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A trajet贸ria de Victor

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A

gia tinha 20 anos e Jorge 19, quando Victor nasceu. Eram primos, as duas famílias eram cristãs e haviam vindo de Rachaya, mais ao sul do Líbano, no interior, para Zahle, capital do vale do Bekaa situado no lado oriental do Monte Líbano, a 30 km da capital Beirute. O vale do Bekaa é uma região tão fértil que já foi chamada de celeiro do Império Romano. E continua sendo uma região agrícola de enorme importância para o país. É famosa por seus vinhos e por seu arak, reconhecidos internacionalmente por sua qualidade. A fabricação dos vinhos no Líbano começou há cerca de 4 mil anos. O pai de Agia, o chefe da família Malulli, era um rico comerciante em Zahle. Era Lauren isun dolor si ament, lauren dolor isun si um homem culto e inteligente, excelente ament dolor si ament em matemática. Segundo Victor, vem daí sua inclinação à matemática, à engenharia. Sem falsa modéstia, ele se considera um herdeiro intelectual do avô materno.

A família da minha mãe era muito rica, mesmo no Líbano. O meu avô, pai dela, era muito inteligente, daí vem a minha inteligência. Eu vejo pela matemática, ele era matemático e eu sou engenheiro.

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Os Malulli tiveram cinco filhos, quatro mulheres e um homem. Seguindo a orientação paterna, visionária, moderna, Agia, a filha mais nova, formou-se na Universidade Americana de Beirute, fato raro em um tempo em que poucas mulheres faziam um curso superior. Agia também era esportista, jogava tênis. Certamente vem de Agia a paixão de Victor pelo tênis. Ele se lembra com clareza e carinho de uma foto da mãe, aos 14 anos, vestida para uma partida, empunhando sua raquete.

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A família Nehmi, também comerciante, era de origem mais simples. O avô Nehmi viajava muito, esteve várias vezes nos Estados Unidos para comprar mercadorias e vender no Líbano. Viajava e nem se comunicava com a família ou a esposa. Eram quatro os filhos: Jorge, Manoel, Raifa e Nídia. Jorge brincava dizendo que o pai viajava quando lhe dava na cabeça. Trazia todo tipo de produtos. Segundo Victor:

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No Líbano todo mundo é comerciante. Libaneses derivaram de fenícios. Fenícios comercializavam tudo. São os comerciantes do passado.

Agia e Jorge casaram-se provavelmente entre 1923 e 1924, lá mesmo, em Zahle. O casamento não foi tão simples, houve alguns percalços antes da sua realização. Estudada, inteligente, esportista, muito bonita e jovem, Agia encantava os clientes da loja do Sr. Malulli. Um deles, mais ousado, mais apaixonado, raptou-a pretendendo convencê-la a se casar com ele. Uma das versões que correm na família diz que Agia era de tal modo persuasiva que terminou por convencer o raptor a deixá-la partir, voltar para casa. Segundo outra versão, a polícia descobriu onde Agia estava e a libertou. Seja como for, de volta a casa, pouco tempo depois, casou-se com Jorge. Em 1925, nascia Victor. Uma curiosidade: embora Victor tenha nascido em 9 de novembro, durante muitos anos teve três datas de aniversário. Ele explica

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Líbano Na Idade Paleolítica, as terras onde hoje se situa o Líbano foram abrigo dos nossos ancestrais, homens primitivos. Depois, uns 4000 anos antes de Cristo, passaram por lá os cananeus, antepassados dos fenícios. Em seguida, veio a Era Fenícia, que compreende o período de 3000/2500 a.C a 148 a.C. Os

libaneses

são

descendentes

diretos

dos fenícios. Daí, sua arte, sua tendência para o comércio. Os fenícios eram grandes

O zero é um conceito árabe. O café, o limão, a

navegadores,

e

laranja, a lima da Pérsia também vieram de lá.

negociavam por várias partes do mundo em

Esses frutos e outros alimentos que hoje fazem

suas embarcações construídas com a madeira

parte do nosso cotidiano nos foram legados

nobre dos cedros, árvore símbolo do país,

muito antes da imigração árabe para o Brasil.

estampada ainda hoje em sua bandeira.

Vem dos tempos em que os árabes andaram

saíam

do

Mediterrâneo

pelo sul da Espanha e por Portugal. O cedro significa para os libaneses força e imortalidade. Nada mais apropriado a um

Além dos cananeus e dos fenícios, passaram

país que sofreu tantas invasões, disputas

pelo Líbano, os romanos, entre 63 a.C a 330 d.C,

religiosas,

outras

época de grande desenvolvimento do comércio.

convulsões de naturezas distintas, e continua

Nesse período, em 220 d.C foi criada a escola

de pé. Forte, imortal.

de Direito de Beirute. Com a queda do Império

terremotos

e

muitas

Romano, a região foi ocupada pelos bizantinos Mas os fenícios deram aos libaneses bem

e pelos cruzados. Em 1516, os turcos ocuparam

mais do que a herança do comércio. Deram ao

o Líbano, dando início ao Império Otomano que

mundo ocidental o alfabeto que, com algumas

durou quatro séculos. Só caiu após o final da

variações, é o alfabeto que ainda hoje usamos.

Primeira Grande Guerra.

Os árabes, por sua vez, nos legaram muito.

O Líbano é também citado várias vezes na Bíblia.

Nossa

o

O templo do rei Salomão teria sido construído

dicionarista Antônio Houaiss, tem 25% de

com cedros libaneses. Conta-se ainda que

palavras de origem árabe, algumas muito

Cristo costumava ir a Sidon (lugar de pesca na

conhecidas: alcachofra, alcaçuz, alcaparra,

língua semita) para descansar. Diz a Bíblia que

álgebra, alambique, arroba, oxalá. E ainda:

Sidon foi fundada pelo neto de Noé. A cidade

chafariz, sorvete, gengibre, tambor, recife, talco,

fica a 45 km de Beirute e ainda hoje é lugar de

xadrez, refém, xerife, leilão, quintal...

peregrinação e devoção a Maria.

língua

portuguesa,

segundo

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Eu nasci no Líbano em nove de novembro de 1925. Essa é a data certa. Nasci perto da meia-noite, meu pai falou que foi pelas onze horas da noite, meio duvidoso. E como ele gostava do dia dez, empurrou para o dia dez. Nasci numa época de revolução dos muçulmanos contra a França, que dominava o Líbano. Então o meu pai teve que se mudar com a minha mãe para outra cidade. E aí atrasou o registro e foi me registrar meio ano depois, em 7 de abril de 1926... Mas agora, eu resolvi ser fiel à data verdadeira.

Na época em que isso aconteceu, o Líbano estava sob o protetorado francês, iniciado após o final da Primeira Grande Guerra, com a derrota da Alemanha e de seus aliados turcos. A força naval francesa chegou a Beirute em 1920. Em setembro daquele ano foi proclamado o Estado do Grande Líbano, sob o mandato do governo francês. Isso durou 25 anos, só terminando em 1943, quando o país – finalmente – conquistou sua independência. Mesmo criado há menos de um século e com apenas 10.452 quilômetros quadrados de extensão – área menor do que Sergipe – a terra hoje denominada Líbano tem uma história muito antiga e riquíssima. Em 1926, Jorge, Agia e o filho Victor, com menos de um ano de idade, partiram rumo aos Estados Unidos, na divisa com o México, onde já viviam Issa, o único irmão de Agia, e suas três irmãs. Os irmãos de Jorge Manoel, Raifa e Nídia -, também já haviam deixado o Líbano. Eles tinham vindo para o Lauren isun dolor si ament, lauren dolor isun si ament Brasil, para o interior de dolor si ament São Paulo. Mas os avós de Victor, tanto da família Malulli, quanto da família Nehmi, permaneceram no país. Foi apenas na década de 1950 que Manoel Nehmi e seus irmãos trouxeram a mãe, já viúva, para São Paulo. Jorge preferiu os Estados Unidos ao invés do Brasil por razões econômicas. Issa já estava bem de vida, o que significava um incentivo, uma possibilidade de sucesso. 6


D. Pedro II no Líbano

A imigração libanesa para o Brasil começou em

Victor Nehmi só voltou ao Líbano em 1972, 46

1880. Teve seus picos, seus descensos, mas o

anos depois da partida. Não levava lembrança

país manteve-se sempre como um dos destinos

alguma de seu país. Passou pela capital, Beirute,

eleitos dos libaneses. Hoje, a população de

mas seu interesse maior era Zahle. Emocionou-

origem libanesa no Brasil é bem maior do que

se. Descobriu uma cidade linda, florescente,

a própria população do Líbano. Por volta de 7

banhado pelo rio Bardawni, com seus vinhedos

milhões aqui – incluindo seus descendentes - e

ao norte. Encontrou um importante centro

4 milhões lá, incluindo cerca de 60 mil líbano-

agrícola, e uma intensa movimentação turística

brasileiros que fizeram o caminho de volta.

e gastronômica.

Em 1876, Dom Pedro II visitou o Líbano, a Síria

Zahle... Ah, muito bonita, fica num vale muito

e a Palestina. O Imperador admirava a cultura

bonito. O Líbano é todo montanhoso e um vale

árabe e chegou a estudar a língua com um

é uma raridade. Rio e vale são uma raridade... A

arabista alemão. No Líbano, visitou vários

uva é extraordinária... E eles fizeram uma série

pontos. Esteve em Beirute, em Zahle, foi a

de restaurantes, diversões beira rio.

Bkerlé, Chtaura, Sofar, visitou as ruínas de Baalbeck, conheceu os templos de Júpiter, de

A cidade tem hoje, já no século XXI, um viés

Vênus, de Baco. E, principalmente, admirou-se

brasileiro. É lá que moram cerca de 10 mil

com a receptividade, a força e o entusiasmo do

brasileiros, descendentes de libaneses ou

povo libanês. Fez um convite: “Gostaria de ver

mesmo libaneses que viveram aqui e voltaram

o maior número de vocês no Brasil, prometo

ao seu país de origem. Não por acaso a

recebê-los bem e tenham certeza de que

movimentada avenida beira rio, citada por

retornarão prósperos.”

Victor, chama-se Avenida Brasil. 7


A saída dos filhos dos Malulli e dos Nehmi seguiu uma tradição libanesa de imigração. Correr mundo, procurar novas e melhores condições de vida, buscar uma terra mais pacífica, que ofereça maiores e melhores oportunidades sempre foi um forte traço libanês e sírio. A Amrik, como os árabes chamavam as Américas – do Norte e do Sul –, eram paisagens promissoras.

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Entre os EUA e o México

E

m El Paso, no Texas, sul do EUA, bem na fronteira com o México, Issa e suas irmãs esperavam por Agia, Jorge e o filho Victor. Os Nehmi viajavam de navio. Chegando a Marselha, um problema técnico exigiu tempo para ser solucionado.

Durante a estada de quatro meses em Marselha, Victor ficou doente. Agia, mais uma vez demonstrou sua persuasão e sua simpatia. Ela foi auxiliada por algumas senhoras francesas, hospedadas no mesmo hotel, que preparavam refeições leves e adequadas para o menino. Victor logo se recuperou. A viagem foi retomada. Finalmente, aportaram em New Orleans. De lá tomaram um trem e foram até El Paso.

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Nessa época, os Estados Unidos já começavam a sentir as primeiras dificuldades que desembocariam na Grande Depressão de 1929. Os Nehmi estavam com seus passaportes regularizados, mas os EUA tinham cotas para imigrantes e as cotas reservadas aos libaneses já estavam esgotadas. Diz Victor

Os libaneses são andarilhos. No mundo inteiro. Então, nossa cota era sempre preenchida.

Deu-se um jeito, achou-se uma solução. Entre El Paso, nos EUA, e Juárez, no México, onde a presença de imigrantes era menor, a única barreira era um rio, o Rio Grande, ou Rio Bravo. Os Nehmi ficaram em Juárez. Os Malulli continuaram em El Paso. Mas as duas famílias estavam sempre juntas. Oficialmente, os Nehmi moravam em Juárez, mas passavam a maior parte do tempo em El Paso, na casa dos Malulli.

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Seguindo a tradição libanesa, Jorge tornou-se mascate: comprava mercadorias nos EUA e vendia no México. A vida dos Nehmi nos EUA e no México durou pouco e não foi feliz. Em 1928 Agia teve seu segundo filho, Alfred, mas não sobreviveu ao parto. De uma hora para outra, Jorge vê-se só, com dois filhos pequenos. Victor com pouco mais de três anos e Alfred, recém nascido. Jorge trabalhava exaustivamente para sustentálos, contando com o apoio dos cunhados. Mas não havia como criá-los em um mundo em crise, em um país praticamente falido, com milhões de americanos desempregados. A solução temporária foi mandar Victor e Alfred para um orfanato religioso americano. Lá ficaram internos até a vinda para o Brasil, em 1930. Com as freiras, eles aprenderam a língua inglesa e Victor, já grandinho, aprendeu também o charleston, uma dança muito popular nos EUA e que, mais tarde, lhe renderia aplausos e admiração. Com a morte de Agia, afastado dos filhos, Jorge resolveu aventurar-se mais uma vez. O elo que o unia aos Malulli era Agia. Sem ela, o convívio com os cunhados esgarçouse. Decidiu vir ao encontro dos irmãos, no Brasil. Os Nehmi, agora três homens, tomaram um navio e desceram no porto de Santos, com endereço certo. Foram diretamente para Pitangueiras, no interior do Estado de São Paulo. Desta vez, Jorge era esperado por seus irmãos: Manoel, Raifa e Nídia. Issa e as irmãs continuaram nos Estados Unidos e nunca saíram de lá. De comerciante, Issa passou a grande investidor imobiliário. Enriqueceu. A universidade de El Paso foi construída em um terreno doado por ele. Victor esteve duas vezes nos EUA. Na última vez, em 1991, encontrou seus primos e viu, orgulhoso, a placa de agradecimento a Issa Malulli no campus da Universidade de El Paso. Victor não guarda nenhuma memória dos tempos que passou entre o México e os EUA. Não se lembra do orfanato. Não se lembra de sua mãe. Mas guarda, ainda hoje, grande carinho, admiração e afeição por Agia. Em seu quarto, ao lado da janela, em um lugar que pode ser visto de sua cabeceira, está o retrato da jovem Agia. Esse retrato o acompanha há muito, muito tempo. Quando alguém lhe diz: “Bonita a sua mãe!”, Victor responde sorrindo: “Você é quem está dizendo. Você acha?”.

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No Brasil, para sempre

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930. O país vivia sob os efeitos da crise econômica mundial. A chamada república café com leite, liderada por São Paulo e Minas Gerais, estava com os dias contados. A revolução de 30 levou Getúlio Vargas ao poder. O governo de Getúlio deveria ser provisório, mas acabou durando 15 anos. Em 1945 Vargas foi deposto, mas voltou a governar o Brasil em 1950, eleito pelo voto direto. Este foi o panorama que os Nehmi encontraram no país ao desembarcar. Mas, em Pitangueiras, a vida tinha outro ritmo, outro tom. Em 1930, Manoel, o irmão mais velho de Jorge, estava estabilizado financeiramente em Pitangueiras. Era comerciante, tinha uma loja de tecidos na principal rua da cidade. Jorge foi trabalhar com ele. Victor conta que nesses tempos, havia na cidade duas grandes colônias de imigrantes: os libaneses e os italianos. Além, é claro, dos imigrantes portugueses e dos brasileiros. Os brasileiros eram os pecuaristas, os homens ricos da cidade, seus fundadores. Mantinham-se afastados dos imigrantes, viviam apenas entre si, pertenciam a uma ‘casta’ superior. Já os libaneses e italianos davam vida, voz e cor à cidade. Eram alegres, comunicativos, animavam o comércio, promoviam bailes, brincavam o carnaval, povoavam a cidade. O primeiro estranhamento de Victor em Pitangueiras foi com a língua portuguesa. Tinha cinco anos, falava inglês. Ao conhecer seu primo Chafic, pouco mais novo, filho do tio Manoel, surpreendeu-se. Não se fazia entender, não entendia o que Chafic dizia. Com alguma dificuldade, sofrendo no início, foi aprendendo português aos poucos. Na escola, os dois primeiros anos foram difíceis, o menino penou. Mas, no terceiro e no quarto, deslanchou. Como ele mesmo diz: me destaquei. Já falava e escrevia um português corretíssimo. Passou a ser um aluno muito aplicado. Foi o primeiro da classe - sempre. Venceu sua primeira batalha. Na cidade, Victor fazia sucesso. Logo que chegou, além da língua estrangeira, o garoto de cinco anos tinha outra particularidade: dançava charleston como ninguém em Pitangueiras. O charleston é um ritmo agitado que se dança com movimentos rápidos de pernas e braços e passos que aproximam e afastam os joelhos. Surgiu na década 11


de 1920, nos EUA, e nos anos de 1930 era muito popular no Brasil. Os tios, os primos e os amigos insistiam para que Victor mostrasse seus dotes de bailarino americano. Meu pai contava que todo mundo pedia para eu dançar... estava na moda. As freiras eram boas dançarinas, pelo visto. E assanhadas.

Pitangueiras Situada no nordeste do Estado de São Paulo, a 50

Em 1930, quando Jorge chegou com seus dois

km de Ribeirão Preto, em uma das regiões mais

filhos, a cidade completava 36 anos. Era jovem,

ricas do Estado, Pitangueiras, surgiu como um

desenvolvia-se. A pecuária era sua principal

lugar de pouso para os condutores de carros de

atividade, a agricultura era limitada. Em 1928,

boi, que supriam a região de São Carlos do Pinhal

a cidade havia tido seu segundo grande

e o norte do Estado. O carro de bois era o veículo

estímulo. Nesse ano lá se instalou o Frigorífico

utilizado na época de sua fundação, em 1894.

Anglo, proporcionando desenvolvimento e progresso à cidade.

Já no início do século XX, a cidade teve seu primeiro grande impulso. Em 1907 foi criada a

Hoje, Pitangueiras tem por volta de 32 mil

Companhia Estrada de Ferro de Pitangueiras,

habitantes e é um importante centro de usinas

posteriormente chamada Companhia Estrada

de açúcar e álcool.

de Ferro Paulista, a atual FEPASA.

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A trajet贸ria de Ilse

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A

gia tinha 20 anos e Jorge 19, quando Victor nasceu. Eram primos, as duas famílias eram cristãs e haviam vindo de Rachaya, mais ao sul do Líbano, no interior, para Zahle, capital do vale do Bekaa situado no lado oriental

do Monte Líbano, a 30 km da capital Beirute. O vale do Bekaa é uma região tão fértil que já foi chamada de celeiro do Império Romano. E continua sendo uma região agrícola de enorme importância para o país. É famosa por seus vinhos e por seu arak, reconhecidos internacionalmente por sua qualidade. A fabricação dos vinhos no Líbano começou há cerca de 4 mil anos. O pai de Agia, o chefe da família Malulli,

Lauren isun dolor si ament, lauren dolor isun si ament dolor si ament

era um rico comerciante em Zahle. Era

um homem culto e inteligente, excelente em matemática. Segundo Victor, vem daí sua inclinação à matemática, à engenharia. Sem falsa modéstia, ele se considera um herdeiro intelectual do avô materno.

A família da minha mãe era muito rica, mesmo no Líbano. O meu avô, pai dela, era muito inteligente, daí vem a minha inteligência. Eu vejo pela matemática, ele era matemático e eu sou engenheiro.

Os Malulli tiveram cinco filhos, quatro mulheres e um homem. Seguindo a orientação paterna, visionária, moderna, Agia, a filha mais nova, formou-se na Universidade Americana de Beirute, fato raro em um tempo em que poucas mulheres faziam um curso superior. Agia também era esportista, jogava Lauren isun dolor si ament, lauren dolor isun si ament dolor si ament

tênis. Certamente vem de Agia a paixão de Victor pelo tênis. Ele se lembra com Os Malulli tiveram cinco filhos, quatro 15


mulheres e um homem. Seguindo a orientação paterna, visionária, moderna, Agia, a filha mais nova, formou-se na Universidade Americana de Beirute, fato raro em um tempo em que poucas mulheres faziam um curso superior. Agia também era esportista, jogava tênis. Certamente vem de Agia a paixão de Victor pelo tênis. Ele se lembra com

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Ilse e Victor

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Jankauskis e Nehmi