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Escrever foi uma forma que usei de me protestar com o mundo, de um modo silencioso. Não tão espantoso, e mau criado, eu gosto dessa coisa de escrever sem ter inspiração, você tem facilidade de fazer arte, você pode. Agora por exemplo, escrevo teclando devagarinho tomando muito cuidado para que não saia nenhum absurdo, tal como, amor...Minha memória revigorante sobre o amor, amei, amo, tenho um quê, de clichê. O amor absorvido em palavras, minhas metáforas mirabolantes sobre esse assunto mau elaborado, o tão famoso “Amor” Já li, já vivi, já escrevi sobre ele várias e várias vezes. Mas porque? O porque disso é que eu acho ele tão complexo quanto os meus textos, ele é tão absurdo quanto as minhas interpretações mau compreendidas. Tenho esse quê de tudo um pouco, meus favoritos ficam no fundo do baú, minhas roupas velhas eu guardo, assim como os livros que eu já li, quando estou entediada, pego um livro qualquer e leio-o sem parar, para obter mais conhecimento. É tão bonito gente inteligente, é tão bonito ter coisas pra falar, ter assuntos interessantes, não só ficar naquele -Oi, tudo bem? Contante.

Inspiração é uma coisa oca. Na verdade ela me faz querer gritar de raiva, já que quando ela vem, ela chega me fazendo ficar muito contente. Mas quando ela vem, ela logo se vai, e me deixa de mãos abanando... A inspiração é minha amiga, mas também é minha inimiga. Nos amamos, e somos amadoras. Mas na maioria das vezes, quando ela veio, estive despreparada. E sem iniciativa, eu estava triste e sem nenhuma vontade de expor minha tristeza, transformando-a em arte.


Fatos de um instante. Um instante de silêncio e que o mesmo se parta, e se volte discretamente contra mim. Um pouco menos demonstrável, sem muitas dinâmicas, quero a coisa toda sem razão nenhuma. Entre um olhar e outro, vejo pela minha janela crianças passando pela rua, e acenando como se me conhecessem. Vejo também um homem com o rosto amassado que levemente passa a mão sobre o rosto e faz uma única expressão de desespero e solidão. Sem contar na moça de cabelos castanhos, lá pelos seus 20 anos recém feitos, esbanjando felicidade e que ao passar pela minha calçada sempre olha pra cima pra sorrir ao me ver na janela . Retribuo o sorriso, e sempre penso “Dessa lá embaixo, fale com ela, talvez ela seria minha futura melhor amiga”. Isso é pelas 06:00 horas da manhã, quando até os passarinhos ainda voam meio que cansadinhos. E então, acostumada a tomar chá de manhã, dispenso o café quentinho da mãe, que sai bem cedinho pra ir caminhar. Era dias de semana ainda, fui morar sozinha em uma quitinete, mas não aguentei a solidão e voltei para o colo da minha mãe, somente aquela semana. Era bom abrir a janela e sentir o cheiro de uma manhã gostosa de Primavera. Era bom estar em casa. Bom, eu tinha que voltar, já era tarde e os convidados já estavam chegando, primeiro chegou a irmã da amiga da minha mãe ela era curiosa, sempre me


perguntando se aquela estória de vestibular iria adiante. Eu dizia que sim, obvio. Mas o que eu quero mesmo é ser atriz , eu quero expor minhas emoções ao mundo e ainda levar vantagem quando dizer que só atuação. Logo chegou minha Tia... Ah, minha tia as vezes é meio estranha, mas respeito acima de tudo. Ela sempre me perguntava sobre meus “Namoradinhos” deis de quando eu tinha 14 anos. Por que é tão importante pra ela saber disso? Eu não entendo, eu sempre tinha vontade de lhe responder jogando-lho na cara outras peguntas “E você Tia , estas feliz morando em São Paulo? Sente saudades do Sul? E o Seu Chimarrão? Como sobrevive sem ele? E você e o Tio ainda fazem sexo? Como anda seus relacionamentos fora do casamento?” ... É, perguntas que obviamente ela não iria responder. E por fim, dou tchau a todos, e minha mãe vem me dar um beijo. Quando saio pelo portão vejo que o céu esta vermelho. Sim! Vermelho. Vermelho, de raios solares do pôr do sol. Eu acho tão lindo ver ele se partindo, mas prefiro bem mais ver ele chegando. Aqui em São Paulo as avenidas são cumpridas. E é tão grande, confesso que moro aqui a exatamente 16 anos , e não conheço nem metade da Capital. Nasci no Sul, em São Joaquim. Eu já vi neve lá, foi incrível ver aquilo. Eu realmente nunca mais vou esquecer. Eu moro tão longe da minha mãe, só que na mesma cidade, Capital corrijo... Estamos tão perto, mas ao mesmo tempo tão distante. Indo para o meu trabalho, desso do ônibus lotado e e quem vejo a minha frente? A menina que sempre sorria quando me via na janela. Ela olhou para o lado, e me viu , e sorrio. Que sorriso bonito ela tinha, os dentes eram perfeitos. E então eu sorri também. Conversamos, ela tinha mesmo 20 anos, como eu disse. Ela tinha cabelos um pouco mais claros do que eu podia enxergar pela janela. Seus olhos eram verdes, e quando ela olhava para o céu, refletiam o luz do sol. Fiquei feliz por ter conhecido ela melhor, agora seriamos amigas, sim amigas, quem sabe pra vida toda. E então, me despedi e com um sorriso sincero no rosto ela me diz, que gostou de mim. E que espera me ver mais vezes. As ruas se tornaram mortas quando entrei em certa rua, era a rua do meu trabalho, a locadora onde eu trabalhava era tão parada. Que quando cheguei lá, meu chefe estava quase roncando em cima do balcão. Achei engraçado e dei risada e ele acordou com o barulho do meu riso. “Sem nem perceber, percebo agora mesmo. Mas que dia feliz estou tendo” Ainda bem. E então, meu chefe estranhamente me da um beijo inesperado na testa, e diz que eu sou sorte e que “Olha, o primeiro cliente do dia” …O resto do dia foi tranqüilo. Pulando etapas, sem contar da minha terrível estória de amor não resolvida...


Chego em casa, meu deus que casa bagunçada. Digo a mim mesma “Não sou mais uma adolescente bagunceira, preciso crescer mentalmente também, poxa.” ... daí, eu ligo o meu player de música e deixo tocar as mais lentas, e abro as janelas para o frescor entrar, fico pensando comigo mesma, ligo ou não ligo? Pra ele, é difícil comentar. É difícil falar sobre ele, eu abro a porta da varanda e acendo um cigarro, e com o telefona na outra mão, deixo-o cair no chão. Velho ato que me faz desistir, levanto e abro uma garrava de Vinho, e penso na Moça sorridente de hoje. O telefone toca, nem me lembro mais dele. Atendo... Era ele... “ Preciso te falar uma coisa” “ Então me diga” “Sinto falta” “Sente?” “Sinto, falta de tudo, dos beijos, das brigas, dos abraços, das despedidas” “Sente falta de mim?” --Perguntei como quem não quer nada. “ Sinto falta do momento, do tempo, e do espaço em que ele se perdeu” “Não de mim?” --Insisto. “De você também, também. Mas sinto mais falta do que eu era antes de você partir pra muito longe”. “Eu também, tenho que desligar, já vou sair daqui a pouco” (Ele fica em silêncio, me fazendo achar que já tinha desligado sem me dizer tchau, e então um voz meio folgada, meio quieta e falada meio que sussurra diz: “Eu te amo” ) …tutututututu Eu não ia sair coisa nenhuma, estava só arranjando uma desculpa pra desligar o telefona e esquecer esses laços que me prendem ao passado. Eu me mostro preparada pra esquecer, eu me permito esquecer de agora em diante. Pode parecer clichê, mas dará certo. ( A personagem se chama Alice, e tem 21 anos)

Fatos de um instante  

Luana Rodrigues, escritora de versos, poemas e frases tolas, gosta de risos eternos, mas a tristeza faz parte.

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