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Ano 15

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jul2012

www.teletime.com.br

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combo desconexo

Operadoras apostam em pacotes de serviços para ganhar mercado, mas integração ainda tem barreiras técnicas e regulatórias difíceis de superar ENTREVISTA

Eduardo Aspesi explica como a Oi se reposiciona para recuperar mercado

TV POR ASSINATURA

As alternativas em tecnologia e serviços para os novos players


.:Editorial Presidente Rubens Glasberg Diretores Editoriais André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski

Editor Samuel Possebon Editora Adjunta e Editora de Projetos Especiais Letícia Cordeiro Editor de Mobilidade Fernando Paiva Redação Bruno do Amaral, Fernando Lauterjung (Tela Viva), Helton Posseti (Brasília), Leandro Sanfelice (Vídeo repórter), Wilian Miron Consultor Especial Cláudio Dascal Arte Edmur Cason (Direção de Arte); Rubens Jardim (Produção Gráfica); Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica); Débora Harue Torigoe (Assistente); Alexandre Barros (Colaborador); Bárbara Cason (Colaboradora) Departamento Comercial Bruna Zuolo (Ger. de Negócios) Ivaneti Longo (Assistente) Inscrições e Assinaturas Gislaine Gaspar (Gerente) Circulação Patricia Brandão (Gerente) Marketing Harumi Ishihara (Diretora) Gisella Gimenez (Gerente) Administração Vilma Pereira (Gerente) TELETIME é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 603 CEP: 01243-001 - Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910 - São Paulo, SP. Sucursal SCN Quadra 02 Bloco D, sala 424 – Torre B - Centro Empresarial Liberty Mall - CEP: 70712-903 - Fone/ Fax: (61) 3327-3755 - Brasília, DF. Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

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Samuel Possebon

samuca@con­ver­ge­com.com.br

Use com sabedoria

A

Câmara dos Deputados aprovou no final do primeiro semestre legislativo a MP 563/2012, com o relatório do senador Romero Jucá (PMDB/RR). A expectativa é que o mesmo aconteça no Senado em agosto, nas primeiras semanas após o recesso parlamentar. Entre os itens da medida provisória, que trata de vários aspectos do Plano Brasil Maior, de incentivo a investimentos, estão vários relacionados ao setor de telecom. Desde o programa de desoneração à construção de redes para Plano Nacional de Banda Larga (RE-PNBL) até a isenção de impostos para smartphones, equipamentos de banda larga rural e para o mercado de machine-to-machine (M2M). Tudo muito importante. Mas a maior inovação para o setor está cifrada no Artigo 34 do relatório de Jucá aprovado na Câmara: trata-se da possibilidade de o governo conceder créditos fiscais pelo Fistel recolhido pelas operadoras em troca de investimentos em projetos estratégicos. O Fistel, criado na década de 60 para assegurar recursos para a fiscalização do setor, é o maior tributo federal. Sozinho, ele responde por mais de R$ 3 bilhões ao ano para os cofres públicos, muito mais do que outros fundos setoriais como Fust e Funttel. Ou seja, a Medida Provisória está dando a possibilidade quase irrestrita ao Executivo de trocar carga tributária por investimentos. E isso vale até 2018, caso a MP fique como está no Senado (o que é bastante provável). Isso é exatamente o que as empresas sempre pediram. Ao reclamarem da excessiva carga de impostos brasileira, as teles alegavam que essa era (é) uma das grandes amarras ao desenvolvimento da infraestrutura. Da mesma forma, para o governo, não havia muito como negociar novos investimentos se de outro lado ele apresentava essa conta fiscal salgada para ser paga pelo setor. Com a MP 563 isso parece que muda completamente. A questão é: que projetos o governo

Instituto Verificador de Circulação

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considerará estratégicos para serem beneficiados por estes créditos fiscais? Esse é um bom exercício que os técnicos do Minicom terão que fazer nos próximos meses. Como será o modelo de contrapartidas? O governo tirará impostos de um lado, mas exigirá das empresas um esforço maior de investimentos? Quais áreas serão priorizadas? As cautelares baixadas pela Anatel contra operadoras móveis no final de julho, proibindo a venda por conta de índices inaceitáveis de congestionamento de redes, evidenciam que alguma coisa não está bem no setor. As empresas justificam que investem cerca de R$ 24 bilhões anuais (número do ano passado que deve se repetir este ano). Mas evidentemente isso não está dando o resultado esperado pela população e pelo governo. Inegavelmente, a burocracia de uso do espaço urbano, as máquinas administrativas municipais pouco transparentes, a carga tributária e todos os outros Custos Brasil são uma explicação para a ineficiência do investimento feito. Mas seria só isso? Não seria o caso de as controladoras das teles olharem para o mercado brasileiro não apenas como um mercado exportador de dividendos, mas sim como um mercado com grandes necessidades de investimento? Nem precisa trazer dinheiro de fora. Basta deixar que se reinvista boa parte do que aqui se gera, pelo menos por um tempo. O Brasil é um mercado em desenvolvimento e que está plenamente aquecido, com uma população cada vez mais ávida por serviços de telecom, tudo isso acontecendo em meio a constantes e importantes evoluções de tecnologia. Não é um cenário de voo de cruzeiro, em que se faz o básico, mas o de uma decolagem, em que é preciso acelerar. Só as empresas que investirem pesado conseguirão colher os frutos desse ambiente. O governo terá, agora, uma ferramenta importante para induzir o crescimento. Mas as empresas também precisam fazer a sua parte.


156 Número

w w w . t e l e t i m e . c o m . b r

Ano 15 | Jul12

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6 Capa

Leve três, pague dois Combos ajudam operadoras a fidelizar clientes e melhorar rentabilidade, mas integração plena dos serviços ainda é um grande desafio.

10 Entrevista

Novos focos O diretor de Segmentos da Oi, Eduardo Aspesi, comenta as mudanças na estratégia da tele com a aposta na convergência de serviços para conquistar o que chama de “o segmento da maioria”.

Especial Inovação Residencial 16 IPTV

Capacidade não é tudo Desafio para teles passa pela escolha da plataforma de vídeo, montagem do headend com soluções de DRM, processador de vídeo e conversão do conteúdo para diversas telas.

20 Wi-Fi

10

16

Residências wireless Tecnologia Wi-Fi é predominante, mas base de roteadores do Brasil ainda é antiga e precisará mudar com a chegada de ofertas de banda ultralarga.

24 HFC

Prontas para a briga Evolução das redes HFC demanda investimento inferior ao do FTTx e deixa operadoras de cabo em condição de brigar pelos clientes de alta velocidade e serviços convergentes.

28 Smart TVs

A ponta final Os televisores tornam-se o equipamento mais nobre das casas conectadas. Estas plataformas estão abrindo a possibilidade de inovação em conteúdos.

34

38

34 TV digital

Questão de prioridade Minicom assegura switch off da TV analógica até 2016 e diz que prioridade no uso do espectro será garantir a cobertura do sinal broadcast.

38 TV por assinatura

Novos caminhos Modelos de negócios alternativos e novas tecnologias podem viabilizar a expansão do número de operadores de TV paga no Brasil.

Editorial 3 | Ponto de vista 44 | Ponto & Contraponto 46 ilustração de Capa: editoria de arte converge/Air0ne/shutterstock

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Letícia Cordeiro

leticia@convergecom.com.br

Leve três e pague dois

A

oferta de pacotes de serviços de telecomunicações como diferencial competitivo já está há alguns anos em voga no mercado brasileiro, ajudando operadoras a reduzir o churn e a atrair novos clientes. Com descontos progressivos à medida que o cliente opta por combos mais completos, essa estratégia ajudou as teles a estancar a perda de base e de receitas de alguns serviços, como telefonia fixa e longa distância. Com as novas regras de TV por assinatura, a tendência é que essa estratégia se torne ainda mais comum. Mas muito do que se viu na oferta dos combos até aqui foi mais uma estratégia de marketing, uma proposta comercial, do que a real integração dos diferentes serviços. Esse cenário, contudo, começa a mudar. O primeiro grande passo para a evolução dessas ofertas partiu da Oi, com o anúncio no início de abril deste ano de uma nova estratégia e a definição de 2012 como o ano do 4Play com serviços convergentes, integrando à sua oferta os serviços a TV por assinatura de maneira agressiva, com marketing, esforço de venda e integração para ter um crescimento relevante em unidades geradoras de receita (UGR). A estratégia da Oi, como explica o diretor de produtos e mobilidade da operadora, Roberto Guenzburger, não passa apenas pela oferta comercial conjunta e uma fatura unificada, mas também pela integração dos serviços. “Ainda em 2005 lançamos o Oi Conta Total, com telefonia fixa, móvel e a nossa banda larga fixa Velox. O diferencial é que o nosso produto tem o compartilhamento de minutos entre telefonia fixa e móvel, em ligações locais e longa distância”, conta. A expectativa da Oi, segundo o executivo, é chegar ao final do ano com um milhão de residências com Oi Conta Total e a estratégia agora é integrar essa oferta à de TV via DTH, recentemente reestruturada com a inclusão de canais HD desde o pacote de entrada. Conceito semelhante

editoria de arte converge/Air0ne/shutterstock

Oferta combinada de produtos sinaliza um novo caminho de rentabilidade para as operadoras. Integração plena ainda é o grande desafio das teles.

foi aplicado no Oi Internet Total, que junta banda larga fixa, móvel 3G e Wi-Fi. Segundo ele, no Oi Conta Total, em média, o desconto na aquisição do combo é de 30% em relação ao valor da aquisição dos produtos em separado. No Oi Internet Total, o desconto chega a 40%. “Convergência é um assunto sobre o qual todo o mundo adora falar, os investidores valorizam muito, mas poucas operadoras no mundo conseguiram ter pacotes realmente convergentes, além de uma simples oferta comercial. Com isso, a experiência do cliente acaba sendo divergente”, avalia Guenzburger. O executivo tem razão quando fala dos investidores. Desde o anúncio da nova estratégia convergente, bancos de investimentos têm melhorado as recomendações pelos papéis da Oi, mostrando otimismo em relação ao plano de “reviravolta” da companhia. A exceção da Oi diz respeito ao Estado de São Paulo, único em que a operadora não é concessionária e, consequentemente, não tem infraestrutura fixa para atendimento ao cliente residencial. “Em São Paulo, para o varejo, nossa 6 Teletime jul_2012

estratégia é trabalhar a convergência eminentemente em cima da telefonia móvel, juntando produtos pós-pagos, pré-pagos e banda larga móvel”. É o exato oposto da operação Telefônica/ Vivo, com infraestrutura convergente fixa e móvel no Estado, onde detém a concessão de telefonia fixa, mas que no resto do Brasil utiliza basicamente a infraestrutura móvel para oferta de serviços combinados de telefonia fixa, móvel e banda larga 3G, além de TV por assinatura via DTH. O peso do móvel Dois serviços despontam como os mais relevantes para o consumidor na hora de escolher um pacote: a banda larga, obviamente, e agora também a TV por assinatura, impulsionados pelo crescimento da economia brasileira e pela ascensão de uma maior quantidade de famílias à classe C. Mas a verdade é que a importância de cada produto varia de acordo com o perfil do cliente e suas necessidades. “Para o consumidor de alta renda, a banda larga pesa muito e é onde estamos investindo mais. Mas para


“poucas operadoras no mundo conseguiram ter pacotes realmente convergentes. Com isso, a experiência do cliente acaba sendo divergente.” Roberto Guenzburger, da Oi da GVT no mercado brasileiro. “Mesmo para operadoras que têm telefonia móvel, a banda larga ainda é o carro-chefe nas ofertas convergentes e, agora, a TV por assinatura está assumindo o papel de número dois. A falta da TV, sim, limitava um pouco a nossa oferta, mas a oferta de quem tem quadriple play hoje não é integrada como deveria ser ou é tão complexa que o consumidor se confunde”, argumenta Sanfelice. Atualmente, um de cada três novos clientes da GVT também adquire TV por assinatura, e dos que assinam TV, cerca da metade não tinha TV por assinatura antes. Origem wireless A TIM, que nasceu como uma operadora móvel, começou a oferecer telefonia fixa a partir de sua infraestrutura wireless e adquiriu a Intelig e a Atimus (braço de telecom da AES com extensa rede de fibras ópticas nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro) para competir na oferta de banda larga fixa residencial. A operadora, entretanto, não trabalha sua estratégia com base em combos de serviço, pelo menos não até o momento, mas passou a oferecer descontos cruzados na oferta combinada com a Sky, estratégia já adotada no passado por todas as operadoras antes de optarem por operações próprias de TV paga. Já a Nextel, que enquanto não conclui a implantação de sua rede 3G atua apenas com a licença de Serviço Móvel Especializado (SME) na prestação de serviços de radiochamada e telefonia móvel para o mercado corporativo, aposta

na qualidade da prestação de serviço e em ofertas customizadas para automação de força de vendas e integração com sistemas de CRM e ERP das empresas, por exemplo, para evitar o churn e ganhar clientes no competitivo mercado brasileiro. “A essência que faz o diferencial da Nextel está no foco em prestação de serviços de qualidade, para entregar uma experiência superior de comunicação e ter os clientes mais satisfeitos do mercado”, afirma o gerente de produtos e serviços da Nextel, Fábio Maeda. Segundo ele, a Nextel tem crescido em média 40% ao ano desde 2006, e com entrada no mercado de 3G, a operadora conseguirá enfim uma oferta de dados móveis para seus clientes. FOTOS: divulgação

a família, a telefonia fixa ainda tem importância grande para chamadas de maior duração e de longa distância, e os gastos com mobilidade ainda pesam muito”, diz Guenzburger. Tudo indica, contudo, que a telefonia móvel deverá ganhar um peso cada vez maior na escolha do usuário por um prestador de serviços. Tanto é verdade que a Net Serviços, que já tem uma oferta comercial conjunta entre seus serviços de TV paga, banda larga e telefonia fixa na sua rede HFC desde 2005, este ano incluiu a telefonia móvel da Claro na oferta combinada, e agora estuda uma integração efetiva de todos os serviços. Ambas as empresas, vale lembrar, são controladas pela América Móvil, do mexicano Carlos Slim. “Temos dois grandes produtos, a TV por assinatura e a banda larga, mas por mais que se ache que o telefone fixo está fora de moda, ele ainda é mais barato e a integração da telefonia ao nosso pacote ajudou a alavancar e muito as vendas. Agora, estamos começando a aprender a convergência com o móvel”, conta o diretor de produtos e serviços da Net Serviços, Marcio Carvalho. A ideia, segundo ele, é trabalhar com um modelo complementar de serviços: “Estamos trabalhando não apenas na integração da telefonia móvel da Claro, para atender o usuário bem também fora de casa, mas ainda com mobilidade restrita utilizando a infraestrutura Wi-Fi que estamos instalando em conjunto”. O desafio da Net é integrar sistemas, redes e estratégias com Embratel e Claro, operadoras que mesmo tendo o mesmo sócio, funcionam de maneira completamente autônoma. E mesmo a GVT, que não tem telefonia móvel nem uma empresa coligada com tal tipo de licença no Brasil, tem planos de, no futuro, fazer parte desse mercado de alguma forma. “Avaliamos todas as opções, desde montar uma operação de MVNO (operadora virtual, que usa a rede de terceiros) quanto adquirir licenças de 4G no próximo leilão, em 2016, ou mesmo fusão ou aquisição de alguma empresa de telefonia móvel”, conta o diretor de marketing da GVT, Ricardo Sanfelice. Ele ressalta que no momento, entretanto, a falta da telefonia móvel no pacote da empresa não inviabiliza a competição

Casa conectada A integração de outros serviços de valor adicionado dentro da casa do cliente, como controle de temperatura e luminosidade, controle de fechaduras, detectores de fumaça e monitoramento com câmeras IP, é outra tendência sendo avaliada pelas operadoras. No caso da Oi, a oferta destes novos serviços de casa conectada está atrelada à rede de fibra ótica que a operadora começou a implantar, inicialmente para o lançamento da sua IPTV, aguardado ainda para o segundo semestre do ano, e de pacotes de banda larga a partir de 100 Mbps. “A ideia é agregar novas ca­­ ma­­das de serviço para fidelizar o cliente com diferenciação”, conta Guenzburger. Clientes da banda larga fixa, por exemplo, já têm acesso a serviços de segurança, através do iG, agregados à banda larga fixa, como antivírus e firewall. Para Carvalho, da Net, uma vez com a banda larga dentro da casa do usuário, a operadora se torna um gateway de informação. “A casa conectada faz parte de um futuro que a gente está construindo. Será uma casa muito mais automatizada e estamos trabalhando na evolução para gerar novos serviços que agreguem valor para o cliente”, diz. Com o NET Lar,

“Estamos trabalhando não apenas na integração da telefonia móvel da Claro, mas ainda com mobilidade restrita utilizando a infraestrutura Wi-Fi que estamos instalando em conjunto.” Marcio Carvalho, da Net Serviços jul_2012 Teletime 7


.:capa FOTO: divulgação

a operadora passou a oferecer conectividade Wi-Fi dentro da casa dos usuários e também uma suíte de segurança em parceria com a McAfee. “Agora virá uma propulsão de novos serviços, como a instalação de sensores. Es­­ta­­mos realizando testes e acho que estamos chegando a uma maturidade para formar uma proposta”. A oferta de uma suíte de segurança com antivírus, anti-spam, firewall e parental control, além de modem com Wi-Fi integrado na GVT começou há cerca de dois anos e meio, gratuito para clientes que adquiriam banda larga de 15 Mbps, velocidade considerada high-end na época. “As vendas da velocidade de 15 Mbps passaram de 10% para 50% naquela época com a oferta de serviços adicionais. Como fomos evoluindo as velocidades, todos têm Wi-Fi e a suíte de segurança e agora estamos trabalhando na criação de novos serviços de valor adicionado”, conta Sanfelice. “A visão de futuro da GVT é totalmente baseada em casa conectada, é a casa do futuro. A partir da nossa oferta de TV por assina-

“a oferta de quem tem quadriple play hoje não é integrada como deveria ser ou é tão complexa que o consumidor se confunde.” Ricardo Sanfelice, da GVT tura, que combina IPTV com DTH, colocamos um home gateway na casa do cliente e ele será a base da nossa oferta de casa conectada”, diz o executivo. O equipamento funcionará não apenas como uma central de mídia para distribuição dos conteúdos dos usuários para os diversos dispositivos conectados a ele, com ou sem fio (via Wi-Fi), mas também como ponto de partida para serviços de automação residencial, segurança e monitoramento. “Temos trocado muita experiência com a SFR, a operadora do grupo Vivendi que atua na França e já tem serviços de casa conectada em operação comercial, e agora estamos trabalhando para tropicalizar a solução”, revela Sanfelice. A GVT realizou um teste com 50 clientes selecionados de um serviço de

monitoramento com câmeras IP gerenciadas a partir de um portal na Internet para avaliar a receptividade do produto. “A percepção de valor para os clientes foi muito boa, mas o grande problema é o custo inicial dos equipamentos. Na Europa, um kit com uma câmera é vendido no varejo por U$ 99 e a mensalidade do serviço sai a U$ 9. No Brasil, com custos de importação e transporte, vai sair uns U$ 200. Ainda estamos tentando formatar o produto, tentando achar um modelo de negócios com viabilidade econômica”, explica. Na avaliação de Sanfelice, ainda deve demorar uns dois anos para que o mercado brasileiro tenha um serviço como esse em escala. A GVT estuda lançar ainda novos serviços de valor agregado no que se refere a conteúdo. Depois do Power Music Club, seu serviço de streaming de música, a operadora prepara o lançamento de jogos na nuvem a partir de uma parceria com outra empresa do grupo Vivendi, a Blizzard. “Pensamos em ter jogos no conceito de cloud games, para serem jogados no computador ou na TV conectando um joystick no set-top box, mas isso só no ano que vem”. 

Combo regulado

O

desafio de integrar diferentes ofertas não é só um problema operacional para as empresas. É também um desafio regulatório. Nesse sentido, a Anatel está trabalhando numa proposta de regulamento de Cobrança, Atendimento e Oferta Conjunta que procura, de acordo com o conselheiro Rodrigo Zerbone, unificar as regras de todos os serviços prestados com licenças do Serviço Móvel Pessoal (SMP), Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) e ainda do novo serviço de TV por assinatura, o Serviço de Acesso Condicionado (SeAC). “Hoje cada um desses serviços tem regramentos específicos, com diferentes prazos de contestação e desligamento, por exemplo, e queremos a unificação dessas regras, dos direitos dos consumidores e de obrigações das prestadoras”. A proposta já é um reflexo da reestruturação da Anatel, que prevê uma superintendência dedicada ao consumidor. O novo regulamento trará ainda, pela primeira vez, diretrizes para a oferta combinada de serviços, esclarecendo o que é ou não permitido e definindo algumas regras de comercialização. “Queremos estabelecer o que acontece, por exemplo, se uma pessoa que contratou um combo quiser desistir de um dos serviços, quais são os seus direitos, se terá de pagar multa”, explica. Outro ponto de preocupação é a venda casada. “A Anatel já vem atuando pontualmente para impedir a venda casada, que acontece principalmente com a banda larga atrelada ao telefone fixo”. Por mais que os órgãos de defesa do consumidor se esforcem em coibir a venda casada, no setor de telecomunicações a prática ainda gera multas às empresas. A mais recente foi aplicada à GVT em meados de julho, no valor de R$ 1 milhão.

Zerbone, que foi o relator da matéria no Conselho Diretor, conta que parte dos atendentes da GVT afirma que não é possível adquirir banda larga sem a telefonia fixa. A outra parte dos atendentes, em maior número, afirma que é possível, sim, adquirir apenas a banda larga. O problema nesse caso é que o preço da banda larga fica até duas vezes mais caro do que no combo. “A infração está muito bem caracterizada nos dois casos. O valor do combo não pode ser inferior ao de um produto isolado”, diz Zerbone. “Isso acontece porque algumas coisas ficam num vazio regulatório e o que queremos é que as regras estejam claras”. A proposta elaborada pela área técnica da Anatel está sendo encaminhada para a Procuradoria da agência, que após análise a devolverá à área técnica para elaboração do texto final da proposta que segue para aprovação do Conselho Diretor. Uma vez aprovado, o texto deve ir a consulta pública para só então ser aprovado definitivamente pelo conselho. Segundo Zerbone, a expectativa é que o regulamento seja enviado para consulta pública até o final do segundo semestre deste ano para entrada em vigor no segundo semestre de 2013.

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“Queremos estabelecer o que acontece, por exemplo, se uma pessoa que contratou um combo quiser desistir de um dos serviços, quais são os seus direitos, se terá de pagar multa.” Rodrigo Zerbone, da Anatel


.:entrevista

Fernando Paiva e Samuel Possebon

fernando.paiva@convergecom.com.br | samuca@convergecom.com.br

Novos focos

Oi reformula estratégia e aposta em ofertas convergentes para conquistar clientes de mais alto valor e ser a operadora do “segmento da maioria”.

TELETIME - A Oi anunciou em abril um plano estratégico até 2015 que basicamente joga para os serviços de banda larga, TV paga, celular e corporativo a responsabilidade de compensar a perda de receitas no segmento fixo. Qual o diagnóstico da Oi? A telefonia fixa morreu? EDUARDO ASPESI - Muito pelo contrário. A telefonia fixa nunca esteve tão viva, porque está havendo um reposicionamento deste produto. Tanto é verdade que esse mercado como um todo tem crescido, o número de linhas tem subido. Nós reposicionamos nossos produtos com a diversidade, desde produtos de controle, em que depois de um determinado valor você põe um cartão pré-pago, até planos ilimitados, em que você fala o quanto quiser, com qualquer um, em ligações locais e de longa distância. Também nos planos corporativos segmentamos nossa área de atuação em locais que têm competição e locais em que queremos ter mais agressividade. Somos a única empresa completa nacional, temos desde a telefonia fixa ao TUP (Telefone de Uso Público), banda larga, Wi-Fi, móvel pré-pago e pós-pago, agora a TV e também teremos IPTV. Estamos trabalhando nossa estratégia, então, com a convergência dos produtos.

fez o 2P (dois produtos), que é o fixo com o pré-pago. Depois a gente fez o 3P, quem tem fixo, banda larga e pré-pago. E a gente está fazendo o 4P, com TV. O Oi Conta Total é 3P: fixo, móvel e banda larga. E agora vai passar a ter TV com oferta integrada. Teremos produtos de integração, não só TV, mas vários outros durante o segundo semestre.

foto: divulgação

N

o início de abril a Oi anunciou um plano estratégico até 2015 que, basicamente, reconfigurou o posicionamento de mercado da operadora de uma empresa até então focada em telefonia fixa, com pouca agressividade na banda larga e no segmento de TV e em clientes pré-pagos, para uma empresa agora focada na aquisição de clientes de mais alto valor a partir de ofertas convergentes de serviços de telecomunicações. O diretor de segmentos da Oi, Eduardo Aspesi, fala dessa mudança, do desempenho e importância dos diferentes produtos, dos primeiros resultados do reposicionamento da tele e, ainda, dos planos da Oi para ser a operadora do “segmento da maioria”.

Vai ter tarifa para TUP dentro de um pacote? É isso. Como temos muita capacidade de rede de cobre em telefonia, vamos maximizar isso. O telefone fixo continua sendo o telefone da família, qualquer ligação acima de dois, três minutos, o telefone fixo é o desejado, é mais barato para ligar para outros telefones fixos, tem enormes vantagens. O que faltava era reposicionar, e a gente reposicionou. O que acontecia é que perdíamos muitos clientes e cada vez estamos perdendo menos. Vamos começar a ter ganhos. A gente vai ver se no segundo semestre zera a parte de perdas de clientes para, então, voltar a crescer. Eduardo Aspesi

Nossa primeira campanha, em que na compra de um fixo mais um pré-pago você fala ilimitado, foi um sucesso, estourou call center e o resultado foi super positivo. Toda a nossa estratégia é trabalhar com convergência. A gente relançou a TV por assinatura e o serviço de telefonia fixa vai ter enormes surpresas para o segundo semestre. Estamos preparando algo que a gente vai denominar de “o segmento da maioria”. O que é o “segmento da maioria”? Pode dar um pouco mais detalhes sobre essa estratégia? É uma multiplicidade de produtos que vai atender a uma grande parte integrada de telecomunicações. Junta fixo, móvel e telefonia pública. Vamos pegar todos os nossos ativos e fazer isso de uma maneira mais adequada. A gente 10 Teletime jul_2012

No segmento móvel, a Oi sempre teve uma estratégia baseada em celulares sem subsídio e venda de chips prépagos. Agora o caminho parece ser outro, com subsídios e forte crescimento no pós-pago. Esse movimento deve se intensificar? O objetivo é ter market share ou rentabilidade? A Oi tem uma nova estratégia, divulgada no Investor’s Day, que é esse plano até 2015 e que envolve a reconquista de clientes de mais alto valor através do seu composto de produtos. O que aconteceu é que essa empresa realmente era focada em pré-pago. Agora não. Nós implantamos nove regionais, colocamos vários novos canais, começamos a ter lojas próprias. Teremos até o final do ano próximo de 200 lojas próprias, o que a gente não tinha. E hoje a gente tem as melhores ofertas do mercado, comprovado pelo estudo de mais de 50 mil planos feito pela Proteste, reforçado a posteriori pelos engenheiros do ITA, que fizeram um estu


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.:entrevista do com a PricewaterhouseCoopers. Veementemente nas ofertas de pós- pagos a gente ganhou de todo mundo como operadora nacional. A CTBC ganhou algumas coisas na região dela, mas como operadora nacional a gente ganhou em todas. Consequentemente, essa empresa que não focava tanto no pós-pago, com as lojas voltou a comprar aparelhos e ampliou a capacidade de decisão e discernimento do cliente. Cabe a ele saber se quer um produto desbloqueado, sem nenhuma fidelização e comprar o celular por R$ 1 mil, R$ 2 mil, ou se quer ter algum tipo de fidelização e pagar um valor bem menor. A gente está dando mais liberdade para o cliente e, consequentemente, a Oi virou uma empresa totalmente pós-paga. Para se ter uma ideia, a gente fez em janeiro quase 30% das adições líquidas de póspagos, segundo dados da Anatel. Teve mês que fizemos 41%. Se pegar os mesmos dados do ano passado, era 5%, 6%. Estamos liderando as adições de póspagos e vamos liderar o ano inteiro, não tenho a menor dúvida. Temos os melhores planos, os melhores aparelhos, temos o que não tínhamos. A Oi acredita que o crescimento em celular no Estado de SP compensará a falta de redes fixas no Estado ou existe a possibilidade de se chegar com fibra para brigar com a Telefônica? A gente já tem bastante fibra em São Paulo. Temos 155 mil km de fibra no Brasil inteiro e já tem fibra em São Paulo, de quando compramos a Pegasus, e vamos ampliando. Mas a nossa prioridade é focar na área onde somos concessionária. A gente tem muito ainda para ganhar. Não há chances de vocês fazerem telefonia fixa em São Paulo, ou pelo menos banda larga com fibra? Neste momento não. Como será a estratégia para banda larga móvel onde vocês têm redes fixas e onde vocês não têm? No caso da Oi, que ainda tem uma cobertura 3G limitada, partir para uma estratégia apenas baseada em 4G é uma opção? A gente tem um produto convergente chamado Oi Internet Total. Para quem gosta de Internet, tem a banda larga fixa, tem a banda larga móvel 3G via modem e no celular, e ainda damos Wi-Fi de graça

no Brasil e no resto do mundo, com a Vex e com as parcerias que temos, 700 mil hotspots no mundo inteiro, com o iPass e a FON. Só quem usou dados no exterior sabe o quanto custa caro o roaming internacional. Então a estratégia fica da seguinte maneira: integramos tudo de Internet no Oi Internet Total. É um produto fantástico, para pessoas inovadoras, que querem ter Internet em qualquer lugar, dentro de casa ilimitado, 3G com suas limitações, no celular em qualquer lugar e com Wi-Fi. No segmento de banda larga fixa, a Oi hoje tem a maior defasagem em termos de velocidade e apelo competitivo em relação aos entrantes. Isso pode ser compensado ou é preciso melhorar o produto? A gente vem crescendo a velocidade média, que dobra a cada dois anos. Era 1 Mbps, foi para 2 Mbps e agora está próxima de 3 Mbps. A gente vem crescendo, vem adaptando isso. Na Europa é tudo muito espraiado, você não vê prédios acima de cinco andares. Nos Estados Unidos ninguém mora em prédio. Tirando Manhattan, todo o mundo mora em con-

Vamos ter dezenas de cidades (com fibra), iniciando este ano pelo Rio de Janeiro e Belo Horizonte. mais eu não posso dizer.” domínio. Como no Brasil é muito concentrado, viabiliza muito a fibra ótica. Um cabo precisaria ter 60 domicílios com TV para viabilizar alguma coisa. A nossa fibra para IPTV, inicia onde os outros acabam. Iniciamos com no mínimo 100 Mbps de velocidade. Temos que ficar segurando a fibra para não dar mais velocidade para o cliente. Vamos ter 100 Mbps, 200 Mbps para iniciar. Não conseguimos nem dar menos. E já estamos cabeando. Vamos ter dezenas de cidades, iniciando este ano pelo Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Mais eu não posso dizer. E vai se chamar Oi TV? Não, porque Oi TV é a nossa TV por assinatura, mas ainda é uma TV linear. Vai ser outra coisa, com mais diversidade. Com a fibra, o conteúdo estará não apenas na TV, mas em qualquer lugar, junto do usuário, não é mais linear. Será como 12 Teletime jul_2012

o Meo, da Portugal Telecom, no qual você monta a sua televisão. Vai ter o catch-up (exibição on-demand de programas já exibidos), busca de informações, como sobre um jogo de futebol. Mudou o conceito de ver TV: ela vai estar em todos os lugares, no momento em que você quiser, com a velocidade que você quiser e realmente com qualidade super HD. As TVs HD que a gente tem vão dobrar os pixels daqui a dois, três anos e a gente está se preparando para essa onda. Está claro que a Oi aposta em uma alternativa de fibra residencial para banda larga e IPTV. De quantas cidades estamos falando? Será uma estratégia massificada? Assim como o DTH a gente usa para áreas espraiadas, de pouca concentração, a gente vai colocar o IPTV, uma TV muito mais avançada sobre a fibra, tanto com voz quanto hiper banda larga. É a reconquista. O que aconteceu é que o preço da fibra com GPON ficou igual ao do coaxial e a complexidade ficou menor. Nos EUA, as teles que optaram por seguir uma estratégia de fibra para brigar com a TV a cabo conseguiram uma parcela significativa do mercado de TV paga, mas os investimentos foram brutais. No caso de vocês, o objetivo é ganhar base com DTH e chegar às classes mais abastadas com a fibra? No primeiro momento a ocupação do footprint vai ser com DTH, e para quem quiser ter um produto com fibra a gente vai disponibilizar também, mas em áreas mais densas e de maior poder aquisitivo. Esse negócio de preço é uma coisa muito relativa. Tem a percepção de valor. Você vai ter uma coisa que nunca teve. É que nem a diferença entre digital e HD. Vai ser mais do que isso. Basta ver a Verizon com o FiOS e a AT&T e o que eles estão fazendo lá (nos EUA). Vê o que aconteceu com as operações de cabo lá, vê quem perde mercado e quem ganha... A oferta de TV por assinatura, nos custos atuais de programação e set-top boxes, se justifica sem os combos? A vantagem do combo é que é uma única venda, uma única fatura, uma única instalação, um único atendimento. O cliente prefere ter o combo. Como o meu custo é bem reduzido, eu repasso todo o meu ganho para o cliente e, evidentemente, é vantagem para os dois. O Oi Conta Total é 30% mais barato para o consumidor do


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.:entrevista

E esse público tem TV HD? Tem. Na nova safra, 90% das TVs compradas já têm HD. De 80% a 90% da nossa base tem TV já pronta, e vai correndo comprar quando não tiver e vai assinar TV paga com HD. Como você avalia hoje a concorrência com a Net e com a GVT e o que a Oi

fazer isso. Tem que ter canal de venda, instalar, treinar as pessoas para instalar, tem que chamar uma empresa de decoders. A gente tem uma empresa do grupo que faz instalação, que vai capacitar pessoal para fazer isso. E temos a Contax (call center), que vai ajudar com atendimento, porque a gente sabe que tem que ser um trabalho diferenciado.

foto: teletime

que se ele comprar os serviços em separado. Tudo que economizamos passamos para ele. No Oi Internet Total a economia para o cliente chega a 40%. Em TV por assinatura o que houve foi que reposicionamos todo o nosso produto. Nosso produto não tinha Globosat, então colocamos. Não tinha UHF, VHF, as TVs abertas, não tínhamos a Globo, por exemplo, e agora temos, e fomos a primeira a colocar a Copa Libertadores com a Fox Sports. No final de abril fizemos uma campanha com o Lázaro Ramos, “Chegou Oi TV por Assinatura”, a R$ 29,90 para quem tem banda larga e fixo nos primeiros três meses e, depois, custava R$ 59,90. Foi um sucesso de vendas. Vendíamos 5 mil assinaturas por mês e fomos para 40 mil, 50 mil. Hoje estamos com 450 mil clientes. Deu uma virada. Perdíamos clientes e agora estamos vendendo e chegamos a 450 mil. E agora em julho entra uma oferta bárbara, que é o oposto do que todo mundo tem. As demais operadoras trabalham com um modelo que oferece HD para os clientes de mais alto valor. Então, clientes antigos das operadoras pagam muito mais caro no mesmo produto, por incrível que pareça. As operadoras começaram a colocar HD para aumentar o ARPU. O que a gente fez é o contrário. Nossa primeira oferta de TV tinha 45 canais. A gente tinha mais canal pelo menor valor para os nossos clientes. Quem não é nosso cliente paga R$ 20 a mais. Agora, enquanto quem oferece HD é só para quem está lá em cima, eu vou botar lá embaixo. A minha primeira proposta de massa é colocar o HD, vai fazer parte do pacote inicial. São mais de dez canais HD no pacote inicial, a partir do dia 12 de julho. A minha estratégia de HD é inverter tudo. Quando a operadora põe o HD lá em cima na pirâmide de clientes, o custo de programação é mais caro. Quando é embaixo, é mais barato. E as outras operadoras não podem me replicar porque eles têm uma base muito grande de clientes e teriam que trocar o decoder de todo mundo. Como sou entrante, todo mundo já vai entrar com HD.

o HD vai fazer parte do pacote inicial. minha estratégia é inverter tudo E as outras operadoras não podem me replicar porque eles têm uma base muito grande de clientes." tem ou teve que mudar para enfrentar essa nova realidade? O que houve é que a Oi ficou durante dois anos meio que fora do mercado. Então ela montou uma estratégia para recuperar esse mercado. Vai investir R$ 24 bilhões ao longo do tempo, abriu regionais, fez lojas próprias, voltou a ter pós-pago e, na TV por assinatura, a demanda é por fazer um reposicionamento. Estamos felizes da vida com o desempenho que estamos tendo. Estamos com quase 500 mil clientes de TV, um resultado fantástico, um ARPU cada vez maior, um churn cada vez menor. Qual a meta para o final deste ano em TV? A meta é tudo o que eu conseguir vender, instalar e entregar, é o máximo possível. E tem toda uma logística para 14 Teletime jul_2012

Vocês acreditam que o modelo de venda de Internet fixa, baseado em preços cada vez menores por uso ilimitado, tenha que ser revisto para algo baseado em volume de dados, por exemplo? E na banda larga móvel, qual o modelo que deve se consolidar? A nossa posição é que o modelo tem que ser híbrido. O cliente tem que ter em casa banda larga ilimitada. No 3G, tem que ter uma certa limitação por conta da rede. E daí, no nosso caso, você acaba tendo ilimitado porque usa o Wi-Fi em qualquer lugar que estiver. Nosso diferencial é o Wi-Fi, já que temos a maior rede Wi-Fi do Brasil e a maior quantidade de parcerias internacionais, e você usa o quanto quiser, é de graça. São 2,5 mil hotspots instalados e continuamos ativando mais hotspots, sempre aumentando. Como vocês avaliam o mercado de longa distância? Esse é um mercado que morreu? O mercado de longa distância está fazendo parte também de nossas ofertas integradas. Nos nossos pacotes fixos ilimitados o cliente também ganha longa distância ilimitada para ligar para outro fixo. E a avaliação da queda na quantidade de minutos e receita da longa distância mudou radicalmente, já está suavizada. A longa distância internacional caiu mais, por causa do VoIP, e a nacional cai cada vez menos, está se estabilizando. Qual sua avaliação sobre a estratégia da Oi? Nossa estratégia é adquirir clientes de mais alto valor, com produtos que são integrados. Desde que a gente começou a fazer isso a recepção é extremamente positiva. A gente vem conquistando clientes de cada vez mais valor, tanto em televisão quanto essa liderança em póspago que a gente vem tendo, como no crescimento super positivo de banda larga, com uma redução cada vez maior de perdas de fixos, a gente vai começar  a zerar e depois crescer.


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especial Inovação

IPTV

por Letícia Cordeiro

leticia@convergecom.com.br

Capacidade não é tudo

O

conceito de IPTV não é novo. Surgiu como forma de viabilizar as redes das operadoras de telecomunicações para a oferta de serviços de TV por assinatura e as primeiras operações comerciais datam de mais de dez anos. De lá pra cá, a plataforma evoluiu, bem como evoluíram as exigências do consumidor por serviços de TV paga. Basicamente, uma operação de IPTV converte o vídeo em bits a partir de um headend, e a transmissão do conteúdo de TV é feita diretamente pela rede IP da operadora. Para isso, claro, é pré-requisito uma rede de transmissão de dados de alta capacidade, e a fibra óptica direto na casa do cliente tem sido a escolha das operadoras para a oferta do serviço, embora existam soluções que otimizem as redes legadas de cobre para grandes velocidades, como VDSL e bonding VDSL. “Como numa operação de IPTV se transmite conteúdo de vídeo para muitos clientes a partir de um ponto centralizado, onde fica o headend, é como se cada cliente estivesse fazendo um streaming de vídeo de alta qualidade simultaneamente, e a rede de dados da operadora precisa suportar esse tráfego”, explica o diretor da área de tecnologias para uso doméstico da Motorola, Marcos Takanohashi. Mais que isso, a evolução dos serviços de TV paga, com a tendência de o conteúdo sair da tela da TV para outras telas, como computadores, tablets e smartphones, no conceito de TV everywhere, exige ainda mais das redes. O consultor de engenharia para services providers da Cisco, André Rodrigues, lembra que o Brasil é um mercado que busca aproveitar o que a tecnologia tem a oferecer. “A população brasileira é jovem e nosso mercado busca novidades, não é engessado, e a TV everywhere é a evolução”. “Na Europa, há o caso de uma operadora em que 30% do conteúdo de vídeo assistido pelos usuários em casa já acontece em tablets”, revela o diretor de Tecnologia da Nokia Siemens Networks para América Latina, Wilson Cardoso. “Se imaginarmos um cliente usando 1 6

basketman23/shutterstock.com

Impacto do iptv na arquitetura de rede passa também pela escolha de uma plataforma de vídeo e montagem do headend, com soluções de drm, processador de vídeo e conversor de conteúdos para diversas telas.

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transmissão dos conteúdos e precisa se comunicar com os mecanismos de gestão de capacidade e garantia de entrega na rede das operadoras”. Takanohashi, da Motorola, salienta que a quantidade de headends varia de acordo com a arquitetura de rede e modelo de negócios de cada operadora. “Há quem tenha apenas um headend, com infraestrutura redundante, e há quem utilize mais dois ou mais headends espelhados. A norte-americana Verizon, por exemplo, tem cinco headends regionais espalhados nos Estados Unidos para a oferta do FiOS, serviço de IPTV sobre sua rede nacional de fibra ótica”, cita Takanohashi. A vantagem de transmitir sobre a rede IP é que o processamento dos sinais pode ser feito em qualquer lugar. Na sua primeira demonstração de IPTV realizada em abril, a Oi, por exemplo, utilizou o headend que estava em Lisboa, da Portugal Telecom, acionista da operadora e entusiasta da tecnologia. A operação rodava no Rio de Janeiro, abastecida por sinais e processamento realizados do outro lado do Atlântico.

simultaneamente um streaming ao vivo de um canal HD ou vídeo on-demand HD e ainda um streaming SD (standard definition) para um tablet, além da sua conexão banda larga de 10 Mbps, estamos falando de uma banda larga de 24 Mbps entregues na casa dele pela tele”, calcula André Rodrigues. A conta bate com a do diretor de inovação da Ericsson, Jesper Rhode, que calcula uma banda média de 2 Mbps a 3 Mbps para uma transmissão de canal SD e de 8 Mbps a 10 Mbps para um canal HD. Mas essa capacidade de rede é apenas a primeira parte do problema. O impacto do IPTV na arquitetura de rede de uma operadora de telecomunicações vai além. Passa pela escolha da plataforma de vídeo e pela montagem do headend com soluções de DRM, processador de vídeo e conversão do conteúdo para diversas telas. Como explica Rhode, o headend é o responsável por receber os sinais dos canais e conteúdos on demand diretamente dos programadores, por satélite e/ou fibra, processá-los, codificá-los, armazená-los em servidores e, então, distribuí-los na rede da operadora. “É a parte central para I n o va ç ã o

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>> “Dentro de três a cinco anos, funcionalidades de interface com o usuário ficarão embutidas em aplicativos para TVs conectadas ou consoles de games.”

foto: arquivo

Multi-telas É no headend que acontece a formatação dos conteúdos para múltiplas telas, com diferentes tamanhos e sistemas operacionais dos diversos dispositivos.”E cada operadora tem parâmetros distintos de tamanho, velocidade de streaming, tipo de set-top box e rede”, acrescenta Rhode. “O mesmo sinal é processado uma única vez dentro do headend e formatado para todas as telas, e o adaptive bit rate (ABR) tem sido cada vez mais adotado para conteúdos multiscreen”, detalha Rodrigues, da Cisco. O ABR é uma tecnologia que adapta o conteúdo à largura de banda disponível, com maior ou menor resolução de acordo com as condições de transmissão da rede e com o dispositivo do usuário, comumente utilizada por serviços over-the-top como o Netflix. Além da possibilidade de fazer de antemão a conversão de todos os conteúdos para as diferentes telas e armazená-los em servidores, operadoras podem optar também por uma técnica de codificação em tempo real, o que faria a conversão do conteúdo para o

Jesper Rhode, da Ericsson

determinado dispositivo apenas quando solicitado. “A operadora gasta mais com equipamentos, mas não precisa de tanto armazenamento e ainda têm a vantagem de ter o software atualizado a cada lançamento de novo player ou dispositivo”, pondera o executivo da Motorola.

O acionamento e sequenciamento de solicitações de VOD e pay-per-view obedecendo a políticas de acesso condicional e digital rights management (DRM), por sua vez, acaba sendo realizado com base em regras geradas por um content management system (CMS) para um metadados integrado ao middleware, que é, por sua vez, quem controla o headend. O modelo de TV everywhere exigiu também a adoção de novas soluções de DRM e acesso condicional para proteger o conteúdo, evitando pirataria e implementando políticas de acesso e preço a diferentes tipos de vídeos. Embora o smartcard dos decodificadores de TV paga


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especial Inovação

IPTV

continue a desempenhar papel importante nos sistemas de acesso condicional, para liberar o acesso em tablets, computadores, smartphones e até mesmo diretamente em TVs conectadas ou consoles de games, o uso do DRM passou a ser necessário, e esse controle passou a ser decodificado diretamente pelo aplicativo ou player de vídeo utilizado pelo dispositivo tudo via software. “Uma tendência que verificamos é de cada vez mais a inteligência dos set-top boxes migrar para a nuvem, bem como o media data center e o armazenamento de conteúdos. Isso diminui o custo operacional para os provedores de serviço, que não precisariam mais investir em caixas para serem entregues ao usuário em sistema de comodato, dá escala e permite o deployment de novos serviços de forma mais rápida”, conta Rodrigues. Essa também é a visão do executivo da Ericsson: “Dentro de três a cinco anos, funcionalidades de interface com o usuário ficarão embutidas em aplicativos baixados para TVs conectadas ou consoles de games e será possível baixar o aplicativo de IPTV de uma operadora sem adquirir um set-top box”, prevê Rhode. Outro conceito que vem sendo amplamente adotado por provedores de TVs por assinatura são as redes de distribuição de conteúdo (do inglês content delivery networks – CDNs), mais especificamente para conteúdos on-demand (VOD). As CDNs são um conjunto de servidores espalhados pela rede que fazem o caching (cópia e armazenamento local) dos conteúdos mais solicitados pelos usuários, melhorando a experiência dos clientes ao reduzir a latência na entrega do vídeo e economizando no uso de recursos de rede para os provedores. “É um conceito que veio da Internet, muito utilizado por provedores como Google ou UOL e que passou a ser utilizado pela maioria das operadoras europeias e asiáticas para atender a demanda gerada pelos serviços de vídeo on-demand e TV everywhere”, lembra Takanohashi, da Motorola. “Sem uma CDN, qualquer solicitação do usuário teria que percorrer todo o caminho da ponta do cliente ao headend da operadora”, complementa Rodrigues. Interatividade O grande diferencial competitivo da plataforma de IPTV sempre foi a promessa de interatividade, uma vez que a transmissão do 1 8

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“O provedor que terá mais sucesso no mercado será aquele com mais aplicativos e maior oferta de interatividade.” Célio Rosa, da Oracle Sul preparando lançamentos de aplicativos para envio de mensagens, desvio de chamadas para voice email e interatividade com redes sociais. Conteúdos e serviços de experiência estendida em uma segunda tela de um tablet, por exemplo, complementando o que está sendo assistido na tela principal da TV da sala, é uma nova tendência que começa a ser explorada por operadoras de TV por assinatura. “São resumos da história, informações adicionais, making-of, tabelas de campeonatos etc na tela do ‘companion device’. São novas funcionalidades que podem ser exploradas sem alterar o layout dos conteúdos ou poluir a tela da TV”, diz Rodrigues, da Cisco. O executivo acrescenta que junto ao conceito de experiência estendida poderá chegar também ao mercado o target advertisement, propagandas dirigidas ao usuário de acordo com o conteúdo sendo acessado e o dispositivo sendo usado pelo cliente. “Se entra o comercial de uma rede de pizzarias no intervalo da novela, por exemplo, a tela do tablet pode mudar para uma página da pizzaria com uma promoção indicando a localização do restaurante mais próximo ou, se for o comercial de uma rede de supermercados, com base no histórico de consumo do cliente, colocar promoções de produtos de que ele gosta. É uma nova fonte de receitas para a operadora e algo de grande valor para o usuário”, avalia Rodrigues, ressaltando, contudo, que a oferta de publicidade dirigida no mercado brasileiro exige integração da plataforma de TV com sistemas de business intelligence integrados ao CRM e que isso deve acontecer apenas no médio prazo, de dois a três anos. “Não por causa da tecnologia, mas porque é algo que mexe com toda a cadeia da indústria, do anunciante e agência de propaganda ao provedor de serviço, e é preciso tempo para desenvolver um modelo de negócios”, conclui.

vídeo se dá sobre o protocolo IP em uma plataforma convergente, característica esta que se não bem explorada pode fadar a tele a não obter o sucesso esperado. “É o grande diferencial. A operadora não pode ser apenas um pipe de acesso, precisa agregar valor para competir, e o provedor que terá mais sucesso no mercado será aquele com mais aplicativos e maior oferta de interatividade”, avalia o SDP & Prepaid Business Development da Oracle, Célio Rosa. Takanohashi, da Motorola, concorda: “Como na telefonia móvel, não existe um killer application para IPTV, não existe um único aplicativo mágico. O que vai diferenciar uma operadora é uma oferta ampla de vários serviços em cima da plataforma, a capacidade de rodar aplicativos e games, por exemplo”. Aplicações de interatividade podem ser desenvolvidas e armazenadas em um SIP Server, que por sua vez interage com a plataforma de IPTV. “Com aplicações rodando em um SIP Server, uma operadora que ofereça IPTV pode dar interatividade para que

As CDNs são servidores espalhados pela rede que reduzem a latência e economizam recursos de rede. o usuário que esteja vendo um filme o pause para atender a uma chamada telefônica direto pela TV e depois retorne à sua programação”, exemplifica Rosa. Segundo ele, a Oracle trouxe ao Brasil parceiros que desenvolvem widgets para operadoras de IPTV e já há teles no País e na América do I n o va ç ã o

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Wi-Fi

por Fernando Paiva

fernando.paiva@convergecom.com.br

Residências wireless Tecnologia Wi-Fi é predominante em redes domésticas, mas base de roteadores do Brasil ainda é antiga e precisará mudar com a chegada de ofertas de banda ultralarga. Christos Georghiou/ oly5 / shutterstock.com

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conexão à Internet está se tornando parte da infraestrutura básica de qualquer residência, tal como água, luz, gás e esgoto. Se dez anos atrás a família brasileira de classe média se contentava com um único ponto de acesso em casa, para conectar um PC de uso coletivo, a necessidade agora é outra. Há uma quantidade cada vez maior de dispositivos capazes de acessar a Internet dentro de casa, como celulares, tablets, laptops e TVs, o que torna fundamental ter uma rede que cubra toda a residência. Calcula-se que uma família de classe média brasileira tenha em média seis dispositivos conectados em seu lar atualmente e a tendência é de que esse número cresça exponencialmente nos próximos anos. A melhor opção tecnológica para suprir essa necessidade tem sido o Wi-Fi. O padrão vem se aprimorando nos últimos anos, mas a base de roteadores brasileiros é relativamente antiga e o usuário ainda não aprendeu a lidar com problemas tais como a interferência de sinal e obstáculos que reduzem a cobertura. A preferência pelo Wi-Fi para redes domésticas se deve a uma combinação de vários fatores, dentre os quais se destacam a queda no preço dos roteadores ao longo da última década, em função do ganho de escala em sua produção, e a comodidade de não precisar furar paredes e passar novos fios pela casa. Soma-se a isso o fato de as operadoras de banda larga fixa terem passado a distribuir modems com Wi-Fi embutido. Essa conjunção de pontos positivos reflete em números: estima-se

que em 2011 foram vendidos 2,2 milhões de roteadores Wi-Fi no Brasil para redes domésticas, volume quase 50% maior que o registrado no ano anterior (1,5 milhão). E em 2012 espera-se um crescimento de 20%, com cerca de 2,5 milhões de unidades comercializadas. O número só não é maior porque o ciclo de vida desse produto é relativamente longo. Enquanto as pessoas trocam de celular a cada dois anos e de TV a cada quatro, o roteador Wi-Fi costuma ser mantido por mais de cinco anos. Como a Wi-Fi Alliance exige

que todo novo padrão criado seja compatível com os anteriores, muitos consumidores não sentiram ainda necessidade de troca, o que só acontece em caso de defeitos ou de demanda por conexões mais rápidas. Mais da metade dos roteadores Wi-Fi domésticos em atividade no Brasil opera no padrão 802.11g, que alcança uma velocidade de 54 Mbps no máximo. A indústria, contudo, começa a forçar um novo passo. A Linksys, braço de redes domésticas da Cisco, há mais de um ano só vende produtos com o padrão 802.11n, o mais novo da família Wi-Fi, cuja velocidade varia de 150 Mbps a 450 Mbps, dependendo do chipset, e ainda pode ter a capacidade dobrada se o produto operar em duas frequências simultaneamente (2,4 GHz e 5 GHz). Gradativamente, os dispositivos eletrônicos com Wi-Fi começam a aderir ao novo padrão. A maioria dos novos modelos de laptops e smartphones já são compatíveis com 802.11n: é o caso, por exemplo, do Samsung Galaxy S III, do iPhone 4S e do Sony Xperia S. Por muito tempo, a velocidade Wi-Fi esteve bem acima daquela provida pela banda larga fixa, o que consistia em mais um motivo para que o consumidor não trocasse seu roteador. Agora, contudo, o padrão 802.11g e sua limitação a 54

“São dois os desafios básicos: a proliferação de dispositivos e o aumento do consumo de banda.” Maurício Gaudêncio, da Cisco 2 0

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Mbps começa a ser um gargalo frente às ofertas de banda ultralarga que surgem no mercado brasileiro, com velocidades que alcançam até 100 Mbps. Nesses casos, é preciso um roteador no padrão 802.11n. “São dois os desafios básicos: a proliferação de dispositivos e o aumento do consumo de banda. Antes as pessoas apenas navegavam na web em casa, agora assistem a vídeos de alta definição. Em dois anos, 80% do tráfego da web no mundo será vídeo”, comenta Maurício Gaudêncio, gerente de produtos da Cisco. Para muitos especialistas, a quantidade de conexões em um mesmo roteador não seria um problema da tecnologia em si, pois o limite teórico é alto. Mas, na prática, dependendo das configurações do equipamento, há reclamações de muitos consumidores sobre limitações de conexões simultâneas. Desenhando a rede A qualidade do acesso à Internet vem

“Por enquanto, automação residencial no Brasil é para ricos.” Maurício Takayanagi, da TIM

ganhando tamanha importância que já existem residências de alto padrão com redes melhores que muitas empresas. “Instalamos uma rede de 40 pontos de acesso Wi-Fi na casa de uma atriz que mora em um triplex nos Jardins, em São Paulo. A casa dela é toda conectada”,

relata André Queiroz, diretor do mercado de empresas para América Latina da Ruckus Wireless. Depois de implementar uma rede corporativa, é comum o presidente da empresa cliente solicitar os serviços para a sua residência, conta Queiroz. O exemplo do triplex nos Jardins, porém, é uma exceção. A maioria das redes Wi-Fi domésticas no Brasil é instalada pelos próprios usuários sem qualquer estudo prévio do espaço para escolher a melhor localização para o roteador. Vários obstáculos, como paredes, tubulações e até aquários atrapalham a propagação do sinal, gerando áreas de sombra dentro de casa. Há quem recorra a repetidores de sinal,


especial Inovação

Pavel Ignatov / shutterstock.com

Wi-Fi

mas Queiroz, da Ruckus, condena: “instalar um repetidor de sinal é como botar um band-aid para compensar o problema de um roteador deficiente. O certo é escolher o AP (access point) adequado para cada situação”. Como nem todo mundo pode pagar por uma consultoria em Wi-Fi, a Linksys está relançando um modelo de repetidor de sinal para o mercado residencial brasileiro. Há também quem proponha a combinação de Wi-Fi e Powerline Communications (PLC) para garantir a cobertura de uma casa inteira. A solução, conhecida como Wi-Fi híbrido, consiste em ligar o roteador a um plugue especial, que se conecta a uma tomada próxima, injetando o sinal na rede elétrica residencial, que é captado em outro cômodo, por outro plugue, que funciona também como um pequeno roteador Wi-Fi. Essa solução é popular na Europa, conta Hélio Oyama, gerente sênior de desenvolvimento de negócios da Qualcomm, que fabrica chipsets PLC para esses equipamentos. Oyama acredita que neste segundo semestre uma empresa comece a fabricar esses plugues PLC no Brasil. Outro desafio enfrentado pelas redes Wi-Fi domésticas é a interferência no sinal. Ela pode ser causada por aparelhos que trabalham na mesma frequência de 2,4 GHz, como telefones sem fio, microondas e transmissões via Bluetooth, ou pelos roteadores dos vizinhos. Se estiverem

“No futuro será possível até mesmo gerenciar a validade dos produtos dentro da geladeira.” Demétrio Gatos, da Linksys

Casa conectada As redes Wi-Fi caminham para atender a uma gama cada vez mais vasta de aparelhos dentro de casa. Celulares, tablets, laptops, TVs e videogames já são conexões triviais. Com o barateamento do chipset Wi-Fi, diversos outros eletrodomésticos sairão de fábrica capazes de se conectar à Internet. “Em breve, vamos conseguir comandar remotamente a geladeira: checar sua temperatura, verificar se a luz está funcionando ou se a porta ficou aberta... No futuro será possível até mesmo gerenciar a validade dos produtos dentro da geladeira”, prevê Demétrio Gatos, gerente de território Brasil da divisão de redes domésticas da Cisco, responsável pelos produtos da marca Linksys. Por sinal, a Cisco tem um acordo internacional com a Whirlpool para incluir conectividade Wi-Fi nos eletrodomésticos da fabricante, dona das marcas Brastemp e Consul no Brasil. Outros utensílios residenciais, como fechaduras, cortinas e interruptores de luz já podem ser controlados remotamente, através de soluções de automação residencial. Entusiasta de

configurados para funcionar no mesmo canal, há um disputa por banda entre os devices conectados às duas redes. “O maior problema do Wi-Fi residencial é o excesso de cobertura”, comenta Gaudêncio, da Cisco. Uma solução é experimentar a troca de canal do roteador. Em 2,4 GHz, o Wi-Fi trabalha com três canais diferentes. Outra saída é experimentar a frequência de 5 GHz, presente em alguns roteadores. Essa faixa costuma ser menos congestionada que aquela de 2,4 GHz, sendo mais adequada para videoconferências e VoIP. O problema é que há poucos dispositivos no mercado capazes de operar nela. A grande maioria funciona apenas em 2,4 GHz. O ideal, segundo Queiroz, da Ruckus, é mesclar o uso das duas frequências.

Os diferentes sabores de Wi-Fi Alcance indoor médio

Velocidade

Frequências

802.11a

30 metros

54 Mbps

5 GHz

802.11b

30 metros

11 Mbps

2,4 GHz

802.11g

40 metros

54 Mbps

2,4 GHz

802.11n

70 metros

154 Mbps ou 300 Mbps (dependendo do chipset), podendo dobrar a capacidade se usada banda dupla

2,4 GHz e 5 GHz

802.11ac*

Tecnologia em desenvolvimento

Acima de 1 Gbps dependendo da combinação de canais e antenas, ou até 500 Mbps por conexão

2,4 GHz e 5 GHz

* Tecnologia em processo de padronização.

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>> novidades tecnológicas, o presidente da TIM Fiber, Rogério Takayanagi, instalou um sistema desses em sua casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Pelo seu smartphone, controla tudo o que acontece em sua residência, mas admite que as soluções disponíveis ainda não são amigáveis o suficiente para o usuário comum, além de caras. “Por enquanto, automação residencial no Brasil é para ricos”, reconhece. O executivo sugere que um dos caminhos pode estar na combinação entre os setores de telecomunicações e energia, com serviços para gerenciar à distância a melhor hora para ligar eletrodomésticos de alto consumo, como lava-roupas, de acordo com a variação do preço da eletricidade ao longo do dia. Atualmente o preço

diferenciado em horários de pico é praticado em poucos países e geralmente restrito a clientes industriais. Com a chegada de medidores inteligentes, a prática logo será estendida para o consumidor residencial e será necessária uma conexão à Internet para gerir os aparelhos dentro de casa. Nesse contexto de casa conectada, “o roteador Wi-Fi é o coração da rede doméstica”, compara Gatos, da Cisco/ Linksys. E o consumidor se torna uma espécie de gerente de TI residencial, controlando à distância não apenas os eletrodomésticos de sua casa, mas a rede local por completo, definindo filtros de navegação na web, priorização de tráfego ou mesmo bloqueando o acesso de determinados produtos, como o videogame na hora do dever de casa.

Wi-Fi e a indústria de telecom tradicional As grandes operadoras de telefonia fixa brasileira estão começando a oferecer acessos residenciais de altíssima velocidade, graças a investimentos pesados em fibra óptica, que, em alguns casos, vai até a casa do cliente. O mais novo player nesse mercado é a TIM, através de sua subsidiária TIM Fiber, cujo lançamento comercial está previsto para setembro no Rio de Janeiro e em São Paulo. Seu presidente, Rogério Takayanagi, sabe da importância do Wi-Fi para as residências atuais. Por isso, os modems da TIM virão com roteador Wi-Fi embutido, a exemplo do que já fazem as outras operadoras. “Daqui a cinco anos, quando o acesso acima de 30 Mbps se popularizar, tudo será processado na nuvem. Teremos jogos massivos, TV não linear etc. Quando esse dia chegar, é preciso ter uma infraestrutura fortíssima”, prevê Takayanagi. Fabricantes tradicionais de redes móveis também estão atentos à popularização do Wi-Fi, até porque percebem a demanda por parte das operadoras celulares, cujos planos de negócios agora incluem redes públicas de Wi-Fi para desafogar o espectro usado em 3G e 4G. “A Ericsson vê o Wi-Fi como uma tecnologia complementar à móvel, ideal para ambientes indoor, mas não limitado ao residencial, podendo ser adotada em qualquer lugar com grande densidade de dados”, descreve Margarete Iramina, diretora de desenvolvimento de negócios de banda larga móvel da Ericsson para América Latina. A fabricante sueca lançará ainda este ano uma picocélula (antena celular de

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pequeno porte) com Wi-Fi embutido, para teles móveis. No futuro, essa tecnologia vai se tornar um “item de série” em novas antenas celulares, prevê Margarete. No Brasil, todas as teles estão investindo em redes públicas Wi-Fi, com destaque para a TIM, que promete construir 10 mil hotspots até o fim do ano, e a Oi, que adquiriu a Vex e fechou acordos para roaming internacional via Wi-Fi. “O futuro será de redes heterogêneas, meio 3GPP, meio Wi-Fi”, comenta Margarete, da Ericsson. Segundo a executiva, caberá ao core do sistema da operadora direcionar automaticamente o usuário para a rede que estiver mais livre, quando houver cobertura de ambas. A Qualcomm, fabricante de chipsets para celulares e smartphones, por sua vez, criou uma plataforma para a comunicação direta via Wi-Fi entre dispositivos variados, chamada “AllJoyn”, já prevendo o padrão 802.11ac, para conexões em altíssimas velocidades (como streamings de vídeos HD). Com SDK (software development kit) gratuito, a “AllJoyn” permite a desenvolvedores elaborarem aplicativos móveis multiplayer cuja interação é feita via Wi-Fi, sem a necessidade de um roteador. As primeiras experiências são com aplicativos para smartphones e tablets, como um para ser usado entre professores e alunos em sala de aula, para compartilhamento de conteúdo das classes. Nada impede, contudo, que a plataforma venha a ser adotada mais à frente para a comunicação entre eletrodomésticos variados e smartphones.

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Prontas para a briga

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ançado ainda em meados da década de 90, a primeira versão do padrão de banda larga DOCSIS, criado pela Cable Labs (que reúne fabricantes de equipamentos e operadoras nos EUA), permitiu que as prestadoras de TV a cabo pudessem oferecer acesso banda larga de até 2,5 Mbps a seus clientes sobre as redes híbridas de fibra ótica e cabo coaxial (HFC, na sigla em inglês). Naquela época, o ADSL era apenas uma promessa teórica, e o padrão da indústria de telecom para Internet residencial era o acesso discado. O DOCSIS 1.0 possibilitou a interoperabilidade não apenas entre os diversos fabricantes de cable modems, mas também dos CMTS (Cable Modem Terminal System), que são os equipamentos de rede que ficam nas centrais (headends) das redes de cabo. De lá pra cá, as redes HFC continuaram evoluindo. Primeiro, com a introdução de requisitos de qualidade de serviço (QoS) e políticas de segurança com a versão DOCSIS 1.1, ainda em 1999, como lembra o diretor de home da Motorola Brasil, Marcos Takanohashi. Em dezembro de 2001, foi liberada a versão do DOCSIS 2.0, que incluiu novas modulações de upstream, com ATDMA e SCDMA, o que possibilitou um aumento de oferta de banda de 2,5 Mbps para até 37 Mbps. Em agosto de 2006 o CableLabs certificou a versão DOCSIS 3.0, que teve foco no aumento de banda de downstream, com a introdução do Downstream Channel Bonding. A inovação permitiu oferecer, dependendo da quantidade de canais disponíveis, velocidades de 300 Mbps e, buscando simetria e foco no mercado corporativo, o DOCSIS 3.0 também possibilita a combinação dos canais de upstream por meio do Upstream Channel Bonding, com velocidade de até 400 Mbps. A evolução, entretanto, não aconteceu apenas nos padrão DOCSIS. Abrangeu a rede das operadoras de TV a cabo como um todo, da arquitetura, com nós de fibra cada vez menores, atendendo a menos residências e aproximando a fibra da casa do usuário, à canalização de frequências e menor 2 4

Piotr Malczyk / shutterstock.com

Evolução das redes HFC garante às operadoras de cabo condição de brigar pelos clientes de alta velocidade e serviços convergentes e com investimento inferior a quem está instalando FTTx.

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quantidade de amplificadores de sinal. Uma rede HFC é subdividida em canais de 6 MHz, e cada um deles, antes ocupados apenas para transmissão de um sinal de um canal de TV por assinatura, a partir da versão DOCSIS 2.0, passou a transmitir um canal de dados com velocidade de até 37 Mbps. “Mas essa capacidade era compartilhada entre todas os assinantes das residências da área atendida por um nó ótico, que inicialmente podia chegar a ter até 4 mil domicílios”, lembra o gerente de desenvolvimento de negócios da Cisco, Flávio Simoni. “Agora, com o DOCSIS 3.0, é possível sintonizar vários canais de 6 MHz com 37 Mbps cada em um único cable modem. Hoje usamos cable modems com chipsets capazes de juntar até oito canais e podemos chegar a velocidades de cerca de 300 Mbps por nó”, explica o diretor de produtos e serviços da Net Serviços, Marcio Carvalho. “Já estamos testando chipsets de 16 canais que chegam a velocidades de 600 Mbps. Há chipsets de 32 canais sendo desenvolvidos e, com equipamentos que agregam mais de um modem no elemento

de rede, é possível chegar a 1 Gbps”, garante. Essa é a aposta das operadoras de cabo para enfrentar as velocidades que as teles oferecerão com o acesso por fibra. A parte óptica das redes HFC, construídas inicialmente com capacidade máxima de 55 canais, totalizando 330 MHz, passou a oferecer progressivamente 550 MHz, 750 MHz e, atualmente, pode chegar a ter banda de 1 GHz no downstream. “No upstream também houve mudanças: de 30 MHz para 42 MHz e, a seguir, para 85 MHz”, conta o executivo da Motorola. Essa mudança é fundamental para enfrentar a demanda cada vez maior por uma Internet banda larga simétrica, ou seja, com grande fluxo também a partir dos conteúdos de vídeos e fotos gerados pelos usuários. Gradualmente, as operadoras começaram a digitalizar suas redes e, onde antes na canalização analógica a proporção era um canal de frequência de 6 MHz para um canal de TV, passou a ser de até dez sinais de TV para cada bloco de 6 MHz. “Com a digitalização, pudemos ampliar não apenas a quantidade de canais ofertados, mas também

Melhorias envolvem nós de fibra cada vez menores, canalização otimizada e menos amplificadores de sinal. I n o va ç ã o

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“Os amplificadores ainda são necessários, já que arquiteturas em N+0, com fibra direto na casa do usuário (FTTH), ainda têm um custo muito elevado.”

aumentar a velocidade de banda larga e incluir novos serviços, como alta definição e vídeo on-demand”, conta Carvalho, da Net. Nós Os nós de fibra ótica foram sendo diminuídos também paulatinamente para atender à demanda por banda e novos serviços. “Atualmente, são raras as arquiteturas N+5 (nó óptico mais cinco amplificadores de RF), com nós ópticos de até 4 mil casas passadas (homes passed), e é comum vermos nós segmentados de 2 mil, 1 mil ou 500 homes passed”, comenta Takanohashi. “Em 1999 chegamos a ter nós de 4 mil homes passed, mas a banda larga e os novos serviços como o Now exigiram que fôssemos quebrando cada vez mais esses nodes, colocando novas CMTS conforme a demanda surgia, e hoje estamos trabalhando com nodes de 500 residências ou até mesmo de apenas 250 homes passed em alguns casos”, revela Carvalho, da Net, que tem hoje quase 100% de sua rede com suporte ao DOCSIS 3.0. Takanohashi, da Motorola, explica que a segmentação de nó óptico pode ser feita em 2x ou 4x, com ou sem adição de fibra ótica se utilizadas técnicas de multiplexação (DWDM, por exemplo). E, na medida em que diminui o tamanho dos nós de rede, com a fibra cada vez mais perto do usuário, diminui também a extensão dos cabos coaxiais e a necessidade de amplificadores de radiofrequência em cascata. Numa arquitetura com N+5, por exemplo, como a distância entre a fibra e a casa do usuário pode ser bastante extensa, é preciso usar amplificadores de radiofrequência em cascata para fazer o sinal dos canais de TV chegar até o assinante. “Com DOCSIS 2.0, era muito comum redes coaxiais muito longas, com três (N+3) ou quatro (N+4) amplificadores em sequência para fazer o sinal menos fraco”, explica Simoni, da Cisco. “Com o DOCSIS 3.0, a operadora pode oferecer a mesma capacidade de rede para até quatro vezes menos residências usando apenas um amplificador (N+1). Esse é o estágio em que estamos hoje”, pontua Simoni. O executivo da Motorola acrescenta ainda que a evolução na parte coaxial está relacionada ao aumento de banda passante e de tecnologias de amplificação, como o Arseneto de Gálio (GaAs) ou, mais 2 6

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Marcos Takanohashi, da Motorola mesma linha: “É uma questão de valor percebido pelo cliente. As redes FTTH estão oferecendo 100 Mbps e a rede HFC consegue oferecer essa velocidade e não apenas para o topo da pirâmide, onde as redes de fibra das teles estão sendo construídas”, avalia. Mais que isso, Simoni cita que o levantamento VNI da Cisco estima uma taxa média de velocidade de 4,3 Mbps na América Latina, média esta que deve ser de 12 Mbps na região em 2016. “Em 2016, apenas 3% das conexões mundiais estarão em 100 Mbps e acreditamos que na América Latina as redes HFC poderão atender bem a demanda por banda larga pelos próximos 10 ou 15 anos”, estima. “Não temos dúvidas de que a fibra é o futuro, mas hoje a distribuição de canais de TV no coaxial é mais econômica e a migração das redes HFC para FTTx será gradativa e de nicho, apenas alguns clientes vão requerer 1 Gbps de velocidade”, diz. No roadmap das redes HFC já está sendo desenvolvido o DOCSIS Provisioning of EPON, que é a evolução da rede HFC para oferecer banda larga sobre fibra utilizando o mesmo CMTS que entrega banda larga sobre a rede coaxial. “Com a inserção de um cartão no CMTS, será possível oferecer tanto banda larga via cable modem quanto via fibra num mesmo sistema de provisionamento. É a nova fronteira e deve estar disponível comercialmente já em 2014”, diz o executivo da Cisco. Outro impulso para a adoção de fibra direto na casa do usuário por parte das operadoras de TV a cabo virá com a evolução necessidade por serviços on-demand de vídeo, como o próprio VOD e aplicações de catch up TV, start over e TV everywhere. “Esses serviços unicast darão início à migração dos settop boxes atuais de TV a cabo para caixas híbridas com IPTV, até que a própria TV a cabo evolua para IPTV sobre DOCSIS”, prevê Simoni.

recentemente, o Nitrato de Gálio (GaAn), por meio dos quais se obtém melhores performances e maiores níveis de saída. O resultado é a redução do número de ativos por células. “A evolução após a segmentação máxima em 4x seria a solução em Fiber Deep, na qual um nó óptico pode ser colocado em lugar de um amplificador óptico, reduzindo a cascata de RF e a fibra, chegando mais próxima ao cliente final”, exemplifica Takanohashi. Custo/benefício Para a Motorola, a arquitetura N+1 ainda é a melhor opção para operadoras de TV a cabo se considerada a relação custo/ benefício. “Os amplificadores ainda são necessários, já que arquiteturas em N+0, com fibra direto na casa do usuário (FTTH), ainda têm um custo muito elevado”. Carvalho, da Net, concorda: “A grande vantagem do HFC é que é uma rede multisserviço com capacidade de evoluir permanente e gradualmente. Tudo o que a gente vai fazendo é aos poucos, chegando

Serviços unicast darão início à migração dos set-tops de TV a cabo para caixas híbridas com IPTV, até que evolua para IPTV sobre DOCSIS. com a fibra cada vez mais perto da casa do usuário conforme a demanda e sem precisar gastar R$ 2 mil reais para chegar à casa do cliente, como é o caso de quem está instalando FTTH”, resume. A opinião de Simoni, da Cisco, segue a I n o va ç ã o

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Letícia Cordeiro

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por Fernando Lauterjung

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A ponta final

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os últimos dois anos as smart TVs evoluíram como plataforma de conteúdo, seja ele em vídeo ou games e aplicativos, e ganharam espaço de destaque nos lares conectados. As residências que contam com uma rede de dados para distribuição interna de conteúdo já têm na ponta final destas infraestruturas as TVs conectadas, ou pelo menos TVs com outros dispositivos que dão a elas as funções de smart TVs, como as versões mais avançadas de blu-ray players ou set-top boxes criados para esta função. Para alavancar as vendas de equipamentos e tornar as plataformas relevantes o suficiente para disputar uma fatia do bolo publicitário, fabricantes apostam sobretudo em conteúdos em vídeo. Além disso, equipam os televisores com funções inteligentes, dando a eles um papel importante na automação e controle do lar. O que vai trazer público às smart TVs são os conteúdos de vídeo, sobretudo da própria programação de TV, diz Luis Bianchi, gerente de smart TVs na TP Vision (Philips). Para ele, a disputa entre as locadoras virtuais que está em andamento no Brasil é positiva para as plataformas de TVs conectadas. Desde a chegada da Netflix, as duas concorrentes nacionais NetMovies e SundayTV, do Terra (principalmente esta última), ampliaram muito seus acervos. “Precisamos ter mais conteúdos da TV aberta”, diz o executivo. Segundo ele, há países, como a Alemanha, onde a totalidade dos canais abertos levaram seus conteúdos às smart TVs, em um modelo de catch-up TV, e encontraram com sucesso um modelo de retorno de investimentos. Marcelo Varon, gerente de network business - TV product marketing da Sony, concorda que o conteúdo em 2 8

foto: divulgação

Os televisores tornam-se o equipamento mais nobre das casas conectadas. Estas plataformas estão abrindo a possibilidade de inovação em conteúdos.

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as suas obrigações. “Em breve, este controle também poderá ser feito através de smartphones”, adianta.

O conteúdo em vídeo é o que vai trazer os consumidores para as TVs conectadas.

Aberta Apesar da ansiedade dos fabricantes, as apostas dos canais brasileiros nas smart TVs ainda são modestas. O SBT foi o primeiro a entrar nas plataformas, sem um modelo de negócios, em uma iniciativa para “fincar sua bandeira” e observar como a plataforma se desenvolve. Na sequência veio a Band, com seus principais conteúdos disponíveis sob demanda. Também o canal Esporte Interativo conta com aplicativo de VOD nas plataformas de smart TV, bem como o streaming de sua programação ao vivo. Em entrevista publicada na edição de abril de Tela Viva, o diretor-geral de engenharia da TV Globo, Fernando Bittencourt, afirmou que, no futuro, deve haver uma Globo On-Demand nas TV conectadas. “As TVs com banda larga abrem uma janela para a TV, que até então só exibia conteúdos lineares. A TV poderá oferecer conteúdo sob demanda. É algo muito revolucionário”, disse. A chegada do conteúdo da Globo nestas plataformas, no entanto, não deve ser

vídeo é o que vai trazer os consumidores para as TVs conectadas. Esta é a grande aposta da Sony desde o início. A fabricante tem aplicativos da plataforma Opera disponível em suas TVs, mas é o conteúdo em vídeo o destaque. Além das locadoras virtuais e canais presentes em outras plataformas, a Sony oferece um serviço exclusivo, o Crackle, com conteúdo da Sony Entertainment. Marcelo Natali, gerente de conteúdo smart TV da Samsung, conta que a fabricante aposta em nichos para valorizar sua plataforma. Um exemplo é o Kids Home, que reúne conteúdos diversos para crianças. A grande novidade é que os pais conseguem gerenciar o que os filhos podem assistir e quando, recebendo relatórios de uso da plataforma. Além disso, é possível disponibilizar conteúdos “prêmio”, para quando os filhos cumprem com I n o va ç ã o

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smart tvs em curto prazo. Segundo Bittencourt, “para isso acontecer, não é trivial. A rede de banda larga precisa evoluir muito. Temos que harmonizar as interfaces dos fabricantes”. Além disso, para que surjam modelos de negócios, baseados em publicidade ou em cobrança, o ecossistema precisa se equilibrar. “Vamos nos preparar para oferecer conteúdo com qualidade neste mundo. Começa com qualidade para atender PCs e tablets, mas pensando no futuro na TV em HD. Não sei quantos anos vai levar. Nos caso dos devices portáteis e PCs, começa ainda este ano”, disse o diretor. Apps A chegada de dois gigantes nas plataformas de aplicativos para smartphones e tablets fez com que os fabricantes corressem atrás de um modelo para proteger suas plataformas. Embora a Apple não conte com uma plataforma de aplicativos para a sua Apple TV, a caixa é um importante concorrente às TVs conectadas por sua forte plataforma de VOD em modelo transacional, o iTunes, e as funções de compartilhamento de conteúdo no lar. Já o Google deve desembarcar no Brasil com sua Google TV pelas mãos da Sony. A fabricante confirma que seu modelo chega até o final deste ano. O dispositivo permite ao usuário acessar uma ilimitada quantidade de conteúdos e informações da Internet por meio de seu televisor. Através do Google Play, é possível acessar

“Precisamos ter mais conteúdos da TV aberta.” Luis Bianchi, da TP Vision

aliança serão anunciados no site da Smart TV Alliance no momento oportuno. Fabricantes japoneses de TV devem aderir também. A aliança deve trazer uma redução de custos e tempo para desenvolvimento, uma vez que os programadores não precisarão realizar testes em diferentes plataformas. Para Luis Bianchi, da TP Vision, a plataforma é importante para permitir que os desenvolvedores de aplicativos possam explorar os modelos de TVs de diversos fabricantes, embora cada um tenha sua própria loja e modelo de negócios. Para Varon, da Sony, a aliança não é fundamental. Segundo ele, um padrão aberto vem se desenhando sem que seja necessário um acordo específico entre os fabricantes: trata-se da programação em HTML5, capaz de rodar em virtualmente todas as plataformas. Desde maio, a Sony conta em suas smart TVs com a loja de aplicativos Opera Store, que leva à plataforma, até então restrita a vídeos e redes sociais, jogos online e, em breve, novos tipos de aplicativos.

centenas de aplicativos de otimização para a TV e suporte para milhares de aplicativos para mobile, incluindo YouTube e Twitter. O Internet Player Sony (NSZ-GS7) virá acompanhado de um controle remoto com sensor de movimentos, contendo um touchpad na parte da frente e teclado iluminado atrás. Para criar uma plataforma capaz de concorrer, a LG Electronics e a TP Vision (televisores Philips), oficializaram em junho a criação da Smart TV Alliance, uma cooperação para criar um ecossistema aberto para desenvolvedores de aplicativos. Os fabricantes já haviam anunciado uma cooperação durante a IFA 2011, em Berlim. Os nomes dos outros players que estão se unindo à

Conectividade As smart TVs já contam com compatibilidade ao protocolo DLNA desde as primeiras gerações dos

Mercado de aplicativos A segunda edição do Seminário TV Apps acontece no dia 8 de novembro, no Hotel Paulista Plaza, em São Paulo. O principal encontro do mercado de aplicativos e conteúdos para TVs conectadas cria um ambiente para a aproximação dos diversos players envolvidos na criação de aplicativos e conteúdos para a nova televisão. Entre os temas abordados no evento estão: • o papel dos desenvolvedores, da publicidade e do conteúdo em vídeo nos ecossistemas proprietários e abertos; • a nova mídia e as oportunidades para agências de publicidade e anunciantes; • o video on-demand em complemento à programação linear dos canais de TV aberta e fechada; • o over-the-top como complemento ou em substituição ao home-video; • interatividade em smart TVs e Ginga; • telas parcerias e o conceito de second screen . Mais informações podem ser obtidas no site www.convergeeventos.com.br, pelo telefone 0800 77 15 028, ou ainda pelo e-mail inscricoes@convergecom.com.br.

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“As TVs com banda larga abrem uma janela para a TV, que até então só exibia conteúdos lineares. A TV poderá oferecer conteúdo sob demanda. É algo muito revolucionário.”

equipamentos. Com o protocolo, os equipamentos “conversam” e permitem que as fotos de um NAS (Network Attached Storage) sejam exibidas na TV ou que as músicas em um tablet sejam tocadas no home theater. Para isso, todos os equipamentos devem estar conectados a uma mesma rede, Wi-Fi ou Ethernet. As novas gerações de televisores conectados trazem, além deste feature, a possibilidade de conversar através do Wi-Fi direct. Com esta tecnologia os equipamentos se conectam entre si usando a rede wireless, sem a necessidade de uma rede estruturada e um roteador. A vantagem é que trafegar o conteúdo

TV conectada A plataforma Yahoo! Connected TV está prestes a desembarcar no Brasil. De acordo com o responsável pela estratégia de mobilidade e connected TVs do Yahoo! Brasil, Diego Higgins, o primeiro contrato para uso do sistema operacional do Yahoo em TVs inteligentes no País foi fechado com a AOC, e o lançamento deve acontecer no final de julho. “Lançamos essa plataforma nos EUA, há mais de cinco anos, e até o final do ano outros dois fabricantes anunciarão TVs com a nossa plataforma”, revela. De acordo com o roadmap de lançamento da Yahoo! Connected TV, depois da AOC em julho, um segundo fabricante deve anunciar smart TVs com o sistema operacional em setembro. Nos EUA, Samsung, Sony, Vizio e Toshiba já têm modelos com a plataforma do Yahoo!. O trabalho do Yahoo! agora, segundo Higgins, é selecionar e adaptar os conteúdos que serão disponibilizados pela plataforma no mercado brasileiro. “Estamos avaliando mais ou menos 50 aplicativos que já existem na plataforma e - além de conteúdos do próprio Yahoo!, de esportes, músicas e vídeos - teremos também aplicativos de parceiros de vídeo como Terra e Netflix”, detalha. Aplicativos de redes sociais como Twitter, Facebook e Flickr também fazem parte da plataforma e já foram, inclusive, traduzidos para o Português.

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Fernando Bittencourt, da Globo eles podem ser controlados por tablets e smartphones Android e iOS, através de aplicativos gratuitos disponíveis nas lojas de aplicativos de ambas as plataformas. Com isso, o controle da TV fica mais completo, podendo-se usar um teclado para fazer uma busca de conteúdo, por exemplo. No caso da Sony, aponta Varon, cabe ao tablet centralizar o controle do ambiente. O Sony Tablet conta com uma função de controle remoto universal, que permite que o consumidor controle qualquer aparelho com receptor infravermelho da casa, desde a TV ao ar condicionado. Marcelo Natali, da Samsung, aponta que a fabricante coreana também investe na centralização do lar na televisão. Com o equipamento IR Blaster, conectado à nova geração de smart TVs da Samsung, é possível usar a tecnologia de interação da fabricante para controlar qualquer dispositivo infravermelho. Com isso, é possível controlar blu-ray players, set-top boxes ou condicionadores de ar por voz, movimentos e reconhecimento facial. “Muito em breve, é a TV que vai centralizar o controle de todos os equipamentos da casa”, profetiza o executivo.

exige menos aptidão tecnológica por parte do usuário. Além disso, é possível conectar equipamentos mesmo quando não estão configurados à rede local. Por exemplo, um visitante pode exibir as fotos de seu smartphone na TV sem ter que configurar o aparelho dentro da rede do lar. Em termos de conectividade no lar, as smart TVs evoluíram e conquistaram um espaço de destaque. As TVs são a ponta final do ambiente conectado no lar, a de exibição/ veiculação do conteúdo. Em alguns casos, também ganham a possibilidade de concentrar o controle de todo o ambiente controlado. Segundo Bianchi, da TP Vision, um destaque dos televisores da marca é que

Para Marcelo Varon, da Sony, um padrão aberto vem se desenhando sem que seja necessário um acordo específico entre os fabricantes. Trata-se da programação em HTML5, capaz de rodar em virtualmente todas as plataformas. I n o va ç ã o

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.:TV digital

Bruno do Amaral

bruno@convergecom.com.br

Questão de prioridade

Desligamento do sinal analógico da TV aberta deverá demorar, adiando a desocupação do espectro que pode ser destinado à banda larga móvel. Se de um lado sobra pressão para o switch off, de outro há dúvidas sobre o cronograma. radiodifusão, que seria submetido a consulta pública, em um processo de debates longo e complexo como foi a destinação da faixa de 2,5 GHz.

Mr. Master/shutterstock.com

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om transmissões iniciadas em 2 de dezembro de 2007 em São Paulo, o sinal de TV aberta digital vem se popularizando no Brasil, mas ainda tem um longo caminho a percorrer. O desligamento do sinal analógico, previsto para junho de 2016, começa a ser estudado pelo Ministério das Co­­ municações, seguindo um cronograma ainda a ser publicado. Mas existe um entrave: a faixa da TV ocupa a frequência de 700 MHz, visada pelas operadoras de telefonia móvel para a demanda do LTE (quarta geração de telefonia móvel), e o desligamento total da TV analógica ainda é dúvida. De acordo com o conselheiro da Anatel Marcelo Bechara, ainda há tempo para efetuar a transição, mas um eventual atraso não é imprevisto. “A maior parte dos países que já passou por esse processo, como os Estados Unidos, teve de prorrogar o prazo. Acho que ainda é um pouco cedo para tirar conclusão, mas, se acontecer, não será um problema”, afirma. Na visão dele, há um avanço já a ser notado pelo esforço do Ministério das Comunicações e de emissoras para levar a TV digital principalmente para as capitais, mas a extensão territorial do País acaba por dificultar o processo de digitalização, pois, além das geradoras de sinal, ainda há retransmissoras primárias e secundárias, principalmente no interior e muitas sob responsabilidade de prefeituras. O conselheiro da Anatel acredita que o progresso da TV digital depende não apenas dos prestadores de serviços, mas também da adoção dos usuários, embora reconheça ser uma “questão de tempo” para a adesão. Os próprios eventos esportivos, como as Olimpíadas de Londres este ano e a Copa do Mundo no Brasil em 2014, podem servir de estímulo para a compra de novos televisores com conversores, ajudando a adesão ao sinal digital. “A gente precisa ter a sensibilidade de fazer o desligamento na hora

certa. Acho que o Estado pode pensar em algum tipo de indução ou incentivo”, diz, citando novamente o exemplo dos EUA, onde foram distribuídos cupons para a aquisição de conversores. “Temos um tempo para a avaliação e não há problema algum em postergar. Prejuízo seria o cidadão ficar sem o sinal de televisão ao qual está acostumado”, afirmou. Mesmo diante de tantas variáveis para um avanço na transição, Marcelo Bechara não acha que é cedo para se falar em dividendo digital. “É preciso que todas as possibilidades sejam avaliadas, sobretudo porque o Brasil tem características peculiares, tanto na extensão quanto na prestação de serviço de radiodifusão, algo importante para a transmissão de informação no País.” Qualquer decisão tomada dependeria de uma alteração no regulamento para a destinação do uso do espectro hoje destinado à 34 Teletime jul_2012

Dentro da normalidade A transição passa também pela acomodação de todos os canais. Com o Plano Básico de Distribuição de Canais da Televisão Digital (PBTVD) ainda não finalizado, o uso de espectro tem sido uma “variável complicada”, na opinião do diretor de Planejamento de Espectro da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Paulo Ricardo Balduíno. Ele afirma que, uma vez encerrado o plano, ainda será preciso uma otimização. “Como é preciso fazer uma proteção dos canais analógicos, os digitais não estão sendo instalados da melhor forma possível”, afirma. “É um desperdício que é ruim para a radiodifusão e para a gerência de espectro, então existe um critério para colocar frequências próximas.” Isso foi comprovado por um estudo da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), no qual foi analisada a ocupação de espectro em oito regiões do Estado de São Paulo. O levantamento identificou que o espectro está congestionado na região de Campinas/Sorocaba, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Bauru - essas localidades precisariam de mais 24 canais cada uma. O número de canais digitais para a operação das emissoras já ocuparia quase a totalidade da faixa de 700 MHz, pondo em xeque o espaço já para a radiodifusão, ainda mais para o dividendo digital. A análise da acomodação trata exclusivamente de operação atuais, não considerando demandas futuras. “Existe um potencial de crescimento do setor, então precisa haver um planejamento de administração do espectro”, diz, lembrando que é difícil quantificar uma demanda e atender a todos os pedidos. Faltando quatro anos para o encerramento do prazo estabelecido para o


“Existe um potencial de crescimento do setor, então precisa haver um planejamento de administração do espectro.” Ricardo Balduíno, da Abert

desligado primeiro em algumas cidades, permitindo um avanço no cronograma dependendo das condições da localidade. “Faz todo o sentido ter um switch off gradual. O projetopiloto que está nos planos do Minicom é extremamente importante, ainda mais porque teremos situações bem defasadas no Brasil”, diz. A ideia é testar para evitar a repetição de problemas em outras áreas. Uma cidade de médio porte, ele acredita, seria mais indicada para a realização dessa etapa, com uma rede instalada já amadurecida. Dividendo digital Por outra parte, existe “uma pressão fantasticamente grande” externa pela liberação do espectro de 700 MHz, forçando um adiantamento do cronograma

de desocupação da faixa. “Isso faz parte de um lobby muito bem organizado e os atores principais nem são as operadoras de telefonia, mas os fabricantes e desenvolvedores”, conta Balduíno. “Não há um evento regional onde não aconteça um seminário das entidades que estão por trás da banda larga móvel.” Segundo o executivo da Abert, o motivo da pressão nasce da liberação nos Estados Unidos de 108 MHz de largura de faixa em UHF para o dividendo digital, embora a situação lá seja diferente, por conta da baixa importância e penetração da radiodifusão aberta (apenas 10% da população, segundo a FCC). “Nossos estudos mostram que a demanda não é exatamente a que se alardeia, existe uma defasagem no timing muito grande”, diz ele, chamando a necessidade de ocupação alegada de “inflacionada”. Para ele, a grande discussão é evitar que modelos implantados em situações diferentes em outros países cheguem ao Brasil fazendo a TV aberta pagar um preço maior. FOTO: divulgação

desligamento do sinal analógico (switch off), o representante da Abert vê o progresso atual de digitalização das emissoras como “dentro da normalidade”. A questão, diz ele, é assegurar o acesso ao sinal digital Paulo em regiões mais difíceis, por conta da extensão territorial do Brasil e da grande capilaridade da TV aberta, muito mais relevante do que em países como os EUA. Em sua opinião, haverá atrasos, mas dentro da normalidade. “Estamos falando de um baita desafio, milhares de retransmissoras, investimentos enormes e a capacidade física de realizar as instalações”, conta. Será preciso ainda verificar a digitalização das retransmissoras secundárias e “condições econômicas mais favoráveis”, segundo ele. Isso, obviamente, sem esquecer do fato que do outro lado, as pessoas precisam trocar os seus televisores para modelos com recepção digital. Apesar de reconhecer que é provável a impossibilidade de cumprir o prazo em 2016, Balduíno enxerga uma situação mais dinâmica, como aconteceu em outros países, onde o sinal analógico foi

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Para esclarecer todos esses pontos, a Abert está realizando um trabalho técnico de engenharia para compartilhar a demanda de espectro com a sociedade, a Anatel e o Ministério das Comunicações. O ideal, segundo Paulo Ricardo, seria realizar o estudo depois do Plano de TV digital otimizado, mas esperar não é mais uma opção. O estudo pode demorar de dois a três meses, devido às minúcias em seu desenvolvimento. “A gente acredita que é a única forma de ter sucesso para garantir espaço para o setor continuar crescendo”, finaliza. Adiantamento Embora seja encarado com importância, o dividendo digital pode não ser exatamente uma prioridade para o Ministério das Comunicações. Antes disso, a meta é assegurar o acesso da população brasileira à TV digital e, somente após a conclusão disso, voltar as atenções para a liberação do espectro. Antes de qualquer licitação, será preciso ainda um cronograma para o desligamento do sinal analógico. De acordo com declarações do ministro Paulo Bernardo no início de julho, a previsão da Anatel era de concluir os estudos para a definição de um cronograma de desligamento e das novas atribuições da faixa de 700 MHz no final de novembro, mas o Minicom pediu à agência que isso fosse antecipado para setembro. Mesmo assim, para o secretário de Comunicação Eletrônica do Minicom, Genildo Lins (ver matéria abaixo), um adiantamento nesse roadmap pode ser feito em alguns lugares. “O que queremos é saber exatamente o que fazer, que cobertura atingir em cada cidade e se vamos precisar de alguma política de incentivo à adoção de set-top box”, afirma, embora ainda não veja nenhum plano de programa para desonerações ou subsídios para os aparelhos conversores para TVs analógicas. Políticas de incentivo à digitalização das emissoras também podem ser necessárias, pois hoje “muitas delas têm grandes dificuldades de financiar sua transição digital”.

“Banda larga móvel e TV aberta são complementares” Liliana Nakonechnyj, do Fórum SBTVD TV digital. “Hoje calculamos que um terço das TVs no Brasil já tenha receptor digital. Isso significa 30 milhões de televisores, dado esse levantado com base no que a indústria nos passou”, diz. Lins crê que, após as vendas por conta da Copa de 2014, os levantamentos serão feitos para deixar o quadro mais claro para 2016. Conforme dados da Anatel, o sinal da TV digital já chega a 436 cidades no País, representando uma soma de mais de 87 milhões de habitantes (46,42% da população brasileira), de acordo com o Censo 2010. Apesar de haver um atual “esforço pela interiorização das transmissões”, a penetração é naturalmente maior em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, chegando a “quase 70%” da população com acesso ao sinal, como afirma a coordenadora do Módulo de Promoção do Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), Liliana Nakonechnyj. Para ela, mesmo com a natural popularização de televisores digitais e consequente queda de preços, ainda haverá uma resistência à substituição dos aparelhos analógicos, seja por conta do público de terceira idade como também o de poder aquisitivo mais baixo. “O desligamento do sinal de TV analógica precisa-

rá, necessariamente, ser precedido por amplas campanhas de divulgação para conscientizar os telespectadores”, diz Liliana, reconhecendo também que isso deverá mesmo ser acompanhado de alguma política de incentivo para a compra de conversores digitais. O problema mais grave parece estar também com as retransmissoras. Mesmo com o progresso das geradoras, inclusive com investimentos nessas unidades, a cobertura do sinal digital ainda abrange mais as metrópoles e outras cidades relativamente grandes. “A interiorização exige o rumo para cidades progressivamente menores, em que cada transmissor cobrirá cada vez menos pessoas”, explica. Isso significa um aumento no investimento por telespectador, além de “um enorme desafio para o ministério e a Anatel, que precisarão processar um número enorme de projetos”. Alinhando-se à posição da Anatel, a coordenadora do Fórum SBTVD entende que, apesar da ansiedade das operadoras e fabricantes de handsets para a utilização da faixa dos 700 MHz, o uso exclusivo para radiodifusão continuará até o apagamento digital. “A banda larga móvel é importante para o desenvolvimento de negócios, mas a televisão aberta tem importância ímpar em nosso país e, diferentemente do que ocorre na maior parte do mundo, seu sistema digital já oferece a mobilidade, ou seja, a capacidade de envio de conteúdos audiovisuais para dispositivos móveis. Banda larga móvel e TV aberta são complementares”. Liliana Nakonechnyj concorda com a Abert sobre ainda ser preciso verificar a expansão da TV aberta no Brasil, com “dezenas de milhares” de novas solicita-

Mesmo com o progresso das geradoras, a cobertura do sinal digital ainda abrange mais as metrópoles e outras cidades relativamente grandes. ções de outorgas para “operar e modificar características de geradoras e retransmissoras”. Esse volume acaba por sobrecarregar o Minicom, que necessitará de tempo para resolver o problema. “Enquanto trata dessa demanda reprimida, o ministério ainda precisa receber e processar os pedidos de operação digital e trabalhar com a Anatel em completar planos de canalização para atender a toda essa demanda” explica ela. “É um trabalho hercúleo, que está sendo enfrentado com seriedade”, finaliza.

Resistência Antes do projeto de cidade-piloto para o switch off, o Minicom deverá verificar a real penetração dos receptores de 36 Teletime jul_2012


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O lado TV do Minicom

O

FOTO: Herivelto Batista

embate entre radiodifusão e empresas de telecomunicações no que se refere ao espectro de frequências, sobretudo o espectro que poderá ser destinado à banda larga móvel, não se manifesta apenas nas discussões técnicas e no jogo de palavras entre executivos de um lado e de outro. Mesmo dentro do governo é possível perceber essa tensão. O Ministério das Comunicações é um bom exemplo. De um lado, temos um discurso e uma política orientada claramente para a banda larga. Mas também vemos, dentro do mesmo ministério, uma secretaria que defende, ainda, uma prioridade ao setor de radiodifusão. Em entrevista à TELETIME este mês, Genildo Lins, secretário de comunicação eletrônica, mostra um pouco o lado radiodifusor do ministério, e as razões pelas quais o dividendo digital não virá de forma tão simples. O primeiro desafio é, obviamente, concluir a transição da TV digital e desligar o sinal analógico, o que em tese deve acontecer em junho de 2016. Genildo Lins explica que “não há hipótese” dessa data mudar, mas a antecipação deverá acontecer apenas em alguns casos. “O que estamos fazendo é estudar se cabe antecipação em alguns lugares, respeitando o decreto (de TV digital)”. Segundo ele, será elaborado um cronograma que vai estabelecer a cobertura que será preciso garantir em cada cidade, e quando, e se será necessário distribuir set-tops ao final da transição. “E vamos estabelecer um desligamento teste que será realizado em uma cidade brasileira”, conta. Um dos desafios é assegurar que além de ter as emissoras digitalizadas, haja também receptores na casa das pessoas compatíveis com a TV digital. Mas medir isso não é tarefa trivial, diz o secretário, e só a partir dessa medição é que se pode estabelecer uma política pública, como subsidiar televisores ou set-tops. “Calculamos que um terço das TVs no Brasil tenham o receptor de TV digital, o que significa cerca de 30 milhões de televisores, segundo dados que a indústria tem nos passado. A Copa deve ser um grande indutor dessa adoção, assim como as Olimpíadas.

No meio de 2014 teremos uma visão bem precisa do quadro e saberemos se será preciso um programa de estímulo à compra de TVs ou à adoção de set-top boxes, com subsídios. Essa decisão depende dos dados pós-Copa. E tudo isso estará previsto no nosso plano”, diz Lins. Mas e se as pessoas não estiverem ainda plenamente preparadas para o desligamento, haverá incentivos para a compra de TVs? Segundo o secretário, essa é uma das alternativas em estudo. Além do problema da transição poder acontecer sem grandes “apagões analógicos”, existe outro fator que tem que ser considerado, que é a importância do mercado de radiodifusão em si, e é nesse ponto que se percebe uma certa dubiedade no Ministério das Comunicações. “Temos que garantir, antes de mais nada, que a população brasileira tenha acesso à TV. Essa é a primeira prioridade. O dividendo digital vem depois. O Minicom, juntamente com a Anatel, tem feito estudos para verificar se a TV brasileira cabe nos canais 13 a 51. Chegando-se a uma conclusão, as definições ficam mais simples. Mas não decidimos nada ainda”, diz o secretário. Para ele, é preciso olhar para o cenário da TV hoje, mas também para o futuro. “A projeção é feita considerando não só a realidade atual, mas uma certa margem de crescimento. Estamos levando em consideração isso. Todos os setores do Brasil registraram crescimento, por que a radiodifusão não o fará?” Ele diz que a TV aberta está muito longe de desaparecer, que no Brasil as emissoras são

também as maiores produtoras de conteúdo, e que o caminho para o setor de comunicação é apostar cada vez mais em multiplataformas. “(A TV) não perdeu espaço e nem está morta, muito pelo contrário. Radiodifusão no Brasil é o maior produtor de conteúdo, inclusive para a Internet. Não se pode falar que a radiodifusão morreu. Veja quantas novas emissoras surgiram nos últimos 20 anos. De forma alguma é um mercado em declínio. O que tem que acontecer é que o radiodifusor precisa pensar em uma realidade multimeios, olhando não apenas para a TV aberta, mas para a Internet e novas plataformas. Esse é o caminho”. Mas se a sinalização de Genildo Lins é de apoio total à radiodifusão, começa a ficar claro que o Minicom só vai intensificar a expansão desse mercado quando colher os frutos da digitalização. Até recentemente, um dos pontos da pauta do Ministério das Co­­mu­­nicações era um Plano Geral de Outorgas para novas emissoras. Agora, Lins diz que essa abertura só virá daqui a um ano e meio ou dois. O significado disso é positivo para o setor de telecomunicações, já que o espectro de radiodifusão ficará, pelo menos por um tempo, com a ocupação atual. “O processo de transição cria muitos problemas para expandir com novas outorgas. O espectro tem sido ocupado em dobro nos grandes centros. Até acabar a transição, a expansão do mercado de TV no Brasil será muito lenta, certamente. Até porque não temos muita ideia nem de quando nem onde expandir. Não precisamos esperar completar todo o switch off, mas pelo menos um ano e meio ou dois para ver como está o mercado”, diz o secretário. Alívio para as teles.

“Hoje calculamos que um terço das TVs no Brasil já tenha receptor digital. Isso significa 30 milhões de televisores” Genildo Lins, do Ministério das Comunicações 38 Teletime jul_2012

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Novos caminhos

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s provedores regionais de Internet já perceberam que montar uma operação de televisão por assinatura não é algo simples, mesmo após a aprovação da Lei 12.485/2011 e do regulamento do Serviço de Acesso Condicionado (SeAC). No entanto, essas empresas começam a vislumbrar modelos de parcerias, compra conjunta e compartilhamento de infraestrutura que podem facilitar o caminho para o complicado universo da TV paga. Hoje, tanto a NeoTV (associação de operadores independentes de TV paga) quanto empresas fornecedoras de equipamentos e serviços aos provedores, como a WDC e a Media Networks, buscam construir modelos de negócios que reduzam o custo fixo de uma operação de televisão por assinatura para viabilizar a entrada neste mercado de empresas que têm entre 2 mil e 50 mil clientes em cidades de pequeno e médio porte no interior do Brasil. A ideia é trazer um alívio aos empresários regionais do mercado de telecomunicações que até então se viam diante de um dilema: se por um lado a regulamentação da TV paga abriu caminho para a entrada de novas operadoras neste mercado, por outro, o custo salgado dos equipamentos e infraestrutura, bem como a complexidade nas relações negociais com provedores de conteúdo, vinham assustando boa parte dos interessados no serviço. Os novos modelos buscam dar aos empreendedores locais a possibilidade de oferecer seus serviços sem a necessidade de investimentos volumosos, que podem chegar a R$ 5 milhões em alguns casos, dependendo do porte da operação. Outro entrave à entrada dessas pequenas empresas no mercado de televisão por assinatura é a questão do retorno sobre o investimento. Conforme espe-

Toria/shutterstock.com

Modelos de negócios alternativos e novas tecnologias podem viabilizar a expansão do número de operadores de TV paga no Brasil.

cialistas consultados por TELETIME, a recuperação deste capital pode demorar dois anos ou mais e, neste período, a empresa pode necessitar de novos aportes em rede para suportar a demanda vinda de novos assinantes. Pelo menos duas iniciativas nesse sentido devem ser anunciadas neste mês durante a Feira e Congresso ABTA 2012. Elas prometem investimentos menores em headend, softwares e outros equipamentos essenciais para o empacotamento e distribuição do con-

sinais entre outras etapas para um agregador. “A intenção é construir uma plataforma única para atender aos ISPs e reduzir o custo fixo”, afirma Mariana Filizola, diretora executiva da NeoTV. Porém, para viabilizar o negócio, a associação precisa firmar parcerias com operadoras já estabelecidas e fornecedores de equipamentos, uma maneira de possibilitar as compras coletivas, apontadas por Mariana como uma tendência do segmento

o custo salgado dos equipamentos e infraestrutura, bem como a complexidade nas relações negociais com provedores de conteúdo, vinham assustando boa parte dos interessados. teúdo televisivo. O princípio é que o operador seja apenas responsável pela licença e pela rede de acesso, deixando toda a parte de empacotamento, negociação contratual, recepção dos 40 Teletime jul_2012

neste momento pós-SeAC. Apesar de expor seu projeto, a diretora da NeoTV evitou dizer quem são os parceiros com quem está negociando. “Como muitas dessas empresas são


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FOTO: divulgação

ngana-se quem acredita que o mercado de televisão por assinatura está na mira apenas de provedores de Internet. A Megatelecom, operadora competitiva de telefonia que atua no interior paulista, por exemplo, está interessada em entrar neste mercado atendendo 40 localidades no Estado de São Paulo. A estratégia consiste em se apoiar na estrutura da recém-incorporada TV Alphaville para prestar o serviço. A TV Alphaville é uma das mais tradicionais operadoras de TV a cabo brasileiras. E, segundo Carlos Eduardo Sedeh, diretor comercial da Megatelecom, o primeiro passo já foi dado, com o pedido de licença do SeAC para a Anatel. Agora, a empresa aguarda a liberação da autorização para começar a estruturar sua oferta combinada de triple play em cidades como Campinas, Sorocaba, Itu, Jundiaí e São Paulo. A tendência, segundo ele, é entrar em operação num prazo entre seis e nove meses após a agência liberar a licença. “Já mapeamos as regiões onde pretendemos atuar com este serviço e a vantagem é que temos a possibilidade de fazê-lo em apenas alguns bairros”. Com o novo item no portfólio, a empresa pretende se fortalecer na venda de serviços ao público residencial, um passo adiante no projeto de aproveitar sinergias da fusão entre as empresas. Aliás, foi justamente por isto que os sócios das companhias resolveram unir as operações de telefonia e banda larga com a televisão, entre o final do ano passado e o início deste ano, quando se intensificou a ideia de instalação de fibras óticas pela empresa. O negócio, no entanto, foi facilitado pelo fato de haver sócios em comum nas duas empresas. Agora, com uma rede de fibra capaz de aumentar a capilaridade da TV Alphaville, o grupo pretende usar em sua rede a tecnologia GPON e oferecer transmissões tanto de TV a cabo convencional quanto de IPTV. “Somos associados à NeoTV, mas temos também negociações em paralelo para oferta de IPTV”, diz Sedeh.

“Já mapeamos as regiões onde pretendemos atuar com este serviço (tv a cabo). e também em negociações em paralelo para oferta de IPTV.” Carlos Eduardo Sedeh, da Megatelecom pequenas, a solução é recorrer a sistemas que atendam a várias cidades com compartilhamento de headend e parte da infraestrutura”. Vanderlei Rigatieri, presidente da WDC, que também pretende anunciar um projeto semelhante, adianta que seu modelo de operação inclui a parceria com uma operadora de TV paga já estabelecida, possibilitando aos provedores agregar TV por assinatura aos pacotes de banda larga, e em alguns casos também telefonia, já comerciali-

zados pelos ISPs no interior do País. No mercado especula-se que a Algar Telecom seja a parceira da WDC nesta empreitada, mas nenhuma das companhias confirma a informação. “Queremos ser um agente facilitador neste processo, concentrando as necessidades e negociando com programadores, satélites e outros agentes do mercado”, diz ele ao explicar que, neste modelo de negócios, o provedor precisará se preocupar apenas em distribuir o serviço. “Vamos fazer o inves-

Grandes em crescimento

S

e de um lado pequenos operadores de banda larga e telefonia pretendem entrar no mercado de TV paga, de outro operadoras tradicionais planejam a expansão de suas áreas de atuação. Pelo menos duas operadoras de cabo já sinalizaram à Anatel que querem estar presentes em mais municípios. A Viacabo, agora controlada por investidores estrangeiros e por Richard Alden, que criou a ONO na Espanha (principal operadora de cabo local), pretende expandir sua área de atuação das 15 cidades atuais para um total de 50, com 35 novas cidades cobertas. Já a Net Serviços, a maior operadora de cabo do Brasil, já tem o serviço de TV paga em cerca de cem cidades, possui rede construída e operacional para banda larga e voz em outras 37 e segundo dados da Anatel, teria a intenção de expandir a oferta de TV paga para mais cerca de 54 cidades.

42 Teletime jul_2012

timento para eles conseguirem ter o serviço tanto no satélite, quanto no cabo”, conclui. Segundo Rigatieri, além de oferecer aos provedores o serviço de televisão por assinatura praticamente pronto, também teria uma porta aberta para vender antenas e set-tops a essas empresas. “Já temos três provedores da região Sul interessados experimentar este modelo de negócio”. Proposta semelhante já foi inaugurada no Brasil há alguns anos pela Media Networks, uma divisão da Telefônica que faz justamente o papel de agregadora dos conteúdos e viabilizadora da parte técnica. Entre os usuários da plataforma da Media Networks estão não apenas a Telefônica mas também a Oi e a Algar Telecom. Quem pode fazer Na teoria, qualquer empresa que conseguir a licença do SeAC pode prestar o serviço regionalmente, e isto é um facilitador para os provedores de Internet e pequenas operadoras Brasil afora. Mas basta uma ligeira análise num universo de três mil provedores para ver que sem um modelo de negócios que permita a redução dos custos, o número de possíveis entrantes neste mercado cai para aproximadamente cem ou 200 empresas. Por esta ótica, Rigatieri afirma que, hoje, os mais próximos de consolidar as ofertas de televisão por assinatura em seus negócios regionais com banda larga são aqueles que têm uma base de usuários de aproximadamente 50 mil clientes, em cidades onde a renda média mensal dos habitantes possibilita a aquisição da televisão por assinatura. “É a partir daí que uma empresa começa a ser competitiva neste novo mercado. São poucos os provedores que estão nesta classe”, diz ele ao justificar o modelo de negócios que privilegia a concentração da operação numa única empresa e apenas a distribuição a cargo dos provedores. Já o engenheiro em telecomunicações e consultor da área de TV por assinatura Antonio Salles Neto alerta que para se alcançar o sucesso na oferta de serviços de TV paga é importante estruturar um modelo de negócios com foco em marketing e qualidade de serviço. “Quem acredita que pode fazer uma operação dessas apenas com fluxo de caixa está enganado,


FOTO: marcelo kahn

porque é um mercado de capital intensivo. Então o empresário precisa fazer rede e estruturar o negócio para depois ter o retorno do assinante”. Para isto, é necessário ter capacidade para fazer os investimentos necessários sem se preocupar com o retorno imediato. Como exemplo, ele cita que, caso uma empresa resolva sozinha construir uma rede e prestar o serviço em um bairro ou condomínio, gastará em média R$ 200 por domicílio, tendo em vista o atendimento de 10 mil residências. “O problema é que você precisa construir infraestrutura para atender a todas essas casas, mas não pode garantir que elas serão clientes. Talvez num primeiro momento o operador consiga 20% deles e se for muito bom pode chegar em 40% no médio prazo”. Por isso, ele ressalta que neste momento não é a tecnologia o que preocupa quem está pensando em ter este servi-

“a solução é recorrer a sistemas que atendam a várias cidades com compartilhamento de headend e parte da infraestrutura.” Mariana Filizola, da NeoTV ço no portfólio. O grande desafio de quem pretende entrar nesta empreitada é estruturar modelo de negócio e modelo de receita. “Se a estratégia estiver correta e a rede for adequada para oferecer um serviço de qualidade, o retono certamente virá”, afirma. De olho no interesse crescente dos provedores por redes FTTH (fiber to the home), para levar à casa do usuário tanto a banda larga de ultra-velocidade quanto a TV a cabo, a Furukawa, fornecedora de cabos e equipamentos ópticos, estuda um modelo de headend IP de baixo custo para os provedores. “Estamos monitorando o que temos no mercado interno e externo

de soluções para esta área”. De acordo com Celso Motizuki, gerente comercial da fornecedora de cabos, esta ‘solução’ deve estar disponível aos provedores entre o final deste ano e o início do próximo. Em parte, o interesse da Furukawa por este mercado se explica pelo potencial de crescimento que os provedores têm apresentado. Segundo o executivo, eles já representam 7% das vendas da empresa e tudo indica que esse percentual pode até triplicar nos próximos anos. Eles têm oferecido consultoria aos provedores que se interessam em montar uma rede que suporte a transmissão de múltiplos serviços. No caso de uma rede básica para banda larga, por exemplo, é possível começar com 64 usuários e um investimento inicial de R$ 80 mil, incluindo os equipamentos usados para controlar e converter o sinal da fibra entre a central e a casa do usuário.

todos estão de olho no mercado de sva.

Chegou a hora de aparecer. jul_2012 Teletime 43


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O futuro do Wi-Fi

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alvez você ainda não tenha ouvido falar dele, mas está chegando ao mercado um novo padrão para a comunicação sem fio. Para atender à demanda por cada vez mais banda, tanto de consumidores residenciais quanto corporativos, um novo padrão Wi-Fi está sendo homologado pelo IEEE e deverá estar pronto ainda em 2012. É o IEEE 802.11ac. Os principais fabricantes de chipset e equipamentos já começam a apresentar aparelhos compatíveis com a nova especificação. O padrão 802.11ac é um draft ainda em homologação pelo IEEE. A principal novidade é a promessa de uma extraordinária melhoria em termos de velocidade, qualidade e segurança. O novo padrão pode atingir cerca de três vezes a velocidade do padrão anterior (802.11n), chegando, em situações ideais, a até 1 Gbps de capacidade. Tecnicamente, uma das mudanças mais significativas do 802.11ac em relação aos padrões anteriores é a utilização de canais com maior largura de espectro (80 MHz - o dobro do padrão 802.11n, que utiliza canais de 40 MHz). Com isso, espera-se pelo menos o dobro de capacidade de banda para a transmissão de dados. Com a necessidade de utilização de canais de 80 MHz, fica praticamente inviável a operação na faixa de frequência 2,4 GHz, seja por questões regulatórias ou por interferência (que hoje vão desde motor de carro a telefones sem fio e babá eletrônica). Portanto, o padrão 802.11ac operará na faixa de 5 GHz, que, ao menos na América Latina, é praticamente livre de interferência. Além disso, o novo padrão utilizará os recursos de codificação que aumentam o alcance e permitem estabelecer links robustos para transmissão de vídeo. Dife­ rentemente do que aconteceu com o 802.11n, espera-se que a Wi-Fi

O novo padrão pode atingir cerca de três vezes a velocidade do padrão anterior (802.11n), chegando, em situações ideais, a até 1 Gbps de capacidade. Alliance torne obrigatórias essas técnicas de codificação para obtenção da certificação. Outro avanço do padrão 802.11ac é o MIMO “multiusuário”. MIMO significa multiple-input and multiple-output, e caracteriza-se pelo emprego de múltiplas antenas, para transmissão e recebimento de dados. Em resumo, as principais vantagens do novo padrão Wi-Fi 802.11ac sobre os anteriores são: •V  elocidades Gigabit de transmissão de dados (em situações ideais), sendo pelo menos três vezes mais rápido do que o padrão 802.11n; 44 Teletime jul_2012

• Uso de técnica de codificação LDPC e beamforming, aumentando o desempenho na transmissão de vídeo; • Utilização de canais de 80 MHz na faixa de 5 GHz (menos interferência); • Compatibilidade com o padrão 802.11n, que também opera na faixa de 5 GHz. Porque Wi-Fi Gigabit? Vídeo. Esta é a palavra-chave que define a necessidade de existência de uma rede Wi-Fi com maior capacidade de transmissão de bits, ou seja, uma rede Wi-Fi Gigabit. Atualmente há mais de 25 milhões de assinantes Netflix no mundo; 800 milhões de pessoas visitam o YouTube todo mês e mais um número incontável de usuários usa aplicações diversas para rodar tráfego realtime. Adicio­ nal­ mente, há uma crescente demanda das operadoras de TV por assinatura e provedores de conteúdo (os chamados over-the-top) por transmissão de múltiplos canais de streaming HD sobre rede Wi-Fi. No entanto, a entre-


ga de vídeo de forma robusta e com qualidade sobre redes sem fio residenciais baseadas no padrão 802.11n tem se mostrado um desafio, uma vez que o vídeo é intrinsecamente sensível a interferências, bem como ao delay e jitter que podem ser gerados pela troca de um canal wireless. Além do vídeo, existem outros fatores que criam a necessidade de conectividade wireless com maior capacidade. Em 2011 foram fabricados mais de 1,1 bilhão de dispositivos com conexão Wi-Fi em todo o mundo, e esse número deve dobrar em 2016, segundo a organização Wi-Fi Alliance. Estima-se ainda um crescimento de 35% entre 2011 e 2016 na quantidade de equipamentos residenciais - como TVs, consoles de videogame e media players com conexão sem fio. Segundo a Wi-Fi Alliance, espera-se ainda um grande crescimento, entre 2011 e 2016, em outras áreas ainda incipientes na utilização do Wi-Fi: •C  rescimento de 109% na comercialização de produtos Wi-Fi

para o setor automotivo (navegação, entretenimento a bordo e monitoramento de tráfego); • 39% de crescimento na comercialização de produtos com conectividade Wi-Fi para os setores de saúde e aplicações médicas; • 25% de crescimento na comercialização de medidores inteligentes (água, energia, gás) e produtos de automação. Ou seja, este é um momento interessante e único para a indústria que fabrica e comercializa produtos e serviços ligados à conectividade sem fio. Os primeiros equipamentos com suporte ao Wi-Fi Giga estarão disponíveis no final de 2012. Até 2014, segundo a ABI Research, o IEEE 802.11ac provavelmente será o padrão dominante no mercado de novas vendas de equipamentos residenciais e corporativos. O novo padrão promete dois grandes avanços: o primeiro é melhorar o uso de streaming de vídeo HD sobre rede Wi-Fi. O segundo é melhorar a experiência do usuário de smartphones, tablets e outros dispositivos

Em 2011 foram fabricados mais de 1,1 bilhão de dispositivos com conexão Wi-Fi em todo o mundo, e esse número deve dobrar em 2016. móveis, permitindo o acesso à Internet com pelo menos três vezes mais velocidade do que se consegue hoje em locais de grande concentração, uma vez que há muita interferência e sobreposição de canais. Obviamente, a qualidade da navegação dependerá de vários fatores, principalmente o backhaul, mas a última milha Wi-Fi, com o novo padrão, não será um problema para o usuário. Resta agora os fabricantes colocarem no mercado equipamentos com bom time-to-market e, especialmente, custo acessível.

* Gerente de tecnologia com foco em redes e acesso da PromonLogicalis

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Cláudio Dascal

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.:ponto&contraponto

Neutralidade das redes

A

discussão sobre uma operação de rede neutra e desagregada do prestador de serviços (não confundir com neutralidade de rede na Internet) é um tema que sempre volta à baila. Em qualquer lugar, a lógica é a mesma: como racionalizar os investimentos em rede. Mais ainda num país carente de investimentos. Há também uma lógica comercial, pois o investimento em backbones não resulta necessariamente no acréscimo de capacidade de rede para aumento de quantidade de assinantes. Por outro lado, há o risco de que a oferta de rede vire um monopólio privado, como é o caso das estradas, nas quais as tarifas de pedágio crescem continuamente com a inflação, sem qualquer consideração para o ganho de escala e de volume de tráfego, simplesmente porque não há concorrência. Em telecom, hoje temos uma concorrência saudável na oferta de serviços e nos preços, o que tem feito com que as tarifas de serviços competitivos subam menos que a inflação, medida por qualquer índice, ao contrário das tarifas de serviços que se tornam monopolísticos, como pedágios e tarifas aeroportuárias, que sobem sistematicamente, independentemente dos custos e rentabilidade dos serviços. A segregação da rede pode ser estabelecida e discutida em vários níveis. O modelo considerado ideal seria o de uma ou mais operadoras de infraestrutura neutra, que não oferecesse serviços aos usuários finais, e que teria o retorno de seu investimento assegurado por contratos de longa duração, com prazos de atendimento e níveis de qualidade assegurados em SLA bem especificado. Os exemplos que tivemos nas primeiras tentativas nem sempre conseguiram ter um retorno sobre o investimento adequado. Acabaram virando operadoras, foram incorporadas pelas operadoras ou morreram porque as demais operadoras passaram a construir sua própria infraestrutura exatamente para não depender de tempos de atendi-

mento e de qualidade de terceiros. Outro fator que complica este modelo é que a evolução da tecnologia permite sempre o aumento de capacidade, sem o correspondente aumento de tarifas para o operador da rede. Assim, a chave para o sucesso de um modelo de operador de rede neutra tem que agregar alguns ingredientes: proteção de preços para a evolução da tecnologia, preços competitivos ao longo do tempo e alguma forma de participação no uso ou relacionada com eficiência do uso, uma espécie de revenue share. Sem ingredientes que permitam às operadoras de redes neutras terem um negócio rentável, essa infraestrutura necessariamente passará a ser uma obrigação de Estado, e não um negócio para empresa privada.

As ideias sobre redes neutras são bastante atraentes, mas não há modelos de sucesso consagrados para copiarmos. O compartilhamento de investimentos na construção de infraestrutura é uma solução inicial, mas que a longo prazo vai depender do desenvolvimento das empresas que sejam coproprietárias. Estes acordos são impossíveis de serem desenhados a longo prazo, pois as variáveis que envolvem o desenvolvimento de negócios e societário dos parceiros são muito imprevisíveis. As redes metropolitanas e a racionalização do uso do subsolo, para minimizar a furação das vias e calçadas, merecem uma séria atenção. Um esforço, que poderia começar com cidades menores, sem a complexidade das maiores capitais, poderia trazer uma maior racionalização, diminuiria o atraso nas implantações por autorizações municipais e melhoraria a qualidade de vida do cidadão. Também diminuiria o investimento inicial da operadoras, transformando Capex em Opex. Ou, se isto não for a política de investimento das empresas, pode-se 46 Teletime jul_2012

pensar em contratos de longo prazo que permitam tratamento contábil diferenciado. Novamente, o risco é o de se criar monopólios, públicos ou privados, sem pressão de eficiência de preços necessária no muito competitivo mercado de comunicações. O compartilhamento é exercido hoje nas torres de estações radiobase e pode ser ampliado para o site completo, podendo eliminar uma das questões de licenciamento para a ampliação das redes das operadoras móveis. Haveria uma maior racionalização de sites, enquanto hoje frequentemente temos dois, três ou mesmo quatro torres e sites num raio muito pequeno. Um operador de rede neutra, que busque esse modelo, ficaria encarregado de buscar as devidas autorizações de uma só vez. Uma operação neutra de rede se aplica também às redes internas de grandes empreendimentos, como grandes edifícios, shopping centers e, sem dúvida, nas arenas esportivas que se constroem para os próximos eventos esportivos. São ambientes onde múltiplas operadoras têm que prestar serviço e que, com certeza, não comportam que cada uma realize o seu investimento e a sua instalação, mesmo porque são investimentos similares e o prazo é curto. O modelo adotado e em execução é o de implantação coordenada e custos compartilhados. É uma excelente oportunidade para um operador neutro, que construa esta infraestrutura e explore o negócio, garantindo a sua evolução ao longo do tempo e que garanta capacidade e qualidade. As ideias sobre redes neutras são bastante atraentes, mas não há modelos de sucesso consagrados para copiarmos. Para dar certo, têm que ser negócio para o operador, e como contrapartida ele terá de garantir qualidade, preços reduzindo com o tempo para fazer frente à maior competição e também evolução com a tecnologia, que é a característica do nosso mercado de telecomunicações. O Estado deve incentivar operadores neutros, e não procurar operar por conta própria. 


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Revista Teletime - 156 - Julho 2012  

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