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Ano 14

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abr2011

www.teletime.com.br

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Como o Brasil está se preparando para as ameaças que podem afetar redes e sistemas de telecom

guerra cibernetica ENTREVISTA Roberto Lima, da Vivo, explica como as operadoras móveis ajudariam nas políticas públicas

REGULAmentaÇÃO Reversibilidade dos bens é um problema avaliado em mais de R$ 20 bilhões. E agora?


Presidente Rubens Glasberg Diretores Editoriais André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski

Editor Samuel Possebon Consultor Especial Cláudio Dascal Coordenadora de Projetos Especiais Letícia Cordeiro Redação Daniel Machado, Fernando Paiva (Rio de Janeiro), Helton Posseti, Letícia Cordeiro e Mariana Mazza (Brasília) Arte Edmur Cason (Direção de Arte); Rubens Jardim (Produção Gráfica); Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica); Débora Harue Torigoe (Assistente); Alexandre Barros (Colaborador); Bárbara Cason (Colaboradora) Departamento Comercial Ivaneti Longo (Assistente) Gerente de Circulação Gislaine Gaspar Marketing Elisa Leitão Gisella Gimenez (Assistente) Gerente Administrativa Vilma Pereira TELETIME é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 603 - CEP: 01243-001 - Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910 - São Paulo, SP. Sucursal SCN - Quadra 02 Bloco D, sala 424 – Torre B - Centro Empresarial Liberty Mall - CEP: 70712-903 - Fone/Fax: (61) 3327-3755 - Brasília, DF. Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A CENTRAL DE ASSINATURAS 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira Internet www.teletime.com.br E-mail assine@convergecom.com.br REDAÇÃO (11) 3138-4600 E-mail cartas.teletime@convergecom.com.br PUBLICIDADE (11) 3214-3747 E-mail comercial@convergecom.com.br

Instituto Verificador de Circulação

Samuel Possebon

FOTO: arquivo

.:Editorial

samuca@con­ver­ge­com.com.br

A cor do gato

“N

ão importa a cor do gato, desde que ele cace o rato”. Com essa frase, utilizada pelo líder chinês Deng Xiaoping para justificar os benefícios da abertura econômica da China na década de 70 a despeito dos princípios do comunismo, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, tenta justificar a negociação com as empresas concessionárias de telefonia fixa para que elas cumpram o papel de massificar a banda larga, em lugar do projeto estatal original de fazer isso pela atuação direta e indireta da Telebrás. Ao priorizar a solução de mercado, o governo toma um rumo diferente de quando o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) foi lançado, no final de 2009. A questão que se coloca é se a cor do gato, de fato, importa. Ou, deixando as metáforas de lado, se massificar a banda larga pelo mercado ou por meio de uma empresa pública dá no mesmo. Essa discussão passa pela essencialidade da banda larga. A figura do serviço público, só usada para telefonia fixa, tem um princípio jurídico bem estabelecido na Lei Geral de Telecomunicações, que prevê a universalidade, a prestação continuada e garantida pelo estado, e o estabelecimento de tarifas. Desde 2009, quando o PNBL se tornou política do governo, estava claro que ele não seria baseado em um serviço público, tanto que só se falava em massificação, e não em universalização. Mas tinha nuances de serviço público, pois seria baseado em uma empresa pública (a Telebrás) que “regularia” o mercado pelo mercado, criando competição, estabelecendo parâmetros de qualidade e forçando a redução de preços ao consumidor. Em uma segunda etapa, o PNBL contaria ainda com as metas de universalização impostas a concessionárias do serviço público de telefonia para a criação de uma infraestrutura (backhaul) de banda larga em todos os municípios. Foi aí que tudo azedou: as concessionárias alegaram que o serviço de STFC se restringe à telefonia, não Internet. O governo recuou e, ao retirar as metas de banda larga das obrigações contratuais, deu razão às empresas. Além disso, de maneira ainda não muito explicada, optou-se por deixar a Telebrás em segundo plano. Estabeleceu-se que as negociações com as concessionárias iriam até o final de abril, e agora, a pedido da presidenta Dilma, ficou para o final de junho a conclusão abr_2011 Teletime 3

das conversas. O governo espera conseguir das empresas o compromisso de, na esfera do serviço privado, oferecer planos de banda larga de 1 Mbps a R$ 35 (ou R$ 29 sem impostos). Em troca, sinaliza com a cessão gratuita das frequências necessárias na faixa de 450 MHz para a oferta rural, “aceitará” a liberação contratual para a oferta de TV a cabo e pode até incluir uma redução na interconexão com a rede móvel (o que certamente gerará protestos de quem não está na mesa de negociações, como é o caso das móveis). O problema dessa nova forma com que o governo decidiu caçar ratos é que ela parece estar restrita a uma questão de velocidade e preço. E sendo a banda larga parte de uma política de governo, isso parece pouco, inclusive em relação ao discurso por trás do plano original de 2009. Não se falou até agora em exigir das empresas compromissos de qualidade nessa oferta privada de Internet; não se falou do destaque que será dado a essa oferta e do esforço de venda que será feito para que a população conheça esses planos; não se falou sobre a aplicação ou não de princípios de neutralidade e livre acesso à rede; não se falou sobre o que acontecerá quando o mercado chegar naturalmente nesse patamar de velocidade e preço; e não se falou em compromissos de investimento em infraestrutura. E se os compromissos não forem cumpridos, se faz o que? A impressão que dá é que o governo se viu em uma mesa de negociação sem ter o que oferecer ou como pressionar o outro lado. Não pode usar o Fust porque as necessidades de superávit da União impedem; não conseguiu (ou não quis) colocar a Telebrás em uma posição de pressionar as empresas privadas; a liberação da oferta de TV a cabo é complicada juridicamente; e mexer com a VU-M cria um problema mais sério para as móveis. Ainda vemos uma carta a ser jogada: a questão dos bens reversíveis das concessões de STFC. Trata-se de um tormento de mais de R$ 20 bilhões que incomoda tanto governo (ineficiente no acompanhamento dessa obrigação legal, como mostra reportagem nesta edição), quanto empresas (que sabem que isso é uma bomba-relógio que estourará, inevitavelmente, em 2025, ao fim das concessões atuais). Não se sabe se esta carta será usada, mas pode ser um caminho para não ficar dependente apenas da vontade do gato.


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w w w . t e l e t i m e . c o m . b r

Ano 14 | Abr11

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CaPa

6 Guerra cibernética

Ameaças do mundo digital passam a ser uma das principais preocupações da estratégia militar brasileira.

EntrEvista

12 De olho vivo

O presidente da Vivo, Roberto Lima, diz que para a empresa desafios como telefonia rural, banda larga popular e cobertura de cidades de baixa atratividade econômica são uma oportunidade.

12

17

EsPECial dE rEdEs

Os gargalos, as novas demandas de investimento e o cenário evolutivo das infraestruturas fixas e móveis.

HandsEts

17 Alma do negócio

O mercado de smartphones e tablets torna-se a nova fronteira para os fabricantes de microprocessadores, que já estão se tornando tão poderosos quando os chips de computadores de mesa.

rEgulamEntação

22 Dinheiro no ralo

Defesa da flexibilização do controle dos bens reversíveis ganha força na Anatel e no Executivo. Mas mudança de regras equivocada pode gerar prejuízo bilionário.

22

26

tiCs

26 Não, obrigado

Para as teles, serviços em cloud computing são para o futuro. Escala e disponibilidade, segundo elas, ainda são desafios imediatos. Telefônica inova e lança soluções e-cloud.

Errata Ao contrário do informado na matéria “Mercado em curto” da edição de março, o investimento na ampliação do laboratório de baterias de grande porte do CPqD não contou com participação de fundos ou instituições governamentais.

Editorial 3 | Produtos 28 | Ponto & ContraPonto 30 ilustração dE CaPa: editoriA de Arte/coNverge

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.:capa

Daniel Machado

daniel@convergecom.com.br

Guerra cibernética

Governo brasileiro anuncia investimentos em estrutura de defesa contra ataques digitais e define a área como um dos pilares de sua política de segurança nacional. Anatel prepara mapeamento da infraestrutura, mas ainda há muito a ser feito.

O

FOTOS: divulgação

Brasil está se preparando para uma guerra. Sem tiros, ataques terrestres e aéreos, sem bombardeios, mortes e derramamento de sangue. Neste tipo de combate, a munição é virtual, o território é digital e os disparos são eletrônicos. Os alvos, o sistema bancário, as redes elétricas e de telecomunicações, refinarias de petróleo e outras infraestruturas críticas dos países. Trata-se de uma guerra cibernética, na qual computadores são utilizados como armas e engenheiros e especialistas em tecnologia atuam como soldados que usam como armas vírus digitais, worms, cavalos de Troia (trojans) e ataques de negação de serviço (DoS) capazes de se disseminar via Internet e derrubar servidores, atacar engrenagens civis, administrativas, políticas, financeiras e industriais do país oponente. Pode parecer um cenário de ficção científica, mas o risco é real. Tanto que o governo brasileiro criou, em agosto de 2010, o Núcleo de Defesa Cibernética (Nu CD Ciber), comandado pelo Exército. Trata-se do departamento responsável por coordenar e integrar as estratégias de defesa cibernética do país nos níveis político-estratégico, operacional e tático. O núcleo trabalha em parceria com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), do Ministério da Justiça, que atua no âmbito da segurança nacional e monitora a infraestrutura crítica do país. Outra iniciativa que objetiva dar alguma preparação em relação às ameaças existentes às redes de telecomunicações faz parte do Plano Geral de Atualização da Re­­gu­­la­­men­ta­ ção (PGR), da Ana­­tel. Trata-se da Ação V. 23 das metas de curto prazo (que deveriam ter sido concluídas até o final do ano passado). Este item estabelece a realização de estudos e adoção de medidas para proteção da infraestrutura nacional de telecom contra falhas e ataques de guerra cibernética. O

passado, a Anatel informou a conclusão da metodologia de identificação e mapeamento da infraestrutura crítica de telecomunicações do país, além da criação de um cenário ideal e diagnóstico dessa infraestrutura.

trabalho dispõe de três etapas: proteção de infraestrutura crítica de telecom; regulamento de interrupções sistêmicas do STFC; e segurança e proteção da infraestrutura nacional de telecom do Sistema Rede Nacional de Fibras Ópticas (Renaf). Segundo o último balanço do PGR, o Sistema Nacional de Fibras Ópticas, destinado a mapear a infraestrutura vulnerável de telecomunicações, estava com pouco mais de 20% dos trabalhos concluídos. Em palestra realizada sobre o tema em setembro do ano

Infraestrutura De acordo com o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), infraestruturas físicas são as “instalações, serviços e bens que, se interrompidos ou destruídos, provocarão sério impacto social, econômico, político, internacional ou à segurança nacional” (portaria nº 2, GSI-PR, 2008). Essas estruturas envolvem os setores de comunicações, energia, águas e transporte. A Anatel é parte do Subgrupo Técnico de Segurança de Infra-estruturas Críticas de Telecomunicações (SGTSIC Telecomunicações), cujos objetivos são “propor a implementação de medidas e ações relacionadas com a segurança das Infraestruturas Críticas (IEC) na área de telecomunicações”, sendo consideradas infraestruturas críticas as que que possam afetar, de forma direta ou indireta, a operação do setor. Um dos episódios listados pelo GSI como ameaças é, justamente, a pane do serviço Speedy, da Telefônica, em 2008 e 2009. É com esse tipo de problema, e também com questões de vulnerabilidade externa, que o GSI está preocupado. As etapas do trabalho do grupo são complexas e, segundo apurou este noticiário, ainda estão em fase muito inicial, por conta da burocracia interna do próprio governo e de decisões que precisam ser tomadas pelos ministérios afins. O GSI, vale lembrar, coordena os grupos de infraestrutura

“Não acho ruim falar sobre guerra cibernética. Vivemos em uma geração cada vez mais digital e, se não houver preocupação hoje, quando precisarmos não estaremos preparados Jorge Fernando Krug Santos, do Banrisul 6 Teletime abr_2011


crítica não apenas em telecomunicações, mas em vários setores, como energia, petróleo, transportes, barragens e até mesmo radiodifusão e Correios. Fazer com que todos tratem com a mesma prioridade os riscos que essas áreas podem representar ao Brasil em caso de vulnerabilidades não é tarefa simples. No caso do subgrupo de telecomunicações, a portaria do GSI que o instituiu prevê: I - pesquisar e propor um método de identificação de IEC; II - identificar as IEC; III - levantar e avaliar as vulnerabilidades das IEC identificadas e sua interdependência; IV - selecionar as causas e avaliar os riscos que possam afetar a segurança das IEC; V - propor, articular e acompanhar medidas necessárias à segurança das IEC; e VI - estudar, propor e implementar um sistema de informações que conterá dados atualizados de IEC para apoio a decisões. Segundo fontes ouvidas pela TELETIME, o primeiro item é o que pode ser considerado cumprido, ou seja, já existe um método para avaliar as infraestruturas críticas em telecom. A partir de agora, há um trabalho de coleta de dados junto aos operadores, para só depois começar a análise de onde estão as vulnerabilidades e propor as linhas de ação. Ainda não há uma data certa para a conclusão dos trabalhos, e as informações ainda são tratadas com total sigilo tanto pela Anatel quanto pelo GSI. Núcleo cibernético Do outro lado, o chefe do Nu CD Ciber, o coronel Luís Gonçalves dos Santos, salienta que as Forças Armadas já contavam com uma ação de defesa digital sendo preparada desde a década de 80, por meio do Centro de Tratamento de Incidentes de Redes. A criação do núcleo, porém, trouxe a governança necessária para tornar esta uma das áreas de atuação fundamentais do Exército. “Resolvemos priorizar o setor cibernético. Em agosto começamos com cinco militares, hoje são 20 e até o final de 2011 serão 40, a grande maioria versada em proteção de redes”, revela. “Muitos desses especialistas em engenharia de computação, diz ele, têm sido enviados a países como Estados Unidos, Israel, Alemanha, Inglaterra e França para atualização e contato com as últimas tendências e tecnologias de proteção cibernética”. O coronel Gonçalves garante que está havendo também, por parte do governo, um considerável aumento de investimentos financeiros no Nu CD Ciber, porém

“Ataque cibernético é ficção, teoria da conspiração, um termo exagerado” Felix Ximenes, do Google

não cita valores por “questões estratégicas”. Ele adianta também que dentro dos próximos meses o Nu CD Ciber passará a ser chamado Centro de Defesa Cibernética e ganhará ainda mais importância, passando para a responsabilidade direta do general José Carlos dos Santos. “O Ministério da Defesa resolveu colocar a defesa cibernética como um de seus pilares estratégicos, por isso estamos tendo esse salto qualitativo”, explica o coronel. No final do ano passado, o exército brasileiro celebrou parceria com a Panda Security, empresa de segurança da informação de origem espanhola. O contrato prevê o fornecimento de 37,5 mil licenças da plataforma de segurança da empresa para todos os doze centros de telemática e 600 unidades operacionais do exército espalhados pelo país. Além de suporte técnico, treinamento, instalação, preparação de novos usuários e prevenção, detecção e resolução de códigos maliciosos em um prazo máximo de 24 horas. O chefe do Nu CD Ciber diz que o exército está investindo no que há de mais avançado no mundo em termos tecnológicos e não deve parar por aí. “Estamos trabalhando com um sistema

Ameaças do ciberespaço Adware 2,27%

Backdoor 1,89%

Spyware 0,08%

Worm 7,77%

Cavalos de Troia (Trojan) 69,99%

Vírus 16,82%

Fonte: Panda Labs

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de cibercomputação de alto desempenho, que opera em petaflops (medida de velocidade equivalente a mil trilhões de cálculos por segundo)”, diz. O próximo passo, segundo ele, é a produção em médio prazo de cibercomputadores voltados a isso. E, no final do ano, será realizado o primeiro exercício de simulação de guerra cibernética no país. Para a atualização de sua estratégia de defesa cibernética, o Nu CD Ciber atua também em parceria com a Marinha do Brasil e com a Força Aérea e realiza reuniões periódicas com representantes de centros de excelência tecnológica e acadêmica, além de empresas da iniciativa privada, como operadoras de telecom e instituições financeiras. Defesa ativa Segundo o coronel Gonçalves, “do Barão do Rio Branco até os dias de hoje” o Brasil não conta com uma tradição expansionista e de ataque aos demais países, o que, de acordo com ele, se reflete na estratégia de defesa cibernética. “Não é perfil de nossas relações internacionais, não temos esse vetor de ataque e de invasão”, diz. Mesmo diante da hipótese de o país sofrer um ataque cibernético, o coronel garante que é possível pôr em prática uma estratégia de “defesa ativa” sem burlar a legalidade. “Não gostaria de citar como, mas estamos preparados para lançar mão de ferramentas cibernéticas pró-ativas que defendem nosso sistema sem a intrusão na infraestrutura do oponente”, revela. Apesar da tradição nacional de paz, o coronel Gonçalves salienta que o Brasil só é um país pacífico por manter sua capacidade de dissuasão. “A paz é conquistada e mantida por estarmos preparados para que ela não seja rompida”, diz o líder do Nu CD Ciber, que garante que o país está entre os mais avançados do mundo na capacidade de defesa cibernética. Ele não acredita na possibilidade de uma terceira guerra mundial apoiada por infraestruturas cibernéticas, como profetizam alguns especialistas. “Acho isso muito difícil. Não acredito mais em coligações, eixos e coisas desse tipo. Há desavenças entre países, mas são questões e batalhas pontuais”, analisa. Ilusão Se o tema guerra cibernética é levado a sério pelo governo, em algumas empre


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sas essa história não passa de ilusão. É o caso do diretor de comunicação e assuntos públicos do Google no Brasil, Felix Ximenes. “Ataque cibernético é ficção, teoria da conspiração, um termo exagerado”, diz ele, citando o recente relatório “Redução do Risco Sistêmico de Segurança Cibernética”, da Organização para a Cooperação e Desen­ volvimento Econômico (OCDE), que atesta que “a maioria dos ataques de alta tecnologia descrita como atos de ‘ciberguerra’ não são merecedores deste nome”. Para Ximenes, os ataques de DoS contra o Google, Twitter e Facebook, que em 2009 ‘derrubaram’ estes websites por alguns minutos a partir de uma sobrecarga no sistema, não têm nenhuma relação com uma guerra entre China e Estados Unidos, como supõem alguns. “É uma visão catastrófica e especulativa demais essa coisa de guerras entre governos. Não sabemos se foi o governo chinês. E não fomos vítimas, pois ‘fechamos as portas’ assim que identificamos o ataque”, explica ele, que evita qualquer relação dessa ocorrência com a recusa do Google em manter filtros de buscas de questões críticas para o governo chinês. Um dos autores do relatório da OCDE, o professor da London School of Economics, Peter Sommer, afirma no estudo que “alguns especialistas não contribuem ao utilizar a palavra ‘ciberguerra’ para descrever a espionagem, a atividade dos hackers ou destruição de sites”. E vai além, sustentando que é “improvável a ocorrência de uma ciberguerra”. A questão é que parece não haver sequer um consenso entre os especialistas sobre a definição do termo “ciberguerra”.

“Há dez anos, era preciso jogar uma bomba em uma usina para retardar a construção de arma atômica. Hoje é possível fazer isso remotamente, de um computador” Eduardo D´Antona, da Panda Labs

Realidade Exagero ou não, em 2007 a Estônia foi vítima de uma série de ataques virtuais que afetaram jornais, sites de bancos, ministérios e até o parlamento, deixando o país em situação caótica. Para o governo estoniano, o autor dos ataques foi a Rússia, que teria agido em represália à remoção da estátua em homenagem a um soldado soviético da capital Talim. Em 2009, o jornal New York Times e o periódico francês Le Figaro publicaram reportagens sobre a batalha cibernética entre os Estados Unidos e o Iraque. Segundo os jornais, o Pentágono chegou a planejar um ciberataque para congelar as contas bancárias de Saddam Hussein a fim de deixá-lo sem dinheiro para adquirir equipamentos bélicos ou pagar soldados. Assim, o exército norte-americano teria sua missão de invasão ao Iraque facilitada. Seria uma estratégia de guerra cibernética com objetivo de apoiar uma guerra cinética (física). O plano só não foi levado a cabo por

Brasil: campeão de trojans

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egundo estudo da Kaspersky, em 2010 o Brasil foi o país mais infectado por trojans (cavalos de Troia) bancários. Cerca de 95% de todos os vírus desenvolvidos no Brasil têm a finalidade de roubar dados financeiros e bancários. De acordo com o levantamento, no Brasil é produzido aproximadamente 38% de todo o malware bancário do mundo. Nos demais países esse índice também é elevado. Relatório global do Panda Labs referente ao primeiro trimestre de 2011 coloca os trojans como o tipo mais popular de ameaças para sistemas computacionais, com 70% dos novos malwares. Nos três primeiros meses de 2011, o PandaLabs identificou uma média de 73 mil tipos de novos malware, dos quais a maioria eram trojans, um aumento de 26% de novas ameaças em relação ao mesmo período do ano passado.

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conta do receio de que a crise financeira se espalhasse em todo o Oriente Médio, gerando um problema mundial. Por conta destas e outras várias ocorrências, o que se vê em diversos países é uma verdadeira corrida armamentista cibernética. Estudo da empresa de segurança da informação norte-americana McAfee informou que já em 2007 cerca de 120 países desenvolviam projetos de ciberguerra. Em meados de 2009, para proteger as redes oficiais e privadas dos constantes ataques cibernéticos, o presidente Barack Obama anunciou a criação de uma agência federal focada na segurança tecnológica, parte integrante do primeiro escalão do governo norte-americano. Na ocasião, Obama falou que o “ciberespaço é um espaço real e um mundo do qual dependemos mais a cada dia”. O Reino Unido estabeleceu o OCSIA, Escritório de Garantia de Segurança Cibernética da Informação (em inglês, Office of Cyber Security and Information Assurance). Em 2005, a Europa instituiu a ENISA, Agência Européia de Rede de Informação e Segurança (em inglês, European Network and Information Security Agency) para, segundo a própria agência diz, “proteger a sociedade de informação européia”. Bem antes, em 1999, a China já se preocupava com a guerra cibernética. Reportagem do Financial Times da época trazia um artigo do Exército de Libertação Popular, da República Popular da China, sobre a necessidade do país em se preparar para uma guerra de alta tecnologia. Em estudo da Escola Superior de Geopolítica e Estratégia (ESGE), de Porto Alegre, denominado “Guerra eletrônica e informacional: Um novo desafio estratégico” é citado um texto do ex-embaixador em Cingapura, Amaury Porto de Oliveira, que aponta a intenção da China em dar “enorme ênfase ao domínio da tecnologia de fabricação de computadores, desde chips a circuitos integrados e toda a parafernália cibernética”. O relatório da ESGE informa também que desde 1997 um hipotético confronto bélico entre China e Estados Unidos já era previsto. Naquele ano, dois analistas


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.:capa americanos, Richard Bernstein e Stuxnet. O malware é consideRoss H. Munro, lançaram o livro rado o primeiro capaz de cau“The coming conflict with China”, sar danos no mundo físico, o no qual sustentam que China e que o torna uma ameaça sem Estados Unidos caminham claraprecedentes. Por este motivo, mente para uma guerra, que Eugene Kaspersky, fundador pode acontecer entre 2020 e e CEO da empresa de segu2030, quando o país asiático deve rança digital Kaspersky, dessuperar, em Produto Interno creve o Stuxnet como “a aberEugene Kaspersky, da Kaspersky Bruto, a nação norte-americana. tura da Caixa de Pandora”. A agência de estratégia e segu“Ele não foi criado para rourança Defesa Net alertou que a bar dinheiro, enviar spam ou E um hacker, é passível de ser China revisa constantemente sua política se apoderar de dados pessopreso ou até exterminado por desenvolver militar a fim de se preparar para essa ais. Ele foi desenvolvido para sabotar um vírus que derruba um sistema estratéprovável guerra, com grande foco em fábricas e prejudicar sistemas indusgico de um país? estratégias de ciberguerra. triais”, diz o especialista, que acredita No Brasil, ainda não há tal jurispruque o vírus “é uma arma que inaugura dência. O Projeto de Lei 84/99 (ver box) Guerra iminente a era da guerra cibernética e que levará que definirá as diretrizes para os crimes Segundo Eduardo D´Antona, diretor à criação de uma nova corrida armacibernéticos foi recentemente aprovado da Panda Security, falar em guerra cibermentista no mundo”. pelo Senado. No entanto, tem sido intennética não é exagero. “Acordou-se, perceO malware se aproveita de vulnerasamente questionado pela sociedade beu-se que realmente existe uma possibibilidades do Windows desconhecidas civil por conta de alguns artigos polêmilidade de ataque digital. Há dez anos, era até então e permite que hackers operem cos e se transformou em uma novela que preciso jogar uma bomba em uma usina equipamentos físicos de usinas de enerjá dura doze anos e não parece ter prazo para retardar a construção de uma arma gia elétrica, represas, sistemas de propara acabar. atômica. Hoje é possível fazer isso remotacessamento de resíduos e outras operaOutra questão é que no mundo digital mente, de um computador”, acrescenta. ções críticas, o que o torna extremao inimigo não tem rosto, ou seja, é muito Integrante de fóruns internacionais de mente perigoso. difícil identificar de onde vem o ataque. segurança digital e superintendente exeO inventor de tal ameaça permaneAté é possível verificar a origem no código cutivo da Unidade de Segurança de TI do ce, até hoje, desconhecido. Sem especudo malware, mas é uma tática comum banco Banrisul, Jorge Fernando Krug lar a identidade do autor do Stuxnet, entre hackers utilizar de sinais falsos para Santos concorda e reitera a tese de que o Kaspersky afirma apenas que “se trata confundir o oponente. Se aproveitando mundo está na iminência de uma guerra de um ataque sofisticado, apoiado por disso, alguns países colocam em prática a cibernética. “É o próximo passo. Por isso, uma equipe bem financiada, altamente chamada “terceirização do ataque”. não acho ruim falar sobre guerra cibernéqualificada, cujo trabalho só poderia Mesmo descobrindo que um malware tica. Vivemos em uma geração cada vez ser realizado com o apoio e suporte de partiu de um determinado país e rastreanmais digital e, se não houver preocupação algum país”. do o computador do hacker, como afirmar hoje, quando precisarmos não estaremos Por ter atingido uma usina nuclear no que o mesmo trabalha para o governo? preparados”, diz. Irã e sistemas industriais estratégicos da É muito fácil entender a razão do cresChina, o que se especula entre os especiaStuxnet cimento dessa nova modalidade de guerlistas é que o vírus pode ter sido patrociO melhor exemplo de um ataque ra no mundo. Uma guerra online é muito nado por Israel ou Estados Unidos. Nada cibernético de origem desconhecida é o menos onerosa do que uma guerra cinétidisso, porém, é oficial.  ca. Não necessita do desloca- mento de soldados, aviões, nem gasto com armamentos, munições, logística, ou até mesmo o desPL 84/99, aprovado no Senado e assinado, na forma de substitutivo, gaste emocional com as famípelo Senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG) é também conhecido como lias dos combatentes. “PL dos Cibercrimes”, por tipificar os crimes na internet. No entanto, Enquanto em uma guerra físialguns itens do texto têm gerado polêmica junto à sociedade civil, como a ca o gasto atinge a casa dos exigência de que os provedores guardem dados de acesso de usuários e os proprietários de LAN houses denunciem atividades suspeitas na Internet. bilhões, não é preciso tamaPor ser interpretado por muitos como um projeto intervencionista e nho investimento para o violador da privacidade, o texto ganhou o apelido de “AI-5 Digital” e desenvolvimento de um vírus está em trâmite em Brasília, aguardando novas intervenções. Já o poderoso ou até mesmo para Marco Civil da Internet, relatado pelo senador Eduardo Braga (PMDB/ a construção de um moderno AM), segue em elaboração pelo Governo Federal e em audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação centro de defesa cibernética. e Informação (CCT) e pretende traduzir os diretos do cidadão para o Além disso, no mundo virambiente da Internet para, posteriormente, avançar sobre temas tual a guerra é assimétrica e que impõem restrições ao seu uso, como a tipificação de crimes. sem regras. Um computador pode ser considerado uma arma?

“(O Stuxnet) é uma arma que inaugura a era da guerra cibernética e que levará à criação de uma nova corrida armamentista no mundo”

Ausência de jurisprudência

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.:entrevista

Samuel Possebon

samuca@convergecom.com.br

Os próximos passos

A

Vivo é a maior operadora de telefonia móvel do Brasil, com 62 milhões de clientes, sua marca prevalecerá no processo de consolidação com a Telesp e os resultados financeiros de 2010 foram os melhores da história. São razões de sobra para não precisar mudar. Mas a postura da operadora hoje não é exatamente a de que em time que está ganhando não se mexe. O que se deduz desta entrevista com Roberto Lima, presidente da operadora, é que a Vivo está disposta a inclusive assumir responsabilidades de oferecer acesso à Internet a baixo custo e levar telefonia rural e banda larga para as regiões sem atratividade econômica imediata. Desde que algumas condições sejam satisfeitas, como a manutenção das regras do jogo (entenda-se VU-M). Se algumas coisas mudarem para melhor, como os anacronismos tributários do Fistel, por exemplo, é possível até acelerar esse processo, diz Lima. Sobre a integração com a Telefônica, ainda há pouco a dizer, mas a constatação de que a Vivo é a operadora nacional do grupo dá algumas dicas do que deve acontecer. Como está a implantação da rede 3G da Vivo? Na primeira fase de implantação cobrimos em 18 meses 600 municípios. Na segunda fase, que pegou os seis meses seguintes, mais 600 municípios e agora estamos fazendo 4 municípios por dia para chegar a até 2,8 mil no final de 2011. Temos uma rede que permite acesso a 1 Mbps de transmissão, lançamos um plano de Internet pré-pago a R$ 9,90 com franquia de uso de 20 MB e velocidade de 1 Mbps. Passando da franquia, baixamos a velocidade mas ele continua usando. Não tem nada mais popular que isso, o usuário só precisa comprar o modem. É mais do que o governo está buscando das fixas. Isso é o que está garantindo a inclusão digital no Brasil, como o pré-pago para o telefone.

foto: divulgação

Roberto Lima, presidente da Vivo, fala sobre interconexão, banda larga popular, universalização do acesso no campo, migração tecnológica e espectro. E mostra poucas dúvidas sobre o futuro da empresa.

Roberto Lima, presidente da Vivo

Naquela ocasião havia a compensação da VU-M que ajudava o modelo. E que ainda é fundamental. Nós temos na base de pré-pago um número que varia entre 30% e 40% de clientes que não recarregam todos os meses. Então a única receita que o operador tem é a chamada entrante, é o que garante o custo de manter esse cliente, o número que reservamos para ele, um espaço no banco de dados, o uso de rede etc. Se a VU-M cai, esses clientes que usam pouco e recebem muitas ligações passam imediatamente a ficar no vermelho para nós, porque mesmo que ele não faça nada, eu pago R$ 27 de Fistel, de TFI, quando ele entra na base, e pago mais R$ 13 por ano de Fistel, TFF. Sem essa receita, eu não consigo manter o cliente.

Com o crescimento do tráfego on net, e você com uma base de 60 milhões de assinantes, a VU-M não se torna menos relevante? Não, porque o tráfego on net é bonificado, ele recarrega R$ 12 e recebe R$ 200 em crédito para falar dentro da rede, por isso o tráfego cresce. A receita de interconexão, que hoje é um terço das minhas receitas, é o que permite essa bonificação e, de alguma maneira, permite que os usuários usem a rede, se comuniquem e se incluam digitalmente. Se eu tiro essa receita, eu perco uso da rede. O que faz com que haja aumento nos minutos falados é o crescimento da base mas, sobretudo, a bonificação. Os usuários estão usando quatro chips ao mesmo tempo. Tanto é que o ARPU em 2010 caiu 10% e o tráfego cresceu 44%. É uma redução de preço brutal por minuto. A questão da VU-M é séria, tem que ser olhada pelo governo, pois o que permitiu a expansão da telefonia foi isso. João Maria de Oliveira

Olhando do ponto de vista das operadoras fixas, e hoje os grupos têm fixas e móveis, existe o revés de ter que pagar por isso. Sim, mas eles têm o benefício da assinatura básica para compensar. Criou-se a VU-M alta justamente para permitir às empresas móveis criarem a infraestrutura que têm. Infraestrutura que, diga-se de passagem, ainda é muito pequena. Temos 50 mil antenas, que é o que tem na Itália e na Espanha. Nós cobrimos os municípios, mas apenas a área urbana, e o Brasil precisa de cobertura na área rural. O número de antenas terá que ser quatro vezes maior, ainda mais com o tráfego de dados. Ainda existe uma necessidade de investimentos de pelo menos R$ 10

Ainda existe uma necessidade de investimentos de pelo menos R$ 10 bilhões por ano por parte das quatro empresas móveis.” 12 Teletime abr_2011


bilhões por ano por parte das quatro empresas móveis. E esse investimento se paga? Sim, nas regras do jogo atual. Se houver uma mudança nas regras, a capacidade de investir R$ 10 bilhões ao ano vai diminuir e voltaremos ao sistema de privilégio. As móveis vão investir onde tem alta densidade populacional. Quando vocês decidiram cobrir 2,8 mil cidades com 3G vocês admitiam que possivelmente nem todas as cidades seriam economicamente viáveis. Como está essa percepção depois de efetivamente levar o serviço até essas regiões? Existem os ganhos não econômicos e que são muito fortes. Já mostramos os exemplo em várias ocasiões, como o caso de Belterra/PA, em que invertemos essa lógica de só investir onde só há potencial econômico. Onde tem esse potencial econômico, já existe pelo menos uma oferta de Internet fixa e o 3G seria complementar. Quando vamos para o interior do Amazonas, Pará, para o sul da Bahia, para o interior do Piauí, nós é que estamos levando a Internet pela primeira vez. No caso de Belterra a Universidade Federal do Oeste do Pará fez um levantamento do que aconteceu um ano depois de levarmos a rede 3G. O que a gente sabia é que já haviam sido necessárias quatro ampliações da capacidade daquela antena por conta da demanda. Mas o que constatamos é que duas universidades abriram seus segundos campi em Belterra, o Instituto Butantã abriu uma unidade lá, a estrada que liga a cidade a Santarém foi asfaltada, 70% dos comerciantes declararam crescimento das vendas superior aos anos anteriores, 40% dos alunos já fazem pesquisas pela Internet, 20% dos alunos se matricularam em cursos de longa distância... Tudo isso por conta da infraestrutura. Não é benemenência levar a rede para aquela comunidade. Aquilo gera receitas até superiores à média de nossas antenas em grandes centros, onde eu tenho que buscar um adensamento muito forte para suportar tráfego sem aumento de receita. Aquela operação em Belterra é perfeitamente rentável, porque levamos desenvolvimento para a cidade. Isso se replica nas outras cidades? Porque existem 400 cidades no Brasil que são atrativas, mas as demais são

bem mais complicadas. Essa é a lógica que temos que quebrar, e foi isso que eu fui mostrar ao ministro Paulo Bernardo. Todas as cidades podem ser viáveis, porque demanda por Internet e telecomunicações existe em qualquer lugar. Pode não ser viável no primeiro mês, no primeiro momento, mas nos momentos seguintes a gente começa a capturar um retorno mais interessante. Quem está levando esse desenvolvimento é o setor móvel, que precisa de linhas de transmissão e backhaul potentes e, com isso, consegue colocar a rede de acesso com muito mais facilidade. No modelo atual estamos conseguindo aproveitar todas as condições para

uma das questões é que se é a Telebrás que vai gerir as redes de transmissão de dados das elétricas, que faça isso com agilidade, porque isso garante que a gente conseguirá manter os investimentos em rede de acesso nessa região. Ou o governo deixa a gente fazer contrato direto com a detentora, ou a Telebrás faz logo o contrato com a gente. Não pode é ficar anos parado, como está, sem nenhuma possibilidade de negociação. A Oi é a única que conseguiu assinar nesse período. Essas linhas no Norte valem ouro, têm uma utilização mínima e poderiam nos dar mais liberdade para investir na rede de acesso e no backhaul. Se não tivesse a linha de transmissão disponível, a gente construiria, mas não dá para investir e depois eles liberarem o uso da rede, porque aí é jogar dinheiro fora. Fizemos uma rede de 21 mil km compartilhada, o que está nos ajudando muito foi um modelo ótimo, sem conflito, em que cada um é responsável pela construção e manutenção de uma parte. Na parte de ERBs, temos 75% dos nossos sites compartilhados hoje, o que também tem sido um sucesso.

A taxa de instalação do Fistel é o preço do aparelho em si, é cinco vezes o preço de um chip. Ou quatro meses a receita de um pré-pago de baixa renda.” fazer o investimento mais rápido. Você me pergunta se isso se pagaria em outro modelo, sem VU-M? Acho que sim, mas à custa de alguma coisa. Provavelmente uma redução na velocidade de implantação e crescimento da rede. Provavelmente expandiríamos apenas onde já estamos aumentando capacidade e conquistando mercado dos outros, não buscando mercados novos. Qual o percentual da base com aparelhos 3G que contrata um plano de dados? Já é algo acima de 70%, e crescendo. O que estamos fazendo é forçar a venda do plano de dados. Estimamos ter 45% dos planos de dados do mercado brasileiro, ou seja, das pessoas que têm os celulares e terminais e efetivamente contratam o acesso à rede de dados. Sempre fomos o segundo em receita média por assinante, atrás da TIM, e hoje estamos em primeiro. E isso mesmo com o ARPU de voz caindo. O que nos faz ficar em primeiro é justamente o tráfego de dados. O ARPU de dados cresceu 26% do quarto trimestre de 2009 para 2010. Ele representava 16% do ARPU total e passou a representar 21%. É possível crescer em dados com a capacidade de transmissão e backhaul atual? Pois é, no Norte temos crescido quase 40% ao ano e, inclusive coloquei isso para o ministro Paulo Bernardo, abr_2011 Teletime 13

Em setembro vocês desligam a rede CDMA. O que isso ensinou para as próximas transições tecnológicas? Olhando sob um aspecto mais técnico, fica claro que o CDMA tinha um uso do espectro muito mais eficiente e permitia mais clientes. Quando fomos para GSM perdemos essa vantagem e isso exigiu adensar a rede, o que significa fazer mais investimentos. O 3G é WCDMA, o que significa que volta a ter essa característica de eficiência. E para LTE mais ainda. O que aprendemos é que o GSM realmente tem baixa eficiência e que portanto, ir para 3G e 4G é fundamental para dar tranquilidade de espectro. Hoje, com o 1,8 GHz que compramos em dezembro e que deve estar com a rede montada até o segundo semestre, seremos uma rede multifrequência, com 850 MHz, 900 MHz, 1.8 GHz, 1.9 GHz e 2.1 GHz. Será uma rede bem robusta. O investimento em 3G demora muito para ser amortizado ainda? Todas as empresas ainda têm muito investimento a fazer, inclusive em frequências adquiridas no ano passado. Só


.:entrevista

Pois é, se o governo realmente ceder a faixa de 450 MHz para as concessionárias fixas para a cobertura rural, isso não seria um precedente para que se coloque essa discussão que você levanta? Usar o espectro como moeda de troca em torno de cobertura? Esse modelo deu certo em Portugal, onde há 100% de cobertura 3G por meio da troca de espectro por um plano de metas agressivo. A verdade é que o Brasil vive em uma luta em função do déficit fiscal e das necessidades de superávit, e esses recursos da venda de espectro fazem diferença para o governo. No 3G foram R$ 5 bilhões, o que é muito dinheiro. Mas na verdade as telecomunicações e o acesso à Internet tem uma implicação tão profunda no desenvolvimento do país, que eu acho que isso vale muito mais do que os R$ 5 bilhões. Se a Vivo tivesse gasto R$ 1,8 bilhão para comprar as frequências 3G, teria usado esse dinheiro para expandir para mais cidades mais rapidamente. Gastaríamos a mesma coisa, mas em bens e equipamentos. O governo tem esse entendimento? Ele teria condições de medir isso muito facilmente pela Receita Federal. Se existe um órgão eficiente no Brasil é a Receita, e é só comparar o aumento de arrecadação onde se levou telecomunicações em relação a outros sem isso. Certamente está arrecadando mais, porque sabemos que a economia está girando. As operadoras móveis há muito colocam a questão tributária para o governo e até hoje nada mudou. Vocês já desistiram de falar? Por que o governo não fez nada até hoje. O que vemos da parte do governo é uma busca de formas de estímulo a investimentos. O ministro fala isso, a presidente Dilma fala isso, todos têm isso como preocupação. O Fistel, nas duas modalidades (TFF e TFI), tem uma distorsão de

cipação, que as autoridades de meio ambiente me deixem montar as antenas, que o investimento possa ser, enfim, previsível. Eu não posso é contratar equipamentos e planejar e depois levar um ano para ter um direito de passagem ou uma licença do Ibama.

foto: divulgação

nós ,temos R$ 780 milhões de espectro para pagar, fora a rede de 1.8 GHz, que já está contratada. Para 2011 é isso que vamos gastar. Vamos ver como e quando vem a rede de 4G, se o governo vai insistir no modelo de vender as faixas de 2,5 GHz a preços elevados ou se ele vai fazer a cessão das frequências com obrigações de cobertura.

A cobertura da área rural poderia ser feita mesmo sem reduzir a carga tributária? Sim, mas obviamente a velocidade de cobertura das zonas rurais é muito maior se essas questões forem abordadas. Mas já estamos indo para a zona rural independente de qualquer coisa, e isso é inevitável. No oeste da Bahia, por exemplo, o que colocamos de Internet 3G está vendido, porque não existe opção por cabo naquela região.

origem, que é considerar cada aparelho como uma estação de origem. Fazia sentido quando custava US$ 10 mil um aparelho, mas hoje não se justifica essa estrutura. A taxa de instalação do Fistel é o preço do aparelho em si, é cinco vezes o preço de um chip. Ou quatro meses a receita de um pré-pago de baixa renda. Não faz sentido considerar um telefone celular como uma antena e arrecadar R$ 5 bilhões, que deveriam apenas cobrir o orçamento da Anatel de R$ 300 milhões. Acho que o governo está em um momento em que acredita que a Internet e as telecomunicações mudam a cara do país, e temos casos práticos disso. Estas distorsões tributárias poderiam ainda ser revistas.

As móveis não estão na mesa de negociação da cobertura rural e da banda larga... Não estamos, mas estamos mostrando ao governo que quem tem velocidade e cobertura é a telefonia sem fio. As fixas estão falando ainda em obter uma frequência para prestar o serviço com WiFi, WiMax... Só que ainda não existe equipamentos de recepção para essas tecnologias. Sabemos e aprendemos isso na troca do CDMA para GSM. Naquela ocasião, saia mais caro trocar todos os aparelhos CDMA do que fazer uma segunda rede. Lançamos a rede de GSM no começo de 2008, e três anos depois concluímos. Imagina trocar cada um dos 30 milhões de aparelhos daquela época pagando US$ 100 em média. Usar a rede móvel para a cobertura rural é aproveitar a infraestrutura existente e o parque de aparelhos existentes. Hoje 40% dos aparelhos vendidos são smartphones prontos para Internet, isso já está na mão do povo, vamos colocar as antenas.

Quando as móveis se colocam como responsáveis pela maior parte dos avanços nas telecomunicações nos últimos anos, não há o risco de cair sobre vocês a responsabilidade de fazer a universalização no campo e a banda larga rural? Isso para mim não é risco, é uma oportunidade, é tudo o que eu quero na minha vida, desde que eu tenha linhas de transmissão, ou possa construir as linhas com uma legislação de direitos de passagem que me permita planejar com ante-

O fato de vocês operadoras móveis terem vínculos com operadoras fixas, pelo menos no caso da Vivo, Claro e Oi, não cria um constrangimento na hora de se colocarem como parte de uma política pública de universalização da voz e do serviços de dados? Sem dúvida qualquer exposição pública nossa sempre tem que ser vista nesse contexto de empresas que atuam em várias frentes. Quando aqui na Vivo éramos apenas uma joint venture, eu não podia deixar de defender

através da telefonia móvel podemos fazer a inclusão digital de forma muito mais acelerada do que se ele (GOVERNO) contasse apenas com a telefonia fixa".

14 Teletime abr_2011


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.:entrevista

O Brasil ainda é dos mercados menos rentáveis para telefonia móvel, como vocês costumavam colocar há alguns anos? O Brasil é um dos melhores mercados do mundo pelas taxas de crescimento que pode oferecer, pelo fato de ter incluído uma classe C, D e E e com boa gestão dá para fazer uma operação com qualidade, alta cobertura e resultados financeiros admiráveis, mesmo em patamares internacionais. No ano passado a TIM tomou a iniciativa de estimular o tráfego, com os planos em que apenas o primeiro minuto de ligação é cobrado. O que isso muda no mercado e na vida de vocês? É um caminho a ser perseguido? Sem dúvida. A TIM teve a oportunidade de fazer isso após a compra da Intelig, quando conseguiu contar com um backhaul próprio e deixou de comprar links para fazer sua longa distância, soube aproveitar isso e fez o mercado todo se movimentar. Nosso modelo pré-pago hoje dá bonus para ligação de longa distância também, e quem ganha com isso é o consumidor. Mais uma vez foram as telecomunicações móveis colocando um serviço à disposição do consumidor para conectar pessoas que vivem distantes. A TIM começou o processo e todos acompanharam, e hoje estamos dando longa distância a custos baratíssimos, às vezes com bônus, a custo zero. Mudou para melhor o quadro competitivo. Mas esse novo modelo causou perdas de longa distância, roaming... Mas aumenta o tráfego, o uso da

60% de penetração, a zona rural tem regiões com menos de 30% de penetração. Há muito espaço. No Distrito Federal há 140% de penetração, e há a redundância de chips por usuários. Provavelmente há 20% menos de pessoas do que acessos efetivos, então seriam uns 140 milhões de clientes.

foto: arquivo

a empresa porque tinha que proteger o minoritário e o outro acionista, por exemplo. Hoje a política interna tem outras variáveis, mas também é papel da nossa empresa mostrar ao governo que através da telefonia móvel podemos fazer a inclusão digital de forma muito mais acelerada do que se ele contasse apenas com a telefonia fixa. A Telefônica tem duas operações no Brasil: uma fixa, restrita a São Paulo, com 15 milhões de acessos, e outra nacional, móvel, com 62 milhões de acesso e com um crescimento de 12%. Os acionistas sabem disso, tanto que fizeram um investimento de 7,5 bilhões de euros para comprar 30% da Vivo.

A Vivo e a Telefônica passarão por um processo de consolidação. Como evitar que isso atrapalhe o ritmo de crescimento das empresas, da Vivo especificamente? No momento em que a Telefônica fechou a operação com a Portugal Telecom a orientação que recebemos foi uma só: foque no negócio. Essa orientação não mudou até agora e a minha gestão continuará sendo a de colocar foco no atendimento, no aumento da cobertura e nos resultados financeiros. Até aqui o que temos são só os aspectos positivos da sinergia, como a negociação conjunta com os parceiros da América Latina, temos acesso ao benchmark mundial de tecnologia da Telefônica. E vamos lembrar que só 30% dos negócios da Vivo estão em São Paulo, que é onde há sobreposição com a Telesp.

A TIM começou o processo e todos acompanharam, e hoje estamos dando longa distância a custos baratíssimos, às vezes com bônus, a custo zero. Mudou para melhor o quadro competitivo.” rede, a fidelidade do cliente, e mais do que isso, aumenta o valor do nosso negócio. Não existe Jirau sem telefonia celular. Quebraram todo o alojamento menos as nossas antenas, quatro aliás, que colocamos lá há quatro anos. A entrada da Nextel no SMP muda o que agora? Temos a nossa estratégia de satisfazer cada vez mais os clientes com cobertura, qualidade de serviço e atendimento. O quinto concorrente ao entrar no SMP vai começar a concorrer na mesma regra do jogo, o que não acontece com o SME. Vão remunerar a nossa rede da mesma forma, pelo full billing e não mais pelo bill-and-keep. Vai ter que fazer venda de aparelho, vender para indivíduos, ter lojas de atendimento, ter call center grande. Mas tem espaço, o Brasil está crescendo, colocou 31 milhões de acessos em 2010. Passando os 100% de penetração, como já aconteceu, o mercado brasileiro cresce para onde? Esse número de 104% engana, é uma média. O Maranhão ainda tem 16 Teletime abr_2011

A consolidação de sistemas, redes e gestão não atrapalhará esse processo? Só fará a gente trabalhar mais para que as sinergias venham adequadamente. A Vivo é uma empresa de oito anos que consolidou 14 operadoras diferentes que estavam embaixo de cinco holdings distintas, todas abertas em bolsa, e tudo foi feito sem maiores sobressaltos. A Vivo sabe se integrar. Já temos um relacionamento constante com os clientes, fornecedores, governo e imprensa, e o que temos agora é um aumento das boas relações com a Telefônica e com a Telesp, que são duas coisas diferentes. Telefônica foi quem comprou, e a Telesp é a operação que está aqui e de quem temos que ser extremamente parceiros, e eles também. Até agora o que estamos fazendo é olhar o mercado juntos, e já estamos encontrando muitas oportunidades no mercado corporativo, por exemplo, e estamos aproveitando a experiência de operadoras do grupo, como a  O2. Mas a Vivo é a Vivo.


.:Especial de redes O cenário evolutivo das tecnologias de redes móveis, as demandas por investimentos e capacidade de transmissão no backhaul e backbone, o crescimento das redes ópticas na última milha e as questões regulatórias que atrapalham o compartilhamento das infraestruturas. Saiba mais sobre estes e outros assuntos neste especial.

3 acessos móveis

Na cadência do mercado LTE no Brasil, por enquanto, só em laboratório. Já os primeiros serviços HSPA+ devem ser lançados pelas teles neste ano.

6 Infraestrutura

Reduzindo o gargalo Explosão do tráfego de vídeo e grande oferta de conteúdo em alta definição na web obrigam operadoras a investir mais em capacidade de backhaul e backbone.

10 ACESSOS FIXOS

Cada vez mais perto Teles fixas e de TVs por assinatura concordam que a fibra óptica no futuro dominará a última milha. A pergunta é quando isso acontecerá no Brasil?

13 Compartilhamento

Teles sem energia Resolução conjunta complica a vida das companhias de energia no compartilhamento da estrutura com as teles. Quem se estruturou antes da regra leva vantagem.


.:Especial de redes | acessos móveis |

Fernando Paiva, do Rio de Janeiro fernando.paiva@convergecom.com.br

Rumo à 4G Operadoras brasileiras começam seus testes em LTE e preparam entrada em operação da rede HSPA+. Backhaul é o grande gargalo

A expectativa é de que o LTE será a tecnologia móvel de mais rápida implementação da história no Brasil. Isso porque a maioria das estações rádio-base 3G vendidas para as teles desde o ano passado estão preparadas para operar nesse novo padrão, bastando apenas uma troca de software ou a inclusão de uma nova placa, além do pagamento pelo licenciamento aos fabricantes. Mas isso, naturalmente, custa dinheiro às operadoras, que ainda querem amortizar os investimentos feitos em 3G antes de dar No futuro, passos para a próxima geração. Com velocidade máxima de 100 Mbps, não será a tendência é de que o LTE seja usado sustentável inicialmente apenas para tráfego de dados. Sua cobertura, a princípio, deve se ter grandes limitar aos grandes centros urbanos, onde antenas há maior demanda por esse tipo de apliRoberto Falsarella, cação. Aliás, a primeira minuta de edital da Alcatel-Lucent da Anatel para as licenças de 2,5 GHz, colocada em consulta interna e antecipada por TELETIME News, exige que as cidades sede da Copa tenham 80% de sua área urbana coberta em um prazo de 12 meses após o leilão. Aquelas operadoras que tiverem sistemas IMS em suas redes (IP Multimedia Subsystem) poderão transportar as chamadas de voz via VoIP, na própria rede LTE, o que é conhecido como VoLTE (Voice over LTE). Porém, especialistas FOTO: divulgação

O

Brasil quer entrar na quarta geração (4G) de telefonia celular antes da realização da Copa do Mundo de 2014. Embora a Anatel ainda não tenha marcado a data do leilão de licenças em 2,5 GHz, espectro que será utilizado pelas redes dessa nova tecnologia, as operadoras brasileiras começaram a sondar os fabricantes de infraestrutura e a solicitar testes em seus equipamentos no padrão LTE (Long Term Evolution). Ao mesmo tempo, preparam o lançamento de serviços em HSPA+, o que deve acontecer no segundo semestre. Testes de LTE feitos até agora aconteceram em laboratório. O passo seguinte são os testes em campo, que devem acontecer ao longo deste ano. A primeira a se programar foi a Oi, que convidou Alcatel-Lucent, Huawei, Nokia Siemens e ZTE para os testes, que devem acontecer a partir de junho. Telefônica e América Móvil estão avaliando a tecnologia em suas matrizes, na Espanha e no México, respectivamente. É provável que a escolha dos fornecedores aconteça em âmbito global e não mais regional. Embora a TIM não confirme, há rumores de que ela faria testes de campo com LTE no Brasil este ano. Os testes locais são importantes para avaliar a integração da rede com os sistemas de tecnologia da informação das teles, como billing e CRM.

abr_2011 Teletime | especial de redes 3


.:Especial de redes | acessos móveis advertem que ainda é necessário resolver alguns problemas de handover, ou seja, na passagem de uma ERB para outra, especialmente quando de tecnologias diferentes. O mais provável é que as teles brasileiras prefiram a solução batizada de CSFB (Circuit Switch Fallback), que consiste em transportar as chamadas de voz pelos circuitos tradicionais das redes 2G e 3G, reservando LTE exclusivamente para dados. Vale lembrar que na rede 4G será possível estabelecer uma hierarquia de prioridade de tráfego, facilitando o lançamento de serviços móveis como videoconferências em alta resolução e transferência de arquivos pesados. A arquitetura das redes móveis como conhecemos hoje será transformada com a introdução do 4G. Nas grandes cidades, a tendência é que as teles optem por instalar Esperamos mais células de menor porte e com menor para evitar interferências conmanter o cobertura, gestionamentos, além de usar melhor o nosso share espectro. “No futuro, não será sustentável grandes antenas. É melhor trabalhar no Brasil ter com células menores”, sugere o gerente de no 4G produtos de redes móveis da Alcatel-Lucent, Alexandre Roberto Falsarella. Para isso, fabricantes Fernandes, estão oferecendo versões em miniatura de suas ERBs, da Huawei que podem ser instaladas até mesmo nas paredes de edifícios, sem demanda por grandes obras civis, mas ainda requerendo, claro, conexão com a Internet como backhaul. Na Alcatel-Lucent a solução foi batizada de “LightRadio” e apresentada durante o último Mobile World Congress, em Barcelona, este ano: é um cubo que cabe na palma da mão. A Ericsson tem uma solução parecida chamada “Air” (Antenna Integrated Radio unit), e a Nokia Siemens Networks também aposta nessa solução. Outra tendência é que as operadoras estimulem o uso de “femtocells” ou hotspots WiFi para desafogar o tráfego de dados em suas redes móveis, que vem crescendo a passos largos com a popularização dos smartphones. Janílson Bezerra Junior, responsável pela área de tecnologia da informação da TIM, contudo, alerta para um problema das femtocells: a baixa velocidade dos acessos fixos à Internet no Brasil: “Imagine uma femtocell de HSPA+, capaz de alcançar 21 Mbps, conectada a um acesso de 512 kbps?” Se nas cidades grandes o caminho é aumentar o número de sites, no interior do País as operadoras seguem em direção oposta. Neste caso, o que se busca é aprimorar o compartilhamento de infraestrutura. “Não é possível justificar o investimento de até cinco operadoras no interior. É como se fossem construídas cinco rodovias entre Rio de Janeiro e São Paulo, todas com pedágio”, comparou o diretor de inovação da Ericsson, Jesper Rhode. Cada vez mais as operadoras dividirão a chamada infraestrutura “passiva”, composta por terrenos

e antenas. O compartilhamento de backhaul e de backbone, por sua vez, já é uma realidade em alguns lugares. “Prefiro que as operadoras compartilhem o backhaul do que deixem de construir novas ERBs”, comenta o presidente da ZTE no Brasil, Eliandro Ávila. Em backbones de longa distância as parcerias são cada vez mais comuns e envolvem não apenas operadoras móveis, mas também as fixas. GVT, Claro, Embratel, TIM e Vivo, por exemplo, estão construindo juntas alguns trechos de um backbone de fibra óptica na região Centro-Oeste. “O objetivo é evitar a duplicidade de investimentos”, explica o diretor de planejamento e tecnologia de rede da Vivo, Leonardo Capdeville. Na camada de acesso, contudo, o compartilhamento de ERBs não deve acontecer tão cedo, na opinião de especialistas, por se tratar de um pedaço estratégico da rede, ainda que as ERBs (torres, fontes de energia etc) em si possam e já sejam bastante compartilhadas. HSPA+ Antes do 4G, o Brasil conhecerá uma tecnologia intermediária, conhecida como HSPA+, que utiliza o mesmo espectro do 3G e atinge velocidades de até 21 Mbps ou 42 Mbps (quando usadas duas portadoras simultaneamente). Uma das vantagens de o País ter recebido o 3G com atraso em relação às nações desenvolvidas é que a maioria das ERBs instaladas aqui estão preparadas para HSPA+, bastando uma troca de software, bem mais barata para as operadoras. As teles nacionais estão realizando testes e os lançamentos comerciais acontecerão no segundo semestre. Vivo e TIM confirmam que estudam o assunto. “Falta definir como empacotaremos os planos”, diz Capdeville, da Vivo. “O HSPA+ é o caminho natural de evolução das redes. Vamos lançar onde houver demanda, provavelmente nos grandes centros”, explica Bezerra, da TIM. A CTBC está em fase final de testes em dez sites de Uberlândia/MG com equipamentos da Huawei e deve ativar no segundo semestre sua rede HSPA+ em 21 Mbps. A explicação para o lançamento das redes HSPA+ só acontecer este ano, embora as ERBs estivessem prontas desde o 3G, é que faltavam terminais a preços competitivos para essa tecnologia. Isso mudou e hoje existe uma oferta a preços acessíveis de modems HSPA+ por parte da Huawei e da ZTE. Esta última, por sinal, realizou em abril a entrega do primeiro lote para uma operadora brasileira. O maior gargalo para a evolução das redes móveis no Brasil está no backhaul. Quando houve a migração para o 3G, as operadoras subestimaram o aumento no tráfego de dados e demoraram a aumentar a capacidade do backhaul, o que gerou congestionamento e muitas reclamações de consumidores. Para se ter uma ideia, um site 2G precisa em média de dois links E1s

Uma das vantagens de o País ter recebido o 3G com atraso em relação às nações desenvolvidas é que a maioria das ERBs instaladas aqui estão preparadas para HSPA+, bastando uma troca de software.

4 especial de redes | Teletime abr_2011


FOTO: DIVULGAÇÃO

de transmissão, o que significa aproximadamente 4 Mbps. No 3G, essa necessidade sobe para 10 E1s, ou 20 Mbps. No 4G, calcula-se que cada site requererá pelo menos 200 Mbps. Isso significa aumentar em dez vezes a capacidade média do backhaul atual das redes 3G. “O grande desafio das teles é que a receita com tráfego de dados não aumenta na mesma proporção dos custos para ampliação da capacidade da rede de transporte”, analisa Rhode, da Ericsson. Aos poucos, as operadoras brasileiras estão trocando antigos circuitos TDM por rádios IP, metro ethernet ou fibra óptica. Um rádio IP alcança em média 400 Mbps.

Competição Toda nova geração tecnológica de redes celulares representa uma oportunidade para novos entrantes. Durante a migração do 2G para o 3G, players tradicionais, como Nortel, Motorola e NEC, perderam espaço para Huawei e ZTE. Agora, a chegada do 4G proporciona uma nova brecha para alterar o equilíbrio de forças no mercado de infraestrutura móvel. Obviamente, os fabricantes que implementaram redes 3G levam certa vantagem, em razão da proximidade no relacionamento com as teles nos últimos anos. “Esperamos manter o nosso share no Brasil no 4G, porque vendemos uma rede de acesso unificada, que pode ser reaproveitada para LTE. Mas tudo dependerá da nossa competência para negociar a expansão”, comenta Alexandre Fernandes, CTO da Huawei no Rio de Janeiro. A fabricante chinesa tem aproximadamente metade do mercado brasileiro de redes 3G e contratos para fornecimento de ERBs com todas as operadoras que atuam no País. Sua principal concorrente em 3G é

a Ericsson, dona de uma participação significativa no mesmo mercado. No 4G, ambas enfrentarão concorrência árdua de Alcatel-Lucent, Nokia Siemens Networks e ZTE, dispostas a conquistar mais espaço. O preço, que foi um fator preponde- Não é possível rante nas escolhas das operadoras durante o 3G, talvez não seja tão pri- justificar o mordial no 4G. Segundo especialistas, investimento os players europeus estão conseguindo de até cinco baixar seus preços para patamares muito próximos daqueles praticados operadoras pelos chineses. Além disso, não dá no interior mais para ser agressivo em apenas um ou outro mer- Jesper Rhode, cado, como avisa Ávila, da ZTE: “Hoje as grandes da Ericsson operadoras estão tratando os contratos de suprimentos de maneira global.” São vários os argumentos usados por cada fornecedor para conquistar as teles. A Alcatel-Lucent, por exemplo, além da ERB em miniatura, oferece ferramentas de análise de tráfego, o que permite identificar que serviços os assinantes estão acessando e onde. A ZTE, por sua vez, afirma que sua solução em LTE gera menos custo operacional para as teles, pois tem consumo de energia otimizado, entre outras razões. A Huawei acena com a possibilidade de ajudar a operadora a abrir uma linha de crédito junto ao Chinese Development Bank (CDB), para financiar o investimento. A Ericsson e a Nokia Siemens possuem um extenso portfólio de serviços complementares à infraestrutura fornecida. A fase de testes de campo já serve como uma triagem. Mas os grandes vencedores só serão conhecidos depois do leilão de 2,5 GHz. 

os players europeus estão conseguindo baixar seus preços para patamares muito próximos daqueles praticados pelos chineses.

As variadas opções de espectro para LTE

A

guardar pelo leilão de licenças em 2,5 GHz não é a única alternativa para lançar serviços de quarta geração (4G) no Brasil. Uma possibilidade pouco falada é a reutilização da faixa de 1,8 GHz, hoje destinada ao GSM. Essa solução é conhecida como “refarm”. A Algar Telecom, por exemplo, pretende realizar testes nessa faixa no futuro, revela o coordenador de produtos da empresa, Aldebaran de Oliveira. O obstáculo para fazer o “refarm” de 1,8 GHz hoje no Brasil seria a necessidade de migrar os clientes GSM para 3G, o que iria requerer um alto gasto com subsídio de terminais. O mais provável é que as operadoras aguardem a conclusão natural dessa migração antes de procederem com o “refarm” de 1,8 GHz. Atualmente, apenas cerca de 10% da base de assinantes no Brasil têm terminais 3G. Outra faixa que pode ser utilizada no futuro para 4G é a de 700 MHz, atualmente nas mãos de radiodifusores. Em 2016, quando a implantação da TV digital estiver concluída no País, essa faixa poderá ser redistribuída para outros fins. Nos EUA, ela foi

destinada à banda larga. No Brasil, as operadoras móveis começaram a levantar essa discussão, com o intuito de pressionar o governo a seguir o mesmo caminho norte-americano. “Será uma lástima se o Brasil não destinar a faixa de 700 MHz para serviços móveis. Ela é ótima para prestar banda larga móvel em áreas rurais. E o Brasil ainda tem uma baixa penetração de acesso à Internet de alta velocidade”, argumenta Erasmo Rojas, diretor da 4G Américas. Em outros países da América Latina há testes de LTE ocorrendo em diferentes freqüências, como 1,7 GHz e 2,1 GHz, na Argentina e no Uruguai, por exemplo. O ideal para o LTE é ter 40 MHz por licença (20 MHz para subida e 20 MHz para descida), o que garante altas velocidades e uso mais eficiente do espectro. Contudo, é possível lançar a rede em faixas menores. Nos EUA, por exemplo, a Verizon tem dois blocos de 10 MHz cada. No Brasil, a primeira minuta do edital de 2,5 GHz da Anatel prevê a venda de três licenças de 20 + 20 MHz e uma de 10 + 10 MHz, além de duas centrais de 15 MHz e 35 MHz, destinadas a tecnologias TDD.

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Posseti .:Especial de redes | Infraestrutura | Helton helton@convergecom.com.br

Crescimento acelerado Demanda por capacidade de backhaul e backbone gera investimentos em redes e projetos conjuntos entre empresas de telecomunicações

O

lançamento das primeiras redes de terceira geração do Brasil no final de 2007 desnudou um problema que passou a ser vivenciado por todas as operadoras móveis: capacidade insuficiente nas redes de backhaul. Isso porque a demanda pelo serviço de banda larga móvel e, posteriormente, pelo acesso em terceira geração através do celular, foi muito superior ao que havia sido dimensionado pelas teles. O resultado é que durante os primeiros meses de serviço a qualidade percebida pelo usuário era péssima, o que levou as teles a reformularem seus planos de dados, criando, por exemplo, um teto de tráfego a partir do qual o usuário começa a trafegar em 2G. Passados quase quatro anos desse período inicial de ajustes, as operadoras móveis, mais uma vez, e também as fixas, enfrentam basicamente o mesmo problema de outrora. Dessa vez, entretanto, são a explosão do tráfego de vídeo e a grande oferta de conteúdo em alta definição na web que, entre outros, têm feito as empresas pensarem em novas formas de levar o acesso ao cliente final com a banda necessária para todas esses serviços. Um bom termômetro para medir o crescimento dos investimentos nas redes de backbone e backhaul é a venda de cabos de fibra óptica, embora hoje em dia eles também sejam usados no acesso. Segundo dados do CRU Group, empresa de pesquisa britânica, em 2010 foram vendidos mundialmente 180 milhões de km de fibras ópticas, 38,4% a mais que em 2009. O Brasil representa cerca de 1,1% desta demanda, mas em 2009 esse percentual era de apenas 0,7%, com 1,2 milhão de quilômetros. Esse 0,4 pontos percentuais a mais representa 2 milhões de quilômetros, ou seja, crescimento de 66% em um ano. A estimativa

da Furukawa, um dos principais fabricantes de cabos de fibra óptica do Brasil, é que esse mercado cresça 15% em 2011. A necessidade de mais capacidade de rede das teles tem gerado uma grande procura pela infraestura das chamadas carrier de carriers. A Cemig Telecom, por exemplo, orgulha-se de fornecer rede para todas as operadoras que estão Minas Gerais. “Todos que estão em Minas utilizam a nossa rede em algum ponto”, afirma Wanderley Maia Filho, superintendente técnico da Cemig Telecom. A empresa, que é uma subsidiária da Cemig Energia, está presente em mais de 40 cidades de Minas Gerais, que representam mais de 70% do PIB do Estado. “Por enquanto estamos em Minas, mas temos a intenção de atingir outros estados a médio e longo prazo”, afirma Maia. No Paraná, a Copel Telecom também tem se destacado no fornecimento de capacidade para as operadoras. Inclusive, na visão da empresa, existe uma compomente econômica para que as teles optem por alugar capacidade das carriers de carrier. Antônio Carlos de Melo, gerente de engenharia de transmissão e acesso de telecom da empresa, explica que ao alugar capacidade na rede de terceiros, a empresa não tem o custo de manutenção de uma rede própria. Isso faz com que o EBITDA seja maior, já que as despesas são lançadas como investimentos (Capex). Além dessa visão contábil, alugar rede de terceiro pode ser mais barato do que construir rede própria. Soma-se a isso o fato de a empresa conseguir em pouco tempo conexão em determinada região que ela demoraria, talvez, anos para construir. “Nosso preço tem sempre o objetivo de tornar desvantajosa a contrução de rede própria pelas operado-

A Vivo pretende concluir até o final do ano um backbone de 22,8 mil km dos quais 34% são próprios e o restante virá de acordos de troca de capacidade com outras operadoras.

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FOTO: DIVULGAÇÃO

ras”, afirma o executivo. Vale lembrar que ao construir uma rede de fibra, seja metropolitana ou interestadual, a operadora terá de lidar com uma série de contratos de uso de solo urbano, de uso da infraestrutura das empresas de energia e autorizações dos mais diversos órgãos, o que nem sempre é algo fácil de se conseguir. A Copel Telecom está em processo acelerado de chegar a todo o Paraná com backbone de fibra óptica. Hoje a empresa está presente em 252 cidades, mas pretende fechar o ano que vem com cobertura de 100% do estado, ou seja, 399 cidades. Além disso, a companhia atua paralelamente na contrução de redes FTTH em Curitiba. Hoje toda a rede metropolitana em Curitiba é de fibra óptica, mas a empresa trabalha na construção de uma rede de acesso FTTH, “mais densa e mais estruturada”, nas palavras de Antônio Carlos de Melo, em 37 bairros da cidade. O objetivo é concluir este projeto até o final do ano. Recentemente a Copel fez um importante investimento no seu backbone que passa pelas principais cidades do estado, como Curitiba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu e Apucarana. Segundo Antônio Carlos de Melo, apenas um ano e meio depois de a empresa ter elevado para 10 Gbps a capacidade do seu backbone já era preciso de um novo upgrade. Foi então que a companhia partiu para os sistemas DWDM fornecidos pela Nokia-Siemens Networks. A Copel desembolsou cerca de R$ 7,5 milhões na aquisição do sistema que vai ampliar a capacidade de cerca de 3 mil km do backbone da empresa. Segundo dados do Atlas Brasileiro de Telecomunicações 2011, ao final do ano passado a Copel Telecom somava 6,2 mil km de fibras ópticas instalados em seu backbone e outros 10,9 mil km de fibras em redes de acesso em todo o estado do Paraná. No caso da Global Crossing, outra carrier de carrier, a empresa registrou um aumento de 80% no volume de dados tráfegados na sua rede na comparação do quarto trimestre de 2009 com o mesmo período do ano passado. De olho no crescente volume de tráfego gerado pelos vídeos on line, em novembro do ano passado a companhia anunciou a aquisição da Genesis, companhia especializada na transmissão de vídeos. Para a Global Crossing, esta aquisição oferece oportunidades para atrair novos clientes e expandir a oferta de serviços para mercados que requerem produtos de vídeo de alta performance. Segundo Daniel Ladvanszky, gerente de produto de gerenciamento de rede da Global Crossing, a empresa já está trabalhando para apresentar sua solução para as empresas que vão captar as imagens dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo e que desejarem transmiti-las via IP. Compartilhamento Mesmo tendo as carriers de carries como opção de infraestrutura de backhaul, as operadoras de telecom têm se aliado na construção conjunta de rede. Existem várias iniciativas dessas pelo Brasil, em que cada com-

panhia fica responsável por construir uma parte da rede que depois de pronta será usada por todas. A empresa que mais tem se dedicado a essa modalidade de investimento é a Vivo. A operadora pretende concluir até o final do ano um backbone de 22,8 mil km dos quais 34% são próprios e o restante virá de acordos de troca de capacidade com outras operadoras (principalmente TIM, GVT, Claro e Embratel). Os dois maiores trechos em construção pela empresa no momento são Brasília-Belém e Belém-Fortaleza. Originalmente, o backbone nacional deveria estar pronto no começo deste ano, mas há nove meses a Vivo esbarra na dificuldade de conseguir licenças para as obras junto a órgãos do governo, como Denit, Ibama e até a Funai, já que parte da rede passará por reservas indígenas. Se as licenças não forem obtidas até o final de maio, a conclusão desses trechos ficará para 2012, afirmou o diretor de planejamento e tecnologia de rede da Vivo, Leonardo Capdeville. Como parte do backbone nacional a operadora está implementando junto com a TIM pares de fibra conectando Vitória a Salvador. Há também um trecho em construção entre Goiânia e Cuiabá em parceria com Claro, Embratel, GVT e TIM. Capdeville sugere que toda grande obra nacional deveria levar em conta não apenas seus impactos ambientais, mas também a instalação de equipamentos de telecomunicações. Isso valeria para rodovias, ferrovias, estádios de futebol ou qualquer construção que atraia uma grande concentração de pessoas. Vale lembrar que o Ministério das Comunicações estuda baixar uma portaria exigindo que qualquer nova construção de rodovia ou ferrovia nacional inclua dutos para passagem de fibras ópticas. Custo compartilhado O compartilhamento também tem gerado negócios para outras operadoras de telecom. O trecho Vitória a Salvador, que está sendo construído pela TIM no projeto do backbone nacional, por exemplo, terá o investimento dividido com a operadora gaúcha Compuline Telecom. De acordo com Luis Fernando Fuschini, diretor-executivo da empresa, o modelo de negócio é estudado projeto a projeto. “Muitas vezes a operadora não tem agilidade para ela mesmo contruir a sua rede e ela não quer depender das empreiteiras, quer fazer isso com uma inteligência”, diz ele em referência ao fato de a Compuline também ser uma operadora com licença de SCM e STFC e, por isso, já ter negociado direito de passagem com as concessionárias de energia ou de rodovias, por exemplo. A Compuline tem uma rede de 5 mil km entre backbone e redes metropolitanas de última milha. O último trecho construído pela empresa neste modelo foi São Paulo-Belo Horizonte em parceria com a TIM. Este trecho faz parte de um projeto amplo de compartilhamento entre Embratel, TIM/Intelig, Vivo e GVT, que, segundo Fuschini, vai de Norte a Sul do País. “Nós somos pioneiros neste modelo. A operado

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Todos os que estão em Minas utilizam a nossa rede em algum ponto Wanderley Maia Filho, da Cemig Telecom


.:Especial de redes | Infraestrutura

FOTO: arquivo

ra procurar um provedor de acesso é um modelo novo no mercado”, afirma. Além da construção de backbone a Compuline atua também no fornecimento de última milha. A empresa tem presença local em mais de 120 municípios e, de acordo com o executivo, atua em regiões onde há pouca oferta de rede. “A Compuline está no Oeste da Bahia, por exemplo, onde há um predomíVai chegar nio da Oi.” empresa oriunda do sisteum momento maOutra elétrico que tem se tornado um em que as grande fornecedor de rede para as redes de fibra teles é a AES Atimus, formada pela Com e pela AES Eletropaulo vão migrar AES Telecom. A companhia atua em 12 para fora municípios de São Paulo e 9 no Rio e investir R$ 400 milhões até dos grandes pretende 2015 no aumento da capilaridade da centros e isso sua rede nestes municípios. Emerson tem de ser Hioki, diretor de engenharia e tecnoda AES Atimus, afirma que o planejado logia negócio da empresa já é uma modalidade de comparagora tilhamento na medida em que, indiretamente, os Wilson Cardoso, da custos que a companhia tem é dividido por todos que Nokia Siemens utilizam sua infraestrutura. Para Hioki, essa cultura Networks de compartilhamento já existe na empresa de energia elétrica, a AES Eletropaulo, que sempre teve uma grande demanda das teles e, por isso, em 1998 criou uma empresa de telecomunicações para atuar neste mercado. O executivo afirma que a empresa já está percebendo que a demanda por banda tem aumentado em função da Copa do Mundo e das Olímpiadas. “O grosso ainda não veio, mas tudo está sendo planejado e construído agora”, afirma ele.

Tecnologia Do ponto de vista tecnológico surge no mercado mais uma sigla que promete dar mais capacidade às redes de backhual. Trata-se do DWDM PON. A tecnologia inova ao entregar para cada grupo de usuários ou para cada BTS (a ERB da terceira geração) um comprimento de onda (lâmbda) ao contrário do GPON cuja característica é a arquitetura ponto-multiponto que permite distribuir o sinal de uma única fibra-óptica a vários usuários. A tecnologia não está disponível hoje, mas alguns fabricantes garantem que ela pode ser a solução para capilarizar a rede de fibra óptica. “Vai chegar um momento em que as redes de fibra vão migrar para fora dos grandes centros e isso tem de ser planejado agora”, afirma Wilson Cardoso, diretor de soluções da Nokia Siemens Networks. O executivo explica que há um limite para a ramificação da planta existente, em função das emendas. Daí, a necessidade de uma nova arquitetura de rede para levar o backhaul em fibra a outras regiões. Na Alcatel-Lucent, a solução está sendo desenvolvida pelo Bell Labs, o braço de pesquisa e desenvolvimento da companhia. A estimativa é que o produto esteja nas prateleiras por volta de 2014 e 2015. Reinaldo Munhoz, gerente de produto da área de acesso fixo da companhia observa que a migração para o DWDM PON agora pode não fazer sentido para a operadora, uma vez que isso exigiria grandes investimentos e a demanda é, por enquanto, bem atendentida com o GPON. “Ao final deste ano será possível levar 10 Gbps para cada casa com o GPON”, afirma.

As fibras são boas?

R

ecentemente o mercado foi surpeendido por uma notícia surpreendente. De acordo com um estudo do CPqD, 38% de toda a planta óptica do Brasil apresenta falhas de dispersão de sinal (PMD, ou modo de dispersão de polarização, em português). Em outras palavras, possuem assimetrias e imperfeições que fazem com que as ondas viajem a velocidades diferentes e a propagação dos pulsos ópticos ocorra de forma aleatória, o que limita a taxa de transmissão de dados nas fibras. Além disso, 46% dessa infraestrutura tem seu sinal enfraquecido ao longo do cabo por apresentar atenuação acima dos 0,24 decibéis (dB) por quilômetro, valor mínimo recomendado por organismos internacionais. Executivos ouvidos por TELETIME reconhecem que o problema existe sim, mas ele seria localizado nas redes de longa distância. “Esse parâmetro de dispersão de sinal não influi muito no tráfego de sinal óptico nas redes urbanas porque as distâncias são curtas”, explica Wanderley Maia Filho, superintendente técnico da Cemig Telecom. Apeser de concordar com o estudo do CPqD o executivo ressalta

que as redes de longa distância que a Cemig Telecom usa são boas. Emerson Hioki diretor de engenharia e tecnologia da AES Atimus também concorda com o estudo do CPqD. “Eu trabalho nesse ramo há muito tempo e isso é uma realidade sim, principalmente para as redes de longa distância”, afirma ele. O executivo ressalta que o desafio é ainda maior nas redes internacionais, mais uma vez, devido à distância percorrida pelos cabos. Daniel Ladvanszky, gerente de produto de gerenciamento de rede da Global Crossing, levanta um outro ponto relacionado ao problema: a terceirização de mão de obra. “Podemos tercerizar a execução da emenda, mas nunca a responsabilidade”, diz ele. Segundo o executivo, para a acelerar a recuperação de um cabo que foi rompido, a empresa trabalha com a chamada “reserva técnica” que é a disponibilização de cabos extras dentro das caixas para substituir rapidamente trechos que venham a ser danificados. No caso do cabo submarino, ele destaca que são feitas medições periódicas para garantir que o nível de atenuação não prejudique os serviços que ali trafegam.

8 especial de redes | Teletime abr_2011


ITMAX Data Center

Industrial

Commercial Building

FTTx

Telecomunicações


Cordeiro .:Especial de redes | ACESSOS FIXOS | Letícia leticia@convergecom.com.br

Acesso (ainda) restrito Não há dúvidas de que no futuro as redes de fibra óptica dominarão o acesso fixo ao consumidor final. A questão é quando esse futuro vai chegar por aqui

D

e maneira geral, as redes de serviços de telecomunicações estão muito parecidas no que diz respeito ao core, com fibras ópticas e equipamentos de NGN e arquitetura IMS para o transporte das informações; e agora também mesmo no backhaul, com a maior demanda de tráfego de dados, vemos a fibra chegando cada vez mais perto do usuário final. O que diferencia uma rede de outra, hoje, é a qualidade do acesso final, e a tecnologia utilizada. No caminho evolutivo das diferentes redes, para oferecer serviços de banda larga, as operadoras de telefonia fixa implantaram primeiramente nas suas redes de acesso de cobre a tecnologia ADSL, que pode atingir até 8 Mbps de velocidade de download. Os upgrades das tecnologias xDSL incluem o ADSL2+, que pode chegar a velocidades de até 24 Mbps, e o VDSL2, que na teoria pode oferecer velocidades de até 250 Mbps, dependendo da proximidade da central, mas que comumente chega a velocidades de 50 Mbps. No que se refere às operadoras de TV a cabo, o que vemos é a evolução de suas redes híbridas de fibra óptica e cabos coaxiais (HFC), com uma camada de dados no padrão DOCSIS já caminhando para sua versão 3.0, que permite velocidades de download de até 150 Mbps. E, gradativamente, a expectativa é que migrem para redes inteiramente de fibra óptica. “O GPON é compatível com a parte das redes HFC e as operadoras podem começar a colocar GPON sem perder suas características de prestação de serviço”, explica o gerente de produtos para redes de acesso da Alcatel-Lucent, Reinaldo Munhoz. Tanto operadoras fixas quanto de cabo concordam que o futuro será chegar com a fibra diretamente na casa do usuário (Fiber-to-the-Home – FTTH) e, assim, temos aqui um terceiro caminho evolutivo, o da Passive Optical Network (PON) em suas diversas variações. No Brasil, o que vemos é a predileção pelo GPON (Gigabit PON), que alcança velocidades de até 2,5 Gbps numa configuração de 64 usuários por porta; com opção de evolução para o 10G GPON, que dobrar ou quadruplicar o número de usuários por porta e chegar a 10 Gbps; e, posteriormente, para o WDM-PON, que faz a multiplexação, comum hoje nas redes de transporte, também no acesso. O diretor da área de transmissão da NEC, Roberto Murakami, explica que o WDM-PON seria uma terceira geração de redes de fibra óptica, com uma arquitetura com menos splits na fibra e uma eletrônica diferente para poder “ler” os diferentes comprimentos de onda transportados na fibra. “O custo ainda não é competitivo e não será uma tecnologia empregada massivamente no curto prazo. Acreditamos que deva chegar num ponto de

inflexão apenas a partir de 2015”, admite Murakami. O WDM-PON, entretanto, ampliaria significativamente a capacidade de transmissão de dados numa mesma fibra, uma vez que cada comprimento de onda tem capacidade para até 10 Gbps. E em laboratório, o WDM-PON já alcança velocidades de até 1 Tbps. As redes no Brasil Mas de um modo geral, as mais avançadas opções de redes de acesso de ultravelocidades já estão disponíveis no mercado brasileiro, ainda que restritas a poucos usuários. De acordo com dados da Anatel de março de 2011, dos mais de 15,3 milhões de acessos banda larga, apenas 0,5%, 75,8 mil conexões, correspondia a velocidades superiores a 34 Mbps e somente 10,6% das conexões, 1,6 milhão de acessos, se encontravam entre velocidades de 12 a 34 Mpbs. Os pontos de acesso com velocidades entre 2 Mbps e 12 Mbps superam os 3,6 milhões, mas a grande maioria das conexões no Brasil, 65,1%, está abaixo dos 2 Mbps. E destes, 21,2% não superam os 512 kbps. Do ponto de vista de tecnologias de acesso, de acordo com dados de novembro de 2010 fornecidos pelas próprias operadoras e publicados pelo Atlas Brasileiro de Telecomunicações, 89,2% das cidades brasileiras têm pelo menos uma operadora fixa oferecendo serviços de banda larga, total de municípios este que representa quase 98% do potencial de consumo do Brasil e 95% da população.

10 especial de redes | Teletime abr_2011


E nessas mais de 4,96 mil cidades em que há infraestrutura de serviços banda larga há pelo menos uma operadora de STFC prestando o serviço com a tecnologia ADSL, sendo que em 94% há oferta de ADSL2+. A presença de outras tecnologias de acesso, no entanto, é bem menos significativa em número total de municípios atendidos. Redes de fibra (o que inclui a cobertura ao mercado corporativo) estão presentes em 331 cidades; já redes de TV a cabo com oferta de banda larga existem em apenas 159 cidades; e o VDSL2 chegava somente a 108 municípios ao final de 2010. Barreiras ao FTTH Para o gerente da área de transmissão da NEC, Eduardo Ribeiro, a maior barreira para implementação de redes FTTH ainda é o custo da fibra óptica em si, associado ao custo de construir essas redes. O diretor de tecnologia da Nokia Siemens Networks, Wilson Cardoso, concorda e lembra que um investimento em redes de fibra óptica é de longo prazo, tem tempo de amortização médio de 30 anos. “A partir deste ano devemos ver uma migração mais intensa das operadoras de telefonia para soluções de VDSL2 e só a partir de 2013, mais próximo da Copa do Mundo e das Olimpíadas, é que devem começar a acontecer investimentos mais significativos das operadoras em redes ópticas”. “Temos visto operadoras no Brasil mesclando redes de fibra em GPON com VDSL2. Chegam com fibra até o prédio ou até a esquina e às residências, com cobre e VDSL2 na ponta”, complementa Murakami. O custo do ONT, o terminal óptico que decodifica o sinal óptico na casa do usuário, também é uma barreira. Atualmente, estimativas mostram que um terminal óptico pode custar entre três e quatro vezes mais do que um modem VDSL2. No entanto, há consenso no mercado de que é uma questão de tempo para que os ONTs cheguem a um preço aceitável. “O preço vai melhorar conforme aumentar a escala, assim como aconteceu com as tecnologias xDSL”, avalia Murakami. Estratégias diversas Quando se trata de evoluir as redes de acesso, a última milha na residência do usuário final, cada operadora traça uma estratégia diferente, de acordo com a arquitetura atual de suas redes e sua disponibilidade de investimentos. A Algar Telecom, cuja área de atuação a clientes residenciais se concentra em algumas cidades do interior de Minas e São Paulo, principalmente, tem trabalhado para trazer desde as tecnologias ADSL e ADSL2+ até VDSL2. Mais recentemente, no início do ano, a Algar lançou uma rede de FTTH na cidade mineira de Uberlândia e oferece velocidades de até 1 Gbps utilizando GPON ou através de links de fibra dedicados. De acordo com o coordenador de produtos da Algar Telecom, Aldebaran de Oliveira Isac Moraes, 60% da planta da operadora já usam ADSL2+, 35% ainda estão com ADSL e 5% têm VDSL2 disponível. “A rede FTTH tem participação muito pequena. Estamos com GPON hoje em dois condomínios e acabamos de lançar os links dedicados comercialmente, mas ainda estamos em fase

Distribuição de acessos por velocidade 10,6%

0,5%

21,2%

23,8%

43,9%

0 Kbps a 512Kbps 512 Kbps a 2Mbps 2 Mbps a 12Mbps 12 Mbps a 34Mbps Acima de 34 Mbps Fonte: Anatel. Base: março/2011

de ativação dos primeiros clientes”, conta o executivo. Para Moraes, fornecer ultravelocidades é simples; demanda investimentos, claro, e que precisam ser amortizados. “O grande problema é como encher esse tubo”, ressalta. O próximo passo da Algar será atualizar a rede da sua operação de TV a cabo, que ainda utiliza DOCSIS 1.0 e está limitada a oferecer a velocidade máxima de 2 Mbps. “Estamos em fase de montagem de uma RFP para aquisição de novos CMTS e consideraremos adotar o DOCSIS 3.0 para ter oferta de grandes velocidades. É a tendência para redes HFC,” afirma. E para as redes de acesso de cobre, a Algar já está testando o bonding de VDSL2, que nada mais é do que unir dois acessos em um mesmo modem. “Estamos finalizando os testes, iniciados no fim do ano passado, e a previsão é de lançamento comercial de velocidades de 20 Mbps a 100 Mbps no segundo semestre.” A Telefônica, por sua vez, mesmo tendo sua rede nativa em ADSL e boa parte da planta com ADSL2+, como definiu o diretor de inovação estratégica da tele para a América Latina, Benedito Fayan, optou por não investir massivamente nas evoluções xDSL, mas sim em seu projeto de FTTH. “Nossa visão de futuro é a fibra chegando na casa do cliente. A demanda e a evolução dos serviços, especialmente de vídeo, com feixes simultâneos de alta definição, vão exigir o FTTH”, conta Fayan. A tele não descarta, entretanto, investimentos pontuais em ADSL2+ e VDSL2 para atendimento a demandas específicas, no caso de não haver outra opção. “Embora a capilaridade da rede da TVA não seja tão grande, nossa estratégia será usar o cabo para oferecer velocidades de ultra banda larga onde não houver sobreposição com o FTTH, sem que precisemos investir em VDSL”,

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.:Especial de redes | ACESSOS FIXOS admite o executivo. “Não é uma decisão simplesmente de rede. Nossa estratégia começa com a definição dos serviços que achamos que nossos clientes irão necessitar em 5 a 10 anos. Uma residência terá em média três TVs, com maioria de canais em HD e uso intensivo de banda larga. Assim decidimos pelo FTTH, numa expansão gradual iniciando pelas classes AB e crescendo para outras áreas do Estado”, explica Fayan. O projeto de FTTH da Telefônica teve início em 2008 e conta atualmente com 400 mil home passed e cerca de 15 mil clientes. E o ritmo de expansão é acelerado, com um montante de 3 a 4 mil fibras sendo implantadas ao mês no Estado. “Nossa expectativa é alcançar um milhão de clientes conectados em fibra até 2015”, estima. E em um acordo com a Anatel, a empresa se comprometeu a ter pelo menos 70 mil clientes ao final de 2012. A rede FTTH está baseada no GPON e Fayan revela que a operadora, atenta à evolução da tecnologia, analisa executar em breve alguns trials com soluções 10G GPON e WDM-PON, possivelmente ainda em 2011. “Será um teste em escala pequena, para avaliar as soluções do ponto de vista de tecnologia, e operacional e dos impactos na operação”, diz. Interessante notar que enquanto as operadoras de telefonia evoluem suas redes para suportar serviços de vídeo, a arquitetura de rede da maior operadora de TV a cabo, a Net Serviços, se aproxima cada vez mais da de uma tele. “Quando tomamos a decisão de lançar o serviço de telefonia utilizando o protocolo IP, implementamos em conjunto com a Embratel softswitches e outros elementos de NGN e uma arquitetura IMS para fazer o controle dos serviços IP”, lembra o diretor de produtos da Net, Márcio Carvalho. “Estamos preparando nossa rede para o futuro, para o IP, alterando nossa topologia de rede metropolitana, com pontos concentradores metroethernet, camadas de sinalização e backbone de interligação dentro do backbone da Embratel”, revela. “Aumentamos a quantidade de concentradores, ligados em anel pra dar redundância, e o efeito positivo é que o node do cabo coaxial fica cada vez menor e fibra chega cada vez mais perto do cliente”, explica. Essa redução dos nodes permite que a Net administre serviços de banda larga, TV, telefonia e VOD em áreas

Total de cidades por tecnologia 5000

ADSL

ASDL2+

VDSL

Total Brasil: 5.565 Fonte: Atlas Brasileiro de Telecomunicações 2011. Base: nov/2010

Cable Modem

331

0

108

1000

159

2000

4.676

3000

4.964

4000

FTTH

específicas de uma região atendida, sem que o controle passe por toda a rede da operadora. “Chegar em escala com fibra direto na casa do usuário será uma questão de tempo e de custo.” A Net caminha para a oferta de FTTH e já oferece algumas conexões diretas de fibra para clientes corporativos em GPON. E as mudanças não se restringem ao core da rede. Segundo Carvalho, todas as cidades em que a Net atua já contam com CMTS DOCSIS 3.0, pelo menos em algumas regiões da localidade, mas a idea é ter a cobertura completa do footprint até o final do ano. “O DOCSIS 3.0 nos dá uma capacidade de banda muito grande com a rede HFC que já temos implementada e isso nos permite otimizar o investimento. A grande vantagem é que também já nos prepara para a evolução dos serviços como o HD, o 3D e o VOD”, avalia Carvalho. O executivo conta que em laboratório a Net atingiu mais de 300 Mbps de velocidade utilizando DOCSIS 3.0 em oito canais. Cada canal é capaz de transmitir dados em até 40 Mbps. “Se utilizarmos mais de oito canais, podemos chegar a até 1Gbp. É tecnicamente factível, a questão será que serviços iremos oferecer para o usuário em nossos canais”. A Net começa a estudar agora a transmissão de vídeo sobre DOCSIS, tanto para transmissão unicast quanto para a entrega de conteúdos em outras plataformas que não set-top box, como tablets e aplicações de TV anywhere. Vale lembrar que o serviço de VOD que a Net lançou recentemente, o Net Now, ainda não terá a transmissão sobre IP. Utilizará a tecnologia DVB através do cabo coaxial tradicional. Apenas o menu de navegação no catálogo e as informações de compra trafegarão sobre IP. Importante ressaltar também a estratégia adotada pela Embratel, que embora detenha mais de 90% do capital total da Net Serviços, optou por construir uma rede própria HFC, complementar àquela da Net. “Nossa opção pelo HFC foi motivada verdadeiramente para chegarmos com banda larga de alta capacidade na casa dos usuários sem precisar investir neste primeiro momento em um acesso direto em fibra, facilita a extensão do acesso óptico e, quando fizer sentido, chegaremos com fibra nas residências ”, explica o gerente de tecnologia da Embratel, Luiz Fernando Bourdot. A construção da rede HFC da Embratel teve início em meados de 2010 e a comercialização dos serviços começou recentemente. “Temos um projeto bastante agressivo de pelo menos três anos para a oferta de banda larga e telefonia, o Via Fone, que utiliza a mesma tecnologia do Net Fone”, conta. A expectativa é que a rede cubra 37 cidades até o meados do ano e mais 87 ao final de 2011. A operadora oferece no momento velocidades de até 20 Mbps e, quando o cliente também está interessado em serviços de TV por assinatura, a entrega é feita por DTH. “A Embratel está mudando seu perfil de atuação e a construção das redes de acesso é fruto dessa estratégia”, ressalta Bourdot.

12 especial de redes | Teletime abr_2011


.:Especial de redes | Compartilhamento |

Helton Posseti helton@convergecom.com.br

Dificuldade de acesso Regulamentação do compartilhamento de infraestrutura afasta distribuidoras de energia do setor de telecom. Eletronorte, que se estruturou antes da regra, hoje é responsável por 90% das redes de longa distância de telecom na região Norte

A

dos municípios da região. Entretanto, ela acompanha as subestações de energia, que não ficam dentro dos municípios. A empresa está “muito lentamente”, nas palavras de Antônio, abrindo os pontos de conexão, ou seja, levando esse acesso até a sede dos municípios, o que facilita o trabalho das teles que desejam prestar serviço naquele local. O executivo faz uma revelação surpreendente: do ponto de vista técnico, as teles poderiam levar seus serviços a quase todos os municípios da região Norte, através do backbone da Eletronorte. Não o fazem porque, como se diz no mundo dos negócios, “a conta não fecha”.

Começamos a trabalhar com esse perfil de carrier de carrier há quatro anos e o crescimento supera 100% ao ano

Regulamentação A Eletronorte aluga capacidade no seu backbone para as teles suportada por uma licença de SCM, no mesmo modelo de outras empresas de telecom subsidiárias de distribuidoras de energia como Cemig Telecom e Copel Telecom. Esse negócio é considerado um serviço; não é caracterizado como um Flávio Roberto compartilhamento de infraestrutura porque Antônio, da são comercializadas fibras acesas e não apa- Eletronorte gadas. O compartilhamento de infraestrutura passou a ser regulado a partir de 1999 pela resolução conjunta 001, assinada por Anatel, Aneel e ANP. Por infraestrutura entende-se dutos, condutos, postes, torres, cabos metálicos ou de fibras ópticas “não ativados”, nas palavras dos reguladores. Cabe lembrar que 90% da receita oriunda do compratilhamento deve ser revertida à modicidade tarifária, ou seja, à redução da tarifa de energia ao consumidor. Depois da publicação da resolução ficou muito mais FOTO: eletrobras/eletronorte

té bem pouco tempo atrás a região Norte do Brasil tinha uma oferta muito deficiente de banda larga. As dificuldades de logística da região sempre afastaram o investimento das operadoras em um backbone óptico, o que deixava toda a região Norte do País refém de conexões de satélite, às vezes não muito estáveis, mas sempre muito caras. Oi e Embratel, cada uma à sua maneira, estão conseguindo chegar com rede de fibra óptica até Manaus. No caso da Oi, a empresa conseguiu um acordo com a operadora de TV por assinatura venezuelana CanTV e com a estatal Eletronorte, concessionária de energia da região, para conectar o trecho de fibra Roraima-Manaus ao cabo submarino da Globenet em Caracas. A Embratel, por sua vez, se valeu de uma complicada obra de engenharia, que contou até com o apoio tecnológico da Petrobras, para transpor o leito do Rio Negro, em uma obra que muitos julgavam impossível de ser realizada por causa da forte correnteza do rio. A pergunta então é: como a Região Amazônica se conecta com o resto do País já que só agora o backbone das principais operadoras está chegando até lá? Isso acontecia atráves do cabo OPGW da Eletronorte. A concessionária de energia da região, subsidiária da holding Eletrobrás, é a grande responsável por levar telecomunicações à região mais remota do País. A companhia tem uma rede de fibra de longa distância acompanhando sua rede de energia de cerca de 8 mil km, sem a qual muitos estados não teriam comunicação alguma. De acordo com Flávio Roberto Antônio, gerente de negócios de telecomunicações da Eletronorte, 100% da comunicação do Acre passa pelo backbone da empresa, uma vez que Oi e Embratel, as duas empresas que atuam na região, alugam capacidade da Eletronorte. No Amazonas e no Pará esse índice é de 90%. Graças a essa realidade, o negócio de telecomunicações da Eletronorte (embora seja insignificante quando comparado com o de geração de energia, em que só a usina de Tucuruí fatura perto de R$ 6 bilhões por ano) tem crescido a passos largos. No ano passado a área obteve faturamento de R$ 18 milhões, mas essa cifra já foi alcançada em março deste ano. A Eletronorte já tem contratos que lhe darão um faturamento de R$ 100 milhões em 2011. “Começamos a trabalhar com esse perfil de carrier de carrier há quatro anos e o crescimento supera 100% ao ano”, diz Antônio. A rede de dados da Eletronorte passa por boa parte

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.:Especial de redes | Compartilhamento difícil para que as companhias de energia estruturassem negócios em telecomunicações. Isso porque é necessário que seja dada ampla publicidade à disponibilização da infraestrutura que a companhia deseja compartilhar e a de preço dever ser baseada nos princípios da por causa da negociação livre competição e da isonomia. Assim, a partir de 1999, regulamentação as empresas de energia não puderam criar as empresas empresas de telecom para revenderem no capacidade na rede de dados da acabam mercado distribuidora de forma lucrativa. A empresa construindo no de telecom, vinculada à distribuidora de limite de suas energia, teria de disputar com outros concorrentes a utilização dessa infraestrutura. necessidades, Sem falar, é claro, na questão da modicidaquando por um de tarifária, que foi mais um ingrediente de para que as empresas de enerinvestimento desestímulo gia compartilhassem sua infraestrutura. marginal Segundo Flavio Roberto Antônio, da Eletronorte, todas as distribuidoras de poderiam energia gostariam de usar sua rede de expandir essa dados para prestar serviços de telecom, o capacidade que, se fosse mais fácil, daria ao País uma ampla capilaPedro Jatobá, da Aptel ridade ao serviço de banda larga, que é, afinal, o objetivo do Plano Nacional de Banda Larga. Entretanto, segundo ele, apenas as empresas que tomaram essa decisão antes de 1999 é que foram bem sucedidas. Um exemplo é a Centrais Elétricas de Goiás (Celg), que criou uma subsidiária de telecom depois da vigência da resolução, que nunca deslachou. Pedro Jatobá, presidente da Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel) explica que a Aneel é “avessa” ao fato da concessionária de energia desenvolver qualquer outra atividade. “A Aneel obriga a criar empresa separada. Há uma resistência em permitir fazer outros serviços que não seja o da concessão”, diz ele. Segundo ele, a resolução precisa de uma revisão urgente, porque já não mais reflete a realidade do mercado. O governo trabalha para a viabilização do PNBL e o setor de energia está aos poucos migrando para o modelo de smart grid (redes de energia inteligentes, com granO Brasil terá de capacidade de telecomunicações assoSe a resolução não for revista, novas linhas de ciada). haverá uma duplicação desnecessária de transmissão infraestrutura. “Se as regras de compartide energia e lhamento não forem discutidas pode-se uma estrutura redundante”, diz ele. essas linhas criar Jatobá acredita que uma “nova” resoluprecisarão de ção precisa prever a o compartilhamento capacidade e não apenas de infraessinalização e de trutra. “A resolução restringe muito a controle visão e as empresas acabam construindo Foad Shaikhzadeh, no limite de suas necessidades, quando por um invesda Furukawa timento marginal poderiam expandir essa capacidade”. Outro elemento que deveria cair por terra na visão dele é a modicidade tarifária. “Neste cenário de incentivar o uso, não tem o menor sentido falar em modicidade tarifária”, afirma. “O compartilhamento é um ônus para a empresa de energia”, completa.

Compartilhamento Uma das poucas distribuidoras de energia que fazem compartilhamento de infraestrutra de rede com as teles é a Eletrosul. A companhia tem dois contratos que foram assinados há cerca de 20 anos para dividir com empresas de telecom as fibras do seu cabo OPGW em duas rotas: do litoral até o interior de Santa Catarina e outra que percorre todo o litoral da região Sul. Marcos Romeu Benedeti, gerente do departamento de telemática e automação da Eletrosul, explica que há 23 anos a comanhia foi procurada pelas empresas de telecom (que ele não revela quais são) para dividir o investimento da substituição do cabo para-raio por um cabo OPGW. Esses contratos vencem dentro de um mês, e, embora ele não afirme que a companhia não irá renová-lo, o executivo deixa claro que o compartilhamento não é lucrativo para a empresa. “Temos uma remuneração em função das despesas que temos ao longo do cabo e, além disso, há captura da modicidade tarifária. Não temos lucro com essa operação”, diz ele. O executivo afirma que a Eletrosul fará uma avaliação com vistas à necessidade futura da empresa para decidir se os contratos serão renovados ou não. Mas a Eletrosul também tem licença de SCM e presta serviço de aluguel de capacidade para as distribuidoras estaduais de energia e empresas de geração eólica em toda a região sul incluindo o Mato Grosso do Sul, além de realizar o chamado swap de fibra com outras empresas. Já Furnas, que atua na geração de energia, por meio de nota, afirma que sua atuação se restringe à realização de contratos de compartilhamento de infraestrutura com as operadoras de telecomunicações, já que não possui licença emitida pela Anatel. “Hoje, dos 5.480 km de fibras ópticas na rede de Furnas, cerca de 70% são compartilhados com operadoras de telecomunicações na Região Sudeste, Distrito Federal e nos estados do Mato Grosso e Tocantins”, diz a empresa. Investimento Um dos primcipais fabricantes de cabos de fibra óptica do país, a Furukawa, está atenta ao crescimento do mercado de energia. A companhia pretende destinar parte dos R$ 20 milhões que investirá no ano que vem para acrescentar uma nova linha de produtos à sua fábrica em Curitiba: a de cabos OPGW. Foad Shaikhzadeh, presidente da Furukawa, explica que o volume de produção dos cabos OPGW não deverá ser muito grande, embora a fábrica atenda a demanda de toda a América Latina. “Já existe um fabricante desse tipo de produto aqui. Achamos que dois fabricantes é suficiente”, afirma ele. O diferencial da companhia, segundo ele, será em oferecer às empresas de energia toda a infraestrutura como splitters e conectores e não apenas os cabos. “O Brasil terá novas linhas de transmissão de energia e essas linhas precisarão de sinalização e controle sem falar na demanda exagerada de banda larga”, prevê Foad. 

14 especial de redes | Teletime abr_2011


esPeciais 2011

Fale diretamente com seu público. Participe dos Especiais Teletime 2011 Confira o calendário e programe seu anúncio. Junho ESPECIAL BRoADBAnD A revista Teletime mapeia as tendências, discute as principais polêmicas regulatórias, políticas públicas e mostra como os diferentes players estão se preparando para um mundo cada vez mais digital. Circulação: Seminário Teletime Broadband - Fechamento: 06 de junho

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Fernando Paiva, do Rio de Janeiro fernando.paiva@convergecom.com.br

A guerra dos pequenos

Fornecedores de chipsets para dispositivos móveis aceleram desenvolvimento de modelos mais rápidos e menores, entrando na era do quad-core.

E

xiste uma corrida em andamento no mercado de chipsets para dispositivos móveis. Diante da rápida sofisticação dos smartphones e dos tablets, seus fabricantes demandam processadores cada vez mais velozes, menores e, de preferência, mais eficientes no consumo de bateria. Para atender a essa demanda, fornecedores de componentes investem centenas de milhões de dólares no desenvolvimento de novos modelos cuja capacidade de processamento se aproxima rapidamente daquela dos computadores pessoais. Nesse contexto, chegarão às prateleiras das operadoras no segundo semestre os primeiros smartphones quad-core, com transistores de 28 nanômetros (nm) de comprimento. Em uma corrida que já conta com Marvell, Nvidia, Texas Instruments, Samsung, Apple e Qualcomm, novos players prometem entrar este ano, como a gigante Intel, que ainda não se mexeu para o universo da mobilidade. Nessa disputa, o alvo principal são smartphones e tablets. Nenhum dos grandes players citados tem interesse em criar chipsets para celulares GSM/GPRS de gama baixa, pois as margens são pequenas e não há espaço para diferenciação. Para esse segmento low end, o mercado pode ser devidamente abastecido por empresas asiáticas genéricas, sem maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento. A maioria dos grandes fabricantes de chipsets móveis só trabalha com 3G atualmente. Um ano atrás, causavam espanto no mundo os primeiros smartphones com processadores de 1 GHz. Agora, a capacidade de processamento dobrou, com a chegada de terminais dual-core, ou seja, que possuem dois núcleos de processadores – geralmente de 1 GHz cada. Boa parte dos smartphones e dos tablets

top de linha apresentados no último Mobile World Congress em Barcelona eram dual-core, como o Galaxy S II, da Samsung; o Optimus 3D, da LG; o Atrix e o Xoom, ambos da Motorola; e o Playbook, da RIM. A vantagem do dual-core é dividir as tarefas entre os dois chips, agilizando o processamento. Isso torna possível a inclusão de aplicações mais complexas, como reconhecimento de objetos em três dimensões para fins de realidade aumentada. “O dual-core é importante até mesmo para navegação na Internet. As páginas da web de hoje são compostas por vários elementos, como HTML, gif animado, animação em flash etc. Com dois processadores, cada um trabalha para abrir uma parte diferente da página”, explica o diretor geral da Nvidia no Brasil, Richard Cameron.

“A velocidAde dAs GPUs está AUmentAndo dUAs vezes mAis qUe A lei de moore” Richard Cameron, da Nvidia abr_2011 TeleTime 17

O próximo passo nessa corrida desenfreada são os chipsets quad-core, ou seja, com quatro processadores. A Nvidia promete lançar sua versão, batizada de Kal-El, no segundo semestre. A Qualcomm, por sua vez, projeta para 2012 a entrada no mercado do Krait, seu primeiro quad-core, com processadores que alcançam até 2,5 GHz cada. Uma série de aplicações mais robustas, como streaming de vídeos em alta definição e aplicações de realidade aumentada em 3D, terão melhor desempenho a partir de dispositivos quad-core. Vale destacar que o aumento da velocidade de processamento dos chipsets móveis está relacionado à miniaturização dos transistores, menor elemento eletrônico contido em um chip. Para se ter uma ideia, a plataforma Omap 5, da Texas Instruments, e o Snapdragon, da Qualcomm, têm transistores de 28 nm. Cada nanômetro equivale a uma bilionésima parte de metro. Na geração anterior da Texas Instruments, a Omap 4, cada tran-


sistor mede 48 nm. No Omap 3, eram 64 nm. A maioria dos chipsets móveis dos grandes fabricantes utiliza processadores desenvolvidos pela inglesa ARM. Trata-se de uma empresa especializada apenas em desenhar o processador e licenciar o direito de fabricação a terceiros. Hoje, a arquitetura ARM é dominante em dispositivos móveis.

FOTOS: divulgaçãO

.:Handsets

Integração de componentes Se quase todos os fabricantes de chipsets utilizam processadores desenhados pela ARM, onde está a diferenciação? Primeiramente, é preciso ressaltar que há eventualmente contratos de exclusividade para uso temporário de certas licenças da ARM. A Texas Instruments, por exemplo, tem contratos assim para plataforma de chipsets móveis, a OMAP. Além disso, há casos especiais como o da Qualcomm, para quem a ARM concedeu o direito de otimizar os projetos, especialmente no que concerne ao consumo de energia. Mas a diferenciação não se limita a isso. Os processadores ARM servem como APUs (Applications Processor Unit), mas não são os únicos componentes de um chipset móvel. Cada fabricante inclui uma série de outros núcleos, com processadores à parte, dedicados a certas tarefas específicas. É comum haver, por exemplo, um processador para gerenciar os gráficos, conhecido como GPU (Graphic Processor Unit); um para áudio; um para codificar as imagens gravadas pelas câmeras; um para decodificar vídeos recebidos; um para gerenciar entradas e saídas do aparelho etc. Trata-se do conceito que os fabricantes gostam de chamar como system on a chip. É na qualidade desses periféricos e na integração entre eles que cada empresa procura se destacar. “Não vendemos apenas um processador, mas uma plataforma. A grande diferença é como tratar a experiência de mídia do usuário. Como codificar e decodificar vídeos no chipset, por exemplo”, diz Gordon Grigor, vice-presidente de mercado móvel da Marvell. No caso da Nvidia, por exemplo, a aposta está no processamento dos gráficos através da GPU em seu chipset. A empresa quer transpor para os dispositivos móveis a sua longa experiência

“estAmos trAnqUilos qUAnto à comPetição com PlAyers do mUndo dos Pcs” Flávio Mansi, da Qualcomm em processadores gráficos para desktops, laptops e consoles de videogames - o Playstation 3, da Sony, por exemplo, usa processadores gráficos da Nvidia. “A velocidade das GPUs está aumentando duas vezes mais que a Lei de Moore. Ou seja, a capacidade está quadriplicando a cada 18 meses”, afirma Cameron, da Nvidia. Uma vantagem de sua GPU é realizar a decodificação de vídeos em Flash, o que acelera o processo e poupa bateria, enquanto

Chipset Tegra 2 da NVidia é menor do que moeda de R$ 0,50.

Passo-a-passo de um chipset móvel 1 Design do produto: é feito geralmente no exterior, após anos de pesquisa e com custos da ordem de centenas de milhões de dólares. 2 Fabricação dos wafers (pastilhas de silício que contêm os chips): é geralmente terceirizada junto a mega fábricas na Ásia. 3 Serragem dos wafers. 4 Encapsulamento dos chipsets. 5 Realização de testes: essa tarefa também costuma ser terceirizada. 6 Venda para fabricantes de terminais ao redor do mundo. 18 TeleTime abr_2011

concorrentes executam essa tarefa através de softwares. A Texas Instruments embarca em seu chipset um núcleo para processamento de sinalização digital (DSP, na sigla em inglês), que acelera o processamento de tarefas. Além disso, conta com um algoritmo especial para prever quando um componente será ligado, tornando ainda mais rápida a resposta dos terminais aos comandos dos usuários. A Qualcomm, por sua vez, tem a vantagem de embutir nos chipsets os modems necessários para conectividade às redes celulares. Quanto mais funções integradas em um mesmo chipset, menor a necessidade de testes de compatibilidade a serem realizados pelo fabricante de terminais o que, consequentemente, acelera o lançamento de novos produtos. Bateria Com telas cada vez maiores e sistemas operacionais que permitem que múltiplas aplicações rodem simultaneamente, os smartphones demandam cada vez mais energia. O problema é que a tecnologia das baterias móveis não acompanha essa evolução na mesma velocidade. A saída passa a ser o desenvolvimento de chipsets mais eficientes no consumo de energia do terminal. Essa é uma das prioridades dos players nesse mercado e representa mais uma oportunidade de diferenciação. Em aparelhos dual-core, uma das formas de reduzir o gasto da bateria é permitir que os processadores trabalhem de maneira assíncrona. Ou seja: os dois núcleos podem atuar com velocidades diferentes, sem ficar ligados em sua capacidade máxima o tempo todo. É isso que fazem os chipsets Snapdragon da Qualcomm, por exemplo. Para poupar a bateria, o Tegra 2 utiliza uma tecnologia patenteada pela Nvidia que desliga os componentes periféricos quando eles não estão sendo usados. Na plataforma Omap, da Texas Instruments, foi elaborado um algoritmo especial para o gerenciamento de energia. Para especialistas, a exigência do mercado por chips velozes e, ao mesmo tempo, de baixo consumo de energia dificulta a entrada de players tradicionais do mercado de PCs no segmento de processadores móveis. Nos compu-


tadores pessoais não existe uma pressão tão forte por eficiência energética, pois os aparelhos estão plugados na tomada. A miniaturização dos chipsets móveis também Antonio Motta, da Texas Instruments é difícil para os fabricantes de processadores de PCs e laptops. Talvez por isso os e os testes também costumam dois grandes players do mundo dos ser terceirizados para emprePCs, Intel e AMD, ainda não tenham sas na Ásia. desenvolvido chipsets para smartphoAs fábricas de chips são nes. A Intel promete fazer sua estreia empreendimentos que requerem este ano. Sobre essa convergência entre investimentos elevados, da ordem de os dois setores, o presidente da US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões. “Elas Qualcomm para América Latina, Flávio são construídas para atender em Mansi, comenta: “Estamos tranquilos escala mundial. Não dá para fazer quanto à competição com players do uma fábrica de chips para atender a mundo dos PCs. Temos experiência um mercado regional”, comenta o com aparelhos pequenos. Estamos diretor geral da Texas Instruments alguns passos à frente deles.” para América do Sul, Antônio Motta. Mesmo para um gigante como a Ele calcula que o Brasil Intel não é uma decisão fácil entrar representa entre 1,5% e nesse mercado. O desenvolvimento de um chipset móvel novo custa caro e leva tempo. Calcula-se que cada projeto demande algumas centenas de milhões de dólares, praticamente o mesmo custo de construir e pôr em órbita um satélite. Além disso, o tempo 2% do mercado mundial de chipsets, para projetar uma nova família de chipo que dificulta a abertura de uma sets é de três ou quatro anos. fábrica aqui. Outros obstáculos são a À exceção da Texas Instruments, a falta de infraestrutura adequada e maioria das empresas desse setor são dificuldades na logística. “fabless”, ou seja, não possuem fábrica própria. A produção dos chipsets é terMarketing ceirizada, ficando a cargo de compaQuando se compra um computador nhias asiáticas. São elas que fazem os pessoal, a escolha do processador chamados “wafers”, pastilhas de silício muitas vezes é determinante. No mercom milhares de chips que depois são cado de PCs, os consumidores conheserradas. O encapsulamento dos chips

“não dá PArA FAzer UmA FáBricA de cHiPs PArA Atender A Um mercAdo reGionAl”

cem a marca do processador embarcado em sua máquina. Em grande parte isso se deve ao investimento em marketing da Intel, iniciado anos atrás, e à inclusão de adesivos com o slogan “Intel Inside” no corpo dos gabinetes. No segmento de chipsets móveis é diferente: os usuários desconhecem a marca do processador que roda em seus smarphones. “Nunca teremos um selo como “Tegra inside”. É explícito demais. A beleza é quando a tecnologia é invisível para o cliente”, diz Cameron, da Nvidia. “O consumidor final escolhe o produto pela beleza ou pelo que ele faz, não pelas especificações técnicas”, afirma Grigor, da Marvell. Mas há indícios de que isso pode mudar. Um deles é a escolha do nome “Snapdragon” para a nova família de chipsets da Qualcomm, em vez

o desenvolvimento de Um cHiPset mÓvel novo cUstA cAro e levA temPo. cAlcUlA-se qUe cAdA ProJeto demAnde AlGUmAs centenAs de milHÕes de dÓlAres, PrAticAmente o mesmo cUsto de constrUir e PÔr em ÓrBitA Um sAtÉlite.

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da velha sopa de letrinhas e números. A Nvidia, por sua vez, lançou um aplicativo para Android chamado Tegra Zone que indica games que rodam melhor em smarphones com o processador Tegra 2. Ao que parece, os fabricantes dos chipsets para dispositivos móveis querem começar a ser notados não apenas pelos engenheiros de telecom, mas também pelos consumidores finais.

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.:Regulamentação

Mariana Mazza, de Brasília

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Um esqueleto de R$ 20 bilhões Nos últimos meses, o coro de defensores da flexibilização do controle dos bens reversíveis ganhou força na Anatel e no Executivo. Mas uma mudança de regras sem a devida atenção ao que já foi feito pode trazer um prejuízo bilionário à União.

N

a manhã do dia 17 de dezembro de 2008, a Anatel se preparava para tomar uma decisão que alteraria para sempre o setor de telecomunicações. Estava agendada a deliberação da anuência prévia para a compra da Brasil Telecom pela Oi, negócio bilionário que, para ser concluído, exigiu uma série de alterações nas regras do setor. Tudo estava pronto, mas o desfecho daquele dia foi bem diferente do esperado pelos conselheiros da Anatel. A reunião foi suspensa por uma cautelar do Tribunal de Contas da União (TCU) fazendo com que a decisão fosse adiada por dois dias. Desconfortável com o trabalho produzido pela agência, o TCU queria mais esclarecimentos sobre os impactos do negócio na sociedade e, principalmente, na União. Ao fim, o dia 17 de dezembro de 2008 selaria o início de uma cruzada ainda maior, sobre o patrimônio reversível à União no fim das concessões, já que uma das preocupações do órgão de controle tocava exatamente este tema, até então quase sempre ignorado nas discussões regulatórias. A Anatel conseguiu o aval do TCU para dar continuidade ao processo de fusão da Oi com a Brasil Telecom, assegurando que tinha absoluto controle sobre os bens reversíveis. O ministro Raimundo Carreiro desfez a liminar, mas sua decisão dava indícios de que o TCU ainda suspeitava do tal controle absoluto alegado pela Anatel. “A depor contra tal afirmação, em resposta a diligências deste Tribunal, (...) a Anatel informou não dispor de imediato das informações agregadas básicas sobre os bens reversíveis”, afirmou o ministro. Dois anos depois, relatórios da própria agência, obtidos com exclusividade por TELETIME NEWS, mostram que o TCU tinha mesmo motivos para desconfiar da gestão dos bens. O trabalho produzido pela equipe de fiscalização da própria agência reguladora traça um retrato preocupante do

acompanhamento do patrimônio reversível à União. São ao menos 10 anos de vendas de terrenos, imóveis e equipamentos vinculados à concessão sem que a agência tenha sequer sido informada pelas empresas. Os relatórios mostram ainda que as próprias concessionárias não possuem sistemas confiáveis de controle patrimonial, o que pode ser um problema para o momento em que os bens tiverem que ser revertidos à União. Todas as concessionárias apresentaram falhas semelhantes no controle do patrimônio, segundo a análise da fiscalização da Anatel, como o uso de registros com números sequenciais e sem qualquer subcategorização, praticamente inviabilizando o rastreamento de bens transferidos e alienados. Em muitos casos não há sequer o emplacamento dos bens e milhares de registros inseridos no sistema de acompanhamento patrimonial fazem referência a bens com valores negativos ou nulos, revelando que as listas produzidas pelas concessionárias são imprecisas, de acordo com os fiscais da Anatel. Os relatórios da Superintendência de Radiofrequência e Fiscalização (SRF) são 22 Teletime abr_2011

tão contundentes que a agência passou a tratar o processo como um segredo de Estado. Fiscais que participaram do processo de levantamento dos dados temem retaliações, já que diante do constatado torna-se inevitável a pergunta: como a Anatel deixou que a coisa chegasse a tal ponto? Note-se que o problema não é de hoje. Registros de problemas vêm desde 2000, pelo menos. Até o momento, uma única iniciativa foi tomada. No início do ano, a agência publicou três atos no Diário Oficial da União (DOU) dando seis meses para que a Oi, a Brasil Telecom e a Embratel apresentem um inventário atualizado de seus patrimônios. A Telefônica escapou raspando de ter um ato com o seu nome. Os relatórios mostram que a concessionária paulista possui os mesmos problemas das demais com relação ao inventário e alienação sem autorização de bens relevantes à concessão. Pesou a favor da empresa, no entanto, a existência de sistemas um pouco melhores de acompanhamento do patrimônio e um compromisso firmado entre a Anatel e a empresa de atualização da lista de bens. Mas a reação pública da agência reguladora para reaver o patrimônio vendido ilegalmente parou por ai. Remédio duvidoso Paralelamente, contudo, a Anatel trabalha em outra linha para solucionar o problema da reversibilidade: flexibilizar ao máximo as regras de controle do patrimônio, editando um novo regulamento para o assunto. O projeto de alterar o Regulamento de Bens Reversíveis teve início logo após o episódio narrado no início desta reportagem, quando o TCU deixou claro que estava atento ao assunto, mas só no fim do ano passado ganhou corpo. O novo texto passou por consulta pública e atualmente aguarda a deliberação final no Conselho Diretor. Em linhas gerais, o novo regulamento proposto garante às empresas a compra, alienação e substituição de bens conside-


rados de baixo valor pela Anatel sem qualquer anuência prévia da agência. A faixa de preço para a disposição plena do patrimônio é de R$ 600 mil, podendo chegar a R$ 1,5 milhão dependendo do nível de eficiência da empresa. A proposta acaba também com a conta vinculada que as empresas devem manter para receber os recursos advindos da venda de bens considerados reversíveis. Essa conta é fundamental para garantir que os recursos serão reinvestidos na concessão. Mas, se a conta é tão importante, por que acabar com ela? Mais uma vez a resposta está nos relatórios da própria Anatel. Segundo os fiscais da agência reguladora, essas contas só foram criadas entre 2008 e 2009, apesar da obrigação estar definida no regulamento editado em 2006 e que entrou em vigor um ano depois. Abertas com atraso, a maioria das contas tem saldo baixíssimo em comparação com o saldo das diversas alienações realizadas pelas concessionárias nos últimos anos. Um das concessionárias sequer possui a conta até hoje. Como a regra não vem sendo seguida, a agência optou por eliminar a regra. Ao argumentar em favor do fim da conta vinculada no novo regulamento, as áreas técnicas da agência alegaram que não havia necessidade da exigência uma vez que a Anatel acompanhava minuciosamente a negociação dos bens. Mas, de novo, não é o que constatou a fiscalização da autarquia, que escreveu em um dos relatórios: “Ressalte-se que as receitas oriundas da alienação de bens reversíveis não foram totalmente depositadas na conta vinculada e que os valores depositados não foram aplicados na concessão”. Pecado original A privatização do Sistema Telebrás ainda hoje é motivo de orgulho político e elogios, invariavelmente voltados para a enorme expansão da oferta de telefonia móvel e pela inovação do modelo regulatório representado pela Anatel. Mas o leilão das teles, realizado em 1998, também atraiu críticas, especialmente por conta do baixo valor pago pelas empresas e a falta de informações precisas sobre o que, de fato, foi vendido naquela manhã de 29 de julho de 98. Agora, 13 anos depois da privatização, algumas antigas dúvidas voltam ainda mais fortes por conta do debate dos bens reversíveis. No dia 7 de abril, em resposta a

denúncias de negligência no controle do patrimônio público veiculadas pela TV Bandeirantes, o comando da Anatel divulgou uma nota de esclarecimento alegando que “embora reversíveis à União no término da concessão, se utilizados para a prestação do serviço de telefonia fixa, tais bens não pertenciam e não pertencem à União”. A definição do patrimônio defendida pela agência é que, ao vender o controle das empresas estatais para operadores privados, as concessionárias sucederam o direito sobre os bens dessas companhias. Além disso, a agência entende que o patrimônio nunca foi público, mas sim pertencente à Telecomunicações Brasileiras S/A, a Telebrás, sociedade de economia mista, mas sob regime estatal. O entendimento da Anatel é razoável, mas ainda há controvérsias se as empresas podem mesmo dispor livremente de todo o patrimônio das companhias que tiveram seu controle leiloado. Uma peça fundamental para esclarecer o assunto é o levantamento patrimonial da Telebrás feito nos preparativos do leilão. Mas ao que tudo indica esses relatórios se perderam no decorrer dos anos e pouco ou nada se sabe sobre o patrimônio da esta-

tando que ele é sigiloso por conter dados estratégicos para as empresas. Os relatórios produzidos pela equipe de fiscalização da agência sugerem que as tais listas não existem, ao revelar que nenhuma concessionária entregou inventários relativos a 1998. A ausência de dados sobre o patrimônio estende-se até 2001 em todas as companhias. As empresas apresentaram diferentes argumentos para justificar a não apresentação dos relatórios. Uma delas chama a atenção: a concessionária diz que a renovação natural do quadro de funcionários fez com que os dados fossem perdidos. “(A empresa) informou que ao longo dos anos o quadro de pessoal foi renovado e os colaboradores que se desligaram da empresa levaram consigo as informações que estavam sob sua responsabilidade”, descreveram os fiscais nos relatórios. Queixas e polêmicas Apesar do revelador trabalho produzido pela própria Anatel, a agência reguladora continua decidida a rever o regulamento de bens reversíveis para reduzir o controle considerado exageradamente “patrimonialista” dos inventários. Um dos principais defensores do chamado “controle estratégico” dos bens é o conselheiro João Rezende. Recentemente, o conselheiro criticou o estatuto da reversibilidade, alegando que as regras em vigor cerceiam investimentos no setor. “As barreiras legais e o fantasma da reversibilidade estão atrasando o país”, afirmou o conselheiro, segundo matéria do portal Tele.Síntese do dia 23 de março. Rezende não faz segredo sobre sua visão da reversibilidade de bens. Em conversas informais, o conselheiro defende que a agência deveria pactuar com as teles o fim da regra, argumentando que a ideia de reverter bens à União não existe em nenhum outro país do mundo. Ao que tudo indica, Rezende tem conseguido adeptos de peso para sua defesa de transferência plena dos bens para as empresas. O mais novo defensor da flexibilização das regras de reversibilidade é nada menos do que o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez. Em debate realizado no dia 29 de março em Brasília, Alvarez reclamou dos que criticam a Anatel com relação ao controle patrimonial e comparou os bens reversíveis a um “fusquinha 68”, com

São ao menos 10 anos de vendas de terrenos, imóveis e equipamentos vinculados à concessão sem que a agência tenha sequer sido informada pelas empresas. tal em 1998 e se, de fato, ele foi computado para compor o preço mínimo do leilão e transferido para as teles. Há um ano, a Revista TELETIME abordou o tema sobre a posse e a natureza das redes de telecomunicações. Na ocasião, o advogado Floriano de Azevedo Marques Neto, membro da equipe de juristas que elaborou a Lei Geral de Telecomunicações (LGT), fez revelações importantes sobre o inventário de bens da Telebrás. Marques lembrou que por muito tempo tentou convencer seus colegas a elaborar uma lista detalhada do patrimônio, mas o trabalho nunca foi feito. “De repente, percebemos que listar detalhadamente tudo o que existia era impossível”, afirmou o advogado na época. Hoje, a Anatel alega possuir a lista original do patrimônio legado às teles, mas não divulga o documento argumenabr_2011 Teletime 23


.:Regulamentação pouco valor. “Tem que parar de brigar com a Anatel pelo fusquinha 68 que vai voltar para nós lá na frente, de ficar olhando o computador 386 que é reversível”, afirmou o secretário. “A Anatel vai ter que ficar eternamente contando quantos (computadores) 386, quantos fusquinhas vão voltar? Temos é que pensar no que é estratégico para o setor”, queixou-se mais adiante. A forma como Alvarez expôs a situação veio antes, contudo, de uma revelação importante contida nos relatórios técnicos da Anatel a que TELETIME teve acesso. Segundo cálculos apresentados pelas próprias empresas à Anatel, o tal “fusquinha” (bens reversíveis e vinculados à concessão) valeriam atualmente pelo menos R$ 20,9 bilhões. Com esses recursos, se esses cálculos forem corretos, daria para comprar mais de 4 milhões de Fuscas 68, usando a comparação iniciada pelo secretário. Nesse montante não entram os diversos imóveis, terrenos e equipamentos já alienados pelas empresas ao longo dos últimos anos sem anuência prévia da Anatel e que os fiscais entendem também serem reversíveis. Ou seja, o valor real

do patrimônio reversível a União é bem maior do que um mero problema de móveis velhos que serão devolvidos à União ao fim da concessão, em 2025. Duplo pagamento Ao contrário do que se possa pensar, a polêmica sobre a posse dos bens é uma questão menor no debate sobre a reversibilidade. A Relação de Bens Reversíveis (RBR), que deveria ser atualizada anualmente pelas concessionárias, é uma peça

sumariamente à União quando os contratos expirarem, mas o que foi investido pelas empresas poderá ser ressarcido. Mas o ponto crucial é o que não é essencial, mas acabará sendo necessário para prestar o serviço a partir de 2025 com o melhor nível de qualidade e técnica disponível no setor. Todo esse pacote de bens “não essenciais” poderá ser transferido também à União, mediante uma indenização a ser paga pelo Estado brasileiro às concessionárias. Assim, quanto mais enxuta for a RBR, maior a indenização que a União poderá pagar às teles. Também não custa lembrar que, como concessionárias, as empresas de telefonia fixa praticam tarifas controladas e o Estado é obrigado a garantir a entrada de recursos em um fluxo mínimo que assegure liquidez à empresa. Dessa forma, parte dos investimentos feitos pelas empresas vem de tarifas pagas na prestação de um serviço público, reforçando a natureza pública da rede usada para a oferta da telefonia fixa, dizem especialistas. 

o novo regulamento proposto garante às empresas a compra, alienação e substituição de bens considerados de baixo valor pela Anatel sem qualquer anuência prévia da agência. importante da concessão porque definirá mais à frente o tamanho da indenização que as empresas concessionárias poderão receber do Estado. O estatuto da reversibilidade assegura que os equipamentos, contratos e benfeitorias essenciais à prestação do serviço público (telefonia fixa) terão que ser transferidos

O que diz a Lei? Lei nº 9.472/1997 - Lei Geral de Telecomunicações Seção II - Do contrato Art. 93. O contrato de concessão indicará: XI - os bens reversíveis, se houver. Seção III - Dos bens Art. 101. A alienação, oneração ou substituição de bens reversíveis dependerá de prévia aprovação da Agência. Art. 102. A extinção da concessão transmitirá automaticamente à União a posse dos bens reversíveis. Parágrafo único. A reversão dos bens, antes de expirado o prazo contratual, importará no pagamento de indenização pelas parcelas de investimentos a eles vinculados, ainda não amortizados ou depreciados, que tenham sido realizados com o objetivo de garantir a continuidade e atualidade do serviço concedido. Contratos de concessão (atualizado em 2005) Capítulo XVI - Dos Direitos, Garantias e Obrigações da Concessionária Cláusula 16.1. Além das outras obrigações decorrentes deste Contrato e inerentes à prestação do serviço, incumbirá à Concessionária: VIII - manter registros contábeis separados para a modalidade de STFC objeto deste Contrato, de acordo com plano de contas estabelecido, bem como ter em dia inventário dos bens e dos componentes do ativo imobilizado da empresa, nos termos da regulamentação; X - zelar pela integridade dos bens vinculados à prestação do serviço. Capítulo XVII - Das Obrigações e Prerrogativas da Anatel Cláusula 17.1. Além das outras prerrogativas inerentes à sua

função de órgão regulador e das demais obrigações decorrentes do presente Contrato, incumbirá à Anatel: I - acompanhar e fiscalizar a prestação do serviço e a conservação dos bens reversíveis, visando ao atendimento das normas, especificações e instruções estabelecidas neste Contrato e em seus anexos; Capítulo XXII - Dos Bens Vinculados à Concessão Cláusula 22.1. Integram o acervo da presente concessão, sendo a ela vinculados, todos os bens pertencentes ao patrimônio da Concessionária, bem como de sua controladora, controlada, coligada ou de terceiros, e que sejam indispensáveis à prestação do serviço ora concedido, especialmente aqueles qualificados como tal no Anexo 01 - Qualificação dos Bens Reversíveis da Prestação do Serviço Telefônico Fixo Comutado. § 4º A Concessionária se obriga, nos termos da regulamentação, a apresentar anualmente relação contendo os bens vinculados à concessão, conforme definição da cláusula 22.1. § 5º A regulamentação disporá sobre identificação e controle dos bens reversíveis, em especial, aos casos de alienação, oneração ou substituição, que dependerão de prévia aprovação da Anatel, devendo estes bens estar claramente identificados na relação apresentada anualmente pela Concessionária. § 6º Os bens indispensáveis à prestação do serviço e que sejam de uso compartilhado pela Concessionária, fazem parte da relação apresentada anualmente pela Concessionária. Capítulo XXIII - Do Regime de Reversão Cláusula 23.1. Quando da extinção da concessão, reverterão automaticamente à Anatel todos os bens vinculados à concessão na forma do Capítulo XXII, resguardado à Concessionária o direito às indenizações previstas na legislação e neste Contrato.

24 Teletime abr_2011


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.:TICs

Cabeça nas nuvens, pés no chão

O

s números colocados pelas consultorias impressionam. Segundo o Gartner, até 2012 aproximadamente 80% das mil empresas do ranking da Fortune utilizarão serviços de cloud computing. Destas, 20% não terão mais ativos de TI. Para a IDC, os serviços em nuvem têm potencial para aportar aproximadamente US$ 57 bilhões em receita líquida de novos negócios somente na América Latina entre 2009 e 2013. Somente neste ano, este valor totalizará US$ 29 bilhões no mundo, crescimento cinco vezes maior do que as demais áreas de TI, informa a consultoria. Tal crescimento é simples de ser compreendido: a computação em nuvem traz não só redução de custos e eficiência operacional como também novas oportunidades de negócios. Trata-se do processamento de aplicações e acesso a base de dados remotas, dispersas no universo da Internet, para realização de serviços de TI. No universo das telecomunicações, em que todas as operadoras são gigantescas demandadoras de capacidade de TI e a cada dia caminham para serem provedoras desse tipo de serviço, a simpatia pelos conceitos do cloud computing é crescente. No entanto, quando a pergunta é de que maneira as operadoras aproveitarão os recursos da computação em nuvem para oferecer serviços e aplicações convergentes aos clientes corporativos e residenciais, ou mesmo quais delas pretendem passar algum de seus sistemas críticos para uma solução cloud, poucas são aquelas com algo concreto para mostrar. Isso ficou bem claro no Fórum Telecom e TI, realizado pelas revistas

FOTOS: izilda frança

Fórum Telecom e TI deixa evidente a distância entre o desejo e o fornecimento efetivo dos serviços de cloud computing pelas empresas de telecom. Telefônica sai na frente e promete produtos ainda para este ano.

TELETIME e TI Inside no último dia 6 de abril, em São Paulo. Os executivos da TIM e da Vivo responsáveis pela área de TI das teles alegaram que os benefícios do cloud computing são inúmeros, mas que a oferta destes serviços em larga escala ainda é complexa economicamente. “Os provedores podem até oferecer serviços com alto índice de qualidade (SLA), mas somos uma operadora com 60 milhões de clientes e com esse volume os custos ficam inviáveis”, argumenta o diretor de Desenvolvimento de Sistemas da Vivo, Agenor Leão. “Hoje ainda está longe de acontecer”, lamenta. Já o CIO da TIM, Maurício Cascão, acredita que o primeiro passo da tele em direção ao universo do cloud computing está sendo dado por meio da utilização de

software como serviço (SaaS) “dentro de casa”. Em um segundo momento, segundo ele, a ideia é oferecer SaaS ao mercado corporativo juntamente com desenvolvedores e parceiros. “Não vejo, pelo menos em um curto prazo, a oferta de cloud computing a terceiros sem o estabelecimento de parcerias estratégicas ou até joint ventures. Pelo menos não há nada no radar por enquanto”, diz. Ele descarta também passar algum dos sistemas críticos de TI da própria TIM para soluções em cloud. Apesar de entender o SaaS como o primeiro passo natural nos serviços em nuvem, o diretor de soluções para comunicações da Oracle, Alceu Bravo, acredita que as teles estão adotando uma postura conservadora. Para ratificar sua opinião, ele cita recente estudo global, que posicionou o Brasil como o país mais lento entre os países emergentes na adoção de serviços em nuvem. “O software como serviço é um primeiro passo, mas não é aí que está a mina de ouro para as operadoras”, diz. “Essas empresas já possuem uma rede capilarizada e experiência em atendimento, por isso oferecer infraestrutura (IaaS) e plataforma como serviço (PaaS) é uma maneira de rentabilizar ainda mais esse investimento”. Para ele, por todos esses motivos, mais a escala e o amplo conhecimento no segmento, o fornecimento de um portfólio completo de cloud computing é uma extensão natural dos negócios das operadoras. Bravo alerta as teles a se posicionarem nessa área, antes que empresas over-the-top, como Google e Skype, o

“Somos uma operadora com 60 milhões de clientes e com esse volume os custos (do cloud computing) ficam inviáveis. Hoje ainda está longe de acontecer” Agenor Leão, da Vivo 26 Teletime abr_2011


façam. “Depois fica mais difícil se estabelecer, tendo de entrar no mercado para competir com players universais”, diz. Telefônica na frente A Telefônica é a primeira operadora do Brasil a apresentar algo representativo no mercado de cloud computing. O diretor de Produtos da Telefônica do Brasil, Fabrício Bindi, esteve no Fórum Telecom e TI e revelou que a operadora já possui alguns serviços em nuvem e no segundo semestre deste ano lançará outros para os setores corporativo e residencial. O produto já tem até nome, “T-Cloud”, e inclui “Data Center virtual”, “PC Virtual” (thin client para acesso à Internet) e manutenção virtual, entre outros serviços. “Utilizaremos nossa experiência, logística e redes de canais para o cloud também”, diz o executivo, que acredita que para a solução dar certo no Brasil é preciso que algumas incertezas intrínsecas da computação em nuvem sejam equalizadas. “A dependência da Internet ainda gera insegurança nos clientes, por isso temos de garantir redes robustas, viabilizar alternativa de cloud privado, solução fim-a-fim e atendimento customizado, ou seja, segmentação de acordo com o perfil do cliente sem deixar de lado a simplificação da oferta”, explica. Bindi revelou também que a sensibilidade ao custo é um ponto estratégico na oferta da solução, que também deve comunicar claramente os benefícios e a orientação dos serviços conforme as necessidades do cliente. “Também estamos criando uma plataforma de conteúdo para trazer diversos parceiros, como a Microsoft e a SAP, por exemplo, além de outros desenvolvedores de soluções de contabilidade, gestão do negócio, faturamento, marketing, colaboração, e-learning, localização, segurança”, adianta. “Oferecemos tudo isso a partir de um pagamento fixo mensal, por usuário ou cliente, com acesso de qualquer navegador e com aplicações amigáveis”, acrescenta o executivo, que informou que no segundo semestre devem ser iniciadas as primeiras entregas. Segundo ele, há dois anos a Telefônica já oferece esse tipo de solução na Espanha e na Argentina. No Brasil, a ideia é trabalhar com soluções mais customizadas, por meio de projetos especiais e de alto valor agregado, para as grandes empresas, e de

“O software como serviço é um primeiro passo, mas não é aí que está a mina de ouro para as operadoras” Alceu Bravo, da Oracle forma massificada, para os pequenos e médios negócios. “Temos dois mundos, o das mil maiores empresas e das 20 mil pequenas e médias empresas, além, é claro do setor residencial”, explica. TI estratégico Se o cloud computing ainda é incipiente entre as operadoras, o mesmo não pode ser dito a respeito dos demais serviços de tecnologia da informação. Aliás, aquela visão de TI apenas como uma área de suporte e manutenção dos recursos computacionais e sistemas de comunicação de uma operadora já se tornou, há muito tempo, coisa do passado. Nas teles, as áreas de TI estão ganhando, cada vez mais, status de setor que não apenas desenvolve serviços, mas também colabora ativamente na geração de novos negócios de demais departamentos, como o de marketing. Esta realidade também ficou bem clara no Fórum Telecom e TI. Segundo o diretor de desenvolvimento de sistemas da Vivo, a integração das operações da telco, iniciada em 2003 a partir das aquisições de diversas operadoras regionais espalhadas pelo país, só foi possível graças a um bem estruturado projeto de consolidação dos sistemas de TI. O executivo lembra que há sete anos, no início da fusão das telcos regionais, a Vivo possuía seis estruturas diferentes de bilhetagem pré e pós-paga, além de 15 soluções de front-office, seis sistemas de provisionamento e de softwares anti-fraude, três ERPs, duas soluções de interconexão, seis modelos de mediação e oito datacenters. “Esse alto número de processos, sistemas e infraestruturas nos deixava com reduzida capacidade de implantação de políti-

“Utilizaremos nossa experiência, logística e redes de canais para o cloud também” Fabrício Bindi, da Telefônica abr_2011 Teletime 27

cas corporativas e baixo time-to-market”, recorda. Leão lembra que a operadora iniciou seu processo de consolidacação a partir da adoção de uma solução unificada de datawarehouse, da implantação de processos centralizados de ERP e de uma arquitetura convergente de bilhetagem. “Foi a solução de TI que pautou a consolidação da operação da Vivo”, diz. Em um segundo momento, em 2006, foi a vez de a Vivo migrar seu sistema de CDMA para GSM. Novamente os sistemas de informação foram decisivos para a empresa. “Adotamos um sistema de TI que habilitou essa migração com credibilidade na operação, governança e crescimento sustentável”, lembra. Para Maurício Cascão, da TIM, a área de TI também tem importância fundamental para a operadora. O sucesso dos planos pré-pago e pós-pago Infinity e Liberty estão, segundo ele, diretamente ligados com a evolução dos sistemas. “Não adianta desenvolver um modelo comercial inovador se não houver um endereçamento correto da estrutura de custo. Nossa estratégia comercial demandou uma arquitetura de billing alinhada e nossa área de TI trabalhou em sintonia com o marketing para isso”, diz. “Essas áreas têm de trabalhar juntas, desenvolvendo negócios”, acrescenta. O diretor da Vivo concorda e diz que na operadora a área de TI é um setor estratégico, que alavanca negócios. Segundo ele, não é à toa que no ano passado a média de satisfação apurada entre os 800 profissionais de sua equipe foi de 8,2 (sendo 10 a nota máxima). “A equipe de TI não é mais vista como suporte, mas como geradora de negócios”, finaliza o executivo, que acrescenta que todos os profissionais são funcionários da Vivo. O executivo da TIM admite que o assédio sobre sua equipe aumentou nos últimos anos, mas vê isso como algo bom. “Sinal de que nossos profissionais são bons. Alguma perda eventual faz parte do processo. Não queremos ter profissionais que não interessam ao mercado”, diz.  Daniel Machado


Fernando Paiva

fernando.paiva@convergecom.com.br FOTOS: divulgação

.:produtos

Ligue para o site O “Siter” é um aplicativo móvel gratuito criado por dois brasileiros que permite buscar telefones corporativos digitando o domínio da empresa na Internet. Se for uma companhia com muitos escritórios ou filiais, o programa sugere os telefones mais próximos de onde o usuário estiver. Na prática, ele substitui a necessidade de chamar os serviços de auxílio às listas telefônicas. O “Siter” varre periodicamente a web cadastrando números, mas as empresas também podem atualizar seus contatos. O Santander, por exemplo, incluiu os telefones de suas 2,4 mil agências no Brasil. Atualmente o “Siter” tem mais de 25 milhões de domínios cadastrados do mundo todo. O aplicativo está disponível para smartphones Android, IPhone e Blackberry e em 11 idiomas. www.siter.com.br

Conexão automática a redes WiFi 45 segundos é o tempo médio que se leva para buscar novas redes WiFi e se conectar a elas. A Vex, empresa que administra uma extensa rede de hotspots, desenvolveu um aplicativo gratuito para agilizar o processo e reduzir esse tempo para cinco segundos. Com o “Vex Connector”, o usuário cadastra uma única vez a sua senha e passa a acessar automaticamente os hotsposts da Vex e de seus parceiros sempre que estiver dentro da área de cobertura. O aplicativo foi lançado para a plataforma Windows e em breve estará disponível para iOS e Android. O download pode ser feito no site da Vex. www.vexcorp.com

GPS para ciclistas Os navegadores móveis chegaram ao guidão das bicicletas. A Bryton desenvolveu o Rider50, um navegador especialmente para ciclistas. Ele vem com o mapa do Brasil pré-instalado e permite traçar rotas, gravar trilhas e armazenar o histórico de passeios realizados pelo usuário. O aparelho é resistente à água e sua bateria aguenta 15 horas seguidas de uso. O Rider50 possui entrada mini USB e slot para cartão microSD. O produto acompanha um suporte para que seja preso ao guidão. Seu preço é de R$ 1.699,00. www.brytonsport.com.br

Samurai paga com o celular “Tanto” é o nome de uma espada samurai. E é também o nome da terceira geração da plataforma da brasileira Hanzo para criação de serviços de valor adicionado em telefonia celular. Entre as novidades incluídas nela estão ferramentas de mobile payment, como “web cupom” e “pay for virtual goods”. A primeira permite a venda, via SMS, de códigos de acesso a conteúdos na web. A segunda é voltada à venda de créditos para troca por mercadorias digitais. Qualquer cliente da Hanzo interessado em lançar tais serviços pode acessar a Tanto pela web e criar sua oferta. A Hanzo se encarrega da integração com as operadoras móveis e oferece um large account nacional. www.hanzo.com.br

Gel protetor de cabos A italiana Etelec trouxe para o Brasil a “Shark”, sua linha de produtos para isolamento de cabos de telecomunicações e de eletricidade. Os kits Shark são compostos por um gel polímero isolante e conectores, que variam de acordo com o tipo de cabo. O gel protege os fios contra incêndios, alagamentos e soterramentos. O produto atende aos padrões internacionais de segurança EM 50393 e NBR 5410. O gel e os conectores da linha Shark são autoextinguíveis e têm baixa emissão de fumaça e de gases tóxicos. www.etelec.com.br

0800 inteligente A GVT disponibilizou para seus clientes corporativos de linhas 0800 uma plataforma para configuração online do serviço. Agora, a própria empresa que contratou o serviço pode alterar, em tempo real, suas preferências de bloqueio, encaminhamento e agendamento de chamadas. Antes, era preciso ligar para a central de atendimento e algumas mudanças, como bloqueio de ligações a cobrar, levavam dias para serem efetivadas.  A GVT oferece consultores especializados para visitar as empresas interessadas e prestar os devidos esclarecimentos sobre o uso da plataforma de configuração do serviço de 0800. www.gvt.com.br abr_2011 Teletime 28


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Cláudio Dascal

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.:ponto&contraponto

Horizonte meio nublado

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loud computing, computação em nuvem, aparece como a bola da vez em tecnologia de TI. Alguns mais ousados chegam a apostar que a computação em nuvem tem o potencial de ser uma nova revolução que afetará a oferta de serviços, a educação e as possibilidades de negócios. Só que, por enquanto o que se vê não é uma nuvem, mas sim uma perspectiva bastante nublada do potencial de revolução que pode trazer esta nova modalidade ou tecnologia de TI. Nos últimos quinze anos tivemos duas revoluções que efetivamente mudaram o modo de se relacionar, trabalhar e mesmo o modo de ser das pessoas: a Internet, a mobilidade e a junção dos dois com o mundo IP, fazendo a mobilidade e a disponibilidade permanente como algo com um potencial que ainda tem muito para ser explorado. O ser humano ganhou um novo órgão e um sexto sentido. Continuamente aparecem novas soluções, arquiteturas e tecnologias que pretendem trazer algum tipo de revolução, mas que na maior parte das vezes são apenas evoluções, ou novas arquiteturas ou metodologias que estão mais na linha de tornar mais eficiente as propostas em curso do que realmente uma revolução de impacto nos hábitos de consumo. Várias siglas nos últimos anos tentaram se afirmar como soluções definitivas de arquitetura de redes, mas IMS e SDP não emplacaram como solução que justificasse uma rápida substituição das arquiteturas existentes, e acabaram se tornando recomendações de evolução para novas implantações quando der, sem uma adoção de substituição massiva como gostariam os seus adeptos criadores. Identificar o potencial de uma inovação é muito difícil diante desta avalanche de informações a que somos submetidos todos os dias através das diferentes mídias. Uma característica da inovação autêntica deve ser a busca da simplicidade. E com a sua aplicação, poder simplificar demandas reais de mercado para além das tentativas de marketing que visam criar demandas para problemas muitas vezes inexistentes. Cloud computing é uma solução sim-

ples para ambientes corporativos e tem se mostrado eficiente e uma boa promessa neste âmbito. No ambiente corporativo é uma inovação que simplifica e tem muito potencial a ser explorado, que permite estender o ambiente corporativo, ou mesmo o outsourcing de funções de TI de forma mais efetiva e ampla com implementações sob medida e com grande flexibilidade. Mas uma aplicação ampla de cloud computing, nesse momento, soa mais como uma tecnologia em busca de um problema, e talvez não tenha toda esta potência para adoção massiva em todos os setores. Já no ambiente das empresas de telcomunicações, como ferramenta para prover um serviço para os seus clientes com vistas ao aumento de receitas, não parece que a possibilidade de oferta de serviços por nuvem vá viabilizar modelos de negócio viáveis no curto prazo. As operadoras fixas, atendendo o mercado corporativo, podem de fato aumentar sua oferta de serviços e criar uma flexibilidade hoje inexistente. Uma oferta assim vai melhor atender as pequenas e médias empresas, que nunca foram devidamente atendidas pelas grandes operadoras por conta de sua pulverização. Ao trazer a flexibilidade de oferta de serviços em nuvem, será possível às teles fazer uma oferta sob demanda às PMEs. Operadoras de nicho ou pequenas e médias operadoras, focadas neste serviço, também podem se valer desta tecnologia para dar um serviço sob medida. Mas para as grandes operadoras, entretanto, parece haver pouca chance de dar certo este tipo de atendimento, pois seus sistemas são anacrônicos, teriam que se reinventar completamente e isto, claramente, não é fácil de inserir está em seu roadmap e previsão de investimentos. Uma possível aplicação do cloud computing na esfera das empresas de telecom é na arquitetura de redes, permitindo a

conexão IP de elementos de rede em nuvem reduzindo custos e aumentando a flexibilidade e eficiência de uso da infraestrutura. Mas é algo que vai levar tempo para se materializar e pode ficar no caminho assim como aconteceu com muitas outras soluções. As operadoras de serviços móveis não identificam na computação em nuvens uma tecnologia que permitirá o aumento de receitas, pois a sua relação com o mercado corporativo tem muito potencial a ser explorado principalmente com a massificação crescente dos smartphones. Entretanto um grande potencial existe na computação em nuvem para o crescente universo das aplicações para dispositivos móveis. A cada vez maior oferta de aplicativos para aparelhos móveis, e a consciência de que alguns apenas terão aceitação e uso que justifiquem toda a cadeia de valores das operadoras móveis, enseja a oportunidade de que a nuvem permita criar flexibilidade e dar viabilidade a muitos aplicativos que de outra forma ficariam sem uso e sem viabilidade. A utilização da nuvem na introdução das aplicações tornará mais leve, rápida e flexível esta cadeia de valor. Cloud computing tem muita aplicação em empresas, grandes e médias, como forma de estender e agilizar o uso dos recursos de TI e com certeza é um conceito tecnológico válido e com muitas oportunidades de uso ainda por descobrir. O que devemos nos prevenir e evitar é de colocá-la como panacéia universal para a prestação de serviços de outsourcing em TI, com cobrança a medida pelas grandes operadoras. Muito mais pode acontecer e é fato que no discurso de líderes de grandes operadoras como AT&T, China Mobile, Vodafone e BT, o uso de cloud computing como uma aposta no maior desenvolvimento do ecosistema de negócios na área de comunicações móveis é uma constante. Mas os resultados ainda precisam ser vistos. 

uma aplicação ampla de cloud computing, nesse momento, soa mais como uma tecnologia em busca de um problema, e talvez não tenha toda esta potência para adoção massiva.

30 Teletime abr_2011


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Revista Teletime - 142 - Abril 2011  

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