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REVISTA DA ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DA UNIVERSIDADE DA MADEIRA EDIÇÃO N.º 72


03 NESTA EDIÇÃO AS EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA ASSOCIADAS À PRODUÇÃO DA REVISTA JA SÃO NEUTRALIZADAS PELA GRÁFICA PELO QUE ESTA REVISTA É CARBONFREE®.

A ABRIR COM DIOGO CRÓ

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EM PORTUGUÊS ESCORREITO

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QUANDO OS GRANDES ERAM PEQUENOS

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HALITOSE - SPAD FUNCHAL

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UNIVERSIDADES PESCAM ESTUDANTES

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DESAFIOS COMUNICACIONAIS NA UNIVERSIDADE

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SEXUALIDADE NA MENOPAUSA

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COMER PEIXE! PORQUÊ?

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INVESTIGAÇÃO ETNOGRÁFICA

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ESTE PARTE, AQUELE PARTE

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CLUBE FUTEBOL UNIÃO

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REDESCOBRIR A MADEIRA

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DEFESA DO CONSUMIDOR

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IPSIS VERBIS

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DESPORTO

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DE MOCHILA ÀS COSTAS

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PARA QUE SERVES MUSEU?

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PALAVRAS E NÚMEROS

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FOI DITO

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TÃO PERTO E TÃO LONGE

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100 ANOS DE POLÍCIA FLORESTAL

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PROGRAMA EXPERIÊNCIA JOVEM

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DOUTORECOS

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PAUTA FINAL

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FICHA TÉCNICA PROPRIEDADE: Associação Académica da UMa · DIRECTORA: Andreia Nascimento · EDITOR: Rúben Castro · REVISÃO: Carlos Diogo Pereira · DESIGN GRÁFICO: Pedro Pessoa · FOTOGRAFIA E EDIÇÃO: Pedro Pessoa · CAPA: © Yahia LOUKKAL / PhotoXpres Inc · EDIÇÃO E PUBLICIDADE: Departamento de Comunicação da AAUMa ja@aauma.pt · DISTRIBUIÇÃO: Gratuita · VERSÃO ON-LINE: www. aauma.pt · TIRAGEM: 1000 exemplares · EXECUÇÃO GRÁFICA: Nova Gráfica, Lda. · DEPÓSITO LEGAL: 321302/10 · ISSN: 1647-8975 O conteúdo desta publicação não pode ser reproduzido no todo ou em parte sem autorização escrita da AAUMa. As opiniões expressas na revista são as dos autores e não necessariamente as da AAUMa. A Revista JA é escrita com a antiga ortografia, salvo algumas excepções assinaladas.


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A ABRIR _

Num país em que a taxa de desemprego jovem é tendencialmente crescente, não nos podemos cingir àquilo que se aprende com o professor. É cada vez mais importante e imperativo que cada um tenha uma forte componente de formação extracurricular, pois é isso que irá diferenciar duas pessoas com o mesmo percurso académico. Há que tirar partido desta interrupção de cerca de dois meses para adquirir novas competências indispensáveis ao nosso futuro e ao futuro do nosso país. Actividades como o voluntariado são cada vez mais valorizadas. O voluntariado não só transmite valores indispensáveis que por vezes estão esquecidos, como permite compreender, de um modo diferente, a estrutura do mercado de trabalho em que estaremos todos inseridos. Só assim, apostando na aprendizagem e no desenvolvimento de competência, podemos fazer o nosso país sair da situação actual. Para isso é absolutamente necessário um trabalho de Todos para Todos. Àqueles que terminaram o seu curso, neste ano em que se comemora o vigésimo quinto aniversário da UMa, e vão, agora, em busca do seu primeiro trabalho, votos de sucesso. Aos que continuam na Academia deixo o desafio de melhorarem cada vez mais o vosso trabalho para que quando um dia forem à procura de emprego tenham as competências exigidas. Saudações Académicas, _ DIOGO CRÓ Vice-Presidente da Direcção da AAUMa


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EM PORTUGUÊS ESCORREITO _ HELENA REBELO Docente da UMa e Linguista

Quanto mais nos interrogarmos sobre a nossa maneira de escrever, mais possibilidades teremos de evitar o erro. Contudo, este exercício de permanente questionamento é exigente e dá trabalho. É mais fácil não termos dúvidas, o que explica os inúmeros erros que vamos dando. Uma simples questão linguística implica reflexão e consultas, a fim de tomar uma decisão. Por exemplo, tenho visto escrito “supracitado”. Quanto a mim, é um erro porque “supra” (como “infra”) é um elemento latino que deveríamos escrever em itálico. Não o deveríamos poder aglutinar com o particípio passado por-

tuguês “citado” ou outro qualquer (“referido”, “mencionado”, etc.). Portanto, mesmo seguindo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, na sequência “supra citado” (também “citado supra”), há dois elementos que não se podem aglutinar. Além do mais, “supra” não é um prefixo, nem um falso prefixo, mas um advérbio de lugar equivalente a “acima” (“acima citado”). Escrever implica pensar e pesquisar. É, nomeadamente, o que devemos fazer, quando temos de empregar os vocábulos “adquirir” e “adequar”, duvidando se têm ou não «e» entre «d» e «q».


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Adequirir 7% Adquirir 93%

Adequar 100%

Adquar 0%

Eles não vão ………………um carro novo porque é muito caro.

……………… tudo ajuda a criar um ambiente harmonioso.

Preencher o espaço com a forma certa: adequirir / adquirir.

Preencher o espaço com a forma certa: adequar / adquar.

Solução: Eles não vão adquirir um carro novo porque é muito caro. Explicação: O verbo português “adquirir” vem do verbo latino “adquiro (ou acquiro) quisivi,quisitum,ere”. Este é formado por “ad” e “quaerere” com o sentido, ainda actual, de “acrescentar, juntar a”. Portanto, por razões etimológicas, verificamos que não há nenhum «e» entre «d» e «q». A adição desta vogal no registo oral é um fenómeno fonético de acrescentamento que tende a manifestar-se na escrita.

Solução: Adequar tudo ajuda a criar um ambiente harmonioso. Explicação: O verbo latino “adaequo, as, avi, atum,are”, no sentido de “fazer igual, comparar, atingir”, deu origem ao verbo português “adequar”. Ao considerar a formação do termo latino com “ad” e “aequare”, observamos que o segundo elemento começa com «ae», figurando entre «d» e «q». Na evolução do Latim para o Português, deu origem à vogal «e». Portanto, a síncope desta vogal não passa de um fenómeno fonético comum na linguagem oral que se repercute na escrita.


08 QUANDO OS GRANDES ERAM PEQUENOS LILIANA RODRIGUES

Docente, Investigadora do CIE-UMa/ FCT e Directora do Curso de Ciências da Educação Sou a mais nova de quatro irmãos (três rapazes e uma rapariga) e sou filha do 25 de Abril. Venho de uma classe média que sempre se interessou por livros, política e pelas coisas comuns que qualquer família faz e discute. Recordo-me de irmos com a minha mãe, todas as quartas e sextas-feiras para a Biblioteca Calouste Gulbenkian e o meu maior orgulho era poder exibir o cartão de leitora. Por volta dos quinze anos apercebi-me de que discutir futebol era mais fácil do que argumentar politicamente. Ainda hoje se mantém essa percepção. Prova disso é que desde os quinze anos que tenho o cartão de sócia do Marítimo e nenhum de militância política. Da minha infância tenho as zonas dos Álamos e de Santo António como o meu mundo. Onde hoje são as piscinas dos Álamos, brinquei como ninguém numa fazenda de produção de vinha e de banana que estava a cargo do meu avô. Por ser a mais pequena, só podia apanhar os cachos de uvas cujas vinhas estivessem mais próximas ao

chão, estando-me vedada a possibilidade de subir as escadas para apanhar as uvas com um podão como arma. Isso aborrecia-me pois só os meus irmãos e primos se divertiam com uma coisa, que na altura me parecia, tão perigosa como um podão ou uma faca. A família era e é grande. Mas, entretanto, crescemos e os podões já não merecem assim tanto o nosso respeito. Vivi e cresci no meio de gente sempre mais adulta e cercada de animais, particularmente de cães e de gatos. Também existiam coelhos anões, carneiros e aves. Em casa dos meus avós, um curral de carneiros fazia a delícia dos rapazes que tentavam imitar os rodeos em cima dos carneiros mais robustos. Escusado será dizer que tal proeza durava segundos com muitas pancadas e cabeças partidas. Eu ficava a observar e a contar os segundos em que os bichos venciam a inconsequência dos humanos mais jovens. Admito que isso me divertia. Estudei na Escola do Salão, nos Álamos, no ensino primário e foi aí que lidei, pela primeira


vez, com aquilo que hoje se chama Necessidades Educativas Especiais. A minha professora tinha um problema no pé e coxeava. Recordo-me de que usava umas botas estranhas com uns ferros que ligavam a bota esquerda ao joelho. A directora da escola não tinha o dedo mindinho e isso causava-me estranheza. Confessei a minha surpresa apenas à minha mãe que me aquietou, mostrando-me que a diferença física era, e é, acessória. Mas também me mostrou que as verdadeiras necessidades educativas estavam noutro patamar, noutro sítio onde raramente se deixam ver: no espírito. E foi assim que me apercebi de que havia colegas meus que viviam num antigo bairro de lata da Ribeira Grande e que precisavam de especial atenção. Aos sete anos tive o meu primeiro confronto com as questões da existência e recusei-me a comemorar o aniversário do meu pai. Era óbvio para mim que celebrar um aniversário não era acrescentar mais um ano de vida. Como era possível que ninguém percebesse que se estava a sub-

trair um ano à vida do meu pai? Hoje, mais do que nunca, faz todo o sentido a perspectiva agostiniana de que “Nascer é caminhar para a morte.”. Veio então a escola preparatória (hoje 2.º ciclo da Educação Básica) e fui estudar para a Escola Dr. Horácio Bento Gouveia. O mundo alargou-se. Tinha de me deslocar de autocarro, o que era uma coisa muito séria e de grande responsabilidade. Acompanhava-me a minha irmã, companheira de todos os dias. Seguiu-se a escola secundária, na Francisco Franco, e o meu contacto propriamente dito com a Filosofia. Desde o meu 10.º ano que nunca tive dúvidas de que queria seguir esta área do conhecimento. Rumei a Lisboa e o mundo ficou bem mais aberto. Tirei o curso de Filosofia na Universidade Nova de Lisboa e tive a sorte de ser educada por bons mestres. Diversos mestres marcaram-me como pessoa mas José Gil e Nuno Ferro foram, provavelmente, aqueles que mais me fizeram pensar. Seguiu-se uma pós-graduação em Filosofia e, em 1996, iniciei a minha carreira de


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professora na Escola Marquês de Pombal em Lisboa. Dei aulas a duas turmas 100% masculinas do antigo Bairro do Casal Ventoso. Desde aí apercebi-me que estava apta a leccionar em qualquer escola do país. Assim, começou o meu gosto pelo problema do conhecimento e da educação cruzando sempre com a Filosofia. Regressei à Região Autónoma da Madeira em 1999 e leccionei cinco anos no ensino secundário, sendo os últimos dois anos dedicados a um projecto de Educação Profissional, em São Vicente. A universidade e os mestres que encontrei foram motor do desejo de prosseguir os estudos académicos e depois do mestrado ingressei na carreira académica, na Universidade da Madeira (o doutoramento, com registo na UMa, foi executado entre Madeira, Porto e Áustria). Acreditava que ia encontrar novos mestres e que sítio melhor para discutir Teoria do Conhecimento se

não numa universidade? Que sorte a minha por poder discutir aquilo que mais me interessava e que é mais natural ser discutido numa universidade e, ainda por cima, na mais jovem universidade do país. Outros mestres vieram e outros mestres virão. O mundo tornou-se maior desde a minha infância mas a percepção que tenho é que nem por isso ele é melhor.


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12 Halitose

A Halitose deve-se à má higiene oral e à acumulação de bactérias associada ao excesso de tártaro nos dentes. Também pode ser causado por infecções orais e, em cães idosos, por tumores da boca. O mau hálito também pode ser um sinal de problemas mais graves como diabetes mellitus, doença renal ou cardíaca. Gengivites, má higiene oral e doença cardíaca, são os problemas mais comuns nos cães de raça pequena. É essencial que os cães mantenham bons hábitos de higiene oral, sobretudo cães de pequeno porte. Dietas específicas, ossos para a limpeza oral, pastas dentífricas, brinquedos e jogos que exercitam dentes e gengivas, são elementos essen-

ciais na profilaxia da doença periodontal e, consequente, da halitose. Tal como as pessoas, a maioria dos cães de pequeno médio ou grande porte precisa e beneficia de acções de destartarização e polimento dos dentes quando necessárias. É normal as raças de nariz curto (braquicéfalas) desenvolverem um espessamento benigno das gengivas, chamado epúlide, sendo o mesmo um foco de mau hálito. Normalmente as epúlides são removidas cirurgicamente sem maiores consequências para o animal. _ EQUIPA VETERINÁRIA DA SPAD-Funchal


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Universidades pescam estuDANTES _ CARLOS DIOGO PEREIRA

Com o bloqueio decretado pelo Governo, as universidades podem ver-se obrigadas a aumentarem a fonte de receita directa advinda das propinas, com consequências diversas para a sociedade portuguesa e para a comunidade jovem em particular. Mesmo em certo sufoco, várias instituições de ensino superior já apresentam medidas de sedução de candidatos para que disponham dos seus serviços.


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Conforme o Público, algumas instituições de ensino, além de seguirem a antiga tradição das bolsas de mérito, já premiam os bons alunos de diversas formas. A medida não é nova, mas tem ganhado adeptos, além da especial importância que toma nos tempos de correm. A Universidade Católica Portuguesa, em 1995, isentou de pagamento de propinas estudantes do primeiro ano de Gestão e de Economia que tivessem média de candidatura de, pelo menos, 15 valores. A medida, que mais tarde foi transformada em bolsas para esses alunos de excelência, foi, a pouco e pouco, adoptada por outras faculdades da UCP. A de Direito, por seu lado, desenvolveu esforços para oferecer estágios (alguns remunerados) em diversas sociedades de advocacia para os seus alunos mais aplicados. No ensino privado, ainda mais dependente da receita das propinas, da Universidade Lusófona surge-nos um exemplo de aplicação pavloviana ao ensino. Em 2010, a Lusófona passou a oferecer um ano de estudos aos estudantes que escolhessem tirar um dos seus cursos, tendo como único requisito uma nota de admissão superior a 16 valores. Já no sector público, a vanguarda pertence à Universidade do Porto. A maior instituição de ensino superior portuguesa decidiu, em Março de 2013, oferecer um ano de isenção aos 19 melhores alunos do primeiro ano de cada uma das suas

faculdades. A medida foi especialmente comentada visto que, dias antes do seu anúncio, o Conselho Geral da UP havia reprovado a proposta da reitoria para um aumento de 98 euros no valor das propinas de licenciaturas e mestrados integrados. A UP brinda os seus integrantes com protocolos com diversas entidades, numa linha semelhante à da AAUMa. Ao pertencerem formalmente à UP, os membros da sua comunidade académica beneficiam de descontos em bens e serviços de várias instituições, conforme anunciado periodicamente na página da universidade. A Universidade da Madeira, a sua Acção Social e a AAUMa têm desenvolvido, nos últimos anos, esforços para ajudarem os estudantes madeirenses, além de haverem exemplos de abertura ao público universitário internacional. Mas adivinhando-se tempos difíceis que terão de ser enfrentados pela nova equipa reitoral, a UMa terá de superar as limitações próprias do seu tamanho e insularidade. Referindo João Baptista, Presidente da Direcção da AAUMa, no empossamento do Magnífico Reitor, há que repensar a oferta formativa (como aliás o está a fazer, entre outras, a Universidade de Évora) e desenvolver esforços para que a falta de transporte, a fome forçada e outros problemas advindos das dificuldades financeiras não constituam motores de abandono escolar na UMa.


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Desafios comunicacionais na Universidade Por vezes, sentimos dificuldade em fazer-nos ouvir e em ouvir o outro, tornando a comunicação difícil. É preciso dar os primeiros passos: dar espaço e pedir espaço. Para ouvir e para falar. Comunicar de forma eficaz com colegas, funcionários e professores pode ser uma tarefa difícil mas não é impossível. Em primeiro lugar é fundamental haver respeito mútuo. Dizer o que se pensa é importante, mas é necessário ter alguns cuidados para não usar palavras ou gestos que possam ferir o outro. A empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro, deve estar ‘em funcionamento’ 24 horas por dia. Tratar o outro como gostaríamos de ser tratados é uma máxima a recordar. Nas relações interpessoais nem sempre estamos de acordo: todos temos direito a discordar, mas também sabemos que pode ser difícil aceitarmos críticas! Em vez de tentar apenas apontar erros, é mais produtivo sugerir alternativas ou soluções.


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‘Comunicar’ vem do latim communicare, que significa tornar comum, partilhar. Este é um vocábulo demasiado simples para resumir tudo o que a comunicação pode englobar, principalmente quando se fala em comunicação num contexto tão rico como o universitário. Na Universidade, vemo-nos a braços com desafios comunicacionais diversos: tirar dúvidas com o professor, pedir revisão de um exame, resolver conflitos com um colega, pedir informações a um funcionário, contestar uma situação desagradável…

A comunicação com professores também pode ser um desafio: há algum desconforto por ser alguém a quem tentamos agradar e que tem o ‘poder’ de nos avaliar. No entanto, como já vimos, comunicar significa tornar comum. Ao transmitirmos a nossa posição, devemos tentar encontrar um ponto de ligação com o professor e respeitar os direitos e deveres de cada um. É natural que em contextos como a Universidade surjam conflitos de várias ordens. Por vezes, quando existem muitos intervenientes, a comunicação torna-se mais fragmentada e o conteúdo final pode não ser transmitido como seria esperado. É preferível tentar resolver o problema com a sua figura central em primeiro lugar já que as ‘interferências’ na comunicação podem prejudicar as relações interpessoais. Colegas e funcionários também completam o cenário de personagens intervenientes neste contexto. É importante cultivar um ambien-

te descontraído entre todos, evitando diálogos tensos ou conflituosos. O humor e a boa disposição facilitam a comunicação interpessoal e promovem a ligação entre todos. Desenvolver uma ideia de união e de pertença pode ser uma boa estratégia para cultivar as relações interpessoais na Universidade. A instituição é constituída por todos e por cada um. Comunicar não deve ser um duelo de opiniões. Pode e deve ser um momento de construção e de desenvolvimento mútuo, em que as pessoas põem em comum as suas ideias e perspetivas, contribuindo para a promoção de um ambiente agradável e produtivo. Serviço de Consulta Psicológica da UMa http://scp.uma.pt


18 Sexualidade na Menopausa

Toda a mulher adulta fica expectante ao aproximar-se da menopausa. A falta de conhecimento e os costumes ancestrais desadequados levam muitas mulheres a pensarem que, com esta fase, a sua vida sexual chegou ao fim, sem que consultem ou sigam as instruções do seu ginecologista. Isto é um engano. A menopausa corresponde à interrupção permanente da menstruação, durante uma paragem equivalente a 12 meses, no mínimo, e ocorre em função da perda da atividade folicular dos ovários. Este processo pode ser fisiológico, como resultado do processo biológico, ocorrendo habitualmente entre os 45 e 55 anos, ou de origem desconhecida ou artificial resultante, por exemplo, de cirurgia, de qualquer acção terapêutica medicamentosa ou da acção terapêutica por radiações. O climatério representa a transição da vida reprodutiva para a não reprodutiva. Dentro deste período de tempo ocorre a menopausa. Tomando-se a menopausa como ponto de referência, é possível dividir-se o climatério, didaticamente,

nos períodos de pré-menopausa, de perimenopausa e de pós-menopausa. Por sua vez, o climatério pode ter início por volta dos 40 anos e possui uma duração variável. Na perimenopausa, que antecede a menopausa e marca biologicamente o fim do ciclo reprodutivo feminino, a presença das alterações dos níveis de estrogénios pode em alguns casos acarretar os sintomas típicos da menstruação, a exemplo dos afrontamentos, das alterações de humor e dos distúrbios do sono. Tendo em consideração a influência das alterações sofridas no climatério na sexualidade da mulher, torna-se necessário compreender de que forma a mulher vivencia a sua sexualidade. Por sua vez, a sexualidade remete não só


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à dimensão biológica, mas também a outras dimensões, como acima referido. Esta pode ser influenciada por factores externos e internos. Como exemplos de factores internos surgem a depressão (mais correctamente o humor depressivo) e o envelhecimento dos órgãos sexuais. Uma das queixas mais frequentes da mulher no climatério é o aparecimento do humor depressivo. Alguns sintomas englobam ansiedade, tensão muscular, preocupação, tremores, fadiga, exaustão, irritabilidade, perda de interesse e anedonia, diminuição da autoestima, sensação de solidão e impotência. De forma a diminuir o impacto da menopausa na sexualidade da mulher, o envelhecimento dos

órgãos sexuais pode ser compensado através do tratamento hormonal, a chamada Terapêutica Hormonal de Substituição. O conhecimento das necessidades sexuais e das dificuldades femininas no climatério é fundamental para a promoção da qualidade de vida da mulher no seu processo de envelhecimento. É importante que as mulheres climatéricas, assim como os seus parceiros, sejam informadas sobre as mudanças orgânicas e de comportamento a que estão sujeitas durante o envelhecimento. Tal certamente facilitará a identificação de eventuais dificuldades na esfera sexual e as intervenções terapêuticas mais indicadas. _ JOANA FRANÇA


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Comer peixe! Porquê? O consumo de peixe, magro ou gordo, é sempre uma excelente opção! É um bom fornecedor de proteínas e, comparativamente à carne, é tipicamente mais pobre em gordura e esta é de qualidade muito superior. Relativamente ao teor vitamínico e mineral, realça-se apenas a ligeira menor quantidade de ferro, mas maior de iodo. Para além disso, é de digestão mais fácil e apresenta um valor calórico um pouco mais baixo. Há ainda a realçar que, mesmo os peixes considerados gordos, como a sardinha, o salmão e a cavala, constituem escolhas saudáveis. Fonte de ácidos gordos da série n-3, tem efeitos protetores das doenças cardiovasculares e de cancro, para além de reduzir as inflamações e apresentar um papel importante na prevenção das doenças neurológicas. Há a destacar que o consumo

de peixe está inversamente associado ao cancro coloretal. Enfim... há motivos mais do que suficientes para se preferir o peixe. Deve-se preferir o peixe fresco. Quando tal não é possível, o congelado é uma boa alternativa, desde que bem conservado. Pelo contrário, as conservas de peixe, pelo seu teor em sal não devem ser privilegiadas. Construa assim a sua alimentação saudável... com o peixe como opção! _ Bruno Sousa Nutricionista Texto escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990.


22 INVESTIGAÇÃO ETNOGRÁFICA Etnografia é composta de duas palavras que vêm do grego: ethnos, refere-se a culturas humanas e graphein significa descrição. Assim, podemos dizer que etnografia é um processo de investigação usado no estudo científico das interações humanas em ambientes sociais.


23 Para Michael Genzuck (citado por Fino, 2008): “Etnografia é um método de olhar de muito perto, que se baseia em experiência pessoal e em participação, que envolve três formas de recolher dados: entrevistas, observação e documentos, os quais, por sua vez, produzem três tipos de dados: citações, descrições e excertos de documentos, que resultam num único produto: a descrição narrativa. Esta inclui gráficos, diagramas e artefactos, que ajudam a contar “a história”” (p. 48). A etnografia foi, desde longa data, um procedimento de investigação na Antropologia, mas tornou-se recentemente muito popular na investigação educacional, onde é usada para esclarecer ou iluminar em detalhe as condições e interações dos indivíduos e grupos, do seu funcionamento dentro das escola e na sociedade em geral. A etnografia é essencialmente descritiva e tem o seu campo próprio devido às seguintes razões: a) É singular - foca-se no comportamento social em ambientes naturais; b) Baseia-se em dados qualitativos, geralmente na forma de descrições narrativas feitas por um observador ou participante do grupo estudado; c) A sua perspetiva é holística – as observações e interpretações são feitas dentro do contexto da totalidade das interações humanas;

e) O procedimento da análise de dados envolve contextualização, onde os dados recolhidos são interpretados com referência ao grupo particular, ambiente, ou acontecimento sendo observado. Para recolha de informação privilegia-se a observação participante, a entrevista em profundidade e a análise documental. O tempo de observação é tão longo quanto necessário. No geral, a partir do momento em que se constata que as novas observações que se vão produzindo já não geram informação significativa, aproxima-se o momento de negociar a retirada e comunicar os resultados. Finalmente convém assinalar que a informação pode ser registada em diversas formas. As mais habituais e mais conhecidas são: as notas de campo, os registos anedóticos, os diários de campo e os meios audiovisuais. _ ANTÓNIO BENTO, Centro de Investigação em Educação Texto escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990.

REFERÊNCIAS E SUGESTÕES DE LEITURA Fino, C. (2003). FAQs, etnografia e observação participante. Revista Europeia de Etnografia da Educação, 3, pp. 107 – 117. (Disponível em http://www.unizar.es/etnoedu/revistaSEE/REE3. pdf) ou em http://www.uma.pt/carlosfino/publicacoes/20.pdf).

d) As questões de investigação podem emergir depois de começarem a ser recolhidos os dados, em vez de colocá-las no início da investigação;

Fino, C. (2008). A etnografia enquanto método: Um modo de estudar as culturas (escolares) locais. In C. Escallier e N. Veríssinmo (Org.). Educação e cultura (pp. 43-53). Funchal: Grafimadeira.


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Este parte, aquele parte e todos, todos se v達o!


Desde o início da crise económica em Portugal, no ano 2008, Portugal passou a ser um país que vê novamente os seus cidadãos partirem à procura de uma nova vida, longe da imagem daquela nação que, de braços abertos, recebia imigrantes oriundos maioritariamente dos países da Europa de Leste. Numa Era em que a deslocalização de empresas é frequente, muitos perderam o seu emprego enquanto outros perderam as possibilidades de terem um. As taxas de desemprego crescentes, a roçar números históricos, em muito têm contribuído para a saída dos portugueses, especialmente dos mais jovens. A população jovem, recentemente conhecida também por geração limbo, tem padecido com o fenómeno do desemprego. Mais de um terço dos cidadãos com menos de 25 anos encontra-se desempregado, segundo dados do INE, valor desconcertante quando comparado com a taxa média de desemprego jovem da UE, que ronda apenas os 24%. Segundo a Agência Lusa, só no ano 2011, cerca de 44 000 portugueses decidiram abandonar o país, representando um incremento de 85% comparado com o período anterior. Dados do INE revelam, de igual forma, que 65 000 jovens emigraram entre Junho de 2011 e Junho de 2012. Uma realidade penosa que parece estar na mira dos líderes políticos da União Europeia, tendo em conta que o desemprego jovem foi a temática principal na última cimeira do Conselho Europeu. Este fenómeno social é, indubitavelmente, tema de interesse para os membros da União, principalmente para Portugal. Numa Europa que se

quer tornar economicamente competitiva através da inovação, Portugal vê-se confrontado com um brain drain, também conhecido por fuga de cérebros. Este assunto ganha maior relevância quando se sabe que nos últimos anos os gastos do Estado português com a educação têm atingido 5% do PIB, anualmente. Tendo esta fuga de jovens aumentado exponencialmente, nos últimos tempos, Portugal arrisca-se a perder o retorno do investimento que fez. Mais do que a procura de emprego, os jovens tentam encontrar condições laborais menos precárias e uma melhor remuneração. Esta nova vaga de emigração, frequentemente comparada com a da década de 60 do século passado, tem as suas especificidades. Os jovens que actualmente decidem deixar o país, ao contrário daqueles que o fizeram nas décadas passadas, têm um nível de formação elevado e procuram alguma correspondência entre a sua área de trabalho e o seu potencial emprego. Na actualidade, são os países emergentes, nomeadamente, o Brasil e os PALOP os mais aliciantes para aqueles que se aventuram a procurar emprego fora da terra natal. Contudo, outros destinos têm também a sua influência na tomada de decisão, como os países do centro da Europa e do continente americano. As redes sociais e a facilidade com a qual se pode obter informações, permitem que os jovens mitiguem as suas dúvidas, simplificando a tomada de decisão. Poderá encontrar informações relevantes e ofertas de emprego no exterior em vários sítios na Internet, como por exemplo: http://cdp.portodigital.pt/emprego/oportunidades-de-trabalho-2/oportunidades-de-emprego-fora-de-portugal _ SÉRGIO RODRIGUES


ClubE FUtEbOl União, 1913-2013 A expansão do futebol como actividade democrática e massificada ganhou força no início do século XX, período onde a constituição de diversas sociedades desportivas e a instituição do Domingo como dia de descanso semanal, dia dedicado à família e, para muitos, às actividades desportivas, permitiram fazer surgir um enorme interesse pela actividade desportiva e seu acompanhamento quotidiano. Na Madeira este interesse surge essencialmente a partir de 1910 com a criação de vários clubes e associações desportivas contabilizando, apenas até 1926, o surgimento de 40 clubes e de 17 núcleos desportivos só na Madeira. Tendo como principal objectivo o desenvolvimento físico dos seus sócios, através do futebol, clubes como Club de Foot-ball Funchalense, Grupo Sportivo Continental Madeirense, Grupo

Sportivo Atheneu Commercial, Club Sportivo Mello Correa, Novo Club Liberal, Grupo Sportivo do Grémio, Grupo Sportivo Operário Funchalense e Grupo Sportivo Académico, Nacional Sport Grupo, Club Foot-ball União e Club Sport Marítimo surgem, também, no sentido de promover diferentes actividades desportivas – terrestres e náuticas - excursões de recreio e convívios. O clube desportivo - o Marítimo - e a sociedade desportiva - o Nacional - vêem nascer, em 1913, uma associação de recreio, o União Foot-Ball Club, cujos fins, de acordo com os Estatutos datados de 22/11/1923, “são exercicios desportivos, nauticos e terrestres”. Contudo, a vertente náutica deste clube, fortemente contemplada nos estatutos a que tivemos acesso, quer por fixar o registo das embarcações e material adqui-


rido, quer pelas provas e concursos desportivos, não se materializa ou não são acompanhados e divulgados pelos periódicos consultados. O União Foot-ball Club, cuja nomenclatura deixava clara a intenção maior da sua origem, surge, também, na Rua de Santa Maria, fruto de uma contenda entre membros que integravam a equipa do Grupo União Marítimo, uma equipa de infantis que era “constituído por jovens do Almirante Reis”. Era uma equipa associada ao Marítimo até ter existido uma discussão em torno da compra, sem autorização, de duas “balizas [que] custaram dois escudos e setenta centavos! pertencentes ao entretanto extinto Clube Operário Madeirense”. Dessa discussão resultou a separação da equipa tendo César da Silva levado para a sua casa a primeira sede do União Foot-ball Club, a 1 de Novembro de 1913.

Na década de 40 do século XX, o clube entra em crises sucessivas. A modalidade-rainha, o futebol, já não conseguia fazer ignorar os problemas internos. Em Julho de 1945 o Diário de Notícias anunciava que o delegado da Direcção Geral dos Desportos havia dissolvido a Direcção do União, à excepção do Presidente, após os desacatos entre jogadores e a Direcção na final da Taça da Madeira. A partir de então o União vai entrar numa era de grande actividade desportiva, em muito, devido ao mestre Medina, jogador que fez furor na década de 50 e quem, através do hino, o União imortalizou. Durante alguns anos, o União da Madeira esteve ligado à promoção de conferências e palestras de educação desportiva, à organização de festas e saraus para os atletas das suas principais modalidades (em 1946 seriam futebol, vo-


leibol, basquetebol e natação) e festas artísticas no Teatro Municipal. A autonomia político-administrativa da Madeira faz com que se assista, entre outros a grandes desenvolvimentos e avanços em termos desportivos, à passagem de um desporto elitista para um desporto massificado, o desporto para todos. Mas será na época de 1988/1989 que se vive o momento mais alto da história do União, então liderado por Jaime Ramos e treinado por Rui Mâncio. Após vencer a Zona Sul da II Divisão Nacional ascende à I Divisão disputando a sua primeira época nos mais importantes pal-

cos nacionais na época 1989/1990, juntando-se ao Marítimo e ao Nacional. O clube continua a ser um grande dinamizador de diversas actividades desportivas que englobam muitos jovens, enquanto atletas, e muitas pessoas, enquanto adeptos chegando, hoje, após 100 anos de existência a ser seguido por muitos sócios e adeptos e a ser carinhosamente apelidado União da Bola. _ ANDREIA NASCIMENTO


32 1.

REDESCOBRIR A MADEIRA _ AS PRÁTICAS DESPORTIVAS NO ANTIGO QUARTEL DO COLÉGIO À Instituição Militar coube sempre um ativo papel na promoção das práticas desportivas, imprescindíveis à boa manutenção física dos seus elementos. Nos séculos XVI e XVII, entre outras práticas, sabemos terem ocorrido no Funchal “ jogos de canas”, nome por que eram denominados os antigos torneios ainda de tradição medieval, então com carácter público e que depois passam para o interior dos picadeiros. Pouco sabemos, no entanto, do conteúdo destas práticas desportivas ao longo da história da Região, salvo um ou outro alardo, cerimónia que mandava, periodicamente, reunir os militares milicianos para exercícios e revistas ao armento distribuído. Sobre estes alardos, essencialmente, chegaram até nós inúmeras queixas dos párocos rurais da Madeira, pois que os mes-

mos eram quase sempre determinados para os domingos e feriados religiosos, tal como ainda e para desespero dos mesmos párocos, para os adros das igrejas matrizes, concorrendo e interferindo assim com a vida religiosa das paróquias. Transformado o antigo Colégio dos Jesuítas do Funchal em quartel militar, ali passaram a ocorrer essas práticas, já então sujeitas a regulamentação e a todo um outro cuidado. Nos finais do século XIX, por exemplo, sabemos, através de fotografias, que o antigo Pátio dos Padres, que também fora “ jardim do comandante” do quartel, foi dotado de um pórtico para exercícios físicos. O outro pátio, o chamado “Pátio dos Estudantes”, teria funcionado como picadeiro, pelo menos nos meados do século XX, altura em que a atual Sala de Atos da Reitoria funcionava como ginásio do quartel. A antiga cerca do Colégio, hoje ocupada com o parque de estacionamento, foi dotada com campos desportivos vários, tendo havido, pelo menos, um campo de voleibol e também um de futebol, embora sem o carácter perene do anterior. Dadas as dimensões deste espaço, no mesmo ocorriam igualmente outras cerimónias e, muito


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militar à comunidade civil, numa prática muito comum aos regimes totalitários. Na parte final do Estado Novo e com as guerras coloniais, este tipo de cerimónias ganhou ainda um cariz mais nacionalista e público, como foram as celebrações do 10 de junho, então transferidas para o grande largo fronteiro ao conjunto do antigo colégio e igreja, ampliado a partir de 1942 para largo do Município. _ RUI CARITA Professor catedrático da UMa e historiador

1. Ilustração - Treino militar (1821) 2. Treino de Volei (1950) 3. Treino militar (1821)

especialmente, os autênticos festivais desportivos que integravam as cerimónias de Juramento de Bandeira e outras. As cerimónias de Juramento de Bandeira durante o Estado Novo ganharam um especial brilho, concentrando de certa forma o sentido festivo e comemorativo do regime, abrindo a instituição

NOTA: Escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990


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Que tipo de consumidor sou eu? Sempre presente no nosso dia-a-dia, o consumo desempenha um papel fundamental na sociedade, pelo que é nossa obrigação, enquanto cidadãos-consumidores, adoptar práticas de consumo responsáveis e sustentáveis. Assim, consideramos muito pertinente esta colaboração na Revista da Associação Académica da Universidade da Madeira, instituição que me é particularmente querida. Neste nosso primeiro texto, julgámos que seria apropriado deixar, de modo simples e sob a forma de teste, algumas interrogações que cada um deve fazer a si próprio, esperando que elas possam despertar a consciência do jovem consumidor, sensibilizando-o, com carácter pedagógico, para esta temática do consumo.

Que tipo de consumidor sou eu? Responda às questões, seleccionando a resposta que melhor se adequa ao seu caso. 1- CONTROLO O MEU EXTRACTO BANCÁRIO?

A – Não, eu confio no meu banco. B – De três em três meses. C – Uma vez por mês. D – Duas vezes por ano.

2- CONTROLO OS MEUS GASTOS? A – Não sei em que gasto o dinheiro e fácil mente excedo os rendimentos. B – Não sei em que gasto o dinheiro, mas não excedo os rendimentos.


C – Faço economias antes de comprar um bem caro. D - Faço um registo dos rendimentos e das despesas, de modo a saber quanto dinhei ro tenho disponível. 3- TIVE ECONOMIAS NO ANO PASSADO? A – Não, tive saldo negativo. B – Sim e aproveitei para amortizar o crédito à habitação. C – Sim, mas não foram aplicadas. D – Sim e foram utilizadas em produtos de poupança. 4- QUE IMPORTÂNCIA DOU A ANDAR NA MODA? A – Ando sempre na moda, apesar do dinheiro que custa. B – Ando na moda, tendo em atenção o rendi mento familiar. C – Não sou escravo da moda. D – Só ando na moda em acontecimentos es peciais. 5- COMPARO OS PREÇOS ANTES DE ADQUIRIR UM BEM? A – Não, é uma perda de tempo. B – Sim, mas compro sempre na mesma loja. C – Sim, visito várias lojas antes de tomar uma decisão, adquirindo o de preço mais baixo. D – Sim, visito várias lojas antes de tomar uma decisão tendo em atenção o custo de uti- lização.

D –reclamo sempre apresentando as fa- cturas e fazendo valer os meus direitos. 7- OS CONSUMIDORES ORGANIZADOS PODEM EXIGIR MELHOR QUALIDADE E MELHORES PREÇOS NOS BENS E SERVIÇOS? A – Não creio que os consumidores organi- zados tenham força perante os fornece- dores de bens e serviços. B – É possível em alguns casos. C – Raramente! Os fornecedores de serviços não estão interessados em discutir a qua lidade e preços com as associações de consumidores. D – As associações de consumidores são im- portantes para exercer um controlo sobre a qualidade

RESULTADOS: Se a maioria das suas respostas foi: A – É um consumidor irresponsável! Está na hora de começar a pensar melhor no que compra e no que consome. B – Cuidado! Está na transição entre o consumidor irresponsável e um consumidor responsável. Necessita de reflectir sobre aquilo que realmente precisa. C – É um consumidor atento, mas pode tentar fazer melhor. D – É um consumidor exemplar, pois tem hábitos de consumo responsáveis e sabe quais são os seus deveres e direitos.

_ GRAÇA MONIZ Directora do Serviço de Defesa do Consumidor

6- QUANDO COMPRO UM BEM OU ME É FORNE- CIDO UM SERVIÇO, SE DETECTO UM DEFEITO DENTRO DO PRAZO DE GARANTIA... A –nunca reclamo pois considero inútil e uma perda de tempo. B –analiso as condições da ocorrência e decido de acordo com as minhas convic- ções. C –faço uma reclamação oral junto do ven

dedor ou do prestador do serviço.


36 PALAVRAS E NÚMEROS 34 anos

2.000

40%

Portugal é um dos países europeus onde os professores demoram “34 anos ou mais” para alcançar o salário máximo, segundo um relatório sobre as condições de trabalho dos docentes em 32 países divulgado nesta quarta-feira pela Comissão Europeia. De acordo com a edição de 2013 do relatório, “na maioria dos países europeus, o número médio de anos que um professor deve completar para obter o salário legal máximo oscila entre 15 e 25 anos”. _ Jornal Público de 24 de Abril de 2013.

O programa Erasmus permite aos alunos portugueses fazer um estágio fora do país. A bolsa média ronda os 350 euros mensais e algumas empresas pagam despesas. Fazer Erasmus já não é só estudar no estrangeiro. O número de bolsas para estágios em empresas estrangeiras deste programa de mobilidade europeia de estudantes aumenta todos os anos. No actual ano lectivo estão previstos mais de 2.000 estágios disponíveis. _ Diário Económico de 28 de Abril de 2013.

Vítor Gaspar, que explicou o programa de ajustamento português na Universidade Trinity College Dublin, reconheceu que, em Portugal, “do lado macroeconómico nem tudo está bem”, destacando a quebra da actividade económica e o aumento do desemprego. “O desemprego é o problema mais grave no meu país”, afirmou o ministro das Finanças, salientando o número de desempregados de longa duração, bem como a taxa de desemprego entre os jovens, que é de cerca de 40%. _ Semanário SOL de 11 de Abril de 2013.


DESPORTO AAUMa

Um dos vários objectivos do Departamento de Desporto da Associação Académica é promover a actividade física. Já tivemos outrora uma vertente competitiva intensa e virada para as competições oficiais e federadas. Ténis-de-Mesa, Voleibol e Futebol são apenas algumas modalidades que foram parte integrante de um projecto que conheceu o sucesso na sua plenitude, como são testemunhos os títulos regionais e nacionais alcançados em várias modalidades colectivas. Com constante evolução, transformação e renovação estruturais, os propósitos da AAUMa expandiram-se de tal forma que foi necessário absorver todo um universo de novas oportunidades e projectos. O desporto universitário conhece agora uma nova realidade, longe dos tempos áureos das participações condignas nas provas regionais e nos Campeonatos Nacionais Universitários. O nome da AAUMa percorreu o país de Norte a Sul valorizando também a Universidade da Madeira e própria região em cada competição, em cada jogo, em cada ponto. Choraram-se lágrimas de tristeza mas também de alegria. Conseguiram-se títulos grandiosos e históricos.

Conseguiu-se respeito e admiração. A nossa história desportiva fala por si: 7 títulos colectivos e 42 títulos individuais, 45 medalhas de prata e 25 medalhas de bronze! Um passado glorioso que nos enche de orgulho e satisfação. Um passado que não pode nem deve ser esquecido. Para todos aqueles que representaram a sua Académica, tenham ganho ou não, tenham saltado, corrido ou nadado, a todos vós, um muito, um grande, um enorme… obrigado.


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Futsal O Torneio Académico de Futsal conheceu o seu epílogo ao fim de 6 longos meses de intensa e saudável competição. A Quinta de São Roque foi o palco deste inédito quadro competitivo que levou inúmeros aficionados a assistirem aos 170 jogos realizados este ano. A luta de titãs entre os Amigos do Juvenal e os Bicampeões CD Foguetes de Cana foi acesa até ao fim. Apenas na penúltima jornada, no confronto directo, os Amigos superiorizaram-se. Num espectáculo fantástico presenciado por dezenas de espectadores, as expectativas não foram goradas e o jogo foi disputado até aos limites. Mas a luta tem sido renhida para diferentes posições da classificação e o interesse da prova não acaba na luta pelo título. + Acção Social acaba por ser a grande surpresa do torneio ao alcançar o último lugar do pódio gorando as expectativas dos UMa Poison. UMarítimo alcançou um meritório 5.º lugar vencendo a luta directa com os AC Milho e o Inter Marché. Na fuga pelo último lugar, o azarado Bayer Levanafussen foi o mais forte nesta luta a três enquanto a TUMa surpreendeu

muita gente ao deixar o Borussia d’Outromundo com um lugar de destaque mas o menos apetecido: o último.

Futebol de 7 O V Torneio de Futebol de 7 está previsto para os dias 29 e 30 de Junho e 1 de Julho mas já mexe com muitos estudantes que pretendem encerrar as actividades desportivas da AAUMa da melhor maneira. Como habitualmente, o Cristiano Ronaldo Campus Futebol irá acolher o derradeiro evento desportivo organizado pelo Departamento de Desporto. Prevêem-se dois fins-de-semana intensos numa modalidade que já ganhou o seu espaço no calendário desportivo da Associação Académica. _ ARLINDO SILVA Director Técnico da AAUMa


DE MOCHILA ÀS COSTAS BERLIM

Berlim, capital e maior cidade da Alemanha, é uma das cidades com maior peso histórico na Europa. Atravessada pelo Rio Spree, esta é uma cidade que não desilude os seus visitantes, tendo na sua parte cultural e passado os seus maiores trunfos. A visita à cidade pode ser resumida a três dias, com tempo suficiente para visitar os seus maiores pontos de interesse. Através de uma visita gratuita com um guia inglês, começando no enorme e esplendoroso Portão de Brandemburgo, símbolo da própria cidade, e término de uma das principais avenidas da mesma, Unter den linden, é possível aprender e absorver a cultura alemã em poucas horas. Passando pelo Memorial aos Judeus e pelo tão conhecido Checkpoint Charlie, é possível perceber que os efeitos da 2.ª Grande Guerra Mundial ainda estão bem presentes nesta cidade. A visita termina na Ilha dos Museus. Esta, uma pequena ilha no Rio Spree, dispõe de sete museus sendo que os mais conhecidos são o Altes, com colecções da antiguidade clássica, e o Pergamon, com a parte arquitectónica dessa antiguidade clássica das civilizações gregas, romanas e peças vindas do Médio Oriente. Perto do Pergamon, encontra-se a Catedral de Berlim, no alemão Berliner Dom. Trata-se de uma belíssima catedral onde podemos subir e observar calmamente a atarefada cidade de Berlim. À noite, a Berliner Fernsehturm, a Torre de Televisão de Berlim, ilumina-se nos seus 368 metros dando cor e vida à cinzenta cidade. A não perder também é o monstruoso Parlamento Alemão, o Palácio do Reichstag. _ RÚBEN CASTRO


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Para que serves, Museu?

1.

O International Council of Museums (2007) reitera que um museu é uma instituição, sem fins lucrativos, que deve estar ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, conservando, investigando, difundindo e expondo. Importa dizer que os museus têm a sua origem no hábito dos homens em coleccionarem e atribuírem valor aos mais variados objectos. Os museus eram, na Antiguidade, em Alexandria, os locais de estudo das artes e das ciências. A partir do século XVII, foram sendo criados muitos outros, alguns a partir de doações de colecções particulares.

Arantes (1991) afirma que, desde há algum tempo, estão a surgir novos museus, dotados de espaços amplos, jardins, cafés, livrarias, salas de espectáculos, entre outros espaços, que transformam estes espaços em autênticas casas de cultura. Estes locais são responsáveis pela nova interacção dos visitantes com as obras de arte, “obedecendo a um imperativo de animação cultural” (p. 169). Segundo Souto (2006), os museus focaram a sua atenção nos tipos de público, de forma a obterem “conhecimento sistemático sobre os visitantes de museus com o propósito de empregar o dito conhecimento na planificação e pôr em marcha acti-


2.

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3.

1. Centro das Artes - Casa das Mudas, Calheta 2. Museu de Arte Contemporânea - Funchal 3. Casa Colombo - Porto Santo 4. Museu Guggennheim - Nova York 5. Louvre - Paris 6. Tate Modern - Londres 7. Louvre - Paris

vidades relacionadas com os públicos” (s.d.). Este tipo de estudo permite analisar as expectativas e as preferências dos visitantes, assim como a eficiência na gestão de recursos e o impacto destas instituições junto da comunidade. No entanto, esta tendência é fraca, pelo menos em território galego-português. Chagas (1993) reconhece que Portugal é rico, museologicamente falando, mas deve incutir ainda, nas suas gerações, a real importância e a utilidade dos museus. Dados do Instituto Nacional de Estatística, actualizados em 2012, dão conta da existência de

quase centenas de museus em Portugal. Mais de 5 mil pessoas estão ao seu serviço e 13 495 187 visitam-nos anualmente. Lima e Gaspar (s.d.), num estudo sobre a notoriedade dos museus portugueses, tentaram avaliar a correlação entre a notoriedade destas instituições e a utilização de ferramentas de marketing, com destaque para a comunicação. Analisaram cinco grandes museus portugueses, entrevistando 266 pessoas. Pelo menos em Lisboa, com tendência para alastrar-se por todo o País, visitar museus não constitui a actividade de tempos livres mais re-


4.

5.

6.

alizada pelos portugueses, sendo que estes são, maioritariamente, procurados para obter conhecimento, poucas vezes durante o ano. Os museus públicos, dependentes de tutela estatal, não apresentam recursos económicos suficientes para inovarem no marketing cultural. Por exemplo, no que concerne à publicidade, os inquiridos afirmam que a que fazem os museus privados motiva a visita, enquanto a dos museus públicos não surte o mesmo efeito. A maioria dos museus, sendo entidades de serviço público, subsiste de receitas próprias e/ou externas. No entanto, defende-se que devem mudar a sua linha de financiamento, marcada por alguns problemas, fruto da conjuntura actual. Atesta-se, portanto, que deve alterar-se “o paradigma museológico novecentista, passivo e acomodado, e passar à ação através de uma gestão aberta à interdisciplinaridade, com recurso a maior eficácia de merchandising, dinamização de lojas e restauração, aliciamento de voluntariado,

oferta complementar de actividades culturais, estabelecimento de parcerias e angariação de patrocínios e mecenas”, defende Gabriela Canavilhas, ex-ministra da Cultura (s.d., citada por Lima e Gaspar, s.d.). Mas, afinal, para que serves, Museu? “O papel do museu na actual sociedade encontra-se em acesa discussão, reconhecendo-se de forma crescente que o conceito tradicional de exposição e de museu está em crise e declarando-se a necessidade do museu se tornar mais dinâmico e competitivo” (p.9, Martos e Santos, 2004, citados por Gonçalvez, s.d.). Muitos autores, como Chagas (1993), defendem que os museus são locais de excelência para brincar, estudar e aprender. Diz-se que visitar um museu, explorar, comunicar acerca das suas exposições e interiorizar a informação, pode ser uma alternativa para aprender conceitos científicos, intimamente ligados à educação formal. Além disso, estimula o interesse e a curiosida-


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de dos jovens acerca de várias matérias. Os museus já não podem ser os típicos locais recatados. Cada vez mais, obriga-se a uma alteração do seu funcionamento. A autora afirma, considerando estes aspectos, que deveria haver uma maior colaboração entre as escolas e os museus. Aliás, insiste nesta ideia, até como uma solução para uma maior divulgação, reconhecimento e adesão destes centros culturais. As escolas, as universidades e mesmo as entidades municipais deveriam unir-se no objetivo comum de expandir não só o campo de aprendizagem, mas também, a cultura de cada local. Na Madeira, por exemplo, alguns museus, como a Casa Colombo, Casa Museu Frederico de Freitas, o Museu de Arte Contemporânea, o Museu Quinta das Cruzes, o Museu Etnográfico da Madeira ou o Centro Cívico e Cultural de Santa Clara — Universo de Memórias de João Carlos Abreu têm serviços educativos ao dispor da população.

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Desenvolvem actividades lúdico-pedagógicas, estimulando as competências criativas, críticas e expressivas dos utentes. Também o Colégio dos Jesuítas, recentemente revitalizado, irá desenvolver um projecto educativo. Por outro lado, os museus podem e devem tornar-se atracções turísticas. Uma vez que, como sustenta Gonçalves (2007), a cultura e o património cultural estão a ser reinventados, também os museus devem saber adaptar-se a estas mudanças. Os visitantes do mundo moderno, precisam de viver o museu, senti-lo como parte integrante da cidade e da cultura que visitam. Silberberg (1995, citado por Gonçalves, 2007) propõe que se reflicta sobre o que o museu pode fazer por uma cidade, sugerindo parcerias com todas as entidades ligadas ao turismo. Museus temos muitos! Pior rico é aquele que não reconhece a sua riqueza (museológica). _ VERA DUARTE


46 IPSIS VERBIS 200€

-9,5%

3 anos

O valor médio da bolsa atribuída aos estudantes do Ensino Superior subiu 200 euros entre 2010/11 e o presente ano lectivo, de acordo com números do Ministro Nuno Crato, revelados ontem no Parlamento. Os dados mais recentes da DGES indicam que, desde Junho, já deram entrada nos serviços 87.896 pedidos de bolsa de estudo. Analisados foram 80.446 e aprovadas foram 53.024 bolsas. Quer isto dizer que 66% dos processos receberam uma resposta positiva e 34% uma resposta negativa. Mantém-se por isso o rácio noticiado há cerca de um mês: um em cada três pedidos de bolsa é chumbado pelos serviços. _ In Canal Superior de 22 de Fevereiro de 2013.

Os trabalhadores com formação superior tiveram, nos últimos três anos, uma redução salarial de 9,5%. Valor que representa 1,6 vezes a média nacional entre os trabalhadores por conta de outrem e 2,1 vezes o que ganha quem ficou pelo ensino básico. Nos últimos três anos, o salário médio nacional teve uma redução de 1,5% em termos nominais e, ao mesmo tempo, a inflação acumulada entre 2010 e 2012 foi de 8%. Já o rendimento mensal médio em Portugal cresceu 7%, passando dos 790 euros em 2009 para os 846 euros no ano passado. _ In Expresso de 23 de Fevereiro de 2013.

O Secretário de Estado do Ensino Superior admite a possibilidade destes novos cursos avançarem já no próximo ano lectivo. João Queiró anunciou que o Governo vai criar cursos superiores nos Institutos Politécnicos com duração inferior a 3 anos. O Secretário de Estado do Ensino Superior assegura que estes cursos vão ter maior ligação às empresas e admite que podem arrancar já no próximo ano lectivo. Este anúncio foi feito durante a cerimónia de apresentação de um estudo encomendado pelo Governo à Agência Europeia de Universidades (EUA). _ In Diário Económico de 19 de Fevereiro de 2013.


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ELIANI JARDIM Enfermagem Inglaterra, pois posso não encontrar trabalho cá.

ANDREA GONÇALVES Economia Não penso em emigrar, pois vou explorar as minhas oportunidades em Portugal primeiro.

PEDRO ORNELAS Eng. Civil. Não, porque quero tentar a minha sorte no nosso país.

GONÇALO MARTINS Bioquímica Não sei, depende das oportunidades que me surgirem após a conclusão do curso.

“PRETENDES EMIGRAR? PARA ONDE E PORQUÊ?”

Ingla con me pes

SARA BERENGUER Psicologia Ainda não decidi o país, depende das oportunidades de emprego que me forem oferecidas.

RICARDO GONÇALVES Eng. Electrónica e Telecomunicações Não sei, depende de onde concluir o meu mestrado, mas já pensei em ir para fora.

PEDRO MARTINS Medicina  Depende das oportunidades, mas talvez o Reino Unido, devido à língua e à mistura de culturas.


49 JOANA DIAS Licenciada em Economia EUA, pois tenho lá familiares e tenho encontrado dificuldades em arranjar emprego cá na Madeira.

NICOLA MARQUES Enfermagem aterra, porque tem mais ndições de trabalho. É elhor remunerado e as ssoas do meu cargo são mais respeitadas.

JOÃO GONÇALVES MES. ENG. CIVIL Europa do Norte ou Austrália. Há necessidade de mão de obra do país receptor, no caso da Europa. E devido ao clima e a ter lá familiares, no caso da Austrália.

JORGE GOUVEIA Física Tecnológica  Canadá, pois tenho lá familiares.

JOSÉ TIAGO GOUVEIA Eng. Informática EUA ou Japão, por serem duas potências mundiais ao nível de tecnologia e pelos salários elevados que oferecem.

NAIR SILVA Enfermagem Não, pois quero tentar em Portugal. Se não conseguir, então tentarei outras oportunidades de emprego, ainda que fora da minha área.

_ JORGE ALVES


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Tão perto e tão distante A 31 de Maio comemorou-se o Dia Mundial do Vizinho. Efeméride cuja comemoração começou em Paris, em 1999, partiu da iniciativa de um grupo de amigos, a associação Amigos de Paris, com o objectivo mobilizar as pessoas no combate contra o isolamento. Portugal estreou-se na participação no evento em 2005, juntando-se assim aos restantes 15 Países da União Europeia já aderentes. Embora tenha começado por ser uma iniciativa europeia, rapidamente ultrapassou fronteiras e foi promovida a iniciativa de cariz mundial. Hoje, em Portugal, milhares de pessoas celebram este dia com a organização e participação em festas que se realizam de Norte a Sul do País. A chamada Festa dos Vizinhos visa promover o convívio e a sociabilização entre vizinhos de um mesmo bairro, prédio, quarteirão. O gestor nacional do projecto, João Carvalhosa, explica que por detrás destas iniciativas está a constatação de que “as festas são o principal ponto de partida para os vizinhos confraternizarem, criarem laços de amizade. Porque o vizinho é mais do que uma pessoa que vive ao nosso lado, pode ser uma ajuda, uma companhia, um amigo.”

Longe vão os tempos em que se conheciam os vizinhos pelo nome, em que os convidávamos a entrar nas nossas casas, lhes dávamos a conhecer as nossas famílias, lhes pedíamos auxílio em tempos de aperto. As sociedades modernas estão hoje marcadas por forte individualismo, isolamento, solidão. Por razões diversas que podem ir desde o recente mundo globalizado, à passagem de aldeias vizinhas para blocos de cimento citadinos, a verdade é que os laços de solidariedade e de afecto entre vizinhos estão hoje fragilizados. Vivemos próximos uns dos outros, mas mostramos muitas vezes o desdém do nosso silêncio, a nossa indiferença. Mas se é verdade de que precisamos uns dos outros, sobretudo face a situações adversas de saúde, de condições de vida ou de pouco suporte familiar, não é fácil pensar em abordagens a alguém cujo único ponto em comum connosco é o lugar onde vivemos. É por isso de louvar iniciativas como estas, que promovem a partilha, que reforçam laços de solidariedade, amizade, afecto e promovem a coesão social. Como sabemos existem vizinhos de todo o género: aqueles que fazem imenso barulho e que


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incomodam; aqueles que saem de casa logo de manhã para fazerem a sua vida e que nem conhecemos; aquele vizinho que é muito amigo, que é um confidente e uma companhia diária e a quem recorremos sempre que quando necessitamos de algo. Todos os vizinhos, no entanto, têm que ser tratados com respeito. Estabeleça uma ligação com eles. Mais tarde ou mais cedo, poderá necessitar de algum dos seus vizinhos, ou terá de lhe prestar ajuda. Tem que existir uma boa relação entre vizinhos evitando

situações de incómodo no espaço que todos escolheram para habitarem. Dirija-se a eles e fales-lhe com simpatia, nem que seja sobre o tempo. Vai ver que, se algum dia alguma das suas atitudes o incomodar, será mais fácil resolver a situação. Já diziam os antigos, “Quem tem bom vizinho, dorme sossegado”. _ RUI MARTINS


53 “O CORPO DE POLÍCIA FLORESTAL… 100 ANOS A PROTEGER A MADEIRA” A primeira alusão à constituição de um corpo de polícia florestal específico da Madeira surge em 1913, em consequência do movimento reformador proveniente da instauração da República em 5 de outubro de 1910, através do Decreto de 8 de março de 1913 que criava o “Regulamento do serviço de polícia rural e florestal no arquipélago da Madeira” por conta do Fundo da Junta Agrícola da Madeira. Esse corpo de guardas de polícia rural e florestal, exercia a vigilância da floresta juntamente com os então chamados guardas campestres nomeados e remunerados pelas Câmaras Municipais. No entanto, as referências à sua existência são anteriores a 1913, não se conseguindo precisar a data da sua criação. Por este facto, não restam dúvidas relativamente à importância de 8 de março de 1913 como marco fundamental da institucionalização de um serviço de polícia florestal na Madeira e cujo regulamento, autónomo do que aplicado no restante território do país, visa responder às especificidades da Região, mormente fruto da sua orografia e coberto vegetal. Em 1952, é criada a Circunscrição Florestal do Funchal, ficando a seu cargo a gestão florestal do arquipélago, assim como o serviço de polícia florestal, existindo uma grande transferência de funcionários do território continental para a Madeira. Em 1982, a importância que os serviços florestais assumiram na história da Madeira e a sua especificidade em relação ao continente, fruto da orografia da Região, justificaram uma revalorização da carreira de guarda florestal, efeti-

vada com a publicação do Decreto Regulamentar Regional n.º 8/82M, de 29 de abril e da Portaria n.º 25/82, de 18 de fevereiro, que definem as regras para a admissão e promoção na respetiva carreira de guarda florestal. No decorrer dos 100 anos de existência desta polícia, é claramente assumida a importância do Corpo de Polícia Florestal na concretização das atribuições da atual Direção Regional de Florestas e Conservação da Natureza (que herdou o legado dos Serviços Florestais) integrado, no presente contexto, na Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais. As suas competências no domínio florestal são, actualmente, um serviço de polícia auxiliar da Direção Regional de Florestas e Conservação da Natureza, na direta dependência do diretor regional. Hoje é necessário ter presente que a origem do Corpo de Polícia Florestal perde-se na história da Madeira e das suas gentes, numa particular dialética entre a conquista de trilhos e socalcos por entre montanhas e vales, e a permanente consciência do respeito pela preservação da natureza e do ambiente. São 100 anos a Proteger a Madeira. _ DIREÇÃO REGIONAL DE FLORESTAS E CONSERVAÇÃO DA NATUREZA

NOTA: Escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990


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Programa Experiência Jovem

Face à crise que Portugal enfrenta, o desemprego está a aumentar de forma abrupta, especialmente na Madeira. Os jovens estão entre os grupos mais atingidos e, para os ajudar, foi criado o Programa Experiência Jovem, programa de apoio ao emprego nessas faixas etárias. No ano transacto, a Região Autónoma da Madeira liderou a tabela nacional com uma taxa de 19,7%, estimando-se que a população desempregada na RAM rondasse as 25,3 mil pessoas. A faixa etária mais atingida da população activa foi a mais jovem, entre os 15 os 24 anos, com uma taxa claramente acima das dos restantes grupos etários. No passado dia 5 de Março de 2013, foi publicada no Jornal Oficial da Região Autónoma da Madeira a Portaria n.º 16/2013 que criava o Programa Experiência Jovem (PEJ). Esta medida surgiu no campo de acção política de emprego do Governo Regional como forma de combater o desemprego jovem, ajudando esta faixa etária a encontrar o seu nicho no mercado de trabalho regional. Com objectivo primordial de conceder a jovens desempregados uma experiência profissional em contexto real de trabalho, este programa permite a cada jovem ganhar experiência profissional, um dos principais factores responsáveis pelo défice de empregabilidade entre jovens profissionais. Do ponto de vista do empregador, o programa possibilita que entidades singulares ou colectivas de direito privado possam proporcionar uma experiência profissional, com vista a um eventual recrutamento para os seus quadros, após 6 meses de prestação de serviços ao abrigo do

Programa. As actividades exercidas neste contexto, contudo, não são prorrogáveis, isto é, o seu período de decorrência ou a sua repetição não são possíveis. Ao abrigo do Artigo 3.º da Portaria n.º 16/2013, podem concorrer ao PEJ, jovens desempregados com menos de 30 anos, que estejam inscritos no Instituto de Emprego da Madeira (IEM) há pelo menos 3 meses e que: · Tenham habilitações literárias até ao 12.º ano de escolaridade e qualificação de nível inferior a 4 do Quadro Nacional das Qualificações; · Não se encontrem a receber prestações sociais; · Não tenham participado em programas de emprego há menos de 1 ano; · Não tenham tido actividade profissional por período superior a 12 meses. As candidaturas são apresentadas ao IEM, mediante o preenchimento de um formulário próprio. Este, que pode ser obtido electronicamente através da página web do IEM, ou presencialmente nos respectivos serviços, deve ser entregue devidamente preenchido e acompanhado de todos os documentos necessários. Este ano, as fases de candidatura decorrerão entre 15 e 30 de Julho e entre 15 e 30 de Novembro.


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Uma vez submetida a candidatura, esta será analisada e divulgada às entidades candidatas a empregadoras. Após a apreciação dos candidatos por essas entidades privadas, os indivíduos seleccionados passarão a prestar serviço nas suas instalações, num horário de 30 horas semanais e 6 horas diárias. Ao abrigo da Portaria, os jovens escolhidos têm direito a um ordenado mensal da ordem dos

419,22 euros, correspondente ao Indexante dos Apoios Sociais (IAS), além de subsídios de refeição e de transporte e do seguro de trabalho, à semelhança dos outros funcionários da empresa. Se preenches os requisitos necessários, aproveita esta grande oportunidade e concorre. _ RUI SANTOS


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Vem aprender e brincar na Universidade. Uma experiência única! Em Julho de 2012 a AAUMa promoveu, pela primeira vez, um Atelier de Férias, o Doutorecos, direccionado para crianças. Este acabaria por funcionar como uma espécie de universidade infantil, com quinze dias de actividades diversas em que monitores e instrutores, colaboradores da AAUMa, receberam e orientaram cerca de 44 crianças. O Atelier de Férias Doutorecos é vocacionado para crianças entre os 6 e os 12 anos de idade e engloba actividades multifacetadas que estimulam o interesse pela aprendizagem em várias áreas do conhecimento, de uma forma lúdica. Haverão módulos temáticos, nos quais as crianças são convidadas a aprenderem, a criarem e a divertirem-se em espaços dedicados às áreas científica, desportiva, lúdica, artística, musical e de apoio escolar, sempre acompanhadas e apoiadas por um conjunto de monitores. Este ano, a experiência repete-se passando de um atelier quinzenal para mensal. Seguindo o

exemplo bem-sucedido da primeira edição, cada semana terá actividades únicas e distintas das restantes, permitindo aos encarregados de educação seleccionarem o período desejado para os seus educandos, na certeza de que estarão divertidos e motivados. As actividades variam consoante a turma e, claro, a semana. Estão definidos, logo de início, actividades e jogos de dinâmica de grupo para que as crianças possam criar alguns laços com o grupo que as acompanhará durante o período em que estiverem no Doutorecos e com respectivos monitores. Entre as 8h30 e as 18h00, de segunda a sexta-feira, as crianças terão acesso a espaços de informática, a ateliers de teatro, dança, artes plásticas, pintura e de reciclagem, a sessões de cinema, a actividades desportivas ao ar livre e a laboratórios de electrónica, de animais e plantas e de química, aos quais se junta, nesta segunda edição, uma visita de estudo semanal. Fazendo uso dos espaços da


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Universidade da Madeira, as refeições serão realizadas nas instalações dos Serviços de Acção Social, tal como os meninos mais crescidos o fazem ao longo do ano lectivo. Para quem participou, esta experiência foi única e enriquecedora. As actividades obrigam a grande organização, dedicação e planeamento, mas o resultado final suplanta todo esse trabalho que, além de gratificante, é realizado de forma voluntária e com a ajuda de muitas pessoas, incluindo de professores e demais funcionários da UMa.

O Atelier de Férias Doutorecos 2013 já teve início. Muitas crianças já estão inscritas, os valores implicados não são elevados e as actividades programadas são interessantes. Posto isto, resta informar que caso necessite mais informações ou queira testemunhar um pouco do registo do Doutorecos 2012 o faça em www.doutorecos.aauma.pt . _ Andreia Nascimento


58 PAUTA FINAL Certo de que os eleitores do Funchal não conhecem o seu legado, um dos candidatos à autarquia local terá como mandatário, segundo a imprensa, um antigo reitor da Universidade da Madeira. O novo mandatário e uma das deputadas desse mesmo partido foram protagonistas da maior crise institucional da UMa. Prova que, na política, todos resolvem os seus conflitos pelo chamado bem maior.

EXCELENTE

A criação do curso de Pós-Graduação em medicação familiar quase foi concretizada, mesmo com o chumbo no Conselho Pedagógico. Polémico e sem consenso interno o curso não avançou mesmo com forte pressão para que a reitoria, pouco antes do termo do seu mantado, concretizasse os desejos do Centro de Competências em Tecnologias da Saúde.

EXCELENTE

A “prepotência”, o “protagonismo político” e “outras motivações” foram trechos de uma mensagem de correio electrónico, com críticas à actual gestão do Madeira Interactive Technologies Institute (M-ITI), que foi enviada aos alunos do Mestrado em Engenharia Informática. Depois do orgulhoso concorrente da lista A, os meios electrónicos continuam a ferver na UMa.

REGULAR

Um docente da área da botânica, especializado em jogos de ténis, criticava a presença de certos indivíduos no bar “dos docentes”. Recordamos que ele referia, numa das suas aulas, que os alunos nunca deviam participar nas eleições do reitor. Citava, como o exemplo, o facto do gerente de supermercado que não era escolhido pelos clientes. Ele esqueceu-se que, no mesmo supermercado, os operadores de caixa também não votam na eleição do seu gerente. É tudo uma questão de perspectiva.

PÉSSIMO


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