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kanna

Sceletium tortuosum Viagens

ExpoCannabis 2010 Fomos até madrid e trazemos novidades Origens

publicação periódica

CÂNHAMO BRASILEIRO UMA HISTÓRIA QUE NÃO SE APRENDE NA ESCOLA Crónicas do Cannabistão

alimento para plantas,

foi o que disse? Saúde

RIMONABANT:

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GOLUSEIMAS DO ARCO DA VELHA!

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Genética

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A Agonia do antagonista

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GRATUITA · n .º 5 - OUTONO/INVERNO 2010

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a abrir Enquanto escrevo estas linhas, escuto atrás de mim numa televisão ligada, a notícia macabra do pior incêndio de que há memória na história de Israel. Uma catástrofe em que as chamas consumiram milhares de hectares de florestas e 42 vidas humanas. Não é bíblico, nem terrorista, mas é estupido. Desta vez a origem do desastre coube a uma criança de 14 anos que, segundo fontes policiais, terá alimentado as chamas rumo ao inferno, acidentalmente, a partir de detritos do seu cachimbo de água. O “petiz”, então, entrou em pânico e voltou para a sua escolinha. Morreram mais uns quantos infelizes queimados vivos em Israel e outra percentagem da massa verde do planeta foi carbonizada por mais um fedelho fazer o que não devia. Nada de novo. Moral da história? – Chega de mercados negros, para que esta gente imatura deixe de ter acesso facilitado ao que não compreende. A ilicitude só contribui para que estes acontecimentos se repitam indefinidamente.

Todos os dias perecem e sofrem milhões de outros humanos vitimados pela “esperta” Guerra à Droga. Provavelmente, hoje pensamos de imediato no Rio de Janeiro, que só na “peleja do alemão” deu à morte 46 pessoas. Um bocadinho mais do que em Israel mas ao menos sem necessidade de massacrar a Amazónia, desta vez. As imagens de cidadãos a correr debaixo de fogo, e dos heróicos polícias-soldado a exibirem a sofisticação dos engenhos capturados aos “maus” (comprados aos “bons” que as fabricam) ilustram bem o paradoxo. Quantidades incálculáveis de recursos, e vidas, a ser consumidos por uma guerra sem fim. – Grotesco, aos olhos de todos. Nos camponeses marroquinos e paquistaneses a lutar pela sobrevivência num meio árido e miserável, em países totalitaristas, ainda será mais difícil pensar-se, mas é sempre a base da pirâmide que sofre a opressão. – Estás do lado da droga ou da sobriedade? A Guerra à Droga move milhões, não apenas em material alterador de percepção mas em arsenal bélico. Orçamentos de estados e países, fortunas de narco-clãs e narco-estados, que poderiam ser utilizados para o Bem Comum, especialmente em época de crise à escala planetária. Subindo até aos EUA (aderentes), infelizmente ainda não é desta que passa a ser possível obter canábis na tabacaria. – Bolas! No entanto, as máquinas automáticas vão proliferando, demonstrando a normalização do canábis enquanto algo viável para a saúde pública. Infelizmente, independentemente do chumbo da Prop 19, um dos argumentos utilizados pelos legalistas não foi esquecido e, – se não abrimos, pelo menos apertamos mais – foram aplicados aumentos colossais aos já altos impostos a pagar pela canábis medicinal. Pagam os enfermos pelo preconceito de alguns na cadeira do poder para com os utilizadores recreativos? A questão é maior do que isso: há doenças atrozes para as quais só a canábis é eficiente. Será que, por exemplo, tributar a insulina a 300% seria justo? – Direitos Humanos.

Mas a opinião pública tem força – Lembram-se? Já vai em quinze o número de Estados onde a canábis medicinal é prescrita, mais umas quantas províncias. O presidente Obama sabe bem o que “isto” é, da sua juventude, para o mayor Arnold “não é uma droga, é uma erva”, e a sociedade de dia para dia até dá mostras de evolução [46% é muito eleitor, mesmo para a California], sempre com os países ricos e a cena política internacional a ditarem as tendências... Não. Não tem que ser assim! – A prova disso chama-se descriminalização portuguesa, e os vários reflexos positivos da medida após o necessário tempo de análise, dão o exemplo ao mundo civilizado. No entanto, este é apenas o primeiro passo de um longo caminho a percorrer. Está na página 7 o artigo do Drug War Chronicle que nos dá uma interessante visão de fora para dentro.

Aqui por casa, após mais de um ano de edições aprendemos coisas, fizémos viagens, construímos pontes. Somos muitos, cada vez mais, por aí, com a vantagem de nos compreendermos! Com um abraço forte para os resistentes (e engenhosos) irmãos no Brasil, aos quais nos iremos passar a destinar também, na Galiza, e todos los corajosos compañeros activistas en España. Aprendamos com eles! – Depois dos Clubes Sociais de Canábis, já chegou o primeiro Clube Privado. A apresentação subtil foi na Expo, em Madrid, e temos a notícia vinda do El Mundo. Tudo isso, e muito mais, adiante nestas páginas. Avancem, desfrutem e digam qualquer coisa. Vemo-nos novamente em 2011, ano em que cumpriremos o objectivo da periodicidade. Até lá, boas colheitas, saúde, segurança e Paz para tod@s. Pedro Mattos < a.folha.pt@gmail.com >

Sumário

Capa

Sweet Afgani Delicious madura, fotografada por Tommy G

OS ELEMENTOS DESTE COMPOSTO

ACTUALIDADE

5 [curtas] olham além da descrimina7 reformadores lização das drogas A descriminalização é apenas um começo.

ORIGENS

16 cânhamo brasileiro

9 [sugestões: produtos] 10 [aventuras dos leitores] 22 alimento para plantas, Uma história que não se aprende na escola.

CRÓNICAS DO CANNABISTÃO

GENÉTICA

Afgani 18 Sweet Delicious

foi o que disse?

Goluseimas do arco da velha!

SAÚDE TRADIÇÃO ETNOBOTÂNICA

25 kanna (sceletium

VIAGENS

12 Expocannabis 2010

Trazemos as últimas de Madrid.

14

[opinião] O Associativismo Português em reflexão de Jorge Roque

tortuosum)

30

24

Rimonabant: a agonia do antagonista

[thc cuisine: azeite canábico] [locais onde reservar] [ficha técnica]

VOAR ALTO RUMO AO ESPAÇO Sir Richard Branson fundador do grupo Virgin [música, aviação, Formula1, vestuário, Media, bio-combustível, viagens aeroespaciais, ...]

Corria o ano de 2007

quando o magnata rebelde declarou em entrevista que fumou canábis com o seu filho, o modelo Sam Branson, durante umas férias na Austrália onde se deslocaram para praticar surf. “Fui com o meu filho no seu ano gap1. Tivémos algumas noites em que nos rimos a bom rir durante umas oito horas,” registou Branson em entrevista, acrescentando “Eu não acho que fumar o charro ocasional seja assim tão errado. Prefiro que o meu filho o faça à minha frente do que às escondidas.” Na entrevista dada a Piers Morgan para a revista GQ, o empreendedor também admitiu ter experimentado cocaína e ecstasy. Foi também em 2007 que Branson anunciou o Virgin Earth Challenge, um prémio de 25 milhões para encorajar uma tecnologia viável que resulte numa remoção de base dos gazes atmosféricos antropogénicos e gases de efeito estufa [GEE]. Em Julho desse mesmo ano, Branson juntou-se ao seu bom amigo Peter Gabriel, e a Nelson Mandela, Graça Machel e Desmond Tutu para a criação do organismo The Elders, que não são uma banda de música mas sim um grupo de líderes mundiais que “contribuirão com a sua sabedoria, liderança independente e integridade para enfrentar os problemas mais díficeis que assolam o planeta.” Numa outra conhecida entrevista para a revista Rolling Stone, Branson afirmou que o guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, foi “a primeira pessoa que me ensinou a enrolar um charro”, já noutra ocasião terá comentado ainda não ter experimentado a “mítica” e super-forte “skunk”, em relação à qual terá receios, mas insiste que o canábis “é okay em moderação”. Branson é ambientalista e pró-cânhamo, tendo recentemente oferecido um elevado prémio em dinheiro a quem consiga conceber uma tecnologia de sequestro de carbono para a sua companhia aérea, Virgin Airlines.

Richard Branson está entre as 100 pessoas mundiais proeminentes que assinaram uma declaração pública a favor da descriminalização do canábis, uma lista que inclui figuras como o Beatle Sir Paul McCartney, o dramaturgo Harold Pinter (RIP), ou a criadora do Body Shop, Anita Roddick. O visionário e irreverente Branson foi ao ponto de afirmar que venderia canábis legalizada nas suas lojas Virgin, mas não tabaco, por ser demasiado perigoso. Quando questionado sobre canábis em entrevista na BBC2, disse: “Pessoalmente penso que deveria ser legalizado. Eu acho que não está certo que 100 mil pessoas jovens tenham registos criminais todos os anos por fazerem algo que não é pior do que aquilo que os seus pais fazem todas as noites – beber álcool.” Segundo a revista Forbes na sua lista publicada neste ano de 2010, Richard Branson está em 212.º no ranking das pessoas mais ricas do mundo, possuindo uma fortuna estimada em quatro mil milhões de dólares. Na sua autobiografia, Losing My Virginity, Branson admite que utilizou drogas, mas apenas “raramente”. Noutra ocasião aceitou um charro para não parecer ingrato para com o seu anfitrião e descobriu no dia seguinte que os Dire Straits tinham assinado por outra editora. Trabalho é trabalho, amigo.  1- Ano de pausa lectiva que alguns jovens fazem após o liceu.


actualidade 54%-46% - 300 MIL votos fizeram A diferEnça

Proposta 19 chumbou na Califórnia Embora a Proposta que tornaria legal a venda de canábis a cidadãos adultos não tenha passado, a iniciativa continua o desencadear de diálogo que está a provocar efeito na mudança de mentalidades. Em época de recessão, não basta taxar tabaco e álcool. Há que “aproveitar” também o canábis utilizado por milhões.

Apesar de a Proposta 19 ter chumbado no

teste das mesas de voto, os activistas pela liberalização do consumo de canábis consideram que a percentagem de 46% dos votos é uma vitória. Quanto mais não seja, afirma Bill Piper, director da DPA - Drug Policy Alliance/Action, porque “teve a capacidade de tornar o tema numa discussão nacional. O que é um grande passo para acabar com a proibição da marijuana”. A margem pela qual a moção foi rejeitada foi de apenas 8%, sendo que, mais de 3,4 milhões de californianos votaram a seu favor. Um número que representa a maior percentagem de apoio popular alguma vez alcançada numa iniciativa estatal de legalizar a marijuana. Paul Armentano, director da NORML [National Organization for the Reform of Marijuana Laws], afirma mesmo que “apesar do resultado desapontante da votação, o movimento ganhou uma legião de apoiantes sem paralelo, que vai das forças de segurança aos grupos de direitos civis, sindicatos, advogados, clero e profissionais de saúde pública”. Armentano assegura ainda que, “ao longo da campanha, até os oponentes admitiram que a actual lei proibitiva na América é um falhanço, e reconhecem que a questão, actualmente, não é ‘se devemos legalizar e regular a marijuana’, mas sim: ‘como devemos legalizar e regular a marijuana”.

Ou seja, concluiu, “não é uma questão de ‘se’, mas uma questão de ‘quando”. Os proponentes da moção prometem não ficar por aqui e, devido ao elevado número de apoiantes da O ex-xerife Nate Bradley, e o procurador da cidade, John Russo, defendem a Proposta 19 no City Hall de Oakland, o mais recente Estado onde o canábis pode ser prescrito. causa, já anunciaram planos para voltar à carga em 2012 com uma iniciativa semelhante. Apesar da derrota da Proposta 19, a ideia de legalizar e regular o consumo de marijuana por adultos vai ganhando mais força. Sobretudo por razões económicas. Em Washington, um relatório do CATO Institute, defende que tratar a marijuana como um bem legalmente regulado, permitiria ao Estado arrecadar qualquer coisa como 17.4 mil milhões de dólares anuais, quer através da taxação da sua comercialização (8.7 mil milhões de dólares), quer através da poupança no combate ao seu tráfico (9 mil milhões). Aliás, já um estudo de 2009 referia que, só na Califórnia, onde a Proposta 19 foi chumbada, o Estado Local arrecadaria 1.4 mil milhões de dólares anualmente. A verde os 15 Estados onde a Saúde é mais evoluída.

A questão, actualmente, não é ‘se devemos legalizar e regular a marijuana’, mas sim: ‘como devemos legalizar e regular a marijuana’. – Paul Armentano [NORML]

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actualidade

A FOLHA

CaRaS e CuS

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Nasce um clube privado em Madrid onde se pode fumar canábis – P ode-se fumar dentro da legalidade porque é uma associação privada; – A inscrição custa 130 euros e já conta com 80 sócios;  – Alguns deles são doentes crónicos e consomem para atenuar as suas dores A meio da tarde, terminado o dia de trabalho, Fernando, de 40 anos, entra pela porta da associação, um antigo restaurante de estrada na localidade de Paracuellos del Jarama. Pede-se um café com leite. E um grama de canábis. Fernando, desenhador industrial, sofre da doença de Crohn, uma enfermidade crónica auto-imune que ataca o intestino. “Com os corticóides sentia uns efeitos secundários tremendos; a canábis não cura a doença mas alivia os sintomas, livra-te das diarreias e dos vómitos”, diz Fernando enquanto prepara um charro de canábis, que consome desde que lhe foi diagnosticada a doença, há 20 anos atrás. “Em Israel, nos hospitais, é disponibilizada aos pacientes que sofrem da doença de Crohn”, adverte o desenhador, um dos 80 sócios do primeiro clube em Madrid onde se fuma canábis de forma legal, o “Private Cannabis Club”, seguindo as pegadas de outras associações do País Basco e Catalunha. Os sócios, com idades compreendidas entre os 20 e os 65 anos, alguns dos quais sofrendo de cancro ou outras doenças graves, pagam uma quota de 130 euros por ano. Dentro da propriedade privada da associação podem consumir da sua própria canábis ou da que se dispensa no local por 6 euros o grama. “Não é o mesmo fumar sozinho em tua casa ou aqui”, esclarece Fernando no balcão do clube, um local com cerca de 400 metros quadrados.

ESTUDO DEMONSTRA

Efeitos de deterioração psicomotora do THC são nominais em consumidores regulares Investigadores das Universidades

GEORGE MICHAEL Por favor, façam-no parar!

“Sempre nos dedicámos ao máximo. É uma associação privada e estamos inscritos na Comunidad de Madrid, isto é como a nossa casa”, sublinha Carlos Yerbes, um dos fundadores do clube, apoiando-se na lei que tolera o consumo em âmbito privado mas que castiga com sanções e multas o cultivo, a venda e o consumo em espaços públicos. E onde se abastecem vocês? “Aqui, por agora, não podemos cultivar, o que nos obriga a recorrer a mercados ilegais”, respondem. No colectivo dizem que defendem um consumo “responsável e controlado”, por isso não se permite um consumo superior a 50 gramas por semana. “Aqui não se vende, temos uma caixa comum e dispensamos”, esclarece Pedro Alvaro Zamora, outro dos impulsionadores. “A gente mais adulta pode assim deixar de se ver obrigada a arriscar a sua própria segurança recorrendo ao mercado negro, onde nem sabem o que lhes estão vendendo ao certo”, acrescenta. Cerca de 20 a 30 pessoas acodem todos os dias à associação. A maioria fá-lo pelo “uso lúdico” da canábis. “É claro que produz um efeito no consumidor, mas se é permitido ir a um bar tomar álcool, que se sabe que é prejudicial, por que não um charro?”, perguntam. [Fonte: R. Bécares, El Mundo]

SATIVEX SOMA E SEGUE

Nova zelândia aprova spray de canábis como medicamento Os orgãos reguladores da Saúde neo-

zelandeses aprovaram o marketing e venda do Sativex, um spray oral que consiste num concentrado de extractos naturais de canábis, contendo princípios activos seleccionados, tais como o tetrahidrocanabinol (THC) e o cannabidiol (também conhecido por CBD) para o tratamento da esclerose múltipla. O spray é produzido nos laboratórios da GW Pharmaceuticals, no Reino Unido, onde já está disponível sob prescrição há vários anos, estando também disponível nas farmácias canadianas, e a aguardar aprovação regulamentar na Espanha, França, Alemanha e Itália. “A GW está interessada em investigar o máximo de canabinóides possível. Também estamos interessados em outros conteúdos não-canabinóides. Há alguns ingredientes no canábis que têm actividade farmacológica muito potente, mas não são canabinoides.” Do site da farmaceutica britânica constam também as suas parcerias. Com o Grupo

de Maastricht, nos Países Baixos, e Goethe, na Alemanha, avaliaram os efeitos neuro-cognitivos do canábis e do álcool em 21 consumidores regulares de marijuana (que fumam mais do que quatro dias por semana). Os sujeitos completaram vários testes de desempenho num simulador de condução, que incluíram medidas de percepção e controlo motor (Teste de Atenção Crítica), processamento de duas tarefas em simultâneo (Tarefa de Atenção Dividida), inibição motora (tarefa de Stop-Signal1), e conhecimento (Teste Torre de Londres2). Os investigadores determinaram que o consumo de álcool deteriora de forma significativa o controlo motor, a realização de tarefas em simultâneo e o desempenho nos testes de inibição motora. Por outro lado, concluíram que fumar cigarros com THC “normalmente não afecta o desempenho das mesmas tarefas”. “O THC não afectou o desempenho dos consumidores mais regulares de canábis no Teste de Atenção Crítica, nem nas tarefas Stop-Signal, nem no Teste Torre de Londres”, escreveram os autores. “Estas tarefas foram previamente apresentadas como sendo bastante sensíveis ao potencial de deterioração do THC, quando administradas a consumidores menos regulares. A falta de THC nestas tarefas veio, sobretudo, confirmar a noção anterior de que os consumidores frequentes de canábis conseguem desenvolver uma maior tolerância aos efeitos de deterioração comportamental do THC”. Um estudo publicado em Julho concluiu também que o desempenho global em testes de exactidão de memória de curto e longo prazo em consumidores experientes de canábis não era significativamente alterado pela marijuana. Segundo os autores dessa investigação, “este

Otsuka, composto por 153 empresas, dando emprego a 36 mil pessoas em 23 países, para a representação nos EUA, além de um acordo global de investigação conjunta em canabinóides; no mercado espanhol a GW deu a mão à maior farmaceutica do país, a Almirall S.A., que tem representação em vários países europeus, como Portugal; e finalmente a Bayer com a qual a GW Pharmaceuticals trabalha desde 2003. No entanto, apesar de a Bayer ser um dos líderes mundiais no sector dos produtos para bem-estar e saúde, com a GW só tem acordo de exclusividade para Reino Unido e Canadá. Excelentes prespectivas para a GW, para o Sativex e, antes de mais, para os doentes de esclerose múltipla, dor crónica de origem neurológica, náuseas e falta de apetite associados ao cancro. Intenções claras de ir mais além na investigação e descoberta dos mundos novos que a planta mais medicinal da Natureza tem para nos oferecer.

padrão de efeitos é consistente com os resultados previamente reportados por outros investigadores, que estudaram os efeitos da marijuana no desempenho cognitivo de utilizadores regulares. A observação de que a exactidão da resposta dos consumidores regulares não é alterada após fumar marijuana, na mesma medida em que é para os consumidores menos regulares, sugere que aqueles que fumam numa base diária desenvolvem maior tolerância (...)” O texto completo do estudo “Tolerance and cross-tolerance to neurocognitive effects of THC and alcohol in heavy cannabis users,” está disponível online no journal of Psychopharmacology. [Fonte: Paul Armentano, NORML] 1 - Mede tempo de reacção a um sinal de paragem. 2 - Teste aplicado na Neuro-Psicologia, e que se destina a avaliar as capacidades cognitivas do sujeito.

Há quatro anos o cantor pop afirmou: “a erva mantém-me são.” Preferimos-te da outra forma George, porque, obviamente, não te anda a fazer lá muito bem. E entretanto estás a dar mau nome aos fumadores de canábis responsáveis! É que cada vez que o palerma é detido por conduzir embriagado, ou sabe-se lá, também transporta consigo erva. O incidente mais recente envolveu um carro, uma montra de loja, e conduzir sob a influência de GBH, conhecida como “date-rape-drug”. George declarou-se culpado de posse de marijuana e de conduzir sob influencia de uma substância proibida. Há três anos, o artista adormeceu drunfado, ao volante, no meio do trânsito. Estava sob influência de fármacos, mas também tinha erva na algibeira. A consequência foi ficar proibido de conduzir dois anos. [Fonte: High Times]

PHIL RUDD Baterista de AC/DC multado por posse O australiano foi flagrado na Nova Zelândia e, segundo o seu advogado, tal poderia tê-lo impedi-lo de viajar a alguns países com a banda. “Não sou má pessoa”, declarou o músico, cujo nome verdadeiro é Phillip Witschke, após o seu julgamento em Tauranga, na Ilha Norte da Nova Zelândia. A polícia tinha apreendido no início de Outubro 27 gramas de canábis numa lancha de Rudd. O advogado do músico tentou evitar a multa, de 250 dólares neozelandezes (uns 140 euros), argumentando que a sentença poderia levantar problemas a Rudd em muitos países durante as suas digressões. No entanto a juíza Robyn Paterson foi peremptória: “Ignorou a lei e jogou à roleta russa”. A última digressão do baterista em suporte ao disco “Black Ice” levou os AC/DC a 108 cidades em 28 países no decurso de vinte meses. [Fonte: El Comercio]

Zach Galifianakis Saca e acende em directo na TV Segundo o Daily Mail, esta foi a primeira vez que alguém acendeu em directo na televisão um cigarro de canábis. Zach Galifianakis encontrava-se no programa da estação HBO, ‘Real Time With Bill Maher’, para apresentar o seu último filme, Due Date [A Tempo e Horas], mas em plena época de antecipação eleitoral para a votação da Proposta 19, debater estava na ordem do dia. Zach declarou que achava que as pessoas ainda viam o assunto como um tabu, e tira do bolso do casaco um enrolado que de imediato acendeu, a meio da discussão. O actor deu umas passas e passou o charro à reporter conservadora, Margaret Hoover, que confirmou aos milhões de telespectadores que se estava na presença da substância real. A CNN converteu o acto em assunto do dia e não tardaram repercussões mundiais. Tanto, apenas por ter sido a primeira vez em directo. Mas foi simbólico.


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Reformadores portugueses olham além da descriminalização das drogas philip smith [FEATURE] Drug War Chronicle » Issue #661 stopthedrugwar.org

O Governo Português tem recebido aplausos merecidos pela sua política de descriminalização do consumo de drogas, já com nove anos, o ano passado por Glenn Greenwald num Relatório encomendado pelo Cato Institute e, no mês passado, num novo estudo académico do British Journal of Criminology. Mas enquanto uns aplaudem o Governo Português por abraçar a descriminalização, alguns utilizadores de drogas defendem que há muito mais a ser feito. Portugal desbravou novos caminhos quando, em Julho de 2001, descriminalizou a posse de até 10 dias para todas as drogas ilícitas. Com a nova política, os utilizadores de drogas apanhados com drogas não são presos, mas são levados às “comissões para a dissuasão da toxicodependência”. Estas comissões têm poderes para impor advertências ou sanções administrativas, inclusive multas, restrições de circulação, e encaminhamento para tratamento. Mas na maioria dos casos, as comissões simplesmente suspendem o processo, o que significa que, na verdade, nenhum castigo é infligido. A política de descriminalização tem sido acompanhada por um maior investimento em serviços de tratamento e redução de danos, incluindo a manutenção com metadona para pessoas viciadas em heroína. Tal como Greenwald revelou no ano passado, e os pesquisadores Dr. Caitlin Hughes e professor Alex Stevens no mês passado, a descriminalização está a funcionar. Hughes e Stevens descobriram que, embora tivesse havido um ligeiro aumento no consumo de drogas por adultos, este ficou ao mesmo nível que os aumentos relatados por outros países do sul.

Embora o uso de drogas possa ter aumentado modestamente, Hughes e Stevens foram capazes de informar que os danos associados ao uso de drogas diminuíram com a descriminalização. Eles encontraram uma redução na taxa de propagação do HIV / SIDA, uma redução nas mortes relacionadas com a droga, e uma redução no consumo de drogas por adolescentes. Eles também descobriram que as apreensões de droga aumentaram com a descriminalização. “Contrariamente às previsões, a descriminalização Portuguesa não levou a grandes aumentos no consumo de drogas”, concluíram os pesquisadores. “De fato, as evidências indicam reduções de consumo problemático, danos relacionados às drogas e à superlotação da justiça penal.” Para Hughes e Stevens, a experiência Portuguesa também foi importante porque mostrou que a descriminalização reduz os danos para todas as drogas, não apenas para o canábis. “Tais efeitos podem ser observados porque se descriminalizaram todas as drogas”, escreveram eles. “Isto é importante, porque a descriminalização é, normalmente, simplista ao se restringir apenas ao canábis.” Falando em Nova York na semana passada, Stevens explicou: “A prova de Portugal sugere que nós poderíamos acabar com a criminalização do consumo de todos os tipos de drogas – e não apenas da marijuana – sem aumentar os danos e o consumo de droga. Também mostra a importância de investimento contínuo em serviços de tratamento e redução de danos para reduzir as mortes relacionadas com a droga e o HIV.” Mas enquanto a descriminalização de Portugal está a ganhar elogios do exterior, a visão no terreno ganha outras nuances. A descriminalização melhorou a vida dos utilizadores de drogas, mas ainda há muito a ser feito, disse Jorge Roque, um advogado Português que trabalha com a Coligação Europeia para uma Politica de Drogas Justa e Eficaz [ENCOD], a Rede Internacional de Pessoas que usam drogas [INPUD], e o grupo de português A Diferença Real, que tenta melhorar as condições dos utilizadores de drogas em Portugal.

Com a sua política de descriminalização das drogas, Portugal tornou-se realmente um farol para o mundo, um modelo de reforma progressiva da droga que poderia e deveria ser imitado em outros lugares. Mas a descriminalização é apenas metade da batalha.

A FOLHA

“A descriminalização permitiu que os utilizadores de drogas deixassem de ser tão perseguidos pela polícia e ajudou muitos deles a perceberem que não são criminosos simplesmente porque escolheram usar drogas”, disse Roque. “E muitas pessoas estão agora a receber ajuda em centros de atendimento de drogas”, onde os utilizadores dependentes podem ser enviados depois de serem apanhados. “Muitos utilizadores de drogas estão a esforçar-se para ficar dentro da lei, porque se uma pessoa não é um criminoso só por usar drogas e se consegue pagar a sua substância de escolha por meio de seu trabalho, obviamente que não vai querer ser identificado como um criminoso, o que era impossível antes da descriminalização.“ A descriminalização também levou a mudanças no policiamento, disse Roque. “Depois de algum tempo, a polícia em vez de prender os consumidores de drogas optou por ir antes atrás dos pequenos traficantes”, observou. “A polícia percebeu que prender os pequenos traficantes é a melhor maneira de pegar os grandes tubarões”, disse ele, aludindo ao tráfico de drogas, onde o mercado negro continua. “O mercado negro permanece. A descriminalização apenas do ‘Uso’não pode parar a ‘Aquisição’, disse Roque. “A maioria dos crimes relacionados com drogas não foram causados pelo uso de uma droga”, continuou o advogado, “mas sim por se cometer um crime para comprar drogas. A descriminalização é um passo importante, mas é apenas um passo. A distribuição de drogas ainda é proibida em Portugal, e isso significa que os traficantes têm o monopólio da oferta de drogas, e como resultado, os preços são muito elevados. Assim, muitas pessoas cometem pequenos furtos para comprar suas drogas, e a polícia tenta controlá-las, principalmente nos bairros onde as drogas são vendidas e, aí sim, continuam a existir os tradicionais abusos policiais.“ O Governo Português não deveria estar sentado sobre os louros, disse Roque. Merece um elogio pelo que fez, mas não fez o suficiente, disse ele. “Estamos contentes por o Governo ter descriminalizado o uso de drogas, mas a situação das drogas é muito mais complexa e abrange vários aspectos: jurídicos, políticos, sociais, de saúde, moral, económicos – e nós temos exigências importantes que achamos que o Governo não quer tratar, pois está satisfeito com o que já fez apenas com a descriminalização“, disse Roque. Esse ponto foi ecoado por Joep Oomen, líder da ENCOD. Se o Governo Português parar com apenas a descriminalização, será tão hipócrita como qualquer outro governo, disse ele. “Pela descriminalização do uso e posse de pequenas quantidades de drogas ilegais, Portugal reduziu o dano imediato da proibição das drogas”, disse Oomen. “A polícia não persegue os usuários e traficantes de pequeno porte, os consumidores problemáticos encontram o caminho para os serviços de saúde. Mas a descriminalização não resolveu o problema principal da proibição: As drogas continuam a ser distribuídas pelos traficantes que aumentam o preço, impõem o marketing e métodos mafiosos, e não tem o mínimo interesse pela qualidade do produto ou a segurança dos consumidores. Se as autoridades portuguesas não derem o próximo passo na direcção da regulação jurídica do mercado, as suas políticas permanecerão tão hipócritas como as de qualquer outro país“, disse ele. Mas é improvável que aconteçam mudanças no futuro próximo, disse Roque. Mesmo as reformas de outras drogas estão agora paralisadas. “Depois de todos os relatórios internacionais sobre a notícia do sucesso da descriminalização em Portugal, os egos dos políticos ficaram tão grandes que eles pensam que não precisam fazer mais nada”, disse Roque. “Mas muitos utilizadores de drogas em Portugal querem ver finalmente criados os locais, ou as salas, de consumo seguro, os programas de manutenção com heroína, e assim por diante, em vez de apenas descriminalizar o uso. Da mesma forma, o projecto de legalização do canábis continua a estar bloqueado no Parlamento à espera de aprovação. O Governo diz que está ocupado com as obrigações internacionais da crise financeira e agora o nosso próprio défice público, e não pode fazer nada, mesmo que isso possa significar mais receitas para o Estado.“ Com a sua política de descriminalização das drogas, Portugal tornou-se realmente um farol para o mundo, um modelo de reforma progressiva da droga que poderia e deveria ser imitado em outros lugares. Mas, como Roque e Oomen deixaram claro, a descriminalização é apenas metade da batalha.


Novidades do Brasil

Vai um cafEzinho?

Primeiro livro de auto-cultivo em português

CannabisCafe, um fórum com gente dentro

“O livro foi escrito para preencher uma

lacuna existente na literatura brasileira a respeito da planta Cannabis sativa”. Cannabis Medicinal – Introdução ao Cultivo Indoor, é o primeiro livro em língua portuguesa a respeito do tema, fruto de uma extensa pesquisa e trabalho de revisão bibliográfica. Osmose, transpiração, respiração, pH, dióxido de carbono, condutividade elétrica, fotosíntese, clonagem, floração e lumens, são apenas alguns dos assuntos discutidos na obra. A actual lei brasileira sobre drogas prevê que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – pode emitir uma autorização especial que permita certos estabelecimentos possam cultivar e preparar canábis, desde que exclusivamente para fins medicinais e/ou de pesquisa científica. O livro também trata de diversos temas do interesse de pessoas que trabalhem em estabelecimentos autorizados ao cultivo, e ainda de pesquisadores ou leigos no assunto, que pretendam ampliar os seus conhecimentos sobre a planta. No capítulo inicial, são discutidos todos os procedimentos necessários para um estabelecimento poder fazer requerimento da autorização especial, para plantio e utilização da canábis e derivados. Sergio Vidal é um respeitado activista, redutor-de-danos e antropólogo. Mais à frente nesta edição aborda a história do cânhamo no Brasil. < www.cultivomedicinal.com.br >

Os colegas espanhóis da associação sem fins lucrativos Asociación de Internautas de CannabisCafe – A.I.C.C. –, disponibilizam um sub-fórum, dentro do próprio fórum CannabisCafe, para que os interessados em temas canábicos, ou simples curiosos, possam debater, consultar e partilhar informações em português. Contamos agora com um pequeno cantinho para socializar à velha moda lusitana, enquanto não surge uma associação em Portugal que possa fazer o mesmo pelos consumidores e não consumidores, interessados no tema. O CannabisCafe e a referida associação existem desde há quase 10 anos e são considerados uma referência na cena canábica em Espanha, sendo que a associação vive para o fórum, que conta com perto de 70 mil membros registados, tendo estes em conjunto escrito cerca de 2,5 milhões de entradas. Desde 2006 que também os portugueses encontraram por ali espaço para a livre troca de ideias. O debate e a partilha visam, em todos os casos, uma finalidade comum: a redução de riscos. Por um lado, assumindo uma filosofia 100% anti-tráfico, capaz de fazer uso dos mais válidos argumentos para dissuadir os utilizadores de recorrerem a ele,

e, por outro lado, sublinhando a importância de um consumo responsável e moderado, caso a abstinência não faça parte dos planos do consumidor, respeitando-o em todos os casos. Neste espaço reservado apenas a maiores de 18 anos, fala-se de política, activismo, actualidade, parafernália relacionada com o tema, genética canábica e, também, do seu cultivo para consumo próprio – com utilizadores que partilham as suas experiências que um dia lhes permitiram tornar-se auto-suficientes, evitando o recurso ao mercado negro e os riscos para a segurança e saúde a ele inerentes. Parece-nos ser também o local ideal para quem gosta de estar bem informado, já que os próprios utilizadores estão habituados a partilhar notícias sobre o tema que se-

jam publicadas pelos meios de comunicação social nacionais e estrangeiros, deixando-as abertas a comentários. Este espaço português conta neste momento com mais de 38 mil entradas escritas em cerca de dois mil assuntos diferentes, incluindo tutoriais, guias, listas de FAQs e algumas sondagens nas quais qualquer utilizador pode participar. Por ali passa muita gente todos os dias, a qualquer hora. É esta a gente que pede a legalização. Acima de tudo, porque são eles que querem as regras através da alteração das leis, ao passo que os proibicionistas parecem continuar a preferir o mercado livre, nas mãos de pessoas perigosas e sem benefícios para os cofres do Estado. Fica a sugestão. Nós visitámos... e gos-támos dos aromas! < www.cannabiscafe.net >

UM DOCUMENTO SÓLIDO

Filme promete apelar à consciência da sociedade “Cortina de Fumaça / Smokescreen é um projeto independente movido pela vontade de colaborar na construção de uma sociedade mais equilibrada e alinhada com os princípios de liberdade, diversidade e tolerância.” O documentário de 94 minutos traz informação fundamentada para o grande público através de depoimentos recolhidos pelo realizador não apenas no Brasil, mas na Inglaterra, Espanha, Holanda, Suíça, Argentina e Estados Unidos; Rodrigo Mac Niven visitou feiras e congressos internacionais, hospitais, prisões e instituições para conversar com médicos, neurocientistas, psiquiatras, policias, advogados, juízes, investigadores e representantes de movimentos civis. Entre os 34 entrevistados, destaca-se o ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso; o ministro da suprema corte da Argentina, Raúl Zaffaroni; o ensaista e filósofo espanhol autor do tratado “Historia General de Las Drogas”, Antonio Escohotado; o ex-Chefe do Estado Geral Maior do Rio de Janeiro, Jorge da Silva;

o cultivador Jorge Cervantes e o criminalista Nilo Batista. O filme fala sobre a relação entre o homem e as drogas psicoativas; revela a discordância entre a actual classificação das drogas e o conhecimento científico sobre essas substâncias; discute a situação particular da canábis, o seu uso industrial e medicinal; levanta factos relacionados com o surgimento do proibicionismo e aponta para o colapso social em que algumas cidades, como o Rio de Janeiro, vivem por causa da violência e da corrupção. < www.www.cortinadefumaca.com >


sugestões: produtos 9

A FOLHA

Espaço destinado a divulgação promocional / institucional

fÓRMULA ENRIQUECIDA

Green Sensation segunda geração Green Sensation é um estimulante exclusivo para as 4-6 semanas finais do período de floração. Com Green Sensation, já não é necessário utilizar outro tipo de suplementos tais como PK 13-14, enzimas e estimuladores da floração. É ainda possível poupar até 50% no fertilizante de floração básico, dependendo do substrato utilizado. Graças à sua formulação avançada, a planta recebe todos os nutrientes necessários à formação do fruto e a uma floração luxuriante. Poupança em nutrientes de floração Adicione Green Sensation numa proporção de 1:1000 à água de nutrição, verifique a CE e em seguida adicione fertilizante de floração até atingir a CE necessária. Dependendo do substrato utilizado, verificará que irá necessitar de muito menos nutrientes-base de floração. Green Sensation pode ser utilizado em todos os substratos (terra, fibra de côco, lã mineral, mapito, quantigo) e em todos os sistemas de irrigação (fluxo e refluxo, NFT, gota-a-gota). Muitos horticultores já constataram que o Green Sensation proporciona efectivamente um maior rendimento. Agora também disponível em 100ml. < www.plagron.nl >

AJUDA eficaz

ONA ‘pára-odor’

[Na ExpoCannabis tivémos oportunidade de apreciar a novidade. Fica a sugestão.]

ONA foi criado a partir de uma fórmula complexa de óleos essenciais. Contém terpenos. É aplicado com misters (spray), ou por circulação de ar com o ONA Breeze, ONA Storm e ONA Odor Stop - com embalagens para diferentes capacidades de circulação, áreas pequenas ou grandes. É o equipamento para eliminar os odores problemáticos. ONA é uma boa escolha para utilização sanitária, hospitalar e outras aplicações comerciais. Tem capacidade industrial, pelo que produz bastante efeito, podendo no entanto ser utilizado perto de pessoas e animais porque é orgânico e seguro. Atacará e destruirá qualquer tipo de odor, seja ele a cigarro e fumo, skunk, lixo, restos de comida, decomposição ou bafio. ONA está disponível em vários formatos diferentes liquid, mist, aerosol, oil, block e gel. O ONA Mist Dispenser funciona a pilhas, com programação para dia, noite ou 24h e três intervalos de spray.

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PORTO Rua Passos Manuel, n.º 219 • C. Com. Invictos - Loja 13 4000-385 Porto - Portugal Telf.: +351 913 288 085 / +351 222 018 293 / +351 962 398 699 info@planetaseni.com • porto@planetasensi.com

FloraDuo é um nutriente mineral “clássico”, com uma diferença: cada um dos elementos de que a planta necessita é derivado de uma grande variedade de fontes e sais. Desta maneira, estão permanentemente disponíveis de uma forma que as plantas melhor podem absorver. “E não acaba aqui. Juntamos ao nosso frasco elementos a que podemos chamar “bio-activadores”, que não são nutrientes directos para as plantas, mas que melhoram a sua saúde geral, ajudam-nas a absorver melhor os alimentos e a resistir melhor às agressões de elementos patogénicos e insectos. FloraDuo é um nutriente completo, concebido para plantas de crescimento rápido, com uma diferença marcada entre o crescimento e as necessidades de floração. É entregue em duas partes: FloraDuo Grow e FloraDuo Bloom. Para garantir os melhores resultados e adaptação a qualquer região, a GHE disponibiliza o “Crescimento” em duas versões: para águas duras e para águas macias. FloraDuo Grow “águas macias” foi concebido para utilização com águas desmineralizadas ou resultantes de osmose inversa. Altamente concentrado 4 ml/L são o suficiente para um crescimento equilibrado e vigoroso. O seu preço é também muito atraente. FloraDuo é económico e com uma boa relação custo-eficácia. FloraDuo é fácil de utilizar: misturando 3 partes de FloraDuo Grow com 1 parte de FloraDuo Bloom, tratará de todas as necessidades de crescimento. Ao inverter estas proporções (3 partes de Bloom com 1 parte de Grow), tratará de todas as necessidades de floração. FloraDuo garante um equilíbrio perfeito entre crescimento e floração. Não necessitará de mais nada para colheitas abundantes e saudáveis. Como acontece com todos os nossos nutrientes, FloraDuo é uma fórmula exaustiva: não há necessidade de complementos para melhorar a dieta das suas plantas. O produto engloba tudo o que aprendemos em 30 anos de estudos e experiências, e também graças à informação que nos foi enviada por milhares de clientes que usam os nossos produtos por todo o mundo. < www.eurohydro.com >


aventuras dos leitores

PARTILHA A TUA COLHEITA! a.folha.pt@gmail.com

“Boa noite, sou um leitor habitual do jornal A Folha, e gostaria de partilhar algumas fotos da primeira experiência canábica convosco e com os leitores. | São imagens de um garden criado outdoor na zona de Sintra, produzido por mim e um companheiro(...)” – P & K Production Os bons ares da mística serra e a magia do sol prometem tricomas bem saudáveis. Boas guerrilhas amigos! Mandem mais... as outras fotos eram de telemóvel, sem qualidade para publicação.

“Boas caros leitores! Partilho com vocês a minha experiência de autos pela primeira vez. Eis o resultado de uma lâmpada de 600w hps em Cooltube período de 12/12, terra composana universal, vasos de 7L; com dois flushs, um a meio do período de floração e outro no fim. Nutrientes: Supervit e Fosforo Plus da Hesi. Produção: FB.nr1=48gr e FBnr2= (ainda em secagem). Genética: a Fastbud é uma planta fácil de cultivar muito resistente a pragas, quando inicia a sua floração é incrivelmente rápida a desenvolver cabeços compactos e com um aroma muito forte. Não crescem muito mais de 80cm.” – _INLIN3 grow

“Saudações canábicas. Ficam aqui as fotos de um cultivo de interior com 400w de luz, em solo feito por mim, de White Widow (sementes Dutch Passion), usando terra Bath Mix, e os nutrientes Terra Grow Bloom e green sensation da Plagron. Continuem (...)” – José de Arimateia, parte incerta Viva José! Gratos pelas fotos e incentivo. Não te admires de ver mais alguma publicada no futuro. Sobre o set utilizado e a variedade escolhida, só se pode dizer que não é necessário complificalizar ou dispender mundos e fundos para ter resultados interessantes.

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- Lj.biofolha@hotmail.com Avenida 12 de Julho,www.biofolha.pt Quinta dos Serves, 4 - - Ferreiras - 612 8200-559 Albufeira 939 230 615N 939-W 230 37º 7'-N 30'' 8º49'' 13' Avenida 12939 de 230 Julho, Quinta dos Lj. 449'' Ferreiras - 8200-559 Albufeira 615 939 230 612 37º 7' 30'' 8º 37º 7' 30'' -Serves, 8º-13' 13' 49'' www.biofolha.pt - -NServes, biofolha@hotmail.com 37º 7'Quinta 30'' N 8º 13' 49'' WW- WFerreiras - 8200-559 Albufeira Avenida 12 de Julho, dos Lj. 4 - biofolha@hotmail.com Avenida 12 de Julho, Quinta doswww.biofolha.pt Serves, Lj. 4 - Ferreiras - 8200-559 Albufeira - 49'' biofolha@hotmail.com 37ºwww.biofolha.pt 7' 30'' -N biofolha@hotmail.com - 8º 13' W www.biofolha.pt 37º 7' 30'' N - 8º 13' 49'' W 37º 7' 30'' N - 8º 13' 49'' W 37º 7' 30'' N - 8º 13' 49'' W


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viagens

A FOLHA

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UMA VISITA À FEIRA INTERNACIONAL DE MADRID

EXPO

cannabis Realizou-se pela sexta vez o Foro del Cáñamo y Tecnologias Alternativas. A feira do cânhamo de Madrid, a cidade capital daquele que é provavelmente o país com o maior mercado canábico da Europa. Durante 1, 2 e 3 de Outubro, mais de 15 mil pessoas deslocaram-se à praça de touros (alcatifada e coberta) de Leganés, zona periférica mas privilegiada da cidade. A Folha completou um ano de edições e rumou em peso ao país vizinho onde desfrutou e conviveu com activistas e profissionais.

2010

Por Pedro Mattos e Alexandre de Menezes Fotos: Alexandre de Meneses

O piso azul macio recebe convidativamente as pessoas que se vão aproximando da entrada lateral para a enorme arena. Entra-se e chegamos ao universo canábico. Alguns conversam, outros observam, circula-se lentamente, por vezes parando para diálogo ou partilha por entre os stands diversificados. Logo à entrada surgem, na esquerda, os docinhos chupa-chupas de erva ou haxixe, vizinhos de uma outra tienda com parafernália. Avança-se mais e saltam à vista de forma colorida as casas com as estirpes mais deliciosas, bongos esculturais ou o falado sistema de iluminação LED – infelizmente só para decoração. Alguns stands são maiores, para cima ou para os lados, contém pessoas bonitas para nos falar do que precisemos, ou elevam-se na original forma de uma pirâmide. Os aparelhos de consumo por vapor, que até podem ser experimentados aguardando na fila, são um must, e uma experiência terapeutica a custo zero. Já as magestosas caixas de madeira temperada para armazenamento e cura prometem abalar as finanças do connaisseur. Praticamente tudo relativo aos diferentes aspectos do mundo canábico está presente. Cânhamo industrial com vestuário e artesanato ou papel. Produtos e sistemas para cultivo. Cerveja ou alimentos à base de cânhamo (bolinhos medicinais incluídos); parafernália, sementes para todos os gostos, o que vai da conservação ao consumo e, claro, activismo. As conferências com figuras de topo são ideais para se ficar a par do que têm sido as mais recentes descobertas ou desenvolvimentos relacionados com canábis a nível nacional e global.

Em cima, degraus amplos rodeiam o cosmos que ocorre metros abaixo na praça de toiros alcatifada, convidando à fuga da ordem para conversa tranquila e fumo medicinal.

Os conferencistas não estão detrás de uma redoma. Descem, circulam, respondem e por vezes estabelecem diálogo com o público, enquanto um microfone sem fios vai circulando de mão em mão para que todos possamos ouvir. Alguns espectadores aproveitam o relax que as cadeiras confortáveis proporcionam, mas todos respeitam o interlucotor e as questões evidentes de um principiante. É fácil começar a trocar impressões com a pessoa do lado. Fumar aqui é banal. Já lá fora requer outra prudência. Um espaço de 2000m2 , mais de 70 stands e 15 mil visitantes, são estes os números da sexta Expocannabis. O primeiro certame canábico europeu realizou-se na Alemanha há uma década. Em Espanha tem lugar, também anualmente, a Spannabis em Barcelona, e este ano, pela primeira vez, a Expocannabis Sur, em Málaga. A aceitação, leia-se afluência crescente, do público confirmam a evolução do sector e das mentalidades.

Nem Sua Alteza Real imagina a prosperidade que um evento deste âmbito traz à sua capital, ou quanto o sector representa para a sua economia

O ambiente cá dentro é totalmente descontraído mas convenientemente organizado por uma equipa de produção com atitude profissional. De stand em stand, de conversa em conversa, coleccionam-se os folhetos com a gama mais interessante, mais produtiva, um novo lançamento acompanhado de troca de cartão e vai toda a gente feliz para casa. Os visitantes pelas oportunidades e brindes e os traders pela possibilidade de divulgação e incremento de negócio. Esta é, possivelmente, a oportunidade mais saudável para trocar impressões com muitos dos seus clientes por correspondência. Nem Sua Alteza Real imagina a prosperidade que um evento deste âmbito traz à sua capital, ou quanto o sector representa para a sua economia. A maioria das empresas aqui presentes estão-no com o seu distribuidor local, mas há vários forasteiros que vêm de longe para a festarola. Torna-se também uma experiência rica por esse motivo. O mundo canábico actual já não é dominado exclusivamente pelos holandeses. Sabiam que o vidro branco só pode ser fabricado na China devido às substâncias tóxicas utilizadas no seu preparo? Talvez não seja o argumento ideal para vender um bong do preço de uma renda de casa.


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A FOLHA

www.construction-chanvre.asso.fr Fotos: Alexandre de Meneses

“Há que tomar drogas com elegância, a ânsia não é elegante.”

Esquerda: Antonio Escohotado dando a sua palestra Cima: Panorâmica do recinto onde se realizaram as Conferências.

Antonio Escohotado

As Conferências Para além das exposições o ponto alto da Expocannabis reside no seu conjunto de conferências ligadas à canábis nas vertentes cientifica e médica, de cultivo, legalidade e acção social. Na sexta-feira Luis Hidalgo, um dos fundadores da primeira casa de sementes espanhola e especialista em canábis narcótico, abriu o jogo com uma palestra que visou as variedades autoflorescentes com as quais tem vindo a trabalhar (na Autofem Seeds), que se tornou numa agradável conversa, com os, infelizmente, poucos assistentes, sobre os mais variados tópicos relacionados com o cultivo de canábis. Mesmo assim teve oportunidade de contar a história destas variedades, que começa com a famosa Lowryder, e aprofundar o método para a sua obtenção que envolve um cruzamento equilibrado entre ruderalis de altas latitudes (> 40º) que têm a desejada característica de autoflorescência e variedades híbridas, sativa ou indica de teor psicotrópico superior. Para além da possibilidade de florirem em qualquer época do ano em exterior, há outras vantagens nestas variedades, como o seu pequeno porte. Quando questionado, não se absteve de divulgar o calcanhar de Aquiles das autoflorescentes: características indesejáveis vindas das ruderalis que, no entanto, podem ser evitadas com bons métodos de cruzamento e selecção. Seguiu-se o conhecido Dr. Grow, Massimiliano Salami com as “Patologias associadas ao cultivo em vaso”, palestra durante a qual deu importantes dicas para os principiantes, tal como não usar vasos brancos pois deixam passar luz permitindo o crescimento de algas no substrato. Lembrou também, em referência aos substratos comerciais, que “estéril quer dizer que facilmente se pode contaminar.” e indicou como escolher o melhor substrato. Foi, no entanto

mais além, direccionando parte do discurso aos mais experientes, ao falar da patologia conhecida por necrose laranja, que consiste no alaranjar das folhas e morte da planta que ocorre estranhamente sempre à sexta semana de cultivo em interior. Salami descobriu que esta é causada pela rega consistente das plantas com uma solução de pH 5,5, algo praticado por diversos cultivadores e que é facilmente corrigido passando para os aconselhados 6,2-6,5. Sábado as conferências começaram com “Apreensões de canábis em domicílios”, por Héctor Brotons, o advogado da F.A.C. (Federación de Asociaciones Cannábicas). Seguiu-se o respeitado catedrático de Bioquímica e Biología Molecular, secretário da Sociedad Española da mesma ciência (SEBBM) e da Sociedad Española de Investigación sobre Cannabinoides (SEIC), Manuel Guzmán, com “Como actua a canábis no nosso cérebro?”. Quais os compostos activos do canábis e a forma como actuam e contribuem actualmente para o tratamento de diversas patologias (em particular o cancro e as doenças neurodegenerativas – ver A Folha 3). Guzmán terminou uma agradável e bem ilustrada conferência com o antagonista Rimonabant, sobre o qual podemos ler um artigo presente nesta edição escrito pelo nosso colaborador residente Dr. Pedraza Valiente. O terceiro conferencista do dia foi Alejo Alberdi, um dos mais respeitados activistas do país vizinho, além de músico, erudito e escriba, apresentando “Como não debater sobre a legalização da canábis”. Pelas 16h, José Carlos Bouso falou das “Linhas actuais de investigação em canábis”. Apresentou os receptores canabinoides presentes no cérebro, CB1 e CB2, que regulam funções do sistema nervoso e do sistema imunitário, respectivamente. Bouso afirmou que o canabidiol (CBD) será muito provavelmente o fármaco canabinoide do futuro pelos seus efeitos antipsicóticos, antidepressivos, ansiolíticos e neuro-

protectores. Um facto curioso desta molécula é que anula os efeitos psicóticos provocados pelo THC. Este facto corrobora a ideia que um bom espécime de canábis para consumo recreativo e, principalmente, medicinal deve produzir uma quantidade substancial de CBD. Recentemente esta ideia tem guiado o desenvolvimento de algumas variedades pelas casas de sementes, depois de, durante décadas, se terem focado exclusivamente no aumento das concentrações de THC. José Carlos Bouso, psicólogo clinico, foi o primeiro investigador do mundo a obter autorização para estudar clinicamente o MDMA [como forma de tratamento do stress pós-traumático em mulheres vítimas de violência sexual] e actualmente trabalha no Centro de Investigación de Medicamentos do Hospital Sant Pau de Barcelona. A finalizar o dia tivemos “As drogas ontem e hoje”, por Antonio Escohotado, professor, filósofo, historiador e poeta, autor de “Historia General de las Drogas”. Foi uma verdadeira palestra, dada para uma plateia apinhada do que pareciam os mais atentos alunos absorvendo cada palavra enunciada pelo professor. Tratou-se, aliás, da conferência mais concorrida, onde se viam pessoas de todas as idades, dos 18 aos 80, incluindo várias personalidades da cultura e academia espanhola. De carácter filosófico, foi uma conversa inspiradora de onde se pode destacar a frase: “há que tomar drogas com elegância, a ânsia não é elegante.” Domingo as conferências resumiram-se ao tema “Porquê legalizar a canábis em Espanha agora?” por Carlos M. Cardenas, sócio fundador da NORML España. Indivíduo polido com quem já haviamos dialogado no seu stand no dia anterior. Por isso utilizámos o domingo para interagir enormemente prolongando-se o exercício quase até ao voo de regresso. Vemo-nos na Spannabis, em Barcelona. Gracias: Lucky, Montse, Lola y todos los compañeros de A.M.E.C.


opinião A FOLHA

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O Associativismo em Portugal

Apesar de existirem inúmeras organizações em toda a Europa a lutar por um sistema politico-legal sobre as drogas que acabe de vez com o actual sistema proibicionista que desde a sua afirmação há décadas apenas conseguiu prender, matar, torturar e afectar consideravelmente a qualidade de vida de todos os cidadãos do mundo inteiro, a verdade é que em Portugal isto não acontece. Por Jorge Roque*

Centenas de milhares de pessoas em Portugal utilizam regularmente drogas ilegais; pertencem a todos os sectores económico-sociais e culturais; têm variadíssimas idades, ideologias, credos e filiações clubistas. Afinal de contas, o Homem do século XXI dispõe de tempo e de meios que antes eram obrigatoriamente destinados à árdua tarefa de apenas sobreviver. A globalização trouxe substâncias de todas as partes do mundo, e a pimenta e a canela sempre ajudaram a temperar o sabor da vida nesta Europa tão insípida. Todas as sociedades têm um soma social, uma droga que ajuda a elevar o espírito e o humor, a diminuir a gravidade, ou a aumentar a energia, a contactar com os antepassados, ou a ampliar a consciência, a sair da realidade, ou apenas a sentir outra dimensão; este soma é moralmente aceite, pois permite trabalhar e contribuir para o social. Contudo, aquilo que é aceite por determinado povo pode não o ser por outro e de facto isso é o que acontece na maioria das vezes. O álcool é utilizado diariamente pelas sociedades ocidentais e é até tolerado o seu excesso em inúmeras situações, principalmente ligadas à comemoração da vida e não só, mas é no entanto condenado por outras sociedades, tal como a nossa condena outras drogas. Contudo, tal como aquando dos Descobrimentos, a nossa vida mudou com a chegada de novas drogas; algumas tornaram-se parte da vida, ou do modo de vida dos nossos tempos e, tal como naquela altura, muitas pessoas adoptaram determinada substância, assumindo que esta contribui para a melhoria da sua qualidade de vida. Outros, pelo contrário, viram a sua qualidade de vida diminuída consideravelmente, e por isso os Estados criaram leis para as proibir e instituições para os ajudar. No entanto, os políticos que impuseram estas leis, esqueceram-se da grande parte da população que utiliza alguma droga e que mesmo assim mantém uma conduta normal e que contribui para o todo social e que desta forma é empurrada para a ilegalidade e para sentir o estigma da criminalidade na pele. Por isso em todo o mundo surgiram cidadãos utilizadores de drogas a exigirem a sua legalidade, apareceram inúmeras organizações em todos os países a manifestarem-se contra o actual sistema e a exigirem outro mais justo e legal. Só em Espanha existem centenas de associações a lutar por esta causa, milhares de cidadãos que dão a cara, que se manifestam e que não têm medo! Em Portugal isso não acontece, porquê? Em Espanha encontramos centenas de organizações não governamentais a exigirem a mudança, milhares de pessoas que dão a cara sem medo e que assumem a necessidade da mudança e por isso mesmo Espanha possibilitou o aparecimento de clubes onde as pessoas controlam a produção, a qualidade e o preço do canábis, os Clubes Sociais de Canabis. Além de facultar aos seus membros a quantidade necessária para o seu consumo e garantirem a qualidade do produto, estas associações contribuem para a informação sobre utilização responsável e dentro das condições mais saudáveis, bem como impedindo o consumo por menores de idade. No entanto, isto não é uma situação legal e permitida pela lei espanhola; estas pessoas tiveram e têm que lutar contra o sistema legal e sofrer as consequências deste para conseguirem os seus ob-

Os portugueses são o típico crítico irrascível de café, com uma energia chamada raiva, mas sem levantar a gordura do comodismo que os impele a agir

jectivos. De facto, a lei espanhola, ao contrário do que muitos portugueses pensam, não é tão distinta da portuguesa como seria de imaginar. A única diferença é que “neutros germanos tienen cojones” e os portugueses são apenas o típico crítico irrascível de café, com uma energia chamada raiva, mas sem levantar a gordura do CUmodismo apático, cobarde, ou como preferem dizer “tímido” que os impede de agir! A única diferença é que “Nuestros Hermanos tienen cojones” e os portugueses são apenas o típico critico irrascível de café, com uma energia chamada raiva, mas sem levantar a gordura do CUmodismo apático, cobarde, ou como preferem dizer “tímido” que os impele a agir! Em termos práticos, apenas uma minoria de grupos exerce “activismo” esta matéria em Portugal (e que apesar de tudo realizam as suas funções de braços amarrados pelas próprias condicionantes do país), tais como a MGM [Marcha Global da Marijuana], uma vez ao ano e acusada por muitos de ter mais preocupações de voto a um partido especifico, o site A Horta da Couve, cujos membros têm tanto cagaço que assumiram o anonimato absolutista e escondem-se da luz, a Check-In com o seu papel essencialmente preventivo, uma Associação chamada CASO [Consumidores Organizados Sobrevivem Organizados] que assume uma luta pelos espaços de utilização de drogas, e a Ong A Diferença Real, fundada com o apoio da Encod para lutar justamente contra o inactivismo em Portugal, mas que até agora apesar do grande esforço dos seus membros não conseguiu reunir portugueses das várias áreas do território nacional para dar voz e actividade a todas as pessoas que sofrem e são vitimas silenciosas da tortura absolutista do sistema proibicionista de drogas em Portugal. Termino com a pergunta que todos querem ver respondida:  uando será legal a utilização do canábis Q em Portugal? – Quando tivermos colhões para isso! Quando houver portugueses sem medo de irem presos por de- fenderem a sua causa e quando houver portugueses com inteligência para afirmarem que usar drogas não é sinónimo de criminalidade! *Membro do Conselho Executivo da Encod; Presidente da Ong A Diferença Real < jorgeroque@encod.org > Enquanto a vizinhança não se unir todos continuarão a tomar duche frio.


[A Folha não é responsável pelo uso que é dado à informação contida nas suas páginas. Apelamos aos nossos leitores que sejam responsáveis e respeitem a lei do seu país.]


origens A FOLHA

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Cânhamo Brasileiro

uma história que não se aprende na escola Nos dias de hoje é difícil pensar sobre a maconha, no Brasil, sem imaginar as “tropas de elite” invadindo morros, utilizando-se da violência para, supostamente, instalar a paz. No exato momento em que estas linhas são escritas, as tropas do exército ajudam a polícia do Rio de Janeiro a tomar o controlo de uma das comunidades dominadas pelo tráfico. É muito difícil imaginar que a maconha já teve outro papel no país. É um pouco sobre essa história que falaremos aqui. Por Sergio Vidal*

Foram os colonizadores quem teve condições materiais para decidir de que maneira era possível as populações marginalizadas consumirem a planta, e promover empreendimentos de cultivo e comércio

Do cânhamo à maconha Apesar de receber diversas denominações, actualmente a erva é designada apenas como maconha, nome que tem origem na palavra ma’kaña da etnia africana quibundo. Essa associação ganhou força a partir da década de 1940, quando a imprensa marrom/cor-de-rosa passou a propagandear a associação entre a maconha, a criminalidade e a feitiçaria. Nessa época também se consolidou a expressão “maconheiro” para designar os utilizadores. Eram comuns notícias com relatos de violência dos “gangues de maconheiros”, ajudando a reafirmar o conteúdo negativo da palavra, misto dos estigmas de criminoso, doente mental e macumbeiro (outra palavra do quibundo, utilizada para designar pejorativamente as pessoas que exerciam práticas religiosas de origens africanas).

RAMOS, Arthur. O Negro Brasileiro: 1º vol. Ethnographia Religiosa. 2.ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1940

É impossível não pensar em toda a estrutura criminosa que funciona actualmente, para manter o mercado ilegal da planta, ou na parte do Estado que se corrompe diariamente para permitir que o comércio de drogas continue funcionando. Mas, nem sempre a relação dos brasileiros com a maconha foi dessa forma. A planta já foi cultivada no país, inclusivé com incentivo do Estado. Durante muito tempo os estudos sobre os usos da planta cannabis sativa no país, em geral, afirmavam que as suas origens eram exclusivamente africanas e que o cultivo teria sido introduzido com a chegada dos primeiros escravos. De facto, antes do descobrimento do Brasil, diversas etnias e nações do continente africano conheciam a planta e utilizavam-na para uma ampla variedade de fins. No Brasil, elas mantiveram os costumes de utilização da planta, considerando-a um vegetal especial, uma planta-professora, dotada de características mágicas e propriedades curativas. Os principais usos eram relacionados com a extração das fibras vegetais, o preparo de medicamentos ou ligados ao seu consumo fumado em rituais religiosos e reuniões sociais. No entanto, a introdução e manutenção das variedades de cannabis de origem africana no país seguiram a mesma lógica de outros aspectos da vida das populações de escravos e ex-escravos, estando restrita às determinações das elites económicas, sociais e políticas. Assim, a tese de que os negros seriam os únicos responsáveis pela introdução do cultivo e consumo de maconha no Brasil não se sustenta a uma observação mais cuidadosa.


Pelos dados históricos que se têm, é certo que no país se cultivou largamente o cânhamo, pelo menos, do fim do séc. XVIII até ao início do XX. Um dos registos mais antigos desse processo é o “Tratado sobre o Cânhamo”, traduzido por ordem de “Sua Alteza Real o Príncipe do Brazil”. Publicado em português e trazido para o país em 1799, o Tratado é uma compilação de como se deveria cultivar cannabis para extração de suas fibras, incluindo instruções de beneficiamento, com base nos conhecimentos acerca da agrigultura da planta que já circulavam, principalmente, na Europa. Procuravam-se variedades que pudessem se adaptar bem ao clima para produção de fibras têxteis. Segundo a historiadora Laura Carvalho, “o Cânhamo foi considerado como uma planta que poderia impulsionar a economia e houve no Brasil um grande incentivo para que fosse cultivado. Foi nessa época que foi instalada a Real Feitoria do Linho Cânhamo, no sul do país.”



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*Sergio Vidal é antropólogo, escritor e activista. [Autor do livro “Cannabis Medicinal – Introdução ao Cultivo Indoor”, a primeira obra em língua portuguesa sobre o tema.] < sergiociso@yahoo.com.br > < www.cultivomedicinal.com.br >

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Fundada em 1783, a Real Feitoria do Linho Cânhamo começou a funcionar tendo como mão-de-obra 72 escravos. Sua estrutura era composta de uma casa-grande, centro das atividades e moradia do feitor, senzalas, onde moravam os escravos, e galpões, para guardar animais e servir de depósito para os fardos de cânhamo. Quase toda colheita era enviada ao Arsenal da Marinha Portuguesa e a Real Feitoria teve uma razoável produção, sendo que, entre 1783 e 1789, foram produzidas mais de 8 toneladas de fibras. O empreendimento funcionou até 1824, quando foi extinto, e suas terras foram destinadas a abrigar imigrantes alemães recém-chegados ao Rio Grande do Sul. A casa onde funcionava a sede da Real Feitoria do Linho Cânhamo, na cidade de São Leopoldo, permanece ainda no mesmo local, no bairro que leva o nome de Feitoria, e é chamada atualmente de Casa da Feitoria ou Casa do Imigrante. Algumas teses sobre o fracasso do empreendimento afirmam que a culpa foi da utilização de sementes não selecionadas, da falta de técnica e controle na cultura, principalmente por ocasião da colheita. Também, se levanta a hipotese da falta de maquinaria e instalações acessórias que assegurassem o preparo adequado da palha bruta e o beneficiamento da fibra. Ou seja, a prioridade era a ‘quantidade’ em lugar da ‘qualidade’”. A Real Feitoria funcionou numa época de grande procura por produtos à base das fibras da canábis em toda a Europa. Ao mesmo tempo, o Império Lusitano procurava alternativas de produção que pudessem fortalecer a sua economia, uma vez que outras culturas, como o açúcar, estavam cada vez mais enfraquecidas. Para isso a Coroa concentrou a sua atenção no estudo, importação e cultivo de espécies vegetais cultivadas nas colónias que ainda lhe restavam na África e Ásia, para tentar tornar o Brasil a sua nova fonte de especiarias e outros produtos de origem natural. Ainda, segundo a historiadora Laura Carvalho, existem muitos indícios de que a Coroa financiou a introdução e adaptação climática da espécie em Hortas em estados como o Pará, Amazônia, Maranhão, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia. Ela afirma que existem diversos documentos que falam sobre iniciativas de importação de sementes, maquinaria de beneficiamento da planta, troca de experiências de cultivo. Mas muito ainda precisava ser pesquisado a fundo para haver análises mais definitivas. Essas iniciativas de estimular o uso industrial do Cânhamo, se somaram aos outros usos que já se fazia da planta naquela época, como, por exemplo, o uso terapêutico e medicinal. Tudo leva a crer que muitos outros empreendimentos do tipo surgiram a exemplo da experiência da Real Feitoria, até mesmo de iniciativa privada. E esses teriam persistido até à proibição do cultivo da planta, na década de 1930, com maior ou menor êxito económico. Foram, portanto, os colonizadores quem teve condições materiais tanto para decidir de que maneira era possível as populações marginalizadas consumirem a planta, como para promover empreendimentos de cultivo e comércio, quando lhes foi de interesse. Além disso, foram os empreendimentos oficialmente apoiados pela Coroa e iniciativas privadas de elites rurais, os grandes responsáveis pela introdução e adaptação em larga escala de diferentes variedades da planta a partir do séc. XVIII. Disso tudo, podemos apenas concluir que as características actuais das variedades de cannabis existentes no Brasil são fruto de um processo bastante complexo e multifacetado, envolvendo diversos actores sociais em períodos históricos diferentes. E, podemos concluir também, que ainda há muito nessa história que precisa ser resgatado e divulgado correctamente.


Genética

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Sweet Afgani Delicious

Criada por Ben Dronkers (Sensi Seeds) sob o nome de Black Domina, chegou em 1998 em forma de clone, às mãos dos patrões da Sweet Seeds que, desde logo, se aperceberam do potencial desta genética, considerando este clone como um dos mais apreciados que tiveram em mãos durante toda a sua vida de canabicultores. Este mesmo clone continua hoje em dia, passados 12 anos, no seu banco de mães em Valência e espalhado um pouco por todo o nosso país vizinho, nos lares de muitos colegas cultivadores. Texto e imagem: Tommy G.*

Goluseimas do Arco da Velha Os breeders da Sweet Seeds conseguiram fazer sobressair na SAD as características que fazem da sua super-mãe Black Domina uma planta tão apreciada, para além de terem também estabelecido o sexo feminino em mais de 99,9% da descendência, dando origem ao que se conhece como sementes feminizadas. Para tal, foi necessário autopolinizar o excepcional clone fêmea, ou seja, cruzar o clone com ele próprio para não introduzir genética exterior e dar maior estabilidade à descendência. Para conseguir polén viável à produção de

sementes feminizadas, o banco de sementes utilizou uma técnica de reversão do sexo que consiste em aplicar sobre as plantas um produto baseado em prata (nitrato), o que lhes provoca um desajuste hormonal. Esta alteração hormonal induz a produção de flores masculinas e, quando o produto é aplicado de uma forma correcta e na dose apropriada, possibilita a obtenção de polén abundante e viável a uma adequada fecundação da flor fêmea. Este pólen, aplicado nas flores fêmeas do clone, permite a obtenção de sementes feminizadas com

taxas mais altas que as obtidas através do processo “convencional”. Tendo já vencido cinco primeiros prémios em taças canábicas desde 2004, esta SAD S1 tem como ancestrais a conhecida Northern Lights e algumas genéticas afegãs. Uma das características que mais sobressai na SAD é o seu forte aroma, que mais tarde se traduz num sabor igualmente forte. A sua parte afegã contribui decisivamente para o seu gosto doce e agradável, intenso ao ponto de se alojar na boca e no nariz e por lá permanecer durante alguns minutos depois de fumada ou vaporizada. Enquanto viva, ao esfregarse-lhes os dedos nas folhas cobertas por tricomas, cheira a doce veneno, um aroma

comparável à doçura intensa característica dos xaropes para a tosse. É um aroma, por si só, medicinal. A presença de sabores frutados é incontestável mas nem sempre óbvia. Apesar de se tratar de uma variedade Indica a 90%, cheira a incenso com toques de catedral, como se costuma dizer quando na presença de um aroma marcado a madeira velha que, neste caso, sobressai especialmente depois de dois ou três meses de cura. Um suave toque a anis ajuda a reforçar o seu fundo de matizes açucarados. O sabor segue no mesmo sentido do aroma, especialmente porque a cata foi feita ao vapor e, como se sabe, o sabor do vapor é uma réplica do aroma libertado quando se quebram as flores e se soltam os terpenos.

Tendo já vencido cinco primeiros prémios em taças canábicas desde 2004, esta SAD S1 tem como ancestrais a conhecida Northern Lights e algumas genéticas afegãs


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É terapêutica quando bem utilizada, contribuindo bastante para isso o seu alto conteúdo de CBD, de cerca de 1,8% Características da planta Em termos de estrutura, a Sweet Afgani é uma planta que não cresce muito em altura, permanecendo baixa, robusta e arbustiva, com troncos fortes, produzindo muitos ramos de curta distância internodal e com folhas largas de um verde bastante intenso. Adapta-se facilmente a espaços reduzidos. É de floração muito rápida e algumas plantas precisam de pouco mais de 50 dias de floração, ainda que a maioria agradeça os vulgares 60-65 dias para atingir a maturidade desejada. Em exterior, se cultivada na Península Ibérica, costuma estar pronta em finais de Setembro. O que habitualmente permite ao cultivador evitar as primeiras chuvas de Outono que, como é sabido, representam um grande perigo para as plantas em final de floração, em função da possibilidade de dar origem ao aparecimento de bolor no interior das flores, caso as plantas apanhem chuva. É muito bonita, como evidenciam as fotos. Responde bem a treinos e a podas, mas também se desenvolve na perfeição se não fizermos nada, já que não se estica demasiado mesmo quando se vê em mãos de cultivadores com pouca experiência. É resistente e não necessita de muita fertilização, nem sequer de muita água, em comparação com outras variedades cultivadas a seu lado. Foi cultivada exclusivamente com produtos naturais, num cultivo 100% biológico, apenas com recurso a fertilizantes da gama biológica da marca Canna, aos quais se juntou o

estimulador de floração BioBoost, da mesma marca. Misturou-se um pouco de Guanokalong em pó na mistura de terra usada durante a fase de floração, e também se adicionou um pouco de perlite (1 litro por cada 10 litros de terra), para tornar o substrato mais arejado, permitindo que mais oxigénio chegue às raízes. O guano de morcego funciona muito bem com o BioBoost, num trabalho de equipa que permite flores maiores e um fumo mais doce em que os aromas de cada variedade se tornam mais facilmente perceptíveis e identificáveis. No final, para facilitar a manicura, a sua alta proporção cálices-folhas vem mesmo a calhar, já que para além de ter pouca folhagem na zona da flor, as poucas folhas que tem são fáceis de cortar sem estragar os botões. Cobertas de tricomas, tal como é vulgar nas genéticas afegãs, as suas folhas são bastante adequadas para extracções caseiras, especialmente a seco, já que os tricomas para além de estarem presentes em abundância, soltam-se das folhas e flores muito facilmente.

Um efeito suave e relaxante Ainda assim, a característica a que dou mais valor no momento de escolher uma variedade é o efeito. E, afinal de contas, é por isso que esta variedade continua a ter um cantinho no meu mini-armário de cultivo já desde 2007, um Homebox XS, que coloca ao meu dispor uma área de cultivo de apenas 0,36m2, ou seja, cerca de um terço de um metro qua-

A FOLHA


Sweet Afgani Delicious A FOLHA

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drado que me tem permitido colher flores suficientes para o meu próprio consumo. O seu efeito é alegre e relaxado. Instala-se em poucos minutos e costuma durar entre 60 e 90 minutos. Controla-se muito facilmente, o que beneficia o relaxamento que nos oferece. É adequado para dormir, descansar ou para um calmo passeio a pé. Por outro lado, o seu efeito é pouco adequado para executar tarefas de responsabilidade ou observações que impliquem vários raciocínios complexos em simultâneo. É terapêutica quando bem utilizada, contribuindo bastante para isso o seu alto conteúdo de CBD, de cerca de 1,8%. Na minha opinião é um efeito 5 estrelas que já venho recomendando desde há várias temporadas a quem costuma acompanhar as minhas experiências e busca o verdadeiro efeito de uma boa Indica.

 ptar ou não por uma O versão auto-florescente? Tal como implícito na própria designação, uma auto começará a florir de forma automática e deixando o cultivador fora da equação. Fazendo-o no momento em que a própria planta “se sente” com maturidade para iniciar uma floração explosiva e abundante, o que normalmente acontece a partir do 4.º par real de folhas. Ao tornar-se autoflorescente, converte-se numa variedade adequada para cultivos primaveris em exterior, uma vez que entrará em floração independentemente do fotoperíodo a que é submetida, iniciando a floração ao atingir a maturidade mínima para tal, não sendo por isso necessário que chegue o mês de Agosto para começar a florir. Como na Península Ibérica as Primaveras costumam ser simpáticas em termos de horas e qualidade de sol, um cultivo de exterior em que se germinem as sementes em Fevereiro-Março para colher as plantas em Maio-Junho torna-se possível e talvez até desejável com estas

Avaliação Facilidade de cultivo: 19 Colheita: 18 Aspecto: 18 Tricomas visíveis: 18 Aroma das flores secas: 19 Sabor do fumo/vapor: 19 Textura do fumor/vapor: 16 Tolerância: 19 Efeito: 19 Longevidade da moca: 17 RESULTADO FINAL: 182/200

18,2

variedades de floração automática. Especialmente quando o cultivador está sem stock para o seu consumo próprio e não quer esperar até Outubro pela sua colheita de exterior. Para além disso, como as plantas começam a florir assim que atingem maturidade suficiente para isso (entre a 3.ª e a 5.ª semana de vida), ficam baixas e bastante discretas, sendo ideais para varandas onde apenas é possível cultivar sem ultrapassar certos limites de altura. Para cultivos em interior, esta variedade pode (e deve) ser submetida a um fotoperíodo de 18/6 durante toda a sua vida, não necessitando, portanto, da habitual alteração ao fotoperíodo de 18/6 para 12/12 no momento em que o cultivador deseja que a planta comece a florir. Em cultivos de teste nos quais se comparou o seu cultivo com fotoperíodos de 12/12 e de 18/6, desde a germinação das sementes até à colheita das plantas, concluiu-se que o fotoperíodo ideal para as autoflorescentes é o de 18/6, sendo que as plantas produzem flores maiores e mais compactas do que quando cultivadas em 12/12. Por este mesmo motivo, quando se fala de cultivo de variedades autoflorescentes em interior, muita gente fica de pé atrás por pensar que um cultivo sempre em 18/6 obriga a um grande gasto de electricidade. Mas a realidade é que as variedades autoflorescentes permitem fazer a colheita umas três ou quatro semanas antes do normal e, assim, acabam por se poupar mais de vinte dias de consumos eléctricos. De certa forma, uma coisa acaba por compensar a outra e, no final, se estamos com pressa para fazer a colheita, as autoflorescentes permitem-no quase um mês antes das variedades ditas normais. É por tudo isto que, desde há dois ou três anos, cada vez mais bancos de sementes começam a apostar neste tipo de variedades.

Por se tratar duma variedade muito bem aceite por quem tem o cultivo como hobby, a equipa da Sweet Seeds decidiu torná-la autoflorescente. Juntamente com outros dois clássicos, a Black Jack e a Cream Caramel, a partir do próximo mês de Janeiro passa a estar também disponível a opção “auto” para a Sweet Afgani Delicious. Para produções excepcionais a versão “não-auto” será a melhor aposta, mas para quem gosta de colher algo antes do Verão (em exterior), pretende colheita em tempo record (em interior), quer ser discreto e pratica um consumo moderado, a versão “auto” da Sweet Afgani Delicious poderá ser uma opção bastante interessante. Junte-se a isso a retribuição em forma de adoçante da papila gustativa do dono e fica-se perante um estranho caso de simbiose entre o homem e a planta, em que quem semeia doces, colhe felicidades. < tommysweets@gmail.com >


Sweet Afgani Delicious


crónicas do cannabistão

A FOLHA

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Alimento para plantas, foi o que disse?

Os micro nutrientes são elementos essenciais ao crescimento das plantas e são necessários em quantidades muito pequenas. São o boro (Bo), cobre (Cu), ferro (Fe), cloro (Cl), manganês (Mn), molibdénio (Mo) e zinco (Zn).

Primeira parte: Descrição geral Por Noucetta Kehdi, GHE

Fluxo de oxigénio na solução

Macro nutrientes primários

É essencial escolher o nutriente certo,

especialmente quando cultiva mediante hidroponia. Com efeito, quando a sua água é apropriada, quase não contém minerais. Por isso, é importante que o seu alimento para plantas seja não apenas fiável, perfeitamente solúvel e puro, mas que seja também exaustivo de forma a garantir que as suas plantas possuam a dieta completa de que necessitam. Escusado será dizer que, se pretende bons resultados, também é importante a gestão de nutrientes no cultivo dos solos. Além disso, poderá ter certeza de que quando um fertilizante funciona bem em hidroponia, funcionará ainda melhor no solo.

 QUE É UM NUTRIENTE O PARA PLANTAS?

A definição básica de nutriente é uma substância cuja função específica é alimentar as plantas. Geralmente, os nutrientes são vendidos na forma de líquido ou pó, em uma, duas, três e até quatro partes. Há imensos no mercado, e é bastante difícil escolher o adequado para as suas plantas.

Tal como os humanos, as plantas necessitam de alimento. Alimentam-se de luz, ar, água e nutrientes, que absorvem principalmente através do seu sistema de raízes. Como os humanos, todas as plantas se baseiam nos mesmos elementos básicos para se desenvolver e propagar. Há 16 elementos químicos básicos para um crescimento equilibrado das plantas. Estes dividem-se em não-minerais e minerais: Há três elementos não-minerais, hidrogénio (H), oxigénio (O) e carbono (C). Podem ser encontrados no ar e na água. No processo da fotossíntese, as plantas usam a energia do sol para alterar o dióxido de carbono (CO2: carbono e oxigénio) e água (H2O: hidrogénio e oxigénio) em amidos e açúcares. Os amidos e os açúcares são o alimento das plantas. As plantas recebem carbono, hidrogénio e oxigénio do ar e da água. Não há muita a coisa a fazer para controlar este facto ao cultivar no exterior. Mas se cultivar no interior, poderá regular o seu ambiente e garantir boa iluminação, ventilação e temperatura às suas plantas.

~ Nitrogénio (N): O nitrogénio é o elemento básico de todos os seres vivos. Actua, essencialmente, na parte superior da planta, no caule e nas folhas. O nitrogénio é uma parte necessária de todas as proteínas, enzimas e processos metabólicos envolvidos na síntese e transferência de energia. Faz parte da clorofila, que é a responsável pela fotossíntese. Ajuda as plantas a crescer rapidamente, aumentando a produção da semente e do fruto. ~ Fósforo (P): tal como o nitrogénio, é uma parte essencial do processo da fotossíntese. Está envolvido na formação de óleos, açúcares, amidos, etc. Ajuda à transformação da energia solar em energia química, ao amadurecimento adequado da planta e a suportar o stress. Promove o crescimento rápido e encoraja a floração e o crescimento das raíz. ~ Potássio (K): O potássio é absorvido pelas plantas em maiores quantidades que por outros elementos minerais, à excepção do nitrogénio e, em alguns casos, do cálcio. Ajuda a acumular proteína, à fotossíntese, à qualidade do fruto e à redução de doenças. Quando as plantas parecerem doentes verifique as raizes. Um sistema radicular danificado não permite a correcta absorção de nutrientes levando as plantas a enfraquecer e morrer

 s minerais e o seu papel O na nutrição das plantas

Solução de nutrientes para hidroponia

Os minerais dividem-se em dois grupos: macro nutrientes e micro nutrientes. Macro nutrientes são os elementos que as plantas consomem em maior quantidade. São de dois tipos: primários e secundários. Os nutrientes primários são nitrogénio (N), fósforo (P) e potássio (K). As plantas utilizam grande quantidade destes elementos, por isso, deverá substituí-los continuamente. Os nutrientes secundários são cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S). Geralmente, estes nutrientes existem em quantidades suficientes no solo, por isso a fertilização nem sempre é necessária. Porém, em hidroponia, temos de os introduzir.

Como os humanos, todas as plantas se baseiam nos mesmos elementos básicos para se desenvolver e propagar. Há 16 elementos químicos básicos para um crescimento equilibrado das plantas.


Típica deficiência de ferro

Exemplo de NL5 bastante castigada,

~ Cálcio (Ca): uma parte essencial da estrutura da parede celular das plantas. A ajuda ao transporte e retenção normais de outros elementos, bem como à força da planta. Pensa-se que contraria o efeito dos sais alcalinos e ácidos orgânicos. ~ Magnésio (Mg): faz parte da clorofila em todas as plantas verdes e é essencial à fotossíntese. Ajuda a activar muitas das enzimas necessárias ao crescimento. ~ Enxofre (S): é essencial à produção de proteína. Promove o desenvolvimento de enzimas e vitaminas. Ajuda à formação de clorofila, melhora o crescimento da raiz e a resistência ao frio.

MIcro nutrientes

Esta é a lista dos elementos básicos essenciais reconhecidos para uma dieta saudável das plantas. Mas isto não é tudo. É como uma receita para um bolo: pode usar os ingredientes básicos e fazer um bom bolo, ou pode adicionar uns extras e fazer um bolo gourmet.

A FOLHA

Como escolher pode ver-se teia e algumas das minusculas Tetranychus urticae o nutriente certo?

Macro nutrientes SECUNDários

~ Boro (Bo): ajuda à produção de açúcares e hidratos de carbono. É essencial à produção de sementes. ~ Cobre (Cu): é importante para o crescimento reprodutivo. Ajuda no metabolismo da raiz e auxilia na utilização de proteínas. ~ Cloreto (Cl): ajuda no metabolismo da planta. ~ Ferro (Fe): é essencial à formação de clorofila. ~ Manganês (Mn): funciona com os sistemas de enzimas envolvidos na decomposição dos hidratos de carbono e no metabolismo de hidrogénio. ~ Molibdénio (Mo): ajuda na utilização do nitrogénio. ~ Zinco (Zn): essencial na transformação dos hidratos de carbono. Regula o consumo de açúcares e o crescimento da planta.

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Para ser de boa qualidade um nutriente deve necessariamente incluir estes 13 sais básicos. Mas fórmulas “topo de gama” incluirão mais que isso, uma vez que lhes são adicionados mais elementos (muitos em quantidades diminutas), que são importantes e que fazem a diferença. Como se pode ver, as plantas precisam de vários elementos para prosperar e oferecer-nos o melhor do seu potencial genético. Claro que nem todas as plantas comem as mesmas quantidades, nem todas precisam da mesma combinação de alimentos. Por isso, é importante adaptar a nutrição às plantas que cultiva. Geralmente, encontrará indicações claras nos rótulos dos frascos de fertilizante, ou poderá contactar os fabricantes, que terão todo o gosto em ajudar.

O nosso mercado é um mercado de nicho, onde os clientes estão pouco ou nada informados, e onde o marketing é, infelizmente, um factor de venda determinante. No meio das inúmeras marcas que encontra nas prateleiras, não é fácil garantir que encontra o que realmente procura. Como anteriormente descrito, os nutrientes são compostos por três sais principais: nitrogénio, fósforo e potássio. A estes, são adicionados elementos secundários e micro elementos. Poderá parecer fácil de fazer, e realmente é: até pode encontrar fórmulas simples nos livros ou na internet. Mas os ingredientes não são todos iguais, nem de perto, nem de longe. É preciso bem mais que um copo de batidos e uma receita para fazer um verdadeiro nutriente para as plantas. É necessário pesquisa, invenção e químicos especializados. Muitos fabricantes misturarão receitas simples com os elementos principais, e apenas alguns secundários, e os micro elementos. Alguns farão uma mistura de micro nutrientes que substitui quelatos eficientes por sulfatos simples. Quer seja líquido ou em pó, para o solo ou para hidroponia, um bom nutriente é reconhecido pela quantidade e qualidade dos sais incluídos e, acima de tudo, pelas proporções destes sais. É aqui que a verdadeira receita, a criação de proprietário, entra em jogo. E é basicamente isto que procura. Porém, como reconhecer o nutriente certo ao escolher o seu fertilizante? O desânimo do comprador é compreensível, seja um distribuidor que escolhe os produtos que pretende oferecer aos seus clientes, seja um jardineiro que tenta encontrar o caminho no labirinto de produtos publicitados ou nas prateleiras.

bringing nature and technology together


saúde

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A AGONIA DO ANTAGONISTA

Rimonabant

® Por Dr. Javier Pedraza Valiente questões médicas podem ser-lhe remetidas através do e-mail: a.folha.pt@gmail.com

A primeira vez que li algo sobre o SR13141716A,

mais conhecido como Rimonabant, foi em 1998 na revista Cañamo, em Espanha. O Rimonabant é um antagonista dos receptores canabinoides, ou seja, produz efeitos contrários ao THC, bloqueando a acção deste e também da Anandamida, o principal canabinoide endógeno no ser humano. Por essa altura foi utilizado para tentar demostrar a existência de um síndrome de abstinência ao canábis a nível de laboratório, administrando um agonista canabinóide a ratinhos cobaia e medindo os seus níveis de cortisol (a hormona do stress). Esta medição de cortisol realizou-se depois de um período de tempo sem ter administrado tal agonista. Os investigadores concluíram que o aumento dos níveis de cortisol significava um sinal inequívoco da existência de um síndrome de abstinência associado à canábis. Claro está que este estudo foi financiado pelo então designado “Plano Nacional sobre Drogas”, instituição espanhola equivalente ao Instituto da Droga e da Toxicodependência em Portugal (IDT), numa tentativa de encontrar argumentos “científicos” que apoiassem as suas teorias sobre a perigosidade da canábis, equiparando-a a outras drogas como a heroína e o álcool. Mas desde então as coisas mudaram bastante, e aproveito para felicitar a entidade citada – Plano Nacional sobre Drogas – pela sua mudança de perspectiva no que respeita à canábis. Desde que passou a ser regida pelo Ministério da Saúde espanhol, esta entidade abriu as portas ao potencial terapêutico dos cannabinoides, sem perder, por outro lado, a necessária atitude preventiva dos efeitos secundários derivados do consumo abusivo de qualquer droga, entre as quais não podemos deixar de incluir a canábis. Em relação ao tal estudo encomendado pelo Plano Nacional sobre Drogas, claudicou por falta de bases científicas, e não se livrou de uma série de críticas contundentes devido a vários motivos: O primeiro foi a utilização de HU 810 como agonista canabinóide que, de facto, é uma substância muitíssimo mais potente que o THC, o que faz com que não se possam extrapolar os resultados do estudo em causa para uma situação de consumo de canabis, uma vez que o THC é o canabinóide mais potente que esta planta possui. O segundo motivo prende-se com o emprego de um antagonista, neste caso o Rimonabant, após aplicar um agonista, situação que, novamente, não corresponde à realidade do consumo de canábis. Imagine-se uma pessoa que nunca consumiu heroína e que após o seu primeiro consumo se auto-ministra naxolona (antagonista específico de opióides)... Logicamente que se desencadeará um síndrome de abstinência imediato que de forma natural só ocorreria após vários consumos. Depois desta experiência, o Rimonabant praticamente desaparecu de circulação e demorou vários anos até voltar a dar que falar, até que há um par de anos,

a empresa Sanofi, a multinacional farmacêutica por detrás do desenvolvimento deste composto, apontou as suas investigações num sentido bastante diferente. Num primeiro momento descobriu-se um certo potencial do Rimonabant para combater a dependência da nicotina, ainda que ao fim e ao cabo não tenha sido este o principal “filão” que a empresa decidiu explorar. Sendo o Rimonabant um antagonista do sistema endocanabinoide, postulou-se que seria útil em patologias cuja fisiopatologia se baseasse numa hiperactividade deste sistema.

O que hoje em dia se conhece por “síndrome metabólico” parece explicar-se fàcilmente se pensarmos numa hipersecreção de anandamida, principal canabinoide endógeno. O síndrome metabólico é uma tríade que inclui obesidade (secundária ao aumento de colesterol e triglicéridos), resistência à insulina e HTA, sendo as três mais importantes . O excesso de peso deriva de uma hiperfagia, ou seja, de um apetite voraz, sendo bem conhecida a propriedade da canábis para provocar esse estímulo. O papel regulador que a anandamida exerce sobre o metabolismo da insulina e as suas propriedades vasodilatadoras que provocam indirectamente hipotensão, fizeram prever que um bloqueio dos receptores canabinoides (não deixando assim a anandamida exercer as suas funções) seria a solução para este problema de saúde que afecta uma percentagem importante da população mundial. Dito isto, a Sanofi acabou por aban-

donar completamente a investigação do Rimonabant como terapia para o tabagismo, optando deste modo por uma estratégia de marketing que evitou ao máximo a associação entre o uso de Rimonabant e o síndrome de abstinência de qualquer droga, fosse canábis ou nicotina. Esta relação provocaria sem dúvida um impacto negativo no lançamento do produto no mercado. A empresa farmacêutica Sanofi esperava obter lucros incalculáveis com a venda do Rimonabant. Existem milhões de pessoas no mundo com sindrome metabólico, e a entrada no mercado desde produto teria produzido um lucro mais que generoso para a empresa. O problema principal foi que o interesse da Sanofi por obter lucros foi superior à cautela necessária que neste caso não se teve em conta e, portanto, não foi aplicada, acabando definitivamente com a comercialização do produto. Esta não comercialização deveu-se ao elevado número de casos de depressão que foram aparecendo depois da sua utilização em populações cada vez maiores. Algo que, por outro lado, parecia lógico a todos aqueles que tal como eu investigamos os canabinóides desde há já alguns anos. Não devemos esquecer que estamos a inibir o sistema endocanabinoide por completo, ou pelo menos uma grande parte, sendo uma das suas funções a de melhorar o estado de ânimo. Como já comentei, o principal endocanabinoide chama-se Anandamida, que deriva do sânscrito Ananda, cujo significado é “fonte da felicidade”. E o que é que acontece se não deixamos actuar esta “fonte de felicidade”? Não somos felizes, e acabamos por deprimir-nos. Para tornar tudo isto um pouco mais compreensível ao leitor, voltemos ao exemplo dos opiáceos. Um dos efeitos secundários dos opiáceos, entre outros, é produzir prisão de ventre. Parece carecer de sentido utilizar um antagonista opióide para tratar esse sintoma. Logicamente, se ministramos naxolona a uma pessoa com prisão de ventre vamos melhorar esse sintoma... Mas também vamos desencadear um quadro similar ao síndrome de abstinência de heroína! Isto foi exactamente o que aconteceu com o Rimonabant, mas aplicado ao sistema endocanabinoide em vez do opióide. Acomplia® foi o nome comercial escolhido pela Sanofi para lançar o produto no mercado. Parece que o Acomplia® nunca será vendido como o “remédio milagroso” para tratar o síndrome metabólico. Para não parecer tão crítico com o Rimonabant e com a Sanofi, e já que devemos ver nas derrotas uma oportunidade para aprender uma lição, proponho aos gestores e investigadores da Sanofi que considerem uma aplicação para o Rimonabant que sempre foi a que do meu ponto de vista fazia mais sentido: já que é um antagonista canabinóide, porque não utilizá-lo para controlar psicoses canábicas agudas? Aqui fica a ideia, pois seja por agonismo ou antagonismo, o sistema endocanabinoide possui um potencial incalculável...

O principal endocanabinoide chama-se Anandamida, que deriva do sânscrito Ananda, cujo significado é “fonte da felicidade”. E o que é que acontece se não deixamos actuar esta “fonte de felicidade”?

Javier Pedraza Valiente, Médico


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Kanna (Sceletium tortuosum)

Sceletium tortuosum é o nome científico para a planta conhecida por kanna originária da África do Sul e cujas raízes, folhas e caules fermentados eram mastigados pelas tribos San e Khoikhoi como inebriante e enteógeno. No ocidente é conhecida pelos efeitos ansiolíticos e algo reminiscentes dos do ecstasy1. Por Alexandre de Menezes

Em cima, esq.-dir.: Desenho da Sceletium tortuosum (previamente designada por Mesembryanthemum tortuosum) [Fonte: Golden Guide: Hallucinogenic Plants]; Poda enraizada em jiffy; Desenho do século XVIII com os Khoikhoi a venerar a lua. [Fonte: south-africa-tours-and-travel.com]

Descrição botânica O género Sceletium (originalmente incluído no género Mesembryanthemum, mas actualmente considerado um género à parte) pertence à família Aizoaceae e agrupa uma pequena quantidade de herbáceas perenes, rasteiras e suculentas2 nativas das regiões áridas das províncias Oeste, Este e Norte do Cabo, na África do Sul. As espécies deste género são muito similares tornando difícil a sua identificação. A Sceletium tortuosum é principalmente encontrada na província Oeste do Cabo usualmente sobre afloramentos de quartzito. Esta não atinge mais que 30 cm de altura mas os seus ramos carnudos e lisos crescem vigorosamente ao longo do solo. As folhas de forma lanceolada alongada são suculentas, têm um tom verde claro e uma superfície lustrosa, medem entre 3 a 4 cm de comprimento e 1 a 1,5 cm de largura. Estas crescem em pares e quando morrem e secam deixam os esqueletos das nervuras de forma persistente a formar uma cobertura na parte inferior dos caules que protege a planta de condições ambientais adversas. As suas pequenas flores, com 2-3 cm de diâmetro, são valorizadas esteticamente pela semelhança com as anémonas-do-mar e aparecem entre Julho e Setembro. As pétalas são similares a fios com cor que varia entre o branco e o amarelo pálido, sendo ocasionalmente salmão ou rosa pálido; envolvidos por estas encontram-se os estames de cor amarela. Se polinizada, cada flor originará quatro ou cin-

co frutos de forma angular dentro dos quais se encontram pequenas sementes com aproximadamente 2 mm de diâmetro. A S. tortuosum também é conhecida na literatura cientifica por Sceletium compactum, Sceletium framesii e Sceletium joubertii. O seu nome comum, kanna, é derivação para o inglês de uma palavra na língua hotentote3 por vezes também escrito channa ou canna. A maioria das espécies do género Sceletium são praticamente inexistentes em cultivo, sendo a S. tortuosum a única excepção. Contudo, tanto esta como as demais estão em perigo de extinção no seu habitat natural.

Efeitos Em doses baixas a kanna tem efeitos ansiolíticos, ao melhorar a disposição e aliviar a ansiedade, stress e tensão, criando uma sensação de bem-estar. Também actua como inibidor do apetite sendo tradicionalmente utilizada pelos pastores de tribos sul-africanas quando têm que fazer longas caminhadas através do deserto. Em doses elevadas causa euforia, inicialmente acompanhada por clareza mental e por um efeito estimulante que mais tarde se torna sedativo ou narcótico em conjunto com relaxamento muscular. Utilizadores que praticam meditação afirmam que este relaxamento ajuda a focarem-se nos seus pensamentos e sentimentos ou a concentrarem-se na beleza da Natureza. Em simultâneo apresenta efeitos empatogénicos4-entactogénicos5 sem qualquer entorpecimento dos sentidos e ainda existem relatos de uso como afrodisíaco. Curiosamente não tem efeitos alucinogénos ao contrário do que é descrito em alguma literatura. A S. tortuosum é ainda considerada um potenciador de

Mesembrina, Δ7mesembrenona, Δ4 mesembrenona, mesembranol, epimesembranol, 4’-O-demetilmesembrenol, tortuosamina, e muitos outros.

outras substâncias psicotrópicas como, por exemplo, a canábis e o álcool.  

Princípios activos

Todas as plantas do género Sceletium apresentam um complexo perfil de alcalóides mas apenas a S. tortuosum os contém em quantidade suficiente para provocar efeito em humanos. Estes representam 1-1,5% da sua massa e incluem a mesembrina, Δ7mesembrenona, Δ4 mesembrenona, mesembranol, epimesembranol, 4’-O-demetilmesembrenol e tortuosamina, entre muitos outros. Os níveis destes flutuam com a época do ano e provavelmente serão mais elevados no fim da Primavera e início do Verão, quando a kanna é tradicionalmente apanhada. A mesembrina é o principal alcalóide constituindo 0,3% da massa das folhas e 0,86% dos caules. Esta actua como um potente inibidor selectivo da recaptação da serotonina (ISRS ou SSRI em inglês) e crê-se que também é um inibidor PDE4 pela sua semelhança molecular e em efeito com o

fármaco anti-inflamatório e anti-depressivo rolipram. Por isto, acredita-se que a mesembrina é a principal responsável pelos efeitos ansiolíticos da planta. Contudo, um estudo recente sugere que o preparado fermentado e seco chamado kougoed [ver: Dosagem e Administração] apresenta a Δ7mesembrenona como alcalóide principal sendo os níveis de mesembrina reduzidos largamente. Isto leva a crer que a Δ7mesembrenona tem efeitos similares à mesembrina.  

Riscos para a saúde

Não existem relatos de efeitos secundários severos mesmo quando o consumo é crónico. Contudo, deve-se moderar a utilização, pois a kanna é uma planta pouco estudada e cujos efeitos a longo prazo não são totalmente conhecidos. Há relatos de tonturas ligeiras e uma leve sensação de desconforto que perduram poucos minutos. Estes estão provavelmente relacionados com algum efeito que a kanna exerça sobre o sentido de equilíbrio. Kanna com 1 ano de idade cultivada a partir de semente

Foto: Alexandre de Menezes

Para além da utilização para fins xamanicos crê-se que outro dos usos era dado por guerreiros que, ao tomá-la, faziam dissipar o medo e depressão

Princípios activos:


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Kanna a fermentar

Kougoed moído

Fonte: shamanshop.pl

Devido aos efeitos agradáveis e por não entorpecer os sentidos e o raciocínio, a kanna pode ser vista como uma substância para uso quotidiano tendo, então, o potencial para criar dependência psicológica. Contudo os seus efeitos ansiolíticos são subtis em comparação com os das benzodiazepinas e a componente empatogénea-entactogénea está grandemente abaixo do que se atinge com o consumo de MDMA. Após os efeitos desaparecerem, alguns utilizadores sentem o desejo de repetir o consumo. Porém isto torna-

Fonte: shamanshop.pl

Fonte: Drugs-Forum.com

Fonte: CactusCooley.com

Como acontece com muitas outras substâncias psicotrópicas não deve ser tomada em conjunto com ISRS (Seroxat, Prozac), IMAO e outros medicamentos psiquiátricos ou cardíacos. Existem relatos de dores de cabeça quando tomada em conjunto com álcool. Algumas pessoas podem sentir sonolência uma ou duas horas após a ingestão principalmente com doses elevadas. Assim, não deve ser tomada antes de conduzir ou operar qualquer tipo de máquina. O efeito da kanna na gravidez e amamentação ainda não foi estudado, devendo o consumo ser evitado durante as mesmas. No caso de uma overdose podem ocorrer náuseas e dores de cabeça que normalmente passam depressa. Caso a dose tomada seja muito excessiva, pode resultar no aumento do batimento cardíaco e da tensão arterial e em ansiedade. A menos que estes sintomas compliquem condições pré-existentes não apresentam riscos para a saúde.   Potencial de dependência: Moderado

Kougoed acabado de secar

A forma de administração tradicional do kougoed é mascar e engolir a saliva. -se ineficaz a partir de certo ponto, gerando apenas efeitos sedativos normalmente vistos como indesejáveis. O efeito mais agradável, a euforia, só é obtido através da inalação, via de administração muito dolorosa por se tratar de material de origem vegetal não refinado, podendo o uso repetido criar feridas nas narinas, facto que também inibe os utilizadores de repetirem o consumo em curtos intervalos de tempo.  

Dosagem e administração

As tribos sul-africanas, após recolherem a kanna por inteiro, incluindo folhas, caules e raízes, aplicam-lhe uma preparação tradicional. Para tal torcem-na e batem-lhe com pedras de modo a desfazê-la, sendo a massa resultante deixada a fermentar ao sol durante 8 dias dentro de sacos de pele. De seguida é retirada dos sacos e posta de novo ao sol para secar e só então pode ser consumida. Este método parece ter evoluído como uma forma de produzir um preparado seco, estável, agradável ao paladar e de maior poder psicotrópico a que chamam kougoed que, literalmente, significa “coisas para mastigar”. Desfazer e fermentar o material é tido como um método para baixar a concentração de ácido oxálico presente na kanna fresca para níveis seguros ao introduzir micróbios e permitir que estes degradem o composto. Por outro lado, ex-

por a kanna ao sol modifica o seu perfil de alcalóides transformando a mesembrina em Δ7mesembrenona. Uma boa técnica a seguir para obter um preparado semelhante ao tradicional é: 1. Apanhar a kanna por inteiro, incluindo as raízes. 2. Lavar e desfazer com a ajuda de facas e martelo. 3. Colocar a massa resultante dentro de um recipiente selado como um saco de plástico ou, de preferência, um frasco de vidro e pôr ao sol. 4. A massa irá fermentar, ficando liquefeita e adquirindo uma cor escura em tons de verde ou castanho. Ao cabo de 2-3 dias abrir o recipiente para libertar a pressão acumulada, devido a gases que se libertam durante a fermentação, e para mexer bem o conteúdo. Voltar a selar o mesmo. 5. Passados 8 dias retirar o preparado do recipiente, espalhar sobre um tabuleiro e pôr a secar ao sol. 6. Se o sol não for suficiente, pode-se secar no forno a 90-100ºC, o que ajudará a matar quaisquer bactérias ou fungos presentes e torna o material mais fácil de pulverizar. 7. Depois de seca, a preparação apresentará uma cor castanho clara e estará pronta a ser consumida. Cada 100g de material fresco irão resultar em aproximadamente 3,7g de preparado.

Fonte: CactusCooley.com

Existe uma outra técnica tradicional para obter kougoed que é usada quando há restrições de tempo. Consiste em fazer uma pequena fogueira sobre areia e, após esta se apagar, retirar as cinzas e cavar um buraco no seu local. Coloca-se a kanna inteira (sem ser desfeita) neste buraco, tapa-se com a areia quente e retira-se ao fim de uma hora. O principio cientifico por detrás desta preparação é que acima dos 101-102ºC, ponto de fusão do ácido oxálico, este sofre sublimação considerável enquanto que a mesembrina tem o ponto de ebulição somente nos 186-190ºC. Uma forma de imitar este método em casa é pré-aquecer o forno a 140ºC e colocar neste a kanna (previamente desfeita) durante uma hora. O produto resultante não é tão potente nem agradável ao paladar quanto o obtido pelo método de fermentação ao sol. A forma de administração tradicional do kougoed é mascar e engolir a saliva. Contundo, se este for moído pode ser utilizado como um rapé e inalado. Também pode ser colocado em cápsulas de gel para ingestão oral, dissolvido em chás ou tinturas ou en-

tão fumado. Para mascar, fazer chá ou outros métodos de ingestão oral, o preparado pode ser usado tal como fica após ser seco. Para fumar basta moer rudemente, enquanto que para inalar convém moer até ficar com a consistência de um pó muito fino, o que se consegue com um moinho de café. A seguir apresentam-se doses indicativas para o consumo de kougoed segundo vários métodos de administração [Fonte: Kanna Wiki em drugs-forum.com]. De notar que estas se referem ao uso recreativo e esporádico. Quando usado diariamente como medicamento anti-depressivo, as doses, tomadas por via oral, variam entre 25-100 mg, normalmente 50 mg uma ou duas vezes ao dia. Esta medicação deve ser feita apenas após indicação médica. Como sempre, aconselha-se a começar com uma dose baixa e aumentar gradualmente nas experiências seguintes. Alguns indivíduos são muito sensíveis ao kougoed e doses elevadas podem-lhes causar ansiedade e vómitos. Kougoed (mascado ou sublingual) Nível Quantidade Leve 100-200 mg Até actuar: 5- 15 minutos Médio 200-400 mg Duração: 1–2 horas Alto 400-600 mg Pós-efeitos: 2–4 horas Pesado 600-1000 mg O preparado resultante da fermentação tem um sabor salgado que o torna agradável para mascar. Se o kougoed estiver em pó pode-se colocar debaixo da língua e entre as gengivas de modo a que os compostos activos passem para a corrente sanguínea através dos inúmeros vasos capilares presentes nestes locais. A saliva deve ser engolida à medida que se acumula, enquanto que o kougoed deve ser mantido na boca o maior tempo possível, pelo menos 20 minutos, e só então engolido. Os efeitos são ao mesmo tempo eufóricos e intoxicantes, situando-se entre os da ingestão oral e por inalação. Kougoed (oral) Nível Quantidade Leve 200-400 mg Até actuar: Médio 400-600 mg 45- 90 minutos Alto 600-1000 mg Duração: 4–5 horas Pesado 1000-2000 mg Pós-efeitos: 5–8 horas Quando tomado oralmente, o kougoed tem efeitos acentuadamente narcóticos, sedativos e analgésicos, principalmente em doses elevadas. Esta é a forma mais ineficiente de consumo, requerendo a maior dose, a qual em valores superiores a 2 g leva a náuseas e vómitos. Contudo, é a melhor


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forma para combinar com álcool, que é tido como uma mistura sinérgica em que euforia, sociabilidade, desinibição e aumento de energia trazidos pela bebida são acentuados. Deve-se ter em atenção que o conteúdo do estômago influencia a absorção: se este estiver vazio a absorção será mais rápida e completa. Diz-se que o chá tem um sabor similar ao chá verde. Kougoed (inalado) Nível Quantidade Leve 25-50 mg Até actuar: Médio 50-100 mg 2- 10 minutos Alto 100-250 mg Duração: 20–60 min Pesado 250-500 mg Pós-efeitos: 80–120 m.

Nível Leve Médio Alto Pesado

Kougoed (fumado) Quantidade 50-100 mg Até actuar: 100-250 mg 10- 60 segundos 250-400 mg Duração: 30–60 min 400-500 mg Pós-efeitos: 60–90 m.

O fumo é agradável. Para além de não irritar a garganta e pulmões tem um sabor doce e deixa também um gosto salgado na boca, similar ao que se sente ao mascar. Os primeiros efeitos podem ser acompanhados por alguma agitação. Esta desaparece ao fim de poucos minutos dando lugar a uma sensação de relaxamento. A euforia é o efeito mais pronunciado mas também está presente uma componente narcótica que se manifesta mais no fim da experiência. Após os efeitos se dissiparem, alguns utilizadores sentem uma quebra na disposição. Fumar é o melhor método para tomar o kougoed em conjunto com canábis. Combinação usada tradicionalmente e que apresenta uma óptima sinergia. O kougoed

Cultivo

Os recolectores de plantas da África do Sul têm observado que a população selvagem de S. tortuosum está em declínio, possivelmente devido à sobre-recolha que se desencadeou desde que os seus efeitos psicotrópicos se tornaram conhecidos nos países ocidentais e também devido à destruição do seu habitat natural. Como tal, o cultivo de S. tortuosum é uma importante ajuda para evitar a sua extinção.

Foto: Mahatma Coat

Inalar é a forma mais eficiente de consumo e também aquela que a maioria dos utilizadores elege como mais agradável, produzindo uma euforia pronunciada com efeito analgésico quase inexistente. Contudo, inalar kougoed causa desconforto ou até dor, bloqueia as vias nasais com secreções, causa uma forte comichão e até hemorragia, se repetido. Muitas vezes os consumidores não conseguem conter a vontade de espirrar sendo todo o material expelido dos seios nasais, o que limita a absorção. Como sugerido anteriormente deve-se moer o kougoed o mais fino possível, de forma a facilitar a administração por esta via.

aumenta os efeitos psicotrópicos da canábis e ao suprimir o apetite neutraliza o efeito oposto provocado pela canábis. Por outro lado, a canábis atenua a quebra na disposição sentida no fim das experiências com apenas kougoed.  

uma mistura deste com vermiculite ou jiffy. O vaso deve ser coberto com um saco de plástico de modo a criar uma mini-estufa. Neste devem-se fazer vários furos com uma agulha ou alfinete para permitir alguma circulação de ar de modo a evitar o crescimento de bolores e musgo. Caso se decida semear sem pré-tratamento, deve-se ter em atenção que o período de germinação pode variar entre duas semanas a dois meses sendo benéfico a aplicação de um fungicida. As sementes são muito sensíveis à temperatura. As melhores condições dão-se quando existe uma flutuação diária da temperatura entre 13-16ºC ou 24-27ºC, que é quando se dá a germinação no seu ambiente natural. Temperaturas superiores a 26ºC inibem a germinação. Contudo se a temperatura for constante isto acontece mesmo a 21ºC. As plântulas, após produzirem o primeiro par de folhas definitivas, e as podas, após enraizarem, devem ser gradualmente introduzidas a condições mais secas. Para tal, retira-se a cobertura da mini-estufa um número crescente de horas por dia. Tal como os cactos, a kanna é uma suculenta, logo as condições necessárias às plantas adultas são muito similares às destes, devendo ser colocadas num local com o máximo de horas de luz solar directa possível e com temperaturas entre os 16ºC e os 60ºC. Apesar das plantas suportarem condições com temperaturas inferiores e pouca luminosidade, estas afectarão negativamente o seu crescimento. A rega é o

Regra geral, a kanna é uma planta resistente, que não atrai pestes, à semelhança dos cactos A kanna pode ser propagada por sementes ou podas. As podas são a forma mais fácil pois enraízam facilmente, bastando seguir o guia publicado anteriormente para as obter. As sementes contêm inibidores de germinação solúveis em água que na Natureza, ao adiarem a germinação até chegarem períodos de chuva, são uma importante técnica de sobrevivência. Em cultivo, para permitir uma germinação consistente, as sementes devem ser mergulhadas em água destilada durante 24 horas antes de semeadas e, para melhores resultados, borrifadas com uma solução de ácido giberélico6. Devem então ser semeadas a 5 mm de profundidade num substrato estéril e que retenha bem a água, por exemplo fibra de coco,

factor mais critico no cultivo de kanna: em demasia a planta pode apodrecer e em escassez atrofiar o crescimento. Regra geral, o substrato deve secar entre regas. Na dúvida se o corpo parecer firme não se rega. Este julgamento deve ser feito nas alturas mais frescas do dia, pois durante períodos muito quentes as plantas têm tendência a enrugar, especialmente se estiverem numa estufa. Há que ter em atenção que a kanna tem um período de dormência durante o qual o crescimento vegetativo pára e a planta deve ser regada o mínimo possível de modo a que o substrato permaneça seco a maior parte do tempo. Este período ocorre durante a época de maior calor que, em Portugal, se dá durante o pico do Verão. Por sua vez, a Pri-

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mavera e o Outono são épocas de acentuado crescimento. Como é usual, à medida que as plantas forem crescendo o seu consumo de água aumenta, facto a que se deve prestar atenção quando estas estão em vasos. O substrato ideal para a kanna deve ser constituído por 2/3 de composto, 1/6 de areia e 1/6 de pedras ou argila expandida de modo a facilitar a drenagem. Os substratos comerciais para cactos também são indicados, desde que drenem bem. Caso isto não aconteça basta adicionar um dos materiais indicados anteriormente. A kanna requer poucos nutrientes mas pode-se dar um fertilizante com valores N-P-K similares num intervalo grande durante as épocas de crescimento acentuado. As raízes tendem a crescer lateralmente como com as plantas que se propagam através de rizomas, portanto devem ser escolhidos vasos mais largos que fundos e no solo, as plantas devem ser bem espaçadas, pois ocupam a superfície deste muito rapidamente. Durante o Inverno em Portugal a kanna pode apodrecer devido a água em excesso ou ser queimada pela geada. Caso se cultive em vasos, estes devem ser movidos para um local abrigado da chuva. Se o cultivo for no solo, após as primeiras geadas, cava-se e levanta-se a planta pelas raízes de forma a plantá-la num vaso com composto ou casca de pinheiro, que deve ser mantido apenas húmido durante o Inverno num local abrigado, de preferência uma estufa. Regra geral, a kanna é uma planta resistente que não atrai pestes, muito à semelhança dos cactos. Contudo, plantas e rebentos novos tendem a atrair pulgões, podendo-se utilizar extracto de neem na água de rega para evitar o seu aparecimento. Lesmas e caracóis também se alimentam destes novos rebentos, com especial interesse pelas pontas dos mesmos. Uma mordidela neste ponto

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várias dimensões, modelos e cortes, embalagem personalizável filtros práticos, mais saudáveis e cada vez mais bonitos!

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Arte rupestre San mostrando elandes, caçadores e xamãs. Localizado no Game Pass Shelter em Kamberg, África do Sul

Foto: Thor Karlsson

causa uma fila de buracos que aparecem à medida que as novas folhas desenrolam e que podem permanecer na planta por vários meses. Colocar um fio de cobre ou cinzas (enquanto secas) em torno da planta evita que estes se aproximem. Em cultivo de interior a kanna pode ocasionalmente ser afectada pela aranha vermelha. Para identificar e controlar esta praga deve-se seguir os conselhos publicados na edição anterior referentes às pragas na canábis. O maior perigo para as plantas adultas é a doença do vírus da kanna. Pode ser inicialmente reconhecida por pontos de cor pálida e cortes nas folhas e por folhas distorcidas ou enrugadas. Posteriormente, plantas muito afectadas apresentam rasgos mortos e de cor de ferrugem nas folhas por toda a planta e o crescimento é claramente retardado. Estas plantas poderão florir mas as flores ficam com uma forma distorcida e com pontos de cor branca. O grau de severidade da doença varia muito entre plantas: umas morrem ou ficam gravemente atrofiadas, enquanto outras apenas mostram uma infecção localizada em algumas folhas e recuperam. Sabe-se muito pouco sobre este vírus e não existe cura para o mesmo. Assim, plantas que apresentem sintomas severos devem ser arrancadas e queimadas, de modo a evitar que a infecção alastre para outras plantas.  

Tradição etnobotânica

Pensa-se que o consumo de kanna por sociedades pastorais e tribos de caçadores-recolectores que habitavam o que são hoje as províncias de Namaqualand e Little Karoo na África do Sul, remonta há mais de mil anos. Os primeiros relatos escritos datam do século XVII, quando os europeus chegaram a estas zonas onde a kanna cresce abundantemente. Referem-se predominantemente a dois grupos nómadas de origens ancestrais comuns: os Khoikhoi e os San. Os Khoikhoi eram uma antiga sociedade nómada de caçadores-recolectores que adoptou a pastorícia, ocupando-se de grandes manadas e rebanhos, e que viviam em clãs exógamos. Chamavam-se a si mesmo de “Khoi-na” que significa “pessoas verdadeiras”, de forma a distinguirem-se dos San. A sua organização social viria a desaparecer por influência da colonização europeia. Já os San não praticavam pastorícia, vivendo apenas da caça e recolecção. Actualmente, a sua sociedade ainda existe, apesar de terem adoptado a agricultura por força de pressões governamentais e de escassez de recursos naturais. Para além da planta, kanna era o nome atribuído pelos Khoikhoi ao elande (Taurotragus oryx), existindo uma associação simbólica semelhante na sociedade San. Para além da importância económica como uma das principais peças de caça, o elande era simbolicamente ligado à fertilidade, casamento, formação de chuva, adivinhação, dança, transe e cura. Para os San, é o animal de transe por excelência, sendo o elemento predominante das suas pinturas

Desde que foi apresentada aos colonos europeus, os efeitos da kanna apenas foram conhecidos por um número reduzido de ocidentais rupestres. Por esta associação crê-se que a kanna era uma das plantas indutoras destes estados de transe. Certo é que a sua ingestão induzia os Khoikhoi a dançar. A província de Little Karoo era conhecida como Kannaland pelos primeiros colonos, no que parece uma referência clara à abundância, tanto de elandes, como de Sceletium tortuosum. Para além da utilização para fins xamanicos e do já referido uso como inibidor do apetite, crê-se que outro dos usos era dado por guerreiros que regressavam de batalhas que, ao tomá-la, faziam dissipar o medo e depressão que eram comuns após um conflito violento. Actualmente os curandeiros utilizam o kougoed para tratar o alcoolismo com sucesso e pequenas doses são misturadas com o leite materno para tratar cólicas em bebés. O primeiro dos relatos escritos foi feito pelo explorador holandês Jan van Riebeeck e data de 1662. Riebeeck negociou gado com estas tribos e também kanna, após ter descoberto os seus efeitos em indivíduos stressados. Por esta altura, a kanna já estava enraizada na cultura destas sociedades pelas suas propriedades psicotrópicas e também como um bem de comércio. Em 1685 o governador da colónia holandesa do Cabo, van der Stel, escreveu sobre como as tribos nativas valorizavam a kanna, chegando tribos inteiras a viajar a locais muito longínquos para recolher os melhores espécimes em

FONTES · Plants of the Gods, Their Sacred, Healing, and Hallucinogenic Powers. Schultes, Hofmann, Rätsch; · Golden Guide: Hallucinogenic Plants. Richard Evans Schultes; · Psychoactive constituents of the genus Sceletium N.E.Br. and other Mesembryanthemaceae: a review. Smith MT, Crouch NR, Gericke N, Hirst M.; · Sceletium tortuosum Herba. South African National Biodiversity Institute, South African Medical Research Council and University of the Western Cape; · The distribution of mesembrine alkaloids in selected taxa of the Mesembryanthemaceae and their modification in the Sceletium-derived ‘kougoed’. Michael T. Smith, Courtney R. Field, Neil R. Crouch e Manton Hirst; · Investigations of the phytochemical content of Sceletium tortuosum following the preparation of “Kougoed” by fermentation of plant material. Srinivas Patnala, Isadore Kanfer; · Kanna Growing Information. World Seed Supply; · Empathogenic Effects of Kanna. The Kanna Shop. http://www.iamshaman.com/kanna/empathogenic.htm; · Medical Use of Kanna. The Kanna Shop. http://www.iamshaman.com/kanna/medical.htm; · Kanna Wiki. Drugs Forum. http://www.drugs-forum.com/forum/showthread.php?t=95136; · Sceletium tortuosum. Wikipedia. http://en.wikipedia.org/wiki/Sceletium_tortuosum; · Sceletium - Kougoed A natural mood elevator. Sceletium.org. http://www.sceletium.org; · Rolipram. Wikipedia. http://en.wikipedia.org/wiki/Rolipram; · Mesembrine. DrugLead. http://www.druglead.com/cds/mesembrine.html; · Canna/Kanna. Paul Rossouw. http://www.erowid.org/plants/other/canna_info1.shtml; · Crocodile on Sceletium tortuosum. TAC Ethnobotnical Society. http://www.tacethno.com/info/ sceletium/sceletiumreport.txt; · TEK - Prepatation/Fermentation of Kanna. Drugs Forum. http://www.drugs-forum.com/forum/showthread.php?t=96325; · Kanna Cultivation Growing Kanna. The Kanna Shop. http://www.iamshaman.com/kanna/cultivation.htm; · Ryan on Kanna germination. TAC Ethnobotnical Society. http://www.tacethno.com/info/sceletium/germination.txt; · Bushmen. Wikipedia. http://en.wikipedia.org/wiki/Bushmen; · Khoikhoi. Wikipedia. http://en.wikipedia.org/wiki/Khoikhoi Todos os sites foram consultados entre 12/09/2010 e 19/11/2010.

quantidades suficientes para o ano inteiro. Séculos mais tarde, em 1928, Laidler notou que a kanna era “mastigada e retida na boca por um bocado, então o seu estado de espírito melhorava, os olhos brilhavam e as suas faces assumiam um ar jovial e começavam a dançar. Mas quando tomado em excesso, tirava-lhes os sentidos e ficavam intoxicados”. Os colonos europeus valorizavam a planta como algo parecido ao ginseng. Meiring, em 1898, foi o primeiro a mostrar que as plantas do género Sceletium contêm alcalóides, isolando a então desconhecida mesembrina a partir de amostras de S. tortuosum. O produto resultante foi testado em sapos que mostraram uma rápida reacção fisiológica e também em porcos-da-índia que mostraram desconforto e perda de apetite. Em 1914, E. Zwicky, sob a tutoria do professor C. Hartwich em Zurique, publicou o artigo “Über channa”, no qual afirma que as espécies Sceletium expansum e S. tortuosum contêm um alcalóide: mesembrina.

Desde que foi apresentada aos colonos europeus, os efeitos da kanna apenas foram conhecidos por um número reduzido de ocidentais, maioritariamente cientistas ou exploradores. Actualmente, com os problemas com depressões na sociedade ocidental a atingirem níveis críticos, a procura por tratamentos naturais e seguros aumentou e mais pessoas tomaram conhecimento da Sceletium tortuosum. Em 2001, Nigel Gericke e Ben-Erik van Wyk patentearam vários dos compostos activos presentes na kanna para ajudar no tratamento de depressão, distúrbios de ansiedade e de obsessão-compulsão, dependência de drogas e também para reduzir as compulsões que afectam os doentes com bulimia nervosa. No inicio do passado mês de Outubro, a empresa sul-africana HGH Pharmaceuticals obteve a primeira licença cedida pelo governo do mesmo país para estudar e comercializar preparados de kanna e planeia começar a vende-los a partir do próximo ano.

Glossário 1. ecstasy [farmacologia] - nome pelo qual é conhecida a metilenodioximetanfetamina (MDMA), substância psicotrópica com efeitos empatogénicos-entactogénicos causando também euforia, sensação de bem-estar e alterações nas percepções. 2. s uculentas [botânica] – plantas cujos órgãos vegetais (raiz, caules e folhas) são esponjosos e com a consistência quase da carne permitindo armazenar água em quantidades muito superiores a outras plantas. Esta adaptação permite-lhes sobreviver em ambientes áridos. Destas, os cactos são as espécies mais conhecidas. 3. h  otentote [linguística] - língua do povo Khoikhoi que tal como outras línguas da família khoisan se distingue pelo uso do clique. Hotentote é um termo pejorativo que significa gago, usado pelos Holandeses para nomear os povos indígenas que encontraram ao colonizar o sul de África. 4. empatogénico [farmacologia] - termo inventado em 1983 por Ralph Metzner para descrever as substâncias psicotrópicas que induzem sentimentos de empatia, amor e proximidade sentimental para com outros e das quais a MDMA é a mais representativa. 5. entactogénico [farmacologia] - termo cunhado por David E. Nichols como alternativa a empatogénico visando evitar a conotação negativa da sua raiz grega pathos (sofrimento). Também pretende reflectir outras características importantes que estas substancias têm para a psicoterapia como potenciar estados de introspecção e facilitar a lembrança de momentos tocantes. Segundo Nichols a palavra significa “o que produz um sentimento (touch) no interior”. 6. ácido giberélico [botânica] – é uma fito-hormona de origem natural que actua nas plantas como um estimulante de crescimento, indutor de floração e de formação de frutos e é ainda utilizado na quebra da dormência de sementes.


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Apenas necessitamos de 2 ingredientes: flores de canábis e azeite virgem extra, de preferência provenientes de agricultura biológica, ambos. Para 1 litro de azeite recomenda-se a utilização de 5 gramas de flores bem secas. Com esta pequena quantidade o azeite fica com pouca potência e os efeitos resultantes do seu consumo são suaves, praticamente imperceptíveis para consumidores regulares. No entanto, para quem não é consumidor regular ou usa este azeite em fases de abstinência, os seus efeitos já se fazem sentir de forma mais pronunciada. A quantidade referida será então a indicada para consumidores medicinais, especialmente para os que, apesar de beneficiarem dos seus efeitos terapêuticos, não toleram bem os outros meios de administração dos canabinóides. Para um uso recreativo talvez seja adequado duplicar a quantidade de flores utilizadas. Neste caso, conforme se pode ver nas fotos, utilizou-se um pequeno cabeço (que deverá pesar cerca de grama e meio) para uma garrafa de 250ml de azeite. Dentro de uma garrafa de vidro (pode ser a garrafa original do azeite), bem fechada, introduzimos as flores de forma a que fiquem completamente submersas e deixamos a macerar durante umas 6 semanas. A maceração, neste caso, consiste no acto de submergir as flores de canábis num líquido, o azeite, de forma a que esse mesmo líquido se impregne com os seus princípios activos. Por outras palavras, basta deixar estar a erva dentro da garrafa de azeite durante o tempo referido, às escuras. Durante essas 6 semanas, grande parte do THC e outros canabinóides, que são solúveis neste tipo de óleos, libertam-se da erva (mais precisamente dos tricomas) e passam para o azeite. O azeite de oliveira funciona muito bem como emulsionante para os canabinóides, já que estes são lipossolúveis e encontram

no azeite uma das gorduras mais saudáveis em que se podem dissolver. É aconselhável agitar a garrafa uma vez por semana, para facilitar a maceração. Passadas as 6 semanas o azeite estará pronto a consumir. É bom para regar torradas, saladas, grelhados de carne ou peixe, pizzas ou em qualquer outra preparação culinária que possa levar azeite. Os impacientes poderão simplesmente beber uma colher de sopa ou recorrer ao velho e simples método de molhar o pão no azeite. Apenas não é aconselhável usá-lo para fritar alimentos, uma vez que a temperatura sobe demasiado, ao ponto de provocar uma importante degradação do THC. Se queremos a nossa refeição aromatizada com este azeite é preferível colocá-lo já depois dos alimentos terem sido confeccionados. Há também quem prefira abreviar o processo de maceração com recurso à técnica conhecida como banho maria. Dessa forma é possível reduzir os 2 meses atrás mencionados a pouco mais de meia hora. Porém, como seria de esperar, perde-se qualidade, o que se reflecte no seu sabor. Também é certo que o calor gerado degrada alguns canabinóides, ainda que o banho maria não necessite temperaturas superiores a 100º e o azeite virgem extra seja dos mais resistentes ao efeito do calor. Quando se usa uma boa erva e se procede em conformidade, o azeite terá o aroma da variedade de canábis utilizada e esse aroma permanece na boca após o seu consumo. A variedade utilizada foi a mesma de que falei no artigo das páginas 24 a 28 desta revista, a Sweet Afgani Delicious, que oferece um aroma muito especial a qualquer preparação culinária. O efeito é terapêutico e indicado para quem utiliza a canábis com a finalidade de atenuar dores físicas. Uma delícia mediterrânica capaz de impressionar os paladares mais exigentes.

Por outras palavras, basta deixar estar a erva dentro da garrafa durante o tempo referido, às escuras.

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A Folha #5