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Engenharia

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Projecto

Piscinas de Vila Praia de Âncora com cunho A400 Distinguida com o prémio de Melhor Participação para Gabinete de Engenharia da edição de 2011 da Projekta Angola, a feira internacional do sector da construção de Luanda, a A400 tem já uma referência assinalável no mercado nacional. O Construir analisa um dos seus projectos - as Piscinas de Vila Praia de Âncora

A

empreitada das Piscinas de Vila Praia de Âncora têm o cunho da A400 – Projectistas e Consultores de Engenharia Civil, gabinete responsável pelo desenvolvimento de todos os projectos de especialidades e pela coordenação geral dos mesmos. Neste conjunto inserem-se os projectos de estruturas e fundações, infra-estruturas hidráulicas, instalações mecânicas, infra-estruturas eléctricas e de segurança, gás e acústica. Por sua vez, a Buildgest, empresa do grupo A400, foi responsável pela fiscalização e acompanhamento da obra.

Funcionamento autonomizado As piscinas municipais de Vila Praia de Âncora foram implantadas num terreno de área livre com 12.882, e visavam “dar resposta a um programa previamente estabelecido pela Câmara Municipal de Caminha”. Este complexo é constituído por um edifício dotado de três pisos, “sendo que, do ponto de vista funcional, existem várias partes que podem ter um funcionamento autonomizado e, ao mesmo tempo, complementar”. Por sua vez, segundo refere a A400, do ponto de vista topográfico, o terreno apresenta “um desnível considerável, relativamente ao arruamento de servidão”. Este desnível foi aproveitado para encaixar o novo volume arquitectónico, onde é possível distinguir três pisos. O piso técnico situa-se abaixo da cota de soleira e alberga todas as infra-estruturas de apoio, como reservatórios de água e equipamentos de AVAC. O piso 0, situado parcialmente abaixo da cota de soleira, recebeu, para além dos 10 | 18 de Novembro de 2011

3.865 “Apesar da sua grande dimensão em planta, especialmente ao nível do piso 0” – cerca de 3865 metros quadrados (84 metros x 46 metros) –, a A400 optou por não dotar o edifício de qualquer junta de dilatação

vestiários/balneários de apoio, as três piscinas – uma de competição com oito pistas de 2,5 metros de largura cada, um tanque de apoio à competição e aprendizagem e um chapinheiro complementar. Neste piso encontram-se também o clube de saúde com saunas, salas de massagens e vestiários/balneários próprios. Por fim, o primeiro piso, situado acima da cota de soleira, destinou-se às salas de ginástica, aos correspondentes balneários de apoio, a uma área comercial, a uma cafetaria e às bancadas destinadas ao público geral, que permitem uma assistência de cerca de 500 pessoas.

Concepção estrutural do edifício Do ponto de vista estrutural, o edifício foi concebido de forma a “dar uma resposta eficiente e, ao mesmo tempo, económica a aspectos como rapidez de execução, regra de mercado, comportamento mecânico, natureza dos esforços, enquadramento regulamentar bem como a necessidade de implementar um esquema estrutural com o

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Pedro Cristino pcristino@construir.workmedia.pt

projecto de arquitectura proposto”. Dadas as dimensões deste complexo e “ao seu desenvolvimento em vários níveis”, a opção consistiu numa estrutura predominantemente em betão armado, sendo que, nas zonas enterradas, a contenção de terras foi executada pelo meio de muros de suporte convencionais. “Apesar da sua grande dimensão em planta, especialmente ao nível do piso 0” – cerca de 3865 metros quadrados (84 metros x 46 metros) –, a A400 optou por não dotar o edifício de qualquer junta de dilatação. “A elevada restrição ao movimento provocada pelos muros de suporte, associada aos fenómenos de retracção e às variações uniformes e diferenças de temperatura levou-nos a ter espe-

ciais cuidados no dimensionamento dos elementos horizontais (lajes e vigas) e verticais (pilares, paredes e núcleos)”, refere a memória descritiva do projecto. De forma a avaliar convenientemente os efeitos que estas acções poderiam ter na estrutura, construiu-se um modelo de cálculo, onde foram aplicadas estas acções e onde foi simulado o faseamento construtivo da estrutura. No que concerne às lajes, a solução escolhida consistiu em lajes aligeiradas de vigotas. “Complementarmente, foram utilizadas lajes maciças em vãos com cargas maiores e onde a utilização das lajes aligeiradas de vigotas não se revelou, do ponto de vista económico, vantajosa”, explicam os responsáveis da A400, na memória


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descritiva, onde explicam também que, nos pisos 0 e 1 se optou por “lajes aligeiradas com 0,3 e 0,35 metros de espessura e por lajes maciças de betão com as mesmas espessuras”.

Cobertura em madeira “De referir, a zona de entrada das piscinas, com um vão de cerca de 18 metros e que foi resolvido sem o auxílio de meios activos de controlo da deformação”, explica a memória descritiva, sublinhando também

que, “ao invés da utilização de qualquer solução pré-esforçada, solução obviamente mais onerosa, optou-se pela realização de uma viga caixão, em consola, com cerca de 8 metros de vão, 2,1 metros de largura e uma altura variável entre 0,5 e 1,35 metros”. A viga em caixão, perpendicular ao vão de 18 metros, funciona, do ponto de vista estrutural, “como um apoio elástico”, o que permite o cumprimento dos “limites regulares (L/400) para a deformação dos vários elementos estruturais interve-

nientes nesta zona da estrutura”. Na zona da bancada, optou-se pela utilização de elementos pré-fabricados, “que vencem um vão, entre pórticos de betão armado, de cerca de 8 metros”. Segundo a A400, esta solução “revelou-se como a mais eficiente, quer do ponto de vista económica, quer do ponto de vista da rapidez de execução”. De acordo com a memória descritiva, o elemento que distingue “claramente estas piscinas de outros equipamentos da mesma natureza” é a sua

cobertura em madeira. A área de implantação da cobertura em madeira é de 2790 metros quadrados e é constituída por oito pórticos com afastamento de 8 metros (eixoeixo), por madres com 7,6 metros de vão, afastadas em cerca de 2,5 metros e por contraventamentos metálicos. Os pórticos são constituídos por pilares duplos com 5,3 (Pmad1) e 5,4 (Pmad2) metros de comprimento e por vigas com 31,4 (Vmad1) e 14,5 (Vmad2) metros de comprimento. I

Opinião

A crise na zona euro As decisões tomadas na recente cimeira da U. E., nomeadamente a que se refere a admitir um incumprimento de 50% na dívida soberana grega, não pode deixar de criar perplexidade e preocupação. Fica aberto um grave precedente de que devedores, com a importância dum país da Zona Euro, podem entrar em incumprimento, arrastando os credores (nomeadamente bancos) para situações de óbvia dificuldade. Mas também parece revelar alguma incoerência, dado que a U. E. se propõe capitalizar, os bancos afectados, mediante uma injecção de liquidez. Ora, a menos que a U. E. esteja a enveredar por uma subreptícia política de nacionalização desses bancos (o que parece em desacordo com o paradigma liberal que tem sido apanágio da U. E.), não se compreende que essa injecção de liquidez não seja efectuada à Grécia para ela poder pagar aos seus credores bancários, evitando um incumprimento. Os montantes em causa seriam os mesmos, mas as consequências morais seriam bem diferentes. A partir de agora, dado que os Estados servem de referência comportamental para os cidadãos, ninguém (nomeadamente os juízes) terá autoridade moral para evitar que donos de obra deixem de pagar integralmente a projectistas e empreiteiros e estes aos respectivos fornecedores e que passem a pagar apenas 50%. Passaremos a ter, para além das “lojas dos 300”, as “facturas a 50%”. A nível interno também temos contradições: o governo pretende implementar um acréscimo de meia hora diária de trabalho (o que equivale a mais 130 horas anuais), mas o patronato entende que, com a falta de encomendas que existe, vamos ter pessoal desocupado mais meia hora por dia. Contudo, esse mesmo patronato defende a extinção de alguns feriados e de algumas “pontes” (entre feriados e fins de semana), dizendo que, com isso, se ganham mais cerca de 50 horas anuais. Então, neste último raciocínio, já não se aplica o argumento da falta de encomendas? Ou só há encomendas para mais 50 horas de trabalho anuais e não para 130 horas? Parece demasiada confusão e “amadorismo” para problemas tão graves como a crise que nos envolve. Esquecem estes agentes políticos que, como diria Churchill: “É melhor ser irresponsável no que é verdadeiro do que responsável no erro”?

J. Matos e Silva Engº Civil, Especialista em Geotecnia, Estruturas e Direcção e Gestão na Construção (O.E.)

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