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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 20_#213_mar2011

especial

locação

A oferta de equipamentos e estúdios que dão apoio ao crescimento da produção audiovisual ENTREVISTA

Secretaria do audiovisual prepara cortes no orçamento

INTERNACIONAL

KidScreen mostra as tendências da produção infantojuvenil


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uando a televisão é boa, nada é melhor que ela, nem o teatro, revistas ou o jornal. Mas quando ela é ruim, nada é pior. (...) Convido os broadcasters a assistirem a seus próprios canais durante um dia inteiro. (...) Posso afirmar que o que verão é um amplo deserto”. “Não aceito a ideia de que os programas são aquilo que o público quer ver. (...) Os índices dizem apenas que as pessoas estão vendo aquilo, mas ninguém garante que elas não veriam outra coisa se tivessem opção”. “Se criássemos as crianças baseados no que dá audiência, elas comeriam apenas sorvete e todos os dias seriam feriado”. Estes são alguns dos trechos mais marcantes (em tradução livre) de um discurso que completa 50 anos em maio de 2011. Não foi proferido por um militante de esquerda e nem está nos anais da Confecom. Foi escrito pelo então presidente da FCC, a agência reguladora das comunicações nos EUA, Newton Minnow, indicado pelo presidente Kennedy, e lido na abertura do congresso da NAB (associação dos radiodifusores norteamericanos) em maio de 1961. Ficou conhecido como “The vast wasteland speech”. Minnow sempre insistiu em reforçar a ideia de que as ondas eletromagnéticas pertencem à população, e que os concessionários têm a obrigação de oferecer o melhor conteúdo possível, o que nem sempre fazem, na sua opinião. Para isso, acreditava no papel do Estado como agente regulador, ressaltando sempre que qualquer censura ou restrição à liberdade de expressão são inadmissíveis. Mas endurecia com os empresários: “Como estes princípios serão aplicados? Com a autoridade da FCC para conceder ou renovar as outorgas (...) ( na minha gestão) as autorizações não serão pro forma. Não há nada permanente ou sagrado em uma outorga de televisão”. Para Minnow, o sentido de serviço público das concessões de TV estava acima de qualquer interesse comercial. Ele combateu práticas comuns na TV da época, como os “jabaculês” das gravadoras e as fraudes nos programas de auditório. Também tornou obrigatório o receptor de UHF em todas as televisões, para ampliar o número de canais e as opções do público. De lá para cá muita coisa mudou. As opções se multiplicaram, com a chegada da TV por assinatura, do home video e da Internet. Mas o discurso de Minnow continua atual. Tão atual que, em celebração ao cinquentenário do texto, Minnow escreveu um novo artigo, para a revista The Atlantic, chamado “A vaster wasteland”, um deserto maior ainda. Ele reafirma seu compromisso com a liberdade, que depende da multiplicidade de fontes de informação e opinião. Defende que a tecnologia da comunicação seja usada em benefício da educação e da saúde. E prega um apoio maior do governo à televisão pública. Minnow pode ser chamado de ingênuo, talvez de moralista. Mas seu discurso nos faz lembrar que antes de ser um negócio, a TV é um serviço público, e que os interesses comerciais e sociais deveriam ser balanceados.

O discurso de 1961 pode ser lido e ouvido, com o áudio original (em inglês) em www.americanrhetoric.com/speeches/newtonminow.htm. O artigo “A vaster wasteland” está em www.theatlantic.com/magazine/archive/2011/04/a-vaster-wasteland/8418/.

ilustração de capa: seri

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Ano20 _213_ mar/11

(índice ) Especial Locação Como está a oferta de equipamentos e estúdios para produção

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Figuras

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Entrevista

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Ana Paula Santana assume Secretaria do Audiovisual prometendo destaque à formação

Internacional

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No KidScreen, comédia e conteúdo multiplataforma são destaque

Política

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Ministério Público questiona Anatel na flexibilização das regras para TV paga

( cartas)

Convergência

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Redes sociais Finalmente os canais estão olhando para as redes sociais. O brasileiro adora interagir nessas redes, mas parece que demorou para os canais perceberem isso. O Orkut está aí há seis ou sete anos, e só agora a TV fez algo em relação a isso (quando o Orkut já está desaparecendo e dando lugar a outras redes). Antes tarde do que nunca! João Henrique Freitas, São Paulo, SP

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Momento é apropriado para serviços de VOD

Programação

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Grupo paranaense lança canal local de TV por assinatura

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Jogos O mercado de games, ainda que seja próximo do audiovisual em termos técnicos, está muito longe do audiovisual na parte de negócios. Os produtores audiovisuais poderiam aproveitar o conhecimento dos desenvolvedores de games sobre como fazer suas produções e ter lucro sem depender de recursos públicos. Maria do Carmo Nascimento, São Bernardo do Campo, SP

Audiência

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Making Of

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Cinema

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Cinema brasileiro conquista European Film Market

Case

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“Meu Pé de Laranja Lima” ganha nova versão, filmada em polo mineiro

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Artigo

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Os caminhas da produção para TV, por Paulo Arêas

Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas.telaviva@convergecom.com.br

Upgrade

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Agenda

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 4

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( scanner ) FOTO:s divulgação

Escalada

MTV continua apostando no humor, com elenco liderado por Marcelo Adnet.

Eternamente jovem A MTV Brasil apresentou sua nova grade de programação. A emissora passa este ano a disputar a audiência de um target ampliado, formado por jovens de 12 a 34 anos. O canal volta a apostar na música como um dos pilares de sua programação, com novos programas e apresentadores cobrindo o universo musical e do videoclipe. “Queremos ser a referência em música para o público jovem e para os artistas”, diz Helena Bagnoli, diretora geral do canal. Os outros pilares da programação são o humor, que continua com o forte elenco liderado por Marcelo Adnet, e a informação voltada ao público jovem. Com a nova grade, a emissora espera ter aumento de 30% no faturamento publicitário em 2011. Na nova grade, a emissora diz que buscará mais a parceria de produtoras independentes. O diretor de programação, Zico Góes, diz que deve levar às produtoras demandas que não são atendidas pela grade do canal, esperando propostas de conteúdos. O modelo será o de compra do conteúdo, desenvolvido e criado em parceira com a emissora. Para um segundo momento, explica Góes, a MTV Brasil estuda a possibilidade de usar recursos incentivados. A emissora aposta mais no conteúdo transmídia. Juntamente com a nova programação foi inaugurado o novo Portal MTV e um novo site para dispositivos móveis. Segundo Ricardo Anderáos, diretor de novas mídias da emissora, quase todos os novos programas terão sites próprios dentro dos portais e conteúdos pensados para a Internet.

Publicidade O bolo publicitário brasileiro teve crescimento de 17,7% e atingiu R$ 35,951 bilhões em 2010, segundo dados do Projeto Inter-Meios. Os resultados apontam um crescimento do faturamento bruto total dos meios de R$ 22,273 bilhões em 2009 para R$ 26,216 bilhões em 2010. O destaque ficou para o meio TV, que registrou 62,9% de participação, maior share da TV aberta já registrado pelo levantamento, feito desde 1990. O meio registrou faturamento de R$ 16,498 bilhões em 2010, contra R$ 13,569 bilhões em 2009. A Internet teve crescimento de 27,96%, passando de um faturamento de R$ 950 milhões em 2009, para R$ 1,216 bilhão em 2010. A TV por assinatura aparece em seguida, com crescimento de 22,95% e faturamento publicitário de R$ 1,011 bilhão em 2010 (em 2009 foi de R$ 822 milhões). O cinema também registrou crescimento (12,97%). 6

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Os serviços de DTH ganharam mais de nove pontos percentuais de share do mercado de TV por assinatura entre janeiro de 2010 e janeiro deste ano. O satélite fechou o ano com 46,5% dos assinantes do país, contra 37,4% em janeiro de 2010. A TV a cabo saiu de 57,9% de share em janeiro de 2010 para 50,4% em janeiro deste ano. Já as prestadoras de MMDS Share das tecnologias perderam 2,78% de sua base. O setor de MMDS 4,1% TV por assinatura no Brasil fechou o mês de janeiro com 155.424 novos assinantes, Cabo DTH 50,4% 46,5% totalizando 9.924.417 domicílios atendidos, aproximadamente 17% dos domicílios brasileiros. Nos últimos 12 meses, o Fonte: Anatel setor acumulou crescimento de 30,2%. O crescimento observado no primeiro mês deste ano representa uma evolução de 1,6% em relação à base de assinantes de dezembro de 2010. O crescimento absoluto é um pouco superior ao apresentado em janeiro do ano passado, quando o setor ganhou 149,9 mil novos assinantes.

Aposta na web O Multishow estreou sua segunda websérie. “Serguei Rock Show” é uma produção do canal exclusivamente para a Internet. De segunda a quinta-feira, o internauta encontra quadros do programa no site do canal (www.multishow.com.br). Às sextas-feiras serão exibidos os episódios completos. Serão dez no total. A primeira experiência do canal com webséries aconteceu no fim do ano passado com “I Love My Nerd”, que está disponível sob demanda na página do canal.

“Serguei Rock Show”, segunda websérie produzida pelo Multishow.

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Dramaturgia Band, com equipe terceirizada, A Band não vai competir em em parceria com a produtora teledramaturgia com suas Caju, de Marcelo Parada, concorrentes com as mesmas ex-vice-presidente da emissora, armas, as novelas. Em vez disso, a que detém os roteiros originais. emissora aposta nas séries A série começa a rodar em (adolescentes, dramáticas e setembro, com direção de cômicas) para disputar a Rodrigo Ricco, e terá 13 audiência. “Novela é uma episódios. A sitcom “Anjos do estrutura fixa muito grande, Sexo” será produzida precisa manter um casting integralmente pela Band. contratado, é muito caro”, contou A série terá duas temporadas Helio Vargas, diretor de de 13 episódios. programação da Band, durante a Segundo Vargas, todas as apresentação da programação “Julie e os Fantasmas”, produzido pela Mixer, é uma das apostas séries, bem como os demais 2011. A aposta da Band recai da Band na programação 2011. programas da Band, como sobre produções próprias e “CQC”, “A Liga” e outros, terão conteúdos exclusivos na coproduções, algumas com o uso de leis de incentivo, como Internet. “Não dá mais para estar fora disso, todo o Artigo 3ºA da Lei do Audiovisual. A emissora comprou da programa precisa deste tipo de ação”, conta o diretor. Mixer a primeira temporada da série “Descolados”, já Além das séries, a Band terá este ano novos formatos exibida na MTV, em um dos raros casos de syndication no contratados junto à Fremantle, como o reality “The Phone” Brasil, e vai coproduzir a segunda temporada com a e a versão local de “Project Runaway”, que terá produtora independente. Os roteiros da nova temporada apresentação de Adriane Galisteu sob o nome “Projeto serão trabalhados e aprovados conjuntamente, mas a Fashion”. A apresentadora estará à frente também das produção será totalmente externa à Band, por conta da transmissões dos concursos de miss, outra atração da Mixer. Ainda com a Mixer a Band está coproduzindo a série Band em 2011, inclusive do “Miss Universo”, que será adolescente “Julie e os Fantasmas”, que também irá ao ar realizado no Brasil. Alguns formatos novos também foram no canal pago Nickelodeon. adquiridos para o programa de sábado do apresentador Já a série dramática “Primeira Página”, sobre a vida Edgard, o “Edgard à Tarde”. de uma repórter investigativa, terá produção interna da

Informação

Troca de canal

A Discovery Networks lança na América Latina o portal Discovery Notícias (www.discoverybrasil.com/noticias), no qual os internautas podem encontrar conteúdo sobre descobertas científicas nas categorias arqueologia, climatologia, paleontologia, história, espaço e tecnologia. Os textos são acompanhados de vídeos, infográficos e ilustrações e o usuário brasileiro encontra o conteúdo em português.

Com estreia em 1° continua a ter feed de abril, chega ao exclusivo para o País, Brasil o Disney além de Junior, canal voltado apresentadores para crianças em brasileiros e idade pré-escolar, que programas como entra no lugar do “A Floricultura da Playhouse Disney Naná” realizados Channel. A em português. O programação do lançamento acontece canal, focada nas ao longo do ano em “O Jardim de Clarilu”, atração do novo canal Disney Junior. crianças de dois a mais de 109 países. sete anos e seus pais, Branger conta que terá “o melhor da programação do com a mudança o conteúdo do canal Playhouse e programas novos, feitos terá foco no desenvolvimento social e exclusivamente para o canal”, segundo cognitivo das crianças. O pacote gráfico o diretor de programação da Disney, também será totalmente trocado. Gustavo Branger. A ideia é que o canal tenha ainda Entre as novidades na uma grande oferta multiplataforma, programação, estão as séries “Jake e com o lançamento do site, com os Piratas na Terra do Nunca” e atividades para as crianças, e “O Jardim de Clarilu”, esta última ferramentas de comunicação produzida na Argentina. O canal com os pais.

Discovery: portal de notícias na América Latina.

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Conectados A LG levará sua plataforma de conteúdos NetCast para televisores não equipados com conexão banda larga. A empresa lançará este ano um set-top box que fará a conexão de qualquer televisor, mesmo de outro fabricante, à banda larga, e oferecerá a plataforma de serviços da LG. É um modelo similar ao da Apple TV e outras caixas over-the-top (OTT) e foi batizado de SmarTV Upgrade. Ou seja, com ele qualquer TV pode se tornar uma SmarTV, marca que a LG usa agora para suas TVs conectadas. Ainda sem preço definido, a caixa está em testes e não foi lançada em nenhum outro país. Ela mostra que a fabricante coreana (e suas concorrentes também) querem ser efetivamente players do mercado de conteúdo, oferecendo além do hardware uma plataforma de serviços. Na plataforma da LG estão hoje serviços de notícias, previsão do tempo, games, música e vídeos, fornecidos através de parceiros como Editora Abril (revista Info), revista Caras, Cineclick (informações sobre Set-top box da LG conecta cinema), Climatempo, TV à banda larga. Estadão, iG (inclusive com show ao vivo do estúdio do portal), Gamestart, MSN, NetMovies (locação de filmes), Saraiva, Terra TV, Sonora e UOL, entre outros. O set-top é compatível com o padrão DLNA, de integração entre os diversos aparelhos de entretenimento doméstico, como home theater, Blu-Ray etc. Pode reproduzir também arquivos gravados no computador do usuário. Na apresentação da linha de produtos da LG, a novidade na área de displays (TVs e monitores) são as telas com tecnologia de imagem 3D FPR (Film Patterned Retarder), similar à usada nas salas de cinema. A vantagem é que esta tecnologia utiliza óculos passivos, que separam as imagens que compõem o 3D (direita e esquerda) com o uso de um filtro de polarização. Na maioria da TVs são usados óculos ativos, cujas lentes abrem e fecham em alta velocidade, sincronizadas às trocas de imagem na tela da TV. A tecnologia traz duas grandes vantagens: a imagem é mais realista, com mais brilho, sem efeito de flicker (imagem piscando) ou fantasma; e os óculos são bem mais finos e leves, pois não usam qualquer dispositivo eletrônico ou baterias, além de serem muito baratos (um clipe com lentes custa cerca de US$ 3).

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FOTOs: divulgação

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Lucia Novaes, Christoph Reisky e Fernanda Castro, da Vitória-Régia Produções: produtora acumula 12 filmes publicitários no portfólio.

Carioca A Vitória-Régia Produções, dos sócios Christoph Reisky, Lucia Novaes e Fernanda Castro, foi lançada no mercado carioca há quatro meses. Neste período, a produtora acumulou no portfólio 12 filmes publicitários e tem outros cinco em produção, além do programa “Mulatas”, que está no ar pelo Canal Brasil. A proposta da produtora é, além dos filmes publicitários, dedicar-se à criação e produção de conteúdo, com projetos para TV e cinema, como séries e documentários. Também está nos planos da Vitória-Régia desenvolver conteúdos associados aos seus produtos para TV, como aplicativos para iPhone e smartphones e também videocasts.

Vizinhos A produtora argentina Primo Buenos Aires inicia operações no Brasil para a produção de filmes publicitários. Com o nome de PBA Cinema, a empresa passa a oferecer no País os serviços de diretores de cena como as duplas Nico & Martín e Felipe & Pancho, e dos diretores Luis Mermet, Santi Elias e Jonathan Gurvit. Além Jonathan Gurvit, Santiago Elias, Felipe Aparicio, Luiz Merme e Pancho Barone, da disso, serão oferecidos PBA Cinema, produtora argentina que inicia serviços a agências e operações no Brasil. anunciantes do mundo todo que queiram realizar produções no Brasil ou na Argentina. Ao mesmo tempo em que ingressa no mercado brasileiro de produção publicitária, a PBA Cinema anuncia reforços em seu time de diretores de cena, com a contratação de Santiago Elias, que era da portenha Ursula Filmes, e Jonathan Gurvit, ex-head of art e diretor geral de criação da Ogilvy Argentina. Os produtores executivos são Nivio Alves de Souza e Mayra Gama (ambos ex-Tamborim Filmes).

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FOTO: diego pisante/divulgação

Novo look

Equipe espanhola acompanha gravações de curta-metragem 3D produzido pela RPC em parceria com a Spin Filmes.

Dramaturgia 3D A RPC TV, emissora pertencente ao Grupo Paranaense de Comunicação e afiliada da Rede Globo no Paraná, gravou um curta-metragem em 3D para o quadro de dramaturgia “Casos e Causos”. “Amor na Corda Bamba” é uma parceria da RPC TV com a produtora Spin Filmes. As gravações e a edição do episódio foram acompanhadas por uma equipe das empresas espanholas SGO e S3D, responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia Mistika, recurso de edição e pósprodução 3D que será empregado no curta-metragem.

Para curtir A rede social Facebook também aposta na distribuição de conteúdos premium online. A Warner Bros. e o Facebook terão uma parceria para distribuição de filmes online. Os usuários da rede social nos Estados Unidos que “curtirem” o filme “O Cavaleiro das Trevas” poderão alugar o título por US$ 3. O filme poderá ser assistido no computador, recebido por streaming, e ficará disponível por 48 horas. Os usuários poderão ainda comentar sobre o filme na rede social enquanto assistem. O estúdio anunciou que levará outros títulos para rede social no próximo mês.

programas estrangeiros adquiridos O GNT estreou seu novo on-air pelo canal. Apenas “Oprah” deixa de look e a nova grade de programação, ser transmitido a partir do segundo com destaque para os programas semestre, pelo cancelamento do nacionais. programa nos EUA. Após pesquisa feita com 400 Segundo Letícia Muhana, o canal mulheres de classes A e B, de 25 a já tem mais de 20 cotas de patrocínio 49 anos, em cinco capitais (São vendidas este ano. Mas não há na Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador grade, por enquanto, e Porto Alegre), o formatos de branded canal fez ajustes na content, como os que o grade e incluiu ou GNT teve no passado. aumentou programas com temáticas como Independentes astrologia e O GNT trabalha maternidade, atualmente com 14 mantendo ainda produtoras temas como independentes, que gastronomia, moda e produzem 16 títulos do comportamento. “O canal. Apenas os canal não mudou seu programas “Que posicionamento. É Marravilha!”, “Saia focado na mulher das Justa”, “Marília classes A e B. Mesmo Diana Bouth, apresentadora do Gabriela Entrevista” e com a entrada forte “Mãe & Cia”, nova atração do canal “Decora” são de da classe C na TV por produção interna do canal. assinatura, quisemos manter o foco, O conteúdo que está sendo gerado porque temos também o canal Viva, é em HD, mas o canal não planeja ter mais voltado à classe C, e assim o uma versão própria em alta definição portfólio da Globosat fica mais no curto prazo. Os conteúdos em HD completo”, conta Letícia Muhana, serão aproveitados no canal diretora dos dois canais. No on-air, “superstation” Globosat HD. saem de cena as modelos para A novidade é uma aproximação entrarem situações mais “reais”, maior com a Conspiração, uma das próximas do dia-a-dia das mulheres, maiores produtoras nacionais, que como salão de beleza, escritório, passa a produzir o “Alternativa crianças etc. A marca do canal é Saúde”, com Luana Piovani, até incorporada às cenas da “vida real”. então produção própria do canal, e o novo “Detox do Amor”. Confira as Temas outras produtoras e seus programas A grade também sofreu alterações. na grade do GNT: Desde o dia 21 de março, o horário nobre tem a cada dia uma temática • Youle Filmes - “No astral!” diferente, como moda e beleza à • Panorâmica - “Pirei” segundas-feiras, saúde e bem-estar • Moai Filmes - “Diário do Olivier” nas terças, comportamento e • Ioiô Filmes - “Base Aliada” e relacionamento às quartas, casa e “Descontroladas” cozinha às quintas. No horário • Flint - “Vamos combinar” anterior, das 19h, serão exibidos • Mixer - “GNT Fashion” filmes, e no horário das 23h • Biondo Multimidia - “Superbonita” programas de humor. • No Ar Produções - “Mãe & Cia” O canal estreia vários programas • Cara de Cão - “Perdas e Ganhos” novos, e novas temporadas de • Primo Filmes - “Conversa de Salão” programas de linha, alguns com • Chocolate Filmes - “Duas Histéricas” formato reformulado. As séries • Cinevídeo - “Chegadas e Partidas” internacionais como “Weeds” serão • Teleimage - “Nos Trinques” mantidas na grade, além de outros

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( scanner) FOTO: divulgação

Educação financeira

“Dinheiro no Bolso” é uma parceria do Canal Futura com a BM&F/Bovespa, com produção da Mixer.

O Canal Futura estreou o programa “Dinheiro no Bolso”, uma competição sobre educação financeira voltada para o público jovem, realizada pela emissora em parceria com a BM&F/Bovespa. A atração, produzida pela Mixer, inclui perguntas e provas sobre raciocínio lógico e criação de estratégias financeiras. Dez jovens, todos estudantes do ensino médio e moradores da Grande São Paulo, demonstram seus conhecimentos. São dez episódios e, a cada programa, o participante que obtiver menos pontos é eliminado, até que apenas dois jogadores cheguem à grande final. O vencedor leva um prêmio de R$ 10 mil em crédito para a compra de ações. O programa tem a consultoria de Gustavo Cerbasi, autor de livros sobre educação financeira, e roteiro de Márcio Araújo, da série “Cocoricó”, da TV Cultura.

Troca de identidade A discordância em relação à programação levou ao fim da parceria internacional da Turner com a Fashion TV Paris. Com o fim do acordo, em abril, a Turner não poderá mais usar o nome nem conteúdos da programadora francesa. Segundo o vice-presidente regional da Turner International do Brasil, Anthony Doyle, há três anos o canal Fashion TV brasileiro vem sendo repaginado, assumindo uma programação de estilo de vida, menos fechada ao escopo do universo da moda. “Aos poucos o conteúdo foi sendo substituído por produções locais. Hoje, de 70% a 80% do conteúdo é nacional”, diz Doyle. “O canal passou a ter um perfil muito diferente daquele da proposta inicial. A mudança no nome é uma evolução natural”, diz, apresentando a nova marca: Glitz*. Michel Adam, presidente e fundador da Fashion TV, diz que não estava satisfeito com as mudanças do canal no Brasil, cujo conteúdo já não estaria mais de acordo com o perfil que o canal tem em outros países. “Acredito que haja interesse pelo conteúdo de moda internacional no Brasil. O Brasil, com suas modelos, está bem representado na programação internacional”, argumenta. Além disso, alega que as duas empresas não conseguiram se entender quanto aos planos de lançamento de um canal em alta definição no Brasil. “Queríamos lançar o canal HD em dezembro, mas a Turner não concordou”, diz Adam. Em maio, a Turner estreia o nome

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Glitz*. Será a primeira marca global da Turner Broadcast Latin America. Já a Fashion TV se prepara para assumir o controle da programação ligada à sua marca no país. Segundo Michel Adam, o canal já está disponível para as operadoras da América Latina no satélite, em alta definição, com alguns programas transmitidos em 3D. A aposta é que a demanda por canais HD nas operadoras levará à contratação do canal. Adam explica ainda que estuda como será a comercialização no país, tanto do canal, quanto do espaço publicitário, podendo haver ou não um parceiro local. Além da moda Segundo o diretor do Glitz, Daniel Conti, a mudança reflete melhor a programação que já era transmitida no canal, que deixou de ser exclusivamente sobre moda para ser um canal de comportamento (lifestyle). O foco do canal não são apenas as mulheres, mas o público jovem de 25 a 34 anos de ambos os sexos. “Os canais de lifestyle existentes hoje são segmentados por gênero. Vamos ocupar o nicho de um canal deste estilo, mas unissex”, disse Conti. O canal tem hoje 3 milhões de assinantes no Brasil, e será transmitido em três feeds: Brasil, América Latina Norte (México e América Central) e América Latina Sul (Cone Sul). Para o Brasil, a programação internacional será toda legendada. Para ampliar mais o escopo do canal

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para além da moda, entram na grade filmes e séries, como “Gossip Girl”, da qual o canal adquiriu as temporadas passadas, a atual e os direitos sobre as próximas. A partir de 1º de maio, quando vai ao ar, o Glitz exibirá o final da temporada atual, e as reprises das anteriores. Também ganham mais espaço programas de gastronomia, como “The Opener” e “Masterchefs”, com Gordon Ramsey. A grade ganha ainda um programa nacional sobre o tema, o “Taste It”. Os programas nacionais têm destaque na grade. “São a assinatura do canal”, diz Conti. Os programas são todos produzidos no país, por oito produtoras independentes. No pacote estão novas temporadas de programas de linha como “Lado H”, apresentado por Gastão Moreira, "Um Dia Com", que aborda a vida das celebridades, e "Glam", sobre tendências. O canal terá forte cobertura das semanas de moda nacionais e internacionais. Outra novidade são os short formats, programetes de dois minutos inseridos nos breaks. Serão três: “No Espelho Dela”, “Playlist” e “3x4”.

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Fotos: divulgação

( figuras) Foto: arquivo

Seta Alexandre Annenberg foi mantido no comando do Sindicato Nacional das Empresas Operadoras de Sistemas de Televisão por Assinatura (Seta) para o biênio 2011-2012. Segundo nota divulgada pelo sindicato, Annenberg, que também ocupa o cargo de presidenteexecutivo da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg foi eleito no dia 10 de fevereiro. A diretoria é formada ainda por Edmar Prado Lopes Neto (da Net Serviços), como diretor tesoureiro; e pelos diretores Sergio de Andrade Ribeiro (Acom), Cássia Cordaro (TVA), Roselí Parrela (Sky), Antonio Salles Teixeira Neto (Viacabo), Renato Vargas Saibro (Net Serviços). Para o conselho fiscal, foram eleitos Antonio Roberto Salles Baptista (Net Serviços), Laci Ricardo Buss (MMDSC) e Isis Castro Marella André (Televisão Cidade).

Mídia e redes sociais A WMcCann tem novidades no time de mídia. A equipe liderada pela vicepresidente Yara Apparicio acaba de ganhar reforços e fazer promoções. Agora serão quatro diretorias em São Paulo e uma no Rio de Janeiro além da área de inteligência e pesquisa. Ricardo Armbrust (ex-Africa) chega à agência como diretor de mídia. Daniel Sollero Outra contratação é a de Horácio Rosário (ex-Neogama BBH) como gerente de mídia. Entre as promoções, Ana Beatriz Martini é a nova diretora de mídia. Viviane Vela e Juliana Fernandes passaram a atuar como gerente. Thiago D’Mello deixa de ser coordenador para ser supervisor e Ricardo Ikeno será coordenador, assim como Maura Wheeler, Selva Labriola e Alexandre Muramoto. Outra contratação recente da McCann é Daniel Sollero, ex-iChimp, como coordenador de redes sociais. O profissional integra o time da agência com o objetivo de reforçar a prática das redes sociais no processo criativo. Ele também será responsável pelos projetos na área de mídia social.

Comercial

Em três áreas

Fred Muller, diretor comercial da Globosat, anunciou uma reestruturação do seu departamento. A primeira mudança é a promoção de Herbert Zeizer, que assume o recém-criado cargo de diretor de vendas de São Paulo. Ele coordenará os trabalhos dos demais diretores: Cecília Moraes, Daniel Romani e Fernanda Muradas. Esta última se juntará ao núcleo paulista após liderar a equipe comercial do Rio de Janeiro nos últimos dois anos. Eduardo Salvador retorna à Globosat na função de diretor de vendas para o Rio de Janeiro e demais regiões do Brasil. A área de novas mídias também terá uma atenção especial. Essio Floridi, diretor de vendas Internet, ficará responsável por liderar a equipe de atendimento que tem como foco a venda dos sites dos canais Globosat, além de oferecer ao mercado soluções multiplataforma.

Novos profissionais chegam a Giovanni+Draftfcb São Paulo nas áreas de planejamento, mídia e atendimento. Caio Aidar (ex- Crispin Da esq. para a dir.: Caio Aidar, Leandro Porter+Bogusky) assume Fantini, Michele Sibile, Victor Soares e como gerente de Rachid Antun. planejamento de Digital e Shopper. Rachid Antun (ex-Taterka) é o novo coordenador de mídia para Nivea. Já os supervisores de conta Leandro Fantini (ex-We Comunicação), Michele Sibille (ex-Santa Clara) e o executivo de conta Victor Soares (ex-Lumina1), reforçam o atendimento.

Produção executiva Mercado O Canal Rural anunciou a chegada de um novo diretor de mercado. Marcelo Oréfice será o responsável pela área comercial de publicidade da empresa, no lugar de Nilson Moysés, que ocupava o cargo há três anos e assumiu outro posto no Grupo RBS, do qual o Canal Rural faz parte. Oréfice trabalhou no Canal Rural entre dezembro de 2003 e março de 2007, Marcelo Oréfice como executivo de negócios. O executivo tem passagens ainda pela Editora Globo e pela Editora Três. Publicitário e pós-graduado em marketing pela FAAP, com especializações na ESPM, Oréfice também faz parte do comitê de veículos do agronegócio na Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócio.

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A Cinema Animadores contratou a coordenadora de produção executiva Renata Albertoni. A profissional vem da O2 e sua contratação faz parte do processo de expansão da produtora.

MPAA A Motion Picture Association of America (MPAA) anunciou no dia 1º de março o nome de seu novo CEO. O ex-senador democrata Christopher J. Dodd ficará à frente da associação que representa os interesses dos maiores estúdios de Hollywood. São sócios da MPAA a Walt Disney Studios Motion Pictures, Paramount Pictures Corporation, Sony Pictures Entertainment Inc., Twentieth Century Fox Film Corporation, Universal City Studios LLC e Warner Bros. Entertainment Inc.

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Criação

Digital

A 141 SoHo Square tem novo diretor geral de criação: Celso Alfieri. O profissional chega da Talent após passagens por agências como MPM Propaganda e W/ Brasil.

Joana Dambrós, ex-Editora Abril, chega à Fischer+Fala! para o cargo de planner digital. Sua função será coordenar projetos de mídia social e presença digital. A profissional responde a Pedro Porto, head de convergência da agência.

Jovens Cris Lobo assumiu a diretoria de programação e produção da MixTV, e Raquel Affonso é a nova gerente de programação e aquisições do canal. As executivas vêm da MTV e cuidarão do novo projeto da emissora, voltada ao público jovem.

Conteúdo e entretenimento

Som Ana Garroux assume o departamento de atendimento da produtora de som paulista Na Glória. A profissional tem passagens pela S de Samba, Vetor/Lobo e RedeTV!.

Ricardo Oda chega à Hugry Man como gerente de negócios do núcleo de conteúdo e entretenimento com a missão de desenvolver novos projetos com empresas, agências, meios de comunicação e instituições. O profissional tem passagens pelas áreas de atendimento da Loducca e da DM9DDB e pela Academia de Filmes.

Creative Tecnologist Projetos digitais A Conspira Concept, núcleo de desenvolvimento e produção de projetos e formatos digitais da Conspiração, tem novo diretor executivo. Fábio Seixas, ex-DM9BBD, assume a direção com o desafio de atender à demanda criada por projetos de plataformas com novos formatos. Em comunicado, Seixas afirma que está na fase de buscar profissionais para ampliar a estrutura do núcleo.

A equipe digital da NBS ganha o reforço de Dado Tronolone (ex-CuboCC), que chega à agência para assumir o cargo de creative tecnologist. A contribuição do profissional para a criação da NBS não será apenas no digital. Nessa função incomum o profissional auxiliará as equipes de criação, produção e planejamento na busca de soluções criativas e inovadoras para as campanhas.

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( entrevista) a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

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André Mermelstein e Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Audiovisual qualificado Ana Paula Santana assume a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura prometendo continuidade, com destaque à formação de mão de obra qualificada.

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FOTO: tela viva

eterana da política audiovisual, Ana Paula Santana, começou no Ministério da Cultura no início do governo Lula, foi assessora na Secretaria do Audiovisual e agora, sob a batuta da ministra Ana de Hollanda, assume a pasta. Sua prioridade será a formação de mão de obra, de produtores a técnicos. Seu maior desafio: o corte de recursos anunciado pelo governo federal para este ano. TELA VIVA conversou com exclusividade com a nova secretária do Audiovisual. TELA VIVA - Qual a missão que a ministra passou para a pasta? Ana Paula Santana - A ministra deixou notória a vontade de dar continuidade ao que está dando certo no Ministério, aprimorar o que precisa ser aprimorado e avançar no diálogo com os envolvidos no setor. Uma coisa interessante que ela propôs é o trabalho integrado entre a Secretaria do Audiovisual e a Ancine. É o caminho natural colocar a máquina para funcionar da forma que foi prevista na legislação, considerando o papel que o Conselho Superior de Cinema tem que exercer na construção da política nacional do audiovisual. Eu trabalhei na gestão anterior, num processo construtivo que levou oito anos. Nosso trabalho agora é ver o que pode ser melhor e o que a gente não aperfeiçoou, por uma questão de volume de trabalho e da própria gestão da secretaria. Esse é um ano atípico, no qual a gente entra sabendo o nível de corte orçamentário, porque foi anunciado de maneira geral. Eu tenho falado que a construção que quero

Ana Paula Santana

propôr com a classe é o planejamento estratégico da gestão, do ano e dos anos seguintes, dentro da lógica do Plano Nacional de Cultura, elaborando um Plano Setorial do Audiovisual, que vai dar bases para toda a discussão conjunta dos três atores na elaboração da política nacional. O debate tem que acontecer em vários níveis. Temos locus privilegiados, que são o Comitê Consultivo da SAV e o Conselho Superior de Cinema. O debate individual com os setores que compõem a cadeia produtiva é essencial. A gente não pode restringir a discussão a esses fóruns. E quanto à restrição orçamentária? Ela atingirá processos em andamento e projetos já iniciados? A principal diretriz é no sentido de priorizar aquilo que foi lançado. É notório que ficou um quantitativo de restos a pagar. Temos que priorizar o que está em execução, para depois começar a construir o novo. Este é um ano que só tem seis meses de execução. O primeiro semestre é de

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organização, de consertar e de ver a linha na qual se pretende atuar, onde se quer avançar. Sentar com o setor é o primeiro passo da construção conjunta e da definição de prioridades. Não vou mexer no que está dando certo. Os editais, por exemplo, são muito esperados pela classe. Dentro das prioridades estará manter os editais. Mas quero mudá-los, de modo que o processo seja menos burocrático para os demandantes. Queremos construir uma lógica na qual o processo criativo e o processo de produção sejam fatores de análise na seleção. Também temos que ouvir mais o público. Não adianta ouvir apenas o produtor e o distribuidor. Esse elo sempre foi desconsiderado e passa a ser ator essencial nas diretrizes que temos que estabelecer. Como se dará essa maior integração com a Ancine? Uma das coisas que solicitamos para a ministra foi que a SAV voltasse a ter participação na elaboração da política. A Ancine precisa saber o que a SAV faz e a SAV precisa saber o que a Ancine faz. Em algumas questões, temos que atuar conjuntamente. Um exemplo disso é na questão do PLC 116. Sua aprovação é interessante para a Ancine, para a SAV e para o Ministério da Cultura. É interessante para que tenhamos uma regulamentação num setor que há tempos carece disso. É claro que surgirão demandas na conversa com o setor e que muitas virarão prioridades. Mas quais são as suas prioridades, após oito anos trabalhando na SAV? A SAV entende como prioritário investir no processo criativo. Investir

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( entrevista ) na capacitação de mão de obra para o setor, seja no âmbito autoral, seja em profissionais de mercado. Hoje a animação e os conteúdos transmidiáticos não contam com mão de obra suficiente para dar conta da demanda. O Brasil tem potencial tremendo em animação. O gap é a mão de obra. Investir na formação de maneira eficaz e estruturada é a ponta de lança da minha gestão. Temos que ter gente para trabalhar no setor. Estou muito focada na política de capacitação, principalmente para animação. Temos um projeto para criar uma escola técnica de animação na Vila Leopoldina (em São Paulo), em um espaço da Cinemateca. Terá 15 vagas para qualificar mão de obra top de linha, para dar conta da demanda que os projetos setoriais de exportação conseguiram atrair. Outra questão é a integração do audiovisual com todas as artes que compõem a sétima arte. Queremos juntar cineastas com atores de teatro, com músicos, com estilistas. Queremos criar coletivos de construção conjunta. A gente teve ações interessantes como o Nós na Tela e o Nossa Onda, feitos no âmbito do Mais Cultura, que trouxe egressos de projetos sociais para criar conteúdo para as TVs comunitárias, e o outro para criar programas de rádio. Nunca antes o Ministério investiu em rádio. Pretendemos dar continuidade.

no mercado internacional. Às vezes a gente paga mico lá fora. Temos que acabar com a mesmice. Nos programas internacionais, qualificaram-se cinco e são só esses cinco (produtores). O programa não pode ser para cinco e nem só para associados das entidades, é para todo o setor. 80% do investimento da SAV nestes programas será em capacitação. O Cinema do Brasil, por exemplo, não deu a resposta que queremos em termos de capacitação. A atuação em eventos internacionais é essencial, mas vamos escolher melhor aqueles nos quais os profissionais estão qualificados para atuar. Em relação à TV, haverá ações específicas? A gente tem que sair da lógica do projeto para a lógica da empresa. As empresas, pequenas, médias ou grandes, precisam de indução do estado. É assim que se cria uma indústria audiovisual. E essa indústria não perde por ser cultural. É a identidade cultural que induz a uma indústria forte, a exemplo do que houve nos Estados Unidos.

A Ancine precisa saber o que a SAV faz e a SAV precisa saber o que a Ancine faz Queremos promover a aproximação destas empresas com a televisão. A TV é a grande vitrine e a principal janela de escoamento. Nos últimos quatro anos, investimos em modelos como DocTV, AnimaTV e FicTV. Investimos muito na relação com os mercados internacionais. Temos buscado parceiros como EBC e TV Cultura. Esse ano, não garanto que tenhamos oportunidade de lançar o DocTV, o AnimaTV e o FicTV. Mas podemos arrumar a casa investindo na formação dos produtores para televisão, na capacitação de gestores para a TV e equilibrar o mercado.

Como ampliar essa iniciativa que será feita com animadores? A indústria reconhece o audiovisual como cadeia de investimento. O Senai nos chamou para formatar cursos na área. Já tem um para iluminação. Acho que tem que ter ainda para marceneiro, montador, editor, eletricista, pra tudo. Não existe mais técnico de cinema no Brasil. O sistema S (Sesc, Senac, Senai) vai ser um grande parceiro. Queremos atuar mais no âmbito internacional. O investimento da SAV nos projetos exportadores vai sofrer um desequilíbrio. Queremos formar profissionais para que possam atuar

E o projeto do canal de TV do ministério, está em qual horizonte? O canal é um instrumento do sistema Minc, não só da SAV. Nossa competência é estruturar o canal, mas pensando que o

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canal não pode ser só no decreto. Talvez comecemos na web, para a construção conjunta do conceito, da programação, do que é esperado dos setores e da população. Se houver possibilidade financeira, quero atuar este ano no desenho de como o canal pode agregar ao MinC. Um canal aberto não é barato, precisaria de pelo menos R$ 300 milhões. A Internet pode funcionar para começar a formar o conceito do canal. É o momento de debater. Esse canal pode ser usado para potencializar as outras áreas do MinC? Não é o canal da SAV. O audiovisual é apenas a linguagem. O canal tem que ser um instrumento para todas áreas culturais. Com ele a cultura atinge seu nível de importância nas políticas de governo. A diretriz passada pela presidenta é a da parceria entre os ministérios. Dá para eu integrar o Ministério da Ciência e Tecnologia com o que é feito para o audiovisual. Fizemos um especial de animação de um minuto com temática do meio ambiente. O Ministério da Saúde nos procurou para trabalhar em edital na área da saúde. Detectamos que temos interface com o Ministério da Ciência e Tecnologia, da Educação e das Comunicações. Mas também vejo possibilidades de atuar com o Ministério dos Esportes, da Saúde, do Trabalho. O audiovisual é uma ferramenta estratégica em todas as áreas. Em que outras áreas a SAV pretende atuar? O audiovisual precisa mapear melhor seus números. Quem produz, quem distribui, quem exibe? Por que produz? Queremos criar, em parceria com a Secretaria de Economia Criativa, pesquisas com o setor que demonstrem números qualitativos. Sem dado, não se faz política pública, não se cria uma indústria. Tudo tem que ter meta. Até o apoio a fundo perdido precisa de meta.


15 E 16 DE JUNHO, 2011

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( internacional) Ana Carolina Barbosa, de Nova York

a n a c r o l i n a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Tempo de rir e interagir No KidScreen, evento internacional de programação infantojuvenil, especialistas apontam a comédia como a grande tendência, e conteúdo multiplataforma como uma obrigação.

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FOTO: tela viva

rianças precisam rir. Essa é a conclusão de vários especialistas que participaram do KidScreen Summit, evento sobre programação infantojuvenil que aconteceu em Nova York de 15 a 18 de fevereiro. “Comédia é rei”, afirmou Susanna Polack, encarregada da estratégia de mídia e marca na Massiverse, empresa especializada em conteúdo multiplataforma, que apresentou um estudo sobre a programação infantil nos canais americanos. Comédias, destaca ela, têm funcionado especialmente para a audiência tween (de 6 a 14 anos), ao lado de outros conteúdos como sitcoms, sci-fi, aventura e reality shows. Especialistas que participaram das sessões Mentor Meetings, em que renomados profissionais do audiovisual conversavam em mesas redondas com vários participantes (a maioria produtores) de uma só vez, também reforçaram esta tendência. Para Beth Stevenson, fundadora da produtora canadense Brain Power Studio, há ainda uma lacuna no mercado de produção de comédia para crianças. Stevenson também sugeriu aos produtores que ficassem de olho na produção de conteúdo regional na área de boys action. “Hoje, basicamente toda produção é norte-americana”, concluiu. David Wiebe, supervisor de produção da Mattel Entertainment, ligada à fabricante de brinquedos, acredita que uma fórmula capaz de misturar boys action com comédia será provavelmente bem sucedida. “Com comédia é possível também

KidScreen 2011reforçou tendência da comédia na programação infantil pela identificação com a audiência e possibilidade de ultrapassar fronteiras territoriais e culturais.

atrair a audiência feminina”, disse. Do ponto de vista dos canais, a comédia é um dos conteúdos mais atraentes, pela identificação com a audiência e possibilidade de ultrapassar fronteiras territoriais e culturais. Browen O’Keef, vice-presidente de programação do Nickelodeon e do Teen Nick, observa que há muitos elementos universais no processo de crescimento de crianças e adolescentes que podem ser traduzidos em qualquer lugar do mundo. Comédias e musicais têm vocação especial para a internacionalização, segundo a executiva. Robin Agranoff, vice-presidente de programação dos canais Disney, participou de um painel de debate sobre conteúdos capazes de conquistar audiência além do seu público-alvo e apresentou trechos de uma série live action com fortes características de comédia que faz parte da grade do Disney Channel. “Good Luck, Charlie”

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aborda o cotidiano de uma família e tem muitas cenas e diálogos cômicos. “No caso de canais infantis é importante fazer testes com os pais e criar programas atraentes para toda a família”, ressalta. Internacionalização Comédias têm grandes possibilidades de carimbar o passaporte pelos elementos enumerados por Browen, mas também existem outros fatores que ajudam o conteúdo a circular em outros mercados, como explica Roland Poindexter, vice-presidente sênior de programação original de animação do Nickelodeon. “Não importa onde o projeto tenha sido originado, o que o canal sempre procura são animações que tenham um personagem muito proativo com a capacidade de engajar a audiência. Levamos em média dois


Snyder participou do painel sobre a evoluções da TV. Para ele, o aparecimento das plataformas digitais é o que mais mudanças trouxe aos negócios da televisão. “As novas mídias também criam novos ambientes para os anunciantes”, observou. Debora Forte, presidente da Scholastic Media, editora americana de conteúdo para o público infantil, acredita que apesar da multiplicação das telas, a televisão continua sendo o meio mais eficiente de estabelecer conexões afetivas com as crianças. “Eles procuram vídeos nas novas telas”, destaca. Michael Acton Smith, CEO da britânica Mind Candy e criador do Moshi Monsters, uma rede social em que as crianças criam perfis e interagem por meio de avatares, foi mais radical em sua apresentação e afirmou que as crianças estão mais interessadas no conteúdo online, incluindo vídeos, do que na própria televisão. “Desculpem-me, broadcasters. As crianças amam TV, mas amam mais ainda a webTV”, brincou. Smith tem testado a oferta de conteúdo de vídeos dentro da plataforma em uma seção chamada MTV (Moshi

FOTO: DIVULGAÇÃO

anos para amadurecer um projeto e levar a série ao ar”, conta. Para Jules Borkent, vicepresidente sênior de aquisições globais e programação internacional do Nickelodeon, o mercado está mais aberto e programas produzidos fora dos Estados Unidos têm mais chances de ganhar escala mundial. Uma das apostas de Borkent é uma coprodução com a Holanda. O executivo também mencionou a qualidade da atração “Sonha Comigo”, uma coprodução com a Argentina que estreou no Brasil em março. Stephen Davis, presidente da Hasbro Studios acrescentou em um painel sobre as modificações pela qual a televisão tem passado nos últimos anos que, com a internacionalização do conteúdo de televisão, os formatos ganham ainda mais valor. “Formatos estão ficando muito importantes, há oportunidades globais e um processo cross-cultural acontecendo”, ressalta. Neste contexto de transformações culturais, os canais latinos aparecem como a maior oportunidade para que os conteúdos de fora sejam inseridos no mercado norte-americano, como frisou Susana Pollack, da Massiverse, na apresentação do estudo sobre os canais locais. Guillermo Sierra, vice-presidente sênior e chefe de conteúdo do Vme Media, observou que a programação para este público não precisa ser totalmente latina. “Não é a realidade do mercado, estas pessoas estão nos Estados Unidos batalhando por um sonho e querem ter acesso a conteúdo de entretenimento de qualidade parecida com a dos americanos nativos”, explicou o executivo. Sierra observa que existe hoje entre os hispânicos residentes nos EUA uma vontade de fazer com que seus filhos cresçam aprendendo o espanhol, porque

O game Angry Birds, da finlandesa Rovio, ganha versão ligada ao filme “Rio”, da Fox. Empresa quer parceiros inovadores para mídia tradicional.

grande parte das crianças hispânicas são nascidas nos Estados Unidos. “A fase pré-escolar é a melhor para colocálos em contato com a língua na televisão, porque quando eles vão para a escola querem assistir ao que os colegas americanos assistem”, afirma. Segundo ele, o Vme Media

De acordo com levantamento do Instituto Joan Ganz Cooney Center, os aplicativos mais baixados são para o público pré-escolar adquire animação para o público préescolar de diferentes países, como Espanha e Coreia.

Television), cujo logo faz alusão ao canal MTV. “Ainda é muito experimental, um espaço usado para apresentar novos personagens, mas tem despertado bastante interesse”, pondera. Lançada em 2008, a rede social tem 30 milhões de participantes de 200 países, sendo a maioria dos Estados Unidos e Reino Unido. A cada dia, segundo o executivo, são criados em média 150 novos perfis. Ele explica que um ponto importante para quem quer desenvolver uma plataforma online com capacidade de envolver as

Gente grande e gente pequena Stu Snyder, presidente da divisão de animação, jovens adultos e crianças da Turner, também destacou a importância da web e incentivou produtores a colocarem seus conteúdos na Internet. “A Internet é um bom meio para apresentar um bom conteúdo. Encorajo os produtores a começarem por este meio, pois eles podem ser encontrados e ganhar a tela da TV”, aconselhou o executivo.

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( internacional) crianças é saber que é preciso oferecer entretenimento sem, no entanto, descuidar do modelo comercial. “Produto gratuito é ótimo, mas é preciso gerar receita de alguma forma”, diz ele, aconselhando a criação de conteúdo premium pago. Outro aspecto bastante importante nas redes sociais infantis é permitir que a criança crie e compartilhe conteúdos. Dentro da plataforma Moshi Monsters há espaço para isso e um dos produtos licenciados de maior sucesso da marca, um livro de piadas, conta com a contribuição dos participantes da rede. Outro produto bem-sucedido nas plataformas digitais e que tem muita cautela antes de investir nos meios tradicionais é o aplicativo Angry Birds, um game desenvolvido pela empresa finlandesa Rovio. Em entrevista a TELA VIVA, Claes Kalborg, VP sênior de marca e estratégias de licenciamento da Rovio, disse que as escolhas de parceiros para levar o conteúdo do aplicativo para plataformas tradicionais é o aspecto inovador da empresa. “Não queremos dinheiro rápido, queremos empresas inovadoras que entendam o nosso produto”, diz Kalborg. A Fox lança em abril a animação”Rio”, que tem o Rio de Janeiro como cenário e é produzido pela mesma equipe de “A Era do

Para Michael Acton Smith, da britânica Mindy Candy, desenvolvedora da rede social Moshi Monsters, crianças gostam mais da webTV do que da televisão.

Gelo”. A Rovio, que já prepara a versão do jogo baseada no filme, estuda parcerias para fazer também uma série de TV baseada em Angry Birds. Esse projeto é resultado de uma proposta da Fox à Rovio e a empresa finlandesa decidiu aceitá-lo levando em

Especialistas aconselham o desenvolvimento de conteúdo de ação para meninos, ALÉM De formatos consideração a importância do mercado brasileiro. Kalborg destaca as características fundamentais que fazem o projeto migrar para novas plataformas: “Os personagens são muito diferentes de tudo o que existe, o aplicativo é fácil de manejar e tem grande audiência”. Larry Seidman, responsável pela promoção de Angry Birds, aponta outro aspecto: “É um produto desenhado para todas as idades”.

Conteúdo nas mãos Para fornecer um panorama tanto quantitativo como qualitativo do interesse das crianças, os pesquisadores Michael Levine e Carly Shuler, do instituto Joan Ganz Cooney Center, foram a campo e apresentaram no KidScreen uma pesquisa sobre como as crianças americanas têm consumido aplicativos. O estudo envolveu mais de 114 crianças entre 4 e 7 anos da região metropolitana de Nova York, além de pais de 49 estados norte-americanos. No total foram 612 mães e 198 pais com filhos entre a idade pré-escolar e a quarta série, dos quais 60% têm conteúdo infantil em seus celulares. A pesquisa revelou que a maioria das crianças pesquisadas tem acesso ao smartphone de um adulto. Em 85% dos casos, o device é de um membro da família que permite à criança usar o dispositivo por aproximadamente 20 minutos por dia. Segundo o levantamento, 60% dos 25 aplicativos mais baixados são direcionados ao público préescolar. Entre os cem aplicativos

Licenciar é preciso Agentes de licenciamento que participaram do KidScreen Summit 2011 recomendaram aos produtores de conteúdo infantil alguns cuidados com o licenciamento. Nancy Fowler, proprietária da The Licensing Shop, disse que é importante, quando se planeja produzir para a criança, ter projetos que possam virar brinquedos, porque são eles os principais itens que geram receitas na área, seguidos de videogames e publicações, estas últimas mais exitosas no mercado europeu. JJ Ahearn, ex-diretor de Consumer Products da Viacom e atual diretor da agência de licenciamento Licensing Street, deu algumas dicas a produtores participantes do KidScreen para otimizar os resultados. “O licenciamento é um ótimo negócio, de baixo risco e alto retorno. Só no mercado americano,

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movimenta US$ 100 bilhões de dólares”, afirmou Ahearn, destacando que as marcas para crianças lideram as receitas de licenciamento, seguidas pelas marcas de entretenimento. Segundo o executivo, os elementos do merchandising têm que vir do DNA da marca. É importante que o conteúdo tenha personagens atraentes, histórias envolventes e toda uma caracterização, incluindo estilo de roupas e acessórios com os quais a criança se identifiquem. É essencial também, acrescenta Ahearn, o envolvimento da equipe de consumer products do canal que exibirá a atração desde a concepção do projeto, além de movimentação nas redes sociais. “Um dos personagens mais bem-sucedidos no licenciamento, o Bob Esponja, tem mais fãs no Facebook do que o U2”, observa o executivo.

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A necessidade de produzir conteúdos que extrapolem a tela da televisão traz aos produtores uma série de novos desafios

“Good Luck, Charlie”, produção original do Disney Channel, foi elaborada para conquistar a audiência de toda a família, com cenas e diálogos cômicos.

pagos mais baixados, 47% foram desenvolvidos para pré-escolares e crianças no Ensino Fundamental. O momento em que as crianças costumam consumir aplicativos é em viagens, no carro. Entre todos os smartphones, o iPhone é considerado o mais intuitivo pelas crianças (79%). “O interessante é

que as crianças não querem desistir nem quando encontram dificuldades. Elas estão lidando com um objeto dos pais, tem o lado aspiracional”, destaca Carly. Os pais, por sua vez, fazem o filtro do conteúdo que os filhos podem consumir. Carly aconselha os produtores a desenvolverem conteúdos capazes de

Pequena Babel O KidScreen Summit 2011 contou com delegações de produtores brasileiros, sul-coreanos, irlandeses e britânicos. O Brasil teve a maior delegação internacional (mais de 50 membros e representantes de 35 produtoras), sob organização da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Televisão (ABPI-TV). O País foi homenageado na festa de abertura de evento, que aconteceu nas dependências da produtora Little Airplane. Na ocasião, foi anunciada uma coprodução fechada no evento entre a produtora paulista Studio Sumatra e a Toonzone, que tem base nos Estados Unidos e estúdios no Canadá e na Coreia. Segundo o produtor Eduardo Gurman, a série de 26 episódios de 22 minutos intitulada “Tiny Warriors” será animada no Brasil. A Sumatra também fará captação de recursos para o orçamento, estimado em US$ 8 milhões. O modelo é de participação proporcional aos recursos captados. A ideia de Gurman é investir 40%. Para ele, não é uma tarefa impossível fazer esta captação entre investidores privados devido aos nomes envolvidos no projeto. Um canal já negocia a distribuição. O evento também contou com a participação brasileira no pitching de encerramento, que pré-selecionou projetos que tivessem aspectos de comédia. Paulo Santiago, da Animatório, defendeu a série de animação “The Brattawich Barbarians”, que concorreu com dois projetos canadenses e um chinês. Embora o projeto brasileiro não tenha vencido o pitching, que ficou com uma produtora canadense, Santiago teve a oportunidade de apresentar o conteúdo que está desenvolvendo à plateia e ao júri, que contou com executivos da ABC - Australian Broadcasting Corporation, Teletoon Canada, BBC Children’s e Disney Channels.

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equilibrar engajamento e aprendizado, que sejam divertidos, proponham objetivos que incentivem as crianças a voltarem ao aplicativo e os pais a participarem deste momento. A necessidade de produzir conteúdos que extrapolem a tela da televisão traz aos produtores uma série de novos desafios. Em painel sobre transmídia, Jeff Gomez, presidente e CEO da Starlight Runner Entertainment, sugeriu aos produtores que se certifiquem de que o DNA da marca está presente em todo conteúdo multiplataforma para que suas iniciativas em várias telas façam sentido. “É importante que o proprietário da marca acompanhe de perto todos os processos e não apenas licencie e delegue para terceiros”, destaca. Para Gomez, o transmídia é interessante porque instiga os produtores a saírem da estrutura estratificada com as quais as crianças são obrigadas a conviver no processo educacional e apresentarem propostas mais flexíveis de raciocínio. Já Josh Selig, fundador e presidente da produtora americana Little Airplane Productions, a onda transmídia também pode colocar o profissional em situações difíceis de manejar, já que um produtor geralmente tem suas preferências e especialidades e não necessariamente entende de todas as etapas do conteúdo transmídia. “O que eu sugiro é que, se você gosta de fazer música para criança, faça bem isso e o resto virá naturalmente. Não tente, por exemplo, emplacar um longametragem que contém música para criança”, diz.


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crescente demanda por conteúdo na TV paga e aberta, no cinema e nas novas plataformas de distribuição demanda agilidade para manter a infraestrutura que dá suporte à produção audiovisual atualizada. Novos estúdios surgem para suprir a necessidade das produtoras, enquanto empresas locadoras de equipamentos investem nas tecnologias exigidas pelo setor. Neste suplemento TELA VIVA mostra como o mercado se prepara para suportar o crescente mercado de produção. Equipamentos Locadoras investem na atualização do parque técnico de produção

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Estúdios Antes tomados pela publicidade, estúdios começam a abrigar outros tipos de produção

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Produtoras Produtores não dispensam o aluguel, em busca do mais moderno e conveniente para cada projeto

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• es p ecial locadoras • T e l a V i v a / m a r 2 0 1 1


por Fernando Lauterjung

fernando@convergecom.com.br

Guardiões da infraestrutura Com investimentos milionários, empresas de locação garantem agilidade na evolução tecnológica das ferramentas para produção de TV, cinema, publicidade e até das novas mídias.

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FOTO: DIVULGAÇÃO

A Quanta é uma das locadoras que aposta no conceito "tudo em um lugar".

a última década, a demanda por conteúdo audiovisual cresceu, conforme a TV por assinatura ganhou mercado, o cinema nacional recuperou seu público e as novas mídias criaram novas janelas e abriram espaço para publicidade. A infraestrutura do setor teve que acompanhar esse aumento de demanda, se adequar às novas mídias e ainda se atualizar para atender à mudança no formato de produção de televisão, que virou digital e em alta definição. Mesmo com soluções tecnológicas mais em conta, as locadoras não perderam espaço e vêm investindo para manter seu parque atualizado e suficiente para atender a demanda. “Estamos no olho do furacão de grandes mudanças tecnológicas, tendo que fazer enormes investimentos na substituição do parque de equipamentos e também muito preocupados com a reciclagem dos profissionais”, diz Vando Mantovani, da Rentalcam. Segundo ele, a empresa investe aproximadamente R$ 1 milhão ao ano

para se manter atualizada. “Até o final de 2011, teremos o maior parque de câmeras para cinematografia digital full HD, e já fechamos com uma empresa de produção 3D para fornecermos tecnologia”, diz. A Rentalcam, recentemente, também investiu em uma unidade móvel full HD de transmissão e gravação para 16 câmeras e 16 VTs gravando em paralelo, além de ter uma unidade de rack móvel full HD para oito câmeras e outra unidade de rack móvel digital/SDI para quatro câmeras. “Estamos renovando todo dia. No passado, uma câmera levava cinco anos para ser atualizada. Hoje é diferente. A PDW-800 (da Sony) foi lançada aproximadamente um ano após a PDW-700. O cliente sempre pede o modelo mais avançado”, diz Jorge Delgado, da Câmera 2, que pretende investir aproximadamente R$ 1,2 milhão este ano. “O aspecto negativo é o investimento constante que temos que fazer. Mas esse acaba sendo o nosso diferencial”, diz Delgado. Para ele, ao recorrer às locadoras o setor se mantém atualizado e também pode se dedicar ao desenvolvimento de conteúdo. “Nosso lema é: não compre, alugue. Existem pessoas especializadas em equipamentos e na manutenção, pra que o produtor vai ficar preocupado com isso?”. A Câmera 2 se especializou em

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evolução tecnológica demanda investimentos constantes em novos equipamentos (câmera) RED e encomendamos um jogo novo de lentes Leica”, diz. Segundo o executivo, o equipamento mais caro tem um custo administrativo menor. O portátil, no entanto, tem uma rentabilidade cinco vezes maior, em relação ao valor de compra.

FOTO: DIVULGAÇÃO

“Alguns equipamentos ficam na prateleira à espera de importação de peças entre 45 dias e 3 meses. Depois disso, entram na fila das assistências técnicas” Vando Mantovani, da Rentalcam

equipamentos de captação, sobretudo câmeras broadcast, e nos acessórios de câmera. Segundo Delgado, o periférico tem vida útil maior. “Em alguns casos, estamos usando os periféricos que eram usados na câmeras SD. A evolução deste tipo de equipamento é mais lenta”, explica. Mesmo assim, o investimento das locadoras neste tipo de solução é alto. “Mesmo nos equipamentos de baixo custo, nosso investimento acaba sendo maior que o das produtoras. Nós temos uma 5D (câmera SLR de baixo custo), mas com acessórios que tornam o seu uso profissional, com monitor HD, suporte para ombro, lentes de qualidade”, explica. “Temos aproximadamente 80 câmeras, mas o entorno é o que pesa mais no orçamento”, completa. O investimento pesado se deve, em parte, por conta da pesada taxação. “Pagamos impostos de 80% a 125% para importar os equipamentos”, diz Caetano Scatena, da Cine & Vídeo SP. Além de ter estúdios, a empresa se especializou em equipamentos de iluminação, após ter uma cara câmera de cinema roubada. “Quando você se especializa, trabalha melhor e acaba recebendo um reconhecimento do mercado”. Nesse tipo de equipamento, a evolução tecnológica não é tão veloz quanto em câmeras de vídeo. Ainda assim, demanda investimentos constantes. “Em Los Angeles, vi equipamentos de 35 anos sendo usados. Os brasileiros são mais exigentes, querem sempre o último modelo”, diz. “Um equipamento de luz dura uns 15 anos. Depois o custo de manutenção inviabiliza o uso constante”, explica Scatena. Arnaldo Mesquita, da Universo Imagens, concorda que o investimento é cada vez maior. Sua perspectiva para 2011 é investir aproximadamente R$ 700 mil. Sua locadora começou para atender um mercado de produções que surgia com as novas plataformas de conteúdo e publicidade, como Internet, celular, elevador, tela em shopping etc. No início oferecia apenas equipamentos mais portáteis e mais em conta. O acervo evoluiu para produções mais caras. “Hoje temos uma

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Ocorrências e manutenção Segundo Arnaldo Mesquita, os equipamentos mais baratos são mais frágeis. “Há profissionais sem preparo no mercado. Esse é o maior problema do setor. Alguns produtores mandam o motorista para retirar os equipamentos. Como é que o motorista vai fazer a checagem de câmeras e lentes?”, conta. Por isso a empresa fotografa todos os equipamentos na saída e quando são devolvidos. Além disso, conta com um profissional para lidar exclusivamente com os “BOs”, os boletins de ocorrência. “São, em média, cinco ocorrência por dia”, conta. No caso dos equipamentos mais caros, mesmo sem ocorrências, há um custo alto de manutenção. “Às vezes, para fazer um upgrade em um equipamento, mandamos um técnico para os Estados Unidos”, conta Mesquita. José Alexandre, dos Estúdios Quanta, concorda que em alguns casos falta preparo. Por isso, promove algum treinamento aos profissionais. Um exemplo clássico em relação ao trabalho com equipamentos de iluminação, diz, é quando os técnicos guardam as lâmpadas sem esperar que esfriem, o que pode fazer com que queimem. “O mercado precisa respeitar mais os equipamentos. Cuidando bem, um equipamento de luz dura de 10 a 15 anos”, diz Luciana Quintão, da Turiaçu Studios. A empresa conta com quatro estúdios em São Paulo, que têm entre 57 metros quadrados e

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332 metros quadrados, e aluga equipamentos para iluminação. Segundo Vando Mantovani, da Rentalcam, a manutenção é um dos mais assustadores fantasmas que assombram o setor, acompanhado da desvalorização na ordem de 20% ao ano. “Alguns equipamentos ficam na prateleira à espera de importação de peças entre 45 dias e 3 meses. Depois disso, entram na fila das assistências técnicas”, destaca. No caso de problemas durante a produção, é preciso trocar. No caso da Quanta, quando o equipamento está

algumas locadoras oferecem equipe técnica como parte do serviço sendo usado em um de seus estúdios, a substituição é rápida. Quando é fora, fica mais trabalhoso. Se há um problema com um equipamento, um técnico faz um pré diagnóstico por telefone. “Em alguns casos, mandamos o técnico já com um equipamento de reposição, dependendo do problema”, diz José Alexandre. “Se precisar, mandamos o técnico e o equipamento para outros estados”, completa. A empresa sempre entrega os equipamentos no local da produção. “Se houver uma

filmagem no meio da Amazônia, entregamos lá. Já houve comboio de caminhão que viajou até São Luiz e ainda seguiu em balsa por uma semana”, diz. Alguns veem a oferta do serviço, com técnicos, operadores e, em alguns casos, até diretores de fotografia, como uma forma de evitar danos nos equipamentos e ainda agregar valor às locações. A Câmera 2, por exemplo, trabalha mais para TV do que para publicidade ou cinema, até por conta da especificidade dos equipamentos. “Oferecemos a equipe como serviço, quando solicitado. Meu assistente de câmera conhece melhor os meus equipamentos. Ás vezes somos contratados mesmo sem a locação de equipamentos”, diz Jorge Delgado. A Rentalcam forneceu equipamentos para o SBT, por exemplo, no reality show “Solitários” e para os dois primeiros “Ídolos”. Para produtoras, também foi fornecedora em realities, como o “High


Diferentes mercados O mercado atendido por locadoras vai desde a especificidade que lançou a Universo Imagens, que começou especializada em portáteis, até o cinema digital, passando pela publicidade convencional e produção para TV. “Hoje o nosso mercado é dividido igualmente entre cinema, publicidade e TV. A forma de trabalho é diferente com os três mercados. As produções de cinema geralmente ficam mais tempo e levam mais equipamentos. Os preços também acabam sendo diferentes”, explica José Alexandre, dos Estúdios Quanta. Caetano Scatena, da Cine & Vídeo SP, concorda que há diferenças. “Há fluxos de trabalho diferentes. O longametragem exige mais equipamentos, fica mais tempo fora. A publicidade é mais

FOTO: DIVULGAÇÃO

School Musical”, feito localmente pela RGB. “Em todos esses projetos, nós também fornecemos toda a mão de obra operacional”, diz Mantovani.

“Às vezes, para fazer um upgrade em um equipamento, mandamos um técnico para os Estados Unidos” Arnaldo Mesquita, da Universo Imagens ágil”, diz. Para ele, é fundamental cobrir todo o leque de produções. “Se restringir a um mercado é um tiro no pé. Tem que estar preparado para tudo. A publicidade, por exemplo, cai muito de dezembro a março, mas tem outras produções que demandam infraestrutura”, destaca. Além disso, o cinema pode não ser tão rentável, mas,

em sua opinião, está se tornando um negócio importante, com a nova safra de diretores. E a infraestrutura deste setor do audiovisual é quase que toda de empresas de locação. “A locadora é a guardiã da qualidade do cinema. Sem infraestrutura, não há cinema”, finaliza.


por Daniele Frederico

daniele@convergecom.com.br

Novos inquilinos Comerciais, responsáveis pela maior parte da ocupação dos estúdios, começam a ceder espaço para outros tipos de produção – pelo menos nos grandes centros.

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FOTOS: divulgação

Estúdio da Cine & Vídeo em São Paulo: predomínio de produções de natureza publicitária.

e alguns anos para cá, a ocupação dos estúdios disponíveis para locação acompanhou uma mudança, ainda que sutil, no jogo da produção audiovisual. Mesmo sendo até hoje ocupados majoritariamente pela produção publicitária, os estúdios começaram a servir de casa também para produções para TV – em especial para canais pagos –, Internet, dispositivos móveis e até mesmo eventos corporativos. Paulo Ribeiro, diretor da Locall, tradicional locadora de equipamentos e de cinco estúdios em São Paulo, conta que há dois ou três anos era a produção de publicidade que fazia o negócio dos estúdios girar com mais frequência. Ele diz que, atualmente, embora a ocupação tenha se mantido estável, o perfil mudou, com os comerciais cedendo espaço para produções para TV, Internet e outras mídias. Os fatores principais apontados para esse recuo na produção publicitária em estúdios não são novidade: tempo e dinheiro. Com prazos e orçamentos cada vez mais apertados, as produtoras tiveram de buscar alternativas

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para baratear e ganhar tempo da produção. “Hoje se trabalha mais em locação que em estúdio. Para filmar um comercial de detergente em uma cozinha, por exemplo, seria necessário contratar um cenógrafo, cenotécnicos, iluminar adequadamente e desmontar tudo depois. Isso custa tempo e dinheiro”, diz Ribeiro. “Hoje em dia, os produtores de locação têm centenas de casas disponíveis para esse tipo de filmagem”, afirma. Ele conta que os estúdios da Locall são usados para filmar comerciais, mas que, com a divisão da verba dos clientes em diferentes mídias, os estúdios também receberam produções para diversas plataformas. “Hoje alugo os estúdios para trabalhos de Internet, TV por assinatura, enquanto a quantidade de comerciais feitos aqui diminuiu”, afirma Ribeiro, lembrando também que os projetos internacionais, que eram frequentes em São Paulo, desapareceram, com o aumento do custo de produção no Brasil e também com a concorrência com países como Argentina, Uruguai e África do Sul. A unidade da Locall em Curitiba, por outro lado, não passou por uma mudança de perfil tão nítida. Enquanto em São Paulo os comerciais, embora ainda importantes para a receita dos estúdios, tenham perdido espaço para as produções para TV, Internet e celular, em Curitiba a publicidade tradicional ainda é responsável por 80% da ocupação de um estúdio. É o que conta Marcelo Prosdócimo, no comando da Locall Curitiba, para quem a facilidade de encontrar locações que substituam os estúdios também é um grande inimigo da ocupação. “Alguns abrem suas casas de graça”, lamenta.

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FOTOs: DIVULGAÇÃO

Por outro lado, ele acredita que os estúdios têm sido beneficiados pela captação digital. “Hoje as produtoras constroem cenários digitais, ao invés do físico, que é caro e toma tempo. Isso fez com que o aluguel de estúdio voltasse a ser José Alexandre, dos Estúdios importante”, analisa Quanta: publicidade é Prosdócimo. responsável por 60% da ocupação dos estúdios e dos Em Curitiba, equipamentos, mas os assim como em eventos também fazem outras cidades fora parte das locações. do eixo Rio-São Paulo, a publicidade predomina. Segundo Prosdócimo, isso se deve, em parte, a um cenário diferente do encontrado nos grandes centros de produção. “Temos consulta para locação para programas de TV e curtas-metragens, por exemplo, mas em Curitiba, os orçamentos são ainda menores, o que inviabiliza a utilização de estúdios para essas produções”, diz. Por ser um mercado mais enxuto, a ocupação do estúdio da Locall em Curitiba é de cerca de 30% do mês. Uma variação na ocupação pode ser sentida nos períodos eleitorais, quando a procura por estúdios para a gravação de campanhas políticas é maior. “Durante campanha política, todos os estúdios da cidade ficam ocupados”, diz Prosdócimo. As eleições também são o principal

responsável pela ocupação de estúdios em Brasília, onde a produção publicitária não é o foco. A locadora de equipamentos Moviecenter, que tem um braço na capital com estúdio para aluguel, é uma das empresas que vê a ocupação de seu estúdio aumentar com a aproximação das campanhas eleitorais, em especial a presidencial. “Neste período, o estúdio fica ocupado de três a quatro meses”, diz Gustavo Miguel, responsável pela operação da Moviecenter em Brasília. “Sempre torcemos para ter segundo turno”, comenta. Ele conta que fora do período eleitoral o estúdio é locado para produtoras de São Paulo e do Rio que precisem fazer algum trabalho em

Brasília, além de ser usado para depoimentos e institucionais de governo, que ocupam menos tempo dentro do estúdio. “Fora do período eleitoral, o movimento diminui muito, cerca de 70%”, diz Miguel. “No mês, chegamos a ficar com 40% do tempo ocioso”. Apesar disso, ele conta que a demanda foi aumentando ao longo dos oito anos em que a locadora se instalou na capital federal. “Brasília carecia de estúdio. Só existem espaços com essas dimensões em São Paulo e no Rio”, diz, lembrando que o estúdio da Moviecenter tem cerca de 375 m². Desde que foi lançado, o estúdio foi alugado também para documentários e eventos.

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No ritmo da economia Apesar do momento positivo para a produção audiovisual, com a demanda por produções para outros fins que não o comercial de 30 segundos, a rentabilidade dos estúdios passa por outros fatores não ligados à área. É o que relata o diretor geral da Cine & Vídeo, Caetano Scatena, para quem as locadoras espelham o que acontece

FOTOs: DIVULGAÇÃO FOTOS: divulgação

“Hoje alugo os estúdios para trabalhos de Internet, TV por assinatura, enquanto a quantidade de comerciais feitos aqui diminuiu” Paulo Ribeiro, da Locall

Diversificação Além de locar estúdios para a produção de filmes, comerciais, programas de TV e conteúdo para as mídias digitais, as locadoras têm diversificado sua atuação com a disponibilização de seus estúdios para outros tipos de serviços. É o caso dos Estúdios Quanta, maior complexo de São Paulo, cujo maior estúdio mede 1.256 m². O gerente operacional dos Estúdios Quanta, José Alexandre, conta que a publicidade é responsável por 60% da ocupação dos estúdios e dos equipamentos, mas os eventos também fazem parte das locações. “Fizemos um evento para a GM, por exemplo, que ocupou três estúdios”, diz. A Quanta também administra os estúdios do pólo de cinema de Paulínia, que pertencem à prefeitura da cidade do interior de São Paulo. Na Locall, os estúdios também têm sido usados para outras atividades relacionadas à produção audiovisual que não a filmagem. “Os estúdios pequenos são usados durante 70% do tempo para fazer teste de elenco”, diz Paulo Ribeiro. José Alexandre afirma ainda que neste começo de ano os estúdios têm ficado ocupados durante a maior parte do tempo, e que a publicidade feita ali cresceu. “Nos dois anos que estou aqui também tivemos a sorte de ter locações de longo prazo, como campanhas políticas, programas relacionados à Copa do Mundo e séries de longa duração, como ‘Ídolos’, da Record”, exemplifica.

Estudios da Locall receberam investimento para oferecer maior capacidade de energia.

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com a economia. “O problema é a imprevisibilidade. Estamos relativamente aquecidos, mas a ocupação é muito irregular e temos um custo fixo”, diz. Para Scatena, a rentabilidade do estúdio tem sido prejudicada pela escalada de preços dos custos fixos, como contas de luz, água e impostos. “O mercado audiovisual está acima da média, mas a inflação está alta. Isso ‘rouba’ o nosso resultado”, afirma. Nos estúdios da Cine & Vídeo, o conteúdo de natureza publicitária predomina, sejam os comerciais de 30 segundos, ou produções para diferentes mídias. “O mercado está em permanente transformação. Temos que estar atentos a isso”.

Dicas

Com prazos e orçamentos cada vez mais apertados, errar ao escolher um estúdio para produção não é uma alternativa. A seguir, os especialistas apontam características que podem ser observadas para que o aluguel de um estúdio não se torne uma dor de cabeça: • Segurança: “É a condição mínima que um estúdio precisa oferecer. Segurança dos equipamentos e da parte elétrica, para garantir que não haja incêndios ou acidentes de trabalho”, diz Caetano Scatena, da Cine & Vídeo. • Área: “Espaço físico menor que 12 x 12 m inviabiliza a produção, já que é preciso ter espaço para afastamento de câmera e dos fundos infinitos”, diz Marcelo Prosdócimo, da Locall Curitiba. • Instalações de produção: “É preciso oferecer comodidade, com camarins, sala de estar, estacionamento, ar-condicionado etc”, afirma Gustavo Miguel, da Moviecenter. “Hoje todos querem Internet sem fio disponível”, diz José Alexandre, da Quanta. • Capacidade de energia: “Se o estúdio não tiver capacidade, vai ser necessário completar com geradores”, diz Paulo Ribeiro, da Locall. “E a energia precisa ser estabilizada”, completa, lembrando que recentemente fez um grande investimento em uma cabine primária de energia, para oferecer uma capacidade maior e mais estável em seus estúdios. • Som: “Se houver gravação de som direto, é preciso verificar se o estúdio oferece condições para essa captação”, diz Ribeiro.

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por Ana Carolina Barbosa

anacarolina@convergecom.com.br

À la carte Produtores não dispensam o aluguel, que mantém o negócio das locadoras aquecido e garante a opção de se usar o que há de mais moderno e conveniente para cada projeto.

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“Não são raras as vezes em que a gente não tem equipamento. Muita coisa vai acontecer no mercado local e a gente vai precisar de estrutura” João Roni, da Ocean Filmes

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om o barateamento de equipamentos para a produção audiovisual, especialmente das câmeras e sistemas de edição, é natural que as produtoras adquiram determinados modelos para auxiliar no trabalho do dia-a-dia e equilibrar orçamentos superapertados. Os investimentos em material próprio, no entanto, têm sido feitos com moderação. Para os produtores, as locadoras são peças fundamentais para o negócio do audiovisual. Eles estão cientes de que o estímulo da capacidade de investimento destes fornecedores na modernização e renovação constante do parque depende, entre outros fatores, da demanda que gera aquecimento do mercado. “Há algum tempo as produtoras deixaram de trabalhar com empresas de finalização, porque investiram em equipamentos próprios. Isso tem acontecido agora com as câmeras também, disponíveis a preços mais baixos e melhor qualidade, o que desaquece as locadoras”, explica o produtor e diretor Fábio Fernandes, dono da produtora Cinnema, de Florianópolis, que trabalha com filmes publicitários e campanhas políticas. Fernandes diz que acha mais interessante

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concentrar esforços no desenho criativo e no trabalho de produção em vez de investir em equipamentos que em pouco tempo ficam obsoletos, além de trazerem embutidas despesas de manutenção, segurança e mão-de-obra para operá-los. Outra vantagem de optar pelo aluguel é manter o negócio das locadoras e a capacidade de atualização delas. “Se uso tudo meu, eu me complico e complico o mercado”, destaca. João Vieira, sócio da REC Produtores, que tem base no Recife e faz trabalhos para a publicidade local, mas tem foco na produção de cinema, sente os reflexos negativos de cada produtora trabalhar com o que tem. “Acontece que as locadoras não conseguem investir em tudo para atender totalmente a demanda local”, explica. Vieira conta que a REC Produtores tem uma ilha de edição e correção de cor, câmeras 5D e alguns equipamentos de iluminação. Embora exista uma colaboração entre as produtoras locais com empréstimo de equipamentos, o mercado não é autossuficiente e, dependendo do trabalho, é preciso recorrer a fornecedores do Rio de Janeiro ou de São Paulo, que podem oferecer opções mais sofisticadas, principalmente em iluminação e maquinário. Adquirir equipamentos também acaba limitando a produtora a usar o material que tem em casa para fazer valer o investimento, o que pode comprometer a qualidade dos trabalhos, sendo prejudicial principalmente para o cinema, que exige maior liberdade de criação. “A maior responsabilidade de um produtor é garantir a qualidade artística. Quando

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alugo, acabo assumindo um frete e é bastante oneroso, são recursos que você deixa de investir em outras coisas”, observa Vieira. Com filmes como “Cinema, Aspirinas e Urubus” e “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” no portfólio, a REC filmou seu mais recente longa-metragem, “Era Uma Vez Verônica”, de Marcelo Gomes, com uma Super 16mm que veio de São Paulo, em um processo facilitado por uma parceria com a produtora paulista Movie&Art. Concorrência Os mercados menores são os que mais sofrem com a baixa demanda por equipamentos e baixos orçamentos, que acarretam a baixa capacidade de investimento das locadoras, obrigando os produtores a transferir trabalhos para

Para Cristoph Reinsk, da Carioca Filmes e VitóriaRégia Produções, é importante ter equipamento básico próprio, para se adaptar aos orçamentos apertados.

outros estados, como observa o produtor João Roni, sócio da catarinense Ocean Films. “São poucos os trabalhos que a gente traz para Santa Catarina, porque não tem equipamentos disponíveis. Quando tenho um trabalho com menos de três ou quatro diárias, tenho que analisar. A gente acaba perdendo para o Rio porque não tem estrutura suficiente”, diz. Segundo Roni, Santa Catarina começa

A REC Produtores, de Recife, precisa recorrer às locadoras de São Paulo para equipamentos mais sofisticados de luz e maquinário

a competir em trabalhos que exigem pouca estrutura de equipamentos e em que tudo é feito no digital, porque aí os custos no estado com alimentação e hospedagem da equipe, por exemplo, são reduzidos em comparação com outros mercados. O fato de já estar em um mercado bastante estruturado também não

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“Hoje o 35 mm é muito direcionado, o HD tem respondido bem às necessidades” Dudu Venturi, da Sentimental Filme

“Quem quer filmar em película tem que recorrer a São Paulo. Para trabalhos com câmera digital, o Rio Grande do Sul está bem servido. É o que está mantendo o mercado” Luciana Tomasi, da Casa de Cinema de Porto Alegre

significa acesso a todo e qualquer tipo de equipamento. Cristoph Reinsk, sócio e produtor-executivo de duas produtoras cariocas, a Carioca Filmes e a recém-inaugurada Vitória-Régia Produções, destaca que falta no estado, por exemplo, jogo de lente para câmeras, além de infraestrutura de set, como motorhome e uma opção ao banheiro químico. Ele acha importante que as produtoras possam ter alguns aparelhos, já que os orçamentos apertados nem sempre dão margem ao aluguel de equipamentos. A Carioca e a Vitória-Régia têm equipamentos básicos de captação de áudio, luz para vídeo, maquinária e câmeras full HD e 5D que, além de servirem para uso próprio, são alugados para produtoras menores e trabalhos de production service. Dudu Venturi, produtor-executivo da paulistana Sentimental Filme, conta que apesar da diversidade de equipamentos em São Paulo, em alguns momentos eles são insuficientes. Há alguns anos, setembro, outubro e novembro eram os meses mais complicados devido às filmagens de comerciais para as datas comemorativas. Hoje está difícil fazer uma programação. “Quando tem muito longa-metragem rodando ao mesmo tempo é complicado. Às vezes, para o fornecedor, é melhor ganhar um pouco menos, mas ter a retaguarda do longa-metragem para seis meses de aluguel”, ressalta. Digital A procura é grande por câmeras full HD mais sofisticadas, com estrutura e tecnologia de 35 mm. Filmar em película tem sido cada vez mais raro, principalmente nos trabalhos publicitários. “Hoje o 35 mm é muito direcionado, o HD tem respondido bem às necessidades”, observa Venturi. Segundo o produtor, há alguns anos agências e anunciantes estão bastante conscientes da qualidade e das vantagens do HD. “Além disso, as emissoras recebem o material totalmente em alta definição, embora o produto final seja exibido em standard”. De acordo com Luciana Tomasi, fundadora e produtora da Casa de Cinema de Porto Alegre, que trabalha exclusivamente com conteúdo para cinema e televisão, mesmo os projetos cinematográficos têm sido filmados com o equipamento digital. “Gera um barateamento e é possível fazer dentro do orçamento”, explica a produtora. Os últimos dois trabalhos da Casa de Cinema, o longametragem “Menos que Nada” e o curta-metragem “Amores Passageiros”, foram filmados com uma câmera 5D alugada no mercado local, do produtor Marcelo Leite. O longa-metragem “Antes que o Mundo Acabe”, lançado no ano passado, teve um diretor de fotografia de São Paulo, que trabalhou com um Super 16 mm. “Quem quer filmar em

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Para Fábio Fernandes, produtor de Santa Catarina, o investimento das produtoras no material de trabalho próprio desaquece mercado de locadoras película tem que recorrer a São Paulo. Para trabalhos com câmera digital, o Rio Grande do Sul está bem servido. É o que está mantendo o mercado”, opina Luciana. Há aproximadamente seis anos a produtora decidiu investir em equipamentos de som por acreditar que vale a pena a relação custo/ benefício. “Não é um custo tão alto e você recupera o investimento em alguns trabalhos com o que deixa de pagar de aluguel”, conta. Tributos A redução dos custos dos equipamentos básicos, que permite às produtoras adquirirem material de trabalho próprio e usá-los no maior número de trabalhos possíveis para se ajustar a orçamentos apertados, não é o único fator prejudicial à capacidade de investimento das locadoras. Os altos impostos sobre os aparelhos são um empecilho ao desenvolvimento do mercado e os produtores estão cientes deste problema. “O Brasil não isenta e não dá incentivos para trazer equipamentos de fora”, destaca Dudu Venturi, da Sentimental Filme. É uma deficiência que, na opinião dos produtores, precisa ser imediatamente reparada, já que o Brasil tende a receber atenção e muita demanda de projetos audiovisuais nos próximos anos, embalado pelos acontecimentos esportivos que terão sede por aqui: a Copa 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. “O governo poderia dar uma trégua nesta taxação”, sugere João Roni, da Ocean Films. “Vai vir demanda de tudo quanto é jeito. Não são raras as vezes que a gente não tem equipamento. Muita coisa vai acontecer no mercado local e a gente vai precisar de estrutura”.

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( regulamentação) Samuel Possebon

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Cabo enrolado Ministério Público questiona flexibilização das regras que regem o setor de TV paga feitas pela Anatel. Perspectivas para abertura do setor dependem de manifestação do TCU, aprovação de uma nova lei no Congresso ou... fazer o que já estava previsto.

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FOTO: ARQUIVO

em PLC 116/2010, nem Lei de Comunicação. A polêmica da vez está sobre a Anatel e as mudanças na regulamentação de TV por assinatura que ela vem buscando fazer desde o ano passado com o objetivo de abrir o setor a novos proponentes. A peça mais recente nessa confusão vem de manifestação do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União alegando, em resumo, que tudo o que a Anatel fez em relação às mudanças nas regras do setor em 2010 é ilegal e pedindo ao TCU que, cautelarmente, impeça a agência de levar adiante seus planos de conceder outorgas nas novas regras. Trata-se de um constrangimento e tanto para a Anatel e mesmo para a presidenta Dilma Rousseff, que em sua primeira mensagem ao Congresso Nacional, este ano, no capítulo “Avanços Regulatórios”, destacou as mudanças promovidas pela Anatel no planejamento técnico do setor para garantir a entrada das teles no mercado de cabo mesmo sem a aprovação definitiva de uma nova lei. O elemento incendiário da manifestação do Ministério Público é que ele coloca às claras algo que era dito reservadamente por advogados especializados e pelo gabinete da conselheira Emília Ribeiro, a única que em todas as decisões adotou postura diferente. A manifestação do Ministério Público parte de questionamentos feitos pelo Sindicato das Operadoras de TV por Assinatura (SETA) e pelo ex-senador Antônio Carlos Junior.

Não são poucas as mudanças feitas pela Telecomunicações, no entendimento do Anatel no regramento do setor de TV a cabo MP e do próprio Tribunal de Contas. que estão ameaçadas caso o Tribunal de Mas o voto do conselheiro Jarbas Contas, em sua análise, vá na mesma linha Valente que prevaleceu na decisão sobre do Ministério Público. Tudo começou em o novo planejamento, em novembro de maio de 2010, quando a Anatel suspendeu 2010, diz exatamente o contrário: “A cautelarmente o Planejamento de Serviços de LGT foi promulgada cerca de dois anos TV a Cabo e MMDS. Era um documento que após a publicação da Lei do Cabo, existia desde 1997 e estabelecia quantas instituindo diversas e profundas outorgas de cada serviço eram cabíveis em mudanças na regulamentação do setor cada município brasileiro de telecomunicações do em função da realidade Seria, no mínimo, diversas mudanças País. econômica. O planejamento pouco razoável, admitir feitas pela anatel que a Lei do Cabo estava já em vias de podem cair caso o continuasse sendo revisão, sob a relatoria da tcu acompanhe o interpretada sem levar conselheira Emília Ribeiro. Mas os demais ministério público em conta as profundas conselheiros da Anatel, sob e significativas o argumento de que Emília estava modificações posteriores na legislação. demorando demais, aproveitaram-se de um Em virtude do princípio da precedência período de afastamento da conselheira para da lei posterior, o que ocorre é decidir cautelarmente suspender o exatamente o contrário, ou seja, a Lei planejamento. O detalhe é que isso aconteceu do Cabo deve ser interpretada à luz das em um processo que não tinha nenhuma disposições da LGT”. Segundo a relação sobre a questão. A partir daí outras manifestação de Jarbas Valente na medidas importantes foram tomadas pelo ocasião, a Anatel admitiria também a conselho da agência: declarou-se a entrada de empresas de inexigibilidade de licitação para o serviço, telecomunicações no setor, desde que publicou-se um novo planejamento sem não diretamente, mas sim por meio de limites ao número de outorgas e definiu-se coligadas. Isso porque havendo um que seria cobrado preço administrativo pela número infinito de outorgas por outorga de cabo (R$ 9 mil). município, a precedência dada pela Lei Acontece que nada disso foi do Cabo a “empresas privadas”deixaria feito, segundo o Ministério de fazer sentido. Público, observando os O que o Ministério Público aponta é princípios da Lei do Cabo, a lei que a Anatel está escolhendo aquilo que específica que rege o setor e que quer usar da Lei do Cabo e aquilo que prevalece sobre a Lei Geral de quer usar da Lei Geral de Telecomunicações. Por exemplo, a “O cabo pode levar banda restrição ao capital estrangeiro existente larga e telefonia. É um na Lei do Cabo (mas inexistente na LGT) absurdo que só tenha isso continua valendo, mas a previsão da Lei de cidades com o serviço” do Cabo de que o licenciamento seja Ministro Paulo Bernardo feito sem a existência de editais de

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( regulamentação) “Se a coisa começar a complicar demais a solução vai ser levar o projeto (PLC 116/2010) a voto no plenário mesmo”

FOTO: arquivo

licitação foi abandonada, ado­ tando-se as previsões da LGT.

Aguardo Até o fechamento desta edição, o Tribunal de Contas da União não havia ainda abraçado a manifestação do Ministério Público. Mas até mesmo os técnicos que ajudaram a adotar as posturas liberais que a Anatel tomou em 2010 admitiam que a contestação era dura. A maior prova é que a Anatel passou anos debruçada sobre as supostas amarras da legislação de TV por assinatura sem nunca ter conseguido chegar a alternativas tão criativas quanto as tomadas no ano passado. A razão para isso, dizem os críticos da agência, é que a Anatel só tomou coragem de atropelar o modelo regulatório existente agora. Mas a Anatel tem um respaldo político importante. O próprio ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, mostrou-se indignado, durante o Seminário Políticas de (Tele) comunicações, organizado por Tela Viva e pela Universidade de Brasília no final de fevereiro, com o fato de o setor de cabo ter tão poucas outorgas. O ministro criticou o fato de haver apenas pouco mais de 200 cidades com concessão de cabo no Brasil. “O cabo pode levar banda larga e telefonia. É um absurdo que só tenha isso de cidades com o serviço”. Enquanto isso, a Anatel ainda precisa concluir o Regulamento do Serviço de TV a Cabo, que é o documento que oficializará o preço de R$ 9 mil por outorga do serviço e que estabelecerá os procedimentos para que os interessados consigam a concessão do serviço. A previsão da Anatel é que isso saia em maio. Na leitura do Ministério Público, a Anatel outorgar concessões a R$ 9 mil cria um problema com as empresas que pagaram milhões pelas mesmas outorgas nas licitações de 1999 a 2001. A agência, por sua vez, acha que não faz sentido ser diferente, já que o serviço de cabo se equipararia a

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Senador Walter Pinheiro

uma autorização simples, como a do serviço multimídia (SCM). Para o Ministério Público, contudo, sem uma análise mercadológica, a Anatel não pode assumir que o mercado de TV a cabo é ilimitado, como pressupõe a agência. Confusões à parte, o fato é que a Anatel está aguardando o andamento do PLC 116/2010, que cria novas regras para o setor, no Senado. Isso também não está fácil de acontecer, já que há pressões contrárias e boa parte dos senadores da nova legislatura prefere discutir um pouco mais o texto a simplesmente validar o que veio da Câmara no ano passado. Até mesmo o agora senador Walter Pinheiro (PT/BA) busca o diálogo. “O que eu proponho são conversas para chegar a um acordo”. Segundo o senador, se houver a necessidade de mudanças no texto, teriam que ser mudanças simples para que, retornando à Câmara, o PLC 116/2010 pudesse ser rapidamente votado. “Mas se a coisa começar a complicar demais a solução vai ser levar o projeto a voto no plenário mesmo”, diz Pinheiro,

que foi autor, ainda como deputado, de um dos projetos que deu origem ao PLC 116. Apoio do governo Já o ministro Paulo Bernardo, no seminário realizado pela Converge, declarou: “se o texto estivesse começando a tramitar hoje, até tinha algumas coisas que a gente podia sugerir mudar. Mas considerando que ele já tramitou e foi negociado, apoiamos o texto atual”, disse. Agora, se nada disso der certo, ou seja, se a Anatel não conseguir nem tocar a abertura do mercado de TV a cabo dentro da flexibilização das regras estabelecida em 2010 e agora em questionamento pelo Ministério Público, nem o PLC 116 ser aprovado, ainda assim existe uma alternativa. É, na verdade, o caminho mais óbvio de todos, mas que inexplicavelmente foi abandonado pela agência: abrir novas outorgas com base nas regras que já existiam e que permitiram os editais em 1999, 2000 e 2001. A agência ficou todos esses anos sem colocar nenhum edital na rua, sem explicações para isso, apesar de haver, formalmente, demanda. Contudo, vale lembrar, estas regras já existentes obedecem a uma única lei: a Lei do Cabo, razão pela qual talvez isso não seja do interesse das empresas de telecomunicações.

Lei complicada Se a banda larga é a prioridade número um do Ministério das Comunicações na gestão Dilma Rousseff, o ministro Paulo Bernardo também tem tido bastante trabalho para deixar claro que a discussão sobre uma Lei de Comunicação eletrônica também está no radar do Minicom, ainda que nesse caso a discussão, aparentemente, será propositalmente lenta. Bernardo disse que o assunto foi tratado com a presidenta Dilma Rousseff e a orientação é: fechar um texto com os ministérios e agências afins ao tema (Ministério da Cultura e Secretaria de Comunicação da Presidência da República), com a Anatel e com a Ancine e colocar o projeto em consulta. “O que posso dizer é que temos que ter uma regulação (sobre o setor de comunicação), até porque isso está previsto na Constituição”, disse Bernardo. Para ele, ainda há dúvida se o projeto deve ser único ou se pode ser fatiado antes de ir ao Congresso. “Um projeto único pode ser mais consistente, mas pode ter mais resistências para ser aprovado”. Paulo Bernardo disse que, aprovado o PLC 116, possivelmente esse ponto estará fora de um projeto de lei de comunicação. Provocado pela plateia sobre quando o texto será tornado público, Bernardo reiterou que haverá uma consulta pública antes de o texto ir ao Congresso e disse que o Minicom já está recebendo sugestões. “Mas não dá para pedir urgência nesse tema”. “Não posso tornar público um texto que não fui eu que elaborei e que ainda não domino, e que há grandes chances de ter besteira”. Paulo Bernardo não deu prazos, mas assegurou que o assunto será tratado pela sua gestão no Minicom.

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Receitas sob demanda

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vídeo on-demand (VOD) foi o tema central da sexta edição do Congresso TV 2.0, organizado por TELA VIVA, em março. O chileno Rodrigo Terrazas, diretor da Bazuca, revelou que apenas 10% de suas receitas provêm da “locação virtual”, dos vídeos assistidos online. Mas ele afirma que toda sua estratégia e o futuro da empresa estão baseados neste serviço. A Bazuca é uma subsidiária da VTR, maior operadora de cabo do Chile, e oferece serviço de aluguel de DVDs por correio, similar ao da americana Netflix, e também por streaming, tanto no PC quanto em dispositivos como as broadband TVs e set-top boxes, os chamados over-the-top (OTT). Segundo Terrazas, o que diferenciará a entrega de vídeos em plataformas digitais é uma interface amigável e a capacidade de entrega em multidispositivos. “Nós achamos que esse serviço vem para somar, e não substituir o tradicional”, completa Terrazas. Na tentativa de levar o conteúdo a várias telas, ele sugeriu também a aliança com as fabricantes para levar o conteúdo aos aparelhos conectados. Atualmente, o conteúdo da Bazuca está nos televisores e BluRay players da LG. “Mas a ideia é estar em todas”, explica. Outra iniciativa é o lançamento de um settop com conteúdo Bazuca, previsto para julho no Chile. Esta é outra novidade do mercado: a presença, pela primeira vez, dos fabricantes de

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FOTOs: marcelo kahn

Congresso TV 2.0 mostra que o momento é apropriado para serviços de VOD. Questões como as janelas de exibição e modelos de comercialização estão em pauta.

Video on-demand foi o tema central do Congresso TV 2.0.

eletrônicos na cadeia do conteúdo. Segundo Milton Neto, da LG, a fabricante já está na segunda geração de TVs conectadas, chamadas SmarTV, com aposta em diversos serviços de vídeo, do streaming gratuito do YouTube aos filmes sob-demanda do Terra, Saraiva e NetMovies. “Trabalhamos com diferentes acervos”, diz Milton. A tese da complementariedade dos serviços lineares e não lineares também é defendida por Marcio Carvalho, diretor de produtos da Net Serviços, que prepara seu serviço de VOD, chamado de Net Now, “para breve”, em suas palavras. No Brasil, diz ele, a oferta de conteúdos over-the-top não deve ter o impacto que vem tendo na TV por assinatura americana. Segundo Carvalho, o fenômeno de cable cut (usuários substituindo a TV por assinatura por serviços over-the-top) não deve ser tão significativo no

“O tempo ideal para cada janela é relativo. Só não aceito pagar por um conteúdo que é oferecido de graça em outra janela” Marcio Carvalho, da Net Serviços

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Brasil por conta do tamanho do mercado. “Há espaço para todos”, disse. “Nós temos que nos esforçar para oferecer uma qualidade que justifique o pagamento da assinatura no fim do mês”, afirmou Carvalho. Ordem A convivência entre os serviços está no centro do debate. Os estúdios analisam qual a melhor estratégia para operar o on-demand de forma que não canibalize janelas que hoje geram receita, como o Blu-ray e o pay-per-view. A Warner por exemplo vem fazendo experiências com a sobreposição de janelas, e adotará a estratégia day/date (lançamento simultâneo em várias janelas de exibição) para todos os lançamentos de filmes em 2011. Segundo o diretor de operações da Warner Home Entertainment, Carlos Canhestro, o estúdio vem trabalhando com este formato para o DVD desde 2004, quando começou a lançar seus filmes para o varejo e para as locadoras ao mesmo tempo. Agora, a distribuidora ampliou as plataformas que lançam um filme simultaneamente, com DVD,


Blu-ray, VOD transacional (locação virtual) e payper-view. “Não acho que é preciso ‘matar’ meios”, acrescentou o executivo. Segundo Canhestro, houve um crescimento de 60% no resultado por filme, entre os títulos de maior destaque. Esse crescimento acontece, segundo o executivo, pelo momento único de divulgação, que permite aumentar o “awareness” (percepção) do produto. A Warner, que recentemente anunciou a venda de filmes também pelo Facebook, estuda ainda uma janela de Premium VOD, que seria entre o cinema e o VOD. “Não podemos ver uma tendência e não testá-la”, completou Canhestro. Vale lembrar que em março a rede Netflix, de vídeo on-demand, anunciou que investiria em produções originais, “roubando” assim a janela de exibição da TV por assinatura. Outro debate importante é sobre os modelos de comercialização. Há diferentes modalidades, como o SVOD (por assinatura, “subscription”), o VOD transacional (locação virtual, pagamento por título) e mesmo o Free VOD, ou AVOD (de “advertising”), bancado pela publicidade e gratuito ao usuário, explicou a especialista canadense radicada na Holanda Wendy Bernfeld. No mundo, diz ela, há exemplos de todos estes modelos em uso, e em geral o que tem funcionado é uma mistura de todos, dependendo da plataforma e do tipo de conteúdo. É o que deve fazer a Net. Segundo Marcio Carvalho, em seu serviço todos os modelos de negócios serão explorados: haverá conteúdo oferecido gratuitamente, pago por título assistido e, num segundo momento, haverá oferta de assinatura de uma biblioteca de títulos. Ele diz ainda que a operadora continua trabalhando em uma plataforma para “TV Everywhere”, já apresentada na ABTA 2010, que

“Para ser relevante é preciso ter volume. Um novo serviço precisa ser de massa”. É a opinião de Virgilio Amaral, diretor de tecnologia da Telefônica/TVA, sobre o lançamento de VOD e de serviços como o TV Everywhere. O executivo exemplificou sua teoria com o caso do serviço de IPTV sobre fibra da Telefônica, que tinha cerca de 400 filmes on-demand, e foi oferecido sem custo a cerca de mil assinantes. “De mil usuários, apenas 10% consumiram o serviço, pois achavam que seria cobrado posteriormente e que seria muito caro”, lembra. Ele disse ainda que nem mesmo o pay-per-view, formato consagrado na TV paga, conseguiu chegar a este volume de vendas. “O pay-per-view é deficitário para o operador. Por mais promoção que se faça, o usuário não compra”, disse. A plataforma online elimina a restrição ao volume de títulos de vídeo, diz Daniel Topel, da NetMovies. Segundo ele, em seu acervo de mídias físicas, a empresa conta com títulos que já saíram do catálogo das distribuidoras. No online isso é mais facilmente resolvido, uma vez que não é necessária a produção de qualquer tipo de mídia, apenas de tráfego do conteúdo online. “O long tail é importante para os serviços online”. Pedro Rolla, diretor de mídia do Terra Latin America, concorda, mas com ressalvas. Na Internet, explica, os títulos de filmes concorrem não apenas entre si, mas com diversos outros serviços, como Twitter, e-mail, Facebook etc. “O long tail precisa ser bem trabalhado. Precisa ter especiais e ser divulgado”, diz. O executivo do Terra afirma que, desde o lançamento do serviço de locação de títulos, no final de 2010, foram feitos diversos especiais, promovendo determinados gêneros de filmes do acervo. “O que teve maior audiência foi só com filmes de zumbis”, diz. “A audiência foi dez vezes maior que a do especial com filmes de Natal”, destaca.

"O digital é 10% da receita, mas será a base do negócio no futuro". Rodrigo Terrazas, da Bazuca

aconteceu em agosto passado. Trata-se do serviço que permite ao assinante, através de uma senha, assistir ao conteúdo em qualquer dispositivo, como o PC ou um tablet. Contudo, a tecnologia deve demorar um pouco mais para virar um produto comercial. Para a Net Serviços, as distribuidoras de conteúdo começam a entender a dinâmica das janelas em relação às novas mídias. Carvalho afirmou que a indústria já estava acostumada a trabalhar com as janelas e o valor do conteúdo em cada etapa. Com a chegada das novas mídias, explica, o conceito ficou confuso. “Hoje eles entendem que as janelas paralelas precisam ter o mesmo valor”, explicou. “O tempo ideal para cada janela é relativo, depende de cada conteúdo. Só não aceito pagar por um conteúdo que é oferecido de graça em outra janela”, completou. Cauda longa E como se deve compor uma oferta on-demand? Como balancear os lançamentos com conteúdos de nicho e de acervo, o chamado long tail?

Pagando para ver Após três meses de seu lançamento, o serviço de locação virtual de filmes e séries por assinatura do Terra conta com mais de 50 mil vídeos assistidos por mês e 60 mil usuários registrados no Brasil. Os resultados iniciais do serviço foram apresentados pelo diretor de mídia do Terra Latin America, Pedro Rolla, durante o congresso TV 2.0. Segundo o executivo, o Terra TV Video Store, lançado em dezembro de 2010, teve mais de 400 mil usuários únicos por mês. “Nossa meta é ter, até o fim de 2011, um milhão de usuários em toda a América Latina”, disse, lembrando que o serviço será lançado para 18 países na metade deste ano. A locadora virtual, que no momento conta com títulos da Warner e da Disney, prepara-se para anunciar em breve acordos com outras duas majors.

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(programação)

Nicho regional Grupo Paranaense de Comunicação estreia um canal por assinatura exclusivo à capital do estado e programação baseada em informação e entretenimento. FOTO: Jonathan Campos/Agência Gazeta do Povo

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cidade de Curitiba ganha, a partir do dia 19 de abril, um canal exclusivo, com conteúdo jornalístico e de entretenimento gerado localmente. Trata-se da ÓTV, uma iniciativa do Grupo Paranaense de Comunicação - GRPCOM para ocupar um mercado que, até então, os grupos regionais ainda não haviam tomado. Com um investimento inicial de R$ 5 milhões, o canal estreia com programação apenas no horário nobre, das 17h à meia-noite, no canal 11 da Net Digital. Os conteúdos inéditos irão ao ar de segunda a sábado. No sábado, haverá programas jornalísticos ao vivo e reprises dos programas da área de entretenimento. No domingo, a grade será composta por reprises dos melhores programas da semana. Pelo menos no início, o canal vai ao ar sem publicidade. “Nesse momento a prioridade é criar um canal, formar talentos e preencher um espaço vago no mercado local. É um posicionamento estratégico do grupo”, explica João Belmonte, gerente geral da ÓTV. Conforme adiantou TELA VIVA na edição de outubro de 2010, o GRPCOM, do qual faz a parte a RPC, rede de afiliadas da Globo no Paraná, vem investindo na expansão para outras mídias. O grupo de comunicação é o maior do

João Belmont, da ÓTV: prioridade é formar talentos e preencher um espaço no mercado local.

Paraná, reunindo os jornais Gazeta do Povo, Jornal de Londrina, o jornal online Gazeta Maringá, a RPC TV, com oito emissoras, as rádios 98FM e Mundo Livre FM, além do canal a cabo ÓTV. A opção pelo horário nobre foi feita para atingir o público alvo da ÓTV. Neste período, o perfil do assinante é de pessoas conectadas à Internet, com perfil mais crítico e com bom nível de informação. Fora deste horário, será exibido um jornal eletrônico em forma de lettering, com informações sobre trânsito, serviços, previsão do tempo e notícias da Gazeta do Povo Online. A prestação de serviços, explica Belmonte, será acompanhando a necessidade, conforme a época do ano e os eventos sazonais. Na época de eleições, por exemplo, podem ser dadas dicas sobre como tirar o título de eleitor. A programação, explica Belmonte, está baseada em dois pilares: informação

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e entretenimento, com quadros de dramaturgia e humor, e com programas de entrevistas sobre arte, cultura, comportamento, cidadania, política e economia. O jornalismo deve ser mais reflexivo e menos “hard news”, sempre calcado em temas de interesse local. “Podemos trazer temas nacionais ou internacionais, mas sob a ótica local”, explica. Para isso, o canal terá um noticiário de hora em hora, com atualização dos fatos que são notícia na cidade; um jornal diário; além de um programa de entrevistas de segunda a sexta. O “Notícias da Hora” será ao vivo, trazendo notícias atualizadas. O repórter pode entrar ao vivo da rua ou do estúdio da Gazeta do Povo. O diário “ÓTV Jornal” também será ao vivo. Ainda explorando a análise das notícias, o canal terá um debate esportivo, o “ÓTV Esporte”; um programa de entrevistas sobre economia, investimentos e gestão, o


“Conversa S/A”; o “Conversa Política”, com entrevistas com foco no mundo político; o “Conversa da Gente”, que destaca iniciativas e pessoas que “contribuem para a construção de um futuro melhor”; o “Outra Conversa”, um bate papo que explora o “lado B” de uma personalidade; e o “Conversa Delas”, com temas variados abordados sob a ótica feminina. Segundo Belmonte, o ÓTV deve explorar a expertise do grupo em outras mídias, como a Gazeta do Povo e as rádios. Segundo ele, os cadernos Bom Gourmet e Gaz+, da Gazeta do Povo, virarão programas de TV. “O Gaz+ deve ser o meu programa jovem”, explica o executivo. A programação será testada e poderá até ser ampliada, diz Belmonte. “Não tenho um

programa sobre arquitetura e design, por exemplo, mas o tema será coberto na programação, e se eu achar que tem um nicho, posso criar um programa específico”, diz.

mercado de produção local, já que haverá espaço para exibição”, diz Belmonte. Distribuição O canal será distribuído exclusivamente em Curitiba e, segundo Belmonte, não há planos de levá-lo para outras cidades do estado. A ideia é, por enquanto, experimentar a programação e sua aceitação no mercado local. A distribuição na capital paranaense será exclusiva da Net. O executivo explica que não está negociando com outras operadoras no momento. “A Net tem mais de 70% do mercado local”, explica. Toda a programação do novo canal estará disponível na internet pelo site www.otv.tv.br, sob demanda.

Parcerias O jornalismo do novo canal será todo produzido internamente, com suporte das outras empresas do grupo. Já em relação ao entretenimento, o ÓTV deve explorar o mercado local de produtoras. Na entrevista feita por TELA VIVA ainda não estavam definidos os nomes dos programas. Belmonte garante que haverá espaço para dramaturgia na grade, com conteúdo gerado exclusivamente para o canal, além de um programa de teleteatro. “Além de produção própria, vamos trabalhar com algumas parcerias, especialmente na área de teledramaturgia. Um dos efeitos colaterais da ÓTV será o fomento do

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Fernando Lauterjung

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( audiência -TV paga)

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m janeiro, período de férias escolares, os canais pagos tiveram alcance diário médio inferior ao de meses anteriores entre o público infantil. No primeiro mês do ano, os canais pagos, que normalmente têm entre este público alcance diário médio superior ao alcançado entre o público adulto, registraram 43,84% de alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de duas horas e 48 minutos. Na média de 2010, por exemplo, o alcance registrado foi de 48,35% entre as crianças. O destaque ficou para o canal Cartoon Network, que chegou ao primeiro lugar do ranking com 14,45% de alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de uma hora e nove minutos entre o público infantil. Entre os adultos, o canal desbancou concorrentes e ficou

Foto: divulgação

Férias da TV paga

“Ben10: Supremacia Alienígena”, destaque na programação do Cartoon Network em janeiro.

em sexto lugar da lista, com 7,47% de alcance diário médio, o mesmo do Warner Channel, e com 38 minutos de tempo médio diário de audiência – 11 minutos a mais que o canal de filmes e séries. Em janeiro, destacaram-se no Cartoon as atrações “Ben10”, “Ben10: Força Alienígena”, “Hora da Aventura”, “Ben10:

Supremacia Alienígena”, “As Trapalhadas de Flapjack”, “Garfield”, “Duelo Xiaolin”, “O que há de novo Scooby Doo?”, “O Pica Pau” e “Angelo”. Os canais pagos tiveram entre o público acima de 18 anos 45,10% de alcance diário médio e tempo médio diário de audiência de duas horas e 29 minutos. Chegaram ao topo do ranking TNT, Multishow, SporTV, Globo News e Fox. O TNT obteve 10,63% de alcance diário médio e 32 minutos de tempo médio diário de audiência. O levantamento do Ibope Mídia considera as praças Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Distrito Federal, Florianópolis e Campinas. Daniele Frederico

Alcance* e Tempo Médio Diário – janeiro 2011

Total canais pagos TNT Multishow SporTV Globo News Fox Cartoon Network Warner Channel Megapix Viva Universal Channel Disney Channel SporTV 2 Discovery Kids National Geographic Discovery Channel GNT Telecine Pipoca AXN Nickelodeon Telecine Premium

De 4 a 17 anos** 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 45,10 4.550,14 02:29:13 10,63 1.072,80 00:32:25 10,43 1.052,30 00:17:51 9,37 945,56 00:37:19 8,71 878,45 00:28:27 8,13 820,11 00:27:32 7,47 753,96 00:38:59 7,47 753,51 00:27:53 6,87 693,19 00:28:53 6,84 690,22 00:33:10 6,82 687,97 00:31:29 6,70 675,72 00:40:53 6,40 645,99 00:19:51 6,40 645,72 00:55:04 6,38 643,30 00:19:18 5,96 601,67 00:21:04 5,38 542,99 00:14:56 5,24 528,62 00:39:43 5,14 518,73 00:24:28 4,42 446,29 00:29:43 4,09 412,64 00:27:40

Total canais pagos Cartoon Network Disney Channel Discovery Kids Nickelodeon Multishow Disney XD TNT Fox SporTV Megapix Warner Channel Universal Channel Telecine Pipoca SporTV 2 Boomerang Discovery Channel National Geographic Globo News Viva Sony

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 43,84 1.038,91 02:48:34 14,45 342,29 01:09:36 14,09 333,90 01:13:09 13,27 314,47 01:05:27 10,37 245,83 00:57:22 9,02 213,77 00:25:21 7,08 167,77 01:03:11 7,04 166,92 00:30:14 6,95 164,75 00:28:45 5,56 131,74 00:30:31 5,30 125,72 00:36:43 4,83 114,38 00:21:58 4,68 110,88 00:30:39 4,19 99,39 00:36:15 3,87 91,67 00:20:10 3,70 87,62 00:20:44 3,64 86,30 00:16:44 3,43 81,21 00:13:42 3,31 78,42 00:12:17 3,15 74,69 00:24:35 2,60 61,56 00:14:48

*Alcance é a porcentagem de indivíduos de um “target” que estiveram expostos por pelo menos um minuto a um determinado programa ou faixa horária.

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**Universo 2.369.500 indivíduos Fonte: IBOPE Media Workstation – Tabela Minuto a Minuto - Janeiro/2011



**Universo: 10.088.800 indivíduos

Acima de 18 anos**


Câmera na mão e olhos no mundo A Cinevídeo Produçþes , uma produtora de conteúdo e publicidade, especializada no segmento audiovisual, segue seu rumo mundo DIRUD&RPDQRVGHH[SHULÒQFLD no Brasil, deu uma guinada com destino à internacionalização. E IRLORQJH$HPSUHVDGHVEUDYRX mercados como o da Venezuela, do Chile, Catar, Canadå, da Finlândia, Cuba, China, Japão, CorÊia do Sul e GHERDSDUWHGRFRQWLQHQWHDIULFDQR Não à toa, no meio audiovisual brasileiro, a Cinevídeo Ê reconhecida como a produtora TXHCHQWHQGHGH¯IULFD k+ËTXDWUR anos, vivo com um pÊ cå e outro OËyEULQFDDH[HFXWLYDHGLUHWRUD da Cinevídeo, Mônica Monteiro, que comanda a empresa ao lado das sócias, a publicitåria Carolina Guidotti e a bacharel em artes FÒQLFDV/XFLDQD3LUHV A partir do escritório baseado em Maputo, Moçambique, a Cinevídeo realizou e produziu a novela

N’Txuva-Vidas em Jogo, Cozinha Moçambique, o documentårio Mama à frica, um videoclipe para campanha da ONU contra o HIVSida, entre outros produtos.  $OÑPGDH[SDQV�RLQWHUQDFLRQDO a Cinevídeo mantÊm uma curva de crescimento no mercado brasileiro, SRVVÕYHOJUD£DVDVHXSRUWIÚOLR inovação, tecnologia de ponta e trabalho årduo. O mÊrito Ê dividido com todos os colaboradores da produtora e diretores de audiovisual FRPQÕYHLVGHH[FHOÒQFLDDH[HPSORV GR$OÒ%UDJD6ÑUJLR5DSRVR&DHWDQR Curi e João Amorim. A empresa, cuja imagem Ê consolidada como produtora de programas para TV, atende a contas como as dos canais GNT, Futura, Cultura, TV Brasil, TV Escola, TV Unisinos, Record Internacional, TV Al Jazeera, Discovery Channel e Biography Channel1RSRUWIÚOLR KËDLQGDDJÒQFLDVSXEOLFLWËULDVH empresas privadas e públicas.

à frica Ê o nosso foco ENTREVISTA - MÔNICA MONTEIRO Sócia-diretora da Cinevídeo

Qual o próximo passo da Cinevídeo? Mônica Monteiro - O da consolidação no mercado internacional. Nosso projeto Ê continuar prospectando, produzindo e GHVEUDYDQGRRXWURVSDÕVHV$¯IULFDÑRQRVVR IRFR9DPRVFUHVFHUMXQWRVFRPRFRQWLQHQWH 7DPEÑPEXVFDPRVIRUPDWRVLQWHUQDFLRQDLV de programas para trazer ao Brasil. Quais os novos projetos em à frica? MM (VWDPRVHPIDVHoQDOGHJUDYD£�RGR

A emoção, mote do programa Chegadas e Partidas, que integra a nova grade do canal GNT e tem a produção da CinevĂ­deo, tambĂŠm marcou a equipe na estreia do primeiro episĂłdio. “Começamos com o pĂŠ direito. Todas as histĂłrias sĂŁo reais, gravadas sem qualquer prĂŠ-produção. O primeiro episĂłdio C(PRÂŁĂ?RQRUHHQFRQWURFRPDoOKD IRLXPVXFHVVR super bem recebidoâ€?, descreve a publicitĂĄria e sĂłcia da CinevĂ­deo, Carolina Guidotti. O reality show de comportamento tem direção de Mariana Koehler e apresentação de Astrid Fontenelle. A primeira temporada do programa reunirĂĄ 13 Astrid: “temos que contar com HSLVĂšGLRVQRIRUPDWR de 15 minutos. SerĂĄ toda sensibilidade e sorte para achar os personagens mais incrĂ­veisâ€?. gravada no Aeroporto de Guarulhos, em SĂŁo Paulo, que concentra o maior nĂşmero de voos do PaĂ­s. A rotina de trabalho ĂŠ intensa, com a equipe madrugando no aeroporto. Astrid Fontenelle revela TXHHPYĂ‹ULRVPRPHQWRVGDVJUDYDÂŁĂžHVVHLGHQWLoFRX com as histĂłrias. “Entrevistei uma menina que nĂŁo via o pai hĂĄ 20 anos. E eu conheci meu pai aos 15 anosâ€?, diz. “Temos que contar com sensibilidade e sorte para achar os personagens mais incrĂ­veisâ€?, completa. Chegadas e Partidas, que vai ao ar Ă s terçasIHLUDVĂŽVKĂ‘XPDDGDSWDÂŁĂ?RGDVĂ‘ULHKRODQGHVD C+HOOR*RRGE\H TXHID]VXFHVVRKĂ‹GH]WHPSRUDGDV 2SURJUDPDMĂ‹IRLYHQGLGRWDPEĂ‘PSDUDSDĂ•VHVFRPR AustrĂĄlia, Estados Unidos, França e Espanha.

documentårio Drums, sobre tambores do PXQGR2oOPHWHPDGLUH£�RPXVLFDOGR percussionista Nanå Vasconcelos. O diretor 6ÑUJLR5DSRVRHVWËJUDYDQGRQR0DUDQK�R depois de passar pela China, Zâmbia, Moçambique, Catar e Portugal. Concluímos GH]SURJUDPDVVREUHFXOWXUDDIULFDQDSDUD D5HGH5HFRUG,QWHUQDFLRQDOHQWUHRXWUDV produçþes de rotina. E as novidades no Brasil? MM - A coisa aqui não påra! A Cinevídeo Ê uma måquina de produzir conteúdo, e dos melhores (rs). Começamos a produção do doc Presente, Professor que mostrarå

SERVIÇO: Cinevídeo Produçþes www.cinevideoproducoes.com.br * Brasília - Tel.: 55 (61) 3363.1111 * São Paulo – Tel.: 55 (11) 3062.4263 * Rio de Janeiro – Tel.:55 (21) 2233.8507 * à frica-Moçambique- Tel.: + 258 21 300 800

a importância do docente na vida do aluno. Vamos gravar em escolas mencionadas no livro do SebastiĂŁo Salgado e do CristĂłvĂŁo Buarque, Berço da Desigualdade, com locaçþes no Brasil, PaquistĂŁo, Moçambique, GuinĂŠ Bissau e outros paĂ­ses. HĂĄ tambĂŠm o reality show de MĂ´nica Monteiro: culinĂĄria com o Sesi e a “Somos uma mĂĄquina de produzir conteĂşdo, e dos segunda temporada do melhoresâ€?. Almanaque Brasil, com DSUHVHQWDÂŁĂ?RGH/XFLDQD0HOR

PORTRAIT/LULU PINHEIRO

Drums

Reality Hello Goodbye, no Brasil

DIVULGAĂ‡ĂƒO/GNT

DIVULGAĂ‡ĂƒO/CINEVĂ?DEO

INFORME PUBLICITĂ RIO


( making of )

Daniele Frederico

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om um filme de trilha sonora delicada e trabalho cuidadoso de fotografia, a Honda comemora a vitória da marca na pesquisa Os Eleitos 2010, da revista Quatro Rodas. O orgulho por essa conquista foi, literalmente, refletido no comercial da companhia criado pela F/ Nazca S&S, que mostra uma série de proprietários de carros da marca observando seus veículos em reflexos em diferentes superfícies, que vão desde os vagões de um trem até uma poça d’água. Com um minuto de duração, o comercial contou com direção dupla de Paulo Vainer e Cisma, ambos da Paranoid BR, que trabalharam de maneira muito próxima a Pierre de Kerchove, diretor de fotografia do comercial em parceria com Vainer. “Para ter definição, tínhamos que iluminar muito o carro, e deixar o objeto que o reflete mais escuro”, conta o diretor Cisma. Embora o roteiro criado pela agência já tivesse uma série de situações de reflexos pré-determinadas, os diretores tiveram liberdade para sugerir outras, como a cena em que o carro é refletido em uma vitrine cheia de troféus. “Acabou sendo, de certa forma, uma metáfora da locução, que falava sobre o prêmio conquistado pelo cliente”, lembra Cisma. Apesar de mostrar a vitrine, os diretores lembram que a ideia era não utilizar este cenário o tempo todo, já que ele é um pouco óbvio quando se pensa em superfícies refletoras pela cidade. “O grande desafio foi entender onde uma pessoa poderia se ver refletida de dentro de um carro na cidade. A primeira coisa que vem à cabeça é a vitrine. Queríamos outras situações plausíveis de se ver”, conta Cisma. Assim, entraram em cena outras superfícies refletoras, como balões prateados e um caminhão. Até porque,

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Espelho, espelho meu

Para ter definição, carros foram bem iluminados e superfícies refletoras ficaram mais escuras.

a ideia era que os reflexos não fossem perfeitos, mas que indicassem superfícies reais. “Se o ‘espelho’ é perfeito, não há a sensação de que é um reflexo. Procuramos situações de deformação e tentamos explorar essas imperfeições dos reflexos”, diz Cisma. Ainda assim, uma das cenas idealizadas teve de ser deixada de lado. “Tínhamos essa ideia de fazer o reflexo na viseira prateada de um capacete de bombeiro, mas não dava para ver nada”, lembra o diretor. A única cena que contou com a ajuda de efeitos para ser criada foi aquela em

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que uma mulher observa os reflexos de seu Honda vermelho nos vagões de um trem. “O carro foi filmado em chroma key. Adicionamos o fundo e o trem”, explica Paulo Vainer. “Não existe trem que faça um reflexo perfeito e também não podemos pedir para parar um trem para a filmagem”, comenta o diretor. Além desta, algumas cenas, em especial as mais abertas e frontais, contaram com trabalho de pósprodução para apagar o câmera e o diretor Paulo Vainer das imagens. “Chegamos a pensar em fazer esse filme em pós. Mas a ideia foi abortada em dez minutos por causa do prazo”, lembra Vainer. As cenas tiveram de ser bem planejadas para que o prazo fosse cumprido. Ao invés de fazer apenas um storyboard do comercial, os diretores foram até as locações e filmaram as cenas, da maneira que deveriam aparecer na captação final. “Não teve muito improviso”, lembra Vainer. A presença de dois diretores de cena e dois de fotografia foi fundamental para conseguir filmar em tantas locações com apenas duas diárias. Enquanto um filmava, o outro montava a cena seguinte. “Só filmamos durante o dia. Com essa direção conjunta ganhamos tempo e acabamos duas horas antes do previsto”, comemora Cisma. ficha técnica Agência Cliente Título Produtora Direção Direção de fotografia Montagem Pós-produção/ finalização Produtora de som

F/Nazca Saatchi & Saatchi Honda Narcisos Paranoid BR Paulo Vainer e Cisma Paulo Vainer e Pierre de Kerchove Alex Lacerda Tribbo Post Tesis


Uma queda por cerveja

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Para a queda livre foram combinados saltos de paraquedas reais e tomadas dos atores suspensos por cabos. FOTO Sérgio Carvalho /DIVULGAÇÃO

om ares de superprodução, a Skol dá continuidade ao conceito “um por todos. Todos por uma” com um comercial que mostra até onde um grupo de amigos está disposto a se arriscar para salvar um “cooler” cheio de cervejas da marca. No filme, dirigido por André Godoi, da Prodigo Films, um grupo de amigos prepara-se para saltar de paraquedas de um avião, quando uma turbulência faz com que o “cooler” cheio de cervejas escorregue para fora da aeronave. Sem pensar duas vezes, os rapazes se jogam do avião atrás do “cooler” em uma verdadeira aventura para recuperação da bebida. O interior do avião, onde os amigos conversam antes de saltar, foi construído dentro de um estúdio. “Como o avião inclina, era preciso deixar o movimento mais real, por isso optamos por não usar um avião real e sim reproduzi-lo no estúdio”, conta Godoi. Para a sequência de ação que se segue, com os amigos partindo para a recuperação do “cooler”, foram combinados dois tipos de situações: cenas de saltos de paraquedas reais, e cenas realizadas em solo, com imagens dos próprios atores, suspensos por cabos, copiando o movimento que o corpo faz durante a queda livre. Uma equipe de paraquedistas profissionais foi contratada para os saltos reais. Foram criadas roupas especiais, que escondiam os paraquedas. “Durante o salto, os profissionais tiravam parte da roupa, colada com velcro, antes de abrirem seus paraquedas”, diz o diretor. Até mesmo o “salto” do “cooler” foi verdadeiro. Ele também ganhou um paraquedas para chegar ao solo com segurança. “Apenas nas cenas em que o ‘cooler’ está em movimento o objeto foi feito em 3D”, revela Godoi. Os momentos que mostram os rapazes em ângulos mais fechados foram filmados em solo, em um estacionamento em Paulínia. Um guindaste foi usado

para suspender os atores com a ajuda de cabos, presos tanto nos pés quanto no tórax. “Pensamos em filmar as pessoas em chroma, mas ficaria artificial”, lembra o diretor. “Não queríamos colocar todos os atores de capacete e o recorte de cabelo no chroma não ficaria preciso”. Os atores foram pendurados pelo guindaste tendo o céu de fundo, com ventiladores posicionados no chão para criar a impressão de vento forte durante a queda livre. O céu foi aproveitado, com correções realizadas na pós-produção. Além do fundo, os cabos utilizados para levantar os atores também foram apagados na pós. “O maior desafio foi fazer com que o salto fosse realista. Era preciso ‘casar’ os saltos verdadeiros com os atores pendurados por

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cabos”, lembra Godoi. Para a cena final, em que os rapazes caem em um celeiro, o cenário foi construído em estúdio e uma estrutura semelhante a um mezanino foi utilizada para que os dublês saltassem. ficha técnica Agência Cliente Título Produtora Direção Fotografia Direção de arte Montagem Finalização Produtora de som

F/Nazca Saatchi & Saatchi Skol Queda Livre Prodigo Films André Godoi Pedro Cardillo Marcos Carvalheiro André Dias Prodigo Films/Atomovfx Tesis


( cinema) Ana Martinelli, de Berlim

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Caça aos ursos No European Film Market, cinema brasileiro conquista novos espaços e consolida vocação para projetos com apelo internacional de coprodução.

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omo primeiro grande evento internacional do ano para o cinema, o European Film Market (EFM), evento que faz parte do festival de Berlim, começou com muitas expectativas em relação ao reaquecimento do mercado audiovisual, ainda que cauteloso e disposto a assumir poucos riscos pela lembrança da crise econômica. Os grandes temas da edição de 2011 foram as produções em 3D e os espaços do mercado independente, refletidos na programação da 61ª Berlinale, com produções majoritariamente dos gêneros. O festival destacou também o cinema iraniano, com protestos pela ausência do cineasta preso, convidado para o júri da competição, Jafar Panahi. O Brasil chegou ao festival portando na bagagem bons resultados. Em 2010, as 133 empresas participantes do projeto Cinema do Brasil realizaram 540 vendas e 25 coproduções internacionais, atingindo a cifra de US$ 48,5 milhões em volume de negócios. E os projetos iniciados no mesmo ano devem gerar cerca de US$ 67 milhões. No início da década, a média era de cinco parcerias internacionais ao ano, segundo informações do programa, iniciado em 2006. E no segundo ano de parceria do Cinema do Brasil com um dos programas de grande destaque do EFM, o Co-Productions Market, o país foi selecionado com três projetos. A comitiva brasileira contou com 24 empresas e exibiu treze longasmetragens e cinco curtas, divididos entre a programação oficial da Berlinale com “Tropa de Elite 2”, de José Padilha, na mostra Panorama

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Especial; na Forum, o vencedor do Festival de Brasília, “Os Residentes”, de Tiago Mata Machado; e o curta-metragem “Ensolarados”, de Ricardo Targino, na mostra Generation; e nos screenings do mercado, onde três títulos eram coproduções internacionais, como o documentário “O Samba Que Mora em Mim”, de Geórgia Guerra-Peixe, da BossaNova, com a Filmes do Tejo (Portugal), “Garcia”, de José Luiz Rugeles, da Latina Estúdio e Rhayuela Films (Colômbia), e a coprodução da Sueko Films (Uruguai) com a Panda Filmes, “Réus”, de Eduardo Piñero e Alejandro Pi. Já finalizado, este último estreia no Uruguai em 31 de março e no Brasil ainda no primeiro semestre deste ano.

Os esforços de internacionalização do cinema brasileiro privilegiam a produção, mas entendem também a necessidade de apoio em outras fases do projeto audiovisual. Um exemplo são as ações de network e de capacitação dos projetos para outros mercados e de distribuição para cinema, como no caso do documentário indicado ao Oscar 2011 “Lixo Extraordinário”, produzido pela O2 e Ginga Filmes e distribuído pela Arthouse. O longa recebeu US$ 25 mil do Apoio à Distribuição Internacional 2010, concedido pelo Cinema do Brasil para exibição e divulgação. A verba possibilitou a estreia em cinemas dos EUA. O desafio de quebrar as barreiras do produto audiovisual brasileiro é um dos pontos ressaltados por Sérgio Sá Leitão, CEO da RioFilme: “Investimos cada vez mais em fazer parte do processo do projeto desde a sua formatação até o contato com os sales agents, garantindo assim mais competitividade para buscar um Aletéia Selonk, durante o pitch de "A Mulher do Pai" no Berlinale Co-production Market.

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parceiro internacional e garantir a exibição no mercado internacional”. De olho na expansão do mercado de animação brasileiro, a RioFilme levou ao EFM dois projetos de longas de séries brasileiras exibidas com sucesso em TV no Brasil e outros países: “Peixonauta”, que será em 3D, da TV Pinguim, e “Meu Amigãozão”, da 2Dlab. Outra forma de viabilização são os acordos internacionais. Nesta edição do EFM foram anunciados dois novos. Um é o consórcio com a Galícia (região da Espanha), que deve ser firmado pela Ancine em Cannes durante a próxima edição da Marché Du Film, com edital para 2011. Também no evento francês será firmada a parceria entre a Rio Film Commission e a London Film Commission, que prevê intercâmbio e residência de trabalho entre as instituições. Coprodução Desde a criação do Berlinale Co-Production Market em 2004, o evento acontece durante três dias paralelamente ao EFM, dedicado a fomentar a discussão e o encontro de projetos do mundo todo com coprodutores, investidores e distribuidores. Até hoje, 115 filmes encontraram parceiros, ou 40% dos projetos que já participaram do encontro. Além de proporcionar oportunidades para a viabilização, estar entre os selecionados normalmente significa ter um espaço de exibição garantido na programação da Berlinale. Na 61ª edição do festival foi possível assistir quatro filmes oriundos de programas passados como o israelense “Intimate Grammar”, de Nir Bergman, que chegou ao Geration Kplus já premiado pelos festivais de Jerusalém e Tóquio. Pode-se dizer que a oitava edição do evento foi especial para o Brasil. Pela primeira vez participaram três projetos do país: “Dois Sequestros”, da Zecrane Filmes, na Seleção Oficial;

“Greicekelly”, da Dezenove Sons e Imagens, e “A Mulher do Pai”, da Okna, para o Talent Campus Market. Durante três dias de programação intensa e muitas reuniões, o denominador comum entre os projetos que chamaram a atenção dos possíveis parceiros foram seus argumentos bem construídos, histórias com algo inusitado, fortes e de apelo internacional. Único projeto brasileiro dos 23 participantes na Seleção Oficial, “Dois Sequestros”, da Zecrane Filmes, será o terceiro longa-metragem de Marcos Jorge (“Estômago” e “Corpos Celestes”, em codireção com o também paranaense Fernando Severo). Com cerca de 18 reuniões agendadas por dia, a produtora executiva Claudia da Natividade foi a Berlim com a missão de procurar um coprodutor para o longa, que já conta com 70% do orçamento de R$ 3,5 milhões captados e distribuição internacional da Paramount Pictures. “Dois Sequestros” conta a história de um motorista da carrocinha na periferia do Rio de Janeiro que captura um cão

ainda vê o idioma com uma pequena barreira a ser enfrentada no mercado internacional. “Não temos a facilidade de venda de um filme falado em espanhol, por exemplo, mas com a qualidade de nossos projetos e mostrando eficiência na realização abrimos cada vez mais espaços”, diz a produtora, que tem a seu favor uma relação com o mercado que começou há seis anos e gerou uma coprodução bem-sucedida realizada com a Itália, “Estômago”, distribuído em 20 países. Bem encaminhado, o projeto da Zencrane decidirá entre a coprodução internacional, que pode significar esperar mais tempo para começar as filmagens, ou acordos com sales agents e fundos de televisões internacionais. Há três distribuidoras fortes interessadas nos direitos de exibição. “Agora é o momento de pensar nas propostas e dar continuidade às conversas que tivemos aqui em Berlim”, conclui Natividade. Dos 270 projetos inscritos para o Talent Campus Market foram selecionados 11 projetos de diretores estreantes, dentre eles os brasileiros Rafael Lessa e Cristiane Oliveira. Lessa e a produtora Sara Silveira, da Dezenove Sons e Imagens, foram ao evento com o projeto “Greicekelly”, sobre uma adolescente que sonha ser princesa, mas cuja vida não é nada parecida com a de um conto de fadas.

Os grandes temas da edição de 2011 do european film market foram as produções em 3D e os espaços do mercado independente violento. O cão perdido é na verdade de um chefe de milícia, antagonista que será interpretado por Rodrigo Santoro. “O primeiro sequestro do filme é justamente o do cachorro... e acontece uma série de coisas que levam o bandido a acreditar que o culpado é o carroceiro. Mais do que isso não posso contar”, revela Natividade. Participar de um encontro destes é o melhor momento para testar o projeto e começar a divulgar o nome do filme e da produtora. Apesar do bom feedback, ela

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Sara revela que a história é difícil, forte e polêmica. Greicekelly vive no Baixo Augusta, em São Paulo, e lá se envolve numa relação dúbia com Aurora, ex-médica legista de 35 anos que vive como cabeleireira. Aurora é apaixonada pela menina, que por sua vez usa a mulher porque quer entrar num concurso de miss. Rafael Lessa chegou à produtora através de um curta que deve ser lançado este ano, “Jiboia”, e com o

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( cinema) “A Mulher do Pai” venceu o Prêmio de Desenvolvimento de Roteiro do Santander no RS em 2009 e chegou ao Co-Production Talent Market com passagem pelo programa de captação do Produire au Sud, em Nantes, no final de 2010. Atualmente está em processo de apresentação para a Ancine para captar recursos e ser viabilizado este ano. A previsão de preparação e filmagens acontecerá em 2012 e o lançamento deve ocorrer no primeiro semestre do ano seguinte. O feedback não poderia ser melhor: “Fui a Berlim com a intenção de despertar o interesse de produtores europeus, conhecer potenciais parceiros e estudar possibilidades de colaboração. Expectativas estas que foram totalmente satisfeitas”, ressalta a produtora.

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argumento de “Greicekelly”. O talento do jovem diretor despertou o interesse de Sara Silveira para produzir o filme, orçado em R$ 2,5 milhões, e da seleção do evento. Mostrado pela primeira vez ao mercado, com cerca de 30 encontros realizados, interessou especialmente a dois coprodutores alemães, os franceses da Selex e um possível parceiro chileno para venda no mercado americano. “O Brasil hoje provoca muito interesse, e o grande atrativo do país são as leis de incentivo fiscal, o que não significa necessariamente concretização, mas abre caminhos para conversas”, enfatiza Sara Silveira. Por sua vez, o Talent Campus Market é considerado por produtores um grande selo de qualidade, um mecanismo eficiente do mercado para descobrir talentos, reciclar a indústria e encontrar parceiros coprodutores. A opinião é endossada pela produtora Aletéia Selonk, de “A Mulher do Pai”. “Além de competir com projetos muito fortes do mundo todo no mesmo estágio que o seu, você faz parte de uma seleção feita por uma equipe altamente especializada, em que os produtores europeus confiam”, diz ela. “Uma parceira aqui te dá acesso aos três maiores festivais do mundo: a possibilidade de estrear em Berlim, Cannes ou Veneza”, completa Sara Silveira. O projeto gaúcho “A Mulher do Pai”, da Okna, já chegou ao Talent Campus Market como um dos três vencedores do prêmio da VFF Talent Highlight Pitch, com 3 mil euros para o desenvolvimento e a oportunidade de apresentar o pitch para uma audiência de profissionais do mercado europeu. Aletéia Selonk conta que usou sua experiência de professora da PUC-RS para falar em público e se preparou bastante antes da apresentação, mas também recebeu uma consultoria personalizada em Berlim com Sibylle Kurz, professora especializada em pitchings: “Os principais conselhos

o denominador comum entre os projetos que chamaram a atenção dos possíveis parceiros foram seus argumentos bem construídos, histórias com algo inusitado, fortes e de apelo internacional foram para que eu realizasse a minha apresentação de forma bem simples, enfocando os principais aspectos, mas sempre através de frases e explicações claras e objetivas; e também para que eu pudesse ser autêntica, apresentando com naturalidade e suavidade”. Segundo a produtora o projeto desperta interesse pelo roteiro denso, baseado em relações humanas e no desafio da narrativa e estética ao contar a história de Rubens, um homem de 40 anos que ficou cego quando jovem, e sua filha Nalu, uma adolescente que está se tornando mulher. Os dois foram criados pela mãe superprotetora de Rubens quase como irmãos, mas depois da morte da avó eles se veem sozinhos e terão de lidar com a nova realidade. O filme, que se passa na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, tem orçamento de R$ 1,8 milhão de reais e prevê uma produção enxuta, diz Aletéia. “Privilegiamos o trabalho de préprodução, preparação técnica e de atores e as escolhas de locação”.

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Do Brasil para o mundo Entre vendas, acordos de apoio e coprodução, e convites a festivais internacionais, houve diversos resultados concretos da participação brasileira no festival alemão. A Tropical Storm Entertainment vendeu o longa de animação infantil “Grilo Feliz e os Insetos Gigantes” para o mercado árabe, Indonésia e Europa do Leste. Outro título, vendido para a Coreia, foi a coprodução Brasil-Índia “Bollywood Dreams”. O país asiático também adquiriu os direitos de venda do novo filme de Marcos Jorge e Fernando Severo, “Corpos Celestes”. “Girimunho”, da Dezenove Sons e Imagens, Teia Filmes e Autentika Films (Alemanha), está bem cotado para fazer sua première mundial na Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes 2011. Participante do Pavillon du Cinema em Cannes no ano passado, “Pela Janela”, longa de estreia de Caroline Leone, tem confirmado um coprodutor argentino.


Este ano a Dezenove também lançará o primeiro filme da dupla Marco Dutra e Juliano Rojas, “Trabalhar Cansa”, já finalizado e com a primeira cópia pronta. A produtora aposta numa première internacional para o filme. Assunção Hernandez, da Raiz Filmes, e Lola Riudoms, da Abano, de Barcelona, fecharam coprodução para animação infantil. “Terra Vermelha”, de Marco Bechis, coprodução da Gullane Filmes com a Itália, foi vendido para dez países. Outra parceria da produtora com a Itália que deve chegar às salas de cinema este ano e foi negociada em edições anteriores do evento é o longa “Meu País”, de André Ristum. Outra coprodução que deve ser filmada este ano é “Favela High Tech”, de Karim Ainouz. Estrelado por Leandra Leal e Cauã Reymond, “Estamos Juntos”, da Olhar Imaginário e Aurora Filmes, fez exibições fechadas do último corte para vendas e para testar a receptividade do mercado internacional. Repercutiu e recebeu convite para participar do Festival de Moscou. Com distribuição da Imagem Filmes no Brasil, tem data de estreia prevista para 10 de junho. “Corações Sujos”, dirigido por Vicente Amorim e produzido pela Mixer, deve estrear em outubro, e já está vendido para vários mercados, segundo informação da RioFilme, uma das coprodutoras do longa baseado no livro de Fernando Morais.

Do mundo para o Brasil Investindo também em trazer receitas e produções internacionais para o Brasil, a Rio Film Commission atraiu em 2010 quatro longas internacionais para o Rio de Janeiro. Entre eles, grandes blockbusters do mercado norte-americano, como o quinto filme da série de ação estrelada por Vin Diesel “Velozes e Furiosos”, e o grande sucesso da Summit Entertainment, o quarto filme da saga “Crepúsculo”,

Algumas produções internacionais de destaque no festival já têm distribuição garantida no Brasil. A Imovision distribuirá no país três filmes da Competição Oficial da 61ª Berlinale: o grande vencedor do Urso de Ouro, “Nader e Simin – A Separation”, de Ashgard Fahard e o alemão “Se Não Nós, Quem”, de Andres Viel, que devem estrear no segundo semestre, além de um dos filmes mais

A comitiva brasileira contou com 24 empresas e exibiu treze longas-metragens e cinco curtas “Amanhecer”, estrelado por Kristen Stewart e Robert Pattinson. “Estas produções trouxeram uma visibilidade internacional que nunca tivemos antes, nos incluindo no mundo das celebridades e atraindo a imprensa do mundo todo”, conta Sérgio Sá Leitão, que relata que em dez dias de filmagens a produção de “Amanhecer” gastou US$ 4 milhões na cidade. O segundo passo é conseguir atrair os filmes depois de prontos para a realização das premières mundiais no Rio de Janeiro com equipe e elenco. O CEO da RioFilme revelou que “Velozes e Furiosos 5” está confirmado, e a animação “Rio”, dirigida por Carlos Saldanha, teve sua abertura na cidade em março, com a presença do casting internacional. Durante o EFM, a film commission carioca fechou outras parcerias internacionais para realização de parte das filmagens na cidade, com receitas estimadas em US$ 5 milhões até o momento.

concorridos do festival, “Pina 3D”, de Wim Wenders. Outros títulos de longa já negociados são: “Medianeiras – Buenos Aires na era do amor virtual”, de Gustavo Taretto, da Mostra Panorama, e o francês “Criança da Meia Noite”, de Delphine Gleize. No mercado, a Imovision adquiriu os direitos também de filmes de diretores consagrados, como os novos de Philippe Garrel, os irmãos Dardenne e o japonês KoreEda Hirokazu. O primeiro filme de Ralph Fiennes como diretor, “Coriolanus”, adaptação da peça de William Shakespeare, que fez sua première mundial durante a Berlinale, foi comprado pela Califórnia Filmes e tem previsão de estreia para agosto de 2011. Outro título confirmado até o momento é “The Devil’s Double”, estrelado pela atriz francesa Ludivigne Sauvigner, exibido na Mostra Panorama e também em Sundance no início do ano.

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Meu Pé de Laranja Lima Equipe da Pássaro Filmes, responsável pela nova versão cinematográfica do romance de José Mauro de Vasconcelos, filmou em polo audiovisual mineiro e capacitou a população local.

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FOTOs: divulgação

romance “Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcelos, já foi traduzido em 16 idiomas e tem mais de 8 milhões de cópias vendidas. A história do travesso e sensível Zezé, um menino de oito anos que vive dramas familiares e encontra refúgio em um pé de laranja lima plantado em seu quintal, teve adaptações para cinema e televisão. Em 2012, uma nova versão cinematográfica, produzida pela carioca Pássaro Filmes, deve chegar às salas. A produtora comprou os direitos Segundo produtora, apesar dos elementos brasileiros, longa-metragem foi pensado para viajar. da obra em 2003, mas não tocou imediatamente o projeto por conta do aportou recursos pelo Artigo 1ºA e ICMS As sementes trabalho no longa-metragem “O Outro do Estado. Associada do programa Firmadas as parcerias, chegou a Lado da Rua”, também dirigido por Cinema do Brasil, a Pássaro Filmes viajou hora de dar início às filmagens. A Marcos Bernstein. com a delegação brasileira para o equipe buscou cenários com vales e Entre 2004 e 2005, Bernstein e Festival Internacional de Cinema de montanhas. Entre novembro e Melanie Dimantas trabalharam no Berlim, em fevereiro de 2010, quando o dezembro de 2010, a produção fixouroteiro do longa-metragem, enquanto projeto de “Meu Pé de Laranja Lima” foi se em Cataguases, na Zona da Mata a produtora Kátia Machado começou o selecionado para o Berlinale mineira, e filmou nos municípios de processo de captação para o filme. No Co-production Market, mercado de Piacatuba, Abaíba, Recreio e Aracati. Brasil, foram coprodução que A Energisa, uma das empresas Devido à falta de acontece durante o captados recursos do patrocinadoras do projeto, incentiva a edital da Petrobras e formação de um polo audiovisual na recursos, roteiro evento. Nele, os do BNDES. “Não produtores têm região. Dessa forma, a Pássaro Filmes ganhou nova tínhamos distribuidor oportunidades de a realizar oficinas na versão, que reduziu apresentar seus projetos comprometeu-se e não conseguimos região para capacitação de mão de orçamento do filme em reuniões individuais obra, como um workshop de figurinos nada de Artigo 3º”, de R$ 8 milhões para aos players conta Kátia. A falta ensinando técnicas de envelhecimento R$ 3,5 milhões de recursos fez com interessados. “Fui de tecido. “É uma maneira de dar um que o roteiro bastante procurada no retorno do dinheiro público para a ganhasse uma nova versão, com evento. O roteiro do filme chamou sociedade”, observa a produtora. mudanças capazes de reduzir o bastante a atenção”, conta Kátia. Ainda no intuito de valorizar o talento orçamento do filme, originalmente A produtora recebeu uma proposta de local, grande parte do elenco também estimado em R$ 8 milhões, para coprodução e duas de agentes de vendas. vem do Galpão, famoso grupo de R$ 3,5 milhões. A coprodução ficou inviável, mas as teatro do estado de Minas Gerais. Novos parceiros nacionais propostas dos agentes de venda ajudaram Com orçamento enxuto, a entraram no projeto: a distribuidora a valorizar o projeto. Diante da produtora afirma que conseguiu Imovision, contribuindo com recursos concorrência, o agente internacional de juntar bons profissionais em torno do do Prêmio Adicional de Renda (PAR), venda inicial, Elle Driver, da França, projeto devido à força da história. e a empresa de energia elétrica de cobriu as propostas recebidas e Gustavo Hadba (de “Lula, o Filho do Minas Gerais, a Energisa, que aumentou o investimento no projeto. Brasil”) assina a direção de fotografia.

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Bia Junqueira (de “Mauá”) e Luciana Buarque (de “Hoje é Dia de Maria”) se encarregaram, respectivamente, da direção de arte e do figurino. “Todas as pessoas contribuíram muito artisticamente e foram compreensivas com as dificuldades financeiras”, ressalta Kátia. A produtora destaca ainda a importância do apoio de agentes culturais privados de Cataguases para a etapa de produção: a Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho, o Instituto Cidade Catagases e o Instituto Francisca de Souza Peixoto. Vale lembrar que Cataguases foi um importante polo de produção cinematográfica no início do século XX. Os frutos O filme está em finalização, com previsão de lançamento no primeiro trimestre de 2012. A ideia é estar pronto para algum festival internacional antes da estreia comercial. “Ainda temos algumas coisas para filmar de efeitos especiais e estamos fazendo a primeira montagem do filme”, diz Kátia. Apesar de o filme ser uma adaptação de uma obra da literatura brasileira e de a produção estar cercada de elementos da cultura brasileira, Kátia afirma que “Meu Pé de Laranja Lima” tem todas as condições de viajar. “A história como um todo é universal. Há muitos

Meu Pé de Laranja Lima Direção Roteiro Produção

Marcos Bernstein ntas Marcos Bernstein e Melanie Dima Kátia Machado

lza Catald Produção executiva E Pássaro Filmes Produtora

Sinopse: Zezé tem quase oito anos e vive com a família pobre no interior de Minas Gerais. Travesso, sensível e precoce, o menino é um contador de histórias que encontra refúgio para seus problemas em um pé de laranja lima. A travessura do garoto para cima da figura mais temida do bairro, o português Manoel Valadares, resulta em uma bonita amizade.

Zezés no mundo. Um menino na Coreia pode se identificar com a trama”, ressalta a produtora. Dedicada exclusivamente ao cinema, a Pássaro Filmes presta consultoria no mercado internacional. “Temos este perfil de investir em projetos brasileiros e latinoamericanos que possam ser

Publicação anual com os principais provedores de conteúdos nacionais e internacionais. Análise e projeções sobre o mercado de produção e distribuição de mídias digitais. Adquira o seu exemplar!

Longa-metragem

Formato

entendidos fora”, explica Kátia. Além de “Meu Pé de Laranja Lima”, a produtora trabalha em mais três longas-metragens de ficção que estão na etapa de desenvolvimento e financiamento: “Maresia”, “As Órfãs da Rainha” e “Lua Encarnada”. ana carolina barbosa


(artigo)

Paulo Arêas* c a r t a s . t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Produção para TV: necessidade e caminhos

C

omo ocorre há décadas, Hollywood domina o mercado mundial de filmes, enquanto os programas nacionais de TV lideram a audiência em cada país, e a história se repete: a partir dos anos 80, as TVs então privatizadas da Europa exibiam programas americanos (pelo baixo custo), mas logo iniciaram a produção local; em Portugal, as novelas brasileiras perderam a hegemonia para as novelas locais, e no Brasil, o recém lançado canal Viva (de TV paga), com programas do arquivo da Rede Globo, agrega mais e mais espectadores a cada mês. Hoje o Brasil passa por mudanças no cenário de TV. O crescimento da Rede Record faz com que as três redes com menor audiência tenham que lutar mais por verba publicitária, enquanto o aumento da renda e a atuação das operadoras de telecom na distribuição provoca forte crescimento na base de assinantes de TV paga, tornando importante nosso mercado em nível mundial (10 milhões de assinantes e respeitável faturamento). As mudanças no mercado, a competência e o grande arquivo da Rede Globo tornam evidente a necessidade das três redes e de canais de TV paga viabilizarem um modelo para a produção, em volume, de programas. Estima-se que em TV paga são necessárias dezenas de milhares de horas de programas brasileiros, o que exigiria mais de R$ 2 bilhões por ano para a produção. Há no mundo dois modelos para a produção de programas: o modelo verticalizado de produção e exibição (Televisa e Azteca no México, e Globo e Record no Brasil), e o modelo horizontal, praticado nos EUA e Europa, onde há

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três partes especializadas que se relacionam: existência de empresas bem rede e canais, que selecionam e encomendam remuneradas e especializadas em cada a produção de programas, as produtoras, atividade (produtoras e EFDs), estando que criam e executam a produção dos todos cientes que: 1) todo o volume de programas (quando encomendados), e as benefício fiscal disponível no país está empresas financiadoras-distribuidoras muito aquém do montante necessário (EFD), que financiam a produção dos (mesmo a Rede Globo, a maior programas e vendem os direitos dos mesmos compradora de direitos estrangeiros, para novas exibições (após exibidos por conta com menos de R$ 30 milhões quem os encomendou). anuais em benefício fiscal para No modelo horizontal, há na Europa produção), e 2) as boas produtoras não redes, canais, produtoras e EFDs com irão continuar a serem mal remuneradas invejável saúde financeira e criativa. Nos em TV, pois podem faturar com EUA, onde o modelo funciona desde 1955, há produção publicitária, corporativa e dezenas de empresas pujantes, e os mais de cinema (um filme que atinja 600 mil 400 roteiristas que lá espectadores, número trabalham em TV geram não excepcional, gera as mudanças no anualmente para cada 1 milhão de mercado exigem que R$ rede, só em programas resultado para os dramáticos, mil pitches, 60 os canais viabilizem produtores). É certo a produção em roteiros e 25 pilotos. que produtoras, O modelo vertical contratadas com grande volume funciona bem se há pouca cláusulas leoninas, competição no mercado (no México só há, de podem manter pessoal de segunda linha fato, duas redes privadas), mas sempre ao para produzirem com baixa qualidade, preço de inibir a criatividade, pois os talentos já que o produto é entregue de acordo empregados pela rede verticalizada agem em com o pago. defesa própria, afastando talentos que No atual modelo em prática no país, possam ameaçá-los (recentemente uma rede um canal faz esforço, adianta para a pediu a um conhecido roteirista que produtora todos os recursos durante a contratasse dois auxiliares, e ele contratou as produção do programa, a produtora é duas filhas...). Ou seja, é bom para quem está mal remunerada e o canal detém 100% empregado, e ruim para a rede ou canal, que, das receitas do programa, que nada em busca de resultados, deve acessar os bons fatura após as primeiras exibições. talentos onde estiverem (e quando estiverem A necessidade existe. Vamos insistir em fase criativa...). no atual modelo, ou replicar o que já funciona, estabelecendo um mercado Processo horizontal saudável, onde todos Só há produção de TV de qualidade e a ganhem, e os programas faturem, sendo custo razoável se existir um processo exibidos e reexibidos em redes e canais organizado e contínuo de produção de em momentos distintos? programas, e como seria muito caro cada rede e cada canal montarem seu próprio * Fundador e ex-sócio de cinco estúdio, o caminho é estimular o modelo empresas de comunicação, horizontal. Para isto, é fundamental a incluindo a Net Rio.

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( upgrade )

Fernando Lauterjung

f e r n a n d o @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Opção para títulos e animações FOTOS: divulgação

O

s usuários dos sistemas de produção de vídeo Granite, da Broadcast Pix, agora terão acesso ao software de criação gráfica Lyric PRO 8, da Chyron. Toda a linha da Broadcast Pix conta com um switcher, armazenamento de clipes e o Harris Inscriber CG. O Lyric PRO 8 chega ao sistema Granite como uma alternativa ao software da Harris, para a criação de títulos e animações 3D. O conteúdo gerado fica disponível a partir de qualquer camada de controle da Broadcast Pix, podendo ser levado ao ar facilmente. O sistema passa a aceitar ainda arquivos gerados em outras soluções da Chyron, inclusive conteúdos de sua plataforma online, a Axis Graphics Online Content Creation. A expectativa é que a opção de uso do Chyron Lyric PRO 8 no Granite fique disponível um mês após a NAB, que acontece em abril, em Las Vegas, através de um upgrade que custará US$ 1,5 mil.

Granite terá o Lyric PRO 8 para a criação de títulos e animações 3D.

Gravação em fita

U

m novo gravador de vídeo para arquivamento será lançado pela For-A em abril, durante a NAB, em Las Vegas. Trata-se do LTR-120HS, que usa o codec AVCIntra/DVCPRO e empacotador MXF para gravar em fitas LTO-5 arquivos MXF, que podem ser usados por diversos sistemas de edição não-linear. O gravador é baseado no modelo LTR-100HS, apresentado há um ano, que suporta diferentes formatos MPEG-2. O LTR-120HS suporta os formatos AVC-Intra100, AVC-Intra50, DVCPRO HD, DVCPRO50 e DVCPRO. Desenhado para permitir o arquivamento na chegada do material na emissora/produtora, ele pode gravar em arquivos MXF em tempo real, funcionando como qualquer VTR. Com um disco rígido interno somado à capacidade de gravação de uma fita LTO-5 (1,5 TB), o gravador pode ser usado também como um servidor de troca de conteúdo. A unidade conta com portas HD/SD-SDI I/O, gigabit Ethernet (para inserção de arquivos via rede) e RS-422 (para controle externo). O chassi ocupa três unidades de rack de altura e meio rack de largura e conta com tela LCD para monitoração.

Solução all-in-one com inserção de logos e gráficos.

Tudo em um

A

Pixel Power revelará na NAB, que acontece em abril, em Las Vegas, a nova linha de sistemas de playout multicanal “all-in-one”. Trata-se da ChannelMaster, que, diferentemente de outras soluções completas de geração de canal, permitirá fazer o envio do conteúdo final sem a necessidade de equipamentos complementares para fazer a inserção de logos e de gráficos, reduzindo o custo final da operação. Os equipamentos da nova linha integram armazenamento, geração gráfica, DVE, legendagem, controle mestre, alimentação ao vivo e playout em uma única plataforma de hardware. O processamento gráfico é baseado na tecnologia Clarity, da Pixel Power. A família pode operar de forma autônoma ou como parte de um grupo de dispositivos ChannelMaster. Neste caso, podem ser controlados e gerenciados pelas plataformas comuns de automação e de gerenciamento de conteúdo. Os equipamentos da família ocupam um chassi de três unidades de rack e podem fazer toda a operação de playout de um ou dois canais.

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For-A apresenta gravador LTO-5 em formato MXF.

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( agenda ) 15 e 16 de junho de 2011 Ponto de encontro de executivos de televisão de vários países, produtores, distribuidores de conteúdos e operadores de TV paga e telecom. 12º Forum Brasil – Mercado Internacional de Televisão, Centro de Convenções Frei Caneca, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.forumbrasiltv.com.br

18 e 19 de maio de 2011 Discussões sobre conteúdo para celular e entretenimento móvel, além de conceitos técnicos e de negócios aplicáveis ao setor. Tela Viva Móvel, Centro de Convenções Frei Caneca, São Paulo. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.telavivamovel.com.br

ABRIL

28 a 12/5 In-Edit Brasil – 3º Festival Internacional do Documentário Musical, São Paulo, SP, e Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (11) 3064-9011. E-mail: brasil@in-edit.org. Web: www.in-edit-brasil.com

2 a 3 MipDoc, Cannes, França. E-mail: registration.depttele@reedmidem.com. Web: www.mipdoc.com 3 MipFormats, Cannes, França. E-mail: registration.depttele@reedmidem.com. Web: www.mipworld.com/en/mipformats/

MAIO 2 a 7 Cine PE Fetival do Audiovisual, Recife, PE. Tel.: (81) 3461-3773. E-mail: festival@bpe.com.br. Web: www.cine-pe.com.br

4 a 8 MipTV, Cannes, França. E-mail: registration.depttele@reedmidem.com Web: www.mipworld.com/miptv

11 a 22 Festival de Cannes, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 5359-6100. E-mail: festival@festival-cannes.fr. Web: www.festival-cannes.org

6 a 17 13º Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente (Bafici), Buenos Aires, Argentina. E-mail: info@festivales.gob.ar. Web: www.bafici.gob.ar.

31 a 12/6 Cinesul 2011 – 18º Festival Iberoamericano de Cinema e Vídeo, Rio de Janeiro, RJ. E-mail: festivalcinesul@gmail.com. Web: www.cinesul.com.br.

8 a 18 15º É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários, São Paulo, Rio de Janeiro. São Paulo, Rio de Janeiro. Tel.: (11) 3064-7617. E-mail: info@etudoverdade.com.br. Web: www.itsalltrue.com.br

JUNHO 6 a 10 34º Festival Guarnicê de Cinema, São Luís, MA. Tel.: (98) 3231-2887. E-mail: guterresfilho@gmail.com

9 a 14 Nab Show, Las Vegas, Estados Unidos. Tel.: (508) 743-8536. Web: www.nabshow.org

6 a 11 35º Festival Internacional de Animação de Annecy, Annecy, França. Tel.: (33 04) 5010-0900. Web: www.annecy.org

23 a 30 Cine Esquema Novo 2011 – Festival de Cinema de Porto Alegre, Porto Alegre, RS. Web: www.cineesquemanovo.org.

6 a 12 8º Femina – Festival Internacional de Cinema Feminino, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (21) 2576-5744. E-mail: contato@feminafest.com.br. Web: www.feminafest.com.br

28 a 8/5 Hot Docs Canadian International Documentary Festival, Toronto, Canadá. Tel.: (416) 637-5150. E-mail: boxoffice@hotdocs.ca. Web: www.hotdocs.ca.

9 a 16 21º Cine Ceará – Fetival Iberoamericano de Cinema, Fortaleza, CE. 42

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9 a 11 de agosto de 2011 O maior e mais importante evento de negócios de TV por assinatura, mídia, entretenimento e telecom da América Latina. ABTA 2011, Transamérica Expo Center, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@ convergecom.com.br. Web: www.convergeeventos.com.br Tel.: (85) 3264-3877. E-mail: festival@cineceara.com.br. Web: www.cineceara.com.br

14 Workshop Produção Transmídia, Centro de Convenções Frei Caneca, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3138-4660. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.forumbrasiltv.com.br 14 a 16 The Cable Show 2011, Chicago, EUA. Tel.: (202) 2222-2430. E-mail: thecableshow@ncta.com. Web: www.ncta.com 12 a 15 Banff World Television Festival Program Competition, Banff, Canada. Tel.: (1 416) 921-3171. E-mail: info@achillesmedia.com. Web: www.bwtvf.com 19 a 25 Cannes Lions, Cannes, França. Tel.: (44 20) 7728-4040. Web: www.canneslions.com 21 a 24 Sunny Side of the Doc, La Rochelle, França. Tel.: (33 05) 4634-4652. E-mail: coordination@sunnysideofthedoc.com. Web: www.sunnysideofthedoc.com 23 a 10 10º Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, Florianópolis, SC. Tel.: (48) 3232-5996. Web: www.mostradecinemainfantil.com.br 24 a 1º/7 FAM 2011 – 15º Florianópolis Audiovisual Mercosul, Florianópolis, SC. Web: www.panvision.com.br

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Revista Tela Viva 213 - Março 2011  
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