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Nº94 JUNHO 2000 www.telaviva.com.br

STREAMING ALAVANCA MERCADO DE MULTIMÍDIA

BANCOS DE SOM E IMAGEM BARATEIAM A PRODUÇÃO


N達o disponivel


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E D I T O R I A L

E s te símbolo liga você aos s e rviços Tela V iva na Internet. Ô Guia Tela V iva Ô Fichas técnicas de come r c i a i s Ô Edições anteriores da T ela V iva Ô Legislação do audiovisu a l Ô Programação regional Í N D I C E

SCANNER

4

CAPA

Televisão & telecomunicações

12

50 ANOS DE TV

Telejornalismo

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TELEVISÃO

Transmissão de sinal

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MAKING OF

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CINEMA

Cannes digital

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MULTIMÍDIA

Softwares para streaming

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PRODUÇÃO

Libraries

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FINALIZAÇÃO

O mercado das plataformas

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FIQUE POR DENTRO

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A polêmica vem desde setembro de 97, quando o governo publicou para consulta pública a Portaria 40 (15/09/97), que tratava dos serviços de retransmissão. O Decreto nº 2.593 (15/05/98), aliado à Portaria nº 325 de 22 de dezembro de 98, estabeleceu um prazo de dois anos para que as retransmissoras educativas e as mistas pudessem se adaptar às novas regras, ou seja, elas não poderiam mais inserir programação local em sua grade. O prazo venceu no mês passado. Os permissionários ganharam uma sobrevida, nada isonômica, com a publicação do Decreto nº 3.451 (09/05/2000). Tanto as retransmissoras educativas quanto as microgeradoras poderão funcionar nas mesmas condições atuais até que uma geradora se instale na mesma praça ou poderão solicitar a transferência do canal para o Plano Básico de TV, isto é, poderão transformar-se em geradoras. E aí mora a grande distorção. Lembro que ambas não precisaram enfrentar a tramitação no Congresso (e atualmente os processos licitatórios) obrigatória para uma concessão comercial, pois as permissões foram dadas pelo Ministério das Comunicações. A maioria das RTVs educativas está instalada em regiões de alta densidade populacional, onde já existem emissoras comerciais. Como a legislação aplicável aos serviços de radiodifusão educativa não prevê o lançamento de editais para a concessão dos canais, os atuais permissionários ganharão sem concorrência a freqüência que ocupam no espectro. As microgeradoras, que reconhecidamente prestam serviços à comunidade, correm o risco de perder o canal e os investimentos realizados no caso de solicitarem sua transferência para executar os serviços de geração, pois deverão sujeitar-se ao processo de licitação. A legislação da radiodifusão brasileira está tão defasada da realidade que continua dando margem à possibilidade de politicagem no setor. É inadmissível que às vésperas da digitalização da TV brasileira canais de TV ainda sejam usados como moeda. O desrespeito às normas e procedimentos é público, notório e veiculado. E, como diz o velho ditado: “O pior cego é aquele que não quer ver”.

Edylita Falgetano AGENDA

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SEM EXCEÇÃO

NEGÓCIO.com Pedro Roza, Roberto Pinheiro e Simone Lahourge foram os coordenadores da negociação do portal Globo.com com a Telecom Itália, que passa a deter 30% do negócio, a partir de um investimento de US$ 810 milhões. O acordo tem basicamente dois objetivos: estender o portal para outros países da América Latina onde a Telecom Itália está presente e desenvolver conteúdo de Internet para serviços de telefonia móvel, via WAP. Os planos prevêem ainda a inclusão de mais parceiros no provimento desses serviços nos diferentes países. Segundo Marluce Dias, “a Telecom Itália foi escolhida como parceira porque tem uma equipe nova, com a qual temos uma identidade de princípios, que não são oportunistas. Temos a crença de que é necessário preservar e respeitar à cultura local”. Ela mencionou também o aporte tecnológico da operadora e, claro, o aporte financeiro. 

VERSÕES DO DIVÓRCIO A versão pública é que a CNT e a Gazeta, depois de cinco anos de casamento, não renovaram contrato devido a uma disputa pelas praças do interior do Estado de São Paulo. A história é confirmada pelas duas assessorias de comunicação. A CNT, de olho em Americana e Campinas, teria incomodado os planos da Gazeta de se expandir para o interior e de fincar bandeira em 58 praças até o fim deste ano. Foto: Divulgação

Luiz Cassio Godoy andou refletindo sobre Internet e a revolução tecnológica que ela trouxe e lembrou-se do seguinte comentário: “Nossa única constante é a mudança”. Considerando que essa frase não permite exceções, concluiu que era chegada a hora de mudar. Luiz Cassio Godoy E mudou. Após vários anos de SGI, Godoy juntou-se ao time da Informix Brasil na função de gerente da Unidade de Negócios da área de Media & Internet.

A Gazeta, nos últimos 12 meses, já fechou contrato com 20 retransmissoras de UHF do Estado de São Paulo, entre elas Amparo, Araçatuba, Araras, Bauru, Barretos, Jundiaí, Jaú, Marília, Ourinhos e Guarujá. Elas estão nas contas da empresa, que se prepara para investir R$ 20 milhões, também na aquisição de novos equipamentos e na contratação de parte do elenco do horário nobre da antiga parceira. A CNT também prepara investimentos em equipamentos e pessoal. Inaugura um prédio com o nome do patrono Oscar Martinez, compra 30 novas câmeras digitais da JVC, equipamento de cenário virtual e escolhe um teatro na capital paulista para alugar ou adquirir. A CNT confirma a versão de que é interesse estratégico da empresa ter suas próprias praças no interior de São Paulo. Não se afeta com a perda da capital, porque já está politicamente acertado em Brasília que a família Martinez vai ter a concessão de um canal de retransmissão em UHF para cobrir a cidade de São Paulo. Mas a versão mais contundente não é assumida oficialmente: o contrato que dava à Gazeta 40% do bolo publicitário veiculado nos breaks nacionais da emissora não incluía as inserções de publicidade governamental, como Petrobrás, Ministério da Saúde etc. A Gazeta fez as contas e percebeu que ganharia mais dinheiro se veiculasse sozinha as peças publicitárias de Brasília.

JÚRI PROFISSIONAL Cinqüenta e nove profissionais das áreas de criação, direção de comerciais, entidades, escolas de comunicação e representantes da Rede Globo (apenas três com direito a voto), reuniram-se nos dias 29 e 30 de maio para julgar os 1.746 comerciais, correspondentes a 1.237 inscrições recebidas para o 22º Profissionais do Ano, prêmio oferecido pela Rede Globo aos melhores comerciais veiculados pela emissora e suas afiliadas. Para garantir a imparcialidade no julgamento, os participantes são sorteados na véspera para integrar as sete categorias que compõem o prêmio. Os classificados e as datas das solenidades de entrega dos prêmios podem ser conferidos no site www.telaviva.com.br.

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INTEGRAÇÃO

RESPONSABILIDADE TOTAL

Foto: Divulgação

Uma nova produtora de filmes e vídeos chega a Brasília. Instalada numa área de Depois de trabalharem na produção As duas empresas dividem o mesmo 1,5 mil m2, a de alguns dos melhores longasespaço e Cortez abriu as portas do M2 Filmes conta metragens da nova safra do cinema documentário para a dupla, que só ainda com uma estação gráfica nacional, como “Castelo-Rá-Timtinha trabalhado em ficção. O projeto para finalização. Bum, o filme”, “Kenoma” e “Os conjunto é um documentário sobre o O diretor matadores”, os irmãos Caio e Fabiano dramaturgo santista Plínio Marcos. José Paiva; Gullane decidiram encarar a produção a publicitária Outro motivo para a abertura da de filmes por conta própria. Para Marli Mafalda, produtora foi a viabilização do isso, abriram a Gullane Filmes, que diretora e projeto do coração dos irmãos José, Marli e Carlos também começou suas atividades produzindo Gullane. Depois de viajarem responsável pelo o longa “Bicho de 7 cabeças”, de Laís juntos por quase todos os parques atendimento; e o engenheiro Carlos Bodanzky, que está sendo finalizado Fauro estão se entregando de corpo nacionais do Brasil, decidiram na Itália, em co-produção com a e alma ao novo empreendimento. criar uma série de documentários Fabrica, estúdio da Benetton. “Estamos desenvolvendo soluções batizados de “Expedição nacional”, rápidas para colaborar e ajudar no Além de fecharem parcerias como a da com cerca de 15 episódios para enriquecimento dos roteiros para as Benetton, também trabalharam com agências, que geralmente trabalham TV - sobre a situação do meio contra o tempo”, diz Paiva. a Dezenove Filmes, de Sara Silveira ambiente brasileiro, confrontando e Carlos Reichenbach, e conseguiram as propostas de organizações captar recursos suficientes para a não-governamentais com as do produção, filmagem e finalização do governo. “Pretendemos percorrer filme. O orçamento aprovado nas leis de todos os estados promovendo EQUIPE DA PESADA incentivo ainda permite captar mais R$ debates sobre a questão, com 400 mil, que serão dedicados apenas à As equipes de arte das novelas da uma equipe formada de cientistas Rede Globo estão sempre sendo divulgação e distribuição do filme. e mapear os problemas e as solicitadas para as pesquisas mais soluções possíveis, dentro do complicadas. A equipe de “Uga A Gullane Filmes também fechou uga”, nova novela das sete, teve de conceito de desenvolvimento parceria com o Birô de Criação, de se esmerar na pesquisa indígena sustentável”, explica Caio. Debora Iwanov e Carlos Cortez. para compor a tribo fictícia onde vive o personagem Tapuapú, interpretado por Claudio Heinrich, e os personagens da novela. A figurinista Marília Carneiro foi SANGUE NOVO a responsável pelo visual do O Itaú Cultural lançou em maio os cinco documentários resultantes personagem, que vive um branco da premiação a novos diretores feita no ano passado. Um dos destaques perdido em uma aldeia indígena. do programa é o vídeo “Tom Zé ou quem irá colocar uma dinamite na A pesquisadora Cristina Médicis cabeça do século?”, da diretora Carla Gallo. Todos os diretores têm coletou dados sobre cerimônias até 25 anos e foram premiados no programa Rumos Cinema e Vídeo e os gestuais indígenas, ensinado Apoio à Produção Audiovisual. aos personagens. E o diretor de arte Mário Monteiro criou uma Também fizeram parte da mostra os trabalhos “A soltura do louco”, de gruta subterrânea que dá acesso à Bernardo de Castro; “Cinema em casa”, de Marcos Toledo; “Filme da família”, aldeia, garantindo, dentro da linha de Maya Pinsky; e “Cemitério de elefantes”, do diretor Rodrigo Lorenzotti. de dramaturgia proposta, a maior proximidade com o real. TELA VIVA junho DE 2000




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bom papel

Foto: Marcelo Rudini

A diretora de RTVC do Grupo Talent, Maria Hermínia Weinstock, SEGUNDO, NÃO que já realizou 63 filmes desde janeiro deste ano, teve um papel Os resultados positivos do Ibope obtidos pelos filmes exibidos no SBT motivaram fundamental na campanha da a emissora a deixar de lado o slogan “campeão do segundo lugar”. Como bateu Intelig: a trilha. A música “Imagine”, a Globo em várias oportunidades, o SBT partiu para uma campanha publicitária de John Lennon, foi crucial para mais agressiva, mudando seu slogan para “SBT. Na nossa frente só você”. a nova série de filmes de 60 e 30 segundos produzida pela O2 com A criação da campanha está a cargo da CaliaAssumpção. direção de Fernando Meirelles. Até Mas de acordo com o Comparativo de Audiência por Faixa Horária, do Ibope, a hoje apenas dois países - França e Japão - tinham conseguido Globo aumentou sua audiência em relação ao ano passado: negociar os direitos autorais da famosa obra. “Todo De segunda a domingo De segunda à sexta o processo demorou dez dias”, conta Maria Hermínia. das 18 às 24h das 18 às 24h “Todas as imagens e arranjos precisavam ser Globo SBT Globo SBT aprovados pelo advogado, Abril 1999 30 18 29 16 antes de assinar o contrato. Maria Hermínia Weinstock Enviávamos tudo, via Abril 2000 31 17 32 17 Internet, para o escritório da EMI-Odeon, em Nova York, que carregava tudo num laptop e levava FESTA NO INTERIOR para o escritório do advogado de Yoko Ono, até conseguirmos a EXIBIÇÃO aprovação final.” ganhou da APP a sua

INVESTIDA A Publicis.Norton contratou um novo gerente geral para seu escritório de São Paulo. Izael Sinem Jr. vem com o objetivo de imprimir uma nova dinâmica à maior filial brasileira da agência. Izael será responsável pela coordenação de todas as contas da Publicis em São Paulo. O vicepresidente de operações Ricardo Alonso, que acumulava o escritório de São Paulo com a coordenação das filiais brasileiras, concentra-se agora no Brasil. A coordenação da América Latina fica a cargo do fundador da agência no Brasil, Geraldo Alonso Filho. Além de Izael, a agência também amplia seu board de criadores. Foram contratados Ricardo Furriel e Luiz Pauleto para formar uma nova dupla de criação. 

A Associação dos Profissionais de Propaganda de Ribeirão Preto (SP) realizou o VI Festival do Vídeo Publicitário do Interior de São Paulo e de Minas Gerais. O Fest Vídeo 2000 contou com 156 peças inscritas nas categorias Varejo, Institucional, Serviços comunitários/ utilidade pública e Campanhas. O vencedor do Grand Prix, prêmio outorgado pelo júri ao vídeo que somou o maior número de pontos entre todas as categorias concorrentes,

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inscrição no Festival Internacional de Cannes 2000. A solenidade de premiação aconteceu no Teatro Pedro II, em Ribeirão Preto, no dia 16 de maio. O Troféu Francisco Góes, o Grand Prix do Fest Vídeo 2000, ficou com a ABC Propaganda. O comercial “Futuro”, para a CTBC Telecom, foi produzido pela Close Comunicação. A relação completa dos vencedores pode ser conferida no site www. telaviva.com.br.

CASADA

O curta-metragem “Três minutos”, de Ana Luíza Azevedo, será exibido em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte juntamente com o longa “Através da janela”, de Tata Amaral. O curta, premiado no Festival de Brasília do ano passado, foi um dos selecionados para o Festival de Cinema de Cannes. A produção de “Três minutos” é da Casa de Cinema, de Porto Alegre.


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Após desligar-se da sociedade da Hangar Filmes, Sérgio Cuevas dá continuidade à sua carreira na S Filmes. A nova produtora está instalada no Jardim Marajoara, em São Paulo, numa área de 2,5 mil m2. Toda a sua equipe de produção conta com um estúdio de 1,75 mil m2, equipamento Avid off line, Sérgio central técnica, equipamento de luz e maquinária. Além do departamento de pesquisa, está sendo implantado um departamento de casting. No repertório desta nova fase de Cuevas já constam trabalhos para o Banco Itaú (DPZ), Volkswagen (AlmapBBDO), Skol (F/Nazca), Banco Real ABN AMRO (Lew Lara), entre outros.

NOVO DIRETOR, nova casa Um novo diretor veio integrar a estrutura da Cia. de Cinema, que desde o início do ano também está buscando novas frentes de atuação com a criação da divisão &Cia. Cláudio Borrelli atuava em Curitiba, onde tinha sua própria produtora, e no ano passado mudou-se para São Paulo para trabalhar na Virtual Filmes. O diretor é formado pela UCLA e estará ao lado de Rodolfo Vanni e Jeff Chies na carteira de clientes da casa. A divisão &Cia pretende atingir novos segmentos do mercado publicitário, adaptando-se às necessidades do cliente. A produtora cria equipe e estrutura proporcional a cada trabalho, mantendo a qualidade com os recursos necessários a cada job. 

Foto: Marcelo Rudini

REPERTÓRIO NOVO

HOSPEDARIA

A Módulos está operando um novo serviço para streaming de vídeo na Internet: hospedagem de vídeos. Através do site WebMovie (www.webmovie.com.br), os produtores independentes poderão contar gratuitamente com as mais recentes tecnologias de mídia digital para a exibição de seus trabalhos. Os vídeos podem ser vistos em vários tamanhos e em diferentes velocidades de conexão Cuevas (de 28 kbps a high speed). O objetivo do site é ajudar a criar um espaço virtual para mostrar novas linguagens, artistas e meios e, no futuro, realizar festivais online.

pós-nab A Video Systems, distribuidora da Àccom , já está vendendo o novo editor Affinity, lançado no fim de 1999 e mostrado na última NAB, um editor não-linear que trabalha com plataforma aberta, no formato Quicktime, suporta até cinco streams de vídeo não-comprimido ou comprimido simultâneos e gera efeitos em tempo real e pode compor até 100 layers de vídeo em um único passo. Na área de servidores de vídeo, a Àccom tem o Abekas 6000 para operações broadcast on-air com capacidade de upgrade para formato HDTV, entre outros recursos.

ENQUADRADOS Após passar cinco anos viajando e filmando no exterior, a diretora Flávia Moraes está de volta ao Brasil trazendo novidades para sua produtora, a Film Planet, com unidades em São Paulo, Buenos Aires e Los Angeles. A produtora apresentou seu quadro de profissionais. Entre os novos diretores estão o gaúcho Alvaro Beck e Gabriela Greeb, que volta ao Brasil após trabalhar por oito anos em Paris. Baseados em Los Angeles estão Doug Davis, Jacques Rey, Ward Russel e a brasileira Claudia Alberdi. Em Buenos Aires estão Francisco Torres e Rodolfo Paglieri. O diretor de atendimento José Augusto Souza e o diretor de marketing Junior Thonon são os responsáveis por mostrar a nova cara da produtora para os clientes.

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COMPUTAÇÃO NO CINEMA A produtora de computação gráfica Twister, do Rio de Janeiro, assinou os efeitos especiais do filme “Villa-Lobos”, de Zelito Vianna. Menos para criar elementos externos ou fantásticos e mais para resolver problemas de produção e viabilizar idéias, foram usados recursos bastante interessantes. O trabalho foi dirigido por Sergio Schmid e a produtora também criou o site do filme (www. villalobos-ofilme.com.br), que conta um pouco da história do compositor e traz o making of de várias cenas do longa.


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ENCONTRO DAS ALTURAS A parceria entre os documentaristas Wiland Pinsdorf e Marcelo Miyao e o geógrafo Lorenzo Bagini pretende comprovar que o Pico das Agulhas Negras não é o ponto mais alto da Serra da Mantiqueira. A tese será demonstrada no documentário “A serra esquecida”, produzido pela V Filmes, que pertence aos dois documentaristas. A partir da experiência de Marcelo com alpinismo, a dupla da V Filmes decidiu escalar a Pedra da Mina, buscando indícios da tese que defendiam. Bagini, estudioso do assunto desde 1993, procurava parceiros para medir o pico e confirmar a mesma hipótese. A quase 2,8 mil metros de altitude, começava uma parceria. A partir da medição, ficou provado que a Pedra da Mina é mais alta do que o Pico das Agulhas Negras, que passou a ocupar a posição de quinto mais alto do Brasil.

NEGÓCIO FECHADO A Sony fechou um contrato no valor de US$ 2 milhões com a Rede Globo para a venda dos sistemas IMX. Os gravadores MPEG IMX são baseados em MPEG-2 4:2:2 P@ML e operam a 50 Mbps. Esses gravadores são compatíveis com os formatos Betacam, Betacam SP, Digital Betacam e Betacam SX. Além disso com um plug-in conversor de formato opcional será possível trabalhar com saídas em 1080I, 720P e 480P, fazendo a conversão de SDTV para HDTV. A RBS também fechou negócio com a empresa japonesa para a compra de sistema para jornalismo em Betacam SX com edição em MPEG. Além disso a rede de emissoras afiliadas à Globo no sul do país está montando uma nova unidade móvel com switchers e câmeras da Sony.

FAMÍLIA AVENTURA

Acompanhado da família em alto mar desde 22 de novembro de 1997, o cineasta David Schürmann foi o responsável pela captação de imagens no projeto Magalhães Global Adventure. O projeto, que durou até maio, inclui um web site, uma série de programas televisivos (veículados no “Fantástico” pela Rede Globo), três livros e um documentário, que deve ser lançado no primeiro semestre de 2001. Apesar Os dois filmes das canetas das dificuldades de Compactor foram dirigidos por armazenamento Clovis Aidar e têm fotografia de Ricardo Della Rosa. A devido à variação de campanha criada pela Staff temperatura e ao Propaganda, do Rio de Janeiro, excesso de umidade, foi produzida pela Mr. Magoo. o cineasta da No primeiro, um guarda aparece família Schürmann para multar o motorista de um escolheu usar BMW. Quando vai preencher o Família Schürmann película na captação talão, a caneta cai de ponta no chão e continua escrevendo. No das imagens. Com segundo entra em cena um técnico, o apoio da Kodak, David usou os de jaleco branco, e se aproxima filmes da linha Vision 7245, 7246 de um BMW. Tira uma caneta e 7279 e contou com um freezer Compactor do bolso e risca o carro especial na embarcação para manter de ponta a ponta. Mesmo assim, a os negativos a -22ºC. caneta continua escrevendo... Foto: Divulgação

RISCO TOTAL

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COTOVELITE HIGH-TECH A guerra entre os provedores gratuitos de Internet vai movimentando o mercado de produção. Vale tudo: até apelar para “Eu não sou cachorro não”, música do rei da dor-de-cotovelo Waldick Soriano, para alfinetar a concorrência. Numa alusão ao mascote do provedor IG, a Bol usa o sucesso dos anos 70 em seu filme, criado pela W/Brasil e produzido pela JX Filmes, com direção de Julio Xavier e fotografia de Walter Carvalho.

TUDO NOVO O Departamento de Jornalismo da Rede Record em São Paulo está sendo totalmente remodelado tecnicamente. Para atualizar o parque de equipamentos e dar mais agilidade à produção das matérias, a emissora sediada no bairro da Barra Funda, na Zona Oeste, acabou de adquirir da Philips 28 VTs e 16 camcorders DVCPRO50.


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C APA Samuel Possebon

A TV QUE NÃO SERÁ MAIS (só) TV A tecnologia digital vai disponibilizar aos broadcasters a exploração de diversos serviços de telecomunicações. As grandes redes ainda não têm projetos definidos, mas estudam como agradar seu telespectador não só com programas, oferecendo serviços que possam pagar a conta da transição digital.

O discurso oficial das redes de televisão para não recomendarem a adoção de padrões de TV digital que usem a modulação 8-VSB tem sido basicamente a impossibilidade de garantir bons níveis de recepção do sinal em todos os lugares. É um argumento mais do que razoável para se optar por algum padrão que trabalhe com modulação COFDM. Mas e se, de quebra, esta escolha garantisse não só qualidade do sinal como a sua recepção móvel, a transmissão de dados (sejam eles para vídeo ou para qualquer outra coisa) em sistemas móveis etc? Pois é nisso que está se pensando, no Brasil e no mundo. Esse foi o argumento que pesou pela recomendação à Anatel, por parte do Grupo Abert/SET, da modulação COFDM e, mais ainda, pelo padrão japonês ISDB-T. “Mobilidade” e 12

“novas aplicações” são palavras que estão na conclusão dos relatórios. E são palavras que remetem a uma TV com uma cara diferente. Telecomunicações e TV estão se misturando cada vez mais, e uma hora o produto oferecido pelos broadcasters também vai mudar. Ou será mesmo que a Telecom Italia colocou US$ 810 milhões para ficar amarrada à Globo apenas em um terço de um portal como o Globo.com? A TV aberta, como a conhecemos hoje, certamente não será a mesma TV do futuro. E se não for mais a mesma, muda o business dos broadcasters, muda a relação com as afiliadas e muda o jogo de força dos grupos de mídia. Vale olhar para os Estados Unidos. Por lá, nomes como iBlast,

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Broadcasting Digital Cooperative, Geocast, iBeam e WaveXPress estão levando os broadcasters para a praia das telecomunicações. O nome do jogo para esses grupos é datacasting, ou seja, transmissão de dados através do espectro que foi designado pelo governo para as transmissões de TV digital. O iBlast é um grupo que surgiu em março deste ano e já congrega 140 broadcasters nos EUA. Cada um deles cederá uma faixa do seu espectro que permitirá a transmissão de 2 Mbps a 6 Mbps de dados para formar uma rede de distribuição que chega a mais de 85% dos lares norte-americanos. William Kennard, presidente da Federal Communication Commission, FCC, gosta da idéia e tem dado declarações favoráveis à iniciativa, que deve gerar frutos a partir de 2001, quando as transmissões começam para valer. A Broadcasting Digital Cooperate quer, além de oferecer aos seus associados uma solução de acesso wireless broadband, também atuar como uma carrier, uma “transportadora de sinais”, sublocando freqüências para outras empresas de telecomunicações. Não é uma idéia nova. Empresas como a Databroadcast fazem isso de forma analógica utilizando o intervalo vertical, o que dá uma velocidade de até 700 kbps.

20 Mbps Os 6 MHz adicionais da TV digital permitem uma transmissão de até cerca de 20 Mbps. É claro que isso precisa ser compartilhado entre todos os serviços. Se for uma transmissão em HDTV com a compressão que se consegue hoje, toda a banda é consumida para o sinal de TV. Mas se a opção comercial das emissoras for por transmissões multicanalizadas,


dá para transmitir uns dois ou três adquirem televisores motivados pelo canais digitais e deixar o resto do apelo tecnológico. Mas quando a espaço para o datacasting. Com pergunta é o que será agregado ao possibilidade de recepção móvel receptor, a resposta coincide com (leia-se, possibilidades do COFDM), a dos broadcasters: “Depende da as oportunidades de negócio tornamdecisão da Anatel”. Não há plano de se mais variadas. negócios definido, mas a Eletros tem E essa é a questão que passará a ser um lema: “sempre pelo mercado e estudada pelos broadcasters assim não pela tecnologia”. que a Anatel definir o padrão de Qualquer empresa hoje suportaria TV digital e lançar o cronograma. os custos da mudança para a Os executivos das grandes transmissão digital, pois basta redes brasileiras têm muito mais trocar o transmissor (ou apenas o perguntas que respostas a oferecer modulador) e a antena. O grosso do no momento. Ao que tudo indica investimento está nos equipamentos ainda não existe qualquer tipo de de captação e edição, na adaptação planejamento devido às incertezas de estúdios e na formação de do que será ou não permitido profissionais que produzirão os oferecer ao público pela faixa do programas para HDTV. espectro destinada à radiodifusão. Mas quem vai pagar a conta? A TV “Faremos o que o telespectador poderá disseminar a penetração quiser”, é somente o que se ouve nos da Internet? O e-commerce ainda corredores (e nas salas da diretoria) será gancho quando começarem as da Globo e da Record. transmissões? Será que o mercado Os direitos de transmissão também publicitário estará disposto a pagar serão trunfos que as redes terão mais simplesmente para que os na hora das transmissões em alta comerciais cheguem de forma digital, definição. Esportes e filmes são os com som de CD e imagens em alta típicos programas que merecerão definição aos assinantes? a atenção dos sinais em hi-def. A corrida pela compra desses direitos teleatividades tem sua lógica. Por que só agora o SBT resolveu gastar Onde a HDTV US$ 200 milhões, já existe (EUA), em cinco anos, na há de fato para saber mais compra dos direitos mais dinheiro www.atsc.org de exibição de entrando no www.databroadcast.com filmes? bolo da TV, mas www.digitaltelevision.com A Associação são marcas que www.cemacity.org/digital/ Nacional dos querem anunciar www.nab.org Fabricantes para gente que www.fcc.gov/dtv/ de Produtos comprou um www.dvb.org Eletroeletrônicos receptor de US$ www.teleport.com/~samc/hdtv/ - Eletros - estima 5 mil de HDTV. www.iblast.com que há uma Jaguar, Rolex www.ibeam.com predisposição para e companhia, a aquisição de empresas que não www.intercast.org um televisor ou tinham porque www.geocast.com conversor digital em anunciar na TV www.abert.org.br cerca de sete milhões www.set.com.br analógica e que, de lares brasileiros, por enquanto, www.anatel.gov.br a médio prazo. Uma têm na TV digital www.telaviva.com.br pesquisa realizada a chance de pelos fabricantes do segmentar o seu setor de eletroeletrônicos aponta que público. Afinal, só os ricos têm 75% dos consumidores brasileiros HDTV hoje.

No Brasil, será necessário buscar alguma outra forma de viabilizar o negócio. A TV Globo controla mais de 50% da audiência nacional e tem para si mais de 78% da verba publicitária destinada à televisão. O grupo sempre quis ir para a área de telecomunicações. Tentou participar do processo de privatização da Telebrás ao lado da AT&T e já é sócia da Telecom Italia (a mesma dos US$ 810 milhões por um terço de um site), na operadora de celular Maxitel. Há ainda o fator Globo Cabo, do mesmo grupo, que é dona da Vicom, uma grande empresa no setor de transmissão de dados corporativos. Mas o verdadeiro ativo não está na vontade de ir para telecomunicações ou na Vicom. Está no próprio sinal que leva o “Jornal Nacional” todas as noites. A cobertura desse sinal é superior à cobertura de todas as teles celulares somadas. Para se ter uma idéia, descontadas as parabólicas, 4,7 mil municípios brasileiros têm Globo, o que dá cerca de 157 milhões de habitantes ou 38,37 milhões de lares. Isso representa cerca de 97% do IPC (índice potencial de consumo) brasileiro. As outras emissoras também têm índices muito expressivos de penetração, chegando a praticamente todos os lares com algum poder de compra. A Rede Record atinge 117,83 milhões de brasileiros, ou aproximadamente 37 milhões de domicílios com TV, e o IPC é de 80%. Nenhuma das grandes redes brasileiras está disponível em menos do que 80% dos lares no país. A TIW, que participa do maior número de operações celulares no país, cobre uma área com pouco mais de 50 milhões de habitantes. A

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Portugal Telecom, com a sua Telesp do com a PBS. Celular, cobre 35 milhões de pesDurante a NAB de 1995 soas. A Telefônica Celular, no Rio, Rio os broadcasters norteGrande do Sul e Espírito Santo, americanos acordaram tem como mercado potencial total para a possibilidade de 27 milhões de pessoas. usar o sinal de TV digital Isso não quer dizer que a Globo vá para fazer outras coisas além poder fazer telefonia celular pelo seu de HDTV. Falava-se em transespectro de TV digital (até porque mitir vários canais, sinal de fax etc. Não há o problema do retorno do sinal), tocaram o projeto em frente, entre outmas dimensiona bem a quantidade ros motivos, porque o Congresso nortede gente que poderia estar recebendo americano ameaçou cobrar pela faixa algo mais do que TV. Mas vale lembrar de espectro adicional de 6 MHz que que um dos termos do contrato com estava sendo dada a esses broadcasters. a Telecom Italia para a sua entrada na Esse problema deve voltar a ser repetir se Globo.com foi o desenvolvimento de os broadcasters quiserem fazer transtecnologia e conteúdo para Internet missão de dados. Os broadcasters wireless. Quem já viu um celular com ficaram então com a WAP (Wireless Application Protocol) promessa da HDTV, sem sabe que o negócio não está exatamente variar muito o discurso. ali, pois os recursos oferecidos são Então a Sinclair descobriu que o padrão primitivos. O negócio está em treinar o escolhido (ATSC) e a sua modulausuário para fazer outras coisas além de ção eram ruins para receber o sinal falar com o celular. O TAMANHO DAS REDES WIRELESS via pc Empresa

População na área de

prestação de serviço Nos EUA, as grandes redes de TV TV Globo (emissoras próprias) 40 milhões ainda não se mexeram para a posTV Globo + afiliadas 157 milhões sibilidade. Nenhuma delas (CBS, Fox, NBC ou ABC) participa do iBlast ou Rede Record 117,8 milhões qualquer um destes grupos. Analistas TIW (celular) 55,2 milhões acreditam que elas estejam esperando Telefônica Celular 27 milhões o fim do jogo de fusões que toma Portugal Telecom 35 milhões conta da nova economia norte-americana para saber onde e quando se Fonte: Atlas de Cobertura da TV Globo 1999, posicionar no novo negócio. IBGE, Anatel e empresas celulares. Por outro lado, a rede pública de TV PBS está investindo US$ 1,7 em ambientes fechados (a mesma bilhão para ter sua rede, que atinge constatação dos testes brasileiros). 85% dos lares americanos, pronta para Curiosamente, nos argumentos para a transmissão digital. Para bancar isso, tentar derrubar o padrão, a Sinclair volta estabeleceu parceria com a Intel para desenvolver outros serviços sobre essas com o discurso dos broadcasters em 95: para ficar mais competitiva, a TV redes. Além dos custos de transmissoprecisa de novas possibilidades. Agora res e antenas (algo em torno de US$ 1 milhão por ponto de transmissão), há a a coisa está mais fácil, já que os 6 MHz necessidade de reaparelhagem da parte para a transição digital já estão garantidos sem ônus, pelo menos por lá. de produção, que precisa estar pronta Informalmente, broadcasters brasileiros para gerar o sinal em alta definição. têm comentado a questão ainda em Deve-se lembrar de um detalhe tom especulativo, já que não se tem importante. Atualmente, boa parte certeza sequer do padrão digital que a dos telespectadores dos canais de TV digital está recebendo os sinais via PCs. Anatel irá escolher. Em geral, reiteram que as emissoras têm como prioridade Eles compram uma placa de vídeo de o negócio de TV. Mas sabem que o US$ 300 e podem captar até sinais em mercado publicitário por si só não terá HDTV. Foi para esse público também condições de alimentar o grupo com que a Intel olhou ao fechar o seu acor14

TELA VIVA junho DE 2000

investimentos necessários à digitalização. Uma possibilidade para encarar estes desafios seria o capital externo. A quebra da proibição constitucional ao capital externo na TV aberta (Artigo 222) certamente colocaria a emissora da família Marinho no primeiro lugar da fila de reuniões por parte dos grupos estrangeiros. Outra possibilidade é vender um terço de um portal como o Globo. com por US$ 810 milhões, sem precisar mudar a Constituição.

complementação As redes wireless das TVs podem passar a complementar redes de TV a cabo, por exemplo. A Globo é quase sempre o canal de maior audiência para a Globo Cabo, segundo todas as (poucas) pesquisas existentes. Seria natural, por exemplo, se uma experiência de TV interativa começasse entre as duas empresas. A operadora de cabo aproveitaria a sua sinergia com a TV Globo para fazer o canal de retorno (upstream) dos serviços de datacast da emissora. Esta é, nos EUA, a proposta da Geocast: estabelecer parcerias com provedores de redes xDSL ou cable modem para o upstream dos dados transmitidos pelos sinais dos broadcasters. Mas quando broadcasters tentam mudar de negócio, nem sempre as coisas dão certo. A Globo, por exemplo, não conseguiu se expandir no mundo das telecomunicações durante a privatização. Ficou apenas no mercado de celular, e mesmo assim vendeu parte das participações. E há ainda o projeto SBT Online, em que a emissora planejava fazer de sua rede de afiliadas também uma rede de provedores de acesso à Internet. O projeto ficou muito longe dos objetivos, entre outros fatores pela dificuldade de convencer (ou financiar) os donos das afiliadas desta nova oportunidade de negócio. Essa experiência mostra, portanto, que não dá para planejar muito sem levar em conta que boa parte da grande penetração que as redes de TV têm hoje é garantida graças aos parceiros locais, as afiliadas. E esse é um ponto que com certeza precisará ser revisto caso o negócio de TV deixe de ser só TV. Afinal, quando os contratos de afiliação foram feitos ninguém falava em datacasting ou TV digital.


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Telejornalismo: o dia-a-dia do mundo Mônica Teixeira*

O mundo inteiro chega à sua sala a todo instante. Moreira entra no ar e o Os bastidores de um “Jornal Nacional” vira telejornal de meia hora ponto de referência nos são um espetáculo de domicílios brasileiros. A tecnologia que envolve Rede Globo revolucionou transmissões ao vivo via o telejornalismo nacional satélite, imagens aéreas, com a transmissão em links de todos os cantos rede do noticiário para do país e do mundo, todo o país. Naquela informações que viajam época, Hilton Gomes em velocidade máxima. era o companheiro de E pensar que tudo isso Cid Moreira. Hoje, sob começou no Brasil o comando de Fátima há apenas 50 anos. Bernardes e William O primeiro telejornal Bonner, o “Jornal brasileiro estreou no dia Nacional”, ainda mantém seguinte às festividades a liderança de audiência. da inauguração da Mesmo sob a pressão TV Tupi de São Paulo do regime militar, (18/09/50). O pioneiro o telejornalismo Além das dificuldades técnicas, as notícias na TV tiveram de “Imagens do dia” continuou sua trajetória era apresentado por e nos anos 70 os driblar a interferência do anunciante e a censura do regime militar Maurício Loureiro Gama noticiários em rede até chegar ao telejornalismo online dos dias atuais. (leia box). conquistavam cada vez A Isnard foi o primeiro mais espaço. Em 72, patrocinador do programa Murillo Antunes Alves levado ao ar tinha que ser aprovado telejornalístico (1950) começou a comandar previamente pelo representante do produzido e apresentado por Rui o “Tempo de notícias”, na Record patrocinador. Quando Armando Rezende, que anos mais tarde de São Paulo. Além das notícias, Nogueira foi contratado pela TV seria o primeiro repórter Esso havia espaço para debates e Globo, o cenário do “Ultra notícias” da TV. O “Repórter Esso” entrou comentários. O programa mudou tinha um imenso botijão com a no ar em 17/06/53 adaptando de nome, passou a ser chamado logomarca da Ultragás, e nas mesas para a TV o grande sucesso do de “Record em notícias”, mas dos apresentadores Hilton Gomes radiojornal veiculado pela Rádio o apresentador foi o mesmo Nacional. Ele era produzido e Irene Ravache as miniaturas do durante 24 anos. pela UPI, sob o controle de uma produto do patrocinador. Com A cobertura dos comícios agência de publicidade que tinha a ajuda de Walter Clark, então das Diretas Já marca a história a responsabilidade de entregar o diretor da emissora, ele conseguiu do telejornalismo. A ruptura principal jornal pronto. A TV Tupi limitava-se eliminar o merchandising ostensivo se deu na Globo que ignorou a a colocá-lo no ar. A agência usava e comprometedor para uma época campanha das Diretas muito mais material internacional, em que o telejornalismo ainda não Já em seus noticiários. Com a queda filmes importados da UPI e da CBS tinha credibilidade, bem como a da censura oficial nos (agências fornecedoras de serviços intromissão do anunciante no script. órgãos de comunicação, os de filmes), do que nacional. Os brasileiros puderam ver o homem noticiários de TV chegam ao Na cola da testemunha ocular da por os pés na Lua em julho de 69, seu formato atual, com espaço ao vivo e em preto e branco, num história, dois outros telejornais para o jornalismo investigativo oferecimento especial da Esso. invadiam as telinhas: “Mappin e o jornalismo denúncia. Em 01/09/69 o “boa noite” de Cid movietone” e “Ultra notícias”. O texto 16

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Meio século pode parecer muito, mas quem começou a fazer televisão com os primeiros aparelhos de TV que chegaram nessas terras não podia sonhar que aquela caixa de imagens, mágica e desconhecida, poderia em 50 anos se sofisticar e se modernizar tanto.

a era do filme Reynaldo Cabrera participou de 45 desses 50 anos de TV. Começou como laboratorista, revelando filmes na TV Tupi que ficava na Rua 7 de Abril, na sede dos Diários Associados. “O resultado final do produto não era muito fiel, mas o que importava era o imediatismo”, assume o laboratorista. Mas foi como repórter cinematográfico que Cabrera deu sua maior contribuição à história do telejornalismo. Em 62, Cabrera foi para a TV Excelsior, onde começou a desempenhar a nova função. Participou de um telejornal chamado “A manhã do mundo”, que apesar da pretensão do nome tinha mesmo a intenção de brigar com o “Repórter Esso”, sucesso na TV Tupi. Depois, foi para a Bandeirantes e para a Globo, onde se aposentou em 99. “Naquela época, você sabia do produto final só uma hora depois de voltar para a emissora”, recorda Cabrera. “Perderam-se muitas matérias por problemas no equipamento.” As câmeras usadas na época eram de dois tipos: uma só para registrar imagens, a BH, conhecida como “mudinha”, e a Aurikon que fazia os registros sonoros. “O uso desta câmera era parcimonioso porque elas eram poucas. Eram oito cinegrafistas e havia, quando muito, dois equipamentos sonoros”, conta Cabrera. “Muitas vezes, nós saíamos com a mudinha e voltávamos para a TV com imagens e dados suficientes para que o redator fechasse o texto.” Por isso, eram chamados de repórteres cinematográficos.

O primeiro jornalista a aparecer em frente às câmeras de TV no Brasil não foi um aventureiro tentando fazer jornalismo na televisão. Maurício Loureiro Gama, um dos cinco fundadores do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, trabalhou nos Diários Associados desde 1933, onde permaneceu por 38 anos escrevendo editoriais para o Diário de São Paulo e a coluna de crônicas “Ponto de vista” para o Diário da Noite, no qual chegou a ser um dos diretores. Consagrado como comentarista político, Loureiro Gama também escreveu crônicas para os jornais Correio Paulistano e A Hora. Para a Rádio Tupi, o veterano escrevia as crônicas do programa “Ponta de lança”, lidas por Homero Silva diariamente às 22h00. No dia 19 de setembro de 1950, Maurício Loureiro Gama apresentou ao público brasileiro o primeiro telejornal brasileiro, o “Imagens do dia”. O precursor dos telejornais era diário e, como ilustração para as reportagens, mostrava fotografias dos fatos mais marcantes. Na TV Tupi até 1970, época em que era âncora do “Titulares da notícia”, Loureiro Gama apresentou diversos programas jornalísticos na emissora, como o

o pioneiro

A resposta para a pergunta sobre a cobertura mais marcante da sua carreira vem sem dúvidas. “Foi o incêndio do Edifício Joelma, no dia primeiro de fevereiro de 1974.” Cabrera foi o primeiro a chegar, sozinho, munido de uma mudinha - que funcionava a corda - e uma Aurikon. “Eu filmei uma pessoa caindo do prédio e a imagem entrou no ‘Jornal Nacional’. A imagem era a repórter da matéria.” A era do filme produziu histórias muito boas, que o telespectador não viu. Elizeu Ferreira, atualmente cinegrafista da TV Cultura, lembrase de algumas delas. “Levávamos dois chassis com 200 pés de filme em cada um. Quando acabava, a

“Edição extra”, apresentado diariamente ao meio-dia e que tinha como repórter José Carlos de Moraes, o Tico-Tico; o “Resenha de jornais e revistas”, que era veiculado nas noites de domingo; e o “Diário de São Paulo na TV”, um programa diário apresentado às 23h00. Também na TV Tupi, criou o formato hoje usado no programa “Roda viva”, da TV Cultura, era o “Pinga fogo”, que foi ao ar no início da década de 60 com Loureiro Gama como âncora e uma equipe de jornalistas entrevistando personalidades culturais e políticas da época. Após sua saída da TV Tupi, Maurício Loureiro Gama foi para a TV Record, onde ficou até 1978, trabalhando no “Record em notícias”. Em 1985, após sete anos trabalhando na TV Bandeirantes, o primeiro âncora do Brasil aposentou-se da televisão. Hoje, ainda na ativa, Loureiro Gama é editor da revista “Problemas brasileiros”.

substituição de um rolo de filme por outro no chassi era feita no próprio local da matéria. levávamos um saco preto, com duas mangas e dois zíperes, que simulava uma câmara escura e trocava-se o filme ali dentro para não velar.” Mas nem sempre a operação dava certo. “Uma vez, o entrevistado parou a entrevista para perguntar se era normal a tampa do chassi ficar aberta”, conta e ri. Claro que não era normal e o filme velou.

imediatismo impossível Economizar era a palavra de ordem na época. O filme era caro, nem repórter, nem cinegrafista podiam se dar ao luxo de errar. “Cada

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minuto correspondia a 36 pés Hércules Breseghelo começou em de filme. Nós saíamos para a rua televisão em 1963. Era repórter com 100 pés por matéria, ou seja, do “Grande jornal falado”, da menos de três minutos”, lembra Tupi. Ele veio do rádio, assim Gloriete Gasparetto, repórter do como a maioria dos profissionais antigo “Panorama”, da TV Cultura, que trabalhava nos bastidores do um programa jornalístico diário novo veículo de comunicação. “A sobre artes e espetáculos. “Você linguagem da TV naquela época era tinha de editar na rua. Antes de bem parecida com a do rádio, era filmar uma entrevista, era preciso muito narrativa”, conta Breseghelo sentar e conversar muito com o com o vozeirão de locutor, foi entrevistado. Em algumas ocasiões, para a Globo, quando a empresa até ensaiávamos a entrevista para ter da família Marinho comprou a o controle de tempo”. O cinegrafista TV Paulista, contratado como também facilitava o trabalho do apresentador e editor-chefe de um montador. “Fazíamos muito plano jornal com notícias e entrevistas seqüência e pensávamos bastante em estúdio chamado “Revista da antes de fazer uma cena para não cidade”. “Não existia nada diferente gastar. Era um por um, tudo o que em termos de telejornal e com o fazíamos tinha intuito de inovar, de ir ao ar”, nós criamos lembra Ferreira. um jornal mais Para gravar o off, informal. A usava-se apenas ‘Revista da a banda sonora cidade’ deu de um filme origem ao Sem criatividade não se fazia velado. “Até 77, ‘Hoje’”, explica televisão. Exemplo máximo disso foi a os filmes eram Breseghelo. Ele brincadeira inventada por Reynaldo revelados num foi o primeiro Cabrera, que virou matéria num laboratório fora repórter da TV jornal da Bandeirantes. “Estávamos da TV Cultura. Globo em São voltando de uma reportagem no Então, enquanto Paulo. Depois interior e no caminho do aeroporto a equipe partia vieram João Leite até a emissora vimos dois burros para a segunda Neto e Marília andando pela rua. Acompanhamos matéria do dia, o Gabriela. os animais e fizemos com que eles motorista corria No currículo, entrassem na Biblioteca Municipal, para revelar o Breseghelo no Teatro Municipal, passassem filme. O repórter coleciona sobre o Viaduto do Chá. Na Rua tinha de mandar grandes Direita, cheia de vendedores de para a redação coberturas bilhetes de loteria, eles aproveitaram para gritar: Ó o burro, Ó o burro! e um relatório do internacionais, venderam todos os bilhetes de bicho”. que tinha sido como a morte A brincadeira foi ao ar como feito. Era escrito de Winston uma espécie de crítica ao ensino. à mão, mas tinha Churchill, na Com a reportagem, Cabrera de ser muito Inglaterra, pela ganhou uma menção honrosa minucioso”, diz TV Tupi; golpes do sindicato dos jornalistas. Gloriete. Com de estado na o tal relatório, República o pessoal da Dominicana e redação adiantava o trabalho, na Bolívia; e a posse de Salvador escrevia cabeças para o apresentador Allende no Chile. Mas partir para e já pensava na edição. Tudo isso uma cobertura internacional era tinha de ser feito antes, porque o um tiro no escuro. “Não havia filme revelado costumava chegar em verba para viagem, não tinha cima da hora. estrutura, o repórter ia com a

bons burros

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missão de conseguir a entrevista e só”, lembra Breseghelo. “Naquela época, o jornalismo não era a prioridade. Os shows e o futebol predominavam e já se sabia pelo Ibope que os telespectadores mudavam de canal durante os programas jornalísticos”, diz. A medição de audiência era feita pelo telefone ou de porta em porta. A entrevista que Breseghelo fez com Allende, suada, fruto de cinco dias de acampamento em frente ao palácio do governo em Santiago, só foi ao ar dois dias depois. As imagens chegaram a São Paulo com o repórter, de avião. Imediatismo, nesses casos, impossível. Breseghelo também era piloto de avião e, muitas vezes, saiu voando - literalmente - para dar a notícia em primeira mão. “Acontecia qualquer coisa fora de São Paulo, eu pegava um avião e ia até lá. A inauguração da hidrelétrica de Ilha Solteira, por exemplo, nós fomos os únicos a dar no mesmo dia, no ‘Jornal Nacional’.”

operação de guerra Colocar um jornal no ar era uma operação de guerra. O operador de telecine que o diga. Talentoso e rápido com as mãos, ele tinha que seguir o roteiro do jornal e dos breaks comerciais para trocar os rolos de filmes com precisão. “Editávamos no ar. Os comercias vinham em rolos separados e era preciso mudar de um para o outro sem deixar black no ar”, conta Almir Fonseca de Souza, agora operador de VT. Às vezes, eles batiam o recorde de rapidez, tendo de colocar um rolo de filme no telecine em menos de 15 segundos. Alguns comerciais eram feitos com slides. A locução era gravada num cartucho e a imagem vinha de um projetor de slides acoplado ao telecine. “Por exemplo, um


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comercial com seis slides e locução de 30 segundos significava cinco segundos de cada slide no ar”. O próprio operador controlava o tempo. “O cronômetro éramos nós mesmos.” Os slides também eram usados para fazer fundo durante a apresentação do jornal. E para colocar caracteres, a tarefa era manual. Os nomes dos entrevistados eram feitos durante a tarde, escritos em Letraset em cartolinas pretas do tamanho de uma folha de papel sulfite. Na hora do programa, uma pessoa se encarregava de trocar as cartolinas em frente à câmera. No caso dos créditos finais, o processo era um pouquinho mais sofisticado. O papel com a ficha técnica era colado a uma espécie de tambor rotativo, girado manualmente. Com a velocidde determinada pelo responsável por girar o tal tambor, subiam os créditos. A chegada do videotape empobreceu o repertório de histórias de bastidores. Mas a substituição de tecnologias foi gradual. Um alívio para o cinegrafista e um peso a mais para a nova função que surgia na equipe de reportagem, a de operador e carregador de VT. Muitos dos operadores tiveram problemas de coluna por causa do peso do novo equipamento. O BVU 100, o primeiro VT usado com as câmeras U-Matic, pesava cerca de 15 quilos. Com a evolução do formato, a tal máquina emagreceu alguns quilos, mas mesmo em sua melhor forma física não pesava menos que sete. “As pessoas usavam toalhas, espumas para proteger o ombro da alça que

segurava o VT”, lembra um dos operadores que chegou a ficar “descadeirado” e se afastou dois meses do trabalho. Este novo personagem, o videotape, criou uma relação de dependência entre o cinegrafista e o operador de VT. “Éramos ligados pelo cordão umbilical, o multicabo. Em coletivas com o presidente, por exemplo, era uma loucura”, lembra Ferreira. Era um tal de cabo enroscar na perna de repórter, de enrolar em outros cabos e até, de criar uma armadilha perigosa para os mais incautos. “O VT facilitou a vida do cinegrafista porque podíamos ver o que tinha sido gravado e repetir. Mas as pessoas começavam a abusar, a gravar demais.” A cada dia, a televisão rompe novas barreiras. As lentes de uma câmera levam à televisão imagens de lugares cada vez mais distantes, mais estranhos, mais aterrorizantes, mais belos. O jornalismo evoluiu, inventou regras, padrões, mostrou guerras, a descoberta de um novo planeta, foi e vai, cada dia mais longe. Apesar disso, o filme deixou saudades. “Éramos mais valorizados e respeitados naquela época porque não era qualquer um que sabia fazer televisão”. A opinião de Ferreira reflete a de todos que conheceram as dificuldades e o romantismo de participar do início da televisão no Brasil.

Slides eram usados como fundo durante a apresentação do jornal. Os caracteres eram colocados manualmente.

Engenharia Indústria e Comércio Ltda Avenida Olegário Maciel, 231 Lojas 101/104 Barra da Tijuca • Rio de Janeiro • RJ • 22621.200 Tel.: (21) 493.0125 • Fax: (21) 493.2595

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* Colaboram Edylita Falgetano


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t e l e v i s ã o Beto Costa

TRANSMISSÃO

EM BITS As emissoras de TV começam a preparar o terreno para instalar os transmissores digitais. São Paulo e Rio de Janeiro serão as primeiras cidades a entrar na nova era. Quem precisa investir em transmissores analógicos tem a opção de modelos reversíveis, que permitem o upgrade para o digital.

Somente por volta do mês de agosto a Anatel deve divulgar qual é o padrão de transmissão digital mais adequado à realidade brasileira. A palavra final da agência virá acompanhada do estabelecimento de prazos para convivência dos sistemas analógico e digital. E, por conseqüência, da completa migração para a realidade digital. No Brasil, existem aproximadamente oito mil estações analógicas (entre transmissoras e retransmissoras), que gradativamente serão convertidas. O país é o décimo mercado de broadcasting do planeta. Se depender da conclusão dos testes 22

realizados pelo Grupo Abert/SET, do qual participam engenheiros de todas emissoras, a modulação 8-VSB, parte do ATSC, o sistema norte-americano, é carta fora do baralho. O padrão de modulação COFDM teve desempenho bem superior nos testes realizados em São Paulo. O COFDM está vinculado aos padrões japonês e europeu. Mesmo antes das diretrizes traçadas, as emissoras já se movimentam. Se tudo correr ao encontro da ansiedade delas, no primeiro semestre de 2001 já será possível iniciar as transmissões digitais. São Paulo e Rio de Janeiro serão as primeiras cidades a entrarem na era das transmissões digitais. “A ordem natural da migração é das cidades maiores, onde o mercado pode absorver mais rapidamente a nova tecnologia”, afirma Liliana Nakonechnyj, diretora da divisão de engenharia de telecomunicação da Central Globo de Engenharia. Liliana também participa ativamente do Grupo Abert/SET. A Record mostra a mesma disposição da Globo. “Assim que o sistema for definido, nós vamos investir no Rio e em São Paulo. Já estamos nos preparando para colocar antena e pensando na parte de energia para a convivência do analógico com o digital, pois isto vai gerar a necessidade de aumentar a capacidade do sistema

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de energia”, diz Wander de Castro, gerente geral de expansão e rede da emissora, que também acompanha de perto os testes do Grupo de TV Digital . A crença de Castro é que tudo vai ocorrer muito mais rápido do que o esperado, algo semelhante com o boom do celular. “O Brasil é um país atípico. A disseminação do receptor digital vai ser mais rápida do que se possa imaginar”, torce.

compartilhar é preciso Recentemente, o SBT trocou os transmissores do Rio de Janeiro (30 kW), Porto Alegre (30 kW) e Ribeirão Preto (10 kW). Na NAB 2000, foram adquiridos outros três transmissores para Brasília e Belém (30 kW) e Jaú (5 kW). A vice-líder de audiência teve de usar uma estratégia diferente. Investiu em transmissores analógicos com um pezinho no digital. Alguns equipamentos precisavam ser substituídos com urgência. Tinham mais de 15 anos de uso. “Todos os equipamentos permitem upgrade para digital. Basta trocar o modulador, que já está disponível pelo fornecedor”, afirma a engenheira Maria Goretti Romeiro, do SBT. O investimento total da empresa de Silvio Santos nos transmissores foi de US$ 4,85 milhões. As indefinições quanto ao padrão de transmissão e ao tempo de migração para o digital faz as emissoras apenas rascunharem cifras. “Ainda não há um plano orçamentário para a troca de transmissores”, revela Liliana, da Globo. Na rede da Record, das 70 geradoras, 19 são de grande porte. A conversão para o digital destas geradoras deve consumir investimentos da ordem de R$ 10 milhões. “É um dinheiro para ser diluído em cinco anos”, estima Wander de Castro. O gerente de expansão da Record é defensor da idéia do compartilhamento, para que os investimentos iniciais tenham menor impacto. A tese de Castro é o modelo de torre única nas transmissões analógicas existente em Madri, Barcelona e Tóquio, onde diferentes emissoras usam a mesma


infra-estrutura. “Vai ser difícil ter uma cobertura total em São Paulo, por exemplo, com uma torre única. Vão ser necessários dois a três pontos de transmissão. É bom lembrar que com o digital ou você tem ou não tem o sinal, ou seja, não existe recepção fraca. Se o sinal não chega, o televisor fica sem nada.” Castro afirma que já existem conversações com as outras emissoras. A Globo admite a idéia de dividir investimentos e a utilização comum de equipamentos. “A infra-estrutura (abrigo do transmissor e torre) é que pode, eventualmente, ser compartilhada e, no máximo, algumas antenas, multiplexáveis. Em muitos casos pode ser interessante para todas as partes o tal compartilhamento”, afirma Liliana. Mas ressalta: “Os transmissores serão adquiridos individualmente”.

sem cifras Os fabricantes de transmissores parecem viver um momento de recolhimento, do tipo “nada a declarar”. Procuramos os representantes da Toshiba e Harris no Brasil e não obtivemos retorno para a pergunta que mais interessa aos broadcasters: quanto vai custar um transmissor digital? Liliana Nakonechnyj dá apenas uma pista: “A diferença de preços entre transmissores analógicos e digitais está concentrada no modulador, que certamente vai se tornar cada vez mais mais barato ao longo do tempo”. Parece que os fornecedores querem evitar o risco de queimar a língua. A NEC do Brasil engrossa o silêncio em relação às cifras. A empresa japonesa, da qual todos os modelos de transmissor analógico são reversíveis para digital (em qualquer configuração, para VHF ou UHF), evita até fazer comparações de preços entre transmissores analógicos e digitais. Estudos indicam que a potência necessária para transmissões digitais é menor do que a analógica para a mesma área de cobertura, assim como o consumo de energia também

é menor para uma mesma potência de transmissão. José Ito, gerente do departamento comercial/broadcasting da NEC do Brasil, diz que os números comparativos ainda não estão consolidados. Mas exemplifica o caso traçando um paralelo entre a diferença de consumo de bateria dos telefones celulares analógicos e digitais.

indústria brasileira A indústria nacional de transmissores passa por uma série de acomodações que podem impactar a migração para o digital. As brasileiras Lis e Telavo acabam de se associar à italiana ABS. O resultado é um grupo de quatro empresas independentes que em breve serão agrupadas em uma holding. Duas unidades fabris: a RS Tecnologia, em São Paulo e a Lis Eletronics, no Rio de Janeiro, são empresas “mezzo” Telavo e “mezzo” Lis. Mesma proporcionalidade seguida na Telavo Comercial. Apenas na Datel, responsável pelo desenvolvimento de tecnologia, a divisão é diferente. Metade pertence à ABS e os outros 50% são divididos em partes iguais entre Lis e Telavo. “A diferença de tecnologia entre nós e os grandes fabricantes deixou de existir. As parcerias habilitaram a indústria nacional a sofisticar seus produtos”, acredita Jackson Sosa, diretor executivo da RS Tecnologia. A expectativa do novo grupo é abocanhar metade do mercado brasileiro de transmissores. RS e Lis estão produzindo transmissores digitais de 10 W até 60 kW. Os preços variam de R$ 10 mil a R$ 250 mil. Os transmissores fabricados pelo grupo só utilizam moduladores COFDM, desenvolvidos pela italiana ABS. “Estamos desenvolvendo modulador para o padrão 8-VSB”, afirma Sosa. Os transmissores digitais RS/Lis têm uma série de características específicas. Sistema de supervisão e controle local ou remoto, interfaces seriais de saída para monitoração de consumo e filtro de canal adjacente. “No SDTV, você pode colocar os canais cinco e seis T E L A V I V A JUNHO D E 2 0 0 0

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televis ã o

Satélite

Geradora regional

Posto

FORMAS DE TRANSMISSÃO

POSTOS RETRANSMISSORES

s VIA SATÉLITE 1. É transmitido diretamente da geradora à casa do telespectador, via antena parabólica. 2. É recebido no posto da prefeitura ou da própria emissora e retransmitido para as casas. Se o telespectador capta o sinal transmitido pela cabeçade-rede assistirá apenas ao jornalismo e aos comerciais nacionais. Caso o sinal recebido seja o da geradora regional assistirá também aos comerciais e à programação regional. s SINAL TERRESTRE 1. Recebido diretamente da torre da geradora ou do posto da prefeitura da cidade. O telespectador assiste aos comerciais e programas transmitidos pela geradora regional.

TORRE Os tipos de antenas necessárias ao sistema de transmissão e retransmissão são instaladas em torres. ABRIGO DE EQUIPAMENTOS É a “casa do transmissor”. O tamanho varia de acordo com o tipo e a quantidade de equipamentos instalados no seu interior. Os equipamentos podem ser divididos basicamente em quatro grupos: 1. recepção: receptores, cabos e antenas; 2. transmissão: transmissores, cabos e antenas; 3. comunicação: rádios comunicadores; 4. energia: gerador e no-break.

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com igual potência”, exemplifica. Todos os transmissores analógicos produzidos hoje pelo grupo permitem upgrade para o digital. De acordo com Sosa, CNT/Rio, Shop Tour e TV Canção Nova adquiriram recentemente os equipamentos reversíveis. “A facilidade de conversão para o digital implica investimento de mais 20% em relação ao valor total do transmissor”, estima Sosa. RS e Lis produzem transmissores analógicos de 10 W até 60 kW. Os preços variam de R$ 3 mil a R$ 500 mil. Em relação a grande questão (qual é a diferença de preço entre o modulador analógico e o digital?), Sosa faz uma estimativa. “Um modulador analógico custa em torno de US$ 3 mil. O modulador digital está na faixa de US$ 40 mil”. Uma sensível diferença, que o grupo originário das parcerias entre Lis, Telavo e ABS, pretende minimizar. Sosa calcula que os transmissores nacionais são 25% mais baratos do que os similares importados.


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Almeida

parceria com a natureza precária. A cidade dispõe de pousadas e restaurantes, mas tudo muito simples. Ao todo, foram dez dias de trabalho na locação. E praticamente todos os pontos turísticos de Bonito ficam em propriedades particulares, que cobram a visitação. “Tínhamos de fazer o que estava planejado, pois alugávamos o local por um dia e no outro já havia uma série de excursões agendadas. Se A realidade colorida do banho... ... contraposta à ausência de cor do sonho. algo desse errado, teríamos de esperar até um dia livre para voltar.” A nova linha de sabonetes Vinólia, espírito especiais. Um dos motivos da escolha do inspirada na aromaterapia, foi lançada Para enfatizar as duas situações, diretor Willy Biondani foi o fato de com três filmes de produção ousada e os filmes têm cenas em preto e ele acumular a função de fotógrafo cuidadosa, seguindo a tradição da marca. branco e em cores. A parte do sonho still. Seria complicado deslocar outra Dois filmes foram rodados em Bonito, foi descolorida, apesar de serem equipe para fazer o material para no Mato Grosso do Sul, e outro em exatamente as que foram feitas nas mídia impressa, então a jornada de um porto de areia no Vale do Paraíba, paisagens naturais fantásticas de Bonito. trabalho era dupla. Logo depois perto de São Paulo. A intenção da “Queríamos diferenciar mesmo o de encerrar as filmagens, Biondani agência, conta o diretor de criação sonho da realidade, por isso optamos começava a fotografar. Todas as noites, André Pinho, era a de ressaltar o por tirar a cor. Apesar disso, é um o cronograma do dia seguinte era conceito de “sensível diferença” que sonho possível, uma abstração mas minuciosamente repassado. sempre caracterizou a marca, mostrando sem surrealismo”, explica Pinho. “As No filme “Harmonia”, a idéia é refletir a mulher como diferente entre iguais. imagens em cor ficaram deslumbrantes e a integração com a natureza. A modelo Até mesmo a trilha sonora foi feita em nossa tendência é tentar preservar, mas aparece nadando no Rio Sucuri, com cima da Primavera, de Vivaldi, cuja concordo que, dentro da idéia, essa era uma imagem vista do alto. A câmera identificação com Vinólia é imediata. a maneira mais eficiente de realização”, e uma grua de nove metros foram Pinho explica que, como os sabonetes pondera o diretor Willy Biondani. colocadas no alto de um morro, onde remetem à aromaterapia, os filmes A equipe de produção era composta de o diretor ficou. A modelo saía de um foram concebidos para salientar a 60 pessoas. As grandes dificuldades de ponto do rio mais acima e se soltava sensação causada pelos aromas. E, trabalhar em Bonito eram as distâncias pela primeira vez, a mulher de Vinólia e a própria natureza, pois o local F I CH A T É CN I C A deixa o sonho para entrar na vida é reserva ecológica e não pode ser Título Harmonia, Sensualidade e Energia real. Em todos os filmes anteriores, as tocado. “Mal podíamos pisar o fundo Cliente Indústrias Gessy Lever imagens eram apenas abstratas. Nos dos rios, porque existem conchas que Produto Sabonetes Vinólia novos, parte mostra o sonho e parte a não podem ser destruídas”, explica Agência J. Walter Thompson realidade. A mulher vive um sonho e Biondani. “Acrescentamos flores nas Criação André Pinho, Renata Proetti e em cada filme há um link para a cena margens, mas não podíamos arrancar Vitor Patalano Produtora Made to Create seguinte, real, no banho. No fim, nem uma folha.” O único local onde Direção Willy Biondani em uma cena urbana, a mulher se se podia montar os equipamentos, Fotografia Marcelo Durst destaca na paisagem. Em todos os perto do rio, era em um mangue. Do Dir. Arte Sidney Biondani filmes, a modelo retratada também contrário, havia árvores na frente que Efeitos especiais 9.8 é a mesma, para reforçar o conceito de impediam a visão. “O set em si não Telecine Mega SP que o sabonete não é feito para tipos tinha problemas. O entorno é que era Montagem Garimpo (Umberto Martins) diferentes de mulher, mas complicado”, diz Biondani. Trilha Hilton Raw para ocasiões e estados de A estrutura também era relativamente Pós-produção Vetor Zero 28

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Fichas técnicas de c o m e r c i a i s

www.telaviva.com.br

uma nota s ó na correnteza, acompanhada de perto por homens do corpo de bombeiros. “O problema era dirigir a modelo: ainda conseguíamos nos comunicar por rádio com a equipe que estava lá embaixo, mas não tinha como colocar um ponto nela, nua”, conta o diretor. O filme “Sensual” filmado em uma cachoeira, foi o que exigiu o maior esforço de produção. Na seqüência havia câmeras submersas e uma plataforma para a modelo ficar em pleno rio. Por uma questão de fotografia, a maneira como a água caía teve de ser ligeiramente “maquiada”. “Precisávamos de uma lâmina d’água que não desse reflexos inesperados e caísse com precisão, por isso construímos a plataforma sob uma estrutura com uma caixa d’água. Nessa cena, a modelo foi filmada com uma câmera convencional e uma cam remote instalada sobre uma grua, que fazia um movimento circular em volta da modelo”, explica. O terceiro filme, “Energy”, foi feito em outra locação mas também exigiu uma produção de guerra. O local é usado para a extração de areia, que é feita com jatos de água. Por isso, no centro da mina há um lago de quatro metros de profundidade. Novamente foi construída uma plataforma, que se movimentava para cima e para baixo, a fim de que a modelo pudesse emergir e submergir lentamente. O pack-shot do filme exigiu efeitos especiais tanto mecânicos como eletrônicos. Uma gota de essência cai sobre o sabonete e então se revela o nome Vinólia. Para isso, Victor Lopes, da 9.8, fez dois sabonetes, um com o baixo relevo e outro liso. Primeiro era filmado o liso, com a gota escorrendo. Depois, a câmera parava e os sabonetes eram trocados, exatamente no mesmo registro. As imagens então eram trabalhadas em computação.

Fotos como um calendário ...

A nova campanha da revista Época, que completou dois anos de vida, começou com um filme instigante e uma mídia fora dos padrões. São três minutos de filme para contar sob vários pontos de vista o que representa uma semana. A conclusão é que sete dias podem ser importantes ou ínfimos, mas para a revista, são fundamentais. Sem contar o ineditismo da linguagem e da mídia, o filme ainda inova pela produção. O filme é quase obra de um homem só. Jarbas Agnelli assinou praticamente todas as etapas do filme, da criação à pós-produção. O filme é montado a partir de várias fotos compostas com letterings que indicam os dias da semana. Uma locução, distorcida pelo efeito vocorder, fala o texto monocordicamente. Agnelli, que é diretor de arte, conta que criou o F I CH A

T É CN I C A

Título A Semana Cliente Editora Globo S/A Produto Revista Época Agência W/Brasil Criação Alexandre Machado e Jarbas Agnelli Produtora AD Studio Direção Jarbas Agnelli Fotografia (Still) Miro e Marcio Scavone Montagem Jarbas Agnelli Trilha AD Studio Finalização AD Studio

... para representar a passagem do tempo.

filme em parceria com Alexandre Machado partindo de fotos clássicas, o que resultou em um layout muito interessante. Sua dúvida, nessa fase, era a de que se pudesse reproduzir no filme as imagens trabalhadas em papel. Uma vez aprovado o trabalho, tornouse inviável comprar os direitos de todas as imagens. Por isso, foram contratados dois fotógrafos, que fizeram em still imagens com os mesmos conceitos. A partir das fotos, Jarbas partiu para o escaneamento das imagens, montagem e composição do filme, em sua própria produtora, a AD Studio. Como também tem uma banda de música eletrônica, aproveitou para compor a trilha e produzi-la dentro do mesmo espírito do filme. Uma vez costuradas as imagens, o próprio diretor de criação desenvolveu e compôs os letterings. O filme tem um ritmo lento, reforçado pela locução, que ao mesmo tempo soa moderna e déjà vu, com ares de anos 70 por causa do efeito. As imagens compostas misturam cenas alegres e tristes, sempre em preto e branco, mas o resultado final é melancólico. “Tenho certeza de que essa produção tão concentrada não vai virar moda, mas acho que esse filme só saiu assim porque foi feito dessa maneira. Seria complicado passar para uma equipe a idéia. O filme é dramático, afinal trata da relação entre homem e tempo”, afirma o diretor.

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c i n e m a Hamilton Rosa Jr.

Os cineastas independentes em começo de carreira, em geral com pouco dinheiro, vêem a mídia digital como salvação. “Não tínhamos dinheiro”, diz Devin Crowley, diretor de “Show me the aliens”, filmado digitalmente e exibido na Sala Bazin como parte do Mercado de Filmes. “Sem os recursos digitais, viveríamos atrás do dinheiro, e não num set de filmagem.”

missão impossível

ENTRE O CELULÓIDE E A IMAGEM ELETRÔNICA O 5 3º Festival Inte r n a ci o n a l d e C annes deu uma a m o s t r a d o momento vivido pe l o s r e a l i z a d o r e s de cinema frente à t e c n o l o g i a digital, que tenta g a n h a r t e r r e n o no mundo da pelíc u l a .

Um simpósio reunindo alguns dos mais importantes profissionais da área de audiovisual do mundo apontou os rumos do que deve ser o cinema do século 21, na abertura da 53º Festival Internacional de Cannes. Co-organizado pelo vespertino francês Le Monde, a palestra intitulada “O cinema do futuro” foi aberta pela atriz francesa Isabelle Huppert, com a presença de personalidades como Brian De Palma, James Ivory, Atom Egoyan (“O doce amanhã”), o ator Ethan Hawke, o produtor Saul Zaentz (“O paciente inglês”) e o brasileiro Walter Salles Jr., só para citar os mais conhecidos. Dividida em dois segmentos, que aconteceram durante os dias 9 e 10 de maio, a conferência deu a mostra teórica do

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que se veria na prática durante os 12 dias que duraram o festival. Paralelo ao simpósio, empresas como a Sony, a Texas Instruments, a Dolby, a Philips e a Discreet montavam seus estandes no Riviera, o novo espaço construído no Palais du Festival dedicado ao MITIC, o Mercado Internacional de Técnicas e Inovações do Cinema. Essa é a segunda edição da Feira de Tecnologia, cujo tema este ano ficou concentrado na praticidade que os novos equipamentos digitais, especialmente as câmeras DV, estão fornecendo ao mercado audiovisual. Jovens realizadores, tais como Ethan Hawke, estão experimentando os recursos digitais. “Eu costumava ficar sonhando ter vivido na época da Nouvelle Vague francesa, e agora me sinto como se fizesse parte disso”, disse Hawke, no simpósio de abertura. Ele acabou de concluir seu primeiro trabalho, ao custo de US$ 100 mil, usando três câmeras, dois atores e uma equipe de cinco técnicos para ajudá-lo no set. Uma das cenas mais importantes do filme acontece dentro de um banheiro minúsculo. “As câmeras HD permitem um nível muito maior de intimidade, algo que a antiga Arriflex não teria como oferecer.”

TELA VIVA junho DE 2000

As opiniões, entretanto, divergem quando se coloca os diretores recémsaídos da universidade com os do mainstream. “Espero que a mídia digital não se torne dominante”, ressaltou Brian De Palma, diretor de “Missão impossível”, que estava em Cannes exibindo “Missão: Marte”. “Em última análise isso quer dizer que estaremos assistindo à televisão (nos cinemas) e não cinema. Conversei com Steven Spielberg a respeito, recentemente. Ele jurou que vai usar celulóide até o fim. Espero poder fazer o mesmo.” James Ivory também teme perder a mídia que usou para criar obras como “Vestígios do dia” e o inédito “The golden bowl”. “Dentro de pouco tempo, os filmes desaparecerão dos cinemas, substituídos por sistemas digitais de projeção, e em breve o mesmo acontecerá nos estúdios, que começarão a realizar produções que não serão filmadas em celulóide”, prevê Ivory. “Essa transformação significará que uma mídia que foi dominante no século 20 basicamente deixará de existir logo no começo do século 21.” O curso da história, entretanto, já parece claro. George Lucas pretende começar este ano a filmagem de seu próximo “Star wars” em mídia digital, Mike Figgis apresentou “Time code” na Croisette, numa sessão fechada só para compradores, e Spike Lee e Gus Van Sant anunciaram seus novos projetos no formato. O próprio Spielberg se contradiz, quando afirma que vai resistir às mudanças tecnológicas. Sua


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c i n ema

companhia fechou um contrato com a iPIX Movies que pode permitir maior interação do espectador no cinema. A iPIX desenvolveu uma câmera especial que captura imagens em 360º. Um filme que trabalha nesse processo foi exibido em Cannes. Trata-se de “The new arrival”, de Amy Talkington. A experiência deixou o público desorientado ao acompanhar a multiplicidade de pontos de vista da personagem, mas a sensação de estranhamento pode ser controlada quando se assiste ao filme online no computador. “The new arrival” está disponível na Internet, no site AtomFilms (www. atomfilms.com). “Nós ainda estamos procurando uma linguagem que possa fazer a interação entre o cinema e o computador”, explica a realizadora. “Mas atualmente uma história é contada de um modo em cinema, enquanto no computador há uma variedade de soluções, e a possibilidade de escolher vários fins”, avalia Atom Egoyam. Segundo ele um gênio pode estar nascendo neste exato momento, se pensarmos que qualquer jovem hoje pode fazer um curta em formato Beta digital e qualquer um pode submeter seu filme à apreciação de Hollywood. “Basta entrar num site como o pop.com, da Dreamworks, ou no Zoetrope, de Francis Ford Coppola.” O pop.com, por exemplo, faz festivais no formato e pode até oferecer para os vencedores uma oportunidade de emprego.

vanguarda A arquitetura da projeção cinematográfica também está causando sobressaltos no circuito exibidor com a nova tecnologia. Naturalmente, os estúdios de Hollywood e os proprietários de salas de exibição estão brigando para decidir quem vai arcar com o custo. Entre os beneficiários dessa mudança está a Digital Projection Inc., subsidiária da Imax. A Digital Projection já ganhou um Emmy e sua atividade é o desenvolvimento e fabricação de projetores digitais. A empresa expôs 32

Embora poucas produções usem os novos formatos, o impacto das demonstrações é grande. seus produtos primeiro no Festival de Cinema Sundance, em Park City, Utah, e agora volta a demonstrar seu potencial no Festival de Cannes. A Digital Projection supervisionou a instalação de cerca de US$ 1 milhão em equipamento de última geração, usado para projetar 17 dos 112 filmes exibidos no Sundance. Em Cannes, esse número subiu para 25. Ainda que apenas um pequeno número das produções use os novos e revolucionários recursos visuais, o impacto final da demonstração foi imenso. No interior dos projetores da Digital Projection Inc. há três chips de processamento de luz de 3,8 cm x 3,1 cm, produzidos pela Texas Instruments. Cada chip contém cerca de 1,3 milhão de espelhos que se movem a cada segundo, oferecendo uma palheta de mais de um bilhão de cores e imagens mais claras e definidas. O atual estágio de evolução pôde se atestado numa sessão da CineAlta, rede exibidora filiada à Sony, que começa a montar cinemas digitais na Europa ainda este ano. Foram exibidos trechos do filme “The million dollar hotel”, o primeiro a usar um novo jogo de lentes Primo Digital, desenvolvidos pela Panavision, que estava sendo comercializado na feira. O fotógrafo Robby Muller, que trabalhou com Lars Von Triers em seu filme “Dancer in the dark”, mostrou uma simulação que fez com uma HDWF-900 24 P em condições de pouca iluminação. Uma versão animada de “Tropas estelares”, que está sendo produzida por Hollywood veio a seguir. O desenho é um espetáculo inédito de

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realismo em 3D. A demonstração da CineAlta comprova o quanto a projeção digital vai revolucionar o setor ao reduzir dramaticamente os custos de distribuição e produção, causando uma disparada no número de filmes independentes. Com o som digital e os sistemas de edição nãolinear, a nova ferramenta se tornarse-á tão independente para o setor cinematográfico quanto o hiperativo Aladar, um iguanossauro falastrão gerado por computador que ocupa posição central em “Dinossauros”, o primeiro desenho de longa-metragem feito no novo estúdio digital da Disney.

sutilezas Mas há um longo caminho ainda a ser percorrido, segundo Brad Jones, estudante de cinema na Universidade Loyola Marymount, da Califórnia, e projecionista do Yarrow Theather. O espectador comum não consegue perceber diferença na tela entre o filme em celulóide e o digital. Mas um olho treinado reconhece. “Você perde sutilezas com a mídia digital”, diz. “A outra diferença muito importante é o contraste. Você pode ter uma infinidade de matizes, mas a imagem eletrônica não consegue reproduzir o claro/escuro com a mesma nitidez da película”, enfatiza. Roger Ebert, crítico do Chicago Tribune, vê a era digital “não como a morte dos filmes, mas a morte das audiências, pois as pessoas verão filmes em casa, sozinhas”. Ele também está preocupado com as aparentes diferenças na maneira com que filmes em celulóide e televisão afetam o cérebro. “O filme em celulóide”, diz Ebert, “causa um estado onírico alfa que faz o cérebro trabalhar para decifrar a arte, a televisão induz a um estado mais hipnótico. É possível que a indústria cinematográfica esteja prestes a jogar fora o seu mais importante atributo e depois disso as pessoas que costumam ir ao cinema sentirão falta daquilo que elas sequer sabem que têm”. Por fim reconhece: “Mas estamos falando da vanguarda da tecnologia e vanguarda é isso, nunca vai agradar a todos.”


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m u l t i m í d i a Davi Molinari

SOFTWARES PARA STREAMING

convergência das mídias”, afirma Sérgio Motta Mello, dono da produtora paulistana TV1 e da TV1.com, que investirá neste ano U$ 100 mil na criação de um departamento exclusivo para produtos streaming. Um destes produtos estreou na última semana de maio no portal Terra (www.terra.com.br). É o “Guia do sabor” formado por três vídeos para cada restaurante. “A idéia é aproveitar os recursos da tecnologia streaming media para mostrar ao internauta vídeos interativos do restaurante e do chef”, diz Motta Mello. A produtora não revela o valor do contrato, mas o custo da produção, captação, edição e finalização para AVI representa 45% do orçamento total.

early movers Os programas mais conhecidos de transmissão de vídeo pela Internet, Real Player, Windows Media Player e QuickTime estão popularizando, entre as produtoras, termos como streaming e encoding e ampliando o mercado de multimídia. Os investimentos são baixos, mas o domínio da tecnologia é para poucos.

Ninguém sabe ao certo em que medida e momento vai se dar a fusão da televisão com o computador. Aguarda-se a massificação da TV digital e da banda larga como esteio desta união. Hoje ainda não é possível baixar um programa pelas redes broadcasting de televisão, mas é cada vez maior o número de provedores que colocam áudio e vídeo à disposição dos usuários da Internet. A banda larga aliada à mais eficiente modalidade de transmissão de áudio e vídeo pela Internet, o 34

streaming, alargaram o horizonte do mercado de vídeo e multimídia. O streaming facilitou a vida do usuário da Internet, que não precisa esperar chegar o arquivo inteiro que contém o vídeo para depois assisti-lo. A transmissão é feita praticamente em tempo real por meio de um fluxo contínuo de “pacotes digitais” que viram vídeo e áudio à medida em que chegam ao computador do internauta, desde que ele tenha um plug-in compatível. Os mais conhecidos são o Real Player, Windows Media Player e o QuickTime. Quanto maior a banda de transmissão, maior a velocidade e o número de frames por segundo e, conseqüentemente, melhor a resolução da imagem. Por isso, apesar de ser possível usar o streaming para transmissão também pela banda estreita (até 56 kbps) da Internet, os produtores de vídeo estão de olho nas linhas de alta velocidade. “Há a percepção do mercado que o conteúdo para banda larga deva ser diferenciado daquele que temos em banda estreita, principalmente na questão de vídeos. Como esta área é desconhecida pelas produtoras de conteúdo para a Internet, nós temos uma posição bastante confortável para fazer a

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Segundo Motta Mello, os portais da Internet são hoje os maiores interessados em conteúdo de vídeo. Eles querem ser chamados de “early movers”, os primeiros motores de uma fusão entre vídeo e Internet que não tem mais volta. As vantagens deste mercado de vídeo é que os custos são menores quando comparados aos de broadcasting. Não é preciso captar imagens com uma câmera Betacam, porque os vídeos, mesmo na banda larga, têm a qualidade de transmissão limitada. “Mas nem por isso pode-se abrir mão da qualidade final do material, por isto optamos por trabalhar com uma câmera mini-DV, porque além de gravar em sistema digital, custa menos e tem uma qualidade próxima à da Betacam SP, o que permite uma boa relação custo/benefício”, conta Mello. A TV1.com, empresa dedicada à Internet, capta vídeo exclusivamente para a web e não reutiliza vídeos feitos para broadcasting. “A tecnologia streaming exige outros parâmetros para a captação com soluções de enquadramento, cortes e movimento de câmera que não prejudiquem a transmissão”, finaliza. Mas os vídeos feitos para broadcasting também podem ser reaproveitados para transmissões pela rede mundial


de computadores. A pós-produtora de vídeo digital e multimídia Módulos trabalha há dois anos com streaming. Do volume total dos contratos de captação, apenas 5% são feitos exclusivamente para a Internet. Uma parcela que tende a crescer. Para atender aos pedidos de vídeos para streaming, a empresa investiu, recentemente, U$ 12 mil na compra de uma câmera XL1 DV da Canon. Hoje, para baixar o custo do trabalho para o cliente, a empresa reutiliza as captações feitas, por exemplo, para vídeos institucionais. “Cada caso é um caso diferente, mas se um cliente gastou R$ 1 mil para ter em vídeo a fala do presidente da empresa e quiser fazer dois minutos de streaming media, com a mesma captação, o custo subirá mais R$ 500,00”, afirma José Francisco Neto, o Chiquinho, um dos sócios da Módulos. Esse custo engloba os processos de digitalização, edição nãolinear, compressão, codificação e transmissão por servidor próprio

da Módulos que usa o QuickTime dentro de um projeto oficial Open Source da Apple. “Acredito que somos a única empresa de vídeo até o momento prestando esse serviço no Brasil”, afirma. De todos esses processos a chave para a qualidade da transmissão via Internet está na compressão dos dados digitais e na codificação dos arquivos para o protocolo de transmissão usado pelo streaming. A Módulos especializouse nesse campo e abriu um nicho no mercado oferecendo a terceirização do encoding. “Quando se trata de streaming, somos mais procurados para fazer encoding do que para captar. Nossos maiores clientes nessa área são produtoras de cine e vídeo que não dominam a tecnologia ou que estão com muito trabalho”, conta Chiquinho.

necessário comprimi-lo 12 mil vezes, para que o segundo ocupe apenas 2,4 kb. “Quem faz esse serviço (streaming) geralmente são empresas de web - que não conhecem muito da tecnologia de vídeo - e o fazem para uso próprio, não para o mercado”, avalia o sócio da Módulos. A LabOne, pioneira no uso do streaming no Brasil, estabeleceu um padrão mínimo de qualidade para o encoding. O diretor de tecnologia, Reynaldo Fagundes, não conta os detalhes mas explica que um modelo matemático avalia a freqüência com que aparecem os chamados keyframes no vídeo. Os key-frames são os primeiros frames de novos takes. Na maioria dos sistemas os keyframes são gerados periodicamente, o que resulta desnecessariamente em mais dados a comprimir e codificar. bruxos digitais O modelo da LabOne aproveita ao máximo as semelhanças entre os Na verdade os softwares para vários frames de um mesmo take e compressão e encoding, como Real só gera o key-frame quando eles de Producer Plus, Windows Media Tools fato acontecem. “Posso assegurar ou Apple QuickTime Pro, que os vídeos que ‘encodamos’ estão no mercado a preços para a transmissão em banda de 22 acessíveis e qualquer kbps têm qualidade de resolução pessoa com computador semelhante ou até melhor que pode levar imagens e daqueles feitos a 42 kbps pelo sons digitais para dentro mercado”, afirma Fagundes. da Internet. A diferença Esta tecnologia é utilizada para A boa notícia para quem quer entrar no mercado está na capacidade de garantir a resolução dos vídeos de streaming é o baixo investimento em hardware selecionar o take e decidir web feitos pela MediaCast. O e software. Uma configuração básica, segundo José a medida da compressão. resultado pode ser visto no site Francisco Neto, da Módulos, custaria perto de U$ 14 mil: A taxa de compressão www.mediacast.com.br. “Oitenta compromete a resolução. porcento do que exibimos são 1 • CAPTAÇÃO “Tem sempre muito produtos feitos exclusivamente . Câmera DV (Canon Elura)..................................US$ 1,3 mil (FOB) material e temos de decidir para a Internet”, conta o diretor . Computador (Apple Powerbook)...................................US$ 3,5 mil o que jogar fora e o que de conteúdo da MediaCast, 2 • EDIÇÃO E COMPRESSÃO aproveitar e depois fazer Marcos Lazarini, que comanda . Software de Edição (Apple iMovie)...................................... gratuito um julgamento de como uma pequena emissora e . Software de compressão Apple QuickTime Pro...............US$ 30 comprimir cada tipo de geradora de vídeo web com dois . Software de compressão Real Producer Basic................. gratuito imagem. O pessoal da estúdios, duas ilhas não-linear 3 • TRANSMISSÃO compressão faz mágica, e uma ilha de corte seco. O . QuickTime: Sorenson Broadcaster.........................US$ 300 (FOB) quase um trabalho de material é captado em Betacam, . Real Media: Real Producer Basic......................................... gratuito artista”, explica Chiquinho. capturado com placas de vídeo Geralmente, um segundo Booktrees, Winnov e Ospray e 4 • SERVIDOR DE STREAMING de vídeo sem compressão processado em computadores . CPU Intel/Linux: ................................................................ U$ 2,5 mil ocupa o espaço de Pentium III com plataforma . QuickTime Streaming Server................................................ gratuito 27 Mb. Para criar uma Microsoft. Com essa estrutura, a . Real Server Basic (dez conexões simultâneas)................. gratuito audiência em banda MediaCast atende a clientes como . Estrutura de rede (hubs, routers, ativação etc).........US$ 4,5 mil estreita (num modem de por exemplo o BankBoston, para . Conexão de 64 kbits (um único usuário em 56 k) velocidade de 28 kbps) é quem faz uma coluna semanal em

baixos

investimentos

com Internet via Embratel ou Netstream...............R$ 1,7 mil/mês

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m u ltim í dia

vídeo sobre o mercado financeiro para ser transmitido via streaming. “O mercado acredita cada vez mais e tem menos preconceito em relação ao vídeo na Internet”, afirma Lazarini.

streaming ao vivo A LabOne é reconhecida por sua capacidade de realizar transmissões simultâneas em diversas partes do mundo, via Internet. Há cerca de quatro anos, o diretor geral da empresa, Marcos Galassi, trouxe a tecnologia streaming para o Brasil e tornou-se representante da VDONet para a América Latina, empresa que detinha a tecnologia. Mais tarde a VDOnet foi adquirida pela Microsoft. Ao apresentar o funcionamento do streaming a Caio Túlio Costa, diretor do Grupo Folha e do Universo On Line, nasceu a TV UOL, a primeira experiência nacional de transmissão de imagens via Internet. Apesar da baixa qualidade inicial de resolução de imagem e da

velocidade de execução, a TV UOL sobreviveu até a chegada da banda larga Informações sobre os principais programas para compressão/ e do aperfeiçoamento da digitalização podem ser obtidos nos seguintes sites: transmissão. Hoje a TV UOL tem um Adobe AfterEffects www.adobe.com acervo de 1,5 mil vídeos, mas boa parte do material Digidesign ProTools www.avid.com Media 100 www.media100.com foi captada por parceiros Real Producer Plus www.real.com para transmissão em broadcasting, como por Sorenson Video Developer www.sorensonmedia.com exemplo, o “Vitrine”, Terran Media Clanner www.terran.com da TV Cultura. Mesmo Windows Mediaplayer www.windowsmediaplayer.com assim é um acervo expressivo em se tratando “Depende do acordo com o artista, de Internet. A captação própria da no que diz respeito aos direitos TV UOL está voltada, basicamente, autorais” diz João Ramirez, gerente para transmissões ao vivo. Os shows geral de operações. A edição do de Luiz Melodia, Lenine, Ira, Zé material é feita em duas ilhas Ramalho, Emílio Santiago; o carnaval não-linear. A qualidade ainda 2000 de Salvador, Bahia; e o Festival está aquém de uma transmissão de Teatro de Curitiba estão entre os digital via TV, mas a diferença é a eventos que ganharam transmissão interatividade. O “interespectador” ao vivo pela Internet. A captação não fica passivo diante da é feita com câmeras DV da Sony. programação oferecida pela rede Algumas transmissões ficam no broadcasting. Ele escolhe a vez e a acervo à disposição do internauta. hora de assistir à Internet.

serviço


N達o disponivel


p r o d u ç ã o Emerson Calvente

Músicas, efeitos sonoros, filmes, fotos... Tudo o que for possível imaginar para a produção de um audiovisual provavelmente poderá ser encontrado numa library. Os bancos de sons e imagens não param de crescer e apresentam ótimas soluções principalmente em tempos de orçamentos baixos e prazos curtos.

LIBRARIES:

SOLUÇÕES PRÉ-FABRICADAS Libraries são coleções de sons e imagens “pré-fabricadas” que podem ser utilizadas em vídeos ou filmes. Há material de excelente qualidade disponível no mercado por preços relativamente baixos. Com a enorme quantidade de coleções oferecidas pelos bancos de sons e imagens é muito fácil atender a qualquer tipo de necessidade. As bibliotecas de áudio são acessíveis tanto a pequenos produtores quanto a broadcasters ou realizadores do mercado publicitário. Muitas empresas têm pequenas coleções contendo apenas alguns CDs, que inclusive podem ser vendidos individualmente. Outras, entretanto, têm libraries com até 130 CDs (veja box). Geralmente, os bancos de áudio são procurados pelos realizadores a fim de reduzir os custos com a produção. Para Luiz Fernando Magliocca, produtor musical e diretor da Publinter, “quando o projeto tem verba suficiente, o ideal é convocar músicos para que componham a trilha sonora. Mas 38

como a maioria dos trabalhos tem de ser realizada com baixo custo, muitos produtores relegam o som a um segundo plano, e essa é a hora exata de lançar mão dos recursos de trilhas em CDs, através das music libraries”. Os bancos de imagens são procurados pela necessidade de redução de custos e também por outros motivos, como os prazos e a dificuldade ou impossibilidade de se produzir determinadas cenas. Assim, imagens históricas ou de personalidades famosas que já morreram poderão fazer parte de um produto atual. É possível também encontrar outras imagens fora do comum, como combates militares, imagens feitas no espaço, fenômenos da natureza etc.

imagem em estoque Há mais de 20 anos foi fundado o The Image Bank, subsidiária independente da Getty Images. Com um acervo atualizado diariamente, o Image Bank representa premiados fotógra-

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fos, ilustradores e cineastas do mundo inteiro. Tem em seu acervo cenas de filmes e fotos da Petrified Films, Warner Bros., Columbia Libraries, Turner/MGM Library, uma coleção especial de imagens da China, entre outras, como a “Classics”, que retrata este século com cenas marcantes de cada década. Ivone Lozouet, diretora do Image Bank, garante: “O cliente pode criar um comercial somente com nossas imagens”. Para a seleção das imagens, o cliente poderá ir até um dos escritórios da empresa ou utilizar um sistema desenvolvido especialmente para a pesquisa imediata, o Image Index. Este sistema pesquisa por palavras-chaves, conceitos, épocas e cores. Outra boa opção para o cliente é pesquisar de seu próprio desktop através do site www.imagebank.com. Os orçamentos são feitos a partir de cinco segundos de imagens. A Stock Photos tem mais de cinco mil horas de cenas em 35 mm sobre estilos de vida, esportes, natureza,


tecnologia e muito material histórico nos arquivos da National Geographic Society Film Library, Haroldo Palo Jr. e Lawrence Wahba, entre outros. A National Geographic Society é o arquivo de filmes sobre a natureza mais conhecido no mundo. Haroldo Palo Jr. participou de expedições à Antártida e chefiou equipes de Jacques Cousteau durante a expedição à Amazônia. Produziu uma documentação minuciosa da fauna e flora brasileira para televisões do Brasil e do mundo, como a BBC e a Rede Globo. Ao todo, são mais de 250 horas de material. Lawrence Wahba é documentarista e cinegrafista submarino. Prestou serviços junto às principais emissoras do Brasil e a algumas internacionais. São aproximadamente 150 horas que mostram paisagens marinhas, animais e peixes de todos os mares e rios, minuciosamente decupadas e divididas cientificamente. Segundo Marcos Scheliga, diretor da Stock Photos, em alguns casos a empresa aceita trabalhos de cineastas brasileiros: “Sempre que vamos a uma

produtora pedimos para enviarem cenas, que serão analisadas para uma possível parceria”. O cliente pode selecionar o material que deseja através de pedidos de pesquisa, demos ou pelo site www. stockphotos.com.br. As imagens são cobradas por dez segundos ininterruptos e o uso é livre para um trabalho específico. “Cada contrato diz respeito a um determinado uso, tempo e região”, finaliza Scheliga. A Stock Photos tem ainda a Omni Music, uma coleção americana de trilhas sonoras em 15, 30 e 60 segundos. São mais de 130 CDs de todos os estilos musicais, além de 12 CDs de efeitos especiais.

licenciamento Toda vez que alguém desejar utilizar uma música criada por outro, é necessário obter a permissão do autor ou do detentor dos direitos autorais. Na procura pela coleção de áudio certa, o produtor deve considerar suas necessidades futuras. Para atender a todas as necessidades dos produtores,

os bancos de som oferecem principalmente dois tipos de licenças, buyout e assinatura, cada qual com suas vantagens e desvantagens. Buyout, também conhecida como royalty-free, é o tipo de licença mais comum. O cliente compra os CDs, paga uma única vez e o material pode ser utilizado por 99 anos, não havendo necessidade da renovação periódica dos direitos autorais. Normalmente, são coleções de pequeno e médio porte e o número de CDs é fixo, sem atualização gradual. Em caso de novos lançamentos, o cliente poderá adquirir cada CD individualmente. A maior parte das músicas dessas coleções é gravada de forma sintetizada, com um número reduzido de compositores para tornar os custos mais acessíveis. Poucas são as músicas gravadas com instrumentos acústicos, grupos musicais ou orquestras. Muitos produtores preferem esse tipo de licença pela sua simplicidade. A Procimar tem uma coleção com cinco CDs de trilhas que custa R$ 150,00, e o comprador já tem os direitos

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de execução de todas as obras. Se não há necessidade de uma grande quantidade e variedade de música, essa é uma boa solução. Outra opção é a assinatura anual, que exige a renovação periódica do direito de uso das obras gravadas.

Os CDs não pertencem ao cliente e devem ser devolvidos ao final do contrato, quando cessa o direito de uso do material. Ao fazer uma assinatura anual, o cliente recebe, por obrigação contratual, todos os novos lançamentos sem custos

extras. Assim, a coleção vai crescendo e se atualizando constantemente, melhorando a relação custo/ benefício. Essas coleções têm grandes quantidades de CDs gravados por maestros, compositores,

DE SOM EM SOM PUBLINTER O “Banco de Som”, da Publinter International Inc., com escritórios em São Paulo e Miami, representa mais de 30 empresas internacionais (70% norteamericanas, 25% européias e 5% asiáticas). Segundo Luiz Fernando Magliocca, “felizmente, nunca tivemos de empurrar nada para o cliente, pois a variedade é tão grande que ele pode definir aquilo que mais se enquadra no tamanho de sua necessidade e também de seu bolso”. As coleções musicais mais apreciadas no Brasil são as

produzidas pela canadense Sound Ideas (Mix I a VII, Hanna-Barbera, Disney), pelas norte-americanas Valentino Music Library & Sound Effects, Canary Music, PBTM e pela britânica Carlin Music. O cliente pode visitar o website www.bancodesom.com.br e ouvir alguns trechos que servem como demonstração dos produtos e ainda conhecer a legislação específica. Magliocca lamenta o desrespeito ao autor no Brasil: “É praxe, nas empresas brasileiras, o profissional pedir o CD demo. Em 85% dos casos, aquele possível

comprador desaparece. Tempos depois, você escuta aqueles trechos, ou montagens deles, em alguma vinheta. Na verdade, é comum utilizar-se o demo para fazer gravações sem pagar absolutamente nada aos autores”. TRILHA CERTA A Trilha Certa Áudio está lançando sua coleção de três CDs com mais de 80 trilhas e vinhetas instrumentais pré-produzidas. A “Royalty Free - CD Collection” é composta por material exclusivo nos mais variados estilos

musicais. Ao comprar os CDs da Trilha Certa, o cliente recebe um termo de licenciamento para 99 anos que garante os três direitos necessários ao uso de áudio e vídeo: mecânico, de sincronização e de apresentação/execução pública. Os direitos mecânicos habilitam-no ao uso - repetidas vezes - das músicas contidas num CD normalmente comprado. Os direitos de sincronização referemse ao uso da música em relação ao tempo do material a ser sonorizado. O direito de execução pública habilitam-no a apresentar


arranjadores, instrumentistas experientes e que utilizam instrumentos acústicos em suas gravações. Para Magliocca, da Publinter, “um número muito pequeno, na base de 15%, e refletindo a cultura de profissionais publicamente o material sonorizado. O cliente pode solicitar a visita de um representante da empresa, o envio de um CD demo ou visitar o site www. trilhacerta.com.br. Homero Lotito, produtor musical da empresa, adianta: “Estamos em fase de produção de trilhas sonoras brasileiras, incluindo todos os gêneros. Dessa maneira, pretendemos ajudar ao produtor que às vezes precisa recorrer a um country em vez de uma boa música caipira”. SONOTON A Sonoton é uma empresa alemã e uma das maiores do

bem posicionados, normalmente liderando grandes empresas, gosta e exige music libraries que oferecem um número elevado de CDs (50, 80, 100 e até 120) e que trabalham na base de renovação anual”. Há muitas variantes que

mundo no segmento de music libraries. Atualmente tem mais de 35 mil títulos em todos os estilos musicais. A cada ano, mais de 60 CDs são incluídos nas coleções. A Sonoton não trabalha com orquestras sintetizadas. Freqüentemente, mais de 100 músicos tocam nas gravações. Blues, jazz, funk, soul, grunge e rock são produzidos nos Estados Unidos, drum ‘n’ bass na Inglaterra e techno na Alemanha. Estilos étnicos e folclóricos são originalmente gravados em mais de 70 países com artistas familiarizados com os ritmos locais. As coleções

determinam os preços: o tipo de licença, a quantidade de CDs, os descontos etc. É aconselhável visitar os web sites dos bancos de sons, onde é possível saber mais sobre os preços e ainda ouvir trechos das coleções disponíveis.

de efeitos sonoros abrangem mais de 80 CDs. As licenças são do tipo assinatura com duração mínima de um ano, em que o cliente pode utilizar as trilhas para qualquer tipo de trabalho de sonorização, seja em vídeo, TV, rádio, cinema ou publicidade. Segundo Margarete Diaz, gerente da Sonoton do Brasil, “não trabalhamos com os arquivos buyout porque se trata de material de qualidade inferior”. Os clientes podem escolher o material desejado através de catálogos e CDs de demonstração. Além disso, há um CD-ROM em língua portuguesa

que possibilita escolher trilhas por categorias, palavraschaves, instrumentos, melodias conhecidas etc., assim como administrar dados do usuário e de projetos. Amostras de trilhas da maior parte dos CDs estão contidas neste CD-ROM. “Apesar dos custos relativamente baixos dos arquivos de som que existem hoje no mercado, há ainda empresas que insistem em usar trilhas sem autorização, se sujeitando a processos por infringir as leis autorais”, lamenta Margarete. A Sonoton do Brasil tem seu escritório no Rio de Janeiro.


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baratos”, afirma Salles. O poder da máquina Unix é revelado na capacidade de processamento. Na comparação, o trabalho com NT e Mac costuma demorar mais. A diminuição do uso de estações baseadas em Unix não trouxe problemas para os técnicos da casa. “O Unix é mais complicado. Migrar de NT e Mac para Unix é que seria mais difícil”, revela. O conhecimento do pessoal da Vetor tem ajudado até os fabricantes de software. A empresa já colaborou em beta testes de versões do Flame, Maya e alguns plug-ins do Flame.

mercado em chamas

contra o relógio O mercado de estações gráficas promete elevar a temperatura do mercado de finalização nesse ano. As plataformas NT e Apple tiveram melhorias e já disputam o espaço antes exclusivamente ocupado pela Unix.

Apesar da superioridade na velocidade de processamento gráfico das estações Unix, as plataformas NT e Apple são cada vez mais comuns nas finalizadoras. Dependendo do trabalho e do software a ser usado, usar uma estação Unix acaba saindo mais caro. Durante muito tempo, a finalizadora

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Vetor Zero trabalhou quase que exclusivamente com máquinas Unix, consideradas mais complicadas e também mais poderosas, ideais para trabalhar com programas como Flame e Inferno. “Só que não dá para trabalhar só com estações Unix. Dependendo da configuração, custam de três a dez vezes mais caro”, contabiliza Serginho Salles, sócio-diretor da Vetor. Hoje, a finalizadora optou pela diversificação. Metade das estações são Unix e a outra metade está dividida em máquinas NT e Mac. “Os outros evoluíram muito. O NT, que não tinha muita coisa para vídeo, ganhou muito espaço. Se eu tenho um software para 3D que roda com Unix e NT, acabo escolhendo o NT. O Mac permite o uso de softwares mais para composição e também são mais

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Pode parecer otimismo exagerado de quem quer vender o peixe. Mas é fato que boa parte dos fornecedores de workstations de alta performance estão bastante otimistas com os sinais enviados pelo mercado até agora. As declarações dão bem a medida do que se espera para este ano. “O mercado brasileiro está crescendo muito”, afirma Thiago Marques, gerente de produto da Apple Brasil. A Compaq bate na mesma tecla. “As perspectivas para este ano são excelentes devido à estabilização da economia e à intenção das empresas de investir mais recursos nesse tipo de equipamento”, relata Luís Albuquerque, gerente de produto. Se o mercado crescer como espera a indústria, é hora de chegar mais próximo dos clientes. E a questão de ordem é trabalhar melhor o fator tempo. Minimizar o fato de que todos os equipamentos precisam ser importados. Responder à demanda com maior rapidez. A Sisgraph é representante da Intergraph no Brasil. Segundo o gerente de marketing da empresa, Fernando Schmiegelow, como as estações são importadas, o prazo de entrega, contado a partir do fechamento do pedido, é de 30 dias. Os outros fabricantes enfrentam os


mesmos problemas de desembaraço alfandegário, mas desenvolvem estratégias diferentes. A SGI, que promete os maiores índices de rasterização de polígonos, rapidez e profundidade de textura e I/O de alta velocidade, tem entrega mais demorada das estações high end RISC. “Não trabalhamos com estoque local, mas sim importando dos EUA. O prazo de entrega é de 45 dias”, garante o diretor de marketing, Reinaldo Opice. Mas para máquinas Windows NT e Linux, “a manutenção de estoques locais permite entrega em até cinco dias”, de acordo com Opice. As estações RISC suportam os principais softwares usados no mercado hi-end, sejam para edição não-linear, cenários virtuais, animação, efeitos especiais, vinhetas, enconding/decoding, streaming, CAE, authoring, entre outros. “Existem alguns softwares, produzidos por

empresas independentes, que requerem recursos avançados de visualização, somente suportados pelos equipamentos SGI, tais como os softwares da Discreet, Alias|Wavefront, WSI e Weather Channel”, afirma Reinaldo Opice. A Compaq vende o diferencial de máquinas aptas a diferentes balanceamentos, podendo optar pelo poder de processamento ou poder gráfico, ou as duas características. A política dos canais de venda é bem similar à da SGI. “Nós mantemos um estoque no Brasil dos modelos mais vendidos, permitindo uma maior agilidade na entrega”, afirma Luís Albuquerque, gerente de produto. De acordo com Ricardo Murata, gerente de vendas da Tecnovídeo, para montar uma estação Compaq mais personalizada são necessários de 30 a 40 dias de espera. As estações da Compaq estão preparadas para rodar com todos softwares

homologados para Windows NT Workstation 4.0 e Windows 2000. A estratégia de distribuição da Apple é a que está mais ramificada no país. A empresa trabalha com quatro distribuidoras (Officer, SED International, TechData e Netmark). Estas trabalham com o canal Apple de revendas e também lojas de varejo. O resultado é uma resposta mais rápida. “O produto está disponível para pronta entrega em quase todos os postos de venda”, garante Thiago Marques, gerente de produto da Apple Brasil. Segundo Antônio Leonel da Luz, gerente de marketing e vendas da Videodata, trabalhar com equipamentos Compaq e IBM pode agilizar a entrega, pois muitos modelos já estão disponíveis no Brasil. “O Pentium de 1 GHz já deve estar desembarcando por aqui.”

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A Videodata integra sistemas de software e hardware tanto NT quanto Unix, dependendo do software utilizado. Para montar uma ilha NT baseada em um sistema Pinnacle leva em média dez dias, visto que o computador é facilmente achado no Brasil. Já para montar o sistema de cenário virtual da Orad, a empresa precisa de um prazo maior para conseguir o computador, uma Onyx, da SGI.

updates O aumento acelerado da capacidade de processamento dos chips joga a favor do mercado. Permite cada vez mais soluções inovadoras e tempo de realização menor. O problema é acompanhar a atualização dos softwares. A Internet tem sido muito usada pelos fabricantes para dar conta dos ciclos de updates cada vez mais curtos. A Compaq procura

O aumento da capacidade de processamento dos chips permite menor tempo de realização. introduzir novos equipamentos simultaneamente aos lançamentos da Intel, o que significa um novo modelo a cada quatro meses, em média. Para manter-se atualizada o caminho recomendado pelo fabricante é a rede. “O nosso site contém informações detalhadas sobre nossa linha de produtos, incluindo por menores técnicos sobre os equipamentos e sobre nossas soluções gráficas”, diz Luís Albuquerque.

A Apple também utiliza a distribuição eletrônica das novas versões, quando os programas são gratuitos. Caso contrário, somente através do canal especializado. As estações RISC, da SGI, utilizam o S.O IRIX (Unix). “Os updates são distribuídos automaticamente para os clientes que têm contrato de manutenção”, informa Reinado Opice. Mas existem situações em que a atualização não é mais possível. Faz parte do jogo da indústria. Schmiegelow, da Sisgraph, explica. “Realmente, a velocidade de atualização das máquinas é impressionante... Já estamos no Pentium III 800 MHz! As estações gráficas, devido à sua alta performance, atendem às necessidades do cliente por um período de tempo. Após este ciclo, as máquinas são trocadas”. Ou seja, ou troca a máquina ou fica para trás. Beto Costa


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POR

FESTIVAL DE GRAMADO O 28º Festival de Gramado, que acontecerá entre os dias 31 de julho e 5 de agosto na cidade que empresta o nome ao festival, finaliza o prazo para inscrições no dia 15 de junho. Com mostras competitivas para longas-metragens latinos e brasileiros, curtas e médias e Super-8 de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o festival também premiará o ator e diretor Paulo José com o troféu Oscarito. As inscrições podem ser feitas no escritório do festival em Porto Alegre, na Casa de Cultura Mário de Andrade; no Museu da Imagem e do Som de São Paulo; e na Funarte do Rio de Janeiro. Além das mostras competitivas, o festival contará com as mostras paralelas “Premières Gramado 2000”, com pré-estréia de filmes que vão entrar em circuito no Rio Grande do Sul no segundo semestre; “Cinema para estudantes”, com exibição de filmes brasileiros fora do concurso para estudantes do primeiro e segundo grau; “Cinema nos bairros”, com exibição em bairros na periferia da cidade; além de oficinas e workshops feitos em parcerias com o Curso de Especialização em

Quem lê TELA VIVA...

DEN T RO CURSO DE MAYA O Senac de São Paulo equipou-se com sete estações SGI e a partir de julho passa a oferecer o curso do software Maya, da Alias, em sua unidade da Lapa. A primeira edição do curso começa no dia 3 de julho. O horário é das 9h00 às 18h00, com duração de uma semana. O preço é de R$ 510,00, que pode ser dividido em três parcelas sem juros. São apenas sete vagas e não há necessidade de experiência anterior. Depois desta primeira edição, o curso será oferecido a cada três meses. O telefone do Senac para informações é (11) 3872-6722.

CINEMA NA UNIVERSIDADE Estreou em maio o projeto “Cinema em Movimento”, que vai levar o cinema nacional a 52 universidades espalhadas em 22 estados. A sessão de abertura aconteceu no auditório da FAAP, em São Paulo, com a exibição do longa “O dia da caça”, de Alberto Graça. O projeto, que é coordenado pelo próprio Graça e por Luciana Boal Marinho (produtora do

... E você que não lê.

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TELA VIVA junho DE 2000


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A G EN D A J Diretor e Editor Rubens Glasberg Diretor Adjunto de Redação André Mermelstein Editora Geral Edylita Falgetano Editor de Internet Samuel Possebon Editora de Projetos Especiais Sandra Regina da Silva Coordenador do Site Fernando Lauterjung Redação Fábio Koleski, Murilo Ohl Colaboradores Beto Costa, Davi Molinari, Emerson Calvente, Hamilton Rosa Jr., Lizandra de Almeida, Mônica Teixeira, Paulo Boccato. Sucursal de Brasília Carlos Eduardo Zanatta e Raquel Ramos Arte Claudia Intatilo (Edição de Arte), Edgard Santos Jr. (Assist. de Arte), Rubens Jardim (Produção Gráfica), Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica), Marcelo Laruccia (Ilustração de capa) Diretor Comercial Manoel Fernandez Vendas Almir B. Lopes (Gerente), Patrícia M. Patah (Gerente de Contas Internacionais), Alexandre Gerdelmann (Contato), Ivaneti Longo (Assistente) Coordenação de Circulação e Assinaturas Gislaine Gaspar Coordenação de Marketing Mariane Ewbank Administração Vilma Pereira (Gerente); Gilberto Taques (Assistente Financeiro) Serviço de Atendimento ao Leitor 0800-145022 Internet: www.telaviva.com.br E-mail: telaviva@telaviva.com.br Tela Viva é uma publicação mensal da Editora Glasberg - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001 Telefone (11) 257-5022 e Fax (11) 257-5910 São Paulo, SP. Sucursal: SCN - Quadra 02, à Associação ANER Filiada Nacional

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Revista Tela Viva - 94 junho de 2000  
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