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CapĂ­tulo

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O Cristo que me libertou, me chamou para declarar libertação

Porque recebi do Senhor o que também vos entre-

guei... (1 Coríntios 11.23). O apóstolo Paulo, ao explicar à Igreja sobre a ceia, faz essa declaração, que, na verdade, estava transmitindo algo que tinha recebido do Senhor. É assim que me sinto em relação ao ministério de libertação, pois, o Senhor faz primeiro a obra em nossa vida. Ele nos toca, para que possamos levar essa experiência para outras pessoas. O ministério de libertação passou pela minha própria experiência de conversão, pois tive que ser liberto da presença dos espíritos malignos em mim. Na minha casa éramos três irmãos. O mais velho Wellington, o do meio Marcelo, e eu o caçula. O Marcelo nasceu com problemas mentais e pela falta de informação da época, nunca ficamos sabendo de verdade o que tinha, pois faleceu quando tinha sete anos, depois de minha mãe correr com ele para diversos médicos. De fato convivi com muitos problemas em minha família. O meu pai, quando vivia em casa, era realmente difícil. ´ 4 ´


Luciano Pereira da Silva

Muitas vezes chegava em casa espancava minha mãe, e quebrava tudo. Realmente, foram situações fortes, marcantes. Quando criança, eu tinha uma cornetinha marrom de plástico, provavelmente um presente dado pela minha mãe. Não lembro. Esta corneta de brinquedo estava em cima de uma penteadeira com um espelho grande dentro do quarto. Era um quarto bem amplo, onde eu dormia na parte de baixo de um beliche e o meu irmão mais velho dormia em cima. Meu pai chegou bêbado, quebrou tudo e esmagou a minha cornetinha com as mãos. Foi realmente triste para mim, uma criança que não tinha muitos brinquedos... Aquilo ficou marcado, pois havia dentro de minha casa um espírito de violência. Um dia, meu pai deu um chute nas costas de minha mãe, o que a jogou pela escada a baixo. Eu estava lá, no pé da escada, presenciando tudo. Todas aquelas atitudes eram, na verdade, manifestações de demônios dentro da minha casa, na vida da minha família, e, através dos meus pais, foram abertas legalidades para que aqueles demônios passassem a me perturbar e amarrar. Assim, foi durante muito tempo depois. Certa vez, uma das mulheres com as quais o meu pai tinha relacionamento de adultério foi à nossa casa, durante a madrugada, e fez um escândalo. Vi a humilhação de minha mãe, e eu também me senti envergonhado. Há pouco tempo, descobri outro fato, que, com certeza, teve muito efeito em minha vida, e, por isso, também me senti rejeitado, não amado e excluído. Minha mãe ficou seis dias em um hospital, pensando em me abortar, pois foi dito a ela que havia a possibilidade de ter outro filho com problemas semelhantes aos do Marcelo. Com certeza, isso foi uma porta aberta para que o espírito de morte se apoderasse de minha

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vida. É claro que minha mãe não tinha ideia do que estava fazendo. Quando estava com seis para sete anos, o meu pai resolveu ir embora de casa. De certa forma, para a minha mãe, aquela atitude foi uma libertação, pois, até então, não vivia. Acredito que tenha sentido, sofrido, mas a partida dele, naquela ocasião, foi algo que, para ela, trouxe alívio. Assim, ela pode correr atrás dos próprios sonhos, que já estavam mortos. Para mim, foi realmente muito triste, pois com tudo aquilo, era o meu pai que estava nos abandonado. Eu o tinha como herói, amava quando me levava aos churrascos, às festas e aos bares, onde me pagava um refrigerante e um salgadinho. Aquilo era tudo para mim... Realmente, como as crianças são inocentes! Ficava todo orgulhoso, quando, por exemplo, os amigos de meu pai diziam: “Filho de peixe, peixinho é”. É que, às vezes, tomava um pouquinho de cerveja. Mas, enfim, foram aberturas em minha alma para a entrada de demônios. A partir disso, comecei a ter manifestações terríveis durante a noite, e, às vezes, acordava desesperado, tremendo e fugindo de uma perseguição. Lembro das imagens que via. Isto é, imagens de caretas que vinham à minha mente, para me assustar, e havia sempre alguém correndo atrás de mim. Eu tentava fugir. Mas, acordava e continuava, pois não era simplesmente um sonho... Saía correndo pela casa, gritando e tremendo, subia nos móveis, suando e gritando. Acho que a minha mãe – desesperada e sem saber o que fazer – orava. Logo que o meu pai nos abandonou, fomos morar numa casa pequena, que o meu tio nos arrumou. No quintal, morava um primo, que, por vezes, me abusou sexualmente. Tudo aquilo provocou muita confusão em minha mente. Por algum tempo, o espírito maligno dizia que eu tinha que ´ 6 ´


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ser uma mulher. Mas, lutava contra aquilo. Realmente, os espíritos estavam me aprisionando. Durante parte da infância, fui criado com a minha avó paterna, pois a minha mãe tinha que levar o meu irmão, que tinha problemas mentais, a muitos lugares. Ele dava muito trabalho. Vivia dentro de um lugar específico – um quartinho – e tinha que ficar praticamente preso. Minha avó nos ensinou, a mim e ao meu irmão mais velho, os costumes e doutrinas católicas. Por isso, frequentei a Igreja Católica e assistia à missa pelo menos uma vez por mês. Havia dentro de mim uma necessidade de buscar a Deus. Isso eu lembro bem! Fui crescendo e a minha vida se tornou o resultado de tudo aquilo que havia experimentado. Comecei a beber na adolescência, vivi muitos conflitos interiores, me sentia inferior, não acreditava que poderia ser alguém, e sempre me sentia pequeno. Pensava que a minha sina era não dar certo e que não precisava me importar com nada. Então, achava que poderia beber e me afundar na vida errada. Daí, comecei a buscar realmente o mundo e tentei aprender a fumar. Não consegui. O meu negócio mesmo era a bebida e me sentia orgulhoso de beber, às vezes, mais que os meus primos maiores. Não sabia, mas, na verdade, estava querendo ser igual ao meu Converti-me a Cristo. pai. Era o mesmo espírito que estava Os demônios saíram. me dominando. Hoje, perdoei o meu As cadeias foram pai de coração e oro para que ele se quebradas. converta a Jesus. Um dia, fui convidado para participar de uma reunião de jovens da Igreja Metodista, e, a partir dali, comecei a frequentá-la, foi onde tive minha experiência com Cristo e fui liberto dos espíritos malignos. Eles saíram e as cadeias foram quebradas. Mas antes disso fiquei um ano na igreja apenas frequentado. Um dia depois de um culto, era época de carnaval, ´ 7 ´


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fui embora com um irmão da igreja, caminhei com ele até uma certa altura, quando vi que estava bem longe, fiquei esperando e voltei para o centro da cidade para ir a um baile. Neste baile foi um dos que eu mais bebi, e fui tirado dele duas vezes pelos seguranças por causa de confusões em que eu havia me envolvido. Mas em um momento, dentro daquele clube, o Senhor falou comigo dizendo: “Filho, este verdadeiramente não é o seu lugar. Vá embora”. Ouvi a voz de Deus e saí dali. Então, fui buscando conhecer a Deus e as coisas começaram a acontecer. Lia a Bíblia, enquanto o pastor me ajudava, até que recebi o batismo com Espírito Santo. Percebi que recebi dons, embora não soubesse como seria aquilo, mas tudo estava mudando em minha vida. A minha experiência com o Espírito Santo foi realmente tremenda. Estava num encontro – chamado Encontrão – onde havia pessoas de todas as idades e de diversas igrejas. Quem estava ministrando no encontro eram missionários americanos. Na ocasião, tive a oportunidade de ficar hospedado numa faculdade. Fiquei feliz, porque ficaria com os adultos e estava disposto realmente a buscar a Deus. Estávamos orando de mãos dadas, em uma vigília debaixo de algumas árvores, num lugar bonito e gramado, quando um homem – não lembro quem – me abraçou e começou a orar comigo. Naquele momento, não senti minhas pernas e caí no chão. Fui arrebatado em espírito e pude ver a glória de Deus. Foi absolutamente maravilhoso! Quando abri os olhos, tive a nítida sensação de que os céus estavam abertos perante os meus olhos. Esta experiência realmente mudou a minha história. A partir daquela reunião, eu e um irmão, começamos a orar pelos demais e eles começaram a receber também a mesma unção. Hoje, entendo que, naquele dia, o Senhor estava me ´ 8 ´


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batizando, dando-me os dons do Espírito e me chamando para o ministério. Saímos daquela vigília, onde havia outros grupos. Fomos passando de um grupo a outro, e oramos pelas pessoas e elas foram recebendo a presença poderosa do Espírito Santo. Daí por diante, confirmou-se o chamado para o ministério. Um dia, uma mulher me viu tocando bateria na igreja e disse-me que seria pastor. Nunca imaginara aquilo! Mas, aconteceu. Algum tempo depois, estava em frente à Igreja Metodista, em Cambará, e senti o desejo de ser pastor. Depois de alguns anos, fui para a faculdade, e, por incrível que pareça, fui pastor da minha igreja natal. Para todos, no concílio, em Santo Antônio da Platina, foi uma surpresa! Minha primeira experiência em expulsar um demônio aconteceu no 1º ano de Teologia, em Londrina, quando fui cuidar do ponto missionário no bairro Cafezal. Um homem, que foi buscar a sobrinha na igreja, manifestou um espírito maligno muito violento. Nesse momento, tive que orar e expulsá-lo. Apesar de estar no meu 1º ano de seminário, já era chamado de pastor e, para todos os efeitos, sentia-me “na obrigação” de expulsar o demônio. Não me lembro exatamente como aconteceu, mas o fato é que percebi que a oração, em nome de Jesus, tinha poder para vencer as potestades. Um fato muito interessante aconteceu naquele dia. Meu irmão mais velho tinha ido nos visitar e, ainda não era convertido a Jesus. Ele tinha uma vida totalmente dominada pelo vício e teve a oportunidade de ver aquela manifestação. Lembro que ele ficou realmente impressionado e aparentemente com muito medo. É normal! Sei que, a partir dali, o

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Espírito Santo fez uma obra na vida dele e ele converteu-se a Cristo. Hoje é um líder na igreja. Para mim, a partir daquela experiência, começou uma caminhada em direção ao ministério de libertação. Durante três anos, na Faculdade de Teologia, em São Bernardo, não me lembro de ter atendido algum caso específico. Parecia que Deus estava me preparando. Sentia o desejo de ser um instrumento nas mãos do Senhor, fazer a obra e pregar o evangelho. Enquanto estudava não deixei de trabalhar nas igrejas e sempre estive envolvido, pregando e auxiliando pastores. Às sextas-feiras, durante a madrugada, íamos para um monte orar, onde buscávamos a chama do Espírito e a visão de Deus, para que a chama não se apagasse nunca, e que Deus pudesse nos conduzir. Tinha um amigo na faculdade que exercia este ministério com muita eficiência, e Deus o usava tremendamente. Eu ficava admirado por Deus usá-lo daquela forma e perguntava: Por que comigo ainda não acontece? Tinha realmente o desejo muito forte no coração de ser usado daquela maneira, podendo declarar libertação sobre os cativos. Quando mudei-me para a VI região (Paraná e Santa Catarina) para pastorear, Deus começou a usar-me. Isto tem crescido a cada dia, à medida que caminho o Senhor tem me dado experiências tremendas com vidas que precisam de libertação espiritual. Nesta caminhada, tenho aprendido, através da Bíblia e de vivência espiritual, algumas coisas simples e práticas. É o que desejo compartilhar.

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Para Pisardes Serpentes e Escorpiões – Autoridade e Proteção na Batalha Espiritual  

Experiências de fé e vivência pessoal. Orientações práticas que servem para todos os envolvidos no ministério de libertação e também para to...

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