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www.teletime.com.br

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Ano 14

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ENTREVISTA Presidente da Algar Telecom fala do desafio de ser ao mesmo tempo incumbent e operadora competitiva

EVENTO Governo e empresas mostram as cartas na Futurecom e debatem de espectro a neutralidade das redes


Presidente Rubens Glasberg Diretores Editoriais André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski

Editor Samuel Possebon Editora Adjunta e Editora de Projetos Especiais Letícia Cordeiro Editor de Mobilidade Fernando Paiva Redação Daniel Machado, Wilian Miron, Helton Posseti (Brasília), Alexandro Cruz, Jaqueline Carvalho, Marcelo Vieira e Victo Hugo (Colaboradores) Consultor Especial Cláudio Dascal Arte Edmur Cason (Direção de Arte); Rubens Jardim (Produção Gráfica); Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica); Débora Harue Torigoe (Assistente); Alexandre Barros (Colaborador); Bárbara Cason (Colaboradora) Departamento Comercial Ivaneti Longo (Assistente) Inscrições e Assinaturas Gislaine Gaspar (Gerente) Circulação Patricia Brandão (Gerente) Marketing Harumi Ishihara (Diretora) Gisella Gimenez (Assistente) Administração Vilma Pereira (Gerente) TELETIME é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 603 CEP: 01243-001 - Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910 - São Paulo, SP. Sucursal SCN Quadra 02 Bloco D, sala 424 – Torre B - Centro Empresarial Liberty Mall - CEP: 70712-903 - Fone/ Fax: (61) 3327-3755 - Brasília, DF. Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

CENTRAL DE ASSINATURAS 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira Internet www.teletime.com.br E-mail assine@convergecom.com.br REDAÇÃO (11) 3138-4600 E-mail cartas.teletime@convergecom.com.br PUBLICIDADE (11) 3214-3747 E-mail comercial@convergecom.com.br Instituto Verificador de Circulação

Samuel Possebon

FOTO: arquivo

.:Editorial

samuca@con­ver­ge­com.com.br

Bom, mas não pode estragar

A

s perspectivas de crescimento do setor de telecomunicações para este ano e para o próximo são animadoras. Um bom termômetro é a indústria de equipamentos, que detectou no primeiro semestre um nível de investimentos 21% superior ao mesmo período de 2010, considerado um ano péssimo. Esse reaquecimento é bom, mas ainda não é ótimo, visto que as operadoras ainda estão em um nível de investimento em rede inferior a 2008. A perspectiva, por um lado, é positiva. As principais consolidações que poderiam acontecer no setor (BrT/Oi e Vivo/Telefônica) já passaram e as empresas envolvidas começam a sair do estágio de “digestão” para entrar no período de expansão. Tanto que a Oi já sinalizou investimentos maiores para o próximo ano e a Telefônica buscou uma capitalização junto ao BNDES para o mesmo fim. Some-se a isso o apetite da GVT e da TIM, e a força da Embratel/Net, que agora definitivamente consolidadas deverão ser ainda mais agressivas, e o cenário de expansão é positivo. O problema, contudo, vem de fora. É sabido que os resultados das operadoras aqui no Brasil estão fazendo toda a diferença para as matrizes no exterior. Telefônica, Portugal Telecom (controladora da Oi) e TIM não escondem a importância que o Brasil tem em seus resultados mundiais, assim como a América Móvil (controladora da Embratel, Claro e Net) e Vivendi (controladora da GVT) têm o Brasil como uma posição estratégica. Este ano, contudo, as remessas de lucros das empresas de telecomunicações ao exterior já superam a marca de US$ 1,5 bilhão, segundo dados do Banco Central levantados pelo jornal Valor Econômico. Isso é 50% a mais do que no mesmo período do ano passado, provavelmente porque, com a retração das economias na Europa, os recursos vindos das subsidiárias ao redor do mundo tornaram-se mais indispensáveis. Só que esse movimento, perfeitamente legal e aceitável do ponto de vista empresarial, acontece justamente em um momento em que as operadoras no Brasil têm a necessidade de grandes investimentos. Não só por conta dos eventos esportivos ou das políticas públicas, mas porque já passa da hora de o Brasil renovar a sua infraestrutura de telecomunicações. As deficiências de redes de transporte e backhaul, o reduzido número de ERBs em comparação com outros países, a falta de redes de out_2011 Teletime 3

banda larga em alta capacidade para acesso residencial, sobretudo fora dos grandes centros, são problemas que a própria indústria aponta como críticos. E cabe a ela fazer os investimentos necessários para dotar os consumidores de serviços de qualidade mundial. Não dá mais para ter no Brasil algo que está dois ou três anos atrás dos níveis de preços e qualidade praticados em mercados desenvolvidos. A má notícia é que as empresas vão ter que trabalhar sozinhas nisso se quiserem atender a essa demanda dos seus consumidores. Não se deve esperar grandes ajudas adicionais do governo, que deve entrar em um ciclo de contenção de despesas nos próximos dois anos, e os governos estaduais, que poderiam fazer a grande diferença se reduzissem o ICMS dos serviços, certamente não vão se mexer por isso. E tudo isso acontece em um momento em que, queiram as empresas ou não, a atuação reguladora tende a ser mais intensa, porque a banda larga se tornou essencial na vida das pessoas e não se pode esperar que o governo se abstenha de interferir nesse mercado. É um cenário complexo, mas uma coisa é certa: o Brasil é tão importante para os grandes grupos de telecomunicações aqui presentes que deixar de fazer os investimentos necessários será matar a galinha dos ovos de ouro no futuro. Da parte do governo, ele não pode e não deve deixar de regular esse novo cenário, mas não pode atrapalhar.

É com grande orgulho que a Converge Comunicações lança este mês o Mobile Time (www.mobiletime.com.br), sua nova publicação online voltada para o mercado de mobilidade (ver matéria nesta edição). Há vários anos que tratamos desse tema em profundidade na revista e nos nossos eventos Tela Viva Móvel e Mobile Plus, ambos pioneiros em trazer informações sobre serviços de valor adicionado, tecnologias, aplicativos, plataformas móveis e estratégias para o mundo móvel. Mas esse mercado deixou de ser exclusivo da área de telecomunicações e hoje permeia o dia-a-dia das empresas de Internet, grandes corporações, governos, agências de publicidade, empresas de conteúdo e, é claro, a vida dos usuários. Por isso decidimos oferecer à nossa já significativa comunidade de cerca de 60 mil leitores que acompanham o tema de mobilidade pela TELETIME e em nossos eventos um espaço exclusivo e inovador, onde certamente agregaremos novos leitores e parceiros. Aproveitem.


148 Número

w w w . t e l e t i m e . c o m . b r

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Ano 14 | Out11

Capa

6 Educação na tela

Setor começa a integrar dispositivos móveis com metodologias pedagógicas. Tablets e smartphones são usados no ensino básico, universidades e preparação para concursos públicos.

novidade

10 Mobile Time

Converge lança portal dedicado ao segmento de aplicações, conteúdos e dispositivos móveis. M-commerce, m-banking, m-marketing, m-learning e outros temas de mobilidade serão abordados.

Entrevista

12 Entre dois mundos

O diretor-presidente da Algar Telecom, Divino Sebastião de Sousa, diz como pretende dobrar o faturamento da operadora mineira nos próximos cinco anos.

Especial Mobilidade Corporações

A ascenção da produtividade

Infraestrutura

Pavimentação do acesso ainda preocupa

Segurança

Tão essencial quanto a bateria

10

12

Sistemas operacionais

Quem quer assumir a liderança?

Customização

Aplicativos rurais

Marketing

15 Disputa por pacotes

Mercado de banda larga móvel sofre aquecimento e passa a ser o novo front de batalha das operadoras, que redobram a atenção com pacotes de serviços e melhorias das redes.

Regulamentação

18 De olho nas regras 15

20

Ao contrário do esperado, mudança no Artigo 86 da LGT faz com que concessionárias concentrem ativos fora da concessão a fim de evitar a reversibilidade e o compartilhamento de ganhos.

TV por assinatura

20 Injeção de ânimo

Novo marco legal para a TV paga enche de otimismo as operadoras, que anunciam planos e investimentos em redes.

Evento

22 Tomada de posição

Futurecom mais uma vez vira palanque das operadoras e do governo, que expõem suas diferenças em relação a temas como 2,5 GHz, 700 MHz e neutralidade de rede.

Editorial 3 | Ponto & Contraponto 26 Capa: CLIPAREA l Custom media / Nata-Lia / shutterstock / editoria de arte converge

4 Teletime out_2011


Temos um encontro marcado em Copacabana.

DIAS 6 E 7 DE OUTUBRO DE 2011 R I O O T H O N PA L A C E H O T E L Copacabana, Rio de Janeiro, RJ

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Sempre renovado e relevante, o Congresso Latino-Americano Satélites 2011, discutirá importantes assuntos do setor, como: Patrocínio Platinum

• Papel do satélite na universalização da banda larga. • O crescimento explosivo do DTH. • A entrada de grandes indústrias brasileiras no segmento aeroespacial • Novas aplicações em comunicações marítimas, meteorologia, imagem, sensoriamento remoto.

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Fernando Paiva, do Rio de Janeiro fernando.paiva@convergecom.com.br

Aprendizado em movimento

P

or muito tempo, o celular foi visto como um inimigo das salas de aula. É comum os professores mandarem os alunos desligarem os aparelhos durante as classes. Em alguns colégios, os terminais são retidos e devolvidos apenas ao final do dia. Agora, o setor de educação começa a fazer as pazes com a tecnologia e aprende a usá-la como sua aliada. Dispositivos móveis, como celulares e tablets, estão sendo integrados aos projetos pedagógicos de colégios, centros universitários e cursos de língua Brasil afora. Além de despertarem um maior interesse dos estudantes pelas aulas, as iniciativas proporcionam uma economia em impressões e visibilidade de marca para as instituições que largaram na frente. Há quatro anos, as escolas da rede SEB COC no estado de São Paulo adotaram netbooks nas salas de aula do ensino fundamental e do ensino médio. Este ano começou a substituição para tablets, a pedido dos próprios estudantes. Três mil unidades foram distribuídas a alunos do primeiro ano do ensino médio. “Estamos trabalhando mais próximos da linguagem dos estudantes, que são nativos digitais. E o professor atinge com mais facilidade um número maior de alunos. Já percebemos que as notas melhoraram ao longo desses quatro anos”, relata o gerente pedagógico de tecnologia do grupo SEB COC, Adriano Polido. Houve também uma redução de problemas de disciplina. O conteúdo didático embarcado nos tablets usados pelo SEB COC foi desenvolvido pela editora Pearson Brasil. “Não se trata de uma mera transposição do material impresso para PDF. A linguagem tem que ser diferente. O processo de ensino deixa de ser linear. No digital, o aprendizado é feito por múltiplos caminhos”, explica o diretor de mídias digitais da Pearson Brasil, Tadeu Terra. Os pro-

CLIPAREA l Custom media / Nata-Lia / shutterstock

Do ensino básico às universidades, cursos de língua e preparatórios para concursos públicos, setor de educação começa a integrar metodologias pedagógicas aos dispositivos móveis.

fessores receberam treinamento especial para lidar com a nova ferramenta. Além do conteúdo didático em formato multimídia, com a inclusão de vídeos, jogos e links externos, o aplicativo instalado nos tablets dos alunos permite a realização de exercícios. Entretanto, o material impresso e o caderno pautado não foram abandonados. Segundo as fontes, existe uma pressão dos pais para que essa substi6 Teletime out_2011

tuição não aconteça tão rapidamente. Na opinião de Terra, da Pearson, seria necessária uma mudança cultural na cabeça dos pais para que isso acontecesse. O mais provável é que a substituição definitiva do impresso ocorra apenas na geração dos filhos dos nativos digitais, prevê o executivo. Outra questão delicada é sobre o uso do tablet fora da sala de aula. Cabe a cada escola decidir se o apare-


lho pode ser levado para casa ou não. No caso da SEB COC, o aluno pode levá-lo para casa e é estimulado a fazer tarefas nele. A instalação de apliRocio del Campo, da La-Mark cativos de terceiros é permitida pela configuração dante para o ingresso no do terminal, um Archos de 10 polegamercado de trabalho. das com Android 2.2 e sem 3G. As “Focamos em empregabiliescolas do grupo são dotadas de rede dade. Nossos alunos daqui a Wi-Fi com acesso bloqueado a sites quatro anos terão o conheciinapropriados. “Hoje as crianças utilimento dessa tecnologia, saberão usar zam essa tecnologia como muitos essa ferramenta”, comenta Pedro adultos não o fazem. Qualquer restriGraça, diretor de marketing do Estácio, ção, se houver, deve ser refletida em grupo de universidades privadas que suas razões e consequências”, comendistribuiu neste segundo semestre 5,5 ta Mírian Zippin, professora de pedamil tablets para estudantes de Direito, gogia da Universidade do Estado do Hotelaria e Gastronomia. O aparelho é Rio de Janeiro (UERJ). entregue em regime de comodato: O mercado de conteúdo didático após a graduação, fica com o estudandigital para escolas está despertando o te. Se largar o curso antes, precisa interesse de diversas editoras. Além devolvê-lo. Foi embarcado um aplicada Pearson, a Abril Educação aposta tivo com todo o conteúdo didático do nesse filão. A empresa, dona das edisemestre. A cada novo período na toras Ática e Scipione, além dos sistemas de ensino Anglo e pH, concluiu este ano o desenvolvimento da APIS, uma coleção de e-books multimídia para o curso de todas as disciplinas do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental, pronta para funcionar em faculdade, o aluno precisa atualizar o tablets Android e iPads. “Repensamos conteúdo. O aplicativo permite ao o formato do conteúdo. Incluímos estudante tomar notas das aulas no vídeos, animações e até infográficos próprio tablet. Em uma segunda etapa, de revistas da editora Abril”, relata a serão adicionadas ferramentas para diretora de tecnologia da Abril compartilhamento dessas anotações. Educação, Ana Teresa Ralston. A coleAssim, será possível trocá-las com ção está sendo apresentada a escolas professores e com alunos de outras particulares de todo o Brasil. unidades da faculdade. Os estudantes Existe grande expectativa do mertambém poderão marcar aqueles cado editorial quanto à adoção de comentários que consideram melhoconteúdo didático em formato digital res, tal como o botão “curtir” do pelo Ministério da Educação (MEC). O Facebook. “A troca de anotações de governo federal é hoje o maior comaula por meio eletrônico será uma prador de livros didáticos do Brasil, revolução. Ninguém usa isso para adquirindo algumas dezenas de estudo ainda”, comenta Graça. milhões de exemplares por ano. A preNo caso da Estácio, os tablets estão visão é de que o edital do MEC para substituindo totalmente as 2014 abra espaço para mídias digitais. apostilas impressas, o que gera uma economia para a Ensino superior instituição. Calcula-se que Se nas escolas a adoção dos tablets funciona como um atrativo a mais para as crianças prestarem atenção nas aulas, nas universidades o objetivo é outro. No ensino superior, o contato com essa tecnologia é visto como Tadeu Terra, da Pearson Brasil uma preparação do estu-

“Construímos uma plataforma de aprendizagem para curtos espaços de tempo e acesso em telas pequenas”

nesse primeiro ano de adoção da nova tecnologia o grupo deixará de imprimir 6 milhões de páginas. Em cinco anos, com a expansão do projeto para todos os 240 mil alunos da Estácio, estima-se que 240 milhões de páginas deixarão de ser impressas por ano. O mercado de cópias ilegais também é afetado. Pelo direito de incluir trechos de livros em suas apostilas digitais, a Estácio firmou um acordo com a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR). Cursos de ensino superior à distância também aderiram à novidade. O Uniseb Interativo entregou 15 mil tablets para os estudantes que se matricularam neste segundo semestre em qualquer um dos seus 145 pólos de ensino. No seu caso, porém, optou-se por continuar enviando paralelamente o material impresso. “Nossos alunos

hÁ grande expectativa do mercado editorial quanto à adoção de conteúdo didático em formato digital pelo MEC. O governo federal é o maior comprador de livros didáticos do Brasil.

“O processo de ensino deixa de ser linear. No digital, o aprendizado é feito por múltiplos caminhos”

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FOTOS: divulgação

têm entre 25 e 40 anos de idade. Não são nativos digitais. Para não causar um choque grande, decidimos trabalhar com três mídias: web, tablet e impresso. A substituição das apostilas impressas deve acontecer apenas em 2012”, justifica o pró-reitor do Uniseb Interativo, Jeferson Fagundes. O material didático foi todo digitalizado. Contudo, por exigência do MEC, os alunos seguem obrigados a comparecer pelo menos uma vez por semana a um pólo de ensino onde assistem à transmissão de aulas em vídeo e realizam as provas. No ano que vem, quando o Uniseb Interativo pretende entregar 20 mil tablets a seus estudantes, será incluído acesso a podcasts de aulas e vídeos de correções de provas. A aposta no uso de tablets é tão grande que o grupo SEB COC, dono do Uniseb Interativo, cogita a possibilidade de montar por conta própria o produto no Brasil, importando componentes da China. O objetivo seria atender sua demanda


interna e, eventualmente, tornar-se um fornecedor de tablets com conteúdo didático para o setor público.

FOTOS: divulgação

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Inglês, Enem e concursos públicos Tablets são produtos ainda caros para o bolso de muitos brasileiros. As experiências de educação móvel usando esses aparelhos no País envolvem, em geral, instituições privadas de ensino, em que o preço do tablet está embutido parcelado nas mensalidades pagas pelos estudantes. Para projetos de m-learning (mobile learning) atingirem um público maior, é preciso usar dispositivos móveis mais populares, ou pelo menos ferramentas acessíveis por eles, como mensagens de texto e portais de voz. Esse foi o caminho escolhido pela empresa La-Mark, que criou um curso de inglês e espanhol para celular, o Kantoo, usado hoje por 4,5 milhões de pessoas no mundo, sendo cerca de 3 milhões somente no Brasil, onde é oferecido com exclusividade para assinantes da Vivo. “Montamos um dream team multidisciplinar com gente de áreas como pedagogia e linguística, que construiu uma plataforma de aprendizagem para curtos espaços de tempo e acesso em telas pequenas”, relata a CEO da La-Mark para América Latina, Rocio Del Campo.

têm tempo ou dinheiro para fazer um curso de inglês presencial. Em média, eles permanecem 130 dias usando o Kantoo, o que é um período bastante longo para um serviço de valor adicionado (SVA) de assinatura semanal. Em pesquisas internas realizadas pela Vivo, mais de 90% se dizem satisfeitos com o curso. Um próximo passo será o lançamento do Kantoo Beginners, voltado para um público sem qualquer conhecimento prévio de inglês. O alvo são profissionais da área de serviços, como taxistas e garçons, que precisam aprender o básico da língua por conta da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil. Não são apenas cursos de inglês que podem ser adaptados para interfaces móveis mais simples como SMS. O site Descomplica, especializado em preparação para vestibulares, desenvolveu para os assinantes da Vivo um serviço com envio de dicas para a prova do Enem por mensagem de texto, com assinatura semanal de R$ 2,50. Por sua vez, o site Escola24h desenvolveu um portal móvel para clientes da TIM com conteúdo preparatório para vestibulares. Parte está disponível gratuitamente,

“A troca de anotações de aula por meio eletrônico será uma revolução. Ninguém usa isso para estudo ainda” Pedro Graça, da Estácio A versão para SMS, batizada de Kantoo for All, visa aperfeiçoar o vocabulário e a gramática em inglês de pessoas que já tenham um conhecimento básico ou intermediário da língua. Mediante pagamento de uma assinatura semanal, os estudantes recebem lições e exercícios por mensagem de texto. Quem quiser praticar a compreensão e a fala, pode experimentar o Kantoo Voz: pagando outra assinatura semanal, acessa um portal de voz no qual escuta episódios de uma audionovela produzida com finalidades educacionais e que inclui pausas para exercícios de pronúncia. Há também versões para acesso via website e

Para projetos de m-learning atingirem um público maior, é preciso usar dispositivos mais populares, ou pelo menos ferramentas acessíveis, como sms e portais de voz. via aplicativo móvel, com assinaturas à parte. O perfil médio dos estudantes do Kantoo é de jovens de 28 a 35 anos de idade, da classe C, que trabalham e não

O papel das operadoras móveis

A

s operadoras celulares podem exercer uma participação ativa em projetos educacionais. Ou seja, em vez de simplesmente proverem a rede para o tráfego de dados, podem ajudar na promoção e na oferta dos serviços, agregando valor às suas marcas e gerando novas fontes de receita, principalmente através do modelo de assinatura semanal de conteúdos didáticos. A Vivo é uma das mais engajadas nesse campo, tendo inclusive uma equipe dedicada a mobile learning dentro de sua área de serviços de valor adicionado (SVA). A empresa apostou nos cursos de inglês e espanhol via celular Kantoo, para os quais tem acordo de exclusividade com a desenvolvedora La-Mark. E agora coordena com outros provedores de conteúdo o lançamento de serviços móveis de preparação para vestibulares e concursos públicos. “Queremos nos consolidar como líderes nesse mercado. Não vamos parar em cursos de língua”, afirma João Victor Martins, gerente de SVA da Vivo. A TIM quer seguir o mesmo caminho, tendo lançado recentemente um portal móvel com conteúdo para a prova do Enem, em parceria com o site Escola24h. “Há carência por capacitação no Brasil e as operadoras podem exercer um papel importante em educação”, avalia Flávio Ferreira, gerente de

SVA da TIM, lembrando que m-learning não pode se limitar a tablets e smartphones, mas atingir as massas através de SMS e portais de voz. A diretora regional da Claro para o Rio de Janeiro e Espírito Santo, Gabriela Derenne, concorda: “Nas classes C e D, mais do que um laptop ou tablet, o veículo de inclusão é o aparelho celular 3G.” Nos casos em que o conteúdo é modelado e oferecido aos alunos diretamente pela própria instituição de ensino, a oportunidade para as operadoras é de prestar a conexão. Naqueles projetos que envolvem dezenas de milhares de estudantes, vale a pena procurar uma parceria exclusiva, oferecendo algum tipo de desconto ou benefício para conquistar os novos clientes. Foi o que fez a Claro com a Estácio. Os estudantes da universidade que receberam um tablet com material didático ganharam também um chip 3G da operadora. Quem ativar o plano de dados tem 10% de desconto. E o acesso remoto ao conteúdo didático do portal da Estácio é gratuito: não desconta da franquia da Claro e pode ser feito mesmo se o assinante estiver sem crédito. Segundo Gabriela Derenne, da Claro, várias outras universidades e cursos de MBA estão batendo às portas da operadora querendo firmar parcerias semelhantes.

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mas para ter acesso ao conteúdo integral é necessário pagar uma assinatura semanal de R$ 1,99. Até cursinhos preparatórios para concursos públicos identificaram uma oportunidade nos celulares. A OneBrasil lançou em agosto um serviço que, em uma primeira etapa, envia alertas de vagas via SMS. Em uma segunda fase, que começará ainda este ano, será oferecido conteúdo didático via mensagem de texto e portal de voz, por R$ 2,99 por semana para clientes da Vivo. Outro mercado possível para m-learning é o de treinamento corporativo. Essa é uma das novas apostas da La-Mark. Sua plataforma de ensino já está sendo utilizada na Europa para a capacitação dos funcionários de um banco privado. Em um aplicativo móvel, eles acessam a lista de serviços do banco e aprendem como cada um deve ser oferecido aos correntistas. “O e-learning não chega a todos. Se uma empresa quiser alcançar um representante comercial nos confins do Amazonas, precisará usar SMS. Queremos propor ao mercado corporativo soluções mistas que mesclem e-learning, SMS, smartphones e tablets”, diz Rocio, da La-Mark. O uso de dispositivos móveis para fins educacionais está apenas começando. As escolas e seus professores e pedagogos ainda têm muito o que aprender para aprimorar os projetos de m-learning, independentemente da interface, seja ela uma mensagem de 160 caracteres ou uma aula multimídia na tela touch screen de um tablet. O im­­ por­­tan­te é não es­­quecer que a tecnologia é um meio, não um fim, e que deve estar a serviço de um pro­­ jeto e de uma me­­­todologia pedagógica. 

“Para não causar um choque grande, decidimos trabalhar com três mídias: web, tablet e impresso” Jeferson Fagundes, do Uniseb Interativo

As primeiras experiências de m-Learning no Brasil Instituição

Grupo Estácio

Interface

Tablets

Projeto Distribuiu, em agosto deste ano, 5,5 mil tablets da SempToshiba de 10 polegadas, dual core e Android 2.2, para alunos recém matriculados nos cursos de Direito, Gastronomia e Hotelaria do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, com material didático embarcado, acesso a biblioteca virtual, banco de questões e possibilidade de fazer anotações. Distribuiu 15 mil tablets Android para alunos ingressantes neste segundo semestre de 2011 em cursos de ensino à distância espalhados por 145 pólos. Os aparelhos contêm conteúdo didático produzido pela própria instituição. Segue entregando material impresso, que só deve ser substituído por tablets a partir de 2012.

Uniseb Interativo

Tablets

Kantoo

Curso de inglês e espanhol via SMS, portal de voz, aplicativo Java e site web, com cobrança de SMS, portal de assinatura semanal. Presente em voz, aplicativo seis países, soma mais de 4,5 Java e site web milhões de usuários ativos, sendo cerca de 3 milhões no Brasil, onde é oferecido com exclusividade pela Vivo.

SEB COC

Escola24h e TIM

Netbooks e tablets

Site móvel

Há quatro anos a rede de escolas iniciou a distribuição de netbooks a alunos do ensino médio e fundamental. Em 2011, começou a substituir os netbooks por tablets. As notas melhoraram em quatro anos. Portal móvel lançado este ano com conteúdo preparatório para o Enem. Segue modelo “freemium”: parte do conteúdo é gratuito. Se estudante quiser acessar o resto, que inclui mais material para leitura e aulas em MP3, precisa pagar uma assinatura semanal de R$ 1,99.

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Próximos passos Em 2012, o projeto será estendido aos demais alunos de Direito e talvez a algum curso de ciências exatas, provavelmente Engenharia. Em cinco anos a meta é alcançar todos os alunos da Estácio, que hoje somam 240 mil. Em 2012 distribuirá 20 mil tablets, que passarão a ter conectividade 3G. Aplicativo didático incluirá novas ferramentas, como a possibilidade de fazer anotações. Avalia a ideia de fabricar por conta própria os tablets no País. Lançará ainda este ano no Brasil dois novos serviços: o Kantoo for All – Class, curso de inglês que mesclará SMS e portal de voz; e Kantoo Beginners, curso de inglês por SMS para iniciantes sem qualquer conhecimento prévio de inglês. Objetivo é levar tablets a todos os seus alunos do ensino fundamental e médio.

TIM avalia lançamento de outros serviços educacionais usando interfaces massivas como SMS e portal de voz


.:novidade

Da redação

cartas.teletime@convergecom.com.br

Converge lança Mobile Time

Portal será dedicado ao mercado de aplicações, conteúdos e dispositivos móveis, abordando temas como m-commerce, m-banking, m-marketing, m-learning, m-health, M2M, mobilidade corporativa, tecnologias, dispositivos e entretenimento.

A

sociedade da informação agora é uma sociedade da informação móvel. Os dados do dia-a-dia de uma empresa, antes restrito às telas de desktops conectados a cabos e tomadas, agora são acessados nas telas de smartphones e tablets. Companhias de todos os setores da economia começam a investir em soluções de mobilidade, seja para a comunicação interna entre funcionários, com o objetivo de ganhar em agilidade e produtividade, seja para a comunicação com seus clientes. Há uma infinidade de projetos em andamento no Brasil e no mundo visando a mobilidade das informações corporativas. Como consequência, desenvolvedores, integradores, provedores de conteúdo, fabricantes de terminais e operadoras móveis crescem juntos com esse boom. É diante desse cenário que a Converge Co­­municações, conhecida por sua experiência em veículos de mídia

especializados e com longa história de sucesso, como Teletime, Tela Viva e TI Inside, decidiu criar um novo site jornalístico dedicado exclusivamente ao mercado de mobilidade: o Mobile Time (www.mobiletime.com.br). O site trará notícias diárias e uma newsletter semanal gratuita sobre o mercado de aplicações, conteúdos e dispositivos móveis (celulares, smartphones e tablets), além de artigos e tutoriais assinados por especialistas. Serão abordados temas como mobile commerce, mobile banking, mobile marketing, m-learning, m-health, M2M, mobilidade corporativa, entretenimento móvel (música, games, vídeos

site trará notícias diárias e uma newsletter semanal gratuita sobre o mercado de aplicações, conteúdos e dispositivos móveis, além de artigos e tutoriais assinados por especialistas

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etc), dentre outros. As notícias serão apuradas e escritas pela equipe de jornalistas profissionais da Converge Comunicações, sob a coordenação do jornalista Fernando Paiva, que há onze anos cobre o setor de telecomunicações para a Teletime. Previsões do tempo móvel Uma das inovações do site é trazer um espaço dedicado a previsões de institutos de pesquisa e empresas sobre o mercado de mobilidade no Brasil e no mundo. Batizado de “Previsões do tempo móvel”, esse espaço é, na prática, um banco de dados de fácil acesso e pesquisa de projeções do setor, permitindo a busca por assunto, abrangência, data de publicação e fonte. Mobile Time nasce como um filho do site Teletime News, com o objetivo de dar mais destaque à cobertura do setor de mobilidade. Isso não significa que o segundo deixará de ter notícias sobre o mercado móvel. Pelo contrário: sempre que seus editores julgarem pertinente, notícias do Mobile Time serão publicadas no site da Teletime e vice-versa. A proposta do Mobile Time é se tornar uma referência na Internet brasileira sobre o mercado de mobilidade, sendo fonte de consulta sobre o que há de mais novo nesse campo. É um site para ser lido não apenas pelo setor de telecom, mas por executivos de companhias de quaisquer áreas que tenham ou planejem ter projetos de mobilidade, de bancos a redes varejistas, de montadoras de automóveis à indústria farmacêutica, de editoras de livros a instituições de ensino. A newsletter semanal do Mobile Time será enviada inicialmente para cerca de 60 mil leitores que atuam na área de mobilidade, telecom e mercado corporativo das bases do Teletime News e do TI Inside News, publicações da Converge Comunicações. Para se cadastrar e receber as últimas notícias sobre o mercado de mobilidade, aces se: www.mobiletime.com.br


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Fernando Paiva, de Uberlândia

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Entre as grandes e as pequenas

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Algar Telecom, novo nome da CTBC, vive uma situação contraditória: está longe de ter o porte de concessionárias locais gigantes como Oi e Telefônica, mas precisa seguir a mesma regulamentação desenhada para elas. Ao mesmo tempo, se esforça para se expandir para fora de sua área de concessão, atuando como uma nova entrante em vários mercados. A empresa faz parte de duas associações que quase sempre estão em lados opostos em uma mesa de discussões: a Telebrasil e a Telcomp. Em meio a esse dilema de agir como incumbent ou como nova competidora, a Algar Telecom se organiza para crescer. Sua meta é dobrar o faturamento anual ao longo dos próximos cinco anos, atingindo uma receita de R$ 3 bilhões. O diretor-presidente da companhia, Divino Sebastião de Sousa, relata nesta entrevista à TELETIME os próximos passos da expansão da empresa, os testes com LTE, a dificuldade de negociação para ser uma MVNO fora de sua área de concessão e sua visão sobre o Plano Geral de Metas de Competição (PGMC). TELETIME - Quais são as prioridades da Algar Telecom atualmente? Divino Sebastião de Sousa – Nós estamos em um processo de crescimento. A empresa nos últimos quatro anos fez uma reestruturação organizacional, paramos para pensar nossas estratégias e vimos que precisávamos fazer mais daquilo em que somos bons. Precisávamos fazer mais do core, sem inventar muitas outras linhas de serviços que não fizemos em nossos 57 anos de história. Somos bons em varejo, onde temos grande market share. Mesmo com todos os concorrentes do País atuando na nossa área, somos líderes em todos os serviços: móvel, fixo, TV e banda larga. Quanto à expan-

foto: divulgação

Algar Telecom planeja dobrar de faturamento em cinco anos e foca nos serviços corporativos para expandir seu mercado. Mas terá que fazer isso levando o peso de ser uma concessionária.

Divino Sebastião de Sousa

são para fora da área de concessão, nosso foco é servir médias empresas com serviços dedicados de links, voz e dados. Temos autorizações nacionais para isso. Optamos por fazer essa expansão ao longo do nosso backbone, que é um diferencial estratégico. Essa rede vai de Brasília até Curitiba e concentra o maior PIB de telecom do País.

empresas. E o backbone sendo próprio nos dá um diferencial de mercado, garantindo mais agilidade e qualidade em serviço. No momento, a ideia é a expansão radial. Se passamos por Ribeirão Preto, chegamos também em São José do Rio Preto e São Carlos. Se passamos em Campinas, expandimos para Valinhos etc.

A empresa pensa em expandir esse backbone para além de Curitiba e Brasília? Precisamos estar onde há mais gap de oferta. Sabemos que nessa área estão nossos maiores concorrentes, mas há gap no atendimento às médias

Há algumas iniciativas de operadoras construindo backbones compartilhados nas regiões Centro-Oeste e Norte. A Algar Telecom participa de algum desses projetos? Não. Apenas em trechos metropolitanos, não de longa distância.

há gap no atendimento às médias empresas. o backbone próprio nos dá um diferencial de mercado, garantindo mais agilidade e qualidade em serviço.” 12 Teletime out_2011


A Algar Telecom chamou a atenção do mercado quando lançou, no começo do ano, um serviço de FTTH com velocidade de 1 Gbps. Passados mais de seis meses, qual a sua avaliação? Pretendem levar a outras cidades além de Uberlândia? Sim, mas sabemos que não é serviço de varejo que se vende diariamente. São serviços dedicados, atendidos com fibra. Temos cabeadas com par metálico todas as cidades, mas não temos essa capilaridade em fibra. Atendemos apenas alguns condomínios de Uberlândia, Uberaba, Franca e Belo Horizonte, onde usamos a fibra da Cemig. Não é produto de grande demanda em nossa área de concessão. Cliente precisa sentir necessidade por 1 Gbps em casa. Mesmo com roteadores internos, 1 Gbps é muita coisa. Eu tenho 100 Mbps em casa e acho que não uso tudo isso. Não tenho necessidade constante de 100 Mbps. Por isso ainda estamos pensando em LTE, se vai ter mercado. Talvez tenha em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Mas para o interior do País, ainda não identificamos mercado. Entretanto, quando lançamos telefonia móvel, o cliente também não enxergava necessidade e depois se formaram filas para comprar. Acredito que em algum momento o cliente vai despertar para a necessidade de maiores velocidades em banda larga.

Qual é a opinião da Algar Telecom sobre a data do leilão de 2,5 GHz? Quem pede para adiar é porque tem espectro. Quem não quer adiar é porque precisa da frequência. No nosso caso, dependendo do espectro que poderá ser usado para 4G, ou seja, se pudermos usar o que temos, eu prefiro adiar. Prefiro usar esse dinheiro para o cliente, para chegar em cidades menores. Gostei das palavras do ministro Paulo Bernardo na Futurecom: fre­ quência não pode visar angariar dinheiro simplesmente, mas tem que incluir compromissos de atendimento das operadoras. Já temos frequência para usar em 4G: basta fazermos alguns remanejamentos e acomodações, talvez alargar um pouco faixa... Mas tenho dúvidas quanto à demanda. Na minha área de celular não vejo mer-

Não há mercado então para LTE na sua área de concessão? Essa é uma percepção minha, não fizemos pesquisas ainda. Apesar disso, as compras que fazemos já são de equipamentos preparados para LTE. E temos testes em campo, em 850 MHz e 1.800 MHz, com equipamentos da Huawei. Basta adicionar algumas placas... Estamos aguardando a definição das frequências. Se mais uma vez tivermos que investir em frequência será complicado. Em muitos países as fre­ quências usadas para LTE são as mesmas de hoje, como 1.800 MHz e 850 MHz. Gostaria de usar o que tenho porque já fiz investimento nessa frequência no passado. Já paguei por ela.

Se não tem mercado, qual a razão desses testes de campo? Queremos saber mais sobre como a tecnologia se comporta nas nossas frequências... E pode ser que o LTE venha. Quando vier, não poderemos ficar fora. Precisamos estar preparados.

Mas dá para acomodar os usuários de 2G, 3G e 4G? Nossos técnicos estão justamente avaliando isso.

tenho dúvidas quanto à demanda. Na minha área de celular não vejo mercado para LTE nos próximos dois anos. em outras cidades do brasil, acho que precisa.” cado para LTE nos próximos dois anos. Em outras cidades do Brasil, contudo, acho que precisa. Não dá pra ficar fora em mercados como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. No interior do País, onde operamos, vejo que o cliente ainda não sente essa necessidade.

E HSPA+? Estamos fazendo testes. Temos alguns celulares em serviço ativados. Pensamos seriamente, inclusive, em usar essa tecnologia na banda H. Está na prancheta essa ideia. A Algar Telecom comprou licenças na banda H para operar em cerca de 200 localidades nas áreas com DDD 34, 35 e 37, certo? São 230. Pelo edital somos obrigados a atender 42 em dois anos. Agora falta um ano e meio. Mas acho que vamos atender mais do que 42. out_2011 Teletime 13

Em algumas delas, como Poços de Caldas (MG), a Algar Telecom será a quinta entrante. Qual será a estratégia para se diferenciar dos concorrentes e conquistar clientes em áreas tão competitivas? Sabemos que será difícil. Quando lançamos 3G na nossa região, fizemos em três meses após o leilão. Nesse caso seremos os últimos a entrar. Precisamos ter estratégia de ocupar espaços que as outras não ocuparam. Mas não pensamos em fazer guerra aberta com a incumbent em celular. A Algar Telecom ainda deseja se tornar uma operadora móvel virtual (MVNO, na sigla em inglês) fora de sua área de concessão? Nós dependemos das grandes. Se elas não venderem, não aceitarem, não tem como fazer. Ainda não conseguimos explicar para nossos parceiros/concorrentes que não queremos ser operadora comercial grande virtual. Queremos apenas entregar pacotes de soluções para nossos clientes corporativos. É o que já faço na concessão: entregar celular, fixo, vídeo, banda larga. Com quem conversaram até agora? Tentamos duas operadoras, mas não posso revelar os nomes. Só posso dizer que não está muito adiantado. Temos acordos de confidencialidade. Em TV por assinatura, após a aprovação do PLC 116, quais são os planos da Algar Telecom para uso de IPTV? Queremos usar IPTV. Isso era muito represado dentro das teles. Queremos transitar os conteúdos dentro da nossa rede. Em 93% dos lares na nossa área de concessão chegamos com par metálico. E todos estão a menos de 1 km da fibra. É uma rede muito boa para transitar vídeo, basta apenas algumas modificações técnicas. Quando vocês devem lançar IPTV? Ainda há alguns itens de regulamentação sendo questionados. Estamos identificando alguns mercados, especialmente em cidades maiores da nossa área onde temos mais capilaridade de fibra. São sete cidades, dentre elas Uberlândia, Uberaba, Franca... Desde o ano passado, com o lançamento de seu serviço de DTH, a Algar Telecom oferece um pacote quad-play,


chamado CTBC Mix. Que percentual da base já migrou para esse plano? Em torno de 30% já usam o pacote de quad-play. Se considerarmos também os pacotes de triple play, devem ser cerca de 50%. Hoje menos da metade da nossa base paga assinatura básica. Acredito que em menos de dois anos não teremos mais clientes pagando assinatura básica. Vem tudo em uma conta só, o que facilita bastante. Antes o cliente recebia quatro ou cinco contas. Agora recebe duas, quando é cliente da TV a cabo. Com a nova lei, poderemos fazer um arranjo contábil e a própria telecom terá uma empresa de cabo. Assim reduziremos para uma conta só. Queremos facilitar a vida do cliente. Ter várias contas é complicado. Qual é a sua opinião sobre o Plano Geral de Metas de Competição (PGMC)? O PGMC demorou tanto... Achamos que não deve haver mais tempo para discussão. Do jeito que saiu, tem que ser. Precisamos apenas garantir que haja espaço para as pequenas competirem, em mercados pequenos e grandes. Somos 2% do mercado nacional. Se não houver regras claras de competição, a empresa desaparece. Se não houver condições de competição em padrões iguais... Do jeito que saiu o PGMC achamos que beneficia os dois lados. Achei razoável, estamos satisfeitos. E o que pensa sobre ser considerada uma empresa com Poder de Mercado Significativo (PMS)? Consideraram que em duas ou três cidades em telefonia fixa temos PMS. Nós discordamos. Quando olhamos no âmbito nacional, somos pequenos. Não adianta considerar apenas telefonia local. O cliente fala com o Brasil inteiro. O código de LDN 12 fala com o Brasil inteiro, não apenas com Franca. Esse 12 precisa chegar com o mesmo preço de custo até Manaus quanto chegaria um concorrente. Não dá para considerar apenas a telefonia local, que virou commodity. Quando se analisa o código de LDN, somos muito pequenos, não detemos poder de mercado significativo. A competição não é só local. Já houve um tempo em que as operadoras eram locais. Elas são nacionais, mundiais. O que acha de a Anatel delegar certas discussões a entidades autônomas?

foto: divulgação

.:entrevista

Do jeito que saiu (o PGMC), tem que ser. Precisamos apenas garantir que haja espaço para as pequenas competirem. Se não houver regras claras de competição, a empresa desaparece.” Desde que tenha gente competente, não sejam indicações políticas ou das próprias operadoras... Senão eu fico desbalanceado. Se forem fóruns técnicos e independentes, tudo bem. Tudo que é técnico a gente concorda. A Algar Telecom tem uma situação sui generis. É uma concessionária, mas não tem o poder de uma grande concessionária. Ao mesmo tempo, está em expansão para outras áreas, onde atua como nova entrante. O senhor sente a empresa mais como concessionária ou concorrente? Em alguns momentos somos incumbent, em outros, attackers. Somos bem parecidos com os novos competidores, mas muito influenciados pelos interesses das grandes concessionárias. Qualquer alteração na concessão, queira ou não, afeta nosso negócio, porque somos concessionária. Já fizemos algumas contas que em alguns casos era melhor entregar a concessão. Estamos no meio do caminho. A Algar Telecom é associada de quais associações? Somos das duas. Claro que o grupo das grandes dentro da Abrafix tem algumas divergências. E eles estão cor14 Teletime out_2011

retos dentro da visão deles, de defender seus negócios. Há empresas que pegam muito osso, precisam cobrir áreas que não têm ninguém, com custo alto, onde só tem mato. Há localidades cujo retorno leva 30 anos. As grandes têm a vantagem de ter escala, mas a desvantagem de chegar em mercados piores. Por isso eles defendem o grande mercado. Como vê a Algar Telecom daqui a cinco anos? Acabei de apresentar um projeto para dobrar a empresa em cinco anos em faturamento. A previsão para 2011 é crescer duas vezes o PIB e chegar a R$ 1,6 bilhão. Daqui a cinco anos alcançaremos R$ 3 bilhões, mais ou menos. E como você vai conseguir alcançar essa meta? Através da expansão no mercado corporativo para fora da área de concessão e analisando ao longo dos próximos anos qual o espaço que teremos para varejo. Do rastro dessa expansão para corporativo virá o varejo. Como somos autorizadas, podemos escolher os melhores mercados. O grande segredo de todas as operadoras daqui para frente é como operar com custos menores, tornar as empresas mais leves. 


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A mobilidade no Brasil está a pleno vapor, e as vendas explosivas de smartphones e tablets não deixam dúvidas de que estamos diante de um cenário dominante. Neste Especial Mobilidade registramos o rápido crescimento da plataforma dentro das corporações e concluímos que, para as empresas, o diferencial está nas aplicações ou apps desenvolvidas para cada sistema operacional. entretanto, a capacidade de transmissão de dados das redes móveis pode ser um gargalo daqui para frente s e t e m b r o

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por Jackeline Carvalho

A ASCENSÃO DA PRODUTIVIDADE CORPORATIVA

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ecursos como videoconferência, VoIP em telefones celulares e computadores pessoais, além de smartphones e tablets estão fazendo com que funcionários remotos trabalhem entre 10 e 20 horas a mais do que se ficassem apenas no escritório, revela um estudo feito pela IPass. Apesar disso, essas pessoas conseguem ter um estilo de vida mais “balanceado”, diz o estudo. De acordo com o levantamento, 55% dos entrevistados trabalharam ao menos 10 horas a mais por semana e outros 12% disseram que, como resultado dos seus horários mais flexíveis, estavam trabalhando 20 ou mais horas adicionais. Foram entrevistados 3,1 mil trabalhadores e três quartos deles disseram trabalhar mais agora. Os dados obtidos apontam que 38% dos “trabalhadores móveis” trabalham antes de ir ao escritório, e 25% durante o trajeto até a empresa. No horário de almoço, 37% trabalham em seus dispositivos móveis e outros 37% o fazem à noite, antes de dormir. Desempenho Para as empresas, a boa notícia é que o novo cenário permite que os funcionários sejam mais produtivos e eficientes. Em torno de 64% dos trabalhadores móveis disseram ter melhorado o seu equilíbrio entre vida pessoal e trabalho; e mais da metade disse se sentir mais relaxada. “Começamos a perceber um equilíbrio maior, com 68% dos trabalhadores móveis se ‘desconectando’ ocasionalmente para passar mais tempo com suas famílias”, diz a CTO da IPass, Barbara Nelson. “Parece que a força de trabalho móvel está equilibrando melhor suas vidas pessoais e corporativas.” Especificamente na área de TI no Brasil, levantamento patrocinado pela Unisys e conduzido pela IDC sobre a “Consumerização de TI” demonstra que 37% dos chamados trabalhadores de informação, ou iWorkers (funcionários que usam TI como parte de seu dia-a-dia), utilizam um a g o s t o

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Dispositivos móveis e expansão das redes de dados sem fio motivam o trabalho remoto e fazem com que profissionais fiquem mais tempo por dia em atividade

smartphone para acessar aplicações de negócios nas suas empresas. Entre estes colaboradores, 22% usam tablets para trabalhar. A média global de uso deste equipamento no ambiente corporativo foi de 13%. A pesquisa também indica que a porcentagem dos iWorkers que consideram o desktop como o equipamento mais importante para trabalhar no Brasil cairá cerca de 28% no próximo ano, enquanto a porcentagem daqueles que consideram os laptops como a principal ferramenta subirá de 31% para 43%. Atualmente, apenas 4% dos iWorkers brasileiros consideram o tablet como a ferramenta de trabalho mais importante para realizar suas tarefas no escritório, mas 18% afirmam que ele se tornará a ferramenta mais importante nos próximos 12 meses. Relax Assim como em 2010, a pesquisa atual mostra que os iWorkers brasileiros ainda 2 0 1 1

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realizam mais atividades durante o expediente de trabalho do que suas companhias estão cientes: 44% dos funcionários dizem que seus patrões permitem que eles acessem sites de mídias sociais por razões pessoais no escritório, enquanto apenas 24% dos executivos de TI reconhecem que esta prática ocorre em suas organizações. O acesso a sites de mídias sociais no trabalho também aumentou. No estudo do ano passado, 16% dos iWorkers brasileiros entrevistados disseram usar o Facebook para temas relacionados ao trabalho. Em 2011, este número saltou para 34% dos entrevistados. Em comparação com os outros oito países da pesquisa, 59% dos iWorkers brasileiros disseram acessar sites de mídias sociais ao menos uma vez por dia no trabalho, enquanto 48% dos norte-americanos e 37% dos europeus confirmaram entrar neste tipo de site durante o expediente. De acordo com a pesquisa deste ano, o

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uso acentuado das tecnologias móveis e das mídias sociais aponta sérios impactos para as organizações no que diz respeito ao suporte aos equipamentos e à segurança das informações. Sessenta e um porcento dos executivos brasileiros de TI afirmam que quando seus funcionários encontram um problema técnico em seus aparelhos pessoais usados no trabalho, buscam assistência nas próprias áreas de TI das organizações. O estudo também indica que a falta de consciência impede que as áreas de TI lidem com estes desafios de maneira adequada. Enquanto 75% dos iWorkers no Brasil alegam usar seus smartphones pessoais para trabalhar, apenas 38% dos executivos de TI acreditam que isso ocorra. Similarmente, 22% destes profissionais disseram que utilizam seus tablets pessoais para o trabalho, enquanto apenas 4% dos executivos de TI creem que seus funcionários usem este aparelho. Relacionamento Os departamentos de TI também estão tomando menos medidas de segurança em relação ao uso destes dispositivos para o trabalho: em 2010, 58% dos executivos reconheceram a necessidade de oferecer treinamento a seus funcionários para o uso mais adequado destes equipamentos. Esse número caiu para 44% neste ano. Situação semelhante ocorre em relação à publicação de procedimentos corporativos sobre como usar as mídias sociais: no ano passado, 61% das empresas confirmaram ter trabalhado neste tipo de diretrizes, enquanto somente 42% das organizações entrevistadas em 2011 reconheceram tomar esta iniciativa. “Vivemos um momento no qual as organizações não estão mais ditando as tecnologias a serem usadas dentro de seu ambiente. Hoje, este movimento ocorre em direção oposta: são os funcionários que estão trazendo seus equipamentos para o trabalho”, diz Paulo Roberto Carvalho, diretor de negócios de outsourcing da Unisys na América Latina. Mão dupla E no setor hoteleiro há ainda um segundo personagem a ditar mudanças: os usuários. Esta deve ser uma das atividades a efetuar maior investimento em tecnologias de redes sem fio nos próximos anos no Brasil, em função dos grandes eventos esportivos e do já registrado aumento do turismo interno provocado pela expansão do poder aquisitivo da população. Um outro estudo, feito pela Motorola Solutions e divulgado em meados do ano, 4

Goodluz/Shutterstock

especial mobilidade corporações

Os iWorkers brasileiros ainda realizam mais atividades durante o expediente de trabalho do que suas companhias registram oficialmente indica que 56% das empresas desse setor planejam aumentar os investimentos em mobilidade para equipar os colaboradores, melhorar a eficiência operacional e a experiência do consumidor. O Barômetro do Mercado Hoteleiro revela que 91% dos tomadores de decisão da indústria têm consciência do importante aumento das tecnologias móveis e sem fio, enquanto 78% reconhecem o papel que a mobilidade exerce para garantir uma vantagem competitiva aos seus negócios. Como resultado, os hotéis estão investindo em novas tecnologias, bem como em potentes redes sem fio, para administrar maiores volumes de dados e de demanda dos clientes por acesso de alta velocidade. Melhorar a experiência para o hóspede é o fator principal para investir em mobilidade, de acordo com 76% dos hotéis pesquisados. Os tomadores de decisão do segmento hoteleiro estão investindo em tecnologias móveis para dar suporte à interação do consumidor com os aplicativos que melhoram os serviços voltados a ele, por meio de acesso sem fio a e-mails, check-in do hóspede/participante, pedidos/pagamentos em restaurantes ou ingressos para eventos, entre outros. Entre os entrevistados, 61% planejam instalar alguma ferramenta de vídeo, incluindo videomonitoramento, videoconfe-

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rência e transmissão de conteúdo em tempo real para áreas de acesso público, como saguões, e 58% das empresas do setor que dispõem de tecnologia móvel observaram melhoria na satisfação do consumidor. Para 59% dos entrevistados que atualmente dispõem de tecnologia móvel e sem fio, a produtividade e a eficiência do funcionário aumentaram, enquanto 55% constataram melhores resultados nas vendas. Gerentes, funcionários da segurança e do serviço de atendimento ao consumidor são os principais usuários de aparelhos móveis e sem fio nas companhias do mercado hoteleiro pesquisadas. Entre esses, 71% dos supervisores usam smartphones, 52% dos seguranças usam rádio, 19% dos agentes de bilheteria são equipados com voz sobre IP (VoIP) e 26% dos administradores dos locais possuem tablets. Rádio Atualmente as aplicações mais populares de rádios bidirecionais são para administração de projetos (51%) e colaboração (41%). Mensagens unificadas e gerenciamento/monitoramento remoto possuem a mais alta taxa de disponibilização planejada até 2012. Entre os que responderam à pesquisa, os tablets e os aparelhos VoIP são os dois principais dispositivos móveis planejados para ser implementados até 2012. Com o propósito de incrementar a eficiência operacional, 75% das empresas pesquisadas já possuem rede sem fio LAN (WLAN) funcionando em suas instalações. Na América do Norte, um terço desses locais possui Wi-Fi no padrão 802.11n, enquanto na Europa a maioria utiliza os padrões 802.11b/g. Entre os consultados, 42% possuem redes WLAN e esperam estar

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fotos: José Luis da Conceição

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completamente atualizados para o padrão 802.11n até o final de 2012. Melhorar a produtividade e a confiabilidade, além de expandir o alcance das atuais redes sem fio, são os três fatores principais para a adoção do padrão 802.11n WLAN, de forma a assegurar que todas as características críticas da rede atendam a mais volumes de dados e ao aumento das demandas do consumidor e dos funcionários móveis por acesso. “Os avanços dos produtos e dos serviços móveis e sem fio estão mudando o cenário da indústria de hotéis e como ela opera. Com clientes exigentes e equipados com um número cada vez maior de smartphones, tablets, notebooks e até mesmo aparelhos robustos, os departamentos de TI dos hotéis reconhecem a necessidade de atualizar suas WLANs para melhorar a confiabilidade da rede, a capacidade e a cobertura, além de dar suporte à interação do consumidor com os aplicativos, bem como seus serviços internos que melhoram a experiência do hóspede”, analisa Craig Mathias, diretor do grupo Farpoint. “A indústria hoteleira está presenciando a rápida adoção de tecnologia móvel e sem fio e as organizações estão reconhecendo rapidamente os benefícios e as vantagens competitivas associados à utilização. Com as inovações é possível preparar as empresas do setor – restaurantes full-service, hotéis e resorts, cassinos, estádios e centros de conferência – para aumentar as vendas e a produtividade, simplificar as operações e aumentar a satisfação do consumidor a curto prazo”, finaliza Thomas Moore, diretor de soluções para indústria hoteleira da Motorola Solutions.

Polícia equipada A Polícia Militar de São Paulo começou a usar tablets em viaturas na capital paulista para auxiliar suas tarefas. A partir dos computadores de telas sensíveis ao toque, que ficam presos no vidro dianteiro sobre o painel, os policiais podem consultar bancos de dados criminais e civis, registrar boletins de ocorrências, fazer anotações e relatórios, além de enviar informações aos seus respectivos comandos. Os aparelhos têm GPS e receberam localizadores automáticos de viaturas (AVL), tecnologia que permite que as unidades de comando acompanhem, em tempo real, a movimentação dos veículos. Segundo a Secretaria de Segurança de São Paulo, os tablets já equipam cerca de três mil viaturas. Os aparelhos chamados de i-MXT são da fabricante brasileira Maxtrack, de Minas Gerais, e rodam o sistema Android em telas de sete polegadas. Os recursos incluem processador de

800 MHz, 512 MB de memória RAM, conexões Wi-Fi e 3G, câmeras frontal e traseira, além de portas USB e HDMI. O produto pesa 650g e tem dimensões de 192mm por 128mm por 30mm. O plano da Secretaria é que, no futuro, toda a frota da Polícia Militar de quatro rodas tenha o tablet. Até o final do ano, todas as 11 mil viaturas de quatro rodas da PM receberão este equipamento. Ao todo, o governo paulista investiu R$ 23 milhões na compra de 16,5 mil computadores compactos sensíveis ao toque, sendo que parte deles será usada para o policiamento com motocicletas. Ainda em agosto, as 39 cidades da região metropolitana de SP receberão os tablets. Já em outubro será a vez das viaturas do interior. “Será uma média de mil por mês”, afirma o chefe do Centro de Processamento de Dados da PM e um dos idealizadores do projeto, o coronel Alfredo Deak.


especial mobilidade infraestrutura

por Alexandro Cruz

PAVIMENTAÇÃO DO ACESSO AINDA PREOCUPA

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lô, desculpe, mas não posso falar no momento. Encaminhe os arquivos para o meu celular que depois respondo a você. Como, o seu celular não tem Internet?” A questão e a surpresa têm se tornado comuns, na proporção da popularidade da rede IP móvel, porque ter um plano de dados tornou-se mais importante do que ter um plano de voz. Segundo o levantamento da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), o Brasil registrou 18,4 milhões de novos acessos à banda larga nos últimos 15 meses. O resultado demonstra um acréscimo de 67% desde maio de 2010, quando foi editado o decreto que instituiu o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) no País. Além disso, o acesso à Internet móvel teve um crescimento expressivo, quase dobrando a sua base na primeira fase do estudo (96%), com 29,7 milhões de conexões no final do primeiro semestre de 2011. Na mesma linha de análise, segundo a Cisco, até 2015, os usuários de Internet no País passarão a transmitir oito vezes mais dados em relação ao período atual e, mundialmente, o índice aumentará quatro vezes. Diante desse cenário, como as operadoras estão se alinhando para suprir a forte demanda de dados sobre IP? A resposta ou mesmo um alerta é o levantamento realizado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Telecomunicações do Brasil (SindiTelebrasil), que aponta a necessidade de investimentos de mais de R$ 144 bilhões, nos próximos nove anos, apenas para atingir a meta de triplicar o número de usuários de Internet em banda larga (fixa e móvel) no País e conseguir atingir a 153 milhões de pessoas. Por parte das operadoras, apesar da cobertura de dados ainda ser inferior e pouco interiorana, é aparente a existência de uma força-tarefa para ampliar suas infraestruturas de rede. A Claro tem a meta de, até o final de 2011, alcançar 100% da sua rede de acesso em IP e, com isso, oferecer mais capacidade nos serviços de dados. “Estamos nos prepa6

photobank.kiev.ua/shutterstock

Nos últimos 15 meses, o acesso às redes móveis de dados cresceu 96% no Brasil. O resultado mostra que as empresas de telefonia devem estar atentas às futuras demandas. O que está sendo feito?

rando para ter uma rede de acesso totalmente IP, com mais de 8,5 mil roteadores instalados, utilizando prioritariamente a fibra óptica como meio de transporte. Esse projeto totalizará mais de 89 mil quilômetros de fibra construídos”, afirma Márcio Nunes, diretor de plataformas e rede da Claro. Na mesma linha de investimento, a Vivo afirma que está em processo da implementação de uma rede nacional de fibra ótica que atingirá todas as capitais - cidades que já dispõem de tecnologia 3G - e que sua malha já está preparada para oferecer 3,5G ou HSPA+. No final do segundo trimestre de 2011, a companhia obteve como receitas de Internet móvel um aumento de 37,1%, em comparação com o segundo trimestre de 2010, e 9,4% em relação ao primeiros três meses de 2011. Esse crescimento decorre do incentivo à utilização desse modelo de serviço por smartphones. Os números apontam a necessidade de ampliar suas condições estruturais para atender à forte demanda nesse segmento de mercado. Até o final deste ano, a TIM prevê um

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aporte de R$ 2,9 bilhões para o País, sendo 85% deste valor direcionados à infraestrutura. Segundo o responsável pela oferta de Internet móvel da operadora, Bruno Marsili, para o triênio 2011-2013, a previsão de recursos é de R$ 8,5 bilhões. “Estamos substituindo todos os equipamentos do núcleo IP (Rede Nacional IP Multiserviço) pela tecnologia mais avançada do mercado de telecom, o Terarouter CRS-3 (Carrier Routing System)”, informa o executivo. “A TIM é a primeira operadora do Brasil e a segunda da América Latina a investir na mais avançada tecnologia em termos de equipamentos de redes IP”, diz Claudio Merulla, responsável pela rede de transporte da TIM Brasil. “Com a capacidade disponibilizada pelos novos equipamentos é possível fazer o download de mais de 15 mil filmes de alta definição em um minuto, além de garantir um novo e mais alto padrão de qualidade, permitindo, por exemplo, o redirecionamento dos fluxos de dados em caso de falha, sem que a mesma seja percebida.”

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A operadora planeja finalizar a instalação das máquinas, 12 no total, até o fim de novembro. A nova geração de roteadores possui capacidade individual de até 4,5 Terabits por segundo, 14 vezes superior à utilizada atualmente pela empresa e até três vezes mais que as demais tecnologias existentes no mercado. Sobreposição Além dos investimentos na otimização da infraestrutura, as operadoras também estão cientes de que a usabilidade móvel tem influenciado no perfil do consumidor. Junto a isso, conforme destaca Marsili, da TIM, o brasileiro passa mais tempo na Internet do que usuários de outros países e o uso em mobilidade começa a crescer graças à penetração de smartphones e notebooks, e a tarifas mais acessíveis. “Uma diferença importante entre o cliente daqui e de outros países é que, pela menor disponibilidade de banda larga fixa, a móvel, em várias ocasiões, é utilizada como acesso único residencial”, avalia o executivo. (veja mais em “Explosão de consumo”). Outro fator preponderante para as operadoras está relacionado às características de distribuição de renda no Brasil, onde ainda há um percentual significativo da população que não tem computador com banda larga em suas residências e, por conta disso, a navegação via celulares torna-se a primeira opção de acesso à Internet. Esta constatação reforça o perfil de inclusão digital da telefonia móvel.

“Estamos nos preparando para ter uma rede de acesso totalmente IP, com mais de 8,5 mil roteadores instalados, utilizando prioritariamente a fibra óptica como meio de transporte” Márcio Nunes, da Claro

Explosão de consumo O tráfego de dados online a partir de dispositivos móveis cresceu 77% em todo mundo durante o primeiro semestre de 2011, se comparado ao mesmo período do ano passado, segundo pesquisa divulgada pela consultoria Allot. Só o YouTube representa 22% desse total. O consumo de vídeo firma-se como uma tendência em dispositivos móveis, e representa no total 39% dos dados acessados pelos usuários, crescimento de 93% no semestre. Os clientes de VoIP em smartphones (como o Skype) também tiveram o crescimento substancial de 101%, segundo a pesquisa. No entanto, os serviços de SMS e MMS decresceram, confirmando uma tendência. Os downloads de aplicativos para smartphones também cresceram, sendo que o Android Market, loja para o sistema operacional móvel do Google, representa 13% do total de acessos. Quase todo o resto do tráfego (ou 84%) veio da loja virtual da Apple, a App Store. O acesso às redes sociais tiveram crescimento acima da casa dos 100%, principalmente o Twitter (297%) e o Facebook (166%).

Alternativas Para tornar o serviço móvel ainda mais acessível, ocorreu a promulgação do decreto da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que autoriza a criação de operadoras móveis virtuais (MVNO, na sigla em inglês) no País, em novembro de 2010. O modelo possibilita às empresas que não possuem licenças de SMP (não têm frequências nem redes) o exercício deste tipo de atividade, atuando por meio de serviços associados à telefonia celular. Atualmente, o modelo de operadora móvel virtual já é utilizado em mais de 40 países, sendo que a Europa concentra grande parte delas. Porém, é importante entender que a autorização da Agência não está vinculada às melhorias de infraestrutura, porque as empresas (atacado e varejo) que aderirem a esses serviços oferecerão apenas soluções que podem ser customizadas. As MVNOs s e t e m b r o

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terão benefícios nos negócios, devido à possibilidade de desenvolver uma comunicação direta, que atenda ao interesse de cada segmento de cliente, com base no seu perfil, suas preferências de consumo, características de compra e serviços. Lado do governo Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil são os principais chavões de negócios para que as empresas, principalmente as de telefonia, aumentem o CAPEX e OPEX de seus orçamentos. Por outro lado, a ação do governo em relação a telecom ainda caminha a passos lentos, como a demora na aprovação de algumas regulamentações de telefonia. Mesmo assim, o Grupo Telefônica se mostra bastante confiante de que as autoridades e a sociedade brasileira conseguirão cumprir todos os seus compromissos para fazer com que a Copa

A TIM anunciou aporte de R$ 8,5 bilhões, no triênio 2011-2013, para substituir todos os equipamentos do núcleo IP (Rede Nacional IP Multiserviço)

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especial mobilidade infraestrutura

Resultados da competitividade no mercado no Brasil (venda de modem 3G/2T11)

do Mundo e a Olimpíada sejam eventos muito bem sucedidos e que tragam benefícios para o País. Já a TIM acredita que o tema precisa ser enfrentado com a seriedade necessária, uma vez que o mercado de atacado no Brasil enfrenta problemas estruturais que se constituem em fatores críticos de sucesso para que a correta infraestrutura de telecomunicações esteja à disposição da sociedade até 2014. O Brasil não é exclusivamente esportes. Também é economia, moeda e mercado relativamente forte, e tem a comunicação sobre IP móvel como uma das principais ferramentas de inclusão digital e social. “As empresas precisam estar preparadas para atender a uma demanda de dados cada vez maior”, conclui o executivo da TIM, Bruno Marsili.

Acesso 3G via celular no Brasil – 2T11

2,931 milhões de modems ou 42,57% do market share

31,3%

2 milhões de modems com 29,3% do market share

23%

1,485 milhões de modems com 21,6% do market share

40,6%

399 mil modems com 5,8% de market share

4,47% Fonte: Balanço Huawei da Banda Larga Móvel/Agosto 2011

EXPANSÃO DESENFREADA Acessos à internet por smartphones devem chegar a 35 milhões de dispositivos ao final do ano

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beboy/Shutterstock

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Huawei, em parceria com a consultoria Teleco, constata no Balanço Huawei da Banda Larga Móvel que este serviço no País cresceu 35% no 1º semestre e deve chegar no final de 2011 a 35 milhões de acessos, mais que o dobro da rede fixa. Na banda larga móvel, o acesso através do HSPA+ continua ganhando terreno na expansão da capacidade das redes das operadoras. Elas vislumbram a possibilidade de maximizar o retorno sobre os investimentos realizados nas redes 3G, antes de migrarem para o LTE que, por sua vez, já contava mundialmente com 26 redes em operação comercial ao final de junho de 2011. Os dados apurados apontam a tendência de que o smartphone se torne o principal dispositivo de acesso à Internet. Seu volume de vendas superou novamente o de PCs pelo terceiro trimestre consecutivo, e para cada 10 celulares vendidos no mundo, 3 já são smartphones. Dispositivos como eReaders e tablets também estão estimulando o crescimento da banda larga móvel. Na banda larga fixa, verifica-se um aumento global da participação das redes de fibras ópticas. Mas enquanto no Japão e Coreia estas redes representam mais de 50% do total de conexões de banda larga, em alguns países da

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Europa como Portugal e Itália este número está pouco acima de 1%. No Brasil, o percentual é ainda inferior: 0,1%. No País No Brasil, com os respectivos crescimentos de 10% e 35% verificados no 1º semestre deste ano, a banda larga fixa fechou o período com 15 milhões de acessos e a móvel com 28 milhões. A densidade dos acessos 3G chegou a 13,7 para cada 100 habitantes, superando a média mundial do final de 2010. Na projeção para 2011, a banda larga móvel deverá contar com 35 milhões de acessos, uma quantidade maior que o dobro da banda larga fixa, estimada em 17 milhões. A participação dos serviços de dados na receita das teles registrou um expressivo aumento de 30% no segundo trimestre de 2011 em relação ao período equivalente do ano anterior, levando o faturamento a 18,7% da receita total de serviços das operadoras no País. Mas há ainda muito espaço para crescimento, uma vez que essa participação é de 2 a 3 vezes superior nas operadoras do mundo desenvolvido, atingindo mais de 50% da receita da japonesa NTT DoCoMo, por exemplo. Apesar do crescimento igualmente expressivo de 7% na receita de voz registrado no segundo trimestre, a expectativa é de menor participação de voz no total da receita das operadoras, fazendo os serviços de dados cada vez mais importantes como fontes de crescimento. As operadoras móveis estão se concentrando na ampliação da capacidade do backhaul de suas redes nas cidades já atendidas. Segundo os dados do segundo trimestre, a banda larga móvel está disponível para 76% da população e em 28% dos municípios brasileiros. No período, 102 novos municípios, que compreendem 2,4 milhões de pessoas começaram a ser atendidos por este serviço.

Jacob Hamblin/Shutterstock

A Vivo está em processo da implementação de uma rede nacional de fibra óptica que atingirá todas as capitais

Backbone Atualização do estudo de 2008 da Nokia Siemens Networks sobre o tráfego de dados nas redes móveis confirma as projeções de três anos atrás: o ritmo de crescimento do tráfego se manteve na média de 80% a 90% ao ano. “Os investimentos nas redes móveis até 2015 vão aumentar em 250% e a base de assinantes crescerá em 140%”, analisa Wilson Cardoso, diretor de tecnologia para América Latina da empresa. A pesquisa indica que o backbone em 2015 para as redes móveis crescerá quase 11 vezes em relação a 2011. De acordo com dados da Anatel, em julho desse ano, o número de usuários ficou em 22,77 milhões. “Apesar do atraso da implantação do LTE no País, as expectativas continuam quase as mesmas. Nossa previsão é que, até o fim do ano, o número de usuários 3G chegue a 39 milhões”, registra o relatório.

Planos e Preços As operadoras estão customizando pacotes para diferentes usos como e-mail, redes sociais, chat ou acesso à Internet convencional. Essa estratégia impulsiona a adesão aos planos oferecidos que, hoje, são cobrados por volume de dados - a cobrança por velocidade caiu em desuso. Em geral, ao consumir a franquia de dados o usuário continua com acesso ao serviço, mas com uma velocidade reduzida. A média de preços no Brasil para pacotes de 2G e 3G está acima dos valores praticados s e t e m b r o

em outros países. A carga tributária e a taxa de câmbio afetam esta comparação. Mesmo com queda média de 8% no segundo trimestre, o preço dos telefones celulares 3G ainda é uma barreira para a difusão da banda larga móvel, principalmente no segmento pré-pago. Já no pós-pago, o preço desse tipo de aparelho pode cair consideravelmente, de acordo com o plano adquirido. Os modems 3G também apresentaram leve queda de preço no trimestre e já podem ser encontrados por R$ 96,00. Tendo como referência o segundro trimestre de 2010, o preço médio do modem no Brasil caiu 35% ao longo de um ano.

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Ainda segundo o levantamento, para atender à alta demanda por dados é necessário um espectro quase duas vezes maior do que o atual. “De 2008 para cá, houve um crescimento de quase 40 vezes no uso do espectro. O desafio continua sendo o de encontrar soluções para o esgotamento dele e como elevar a eficiência das operadoras. Investimentos em novas tecnologias, que otimizem as redes 3G, são essenciais para oferecer serviços de qualidade, a menores preços e ao mesmo tempo com maior rentabilidade para as empresas”. A estimativa é de que os usuários 3G passem de 18,916 milhões em 2010 para 39,970 milhões em 2011. Já a largura de banda no backbone deve ir de 257 Gbps no ano passado para 772 Gbps neste ano. O espectro necessário era de 37 MHz em 2010 e deve ir para 118 MHz em 2011.

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especial mobilidade segurança

por Marcelo Vieira

TÃO ESSENCIAL QUANTO A BATERIA Popularização de smartphones e tablets atrai a atenção de criminosos virtuais, que faturam milhões, e exigem mais atenção de usuários e empresas com a segurança

Empresas De olho não só no tamanho do mercado, mas também na migração natural para os dispositivos móveis, os grandes players desenvolvem linhas completas de segurança móvel, seja para o consumidor final ou corporativo. “As companhias de todo o mundo estão interessa1 0

cessoras vieram devagar, e os departamentos de TI conseguiram controlar a entrada dos respectivos dispositivos nas redes empresariais e assegurar a segurança. Com os dispositivos móveis foi diferente, e as corporações se veem obrigadas a trabalhar muito rapidamente. No entanto, as tecnologias desenvolvidas para este mercado ainda são muito recentes, e muitas vezes os gestores desconhecem os portifólios de proteção móvel das empresas. “O desafio para os profissionais de TI é saber o que usar e comprar, pois as empresas precisam da mesma proteção de antes.” Para Kenworthy, as companhias já estão correndo atrás do prejuízo: 70% delas permitem o uso de tecnologias móveis na rede corporativa. “Há uma série de vantagens nisso, como a diminuição na carga de trabalho dos funcionários que operam o sistema de telefonia tradicional nas grandes empresas. A maioria dos funcionários também está feliz com a migração.”

Ilin Sergey/Shutterstock

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egundo pesquisa divulgada pela Juniper Research, empresa especializada em estatísticas do setor de telecomunicações, o mercado de softwares de segurança para dispositivos móveis (incluindo tablets, smartphones e feature phones) deve ultrapassar US$ 1 bilhão já em 2013, e quase US$ 3,7 bilhões em 2016 – quando haverá 277 milhões de aparelhos com algum tipo de proteção instalada. Quase 69% das vendas desse tipo de solução serão destinadas ao mercado empresarial. A presença de softwares de segurança é comum no setor de computadores e laptops há muitos anos, mas ainda não nos dispositivos móveis. O aumento explosivo nas vendas de smartphones e tablets, que cada vez mais substituem outros dispositivos como principal terminal de acesso à Internet, no entanto, tem continuamente atraído a atenção de criminosos virtuais. Assim, explica a Juniper, a conscientização do público sobre a vulnerabilidade desses aparelhos também aumenta. “Os usuários corporativos são o maior alvo em potencial devido à segurança móvel insuficiente”, diz Nitin Bhas, analista da Juniper e autor do relatório da pesquisa. “As empresas terão que incorporar dispositivos móveis às suas redes corporativas, como forma de reforçar políticas de proteção e auditar os aparelhos.” A pesquisa descobriu que as empresas estão começando a gastar mais em aplicativos de segurança para dispositivos móveis, conforme se tornam parte crítica da política empresarial. No entanto, apenas um em cada 20 smartphones e tablets possui softwares de segurança de terceiros instalado, apesar do aumento das ameaças.

das em trazer a mobilidade para dentro de suas organizações”, diz Chris Kenworthy, vice-presidente sênior mundial da McAfee para grandes empresas. A McAfee, explica, está apostando em segurança para todo tipo de endpoints, pois eles são extensões de uma mesma rede. Kenworthy acredita que as companhias

Hackers Roubar informações, incluindo arquivos e dados de contatos, além de obter acesso a servidores corporativos remotos e localidades geográficas: esses são os principais objetivos dos hackers que desenvolvem malwares para smartphones e tablets, diz Vanessa Pádua,

70% das organizações já permitem o uso de tecnologias móveis na rede corporativa, segundo estudo não deveriam ter que criar todo um ecossistema separado para proteger apenas dispositivos móveis. Mas isso, explica, esbarra em uma série de dificuldades, principalmente dos departamentos de TI. “Este grande fenômeno que chamamos de mobilidade está entrando nas empresas mais rápido do que elas são capazes de se adaptar”. Segundo o executivo, as tecnologias prede-

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engenheira de sistemas da Fortinet. “Os principais alvos são quaisquer dispositivos móveis que possuam conectividade”, explica. Esses aparelhos, que armazenam informações profissionais e pessoais de seus usuários, ainda são afetados por dois fatores agravantes: estão conectados em todos os lugares, o tempo todo. “Na verdade, o perfil dos criminosos cibernéticos mudou bastante nos últimos anos”, diz

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>> “A mobilidade está entrando nas empresas mais rápido do que elas são capazes de se adaptar”

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Ascold Szymanskyj, vice-presidente de vendas e operações para América Latina da F-Secure. “Antigamente os vírus eram escritos por adolescentes, e a principal motivação era deixar uma marca, como um pichador. Hoje existem verdadeiras quadrilhas organizadas nesse tipo de crime pela Internet, que movimentam milhões de dólares.” Para Szymanskyj, os dispositivos móveis são ainda mais vulneráveis do que os PCs. Primeiro, porque passam a falsa sensação de que os vírus atacam mais os desktops e notebooks, e “qualquer dispositivo que esteja conectado à Internet pode sofrer algum tipo de invasão”. Além disso, com a utilização de smartphones e tablets no ambiente corporativo, o interesse dos cibercriminosos por dados sensíveis aumenta. “Hoje é comum a figura dos crackers, cuja principal motivação é o roubo de dados que possam ter algum valor comercial, como informações cadastrais, números e senhas de contas bancárias e cartões de crédito”, diz o executivo da F-Secure, que lista ainda aplicativos maliciosos que se instalam no dispositivo e gravam tudo o que o usuário digita. Apesar de ainda poucos (com relação aos malwares para sistemas operacionais em computadores), o número de novos vírus específicos para dispositivos móveis tem crescido exponencialmente. Segundo Ascold, um levantamento apontou que, apenas no primeiro trimestre deste ano, mais de 600 tipos de malwares para sistemas operacionais móveis. “Todos são considerados alvos; não existe um sistema operacional imune a ataques”, diz. Chris Kenworthy, da McAfee, explica que, além dos malwares tradicionais, como vírus, trojans e worms adaptados para dispositivos móveis, há outras áreas de risco na mobilidade corporativa, como os aplicativos. “Nos velhos tempos dos desktops, 95% do que fazíamos se restringia ao e-mail, web e editores de texto e planilhas. Nas lojas online são milhares de novos aplicativos móveis disponíveis todos os dias. Será que pensaram na segurança?” Websites maliciosos também representam risco. Segundo Kenworthy, os usuários de dispositivos móveis são três vezes mais suscetíveis a fraudes bancárias na web, pois não

Chris Kenworthy, da McAfee

conseguem identificar com clareza se estão em um site autêntico em uma tela tão pequena. “O que os hackers fazem é seguir o dinheiro. Quanto mais transações financeiras são feitas em smartphones, mais os hackers vão tentar encontrar um meio de explorar isso. Hoje eles faturam muito mais através dos PCs, mas isso vai mudar.” Soluções As soluções oferecidas pelas empresas se destinam tanto ao consumidor final quanto às empresas. A McAfee, por exemplo, já conta com uma unidade específica apenas para desenvolvimento e pesquisa em segurança móvel. Outras fornecedoras, como a Fortinet, apresentam alternativas específicas para dispositivos (como apps de varredura) e também para redes móveis corporativas. O controle parental, que identifica sites

potencialmente perigosos antes que sejam acessados, também é uma constante no portfólio das empresas, bem como soluções de rastreamento de dispositivos roubados ou perdidos. “Se perder um device já é ruim, perder os dados nele contidos pode ser pior ainda”, diz Kenworthy, da McAfee, que oferece uma solução que permite apagar remotamente os dados contidos em um aparelho. Ascold Szymanskyj, da F-Secure, acredita que, além do esforço da indústria no desenvolvimento de soluções eficientes, é necessária “uma reeducação digital por parte do consumidor. Há muita informação do usuário flutuando na nuvem sem muitos critérios de segurança.” Segundo ele, é fundamental possuir um software de segurança associado ao dispositivo e mantê-lo sempre atualizado. A proteção ideal, diz, combina solução de antivírus com backup dos dados. Outras precauções também são importantes, enumera Vanessa Pádua, da Fortinet: evitar abrir e-mails, mensagens SMS e links desconhecidos nas redes sociais; verificar pontuações e quantidade de downloads durante a instalação de um novo aplicativo; desconfiar de aplicativos gratuitos que solicitam informações pessoais; manter o dispositivo sempre ao alcance.

Precauções • Evitar abrir emails, mensagens SMS e links desconhecidos nas redes sociais • Verificar pontuações e quantidade de downloads durante a instalação de um novo aplicativo • Desconfiar de aplicativos gratuitos que solicitam informações pessoais • Manter o dispositivo sempre ao alcance

“É importante uma reeducação digital por parte do consumidor”

Fonte: Fortinet

Ascold Szymanskyj, da F-Secure s e t e m b r o

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especial mobilidade sistemas operacionais

por Victor Hugo

QUEM QUER ASSUMIR A LIDERANÇA?

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questão de mobilidade já se tornou, há algum tempo, um ponto crítico e relevante para o mercado corporativo. Entretanto, se anteriormente o BlackBerry, da RIM, dominava com folga este ambiente, com a nova dinâmica da consumerização e o avanço das novas plataformas como iOS e Android, o cenário está se transformando. Dessa forma, ocorrem alterações na estratificação das plataformas presentes em cada área da empresa, como diretoria e alta gerência, média gerência e força de campo/vendas. Uma tendência apontada por especialistas, e que começou a tomar corpo no ano passado, se confirma neste ano: a maior presença de aparelhos com Android, e, principalmente, do iPhone, nos setores de alta gerência e diretoria. O apelo destes modelos na questão de design e na gama de aplicativos disponíveis os transforma em objetos de desejos dos executivos nestes cargos caracterizados pela maior autonomia e poder de decisão sobre qual dispositivo usar. Diante disso, o BlackBerry vem perdendo relativa participação nas empresas. Os tablets, por outro lado, começam a marcar presença relevante nas mãos de diretores e gerentes, fato que se constata com o crescimento da penetração do iOS, por meio do iPad, e do Andorid, embarcado em tablets da Motorola, LG, Samsung, entre outros. ameaça No que tange a média e baixa gerência, ainda há um amplo predomínio do BlackBerry, mas smartphones menos parrudos com Android começam a aparecer com mais força neste meio. Há também uma incidência do iPhone, mas em menor escala. “Ainda não chega a ameaçar o BlackBerry, mas o Android e o iPhone já passam a roubar algum espaço da RIM na gerência”, diz Fabrício Bindi, diretor de produtos e serviços da Telefônica/Vivo 1 2

Oleksiy Mark/Shutterstock

Antes dominante no segmento, o BlackBerry passa a ser cada vez mais ameaçado por Android e iOS, enquanto os tablets começam a marcar presença desde a diretoria até a força de vendas. maior variedade de dispositivos e sistemas resultará em desafios para os fornecedores em curto prazo

Empresas. Segundo ele, deve existir uma convergência da alta e da média gerência, com essa quebra de mercado ficando menos nítida. Um fato que garantirá espaço para todos os players de mercado. “Não haverá um player totalmente líder”, observa. Por fim, quando analisado o segmento de força de vendas e campo, a grande dominância do Windows Mobile e a presença do Symbian não tendem a se manter por

Estudo aponta que, no Brasil, 75% dos profissionais que utilizam a tecnologia no seu dia-a-dia alegam usar seus próprios smartphones, e acessam aplicações de negócios

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muito mais tempo. Isso porque a falta de aparelhos com o sistema da Microsoft e a falta de adaptação do Symbian às necessidades das empresas estão abrindo portas para a entrada do Android, já presente em uma gama maior de aparelhos, inclusive naqueles de menor custo para as organizações. “As empresas que estão migrando as soluções de força de campo/vendas adotam o Android por custo e porque o sistema já permite o desenvolvimento de aplicações específicas”, analisa Bindi. Entretanto, o executivo ressalta que essa mudança depende do porte da empresa e adaptação não é rápida, até pelo fato de representar alto custo. “A adoção do mercado corporativo é mais lenta do que no consumo. Mas essa é uma tendência que tem acontecido”, complementa. Além disso, vale ressaltar que os tablets também passam a ser utilizados por algumas empresas na força de vendas/campo, possibilitando ao

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especial mobilidade sistemas operacionais

É meu Mas não é somente nestas divisões das empresas que a adoção de smartphones acontece. Mesmo sem a necessidade das companhias investirem na compra de smartphones para o restante de seus funcionários, estes passam a colocar seus próprios dispositivos a serviço das empresas. Estudo realizado pela IDC, e encomendado pela Unisys, apontou que no Brasil, 75% dos profissionais que utilizam a tecnologia no seu dia-a-dia alegam usar seus próprios smartphones para o trabalho, sendo que 37% dos trabalhadores brasileiros usam smartphones para acessar aplicações de negócios. Além disso, 22% afirmam utilizar tablets no trabalho. No entanto, há uma discrepância entre o uso e o conhecimento dos executivos de TI sobre esse fato, já que apenas 38% deles acreditam que os funcionários utilizem smartphones. No outro extremo, 44% dos executivos de TI reconhecem a necessidade de oferecer treinamento aos funcionários para que estes utilizem mais adequadamente os dispositivos móveis no ambiente corporativo. Tal treinamento faz todo sentido para esse processo de consumerização de TI, fato evidenciado por uma pesquisa realizada pela McAfee, em parceria com a Universidade Carnegie Mellon, segundo a qual, apesar de crescer o número de pessoas que fazem uso de dispositivos móveis próprios para praticar atividades profissionais, a maior parcela destes não tem conhecimento sobre a política da companhia sobre o uso de tais equipamentos.

44% dos executivos de TI reconhecem a necessidade de oferecer treinamento aos funcionários Essa tendência de consumerização traz implicações para a atuação do CIO, que deverá criar mecanismos para garantir a segurança e a harmonia do ambiente de TI da empresa diante dessa avalanche de diferentes dispositivos móveis e plataformas presentes na companhia. “O desafio do CIO é se adequar aos novos aparelhos e sistemas que estão entrando no seu ambiente. Muitos estão preocupados em como gerir todo esse novo mundo de mobilidade corporativa. O CIO do futuro tem que estar preparado para lidar com todos esses diferentes sistemas”, atesta Fernando Belfort, analista sênior da Frost & Sullivan. Segundo ele, a consumerização e o desejo dos gerentes e diretores por novos dispositivos acabam por gerar uma quebra de paradigma. Isso porque o pensamento do CIO sempre foi fornecer smartphones BlackBerry por conta da questão de segurança da informação. “Mas boa parte dos funcionários e executivos querem outros aparelhos. Um desejo é impulsionado por design e aplicativos”, pondera Belfort. O diretor da Telefônica/Vivo Empresas, por sua vez, comenta que apesar do BlackBerry ser um apelo superior no quesito segurança, todas as outras plataformas têm condições de atingir a mesma robustez. A diferença, ele acrescenta, é que no BalckBerry esse fato já é nativo, enquanto que para sistemas como iOS e Android se faz necessário um desenvolvimento, o que gera mais custos.

pelo mercado corporativo gera grandes oportunidades. Na Telefônica/Vivo Empresas, por exemplo, frisa Bindi, a venda de smartphones já representa entre 40% e 50% do total, contra parcela anterior de 20% a 30%. Tal fato eleva a demanda das empresas pela contratação de desenvolvimento de aplicações móveis. De olho nesse potencial de mercado, a Vivo prepara, em curto prazo, o lançamento de uma loja de aplicativos móveis voltada exclusivamente para o segmento corporativo. A empresa está fazendo alianças estratégicas com desenvolvedores para proporcionar uma vasta gama de aplicações aos seus clientes. “Já estamos em negociação com diversos desenvolvedores e a plataforma está em implantação. Acreditamos muito nesse segmento de aplicativos móveis para as empresas”, revela o executivo. A Apple é outra empresa que pretende se aproveitar dessa demanda corporativa por aplicativos móveis. Tanto que, na tentativa de expandir a participação no mercado corporativo, a empresa criou um programa de venda de apps por volume para empresas, batizado de Volume Purchase Program. A oferta estará disponível inicialmente apenas para empresas nos Estados Unidos e oferecerá aplicativos para iPhone e iPad. A Apple não esclareceu, entretanto, se haverá descontos para clientes corporativos devido à compra em volume. Com tal serviço, a companhia abre portas para o desenvolvimento e a venda de aplicativos personalizados para atender a necessidades específicas das empresas. foto divulgação

Android, principalmente com o Galaxy Tab da Samsung, ter ainda mais oportunidades nesta área das empresas, assim como garantir a presença do iOS, com o iPad. Entre as empresas que já usam iPads na força de vendas/campo, destaque para a Eurofarma, Galderma e EMS.

Oportunidade O avanço da adoção de mobilidade

“O desafio do CIO é se adequar aos novos aparelhos e sistemas que estão entrando no seu ambiente. Muitos estão preocupados em como gerir todo esse novo mundo de mobilidade corporativa. O CIO do futuro tem que estar preparado para lidar com todos esses diferentes sistemas” Fernando Belfort, da Frost & Sullivan

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especial mobilidade aplicativos

por Alexandro Cruz, especial para a TI Inside

aplicativos rurais na esteira do crescimento da venda de smartphones, blackberries e tablets, os aplicativos tornaram-se ferramenta essencial para atrair clientes

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o sistema operacional Android, da Google. Segundo a empresa, existe mais de 250 mil aplicativos disponíveis no Android Market, equivalente a seis vezes mais do que a RIM oferece mundialmente o que o torna um canal atrativo para novos negócios. Consolidação Para os desenvolvedores, a parceria com os grandes players tornou-se essencial para fortalecer as suas marcas neste segmento de mercado e ampliar a safra de lucro. Segundo Fábio Nunes, diretor de operações da Navita, empresa especializada em soluções para mobilidade, telecom e portais corporativos, 2011 foi o ano de amadurecimento e consolidação do mercado. “Neste ano vimos todas as empresas se movimentando para estar presente neste novo mundo, que agora não é mais apenas smartphones, mas também de tablets”, afirma. A avaliação do executivo está alinhada às boas perspectivas para este setor, como aparece no estudo das empresas de consultoria MarketsandMarkets e Forrester Research, apontando que o mercado de aplicativos deverá movimentar cerca de 6,8 bilhões de dólares (R$ 10,6 bilhões) ao longo deste ano e até 2015. A estimativa é foto divulgação

PC está com os dias contados? De acordo com as últimas pesquisas, tudo indica que sim. O Gartner reduziu a projeção de crescimento para o mercado mundial de computadores pessoais de 9,3% para 3,8% este ano, decorrente da desaceleração das economias da Europa ocidental e dos Estados Unidos. Por outro lado, houve uma forte demanda por tablets. A Nielsen também mostra que os desktops estão na UTI e diz que a venda de celulares inteligentes no primeiro semestre de 2011 aumentou 165% em comparação igual período de 2010 e que 44% dos usuários de celular pretendem comprar smartphones nos próximos seis meses. Com a mobilidade no Brasil a pleno vapor, novos segmentos de mercado surgiram, tendo como alvo a criação de aplicativos. Impulsionados pelo aumento da Internet móvel no País, que deverá chegar a 35 milhões de acessos até o fim de 2011, conforme indica a Huawei, empresas como Google, Apple e Microsoft passaram a investir pesado neste modelo de atividade comercial. Responsável por tornar os celulares mais atrativos e ágeis com seus inúmeros serviços customizados, o negócio de soluções mobile é um Midas para esta área, principalmente para as fabricantes de telefonia móvel e de desenvolvimento. Hoje, para aumentar o número de clientes, as empresas passaram a oferecer junto aos seus sistemas operacionais, como iOS, BlackBerry OS, Android e Symbian, aplicativos projetados em parceira com empresas desenvolvedoras. A Nokia é um exemplo de como as fabricantes estão apostando nos apps como estratégia de marketing. Em meados de agosto deste ano, a fabricante anunciou o acordo com a canadense Polar Mobile para desenvolver mais de 300 aplicativos móveis para smartphones durante 12 meses. Mais uma fabricante que resolveu ampliar sua estratégia de vendas por meio dos aplicativos, mas de outra forma, foi a RIM. Como medida de mudar o clima ruim de desaceleração da venda do seu BlackBerry, a fabricante decidiu comercializar aplicativos que sejam compatíveis com

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que se deva alcançar uma movimentação de 25 a 38 bilhões de dólares. No entanto, as consultorias avaliam que o Brasil ainda engatinha se comparado ao padrão mundial. Como exemplo, no ano passado, foi registrado no País um movimento de R$ 50 milhões neste segmento. Garantia de lucro? Para o executivo da Navita, o crescimento no segmento de apps ainda não pode ser considerado uma fonte de renda expressiva para as empresas. Ainda segundo Nunes, neste formato de negócios - loja de aplicativo -, a operadora tem receita praticamente zero e são poucos os casos das companhias de telefonia a faturar algo. “As fabricantes têm um revenue share sobre a negociação de aplicativos em suas lojas, variando entre 20% e 30%. Porém, apenas a loja da Apple tem um volume considerável de vendas de aplicativos para representar uma receita interessante ao fabricante. A cultura de aplicativos grátis é muito grande, o volume de downloads de apps gratuitos é bem maior do que os pagos, especialmente em plataformas não Apple”, avalia. Entre os desenvolvedores, o executivo afirma que são poucos os casos de sucesso, alguns desses profissionais de fora do Brasil, especialmente de games, que ganharam dinheiro. “Mas, no Brasil, os casos são raros (não conheço nenhum) de fabricante que vive de vendas de aplicativos. O que mantem os desenvolvedores ativos no País é o desenvolvimento de apps para marcas

“Neste ano vimos todas as empresas se movimentando para estar presente neste novo mundo, que agora não é mais apenas smartphones, mas também de tablets” Fábio Nunes, da Navita m o b i l i d a d e

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Conecte-se a esta nova rede.

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“Os apps requerem diversas versões e atualizações para falarem com todo o mercado. Quem faz um app para iPhone está começando bem, mas terá muito o que fazer”

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especial mobilidade aplicativos

Paulo Mira, da PHD Mobi

(empresas de mercado que querem ter seus aplicativos e contratam desenvolvedores)”, diz. Já Paulo Mira, presidente mundial da norte-americana PHD Mobi, agência digital especializada em aplicativos e mobilesites, alerta que a pouca informação, muitas vezes influenciada por agências com pouca ou nenhuma experiência mobile, acreditam que produzindo apps estão entrando com grande força de negócio no mundo móvel. “Os apps funcionam muito bem, mas não para qualquer um. Além disso, essas soluções requerem diversas versões e atualizações para falarem com todo o mercado. Quem faz um app para iPhone está começando bem, mas terá muito o que fazer, principalmente em investimentos, para que interajam com todo o mercado”, explica. Segurança Como qualquer segmento de comunicação sobre IP, com a expansão dos aplicativos móveis, os usuários também estão sendo presenteados com os inúmeros problemas de segurança. Segundo Umberto Rosti, sócio-fundador da SafeWay Consultoria, especializada em Segurança da Informação e Gestão de TI, em geral, os aplicativos não são seguros. O executivo diz que, por ser uma nova tecnologia, muitas vezes, as informações

críticas dos usuários ficam nestes dispositivos móveis, nas empresas ou em data center, sem segurança alguma. “Como exemplo, os dispositivos móveis geralmente só têm uma senha, não têm dois fatores de autenticação, nem criptografia dos dados. Hoje, estamos em uma era onde estes dispositivos estão recebendo spam de uma forma diferente que recebíamos por e-mail, SMS e outros. Ainda não se incorporou controles adequados a este ambiente como, por exemplo, antivírus, criptografia, ou fator de autenticação forte”, alerta. De acordo o levantamento realizado pela McAfee, só no primeiro semestre de 2011 houve um recorde no volume de ameaças para este segmento. A quantidade de vírus destinada aos dispositivos móveis aumentou consideravelmente no segundo trimestre. Como exemplo, o estudo mostra um crescimento de 76% no número de ameaças destinadas a dispositivos Android desde o último trimestre analisado. Mesmo que o resultado seja pavoroso, Umberto Rosti alerta que os usuários não têm preocupação com a segurança. “Eles até acham que essa tecnologia é segura por ter evoluído de um equipamento no qual não existia vulnerabilidade, como os equipamentos eletrônicos, assim tem uma falsa sensação de segurança. Porém, estes dispositivos são praticamente computadores móveis”, afirma. Os especialistas em segurança avaliam que essa falsa segurança é muito semelhante ao que existia no começo da Internet. Como acontece na rede fixa, o mercado de segurança móvel pode ser visto como um leque de oportunidades. Rosti afirma que, no Brasil, este segmento ainda é um ambiente pouco explorado e com poucas pessoas que têm conhecimento. “É um mercado a ser explorado e ainda tem que ganhar muita maturidade. Uma oportunidade de negócio, mas ainda tem uma demanda a ser reconhecida por segurança”.

Viés Há outra via à visão de que o mercado de aplicativos é o detentor de novos negócios mobile. Segundo o CEO da PHD Mobi, Paulo Mira, mais importante do que ter apps é ter um mobile site. De acordo com ele, 68% dos usuários que fizeram download de algum app o estão utilizando pelo menos uma vez por semana, enquanto que 81% das pessoas estão navegando na Internet no mesmo período. “Mais usuários estão procurando informação ao navegar com seus aparelhos móveis e 51% estão tomando decisões de compra baseados no que encontram”, compara. O executivo também afirma que, se uma empresa oferece a navegação via mobilesite, proporciona uma experiência positiva com sua marca e 89% de seus consumidores decidem comprar em menos de 24h, sendo que 36% decidem imediatamente. Hoje, sabemos que 79% das pessoas usam seus smartphones para comprar produtos e serviços. “Desta vez, não é uma onda como aconteceu com o início da Internet, é uma tsunami com mais de 220 milhões de aparelhos móveis no Brasil, sendo mais de 35 milhões de smartphones (estimado). Isto torna o País uma das potências mundiais em termos de evolução e crescimento de mercado. E que continua crescendo”, conclui Mira.

“Os dispositivos estão recebendo spam de uma forma diferente que recebíamos por e-mail, SMS e outros”

Umberto Rosti, da SafeWay Consultoria 1 8

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.:marketing

Wilian Miron

miron@convergecom.com.br

Novo front

Com crescimento da banda larga móvel, disputa das operadoras passa a ser por este mercado e para ver quem está mais presente no universo dos smartphones e tablets.

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quecido, o mercado de banda larga móvel é o novo front de batalha das operadoras, que já redobram a atenção com pacotes de serviços e melhoria das redes. Com a perspectiva de que o tráfego de dados se torne sua principal fonte de renda, as empresas de telecomunicações, especialmente das operadoras de celular, têm se aplicado em oferecer pacotes diferenciados para implantar seu chip numa quantidade cada vez maior de telefones inteligentes (smartphones), tablets e demais dispositivos que permitem o uso intensivo da rede. Hoje, de cada três aparelhos vendidos no mercado brasileiro, ao menos um tem acesso 3G. Para a Vivo, maior operadora do Brasil em número de clientes, com 65 milhões, a queda nos preços dos terminais, somada à chegada ao mercado de smartphones cada vez mais avançados, é o grande motor da venda de planos. Este fator impulsiona, especialmente, os planos na tecnologia 3G, explica o diretor de marketing móvel da operadora, Daniel Cardoso. “Vemos que 70% dos clientes da telefonia móvel procuram aparelhos com acesso à rede”, diz. É mirando este interesse acentuado dos clientes por conectividade que a Vivo busca parcerias com as fabricantes de aparelhos para construir seu portfólio e, consequentemente, ofertas de serviços a preços considerados atraentes aos olhos do consumidor. “O subsídio, por exemplo, é uma alavanca que usamos, mas com cuidado e disciplina”, explica o diretor de marketing móvel da empresa. “Temos outras soluções também, como as parcerias com os fabrican-

tes para ter aparelhos mais baratos e, assim, subsidiar dispositivos apenas aos clientes de maior valor, àqueles que assumem um compromisso com você em planos pós-pagos”. Um exemplo desta estratégia é o trabalho que a operadora tem feito com a ZTE e outras fabricantes para trazer aparelhos com recursos sofisticados e custo final reduzido. Cardoso também afirmou que a empresa procura conceber planos estruturados para atender o maior número de clientes possível. “Desta maneira, podemos ter planos e aparelhos para praticamente todos os perfis. Esta é a forma que temos para garantir o crescimento”, comenta. Ele também diz que a empresa está atenta aos incentivos governamentais para reduzir o preço final da banda larga, fato que pode provocar uma demanda ainda maior pelo serviço

e por aparelhos 3G de baixo custo. “Por conta deste momento do mercado tentamos mostrar aos fabricantes o que é mais importante para o nosso cliente, as faixas de preços na qual a gente consegue ver maior interesse e trabalhar com eles algumas especificações, como configurações corretas, vantagens para oferecer ao cliente e volume”. O diretor de vendas da Claro, Ricardo César, acredita que as operadoras precisam olhar com mais atenção para os clientes pré-pagos, hoje maioria entre os consumidores da telefonia celular. De acordo com o executivo, é preciso desenvolver planos nos quais estes clientes tenham mais vantagens, uma forma de estimular os gastos com serviços de telecomunicações. “Esse conceito de classe C não é apenas uma questão de ascensão financeira, e por isso podemos estimular o uso do celular”. Ele acredita que os usuários não optam pelo plano pré-pago para usar menos o telefone e, sim, pela comodidade do controle de gastos. “Para atender a esses clientes podemos continuar crescendo a cobertura 2G e 3G”, comentou. Tanto a Claro quanto a TIM acreditam que a competi

“O subsídio é uma alavanca que usamos, mas com cuidado e disciplina. Temos também parcerias com os fabricantes para ter aparelhos mais baratos.” Daniel Cardoso, da Vivo out_2011 Teletime 15


.:marketing ção no setor está atrelada ao desenvolvimento de pacotes focados nos “diversos perfis de usuários: tem aqueles que procuram bônus, outros procuram vantagens como subsídio de aparelhos, ou custo mais baixo por minuto, e temos que atender a essas expectativas”, disse Ricardo César durante a Futurecom. O presidente da Claro no Brasil, Carlos Zenteno, acrescenta que a estratégia da empresa para pegar carona no bom momento da banda larga móvel é disponibilizar variedade de aparelhos, especialmente aqueles com recursos tecnológicos mais avançados. “Dentro de uma oferta acessível ao cliente”, disse. Zenteno também diz acreditar que é preciso fazer um esforço para ensinar aos clientes como tirar proveito dos recursos dos aparelhos. “Fazemos esse trabalho de comunicar o que a tecnologia pode fazer para os nossos clientes e vemos que eles estão fazendo um uso cada vez mais intensivo das redes”. É com estas armas que a Claro pretende reconquistar a vice-liderança do setor, hoje nas mãos da TIM, atualmente com aproximadamente 610 mil clientes mais do que a operadora do grupo América Móvil. “Estamos trabalhando para melhorar a qualidade do serviço e, acredito que retomar a essa posição é consequência de cumprir com as metas de longo prazo, e continuar com investimentos para melhoFOTO: divulgação

“Estamos trabalhando para melhorar a qualidade do serviço, e acredito que retomar a viceliderança é consequência de cumprir com as metas de longo prazo.”

52% desejam ter um tablet 79% acessam a Internet por mais de uma hora diária 23 milhões de celulares 3G no Brasil em junho 51% dos usuários 3G têm planos pré pagos R$ 62 é o gasto médio por mês com o serviço 35% foi o crescimento da banda larga móvel no primeiro semestre 13,7 foi a quantidade de acessos para cada 100 habitantes 71% dos celulares brasileiros acessam a Internet 90% deles são 3G 56% são smartphones Fonte: Huawei.

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Perfil do usuário de mobilidade

Carlos Zenteno, da Claro rar o atendimento e qualidade da rede, com ofertas acessíveis aos clientes”. Zenteno reforça que a política da empresa para agregar novos contratos passa por redobrar a atenção com os clientes pré-pagos, com planos de Internet voltados àqueles clientes que usam conexão Wi-Fi em casa ou no trabalho, e deixam o acesso 3G para situações nas quais vê a necessidade de usar esta tecnologia. “Para eles, temos um serviço no qual você paga um valor fixo diário apenas quando usar o serviço de Internet. Isso significa que os clientes de pré também podem usar 3G e navegação”, diz. “Mas, realmente não importa muito se é pré ou pós-pago, de qualquer jeito todos os produtos têm que ser bons para as necessidades dos clientes”, conclui. Animada com o crescimento do mercado de dados na telefonia móvel, a Claro firmou recentemente uma parceria com a rede de universidades Estácio Uniradial. O convênio coloca à disposição da operadora um universo com 241 mil possíveis clientes, entre estudantes matriculados nas escolas da instituição de ensino. Para esta parceria a operadora oferece 10% de desconto e o dobro da franquia de Internet aos alunos da Estácio que aderirem à banda larga acima de 1 GB, da operadora. A oferta é atrelada à iniciativa da universidade de ceder tablets a seis mil alunos de cursos como Direito, Gastronomia e Hotelaria, da instituição de ensino (ver matéria de capa desta edição).

Sem subsídio Com pouco mais de 56 milhões de assinantes, a TIM, segunda maior operadora móvel, mantém uma política de descontos, em vez de subsidiar a aquisição de aparelhos aos clientes. “Hoje vemos que o cliente valoriza esta posição, porque assim conseguimos oferecer aparelhos mais baratos e sem fidelização ou multa, o que é uma maneira pouco transparente de se relacionar com o cliente”, comenta o diretor de marketing da operadora, Roger Solé. “No início eles estranharam, pois, estavam acostumados com o sistema de fidelização, mas a mudança foi rápida, agora eles entendem que este sistema é melhor”. O diretor da TIM afirma que, se somado o valor de plano na operadora com o custo mensal da prestação do aparelho, o cliente ainda pagará menos do que se ele optar por um smartphone subsidiado numa das concorrentes. “Podemos oferecer vantagens como parcelamento ou um bom desconto na fatura mensal de quem adquire plano pós-pago”, emenda. De acordo com Solé, para estimular a penetração do serviço, a empresa aposta em vendas de modelos com recursos modernos e preço reduzido. “Trabalhamos com portfólio selecionado e, então, negociamos grandes quantidades dos modelos que escolhemos. Esta é uma maneira interessante de levar o fornecedor a reduzir custos fixos e lucrar em escala, baixando os preços”, diz. Após fortalecer sua presença no mercado de “consumer”, a TIM resolveu desenvolver uma campanha para mostrar aos clientes as vantagens de se usar a banda larga móvel no segmento corporativo. Entretanto, o modelo de negócios dos planos fixos e móveis

“negociamos grandes quantidades dos modelos que escolhemos. é uma maneira de levar o fornecedor a reduzir custos fixos e lucrar em escala, baixando os preços.” Roger Solé, da TIM 16 Teletime out_2011


são semelhantes. “A diferença mesmo está na campanha, que visa mostrar ao cliente que é vantagem ele usar a nossa conexão móvel no trabalho também”, conclui. Ao ver as concorrentes ganhando terreno, a Oi estuda uma política mais agressiva de ampliação da cobertura 3G, que será reforçada pelos incentivos à penetração de terminais. É com este foco que a operadora já considera voltar a subsidiar aparelhos, uma maneira de alçar voo no mercado pós-pago. “Há uma grande chance de haver subsídios novamente, especialmente se as condições do mercado se mantiverem”, comentou o presidente da Oi Francisco Valim, durante a Futurecom. Outra estratégia da operadora para se manter na briga e não se distanciar das três maiores concorrentes é continuar investindo na cobertura de terceira geração, levando a tecnologia para novas cidades e também melhorando a qualidade do sinal nos municípios já atendidos pelo serviço. Números recentes mostram que a

“Há uma grande chance de haver subsídios novamente, especialmente se as condições do mercado se mantiverem.” Francisco Valim, da Oi empresa tem 41 milhões de assinantes no serviço móvel, em quarto lugar. De acordo com Valim, a Oi também espera aumentar sua base de clientes com a oferta de banda larga a preços populares, a partir de outubro. No curto prazo o serviço pode atender entre 200 e 300 cidades em todo o País. “A meta é levar os benefícios do PNBL - Programa Nacional de Banda Larga - a toda a nossa área de cobertura até 2014”. Capacidade de rede Na visão das operadoras, a chegada e possível ascensão dos tablets entre os principais canais de acesso à Internet

deve movimentar as estratégias, que tendem a desenvolver ofertas específicas para quem utiliza o aparelho. “Acontece que para computadores você precisa ter grandes volumes de dados, enquanto nos celulares a quantidade é menor. Então o tablet fica no meio do caminho. E a gente vai buscando novas alternativas, novos planos, pacotes interessantes para este público também”, diz Daniel Cardoso, da Vivo. O pensamento dele é seguido, e posto em prática, pelo colega da TIM, que já tem no mercado um pacote de serviços direcionado aos clientes que usam a Internet no tablet. “Estamos com este programa desde abril, porque o consumo de dados neste aparelho é diferente”, reforça Solé, ao dizer que a empresa oferece planos ilimitados para estes dispositivos. “Não vamos bloquear se o cliente ultrapassar a franquia, mas vamos reduzir a velocidade. É uma maneira de evitar um uso  descontrolado do serviço”, conclui.


.:Regulamentação

Helton Posseti, de Brasília helton@convergecom.com.br

Fuga da concessão

Mudança no Artigo 86 da LGT terá efeito oposto ao esperado. Concessionárias devem concentrar ativos fora da concessão, para evitar a reversibilidade e o compartilhamento de ganhos.

Q

uando o Congresso negociava o PL 29, depois chamado de PLC 116 e agora sancionado como lei sob o número 12.485/2011, uma das grandes inovações, para as empresas de telecomunicações, era o fim das limitações previstas no Artigo 86 da Lei Geral de Telecomunicações (LGT). Pela nova redação, as concessionárias de telefonia fixa seriam autorizadas a consolidar em um único CNPJ, preferencialmente o da concessão, todas as suas atividades, o que traria ganhos tributários e fiscais. Mas a mudança, que em determinado momento contou com uma forte intervenção da Anatel para acontecer, pode ter efeito contrário. Diversos fatores indicam que as concessionárias não deverão se valer do instrumento para consolidar na concessão todos os serviços prestados e, assim, usufruir ao máximo de sinergias contábeis. Esse movimento, se realmente acontecer, representa muito mais do que uma opção das empresas: mostra indícios de um desajuste na regulação do setor. A telefonia fixa é um serviço em declínio em todo o mundo. A tendência é que todos os novos investimentos (e as novas fontes de receita) sejam destinados aos serviços prestados em regime privado, como o SCM (banda larga), o SMP (telefonia móvel) e o recém criado SeAC, o Serviço de Acesso Condicionado (TV por assinatura). Do ponto de vista mercadológico, as teles alegam que não têm incentivos em investir na concessão. Mas não é só isso. Do ponto de vista regulatório, o cenário sem uma definição sobre o que acontecerá a partir de 2025, quando acaba o contrato de concessão da telefonia fixa, também estimula as empresas a “ficarem longe da concessão”, como diz uma fonte ligada às concessionárias. A principal preocupação das empresas está relacionada à falta de uma visão única sobre o tratamento dos bens reversíveis. Embora a agência já tenha submetido a consulta pública um novo regulamento de bens reversíveis que flexibiliza o controle sobre a alienação dos bens, representantes da agência vez ou outra

dão sinais contraditórios sobre o assunto. Já foi dito, por exemplo, que se um bit de voz passar por determinada rede ou equipamento, ela é reversível. Além disso, segundo essa fonte das concessionárias, do ponto de vista fiscal, as empresas teriam mais benefícios em consolidar as operações na operadora móvel do que na fixa. As operadoras móveis têm um grande número de créditos tributários em função do longo período em que registraram prejuízo contábil, já que os investimentos ainda estão sendo amortizados. Assim, ao realizarem os novos investimentos elas conseguem recuperar esses créditos fiscais que não existem na pessoa jurídica da concessão. “Não vou fazer investimento em fibra dentro da concessionária. SCM, SMP e SeAC vão estar dentro de uma mesma pessoa jurídica e é melhor colocar todas essas

empresa, essa tributação deixa de existir. Regulação O pano de fundo dessa discussão diz respeito à própria atuação regulatória da Anatel. As empresas temem que, no futuro, a agência possa entender como reversíveis os bens adquiridos para a prestação do SeAC, por exemplo. “Como vai ter que devolver em 2025, eles mantêm essa estrutura pública no limite. É muito mais interessante fazer investimento na rede privada”, diz uma fonte da Anatel. Segundo essa fonte, a cada PGMU a Anatel tenta ampliar o escopo da concessão, o que, aliado ao fato do serviço poder ser prestado por outras tecnologias, contribui para que as empresas se distanciem do STFC. Na opinião de algumas áreas da agência, é preciso abandonar a visão patrimonialista dos bens reversíveis – o que está refletido no texto do novo regulamento que foi à consulta pública. Outro fator que assusta as empresas é a chamada “cultura do Pado”. Cada suposta infração encontrada por um fiscal gera um Pado; e as empresas acumulam milhões de reais em multas, sendo que a maior parte delas não serão recolhidas, em função das várias instâncias de contestação dentro da própria Anatel. No fim, o Pado acaba não gerando nenhum tipo de resultado prático para a sociedade e as empresas continuam descumprindo suas obrigações. Para o advogado Floriano de Azevedo Marques, um dos redatores da LGT e hoje advogado das empresas, a mudança no Artigo 86 veio tarde, já que o serviço está migrando para outras tecnologias. A concessionária pode prestar serviço de telefonia fixa através da rede de banda larga, como faz a GVT, por exemplo. Ou pela infraestrutura da operação móvel, como anunciou recentemente a Telefônica. Assim, o interesse da empresa em consolidar os serviços na concessionário fica reduzido.

em que pese a possibilidade de a Anatel estabelecer contrapartidas às consolidações, perde-se chance enorme de compartilhar os ganhos econômicos das empresas com os consumidores licenças dentro da operadora móvel”, diz a fonte. É o oposto do que estava esperando o governo, que imaginava que esses ganhos tributários pudessem ser revertidos para as tarifas de telefonia. A posição das empresas, entretanto, não causa surpresa para algumas áreas da Anatel. “Eles não são malucos de fazer (a consolidação na concessão). Preferem não ter o ganho tributário pleno”, diz uma fonte da agência. Ao manter a telefonia fixa em uma operação separada das demais, a empresa não captura totalmente as sinergias contábeis e tributárias que poderia ter. Um exemplo desse ganho já identificado pelo Ministério das Co­­ municações é quando uma chamada fixa termina na rede móvel da companhia do mesmo grupo, a fixa deverá pagar a VU-M para a móvel e sobre essa transação incide PIS e Cofins. Se tudo ficar sob a mesma 18 Teletime out_2011


Segundo ele, neste momento, as empresas têm de colocar duas situações na balança. Consolidar as operações na telefonia fixa e aproveitar ao máximo os ganhos econômicos e se sujeitar às incertezas sobre a reversibilidade dos bens ou abrir mão do ganho econômico pleno e consolidar as operações na móvel. Vale lembrar que, segundo fonte das empresas, com a consolidação na móvel a empresa pode usufruir de créditos tributários que não existem na fixa. O presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, disse à Teletime durante a Futurecom que ainda que a mudança no Artigo 86 possa permitir ganhos, existem vantagens e desvantagens que precisam ser ponderadas. “Ainda não posso dizer se vamos consolidar tudo embaixo da operação fixa ou móvel, tudo isso depende das vantagens e das desvantagens. Agora é a hora de fazer essas contas e ver quanto vale o Artigo 86”, disse Valente. Ele reconhece que esse foi um pleito importante das concessionárias durante a tramitação do PLC 116, mas que as decisões dependem dos resultados dessas contas. Consumidor A mudança do Artigo 86 repete a obrigação que já existe na LGT de que os ganhos econômicos obtidos pelas concessionárias devam ser compartilhados com os consumidores. Ao consolidar suas operações na empresa móvel, entretanto, as empresas não estariam sujeitas a essa regra, na opinião dos advogados consultados por Teletime. Para alguns técnicos da Anatel, entretanto, nada impede que a agência estabeleça condicionantes para aprovar uma consolidação deste tipo. O fato é que nesse cenário o poder de regulação da Anatel fica enfraquecido porque a agência tem poder de ingerência muito menor sobre a empresa móvel do que sobre a concessionária. A mudança no Artigo 86 fez com que a associação ProTeste enviasse uma carta ao presidente da Anatel, embaixador Ronaldo Sardenberg, pedindo a revisão da estrutura tarifária do STFC. A consolidação das operações na empresa móvel, na opinião da advogada da associação, Flávia Lefèvre Guimarães, não invalida a tese da revisão tarifária. Segundo ela, o subsídio cruzado entre a operação fixa e as demais é “tão claro” que mesmo que não haja a consolidação na concessão a Anatel deveria revisar a assinatura básica. A advogada entende que, caso as empresas optem por consolidar as operações na concessão, isso não poderia ser

feito sem que houvesse a separação estrutural, já que o subsídio cruzado continua sendo proibido pela LGT. “O contrato de concessão não tem o inventário dos bens reversíveis. Como vamos garantir que a Telefônica ou a Oi não vão esvaziar a concessão e transferir ativos para o SMP?”, questiona a advogada. Para Flávia Lefévre, a situação é desalentadora. Se as empresas consolidam as operações na concessão, os bens reversíveis podem ser transferidos indevidamente para o SMP ou para o SCM, já que a Anatel ainda não tem o inventário desses bens. Por outro lado, se as empresas consolidam os serviços na operação móvel, como parece ser o que vai acontecer, os consumidores não estão sujeitos aos benefícios do compartilhamento dos ganhos econômicos. Independentemente da mudança no Artigo 86, as empresas já tiveram outros ganhos que ensejam uma revisão da assinatura básica, na opinião da ProTeste. Na carta encaminhada à Anatel, a associação menciona um informe da própria agência segundo o qual a troca de metas de PST por backhaul gerou um saldo em favor dos consumidores que pode chegar a R$ 1 bilhão. Além disso, a ProTeste reproduz uma nota técnica em que a Anatel

admite que as empresas usam os recursos da concessão para financiar o investimento em redes de dados. A advogada ainda menciona outros fatores acordados no âmbito do PGMU III que, na opinião da entidade, favoreceriam financeiramente as empresas e, portanto, devem ser compartilhados com os consumidores: a permissão de utilização do ônus da concessão para cumprimento das metas, a diminuição da densidade dos TUPs e a retirada da ampliação das metas de backhaul. As empresas dizem que a consolidação na operação móvel é mais vantajosa em função dos créditos tributários. Mas é inegável que a consolidação na concessão ensejaria uma revisão do contrato de concessão para adequar o seu equilíbrio econômico financeiro. Nesse contexto, é certo que a agência encontraria alguma forma de compartilhar os ganhos econômicos das empresas com os consumidores. A conclusão é que, em que pese a possibilidade de a Anatel estabelecer contrapartidas na anuência dessas consolidações, perde-se uma chance enorme de compartilhar os ganhos econômicos das empresas com os consumidores. “Eu quero saber o seguinte: em que hora o consumidor vai ter a sua contrapartida”, pergunta Flávia Lefèvre. 

Como ficou o Artigo 86 da LGT após a aprovação da Lei 12.485/2011 ANTES

Art. 86. A concessão somente poderá ser outorgada a empresa constituída segundo as leis brasileiras, com sede e administração no País, criada para explorar exclusivamente os serviços de telecomunicações objeto da concessão. Parágrafo único. A participação, na licitação para outorga, de quem não atenda ao disposto neste artigo, será condicionada ao compromisso de, antes da celebração do contrato, adaptar-se ou constituir empresa com as características adequadas.

DEPOIS

Art. 86. A concessão somente poderá ser outorgada a empresa constituída segundo as leis brasileiras, com sede e administração no País, criada para explorar exclusivamente serviços de telecomunicações. (Redação dada pela Lei 12.485, de 2011) Parágrafo único. Os critérios e condições para a prestação de outros serviços de telecomunicações diretamente pela concessionária obedecerão, entre outros, aos seguintes princípios, de acordo com regulamentação da Anatel: (Redação dada pela Lei 12.485, de 2011) I - garantia dos interesses dos usuários, nos mecanismos de reajuste e revisão das tarifas, mediante o compartilhamento dos ganhos econômicos advindos da racionalização decorrente da prestação de outros serviços de telecomunicações, ou ainda mediante a transferência integral dos ganhos econômicos que não decorram da eficiência ou iniciativa empresarial, observados os termos dos §§ 2o e 3o do art. 108 desta Lei; (Incluído pela Lei 12.485, de 2011) II - atuação do poder público para propiciar a livre, ampla e justa competição, reprimidas as infrações da ordem econômica, nos termos do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei 12.485, de 2011) III - existência de mecanismos que assegurem o adequado controle público no que tange aos bens reversíveis. (Incluído pela Lei 12.485, de 2011)

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.:TV por assinatura

Da redação

cartas.teletime@convergecom.com.br

Primeiros efeitos

Sanção da Lei 12.485/2011, que cria o novo marco legal para a TV paga, enche de otimismo as operadoras de telecomunicações, que anunciam planos e investimentos.

FOTO: arquivo

combinada. E a estratégia, já antecipada por TELETIME, é reposicionar seu produto, oferecendo uma opção para os consumidores de maior poder aquisitivo, o que significa acertar um contrato com a Globosat. Mas a vida da Oi não será simples, e isso ficou evidente na manifestação de seu acionista controlador, a Andrade Gutierrez. Segundo Otávio Marques, presidente da empresa, talvez seja a hora de operadores de telecomunicações se unirem para negociar programação em conjunto e com isso reduzir os preços. A declaração causou constrangimento dentro da própria Oi, que está em pleno processo de renegociação de programação.

AnatolyM/IDAL/shutterstock

J

á faz um tempo que a TV por assinatura está na moda, impulsionada pelas taxas de crescimento “chinesas” que são registradas no mercado nos últimos anos. Mas com a publicação do novo marco legal do setor, a Lei 12.485 de 12 de setembro de 2011 (derivada do famoso PLC 116), o ambiente regulatório e mercadológico muda significativamente. O fato foi comemorado pelas operadoras de telefonia durante a Futurecom 2011, que aconteceu no começo de setembro em São Paulo, quando receberam a notícia da sanção presidencial durante o evento. O governo tentou faturar em cima do fato, prometendo uma expansão de mais de 100% no mercado nos próximos anos e sinalizando com a expansão das redes de alta capacidade que vão levar o serviço de TV paga juntamente com a oferta de banda larga. E nesse sentido, todos os olhos se voltam para a Oi, que atua na maior parte das cidades brasileiras e é a operadora que tinha mais expectativa na mudança do marco legal. A Oi deve concentrar esforços agora na construção de sua estratégia de televisão. “Vamos ter de começar nesse mercado em um estágio muito baixo, porque apenas agora o projeto que nos permite oferecer TV foi aprovado e ainda temos muitos degraus a galgar”, admite o presidente da operadora, Francisco Valim. Segundo fontes do mercado familiarizadas com a estratégia da Oi, os efeitos práticos devem começar a ser sentidos apenas em maio do ano que vem, quando a fase de ajustes e preparação da rede deve ser concluída. A escolha do fornecedor da plataforma de TV paga estava na reta final no fechamento nesta edição e envolve todos os principais fornecedores do mercado, incluindo AlcatelLucent (fornecedora da Portugal Telecom, em parceria

com a Microsoft), Ericsson, Huawei e ZTE, entre outras. Segundo apurou este noticiário, a Oi pretende comprar a solução ponta-a-ponta, e não praticar o modelo de pay-as-you-grow, que foi adotado pela Brasil Telecom quando testou o serviço de IPTV ou mesmo pela Oi na expansão da rede de banda larga, e que basicamente transfere para os fornecedores o risco de sucesso na implantação do serviço. “A ideia é entrar muito forte em vídeo e esse modelo de contratação é uma prova disso”, diz uma fonte da operadora. A Oi deverá implementar essa solução até o final do ano para, a partir do ano que vem, lançar os produtos, que passam pela oferta de IPTV puro sobre a rede de fibra e também pela oferta

Investimentos Segundo Valim, dos R$ 5 bilhões que a operadora investirá em 2011, pelo menos R$ 1 bilhão será destinado à TV por assinatura. “Já operamos DTH e devemos ter FTTx, com fibra chegando até perto da casa do usuário, num modelo evolutivo do nosso negócio”, revela. Segundo ele, testes estão em andamento e a ideia é ter um negócio massivo de fibra óptica. “A Telefônica está há seis anos colocando fibra na casa do cliente e só tem 30 mil clientes. Investir em fibra só faz sentido se pudermos oferecer vídeo e esse não pode ser um negócio de poucos milhares apenas”, diz. Na área de programação, Valim afirma que as negociações com a Globosat estão “muito avançadas” e que “em breve” os canais deverão ser lançados, sem detalhar se isso acontecerá ainda em 2011. “Queremos ter uma condição melhor de mercado para anunciar esse lança-

“Temos planos de competir diretamente com as duas maiores operadoras de TV paga. Não seremos um jogador de nicho, temos ambições grandes para esse novo negócio.” Amos Genish, da GVT 20 Teletime out_2011


mento e causar um impacto maior”, ponderou. Um passo adiante, a GVT já anunciou o seu serviço de TV paga, que tem como grande inovação o fato de incluir, em todos os pacotes, programação HD. Isso significa uma mudança Luiz Eduardo Baptista, da Sky importante na forma tradicional de empacotar os canais pagos e mostra um sinal do que mentos na GVT TV serão a entrada das teles pode provocar no direcionados para os equipamercado. Com a GVT, os canais HD não mentos na casa do cliente. “Estamos ficarão necessariamente em um pacote investindo R$ 650 milhões entre 2011 e superior. Já em termos de preço, a ope2012. R$ 200 milhões ainda este ano, radora está operando na média do para cobrir gastos com o lançamento do mercado para pacotes semelhantes, serviço; e outros R$ 450 milhões para o mas sem conteúdos em alta definição. ano que vem”, afirma o presidente da Outra inovação importante no projeto GVT, Amos Genish. do GVT TV é a forma como os serviços Segundo ele, o serviço de televisão serão distribuídos dentro da casa do assiserá uma nova área de negócios da nante. Como a operadora adota uma empresa, e não apenas uma oferta plataforma híbrida, em que os canais complementar. “Temos planos de comlineares chegam por satélite e os conteúpetir diretamente com as duas maiores dos não lineares, como vídeo sob-demanoperadoras de TV paga. Não seremos da e conteúdos interativos, chegam por um jogador de nicho, temos ambições IP, é preciso fazer internamente essa grandes para esse novo negócio”, distribuição do conteúdo IP no ambiente garante Genish. A ideia do executivo é doméstico. Por isso, a operadora está conseguir em cinco anos, um market trabalhando com o conceito de home share no mercado de TV por assinatura gateway, um set-top central que concensuperior à participação que a operadotra os serviços e faz a distribuição domésra tem no mercado de telecomunicatica por meio de uma rede HPNA. Outro ções, que está entre 15% e 20%, em desafio técnico da GVT é o acesso condimédia, segundo Ricardo Sanfelice, cional. A operadora optou por um condiretor de marketing da GVT. trole de acesso condicional feito por soft­ Inicialmente, o serviço GVT TV podeware, baseado em DRM (Digital Rights rá ser adquirido apenas por clientes de Management). Isso requer que a caixa telefonia fixa e banda larga da operadoesteja, o tempo todo, conectada à Internet ra, mas a expectativa é que ele se torne, para fazer a validação do conteúdo. no futuro, um negócio em separado e Essa arquitetura de rede permitirá o possa ser vendido mesmo em praças em multiroom, ou seja, com apenas um DVR que a GVT não tenha infraestrutura de será possível acessar conteúdo gravado telecom. O serviço será comercializado ou realizar pausas ao vivo em qualquer em soft-launch até meados de outubro, dos pontos de TV da casa. No futuro, quando a operadora estreia uma campaalém dos aparelhos de televisão, a ideia é nha de mídia para divulgar o serviço. A que o conteúdo possa ser compartilhado GVT atua em 106 cidades e planeja com outros aparelhos conectados, como cobrir outras 27 localidades em 2012, tablets e smartphones. “O equipamento chegando a 2016 com um total de 180 está preparado, mas as negociações para municípios atendidos. distribuição de conteúdos em dispositiMas se de um lado o novo marco vos móveis ainda estão em andamento. legal do setor (que ainda precisa ser Nesse primeiro momento vamos fazer TV para televisores”, conta Dante Campagno, head de TV por assinatura da operadora. Montar uma rede residencial e bancar um home gateway para cada assinante não será barato. Por isso, a GVT calcula que para 2012, 90% dos investi-

“Não existe hipótese de que as cotas façam o conteúdo da TV por assinatura ficar mais barato. Ao contrário, certamente o preço vai subir em decorrência disso”

segundo francisco valim, dos R$ 5 bilhões que a oi investirá em 2011, pelo menos R$ 1 bilhão será em tv paga. out_2011 Teletime 21

regulamentado pela Anatel, o que deve acontecer até novembro, segundo as expectativas da agência) está incentivando os anúncios de novas ofertas de TV paga por parte das teles (até a Sercomtel está preparando um serviço de DTH para ser lançado até o final do ano), de outro há quem veja com pessimismo as mudanças que estão por vir. Um desses exemplos é a Sky. Alerta Para o presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista, a questão das cotas de programação trazidas pela nova legislação é um problema grande para a indústria, principalmente na questão mercadológica. “Não existe hipótese de que as cotas façam o conteúdo da TV por assinatura ficar mais barato. Ao contrário, certamente o preço vai subir em decorrência disso”. Ele lembra que mesmo as empresas de telecomunicações terão que cumprir as obrigações legais e vão ter que pagar por isso. “As teles podem até ter negociado essas cotas, mas agora terão que pagar a conta de um conteúdo que necessariamente será mais caro, porque o Brasil não tem escala sozinho para que os preços sejam competitivos com os conteúdos estrangeiros”, diz. Ele afirma que a Sky já está preparada para adotar em seu lineup a política de cotas estabelecidas e que agora está em busca dos conteúdos necessários, mas que em hipótese alguma pagará qualquer preço só para se adequar à legislação. “Até porque, quem vai pagar essa conta é o consumidor, e além da nova lei eu tenho que seguir o Código de Defesa do Consumidor, então não posso impor um aumento de preço injustificado por algo que o assinante não pediu”. Ele diz que a indústria audiovisual brasileira não deve acreditar que porque existe uma obrigação legal as operadoras de TV paga pagarão qualquer coisa pelo conteúdo. “Criaram uma solução para um problema que não existia. Os produtores nacionais estão cheios de ideias de canais, mas não existe ainda um produto. Ideia não é produto. Um canal de TV paga tem que se manter e se sustentar por muito tempo”, diz. 


.:Eventos

Daniel Machado

daniel@convergecom.com.br

Agendas divergentes

Operadoras e governo expuseram suas diferenças na Futurecom em relação a temas como 2,5 GHz, 700 MHz e neutralidade de rede. Isenção de impostos na construção de redes e maior investimento deram o tom do discurso oficial.

FOTO: arquivo

Pling/shutterstock

A

Futurecom tradicionalmente serve de palanque para autoridades governamentais e executivos do setor lançarem suas agendas. Na última edição do evento, realizado entre 12 e 14 de setembro, em São Paulo, alguns temas dividiram opiniões nos debates e palestras, como o edital de 2,5 GHz, cujo leilão deve ser realizado até abril de 2012, e a questão da neutralidade de rede. A TIM se posicionou enfaticamente a favor do adiamento da licitação da faixa que será usada para a quarta geração (4G) de serviços móveis, levantando uma polêmica que até então era tratada apenas reservadamente. “O LTE agrega complexidade e não ajuda o negócio”, disse Luca Luciani, presidente da operadora. “Na faixa de 2,5 GHz teríamos de instalar cinco ou seis vezes mais antenas do que em 700 MHz”, acrescentou. Indiretamente, ganhou o apoio da Oi em relação ao adiamento, mas não em relação à tecnologia, já que a Oi vê o LTE como um caminho inevitável. A Claro enviou comunicado à imprensa manifestando-se “contra a possibilidade de se mudar o leilão previsto pela Anatel para permitir a chegada da tecnologia 4G ao País”. Segundo o comunicado, o planejamento da operadora foi feito com base no cronograma já divulgado pela Anatel. “As datas determinadas para a licitação são do conhecimento de todos. Como empresa do grupo América Móvil, que investirá até 2012 R$ 10 bilhões no País, a Claro tem a certeza que um eventual adiamento traria prejuízos no momento em que nos preparamos para as exigências de eventos da magnitude de uma Copa do Mundo e de uma Olim­ píada. Antecedendo ao calendário que mostrará o Brasil ao mundo, temos, porém o compromisso de não negar aos brasileiros o acesso ao que existe de mais moderno no mundo das telecomunicações. Não existe antagonismo entre

democratização do acesso à banda larga e a chegada do 4G. A questão toda é de investimento e a Claro renova sua aposta no Brasil com investimento e inovação”, disse a operadora. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, entrou na polêmica e declarou achar “incompreensível” o pedido de algumas empresas de telecomunicações para adiar o leilão de 2,5 GHz. Já para o presidente da Anatel, embaixador Ronaldo Sardenberg, no que depender da agência, o assunto será acelerado. “A Anatel tem interesse em acelerar o andamento desse assunto. É a minha opinião pessoal e de presidente da agência. A cada semana que se perde, torna-se mais difícil cumprir o prazo estabelecido pelo decreto da presidenta Dilma Rousseff que determina que o leilão seja realizado em abril (de 2012)”, afirmou Sardenberg. Se no 2,5 GHz há divergências, na antecipação das discussões de atribuição da faixa de 700 MHz todas as teles parecem concordar, mas ficam no campo oposto das empresas de TV aberta. O espectro é atualmente utilizado pela

radiodifusão e deve ser desocupado a partir de 2016, com o fim das transmissões analógicas de TV. Mas, para o conselheiro da Anatel João Batista Rezende, a pressão das teles não surtirá efeito. “Todas as operadoras estão fazendo pressão para discutirmos a destinação da faixa de 700 MHz. Claro, é a faixa mais eficiente para banda larga móvel, mais baixa e de menor Capex, mas temos de resolver primeiro a questão do 2,5 GHz”, afirma Rezende. “Se invertermos os processos, vamos ter um desgaste desnecessário com os radiodifusores por conta de um dividendo digital que só começará a existir a partir de 2016”, pondera. Segundo apurou TELETIME, a agência não pensa em começar esse debate antes do segundo semestre de 2012. Na opinião do conselheiro, parte da faixa de 700 MHz pode, sim, vir a ser destinada para a banda larga móvel a partir de contrapartidas. Um exemplo seria a destinação de parte das receitas da licitação da faixa para subsídio de equipamentos de recepção digital (set tops), como aconteceu nos Estados Unidos. “Mas essa discussão não é para agora. Tudo tem de ser costurado politicamente e desenhado tecnicamente para poder liberar essa faixa também para a banda larga móvel”, enfatiza. Para Rezende, a faixa de 2,5 GHz é importante para atender ao crescimento exponencial da banda larga móvel no Brasil, principalmente com a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas. “Com a explosão da demanda que estamos esperando, as operadoras móveis vão precisar de todo o espectro disponível: 2,5 GHz, 3,5 GHz, 450 MHz e até mesmo dos 700 MHz”, admite o conselheiro, reafirmando, entretanto, que não há nenhum cronograma para estudos desta última na Anatel.

“Em 2,5 GHz teríamos de instalar cinco ou seis vezes mais antenas do que em 700 MHz.” Luca Luciani, da TIM 22 Teletime out_2011

Pressa Apesar de o País ainda estar a cinco anos da desativa


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.:Eventos “O investimento das operadoras não é suficiente, não dá conta de acompanhar a grande demanda de serviços de telecomunicações por que vai passar o setor.”

Neutralidade Com a chegada da Netflix e outras empresas over-the-top (OTT), as operadoras também aproveitaram a Futurecom para defender um novo modelo de rede, cobrado de acordo com o tráfego. “Um agente como a Netflix não precisa investir em rede nem ter uma estrutura, e consegue oferecer um serviço muito barato.

Paulo Bernardo, do Minicom Nada errado do ponto de vista do consumidor, mas precisamos discutir os modelos para repartir os custos”, disse Leila, da Telefônica. “Temos um dilema muito pesado para quem investe em rede e precisa ser remunerado por isso”. Para Paulo Mattos, diretor regulatório da Oi, o consumidor precisa ter direito de escolha do conteúdo, direito de escolher operadoras, direito de acessar qualquer informação e direito de conectar qualquer dispositivo a essa rede. “Precisamos fazer uma diferenciação de alocação de custos, o que não fere os direitos de escolha do consumidor”, diz ele, destacando que quem está gerando mais tráfego na ponta deve assumir uma parte dos custos de infraestrutura. “Acho que a oportunidade

de PIS e Cofins para construção de redes de serviços de telecomunicações. “Acreditamos que esse regime especial antecipará investimentos da ordem de R$ 20 bilhões nos próximos quatro anos, aumentando para 62% a participação de equipamentos nacionais nas redes. Essas ações são parte de um pacote de medidas de longo prazo, das metas do plano plurianual para 2015”, disse. Mas para Jonio Foigel, presidente da Alcatel-Lucent, para estimular a construção de redes e a universalização da banda larga no Brasil não basta o governo desonerar as infraestruturas. “Não vamos conseguir fibrar um país como o Brasil e também não vamos conseguir cobrir áreas rurais sem 4G. Serão precisos investimentos do governo. Onde é economicamente viável, as operadoras vão fazer, não precisa o governo empurrar”, alerta. O ministro adverte que as operadoras precisam retomar o nível de investimentos vividos pelo setor após a privatização das telecomunicações, que culminou com R$ 24 bilhões investidos em 2001. “Apenas no primeiro semestre deste ano, o setor de telecomunicações faturou R$ 100,7 bilhões e está caminhando para superar tranquilamente os R$ 185 bilhões de faturamento de 2010. Não é à toa que estão todos rindo na mesa”, brincou o ministro. De acordo com Paulo Bernardo, os investimentos do setor nos últimos anos, no entanto, não chegaram à média de R$ 17 bilhões ao ano. “Isso não é suficiente, esse investimento não dá conta de acompanhar a grande demanda de serviços de telecomunicações por que vai passar o setor, principalmente quando levarmos em consideração o impacto da adoção de tablets em salas de aula de escolas públicas e a chegada, a partir de 1º de outubro, da Internet popular com banda larga a R$ 35”, ressalta. Para o ministro, é preciso um esforço conjunto do governo e empresas para aumentar esse investimento. “O setor privado precisa ousar mais, a economia está estável e há uma base de clientes grande, ávida por serviços. Essa aposta no Brasil vai valer a pena”, argumenta. 

as operadoras aproveitaram a Futurecom para defender um novo modelo de rede, cobrado de acordo com o tráfego. de debate sobre isso está no Marco Civil da Internet, que está no Congresso”, diz. Em sentido oposto aos seus pares, contudo, Luca Luciani afirmou que a TIM não pretende concorrer com as OTTs, mas estabelecer parcerias com elas. “Não é nosso negócio ir para conteúdo, nosso negócio é oferecer boa conexão, seja via fibra, Wi-Fi ou o que for”, diz. A declaração do principal executivo da TIM surpreende por contrastar com o posicionamento de alguns dos principais concorrentes do País, como a Oi, Vivo/ Telefônica e Claro/Net/Embratel, que não querem ser meros “canos” (ou ‘pipes’, em inglês) e investem na consolidação e integração de suas operações convergentes. “Cada um tem sua estratégia. Não seria tão emocionante se todos seguissem o mesmo caminho”, ironizou Luciani. Investimento Para o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, há um regime especial de tributação a ser encaminhado à presidenta Dilma Rousseff, que prevê isenção 24 Teletime out_2011

FOTO: arquivo

ção das transmissões das TVs analógicas, os representantes do setor de telecomunicações acreditam que quanto antes esse debate acontecer, melhor. “Temos que ser realistas. Perdemos cinco anos de investimentos em banda larga. O executivo precisa ter um papel de mediador ativo, ou vamos perder mais cinco anos”, diz o diretor de assuntos regulatórios da Ericsson, Ricardo Tavares. Já Frederico Nogueira, vice-presidente da Band, obviamente discorda das colocações. Para ele, há outras destinações possíveis para a faixa, como a utilização para rádio AM. “Não há solução tecnológica para o rádio AM, que hoje está morrendo”, diz ele, lembrando que há anos a Band propõe que a faixa de 700 MHz seja usada para resolver o problema das emissoras. Já Leila Loria, diretora de assuntos institucionais da Telefônica, aponta para o caminho da conciliação. Para ela, existe a possibilidade de transferência de recursos da venda da faixa para acelerar a migração para a TV digital. Mas a executiva também fez uma provocação: “telecom paga por espectro, o que não ocorre com a radiodifusão”. Nogueira rebateu: “Nós não pagamos pelo espectro mas prestamos serviço gratuitamente, com qualidade”. Para o ex-deputado Jorge Bittar, hoje secretário da Habitação do Rio de Janeiro, é necessário que a escolha do Brasil seja a opção do resto do mundo, já que a harmonização de frequências é vital para a indústria. “O mundo usa o 700 MHz para a banda larga. Eu acho que a gente deveria pensar seriamente nisso”, diz ele. Segundo Maximiliano Martinhão, secretário de Telecomunicações do Minicom, a faixa não está ainda harmonizada mundialmente e por isso não é preciso nenhum tipo de precipitação no debate. Apenas nos EUA ela foi usada para a banda larga. Ainda faltariam as posições da Europa e da Ásia. Vale lembrar que o modelo brasileiro para a alocação de frequência vem seguindo historicamente o modelo europeu.


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.:ponto&contraponto

Da voz ao vídeo

A

presidenta Dilma Rousseff sancionou e o Diário Oficial publicou no começo de setembro a Lei 12.485/11, derivada do PLC 116, que cria o novo ordenamento legal da TV por assinatura e o Serviço de Acesso Condicionado (SeAC). Na prática, a lei dará respaldo a uma situação de fato, que é a presença das operadoras de telecomunicações no serviço de vídeo (TV paga). À exceção da Sky e de pequenas operadoras independentes, a maior parte das operações atuais é ligada de alguma forma a um dos grupos de telecomunicações atuantes no País e na região (América Latina). Com a lei, serão consolidadas as operações da Net/Embratel e TVA/Telefônica, enquanto Oi e GVT ficam também liberadas para prestar o serviço de TV a cabo. As operações ligadas à Telmex, Net e Embratel, saem na frente nesta corrida. E com grande vantagem. Suas operações, hoje separadas, de cabo e DTH, somam quase 7 milhões de assinantes (perto de 5 milhões da Net e 2 milhões da Via Embratel), ou 60% do total nacional (de 11,2 milhões de lares assinantes). Além disso, carregam grande expertise no negócio, e já oferecem, no caso da Net, serviços avançados, como o VOD (vídeo on-demand). As demais operadoras de telecom, por sua vez, terão ainda que fazer pesados investimentos em rede terrestre se quiserem competir de verdade no mundo do triple play. Mas fazer TV por assinatura envolve muito mais do que deitar fibras e cabos coaxiais e emitir faturas. Trata-se de mexer com um insumo de características bem diferentes daquelas dos produtos tradicionais de telecom, como a voz e a banda larga. Bemvindos, senhores operadores, ao complicado mundo do conteúdo. Estabilidade Tecnicamente, o vídeo exige uma confiabilidade muito maior do que os demais serviços. O usuário tolera uma chamada derrubada no celular, mas não uma interrupção da TV no horário da novela. As exigências também passam a ser de outra ordem de complexidade. Os call centers precisam estar preparados para queixas sobre as repetições de filmes, as propagandas, os erros nas legendas, assuntos que muitas vezes não são nem mesmo de responsabilidade do operador, mas pelos quais ele tem que responder.

Mas o mais complexo é entender e se adaptar à lógica dos acordos de programação. Muitas vezes, novos operadores se propõem a reinventar o mercado, atender a velhas demandas dos assinantes, como o fim dos pacotes e a adoção da venda de canais à la carte, mas se deparam com uma realidade de mercado bem diferente, estabelecida em todo o mundo, que torna proibitivos os preços dos canais avulsos, caso não sejam vendidos nos pacotes atuais. É cada vez mais difícil um operador se diferenciar pela oferta de conteúdos, pois os pacotes acabam ficando todos muito parecidos entre as operadoras (até porque nenhuma programadora vai oferecer a um entrante condições melhores do que as que já oferece a seus clientes tradicionais). A diferenciação tem que se dar na tecnologia, na qualidade e no serviço. Outra questão, que nasce também no bojo da Lei 12.485, é a das cotas de programação nacional e independente. Lembrando: ao final do período de transição, cada canal qualificado deve oferecer um mínimo de 3,5 horas de produção nacional por semana, sendo 50% de produção independente. Essa é uma cota que afeta sobretudo as programadoras, que terão que fazer esse investimento na produção própria. Mas há também a cota de pacotes. Um em cada três canais de um determinado pacote tem que ser nacional. E aí o calo que aperta é o das operadoras. Não existem hoje canais suficientes em oferta no mercado para atingir esta cota, o que implica a redução do número total de canais ofertados (ou seja, terão que cortar canais internacionais para manter a proporção) ou uma exceção regulatória temporária que terá que ser negociada. Além disso, é importante ter em mente os custos dos canais nacionais. Qualquer operador de TV paga sabe que um canal nacional de qualidade é mais caro do que um canal estrangeiro, por uma razão simples: escala. Não basta dizer “eu apoio a indústria audiovisual nacional” se a conta não fechar para o assinante, e essa negociação entre os novos operadores e os novos produtores está apenas começando. Vale lembrar que a nova legislação prevê recursos da ordem de R$ 660 milhões para incentivar a produção audiovi-

sual, o que é muita coisa, mas certamente esses recursos não serão aplicados integralmente no mercado produtor, já que o governo precisa do contingenciamento de investimentos para manter o superávit de suas contas. Outro desafio a ser enfrentado é a pirataria. Embora exista a figura do “gato” também na telefonia, no caso da TV por assinatura este é um grande dreno de receitas e uma dor de cabeça constante. Há desde a pirataria do próprio assinante, que puxa pontos extras dentro de casa sem pagar nada, até a pirataria organizada, que consegue quebrar os códigos dos sistemas de acesso condicionado e vender set-tops “liberados”, que pegam todos os canais “de graça”. Isso para não falar na pirataria de conteúdo na forma de DVDs e troca de arquivos de Internet que muitas vezes acabam tirando dos operadores de TV paga a prerrogativa de serem os primeiros a entregarem o tão comentado capítulo inédito de determinada série ao assinante, por exemplo. O maravilhoso mundo da TV por assinatura terá ainda uma característica única daqui para frente que se aplicará aos antigos e também aos novos players que vierem a entrar nesse mercado: uma regulação feita por duas agências. Para evitar surpresas, operadores do SeAC deverão estar atentos ao que sai dos escritórios da Ancine (que por sinal tem sede no Rio, para quem não sabe). É mais uma parte do Diário Oficial a ser lida, mais reguladores a serem conhecidos, mais uma lógica regulatória a ser entendida e mais advogados a serem contratados. Enfim, o novo marco legal da TV por assinatura terá agora que ser cumprido por todos, sem direito a testes ou ajustes. Os desafios desse setor já eram muitos, e ficaram mais complexos. Para muito além do discurso convergente, agora é preciso colocar em prática o que até agora era apenas teoria. Estamos certos de que não faltarão desafios e oportunidades nesse cenário que se abre. Boa sorte a todos! 

fazer TV por assinatura envolve muito mais do que deitar fibras e cabos coaxiais e emitir faturas.

26 Teletime out_2011

* André Mermelstein é editor da Revista TELA VIVA. A coluna de Cláudio Dascal não foi publicada esse mês em caráter excepcional, mas retorna na próxima edição.


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Revista Teletime - 148 - Outubro 2011  

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