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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 17_#185_ago2008

cesta básica Puxada pela banda larga e pelo crescimento econômico, TV por assinatura começa finalmente a conquistar a classe C Caderno Especial As novidades na área de finalização

ENTREVISTA Aos dez anos, Globo Filmes quer ampliar mercado para o filme nacional

TELEVISÃO TV Cultura muda modelo de rede e passa a cobrar pela programação


Foto: marcelo kahn

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Ana Carolina Barbosa Daniele Frederico Humberto Costa (Colaborador) Lizandra de Almeida (Colaboradora)

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O feirão da TV

Fernando Lauterjung

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Tela Viva é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 3327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

ara que serve a televisão? Segundo a Constituição Federal, em seu Artigo 222, serve para educar, informar, promover a cultura nacional, a produção independente e regional, com respeito aos valores éticos e sociais etc. Será difícil para a maioria das redes nacionais afirmar que adere integralmente a estes princípios. Mas cumprem, de alguma maneira, sua função de informar e entreter. Pior, muito pior que isso, é a situação de emissoras Brasil afora que abrem mão de suas obrigações legais (e morais) e transformam suas concessões (públicas, lembremos) em um balcão de negócios. Notícias sobre o arrendamento de horários ou mesmo de canais inteiros (sem qualquer base legal, diga-se) são cada vez mais freqüentes. Estes horários vêm sendo ocupados por “tendas virtuais” dos camelôs televisivos, com seus tapetes, quadros, jóias e outras quinquilharias, e principalmente pelos pastores eletrônicos, fenômeno que não é novo, mas que ganhou força nos últimos anos. Nada contra o comércio (legal) ou as igrejas de qualquer denominação. A lei permite que abram suas lojas ou templos em qualquer lugar, e que entreguem sua mensagem da forma que acharem mais apropriada. O problema é quando alguém que recebeu do Estado brasileiro uma concessão para usar um pedaço do limitado espectro radioelétrico “repassa” esta pequena gleba eletrônica para um terceiro, que a utiliza para tudo, menos atender os dispositivos constitucionais. A questão se agrava com a TV digital. Com a possibilidade das emissoras se multiplicarem em três ou quatro canais, aumenta a “oferta” de canais livres para alugar. Uma sugestão para a Anatel e o Minicom: que seja devolvido o canal consignado de quem não o estiver ocupando adequadamente. Afinal, é dever da agência reguladora zelar pela otimização do uso do espectro. O problema também acontece, com menor gravidade, na TV por assinatura. Enquanto os operadores alegam falta de espaço para trafegar novos canais, como se vê em matéria nesta edição, proliferam os canais que alugam espaço no cabo e no satélite para vender bugigangas. Não é ilegal, mas também não atende aos interesses dos assinantes, que afinal pagam para ter um serviço diferenciado e para receber conteúdo de qualidade.

capa: carlos fernandes/gilmar

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Os Canais Globosat estão crescendo e você pode colher nossos excelentes resultados. SporTV, líder da TV por assinatura em audiência durante o horário nobre no 1º semestre de 2008. 2

GNT, o canal mais admirado da TV por assinatura. 1

Em 2007, o Multishow foi o canal de entretenimento jovem mais assistido da TV por assinatura, mantendo a liderança no 1º semestre de 2008. 3

Telecine é a Rede de Canais considerada fundamental para a manutenção de TV por assinatura. 4

O Universal Channel é líder de audiência, tanto no horário nobre quanto no total do dia, entre os canais de séries. 5

Globo News, acompanhada diariamente por mais da metade do público da TV por assinatura. 6

O Canal Brasil, no 1º semestre de 2008, durante o horário nobre, falou com mais de 7 milhões de telespectadores. 7

O Premiere Futebol Clube bate recorde de vendas com mais de 550 mil assinantes em 2008.

Globosat HD, o primeiro canal Globosat produzido e exibido em alta definição 24h por dia.

PLAYBOY TV e SEXY HOT são os canais Top of Mind na categoria canal erótico de TV por assinatura. 8

95 das 100 exibições de maior audiência em 2008 são dos canais Globosat. 9

1 Pesquisa Meio&Mensagem e Troiano Consultoria de Marca, dez/2007. 2 Fonte: IBOPE/MW - indivíduos com TV por assinatura 6 mercados os re - total do dia - cobertura do período 1º semestre de 2008. 3 Fonte: IBOPE/MW - indivíduos com TV por assinatura 6 mercados - horário nobre - período 1º semestre de 2008, canais de entretenimento: Multishow, Warner, AXN, Fox, Sony e E!. 4 Fonte IBOPE POP 15ª. 5 Fonte: e: y, IBOPE/MW - indivíduos com TV por assinatura 6 mercados - horário nobre-período 1º semestre de 2008, canais de séries: AXN, Fox, Sony, Universal e Warner. 6 Fonte: IBOPE/MW - indivíduos com TV por assinatura 6 mercados - total do dia - cobertura média mensal do período do 1º semestre de 2008. 7 Fonte: IBOPE/MW - indivíduos com TV por assinatura 6 mercados - total do dia - cobertura do período 1º semestre re de 2008. 8 Fonte: Datafolha/Top of Mind 2007. 9 Fonte: IBOPE/MW - indivíduos com TV por assinatura 6 mercados - total do dia - tabela de programação - período 1º semestre de 2008.

globosat.com.br TV como você gosta de ver.


Ano17 _185_ ago/08

(índice ) Mercado

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TV por assinatura conquista a classe C

Scanner Figuras Programação

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Novos canais são lançados, mesmo com dificuldade de distribuição

Política

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PL 29: longe do consenso

Infra-estrutura

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Fornecedores apontam tendências na TV paga

Audiência Entrevista Globo Filmes, 10, busca ocupação do mercado para o filme nacional

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( cartas)

Especial Finalização Dramaturgia

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Publicidade Como telespectador, acho um absurdo a entrada dos anunciantes no conteúdo das emissoras. Esse tipo de propaganda pode ser lucrativo para o canal, mas é frustrante para o público. Arnaldo Santana, São José do Rio Preto (SP) Retificação Diferentemente do que foi publicado na seção Scanner da edição 184 da TELA VIVA, o programa “Mundo Passaporte”, da produtora independente maranhense Milenarte, estreou em rede nacional pelo Amazon Sat e não pela Rede TV! O programa continua indo ao ar pela afiliada da Rede TV! em São Luís, cobrindo a capital e mais 37 municípios do estado.

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Rivalidade das redes chega às salas de finalização

News

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Switchers viabilizam efeitos e grafismo ao vivo

Televisão

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TV Cultura passa a vender conteúdo

Making of Produção

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Lei venezuelana abre campo para produtoras brasileiras

Case

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Produtoras preparam primeiro longa stop-motion do Brasil

Upgrade Agenda

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 6

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FOTOS: divulgação

( scanner ) Fórum animado

TV Trem completa um ano na linha 9 do transporte metropolitano de São Paulo. Até o final do ano, mais três linhas terão a mídia, que atingirá 28 milhões de usuários por mês.

Mais linhas A TV Trem, mídia out of home voltada para usuários do transporte metropolitano de São Paulo, completa um ano e prepara a expansão. Hoje, com 20 horas diárias de programação, a mídia atinge cerca de 4 milhões de pessoas por mês, passageiros da linha 9 – Esmeralda (Osasco-Grajaú). Até dezembro, serão 28 milhões de passageiros por mês, com a expansão para as linhas 7-Rubi (LuzFrancisco Morato), 11-Coral (Luz-Guianazes) e 11-Coral Expresso Leste (Luz-Estudantes).

Mais uma vez, o Anima Forum, evento que aconteceu nos dias 24 e 25 de julho, em São Paulo, como parte do festival de animação Anima Mundi, trouxe boas notícias para os produtores brasileiros. Foram apresentados programas que estão em andamento no Ministério da Cultura, no âmbito da Secretaria do Audiovisual e da Agência Nacional do Cinema que podem beneficiar os produtores. O diretor da Ancine Sérgio Sá Leitão apresentou o projeto de realização de um “cluster” de animação, nos mesmos moldes do Porto Digital de Recife. A idéia é a constituição de um pólo produtor de animação, com infraestrutura e espaço de formação e capacitação. Ele explicou brevemente que a iniciativa aconteceria entre o poder público (federal, estadual e municipal) e a iniciativa privada, por meio das associações das empresas. Essa “fábrica de animação” seria acessada pelos bureaus com o objetivo de reduzir custos e potencializar a atividade. “O investimento para esse pólo deve ser proveniente do Fundo Setorial do Audiovisual”, contou Sá Leitão. Além da Ancine, Gustavo Dahl, em nome do diretor de audiovisual da Secretaria do Audiovisual, Paulo Alcoforado, apresentou os planos da SAV de uma política nacional de animação. Fazem parte dessa política programas como o Anima TV, sistema de capacitação, produção e distribuição de séries de animação voltadas ao público infanto-juvenil, por uma rede de TVs públicas e educativas.

Produção africana

Bastidores das filmagens do curta-metragem “Caça-Palavras”, da Girassol Comunicações. Com filial no Rio de Janeiro, produtora quer investir no cinema.

Girassol no Rio A Girassol Comunicações, de São Paulo, abriu uma filial no Rio de Janeiro. O objetivo, segundo o produtor executivo Pedro Flores, é trabalhar mais com cinema. A produtora já tem planos de filmar dois longas-metragens na cidade: “Múltiplos”, sobre mulheres que tentam engravidar, e “Flores da Cunha”, que foi governador do Rio Grande do Sul e é avô do produtor. Atualmente, na filial carioca, trabalham três profissionais, em atendimento, produção e direção de arte. “Estamos montando um projeto de capacitação de pessoas de comunidades carentes para o trabalho no audiovisual: serão 60 pessoas na Rocinha, no Rio, e 60 da Brasilândia, em São Paulo. No Rio, principalmente, a idéia é levar algumas das pessoas para a equipe”, conta Flores.

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A TV Globo International começa a exibir no terceiro trimestre do ano “Revista África”, uma atração dedicada aos assinantes africanos. Trata-se de uma revista cultural gravada em Angola e Moçambique, produzida em parceria com um produtor independente “Revista África”, que a TV Globo angolano. Segundo a TV Globo International co-produz com um International, o canal já está produtor independente angolano treinando parceiros para a utilização para os assinantes africanos. A atração deve ir ao ar neste trimestre. de recursos técnicos como câmeras, iluminação, maquiagem, edição e outros. Essa será a segunda atração exclusiva do canal internacional. A primeira foi “Planeta Brasil”, produzida pelo escritório de Nova York, que está no ar há seis anos. Durante os Jogos Olímpicos de Pequim, a TV Globo International também cobriu a delegação angolana.

Soluções para o trânsito O Discovery Channel exibe em 28 de setembro, às 21h, o documentário “Soluções para o Trânsito”, produzido pela Mixer em parceria com o canal. Com uma hora de duração, o documentário busca alternativas para o tráfego de São Paulo, com depoimentos de especialistas e viagens por grandes metrópoles que conseguiram solucionar o problema. As gravações, realizadas em HDV, tiveram início no final do ano passado. A produção contou com recursos provenientes do Artigo 39. A direção é de Rodrigo Astiz e produção executiva é da Krishna Mahon.

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A saga do Fusca

Suporte promocional

Em agosto de 2007, a versão para a televisão de “KFZ-1348”, documentário da produtora REC Produtores dirigido por Marcelo Pedroso e Gabriel Mascaro, estreou no SBT. Agora, com a versão para o cinema finalizada, a produção, centrada nas entrevistas com os oito ex-proprietários de um Fusca (cuja placa é o título do filme) abandonado em um ferro velho, já tem contrato de distribuição internacional com a inglesa Taskoviski Filmes. Segundo João Júnior, um dos sócios da REC Produtores, o foco é o mercado europeu e o acordo prevê a colocação do filme em festivais, além de vendas para o cinema e para a televisão.

A Fox International Channels e o The Wall Street Journal Digital Network fecharam um acordo para, juntas, promoverem o The Wall Street Journal Américas, a versão online em português e espanhol do wsj.com para a América Latina. O contrato prevê a promoção do informativo nos canais de televisão e websites da FIC. A Worthnet. Fox, divisão de vendas on-line da FIC, será sua representante externa exclusiva na área de vendas de publicidade. As equipes de vendas da FIC e Down Jones locais também irão trabalhar em parceria para oferecer acordos multiplataforma aos anunciantes de mídia impressa, televisão e online de ambas empresas na América Latina e no mercado hispânico dos Estados Unidos. A FIC conta com escritórios de venda de TV e on-line em 33 mercados no mundo, incluindo Miami, México, Buenos Aires, São Paulo, Santiago, Bogotá, Caracas, Guatemala e Madri.

Documentário da pernambucana REC Produtores será distribuído internacionalmente pela inglesa Taskoviski Filmes.

Troca de comando No final de julho, Gilberto Gil deixou o cargo de ministro da Cultura. O secretário-executivo Juca Ferreira assumiu interinamente a pasta e deve ser efetivado pelo presidente Lula.

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( scanner) Fórum de TVs Públicas A Abepec, associação que reúne emissoras públicas, educativas e culturais, quer produzir o II Fórum Nacional de TVs Públicas. A idéia foi oficializada em encontro nacional da entidade, que aconteceu no início de agosto em Belém, e reuniu dirigentes de 20 emissoras públicas. A entidade aprovou também a produção de moções de apoio à realização da Conferência Nacional de Comunicações e à manutenção do secretário-executivo do Ministério da Cultura, Juca Ferreira como ministro da Cultura. A primeira edição do Fórum Nacional de TVs Públicas colaborou com a criação da TV Brasil, que também participou da reunião. No evento, segundo a Abepec, a presidente da EBC, Tereza Cruvinel, anunciou a retomada das reuniões para as definições da rede nacional de emissoras que deve transmitir programação simultânea em todo o país. O assunto estava parado desde a saída de Mario Borgneth do comando da área de estruturação de rede.

Cena do filme “The Morgue”, primeira produção da produtora carioca Reef Pictures, fundada em Los Angeles pelo carioca Gerson Sanginitto.

Plano de investimentos do Fundo Setorial

Thriller com direção cearense

O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) teve seu primeiro plano anual de investimentos aprovado no início de agosto. Segundo a Ancine, o plano contempla inicialmente produção para cinema, produção independente para TV, e distribuição de obras audiovisuais (licenciamento e comercialização). Participaram da reunião que aprovou o plano o ministro da Cultura interino, Juca Ferreira; o secretário do Audiovisual do MinC, Sílvio Da-Rin; o diretorpresidente da Ancine, Manoel Rangel; além dos representantes do setor e da sociedade civil no comitê: o diretor do Canal Brasil, Paulo Mendonça; o cineasta Gustavo Steinberg; e o distribuidor Wilson Feitosa.Vale lembrar, o FSA conta com R$ 94 milhões. O comitê aprovou as seguintes diretrizes: n Melhorar a posição competitiva das empresas brasileiras independentes do cinema e do audiovisual nos mercados interno e externo; n Atuar em gargalos específicos deficientemente contemplados pelos mecanismos de fomento vigentes; n Ampliar o consumo das obras audiovisuais brasileiras; n Estimular modelos de negócios menos dependentes dos recursos públicos e compartilhar os riscos inerentes da atividade audiovisual entre os agentes públicos e privados; n Aperfeiçoar a atividade artística, técnica, gerencial e financeira das empresas brasileiras do cinema e do audiovisual; n Estimular a produção de conteúdo cinematográfico e audiovisual com alto grau de competitividade nos mercados doméstico e internacional; n Aperfeiçoar a capacitação profissional do setor audiovisual.

O thriller “The Morgue”, dirigido pelo cearense Halder Gomes, será lançado em home video nos Estados Unidos pela Lionsgate Films. No Brasil, o filme chegará em 17 setembro nas locadoras, pela Universal Pictures, com o título “Cadáveres 2”. Gravado nos Estados Unidos, com elenco americano, a produção é o primeiro longametragem da produtora Reef Pictures, fundada em Los Angeles pelo carioca Gerson Sanginitto com a proposta de fazer filmes com apelo comercial de baixo orçamento, entre US$ 350 mil e US$ 500mil. Segundo Gomes, o filme deve sair em home video na Espanha e em Portugal e deve estrear no cinema no Japão e na Romênia.

Brasis revelados

Sessão em Santana do Jacaré (MG) no primeiro circuito de exibição dos vídeos produzidos pelo programa “Revelando os Brasis” em 2007. Novo circuito começou em agosto e, até setembro, deve passar por 40 municípios de até 20 mil habitantes e 21 capitais.

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O circuito de exibição do “Revelando os Brasis” retomou suas atividades no início de agosto para apresentar as produções da segunda edição do programa da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura para viabilizar a produção de vídeos digitais em cidades de até 20 mil habitantes. Os três caminhões do circuito, equipados com telas, cadeiras e projetores para promover sessões em ruas e praças, terão rotas diferentes e percorrerão até o dia 11 de setembro, data prevista para o encerramento das exibições, 24,5 mil quilômetros, passando por 40 municípios de até 20 mil habitantes e 21 capitais.

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As cidades assistirão a uma programação com o vídeo realizado no município e mais três produções do projeto. O lançamento do circuito aconteceu em Barra de São Miguel, Paraíba. A primeira edição do circuito, no ano passado, passou por 61 municípios, apresentando os vídeos do Revelando os Brasis Ano I e reunindo um público médio de 500 pessoas por sessão. A partir de 2008, além de serem exibidas no Canal Futura, as produções serão lançadas em DVD com distribuição gratuita entre organizações sociais e culturais, bibliotecas, universidades e cineclubes de todo o País.

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Seu lado de negócios. Seu lado criativo. Inspire ambos. Apresentamos a nova linha de edição da Avid. Um sistema com arquitetura evolucionária que oferece o que é mais importante para você. Qualidade, rendimento e valor. Uma nova forma de pensar. Uma nova forma de fazer negócios. Dê uma olhada atentamente em Avid.com/newthinking. © 2008 Avid Technology, Inc. All rights reserved. Avid is a registered trademark of Avid Technology, Inc. or its subsidiaries in the United States and/or other countries.


( scanner) Mercado de games

Games da Eletronic Arts, que montou estúdio em São Paulo.

A Associação Brasileira de Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames) divulgou em julho uma pesquisa analisando o desenvolvimento do setor nos últimos quatro anos. O estudo mostra que a indústria brasileira é hoje responsável por 0,16% do faturamento mundial com jogos eletrônicos. O setor vem se fortalecendo, sobretudo a partir de 2006, quando as empresas de games integraram-se ao projeto setorial de software e serviços (PSI-SW) financiado pela Apex e co-financiado pela Softex. A exportação da produção nacional de jogos (software) saltou de 22,91% em 2006 para 28,77% em 2007 e a projeção é que chegue a 43,31% em 2008. O setor vem recebendo a atenção do governo e de empresas internacionais. Segundo anunciou o secretário do Audiovisual, Silvio Da-Rin, em apresentação no File – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, que aconteceu em São Paulo, na primeira semana de agosto, um edital preparado pelas secretarias do Audiovisual e de Projetos Culturais, pela Finep, pela Apex e pela Abragames deve

sair até o final de setembro, contemplando dez projetos de jogos. Estúdio A Electronic Arts (EA), empresa internacional do setor de games eletrônicos, montou recentemente um estúdio no Brasil para desenvolvimento de títulos para celular. O estúdio fica em São Paulo e está sob o comando de Carlos Estigarribia. A meta da EA é fazer até o fim deste ano no estúdio brasileiro a adaptação de um jogo para os diversos modelos de celulares presentes no portfólio de uma operadora e o processo de adaptação para a língua e para a cultura de um determinado país. O desenvolvimento de jogos novos deve começar a ser feito no estúdio brasileiro da EA a partir de 2009, prevê Estigarribia. A idéia é desenvolver também para outras plataformas, como Pocket PCs, iPhone e Palm. Atualmente, a empresa tem pouco mais de 20 games disponíveis no mercado brasileiro de telefonia celular. Em 2007, a EA registrou aproximadamente 800 mil downloads de jogos para celular no Brasil. A expectativa para este ano é ultrapassar a marca de 1 milhão.

Making of do comercial da Brahma, produzido pela Bossa Nova para a agência russa Adventa Lowe, usando paisagens da capital fluminense como locação. O advergame de lançamento da nova fragrância Axe Seco Ultra Focus criado pela Colmeia para a

Rio de Janeiro em cena O Rio de Janeiro está em alta. A cidade foi o cenário escolhido pela agência de publicidade russa Adventa Lowe para o comercial da cerveja Brahma, da Inbev. Intitulado “Beetle”, o comercial, que mostra um Fusca passeando por alguns dos principais cartões postais da capital fluminense, foi produzido pela Bossa Nova Films e já está sendo veiculado na Rússia. Segundo o diretor de criação da Adventa Lowe, Andreas Toscano, toda a comunicação da marca no mercado russo está focada no conceito de descontração e improviso, características

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típicas dos brasileiros, e o Rio foi escolhido pelo fato de seus cenários serem reconhecidos no mundo inteiro. A cidade também é cenário do advergame “Rio 40º enfócate en ellas no en tu sudor”, criado pela Lowe do México para o lançamento da nova fragrância Axe Seco Ultra Focus, da Unilever. No site www.rio40.mx, o internauta participa de um jogo cujo desafio é conquistar quatro belas mulheres sem transpirar. A produção é da Colmeia, empresa de conteúdo e entretenimento digital do Grupo Ink.

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( scanner) A próxima top model O canal Sony apresentou a segunda temporada do reality show “Brazil’s Next Top Model”, atração realizada nos moldes do “America’s Next Top Model”, criado nos Estados Unidos. A segunda temporada do concurso de modelos, com 13 episódios, é produzida pela Moonshot, A apresentadora Fernanda Motta (centro) com os jurados com direção de Roberto d’Avila. Assim como na primeira temporada, a atração da segunda temporada do “Brazil’s Next Top Model”.

Video-on-demand no Playstation A Sony Computer Entertainment anunciou em meados de julho seu serviço de download de vídeos na plataforma de games Playstation, inclusive para o terminal portátil PSP. Os usuários poderão baixar cerca de 300 filmes e mais de 1,2 mil episódios de programas de TV, em resolução padrão (SD) ou alta definição (HD). Inicialmente estarão disponíveis filmes de grandes estúdios, como 20th Century Fox, Lionsgate Entertainment, MGM Studios, Paramount Pictures, Sony Pictures Entertainment e Warner Bros. O serviço usará a mesma plataforma de distribuição existente hoje para games e outros serviços, a Playstation Store. No modelo de aluguel, o usuário terá duas semanas, a partir do pedido de download, para ver o conteúdo. Uma vez que comece a assistir, terá o vídeo disponível por 24 horas. Os preços variam de US$ 2,99 a US$ 5,99 por filme, enquanto na modalidade de compra (o filme fica disponível indefinidamente) os preços variam de US$ 9,99 a US$ 14,99. O serviço está disponível inicialmente apenas para usuários dos EUA.

não usa recursos incentivados. Esta edição conta com quatro patrocinadores master - Nivea, Philips, Avon e Seda - e um “top”: Havaianas. O programa estréia no dia 4 de setembro, às 21h, e contará com cinco reprises durante a programação. Além disso, o “Brazil’s Next Top Model” será exibido simultaneamente em toda a América Latina.

Conteúdo executivo O HSM, grupo focado em educação executiva, e o Spectrus Group, grupo de produção de conteúdo multimídia e gestão de eventos voltado para o mercado corporativo, lançaram o HSM Code-by Spectrus, uma plataforma para a oferta de conteúdo de educação executiva on-demand, por meio de um set-top box conectado a uma rede IP. Com set-top e software brasileiros, produzidos pela Nextvision, o HSM Code oferece um pacote com oito horas mensais de programação premium da HSM, dividido em quatro grupos: liderança, inovação, estratégia e marketing e vendas. “A tendência é personalizar a oferta de conteúdo”, diz o CEO da Nextvision, Marcos Galassi. A Nextvision é responsável pelo software e pelo set-top, enquanto a Spectrus produz e gerencia o produto. O investimento da Spectrus foi de cerca de R$ 3 milhões, com a produção de dois mil set-top boxes e do sistema de gestão. Galassi afirma que parte da receita obtida com a assinatura será destinada à produção de conteúdo nacional pela própria Spectrus. Canal linear Em agosto, o grupo HSM comemorou um ano do canal de educação executiva Marcos Braga: um ano de Management TV, disponível na Sky e na TV Management TV. Alphaville, com um total de 850 mil assinantes. Programado na Argentina, o canal é feito com 50% de conteúdo proveniente da HSM e outros 50% de aquisições. O presidente da HSM no Brasil, Marcos Braga diz que, até o momento, nenhuma produtora ofereceu projetos ao canal. “Nosso objetivo é ter cada vez mais conteúdo próprio, podendo ser também brasileiro”, diz. O executivo diz ainda que a previsão de crescimento em publicidade do canal é de 100% em 2008 em relação ao ano passado.

Na rede A ESPN lançou no final de julho o seu novo portal esportivo, o ESPN.com.br. A novidade é que o internauta não precisa navegar pelo site. Para escolher o que deseja ver, basta digitar a palavra de interesse após o endereço do site. Além deste novo formato, o portal estreou conteúdos exclusivos como a Rádio ESPN, que estará 24 horas no ar, o Videoblog do Trajano, e blogs dos comentaristas e narradores Paulo Vinícius Coelho, Mauro Cezar Pereira, Paulo

Calçade e Paulo Soares, entre outros. O site trouxe também a cobertura 24 horas por dia da Olímpiada de Pequim. Outra iniciativa da empresa na Internet foi a aquisição do Racing-live.com, um site especializado em esportes motorizados, com notícias atualizadas em inglês, francês, japonês, alemão, italiano e espanhol, além de apresentar corridas de Fórmula 1, Rallys, Superbike e Grandes Prêmios de moto, enduros, provas off road e Kart. Por enquanto, não há planos de fazer uma versão do site em português.

Portal ESPN.com.br: o internauta não precisa navegar. Para escolher o que deseja ver, basta digitar uma palavra de interesse após o endereço do site.


Repense a qualidade de múltiplas imagens Simplesmente coloque o Kaleido-X para trabalhar e ele irá redefinir a qualidade da imagem em multi-viewers. Usando uma tecnologia única de escalonamento, ele apresenta imagens mais detalhadas e com cores mais precisas, independente do tamanho da imagem. Os operadores poderão explorar este poder com inúmeros lay-outs, em diversas salas de visualização, permitindo que eles escolham a configuração ideal para monitoração. A melhor forma de monitoração, sem limitações. É tempo de repensar o que é possível.

Rethink what’s possible

w w w.miranda.com/kaleido


Fotos: divulgação

(figuras ) Diretora de atendimento

Conteúdo de TV

Maya Montenegro (ex-Maria Bonita) é a nova diretora de atendimento da Dínamo Filmes, produtora dos diretores Edu Cama, José Furlan, Marcus Baldini, Vitor Amati e Ricardo Carelli.

Adriana Alcântara (ex-Globosat, Viacom e NBC) assumiu a recém-criada gerência de conteúdo de TV da Oi. A nova área está sob a responsabilidade da gerência de mídia e conteúdo, comandada por José Luis Volpini. Adriana será responsável pelo desenvolvimento de ofertas de conteúdo em várias plataformas do grupo, como celular, IPTV e Internet.

Diretor de marketing André Quadra assumirá a diretoria de marketing da ESPN no Brasil. O executivo, que tem passagens por empresas como Procter & Gamble, Coca-cola, Wella e Ipiranga, coordenará as ações de marketing mutimídia da ESPN no Brasil, reportando-se ao diretor geral Germán von Hartenstein.

Quarteto Fernanda Martins vem do Rio de Janeiro para se juntar à equipe paulista de atendimento da Margarida Flores e Filmes. A profissional reforça o time formado por Fabiano Beraldo, Ducha Lopes e Helena Hilário. Helena Hilário, Fabiano Beraldo, Ducha Lopes e Fernanda Martins

Diretor Luiz Ferré integra o time de diretores da Bossa Nova Filmes. O diretor, que também faz parte da equipe de consultores e criadores da programação da Rede Globo, atuará tanto em publicidade como nos novos projetos da área de conteúdo.

Vendas publicitárias A Viacom Networks Brasil promoveu a diretora Fátima Zagari a vice-presidente de vendas publicitárias. A expectativa da empresa é que, sob a liderança de Fátima, o departamento cresça 18% em relação ao crescimento do ano passado. Paula Fonseca, Adriana Schwarz, Estela Pereira, Nil Sabey e Kenji Outi completam a equipe.

Produtor Executivo Internacional Depois de três anos na Republika Filmes, o produtor executivo norte-americano Howard Cohen, assume na Movi&Art o departamento responsável pela venda de production service e full production. Cohen, que já trabalhou como diretor criativo na Saatchi&Saatchi, JWalter Thompson, DMB&B e McCann Erickson, também atuará como diretor de cena e será responsável pela apresentação dos diretores da Movi&Art ao mercado internacional.

Novos Negócios Rodrigo Villarinho e Mariana Montagna Gallina foram contratados pelo Grupo Ink. Villarinho, em Minas Gerais, e Mariana, no Rio de Janeiro, ocupam os cargos de executivos de novos negócios sob o comando do produtor executivo João Pedro Albuquerque.

Criativo O redator Otávio Schiavon chega à DM9DDB para fazer dupla com Gustavo Victorino. Otávio já passou pela Fischer, Duda e Leo Burnett do Brasil, Portugal e Colômbia. Nesta última, ele foi diretor de criação por quase dois anos.

Diretor de arte Marcelo Mariano, com passagens pela FullTecno - Grupo FullJazz, Trama Gravadora, Agência Click e JWT, é o novo diretor de arte da DM9DDB. 16

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Carlos

Sérgio

Cinco A Giacometti Propaganda e Arquitetura de Marca contratou cinco novos profissionais. Aline Octaviano de Souza (ex-Fracta Propaganda) é a nova assistente de arte. Gabriel Marchi Gimenes (ex-FutureBrand) assume o cargo de assistente na área de novos negócios. Flávia Cometti Mesquita (ex-Boldness Comunicação) integra a equipe da executiva de contas Juliana Lima como assistente de atendimento. Carlos Alex Martins Jordão (ex-A Tribuna de Santos) e Sérgio Arara Lopes (ex-Almap/BBDO, CBBA Propaganda, TBWA e Lew Lara) reforçam a área de mídia como assistente e supervisor de mídia, respectivamente. V i v a

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Foto: Jair Bertolucci

Ombudsman O jornalista Ernesto Rodrigues é o novo ombudsman da TV Cultura. Desde o fim de julho, ele tem uma coluna semanal no site da emissora (www.tvcultura.com.br) e faz também atualizações diárias com comentários sobre a programação do canal.

Chief Marketing Officer Marcello Coltro foi promovido a vicepresidente sênior de vendas e chief marketing officer da MGM Networks Latin America. Coltro ocupava o cargo de vice-presidente de vendas e marketing dos canais MGM e Casa Club TV.

Reforços Novas mídias A publicitária Elisa Calvo, ex-Y&R e Age, assumiu o cargo de diretora de novas mídias do portal Terra. O trabalho do departamento recémcriado está centrado em espaços que não sejam as telas do computador, como telas de elevadores, shoppings e celulares. Elisa estará à frente da área em toda a América Latina, liderando uma equipe formada por mais sete profissionais espalhados por países diferentes da região. A profissional se reportará a Paulo Silva, diretor de publicidade do Terra América Latina.

A Giovanni+Draftfcb reforçou a área de criação com a contratação do redator Weber Luiz de Andrade (ex-W/Brasil, TBWA Cápsula) e do diretor de arte Marcelo Moura (ex-Neogame). Para a criação on-line chegaram o diretor de arte Renato Cezar Silvia Lucena (ex-Tribal) David Romanetto e o estagiário Patrick Arteiro. O redator David Romanetto foi promovido a supervisor de criação. Claudia Sanseverino (ex-Ogilvy One) assumiu como gerente de contas no atendimento, que ainda ganhou os reforços de Luna Contijo Resende (ex-FIEMG), Vanessa Manisc (exNBS) e Caroline Vit (ex-Euro RSCG Brasil). Erika de Castro Covo (ex-Credit Suisse) como estrategista de informação em consumer insight.

Dupla

Lutz Döbberthin, Danielle Breyton, Frederic Breyton, Peter Gasper, Ariadne Breyton e Edna Fujii

A JWT contratou o diretor de arte Filipe Cuvero e o redator Fábio Leão. Os dois já formaram uma dupla de criação anteriormente na Lew, Lara, de onde vem Cuvero. Leão já passou também pela MatosGrey e Newcom Bates. Filipe Cuvero e Fábio Leão

Sócios

Diretor criativo

Frederic Breyton, Lutz Döbberthin, Ariane Breyton, Peter Gasper, Edina Fujii e Danielle Breyton são os sócios do Estúdio Quanta, resultado da fusão da empresa de locação de equipamentos de iluminação Quanta e da Motion, locadora de maquinários e câmeras.

Gastón Virkel (ex-Telemundo/NBC e MTV Latin America) foi designado para o cargo de diretor criativo do canal Boomerang em toda a América Latina. De Atlanta (EUA), ele será responsável pela imagem do canal no ar e também em todas as demais iniciativas.


( capa ) Samuel Possebon*

s a m u c a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Classe C no radar da TV paga Principais operadoras buscam formas de vender para uma nova classe de consumidores que surge com o crescimento econômico. Mas programação, riscos de inadimplência e falta de conhecimento de mercado ainda são desafios.

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TV por assinatura tenta, há quase 20 anos, se tornar popular no Brasil. Com cerca de 5,5 milhões de assinantes, trata-se de um produto de elite, que não chega de maneira significativa às camadas menos abastadas da população. Mas isso pode estar começando a mudar. O que pode ser observado desde o ano passado é um movimento consistente das operadoras no sentido de encontrar formas de vender para camadas de baixa renda, e os primeiros resultados começam a aparecer. Esse, aliás, foi um dos principais temas em discussão durante a ABTA 2008, maior evento do setor de TV por assinatura, que aconteceu em São Paulo no início de agosto. Só a Net Serviços, maior operadora de cabo do país, conseguiu mais de 110 mil assinantes no seu pacote mais barato em apenas um trimestre de venda. A Embratel (acionista da Net) deve lançar ainda este ano um serviço de TV por assinatura via satélite também voltado para a classe C. E a Telefônica, que no ano passado entrou no mercado de TV paga, teve seu maior crescimento justamente quando buscou esse mercado. A classe C, no entanto, não é uma meta apenas para o setor de TV por assinatura. Com os ganhos na renda média da população e as facilidades de crédito decorrentes do crescimento econômico dos últimos anos, todos os setores passaram a apostar nesta nova classe média, que hoje compra TVs, computadores, celular e

produtos de consumo que antes eram exclusivos dos mais abastados. Segundo Pedro Martins da Silva, diretor de mídia da Procter & Gamble, empresa responsável pela fabricação de boa parte dos produtos de higiene, limpeza e alimentação disponíveis nos supermercados, a grande dificuldade para chegar a esse consumidor é a definição de uma oferta que concilie qualidade e preços adequados aos interesses dessa faixa da população. Segundo Silva, 75% da população brasileira é de baixa renda e o preço do produto não deve ser definido simplesmente a partir do corte de custos, mas sim por aquilo que o consumidor necessita.

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A Procter & Gamble investiu muito nos últimos anos na popularização de produtos que antes eram exclusivos das classes A e B da população. Os investimentos em marketing e pesquisa foram enormes, e a fórmula que parece ter dado certo foi a de manter a essência do produto em termos de qualidade, cortar aspectos supérfluos, simplificar a comunicação e manter o leque de ofertas de melhor qualidade. “Mas não existe mágica. O que a gente pode dizer com certeza é que existe sim um risco grande de canibalização, mas também existe um ganho expressivo de mercado que se pode ter ao apostar na classe C”, diz Silva. A Net, por exemplo, optou por um produto que, por R$ 39,90, dá ao usuário um serviço de acesso à Internet (com velocidade de 150 kbps, mas sem a necessidade de aceso discado), um serviço de telefone e alguns canais abertos ou obrigatórios, que no cabo passam a ter qualidade superior. Não é, portanto, um produto de TV por assinatura, mas de TV combinada com Internet e telefonia. Em apenas um trimestre, esse produto superou todas as expectativas e chegou a 112 mil assinantes. Muitos dos quais já estavam na rede da Net, mas assinando produtos isolados. O desafio, agora, é como colocar canais pagos nesses pacotes, já que o custo de programação é um componente muito significativo nesta variável. Embratel Uma das empresas que têm esse desafio para solucionar é a Embratel,


O decoder avisa o assinante quando os créditos estão para vencer, e não existe nenhum compromisso de fidelidade do usuário. Inicialmente, o serviço de pay-per-view e os opcionais de programação não estarão disponíveis. A vantagem do serviço da Sky é que, por ele funcionar integrado com a rede das casas lotéricas, a habilitação é quase instantânea. Além disso, o pacote inclui sempre uma variedade de canais pagos (entre eles Cartoon, Discovery Kids, GNT, National Geographic, Fox, Multishow, Sony, Universal Channel, GloboNews e SporTV 2), mais canais abertos e canais obrigatórios, além de uma grande seleção de canais de áudio. Para Agrício Silva Neto, vicepresidente de marketing e programação da operadora, a opção

“Preço não deve ser definido apenas a partir do corte de custos, mas das necessidades dos clientes”. Pedro Martins da Silva, diretor de mídia da Procter & Gamble

FOTOs: ricardo ferreira

cujo foco do serviço de DTH a ser lançado é justamente a camada menos abastada da população. Para Antônio João Filho, diretor da Embratel responsável pelo projeto, a primeira questão é saber o que o consumidor deseja. “Para que ele dá valor? Pelo que ele pagaria? Existe valor em canais que não vamos carregar?”, questiona. Ele relata que a Embratel fez uma pesquisa que apontou alguns caminhos. “De forma alguma esse público aceita conteúdo legendado, por exemplo”. O executivo também ressalta a responsabilidade que a pessoa que vai contratar o serviço de TV paga terá perante sua família. “Em geral, em famílias de baixa renda, é apenas uma pessoa que decide onde colocar as sobras no orçamento. A reputação desta pessoa está em jogo quando ela faz a escolha, e como há limites no orçamento, ela não pode errar”, relata o executivo. Ou seja, ao vender um pacote para a classe C, não é possível ir ajustando a programação até se chegar em um pacote adequado, como hoje acontece com os pacotes mais sofisticados, onde existem dezenas de canais que vão sendo alterados ao longo dos anos em função de maior ou menor audiência. Por esta razão é que a Net Serviços optou por um pacote em que o foco é a Internet e o telefone, e que a televisão entra apenas como um complemento, apenas com canais abertos, com os quais o usuário já está acostumado. Para André Guerreiro, diretor da Net Serviços responsável pela área de inteligência de mercados, o que se vê entre essa população de baixa renda é mais necessidade de conectividade, em função da ampliação das vendas

de computadores. “Quando alguém compra um computador, quer se conectar. A banda larga é o impulsionador disso. A TV por assinatura tem que surfar nessa onda, mas quem manda é a banda larga”, diz. Ele lembra alguns riscos clássicos para quem aposta na classe C. O primeiro, mais conhecido, é que o país pode deixar de viver esse ciclo de crescimento, o que afeta primeiramente essa faixa da população. Outro risco apontado por André Guerreiro é que a classe C tem um poder de consumo muito mais limitado em relação à classe A e B, o que torna a rentabilidade de qualquer produto muito mais limitada. E, por fim, em alguns casos a venda de pacotes para a classe C representa riscos de segurança para as equipes de instalação da empresa, sobretudo em

Sky aposta em um pacote pré-pago, voltado para o público que hoje está nas parabólicas de banda c. áreas de favelas e bairros carentes. Uma alternativa a isso pode ser o pacote pré-pago desenhado pela Sky, operadora de DTH. A estratégia da empresa, que começou pelo Estado de São Paulo (justamente onde opera a Telefônica) é vender o equipamento básico pelo televendas ou pelo site da Sky. O kit de settop e antena sai por R$ 299 (pode ser parcelado em até 12 vezes), e o pagamento é feito nas casas lotéricas, que habilitam a programação pelo período de sete dias, 15 dias ou 30 dias. Os preços, para cada tipo de crédito, são de R$ 19,90, R$ 29,90 e R$ 49,90, respectivamente. A compra do equipamento inclui os primeiros 30 dias de serviço grátis. A recarga é cumulativa e será possível apenas uma assinatura pré-paga por CPF.

inicial de oferta do serviço apenas no Estado de São Paulo se deve a uma necessidade de testar o produto. A Sky está há um ano desenvolvendo o produto pré-pago, que ainda não oferece possibilidade de migração para outros pacotes. Ou seja, ainda não é um produto que possibilitará que os assinantes passem a pacotes mais avançados, como é o da Net Serviços. Mas também não é um produto que permite a canibalização, já que o assinante atual da Sky não tem como optar por reduzir de pacote. A estratégia da Sky, conta Silva Neto, é a base de usuários em banda C, que hoje pode chegar a 20 milhões de usuários. São vendidos cerca de 200 mil kits de banda C por mês, e por esta razão a Sky focará a

“Nas famílias de baixa renda há limites de orçamento, a pessoa que escolhe onde colocar as sobras não pode errar”. Antônio João Filho, da Embratel

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FOTO: edson kumasaka

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Movimento na feira da ABTA: mercado tem crescimento acelerado, graças à banda larga e à melhoria na economia brasileira.

campanha do Sky Pré-pago nos intervalos comerciais dos canais da banda C e em rádios populares. A Sky já comercializa pacotes prépagos no México e na Venezuela, mas o Brasil é o único a oferecer a habilitação em tempo real, por meio das casas lotéricas. O grande desafio da Sky foi conseguir chegar a um pacote flexível de programação, já que existem canais de diferentes programadoras, e muitas delas com a prática de venda de pacotes combinados.

programadores, seja com maior escala, seja com maior faturamento de publicidade. Segundo Leme, a iniciativa de dublar o conteúdo do canal Fox faz parte de uma estratégia para atingir este mercado. “Há pacotes cada vez mais acessíveis, provocando uma renegociação na cadeia. No futuro, a gente vai trabalhar volume, ao invés de preço”, aposta Paulo Saad, vice-presidente de programação da Band. Para Silvia Jafet, diretora responsável pelos canais pagos da Band, ainda existe uma grande confusão sobre que conteúdos são os mais adequados a esta faixa da população, e não existe troca de informações entre programadores e operadores para ajustar o conteúdo. Outro grande desafio de se fazer a venda para a classe C é o orçamento limitado. Trata-se de uma faixa da população que está consumindo mais, mas consumindo de tudo, de eletrodomésticos a entretenimento, e cada real gasto com uma prestação para um televisor novo é um real a menos a ser pago em uma mensalidade de TV por assinatura. O vicepresidente de desenvolvimento de negócios da Samsung para FOTO: ricardo ferreira

Programação difícil Para Neusa Risette, diretora executiva da NeoTV (associação de operadores que negocia a compra de programação), é difícil juntar os programadores para discutir esse tipo de pacote. “Quando se fala em pacote mais barato para a classe C, se escuta ‘o meu canal tem que estar lá’ e isso faz com que a gente não consiga avançar muito”. Gustavo Leme, diretor geral dos canais Fox, reconheceu que existe a necessidade de se rever alguns modelos de venda e preços dos canais pagos no Brasil para que se desenvolvam pacotes para a classe C, mas para isso é necessário compensar de alguma maneira os

“Não existe troca de informações entre operadores e canais para ajustar o conteúdo a este público”. Silvia Jafet, da Band

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a América Latina, Benjamim Sicsú, explica que os televisores de plasma e LCD representavam de 8% a 9% das vendas de aparelhos em julho do ano passado, e 20% do valor total das vendas. Em julho deste ano, o número de aparelhos de telas finas saltou a 25% do total e representa 65% do valor de vendas. Segundo Sicsú, até o final do ano, os televisores de plasma e LCD devem representar 35% do total de vendas e mais de 75% do faturamento. “Em dois anos, esse número deve ser de 50% no número de televisores e 80% do valor”, disse Sicsú. Esses números consideram, segundo Sicsú, os cerca de dez milhões de aparelhos vendidos anualmente no País. Ele ressaltou, contudo, que apesar das vendas terem mudado de perfil, não há um aumento no total de televisores vendidos. “O que as pessoas estão comprando são televisores melhores e mais baratos, mas não mais televisores”. Outro aspecto destacado pelo executivo é o grande crescimento das vendas no Nordeste e Norte do País, acima de 18%. Ele lembrou ainda que, há dois anos, 75% dos monitores de computador eram de tubo, e hoje são apenas 1%. Ele aponta o crescimento da renda e o consumo da classe C como uma das causas desse aquecimento no mercado de televisores: “O que acontece é o

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Faça parte deste elenco. 16 e 17 de setembro de 2008 AmCHAM, São Paulo, SP

3º Congresso TV 2.0

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Neusa Risette, da NeoTV

aumento do consumo de melhores tecnologias, e a classe C também consumindo produtos com mais tecnologia”.

39,90. Depois, a operadora se viu forçada a abandonar a estratégia em função da necessidade de distribuir os canais Globosat e de ajustar os pacotes para suas diferentes tecnologias de TV por assinatura. A Embratel, além da aposta no serviço de DTH de baixo custo, já vem focando a sua estratégia na classe C em outros produtos. Um deles é o Livre, seu serviço de telefonia fixa através da rede CDMA da antiga Vésper, que em 15 meses passou de 500 mil para 1,7 milhão de clientes. Agora, a Embratel quer levar para a classe C uma opção de acesso à internet que seja uma alternativa barata e mais veloz ao acesso discado. Trata-se do Livre.com, cujo lançamento oficial acontecerá em setembro e que, a exemplo do que faz a

Batalha pelo bolso Para o executivo da Samsung, o quadro é positivo, apesar dessa batalha pelo bolso do consumidor ser ainda mais intensa nas faixas de baixa renda. “Nossas indústrias estarão disputando o excesso de renda que existe hoje. Mas os mecanismos de distribuição de renda continuam operando e com mais investimento em educação, saúde etc, haverá mais renda no futuro”. Para a indústria de TV por assinatura, crescer na classe C e mostrar que esse não é um setor voltado apenas para as elites é mais

para as operadoras, é imperativo crescer neste segmento, pois as teles estão avançando com pacotes mais baratos de telefone e banda larga. do que um desafio, é um imperativo. Primeiro porque as empresas de telecomunicações estão vindo, todas, com fortes apostas na classe C. A Brasil Telecom, no segundo trimestre, por exemplo, voltou a ver sua base de assinantes do serviço de telefonia fixa crescer depois de anos ao dar ênfase em produtos mais baratos e planos alternativos, especialmente combinando banda larga. A Telefônica também voltou a registrar crescimento na base de TV por assinatura depois que focou sua estratégia na combinação de banda larga, voz e TV por assinatura em pacotes mais baratos. Vale lembrar que a Telefônica teve grande sucesso de vendas no começo de 2007 com o pacote Você TV, que oferecia uma forte opção de TV por assinatura a R$

Net com o Net Fone.com, oferece acesso em uma velocidade de até 156 kbps. O modem, no caso, é o próprio telefone, que deve ser conectado a um PC ou laptop através de um cabo USB. Os fornecedores dos terminais são Nokia e Huawei. O pacote com telefonia fixa e acesso à internet será vendido por R$ 39,90/mês. O primeiro teste comercial aconteceu em julho, na capital paulista. Segundo o diretor de negócios residenciais da Embratel, Guilherme Zattar, a oferta do Livre.com não atrapalha as vendas do Net Fone via Embratel ou do Net Combo porque os alvos são diferentes: o público da Net está principalmente nas classes A e B. De acordo com Zattar, o direcionamento do Livre para a

“Em dois anos, 50% das vendas de TV serão de modelos de plasma e LCD”. Benjamim Sicsú, da Samsung

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classe C aconteceu depois de a empresa ter analisado o mercado e constatado que apenas 24 milhões de domicílios, de um total de 57 milhões no Brasil, tinham telefone fixo. Mesmo na banda larga, o maior crescimento tem se dado entre as ofertas das operadoras de telefonia celular, que focam seus produtos em camadas menos abastadas da população, que hoje não têm outra opção de acesso à Internet. A banda larga móvel cresceu 464% de um ano para cá, chegando a 1,314 milhão de acessos em julho de 2008, de acordo com a pesquisa Barômetro Cisco de Banda Larga. Isso representa mais de 10% do mercado de banda larga do Brasil. Vale lembrar que a TV por assinatura tem apelo popular, e a maior prova disso é o elevado percentual de conexões clandestinas existentes, sobretudo em bairros de infra-estrutura deficiente. Estima-se que para cada dez assinantes no Brasil, haja um assinante e meio a mais que está conectado de forma irregular às redes de cabo. Só no Rio de Janeiro esse número é estimado em cerca de 400 mil assinantes, mais do que Net e TVA têm na cidade. E com a digitalização das redes de TV por assinatura (o que torna mais difícil o roubo de sinal), a tendência é que parte dessa massa de usuários hoje não registrados (e não pagantes) se legalize. A própria Globosat, maior programadora do setor de TV paga, atribui uma queda na audiência registrada nos últimos anos a esse fenômeno da digitalização das redes (ver matéria nessa edição). O fato é que as operadoras de TV por assinatura, mais do que nunca, estão de olho na classe C. Só ainda não se sabe se o que vai ser vendido é TV por assinatura ou se Internet e telefone serão as prioridades. FOTOs: ricardo ferreira

“Quando se fala em pacotes para a classe C, todas as programadoras dizem: meu canal tem que estar lá”.

*colaboraram Daniele Frederico e Fernando Paiva


( capa)

FOTOs: marecelo kahn e ricardo ferreira

Galeria ABTA 2008

Fiamma Zarife, da Claro

Ara Apkar Minassian, da Anatel

Kenneth Klaer, vice-presidente da Cisco, fez a palestra de abertura do evento

Antonio Salles, da Viacabo

Deputado Paulo Bornhausen

Leila Lória, da TVA

Ricardo Mucci, da Fund. Padre Anchieta

João Mesquita, do Telecine

José Felix, da Net Serviços

Virgílio Amaral, da TVA

Gustavo Grossman, da HBO

Luiz Eduardo Baptista, da Sky

Manny Floriano, da Net Mídia

Feira e congresso superaram a marca de dez mil visitantes

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Juliana Gatti, da Viacom

Rafael Davini, da Turner

Fátima Lemos, do Procon-SP

Roger Karman, da Net Angra

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Intelsat Globaliza Transmissões HD Transmitindo Esportes e Eventos Especiais ao Vivo

A Intelsat é a líder em transmissão global em alta definição para grandes eventos, como o Campeonato Europeu de Futebol 2008 e os Jogos Olímpicos de Pequim 2008. Somos o único operador global de satélites a fornecer cobertura de todos os jogos olímpicos desde 1968. A Rede da Intelsat é a rede de distribuição com maior abrangência no mundo, usando as tecnologias de serviços convergentes mais recentes para levar seu sinal para onde você precisa! Oferecemos às emissoras • Cerca de 80 canais HDTV para o mundo inteiro • 28 plataformas globais DTH • Soluções totalmente gerenciadas em eventos como Jogos Olímpicos para detentores e não-detentores de direitos de transmissão • Acesso a algumas das comunidades de vídeo por satélite com maior prestígio na indústria Nossa frota pode responder às necessidades crescentes dos clientes por programação de alta definição. Nossos especialistas em transmissão de eventos especiais possuem experiência em transmissões SD e HD por todo o mundo. Estamos preparados para prover ”play-outs” desde locais remotos, SNGs totalmente equipados com produção e equipe, além de capacitação em implementação de soluções para produção e transmissão, desde qualquer localidade que nossos clientes necessitem. A Intelsat está capacitada para codificar, transportar e distribuir de forma transparente Esportes ao Vivo e Eventos Especiais em HD. Para mais informações, entre em contato com Operações para o Brasil +55 21-2213-8900 comercial@intelsat.com

www.intelsat.com

Visite a Intelsat na IBC 2008 Stand N°1.C71 Amsterdã, Países Baixos


( programação)

A fila que não anda

Programadores apontam dificuldade para distribuição, mas continuam a apostar no lançamento de novos canais.

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mbora o conteúdo seja considerado o fator mais importante para o sucesso de qualquer canal, a principal preocupação dos programadores parece ter um novo foco neste momento. Durante o terceiro e último dia da ABTA 2008, as discussões estiveram focadas na programação, e mostraram que a principal polêmica entre os programadores é a distribuição. Seja para canais recémlançados, seja para os de programadoras já consolidadas, há uma barreira para o lançamento de novos canais. Esse obstáculo, somado a uma queda de audiência dos canais pagos, preocupa os programadores, especialmente os nacionais. Ainda assim, foi notável a quantidade de canais lançados oficialmente durante a feira da ABTA, que aconteceu entre os dias 11 e 13 de agosto, em São Paulo. Uma das principais questões debatidas pelos programadores e operadores presentes no painel de abertura do último dia do congresso foi a fila para a entrada de novos canais no line-up das operadoras. “Vários players são analógicos, o que dificulta a abertura de espaço para novos canais”, disse Paulo Martins, presidente da NeoTV. Para os programadores, a disputa por conteúdo cresceria com o aumento da concorrência na operação de TV por assinatura. “A Band entrou no mercado em um momento de disputa Sky e DirecTV e entre a TVA e a Net em São Paulo”, disse o

Painel de programação na ABTA 2008: distribuição ainda é problema.

FOTOS: marcelo kahn

vice-presidente do Grupo Bandeirantes, Paulo Saad, apostando que a possibilidade de crescimento só viria com o aumento da concorrência. O diretor geral dos Canais Abril, André Mantovani, falou sobre a dificuldade que vem encontrando para distribuir seus canais. “Crescer, para mim, é com o acesso à distribuição, que não tenho pela Net e Sky”, disse. “Disseram que cheguei agora, tenho que esperar um pouco”, afirmou. Na opinião de Mantovani, a “fila” é mais longa para ele porque produz conteúdo nacional. “Lançamos o Ideal quase simultaneamente ao HSM (Management TV). Ele já está distribuído na Sky e nós não”, afirmou. Representante das operadoras na discussão, Paulo Martins explicou que o problema da fila passa por

uma questão tecnológica, motivo pelo qual a sua operação, a Viacabo, não carrega os canais da Abril. Um operador ouvido por TELA VIVA explica a questão do “timing”: “Se nos procurassem quando estávamos montando os pacotes digitais, teriam entrado, porque precisávamos de conteúdo. Hoje as grades estão completas, e não se justifica agregar mais canais”. Alberto Pecegueiro, representando a maior programadora nacional, Globosat, afirmou que a fila existe mesmo para ele. “Tenho o SporTV Clássicos esperando espaço para ser lançado”. Outra programadora que está na fila é a Fox. Segundo o vicepresidente da Fox Latin American Channels, Gustavo Leme, diretor geral para o Brasil da programadora, embora alguns canais da

“Crescer, para mim, é com o acesso à distribuição, que não tenho pela Net e Sky.” André Mantovani, dos Canais Abril

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programadora estejam consolidados - como o Fox, o National Geographic e, mais recentemente, o FX outros, segundo ele, ainda buscam uma distribuição mais expressiva, como o FoxLife. Há ainda canais “prontos para distribuição no Brasil”, sem qualquer distribuição, como o National Geographic Music. Além da distribuição, outras alternativas foram apresentadas pelos programadores para o aumento da receita dos canais, como a publicidade e a revisão de preços (veja box). Para Gustavo Leme, “a publicidade é um caminho e temos planos neste sentido, mas se o PL 29 for aprovado, fica inviável”, diz. O PL 29 propõe a restrição da publicidade na TV paga a 15% por hora de programação. A revisão de preços também faz parte do “pacote” para o crescimento do setor. “Há espaço para crescimento, inclusive com novos canais, desde que apoiando os pacotes para a classe C”, afirmou Gustavo Leme. Paulo Saad disse que há pacotes cada vez mais acessíveis, provocando uma renegociação na cadeia. “No futuro, a gente vai trabalhar volume, ao invés de preço”, apostou. Alberto Pecegueiro apontou que no mercado internacional, mais especificamente Estados Unidos e Argentina, as operações trabalham com custo de 25% para programação. “No Brasil, o custo de programação chegou a 40%”, disse. Para ele, com o ganho de escala, as programadoras começam a renegociar. André Mantovani acusou a venda em pacote da Globosat, imposta pelo Cade, como a grande culpada pelo

“Aposto com absoluta certeza que nos próximos dois anos haverá uma explosão de audiência.” Alberto Pecegueiro, da Globosat

alto custo dos pacotes básicos. Segundo ele, um pacote de entrada custa entre R$ 80 e R$ 90, quando o ideal seria R$ 40. Mantovani diz que os operadores precisam colocar o canal esportivo da Globosat, o SporTV, no canal básico para atrair a classe C. Mas, pela imposição do Cade, precisam carregar também os outros canais da programadora. “A eliminação desta obrigatoriedade faria diferença na queda dos preços para o assinante”, disse.

tembro de 2006. A partir disso, a programadora passou a pesquisar os possíveis motivos, e constatou que a queda aconteceu a partir da digitalização das redes, quando os assinantes passaram a ter menos pontos extras em suas casas. Segundo a Globosat, o Ibope, ao medir audiência, mede todos os pontos de TV de uma casa. Só que no momento em que houve a digitalização, estes televisores, que recebiam o sinal do cabo de maneira irregular, pararam de receber os canais pagos, o que afetou a leitura. “Os operadores de cabo estão justamente agora trabalhando para colocar pontos adicionais nestes televisores, e isso vai se refletir nos dados no momento em que for medido pelo Ibope. Temos convicção de que as pessoas não estão assistindo menos televisão”, disse. “Acredito que haverá demanda para que pontos adicionais sejam instalados. Aposto com absoluta certeza que nos próximos dois anos haverá uma explosão de audiência”, afirmou. André Mantovani disse que o problema na queda do tempo médio de audiência deve-se à falta de conteúdo na TV paga e questionou o destino dessa audiência. “Se a TV aberta não está crescendo em audiência, para onde ela está indo? Acreditamos que esse telespectador esteja indo para a Internet”, disse. A pedido da ABTA, o Ibope já havia tentado entender o fenômeno, e o que o Ibope indicou (porque a resposta não é conclusiva) é que tanto Pecegueiro, que aponta a digitalização das redes como o principal problema, quanto Mantovani, que acredita na migração do público para a Internet e a falta de qualidade da programação como causas da queda, podem estar certos. Segundo o relatório final encaminhado à ABTA, de abril deste ano, a digitalização das redes explica

A audiência perdida Em meio ao lançamento de novos canais e do problema da distribuição, surge uma outra questão a ser resolvida pela TV por assinatura: a queda da audiência. Os programadores constataram uma queda na audiência dos canais pagos de setembro de 2006 para cá. “Desde setembro de 2006 até agora a audiência, que era de 2h30 diárias por pessoa, passou para 2 horas”, disse Mantovani. Entretanto, o que o relatório Mídia Fatos, publicação anual da ABTA sobre o desenvolvimento da TV por assinatura no Brasil, mostrou é que o tempo médio de audiência caiu apenas dez minutos entre 2006 e 2007. O tempo dedicado à TV por assinatura é de duas horas e oito minutos diários. O alcance (porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária) também caiu de 56% em 2006 para 49% em 2007 (fonte: Ibope Media Workstation). Pecegueiro concordou que uma queda de audiência foi identificada a partir de se­­

“Enquanto tivermos canais analógicos, é difícil achar espaço para novos canais.” Paulo Martins, da NeoTV

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( programação) bem a queda de audiência nos canais pagos na cidade do Rio de Janeiro. O Rio, aliás, é onde a queda de audiência foi mais acentuada, e a cidade tem peso de 28% na amostra. O Ibope, no entanto, aponta outros fatores, todos não-conclusivos: a queda de audiência (que afetou também os canais abertos) pode ser atribuída à popularização dos DVDs (inclusive por conta da pirataria, que barateou o acesso aos filmes), tempo perdido no trânsito ou aumento de permanência no trabalho, acesso à Internet e um certo afastamento entre a TV paga e o consumidor. Este afastamento se deve ao próprio combate à pirataria (o que é visto pelos usuários como uma medida antipática), repetição excessiva da programação e excesso de comerciais. As inserções publicitárias, por exemplo, cresceram 120% de janeiro de 2005 para janeiro de 2007. “Embora não tenhamos elementos para afirmar, notamos que a Internet passa a rivalizar com a TV”, diz o Ibope. Essa rivalidade com a Internet foi discutida entre os programa­dores, uma vez que o meio é capaz de distribuir conteúdo de forma ilegal, pelas redes peerto-peer. “Claro que se eu

tivesse esse poder, seguraria toda a distribuição de vídeo pela Internet”, afirmou Alberto Pecegueiro. “Mas como é inevitável, também quero (entrar neste mercado)”, disse. André Mantovani disse que a Internet é, sim, uma ameaça ao setor de conteúdo audiovisual. Segundo ele, nos EUA um terço das pessoas baixa vídeos da Internet, e apontou que existe um site na Internet que disponibiliza, ao vivo, a programação do SporTV, da Globosat. Segundo ele, o setor precisa, rapidamente, encontrar um modelo de negócios novo. “A indústria fonográfica não encontrou um modelo, mas o músico achou: distribui as músicas pela Internet e ganha dinheiro com shows. Quem está em xeque agora não é o produtor de conteúdo, é o distribuidor, como na indústria fonográfica”, afirmou. Pecegueiro lembrou que existem plataformas oficias de distribuição de conteúdo pela Internet, como o iTunes. “As plataformas oficiais se desenvolverem é bom para as programadoras. Resta saber se o modelo de venda de conteúdo ‘stand

Relatório aponta crescimento A publicidade pode, de fato, ser considerada uma alternativa para o crescimento dos canais pagos. É o que aponta a oitava edição do Mídia Fatos, que mostrou um crescimento de 21% do investimento publicitário na TV por assinatura de 2006 a 2007, totalizando R$ 638,6 milhões, e um crescimento de 12% no número de inserções. Com isso, o segmento passou a responder por 3% do total do bolo publicitário. A publicação também apontou que até março de 2008 o setor totalizava 5,5 milhões de assinantes de TV por assinatura, com cerca de 19 milhões de espectadores (número obtido a partr do cálculo de 3,4 moradores por domicílio). Segundo o levantamento, 49% assistem diariamente canais de TV paga, com tempo médio diário de audiência de duas horas e oito minutos. Destes, 80% são das classes A e B, mas a ABTA aposta na expansão da base de assinantes na classe C. Há ainda dados curiosos sobre os assinantes, como o tempo de assinatura: 23% já são assinantes há oito anos ou mais, enquanto 26% são assinantes há menos de um ano. Esses dados sobre o assinante foram contabilizados de junho de 2006 a julho 2007.

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alone’ pagará o custo de produção”, disse. Para Pecegueiro, o setor terá de conviver com os dois modelos (por assinatura e venda individual de conteúdo) até que o mercado aponte qual será o caminho. Todos concordam, porém, que as novas mídias representam alternativas de crescimento. Novos canais Mesmo com todos os problemas, aparentemente, o lançamento de novos canais ainda é um bom negócio. Isso foi o que mostrou a feira da ABTA, que teve cinco canais lançados oficialmente e outros cinco anunciados para lançamento futuro. A Turner apresentou o novo canal de animação Tooncast, com produções da Hanna-Barbera, Warner Bros, MGM e outros estúdios. Somente no primeiro dia de ABTA, o canal já havia sido comercializado para três operadoras: Nossa TV; GTV, de Cascavel; e RCA (que engloba 30 operações). Além deste, a programadora mostrou o canal Space reformulado para o Brasil. Trata-se de um canal de ação que antes pertencia à Claxson, e que agora será oferecido com um sinal exclusivo para o Brasil. As atrações, que vão desde filmes e séries de ação, aventura, terror e outros, a lutas de boxe, serão dubladas em português. Outro canal que terá sinal exclusivo para o Brasil, a partir de setembro é o The Biography Channel, da HBO Latin America Group. O canal de biografias do A&E Ole Networks já está disponível para assinantes da TVA e da Telefônica, além de operadores associados à NeoTV. No segmento infantil, o grupo The Walt Disney Channel apresentou o canal Playhouse Disney Channel, voltado para crianças de até seis anos de idade. O canal, derivado da atração homônima do Disney Channel, tem previsão de lançamento em setembro. Entre as nacionais o grupo Bandeirantes, anunciou o lançamento


semestre de 2009. A HBO, por sua vez, anunciou que prepara para a América Latina um canal HD, que estará disponível a partir de 1° de setembro, e ainda um canal básico, com filmes dublados. As novidades foram anunciadas pelo VP & general manager da HBO Networks, Gustavo Grossmann Léon, que também disse que a programadora deve lançar, em dois meses, um serviço de video-on-demand, com 80 horas de conteúdo disponíveis. As programadoras comercializavam ainda outros canais novos durante a ABTA, como Nick Jr, da Viacom; National Geographic Music e Baby TV, da Fox; e Megapix, da Globosat.

“A publicidade é um caminho e temos planos neste sentido, mas se o PL 29 for aprovado, fica inviável.” Gustavo Leme, da Fox

do Sexprivé Brasileirinhas, canal erótico com 90% de conteúdo nacional. A primeira operadora a distribuir o canal, a partir de meados de setembro, é a TVA. O Sexprivé Brasileirinhas será oferecido a la carte aos assinantes, ao preço de R$ 15. O conteúdo será fornecido pela Brasileirinhas, que conta com produtoras que trabalham exclusivamente com a distribuidora. Segundo o coordenador de programação do canal, Fábio Moraes, serão 70 estréias no primeiro mês. Os programadores também comentaram o lançamento de novos canais, que deverão ser anunciados em breve. A Globosat, segundo o diretor geral do Telecine, João Mesquita, deve lançar em breve o

canal Telecine Pipoca 2. O canal terá a mesma programação do Telecine Pipoca, apenas com um delay na exibição dos filmes. Ele estará no mesmo empacotamento do canal original e deve ser lançado em setembro. Segundo Pecegueiro, a Globosat prepara ainda os canais SporTV Clássicos, com os melhores momentos do esporte, e Multishow 2, que terá a exibição de videoclipes. André Mantovani, um dos programadores que apontou a dificuldade de distribuição, confirmou que mantém a agenda de lançamentos ousada de novos canais da Abril. Além dos já comercializados Ideal e Fiz TV, a programadora lançará um novo canal este ano e outros dois no segundo

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Da redação

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( política )

Na toca dos leões Jorge Bittar, deputado relator do polêmico PL 29/2007, apresenta sua proposta no evento da ABTA em busca de consenso.

D

FOTOS: marcelo kahn

eclaradamente, ninguém é contra o PL 29/2007, que cria novas regras para o setor de TV por assinatura. Contudo, o consenso almejado pelo relator do projeto, o deputado Jorge Bittar (RJ/ SP) está longe de ser alcançado. Bittar apresentou o projeto na casa do “inimigo”, o Congresso e Feira ABTA 2008, em um debate que reuniu todos os envolvidos: operadores de TV paga, broadcasters, operadores de telecomunicações, programadores e produtores independentes. Para um dos operadores presentes no evento, o projeto “trata de alfinete a foguete”, e, justamente por tentar abrigar todo o setor, acaba, também, desagradando a quase todos. Bittar apresentou os destaques do PL 29 afirmando que “não há o que impeça construir um acordo nos próximos dias ou semanas”. A visão dele não é compartilhada pelo deputado Paulo Bornhausen (DEM/ SC), autor do PL 29 original, também presente ao debate. Para ele, o ideal seria votar o que há consenso, deixando o restante para o final do ano. Ele concorda, por exemplo, com os aspectos que disciplinam a convergência de tecnologias e o fomento à produção. A parte conflitante ficaria para depois. O relator, contudo, disse que não permitirá o fatiamento e que o PL está 90% pronto. Para a ABTA, segundo Alexandre Annenberg, presidente da associação, há muitos pontos a serem acertados. “A polêmica que desgastou a ABTA e os deputados infelizmente está em um ponto secundário da proposta, que é a questão das cotas”, disse. Para ele, o projeto cria uma reserva de mercado. A opinião é rebatida

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que também participou do evento, afirmou que “o Estado vem regular o que está selvagem”. Para ele, “cota não é o melhor remédio, mas é um remédio”. Já as programadoras internacionais, reunidas na ABPTA, estão do outro lado. Carlos Alkimim, diretor executivo da associação, se coloca “terminantemente Para Jorge Bittar, projeto está 90% pronto. Alexandre Annemberg contra” as cotas. Ele diz (ao fundo) diz que há muito a ser acertado. que as programadoras pelos produtores independentes. Fernando estão abertas a discutir ajustes no PL, Dias, presidente da ABPI-TV, associação conforme sinalização do deputado dos produtores, afirmou que o PL não cria Jorge Bittar. “Vamos marcar um uma reserva. Pelo contrário, em sua encontro com o deputado para expor opinião, “hoje há uma reserva”, disse. nosso ponto de vista e corrigir Para Dias, a questão das cotas virou “boi algumas informações que ele de piranha” no projeto. apresentou no debate”, disse. Um dos A questão das cotas é unanimidade argumentos das programadoras apenas entre produtores independentes. internacionais é que sua parceria Entre programadores é motivo de uma com os produtores independentes clara divisão. A ABPI-TV, o Congresso nunca foi tão próxima quanto agora. Brasileiro de Cinema (que reúne Alkimim aponta que em quatro anos, diversas associações do cinema e do 111 obras foram co-produzidas com audiovisual), a Abril, o Grupo 54 produtoras diferentes, por meio do Bandeirantes e a Record distribuíram mecanismo de incentivo do Artigo 39 um manifesto de apoio ao Capítulo V do da MP 2.228/01. E, com a PL 29, que propõe cotas de regulamentação do Artigo 3A, o valor programação nacional de produção disponível para co-produção deve independente. No manifesto, as quadruplicar. empresas e as associações dizem que A Globosat, maior programadora são contra “qualquer monopólio ou nacional, também se coloca contra as exclusividade de distribuição de cotas. Segundo Alberto Pecegueiro, conteúdos audiovisuais”. Defendem diretor geral da programadora, os “mecanismos transitórios que pontos com os quais a programadora assegurem o acesso de múltiplos não concorda são o limite de canais agentes da indústria de produção e de uma mesma programadora que programação audiovisual brasileira às podem ser considerados para fins de plataformas de distribuição”. cotas (25%), o fato de canais como André Mantovani, dos Canais Abril, Globo News e SporTV não poderem

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( política) ser considerados como canais nacionais para fins de cota e o limite de publicidade estabelecido (10%). Ajustados estes pontos, diz, não haveria objeções. “A Globo não é contra o projeto. Entendemos a necessidade de regulamentação e se forem corrigidos alguns pontos, estamos tranqüilos”. Em relação ao teto sugerido pela última versão do substitutivo do PL 29 para que uma mesma programadora não controle mais do que 25% dos canais nacionais considerados para fim de cota, Pecegueiro disse que esta é uma cota ineficiente, porque no momento que este espaço for ocupado, deixará de haver razão para que os operadores dêem espaço a novos grupos. “O que vai acontecer é que quatro programadoras nacionais ocuparão este espaço e não haverá incentivo para mais ninguém”. O deputado Jorge Bittar admitiu a possibilidade de rever este teto, dando uma redação sem percentuais e remetendo para a observância de critérios de concorrência justa e equilibrada. “É importante apenas que se garanta o acesso de todos aos meios de distribuição”, disse o deputado. O limite de 25% no total de canais para a observância de cotas foi colocado a pedido dos grupos Abril, Band e Record. Bittar informou a este noticiário que vem mantendo conversas com o grupo para ajustar os pontos de atrito, mas o fato é que eles ainda existem. FOTO: ricardo ferreira

“Já deveria ter sido votado. O fato de estar parado beneficia alguns setores.” José Fernandez Pauletti, da Abrafix

salvaguardas que impeçam a constituição de monopólios”, nas palavras de Annenberg, que afirmou ainda que o que está em jogo não é a TV por assinatura, mas a banda larga. Segundo ele, o faturamento que as teles terão com TV por assinatura é inexpressivo, dado o tamanho das empresas. A disputa, diz, é pelo mercado de banda larga, onde as operadoras de TV paga incomodam as teles. O deputado Jorge Bittar saiu em defesa da entrada das teles no setor. “O Annenberg está defendendo os interesses da ABTA. Um setor com 8% de penetração e que está concentrado em apenas duas empresas”, disse o deputado. O presidente da ABTA corrigiu a informação de Bittar, afirmando que a penetração do setor é de 12%. Annenberg alega que o setor não cresceu mais por falta de oportunidade. “Não temos mais assinantes porque só existem licenças de cabo e MMDS em apenas 4% dos municípios, e a Anatel não abre novas licitações há oito anos”. Para os operadores, o mais importante é que o PL seja votado. O setor reclama da demora na discussão, apontando que, para eles, a questão das cotas não seria relevante. Assim como o deputado Bornhausen, o setor é a favor da divisão do projeto em duas partes. José Fernandez Pauletti, presidente da Abrafix, que reúne as operadoras fixas de telecom, diz que para as teles bastaria “suprimir um artigo da Lei do Cabo”, permitindo assim a prestação do serviço por parte delas. Pauletti diz que o texto “já deveria ter sido voltado” e atacou a ABTA, afirmando que “o fato de estar parado, beneficia alguns setores”, já que as teles estão impedidas de entrar na TV por assinatura

Teles Annenberg admite que as cotas não seriam o único problema. Há ainda a entrada das teles no setor de TV por assinatura. O presidente da ABTA disse que isso é inevitável e até desejável. “Mas é preciso haver condições: regras claras e que permitam competição saudável”, afirmou. A ABTA defende “que haja

Para Fernando Dias, da ABPI-TV, questão das cotas é “boi de piranha.”

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“em uma tecnologia”, lembrando que as operadoras só não podem prestar o serviço de cabo. Publicidade Por fim, outro ponto que traz discórdia é o da publicidade. Pela proposta de Bittar, a publicidade ficaria limitada a um máximo de 10% por dia e 15% por hora nos canais pagos. Reservadamente, Bittar aponta a regra como um pedido da radiodifusão. O setor nega a acusação. No evento, Daniel Slaviero, presidente da Abert, disse que o PL tem apenas, “alguns problemas de redação”. Segundo ele, o setor pede apenas a manutenção das regras de must-carry dos canais abertos e a garantia do modelo de radiodifusão atual, federativo, em que as geradoras locais tem o mesmo status das cabeças-de-rede. Obviamente, os programadores são contra as regras. Paulo Saad, vice-presidente do Grupo Bandeirantes, vê na publicidade uma alternativa de crescimento para os programadores e acredita que o ideal seria uma auto-regulação do setor. “Alguns canais da TV por assinatura, principalmente os de filmes, fazem um uso abusivo da publicidade. Temos que melhorar nossa capacidade de vender comerciais, mas com bom senso. Deveríamos nos organizar neste sentido antes mesmo da votação do PL 29”, opina. Pecegueiro, da Globosat, também é contra. “Hoje, essa receita é importante para os canais pagos, inclusive como forma de torná-los mais baratos aos operadores”, diz. O deputado Jorge Bittar admite rever as cotas de publicidade. Da redação

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( fornecedores)

Ana Carolina Barbosa

a n a c a r o l i n a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

O presente é SD Enquanto palestrantes da ABTA 2008 vislumbram o futuro, exaltando alta definição, IPTV, PVR e video-on-demand, fornecedores calcam os pés no chão: a maior saída ainda é de equipamentos com funcionalidades básicas. Customização e fácil navegabilidade são os diferenciais.

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FOTOS: marcelo kahn

alestrantes da ABTA 2008 que participaram dos debates sobre tecnologia voltaram-se para o futuro, apoiando seus discursos na expansão da alta definição, plataforma IP e video-on-demand (VOD). Um passeio pela feira e conversas com fornecedores, no entanto, mostraram uma realidade com menos nuances e os esforços para acompanhar as inovações tecnológicas previstas para um futuro não muito distante. Embora os maiores destaques dos estandes tenham sido os set-top boxes HD, o carro-chefe de vendas do setor ainda é a definição padrão. “Acredito que ainda leva uns dois anos para que a maior procura seja pelas caixas HD com PVR”, palpita Frédéric Esteve, gerente de projetos para a América Latina da alemã Techno Trend. “As caixas de alta definição ainda são muito caras para o mercado de TV por assinatura”, completa Otto Klaus Spiess, gerente de vendas e projetos da empresa. Para Thierry Martin, diretor regional da NagraVision, a questão dos set-tops HD é comparável à história do ovo e da galinha. “Não sei se eles saem pouco porque não

há conteúdo suficiente ou se não novo. Depois ele vai dando há conteúdo suficiente porque a um salto para novas saída das caixas ainda é ferramentas, é uma questão pequena. Eu costumo lidar tanto de tempo”, opina. com os fabricantes quanto com as operadoras e penso Triple play que o HD vai virar padrão”, diz A empresa catarinense ele, acrescentando que, por Cianet Networking, que enquanto, a maior exigência é a atua na área de tecnologia fácil navegabilidade. e soluções para a rede Bruno Starling, diretor banda larga, apresentou na comercial da Unicoba, afirma ABTA 2008 uma João Marcelo Corrêa, que as necessidades variam de da Cianet: foco nas alternativa de triple play pequenas operadoras acordo com o porte da para operadoras de operadora e o perfil do público. pequeno porte. O diretor “As pequenas geralmente querem técnico da empresa, João Marcelo integração e customização, enquanto as Corrêa, destacou as vantagens da grandes trabalham com middlewares mais tecnologia HPNA 3.0: “É uma solução avançados e mais funcionalidades”, mais barata que o DOCSIS, que as destaca Starling. operadoras costumam utilizar. Operamos com 128 Mbps sem levar Segurança fibra óptica a cada residência, Segundo Ricardo Pirola, vice-presidente aproveitamos a rede da TV a cabo. da Conax para a América Latina, empresa Além disso, as operadoras não norueguesa de soluções para o sistema precisam fazer nenhum tipo de digital de TV por assinatura, o ponto em alteração nos amplificadores de TV, comum entre os operadores é o cuidado reduzindo assim, os custos de com a segurança da rede de operação. implementação”, diz Corrêa. Entre os Sistemas de acesso condicionado são o clientes da Cianet estão a Net Angra produto principal da empresa, que, aos (Angra dos Reis, RJ) e a Cabo Visão poucos, introduz na América Latina (Rio do Sul, SC). “Temos negociações serviços como o de mobilidade, em que o com grandes empresas, mas assinante pede os serviços de pay-per-view operadoras de pequeno porte são um por meio de um SMS , e o “voucher”, em bom mercado”, observa. que o assinante paga uma assinatura fixa e Segundo Corrêa, a Cianet está compra tickets dos canais que quer assistir testando a tecnologia HPNA 3.0 com por mês. “O operador que passa do meio capacidade de operar a 320 Mbps a analógico para o digital começa do zero, ele partir de 2009. “Ao trabalhar com tem que aprender o negócio da televisão de esta banda larga, o operador consegue controlar a qualidade dos “O operador que passa do meio analógico seus serviços, o que é importante para o digital começa do zero, ele tem que aprender também quando ele implantar o o negócio da televisão de novo. ” IPTV e o video-on-demand”, Ricardo Pirola, da Conax observa o diretor.

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(audiência - TV paga)

Força brasileira

I

Foto: divulgação

mpulsionado pela audiência da minissérie nacional “9MM: São Paulo”, o canal Fox chegou ao terceiro lugar no ranking dos canais com maior alcance da TV por assinatura entre adultos no mês de junho. Segundo informações do canal, a audiência média obtida por “9MM: São Paulo” supera o desempenho médio de “Nip/Tuck” e “Bones”, carros-chefe da programação. Com produção da Moonshot Pictures e direção de Michael Ruman, a série já garantiu outros nove episódios inéditos, completando assim uma temporada. O canal Fox, no mês em que três dos quatro episódios da atração nacional foram exibidos, registrou 7,43% de alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de 24 minutos. No primeiro lugar do ranking aparece o TNT, com alcance diário médio de 10,68% e 25

audiência de uma hora e 56 minutos. O levantamento considerou um universo de 5.414.400 indivíduos, nas praças Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Distrito Federal. Entre o público infanto-juvenil, o canal com maior alcance foi o Cartoon Network, que teve alcance diário médio de 16,2% e tempo médio diário de audiência de 52 minutos. Em seguida, aparecem Disney Channel, Jetix, Discovery Kids e Nickelodeon. No universo de 1.145.600 indivíduos entre quatro e 17 anos os canais pagos tiveram 48,98% de alcance diário médio e duas horas e três minutos de tempo médio diário de audiência. Para este levantamento foram consideradas as mesmas praças mencionadas anteriormente.

Produção nacional “9MM: São Paulo” leva Fox ao terceiro lugar do ranking de alcance dos canais pagos.

minutos de tempo médio diário de audiência, seguido de SporTV, Fox, Universal Channel e Multishow. No total, os canais pagos tiveram entre o público com 18 anos ou mais 45,36% de alcance diário médio e tempo médio diário de

Daniele Frederico

Alcance* e Tempo Médio Diário – JUNHO 2008 Total canais pagos TNT SporTV Fox Universal Channel Multishow Globo News AXN Warner Channel Discovery Cartoon Network Telecine Pipoca National Geographic Discovery Kids HBO SporTV 2 Sony GNT Telecine Action Telecine Premium ESPN Brasil

De 4 a 17 anos** 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 45,36 2.456,01 01:56:18 10,68 578,17 00:25:34 8,62 466,66 00:43:43 7,43 402,05 00:24:53 7,37 399,31 00:35:51 7,34 397,60 00:16:46 7,22 390,65 00:31:26 7,11 385,14 00:28:15 6,87 371,86 00:28:40 6,87 371,73 00:20:39 5,89 319,12 00:33:09 5,80 313,99 00:27:54 5,61 303,96 00:15:41 5,06 274,18 00:47:17 4,85 262,33 00:23:10 4,76 257,95 00:17:04 4,66 252,47 00:24:08 4,64 251,06 00:18:43 4,47 242,12 00:21:02 4,35 235,42 00:18:46 4,22 228,38 00:18:21

Total canais pagos Cartoon Network Disney Channel Jetix Discovery Kids Nickelodeon TNT SporTV Telecine Pipoca Multishow Fox Boomerang Discovery AXN Warner Channel National Geographic HBO Universal Channel Telecine Action SporTV 2 Futura

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 48,98 561,15 02:03:20 16,20 185,64 00:52:58 12,94 148,25 00:57:48 11,01 126,18 00:46:30 10,45 119,72 01:13:11 9,32 106,79 00:40:00 9,13 104,66 00:20:31 7,63 87,38 00:26:44 6,99 80,11 00:25:32 6,90 79,03 00:21:42 6,70 76,83 00:19:55 5,71 65,44 00:28:00 5,24 60,05 00:18:19 4,22 48,31 00:16:14 3,94 45,11 00:18:48 3,87 44,42 00:17:49 3,85 44,04 00:19:07 3,75 42,94 00:20:17 3,68 42,19 00:17:49 3,66 41,91 00:14:38 3,58 41,02 00:23:12

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 1.145.600 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto – Junho/2008



**Universo 5.414.400 indivíduos

Acima de 18 anos**


21 a 23 de outubro de 2008 amcham, São Paulo, SP.

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( entrevista)

Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Cinema global Carlos Eduardo Rodrigues, diretor executivo da Globo Filmes, faz um balanço da primeira década da área cinematográfica da emissora. FOTOs: Tela Viva

“O

primeiro filme ao qual a Globo se associou foi ‘Simão, o Fantasma Trapalhão’, em 1998. Mas o primeiro em que a Globo Filmes atuou participando do desenvolvimento do projeto foi ‘Orfeu’, em 1999”, conta o diretor executivo da Globo Filmes, Carlos Eduardo Rodrigues, explicando porque os dez anos do departamento de co-produção cinematográfica da Globo são comemorados entre 2008 e 2009. Nesta primeira década, a Globo teve uma atuação polêmica. Enquanto alguns defendem que ela promove uma parceria entre TV e cinema, ajudando a trazer recursos e público para o conteúdo brasileiro, outros dizem que a Globo é culpada por uma distorção de mercado, fazendo com que os filmes que não contam com a parceria da emissora tenham dificuldades para captar recursos. Em entrevista exclusiva a TELA VIVA, Cadu, como é conhecido no mercado, faz um balanço da Globo Filmes e do próprio cinema brasileiro na última década, já que, para ele, a Globo Filmes é uma das “molas propulsoras” do setor. Segundo o executivo, a Globo Filmes teve três fases bem distintas. A primeira delas, de 1998 até o início de 2002, foi “de aprendizado”. “A gente começou a entender como é que funciona o mercado cinematográfico; quem é quem; quais são as questões dos distribuidores, dos exibidores e, dos produtores; os mecanismos de financiamento; como o público responde a determinados tipos de filmes”, diz Cadu. Ele concorda que este primeiro momento foi fortemente calcado numa parceria com Renato Aragão e Xuxa. “A gente

Carlos Eduardo Rodrigues: pesquisa para entender o que quer o público.

está em praticamente todos os filmes deles da retomada”. Além de filmes de outros artistas da emissora, como “A Partilha”, de Daniel Filho, e “Auto da Compadecida” e “Caramuru”, de Guel Arraes. “Nesse período a gente teve o ‘Orfeu’, com o Cacá (Diegues), e o ‘Bossa Nova’, (de Bruno Barreto) em um modelo mais próximo com o que a gente tem hoje”. Ou seja, em, um modelo calcado na parceria com produtores independentes. A segunda fase, explica Cadu, começa em 2002 com “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles. “Além de toda a qualidade e de todo o sucesso que o filme teve internacionalmente, ele mostrou para muita gente que existia um público para o cinema brasileiro no país”, diz, lembrando que “Carlota Joaquina” e “Central do Brasil” já haviam feito números relevantes na bilheteria. “Mas ‘Cidade de Deus’ foi o primeiro que passou, na retomada, de três milhões de espectadores e trouxe um público de várias classes sociais”. Na seqüência, vieram diversos sucessos no cinema brasileiro, a maioria com

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participação da Globo Filmes. Em 2005, a carteira de filmes se esgotou e, segundo Cadu, as discussões políticas desviaram a atenção do setor. Em 2006 começa a terceira fase. “A gente teve um momento de aprendizado, um momento de crescimento e agora temos um momento em que, após bater no teto, precisa se pensar como fazer para dar um novo salto, de preferência a um patamar até superior ao que a gente atingiu nos anos bons”. Para isso, a Globo Filmes trabalha uma pesquisa junto ao público, buscando uma nova carteira de filmes, que seria mais adequada ao gosto do espectador das salas brasileiras. TELA VIVA - Após o sucesso de “Cidade de Deus”, em 2002, o cinema brasileiro teve uma fase de bastante sucesso. Boa parte dos lançamentos com público relevante tinham participação da Globo Filmes.


Carlos Eduardo Rodrigues - Isso (o sucesso de “Cidade de Deus”) nos motivou a acelerar uma série de projetos que estavam na Globo Filmes. Roteiros que estavam aqui e filmes que estavam sendo desenvolvidos com uma dinâmica mais lenta do que a gente gostaria, por uma dificuldade de captação, uma dificuldade de execução do filme em si. São vários, com destaque para “Carandiru”. Decidimos também fazer um filme baseado em uma série da casa, que foi “Os Normais”, e foi muito bem. Para nós, 2003 acabou sendo o trabalho de montagem de uma grade de filmes bastante abrangente. Tinha filmes para crianças, para jovens, para adultos, dramas, comédias... Pegamos o mercado de surpresa, com as pessoas impactadas pelo efeito de “Cidade de Deus”, e foi um ano em que tudo deu certo, com 23 milhões de ingressos pro cinema brasileiro e 22% de participação de mercado.

Desses 23 milhões, a gente (a Globo Filmes) tinha 22 milhões. Parte dessa carteira ainda veio em 2004, com “Cazuza”, “Olga”, filmes que fizeram três milhões de espectadores. Ainda foi um ano bem importante, com 16 milhões de espectadores no cinema nacional. E essa carteira se esgotou. É uma história meio repetitiva, mas também nesse momento se esgotaram demais as questões políticas. Foi um momento pós-implantação da Ancine, com projetos de lei complicados. Isso de certa forma desviou a energia e o foco da gente e de algumas pessoas importantes dentro do mercado cinematográfico para as questões mais políticas, mais funcionais. Não se teve a oportunidade, e nem a felicidade, porque precisamos dos roteiros, de ter uma nova carteira de filmes com a mesma relevância de 2003 e 2004. Mas não aumentou o volume de produção? A gente decidiu neste momento

aumentar a participação de dois a três filmes por ano para oito a dez filmes por ano. Aumentamos muito a quantidade de trabalho e de exposição a filmes. Nesse momento a TV Globo concordou em fazer um horário semanal só para filme brasileiro, que é o “Sessão Brasil”, toda segunda-feira. Em função do resultado e do excelente público dos filmes dos anos anteriores, a exibição do cinema nacional além desse horário especial passou a ocorrer com mais freqüência durante a grade de programação da TV. Não só o “Festival do Cinema Brasileiro”, que acontecia por uma, às vezes duas semanas no ano, mas passou a ser mais corriqueiro você ver o cinema brasileiro dentro da TV Globo. A TV Globo hoje é disparada a TV aberta que mais exibe cinema nacional. Em determinado momento a gente exibiu mais que a TV Cultura e a TVE juntas. Hoje os principais lançamentos do cinema nacional estão no Telecine, no

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Cinemax, além do Canal Brasil. Ele passou a sair do gueto, deixou de ser considerado um gênero. Nesse momento a gente criou ainda a modalidade de apoio. Decidimos que escolheríamos de seis a oito filmes por ano para dar apoio de mídia. São filmes nos quais a gente não tem nenhum tipo de envolvimento no desenvolvimento artístico ou na produção. Estamos fazendo isso desde 2005. Em paralelo, a Ancine se consolidou e a produção aumentou de forma bastante grande. Praticamente triplicou em relação a 2002, 2003. Começaram a chegar ao mercado muito mais filmes. De 25 a 27 filmes lançados por ano, no final da década de 90, hoje a gente está próximo de 70 a 80 filmes por ano.

“no cinema nacional há pouco filme infantil. é um erro de ocupação de mercado.”

Eles encontram o público? É uma atividade extremamente concentrada, aqui e em qualquer lugar. Nos EUA, de 500 filmes lançados por ano, 20 são considerados sucesso. É razoável que de 70 a 80, três filmes sejam considerados sucesso. O fenômeno de 2003, quando de dez filmes em que nós estávamos, nove fizeram acima de um milhão de espectadores, vai ser muito difícil que aconteça de novo no curto e médio prazo. Observamos também que todo o mercado cresceu. Cresceu o número de salas, a quantidade de dinheiro disponível para a produção, a imposição de cota de tela, a visibilidade do cinema nas várias mídias. Mas o ser humano está em constante evolução. A gente percebe hoje que todo este crescimento não foi respondido pelo público. A gente vem percebendo isso de forma mais consistente a partir de 2005. 2006, 2007 e 2008 tiveram um ou dois filmes considerados sucesso por ano. Em 2006, “Se Eu Fosse Você”; em 2007, “A Grande Família” e “Tropa de Elite”; em 2008, “Meu Nome Não é Johnny”, mas em uma escala menor do que a gente imaginava para a Globo Filmes e

para o mercado como um todo. Este ano vai ser provavelmente ruim, com números até inferiores. É razoável a gente tentar buscar pelo menos 15 milhões de ingressos por ano. Ter uma participação de 15% a 20% do mercado. E como reverter a tendência? Nós fizemos uma ampla pesquisa de hábitos de consumo nas regiões metropolitanas do Rio e de São Paulo. Esta pesquisa ficou pronta no final de 2007. Ela aponta questões interessantes. Metade da população pesquisada não tem o hábito de ir ao cinema. O hábito não foi criado porque os pais não levavam os filhos quando eram crianças. Na carteira do cinema nacional, há muito pouco cinema infantil. Tem um erro de ocupação de mercado. Por outro lado, metade da população que vai ao cinema tem menos de 22 anos. A gente está fazendo muito pouco para este público. Qual é a percepção que essas pessoas têm sobre o cinema brasileiro: está em evolução, tem qualidade técnica, mas é excessivamente realista e focado em drama social. Aí você pergunta para essas pessoas o que é cinema: é entretenimento e fuga da realidade, é onde quero me

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desestressar, onde quero ir com a família. Novamente, há outro descasamento entre o grosso do que é produzido no Brasil e o que as pessoas gostariam de ver. Nosso momento hoje é um desafio. Olhar oportunidades e tentar pensar numa carteira de filmes junto aos produtores independentes que ocupe de forma sistemática as salas brasileiras ano a ano. Um dos gêneros preferidos dos brasileiros é a comédia. Passamos 2004 inteiro sem uma comédia. O mesmo para 2005. Outro dado interessante: de 5% a 10% dos filmes lançados no Brasil são infantis, e correspondem a 25% da bilheteria. Porque não se busca mais essa fatia de mercado? Outro ponto que percebemos é que o espectador chegou a um padrão de exigência. Temos que ser mais rígidos com os roteiros, mais cuidadosos com a escalação de elenco, olhar o que o desenvolvimento tecnológico oferece. A gente está cogitando ter, na nova grade de filmes, algo feito em 3D. O resultado das salas 3D é absurdo e é um novo patamar de entretenimento. É lógico que esse tipo de tecnologia se aplica a filmes de aventura, de música. É um período de virada, com todo o aprendizado histórico, onde vamos tentar ocupar os espaços que não estão sendo ocupados pelo cinema local. Aparentemente, esta pesquisa mostra que o mercado interno quer um gênero diferente do que o tipo de filme brasileiro que faz sucesso no mercado internacional. É possível se bancar com o mercado interno? O mercado externo é que não vai bancar a produção brasileira. Uma coisa é buscar o financiamento, os recursos, porque qualquer nova oportunidade de busca de recursos é importante. Mas o mercado internacional para filmes estrangeiros é insignificante. O Observatório Europeu do Audiovisual fez uma pesquisa que

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O maior evento da TV por assinatura foi um sucesso, mas jรก acabou.


( entrevista ) ilustra o papel do cinema estrangeiro para a Comunidade Européia e para os Estados Unidos, ou seja, “todo o resto”. Se a gente fizer uma avaliação grosseira, dos filmes que disputam a categoria “filmes estrangeiros” do Oscar, temos aproximadamente 60 países. Então são aproximadamente 45 países de fora deste bloco (EUA mais União Européia) que estão disputando no mercado internacional. Na Comunidade Européia, a quantidade de ingressos vendidos para estes filmes foi de 3%. O décimo colocado entre os estrangeiros tem 0,06% dos ingressos vendidos. A Argentina, que está em sexto, tem 0,12% dos ingressos vendidos na União Européia. Então o Brasil vai disputar esta “enormidade” de ingressos. Nos Estados Unidos a situação deve ser muito parecida. Fiz uma projeção pura e simples: se o mercado mundial de salas é de US$ 14 bilhões a US$ 15 bilhões e o Brasil tiver 0,07% do mercado internacional, dá cerca de US$ 10 milhões, menos de R$ 20 milhões. O “Se Eu Fosse Você”, provavelmente, fará uma renda parecida com esta no Brasil. Desculpem os envolvidos, mas eu acho que tem muito barulho por nada. É lógico que uma ocupação internacional gera prestígio e leva nossa cultura lá para fora. Mas, de prático, o que acontece? É melhor conquistar um ou dois pontos percentuais do mercado interno, o que representa US$ 10 milhões, do que ficar disputando que nem um louco para, talvez, ser o 11º país dos 45 que disputam o mercado internacional. É inaceitável um país com todas estas regras de financiamento e de incentivo, como o Brasil, que tenha uma participação interna em torno de 10%. No mínimo precisamos ter um plano para atingir em um tanto de tempo 20%, e em outro tanto de tempo 30%. Eu vejo hoje a Ancine mais preocupada com isso. Há uma

evolução na agência que ficou, em um primeiro momento, preocupada em normatizar e controlar e na política propriamente dita, e não olhou o que era mais importante, que era criar as bases de sustentação do cinema brasileiro. Mas há um movimento favorável, por parte do próprio Manoel Rangel (presidente da Ancine), de pensar com seriedade no que tem que ser feito dentro do Brasil pra gente ter uma posição mais sólida. Está em regulamentação um novo mecanismo de incentivo à co-produção entre canais de TV e produtores independentes, o Artigo 3ºA. A Globo Filmes deve usar estes recursos para financiar os filmes que co-produz? O Artigo 3ºA é gerado pela televisão. É razoável que a televisão utilize para produzir conteúdo para ela: série, desenho animado, telefilmes. Não serão projetos de cinema. Acho que o mecanismo cria oportunidades para a produção independente ganhar espaço na televisão, não para o cinema. Acredito que até o começo do ano que vem a gente deva começar a ter algum movimento para usar

filmes como “Carandiru” e “Olga”, nos últimos dois ou três anos teve decisões para filmes absolutamente autorais, com pouquíssimo potencial de público. Um dos agentes mais importantes de fomento para o cinema brasileiro tomou uma decisão, que deve ser respeitada, de apoiar apenas determinado tipo de filme. Mas isso desbalanceou o todo, embora não seja o único responsável. Desbalanceou o filme que precisa ser estruturado com dinheiro do Artigo 3º, de umas duas estatais e mais um pingado de empresas privadas. Os grandes investidores de Artigo 1º, ou agora com o 1ºA, são as estatais. É o BNDES, a Petrobras, a Eletrobrás. O dinheiro do Artigo 3º, o dinheiro das estatais e o investimento que a Globo Filmes faz são as molas propulsoras desse mercado neste momento. Se nós escolhemos os projetos errados ou outro lado escolhe os projetos errados, ou se a gente reduz os investimentos, ou por

“é melhor conquistar pontos no mercado interno do que ficar disputando que nem louco o mercado internacional”. o 3ºA. Mas não acredito que esses recursos passem pela Globo Filmes, que atua na área de cinema. No cinema, acho que os recursos estão crescendo para a produção. Há a Lei do Audiovisual, os Funcines, está em gestação o Fundo Setorial do Audiovisual. O problema hoje não é a quantidade de dinheiro para a produção cinematográfica, e sim tomar uma decisão. Uma decisão do setor, se for possível, por que é um setor que nunca tem consenso em nada. Uma decisão se quer ser tratado, a vida inteira, como arte, ou se quer ter a chance de ser também uma indústria. Não pode excluir a arte, mas pode também ser indústria. É essa a discussão que vai nortear a produção de filmes mais comerciais ou mais autorais. Você precisa ter os dois. Uma das principais fontes de recursos, que no passado entrava em

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algum constrangimento cai o investimento de Artigo 3º, enfim, se alguma dessas coisas, por alguma razão, não funciona, o setor todo sofre. Porque ele é muito concentrado em poucos agentes. O que significa a Globo Filmes para a infra-estrutura da Globo? O papel dela é, basicamente, institucional. Desde a criação, a intenção era contribuir com o cinema brasileiro para que ele tivesse uma participação de mercado maior, formando público e criando uma fidelização maior do público ao conteúdo nacional. Foi uma decisão estratégica. A TV Globo entende que é necessário ter oportunidade de expandir os seus negócios, o seu próprio conteúdo

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( entrevista ) FOTO: Tela Viva

em outras plataformas, mas também estar atenta ao que acabaria refletindo no espectador do futuro. O cinema, que é mais antigo que a televisão, é majoritariamente freqüentado por jovens. É obvio que, no momento em que você fortalece o cinema brasileiro, você está criando neste espectador um desejo, respeito e vontade de ver as nossas histórias, os nossos atores, enfim, a nossa produção de conteúdo audiovisual. Desde o primeiro momento não havia a idéia de produzir diretamente os filmes. Sempre foi no modelo de associação a produtores independentes. Tanto é que dos mais de 70 filmes que a gente produziu até hoje, menos de 10% foi de produções próprias. Esse modelo continua, não vai mudar no curto e médio prazo. A gente procurou agregar o que a gente entendia como competência da Globo, como gestão, contribuição artística sobre os roteiros e no convite a atores. Logicamente que tínhamos ainda o canhão de divulgação que a Globo poderia dar. Financeiramente, é um mercado muito pequeno. O mercado de salas de cinema é algo em torno de US$ 350 milhões, enquanto o mercado de televisão é 15 vezes maior. Não há um objetivo apenas de negócios, mas sim um objetivo estratégico. Também, a gente percebeu, ao longo do tempo, que acaba proporcionando a alguns de nossos talentos, roteiristas, diretores de arte, atores, mais uma oportunidade de aperfeiçoamento e de capacitação. A gente tem essa proposta de ajudar talentos da casa que queiram se inserir no cinema.

“a globo filmes banca sua estrutura, mas não banca a mídia que a gente usa da globo.” nenhum tipo de beneficio fiscal. Não tem porque produzir diretamente filmes, o que é uma atividade de alto risco, e que tem que ser feito, no nosso caso, com dinheiro bom. Como a Globo é uma empresa de comunicação de massa, não pode ter dinheiro incentivado. Pelo lado financeiro, acho que nossos investimentos são muito elevados. Nós consideramos que o investimento que fazemos em mídia, ações de merchandising e até mídia impressa já são muito elevados. Nenhum filme até agora retornou esse investimento. Não tem porque mudar esse quadro. Como a Globo Filmes trabalha no desenvolvimento e produção? A gente atua muito fortemente no apoio à estruturação do projeto, o desenho do modelo de negócios. Quando a gente tem a oportunidade de estar junto com o produtor no início do projeto, ele tem ganhos artísticos e tem ganhos na formatação do negócio. Porque nós temos uma posição no mercado que impõe certo respeito. A gente coloca o produtor em uma condição de conversa de igualdade com os outros agentes.

A Globo Filmes produziu alguns filmes. Porque a falta de interesse em aumentar essa produção? Foram filmes de grande sucesso. “A Grande Família” foi muito bem, assim como “Os Normais”, “O Auto da Compadecida”, “Caramurú”, o segundo “Casseta & Planeta”. Mas esse não é o modelo. Não temos

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E como agrega sob o ponto de vista artístico? Basicamente a nossa equipe. Temos o Daniel (Filho) e o Guel (Arraes). Temos um grupo de leitores que, dentro de uma metodologia, faz uma préanálise do roteiro. Aqueles considerados como bons ou muito bons, são enviados para o Daniel e para o Guel, que fazem um pente fino, uma avaliação artística. Aí tomamos uma decisão conjunta no conselho da Globo Filmes, formado por quatro pessoas: eu, Daniel, Guel e Manoel Martins, diretor geral de entretenimento. Ali, a gente define a grade de filmes para trabalhar, sempre com horizonte de três anos. A partir do momento em que a gente decide entrar em um filme, eu, como diretor executivo, saio para fazer o negócio, o desenho da parceria, e o Daniel ou o Guel passam a fazer uma supervisão artística, ou seja, vamos tentar contribuir para um melhor roteiro, melhor escalação de elenco protagonista. Temos três coisas fortes, que quando funcionam, dão bons resultados: o artístico; a estruturação do modelo de negócios; e obviamente o canhão de divulgação. A Globo Filmes se sustenta? Ela banca sua estrutura, mas não banca a mídia que a gente usa da Globo. A carteira de projetos é de que tamanho? Temos, neste momento, 25 filmes desde o desenvolvimento de roteiro até a finalização. Para manter a média de oito a dez filmes por ano. Ainda este ano, lançaremos sete filmes. E esses filmes já são reflexo da pesquisa? Ainda não. Agora estamos começando a discutir isso. Vamos buscar no mercado o que não estamos encontrando. Um exemplo que o Daniel Filho sempre dá é que precisamos ter filmes de comediante. Já tivemos com Renato Aragão, Mazaropi... São filmes para a família que foram abandonados pela produção nacional.


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finalização A digitalização trouxe complexidade às produções, exigindo saídas de vídeo em múltiplos formatos e aspectos. Neste especial, mostramos como as emissoras estão lidando com a necessidade de finalizar suas produções, tanto de dramaturgia quanto de jornalismo, em alta definição e definição padrão, com todas as possibilidades de efeitos e recursos que a tecnologia atual oferece.


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EspecialFINALIZAÇÃO TELEDRAMATURGIA

) Humberto Costa

c a r t a s . t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

A GUERRA dA FINALIZAÇÃO As duas emissoras que mais investem em teledramaturgia revelam um pouco do arsenal de recursos utilizados para a finalização de novelas. Uma briga marcada pela busca da qualidade numa linha de produção tocada em ritmo industrial.

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teledramaturgia é o terreno da mais acirrada disputa entre Globo e Record. A emissora de Edir Macedo buscou profissionais no Jardim Botânico e tenta com algum sucesso se impor como opção ao telespectador. O porte do alcance ainda é bem diferente. A famosa “novela das oito” da rede carioca (que faz tempo é exibida às 21 horas) tem lutado para se manter na média dos 40 pontos. A concorrência avançou bastante, atinge metade desta pontuação no Ibope, o que não deixa de ser bastante expressivo. O que está em jogo é um padrão já estabelecido no Projac, exportador de narrativas para inúmeros países, versus um recém criado núcleo de produção, o Recnov, que busca se fortalecer nessa indústria que trabalha num ritmo alucinante. Nesse embate ninguém se estabelece sem qualidade. É aí que o processo de finalização tem papel fundamental. O acabamento do produto dá a linguagem do programa, a marca registrada dele. “Imprime uma caligrafia editorial adequada e particular”, define Celso Araújo, gerente de operações da TV Globo. Todas as novelas na Globo são submetidas ao mesmo fluxo de trabalho. A primeira fase é a edição off-line, com a marcação de entrada e saída de imagem selecionada. Depois os blocos são montados na edição on-line, e por fim o tratamento final. Os segredos do acabamento são revelados com muita parcimônia. Uma das ferramentas importantes para as correções de luz e cor é o software Baselight. “É um programa de color grading que permite manipular camadas separadas e distintas, bem como manuseio de cores primárias, secundárias e terciárias. É possível, por exemplo, com aplicação de diversos plugins, alterar tonalidades e densidade de ambientes”, explica Araújo. Muito se fala dos poderes mágicos de alguns softwares, capazes até de eliminar rugas ou expressões de face dos atores. É uma verdade parcial. “Alguns plugins do Baselight permitem esta aplicação. Na realidade, a caracterização contribui com cerca de 80% a 90%. Além disso, também ajudam a iluminação mais suavizada e, em alguns casos, a utilização de filtros ópticos nas lentes das câmeras. Estas correções com o software devem ser feitas muito sutilmente, já que quando aplicadas em demasia evocam um falso caráter”, argumenta Celso. Em “A Favorita” são empregados recursos de efeitos especiais e visuais. O mais corriqueiro deles é o chroma-key, utilizado na aplicação de imagens em fundos de janelas, portas ou até mesmo de locações com ambos os planos em movimento. “Isto requer sincronismo, além de extremo cuidado com a manipulação, para que as imagens do fundo tenham a mesma textura e iluminação da imagem frontal. Esta prática dá agilidade ao processo de produção e exige máquinas com enorme capacidade de armazenamento”,

Cena com chroma-key, com aplicação de imagem ao fundo.

afirma Celso sem revelar quais são os computadores e softwares utilizados. Entre as duas emissoras que mais investem em teledramaturgia são evidentes as escolhas diferentes para cativar o telespectador. Uma das apostas da Record foi apelar ao impacto visual. Colaboradores do autor Tiago Santiago e do diretor Alexandre Avancini contam que eles não tinham idéia do retorno que o público daria para a novela “Caminhos do Coração”, uma trama repleta de personagens com superpoderes. Tanto deu certo que veio a continuação. Em “Os Mutantes – Caminhos do Coração” a força das imagens é ainda maior, um trabalho hercúleo de criação de efeitos visuais e finalização. São quase setenta personagens metidos num enredo de luta do bem contra o mal em que extrapolam os limites do real o tempo inteiro: desviam de tiros, ficam invisíveis, têm visão telescópica ou microscópica, se comunicam por telepatia, se transformam em lobisomem, em serpente, em fogo, só para ficar em alguns exemplos. “O cardápio é muito variado. Uma hora tem gigante, daqui a pouco raios, na seqüência seguinte um dinossauro”, diz animado Marcelo Brandão, supervisor de efeitos visuais da TV Record (veja box). O desafio é colocar em pé de segunda a sábado quase uma hora de novela com, digamos, padrão de exuberância de filme publicitário arrasa-quarteirão, que normalmente tem 30 segundos. Boa parte do universo mágico da trama é criada em um sistema de animação 3D, um conjunto de seis workstations “turbinadas”, cujos segredos não são revelados. Ali são gerados

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personagens fantásticos como lobisomem, dinossauro, mulheraranha, etc. Funciona também como um simulador de forças da natureza, cria a bola de fogo, água, faz asas baterem. “As figuras que não existem na vida real são criadas dentro do computador numa espécie de pequeno estúdio virtual. É um simulacro de estúdio mesmo, com câmeras, luzes. Quando é gravada a cena com o ator, nós temos que casar a angulação e a iluminação. Por exemplo, para contracenar com o dinossauro, nós colamos o dino numa placa para todo o mundo ter referência”, explica Brandão. Um profissional da equipe de finalização acompanha o processo de produção desde a leitura do roteiro até o set de gravação. Metade do trabalho é inventar as personagens no mundo virtual, o restante é juntar este material com as cenas envolvendo os atores. São os softwares Flame e Inferno que dão cabo da composição. Uma família de 40 plugins do Inferno produzida pela Safira possibilita também transformar em líquido o Metamorfo, personagem dotado da capacidade de virar qualquer coisa. Ou aplicar nos olhos de Meduso os raios paralisantes usado por esse mutante do mal, até com escolha do número de galhos que tem cada raio. O uso combinado dos dois programas dá ainda a supervelocidade ao Aquiles. O efeito pretendido é o do hiper-realismo, mesmo com esta quantidade de figuras que parecem saídas de uma história em quadrinhos. “O desenhista fez uma antena para a mulherformiga, mas ficou muito cartoon, nós fomos buscar outra solução. O que a gente quer é a imitação da realidade, algo mais para adulto, senão infantiliza. O Sapo Bufo, por exemplo, foi criado no 3D. Nós fomos pesquisar na internet como é a pele, como respira, como se movimenta, aí a gente foi criando as texturas no computador. Muito do nosso trabalho é inspirado na análise da natureza,” revela Marcelo. E quem diria, a emissora ligada à Igreja Universal do Reino de Deus buscou inspiração até nas asas dos anjos que povoam as procissões católicas em Minas Gerais para compor um dos mutantes. Entusiasmada com os resultados obtidos, a Record negocia a compra do Motion Caption, software para efeitos em 3D usado no cinema em filmes como “Eu, Robô”, em que máquinas vivem lado a lado com os seres humanos. O Motion é capaz de memorizar os movimentos de uma cena gravada por um ator, material que pode ser aplicado depois numa figura inventada. Antes dos efeitos visuais serem incorporados a cada cena, as imagens são tratadas num computador IK da inglesa Quantel. “Eu faço a limpeza da cena. Apago cabos, um ‘cameraman” que esteja em quadro, tiro o microfone ‘boom’, este grande personagem sempre presente”, brinca o finalizador Paulo H. Farias. No computador Pablo, usado para colorimetria no cinema e na TV, diretor de fotografia e colorista determinam se o tom será pastel ou quente, por exemplo. Também escolhem as correções de luz. “Por vezes, numa externa na praia, não tem muito sol, mas é preciso gravar. Se tiver mormaço dá para colocar o sol na praia, fica parecendo que realmente tinha sol”, explica Farias. O truque da eliminação de imperfeições na face dos atores também fica a cargo do Pablo. “Não dá para tirar rugas totalmente, dá para melhorar, dá para amenizar. Dependendo da situação dá para eliminar uma espinha”, explica.

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Talentos importados Na Globo, a equipe de finalização das novelas é composta pelos editores artísticos, responsáveis pela edição off-line. O time ainda inclui os produtores de efeitos visuais, operadores de máquinas, colorista, editor de som direto, o editor de ambientes e ruídos de sala, sonoplasta responsável pela mixagem final e o produtor musical. Na Record, dois dos pilares da criação e do acabamento dos principais produtos da casa vieram da rede do Jardim Botânico. Marcelo Brandão é o supervisor de efeitos visuais na emissora paulista, departamento que fundou na Globo 12 anos atrás. “O investimento em finalização é grande. De ‘Caminhos do Coração’ para ‘Mutantes’ a equipe dobrou, são 23 pessoas”, afirma Marcelo. Paulo H. Farias trabalhou 16 anos na concorrente, também fez cinco longas, entre eles o festejado “Auto da Compadecida”, e hoje dá o toque final nas novelas.

A montagem final e a produção de efeitos visuais trabalham em paralelo. Quando TELA VIVA conversou com Farias, ele já estava com 80% das cenas préeditadas do capítulo do dia seguinte. Enquanto isso, o pessoal dos efeitos tem a missão de fazer dez deles por dia, trabalhando 48 horas na frente. “Para finalizar cada hora de novela eu gasto 24 horas. O padrão é entregar para a programação com dez horas de antecedência, mas já aconteceu de atrasar e chegar apenas duas horas antes do horário de exibição. O primeiro e o último capítulo são os mais trabalhosos. A invasão de lobisomens em São Paulo no início de ‘Mutantes’ eu levei quatro dias para terminar”, conta. A Globo gasta mais tempo, são 32 horas de finalização em média para cada capítulo, mas entrega bem antes. Com 18 horas de antecedência. É inevitável também a comparação da qualidade de imagem. A Record ainda não faz teledramaturgia em alta definição. A emissora carioca adotou o padrão HD já em “Duas Caras”, a novela que antecedeu “A Favorita”. “A mudança exige um melhor e maior acabamento nos elementos aparentes da imagem, como na caracterização, que precisa ser suavizada para evitar uma aparência ostensiva. Os efeitos precisam ser elaborados com maior antecedência e muito rigor. No HD temos seis vezes mais resolução. Isto tem efeito direto no acabamento, principalmente nos detalhes. A paleta de cores fica mais enriquecida também, criando atmosferas mais realistas e próximas da visão humana”, detalha Celso Araújo. É certo que a Globo tenta se manter como a produtora de novelas que ainda são as campeãs incontestáveis de audiência. Mas não se pode ignorar que a Record faz um forte movimento de aproximação. Bom para o telespectador, que ganha opções, e para o mercado, com a abertura de novas possibilidades de trabalho.

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EspecialFINALIZAÇÃO news

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ao vivo como nunca se viu Na era da convivência do SD e do HD surgem diversas opções de switchers com multi-formato para produções ao vivo de diferentes portes. Parte dos equipamentos também produz efeitos visuais até em 3D e permite integração amigável com o workflow gráfico.

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corrida rumo à transmissão digital tem feito emissoras investirem em toda a planta. Num setor em especial são inúmeras as novidades e possibilidades: os switchers para produções ao vivo. Boa parte das soluções tecnológicas disponíveis no mercado leva em consideração que os broadcasters estão em plena migração, por isso se preocupam em permitir conversões da forma mais direta e fácil. O Kayak HD, da Thomson, é tido pelo fabricante como líder de mercado. Desde a última NAB, em abril, a empresa comercializa a licença de dois softwares que possibilitam no Kayak HD a conversão de Standard Definition (SD) para High Definition (HD), ou vice-versa. São o Matchdef, com quatro entradas por M/E, e o Setdef, com duas saídas por M/E. “A TV Anhangüera, afiliada da Rede Globo em Goiás, e a MTV já estão operando desta forma, que permite que todas as conversões sejam internas”, conta Jaime Ferreira, gerente nacional de vendas da Thomson/Grass Valley. O Kayak HD trabalha também com o conceito de eletrônica flexível. Pode ter configurações de 2,5 até 4,5 M/Es (mixereffect). “Com isso você pode montar até dois switchers, por exemplo, e atender vários estúdios. É o equipamento recomendado para grandes produções ao vivo, corte de telejornal”, afirma Ferreira. Ele chama atenção também para o aumento da capacidade de storage, de oito para 32 segundos. O material armazenado com qualidade HD pode ser utilizado como fundo, imagem dinâmica para texto foguete, por exemplo. O Kayak também tem a versão SD, um avanço do popular Kayak DD, e com upgrade possível por meio de um software, quando for o momento de transmitir o sinal digital. Já a Sony lançou recentemente o MVS-8000G (MVS versão G e GSF), com novos recursos como o redimensionador individual de keyer (com até 16 canais de redimensionamento como padrão) e conversores internos de formato. “O redimensionador do MVS-8000G pode modificar o tamanho, a posição e a relação de aspecto da fonte de preenchimento do keyer, disponibilizando também margem, borda chanfrada e efeitos de recorte. As informações desta função podem ser salvas e acionadas pelo snapshot, efeitos de keyframe e transições DME do keyer. Tudo isso é útil para criar efeitos de ‘caixa’ sem sacrificar os sofisticados efeitos digitais externos”, explica Luís Fabichak, do marketing da divisão profissional da Sony do Brasil. Unidades de efeitos digitais das séries MVE8000 e MVE-9000 da Sony podem ser integradas ao MSV-G, configuradas como unidades internas ou externas.

O conversor interno entre os formatos HD e SD suporta até 16 canais de entrada e quatro de saída. Usando o recurso padrão de flags laterais é possível combinar material com aspectos 4:3 e 16:9 automaticamente. O MSV-G também tem uma versão em SD. “Serve para quem tem planos de transmitir em multiformato no futuro”, aponta Fabichak. Outra opção da Sony de switcher multiformato, mas de menor porte, é o MFS-2000, com 1 ou 1,5 M/E. “É um equipamento ideal para eventos esportivos e produções que estão migrando para o HD e precisam manter a qualidade de gravação previamente realizada em SD. Este produto vem crescendo em função da captação em alta definição dos eventos esportivos”, afirma Fabichak. A Panasonic também apostou na flexibilização. Lançou na NAB 2008 dois modelos compactos de switchers dotados do multi-formato e considerados de interface amigável com workflow HD/SD: o HS 400, com oito entradas de sinal HD/SD e o HS 300, com até quatro inputs de HD/SD. “O HS 300 compete no mercado de baixo custo para eventos em HD e o HS 400 concorre no mercado de médio porte, também para eventos e ainda produção em HD”, avalia Sérgio Constantino, gerente comercial da Panasonic do Brasil. O HS 400 também possui funções para fazer até 43 efeitos de transição, inclusive em 3D, e também faz wipe, squeeze, slide

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e chroma key. “Tudo com qualidade broadcasting e com este cardápio já incorporado ao equipamento, não é opcional”, explica Constantino. Grafismos na tela Um ambiente interessante é o da Record News, que tem um dos mais modernos workflows gráficos do país. Cada vez que uma arte é criada e salva, imediatamente fica disponível no servidor e pode ser usada instantaneamente. A renderização é feita em tempo real de vídeo na plataforma HDVG (High Definition Vídeo Graphics), base de boa parte das soluções da Orad, com robusta capacidade de processamento e utilizável em sistemas de HDTV. “O jornalista pode da mesa de trabalho dele fazer um preview e visualizar o grafismo com qualidade idêntica à que vai para o ar. Isso reduz os erros ortográficos, por exemplo”, explica Wlademir Farias, country manager da Orad no Brasil. Normalmente, na correria das redações, falta tempo para checar uma arte quando ela está pronta. Outra vantagem é o reaproveitamento dos templates, que podem ser em 3D ou 2D. A Record News tem quase mil gráficos diferentes catalogados e arquivados. “Cada arte tem o histórico e os templates mantêm o aspecto. Podem ser reeditados quantas vezes se desejar, o

template possui ‘inteligência’ para guardar qualquer tipo de base de dados”, argumenta Farias. Um dos switchers da emissora é o 3Dplay Branding System, também da Orad, que trabalha integrado ao controle mestre e ao resto do sistema. É utilizado para fazer o chamado channel branding, que dá a identidade visual do canal, com a inserção, por exemplo, das tarjas de classificação de idade e chamadas da programação “a seguir”. Trabalha em HD e SD. É usado também como switcher de jornalismo, com capacidade para disparar várias animações ao mesmo tempo, ilustrando previsões do tempo, tabelas de classificação de campeonatos. “O importante é que o sistema é atualizado automaticamente. O próprio serviço de meteorologia está integrado, insere a nova informação quando necessário, sem a necessidade de intervenção do jornalista. O mesmo valendo para painéis com informações do mercado financeiro”, detalha Wlademir. A Rede TV! também está implantando um pacote de soluções da Orad que permite arquitetura de integração similar a utilizada pelo Record News. Humberto Costa

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(televisão)

André Mermelstein

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Pública sim, gratuita não TV Cultura muda sistema de rede e cria distribuidora para gerenciar (e cobrar) o uso de sua programação por outras emissoras. Fundação lança também unidade de pesquisas.

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té hoje, uma espécie de acordo tácito regia a relação entre a TV Cultura, gerida pela Fundação Padre Anchieta (FPA) e custeada em parte pelo governo do Estado de São Paulo, e outras emissoras, públicas ou até mesmo comerciais, que reproduziam sua programação em outros estados. A Cultura sempre forneceu gratuitamente sua programação a estas emissoras. Atuava como uma espécie de cabeça-de-rede informal de uma rede pública nacional. É esta situação que a fundação quer mudar a partir de agora. A FPA anunciou em agosto o lançamento de duas novas unidades de negócio: a Cultura Distribuidora e a Cultura Canais. No embalo, apresentou ao público também uma terceira unidade, não ligada diretamente à programação da TV: a Cultura Data, um instituto de pesquisas. Segundo o presidente da fundação, Paulo Markun, a intenção é que a sustentação da instituição não dependa só de recursos do governo. “Hoje a dotação representa menos de 40% do orçamento. 60% vêm da prestação de serviços”, disse Markun no lançamento da Cultura Data. “A Fundação Padre Anchieta não tem fins lucrativos, então todo esse recurso arrecadado volta para a produção”, completou Cícero Feltrin, diretor de marketing e captação da fundação. A Cultura Canais funcionará como uma programadora, “não só para a TV por assinatura, mas também para a TV aberta e outras plataformas”, conta Feltrin. A unidade gerenciará a partir de agora a distribuição dos

A pesquisadora Lívia de Tommasi, Fatima Jordão, Cícero Feltrin e Paulo Markun, no lançamento da Cultura Data.

canais existentes da FPA, a TV Cultura e a TV Rá-Tim-Bum, bem como de outros canais que estão em desenvolvimento e até mesmo canais internacionais, que a fundação pretende representar no Brasil. Rede flexível É a Cultura Canais que negociará a programação da TV Cultura com as demais emissoras. “Não será um modelo rígido de programação, como acontece com as redes em geral, mas um modelo mais aberto. A emissora poderá escolher que parte da programação quer exibir, mudar os horários”, explica Feltrin. A idéia é disciplinar o uso da programação, e ser remunerado por isso. “Se for uma emissora comercial, cobraremos o valor comercial. Se for emissora pública, cobraremos muito pouco, de 1% a 3% do orçamento da emissora, o que não é nada se você pensar em custo de programação”, diz o diretor. “O que não dá mais é a gente se matar para conseguir recursos e depois só doar isso (a programação) para quem quiser”, completa.

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Uma fonte graduada da emissora disse a TELA VIVA que era comum o caso de emissoras em outros estados usarem a programação da Cultura e venderem publicidade nos intervalos, sem que nada dessa receita retornasse à emissora paulista. “As emissoras de TV aberta ainda estão nos moldes tradicionais do conceito de rede, criado na década de 60, no qual uma cabeçade-rede distribui a mesma programação para todas as afiliadas. Na prática, nossa situação é muito mais diversa. Temos emissoras que são afiliadas e outras que só transmitem os programas esporadicamente. Algumas são públicas, outras privadas. Por isso fizemos um modelo baseado no conceito de programadora”, explica Feltrin. Outra vantagem é que com este controle, a Cultura poderá vender os apoios e a publicidade em uma base maior. Hoje a emissora só vende publicidade dentro do estado de São Paulo, embora sua programação esteja em quase todo o país. A estimativa da FPA é de arrecadar cerca de R$ 6 milhões a R$ 8 milhões anuais com a programadora, e outros R$ 4 milhões/ ano com a distribuidora. Parece pouco, mas com estes R$ 10 milhões é possível produzir cinco temporadas da série infantil “Cocoricó”, ou sustentar o jornalismo da TV por um ano, explica Cícero Feltrin. “É equivalente ao que arrecadamos por ano com a Lei Rouanet”, reforça. Um fator que determinará o sucesso da medida será a fiscalização, para garantir que o conteúdo está circulando da


maneira correta. Isso será facilitado pela própria revisão dos modelos de contrato. “Hoje temos 18 modelos de contrato diferentes. Agora teremos apenas dois, um para emissoras públicas, outro para as comerciais”, conta Feltrin. Outra fonte da emissora conta que o que facilitou politicamente a mudança de postura da Cultura foi a criação da TV Brasil. A TV pública federal tem como mandato criar a rede pública nacional, e está fazendo isso justamente com as emissoras estaduais. A FPA se viu assim “livre” do peso de ser a principal provedora de conteúdos para esta rede. A reação das demais emissoras públicas foi tranqüila, com poucas exceções. “As empresas receberam

“Cobraremos de 1% a 3% do orçamento das emissoras, não é muito.”

sobre ecologia, cidadania, educação, temas próximos aos objetivos da Fundação Padre Anchieta”, diz Feltrin. E para desfazer qualquer confusão, esclarece logo: “Não faremos pesquisa de audiência e nem pesquisa eleitoral”. A primeira pesquisa publicada chama-se “Sintonia Jovem - O que pensam e desejam os jovens brasileiros”. Sob supervisão de Fátima Jordão, o estudo analisou os principais levantamentos feitos nos últimos dez anos sobre jovens de 15 a 24 anos no país e resultou em um relatório completo sobre este público. Para este tipo de pesquisa (que ajuda, entre outras coisas, a dar visibilidade e prestígio ao instituto), o modelo de negócios é a venda direta ao público. O relatório de “Sintonia Jovem” está disponível no site da FPA por R$ 3 mil. A próxima pesquisa será sobre investimentos no mercado cultural.

Cícero Feltrin, da Fundação Padre Anchieta

bem a notícia da mudança. A percepção geral é de que é justo a Cultura cobrar pelo seu conteúdo”, conta Antonio Achillis, presidente da Abepec, a associação nacional das emissoras públicas, educativas e culturais. Pesquisas A terceira unidade de negócios anunciada em agosto pela FPA é dedicada à elaboração de pesquisas. A Cultura Data fará pesquisas sob encomenda, para a própria fundação e para clientes externos, e também produzirá duas pesquisas anuais com temas gerais, ligados ao escopo da fundação, que serão comercializadas. “Faremos pesquisas

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( making of )

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Amor proibido

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encontro improvável entre um Romeu e uma Julieta dos tempos da alimentação saudável. Vizinhos, os dois pertencem a famílias rivais: os Saborosos e os Saudáveis. O argumento faz parte da estratégia da Publicis Brasil para divulgar sua nova linha de biscoitos à base de cereais integrais. A princípio, Pedro Saboroso e Ana Flora Saudável não vão muito um com a cara do outro. Até que numa festa, na qual ele está fantasiado de pizza e ela de brócolis, os dois percebem que têm em comum a vontade de comer um biscoito ao mesmo tempo saudável e saboroso. “Hoje existe essa tendência de mercado, são vários os produtos que prometem saúde e sabor. Tivemos a sorte de trabalhar com esse conceito muito feliz”, acredita a diretora Flavia Moraes. “Pensamos em um filme bem colorido, que lembrasse desenho animado, cartoon. A história é uma fábula e conseguimos uma boa caracterização dos personagens, para fugir do estereótipo de que o vegetariano é sempre chato”, explica o diretor de criação Hugo Rodrigues. “O resultado foi um filme que tem essa pegada de romantismo, mas sem ser piegas.” Para realizar o filme, a produção do comercial trabalhou com cenas filmadas, combinadas com computação gráfica, procurando explorar ao máximo as possibilidades de cada formato. “Nosso critério foi

filmar todas as cenas em que havia interação com atores, e usar o 3D para complementar o que fosse preciso quando não havia interferência direta dos atores”, explica a diretora Flavia Moraes. O resultado disso é que praticamente a metade do filme foi filmada, e a outra metade foi produzida eletronicamente. A história começa com a apresentação das casas dos protagonistas, que são geminadas. Uma câmera aérea localiza as duas casas – uma vermelha e outra verde, parecendo casas de bonecas. “As fachadas foram construídas já sugerindo a divisão interna. A partir das linhas principais, a computação gráfica continuou na perspectiva para completar o telhado e os ambientes internos”, diz Flavia. O clima de fábula é reforçado pelos tons vibrantes do cenário e dos figurinos. “As casas têm um toque do condomínio do filme ‘Edward Mãos de Tesoura’, ou dos seriados ‘Desperate Housewives’ ou ‘Pushing Daisies’. Mas tudo, na verdade, é uma moldura para a atuação dos atores, que são muito importantes no contexto. Eles atuaram um tom acima, para estarem alinhados com o filme, mas sem serem caricatos.” O casal se encontra numa festa a fantasia e, mesmo vestidos como uma pizza ou um maço de brócolis, não são grotescos. Dali, saem caminhando pelas ruas do bairro, que também foram parcialmente filmadas e complementadas pela computação gráfica. “Grande parte do nosso trabalho foi a composição do cenário, mesclando imagens e recortes, além do que foi construído em 3D”, explica o diretor de efeitos especiais Marcelo

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Para chegar ao efeito cartoon, produção foi feita metade ao vivo, metade em criação digital

Laruccia. Outra parte trabalhosa foi a transição entre as cenas, todas feitas com a composição de imagens. “É como se todo o filme fosse um planoseqüência, mas a ligação é feita por essas passagens.” ficha técnica Cliente Nestlé Brasil Produto Biscoitos Nestlé Agência Publicis Brasil Criação Gustavo Alves, Marcelo Sato, Maurício Mori e Marcelo Torma Direção de Criação Guilherme Jahara, Hugo Rodrigues Produtora Film Planet Direção Flávia Moraes Fotografia Lucio Kodato Pós-Produção Laruccia Animação e Efeitos Produtora de Som Satelite Audio Locutor Javert Monteiro Maestro Roberto Coelho


O carro do coração

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ara apresentar o lançamento Peugeot 207 ao mercado brasileiro, a montadora francesa apostou na metáfora. A campanha “Sensações” tem três filmes, cada um para um modelo da linha, e diversas ações de apoio, todas amarradas pelo conceito “Escute seu corpo”. A idéia é que ninguém fica indiferente ao novo carro, e isso provoca sensações físicas. O corpo humano que reage aos estímulos do novo Peugeot 207 é representado por uma bolha plástica gigante. Dentro dela, andam os carros. A circulação é representada por pessoas pedalando uma bicicleta de design muito particular. E a coluna vertebral é formada por lâmpadas fluorescentes, que sinalizam o caminho do carro até o coração do possível comprador. Dentro do coração – um ambiente vermelho dentro da bolha – vários bateristas tocam as batidas de emoção. Toda a produção começou em abril, com a pesquisa desenvolvida pela produtora para embasar a proposta de trabalho. “Foram cerca de dois meses de pesquisa e planejamento, até que conseguíssemos montar um orçamento e uma visão do diretor que estivesse de acordo com as exigências da agência e do cliente”, conta Alex Mehedff, um dos sócios da produtora internacional Hungry Man no Brasil. O grande desafio era criar a bolha plástica de 80 metros de comprimento por 15 de largura e 33 de altura. “Pesquisamos em diversas empresas de balonismo em cinco países. Aí descobrimos a Air Show, que é uma empresa francesa mas com filial no Brasil, o que facilitou o acompanhamento do trabalho.” O plástico transparente utilizado foi costurado em São Paulo e levado para

Maior desafio foi criar uma bolha plástica de 80 m de comprimento por 15 m de largura.

ser montado no Rio, onde a estrutura foi construída sobre o Píer Mauá. “A primeira vez que inflamos a bolha foi na locação, porque não havia como testar antes”, diz Mehedff. Quando a bolha foi inflada, se mostrou transparente demais. “Mas a gente sabia que por ficar ali, exposta à maresia e à poluição, ela já ficaria mais translúcida. De qualquer forma, tivemos de usar uma tinta spray.” Depois de devidamente ajustada, a bolha se revelou uma verdadeira estufa. A temperatura interna chegava a 58ºC. “Usamos 12 aparelhos de ar refrigerado de 250 mil BTUs para conseguir que a temperatura, no auge do calor, ficasse em torno de 44ºC. De manhã, em compensação, o ar lá dentro era muito frio. Começávamos a filmar com o nascer do sol, quando fazia 16ºC. Outra preocupação era com o vento, que poderia transformar a bolha numa vela. Mas tivemos sorte e o vento se manteve em uma velocidade controlável.” Durante quatro dias, a rotina da equipe começou às 4 horas da manhã, quando a bolha começava a ser inflada. As filmagens tinham início às 6h30 e seguiam até as

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13h00, pico do calor. Às 15h00 o expediente terminava. “Era quando desinflávamos a bolha e tudo sumia. Diariamente, criávamos e destruíamos todo o cenário.” A bolha, porém, foi instalada uma semana antes – tempo que levou para ser devidamente testada. Havia duas aberturas, uma para a entrada do cenário e outra para a entrada da equipe. As aberturas eram fechadas com zíperes. “Cada vez que abríamos, o ar escapava e precisávamos encher de novo. Para isso, usamos quatro ventiladores próprios de balonismo.” Não foi preciso usar um parque de luz muito grande, porque a luminância interna era impressionante, segundo Mehedff. “Usamos menos luz do que usaríamos normalmente em um cenário e a superfície da bolha ainda criou sombras e reflexos incríveis.” Toda a parafernália criada para o filme foi pensada em termos de descarte. As bicicletas usadas como cenário depois foram enviadas para as concessionárias e a bolha foi doada à organização amazônica Pro Natura, que realiza pesquisas na Amazônia. Das filmagens, a bolha foi levada diretamente para o local de pesquisas, onde deve se transformar em um laboratório para o estudo de insetos. ficha técnica Cliente Peugeot Produto lançamento Peugeot 207 Agência Loducca Criação Guga Ketzer e Cassio Moron Dir. de criação Guga Ketzer Produtora Hungry Man Direção 300ml Dir.de fotografia Rhebling Junior Montador Marcelo Moraes Produtora de som Tentáculo Maestro Ed Cortês Pós-produção Tribbo Post


( produção )

Caracas! Com a lei que restringe a exibição de comerciais estrangeiros na Venezuela, produtoras brasileiras fazem parcerias e montam estruturas no país vizinho para atender aos anunciantes.

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Fotos: divulgação

ma medida de Hugo Chávez fez da Venezuela uma rota praticamente obrigatória para a filmagem de comerciais de grandes anunciantes na América Latina. De acordo com a Ley de Responsabilidad Social de Radio y Televisión, conhecida como Ley Resorte (ver box), em vigor desde junho de 2005, para ser exibido sem restrições no país, o filme publicitário deve ser classificado como nacional pelo Centro Nacional Autónomo de Cinematografia (CNAC). Em reação à legislação protecionista, cujo objetivo é estimular a produção audiovisual local, produtoras brasileiras empenharam-se em conhecer o potencial de produção no país para oferecer aos anunciantes uma opção mais conveniente e econômica: fazer um só filme na Venezuela e levá-lo aos demais países, em vez de rodar o comercial aqui e reproduzi-lo lá exclusivamente para a exibição local. “Grandes anunciantes para a América Latina, geralmente, são clientes de agências de publicidade em São Paulo, e a Venezuela não é um mercado desprezível para as marcas. Em alguns casos, é o segundo mercado depois do Brasil”, observa Nádia Agudo, atendimento da Ioiô Filmes Etc. “Os anunciantes precisam de uma comunicação unificada e os filmes nunca ficam iguais quando reproduzidos. Por isso, buscamos brechas na lei venezuelana para que pudéssemos fazer um só filme, classificado como nacional lá”. Para obter esta classificação, o filme precisa ser

Comercial da Avon feito originalmente nos EUA e reproduzido na Venezuela para atender à legislação local.

rodado na Venezuela. Por isso, a Ioiô estabeleceu parceria com a produtora venezuelana Soda e, em maio de 2008, teve a primeira experiência de produção no país, com três filmes para a Johnson & Johnson, peças criadas pela BorghiErh/ Lowe para a veiculação na Venezuela, no Brasil e em outros países da região. Segundo Simoni de Mendonça, produtora executiva e sócia da Ioiô, a produção é feita pela parceira venezuelana. A equipe técnica também é de lá, mas a direção é brasileira. “É uma opção vantajosa para o cliente porque, apesar de a Venezuela não ser um país barato para a produção e dos gastos com o deslocamento da equipe, os custos não chegam ao valor de dois filmes”, destaca Simoni. “Além disso, o anunciante

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acompanha o trabalho de criação e trabalha com um diretor que ele já conhece e confia”, acrescenta Lorenzo Giunta, produtor executivo, sócio de Simoni. Foi também no segundo trimestre deste ano que a Bossa Nova Films abriu uma base de operações na Venezuela. De acordo com Irma Palma, produtora executiva internacional, a iniciativa tem como objetivo atender à demanda de vários clientes da produtora geradas com a lei venezuelana e também faz parte da estratégia de crescimento da produtora na América Latina, somando-se às bases da Argentina, Chile, México e Uruguai. “Desde que iniciamos as operações na Venezuela, recebemos inúmeros pedidos de orçamento e estamos em fase de aprovação”, conta Irma, destacando que o conceito de parceria não se aplica à Bossa Nova Films porque a produtora é a única responsável pelos trabalhos realizados na Venezuela, utilizando apenas a infra-estrutura de uma produtora local e contratando mãode-obra venezuelana conforme as necessidades de produção. Na terra de Chávez A variedade de locações na Venezuela é vista pelas produtoras como um aspecto positivo em trabalhar no país. Na lista de dificuldades, estão algumas limitações técnicas, o difícil acesso a informações e a burocracia. Para filmar em uma rua, por exemplo, a produtora precisa da autorização de todos os moradores e da associação de bairro, o que leva tempo. Também há pouca flexibilidade em


horários, já que os estabelecimentos têm hora exata para encerrar o expediente. Para resolver com mais facilidade estas questões burocráticas, a Movi&Art montou uma estrutura no país. A produtora brasileira associou-se à Cinesa, braço de produção do grupo de mídia venezuelano Bolívar Films, e, há dois anos, surgiu a Movi&Art/Cinesa, empresa de 49% de capital brasileiro e 51% venezuelano. “É um mercado interessante para o produtor. Desde que abrimos a empresa, já fizemos uns 20 trabalhos entre refilmagens e produções originais. Temos uma equipe de 20 funcionários venezuelanos lá e levamos diretores do Brasil de acordo com o trabalho”, afirma Paulo Dantas, sócio-fundador da produtora. Segundo Dantas, a empresa na Venezuela pode abrir o mercado da América Latina para a produtora não só na publicidade, mas também em projetos futuros de televisão. Ao mesmo tempo em que a lei venezuelana aquece a produção audiovisual local e abre um novo mercado para as produtoras brasileiras, faz os anunciantes repensarem a campanha televisiva na Venezuela. É o que afirma Luiz Tastaldi, diretor geral de criação da

originalmente nos Estados Unidos para a veiculação na América Latina. “O cliente tem um custo duplo e isso não é bom. Tanto é que estamos pensando em descartar a campanha de televisão na Venezuela e trabalhar lá com mais ênfase em outras mídias, usar mais o meio impresso, talvez”, diz ele. Filmar no país a campanha que será exibida no resto do mundo é uma possibilidade rejeitada por Tastaldi. “Nas minhas experiências, encontrei algumas dificuldades lá, em relação à casting e equipe técnica, por isso, fazer o filme original lá não estão nos meus planos atualmente”, diz.

Simoni de Mendonça e Lorenzo Giunta, da Ioiô Filmes Etc.: parceria com produtora venezuelana para rodar no país vizinho filmes publicitários com criação e direção de profissionais brasileiros.

agência de publicidade 141 SoHo Square, que, desde novembro de 2006, reproduz na Venezuela, na Movi&Art/ Cinesa, filmes da Avon feitos

ana carolina barbosa

mercado protegido A Ley de Responsabilidad Social de Rádio y Televisión, conhecida como Lei Resort, entrou em vigor em junho de 2005, estabelecendo a classificação de comerciais nacionais e estrangeiros, limitando a exibição de produções feitas no exterior a 15% do espaço das emissoras destinado à publicidade e impondo, ainda, restrição de horários. Segundo Reyna Zuzua Biagione, assessora jurídica da Fevap (Federación Venezolana de Agencias de Publicidad), há mecanismos na lei que dão ao Centro Nacional Autónomo de Cinematografia (CNAC) o poder de considerar produção nacional, em caráter de exceção e mediante solicitação dos interessados, comerciais cujos produtores, diretores, roteiristas, técnicos e artistas sejam pessoas não-residentes na Venezuela. Contudo, ao menos 80% das filmagens devem ser feitas no país para que a produção entre nesta classificação e é esse o filão explorado por produtoras estrangeiras. “O espírito da lei é incentivar a produção nacional, o que pensamos que não era necessário, pois a difusão de comerciais estrangeiros já era minoria. Estamos a favor de alguns pontos da lei, mas somos contra outros, pois é uma lei restritiva à atividade comercial e à liberdade de expressão”, diz a assessora jurídica em nome da associação.

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( case ) Lizandra de Almeida

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Minhocas FOTOs: DIVULGAÇÃO

Tecnologia proprietária dá vida a um mundo subterrâneo. Esta matéria faz parte de uma série que Tela Viva publica mensalmente, explicando o desenvolvimento de projetos audiovisuais bem sucedidos, sob o ponto de vista do modelo de negócios e do financiamento.

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ma parceria entre as produtoras Glaz Entretenimento e Animaking vai resultar no primeiro longametragem de animação em stopmotion da América Latina. O lançamento está previsto para janeiro de 2010 e as produtoras já captaram mais de 80% dos recursos da parte brasileira do projeto, que é uma co-produção com o Canadá. A história da parceria começou em 2006, com os resultados do primeiro edital para filmes infantis (Curta Criança) do Ministério da Cultura. A Glaz foi contemplada com recursos para produzir o premiado “Historietas Assombradas para Crianças Malcriadas”, de Victor-Hugo Borges, e a Animaking com o curta “Minhocas”, que já tinha sido pensado para se transformar em um longa. “Precisávamos da ajuda de uma produtora que trabalhasse com bonecos para produzir o ‘Historietas’, e vimos que eles eram os melhores. Entramos em contato e logo nos entrosamos. Eles já tinham a pretensão de fazer um longa, então resolvemos fazer juntos”, explica o produtor executivo Paulo Boccato, sócio da Glaz. Em 2006, o que havia era um préroteiro do longa e a verba para o curta. No início do segundo semestre, o projeto foi aprovado pela Ancine para captação de recursos. Logo depois, venceu o concurso Petrobras/ FIESP/MinC, para produções

Longa será o primeiro em stop-motion da América Latina.

paulistas, que rendeu os primeiros R$ 600 mil do projeto. Até o final daquele ano, já tinham sido captados recursos com mais duas empresas: a C&A (R$ 400 mil) e a Montcalm (R$ 100 mil). “O orçamento tinha sido dimensionado para uma produção modesta, pois não tínhamos idéia de como um projeto de filme em stop-motion seria aceito. Mas com esses resultados tão rápidos de captação, conseguimos reestruturar o projeto e começar a investir pesado no planejamento e no roteiro”, diz Boccato. “Decidimos então correr atrás de uma parceria

Nunes, da Animaking, também foram contratados dois storyboarders, um designer de personagens e um diretor de arte, para conceber os cenários. Segundo Paolo Conti, havia uma grande preocupação com a equipe de produção do filme. “Nossa experiência no mercado de publicidade nos mostrava que os profissionais dessa área eram muito volúveis, porque estavam acostumados com o esquema de trabalho da publicidade. Tanto em São Paulo como no Rio os profissionais têm esse perfil”.

Com dificuldade para encontrar mão-de-obra em sp e rio, diretores mudaram para florianópolis (SC) internacional, que pudesse amplificar o projeto, e de uma distribuidora.” O ano de 2007 foi dedicado ao processo de criação do filme. Uma equipe de quase dez pessoas começou a trabalhar no roteiro e no story-board, na criação de cenários e personagens e no planejamento. Além dos dois produtores da Glaz – Paulo Boccato e Mayra Lucas –, e dos diretores Paolo Conti e Arthur

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Paolo e Arthur já tinham uma ligação com a Fundação Certi, instituição de pesquisa e incubadora de empresas da área de tecnologia ligada à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Eles trabalham com jovens e com o desenvolvimento de jogos educativos, e nós já íamos periodicamente para Florianópolis para trabalhar com eles”, conta Paolo.

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( case ) Essa proximidade abriu várias portas, que ajudaram o projeto a deslanchar. “Quando contamos da nossa apreensão, eles nos convidaram a nos instalar no pólo e nos ofereceram todo o suporte tecnológico para desenvol­ver a tecnologia de que precisávamos para o filme.” Os dois diretores logo se mudaram para lá, e levaram com eles os principais chefes de equipe. Agora, a Animaking está instalada dentro do Sapiens Parque, cluster de inovação, arte e tecnologia da Fundação Certi, e já tem uma equipe de 35 pessoas, muitas delas recrutadas na cidade. Um dos equipamentos desenvolvido graças a esse trabalho conjunto, por exemplo, foi um motion control. A proximidade das empresas de tecnologia também permitiu a automatização de alguns movimentos dos bonecos, em sincronia com a câmera. “Logo vimos que havia uma dificuldade muito grande em animar as minhocas quadro a quadro, porque todo o corpo precisava ser articulado. Foi criado um mecanismo interno de engrenagens e desenvolvido um sistema ligado a um motor de aeromodelo que movimenta o corpo das minhocas sob o controle do computador.” A opção pelo stop-motion, continua Boccato, foi feita por uma questão de viabilidade. “Hoje em dia está muito difícil fazer animação 2D, porque é muito caro. Em 3D, ainda é muito difícil competir com os grandes estúdios americanos. E nós tínhamos as ferramentas para fazer o stopmotion. Na verdade, só foram feitos 85 longas com essa técnica na história do cinema.” Outra solução engenhosa foi a produção das bocas dos personagens em escala. Boccato explica que os personagens principais têm cerca de 120 bocas diferentes cada, para dar conta de todos os fonemas e das emoções. “Precisaríamos de uma equipe gigantesca para produzir mais de mil bocas diferentes.” Depois de muita pesquisa, a produção desenvolveu um processo

Minhocas

stop-motion Filme de longa-metragem em animação Paolo Conti e Arthur Nunes Direção Animaking, Glaz Entretenimento, Wizz Films

Empresas produtoras

do garoto-minhoca Sinopse O filme conta as aventuras Neco. Júnior, ao lado de seus amigos Linda e

industrial para produzir as boquinhas. “Foram feitos alguns modelos normais, que depois foram escaneados em um scanner 3D. No computador, foram modeladas todas as opções de fonemas e expressões.” Na indústria de plásticos, a produção foi buscar uma “impressora” de peças tridimensionais. “É como uma máquina de xerox, abastecida com um pó especial. Você entra com o desenho e ela ‘imprime’ as peças.” As filmagens devem começar em outubro, com uma meta de gravação de 36 segundos por dia. “Fizemos um planejamento minucioso, porque um filme de animação não é como uma ficção, em que uma cena de dez minutos pode cair na montagem. Aqui nada pode ser feito a mais – por isso nosso investimento tão grande no roteiro e no desenvolvimento de equipamentos”, esclarece Boccato. “Gastamos muito papel, e conforme íamos aperfeiçoando o roteiro, íamos fazendo o animatic, para testar as falas, ver o que estava funcionando ou não.” Ainda no primeiro semestre de 2007, a Globo Filmes assinou contrato com o

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projeto, destinando R$ 2 milhões em mídia. Após dez meses de negociação, a canadense Wizzfilms assinou o contrato de co-produção, responsabilizando-se pela captação de 25% do orçamento. No Brasil, a captação dos R$ 7,5 milhões da parte nacional ficou completa com a entrada de outros patrocinadores: Aracruz, Good Year e Porto Seguro Seguros. A distribuição foi fechada com a Fox Filmes do Brasil. “Tivemos essa preocupação de conseguir uma co-produção internacional porque sentimos que havia um potencial internacional muito grande. Filmes de ficção são bem mais difíceis de emplacar mundialmente, mas como a animação é dublada, pode se tornar mais próxima”, continua o produtor. Com a entrada do novo parceiro, o nível de exigência aumentou, mas o acesso a recursos também. “Tivemos um upgrade na parte de efeitos especiais. A Wizzfilms é dona da Mokko Studios, que trabalha para grandes produções norte-america­ nas.” Os custos ficaram divididos em 75% para o Brasil e 25% para o Canadá. No Brasil, será feita toda a parte de captação e animação, além da dublagem em português e inglês. A montagem, a trilha sonora e a edição de som ficarão a cargo da produtora canadense. “Tivemos muita sorte de ter conseguido captar logo, porque isso foi fundamental para o processo de desenvolvimento necessário. Hoje acho que, especialmente em animação, é fundamental ter uma equipe de desenvolvimento para todo o projeto. Depois desse tempo, vamos começar a filmagem com todo mundo entrosado e com um universo inteiro criado especialmente para o filme.” Com os animatics prontos, o filme está em fase de dublagem. As filmagens estão previstas para começar em outubro, terminando em setembro do ano que vem. A pósprodução acontece nos meses seguintes, para o lançamento em janeiro de 2010.


(upgrade )

Fernando Lauterjung

FOTOS: divulgação

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Tela grande Divisão da Wohler Technologies, a Panorama dtv, anunciou que está distribuindo o HDMon-260, uma tela TFT widescreen de 26” que permite a monitoração HD tanto em campo quanto em estúdio. O equipamento suporta sinais de vídeo 1920 x 1080/60P através de portas HD-SDI, SD-SDI, DVI, composto analógico e componente. Embora seja projetado para aplicações HD 1080, o monitor apresenta boa redução de ruído e interpolação de movimento para imagens em resoluções mais baixas. O equipamento pode ser usado sobre uma mesa ou montado em rack, para aplicações externas. Está disponível nas proporções 4:3 e 16:9 e conta com boa visualização em ângulos de até 176º. Além dos botões na frente no monitor, os ajustes podem ser feitos à distância, através de uma interface 10/100 Base-T, com software para plataforma Windows. Graças a isso, é possível copiar e colar ajustes de um monitor para outro.

Simulcast multi-definição

Switcher compacto Um RU (unidade de rack) é o tamanho do novo switcher da For-A, que será apresentado na IBC, em Amsterdã, em setembro. O HVS-300HS HD/SD é ideal para infra-estruturas portáteis e produção remota, que se beneficiam do tamanho reduzido do equipamento. As características técnicas do equipamento para produção ao vivo fazem com que ele seja versátil a ponto de poder ser usado em diversos tipos de aplicação, além de produção remota. O equipamento suporta os formatos 1080/60i, 59,94i, 50i, 24PsF, 23,98PsF, 720/60p, 59,94p, 50p, 525/60 (NTSC), 625/50 (PAL) e conta com um processador interno de 10-bit que permite trabalhar com vídeo com compressão 4:2:2:4. Todos os controles HVS-300HS HD/SD, com um RU, é ideal para infra-estruturas podem ser feitos na portáteis e remotas. botoneira localizada no painel frontal do equipamento, assim como em um PC remoto, com uso de software apropriado. Uma saída preview permite monitorar a edição quando o equipamento é usado sem um computador externo. Além disso, é possível instalar um painel externo de controle, fazendo com que o equipamento aumente seu tamanho para três RUs. O equipamento conta ainda com quarto portas de entrada/ saída HD/SD-SDI, além de analógica componente, composto DVI HDMI e HDV. Suporta até 12 entradas e oito saídas simultâneas, sendo que as entradas contam com sincronização de frames e processamento para redimensionamento automático. Também permite fazer até dois canais de picture-in-picture e conta com um keyer chroma key.

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A Vector 3 prometeu para a IBC deste ano, que acontece em setembro em Amsterdã, o lançamento do Vectorbox 8000HD. O sistema de exibição foi desenhado para emissoras que precisam transmitir, simultaneamente, em SD e HD. O servidor conta com suporte para qualquer formato de vídeo, compressão e metadados. Graças a um redimensionamento automático (para mais ou para menos resolução), é possível exibir em HDSDI ou SDI a partir de uma lista de resolução mista HD/SD, assim como transmitir simultaneamente em cada uma das saídas usando uma mesma lista de exibição, permitindo que o equipamento substitua uma infra-estrutura com dois servidores. Outra característica é que o equipamento conta com CG embutida para exibição do logo do canal, pequenas animações e chamadas, sempre ligadas a um alimenta­ dor RSS ou outro tipo de banco de dados remoto.

Vectorbox 8000HD: sistema de exibição desenhado para emissoras que transmitem simultaneamente SD e HD.

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Conversor de freqüência

TVPlay HD: exibição de vídeo multiformato e streaming para Internet.

Exibição nacional A Videomart lançou, pensando na migração de analógico para HDTV, o TVPlay HD. Trata-se de um sistema de exibição de vídeo multiformato e aspectos tanto para a exibição em SD, na fase inicial, quanto em HD. Entre os codecs compatíveis estão o Quick Time, Mpeg2, WMV, DV, HDV. A novidade é que o sistema permite fazer um streaming para Internet do conteúdo exibido na televisão. Além disso, permite a exibição de gráficos, logos, caracteres, hora certa.

A Snell & Wilcox lançou no final de julho o Alchemist Ph.C-HD TX, nova versão do conversor de padrões de frame rate com compensação de movimento. Capaz de fazer conversões simultâneas para SD e HD, o equipamento ocupa o espaço de três RUs (unidades de rack). O equipamento faz a conversão entre os frame rates 50 Hz e 60 Hz para os formatos 1080i e 720p, assim como para conteúdo SD. O conversor aceita qualquer formato de entrada (525, 625, 720P50, 720P59, 1080i50 e 1080i59) e faz a conversão de proporção SD 4:3/HD 16:9. Compatível com o audio Dolby E, o equipamento suporta até 16 canais de audio, AES ou embutido, sem necessidade de placas, decoders ou encoders externos. O equipamento conta com duas versões. O TX50 é desenhada para aplicações que precisem dar saída nos formatos 625, 720P50 e 1080i50. Já o TX60 é para aplicações que requerem saída em 525, 720P59 e 1080i59.

Conversões simultâneas para SD e HD no aparelho da Snell & Wilcox.


FOTO: arquivo

( agenda ) Agosto 27 a 29 Congresso SET e Broadcast & Cable, São Paulo, SP. Tel: (21) 2512-9747. E-mail: set@set.com.br. Web: www.set.com.br

16 e 17 de setembro Congresso TV 2.0, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br Evento internacional sobre a atuação dos principais grupos do segmento, o impacto das novas tecnologias e as tendências para as novas mídias.

Setembro 4 a 13 33° Toronto International Film Festival, Toronto, Canadá. Tel: (1-416) 967-7371. E-mail: tiffg@tiffg.ca. Web: www.tiff07.ca

14 a 20 IV Festival Latino-Americano de Canoa Quebrada – Curta Canoa,

Outubro

Canoa Quebrada, CE. Tel.: (85) 3231.1624. Web: www.curtacanoa.com.br

2 e 3 de outubro 8° Congresso Latino-Americano de Satélites, Rio de Janeiro, RJ.

1º a 9 XXV Festival de Cine de Bogotá,

Tel.: (13) 3219-2036. Web: www.curtasantos.com

Santa Fé de Bogotá, Colômbia. Tel: (571) 341-7562. E-mail: info@bogocine.com. Web: www.bogocine.com

17 a 21 Ottawa International Animation Festival Ottawa, Canadá.

6 a 12 3º Festival do Paraná de Cinema Brasileiro e Latino,

7 a 9 Andina Link 2008, Guatemala.

Tel.: (1-613) 232-8769. E-mail: info@animationfestival.ca. Web: ottawa.awn.com

Curitiba, PR. Tel: (41) 3551-1431. E-mail: festcinepr@cinetvpr.pr.gov.br

Tel.: (571) 345-9166. E-mail: sandra@andinalink.com. Web: www.andinalink.com

15 a 20 VI Curta Santos, Santos, SP.

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Revista Tela Viva 185 - Agosto 2008  
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