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Ano 15

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out2012

www.teletime.com.br

VALIM DÁ O TOM

Em entrevista exclusiva, presidente da Oi fala do mercado de telecom, amarras regulatórias e o que o futuro reserva para a operadora com o 3G e o LTE

SATÉLITES

Hughes, expansão do DTH e banda larga ao consumidor movimentarão mercado

EVENTO

4G e novidades na regulamentação do STFC marcaram Futurecom 2012


Presidente Rubens Glasberg Diretores Editoriais André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski

Editor Samuel Possebon Editora Adjunta e Editora de Projetos Especiais Letícia Cordeiro Editor de Mobilidade Fernando Paiva Redação Bruno do Amaral, Wilian Miron, Helton Posseti (Brasília), Leandro Sanfelice (Vídeo repórter) Consultor Especial Cláudio Dascal Arte Edmur Cason (Direção de Arte); Rubens Jardim (Produção Gráfica); Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica); Débora Harue Torigoe (Assistente); Alexandre Barros (Colaborador); Bárbara Cason (Colaboradora) Departamento Comercial Bruna Zuolo (Ger. de Negócios) Ivaneti Longo (Assistente) Inscrições e Assinaturas Gislaine Gaspar (Gerente) Circulação Patricia Brandão (Gerente) Marketing Harumi Ishihara (Diretora) Gisella Gimenez (Gerente) Administração Vilma Pereira (Gerente) TELETIME é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 603 CEP: 01243-001 - Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910 - São Paulo, SP. Sucursal SCN Quadra 02 Bloco D, sala 424 – Torre B - Centro Empresarial Liberty Mall - CEP: 70712-903 - Fone/ Fax: (61) 3327-3755 - Brasília, DF. Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

CENTRAL DE ASSINATURAS 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira Internet www.teletime.com.br E-mail assine@convergecom.com.br REDAÇÃO (11) 3138-4600 E-mail cartas.teletime@convergecom.com.br PUBLICIDADE (11) 3214-3747 E-mail comercial@convergecom.com.br

Instituto Verificador de Circulação

Samuel Possebon

FOTO: arquivo

.:Editorial

samuca@con­ver­ge­com.com.br

Olho no mercado, não em Brasília

É

cada vez mais comum, em conversas com pessoas do mercado de telecomunicações, diagnosticarmos um certo cansaço geral com a pauta político-regulatória tão recorrente no noticiário de telecomunicações, seja em veículos especializados, seja na grande mídia. E as pessoas estão corretas em ter essa percepção. O mercado é muito mais amplo do que aquilo que acontece em Brasília, ainda que as decisões dos reguladores e formuladores de políticas tenham um impacto gigantesco sobre o dia-a-dia e sobre as perspectivas de desenvolvimento da indústria. TELETIME sempre teve essa preocupação. Apesar de uma sólida e permanente cobertura do que acontece em Brasília, estamos sempre buscando pautas novas, diferentes, que tratem de temas tão diversos quanto marketing, tecnologia, TI, estratégias, conteúdos etc. Basta dar uma olhada nesta edição e o leitor perceberá que tratamos de datacenters, do crescente mercado de seguros massificados no setor de telecom, de transações financeiras pelo celular, do mercado de satélites, de IPTV e, é claro, de questões regulatórias. E isso se repete em todas as edições e na nossa cobertura diária do TELETIME News e de nossos outros noticiários online. Mas sempre tendo em mente que Brasília não é o centro do mundo. É por essa razão que temos uma redação na capital federal, mas também uma em São Paulo e outra no Rio. Que trazemos temas da área de TI, radiodifusão, produção audiovisual e mídia, abordados permanentemente pelas nossas publicações irmãs TI Inside, TELA VIVA e Mobile Time. Nossos eventos tratam de temas tão diversos quanto conteúdos móveis, aplicativos para celular e para TVs conectadas, produção audiovisual, TV 2.0 (termo que usamos para designar a nova televisão), TV por assinatura, tecnologia, saúde digital, call center, satélite e muitos outros temas. Sem esquecer de, uma vez por ano, irmos a out_2012 Teletime 3

Brasília para organizar o tradicionalíssimo Seminário Políticas de (Tele) Comunicações, em parceria com a UnB. A Converge entende que telecomunicações é um mundo extremamente complexo, onde é necessária uma visão ampla e multidisciplinar que permita dar ao leitor de nossas publicações e ao público de nossos eventos não apenas uma visão político/regulatória das coisas, mas sobretudo uma leitura da realidade de mercado, das estratégias, tecnologias e oportunidades. É isso que, acreditamos, faz do nosso trabalho algo diferente dentro do enorme volume de informações setoriais disponível a quem quiser. IPTV 2.0 Nesta edição, o leitor encontra uma matéria sobre o relançamento das plataformas de IPTV no Brasil. Voltando no tempo, relembraremos que há uma década o tema IPTV é discutido permanentemente pelo mercado, e refletido em reportagens e matérias de TELETIME. Desde 2006, as principais operadoras flertam com a oferta de serviços de TV paga por meio de suas redes banda larga. Fornecedores foram escolhidos nesse período, estratégias anunciadas e produtos foram lançados e fracassaram. Não foi um caso único, se olharmos o histórico de “hypes” tecnológicos. WiMAX, convergência fixomóvel, VoIP e outras tecnologias/estratégias já estiveram no centro das análises e acabaram relegadas a nichos ou mesmo foram esquecidas. Com IPTV, a história pode ser diferente. As teles norte-americanas mostraram que é possível competir no mercado de TV paga, desde que o investimento em redes de fibra seja pesado. É nisso que Oi e Telefônica/Vivo se fiam para seus novos produtos de vídeo. A se avaliar se os diferenciais prometidos pelo estágio atual de maturidade da tecnologia de IPTV serão suficientes para fazer frente às plataformas tradicionais de TV paga.


159 Número

w w w . t e l e t i m e . c o m . b r

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Ano 15 | Out12

Entrevista

6 Valim dá o tom

Em entrevista exclusiva e de forma direta, presidente da Oi fala sobre o futuro do mercado, os desafios regulatórios com a Anatel e a mudança nos modelos de negócios.

Evento

12 LTE é a bola da vez

Futurecom 2012 abriu com a Anatel considerando o fim dos bens reversíveis e terminou com anúncio de fornecedores de 4G e críticas do diretor da FCC sobre a regulamentação brasileira.

móveis 16 Serviços No altar com o NFC Papel de Trusted Service Manager, de fazer casamento entre bancos e teles nos serviços de pagamentos via NFC, vem sendo disputado por fabricantes de SIMcards, integradores e bandeiras de cartão de crédito.

serviços

22 Lucrando com a proteção

Operadoras começam a vender seguros para clientes e encontram uma lucrativa modalidade de negócios de valor agregado à linha dos assinantes e ao aparelho. Mas ainda é possível ir além e oferecer outros serviços.

16

22

Tecnologia

25 Ofertas convergentes De olho na explosão de dados e de oportunidades na nuvem, operadoras investem pesado em datacenters próprios para fornecer serviços para terceiros aliando capacidade de processamento com infraestrutura de rede.

Satélites

28 Guerra nas estrelas

Puxado pelo crescimento de serviços de DTH e pelas perspectivas de banda larga direta ao consumidor, mercado de satélites promete mais capacidade para os próximos anos, com destaque para a chegada da Hughes.

TV por assinatura

25

28

32 Começar de novo

Após várias tentativas infrutíferas, operadoras voltam a investir na tecnologia IPTV, aproveitando a infraestrutura de fibra ótica. Desta vez, plataformas trazem novas possibilidades de serviços.

Regulamentação

34 Harmonização em Dubai

Debate na CMTI em dezembro deverá atualizar tratados internacionais da UIT, mas temas como neutralidade de rede e segurança cibernética ainda são sensíveis para os países participantes.

Editorial 3 | Ponto de vista 36 | Ponto & Contraponto 38 Capa: foto marcelo kahn

4 Teletime out_2012


Juntos com a SES

Amplie suas oportunidades globais via satélite

Onde outros veem desafios, nós vemos possibilidades de conectar empresas e pessoas com o resto do mundo. Com nossa frota global de mais de 50 satélites, oferecemos mais que uma vasta cobertura. Nosso compromisso: estabelecer relações que ajudem nossos clientes a fazer seus negócios crescerem. www.ses.com


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Samuel Possebon

samuca@convergecom.com.br

Valim dá o tom

Presidente da Oi manifesta preocupações com falta de rentabilidade e contextualiza as perspectivas da operadora para o setor de telecomunicações à luz dos desafios regulatórios, mercadológicos e estratégicos atuais.

TELETIME – Recentemente o banco UBS fez uma análise do setor e citou o plano estratégico anunciado pela Oi como correto, mas com dúvidas sobre a viabilidade dele porque a Oi estaria muito exposta a riscos regulatórios, concorrenciais e à desaceleração da economia. Que avaliação vocês fazem até aqui do plano anunciado em abril? Francisco Valim – O plano vem se desenvolvendo conforme o previsto, com resultados positivos nos dois primeiros trimestres, com recuperação no pós-pago, crescimento dos serviços fixos, residenciais, e isso é um sinal de que as coisas estão dando certo. O plano, e as ações mostram isso, está também dando resultados financeiros em linha com o que havia sido projetado. Sob a ótica do endividamento, temos alternativas. Se diminuir o endividamento, a vida fica mais fácil, e é isso que estamos fazendo. É um processo que garantirá um colchão para todas as nossas obrigações de Capex, investimento, dívida etc. Mas concorda que vocês talvez estejam mais vulneráveis? Não. Quando o pessoal compara,

líquida, acho que recuperamos uma posição que é aquela que seria nossa de direito, vamos dizer assim. Mas ainda temos que trabalhar muito em relação à qualidade, porque esse é um assunto que em telecomunicações não pode ser consertado de um dia para o outro. Isso passa por um treinamento de centenas de milhares de pessoas, aprimorar processos, melhorar sistemas, e só depois que isso vai evoluindo é que se percebe a qualidade como melhor.

foto: marcelo kahn

D

esde que assumiu o comando da Oi, em meados de 2011, Francisco Valim vinha trabalhando discretamente. Salvo algumas declarações esporádicas e durante o anúncio do plano estratégico da empresa, em abril deste ano, o executivo evitava manifestar publicamente suas preocupações e posicionamentos. Isso começou a mudar durante o Painel TELEBRASIL, em agosto, quando Valim foi o mais incisivo dirigente de uma empresa de telecomunicações a colocar o dedo no principal problema do mercado hoje: a falta de rentabilidade. Nesta entrevista exclusiva, Valim é ainda mais direto e contextualiza as perspectivas que a empresa vê para o setor de telecomunicações à luz dos desafios regulatórios, mercadológicos e estratégicos atuais.

Francisco Valim

esquece de colocar a Telefónica da Espanha na conta e a dívida que ela tem. Se você somar isso, o nosso endividamento é baixo. Sim, mas aí seria preciso somar o potencial de receitas da Espanha também... Potencial de redução de receitas, você quer dizer, porque a receita deles está caindo. De qualquer maneira, não se pode comparar a Oi com as subsidiárias da Telefónica ou de outras empresas que atuam no Brasil. Tem que olhar as empresas como um todo, e a Oi é uma empresa independente nesse sentido. Não pode olhar a TIM daqui e não olhar a da Itália. A América Móvil tem uma estrutura diferente, mas por razões específicas. Do ponto de vista operacional, a Oi atingiu o ritmo desejado de expansão dos serviços? Sob a ótica das receitas e da adição 6 Teletime out_2012

Qualidade em que sentido? Sob a ótica dos institutos de defesa do consumidor, índices de reclamação? Não. Entendemos que essa é uma matemática errada. Metade do nosso bônus, de qualquer funcionário da Oi, está vinculado à qualidade. O que medimos é churn e ligações para o nosso call center. Temos um índice de qualidade que tem a ver com o desempenho operacional. O churn mede mais coisas do que só a qualidade, ele mede a agressividade da oferta, que influencia na retenção. Agora, as ligações para os nossos call centers são uma medida absoluta de qualidade. Vamos expandir isso para ligações indesejadas apenas para o call center. Crescer custa. É por isso que o EBITDA da Oi caiu? Sim, mas a margem EBITDA está crescendo. Assim como esse esforço de qualidade também custa. Esse ano, o maior net add de pós-pago foi da Oi, em valores absolutos. Tivemos mais do que qualquer outra operadora. E nos outros serviços em que a margem não é tão boa, como TV paga ou banda larga fixa? Temos que olhar no agregado. A margem de contribuição de qualquer um desses serviços é maior do que a margem da Oi como um todo, onde temos um custo fixo grande chamado rede, que exige manutenção e investimento.


Qualquer serviço que tenha margem maior do que a da Oi contribui para a empresa. O melhor serviço de todos em termos de margem é a telefonia fixa... Esse vem perdendo base ainda, e o desempenho nele é função da nossa agressividade no móvel. Qual seu prognóstico para esse serviço? Acho que esse é um serviço que terá um nicho importante e que não é tão pequeno assim. Por alguma razão, se partiu do pressuposto que a telefonia móvel é igual à telefonia fixa, o que não é verdade. A rede fixa sempre vai ter um valor por si só, é uma rede auto energizada, que traz o conceito de lifeline, de essencial. A oferta fixa atual tende a ser substituída por uma alternativa com características de produtos competitivos, sem assinatura básica e com chamadas de longa distância a custos locais na mesma rede, por exemplo? Não podemos pensar como uma oferta de fixo apenas. Temos que pensar em termos de fluxo de caixa de domicílio e como maximizar esse fluxo. A tendência é sem dúvida essa que você mencionou, de oferecer serviços mais atrativos para os clientes mesmo onde já temos a oferta fixa. Como evitar que os bons resultados de crescimento do pós-pago se percam com a oferta cada vez mais agressiva, com uso ilimitado, isenção de longa distância etc? Não temos ofertas ilimitadas. Dentro da nossa base, o que o usuário tem é uma bonificação que tem valor. O usuário está gastando. Eu incentivo que ele use dentro da base. Não temos, contudo, o modelo de minutos ilimitados por chamada, que é ruim para a indústria e incentiva um comportamento nocivo para nós. Também não temos o modelo de dados ilimitados no móvel. O conceito de voz ilimitada é muito ruim e está sendo regulado pelo próprio mercado. Imagine que você é cliente de uma operadora hipotética que é perfeita, não derruba chamada, não tem problema de completamento, tudo funciona 100%. Se você fizer uma chamada para uma operadora ruim e a ligação cair três vezes, o

problema vai ser da sua operadora, não daquela que você chamou. O problema de qualidade é um problema de rede. Quando a Anatel identifica que existe um problema de qualidade nos celulares em geral, todas as operadoras precisam mudar de patamar para que a percepção do cliente mude. No Brasil o mercado é muito competitivo e para melhorar a qualidade, todo o mundo tem que me­lhorar. A Anatel, nesse caso corretamente, está chamando a atenção para o fato de que as operadoras entraram num mundo em que o ilimitado é um problema. A discussão do on-net e off-net é séria e a agência, também corretamente, precisa achar uma solução para isso. O conceito do on-net puro e do ilimitado sem nenhum limite (no nosso caso, o teto é o limite da bonificação), é ruim para a indústria. A estratégia comercial de todas as operadoras é trazer para suas redes o máximo de clientes com o máximo de serviços. Mas isso só faz sentido se

O conceito do on-net puro e do ilimitado sem nenhum limite é ruim para a indústria.” houver esse tipo de benefícios do on-net, por exemplo, como não cobrar longa distância. Todo o mundo cobra longa distância. Nós, a TIM, a Vivo, a Claro. Todo mundo. Os preços são diferentes do local. Se não fizer, você abre mão de longa distância. O que morreu foi o mercado de captura de usuários de longa distância de outras operadoras, o CSP. Era uma febre temporária mesmo, que nunca se imaginou que fosse perdurar. Esse negócio do CSP é algo que cumpriu sua missão. Quando falamos de planos de dados, você percebe alguma mudança de tendência? Como fugir da armadilha do plano ilimitado? Isso eu acho que vai acabar se ajustando mais rapidamente do que se imagina. Só se cobra ilimitado hoje no fixo, mas a tendência é que se cobre por volume de consumo. Isso é a lógica da indústria, mas o usuário não tem essa percepção. out_2012 Teletime 7

Se não tem ainda, uma hora ele vai perceber que alguém está subsidiando alguém. Existe um subsidio cruzado entre usuários em qualquer modelo ilimitado, por definição. Isso não faz sentido. Você foi muito enfático no Painel TELEBRASIL ao dizer que hoje a conta já não fecha em termos de investimentos em novas redes para atender à demanda de dados. Por quê? Se você trabalhar no conceito de onerar as operações em um retorno que já é abaixo do custo de capital, a conta já não fecha e o investimento vai fatalmente acabar sacrificado. Não estou dizendo que é agora, mas é uma tendência que acabará causando um déficit de investimento em algum momento no futuro. Explicando: pegue o fluxo de caixa da operadora e coloque em projetos como 3G, 4G, ampliar fibra etc. Some tudo isso e você verá que o retorno desses novos projetos nas condições de mercado existentes é menor do que custa o capital para fazer isso. O paradoxo é que se você não faz, você morre; e se você faz, emagrece. O problema é por quanto tempo você consegue só perder peso. E por quanto tempo você consegue perder peso? O pressuposto para essa situação é que o mercado vai continuar assim. Mas em geral, quando todo o mercado começa a entrar nesse tipo de zona, ou o mercado se autorregula, ou o regulador entende que há um problema estrutural no futuro e intercede. E como o órgão regulador poderia interceder nesse caso? Já está. Por exemplo, quando faz limitações ou propõe discussões sobre assuntos como os modelos de chamadas ilimitadas. Está tentando regular a competição por um patamar em que todo o mundo jogue uma regra saudável. Vocês tiveram um aumento expressivo de provisionamento de processos judiciais considerados perdidos, quase R$ 2 bilhões a mais em um ano. O que é isso? Tem de tudo, mas basicamente o problema são as multas da Anatel. As pessoas acordam e se lembram de multar a Oi. Ontem foi uma de R$ 90 milhões de algum processo de dez anos atrás. Quase não tem mais gente na empresa daquela época. Isso é um desserviço para a indús


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Mas o problema existiu, o processo foi aberto... É a regra. Tem que mudar a regra? Pois é, o que a gente faz é provisionar os valores para pagar um dia. Mas não tenho a menor dúvida que o modelo de dosimetria disso está errado. Recentemente a Cemig teve um cabo rompido e morreram pessoas no acidente. Ela foi multada em R$ 4 milhões ou R$ 5 milhões. No nosso caso, porque um orelhão em uma localidade remota parou de funcionar, por um problema de energização do gerador da comunidade, não nosso, a multa é equivalente. Há um problema. Quanto a Anatel cobra e quanto arrecada? O percentual de arrecadação é muito menor do que o de outras agências porque não tem como não questionarmos na Justiça o valor da multa. O mérito pode até estar certo. Mas se o preço está errado, não pode. A indústria já chegou a um ponto de maturidade a ponto de abrir mão da assimetria criada pela interconexão no Brasil, em que as móveis recebem mais pelo tráfego que chega? Mesmo para quem tem uma receita importante em interconexão? Claro. Com certeza temos, e nos casos de quem ainda tem essa receita importante, é uma bengala, é um problema específico de cada empresa que ainda depende disso. Não vamos fazer todo o mundo andar torto, com bengala, porque alguém precisa de uma bengala. A Oi entende que hoje esse assunto está regulado até 2014, existe um planejamento do que vai acontecer com a VU-M (interconexão para uso da rede móvel) e concordamos. Está desenhado. O que nos preocupa é que volta e meia se fala em discutir de novo esse assunto. VU-M e VC (tarifa cobrada do público) têm regras diferentes e está todo o mundo sendo colocado no mesmo saco. As conversas estão invertidas. A mudança da lógica já aconteceu, e as móveis não precisam de mais ninguém subsidiando elas.

competitivo. Quem consegue isso tem uma vantagem importante.

foto: marcelo kahn

tria. Me penalizar por algo que não foi feito há dez anos, sendo que provavelmente o problema já foi resolvido e a população não foi penalizada. Com certeza o intuito desse tipo de multa não é nem regular nem melhorar a indústria.

o problema são as multas da Anatel. As pessoas acordam e se lembram de multar a Oi.” Em relação ao serviço de TV paga, será um serviço complementar ou o objetivo é ter um market share relevante do mercado? Nosso foco é vender para os nossos clientes, o que não é pouca coisa. Queremos vender mais produtos para os mesmos clientes e muitos produtos para novos clientes. É uma estratégia de multiprodutos. TV por assinatura funciona como uma solução para necessidades dos domicílios. É nesse contexto que a TV paga é fundamental na nossa estratégia, porque ela é fundamental para o cliente. Na sua avaliação, e você estava presidindo a Net nessa época, foi a TV por assinatura que viabilizou a expansão da Net no mercado de telecom ou foi a banda larga que puxou a TV por assinatura? Quem puxou foi a banda larga, mas alavancada pela TV por assinatura. O serviço de TV subsidiava a conexão, e isso permitia entrar com banda larga. Hoje a TV por assinatura não subsidia mais a banda larga. A competição hoje é pelo domicílio, por mais serviços, com melhor qualidade de serviço e preço 8 Teletime out_2012

Como estão hoje as incumbents em relação às empresas competitivas? Isso é importante no contexto do que estamos falando. Os attackers só atacam em alguns lugares, normalmente nos mais rentáveis. As incumbents têm obrigações, que são subsidiadas pelas áreas atacadas, onde a rentabilidade diminuiu muito. Apesar de termos infraestrutura nessas regiões mais ricas, não temos a rentabilidade necessária, e ao mesmo tempo estamos fazendo investimentos em áreas menos interessantes. Esse equilíbrio é que precisa ser refeito. Não falta competição no Brasil. Em 80% dos domicílios a competição é muito intensa, como em poucos países. Por que eu vou discutir EILD (Exploração Industrial de Linhas Dedicadas) no Rio de Janeiro, onde todo mundo tem rede? E nos outros Estados só quem faz investimento somos nós, a Oi, porque São Paulo é um país à parte. Quando sobra para a Oi fazer o investimento nos lugares difíceis, é importante entender que o modelo econômico da Oi precisa de um entendimento diferente. Hoje vocês não têm nenhum tratamento assimétrico... Temos, assimétrico ao contrário, porque nós jogamos ladeira acima. Se você fosse propor alguma coisa para reverter essa assimetria negativa, o que poderia arrumar? Temos um monte de obrigações estapafúrdias, como os TUPs (Terminais de Uso Público). Hoje menos de 40% dos TUPs fazem um 1% do nosso tráfego. Ou seja, 60% dos meus TUPs não falam praticamente nada e 40% falam muito pouco, e mesmo assim preciso manter uma planta de 700 mil TUPs que geram um custo de R$ 500 milhões por ano. Tem forma de atender isso. É o típico caso em que o Fust faria todo sentido. É telefone de uso público, não é competitivo. Já foi um negócio para nós, mas hoje não. Seria um alívio fantástico de custo, de atenção, sem falar que certamente um percentual grande de nossas multas vêm daí, onde sou penalizado pelo vandalismo, onde não somos responsáveis. Não faz sentido pagar o Fust e ainda ter que pagar essa conta. Não é algo que incentiva competição, investimento, desenvolvimento de redes.


.:capa gar o conteúdo dele na minha rede com qualidade superior. Queira pagar para colocar uma CDN (servidor de distribuição de vídeo) na minha central. Não pode, se a lei for aprovada do jeito que está. Ou seja, estou prejudicando alguém. Neutra­ lidade está sendo confundida com igualitarismo. E não é isso, a neutralidade tem que garantir que não haja cerceamento ao acesso para o usuário. Estamos usando uma palavra bacana, chamada neutralidade, para fazer algo quase espúrio, que é acusar as teles de interferirem no tráfego enquanto se libera os provedores de conteúdo para fazê-lo. Forçam um subsídio cruzado entre usuários e se proíbe que eu cobre de quem quiser ter um tratamento diferenciado.

foto: marcelo kahn

O ideal não seria rever agora o modelo de concessão? Não tem problema nenhum fazer esse debate agora, desde que isso não me custe mais ainda. Hoje o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) já me obriga a universalizar a banda larga. A Anatel deveria buscar a competição e o investimento em novas redes e para isso deveria aliviar os concessionários mais pesados, e não onerar com mais obrigações, como acontece. É sempre mais coisa que se pede, como é o caso do PNBL. Poderia colocar o modelo de bens reversíveis nessa conta? Avaliar o valor hoje desses bens e fazer uma troca? Se os bens reversíveis são as centrais de telefonia fixa... Segundo a Anatel, o bem reversível é tudo por onde de alguma maneira passa um bit de telefonia fixa, inclusive as fibras. É uma conversa maluca. O que eu estou dizendo é que para incentivar a competição em regiões onde não há competição é preciso alguém disposto a investir com menores margens e menores retornos. Para uma concessionária, é difícil, porque temos um ônus sem nenhum bônus, e ainda tem essa discussão sobre o bem reversível que vai ser devolvido em 2025. O bem não é da União. O que a lei diz é que a remuneração vai ser feita pelo valor residual, não pelo valor não-amortizado. Mas essa é uma conversa. A mais importante não é essa, é como incentivar a construção de rede e mais prestação de serviços onde não há competição. Essa iniciativa vem de quem? Tem que vir do governo. A gente fala esse assunto, mas a iniciativa tem que vir deles. Porque pela forma como você coloca, a situação é alarmante. Se a conta já não se paga hoje, a corda vai arrebentar um hora. Nessa conversa a gente é único. Cada vez que se tem uma discussão sobre concessão, isso é uma cutícula da Embratel, uma unha da Telefônica e um braço da Oi. A discussão existe, mas não gera aderência ainda. E falando no futuro: vocês têm um investimento em novas redes de fibra com 5% ou 6% dos domicílios que

vocês cobrem. Você nunca foi muito alarmista em falar no “tsunami de dados”. Existe o risco dessas redes de fibra serem a porta para serviços over-the-top que vão canibalizar seus serviços? Primeiro, o tsunami de dados não é um problema em si, é um problema de rentabilização. Hoje, na conversa que se tem, o pessoal usa o termo neutralidade de forma errada. O que se está propondo não é neutralidade, é subsídio para produtor de conteúdo. Produtor de conteúdo pode fazer tudo que é não neutro: bloquear acesso, identificar usuário, bloquear usuário... Pode tudo. E o operador de rede não pode fazer nada. Tudo em que é importante que um seja neutro o outro não tem que ser? Todo o mundo tem que ser neutro. No Brasil, já sou proibido de fazer conteúdo, não vou tirar nada de ninguém. Por que vou privilegiar A, B ou C, se não tenho nenhum vínculo? Mas você pode ter esse vínculo econômico, ter um acordo. É isso que achamos que tem que ter. Estamos criando um modelo de subsídio cruzado entre usuários, em que os heavy users de BitTorrent, Apple TV, YouTube, estão consumindo uma capacidade que outros não estão. Você consome o pedaço de alguém. Se você que é um heavy user tiver que pagar mais do que ela, isso seria razoável. Na ponta do provedor de conteúdo funciona ao contrário. Vamos dizer que o Netflix queira entre10 Teletime out_2012

Mas essa discussão de neutralidade está acontecendo no mundo inteiro, não me parece que seja uma invenção exclusivamente brasileira. Todo o mundo sabe que existem as dificuldades, mas estão deixando o mercado se regular nessa questão, sem criar uma regra fixa. A FCC está indicando caminhos, mas sem regular como se faz aqui. Do jeito que está sendo feito aqui, vai só onerar as teles e prejudicar a banda larga, não tenho nem dúvida. Não sei quem é que está sendo defendido por essa regra que querem criar aqui, porque mais de 80% do tráfego, bem mais, não é nacional. Eu não sei que interesses estão sendo defendidos no Congresso Nacional, mas não é o interesse nacional. Para fechar a conta, então, tem que cobrar do provedor de conteúdo e cobrar do usuário? Somando esses dois, a conta fecha. Porque nesse caso terei receitas de quem consome minha banda para que eu continue ampliando banda. Mas os provedores de conteúdo argumentam que você só vende banda larga por conta desses conteúdos. É verdade, mas vamos descobrir que se um ajuste não for feito, não vamos assistir YouTube no futuro. A rede vai deteriorar. Eu não consigo entregar essa ampliação de rede sempre. Não é que o usuário esteja consumindo mais dados do mesmo. Ele está consumindo mais dados de outra coisa, e essa outra coisa é vídeo. A Internet deixou de ser HTML e virou vídeo, onde o consumo é várias vezes maior. Se eu quero transmitir vídeo, o modelo


tem que ser diferente. No HTML cabe todo o mundo. Mas em vídeo, entope a rede, não tem como. Por que tantos fornecedores importantes estão em uma situação tão crítica? Nem todos, alguns ainda estão bem, os chineses, coreanos, a Ericsson... Mas eu acho que isso é um reflexo desse ciclo de obsolescência programada que o mundo de telecom vive. As trocas estão sendo tão rápidas que os fornecedores de aparelhos vão morrendo às dezenas. E no caso dos fornecedores de redes? Porque as redes continuam sendo montadas, construídas... Com esse ritmo de obsolescência programada, só quem conseguiu pegar todas as ondas sobrevive. O problema é que a corda começou a arrebentar do lado deles. Se eu não tenho como pagar o investimento, eu tenho que apertar ao limite por menores custos. Entender que esse é um mercado dinâmico é fundamental. A próxima corda a arrebentar é a das operadoras? Ainda mais no Brasil, em que não existe essa visão de rentabilização de longo prazo das operadoras. Nossa indústria é muito diferente da indústria automobilística, aço, eletricidade... Nesses mercados, nada muda há décadas. Nós mudamos três vezes de tecnologia móvel em dez anos. Isso significa investir três vezes na mesma coisa. É um mercado muito mais competitivo, muito mais revolucionário, mudou a vida das pessoas para melhor. Se queremos que todo o mundo viva melhor, é preciso que tenhamos capacidade financeira. Mudando de assunto, vocês tinham uma expectativa de chegar a uma cobertura de 3G equivalente em termos populacionais ao do líder nesse mercado. Vai dar? Dissemos que chegaríamos em 75% da população, e achamos que dá para chegar lá. Quando anunciamos, havia a previsão de um período para decidir, contratar, entregar, provisionar e disponibilizar. Isso é muito mais rápido nesse segundo semestre, quando as primeiras foram cumpridas. Estamos falando de 3G, não de HSPA+, em algu-

mas novas cidades e em uma cobertura mais ampliada onde já estamos. No 4G vocês vão seguir apenas as obrigações regulatórias? Nesse assunto de 4G, a variável hoje é aparelho. Se você tiver aparelho, faz sentido acelerar. Se não tiver, não. É uma incerteza. Mas o produto que virá é essencialmente mais banda, não acredito em uma substituição do fixo pelo móvel. A Oi ainda tem alguma expectativa em relação a participar do projeto do satélite brasileiro e do cabo submarino? Tem um satélite brasileiro do qual não vamos participar que é esse pri-

A Oi não tem nada na faixa de 800 MHz, porque chegou depois, e nessa condição não temos essa vantagem.” meiro, voltado para a Defesa, para uso não-comercial. É isso que entendemos desse satélite. De um outro, faz todo sentido. Não faz sentido participar de um satélite não-comercial. A competição que a Telebras faz é comercial? Porque o satélite que sobe até 2014 é para atender a Telebras, que atenderá os provedores de acesso com ele. A Telebras é um carrier-to-carrier, não é uma competição típica. Eles prestam serviços para provedores, que não estão muito no nosso foco. Nesse satélite onde entendemos que não existem oportunidades comerciais não pretendemos participar, até porque o projeto está bem avançado. Já do outro, é de se avaliar. E cabo submarino? A Telebras selecionou um parceiro que estava negociando com vocês, a Angola Cable. Teríamos interesse de participar dessa discussão. É um assunto que já conversamos várias vezes. Sobre a questão dos 700 MHz e a expectativa de um novo leilão de 4G, qual a leitura de vocês? É o momento certo? Em que condições? Nesse momento, ouvimos tanta coisa que ainda não sabemos se elas estão out_2012 Teletime 11

onde achamos que deveriam acontecer. Entendemos que existe hoje outra assimetria contra nós. É a de quem pode usar LTE em frequências baixas. A Oi não tem frequência baixa, nenhuma. Não tem nada na faixa de 800 MHz, onde existe ecossistema de LTE, ao contrário das outras operadoras. A Oi não tem isso, porque chegou depois, e nessa condição não temos essa vantagem. Achamos que é uma desvantagem competitiva deixar como está. A Claro, TIM e Vivo, que compraram isso lá na concessão e não sabiam que isso seria valioso, têm uma vantagem. Basta fazer o refarming da rede. Ou seja, se houver um esforço de leilão na faixa de 700 MHz vocês querem uma vantagem? Acho que o governo deveria pensar nisso se quiser que os quatro operadores mantenham a competição, porque hoje a Oi está em uma situação de fragilidade competitiva, em relação à perspectiva de 4G com a perspectiva de um refarmig nas frequências baixas. Hoje há uma deficiência competitiva. Tem que botar um cap nessas frequências baixas como colocou em todas as faixas. Foi assim com 2G, 3G e tem que ser com 4G. E em relação ao pagamento da conta da migração da TV digital? Vocês concordariam? É uma coisa única no mundo. Todo o intuito de fazer a migração para a TV digital era liberar frequências. O que aconteceu no planeta inteiro foi isso, porque se concluiu que o melhor uso das frequências é para banda larga. Aqui se coloca uma “jabuticaba”, que vai prejudicar o usuário. Ninguém consegue ver mais TV do que já vê, não faz sentido. A demanda está na banda larga, e para isso precisa de mais frequência, e a frequência mais adequada é na faixa de 700 MHz e 800MHz. Tanto é que o iPhone não tem para a nossa faixa, de 2,5 GHz. O governo deveria estar preocupado com isso e deveria fazer essa migração em etapas. É uma forma de viabilizar a banda baixa para todas as operadoras. É possível viabilizar a banda larga rural nos 450 MHz? Banda larga sim, LTE não. Não existe chipset para isso. Vamos começar com o que tem, em CDMA. Uma coisa é pressionar fornecedor para baixar preço, mas não dá para pressionar ele para descobrir uma tecnologia, e LTE em 450 MHz ainda não tem.


.:evento

Bruno do Amaral, do Rio de Janeiro bruno@convergecom.com.br

No ritmo de 4G

E

m meio a anúncios focados no LTE e debates sobre o crescimento das redes, a Futurecom 2012 reuniu autoridades e representantes do mercado para, mais uma vez, indicar as incertezas sobre o futuro dos serviços de telecomunicações. O tema já vinha sendo colocado nos dois últimos eventos setoriais (congresso da ABTA e Painel TELEBRASIL, em agosto) e agora voltou. A novidade da Futurecom foram os contratos para as redes 4G, que entram em operação comercial em 2013. Isso não ofuscou a ênfase dos debates sobre neutralidade de rede e o pronunciamento do presidente da Anatel sobre intenções de mudanças nas regras para as concessões de telefonia fixa. O presidente da agência, João Rezende, defendeu logo no início do evento a alteração do marco legal das telecomunicações antes de 2025, prazo para o final da concessão do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) às operadoras, o que poderá significar o fim dos bens reversíveis. Além disso, o modelo de concessões de STFC deverá ser modificado, aproximando-se ao dos serviços móveis. Foi a primeira vez que a Anatel mencionou a possibilidade, embora o Ministério das Comunicações já houvesse tocado no assunto anteriormente. A justificativa de Rezende é que o tráfego das redes fixas cai de 8% a 10% ao ano, o que significa que, em 13 anos, o valor dessa rede será ínfimo. Para ele, um debate sobre a alteração do marco legal do setor deverá ser iniciado já em 2013. Na sua visão, um passo importante nesse sentido foi a publicação no final de setembro da lista de bens reversíveis das concessionárias, obrigação vigente desde 1997, com a publicação da Lei Geral de Telecomunicações (LGT). “Mudar o modelo antes de 2025 envolve projeto de lei na Câmara e Senado. Evidentemente ainda não estamos preparados, mas a União deverá fazer o

FOTOS: divulgação

Futurecom 2012 reúne no Rio de Janeiro representantes do setor de telecomunicações e fornecedores. Destaque foram os anúncios dos primeiros contratos de 4G.

Paulo Bernardo fala no evento. Copa das Confederações será marco da operação de LTE no país

debate sobre essa questão e isso pode incluir o fim dos bens reversíveis”, disse Rezende. Funcionaria da seguinte forma: a União colocaria metas de atendimento e abrangência para o serviço de telefonia fixa da mesma forma como se faz atualmente com os leilões de radiofrequência. “Precisamos dar uma remodelada no serviço para atrair novos investimentos e exigir algumas metas”, afirma. “Acho que o modelo atual vai prejudicar o investimento em telefonia fixa”. João Rezende ainda demonstrou interesse no movimento de consolidação das operações sob um único CNPJ, a exemplo do realizado pela Sercomtel recentemente. A medida, que precisa ser autorizada pela Anatel, serve para reduzir tarifa de telefonia fixa e preço de demais serviços a partir de sinergias conquistadas com a consolidação de tudo sob o guarda-chuva de concessionária de telefonia fixa. A integração foi possível a partir da aprovação da Lei 12.485/2011, que criou o Serviço de Acesso Condicionado (SeAC) e alterou o artigo 86 da LGT. No caso da

Sercomtel, segundo ele, só os ganhos tributários representarão uma redução de 2% a 3% na assinatura básica. Além do alívio na tributação, os ganhos de eficiência serão repassados ao consumidor através do Fator X, mecanismo redutor da Anatel aplicado ao reajuste para compartilhar ganhos da operadora com o usuário. O presidente da agência negou que a integração possa dificultar a fiscalização. Ele lembrou que no caso da Sercomtel foi exigido que a empresa fizesse a separação contábil para que houvesse visibilidade da utilização de meios da operação fixa pela móvel. Além disso, a agência determinou que a empresa mantivesse os registros de despesas e receitas internas da concessão. Para as grandes concessionárias, as exigências seriam ainda mais pesadas, devendo incluir uma separação funcional. Rezende ainda comentou sobre o ponto da neutralidade de rede nas discussões do Marco Civil da Internet e uma eventual posição brasileira sobre o assunto antes da Conferência Mundial de

A alteração do marco legal antes de 2025 poderá significar o fim dos bens reversíveis.

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“Precisamos dar uma remodelada no serviço para atrair novos investimentos e exigir algumas metas”

Telecomunicações Internacionais que acontecerá em dezembro em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo ele, não deverá haver consenso durante o evento, organizado pela União Internacional de Telecomu­ nicações (UIT). “Há divergências entre os produtores de conteú­do e há muitas posições conflitantes”, diz. No entanto, ele afirma que a regulamentação da rede no Brasil tem de ser feita pela Anatel, em vez do ponto original do texto que estabelece a regulamentação da neutralidade por decreto presidencial, com “recomendações” do Comitê Gestor de Internet (CGI.br). “A agência tem competência técnica para fazer esse debate”, determina.

Pressão americana Este ponto é sensível também para o chairman da agência reguladora norte-americana, a Federal Communications Comission (FCC), Julius Genachowsky. Esta foi a principal razão de sua vinda à Futurecom, ainda que sua palestra tenha sido ouvida por pouco mais de uma centena de pessoas presentes à sessão. Ainda assim, ele foi especialmente enfático em relação à discussão em Dubai, declarando-se contra a regulamentação pelos governos. “Algumas propostas desafiam a Internet como a conhecemos com uma camada pesada de regulação. Isso ignora o sucesso das últimas duas décadas. O que se faz com isso é proteger mercados da competição via regulação, mas isso não é a resposta aos desafios da Internet”, afirma. Para ele, a interferência vai prejudicar a inovação, sobretudo nos países menos desenvolvidos, tirando o dinamismo característico da rede. Genachowski ganhou a simpatia das operadoras brasileiras ao dizer que “os governos devem exercitar a humildade de não prever a evolução da tecnologia.” Na visão dele, o melhor é tirar barreiras e apoiar modelos de gestão da Internet, “e não o controle por governos”. Colocar a Internet sob os olhos de reguladores governamentais vai “balcanizar” a rede, disse. O presidente da FCC acredita no modelo norte-americano de desregulamentação para fomentar internamente o desenvolvimento da banda larga, argumentando que inovação e infraestrutura são “fundamentais para desenvolver a economia e melhorar a qualidade de vida”. Genachowski lembrou que a “economia dos apps foi possível somente por

João Rezende, da Anatel conta da banda larga móvel”. Ele ressaltou que, nos Estados Unidos, mesmo em períodos de crise, os investimentos em redes wireless foram de US$ 60 bilhões, e que o mercado daquele país hoje representa 70% dos usuários de LTE no mundo. Julius Genachowski destacou, entretanto, o que chamou de “crise do espectro” por conta da pressão exercida à medida que as demandas superam as expectativas. “Grandes oportunidades vêm também com grandes desafios”, diz. A necessidade de investimentos privados em infraestrutura (a despeito dos investimentos públicos de US$ 4,5 bilhões em recursos para cobrir áreas rurais) forçou o governo dos EUA a promover algumas políticas de flexibilização da regulamentação. “É preciso pensar em termos de ecossistema, redes e aplicações. As políticas devem ser desenhadas para fomentar inovação em redes e aplicações. São essas aplicações que geram demanda, mais investimentos e mais inovação”, disse. “Precisamos remover amarras regulatórias desnecessárias”, ressaltou o chairman da FCC, citando como exemplo

a política de “fast track” para a liberação de infraestrutura. Ele também apontou os novos modelos de licenciamento de espectro que estão sendo introduzidos nos EUA, como os leilões incentivados e a liberação dos “white spaces” do espectro de TV para serviços não licenciados, como Wi-Fi. Para o regulador, disse Genachowski, resta o esforço de fomentar a competição entre redes. O chairman da FCC aproveitou ainda sua vinda ao Brasil para tocar em um ponto sensível para as empresas fornecedoras estrangeiras: a política industrial brasileira para equipamentos de TICs e telecomunicações. E a mensagem foi bastante crítica: “vemos em vários países movimentos de política industrial que podem reduzir a inovação e podem ter efeito de longo prazo ruim. Vivemos em um mundo interconectado no qual é preciso ter acesso ao estado da arte da tecnologia. Devemos zelar pelo livre fluxo de informação”, disse, falando genericamente, mas claramente se referindo às cotas estabelecidas na regulamentação brasileira para contratação de equipamentos de 4G e nos novos investimentos em infraestrutura. Implantando a rede Do ponto de vista empresarial, o grande fato da Futurecom foi a movimentação das operadoras para a implantação das redes 4G. Entretanto,

Minicom: leilão de 4G “acertou em cheio”

O

fato de ter sido realizada no Rio de Janeiro também fez com que a Futurecom focasse na preparação para os grandes eventos esportivos. A cidade, que será uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 e a sede das Olimpíadas de 2016, deverá receber grandes investimentos em infraestrutura, inclusive de telecomunicações, nos próximos anos. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, declarou no evento que se reuniria com representantes da Fifa para discutir os serviços prestados pela Telebras, que será responsável por oferecer a infraestrutura do evento. “Eles [a Fifa] colocam quase tudo como sendo infraestrutura”, disse o ministro. Os eventos também servem como uma espécie de deadline para a implantação do 4G no País, já que o serviço precisará estar funcionando comercialmente a partir de abril de 2013 para as cidades-sede da Copa das Confederações e, até o final do ano, para as cidades que servirão de sede e subsede da Copa do Mundo. Bernardo afirmou também que “acertou em cheio” na execução da licitação das faixas de 2,5 GHz e 450 MHz para o LTE no Brasil ao afirmar que o 3G continuará importante. “Havia polêmica grande, as pessoas diziam que o 3G não está implantado em todo o Brasil, mas acho que acertamos em cheio porque o 3G vai continuar a se expandir. Não queremos esperar a tecnologia amadurecer nos países que são criadores para depois a gente usar”, disse ele. Para o ministro, a tecnologia 4G terá uma rápida adoção pelos brasileiros e ajudará a desafogar a rede 3G.

out_2012 Teletime 13


.:evento ainda falta bastante trabalho para as prestadoras começarem a disponibilizar comercialmente os serviços. A Telefônica/Vivo aproveitou o evento para finalmente anunciar a seleção dos primeiros fornecedores da rede 4G da operadora, com processo de escolha já definido em algumas áreas, mas ainda em aberto em outras. A Ericsson será a fornecedora do core da rede 4G e da rede de acesso na área onde hoje já atende a Vivo, ou seja, nas regiões Norte, Centro-Oeste e nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Já a Huawei foi selecionada apenas para três cidades: Fortaleza, Recife e Rio de Janeiro, onde haverá jogos da Copa das Confederações e a Vivo tem obrigações mais urgentes de cobertura. Segundo Antonio Carlos Valente, presidente da tele, nas demais cidades a negociação prossegue e a Huawei ou outra fornecedora podem ser escolhidas. A Ericsson deve produzir localmente 100% dos equipamentos 4G, e será a responsável pela instalação de cerca de 2,7 mil sites. Segundo o CTO da Telefônica no Brasil, Javier Rodriguez, hoje ainda é muito limitada a oferta de handsets para a frequência usada no Brasil, de modo que muito provavelmente o lançamento inicial será em cima de modems USB e um ou outro smartphone, mas que a tendência é que esse quadro comece a mudar a partir do ano que vem. Atual­ men­ te no mercado brasileiro somente um modelo de modem da Huawei e o smartphone Motorola Razr HD estão prontos para operar na rede de 2,5 GHz. A Futurecom também foi palco para anúncio da rede 4G da Oi. Os fornecedores escolhidos foram a Nokia Siemens Networks, como fornecedora do core da rede, e a Ericsson e a Alcatel-Lucent para o restante da infraestrutura. Os primeiros lançamentos comerciais serão em São Paulo e nas seis cidades-sede da Copa das Confederações: Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. A operadora deverá instalar equipamentos em 2,3 mil sites já existentes até o final do próximo ano, reaproveitando as estações radiobase (ERBs) de 2G e 3G. Do

investimentos em infraestrutura de backbone da empresa, que inclui 90 mil km em fibra ótica (com 85% dos sites em IP) e um projeto para os próximos 11 anos que instalará a fibra com capacidade inicial de 500 Julius Genachowsky, da FCC Gbps saindo do Rio de Janeiro, passando por Fortaleza e, depois, número divulgado, pelo menos Estados Unidos. Os fornecedores escolhi300 ainda não estão adaptados para o LTE, confirmados durante a das para receber os aparelhos Futurecom, são a Huawei e a Ericsson, LTE. “Claro que vamos preciembora a operadora “não descarte” sar de mais instalações para outras empresas. fazer a cobertura, mas nesta primeira Além disso, a operadora do grupo fase não vislumbramos novas construmexicano América Móvil anunciou ções”, afirmou o diretor de operações da uma plataforma de streaming de vídeo Oi, James Meaney, garantindo que “até que será lançada no primeiro trimestre 2015 serão muito mais”. Segundo ele, de 2013. O serviço over-the-top (OTT) é uma alternativa para reduzir o custo de tido pela Claro como uma oferta de investimentos em rede será o comparticonteúdo para que os primeiros usuálhamento de infraestrutura. Hoje ao rios de 4G possam usufruir da velocidamenos 30% dos sites da tele são usados de da nova rede. Ainda assim, o em parceria com outras empresas. ClaroVideo, como é chamado o OTT, A Oi também já realiza testes com deverá funcionar também em redes 3G, o 4G em algumas das cidades que 3G+ (nome comercial do HSDPA+ na receberão o lançamento em abril de companhia) e Wi-Fi e em uma varieda2013, como Rio de Janeiro, Brasília, de de aparelhos que inclui smartphoSão Paulo e Belo Horizonte. Inicial­­ nes, tablets, smart TVs, computadores mente, a rede está sendo disponibilie consoles de videogames. zada para funcionários da empresa e Entre os quatro principais players do parceiros. A operadora espera que, mercado, apenas a TIM ainda não anunaté a data estabelecida para o evento, ciou seus fornecedores para 4G durante deva haver nove aparelhos capazes de a Futurecom. No entanto, há indícios de operar na frequência de 2,5 GHz no que a Ericsson deverá também fazer portfólio, incluindo smart­ phones da parte da rede da operadora, pois a tele Samsung e Motorola e modem Huawei. sinalizou que deverá manter os mesmos Outros seis deverão ser homologados fornecedores do 3G. Ainda disputam o pela Anatel em breve. resto do espaço Alcatel-Lucent, Huawei, A julgar por declarações do presidenNokia Siemens e ZTE. Esta última, com te da Claro, Carlos Zenteno, a Samsung grandes chances também de ser escolhideverá ter uma versão LTE do smartphoda, pois o diretor de marketing da TIM, ne Galaxy S3. O executivo afirmou duranFlávio Lang, indicou que “há planos” te o evento que o modelo preparado para com a companhia chinesa para seu 4G brasileiro está já em “fase final” de backbone de rede móvel, já que a ZTE homologação pela Anatel. “Estamos conestá atuando como fornecedora do proversando com outras marcas, como a jeto Live TIM, de ultra banda larga fixa Sony e a Nokia”, revela Zenteno. A tencom fibra (FTTC). dência, portanto, é que as operadoras Por enquanto, os planos da TIM são ofereçam um line-up inicial similar para de desafogar a rede 3G com a instalação o lançamento do 4G no País. de hotspots Wi-Fi pelo País, A Claro, por sinal, está tendo ultrapassado recentemense preparando para isso te a marca de 2 mil pontos nos com um alinhamento dos quais estão incluídos os principais aeroportos brasileiros e comunidades carentes, como a Rocinha, no Rio de Janeiro, e Paraisópolis, em São Paulo. A meta de instalar 10 mil hotspots originalmente prevista para o fim deste ano deve ser concluíJames Meaney, da Oi da no começo de 2013. 

“Uma camada pesada de regulação desafia a Internet como a conhecemos”

“Vamos precisar de mais instalações, mas nesta primeira fase não vislumbramos novas construções”

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.:Serviços móveis

Fernando Paiva

fernando.paiva@convergecom.com.br

O padre no casamento entre bancos e teles

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casamento entre bancos e ope­ radoras de telefonia mó­vel está próximo. A união será consumada quando os primeiros serviços de pagamento móvel que utilizam a tecnologia NFC (Near Field Communi­cations, tecnologia de comunicação por aproximação, sem contato) forem comercialmente lançados. Mas falta escolher o padre. Ou melhor, o TSM (Trusted Service Manager), nova figura na cadeia de valor que será responsável pela comunicação entre esses dois setores. Não faltam postulantes para o papel: fabricantes de SIMcard, bandeiras de cartão de crédito e até integradores de conteúdo móvel disputam a preferência de bancos e teles. O problema é que o modelo de negócios ainda não está claro; quem vai remunerar o trabalho do TSM e quanto isso vai custar. Para complicar, esse casamento pode ter mais de um padre, caso bancos e teles não consigam fechar um consenso em torno de um TSM único. Fala-se no uso do NFC para pagamento móvel há muitos anos, mas só agora, depois de vários testes-piloto pontuais e da chegada dos primeiros handsets, as condições necessárias para o seu pleno desenvolvimento surgem de forma consistente. Grandes fabricantes de celulares já têm em seus portfólios modelos compatíveis com essa tecnologia, a maioria de gama alta, ou seja, smartphones top de linha. É o caso da Nokia, com sua família de smartphones Lumia, da Samsung, com o Galaxy S3, e da Sony, com a linha Xperia NXT. Destoando dessa tendência está a Apple, cujo recém-lançado iPhone 5 não possui NFC, apesar das expectativas de que isso acontecesse. Para muitos, a adesão da empresa é uma questão de

editoria de arte/3Dstock/shutterstock.com

A figura do TSM (Trusted Service Manager) fará a ponte entre os dois setores para serviços de pagamentos móveis via NFC. O papel é disputado por fabricantes de SIMcards, integradores de conteúdo e bandeiras de cartão de crédito.

tempo. “O NFC está acontecendo no mundo inteiro. Não tem mais volta. Acho que a Apple entrará também, mais cedo ou mais tarde”, prevê Gustavo Ullman, diretor de tecnologia da G&D, fabricante de SIMcards. Ao mesmo tempo, as máquinas de POS (pontos de venda) que realizam a leitura dos cartões de crédito nos estabelecimentos comerciais começam a ser trocadas por modelos ca­pa­zes de se comunicar por NFC. A Cielo adquiriu cerca de 250 mil máquinas novas com essa

tecnologia este ano e já começou a distribuí-las em São Paulo. Elas podem ser identificadas por conterem um desenho com uma mão segurando um cartão envolto por ondas, simbolizando o ato da comunicação por aproximação, que em inglês é chamado de “tapping”. Re­­­ decard e Getnet também estão trabalhando para trocar seus parques de máquinas de captura de transações por modelos que aceitem NFC. Para que o consumidor se acostume com essa nova forma de pagamento, alguns bancos já começaram a embutir microantenas de radiofrequência em cartões de plástico para viabilizar a troca de informações sem contato. O Bradesco está fazendo testes com cinco mil correntistas em São Paulo. E há informações sobre movimentos nesse sentido por parte

“O que as teles esperam é cobrar do banco uma taxa pelo aluguel do espaço no SIMcard.” Carlos Roseiro, da TIM 16 Teletime out_2012


do Itaú e do Banco do Brasil também. Na prática, esses cartões são híbridos: eles funcionam tanto com tarja magnética quanto com chip (inserindo o cartão na leitora) ou através de aproximação, ou “tapping”. Os novos cartões têm o mesmo custo dos anteriores. Ou seja: os bancos não estão gastando a mais para viabilizar a novidade. Estima-se que dentro de três anos a maioria dos cartões de plástico existentes no Brasil já terá sido substituída por versões capazes de realizar transações sem contato. O uso desses novos cartões de plástico ajuda a mudar os hábitos dos consumidores, mas não requer a participação das operadoras celulares. Estas só entram no negócio quando o cartão é substituído pelo telefone móvel. Para isso, um passo fundamental foi dado ao fim do ano passado, quando a GSM Association (GSMA) decidiu que o elemento seguro para transações via NFC deve ficar no SIMcard. O elemento seguro é um componente de segurança que dialoga com o leitor de NFC para efetivar uma transação. Um dos obstáculos dos últimos anos residia em definir onde ele ficaria instalado: no SIMcard, no hardware do telefone ou em um cartão micro-SD, fornecido por terceiros, como instituições financeiras. “Não dá para haver mais de um elemento seguro em um mesmo device, porque isso confundiria a máquina leitora”, explica o gerente de arquitetura e soluções do CPqD, José Domingos Favoretto. Venceu a opção pelo SIMcard, o que foi uma vitória para as operadoras móveis. Afinal, são elas que controlam esse chip, sendo as responsáveis por instalar ou desinstalar qualquer aplicação nele contida. E é justamente no SIMcard que serão gravados os dados dos cartões de crédito e de débito do consumidor para transações via NFC. Carlos Roseiro, diretor de serviços financeiros da TIM, explica o que as teles desejam: “As operadoras não vão querer uma participação em cima de cada transação. O que esperam é cobrar uma taxa do banco pelo aluguel do espaço no SIMcard.” A justificativa da cobrança está nos gastos que as teles terão. Primeiramente, precisarão comprar novos SIMcards, que possuam o elemento seguro com espaço para que sejam gravadas as aplicações das instituições financeiras. Esse chip custa mais caro que os atuais, pois

potencializar a substituição do dinheiro em compras de pequeno valor, como por exemplo em vending machines. “O NFC aumenta a pe­ne­ tração de car­ tões em compras de tíquetes mais bai­xos, para pagar o cafezinho ou usar em uma vending machine”, destaca Mar­­celo Sarralha, diretor de produtos da Visa no Brasil.

“Na teoria podem existir quantos TSMs houver, todos interconectados” Marcelo Sarralha, da Visa precisa ter 256 kB de memória, enquanto a maioria usada hoje em dia tem 128 kB. Isso sem falar em todo o processo de homologação interna do SIMcard. Além disso, as teles precisarão de uma plataforma de TSM para fazer a instalação remota (OTA, overthe-air) das aplicações de cada banco no SIMcard. Os bancos, por sua vez, não estão dispostos a ter um gasto adicional se ele não significar resultados econômicos. Um dos argumentos usados pelas teles para tentar convencê-los a pagar essa

TSM Uma transação financeira feita via NFC com um celular requer uma verificação bidirecional de chaves de segurança. Uma está em poder da operadora móvel e gravada no SIMcard, o que permite transações offline, ou seja: o aparelho não precisa necessariamente estar conectado à Internet para confirmar a identidade daquele assinante. A

o pagamento por aproximação tende a potencializar a substituição do dinheiro em compras de pequeno valor conta está na possibilidade, a longo prazo, de aposentadoria do cartão de plástico e, consequentemente, de todos os seus custos de fabricação, distribuição e logística. Esse cenário, contudo, ainda é muito distante, principalmente quando considerados os altos preços dos atuais celulares com NFC. Uma outra vantagem, neste caso para bancos e para redes de adquirência, é que o pagamento por aproximação tende a

outra chave pertence ao banco: os dados do cartão gravados em uma aplicação no SIMcard são checados através da rede de adquirência junto ao banco emissor, validando a transação. A personalização que hoje é feita nos cartões de plástico, gravando os dados pessoais de cada portador, passaria a ser feita remotamente, no SIMcard, através de um TSM. Os grandes fabricantes mundiais de SIMcard, como

Quando o padre é dispensado

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xistem soluções para pagamento móvel via NFC que dispensam o uso do SIMcard e, consequentemente, do Trusted Service Manager (TSM). É o caso de serviços em que a segurança é toda gerenciada na nuvem, como o Google Wallet, nos EUA, e o PagSeguro, em fase de testes em São Paulo. O serviço usa um aplicativo instalado no celular do consumidor e outro no celular do lojista, que faz as vezes de máquina de POS. “Todas as informações estão no meu servidor, o mesmo que uso para e-commerce”, explica Igor Taquehara, gerente de produtos da PagSeguro. Na prática, funciona exatamente como uma compra feita com cartão pela Internet usando o PagSeguro, com a única diferença que a comunicação, na ponta, acontece por um telefone com NFC, não pelo computador do internauta. A vantagem desse modelo é simplificar a cadeia de valor, dispensando as operadoras móveis e os TSMs. A desvantagem é que não se trata de uma solução padronizada e abrangente. Ela só funciona em estabelecimentos comerciais parceiros, que sejam cadastrados no serviço e tenham o aplicativo da PagSeguro instalado em um smartphone. Além disso, demanda cobertura de rede para operar a transação. O teste do PagSeguro usa celulares da Nokia com sistemas operacionais Symbian e MeeGo. Versões para Android e Windows Phone estão em desenvolvimento.

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.:Serviços móveis “Não dá para haver mais de um elemento seguro em um mesmo device.” José Favoretto, do CPqD players como a TIMwe, o segredo está justamente em criar soluções que agreguem valor ao uso do NFC, já que a margem de lucro do TSM para pagamentos móveis será baixa. Outro candidato a TSM é o CPqD. O assunto, contudo, ainda será analisado pela diretoria da instituição. A ideia não seria criar uma plataforma de TSM totalmente nova, mas firmar parceria com algum fornecedor estrangeiro e adaptar sua solução para o mercado brasileiro. “Acho que seria o caminho mais propício”, reconhece Favoretto, do CPqD.

Com senha ou sem senha?

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Oleg Zhevelev/shutterstock.com

Gemalto e G&D, são também fornecedores de cartões de plástico para a indústria financeira. Por atuarem dos dois lados, são vistos por muitas fontes como uma figura neutra perfeita para desempenharem o papel de TSM único, atendendo tanto às teles quanto aos bancos. “Os fabricantes de SIMcard têm o know-how e a legitimidade para isso, pois possuem as chaves de segurança dos bancos e das teles”, opina Massayuki Fujimoto, presidente da Paggo. As teles parecem inclinadas a seguir esse caminho. A Telecom Italia escolheu a Gemalto como TSM para sua operação na Itália, enquanto a Telefónica selecionou a G&D para a Espanha. Todavia, suas subsidiárias no Brasil, respectivamente TIM e Vivo, ainda não bateram o martelo. E os bancos não necessariamente vão querer ter o mesmo TSM das teles. Um cenário bastante provável seria o de haver um TSM para as operadoras e outro para os bancos. Este último controlaria as chaves de segurança das instituições financeiras e realizaria a personalização dos cartões dentro dos celulares, encaminhando os dados para o seu par nas teles. A Visa, que já está conectada a todos os bancos, se propõe a executar essa função. “Na teoria podem existir quantos TSMs houver, todos interconectados. Porém, isso pode ser ineficiente. O padrão será a tele ter seu TSM e os bancos o deles”, analisa Sarralha, da Visa. “O nosso já nasce conectado a todos os bancos de uma vez só”, destaca. Além de fabricantes de SIMcard e de bandeiras de cartão de crédito, empresas do mundo do conteúdo móvel também enxergam uma oportunidade de serem um TSM. É o caso da TIMwe, famosa por sua atuação como integradora de SMS. A empresa tem uma plataforma pronta de TSM, batizada como NFC Laun­cher, orientada pa­­ra as operadoras mó­veis. A tele portuguesa TMN é sua primeira cliente. Sobre essa plataforma básica, a TIMwe oferece módulos complementares para serviços variados que utilizem NFC, como aplicações relacionadas a programas de fidelidade das teles. Para

utra questão ainda não resolvida em relação a pagamentos via NFC diz respeito à segurança das transações: a senha deve ou não ser exigida? Nos EUA e na Europa foram feitas experiências em que a senha é dispensada para compras até determinado valor. O limite costuma ser na faixa de US$ 50. Especialistas não têm certeza se funcionaria bem no Brasil, país com um cenário muito distinto quando o assunto é segurança pública e fraudes. O problema é que ao se exigir a senha para pagamentos via NFC perde-se boa parte do encanto dessa tecnologia, que reside justamente na simplicidade e rapidez de uso. Uma saída é trabalhar o NFC dentro de um modelo de carteira eletrônica prépaga, em vez de dar acesso ao cartão de crédito ou à conta corrente do consumidor. Este carregaria a carteira com depósitos eletrônicos até um certo limite préestabelecido. E assim poderia realizar pagamentos por aproximação, ou “tapping”, sem precisar digitar a senha.

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Pagando a conta Em um cenário com um ou muitos TSMs, a dúvida persiste: quem vai pagar por eles? “Essa é a grande briga que ainda não foi travada. A ideia é repartir os custos entre bancos e teles”, propõe Maurício Romão, diretor de produtos e serviços verticais da Vivo. O executivo acredita que as teles conseguiriam reaver o investimento em TSM oferecendo ações de marketing e outros serviços associados ao ato da compra. “Nós teremos o canal com o cliente. Poderemos oferecer parcelamentos, descontos. Nossa vantagem é pegar o cliente no laço, na hora do pagamento. Podemos cruzar com informações do nosso CRM. Será um novo canal de mídia”, prevê. Outra possível fonte de receita para as teles com o TSM é vender espaço no SIMcard para aplicações de transporte público ou de ingressos de evento que usem o NFC para liberação de catracas. Calcula-se que cada transação custaria entre R$ 0,10 e R$ 0,20, o que talvez não valha a pena para transportes como ônibus e metrô, em que cada centavo faz diferença. No caso de ingressos de shows, o custo poderia ser facilmente embutido nas taxas de conveniência que o consumidor já se acostumou a pagar quando compra pela Internet. “O problema é a padronização da catraca”, comenta Massayuki, da Paggo. Ele acredita que esse tipo de solução deve pegar carona com o ganho de escala gerado pelos serviços de pagamento móvel. Enquanto não se chega a um consenso sobre quem serão os TSMs e seu modelo de remuneração, prosseguem os testes-piloto no País. A Vivo, por exemplo, prepara para o fim deste ano um novo teste de pagamento por NFC em São Paulo em parceria com um grande banco, uma bandeira internacional de cartão de crédito e uma rede de adquirência. A expectativa dos especialistas é de que os primeiros serviços comerciais com NFC no celular surjam ao longo de 2013 e que ganhem escala de verdade em 2014 no Brasil. “Bancos e teles já entenderam que ou fazem juntos ou não fazem. É só uma questão de tempo”, avalia Romão, da Vivo. O namoro virou noivado. Falta só marcar a data do casamento e escolher o  padre. Ou os padres.


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Venda de seguros ganha espaço no portfólio das operadoras e promete ajudar na evolução das receitas das teles.

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A

forte expansão do mercado de telefonia móvel, hoje com 258 milhões de assinantes, tem chamado a atenção de companhias de seguros, que buscam parcerias com operadoras de telecomunicações para replicar uma experiência bem-sucedida no varejo: a venda de seguros massificados. Diante desta oportunidade de negócios, operadoras como a Vivo começam a explorar a venda destes produtos em suas lojas próprias como forma de ampliar as receitas. “É um ativo grande, entre lojas próprias e revendas da marca, e isso faz a empresa chegar ao cliente desassistido destes serviços”, comenta o diretor de produtos e serviços financeiros da Vivo, Maurício Romão. A venda destes produtos na Vivo deslanchou há três anos, após a operadora estruturar uma área para cuidar exclusivamente de produtos financeiros, incluindo seguros. Hoje, em parceria com a seguradora Zurich, a tele chegou a mais de um milhão de apólices vendidas nas mais de dez diferentes modalidades de proteção que oferece. “Muitas vezes o cliente não tem referência destes produtos, e uma operadora pode chegar a locais em que boa parte das pessoas tem falta de acesso a bancos”, comenta Romão. Ele destaca ainda a forte penetração da Vivo na modalidade pré-paga, popular entre as classes C e D, onde seguro também é algo raro. “São pessoas que, em sua maioria, acham que o seguro não é para elas. E a gente diz que sim”. No final de 2011, a TIM também resolveu aderir à venda de seguros massificados. Seu portfólio, no entanto, ainda é um pouco mais modesto e, por ora, conta apenas com seguro contra roubo e furto de dispositivos móveis, e garantia de conta paga por três meses em caso de desemprego. De acordo com o diretor da área de serviços financeiros

móveis da TIM, Carlos Roseiro, a venda deste produto começou com smartphones e tablets devido ao valor dos produtos, mas, ao perceber que a estratégia teria potencial, a operadora passou a incluir modems de acesso à Internet 3G entre os produtos cobertos pela garantia. “Identificamos que havia uma demanda aquecida por seguros e agora estamos trabalhando para ampliar a venda para redes de distribuição, franquias e revendas indiretas”, pontua. O modelo adotado pela TIM, segundo Roseiro, é seme-

lhante ao praticado pelo varejo de eletroeletrônicos na hora de propor uma garantia extra, ou garantia estendida, ao produto que acaba de vender. E, pelo visto, a estratégia tem dado certo: mais de 50% dos aparelhos vendidos nas lojas de São Paulo e Rio de Janeiro já saem segurados. “A operadora está ganhando fidelidade do cliente com isto. A venda de seguros pela TIM ainda está num estágio inicial e, por enquanto, a empresa vê um nível de conversão interessante”. No total, a empresa tem 111 lojas próprias espalhadas pelo País e ainda conta com a distribuição de seus chips em revendas autorizadas. É nessa rede que a oferta de seguros será mais intensa. Tanto as investidas da Vivo quanto da TIM fazem parte de um negócio que tem tudo para se tornar mais frequente, e conta com o forte interesse das seguradoras. Afinal, algumas gigantes deste mercado se mostram bastante interessadas na possibilidade de levar diversas modalidades de seguros através de um serviço que atinge praticamente a totalidade da população brasileira. Exemplo disto é que, atualmente, pelo menos quatro grandes agentes do mercado de seguros já têm modelos de negócios bem definidos para trabalhar em parceria com as teles: Assurant, Zurich e Mapfre; além do banco Bradesco, que tem parceria com a Oi para a cobrança em conta de alguns produtos de proteção, como acidente pessoal, seguro de vida e residencial. De olho no valioso ativo representado pelos consumidores de serviços de telecom, as seguradoras têm desenvolvido produtos específicos, explica Pascoal Carrazzone, superintendente de mobile service da Assurant Brasil. “Temos apos-

“A venda destes produtos está muito ligada ao preço baixo. Essa é a maneira mais barata de atingir o cliente final.” Diego Azevedo, da Zurich 22 Teletime out_2012


tado em produtos que tenham as características próprias do setor, como proteção contra roubo e furto de aparelhos ou garantia de pagamento da conta, caso o cliente fique desempregado”. Carrazzone comenta também que entre os cuidados tomados pelo mercado de seguros para se aproximar das teles está a formatação de um modelo de negócios que garanta à operadora uma receita extra com a venda do produto e a manutenção do uso dos serviços, principal fonte de receitas. “Para as empresas de telecom é muito importante manter a ARPU (receita média por usuário) e o nosso produto garante a continuidade da prestação dos serviços”. Ele explica que é justamente esse o método aplicado pela seguradora em sua parceria com a TIM. Já Diego Azevedo, diretor de seguros massificados da Zurich, lembra que estes produtos têm ganhado relevância nos últimos anos, principalmente por conta da chegada ao mercado dos celulares mais avançados. “A tendência destes produtos é atingir cada vez mais o interesse dos clientes que têm smartphones”. Ele destaca que a aliança com operadoras ajuda na distribuição de massificados porque o mercado de telecomunicações tem escala. “A venda destes produtos está muito ligada ao preço baixo. Essa é a maneira mais barata de atingir o cliente final. O corretor de seguros nem sempre se interessa em vender um produto de R$ 6, por conta do baixo valor. A forma de distribuir isso é através dessas parcerias (com o varejo e com as teles)”.

“Para as empresas de telecom é muito importante manter a ARPU.” Pascoal Carrazzone, da Assurant

Novos produtos Mas a atuação das teles no mercado de seguros massificados pode ir além da venda de seguros para aparelhos ou para a conta telefônica. Com mais experiência na venda destes produtos, a Vivo já comercializa através de seus canais também seguros de vida, residencial, diária hospitalar e proteção pessoal contra acidentes, entre outros. Para Maurício Romão, diretor responsável pela área, a operadora pode ser um canal próximo ao cliente para vender e tem como apelo a cobrança simplificada da fatura, incluída na

parceira na venda de seguros. “É algo normal, de mercado, tivemos oportunidades interessantes e optamos por uma nova parceria”. Frente ao bom desempenho alcançado com estes produtos nos últimos anos, Romão projeta lançar, em breve, uma garantia contra danos causados por acidentes. O novo seguro se juntaria à recémlançada proteção para a conta telefônica, colocada no mercado pela Vivo no início de outubro. Na TIM, a comercialização de seguros ainda está direcionada apenas aos produtos relacionados à sua atividade como operadora. Mas nada impede que o negócio amadureça e a empresa busque outras oportunidades. De acordo com Carlos Roseiro, o projeto atual para os produtos de proteção a aparelhos é internacionalizar a cobertura contra roubo e furto, e de preferência sem acréscimo no preço. “Percebemos que muitos clientes [donos de smartphones e tablets] usam seus aparelhos em viagens ao exterior e isso pode tornar o produto mais atraente”. Ele acrescenta que o serviço, ainda em fase de desenvolvimento, deve receber o nome de “Seguro sem fronteiras”. Nas seguradoras, a ideia também é aumentar o portfólio e oferecer serviços sob demanda ao cliente de telecomunicações. Diego Azevedo, da Zurich, diz que a seguradora planeja ir além do aparelho e segurar também a

a atuação das teles no mercado de seguros massificados pode ir além da venda de seguros para aparelhos ou para a conta telefônica. conta telefônica. “Para o cliente da operadora, é algo mais fácil hoje em dia”. E foi justamente por enxergar desta maneira que a Vivo trocou, no início deste ano, a Mapfre pela Zurich como

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.:Serviços informação guardada nos dispositivos móveis. “Hoje o celular é imprescindível a quase todo mundo. Você acorda e é a primeira coisa que pega. Antes de dormir é a última coisa que faz”. Mercado restrito Embora promissora, a venda de seguros massificados em parceria com operadoras de telefonia móvel parece um negócio para poucos. Afinal, o mercado brasileiro ainda é restrito: há

Como funciona Seguradora responde pelo produto junto à SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), órgão responsável por regular o mercado de seguros.

Na prática, é ela quem vende o seguro ao cliente final, e se responsabiliza pela entrega do serviço: pagamento das contas ou entrega de um novo aparelho, por exemplo.

Sashkin/shutterstock.com

Os vendedores da operadora atuam como ‘corretores’, oferecendo o seguro aos clientes da tele na hora da venda de um novo aparelho ou plano.

A operadora atua como intermediária entre o segurador e o segurado e fica responsável pela cobrança em conta ou débito dos créditos.

quatro grandes operadoras em atividade no País, além da operadora Nextel. Destas, três já possuem parceiros fechados: a TIM com a Assurant; a Vivo com a Zurich, para a seguros ligados aos aparelhos, e outra empresa não revelada, que fica responsável pelos demais produtos de proteção oferecidos pela operadora; e a Oi, que tem contrato com o Bradesco para incluir a cobrança de seguros em suas faturas, caso o cliente deseje. Claro e Nextel ainda não têm parcerias desse tipo. Um primeiro passo é ter estruturada uma área específica para cuidar de produtos financeiros. “Ambos os parceiros precisam falar a mesma língua, com sistemas que se comuniquem para que a cobrança possa ser feita direto na conta do cliente ou com débito nos créditos (para usuários da telefonia pré-paga)”, explica Nelson Vieira, presi­ dente da comissão de riscos patrimoniais da Federação Nacional de Se­­­ guros Gerais (Fenseg). Vieira se mostra animado ao comentar o novo mercado que se abre para as seguradoras. Para ele, a estratégia tem tudo para ganhar uma fatia expressiva dentro do segmento de seguros massificados — que por sua vez hoje representa 10% do mercado de seguros. “É um ramo novo que apareceu com a ascensão da classe média. Agora, se bem trabalhado, pode alavancar o mercado como um todo”, finaliza. E, caso, o mercado ofereça novas oportunidades de parceria, Pascoal Carrazzone, da Assurant, já se candidata a levar seguros às operadoras que ainda não têm. “Temos muito interesse em fechar negócio com algumas dessas empresas”, diz ao ressaltar que a intenção é fazer o segmento mobile alavancar a área de massificados, hoje responsável por 15% das receitas da seguradora, com a geração de prêmios por este nicho. O objetivo, segundo ele, é que este percentual suba para 35% até 2015.

Pré ou pós? Responsáveis por 81% das linhas móveis ativas no Brasil, os usuários de celulares pré-pagos são o grande alvo das próximas investidas das operadoras e seguradoras que atuam com proteção para o aparelho. Isso ocorre porque, atual­mente, os assinantes do segmento pós-pago, “clientes com valor de consumo maior”, são os quem mais tem adquirido os produtos. Entretanto, eles representam apenas 19% dos acessos à telefonia móvel. Pascoal Carrazzone, superintendente de mobile service da Assurant, explica que os usuários das linhas pré-pagas têm maior presença na aquisição de garantias estendidas, uma vez que o perfil deles é de adquirir seus dispositivos em redes de varejo. Seguro contra roubo e furto ainda é algo com pouco apelo nestas lojas, porque os

usuários pré-pagos são o grande alvo das próximas investidas das operadoras e seguradoras que atuam com proteção para o aparelho. clientes ficam mais tempo com o aparelho”. Ele destaca que o relacionamento do cliente pós-pago com as operadoras é mais próximo e, por levar um device mais caro, ele acaba vendo interesse maior no seguro. “Quem adquire numa loja de operadora está mais suscetível a contratar o produto”. Ele aposta que este panorama deve mudar significativamente com a popularização dos smartphones e tablets. E, para tornar a oferta mais atraente aos assinantes pré, a tendência é que as companhias de seguros e operadoras têm criem mecanismos para reduzir as dificuldades de cobrança dos produtos, oferecendo a possibilidade de débito nos créditos ou cobrança na fatura do cartão de crédito. 

Letras miúdas

A

ntes de fechar um contrato de seguro, seja para smartphone, tablet ou modem, é preciso ficar atento às condições de cobertura. Ocorre que, na maioria das vezes, a seguradora especifica que a proteção em caso de furto é válida apenas quando o sinistro se enquadra na modalidade de furto qualificado. Em outras palavras, só está coberto pela garantia o cliente que teve seu aparelho furtado e o ladrão teve de romper obstáculos para levar o objeto. Por exemplo, um dispositivo móvel que estava guardado em armário trancado com cadeado que foi arrombado para permitir o furto. Ou seja, perdas e furtos simples não são cobertos.

24 Teletime out_2012


.:Tecnologia

Mais que telecom

S

erviços de telecomunicações e tecnologia da informação (TI) estão convergindo cada vez mais, apontando um horizonte de oportunidades para o mercado. Prova disso foi a inauguração quase simultânea de dois grandes datacenters de empresas de telecom em setembro: um da Telefônica/Vivo, em Santana do Parnaíba (SP), e outro da Embratel, em São Paulo. Embora com objetivos iniciais e modelos de negócios diferentes, ambos procuram oferecer infraestrutura de processamento de dados e de comunicação para atender à explosiva demanda que, se já não ocorre, está muito próxima de acontecer. A necessidade destas novas infraestruturas se dá por dois motivos: o grande volume de dados das próprias operadoras, que precisam expandir sua capacidade para suportar os processos internos; e a venda de serviços de TI para terceiros, incluindo a estrutura de comunicação que permite um gerenciamento de ponta a ponta e oferta de cloud computing. E isso tudo ainda deverá crescer exponencialmente. Segundo o instituto Gartner, o mercado de servidores, pontos de controle de infraestrutura de hardware em datacenters onde estão cargas de trabalho e aplicações, representava US$ 52,8 bilhões em 2011. Mesmo maduro, oferecerá “oportunidades consideráveis”, embora também considere fornecedores de datacenter em hiperescala, ou seja, de empresas com enormes demandas de serviços na nuvem como Google e Amazon. O diferencial das operadoras de telecomunicações nesse mercado, de acordo com as próprias teles, é poder prover serviços com menor latência, maior visibilidade e com benefícios adicionais, já que só elas conseguem integrar

gualtiero boffi/shutterstock.com

Com a explosão de demanda de processamento de dados e serviços de TI, teles investem pesado em novos datacenters, esperando oferecer como diferencial a própria infraestrutura.

plenamente as redes aos serviços de TI. A estratégia da Embratel é exatamente essa. A empresa inaugurou no final de setembro seu quinto datacenter na região da Lapa, em São Paulo, com objetivo exclusivo de fornecer serviços para clientes corporativos. Três dos outros centros (dois em São Paulo e um no Rio de Janeiro) são para atender à própria empresa, enquanto outro em Campinas é compartilhado com a Claro. O novo site é um Tier 3, um padrão para datacenters que requer múltiplos caminhos de distribuição de equipamento de TI, além de redundância energética e capacidade de disponibilidade para 99,982% do tempo. “A convergência cada vez mais acelerada de TI e telecomunicações aproximou a decisão do CIO que administra ambas as áreas nas empresas e, para atender a deman-

O diferencial das operadoras é poder prover serviços com menor latência, maior visibilidade e com benefícios adicionais.

out_2012 Teletime 25

da, fizemos o site da Lapa como parte do projeto da América Móvil”, afirma o vice-presidente da Embratel Empresas, Ney Acyr Rodrigues. O grupo mexicano conta com datacenters semelhantes na Argentina, Colômbia e México. Rodrigues afirma que um dos focos está nos clientes de pequenas e médias empresas (PME) para serviços de cloud, com espaço, servidores e aplicativos nesse ambiente. “Nos segmentos de indústria de serviços e finanças, identificamos demanda por sites confiáveis e ofertas convergentes de telecom e TI”, diz. Com um investimento de R$ 100 milhões, a aposta da Embratel é grande. “No próprio lançamento da unidade tivemos grandes clientes demonstrando interesse pelas características do projeto”, assegura o executivo, argumentando que a localização do centro na Grande São Paulo faz a diferença para os clientes. Outro foco do negócio da Embratel é nas companhias de contact center.


.:Tecnologia “Temos uma subsidiária que tem experiência de 13 anos na gestão de URAs (unidades de resposta audível), PABX e discador automático, então queremos oferecer serviços de gestão de infraestrutura para essas empresas”, afirma Ney Rodrigues, referindo-se à BrasilCenter.

Ney Acyr Rodrigues, da Embratel Empresas

Satélite O site da Lapa da Em­ bratel está literalmente acima do backbone nacional da tele, excluindo assim a última milha e deixando a latência na comunicação para “abaixo de 10 milissegundos”, algo útil para situações críticas como transações financeiras, backup de bancos e recuperação de desastres. Três fibras óticas totalmente independentes servem o site, que conta com a tecnologia de rede fotônica, que não precisa converter o sinal elétrico para ótico e, depois, de volta para o elétrico. “Ele comuta em ótico, então é muito mais rápido”, explica o executivo. A América Móvil está terminando a implantação de um cabo ótico contornando toda a América do Sul para melhorar a conectividade, complementando os três cabos óticos submarinos (um que atravessa a Europa e dois que vão a Miami, nos Estados Unidos). Além dessas três fibras com tecnologia fotônica, a Embratel deverá enriquecer a rede para datacenters com o lançamento do Star One C3, satélite em órbita geoestacionária na longitude 75°W, que cobrirá o Brasil e a América Latina, atuando nas bandas C e Ku. O artefato da Star One, uma subsidiária da própria Embratel, substituirá o Brasilsat B3 e deverá ser lançado pelo foguete francês Ariane 5 em novembro na América Central. Outro ponto da infraestrutura oferecida é assegurar o funcionamento por 60 horas com geradores movidos a diesel em caso de queda no fornecimento de eletricidade, além de contar com eficiência na refrigeração adaptável à densidade de equipamentos para dissipar calor de maneira inteligente. Benefício próprio Por sua vez, a estratégia da Telefônica/Vivo, que também investiu em um mega-datacenter, é diferente até o momento.

taque para o uptime (tempo de funcionamento) de 72 horas de autonomia com geradores de energia. Além disso, conta com três circuitos DWDM (multiplexador que utiliza várias larguras de onda em uma única fibra) de alta velocidade que interligam os sites em uma rede WAN. No próprio prédio há um sistema de controle chamado de datahaul, onde são gerenciadas as redundâncias e há a monitoração de toda a TI do Grupo Telefônica no País. Apesar da finalidade interna, o diretor de infraestrutura e operação de sistemas da Telefônica/Vivo, Paulo Tonding, diz que há a possibilidade de terceirizar o site. “Estamos avaliando a possibilidade de usar o datacenter para vender serviços”, reconhece. Ele diz que, apesar de ser preciso “algum investimento” para adaptar características para atender outras empresas, a companhia teria condições de se adequar em um curto prazo. “Estamos identificando oportunidade de negócios. Mas, se quisesse colocar máquinas de clientes lá dentro, poderia pôr.” Na verdade, a Tele­ fônica já oferece serviços na nuvem para os clientes. Por isso, o executivo crê que é apenas uma questão de tempo até que utilizem o novo datacenter de Santana do Parnaíba para este tipo de serviços. Para ele, a telecomunicação compõe a oferta de cloud e não adianta comprar um serviço sem o outro. “As teles trazem esse diferencial em relação a uma IBM, por exemplo, porque você tem que chegar até lá e, no nosso caso, já fechamos um pacote completo”, argumenta. Tonding explica que os investimentos das teles em datacenters não são coincidência. “São projetos de dois ou três anos, então eles devem ter começado próximos e as operadoras estão com os sites se esgotando em termos de espaço e energia”, diz. Ele explica que as unidades antigas da Tele­ fônica/Vivo não possuíam a eficiência energética, de processamento e espaço como as novas plantas.

“A convergência cada vez mais acelerada de TI e telecom aproximou a decisão do CIO que administra ambas as áreas.”

Ela também inaugurou em setembro um novo site, com investimento de R$ 400 milhões, mas o primeiro propósito da unidade de Santana do Parnaíba é de servir à própria empresa, já que o datacenter da Berrini, zona sul da capital paulista, estava ficando esgotado. Por isso, desde abril deste ano, começou a transferência de sistemas e de dados dos outros quatro sites. A migração somente deve ser concluída no primeiro semestre de 2014, porém ainda serão mantidos dois espaços para aplicações de menor valor agregado. Com isso, todos os dados críticos da companhia e informações como cadastros, contratos, origem, destino e duração de chamadas de seus mais de 90 milhões de clientes ficarão armazenados no novo datacenter, onde trabalham atualmente cerca de 250 pessoas. O edifício tem capacidade para 1.760 racks de equipamentos para processamento e armazenagem de dados, além de poder alocar até 80 mil servidores. Atualmente, 5 mil estão suportando a operação. A companhia conta com um site também em Tamboré, na região metropolitana de São Paulo, mas que já tem dez anos e atende a uma empresa do grupo para oferecer serviços de TI como hosting e cloud. O novo datacenter da Telefônica também possui certificados Tier 3, com des-

A Embratel deverá enriquecer a rede para datacenters com o lançamento do satélite Star One C3, em novembro.

“Todas as operadoras do mundo querem oferecer serviços de cloud.”

Jean-Claude Decroix, do Gartner 26 Teletime out_2012


Valores agregados Embora não tenha inaugurado nenhum da­ta­center recentemente, a Oi se apresenta bem servida na área. Ao todo, são 13 sites no Brasil, legados da Brasil Tele­ com e da Telemar, que operam não apenas para as demandas internas da operadora, mas também para serviços a clientes. “Nosso negócio, enquanto operador, é ir cada vez mais ao usuário pessoa física ou ao mundo corporativo, fornecendo serviço até o desktop, tablet e smartphone; levando a informação até o datacenter”, explica o diretor de marketing corporativo da Oi, Ronaldo Motta, citando recursos de TI como virtualização e cloud. A companhia utiliza oito datacenters para clientes empresariais, embora reconheça que o maior cliente continue sendo a própria tele. Assim como as concorrentes, a Oi tem como diferencial, diz Motta, a capacidade própria da rede de fibra, permitindo escalabilidade e gerenciamento do serviço fim-a-fim. Além disso, a empresa afirma ter maior capilaridade. “Quando se pensa em um ambiente cloud, só faz sentido ter quando há mais de um datacenter porque, se houver um problema, outro assume”, diz. “Temos uma oferta completa e já temos clientes usando. Eles [a concorrência] ainda não têm”, provoca. Mesmo assim, o executivo reconhece que há pouca distância entre os lançamentos das empresas. “Quan­ do muito, são seis ou sete meses de pioneirismo até o outro vir e fazer algo similar”, explica. O diferencial então dependerá da capacidade de relacionamento com clientes e na oferta de valor adicionado, segundo o diretor de marketing corporativo.

“A procura por serviços de datacenter vai explodir e a demanda de disco e processamento vai decolar muito. Precisamos estar preparados.” Ronaldo Motta, da Oi Um dessas ofertas na Oi é a de segurança nas redes, com firewalls de empresas como RiverBed, SonicWall e Cisco, além de cleanpipes para evitar ataques de negação de serviço (DDoS, na sigla em inglês), que utilizam redes de computadores infectados para requisitar milhares de visitas a páginas na Internet de uma vez só, forçando sua instabilidade ou queda. A empresa busca certificação ISO 27.000 em segurança na unidade em Brasília, no Setor de Indús­trias Gráficas (SIG), e a ISO 20.000 em São Paulo. Também há gerenciamento de dispositivos, virtualização de PCs e fornecimento de rede LAN e WAN. “Se houver instabilidade, é porque houve algum problema em sua rede local e o switch deu um shutdown na interface ou teve um rompimento de fibra aérea por conta de um acidente rodoviário”, explica. A Oi está planejando suportar a explosão da demanda ao ampliar seu principal datacenter, em Bra­ sília. “A gente espera ampliar nossa área de produção em mais de 3.500 m² com Tier 3”, diz Ronaldo Motta. A operadora não descarta a construção de um novo site, que seguiria os moldes do novo datacenter da Portugal Telecom em Lisboa, programado para entrar em operação em 2013. “Se for partir para um site totalmente novo, seria como esse [português], porque, com essa coisa de cloud, big data e dispositivos máquina-a-máquina (M2M), a

Cedo ou tarde, as companhias vão precisar permitir a evolução da mobilidade e da oferta de conteúdos para o processamento em cloud.

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procura por serviços de datacenter vai explodir e a demanda de disco e processamento vai decolar muito. Precisamos estar preparados para atender a isso com serviços de alta disponibilidade.” Oportunidades O analista do Gartner Jean-Claude Delcroix acredita que a entrada de companhias de telecom no mercado de serviços de datacenter não é um fenômeno apenas brasileiro. “Todas as operadoras do mundo querem oferecer serviços de cloud, e uma das razões é por conta do crescimento da demanda de voz e Internet”, explica ele. Não por acaso, um dos alvos principais são as pequenas e médias empresas, que se beneficiam mais da escalabilidade das ofertas na nuvem, além de poderem contar com serviços de TI especializados. Delcroix concorda com os argumentos levantados por Embratel, Telefônica e Oi: o diferencial das teles está em poder oferecer tudo isso em um pacote único com a conexão adequada. “Toda empresa precisa de serviços de telecomunicações, mesmo que contratem companhias de TI como Microsoft, Google, Amazon ou IBM”, explica. “Se o operador for inteligente, ele vai oferecer uma solução integrada ou vai trabalhar com parceiros integradores”, diz. O analista acredita, entretanto, que as teles precisa melhorar nesse ponto, buscando ainda melhores formas de unir todos os serviços. O ponto é que, cedo ou tarde, as companhias vão precisar oferecer cada vez mais soluções na nuvem, até para permitir a evolução da mobilidade e da oferta de conteúdos para o processamento em cloud. “Isso está puxando os provedores e eles precisam de datacenter para poder ter volumes massivos de dados”, explica Jean Claude Delcroix. No final das contas, tudo se baseia em oportunidades de negócios. “As operadoras de telecom querem achar novas maneiras de ter dinheiro. Ao oferecer uma conexão com serviços de datacenter, elas au­­­mentam a lealdade do cliente”, finaliza.  bruno do amaral


.:Satélites

Samuel Possebon

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Olhos para o céu

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ão é de hoje que o mercado brasileiro de comunicação via satélites está em alta, em muito puxado pelo crescimento dos serviços de DTH, pela TV digital e, aos poucos, pelas perspectivas da oferta de banda larga diretamente ao consumidor por meio de satélites em banda Ka. Em função disso, o setor deve viver uma forte expansão na oferta de capacidade nos próximos dois anos. Essa foi uma das mensagens do 12º Congresso Latino-Americano de Satélites, que aconteceu em setembro, no Rio de Janeiro. A grande sensação do mercado é a Hughes Networks Systems. Vencedora de uma das posições orbitais mais caras do mundo, adquirida no leilão de 2011 por um lance de R$ 145 milhões, a operadora deve viabilizar a entrada da operadora de DTH Dish no Brasil. Segundo o presidente da Hughes Networks Systems do Brasil, Délio Morais, ainda não há uma definição sobre como a Hughes chegará. “Nossa outorga está paga e a decisão de entrar é firme. Mas não está definida a forma com que vamos explorar o direito, se será diretamente, em parceria, joint-venture ou aliança estratégica. Qualquer comentário é especulação. Não há decisão tomada ainda”, disse ele, evitando comentar se existe uma negociação com a Telefônica, como se comenta no mercado. Cada modelo de negócios terá um timing diferente para a Hughes: “Por exemplo, se optarmos por uma joint-venture, isso precisa passar pelo novo Cade, e aí o tempo de aprovação pode chegar a oito meses”, diz ele. O projeto da Hughes é operar três tipos de frequências e a empresa preten-

FOTOS: marcelo kahn

Mercado de satélites promete mais capacidade para os próximos anos, com destaque para a chegada da Hughes. Expectativa fica para o fim da TV analógica.

Congresso Latino-Americano de Satélites, no Rio: operadoras expõem suas estratégias para o crescimento.

de ter um satélite para cada uma. O primeiro satélite será em banda Ku BSS (cuja frequência é otimizada para a prestação de serviços de vídeo, ocupando uma faixa livre de interferências terrestres). Prova­vel­mente será por este satélite que a Dish iniciará suas operações. A Hughes também planeja um super-satélite em banda Ka para a oferta de banda larga ao consumidor final. E um terceiro satélite deve operar em banda S. Ao todo, a empresa tem cinco anos para ocupar as duas posições orbitais que conquistou no leilão. Já a Intelsat, uma das principais operadoras do setor, planeja para o mercado local um de seus satélites Epic, com múltiplos spots em banda Ku e alta performance, potência e taxa de transmissão. De acordo com o diretor geral da Intelsat do Brasil, Estevão Ghizoni, o

“Não está definida a forma com, que vamos explorar o direito, se será diretamente, em parceria, joint-venture ou aliança estratégica. Qualquer comentário é especulação.” Délio Morais, da Hughes Networks Systems 28 Teletime out_2012

País estará na cobertura do Intelsat 29E, que operará em banda Ku e tem capacidade de tráfego de 60 Gbps. “Será um satélite voltado a operadores e corporações. Não para usuários finais. Nosso foco é corporativo”, diz ele. Já a SES planeja para o próximo ano o SES 6, que terá grande capacidade para a América do Sul e coberturas especialmente planejadas para o Brasil. A SES não tem planos de lançar uma oferta de banda Ka no curto prazo no Brasil. Não é o caso da Hispamar, que terá uma cobertura em banda Ka no Amazonas 3, planejado para ser lançado no primeiro trimestre do ano que vem. Especificamente para banda Ka, o primeiro satélite da Hispamar deve subir apenas em 2015, com o Amazonas 4. A prioridade da Hispamar não é a oferta de banda Ku. A Telespazio é outra operadora internacional que deve ter capacidade de satélites exclusiva para o Brasil até 2016, mas planeja utilizar apenas banda Ka. Já a Telesat planeja lançar para o Brasil até o final do ano o Anik G1, que terá capa-


“estudos para um satélite focado em banda larga ao consumidor não mostram um cenário muito animador se olharmos a questão dos impostos. E como um satélite de alta capacidade também tem um risco maior, a decisão é complexa.” Lincoln de Oliveira, da Star One cidade adicional de 12 transponderes em Ku e 12 em banda C. Para a Telesat, o investimento em banda Ka para o Brasil, devido à questão das chuvas, traz um risco adicional, e isso só entrará no planejamento da empresa caso haja demanda de algum operador. Exclusivo Os novos projetos se somam ao lançamento do C3 da Star One no final do ano e ao C4 em 2014. A operadora de satélites da Embratel se prepara para colocar em órbita no dia 9 de novembro o seu próximo satélite, o Star One C3. Será um satélite com capacidade em banda C e Ku e que cobrirá todo o Brasil, a Região Andina e mais 300 km de plataforma continental. O diretor geral da Star One, Lincoln Oliveira, explica que o planejamento depois do C3 prevê ainda um lançamento de um novo satélite, o C4, totalmente em banda Ku e integralmente destinado à Claro TV, no Brasil e América Latina. Serão 36 transpônderes apenas para o serviço de DTH, que se somam

aos 14 que a Claro TV tem hoje no C2. Diretor geral da Claro TV, Antônio João Filho explica que toda essa capacidade é necessária para a expansão da quantidade de canais e para a oferta de mais conteúdos HD. Mas a Claro TV descarta, por enquanto, utilizar capacidade em banda Ka para fazer a transmissão de dados ou mesmo para vídeo, fazendo a transmissão dos conteúdos locais. “Esse é o modelo americano, mas aqui fomos por outro caminho, que é acoplar a antena terrestre de UHF à parabólica de banda Ku”, disse Antônio João. A Star One ainda não tem planos definidos sobre um satélite com capacidade de operar em banda Ka. “Banda Ka é um desafio grande. Podemos ter um grande satélite em uma posição só para isso ou um híbrido em outra. Isso não está definido. Nossos estudos para um grande satélite focado em banda larga ao consumidor não mostram um cenário muito animador se olharmos a questão dos impostos. E como um satélite de alta

capacidade também tem um risco maior, a decisão é complexa”, diz Lincoln de Oliveira. Ele explica a dificuldade de operar banda larga por banda Ka, sobretudo para o mercado residencial: “O nosso desafio é que em um primeiro momento você tem um satélite com capacidade ociosa, depois ele enche e você tem que começar a esvaziar ele, atendendo menos usuários, para poder dar mais banda para cada pessoa”, diz. “Ainda temos que decidir se vamos por um satélite grande ou um menor. Vamos ter que repor um satélite da nossa frota e podemos colocar banda Ka lá, na posição 84ºW”, pondera. Variável nova Uma variável que pode mudar todo o cenário do mercado brasileiro de satélites, ampliando ainda mais a demanda já aquecida, é a digitalização dos sinais das redes de TV no satélite e o fim da TV analógica terrestre. Com isso, mais emis­soras poderiam optar por distribuir seus conteú­dos via satélite regionalmente ou mesmo nacionalmente. Mas o principal executivo da área de tecnologia da TV Globo, Fernando Bittencourt, disse que o desligamento da TV analógica transmitida via banda C no satélite deve demorar mais do que a transição analógica terrestre. Ele também voltou a afirmar que não

Os impostos e a banda Ka

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s operadoras de satélite que começam a analisar a possibilidade de oferta de banda larga diretamente ao consumidor por meio de satélites em banda Ka chamaram a atenção, durante o Congresso Latino-americano de Satélites, para um desafio complicado aos seus planos de negócio: os impostos. Sobretudo a taxa de Fistel sobre as estações de recepção e transmissão dos sinais. Isso porque a tabela do Fistel foi definida quando não havia a perspectiva de que as estações fossem usadas para a oferta residencial, e por isso têm um valor de instalação e um valor anual de manutenção muito elevados. O assunto acabou sendo tratado na Lei 12.517/2012, que desonerou a implantação de redes de telecom, mas falta uma regulamentação que deixe clara a isenção das estações de recepção do usuário residencial. “Quando fazemos a conta levando em consideração os valores de referência para banda larga praticados no mercado e aplicamos os impostos, o resultado não é muito animador”, diz Lincoln Oliveira, diretor geral da Star One. Ele lembra que existe ainda um fator adicional. “Nós não vamos ficar apenas nas grandes cidades, porque não faz sentido. Precisamos ir para áreas mais remotas, e o custo de operação nessas regiões é maior”. Uma das operadoras que já decidiu explorar o modelo de banda

larga via satélite é a Hughes Networks Systems. Mas Délio Morais, presidente da empresa, admite que a distorção tributária criada pelo Fistel é um problema. “Quando falamos de consumo, temos uma taxa que pesa ainda mais, que são as taxas do Fistel. Isso pesa muito para pessoas físicas e achamos que vai avançar. Queremos colocar as taxas de banda larga via satélite pelo menos no mesmo nível das taxas pagas pelos telefones móveis”. Até hoje, o Fistel não era considerado um problema muito sério porque os valores cobrados por uma estação de comunicação de satélite eram relativamente pequenos na oferta de serviços corporativos. Mas quando se vai a serviços residenciais, com preços na casa dos R$ 40 ou R$ 50, os valores têm impacto. A Abrasat (associação dos operadores de satélite) está trabalhando em uma proposta para que a tabela do Fistel seja revista de forma a viabilizar a oferta de banda larga via satélite. O presidente da Anatel, João Rezende, esteve presente ao evento e destacou a importância do mercado de satélites para a oferta de serviços de banda larga, ao lado dos serviços de TV e DTH. João Rezende reconheceu que o setor de satélites não é tratado de forma central dentro da agência, mas se dispôs a receber os representantes do setor para discutir os principais problemas e desafios das operadoras de satélites.

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.:Satélites existe chance de a transição terrestre ser concluída integralmente em junho de 2016, como estabelece o Decreto de TV Digital, e que também é muito cedo para dizer quando alguma cidade poderá realizar o desligamento. Para ele, alguns grandes centros certamente concluirão o processo de digitalização antes, mas há muitas questões a serem analisadas antes de se decidir pelo desligamento dos sinais. Segundo ele, hoje a TV Globo cobre 50% do País com TV digital e cerca de 20% da planta de televisores já está apta a receber os sinais. A Rede Globo já tem 64 geradoras e retransmissoras digitais, que chegam a 95 milhões de habitantes. “Nosso plano é chegar à Copa do Mundo cobrindo 70% do País, porque as pessoas compram TV para assistir à Copa e deve haver um grande pico de venda. Pretendemos ter 590 geradoras e retransmissoras digitalizadas até a Copa, cobrindo 170 milhões de pessoas”, diz ele. A estimativa da Globo é que em 2014 cerca de 60 milhões de televisores digitais estarão no mercado, de um total de pouco mais de 100 milhões. A partir daí, destaca Bittencourt, o desafio é monumental. “É um desafio absurdo, enorme. Precisaremos chegar a outras 3,6 mil retransmissoras, que cobrem 60 milhões de pessoas e 17 milhões de domicílios. Será impossível fazer isso em dois anos, e o custo desse esforço é igual ao que será gasto até 2014. Essa é a realidade da TV Globo, mas todas as outras têm desafios parecidos”, afirmou. Segundo ele, dimensionar o momento exato do desligamento é complicado porque depende, sobretudo, de as pessoas terem televisores digitais. “Isso passa por uma política do governo para estimular a compra de set-tops e, preferencialmente, de televisores digitais. Se chegarmos em uma situação em que 95% das pessoas já recebem TV digital, ainda assim é complicado desligar, porque alguém vai ter que encontrar uma solução para os outros 5%”, diz ele. No satélite, diz Bittencourt, o processo é ainda mais complicado. “Seguramente o sinal de TV analógica

“Se chegarmos em uma situação em que 95% das pessoas já recebem TV digital, ainda assim é complicado desligar (o sinal analógico), porque alguém vai ter que encontrar uma solução para os outros 5%.” Fernando Bittencourt, da TV Globo só sai do satélite quando estiver desligado nas transmissões terrestres. Infeliz­ mente, o sinal analógico no satélite é um mal necessário”. Sinal digital O fato de achar que a transmissão analógica nos satélites ainda tem longa vida não impede a Globo de já estar implementando a sua solução de digitalização. A emissora tem apostado em um modelo de digitalização do

Uma variável que pode mudar todo o cenário do mercado brasileiro de satélites é a digitalização dos sinais das redes de TV no satélite e o fim da TV analógica. satélite baseado em um receptor de TV digital que tem um GPS e impede a recepção do sinal regional distribuído via satélite quando existe cobertura

local terrestre, justamente para não ferir o modelo de rede, em que a prioridade da transmissão é da afiliada local. Até o final desse ano, quatro Estados (Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás) terão o sinal regional de suas afiliadas no satélite. Para grandes mercados, como o Estado de São Paulo e Rio, ainda não há previsão. Outros estados devem ter o sinal digitalizado em 2013 e 2014 no satélite, mas isso ainda depende de acertos com as afiliadas. O grande problema do modelo da Globo é que ele é único, já que as demais emissoras estão optando por um modelo de distribuição nacional, via satélite, do sinal HD. Mas Bittencourt acredita que a Globo fez a escolha certa. “Nosso modelo preserva as afiliadas e o modelo que temos hoje na TV aberta. E é melhor ao telespectador, que terá sempre a produção local. Se distribuíssemos o sinal nacional, como acontece no analógico, o telespectador não teria os conteúdos regionais”. 

Sem concorrer

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projeto do satélite geoestacionário brasileiro (Br1Sat) já tem o sinal verde do Conselho de Defesa Nacional (CDN) para que suas contratações aconteçam sem a necessidade de licitação. Esta aprovação foi dada pelo conselho no meio do ano e faz parte da previsão legal de que tecnologias de interesse para a defesa nacional sejam compradas sem os embaraços da Lei 8.666/93, explicou o secretário de telecomunicações do Ministério das Comunicações, Maximiliano Martinhão. Maximiliano detalha que dos 55 Gbps de capacidade em banda Ka que o Br1Sat terá para comunicação, cerca de dois terços serão destinados exclusivamente à prestação de serviços de backhaul a provedores de acesso como parte do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). O restante da capacidade foi dimensionada depois de uma consulta a diversos órgãos do governo e empresas públicas sobre o tráfego de dados estratégicos. Essa consulta foi feita a órgãos como Abin, Presidência da República, ministérios das Comunicações (incluindo o Gesac), Desenvolvimento, Meio-Ambiente, Previdência, Minas e Energia, Educação, Ciência e Tecnologia, Saúde, Justiça, além de órgãos e estatais como Petrobrás, Correios, Datasus, bancos estatais, Polícia Rodoviária Federal, entre outros. Ao ser questionado se essa capacidade buscava atender ao tráfego de comunicação dos órgãos, hoje ofertados por operadores privados, Martinhão disse que não. “É apenas o que for comunicação estratégica, de natureza sensível, que vai trafegar no Br1Sat”. O esclarecimento é importante porque existe grande apreensão de que a Telebras utilize o Br1Sat para competir comercialmente com outros provedores de capacidade satelital. “Os contratos atuais serão cumpridos. Quando vencerem, as empresas e órgãos públicos podem buscar os provedores que quiserem. A Telebras vai disputar esse mercado com todos os demais. Hoje a estatal já tem preços bastante agressivos”, diz Maximiliano.

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.:TV por assinatura

IPTV 2.0

Telefônica/Vivo e Oi apostam suas fichas no relançamento da tecnologia de TV paga por redes de fibra e garantem que agora o IPTV terá diferenciais competitivos importantes em relação às plataformas tradicionais de cabo.

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ão é de hoje que se fala na chegada das plataformas de IPTV no Brasil. Na verdade, há quase uma década o assunto é abordado pelas teles. Em 2006, todas as grandes operadoras iniciaram o processo de seleção de fornecedores. Em setembro de 2007, a Brasil Telecom lançava comercialmente o primeiro serviço de IPTV no Brasil, o Videon. No começo de 2009, foi a vez da Telefônica lançar o seu TVAXtrem, o serviço de vídeo sobre a rede de fibras. A Oi chegou a selecionar fornecedores em meados de 2007 e anunciou o início de testes de campo. No começo de 2009 foi a GVT quem anunciou testes em Curitiba. A essa altura, portanto, deveríamos estar fazendo um balanço do mercado de IPTV no Brasil. Mas o que se vê é outra coisa: as operadoras estão, na verdade, voltando a lançar o produto, agora com nova abordagem. As teles, especialmente Telefônica/ Vivo e Oi, estão apostando em uma nova geração da tecnologia. A oferta de vídeos usando o protocolo IP sobre a rede de par de cobre, por meio da banda larga VDSL, está enterrada. Hoje, a sigla da moda é FTTH, ou seja, fibra até a casa do assinante. E o fornecedor da plataforma de vídeo é a Microsoft, que acabou desbancando opções de gigantes das telecomunicações que já haviam sido feitas pelas teles, como a plataforma da NEC usada pela Brasil Telecom, a da Nokia Siemens que chegou a ser escolhida pela Oi, ou a da Alcatel-Lucent, escolhida pela Telefônica em sua primeira tentativa de fazer o serviço decolar. Depois de resultados pífios (o projeto da Brasil Telecom não conseguiu mais do que algumas centenas de clientes e o da Telefônica parou nos cinco mil usuários), o IPTV ressurge muito mais robusto, e com alguns diferenciais que podem significar uma sorte diferente

na briga com o cabo e com o DTH. Quem está fazendo as apostas mais altas, até aqui, é a Telefônica/Vivo. Em outubro, a empresa oficializou o lançamento de sua nova plataforma de IPTV, o Vivo TV Fibra, que funcionará exclusivamente em redes de fibra. O anúncio do relançamento do produto já era esperado desde meados do ano passado, quando foi firmada a parceria com a Microsoft para uso da plataforma Mediaroom. Segundo o diretor das plataformas de fibra e TV da Telefônica/Vivo, Roberto de la Piazza, o serviço está em fase pré-comercial até provavelmente o final do ano, mas a aposta da empresa é que em 2013 haja um crescimento expressivo da base de TV paga sobre a rede de fibra. "Hoje, o potencial que temos são os 100 mil assinantes de banda larga em fibra, mas isso deve crescer muito ainda, porque a rede vai ser expandida". A Vivo deverá também adaptar a rede HFC remanescente da operação da TVA na cidade de São Paulo para receber o IPTV. A adaptação começa já este ano em cerca de 20% da rede. A Vivo vai substituir os cerca de cinco mil assinantes da plataforma anterior de IPTV, que pertencia à Alcatel-Lucent. "Foi uma plataforma que não deu certo", diz Piazza. Ele explica que a Microsoft está concentrada há alguns anos no desenvolvimento de uma solução de IPTV e hoje tem ganho uma posição preponderante nesse segmento. "O modelo que trazemos é similar ao da plataforma de operadoras como a AT&T, mas houve muita adaptação para nossos

sistemas aqui. Por isso a demora no lançamento", explica. As caixas, nesse primeiro momento, serão da Cisco, mas a expectativa é de que a partir do próximo ano a Microsoft abra o código da plataforma para outros desenvolvedores de caixas, o que deve ampliar o espectro de fornecedores. A integradora da plataforma é a Ericsson.

Console como set-top Outra novidade do produto da Vivo a partir do próximo ano será a possibilidade de usar o console de videogame XBox como set-top do serviço de TV paga. Outro esforço da Vivo é criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de aplicativos para a plataforma IPTV. A caixa atual terá conteúdos lineares e aplicativos para acesso a conteúdos não-lineares, desde o serviço sob deman­ da até serviços como o Terra TV, Sunday TV (VOD do portal Terra) e, futu­ramente, o serviço over-the-top (OTT) da própria Vivo. Outros diferenciais da plataforma IPTV serão a possibilidade de gravação digital em todos os pontos de TV, mudança instantânea de canal, micro-guia de programação, picture-in-picture multicanal, entre outras. O serviço terá a cidade de São Paulo como headend principal. Mas muitos sistemas são descentralizados. O servidor de vídeo on-demand fica em um servidor na Espanha, replicado no Brasil. Cada cidade terá um mini-headend para conteúdos locais. O serviço custa a partir de R$ 75, fora o custo da banda larga, que é mandatória e começa em R$ 89 (depois de três meses, sobe para R$ 99,99) por uma conexão de 25 Mbps (essa banda não é utilizada pelo serviço de IPTV). A fibra é levada até a casa do assinante Roberto de la Piazza, da Vivo/Telefônica para ser, então, distribu-

“O modelo que trazemos é similar ao da plataforma de operadoras como a AT&T, mas houve muita adaptação para nossos sistemas aqui. Por isso a demora no lançamento.” 32 Teletime out_2012


ída por um me­­ dia gateway utilizando a rede coaxial da casa do cliente ou um cabeamento Ethernet. Segundo Piazza, o Wi-Fi não tem ainda confiabilidade para a distribuição dos sinais de vídeo. A Telefônica/Vivo deve expandir a oferta de serviços IPTV para até cerca de 15 cidades no ano que vem. Pelo menos essa é a quantidade de áreas de atuação indicada pela Telefônica no pedido de adaptação de suas licenças de TV por assinatura para o Serviço de Acesso Condicionado (SeAC). Segundo Roberto de la Piazza, o orçamento para o próximo ano ainda está sendo definido, mas a expectativa é de que haja um esforço muito grande de expansão da TV paga nessa tecnologia ao longo de 2013, bem como a expansão da rede de fibra. Outro anúncio importante esperado este ano é o OTT de conteúdos da Vivo, que permitirá o consumo de conteúdos de vídeo sobre todas as plataformas. O serviço deve ser lançado inicialmente em parcerias com LG e Samsung para TVs conectadas e com um aplicativo Android para smartphones e tablets. No ano que vem, o serviço OTT ganha versão para iOS e para o Windows Phone. Segundo Piazza, a expectativa é que o serviço tenha dois modelos de comercialização: por transação e por assinatura fixa por mês, mas sempre na forma de conteúdo on-demand, como o Netflix. A Vivo aponta como desafios para esse modelo o custo dos conteúdos e o risco de que a Ancine cobre R$ 3 mil como taxa de Condecine por título. Oi fibra Já a Oi se planeja para lançar um pequeno piloto da operação de IPTV em novembro, em princípio apenas em alguns bairros nobres da cidade do Rio de Janeiro. Mas a operadora aposta alto na tecnologia para fazer frente à concorrência com o cabo entre clientes de mais alta renda. Em princípio, o serviço será ofertado a 2,5 mil domicílios que a empresa pretende cabear com fibra ótica nos próximos anos. O modelo que a Oi tem é o da Portugal Telecom, acionista do bloco de controle da tele brasileira e que em Portugal tem tido resultados expressivos com o IPTV. Os diferenciais em que a Oi aposta na competição com o cabo são parecidos com aqueles apresentados pelo Vivo TV Fibra. Segundo o diretor responsável

“A plataforma está madura, são milhões de usuários de IPTV no mundo e as redes de acesso por fibra já conseguem entregar a velocidade necessária para um produto de qualidade.” Marco Dyodi, da Oi pelo projeto de fibra da Oi, Marco Dyodi, o primeiro diferencial é, obviamente, a banda larga do usuário, que parte de 100 Mbps. Isso, associado à plataforma escolhida (Microsoft, integrada pela Alcatel-Lucent e com desenvolvimento de aplicações da PT Inovação), permite a experiência de troca de canais instantânea (200 milisegundos); aplicações interativas com a Internet e redes sociais; conteúdos sob demanda em grande quantidade, incluindo catch-up (recuperação) de conteúdos já exibidos de canais lineares e a possibilidade de assistir programas exibidos até oito horas atrás (em alguns canais); plataforma multiroom DVR, ou seja, os conteúdos gravados podem ser assistidos em qualquer cômodo; e uma interface over-the-top para que o conteúdo dos canais possa ser assistido em celulares, PCs e tablets. O modelo do Oi TV em cima de fibra é o tradicional de uma operação de IPTV

sobre uma rede FTTH. A fibra chega até um home gateway na casa do usuário. De lá, a banda larga é distribuída pela rede de cabos coaxiais da casa ou por cabeamento Ethernet para os outros settops, sendo que o set-top principal tem recurso de gravação digital (DVR) e controla os demais. Dyodi avalia que esse novo momento do IPTV apresenta uma maturidade muito maior do que há dois ou três anos. “A plataforma está madura, são milhões de usuários de IPTV no mundo e as redes de acesso por fibra já conseguem entregar a velocidade necessária para um produto de qualidade”, diz ele. Num primeiro momento, o produto da Oi será para um público de maior renda, mas o plano da empresa é ter 2,5 milhões de homes passed cobertos com fibra até 2015. “Nesse universo, não estamos falando só de altíssima renda”.  (Samuel possebon)

Estratégia recomeçada

A

Telefônica fez uma aposta alta em 2006, quando adquiriu a operadora de TV por assinatura TVA, que pertencia ao grupo Abril. Pagou cerca de R$ 1 bilhão (valores da época) por um conjunto de assinantes que estavam concentrados, principalmente, na tecnologia de MMDS. Desde então, o que se viu foi uma sequência de planos modificados até o ponto em que hoje a única coisa ainda relevante para a tele espanhola daquela operação de TV paga adquirida por um valor bilionário é uma rede de cabos nas cidades de São Paulo, Curitiba e Florianópolis que não chega a 900 mil homes passed e conecta menos de 150 mil pessoas. A razão foi uma indefinição estratégica da empresa, que foi para o DTH e depois recuou, sinalizou que gostaria de explorar o serviço de banda larga por WiMAX mas não teve apoio da Anatel para liberar a tecnologia e acabou, com tudo isso, perdendo terreno. Hoje, a Telefônica/Vivo é a única operadora de telecomunicações que perde base de clientes de TV paga e está em vias de ser suplantada pela Oi na posição de quarta maior operadora. Em relação ao serviço de MMDS, a expectativa da Vivo é que ele seja descontinuado até o começo do próximo ano, possivelmente com a absorção dos assinantes por outras plataformas. A Vivo é obrigada a se desfazer das frequências de MMDS por conta das regras do leilão de 4G, quando adquiriu lotes da faixa de 2,5 GHz. Quando a TVA foi adquirida, as operações de MMDS do Rio e de São Paulo ainda eram relevantes no mercado de TV paga. Hoje, a base de clientes mingua mês a mês. Sobre a plataforma de DTH, que em 2006/2007 deu forte impulso à Telefônica no mercado de TV paga, Roberto Piazza não dá detalhes sobre a redefinição de estratégia, mas reconhece que foi apenas uma decisão empresarial segurar o crescimento dessa plataforma, até que a Vivo encontrasse um modelo mais interessante. Especula-se que a empresa esteja preparando uma parceria com a Dish, operadora de TV paga via satélite norte-americana, mas a Vivo não comenta esta informação.

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.:Regulamentação

Helton Posseti

helton@convergecom.com.br

De olho em Dubai

V

inte e quatro anos após a edição do International Tele­ communications Regula­tions (ITRs) e uma verdadeira re­­­ volução no campo das telecomunicações, a União Internacional de Telecomunicações (UIT) se debruça agora sobre a atualização desses tratados, que balizam muito do que se faz em termos de regulação no campo das telecomunicações em diferentes países. Como em todo tratado internacional, o processo de revisão dos ITRs reflete os anseios e necessidades de cada país-membro. Por isso um consenso sobre a nova redação dos textos nunca é algo fácil de se conseguir. A UIT é composta por 193 paísesmembros, que se reunirão em Dubai de 3 a 14 de dezembro na Conferência Mun­ ­­­­dial de Telecomunicações Internacio­nais (CMTI). A revisão dos ITRs, na visão de alguns países, é a chance de se estabelecer princípios de regulação da Internet (algo que sequer existia em 1988), nas áreas de tarifação, neutralidade de rede e da segurança cibernética. A chance de que esses temas ganhem alterações substanciais nos ITRs é pequena. Primeiro porque os EUA (que talvez sejam o país mais influente na UIT) são contra qualquer tipo de regulação da Internet e, segundo, porque a segurança cibernética é um tema que não está no escopo de atuação da UIT. Mesmo assim, alguns países africanos, China e Rússia, entre outros, trarão o tema da segurança cibernética para a Conferência de Dubai. Na Conferência de Guadalajara, em 2010, foi produzida a resolução 130, segundo a qual os ITRs devem se concentrar em temas de caráter técnico e desenvolvimento – como a produção de manuais de melhores práticas, por exemplo. E não devem tocar em assuntos de segurança nacional, defesa nacional, crimes cibernéticos e conteúdo. “Mas o tema não para porque há países que têm interesse que seja a UIT o fórum para falar sobre crimes. Então eles colocaram no México em 2010, e estão colocando agora de novo”,

Adrian Lindley/shutterstock.com

Revisão dos tratados internacionais da UIT, de 1988, abre espaço para a inclusão de temas como neutralidade de rede e segurança cibernética. Debates acontecerão em dezembro, em Dubai.

explica o assessor internacional da Anatel, Sérgio Garcia Alves Júnior. Além da UIT, o tema segurança cibernética está sendo tratado na United Nations Office On Drugs and Crime (UNODC) e até mesmo pela Assembleia Geral da ONU. O foro ideal para tratar do assunto, assim como outros temas como tributação, ainda não está completamente pacificado entre os países, nem internamente. E, de qualquer forma, os entendimentos que serão criados nos diferentes palcos de discussão deverão necessariamente considerar o setor de telecom. “Não dá para falar em crime cibernético sem falar de rede de telecom. As soluções que por ventura eles acharem lá (na UNODC) terão que ser conciliadas com as soluções de rede”, afirma o chefe da assessoria internacional da Anatel, Jeferson Nacif. Harmonização A posição brasileira, que consta de um texto que será aprovado pelo Conselho Diretor da Anatel, é no sentido de que os países devem cooperar para tornar os seus serviços mais robustos sem, entre34 Teletime out_2012

tanto, entrar em detalhes que impliquem obrigações mais contundentes. “É algo para que o Brasil não feche os olhos para o problema, mas também não crie embaraços como harmonizações de legislação internacional, ou trazer para a UIT temas que toquem a resolução 130, de 2010”, explica Alves Júnior. A proposta chinesa, por exemplo, dá às administrações carta branca para supervisionar as empresas que operam as redes e exigir que elas o façam em condições “seguras e confiáveis”. Dentro da Anatel, a visão é que a tentativa de colocar essas questões de cibersegurança em um tratado internacional tem o objetivo de legitimar práticas de restrição do acesso à rede adotada em alguns desses países. Já a proposta africana prevê que os países deverão cooperar em assuntos de segurança, “inclusive cibersegurança”, para o desenvolvimento de padrões técnicos e normas legais, “incluindo aquelas relacionadas à jurisdição territorial e responsabilidades de soberania”. Segundo Nacif, para os africanos, o termo “cooperar” significa ir até o mais avançado nível, que é a harmonização de legislação internacional, o que é aceitável apenas para uma parte do governo brasileiro. “Esse debate deriva de uma infância do tema, não só no Brasil, mas em boa parte dos países”. Ele explica que essa imaturidade no debate entre os países democráticos é natural, justamente porque é um debate democrático e, portanto, sujeito a várias opiniões. Em países menos democráticos, as decisões são tomadas verticalmente. “Isso tem a ver com privacidade, com fluxo de informação, liberdade de expressão, e isso demora muito para amadurecer nos países democráticos. Já temas como pedofilia, spam, isso é mais fácil para entender e bloquear”, analisa o técnico. De qualquer maneira, da parte do Brasil a visão é que ainda é cedo para se estabelecer regras de regulação da Internet, seja no que se refere à cibersegurança ou à neutralidade de rede. “As con-


Neutralidade no foco Outro tema polêmico, mas com grandes chances de que a discussão sobre ele não ganhe corpo na conferência de Dubai é o da neutralidade. A proposta sobre a mesa é da ETNO, a associação de operadoras da Europa, que ainda não tem o apoio de nenhum Estado-membro. “Para ser discutida a fundo, como espera o secretariado da UIT, como espera boa parte dos brasileiros que irão para lá, ela precisa ser apresentada também por um Estado-membro, na minha opinião. Sem isso, países de grande peso podem tratá-la como uma proposta menor e já bombardeá-la desde o início”, afirma Nacif. Na sua opinião, é pouco provável que a proposta ganhe a adesão de um paísmembro, porque as conclusões preliminares da Comissão Europeia são de que o mercado dá conta de resolver os eventuais problemas que a neutralidade estaria causando às teles. Já ficou decidido que o Brasil não apoiará a proposta. “São conceito novos, que infringem demais uma negociação comercial. Se eles insistirem por estabelecer algum texto sobre neutralidade de rede, nós vamos ter que traba­lhar com esse cenário de países que querem isso no tratado. Vamos passar duas semanas discutindo para que ele seja o mais geral possível e que não retire dos orgãos reguladores ou dos governos a possibilidade de regular ou legislar no futuro”, afirma Nacif. O cerne da proposta da ETNO é baseado no conceito de “sending parties network”. Basicamente, esse conceito prevê que quem envia o conteúdo também paga, e não apenas quem acessa. A inclusão de algo assim nos ITRs abre caminho para que, posteriormente, os países estabeleçam os mecanismos para que isso

ocorra. Outra vertente da proposta da ETNO é a troca da expressão “transmissão de telecomunicações” por “transmissão baseada em IP.” “A gente acha que é muito complicado colocar determinada tecnologia em um tratado. O IP pode não ser a tecnologia do futuro”, afirma ele. Ainda em relação a nomenclaturas, existem várias propostas que querem mudar a definição de Telecomunicações para Telecomunicações/TIC. A posição brasileira será de que esse não é o momento para mudar essa definição. O chefe da assessoria internacional da Anatel reconhece que “aparentemente” o termo está defasado do ponto de vista técnico. Entretanto, há grupos que acreditam que a mudança no termo apenas vai atualizar o entendimento atual. Outros grupos temem que uma mudança de definição poderia ampliar o escopo do que é telecom e isso, no limite, geraria um aumento nas atribuições da Anatel. “Isso é demais, eu acho que essa interpretação pode até existir, mas ela não depende de uma mudança em um conceito internacional, teria que mudar o conceito da LGT”, afirma Nacif. “Em outros grupos técnicos, essa nomenclatura já é normal. Eu não sei como vai ficar lá, sinceramente. Porque agora o nível é outro, nível de tratado”, afirma.

das aos usuários de forma efetiva e oportuna. Ainda em relação ao roaming, será debatida em Dubai uma proposta da União Europeia que conta com o apoio da GSMA e do grupo de estudos de tarifas da UIT-T e que visa acabar com a bitributação no roaming internacional. Hoje é cobrado do usuário que realiza ou recebe chamadas em roaming os impostos do seu país de origem e do país visitado. A ideia é que sejam cobrados apenas os impostos do país de origem. Nesse caso, a posição brasileira será de apoio à proposta, embora a Receita Federal ache que a UIT não é o foro ideal para que esse assunto seja discutido. “Tem sido prática do ministério buscar reduções na carga tributária onde for possível. E aqui há uma oportunidade de reduzir. Nós estamos falando de serviços internacionais de telecom, não estamos falando de tributação interna”, explica o chefe da assessoria internacional da Anatel. A administração brasileira deverá apoiar ainda duas propostas do Paraguai que buscam equilibrar as contas na interconexão internacional. Como boa parte do conteúdo da Internet está nos países desenvolvidos, essa relação de pagamento tem sido deficitária para os países em desenvolvimento. A outra proposta paraguaia que será apoiada pelo Brasil visa facilitar que países sem litoral tenham acesso à conexão internacional (cabos submarinos e satélites) a preços razoáveis.

será debatida em Dubai uma proposta da união europeia que visa acabar com a bitributação no roaming internacional

Roaming, tributação e cabos óticos Na conferência de Dubai será debatida uma proposta brasileira (que ga­­­ nhou o status de Proposta Intera­ mericana – IAP) que trata de roaming internacional. O texto diz que os Es­­­ tados-membros devem fomentar que sejam estabelecidos preços competitivos e não discriminatórios; devem mitigar ou prevenir o roaming inadvertido em zonas de fronteira; fomentar o aumento da transparência nos preços e nas condições de acesso ao roaming internacional; e que essas informações sejam comunica-

“Tivemos que ter 20 mil anos de história para decidirmos o que é ético e o que é correto na guerra. A Internet tem 20 anos e a gente já quer fazer um tratado de segurança cibernética?” Jeferson Nacif, da Anatel out_2012 Teletime 35

Ratificação Depois da conferência, os novos ITRs deverão ser ratificados pelo Congresso Nacional, o que, por incrível que pareça, não aconteceu com o texto de 1988. Na época, acreditou-se que a ratificação da Constituição da UIT já abrangeria os seus anexos. Embora, o texto não tenha sido aprovado pelo Congresso, Na­­­­­­cif afirma que o Brasil “internalizou” os entendimentos da época. Dessa vez, ele garante que o Ministério das Comunicações está comprometido em submeter os novos ITRs ao Congresso, até porque a questão da tributação traz impacto na arrecadação do País.  FOTO: divulgação

venções de Genebra sobre o direito de guerra são de 1949, depois da segunda Guerra Mundial. E desde quando a humanidade faz guerra? Desde sempre. Tivemos que ter 20 mil anos de história para decidir o que é ético e o que é correto na guerra. A Internet tem 20 anos e a gente já quer fazer um tratado de segurança cibernética?”, compara Nacif.


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Marisol Lorenzo Rogel Penante* cartas.teletime@convergecom.com.br

Por dentro dos clientes

O

setor de telecomunicações é, sem dúvida, um dos que mais têm crescido no Brasil nos últimos anos. Em conjunto com a expansão na demanda pelos serviços neste nicho, aumenta a disputa pelos clientes. Nessa concorrência acirrada, ganham vantagem as empresas que estão mais próximas dos consumidores, com ações direcionadas e atendimento eficiente. Levando em consideração este panorama, as companhias têm dirigido sua atenção para a conquista de clientes, seja para mantê-los fidelizados ou para atraí-los para a sua empresa. Segundo pesquisa global realizada pela IBM com presidentes e líderes de corporações do mundo todo (Global CEO Study 2012), 76% dos CEOs de telecomunicações pretendem aprimorar o entendimento das necessidades do mercado, principalmente dos usuários de seus serviços. Para auxiliar nessa compreensão, soluções como "business analytics" e conceitos como big data tornaram-se fortes aliados das corporações na análise do turbilhão de informações dos consumidores. Apesar de constatar que conhecer o cliente é essencial para alavancar os negócios, essa área ainda é crítica em termos de investimento. Cerca de 83% dos CEOs do setor reconhecem essa deficiência. Os números mostram que mesmo este segmento ainda não estando tão próximo dos seus consumidores quanto gostariam, os executivos compreendem a urgência de se adequar a essa nova realidade. Outro canal que tem chamado a atenção do CEOs como forma de se aproximar do seu público-alvo são as mídias sociais. Segundo o estudo, apenas 11% das empresas de telecom fazem uso das redes de relacionamento, o que prova ainda ser um campo pouco explorado pelo segmento de telecomunicações. Mas os executivos demonstram interesse em reverter este cenário: 73%

Media Guru/shutterstock.com

Soluções como “business analytics” e conceitos como big data tornaram-se fortes aliados das teles na análise do turbilhão de informações dos consumidores.

deles estão dispostos a incluir mídia social como canal fundamental de interação com seu público nos próximos cinco anos. Eles acreditam que, desta maneira, ampliarão a comunicação e a capacidade de responder pró-ativamente às demandas do setor. Ainda com foco no bom relacionamento com o consumidor, é primordial que exista um atendimento personalizado que possibilite às provedoras de serviços se antecipar às necessidades do mercado. Cada vez mais os clientes primam por qualidade, agilidade e produtos aderentes ao seu perfil. Essas metas se tornam mais viáveis de serem alcançadas com a implementação de ferramentas capazes de avaliar o comportamento, preferências e padrão de compras dos clientes, de modo a criar campanhas de marketing eficazes, novas ofertas de produtos e serviços personalizados. Por esta razão, o segmento precisa se modernizar constantemente, necessidade que faz com que a tecnologia seja 36 Teletime out_2012

apontada como o fator externo de maior impacto nos negócios para os próximos anos. Cientes da importância de investimento, 67% dos executivos de telecom se mostraram em busca de novas oportunidades, destacando inovação nos mercados verticais como um dos pontos de interesse dos presidentes. No estudo global, que reúne diversos segmentos da economia, este mesmo item só foi citado por 31% dos entrevistados. Uma das vertentes em que o setor também concentrará esforços será em novas fontes de receitas. Nesse sentido, as empresas de telecomunicações já contam com 26% do faturamento provenientes de novas fontes e a projeção é que essa participação aumente para 50% em cinco anos. Atenta às necessidades individuais dos clientes, as teles podem expandir seu portfólio e melhorar os serviços e produtos oferecidos. Satisfeitos, os consumidores tornamse os principais disseminadores da marca, compartilhando conhecimento sobre o que valorizam. Infelizmente, isso ainda não ocorre com frequência. A pesquisa aponta que somente 18% dos consumidores defendem seu provedor de telecom, enquanto no setor de varejo a porcentagem quase duplica. No Brasil, especificamente, a constatação não é diferente: 17% em telecomunicação, contra 51% no varejo. É justamente essa visão que as companhias de telecomunicação querem e precisam mudar. Para isso, o primeiro passo importante é analisar dados e transformá-los em informação, pontochave para o sucesso destas empresas num futuro próximo. Independentemente do setor econômico do qual fazem parte, se sobressairão aquelas que entenderem e conhecerem a fundo os seus clientes, ofertando o que há de melhor e  mais inovador no mercado. * Líder da indústria de telecomunicação pela área de serviços da IBM Brasil.


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Cláudio Dascal

dascal@uol.com.br

O que esperar do 4G

A

gora parece que as redes 4G estão efetivamente a caminho. As operadoras anunciaram durante a Futurecom o resultado das licitações para o fornecimento das redes e os fornecedores que ainda não tinham as fábricas operantes se apressam para iniciar sua produção. O governo e as operadoras estão ativamente buscando alternativas para criar regras que favoreçam o compartilhamento de sites 4G para minimizar as questões de posturas e autorizações municipais para novos sites. Embora não se tenha muita visibilidade de dispositivos e terminais que operem em 4G na banda de frequências adotada no Brasil, há a expectativa de que estarão disponíveis smartphones que permitam as diferentes tecnologias e bandas de frequência com voz e dados em 4G, além de alguns modems já disponíveis e outros anunciados. Assim, parece que tudo caminha a passos rápidos para que, no meio do ano que vem, alguns milhares de sites 4G estejam prontos e em funcionamento e que, na Copa das Confederações, algumas cidades brasileiras possam contar com redes 4G. Para os usuários ainda é pouco evidente o que vai melhorar, pois as redes 4G vão oferecer serviços de banda larga a maiores velocidades que as atualmente oferecidas pela rede 3G. Serão, de início, coberturas limitadas, focadas inicialmente em mostrar modernidade para os torcedores e profissionais que nos visitem na Copa das Confederações e, depois, na Copa do Mundo. Lembrem que serão redes de dados, e não voz, pois a voz sobre IP (VoIP) nos terminais 4G ainda não está resolvida, podendo-se evidentemente usar o Skype e serviços similares. De fato, no início será muito mais um serviço de banda larga nomádica, com maior velocidade e que se utilizará predominantemente dos modems USB. No futuro, é uma grande oportunidade para os serviços de vídeo. Porém, com a restrição que serviços de vídeo e mobilidade apresentam para uso individual, o serviço predominante deve ser o de videoconferências. Portanto, o 4G como platafor-

ma de vídeo nos próximos anos é ainda de utilidade duvidosa, salvo para utilização em ônibus e trens de transporte público urbano. A questão de qualidade de serviço e cobertura, tão reclamadas no 3G, continuará existindo no 4G, pois serão mais células e uma limitação de throughput que seguramente dificultará a garantia de velocidade em horários de concentração de uso. Para os operadores, significa um grande esforço gerencial e de investimento na implantação de uma nova rede, com características diferentes das atuais redes 3G que, por sua vez, ainda estão em implantação e requerem muita atenção e investimentos. Como consequência, as teles estarão correndo atrás de metas de expansão e tendem a negligenciar as metas de qualidade, mesmo porque os investimentos requeridos por ambas as metas são muito altos e com retornos duvidosos. As operadoras se acostumaram com o ritmo de crescimento da base como forma de criar uma métrica positiva para o retorno do investimento. Acontece que alguns fatos novos vêm modificar este cenário e requerem mudança em modelos de negócio e oferta de serviços. Em 4G, os operadores estão pressionados, por um lado, pela oferta de banda larga fixa e, por outro, pela própria oferta de pacotes de dados do 3G. Por outro lado, a banda larga móvel já em 3G abre a possibilidade da chegada das operadoras over-the-top (OTTs), faturando serviços sobre a base instalada das teles sem que estas participem da receita, embora sejam as responsáveis por colocar o dinheiro para construir a infraestrutura que permita estes serviços. No serviço nomádico, são igualmente disponibilizadas cada vez mais redes Wi-Fi para descarregar as redes móveis e que, na maioria dos casos, não trarão receitas adicionais para as operadoras. Outro fato relevante é que

está na hora de fazer nova limpeza na base das operadoras. Há muitos chips habilitados como presente de marketing sem uso efetivo, impactando in­­­ clusive a disponibilidade de numeração e falseando as estatísticas. Está chegando o 4G, mas sem uma visibilidade de quais novos serviços serão oferecidos e como serão cobrados. Sem que as operadoras tenham resolvido como dividir o bolo com as OTTs. Do lado do usuário, a nova tecnologia chega sem garantia de que os smartphones estejam disponíveis e com incompatibilidade de roaming internacional. Vide o caso do iPhone comercializado nos EUA e que não funcionará aqui, pela diferença de faixa de frequências adotada no Brasil. Além disso, deve-se esperar uma rede 4G com cobertura bastante limitada. Esta última questão merece um esclarecimento: como a frequência adotada de 2,5 GHz é muito mais alta, requer mais estações radiobase para dar cobertura e capacidade de vazão nos dados. Mais para frente, pode-se mudar o cenário para o usuário e para a operadora com a entrada em serviço das faixas mais baixas de 700 MHz para regiões urbanas e estradas. Esta é a faixa adotada nos Estados Unidos e que efetivamente tem tecnologia e terminais. Portanto, poderá ter preços competitivos. Para áreas menos densas, de características rurais, a faixa de 450 MHz, já licitada, teria utilidade. Mas é uma faixa sem tecnologia e terminais disponíveis, e que é ao mesmo tempo um risco e uma oportunidade. Sem dúvida, as receitas das operadoras são ainda majoritariamente de voz. A entrada de 4G pode representar uma mudança importante no modelo de negócios, relacionamento com os clientes e uso dos terminas móveis. Dependerá da maturidade das operadoras e do avanço dos serviços OTTs, de como será negociada a divisão do bolo, da interoperabilidade de redes e principalmente da disponibilidade de terminais e serviços. 

Sem dúvida, as receitas das operadoras são ainda dependntes de voz. A entrada de 4G pode representar uma mudança importante no modelo de negócios.

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Revista Teletime - 159 - Outubro de 2012  

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