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INVISIBLE


Tornando o invisível, visível. Segundo o antropólogo Le Breton, na sociedade contemporânea é por seu corpo que você é julgado e classificado. A nossa auto imagem (a forma como nos vemos) é influenciada por tudo o que esta ao nosso redor, principalmente nos canais midiáticos como a televisão e as revistas de beleza, onde os seus principais recursos são imagens. Imagem essa que as pessoas inconsientemente transformam em representações. A partir do momento que você não se encontra representado, aquela imagem absorvida se tornará a referência de como você deveria ser, instigando uma espécie de compulsão em busca pelo corpo perfeito que, na maioria das vezes nem existe pois muitas imagens são manipuladas e corrigidas tecnologicamente. Essa busca desenfreada por uma adequação acaba sendo bastante prejudicial à saúde, resultando em transtornos corporais, como anorexia e bulimia. A sociedade reduziu o corpo contemporâneo a perfis, estabelecendo um conjunto de regras que classificam um corpo como feio ou bonito, assim caracterizando o estereótipo que nada mais é que, um conjunto de características (certas vezes imaginárias) atribuído a algo de forma generalizada para que esse algo seja rotulado e transformado em um padrão.

Esses perfis atualmente se baseiam em dois estereótipos, o da top model (a mulher magra) e o do atleta ( o homem musculoso) que foram simplificados como símbolo de beleza e o grupo de mais prestígio, se transformando em um modelo a ser reproduzido ao qual todos querem alcançar para conseguir ser visto com o mesmo prestígio. Por mais que na era atual o conceito de empoderamento e autoaceitação esteja sendo bastante propagado é perceptível que os padrões de beleza ainda permanecem os mesmos em sua maioria. Isso pode ser visto em função do número de brasileiros que ainda continuam fazendo procedimentos estéticos a fim de construir o seu corpo ideal. Segundo uma pesquisa feita pelo ISAPS o Brasil está em 2º lugar no ranking de países que mais reealizam procedimentos estéticos, tendo efetuado um total de 2.427.535 procedimentos. Desse modo, a partir da percepção e do incômodo de como a mídia e a publicidade disseminam a imagem do corpo e do conceito de beleza atrelado a só um tipo de corpo, o mais longe de todos os “defeitos” possíveis. foi criada a revista intitulada “Invisisible”.


A INVISIBLE É UM CONVITE A UMA MUDANÇA DE PERSPECTIVA PARA QUE VOCÊ CONSIGA PERCEBER QUE CADA PESSOA É BONITA DE SEU MODO E PODE SIM SER RETRATADA COMO ALGO BONITO, DO SEU JEITO, SEM NADA TIRAR E NEM PÔR.


Tornando o invisível, visível. O projeto gráfico foi realizado utilizando-se dos 4 princípios básicos do layout:, contraste (equilibrando itens diferentes entre si a fim de evitar a mesmice dos elementos), proximidade (agrupando itens que se relacionam para que sejam vistos de maneira organizada), alinhamento (colocando itens de maneira que se conectem visualmente um com o outro, unificando a página) e repetição (criando sequências de itens visuais como cores, texturas, formas ou espessuras provocando a consistência e o interesse visual). A revista reúne um total de 06 ensaios fotográficos temáticos, divididos por cores (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e roxo) com a intenção de servir como vitrine que expõe e retrata diferentes tipos de corpos, mostrando que é possível disseminar qualquer um deles como algo belo e com estética subjetiva. As páginas foram produzidas com a intenção de apresentar um design leve, artístico e divertido, sempre brincando com as cores relacionadas aos ensaios. O seu formatos conta com grafismos coloridos dispostos de forma não linear a fim de atrair o olhar do leitor para que fique sempre entretido.

A produção foi inspirada principalmente na natureza, no que é orgânico e procurou utilizar elementos que certas vezes passam despercebidos no cotidiano, seja nas locações, materiais, roupas ou modelos, mostrando que sempre há novas possibilidades no que não é tão explorado dando ao máximo de continuidade na ideia. A revista traz um compilado de ensaios fotográficos divididos em 6 cores (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e roxo) cada um produzido com um imaginário diferente entre si mas que ao todo se completam com os mesmos elementos. A proposta é de retratar as pessoas como se estivessem em seu mundo particular passando a sensação de aceitação e conforto do indivíuo com a sua imagem corporal, seja ela qual for. A banda BaianaSystem também serviu como uma das principais inspirações, projeto musical que contempla novas possibilidades para o uso da guitarra baiana, nas suas letras evidenciam a luta por direitos sociais igualitários, como a intitulada “Invisível” que fala sobre o mundo particular que é criado pra si enquanto ignoramos os indivíduos que estão a nossa volta, usada como narrativa e daí surgiu a ideia por qual o trabalho foi guiado: O de tornar o invisível, visível.


VOCÊ JÁ PASSOU POR MIM E NEM OLHOU PRA MIM ACHA QUE EU NÃO CHAMO ATENÇÃO, ENGANA O SEU CORAÇÃO. NÃO TEM COR NÃO TEM CARA, COMEÇOU NÃO VAI PARAR CORAÇÃO VAI DISPARAR NÃO TEM COMO DEDURAR NINGUÉM VIU, NINGUÉM VIU, NINGUÉM ACHA VOCÊ. - BAIANASYSTEM


invisível

invisível


Ninguém

acha

você


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URUKUM

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magreza Ininterrupta

ressonância Negra

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Beleza pretérita

Corpo Catarse

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Grandeza Púrpura

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“HÁ MANEIRAS DE VER, MANEIRA DE SER, MANEIRA DE CRER, MANEIRA DE VER, CARA METADE, CARA METADE, QUERO TE VER NA CIDADE. TODO MUNDO BUSCA, NINGUÉM ACHA VOCÊ A CIDADE ASSUSTA, MAS VAI AMANHECER.” - BAIANASYSTEM


INVISIBLE i 10

n a o m i

y u r i


Urukum URUCUM. Fruto em forma de cápsula que dentro abriga sementes de coloração vermelha usadas pelos índios. Inspirada na teoria de que alguns povos indígenas descendem de japoneses que migraram pra a América do Sul. Aborda a união do Oriental e do Indígena com a intenção de utilizar uma espécie de dualidade em que os dois combinassem entre si como uma simbiose étnica de estética amazônica, mantendo as suas simbologias e particularidades sendo representada pelo vermelho, cor bastante presente em suas culturas para atrair proteção e energias positivas.

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INVISIBLE

maria clara

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magreza ininterrupta ININTERRUPTO. Aquilo que não é interrompido, é constante, é continuo. Inspirado na força da natureza chamada gravidade, grandeza responsável por definir o peso de um corpo em uma força vertical para baixo, sendo sempre tensionado a um ponto. Aqui é trazido o corpo magro, a magreza contínua que está a todo momento sendo estampado e transformado em um padrão social, sempre tensionado a ser contínuo e jamais parar.

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INVISIBLE

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s o p h i a y a s m i n


RESSONÂNCIA NEGRA RESSONÂNCIA. Estado em que um sistema vibra em frequência própria como resultado de estímulos externos. A beleza negra resiste e sempre encontra o seu próprio jeito de resplandecer, principalmente quando se partilha de um aliado e se compartilha um sentimento de irmandade. Mesmo ao absorver estímulos externos da sociedade continuam tendo a sua própria essência.

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i 22 INVISIBLE

JOANA BRANDÃO


BELEZA PRETÉRITA PRETÉRITO. Tempo verbal que ao conjugado, indica uma ação repetida que tem ocorrido no passado e que se prolonga até o momento. É desse modo que a beleza de Joana é representada, não importa quantos anos se passem, a sua beleza irá continuar sempre ali, se prolongando sendo um corpo feliz que carrega cada vivência com o passar dos anos, firme e forte.

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INVISIBLE

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Filipe Melul


CORPO CATARSE CATARSE. Conceito filosófico que representa a purificação das almas.Uma grande descarga de sentimentos e emoções. Seu corpo foi retratado como uma obra de arte, uma explosão de sentimentos que provoca um estranhamento e uma descarga de emoções quando se entra em contato.

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Pietra pojo


Grandeza púrpura GRANDEZA.

O que é extenso, imenso, vasto. Aqui é trazido o corpo gordo com uma imensidão de si e de amor próprio. Inspirado na lenda da vitória régia onde uma índia fica obcecada em realizar o desejo de ser levada pela lua, para ser transformada em uma estrela.Tentando conseguir seu desejo a qualquer custo acaba ficando doente (aqui usado como metáfora para a busca do corpo perfeito) até que um dia ao confundir o reflexo da lua em um rio (por estar com a saúde debilitada) acabou caindo nas águas. Comovida, a lua a transformou em uma estrela mas das águas, a vitória régia uma das maiores plantas aquáticas que desabrocha lindas flores de cor púrpura (às vezes rosa também).

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Beleza é relativa Beleza é Autoestima Beleza é tudo que eu acho que é bom pra mim. Beleza é o ato de viver Beleza é tudo o que você vê. Beleza é o melhor de si. Beleza é tudo o que você quer Beleza é remar contra a maré Beleza é dizer sim para si. Beleza às vezes é algo que você acha que não tem. Mas não se engane, se dê uma chance. Se olhe e perceba, Beleza é tudo o que você tem. - Maria Clara


ESTE É UM TRABALHO EXPERIMENTAL DE CONCLUSÃO DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, PUBLICIDADE E PROPAGANDA. UNAMA - 2018 FOTOGRAFIA Bianca Brandão DIREÇÃO GERAL E PRODUÇÃO Maria Clara Silva ASSISTENTE DE PRODUÇÃO Wallace Júnior DIAGRAMAÇÃO Maria Clara Silva ILUSTRAÇÃO DA CAPA Flag Nery MAQUIAGEM (Corpo Catarse e Grandeza Púrpura) Pietra Pojo


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Revista Invisible  

A Invisible é o meu Projeto Experimental de Conclusão do Curso de Comunicação Social (Publicidade e Propaganda), da Universidade da Amazôni...

Revista Invisible  

A Invisible é o meu Projeto Experimental de Conclusão do Curso de Comunicação Social (Publicidade e Propaganda), da Universidade da Amazôni...

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