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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 17_#188_nov2008

Canais investem em conteúdo online para conquistar e manter o público infanto-juvenil

geração

conectada TELEVISÃO Após um ano de existência, TV Brasil monta sua rede

PUBLICIDADE Agências e veículos ainda não sentiram a crise global


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SUA PRODUÇÃO ACABA DE GANHAR MUITO MAIS EM QUALIDADE DE IMAGEM. É SUCESSO. É SONY. PDW-U1

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Sony é uma marca registrada da Sony Corporation. Todos os pesos e as medidas não-métricas são aproximados. As imagens visualizadas neste anúncio são simuladas. Fotos, gráficos e ilustrações podem não corresponder a uma representação fiel da realidade. Produtos vendidos separadamente.


Foto: arquivo

(editorial ) Presidente Diretores Editoriais Diretor Comercial Diretor Financeiro Diretor de Marketing

Editor Tela Viva News Redação

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Depar­ta­men­to Comer­cial

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Rubens Glasberg André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski Leonardo Pinto Silva

Mariana Mazza (Repórter) Letícia Cordeiro Carlos Edmur Cason (Direção de Arte) Debora Harue Torigoe (Assistente) Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca) Geral­do José Noguei­ra (Edi­to­ra­ção Ele­trô­ni­ca) Alexandre Barros (Colaborador) Bárbara Cason (Colaboradora) Roberto Pires (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te) Gislaine Gaspar Vilma Pereira (Gerente) Marcelo Pressi 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira

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Ana Carolina Barbosa Daniele Frederico Lizandra de Almeida (Colaboradora)

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Quem banca a web TV?

Fernando Lauterjung

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André Mermelstein

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inguém duvida que o vídeo já é e será ainda mais uma das grandes atrações da web. O consumo de vídeo online vem crescendo no mundo todo, e mais fortemente ainda no Brasil. Atentas a isso, as empresas vêm investindo na aquisição ou produção de conteúdos para esta plataforma. No último mês o portal Terra anunciou a aquisição de novas séries, todas de sucesso na TV por assinatura, e ainda uma novidade: a exibição dos episódios no mesmo dia da TV, com uma hora apenas de diferença (modalidade conhecida como “catch-up TV”, ou seja, o usuário que perdeu um episódio pode assisti-lo em seguida na web). O canal Sony também passou a oferecer algumas de suas séries na íntegra via web. Na matéria de capa desta edição você verá outros exemplos de como os canais investem na web, principalmente aqueles voltados aos jovens, ou “nativos digitais”, que nasceram já na era da informação e navegam com muita facilidade entre todas as mídias. Nem se trata mais de uma opção, mas de uma imposição do próprio mercado, já que esta geração exige o conteúdo multiplataforma. A questão é: que modelos de negócio sustentarão estas e outras ofertas no médio e longo prazo? A opção, por enquanto, é claramente estratégica. Trata-se de “botar um pé” no mundo do conteúdo audiovisual, no caso dos portais de Internet, ou de garantir que, já que as pessoas baixarão estes conteúdos de qualquer jeito (legal ou ilegalmente), elas pelo menos o façam dos portais das próprias televisões, que esperam gerar pelo menos alguma receita de publicidade com isso. Estas receitas vêm aumentando, mas ainda não fecham a equação. Deve-se ter cuidado para que as estratégias não sejam predatórias. Afinal, há modelos já bem estabelecidos, como o do broadcast e da TV por assinatura, que geram valor para produtores, distribuidores e exibidores. A época é de transição, e o desafio é achar o equilíbrio entre a nova realidade e o modelo tradicional. Nesse aspecto, a crise financeira internacional deve dar uma mãozinha. Se os recursos faltarem, prevalecerão os modelos que efetivamente gerem receita para toda a cadeia de valor.

Tela Viva é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 3327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

capa: Domingos Aquino

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Ano17 _188_ nov/08

(índice )

Novos consumidores

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Produtores levam conteúdo para novas mídias, em busca de público infanto-juvenil

Scanner Figuras Televisão

( cartas) Audiência Gostaria de parabenizar a publicação pela surpreendente matéria sobre a audiência da TV no Brasil, publicada na edição de outubro. Não me recordo de ter lido algo tão revelador sobre este mercado.“Para o bem e para o mal”, conforme está dito no editorial da revista. Cláudio Souza, Porto Alegre, RS

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Um ano após o lançamento, TV Brasil anuncia nova estrutura de grade

Publicidade

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Anunciantes, agências e veículos discutem mídia diante da crise

Aluguel de horários TV é um negócio caro. Implica somas celestiais de dinheiro. Natural para os tele-religiosos poder arcar com os custos do aluguel de horários das redes. Afinal, uma das principais atrações daqueles programas é a bênção dos boletos bancários a serem pagos pela fiel audiência. Rafael Campos Menezes, Rio de Janeiro, RJ

Audiência TV por assinatura

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Canal Brasil completa dez anos

Animação Oportuno o apoio estatal para a produção de animações para TV. O Brasil amadurece nesse segmento, e por isso mesmo é necessário uma política pública para incentivar e consolidar um mercado muito promissor, a exemplo do que ocorre nos demais mercados. Flávia Lima, São Paulo, SP

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Making of Case

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Canal Azul produz advertainment com NatGeo

Artigo

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Um novo modelo para a radiodifusão

Evento

Internet Gostei de ver o que a Record está fazendo e o que a Band está preparando em termos de distribuição de vídeos na Internet. A Record está dando um show e um exemplo para todas as redes abertas ao dar aos seus espectadores uma segunda janela para acessar seu conteúdo. Iniciativa a ser seguida! Maria Rita, São Paulo, SP

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Chile debate TV por assinatura e TV digital

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Upgrade Agenda

Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

telavivanews www.telaviva.com.br 4

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Desenvolvendo soluções Broadcast em HDTV

Playout HDTV

Sistema de Gravação de Censura

Playout HDTV

Monitoramento Digital Remoto

- Exibe vídeos em múltiplos padrões SD e HD. - Compatível com diversos codecs como Quick Time, WMV, Mpeg2, AVI e MXF. - Interface em Português simples e intuitiva. - Vídeo Streaming. - Canal gráfico para inserção de caracteres, logos, slides e marcas d’agua. - Exibição de clipes armazenados em discos locais ou distribuídos através de uma rede LAN/ SAN.

Desenvolvimento e Fabricação

Linha completa de equipamentos para integração SD HD. -Distribuidores de áudio e vídeo -Priorizadores de áudio e vídeo -Monitores de referência de áudio

Ilhas de Edição

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VMAX Ilhas de edição não-linear desenvolvidas e integradas com placas Blackmagic Decklink & Matrox Axio e RTX2 para edição SD e HD.

SONY HVRZ7 SONY PMW EX3 TRICASTER MATROX MXO PANASONIC HPX 2000 DSR45A DECKLINK

Revendas:

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( scanner ) FOTO: marcelo kahn

Ferramenta de marketing A Claro é a primeira operadora no País a comprar espaço publicitário para anunciar suas próprias soluções de mobile marketing. A empresa, em parceria com a Pontomobi Interactive, pôs, na primeira semana de novembro, banners em sites especializados no mercado publicitário. Trata-se de um anúncio interativo em que o usuário é convidado a digitar seu número telefônico e logo em seguida recebe uma ligação em que ouve o gerente de marketing de SVA da Claro, João Victor Martins, e o presidente da Pontomobi, Leonardo Xavier, explicando as vantagens de se usar o celular como ferramenta de marketing. O 1º Forum Mobile Plus: Mobilidade + Negócios, promovido pela Converge Comunicações em São Paulo, FOTOS: divulgação

Para Leonardo Xavier, da Pontomobi Interactive, usuário tem que interagir com campanhas criadas para o celular.

no final de outubro, teve um debate sobre a realidade brasileira em mobile marketing. Segundo os palestrantes, o que falta para que o celular cresça como plataforma de publicidade é justamente o trabalho de evangelização junto a anunciantes. Para Xavier, da Pontomobi, o mobile marketing, para ser eficaz, deve ser feito com interação com o usuário, mas lembrou que a interação “tem que ser subsidiada pelo anunciante, já que a maioria (dos celulares) é pré pago”. Para Renato Virgili, da Agência Click, há resultados quantificados que precisam ser mostrados aos anunciantes. Contudo, segundo ele, ainda não foi definido um padrão de mensuração do retorno das campanhas. “Os clientes cobram métrica”, observou.

Ao vivo O show da banda mineira Skank que será realizado no dia 21 de novembro no Rio de Janeiro terá transmissão em tempo real pelo serviço de vídeo sob demanda da Claro, o Minha TV, dentro do portal Claro Idéias. Depois disso, o vídeo continuará à disposição dos assinantes até o dia 31 de dezembro. Os shows dos dias 7 e 8 de novembro, em São Paulo, não serão transmitidos em tempo real, mas serão disponibilizados no portal uma semana depois. Até agora foram feitas poucas experiências de transmissão de eventos ao vivo para celulares no Brasil. Uma das primeiras foi a transmissão de desfiles do “Oi Fashion Rio” ano passado para usuários da Oi.

Sala de televisão é o ponto de encontro da família para 79% dos entrevistados da pesquisa da Viacom.

Família

A sala de TV é o ambiente favorito de ponto de encontro para 79% das famílias, segundo pesquisa “A Nova Dinâmica Familiar”, encomendada pela Viacom à Research International Brasil. O estudo mostra ainda que o quintal perde espaço (citado apenas por 1% dos entrevistados) em razão do maior interesse das crianças nas brincadeiras virtuais. Entre as atividades de lazer entre pais e filhos, as mais citadas foram conversar (60%), assistir DVD (58%) e assistir TV (50%). A pesquisa foi realizada nos meses de junho e julho de 2008, em São Paulo e Rio de Janeiro. Mais de 600 pessoas, entre pais e filhos, participaram do estudo, que incluiu metodologias quantitativas e qualitativas.

Primeira vez

Experiente em filmes publicitários e documentários, Tadeu Jungle, da Academia Filmes, empresa do Grupo Ink, filmará, em março de 2009, seu primeiro longa-metragem de ficção: “Amanhã Nunca Mais”. A estréia de Jungle como diretor de um longa de ficção será acompanhada pelo recém-lançado projeto Fazenda Cinema. Uma equipe de sete estudantes selecionados pelo Grupo Ink para documentar todo o processo de produção e filmagem de “Amanhã Nunca Mais”, criará o site do filme e divulgará na Internet making of, série de entrevistas com equipe e elenco e promoverá chats para os internautas. O trabalho poderá ser acompanhado pelo site www.fazendacinema.com.br a partir de janeiro de 2009. 6

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Longa de ficção de Tadeu Jungle será acompanhado por estudantes.


“Mothern” no exterior

Trabalho dos técnicos da Tele Design para garantir sistema de distribuição de sinais de televisão em telões espalhados pelo autódromo de Interlagos.

Grande Prêmio

A série “Mothern”, co-produzida pela Mixer e o canal GNT, e que chega agora à sua terceira temporada, pode ganhar versões internacionais. A série está sendo negociada com a Endemol. A expectativa é que sejam ofertados no mercado externo os episódios produzidos no Brasil, assim como o formato. No total, são 39 episódios escritos (incluindo os da terceira temporada), mas o número deve crescer, já que tanto a produtora quanto o canal apostam fortemente na atração. Série co-produzida pela Mixer e pelo GNT está sendo negociada com a Endemol para oferta no mercado internacional.

Pelo nono ano consecutivo, a Tele Design, empresa especializada em redes de telecomunicações, foi a responsável pela implantação do sistema de distribuição de sinais de televisão no autódromo de Interlagos para os treinos oficiais e corrida do Grande Prêmio Brasil. A cada ano, seguindo especificações internacionais, a empresa deve combinar os sinais gerados e transmiti-los para todo o autódromo através de uma rede de TV que projeta e constrói especificamente para o evento. Neste ano, foram mais de 600 terminais incluindo os boxes das equipes, camarotes, telões distribuídos por todo o circuito, TVs espalhadas nas arquibancadas, cabines de rádio e televisão, salas de imprensa e torres de controle. A implantação contempla a instalação dos cabos e equipamentos de rede, instalação e sintonia dos televisores, além de um plantão técnico durante toda a corrida com mais de 20 especialistas, equipados com sistema de comunicação para ajustes e reparos emergenciais.

Série B Dados consolidados em setembro pela Globosat mostram que o serviço de payper-view da série B do Campeonato Brasileiro este ano chegou a 108 mil assinantes. Mais que o dobro em relação a 2007, quando foram registradas 53 mil assinaturas. Segundo Elton Simões, diretor da divisão de canais premium da programadora, a justificativa para “a explosão da série B” é a ampla cobertura. “Aumentamos a cobertura da série B para 100% dos jogos em 2008. O maior crescimento veio do interior de São Paulo, região que tem oito times na série B. A regionalização do futebol é muito grande, conquistamos o público cobrindo times regionais”, comemora. Na série A, as assinaturas foram de 383 mil em 2007 para 520 mil em 2008. Estas informações referem-se somente a assinaturas dos campeonatos, a compra de jogos avulsos não entra nesta contabilidade. Para 2009, a tendência é dar ênfase à venda dos pacotes Sócio Premiere Futebol Clube, em T e l a

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que o assinante pode combinar a compra de pay-per-view do Campeonato Brasileiro com os torneios estaduais. A idéia é diversificar a oferta com novos campeonatos regionais (atualmente são oferecidos os campeonatos carioca, paulista, gaúcho, mineiro, paranaense e catarinense) e ampliar a cobertura. Outro motivo de comemoração para a Globosat é a ampliação da distribuição internacional do canal PFC Internacional, focado em futebol brasileiro. Em novembro, o canal chegou a Angola, Moçambique e Trinidad & Tobago. Em Angola e Moçambique, o canal entra para o pacote básico da Multichoice, que tem 200 mil assinantes. Em Trinidad & Tobago, estará na Columbus. Operadoras da França e do Chile também estão negociando a exibição. O PFC Internacional já está em Portugal, Estados Unidos, Nigéria e Uruguai. Nestes países, o PFC International é um canal premium e tem 20 mil assinantes (dado de julho de 2008). •

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FOTOs: divulgação

( scanner) No YouTube A Record, em parceria com a Google, lançou seu canal oficial no YouTube (www.youtube.com/ rederecord). Além de apresentar os principais destaques, chamadas e trechos da sua programação, a iniciativa ajuda a emissora a ampliar a presença na rede, levando os usuários a conhecer em detalhes o conteúdo dos seus programas através dos sites www.rederecord.com.br e www.mundorecord.com.br.

A apresentadora de “Cá Estamos”, Filomena Cautela, e o diretor da divisão internacional da TV Globo, Ricardo Scalamandré.

Programa português A TV Globo Portugal comemorou um ano de existência com a estréia de um programa local. O canal, distribuído por cinco operadoras de TV paga, tem 25 mil assinantes. Destes, segundo a Globo, aproximadamente 70% são portugueses. O novo programa é o “Cá Estamos”, apresentado por Filomena Cautela. Trata-se do primeiro programa local do canal. Seriado “Ugly Betty”, uma das atrações disponíveis na página da Sony.

Séries na web

Séries da Sony têm distribuição também na página web do canal: www.canalsony.com.br. A primeira a ter episódios disponíveis na rede é “Private Practice”, no dia seguinte em que o episódio foi exibido. Cada episódio fica no site do canal pelo período de uma semana. “Ugly Betty” e “Samantha Who?” também estão na Internet.

Parceiros A .Fox Networks (divisão online da Fox International Channels) e o UOL fecharam um acordo para que os sites dos canais Fox, Foxlife, FX, Speed Channel e National Geographic Channel e do site Bem Conteúdos dos sites dos canais Fox entram nas editorias do UOL Simples.com tenham seus conteúdos distribuídos pelas editorias do UOL. Os sites dos canais continuam existindo – agora ancorados no UOL - e também haverá informações inéditas, vídeos exclusivos e atividades de entretenimento relacionadas ao universo dos canais no portal. 8

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Afiliada tocantinense A Band inaugurou no final de outubro, o Band Tocantins, canal da emissora para a cidade de Palmas, que recebeu investimentos de R$ 5 milhões. Há cerca de um ano, o contrato com a afiliada da Band na capital tocantinense, a TV Girassol, foi rompido. Este mesmo canal passou a se chamar TV Jovem e tornou-se afiliado da Rede Record. Inicialmente, a estrutura local é formada por 15 pessoas comandadas por Fernando Hessel, diretor do novo canal. Ele conta que a Band Tocantins, que inicialmente só envolve a cidade de Palmas, deve ser ampliada para outras regiões do Estado. Em 2009 começa a ser construída a sede de 1,6 mil metros quadrados em um terreno de 6 mil metros quadrados que a emissora possui na região. Hessel diz também que a produção local deve ter início com o projeto “Repórter Celular”, que foi desenvolvido em São Paulo e consiste na cobertura de notícias por um repórter com apenas um celular que circula de moto pela cidade e capta as imagens e as transmite para a redação. Segundo o executivo, o projeto conta com o apoio da Nokia na região. Em um primeiro momento, essas reportagens serão exibidas como pílulas da programação, já que o primeiro programa regional, um telejornal, deve estrear até dezembro. Segundo Hessel, a produção será totalmente digital e o canal está pronto para transmitir digitalmente, assim que o cronograma de implantação permitir.

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Para 2009

O ano está acabando e algumas decisões políticas que impactam diretamente a indústria das telecomunicações ficarão para 2009. Uma das principais tarefas do Cade em comunicação para os próximos meses deve ser a análise do processo referente ao Clube dos 13. Trata-se de uma ação de mais de dez anos e que pode trazer conseqüências importantes para as regras de comercialização de direitos esportivos no Brasil. Segundo Artur Badin, novo presidente do Cade, este caso já está na procuradoria do órgão, mas não deve ser analisado pelo conselho ainda este ano. “Diria que é mais provável uma análise no começo de 2009”. A conselheira da Anatel Emília Ribeiro também Segundo Emília arriscou um novo prazo Ribeiro, conselheira da para os editais de WiMax e Anatel, editais de TV paga: entre janeiro e WiMax e TV por assinatura devem sair fevereiro do ano que vem. entre janeiro e fevereiro Durante o Futurecom, do ano que vem. evento de tecnologia e telecomunicações que aconteceu em São Paulo no final de outubro, a conselheira adiantou que as concessionárias de telefonia não serão proibidas de participar, mas terão contrapartidas, como obrigações de cobertura. “As empresas de telefonia não serão proibidas, mas terão que atender a todos, inclusive o meio rural, regiões de fronteira e os Estados que estão mais distantes dos grandes centros”, disse ela.

Criatividade

Para promover o cinema nacional de baixo orçamento, a distribuidora carioca Pipa Produções criou o projeto Distribuição Criativa. Isabelle Cabral, sócia da Pipa, negociou com exibidores como a Rede Arteplex e Ponto Cine e criou mecanismos para levar o público às salas: a promoção “Pretérito Perfeito”, de Gustavo Pizzi, participa do projetopiloto Distribuição Criativa, da Pipa Produções. criativa, que prevê a comercialização de parte dos ingressos a R$ 5, com distribuidora e produtora abrindo mão de qualquer porcentagem sobre este valor; e o vale-cinema, em que patrocinadores subsidiam as entradas, que devem ser acei­ tas em todas as sessões e dias, inclusive finais de semana e feriados. Quatro filmes fazem parte do projeto-piloto da distribuidora, lançado no final de outubro: “Preté­ rito Perfeito”, de Gustavo Pizzi; “Meu Brasil”, de Daniele Broitman; “Memória para Uso Diário”, de Beth Formaggini; e “L.A.P.A”, de Cavi Borges e Emilio Domingos, com estréias entre outubro e dezembro no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Mais R$ 25 milhões O Programa Mais Cultura Audiovisual deve contar com orçamento de aproximadamente R$ 25 milhões. O programa foi apresentado no Seminário Juventude e Teledramaturgia, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, no final de outubro. Os recursos, 11,5% do total disponível para o Programa Mais Cultura em 2008, serão usados em editais públicos de seleção de projetos de teledramaturgia seriada, que serão exibidos nas TVs públicas. O programa é voltado para o público jovem das classes C, D e E e tem na TV pública e na produção independente seus parceiros estratégicos. O evento, realizado pelo Ministério da Cultura, pela Secretaria do Audiovisual e pela Sociedade Amigos da Cinemateca, com o apoio da Abepec, tem o objetivo de gerar subsídios para a formatação dos editais. A abertura contou com a presença do gestor do programa destinado ao audiovisual, Mario Borgneth; do presidente da Abepec, Antonio Achilis; do diretor da Cinemateca Brasileira, Carlos Magalhães; do secretário do Audiovisual, Silvio Da-Rin; e da secretária de Articulação Institucional do Ministério da Cultura e Coordenadora Executiva do Programa Mais Cultura, Silvana Meireles.

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( scanner) FOTOs: divulgação

Campanha desenvolvida pela DM9DDB e pela O2 para o Terra com o objetivo de divulgar um festival de música e mostrar o potencial da Internet como mídia.

Cidade Móvel O projeto Cidade Móvel, da ONG Cidade do Conhecimento, lança em dezembro o segundo catálogo com conteúdo para telefonia móvel (vídeos, fotos e ringtones) produzido por jovens de escolas e comunidades de várias regiões do Brasil. Depois do lançamento do primeiro catálogo, em 2007, resultado do projeto-piloto do programa, cuja proposta é estimular a produção de conteúdo para celular com venda revertida para as comunidades participantes, o Cidade Móvel conquistou parcerias na iniciativa privada com o IG, Telefónica e Bradesco. “Queremos transformar o projeto em modelo de negócio”, diz Gilson Schwartz, presidente da Cidade do Conhecimento, explicando que a idéia é dar continuidade ao programa envolvendo mais comunidades.

escolhido pela DM9DDB e pelo Terra ganhará um prêmio de R$ 10 mil. O filme, que está dividido em três partes, foi dirigido por Luis Carone e Alex Gabassi, da O2. Ao vivo O Planeta Terra Festival 2008, que aconteceu no dia 8 de novembro, foi transmitido ao vivo pelo Terra TV. Para a cobertura do festival de rock, que durou dez horas e teve apresentações em três palcos diferentes, foram mobilizados mais de cem profissionais, 18 câmeras fixas e duas móveis. No portal, havia quatro canais de vídeo disponíveis: um para cada um dos palcos e outro que exibiu entrevistas conduzidas dentro do estúdio do Terra no local. Depois do evento, os vídeos ficaram disponíveis on-demand. No total, 12 bandas e quatro DJs se apresentaram no evento realizado em São Paulo.

Mídia de peso Com a intenção de divulgar um festival de música e, especialmente, mostrar o potencial da Internet como mídia principal de uma estratégia de comunicação, o Terra lançou a campanha Planeta Terra Festival 2008. Criada pela DM9DDB, a campanha usa mídias tradicionais para atrair o público ao portal onde está a peça mais importante da estratégia: um filme de quase dez minutos dividido em três partes que oferece ao internauta a possibilidade de interagir, participar e completar a história com seus próprios vídeos. O melhor trabalho, a ser

Ciranda de canais Outubro e novembro foram meses de anúncios de canais e novidades em distribuição. Para 2009, a Viacom promete dois novos canais. O primeiro é o Vh1 Classic, 100% dedicado à música, sem intervalos comerciais, que traz clipes clássicos dos anos 70, 80 e 90, além de alguns clipes atuais. Cena de “Círculo de Fogo”, na programação do Space, Além deste, a programadora prepara canal da Turner que entrou para o line up da Sky para o início do ano que vem o será destinado ao público jovem, lançamento de um canal em alta porém, mais velho que o da MTV e definição. A Fox também lançou um canal HD. A partir de 1° de dezembro, com hábitos e interesses mais maduros. Segundo André Mantovani, os assinantes do serviço DirecTV Plus HD da América Latina terão acesso ao diretor de canais do grupo Abril, a grade deve ser formada por 50% de canal HD. A programação conta com conteúdo próprio e 50% de conteúdo filmes e séries da Fox como “24 independente. A idéia, de acordo com Horas”, “Justiça Sem Limites”, “Burn o executivo, é usar conteúdos Notice”, e “9MM: São Paulo”; e brasileiros que estão prontos e já programas do National Geographic foram exibidos em outros países, mas como “Tabu”, “Desafios Mortais com que ainda não encontraram janela no Brady Barr” e “Mega Construções”. mercado interno. Com conteúdo A Abril prepara três novos canais de TV para 2009. Pelo menos um deles essencialmente brasileiro, o canal será oferecido em outros países em deve ser lançado ainda no primeiro português, com legendas. semestre. Sem nome definido, o canal 10

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Distribuição Entre as novidades no line up da Sky estão os canais Megapix, canal de filmes dublados, e o Space, da Turner, dedicado aos gêneros ação, suspense, terror, guerra, ficção científica, aventura e policial. Em novembro, o Play TV também entrou para o pacote básico da operadora. O canal voltado para o público jovem com foco em música, interatividade, games e séries saiu da programação da Rede 21 e entrou para a operadora. O canal também estará na Net, inicialmente apenas para Belo Horizonte (MG). No mesmo mês, os canais Band News e Band Sports entraram para o line up da Net. Os canais ficarão abertos para toda a base de assinantes do serviço digital até o final de dezembro. Após este período de degustação, os canais passam a fazer parte das seleções digitais Advanced, Silver e Gold sem custo adicional. O Sci Fi Channel terá seu sinal aberto para assinantes da Net Digital entre os dias 25 de novembro e 1° de janeiro.

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5 de Fevereiro de 2009 Auditório da Finatec - Brasília, DF

Antecipando tendências. Discutindo modelos. Falando com quem decide. O principal encontro sobre as tendências políticas e regulatórias do setor de telecomunicações e mídia. Uma promoção conjunta das revistas TELETIME, TELA VIVA e do Centro de Políticas, Direito, Economia e Tecnologias das Comunicações (CCom), da Universidade de Brasília, Políticas de (Tele)comunicações chega à sua 8ª edição como o seminário de referência para autoridades, acadêmicos, consultores, advogados e presidentes de operadoras de telecom, broadcasters, canais e programadores de conteúdo, fornecedores e analistas.

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PROMOÇÃO

ORGANIZAÇÃO E VENDAS


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Conselheiros consultivos

Marcelo Leite assumiu a gerência de publicidade das praças de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba da TVA. Ele atua na área comercial de publicidade da operadora há três anos e tem passagens por outros veículos de comunicação como o jornal O Estado de S. Paulo, Rádio 89 FM, Band FM e outros.

A Presidência da República nomeou mais três membros para o conselho consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Luiz Perrone, diretor de assuntos regulatórios da Brasil Telecom assume uma das cadeiras representativas das empresas; Átila Souto, diretor do departamento de serviços de universalização de telecomunicações do Luiz Perrone Ministério das Comunicações, representa o Poder Executivo; e Luiz Fernando Fauth, consultor legislativo, assume uma das vagas destinadas ao Senado Federal.

FOTO: marcelo kahn

Saída

FOTO: isaac amorim/divulgação

Carla Affonso deixou a direção geral da Endemol Globo. A executiva estava na empresa desde a sua formação e foi responsável, entre outros, pela produção de programas como “Big Brother Brasil”, formato licenciado da companhia holandesa.

Novas Mídias

Cade

O advogado Arthur Badin foi oficialmente nomeado presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Antes de ser indicado para a presidência do Cade, Badin já era familiarizado com a autarquia, onde responde Arthur Badin pela Procuradoria-Geral desde 2005. Especializado em defesa da concorrência e regulação, o novo presidente também trabalhou na Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e na Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. César Costa Alves de Mattos, ex-consultor legislativo da Câmara dos Deputados, foi nomeado conselheiro do Cade, completando a formação da autarquia.

Os executivos de negócios Nickolas Suzuki (exApontador Maplink) e Eduardo Assumpção (ex-Lancenet) chegam à ESPN Media Networks para integrar a equipe do gerente André Loureiro Nickolas Suzuki Eduardo Assumpção e do diretor Marcelo Pacheco. O objetivo é enfatizar a estratégia multimídia da ESPN, acompanhar a expansão da empresa nas mídias digitais e intensificar a participação da ESPN nos investimentos publicitários por meio do portal ESPN.com.br, do ESPN360 para banda larga e do ESPN Mobile.

Mudanças O Universal Channel passou por mudanças em sua estrutura organizacional. Fábio Caiado, exgerente de marketing do canal, passa a atuar como gerente de negócios e novas mídias. A unidade será responsável pelo desenvolvimento de projetos para novas plataformas e captação de receita em distribuição e publicidade. Ana Cristina Paixão que é responsável pela promoção e programação e marca do canal no onair passa a gerenciar também a área de off-air (campanhas de marketing, relações com a imprensa e parcerias).

Novas direções A TV Brasil passou por algumas mudanças em sua diretoria. Paulo Rufino, presidente do CBC, assumiu a diretoria geral da emissora. José Roberto Garcez saiu da extinta diretoria de relacionamentos para assumir a diretoria de redes. A recém-criada diretoria jurídica está sob direção de Luís Henrique Martins dos Anjos.

3D Kleber Darcio (exCasablanca Animation, Mesocubo e Steckpixel) e Marina Souza (exMesocubo, Abdução Games e Steckpixels) são diretores de criação da Skycube, agência especializada em criação e produção de conteúdo 3D pertencente à multinacional 3D Impact Media, voltada para a gestão de serviços de publicidade em tecnologia tridimensional. 12

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De volta O vice-presidente sênior de distribuição da MTV Networks Latin America e gerente geral da Viacom Networks Brasil, Álvaro Paes de Barros, volta a morar em São Paulo. Ele passa a trabalhar para toda a América Latina diretamente do Brasil. V i v a

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Foto: arquivo

Fotos: divulgação

(figuras )


( capa ) Ana Carolina Barbosa

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Nativos digitais

Produtores de conteúdo audiovisual infantil aproveitam habilidade das crianças com a tecnologia e experimentam possibilidades em novas plataformas com estréias na Internet, projetos de web 2.0 e programas interativos.

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boa audiência tanto na TV como na Internet”, conta Abramzon, adiantando que, além das novidades em vídeo, a Disney tem outros projetos de Internet para o público infantil no Brasil: uma rede social chamada Club Penguin. Criada no Canadá em 2005, a rede, em que crianças escolhem um avatar de pingüim, jogam, FOTO: Luciano Piva/Divulgação

amanho e idade são inversamente proporcionais à desenvoltura no mundo digital. Cientes da familiaridade do público infantojuvenil com a tecnologia, produtores de conteúdo esforçam-se para cativar esta audiência em outras telas além da televisão. “As crianças não entendem a vida sem as novas mídias. Precisamos falar a mesma língua e temos que estar nas novas plataformas para nos comunicarmos e promover nossos produtos”, explica Ezequiel Abramzon, diretor de digital media da Disney para a América Latina ao justificar as apostas de sua empresa em conteúdo infanto-juvenil para a Internet. Segundo o executivo, uma das mudanças significativas pela qual passou o conteúdo online é a criação do Disney Channel Play, em julho de 2008, uma área dentro do site da Disney com episódios completos exibidos no canal e atualização semanal. “Estamos começando a experimentar as novas tecnologias. O mais comum é ter trailers e vídeos promocionais, mas achamos que é importante deixar o material disponível para a criança ver quando ela quiser”, opina Abramzon. Os sites infantis do grupo (Disney e Jetix) têm mais de 4 milhões de usuários registrados e mais de 9 milhões de usuários únicos por mês na América Latina. Aproveitando esta audiência, a Disney experimentou fazer a web premiere do filme “Camp Rock”, em julho, uma semana depois da estréia no canal Disney. “Tivemos

TV Cultura experimentou maior interatividade com o público infantil no especial de dia das crianças do programa “Cambalhota”.

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batem papo e interagem com os amigos , foi comprada pela Disney em 2007. Na primeira quinzena de novembro, Club Penguin chegou ao País. “A primeira versão não-inglesa do site de relacionamento foi feita em português para o Brasil. Acreditamos muito no sucesso deste produto porque os brasileiros estão liderando as redes sociais mundialmente”, afirma o executivo. Acompanhando a tendência global em direção à web 2.0, a Turner lançou este ano, no início de junho, o Cartoon Network 2.0, resultado de 30 meses de trabalho. As crianças participam de uma comunidade online e podem criar avatares personalizados, expressar suas opiniões, participar de bate-papo com os amigos, assistir a clipes e episódios dos programas e baixar conteúdo com os personagens do canal para o celular (games, vídeos, ringtones e protetores de tela). Conforme participam das atividades online os usuários ganham créditos que podem ser usados para desbloquear conteúdos especiais. No final de outubro, quatro meses após o seu lançamento, o site já registrava um milhão de usuários em toda a América Latina. A performance dá sustentação a novos planos em conteúdo para as novas plataformas. “Estamos nos preparando para um 2009 muito forte. Entre os nossos planos, está continuar a expansão do Cartoon Network 2.0, com novas seções e ferramentas e conteúdo, o lançamento de um site 2.0 para o canal Boomerang e o fortalecimento do CN Celular, lançando sua versão 2.0


Pesquisas De fato, a Turner dedicou a terceira edição da pesquisa Kids Experts, feita anualmente pelo Cartoon Network, a entender melhor a relação das crianças com a tecnologia. O objetivo era descobrir como este público consome os diferentes meios como fonte de informação e entretenimento. Baseada em entrevistas com especialistas em comportamento infantil, pesquisa respondida por quase sete mil crianças no site do canal, anotações de mães sobre as atividades de seus filhos e observações dos pesquisadores durante reuniões com as crianças, a pesquisa mostrou que 73% das crianças na faixa etária de sete a 15 anos têm o hábito de usar várias tecnologias ao mesmo tempo. Neste contexto, observa Zucarrino, é importante estar onde está o usuário para que ele tenha contato com os personagens e conteúdos favoritos independentemente do formato, hora e lugar. A Viacom também realizou uma pesquisa sobre crianças e tecnologia em 2007 para o canal Nickelodeon. Intitulado Playground Digital, o estudo abrangeu mais de sete mil crianças em 12 países (Austrália, Nova Zelândia, Inglaterra, Holanda, Itália, Suécia, Alemanha, Índia, México, Japão, China e Brasil), com idade entre oito e 14 anos e com acesso à tecnologia. A pesquisa mostrou que 86% das crianças brasileiras acessam a Internet mais de três vezes por semana. A média mundial é 70%. Diante destes resultados, Juliana

que no ano passado. Além de disponibilizar episódios de desenhos e séries que não estão mais no ar em uma área do site chamada nickturbo, pela primeira vez, em outubro de 2007, a programadora fez estréias na Internet antes da televisão com “El Tigre”. Em abril deste ano, o mesmo aconteceu com “iCarly”. “Por incrível que pareça, isso não atrapalha a audiência na televisão porque a criança gosta de repetição. Ela assiste na Internet sozinha e depois vê com a família e com os amigos e já sabe o que vai acontecer”, observa Juliana.

“As crianças não entendem a vida sem as novas mídias. Precisamos falar a mesma língua e temos que estar nas novas plataformas”

FOTO: Divulgação

também”, antecipa Pablo Zuccarino, diretor de meios digitais da Cartoon Network América Latina. De acordo com Zuccarino, deixar de ser um site de conteúdo puro para ser um site com foco no usuário foi uma decisão impulsionada pelo cenário altamente competitivo com a aparição de produtos bem-sucedidos na categoria de web 2.0, como YouTube e Myspace, e por estudos e pesquisas feitas pela programadora.

Ezequiel Abramzon, da Disney

Gatti, diretora de mídia digital da Viacom Networks Brasil, afirma que a programadora tem trabalhado com mais ênfase o seu conteúdo de Internet do canal no site (www. mundonick.com.br). “Antigamente, o site Nickelodeon era muito focado na programação. Descobrimos que a criança busca a Internet para brincar e se divertir, por isso, estamos investindo em novos conteúdos, colocamos um jogo novo por semana”, conta Juliana. Outra iniciativa da programadora foi investir em sites com conteúdo focado em uma atração da programação. O primeiro foi o iCarly (www.icarly.com.br), em maio deste ano, que permite a participação do usuário com a postagem de fotos, vídeos e comentários. O próximo deve ser o do Bob Esponja. O site do Nickelodeon tem atualmente 6 milhões de page views e 750 mil usuários únicos por mês. É usado também para as promoções do canal. As votações para o Meus Prêmios Nick foram feitas exclusivamente pela Internet. Neste ano, foram 9 milhões de votos, 7 milhões a mais

Complementaridade A Fundação Padre Anchieta também experimentou fazer uma estréia online com a segunda temporada de “Cocoricó”. O primeiro episódio da nova temporada ficou disponível no site uma semana antes da estréia no canal pago da fundação, a TV Rá Tim Bum, em julho deste ano. Outra experiência da FPA, com o objetivo de explorar as possibilidades da Internet e promover a interatividade com o público infantil, aconteceu no Dia das Crianças, domingo, 12 de outubro, com a

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Expansão na rede Quem já tem a Internet como ambiente principal de produção de conteúdo também está atento ao público infantil. A WTN - Web & Television Network, canal web, lançou o WTN Kids em setembro deste ano. “Pensávamos em colocar desenhos animados dentro do site WTN, porque era um conteúdo que estava faltando, mas analisamos e percebemos que não seria legal, a criança não se relacionaria tão bem com o site. Como eles têm relação intensa com a tecnologia, resolvemos criar um espaço só para eles”, conta Cristina Félix, diretora executiva de produção da WTN. Segundo ela, o retorno tem sido acima das expectativas. Só na última semana de outubro foram 3,61 mil visitas únicas, gerando 6,86 mil exibições. O tempo médio de permanência na página foi de 3 minutos e 25 segundos. Os planos para o próximo ano são de aumentar a programação hoje composta por duas séries, “Dogmon” (de animação) e “Mega Powers” (live action). A UOL, que em outubro lançou a TV 2.0, com maior participação do usuário, também levou em consideração o público infantil. “Por enquanto, não colocamos material enviado por usuário em ‘Crianças’ e os comentários são pré-moderados”, explica Fábio Pacheri, coordenador do UOL Crianças. Na programação, entrarão conteúdos de parceiros como Cartoon Network e Nickelodeon. “Estamos também começando a fazer uma produção própria da TV UOL para crianças. Fizemos, por exemplo, entrevistas com os artistas selecionados para a versão local do “High School Musical” e reportagens sobre bichos no Instituto Butantã”.

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( capa) exibição ao vivo, durante quatro horas, do programa “Cambalhota” simultaneamente na TV Cultura e na Internet. Pela web, o público ainda podia acompanhar uma câmera que captava imagens dos bastidores. Uma semana antes, o site da atração (www. tvcultura.com.br/ cambalhota) foi reformulado para que as crianças pudessem participar enviando seus desenhos, fotos, vídeos e histórias e acessar trechos do programa. No dia da exibição ao vivo, além do casal de apresentadores, três crianças ficavam no estúdio selecionando e comentando as contribuições dos internautas. Foram montadas estruturas com conexão à Internet em três pontos da cidade de onde aconteciam entradas ao vivo. Nesta experiência foram mais de 6 mil visitantes de 17 países, 341 redações, 80 vídeos, cerca de 1,5 mil arquivos enviados, 53 mil exibições de página e mais de 5,8 mil comentários no bate-papo. Cada visitante permaneceu no site por aproximadamente 11 minutos. Segundo Âmbar de Barros, coordenadora do núcleo infantojuvenil da FPA, os resultados foram animadores e fazem com que projetos para intensificar a interatividade voltada ao público infantil estejam nos planos da TV Cultura. “Televisão e internet se potencializam”, diz Âmbar “A criança gosta de novidade e gosta de participar. Quer ver a frase dela, o desenho dela na televisão. A criança precisa de um espaço na televisão em que ela possa se ver. Os projetos de interatividade atendem à demanda do próprio público infantil”. Andréa Pinto, gerente de conteúdo infanto-juvenil da FPA, conta que uma vez, após a demonstração de uma FOTOs: divulgação

“É um desafio do ponto de vista comercial viabilizar o site, oferecer conteúdo de graça para o usuário e convencer o anunciante a anunciar” Camila Targino, da Flamma

experiência científica no programa “Cambalhota”, chegaram pedidos à produção para reprise do programa, pois muitos não tinham conseguido anotar o passo-a-passo. “Naquela época, ainda não tínhamos como disponibilizar a atração e acabamos colocando o vídeo no YouTube para que o público tivesse acesso”, explica. Junto com a programação de 2009, a TV Cultura deve lançar um novo portal com uma área infantil incluída. “A idéia não é transpor a programação da TV para a Internet, mas aproveitar da melhor maneira o potencial de cada meio. Cada programa deve encontrar o seu caminho para a interatividade. Também não é nosso

maior parte dos canais que investe em conteúdo para Internet segue os critérios de publicidade da televisão para os anunciantes, tomando alguns cuidados para não prejudicar a experiência de navegação, desviando a atenção das crianças. Para Camila Targino, gerente de projetos da Flamma, produtora que colocou no ar em agosto deste o site Rádio Pipoca (www.radiopipoca.com. br), com histórias da mitologia universal para crianças em vídeos de dois a cinco minutos disponíveis para download em MP3, uma das principais questões que envolvem o conteúdo online é o estabelecimento de parcerias com anunciantes. “É um

pesquisa mostra que 73% das crianças têm o hábito de usar várias tecnologias ao mesmo tempo. objetivo deixar as crianças conectadas o tempo inteiro. Ela precisa ter o espaço dela, o tempo dela”, observa. Para Andréa, é importante dar continuidade aos projetos de interatividade iniciados. O site do “Cambalhota” continua recebendo material, que é mostrado durante a atração. A idéia é utilizar este material para fazer interprogramas que sejam exibidos ao longo das doze horas de programação infanto-juvenil da TV Cultura. De acordo com Ricardo Mucci, diretor do Núcleo de Novas Mídias da FPA, a Internet tende a ser um instrumento de fidelização do público infantil. O portal dedicado às crianças deve ter a mesma relação com o mercado publicitário que a emissora, que, a partir de 2009, eliminará comerciais da programação infantil substituindo-os por patrocínios de programas e programetes educativos. A

“Acredito que a tendência é produzir conteúdo exclusivo para as novas plataformas, principalmente para o celular, pois o consumo é diferente” Juliana Gatti, da Viacom

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desafio do ponto de vista comercial viabilizar o site, oferecer conteúdo de graça para o usuário e convencer o anunciante a anunciar. Tem também resistência de investir em publicidade na Internet, mas percebo que estes paradigmas estão sendo quebrados”, observa. A Rádio Pipoca tem como parceiro a Pampili, marca de calçados infantis. Antes de cada vídeo, a narração avisa que a história é um oferecimento da Pampili e há um logotipo da marca no canto superior esquerdo. Segundo Camila, o anunciante não tem acesso aos dados cadastrais da criança deve concordar com a proposta do site, que não tem banners clicáveis para não correr o risco de levar a criança a páginas de conteúdo impróprio. Outro ponto polêmico em relação às novas plataformas é a produção de conteúdo para celular. Na FPA, a telefonia móvel não está nos planos


imediatos. “Criança e celular é uma faca de dois gumes. Preferimos explorar a Internet como canal de participação. A interatividade é mais saudável”, justifica Mucci. A pesquisa Playground Digital, da Viacom, mostra que 81% das crianças brasileiras utilizam celular três ou mais vezes por semana. Segundo Juliana Gatti, da programadora, o celular é uma plataforma que deve ganhar destaque. “Acredito que a tendência é produzir conteúdo exclusivo para as novas plataformas, principalmente para o celular, pois o consumo é diferente. Estamos em todas as operadoras e o nosso produto é bem aceito não só pelas crianças”, diz. No início de novembro, a Viacom lançou em parceria com a PlayPhone o novo portal wap do Nickelodeon (wap. mundonick.com.br). A empresa de distribuição de conteúdo de celular administrará o portal, sendo responsável pelas vendas via web e SMS. Os espectadores do canal poderão personalizar seu celular com papéis de parede, protetores de tela, toques e games de seus personagens. A segunda fase do projeto será o lançamento, no final de novembro, da plataforma web (www.mundonick. com.br/mobile). O conteúdo do Nickelodeon ficará disponível também no portal da PlayPhone (www.playphone.com.br). Segurança Ao mesmo tempo em que a receptividade do público infantil motiva investimentos cada vez mais ousados para a Internet, aumenta a responsabilidade dos produtores de conteúdo, já que na web qualquer pessoa com acesso à rede pode compartilhar informações impróprias e as crianças ficam mais expostas. O artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente prevê reclusão de dois a seis anos e multa para quem apresentar, produzir, vender, fornecer, divulgar ou publicar por qualquer meio de comunicação, inclusive rede mundial de computadores ou internet,

Cartoon Network 2.0: um milhão de usuários na América Latina quatro meses após o lançamento. Resultados animam programadora a investir em novos projetos multiplataforma.

online dos filhos. No site “Cambalho­ ta”, da TV Cultura, por exemplo, a criança precisa do número do CPF do responsável toda vez que vai enviar algum material, que ainda assim, é avaliado antes de ir ao ar. Segundo Ricardo Mucci, cerca de 30% do material enviado não é publicado, por ser inadequado à proposta da atração ou conter mensagens suspeitas. No caso do Cartoon Network, que inclui bate-papo virtual no projeto de web 2.0, há uma equipe de monitoramento 24 horas, além de filtros no chat, um glossário com mais de 3,5 mil palavras em inglês, português e espanhol cujo uso está proibido. A ONG baiana Safernet, criada em 2005 para a proteção dos direitos humanos na Internet, divulgou no início de outubro, uma pesquisa com jovens, pais e educadores, feita entre julho e setembro, para conhecer os hábitos de navegação de crianças e adolescentes e assim detectar as vulnerabilidades deles no uso da web. O estudo, disponível integralmente no site da instituição (www.safernet.org. br), mostra que 87% dos jovens acreditam que os pais não impõem limite para a navegação. Por isso, de acordo com Rodrigo Nejm, diretor de prevenção da Safernet, é fundamental que os produtores de conteúdo assumam o compromisso de moderar o material recebido e orientar sobre o uso seguro da rede. “Eles são fundamentais para estimular as crianças a usar a Internet, mas o pano de fundo precisa ser a instrução para o uso seguro. Nem que seja pela repetição, precisa orientar usando a criatividade e os próprios personagens”, diz. “Os pais precisam conhecer e se envolver mais também. Não é porque o filho está em casa navegando que não há problemas. É preciso ter a consciência de que ele está em um espaço público, e precisa tomar os cuidados que se toma em um espaço público”.

fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito envolvendo criança ou adolescente. Para cuidar da segurança da criança e zelar pela imagem da empresa, um ponto em comum mencionado por todos os entrevistados para esta reportagem é a necessidade de uma estrutura interna para a moderação do material enviado para os sites e envolver os pais nas atividades

Rota obrigatória Para Beth Carmona, produtora especializada em conteúdo infantil da Singular Arquitetura de Conteúdo e presidente da ONG Midiativa, voltada para pesquisas e estudos sobre a produção audiovisual infantil, as novas mídias são rota obrigatória para quem quer produzir para crianças hoje em dia. “Quem está pensando em se relacionar com criança e jovem não tem outro caminho a não ser este”, diz. Na opinião da especialista, os produtores precisam trabalhar com o conceito multiplataforma desde a elaboração dos projetos e o grande desafio é saber relacionar o conteúdo em todos os meios, aproveitando o potencial de cada um. “Conheço projetos de outros países também e o que falta ainda em todos os lugares é aproveitar as funções de cada plataforma, não apenas repetir o conteúdo em diferentes meios. Precisamos aprender a elaborar projetos que comecem na televisão e se desenvolvam no celular, aproveitando as potencialidades deste meio, por exemplo”, observa. Ela destaca que pensar em projetos multiplataforma é importante também para sustentá-lo financeiramente. “Uma série de televisão requer um investimento alto. É uma loucura pensar só na TV sem incluir os desdobramentos e possíveis patrocinadores para cada meio”, exemplifica.

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( televisão ) Samuel Possebon

s a m u c a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

TV Brasil consolida rede

Para Tereza Cruvinel, presidente da EBC, primeiro ano foi de ajustes. Agora, rede pública ganha sua primeira grade e modelo de produção.

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por meio de pitching, dentro da Lei 8.666 (lei de licitações)”, explica.

FOTO: fabio pozzebomm/abr

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oa discurso retórico, mas dizer que o primeiro ano de vida da TV Brasil foi um período de ajustes e de colocar a casa em ordem não deixa de ser uma forma de analisar o que aconteceu desde 2 de dezembro de 2007, quando a emissora entrou no ar. “Como jornalista política sempre ouvi isso dos políticos que se elegiam, mas tenho que reconhecer que foi a realidade da EBC”, diz a presidente da Empresa Brasileira de Comunicação, Tereza Cruvinel. A EBC é a holding controladora da TV Brasil. Tereza tem na ponta da língua os percalços para a consolidação da emissora. “Até março, tivemos que trabalhar para transformar a medida provisória que criou a EBC em lei. Participei nesse período de 32 debates com o Congresso e com a sociedade. Depois tivemos um grande trabalho para unificar as estruturas da TVE e da Radiobrás, embora a programação já estivesse unificada. As duas empresas tinham culturas muito diferentes, mas ambas estavam extremamente sucateadas”, diz. A lista de problemas não pára por aí: “enfrentamos a novela que foi para conseguir o canal de São Paulo, que só saiu agora, passamos pela mudança de diretoria em junho, com a saída do Orlando Senna... Então, só agora é que a gente começa a colher algum resultado desse trabalho”, diz. De fato, a TV Brasil não teve um parto fácil, e no primeiro ano de existência passou pelas dificuldades de se adaptar a uma realidade inédita no Brasil: a de criar uma rede em cima de uma base já existente mas com uma concepção diferente. “Eu posso dizer que, do ponto de vista institucional, houve um grande avanço. A implantação do Conselho Curador foi uma vitória

“Vamos regulamentar a contratação por meio de pitchings, pela Lei 8.666.” Tereza Cruvinel, da EBC

importante do ponto de vista institucional. E o conselho mostrou seu papel no episódio do Luiz Lobo”, diz Tereza, referindo-se ao primeiro âncora da TV Brasil, que deixou a emissora acusando o governo de interferir na programação jornalística. Coube ao conselho avaliar as acusações. Críticas ao Conselho Curador não faltaram nesse período, principalmente por parte de organizações que alegam haver pouco espaço para manifestação da sociedade civil. Mas as críticas mais severas vieram justamente quando Orlando Senna deixou a direção geral da emissora, apontando o que chamava de “sombras” entre as funções de sua diretoria e da presidência ocupada por Tereza. A jornalista diz que Senna estava certo quando apontava um engessamento. “Mas, como eu sempre disse, o difícil é desengessar. Enfrentamos esse problema, e propusemos algumas soluções”, diz. Uma delas é a diretoria jurídica, que ajudará no processo de contratação dos programas e conteúdos. “Também vamos regulamentar a contratação

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Cadeados O fato de ser uma empresa estatal obriga a EBC a contratar qualquer coisa no processo de licitação que vale para todo o governo. É um processo que, em nome da transparência, acaba sendo burocrático, pouco adequado para o dinamismo de uma emissora de TV. “Eu sempre disse que o desafio é fazer com agilidade dentro da legalidade. Existem muitos cadeados, mas eles são, por outro lado, necessários”. Esse é o problema que, segundo Tereza, impede o desenvolvimento de mais projetos de co-produção ou mesmo terceirização de produção. Como televisão envolve valores estéticos e o talento de pessoas, a simples licitação de um projeto pode ser arriscada, já que os critérios finais de preço e capacitação técnica não garantem o resultado final. “Achamos que com essa idéia de promover os pitchings dentro de um modelo que seja aceito pela Lei 8.666 pode resolver essa questão”, diz Tereza. Outra medida que está sendo preparada para tentar destrancar os tais cadeados é uma reorganização interna, que passa por uma mudança de estatuto a ser publicada em breve. A diretoria geral, sob a batuta de Paulo Rufino, terá o papel de coordenação operacional, enquanto a gestão estratégica fica com a presidência. A parte administrativa fica com uma secretaria executiva. Mas o telespectador e a sociedade em geral não estão exatamente preocupados com as amarras internas da TV Brasil, ou com uma eventual disputa por espaços. O que interessa é programação de qualidade. E esse é o verdadeiro desafio daqui para frente.


Finalmente, a grade Mas talvez o grande salto da TV Brasil se dê a partir de dezembro, quando as 24 emissoras associadas começam a operar com uma grade de programação comum, com 12 janelas geradas pela TV Brasil ao longo do dia, totalizando oito horas de programação em rede. Parece algo simples, mas o ajuste dessa grade levou quase um ano para ser concluído, porque envolvia a negociação com todas as emissoras educativas e universitárias que integram a rede pública. Esse modelo de rede facilitará o licenciamento de programação, permitirá que conteúdos produzidos pelas emissoras locais sejam

exibidos em janelas específicas com o sinal na banda C, para todo o Brasil e, mais que hoje representa cerca importante, unificará a política de 50 milhões de telespec– de comercialização de espaços tadores. E, por fim, solici– comerciais de caráter tamos um conjunto de 39 institucional. É, enfim, o que retransmissoras ao Mini– dará à TV Brasil a cara de uma com para ampliar a cober– TV como as pessoas conhecem. tura da rede analógica”. “Agora temos que definir A TV Brasil entrará na melhor o modelo de co-produção era digital em São Paulo Leopoldo Nunes com as emissoras da rede, em dezembro, quando dando apoio financeiro e coloca no ar o canal na técnico”, diz Tereza, lembrando que a idéia cidade. Outras capitais para onde a não é criar uma colcha de retalhos com EBC já programou levar a TV Brasil programas de todo o Brasil integrando a rede são Rio e Brasília. nacional. “Há faixas de programação com A TV Brasil assinará em breve um temas específicos, como a faixa da diversidade convênio com outras TVs públicas ‘O Brasil tem Disso’, em que diferentes federais (TV Câmara, TV Justiça, TV aspectos do País serão mostrados”. Nesse Senado e Canal da Educação - a ser caso, as emissoras contribuem com criado pelo MEC) para criar um programas sob uma temática comum. “Para consórcio de compartilhamento de infracada uma dessas faixas, uma emissora da estrutura para a transição para a TV rede será a responsável pela padronização de digital. A idéia, segundo Tereza Cruvinel, linguagem, estética e pelo acabamento final do é criar um operador de rede que faça os programa”, diz a presidente da EBC. Essa investimentos em infra-estrutura a ser atividade colaborativa com a rede envolve, compartilhada pelas emissoras. O evidentemente, repasse de recursos, e esse coordenador do consórcio tende a ser a modelo é que ainda precisa ser ajustado. própria EBC, mas com investimentos de Outro desafio para os próximos meses é todos. Esse consórcio é que deve ajudar dar maior capilaridade ao alcance da TV inclusive no processo de digitalização da Brasil. Com 24 geradoras na rede, a rede rede pública como um todo. pública chega a quase todos os estados (exceto Outro desafio da TV Brasil ainda a Amapá, Roraima e Rondônia), mas a ser enfrentado é a questão cobertura nos municípios ainda é precária orçamentária. “Este ano tivemos uma pela falta de retransmissoras e repetidoras. “O boa execução. Temos uma grande que estamos fazendo é finalizando a licitação de mais de R$ 100 milhões distribuição pela TV por assinatura, prevista para a compra de equipamentos em em lei, incluindo o DTH. Também estamos curso, mas conseguimos empenhar o

T e l a

FOTO: arquivo

A programação da TVE e da Radiobrás foi unificada em dezembro de 2007, na estréia da emissora, mas a produção de novos programas e a consolidação de uma nova grade ainda estão em fase de ajustes, ainda que já haja resultados (ver matéria a seguir). Tereza Cruvinel destaca dois aspectos da nova programação: um é a criação de programas jornalísticos que foram bem aceitos e adotados pela rede de educativas. São hoje quatro principais programas do gênero na grade: “Repórter Brasil”, que é o principal telejornal, “Caminhos da Reportagem”, “Três a um” e “De lá para cá”. Na área não-jornalística, os destaques vão para os programas infantis, a cobertura de festas populares e o que ela chama de “janelas de diversidade étnica”.

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11 A 13 DE AGOSTO DE 2009 | TRANSAMÉRICA EXPO CENTER, SÃO PAULO, SP

SUCESSO DE PÚBLICO:

Mais de 11 mil pessoas, na 16ª edição (2008)

SUCESSO DE CRÍTICA:

Avaliação positiva dos participantes

SUCESSO DE NEGÓCIOS:

O melhor networking, as melhores oportunidades

SUCESSO DE CONTEÚDO:

Congresso e seminários com apresentações e temas mais relevantes

SUCESSO DE MÍDIA:

A maior repercussão na imprensa especializada e além dela

SUCESSO DE EXPOSIÇÃO:

Presença garantida dos maiores players do mercado

NO MAIOR EVENTO LATINO-AMERICANO DA INOVAÇÃO, SÓ O SUCESSO É REPRISE. ABTA 2009 – FEIRA E CONGRESSO. PROGRAME-SE.


PLANTA DA ABTA 2009 (EXPOSITORES CONFIRMADOS) TOALETES

F15

F17

3x4

D34

D25

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7x4

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LANCHONETE F9

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SAIDA DE EMERGENCIA

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COFFEE-BREAK

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SAIDA DE EMERGENCIA

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APOIO 10x5

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SAIDA DE EMERGENCIA

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350 PESSOAS

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350 PESSOAS

700 PESSOAS

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RESTAURANTE

AUDITÓRIO 2 AUDITÓRIO 3

AUDITÓRIO 1

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SAÍDA

PATROCÍNIO STA

ORGANIZAÇÃO

PUBLICAÇÕES OFICIAIS

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( televisão ) que recebemos”, diz Tereza Cruvinel. “O problema é que ainda não vimos um centavo do Fistel, porque isso depende de regulamentação específica da Anatel, e estamos na expectativa do orçamento de 2009”, diz, o que mostra que a proposta de uma certa independência financeira para a TV pública ainda é um sonho distante. Sobre as fontes comerciais de receita, com a venda de espaços institucionais, Tereza diz que não houve grandes avanços. Com a impossibilidade de trabalhar essa área ao longo de 2008, a receita praticamente repetiu o que TVE e Radiobrás já faziam individualmente, o que pode melhorar ao longo de 2009. O desafio da programação Talvez a maior marca da programação da TV Brasil ao longo desse primeiro ano de existência não tenha sido nenhuma inovação estética ou algum talento específico revelado. O que mais chama a atenção é o fato de que a rede pública de emissoras educativas e universitárias, que antes priorizavam a utilização de programação da TV Cultura (de São Paulo) em sua grade, agora priorizem programas da TV Brasil. O percentual de uso pela rede de programas da Cultura em novembro de 2007 era de 49%, contra pouco mais de 30% de programação TVE/Radiobrás. Hoje o percentual é exatamente o inverso. Isso se deve a alguns fatores: primeiro, a unificação da programação da TVE e Radiobrás que deu origem à TV Brasil. Depois, ao acréscimo de novos programas por parte da TV Brasil, sobretudo de filmes, documentários e programas jornalísticos. E depois por conta da estratégia da TV Cultura de licenciar sua programação, tanto para a TV Brasil quanto para as demais emissoras. A tendência é que a TV Cultura passe a atuar como produtora de conteúdos, dos quais a EBC será grande consumidora ou entrará como co-produtora, em alguns casos. Segundo Leopoldo Nunes, diretor de programação da TV Brasil, foram produzidos ou programados de dezembro de 2007 a outubro deste ano quase 216 horas de programação. Boa

Nascimento conturbado Em seu primeiro ano de existência, a TV Brasil experimentou as “dores do parto” de forma intensa. A emissora nasceu da fusão de duas entidades de natureza totalmente distinta: a estatal Radiobrás e a OS (Organização Social) Acerp, que controlava a TVE. Isso gerou uma série de problemas, desde os de ordem trabalhista, pois o status dos funcionários eram completamente diferentes, até de ordem política, pois a nova direção bateu de frente com a presidência da Acerp e da TVE, então ocupadas por Beth Carmona e Rosa Crescente, que acabaram tendo que deixar a empresa. Em meados do ano, uma disputa interna de poder tirou da empresa seus dois principais idealizadores, Orlando Senna e Mario Borgneth, que haviam deixado o Ministério da Cultura para se dedicar ao projeto. Até na área técnica a empresa sofreu: os canais reservados para suas transmissões digitais em São Paulo causavam interferência na rede celular da Nextel, e só após um demorado processo, foram realocados. (AM)

parte, em obras cinematográficas. Foram exibidos, ao longo de 2008, 88 longas, 34 curtas, 44 documentários, 14 séries e 11 interprogramas. A programação infantil, que deve ser o ponto mais forte e mais presente da grade da rede pública que entra no ar em dezembro, tem um espaço considerável em novas produções e em horas programadas. “Tínhamos metade da grade sendo repetida, e um grande percentual de horário ocupado com aluguel de espaço. Isso mudou”, resume. Um dos maiores esforços foi na área de aquisição de direitos para exibição de filmes e documentários. “Demos uma mexida no mercado, porque muita gente tinha o conteúdo mas não tinha para quem vender”. Não foi tarefa fácil, explica Leopoldo Nunes, porque a maior parte das obras está pulverizada, nas mãos dos próprios produtores. “Existe pouca distribuição organizada, e o que está na mão das majors, isso a gente não tem como adquirir, tamanha a burocracia”. São quatro janelas de longas por semana, o que torna a TV Brasil a maior exibidora de cinema nacional na TV aberta. São títulos de pouco apelo comercial e em sua maioria desconhecidos do público, mas que segundo Leopoldo Nunes têm dado resultado tanto em audiência (a medição é apenas no Rio, mas será nacional a partir de dezembro) quanto em comentários. Agora, a TV Brasil pretende qualificar distribuidores para simplificar esse processo de seleção e aquisição das obras. Os valores pagos por um longa-metragem variam de R$ 8 mil a R$ 12 mil por três exibições, não exclusivas. Esses valores são estabelecidos com base no que a rede pública pagava, no que a Globo paga e no que o Canal Brasil paga. Ao todo, foram investidos quase

R$ 2 milhões nos direitos destas obras. No ano que vem deve começar mais efetivamente o fluxo de recursos da TV Brasil para as emissoras associadas, o que deve intensificar as co-produções com estas emissoras. Em relação à contratação de produções independentes, o problema maior é a jurisprudência e as dificuldades de contratação pela lei de licitações. “Ainda assim, conseguimos colocar alguns programas na grade deste ano”. A partir do próximo ano, a expectativa é que os Programas Especiais de Fomento (PEFs), promovidos pela Ancine, injetem mais R$ 60 milhões em produções. Também o edital público “Imagens do Brasil” deve ter metade de seus recursos alocados em dramaturgia, que hoje tem pouco espaço na grade. “Ainda vivemos uma fase de experimentação em conteúdos e em modelos de negócio, para ver o que se ajusta melhor aos objetivos da TV Brasil”, diz Leopoldo. Modelos, aliás, que são vários: editais, licenciamento, co-produções, associação direta, convênios, aquisições... Parte do resultado desse trabalho poderá ser percebido, segundo Nunes, a partir de dezembro, quando a programação e a nova grade começam a mudar para o modelo unificado. Leopoldo Nunes espera que a partir do próximo Fórum das TVs Públicas, a ser realizado em 2009 fiquem mais claros os critérios para troca de conteúdos com as TVs universitárias, eventualmente criando bancos de conteúdos acessíveis à rede publica.


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Otimismo acima da crise Anunciantes, veículos e publicitários demonstram preocupação com efeitos da crise financeira, mas não vêem retração nos investimentos de mídia. FOTO: Ismar Almeida/Divulgação

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o discurso, anunciantes, agências e veículos estão preocupados com os efeitos da crise financeira mundial em seus negócios, mas não pretendem mudar seus planos para este final de ano. Na prática, a crise mundial parece estar tirando o sono dos executivos desses setores, mais do que muitos estão dispostos a admitir. Foi o que mostrou uma pesquisa realizada durante o evento ABA Mídia 2008 Integração para Garantir o Engagement, promovido pela Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), nos dias 28 e 29 de outubro, em São Paulo. Com a programação do evento, os convidados recebiam uma enquete intitulada “O que fazer em tempos difíceis?”, com perguntas sobre a sua reação diante da crise financeira. Os resultados, apresentados ao final do evento, mostraram que todos os respondentes acreditam que a crise afetará o Brasil em alguma medida: 81% disseram que o País será afetado; 7% disseram que a crise afetará muito; e 12% acham que a situação afetará bem pouco o Brasil. Quando perguntados sobre a posição de suas empresas diante do quadro previsto para o final deste ano e 2009, os anunciantes parecem acreditar que suas empresas serão cautelosas, mantendo ou reduzindo os investimentos: 40% acreditam que a empresa deve manter investimentos, mas ser mais conservadora; 26%

Painel no ABA Mídia discute utilização de mídias de massa e novas mídias.

FOTOs: divulgação

disseram que sua empresa tende a reduzir investimentos, mas ser mais ousada; 20% responderam que a empresa deve manter ou aumentar investimentos e ser mais ousada; e outros 14% disseram que a empresa tende a reduzir investimentos e ser mais conservadora. Essa atitude conservadora, votada por 40% dos respondentes, pode ser notada na opinião de publicitários. O diretor de mídia da Africa, Luiz Fernando Vieira, conta que não percebe uma retração imediata por parte dos anunciantes, mas que existe uma preocupação em relação ao ano que vem, e a possibilidade de que eles venham a ser mais conservadores. “Eles estão conservadores tanto em relação ao budget quanto em relação a quanto eles conseguirão vender”, diz. De acordo com Gustavo Gaion, diretor nacional de mídia da Ogilvy Brasil, a crise ainda não chegou para valer no mercado publicitário. “Nenhum cliente cancelou trabalhos e estamos

“Nenhum cliente cancelou trabalhos e estamos renovando os pacotes para 2009. Pode ser um bom momento para pensar nos investimentos em novas mídias.” Gustavo Gaion, da Ogilvy Brasil

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renovando os pacotes para 2009. Pode ser um bom momento para pensar nos investimentos em novas mídias”, diz. Na Nestlé, por exemplo, o que pode mudar é o planejamento da empresa para 2009, que ainda não foi finalizado, como conta o diretor de comunicação e serviços de marketing da empresa, Izael Sinem. Em 2008, por outro lado, “os objetivos serão cumpridos e nada será cancelado”, ele diz. Quando perguntados sobre qual posição irão defender perante os colegas de empresa, em particular, as respostas dos anunciantes foram um pouco diferentes: a maioria optaria por defender a manutenção ou aumento de investimentos e ser mais ousada (45%). Outros 32% responderam que sua postura diante do quadro será a de reduzir investimentos, mas ser mais ousada; enquanto 20% planejam defender a manutenção de investimentos, mas ser mais conservadora; e apenas 3% pretendem reduzir investimentos e ser mais conservadores. Embora a maioria acredite que suas empresas devem manter investimentos e ser conservadoras, pessoalmente os profissionais defendem a manutenção ou aumento dos investimentos e mais ousadia.


Ainda que estejam preocupados, é essa impressão de otimismo que se percebe no discurso dos anunciantes em relação aos investimentos em mídia. Na Ambev, por exemplo, o investimento para este ano está seguindo como planejado. Quem conta é a gerente de mídia da cervejaria, Miriane de Castro Schmidt, que explica que o momento também exige pensar com mais cautela, mas não acredita em retração. “Não é a hora de se fechar numa concha”, diz. Quem também divide a opinião é a diretora de marketing e comunicação do Banco Itaú, Cristiane Magalhães Teixeira, ressaltando o planejamento ousado também para 2009. “Não teremos retração dos investimentos em mídia em 2008, tampouco em 2009. Até porque, as principais cotas de televisão do ano que vem já estão compradas”, lembra. Veículos Os executivos dos veículos presen­ tes no evento apresentaram, assim como os anunciantes, pequenas con­ tra­dições. Na pesquisa, eles demons­ traram que pretendem oferecer alter­ nativas diferenciadas aos anunciantes. Durante os painéis, porém, o que se notou foi que anuncian­tes e agências ainda vêem as mídias de massa como propulsoras do mercado, embora a maioria não admita um investimento maior em mídias tradicionais em períodos de crise. Manoel Mauger, diretor de marketing do SBT, e Adriana Scalabrin, diretora da divisão de informações de marketing da Rede Globo, ressaltam que as emissoras ainda não sentiram os efeitos da crise econômica. “O mercado publicitário deve ser abalado, mas a TV deve ser beneficiada porque com os orçamentos apertados, o anunciante vai querer investir no meio que garante o maior retorno”, diz Scalabrin. Na pesquisa com os executivos dos veículos, foi perguntado qual situação o veículo em que trabalha acredita que terá de enfrentar no final deste ano e em 2009. Para 57%, o cenário será de

Enquanto Sinem, da Nestlé, e Luciana Schwartz, diretora geral de mídia da Young & Rubican do Brasil, defenderam a utilização de novas mídias em apoio às campanhas televisivas, o vice-presidente de mídia da DM9DDB, Paulo César Queiroz, fez uma provocação contrária. Para ele, a mídia de massa – como a televisão – pode ser utilizada para alavancar as outras mídias. O exemplo que ele citou foi a campanha do Terra criada pela DM9DDB e lançada recentemente que mostra comerciais na televisão que chamam os telespectadores a entrarem no site do Terra para ver a continuação da campanha pela I nternet. Ele conta ainda que houve um crescimento de 70% no investimento em Internet na DM9, representando hoje cerca de 6% da compra de mídia da agência. “É nesse momento de proliferação de novas plataformas, de novos jeitos de se relacionar com o conteúdo, que eu

“Não teremos retração dos investimentos em mídia em 2008, tampouco em 2009.” Cristiane Magalhães Teixeira, do Banco Itaú

investimentos iguais, mas mais conservadores. Nenhum respondente acredita que o cenário a ser enfrentado por sua empresa é o de investimentos menores e mais conservadores. Quando perguntados sobre os planos de incremento das alternativas de participação dos anunciantes nos veículos, todos parecem estar atentos às novas mídias e aos novos formatos: 72% responderam que os planos são de oferecer novas alternativas diferenciadas, a preços convidativos e outros 28% de oferecer novas alternativas diferenciadas, combinadas com alternativas tradicionais. Quem também sente o bom momento para as alternativas às mídias tradicionais são os executivos de novas mídias digitais, como a out-of-home e mobile. “Creio que os preços mais atrativos das novas plataformas e a possibilidade de mensurar

pesquisa mostra que anunciantes, agências e veículos acreditam que brasil será afetado pela crise os resultados nestes meios devem atrair os anunciantes”, palpita Marcelo Castelo, diretor da F.biz, agência especializada em campanhas pela Internet e celular. “A TV pode atingir bastante gente, mas não dá para quantificar, saber quantas pessoas estão de fato interagindo com a marca. Já na Internet e no mobile isso é possível”. Embora nenhum representante de veículo tenha optado por responder que seus planos são de oferecer mais alternativas tradicionais, o que se notou no painel que discutiu mídia de massa é que essas continuam sendo motoras para a publicidade, inclusive para a divulgação de ações na Internet. O que mais se discutiu no dia 28 foi o uso das mídias de massa – como a televisão – e tradicionais – como a TV paga e os jornais – de forma criativa e integrada com outras mídias como Internet e celular.

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tenho de falar o quão poderoso é o efeito da mídia de massa”, disse. “Quem torna tudo isso verdade é a mídia de massa”. Para Sinem, por exemplo, os clientes podem utilizar os meios massivos para promover a interação entre as diferentes plataformas de comunicação. “É possível maximizar o uso das mídias de massa com outras ferramentas. Foi o que fizemos com o Nescau 2.0, por exemplo, que tinha a TV se conectando com a Internet, ou o case de ‘Nestlé torce por você’, no qual a TV se conecta com o celular”. Ele acredita que a mídia de massa é o meio principal, mas diz que é preciso abrir mais horizontes e trabalhar a multiplataforma. “Se você pretende estabelecer relacionamentos, precisa estabelecer outros pontos de contato com o consumidor”, concluiu.

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(audiência - TV paga)

Escalada cinematográfica

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diário de audiência de duas horas e seis minutos entre este público (universo: 5.373.600 indivíduos). O ranking dos canais pagos com maior alcance entre o público de quatro a 17 anos teve o Cartoon Network no topo, com alcance diário médio de 20,76% e tempo médio diário de audiência de uma hora e três minutos. Em segundo lugar, aparece o Disney Channel, seguido de Discovery Kids, Jetix e TNT. Os canais pagos tiveram, no total, 56,16% de alcance diário médio e duas horas e 14 minutos de tempo médio diário de audiência entre o público infanto-juvenil (universo: 1.186.400 indivíduos). O levantamento do Ibope Mídia considera as praças Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Distrito Federal.

Foto: divulgação

Telecine Pipoca, que ganhará um segundo canal com a repetição de seus filmes, destacou-se em setembro deste ano no ranking dos canais de maior alcance da TV paga entre o público com 18 anos ou mais. O canal de filmes dublados ficou em 7° lugar no ranking, com 8% de alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de 29 minutos, dando continuidade a um crescimento que teve início em agosto, quando o alcance diário médio do canal foi de 8,66%. Nos meses anteriores – julho, junho e maio – o canal registrou, respectivamente, 5,9%, 5,8% e 5,33% de alcance diário médio. Entre os filmes exibidos em setembro, o de maior audiência foi o brasileiro “Cidade dos Homens”, da O2 Filmes (segundo assessoria do Telecine, com informações do Ibope).

“Cidade dos Homens”: produção nacional foi o filme de maior audiência no Telecine Pipoca em setembro.

Os canais mais vistos pelo público adulto em setembro foram TNT, com alcance diário médio de 12,9% e tempo médio diário de audiência de 28 minutos, seguido de SporTV, Multishow, Universal Channel e Discovery Channel. No total, os canais pagos tiveram alcance diário médio de 51,04% e tempo médio

Daniele Frederico



Total canais pagos TNT SporTV Multishow Universal Channel Discovery Fox Telecine Pipoca Cartoon Network Globo News Warner Channel AXN National Geographic Telecine Action Disney Channel Discovery Kids SporTV 2 GNT Telecine Premium ESPN Brasil HBO

De 4 a 17 anos** 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 51,04 2.743,01 02:06:56 12,90 693,48 00:28:19 10,61 570,25 00:34:01 9,79 526,42 00:19:43 8,61 462,91 00:32:27 8,42 452,79 00:20:19 8,35 448,45 00:21:23 8,00 429,97 00:29:32 7,98 428,68 00:36:30 7,94 426,82 00:28:26 7,66 411,69 00:25:13 7,48 401,94 00:25:04 6,76 363,10 00:18:21 6,53 350,97 00:24:24 6,34 340,91 00:36:34 6,29 337,98 00:44:12 5,83 313,29 00:19:10 5,81 312,22 00:15:39 5,64 302,99 00:22:30 5,35 287,47 00:25:52 5,32 285,76 00:19:20

**Universo 5.373.600 indivíduos

Acima de 18 anos**

Total canais pagos Cartoon Network Disney Channel Discovery Kids Jetix TNT Nickelodeon Multishow Telecine Pipoca Fox SporTV Boomerang Discovery National Geographic Universal Channel Telecine Action Warner Channel Telecine Premium HBO SporTV 2 AXN

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 56,16 666,12 02:14:51 20,76 246,30 01:03:40 18,04 213,93 00:58:07 13,21 156,50 01:01:42 12,34 146,27 00:43:01 11,71 138,87 00:25:55 10,92 129,38 00:39:25 9,50 112,53 00:26:25 9,26 109,83 00:28:52 8,03 95,26 00:22:10 7,81 92,59 00:23:30 6,13 72,72 00:21:06 5,73 67,88 00:17:51 5,35 63,47 00:13:49 5,30 62,85 00:19:51 5,07 60,03 00:13:14 4,69 55,57 00:15:31 4,67 55,36 00:19:35 4,28 50,78 00:13:55 4,27 50,55 00:20:48 4,06 48,21 00:11:49

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 1.186.400 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto – Setembro/2008

Alcance* e Tempo Médio Diário – SETEMBRO 2008


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( tv por assinatura)

André Mermelstein

a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Década brasileira No seu décimo aniversário, Canal Brasil cresce em audiência, mas ainda luta para melhorar a distribuição.

H

á dez anos (mais precisamente em setembro de 1998), a Globosat juntava-se a um grupo de produtores de cinema, formado por Luiz Carlos Barreto, Aníbal Massaíni, Marco Altberg, Zelito Vianna e Roberto Farias, e criava o Canal Brasil. A aproximação entre a maior programadora nacional e os cineastas aconteceu durante o processo de discussão em torno da Lei do Cabo, em 1994 (a lei foi promulgada em 1995). Curiosamente, o canal foi lançado inicialmente em Portugal, em caráter experimental. Em seguida, entrou nos pacotes da Net e Sky no Brasil. O projeto vinha atender a uma determinação legal que exigia que as operadoras de cabo transportassem um canal de conteúdo exclusivamente nacional. Ainda assim, levou nove anos até que operadoras fora do sistema Net/ Sky carregassem o canal, por conta das sempre complicadas negociações que envolveram a distribuição dos canais geridos pela Globosat em outras operadoras. Vigorava então uma política de exclusividade dos canais Globosat com as afiliadas da Net Brasil. “O canal nunca foi exclusivo. A política de exclusividade era só para os canais controlados pela Globosat. Mas o Canal Brasil e o Universal, que são joint-ventures, eram prejudicados. Uma série de operadoras achava que a compra destes canais enfraqueceria o pleito deles contra a exclusividade”, conta Alberto Pecegueiro, diretorgeral da Globosat.

“O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, atração das madrugadas do canal.

De seu lado, a Globosat pressionava as operadoras a levar o canal, o único, então, que atendia os requisitos da lei. Para driblar a programadora, as operadoras apostaram no concorrente CinebrasilTV, da produtora Tereza Trautmann. “Nós bancamos o Canal Brasil durante oito anos, até o breakeven, em 2006. Fomos até a Anatel exigir o cumprimento da lei. No dia da audiência, apareceu outro canal (o CinebrasilTV), claramente produzido pela TVA”, diz Pecegueiro. Foi só em 2007 que chegou-se a um acordo final, quando a Net Brasil, responsável pela negociação dos canais Globosat com operadores de TV por assinatura, assinou um memorando de entendimento com a NeoTV. O acordo foi fruto do Termo de Cessação de Conduta (TCC) celebrado entre a Globosat e o Cade, que determinou o fim da política de exclusividade de canais. O Canal Brasil chega hoje a aproximadamente dois milhões de assinantes, cerca de um terço do total de

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assinantes do país. A penetração não é maior porque o canal entra na maioria das operações como canal premium. Para a Globosat, além do business em si, o canal tem um valor estratégico, no discurso da defesa do conteúdo nacional. “É motivo de orgulho para nós. É muito bom ter essa ligação com o cinema nacional. E sobreviver competindo com os maiores grupos de mídia do mundo”, diz Pecegueiro, referindo-se à programadoras internacionais. A distribuição continua sendo o grande gargalo para o crescimento do canal. “Os grupos internacionais podem vender seus canais em pacotes, então você está vendo a volta do ‘lixo satelital’ que existia no começo da indústria: operadoras levando canais que ninguém quer. E dispensam o Canal Brasil. Por causa do TCC, nós somos os únicos que não podemos vender pacotes, somos obrigados a vender os canais


Mudança O Canal Brasil começou exibindo apenas filmes, tanto do acervo de seus sócios quanto outros, adquiridos no mercado. Mas com o tempo o canal foi se transformando e ganhou programas de música, entrevistas e variedades. “O canal tem tido um desenvolvimento. O Wilson Cunha teve um papel muito importante no começo, quando fazia mais sentido assumir essa posição de canal do cinema brasileiro. Quando ganhou força, o Paulo Mendonça (atual diretor do canal) começou a alargar a programação”, lembra Pecegueiro. “Continuo achando que é um canal de cinema”, diz Mendonça. “Setenta por cento do conteúdo ainda são filmes, e continuará assim. Mesmo quando fazemos entrevistas, ainda é um canal de cinema, porque a visão é mais documental, não persegue aquela perfeição da TV”, conclui. Além dos filmes, o canal exibe programas de entrevistas como o

Canal Brasil cresceu 48%. Seria o “efeito pornochanchada”? “O gênero ainda faz muito sucesso. Mas no começo estava espalhado pela grade, e era visto como uma coisa envelhecida. Agora, com a segmentação, a criação de uma faixa específica, ganhou uma oxigenação, virou uma coisa ‘cult’”, diz.

“Mesmo quando fazemos entrevistas, ainda é um canal de cinema.”

FOTOS: divulgação

separados”, diz o diretor da Globosat. O Canal Brasil custa em torno de R$ 1 por assinante (o valor varia de acordo com o porte e o empacotamento da operadora). No horizonte do Canal Brasil há ainda uma potencial ameaça, segundo a Globosat: o PL 29, que cria a nova regulamentação da TV por assinatura. Embora não critique o projeto como um todo, Alberto Pecegueiro vê no texto, pelo menos em suas últimas versões, elementos que prejudicariam o canal. O problema é que o conceito de programadora independente faz com que o Canal Brasil, por ser vinculado à Globosat, não poderia ser considerado para cumprir as cotas propostas no Projeto de Lei.

Paulo Mendonça, do Canal Brasil

“Sem Frescura”, com Paulo Cesar Pereio, “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, com José Mojica Marins, musicais como o “Zoombido”, com Moska, “O Som do Vinil”, com Charles Gavin e outros. A maioria dos programas são produções independentes, com exceção dos noticiários, como o “Cinejornal”, e o “Retalhão”, programa de variedades. Pecegueiro explica que com a mudança de foco que houve nos últimos anos, outros canais da casa como GNT e Multishow saíram de alguns nichos como documentários e filmes, o que deu margem para a complementaridade do Canal Brasil dentro da oferta de canais da Globosat. As mudanças na programação surtiram efeito, e a audiência do canal vem subindo, embora ainda fique bem atrás de boa parte dos demais canais de

Independentes Uma queixa comum entre produtores e distribuidores independentes é que o canal pagaria pouco pelas produções nacionais. “Não é verdade”, rebate Mendonça”. “Praticamos preços de mercado, até maior que o resto dos canais. Claro que quando é um ‘blockbuster’ o preço aumenta, tem disputa com os outros canais”, conta. Além das aquisições, o Canal Brasil vem fazendo produções próprias e participando de co-produções. Fez internamente o filme “Loki”, sobre o ex-mutante Arnaldo Batista, que foi bem no

Além das aquisições, o Canal Brasil vem fazendo produções próprias e participando de co-produções. filmes, até por ter uma base menor de assinantes. “Quando abrimos o sinal (para assinantes de pacotes básicos) o canal fica entre os dez primeiros”, comemora Pecegueiro. Segundo Paulo Mendonça, as mudanças na programação alteraram também o perfil do público. “Até 2004, era um canal mais ‘velho’, com target na faixa dos 50+ (acima de 50 anos). Hoje é predominante 35+, com bastante presença até de 20+, e forte no público AB”, conta. Segundo ele, a audiência do canal vem subindo, na contramão do que acontece com a audiência dos canais pagos como um todo. “Na média, a audiência do setor caiu no último ano 8%, e o Canal Brasil cresceu 41%”, diz. Onde o canal vai melhor é na madrugada, quando segundo, Mendonça, a TV paga caiu 12% e o

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circuito de festivais e será atração do canal. O filme não irá aos cinemas. O canal entra como co-produtor em uma série de documentários, principalmente na linha de biografias de artistas nacionais, como Martinho da Vila (co-produção com a gravadora MZA), Waldick Soriano, Joaquim Pedro de Andrade (co-produção com o Canal+ da França), Hermeto Paschoal, com Maurice Capovilla, entre outros. O canal também está co-produzindo ficção, com os longas “Baal”, de Helena Inês, e “Bodas de Seda”, de Fábio Barreto. O Canal Brasil entra com recursos e, principalmente, com finalização, já que tem uma parceria permanente com as principais finalizadoras do país.

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( making of )

Lizandra de Almeida

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Ao vivo entre os vivos fotos: divulgação

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urante o Salão do Automóvel 2008, que aconteceu no início de novembro, o estande da Volkswagen atraiu a atenção dos visitantes não só pelos lançamentos de veículos, mas pelas atrações musicais. Apesar da montadora ter apresentado shows de Frejat, Paula Lima, Fernanda Porto e Zélia Duncan, quem roubou a cena foi a Banda Volkswagen. Ao lado de músicos reais, o vocalista Beto Beetle, as backing vocals Jetta Lee e Cris Fox, o baixista Paul Sat e Fuca, irmão caçula do vocalista, fizeram sua estréia nos palcos. A banda foi toda construída em computação gráfica pela equipe da Oca Filmes e projetada holograficamente no meio dos músicos reais, em um teatro para mais de 400 pessoas, que fazia parte do estande criado pela agência Bullet. “O estande da Volkswagen é o maior do Salão, e isso é um desafio. Temos de preencher todo o espaço e com coisas muito legais. Qualquer um pode contratar uma banda ou uma atração musical, mas precisávamos transmitir os valores da marca de tecnologia, design, inovação. Resolvemos então criar uma banda virtual, tipo a banda Gorillaz, que interagisse com músicos reais”, explica o diretor da Bullet, Fernando Figueiredo. Para criar e produzir a banda, foram reunidas as equipes da agência, da produtora Oca Filmes e da produtora de áudio Estúdio Ritmo. Enquanto a equipe da Oca desenvolveu os personagens em 3D, o Estúdio Ritmo criou a música e a letra, que remetem aos valores da empresa. “O trabalho foi todo muito diferente do que estamos acostumados”, explica o diretor de

Banda virtual interagia com músicos reais no estande da montadora.

animação Guilherme Albernaz. “Costumamos fazer comerciais de 30 segundos, e nesse caso fizemos quase cinco minutos de animação. Além disso, tivemos que trabalhar com uma resolução de render muito maior para a projeção holográfica. Precisamos de uma semana só para renderizar as imagens.” Os personagens foram criados em três dimensões, para que pudessem virar 360º. “Fizemos como se eles todos estivessem sendo filmados com uma câmera fixa. São personagens estilizados, mas com um comportamento realista, o que exige mais do animador”, diz Guilherme. O trabalho com a luz foi desenvolvido junto com a equipe que montou o estande e com o pessoal da projeção, para que fosse possível destacar um ou outro músico e ainda assim manter a nitidez das imagens projetadas. Os personagens foram criados sobre fundo preto e o palco se mantinha bastante escuro, com focos de luz sobre os músicos reais. “A tela era uma película que não reflete a luz, praticamente invisível no escuro. A projeção vinha de cima e era refletida nessa tela a 45º”, explica o diretor Gustavo Amaral. O áudio era parcialmente gravado, e parcialmente interpretado ao vivo pelos músicos contratados, o que exigiu muitos ensaios. Até porque os personagens virtuais interagem com os outros músicos

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e o vocalista Beto Beetle é quem os apresenta ao público. Parte da banda ficava na frente, nas laterais do palco, depois vinha a tela, e no fundo estavam o baixista e o baterista. Todos eram perfeitamente visíveis. Para promover um efeito viral, a agência criou uma página no Orkut e um Twitter para Beto Beetle. Ele se apresentava e contava como tinha sido sua primeira turnê com a banda. Durante o Salão do Automóvel, cartazes também divulgavam os shows e apresentavam a banda. ficha técnica Agência Bullet Cliente Volkswagen Produto Banda Volkswagen (estande no Salão do Automóvel) Criação César Leite, Mentor Muniz Neto, Daniela Tordino, Rubens Casanova Planejamento Monica Pedro, Gustavo Teixeira, Juliana Queiroz, Denise de Cássia Produção Paula Terra, Guilherme Gaggi, Bullet Natália Goto e José Neno Formiga Produção de animação Oca Filmes Criação e Guilherme Albernaz, de design Bruno Ávila e personagens Marcio Nicolosi Direção Gustavo Amaral Produção Oca Ana Paula Catarino e Pat Signorini Trilha Estúdio Ritmo


Felizes juntos

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nova campanha do Ford Focus mostra toda a linha de produção do carro cantando a música “Happy Together”, da banda The Turtles, enquanto produz o automóvel. A música gruda na cabeça e o astral do filme é tão bom que durante quatro dias foi o vídeo mais assistido no YouTube, na contagem mundial, segundo o diretor Claudio Borrelli. A idéia que deu origem ao filme de lançamento do Ford Focus 2009 surgiu na própria visita que a equipe de criação da agência fez à fábrica e ao campo de provas da Ford. “Constatamos lá mesmo, ao vivo, a satisfação de quem tinha participado da produção do carro. Foi um processo longo de desenvolvimento, então todo mundo parecia feliz com o resultado do carro”, diz o criativo Fabio Brandão. A sensação de dever cumprido se transformou no mote do filme e, na hora de produzir o roteiro, a equipe de criação recorreu a uma pesquisa sobre montagem de veículos para cobrir todas as etapas de fabricação. “Assistimos documentários e programas de televisão, e pedimos à fábrica vídeos e outros materiais. No meio de tudo aquilo havia cenas que nunca tínhamos visto e outras muito iconográficas. Selecionamos tudo o que estava no imaginário das pessoas sobre produção de carro, para representar bem todas as etapas, desde o designer tendo a idéia no chuveiro, até a entrega da chave para o comprador”, continua. A única cena pouco conhecida, mas que também foi incluída, foi a criação dos modelos em argila. Primeiro, é feito um modelo pequeno e depois outro em tamanho natural. “Achamos essa imagem visualmente muito boa.” O roteiro final, então, previa que todos os envolvidos no trabalho

Gravações aconteceram na fábrica da Ford e em uma concessionária desativada.

estivessem cantando a música. “Sabíamos do risco de isso se tornar muito piegas, então dosamos bem o tom. Não queríamos que todo mundo estivesse dançando, mas simplesmente cantando enquanto executava as tarefas normais do dia-a-dia”, diz Brandão. “Escolhemos o casting tentando reunir as características físicas de pessoas que poderiam representar aqueles profissionais, ao mesmo tempo em que soubessem cantar. Uns cantavam bem mesmo, outros mais ou menos. Mas mandamos todo mundo para o Estúdio Fátima Toledo, para que o pessoal conseguisse cantar enquanto executava as tarefas sem balançar nem bater o pé”, explica o Borrelli. As filmagens aconteceram em uma concessionária de veículos desativada e também na fábrica da Ford. “Não podíamos parar a linha de montagem e precisamos de uma autorização especial da Ford nos Estados Unidos para entrar na fábrica. Conseguimos uma diária lá, para captar as imagens da linha de produção em geral.

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Mas o Focus é produzido na Argentina, então tivemos todo o cuidado de não mostrar que carro estava realmente sendo produzido. Tivemos muita sorte de encontrar essa concessionária enorme, que já tinha uma oficina com equipamentos semelhantes aos da fábrica e com um pé direito alto, com telhas transparentes, muito parecido com a fábrica mesmo.” Tanto os planos fechados de produção como o refeitório e a própria concessionária que aparece no final do filme foram filmados ali. A pósprodução entrou para dar os retoques finais de imagem e para multiplicar as 30 pessoas originalmente filmadas e encher todo o refeitório. “A primeira peça do quebra-cabeça foi reduzir a música a um minuto. E logo decidi que o refrão começaria exatamente na cena do refeitório”, completa Borrelli. Fábio Brandão conta que o YouTube também entrou em cena na hora de escolher a trilha. “Estávamos todos trabalhando no filme, era um domingo, e digitei no YouTube a palavra ‘happy’. Foi a primeira música que veio e era perfeita. Oferecemos outras opções para o cliente, mas acabou ficando essa mesmo.” ficha técnica Agência JWT Cliente Ford do Brasil Produto Focus Direção de Mario D’Andrea, Roberto criação Fernandez, Fabio Brandão Criação Fabio Brandão e Silvio Medeiros Prod. de filme Killers Prod. do filme Julia Tavares e equipe Killers Direção do filme Claudio Borrelli Dir. de fotografia Ted Abel Montagem Claudio Borrelli e Marcelo Cavalieri Prod. de áudio Saxsofunny Locução Paulinho Ribeiro Maestro Zezinho Muttareli Finalização Tribbo Post


( case)

Across the Amazon Canal Azul desenvolve série de “advertainment” para Nat Geo. FOTOs: DIVULGAÇÃO

Esta matéria faz parte de uma série que Tela Viva publica mensalmente, explicando o desenvolvimento de projetos audiovisuais bem sucedidos, sob o ponto de vista do modelo de negócios e do financiamento.

U

m modelo de negócios que reuniu um canal internacional, uma produtora brasileira e uma montadora multinacional deu origem à série para a televisão “Across the Amazon”. Os seis episódios acompanham a viagem radical de um grupo que partiu da Ponta do Seixas em João Pessoa, na Paraíba, até a Ponta do Talara, no Peru, em um roteiro de mais de 15 mil quilômetros, que atravessa o Nordeste brasileiro e a Amazônia. A série foi criada pela Canal Azul, produtora associada à Bossa Nova Films, para o canal National Geographic internacional. A expedição foi realizada em duas caminhonetes off-road Hilux, da Toyota. A ação ainda envolveu a revista National Geographic brasileira, que pertence a um grupo diferente da televisão, e a agência de publicidade Dentsu, que atende a Toyota. “Mais do que enfrentar os 15 mil quilômetros pelo norte do Brasil, nosso maior desafio foi conciliar as demandas de tantas empresas”, explica o produtor executivo Ricardo Aidar. “Foi um formato diferente para todos os envolvidos.” A revista e o canal, apesar de serem a mesma marca, nunca tinham trabalhado juntos. A Nat Geo fez questão de manter todo o controle sobre o conteúdo, mas a Toyota e sua agência estavam preocupadas em promover a marca Hilux. Enfim, uma novidade geral.

Em seis episódios, produção acompanha a viagem de grupo que partiu da Paraíba rumo ao Peru.

Todos os recursos utilizados na produção vieram do canal e do patrocinador, explica Aidar. “Conseguimos desenvolver um formato que se encaixava totalmente nessa marca e não usamos nenhum recurso incentivado. Em geral, nos formatos de co-produção que têm sido desenvolvidos no Brasil, o produtor estrangeiro entra com serviços e não com dinheiro. Nesse caso, foi feito um aporte real, em dólares, para o Brasil.” O Canal Azul é uma das produtoras associadas à Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPI-TV) e vem participando das discussões sobre co-produções internacionais. “Acompanhamos de perto as discussões entre ABPI-TV e Apex e acho que agora o ciclo está se completando. O objetivo sempre foi esse,

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o de trazer produções estrangeiras e gerar divisas para o país.” Sincronicidade O projeto foi desenvolvido por todos os parceiros em conjunto, mas a idéia surgiu em duas frentes e foi integrada pelo Canal Azul. “Tínhamos sido contatados pela Nat Geo International, que queria algum programa que fosse feito na Amazônia. De outro lado, também fomos procurados pela Toyota, que queria criar uma ação diferenciada, que não fosse um comercial, para sua marca Hilux. Assim, reunimos os dois projetos e trouxemos o Nat Geo Brasil e a revista, que publicou vários publi-editoriais acompanhando e divulgando


previamente os programas”, explica a diretora Lygia Barbosa. Única mulher em meio aos seis homens da expedição, Lygia não acompanhou toda a viagem, mas foi se encontrar com a equipe diversas vezes ao longo da expedição e, diariamente, recebia o feedback do grupo e dava suas orientações. “Usamos um telefone via satélite que funcionou muito bem. Com ele, o André Pessoa, que é fotógrafo, também alimentava o blog do projeto.” Todo o conteúdo era submetido à Nat Geo, explica Lygia, e todas as solicitações da agência e da Toyota eram avaliadas pelo canal. No programa, por exemplo, apareciam poucos detalhes do carro. Mas foram produzidas seis cápsulas de dois minutos para serem inseridas nos intervalos, que tinham um apelo mais comercial, assim como os publi-editoriais publicados na revista National Geographic e o site, com um blog atualizado constantemente. Em cada mídia, foi explorada uma faceta do projeto. A produção foi realizada durante 70 dias e ao todo consumiu sete meses de trabalho. Exibida desde o dia 5 de novembro no canal Nat Geo, a série faz parte da programação de aventura do canal, destinada a um público de homens de 18 a 36 anos. “A edição é muito rápida, pois é um programa que não pode ter cara de documentário, apesar de ser muito informativo”, diz Lygia. Pé na estrada O grupo que fez a expedição foi reunido pela produtora e tem um forte currículo em aventuras. O líder da expedição foi Renato Castanho, produtor e câmera, que já acompanhou Amyr Klink e realizou uma série de aventura para o canal AXN. O repórter fotográfico André Pessoa, especializado em natureza, também já trabalhou em documentários. Edison Silva, diretor de fotografia, trabalha sempre com o Canal Azul em documentários e já

aspectos ambientais. “Tivemos dificuldade para negociar o seguro porque a rota era difícil e nunca tinha sido feita. E ao longo dela, passamos por garimpos, e até pela região onde a irmã Dorothy Stang foi assassinada”, conta a diretora. “Tivemos muitos parceiros fundamentais durante a rota”, continua. “Os governos dos Estados foram ótimos, nos deram hospedagem e alimentação, as equipes da Odebrecht, construtora que tem diversas obras ao longo da nossa rota, também nos ajudaram muito. Sempre que encontrávamos um batalhão do Exército, conversávamos, trocávamos orientações, e eles já avisavam o próximo batalhão da nossa passagem. Não tivemos nenhum problema de segurança. As pessoas também foram muito generosas, muito receptivas, apesar de viverem em um nível alto de ilegalidade em vários locais por onde passamos. Foi fundamental contar com o conhecimento local, interagir com o cidadão comum, que é quem conhece de verdade o lugar.” O projeto ainda incluiu um concurso, que selecionou duas pessoas para participar do trecho final do trajeto, de Trujillo a Talara, no Peru. “O fator humano sempre pesa nesse tipo de programa. Por mais que tudo seja previamente estudado, seis homens juntos durante 70 dias em condições adversas é um verdadeiro reality show. E ainda tínhamos a preocupação de cuidar dos dois vencedores do concurso.” A última etapa da aventura foi a ilha de edição, diz Lygia. Foram mais de duas mil horas de edição. “Eles voltaram de viagem em agosto e no final de setembro tínhamos os seis programas editados. Mas fomos editando em paralelo, desde o começo. Cada vez que eu me encontrava com o pessoal da expedição, trazia material para editar.”

Across the Amazon os Série para a TV, 6 episódios de 26 minut 18 a 36 anos

Público-alvo Temas

ônia aventura, natureza, meio-ambiente, Amaz

Sinopse: O programa acompanha seis aventureiros que percorrem mais de 15 mil quilômetros, do extremo leste do Brasil ao extremo oeste do Peru, por meio da floresta amazônica. Mais informações: www.acrosstheamazon.com.br

recebeu um prêmio Vladimir Herzog de jornalismo. Além deles, também participavam Gustavo Nascimento, técnico de som direto, Jean-Robert, produtor especializado em Amazônia, e Eduardo Toledo Lima, piloto e mecânico de jeep, que já participou do Rally dos Sertões. A equipe levou três câmeras Panasonic HVX 200. “Apesar de todo o calor e da umidade, as câmeras funcionaram muito bem. Mas tivemos de tomar alguns cuidados, como não usar em um ambiente com ar condicionado, para que as lentes não condensassem na saída”, explica Lygia. A expedição passou por locais de difícil acesso, mas também encarou alguns dos famosos problemas brasileiros, das questões de terra até

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( artigo)

Ericson Meister Scorsim*

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A defesa da liberdade de radiodifusão A introdução da TV digital no cenário brasileiro é fértil para refletirmos sobre o seu regime jurídico, avaliando seu estado atual e a sua evolução futura tão necessária para a democracia, em termos de pluralidade de meios e de conteúdo audiovisual. FOTO: divulgação

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modelo tradicional do serviço de televisão por radiodifusão, representado pela TV aberta, está fundado na matriz clássica de serviço público, disciplinado na forma da desatualizada Lei nº 4.117/62. A União é a titular do serviço, daí porque o particular somente poderá explorá-lo mediante concessão. Tanto a doutrina quanto a jurisprudência afirmam que a TV por radiodifusão é um serviço público. Não é, portanto, um regime favorável à liberdade de radiodifusão. Se determinadas empresas quiserem prestar o serviço de televisão somente poderão fazê-lo mediante a obtenção da concessão. Vale dizer, o direito à prestação do serviço é algo concedido pelo poder público que é o seu verdadeiro titular. Em que pese o respeitável entendimento, proponho uma nova compreensão a partir do enquadramento dos serviços de televisão no sistema de radiodifusão privado como atividade econômica em sentido estrito. Defendo, então, o afastamento do regime de concessão de serviço público do setor comercial de radiodifusão. Em sua substituição será adotada a autorização administrativa para a prestação de uma atividade privada, submetida, porém, a uma autoridade reguladora. Como conseqüência deste modelo inovador, devemos repensar a imposição de horários mínimos para a programação e locais, a gratuidade, a prestação de serviços paralelos à

*Advogado, doutor em direito pela USP. É autor da obra “Televisão Digital e Comunicação Social: Aspectos Regulatórios”. Também é o responsável pelo site www.tvdigital.adv.br.

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radiodifusão, a limitação da publicidade comercial e as restrições às tele-vendas, o horário político, entre outras questões. O regime de liberdade de radiodifusão, por óbvio, não significa a ausência de regras. Ao contrário, exige a edição de normas favoráveis à liberdade, porém que sejam compatíveis com a responsabilidade dos meios de comunicação. O regime de serviço público não deve ser abandonado, mas deve evoluir a ponto de servir aos sistemas público e estatal. Ou seja, serviço público é aquele ofertado pelas televisões estatais (TV Justiça, TV Senado, TV Câmara, TV Brasil etc.) e as televisões públicas. Estas, em verdade, diferentemente das emissoras estatais, não existem no setor de radiodifusão, mas tão somente na televisão a cabo. Em função disso entendo ser necessária para a democracia a criação de espaços para as televisões comunitárias por radiodifusão. Por décadas tem ocorrido a aplicação generalizada da noção de serviço público em relação a todos os sistemas de radiodifusão (privado, público e estatal), sem que tenha sido dada a devida atenção aos direitos fundamentais. É preciso reconstruir a noção de serviço público de televisão de modo a servir como um efetivo canal de realização dos direitos fundamentais (exemplos: educação, cultura, informação etc), mediante a


atividade de televisão. O instituto da concessão de serviço público utilizado no serviço de televisão por radiodifusão tem servido aos interesses dos concessionários e ao seu propósito lucrativo, ficando, em segundo plano, o interesse público. Vale dizer, a concessão e o respectivo regime de serviço público contribuíram muito mais à formação de reservas de mercado e à concentração de poder econômico do que aos interesses dos usuários dos respectivos serviços. A concessão tem favorecido aos interesses dos políticos, havendo uma politização excessiva no processo de outorga e de renovação de emissoras de televisão. Nesse aspecto, o direito não tem sido eficaz o suficiente para impedir o cometimento de abusos, a exemplo da propriedade de inúmeras emissoras por políticos. Daí porque se propõe a disciplina dos serviços de televisão por radiodifusão sob o ângulo do mercado. A adoção do regime privado pelo ordenamento jurídico é mais adequada à sua respectiva dinâmica, particularmente em um setor sob constante evolução tecnológica que culmina na convergência das mídias, em que não há mais uma fronteira fechada entre a radiodifusão e telecomunicação. A maior prova disto é a recepção do sinal de televisão por computadores e aparelhos celulares. A relativização da utilização da noção de serviço público e a flexibilização do regime jurídico justificam-se também em virtude das transformações decorrentes da utilização da técnica digital no setor de radiodifusão. O Estado, seja por ação, seja por omissão, não pode impedir o desenvolvimento tecnológico. Ao contrário, ele deve ser o protagonista no cenário de transformações capitaneadas pelo mercado. O Estado não pode

legitimar um modelo de estruturação de reserva de mercado, em favor exclusivo dos interesses dos radiodifusores, em detrimento dos interesses da sociedade. Pelo contrário, a sua missão é a de promover um regime de competição voltado à eficiência e ao pluralismo no campo da radiodifusão. A nova visão serve à democratização da mídia, assegurandose a existência de múltiplos meios de comunicação e a diversificação do conteúdo na programação de televisão, mediante o desenvolvimento da liberdade de radiodifusão pertencente aos agentes econômicos. O serviço de televisão configura uma atividade de distribuição de conteúdo audiovisual. Para que isto ocorra é essencial a produção. Portanto, a utilização do regime privado é um fator de adequação entre as ofertas de produção e de distribuição do produto.

se defende uma aproximação entre os mesmos e a necessária modificação do ordenamento jurídico, quer por Emenda Constitucional, quer por lei ordinária. O reconhecimento da lógica de mercado pelo direito possibilitará a melhor repartição dos benefícios decorrentes da técnica digital entre as empresas, a sociedade, os consumidores, os cidadãos etc. Assim, sustento que seja atribuída a competência regulatória sobre os serviços de televisão por radiodifusão a uma agência reguladora, no caso, a Anatel, com a função de assegurar o equilíbrio interno no mercado nacional, diante dos desafios da globalização, e o equilíbrio externo em face dos demais sistemas de radiodifusão. Atualmente, já prevalece a lógica

O instituto da concessão tem servido ao interesse dos concessionários, ficando em segundo plano o interesse público. O enfoque proposto permitirá a gestão mais eficiente das freqüências do espectro eletromagnético, com a racionalização de seu uso entre os agentes privados, públicos e estatais. Assim, faz-se necessária a repartição das freqüências em diversas categorias de utilização, a saber: usos comerciais e não-comerciais, assegurando-se, porém, o acesso prioritário aos sistemas de radiodifusão estatal e público. Como o sistema comercial é o hegemônico no País nada mais razoável do que um regime de preferência na construção das televisões estatais e públicas. Em um ambiente de convergência tecnológica, com a possibilidade de prestação dos serviços de televisão por diversas plataformas, o novo modelo impõe-se diante da tendência de entrelaçamento entre o mercado de serviços de televisão por radiodifusão e o de serviços de telecomunicações. Aqui, adota-se uma posição crítica diante da separação entre os dois setores, conduzida pela Emenda Constitucional nº 08/95, razão pela qual

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de mercado no sistema de radiodifusão privado, porém a doutrina e a jurisprudência tratam, ainda, como serviço público privativo do Estado. O que falta apenas é adequação entre o direito e os fatos, pois um conceito só se justifica se ele refletir a realidade dos fatos e do direito. A noção clássica não é coerente com as realidades constitucional, social e tecnológica, que apontam para a necessária atualização de seu sentido. O velho conceito deve ser transformado e adaptado conforme as circunstâncias do presente, com vistas à regulação setorial que produzirá efeitos para o futuro. Enfim, possibilita-se a permanência do serviço público no âmbito das televisões estatais e públicas, contudo, viabiliza-se a sua mudança para o fim de seu afastamento da televisão privada. Afinal, a televisão por radiodifusão é de todos: da sociedade, do Estado e do mercado.

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( evento) Daniele Frederico, de Santiago, Chile

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Conversas andinas

Chile Media Show reúne operadores e programadores de TV paga em Santiago e discute implantação da TV digital aberta no país.

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disse. O medo dos reguladores é que com a se tornar um lugar para testes do quão multiprogramação, os grandes grupos de longe é possível chegar com a mídia tornem a competição com as emissoras interatividade. Existe ainda uma pequenas impossível. “Não se pode fazer TV preocupação social, de levar digital sem transição, e não há transição sem informação a todas as pessoas pela mudança de lei”, afirmou. televisão. Neste sentido, ou A multiprogramação, aliás, seja, da perspectiva da parece estar nos planos das inclusão social, o Brasil foi televisões no Chile. O consultor muito inovador”, diz. Diego Portales conta que Ele afirma ainda que a quando se começou a falar de idéia que se tinha de TV digital no país, as televisões interatividade na televisão há diziam que o principal benefício alguns anos atrás (a de seria o HD. Ele conta que hoje o comprar a roupa de um discurso dos radiodifusores personagem de novela veste, mudou. “Agora todos os canais por exemplo) praticamente têm projeto de fazer falhou. “Muitas idéias foram multicanal”, contou. suplantadas pela Internet”. Entre as decisões que ainda Jorge Navarrete, do Ele conta que esse tipo de Conselho Nacional de precisam ser tomadas está a interatividade deu lugar a Televisão do Chile: “o que define a televisão não é uma uma customização do questão da interatividade. norma técnica, mas a Durante uma das conteúdo. “Acredito que a regulamentação.” apresentações no evento, o questão chave será social diretor do Centrum Wskunde & Informatica enhancement e mobilidade”, afirma. (ou Centro de Informática e Matemática), na “A gravação e o download também Holanda, Dick Bulterman, chamou a atenção serão importantes”. para os mitos da interatividade oferecida pela Além disso, ele lembra que fazer TV digital. Bulterman falou das dificuldades conteúdo interativo é muito difícil, e os de se ter interatividade pelo controle remoto produtores ainda se sentem inseguros e elogiou o middleware brasileiro Ginga e os em relação aos resultados. “Hoje o esforços dos brasileiros em desenvolver um retorno financeiro, além daquele das set-top que seja capaz de interagir buscando vendas pela TV e do video-on-demand, benefícios de inclusão digital. “O Brasil pode é indefinido”, conclui. FOTO: Tela Viva

É

curioso comparar as discussões travadas na indústria de televisão – aberta e por assinatura – no Brasil e em outros países da América Latina. Na Argentina, por exemplo, o tema do momento é a entrada das teles no setor de TV por assinatura. Há uma briga no país para a mudança da lei de radiodifusão. O que se fala é que a nova lei deveria ser uma lei de “conteúdos audiovisuais”. No Chile, por sua vez, a indústria de TV paga está mais consolidada, com penetração de 35%, nos quatro milhões de lares do país. Por outro lado, a TV aberta, que se prepara para passar pelo processo de digitalização, ainda conta com muitas arestas a serem aparadas. Arestas essas discutidas, inclusive, durante um evento voltado majoritariamente para a TV paga, o Chile Media Show, que aconteceu em Santiago do Chile, nos dias 3 e 4 de novembro. O interessante do evento é ver que o cenário em alguns países latinos não é muito diferente do que a indústria brasileira passou há poucos anos, com a diferença que algumas dessas questões já ficaram para trás, como o padrão de TV digital. No Chile, a TV digital aberta ainda não se definiu, tanto em termos tecnológicos quanto regulatórios. Durante painel, Jorge Navarrete, presidente do Conselho Nacional de Televisão, órgão responsável pelos aspectos regulatórios da televisão chilena (mas não pela definição do padrão) defendeu que é preciso, antes de pensar na questão tecnológica, levar em conta que o que define a TV não é uma norma técnica, mas sim a regulamentação. “Acredito que há que se discutir mais e esclarecer as coisas”,

brasil: poucos representantes O Chile Media Show contou com algumas conferências, workshops e com uma feira formada principalmente por expositores da indústria de TV paga do Chile e programadoras que atuam em toda a América Latina. Estavam presentes, entre outras, Turner, Discovery, Fox, HBO e Disney/ESPN. Do Brasil, havia apenas dois estandes: o do Canal Adulto e o da TV Brasil – Canal Integración, canal do governo brasileiro que tem como função a integração entre os países sul-americanos. O coordenador geral do canal, Robson Moreira, contou que o principal objetivo da participação na feira era aumentar a sua distribuição na América Latina, onde é oferecido gratuitamente aos operadores. Ele disse ainda que as principais metas para 2009 são legendar 100% da programação (que é falada 50% em português e 50% em espanhol) e aumentar a distribuição do sinal do canal no Brasil.

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(upgrade )

Fernando Lauterjung

FOTOS: divulgação

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Integrados por uma caixa

N Terceira versão do IconMaster pode ser configurada para SD e HD.

Switcher renovado

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Harris anunciou a versão 3.0 do IconMaster, um switcher que pode ser configurado para standard e alta definição. O software estende a interoperabilidade em ambientes com outras soluções da Harris, permitindo controlar o multivisualizador Centrio e o roteador Platinum por rede Ethernet diretamente do controle de switcher. Usado em ambiente multicanal, o software faz as mudanças de layout de tela e conteúdo no picture-in-picture automaticamente quando o operador troca o canal principal. Com a ajuda do IconMaster SCP, software adicional controlado por painel sensível a toque, é possível controlar a inserção de logos. A nova versão do IconMaster usa ainda a solução Connectus, também da Harris, para acessar conteúdo armazenado em um servidor central. A Harris apresentou ainda o IconMaster Lite, que oferece todas as funções da versão completa, com exceção do controle interno de logos.

Processamento do som

Scaler Pro, da Gefen: saída 1080p para exibição multidefinição.

Omnia One Studio é o primeiro processador de áudio de quatro bandas.

U

m novo processador de sinal de áudio foi lançado pela Omnia, o Omnia One Studio Pro. O que destaca o equipamento é que, segundo a fabricante, é o primeiro processador de estúdio que inclui um compressor/limitador de quatro bandas. Podendo ser usado em aplicações como préprocessamento de música e comerciais e alimentação remota

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em sempre é preciso um pacote sofisticado de equipamentos para usar múltiplas fontes de vídeo em diferentes definições. A Gefen lançou seu novo Audio/Video Scaler Pro with Amplifier. Tratase de uma caixa capaz de receber o sinal de vídeo de vários dispositivos e fazer um escalonamento para o formato 1080p. Contando com entradas HDMI, DVI, VGA, componente, composto e s-video, o equipamento faz ainda a amplificação do áudio, contando com uma entrada de áudio para cada entrada de vídeo. As entradas HDMI contam com entradas de áudio S/PDIF e óptica; enquanto as outras entradas de vídeo contam com entradas de áudio analógicas estéreo. O equipamento dá saída em HDMI (com áudio embutido), mas conta ainda com três outras saídas espelhadas de áudio (S/PDIF, óptica e estéreo). Podendo ser montada em um rack, a caixa é ideal para apresentações em ambientes onde múltiplas fontes de áudio e vídeo sejam necessárias. Além de fazer o escalonamento da resolução, o equipamento conta com processamento de cores, capaz de aumentar o contraste, aumentando, portanto, a definição da imagem, principalmente em cenas mais detalhadas e nos tons de pele. Outras funções como redução de ruídos 3D, correção de atraso nos frames e desentrelaçamento podem ser configuradas por controle remoto. O equipamento vem ainda com uma porta RS-232, que permite integração com sistemas de controle.

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de áudio, o equipamento é voltado para estúdios de produção, laboratórios de masterização, e estúdios de gravação. A caixa conta com configurações, que podem ser usadas de forma independente ou em conjunto, para controle automático de ganho de banda, limitador de quatro bandas, compressor de quatro bandas e aperfeiçoamento de baixo.

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( agenda ) NOVEMBRO

5 a 15 Festival Internacional de Berlim, Berlim, Alemanha.

27 a 2/12 Ibero Brasil Cine Festival, Rio de Janeiro, RJ. Tel (21) 2242-1356. E-mail:iberobrasilcinefestival@gmail.com.br Web: www.cinehispanobrasileiro.com.br

17 a 19 de Fevereiro 3° World Web Expo Forum,

DEZEMBRO Cuba. Web: www.habanafilmfestival.com

8 a 13 Atlantidoc - Festival Internacional de Cine Documental de Uruguay, Atlántida, Uruguay. E-mail: ricardocasasb@gmail.com Web: www.atlantidoc.com.

21 a 1/02 38º International Film Festival Rotterdam, Roterdã, Holanda.

JANEIRO/2009 Sydney, Austrália. Tel: (61 2) 9365-6877. E-mail info@flickerfest.com.au Web: www.flickerfest.com.au

Mandalay Bay Resort, Las Vegas, Nevada, EUA. Tel.: (1-310) 453-4440. E-mail: info@natpe.org. Web: www.natpe.org

FEVEREIRO

Biarritz, França. Tel.: (33-1) 4489-9999. E-mail: info@fipa.tm.fr Web: www.fipa.tm.fr

1 a 4 RealScreen Summit, Washington DC, EUA. Tel.: (416) 408-2300. E-mail: swilder@brunico.com Web: www.realscreensummit.com

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26 a 29 Natpe Conference & Exhibition,

20 a 25 Festival Internacional de Programas Audiovisuais – Fipa,

EUA. Tel.: (1-416) 408-2300. E-mail: cleighton@brunico.com Web: www.kidscreensummit.com

20 a 22 SET Sudeste 2008 - Seminário de Tecnologia em Televisão, Belo

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9 a 18 Flickerfest - 18º Australian International Short Film Festival,

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