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INQUÉRITO DE DIFICULDADES ECONÓMICAS 2016

1 INQUÉRITO DE DIFICULDADES ECONÓMICAS · 2015


ANÁLISE AOS RESULTADOS DO INQUÉRITO REALIZADO PELA AAUMa

À semelhança dos anos anteriores, a Associação Académica da Universidade da Madeira (AAUMa) realizou um inquérito a vários estudantes da Academia, com o intuito de analisar as dificuldades económicas. Este inquérito foi efectuado entre os dias 7 e 25 de Abril de 2016 e é constituído por perguntas não só sobre as dificuldades económicas dos estudantes da Universidade da Madeira (UMa), mas também sobre as perspectivas de futuro. Através de uma comparação feita com os anos anteriores, constata-se que esta é uma ferramenta essencial para observar a evolução, ano após ano, da condição financeira dos estudantes da UMa, tendo sempre em conta a situação actual do País e o seu impacto no dia-a-dia das pessoas. Os resultados permitem analisar diversas questões que surgem associadas a dificuldades económicas e que podem condicionar o futuro dos inquiridos, como a possibilidade de abandonar o Ensino Superior ou a futura necessidade de emigrar. Além disso, este conhecimento é fulcral para uma melhor definição da política de apoios sociais, na qual a AAUMa tem o dever fundamental de ter parte activa, defendendo os estudantes. Para o inquérito efectuado no presente ano lectivo, foi, novamente, considerada uma amostra com base no número total de estudantes inscritos na Universidade da Madeira. Como tal, foram contabilizados 350 inquéritos válidos, pertencendo a maioria (52%) a alunos bolseiros. Os resultados apurados têm um intervalo de confiança na ordem dos 95%, com uma margem de erro associada de 4,91%.


ANÁLISE AOS RESULTADOS DO INQUÉRITO REALIZADO PELA AAUMa

Durante este ano lectivo, sentiste dificuldades económicas? Bolseiros

Não bolseiros

48%

44%

56%

52%

Sim

Não

Sim

Não

Nesta primeira questão verificou-se que cerca de metade dos inquiridos assumiu ter sentido dificuldades económicas. Verifica-se, no entanto, uma pequena diminuição nas respostas afirmativas em comparação com o ano transacto, sobretudo a nível dos não bolseiros (de 55% em 2015 para 44% em 2016). Esta diminuição poderá resultar do aumento do número de bolsas atribuídas: em 2014/2015, foram atribuídos apoios sociais a 1101 estudantes, sendo que no presente ano lectivo o número subiu para 11531 (um aumento de 5%). Outro factor que poderá ter influenciado esta descida é a aposta continuada da AAUMa em programas de apoio complementar, que visam atenuar as despesas dos estudantes em rúbricas como a alimentação ou o material escolar. Apesar disso, a percentagem de bolseiros que admite sentir dificuldades financeiras continua acima dos 50%. Este é um indicador preocupante porque demonstra que, mesmo com acção social, um grande número de estudantes continua a experimentar as consequências da realidade económica do país.

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Cf. dados SASUMa.


ANÁLISE AOS RESULTADOS DO INQUÉRITO REALIZADO PELA AAUMa

Caso tenhas respondido afirmativamente, temes abandonar o Ensino Superior devido a essa situação? Bolseiros

Não bolseiros

34% 41%

59% 66%

Sim

Não

Sim

Não

Em comparação com o ano anterior, verificamos que a percentagem de bolseiros que temeu abandonar a sua formação teve uma subida de 4% (de 30% em 2015 para 34% 2016), sendo mais alarmante o resultado dos não bolseiros, em que a percentagem quase duplicou (de 24% em 2015 para 41% em 2016). Esta subida demonstra que os estudantes estão mais receosos, sobretudo aqueles não contemplados com apoios sociais. Outro factor que comprova esta ideia é o n.º de candidaturas a apoios sociais submetidas: no ano lectivo de 2013/2014, para um total de 3120 estudantes inscritos na UMa, foram contabilizadas 1288 candidaturas (41.3% do número total de estudantes); no ano lectivo transacto, registou-se uma subida, tendo o número de candidaturas contabilizadas subido para 1314, num total de 2927 estudantes, o que corresponde a uma percentagem de 44% e, por fim, no presente ano lectivo, verificamos que, num total de 2845 alunos inscritos, foram efectuadas 13522 candidaturas, correspondendo a uma percentagem de 47.5% do número total de alunos.

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Cf. dados UMa e SASUMa


ANÁLISE AOS RESULTADOS DO INQUÉRITO REALIZADO PELA AAUMa

Sentes-te preparado para entrar no mercado de trabalho? Bolseiros

Não bolseiros

50%

50%

43% 57%

Sim

Não

Sim

Não

Nesta questão, verifica-se que mais de metade dos inquiridos se sente em condições de ingressar no mercado de trabalho, com 186 inquiridos a responderem afirmativamente. A percentagem é maior nos não bolseiros (57%) do que nos bolseiros (50%) mas, demonstra que, no geral, os alunos sentem que estão preparados. Neste contexto, a AAUMa, anualmente, oferece um leque de seminários e workshops que visam dotar os estudantes da UMa com competências que façam a diferença no seu futuro profissional. Estas acções têm tido boa adesão por parte do público-alvo e demonstram que os alunos procuram complementar a sua formação académica, de forma a facilitar a sua transição para o mercado laboral.


ANÁLISE AOS RESULTADOS DO INQUÉRITO REALIZADO PELA AAUMa

Pensas que a tua formação se ajusta às oportunidades de emprego em Portugal? Bolseiros

Não bolseiros

35%

51%

49% 65%

Sim

Não

Sim

Não

Nesta questão, podemos constatar que a grande maioria de estudantes bolseiros (65%) acredita que a sua formação se adequará às necessidades laborais em Portugal. Já os não bolseiros apresentam um maior índice de confiança (51%) no enquadramento da sua formação às necessidades de emprego no País. Estes resultados são desanimadores e poderão ser justificados pelo facto de muitos não conseguirem ingressar no curso que melhor se adequa ao que pretendem ou até que se enquadre nas necessidades do mercado laboral devido a este curso não ser leccionado na Madeira, o que implica custos (devido à necessidade de estudar para fora da R.A.M) que as famílias não conseguem suportar. Como consequência, esses alunos acabam por ingressar não nos cursos que pretendam mas nos que estão economicamente ao seu alcance. Ao comparar com o ano transacto, é possível notar um ligeiro decréscimo nas respostas afirmativas dos bolseiros. Pelo contrário podemos verificar uma ligeira subida nas respostas afirmativas dos não bolseiros.


ANÁLISE AOS RESULTADOS DO INQUÉRITO REALIZADO PELA AAUMa

Consideras a possibilidade de trabalhares numa área diferente daquela em que fizeste a tua formação académica? Bolseiros

Não bolseiros

15%

22%

78% 85%

Sim

Não

Sim

Não

Esta foi a questão com maior percentagem de respostas afirmativas, tanto de alunos bolseiros como de não bolseiros, com percentagens de 85% e 78%, respectivamente. Estes resultados poderão surgir no seguimento da pergunta anterior, em que a grande maioria dos inquiridos sente que a sua formação não se enquadra com as necessidades do País, existindo a consciencialização de que o futuro profissional poderá ser numa área diferente daquela em que foi efectuada a formação académica. Outra hipótese para os resultados obtidos para esta pergunta reside na classificação final com que terminam o seu ciclo de estudos. De acordo com os dados de 2015 do Ministério da Educação, a nota média de conclusão das licenciaturas da Universidade da Madeira ronda os 143 valores, o que poderá ser um motivo para os estudantes considerarem que a sua formação é transversal a várias áreas de actividade e poderá permitir-lhes optar por carreiras profissionais distintas.

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Cf. dados Portal InfoCursos


ANÁLISE AOS RESULTADOS DO INQUÉRITO REALIZADO PELA AAUMa

Após terminares o teu atual ciclo de estudos, tens a intenção de continuar a tua formação académica? Bolseiros

Não bolseiros

39% 61%

42% 58%

Sim

Não

Sim

Não

Quando confrontados com esta questão, as respostas dos inquiridos foram aproximadas, com 61% para alunos bolseiros e 58% para os não bolseiros. Estas percentagens demonstram que, apesar das dificuldades que se fazem sentir actualmente, existe a consciência que a formação académica é essencial para o futuro profissional e, como tal, os inquiridos demonstram vontade de prosseguir os estudos. De acordo com os dados mais recentes do Instituto de Emprego da Madeira, a percentagem de desempregados com nível de instrução superior ronda os 9% 4. Este estudo, mostra, também, que esta percentagem está a descer, tanto em comparação com o mês anterior como com o mês homólogo. Este é um indicador animador e poderá ser outra das razões consideradas pelos inquiridos para demonstrarem intenção em prosseguir os seus estudos.

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Cf. dados IEM – Março de 2016


ANÁLISE AOS RESULTADOS DO INQUÉRITO REALIZADO PELA AAUMa

Caso tenhas respondido afirmativamente à pergunta anterior, tens a intenção de realizar a tua formação noutra Universidade? Bolseiros

Não bolseiros

58%

51% 49%

42%

Sim

Não

Sim

Não

De todos os inquiridos que responderam afirmativamente à resposta anterior, mais de metade (54%) expressou a sua intenção de realizar a sua formação fora da Universidade da Madeira.


ANÁLISE AOS RESULTADOS DO INQUÉRITO REALIZADO PELA AAUMa

Caso tenhas respondido afirmativamente à pergunta anterior, qual é o motivo realizar a tua formação noutra Universidade? 59%

59%

50%

15% 2% Ambição

Importância

Desapontamento

Área de estudos

Não respondeu

Sendo esta uma pergunta de resposta múltipla, pretendeu-se aferir os principais motivos que levam os inquiridos a optar por outro instituto de ensino superior em detrimento da Universidade da Madeira. De entre as várias opções disponíveis, as mais predominantes são a importância de ter uma experiência académica fora da Região e o facto de a área de estudos não existir na UMa, ambas indicadas por mais de metade dos alunos. No entanto, existe também uma percentagem alta de inquiridos que tem a intenção de prosseguir os estudos noutra universidade por ambição pessoal. De referir que, em ambas as perguntas, não existe grande diferença de percentagens entre os bolseiros e os não bolseiros.


ANÁLISE AOS RESULTADOS DO INQUÉRITO REALIZADO PELA AAUMa

Em suma, constata-se que, não obstante o facto da Universidade da Madeira ter uma elevada percentagem de alunos bolseiros (42.8%5), os seus estudantes continuam a sentir dificuldades de índole financeira. O aumento do número de candidaturas a apoios sociais é um indicador exemplificativo desse facto. Verifica-se que o n.º de bolsas atribuídas tem aumentado. Neste momento, cerca de 6 85% dos alunos que formalizaram candidatura a apoios sociais tiveram sucesso, face aos 83% registados no ano transacto. A grande maioria, no entanto, apenas recebe o valor mínimo de apoio, que corresponde ao valor da propina, não sendo, por isso, suficiente para fazer face a outras despesas como alimentação ou alojamento7. A AAUMa, ciente desta realidade, tem desenvolvido, em conjunto com os SASUMa, um trabalho contínuo para complementar os apoios atribuídos pela Academia, primeiro através da implementação da refeição social simples e do lanche social simples, e, desde 2013, através dos seus projectos de âmbito social, como a Bolsa de Alimentação e a Bolsa Escolar. A participação do público em geral tem sido uma aposta forte no que toca à divulgação do projecto e à angariação de apoios, que têm sido fulcrais para dar continuidade a estes programas. O marco das 20 000 refeições atribuídas pela Bolsa de Alimentação, atingido em Março passado, é demonstrativo da dimensão que o projecto atingiu e da importância que tem para os estudantes da Universidade da Madeira. É, todavia, necessário manter os pés assentes no chão e continuar a desenvolver acções para atenuar as dificuldades dos estudantes e permitir que estes consigam terminar a sua formação. Para este fim, a Associação Académica da UMa, irá manter a sua forte aposta nos projectos de âmbito social, mantendo a interacção com o público, de forma a que toda a comunidade se una em prol de um objectivo comum.

Cf. dados SASUMa Cf. dados SASUMa 7 Artigo Diário Económico (29/2/2016) 5 6


2 INQUÉRITO DE DIFICULDADES ECONÓMICAS · 2015

Dificuldades económicas dos estudantes  

Análise dos resultados ao inquérito de dificuldades económicas dos estudantes da UMa.