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outubro 2011-janeiro 2012 – Preço avulso:  3.00, gratuito para as sócias

Revista da Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas

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Uma subdiretora sempre presente


LAÇOS Revista Quadrimestral Preço avulso:  3,00 Assinatura anual:  8,00 Gratuita para sócias

Corpos sociais da ASSOCIAÇÃO DAS ANTIGAS ALUNAS DO INSTITUTO DE ODIVELAS

Propriedade, edição e administração da Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas Anexo à Casa do Capelão/IO Largo D. Dinis 2675-336 Odivelas • Tel.: 21 711 92 20 www.aaaio.pt • E-mail: redaccao@aaaio.pt Fundada em 1988 Directora Joaquina Maria Seara Marques Cadete Phillimore n.º 193/1960 Chefe de Redacção Maria Margarida Alves Pereira-Müller n.º 244/1967 Corpo Redactorial Ana Maria de Ataíde Pinto Soares Hoeppner n.° 318/1952 Fernanda Ruth Jacobetty Vieira n.º 152/1955 Maria Antónia Figueiredo Paixão n.º 234/1951 Maria Eduarda Agostinho de Sousa Caixeiro n.º 176/1972 Maria Helena Caixeiro Arjones n.º 177/1964 Maria Noémia de Melo Leitão n.º 245/1931 A LAÇOS não se responsabiliza pela opinião expressa pelos seus colaboradores A LAÇOS reserva-se o direito de encurtar os textos quando necessário

Assembleia Geral Joaquina Maria Seara Marques Cadete Phillimore n.º 193/1960 Maria Leonor Leão Correia Viegas Tavares n.º 332/1952 Luísa Alice Tavares Santos Pereira n.º 319/1952 Direcção Ana Maria de Ataíde Pinto Soares Hoeppner n.° 318/1952 Maria Margarida Branco Alves Pereira-Müller n.º 244/1967 Maria Isabel Ferreira Braga Gomes n.º 137/1953 Maria Antónia Serpa Soares Figueiredo Paixão n.º 234/1951 Leonor Ornelas de Medeiros Tavares n.º 16/1954 Suplentes Maria Madalena Carvalhosa Pessoa n.º 146/1953 Maria Emília Canelhas Pinhão n.º 82/1951 Maria do Carmo Tovar Faro n.º 106/1951 Elsa Sofia Portela Ribeiro n.º 7/1948 Maria Teresa Amado Araújo Brazão Farinha n.º 115/1971 Conselho Fiscal Maria Fernanda Rico Vidal n.º 261/1950 Cesaltina do Nascimento Silva n.º 229/1939 Maria Isabel de Andrade Figueira Freire n.º 120/1960 Suplentes Maria Eduarda Agostinho de Sousa Caixeiro n.º 176/1972 Maria Helena Passos e Sousa Cavaco n.º 218/1954 Maria Teresa Teixeira da Silva Bagorro n.º 53/1955

Parcerias: CMO e JFO

A Nossa Casa Quartel da Formação Largo da Luz 1600-498 Lisboa

9 DE MARÇO

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o próximo dia 9 de março, vamos celebrar o Dia da Antiga Aluna no Refeitório das Monjas (Sala do Teto Bo-

nito), no Instituto de Odivelas, com o seguinte programa (provisório): 17h00 Receção às Antigas Alunas e entidades 17h30 Boas-vindas pelo Diretor do IO 17h45 “Escolas com ensino diferenciado e em regime de internato” – Presidente da Mesa da Assembleia Geral da AAAIO 18h00 “Pela causa e pela casa” – Presidente da Direção da AAAIO 18h15 Recital de poesia e piano 18h45 Entrega dos Prémios Maria das Ne-

Impressão: Pulp – Comunicação e Imagem, Lda. Praça Pasteur, n.º 6, 6.º Esq. – 1000-238 Lisboa. Portugal Tel. (+351) 219 261 454 | Telm. (+351) 961 619 516 Fax. (+351) 219 261 452 pulpdesign.pt | geral@pulpdesign.pt

Tiragem: 750 exemplares Depósito Legal n.º 56731/92 Nota: Isenta de Registo na E.R.C. ao abrigo do nº 1 - Art. 12, Dec. Regulamentar de 8/99 de 9 de Junho ISSN: 0874 - 811X

CAPA:Ofélia Moreira de Serra Martins

ves Rebelo de Sousa 19h00 Porto de Honra


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Í N D I C E

LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012 2 Editorial 2 Escolas com educação diferenciada e em regime de internato por Joaquina Cadete Phillimore 4 4 6 8 10 11 19 20 21 22 25 26 27 28 29 30

Atividades da AAAIO e suas sócias Museu da Eletricidade por Maria Helena Cavaco Museu do Bombeiro por Maria Helena Cavaco Museu do Combatente por Maria Helena Cavaco Magusto Assembleia geral Apresentação do livro de Manuela Barbosa por M. Margarida Pereira-Müller Natal animado na Nova Casa AAAIO presente na festa de Natal do IO Ano Europeu do Voluntariado por Joaquina Cadete Phillimore Odivelas comemora os 750 anos do nascimento de D. Dinis Apresentação do DVD sobre os três EME por Fernanda Ruth Jacobetty Vieira 13º aniversário do Concelho de Odivelas Cerimónia de abertura solene do IPE por Joaquina Cadete Phillimore Abertura solene das aulas no IO 14 de janeiro muito concorrido

32 Agenda 33 O que é feito de ti, AA? 33 Mitó Oliveira por Joaquina Cadete Phillimore e Maria João Marcelo Curto 37 Irmã Miriam por Joaquina Cadete Phillimore 40 In Memoriam 41 Professora Aurélia por Helena Caldeira 43 43 44 45 46 46 47 47 48 50 52

Notícias do IO Campeonato de Esgrima do Exército de 2011 Festa de Natal Visita de Estudo ao Planetário Calouste Gulbenkian Corta Mato Escolar 5ª Feira do Livro do Instituto de Odivelas Resultados do Encontro Gira-volei Intercâmbio com a Maison d’Éducation de la Légion d’Honneur 2011 ISA – III International Amonet Symposium – Women, Science and Globalization Abertura Solene do Ano Letivo 2011/2012 Receção das novas alunas por Carolina Afonso

53 À Conversa Com... 53 Luís Almeida Martins “365 dias de histórias da História de Portugal” por M. Margarida Pereira-Müller 55 Destaque 55 Entrevista com o diretor do IO por M. Margarida Pereira-Müller 63 Uma subdiretora sempre presente por Joaquina Cadete Phillimore 67 67 71 72 75 78 79

Ideias Soltas Viver sem glúten por Helena Machado Santos Quatro amigas e um jantar por M. Margarida Pereira-Müller A misteriosa mansão da viúva Winchester por M. Margarida Pereira-Müller Linguagem universal por Maria de Lourdes Sant’Anna Portugal: Refúgio Real por M. Margarida Pereira-Müller Ano do dragão por M. Margarida Pereira-Müller LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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EDITORIAL

EDITORIAL

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Joaquina Cadet e Phillim ore – AA Nº 193/196 0

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Escolas com educação diferenciada e em regime de internato ara começar um novo ano, nada melhor que “atacar” assuntos que andem a “queimar os nossos neurónios”. Ora um deles é, porventura, a dúvida que tem vindo a pairar sobre a continuação dos três EME, e, no caso que nos interessa em particular, sobre o Instituto de Odivelas.

Temos ouvido várias opiniões, alguns dislates e a pergunta que aqui se coloca não é “porquê um colégio feminino com tutela militar (mas que tem uma grande percentagem de alunas oriundas de famílias que não estão ligadas à vida militar) mas sim se faz sentido, no século XXI, uma escola só feminina e em regime de internato. Decerto entenderão que, no espaço de um editorial, a abordagem será ligeira, mas prometo aprofundar o tema, no próximo dia 9 de Março, dia da Antiga Aluna. Partindo de opiniões recolhidas no Facebook, que agradeço e que enriquecem a discussão, considero, e baseio-me, não apenas em conceções próprias mas também em investigação nesta matéria, que, em geral, as escolas em regime de internato propiciam um ambiente equilibrado. Sabemos todos que há exemplos de má conduta em internatos por parte de quem deve zelar pelos educandos e educandas, mas, felizmente, não é o caso do IO. Podemos ainda considerar que o regime de internato, propiciando uma vida diária mais calma, respeita os ritmos psicológico e biológico das crianças e adolescentes que estudam e vivem nessas escolas, durante alguns dias por semana.

“O afastamento da família já não é um problema real. O mail e as redes sociais colmatam a ausência...”

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EDITORIAL

Um colégio interno permite ainda a não dispersão das alunas, além de oferecer um amplo leque de atividades extra curriculares, sem deslocações que fazem perder tempo e energias. No plano familiar, o tão falado afastamento da família já não é um problema real. As alunas telefonam amiúde aos Pais e irmãos, aos amigos que estão fora, correspondem-se por mail e através das redes sociais. E, no caso do IO, entram domingo à noite, saem quarta à tarde, voltam na quinta de manhã para sair para fim de semana na sexta à tarde. Convenhamos que não é o mesmo afastamento que algumas de nós enfrentaram quando entraram num qualquer dia 7 de outubro e só voltaram a casa para as férias de Natal. Passemos agora a outro assunto polémico, nos dias de hoje, o ensino diferenciado, ou seja, separado por sexos. Os académicos defensores do ensino diferenciado, como David Chadwell, que esteve há pouco tempo em Portugal, e Carol Gilligan, entre outros, alegam que o mesmo promove a igualdade de educação para as jovens, no caso que nos interessa, porque melhora o seu rendimento académico em disciplinas em que elas tendem a atrasar-se (matemática, ciências, tecnologia) e favorece uma maior participação feminina em profissões tradicionalmente ocupadas pelos homens. Em Portugal, além do IO, nos últimos 35 anos, também os colégios Fomento fazem educação diferenciada, com base no princípio que rapazes e raparigas crescem em ritmos diferentes. Também os interesses e forma de olhar o mundo e a vida são diferentes. Como disse antes, não cabe no espaço de um editorial aprofundar este tema, por isso termino alertando apenas para a necessidade de estarmos atentos ao desempenho académico dos rapazes, evitando assim a excessiva feminização de certas profissões como o ensino, e preparar as raparigas para a liderança, evitando a também ainda excessiva masculinização dos postos de chefia em empresas e na administração pública, tema que, convenhamos, dava pano para mangas para outra acesa discussão.

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ATIVIDADES

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Maria Helena Cavaco – AA Nº 218/1954

Museu de Eletricidade

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a última terça feira de Agosto, um grupo de residentes acompanhado de duas voluntárias e da Drª Isabel Sullivan (grande amiga da nossa Julinha e companheira de voluntariado), visitou o Museu de Eletricidade. Este Museu, não obstante o Guia dar as explicações de um modo muito acessível e de todo o apoio logístico que nos foi fornecido, não teve a mesma adesão por parte dos residentes que os outros museus – eventualmente por não ter muita luz e o tema ser demasiado técnico. O Museu de Eletricidade está situado em Belém, junto ao rio Tejo, antiga central termoelétrica, também designada Central Tejo. A Central Tejo foi construída no início do séc. XX, a sua estrutura é em ferro com revestimento em tijolo e durante mais de quarenta anos

foi aqui que se produziu toda a energia elétrica para abastecer Lisboa. A nossa visita começou na praça do Carvão, local onde se descarregavam toneladas de carvão para o fornecimento das caldeiras. O carvão

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chegava nas fragatas e era transportado da ponte-cais até às noras elevatórias e eram os alcochetanos que, com cestos à cabeça, homens e mulheres, fazendo autênticos equilíbrios em tábuas, procediam às descargas do carvão.

resultantes da combustão do carvão são o dióxido de carbono, dióxido e trióxido de enxofre acompanhados de grandes quantidades de poeiras. Atualmente, as

Na Sala dos Condensadores onde estão as bombas que permitiam a drenagem da água fria do rio Tejo, a fonte fria essencial ao funcionamento da Central Termoelétrica, estão também expostos os condensadores para refrigeração do vapor; contígua temos a Sala dos Geradores com alternadores e por último a Sala do Comando onde se controlavam os geradores e a distribuição da energia elétrica. chaminés das centrais são dimensionadas para evitar a poluição da camada mais baixa da atmosfera e dispõem de filtros adequados, que retêm uma parte apreciável das partículas sólidas em suspensão. Quando esta Central esteve em funcionamento a poluição atmosférica fez-se notar, sendo por vezes um autêntico capacete para a área envolvente. Em conclusão, podemos referir alguns problemas que centrais deste tipo apresentavam à época. Os produtos

Para terminar a visita, foram-nos mostradas várias fotografias retratando o trabalho árduo à época em que nem as crianças eram poupadas.

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Maria Helena Cavaco – AA Nº 218/1954

Museu do Bombeiro

O Um aspeto do Museu

Museu do Bombeiro encontra-se muito perto do Lar, mais concretamente, entre o Centro Comercial Colombo e o Hospital da Luz, e começou a ser pensado há várias décadas desde o tempo em que o Corpo de Bombeiros Municipais de Lisboa passou a Batalhão de Sapadores Bombeiros e foi inaugurado em 2004. Este museu tem uma coleção importante de carros de combate a incêndios, dos séculos XVIII a XX, que vão dos de tração braçal, animal (puxados a cavalo, que chamou especial atenção aos nossos visitantes), até aos atuais carros motorizados. Foi-nos chamada, também, a atenção para o primeiro carro de combate a incêndio “um Mercedes”, e na mesma figura podemos observar também os depósitos de água com pinturas tipicamente portuguesas, com que a população colaborava com os bombeiros.

Os candidatos a bombeiros são sujeitos a uma fase de instrução, onde lhes são ministradas as regras de atuação no ataque aos diferentes tipos de incêndios. Foi interessante observar as maquetes representativas das estruturas em madeira dos edifícios pombalinos em que o ataque ao incêndio tem de ser forçosamente de cima para baixo para evitar a rápida propagação do fogo.

Uma visita num ambiente descontraído

Foi-nos chamada a atenção para as escadas utilizadas no combate a incêndios, a primeira Escada Fernandes, percursora da Magyrus que é do conhecimento geral.

Expostos encontram-se os vários materiais utilizados que vão dos sistemas de comunicações, fardamentos, machados, etc. De salientar que havia oficinas de sapateiros, de costura, tudo era feito no quartel dos bombeiros. Atualmente, ainda seguindo essa tradição, 6

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toda a manutenção e restauro de peças é feita pelos bombeiros aposentados ou por aqueles que já não se encontram em condições físicas de estar na rua. A Guia que nos acompanhou fez uma visita dinâmica, i. e., colocou várias perguntas ao longo do percurso. Uma delas foi qual o motivo pelo qual, quando são utilizadas escadas de madeira para retirar uma pessoa de casa, quando há um incêndio, só sobe um bombeiro quando seria de esperar que o problema se resolvesse mais rapidamente se atuassem vários? (É que a escada só aguenta com duas pessoas). Outra foi qual o motivo do maior número de chamadas atendidas pelos bombeiros pedindo de socorro? (Abrir as portas das residências). E por último foi-nos explicada a origem do termo Sapadores, que vem de sapa, pá com que se tira a terra; e assim fomos levados a inferir da utilidade de termos

sempre em casa um balde com terra que se poderá tornar mais eficiente que um extintor. Foi assim, num ambiente descontraído, que se passou esta visita, tendo a Guia, no final, informado que o Museu tem um anfiteatro onde passam filmes, como por ex. o incêndio do Chiado, e outros com ensinamentos de prevenção contra os incêndios. Julgamos poder aproveitar esta oportunidade para o ano.

VOLUNTARIADO Faz a diferença. Ajuda na AAAIO na tua área profissional. Contacta-nos por e-mail (geral@aaaio.pt) ou telefone (21 711 92 20). LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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Maria Helena Cavaco – AA Nº 218/1954

Museu do Combatente e Monumento aos Combatentes do Ultramar

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o chegarmos ao Forte do Bom Sucesso para visitar o Museu do Combatente tínhamos à nossa espera o Sr. Diretor do museu, que nos encaminhou para um pequeno auditório onde nos deu várias explicações que ilustrou com algumas histórias curiosas, sobre este Museu (é da responsabilidade da Liga dos Combatentes) e o Monumento aos Combatentes do Ultramar, que prendeu a atenção dos nossos residentes. A construção do Forte do Bom Sucesso é do século XVIII e serviu de complemento à linha defensiva da zona ribeirinha de Belém. Ficou ligado à Torre de Belém por meio de um passadiço até meados do séc. XIX.

No contexto da Guerra Peninsular o Forte do Bom Sucesso sofreu obras de reforço e foi daqui que a família Real partiu para o Brasil. Conta-se que o General Junot ainda viu a frota que acompanhava a família Real e daí a frase popular ficar a ver navios. Foi uma longa viagem, vários meses, em péssimas condições de higiene, o que levou a Rainha Carlota Joaquina e as suas damas de companhia a raparem o cabelo e a enrolarem panos à volta da cabeça, o que à chegada foi tido como uma modernice europeia e será por esse motivo que hoje as Mães de Santo ainda usam lenços na cabeça. Depois destas explicações que prenderam a atenção dos nossos residentes, dirigimo-nos ao pavilhão onde existe uma exposição permanente com várias salas que visitámos:

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através de ações de animação e nele destaca-se Cecília Supico Pinto que se vestia de camuflado, conforme o registo fotográfico que nos foi realçado, e quando necessário saltava de pára quedas para distribuir presentes aos militares, o que várias residentes relembraram.

Aviação Militar Várias vitrinas continham aviões construídos ao longo de 70 anos pelo Eng. Sardinha, mais de 400, executados à escala e os dois primeiros em madeira feitos a canivete, fê-los aos 10 anos. Esta mostra despertou especial atenção ao nosso residente, Sr. Capitão Bernardino Cabral, oficial de aviação, e a quem o Diretor deu explicações mais pormenorizadas. Alguns destes aviões expostos representavam modelos que o Sr. Capitão Cabral tinha pilotado.

Além de fotografias sobre a intervenção militar, nos diferentes lugares colonizados por Portugal, vimos também o apoio dado pelas mulheres portuguesas, já como militares, aos diferentes conflitos como Afeganistão, Bósnia, Iraque. No seguimento da visita dirigimo-nos para o Monumento Nacional aos Combatentes do Ultramar, inaugurado em 1994. A simplicidade do pórtico traduz a unidade daqueles que estiveram na

Fotografias e documentos Nestas salas encontrámos fotografias e documentos que revelam o papel das mulheres nos teatros de guerra, em diferentes épocas. Na primeira Grande Guerra destaca-se Ana de Castro Osório que com outras companheiras defende o recém-chegado regime republicano e trabalham no sentido de apoiar o esforço de guerra. É como enfermeiras que as mulheres têm um papel mais ativo. Na Guerra do Ultramar as mulheres também tiveram a sua importância, quer trazendo notícias dos familiares ou

guerra do Ultramar e uma homenagem é feita através das lápides colocadas na própria parede do Forte com as listas dos militares que morreram nesta guerra, que interessou e impressionou os nossos residentes. Este Monumento é da autoria de uma equipa chefiada LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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pelo arquiteto Francisco José Ferreira Guedes de Carvalho. Simbolizando a união da forças armadas os postos de sentinela são executados por militares dos três ramos das forças armadas. Foi mais um passeio que as voluntárias proporcionaram aos residentes do Lar e que se vai tornando um hábito das terças feiras.

São Martinho, São Martinho, dá-me castanhas e vinho

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hegou novembro e com ele o nosso tão querido São Martinho. Tal como os três santos nos animaram a festa de verão, também este santo outonal marcou a sua presença na Nova Casa da AAAIO. Como sempre, houve castanhas, jeropiga, um lanche animado contando com a presença de muitos familiares dos residentes e Antigas Alunas. Paralelamente decorreu uma venda de artesanato e produtos biológicos.

A tradição manteve-se e, no próximo outono, São Martinho voltará.

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Assembleia Geral No passado dia 26 de novembro, reuniu-se, em sessão ordinária, a Assembleia Geral da nossa Associação com a presença de 36 associadas. Após as saudações e a escolha dum terceiro elemento para a mesa, a Presidente da Mesa deu a palavra à Presidente da Direção que apresentou o Programa de Ação para o ano de 2012, tendo-se seguido a apresentação do Relatório do orçamento para 2012 e a leitura do Relatório do Conselho Fiscal. Programa de Ação para o ano de 2012 Associadas No seguimento das atividades socioculturais estabelecidas relacionadas com a vida associativa manteremos os seguintes calendários: • Comemoração do 93º Aniversário no IO – 9 de março/Dia da Antiga Aluna • Vários eventos – Chá da primavera/ Sardinhada/Magusto e festa do Natal Organização de Exposições/Encontros de cursos/Palestras mantendo os ciclos de Conferências e atividades com a SHIP e outras entidades • Dinamização de várias campanhas para angariação de fundos de modo a financiar a publicação do livro com o historial dos 90 anos da AAAIO e eventuais publicações relacionadas com o IO • Angariação de novas sócias na colaboração em atividades de vária ordem • Promoção do voluntariado nas múltiplas vertentes associativas (arte, solidariedade, acompanhamento a AA, BACF, entre outras) • Estreitamento das ligações com as associações congéneres AAACM/APE especialmente no projeto de dina-

mização dos três Estabelecimentos Militares de Ensino • Divulgação das múltiplas atividades e intervenções da AAAIO através dos meios de comunicação social e redes sociais • Nomeação de delegadas por regiões nacionais e no estrangeiro de modo a dar maior projeção às atividades das AA espalhadas pelo mundo e manter o contacto deste universo cada vez mais amplo de AA do IO O grupo que visitou a exposição

Revista Laços • Cativar anunciantes e patrocinadores na perspetiva de angariação de fundos para cobrir as despesas da revista • Manter o caderno dedicado às noticias do IO • Incentivar maior colaboração de AA com notícias dos cursos e/ou outras IO • Estreitar as relações com a direção do IO colaborando nas iniciativas colegiais e interligadas com a AAAIO de modo a promover o colégio na sua função pedagógica e cultural no Concelho e no contexto nacional e em eventuais projetos de ampliação das atividades escolares • Manter a celebração das comemorações dos dias 14 de janeiro e 9

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de março no IO bem como o acordo de utilização do Forte de St.António (férias e eventos) • Organizar eventos culturais intergeracionais no e fora do colégio • Promover ações de colaboração das alunas nas atividades da AAAIO • Manutenção das relações estreitas com a associação de pais/encarregados de educação unindo sinergias de modo a projetar maior visibilidade da função imprescindível duma escola centenária de excelência Casa Nova • Tentativa de conseguir a participação de 80% do total das despesas relativas ao equipamento do lar por parte da Segurança Social • Finalização de algumas obras suplementares de adaptação para uma melhor funcionalidade do Lar tais como passeio de acesso entre a entrada do lar e o teatro D. Luis Filipe, arranjo dos pavimentos dos duches, entre outros • Divulgação da nossa valência de Lar nas associações congéneres para uma maior dinâmica entre os sócios das três associações • Edição e divulgação do folheto informativo da Nova Casa nas suas múltiplas funções • Consolidar as atividades lúdicas e culturais para os utentes como manter os passeios de ½ dia e dia inteiro com apoios camarários, visitas a museus, exposições, concertos, sessões de cinema e jogos entre muitas outras • Manter e alargar o corpo de voluntárias essencial no acompanhamento psicológico e presencial dos residentes e familiares • Promover o mecenato para financiamento de equipamento terapêutico

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e outros que contribuam para uma oferta de qualidade dos serviços • Estabelecer parcerias com organizações sensíveis à terceira idade • Concorrer a verbas comunitárias no âmbito do QREN, caso necessário “Ser Cidadão em Odivelas” – BACF • Sensibilizar e incentivar as AA e alunas do IO para o apoio às famílias carenciadas do bairro da Arroja e Odivelas especialmente às crianças desfavorecidas por meio de roupas, brinquedos e equipamento escolar • Promover programas de interação com outras associações (IPSS) direcionadas na ajuda das camadas mais necessitadas de apoio psicológico • Manter a distribuição dos produtos do BACF às famílias carentes do bairro e manter um acompanhamento das famílias mais problemáticas Município/Junta de Freguesia de Odivelas e Município de Lisboa • Manutenção da estreita colaboração nas vertentes sócioculturais participando nos colóquios, seminários e reuniões de interesse comum • Solicitação de apoios financeiros em várias vertentes (revista/BACF) • Promoção de exposições de AA no âmbito das Artes Plásticas e palestras de interesse cultural ligadas ao historial do convento São Dinis e o papel da IO como escola relevante no concelho de Odivelas • Solicitação de apoio da Câmara Municipal de Lisboa para o arranjo paisagístico e para a iluminação do logradouro. 26 de novembro de 2011


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Relatório do orçamento para 2012 apresentação do orçamento para o ano de 2012 é uma árdua tarefa, considerando que o próximo ano continuará a ser marcado pela difícil conjuntura socioeconómica, manifestada pelo atual período de crise que se vive a nível mundial, que rapidamente se fez sentir no território português, a nível do Estado, das Instituições, das Famílias e da Sociedade Civil.

As consequências da crise refletem-se também na nossa Instituição e, dadas as circunstâncias, devemos envidar esforços, persistência e dedicação para que este período seja ultrapassado de forma mais amena. A atividade a ser desenvolvida pela Associação das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas, de forma muito geral, de cada um dos seus setores e respostas, em particular, ao longo do ano 2012, encontra-se sintetizada neste Relatório. Neste documento, encontramos a descrição sucinta das atividades a serem desenvolvidas e a representação gráfica que pretende espelhar a evolução contabilística - financeira da Instituição.

Comparticipações 800.000,00 700.000,00 600.000,00

Outros Proveitos Juros

500.000,00 400.000,00

Quotas

300.000,00

Subsídios

200.000,00 100.000,00 0,00 -100.000,00

LAR

SOCIAS

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LAR

Mensalidades Proveitos Suplementares Subsídios Quotas Juros Outros Proveitos Total Proveitos

SOCIAS

ATL

GERAL

498.149,05

0,00

0,00

498.149,04

28.950,85

0,00

0,00

28.950,85

107.578,57

0,00

6.451,50

114.030,07

0,00

18.951,36

0,00

18.951,36

74,83

0,00

0,00

74,83

61.675,90

126,48

71.399,99

133.202,37

696.429,20

19.077,84

77.851,49

793.358,53

Assim, para o ano de 2012 estima-se que as receitas totais devam ascender a 793.358,53 , em que: As mensalidades das utentes atinjam os 498.149,03  na base de uma ocupação média de 40 utentes/mês. O contributo efetuado pelo Centro Distrital da Segurança Social de Lisboa, Câmara Municipal de Odivelas e da Junta de Freguesia de Odivelas, ascenda a 114.030,08 , E que outras realizações de eventos, formação, contributos diversos, jóias, antecipações e outros donativos, incluindo aqui os valores do Banco Alimentar Contra a Fome, nos rendam cerca de 133.202,37 . O contributo das associadas, mantendo a média das receitas anteriormente registadas, espera-se que venha a ser cerca de 18.951,36  que será aplicado de forma cuidada. Também esperamos conseguir o valor de 38.950,86  correspondente ao subsídio de almoço das funcionárias, uma vez que as mesmas almoçam no Lar. O ATL na Arroja foi encerrado em Julho de 2010. No entanto, mantém-se a funcionar, na zona da Arroja/Odivelas a distribuição do Banco Alimentar Contra a Fome cuja distribuição dos géneros alimentares às famílias carenciadas, continuaremos a efetuar. Os produtos a serem recebidos estimam-se em cerca de 71.000,00 .

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AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

Despesas 800.000,00

700.000,00

Outros Custos

600.000,00

Encargos Financeiros

500.000,00

Amortizações

400.000,00

Benef. Proc. e Outros Custos Operacionais Custos c/o pessoal

300.000,00 Impostos 200.000,00 Fornecimentos e Serviços Externos

100.000,00

Compras 0,00 LAR

SOCIAS

ATL

-100.000,00

LAR

Compras Fornecimentos e Serviços Externos Impostos Custos C/o Pessoal Benef. Proc. e Outros Custos Operacionais Amortizações Provisões Encargos Financeiros Outros Custos Total Custos

SOCIAS

ATL

GERAL

63.158,88

0,00

0,00

63.158,88

186.736,78

6.820,77

7.255,83

200.813,37

1.897,57

0,00

0,00

1.897,57

380.128,68

0,00

7.381,24

387.509,92

405,60

0,00

0,00

405,60

43.598,97

0,00

0,00

43.598,97

0,00

0,00

0,00

0,00

5.535,53

0,00

0,00

5.535,53

17.185,98

0,00

72.800,00

89.985,98

698.647,98

6.820,77

87.437,07

792.905,82

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Também no que se refere aos custos, salientamos os mais significativos: O custo da alimentação das utentes do Lar, tendo como especial atenção as refeições a confecionar, que devem atingir o montante de 63.158,88 ; Os custos dos salários com o pessoal estimam-se em 387.509,92  dos quais 62.925,32  são encargos sociais; A necessidade de contratar serviços externos, como por exemplo, água, eletricidade, gás, combustíveis e telecomunicações, bem como de serviços especializados (serviços administrativos, saúde, advocacia, enfermagem, manutenção dos equipamentos, e pequenas ações, assim como jardinagem, reparações e outros que sejam de necessidade relevante) leva-nos a prever um valor de 200.813,37 . O restante será utilizado em áreas de menor relevo em termos orçamentais, mas não de menos importância para o funcionamento da Instituição, nomeadamente os impostos no valor de 2.303,18 , e a amortização dos equipamentos no valor de 43.598,99 . Até ao final do ano, ainda se espera uma variação nos custos e nos proveitos, mas que não será relevante. Também se calcula que os juros a pagar ao banco, pelo empréstimo que temos, ascendam a 5.535,53 . Os mapas em anexo espelham de forma detalhada os valores de toda a atividade que se pretende realizar, cujo total de custos e de proveitos se estima em cerca de 792.905,85  e 793.358,53,00  respetivamente, pelo que se apurará um resultado positivo de 452,68 . Reconhecida a missão da nossa Instituição e identificados os constrangimentos à plena realização dos objetivos estatutários, importa lançar mãos à obra, o que determina uma atividade contínua e permanente de aperfeiçoamento e melhoria. Aos 26 de Novembro de 2011

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ASSOCIAÇÃO ANTIGAS ALUNAS INSTITUTO DE ODIVELAS ORÇAMENTO POR NATUREZAS POC

Custos e Perdas

61 62

Custo das merc. vendidas e das mat. consumidas: Fornecimentos e serviços externos .......................................................

Exercícios Dezembro Previsão Orçamento 2011 2012 50.118,94 63.158,88 192.281,27 242.400,21 200.813,38 263.972,26

641+642 643 a 648

Custos com o pessoal: Remunerações ................................................................................. Encargos sociais ..............................................................................

329.314,30 58.075,86

66 67 63 65 68 69 86 88

Amortizações e ajustamentos do exercício ............................................ Provisões .............................................................................................. Impostos .............................................................................................. Outros custos e perdas operacionais .................................................... (A)

43.158,84 0,00 1.249,39 0,00

Juros e custos similares........................................................................

10.060,78

(C) Custos e perdas extraordinários............................................................ (E) Impostos sobre o rendimento do exercício............................................. (G) Resultado liquido do exercício ...............................................................

387.390,16

43.158,84 1.249,39 674.198,60 10.060,78 684.259,38 84.797,29 769.056,67 0,00 769.056,67 -1.442,60 767.614,07

324.584,60 62.925,32 43.598,99 0,00 1.897,57 405,60

5.535,53

387.509,92

43.598,99 2.303,18 697.384,35 5.535,53 702.919,87 89.985,98 792.905,85 0,00 792.905,85 452,68 793.358,53

Proveitos e Ganhos 71+72 75 74 77 73 + 76 7812 + 7815 + 7816 + 783 7811 + 7813 + 7814 + 7818 + 785 + 786 + 787 + 788 + 789 + 784 79

Vendas e prestações de serviços .......................................................... Variação da produção ........................................................................... Trabalhos para a própria empresa ........................................................ Subsídios à exploração ......................................................................... Reversões de amortizações e ajustamentos.......................................... Outros proveitos e ganhos operacionais ................................................ (B)

478.512,29 0,00 0,00 108.116,81 0,00 44.672,97

Rendimentos de títulos negociáveis e outras aplicações financeiras: ....

146,72

Outros juros e proveitos similares ......................................................... (D) Proveitos e ganhos extraordinários........................................................ (F)

0,00

Resumo : Resultados Operacionais: (B) – (A)........................................................................................... Resultados Financeiros: (D – B ) – (C – A) ............................................................................... Resultados Correntes: (D) – (C)................................................................................................ Resultados Antes de Impostos: ( F – E ) ................................................................................... Resultados Líquidos: (F) – (G) ..................................................................................................

152.789,78 631.302,07

498.149,03 0,00 0,00 114.030,08 0,00 47.902,22

161.932,30 660.081,33

74,83

146,72 631.448,79 136.165,28 767.614,07

2011

0,00

74,83 660.156,16 133.202,37 793.358,53

2012 -42.896,53 -9.914,06 -52.810,59 -1.442,60 -1.442,60

-37.303,02 -5.460,70 -42.763,71 452,68 452,68

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Parecer do Conselho Fiscal

D

e acordo com a Convocatória, tem esta Assembleia por objeto analisar e votar o Orçamento, complementado pelo Relatório da Direção, bem como o Programa de Ação, para 2012.

O Conselho Fiscal tem pouco a declarar sobre estas duas peças em análise. Não porque elas não sejam importantes ou mesmo fundamentais para o bom funcionamento desta instituição, mas porque elas são o complemento de documentos similares, de anos anteriores. Particularmente dos documentos similares já aprovados em 2010 para o ano de 2011, com as mudanças inerentes. O mesmo cuidado de anos anteriores foi colocado na elaboração destes dois documentos, notando-se este ano um melhor conhecimento e domínio das variáveis que compõem a função “Associação” com as componentes Lar, Associadas, ATL. Sem entrar no detalhe da análise dos números, dado que esta Associação não tem nenhum auditor de contas em funcionamento, pode no entanto o Conselho Fiscal afirmar que, por tudo quanto viu, observou, analisou e participou ao longo do ano de 2011, estes dois documentos – Orçamento/Relatório de Atividades e Programa de Ação – foram elaborados com boa fé, realismo, honestidade e sério desejo de concretizar o que neles arrojadamente se promete. Assim as variáveis exógenas à Associação, cada vez mais incontroláveis, o permitam. Nada mais havendo a dizer o Conselho Fiscal, no cumprimento do disposto no Artº 45º dos estatutos desta Associação, vem submeter à apreciação da Assembleia das associadas o seu parecer sobre o Orçamento para 2012 e sobre o correspondente Programa de Ação, como segue: – que seja aprovado o Orçamento para 2012, – que seja aprovado o Programa de Ação. O Conselho Fiscal: Presidente – Maria Fernanda Vidal – Economista Vogal – Cesaltina do Nascimento Silva Vogal – Maria Isabel Freire

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M . M a r g a r i d a Pe r e i r a - M ü l l e r – A A N º 2 4 4 / 1 9 6 7

Manuela Barbosa apresenta livro infantil na AAAIO

N

o dia 26 de novembro, após a AG, Manuela Barbosa apresentou na Sala do Conventinho da Nova Casa o seu livro infantil “O balão do Menino Jesus” baseado numa poesia de Salomé de Almeida, sua professora primária e AA. A vida é feita de encontros e desencontros, de círculos que às vezes se cruzam e outras vezes se afastam. E nestes cruzamentos, muitas vezes aleatórios e fortuitos, que dão origem a outros cruzamentos, encontros e desencontros, há um denominador comum.

No caso deste livro, “O Balão do Menino Jesus” de Manuela Barbosa, o denominador comum é o nosso Instituto de Odivelas. Quando regressei da Alemanha no final dos anos 80, conheci a Manuela. As ondas da vida fizeram com que durante alguns anos os caminhos da Manuela e os meus não se cruzassem. Mas há cerca de dois anos, a Manuela telefonou-me e reencontrámo-nos. Ela falou-me da sua querida professora da escola primária, Salomé de Almeida, uma professora muito exigente mas muito humana e com quem aprendeu a gostar de poesia. Nessa época, a escola dava importância à recitação e à Arte de Dizer. E Salomé de Almeida preparou os seus alunos para uma récita natalícia no Instituto António Feliciano de Castilho, durante a qual os meninos declamaram O balão do Menino Jesus. Manuela Barbosa nunca o esqueceu e disse-o vezes sem conto ao longo da sua vida. Na adolescência recitou-o a muitas crianças e mais tarde tornou a dizê-lo, como cantiga de embalar, à Xana, a sua filha. Nesse nosso reencontro, Manuela Barbosa contou-me de como gostaria de publicar um livro sobre esse poema, uma espécie de homenagem à sua querida professora. Salomé de Almeida, além de professora, era nessa época uma conhecidíssima escritora de literatura infantil. Quem não se lembra da Colecção Carochinha e de livros como a História do Leão Doente, a História do Príncipe Careca ou a História de Maria Tonta, entre muitos outros? Não renegando a sua veia de investigadora, começa a procurar conhecer melhor a sua antiga professora. E eis que de repente se apercebe que Salomé de Almeida tinha sido aluna do Instituto de Odivelas. O círculo fecha-se assim com a apresentação do livro na Nova Casa da AAAIO durante a qual Manuela Barbosa declamou o “Balão do Menino Jesus”. LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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Natal animado na Nova Casa

N

o passado dia 17 de dezembro, celebrou-se a habitual festa de Natal da nossa associação na qual participaram animadamente algumas sócias, os utentes da Nova Casa e seus familiares.

A festa começou com a celebração da missa pelo capelão do IO, seguindo-se uma animado convívio. O espírito natalício esteve presente entre nós, realçado pelas canções que Teresa Neves e Teresa Pacceti nos cantaram na missa acompanhadas pela professora Natércia – e que fizeram renascer a ideia dum grupo coral ligado à nossa associação.

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A

AAAIO presente na festa de Natal do IO AAAIO foi convidada para estar presente na Festa de Natal do nosso colégio. No passado dia 16 de Dezembro, juntaram-se no ginásio do IO todas as alunas, pais e encarregados de educação, professores, funcionários civis e militares e as crianças da Obra “Casa de Acolhimento da Imaculada Conceição e de Santo António”, de Caneças e D. Maria (Sintra), que entoaram algumas canções de Natal.

O Diretor dirigiu-se à assistência, sublinhando ser aquele um momento festivo muito importante para toda a comunidade educativa. A festa continuou com uma apresentação das alunas da Classe Especial de Ginástica, acompanhadas pelas alunas de Educação Musical do 2º e do 3º ciclo. Seguiu-se a representação da peça de teatro – O Espírito de Natal pelas alunas do 9º ano de Oficina de Teatro. De permeio, algumas alunas do 12º ano dançaram sevilhanas.

Foi um momento festivo e muito importante para toda a comunidade educativa

No final, foi entregue à “Casa de Acolhimento da Imaculada Conceição e de Santo António” o dinheiro que as alunas angariaram para ajudar aquela instituição que acolhe crianças e jovens com problemas familiares muito diversos e de gravidade variada. Esta ação de angariação de fundos foi realizada pelas alunas do 11º ano no âmbito da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica que também apelaram a toda a comunidade educativa a envolver-se numa causa solidária, contribuindo com roupas e outros bens de primeira necessidade, livros e brinquedos destinados a melhorar a vida e o dia a dia das crianças da Obra. A festa terminou com todos os presentes a entoarem canções natalícias.

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Joaquina Cadete Phillimore – AA Nº 193/1960

Ano Europeu do Voluntariado

A

ssociando-se à celebração do Ano Europeu do Voluntariado, o Centro de Recursos em Conhecimento (CRC) do Instituto da Segurança Social promoveu um Ciclo de quatro Encontros Temáticos, sob a designação de “Voluntariado: Sê Voluntário faz a Diferença”. O Ciclo de Encontros realizou-se nos meses de outubro e novembro, no Auditório do Instituto da Segurança Social, I.P.. A AAAIO foi convidada e esteve presente em dois deles.

No encontro “Voluntariado, Cuidados de saúde prestados e Humanização dos Serviços” Cristina Louro da Cruz Vermelha Portuguesa falou da missão da Cruz Vermelha Portuguesa que “constitui prestar assistência humanitária e social – em especial aos mais vulneráveis – prevenindo e reparando o sofrimento, e contribuindo para a defesa da vida, da saúde e da dignidade humana.” Afirmou ainda que “os voluntários são o coração da Cruz Vermelha Portuguesa e que a maior parte do trabalho da Instituição só se torna possível graças aos 10 000 voluntários que oferecem o seu tempo e capacidades para ajudar as pessoas mais vulneráveis”.

“Voluntariado: Sê voluntário, faz a diferença”

A Cruz Vermelha faz formação em áreas como cuidados de saúde e apoio em lares e ficou desde logo decidido o agendamento de uma formação para as Voluntárias da AAAIO e para as funcionárias que prestam serviço na Casa Nova.

Para saber mais, vá a http://www.cruzvermelha.pt/ Ana Patacho da Casa Ronald McDonald de Lisboa explicou que a CRMD é “uma casa longe de casa” para os familiares e as crianças que se deslocam da sua residência habitual para receber tratamento no Hospital D. Estefânia, em Lisboa. Situada no Largo Conde Pombeiro, a cinco minutos a pé daquele Hospital, tem cerca de 900 m2 de construção e está preparada para receber 10 famílias simultaneamente. Explicou ainda que “na Casa Ronald McDonald tudo é feito para as famílias se sentirem como se estivessem na sua própria casa, e poderem partilhar o dia-a22

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-dia com a criança hospitalizada ou em tratamento ambulatório. Têm ao seu dispor quartos individuais com casas de banho, uma cozinha onde podem preparar as suas refeições, uma lavandaria que lhes permite tratar da sua roupa, duas salas de estar e uma sala de jantar onde podem desfrutar de momentos de lazer e conviverem entre si. A Casa funciona como um refúgio do hospital, 24 horas por dia, 365 dias por ano, dando resposta à afirmação unânime da classe médica, de que o melhor para a rápida recuperação de crianças com doenças graves e prolongadas é o acompanhamento dos pais ou familiares próximos durante os internamentos hospitalares”. Tal como Cristina Louro, Ana Patacho afirmou que, sem sombra de dúvidas, “os voluntários são, certamente, o coração e a alma do projecto corporizado na Casa Ronald McDonald!” http://www.fundacaoronaldmcdonald. com No Encontro “Voluntariado de Proximidade e a Criação de Redes de Suporte à Família” que teve lugar no dia 24 de novembro, e que, apesar de ser dia de greve geral, teve uma audiência apreciável, Ana Neves apresentou a Associação Desenvolvimento Local Beira Serra, “uma entidade sem fins lucrativos, constituída em 3 de novembro de 1994 por um grupo de pessoas com vontade de contribuir ativamente para o desenvolvimento da região da Cova da Beira, concelhos de Belmonte, Covilhã

e Fundão. A sua missão é promover o desenvolvimento e a coesão social, económica, cultural e ambiental dos territórios e das comunidades locais”. Uma das atividades que promovem e na qual é pioneira é o Centro do Tempo, um projeto no âmbito do apoio à família uma vez que integra num mesmo espaço inúmeros serviços complementares, com horários alargados e flexíveis, facilitando desta forma o quotidiano das pessoas. É um espaço para toda a família onde poderão ser encontradas respostas para necessidades tão diversas como a ocupação com qualidade dos tempos livres das crianças, dos jovens e dos adultos, apoio escolar, formação e enriquecimento pessoal, cuidados com a roupa e com a casa, transporte e acompanhamento, confecção de refeições, etc. Prestados dentro ou fora do Centro do Tempo, os seus serviços diferenciam-se pela qualidade, flexibilidade e complementaridade.” Se quiser saber mais visite esta associação em http://www.beiraserra.pt/ Por fim, Henrique Sim-Sim falou da Fundação Eugénio de Almeida (FEA) que é uma Instituição de direito privado e utilidade pública, sediada em LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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Évora cujos Estatutos foram redigidos pelo próprio Fundador aquando da sua criação, em 1963. A primeira fase da vida da Fundação foi marcada pela personalidade de Vasco Maria Eugénio de Almeida, que assegurou a direcção efetiva da instituição até à sua morte, em 1975. Os objetivos que lhe estão estatutariamente consignados materializaram-se, nesse período, na recriação do Convento da Cartuxa como centro de vida espiritual, na construção do Oratório de S. José orientado para a formação escolar e profissional de milhares de crianças e na criação, em 1964, e manutenção, em colaboração com a Companhia de Jesus, do ISESE – Instituto Superior Económico e Social de Évora que iniciou a restauração da Universidade de Évora e formou centenas de quadros e altos dirigentes de administração pública e privada. A redução de atividade da Fundação, em consequência da ocupação e expropriação do seu património, coincidiu com o desaparecimento do seu Instituidor. Na década de 80, após a devolução dos bens, a Fundação iniciou uma fase de relançamento patrimonial, cuja consolidação que lhe permite prosseguir hoje, num novo contexto, a obra inspirada nos valores que lhe transmitiu o seu Instituidor, constituindo-se como um elemento

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de convergência e congregação de esforços no desenvolvimento da região. De acordo com os fins que lhe são atribuídos pelos Estatutos, a Fundação promove e dinamiza um conjunto integrado de iniciativas e programas próprios, em exclusivo ou em parceria, e apoia projetos de outras entidades públicas e privadas abrangendo um largo espetro de atividades nos diferentes domínios do seu campo de atuação. Constituindo-se como um projeto institucional autónomo, independente e perpétuo por definição, a FEA tem procurado manter-se fiel às suas origens, adaptada ao seu tempo e preparada para os desafios emergentes de um mundo em permanente transformação. Uma das iniciativas da FEA é o Banco Local de Voluntariado (BLV) que visa promover, valorizar e qualificar o voluntariado e criar condições concretas para o seu exercício. Mesmo estando sediado em Évora, disponibiliza formação e apoios diversos às organizações e aos voluntários já que dispõe de recursos técnicos, humanos e operativos para a gestão do mesmo. Pessoalmente, pude dar o meu testemunho sobre esta atividade da FEA, já que tive formação como conselheira do BLV da Câmara Municipal de Torres Vedras, onde também faço voluntariado. Se tiver interesse em saber mais sobre a FEA, basta clicar em http://fundacaoeugeniodealmeida.pt/


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Odivelas comemora os 750 anos do nascimento de D. Dinis

E

ntre outubro de 2011 e outubro de 2012, a Câmara Municipal de Odivelas está a comemorar os 750 anos do nascimento de D. Dinis, sublinhando o facto de este Rei ter contribuído para a construção da identidade portuguesa e, em particular, da de Odivelas com a célebre lenda do urso que levou à fundação do Mosteiro de S. Dinis em 1295, e em que determinou que fosse sepultado.

A AAAIO esteve presente em vários eventos, nomeadamente nos que tiveram lugar no Instituto de Odivelas. Assim, no dia 1 de outubro, que marcou o início destas comemorações e que coincidiu com o Dia Mundial da Música, teve lugar na Igreja do Mosteiro S. Dinis um recital de música alusiva a D.Dinis, a cargo do Grupo Coral Pequenos Cantores da Pontinha e do Conservatório de Música D. Dinis. No dia 8 de outubro, decorreu na Sala do Teto Bonito uma Sessão Solene que contou com vários momentos de que destacamos a celebração do Protocolo entre a Câmara Municipal de Odivelas e o Instituto de Odivelas, assinado pela Presidente e pelo Diretor respetivamente. A lição de sapiência esteve a cargo do Prof. Doutor Pedro Barbosa e fomos brindados com um momento musical com o maestro Nuno Lopes ao piano e declamação de textos e poesia pelo ator Victor de Sousa. No dia 9, pelas 10h30, foi celebrada na igreja do Instituto, uma missa evocativa dos 750 anos do nascimento de D. Dinis e, posteriormente, a Companhia Artecanes Teatro apresentou a peça “Rosas para D. Dinis” no Largo D. Dinis. A organização deste evento esteve a cargo do Centro Comercial Kaué. O programa completo das celebrações encontra-se disponível na página da CM de Odivelas em http://www.cm-odivelas.pt LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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Fe r n a n d a Ru t h J a c o b e t t y V i e i r a – A A N º 1 5 2 / 1 9 5 5

Apresentação do DVD sobre os três EME

N

o dia 14 de janeiro, na comemoração do aniversário do Instituto de Odivelas – Infante Dom Afonso, foi feita uma apresentação em projeções, de aspectos focados no DVD sobre os nossos três EME: CM, IO e IPE. O Diretor do IO, Coronel José Serra, disponibilizou espaço, para esse efeito, na Sala de Recreio frente ao refeitório. Nela esteve patente uma exposição de trabalhos das alunas.

Do DVD, em processo de edição, encontra-se concluído o trabalho de recolha de imagens e gravações e, da organização e montagem, copiaram-se algumas sequências para a apresentação desse dia. Assim, as pessoas interessadas em adquirir o DVD puderam inscrever o seu nome para reserva.

O Coronel Rogério Taborda e Silva, criador e Presidente do NICCM (Núcleo Impulsionador das Conferências da Cooperativa Militar), estabeleceu que o conteúdo deste trabalho abrange, não só a história e características de cada um dos três EME, como as mensagens, em vídeo, dos respectivos Diretores, Comandantes de Batalhão e Presidentes da Direção das três AAA. Também contém extratos da gravação em vídeo do seminário, na Sociedade de Geografia, e da exposição no Museu Militar sobre os três Colégios e respetivas AAA. Fotografias das Sessões de Fim de Tarde, em A história que foram apresentadas as Comunicações sobre os três Colégios, assim como filmes ilustram as dos colégios refererências a essas instituições e às atividades em DVD dos seus antigos alunos. No dia 18 de janeiro, no IASFA em Lisboa, onde tem estado sediado o Núcleo Impulsionador das Conferências da Cooperativa Militar, realizou-se uma apresentação mais completa do DVD. Convidadas entidades militares especialmente interessadas nos EME, como os Diretores do CM, IO e IPE e Comandante de Instrução e Doutrina, estiveram presentes as três associações de antigos alunos. 26

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Também foi dado a conhecer o projeto de dissolução do NICCM e criação de uma Associação, a REDEME (Rede dos EME), para formar uma rede com a finalidade de fomentar a cidadania e os valores nacionais,

visando preservar o património dos Estabelecimentos de Ensino do Exército: Colégio Militar, Instituto de Odivelas e Instituto dos Pupilos do Exército e assegurar a sua perenidade história.

O 13.º aniversário do concelho de Odivelas

A

AAAIO foi convidada e esteve presente nas comemorações do 13º Aniversário do Concelho de Odivelas que se assinalou no dia 19 de novembro de 2011, com os discursos da presidente Susana Amador que considerou que aos treze anos “o município saía da idade da inocência” e do presidente da Assembleia Municipal, Sérgio Paiva, e atribuindo condecorações municipais, ao mais alto nível, a um conjunto de cidadãos e de instituições.

Também foram entregues os prémios aos melhores alunos do concelho. Registamos com agrado que a melhor aluna do concelho foi uma aluna do IO, Ana Luísa Nascimento, que recebeu um cheque no valor de  750. Lamentamos que a mesma não tenha podido comparecer, tendo sido representada por seu Pai.

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J oaquina Ca dete P hi l l i mo re – AA Nº 193/ 1960

Cerimónia de abertura solene do IPE

R

ealizou-se, no dia 14 de outubro 2011, a cerimónia de Abertura Solene do Instituto dos Pupilos do Exército, relativa ao Ano Lectivo 2011/12.

A cerimónia foi presidida pelo Comandante da Instrução e Doutrina, Tenente-General Francisco António Correia sendo a mesa de honra ainda composta pelo Diretor de Educação Major-General João Miguel de Castro Rosas Leitão, pelo Diretor do Instituto dos Pupilos do Exército, Major-General António Francisco Alves Rosa, pelo Presidente da Agência Nacional para a Qualificação, Professor-Doutor Gonçalo Xufre Silva, e pelo Presidente da Direção da Associação dos Pupilos do Exército, Dr. Américo Ferreira. A AAAIO foi mais uma vez convidada e esteve presente, com muito gosto. Do programa da cerimónia destacamos a alocução proferida pelo Diretor do IPE que cumprimentou os presentes e teceu breves considerações sobre a missão educativa e formativa daquela Escola e a lição inaugural proferida pelo engenheiro e docente do IPE, Jorge Manuel Zózimo da Fonseca. Esta lição foi muito interessante e estabeleceu um paralelismo entre a evolução do automóvel no mundo e em Portugal, e a história do IPE. Por fim, procedeu-se à entrega de prémios aos alunos que, no ano letivo transato, revelaram maior mérito escolar nas diversas áreas, muito aplaudida pelos atuais alunos presentes, com o “grito de guerra” dos Pilões.

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LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012


AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

Abertura solene das aulas no IO

C

omo habitualmente, a AAAIO participou na abertura solene das aulas no IO que este ano teve um cenário novo: a igreja do IO, que resultou numa cerimónia de grande dignidade.

Nas palavras que dirigiu aos presentes, o diretor do IO “oscilou entre o passado e o futuro, pois um é certo e o outro incerto. O presente é o que fazemos dia-a-dia, simplesmente caminhando, mas sempre com uma certeza: continuaremos a ser iguais a nós próprios, preservando a nossa identidade, a nossa cultura organizacional”. O Coronel Serra realçou os 111 anos de história do colégio, cheios de “sucesso em que o seu nome esteve sempre bem alto, pelos valores e formação pedagógica proporcionada a milhares de alunas que aqui viveram, sentiram o Instituto como seu e seguiram a sua vida de mulheres, mães e cidadãs bem formadas e preparadas para a vida ativa”. Sobre o ano letivo passado, 2010-2011, sublinhou que das 277 alunas, “130 se distinguiram pelo seu desempenho, considerado meritório nos termos regulamentares e por isso serão hoje aqui distinguidas. São quase 50% do efetivo de alunas, o que muito me apraz registar, particularmente por não ser apenas o resultado das competências IO académicas adquiridas mas também por ter em conta o seu comportamento, o qual é apreciado 111 anos de história por toda a comunidade educativa”.

cheios de sucesso

Seguiu-se uma palestra enquadrada nas comemorações dos 750 anos do nascimento de D. Dinis sobre o tema “O Mosteiro de Odivelas – um legado de D. Dinis”, proferida pela AA Liliana Cardeira. Esta palestra foi muito interessante e elucidou todos os presentes sobre o historial do monumento desde a sua construção até aos dias de hoje. A sessão solene terminou como habitualmente com a entrega dos prémios às melhores alunas. A presidente da AAAIO entregou o prémio AAAIO às quatro alunas que mais se empenharam junto da associação: Ana Luísa Nascimento, Beatriz Gil, Inês Lopes e Patrícia Rebelo que durante o ano letivo passado animaram os utentes da Nova Casa durante várias semanas no âmbito da Área de Projeto. LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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AT I V I D A D E S D A A A A I O E S U A S S Ó C I A S

Um 14 de Janeiro muito concorrido

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o passado dia 14 de janeiro, celebrou-se o 112º aniversário da fundação do Instituto de Odivelas, com a maior adesão de que há memória. A cerimónia foi presidida pelo Comandante de Instrução e Doutrina, que foi, inicialmente, recebido, tal como os restantes convidados, na Sala do Fundador, assim chamada por lá se encontrar o busto do Infante D. Afonso.

A sessão solene teve lugar no ginásio tendo proferido algumas palavras a Comandante de Batalhão (aluna do 12º ano), a presidente da Mesa da Assembleia Geral da AAAIO e o Diretor cujo discurso foi muito aplaudido. Nele, o Coronel Serra “destacou o passado, mais longínquo e mais recente, da secular instituição militar de ensino que dirige desde 13 de julho de 2011,” tendo procedido “ao balanço do trabalho efetuado, apresentado iniciativas e atividades a realizar no futuro próximo,” reiterando “serem as Alunas a referência central e principal do IO”.

A tradição voltou ao IO

Foram, ainda, atribuídas condecorações a militares ao serviço no IO, a antigos colaboradores e entregues medalhas a várias professoras com 20 anos de Casa.

Seguiu-se a Missa, na Igreja do IO, completamente cheia, celebrada pelo capelão do Colégio, Padre Borges, recentemente regressado do Afeganistão. Foi um momento inesquecível que todas classificaram de muito digno com a participação dos «metais» da banda do Exército que, várias vezes, fizeram «arrepiar» muitas das AA presentes. Antes do almoço, as várias entidades e demais convidados visitaram a Exposição de Natal composta por trabalhos realizados, no decurso do 1º período letivo, pelas alunas de todos os anos de escolaridade, no âmbito das disciplinas de Educação Visual e Tecnológica (2º Ciclo), Educação Visual (3º Ciclo) e Oficina das Artes (Ensino Secundário)”. Na mesma sala, podia ser visualizado o DVD sobre os três 30

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estabelecimentos militares de ensino, em que o contributo da AAAIO é da responsabilidade da AA Fernanda Ruth Jacobetty. O almoço, com o incontornável amarelo, salada de frutas e o delicioso arroz doce foi o momento do reencontro por excelência. Apesar de estar a rebentar pelas costuras, o refeitório acomodou (a custo…) todas as AA e familiares, entidades, professores, atuais alunas e, claro, as incansáveis funcionárias que faziam verdadeiros prodígios de equilíbrio com as travessas, tentando furar aquela massa humana.

impossibilitadas, por algum motivo, não o fizeram. Quem não foi ver o desfile teve oportunidade de ver as camaratas, as salas de aula e a sala do teto bonito e ainda de continuar em amena cavaqueira com as colegas do seu tempo... Findo o desfile, “deu-se por concluída a Cerimónia Comemorativa do 112º Aniversário do Instituto de Odivelas”.

A seguir ao almoço, o grupo de metais da banda do Exército voltou a brindar quem esteve no ginásio, com um conjunto de interpretações de compositores de várias épocas. “Pelas 15:30h, e com a finalidade de dar conhecer as Alunas à Comunidade, realizou-se o Desfile Apeado do Batalhão de Alunas e da Banda do Exército pelas ruas da cidade de Odivelas. Ao longo de todo o percurso e no ponto de continência, a população de Odivelas e o público em geral acompanharam as Alunas, aplaudindo-as de forma carinhosa e entusiástica”. A presidente da CMO considerou que aquele momento se tinha tornado um must que terá de se repetir daqui por diante.

A AAAIO agradece ao Diretor a colaboração e empenho demonstrados para que o 14 de janeiro voltasse a ser a festa de todas as Meninas que aqui estudaram, brincaram, choraram, enfim, viveram durante uma das fases mais significativas das suas vidas. Agradece, ainda, todo o trabalho que tem feito em tão curto espaço de tempo, a sua dedicação à Nossa causa que passou a ser a sua também e exorta todas as Meninas de Odivelas, antigas e atuais a que nunca esqueçam o lema do IO.

Uma nota: só marchou quem quis. E foram TODAS. Só as que estavam

Duc in Altum – Cada vez mais alto, cada vez mais alto, cada vez mais alto.

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AGENDA

Pa r a f i c a r i n f o r m a d o s o b r e t o d a s a s a c t i v i d a d e s d a A A A I O p a r a 2 0 1 2

Agenda Data

Hora

15 de fevereiro de 2012

Atividade

Local

Visita ao Museu dos Coches

Informações na AAAIO

3 de março de 2012

14h30

Encontro com a Gastronomia... Cozinha tailandesa

Nova Casa, Largo da Luz, Lisboa

9 de março de 2012

17h00

Dia da Antiga Aluna

IO

Visita ao Museu Gulbenkian

Informações na AAAIO

28 de março de 2012 31 de março de 2012

14h30

Assembleia Geral

AAAIO – Largo da Luz, Lisboa

14 de abril de 2012

14h30

Encontro com a Gastronomia... Cozinha italiana

Nova Casa, Largo da Luz, Lisboa

Visita ao Museu da Marinha

Informações na AAAIO

18 de abril de 2012 5 de maio de 2012

14h30

Encontro com a Gastronomia… Massa

AAAIO – Largo da Luz, Lisboa

19 de maio de 2012

16h

Chá da Primavera

Forte de Santo António, Estoril

23 de junho de 2012

13h30

Festa dos Santos

Nova Casa, Largo da Luz, Lisboa

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PLANO SEMANAL DAS ACTIVIDADES SÓCIO-CULTURAIS

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* Actividades realizadas por voluntárias. O presente plano semanal está sujeito a alterações.

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J oaquina Cadet e P hi l l i mo re – AA Nº 193/ 1960 Maria J oão Marce l o Cu r to – AA Nº 254/ 1960

Uma carreira onde neurologia e fotografia rimam

H

á uns tempos atrás, a Maria João Marcelo Curto dizia-me: Nós não conhecíamos verdadeiramente a Mitó. Na realidade, esta nossa Colega, que nos apanhou no 2º ano, tem-se revelado uma caixinha de surpresas, qual delas a mais fantástica. Por isso, decidimos fazer uma entrevista a quatro mãos…para desvendar quem é esta Mulher cheia de fibra que passou pelo IO nos idos anos 60 do século XX. Licenciou-se em Medicina e seguiu a especialidade de Neurologia, tendo-se reformado como Chefe de Serviço de Neurologia dos HUC. Durante o seu percurso profissional, coordenou a Enfermaria 1 do Serviço de Neurologia, criou e coordenou a Unidade de AVC bem como a Consulta “... A fotografia e Tratamento de Distonias Focais com Toxina Botulínica nos HUC. Foi membro completa-me...” da Direção da Sociedade Portuguesa de AVC e da Sociedade Portuguesa de Neurologia, cargo que, atualmente, voltou a ocupar. Falamos da AA, nº 196/1958, Maria Antónia Esteves de Oliveira Ferro, que ficou famosa por comer umas 40 bolas com feijão, num só almoço, recolhidas em várias mesas para bater já não me lembro quem… Lembras-te deste episódio das bolas? Estavas em competição com quem? Não, não me lembro. Não faço ideia... mas deviam estar mesmo boas!!!

ANTIGA ALUNA

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O QUE É FEITO DE TI, AA?

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O QUE É FEITO DE TI, AA?

Seguiste Medicina e a especialidade de Neurologia. Alguma razão especial? Medicina era a segunda hipótese. A primeira era arquitetura. Como para a admissão era necessário desenho artístico e não tinha tido aulas nessa área, desisti e segui Medicina. Durante o curso, a Neurologia foi a cadeira que mais me marcou. Tive oportunidade de ter um grande professor – Nunes Vicente – que, aliado ao conteúdo da matéria e ao interesse despertado nas aulas práticas, sem dúvida me cativaram. À época parecia uma área muito exata... Depois do 25 de abril, além dos habituais dois anos de Prática Clínica, passámos a ter um ano de Serviço Médico à Periferia e, de regresso, mais uns meses em Serviços escolhidos até ao exame de acesso à Especialidade. Contactávamos os Diretores de Serviço e, em geral, éramos aceites. O Prof Nunes Vicente mostrou-se muito contente com a minha opção e um pouco menos quando lhe disse que seria só até ao exame, uma vez que tinha sido aliciada pelo Dr. Rui Lemos para ir para Neurocirurgia no outro Hospital de Coimbra. Fez-me, então, uma proposta – dispensava-me para ir ao outro Hospital sempre que o Dr Rui Lemos me convidasse para assistir a uma cirurgia e, depois, eu optaria -. Agradeci e, posteriormente, reconheci que foi de grande importância na minha opção pela especialidade clínica. Descobrimos que a fotografia é para ti mais do que um hobby, uma paixão. Quando começou este teu interesse? Sim, acho que sim...Bem, a paixão é efémera... Diria que a fotografia me completa. 34

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A primeira imagem consistente que recordo é a de estar sentada junto ao pai que me ensinava, pacientemente, a mexer na sua máquina. Quando vim para Coimbra cedeu-ma. Tirei algumas fotografias a amigas para experimentar, mas foi na “Crise Académica de 69” que senti necessidade de fazer um registo de uma vivência tão importante na vida estudantil e, durante uma tarde, andei com a máquina sem pensar no risco... Bem ao teu jeito, Mitó… Além da fotografia, as viagens são também uma parte importante da tua vida. Tens alguma viagem ou episódio que gostasses de recordar? Ora aqui está uma “pergunta difícil”! – De um modo geral, todas têm aspetos a recordar, seja pelas diferenças culturais, pela beleza paisagística dos locais, pelas companhias, por episódios menos agradáveis de alfândega, de perdidos no deserto, etc, etc, etc.Mas talvez recorde a primeira longa viagem que fiz. Fomos três amigas passar umas férias de verão à Suíça, de mini. Por indicação de um “expert”, atravessámos toda a Espanha com o aquecimento ligado (!!!) e, nos Pirenéus, parávamos de X em X kms, abrindo o capô para arrefecimento do motor. Em França, com chuva miudinha, continuámos de janelas abertas por haver um cheiro intolerável dentro do carro…Quanto a dormidas em cama, apenas breves horas em Madrid (hotéis, nem saindo em vários pontos da auto-estrada!) Com mais algumas peripécias lá chegámos num dia 1 de Agosto a Zurique. Quando nos preparávamos para finalmente cair numa cama, fomos desafiadas para ir à festa do Dia da Suíça em


O QUE É FEITO DE TI, AA?

casa de um abastado agricultor. Banhos, vestimentas, pinturas e aí vamos nós! Um ambiente agradável onde se conversava em várias línguas, um excelente jantar mas, quando já sucumbíamos de cansaço, somos despertadas por um tiro. “Delírio ou realidade?” pensei. Era realidade. O anfitrião, colecionador de armas, resolveu apagar todas as luzes à pistolada! Bom, o mistério do “cheiro intolerável”, também passou a realidade quando no dia seguinte descarregámos o carro e encontrámos um pacote de leite aberto…

um intenso interrogatório, respondendo a perguntas sem me aperceber do que se tratava, nem mesmo, quando me perguntaram de onde conhecia o António Fonseca e Silva (irmão da Licas). Bom, o gravoso evento resumiu-se a um inofensivo postal ilustrado de parabéns que o rapaz me enviara (fazemos anos no mesmo dia). O cartão foi-me posteriormente entregue pelo meu pai, algo surpreendido com a situação…

Como recordas a tua passagem pelo IO? O que lá aprendeste ajudou-te ao longo da vida? Recordo de forma ambígua… A adolescência é uma importante fase de aprendizagem e com elevado peso na formação. Bem, imaginamos que a tua resposta tão concisa poderá ter várias leituras… Depois do teu comentário sobre um Alferes, que afinal era uma Alferes, a tratar de assuntos das alunas, por ocasião dos 50 anos de entrada do nosso curso, como recebeste a notícia de ser um Homem e militar quem está agora à frente do IO? Ah, o meu comentário jocoso… baseado, evidentemente, na experiência da época, tendo em conta o exagero androfóbico institucionalizado. Entre as múltiplas histórias, recordo uma passada comigo. Certo dia fui chamada ao Conselho Pedagógico. Pelo caminho, pensava no que teria feito e nada me ocorria… Ao chegar, fui submetida a

Meio século se passou, fui tendo conhecimento de algumas alterações estruturais ocorridas no I.O. e encarei com naturalidade a nova chefia numa dependência, ainda militar. Do meu ponto de vista, a capacidade diretiva é independente do género. Disso não temos dúvidas, Mitó! Da Mitó do colégio, fica uma certa tendência para acidentes… e histórias rocambolescas como a que a Esmeralda Vieira nos relembrou, passada no nosso terceiro ano,no dia de um concerto da Proarte. LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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O QUE É FEITO DE TI, AA?

“Fomos à camarata depois do jantar, para nos fardarmos e, quando a vigilante, SemiManel nos mandou formar e olhou para a cama da Mitó ela estava lá deitada.A vigilante foi aos berros, camarata fora, para a tirar da cama e, quando levantou os cobertores, sai-lhe o travesseiro com o véu preto a fazer de cabelo. Volta para trás,sempre aos gritos e dá com a Mitó na forma, fardada,mas com a camisa de dormir a aparecer por baixo da saia. Foi o fim!” Ou esta mais recente e que mostra que a tendência se mantém… Lembro-me, por exemplo, que uns dias antes de partir para a Jordânia caí no Hospital, fraturei um punho e lá fui eu de braço engessado fotografar intensamente a bela Petra. Sete meses depois,

na Anatólia, poucas horas antes de voltar, correndo sobre mármore molhado, escorreguei e entalei o guarda-chuva no outro punho, resultando em fissura do rádio. Foi com uma imobilização mais atenuada que parti para o Oriente… Esperamos ter retratado a Mitó de hoje, colega e Amiga que nos mima com DVD de todos os nossos encontros, médica neurologista, viajante compulsiva e fotógrafa de reconhecido mérito cujo trabalho pode ser seguido no blogue http://pescadanumero5.blogspot.com/ (o nome do blogue também diz muito sobre uma das autoras que se assina como m.a. não diz???) colaborando ainda pontualmente noutro blogue www.umburaco-nasombra. blogspot.com

NIB da AAAIO Montepio Geral – Balcão de Odivelas NIB 0036 0066 99100006635 86 IBAN PT50 0036 0066 99100006635 86 BIC/SWIFT: MPIOPTPL

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O QUE É FEITO DE TI, AA?

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J oaquina Cadet e P hi l l i mo re – AA Nº 193/ 1960

O que é feito de ti, AA?

onheci a Irmã Miriam num 14 de Janeiro dos anos 60 do século passado…, quando ela procurava saber quem era a presidente da Pré JEC, pois também havia desempenhado esta função da Ação Católica. A então presidente era eu e, desde aí, não mais nos perdemos, mesmo que através de outras pessoas como a minha irmã. Falo da AA, nº 178 1948/1955, Maria Antonieta Duarte Godinho que conheci como Madre Antonieta da congregação das Escravas do Sagrado Coração de Jesus. Este contacto valer-me-ia imenso quando, em 1968, após a minha irmã não ter sido admitida no IO, consegui que ela entrasse, in extremis, no Colégio das Escravas, na Lapa. Bastou-me invocar, e não foi em vão…, o nome da Madre Antonieta para as portas deste Colégio se abrirem, quando já não parecia possível. Quando sentiu o chamamento para a vida religiosa? Muito cedo, por volta dos 15 anos, ou até antes, num daqueles retiros que antigamente se faziam no colégio… mas ainda tive um namoro, aos 17-18 anos, muito sólido, que me ajudou a encontrar o meu verdadeiro caminho, pois dei-me conta de que era habitada por uma sede e uma fome de qualquer coisa que o amor humano não podia saciar… O colégio também me marcou muito, e até aqueles claustros, aquela “... A vocação não é igreja de abside gótico, pareciam ter qualquer um caminho acabado, coisa a ver comigo... Mas foi sobretudo a pertença à Acção Católica com a sua presidente quando se procura de então, a Leonor Branco, que nessa altura era Deus...” professora de Moral no I.O. E, depois, a JUC, na Faculdade de Letras de Lisboa. As reuniões com a Maria de Lourdes Pintassilgo também me apontavam caminhos... Creio que a formação recebida ao longo de todos esses anos me desvendou horizontes que me ajudaram a reconhecer quais os valores perduráveis que fazem da vida “uma lição de aprumo”, como se canta no Hino das Finalistas! Qual a reação da família e dos amigos? Salvo raras excepções, a família, por se tratar de pessoas de fé muito profunda, embora com a natural saudade da separação, reagiu bem, e os amigos, que conheciam as minhas aspirações, não se surpreenderam com a minha decisão. Até me apoiaram… LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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O QUE É FEITO DE TI, AA?

alguns entre lágrimas! Creio que a pessoa que mais sofreu foi o meu namorado, como é compreensível, pois entendíamo-nos muito bem. E a mim também me não foi fácil deixá-lo… Mas outro valor mais alto se tinha levantado no meu caminho… Há vozes inconfundíveis… e irresistíveis! Depois das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, passou por outras congregações muito exigentes, chegando à clausura mais difícil, para quem vê de fora, claro, a Trapa. Quer partilhar connosco este percurso? Depois de 22 anos nas Escravas do Sagrado Coração de Jesus, transitei para a Ordem Cisterciense da Estrita Observância, a Trapa (na Espanha e depois na França), onde fui muito feliz – não posso negá-lo – durante 30 anos. Mas a vocação não é um caminho acabado, quando se procura Deus, e aquela sede que me pôs a caminho aos 17/18 anos nunca se extinguiu em mim. Por isso, neste momento, estou em novo trânsito, desde há dois anos, para o Carmelo de Nossa Senhora Rainha do Mundo, nos arredores de Faro. Não foi uma opção fácil, porque, na minha idade, as mudanças supõem ruturas muito profundas: os hábitos de vida não se esquecem de um momento para outro… No entanto, quando Deus, o único que tem direito 38

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ao dom total da nossa vida, nos chama, qualquer obstáculo se transpõe sem nostalgias redutoras. Sinto-me, como sempre, peregrina do Absoluto, uma espécie de “andarilha de Deus”. Mas agora certamente os meus passos ficarão por aqui, nesta querida comunidade das Carmelitas Descalças de Faro… Tudo tem a sua hora, não é verdade? Nunca sentiu saudades do contacto com as jovens que estudavam nos colégios das Escravas? Claro que senti e sinto saudades das minhas alunas. O que vivi com elas foi do mais positivo que se possa imaginar. Vê-las crescer e fazer-se mulheres era motivo de alegria e gratidão para com Deus que se servia de mim para as ajudar a abrirem-se à vida confiantes no futuro. Hoje, a minha missão junto delas continua através da minha oração. E, se alguma me contacta, procuro, dentro das limitações da minha vida claustral, corresponder com a minha amizade e apoio. É comum dizer-se que quem está em clausura vive alheada dos problemas reais do Mundo. Sei que não pensa assim. Quer rebater esta afirmação? Quando não se tem coração nem sensibilidade, mesmo que se viva na praça pública, os problemas do mundo passam ao lado. Claro que uma monja de clausura não tem intervenção direta na solução dos problemas, mas sofre quando vê sofrer, alegra-se com todo o verdadeiro progresso, com a defesa dos valores que tornam a vida um lugar de beleza, faz suas tanto as angústias como as alegrias dos que lutam lá fora por melhores condições de vida. Não


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vivemos de costas voltadas para o mundo. Com o fruto do nosso trabalho – como prescindimos de luxos – podemos ajudar, no que nos é possível, as instituições que estão mais perto dos problemas das pessoas. É a nossa intervenção na sociedade para lá dos contactos com os que vêm aos nossos locutórios em busca de conselho, de uma palavra amiga… de uma esmola. Temos o coração mais livre para sentir e fazer nossos os problemas dos que sofrem, dos que lutam, dos que procuram justiça e paz para as suas vidas. Ver as coisas à luz de Deus proporciona uma visão ampla e real do que acontece à nossa volta. Mantemo-nos informadas quanto possível. Separámo-nos do mundo, mas não foi para o condenar: temo-lo presente na nossa oração e, a partir da nossa vida contemplativa, acompanhamos a sua evolução. Somos cidadãs deste mundo que todos desejamos cada vez melhor e com mais paz. Gostaria de aproveitar estas linhas para deixar um beijo muito amigo e fraterno a TODAS as alunas, AA e atuais, sobretudo à que tiver o meu número 178, que, tirando a prova dos noves, fica em 7, o número da plenitude na Sagrada Escritura! Nada mau, não acham? E fico ao dispor para quanto lhes possa interessar ou para qualquer esclarecimento sobre o que aqui deixo. A Joaquina Cadete,

minha entrevistadora, tem liberdade para dar o meu contacto. Guardo-as a TODAS na minha oração! Rezem também pela vossa, agora, Irmã Miriam Clara de Jesus. Que Deus as abençoe para que sejam felizes!

O testemunho da AA Maria Antonieta Godinho, hoje Irmã Miriam, irá certamente fazer-nos refletir sobre a espiritualidade que anda tão arredada do frenético mundo moderno e, quem sabe, inspirar alguma Menina de Odivelas a seguir um rumo semelhante que, como nos foi dito, não sendo fácil, traz dividendos incomensuráveis.

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IN MEMORIAM

I N MEMO RI A M

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Infelizmente não somos eternos e é sempre com pesar que dizemos adeus a colegas e residentes

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Maria Isabel Sá Nogueira Simões Ferreira AA Nº 178/1930 Em junho de 2010

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Antónia Lúcia de Sousa Dias Rama da Silva AA Nº 457/1936 Em 6 de setembro de 2011

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Maria Fernanda Maia Ricardo AA Nº 23/1952 Em 28 de novembro de 2011

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Cleonice Gomes Fogaça AA Nº 90/1963 Em dezembro de 2011

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Maria Manuela Branco Domingues Furtado AA Nº 15/1947 Em 24 de janeiro de 2012

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Drª Henriqueta Louro Antiga professora do IO Em 27 de janeiro de 2012

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IN MEMORIAM

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Helena Ca l dei ra – AA Nº 341/ 1956

Reflexos de memórias nosso quotidiano é marcado pela partida definitiva dos nossos amigos. Fica a memória, a referência e a saudade. Chegou o tempo da despedida da nossa querida Professora, a Pintora Maria Aurélia de Carvalho Henriques.

Enquanto sua aluna e colega da mesma área de formação, presto-lhe a minha sentida homenagem, acreditando que “várias gerações de alunas” do IO sentirão, neste momento, o mesmo sentimento e partilha. Como Professora, todas nós apreciámos a sua sensibilidade artística e pedagógica. Sempre atenta à motivação individual e coletiva, proporcionou-nos momentos de aprendizagem muito estimulantes nas aulas de Desenho. Meticulosa e exigente, fomentou em nós o gosto pela natureza, o conhecimento pela Arte, numa correcta perspetiva histórica e pedagógica. Uma Professora determinada, convicta e singular que marcou e influenciou muitas das vocações de alunas que seguiram artes. Mais tarde, tive o privilégio de a conhecer como Pintora, em contexto mais pessoal, no seu atelier, na casa onde vivia e convivia diariamente com a sua produção pictórica. As vivências, leituras e reflexões, viagens ao estrangeiro, visitas a museus, preferências artísticas, eram objecto de conversas desses nossos encontros.

Uma vida dedicada ao Ensino e às Artes

Cada quadro, lido/observado/interpretado tinha sempre uma explicação da autora, como suporte de leitura, mais aprofundada, da mensagem visual de natureza simbólica. Esses quadros, que se foram realizando e alinhando, deram origem a uma coleção de pinturas inéditas a que Pintora nunca quis dar visibilidade pública, com exceção de uma ou outra exposição realizadas no Instituto de Odivelas.

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IN MEMORIAM

A Senhora D. Maria Aurélia amava o nosso colégio. Numa atitude contemplativa, deixou-se envolver pela magia da identidade desse lugar: pela natureza e beleza do espaço arquitetónico – histórico, pela cor das glicínias no claustro, pela envolvência espiritual e humana, deixando-nos o seu olhar, através de pinturas a óleo oferecidas ao Instituto de Odivelas. E nesse percurso solidário, não esqueceu as antigas alunas instaladas no Lar de AAAIO, quando também, num gesto simbólico, lhes ofereceu um quadro

sobre um tema que ela levava até ao pormenor de observação: “As Flores”. Desse tempo fugaz, fica a memória de uma vida dedicada ao Ensino, fica o seu reportório visual desenvolvido ao longo do tempo, entre a casa de Lisboa, a praia da Ericeira e o Instituto de Odivelas. E finalmente, fica o último olhar e o último adeus da Senhora D. Maria Aurélia que, do alto da sua varanda da casa de Lisboa onde morava, me acompanharam até ao carro, na tarde em que nos despedimos pela última vez.

Quadros da Senhora D. Maria Aurélia, apresentados numa pequena exposição temporária, na sala Vip, organizada e montada por mim, no Instituto de Odivelas. PINTURAS A ÓLEO

Temática religiosa

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Temática alusiva ao IO – edíficio e envolvência humana ( alunas do colégio) e a carrinha de transporte das professoras (canto inferior esquerdo).


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ealizou-se no Centro Militar de Educação Física e Desportos, entre 8 e 9 de Dezembro, o Campeonato de Esgrima do Exército de 2011.

Integrado no Calendário das Competições Desportivas Militares para o ano de 2011, englobou as provas de Espada Feminina, Espada Masculina, Sabre Feminino e Sabre Masculino, na Sala de Armas “Cor. Cav. Ferreira Fernandes”, contando com a participação de 55 atiradores. Realça-se a participação das Salas de Armas da Academia Militar, do Colégio Militar, do Instituto Pupilos do Exército, do Instituto de Odivelas e do Centro Militar de Educação Física e Desportos, bem como a realização da primeira prova de Sabre Feminino, disputada pelas Cadetes Alunas da Academia Militar, e o salutar convívio registado durante os dois dias de Campeonato.

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Campeonato de Esgrima do Exército de 2011

NOTÍCIAS DO IO

NO T Í CI AS D O I O

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NO T Í C I A S D O I O

Festa de Natal

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Festa de Natal foi no passado dia 16 de dezembro pelas 16:00 horas no Ginásio. Este ano, a Festa de Natal contou com a participa-

ção das alunas: • • • •

da Classe Especial de Ginástica; de Educação Musical ( 2º e 3º ciclo); do 9º ano de Oficina de Teatro; do 12º ano.

Representação da peça “O espírito de Natal” – Sinopse Carolina é uma miúda viva e curiosa. Leu num livro que existe um “espírito de Natal” que nos habita nesta altura do ano e, acreditando que se trata de um ser fantástico, material e visível, decide ir procurá-lo. Em demanda do “espírito de Natal”, Carolina vai a um consultório médico, visita a tenda de uma vidente e desloca-se até à residência do Primeiro Ministro. Conhece, entretanto, uma personagem bizarra, Vítor Rui, um arrumador de carros, que a vai ajudando sempre que se sente mais confusa ou desanimada. Desiludida com as respostas que vai obtendo de todos os que a rodeiam, Carolina compreende que, hoje em dia, não é fácil encontrar o “espírito de Natal” e percebe que, apesar das atividades a que se dedica, o arrumador é, ironicamente, quem melhor encarna esse espírito.

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NO T Í CI AS D O I O

Visita de Estudo ao Planetário Calouste Gulbenkian

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o passado dia 24 de novembro um grupo de alunas do 10º e 11º anos do curso de ciências e tecnologias dirigiram-se ao Planetário Calouste Gulbenkian, em Belém, a convite desta Instituição, no âmbito do dia Nacional da Cultura Científica. Para além do Instituto de Odivelas (IO) estiveram presentes alunos do Colégio Militar e dos Pupilos do Exército.

As professoras Mª Teresa Pericão, Mª Manuel Rosa e Mª do Rosário Duarte acompanharam as alunas. Começámos por visitar uma exposição muito interessante de Astropintura do Sr. Luís do Carmo. De seguida, mergulhados num ambiente apropriado onde não faltaram estrelas, constelações e nebulosas, assistimos a uma empolgante conferência sobre a Via Láctea, proferida pelo Professor Doutor André Moutinho de Almeida. A palestra terminou num ambiente descontraído em que se colocaram algumas questões ao orador sobre os buracos negros, o Universo em expansão, entre outras. Regressámos ao IO com uma curiosidade acrescida sobre a imensidão do Universo que nos rodeia…

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NO T Í C I A S D O I O

Corta Mato Escolar

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o passado dia 7 de dezembro às 14h00, teve lugar no Instituto de Odivelas o corta mato escolar. A tabela seguinte representa os escalões e as voltas que cada um deles deu no circuito definido: Escalão

Ano de Nascimento

Percurso

Infantil A Infantil B Iniciadas Juvenis Juniores

2001/2002 1999/2000 1997/1998 1995/1996 Até 1994

1 Volta 1 Volta 2 Voltas 3 Voltas 3 Voltas

5ª Feira do Livro do Instituto de Odivelas

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om o objetivo de motivar para a descoberta de livros e autores, incentivar o gosto pela leitura e o prazer de ler e ainda, promover a ideia do livro como um bom presente de Natal, realizou-se a 5ª Feira do Livro na Biblioteca do IO nos dias 5, 6 e 7 de dezembro.

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NO T Í CI AS D O I O

Resultados do Encontro Gira-volei

Intercâmbio com a Maison d’Éducation de la Légion d’Honneur 2001

A E s alunas que representaram o Instituto no encontro gira-volei de 23 de novembro estão de parabéns pela sua prestação e empenho. Resultados:

Escalão 11-12 anos

1º Lugar

Miriam Martins (6º1ª) Ana Inês (6º2ª)

Inês Mendes (6º1ª)

4º Lugar

Ana Marta Cunha (6º1ª) Raquel Azinheira (6º1ª)

Escalão 13-15 anos 2º Lugar 5º Lugar 7º Lugar

Marta Coelho (8º2ª) Mª João Barros (8º2ª) Mª Santos (8º2ª ) Laura Ramires (8º2ª) Ana Raquel (8º2ª) Sofia Pascoal (8º2ª) Carolina Cerqueira (9º2ª)

8º Lugar

Mª Valdez (8º2ª) Andreia Brito (8º2ª)

ntre 10 e 14 de outubro, o Instituto de Odivelas teve a honra de receber um grupo de dez alunas da Maison d’Éducation de la Légion d’Honneur (MELH), a prestigiada instituição de ensino situada em Saint-Denis, Paris. A visita decorreu no âmbito do intercâmbio estabelecido desde 1977 entre as duas escolas de ensino básico e secundário destinadas a raparigas, com regime de internato. O programa da visita incluiu visitas culturais e recreativas a Lisboa, Cascais, Sintra, Óbidos e Batalha. Alunas e professoras de francês do IO acompanhavam o grupo da MELH dinamizando o intercâmbio de línguas e culturas e os laços de amizade entre as duas instituições de ensino.

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NO T Í C I A S D O I O

ISA – III International Amonet Symposium – Women, Science and Globalization

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antiga aluna Ana Maria Lobo, professora catedrática de Química Orgânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e desde 2008, vice presidente da Amonet – Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas – da qual foi presidente (2005-2008) e Co-Fundadora, endereçou um convite às alunas do Instituto de Odivelas para participarem no ISA realizado no dia 17 de outubro na Fundação Gulbenkian.

A Maria Teresa Ferreira e a Daniela Botelho, do 9ºA 2ªT, apresentaram montagens de circuitos eléctricos, e poster alusivo, com lâmpadas em série ou em paralelo. E também demonstraram a vantagem da utilização dos circuitos com os elementos em paralelo. A Maria Carolina Fancaria e a Filipa Pedro apresentaram duas montagens para demonstração da condução do calor. Os posters por elas idealizados, colocados ao lado, ilustravam os fundamentos teóricos em que se baseavam as duas experiências. Igualmente, as alunas Marcela Vaz e Ana Margarida Fernandes, do 12º Ano de Química, apresentaram através de um poster, o seu trabalho experimental no âmbito da gastronomia molecular, realizado numa aula de laboratório e subordinado ao tema “Como obter esparguete de sumo de laranja no laboratório”.

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NO T Í CI AS D O I O

As alunas e professoras acompanhantes, Maria João Anastácio e Leonor Ornelas Tavares, tiveram oportunidade de assistir muito interessadas às palestras. Seguidamente, foi a vez das nossas alunas explicarem, entusiasticamente, as montagens.

A impressão causada nos assistentes foi “Belissima!” O fotógrafo foi o professor Alan Phillips que é microbiologista na Faculdade.

Foi uma tarde diferente e proveitosa pois ouvimos palestras de cientistas de diversas nacionalidades versando tópicos como “As Mulheres no Estado Novo”, “Women, Science and Politics: What Are We Waiting For?” etc.. Nas palavras da professora Ana Lobo “….as meninas foram importantes para nós!”

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Abertura Solene do Ano Letivo 2011/2012

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o passado dia 4 de novembro de 2011, teve lugar a Abertura Solene do ano letivo de 2011/2012 no Instituto de Odivelas. A cerimónia iniciou-se com a chegada dos Convidados e da Alta Entidade, tendo sido recebidos pela Direção, pelas Coordenadoras de Ciclo e pelas Coordenadoras de Departamento, na Sala VIP.

Este ano, a igreja do mosteiro de Odivelas foi, pela primeira vez, o local escolhido para a realização do tradicional evento. No ano de 2011, comemoram-se os 750 anos do nascimento do rei D. Dinis (9 de outubro de 1261). O Instituto de Odivelas – Infante D. Afonso, fundado em 1900, associou-se, desta forma, à efeméride e a uma natural homenagem, pois o edifício onde se encontra este estabelecimento militar de ensino é o mosteiro de S. Dinis e de S. Bernardo que pertenceu à Ordem Religiosa de Cister, no seu ramo feminino e, justamente, fundado pelo monarca, em 1295. Foi, igualmente, o chão sagrado da igreja que D. Dinis escolheu para colocar o seu túmulo. Na igreja, estiveram presentes Alunas, Corpo Docente, Encarregados de Educação e Pais de Alunas. Da mesa de honra fizeram parte o Comandante de Instrução e Doutrina, o Diretor de Educação, o Diretor do IO, a Presidente da Câmara Municipal de Odivelas e a Presidente da Direção da Associação das Antigas Alunas do IO. Após a entoação do Hino Nacional, o Capelão do IO proferiu umas palavras introdutórias, lembrando que a igreja é um local de oração e sagrado mas, sobretudo, e destacando o significado etimológico do vocábulo, um local de reunião. De seguida, o Diretor do Instituto dirigiu umas palavras à assistência, sublinhando o papel

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centenário do Instituto de Odivelas na educação e na formação de gerações e gerações de alunas e salientando a importância do reinado de D. Dinis na história nacional. Em homenagem ao Rei, celebrizado pelos cognomes de Poeta e Lavrador, foi deposta uma coroa de flores junto ao túmulo régio. Foi pedido, também, pelo Diretor um aplauso ao Corpo Docente, bem como aos Professores que deixaram de lecionar no IO em 2011/2012.

entusiásticos e repetidos. Às novas alunas foi entregue, pelas alunas mais velhas, as madrinhas, o símbolo do IO: o lacinho verde com a Cruz de Avis. Estas, por sua vez, receberam das suas afilhadas, o símbolo de madrinhas. A Comandante de Batalhão atual proferiu algumas palavras, destacando o papel das Alunas Graduadas na vida escolar do IO. Sucedeu-se a entoação do Hino do IO e o grito “Cada vez mais alto!”

A cerimónia prosseguiu com a palestra proferida pela Dra. Liliana Cardeira, antiga aluna do IO, subordinada ao tema: O Mosteiro de Odivelas: um legado de D. Dinis.

A cerimónia foi dada por encerrada e seguiram-se momentos de reencontro e de confraternização entre antigas e atuais alunas. Por fim, no antigo Refeitório das Monjas, mas há muito conhecido por Sala do Teto Bonito, foi oferecido um Porto de Honra, com brinde ao Corpo Docente, precedido de palavras de agradecimento do Diretor. Já era noite, a lembrar o início do poema de Fernando Pessoa, D. Dinis, citado pelo Diretor: “Na noite escreve um seu Cantar de Amigo/ /O plantador de naus a haver…”

Seguiu-se a entrega de prémios às alunas que mais se distinguiram no ano letivo de 2010/2011. A aluna do 12º ano, Ana Luísa Nascimento, nº 135, e a aluna, e Comandante de Batalhão, Raquel Santos, nº 297, receberam vários prémios e foram alvo de aplausos

ASSEMBLEIA GERAL

No próximo dia 31 de março pelas 14h30 terá lugar a nossa assembleia geral. Aparece! Participa! Faz a diferença!

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NO T Í C I A S D O I O

Carolina Afons o – A Nº 25/5º 1ª

Receção das novas alunas

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ogo de pistas – A Receção no IO na 1ª Pessoa (13 de Setembro de 2011) O Jogo começou bem cedinho. Cheguei ao Instituto de Odivelas e fui à sala de recreio do 3.º ciclo para me encontrar com a minha madrinha, Inês Lopes. O primeiro lugar que visitámos foi a Cozinha Velha, onde “duas freiras” dançavam enquanto confecionavam marmelada.

Elas pediram-nos que ordenássemos os cartões com a lenda de D. Dinis e o urso. Logo a seguir, passámos pela janela e vimos as personagens das duas lendas: a do milagre das rosas e a D. Dinis e o Urso. Neste momento, as alunas mais velhas representaram uma pequena peça de teatro alusiva a estas lendas. A nossa equipa, depois de passar várias etapas, chegou à torre, onde se passava a parte mais assustadora de todo o jogo: ao pé da torre estava uma mensagem a dizer para entrarmos e, quando o fizemos, ouvimos gritos assustadores e morcegos a esvoaçar por cima de nós. Em seguida fomos à igreja, onde vimos os túmulos de duas personagens históricas que estão ligadas ao IO: D. Dinis e a Infanta Maria Afonso. Por último, na Sala do Teto Bonito, encontrámos a chave do nosso tesouro e um manuscrito com a sua localização para o podermos descobrir.

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As histórias da História de Portugal

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icenciou-se em Filologia Românica, mas a sua paixão é a História. Luís Almeida Martins, jornalista, escritor, tradutor e guionista, achou que os Portugueses andavam muito afastados da sua História e respondeu ao desafio da Esfera dos Livros com uma história – por dia – da História de Portugal. “365 Dias com Histórias da História de Portugal” é uma obra ligeira que serve para ampliar conhecimentos e satisfazer a curiosidade. “Atualmente, as pessoas sabem pouco sobre a história do seu país. Agora vivem o imediato, só leem os rodapés dos noticiários”, lamenta Luís Almeida Martins. “Hoje em dia ter conhecimentos é estar informado e não estar formado”. Ao ver os Portugueses afastados da sua História e do seu passado, ao contrário do que acontecia antigamente, Luís Almeida Martins mergulhou de cabeça neste projeto. “Hoje em dia ter Dividiu uma folha A3 em sete colunas conhecimentos é estar correspondentes a sete grandes gruinformado e não estar pos. Cada coluna foi então subdividida em 52 retângulos onde foi escrevendo formado” os temas. “Fiz uma sistematização muito subjetiva da nossa História”, explicou. “O meu objetivo é popularizar a História, apresentá-la de forma apelativa, com um forte elemento cénico”. Assim, à segunda-feira, os leitores podem ficar a conhecer os grandes factos e pequenos episódios que marcaram a História de Portugal, à terça é a vez de ser apresentado aos seus protagonistas, na quarta travam-se guerras sangrentas e batalhas vitoriosas e na quinta os leitores ficam envolvidos em revoluções e conspirações que abalaram o poder. A sexta é dia de ficar a par das histórias de alcova, de traições e infidelidades de reis, rainhas e não só, e no sábado, Luís Almeida Martins pretende surpre-

À CONVERSA COM...

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À CONVERSA COM...

ender o leitor com os mitos, lendas e curiosos mistérios dos nossos nove séculos de História. Para terminar a semana, ao domingo é tempo de descansar a ler episódios relacionados com grandes escritores, artistas e monumentos de Portugal. O convite é irrecusável. Em poucos minutos por dia, e de forma concisa e divertida, os leitores podem fazer uma extraordinária viagem pela História de Portugal. Cada dia é uma nova descoberta. Uma nova história. “Quero reconciliar, aproximar as pessoas com a História, pois o ensino tem-nas afastado dos factos históricos”, realça de novo o autor.

© M. Margarida Pereira-Müller

Luís Almeida Martins nasceu em Lisboa em 1949 e licenciou-se pela Faculdade

Luís Almeida Martins

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de Letras, onde foi dirigente estudantil durante a crise académica de 1969. Começou a escrever muito cedo. Como adolescente, começou a colaborar com o Diário de Lisboa Juvenil e com a Seara Nova. A sua estreia profissional deu-se na revista Flama, em 1968, de onde transitou em 1970 para o vespertino A Capital, onde acompanhou de perto o 25 de Abril e as suas sequelas. Em 1975, foi um dos fundadores do semanário O Jornal. Três anos mais tarde, fundou a revista História, que dirigiu durante 15 anos até à sua extinção em 1993. Foi diretor do Se7e entre 1982 e 1985 e diretor-adjunto do Jornal de Letras, Artes e Ideias entre 1985 e 1992, antes de fazer parte, em 1993, do núcleo fundador da revista Visão, a cujo Gabinete Editorial ainda hoje pertence. É editor da Visão História. Autor de diversos guiões para televisão, fez parte, no início da década de 1990, das equipas criativas dos populares programas Rua Sésamo e Arca de Noé e colaborou ativamente em séries como A Estação da Minha Vida, A Árvore do Mocho Sábio ou Os Segredos de Mimix. Já publicou várias obras, entre as quais dois romances – O Tesouro Africano (2002) e Viva Cartago (1984), a biografia juvenil Vasco da Gama (1998) e, em coautoria com os jornalistas Cáceres Monteiro e João Vaz, um livro de reflexão política Por Onde Vai Portugal? (1975).


À conversa com o Diretor do IO

À

frente dos destinos do IO desde o final do passado ano letivo, o Coronel de Infantaria José Serra, pai de dois filhos adolescentes e casado com uma professora, é um homem aberto, afável e bom conversador. Tem consciência da árdua tarefa que representa dirigir uma casa como o Instituto de Odivelas, mas realiza-a virado para o futuro e para as alunas. Gostar de trabalhar com crianças e adolescentes, ser muito organizado e não fugir às responsabilidades são três caraterísticas que retratam bem o atual diretor do IO. Em relação à AAAIO, o diretor tem tido muito abertura ao diálogo e mostrado respeito mútuo. Mais, gosta da nossa revista, oferecendo-a “às visitas do Instituto”, de que citou o exemplo da equipa do Ministério da Defesa Nacional a quem deu um exemplar da “Notícias do Século”, e da “Laços” a cada um dos seus elementos. Em meados de novembro, conver“O Instituto não é só sámos com o Coronel Serra sobre a sua vida, a sua carreira e a sua uma escola que ensina nova tarefa.

Matemática e Português, ..., mas também transmite valores...”

Quando ouviu falar pela 1ª vez no Instituto de Odivelas? Não sou de uma família de militares. Sou o primeiro militar da família, à exceção do meu avô paterno, que participou na I Grande Guerra, mas que eu não conheci. Mas tenho registos dele: tenho uma agenda pequenina onde ele tomava alguns apontamentos. Por exemplo, a páginas tantas, ele escreveu: “Hoje vi o inimigo. Grande perigo. Tive de sair a fugir por causa dos bombardeamentos”. Não é um diário, mas uma agenda militar, muito interessante, pois tem não só o código de morse como as abreviaturas militares à época.

DESTAQUE

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D ESTA Q UE

O Diretor no seu gabinete

Mas voltando à sua pergunta: ouvi falar pela 1ª vez do Instituto de Odivelas como cadete. Entrei para a Academia Militar com 17 anos, quase a fazer os 18. Os jovens rapazes, cadetes como eu, falavam das meninas de Odivelas, mas curiosamente nunca conheci nenhuma aluna – nem como cadete, nem mais tarde como oficial. Aliás, para nós militares do Exército, o Instituto sempre foi uma casa fechada. A generalidade dos militares não faz ideia nenhuma do que é o Instituto de Odivelas, perfeitamente estanque, isolado em relação ao resto do Exército. É por isso que eu quero agora abrir as portas do Instituto, dá-lo a conhecer não só à população de Odivelas, mas junto da família militar. Nós temos que chegar aos pais e em particular dizer aos militares que venham cá quando quiserem, que venham conhecer a casa. Quando entrou para a Academia? Entrei em 1979, foi o 1º grande curso após o 25 de Abril. Éramos muitos, 105 alunos, e formávamos 50% do corpo de alunos. Do curso de Infantaria éramos 43 e todos fizemos carreira, todos os que ficaram, chegaram a coronel. 56

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Quando começámos o curso, o regime era muito intenso: entrávamos no domingo à noite e só saíamos no sábado à hora do almoço, já nem me recordo bem se era antes ou depois do almoço. Durante a semana, o quotidiano era muito duro, pois tínhamos aulas das 8h às 18h! Esta situação só se veio a alterar no meu 3º ano, com um horário mais universitário, das 8h às 16h, que nos dava tempo para gerirmos melhor a nossa vida. Porque se decidiu por uma carreira militar? Não foi uma vocação militar. Eu nem sabia o que era a organização militar! Foi num contexto de liceu em que eu tinha alternativas. O meu irmão gémeo e eu tínhamos notas idênticas e ele entrou para o Técnico, para Engenharia, sem problemas. Eu poderia ter feito o mesmo e teria as portas abertas. Mas, um dia, à conversa com um oficial, este perguntou-nos: Já pensaram em concorrer à Academia? Nunca tinha pensado nisso, mas perguntei-me: Porque não? E depois foi tudo muito rápido: estávamos em maio e tínhamos de entregar a candidatura até ao final desse mês. Tratámos então dos processos à pressa. A minha inscrição ficou condicionada até fazer um exame extra de Português, que era a minha parte fraca. Muitas vezes, as nossas opções na vida não são feitas por escolha de hipóteses, mas por recusas de hipóteses. Podemos não saber o que queremos, mas sabemos o que não queremos. Como foi a sua adaptação à Academia, ao internato?


D E STAQ UE

A fase inicial de adaptação não foi fácil. Eu saí duma casa normal, duma família estruturada. O meu irmão gémeo e eu éramos parceiros para tudo. E de repente, com 17 anos, fiquei sozinho pela 1ª vez na vida, num ambiente de internato, em que só íamos a casa ao fim de semana, com atividades próprias da Academia Militar, algumas muito exigentes que não nos deixavam o tempo de sono e de estudo que desejaríamos. Obviamente, como tudo na vida, há que aprender a gostar. E, quando aprendi a gostar, nunca mais pus outra hipótese. Foi durante a própria Academia que a vocação apareceu – é isto que eu quero. Nunca pensou desistir? Nos primeiros quinze dias, foi a loucura completa, achava que não iria aguentar aquela vida, queria vir-me embora. A partir daí, foi-se desvanecendo essa sensação. Especialmente a partir do final do 1º ano: foi o sucesso ter dispensado dos exames, que era uma questão de honra para mim, não ir a exame a nenhuma disciplina. Fiquei e tive uma sensação de missão cumprida. E aí nunca mais se voltou a colocar a questão de sair. Sobretudo porque encontrei na organização um ambiente fantástico, muita camaradagem e muito respeito – e isto em todos os níveis, entre oficiais, funcionários, camaradas. Foram referências que muito me marcaram e que me ajudaram a construir a personalidade e a vocação. Mais tarde, quando fiz o curso de Gestão na Universidade Lusíada de Lisboa, muitos pensaram que seria para sair do Exército. Mas não, nunca pensei nisso. Fiz o curso não para sair do Exército, mas como uma mais-valia

profissional e pessoal, um ganho de competências e de valor. Essas suas dificuldades iniciais na Academia podem ajudá-lo aqui com as meninas caloiras… Sim, ajuda. Uma semana depois de ter entrado na Academia e quando fui a casa, chorei. O meu pai, que era o elemento mais forte da família, negociou comigo muito bem: ficaria até ao Natal e depois tomaria uma decisão. E foi o que me aconteceu. De facto, ele tinha a noção de que esses primeiros tempos eram essenciais para a estabilidade emocional. Como em tudo na vida, quando se muda de ambiente, tem-se dificuldade de adaptação. Mas depois surgiu o inverso: quando cheguei ao 3º ano, era eu que já nem queria ir a casa. Só ia a casa para lavar a roupa. O meu espaço já era ali, na Academia. Tinha o meu quarto, o meu ambiente de estudo, tinha as minhas coisas. E, muito importante, tinha a minha autonomia. O que de bom me trouxe a Academia, foi realmente a autonomia. Não pedia dinheiro ao meu pai, geria bem o pré – o meu primeiro ordenado foi de 910$00, recebidos em notas novinhas, acabadas de sair do banco. Recordo-me que quando entrei no elétrico para ir a casa, voou-me uma nota de 5 escudos. E eu fiquei ali sem saber se deveria ir a correr atrás da nota, ou ficar, mas se o fizesse perderia o barco…Fiquei. Mas de facto na Academia encontrei mesa e cama, até no fim-de-semana, fardas, livros – mesmo a roupa da cama era posta à nossa disposição. Nós só tínhamos de lavar a nossa roupa. Em boa verdade, acabei por encontrar na Academia o meu ponto de equilíbrio. Foi LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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© M. Margarida Pereira-Müller

Tanto quanto sei, o senhor Generalfácil aprender a gostar. E depois vieram -Chefe quando me escolheu para esta as atividades militares, a aventura que função, ouviu alguns oficiais. Não foi nós, jovens, procurávamos. um lugar, como não há nenhum, à exOs psicólogos dizem que os ambientes ceção de cargos internacionais, que seja moldam a personalidade das pessoas e posto em concurso – mesmo quando eu estou convicto disso. O que sou hoje, são solicitados oferecimentos, há um foi começado ali. processo de seleção e a decisão final é Mas voltando à pergunta: eu costumo sempre do General-Chefe. A nomeação aconselhar os pais das meninas que se é por escolha. No entanto, o senhor sentem pouco adaptadas que lhes deem General, quando me convidou para tempo. Tempo de adaptação, de habituassumir as funções, ação. Como direpediu-me para pentor, quero que as O Diretor no Claustro Principal sar. Disse-me: “Vá meninas estejam conhecer o Instituto felizes. Se elas e depois diga-me o não são felizes, que decidiu”. Foi eu não fico bem, assim que eu vim cá fico preocupaenquadrado numa do. Obviamente, inspeção no âmbito não consigo estar da logística. em todo o lado, a casa é grande Quando foi convie não consigo dado, o que penacompanhar indisou? vidualmente todas Um desafio que eu as alunas, mas sabia que iria ser vou falando com a trabalhoso e, não psicóloga, com os tenho dúvidas, ao professores, com mesmo tempo, graos funcionários e tificante. Como pai vou-me informangosto de trabalhar do sobre o bemcom crianças e jo-estar das alunas. vens. E depois, ao conhecer a casa, E se algo não está bem, falamos com os fiquei surpreendido. Encontrei uma pais, os quais têm um papel fundamental casa da, como nós chamamos, geração e deverão estar permanentemente envolCANIFA – Comissão Administrativa das vidos no processo de adaptação à escola. Novas Instalações das Forças Armadas, A família é indispensável. uma comissão que no tempo do general Santos Costa delineou um modelo-paComo foi a sua nomeação para diretor drão para os regimentos. Os regimentos do IO? Foi um processo de vaga aberta são praticamente todos iguais. Sentia a que se candidatou? Foi uma nomeaque estava a entrar numa escola que ção direta do general-chefe? 58

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tinha sido desenhada nessa geração. E porquê? Quando vi as camaratas, a tipologia das casas de banho, dos duches, pensei com os meus botões: Isto é geração CANIFA. O que de uma forma me deixou satisfeito porque nessa ocasião, quando se faziam remodelações de infraestruturas, era tudo muito bem pensado, ou seja, tudo tinha uma razão de ser, com um grande equilíbrio. Tanto que, o que sobra do mosteiro das bernardas de São Dinis, é muito pouco. O resto é o que foi construído nos anos 40-50. É todo um espaço pensado: o posicionamento das salas de aula, o facto de estarem voltadas para a quinta, o ter sempre vegetação à vista, serem solarengas, o posicionamento das camaratas, do refeitório, a acessibilidade à cozinha, o aquecimento central à época – tudo segue uma lógica muito bem integrada, em termos de equilíbrio de espaço, o que é fantástico. Muito provavelmente, terá sido, à época, uma das melhores escolas da Europa. Ao ver todo este equilíbrio fiquei surpreendido e admirado. É uma escola enorme e com muito potencial.

seu grito. Elas explodem ao dar o seu grito. Elas sentem a responsabilidade que têm, especialmente as graduadas; elas transmitem esse espírito que é intangível, não há forma de o medir, sendo de facto um património a preservar e a aumentar se pudermos. Quero uma escola que cresça, o que passa por uma primeira fase por uma melhoria de condições internas (camaratas, salas de recreio). Já temos vindo a fazer algumas obras, já mudámos muitas das janelas antigas por outras mais novas A rede do plano tecnológico escolar – uma rede de voz e dados – está aí, uma colaboração entre os ministérios da Educação e da Defesa Nacional. Temos agora uma rede que irá estar totalmente integrada na rede do Exército. Já apostámos também no software de gestão escolar e que está 99% operacional. Talvez no próximo ano, o cartão das alunas passe a ser magnético. Temos vindo a modificar uma série de pequenas coisas que estão ao nosso alcance.

Então foi fácil aceitar o convite? Sim, quando voltei a falar com o General-Chefe disse que, se ele assim o entendesse, eu estaria disponível e que me poderia nomear.

E medidas de fundo? Vou propor ao General-Chefe o 1º ciclo. Julgo que há condições para termos aqui uma turma por ano do 1º ciclo, em regime de externato, pelo menos numa primeira fase. Como pai, acho que para os mais pequenos, a presença da família é fundamental e por isso dever-se-ia optar pelo regime de externato. Mas se tivermos de caminhar para um regime de internato, também não me oponho. O 1º ciclo é para mim uma aposta que tem futuro. Além disso, seria interessante uma parceria com a AAAIO para a

Quais são então os seus desafios? O que gostaria que esta casa fosse? Tal como noutras escolas seculares, o espírito do Instituto é fantástico, muito próprio, com uma identidade muito forte. E sentimo-lo quando ouvimos as meninas a cantar os hinos nacional e do colégio e, acima de tudo, a dar o

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implementação de um infantário, o que seria uma solução para as dificuldades com as atuais instalações das aulas de Puericultura. Fecharíamos assim o ciclo escolar (do 1º até ao 12º ano) e manteríamos com naturalidade o número de alunas.

© M. Margarida Pereira-Müller

Se tivesse aqui o Ministro da Defesa Nacional, o que lhe pediria? Investimento. Como primeira prioridade precisamos dum pavilhão gimno-

O Diretor na festa de aniversário da AA Ilda Vieira

-desportivo nos moldes dos existentes nas atuais escolas. O nosso ginásio é um pouco limitado e eu imagino-o convertido num auditório, que não temos. Gostaria também que se investisse nas energias alternativas, em painéis solares para aquecimento das águas sanitárias, em painéis fotovoltaicos para produção de energia, não só pelos benefícios que daí adviriam, mas também por serem uma referência na formação das alunas, as quais teriam a oportunidade de verem e acreditarem nestas novas tecnologias. 60

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Resumindo, o que pediria ao Senhor Ministro seria investimento e que acreditasse no potencial da casa. O atual ambiente é um pouco mais militar do que antigamente. Se alguma coisa caracteriza a casa, é o ambiente “semimilitar”, no qual se sente a cultura organizacional militar, apesar das alunas não estarem sujeitas ao regulamento militar. As aulas de instrução militar são extracurriculares, voluntárias, mas realmente são muitas as alunas que as frequentam, a pensar já no futuro nas escolas militares. No entanto, creio que este ambiente de autoridade e disciplina é essencial numa escola, tornando-a mais eficaz e eficiente. E sobretudo, ajuda a transmitir os valores que achamos fundamentais. O Instituto não é só uma escola que ensina Matemática e Português, entre outras disciplinas, mas também transmite valores e é isso que faz a diferença. Aqui sente-se a autoridade. Sim, aqui no Instituto é fácil exercer a autoridade, apesar de não andarmos com o regulamento disciplinar na mão. Tudo tem a ver com o próprio ambiente, com a organização da casa, com os métodos que temos implementado. Até o facto de as alunas andarem fardadas já é um mecanismo inibidor de comportamentos desviantes. Tudo isto ajuda a normalizar procedimentos e comportamentos que são saudáveis do meu ponto de vista. O conceito de autoridade não pode ficar desvanecido. Qual foi o maior desapontamento que encontrou aqui na casa?


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© Instituto de Odivelas

Não tenho uma resposta imediata. Tenho de pensar. A principal dificuldade que sinto tem a ver com a estrutura orgânica, o quadro orgânico da casa. Eu estive durante cinco anos na Academia Militar e já analisei os quadros orgânicos do Colégio Militar e dos Pupilos e todos eles têm algo que nós não temos aqui, ou melhor, que nós também temos mas que não é igual. Todos os estabelecimentos têm um corpo de alunos, só que o nosso é diferente dos outros. Aqui no colégio, o quadro orgânico de pessoal no que se refere ao corpo de alunos, foi desenhado para ser chefiado por uma psicóloga, ou seja, tem um técnico superior como chefe de corpo de alunos. Ora a lógica do corpo de alunos só faz sentido com oficiais numa estrutura tipicamente militar, ou seja, um comandante de batalhão, três comandantes de companhia a fazer o enquadramento das alunas. A lógica das graduadas – aluna, comandante de batalhão, alunas comandantes de companhia – só faz sentido com oficiais no corpo de alunas. Não há um paralelo com o que se passa no Colégio Militar e Pupilos. E porquê? Nós temos graduadas mas o nosso

corpo de alunas não está estruturado da mesma maneira. Não temos oficiais a comandar o corpo de alunas, nem para as companhias, nem para o comando de batalhão, e assim o corpo de alunas não fica convenientemente enquadrado. Connosco, quem toma conta das alunas é o internato, como sempre aconteceu e também não é uma função das alunas graduadas que não têm poder disciplinar. Todos os problemas são geridos pela direção de turma e numa fase final pela direção da escola, enquanto os problemas nos outros colégios são resolvidos, pelos oficiais comandantes de companhia e de batalhão. Vamos ter que fazer uma proposta de alteração neste campo ainda durante este ano letivo. Há muitas alunas que vão daqui para a Academia Militar e para outras escolas militares? Não tenho números, mas serão umas 3-4 alunas por ano que acabam por ir para as escolas militares. Agora que as Forças Armadas já estão abertas às mulheres, vê com bons olhos a hipótese de um dia o Colégio Militar ser dirigido por uma mulher, tal LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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como agora o Instituto de Odivelas é dirigido por um homem? A história das mulheres nas Forças Armadas é relativamente recente, é do meu tempo de capitão. De 1990 a 1995 estive colocado na Academia Militar com as funções de comandante de Companhia de Alunos, Instrutor de Tática e Adjunto de Oficial de Logística e foi durante esse tempo que se abriram as portas às mulheres. Salvo erro, a primeira admissão terá acontecido em 1992-1993 ou seja, por enquanto, ainda não há mulheres em postos altos. Que eu saiba ainda não há nenhuma mulher tenente-coronel formada na Academia Militar. Não vejo assim, porque uma mulher não poderá ser diretora do Colégio Militar. Por mim, é perfeitamente possível. As mulheres, na sua maneira de ser, são muito trabalhadoras e organizadas e normalmente excelentes profissio-

nais. Julgo que, no capítulo das hipóteses, é perfeitamente possível tanto no Colégio Militar como nos Pupilos. Mais ainda: julgo que até seria uma experiência muito interessante. A direção deverá ser uma conjugação dum binómio: um ex-aluno e uma pessoa que não seja da casa. Ter alguém com a cultura e o espírito da casa e uma outra pessoa de fora, faz um equilíbrio saudável. Não vejo por que uma oficial oriunda da Academia Militar não possa dirigir o Colégio Militar. É uma questão de tempo. Ainda não se arrependeu de ter aceite a nomeação para diretor do IO? Nadíssma, apesar de já ter perdido uns quilinhos. Eu costumo dizer que para as alunas, tudo. Eu quero é que elas sejam cidadãs de sucesso. Se me perguntarem o que quero para mim? Nada. Só quero respeito.

INSTITUTO DE ODIVELAS Infante D. Afonso

Abertas as inscrições a filhas de Militares e Civis www.institutodivelas.com Largo D. Dinis, Odivelas 2675-336, Odivelas, Telefone geral: 219 349 030 Fax: 219 335 842 Emails: io@mail.exercito.pt; io.secrescolar@mail.exercito.pt

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DE STAQUE

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J oaquina Cadet e P hi l l i mo re – AA Nº 193/ 1960

Uma subdiretora sempre presente o olhar a folha em branco na minha frente, imaginei que a angústia que sinto deve ser semelhante à que muitos autores descrevem, antes de começar a escrever uma nova obra.

Não que me considere uma autora, mas depois da AG do dia 26.11.2011, o texto que eu tinha imaginado sobre a minha conversa com a Senhora Dona Ofélia Moreira de Sena Martins (OSM) adquiriu o peso e responsabilidade de se tornar numa merecida homenagem em nome das Antigas Alunas do Instituto de Odivelas. Ao longo dos sete anos que andei no Instituto, a pessoa que mais me marcou foi, sem dúvida, a então subdiretora com o seu ar sempre elegante e a sua compostura que levava algumas de nós a considerar que ela pairava acima da média mantendo uma distância estudada. Quando falava connosco quer para nos dar ordens ou conselhos, num tom de voz geralmente contido e educado, transmitia uma imagem de serenidade e de doçura, qualidades que, em abono da verdade, não eram muito cultivadas no internato. Lá, tínhamos de ser estóicas e resistir a tudo.

... “Posso até não entender o que estou a fazer nos lugares, mas sinto a beleza do mundo que me cerca”

Depois de sair, continuei a vê-la com alguma assiduidade, pelo menos nos 14 de janeiro a que procurava não faltar e pasmava de a ver quase sem alteração fisionómica nem física o que me levou a dizer-lhe que estava conservada em água de rosas! Também ouvi muitas vezes comentar que nunca envelhecia e que, em quarenta anos, não mudara nada. Fui visitá-la num dia de novembro de 2011, sabendo que não iria encontrar a minha subdiretora como sempre a havia conhecido, tendo como referência a última LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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vez que a vira, por ocasião da Missa de 7º dia da diretora do meu tempo, Dra. Deolinda Santos. Na conversa que tivemos e que aqui reproduzo de alguma maneira, tentei aliar o passado de que me lembro, o presente da Senhora Dona Ofélia, filtrado pela implacável doença de Alzheimer e o presente da sua cuidadora desde há três anos, a Fernanda Oliveira – brasileira de Minas Gerais (FO). Agradeço, ainda, a inestimável colaboração de várias colegas que tornam este texto um tributo de todas nós. No dia da minha visita

JC – Senhora D. Ofélia como está? Sou a Joaquina Cadete, lembra-se? Gosto tanto de a ver tão bem e sempre bonita. OSM – Ah Cadete, lembro-me pois. JC – Trouxe as fotos da minha viagem de finalistas à Madeira em que a Senhora e a Prof. Laura Arminda nos acompanharam. Quer ver? 64

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E enquanto lhe mostrava as fotos que ia vendo com algum interesse, recordei aquela viagem que nos mostrou a sua faceta mais humana e até feminina quando, por exemplo, tirou uns toalhetes da carteira e nos explicou que serviam para absorver o brilho excessivo da pele, sobretudo quando havia calor. Um toque de coqueterie que muito agradou a jovens de 16 e 17 anos. FO – A Dra Ofélia tem muitas fotos e documentos escritos por ela. Quer ver? E durante longos minutos vimos, as três, as fotos em conjunto. Fotos de família, em que relembrámos a irmã médica, a Dra Emília, do IO em que aproveitei para explicar à Fernanda o que era ser subdiretora na minha época e, por fim, as mais recentes em que estava sempre acompanhada pela sua cuidadora. Nestas últimas, vimo-la, em casa, a ensinar francês à Fernanda, que me disse que às vezes a Dra. Ofélia falava em francês e até em latim, no jardim de Campo de Ourique e com uma ou outra AA que a visitara. FO – Tenho pena que tão poucas pessoas a venham visitar pois, mesmo que não as reconheça, gosta da companhia. Aliás, disse-me uma vez “Eu posso até não entender o que estou a fazer nos lugares, mas com certeza SINTO, vejo a beleza do mundo que me cerca”. Fiquei tocada com a sensibilidade desta jovem que acompanha a Senhora Dona Ofélia 24 sobre 24 horas, apenas com pequenos intervalos quando a senhora da limpeza vai lá a casa.


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O interesse demonstrado pela atividade profissional da pessoa de quem cuida ficou patente nos documentos que me mostrou e nos quais a Senhora Dona Ofélia havia registado o seu percurso académico e profissional. Fez o liceu em Santarém e cursou Filologia Clássica na Faculdade de Letras de Lisboa, onde se licenciou. Começou a dar aulas no liceu de Santarém, onde foi professora de personalidades como o Prof. Veríssimo Serrão e do Ministro da Defesa Nacional (MDN) que a veio a condecorar, no final da sua carreira, o Dr Leonardo Ribeiro de Almeida, que posteriormente veio a ser Presidente da Assembleia da República. Entrou no IO, onde se manteve até ao fim da sua vida profissional, pela mão do General Santos Costa, seu vizinho, que a convidou para diretora, cargo que não aceitou por influência do Pai. Ao longo dos anos, lecionou latim, francês e italiano, tendo-se aposentado em 1986. Através das fotos que íamos vendo, foram desfilando ante nós várias viagens com alunas, tardes no Forte de Santo António, bailes, cocktails, cerimónias oficiais e reuniões várias. De quando em vez, a Senhora Dona Ofélia detinha-se numa ou noutra com maior interesse. Ao chegar aos recortes de jornais e fotos das várias cerimónias em que foi condecorada, vi que estava mesmo interessada. No dia 4 de Maio de 1986 recebeu das mãos do MDN, seu antigo aluno, o grau de Comendador da Ordem de Instrução Pública, numa cerimónia com pompa e circunstância em que o traje foi mesmo de gala. No dia 28 de

agosto do mesmo ano, foi agraciada com a medalha de 2ª classe de D. Afonso Henriques (Patrono do Exército) pelo Chefe do Estado Maior do Exército. Já lhe tinham sido atribuídos o grau de Oficial da Ordem Militar de Cristo e as medalhas de prata e de ouro de serviços distintos. JC – Lembra-se deste dia em que foi condecorada por 44 anos de bons serviços? OSM – Foi quando me aposentei... Já não podia continuar ao serviço…Tive pena…

Ensinando francês à Fernanda

Esta Mulher que acompanhou gerações de Alunas que entravam crianças e saíam mulheres nunca casou mas dedicou a sua vida em exclusivo às filhas de outros que as confiavam à guarda do IO. Contribuiu para a boa imagem do Colégio que era considerada uma escola avançada, à época, com uma oferta extra curricular diferenciada e superior à oferecida noutras escolas públicas ou privadas. LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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Esta Mulher que tanto lecionava como podia apenas substituir uma professora que adoecera e nos levava para a quinta, para os lados da puericultura, para um jardim ladeado de hortênsias e nos lia um livro ou uns poemas. No fim desta singela homenagem a uma Mulher que marcou as vidas de tantas alunas do IO, parece-me adequado relembrar um episódio que mostra

A nossa entrada no teatro foi agitada e a nossa presença…um sucesso. Por volta da meia-noite, já estávamos nas nossas camas da Residencial Colombo, quando a Senhora Dona Ofélia veio bater às portas dos nossos quartos, pedindo que vestíssemos os casacões e viéssemos assistir e agradecer a serenata que os rapazes madeirenses e do Porto nos estavam a fazer no meio da rua. Para a disciplina, ao tempo, reinante na casa, nunca esqueceremos a atitude desta Senhora que nos mostrou que não era errado aceitar a atenção dos rapazes e, neste caso, demonstrava saber agradecer e retribuir a sua atitude galante. JC – Senhora Dona Ofélia, tenho de ir embora, mas gostei muito de a rever e de a encontrar bem disposta e bem acompanhada pela sua cuidadora.

bem o seu lado humano e sensível. Na viagem de finalistas do meu curso, à Madeira, a presença das meninas não passou despercebida quer aos rapazes locais quer aos finalistas do Liceu Almeida Garrett, do Porto que também lá estavam. Fomos convidadas para o concerto do Conjunto João Paulo (um dos elementos estava em Mafra sob o comando do Pai de uma das colegas).

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OSM – Muito obrigada pela visita. Gostei muito e obrigada pelos bombons. Gosto muito de chocolate. Volte quando quiser (e fez questão de me acompanhar à porta, mesmo com as dificuldades de locomoção que tem). Tenciono voltar e sei que gostaria de receber mais visitas. Ah e se a forem visitar não se esqueçam de levar uns chocolates que até podem ser Mozart, a marca que costumava oferecer às suas afilhadas de Crisma.


Maria H elena P. T. Ma c ha do – AA Nº 179/ 1960

Viver sem glúten

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onhece esta imagem? Sabe o seu significado? É o símbolo usado em vários países para identificar os produtos isentos de glúten. Aparece acompanhado da expressão Sem glúten /Senza glutine/gluten free/ glutenfrei que se encontra em algumas embalagens de farinhas e cereais para bebés e crianças, por exemplo.

Na verdade hoje em dia cada vez mais pessoas estão familiarizadas com o termo glúten, mas poucas saberão exatamente de que se trata. É esse o tema que vou abordar, não de forma técnica ou médica, que não sou, mas pela experiência pessoal de ter intolerância ao glúten, ou seja, ser celíaca. A doença celíaca é uma patologia auto-imune que afeta o intestino delgado e impede a absorção dos alimentos que contêm glúten e não uma alergia como, por vezes, é designada. Pode surgir na infância ou até na idade adulta em pessoas com predisposição genética e, quando se instala, esta condição fica para toda a vida. É mais comum em mulheres e seus parentes de primeiro grau. No meu caso Já imaginou não comer surgiu aos quarenta e sete anos as torradinhas, o pão e a minha filha “herdou-a” aos vinte e seis. fresco ou os cereais

do pequeno almoço? E como se manifesta, perguntarão. Os sintomas podem ser leves, moderados ou graves e incluem diarreia persistente acompanhada de distensão abdominal, mal-estar e vómitos, cansaço, emagrecimento e atraso no desenvolvimento físico, no caso das crianças. Alguns doentes evidenciam ainda manifestações cutâneas nos braços, pernas ou costas.

IDEIAS SOLTAS

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Mas o que é o glúten, afinal? Trata-se duma proteína que se encontra em cereais como o trigo, cevada, aveia e centeio, os chamados cereais de espiga, e em todos os produtos e alimentos fabricados ou preparados com esses cereais.

dicação nem qualquer outro tratamento. Só a dieta, isto é, a alimentação sem glúten. Pode até parecer muito fácil, mas não é bem assim.

Como é feito o diagnóstico da doença celíaca? É muitas vezes um processo longo e penoso pois os sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças, como por exemplo a síndroma do cólon irritável. Inicialmente, são feitos diversos exames para despiste dessas possíveis afeções, mas o método seguro de diagnóstico é a biopsia ao intestino. Eu fi-la por endoscopia gástrica. No caso da minha filha, lamentavelmente não foi dada relevância ao antecedente materno e a demora foi grande até que a minha suspeita fosse confirmada só por uma análise de sangue específica – anticorpos anti-transglutaminase.

Já imaginou não comer as torradinhas, o pão fresco ou os cereais de que tanto gosta ao pequeno almoço? Ter de rejeitar o esparguete, os carapaus fritos, a açorda alentejana, o rissol ou os croquetes, o ensopado, o creme de marisco, a aparentemente inofensiva canja de estrelinhas, o tradicional pão de ló ou o bolinho da mamã e as bolachinhas com o chá, só para referir algumas das ementas vulgares da nossa alimentação. E só de pensar nos doces de Natal, rabanadas, filhós, broas, bolo rei …até dói!

Que implicações tem a doença no dia a dia das pessoas afetadas, afinal?

Não tanto pela falta que esses petiscos façam ou não, mas mais pelo efeito que causam quando um celíaco se encontra Uma vez diagnosticada a doença, a entre outras pessoas, amigos, ou até adaptação à nova dieta tem de ser logo familiares. Uns, porque desconheiniciada. É que, na verdade, não há mecem o problema, insistem “Só um Nesta imagem grãos e farinhas de cereais sem glúten e alguns produtos com eles bocadinho, vá lá, confecionados está tão bom…!” Outros, cheios de ternura e boa vontade, fazem confusão e esclarecem com convicção “Mas podes comer à vontade porque é integral e não tem açúcar …” (sabem que sou diabética também). 68

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Ou se explica e se procura alternativa ou se afirma não ter vontade. É então que a diferença nos pode começar a incomodar. Mas um adulto consegue adaptar-se. No caso das crianças e adolescentes a questão é outra e nada fácil se a situação foi adquirida e não congénita. A fase inicial é, para todos, crianças e adultos, de rejeição da doença que obriga a pôr de lado muito do que sempre foi garantido na alimentação, a começar pelo pão, seja branco, escuro ou integral. Mas o tempo ajuda e, gradualmente, vem a aceitação, que é sempre mais facilitada em casa onde se inicia a adaptação das refeições. Na minha, por ex., todos comem o mesmo, sem glúten, à exceção do pão. A educação para a dieta, o ensinamento médico sobre os mecanismos da doença e os riscos de se sentir tentado a prevaricar, o apoio familiar e de amigos e a informação dada aos agentes educativos, no caso infantil, são os pilares conducentes ao sucesso de viver bem sem glúten. Pelo seguro, a criança deve ser ensinada a não aceitar comida de outros, a solicitar ajuda se não conhece o que contém determinado alimento, a saber pedir o que precisa, a saber dizer por que não pode comer isto ou aquilo, em suma, a aprender a aceitar que não pode mudar a situação. Viver sem glúten exige adaptação, afinal, e atenção ao que se ingere. Ao fazer as compras, devem ler-se os rótulos das embalagens porque o glúten insidio-

samente pode aparecer em produtos improváveis como farinha de grão, latas de algumas leguminosas, esparregado, salsichas, maionese, tabletes de chocolate, alimentos processados, em geral. O doente celíaco passa muitas vezes por picuinhas aos olhos dos outros, irritante até, mas não é demais ser prudente e rigoroso. Os produtos sem glúten não devem ser manuseados, processados junto dos que contêm glúten, nem se deve usar os mesmos utensílios tipo facas, pratos, entre uns e outros alimentos pois corre-se o risco de contaminação cruzada, o que é grave. A manutenção da dieta possibilita a recuperação do intestino afetado, caso contrário as crises celíacas suceder-se-ão com sintomas dolorosos como os que antecederam o diagnóstico inicial e a saúde irá sofrendo agravamento com forte risco de cancro do intestino. Hoje já estão disponíveis no mercado nacional inúmeros produtos aptos para alimentação sem glúten, que são produzidos com diversos cereais permitidos (milho, arroz, soja, espelta, quinoa). Satisfazem e têm a forma dos que nos são proibidos: massas diversas, tostas, bases para pizza, lasanha, pães de diferentes formatos, bolachas e biscoitos variados, bolos, farinhas para pão, para pastelaria e culinária, entre outros. Mas como não há bela sem senão, o grande problema reside nos preços elevados, que chegam ao dobro ou triplo dos seus correspondentes com glúten, custos que muitos doentes não podem suportar.

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as próprias sobremesas, são exemplos simples.

Sobremesas sem glúten

A alternativa é adaptar as receitas tradicionais, contornar as dificuldades com alguma criatividade. Comprar as farinhas e fazer o pão em casa (há máquinas para o efeito), moer o mais seco para obter pão ralado, optar por receitas com pouca quantidade de farinha que se substitui por farinha de milho ou fécula de batata, comer arroz, batatas, leguminosas secas em vez de esparguete, fazer

Sei que, noutros países, há lojas, pastelarias só de produtos sem glúten onde qualquer pessoa entra, come, compra, seja celíaco ou não. Será ainda um ideal a atingir em Portugal. Em suma, o doente celíaco deve tornar-se perito da sua condição.

Para mais informações, contacte a

Horário de Atendimento

ASSOCIAÇÃO DOS DOENTES CELÍACOS

3ª a 6ª Feira: 09H00-18H00 Sábado: 09H00-13H00 Encerra Almoço: 13H00-14H00 2ª Feira: excepto a 1ª de cada mês Sábado: último cada mês Domingos e Feriados

Rua Arnaldo Assis Pacheco Lote 2 – Loja B 1750-396 Lisboa Tel.: 217 530 193 Email: apc@celiacos.org.pt http://www.celiacos.org.pt/

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Se viaja convém ir bem informado sobre os recursos que vai encontrar, levar declaração médica e pedir à Associação de Doentes Celíacos cartões alerta da dieta em língua local, levar provisões básicas pois entrar num café para comer pode estar fora de questão.

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Quatro amigas e um jantar

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título do livro de Fátima Lopes, “Amigas para sempre” encheu-me de curiosidade e levou-me ao lançamento. Teresa Caeiro, vicepresidente da Assembleia de República apresentou Fátima Lopes, como uma mulher muito multifacetada, muito sensível, muito preocupada com os demais e que encara a vida com muita seriedade. Ou seja, à partida as características necessárias para que esta obra, que nos relata quatro histórias de mulheres normais que poderiam acontecer a qualquer mulher, capte a atenção dos leitores – ou deveria dizer, leitoras? Porque “Amigas para sempre” é um livro essencialmente feminino. Fátima Lopes consegue associar sempre uma boa história à teia de complexidades das relações humanas. Neste livro, ela agarra-nos da primeira à última página, através dos diálogos, dos suspenses, da trama. Há um ponto de partida: os 40 anos duma mulher que convida as suas três melhores amigas para festejar o seu aniversário. Cada uma tem porém um segredo que as outras desconhecem e que elas próprias ainda não tinham sequer descodificado. Há dentro de cada uma destas mulheres – de todas as mulheres? – jardins secretos por desvendar. Este livro é um hino à amizade no feminino, ao companheirismo feminino. É uma obra sobre a procura da felicidade, que muitas vezes está à mão de semear, só que não a vemos. Felicidade esta que muitas vezes não se encontra porque o passado não está trabalhado. Por vezes é preciso rasgar tudo em mil pedaços para se conseguir seguir em frente. No final da leitura, ficamos porém com a certeza de que é possível encontrar a felicidade. Um livro no feminino.

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A misteriosa mansão da viúva Winchester

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á verdadeiramente quem tenha muito dinheiro e não saiba o que há de fazer com ele. E quando a este facto se junta alguma demência, então o resultado é… a mansão da viúva Winchester.

O nome Winchester é-nos possivelmente familiar. Não tanto como o nome Colt, mas sabemos com certeza de que ambos se tratam de marcas de armas. E também todos nós sabemos que armas matam. E teria quase a certeza de que Sarah Pardee também sabia isso ao casar em 1862 com William Wirt Winchester, dono das fábricas de armas Winchester. Bem, às vezes sabemos e não queremos saber…

Nessa altura, ainda ambos eram um casal feliz. Passado pouco tempo, nasceu-lhes uma filha, que infelizmente morreu ainda bebé, deixando Sarah inconsolável. Foi-lhe muito difícil superar a tragédia e voltar a fazer uma vida normal. Só que em 1881, o seu marido William morre de tuberculose e Sarah entra em total depressão – ao mesmo tempo que herda uma das maiores fortunas do país: 20 milhões de dólares e 3300 ações da empresa, além de ganhar 1 dólar por cada espingarda vendida – e nessa época eram vendidas mais de 1000 espingardas por Nunca se desenhou dia somente nos EUA!

um projeto para a casa, pois isso poderia ensinar e alertar os espíritos

Pouco tempo depois, começa a ouvir barulhos, gritos horríveis e pancadas por toda a casa. Desesperada, vai consultar uma espírita que a informa de que o marido se encontra ali presente e que ele lhe diz que esses gritos são dos espíritos atormentados das pessoas mortas pelas armas Winchester, que andam perdidos com ódio. E que foram eles que mataram sua filha e o próprio William, e que ela seria a próxima vítima. Que fazer? A médium aconselha-a a mudar de casa. Para onde? Que não se preocupasse, que o seu marido a iria guiar e ela saberia qual nova casa comprar quando a visse. Essa casa deveria ser totalmente remodelada para que os espíritos de luz pudessem ali ficar para protegê-la e os maus espíritos se acalmassem.

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e de ter gasto tanto dinheiro. A casa, na altura, já estava com sete andares, mas o tremor de terra destruiu uma grande parte, deixando-a somente com quatro andares. Para não zangar mais os espíritos, Sarah resolveu não arranjar os quartos estragados pelo tremor de terra. Mandou-os selar e construiu novos quartos.

Temos aqui a génese da mansão misteriosa que começa a construir-se perto de São José, sobre uma pequena casa de campo que comprou em 1884.

Nunca se desenhou um projeto para a casa, pois isso poderia ensinar e alertar os espíritos. O mestre de obras chegava pela manhã e recebia as instruções do que a patroa queria que ele fizesse nesse dia. E poderia acontecer que no dia seguinte ela mandasse deitar abaixo o que tinha sido feito no dia anterior - assim poderia confundir ainda mais os espíritos. O número 13 é muito importante, pois é um número supersticioso. Cada quarto tem 13 janelas. Há casas de banho em toda a casa. Cada candelabro tem 13 luzes. Em 1906, já estavam construídos 13 quartos quando se deu um grande tremor de terra. Sarah Winchester convenceu-se de que o tremor de terra era o resultado dos espíritos estarem zangados por ela ter demorado tanto tempo a construir a casa

A entrada da casa fazia-se… pela porta das traseiras. Só três pessoas usaram a porta da entrada: os dois carpinteiros que a montaram, e a própria © Sebastian P.-Müller

Apesar de não perceber nada de arquitetura, Sarah desenha a sua própria casa. As proporções não batem certo. Há escadas que levam… a parte nenhuma. Portas que abrem…. para uma parede. Janelas que dão para … o chão. Uma chaminé que atravessa quatro andares mas que não chega ao telhado. Quartos com passagens secretas, labirintos e armários que ao se abrirem só mostram paredes. Mas o importante era enganar os espíritos maus dos mortos pelas armas Winchester, confundi-los e desencorajá-los de ali entrar.

Sarah Winchester. Conta-se que Roosevelt quis um dia visitar a casa pois era grande fã das armas Winchester. Quando chegou à casa, o jardineiro não o reconheceu e mandou-o entrar pelas traseiras. Roosevelt ficou ofendido e foi-se embora. Sarah trabalhou na casa durante 38 anos, remodelando-a 600 vezes. Os operários trabalhavam 24 horas por dia, sete dias por semana. A casa tem 160 divisões – cada noite, Sarah Winchester dormia num quarto diferente para os espíritos não a conseguirem LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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© Joana Müller

encontrar. Há porém uma sala que ela usou muitas vezes: o quarto dos sentidos, só com uma entrada, mas três saídas, onde ela ia para falar com os espíritos. E não só. Tinha janelinhas que davam para a cozinha donde ela podia espiar os criados. Se algum dissesse alguma coisa contra ela, era imediatamente despedido.

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Em 1922, após uma sessão espírita, Sarah Winchester deitou-se e morreu durante o sono. Tinha 83 anos. E, pela primeira vez em 22 anos, não se ouviu martelar naquela casa. As obras pararam. A casa era tão confusa e com tantos labirintos, que os trabalhadores demoraram mais de seis semanas para retirar a mobília da casa. Em 1932, a casa foi aberta ao público.


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Maria de Lurdes Sant’Anna – AA Nº 278/1936

Linguagem universal*

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uando falo na existência de uma linguagem universal, acredito nela pela verdade do que existe neste universo sem fim. O tempo esculpiu, o homem deu-lhe o nome e assim surgiu “A cabeça do velho”, formação rochosa natural a lembrar o perfil de um velho. A cerca de 5 quilómetros da cidade de Chimoio – Moçambique, ali se realizam cerimónias a evocar os antepassados das populações.

Em Chimanimani, o monte Bingo – com 2436 metros –, é considerado como um lugar sagrado e conhecido como “as montanhas dos espíritos”. Ali, uma forte crença enraizada leva-nos a voltar atrás, “à cabeça do velho” a ouvir o murmúrio sem voz que nos acompanha, o seu sorriso na pedra marcada pelo tempo, século após século, a adivinhar o seu olhar em órbitas vazias que nos seguem na linguagem universal em que creio. A litosfera, fenómeno que faz parte da dinâmica da terra, deixa-nos a todos a mensagem no material orgânico A Natureza impresso nas rochas ígneas, vulcânicas, plutónicas, como linguagem dentro da crosta por meio de processos vagarosos de universal resfriamento, a fazer surgir o granito e o diabásico, sedimentares e metamórficas. As mais antigas, vêm das eras pré-cambriana e paliozóica e cenozóica, que encobrem as magonáticas e as metamórficas quando não estão ainda afloradas à superfície da terra. Repare-se pois na ligação constante entre o homem e o universo. Procurei na serra do Caldeirão a “Carranca do velho”, rochedo para lá ou para cá da povoação Purgatório mas não a encontrei. Apenas a enfeitá-la pequenos arbustos de frutos selvagens comestíveis e saborosos e a acompanhá-los, outros pequenos arbustos a abrir em brancas flores – as estevas –, muito aromáticas a anunciar a proximidade do Algarve. Conta a lenda que um rei mouro que casou com uma * Na pesquisa da documentação inerente tive o apoio de Inês Paes e Enfermeiro Hélder. LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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princesa nórdica, ao ver a tristeza da sua amada, saudosa da neve do seu país, mandou florir as terras algarvias com milhares de estevas. Porém para mim não houve qualquer rei mouro, apenas as suas estevas e nada que me lembrasse uma carranca de velho. Encontrei sim, em Évora o cromeleque dos Almendres da época pré-histórica do fim do V milénio a.C. até ao fim do III milénio a.C.

círculo que vêm reforçar a minha ideia de uma linguagem universal.

Dólmenes são monumentos megalíticos também conhecidos por antas, e de-

Resta-me lembrar neste pequeno esboço, a caverna, gruna ou gruta, também chamada toca ou abismo, como “toda a cavidade natural rochosa com dimensões que permitam o acesso a seres humanos”.

Nos Himalaias, nas Montanhas Rochosas, nos Andes e no Kilimanjaro, muito do que lá está dos nossos antepassados, continua a vir até nós atravessando continentes, em rajadas de ventos colossais, em correntes das neves eternas, a trazer-nos a lembrança dos que lá ficaram, dos que lá estão sempre.

Dependentes de fenómenos geológicos em combinações químicas tectónicas e biológicas são também derivados da atmosfera.

Stonehenge

signados por casas de mouros, fornos de mouros ou pias; como câmaras mortuárias encontram-se restos de esqueletos, objetos em pedra, cerâmicas. No sul de Portugal fazem parte da cultura dolménica ou megalítica. O menir é um monumento pré-histórico de pedra cravado verticalmente no solo ali deixado em honra de um deus ou de um acontecimento importante que se poderia relacionar com o culto da fecundidade (menir isolado); e marcos territoriais orientadores de locais ou de santuários religiosos são os menires em 76

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Em tempos longínquos nelas habitaram homens primitivos, que aí deixaram a sua marca através de traços que chamamos arte rupestre. Uma das grandes grutas está situada em Sintra com mais de 2 milhões de anos e cuja maior estalactite tem cerca de 70 centímetros. A formação de uma gruta permite-lhe uma flora e fauna específicas, constando desta última a existência de cobras, escorpiões e aranhas, além de morcegos. Na categoria de cavernas vulcânicas, destaco que as mais importantes se encontram no Quénia e no Havai; nesta


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a mais comprida tem 65.500 metros e um desnível de 1.105 metros sendo considerado o maior tubo de lava em extensão e em profundidade.

As grutas de Altamira

Há uma gama de cavernas, de gelo, marinhas, glaciares, de colapso e erosão mecânica com várias características. Podemos encontrar verdadeiras obras de arte observando as estalactites, formadas pelo gotejamento de água através de furos no teto e as estalagmites formadas por água que goteja no solo e que crescem verticalmente em direção ao teto. E acabei este excerto a documentar a minha “linguagem universal”. Como será que lhe vão chamar? Trabalho de uma imaginação sem limites ou, pior, de certa forma de pequena loucura? Aceito! Mas todos nós temos o direito de ir mais além, digamos até à alma dos Tempos.

Parabéns, RITA MARQUILHAS! Rita Marquilhas, AA Nº 292/1971, ganhou juntamente com o investigador Miguel Soares, a maior bolsa europeia de investigação. Notícia mais detalhada no próximo número da LAÇOS.

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Portugal: Refúgio Real

O

príncipe Charles Philippe d’Orléans, duque de Anjou, descendente em linha direta dos reis de França, casado com Diana de Cadaval, interessou-se pela nossa História recente e, depois de uma apurada investigação em arquivos particulares, jornais da época e de entrevistas únicas com membros da realeza europeia, resolveu escrever um livro sobre a passagem das muitas famílias coroadas por Portugal, mais propriamente pelo Estoril, na primeira metade do século XX. Assim nasceu a obra “Reis no exílio. Portugal: refúgio real”, que a Esfera dos Livros deu à estampa em outubro de 2011.

A Europa era devastada por uma guerra cruel e mortífera, Portugal, país neutro, torna-se num destino apetecível para milhares de refugiados que procuram fugir dos horrores da ameaça nazi. Entre estes estão príncipes, reis sem coroa e membros das grandes monarquias europeias que encontram em Portugal um refúgio real. Em 1940, Wallis Simpson e o duque de Windsor e o rei Carol da Roménia que acabava de ser deposto, chegam a Portugal. Seis anos depois é a vez da família real espanhola se instalar no Estoril. Segue-se o rei Humberto e a rainha Maria José de Itália e a família real francesa. Cascais, Estoril e Sintra, o chamado Triângulo DouA história dalgumas famílias rado, locais que recebem estes visitantes de reais europeias, luxo. O bar do Hotel Palácio serve o conde de Barcelona e o conde de Paris, as águas que encontraram em Portugal do Guincho acolhem as proezas dos jovens um refúgio real príncipes espanhóis e franceses, o restaurante «O Pescador» é o eleito da condessa de Barcelona que adora os «santiaguinhos», o São Carlos acolhe o rei Humberto ávido de divertimento. O autor Charles Phillippe d’Orleans, duque de Anjou, não viveu estes tempos, mas têm-nos bem presentes na memória graças às histórias que a sua avó, a condessa de Paris, lhe contava sobre a Quinta do Anjinho, a casa da felicidade, refúgio da família real francesa. Aqui se casaram as infantas espanholas Pilar e Marguerita num ambiente de festa nunca antes visto. Maria Pia elegeu Cascais, a vila onde cresceu, como cenário de um matrimónio que encheu as primeiras páginas dos jornais europeus, foi na Villa Giralda, no Estoril, que morreu, em circunstâncias trágicas, Alfonsito irmão de Juan Carlos, atual rei de Espanha.

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M . M a r g a r i d a Pe r e i r a - M ü l l e r – A A N º 2 4 4 / 1 9 6 7

Ano do dragão uando se fala em “ano novo”, todos nós, em Portugal e no mundo ocidental, pensamos em 31 de Dezembro e 1 de Janeiro. E, no entanto, há inúmeros povos que festejam o ano novo noutras datas. Tudo depende do calendário pelo qual se regem. No mundo ocidental seguimos o calendário gregoriano, pois foi o Papa Gregório XIII que dividiu o ano em semanas e meses e instituiu o dia 1 de janeiro como o primeiro dia do ano.

Os muçulmanos seguem o seu próprio calendário. Com o início de sua contagem a partir da hégira (a ida do profeta Maomé de Meca para Medina em 632 d. C.), o calendário islâmico baseia-se no ciclo da lua, e não no solar, como o gregoriano. O ano islâmico tem 354 dias distribuídos por doze meses. Os meses, a partir do primeiro, têm alternadamente, 29 e 30 dias. Dentro de um ciclo de trinta anos, existem onze que são abundantes e apresentam um dia a mais, ou seja, 355 dias. É uma forma de corrigir problemas de ajuste do calendário. Como é baseado no ciclo da lua, o calendário islâmico apresenta alguns problemas de definição de datas. O Ano Novo judaico, Rosh Hashanah, é uma festa móvel no mês de setembro.

O ano do dragão é um propício a grandes feitos, ideias inovadoras e grandes projetos

Para os Chineses, na China e em todo o mundo, o maior festival do ano é o Novo Ano Chinês, que se comemora entre 15 de janeiro e 15 de fevereiro de acordo com a primeira lua nova depois do início do inverno. As casas são limpas para apagar qualquer traço de azar, compra-se roupa nova e faz-se muita comida, entre outros, o Arroz de Oito Delícias Ba bau fan, ou os Yau Gwok, bolinhos chineses de Ano Novo, símbolo de prosperidade.

O calendário chinês é muito antigo, tendo mais de 4630 anos. Os Chineses relacionam cada novo ano a um dos doze animais que teriam atendido ao chamamento de Buda para uma reunião. É que Buda, quando atingiu a sabedoria, convidou todos os animais para festejarem com ele esse acontecimento, mas só apareceram LAÇOS Número 1/12 – outubro 2011-janeiro 2012

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doze: o rato, o búfalo, o tigre, o coelho, o dragão, a cobra, o cavalo, a cabra, o macaco, o galo, o cão e o javali. Como agradecimento, a cada um foi atribuído um ano, em que esse animal governaria: por exemplo, 2008 foi o ano do Rato, 2009 foi atribuído ao Búfalo, 2010 ao Tigre, 2011 ao Coelho e este ano de 2012 ao Dragão – um ano sob o signo da felicidade e da sorte. A véspera do Ano Novo é talvez a parte mais excitante dos festejos. Neste

dia, a tradição e os rituais são observados cuidadosamente, desde a roupa que se veste, sempre encarnada para afastar os maus espíritos, à comida que se serve. O jantar é quase sempre marisco, peixe e bolinhas cozidas a vapor, que significam diversos tipos de boa sorte: gambas e camarão, para vida longa e felicidade, peixe cru para trazer boa sorte e prosperidade, cabelo de anjo, uma alga comestível aos fios, para prosperidade, almôndegas cozidas a vapor para que toda a família seja bafejada pela boa sorte e ostras secas para todas as outras coisas. Os festejos do Ano Novo terminam com o Festival dos Lampiões, que inclui canto, dança e espectáculos de lampiões. Agora só nos resta mesmo desejar Gong Xi Fa Cai!, ou seja, “Desejos de prosperidade!”, ou Sun Nin Fy Lok!, ou seja, “Feliz Ano Novo!”

Em 2012, celebra-se o 10º Aniversário do Plano das Nações Unidas sobre o Envelhecimento, em resposta ao desafio demográfico de todos os Estados membros.

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LAÇOS 1/12  

revista Laços nº 1/12 Outubro de 2011 a Janeiro de 2012

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