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REVISTA ACADร‰MICA DA MADEIRA

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Conversa da Greta?


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EDITORIAL

ALEX FARIA Vice-Presidente da Direcção da Académica da Madeira

Um voluntário é um indivíduo que, de livre vontade, compromete-se a realizar acções de voluntariado consoante a sua disponibilidade em prol de uma organização. A Académica da Madeira, possui cerca de 100 voluntários espalhados em diferentes ramos: na editora, no turismo, no desporto, no atendimento ao cliente, na contabilidade, nas redes sociais, entre outros, mas sempre para a mesma finalidade: trabalhar para a Comunidade Académica. A área em que o voluntário nos presta serviços não é escolhida ao acaso. Temos sempre em consideração as suas aptidões e as suas preferências para ser benéfico tanto para nós bem como para o voluntário. O trabalho voluntário permite adquirir novas competências pessoais e profissionais que, actualmente, são tão exigidas no mercado de trabalho. Além de ser ótimo para o currículo, faz-nos enfrentar novos desafios, novas experiências e dá-nos a oportunidade de aprender com os outros. No passado mês de Dezembro celebrámos o 28.º aniversário de existência da Académica da Madeira. Não tenho dúvidas de que esta associação cresceu imenso, e que, ano após ano, foi possível ajudar um maior número de estudantes. Além dos actuais alunos da Universidade da Madeira, ajudamos os antigos e os futuros estudantes através de iniciativas como esta revista, o programa Mudámos a UMa, as Bolsas de Alimentação e Escolar, o LER, os Doutorecos ou os Saraus de Fados. Por isso, não posso deixar de agradecer a todos os antigos e actuais voluntários pelo seu contributo prestado ao longo destes anos. Obrigado!

FICHA TÉCNICA EDIÇÃO: #88 · PROPRIEDADE: Académica da Madeira · EDITORA: Imprensa Académica · EDITOR: Luís Ferro · COORDENADOR: Andreia Nascimento · REVISÃO: Carlos Diogo Pereira · REVISÃO DE TEXTOS EM INGLÊS: Hrafnkatla Arnarsdóttir · DESIGN GRÁFICO: Pedro Pessoa · ILUSTRAÇÃO DA CAPA: Teresa Vieira · CARTOON: Teresa Vieira · TEXTO DA CONTRACAPA: Cristina Pinheiro · AUTORES DOS TEXTOS: Estudantes, antigos estudantes e professores da Universidade da Madeira; voluntários europeus dos programas da Académica e entidades externas · ISSN: 2184-5646 O CONTEÚDO DESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SER REPRODUZIDO NO TODO, OU EM PARTE, SEM AUTORIZAÇÃO ESCRITA DA EDITORA AS OPINIÕES EXPRESSAS NA REVISTA SÃO AS DOS AUTORES E NÃO NECESSARIAMENTE AS DA ACADÉMICA DA MADEIRA. A REVISTA ET AL. É ESCRITA COM A ANTIGA ORTOGRAFIA, SALVO OS ARTIGOS ASSINALADOS.


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Bolsas de estudo – quais as principais (des)vantagens? GUILHERME VIEIRA Aluno da UMa

É do conhecimento geral, as vantagens das bolsas de estudo para os estudantes, tanto as atribuídas no Ensino Superior, como no ensino secundário ou equivalente. Os estudantes locais e estrangeiros podem ser beneficiados, ao abrigo de programas que complementem incentivos de ordem financeira, profissional, educativa – como são exemplos disso: o Programa+Superior – redefinido no ano letivo 2019-2020, constituindo um aumento efetivo do número de bolsas; bem como relativamente ao programa Erasmus+, cuja premissa fundamental destaca-se na mobilidade da vida académica entre estudantes e professores universitários a nível global. Desta forma, o intercâmbio com o exterior e a experiência internacional têm como objetivos: fornecer ao estudante competências socias, de interação e partilha em comunidade, o que permite potencializar uma maior rede de contactos e, consequentemente abrir espaços ao futuro no mercado de trabalho. No entanto, a questão-problema que se coloca corrobora em parte com a aposta na educação e formação, mas também com o incentivo às gerações mais jovens e aos grupos vulneráveis. Aliás, a avaliação por parte dos países que integram um dos programas internacionais – neste caso, o Erasmus+, vem precisamente apontar essa necessidade conjunta. Por isso, interessa à sociedade civil e ao Estado, em parceria com as instituições de ensino, perceber as melhores soluções aos programas, nos quais se viabilize uma maior ação no ensino e na formação – com a implementação de cursos livres, em que se associe instrumentos de

avaliação capazes de responder às premissas fundamentais no ensino do curso de cada estudante e, desse modo, perspetivando o futuro no mercado de trabalho e, integramente algumas atividades complementares; bem como que se assegure as reais necessidades das faixas etárias menores e respetivos grupos vulneráveis acima mencionados. Nesse sentido, requer-se uma maior dinâmica nos protocolos regulados pelas instituições, a fim de que os processos de candidaturas aos programas, nos casos específicos de cada estudante, e respetivas bolsas atribuídas, se encaminhem e decorram celeremente. Em primeiro plano, o Ensino Superior Público deveria ser gratuito para todos os estudantes. Sendo assim, como já veio a público ser defendido por alguns partidos em Portugal, a redução progressiva do valor das propinas até o valor zero, representa uma proposta que deve ser ponderada e executada nestes próximos anos. Que vantagens servirá nas bolsas de estudo para os estudantes? Claramente, um maior aproveitamento do montante da bolsa, seja para despesas universitárias ou outros gastos mais pessoais. Ao nível da autoridade tributária, o processo de candidatura para a bolsa da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) não assumiria critérios tão meticulosos acerca de dados concretos do agregado familiar, o que se refletiria numa menor morosidade da análise das candidaturas. De modo a equilibrar a balança de rendimentos das diferentes famílias, poder-se-ia aplicar taxas anuais em cada situação de estudante, dependendo dos agregados familiares comportarem rendimentos mais elevados ou mais baixos. Neste caso, as Finanças poderiam atuar na ajuda a este sistema, fornecendo automaticamente os dados acerca dos rendimentos dos


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estudantes para os sistemas informáticos das universidades – visto que, como se tem conhecimento, as Finanças são uma das entidades cuja informação é dependente no processo de candidaturas para as universidades. No entanto, esta é apenas uma proposta de colmatar eventuais injustiças financeiras na atribuição de bolsas aos estudantes. Certamente que, na prática, requerer-se-ia uma proposta reformulada para que o sistema funcionasse na sua globalidade entre as entidades competentes no processo: Serviços de Ação Social da Universidade, Serviços Académicos correspondentes, Finanças e Segurança Social. E que eventuais desvantagens poderiam advir, tendo em conta esta medida? Falta de maior financiamento às universidades com o fim das propinas e quebra significativa no funcionamento da ação social nas universidades. Contudo, a investigação especializada em cada curso por parte dos estudantes poderia ser solucionada para o financiamento nas instituições de ensino e entre as mesmas, comparticipando esse trabalho em equipa com o Estado. A revisão da tabela dos diversos escalões da Se-

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gurança Social sugestiona-se também ela fundamental. Em segundo lugar, revela-se um exercício preponderante olhar para os dados estatísticos disponibilizados pela DGES, principalmente nestes dois últimos anos letivos, acerca das bolsas de estudos no Ensino Superior Público. Porquê? No sentido de compreender melhor a realidade nacional que influencia a vida dos estudantes que pretendem ingressar no Ensino Superior Público, mas também daqueles que continuam nas universidades. No ano letivo 2018-2019, foram submetidos 84 715 requerimentos, dos quais 64 897 deferidos e 19 459 indeferidos. Foram arquivados 151 processos de candidaturas às bolsas. No que diz respeito ao ano letivo vigente, 2019-2020, o número de requerimentos no Ensino Superior Público sofreu um decréscimo para 82 876. Apresentaram-se deferidas 55 611 candidaturas e indeferidas 15 649, com 124 processos arquivados. Para além dos processos que são indeferidos por não responderem aos requisitos para atribuição das bolsas de estudo, ainda são arquivados muitos processos que não obtiveram


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resposta da instituição de ensino e encontram-se pendentes nos Gabinetes de Apoio ao Estudante das Universidades. Como se não bastasse, o número de requerimentos ao Ensino Superior Público diminuiu em relação há um ano letivo. De que forma então pretendemos apoiar os estudantes locais e estrangeiros que escolhem o Ensino Superior Público? Invariavelmente, recorrendo a soluções que combatam o abandono escolar e incentivando à entrada no universo académico, com programas cada vez mais reorganizados de bolsas de estudo – não esquecendo os estudantes com mérito e bons resultados nas suas universidades, beneficiando-os com bolsas de investigação e levando-os também a outras instituições de ensino internacionais, de modo a adquirirem experiência no estrangeiro e contactarem com novas pessoas das suas áreas. Isto porque as universidades fazem-se desta mobilização

e ação para o exterior, bem como reconhecimento internacional dos seus recursos humanos e capacidades de gerar emprego e melhores condições aos seus estudantes. Para isso, é necessário foco e discernimento no momento de atuar em prol de uma melhor universidade. Existem, portanto, alguns pontos-chave a ter em conta numa bolsa de estudo que seja beneficiadora para estudantes locais e estrangeiros: um subsídio de alimentação, de alojamento na residência, despesas comuns do dia-a-dia nas universidades – como fotocópias, material requerido para as aulas, alimentação no horário académico, entre outros gastos. Resta saber: até que ponto as bolsas de estudo atribuídas, atualmente, são capazes de responder a todas as despesas que o estudante comporta todos os dias. Outra questão essencial na deslocação do estudante para a universidade, prende-se com o


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facto dos passes nos transportes públicos. Os estudantes que são abrangidos pelo passe sub-23 não são favorecidos pelo desconto de bolseiros (60%), no decorrer do processo de candidaturas à bolsa de estudo, considerados como não-bolseiros (25%). Quanto aos atrasos causados pelos processos de análise às bolsas, os estudantes não são recompensados com nenhum valor, por cobrarem mais de passe naquele período de tempo de espera pelo deferimento da bolsa. Considera-se, então, que tal deva ser reavaliado pelos serviços competentes, a fim de salvaguardar os direitos dos estudantes universitários. Nesta matéria, tanto os estudantes locais quanto os estudantes estrangeiros, poderiam estar abrangidos pelo desconto máximo nos casos de morosidade na análise das candidaturas. Em suma, a aposta em programas internacio-

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nais, de cariz educacional e formativo, como são os casos dos programas Erasmus+ e Programa+Superior, constituem a base para o desenvolvimento de bolsas de estudo cada vez mais dignas e justas. A bolsa da DGES, a questão das propinas em face com a gratuidade do Ensino Público, bem como o passe sub-23, inserido no programa do Governo, formam todas elas o arquétipo de avaliação do atual estado das bolsas de estudo em Portugal. Sendo assim, as bolsas de estudo não devem só beneficiar o mérito de alguns, ou fornecer uma quantia teórica a cada estudante com base em estudos financeiros; mas sim, constituírem uma função de benefício de justiça social e que, em parte, não descure os grupos mais jovens, nem se preveja um empecilho aos estudantes mais vulneráveis.


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A importância do escrutínio de todas as gerações EMANUEL CAMACHO Aluno da UMa

O nosso país tem tudo para ser apetecível. Somos dos países mais seguros da europa, temos uma gastronomia singular e um clima de fazer inveja a muitos outros por essa Europa fora. Contudo, estas características são cada vez mais manchadas pela falta de idoneidade e de transparência da nossa classe política. Torna-se evidente, a cada ato eleitoral, um desinteresse e um afastamento dos eleitores acerca das decisões do nosso país, com maior enfâse dos nossos jovens. Resultado? Uma enorme taxa de abstenção tendo chegado aos 51% nas últimas legislativas. Estes dados espelham a decadência em que está mergulhado o nosso sistema político, num país onde se privilegia a “chico espertice”. As promessas das campanhas eleitorais não passam disso mesmo, promessas, a honestidade é aniquilada pela ambição desmedida, a transparência vira opacidade, que semeia o vírus da descrença e indiferença em todos nós que, diariamente somos blindados com noticiários, sempre sobre o mesmo

tema, a corrupção. Depois de José Sócrates e Ricardo Salgado, surge Isabel dos Santos, entre tantos e tantos outros. Perante este status-quo, é perfeitamente plausível que nós jovens, não queiramos pactuar com este compadrio e aldrabices. Todavia, a solução não pode ser ignorar, desligar e fingir que nada se passa. Cabe-nos a nós questionar, cabe-nos a nós colocar em causa tudo isto. Não é concebível que um chamado “hacker”, como Rui Pinto esteja em prisão preventiva tudo porque conseguiu reunir um conjunto de documentação que coloca em causa o nosso sistema. A nossa justiça tem de funcionar, porém não é isso que acontece. Temos uma justiça forte com os fracos e fraca com os poderosos que continuam a minar, a corromper e a esvaziar os cofres do nosso país. Mas isso depende de nós e da nossa articipação activa na sociedade. Queremos mudar? Temos que votar, temos que lutar. Portugal precisa de jovens ativos, irreverentes, atentos, preocupados e vigilantes. A mudança, essa, acontece em cada um de nós. Fiquem atentos e não se deixem manipular!


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Os 450 Anos da Fundação do Colégio dos Jesuítas do Funchal (20 de agosto de 1569) REDESCOBRIR A MADEIRA Fundado há 450 anos pelo rei D. Sebastião, o colégio, a igreja e o seu edifício fazem parte integrante do quotidiano madeirense e são o retrato vivo de 4 séculos e meio de anos da História da Região. Assinalando o aniversário, a esposição foi inserida no programa do Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja, sendo uma parceria do Museu de Arte Sacra do Funchal e da Associação Académica da Universidade da Madeira, envolvendo entidades regionais, religiosas, militares e particulares ligadas ao património. RUI CARITA Professor da UMa

Tendo passado pelo edifício diversas instituições, mas onde o ensino e a edução tiveram sempre um especial papel, a exposição repartiu-se por diversos núcleos, com especial enfoque na História e na vida Companhia de Jesus, no sentido da sua universalidade no ensino, edução, espiritualidade e artes plásticas. Extinta a Companhia, no edifício ainda veio a funcionar uma Aula Militar e, depois, o Seminário Diocesano. A situação veio a mudar radicalmente com as ocupações militares inglesas dos inícios do século XIX, quando o edifício foi utilizado como aquartelamento militar daquelas forças, utilização que se manteve depois ao longo de mais de 150 anos por forças nacionais. No então Quartel do Colégio passaram a ser formadas e mobilizadas as forças de defesa do império ultramarino português, primeiro para o Estado Português da Índia e, depois, para os quadros de guerra de Angola, Guiné e Moçambique, calculando-se que 20.000 jovens militares madeirenses tenham sido mobilizados até 1974.

Com a passagem do Batalhão para São Martinho, o edifício foi ocupado pela Escola Preparatória João Gonçalves Zarco, tal como depois, das escolas e institutos da Universidade da Madeira e, em 1988, a Reitoria. Com a passagem dos então departamentos da universidade para a Penteada, em 1991, passou o edifício a sede da Reitoria e os pisos térreo e superior da ala virada à Praça do Município, para a instalação da delegação da Universidade Católica. Com as obras de reabilitação do antigo Pátio dos Estudantes e abertura à antiga Rua do Estudo, hoje Rua dos Ferreiros, o antigo Colégio, de certa forma, passou a funcionar como uma “sala de receção” para as visitas de Estado à Região. Em novembro de 2011, também a Associação Académica da Universidade da Madeira começou o projeto Gaudeamus - Loja Académica – que num curto espaço de tempo se ampliou a uma série de projetos culturais, genericamente denominada por Madeiran Heritage, a partir deste espaço, com uma série de visitas guiadas na parte baixa do Funchal, History Tellers, em várias línguas, lançando mão dos inúmeros estudantes Erasmus da Universidade.


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AMBIENTE. É o tema do momento. O alerta é geral. Ninguém fica indiferente. Mas isso não basta, é urgente agir, contribuir, mudar hábitos e dar o exemplo. O Planeta já não suporta tanta pressão, está a entrar num caminho sem retorno, a entrar em rutura. Cada um de nós sente o apelo, queremos ajudar, reduzir a nossa pegada ecológica, construir uma sociedade melhor. Por vezes ficamos confusos, sem saber o que fazer, pois há tanto

para mudar e a sociedade em que vivemos nem sempre ajuda. Então comecemos por nós próprios, mudemos pequenos hábitos, sejamos um exemplo para quem nos rodeia. Vamos agir. O Programa Eco-Escolas que está a ser desenvolvido na Universidade da Madeira, numa parceria com a Associação Académica, tem sido um aliado no que à educação ambiental diz respeito. Não basta saber o que temos que fazer. É importante sabermos como, mas mais importante ainda é fazê-lo. Na UMa, e por ora, o nosso comportamento pode ser um pequeno passo no longo caminho a percorrer. Senão vejamos:

Usa um lenço de pano

Beatas no chão?! Claro que não!

Faz-nos lembrar os tempos dos nossos bisavós mas a utilização do lenço de pano, tal como muitos outros hábitos que outrora eram perpetuados, são muito mais ecológicos e fazem a diferença. Nas casas de banho da Universidade da Madeira o método disponível para limpar as mãos são as toalhitas de papel. Apesar de serem em papel reciclado, há dias em que constituem mais de um terço de todo o lixo produzido no edifício principal da UMa. Seguindo as instruções existentes no dispensador é possível enxugar as mãos com apenas uma toalhita. Mas podes fazer ainda mais, podes abdicar do seu uso, completamente. Como?! Usa um dos nossos lenços de pano. Oferecemos-to, não há desculpas.

As beatas de cigarro são um dos tipos de lixo mais comuns nos oceanos… mas não só, também na Universidade da Madeira, nos espaços frequentados por fumadores. Se ainda não conseguiste deixar de fumar, faz-te acompanhar por um dos nossos cinzeiros individuais, é oferecido e não é maior que um isqueiro, não há desculpas.

HÉLDER SPÍNOLA Coordenador do Programa Eco-Escola do Politécnico da UMa


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Já não há desculpas!

Um bom café é num copo reutilizável

Bebe água da nossa fonte A Associação Académica instalou, no corredor do piso zero, junto à sala de estudo, uma fonte de água fresca e filtrada proveniente da rede pública. Evita que compres garrafas de água (de plástico) e, caso prefiras, podes sempre utilizar este recurso para beberes o teu chá ou café soluvel. A fonte tem igualmente a opção de água quente. Se usares a tua garrafa ou caneca estás a consumir a quantidade de água que o teu organismo precisa e não poluis o ambiente (e sem custos financeiros para ti). Envia-nos uma mensagem (hspinola@uma.pt) e oferecemos-te uma. Já não há desculpas.

Muitos de nós têm o hábito diário de tomar café o que, quando em copos descartáveis, produz muito lixo. Na Universidade da Madeira temos máquinas de venda automática que já substituíram os copos de plástico por papel, mas que não são recicláveis (estão sujos e possuem uma película impermeabilizante, pelo que devem ser colocados no lixo geral), podendo representar, em alguns dias, perto de 20% do lixo no edifício principal. Para incentivar o uso de copos ou chávenas reutilizáveis, o café na máquina fica mais barato se escolher a opção ‘sem copo’. Além disso há uma pequena pia junto à fonte de água, no piso zero, para lavar o copo … e, adivinha, quem tem copos de vidro para oferecer aos interessados… claro, nós, basta enviar uma mensagem. Além disso há uma pequena pia junto à fonte de água, no piso zero, para lavar o copo. Como vês, não há desculpas.


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NUTRIÇÃO

Alimentação mediterrânica – tradição, saúde e sustentabilidade BRUNO SOUSA Nutricionista

São muitos os padrões alimentares tradicionais que são transmitidos ao longo de gerações e que refletem inúmeros aspectos culturais. Contudo, há que destacar o PADRÃO ALIMENTAR MEDITERRÂNICO, que face aos seus grandes benefícios na saúde, nomeadamente na proteção cardiovascular e na prevenção de vários tipos de cancro, é considerado um dos padrões alimentares mais saudáveis. Para além disso, com este tipo de alimentação, conseguimos obter um equilíbrio entre as necessidades nutricionais e as capacidades do meio ambiente, devido à biodiversidade, sazonalidade, acessibilidade local, associada à elevada presença de produtos vegetais em detrimento de produtos de origem animal. Assim, há que privilegiar certas práticas alimentares:

Consumir alimentos de origem vegetal, que sejam produzidos localmente, frescos e da época; Consumir frequentemente hortofrutícolas, pão de cereais pouco refinados, leguminosas e frutos oleaginosos; Utilizar o azeite como principal fonte de gordura; Consumir frequentemente peixe; Evitar o consumo de carnes vermelhas; Evitar o consumo de carnes vermelhas; Consumir lacticínios de forma moderada; Cozinhar de forma simples, recorrendo às sopas, aos cozidos e às caldeiradas; Utilizar as ervas aromáticas para temperar em detrimento do sal; Privilegiar a “convivialidade à volta da mesa”.


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Deus não é uma mulher lésbica

VERA DUARTE Alumnus

Deus é amor. Imagino-O como ser de luz, sem género definido, sem nada que nos afaste Dele. Imagino-O como porto de abrigo, como espaço de fé e esperança, recanto de paz. Deus é amor. Deus não tem género para que não nos separemos Dele pelas suas diferenças. Deus é um todo para todos. É, por isso, que não concordo: Deus não é uma mulher lésbica! Aquela foi uma das frases de um cartaz da última Madeira Pride. É certo, todos sabemos, que era uma frase provocatória, um desafio à reflexão, um empurrão à mudança. Percebo. Que direito teria eu de me dar ao luxo de não perceber? Quem sou eu, senão mais um ser n’“o pequeno caminho das grandes perguntas”

(como diz o título de um dos livros de Tolentino de Mendonça)? Eu não sou ninguém mas percebo e penso e reflito. Não sou ninguém mas entendo que quem quer viver o amor pleno precisa de espaço, de liberdade, de respeito. O amor pleno não tem nada definido. Entre quem? Como? O amor pleno não é só entre um homem e uma mulher e essa é a primeira ideia a mudar. O amor pleno “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (Coríntios 13:7). O amor é como Deus. É para todos. Essa deve ser a resposta ao preconceito que nos dilacera, separa, maltrata, distancia. A resposta ao preconceito que nos minoriza, que nos torna vazios. O que restará, se só ficar um vazio? Que humanidade será esta, se não for capaz de perceber a felicidade do outro? Quem somos se o amor nos inco-


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Quebrar o preconceito, colocar-se no lugar do outro, fazer entender o amor é responsabilidade de todos nós. Independentemente da nossa orientação sexual, da forma como nos vestimos, da maneira como nos expressamos ou de quem nos põe borboletas na barriga e faz trincar os lábios.

moda? Quem somos, se a igualdade nos amortece? Este caminho de pequenas perguntas (à espera de grandes respostas) é o trilho que percorrem todos aqueles que fazem parte da comunidade LGBTI+ e que, nos dias de hoje, ainda sentem na pele, a discriminação e a violência, o preconceito e o retrocesso. Entendo que queiram sensibilizar pelo choque, fazer mudar pelo desafio, conquistar pelo orgulho demonstrado em mil e uma cores. Mas nem sempre o choque será compreendido da mesma forma, talvez o orgulho possa ser mostrado de outra maneira, talvez as cores possam ser mais partilhadas. O que interessa é a missão. Quebrar o preconceito não é uma responsabilidade só da comunidade LGBTI+. Quebrar o preconceito, colocar-se no lugar do outro, fazer entender o amor é responsabilidade de todos nós.

Independentemente da nossa orientação sexual, da forma como nos vestimos, da maneira como nos expressamos ou de quem nos põe borboletas na barriga e faz trincar os lábios. A promoção da solidariedade entre todos deve ultrapassar fronteiras – sejam elas políticas, geográficas, sociais ou etárias. A educação para o amor não depende do orgulho gay ou do orgulho hétero, nem de paradas ou momentos pontuais. Não é uma missão deles ou dos outros. A missão é nossa! É comum. É desígnio indiscutível para a evolução da sociedade. É o que fará os nossos filhos se orgulharem de nós. Hoje pode ser o dia certo para percebermos que todos devemos sentir orgulho naquilo que somos. Porque eu escolho quem me aquece a alma e quem toca no meu corpo. E todos, juntos, escolhemos respeitar esta opção.


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Académica da Madeira promove acções diversas para a diminuição da pegada ecológica e a implementação de boas práticas A Académica da Madeira desenhou, com início em 2015, um extenso programa de acções para uma cultura cívica na ótica da sensibilização ambiental como ferramenta essencial para se atingir uma mudança de comportamentos em relação à protecção do meio ambiente. ANDREIA MICAELA NASCIMENTO Alumnus

Reduzir … A primeira grande acção, com grande impacto ambiental e económico, foi o trabalho desenvolvido com vista à aplicação, na Universidade da Madeira, do artigo 163.º da Lei do Orçamento do Estado, lei n.º 42/2016 de 28 de Dezembro que estabelecia

que, para a admissão de provas, seria suficiente o formato digital das dissertações, dos trabalhos de projectos, dos relatórios e das teses. Em Março de 2017, e na sequência das dúvidas sobre a aplicação dessa disposição nas instituições de ensino superior, a Académica da Madeira reuniu com a Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Solicitou, também, aos órgãos da Universidade da Madeira que adequassem as suas exigências à luz da legislação em vigor, realidade que permitiria reduzir, em cerca de centenas de


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euros e milhares de folhas de papel, a conclusão de uma Licenciatura, Mestrado ou Doutoramento. A resposta da UMa foi positiva e, através do despacho n.º 30/R/2017, de 25 de Maio, foi decretado que para a admissão de provas era suficiente o formato digital das dissertações reduzindo também, para entrega da versão definitiva, o número de exemplares em papel. Ainda na lógica de reduzir como o primeiro e o mais importante passo para a educação e sensibilização ambiental, e no sentido de reduzir a utilização do plástico descartável, as máquinas de venda de café do Campus Universitário passaram a disponibilizar copos de papel e paletinas de madeira possibilitando a eliminação de milhares de recipientes de plástico. Saliente-se, ainda, a colocação de sinaléticas a incentivar a redução no uso dos toalhetes de limpeza das mãos nas casas-de-banho do Campus Universitário e da utilização do elevador, em favor do acesso aos diferentes pisos do Campus pela escadaria.

Reutilizar … O segundo passo foi o incentivo à reutilização dos resíduos que são produzidos através da utilização de copos recicláveis na Recepção ao Caloiro e no Corte das Fitas, colocação de uma pia de lava-

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gem de copos e de garrafas reutilizáveis no Campus Universitário e a diminuição do custo do café a quem utilizar o seu copo ou caneca reutilizável. Isto, claro, no que aos espaços e serviços prestados pela Académica da Madeira diz respeito.

… Reciclar O Reciclar+ é uma acção que integra a política de educação ambiental da Académica da Madeira e que surge a partir de uma colaboração com a Universidade da Madeira. É executado através do trabalho conjunto dos voluntários da Académica da Madeira e dos estudantes do Curso de Especialização Tecnológica em Guias da Natureza, coordenada pelo docente de Educação Ambiental, Hélder Spínola. Numa primeira fase foram adquiridos e colocados cerca de 150 contentores específicos para a separação de resíduos (ecopontos) e cinzeiros fixos. A análise aos resíduos lá colocados permitiu concluir que, apesar de existir a intenção de reciclar os resíduos, tal não aconteceu correctamente. A colocação dos ecopontos com apenas a cor e ao nome do contentor (embalão - amarelo, papelão - azul e resíduos normais – preto) não foi suficiente para que a maioria dos resíduos fossem reaproveitados como matéria-prima e transformados num novo produto. Assinalou-se desta forma


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uma necessidade acrescida: assinalar, dentro do quotidiano académico, o que podia ou não ser colocado em cada um dos contentores. Essa sinalização permitiu melhorar terminantemente a qualidade da reciclagem, contudo, tal não se verificou na quantidade. Ainda há, neste âmbito, “um longo trabalho de aprendizagem e de mudança de comportamentos a incentivar” considera Carlos Abreu, Presidente da Direcção.

Educar para o conhecimento mas essencialmente para o comportamento! Transversalmente a tudo aquilo que foi implementado e o que ainda se encontra em fase de planificação, a Académica da Madeira tem promovido, há mais de um ano, acções mensais de reflorestação e de controlo de espécies invasoras

no Parque Ecológico do Funchal. “Mais do que um grupo com 100 ou 200 pessoas num só dia é do nosso entender termos 40-50 pessoas mensalmente por forma a ter maior sucesso e impacto quer no meio quer no indivíduo. Mais do que querer fazer muito é querer fazer bem. Isto porque se um voluntário tiver a oportunidade de plantar árvores ou eliminar plantas invasoras mais do que uma vez, os resultados serão previsivelmente melhores. A aprendizagem é contínua e o facto de termos voluntários que participam vários meses é positivo”, referiu Marcos Nascimento, responsável pelo programa que, desde Março de 2018, reúne voluntários no Parque Ecológico do Funchal. A implementação de um serviço de cópias autónomo (You Print) onde o próprio estudante, na posse da conta de utilizador pode, ele mesmo, usufruir dos serviços a qualquer hora do dia, da noite e em qualquer local, permite que os utilizadores do serviço acompanhem, em tempo real,


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o impacto ambiental dos seus pedidos de impressão e fotocópias. Ao utilizar este sistema, além de sensibilizar o utilizador para a impressão de documentos apenas em caso extremo de necessidade face ao impacto ambiental da mesma, somos capazes de minimizá-lo ao devolver à natureza as árvores correspondentes às utilizadas na produção. É a opinião de Carlos Abreu que ainda há um longo caminho a percorrer, contudo, salienta que “as deslocações mensais ao Parque Ecológico têm permitido não só a sensibilização de jovens adultos, portugueses e estrangeiros, para a importância na participação de acções que ajudam a diminuir o impacto ambiental, como também proporcionar a transmissão de valores como o companheirismo e espírito de equipa. Estamos a falar não apenas de plantação no terreno, mas também de controlo de espécies invasoras e até mesmo de recolha de lixo e marcação de percursos pedestres. Há quem não esteja habituado e fique com bolhas de água

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nas mãos”, disse em tom de brincadeira. “Já foram plantadas mais de 20 000 árvores”, rematou. Curiosidade: Desde Agosto de 2017 o impacto ambiental do You Print foi:


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Uma oportunidade para a democracia.

JOÃO PEDRO VIDEIRA Ex-Presidente da Federação Académica do Porto

No dia 6 de outubro, toda a comunidade portuguesa foi chamada às urnas, com o intuito de eleger os seus representantes na Casa da Democracia, para os próximos 4 anos. Com 21 partidos/coligações a concorrem aos cerca de 230 lugares disponíveis na Assembleia da República, e todos, aparentemente, preocupados com o aumento de participação no ato democrático, fiquei a aguardar com grande expectativa o efeito das diversas campanhas nos resultados eleitorais. Foi sem grande surpresa que assistimos a 10 partidos/coligações conseguirem eleger deputados. Alguns deles, pela primeira vez, outros a terem der-

rotas históricas. Contudo, a maior derrota foi para a democracia, uma vez que o “partido da abstenção” voltou a ganhar as eleições, e com maioria absoluta. Apurados os resultados, importa refletir sobre os mesmos, e trabalhar para os melhorar. Não no sentido do partido “A” ou “B”, mas sim na perspectiva da democracia. Aquilo que se verifica é um sistemático e constante afastamento dos cidadãos para com os veículos de participação formal que hoje existem. Chegam, inclusive, a atribuir grande responsabilidade à minha geração, no que diz respeito a este problema, ao dizerem que os jovens não querem saber, e que não participam. Perdoem-me a ousadia, mas se há coisa com a qual não posso concordar, é precisamente com esta narrativa derrotista perante a minha geração. A minha geração quer saber, a minha geração quer participar, a minha geração quer fazer parte. Mas, em abono da verdade, isto não é um problema das novas ou das velhas gerações. É um problema intergeracional que afeta toda a sociedade portuguesa. Importa, por isso, desvendar os motivos que levam a este afastamento, sendo, na minha opinião, a ausência de soluções para os problemas das pessoas, o principal problema. As pessoas não querem contribuir para algo do qual não sentem que fazem parte e que não lhes traz vantagem. A política se não serve para resolver os problemas da sociedade e melhorar a vida das pessoas, então não serve para coisa alguma. Continuamos com 20% de desemprego jovem, continuamos com falta de camas para estudantes do Ensino Superior, continuamos com graves problemas no acesso à saúde, e muitos outros problemas. Temos agora quatro longos anos pela frente, com partidos ditos fora do sistema a conquistarem assento parlamentar, com um Governo mais livre, podendo fazer acordos pontuais para aprovar as suas posições políticas. Temos, verdadeiramente, uma oportunidade para melhorar a nossa democracia.


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Coca-Cola e o Disco Vermelho são marcas registadas de The Coca-Cola Company.

É HORA DE NOS JUNTARMOS PARA COMER

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MEMORANDUM

Os fragmenta e os testimonia permitem-nos perceber que Herófilo merece um lugar especial na História da Medicina, pelo conhecimento que desenvolveu em várias áreas, da Anatomia à Obstetrícia. JOAQUIM PINHEIRO Professor da UMa

Herófilo de Calcedónia (c. 330-250 a. C.) deu um contributo muito valioso para a matéria médica, em especial na área da ginecologia. Porém, tal como sucedeu, infelizmente, à maioria do conhecimento científico do período helenístico, a sua obra perdeu-se quase por completo, restando alguns fragmenta e cerca de 250 testimonia, reunidos na impressionante obra de Heinrich von Staden, Herophilus: The art of medicine in early Alexandria (1989). Discípulo de Praxágoras de Cós (IV a. C.), que terá sido o primeiro a distinguir as veias das artérias e um dos responsáveis pela transmissão do Corpus Hippocraticum, e também discípulo de Crisipo de Cnidos (IV a. C.), Herófilo desenvolveu a sua actividade médica, sobretudo, em Alexandria, aproveitando um contexto social e cultural favorável, proporcionado por Ptolomeu Soter e Ptolomeu Filadelfo. Certamente influenciado pelas lições de Praxágoras, consolidou uma visão tripartida da medicina: conhecimento relacionado


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com a saúde; conhecimento relacionado com a doença; e um conhecimento neutro, que inclui a farmacologia, a cirurgia e a dietética. Das onze obras que a tradição atribui a Herófilo, seis são consideradas autênticas, a saber: Anatomia, Sobre as pulsações, Obstetrícia, Terapêuticas, Dietética, Contra as opiniões comuns. Por aquilo que se conhece, a transmissão da obra de Herófilo foi garantida, numa primeira fase, por dois factores: como Ptolomeu Evergetes II decidiu expulsar, entre outros, médicos, isso teve, desde logo, uma consequência positiva que foi a difusão da obra de Herófilo, sem se circunscrever a Alexandria; foi, porém, a fundação da Escola dos Herofilianos, no século I a. C., que contribuiu de forma decisiva para que a obra de Herófilo tenha sido transmitida e sobrevivido ao incêndio do Museu de Alexandria, em 48 a. C. Acrescente-se, ainda, o papel que especialmente Galeno teve na sua transmissão, garantindo que até ao século VI a obra de Herófilo pudesse ter sido lida e estudada. Além das descobertas relacionadas com o sistema nervoso e o cérebro, talvez o contributo mais significativo de Herófilo para a História da Medicina tenha sido ao nível da anatomia. De alguma forma, rompeu com o método habitual de se descrever a anatomia humana a partir da animal (cf. Aristóteles, História dos Animais 502b). Aproveitando um contexto cultural distinto daquele que se viveria em Atenas ou em outras cidades, Herófilo teve em Alexandria condições ao seu dispor para proceder à dissecção e, segundo algumas fontes, também à vivissecção, aprofundando, desse modo, o conhecimento sobre a anatomia, o que leva alguns a considerá-lo o ‘pai da anatomia’. Em vários textos, atribui-se a Herófilo a descoberta dos dídymoi (‘ovários’) e a identificação dos ‘ductos espermáticos’, embora seja um tema polémico, uma vez que alguns consideram que já Díocles de Caristo o havia feito. Na verdade, estes ganhariam o nome do anatomista italiano, Gabriele Fallopio (‘trompas de Falópio’). Apesar das várias dúvidas geradas pela transmissão textual, Herófilo e a doxografia herofiliana desempenharam um papel relevante na tradição médica, ainda que o nosso conhecimento e também o dos humanistas, estejam marcados, de forma indelével, pela leitura (decisiva) de Galeno, médico grego e cidadão do Império.


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Erasmus+, um programa ímpar no panorama europeu, muito apetecível a todos os estudantes da Universidade da Madeira, mas , em muito, subaproveitado. As condições seria favoráveis a todos os intervenientes caso existisse zelo profissional e respeito pelos estudantes no que diz respeito aos valores e período de concessão das bolsas e, inclusive, na (ausência/atraso) resposta. O número de estudantes a pretender estudar noutro país da Europa, durante um ou dois semestres, tem vindo a crescer nos últimos anos. No entanto, este número poderia ser bem superior na UMa, caso o tempo de resposta fosse menor (por vezes a resposta nem chega). Aliado aos constrangimentos que a insularidade nos impõem juntam-se os constrangimentos que a Instituição - que melhor que ninguém deveria sabê-lo pois sente-o na pele em muitos outros aspectos - nos coloca e temos a combinação (im)perfeita: vamos estudar fora, sem saber quanto recebemos, se recebemos bolsa completa ou não, se chegarão as Bolsas Santander como prometido e muitos outros problemas. A cada aluno é-lhe atribuída uma bolsa de acordo com o projecto que é inserido (supostamente de forma aleatória). No total, existiram 9 projectos de atribuição de bolsas aos estudantes de Erasmus+ para o segundo semestre, dos quais 2 desses projectos têm uma duração de contrato mais reduzida do que a duração do semestre no país em que alguns estudantes serão acolhidos. Ou seja, a atribuição da bolsa de estudo para esses estudantes acaba a 31 de Maio enquanto o segundo semestre, em algumas universidades, só terminará no dia 10 de Julho. Além do desconhecimento de quais os critérios utilizados para a atribuição do valor em bolsa alguns estudantes terão que assumir um custo extra pois terão um custo de deslocação mais elevado que não é coberto pelo valor da bolsa atribuído para essa finalidade. Perante esta situação, alguns alunos pediram explicações no dia da assinatura dos contratos.

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Erasmus: (Des) acompanhamento Constante

Ficou-se a saber que esta penalização é resultado de uma vistoria a alguns contratos Erasmus+ do ano lectivo anterior onde as datas da maioria dos contratos realizados não coincidiam com as datas de chegada e de regresso dos estudantes. Para os acalmar foram ainda informados, já quando de malas aviadas, que haveria a possibilidade de atribuição de uma bolsa Santander para esses 2 contratos mas até à data esses alunos não obtiveram mais nenhuma informação acerca deste assunto. Não querendo denegrir ou menosprezar o trabalho de quem trata destas questões vários alunos tentaram, nos locais próprios, resolver os seus problemas sem qualquer resposta ou contacto retribuído. Resta-nos esperar e ver se a UMa ajuda os seus estudantes sem que daqui surjam reclamações, telefonemas ou emails a reclamar com os estudantes que lutam para ter os seus direitos garantidos. Temos uma instituição que se quer tornar europeia e internacional mas que não consegue orientar 9 projectos europeus! O TEXTO FOI ESCRITO POR UM ESTUDANTE EM MOBILIDADE ESTE ANO LECTIVO NA UMA. RESPEITAMOS O SEU PEDIDO DE ANONIMATO


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A V O N

MEGABOX Double Krunch Cheese

POR

IMAGENS ILUSTRATIVAS / PROMOÇÃO LIMITADA

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EM PORTUGUÊS ESCORREITO HELENA REBELO Professora da UMa

A MAL-AMADA GRAMÁTICA Para qualquer cidadão, a Gramática é vital, mas praticamente ninguém a ensina porque quase ninguém gosta dela. Porquê?

Há muitos anos que pergunto aos estudantes que vêm do Ensino Secundário se gostam de Gramática. Ninguém gosta! Nas centenas com quem tenho trabalhado, apenas tive um estudante que respondeu que apreciava, e muito. Quando procuro compreender as causas deste desamor, encontro-as, sobretudo, na “valorização da ignorância”. Para quê saber o que é um pronome, um artigo ou uma preposição? Não tem qualquer utilidade! Isso não é bem assim. Classificar elementos linguísticos sem qualquer outra preocupação, como se tem feito no ensino, não tem interesse nenhum. Agora, perceber por que motivo se classificam permite entender quando se podem usar e este pormenor faz toda a diferença. Por exemplo, “a” é um elemento ou mais do que um? Será igual ou diferente nas seguintes frases: “Hoje, compro a (1) casa dos meus sonhos. Não a (2) posso decorar nestes dias porque continuarei a (3) viver no apartamento, enquanto a (4) obra não terminar.”? Nas quatro ocorrências, apenas a primeira e a quarta são iguais: artigos. Porém, a maioria dos estudantes vê artigos em todas. Por ser um pronome, (2) está em posição proclítica (antes do verbo) devido ao advérbio “Não”. Como preposição, (3) liga os verbos “continuarei” e “viver” numa unidade perifrástica ou locucional. Na análise generativista em sintagmas (constituintes frásicos), bizarramente, as preposições são núcleos sintagmáticos. Logo, alguém perguntava se os artigos poderiam ser núcleos de sintagmas. Não, não podem. Os artigos determinam nomes (substantivos). A


2% 49%

25%

30% 45%

24%

25%

0%

priasaba 2% piasaba 25% piassába 24% piaçá 49%

pechisbeque 45% pinchebeque 0% pixisbeque 25% pichisbeque 30%

preposição não admite plural, enquanto (1), (2) e (4) aceitam essa alteração. Porquê estas diferenças? A explicação estará na História da Língua. A origem desses elementos é diversa: “a”, enquanto artigo ou pronome, provém de “illa(m) – ille, illa,

illud” e a preposição tem origem na latina “ad”. Saber Etimologia ajuda a compreender a Gramática, para falar e escrever adequadamente. Será o mesmo com “piaçá” e “pechisbeque”? Por que razão se escrevem assim?

1. ……………… é um género de vassoura para a limpeza da sanita.

2. Isso brilha como um ……………………… e vê-se, logo, que não é ouro.

Preencher o espaço com a forma certa: priasaba/ piasaba/ piassába/ piaçá.

Preencher o espaço com a forma certa: pechisbeque / pinchebeque/ pixisbeque/ pichisbeque.

Solução: “Piaçá” é um género de vassoura para a limpeza da sanita.

Solução: Isso brilha como um pechisbeque e vê-se, logo, que não é ouro.

Explicação: As dificuldades de grafia devem-se ao facto de ser um termo tupi. Na fonética histórica (cf. Houaiss, 2001), ocorreram diversas possibilidades: “1644 priasaba, 1678 piasaba, 1858 piassába”. Fixou-se em “piaçá”, embora “piaçaba” seja uma alternativa. A origem está numa palmeira do Brasil (Attalea funifera) usada no utensílio.

Explicação: O vocábulo tem origem no antropónimo Christopher Pinchbeck, que era um relojoeiro inglês. Inventou uma liga de cobre e zinco a imitar o ouro, ficando esta com o seu nome. Antes da grafia fixada, teve várias outras: “pichisbeque, pinchebeque e pixisbeque”.


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CARPE DIEM CARLOS DIOGO PEREIRA Alumnus

Livro Para quem gosta de um bom livro, sugiro Saias de Balão de Ricardo Nascimento Jardim. Trata-se de um dos vários livros de autores madeirenses que têm vindo a ser lançados pela Imprensa Académica. Trata-se de uma história de amor, em que uma rapariga pouco ajuizada, mas muito decidida, troca as voltas à família, aos namorados e à boa sociedade madeirense do século XIX. Entretanto, a Madeira daquele século não se fica pelos elegantes bailes do Clube Funchalense. Pelo caminho, o Funchal trava lutas políticas internas que levam mesmo ao lançamento de pedras sobre um deputado de visita à cidade. Entre factos e fantasias, é uma história de que vai gostar de ler!


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Filme

Para fazer

Com mais uma adaptação cinematográfica, Mulherzinhas é uma obra-prima. É a história das românticas e divertidas irmãs March, que se mantêm juntas, face a pequenas dificuldades domésticos, ou a grandes problemas do seu país, como a fome, a guerra e as epidemias. Uma das aclamadas obras da literatura internacional, da autoria da americana Louisa May Alcott, numa forma mais rápida e dinâmica. Se gostou da versão de 1994, com actrizes de dois dos mais icónicos filmes de vampiros do cinema, acompanhadas por um Batman, ainda muito jovem, veja agora o filme que integra a uma rainha dos Escoceses, a senhora dos dinossauros, a menina do Harry Potter e, claro, Meryl Streep.

Com mais uma adaptação cinematográfica, MuÓpera é daquelas coisas que ou se gosta ou se odeia. Mas não se gosta verdadeiramente de ópera até se ver uma ao vivo. Esqueça o teatro, o cinema, o bailado, o concerto. Enfim, esqueça tudo o que pensa que pode subir a palco. Não há espectáculo mais completo do que uma ópera, até porque ela reúne um pouco de tudo o resto. Este ano, se for a Lisboa, faça um favor e aproveite para ir à ópera. Mas vá em grande! Esqueça o CCB ou o Coliseu. Vá ao São Carlos! Em diferentes meses, apresentam diferentes produções. Puccini está esgotado há meses. Verdi vai a caminho disso, tal como Donizetti. Pode tentar Wagner e perceber de onde veio a banda sonora de Apocalypse Now. Eu vou ver O Conde Ory de Rossini, uma comédia. Ainda há bilhetes! Venha também, será uma experiência para toda a sua vida!


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Afixação de preços SERVIÇO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

A obrigatoriedade da afixação ou indicação dos preços decorre, desde logo, do Direito à Informação conferido, por Lei, a todos os Consumidores. O artigo 8º da Lei de Defesa do Consumidor – Lei nº 24/96, de 31 de julho – sob a epígrafe de “Direito à informação em Particular” impõe que o fornecedor de bens ou o prestador de serviços informe, de forma clara, objetiva e adequada, o Consumidor, nomeadamente, sobre o preço do bem ou do serviço. Visa transmitir aos consumidores informação inequívoca, precisa, facilmente reconhecível e perfeitamente legível do preço dos bens e serviços destinados a venda. É uma medida que pretende proteger os consumidores e desenvolver uma concorrência leal. A forma e a obrigatoriedade de indicação de preços dos bens e serviços colocados à disposição do consumidor no mercado é regulada pelo Decreto-Lei nº 138/90, de 26 de abril (devidamente alterado)

Principais regras que devem ser observadas: Todos os bens destinados à venda a retalho devem exibir o respetivo preço de venda ao consumidor (preço total incluídas todas as taxas e impostos);

Formas de indicação dos preços O preço de venda e o preço por unidade de medida devem ser indicados em dígitos, de modo visível, inequívoco, fácil e perfeitamente legível, através de: Etiquetas · Letreiros · Listas

Os géneros alimentícios e os produtos não alimentares postos à disposição do consumidor devem conter também o preço por unidade de medida; Nos produtos vendidos a granel apenas deverá ser indicado o preço por unidade de medida.

A indicação do preço deve ser feita na proximidade do respetivo bem ou no local em que a prestação do serviço é proposta ao público, de modo a não suscitar qualquer dúvida ao consumidor.

Montras ou vitrines Os bens expostos em montras ou vitrines, visíveis pelo público do exterior ou interior do estabelecimento, devem conter uma marcação complementar quando as respetivas etiquetas não sejam perfeitamente visíveis.


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Preços de combustíveis

Regime de Preços

No que respeita à venda a retalho de combustíveis, o Decreto-Lei nº 170/2005 de 10 de outubro (devidamente alterado) veio estabelecer que é obrigatória a afixação dos preços em todos os postos de abastecimento, independentemente da sua localização, através da utilização de painéis informativos. Os painéis devem conter, em caracteres legíveis e bem visíveis da via pública, uma relação de todos os combustíveis comercializados no posto de abastecimento em causa, bem como o respetivo preço de venda ao público por litro.

Apesar de existirem preços tabelados e preços com limite máximo, o regime de preços vigente em Portugal é, em geral, o regime de preços livres, ou seja, as empresas são livres de praticar os preços que entenderem, desde que respeitem determinadas regras, nomeadamente as da afixação de preços. Esta obrigação de afixação de preços vem proteger o consumidor de comportamentos abusivos, permitindo-lhe comparar facilmente preços de bens, garantindo, assim, uma concorrência leal e a tomada de decisões conscientes e informadas.


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Seremos donos do fracasso ambientalista?

O rejuvenescimento do mundo está longe de possível. Faunas e floras desmoronam-se e tornam-se incompatíveis para com o próprio objetivo daquilo que são as próprias leis ambientais.Seremos donos do fracasso ambientalista? LUÍS FERRO Aluno da UMa

De acordo com a informação veiculada pela ONU News “o número de leis ambientais aumentou 38 vezes desde 1972”. Apesar desse crescimento, a literatura diz que “o fracasso em aplicar essas leis é um dos maiores desafios para combater a mudança climática, reduzir a poluição e prevenir a perda generalizada de espécies e habitats.” Pois bem, muitos países falham nas leis ambientais. São muitos os exemplos: o Brasil, os Estados Unidos e até mesmo Portugal. Com o aumento das evidências em relação às alterações climáticas e da propagação de gases de efeito de estufateríamos aqui o ponto em que deveriamos considerar, ad infinito, colocar em prática tais normas. Era fundamental que saissem do papel pois mais do que directrizes nacionais ou europeias, nada muda se não mudarmos a nossa atitude. Nós, os comuns cidadãos.

Analisando algumas normas ambientais globais, verificamos que a lei 9.605 de 12/02/1998 indica que os crimes ambientais levam à liquidação da empresa ou penalização por parte do sujeito que pratica o crime. Se tal não acontece apenas fortalece o trangressor e minimiza o papel da própria lei. A nossa habilidade de perpetuação ambiental esteve no seu auge, a partir de revoluções, muitas vezes culturais, muitas vezes sociais, mas com o mesmo propósito. Não tínhamos um factor X, e, portanto, queríamos defini-lo, criando assim os ativistas e as associações sem fins lucrativos pelo bem da humanidade e do ecossistema. Agora no século das inovações tecnológicas, tornámo-nos apegados a estes “blocos de cimento”, a estes “contraplacados” e não nos remetemos a fazer mais que isso. De independentes passámos a clones, e de certa forma as leis ambientais tornaram-se num mito e não num dever.


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A PREDOMINÂNCIA DO GÉNERO FEMININO NOS CURSOS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM EDUCAÇÃO INFANTIL1 ESTUDO DE CASO NA UNIVERSIDADE DA MADEIRA

ALICE MENDONÇA*, ANDREIA NASCIMENTO**, PAULO BRAZÃO* & DIOGO FREITAS*** *UMa ** ICS -UL *** ITi/Larsys/M-ITI

Apesar da igualdade de género2 se encontrar legalmente formalizada, a sua real concretização, entendida como igualdade de uso, não permeia as práticas sociais, pelo que os contextos de desigualdade entre homens e mulheres são, ainda, evidentes. De facto, no ano letivo 2018-2019 subsistia ainda uma acentuada discrepância numérica entre os estudantes do género masculino e feminino, matriculados nos cursos de Formação de Professores para a Educação Infantil na Universidade da Madeira (respetivamente, Licenciatura em Educação Básica e Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico ). Num total de 110 estudantes matriculados nestes dois cursos, 107 eram mulheres e apenas 3 eram homens. Este facto atesta a feminização da profissão de Professor da Educação Infantil sustentada em argumentos que o entendem “como corolário da natureza feminina, [decorrente] dos processos de socialização e dos papéis sociais atribuídos à mulher [e

que] está profundamente enraizada até aos nossos dias, no pensamento coletivo da maioria das culturas” (Correia, 2009, p. 130). De modo a determinar as perceções dos estudantes acerca deste facto, aplicámos um inquérito por questionário a 18 estudantes, de cada um destes cursos, selecionados a partir de uma amostra por conveniência. Assim, num total de 36 estudantes inquiridos foi possível apurar que a quase totalidade (94,5%) considerou normal que apenas 3 homens estivessem matriculados naqueles cursos. E justificaram esse facto alegando que os níveis de ensino destinados a crianças permanecem socialmente associados ao papel “maternal” tradicionalmente imputado às mulheres. Acrescentaram que a discrepância entre géneros sempre subsistiu nestes cursos, facto que exemplificaram com as suas próprias experiências escolares na infância onde predominaram professoras/mulheres. Como medida de incentivo ao ingresso masculino nestes dois cursos, maioritariamente femininos, equacionámos aos inquiridos se consideravam pertinente a implementação de quotas de género, de modo a promover a equidade de género nos profissionais do ensino infantil. Esta proposta obteve reações pouco consensuais:

1 Licenciatura em Educação Básica e Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico. 2 Neste trabalho o conceito de género não é abordado enquanto construção social. Reporta-se exclusivamente à sua correspondência com os caracteres biológicos: masculino e feminino.


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Gráfico 1- Opinião dos estudantes sobre a implementação de quotas de género na entrada para os cursos de Professor de Educação Infantil (por curso)

Fonte: os autores, 2019.


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A dispersão das opiniões patenteou-se entre os estudantes da licenciatura em Educação Básica, do seguinte modo: 8 declararam-se sem opinião sobre esta proposta, 6 concordaram e 4 rejeitaram a implementação de quotas. No mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º Ciclo do Ensino Básico 8 estudantes discordaram da introdução de quotas de género para o ingresso nestes cursos, 5 declararam-se sem opinião e 5 concordaram. Na globalidade, as discordâncias relativamente à implementação das quotas de género, pautaram-se em torno da ilação de que, uma vez que subsiste igualdade formal no acesso aos cursos, tal medida carece de sentido, pois “o acesso é igual para todos independentemente do género” e “se [os homens] não concorrem é por opção.” Os estudantes que concordaram com a implementação das quotas de género alegaram a necessidade de incentivar o género masculino a candidatar-se a estes cursos, atenuando-lhes “o pouco interesse [em frequentá-los]”. Esta opção foi maioritariamente apontada pelos estudantes de mestrado que consideraram necessário “incentivar […] o género masculino a optar pela área da educação” de modo a trazer “mais professores” [homens] a esta profissão. Os estudantes de licenciatura consideraram

que os estereótipos de género continuam socialmente arreigados ao magistério feminino, facto que se repercute na “fraca vocação dos homens” relativamente ao ensino infantil. Consideram que estes aspetos inviabilizariam a real concretização das quotas de género se as mesmas fossem implementadas, pois entendem que os estereótipos sociais serão sempre preponderantes. Foi possível concluir que a predominância do género feminino nos cursos de Formação de Professores para a Educação Infantil, já apresentado num estudo recente sobre os caloiros da Universidade da Madeira (Vieira & Nascimento, 2018), enquadra-se na normatização social das experiências sociais que, por tradição, evidenciam a feminização desta profissão. Neste trabalho, a implementação de quotas de género para o ingresso nestes cursos, por nós equacionada, evidenciou a dispersão de opiniões entre os estudantes. Os que frequentavam o nível de mestrado foram os que mais se opuseram a este propósito argumentando em torno de duas proposições: por um lado, a igualdade de género já se encontra legalmente consagrada no acesso aos cursos, pelo que o seu usufruto decorrerá do livre arbítrio dos indivíduos, e por outro, pela convicção de que os estereótipos sociais irão sempre sobrepor-se a qualquer disposição legal formal-


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mente implementada. Os estudantes que concordaram com a implementação daquela medida justificaram a sua posição alegando a emergência de incentivar o género masculino a candidatar-se a estes cursos, de modo a promover o aumento do número de homens na educação infantil. Uma vez que as universidades assumem um papel relevante na promoção da mudança social, pois nelas se formam cidadãos, profissionais e professores de todos os níveis da Educação Formal, consideramos que a instituição universitária deve incentivar a mudança pois detém uma “responsabilidade acrescida [e uma] capacidade ímpar, para fomentar a igualdade de oportunidades e a cidadania” (Augusto & Oliveira, 2019, p. 47). Por isso, o ensino universitário e, mais especificamente, a Formação de Professores, não poderá circunscrever-se aos “processos burocráticos [nem às] planificações (…) das aulas” (Mendonça, 2016, p. 110).

Bibliografia AUGUSTO, A. & Oliveira, C. (2019) “O desafio da igualdade de género no Ensino Superior”. In R. Martins & A. Nascimento (Org.) 31 desafios para o Ensino Superior. pp. 47–53. Funchal: Imprensa Académica da Universidade da Madeira.

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CORREIA, A. (2009) Assimetrias de género. V.N. Gaia: Fundação Manuel Leão. Mendonça, A. (2016) “Didática na formação inicial de professores: caso da licenciatura em educação básica da universidade da Madeira”. In F. Gouveia & M. Pereira. (Org.) Didática e Matética. pp. 102–111. Funchal: CIE-UMa. MENDONÇA, A.; Brazão, P; Nascimento, A. & Freitas, D. “Estereótipos de Género entre os estudantes da Formação de Professores em Educação Infantil (0-10 Anos): Estudo de caso na Universidade da Madeira” In Ensaios Pedagógicos, volume 3, número 3 (Set/Dez de 2019), pp. 96-106, Brasil: Universidade Federal de São Carlos. Disponivel em: http://www.ensaiospedagogicos.ufscar. br/index.php/ENP/article/view/151 NASCIMENTO, A., Mendonça, A., Brazão, P. & Freitas, D. “Gender stereotypes among students of Primary School Teaching and Childhood Education” [ficheiro em vídeo], 26.th International Conference on Learning. Queen’s University, Belfast, UK. 24-26 de julho de 2019. Disponível em: https://youtu.be/4dKYSzylPZ4 VIEIRA, M. & Nascimento, A. (2018) “Os caloiros da Universidade da Madeira: retratos e alguns desafios”. Research Brief 2018 OPJ. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.


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Música como terapia e muito mais…

MATILDE HENRIQUES Aluna da UMa

Confesso que, quando me pediram para escrever este artigo, fiquei um pouco confusa sem saber o que dizer sobre a música de diferentes perspetivas: música como uma terapia, passatempo ou simplesmente uma forma de viver. Durante toda a minha vida sempre ouvi música pois quando era pequena a minha mãe ponha a tocar músicas de ópera desde Pavarotti a Andrea Bocelli. Quando ouvia estas músicas eu não pensava ou percebia o que elas queriam dizer, mas ouvi-as na mesma e deixava-me levar. Quando entrei na escola primária cantava nas aulas de canto. Certo dia, atuámos no Casino da Madeira e eu cantei sozinha, no meio de uma multidão. Nem parecia eu, a cantar para tanta gente. Os anos foram-se passando e eu sempre tive contato com a música até que acabei por frequentar o curso profissional de teatro no Conservatório. A música assumiu um papel muito importante na minha vida tal como na vida de muitos. Basta, para isso, dar-lhe um espaço, por mais pequeno

que seja, no nosso quotidiano. A música prespassa muitas outras formas de arte. Marca presença no teatro, na dança, no cinema, na televisão, no desporto, na arte e muitas outras. MArca presença na nossa vida, marcam presença na forma como constrois o teu caminho. Basta deixares levar-te pelas notas. Hoje, o yoga e o reiki são muito requisitadas e parte do sucesso é o facto de se constituirem como terapias com forte intervenção da música. A música funciona como instrumento que ajuda o ser humano a se encontrar espiritualmente, a encontrar o seu verdadeiro ser e melhorar a sua saúde mental. A música constitui uma terapia para muitos. Para outros fá-los viajar pelo passado. Todos somos marcados pela música. Festejamos com música, corremos com música, viajamos de autocarro ou de metro com música, limpamos a casa com música, estudamos com música, choramos com música. A música ajuda a pensar introspetivamente, sobre a vida e sobre projetos novos. A música é mais que uma terapia. É vida mesmo que se chore a morte.


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A Residência não é apenas um espaço para dormir.

Parece-nos estarmos perante uma Residência Low cost à semelhança das companhias aéreas: custo baixo e apetecível mas se precisares de marcar lugar, comer uma bolacha rija, levar uma mala, ou quase garantir um lugar sentado …. é obrigatório desembolsar muito mais.

MARCOS NASCIMENTO Alumnus

É sabido que o acesso ao Ensino Superior pressupõe, desde logo, alguns desafios desde a qualidade do ensino até às condições que o suportam. Comecemos pelo básico, comecemos pelo alojamento adequado com a disponibilização de serviços e acessos condizentes. Falemos sobre a nossa Residência Universitária.

Spoiler alert: existem vários problemas! Ao contrário do que se vive, ano após ano, noutros pontos do país, na Madeira, a questão da oferta de camas ainda não é um verdadeiro problema. É certo que a questão da internacionalização poderia ser potenciada mas, entre muitos outros factores, o alojamento e as suas condições teriam que ser repensadas. Mas, tomemos conta de uma coisa

de cada vez. Como em tudo, começar por melhorar o que já existe será o melhor caminho a seguir. É inevitável! Apesar de diversas tentativas de melhoramentos, indicando o quê, porquê e como, não conseguimos evitar. O descontentamento em torno das condições existentes na Residência é cada vez maior entre os seus residentes e familiares. Entre diversos problemas já assinalados, ao momento, o principal foco de descontentamento são as cozinhas, onde um fogão, um microondas e um frigorífico tem que ser partilhado por 50 residentes, isto se as cozinhas dos restantes pisos estiverem funcionais. Caso não estejam ou apresentem algum pequeno ou grande electrodoméstico avariado, os utilizadores podem duplicar. Se dois ou três familiares em casa conseguem semear o pânico quando juntos na cozinha, imagine-se o que se vive diariamente na Residência. É fundamental promover a união e o trabalho de equipa, mas esta não me parece ser a forma mais adequada de o fazer. Quantas vezes ouvimos: “Ok, não há fogão, o microondas também serve ou se usares o do vizinho. Chaleira? Depende do dia. Frigorífico? É possível mas só se chegares primeiro, caso contrário não dá para todos”.


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Mas é económico, dizem. O alojamento na residência universitária seja no Funchal ou em Trás-os-Montes é, sem dúvida, mais económica e segura para alojar um estudante universitário. Mas será? Actualmente, o preço para os estudantes não bolseiros está fixado nos 170 € mensais, num quarto partilhado por três pessoas. Claro que referimo-nos ao básico. Contudo, se necessário for outro conforto ou serviço básico adicional as coisas mudam de figura. Senão vejamos: + 5 € para teres aparelhos elétricos no quarto; + 24 € por um conjunto de lençóis (2 lençóis + 1 fronha); + 6 € por uma almofada; + 6 € por uma toalha de rosto; + 10 € por uma toalha de banho; + 26 € por um cobertor. Lavandaria? Isso depende. Uma lavagem de roupa, usando uma máquina tipo industrial, custa 2,50€. Contudo, se pensarmos no desperdício e na causa ambiental ou juntamos toda a roupa durante 2 semanas sem a lavar, ou gasto mais la-

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vagens com a máquina quase vazia, garantindo, contudo, que tenhamos roupa fresca a usar. Também existe a possibilidade de juntarmos a nossa roupa, incluindo a íntima, à dos nossos colegas que por vezes nem sabemos quem são. Parece-nos estarmos perante uma Residência Low cost à semelhança das companhias aéreas: custo baixo e apetecível mas se precisares de marcar lugar, comer uma bolacha rija, levar uma mala, ou quase garantir um lugar sentado …. é obrigatório desembolsar muito mais. Não é por acaso que diversos cursos contemplam, nos seus guias privados de recepção aos novos alunos, alojamento em apartamentos, quartos e vivendas que, mesmo que partilhados, não enfrentam problemas que influenciam, inclusive, o seu desempenho académico a custos semelhantes. Contextualizando o problema, e fazendo juz às situações reportadas e às tentativas de diminuição do descontentamento, é fundamental exigirmos que novas dinâmicas sejam criadas para enfrentar os desafios futuros. A imagem da residência escurece a imagem da Universidade da Madeira, não tenhamos dúvidas. Basta ouvirmos que lá vive.


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Calvin Harris Project co-financed by:

LORNA MURPHY Students' Union British Volunteer

Calvin Harris, is a Scottish musician, DJ, producer and songwriter. Born in 1984 as Adam Wiles, he changed his name to Calvin Harris for his music career. Calvin Harris was born in Dumfries, Scotland and after leaving high school he worked odd jobs in a supermarket and a fish processing factory. He worked these jobs so that someday he could afford the DJ equipment he needed to begin his music career. At 18 Harris released two songs, and then moved to London to learn from the thriving music scene there. He only realised one song while living in London and eventually he was forced to return to Dumfries due to a lack of jobs and money. Once In Dumfries again he began posting homemade singles on his Myspace page, which gained enough popularity to garner attention from a music manager who had recently started his own firm, Calvin Harris became his first signing. Harris’ first album was released in 2007, “I Created Disco” he had worked on it for a year. Each track on the album were written, produced and performed by Harris alone. It reached number 8 on the UK Albums Charts. The same year, Kylie Minogue heard Harris’ songs and this lead her to a collaboration with him, co-writing and producing two songs in her album X.

The following year, Harris’ collaboration with rapper Dizzee Rascal, “Dance wiv Me” reached number one in the UK. In 2009, “Ready for the Weekend,” Harris’ second album was released. Three of the 14 songs reached the top 20 in the UK, “I’m Not Alone” debuted at number one in the charts. Harris’ success continued with many recognisable singles such as "We Found Love", "This Is What You Came For", "Summer" and "Feel So Close". Possibly the most famous song is “We Found Love”, his collaboration with Rihanna. He is working on his 6th album currently, his music has transitioned into Funk style and cites Jamiroquai and Fatboy Slim as inspirations. He is active in charity work, raising money for causes such as Product Red, an anti-AIDS charity, Shelter, which looks to end homelessness in Scotland and after the 2017 Las Vegas shooting he donated to the Vegas Victims Fund. Lorna Murphy is an Erasmus+ volunteer from Scotland, UK, graduated in tourism management and loves travelling.


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Já cuidou da sua saúde mental hoje? Será que damos a devida importância à nossa saúde mental e cuidamos adequadamente da mesma?

LUCIANA FERREIRA Serviço de Psicologia da UMa

No nosso dia a dia é normal que nos magoemos e que surjam o que podemos chamar de feridas psicológicas. Estas feridas definem-se através do mal-estar causado, exibindo uma constelação de sinais e/ou sintomas (seja por exemplo, ao nível do sono, apetite, motivação, preocupação, choro…), que representam um processo normal de resposta do organismo à situação, por vezes mais stressante e/ou angustiante. A higiene mental passa por monitorizar e tratar das feridas psicológicas, atempadamente, antes que cresçam e causem prejuízos no nosso funcionamento/ desempenho em diferentes áreas, adotando por isso uma série de hábitos que contribuem para a manutenção do nosso bem-estar. Deixamos, por isso, dicas de como proceder à higiene mental no dia a dia:

1. Perante uma “ferida psicológica”, preste atenção à dor emocional sentida. Ganhe consciência acerca do que se está a passar, dos pensamentos e sentimentos que lhe ocorrem, bem como dos comportamentos adotados. A prática do journaling (escrever sobre o que pensa, sente, age) pode ser uma ferramenta útil, contribuindo para aumentar a autoconsciência. 2. Permita-se sentir. “Estou a sentir-me triste, neste momento, tenho motivos para isso, mas em breve irei ficar melhor...” 3. Ative estratégias que lhe permitam diminuir a reatividade fisiológica provocada pelas experiências emocionais. Por exemplo, respire lenta e profundamente, sentindo o corpo a relaxar à medida que o faz.


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4. Esteja atento ao seu pensamento, identifique e interrompa ciclos de pensamentos que possam ser prejudiciais, questionando os mesmos e/ou substituindo-os por outros.

8. Peça ajuda sempre que necessitar. A procura de suporte social pode ser um elemento protetor da saúde mental. Cuide e reforce as suas relações interpessoais.

5. Pense em estratégias de resolução de problemas que possa ativar. Pergunte-se “O que posso fazer para me sentir um pouco melhor e/ou para resolver esta situação?”, “Será que posso ler o que aconteceu de uma outra forma?”

9. Pratique exercício físico, cuide da alimentação e da higiene do sono, aposte em atividades gratificantes e prazerosas, que promovam o seu bem-estar (por ex.: fotografia, dança…), prestando atenção ao seu corpo e mente, como um todo.

6. Aposte no autoconhecimento e autoaceitação, identificando forças e fragilidades, treinando a autocompaixão. 7. Defina objetivos para si, desenvolva um plano e vá monitorizando, de modo a fazer os ajustes necessários. Assuma uma postura de aprendizagem e desenvolvimento contínuo, consciente que o aprender com o erro faz parte do processo.

Por tudo isto, invista na prática da higiene mental. O autocuidado mental fortalecerá a sua/a nossa saúde, o que ajudará a prosperar.

Se quer saber mais sobre esta temática, explore: https://bit.ly/2vBQv3z


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Toni Kroos – not only a football player Project co-financed by:

LENA ZÜLL Student’s Union German Volunteer

Toni Kroos won a lot of titles in his football career and did not become a famous football player in Germany only. Toni Kroos was born at 04.01.1990 in Greifswald in Germany. In this city he played in a club since he was seven years old with his younger brother and his father as his trainer. Later he would be discovered by the big club “FC Bayern München”. With 17 years he played for the professional team in this club. In 2014 he chanced the club to “Real Madrid” and is there still. Also, in 2014 he won the World Cup with the German National Team. This was one of the most important years for him and since he is also known outside of Germany. But he is not only a football player because in 2015 he founded the “Toni Kroos foundation”. It is

a foundation that is helping critically ill children, teens and their families. For example, the foundation pays the therapy for the children and make some beautiful moments for the families possible. For collecting the money, he does a lot of things. For example, he sold his worn World Cup final jersey and got for it 31.099 Euros for the foundation. But he also found support from other prominent people from Germany. I think Toni Kroos is a good example of what you can do for people that need help and how to deal with responsibility. He is not only a football player he is also a man that do a lot for children and their families in Germany. My name is Lena and I am 19 years old. I live in a small village in the west of Germany and before starting my EVS I finished my high school.


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Conor McGregor Project co-financed by:

KELLY QUINN Students' Union Irish Volunteer

Conor Anthony McGregor was born to parents Tony and Margaret McGregor on July 14, 1988, in Dublin, Ireland. He rose from a tough neighborhood in Crumlin to become the biggest star in the sport of mixed martial arts (MMA). Conor enjoyed playing football as a child but later turned to boxing as an outlet for his aggression. He was a member of the Crumlin Boxing Club from the age of 11-17 where he also won a Dublin championship there. In his later teen years he worked as a plumber but left to pursue his dream of becoming a professional fighter, much to his parents dismay. McGregor made his professional debut on March 8, 2008, for the London-based promotion Cage Warriors, winning by TKO. He lost two of his first six fights before reeling off an impressive winning streak, claiming both the featherweight championship and the lightweight championship in 2012. Conor McGregor was signed by UFC President Dana White in early 2013 and he impressed with a first-round knockout in his April debut for the organization. He continued his winning ways through July 2015, when he defeated Chad Men-

des for the interim featherweight title. That December, he knocked out Jose Aldo in a record 13 seconds to unify the featherweight title. Even though, Conor McGregor is a very famous and well-known sportsman for Ireland, he hasn’t always represented our country well with his behaviour over the years. He has had allegations over the years of racism, sexual assault and aggressive behaviour towards his opponents. His ‘trash talk’ is what he is best known for and how he intimidates his opponents but it often gets him in trouble. Conors relationship with the UFC became strained when his inactivity in the octagon prompted its president to strip the fighter of his featherweight and lightweight titles by early 2018. McGregor made his long-awaited return in October 2018, nearly two years after his last UFC fight but during the fourth round, he started a brawl which caused him to be suspended for 6 months. On March 26, 2019, McGregor announced via Twitter that he was retiring from the sport that made him famous. He concluded his MMA career with a record of 21 wins and four losses.


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O papel dos jovens na mudança das alterações climáticas ELISA FREITAS Aluna da UMa

Qual é o papel dos jovens na discussão sobre as alterações climáticas? Como em tudo não somos todos iguais nem pensamos da mesma maneira. Há quem faça e lute e se exponha dando a cara, há quem faça sem grande alarido o seu papel e há quem não se importe. Existem muitos casos de jovens a lutarem pela mudança onde torna-se impossível deixar de referir o caso da jovem Greta Thunberg, ativista ambiental que luta em prol de um mundo melhor. Muitos outros juntam-se a ela nesta luta mesmo que de forma mais reservada tentando, junto dos que lhes são mais próximos, mudar hábitos, atitudes e comportamentos. Contudo, são mais aqueles que continuam calados mas a deitar o lixo pela janela do carro. Alguns jovens têm a preocupação de mudar a situação em que nos encontramos. Porém, o

seu papel não se centra apenas neles próprios, querem, também, a mudança por parte dos adultos. Muitos destes que conservam a ideia de que o aquecimento global é uma invenção e que as temperaturas altas em época de Inverno são uma dádiva. É difícil? Sim, é. Mas nós temos o conhecimento e os meios para viver mais e melhor. Começemos pelos nossos lociais de estudo e de trabalho, pelas nossas casas e pelos nossos comportamentos. Sabemos reciclar? Fazemo-lo? Reduzimos o consumo de plásticos? Guardamos connosco o lixo quando não temos por perto um contentor? Fotocopiamos e imprimimos mesmo quando não sabemos se vamos mesmo disso precisar? Aderimos à fatura eletrónica? Poupamos água no banho e no jardim? Participamos em ações de reflorestação e limpeza das florestas ou praias? Façamos o teste e teremos a resposta. O papel dos jovens tem que ser ativo e para tal basta ter 20 valores no teste acima!


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Uma visita guiada pela Residência A minha chegada na residência universitária foi, digamos, diferente. O segurança que recebe os estudantes em mobilidade e os demais residentes do estrangeiro apenas fala Português. Quando cheguei, o quarto não estava preparado: não havia lençóis, cobertor ou travesseiro. Mesmo com a informação sobre a minha chegada, a residência não tinha preparado o quarto. A partir do dia seguinte, e durante duas semanas, tentei assinar o meu contrato com a residência. Sem sucesso, recebi diversas justificações que iam da falta de Internet até o momento errado para assinatura. Pensei que se não era importante para eles, não deveria ser para mim. O meu quarto parecia possuir o suficiente para o meu quotidiano. O grande problema começou com uma componente importante: a cama. Pequena, com um colchão num estado deplorável pela sujidade, não permitia que qualquer conformo mínimo ou que alguém mais alto pudesse dormir normalmente. Igualmente desajustada era a secretária que parecia ter sido feita para um miúdo da escola primária. É claro que depois da cama, começamos a reparar que nenhuma das luzes nas secretárias funciona e que as cortinas estão tão sujas como o colchão. A casa de banho representava outro problema: a posição do duche indicava, em todos os quartos, uma fonte de fungos que crescia na parede do quarto. O interior não possuía qualquer prateleira para colocarmos os produtos essenciais de higiene. O duche pingava e tentava nos embalar durante a noite já que a porta da casa de banho não se fechava. Saindo do quarto podemos visitar o epicentro do terror que é a vida dentro da Residência: a cozinha. Cada andar possui uma que é partilhada por cerca de meia centena de pessoas. São quatro mesas, 10 cadeiras, uma torradeira, uma jarra elétrica, um microondas (tem dias), um lava-loiça e um fogão com quatro bocas para os mais de 50 residentes do andar. Os utensílios que existem parecem resgatados de um cenário de guerra e são

acompanhados de formigas e baratas que se juntam a loiça que existe e à floresta de fungos e bactérias que cresce pelo espaço. Pensar num forno é parte do imaginário. Em Dezembro passado tudo piorou. Sim, foi possível. O fogão do primeiro andar deixou de funcionar durante meses, juntando-se o fogão do piso térreo que tinha apenas duas bocas operacionais que eram partilhadas por mais de 100 residentes. Infelizmente, o horário limitado das cozinhas só permite que a sua utilização seja até às 2:00 da manhã, o que obriga a que o jantar comece a ser preparado com dois dias de antecedência para que as duas bocas de fogão sejam suficientes. Essa antecedência baixa para a preparação na véspera quando todas as bocas estão operacionais. Acompanhando o espírito de que quase nada funciona, a lavandaria da residência possui metade dos equipamentos a funcionar. Ou metade avariada, dependendo que como olhamos para o copo meio cheio ou meio vazio. As áreas comuns continuam na sala de estar. Cada andar possui uma equipada com um televisor, uma mesa e dois sofás que, para combinar, estão tão sujos que qualquer observador desconfia que nunca foram limpos. Por mais que a Universidade e o curso possam ter sido uma boa experiência, numa ilha que é certamente paradisíaca, a vida na residência foi um verdadeiro inferno e pode eclipsar as boas recordações que levamos. Mais do que a quantidade dos problemas, a falta de vontade de quem gere a Residência é notória. Nem sabem o que estão a fazer, nem querem saber. Muitos problemas são de resolução tão simples que ficamos sem compreender como a administração pode se preocupar tão pouco com a vida dos alunos.

Este artigo resulta dos testemunhos partilhados por vários residentes oriundos dos programas de mobilidade Erasmus+ que estudam na Universidade da Madeira.


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The legend of Smok Wawelski Project co-financed by:

DANUTA BRZOZOWSKA Students' Union Polish Volunteer

Every nation has its own traditions, and an integral part of these traditions are countless myths and legends. Even though they are considered only partially true they still constitute an important aspect of national heritage. At first oral, then written stories are handed down from generation to generation. Despite changing times and cultural trends the great national value of these stories remains intact across the centuries, enriching the national culture and identity of the people. Poland also has its own legends about kings or princesses but the most famous is about the dragon, well known to every Polish child, is the legendary Smok Wawelski who inhabited a cave near the Wawel Castle in Kraków. “Once upon a time there was an awful dragon that kept threatening the people of Kraków. He slew the innocent, devoured their domestic animals and plundered their belongings. Nobody could prevent his hideous deeds. The King of Kraków,

desperately worried by the tragic situation in the city, promised the hand of his daughter to anyone who could defeat this terrible creature and free the inhabitants of Kraków from his tyranny. One day, a poor shoemaker hit upon a clever idea. He stuffed a sack with sulphur and planted it close to the dragon’s cave. The dragon, thinking this to be a nice titbit, gobbled it up in the twinkling of an eye. Very soon he started to feel enormously thirsty. He was forced to drink half of the Vistula River, and as a result, his stomach kept swelling and swelling and eventually it exploded, killing him! Thus the idea of a simple boy saved the lives of the whole of the city of Kraków. As promised the boy married the king’s daughter and the pair lived happily ever after.” Smok Wawelski’s cave still exists and is a popular tourist attraction (though not in winter) and at the cave mouth is a fire breathing statue of the dragon by Bronisław Chrobry.


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Como te correu o semestre?

FRANCISCO OLIM

BRUNO FERNANDES

“Bem! Porque conclui os meus objetivos, que foram passar tudo à primeira.”

“Correu-me melhor do que aquilo que estava à espera, isto porque ter-me-ia mentalizado que iria repetir uma cadeira para o ano e quando saíram as notas admirei-me, porque consegui.”

ALEX FARIA

ARTURO ALVES

“Foi um semestre diferente, porque ingressei num mestrado, e tive cadeiras diferentes com dificuldades e práticas mais específicas e com maior flexibilidade. Foi ao mesmo tempo mas exigente, mas que compensou imenso.”

“Bem. Gostei da matéria, apesar de ser muita em quantidade. No que respeita aos professores, alcançaram as minhas expectativas”


Foi dito…

MATILDE HENRIQUES

FÁBIO PITA

“Correu-me bem. A nível de docentes e de frequências esteve tudo acessível e excelente, bem como a cooperação da Faculdade de Ciências de Educação.”

“Calmo. Muito trabalho, mas relativamente ao último ano, foi mais calmo.”

IGOR FERNANDES

LAURA BASÍLIO

“Eu achei que correu bem, até porque como é o 1º semestre é uma nova experiência e acho que para mim foi uma descoberta de novos conhecimentos e amizades.”

“Correu-me bem. A nível de cadeiras, não foi tão numeroso quanto o ano passado.”


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É sempre Natal, desde que assim o queiramos. MÓNICA MELIM Instituto de Administração da Saúde, IP-RAM

O Natal é uma época de muito Amor e Magia! Decorar a casa, enfeitar a árvore, fazer o presépio, confecionar os doces típicos, ir ao Circo, divertir-se no parque de diversões, trocar as prendas com os amigos secretos, conviver com os familiares e amigos, e presentear aqueles que mais amamos, fazem parte da alegria e do entusiasmo que se vive na época natalícia. Nessa época as prendas adquirem um significado tão importante que os desejos da maioria das pessoas refletem-se apenas em objetos materiais, e no consumismo exagerado. Devemos incutir desde cedo às nossas crianças, a importância de valorizar e apreciar as coisas mais simples da vida, as que não têm preço. Podemos presen-

tar aqueles que mais estimamos com verdadeiras prendas de carinho e amizade, que estão ao alcance de todos nós. Ofereça-lhes o seu tempo, ajuda, conforto, lealdade, atenção e dedicação. Todos nós tendemos a esquecer os bens materiais, e as “coisas” que nos oferecem, mas recordamo-nos das maiores alegrias, das maiores gargalhadas, das melhores conversas, e dos melhores momentos que partilhamos com os nossos amigos e familiares. Existem outras prendas valiosas tais como o exemplo das nossas ações, comportamentos e atitudes, enquanto pais, amigos, colegas e professores. Assim como educar e informar sobre os riscos e malefícios do comportamentos aditivos e dependências, potenciar as competências pessoais e sociais dos jovens, e dotá-los de ferramentas para estarem aptos a tomar decisões conscientes e responsáveis para a sua vida, livre de vícios.


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et al.

é abreviatura da expressão latina et alii (“e outros”). Os alii são com frequência aqueles que não se nomeiam, que não se identificam, que não deixam memória da sua vida. Os outros são aqueles que não aparecem, que se remetem a um silêncio social e cultural que oblitera a sua identidade. Et al. será certamente um indicador do que a academia tem de mais precioso: a busca do conhecimento, da compreensão, da mudança, busca que resulta inevitavelmente em inclusão e tolerância.

ISSN 2184-5646

9 772184 564005

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Et al. #88  

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