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REVISTA ACADร‰MICA DA MADEIRA

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Erasmus? Espera sentado.


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MAIS DO QUE UM DESAFIO!

CARLOS ABREU Presidente da Direcção da Académica da Madeira

Quando falamos sobre o ensino superior, é praticamente impossível não fazer referência aos seus desafios indissociáveis, com os quais somos confrontados ao longo do nosso percurso académico. Apesar das dificuldades económicas serem um dos desafios mais conhecidos e popularizados, está longe de ser o único — por vezes, utilizado para minimizar todos os outros —, pela ausência de um estudo adequado das necessidades dos estudantes em cada região. Com a edição da obra 31 Desafios para o Ensino Superior, pretendemos promover o estudo e a reflexão sobre os desafios do sistema de ensino e de investigação, muitos dos quais estão próximos dos estudantes, como o bem-estar, o emprego ou o desporto. Os desafios são muitos e merecem diferentes visões e reflexões. Nesta obra, integram mais de 40 personalidades, cujos temas pretendem ser tratados com a mesma tónica, não obstante todos exigirem diferentes soluções e preocupações. Consideramos que, por esta via, conseguimos dar o nosso contributo na consciencialização da diversa panóplia de desafios que assolam o ensino superior. Por essa razão voltaremos, em 2020, com o segundo volume. Antes de agir, é preciso conhecer e entender os problemas, as suas causas e a sua dimensão. Por essa razão, criámos e continuamos a criar diversos mecanismos eficazes de apoio ao estudante multifacetados, que permanecem inéditos no nosso país de carácter associativo. De estudantes para estudantes, por um ensino superior mais justo e mais próspero.

FICHA TÉCNICA EDIÇÃO: #87 · PROPRIEDADE: Académica da Madeira · EDITORA: Imprensa Académica · COORDENADOR: Andreia Nascimento · REVISÃO: Carlos Diogo Pereira · REVISÃO DE TEXTOS EM INGLÊS: Lorna Murphy · DESIGN GRÁFICO: Pedro Pessoa · CAPA E CONTRACAPA: Pedro Pessoa · TEXTO DA CONTRACAPA: Cristina Pinheiro · AUTORES DOS TEXTOS: Estudantes, antigos estudantes e professores da Universidade da Madeira; voluntários europeus dos programas da Académica e entidades externas · ISSN: 2184-5646 O CONTEÚDO DESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SER REPRODUZIDO NO TODO, OU EM PARTE, SEM AUTORIZAÇÃO ESCRITA DA EDITORA AS OPINIÕES EXPRESSAS NA REVISTA SÃO AS DOS AUTORES E NÃO NECESSARIAMENTE AS DA ACADÉMICA DA MADEIRA. A REVISTA ET AL. É ESCRITA COM A ANTIGA ORTOGRAFIA, SALVO OS ARTIGOS ASSINALADOS.

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Inserida numa região turística por excelência, a Universidade da Madeira abriu, recentemente, uma nova licenciatura vocacionada para esta área económica, Direcção e Gestão Hoteleira.

Um novo curso, novos desafios. Apreciando o primeiro ano de funcionamento deste curso, colocámos algumas questões à sua Directora, Rossana Santos, que seguidamente transcrevemos. Como avalia o 1.º ano do curso de Direcção e Gestão Hoteleira? O ano letivo 2018-19 foi o primeiro ano do funcionamento do primeiro curso de Direção e Gestão Hoteleira da Universidade da Madeira. Assim sendo, foi um marco importante na história da hotelaria em Portugal e na Região Autónoma da Madeira (RAM). A Reitoria da UMa está de parabéns por ter lançado a primeira pedra de um projeto crucial para o turismo na região. Sendo a RAM uma região de tradição hoteleira, o primeiro

ano do curso de Direção e Gestão Hoteleira foi o primeiro passo para a conciliação entre o profissionalismo e simpatia do capital humano e o conhecimento. Os protagonistas deste curso - alunos e corpo docente - tiveram um papel fundamental para que o primeiro ano tivesse sido possível e com níveis satisfatórios de aproveitamento. Qual a resposta do sector do turismo com a abertura de um curso tão esperado? A resposta tem sido muito positiva, quer da parte dos organismos oficiais do turismo, quer da parte das empresas turísticas. A comunidade residente, em geral, tem sido a que mais interesse tem manifestado através da procura ativa de informações sobre o curso na universidade e em exposições.


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Como comenta os problemas relacionados com o excesso de carga horária dos alunos que, em alguns períodos, ultrapassou as 30 horas semanais? Qualquer projeto que inicia enfrenta desafios. Foi graças à colaboração dos nossos alunos e corpo docente que os conseguimos ultrapassar. Neste momento, ainda contamos com a colaboração de 2 professores externos da Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril e as aulas práticas são lecionadas na Escola Profissional de Hotelaria e Turismo da Madeira e em outras empresas com as quais a universidade tem protocolos de colaboração. Assim sendo, inevitavelmente, os horários têm de ser definidos em concordância.

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Quais foram as principais queixas que chegaram à direcção de curso neste primeiro ano? A sobrecarga horária em determinados períodos, do segundo semestre, para que a concretização das aulas práticas fosse possível. Houve pontualmente outras questões, mas que não deixam de ser transversais a outros cursos e realidades do ensino superior em geral. Como gostaria de ver o curso dentro de 10 anos? Gostaria que daqui a 10 anos o curso também fosse ministrado por doutorados em áreas de necessidade a nível internacional, nomeadamente em Hotelaria, Cozinha e Restauração, e num novo hotel de aplicação na RAM.


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“Da mesma forma que tive que me adaptar ao ensino superior, aos professores e aos horários de estudo intensivo, tenho que me adaptar a tudo o que aquele trabalho me irá trazer.”

Trabalhar VS Estudar: Como ser adaptável? LAURA ANTUNES Estudante da UMa

Deixar um trabalho para estudar é uma experiência que dói, na mente e no bolso, mas o meu gosto pelo trabalho permaneceu muito. Por isso tornei-me trabalhadora-estudante e há três anos que sou lojista. O facto de me ter sujeitado a esta mudança fez com que, hoje, valorize o ser adaptável e considere a importância que isto tem nas minhas escolhas de curto a longo prazo. As primeiras duas semanas no meu primeiro emprego não foram fáceis, mas eu tinha de me adaptar a isso se queria ser uma trabalhadora destacada pela positiva. A importância de nunca perder o foco e ser, essencialmente, resiliente é tão grande que não se faz justiça ao escrever. Em cada experiência de trabalho

que eu vivo conheço cada vez mais pessoas com ambições diferentes das minhas, mas com duas coisas em comum; nenhuma delas nasceu ensinada e todos eles começaram do zero com um currículo vazio como era o meu. Existem, também, algumas questões que podemos já trazer connosco que são trabalhadas juntamente com esta adaptabilidade que temos com o trabalho. Questões de controlo de ansiedade e insegurança podem muitas vezes tentar bloquear a nossa capacidade de socialização, se não as trabalharmos. Também tive, e tenho, ansiedade num trabalho, seja quanto ao meu horário, ao meu chefe ou aos meus colegas. Mas, ao final do mês, a sensação de dever cumprido é gratificante se soubermos delimitar o nosso ser profissional do nosso ser emotivo. Uma das características de um trabalhador destacado e de


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sucesso é precisamente o saber colocar as suas aptidões e conhecimento em prática, ao mais alto nível, enquanto as suas emoções mais frágeis são controladas. Ao longo do tempo em que vamos praticando este exercício o trabalho torna-se mais simples e habituamo-nos a ele, passando a rotina. Apesar do meu tempo como trabalhadora ser curto ainda, sinto que o meu crescimento foi crucial para a maneira como encaro a vida académica, sendo trabalhadora-estudante. Eu escolhi fazer trabalhos diferentes a cada ano que passa, até encontrar aquele que me vai realizar a longo prazo em função da minha licenciatura. Assim, quando estou prestes a começar um novo trabalho faço um exercício comigo mesma com base no primeiro ano do meu curso. Da mesma forma que tive que me adaptar ao ensino superior, aos professores e aos horários de estudo intensivo, tenho que me adaptar a tudo o que aquele trabalho me irá trazer. São ensinamentos que eu mesma concluí ao longo deste tempo de constante adaptação e é crucial, nos tempos que correm, estarmos preparados para uma mudança cada vez mais

urgente e até prematura. O mercado de trabalho está constantemente a evoluir e, se eu já estiver previamente preparada com alguma capacidade de adaptabilidade, o meu percurso será mais ágil em função daquilo que me tornei. Para concluir, vou inserir aqui só mais um pouco do meu percurso laboral e em como me estou cada vez mais a tornar adaptável e resiliente. Sempre fiz tudo em horários diferentes, com vencimentos muito distintos e com métodos de trabalho incomparáveis. A experiência de um levou-me ao outro e os ensinamentos desse outro levaram-me ao próximo. Este ciclo levou-me a variar muito os meus locais de trabalho e a desenvolver a minha adaptabilidade a este mundo. Por incrível que pareça, e assim termino, dei por mim a tirar cafés e a servi-los à mesa. Isto levou-me a trabalhar em muitos eventos turísticos da região que hoje é o que mais me orgulho de fazer. Sempre que se lembrarem, dentro dos possíveis, não tenham medo de tirar cafés e servi-los. Sejam resilientes, adaptáveis. Nunca sabemos que portas nos serão abertas.


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Coca-Cola e o Disco Vermelho são marcas registadas de The Coca-Cola Company.

É HORA DE NOS JUNTARMOS PARA COMER

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Estágios de Verão Uma Aposta Estratégica nos Estudantes do Ensino Superior

Doutorecos

DAVID GOMES Diretor Regional

O Governo Regional da Madeira tem priorizado, ao longo dos sucessivos mandatos, uma ação incisiva na área da Juventude, numa dialética de proximidade com os jovens e numa convergência contínua com as guidelines da União Europeia. Neste quadro referencial, têm sido múltiplas as atividades, projetos e programas promovidos pela Direção Regional de Juventude e Desporto, cujas premissas assentam em metodologias de educação não-formal, enquanto instrumento por excelência de capacitação dos jovens, nos seus tempos livres. Numa perspetiva de tornar mais holística a

oferta de programas existentes ao nível regional, em 2018, foi criado o programa Estágios de Verão, enquanto resposta aos desideratos dos jovens que se encontram a frequentar o ensino superior. Assumindo uma tónica completamente distinta dos demais programas, o Estágios de Verão reveste-se de uma lógica completamente disruptiva, na medida em que os jovens são os principais agentes do processo. Pauta-se, igualmente, pela inovação no envolvimento de entidades dos diversos quadrantes de atuação, localização e qualificação jurídica, dando resposta, por um lado, às necessidades de formação académica e, por outro, ao reforço das sinergias transetoriais que o governo regional estabelece com os stakeholders da sociedade civil.


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Doutorecos

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Estágio universitário

É com muito regozijo que a Direção Regional de Juventude e Desporto reconhece neste programa uma plena concretização da sua missão, comprovada pelo número de candidatos que apenas em duas edições, já ultrapassou mais de mil alunos. Referia-se a este propósito, que, em 2019, ficaram colocados 683 estagiários em 529 entidades, cobrindo todos os concelhos da Região Autónoma da Madeira, numa taxa de colocação de 82%. Possibilitou, à semelhança do ano transato, integrar participantes com diversos níveis de habilitações - doutoramento, mestrado, pós-graduação e licenciatura - que sejam estudantes em qualquer

estabelecimento regional, nacional ou estrangeiro. Especial ênfase para uma taxa de 67,6% de estudantes cuja escolaridade mínima é o 3.º ano da licenciatura, pelo que as oportunidades de criação de um vínculo profissional com a entidade de estágio, ganha particular expressão. Relativamente aos cursos que frequentam, a panóplia é muito diversificada, registando-se uma maior incidência nas áreas de Gestão, Engenharia, Medicina, Gestão, Psicologia, Comunicação e Desporto. Paralelamente à grande recetividade por parte dos jovens, são já muitas as entidades que reconhecem a relevância da oportunidade de ter co-


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Jovens em formação

laboradores com elevadas qualificações a trazer valor acrescentado às suas organizações, durante os meses de julho, agosto ou setembro. Atendendo ao afluxo de atividades que desenvolvem durante o verão, efetivamente, este programa tem constituído uma resposta profícua à falta de recursos humanos com que se debatem muitas coletividades sem fins lucrativos. A título referencial, a Associação Académica representa uma das entidades que fazem uma eficiente gestão desta oportunidade, nos seus múltiplos projetos, que passam pelos campos de férias, visitas multiculturais, acolhimento de voluntários, entre outras iniciativas nas quais os estagiários aufe-

rem de uma experiência inolvidável em termos de capacitação. É desta profícua cooperação entre o setor público e privado que se tem obtido resultados tão impactantes ao nível de todos os intervenientes neste compromisso com a Juventude da Madeira e do Porto Santo. A todos, a Direção Regional de Juventude e Desporto expressa a sua gratidão e confiança, na perspetiva de, conjuntamente, continuarem a superar novos desafios de sucesso!

TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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Bem-vindos ao novo ano académico! CUSTÓDIA DRUMOND Vice-Reitora da UMa para os Assuntos Académicos

Chegámos a um novo ano letivo e, com ele, ao início de uma nova vida para os alunos que entram pela primeira vez na Universidade da Madeira, ou a continuação para todos os restantes. A estes novos alunos, colocados no ensino universitário ou no ensino politécnico, damos as boas-vindas, esperando que se adaptem bem ao nível de ensino para o qual projetaram a sua vida académica. No âmbito dessas boas-vindas, e de forma a começar a promover a integração na universidade, organizámos sessões de receção aos novos estudantes, das quais fazem parte visitas às instalações, reuniões com diretores de curso, divulgação de informações úteis e momentos de convívio e culturais. Para os alunos que já se encontram no sistema, esperamos a continuação dos seus estudos, promovendo, simultaneamente, uma boa relação entre as atividades formativas e a demais vivência académica, que inclui naturalmente a capacidade de se interrelacionarem com colegas, professores e funcionários. Merecem também uma especial palavra de apreço os estudantes que obtiveram, no final do ano letivo de 2018-19, os seus graus académicos (licenciatura, mestrado, doutoramento) ou os di-

plomas de formação (no caso dos cursos técnicos superiores profissionais), ou ainda a formação pós-graduada ministrada em associação com o ISCTE. A todos desejamos os maiores êxitos pessoais e profissionais, esperando que a formação técnica e humana recebida na nossa Instituição lhes seja particularmente útil para enfrentarem as exigências do mercado de emprego. Regressando ao tema do novo ano letivo na nossa Universidade, registe-se que ele se encontra programado, para permitir que os alunos possam receber a melhor formação possível. É certo que a Universidade da Madeira tem vivido as restrições financeiras que são de todos conhecidas, mas tem feito um enorme esforço para oferecer as condições de funcionamento dos seus cursos, no quadro dos critérios e princípios que permitiram a sua acreditação pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). Estamos conscientes de que os nossos alunos poderão alcançar níveis elevados de performan-


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Imagens de Roberto Sousa - UMa

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ce académica, se se dedicarem com tenacidade e entusiasmo ao estudo. A relação entre horas de trabalho e resultados é comummente aceite e, por isso, deve ser sempre considerada para efeitos de análise do êxito da formação. Cada aluno deve entender o seu progresso e desenvolvimento neste nível de estudos como a realização de um programa pessoal bem estruturado, do qual são também partes integrantes as competências sociais e culturais. A probabilidade de vir a ser compensado com este tipo de investimento é muito grande. Em regra, os estudantes melhor preparados naquelas competências são mais exigentes, mais disciplinados e até mais inovadores e criativos, adaptando-se melhor à mudança e às alterações constantes dos atuais contextos de empregabilidade. Por isso, a nossa mensagem vai no sentido de motivar a Academia para este quadro de exigências, pois estamos convictos de que a formação e a aquisição de competências forma pessoas responsáveis e de iniciativa e transforma a sociedade.

É nosso dever providenciar os meios para que tal aconteça ao nível das condições pedagógico-científicas, uma vez que é necessário encontrar um nexo de causa/efeito entre a atividade docente e a investigação científica. A excelência da investigação científica costuma amiúde estar associada à excelência dos resultados pedagógicos. Querer obter este efeito qualitativo deve constituir a nossa missão enquanto responsáveis pela única instituição universitária sediada na Região. Por estas razões, vale a pena estudar e trabalhar na Universidade da Madeira, contribuindo para desenvolver cientificamente, culturalmente, socialmente e economicamente a Região Autónoma da Madeira. A todos os docentes, funcionários e alunos da Universidade da Madeira um excelente ano académico de 2019-2020. TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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PRAXE Académica LISETA PEREIRA Estudante da UMa

Os rituais de recepção dos alunos novos ao ensino superior são já tradições de longa data. A Praxe, do grego Praxis, numa das suas definições dicionarizadas, consiste num “conjunto de regras, costumes e práticas que governam as relações académicas entre alunos de uma instituição de ensino superior, baseado numa relação hierárquica”. Desde o seu início, este hábito tem vindo a provocar, tanto naqueles que nele participam, como naqueles que assistem, reacções diversas. Até há algumas décadas, entrar na Universidade era notável. Num artigo de opinião publicado no Expresso, Daniel Oliveira refere que só este feito bastaria para que um indivíduo passasse a ser ‘senhor doutor’, sem que tal reflectisse qualquer mérito académico. Com o passar do tempo, entrar na Faculdade tornou-se mais habitual. A maior abertura do ensino superior deve-se ao estabelecimento de oportunidades às quais os nossos antepassados não tiveram acesso, tais como bolsas de estudo e outros géneros de apoio social. Este processo provocou também uma mudança do papel social do próprio ensino superior, que deixa se tornar cada vez menos elitista ou exclusivo, para se aproximar no nível de escolaridade mínimo exigido ao cidadão do futuro. É aqui que a praxe entra – tenta atribuir novamente esse significado àquela que é uma das etapas mais importantes da vida de um estudante. A praxe tem como missão, acima de tudo, inserir os novos alunos neste grande meio que é o ensino superior. Porém, se o ensino superior se parece querer para a democratização do conhecimento, qual será o espaço de uma tradição que se baseia numa hierarquia estabelecida, como a Praxe? Haverá risco de, na procura pela união dos es-

tudantes, recorrer-se a uma obediência cega por intimidação, ameaças e humilhações consentidas? Valerá a opinião de um estudante “caloiro” tanto quanto a de um estudante mais velho? O Código de Praxe da UMa declara, no seu artigo n.º39: “O praxista não deve (…) sobrestimar-se”. Já o seu artigo n.º 42 diz: “Os caloiros podem recusar fazer determinada atividade no âmbito da PRAXE a que aderiram.” À primeira vista, estes e outros artigos do documento pretendem estabelecer limites à acção dos praxistas, valorizando a opinião dos caloiros, evitando que sejam forçados a fazerem coisas com as quais não se sentem confortáveis, como a imitação de actos sexuais, esta-


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rem em posições incómodas, entre outros. Serão esses artigos lidos, entendidos e assimilados num verdadeiro espírito de camaradagem ou conforme a vontade de cada um? Cada qual tem que fazer a sua análise e perceber o que pretende com a Praxe, sabendo que a sua liberdade não é a única que está em jogo. Pessoalmente, apesar de criticar a Praxe, a minha experiência não foi de todo tão má. Creio que a Praxe ajuda na inserção dos recém-chegados, apesar das confusões que pode haver pelo caminho. Tive momentos difíceis, mas também tenho muitas boas memórias dos dias em que, fritos pelo sol, andámos a correr de um lado para o outro, ou da

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marcha, da bênção, dos risos. Ainda tenho nódoas negras nos joelhos esfolados pelo chão crespo. Tal como a farinha e o molho no cabelo passaram com água e detergente (sim, o de loiça), a dor dos joelhos também passou. Mas ficaram as memórias. Acredito não ser a única a pensar que a Praxe tem aspectos bons e maus. Não creio que a eliminação desta tradição seja a acção mais correcta a tomar, mas sim a alteração maneira como é feita e o controlo daqueles que a fazem. Qualquer um pode vestir o traje, mas nem todos são praxistas de verdade. Podes querer fugir ou podes ter saudades. A verdade é que, ao fim do dia, a Praxe deixa sempre marcas.


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CARPE DIEM AFONSO ABREU Estudante da UMa

Filme Leonardo DiCaprio interpreta Jordan Belford, um jovem que ambiciona o sucesso em Nova Iorque onde sofre com o crash da bolsa. Em conjunto com um amigo vê-se obrigado a criar a sua própria firma, que servirá de base para a concretização do seu sonho. Jordan na sua escalada de sucesso passa por excessos e esquemas legais e ilegais que envolvem droga, dinheiro, corrupção e sexo, levando à sua detenção. Realizado por Martin Scorsese, que conta com muitos sucessos na sua carreira, e por um elenco de luxo, com nomes com Matthew McConaughney, este filme baseia-se na história verídica de Jordan Belford, que nos anos 90 ergueu um império através de fraudes que o levam à cadeia.


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Livro A arrebatadora história de um tatuador de Auschwitz e da mulher que conseguiu conquistar o seu coração. Em 1942, prisioneiro naquele campo de concentração, Ali é incumbido de tatuar nos companheiros que iriam sobreviver uma série de números. Gita, uma jovem aterrorizada por estar na fila para ser tatuada capta a sua atenção, fazendo-o apaixonar-se por ela. Juntos lutam pela sobrevivência. A história baseia-se em entrevistas que Heather Morris fez durante alguns anos a Ludwig Sokolov, sobrevivente e tatuador em Auschwitz, e que nos mostram os extremos da natureza humana, misturados com o amor sempre presente.

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CARPE DIEM

Melhor Câmara de Telemóvel: P30 PRO

Melhor Preço Qualidade: ONEPLUS 7 PRO

Este dispositivo revolucionou a forma como tiramos fotografias com a nossa câmara de bolso. Conta com um zoom óptico de 5X, híbrido(óptico e digital) de 10X, e de, nada mais nada menos, que 50X através de software. Vem equipada com estabilização para melhor nitidez nas fotos. Ainda como novidade, este dispositivo consegue ser um telescópio de bolso, pois, com um zoom tão grande, podemos tirar fotos à Lua! À parte desta incrível câmara, outras três prometem excelentes resultados, com os 40mpx da câmara principal, a câmara dedicada a retratos denominada de TOF (Time of flight) que melhora o efeito de desfoque nas fotos. Por fim, temos a câmara grande angular, que permite capturar mais espaço dentro da mesma fotografia como, por exemplo, um grupo grande de amigos. Destaca-se também o modo nocturno que consegue literalmente ver no escuro através do potente processamento da Inteligência Artificial, que reduz drasticamente o desfoque e corrige a nitidez.

O Oneplus 7 pro é considerado um dos dispositivos lançados este ano que veio oferecer muito pelo preço que custa, cuja base é de 699€, em Portugal. Falamos de um dispositivo que conta com um ecrã sem notch de 6.7 polegadas, com a tecnologia Amoled que lhe dá cores mais aproximadas à realidade e com a novidade de ser 90hz o que significa que é muito mais fluido visualmente e não vemos o movimento dos itens no ecrã. Conta também com uma câmara de 48 megapixels, uma telefoto de 3X e uma grande angular bastante capazes, que prometem não desiludir até aos mais críticos. A melhor característica deste dispositivo é sem dúvida a sua grande capacidade de bateria e o seu tempo reduzido de carregamento, sendo possível aguentar um dia inteiro de uso moderado com apenas 20 minutos de carregamento.


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Melhor Inovação Em Pc’s: ASUS ZENBOOK PRO 15

O Asus Zenbook Pro 15 é um dos pioneiros em tecnologia uma vez que, apesar das suas especificações mais do que capazes, ainda conta com um detalhe bastante interessante e que permite aos que realizam muitas tarefas simultaneamente terem a vida um pouco mais facilitada: um segundo ecrã onde, normalmente, se localiza o touchpad. Este segundo ecrã serve também como num notebook normal. Esta implementação vem colmatar

uma necessidade crescente em conseguir fazer mais tarefas num menor espaço de tempo. Nele, é possível utilizar a calculadora, ver um vídeo, visualizar fotografias e muito mais. Apesar do seu preço pouco convidativo de 2.000€ é, sem dúvida, uma tentativa bem-sucedida de revolucionar o mundo dos notebooks e facilitar, ainda mais, a nossa interacção com estes importantes dispositivos.


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CARPE DIEM

Passeio: ROTA DOS VINHOS

A Rota dos Vinhos é uma boa forma de realizar grandes passeios e de conhecer um dos mais importantes produtos nacionais, o vinho. De Norte a Sul do país contamos com vários vinhos de excelência. No Norte, nos vales dos rios Minho e Douro encontramos zonas de turismo rural onde se podem visitar várias adegas e vinhas de emblemáticos vinhos verdes. Nessas regiões nortenhas, encontramos os importantes vinhos verdes da casta Alvarinho, entre Monção e Melgaço. A oriente, ficam os vinhos do Alto Douro. E, seguindo o seu curso, o Douro também serve de regadio às terras do Vinho do Porto, atravessando paisagens classificadas Património Mundial pela UNESCO que, pela sua beleza e singularidade, conquistam o olhar dos visitantes. No Centro do país temos a Rota da Bairrada, na região litoral que abrange Aveiro e se estende até Coimbra. Podem-se visitar as termas e os spas ao mesmo tempo que se apreciam os vinhos locais

e os espumantes que acompanham um dos pratos tradicionais, o Leitão da Bairrada. Mais a Sul, temos a Rota dos vinhos da Península de Setúbal que conta com a Serra da Arrábida como um dos locais principais. As paisagens deslumbrantes servem de berço a um dos importantes vinhos nacionais, o Moscatel de Setúbal. Esta região conta com um grande número de adegas e de espaços onde se podem provar os vinhos e apreciar todo um leque gastronómico de produtos locais.


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O alojamento universitário tem que ser mais do que apenas uma cama. Tem que ser acompanhamento e orientação. Tem que ser um lar. E depois? Depois fica tudo mais fácil.

ANDREIA MICAELA NASCIMENTO Académica da Madeira

É extremamente dispendioso, económica e emocionalmente, viver fora de casa para estudar. Em muitos casos, trata-se da primeira vez que o jovem tem que gerir o seu orçamento, elaborar lista de compras, ir ao supermercado, tratar da lavandaria, limpar e organizar o quarto e, o pior de tudo, cozinhar. Esta é, sem dúvida, a parte invisível do que é viver sozinho enquanto frequenta a Universidade. A visível, todos conhecem. Para muitos, os estudantes que precisam recorrer ao alojamento universitário não têm regras, não limpam o que sujam, só participam e organizam festas, só fazem barulho, deitam-se muito tarde, levam namora-

dos(as) para os quartos/casa e não estudam como deviam. Mas, será mesmo assim? A sê-lo, não teremos nós, adultos envolvidos na educação de nível superior, tanta responsabilidade quanto os não cumpridores das regras sociais e domésticas? Uma simples busca na Internet, a fiel e única companheira de muitos, mostra-nos que tipo de privações passam os estudantes e seus familiares durante 3 ou 5 anos. Camas suspensas entre duas estantes, residências luxuosas no exterior e podres por dentro, camas colocadas em corredores e adegas e alojamento sem casas de banho, têm em comum a falta de alternativa e os preços exorbitantes que são praticados. Mas não julgue, o leitor, que tal acontece lá fora, longe, com estudantes que não conhece o nome, o curso ou a família. Acontece aqui, acon-


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Diz-me como moras dir-te-ei quem és!

tece em Lisboa, acontece no Porto, acontece em Coimbra, acontece em todo o lado. Acontece onde quem precisa não reclama porque crê não ter alternativa (de oferta e/ou económica) ou porque é coagido a não reclamar. Na Madeira, existe apenas uma residência universitária. Tem dez anos. Deram-lhe o nome de Nossa Senhora das Vitórias. É claramente insuficiente para o caminho que a Universidade da Madeira tem trilhado nos últimos anos, talvez os mesmos 10. Vários foram os espaços falados e apresentados como possíveis alternativas de onde construir. O edifício na Rua da Carreira, a Quinta de São Roque ou recuperar a antiga residência “Flamengo” são soluções faladas nos corredores. Por certo, quando estas palavras vos chegar, novos lugares já terão sido apontados.

Seria fundamental para a UMa, e para o seu crescimento, existir oferta de alojamento universitário adequado e ajustado à realidade insular. No entanto, cremos que antes de nascer uma nova residência é fundamental fazer crescer - em qualidade, condições e em excelência - a que já existe e que serve centenas de estudantes e suas famílias. E pagar para usar uma almofada não é um bom começo. Mais do que uma cama é prioritário esclarecer as regras pouco claras, minimizar as intransigências - algumas delas causadas, contudo, pelo comportamento de alguns residentes -, resolver o problema das cozinhas minúsculas que servem, em simultâneo e nos dias mais calmos, 50 utentes, a ausência de estendais e de uma lavandaria adequada e, talvez o mais importante, saber ouvir quem lá reside. Afinal, acolher também é educar.


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EM PORTUGUÊS ESCORREITO HELENA REBELO Professora da UMa

OS NÍVEIS DE LÍNGUA E A ESCOLA Quem, demonstrando-o, ensina que falar em casa ou na escola não é igual? Os níveis de língua tendem a ser esquecidos na escola, mas subsistem na sociedade. A Linguística ensina que há níveis de língua, isto é, maneiras diferentes de falar/ escrever consoante, essencialmente: 1) os locais onde a comunicação decorre, 2) os interlocutores (idade, estatuto social, grau de relacionamento, entre outras condicionantes) e 3) o suporte discursivo escolhido. As línguas vivas são, por isso, marcadamente sociais, contemplando variáveis. Aliás, enquanto elementos sociológicos e culturais, existem porque os indivíduos constituem comunidades e formam sociedades. Deveria ser evidente que falar em casa ou no café com os amigos não é o mesmo que falar no trabalho ou na escola. Vivemos numa sociedade em que subsistem esses níveis, mas eles ou não são devidamente ensinados ou não são aprendidos, inclusive na escola. Embora a sociedade os pratique, é difícil que as pessoas tenham plena consciência deles. É primordial ensinar para que todos aprendam a fazer a diferença, mas é preciso praticá-los enquanto se ensinam (e aqui lembra-se Frei Tomás: “Faz o que eu digo, mas não faças o que eu faço.”). Se os docentes não o fizerem, a escola, seja qual for o ciclo de estudos, perde uma das suas primeiras funções: educar para a cidadania, em que se inclui saber usar adequadamente a língua materna. Ouçam-se os modos de tratamento recorrentes num ambiente escolar e, portanto, formal. Há quem trate outra pessoa por “Ó filho(a)!” (não sendo parentes), por “Ó menino(a)!” (ao falar com um adulto) ou use uma fórmula como “Ó querido(a)!” (não mantendo nenhum grau de familiaridade). Haver estudantes que se despeçam de docentes (assim como o contrário) com “Ciao!” ou os saúdem com “Olá!”, como se fossem amigos, não será recomendável. Adequar os desempenhos linguísticos torna-se imprescindível para que quem aprende recorra aos usos convenientes. Acontece de igual modo com o vocabulário, se não se estuda, se ninguém o emprega, não se aprende. A propósito, quem utiliza verbos como “estiolar” ou “exaurir”?


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estiolou-se

esezauriu

isteolou-se

esauriu

esteolou-se

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exauriu

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A sua força ………………, quando viu o trabalho que tinha de realizar.

Toda a sua energia se ………… com a entrega à ajuda humanitária.

Preencher o espaço com a forma certa: estiolou-se/ esteolou-se/ isteolou-se.

Preencher o espaço com a forma certa: ezauriu/ exauriu/ esauriu.

Solução: A sua força estiolou-se, quando viu o trabalho que tinha de realizar.

Solução: Toda a sua energia se exauriu com a entrega à ajuda humanitária.

Explicação: É classificado como galicismo pelos puristas, que recomendam “fenecer” ou “definhar” em vez de “estiolar”. Formou-se do verbo francês “étioler” (1690). Segundo Houaiss (dicionário), foi usado pela primeira vez em português por Avelar Brotero, no campo da Botânica para “provocar/ sofrer estiolamento”. Ganhou um sentido figurado equivalente a “enfraquecer(-se)”.

Explicação: Etimologicamente, vem do verbo latino “exhaurio,is,ausi,austum,aurire”, mantendo, hoje, a mesma significação dicionarizada: “tirar esgotando; esgotar as forças, esgotar, executar completamente”. É sinónimo de “extenuar-se” ou “esvaziar”.


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CARLA VALE LUCAS Serviço de Psicologia da UMa

O ingresso no Ensino Superior acarreta muitos desafios para os estudantes, que vão desde a adaptação ao lidar com a pressão para ser bem-sucedido, gerir emoções e a incerteza do mercado de trabalho (…), para além de outros que se multiplicam nas diferentes esferas da vida. Consciente de tal, a Universidade da Madeira (UMa) tem disponível para os seus estudantes, incluindo estudantes em programas de mobilidade e estudantes internacionais, apoios diversos, entre os quais se destaca o Programa de Tutoria. Este programa é promovido pela equipa de psicólogos do Serviço de Psicologia da UMa e conta com a colaboração de estudantes mais velhos, na

dinamização de algumas das iniciativas. O programa de Tutoria assenta no mote “Progresso, Adaptação e Realização no Ensino Superior” e visa apoiar o estudante universitário na sua integração e adaptação; auxiliar na gestão e resolução de problemas/desafios no decurso da jornada académica, bem como promover o sucesso académico e o desenvolvimento pessoal. No âmbito deste programa, e de forma gratuita, os estudantes têm disponível: 1) Espaço de esclarecimento e orientação - apoio fornecido a estudantes por psicólogos, com o propósito de esclarecer questões pontuais e disponibilizar material de autoajuda; 2) Sessões de tutoria individual e/ou em grupo - As sessões individuais de tutoria con-


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Tutoria: uma aposta no sucesso e no bem-estar dos nossos estudantes A Universidade da Madeira (UMa) tem disponível para os seus estudantes, apoios diversos, entre os quais se destaca o Programa de Tutoria.

sistem num apoio personalizado ao estudante, focado no desenvolvimento de estratégias facilitadores da caminhada universitária (por ex.: gestão de tempo, métodos de estudos, gestão da ansiedade nos exames e apresentações). As sessões em grupo assentam em treinos de competências pessoais, académicas e profissionais, apostos na criação de um espaço de partilha entre os estudantes; 3) Atividades de convívio e de partilha de experiências centradas em vivências académicas, entre estudantes mais velhos e mais novos, promovendo o sentido de entreajuda e solidariedade. A equipa de psicólogos do Serviço de Psicologia da UMa está, pois, empenhada em promover o

bem-estar psicológico dos estudantes, componente essencial para a obtenção do sucesso académico, bem como promover o desenvolvimento de competências transversais cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho. Com mais esta rede de apoio, enquanto Instituição, acreditamos estar a contribuir para que os nossos estudantes alcancem os seus objetivos académicos, capacitando-os e preparando-os para um mundo do trabalho altamente competitivo.

Nota: Artigo originalmente publicado na edição do Diário de Notícias do dia 27 de junho de 2019. TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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Crer em Deus NUNO MORNA

Com o passar do tempo fui ficando muito mais cristão e muito menos católico. Sendo a religião uma coisa do foro pessoal de cada um, a importância coloca-se no acreditar. Sou favorável a uma perspectiva ecuménica das religiões. Não vejo problema nenhum em que as celebrações sejam inter-religiosas, celebrações de unidade entre religiões, o que significa entre pessoas em partilha e neste sentido com profundo significado não-sectário, não-denominacional. Nesta perspectiva não me faz absolutamente importância nenhuma que se celebre um Santo com uma festa onde a participação inclua pessoas que não professam o mesmo culto, a mesma religião. O Santo não perderá em nada da natureza do seu significado. Penso mesmo que o espaço

onde decorrem as cerimónias, deveria ser comum, independentemente da religião. E, porque é Santo António que se celebra, porque não uma Sé de Lisboa a transbordar de católicos, protestantes, muçulmanos, todos com a sua fé na unidade do crer em Deus? Tudo o que possa ser feito para que se assumam as diferenças em paz e com o respeito que elas merecem, deve ser feito. Só assim o “todos” fará sentido como o resultado, que é, da individualidade de cada um.

* O presente artigo de opinião surgiu do desafio lançado pela editora: Casamento do mesmo sexo na tradição dos Casamentos de Santo António.


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Porque só temos uma pele para a vida toda! “O número de pessoas com melanoma, tem vindo a aumentar, ano após ano, pelo que se estima que em Portugal existam cerca de 1000 novos casos, por ano...” ESTER CALDEIRA Alumnus

A pele é o maior órgão do corpo humano e um dos únicos que possui memória, sendo capaz de registar todas as agressões a que é sujeito. O cancro da pele é uma das formas de cancro mais tratáveis, no entanto, o conhecimento do público sobre os sinais e sintomas deste contribui para uma detecção precoce, que é vital. O número de pessoas com melanoma (cancro da pele mais perigoso) tem vindo a aumentar, ano após ano, pelo que se estima que em Portugal existam cerca de 1000 novos casos, por ano. O cancro da pele pode afectar qualquer pessoa, independentemente da sua idade, no entanto, pessoas com pele clara, com exposições solares elevadas, com idades superiores a 50 anos e que tenham uma história familiar de cancro da pele, representam alguns dos grupos de risco. Todos nós estamos sujeitos a este problema, no entanto, existem gestos simples para se proteger do cancro da pele. Ao conhecer os sinais de alerta pode impedir que uma lesão suspeita evolua para algo mais grave ou invasivo. Um dos factores mais importantes para prevenir o cancro da pele é limitar a exposição solar, não esquecendo que esta, ocorre em vários lugares e não apenas na praia. De modo a fazer uma exposição solar segura deve:

TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.

Evitar a exposição solar desnecessária: procurar a sombra e evitar a exposição a lâmpadas UV (solários);


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Utilizar vestuário de proteção: óculos de sol com proteção UV, chapéus com abas e roupa de manga comprida; Aplicar protetor solar: com SPF de 30 ou mais, relembrando que a maioria dos protetores solares só começam a atuar cerca de 30 min. após a aplicação e que têm uma eficácia de duas horas. Além da prevenção, o autoexame é também essencial no controlo deste problema, a regra ABC-

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DE é uma forma fácil de distinguir um cancro da pele de um sinal saudável. Se apresentar algum sinal que pareça suspeito deve consultar imediatamente o seu médico.

Porque só temos uma pele para a vida toda, a luta contra o cancro da pele está nas suas mãos. Para uma prevenção adequada seja uma pessoa informada!


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O Tempo é relativo, já dizia Albert Einstein. RICARDO JORGE MARTINS LUÍS EDUARDO NICOLAU Alumni

Quando se trata de respeitar datas e cumprir prazos, não há filosofia nem física quântica que ajude os estudantes da Universidade da Madeira. Sobretudo quando o tema é: candidaturas ao programa Erasmus+. Da mesma forma que o semestre em que os alunos ficam noutro país lhes parece três dias, o tempo necessário à prossecução da candidatura e restantes burocracias parece meses. Isto quando não se trata, efectivamente, de meses ou de anos a tentar finalizar o processo, algumas das vezes sem sucesso, para descontentamento de muitos alunos.

A falta de clareza nas informações prestadas relacionadas com os requisitos é um dos problemas apontados, como referido por um aluno que indica que “deveriam informar os alunos que se encontram no primeiro ano, aquando da candidatura, que esta não seria aceite pois não apresenta os requisitos mínimos, sendo por isso preferível realizarem a mesma durante o primeiro semestre do seu segundo ano.” Mais recorrentes são as várias reclamações de respostas tardias ou inexistentes, como apontado por uma aluna que referiu estar “há já um ano interessada em saber e adquirir informações” sobre o programa Erasmus, mas sem qualquer resposta por parte da responsável da Universidade por essa pasta, “primeiro presencialmente no Colégio


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A Universidade da Madeira faz festa com mais de 100 vagas para os programas de mobilidade, mas esquece de resolver os problemas que tornam a viagem uma via sacra para os estudantes. Publicidade enganosa? dos Jesuítas” e depois através do envio de “vários e-mails aos quais nunca obtive resposta”. Mais preocupante é o caso reportado por outro aluno que se encontrava em vias de finalizar o processo para participar numa mobilidade internacional do programa Erasmus+. O referido aluno necessitou de dois documentos oficiais, tendo recebido o primeiro deles 2 semanas depois do pedido e apenas após quase 10 chamadas telefónicas “visto que [a responsável da Universidade] não me respondia aos e-mails”. Em relação ao segundo documento, passado um mês após o pedido ainda não o tinha, nem qualquer justificação para o atraso e, ao contactar os Serviços Sociais da Universidade, a resposta que recebeu foi que é “regular este tipo de acontecimentos com a

Dr.ª [responsável da Universidade]”, o que indica que há conhecimento deste tipo de acontecimentos mas não há, aparentemente, qualquer tipo de intenção em mudar. Infelizmente, existem dezenas de outros casos como os citados. A internacionalização é um processo de duas vias: importa saber receber, mas também importa garantir que quem representa a nossa Academia além fronteiras passa uma boa imagem. Por enquanto, a imagem é que a Universidade, através dos seus funcionários, não quer nem dá satisfações aos seus alunos nessa matéria, mas os comunicados de imprensa dão outra imagem da realidade. Falando em Erasmus+: será para Inglês ver? Acreditamos que não, nem que seja pelo Brexit.


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DPES

Pastoral do Ensino Superior O Departamento da Pastoral do Ensino Superior (DPES) está presente na Universidade da Madeira e tem por missão oferecer a toda a comunidade académica um espaço de acolhimento, formação, partilha e celebração comunitária da fé cristã. Disponibiliza um serviço de acompanhamento pessoal e espiritual nas diversas situações e momentos da vida, desde a vivência dos diversos sacramentos, passando pelas experiências de luto e frustrações, e promovendo o compromisso pessoal cristão através de um espaço de missão ou voluntariado. O DPES dispõe de um espaço no piso -1, junto à Associação Académica, onde o Pe. Carlos Almada, o novo padre assistente, celebra missa todas as quartas-feiras, às 13h. É também aqui que se reúne semanalmente um grupo de estudantes católicos para aprofundar a sua fé, fortalecer laços

de amizade, esclarecer dúvidas, ou debater sobre temas do seu interesse. Sabemos que a Universidade é por excelência o lugar da procura da verdade e do saber, mas esta procura não se esgota num plano meramente académico ou científico. O ser humano é também um ser espiritual, dotado de um desejo mais ou menos consciente de transcendência e de relação com o Transcendente. Neste sentido, o DPES procura ser na Universidade lugar de vivência e de procura conjunta das razões mais fundas da nossa fé. Grande parte da missão que a irmã Teresa Pinho (diretora do DPES) e o padre assistente desempenham na Universidade é essencialmente a escuta, a disponibilidade para ouvir e acompanhar, a ajuda e aconselhamento, além de programarem e coordenarem, em conjunto com o Conselho Permanente, todas as atividades ligadas ao Departamento.


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Entre elas, podes encontrar:

VOLUNTARIADO TRANSFORMA-TE Quinzenalmente, às sextas-feiras, das 18h15 às 20h30, no Hospital Dr. João de Almada. O projeto consiste em visitar e dar o jantar a alguns utentes desta instituição, oferecendo-se para isso a formação adequada e a supervisão de um enfermeiro que acompanha o grupo.

CUM Coro Universitário da Madeira! Se gostas de cantar, ou tocas algum instrumento, podes juntar-te ao CUM e deste modo dar o teu contributo na Animação de diversas Eucaristias, na Celebração das Capas, no Corte das Fitas, e na Missa do Parto dos Universitários. Os donativos que o coro recebe revertem para o Fundo Solidário do DPES, o qual se destina a apoiar os estudantes mais carenciados do Ensino Superior, promovendo-se assim uma cultura solidária.


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DePés NO CHÃO

QUERES FAZER PARTE DO DPES MADEIRA?

Grupo de estudantes católicos que se reúne às quartas à tarde para debater e aprofundar a fé. E ainda…. Encontros, Retiros, Missões, Caminhadas, Formações, Jornadas Mundiais da Juventude, Tertúlias e Conversas, Macarronadas, preparação para o crisma de adultos, conversas individuais e acompanhamento espiritual.

Segue-nos no Facebook: https://www.facebook.com/DPES-Madeira Inscreve-te em: pastoraluniversitariamadeira@gmail.com Vem ter connosco no Piso -1 na UMa

“Para mim, fazer parte deste grupo de voluntariado faz-me ser melhor a cada dia. Sinto que evoluo imenso, não só a nível pessoal como emocional e espiritual. Sem dúvida que recebo mais do que dou, sentindo-me altamente realizada e grata por ter esta fantástica oportunidade de crescer e ser cada dia uma melhor versão de mim mesma!” (Joana Martins)

“Ser voluntária é uma experiência enriquecedora e muito gratificante. Permitiu-me ter outra perspetiva sobre o que significa ajudar o próximo. Através das visitas aos idosos no lar, consigo crescer não só a nível de experiências bem como a nível pessoal. Os idosos são capazes de nos acolher e ensinar tantas coisas, basta ter disposição para fazer parte das suas vidas. No caso das atividades desenvolvidas com crianças, fico contagiada com a sua inocência e alegria. Sinto-me muito grata por fazer parte deste grupo de pessoas fantásticas que me ajudam a ser cada vez melhor ser humano.” (Paula Gonçalves)

“Fazer parte deste grupo proporcionou me uma enorme variedade de experiências, que me ajudaram a crescer, através de várias atividades solidárias para com os outros, sejam estes idosos, crianças ou adultos. Ao longo do percurso conheci pessoas com quem pude partilhar refeições, histórias e experiências. Desde que me juntei fui sempre muito bem acolhido e sinto que tenho aproveitado cada vez mais a minha vida.” (Paulo Brito)

TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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University for the common good. Project co-financed by:

LORNA MURPHY Students' Union British Volunteer

I attended Glasgow Caledonian University, in Scotland, where I studied business and tourism management. Glasgow Caledonian University (GCU) is a very new university, it was founded in 1993, because of the merger of The Queen’s College and Glasgow Polytechnic. It is the third university in Glasgow, located in the centre of the city and serves over 20 thousand students and 1500 staff members. There are also campuses in London, New York, and a college of engineering in Oman. The university’s chancellor is currently Annie Lennox, famous singer in Eurythmics, social activist and philanthropist. The chancellor’s role is mostly symbolic, she attends important events such as graduation. In most Scottish universities graduates are “capped” before receiving their degree, which means that the chancellor taps them

on the head with a ceremonial hat; this is how I met Annie Lenox. GCU contains 3 schools, the Glasgow School for Business and Society, School of Computing, Engineering and Built Environment and finally the School of Health and Life Sciences. Subjects range immensely within these three schools. There are courses on video game design/development, nursing, psychology, business and tourism/ fashion/human resources, there are many subjects that are more specialised and specific than some you would find in an older, more traditional university. GCU’s library, the Saltire Centre holds an award and is a fantastic academic library for students. It is the leading UK recipient of Erasmus+ research funding to support training, youth and sport in Europe. They hold a platinum status EcoCampus award, the first university to be accredited with this. GCU also partners globally, which links in China, India, South America and Oman. Life as a student at GCU was busy and challenging but overall extremely rewarding and valuable. I met my best friends here and the support of my fantastic lecturers helped me through my degree, Glasgow Caledonian University was a pleasure to study at.


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Inquérito às Dificuldades dos Estudantes 2019 RICARDO MARTINS Académica da Madeira

nimo da Bolsa de Estudo, que, de acordo com os dados recolhidos, ascende aos 57%, bastante superior à média nacional que se cifra nos 40%.

Com o objectivo de garantir a defesa dos interesses e necessidades dos alunos da nossa Academia, a Académica da Madeira implementou, novamente, o Inquérito às Dificuldades dos Estudantes da UMa, dando assim continuidade ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, desde 2012.

Bolsas de Estudo Ano após ano, as estatísticas da Direcção-Geral do Ensino Superior (DGES) têm demonstrado que a Universidade da Madeira possui uma das mais elevadas taxas de alunos bolseiros em todo o País. 2018-2019 manteve a tendência, com 40% dos alunos a beneficiar de Acção Social Directa. Mais surpreendente será a percentagem de alunos bolseiros contemplados com o valor mí-

Figura 1 - Distribuição dos alunos bolseiros de acordo com o valor da bolsa.

Este é um indicador preocupante pois significa que 57% dos alunos beneficiários de Acção Social Directa vive em agregados com rendimentos anuais iguais ou inferiores a 4717.90 €, muito


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abaixo do valor anual do Limiar de Risco de Pobreza1 (actualmente definido como 5607.00 €).

Outros apoios à frequência do Ensino Superior Uma das questões inéditas na edição de 2019 do Inquérito às Dificuldades tinha como objectivo saber se os inquiridos se candidataram a mais algum apoio além da Bolsa de Estudo da DGES.

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Como apresentado na figura 2, 61% dos inquiridos procuram, de forma activa, outros apoios financeiros para a frequência do Ensino Superior, o que é um reflexo da situação económica desfavorável da maioria dos estudantes da Universidade da Madeira. Com 9 dos 11 municípios da Região Autónoma da Madeira a disponibilizarem bolsa de estudo para os seus residentes, é normal que seja este o tipo de apoios complementar mais procurado pelos inquiridos.

Figura 2 - Outros apoios e bolsas procuradas pelos alunos inquiridos

1 Valor abaixo do qual se considera que alguém é declaradamente pobre.


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Transportes Públicos

Dificuldades Económicas

Desde 2016-2017 que uma das perguntas do inquérito tem como intuito saber qual é o meio de transporte preferencial dos estudantes da UMa. A entrada em vigor do Passe Sub-23, em Maio de 2018, foi muito importante para a comunidade estudantil da UMa, como apresentado na figura 3.

Novamente, os inquiridos foram questionados se sentiram dificuldades económicas no corrente ano lectivo. As respostas obtidas indicam que 41% dos bolseiros e 30% dos não bolseiros admitem ter experimentado constrangimentos de ordem financeira em 2018-2019, o que é uma melhoria face aos anos anteriores.

Figura 3 - Principais meios de transporte utilizados pelos inquiridos nos últimos 3 anos lectivos

Figura 4 - Evolução das respostas nos últimos três anos lectivos

O facto de 87% dos utilizadores de transporte público indicar que beneficia do Passe Sub-23 é comprovativo do quão importante foi a implementação desta medida.

Pese a evolução positiva, retratada na figura 4, é preocupante que 4 em cada 10 alunos bolseiros continuem a assumir dificuldades económicas, mesmo com a:


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Entrada em vigor do Passe Sub-23 e de novas tarifas de transporte público; Existência de vários apoios e bolsas complementares; Implementação de um serviço autónomo de cópias, impressões e digitalizações a preços mais vantajosos; Reposição do salário dos trabalhadores da administração pública. Esta situação demonstra a importância da existência de um órgão que acompanhe todo o per-

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curso académico, de forma a identificar os casos mais complicados e agir em conformidade de forma célere e eficaz. É com esse objectivo que nasce, assim, o Observatório da Vida Estudantil dos alunos da UMa (OVE-UMa), que terá como missão desenvolver actividades que permitam conhecer o contexto sócio-demográfico dos estudantes da nossa Academia e dinamizar esforços no sentido de prevenir a possibilidade de abandono e/ou desistência, consequentemente maximizando o sucesso académico.


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NUTRIÇÃO

Recomendações para a escolha alimentar BRUNO SOUSA Nutricionista

Ler cuidadosamente a lista de ingredientes: Uma vez que os ingredientes estão indicados por ordem decrescente do seu peso, deve-se moderar o consumo de produtos alimentares cujos primeiros ingredientes sejam gorduras, óleos, sal, açúcar ou ainda outras formas de “açúcares” (maltose, glucose, dextrose, xarope de açúcar, açúcar invertido, entre outros).

Ler cuidadosamente a informação nutricional: - Verificar a quantidade de lípidos; Preferir produtos alimentares com baixo teor em lípidos, sobretudo em saturados e colesterol - Verificar a quantidade de sal; Diminuir a ingestão de produtos ricos em sal - Verificar a quantidade de fibras alimentares Optar por produtos alimentares cujo conteúdo seja equilibrado em fibras; - Verificar a quantidade de hidratos de carbono


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Adquirir produtos alimentares ricos em amido e pobres em açúcares. Compare a informação nutricional do rótulo do alimento ou bebidas (por 100g ou 100ml, respetivamente). Opte por alimentos e bebidas com

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nutrientes maioritariamente na categoria verde, modere aqueles com um ou mais nutrientes na categoria amarela e evite aqueles com um ou mais nutrientes com a categoria vermelha. TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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Programação com Doutorecos1 ANA DRUMOND Software Developer, Asseco PST

A ideia que as crianças têm da programação é de que apenas serve para fazer programas. Mas o que é a programação? Como é que surgem esses programas? As palavras “algoritmo” e “instrução” são pouco relevantes para as crianças. A verdade é que os algoritmos estão implícitos e integrados em tudo o que as rodeia. São aplicados em tudo e são usados em toda a tecnologia e em todas as decisões que as crianças tomam, diariamente. O objetivo principal da colaboração no Doutorecos foi tentar explicar a crianças o que é o algoritmo. Este, mesmo que possa ser bastante complexo, é, na verdade, um conceito bastante simples de explicar e partilho aqui o resultado da experiência. Na ótica de fornecer um bom exemplo sobre a importância de um programa bem construído para uma tarefa bem-sucedida, foi apresentado um vídeo na qual uma criança escreveu um conjunto de instruções para poder fazer uma sandes de Nutella. Conclusão: Essas instruções foram reescritas algumas vezes por falta de detalhe. O desafio para esta criança foi tentar ser mais o específica possível com as suas instruções. Os computadores não sabem quais são os nossos pensamentos e intenções. Logo, se quisermos programar uma máquina para preparar uma taça de cereais, se não especificarmos que é necessário colocá-la em cima da mesa, ela irá acabar por deitar todo o leite no chão! As crianças, por seu lado, podem escrever os seus próprios algoritmos, como por exemplo, um relativo ao que executam todas as manhãs! Podemos considerar o escovar os dentes ou comer cereais. Indiretamente e sem suspeitarem, elas estarão a explorar conceitos computacionais muito importantes, tais como repetições (por exemplo: escovar os dentes do lado esquerdo, do lado direito, de baixo, de cima cinco vezes), sequências


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(pôr os cereais na taça e, de seguida, o leite) e lógica condicional (se a taça estiver vazia, parar de comer). Com a utilização destes conceitos computacionais nos algoritmos, as crianças podem executar tarefas de uma forma rápida e simples. As aulas de programação servem para estimular a imaginação e a criatividade do aluno, melhorando o seu trabalho em equipa e aumentando a sua concentração. A programação possui várias línguas nas quais são escritas linhas de código de um programa complexo. Quem se interessa por estas línguas, desde cedo acaba por desenvolver um melhor raciocínio lógico.

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Afinal, a programação tem toda a flexibilidade, é um "pequeno, grande… gigante..." meio onde o pensamento e o raciocínio lógico podem ser expressos através da criação de ferramentas e programas que dão resposta a toda e qualquer necessidade do quotidiano. TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.

O Doutorecos é o campo de férias que a Académica da Madeira realiza nas instalações da UMa, anualmente. Nele, crianças em idade escolar, realizam atividades diversas com, entre outros, estudantes universitários e investigadores.

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Bênção de um LUÍS FERRO Estudante da UMa

Segundo Immanuel Kant, “Quem não sabe o que busca, não identifica o que acha”. Este foi o lema que levei comigo ao longo da minha vida académica como caloiro e como novato nesta que é a fase crucial da vida de estudante. Quem não busca o seu futuro, não se identifica com aquilo que estuda ou com aquilo que segue e, por essa mesma razão, tomei a iniciativa de mudar efectivamente o meu percurso universitário que mais tarde culminaria em uma nova opção profissional. Comecei como qualquer outro estudante, misturado entre apoquentação e confiança, filosofando sobre as diversas anatomias que o curso de Estudos de Cultura iria apresentar, não só em termos teóricos mas em termos práticos. Claro que o nível seria diferente, a dificuldade iria aumentar, a devoção

académica transcendia a qualquer outra dedicação e a perseverança elevava-se em uníssono com o nosso espírito. Começámos com a disciplina de Introdução à Linguística Portuguesa, aula leccionada pela professora Helena Rebelo, uma pessoa completamente culta e cheia de energia para nos transmitir. Confesso que ao início estava nervoso pois, neste novo ensino tudo é novo, tudo é mais árduo e por essa mesma razão acanhei-me um pouco no começo. Ao longo das cadeiras do primeiro semestre, a necessidade de expressar opiniões finalmente se desenvolveu num prisma que jamais acharia possível, visto que todas as matérias se divergiam num ponto, mas convegiam em muitos outros dando maior ênfase ao conceito e ao objectivo do curso. Entre obras de Mia Couto, mitos literalmente abstractos, introduções a metodologias de esquemas textuais, conhecimento mais complexo acerca


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Universitário da língua inglesa e por fim esclarecimentos linguísticos e aprendizagem de fenómenos fonéticos, tudo parece não ter qualquer relação. Contudo, cheguei à conclusão de que todas elas se resumiam à simples e eficaz procura e captação de conhecimento de certas culturas universais, exploração esta que teve por base, apresentações, frequências, teses e muitos outros formatos textuais. Não posso dizer que foi fácil, mas que no fim de tanto trabalho, sei que o suor valeu a pena, pela razão de que pude desenvolver capacidades mais acessíveis e flexíveis. Sei que houve persistência, entrega total e luta por um futuro decente. Logo, os resultados foram desejáveis e alcançáveis. Passado o 1.º Semestre, obtive uma visão equilibrada e mais correcta sobre aquilo que era o curso, sem receios para o semestre que se avizinhava. Empiricamente, digo que, se a dificuldade persistir, não há nada melhor do que confiar em si próprio

e na sua opção, o que a partir daí significa força e determinação. Entra o 2.º Semestre, com uma força implacável sobre mim, com novos conteúdos, novos professores e novas etapas. Neste semestre, começámos com Antropologia Cultural, Problemática das Religiões, Inglês, Estudos Literários, e Introdução à Literatura e Turismo, que apesar de aparentarem um mundo novo, têm a sua devida relação com as disciplinas anteriores. Não só se resumem a mais um conhecimento geral e abrangente sobre as normas que devemos adoptar, como seres formados e disciplinados na nossa cultura, como também toda a informação acerca das diversas épocas literárias e respectivos géneros, isto pertencente à disciplina de Estudos Literários, leccionada pela Professora Maria Teresa Nascimento. Nesse semestre, estudámos e investigámos a lei do Homem, isto é, o seu surgimento no mundo e a


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consequente evolução. Neste prisma, aprendemos conceitos como “alteridade”; “etnologia”; “etnografia”; “cinofagia” e entre outros. A partir daí foi uma corrente que se estendeu desde os primórdios das conquistas globais (ex.: os descobrimentos), até perspectivas antropológicas desenvolvidas que nos permitiram ter uma visão mais aberta e complexa acerca do indivíduo numa determinada sociedade ou civilização. Tudo isto, deu-nos a clara ideia de que a construção do Homem remonta a épocas bem primordiais e que foram precisos diversos obstáculos para realmente começarmos a compreender o mundo no seu todo. Foi a disciplina que mais me motivou ao longo de todo o ano, isto porque abriu portas para aquilo que realmente quero para o futuro, que é a antropologia. Notei grande apoio por parte da professora o que foi muito bom, além de estar constantemente em descoberta e exploração, tornando a aprendizagem mais fácil e mais empolgante. Outra disciplina que me inspirou foi Inglês que, mesmo já aprendendo há anos nos ciclos de ensino, trouxe-me, na Universidade, política, história, cultura contemporânea e outras temáticas. Pensar que o Inglês se centra na gramática e no vocabulário é errado, visto a professora Dominique Costa ter-nos dado uma perspectiva polivalente do desenvolvimento desta língua. Em retrospectiva, eu aconselho a quem queira vivamente trabalhar no ramo da literatura,


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da cultura e até da história, a ingressar no nosso curso pelos domínios do conhecimento que abarca, numa perspectiva humanista. A minha visão profissional mudou assim que entrei no curso e, para quem pense que o curso não nos traz nada de útil, desengane-se. Se trabalhamos para o mesmo e se temos o mesmo objectivo de vida, há que ser confiante e é nisso que estou a trabalhar. Se existe um curso na Universidade da Madeira chamado de Estudos da Cultura, então existe um futuro baseado nesse meio para lutarmos e ao qual nos dedicarmos. Toda a turma se apoia. Mesmo que ainda se formem grupos, o que é inevitável, é um lar de apoio e entreajuda. Estou orgulhoso do meu trabalho até agora e sei que, se continuar assim e os que estão a ler este texto estiverem a compreender toda esta reflexão, acreditem que o curso ideal para conhecermos melhor a nossa vida, o nosso mundo e nossa cultura é este.


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A University based in a Central European city

Project co-financed by:

MAGDALENA ZAWADKZA Students' Union Polish Volunteer

The Wroclaw University of Economics is not only one of the top economic schools of higher education in Poland but also an important centre of science and research. The university is located in Lower Silesia, in south-western Poland, close to German and Czech border. There are more than 17 thousands students, including over 300 foreign students each academic year, more than 73 thousands graduates and over 780 academic teachers. The university has more than 120 bilateral agreements in a frame of the Erasmus Program. The Wroclaw University of Economics is divided into four faculties: of Economic Sciences, of Management, Information Systems

and Finance, of Engineering and Economics and of Economy, Management and Tourism. The students have a wide variety of 100 specializations within the range of courses offered by these faculties. The Wroclaw University of Economics is also a long-established centre of research in logistics and mathematics and on economic sciences, social sciences, management, as well as technical, biological, chemical, and agricultural sciences. Moreover, the university strongly cooperates with the business environment. Apart from academic and educational spheres, the university is also active in other areas. The professional staff and students are involved in numerous, local initiatives, for instance the Lower Silesian Festival of Science or European Club of Labour and Business of the Wroclaw Agglomeration. The priority of the university is the internationalisation of scientific research and didactic programs. Among many international partnership relations are educational establishments from Portugal, such as the University of Porto.


Home of the

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WWW.BURGERKING.PT LAVIE

MADEIRASHOPPING

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A celebração dos casamentos JOSÉ LUÍS RODRIGUES

Na relação esponsal entre as pessoas só o amor é que conta. Por isso, todas as formas de relação deviam ser consideradas Sacramento. Eis o que disse Jesus: «Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo» (João 15,12). Tudo dito. O amor é o essencial. Não está dito qual a forma ou formas de concretização do amor. O amor basta-se a si mesmo. Sobre esta minha convicção, o antigo João Paulo II ensinou que «é desta palavra do Senhor que depende a nossa credibilidade de cristãos. E é o próprio Jesus que nos admoesta: ‘É por isso que todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros’» (Jo 13, 35). Santo Agostinho confirmou-o, do alto da sua sabedoria: «ama e faz o que quiseres». Ainda Santo Agostinho, grande figura do Cristianismo, acrescentou assim:  «Este é o amor que nos dá aquele que prescreveu: como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros (Jo 13,34). Para isto é que nos amou: para que nos amássemos uns aos outros. E deu-nos a graça, pelo amor que nos tem, de nos estreitarmos uns com os outros pelo

amor mútuo e de sermos unidos os membros por tão doce vínculo, o Corpo vivo de tão ilustre Cabeça». O dom supremo de Deus é o amor. Viver o amor verdadeiro e habitar num lugar onde se é sujeito na vivência do amor, nesse lugar conhecemos, incondicionalmente, a presença de Deus. A condição única de salvação é a vida no amor, que não se consegue por simples meios humanos, como o confirma o Apóstolo São João: «Quem não amar não pode conhecer Deus, porque Deus é amor» (1 Jo 4, 8). O amor exorciza o medo e torna-nos livres diante do nosso ser e diante dos nossos semelhantes. Perante esta base, o amor é sempre um verdadeiro milagre. É sempre o dom que Deus dá de Si mesmo, é sempre uma experiência divina. Na comunidade de amor que pode ser a nossa, a presença de Deus é-nos oferecida sem preço algum livremente todos os dias. Se nos abrimos a esse milagre, podemos partilhá-lo com os outros em sinal de gratidão. É que nós gastamos o coração e a inteligência com lógicas matreiras e maquinações interesseiras que nos perdem e nos envolvem no esquecimento fatal da perdição. O coração e a inteli-


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gência, segundo a perspectiva de Deus por Jesus Cristo, são para gastar no que é fundamental, no que salva e no que conduz ao Reino de Deus ou, se quisermos, naquilo que nos faz felizes. Alguém proclamou que «quem economiza amor, morre pobre». O amor de Deus é forte como a morte, dirá o Cântico dos Cânticos e onde não há amor ponha amor, dirá São João da Cruz. Pois, então, que melhor caminho pode delinear para nós próprios senão estes que requerem de nós um bom uso da liberdade, da inteligência, da alma e do coração. Não devemos entregar-nos ao amor como se fosse um negócio com regras e condições, mas como o único modo que nos identifica com Jesus, o nosso mestre. William Shakespeare disse-o assim: «é um amor pobre aquele que se pode medir». O amor padronizado não existe. Desta forma compreendemos que o amor não é moeda de troca que requer condições, mas algo que nos envolve por dentro, nos anima e nos carateriza totalmente. Só com esta forma de vida podemos descobrir a presença de Deus, pois Deus é amor como já vimos. O amor por Deus e pelos outros é um modo de

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ser, uma vida e um dom que se acolhe como manancial da bondade de Deus, que nos torna grandes não aqui, no lugar da vida. E sempre que não somos amor, matamos Deus ou testemunhamos que Ele não existe mesmo. Durante mais de 300 anos vigorou, na Igreja Católica, uma intransigência surda e cega perante os fracassos do Sacramento do Matrimónio. O Papa Francisco teve a coragem de mudar alguma coisa (aliás, muita coisa face ao conservadorismo que ainda norteia este assunto dentro da Igreja) relativamente aos casais que tiveram a infelicidade de fracassar quanto ao seu vínculo matrimonial. Foi com grande entusiasmo e alegria que recebi esta novidade do Papa Francisco, que devemos acolher todos, particularmente, os que fracassaram. De outro modo não poderia ser, porque sei do grande sofrimento e tristeza por que passam tantos irmãos e irmãs nossos, porque, na Igreja, eram considerados pecadores e condenados para sempre impedidos de comungar na Eucaristia e até de serem chamados aos diversos serviços da comunidade cristã. Nem todos os casamentos são iguais. Eis aqueles que conhecemos entre nós: casamento religio-


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so; casamento religioso com efeito civil; casamento civil; casamento na praia; casamento no campo; casamento num espaço interior; casamento dito moderno, isto é, «viver juntos» ou «União de facto»; casamentos homossexuais... Há quem diga que ir a um casamento é o mesmo que ir a todos. Se a maioria das pessoas que conhecemos fizer uma celebração na igreja e um copo-de-água numa quinta, é possível que todos os casamentos sejam parecidos. Mas se a religião dos noivos não for a católica, se os noivos preferirem casar pelo civil ou se quiserem fazer a festa num local completamente diferente, ao ar livre, então verão que os casamentos não têm por que serem iguais. E os noivos se tiverem dinheiro suficiente podem ter qualquer tipo de casamento que desejem. Quanto maior o aparato, maior deverá ser a bolsa do dinheiro. Enfim, que fique claro para todos nós. O amor é o único valor digno de ser Sacramento. Por causa disso, Deus deu-se todo, inteiro como sacrifício de morte. Por isso, seria suficiente pensarmos todos assim para que 99 por cento dos nossos problemas ficassem resolvidos, principalmente, tudo o que se relaciona com casamento assim, casamento assado, válido ou nulo, divorciado ou recasado, solteiro ou casado... Toda a forma de

relação se condimentada, exclusivamente, com amor e com tudo o que ele implica, seria suficiente para ser Sacramento. Estamos longe disso, claro... Porque, ao amor se juntaram preceitos e preconceitos que excluíram o essencial da vida, que é amar. Daí toda a tralha de problemas e inquietações que nos consome a existência. Bastava a norma límpida, solta e livre de empecilhos de manias vinda dos frustrados e amargurados da vida, que diz assim: «Amai-vos uns aos outros...» Foi pena que tenhamos deitado fora o essencial em nome do fanatismo de uma pureza impossível, contra a alegria das imperfeições que a criação nos ofereceu. Por fim, devo dizer para qualquer tipo de casamento, o mais importante é ser feliz. Qualquer forma de vida em comum, precisa de compreensão, compaixão e verdadeira tolerância. Nenhuma forma de vida em casal é perfeita. Até ouso dizer, habitualmente, que a vida em casal pode destruir-se todos os dias, mas também todos os dias, deve ser reconstruída. A ambos é pedido que tenham predisposição mais que suficiente, todos os dias, para que esse trabalho diário seja realizado em nome do amor e da felicidade. TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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A minha experiência num Serviço Voluntário Europeu de curta duração Project co-financed by:

FABRÍCIO PERESTRELO Voluntário Europeu

Quando decidi fazer um SVE, foi algo que começou por ser uma curiosidade, com o intuito de me divertir, conhecer pessoas de outros países e culturas e ter uma oportunidade para crescer e aprender. Na reta final desta experiência, posso afirmar que aprendi o verdadeiro sentido de voluntariado: é um dever cívico e não uma opção para um cidadão ativo. Com destino a Roménia na Europa de Leste, a cidade Craiova tornou-se na minha casa durante quase quatro meses. Ajudei a desenvolver o projeto “Be Fit”, que consistiu em ajudar adolescentes de uma prisão/centro de detenção/correção local. Através de atividades de desporto, pintura, artes manuais e dança, tentámos transmitir aos jovens os valores e a importância da inclusão social e da integração. Todas as semanas, o grupo de trabalho esteve responsável por desenvolver e difundir o site do projeto, de participar em eventos e de fazer experiências sociais, organizando uma competição, realizando entrevistas, entre outras. A intensidade aumentou de dia para dia, culminando num

evento final, onde todos os trabalhos criados foram expostos juntamente com um flash mob organizado pelo grupo. Fiz amizades e conheci pessoas incríveis. Esta experiência fez-me crescer em diversos aspetos. Hoje entendo melhor o conceito de voluntariado e da sua utilidade na concretização de projetos que de outro modo não existiriam. O voluntariado produz resultados positivos na mudança e na construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e saudável. A prossecução das atividades de voluntariado, especialmente com os mais desfavorecidos, deu-me imensa alegria e foi o troféu do dia-a-dia, sabendo que fiz a diferença. Todos desempenhamos um papel na sociedade: o de encorajar e servir o nosso vizinho tem sido esquecido – este projeto fui uma lembrança e uma aprendizagem para o resto da minha vida. Um enorme OBRIGADO a todos os que fizeram parte desta jornada.

TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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A Universidade da Madeira já pode hastear a Bandeira Verde HÉLDER SPÍNOLA Coordenador do Programa Eco-Escolas no Politécnico da Universidade da Madeira

A Universidade da Madeira, através do seu Politécnico, já pode hastear a Bandeira Verde, como prova do sucesso do seu envolvimento num programa de educação ambiental: o Eco-Escolas. Ainda estamos a começar, há muito caminho pela frente, mas é, sem dúvida, motivador ver premiado este primeiro passo na transformação que se pretende para a Comunidade Académica. O Politécnico da UMa inscreveu-se neste programa da Associação Bandeira Azul da Europa com o propósito de contribuir para a constituição de um Campus sustentável, ajustado à necessidade de reduzir o consumo de recursos e de poluição, e ser, em si mesmo, um espaço educativo para os desafios ambientais. Iniciar um novo ano letivo na UMa com o has-

tear, pela primeira vez, da Bandeira Verde, eleva o compromisso de toda a Comunidade Académica para com este desafio e aumenta a nossa ambição em querer fazer melhor. Apesar do muito que ainda falta fazer, já são bem visíveis algumas melhorias, desde o início deste processo, no passado ano letivo. Por exemplo, com a reformulação dos contentores para recolha seletiva, incluindo o vidrão e a sinalética pormenorizada, constatou-se de imediato uma evolução significativa na qualidade da separação do lixo. O índice de qualidade ‘Bom’ de separação para o contentor amarelo (embalão), para embalagens de plástico e metal, passou de 48% para 82%, enquanto o de ‘Má’, que era de 12%, desapareceu. O contentor azul (papelão) mostrou melhorias muito menos expressivas, em que ‘Bom’ subiu de 4% para 13% e a ‘Má’ desceu de 66% para 49%. Os principais erros de separação, neste caso, devem-se à recolha de copos de café e de guardana-


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pos usados. Apesar de serem de papel, estão contaminados pelo que não são recicláveis, devendo ser colocados no lixo geral (indiferenciado). Obtiveram-se ainda resultados interessantes para o contentor dos indiferenciados (lixo geral, cor preta), passando o índice ‘Bom’ de 18% para 44%, e o ‘Má’ de 41% para apenas 8%. Apesar das garrafas de vidro serem muito raras na caracterização inicial, feita em fevereiro de 2018, a adoção da recolha seletiva de vidro levou ao seu aparecimento, o que é de valorizar como alternativa às embalagens de plástico. Outras medidas foram já implementadas, e muitas estão previstas, com o propósito de diminuir a pegada ecológica da UMa, nomeadamente: reduzir a produção de resíduos e fomentar a sua separação para reciclagem; reduzir os consumos de energia e potenciar o aproveitamento das fontes renováveis; reduzir os consumos de água, potenciando a sua reutilização e prevenindo a sua poluição; e aumen-

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tar a diversidade biológica dos espaços verdes. Com as melhorias na logística e na sinalética do Campus já efetuadas, ou em curso, a maior aposta para o ano letivo que temos pela frente será na educação ambiental, procurando incrementar a literacia ambiental da Comunidade Académica e, dessa forma, melhorar os seus conhecimentos, atitudes e comportamentos face à necessidade de um maior equilíbrio com a natureza. Através de um processo educativo, apostado na interação social entre pares e potenciando os contextos socioculturais reais vivenciados dentro e fora do Campus, pretendemos promover a cultura ambiental e, dessa forma, contribuir para que a sociedade reduza a sua influência negativa sobre os equilíbrios naturais do Planeta.

TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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Musical education

Project co-financed by:

MARIKERTTU PÖYHÖNEN Students' Union Finnish Volunteer

I studied in Puolalanmäki Upper Secondary School for three years and graduated in 2018. It’s one of the Upper secondary schools in Turku, which is a city on the southwest coast of Finland. The main reason I wanted to apply to Puolalanmäki was that the school offers a great music oriented programme. The programme also ended up being the reason why I was motivated to go to school every day. Alongside with normal subjects I had a lot of music courses, for example music history, theory, singing lessons and classes on how to express yourself with music and how to get better in performing songs. I was one of the singers in our school’s choir, which consisted of more than 50 students. In my first year our choir went to Hungary for a week to

visit a local school choir. We performed in many places and stayed in the homes of the Hungarian students’ families. My favourite concert we ever did with the choir was when we performed for the families of the Hungarian students. We got a standing ovation, and I still remember vividly the happiness and fellowship we felt as a choir. Every other year before Christmas, the music programme puts together a big show called Valon aika (Time of the light) in Turku’s Ice Hall. The show consists of all the students of the music programmes in the primary school, junior high school and upper secondary school. The stage is filled by a big orchestra and singers aged from 7 to 18. There are also a lot of dancers and some famous Finnish singer. Last spring we did a musical of Romeo and Juliet. We made the costumes, script and songs by ourselves. That was one of my favourite experiences in Puolalanmäki Upper Secondary School. The three years were hard and tiring, and I was very happy to leave when I graduated. Even though the school made me very stressed, I’m happy that I went there because I learned a lot, especially about music.


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The best “traditional university” in the Netherlands

Project co-financed by:

REBECCA FERLEMANN Students' Union Norwegian Volunteer

Being located in Nijmegen, the oldest city in the Netherlands, the Radboud University was founded in 1923. Nowadays approx. 20.000 students study in seven different faculties: the Faculty of Arts, Law, Medical Sciences, Management, Philosophy, Theology and Religious Studies, Science and the Faculty of Social Science. Since the university is focused on international research in several fields, most master degrees are taught in English, whereas most bachelor degrees are taught in Dutch. One could name numerous note-worthy alumni of this university, but the most notable would probably be Frans de Waal. After graduating in Primatology and Ethology in 1970, he became very well known for his research in primate social

behaviour and the comparison of primate and human behaviour. Besides famous people graduating from the RU, the public university also attracts important and well-known researchers from all over the world for events. Radboud Reflects is a university-intern organisation, run by students, which organises events, invites speakers and plans workshops. These are free for students, professors and alumni of the university. In 2018, they organised a discussion with Daniel Dennett, who is an American philosopher, writer, cognitive scientist – and superstar of the current scientific world. But also the day-to-day life at the Radboud University is very pleasant. Where as in Germany there is quite some distance between students and professors, in the Netherlands, it is the opposite. It might happen that you meet your professor in a karaoke bar at night, which is totally fine. Nobody addresses their professor with “Prof.” or “Dr.” but instead you just call them by their first name. This creates a comfortable and close atmosphere. All in all, this is a very good university to spend the best years of your life (:


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Plágio da UMa? Em 2019, a Universidade da Madeira celebra 10 anos da introdução do sistema de detecção de plágios. O sistema, em teoria, permite mais segurança em todo o processo de verificação de fraude académica. Pode, por exemplo, evitar que um aluno seja surpreendido, anos mais tarde e em fun-

ções governamentais, com acusações de plágio em algum trabalho do passado. O problema é quando a Universidade corre o risco de ser acusada de plágio nos seus documentos, ao exemplo de alguns programas eleitorais deste ano, que foram alvo do "copiar e colar" descuidado.


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MEMORANDUM

“Gynaikeia”, coisas de mulheres… CRISTINA SANTOS PINHEIRO Universidade da Madeira/Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Gynaikeia é uma palavra grega que, como substantivo plural, constitui o título de alguns tratados médicos antigos dedicados às doenças femininas. Significa, à letra, “o que diz respeito às mulheres” e pode designar os órgãos sexuais femininos, as doenças específicas das mulheres ou os remédios para essas doenças, ou a menstruação. Na história da medicina, estes tratados foram pouco estudados, quer por se considerar que abordavam um tema com pouco interesse, que normalmente se relegava para o âmbito feminino, quer porque as matérias que exploravam eram consideradas pouco dignas de atenção. A saúde reprodutiva das mulheres foi, no entanto, temática presente na medicina ocidental desde os seus primórdios. Do conjunto de textos médicos atribuídos a Hipócrates, fazem parte três livros a que se atribui o título de Peri gynaikeion, Sobre as doenças das mulheres, e que devem ter sido formados por um processo de compilação provavelmente terminado em finais do século V ou início do século IV a. C. Alguns séculos mais tarde, Sorano, médico grego que praticou medicina em Roma no século I-II d. C., compôs um tratado de ginecologia com o mesmo título. Este tratado

Sorano de Éfeso, Gynaecology, numa versão latina útero. As ilustrações neste manuscrito medieval f Sorano. Bruxelas, Biblioteca Real.


a da Antiguidade Tardia: posições do embrião no foram, provavelmente, baseadas em desenhos de

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foi traduzido e adaptado por vários autores posteriores e o seu conhecimento manteve-se durante séculos na Europa, especialmente graças à versão de um autor desconhecido, de nome Mústio ou Múscio, que, preservada em múltiplos manuscritos, é integrada nos compêndios de ginecologia impressos no Renascimento. No início do século XVI, a redescoberta dos textos hipocráticos sobre ginecologia está na base de um novo interesse por esta área da medicina. O facto de o “pai da medicina” poder ser também considerado “o pai da medicina das mulheres” legitima que o médico de instrução universitária se dedique ao que até então tinha sido maioritariamente um campo de intervenção feminina, dominado por parteiras sem preparação teórica. Nomes como o dos italianos Ludovico Bonaccioli e Girolamo Mercuriale (mais conhecido pelo seu tratado De re gymnastica), o espanhol Luis de Mercado, os franceses Nicholas de la Roche e François Rousset (autor do primeiro tratado médico sobre cesariana) ou o nosso tão pouco reconhecido Rodrigo de Castro Lusitano tornaram-se referências na génese da ginecologia como uma especialidade médica, dando continuidade à concepção hipocrática de que as mulheres carecem de um tratamento médico diferenciado. Como se lê no tratado hipocrático (1.62), as doenças das mulheres são difíceis de perceber porque “as mulheres têm doenças próprias e por vezes nem elas próprias sabem o que lhes está a acontecer até experimentarem as doenças que são causadas pela menstruação e irem envelhecendo.” Mas o papel dos médicos é igualmente importante, já que, “por não se informarem com exactidão do motivo de uma doença concreta” a tratam “como uma doença de homens”. Com base nesta diferenciação entre dois corpos que têm naturezas e condições diferentes, construiu-se um conjunto de textos médicos que caiu no esquecimento e que, na prateleira dos reservados de uma biblioteca ou num documento pdf do Google books, aguardam a devida atenção.


O que esperas da Universidade da Madeira? JOÃO ALEXIS

Foi dito…

Espero que me dê um bom futuro.

IAGO ALMEIDA

Quero divertir-me e, claro, estudar. BJORN FOSS

Espero uma experiência diferente.

PEDRO ALVES

Quero muita coisa para estudar e aprender.


MILTON CASSIANO

MICHAEL COSTA

Espero só boas experiências.

Estudar e viver boas experiências.

JOÃO CUPIDO

DIOGO JOÃO

Espero que a UMa me ajude a ter a minha profissão de sonho.

Que me consiga preparar para o futuro.

VITOR FARIA

SÉRGIO OLIVEIRA

Estou à espera que me traga novas experiências e novos conhecimentos.

Espero conseguir aprender muito. É a única coisa que quero.


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Primeira exposição LGBTQ faz estreia na Ilha da Madeira.

EDUARDO MORAIS E FILIPE EANNES Académica da Madeira

A busca de espaços inclusivos pela comunidade LGBTQ também ocorre no mundo das artes, onde, em Portugal, os tópicos da discriminação e suas dificuldades diárias não ocorrem tanto quanto no espaço digital. Nesta situação surgiu o coletivo artQUEERis, que traz pela primeira vez uma exposição de arte feita apenas por pessoas LGBTQ na Ilha da Madeira. Trazendo diversos artistas, locais e estrangeiros, o coletivo quis romper com os padrões heteronormativos ao mesmo tempo que critica a opressão e os comportamentos da sociedade. “Devido aos ideais religiosos ou a falta de conhecimento seguimos caminhos que podem não nos representar” declarou Luiz de Jesus, pintor madeirense que expôs três obras distintas no evento. Ainda

assim, alguns artistas optaram por seguir ideais mais pessoais. “Nada é infiel àquilo em que creio e que sinto.” Define Francisco Mata, que em sua série fotográfica expôs a sua visão a temas pessoais vividos. Com diversos tópicos, artistas e formas distintas de arte, a exposição 100Normas trouxe conteúdo diversificado e até curiosos para seus espetadores, que puderam esperar desde desenhos em cartoon até poesia em peças de casas abandonadas. A exposição teve início no dia 4 de outubro e permaneceu durante todo o mês, no Caravel Art Center, no Funchal. Tendo apoio da ALLUMa, Núcleo LGBTQ da UMa, e do Madeira Pride, a exposição abriu as comemorações do Mês do Orgulho na Ilha da Madeira. TEXTO REDIGIDO DE ACORDO COM A NORMA BRASILEIRA DO PORTUGUÊS.


et al.

é abreviatura da expressão latina et alii (“e outros”). Os alii são com frequência aqueles que não se nomeiam, que não se identificam, que não deixam memória da sua vida. Os outros são aqueles que não aparecem, que se remetem a um silêncio social e cultural que oblitera a sua identidade. Et al. será certamente um indicador do que a academia tem de mais precioso: a busca do conhecimento, da compreensão, da mudança, busca que resulta inevitavelmente em inclusão e tolerância.

ISSN 2184-5646

9 772184 564005

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Edição n.º 87  

Revista da Académica da Madeira, publicada pela sua chancela editorial, a Imprensa Académica.

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