramação e Projeto Gráfico

Sergio R. Bichara

Fale conosco

Rua Santa Isabel, 160 - 5º andar Vila Buarque, São Paulo/SP Cep: 01221-010 (11) 3223-8677 marketing@abcfarma.org.br trade@abcfarma.org.br www.abcfarma.org.br Publicidade / Distribuição

ABCFARMA

Impressão e Acabamento

Prol Gráfica

É bom prestar atenção Nesta edição especial dedicada a crianças e adolescentes, oferecemos a você, profissional de farmácia, uma variada pauta de temas que devem mobilizar sua atenção – como profissional de farmácia e pai ou mãe. O avanço do diabetes tipo 1, Pedro Zidoi Sdoia por exemplo, preocupa cada vez Diretor Presidente mais – porque atinge um número grande de crianças. Trata-se de uma doença sem cura, que exigirá cuidados da infância à terceira idade – como mostra matéria esclarecedora nas próximas páginas. Outra grande preocupação dos pais deve ser a higiene bucal – desde os primeiros sinais de dentes. Entrevista com um especialista em odontopediatria apresenta o passo a passo dos cuidados dentais – o que fazer e o que não fazer quando irrompem os primeiros dentinhos dos pequenos. No começo deste texto, falei de temas que devem mobilizar sua atenção. Este, mais ainda: como detectar, e tratar, o temível Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade – o chamado TDAH. Especialistas da Associação Brasileira do Déficit de Atenção explicam aqui um guia prático de como reconhecer os primeiros sintomas desse transtorno. Boa Leitura.

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cuidados inciais

A saúde b começa c O

acompanhamento desde a gestação, a utilização de produtos adequados, na quantidade certa e no momento correto, além da supervisão periódica do odontopediatra, são cuidados imprescindíveis para garantir o desenvolvimento dos dentes, a saúde bucal do bebê e 99,8% de sucesso, cientificamente comprovado, na prevenção de cárie para toda a vida. A preocupação com a saúde dos bebês é uma constante. A alimentação correta, a hora de começar com as papinhas, o banho, os cremes... São tantos detalhes que a saúde bucal algumas vezes passa despercebida. Que produtos utilizar, e a partir de que idade, é a primeira questão – e, provavelmente, nem mesmo os pais mais experientes saberão respondê-la. No entanto, isso faz toda diferença para garantir um belo sorriso e qualidade de vida, mesmo na fase adulta.

O Prof. Dr. José Eduardo de Oliveira Lima, Professor da USP e cirurgião-dentista especialista em odontopediatria, hoje odontopediatra da TopDent, tem experiência de mais de 30 anos no atendimento clínico de bebês, crianças e jovens.

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bucal cedo Ele ensina que os cuidados da higiene bucal do bebê devem começar ainda na gestação. “A saúde dos dentes depende, primeiramente, da saúde da mãe durante a gravidez. Essa condição é determinada por meio da boa alimentação e pela prevenção de enfermidades junto ao especialista, evitando, dessa maneira, dentes mal formados no bebê e, como consequência, mais susceptíveis à formação de cáries”, explica. Embora nos primeiros meses de vida a alimentação da criança seja à base de leite materno, parte dos pais higieniza as gengivas do bebê e, ainda por cima, utiliza algodão, cotonetes ou algo similar para essa tarefa. O odontopediatra alerta que esses artifícios não têm nenhum tipo de eficácia comprovada e pode até comprometer a saúde bucal. “Nesses primeiros meses não há necessidade de realizar qualquer tipo de higienização, uma vez que o equilíbrio

biológico da boca é preservado por meio da amamentação materna, que garante boa imunização e a satisfação das necessidades físicas e emocionais do bebê. Qualquer instrumento, material ou substância industrializada introduzida na cavidade bucal pode levar a algum tipo de contaminação, prejudicando a saúde do bebê – e isso vale até mesmo para instrumentos “especializados”, como dedeiras com cerdas, por exemplo”, alerta o odontopediatra.

Pasta, escova dental e odontopediatra: quando é a hora? Toda higienização, escovação e limpeza dos dentes deve ser realizada de maneira que se consiga eficiência de 100% na remoção da placa bacteriana para evitar a cárie. Se ela for parcial, os resultados não serão satisfatórios. Em média, a partir dos seis meses de idade surgem os primeiros dentinhos. Portanto, diz o especialista,

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cuidados inciais é indicado que a criança comece a frequentar o consultório odontológico nessa idade, pois, além de receber a orientação correta sobre os melhores produtos para higiene bucal diária, os pais podem garantir a saúde oral do seu filho pelo resto da vida. Há, inclusive, clínicas que assumem essa tarefa integralmente, o que deixa os pais mais tranquilos e livres da responsabilidade, que passa ser do dentista.

Quanto à pasta de dente, ela deve ter a função somente cosmética e não de limpeza, para tornar a escovação agradável e proporcionar aroma agradável. Ela não deve conter substâncias químicas que possam interferir na biodiversidade da cavidade bucal provocando desequilíbrios, principalmente o flúor – que, pela sua toxidade, pode produzir fluorose, um tipo de má formação do esmalte dentário”, alerta.

“Atualmente, por exemplo, existe a chamada odontologia do acompanhamento. Trata-se do atendimento odontológico preventivo, que prioriza manter em equilíbrio toda a região da boca, trazendo um resultado de 99,8% de sucesso contra o surgimento de placa bacteriana por toda vida, cientificamente comprovado”,

O odontopediatra lembra ainda que a escova deve ser sempre muito macia e com muitas de cerdas, para não ferir os dentes e as gengivas. E ela deve ser trocada por outros modelos na medida em que a criança for crescendo, mas sempre com a orientação do especialista acerca do melhor modelo. “Existem três dentições: a decídua, a mista e a permanente. Para cada uma delas, existe uma escova mais adequada, em função do tamanho dos dentes e da cavidade bucal. Essa mudança de escova ocorre em função do conforto da criança e da orientação do especialista”, conclui.

diz o Dr. Lima.

Com as instruções do odontopediatra, a criança pode começar a utilizar alguns produtos para auxiliar a higienizar a cavidade bucal, mas, com algumas ressalvas. “É importante que se introduza o hábito de escovar os dentes, mas sempre procurando o equilíbrio biológico.

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Transtornos

DÉFICIT DE ATENÇÃO /

HIPERATIVIDADE

É bom ficar aTento ABCFARMA • crianças&adolescentes

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Transtornos

E

stima-se que cerca de 3 a 6% das crianças na idade escolar (entre 6 a 12 anos de idade) apresentem hiperatividade e/ou déficit de atenção. A combinação dos dois quadros – crianças ao mesmo tempo distraídas e muito agitadas, daquelas que não param quietas – produz o que a medicina chama de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). Às vezes, o distúrbio passa despercebido. Mas em muitas crianças vítimas

desse transtorno, o rendimento escolar é muito prejudicado e os problemas continuam à medida que elas crescem: cerca de 60% das crianças com TDAH na infância mantêm sintomas na idade adulta, embora em menor intensidade. Como reconhecer, como tratar? É o que especialistas da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), entidade que tem o objetivo de disseminar informações corretas sobre o transtorno, baseadas em pesquisas científicas, ensinam aqui.

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O que é o TDAH? O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

Por que algumas pessoas insistem que o TDAH não existe?

O TDAH é comum?

Pelas mais variadas razões, desde inocência e falta de formação científica até mesmo má-fé. Alguns chegam a afirmar que “o TDAH não existe”, é uma “invenção” médica ou da indústria farmacêutica, para terem lucros com o tratamento. No primeiro caso se incluem todos aqueles profissionais

“Ele ocorre em 3 a 5% das crianças, em várias regiões diferentes do mundo em que já foi pesquisado”

que nunca publicaram qualquer pesquisa e não fazem parte de nenhum grupo científico. Quando questionados, falam em “experiência pessoal” ou então relatam casos que somente eles conhecem porque nunca foram publicados em revistas especializadas. Os segundos são os que pretendem “vender” alguma forma de tratamento diferente daquilo que é atualmente preconizado, alegando que somente eles podem tratar de modo correto.

É o transtorno mais comum em crianças e adolescentes encaminhados para serviços especializados. Ele ocorre em 3 a 5% das crianças, em várias regiões diferentes do mundo em que já foi pesquisado. Em mais da metade dos casos, o transtorno acompanha o indivíduo na vida adulta, embora os sintomas de inquietude sejam mais brandos.

Quais são os sintomas de TDAH? O TDAH se caracteriza por uma combinação de dois tipos de sintomas: 1) Desatenção 2) Hiperatividade-impulsividade O TDAH na infância em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como “avoadas”, “vivendo no mundo da lua” e geralmente “estabanadas” e com “bicho carpinteiro” ou “ligados por um motor” (isto é, não param quietas por muito tempo). Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos.

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Transtornos Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como, por exemplo, dificuldades com regras e limites. Se o transtorno se estende para a vida adulta, ocorrem problemas de desatenção para coisas do cotidiano e do trabalho, bem como com a memória (são muito esquecidos). São inquietos (parece que só relaxam dormindo), vivem mudando de uma coisa para outra e também são impulsivos (“colocam os carros na frente dos bois”). Eles têm dificuldade em avaliar seu próprio comportamento e quanto isso afeta os demais à sua volta. São frequentemente considerados “egoístas”.

B) Substâncias ingeridas na gravidez

Quais são as causas do TDAH?

C) Sofrimento fetal

Já existem inúmeros estudos em todo o mundo – inclusive no Brasil – demonstrando que a prevalência do TDAH é semelhante em diferentes regiões, o que indica que o transtorno não é secundário a fatores culturais (as práticas de determinada sociedade, etc.), o modo como os pais educam os filhos ou resultado de conflitos psicológicos. Estudos científicos mostram que portadores de TDAH têm alterações na região frontal e as suas conexões com o resto do cérebro.

Alguns estudos mostram que mulheres que tiveram problemas no parto que acabaram causando sofrimento fetal têm mais chance de terem filhos com TDAH. Mas a relação de causa não é clara. Talvez mães com TDAH sejam mais descuidadas e assim possam estar mais predispostas a problemas na gravidez e no parto. Ou seja, a carga genética que ela própria tem (e que passa ao filho) é que estaria influenciando a maior presença de problemas no parto.

A) Hereditariedade Os genes parecem ser responsáveis não pelo transtorno em si, mas por uma predisposição ao TDAH. A prevalência da doença entre os parentes das crianças afetadas é cerca de 2 a 10 vezes mais do que na população em geral (isto é chamado de recorrência familial). Prova definitiva: pais biológicos de uma criança com TDAH têm três vezes mais TDAH que os pais adotivos.

Tem-se observado que a nicotina e o álcool, quando ingeridos durante a gravidez, podem causar alterações em algumas partes do cérebro do bebê, incluindo-se aí a região frontal orbital. Pesquisas indicam que mães alcoolistas têm mais chance de terem filhos com problemas de hiperatividade e desatenção. É importante lembrar que muitos desses estudos somente nos mostram uma associação entre esses fatores, mas não mostram uma relação de causa e efeito.

D) Problemas Familiares Algumas teorias sugeriam que problemas familiares (alto grau de discórdia conjugal, baixa instrução da mãe, famílias com apenas um dos pais, funcionamento familiar caótico e famílias com nível socioeconômico mais baixo) poderiam ser a causa do TDAH nas crianças. Estudos recentes têm refutado essa ideia. As dificuldades familiares podem ser mais consequência do que causa do TDAH (na criança e mesmo nos pais).

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Como se trata? O tratamento envolve o uso de medicação, geralmente algum psicoestimulante específico para o sistema nervoso central, uso de alguns antidepressivos ou outras medicações. Deve haver um acompanhamento do progresso da terapia, através da família e da escola. Além do tratamento medicamentoso, uma psicoterapia deve ser mantida, na maioria dos casos, pela necessidade de atenção à criança (ou adulto) devido à mudança de comportamento que deve ocorrer com a melhora dos sintomas. Um aspecto fundamental desse tratamento é o acompanhamento da criança, de sua família e de seus professores, pois é preciso auxílio para que a criança possa reestruturar seu ambiente, reduzindo sua ansiedade. Uma exigência quase universal consiste em ajudar os pais a reconhecerem que a permissividade não é

útil para a criança, mas que, utilizando um modelo claro e previsível de recompensas e punições, baseado em terapias comportamentais, o desenvolvimento da criança pode ser melhor acompanhado.

Os 10 mandamentos para os pais de criança com TDHA 1. Reforçar o que há de melhor na criança. 2. Não estabelecer comparações entre os filhos. Cada criança apresenta um comportamento diante da mesma situação.

3.

7.

Elogie! Não se esqueça de elogiar! O estímulo nunca é demais. A criança precisa ver que seus esforços em vencer a desatenção e controlar a ansiedade está sendo reconhecido.

Procurar conversar sempre com a criança sobre como está se sentindo.

8.

Estabeleça regras e limites dentro de casa, mas tenha atenção para obedecê-los também.

9.

4. 5. 6.

Manter limites claros e consistentes, relembrando-os frequentemente. Use português claro e direto com a criança, de preferência falando de frente e olhando nos olhos.

Não esperar ‘’perfeição’’. Não cobre resultados, cobre empenho.

10.

Não exigir mais do que a criança pode dar: deve-se considerar a sua idade. n

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Diabetes

infantil

Sob controle 1 U ma pesquisa recente mostrou que cerca de 200 novas crianças por dia, em todo o mundo, recebem o diagnóstico de Diabetes do tipo 1 – antigamente chamada de juvenil. É uma doença de difícil trato, que exige complementação diária de insulina. E fica menos dramática quando o distúrbio é diagnosticado o mais rápido possível. Como os pais podem reconhecer os sinais precoces do diabetes? É o que explica aqui, em 20 questões, a Dra. Ana Paula Scala de Almeida Guimarães, endocrinologista no Hospital Sepaco, que também fala da ocorrência cada vez mais precoce do Diabetes tipo 2

No caso do diabetes tipo I, podese dizer que as crianças já nascem diabéticas, ou seja, já vêm com o selo genético para a doença – e não há nada que se possa fazer para evitá-la?

As crianças não nascem diabéticas, mas com a alteração genética que predispõe o desenvolvimento da doença. Estudos demonstram que a alteração genética não é o único fator responsável pelo desenvolvimento da doença. O diabetes do tipo 1 desenvolve-se em decorrência de uma soma de fatores, que, além do genético, incluem fatores ambientais, como algumas infecções, e fatores emocionais, como o estresse. Uma vida saudável pode ajudar a evitar a doença.

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Qual é a idade média em que o diabetes tipo I se manifesta?

Na imensa maioria dos casos, a DM (Diabetes Melitus) tipo 1, manifesta-se

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em crianças e jovens, daí sua antiga denominação de Diabetes Juvenil. Entretanto, as idades de manifestação são bastante variadas: desde crianças com dois anos de idade até adultos com mais de 40 anos.

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Algum tipo de criança está mais predisposta a apresentar diabetes? Ter um dos pais diabéticos é sempre um fator de risco?

Crianças com histórico familiar de Diabetes do tipo 1 estão mais predispostas ao desenvolvimento da doença. Ou seja, se algum parente, não exclusivamente os pais, mas também tios, avós ou primos, tem a doença, a probabilidade de que se tenha a doença é maior. Porém, isto não significa que obrigatoriamente a desenvolva. Como exposto anteriormente, a predisposição genética é apenas um dos fatores para o desenvolvimento.

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Ter mãe com aumento de glicemia durante a gravidez também é fator de risco para esse bebê?

O diabetes gestacional, que é aquele diagnosticado durante a gravidez, está relacionado ao maior risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2 na própria mãe, isto é, a mulher que desenvolve DM gestacional tem maior risco de desenvolvimento do DM tipo 2 no futuro. Entretanto, esse tipo de diabetes não está relacionado ao DM do tipo 1.

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Os sinais clássicos da doença – cansaço, sede excessiva, perda de peso – são sempre bastante precoces? Ou a criança pode conviver com a doença por algum tempo antes de apresentar sintomas?

Na maioria dos casos, esses sinais são bastante evidentes desde o início da doença e geralmente são desencadeados após alguma infecção, como uma gripe. Entretanto, o que geralmente retarda o diagnóstico é a falta de orientação ou conhecimento que permitam relacionar esses sinais genéricos a uma doença específica como diabetes, muitas vezes atribuindo-os à própria infecção que precede a manifestação. Nesse sentido, é possível que a criança conviva com a doença sem diagnosticá-la e, por isso, acabe tendo seu diagnóstico realizado numa situação de maior descompensação diabética.

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Esses sintomas são sempre bastante característicos ou podem ser confundidos com outros quadros?

Sinais como perda de peso, boca seca e cansaço são pouco específicos, uma vez que outras doenças podem apresentarse da mesma maneira. O importante é sempre ter em mente que tais sinais podem representar um quadro de diabetes e levar a criança a fazer exames adequados para que a doença seja descartada ou diagnosticada -- e seu tratamento instituído rapidamente.

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Uma vez confirmado o diagnóstico, a criança com diabetes tipo I passa a ser imediatamente dependente de insulina?

Na grande maioria das vezes, sim. O DM 1 é causado pela falência na produção de insulina pelas células pancreáticas. Assim, outras medicações, como aquelas usadas no DM tipo 2, não funcionam aqui. O tratamento é feito exclusivamente com insulina. Em alguns casos, após o diagnóstico ocorre uma recuperação

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Diabetes temporária dessas células, que passam a produzir insulina novamente. Durante esse curto período, chamado de “lua-demel”, não há necessidade de aplicação da insulina, e apenas a dieta é suficiente para o tratamento. Entretanto, isso não é o mais comum e invariavelmente o paciente passa a ter que usar insulina em algum momento.

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Com que idade a criança já pode e deve aprender a autoministrar a insulina?

Isto é muito variável e depende do grau de maturidade da criança. O importante é garantir que a aplicação está sendo feita corretamente e que se mantenha a regularidade do tratamento.

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Ela terá de conviver para o resto da vida com essa rotina?

Sim. Embora haja estudos avançados para o desenvolvimento de alternativas de tratamento do DM 1, como transplante de células produtoras de insulina, dispositivos de infusão contínua de medicação, desenvolvimento de vias alternativas para aplicação de insulina, como a via nasal, por exemplo, o tratamento com insulina subcutânea ainda é aquele totalmente aprovado e recomendado.

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Como é, em linhas gerais, a vida de uma criança ou de um adolescente com diabetes tipo 1?

Não podemos dizer que uma criança ou adolescente com diabetes leve uma vida exatamente igual a uma pessoa que não tenha a doença, pelas restrições alimentares e uso regular de medicação. Entretanto, nos demais aspectos, a vida é normal. Se a doença estiver bem controlada, nenhuma complicação ocorrerá de maneira a privar a criança ou adolescente de qualquer outra atividade.

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Você recomenda aos pais de uma criança com diabetes integrá-la a atividades com outras crianças diabéticas, do tipo acampamento de férias?

Na medida do possível, os pais devem se esforçar para mostrar à criança que ela pode levar uma vida normal. O convívio com outras crianças que vivenciam as mesmas restrições pode ajudá-la a entender que não é a única que precisa de cuidados específicos e pode ajudar na troca de experiências inclusive entre os próprios pais. Mas destaco a importância de tentar mostrar à criança com DM 1 que ela é igual a todas as outras, porém com um detalhe que a faz especial -- e não o contrário, ou seja, usar a doença como o principal motivo para diferenciação dos demais, trazendo-lhe rótulos e privilégios. É preciso encarar a doença com naturalidade.

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É ponto pacífico que a incidência de diabetes tipo 2, teoricamente aquela que surge na fase adulta e não é dependente de insulina, está aumentando e é cada vez mais precoce. Isso é visível nos consultórios?

Sim. Por estar o diabetes do tipo 2 bastante relacionado à obesidade e hábitos alimentares ruins, é evidente o aumento de sua incidência na medida em que aumenta o número de pessoas obesas e com maus hábitos alimentares.

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Quais são os primeiros sinais de diabetes tipo 2 num adolescente?

Os sinais e sintomas de DM tipo 2 são menos evidentes e geralmente aparecem numa fase mais tardia: aumento da ingestão de água e da frequência urinária, entre outros. Isso recomenda a realização de exames periódicos.

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Uma vez detectada a doença, o diabetes tipo 2 também é irreversível? Ou alguns casos iniciais, com mudanças de estilo de vida radicais, podem ser revertidos?

Esse tipo de diabetes não é considerado irreversível. Alterações na alimentação, perda de peso e realização de atividades físicas regulares podem reverter a doença e evitar seu reaparecimento, desde que essa mudança de hábitos seja mantida.

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Em que casos você recomenda medições de glicemia em intervalos regulares?

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e associações internacionais estabelecem a frequência adequada da realização de exames de glicemia de jejum de acordo com diversos critérios como: possuir ou não familiares com diagnóstico de diabetes, ter outras doenças do metabolismo já diagnosticadas, ser ou não obeso, etc. Assim, não é possível estabelecer um intervalo específico para a realização da glicemia. Depende do médico especialista, frente a diversos dados.

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O excesso de peso é o único fator de risco, nessa fase, para o diabetes tipo 2?

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Qual e o papel dos pais na vida de filhos com diabetes?

Os pais devem proporcionar aos filhos com diabetes uma vida saudável e apoiá-los em seu tratamento. Algumas vezes é possível notar que a obesidade, que está relacionada ao DM tipo 2, não é restrita à criança, mas a um problema familiar em que todos os membros possuem hábitos alimentares ruins. É preciso que os pais sirvam como exemplo para que os filhos se sintam incentivados a seguir uma dieta saudável e motivados à realização de exercícios físicos.

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Os remédios antidiabetes, como a metformina, também são indicados nessa faixa etária?

Em casos pontuais sim. Porém, avaliação médica caso a caso deve ser feita antes da administração de qualquer medicação.

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Com o atual estágio das pesquisas, há alguma expectativa de que uma criança que nasça hoje com diabetes possa vir a ser curada antes da vida adulta com novas descobertas da ciência?

Sim. A cada dia novas descobertas são feitas e muito tem se avançado na terapia genética e com células-tronco. Muito provavelmente nesse campo se encontre a cura para a doença. n

Não, a obesidade não é o único fator de risco. Maus hábitos alimentares e sedentarismo também são considerados fatores de risco, entre outros.

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Como os pais podem prevenir um diabetes tipo 2 em seus filhos?

Apenas através de uma boa educação alimentar e estímulo às atividades físicas.

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