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N˚02 2013 abril

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

ALE-AM devolve mandato de Arlindo

VEJA também:

Biografia de Cabral no Rio de Janeiro PÁG. 8

Aniversário do Coral João Gomes Junior PÁG. 5

A Crítica faz 64 anos Robério Braga, Almino Affonso, Arthur Neto, Arthur Bisneto, Mário Frota, Yedo Simões de Oliveira, Wilson Reis e João Thomé prestigiaram a concorrida cerimônia. PÁG. 2

Márcia Perales vem juntar-se aos imortais A reitora da UFAM venceu a disputa pela Cadeira 21 da AAL, cujo patrono é Tenreiro Aranha e cujo último ocupante foi o poeta Luiz Bacellar. A posse acontece em no máximo seis meses. PÁG. 5

AMPLOS MÉRITOS O confrade Cláudio Chaves foi aclamado pelos seus pares da Academia Amazonense de Medicina para o 8º mandato consecutivo na presidência da entidade. Ele também foi eleito vice-presidente da Academia Brasileira de Medicina e tomou posse no salão nobre do Clube Naval – RJ.

Leia Online: http://issuu.com/aalboletim

Grandes Amazônidas O poeta Aldísio Filgueiras e o professor doutor Marcos Barroso Barros, ambos membros da AAL, foram contemplados com a Medalha do Mérito Grandes Amazônidas, conferida pela respeitada Associação PANAMAZÔNIA. PÁG. 5

Curta: Academia Amazonense de Letras

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Robério Braga eo projeto da nova biblioteca O secretário de cultura e acadêmico Robério Braga desenvolveu um trabalho primoroso para devolver restaurada e modernizada a Biblioteca Pública do Estado do Amazonas. PÁG. 3


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BOLETIM da Academia Amazonense de Letras

EDITORIAL A ACADEMIA VIVE. Como mostra este número 2 de nosso Boletim, a Academia Amazonense de Letras passa por um período de especial e saudável movimentação. Seus assuntos, inlcusive internos, têm sido discutidos democraticamente perante a sociedade e seus membros estão produzindo como nunca, além de serem requisitados para proferir palestras, participar de campanhas e solenidades, bem como receber homenagens de instituições públicas e privadas. Sem falar, é claro, nas atividades que compõem o seu calendário e naqueles confrades que, no exercício de cargos públicos, dão enorme contribuição à nossa cultura. Juntos podemos mais do que separados. Buscando aquilo que nos aproxima e não aquilo que nos distancia, os resultados aparecem e o Sodalício cresce no conceito dos cidadãos.

ALE-AM devolve mandato de Arlindo Porto Em sessão solene realizada em 03/04, no Plenário Ruy Araújo, a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, à unanimidade e atendendo ao Requerimento de n˚ 520/2013, de autoria do deputado Arthur Bisneto, líder do PSDB, procedeu à devolução

simbólica do mandato do jornalista e presidente deste Sodalício Arlindo Augusto dos Santos Porto, o qual foi o único deputado estadual cassado no país pelo golpe militar de 1964. Bisneto disse, na ocasião, que a ALE-AM fazia justiça, pois a cassação de

Arlindo fora um ato de extremada covardia, semelhante ou até pior do que o sofrido pelo seu avô, o então senador Arthur Virgílio, cassado pelo AI 5.

Academia Amazonense de Letras Fundada em 1°de janeiro de 1918 Filiada à Federação das Academias de Letras do Brasil Rua Ramos Ferreira, n° 1009 – Centro CEP: 69010-120 Manaus – Amazonas – Brasil Fone/Fax: (92) 3234-0584 E-mail: acadam@ig.com.br A Secretaria funciona nos dias úteis, das 08h às 14h. DIRETORIA 2012/2013 Presidente: Arlindo Augusto dos Santos Porto Vice-Presidente: Almir Diniz de Carvalho Secretário-Geral: Cláudio do Carmo Chaves Secretário-Geral Adjunto: Armando Andrade de Menezes Tesoureiro: Max Carphentier Luiz da Costa Tesoureiro-Adjunto: Mário Ypiranga Monteiro Neto Diretor de Patrimônio: Moacir Couto de Andrade Diretor de Eventos: Carmen Novoa Silva Diretor de Edições: Marcus Luiz Barroso Barros CONSELHO FISCAL Membros Efetivos: Rosa Mendonça de Brito Antônio José Souto Loureiro Euler Esteves Ribeiro Membros Suplentes: Abrahim Sena Baze Mazé Mourão José Geraldo Xavier dos Anjos Expediente do Boletim Coordenação Editorial: Júlio Antonio Lopes Projeto Gráfico e Diagramação: Lo-Ammi Santos

Apoio institucional

Arlindo Porto com os imortais Almino Affonso, Rosa Brito e Almir Diniz, este vice-presidente da AAL.

Arlindo recebe o diploma de deputado das mãos do presidente da Ale/Am, Josué Neto.

Aniversário do Jornal A Crítica: 64 anos O jornal A Crítica completou, no último dia 19 de abril, 64 anos de existência. O respeitado periódico foi fundado pelo jornalista Umberto Calderaro Filho, o qual sempre franqueou espaço para a cultura regional, tradição mantida por seus sucessores. Diversos membros da Academia Amazonense de Letras, de várias gerações, escreveram em suas páginas, como Arlindo Porto, André Araújo, Dom Alberto Guadêncio Ramos, Jefferson Péres, Padre Nonato Pinheiro, Mário Ypiranga Monteiro, João Mendonça de Souza e Max Carphentier. Atualmente os confrades Bernardo Cabral, Robério Braga, Márcio Souza, Dom Luiz Soares Vieira, Tenório Telles, Euler Ribeiro e Júlio Antonio Lopes assinam colunas naquele diário. Daí o necessário registro. Hoje a direção geral da RCC é exercida por Cristina Calderaro Corrêa, filha de Calderaro.

Os acadêmicos Arlindo Porto e Almino Affonso visitam Umberto Calderaro Filho em A Crítica.


BOLETIM da Academia Amazonense de Letras

Reabre a Biblioteca Pública do Amazonas Depois de cinco anos de restauração e ampliação de seu acervo, além da reforma e modernização de suas instalações, a Biblioteca Pública foi entregue novamente aos amazonenses, ao fim de um trabalho primoroso capitaneado pelo nosso confrade e secretário de Estado de Cultura Robério Braga, o qual teve o apoio decisivo do ex-governador Eduardo Braga, onde a obra se iniciou, e do atual governador Omar Aziz, que a concluiu. A primeira Biblioteca Pública do Amazonas funcionou no consistório da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Matriz, ainda na época do Império, a partir de 1871. O prédio

onde ela se encontra hoje foi construído entre os anos de 1904 e 1912, nos governos de Antonio Constantino Nery, Affonso de Carvalho e Antonio Bittencourt. Foi recuperada após um incêndio, em 1945. E foi reformada parcialmente no primeiro governo de Gilberto Mestrinho, em 1985. O atual projeto e estudos técnicos relativos à restauração recentemente concluída foram realizados pela Secretaria de Estado de Cultura, sob a coordenação da arquiteta Regina Lobato.

saguão para exposições permanentes; acessibilidade para cadeirantes; espaço para palestras e lançamento de livros; gibiteca; cadastro informatizado de usuários; controle eletrônico do acervo; empréstimo em domicílio; livros em Braille; audiolivros; integração com outros bibliotecas públicas; depósito legal; e Escritório de Direitos Autorais.

A Biblioteca, que dispõe de um acervo de mais de 345 mil obras, oferece agora, também, uma série de novidades. Há um acervo multimídia;

Robério Braga disse que é uma “satisfação imensa devolver aos amazonenses a Biblioteca Pública – e com ela, uma parte da nossa

A Biblioteca recebe estudantes de todos os níveis de ensino.

Visitantes têm acesso controlado através de cartão magnético.

própria identidade. A história riquíssima desse templo das letras é hoje recontada em cuidadosos detalhes, trazidos à tona pelo trabalho de restauro, preservando características originais seculares e agregando novas facilidades para incentivar e tornar mais prazerosa a consulta a seu acervo. A nova fase da Biblioteca Pública servirá como um divisor de águas, oferecendo oportunidade de aprendizado por meio da literatura e beneficiando toda a comunidade amazonense com os novos serviços oferecidos. Essa é a preocupação do governo Omar Aziz em tornar o acesso a esse universo uma realidade.

Editora da Amazônia doa livros à Biblioteca A Editora da Amazônia, integrante da Rede Calderaro de Comunicação (RCC), fez a doação de 72 livros, de seu catálogo, para compor o acervo da Biblioteca Pública do Amazonas, reinaugurada há poucos dias. O representante da empresa disse na ocasião ao Secretário de Estado de Cultura e acadêmico Robério Braga que o gesto reveleva, mais uma vez, o compromisso da RCC com a cultura regional. Braga, por sua vez, louvou e agradeceu a iniciativa.

A imponente fachada da Biblioteca

A Biblioteca possui mais de 345.000 livros.

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BOLETIM da Academia Amazonense de Letras

O tríplice Francisco

Max Carphentier Habemus Francisco! Quase primavera, na noite recém-nascida vaticana, o pastor olhou fundamente o rebanho das luzes, esperanças acesas numa praça. Quem viu, não pode esquecer: aquele olhar tinha toda a ternura da paternidade concentrada no amor. Pai anunciado como Francisco, logo percebi que o pastoral carinho daqueles olhos tinha uma explicação: nele estavam bênçãos de olhos que nunca se fecharam para nós, os de Francisco de Assis, de Francisco Xavier, de Francisco de Sales. Sim: Bergoglio, sendo Francisco, certamente assume e absorve, por evocação imediata e consanguinidade missionária, a presença e a renascença desses superiores da Fé, e portanto não é só Francisco, é Tríplice Francisco. Três santos dos mais incensados tanto pelos altares como pela História, não há dúvida de que são exemplos, inspiração e chamado para Bergoglio. Eles foram papas sem cátedra na Terra, mas com assento desde sempre no Céu. São Pedro não hesitaria em colocá-los entre os seus sucessores. Agora, por unção do nome e por necessidade, juntam-se num só, e deve-se perguntar em que medida, com que carisma cada um contribuirá como esteio e asa do Pontífice jesuíta.

Cântico das Criaturas é a página ecológica que faltava às Escrituras. Nos “Fioretti”, súmula dos ideais franciscanos, a beleza da verdade e a perfeita alegria da paciência são bênçãos de Francisco sobre nós. Príncipe de Jesus em túnica surrada, fez mais pelo bem do mundo do que luxuosas convenções de reinados. Abandonador de guerras e de faustos, ele ouviu do Crucificado o apelo para “restaurar a sua Igreja em ruínas”, e atuou de imediato sob a interpretação literal da queixa, reconstruindo igrejas. Depois, verificando que a ruína era mais doença dos costumes que das pedras, partiu para a atitude curativa e a pregação regeneradora, dentro e fora da Itália. Os estigmas que recebeu no monte Alverne, chagas no corpo abertas como rosas, testemunham sua penitencial configuração a Cristo.E que catedral pode ter torres mais altas do que os campanários invisíveis da sua Porciúncula? Na mediação entre as penúrias sociais e as inconsistências religiosas, Bergoglio há de ter, desse Francisco, a conduta, estrategicamente depuradora do século, de colocar-se exatamente no coração do povo, para iluminação nova dos destinos.

alcandorada e prática de Bergoglio. Começa a cruzada das Índias orientais, com Xavier arrastando mares na evangelização transcontinental tão heroica que até hoje consola os apóstolos das brenhas. Embora tenha ajudado na redação das Constituições da Companhia, Xavier foi mais homem de ação que de meditação, tanto que, em uma de suas cartas a Inácio, declarou sua vontade de ir às academias da Europa “sacudir aqueles que tem mais ciência do que caridade”. A caridade aí é principalmente a da palavra evangelizadora, que imediatamente afasta o negativismo antropológico que muitos sustentam diante da condição humana. O epistolário entre Francisco e Inácio constitui um compêndio que retrata as mais preciosas convicções destes santos. Ao lado das Constituições e dos Exercícios Espirituais, nessas cartas Bergoglio há de ter encontrado e encontrará de ambos a companhia na Companhia. Eles seguirão junto a ele desbravando, levantando e construindo, sob a égide do clássico, uno e tríplice preceito inaciano: obediência de execução, obediência de vontade, obediência de entendimento.

Evoquemos primeiro Francisco de Assis, “esposo da obediência e da pobreza”, um revolucionário da doçura, que pregava tanto a homens quanto a passarinhos para ter toda a criação reunida no louvor a Deus. Esse andarilho trovador da Fé invadiu com poesia evangelizadora as portas entreabertas do Renascimento, e seu

Verifica-se em seguida a contribuição de Francisco Xavier na composição dessa tríade em um só homem. Ele oferta logo o vaticínio dos fundadores, dado que foi um dos sete de Montmartre, que conceberam, sob a liderança de Inácio de Loyola, a inesgotável Companhia de Jesus.Fundava-se aí a escola simultaneamente

Agora chegamos a um ponto de convergência doutrinária e devocional na figura eclética de Francisco de Sales. Bispo, escritor, fundador de congregação (Ordem da Visitação), pregador, diretor de almas, de fé imensa e coração maior. O púlpito flamejante, de onde ele sacudia luzes pontiagudas contra os calvinistas, foi

o seu primeiro altar. Marcou de uma vez por todas a história espiritual da França e da Igreja, principalmente ao convocar-nos à devoção também fora dos claustros, à santificação da existência cotidiana. Ele esclareceu sua predestinação diante da Virgem Negra, e logo dividiu seu coração entre o mais alto amor ao próximo e o mais belo amor a Deus. Com matéria de exegese mística e prática evangélica forjadas em sua têmpera de santo, criou duas chaves que descerram juntas salvíficos segredos: O Tratado do Amor de Deus e Introdução à Vida Devota.São monumentos de doutrina e de ascese que,reunidos aos seus milhares de sermões e cartas de direção espiritual, estão entre as páginas imperecíveis da literatura cristã de todos os tempos.Francisco de Sales ensinava que a “caridade concreta” é o “êxtase da vida e das obras”.Maravilha de síntese. Isto só pode ser palavra oculta do Sermão da Montanha, guardada para ser ouvida bem depois.Bastaria essa formulação, do mesmo nível de paulina, para identificá-lo como coadjutor das bem-aventuranças, como intelectual assistido pelo Espírito Santo. Bem-aventurados aqueles de caridade concreta. Bergoglio bebeu dessa água que não passa mas se multiplica e guardou-a em cântaro aberto para todos. O Papa Francisco movimentará dessas três vidas o louvor que busca, a certeza que age, o amor que liberta, assumindo-as no seu orar, no seu dizer, no seu fazer, fortalecendo a súplica, reevangelizando o mundo, redescobrindo o Cristo a todo instante. E isso sob a irradiação da Virgem, de intercessora graça tríplice também: Mãe de Jesus, Mãe da Igreja e nossa Mãe.Serás feliz, Bergoglio, atirando as tuas redes com as mesmas mãos de Pedro e dos Franciscos. Agora digo, Tríplice Francisco de São Pedro,que o maior tesouro, a maior alma a ser recolhida das ondas conjunturais será a própria Igreja. E o som da legenda miserando atque eligendo te parecerá sempre ecoando com as sílabas do “Segue-me!”. Tudo para a maior glória de Deus. Dado em Manaus, quando março de 2013, primeiros dias do pontificado de Francisco.


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Márcia vence disputa pela Cadeira 21

Acadêmicos recebem medalha de “Grandes Amazônidas”

Em assembleia geral a AAL se reunia para votar e escolher a nova imortal.

A reitora da UFAM e doutora em Serviço Social, Márcia Perales Mendes Silva, foi eleita no último dia 25/03 para ocupar a Cadeira 21 da AAL. Embora houvesse quatro candidatos, a disputa ficou mesmo entre Márcia,

que teve 19 votos, e o padre João Mendonça, que alcançou 16. Os demais não foram votados. O quorum foi expressivo, pois trinta e cinco dos 39 aptos a votara, o fizeram.

Aniversário do Coral João Gomes Junior

No dia 19/03 o Coral João Gomes Júnior celebrou, com a tradicional Missa dos Casais, em honra a São José, na Catedral Metropolitana de Manaus, os seus 57 anos de atividades. O Coral foi fundado pelo maestro Nivaldo Santiago e sua primeira apresentação ocorreu no palco do Teatro Amazonas. A presidente do Coral é a magistrada e professora Cleomar dos Anjos Feitoza. Seu diretor artístico é o maestro Moisés Rodrigues. O grupo tem dois CDs gravados. O Coral João Gomes Júnior será agracia-

O acadêmico Marcus Barros, entre Belisário Arce, a confrade Marilene Corrêa e Flávio Grosso.

A Associação PANAMAZÔNIA realizou no mês de março a cerimônia de outorga da Medalha do Mérito Grandes Amazônidas, como o próprio nome diz, conferida àqueles que se destacaram, pelo seu trabalho em prol da região. Foram agraciados, dentre outros, os empresários Jaime Benchimol e Mário Guerreiro,

bem como os membros da Academia Amazonense de Letras (AAL), professor doutor Marcus Barros e o poeta Aldísio Filgueiras. A PANAMAZÔNIA, presidida por Belisário Arce, vem dando contribuição inestimável para o debate de nossos mais sensíveis problemas.

do, em 2013, com a maior comenda da Academia Amazonense de Letras (AAL): a Medalha do Mérito Cultural Péricles Moraes, na categoria Artes. Assista à reportagem feita pela Rede Amazônica sobre a Missa de Casais em celebração aos 57 anos do Coral João Gomes Júnior.

http://bit.ly/13Lqie1 O confrade Aldísio Filgueiras, prestigiado por Márcio Souza, posa com a sua medalha.

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José Fernando Gomes Novo: O artista português no Amazonas

Abrahim Baze O fruto do labor coletivo da raça lusitana tem o gosto do saber dar a vida, a preto e branco e a cores, a tênues lembranças e memórias que recriam um cenário – imaginário, real, por onde desfilaram homens e mulheres incríveis e maravilhosas criaturas, que dedicaram suas vidas a fazer das sombras e da luz um palco de encantamento, que construíram a história teatral no Amazonas. Para que o cenário dessa reportagem fosse escrito, encantáveis e gentis mãos vieram a construir, inúmeras e ricas vozes se fizeram ouvir. Maravalhas permitiu retirar do baú de sua memória, pedaços de papel amarelados, dedicadamente guardados em seus álbuns de recordações.

Lançamento

A matéria de que se alimenta a sua rica memória lembra os flocos de lembrança da sua infância e juventude, doces fios entrelaçados e encadeados em cores e sabores suaves tão encantadores e reais. A linha que divide a sua vida foi sempre diluída pelo sonho de um Maravalhas poeta, artista, cantor de fados e inteligente, que jamais esqueceu as suas origens No saudoso Clube Barés, era o cantor de fados preferido, tendo inclusive formado um rancho português. Não podemos esquecer o Velho Olímpico Clube nas tradicionais festas que homenageavam Santo Antônio de Lisboa. No embate futebolístico marcou época como jogador do Olímpico Clube e do América Futebol Clube. As tardes de sábado os ouvintes da Rádio Baré acotovelavam-se para ouvir os belos fados cantados por ele. Na elite da sociedade amazonense era convidado para cantar no Atlético Rio Negro Clube e no Ideal Clube.

A invenção do expressionismo em Augusto dos Anjos O acadêmico Zemaria Pinto lançou, no dia 02/03/2013, na livraria Valer, a obra “A invenção do expressionismo em Augusto dos Anjos”, ensaio que se originou da dissertação de mestrado do autor. Zemaria demonstra que, antes mesmo dos poetas alemães, desenvolveu o expressionismo. A apresentação é do professor Marcos Frederico Krüger. Fonte: jornal A Crítica, 27/02/2013

Ações Acadêmicas

O palco do Luso Sporting Clube, embora já desmontado permanece como um fio da memória e nos conduz a um tempo em que “havia tempo” para criar, e até para fazer teatro. José Fernando Gomes Novo, o popular Maravilhas, é natural da Póvoa do Varzim, em Portugal, todavia teve uma longa vivência com o nosso país, pois desembarcou no porto de Manaus aos 19 anos de idade, no ano de 1946. Iniciou os seus contatos com as letras dos 4 aos 14 anos, na Escola Primária Pereira Azuzara, em Portugal. Desde cedo Maravalhas iniciou-se no trabalho, pois dos 11 aos 14 anos já labutava como serralheiro mecânico na Oficina “Albino Joaquim do Monte”, em Portugal.

O confrade Arthur Virgílio Neto, que é o prefeiito de Manaus, marcou um ponto expressivo ao reabrir a Biblioteca Pública Municipal João Bosco Pantoja Evangelista, que foi fundador do Clube da Madrugada e da União Brasileira de Escritores, Seção do Amazonas. A Biblioteca, criada pela Lei 971/1967 e pelo decreto 27/1975, funcionará no Largo de São Sebastião, no centro da cidade

Durante a 2ª Grande Guerra Mundial, que provocou a escassez de matéria prima, foi obrigado a trabalhar como pescador em alto-mar. Como o efeito da nefasta guerra se prolongou, ele resolveu imigrar para o Brasil, exatamente Manaus chegando em 1946. Em Manaus, passou a trabalhar com seu pai em transportes portuários, profissão exercida ainda hoje. Abrahim Baze é jornalista, escritor e membro da Academia Amazonense de Letras.

A acadêmica Rosa Mendonça de Brito conclui o seu pós-doutorado em Filosofia da Educação pela UFAM, além de ter participado e apresentado o trabalho “Saber Local e Formação de Professores na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Amazonas”, no XX Colóquio Internacional da AFIRSE, Secção Portuguesa, realizado na Universidade de Lisboa. O orientador de pós-doutorado, prof. Aquiles Cortês Guimarães, disse que o trabalho da autora “reflete um sólido conhecimento dos fenômenos pedagógicos da sua militância no plano da Filosofia da Educação com a qual vem trabalhando há muitos anos, além da originalidade das questões levantadas e das soluções apresentadas, produzido com muito esforço. Não tenho dúvidas em recomendar a sua publicação por parte da UFAM. E o faço enfaticamente, tendo em vista a relevância da contribuição que sua pesquisa representa.”


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A Semed e a leitura

Tenório Telles O mais importante acontecimento cultural destes dias em Manaus foi a realização da Semana da Literatura Amazonense, aberta dia 2 e que se estenderá até o 14 de abril. O evento é organizado pela Secretaria Municipal de Educação com o objetivo de incentivar a leitura e aproximar os alunos da rede municipal de ensino dos nossos autores. E por se tratar de um evento regional, tem como patro-

no o poeta Elson Farias, um dos escritores mais amados pelas crianças e jovens de Manaus, especialmente pelos seus livros da série “As aventuras de Zezé”, de sua autoria. Iniciativas como essas são fundamentais no processo da aprendizagem das crianças, pois estimulam o contato dos alunos com o livro, a paixão pela leitura, além de fortalecer os vínculos identitários com a terra e nossos valores culturais. As escolas são transformadas em es-

paços de fantasia, brincadeiras com as palavras, atividades lúdicas em torno do livro, tendo como centro os estudantes, com a participação dos professores, gestores e corpo pedagógico. Visitei inúmeras escolas, prestigiando suas atividades e apresentações. Foi comovente testemunhar o interesse das crianças, das mais pequeninas às maiores, pelos textos, as atividades de leitura, em especial a participação em espetáculos de dança, teatro e jograis, hoje incomuns nas escolas. Fiquei sensibilizado com o esforço dos professores e gestores para realizar, em meio a tantas dificuldades, as programações previstas pela Semana da Literatura. Usando a criatividade e os recursos disponíveis, organizaram palcos, cenários, prepararam vestimentas para as encenações dos alunos, aparelhagem de som e outros suportes para tornar possível esse momento tão especial para as crianças – em que se transformam em poetas e prosadores de nossa terra. Momentos como este nos enchem de esperança e nos ajudam no fortalecimento de nosso compromisso com a construção de um mundo melhor, que só será possível no dia em que tivermos uma sociedade leitora, de jovens entusiasmados e apaixonados pela sabedoria e pela beleza. Esse mundo mais esclarecido só deixará de ser uma utopia quando as escolas se transformarem em espaços efetivos de reflexão, de en-

cantamento com os livros e a leitura for encarada como um instrumento fundamental da formação de nossa juventude. Quando chegar esse tempo, teremos uma cidade, um estado e um país de leitores. E isso fará toda a diferença, porque quem lê pensa diferente, sente diferente, ouve diferente, olha diferente. E diferente – sente-se mais seguro, consciente do seu papel no mundo e, portanto, cidadão. A leitura é uma experiência tão fundamental que muda definitivamente a história de vida de todo aquele que vive e, consequentemente, da sociedade. Isso é tão verdadeiro que as escolas e os municípios brasileiros com os melhores índices de aprendizagem são aqueles que privilegiam a leitura como parte de sua ação pedagógica. Se desejamos verdadeiramente avançar em termos de aprimoramento da capacidade intelectual de nossas crianças e jovens, precisamos com urgência formular políticas para o livro e a leitura no âmbito da gestão pública. As escolas, além de bibliotecas, devem ter programas pedagógicos de formação de professores para o desenvolvimento de atividades com a leitura e a escrita. Afinal, uma escola leitora só será possível se tivermos professores e alunos leitores. A Semed está dando um passo importante na concretização desse sonho. Fonte: jornal A CRÍTICA (06/04/2013)

Lançamento

Adrino Aragão lança dois livros na AAL O escritor Adrino Aragão lançou dois livros na AAL. Ele, que reside em Brasília e é mebro correspondente da Casa, foi prestigiado pelos acadêmicos em manhã de autógrafos. O acadêmico Zemaria Pinto fez a apresentação em forma de palestra.

Adrino autografa sob os olhares dos acadêmicos Zemaria e Marilene e do dr. Marcílio.

Márcio Souza, José Braga, Renan Pinto e Elson Farias também estiveram presentes.

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Biografia de Cabral será lançada no Rio de Janeiro No próximo dia 16/05, a partir das 18h30min, no Saguão do Palácio Austregésilo de Athayde, na Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, será lançado, pela Editora da Amazônia, empresa da Rede Calderaro de Comunicação, o livro “Bernardo Cabral – UM ESTADISTA DA REPÚBLICA”, de autoria do advogado e jornalista Júlio Antonio Lopes, que ocupa na Academia Amazonense de Letras (AAL) a Cadeira de n°23, que tem como patrono o poeta simbolista Cruz e Souza. O prefácio é do ministro e membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Amazonense de Letras Marcos Vinicios Vilaça. Lopes é autor, também, dos livros “A CRÍTICA de Umberto Calderaro Filho” e da série “Direito de Expressão”. A obra está divida em sete capítulos e conta a história de Cabral desde a sua infância, fazendo um passeio pelos momentos marcantes de sua história, como a cassação de seu mandato pelo AI 5, o comando do Conselho Federal da OAB, a eleição para o cargo de Relator Geral da Constituição de 88, sua passagem pelo Ministério da Justiça, sua ação no Senado da República e termina com a devolução simbólica de seu mandato de deputado federal no ano passado. O livro possui, ainda, um riquíssimo acervo iconográfico, com imagens nunca antes divulgadas; é recheado de depoimentos de personalidades e amigos que conviveram ou que convivem com Cabral, colhidos em fontes primárias ou secundárias. Há, ainda, uma entrevista exclusiva concedida ao autor, os discursos mais importantes que o biografado proferiu ao longo do tempo e o seu curriculum vitae. Lopes diz que o livro é ponto de partida e não de chegada no que se relaciona a Bernardo Cabral, “cuja vida

novos trabalhos sobre o tema”.

NOVIDADE O livro é interativo. Através do recurso do Qrcode, é possível ao leitor, utilizado um smartphone, ouvir, por exemplo, o hino nacional brasileiro, a última edição do Repórter Esso, bem como assistir às edições do Diário da Constituinte, especialmente as que noticiam a eleição de Cabral para relator da Constituição e o discurso de Ulysses Guimarães na sessão de encerramento dos trabalhos da Constituinte.

EM MANAUS O livro será lançado em Manaus no dia 13/06, no Teatro Direcional, no Manauara Shopping. No livro há revelações inéditas. Dentre outras coisas, Cabral fala da única mágoa em sua vida, diz por que se tornou advogado, conta as agruras da cassação, da sua relação com os pais e desvenda os bastidores da eleição para a relatoria da Constituinte, quando venceu o então senador Fernando Henrique Cardoso e o deputado Pimenta da Veiga, respectivamente de São Paulo e Minas Gerais.

é tão rica, tão intensa, tão cheia de fatos importantes que, passando-se mais uma semana após a sua publicação, certamente haverá um novo capítulo a ser escrito”. É, igualmente, diz o autor “uma iniciativa que tem por objetivo registrar para a posteridade os momentos marcantes da vida desse inigualável homem público, que orgulha o Amazonas e o Brasil, consolidando as coisas que ele fez, falou e escreveu, bem como que se escreveu e o que se fez a seu respeito, incentivando a produção de

“É Bernardo Cabral, realmente, aquele relator que não declinou de sua função, exerceu-a com magnitude, instituindo a mais democrática Constituição da História do Brasil”. Ives Gandra da Silva Martins

“Não foi sem um certo sentimento nabuqueano que me defrontei com o título deste livro. No Império ou na República o que vale são os estadistas. Aqui se cuida de um deles. (...). Nas páginas a seguir estão todos – ou quase todos – os Bernardo Cabral”. Marcos Vilaça, no prefácio

“Bernardo Cabral é o relator histórico da Constituição de 1988, que tem a marca de seu talento. Por todos os lugares por onde tenho passado , basta falar no nome de Bernardo Cabral para que todos batam palmas, pela sua competência de jurista, pela sua habilidade, pelo seu senso de realidade e pela defesa do direito social”. Ulysses Guimarães

Boletim AAL | Abril | 2013  

Boletim da AAL

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