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Ano 13

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dez2010

www.teletime.com.br

orelhão: perto do limite?

Operadoras querem flexibilizar regras de instalação de TUPs, mas defesa do consumidor diz que terminais públicos ainda são fundamentais. EMPREGO Expansão do setor gera carência de profissionais especializados e faz empresas investirem em treinamento

ENTREVISTA Mariano de Beer explica como a Telefônica expandiu os acessos fixos e a banda larga em 2010


Samuel Possebon

FOTO: arquivo

.:Editorial

samuca@con­ver­ge­com.com.br

Presidente Rubens Glasberg Diretores Editoriais André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski

Editor Samuel Possebon Consultor Especial Cláudio Dascal Coordenadora de Projetos Especiais Letícia Cordeiro Redação Daniel Machado, Fernando Paiva (Rio de Janeiro), Helton Posseti e Mariana Mazza (Brasília) Arte Edmur Cason (Direção de Arte); Rubens Jardim (Produção Gráfica); Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica); Débora Harue Torigoe (Assistente); Alexandre Barros (Colaborador); Bárbara Cason (Colaboradora) Departamento Comercial Rodrigo Arraes (Ger. de Negócios Online) Ivaneti Longo (Assistente) Gerente de Circulação Gislaine Gaspar Marketing Gisella Gimenez Gerente Administrativa Vilma Pereira TELETIME é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 603 - CEP: 01243-001 - Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910 - São Paulo, SP. Sucursal SCN - Quadra 02 Bloco D, sala 424 – Torre B - Centro Empresarial Liberty Mall - CEP: 70712-903 - Fone/Fax: (61) 3327-3755 - Brasília, DF. Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A CENTRAL DE ASSINATURAS 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira Internet www.teletime.com.br E-mail assine@convergecom.com.br REDAÇÃO (11) 3138-4600 E-mail cartas.teletime@convergecom.com.br PUBLICIDADE (11) 3214-3747 E-mail comercial@convergecom.com.br

Instituto Verificador de Circulação

Os abacaxis do novo ministro

A

indicação de Paulo Bernardo para ministro das Co­­mu­ni­ cações no governo Dilma Rousseff tem um significado simbólico importante. Inter­ locutores da futura presidente asseguram que ela pensa em tratar a pasta com o mesmo carinho com que tratou o Ministério de Minas e Energia no começo do governo Lula, em 2004. Naquela oca­ sião, uma das primeiras medidas da então ministra Dilma foi refazer o marco legal do setor elétrico, assolado por um inacreditável racionamento de energia. Torcemos para que esse desejo se materialize em ações. No governo Lula, a pasta das Comunicações passou longe de ser prioridade. Paulo Bernardo, por sua vez, terá algumas missões interessantes pela frente. Primeiro, terá sob si a res­ ponsabilidade de tocar o Plano Nacional de Banda Larga, que até aqui vinha sendo negociado e conduzido na Presidência e na Telebrás. Mas lugar de política pública é no ministério, e a mudança de endereço do PNBL é mais do que bem-vinda. Outra missão impor­ tante do ministro será o de interlocutor qualificado com a Anatel junto ao gover­ no. A agência carece de referência, pre­ cisa de alguém que diga a ela quais são as suas prioridades, precisa de respaldo para que o trabalho técnico seja feito com isenção, respaldo do governo mas, sobretudo, com coordenação e transpa­ rência. Os atropelos e incongruências na elaboração do importantíssimo Plano Geral de Metas de Universalização válido para 2011 a 2015 (PGMU III) são um bom exemplo do quanto as coisas podem ser catastróficas quando falta liderança. A Anatel teve praticamente dois anos para elaborar o PGMU. Soltou uma con­ sulta pública em 2009, depois outra, completamente diferente, a quatro meses do prazo final. Recebeu orientações dire­ tamente da Presidência e, aparentemen­ te, aceitou. Mas, ao mesmo tempo, a dez_2010 Teletime 3

agência não se impôs, não disse até onde o governo poderia ir, qual era o limite do tecnicamente razoável e possível. Depois, quando as empresas foram para a Justiça, de uma hora para outra toda a cúpula da Anatel passou a dizer, infor­ malmente, que o trabalho de seus técni­ cos tinha passado dos limites. O presi­ dente Lula, por sua vez, falou duro, disse que não negociava com uma ação na Justiça, e no fim resolveu-se que as coi­ sas só serão resolvidas em abril de 2011, já sob a coordenação de Paulo Bernardo. Mas é bom que os problemas atuais se resolvam: definir o futuro do backhaul, da reversibilidade, do serviço público de telecomunicações é preparar o ambiente para o modelo de telecomunicações até 2025, e isso precisa ser feito já. Por fim, talvez o maior desafio do futu­ ro ministro será a Lei de Comunicação Eletrônica, cujo anteprojeto deve ser dei­ xado pelo grupo coordenado pelo minis­ tro da Secretaria de Comunicações de Lula, Franklin Martins. Essa é uma mis­ são que Paulo Bernardo certamente só vai encampar se houver determinação da presidente Dilma, e não se sabe ainda se isso acontecerá. Mas é um trabalho fun­ damental para harmonizar o marco legal das telecomunicações e da comunicação social, abrir espaço para a convergência plena de serviços, empresas e tecnolo­ gias, acabar com o esquema de capitanias hereditárias que reina no arcabouço ins­ titucional e regulatório da radiodifusão e botar ordem no fragmentado modelo de regulação de conteúdos e redes no Brasil. O debate sobre esse novo marco vem sendo ensaiado e suspenso desde 1997. Vários anteprojetos estão disponíveis para análises acadêmicas, mas nunca as barreiras e indisposições setoriais foram vencidas. Já está mais do que na hora disso acontecer e o debate ganhar peso institucional. Até porque, depois disso, ainda haverá uma longa e necessária tra­ mitação no Congresso Nacional.


139 Número

w w w . t e l e t i m e . c o m . b r

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Ano 13 | Dez10

Capa

6 Orelhão caído

Incumbents propõem redução da densidade de telefones públicos, cuja planta atualmente está 40% ociosa. Fabricantes sugerem modernização.

Entrevista

10 O despertar do gigante Mariano de Beer, diretor da Telefônica, diz como a tele conseguiu crescer na oferta de serviços tradicionais e obter o melhor resultado operacional dos últimos cinco anos.

Mercado

16 Clube dos privilegiados

Base de assinantes de banda larga, TV por assinatura e até telefonia fixa aumenta em 2010. Bom desempenho, no entanto, ficou restrito a poucas empresas.

Varejo

20 Na cadência do comércio

Quatro principais datas para o comércio movimentam 44,9% das vendas de celulares no Brasil. Segredo do sucesso é se planejar com antecedência para esses períodos.

10

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Terminais

28 Terreno fértil

Mercado de tablets encontra ambiente ideal para crescer muito no Brasil, com expansão do WiFi, novos planos de dados e aumento da capacidade da infraestrutura móvel.

Emprego

34 Seca de gente Aquecimento do mercado, desinteresse dos jovens em engenharia e baixos salários para instaladores de redes externas evidenciam escassez de mão-de-obra em telecom.

Regulamentação

38 Larga e forte 28

Anatel conclui estudos que poderão levar ao primeiro Plano Geral de Metas de Competição. Destaque é o foco na banda larga em detrimento da telefonia fixa.

Editorial 3 | Ponto de Vista 42 | Produtos 44 | Ponto & Contraponto 46 ilustração de Capa: editoria de arte converge/shutterstock

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_ we enable growth real-time convergent billing real-time policy management real-time top-up and voucher

orga-systems.com.br


.:capa

Fernando Paiva, do Rio de Janeiro fernando.paiva@convergecom.com.br

Orelhões na berlinda

Queda no uso da telefonia pública dá munição a operadoras para pedirem flexibilização das metas, enquanto fabricantes sugerem modernização dos TUPs.

O

futuro dos telefones públicos está sendo discutido. Em meio aos debates sobre as novas metas de universali­ zação que valerão para os anos de 2011 a 2015 (PGMU III), as concessionárias propõem uma diminui­ ção da densidade de terminais de uso público (TUPs), usando como principal argumento a queda de tráfego desse serviço nos últimos anos em grandes centros urbanos. Paralelamente, fabri­ cantes de orelhões projetam modelos multimídia e sonham com uma deman­ da por modernização da planta, enquanto órgãos de defesa do consumi­ dor querem metas mais agressivas dessa modalidade de serviço. É inegável que o uso da telefonia no País se transformou radicalmente nos últimos anos. Os números das conces­ sionárias provam isso. No primeiro tri­ mestre de 2008, a receita com telefonia pública da Oi e da Brasil Telecom juntas foi de R$ 346 milhões. De lá até o tercei­ ro trimestre de 2010, o faturamento caiu 75%, baixando para R$ 86 milhões. Na Telefônica também é constatada a tendência de queda, a ponto de a empre­ sa ter preferido parar de divulgar dados de faturamento com telefonia pública em 2010. Considerando o balanço do quarto trimestre de 2009, último dispo­ nível com essa informação, a diminui­ ção de receita nesse segmento foi de 34% em comparação com o primeiro trimestre de 2008 (veja gráfico). Os dados de tráfego estão igual­ mente em declínio. De janeiro de 2006 a outubro de 2009, o volume mensal de minutos de telefonia pública na Oi despencou de 955 milhões para 360 milhões. A explicação para a maioria dos especialistas está na populariza­ ção da telefonia móvel, cuja utilização canibalizou aquela dos orelhões nos grandes centros urbanos. Em 2004, 42% da população nas regiões 1 e 2 (ou seja, o Brasil inteiro menos São Paulo) usava a telefonia pública diaria­ mente e apenas 61% tinha celular. Em 2010, apenas 4% utiliza orelhões todo

dia e 82% tem celular, informa a Oi. Como consequência, boa parte da planta de TUPs encontra-se pratica­ mente sem uso. Atualmente, 40% dos orelhões da Oi registram menos de cem minutos de tráfego por ano. O advogado Guilherme Varella, do Idec, entretanto, aponta outro motivo que contribui para a queda no tráfego da telefonia pública: a grande quantida­ de de TUPs quebrados. “Muitos orelhões deixam de ser utilizados simplesmente porque não têm condições de serem utilizados”, afirma. As operadoras res­ pondem que seus custos de manutenção são altos e reclamam que o serviço de telefonia pública é altamente deficitário. Nos nove primeiros meses de 2010, o 6 Teletime dez_2010

custo de manutenção da planta de TUPs da Oi foi de R$ 150 milhões. Independentemente das razões para a queda da receita e do tráfego na telefo­ nia pública, a planta de orelhões se mantém estável, pois está vinculada a metas de universalização. De acordo com os balanços do terceiro trimestre, Oi e Telefônica somavam, ao fim de outubro, 1,09 milhão de TUPs em fun­ cionamento. Dois anos e meio atrás, em março de 2008, era 1,11 milhão. A diminuição do uso da telefonia pública também afeta os fabricantes de TUPs. A Daruma, por exemplo, lembra que no auge da corrida para atendi­ mento das metas de universalização, cerca de dez anos atrás, chegou a fabri­


FOTOS: divulgação

car 50 mil orelhões por mês. Hoje, com a estabilização da planta, a demanda é pífia. A solução da empresa foi diver­ sificar sua receita. Em vez de ganhar com a fabricação de novos TUPs, passou a faturar com a manutenção da planta atual, assinando contratos para este fim com Oi, Telefônica e CTBC. Eventualmente também con­ segue receita em razão de atualizações exigidas pela Anatel nos orelhões, como a extensão do fio de 60 cm para 80 cm, a troca de displays e a inclusão de um alerta sonoro quando os créditos acabam. Hoje, 85% do fatu­ ramento da Daruma com telefonia pública vem dos contratos de manuten­ ção; 10% de atualizações; e apenas 5% de venda de novos aparelhos. Vale lembrar que continuam frequentes os casos de vandalismo em orelhões. Calcula-se que entre 10% a 15% dos telefones públicos no Brasil são que­ brados por vândalos anualmente. O CPqD, que recebe royalties por unidade de cartão indutivo produzido no país, também sofre com a queda no uso de telefonia pública no País. O cen­ tro informa que seu faturamento com royalties vem caindo constantemente, mas não revela números. Metas Embora o tráfego de telefonia públi­ ca tenha diminuído, é indiscutível que

“O telefone público é o cartão de visitas da operadora” Nádia Gasparotto, da Daruma os orelhões ainda são essen­ ciais em localidades remotas, por falta de outros meios de comunicação, mas também em grandes centros urbanos, como opção barata para rea­ lização de chamadas. Varella, do Idec, argumenta que a discussão deve ser feita levando em conta o preço da telefonia fixa e da telefonia móvel no Brasil. “A assinatura básica da telefonia fixa gira em torno de R$ 40. As pessoas então migram para o celular, que não tem assinatura, mas cujo minuto é bem mais caro. A maioria usa o celular para receber chamadas e recorre ao orelhão quando quer ligar”, explica Varella. Não é difícil encontrar perso­ nagens que comprovem a teo­ ria. O pedreiro Carlos Alberto Nunes, que mora em uma casa humilde em Japeri, no Rio de Janeiro, não tem tele­ fone fixo e usa um celular pré-pago, mas compra todo mês pelo menos um cartão de orelhão para realizar chama­ das. A própria Telefônica, controladora da Vivo, reconhece que muita gente em São Paulo usa o orelhão para retornar chamadas recebidas em seus celulares porque a tarifa é mais barata. É diante desse cenário que se dis­

cute o futuro da telefonia pública no Brasil a partir da revisão das metas de universalização das concessionárias de telefonia fixa. Em sua proposta para o PGMU III, que ainda aguarda aprovação final, a Anatel decidiu redu­ zir a densidade de orelhões no País de seis para 4,5 por mil habitantes. As concessionárias querem uma densida­ de menor. “A proposta da Anatel é tímida. Para acabar com a ociosidade da planta, a densidade deveria ser de três TUPs para cada mil habitantes”, afirma o diretor de regulamentação da

As operadoras alegam que seus custos de manutenção são altos e reclamam que o serviço de telefonia pública é deficitário Oi, Paulo Mattos, que ressalva: “não queremos tirar orelhões de localidades remotas. Mas em centros urbanos não faz sentido manter a densidade atual de TUPs. Deveria haver troca de metas.” A Telefônica informou que “a realidade criada pelo avanço do celu­ lar e de outras formas de comunicação instantânea deveria nortear discus­ sões sobre eventual redução do núme­ ro de orelhões.” A proposta é criticada pelo Idec. “É

Principais propostas para telefonia pública na minuta do PGMU III

Protótipo do TUP-IP em desenvolvimento no CPqD

3 Reduzir de seis para 4,5 TUPs por mil habitantes, considerando dados fornecidos pelo IBGE. 3M  anter a distância geodésica de 300 metros entre cada TUP nas localidades onde haja disponibilidade de acesso STFC individual. 3 50% da planta deve estar instalada em locais públicos e acessíveis 24 horas por dia. 3 Nas localidades onde haja acessos individuais STFC, as concessionárias devem atender pedidos de instalação de TUPs em estabelecimentos de ensino regular, instituições de saúde, estabelecimentos de segurança pública, bibliotecas e museus públicos, órgãos do Poder Judiciário, órgãos do Ministério Público e órgãos de defesa do consumidor. 3 Nas localidades onde haja acessos individuais STFC, pelo menos 2% da planta de TUPs deve ser adequada para atendimento a pessoas portadoras das seguintes deficiências: auditiva, visual, de fala e de locomoção. 3 Todas as localidades com mais de cem habitantes, assim como todas aquelas que já contem com acesso individual STFC, devem dispor de pelo menos um TUP em local, acessível 24 horas por dia. 3 Instalar TUPs, mediante solicitação, em comunidades quilombolas, comunidades extrativistas, assentamentos de trabalhadores rurais, aldeias indígenas, postos da Polícia Rodoviária Federal, organizações militares e aeródromos públicos. 3 Instalar TUPs em todas as escolas públicas e postos de saúde públicos em áreas rurais.

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.:capa inconcebível pensar que a Anatel queira diminuir o número de orelhões. Não faz sentido reduzir a densida­ de”, protesta o advogado da entidade, que propõe a manutenção da meta de seis TUPs para cada mil habitan­ tes. Ele acrescenta como argumento que, embora alguns estados e o Distrito Federal tenham superado a penetração de 100% de tele­ fonia celular, outros, como o Maranhão, ainda registram uma teledensidade móvel modesta. A distância geodésica entre os TUPs também provoca divergências. Hoje, a regulamentação prevê um orelhão a cada 300 metros. Na minuta, a Anatel optou por manter essa distância até 2015. A Oi, porém, gostaria que fosse de FOTO: divulgação

“É inconcebível pensar que a Anatel quer diminuir o número de orelhões” Guilherme Varella, do Idec 600 metros. E o Idec, por sua vez, pede que a distância seja encurtada para 100 metros, como era antigamente, no pri­ meiro PGMU. Uma exigência nova que não foi con­ testada é a garantia de que 2% da plan­ ta de TUPs seja adequada para os porta­ dores de deficiência visual, auditiva, de fala e de locomoção. A regulamentação vigente não define as deficiências a serem atendidas, o que provoca distor­ ções, como a presença ínfima de ore­

Quantidade de linhas TUPs (em milhares) 900

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Telefônica

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Receita de TUPs (em milhões) 400

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1T09 Oi + BrT

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Telefônica

Fonte: empresas

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lhões adaptados para surdos e mudos. Outra alteração importante é o atendi­ mento à solicitação de instalação de TUPs em comunidades quilombolas, comunidades extrativistas, assentamen­ tos de trabalhadores rurais, aldeias indígenas, postos da Polícia Rodoviária Federal, organizações militares e aeró­ dromos públicos. Orelhão do século 21 Independentemente da discussão regulatória, existe a queixa, por parte dos fabricantes, de que as concessioná­ rias não enxergam a telefonia pública como negócio, mas como uma obriga­ ção. A diretora comercial da Daruma, Nádia Gasparotto, relata que sua com­ panhia costuma receber pedidos de fazendeiros e de postos de gasolina em estradas para a instalação de TUPs, mas não pode atendê-los porque isso cabe às concessionárias. “Se a meta já estiver cumprida em determinada localidade, a operadora não tem interesse em insta­ lar mais TUPs nela”, explica Nádia. Um dos caminhos para fazer com que os orelhões gerem receita para as operadoras seria modernizá-los, acres­ centando a oferta de novos serviços multimídia, como acesso à Internet, envio de SMS e vídeo-chamada. Essa é a opinião da Daruma e do CPqD: ambos têm projetos de criar o que pode se tor­ nar o orelhão do século XXI. O modelo da Daruma já está em catálogo, mas não teve nenhuma unidade comercializada até agora. Ele tem tela de sete polegadas sensível ao toque, webcam integrada e um roteador WiFi embutido, o que o torna um hotspot para venda de inter­ net pré-paga. O modelo do CPqD ainda está em desenvolvimento e foi batizado interna­ mente de TUP-IP, pois trafegará voz sobre a rede IP (VoIP). A versão do cen­ tro de pesquisas também terá tela de sete polegadas, câmera de vídeo e um roteador WiFi embutido. A conexão com a internet poderá ser feita através de qualquer tecnologia disponível no ponto onde for instalado o orelhão: ADSL, cabo, WiMAX, 3G etc. Um dos diferen­ ciais será a inclusão de um menu para busca de estabelecimentos comerciais próximos, serviço gratuito para o cliente mas que poderá gerar receita publicitá­ ria para as concessionárias. O desenvol­ vimento do TUP-IP deve ser concluído em breve. Sua fabricação ficará a cargo da Icatel e um primeiro teste piloto é


estimado para 2012. “Esse terminal poderia ser instalado em praças públicas, estádios e aeropor­ tos”, sugere Elizabeth Betanho, coordena­ dora do projeto dentro do CPqD. A Telefônica não tem planos de adquirir TUPs multi­ mídia. E Mattos, da Oi, não tem certeza se existe demanda dos consumido­ res por tal tipo de orelhão, diante da gradual massifica­ ção da banda larga no País. Outra ideia para tornar os orelhões superavitários, ou menos deficitários, é explorar seu espaço interno com publicidade, algo que a população já faz informalmente há muito tempo. Sobre essa possibilidade, a Telefônica respondeu por escrito, através de sua assessoria de imprensa: “é uma ideia que a empresa vem estu­ dando e com chances de ser viabilizada, embora haja fatores limitadores, como a Lei Cidade Limpa”, explica a empresa,

O cartão da discórdia

S

e o orelhão vive sob um fogo cruzado entre concessionárias, Anatel, fabricantes e órgãos de defesa do consumidor, a situação do cartão indutivo é ainda pior. Criado na década de 80 e definido pela regulamentação como meio de pagamento obrigatório em todos os orelhões, o cartão indutivo recebe críticas de todos os lados. As concessionárias reclamam que sua tecnologia é frágil e, consequentemente, sujeita a fraudes. A Oi calcula que tenham sido distribuídos mais de 18 milhões de cartões indutivo falsificados nas regiões 1 e 2 entre janeiro de 2009 e abril de 2010.”Há quadrilhas com fábricas clandestinas de cartões indutivos”, denuncia o diretor de regulamentação da Oi, Paulo Mattos. Fabricantes de orelhões, como a Daruma, sugerem que sejam adotados novos meios de pagamento nos TUPs, como leitora de cartões magnéticos ou mesmo moedeiras. A Oi realizou um teste no Ceará em 6 mil orelhões que puderam ser utilizados com um cartão magnético recarregável, como se fosse um cartão pré-pago, mas não divulga os resultados da experiência. A volta da moedeira é descartada pelas operadoras porque aumenta o índice de vandalismo. Como se não bastassem esses problemas, a patente da tecnologia é contestada na Justiça. O CPqD é tido como o inventor do cartão indutivo, mas uma pequena empresa de Campinas, a SignalCard, afirma ser a verdadeira dona da patente. O proprietário da SignalCard, Francisco Miguel, luta há mais de uma década na Justiça para deter os direitos sobre a tecnologia. Perdeu em primeira instância, mas recorreu e aguarda há seis anos por um novo julgamento.

referindo-se à legislação da capital pau­ lista que limita a veiculação de publici­ dade em espaços públicos. Moderno ou tradicional, deficitário ou superavitário, o orelhão ainda serve

como opção de comunicação para muita gente e representa a marca das conces­ sionárias Brasil afora, como resume Nádia, da Daruma: “o telefone público é o cartão de visitas da operadora”. 

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.:entrevista

Samuel Possebon e Helton Posseti

samuca@convergecom.com.br | helton@convergecom.com.br

Fios de ouro

Mariano de Beer, responsável direto pelas operações da Telesp, explica como a empresa espera crescer em receitas e em base de clientes com suas redes de telefonia fixa, banda larga e TV por assinatura.

TELETIME - Que serviço pode ser definido como o foco da Telesp hoje? Telefonia fixa ou banda larga? Mariano de Beer - O principal produto que a gente tem é a comunicação. Eu não poderia falar que é a telefonia, a banda larga ou a televisão. É o conjunto de serviços que fazem a comunicação. Dentro disso, a telefonia fixa é muito relevante. E nós já estamos fazendo da telefonia fixa um produto que continua sendo relevante para a sociedade brasileira. Esse eu acho que é o melhor ano da Telesp no Brasil. Nós conseguimos os melhores números operacionais dos últimos cinco anos, incluindo telefonia fixa. Quando todo mundo acha que telefonia fixa é um produto que está caindo, nós estamos conseguindo crescer. A Telefônica aqui

melhor”. As famílias estão percebendo que quando você fala muito, o celular pré-pago acaba sendo mais caro que o telefone fixo. E tem o tema da relevância para a família. À medida em que a classe C vai crescendo, o telefone fixo ainda representa um status. O telefone celular é da pessoa, o fixo é da casa. E no Brasil, o conceito de núcleo familiar é muito relevante. Você poderia pensar: “bom, o Brasil cresce, então telefonia fixa cresce”. Mas não é o que está acontecendo em outras regiões do Brasil. E se você olhar para outras geografias, a China Telecom perdeu quase 10 milhões de linhas no primeiro semestre.

foto: divulgação

E

m tempos de convergência, grandes incumbents em geral são vistas como dinossauros antigos e moribundos. No entanto, essas empresas gigantescas ainda têm receitas monumentais, grandes capacidades de investimento e, em alguns casos, provam que é possível crescer na oferta de serviços tradicionais. A Telesp, operação fixa do grupo Telefônica, é um exemplo: conseguiu apresentar crescimento na venda de telefones fixos em 2010 (na contramão do setor, cuja receita caiu 1% entre janeiro e setembro no ano) e retomou com força total a venda de banda larga (no ano em que os acessos móveis ultrapassam os fixos neste setor) embora tenha patinado em 2010 na TV por assinatura. Nesta entrevista, Mariano de Beer, diretor geral da Telefônica e responsável direto pelas operações da Telesp, mostra onde estão as apostas da tele, garante que ainda há espaço para serviços como o STFC e banda larga por ADSL, aposta nas camadas de baixa renda, mas reconhece que o investimento em fibra óptica é o caminho para garantir o futuro.

Mariano de Beer

no Brasil, pelo número de acessos, está entre as top 20 no mundo. Nos primeiros nove meses do ano, a Telefônica foi a única empresa no mundo que cresceu em acessos fixos. O que mudou para vocês conseguirem esse crescimento? Fizemos dois tipos de esforços. Um em cada três produtos que estamos vendendo este ano vem de canais que não existiam um ano atrás: por exemplo, porta a porta. O segundo esforço é de posicionamento de linha fixa. Nós fizemos uma campanha em que a mensagem é: “pré-pago é muito legal, fora de casa. Dentro de casa, o fixo é muito

Mas no longo prazo a perspectiva é de que o número de acessos fixos seja declinante? Eu continuo trabalhando com a premissa de que as receitas de telefonia fixa, em proporção com outras receitas, diminuirão. Mas isso não significa que a gente não vá fazer um trabalho para manter a planta de telefonia fixa. E é a primeira vez que a gente cresce em telefonia fixa, se não me engano, desde 2005. Foi só uma mudança de postura de marketing, mas não mudou o serviço. A assinatura básica, por exemplo, continua existindo... Tem promoções de planos, temos diferentes tipos de linhas para diferentes tipos de públicos. Temos uma linha da economia, a linha flex, onde você consegue consumir todos os minutos do valor, ou seja, basicamente não tem assinatura. Você tem o plano Fale e Navegue à Vontade, no qual você pode falar à vontade dentro da rede da Telefônica. Tem a linha lazer, que é uma linha para casa de praia, fazenda.

O telefOne celular é da pessOa, O fixO é da casa. e nO Brasil, O cOnceitO de núcleO familiar é muitO relevante” 10 TeleTime dez_2010


Na telefonia móvel, o pré-pago chegou à baixa renda. Mas planos populares ainda não se massificaram na telefonia fixa. Por que? Mas esses planos são massificados. Hoje a linha Lazer custa R$ 16. A linha Flex, se eu não me engano, é R$ 29,90. O plano Fale e Navegue à Vontade é R$ 49,90. Estão, nesses níveis, todo o mundo pode acessar. O crescimento que a gente está tendo nas linhas telefônicas é na classe C. E a oferta de linhas empresariais, tem crescido também? Também está crescendo. Estamos crescendo em pequenas e médias empresas. Mas aí estamos crescendo em voz avançada. Em E1s, em DDRs, com uma oferta conjunta com serviços avançados de PABX. Temos ofertas também que combinam comunicação com equipamento. A gente está crescendo em linhas, eu diria, pelo sucesso em pequenas e médias empresas. Existe algum planejamento em relação a VoIP? Não. A rede tradicional tem uma avaliação fantástica do cliente. Em todas as avaliações que a gente faz de qualidade, a tecnologia TDM é disparada a melhor. Essa reação na oferta de serviços de voz se deu por conta da concorrência? A concorrência existe faz tempo. Eu não vejo uma mudança no entorno competitivo. Mas houve um momento em que vocês perderam base para esses entrantes, principalmente para a Net. E também para outros tipos de comunicação, por exemplo o celular. Para algumas famílias, pela renda disponível, elas têm que escolher entre um pré-pago e um fixo. Quando as famílias começaram a ter mais renda entenderam que ao ter uma linha fixa e um pré-pago elas conseguem utilizar o melhor de cada um deles. Você acha que a chegada da GVT, que já entrou em Campinas e Sorocaba (SP), altera um pouco essa dinâmica? O mercado alvo da GVT já tem vários concorrentes aqui em São Paulo. Nós estamos acostumados a trabalhar com concorrência, eu não vejo nenhuma mudança significativa por ter mais

um concorrente. A cidade de São Paulo tem seis redes físicas independentemente do número de concorrentes. Obviamente, é um desafio novo, mas a gente está tomando isso com espírito esportivo, que nos dá mais vontade de continuar crescendo. Na banda larga, depois da crise do Speedy em 2009, vocês ajustaram a oferta de serviço ao que podiam oferecer tecnicamente, com velocidades mais baixas... E foi um sucesso total. Se você olhar em perspectiva, em 2009 tivemos todos aqueles problemas e em 2010 somos a banda larga que mais cresce no Brasil, no acumulado dos primeiros noves meses. Mas você não acha que a Telefônica, se colocando de uma maneira mais cautelosa, não fica ameaçada por operadoras que chegam com promessas de velocidades maiores, de 20 Mbps, 50 Mbps e até 100 Mbps? Não. O que o cliente está procurando é uma banda larga que funcione. Qual é a banda efetiva que 90% dos clientes precisam hoje? Ninguém preci-

muito mais antenados nas modas ou no que as pessoas falam que são as tendências. O que a gente encontrou é que as pessoas querem banda larga e estão muito felizes em comprar banda larga, e não precisam fazer um trio. Isso não significa que a gente não tenha uma oferta de televisão, uma oferta de voz. Eu acho que a tendência para o futuro é o empacotamento. Mas não é uma coisa que estamos encontrando nesse momento como necessidade do cliente. Não é a banda larga que está puxando as vendas de serviços de voz, nem o contrário. A Telesp sempre ressalta que a banda larga tem crescido muito no segmento de menor renda. Isso significa menos foco na classe de alta renda? Cerca de 70 % do que a gente está vendendo, estamos vendendo para as classes B baixa, C e D. Mas somos uma empresa que tem abrangência em todas as classes sociais. Nós temos uma estratégia para cada tipo de cliente. Para o cliente da classe A e B, o nosso foco neste momento é a parceria com a TVA, com pacotes de 2 Mbps, 4 Mbps, 8

Qual é a Banda efetiva Que 90% dOs clientes precisam hOje? ninguém precisa mais dO Que 2 mBps, falandO da grande massa de clientes.” sa mais do que 2 Mbps, falando da grande massa de clientes. Existem, é claro, clientes que precisam de 20 Mbps para o seu trabalho. E, obviamente, a tendência é que no futuro se precise de mais banda. Mas o cliente gosta de saber o que está comprando, por isso a gente tem que ser muito transparente nas ofertas, ter uma banda estável, que funcione e que quando o cliente tenha algum problema, a gente seja rápido para responder e resolver. A simplicidade tem feito sucesso. Vocês desempacotaram também os serviços, separaram as vendas de banda larga, voz, TV. Quando todo o mundo fala que o empacotado é melhor, seguir esse caminho mais simples faz sentido? Isso foi um achado muito interessante. Eu acho que os clientes valorizam mais a simplicidade do que a complexidade. E nós temos a tendência, no segmento de telecomunicações, a ficar dez_2010 TeleTime 11

Mbps, 16 Mbps e em breve novas velocidades, porque fizemos investimentos importantes para conseguir o ano que vem dar mais velocidade. E também a fibra. A gente está crescendo na fibra. Chegamos a 10 mil clientes instalados (de FTTH). Estamos chegando a números industriais. Estamos instalando 2 mil fibras por mês. Dentro de 3,3 milhões de clientes Speedy, não é relevante, mas também se você se lembra, no primeiro ano do Speedy terminamos com 4 mil clientes. E três anos depois já tínhamos um milhão. A fibra é o cobre de cem anos atrás. Quando você olha tecnologicamente o que dá para fazer com a fibra, um cliente que a gente instala hoje praticamente não precisa fazer mais nada pelo resto da vida, porque a capacidade de banda é ilimitada. Só que o custo de implementação desse rede ainda é extremamente alto. Isso significa que vocês vão focar o investimento só na rede de fibra ou a


.:entrevista Eu diria que para um produto que está nascendo, os retornos que estamos tendo são aceitáveis. Eu vejo muita similaridade entre o lançamento do Speedy e o lançamento da fibra. E umas das coisas legais da fibra, do ponto de vista da motivação das pessoas, é lançar um produto novo, fazer uma revolução, como fizemos no Speedy. A gente está celebrando os 10 mil clientes de fibra com o mesmo entusiasmo que os 3 milhões de Speedy, porque sabemos que estamos em momentos diferente de produtos.

foto: divulgação

rede tradicional de cobre continua recebendo melhorias, como o VDSL por exemplo? Neste momento o que a gente está fazendo é trabalhar na tecnologia de fibra para altas velocidades e na tecnologia de cabo, onde o footprint da TVA tem alcance neste momento. Estamos apostando também em HFC, onde a TVA fez investimentos neste ano para melhorar a rede. Mas ela vai expandir a cobertura da rede de cabo? Estamos avaliando. A minha impressão é que esse aumento de footprint faz muito mais sentido fazer na fibra do que no cabo, até porque a fibra, do ponto de vista de futuro, é muito superior ao cabo. Se vocês não estão investindo em VDSL, não fica faltando uma tecnologia intermediária entre o ADSL e a fibra para a disputa pelas ofertas de 15 Mbps, que parece ser a aposta de entrada da GVT em 2011, ou os 10 Mbps da Net? Com o ADSL+ são 20 Mbps, dependendo da distância e da rede. Mas acho que do ponto de vista da necessidade do cliente para os próximos anos não teremos problemas. Há clientes que sentem essa necessidade e clientes que não. Para a grande maioria dos assinantes, a gente não está enxergando a necessidade de aumentos exponenciais de banda. Existe sempre melhoras de velocidades na tecnologia atual. Eu comecei com o Speedy com 246 kbps e agora a velocidade normal do Speedy é de 2 Mbps. A gente não está perdendo clientes por velocidade neste momento. Existem sim os nichos, sobretudo no mercado premium e nas pequenas e médias empresas, e para isso a gente está investindo na rede de fibra e na oferta com a TVA de maior velocidade. Eu acredito que a Telefônica vai ter um milhão de clientes de fibra no estado de São Paulo nos próximos cinco anos. Hoje oferecemos até 100 Mbps de velocidade, e vamos chegar em cinco anos em 1 Gbps. Eu acho que a grande revolução que a gente vai fazer no estado de São Paulo é a fibra. Porque a fibra, à diferença de um VDSL, é definitiva. Estamos sendo pioneiros porque a equação de preços

da fibra ainda é muito desafiadora. Para massificar a gente precisa que a indústria aposte em queda de preço, aposte em nacionalizar a produção. Faz sentido investir tanto em uma nova rede com as margens na banda larga cada vez menores? Muitas operadoras no mundo já começam a questionar se essa equação fecha. Eu tenho uma preocupação grande pela rentabilidade da fibra no longo prazo, e por isso faz um ano que trabalhamos com a indústria para melhorar os preços, para melhorar a nossa própria produtividade e para baixar os custos da saída de Internet, porque

O mundo da banda larga tem novos players: Google, Apple, NetFlix, portais de Internet. O que a Telefônica pode fazer para aumentar as receitas em cima dessa nova rede e não perder espaço para esses novos players? Acho que nós temos uma vantagem que está vindo junto com o aumento de banda: são aplicativos que tem a ver com conteúdos de mídia. E nesse sentido, a gente, sim, tem uma experiência e nós temos como monetizar essa rede. Onde a TVA tem licença de TV por assinatura, nós estamos vendendo junto com a fibra um produto de IPTV. Isso aí aumenta a receita média do cliente de banda larga. A TVA tem atuação muito restrita. Tem como massificar isso? Sim. É um produto muito bom. O high definition do IPTV está funcionando fantasticamente bem, a capacidade que a fibra tem de oferecer filmes em

na fiBra, O mOmentO é de fOcar em um prOdutO industrial. Ou seja, Que O prOdutO tenha uma capacidade de instalaçãO, de aprOvisiOnamentO e de atendimentO.” quanto mais a gente melhorar nossa produtividade melhor é para toda a composição de preços. Quando começamos com o Speedy, dez anos atrás, os volumes eram igualmente pequenos. Na fibra, o momento é de focar em um produto industrial. Ou seja, que o produto tenha uma capacidade de instalação, de aprovisionamento e de atendimento. Para massificar, a gente precisa trabalhar nisso. Mas hoje, quando você joga sua planilha de custos da fibra, ela não é rentável. 12 TeleTime dez_2010

tempo real, a vídeo locadora que a gente tem, acho que são 2 mil filmes que a gente tem em SD em HD. O IPTV dá uma possibilidade de interação com o cliente que a gente ainda nem começou a descobrir. Então, tem muitos aplicativos. Por outro lado também nós temos um desafio de trabalhar com terceiros que não estamos acostumados. E eu concordo com você que a gente tenha um desafio importante. A Telefônica sozinha não vai descobrir os próximos aplicativos. Nem o Google consegue fazer isso. A tendência é de colaborar cada vez mais com empresas


.:entrevista e de cada vez descobrir parceiros novos. E uma das coisas que nos está ajudando muito é o Campus Party. Estamos colaborando muito com o Campus Party porque nós temos um interesse muito grande em sair um pouco do nosso prédio, do nosso departamento de tecnologia e aprender com pessoas de 16, 18 anos o que vem pela frente. Vocês terão autonomia em relação à Espanha para inovar em produtos? Eu vejo muita autonomia para fazer as duas coisas. Para ganhar o melhor que tem da Telefônica no mundo e, por outro lado, para a gente se abrir para novas coisas. O Brasil vai ser uma fonte de desenvolvimento de novas tecnologias cada vez mais importante no futuro. Existe uma deficiência grande de mão de obra para implementar esse tipo de rede de alta tecnologia, rede de fibra. Como vocês estão enfrentando hoje essa perspectiva de crescimento com gargalos desse tipo? Estamos trabalhando com organizações de classe, com o Senai, por exemplo. Temos grandes iniciativas com o sindicato de trabalhadores e com o sindicato de empresas de telecomunicações para tentar, como indústria, resolver de alguma forma esse tipo de problema. Na medida em que o País cresce, da forma como está crescendo o Brasil, é uma preocupação e um desafio que a gente tem que atravessar. Mas por outro lado, com todos os desafios, isso não tirou a capacidade da Telefônica de ser a banda larga que mais cresce, de crescer em linha fixa, de conseguir os 10 mil clientes de fibra. É uma preocupação que a gente tem de encontrar soluções estruturais para o futuro, mas por outro lado, isso não está fazendo com que a gente não atinja nossos objetivos. Com a sofisticação dos serviços e das redes, o modelo de terceirização das equipes de instalação e atendimento não é arriscado-? Nós, como empresa, podemos nos concentrar em preparar as tecnologias e em fazer o planejamento, fazer o controle. E tem empresas especializadas que conseguem fazer (a parte externa) muito bem. Em 2009 havia

pessoas que falavam que o problema da Telefônica era a terceirização. Em 2010, temos exatamente a mesmo política de terceirização que a gente tinha em 2009 e os resultados são excelentes. E o que mudou a qualidade não foi o fato de a gente ter empresas especializadas ou não. O que mudou foi processo, atenção na certificação, tanto dentro da Telefônica quanto nas empresas especializadas. A simplificação da oferta e do produto. Isso que é o mais importante. Esse ano foi o ano em que a indústria de TV por assinatura mais cresceu no Brasil na década, mas vocês perderam base. O que aconteceu? No ano de 2009 a gente se concentrou na prestação do serviço mais básico da Telefônica, que é a telefonia fixa e a banda larga. A TV por assinatura

um produto que não estava no padrão daria mais problemas do que seria aceitável. Estamos hoje com um produto, eu acho, muito melhor, com uma qualidade de instalação muito boa. Em 2011 vamos crescer na televisão. Vocês planejam priorizar o DTH e a fibra em detrimento do cabo? Não no curto prazo. No desenvolvimento futuro de fibra estamos tentando evitar a sobreposição. E o MMDS eu diria que vai ter o mesmo nível de crescimento que o DTH. E a oferta conjunto de produtos? A promoção de final do ano é uma promoção que é um trio de alguma forma. Porque você ganha mais de 1 Mbps de velocidade quando você compra no trio. Então já estamos fazendo isso. Agora, a pergunta é: o que signifi-

decidimOs nãO acelerar O crescimentO da tv pOr assinatura até ter certeza de Que tínhamOs um prOdutO rOBustO.” ficou realmente, por opção, como uma segunda prioridade. Decidimos não acelerar o crescimento da TV por assinatura até a gente ter certeza de que tínhamos um produto robusto. O mesmo trabalho que a gente fez no Speedy nós fizemos na TV paga. Agora nós acreditamos que nós temos um produto que é competitivo comercialmente e com uma qualidade de prestação de serviço melhor. Por que o produto não estava robusto? Vou te dar alguns exemplos. Nós não tínhamos uma oferta de HD no DTH, mas agora temos. Estamos prontos para lançar. A gente entrou no buraco do queijo do processo. Se o técnico que instala antena de DTH não parafusa com força suficiente a base da antena, quando vem uma chuva forte muda o ângulo da antena, a qualidade do produto sofre e pode até, no limite, perder a visada do satélite. Esse tipo de detalhe de uma cadeia muito grande e tão complexa de aprovisionamento, no final, é fundamental para um produto forte. Obviamente o DTH da Telefônica nunca teve o nível de problema que nós tivemos na rede do Speedy. Mas a gente crescer com 14 TeleTime dez_2010

ca trio? Não necessariamente um trio significa um produto que tenha que ter uma única linha na fatura telefônica, que se chame Trio Telefônica. Nós não estamos fazendo isso. Até porque, a gente prefere ter muito mais consistência produto a produto... Como hoje está o cronograma de trabalho em termos de integração com a Vivo? Começamos há pouco tempo a trabalhar nisso. Temos um comitê conjunto entre as operadoras que está avaliando as diferentes alternativas do ponto de vista de ganho de sinergias. Não se planeja fazer uma integração de um dia para outro, nem das duas empresas, nem dos produtos. A gente vai ser muito seletivo, o que fizer sentido a gente vai fazer. Não existe nenhuma decisão tomada neste momento. O que existe é um número no final da planilha do quanto se pretende economizar com a sinergia. Isso aí a Telefônica tornou público. Mas é um cálculo de anos. Estamos em um momento de avaliação. Neste momento não tem nenhuma mudança na estratégia nem da  Telesp nem da Vivo.


.:MERCADO

Crescimento para poucos

Banda larga, TV por assinatura e até a telefonia fixa registram expansão de base em 2010, mas em todos os setores o fôlego foi concentrado em apenas algumas empresas.

O

ano de 2010 foi de cresci­ mento vigoroso em todos os serviços de telecomunica­ ções, e não apenas dos servi­ ços móveis, como em tempos passados. Segundo dados da Anatel, todos os serviços, da telefonia fixa aos serviços de TV paga, tiveram crescimen­ to importante. Mas há um detalhe que merece ser observado: o crescimento está concentrado em poucos players. Alguns têm inclusive perdido espaço no cenário competitivo, e isso se desenha em todos os níveis de serviço. Segundo estimativas do SindiTelebrasil, que reúne as operadoras de telecomuni­ cações em diferentes modalidades, em dezembro de 2010 deveriam ser registra­ dos 41,8 milhões de telefones fixos, 9,6 milhões de clientes de TV por assinatura e 40,5 milhões de banda larga (fixa e móvel). No terceiro trimestre, pelas contas do SindiTelebrasil, foram 12,8 milhões de acessos de banda larga fixa, 5,7 milhões de modems 3G, 9,1 milhões de clientes de TV paga, 191,5 milhões de acessos móveis e 41,8 milhões de acessos fixos. Os serviços de telefonia fixa e TV por

assinatura ilustram bem o quadro com­ petitivo. Embratel (em conjunto com a Net Serviços), GVT e TIM/Intelig são as operadoras que estão puxando o cresci­ mento dos acessos de telefonia fixa comutada de volta para cima, depois de vários anos de leve queda e, posterior­ mente, de estagnação. Na telefonia fixa, o crescimento não é maior porque a Oi segue perdendo base. Mas a Embratel, por exemplo, passou de cerca de 5,9 milhões de acessos no final de 2009 (dos quais 2,56 milhões eram da operadora de TV a cabo Net Serviços) para quase 6,4 milhões no meio do ano (2,75 milhões da Net) e possivelmente chegará perto dos 7 milhões até o final de 2010. Foi um crescimento de mais de 8% no semestre, podendo chegar a 15% no ano. Mais interessante do que observar o crescimento global da Embratel ao longo do ano é observar os mercados em que ela mais cresceu. Na verdade, a observa­ ção da presença local da Embratel na oferta de serviços de telefonia fixa comu­ tada é a comprovação de que onde ela tem rede fixa disponível em grande esca­ la (entenda-se, onde a Net Serviços está

Market-share dos acessos fixos no Brasil (linhas em serviço) 100%

80%

1,84 6,92

20,88

1,97 8,54

2,53

2,94

3,49

4,2

12,27

13,82

14,37

15,3

19,27

18,67

17,96

28,43

27,6

27,11

27,04

32,84

31,99

20,39 19,75

60% 30,89

30,37

40%

20%

0%

36,93

36,18

33,95

33,11

jun/07

dez/07

dez/08

jun/09

Telemar

Telesp

Brasil Telecom

Embratel

dez/09

GVT

CTBC

jun/10

Outras

Fonte: Anatel

16 Teletime dez_2010

presente) a competição pelo mercado de voz é efetiva. Basta dizer que em prati­ camente todas as áreas locais (códigos de DDD) onde a Net tem operações de TV a cabo e oferece o serviço de voz Net Fone via Embratel, o market-share da operadora é quase sempre maior que 15%. Em sete de oito regiões metropoli­ tanas em que a Embratel tem mais de 20% de market-share (São Paulo, São José dos Campos, Santos, Sorocaba, Ribeirão Preto, Campinas e Manaus) ela tem uma operação de cabo oferecendo o serviço. A exceção é Feira de Santana (BA). Em outras regiões metropolitanas, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o percentual de participação da Embratel já é superior a 15%, e apenas em cida­ des em que a GVT tem forte presença, como Curitiba, Porto Alegre, Brasília e Florianópolis, a Embratel, mesmo tendo por meio da Net a oferta do serviço de voz residencial, não conseguiu se tornar uma operadora com percentual de par­ ticipação maior do que 15%. Mas não é só nas cidades em que tem redes de cabo que a Embratel tem pre­ sença forte. Na verdade, a operadora é a única que aparece com percentuais rele­ vantes competindo em praticamente todas as áreas de numeração (65 das 66), seguida pela TIM, que, segundo dados da Anatel tem clientes em 58 áreas de numeração, e depois a Intelig, em 44 áreas de numeração. Outra operadora que se expandiu consistentemente ao longo da primeira metade do ano foi a GVT, que chegou a 1,75 milhão de clientes (crescimento de 23%), podendo passar dos 2 milhões até o final de 2010. Por outro lado, operadoras que mostravam fôlego e disposição de ganhar espaço no serviço fixo, como a TIM/Intelig, a Transit e a CTBC (atuan­ do fora de sua área de concessão), perderam espaço no primeiro semestre e não davam sinais de reação no segundo semestre. Entre janeiro e junho, a TIM, com sua operação de STFC fixo, passou de 240 mil acessos para 335 mil. A Transit foi dos 153 mil


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.:MERCADO para 100 mil, segundo dados da Anatel. E a CTBC, atuando como autorizada, tinha 117 mil acessos em dezembro de 2009 e foi para pouco menos de 100 mil em junho. Existem, além dessas opera­ doras, mais cerca de 15 empresas que disputam efetivamente o mercado de telefonia local. Isso significa não apenas ter a licença de STFC, mas também reportar à Anatel o total de acessos em serviços. Essa massa de pequenas empresas presta em geral serviços empresariais e têm poucos clientes, não sendo relevantes em termos numéricos no quadro competitivo. Ainda assim, de uma maneira geral, a competição tem mostrado algum resulta­ do. Das 66 áreas de numeração em que o mercado de telefonia fixa está dividido (códigos de DDD), em 40 os operadores que entraram para competir somam mais de 10% de share, e 23 das áreas já têm mais de 20% do market-share na mão das autorizadas. A área de numeração mais competitiva é a região metropolitana de Curitiba (numeração 41), em que quase 38% das linhas são oferecidos por empresas concorrentes. Entre as concessionárias de telefonia fixa, o destaque foi a Telefônica, que con­ seguiu ganhar base em 2010 (até o ter­ ceiro trimestre o saldo era positivo em cerca de 60 mil linhas), mas a Oi seguiu a trajetória da grande maioria das incumbents fixas do mundo e perdeu espaço. No terceiro trimestre, a Oi viu seu marketshare cair abaixo dos 50%, com uma sangria de cerca de 780 mil clientes ao longo do ano. Com isso, o market-share da Oi (con­ tando com a Brasil Telecom) e da

Telefônica vem caindo a cada semestre. Segundo dados da Anatel, caiu de quase 89%, em junho de 2007, para cerca de 77% em junho de 2010. Outro dado interessante é que a maior parte das pequenas operadoras de telefonia está concentrada na oferta de serviços empresariais. Fora as grandes, as pou­ cas empresas que oferecem o serviço residencial têm apenas algumas cente­ nas de clientes. Isso já não é verdade entre as gran­ des. Segundo levantamento feito por TELETIME junto a bases de dados da Anatel, a Telefônica, por exemplo, tem cerca de 73% de suas linhas contratadas por pessoas físicas. O restante são linhas comerciais. A Embratel tem 69% de linhas resi­ denciais. Já a GVT e a CTBC têm um percentual um pouco menor de linhas residenciais: 57% e 58% respectivamen­ te. A Anatel não tem o detalhamento dos percentuais de linhas residenciais e comerciais das operadoras Oi e TIM. TV e banda larga Mas não é só na telefonia fixa que se constata uma concentração da competi­ ção nas mãos de poucos players. Reportagem de capa da TELETIME do mês de novembro já havia revelado que o cenário se repete na TV por assinatura, onde uma análise dos dados de cresci­ mento mostra que Via Embratel (opera­ dora de DTH), Net Serviços (operadora de cabo que também tem a Embratel como sócia) e Sky foram as responsáveis por praticamente todo o crescimento do ano. Apenas no terceiro trimestre a Embratel foi a operadora que mais con­

Acessos banda larga no Brasil 14,80*

16 13

14 11,40

10

*2010

2009

2008

3,16

2004

2007

0,97

2003

2006

0,59

2002

2001 0,36

0

2000

2

0,12

4

4,39

6

5,92

8,71

8

2005

milhões

12

Fonte: Anatel. *Até set/2010.

quistou assinantes, com 237 mil novos clientes, chegando a um total de 893,2 mil assinantes, segundo o acompanha­ mento da Anatel. Em segundo lugar vem a Net Serviços, que com suas operações de cabo conquistou 186 mil clientes e chegou a setembro de 2010, com nada menos do que 4,056 milhões de assinan­ tes de TV paga. A Sky também cresceu consistentemente no terceiro trimestre de 2010 e chegou a 2,333 milhões de clien­ tes, um aumento de 155 mil assinantes no período. A operação de cabo da TVA, segundo dados da Anatel, manteve os mesmos 166 mil clientes, e as operações da Telefônica de DTH e MMDS foram de 469 mil assinantes para 465 mil. O segmento em que a competição entre diferentes provedores sem dúvi­ da mostra maior vigor é o de banda larga, que na modalidade fixa cresceu em 2010, de 13 milhões para 14,8 milhões de acessos, segundo dados da Anatel, que levam em conta não apenas os serviços residenciais, mas também a oferta corporativa, em todas as tecnolo­ gias. Soma-se a isso mais um total de 5,7 milhões de terminais de dados (muitos dos quais modems USB), além dos celulares com capacidade de aces­ so à rede 3G, que somam 13 milhões. Isso significa que entre os serviços móveis houve, entre dezembro de 2009 e outubro deste ano, uma adição de 1,2 milhão de terminais de dados e quase 13 milhões de handsets com capacida­ de de acesso à rede 3G. A análise do mercado de banda larga fixa, no entanto, leva à mesma conclusão que se chega ao observar o mercado de TV por assinatura ou telefo­ nia fixa: 2010 foi, mais uma vez, um ano de forte concentração desse mercado em poucos players. Se por um lado existem 677 empre­ sas diferentes de SCM que estão prestan­ do o serviço e reportando base de usuá­ rios à Anatel, segundo dados de junho fornecidos pela agência a esta reporta­ gem, por outro apenas 45 delas têm mais de 10 mil clientes. Todas as outras mais de 600 prestadoras de Serviço de Comunicação Multimídia têm cerca de 560 mil assinantes, enquanto um peque­ no grupo é responsável pela prestação do serviço a quase 14 milhões de clientes. Com isso, Net/Embratel (23%), Oi (37%), Telefônica (24%) e GVT (7%) têm mais de 90% dos acessos banda larga no Brasil.  Samuel Possebon

18 Teletime dez_2010


.:varejo

Daniel Machado

daniel@convergecom.com.br

Feliz Dia do Celular

Épocas como Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais e Dia dos Namorados geram 44,9% das vendas de celular no Brasil. Leva vantagem quem consegue entender o consumidor com antecedência.

Q

FOTO: marcelo bruno

uando esta edição foi con­ cluída, a poucas semanas do Natal, a indústria da telefonia móvel já se mobi­ lizava para o Dia das Mães, no segundo domingo de maio de 2011. Toda essa antecipação tem uma justifi­ cativa: 20,6 milhões (44,9%) dos 46 milhões de celulares vendidos no Brasil em 2009 foram comercializados em quatro das principais datas do ano para o comércio: Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais e Dia dos Namorados. Diante dessa realidade, fabricantes, operadoras, distribuidores e varejistas sabem que vencem a disputa aqueles que sairem na frente. E sair na frente significa ter toda a estratégia, gerencia­ mento, logística, plano de ação e de comunicação de uma grande data exe­ cutados com, no mínimo, três meses de antecedência. Mas o planejamento de tudo isso não é tarefa simples. Saber o que será demandado pelo consumidor com tanta antecedência é quase uma ciência dentro das operadoras. Tudo começa com os estudos preli­ minares e pesquisas de mercado com usuários, operadoras e varejistas, que visam definir os modelos, cores, for­ matos e funções dos aparelhos do portfólio. O fabricante faz uma lista de todas as submontagens, componentes intermediários, matérias-primas e itens importados ou não que serão utilizados na montagem do produto, com as relações de precedência e quantidade de cada item necessário (BOM – bill of materials). A partir daí, analisa e informa à fábrica o volume, prazo e especificações dos produtos. Se for um lançamento, antes da produção uma amostra do aparelho precisa ser enviada à Anatel, que a encaminhará a um laborató­ rio terceirizado para rigoro­ sos e exaustivos testes de certificação, que podem

Uma das últimas etapas é a distri­ buição nos pontos de venda, que para ser bem sucedida tem de ser realizada com, no mínimo, dois meses de ante­ cedência da grande data. E esse pro­ cesso não tem fim. Ao contrário, ele se retroalimenta constantemente ao sabor das tendências, definições e demandas do mercado. Trata-se de uma complexa e dinâ­ mica engrenagem que, para rodar, necessita de movimentos precisos e coordenados entre todos os players dessa indústria.

levar de três a quatro meses. Uma vez aprovado, o celular retorna à agência para a homologação, processo que demora de três a quatro semanas. Paralelamente, fabricante, operadores e varejistas negociam o portfólio, quantidade de cada tipo de aparelho e datas de entrega. As ações de comuni­ cação e marketing são estabelecidas e executadas e o fabricante auxilia os canais no treinamento da força de vendas.

Smartphone O smartphone se transformou no presente do momento. Os números confirmam: segundo a consultoria Nielsen, 56,7% desses aparelhos foram vendidos somente no Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais e Natal de 2009 e, em uma projeção modesta, ou seja, se o Natal de 2010 repetir os números do ano passado, nada menos do que 70% dos smar­ tphones serão comercializados nessas mesmas datas de 2010. Como a indús­ tria estima que este deve ser o maior Natal da década, esse percentual, que já é grande, tende a ser ainda maior. De acordo com a Nielsen, a telefo­ nia móvel no ano de 2010 – até outu­ bro – cresceu 18,9% em relação a 2009 inteiro, enquanto o mercado de smartphones disparou em 150%. O smartphone é o segundo objeto de desejo para 37% dos brasileiros na área de tecnologia, perdendo somente para a TV de alta definição, com 50%. Se para os usuários o smartphone é uma aspiração, para as operadoras é

“Estamos usando as datas do varejo para contar uma história, um percurso para mostrar aonde queremos chegar com nossos serviços de voz e dados” Roger Solé, da Tim 20 Teletime dez_2010


.:varejo “Existe uma oportunidade para as operadoras potencializarem esses celulares (pré-pagos) com maior disponibilidade de pacotes e serviços”

FOTO: divulgação

uma excelente maneira para aumentar sua receita média por usuário (ARPU). Estudo da Mobile Insights realizado no segundo trimestre do ano nas dez maiores capitais do Brasil, aponta que o ARPU mensal de um celular comum é de R$ 63,25, um tier 2 (smartphone básico) é de R$ 108,9 e de um super smar­ tphone é de R$ 148,29. De olho no grande poten­ cial de vendas das datas comemorati­ vas e nos usuários pré-pagos, que compõem mais de 80% da base de clientes de telefonia móvel no país, fabricantes e operadoras começam a desenvolver smartphones e serviços de dados próprios para este segmento. Os celulares de baixa gama ainda representam a maior parte do merca­

Marcus Daniel, da LG do, com mais de 30% de procura, mas os de média e alta gama são os que mais crescem: 50% em relação a 2009. E para atrair o público que gosta de inovação, mas não tem tanto dinheiro assim para pagar por ela, o mercado criou uma nova categoria de apare­ lhos, batizada de “smartphones de entrada”, com preços de varejo infe­ riores a R$ 1 mil. A Samsung lançou o Galaxy 5 (R$ 699), a LG o GT-540 (R$ 899) e a Motorola o MB-502 (R$ 899).

As vendas mês a mês Celular 15%

13,4% 11,4% 10,2% 8,8% 8,3%

8,1%

10% 8,7%

8,2%

dez/09*

nov/09*

out/10

out/09

set/10

set/09

ago/10*

jul/10

ago/09*

jun/10*

jun/09*

mai/10*

abr/10

mai/09*

mar/10

mar/09

fev/10

Smartphones

20,5%

22%

12,8%

7,7%

Obs.: Os valores representam a participação de cada mês nas vendas totais do ano

nov/09*

set/10

set/09

ago/10*

ago/09*

jul/10

2009

out/10

8,1%

6,9%

jul/09

abr/10

abr/09

mar/09

mar/10

fev/10

fev/09

jan/10

9,8%

5,8%

* Principais datas do comércio Fonte: Nielsen

13,1%

12,5%

out/09

7,6%

5,3%

0%

jan/09

8,6%

jun/10*

5,9%

9%

8,1%

jun/09*

6,3%

8,8%

7,6%

mai/10*

7,4% 7,9%

mai/09*

10%

9,8%

10,4%

2010

22 Teletime dez_2010

dez/09*

fev/09

jan/10

jan/09

9,5% 8,9%

8,6%

6,4%

6,3%

6,1%

abr/09

7,1%

0%

10,9% 9,8% 9,9%

9,8%

jul/09

9,5%

10%

10%

No último mês de outubro, a Nokia apresentou o celular com funções avançadas mais barato do mercado. Trata-se do Nokia C3, com sistema operacional Symbian S40, teclado Qwerty, conexão Wi-Fi/WLAN, servi­ ços Ovi Mail e Ovi Chat e acesso a até dez contas de e-mail, chats e redes sociais. O preço de varejo é de R$ 449. “Não podemos chamá-lo de smartpho­ ne, mas tem a proposta de oferecer a experiência de um, afinal o que o con­ sumidor busca mesmo é a melhor relação custo/benefício”, diz Marcelo Câmara, gerente de Trade Marketing da Nokia. Segundo Marcus Daniel, diretor de Vendas da LG Electronics, ao contrário do que se imagina, cerca de 50% dos smartphones são vendidos atualmente com planos pré-pagos. “Existe uma oportunidade para as operadoras potencializarem esses celulares com maior disponibilidade de pacotes e serviços”, diz. Azambuja acredita que o mercado pré-pago continuará gigante, mas que com o advento dos smartphones o per­ fil desse usuário deverá mudar. “Esse público passará a ter mais um com­ promisso mensal com a operadora em vez de recargas mensais”, diz. Esses clientes já têm a sua disposição, por exemplo, serviços híbridos pré e pós­ -pagos, com mensalidades convertidas em créditos para ligações. Uma vez expirado o valor dos créditos, o usuá­ rio pode carregar o aparelho com mais créditos no varejo ou via web. Aparelho e serviço Estudo da Nielsen revela que apro­ ximadamente 60% das pessoas que entram numa loja para comprar celular já sabem o tipo de aparelho que dese­ jam. Porém 80% mudam de ideia. As operadoras e varejistas sabem bem disso e começam a investir mais em treinamento e capacitação da força de vendas. “Esse é o ponto mais delicado nos períodos sazonais. Nossa prepara­ ção e treinamento para o Natal, por exemplo, começa no final de setembro


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.:varejo “O mês das crianças foi um dos períodos em que mais se vendeu smartphones em 2010 no Brasil. Este é um outro público muito interessante para a indústria”

Varejo virtual

S

26 Teletime dez_2010

FOTO: divulgação

e termina em outubro”, centagem subiu para 10% e a diz Pedro Azambuja, indústria começa a se prepa­ gerente de Planejamento rar também para esta data. de Vendas da Vivo. “Não Praticamente todos os fabri­ tratamos um consultor cantes têm celulares com como vendedor, é muito temáticas infanto-juvenis. mais do que isso. Ele tem Recen­te­mente a Samsung fir­ de entender a real neces­ mou uma parceria mundial sidade do cliente, o que com a Walt Disney e lançou Thiago Moreira, da Nielsen AL ele de fato precisa e pode edições temáticas de seu comprar”, acrescenta. smartphone Galaxy, com Uma das estratégias de vendas do Segundo diretores da conteúdos exclusivos dos momento é casar as funções dos han­ indústria de telefonia móvel, desenhos Toy Story e dsets com os pacotes de serviços ofe­ as tendências para o Natal, Dia das Princesas. “O mês das crianças e o mês recidos. “O aparelho atrai as pessoas, Mães e outras importantes datas do dos pais foram os períodos em que mais tem uma função importante, mas o comércio no país são os aparelhos se venderam smartphones em 2010 no cliente espera também um pacote de com TV digital, dual chip, desbloquea­ Brasil. Este é um outro público muito serviços do qual o celular faça parte. E dos, touch screen e com redes sociais. interessante para a indústria”, diz. o consultor deve ter a habilidade de “O usuário está atrás dessas funciona­ Mas apesar dos lucros provenientes fazer isso”, revela Roger Solé, diretor lidades atualmente. E, em primeiro das principais datas comemorativas do de Marketing Consumer da TIM. Um lugar, preço e promoção”, diz Thiago comércio de celulares, nem tudo são exemplo são as recentes promoções de Moreira, gerente regional da Nielsen flores nesses períodos. Segundo o dire­ acesso ilimitado a redes sociais lança­ para a América Latina. tor de vendas da distribuidora das no mercado, proporcionais ao De olho nessa tendência, MDX Telecom, Alberto crescente número de aparelhos de a Nokia lançou uma pro­ Trindade, há problemas de média gama com essas funções embu­ moção de Natal que sortea­ logística e fornecimento tidas. rá R$ 100 mil entre as nessas datas por conta do pessoas que adquirirem mau dimensionamento do Lançamento estratégico seus aparelhos e mais R$ volume de produtos. “Não é Apesar do fluxo de pessoas 20% 10 mil para quem tiver um raro vermos ruptura de maior, em média, em datas de comér­ aplicativo Nokia instalado abastecimento nessas épo­ cio aquecido, nem sempre é recomen­ em seu terminal. cas. Isso acontece porque as dável lançar produtos e serviços nes­ operadoras são muito con­ ses períodos. “Apresentar um apare­ Dia das Crianças servadoras”, diz. lho inovador no Natal, por exemplo, A julgar pelos números Outra queixa se dá por não é bom. O mercado está muito da Nielsen, parece que o Dia conta de algumas promo­ agitado, há muitos ruídos, ofertas em das Crianças também está ções sazonais que causam excesso. O melhor é lançar uns dois ou entrando para o calendário enormes prejuízos aos dis­ três meses antes, com uma exposição das principais datas come­ tribuidores. Ele explica que melhor do produto, maior objetividade morativas do mercado brasi­ após a compra de grandes e menor interferência”, explica leiro de celulares. Em 2009, Nokia C3: celular com lotes de aparelhos dos Hamilton Yoshida, diretor de Marketing 8,1% dos aparelhos foram experiência de fabricantes, esses revende­ da Samsung. Roger concorda e cita o vendidos em outubro, mês da smartphone por R$ 499 dores se vêem obrigados a exemplo dos serviços pré e pós-pagos criança, superando o mês do baixar o preço de revenda de voz de maior sucesso da TIM, o Dia das Mães e o do Dia dos Namorados de acordo com as promoções realiza­ Infinity e o Liberty. O primeiro foi lan­ e do Dia dos Pais. Neste ano, essa por­ das para o usuário final.  çado um mês antes do Dia das Mães e o segundo dois meses antes do Natal de 2009. O pós atingiu 3 milhões de linhas e o pré-pago já ultrapassa 32 e o mercado de telefonia celular requer planejamento e gerenciamento milhões de acessos. Não por coinci­ antecipados nas datas de comércio aquecido, o mesmo não ocorre no mundo dência, as versões de dados de ambos virtual. Segundo o gerente de uma grande loja virtual de eletroeletrônicos, a (Infinity Web e Liberty Web) foram venda de celulares via Internet é muito mais simples e rápida. “A maior diferença em apresentadas ao mercado neste ano relação ao mundo físico é que no virtual, se houver qualquer erro de comunicação, a correção é muito mais rápida. Não é preciso um planejamento com tanta antecedência com a mesma antecedência das duas para uma data como o Natal, por exemplo. E se comunicarmos uma campanha de principais datas do comércio no Brasil. vendas e não tivermos bom resultado, em duas horas consigo colocar uma nova “Estamos usando as datas do varejo estratégia no ar”, diz. Ele afirma também que o ticket médio de venda dos aparelhos para contar uma história, um percurso no site é 15% maior. “Além disso, o preço é mais competitivo, as ofertas atingem todas para mostrar aonde queremos chegar as classes sociais e é possível oferece 100% do portfólio de todos os fabricantes, o que em uma loja física seria inviável”, acrescenta. com nossos serviços de voz e dados”, complementa Roger.


.:terminais

Fernando Paiva

fernando.paiva@convergecom.com.br

Tablets na cabeça

Expansão do WiFi, novos planos de dados e reforço da infraestrutura móvel são algumas das consequências da chegada desse novo tipo de dispositivo.

N

o ano de 2010, o mundo viu renascer um produto que até então não fazia muito sucesso: o Internet tablet. Com o lançamento do primeiro modelo da Apple, o iPad, o aparelho se tornou moda e objeto de desejo de consumidores, e obrigou os demais fabricantes a apressarem o desenvolvimento de similares. No Brasil, os primeiros tablets vendidos oficialmente chegaram a tempo das festas de Natal. A expectativa é de que o produto marque o ano de 2011, com a chegada de novos modelos, queda significativa de preços e um volume de 250 mil unidades vendidas no País, de acordo com estimativa da Samsung (o Gartner tem previsões mais conservadoras: veja quadro abaixo). Ao mesmo tempo em que veem o produto como uma alavanca para a venda de planos de dados, as operadoras móveis sabem que precisarão reforçar suas redes para não gerar a mesma frustração ocorrida com os modems 3G quando de seu lançamento, há cerca de três anos. Uma possível consequência será a expansão de hotspots WiFi para escoar esse tráfego. Os desenvolvedocom fontes de operadoras, um usuário res de aplicativos e conteúdos, por sua de iPhone consome em média 300 Mb vez, acreditam que sua margem de por mês no Brasil em redes móveis, lucro nos tablets será maior que aqueenquanto assinantes com modems USB la verificada em aplicativos para smartêm consumo próximo a 2 Gb por mês. tphones, e já começam a receber uma Os primeiros planos de dados criados enxurrada de encomendas. pelas operadoras brasileiras para os Ainda é cedo para se traçar um pertablets levam em conta esses parâmefil médio de uso de tablets. Os dados tros, mas é muito provável que precisobre os primeiros compradores do sem ser ajustados ao longo do tempo, aparelho não servem como parâmetro conforme seja possível conhepois a maioria faz parte daquele grupo cer melhor o perfil de uso conhecido como “early adopters”, gente desse novo produto. que adora tecnologia e faz uso intenso Para os fabricantes de dela. Entretanto, especialistas acrediinfraestrutura, uma coisa é tam ser razoável prever que o consumo de tráfego de dados dos tablets será algo entre um smartphone e um laptop. De acordo Wilson Cardoso, da Nokia Siemens Networks

“Daqui a cinco anos, você assinará uma revista e ganhará um tablet”

28 TeleTime dez_2010

certa: as redes atuais das operadoras celulares não estão preparadas para uma rápida popularização dos tablets e uma consequente explosão de consumo de dados. Para Wilson Cardoso, diretor de soluções para América Latina da Nokia Siemens Networks, as estações rádio-base (ERBs) precisarão ser reforçadas com mais canais de rádio, especialmente em locais de muito movimento, como aeroportos e shoppings. Roberto Falsarella, gerente de produtos wireless da Alcatel-Lucent, é ainda mais incisivo: “as operadoras têm um gargalo na interface aérea para transmissão de vídeo”. Ele lembra que os tablets têm resolução em alta definição e um streaming com essa qualidade demandaria pelo menos 10 Mbps de


“o 3g não comporta uso intensivo De víDeos e De games. a saíDa será o lte”

FOTOS: divulgaçãO

velocidade. “O 3G não comporta uso intensivo de vídeos e de games. O HSDPA ajuda Roberto Falsarella, da Alcatel-Lucent um pouco, mas não é suficiente. A saída será o LTE”, sentencia o com a devida calma. “O donexecutivo. O backhaul gle 3G era vendido por R$ também precisará ser reforçado, aumen130. Todo o mundo podia tando sua capacidade para a casa dos comprar”, lembra Rafael gigabits por segundo, na opinião de Marquez, executivo responespecialistas. Já a rede de sinalização, sável por device manageque chegou a dar alguns problemas ment da TIM. Além disso, os modems por excesso de demanda em cidades USB também passaram a suprir a deficomo Londres e Nova York por causa ciência da rede fixa de banda larga, o do sucesso de iPhones e Blackberries, que não é o caso dos tablets. não preocupa tanto os especialistas A perspectiva, porém, é de que os no Brasil. preços dos tablets caiam rapidamente, É importante lembrar que nem puxados pelo ganho de escala e pela todo o tráfego de dados gerado pelos tablets acontecerá nas redes móveis. É esperado que boa parte seja escoado pelas redes WiFi, já que a maioria dos modelos vendidos mundo afora comporta as duas tecnologias de conexão. Até em razão das tarifas de dados das operadoras, acredita-se que a maioria dos consumidores preferirá, sempre chegada de concorrentes. No começo que possível, fazer downloads pesados de dezembro, havia apenas dois modeem áreas com conexão WiFi gratuita. los sendo vendidos oficialmente no Elia San Miguel, analista de telecomuBrasil: o Samsung Galaxy Tab e o iPad, nicações do Gartner para América da Apple. Para 2011, diversos fabriLatina, prevê que nos próximos anos cantes prometem lançar produtos haverá uma grande expansão da rede similares, entre os quais: HP, Dell, LG, de hotspots WiFi no Brasil em decorHuawei, ZTE, RIM e até a brasileira rência não apenas da popularização Positivo. Claro e TIM preveem que dos tablets, mas também do advento terão cerca de cinco modelos diferende grandes eventos esportivos, como as Olimpíadas e a Copa do Mundo, que atrairão centenas de milhares de turistas para o País. Independentemente da ajuda provida pelos pontos de acesso WiFi, as 250 operadoras móveis garantem que estão fazendo o dever de casa no que 200 diz respeito ao reforço de suas redes. A TIM sozinha, por exemplo, informa ter investido R$ 1,5 bilhão este ano em 150 sua rede celular, boa parte na infraestrutura de dados. As teles acreditam que não serão pegas de calça curta 100 como aconteceu na época do lançamento do 3G, quando houve sobrecarrega das redes em função do sucesso 50 de vendas dos modems 3G, e do perfil de uso “agressivo” dos usuários. Essa 0 certeza está apoiada no alto preço dos tablets, vendidos na faixa de R$ 2 mil, o que restringe o acesso de muita gente a esse produto e concede tempo para as teles ajustarem suas redes

tes de tablets em seus portfólios no Natal do ano que vem. Isso sem falar nos produtos sem marca, vindos da China, conhecidos como “white box”. Espera-se que ainda no primeiro semestre do ano que vem apareçam tablets abaixo de R$ 1 mil, rivalizando diretamente com a venda de netbooks. E há quem acredite até em modelos na casa de US$ 100 ao fim de 2011. O Gartner projeta um preço médio de US$ 250. Possivelmente, dependendo do plano de dados assinado, operadoras poderão dar tablets para clientes pós-pagos. E há quem preveja até subsídios bancados por provedores de conteúdo: “Daqui a cinco anos, você assinará uma revista e ganhará um tablet”, aposta Cardoso, da Nokia Siemens Networks. “Quem pega um tablet fica fascinado. Alguns abandonam o notebook”, comenta Marquez, da TIM, que enxerga uma relação na disputa entre tablet e netbook similar àquela entre smartphones Qwerty e smartphones touch screen. A Samsung, que fabrica laptops e tablets, prevê que estes últimos irão provocar uma queda de, no máximo, 10% das vendas de netbooks no Brasil em 2011. Mas reconhece que o percentual tende a aumentar nos anos seguintes. Vale lembrar, contudo, que

espera-se que ainDa no primeiro semestre Do ano que vem apareçam tablets abaixo De r$ 1 mil, rivalizanDo Diretamente com a venDa De netbooks.

Projeção global de vendas de tablets

milhões

208

dez_2010 TeleTime 29

54,8 19,5

Fonte: gartner


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.:terminais a ausência de teclado nos tablets faz com que eles não sejam exatamente um substituto perfeito aos laptops. Para aqueles consumidores que precisam digitar textos ou inserir muitos dados, um laptop ainda é uma opção mais adequada. Para Elia, do Gartner, o tablet abriu uma nova janela: “Não é mais só PC, TV ou celular”. Embasado em pesquisas feitas no Brasil, o diretor de marketing da Samsung, Hamilton Yoshida, concorda: “o consumidor não vê o tablet nem como um celular, nem como um laptop, mas como um aparelho novo”. Conteúdo Não são apenas operadoras e fabricantes que se preparam para surfar na onda de sucesso dos tablets em 2011. Os desenvolvedores de aplicativos e provedores de conteúdos também vêem com bons olhos a novidade. A Aorta, uma das principais desenvolvedoras brasileiras de aplicativos para smartphones, já tem onze contratos para criar versões para iPad. Muitos deles são de jornais e revistas. Por isso, a Aorta criou uma plataforma específica

“no mercaDo De tablets os DesenvolveDores são mais profissionais e robustos” Gustavo Ziller, da Aorta

para o desenvolvimento de aplicativos para o mercado editorial, que batizou de Playme Journal. Outro desenvolvedor conhecido do mercado brasileiro, o Apontador (antigo LBS Local) pretende portar para iPad todos os seus aplicativos de smartphones durante o primeiro semestre do ano que vem. Embora o custo de desenvolvimento de um aplicativo de tablet seja basicamente o mesmo de um aplicativo para smartphone, os preços dos primeiros são um pouco mais altos para o

“o tablet abriu uma nova janela. não é mais só pc, tv ou celular” Elia San Miguel, do Gartner

consumidor final. Trata-se de uma tentativa dos desenvolvedores de reverter a tendência de queda de sua margem de lucro, que foi muito deteriorada nos mercado de smartphones nos últimos anos em razão de uma enxurrada de ofertas criadas por empresas pequenas ou mesmo de pessoas físicas. “No mercado de tablets, os desenvolvedores são mais profissionais e robustos. Em smartphones, a barreira de entrada é menor”, explica Gustavo Ziller, diretor da Aorta. A fragmentação de sistemas operacionais que tanta dor de cabeça provoca nos desenvolvedores de aplicativos de smartphones deve ser menor no mercado de tablets. A tendência é que esse segmento seja dividido basicamente entre o iOS, da Apple, e o Android, da Google. Atualmente, segundo o Gartner, a Apple detém mais de 90% do mercado de tablets, fatia que deve cair para 50% em 2014, por conta do crescimento do Android. Correndo por fora é possível que surjam tablets com o Meego, sistema operacional apoiado por Nokia e Intel, ou com o Windows Phone, da Microsoft, e ainda uma versão da Blackberry. 

O papel do tablet

Q

ue tipo de conteúdo as pessoas querem acessar em um tablet? Na opinião de especialistas, as quatro principais aplicações desse produto serão: navegação na Internet, vídeos, games e leitura de livros e revistas. São, na prática, atividades de entretenimento que requerem uma tela maior que a de um smartphone para que sejam mais agradáveis e, ao mesmo tempo, que demandam um aparelho leve e portátil. As iniciativas que mais chamam a atenção partem do mercado editorial. Diversos jornais e revistas estão criando aplicativos para que suas edições sejam recebidas e lidas nas telas dos tablets. As versões das revistas Wired e The Economist para iPad estão entre as aplicações mais populares. Começam a surgir até mesmo veículos exclusivos para tablets, como a revista Project, cuja diagramação e navegação é toda otimizada para a leitura nesse aparelho, com a inclusão de vídeos, animações, links etc. No Brasil, as revistas Veja e Época e os jornais Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo também se adequaram à novidade. Paralelamente, editoras e livrarias enxergam o tablet como um canal de venda de ebooks. O Samsung Galaxy Tab, por exemplo, sai de fábrica com alguns livros digitais embarcados, além de um widget para acesso à Livraria Cultura. Por enquanto, parte das revistas e jornais disponíveis para tablets está sendo oferecida de graça, para ganhar público. Mas o modelo de negócios para o futuro é incerto. Há dois caminhos possíveis: bancar a distribuição gratuita com publicidade ou cobrar pelo conteúdo, via assinatura ou através

de venda avulsa. Neste segundo caso, os assinantes da versão impressa provavelmente ganhariam de bônus o acesso à edição para tablets. É esperado que a assinatura digital custe menos que aquela da versão física, em razão de não haver os custos de impressão e de distribuição. Contudo, é importante lembrar que há um custo maior de produção. É preciso fazer pelo menos duas diagramações da mesma página: uma para a tela em pé e outra para a tela deitada. Além disso, a alta definição dos tablets requer mais cuidado na seleção e edição de fotos. Isso sem contar os recursos multimídia que serão cada vez mais inseridos em revistas digitais, como vídeos, games e links. A atração que os tablets exercem sobre crianças e adolescentes aponta para um potencial uso educativo do aparelho. “O tablet pode servir como caderno, enciclopédia ou livro escolar”, diz o diretor de segmentos da Oi, Roberto Guenzburger. “Recebemos visitas de três universidades diferentes querendo comprar tablets. Todas já trabalham com notebooks em sala de aula”, revela a diretora de serviços de valor agregado da Claro, Fiamma Zarife. Tampouco está descartado o uso do tablet para trabalho. Alguns executivos que atuam com vendas estão trocando os velhos laptops por tablets na hora de fazer apresentações para clientes. Isso abre uma nova janela para aplicações corporativas. Há também demandas por aplicativos de tablets na área de automação comercial, afirmam fontes.

32 TeleTime dez_2010


.:Emprego

Procuram-se profissionais Setor atravessa uma de suas piores secas de mão-de-obra, motivada pelo aquecimento do mercado e, principalmente, pela falta de interesse na área e baixa atratividade das profissões.

A

Procuram-se engenheiros Esse tipo de anúncio é comum nas páginas de classificados de empregos no Brasil. E nos próximos anos ficará ainda mais. De acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 2012 haverá 150 mil vagas abertas para engenheiros (em todas as áreas) no país e não haverá profissio­ nais para preenchê-las. Isso porque o país conta atualmente com 600 mil engenheiros registrados e forma outros 30 mil por ano, enquanto países como

Índia e China formam, respectivamen­ te, 300 mil e 400 mil por ano. Para complicar ainda mais o quadro, o índice de evasão dos cursos de enge­ nharia no Brasil é de 60%, um dos maio­ res do terceiro grau. A informação é da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão ligado ao Ministério da Educação, que pretende até lançar em 2011 um Plano Nacional Pró-Engenharia. O objetivo do programa é impulsionar a formação de engenheiros no Brasil por meio de bol­ sas de permanência para os estudantes a fim de dobrar, nos próximos cinco anos, o número de formados. E, se já não bastasse o alto índice de evasão universitária em engenha­ ria, acontece uma segunda sangria de engenheiros formados, já no mercado de trabalho. Segundo Aloysio Byrro, chair­ man da Nokia Siemens FOTO: divulgação

escassez de mão-de-obra especializada em telecomu­ nicações não é novidade no Brasil. Nem mesmo a rela­ ção desfavorável entre a oferta e a demanda por serviços, que complica ainda mais essa carência. A novidade é que fazia um bom tempo que o mercado brasileiro de telecom não terminava um ano de maneira tão posi­ tiva e promissora do ponto de vista dos serviços. Simultaneamente, vendas recordes em diversos segmentos, como TV por assinatura, 3G e fibra óptica, leilão da banda H e grandes fusões, como as que envolvem a Portugal Telecom e Oi e a Telefônica e Vivo. Sem falar nas grandes obras de infraestrutu­ ra que envolverão o Plano Nacional de Banda Larga, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos no país. O bom momento evidencia ainda mais um crônico problema que aco­ mete a indústria de telecomunicações: faltam profissionais em todos os níveis e categorias, do lançador de fibra óptica da rede externa ao engenheiro mais especializado.

“Atuamos em um mercado de poucos compradores e ainda por cima com preços os mais baixos possíveis. fica difícil manter a boa remuneração dos funcionários” Hélio Bampi, da Abeprest 34 Teletime out_2010

Networks, esse índice de fuga é da ordem de 80%. “São 35 mil formados por ano, dos quais só 20%, ou 7 mil, seguem a carreira. Na China esse índi­ ce é de 60%”, adverte. “A base estraté­ gica do setor de telecomunicações é formada pelos engenheiros, e temos percebido uma crescente falta de inte­ resse dos jovens por essa profissão e pela área de exatas como um todo”, comenta Byrro. “Além disso, há muitas faculdades de fachada, baixo nível do corpo docente e de laboratórios. Engenharia precisa de laboratório!”, acrescenta. Especialistas atribuem o baixo núme­ ro de formandos em engenharia ao perí­ odo de aproximadamente 20 anos nos quais a economia brasileira praticamen­ te se manteve estagnada, reduzindo a demanda por profissionais do setor. Além disso, boa parte dos engenhei­ ros migram para outras ativi­ dades, com remuneração mais vantajosa, como o seg­ mento financeiro. Hugo Valério, diretor da área de TI da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), faz uma


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“São 35 mil (engenheiros) formados por ano, dos quais só 20%, ou 7 mil, seguem a carreira. Na China esse índice é de 60%”

FOTO: arquivo

.:Emprego

Aloysio Byrro, da Nokia Siemens análise ainda mais ampla do tema e diz que o desinteresse pela carreira de enge­ nheiro tem raiz na infância do estudante, ainda no ensino fundamental. “Basta olhar para o ranking internacional que mede o conhecimento dos alunos em matemática. O Brasil está nas últimas colocações”, adverte. O diretor se refere ao Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), realizado em 2009 pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) com 470 mil estudantes de 15 anos em 65 países. O Brasil atingiu a 57ª coloca­ ção em matemática, com nota 386, abai­ xo do Uruguai (48º), Chile (49º), México (50º) e, na América Latina, acima somen­ te da Colômbia (58º), Peru (63º) e Panamá (64º). O conhecimento dos brasileiros na disciplina se mostrou similar ao de estu­ dantes de países como Jordânia e Albânia. O ranking é liderado pela China, que obteve pontuação média de 600, seguida pelos asiáticos Singapura (562), Hong Kong (555), Coreia do Sul (546) e Taiwan (543). “Estamos com deficiência no ensino de matemática desde o ensino fundamental. Faltam professores. O governo precisa investir aí”, diz Valério. Outra condição central, de acordo com Byrro, para se suprir a carência de engenheiros no mercado de telecomuni­ cações é a desoneração do custo traba­ lhista. “Esse carga no Brasil atinge 100%, enquanto em países como os Estados Unidos é de 8%. No Canadá, a cada dólar investido há um dólar de incentivo por parte do governo. Não dá para competir assim”, reclama. Problema generalizado Não faltam apenas enge­ nheiros no mercado de teleco­ municações, mas também tra­ balhadores da base da pirâmi­ de, de menor qualificação téc­ nica, porém fundamentais para as operadoras de tele­ com, tanto na expansão das redes metropolitanas quanto do backhaul e backbone. Segundo Hélio Bampi, diretor de relações institucio­

nais da Abeprest, associação que congrega as empresas ins­ taladoras de redes externas do país, a falta de mão-de-obra atinge toda a cadeia de implantação de cabos ópticos. “Falta gente especializada no mercado, do meio-oficial de linha, ou aprendiz de lançador de fibras ópticas, até o lançador de cabo, passando pelo auxiliar de emenda de fibra, o emenda­ dor e o testador”, diz o diretor, que viven­ cia o problema diariamente por ser também presidente da Radiante, presta­ dora de serviços que executa instalações de redes externas. O principal motivo dessa carência são os baixos salários desses profissio­ nais que, segundo Bampi, é consequên­ cia das baixas margens dos contratos com as operadoras. De acordo com ele, os valores contratuais enxutos estabele­ cidos pelas operadoras têm gerado não só a escassez de profissionais, mas tam­ bém a migração de empresas do setor para outros segmentos de negócio, como segurança patrimonial, monitora­ ção eletrônica, logística reversa, biodie­ sel e reciclagem. “Não é para menos: já atuamos em um mercado com poucos compradores e ainda por cima com pre­ ços os mais baixos possíveis, negocia­ ções extensas e extenuantes, fica difícil manter a boa remuneração dos funcio­ nários, que também estão indo para outros setores, como construção civil e segurança patrimonial”, acrescenta. Segundo o dirigente, o crescimento do contingente de profissionais das prestadoras de serviços deveria ser de 13% ao ano até 2014 para que sejam absorvidos todos os investimentos reali­ zados neste período pelas operadoras. “Por isso, essa equação precisa ser urgente­ mente resolvida, é preciso haver uma repactuação finan­

ceira em patamares superio­ res para reter e atrair mão­ -de-obra”, reclama. O executivo comentou que durante três dias a Radiante chegou a realizar um traba­ lho de divulgação de 70 vagas de instaladores nas ruas de Curitiba, com panfletagem e veículos com auto-falante. “Meu resultado foi péssimo, só três pessoas”, lamenta. A diretora geral da AES Atimus, Teresa Vernáglia, também se mostra preocupada com a situação. “O mercado está extremamente aquecido e faltam engenheiros e demais profis­ sionais em todos os segmentos. Estamos ajudando na formação de mão-de-obra, juntamente com nossos prestadores de serviços, não só para a formação como também para a reten­ ção e integridade física dos profissio­ nais desse setor”, acrescenta. O problema afeta até mesmo as grandes operadoras. A Telefônica, por exemplo, também é obrigada a fazer o treinamento interno de funcionários, mesmo os terceirizados, mas reconhe­ ce que mesmo assim falta mão de obra no mercado. Daniel Machado

Engenheiros importados

S

e há escassez de engenheiros no Brasil, o mercado começa a buscar novas formas de suprir essa carência. Segundo dados da Coordenação Geral de Imigração do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), entre 2008 e 2009 o número de autorizações concedidas a engenheiros estrangeiros saltou 27%, de 2.712 para 3.542. Entre janeiro e julho deste ano, a entrada de estrangeiros no País já superou os números de 2008, com 2.804 autorizações. O Brasil deve encerrar 2010 com a entrada de 4,8 mil engenheiros estrangeiros, um crescimento de 39% em comparação ao ano passado.

“Estamos ajudando na formação de mão-de-obra, juntamente com nossos prestadores de serviços” Teresa Vernáglia, da AES Atimus 36 Teletime out_2010


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.:Regulamentação

Mariana Mazza, de Brasília

mariana.mazza@convergecom.com.br

PGMC: de olho na banda larga Anatel conclui estudos que poderão levar ao primeiro Plano Geral de Metas de Competição. O destaque é o foco indiscutível na banda larga, com a agência assumindo definitivamente que a telefonia fixa está ultrapassada.

A

Anatel deverá abrir 2011 com uma agenda e tanto para o setor de telecomuni­ cações. Se o PGMU aqueceu o debate sobre redes de transporte de dados em alta velocidade, um outro documento deve incendiar de vez a discussão: o Plano Geral de Metas de Competição (PGMC). Após anos de demanda por parte das empresas que não têm rede própria, a Anatel está prestes a colocar em consulta pública o aguardado (e complexo) PGMC. Mas logo de cara, as empresas darão falta de um elemento importante. Em todo o material produzido pela Anatel não se trata do full unbundling. A desagregação total das redes só é citada nos estudos técnicos e, ainda assim, não como uma proposta real, mas apenas para justificar a concentração das redes nas mãos das incumbents exatamente pela ausência da regulamentação do unbundling. Prevista no marco legal do setor, a desagregação das redes foi defendida ao longo dos anos como uma espécie de fór­ mula milagrosa para que a competição realmente se estabelecesse na telefonia fixa. Pelo visto, a Anatel não acredita mais na possibilidade de um milagre nessa seara. Nos estudos técnicos que embasa­ ram a formulação do PGMC, a equipe técnica não deixa margem para dúvida sobre o futuro projetado para o mercado de infraestrutura de acesso em banda estreita: “esse é um mercado em deca­ dência”, afirmam os técnicos. O futuro é a banda larga. E isso fica evidente tanto nas conclusões obtidas a partir da dissecação dos mercados rele­ vantes de telecomunicações quanto nas medidas assimétricas sugeridas no PGMC. O material, obtido com exclusividade por TELETIME, é bastante contundente na construção desse cenário futuro, abando­ nando as tradicionais análises que servi­ ram de parâmetro até então para a Anatel. A área técnica, por exemplo, sugere que a agência retire as medidas regulatórias envolvendo a EILD, pilar das

mundo dos gigantes no setor de teleco­ municações não se alterou sensivelmen­ te. De todos os mercados relevantes analisados pela Anatel, o campeão do PMS é, sem dúvida, o Grupo Telemar (Oi). A concessionária deverá ser a maior afetada pelas medidas assimétricas que a agência reguladora pretende impor tão logo edite o PGMC. Entre essas medidas, chama atenção um capítulo que não deixa escapatória para a Oi e que está intimamente ligado às polêmicas dos últimos meses envolvendo o PGMU III.

controvérsias de acesso à rede no merca­ do atual. Em compensação, de todos os mercados relevantes analisados, as decla­ rações mais fortes em prol da adoção de um controle mais claro e rígido por parte da Anatel são feitas, justamente, na aná­ lise da oferta da infraestrutura para ofer­ ta de acesso à Internet em alta velocida­ de. Nessa linha de pensamento, o PGMC pode não ter o full unbundling, mas terá o unbundling de bitstream. A agência optou pelo caminho da desagregação lógica da rede de acesso como forma de

Backhaul em São Paulo O capítulo em questão traz no título “Medidas para grupos que contenham concessionárias do STFC atuando em setores de mais de uma Região do Plano Geral de Outorgas - PGO”. O longo cabeçalho poderia ser substituído tranquilamente por “Medidas para o Grupo Telemar”. A Oi é a única conces­ sionária com Poder de Mercado Significativo, na definição da Anatel e, portanto, sujeita inicialmente a cum­ prir as medidas impostas pelo PGMC que atua em mais de uma Região do PGO após comprar a Brasil Telecom. Outra empresa que poderia se encaixar no extenso título dado pela Anatel é a CTBC Telecom, mas não há indicação de que ela seja uma PMS de acordo com a análise técnica realizada. O surpreendente é a medida em si sugerida pela Anatel. O grupo econômico que detiver uma concessionária prestando serviço em mais de uma Região do PGO terá que, obrigatoriamente, atuar nas demais regiões. Como? Construindo backhaul. O texto é bastante específico em afirmar que essa entrada no restante do país deverá ser feita por meio da instala­ ção da nova rede para conexão em banda larga. Essa construção deverá ser feita dentro de um cronograma, atingindo todas as sedes municipais da região em um prazo de sete anos.

A área técnica sugere que a agência retire as medidas regulatórias envolvendo a Exploração Industrial de Linha Dedicada (EILD). equilibrar a concorrência nos mercados onde há grupos com grande presença vertical e possibilidade de abuso dessa posição, os chamados detentores de Poder de Mercado Significativo (PMS). Apesar da mudança de perspectiva, o 38 Teletime dez_2010


Um detalhe intrigante é que apesar de o Grupo Algar não ser classificado como PMS nas análises prévias feitas pelo corpo técnico da Anatel, é impossível dizer que ele está resguardado do cumprimento desta medida regulatória. Isso porque a agência não diz no capítulo que a meta vale apenas para quem tem PMS, embora essa pareça uma conclusão óbvia no con­ texto de construção do PGMC. O fato é que, da forma com que o texto está redigi­ do, a CTBC teria que ampliar sua opera­ ção a todo o Brasil por meio da instalação de backhaul. Deixando o dilema da CTBC de lado, a medida ainda assim pode gerar contro­

vérsia. Vide a atual dificuldade da agência em convencer as concessionárias a ampliar o backhaul em suas próprias regi­ ões de atuação. Exigir que a empresa duplique uma rede em uma região onde a concessionária local já a construiu por meio de obrigações de universalização é uma decisão, no mínimo, polêmica. Considerando novamente que a Oi seja o alvo dessa medida regulatória, a empresa teria que entrar sumariamente em São Paulo, criando um “backhaul alternativo” em uma área onde a concessionária local, a Telefônica, também é considerada detentora de PMS. A ideia de inserir essa medida surgiu a

partir da controvérsia em torno do PGMU III. A estratégia seria criar um “plano B” caso o PGMU naufrague exatamente por conta das metas de backhaul. Mas o texto da análise técnica obtido por este notici­ ário revela que as metas do PGMU III e as medidas do PGMC têm uma natureza mais complementar do que alternativa, lançando no ar a dúvida se o plano de metas de competição já não é um novo capítulo com relação à nova ordem apre­ sentada pelo governo de estimular a construção de redes de banda larga pelas concessionárias. O PGMC ainda passará por consulta pública onde, certamen­ te, essas e outras dúvidas serão explo­

Os mercados relevantes de telecom

A

Anatel fez um vasto estudo sobre os mercados relevantes no setor de telecom para embasar a proposta do PGMC. Foram considerados sete itens para a avaliação da possível existência de Poder de Mercado Significativo (PMS): par­ ticipação de mercado; economias de escala; economias de escopo; controle sobre infra­ estrutura; poder de negociação; atuação concomitante no atacado e no varejo e fontes de financiamento. Veja abaixo as conclusões obtidas.

• TV por assinatura A agência contabilizou oito empresas de DTH atuando no mercado atualmente, 28 de MMDS e 105 de cabo. Na contagem geral de pontos, a Net Serviços seria a detentora de PMS por cumprir os sete requisitos analisados. Mas, ao avaliar a perspectiva futura do mercado, a área téc­ nica sugeriu que não fossem adotadas medidas assimétricas nessa área. Os dois fatores que podem mudar o cenário concor­ rencial sem a necessidade de regulação ex-ante são a liberação recente de novas licenças de DTH para as concessionárias de telefonia fixa e a mudança no Pla­ne­ja­mento dos Serviços de MMDS e de Te­­ le­ vi­ são a Cabo, acabando com a limitação na emis­ são de novas outorgas para o cabo. • Infraestrutura de Acesso em Rede Móvel Nesse mercado foram analisadas as empresas de Serviço Móvel Pessoal (SMP) e Serviço Móvel Especializado (SME) que detenham redes de acesso. A agência con­ cluiu que quatro grandes grupos - Claro, Oi, TIM e Vivo - controlam 98% das redes de

acesso móvel do Brasil. Como a agência analisou o mercado por área de registro (DDD), cada uma das quatro empresas foi considerada com PMS em uma das áreas do país. No computo geral, a Oi seria a empresa com mais áreas onde poderia exercer poder de mercado. Mas, novamen­ te, as mudanças recentes no mercado fize­ ram com que a equipe técnica não sugeris­ se a adoção de medidas assimétricas. Neste

VC) podem modificar naturalmente o mer­ cado, na visão dos técnicos. • Originação de chamadas em rede telefônica fixa Esse mercado foi avaliado sob a ótica do controle do acesso local, considerado uma essencial facility. Empresas com con­ cessão e autorização de STFC fazem parte do rol analisado. Desde 2005, a Anatel já

a anatel nÃO SUGERE MEDIDAS ASSIMÉTRICAS PARA TODOS OS MERCADOS RELEVANTES DE TELECOM, COMO TV POR ASSINATURA. caso, pesou a aprovação do regulamento para a criação dos operadores virtuais (MVNOs) e o leilão da Banda H, que poderá viabilizar um quinto player. • Interconexão em rede móvel Foram analisadas nesse mercado as empresas responsáveis pelo controle dos Pontos de Interconexão (POI) nas redes móveis, sejam operadores de SMP ou de SME. Nesse caso, a avaliação predominan­ te considerou as regiões do PGO e foram verificados os detentores de PMS para cada uma delas. Na Região I, a detentora de PMS é a Oi e, na Região III, a Vivo. Na Região II houve um empate entre Claro, Oi, TIM e Vivo, todas com seis dos sete requisitos para PMS na área. O critério de desempate utilizado foi a integração vertical, colocando a Oi também como PMS nessa região. Mais uma vez as perspectivas futuras evitaram a adoção imediata de medidas regulatórias de fomento à competição. O leilão da Banda H e a mudança no regulamento que estipu­ la os critérios de cobrança entre chamadas fixas e móveis (Valores de Comunicação dez_2010 Teletime 39

considera as incumbents (Oi, Telefônica, CTBC e Sercomtel) detentoras de PMS nesse tipo de mercado por terem a chama­ da “vantagem do pioneiro”, ou seja, con­ trolarem as primeiras redes implantadas. A equipe técnica entendeu que as medidas regulatórias impostas desde então tem sido suficientes para gerar a concorrência possível em um serviço considerado em “decadência”, nas próprias palavras da Anatel. As alternativas tecnológicas que têm aparecido no mercado nos últimos anos para a oferta de STFC também pesa­ ram na decisão de não sugerir medidas assimétricas neste mercado no PGMC. • Interconexão em redes telefônicas fixas Considerado com características “monopolísticas” pela Anatel, esse merca­ do foi analisado sob o prisma da atuação das concessionárias e das autorizadas de STFC. O Grupo Oi tem características de PMS nas Regiões I e II do PGO. Já na Região III foram encontrados dois detento­ res de PMS: Telefônica e o Grupo Telmex/


.:Regulamentação America Móvil, que congrega Embratel, Net e Claro. O controle dos preços de intercone­ xão já é exercido pela Anatel nesse merca­ do como forma de equilibrar a oferta. No entanto, neste caso, a equipe técnica enten­ deu que a retração vivenciada por este mercado pode ser revertida com uma nova rodada de medidas regulatórias. A sugestão é que a agência atue de forma mais contun­ dente para controlar a alavancagem de chamadas de longa distância por grupos que possuem participação expressiva no mercado de interconexão. • Infraestrutura e redes de transporte local e de longa distância Nesse mercado relevante foram anali­ sadas as empresas que controlam backbo­ nes e backhauls, além da posse de elemen­ tos necessários a exploração industrial das telecomunicações e interligação de centrais (como dutos, condutos, armários, torres e fibras). A análise abrange também a oferta de EILDs, uma das áreas mais conflituosas nas relações de mercado. Nessa avaliação,

a Anatel abandonou sua própria padroni­ zação de EILD, discriminada em “padrão” e “especial”, optando por classificar essa oferta como “local” e “longa distância”. A agência depreendeu grande esforço identificando potenciais entrantes nesse mercado, descrevendo as redes de 14 empresas que poderiam concorrer na ofer­ ta de EILD. Chama a atenção a presença de subsidiárias de empresas do setor elétrico, como a Copel Telecom, a AES Com e a Eletropaulo Telecom. Considerando a pos­ sibilidade de exploração de nichos de mer­ cado, a agência analisou a presença de PMS por área de registro. Assim, teriam PMS na oferta de infraestrutura local os grupos Telefônica, Telemar (Oi) e Copel (integrado com a Sercomtel). Na longa dis­ tância, os grupos com poder de mercado são Telemar, Telmex e Copel. Com o cresci­ mento da demanda por fibra óptica, a sugestão nesse mercado é que a Anatel retire as medidas regulatórias existentes hoje como forma de estimular uma aloca­ ção mais eficiente dos recursos (investi­ mento nas redes de fibra).

• Oferta de acesso e infraestrutura de dados em redes fixas A dimensão do produto nesse merca­ do abrange tanto as ofertas de varejo de acesso quanto as de atacado (acesso às redes), pois ambas estariam intimamen­ te ligadas nesse tipo de negociação eco­ nômica. As empresas avaliadas são as que têm licença de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), espe­ cialmente as que também são concessio­ nárias do STFC. Isso porque a combina­ ção das duas licenças deu a essas empre­ sas o poder de “controlar parcela impor­ tante da rede de acesso fixo, utilizada para o provimento de conexão de Internet em alta velocidade”. Com essa perspecti­ va em mente, a Anatel classificou como detentores de PMS os grupos Telefônica, Telemar e Copel, avaliando cada área de registro brasileira. A rede de transporte de dados também foi considerada essen­ cial facility, assim como a de voz, exigin­ do medidas regulatórias que estimulem o equilíbrio concorrencial. 

Medidas assimétricas sugeridas

O

s grupos classificados com Poder de Mercado Significativo (PMS) terão uma série de obrigações específicas, que vão desde a ampliação da transparência nos dados de atacado até a reserva compulsória de parte da rede para oferta aos concorrentes. Conheça as principais medidas assimétricas previstas no PGMC, conforme recomendação da área técnica: 1) Transparência A detentora de PMS no varejo terá que prestar informações detalhadas sobre planos de serviço, promoções e descontos, além dos custos de instalação, manutenção e dispositivos de acesso. Esses dados serão analisados periodicamente por “entidades comparadoras”, instituições que serão credenciadas pela Anatel para avaliar os preços praticados no mercado. No atacado, o grupo com PMS terá que criar um departamento específico em sua empresa, com status de diretoria, apenas para tratar dos procedimentos de atendimento de pedidos de acesso à rede. Será exigida da empresa a criação de um sistema de acompanhamento dos pedidos pelos concorrentes, com emissão de protocolo da solicitação e divulgação do encaminhamento na Internet. A empresa também terá que providenciar o desenvolvimento de uma Base de Dados de Atacado, que fornecerá informações a um grupo criado na Anatel especificamente para acompanhar o desenvolvimento desse mercado. 2) Oferta na rede fixa A Anatel exigirá das empresas com PMS que detenham rede fixa, a desagregação de canais lógicos (bitstream). Para isso, a empresa será obrigada a formalizar contratos de desagregação com as partes interessadas em compartilhar os canais. Para solução de conflitos sobre o tema, a Anatel pré-definiu que usará como valor de referência os próprios preços já praticados pelo grupo com PMS: em caso de impasse, os canais lógicos deverão custar 20% a menos do que os preços de varejo pelo acesso. A empresa com PMS terá que reservar 20% da sua capacidade física de infraestrutura (como dutos e condutos) para o atendimento

de empresas que não pertençam ao seu grupo. A Anatel poderá vetar a participação da companhia que descumprir as exigências em leilões de radiofrequência. Não há referência no PGMC com relação ao full unbundling, ou seja, à desagregação física das redes. 3) Oferta de EILD As detentoras de PMS terão que oferecer EILDs com desconto em relação ao preço de referência estipulado pela Anatel. Nos dois primeiros anos de vigência do PGMC, elas só poderão cobrar 80% do valor da tabela. A partir do terceiro ano, o percentual sobe para 90% e só após quatro anos de vigência do PGMC, as empresas poderão cobrar o preço cheio da tabela de referência. Também será exigida do grupo com PMS a implantação de Pontos de Troca de Tráfego (PTTs) em cada área de registro onde a empresa atua. A operação dos PTTs deve ser aberta, seguindo as diretrizes do PTTMetro, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A interconexão utilizada para o acesso aos PTTs será a de Classe V e a cobrança pelo acesso deve considerar diversas possibilidades de tráfego de dados (trânsito, trânsito parcial, peering e peering secundário). 4) Backhaul A garantia de acesso à nova rede de oferta de banda larga também está prevista no PGMC. Empresas com PMS terão que reservar nada menos do que 50% da capacidade de backhaul para oferta a grupos concorrentes que prestem serviço de interesse coletivo. A agência também exigirá que grupos com PMS que atuem em mais de uma área do Plano Geral de Outorgas (PGO) atuem obrigatoriamente nas demais regiões. Essa atuação se dará com a construção de backhaul nas sedes municipais em até sete anos. Essa construção será escalonada em três etapas: 40% das sedes em até três anos; 80% das sedes em até cinco anos; e 100% em até sete anos. À primeira vista, essa medida assimétrica atinge apenas a Oi, que tem potencial para ser classificada com PMS e atua em mais de uma região do PGO como concessionária.

40 Teletime dez_2010


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principais sessões de discussão:

aGenda do ministério das comunicações e as prioridades nas áreas de comunicações, telecom e mídia

24 de Fevereiro de 2011

Auditório da Finatec/UnB, Brasília

Balanço do plano nacional de Banda larGa e as perspectivas para 2011

aGenda de médio prazo do plano Geral de atualização da reGulamentação (pGr)

as perspectivas de uma lei de comunicação eletrônica

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450 MHz: um caminho para a inclusão digital

A

internet de banda larga está disponível hoje nas capitais e nos maiores centros urba­ nos do País. Porém, as áreas de menor densidade popu­ lacional e as zonas rurais são pouco ou mesmo não atendidas. Falta até estrutu­ ra de rede de transmissão para receber a Internet de alta velocidade. A melhor opção para promover a inclusão digital nessas regiões é o uso da faixa de 450 MHz, que permite, via 3G, conexão veloz à web. Por usar uma frequência mais baixa no espectro, o 450 MHz possibilita, tanto para serviço fixo quanto móvel, trans­ missores com raio de cobertura de gran­ de alcance (de 30 a 50 quilômetros) per­ mitindo o atendimento de várias comuni­ dades rurais com uma única estação rádio-base. Sistemas operando em 450 MHz têm cobertura três vezes maior do que em 900 MHz, e 12 vezes maior em relação à faixa de 1,8 GHz, 1,9 GHz e 2,1 GHz. Isso representa custos de inves­ timentos em infraestrutura mais baixos, além de menor necessidade de manuten­ ção, reduzindo as despesas operacionais, o que certamente implica menores cus­ tos para o usuário por um acesso de banda larga com qualidade. Na América Latina, alguns países já utilizam a faixa de 450 MHz, mas o Brasil terá uma oportunidade única de uso mais eficiente, já que a Anatel deci­ diu que a outorga do bloco de 7+7 MHz será inteiramente para uma única pres­ tadora por área geográfica. O motivo é técnico: com tão pouco espectro, que comporta apenas quatro portadoras, a divisão desse espectro para mais de uma operadora impediria seu uso eficiente. Cada portadora de 1,25 MHz na tecnolo­ gia EVDO Rev. A suporta dados com taxas de 3,1 Mbps para o downlink e 1,8 Mbps para uplink. Com as quatro portadoras possíveis de serem distribuí­ das no bloco, mantendo uma portadora exclusiva para voz, com a agregação das outras três e com as melhorias de sof­ tware e hardware já previstas (como a

tecnologia EVDO Rev. B, que estará dis­ ponível a partir de 2011), será possível atingir taxas de 14,7 Mbps de downlink e 5,4 Mbps para o uplink. Capacidades ainda mais altas poderão ser alcançadas mais adiante nessa tecnologia, com a evolução para o DO Advanced. Assim, essa condição permite que a operadora possa melhor aproveitar da evolução da tecnologia, alcançando também a intero­ perabilidade com o LTE. A questão da competição poderá ser resolvida com o compartilhamento da infraestrutura e o início dos serviços das operadoras móveis virtuais (MVNO na sigla em inglês), recentemente regula­ mentadas pela Anatel. As MVNOs são outros operadores de telecomunicações,

da divulgação do Plano Nacional de Banda Larga, que apresentou as regras gerais e os parâmetros de qualidade para a oferta de serviços. Medidas importan­ tes estão sendo tomadas pela Anatel em diversas áreas, tais como a regulamenta­ ção de faixas de frequências e também as ampliações do backhaul propostas no PGMU III, além da revitalização da rede da Eletronet, a cargo da Telebrás. Entretanto, na questão do acesso, tem-se falado no uso de faixas de frequências não licenciadas. Entendemos que esta alternativa pode ser um gargalo e não ser suficiente para suportar os objetivos de cobertura na velocidade mínima estabe­ lecidos no Plano Nacional de Banda Larga. Assim, a efetiva cobertura do País

Sistemas operando em 450 MHz têm cobertura três vezes maior do que em 900 MHz, e 12 vezes maior em relação à faixa de 1,8 GHz, 1,9 GHz e 2,1 GHz que funcionariam como autorizados (mas sem espectro), ou credenciados, tais como supermercados, casas lotéri­ cas, lojas de conveniências, varejistas etc. A revenda de serviços por MVNOs incentivaria a competição e promoveria o atendimento à população com menor custo. Como resultado, a oferta de servi­ ços de alta qualidade de banda larga seria ampliada com a entrada de novos players no mercado, sem a necessidade da construção de várias redes e infraes­ trutura de telecomunicações. Países como Holanda, Espanha e Irlanda já utilizam o modelo de negó­ cios com MVNOs, que funciona por meio de incentivos e obrigações impos­ tas pelos órgãos reguladores. Na França, por exemplo, o MVNO é ofere­ cido pelas próprias prestadoras como parte de seu plano de negócios, sem a intervenção do regulador. PNBL Por outro lado o processo de inclusão digital no País está sendo discutido e implementado mais fortemente depois 42 Teletime dez_2010

com uma rede em 450 MHz, com as tec­ nologias disponíveis, poderia garantir acesso com a capacidade adequada e menores custos em todas as regiões geo­ gráficas. As faixas não licenciadas pode­ riam, ainda, continuar a ser utilizadas como complemento em determinadas situações de nicho. Imputação ou leilão A discussão sobre a forma de outor­ gar esse espectro de 450 MHz para um único operador está atingindo grandes proporções entre os diversos segmentos do governo e da área privada, incluindo fabricantes e operadoras. Duas alternati­ vas se destacam: a imputação e o leilão. A imputação do espectro de 450 MHz às concessionárias, sem custos pelo espectro, ou pelo menos a custos simbólicos, associados às obrigações de universalização estabelecidas nos con­ tratos de concessão, seria uma maneira de garantir uma rápida e eficiente implementação dos acessos (dados e voz) em áreas rurais e que estão “Fora da Área de Tarifa Básica” (FATB). Essa


seria uma boa alternativa, não fossem algumas restrições que tal decisão traria tanto do ponto de vista técnico quanto regulatório. Quando falamos de univer­ salização de serviços prestados pelas concessionárias estamos falando do ser­ viço prestado em regime público: a tele­ fonia fixa (STFC), ou seja, voz e dados até 64 kbps e com possibilidade legal de uso de recursos do Fust. O PGMU III, permitindo-se o uso dos recursos do Fust, poderia ser uma alter­ nativa. Outra possibilidade, não exclu­ dente, seria a adoção de planos incenti­ vados, onde o usuário paga um valor pela sua conta e a concessionária recebe­ ria um valor maior, complementado pelo governo, também com recursos do Fust. Entretanto, essa solução esbarra na questão regulatória, pois essas redes estariam restritas à prestação de voz e dados até 64 kbps, sem possibilidade de mobilidade ou com mobilidade restrita. Nessa ótica, ainda, o Plano Nacional de Banda Larga ficaria de fora dos incenti­ vos, pois prevê taxas de dados da ordem de 512 kbps. Ou seja, se cobriria a cabe­ ça e descobriria os pés. Caso os recursos para implementa­ ção dessas redes sejam provenientes das próprias operadoras, não haveria pro­ blemas, uma vez que poderiam também prestar outros serviços tais como o SCM, lembrando que todas têm licenças para esse serviço, e o SMP, que poderia ser prestado pelo braço móvel da operadora utilizando a infraestrutura e a rede da concessionária em 450 MHz, já que se trata de uma tecnologia de terceira gera­ ção (3G). Entretanto, essa conta não

fecha, e o que se pretende é que incenti­ vos ou subsídios sejam alocados pelo governo, que viabilizem os investimentos nessas redes. A alternativa de fazer um leilão do espectro só pode ser tomada caso as obrigações de cobertura também venham acompanhadas dos incentivos adequa­

parte dos recursos poderiam ser do Fust, para aqueles usuários do STFC fora da área de tarifa básica (FATB). 5) Para cada região licitada, venceria a empresa que solicitasse o menor valor de recursos (Fust ou outros) oriundos do governo para serem usados nos planos incentivados.

Apesar de 450 MHz ser a faixa mais adequada para atender Às necessidades de acesso em áreas rurais, ainda serão necessários incentivos governamentais para viabilizar a construção de redes dos. Caso contrário, certamente não haverá interessado. Como incentivos para aumentar o interesse, um conjunto de possibilidades, dentre as listadas a seguir, poderiam ser consideradas: 1) Não haveria custo pelo espectro, e para cumprir a regulamentação seria devido um valor simbólico pelo espectro. 2)  Haveria obrigações de cobertura e atendimento aos usuários nas regiões FATB, mas seria também permitido o atendimento nas ATB, a critério da operadora. 3) Os outorgados poderiam prestar todos os serviços aos quais a faixa de 450 MHz está destinada, ou seja: SMP, SCM e STFC. 4) Os outorgados em 450 MHz poderiam oferecer planos incentivados e receber os subsídios do governo a seus usuá­ rios FATB e também na ATB, na pres­ tação de qualquer serviço, seja o SMP, SCM ou STFC, que forem atendidos com acessos em 450 MHz. Nesse caso

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6) Dividir o País em regiões de outorgas coincidentes com as regiões de con­ cessão do STFC. Em resumo, seja qual for a decisão a ser tomada, algumas premissas básicas terão que ser levadas em consideração. Apesar de 450 MHz ser a faixa mais ade­ quada para atender todas as necessida­ des de acesso de telecomunicações em áreas rurais e subatendidas, ainda serão necessários incentivos governamentais para viabilizar a construção de redes pelos prestadores de serviços que tenham obrigações de atendimento nas áreas rurais. O Fust poderia ser uma fonte natural, entretanto, para ser mais efi­ ciente, sua aplicação deve ser prescindi­ da da mudança no marco legal para que se permita sua aplicação também no regime privado. Caso contrário devem ser utilizados os recursos previstos no Plano Nacional de Banda Larga e outros compatíveis com a legislação.  * Diretor sênior de relações governamentais da Qualcomm para o Brasil e países do Cone Sul.


.:produtos

Fernando Paiva

fernando.paiva@convergecom.com.br

Direção segura

À prova de grampo

Cada vez mais empresas lançam aplicativos móveis de prestação de serviços com o objetivo de fidelizar seus clientes ou simplesmente promover suas marcas. A Brasil Veículos, seguradora do Banco do Brasil, lançou para iPhone e iPod Touch o Rádio Alerta BB Seguro Auto, que emite alertas na tela do celular com informações relevantes para os motoristas, tais como: alertas de chuva, notícias de trânsito, avisos sobre datas de agendamento de revisão do veículo e de licenciamento anual, vencimento do seguro etc. É o usuário quem programa que tipos de alertas deseja receber e em que hora do dia. As informações sobre o trânsito estão disponíveis apenas para as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. O aplicativo foi desenvolvido pela Mowa e ganhará versões para Blackberry e Nokia S60 em breve. www.mowa.com.br

A Vtech, marca do grupo MDX Telecom, lançou um telefone fixo sem fio voltado para o público da terceira idade. O Magno 500 possui teclas grandes e os números que aparecem no visor também são maiores que o padrão. O áudio e o toque do telefone são mais altos que a média, para ajudar pessoas com perda parcial da audição. O aparelho tem viva voz, agenda para 20 contatos, identificador de chamadas e opções de tons polifônicos. O preço sugerido é R$ 139. www.vtechbrasil.com.br/teclevtech

FOTOS: divulgação

Telefone para idosos

Roteadores com redundância 3G A Unicoba e a TP-Link lançaram no mercado brasileiro dois roteadores WiFi/3G: o TL-MR3220 e o TL-MR3420, com velocidades de 150 Mbps e 300 Mbps, respectivamente. Ambos têm uma porta WAN, quatro portas LAN e uma porta USB. Na prática, é possível conectar duas redes de acesso simultaneamente no mesmo roteador: uma de cabo ou ADSL na porta WAN e outra 3G na porta USB. Os dois produtos permitem configurar qual é o acesso primário e qual é o secundário. Em caso de queda da conexão, o roteador troca automaticamente para o acesso secundário, sem que o usuário perceba. Os preços sugeridos para o varejo são R$ 179 para o TL-MR3220 e R$ 219 para o TL-MR3420. www.unicoba.com.br www.tplinkdobrasil.com.br 44 Teletime dez_2010

A privacidade das ligações e da troca de mensagens de texto via celular é uma preocupação de políticos e empresários no mundo todo. A G&D, em parceria com a Secusmart, criou uma solução de criptografia embutida em um cartão MicroSD que impede a interceptação de ligações e mensagens de texto em telefones móveis. A SecuVOICE, como foi batizada, criptografa a comunicação de ponta a ponta. O cartão tem 4 Gb e também garante a segurança dos dados nele armazenados. O SecuVOICE foi aprovado pelo Instituto Federal Alemão de Segurança da Informação e será usado por autoridades federais alemãs. www.gi-de.com

Celular de chocolate Depois do celular do xampu Seda Teens da Nokia, mais uma marca decidiu “vestir” um telefone móvel no Brasil. A Sony Ericsson acaba de lançar o W100 M&M’s, uma versão de seu novo celular dedicada ao famoso chocolate da Mars. O aparelho vem em uma embalagem customizada com a marca do chocolate e acompanhada de adesivos para decorar o aparelho. Embarcadas na memória estão nove receitas que têm o chocolate da Mars como ingrediente, além de wallpapers com a marca. O produto está sendo vendido exclusivamente nas Lojas Americanas e foi desenvolvido em parceria com a MobiU, empresa de soluções de mobile marketing. O W100 tem câmera de 2 megapixels, bluetooth, rádio FM, memória de 2 Gb e está disponível nas cores branca, rosa e preta. O preço sugerido é de R$ 349. www.mars.com.br www.sonyericsson.com.br


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.:ponto&contraponto

Banda H: há espaço para um quinto operador?

F

inalmente saiu o leilão da Banda H e das sobras de espectro, um fato aguardado há muito tempo e que tinha como principal obje­ tivo estimular a concorrência e dar mais opções aos consumidores. O resultado que já era esperado: a Nextel é a nova operadora de cobertura nacional, graças às restrições de partici­ pação das operadoras de SMP. Com isso, acontece com a Nextel situação seme­ lhante à que já viveu no Peru, Chile e México, faltando apenas a Argentina. Num país em que temos quatro ope­ radores praticamente em todas as geo­ grafias, teremos agora uma quinta com­ petidora , com a árdua tarefa de implan­ tar um projeto de sucesso. Porém, num mercado onde já temos 100% de penetração, com 80% de assi­ nantes pré-pagos e com quatro players estabelecidos, o argu­ mento de estimular a concorrência não parece convincente. As ofertas são muito parecidas e extremamente competi­ tivas, com chip grátis, aparelhos subsidiados, minutos intra-rede... Com as quatro opera­ doras atuais com um market share variando de 20% a 35% cada uma, onde um quinto operador vai encontrar seu espaço e garantir um retorno de investimento adequado aos seus acionistas? Na maioria dos exemplos bem sucedidos, a nova ope­ radora poderia ocupar um vácuo no mer­ cado. Aqui, temos cobertura 3G nacional de todas as operadoras. Uma nova rede 3G tem que buscar algum diferencial para oferecer ao mercado e para capturar clientes hoje com as outras operadoras, já que a penetração está saturada. Não podemos tirar conclusões do fracasso da Unicel, pois nesse caso há aspectos que podem ser atribuídos à falta de estrutura financeira para bancar o investimento, estratégia de mercado e

o timing correto de introdução. Estes são sem dúvida os elementos-chave para o sucesso: uma adequada estrutura de financiamento da operação, o time to market para lançar o serviço e uma estratégia de mercado diferenciada. Porque se a proposta for competir na base da força, já temos quatro operado­ ras que estão fazendo isto, com ofertas muito parecidas e com benefícios cir­ cunstanciais para o usuário. A Nextel, com uma base importante de assinantes nestes países, reconhecen­ do que a tecnologia iDEN tem sua evolu­ ção no limite, aposta no 3G para manter e capitalizar sobre esta base de clientes. A operadora está determinada a estabe­ lecer uma rede 3G nos países onde já opera com iDEN, e desde 2009 vem investindo pesado no Peru e Chile, paí­ ses que já iniciaram as operações, e mais recentemente no México. Lembrando que a Nextel é controlada pela Nextel International, baseada nos Estados Unidos, mas que não tem mais operação por lá. É uma empresa dedicada ao mercado corporativo na América Latina, com assinantes de alto valor e com ARPU alto. Com uma parceria de implan­ tação das redes com a Huawei e de operação e manutenção da rede com a Nokia Siemens, a Nextel entra no mercado celular com modelo de gestão bastante avançado. O interesse, sem dúvida, será de man­ ter o valor de seus assinantes e possivel­ mente expandi-lo, agregando mais serviço a seus assinantes e ampliando a base cor­ porativa e de assinantes pós-pagos. Esta estratégia deve despertar uma reação das demais operadoras em termos de tecnolo­ gia e serviços para disputar mais acirrada­ mente estes assinantes corporativos e se proteger do assédio aos assinantes de maior valor. As experiências e resultados

se a proposta for competir na base da força, já temos quatro operadoras que estão fazendo isto, com ofertas muito parecidas e com benefícios circunstanciais para o usuário

46 Teletime dez_2010

iniciais no Peru e Chile servirão para testar modelos e estratégias de marketing e servi­ ços, pois os concorrentes nestes países são, como aqui, a Claro e a Movistar, dos mexi­ canos e espanhóis. Vale a pena acompa­ nhar o que está acontecendo por lá, pois os projetos são bons e a Nextel está fazendo um investimento sério na cobertura e qua­ lidade de rede e se preocupando em man­ ter uma alta qualidade de serviço. Para o Brasil, já anunciou investimentos de até R$ 5,5 bilhões em cinco anos, incluindo o que pagou pelas licenças (R$ 1,2 bilhão). O mercado brasileiro vai se tornar mais complexo com a entrada das operadoras virtuais (MVNOs), que serão liberadas em breve, e que não representam uma ameaça para as operadoras incumbents, pois vão estimular tráfego de nicho, sendo até um estímulo para uso de celulares com ganho para todos na cadeia de valor. Algumas dúvidas, no entanto, persis­ tem quanto à suficiência de espectro para a nova operadora e para as atuais, que têm um crescimento em 3G acima do esperado. A explosão do tráfego de dados na tecnolo­ gia atual pode levar a um esgotamento de espectro, já que todas as operadoras recla­ mam que precisam de mais frequências, a menos que soluções paliativas de 3,5 G fiquem rapidamente disponíveis. A Anatel terminou este ciclo de aloca­ ção de espectro e autorizações do 3G e agora começa a trabalhar na definição do 4 G, que resultará em mais um ciclo de investimentos das operadoras. O que se pode esperar com a super­ -densidade de operadoras para que não haja uma desvalorização do mercado e, ao mesmo tempo, os usuários estejam atendidos nos seus anseios de preços mais baratos e mais opções de serviços? A estratégia adequada é o grande desafio dos executivos de marketing das cinco operadoras nacionais e dos novos opera­ dores virtuais. Mas deve-se ficar atento: uma vez destruído o valor, não há cami­ nho de volta, todos perdem, inclusive o consumidor, pois uma vantagem imedia­ ta pode representar a falta de novas opções mais para frente. 


Revista Teletime - 139 - Dezembro 2010  

Revista Teletime - 139 - Dezembro 2010

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