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E-agora? Empresas do século XX, profissionais do século XXI - Setembro 2010 cultura corporativa motivadora e saudável, estes funcionários exercem um papel fundamental na imagem da empresa. Porém, entre outros fatores envolvidos nessa presença dos funcionários nos ambientes online e mídias sociais, está a possibilidade de coleta de informações sensíveis às estratégias e ambiente competitivo das empresas. A ABRAIC, Associação Brasileira de Inteligência Competitiva, define inteligência competitiva como um “processo que abarca etapas de coleta e busca ética de dados, informes e informações formais e informais (tanto do macroambiente como do ambiente competitivo e interno da empresa), análise de forma filtrada e integrada e respectiva disseminação.” Agora pense sobre as informações públicas e semi-públicas que ficam disponíveis quando um funcionário de uma empresa utiliza plenamente as mídias sociais. E, se a empresa utiliza a estratégia (necessária e eficiente) de incentivar produção de conteúdo da expertise dos usuários, a quantidade de informações é ainda maior. Cargo, relações, intensidade das relações, interesses profissionais, blogs que lê, vídeos que assiste, podcasts que ouve, terminologias, estados de humor, satisfação com as tarefas etc. A lista é quase infindável. A partir da percepção de que este grande volume de informações pode ficar disponível online, as empresas podem agir para avaliar movimentações das outras. O que aquele stakeholder interno está fazendo na rede? Quais são seus laços? A quem ele dá follow friday? Qual o novo amigo que fez no último evento setorial? Que novo tema está presente em suas últimas

postagens? As empresas podem ser do século XX. Existem setores que não se transformam tão rapidamente quanto outros, mas são poucos os setores de profissionais qualificados que não são também usuários de novas tecnologias da comunicação. Profissionais do Século XXI. Para que as organizações aproveitem de forma integrada e sem riscos os seus recursos humanos, é preciso entender o ambiente online como fonte de pesquisa de concorrentes, clientes e profissionais. Inteligência Competitiva envolve a coleta, armazenamento e análise de informações relevantes para a empresa. Observar os profissionais conectados dos concorrentes pode servir para a redação de produtos de inteligência, como alertas, relatórios e análises preditivas. Algumas das técnicas já utilizadas hoje na comunicação através das mídias sociais já podem ser utilizadas em um sistema interno de inteligência competitiva. Cool Hunting: a busca por novas tendências na criação e reutilização de produtos e serviços e seu contexto cultural pode associar-se às técnicas de inteligência competitiva. Cool Hunting também envolve a análise e indicação de oportunidades. E, nada melhor pra identificar oportunidades do que saber o que os concorrentes também avaliam como oportunidades. Ou, ainda melhor, descobrir que uma oportunidade real que você conhece não foi ainda percebida pelos concorrentes.

os usuários que escrevem e opinam sobre os assuntos mais relevantes para sua empresa e produto? Identificar estes usuários e adicionar informações complementares pode permitir comparar, por exemplo, conversações gerais com conversações especializadas e, ainda, comparar o substrato das conversações, no qual diferentes empresas estão envolvidas. Análise de Redes Sociais: ainda pouco utilizado no contexto da comunicação externa, a análise da estrutura e tipo das relações entre as pessoas de determinado grupo pode trazer informações muito valiosas. Aplicar isto, através de LinkedIn, Twitter e, talvez ainda mais valiosamente, ao Facebook e sites de redes sociais, pode permitir que o analista de inteligência competitiva entenda como ocorrem os fluxos simbólicos, fluxos de capital e as hierarquias reais de poder nas empresas concorrentes. A lista pode se estender bastante. O que quero aqui é mostrar como os profissionais conectados do século XXI são importantes tanto para suas empresas quanto para os concorrentes. Estabelecer processos de capacitação, educação e valorização nas mídias sociais é imperativo. Também sugiro que comecemos a dar mais atenção a disciplinas correlatas, como Inteligência Competitiva, para avançar o debate sobre comunicação digital. O debate – e a observação – continua pelas mídias sociais.

Monitoramento de Mídias Sociais: o que as pessoas em geral falam sobre as palavras-chaves do setor? E quem são estas pessoas? Quais

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Revista A Bordo da Comunicação  

Tema: E agora? Empresas do século XX e Profissionais do Século XXI

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