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REVISTA DA ACADร‰MICA DA MADEIRA

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Coca-Cola, Coca-Cola Zero, o disco vermelho e a garrafa Contour, são marcas registadas da The Coca-Cola Company.

COMIDA DE AQUI... OU DE ACOLÁ?

CADA REFEIÇÃO PODE SER UM MOMENTO ESPECIAL.


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NO COMBATE ÀS DIFICULDADES

CARLOS ABREU Presidente da Direcção da Académica da Madeira

Os estudantes do Ensino Superior estão sujeitos a desafios e constrangimentos ao longo do seu percurso académico, que se estendem por vários campos. Um deles são as dificuldades económicas, que se agravam pelo facto dos estudantes e respectivas famílias comparticiparem os custos do Ensino Superior. Desde 2012, a Académica da Madeira tem levado a cabo um inquérito, realizado anualmente, que pretende analisar e aferir as dificuldades financeiras experimentadas pelos alunos da Universidade da Madeira. Ao longo dos anos, cerca de metade dos estudantes inquiridos, incluindo bolseiros e não bolseiros, afirmaram que são alvo de dificuldades financeiras e, infelizmente, este ano não foi excepção. Nas Linhas de Orientação Estratégicas para o Ensino Superior, divulgadas pelo Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em 2014, é referido que nenhum português deve ficar “privado do acesso ao Ensino Superior por insuficiências económicas”. Contudo, mesmo com as bolsas de estudo, muitos estudantes temem abandonar o Ensino Superior. Enquanto estrutura representativa e defensora dos estudantes da nossa Universidade, a Académica tem vindo a apostar progressivamente nos nossos programas de cariz social que, por um lado, pretendem auxiliar os estudantes nas despesas em algumas rubricas, e por outro, pretendem melhorar as condições de estudo. Em suma, a Universidade dispõe de verbas para auxiliar os estudantes que estão a sentir dificuldades. Atenta aos apoios que estão disponíveis!

FICHA TÉCNICA EDIÇÃO: #85 · PROPRIEDADE: Académica Madeira · EDITORA: Imprensa Académica · EDITOR: Vera Duarte · REVISÃO: Carlos Diogo Pereira · REVISÃO DE TEXTOS EM INGLÊS: James Garn · DESIGN GRÁFICO: Pedro Pessoa · CAPA E CONTRACAPA: Magdalena Zawadzka, Students’ Union Polish Volunteer · TEXTO DA CONTRACAPA: Cristina Pinheiro · AUTORES DOS TEXTOS: Estudantes, antigos estudantes e professores da Universidade da Madeira; voluntários europeus dos programas da Académica e entidades externas que colaboram no programa. · ISSN: 2183-492X O CONTEÚDO DESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SER REPRODUZIDO NO TODO, OU EM PARTE, SEM AUTORIZAÇÃO ESCRITA DA A. M. AS OPINIÕES EXPRESSAS NA REVISTA SÃO AS DOS AUTORES E NÃO NECESSARIAMENTE AS DA ACADÉMICA DA MADEIRA. A REVISTA ET AL. É ESCRITA COM A ANTIGA ORTOGRAFIA, SALVO OS ARTIGOS ASSINALADOS.

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APOIO:


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EM PORTUGUÊS ESCORREITO HELENA REBELO Professora da UMa

OS ERROS LINGUÍSTICOS E AS FERIDAS Serão os erros linguísticos feridas? Quem se fere e dá conta procura fazer um curativo. Muitas vezes, a nível linguístico, quem erra e dá conta não resolve a situação, contaminando a comunidade. Nas línguas, são a matéria que estuda.

As marcas diárias de desvalorização da língua materna são incontáveis. A nível individual, reiteram-se falhas, deturpações ou outros problemas, contagiando a comunidade. Durante meses, numa televisão, apareceu uma publicidade com a indicação “cabeleireiro unisexo”. Ninguém emendou para “unissexo”, memorizando-a a assistência. Aplica-se isso à designação do clube “Portosantense”. Os nomes próprios constituem casos particulares, mas devem seguir as orientações linguísticas existentes. Logo, se <s> está entre vogais, lê-se [z], não sendo aí o caso. A publicidade dá uma informação irrelevante, embora o erro se registe em vários cabeleireiros. A questão do nome será mais alarmante porque quem o propôs para registo e quem o registou transgrediram um princípio elementar da Língua Portuguesa. Invalidaram a própria pronúncia do nome, já que <-s-> equivale a [z]. Evidentemente, vocábulos com origem estrangeira podem ter formas específicas a aprender. Na escrita, estes erros parecem ser pormenores. Todavia, ganham grandes dimensões. Os propositados correspondem a “feridas provocadas” (excisões, tatuagens, etc.). Os que resultam do desconhecimento são obstáculos à convivência, como as feridas alarmantes que provocam epidemias. Estudar a Linguagem é valorizar a língua da comunidade, evitando “feridas linguísticas” porque adquirem proporções preocupantes com reflexos impensáveis. Como será com “silhueta” e “cônjuge”?


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30% 60% 8%

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silhueta - 90% silueta - 3% siloeta - 0% silhoeta - 7%

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conjugue - 2% cônjugue - 30% conjuge - 8% cônjuge - 60%

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Ela tem uma .......................... muito delgada.

Partilha com o .......................... todas as responsabilidades familiares.

Solução: Ela tem uma silhueta muito delgada.

Solução: Partilha com o cônjuge todas as responsabilidades familiares.

Explicação: O grafema português <lh> remontará ao século XIII, pronunciando-se como lateral palatal. No vocábulo “silhueta”, no entanto, não tem essa pronúncia. Porquê? Este substantivo usa-se para “desenho que representa um perfil pelos contornos da sombra” ou “contornos do corpo”. Os puristas consideram-no um galicismo, preferindo “perfil” ou “contorno”. No entanto, entrou no uso diário e no âmbito do Desenho. Conservou-se devido à etimologia (do Francês “silhouette”) que radica no antropónimo Étienne de Silhouette (1709-1767, político francês). Segundo o dicionário Houaiss, foi um ministro das Finanças que tentou reformas, mas mal preparadas. Ridicularizando-o, usaram “à la silhouette” para tudo o que tivesse semelhantes características.

Explicação: O substantivo masculino “cônjuge” designa “a mulher ou o homem com quem se casa”. Não é de uso quotidiano (também não o é o sinónimo “consorte”). Diversos serão os motivos e um deles pode ser a dificuldade de pronunciar duas vezes, em sílabas contíguas, a chiante sonora. Isso explicará o uso constante de “-gue” no final. Contudo, a etimologia (do Latim: “conjux,ugis”) justifica “-ge”.


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REDESCOBRIR A MADEIRA

As obras e providências de Oudinot para o Funchal em 1804 1

RUI CARITA Professor da UMa

A Madeira foi alvo de fortes aluviões ao longo da história. O alcantilado da ilha, a localização da maioria das povoações na foz das ribeiras e microclimas específicos, levam a que estes desastres sejam cíclicos. O mais grave teria sido a 9 de outubro de 1803, provocando uma tragédia de mais de 600 mortos oficiais por toda a Ilha, numa população de 90.000 habitantes. O governo central enviou então o brigadeiro Reinaldo Oudinot, o técnico em Portugal com mais experiência em obras hidráulicas, que trabalhara na barra de Aveiro e, então, na do Porto. Prevalecia, num caso de emergência, o princípio do planeamento e do desenho, suscetível de estudo e de melhoramento nas várias instâncias, um tipo de resposta que só os engenheiros militares estavam aptos a realizar. A equipa do brigadeiro chegava ao Funchal a 19 de fevereiro de 1804 e formou um gabinete de trabalho, que foi uma escola de desenho topográfico e hidrográfico, projeto e direção de obras públicas. Reformulou as escalas, definiu princípios construtivos para as estradas e obras hidráulicas, nomeadamente de levadas para rega, etc.

As operações comportaram a organização do estaleiro de obras e a direção dos trabalhos de reconstrução; numa intensa campanha de obras em que esteve envolvido o exército, nomeadamente os soldados e as populações. Em dezembro de 1806, depois de mais uma aluvião, o brigadeiro podia escrever para Lisboa, dando conta da forma positiva como se tinham portado as suas obras. Foi a última campanha de obras de Oudinot, que morreu no Funchal, a 11 de fevereiro de 1807. Os estudos e o pensamento sobre a ilha da Madeira por parte do brigadeiro, com as causas das aluviões e as medidas para prevenir esses desastres, ficaram sintetizados no Plano para o Reparo da Ilha da Madeira e Plano das obras e Providências necessárias para o reparo das ruínas causadas, Funchal, 14 de abril de 1804. O articulado serviu de regra ao longo da primeira metade do século XIX, ainda tendo sido distribuído, em 1837, pela câmara do Funchal às recém-instaladas Juntas de Paróquia do concelho, mas, entretanto, perdeu-se. O rigor das Instruções de 14 de abril, com as críticas que encerra, muito provavelmente levou ao seu desaparecimento na Ilha, apagando a memória das prudentes recomendações do brigadeiro Reinaldo Oudinot. Uma cópia, no entanto, foi recentemente localizada na Biblioteca Nacional de Portugal.


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A Madeira foi palco, em 20 de fevereiro de 2010, de uma aluvião, muito provavelmente com a intensidade da de 1803. Acresce que, a 8 de agosto de 2016, toda a ilha foi pasto de incêndios, o que já havia ocorrido em julho de 2012, não tendo havido assim tempo para a recuperação do coberto vegetal. Relembrar, reeditar, publicitar e distribuir o Plano das obras e Providências de Reinaldo Oudinot, de 14 de abril de 1804, é assim uma prioridade absoluta de cidadania e serviço público, em boa hora, levada a feito pela Imprensa Académica, com o apoio da Câmara Municipal do Funchal. TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.

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1 Plano das Obras e Providências de Reinaldo Oudinot, comentado por Danilo Matos, João Baptista Silva, Raimundo Quintal e Rui Carita. Edição da Imprensa Académica. 2 Vista aérea de parte da bacia hidrográfica do Funchal, em janeiro de 2016. Foto de Raimundo Quintal. 3 Muralhas do brigadeiro Oudinot na ribeira de João Gomes (1804-1807). Foto de Danilo Matos. 4 Muralhas do brigadeiro Oudinot à ribeira de Santa Luzia (c. 1806), com alterações pós-aluvião de 2010. Foto de Danilo Matos.


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My name is Anne, I am part of the voluntary project in Madeira. Therefore, I want to share my thoughts on the comparison between Germany and Madeira.

Differences and similarities between Germany and Madeira ANNE SCHROEDER Students' Union German Volunteer

Although, Madeira is on the border of Europe, close to Africa there are lots of similarities between Germany and Madeira. You can find some typical German food in the supermarket like Haribo or NĂźrnberger WĂźrstchen. Most of the people are very nice, helpful and dressed like people in Germany. And last but not least we share the same currency, the Euro. However, there are also some differences. Due to the fact that the weather is much better than in Germany, the people are more tanned and different plants grow around the island. Therefore, there are some fruits in the supermarket that I have never seen before. For example, the mixture of a banana and a pineapple or tomato-maracujĂĄ fruit. But, not only the fruits are new to me, the-

re is also some typical Madeiran food like Bolo do Caco I tried for the first time. I really like the local cuisine, beverages, and fado concerts. Although, sometimes I also miss the culture of my home country. Especially, when it comes to the tap water, German bread and punctuality. Well, every culture has their benefits and drawbacks. It is good that we are all different, so we can learn from each other and improve one another. Nevertheless, in my opinion it is important to accept new values in a new country and try to adapt to the culture. Project co-financed by:


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A importância de pensar o futuro e a carreira Costumas pensar sobre o futuro e preparar-te para o mesmo? Costumas tomar decisões e assumir a responsabilidade pelas tuas ações? Costumas procurar oportunidades para te desenvolveres enquanto pessoa? Procuras dar o melhor no que fazes, adotando uma postura de resolução de problemas?

SERVIÇO DE CONSULTA PSICOLÓGICA DA UMa

Se respondeste maioritariamente “sim” a estas questões, preenches alguns dos requisitos chave que te ajudarão a adaptar a um mundo de trabalho, que requer atenção contínua e antecipação dos passos a dar, tal como se tratasse de um jogo de xadrez. Falamos, por isso, dos 4 c’s (em inglês) que constituem o que chamamos de adaptabilidade de carreira: Concern (preocupar-se acerca do percurso profissional), Control (assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento da carreira), Curiosity (explorar novos cenários e os diferentes selfs possíveis) e Confidence (acreditar na sua capacidade para alcançar os objetivos). Se respondeste tendencialmente “não”, podes estar a ter mais dificuldade em adotar uma postura ativa na construção da tua carreira, nomeadamente, adiando e/ou evitando determinadas decisões. Tal poderá surgir pela incerteza sentida face ao futuro. No entanto, não podemos esquecer que, para além de incerto, o futuro pode guardar novas possibilidades e oportunidades, ou não tivesse a vida dois ou mais “lados”. Enquanto estudante do ensino superior, importa que penses a Universidade como um “laboratório”, onde que podes experimentar diferentes

papéis/funções, um espaço único para te conheceres, desenvolveres competências e desenhares o teu projeto de vida, alinhado com os teus objetivos, valores e interesses. Perguntas como “Onde estou? Para onde vou? Porque vou? Como vou? Quando vou?” podem ser assustadoras, mas são fundamentais, de modo a direcionares os teus esforços, pois já lá diz a máxima “Quem não sabe o que procura não reconhece quando o encontra!” Importa salientar que todo este processo de construção requer comprometimento e proatividade da tua parte. Estudos indicam que indivíduos proativos, tendem a identificar mais oportunidades, a tomar as ações necessárias, mostram iniciativa e perseveram face aos obstáculos, estando a proatividade associada ao sucesso na procura de trabalho e na carreira. Talvez, por tudo isto, seja altura de te perguntares o que é para ti o futuro e como queres que ele seja. Sempre existirão, no teu percurso, elementos sobre os quais não terás controlo. Porém, ao escolheres as tuas ações, escolhes também as tuas consequências, pelo que é uma escolha apostares ou não no desenvolvimento contínuo de competências, facilitadoras das transições da vida, de que é exemplo a transição entre a universidade e o mercado de trabalho.


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Explora mais sobre a temática em: Oliveira, F., Soares, L. & Lucas, C. V. (2016). Life and career behaviour: Some considerations about the need to assist college students to change their

mind set and behaviours toward life constructions. RUMUS - Revista Científica da Universidade do Mindelo, 3(1), 109-122. TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.

Projecto co-financiado por:


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This following article will be about some of the major similarities Madeira has in common with the Mainland of the European Union, but also some of the most interesting differences for me, compared to my home town in Austria

EU in the Atlantic Ocean? RAPHAEL JOHLER Students' Union Austrian Volunteer

Starting with some of the things which appear very different in Austria. First off, the mentality the people have on this island is about 180 degrees turned from the one the people in my area have. There is a famous saying, “Schaffa, schaffa, Hüsle bua!” which means translated into English “Work and do not stop working until you can build a house and get a family”. In these past two months I got the feeling, people on this Island keep things way more chilled than we do, back there. On the other hand, in general, Madeira is also Europe/EU, which means we suffer from the same problems here and everywhere in the EU. For example in Austria these days a lot of the people move from being open for new things and new cultures, back to this stupid nationalist thinking. I also got the image of Madeira having the same kind of problem for example. But, I think this is not a bad thing because we are “together is this”,

maybe this will help people realise that we are all the same, even if we might look a bit different, earn different amounts of money, believe in different things or have different interests. My name is Raphael Johler, I was born and raised in Austria. A week ago I turned 19 years, which sounds like a lot to me, but in the end I am just a kid with a bird’s nest of hair on his head.

Project co-financed by:


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SIDAdania: Todos fazemos parte A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA), desde a sua descoberta na década de 80, representa um dos maiores problemas de saúde. JENNY VICENTE E MAFALDA ABREU Equipa da Delegação Regional da Madeira da FPCCSIDA

A população jovem adulta encontra-se frequentemente exposta a contextos multidesafiantes, podendo manifestar comportamentos de risco e consequentemente contrair uma Infeção Sexualmente Transmissível (IST). Quando os/as alunos/as ingressam no ensino superior demonstram mudanças comportamentais, tais como responsabilidades, autonomia financeira, poder na tomada de decisão, maior contato e oportunidade do uso do álcool, drogas e a prática de sexo inseguro e consequentemente tornam-se mais vulneráveis às IST’s/SIDA. Alguns dos comportamentos de risco são: múltiplos parceiros/as sexuais e/ou relações casuais; confiança excessiva nos/as parceiros/as; não usar preservativos (interno ou externo) e/ou métodos anticoncecionais ou usar preservativos de forma incorreta; manter relações sexuais sob o efeito de álcool e/ou drogas e relutância em procurar esclarecimentos, informação ou ajuda junto dos profissionais/serviços de saúde. Face ao exposto, torna-se de extrema relevância convencer a população académica de que qualquer pessoa está sujeita à infeção pelo VIH/SIDA e outras Infeções Sexualmente Transmissíveis. Na Região Autónoma da Madeira, segundo o Relatório Infográfico do Instituto de Administração da Saúde, IP-RAM (2016), desde 1987 até ao 1.º semestre de 2016, o n.º de casos notificados por infeção VIH/SIDA entre os jovens (dos 15 aos 29 anos de idade) são cerca de 215 casos. Por estas razões, a Delegação Regional da Madeira da FPCCSIDA participou, por diversas vezes,

na receção ao caloiro, com o objetivo de esclarecer, desmistificar e intervir dotando a população académica de informação/conhecimento para a promoção da saúde e a prevenção da doença. A Infeção por Vírus da Imunodeficiência Humana não discrimina ninguém pela sua etnia, idade ou estatuto social, pelo que a prevenção é da responsabilidade de todos/as nós - "SIDAdania, Tu Fazes Parte!" Referências: Secretaria Regional da Saúde através do Instituto de Administração da Saúde, IP-RAM. (2016). Relatório infográfico caraterização dos casos VIH/ SIDA notificados na RAM entre 1987-1.ºsemestre de 2016. Sales, W. B., Caveião, C., Visentin, A., Mocelin, D., Costa, P. M. & Simm, E. B. (2016). «Comportamento sexual de risco e conhecimento sobre IST/ SIDA em universitários da saúde». Revista de Enfermagem. 10.


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“Eu compro, logo valorizo-me”. O consumo e a sua representação social. SERVIÇO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

O presente artigo pretende fazer uma breve abordagem acerca da importância e do significado das representações psicológicas e sociais, que se encontram relacionadas com o conceito de consumo. Na sociedade actual, o consumo está associado não só às possibilidades de prazer instantâneo imediato, mas ao medo da exclusão social. As redes sociais, são um excelente exemplo, pois verifica-se que, através de um padrão de consumo, a maioria das pessoas procura reconhecimento público como um indicador do seu valor social. O indivíduo passou a existir na sociedade, com uma indissociável dimensão económica. A satisfação das necessidades básicas deixou de regular a oferta no mercado, impondo a necessidade de um marketing cada vez mais agressivo e competitivo. O comportamento do consumidor passa a ser uma atividade diretamente envolvida em obter, consumir e dispor de produtos e serviços, que inclui os processos de decisão que antecedem e sucedem estas acções. No entanto, as suas decisões não são tomadas de forma isolada, uma vez que é influenciado quer por fatores culturais, psicológicos, sociais, nomeadamente, por grupos de referência (aqueles a que um indivíduo pertence e interage como a família, ou os papéis desempenhados pelo homem e pela mulher na sociedade) quer por factores de natureza política, tecnológica, ambiental e económica. Por outro lado, e dada a enorme concorrência do mercado, a atenção das empresas está direccionada para o nível de satisfação do cliente, porque defi-

ne uma resposta emocional ou cognitiva, baseada na experiência pessoal relativamente à aquisição de um determinado produto e/ou serviço (mediante a comparação das expectativas existentes antes e após a compra). Os factores emocionais e psicológicos (motivação, percepções, etc.) envolvidos nesse processo, diferem de um consumidor para o outro, porque depende da importância dada por cada um, às diferentes características e atributos dadas a um determinado produto/marca. Nesta perspectiva, a fidelidade é outro factor importante no comportamento pelo que o objectivo de uma empresa, é cumprir sempre o que foi prometido ao cliente, transmitindo uma imagem de confiança. A fidelização de clientes surge assim a partir do desenvolvimento de um plano de satisfação e encantamento, por gerar um sentimento de se ter encontrado o que se queria e desfrutar de algum momento efémero de felicidade. Como o valor do indivíduo é estabelecido em grande parte pelo seu poder de aquisição, surge a fantasia de que comprar equivale a valorizar a própria existência na sociedade. A aquisição de bens/produtos e/ou serviços, está assim directamente vinculada a aspectos simbólicos, uma vez que passam a ser concebidos, não apenas como objectos que proporcionam a satisfação de necessidades e desejos, mas como meios que possibilitam a atribuição de uma identidade pessoal, de um sentimento de pertença a um grupo e de reconhecimento social. Desta forma, o consumismo passou a ser considerado não só como um indicador de poder e prestígio, mas a principal matriz das relações sociais. Mas, até quando?


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At the first glance, it is hard to believe that my home and Funchal have anything in common.

From the countryside in the middle of Poland to Funchal MAGDALENA ZAWADZKA Students' Union Polish Volunteer

The place where I come from is located in the centre of Poland. It is a peaceful countryside town where days pass slowly. There is neither a river nor lake. Unlike Funchal, which is surrounded by waves of the Atlantic Ocean. No doubt Funchal and the whole of Madeira have unbelievably varied and beautiful flora. Much more diversified than flora in my countryside. Nevertheless, forests remind me of my countryside. Especially during the levada walks I have that familiar feeling of peace and relaxation. Another similarity is the hospitality of local people. Their kindness and willingness to help others bring to my mind my family and friends who wish me well. Both, the Portuguese and Polish respect and preserve their history, which is a part of their national identity and it constitutes a precious

value for them. They, try to protect and maintain their national heritage by sharing historical knowledge among themselves and tourists. The idea of History Tellers is the best example of that. People from my countryside also take care over history. All these things above make Funchal and my home slightly similar.

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30 anos da Universidade da Madeira JOSÉ CARMO Reitor da UMa

A Universidade da Madeira (UMa) foi criada pelo Decreto-Lei n.º 319-A/88, de 13 de setembro, tendo feito, portanto, 30 anos em setembro de 2018. A instalação da UMa prolongou-se por oito anos, período em que conheceu três Comissões Instaladoras, a última das quais presidida pelo professor João David Pinto Correia, recentemente falecido, a quem aqui presto aqui pública homenagem. Após a fase de instalação, que terminou a 13 de maio de 1996, com a homologação dos Estatutos da UMa, houve que consolidar e desenvolver um projeto académico centrado no reforço do seu corpo docente e da sua qualificação, na atividade de investigação científica e na transferência do conhecimento para a sociedade. Atualmente, 98,6% dos docentes da carreira universitária são doutorados; 83,3% dos docentes da carreira politécnica são doutorados ou detentores do título de especialista; e, quando consideramos o conjunto de todos os docentes,

em equivalente a tempo integral (ETI), 81,3% são doutorados. Em matéria de oferta formativa, o primeiro curso da UMa foi a licenciatura em Educação Física e Desporto, que se iniciou em 1989/90. Nos anos seguintes, a Universidade ampliou o número de áreas de formação e de cursos universitários, atualmente integrados em quatro Faculdades (Artes e Humanidades, Ciências Exatas e das Engenharias, Ciências Sociais, e Ciências da Vida). Em todo este processo, houve sempre a preocupação de ajustar a oferta educativa aos interesses e procura por parte dos estudantes e às alterações das necessidades de trabalho da Região. A UMa passou a disponibilizar também formação de cariz politécnica, com a integração, em 2004, da Escola Superior de Enfermagem da Madeira. Em 2015, criou a Escola Superior de Tecnologias e Gestão, de modo a permitir a oferta de cursos técnicos superiores profissionais e de outros cursos politécnicos noutras áreas para além da saúde. A par da disponibilização de cursos nas principais áreas do saber, temos tido a preocupação de projetar uma imagem diferenciadora da Institui-


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ção, através de ofertas no âmbito de áreas específicas de interesse estratégico para a RAM. Atualmente, a UMa tem acreditados 20 licenciaturas, 21 mestrados, 8 doutoramentos e 9 cursos técnicos superiores profissionais, oferecendo, ainda, pós-graduações e cursos breves. A criação da Universidade da Madeira veio permitir o acesso à formação superior por parte de milhares de jovens Madeirenses cujas famílias não teriam possibilidades de custear os seus estudos fora da Região. Mas não só. Pela reconhecida e certificada qualidade da sua formação, a UMa é todos os anos escolhida por muitas centenas de novos estudantes, que, independentemente da sua condição financeira ou classe social, a veem como a instituição ideal para realizar a sua formação académica de ensino superior. Para além desse aspeto fundamental, de democratização do acesso ao ensino superior, a UMa desempenha um papel essencial na formação dos quadros superiores de que a Região necessita, na promoção da cultura, na internacionalização e na investigação, inovação e transferência do conhecimento para as empresas e a sociedade. A isto

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acresce o impacto económico direto na Região, provindo do seu orçamento anual, de mais de 17 milhões de euros. Hoje é inquestionável o papel das instituições de ensino superior no desenvolvimento das regiões e na manutenção e atração para estas do capital humano qualificado. Por tudo isto, as comemorações dos 30 anos da UMa devem constituir uma oportunidade privilegiada para aumentar a divulgação da sua atividade, para homenagear personalidades que foram determinantes na sua construção, e para reforçar a sua ligação aos antigos alunos. São estes os nossos principais embaixadores e que, certamente, muito se orgulharão com o contínuo aumento do prestígio, nacional e internacional, daquela que será sempre a sua Universidade. Que todos nós, docentes, funcionários e alunos, continuemos a empenhar-nos e a trabalhar para construir uma Universidade cada vez melhor. Universidade da Madeira, 26 de setembro de 2018. TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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Funchal and my home city are so distant, however, what are their similarities? In this united Europe, what do our cities share in this Union of, so far, 28 countries?

Similarities in the Ocean of Differences KATARZYNA JANEK Students' Union Polish Volunteer

Funchal and Warsaw are both capital cities. At this point, I could end the list of similarities between both places. What comes to my mind are mostly differences. In terms of number of citizens, area, architecture and landscape that surrounds both cities. But where I see the biggest difference is climate. In Warsaw and generally Poland, weather is quite unpredictable. During summer days there might be an average of thirty-five degrees plus. On the other hand, sometimes in winter the thermometer can show minus twenty-five degrees celsius. While Madeiran temperatures are more stable throughout the year. Secondly, I need to mention is the pace of life. In my home city everyone is running for something, always late and stressed. Here time slows down and people seem to be more relaxed. Maybe a high dose of vitamin D in their veins caused by the sunâ&#x20AC;&#x2122;s rays makes them happy.

In my opinion the common thread is in people, their beliefs, culture and values. In the past, shared European identity was deeply associated with Christianity. Nowadays most people in both countries still declare to be Roman Catholic and a lot of public holidays in Poland as well as in Portugal have a connection to religion. People, especially youngsters from European countries, are similar to each other. They listen to the same music, dress in the same clothes, eat similar food, and have common hobbies. It seems this is what we call globalisation.

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A IGUALDADE DE GÉNERO DIZ RESPEITO A HOMENS E MULHERES MARIANA BETTENCOURT Coordenadora do Serviço de Igualdade de Género da SRIAS

Quando abordamos a temática da “Igualdade de Género” a definição correta dos conceitos é muito importante. Assim, quando falamos em sexo feminino ou masculino estamos a referirmos às diferenças determinadas biologicamente entre mulheres e homens, que são universais. Mas quando nos referimos ao género feminino ou ao género masculino, falamos do conjunto de qualidades e de comportamentos que as sociedades esperam das mulheres e dos homens e que formam a sua identidade social, uma identidade que difere duma cultura para outra em diferentes períodos da história. De acordo com a definição da Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, Igualdade de Género “Significa que todos os seres humanos são livres de desenvolver as suas capacidades pessoais e de fazer opções, independentes dos papéis atribuídos a homens e mulheres e que os diversos comportamentos, aspirações e necessidades de mulheres e homens são igualmente considerados e valorizados. “ Assim sendo, quando falamos em Igualdade de Género falamos sobretudo em Igualdade de oportunidades entre meninas e meninos, rapazes e raparigas, homens e mulheres, de escolherem ser e fazer aquilo que quiserem independentemente do género a que pertencem.

Liberdade de opções nas escolhas dos seus hobbies/ocupação de tempos livres, dos seus desportos, formação e em termos profissionais. Os Estereótipos de Género, representações generalizadas e socialmente valorizadas, acerca do que os homens e as mulheres devem fazer, condicionam e restringem as escolhas de ambos os géneros. A eliminação de estereótipos, através da adoção de medidas específicas, como a integração da perspetiva de género nos diferentes domínios da política, na política de transportes, de horários de trabalho, do ambiente, da saúde e da educação e a integração de homens e mulheres nas equipas políticas e económicas é fundamental para a prossecução de um percurso de igualdade e sobretudo de oportunidades para todas e para todos. E como o caminho da Igualdade faz-se caminhando, todos os contributos são pequenos/grandes passos rumo à Igualdade…

TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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ALUMNI MARYANA TELES

Vou começar esse texto com uma pergunta clichê, mas, por favor, não me responda com uma resposta decorada daquelas que estampam a traseira de caminhão, tá?! O que é ser bem-sucedido para você? Por que eu comecei esse texto com essa pergunta e porquê eu gostaria que você investisse tempo na sua resposta? Porque tudo que eu tenho para compartilhar com você veio dessa simples pergunta. Foi me perguntando isso, diariamente, que senti a necessidade de sair da minha zona de conforto e procurar a minha própria definição de sucesso, com os meus próprios medidores. Me permiti olhar para fora da caixa. Me permiti confrontar certos padrões e estereótipos que a sociedade cria para evitar que a gente encontre o nosso propósito que, na grande maioria das vezes, vai no sentido contrário do capitalismo desenfreado, do egoísmo e do orgulho. Infelizmente essa é a realidade de grande parte da população mundial, a maioria das pessoas não quer despertar a consciência porque dá muito trabalho olhar para dentro e entender suas reais necessidades, é muito mais fácil olhar para fora e ver o que tá faltando, né? As pessoas não querem mudar o que está bom, mas, mal sabem elas que poderia estar excelente. Mas, há 5 anos atrás eu despertei! Eu saí do Rio


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de Janeiro e fui fazer um intercâmbio de 10 meses na Universidade da Madeira. Cheguei sem amigos, mas cheia de objetivos e o principal deles era: me permitir viver intensamente, conhecer outras culturas e me deixar moldar pelos aprendizados que fazia durante a minha jornada. Eu chamo de jornada porque não me contentei em ficar apenas na Madeira, apesar de ter aprendido muito, nos poucos meses que morei lá. Eu, que já estava fora da minha zona de conforto, resolvi me arremessar ainda mais para fora e testar meus próprios limites. Que tal viajar 33 dias sozinha pela Europa, no melhor estilo mochileira? Planejei minha viagem toda sozinha! Foram 7 países e mais de 18 cidades absorvendo o máximo que podia aprender com as pessoas que passavam pelo meu caminho. Dividi quarto com mais de 15 pessoas, andei a pé por toda Madrid, fui parar na montanha mais alta da Polônia por engano, vi

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neve pela primeira vez, aprendi a tirar foto sozinha, aprendi a rir sozinha, aprendi a confiar mais nas pessoas, descobri que sou muito mais forte do que pensava, descobri que é possível fazer amigos tendo apenas o inglês básico e recebi muitos abraços de despedida. Mas, mais do que isso tudo, eu finalmente comecei a entender o que significava ser bem-sucedida para mim. Entendi que ser bem-sucedida não tinha nada a ver com o valor da minha conta no banco, com a marca do meu carro ou se eu tenho casa própria. Ser bem-sucedida, para mim, era proporcional ao número de experiências que eu vivia e proporcional aos hábitos que eu criava que iam de encontro com as coisas que eu gostava de fazer. A boa notícia? É que você pode sair da sua caixa quando você quiser, basta apenas dar um impulso para enxergar além do horizonte quadrado... Afinal, a Terra é redonda, não é mesmo?!


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TOPONÍMIA DO FUNCHAL: LARGOS Largo do Pelourinho NELSON VERÍSSIMO Professor da UMa

O largo do Pelourinho situa-se entre as fozes das ribeiras de Santa Luzia e de João Gomes. Gaspar Frutuoso, descrevendo o Funchal por volta de 1584, no Livro Segundo das Saudades da Terra, afirmou, acerca deste espaço urbano, que, no início da Rua dos Mercadores, estava «uma não muito grande, mas formosa e cercada praça, de boas casas sobradadas, algumas de dois sobrados, com um rico pelourinho de jaspe, do qual uma grande e larga rua, que se chama a Direita e é a maior da cidade, vai ter ao pinheiro que é uma árvore que está no cabo dela…» O cronista micaelense localizou o largo do Pelourinho no início da rua dos Mercadores e da Rua Direita. A Rua Direita começa ainda neste largo, na convergência da rampa de D. Manuel (D. Manuel de Castro) com a travessa da Malta, mas já não termina no Pinheiro (largo do Torreão). Agora tem uma extensão muito reduzida, confluindo com a rua da Cadeia Velha. A rua dos Mercadores é a atual rua da Alfândega, com término no largo da Praça. Hoje o largo do Pelourinho liga-se ao largo da Praça e à rua da Alfândega através da rampa e da ponte do Cidrão. O pelourinho ou picota era o símbolo da autonomia do poder local. Nas cidades ou vilas, três imóveis representavam a jurisdição municipal: a Casa da Câmara, a Cadeia e o Pelourinho. No pelourinho, eram expostos os criminosos e afixavam-se ordens e despachos. Ali aplicavam-se também algumas penas, mas nunca a pena capital, pois esta competia à Coroa e aos Tribunais da Corte. Foi o duque de Viseu e de Beja, D. Manuel, enquanto donatário do arquipélago madeirense, quem, em 1486, determinou a construção da Casa do Concelho, o Paço dos Tabeliães, a Igreja, a praça e o pelourinho, doando ao Funchal, para o efeito,

um «chão» que lhe pertencia, o campo do Duque. O projeto urbanístico do Senhor do arquipélago não foi respeitado e o pelourinho veio a ser colocado bem longe da Casa da Câmara, apesar de diversos protestos do duque. Em 1516, realizaram-se obras de melhoramento da praça do Pelourinho. Refira-se que, em 1477, a infanta D. Beatriz criou uma Alfândega no Funchal, que veio a ser instalada num edifício situado junto à praça do Pelourinho. O largo do Pelourinho foi lugar de intensa atividade comercial desde os finais do século XV até aos anos 80 do século XX. Nesta centúria, havia, igualmente, uma indústria próspera, representada pela Fábrica de São Filipe, Companhia Insular de Moinhos e Madeira Electro-Mecânica. Nas décadas de 60 e 70, funcionou aqui uma espécie de central de camionagem das empresas de transporte público Rodoeste – Transportadora Rodoviária da Madeira, Ld.ª., Automóveis do Caniço, Ld.ª, Camachense de Automóveis, Ld.ª e, anteriormente, da Sociedade de Automóveis de São Roque do Faial, Ld.ª. Pela sua localização junto às fozes de duas ribeiras e, depois do encanamento destas, também pela sua cota, foi, por diversas vezes, afetado pelas aluviões que assolaram o Funchal, o que implicou várias obras de reparação ou remodelação deste largo. O pelourinho do Funchal foi demolido por deliberação da Câmara do Funchal, de 3 de novembro de 1835, alegando a edilidade que era um «emblema dos tempos feudais» em desarmonia com a ideologia liberal. O soco e o troço do fuste do pelourinho foram preservados e montados, em 1956, no jardim arqueológico do Museu da Quinta das Cruzes. Atualmente, encontram-se no local original, integrando uma réplica do pelourinho. Do lado oposto ao pelourinho, edificou-se, na primeira metade do século XVIII, um passo processional, onde se detinha a Procissão do Senhor dos Passos, que saía da Igreja do Colégio dos Jesuítas e


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Autocarro da Sociedade de Automóveis de São Roque do Faial. Fotografia do arquivo do Photografia Museu ‘Vicentes’, com restauro digital de Eugénio Santos.

Autocarro do Caniço, nos anos 1970. Fotografia do arquivo do Photografia Museu ‘Vicentes’, com restauro digital de Eugénio Santos.

ia até à Igreja de São Tiago Menor, também conhecida por Santa Maria Maior ou do Socorro. Nesta área citadina foi mandado construir, pelo Regimento de Fortificação de 1572, o forte de São Filipe, também denominado de forte do Pelourinho ou fortaleza nova da Praça, que estava concluído em finais de 1581. Demolida a fortaleza em 1906, construiu-se nesse espaço um imponente edifício, conhecido por Fábrica de São Filipe, com portão para o largo do Pelourinho. Neste prédio, estavam instalados, desde novembro de 1915, os escritórios da Casa Bancária de Henrique Figueira da Silva. A Fábrica de São Filipe dedicava-se à moagem de trigo e milho e também à produção de açúcar e álcool. Esta fábrica foi assaltada por populares em 6 de fevereiro de 1931 no decurso do «movimento das farinhas», revolta popular de contestação do Decreto n.º 19 273, de 22 de janeiro desse ano, que regulava a importação de farinhas no distrito do Funchal, fixava os respetivos direitos e os preços deste produto para panificação e do pão no concelho do Funchal. Proibia a montagem de novas fábricas de farinhas no distrito e ainda o aumento da capacidade de laboração das existentes. Os sublevados protestavam contra o «monopólio das farinhas», por aquele diploma impor o consumo de farinhas da indústria nacional e determinar obrigatória autorização governamental para a importação de farinhas exóticas, sendo esta sobrecarregada com elevados direitos de importação. Neste assalto, foi assassinado, no interior da fábrica, Albino Marques Barcelos, o guarda n.º 81 da

Polícia de Segurança Pública do Funchal. O edifício foi destruído por um incêndio em outubro de 1974. Por essa altura, estavam ali instalados as firmas Socarma e Manuel Mendonça & Filhos e também o quartel dos Bombeiros Voluntários Madeirenses. A sua demolição em 1989 deu azo a uma remodelação do largo do Pelourinho, com um parque de estacionamento subterrâneo, a criação da Praça da Autonomia, inaugurada no ano seguinte, e o prolongamento das ruas 31 de Janeiro e do Visconde de Anadia até à avenida do Mar. Por essa altura, procedeu-se a uma prospeção arqueológica sumária, tendo-se encontrado algumas estruturas do forte de São Filipe. A aluvião de 20 de fevereiro de 2010 obrigou a nova intervenção neste espaço urbano. No decurso das obras de união das fozes das ribeiras de João Gomes e de Santa Luzia, foram descobertas, em abril de 2013, as fundações da antiga fortaleza e uma cisterna, dando lugar a trabalhos arqueológicos nesse ano e no seguinte. Desde então, o sítio arqueológico do Pelourinho tem despertado muita curiosidade, mas reduzida atenção quanto à sua conservação e musealização. Somente em 18 de abril de 2018 foi anunciado o concurso público para a realização de obras de construção de um passadiço e de iluminação dos vestígios arqueológicos da área do Pelourinho, a fim de ser possível a organização de visitas e a integração deste sítio no roteiro histórico da cidade. TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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As Funchal lives in the world of yesterday, Boom lives in the world of tomorrow.

Funchal Versus Boom: Cities of the World LAURENS WOUTERS Students' Union Belgian Volunteer

As Boom and Funchal are quite different in infrastructure and style, they are both considered to be world cities by size, recognisability and status. They both host a great number of people as Funchal is a touristic hub under the Madeiran flag, so does the annual gathering of people in the city of Boom for the biggest music festival in the world, Tomorrowland. Both are host to a great variety of people from all over the world. As a huge portion of Madeiran tourists are German, English or American; so Boom has visitors from all corners of Europe, as well as people from all over the world. Both are positioned near water or waterways, as Funchal is next to the Atlantic Ocean and my home city of Boom is next to the local waterway called Ruppel. Both have local sports clubs like a tennis club, football fields and trails to run, even though a lot of the football fields and infrastructures in Funchal are connected to the local football superstar Cristiano Ronaldo. Also, Boom is connected to internationality as the local hockey fields were used in 2012 to host the international hockey championships. Both cities house different people from different cultures, you’ve got people from England, Denmark, Germany, Russia, Venezuela and obviously Portugal

living in Funchal. In Boom the ethnicities are mainly Belgian, Moroccan, Turkish, Polish as well as refugees from eastern Europe and the Middle East. We do notice a big difference in connectivity with other great cities, as Funchal is an isolated city on the island of Madeira, only being flanked by other coastal cities and therefore not in direct contact with cities the likes and size of Lisbon, Porto, and Faro. In Boom, it couldn’t be more on the contrary as the city has a great direct line to major Belgian cities like Mechelen, Antwerpen and the capital Brussels. The latter two provide job opportunities for the locals as they are both within a 30 minute travel time, however travel times may elongate due to traffic jams and overloads. Both offer a big list of cultural activities, for Funchal this includes hikes, local levada walks, ocean swimming, snorkelling, and city tours (providing information about the history of the city dating back to its discovery back in 1420). In addition to this, both have a wide range of cuisines. In my Belgian city, we have the local park and a recreational centre named “de Schorre”, which annually holds the humongous international music festival Tomorrowland. Also, the local dam provides a splendid view of the surroundings and gives you the opportunity to have a peaceful walk. Project co-financed by:


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Violência no Namoro Hoje, fala-se de violência entre namorados… Custa a acreditar! Custa a acreditar que alguém incute infelicidade intencionalmente. TERESA CARVALHO Psicóloga

É inaceitável que alguém afirme a sua “importância” através da anulação ou da opressão da pessoa que escolheu para companhia. Não é esperável que se acredite numa relação de amor que se expressa de forma violenta, impondo domínio, medo e sofrimento. Nem é credível o amor de alguém que é incapaz de contribuir para que a pessoa a quem diz amar se sinta feliz, realizada, amada. É intolerável que, numa relação de namoro, alguém esbofeteie, empurre, explore, controle, proíba, persiga, isole, difame, destrua. É inaceitável, mas Existe Mesmo! Existe independentemente da formação académica, da condição socioeconómica, da raça, origem, idade, ou género. Julgar que por ser uma relação de namoro, a violência não é muito séria, é um engano. É Crime, é séria e é grave! A lei portuguesa inclui a violência no namoro no crime de violência doméstica. É um crime público! Apesar da lei, das estruturas e das medidas nacionais e regionais e dos esforços de sensibilização e informação, alguns estudos indicam que, em Portugal, no namoro, 1 em 4 jovens sofrem de violência. Destes, alguns, ilusoriamente, esperam que após alguns meses, anos, após o casamento, após o nascimento de um filho, após viverem juntos, após…, após algum “milagre”, a violência será sanada. Mas, o “após” é longo demais e deixa marcas: marcas físicas, isolamento que empobrece, silêncios que aprisionam, vergonhas que escondem,

medos que bloqueiam, desistência de projetos e de oportunidades, esquecimento do tamanho do sorriso e da cor da alegria de viver. E a esperança que por vezes persiste, alimenta um sonho errado. E porque errado, consome energia e tempo, e fica o vazio. Nada! A Ajuda é necessária! E Urgente! Sempre! Uma ajuda especializada! Mas também a ajuda da família, de amigos! A ajuda de quem vê, de quem ouve, de quem se importa. Para quem? Para quem sofre de violência e para quem a impõe. Uns e outros precisam aprender e experimentar o AMOR! INSISTO: Há Ajuda! Há uma Rede Regional de Parceiros para o efeito. Consulte: https://violenciadomestica.madeira.gov.pt

MAIS INFORMAÇÕES: Equipa de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica, ISSM,IP-RAM

291205135


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My hometown Vaduz is really different from Funchal LIVIA SCHADLER Students' Union Liechtensteiner Volunteer

I live in the capital city of Liechtenstein, a town called Vaduz. Liechtenstein itself is smaller than Madeira and Vaduz is also a lot smaller than Funchal. Vaduz has about 5,500 inhabitants and Funchal has got about 110,000. Similarities are hard to find, because the size of the towns are very different, also because of the climate. Funchal is located near the ocean with a lot of humidity and itâ&#x20AC;&#x2122;s always very warm. Vaduz is a lot colder and it also rains a lot there and itâ&#x20AC;&#x2122;s not humid at all. But there are also similarities like the tourism and the university. A big part of Vaduz is the tourism. There are a lot of tourists arriving in Vaduz from all over the world like in Funchal. Vaduz is the town where our only university in the country

is located and the university of Madeira is also located in Funchal. We donâ&#x20AC;&#x2122;t have a lot of bars and clubs, also not many supermarkets and not even the same currency. The biggest similarities are the tourism and that they both have a university.

Project co-financed by:


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CLÁUDIA MONTEIRO DE AGUIAR Eurodeputada

Sob o lema «Património: onde o passado encontra o futuro», a União entrou em 2018 com a vontade expressa de realizar atividades em todos os Estados Membros, onde se promovesse o encontro entre gerações, o diálogo entre tradição e progresso, onde se projetasse a paz, a compreensão e o futuro com base na memória histórica deste nosso Velho Continente. Poderemos projetar o Futuro sem conhecermos as nossas raízes? Sem reconhecer mérito ao nosso passado? Há todo um trabalho a realizar, junto das pessoas, junto dos cidadãos europeu. Preparar o futuro implica a manutenção do passado, dando-lhe continuidade e ajustando-o à mudança, à atualidade. Apenas quando sensibilizados e informados,

conhecedores das nossas raízes teremos a clara consciência de como cuidar do nosso património cultural. Cuidar do nosso legado é dar atenção, é não deixar ao abandono, é proteger e conservar, é manter o passado permitindo o tal encontro com o futuro. É importante promover a diversidade cultural, o diálogo entre culturas e a coesão social, recordar o papel do património cultural nas relações internacionais, que desde há muito fomenta a prevenção de conflitos, a reconciliação entre povos, a manutenção da Paz em solo Europeu. Precisamos saber dar a conhecer a todos os cidadãos, sobretudo aos mais jovens, a verdadeira importância económica e social do património cultural europeu. Não podemos cingir-nos apenas à cultura do espetáculo, há um trabalho hercúleo de todos, em aliar Literatura, Música, História, ao


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Património Cultural: uma pedra preciosa da Europa Na União Europeia o valor económico do Património Cultural como fonte de desenvolvimento corresponde a cerca de 7,8 milhões empregos.

rigor, defesa e respeito pelas Línguas, precisamos saber articular cada vez melhor Educação, à Formação, à Ciência e à Inovação sem anular as raízes e a História. Por isso vejo como mais-valia a associação quer da Madeira, quer de Portugal Continental, como Estado Membro, às comemorações deste Ano Europeu do Património Cultural. Em 2018, celebramos 6 séculos do Arquipélago e esta é, sem dúvida, uma oportunidade de partilharmos a nossa História e relembramos o papel fundamental que a Região teve na expansão marítima e na afirmação de Portugal no Mundo e de promovermos uma Região Turística por Excelência. O Património é uma das pedras preciosas da Europa, é preciso reconhecer o seu valor económico e social, mas é bom não esquecer e ter a consciência que nem tudo, pode e deve ser vendável.

Os dados indicam que mais de 300 000 pessoas trabalham direta e indiretamente neste setor em toda a União, são cerca de 7,8 milhões de postos de trabalho relacionados com o património; no turismo, na construção, segurança, nos transportes. O trabalho tem de ser conjunto para que se consiga aplicar ao Património, a tecnologia e a Inovação, a Digitalização ao serviço da Cultura. Urge envolver os jovens, cativá-los para que façam parte de uma geração mais formada, informada e defensora das suas raízes e do Património que, outras gerações, há muito, lutaram por edificar. Quando a Política, a Economia e a Cultura, se articulam na defesa do bem comum, na procura da paz e do progresso; conhecer e respeitar o passado ajuda claramente a preparar melhor o futuro. TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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"When I arrived in Funchal, It felt like home."

So far and so close JONE ARETA Students' Union Basque Volunteer

I arrived in Funchal only three weeks ago, so it's a bit difficult for me to talk about similarities when I hardly know the idiosyncrasies of Madeiran people. However, I must say that I immediately felt at home. I come from San Sebastian, a city in the Basque Country, in the north of Spain, but I am a French resident since 2012. When I arrived in Funchal, I had the feeling of being in a known place, even though I had never been here. The people are friendly and warm and they immediately treat you as if they knew you. I think one of the biggest similarities with my hometown, is that in the Basque Country we have also always lived by the sea and the mountains, like Madeiran people, and I suppose that it also creates links and makes us behave in a certain way. We share the same ocean, the Atlantic, and the same mountainous terrain. I believe, that the characteristics of the physical environment often determine the character of the people, for that reason people who live thousands of kilometers away from each other can come to resemble each other, even more than people who share a language or have the same borders. Furthermore, the current Europe in which the countries are lately less and less welcoming and try to sharpen the differences between each other. Young people like me, who had the opportunity to enjoy the Erasmus scholarship, the European volunteering scheme, or other mobility programs, have realized that we are not really that different. I have witnessed that cliches and stereotypes

serve to as a laugh between friends, but they do not represent the reality of people at all. I think we can say that this type of mobility program has been a really effective thing to build a more united Europe, increase solidarity among people, and to realize that, in the end, we are all quite similar. About me: My name is Jone, I am 28 years old and I am from a city of 200,000 inhabitants, called San Sebastiรกn, in the Basque Country, in the north of Spain. Since 2012 I have lived in France, currently in the city of Bayonne, in the French Basque area. I studied Humanities and translation, and before starting my EVS I used to work as a Basque language teacher. Project co-financed by:


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About the life in a small town between alps. About the similarities of my old and new home. What my new home has in common with my old one.

Bludenz vs. Funchal JULIA VONBANK Students' Union Austrian Volunteer

Since I was born, I have lived in Bludenz, which is a small town in the western part of Austria. With 15.000 inhabitants it is the smallest town of the federal state Vorarlberg. It has an area from 29,94 km², an elevation of 588 meters and it lies at the meeting point of five valleys. However, my new home is Funchal. I have lived here since the beginning of August, and although it is so different from my original home, there are a lot of similarities. Funchal has about 110.000 inhabitants and is 76,14 km² big, so it is a lot bigger than my hometown. But, the two cities look really similar, although in Austria there is no sea. In Funchal and also in Bludenz most of the houses were built up on a hill. That includes, having to go up very often if you want to meet some friends or to do something else a little bit further outside of the centre.

Furthermore, what both cities have in common is that both areas thrive and depend on tourism. In Austria, during the winter, the skiing-tourism is vital to the town’s economy, but in summer Bludenz is really popular for hiking in the Alps. Funchal, over the course of the year is famous for hiking trails which includes the enormous amounts of levada walks across the whole island of Madeira. I am Julia from Austria and I am eighteen years old. Since the beginning of August, I am part of the Madeira Heritage voluntary program. I like hiking, swimming and reading. I am excited to learn about the culture and history of this wonderful island. Project co-financed by:


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Euforia e cautela, q.b… SÉRGIO RODRIGUES Estudante da UMa

A memória não é assim tão curta, nem os acontecimentos ocorreram num passado longínquo. Os efeitos da crise que o país e a região atravessaram ainda se fazem sentir. A consulta dos jornais deixa-nos inundados, e já não era sem tempo, de boas notícias no âmbito económico, sendo que, quase subitamente, passámos de um mau exemplo a um caso de estudo e de sucesso. Todavia, a exaltação não poderá abandonar a prudência, pois as decisões pessoais a curto prazo podem ter efeitos menos positivos nas realidades a longo prazo. Claro está, não podemos interiorizar um velho do Restelo, no entanto, isto não significa que não possamos ter certas precauções. Em primeira instância, se algo a crise nos ensinou foi que a formação é uma boa decisão para os jovens. Cabe ressalvar, e não é por acaso, este facto será melhor compreendido no meio académico, por lhe estar intimamente relacionado. Embora as taxas de desemprego jovem tenham atingido valores muito elevados, sabemos que o vulgo “canudo” serviu muitas vezes de porta de emergência para aqueles que, no mercado doméstico, não tinham emprego e acabaram por deixar o país. Um estudo realizado nos Estados Unidos revelou que um curso superior permite que os indivíduos possam auferir salários 67% mais altos, quando comparados com alunos que concluíram o ensino secundário. Naturalmente, deparamo-nos, de qualquer modo, com uma realidade que nos indica que um curso superior não é garantia de sucesso

profissional como o era há alguns anos. Todavia numa lógica do mercado, é necessário compreender que, no nosso quotidiano, o curso superior não está reservado unicamente a um grupo restrito de indivíduos como o era antigamente, sendo de qualquer modo relevante explanar que o mercado global valoriza a aquisição de competências, competências essas que podem ser obtidas através do percurso académico. Além da realidade profissional e laboral, a questão habitacional ganha especial relevo. Os jovens portugueses saem da casa dos pais tendencialmente tarde, quando comparados com os restantes europeus. Questões económicas e culturais poderão explicar esta situação, sendo que não podemos deixar de lado a questão do mercado imobiliário ter-se tornado muito restritivo. Os efeitos do turismo e da


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economia da partilha, através dos alugueres de curta duração, têm intensificado o problema da gentrificação, que não é alheia à população mais jovem. Embora a banca se apresente mais cautelosa em comparação ao período anterior à crise, a prudência é uma virtude que tem de residir principalmente nos compradores. Taxas de juro, que atualmente são reduzidas em contratos que se baseiem em taxas variáveis, são um primeiro sinal de alerta, pois a compra de habitação não se circunscreve ao pagamento de prestações num curto prazo, onde impera a bonança, sendo necessário fazer um estudo consciente e criterioso onde fique assente que seremos capazes de cumprir as obrigações futuras. Mais do que esperar uma nova crise ou acreditar que o pior já passou, aquilo que temos de preservar é a racionalidade. O futuro pode ser promissor desde que no presente trabalhemos para isso.


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My home city and Funchal are so different that it is very hard to find a lot of similarities.

Two very different cities LIVIA HALBEISEN Students’ Union Liechtensteiner Volunteer

My home city is Vaduz. It is the capital city of Liechtenstein. Funchal is the capital city of the Autonomous Region of Madeira. Madeira seems to be pretty big if you compare Liechtenstein to the Autonomous Region of Madeira. Even Funchal is a lot bigger than my home city Vaduz. Vaduz has only 17,3 km² and Funchal has 76,25 km². One can also spot the difference by the number of inhabitants. Funchal has twenty times the amount of the inhabitants of Vaduz. Funchal and my home city seem to be really distant and they are. It is really hard to find a lot of similarities and it is easier to find things that are very different. We do not have access to the ocean, we have a very limited amount of festivals, and lack a plethora of bars or supermarkets that are this cheap in Vaduz. In addition to this, the only thing I can think of when it comes to similarities is how steep the stree-

ts are. This is because, the river Rhein that caused some problems with floods some time ago, has led to more buildings being constructed further up the hill in Vaduz. That is why the streets are often a bit steep. However, Liechtenstein doesn’t even have the same currency as Portugal. We pay with Swiss Francs like Switzerland, and Portugal has the Euro. In addition to this, Liechtenstein isn’t part of the EU. There are so many more things that are different about those two cities or countries but a big similarity is that there are really motivated people living in both of them. Project co-financed by:


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EVS: Uma experiência incomparável

O EVS é um programa fascinante que permite fazer voluntariado noutro país e crescer como ser humano. ANDRÉ SANTOS Voluntário do programa Erasmus +

Eu tive conhecimento do Serviço Voluntário Europeu (EVS) quando estudava na universidade e a minha melhor amiga fez um projecto de EVS em Espanha. A partir desse momento, a minha curiosidade sobre esta oportunidade desenvolveu-se. Com o final dos meus estudos, decidi que queria ter uma experiência diferente, e o que a União Europeia nos proporciona e financia era o que eu precisava. Iniciei a minha busca por projectos em Itália, país que já tinha visitado e que tinha despertado um interesse particular em mim devido à sua vas-

ta cultura, às suas magníficas cidades e paisagens, à excelente comida e à semelhança com o meu país de origem, o que torna a adaptação mais fácil. Em poucos dias, após enviar currículos, surgiu uma entrevista para um projecto, de doze meses com início a Outubro, em Varese, para uma associação de desportistas com desabilitação física, projecto para o qual fui seleccionado. A adaptação foi muito suave, não só pela similitude de Varese (e de Itália) com a minha origem, mas também pelas condições que me foram proporcionadas pelas organizações envolvidas no meu projecto EVS. A casa que me foi fornecida foi totalmente restaurada (tive muita sorte) e está localizada no cam-


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po, o que proporciona mais privacidade e um ambiente mais calmo, que se enquadra com a minha personalidade. A organização que me escolheu para este projecto (CESVOV) explicou, detalhadamente, o contrato e toda a burocracia inerente à minha situação de voluntário de um país estrangeiro. Para além disso acompanha-me, semanalmente, e tenta resolver qualquer problema que possa surgir como, também, preocupa-se com a minha integração perante a comunidade e fornece-me ferramentas para uma fácil adaptação. As actividades que faço no meu projecto podem dividir-se em duas: uma burocrática, que consiste em analisar, digitalizar e aperfeiçoar documentos ou inserir dados numa base de dados. A outra actividade está ligada à prática de desporto, em que auxilio na preparação dos atletas para o desporto em questão (“hanbike”, “ice sledge”, “hockey” e natação) e, algumas vezes, até tenho a oportunidade de participar com eles. Este tipo de actividades é muito gratificante para mim pois não se baseia em fazer a mesma actividade todo o dia, repetidamente, permitindo conhecer e socializar com pessoas diferentes durante o dia, o que torna o trabalho muito menos cansativo e mais cativante. Projecto co-financiado por:


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The water splashes against the rocks. The wind whistles over the boats. Both Egmond and Madeira, two places connected to the sea.

The sound of home SARA NIJHUIS Students' Union Dutch Volunteer

I come from a little village in the Netherlands named Egmond aan den Hoef, yes that complicated, just try to say that name out loud. Same as Madeira the sea is one of the most important features of this place. The sand turned into rocks, the dunes into mountains. There is no other place like home, but along the way of life the feeling of that word changes. For me home is not my home village but is the people and culture, for me most of all it´s the arts and freedom. The village and Funchal definitely have in common that there is a kind of lack of diversity as there is in for example Amsterdam or Lisbon. Both are more conservative places where it´s sometimes hard to fit in. Although I grew up in Egmond I will always stay an outsider same as I will stay an outsider here in Funchal with my blond hair, 1.80 height and blue eyes. But next to that those two places offer some rest; being on

your own mind a bit on the outside world. Their sense of community and traditions is over beyond. The church plays an important part in all of this. And also the Catholic Church is the most important one in Egmond. So everything put onto one pile of occurrences I can say that there are quite a lot of similarities although I am happy that the pile of differences a much bigger one is. We are all the same because we are all different and let’s celebrate those differences. I´m Sara, 19 years old, happy person with tons of energy; quite positive with a passion for creativity; theatre, writing, drawing, painting and styling; love dogs and rabbits; always in for some sarcasm. Project co-financed by:


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Only by living here for 3 weeks I can tell Funchal is not that different from where I used to live:

Visible and invisible similarities MEREL MARCUSE Students' Union Dutch Volunteer

In my opinion you can look at the two cities with two different perspectives. In a physical way but also in a psychological way. The visible and the invisible way of comparing cities with each other. The easiest way to compare similarities is what you see, the physical things. For example buildings, streets, churches and cars. Firstly, what I noticed when I arrived in Funchal is that there are a lot of taxis and buses! Just like the place where I used to live in the Netherlands, here in Madeira the distances between villages are too far to do only by foot. Where I used to live it was also necessary to go by bus and car because of the big distances. Furthermore the church bells. You cannot only see them but also hear them a lot in Funchal. Even the main religion is Catholicism on this island and where I used to live people are Protestant, the religion shares the same sound. I think this is very

interesting because this is a beautiful similarity. On the other hand you have the psychological way of looking at a city. In other words, I mean the culture and mentality of a city, the invisible things. In terms of resemblance with the village where I used to live I have experienced a relaxed atmosphere here in Funchal. Easy going people, no hurry, no stress. I think this is the part of Funchal I like the most, because I come from the countryside in the Netherlands where the mentality is definitely similar! Short bio: Merel Marcuse, a 19-year old girl who loves to sing, takes photos of people & nature and to philosophize about everything. Project co-financed by:


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Entrevista a Fabião Santos Alumnus do 1.º ciclo em Bioquímica na UMa e investigador no Centro de Química da Madeira

Qual o seu percurso profissional após conclusão do curso? Após ter concluído a licenciatura em Bioquímica na Universidade da Madeira, em 2014, com o prémio de melhor estudante em Bioquímica daquele ano, candidatei-me a uma bolsa de estudo oferecida pelo governo Japonês (Japanese Ministry of Education, Culture, Sports, Science and Technology program – MEXT Scholarship). Fui informado sobre esta bolsa de estudo através de um email da Universidade da Madeira. Na verdade, o facto da Universidade da Madeira informar os seus alunos acerca de Bolsas de Estudo para estudar noutros países é algo muito positivo e que não acontece, por

exemplo, na instituição académica japonesa onde estive. Durante o período de espera sobre os resultados da bolsa de estudo, em vez de apenas esperar, candidatei-me ao mestrado em Nanoquímica e Nanomateriais na Universidade da Madeira, chegando a concluir o primeiro semestre. Após ter sido um dos três alunos selecionados de todo o País para a prestigiosa e muito seletiva MEXT Scholarship, fui para o Japão, em abril de 2015, com apenas 21 anos. Dos três alunos portugueses selecionados, eu fui o único a ir para a Universidade de Tóquio (a mais prestigiada universidade do Japão). Cheguei à Universidade de Tóquio como Research Student e, para me tornar aluno de mestrado (Master Stu-


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tema combinava os conhecimentos adquiridos na minha licenciatura (Bioquímica) e na então nova área de trabalho (Metal-Organic Frameworks conhecidos por MOFs: uma classe de polímeros de coordenação que são constituídos por iões metálicos e moléculas orgânicas). Concluí a pós-graduação (mestrado) em 15 de setembro de 2017. Agora pretendo seguir para doutoramento no campo da imunoterapia com o objetivo de combater e melhor perceber o que é o cancro.

Em que área/s (mais especificamente trabalhou na Universidade de Tóquio?

dent), tive que realizar uma prova escrita e uma entrevista, também elas muitos seletivas (devido ao grande número de alunos que todos os anos se candidatam a esta universidade). Tornei-me aluno de mestrado em setembro de 2015. Na Universidade de Tóquio, estudei Química no laboratório do professor Takuzo Aida (líder mundial na área da Química de Polímeros e Ciência dos Materiais), no Departamento de Química e Biotecnologia da Escola de Engenharia. Deram-me a liberdade de escolher um tema na área dos materiais porosos, o que foi um enorme desafio para mim (tendo em conta a minha experiência até àquele momento). Ainda assim, propus um tema, o qual, para admiração dos meus colegas e professores, foi aceite. Este

Trabalhei numa área muito diferente daquela em que tinha trabalhado na minha licenciatura. Como já disse, trabalhei na área dos MOFs, estando eles entre os desenvolvimentos mais excitantes da nanotecnologia na última década. Os MOFs são usados nas mais diversas aplicações, desde absorção, entrega e libertação de fármacos, separações químicas, catálise química, entre muitas outras. Nos anos mais recentes, têm sido descritos alguns casos muito curiosos e interessantes sobre a influência do tamanho destes materiais nas suas propriedades. Por exemplo, um cristal de 1 micrómetro pode ser desprovido da capacidade de absorver gás, no entanto, se este mesmo cristal tiver uma dimensão à escala nanométrica, poderá passar a absorver. Guiado pela curiosidade deste fenómeno e após me ter apercebido da lacuna na área dos MOFs sobre a existência de um método geral para o controlo preciso do tamanho e morfologia destes cristais, e tendo em conta os meus estudos prévios no Centro de Química da Madeira, usei lipossomas como um espaço confinado para a cristalização dos MOFs. Como já está bem estabelecido o método para se controlar o tamanho dos lipossomas através do método de extrusão, tentei criar cristais dentro destas


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vesículas e fui bem-sucedido. Os lipossomas são vesículas feitas de lípidos que podem, então, ser utilizadas como um espaço confinado para a cristalização. Na mesma linha de pensamento, também controlei a cristalização de determinados MOFs por sintetizá-los num sistema à base de sílica. Neste caso, o espaço confinado para a cristalização de MOFs está interconectado. Mais uma vez, fui bem-sucedido, pois consegui, através desta via, obter o controle desta cristalização de MOFs.

Como foi a experiência cultural? A língua foi um desafio. A maior parte dos japoneses, até mesmo os jovens, não se sentem confortáveis em comunicar em inglês… A comunicação com pessoas mais velhas, ou de estatuto profissional superior ao nosso, deve demonstrar sempre grande respeito, atenção, reconhecimento e gratidão. As pessoas idosas no Japão são tratadas com muito respeito e o que têm a dizer é sempre levado em consideração e com importância. Destaco a alimentação muito distinta da europeia (e a destreza necessária com os pauzinhos nas primeiras abordagens), as casas de banho de alta tecnologia, a imensa densidade populacional em Tóquio, o metropolitano sempre muito cheio nas horas de ponta… Além disso, notei também diferenças algumas diferenças climáticas: o verão é muito mais húmido que o nosso em Portugal, e o inverno mais frio… As despesas do dia-a-dia são mais elevadas, pois Tóquio é uma cidade cara. Os valores tradicionais japoneses estão muito vivos na vida moderna japonesa. A forma como as

pessoas se cumprimentam e discutem assuntos é muito característico… Eventos sociais tais como Onsen (banhos termais japoneses), ou o tea ceremony, o teatro Kabuki, os fogos de artifícios de verão hanabi, as lutas intensas e emocionantes de sumo, são apenas alguns exemplos de como a tradição japonesa se mistura de forma vibrante na atual cidade de Tóquio… A eficiência dos serviços públicos é, no mínimo, espetacular… O atendimento ao cliente: fazem-nos sentir sempre muito bem-vindos… A população japonesa é muito ativa nos mais diversos setores socioeconómicos… A intensidade de trabalho: em média, são cerca de 12-14 horas de trabalho por dia e sábado é dia normal de trabalho. As férias não são algo comum no Japão, no entanto, há vários feriados nacionais ao longo do ano que podemos aproveitar para descansar um pouco, sendo o caso mais comum o chamado golden week … Por fim, saliento a grande oferta cultural de fácil acesso: desde festivais de música a espetáculos de dança e teatro, pintura, escultura e visitas a museus.

Algumas palavras finais? Recomendo vivamente a todos: professores, investigadores e, principalmente, estudantes que procuram experiências internacionais de, pelo menos 6 meses, pois as lições adquiridas pelas dificuldades pessoais que tais experiências proporcionam são as que melhor ficam assimiladas e mais contribuem para a formação do indivíduo, enquanto profissional e pessoa. O contacto com outras realidades e pontos de vista tem um valor imensurável na nossa capacidade para melhorar e entender o mundo que nos rodeia… O mundo não é o que é, mas sim o que vemos dele. E o que cada um vê, depende do seu ponto de vista. Por isso, quantos mais pontos de vista tivermos e open minded formos, melhor perceberemos o mundo em que vivemos sem julgar de ânimo leve. A meu ver, não há nada mais perigoso para o progresso do que o conforto e a mentalidade comum. Pessoas comuns pensam, trabalham, estudam, treinam e amam no nível do comum… Se queremos algo mais nas nossas vidas, temos de sair desta programação social e lutar pelo que realmente queremos. Selecionar o que realmente importa e gerir o tempo de forma eficiente são algumas das chaves indispensáveis ao sucesso.


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A minha Bulgária A Bulgária ficará para sempre comigo. Erasmus+ é isto, é aventura, é descoberta, é família e amizade, é crescer, é cultura. Erasmus+ é vida.

MARIA JOÃO GOUVEIA Voluntária do programa Erasmus +

Bulgária: um país tão distante. 18 horas de viagem, 4 aeroportos, 3 aviões, e lá fui eu nesta aventura. Após participar em vários programas do Erasmus+, vejo o EVS como o melhor para uma primeira saída da zona de conforto, principalmente quando vivemos numa ilha. Candidatei-me não pelo lugar, mas sim pelo programa. Fui voluntária num Festival Internacional de Curtas Metragens chamado “IN THE PALACE”, onde estou rodeada de pessoas fantásticas, que nos ajudam em tudo, que nos ensinam e nos vêem não só como meros voluntários, mas como amigos. Varna, Balchik, Veliko Tarnovo e Sofia, foram os lugares por onde estive. Apaixonei-me por cada cheiro, cada paisagem, cada lugar. Apaixonei-me pelo céu, pelo mar, pela cidade, pelas pessoas. Simplesmente apaixonei-me.

O clima é variável: tem um Outono que nos fica no coração de tantos tons quentes que apresenta, as folhas caem das árvores e criam um tapete pelo chão que nos faz querer brincar como se fôssemos crianças; o calor do dia e o frio da noite, as chuvas constantes que nos limpam a alma, a aventura de caminhar pelos passeios irregulares, onde um passo errado equivale a uma molha certa. Agora tenho uma família, não de sangue, mas de escolha. Num mês, tanto vivemos e tanto mais poderíamos viver. Num mês criei amigos e “irmãos” para a vida, criei histórias e contos. A saudade é um facto, mas a amizade uma certeza. Fui de tal forma tão bem-recebida, que a eles devo as minhas memórias, as minhas experiências, os meus risos e a minha felicidade. Projecto co-financiado por:


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Unknown similarities found even in distant and most different places.

Unknown similarities HELEN BRUEGGE Students' Union German Volunteer

How to compare two places that appear to be so completely different at first glance? Funchal, the thriving southern metropolis and my small home village Husen, a part of western Germany, totally unknown to 99% of the world's population. My village consists of round about 1,000 people, a stark contrast to the population of Funchal with its over 110,000 inhabitants. Also, if we take a look to the two cities my village belongs to, Lichtenau and Paderborn, there do not seem to be that many similarities. The most obvious connection might be the big Portuguese community in Paderborn, which offers Fado concerts, as well as Portuguese language and cooking courses. Moreover, Paderborn with its 145,000 people, is also considered a big city which similarly to Funchal consists of an old, historic city core, shopping centers and nice little cafes. Furthermore, we might not live next to the sea with its stunning view seen all across the city and accompanied by beaches and small parks, but we have our river Pader, whose origin is in the city itself and gave her its name. This river might not be surrounded by beaches, but is framed by a small, yet beautiful park used by tourists and citizens alike to enjoy a nice summer's day. However, if we take a closer look, my hometown and Funchal might share even more. For instance, when I walk around my village, I normally meet many people and especially my neighbours always enjoy taking a break and chatting with me for a few seconds. I too have a similar

feeling of belonging, when I walk along the old part of town, particularly through the Rua Santa Maria with its many small restaurants and the waiters are always joyfully greeting us. One of them even gives my fellow volunteers and I high fives. After the two weeks of living and working here, I have got the feeling, that some of them already recognise me and are just as happy when I try to greet them in Portuguese. Of course there are differences in mentality, the people I met in Funchal are far more relaxed than the majority of Germans I know, which I was told is caused by the calming presence of the sea. All in all, there are just as many differences as there are similarities, even though you sometimes have to take a closer look. My name is Helen and I am a 18 year-old volunteer from Germany. In my free time I enjoy singing and playing the guitar, read or spend time with my friends. In my holidays I love visiting foreign places with my family and learn about their history, which is why I am really excited to be a part of the History Tellers project. Project co-financed by:


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DUAS METADES, DOBRO DO SABOR!

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NUTRIÇÃO

Será que beber líquidos à refeição engorda? BRUNO SOUSA Nutricionista

Há quem diga que beber água à refeição engorda. A água aumenta, de facto, o volume do estômago e habitua-o a um volume maior, mas não engorda. Beber água até poderá proporcionar saciedade e levar a que se fique satisfeito, comendo menos alimentos. Pelo contrário, se falarmos de vinho, de cerveja, de refrigerantes ou de sumos, esses sim, já são bebidas que podem engordar, não por serem ingeridas à refeição, mas pelas calorias que contêm. Por isso, só poderão engordar aqueles líquidos que realmente sejam calóricos. A água nunca engorda!

Bebida Água (1 copo de 300ml) Cerveja branca (1 lata de 350ml) Cerveja preta (1 lata de 350ml) Cerveja sem álcool (1 lata de 350ml)

Energia (kcal) 0 102 95 25

Vinho maduro tinto (1 copo de 200ml)

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Vinho maduro branco (1 copo de 200ml)

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Refrigerante cola (1 lata de 330ml)

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Refrigerante de laranja (1 lata de 330ml)

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Néctar de laranja (1 copo de 300ml)

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Sumo 100% de laranja (1 copo de 300ml)

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Well and truly distant and different - Kajaani and Funchal Today's temperature in Funchal is 25 degrees. In my home city, Kajaani, it is 5 degrees. Here, in Funchal we have palm trees, sand, flowers and an ocean. In Kajaani we have grass, birch trees and lakes. By night, streets of Funchal are full of people. By night, in Kajaani there are no people on the streets, and actually not necessarily during daytime. There is still one significant similarity: The European Union. ANNI RUSKELA Students' Union Finnish Volunteer

My name is Anni Ruskela and I am from Kajaani, Finland. Currently I live here in Funchal, Madeira. I am going to stay here for seven months and my first will be finished soon. It already feels like I have been here many months. Funchal is already my second home; all these streets that I am walking through daily, supermarkets, the beach, students residence and all these people. When I start thinking about Funchal and Kajaani I cannot help myself from laughter because I think that there are no similarities between these two cities. They are so distant in many ways. Of course, geographically, but also in other ways. Landscapes are opposites of each other and so are the souls of the cities. My home city Kajaani is in certain way a really dead place, but Funchal is truly alive. But when I start thinking about it more and more, and deeper I am not laughing anymore because I realize that there are actually many similarities. My home city is full of forests, cold

air and huge amount of days in year that are really dark. When I am walking through my home townâ&#x20AC;&#x2122;s streets, it is rare that I am able to see even two people walking there with me. But here, whatever the time is, there are always people in the streets, restaurants, and beaches. Even though Kajaani and Funchal are so far away from each other there is one really important similarity. That is European Union. There are over 700 million people living in Europe and 500 million of them live in the area of the European Union. All of the Union member countries are detached and independent. The most important values in the European Union are dignity, freedom, democracy, equality, respect of human rights and rule of law principles. Naturally, countries of the European Union have their own problems but membership guarantees us that important and basic things are in order. We can trust that we are safe. Our society will try to take care of us in any situation. We have trustworthy police officers, doctors, and a court of law. It is clear that common sense is necessary but because of the Eu-


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ropean Union I can feel safe in my home and here as well. That is big similarity with these countries. One noticeable similarity is symbols that countries in the European Union share. For example, flag, motto and common currency. Human rights is a major importance in the European Union. The European Union works with many important things. For example, it is constantly helping poor countries. An important part of being part of the European Union is to be ready and willing to help our neighbor countries. We have our freedom here in the European Union and we are free to go and come back, we are not connected in our birthplaces. The EU is also undertaking important work for combating climate change. In summary the European Union is trying to guarantee our peace and is working towards making the a world better place to live for its citizens. The EU really connects people and countries. I think that home is where your heart is. It is not dependent on geographic location. The European Union makes it possible for all young people that they are allowed to try find their own places. It

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is not the place where people were born it is the place where their hearts are. The EU helps us to be safely lost. We have an opportunity to give a whole meaning for a word ”home”. Home is in heart. And the heart can be anywhere. It can be in places where we have not even been or in places we have already visited. Part of my heart will always be in my home city with my loved ones, with my family. But, a big part of my heart is going to stay here in Madeira. With all these beautiful experiences and people I have met. While I am writing this I am lying on the beach, and I can feel how the sun’s warmth on my skin and hear the waves hitting the rocks. In my home city that same situation would be completely different. I would be sitting in front of my desk and out of my window I could see only spruces and birch trees, and no more than few cars. But the main point is that the similarity of those situations is not in the environment but the thing to which I am doing. And at one time it immediately connects me to the European Union. It is not directly understood how big a role the EU really has in our lives. The European Union provides the opportunity to be here in Funchal lying on the beach. The EU also provides that chance to be in Kajaani and sitting at my desk. There is no other way than to be very grateful for the EU, giving me this chance to be here in Madeira learning about myself and about this big and wonderful world. An experience like this really changes you, it help us to grow up and give us an incredible amount of new useful skills and knowledge. The European Union makes it easier to survive in a new environment by our own. And the reason for that is, we are actually not alone. We can always count on someone. We always someone with us, to support us and take care of our safety. It can be another volunteer, student, tutor or even the police. And all of those people are here because of the European Union. The EU creates our basic security and makes it possible for us to have many new and wonderful experiences without be extraordinarily fearful of dangers in the world. Project co-financed by:


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Jardim botânico da Madeira Eng.º Rui Vieira LUÍSA MARIA GOUVEIA IFCN, IP-RAM

A 30 de abril de 1960, foi criado o Jardim Botânico da Madeira Eng.º Rui Vieira, na quinta que havia sido adquirida a Manuel Gomes da Silva, em 1952, pela Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal. Este espaço emblemático, embora criado no século XX, foi a concretização de uma aspiração antiga que remontava ao século XVIII. A sua criação foi defendida, também, por diversos botânicos e naturalistas no século XIX, como foi o caso de Theodor Vogel (1841) e do botânico austríaco Frederico Welwitsch (1852). Posteriormente, entre outros registos, nas décadas de 1940-1950 foram elaborados diversos documentos que também referiram a necessidade de criar um jardim botânico na Madeira. Hoje, é um jardim que tem uma área, aproximada, de 5 hectares, onde o visitante pode observar cerca de 3000 plantas diferentes/taxa oriundas dos cinco continentes e regiões ecologicamente distintas. Algumas das espécies existentes neste local encontram-se em vias de extinção nos seus países de origem. Ao percorrer o Jardim, o visitante poderá observar diversas coleções de plantas, como as indígenas da Madeira, as suculentas, o arboreto, as agroindustriais, as aromáticas e as medicinais, os jardins coreografados, a topiária, as palmeiras, as cicadales e as cultivadas em estufa. Muito recentemente, o espaço foi enriquecido e passou a ter mais uma importante coleção de plantas dedicada às camélias portuguesas, a qual inclui emblemáticas camélias criadas por viveiristas portugueses, desde o século XIX até meados do século XX. Além das coleções de plantas vivas, o Jardim

mantém coleções conservadas em herbário e no Banco de Sementes. O herbário foi iniciado em 1957, antes da criação do Jardim Botânico, com cerca de 640 plantas vasculares de diversos locais do arquipélago da Madeira e das Selvagens. Neste herbário está incorporado o Herbário Histórico do Seminário do Funchal, o qual foi entregue à guarda e ao cuidado técnico do Jardim Botânico, em 1979. O Banco de Sementes foi criado em 1994 e está direcionado para a conservação, a longo prazo, de coleções de sementes de plantas indígenas da Madeira, das Desertas, das Selvagens e do Porto Santo, com prioridade para os endemismos e para as plantas raras e ameaçadas de extinção na Natureza. Neste Banco, são mantidas duas coleções de sementes: a coleção de base e a coleção ativa, sendo que as sementes desta última coleção são destinadas a trabalhos de investigação, permuta de sementes com outras instituições científicas e, principalmente, à propagação de espécies para reforço de populações na Natureza e cultivo em jardins. A completar os 58 anos de existência, o Jardim é apreciado pelos amantes do fascinante mundo das Plantas e é um dos mais famosos pontos de atração turística da ilha da Madeira. Localizado na margem esquerda da ribeira de João Gomes, aproximadamente a três quilómetros do centro da cidade, entre os 200 e 300 metros de altitude, é um local único para desfrutar do nosso Património Natural de um modo acessível, dado que algumas das espécies da Flora madeirense que contém, encontram-se muito dispersas e inacessíveis na Natureza. Artigo elaborado ao abrigo do protocolo com o Instituto das Florestas e da Conservação da Natureza, IP-RAM.

TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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"University by European eyes" Magdalena Zawadzka Studentsâ&#x20AC;&#x2122; Union Polish Volunteer

Project co-financed by:


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Organizações não-governamentais e o seu papel na educação SPEA

Numa altura em que os jovens enfrentam dificuldades em encontrar experiências profissionais que possibilitem o desenvolvimento das suas aptidões, os programas de estágio e voluntariado são uma alternativa. Na Madeira, a SPEA tem tido um importante papel, conferido, sucessivamente, novas dinâmicas que contribuem para uma melhoria do processo de ensino e aprendizagem de mais de 70 jovens ao abrigo de programas europeus. Numa relação vantajosa para ambas as partes, a nossa equipa tem beneficiado do apoio destes jovens nas mais diversas ações, desde a recolha de dados sobre a distribuição de aves marinhas e terrestres, às ações de educação ambiental, e ainda de uma melhoria na nossa própria capacidade de entreajuda e formação. De acordo com a Margarida, estagiária da Universidade da Madeira, “estágios em associações como a SPEA requerem um elevado sentido de responsabilidade e empenho, sendo depositada em nós a total confiança na execução das tarefas definidas com o nosso orientador. São estes projetos e tarefas

com impacto na natureza e também na sociedade, que nos fazem querer dar o máximo, querer primar pela diferença, sempre com elevada sensação de orgulho e realização”. Um ambiente informal e um processo contínuo de aprendizagem, com grande interação entre o staff e os estagiários asseguram novas experiências numa linha constante de aprendizagem. No fim destes intercâmbios, a bagagem dos estagiários acaba por regressar cheia de novas experiências e conhecimentos e a família SPEA “expande-se” para outras paragens, com novos embaixadores do nosso trabalho, convergindo num sentido comum de consciencializar para a preservação da biodiversidade global. Agradecemos a todos os voluntários e estagiários que integraram a nossa equipa e que nos têm ajudado a contribuir para a conservação das aves e habitats da Madeira. Mais informação em http://voluntariosnamadeira.blogspot.pt TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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Projecto co-financiado por:

Pelo Direito à Educação Terminou com sucesso o programa da Académica da Madeira, "Pelo Direito à Educação", resultante de uma candidatura aprovada ao Programa de Transformação e Inovação Social (PRINT) da Direcção Regional de Juventude e Desporto. Sendo a mais jovem instituição de ensino superior público do país, a Universidade da Madeira oferecia, no ano lectivo de 2017/2018, dezoito cursos de 1.º ciclo, abrindo concurso para 593 novos estudantes, um Ciclo Básico Preparatório de Mestrado Integrado, dezasseis cursos de 2.º ciclo, seis cursos de 3.º ciclo, um curso de Pós-Graduação e nove Cursos Técnicos Superiores Profissionais. A retração de estudantes matriculados, quer pelo não ingresso, pelo insucesso, abandono ou desistência, tornou premente ensaiar a situação da população estudantil universitária local algo que foi iniciado em Novembro de 2017 com o apoio da Direcção Regional de Juventude e Desporto, através do seu Programa de Transformação e Inovação Social. O projeto desenvolvido durante um ano teve como principais objectivos caracterizar e com-

preender os factores associados ao abandono escolar na Universidade da Madeira, em especial dos caloiros, que de acordo com a literatura são os que mais desistem e abandonam os estudos de nível superior, por ser um ano crítico, de questionamento, de adaptação e de integração, (Curado e Machado, 2006; Almeida e Vieira, 2006; Almeida, 2013; Ferreira e Fernandes, 2015) e implementar medidas preventivas e de apoio aos estudantes da UMa, nomeadamente laboratórios de Ideias temáticos e campanhas de sensibilização para a problemática do abandono escolar no ensino superior. O primeiro passo, que consistiu na aplicação de um inquérito por questionário a estudantes do 1.º ano, permitiu definir quais os temas-chave a debater e a considerar aquando o contacto direto com os estudantes, em particular os do 1.º ano. Num total de 318 respondentes de 420 estu-


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dantes matriculados os dados revelaram que os caloiros da UMa são maioritariamente jovens, do sexo feminino e com um potencial desajustamento entre as expectativas iniciais e as colocações impostas pelo Concurso Nacional de Acesso. Contudo, e apesar de o termos considerado como um dos principais factores de insucesso e de abandono a verdade é que os resultados indicaram um dado curioso: 92% dos estudantes inquiridos reiteravam a ideia de quererem permanecer na escolha do curso inicial. Saliente-se, porém, que 52,8% dos respondentes assumiram que, apesar de querer permanecer na situação actual, já teriam questionado essas suas escolhas e ponderado reorientar o seu percurso e 7,9% ponderou, inclusive, abandonar o ensino superior. A dificuldade em adaptar-se à nova condição de estudante universitário e à experiência académica (ritmos de trabalho, exigência pedagógica, relação com docentes, estratégias pedagógicas e organizacionais) apesar de não apresentar valores totais muito significativos no conjunto dos estudantes (8%), foi a razão mais vezes apontada por aqueles que ponderam abandonar a UMa. Refira-se, ainda, que, apesar de termos entre os respondentes 52,8% de estudantes bolseiros, as dificuldades financeiras aparecem referenciadas logo em segundo lugar justificando o incremento

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e um maior destaque dado a campanhas de sensibilização e de esclarecimento sobre as Bolsas de Estudo, o Passe Sub23, a Bolsa de Alimentação e a Bolsa Escolar. Havendo a possibilidade de seleccionar diferentes opções, as respostas à pergunta “Dentro das dificuldades financeiras que enfrentas indica em que rúbricas é mais expressiva?” revelam que as propinas e o transporte são os valores que mais pesam nos orçamentos familiares e nas dificuldades sentidas pelos estudantes. No sentido oposto encontramos as despesas relacionadas com o alojamento (2,8%) e com a alimentação (14,2%). As despesas com o material escolar e de estudo são referenciadas, na sua maioria, por estudantes dos cursos de Medicina e de Design. Estes foram apenas alguns dos dados que nos permitiram definir e implementar, com sucesso, um conjunto de laboratórios de ideias destinados aos estudantes do 1.º ano, mas abertos a todos os interessados. O sucesso, determinado pelo número de estudantes envolvidos, pelas conclusões do inquérito por questionário e pelo número de voluntários que estiveram envolvidos, levou a que esteja a ser criado um grupo de trabalho dedicado ao estudo dos principais desafios e dilemas dos estudantes da UMa na sua luta pelo direito à Educação.


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Kraków is Poland’s second largest city, by many considered to be the cultural capital of the country.

Cultural Capitals MARTYNA KRUPINSKA Students’ Union Polish Volunteer

It was named (by the EU) the European Capital of Culture for the year 2000. The city has several famous theaters and many interesting museums. The charming Old Town with an unique Main Square and the iconic gothic St Mary’s Basilica attracts thousands of tourists. As well as this, the Old Jewish Quarter and its nonroutine bars and exquisite restaurants are a sight to behold. You can easily find diverse pieces of art in some small exhibitions directly in the streets. The significant number of art houses provides access to the independent and sophisticated cinema. A great many music festivals take place here, from traditional to modern and alternative sounds. A walk to the Vistula river boulevard and a visit to Wawel - the medieval royal castle, are another must do. Here also is located one of the world’s oldest universities - Jagiellonian University of Kraków. Funchal, is famous for a wealth of colorful festivals, fairs and open-air concerts. There is also a va-

riety of attractions for children and sports events. One of the most anticipated excitements is a grand New Year’s Eve fireworks show. The imposing Cathedral of Our Lady of the Assumption in Sé is located in the heart of this beautiful colonial city. A ramble in narrow streets full of bohemian style paintings is a great pleasure. On every corner restaurants offer delicious seafood. The São Tiago Fort situated right on the seafront of the old town impress visitors with its majestic yellow fortification. Kraków and Funchal - both are exceptional, full of history, art and creativity. The cities of culture and fascinating travel destinations.

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Locais de trabalho mais saudáveis MÓNICA MELIM Psicóloga

O trabalho deve promover a saúde física e mental do indivíduo e proporcionar-lhe um sentimento de inclusão social, estatuto e identidade. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a saúde mental é “o estado de bem-estar que permite aos indivíduos desenvolver todas as suas potencialidades, enfrentar as normais tensões da vida, trabalhar produtivamente e desempenhar um papel positivo na sociedade em que estão inseridos”. O investimento no bem-estar dos trabalhadores acarreta vantagens para as entidades empregadoras, nomeadamente, na redução do absentismo e da rotatividade, no crescimento dos níveis de desempenho profissional, no aumento da motivação e da produtividade, e na melhoria da imagem das empresas.

A promoção da saúde mental no local de trabalho, para ser eficaz, visa prevenir riscos psicossociais que potenciem a ansiedade, depressão, stress e Burnout, Bullying, assédio sexual e moral, e consumo de álcool e de drogas. A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho desenvolve campanhas com o intuito de tornar os locais de trabalho, mais seguros, mais saudáveis e produtivos. O mote escolhido para a Campanha 2016/2017 foi “Locais de trabalho saudáveis para todas as idades”, e pretendeu promover o trabalho sustentável e o envelhecimento saudável, alertou para a importância da prevenção ao longo de toda a vida ativa e da adaptação do trabalho às competências individuais. A Campanha 2018 dedicou-se à sensibilização para as substâncias perigosas e à promoção de uma cultura de prevenção nos locais de trabalho


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em toda a Europa, e foi designada «Locais de trabalho saudáveis: gerir as substâncias perigosas». A Unidade Operacional de Intervenção em Comportamentos Aditivos e Dependências do Instituto de Administração da Saúde, IP-RAM, está consciente das potencialidades de intervir no meio laboral ao nível da prevenção do consumo de substâncias psicoativas e implementa, desde 2012, a Campanha de âmbito regional “Uma Pausa para a prevenção - Locais de trabalho promotores de saúde!”. Esta Campanha visa sensibilizar, educar e informar sobre os riscos e malefícios do consumo de substâncias psicoativas, potenciar competências pessoais e sociais, desmistificar mitos e crenças associadas ao consumo de substâncias lícitas e ilícitas, atingindo todos os colaboradores e dirigentes das empresas nas quais intervimos. Desde o início da implementação desta Campanha já foram abrangidos, até à data, cerca de 4000

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trabalhadores na Região Autónoma da Madeira, integrados em entidades públicas e privadas, de diferentes setores de atividade. Estas Campanhas são modelos de boas práticas ao nível da prevenção de riscos psicossociais. Um bom ambiente psicossocial, proporciona melhor qualidade de vida aos trabalhadores e tornam o ambiente de trabalho mais agradável, positivo e livre de drogas. Não há dúvida de que pessoas saudáveis, satisfeitas e felizes produzem mais e melhor! Artigo elaborado ao abrigo do protocolo com a Unidade Operacional de Intervenção em Comportamentos Aditivos e Dependências - UCAD / IASAÚDE, IP-RAM.

TEXTO ESCRITO AO ABRIGO DO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


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Words in Freedom https://www.wordsinfreedomproject.org Twitter:@ManifestoMachi1

Words in Freedom is a research project based at Madeira Interactive Technologies Institute that has been exploring manifestos and activism since 2017. The project is led by Dr. Simone Ashby and Dr. Julian Hanna, along with Dr. Sónia Matos and researchers Alex Faria and Ricardo Rodrigues. The Words in Freedom website (https://www. wordsinfreedomproject.org) is a hub for all kinds of manifesto-related activities. It is a repository of interesting and provocative manifestos from around the Web, a creative learning environment for writers of all backgrounds and experience levels, and a test site for new research into manifesto writing in the digital age – including the Moving Type Machine and the Manifesto Machine. The past decade has seen renewed interest in the manifesto. Recent movements such as #MeToo, #BlackLivesMatter, #NeverAgain, and the ‘Yellow Vests’ in France have all used manifestos to make demands and express their outrage at the status

quo. Digital activism has given new life to the manifesto, which accommodates easily to online environments and their demand for clear, concise, impactful expression. The genre has been used by revolutionaries since the Diggers and Levellers in 17th-century England, the Declaration of Independence and the Communist Manifesto, and by artists especially since the birth of Futurism and other avant-garde movements (Dada, Surrealism, Expressionism) in the early 20th century. At their best, manifestos act as advertisements for change. They build hope in an era of hopelessness, create networks of likeminded activists, and offer people a sense of community and clarity of purpose. Now more than ever, manifestos can help people – especially young people – define principles and forge paths towards brighter, more imaginative futures. This is what the Words in Freedom project hopes to explore and promote through its ongoing research.


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é abreviatura da expressão latina et alii (“e outros”). Os alii são com frequência aqueles que não se nomeiam, que não se identificam, que não deixam memória da sua vida. Os outros são aqueles que não aparecem, que se remetem a um silêncio social e cultural que oblitera a sua identidade. Et al. será certamente um indicador do que a academia tem de mais precioso: a busca do conhecimento, da compreensão, da mudança, busca que resulta inevitavelmente em inclusão e tolerância.

et al. #85  
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