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Nº84 agosto 99 www.telaviva.com.br

criação de jingles

como vai o transporte

para publicidade

usado para a produção


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EDITORIAL

Este símbolo liga você aos serviços Tela V iva na Internet. Ô Guia Tela V iva Ô Fichas técnicas de c o m e r c i a i s Ô Edições anteriores d a T e l a Vi v a Ô Legislação do audio v i s u a l

Í NDICE

SCANNER

6

CAPA

Broadcast & Cable’99

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PRODUÇÃO

Transporte

20

PUBLICIDADE

Jingles

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CINEMA

Intercâmbio Brasil/França

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ENTREVISTA

José Gregory

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MAKING OF

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TELEVISÃO

Rede TV!

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MULTIMÍDIA

Internet via satélite

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EQUIPAMENTOS

Placas de captura

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PROFISSÃO

Locutores

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FIQUE POR DENTRO

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AGENDA

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A falta de qualidade no conteúdo da programação de TV é assunto que rende muito pano para manga junto aos diversos segmentos envolvidos nesta questão. Palpite é o que não falta. A casta que conseguiu ser letrada continua a acreditar que deve traçar os parâmetros para moldar o desenvolvimento de uma semi-alfabetizada população. O movimento dos políticos sem-concessão enxerga a implantação de um código de ética como a forma de conseguir, mesmo sem o dinheiro para comprar uma emissora, participar e opinar no meio de comunicação eletrônica de massa. Os empresários do setor preferem a moita, engendrando meios para tirar o melhor proveito do seu negócio, mesmo em detrimento do telespectador. Este coitado continua a viver de pão e circo. Todos os abusos cometidos pelas emissoras estão previstos no Código de Ética da Radiodifusão Brasileira, da Abert. Mas seja por estar baseado em critérios abstratos e etéreos ou pela pífia força da entidade no atendimento de suas próprias regras, é que focos doentios da mente humana continuam a ser estimulados através das telas de TV por uma suposta programação popular. O Executivo Federal resolveu entrar na guerra pelo conteúdo da televisão brasileira através da Secretaria de Direitos Humanos do Ministério da Justiça. Mas nada garante que uma auto-regulamentação coíba a baixaria, como o Conar consegue, há 20 anos, evitar na publicidade nacional. Até o público apela para o Conar quando se sente enganado. E, o telespectador, reclama para quem? Agarra-se ao controle remoto! A irreal ditadura do Ibope tem provocado um efeito predatório na grade de programação das emissoras. O uso distorcido dos resultados anunciados dos picos de audiência confundem, não o telespectador que obviamente está zapeando em busca de algo menos ruim para assistir, mas o mercado com o troca-troca de horários e “esticamento” de horários. Essa bagunça acaba por tontear o anunciante que não tem garantia de quando e onde vai veicular seu comercial e tem reflexo na receita publicitária, podendo inclusive, inviabilizar o negócio TV. O governo deve cobrar responsabilidade dos concessionários mas não pode ditar regras que engessem e pasteurizem todos os aspectos da programação. Os broadcasters ao invés de enveredar pela tortuosa discussão ética e cultural devem redigir normas objetivas que proíbam a abordagem chula e grosseira de qualquer tema mas têm de manter a liberdade para colocar no ar todo e qualquer assunto que venha a enriquecer a informação, a educação, a cultura e o entretenimento de quem liga seu aparelho de TV. Se os empresários do setor não o fizerem, outros acabarão tomando medidas até drásticas.

Edylita Falgetano


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EMPOLGAÇÃO

Foto: Divulgação

Disposição e energia é o que não falta na reformulada área comercial da Rede Bandeirantes. A Rede Globo O novo superintendente acertou com comercial, José Maurício Pires Alves, traça a empresa planos para aprimorar a Castalia qualidade dos serviços Communications para as agências de Corporation propaganda buscando o contrato de uma maior sinergia distribuição para oferecer projetos do seu canal de comunicação em internacional multimídia. A política de comercialização visa para os países da José Maurício Pires Alves um maior envolvimento América Latina com os anunciantes no e Europa. Com momento em que a rede isso, a emissora se prepara assume sua tendência de cativar a para lançar o sinal em outros família com a nova programação mercados, já que por enquanto que está entrando no ar. Depois apenas os brasileiros dos de trabalhar 25 anos na RBS - há seis anos em São Paulo como Estados Unidos têm acesso ao superintendente de comercialização canal. A Castalia fica sediada nacional - José Maurício é a própria em Atlanta (EUA), e atua na área felicidade quando fala sobre a de marketing e distribuição de mudança para a nova casa. Para reforçar o time o superintendente contratou Alberto Niccoli Jr. para a direção comercial. Depois de 22 anos na Rede Globo, Niccoli pretende faturar muito, aumentado a carteira de clientes através de uma aproximação com o mercado para explorar as oportunidades que a rede oferece. “O campo de trabalho é imenso. A Band é uma empresa séria, querida e não há qualquer rejeição à marca.” Outra novidade na Bandeirantes é Antônio Athayde. O exexecutivo da Globo, está prestando consultoria e trabalhando junto a Johnny Saad, principal executivo da holding, no posicionamento estratégico das empresas do grupo, que além das emissoras de TV e da rede de rádios tem ainda participação na TV Cidade, operadora de TV a cabo.



serviços de entretenimento e telecomunicações.

O SBT também está preparando o lançamento de um canal internacional, de olho no segmento de brasileiros vivendo no exterior, que será vendido por assinatura para o mercado norte-americano, europeu e para os demais países da América Latina. O que ainda precisa ser definido é a forma de distribuição. O SBT estuda a possibilidade de ter um sócio distribuidor, que também investiria no canal, ou simplesmente terceirizar a distribuição. Nesse caso, o próprio SBT bancaria os custos do canal integralmente. O que pesa nesta negociação é quem assume os riscos. O projeto é para os

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próximos três meses. Os formatos dos canais internacionais da líder e vicelíder de audiência no Brasil são diferentes. O canal do SBT deverá ter seis horas de programação por dia. Essas seis horas serão repetidas quatro vezes ao dia, resultando em 24 horas de transmissão. Por ter o conteúdo editado, o canal não será simultâneo à grade brasileira. Haverá 24 horas de diferença, ao contrário do canal da Globo, que exibe a programação no Brasil e nos outros países ao mesmo tempo. Por ter menos horas de programação por dia, o canal do SBT deve ser mais barato que o da Globo. A mensalidade do SBT internacional não ultrapassará os US$ 10, contra quase US$ 20 do canal da concorrente. O primeiro mercado a ser explorado será, evidentemente, o dos EUA.

ALERTA A partir de setembro a revista Tela Viva passará a publicar uma coluna sobre a programação regional exibida pelas emissoras brasileiras. A produção e as soluções encontradas para atender o interesse do público local pautarão a nova seção que apresentará um panorama do trabalho realizado pelos broadcasters de todas as regiões do Brasil. Contamos com a participação de todos.


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O primeiro resultado da conexão 24 horas via Internet entre a filial paulistana da Intervalo Produções com sua matriz no Rio é o filme “Teen”, feito para a produtora Bull’s Eye Filmes, para o cliente Berlitz. Devido ao prazo curto, as duas equipes foram acionadas para a produção da primeira animação em São Paulo. No Rio, os desenhos foram feitos à mão, scaneados e enviados para São Paulo, onde foram pintados no Avid Matador. Depois, foram compostos e montados no Flint da Digiarte - onde funciona a filial SP da Intervalo - e, em um fim de semana, tudo estava pronto a ir para o ar.

As contas do Banco do Brasil e Fundação Banco do Brasil, da Fischer América, têm agora uma nova diretora de atendimento. É Giselle Tromboni, que possui um currículo amplo na área de comunicações, incluindo não só passagens por agências de publicidade como trabalhos em marketing Giselle Tromboni e relações públicas. Foto: Divulgação

TRABALHO ON LINE

SOB MEDIDA

RECORDISTA DO MTV

DE CARA NOVA A Globosat prepara o lançamento da nova programação visual de seu último canal que ainda apresentava o projeto original, o Multishow. A criação e coordenação do trabalho é do Estúdio Noz, de Ricardo Van Steen, que chamou diversas

LAÇOS ESTREITOS

produtoras para executar as novas vinhetas e aberturas de programas. Participaram a Lobo Filmes, o Estúdio Galáxia e a Terracota, de São Paulo. As trilhas sonoras são de André Abujamra e a parte musical também foi trabalhada pelo Estúdio Multi, do Rio.

O grupo Hicks, Muse, Tate & Furst, um dos sócios da Bandeirantes na TV Cidade, anunciou no final de julho, a aquisição de 49% da Traffic, a empresa de marketing esportivo que detém o direito de comercialização de diversos campeonatos de futebol além de controlar a programação esportiva da TV Bandeirantes. Com isso, o grupo Hicks estreita ainda mais os laços com a Band e mostra uma estratégia mais consistente para o Brasil, participando de negócios tanto em TV aberta (via Traffic) quanto TV paga, além do segmento de futebol (o grupo investe no Corinthians).

Segundo Van Steen, a proposta para o Multishow foi a de imprimir um ritmo mais acelerado e colorido ao canal, com um espírito alto astral, coerente com a programação. “Usamos elementos relativos aos valores tradicionais de diversão, como circo, Broadway e teatro de revista”, explica o diretor de arte. “Afinal, a programação é toda voltada para o espetáculo.”

O diretor Alex Miranda repetiu esse ano o feito realizado em 98. É o diretor com mais trabalhos indicados para o MTV Video Music Brasil 99. Alex está concorrendo com cinco clips, em oito categorias. Em seu currículo, bandas iniciantes e revelações como Nativus, Pepê & Neném, Câmbio Negro, De Menos Crime e Rumbora. Além dos 42 clips que já dirigiu, Alex também dirige filmes publicitários na O2 Dois. A premiação acontece no dia 19 de agosto a partir das 22 horas no Via Funchal, em São Paulo, com transmissão ao vivo para todo o Brasil.

AINDA MTV Na categoria direção de fotografia, apenas dois concorrentes disputam o Video Music Brasil. André Horta concorre com os clips da Banda Eva (De ladinho) e de Chico Buarque (Carioca). Já Adriano Goldman tem três clips no páreo: “Esse é o meu país”, do Câmbio Negro; “Por você”, do Barão Vermelho; e “Já foi”, do Cidade Negra.

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Novos diretores Fotos: Divulgação

A Espiral Filmes reforçou seu time de diretores em julho com a contratação de Clóvis Aidar e Caíto Ortiz. Aidar, que trabalhou na produtora Olhar Eletrônico e, recentemente, fez trabalhos para a 5.6, traz sua experiência em direção de atores. Já Ortiz vem da direção de videoclips e curtas-metragem e já tinha feito trabalhos para a Espiral, mas agora concentra sua atenção na produtora.

Clóvis Aidar

Caíto Ortiz

MARCANDO PRESENÇA

LABORATÓRIOS NO BRASIL Desde que assumiu o Laboratório Cinematográfico Curt & Alex, a Chile Filmes investiu US$ 5 milhões (incluindo a compra) na modernização e remodelação do laboratório que pertenceu à Kodak. A Chile Filmes é responsável por dois dos mais importantes laboratórios cinematográficos da América Latina, no Chile (Chile Filmes) e na Argentina (Cinecolor). Por enquanto, as instalações do laboratório continuam na zona norte de São Paulo, mas a empresa estuda a mudança para Alphaville, juntamente com a sede geral no Brasil, a ser

construída. Entre as novidades implantadas, estão a aquisição de um telecine off line, uma mesa computadorizada para corte de negativo e uma nova copiadora, para 16 mm e 35 mm, com janela seca e molhada. Um acordo operacional está sendo fechado com os Estúdios Mega para a implantação de um laboratório de revelação de negativos dedicado ao mercado publicitário. Os investimentos são do grupo financeiro proprietário da Mega e o know-how vem da Chile Filmes. As instalações já estão em construção, no bairro de Higienopólis, perto da sede da Mega.

SENAC NA ASSEMBLÉIA O presidente do conselho regional do

Foto: André Jung

Trabalhando Senac-SP, Abram Szajman, para retomar o assinou um contrato com a desenvolvimento TV Assembléia que firma a da empresa em TV Senac como prestadora sua área de de serviços e geradora de comando, o gerente programas. Com duração de dois da JVC para a Yamamura e Arthur Oguri América Latina, anos, além da geração, o acordo Show Yamamura, inclui distribuição dos sinais via está acompanhando de perto satélite para todas as operadoras de o mercado brasileiro e a TV a cabo do Estado de São Paulo. A atuação de seu representante, programação, de oito horas diárias, a Tecnovídeo, com visitas terá sessões do plenário, reuniões das mensais ao Brasil. Para comissões, entrevistas com deputados e mostrar sua presença na terra tupiniquim, Yamamura um telejornal. A grade de programação estará na feira Broadcast & será completada por programas cedidos Cable apresentando os pela TV Senac. A nova emissora entrará no novos produtos da JVC (veja ar dia 16 de agosto. matéria pág. 16).



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De acordo com o diretor da empresa, Davi Trejo, até o início do ano 2000, os investimentos devem chegar à casa de US$ 10 milhões. A próxima medida será a alteração no nome, que ainda não está definido, mas certamente será mais parecido com o dos laboratórios já conhecidos internacionalmente.


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GENTE NOVA

Fotos: Divulgação

Com a prioridade de coordenar as atividades de mídia, NOVA IMAGEM desenvolvimento de Este ano, os Estúdios Mega já participaram da exibição dos produto e informação de mercado, Ana filmes pré-selecionados para o Festival de Cannes e do Cristina Leão assumiu Cine Ceará. A próxima empreitada é o patrocínio oficial do o cargo de gerente Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo. de mercado da A empresa também está investindo em apoios culturais. O TV Alterosa. Após principal deles é a telecinagem completa dos originais do trabalhar com análise Ana Cristina Leão seriado “Vila Sésamo”, que vai ser reexibido pela TV Cultura de pesquisa na Vox em seu aniversário de 30 anos. O trabalho chegou a ser Poppuli e coordenar o atendimento e disputado internamente pelos funcionários, saudosos dos planejamento da personagens que marcaram a infância de quem hoje tem RC Propaganda nos mais ou menos a mesma idade da emissora. últimos três anos, a nova gerente chega O crescimento da finalizadora também está motivando com o objetivo de Yáskara Leal outras mudanças na casa. Uma delas é a construção instrumentalizar a área de um estúdio de áudio. Outra, é a promoção de Magali comercial da emissora Wistefelt, que respondia pela pauta e agora passa a integrar o time de e aumentar a eficiência das forças de vendas. atendimento da casa. Há sete anos trabalhando no grupo Alterosa/Guarani, passando pelo atendimento na Guarani FM, contato e gerente comercial na Alterosa Cinevídeo, Yáskara Leal assumiu a superintendência da produtora. Segundo ela, a casa está preparada para ampliar sua participação no mercado nacional graças aos novos equipamentos para captação e finalização e softwares de composição e edição recém-comprados pela

DIREÇÃO NACIONAL Presidida pelo jornalista Adriano Alves de Oliveira, que também integra a subcomissão de rádio e televisão do Senado, a Associação Riograndense de Educação e Televisões Culturais elegeu seu diretor nacional. Trata-se do coordenador da Top Cultura, RTVE de Ouro Preto (MG), Cláudio Guimarães, que passa a acumular as duas funções. 10

FRENTES DE BATALHA O Ecad está atirando para todos os lados pois os ataques partem de diversas frentes. O órgão pretende gastar R$ 712 mil reais em mídia e Osvaldo Cesar Veloso, diretor de distribuição da Sabem (expulsa do Ecad), considera que “esse dinheiro será usado sem o consentimento dos autores, por eles representados, para ofuscar os olhos”. “Estamos tentando quebrar o monopólio do Ecad para poder moralizar a arrecadação de direitos autorais no Brasil.” O deputado federal Valdeci Oliveira (PT-RS) pretende apresentar este mês uma proposta de emenda constitucional onde o Estado terá uma A CHS Brasil é a nova distribuidora da SGI no maior participação no Brasil. Pelo acordo, a CHS irá implementar controle dos direitos a distribuição da Visual Workstation Silicon autorais e extinguir o Graphics 320 e da 540 em suas cerca de 12 mil Ecad. A disputa com as revendas em todo o país. Esta é a primeira vez emissoras de TV também que uma subsidiária da SGI da América Latina teve desdobramentos na nomeia um distribuidor e representa a política da tentativa de suspender empresa de popularização de suas workstations a execução de obras NT. A SGI continuará responsável pelo musicais na programação treinamento técnico, à CHS caberá a comunicação da Rede Globo e suas com as revendas e a pulverização de vendas. afiliadas. A guerra

PRIMEIRA SUBSIDIÁRIA

continua!

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ÁGUA NA VIDA O diretor e jornalista Alex Gabassi transformou seu projeto de pesquisa em um vídeo. Em 97, ganhou uma bolsa da Fundação Vitae para realizar a pesquisa de um futuro documentário sobre a simbologia da água nas diversas manifestações culturais e científicas. Como bom videomaker, envolveu amigos e fornecedores no projeto e transformou seu relatório em um primeiro vídeo, que antecipa o documentário em si.

DIREÇÕES A TGD Cinema & Vídeo ganhou nova direção de cena de comerciais e de computação gráfica. Enio Berwanger, que trabalhou como fotógrafo publicitário em São Paulo e Los Angeles, agora é diretor de comerciais exclusivo da produtora. Para a direção de computação gráfica a TGD contratou o designer e programador visual francês Cristophe Desiter, que tem uma passagem pelo Anima Múndi no currículo.

SÃO TANTAS EMOÇÕES... O publicitário Washington Olivetto vai levar ao seminário criativo da Adweek, em San Francisco, Califórnia, uma amostra de todas as emoções que já levou ao ar no Brasil. Convidado a abrir o evento, no dia 30 de setembro, Olivetto preparou uma palestra sobre o tema “Publicidade movida a emoção”. Na bagagem, leva os recentíssimos filmes de Classe A, o carro popular da Mercedes Benz.

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MONTEIRO LOBATO NA GLOBO Há dez anos longe das telas da Rede Globo, a obra infantil de Monteiro Lobato voltará à emissora. A família do autor e a rede firmaram acordo que garante à Globo o direito de uso de toda a obra infantil de Monteiro Lobato e de seus personagens em TV aberta e fechada, cinema, CD-ROMs, Internet, parques temáticos e revistas. A emissora, que prevê a veiculação de uma série

diária para o início do ano 2001, também poderá negociar os produtos com os personagens de Lobato no Brasil e no exterior. A roteirização da obra deve levar em torno de seis meses, mas a série só irá ao ar após a finalização de 130 capítulos com meia hora de duração. A idéia de lançar desenhos animados ou um especial antes da série não é descartada.

PRODUÇÃO PANAMERICANA A produtora Zebra Filmes assinou a produção do primeiro evento promovido pela Fox Kids, emissora a cabo voltada ao público infantil. A emissora criou um campeonato de futebol entre escolas do Brasil, Argentina, Chile e México, que foi documentado em detalhes. No Brasil, a Zebra foi responsável por toda a captação das imagens que resultaram em 30 programas e vários boletins inseridos ao longo da programação.

CONQUISTANDO ESPAÇO

A direção de Nelson Enohata deu tão certo que ele foi convidado a liderar outras equipes nos demais países. Além das imagens dos jogos, também foram feitas entrevistas com jogadores famosos de cada país, sempre sobre o tema “Como se faz um campeão”. Com um fundo educativo, os jogadores davam dicas de qualidade de vida aos aspirantes.

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Em agosto, a finalizadora Espaço Digital completa um ano de atendimento ao mercado audiovisual, com um crescimento acima do esperado e 50 clientes em sua carteira. O contrato mais recente é com a TV Bandeirantes, para quem vão editar e criar os efeitos especiais do programa “As aventuras de Tiazinha”. Como reforço ao time de profissionais, a empresa contratou o editor e operador de Fire Robson Sartori, que vem da Tape House.


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BONS VENTOS

Além o apoio do profissional David Schürmann, que é o diretor dos programas veiculados no “Fantástico”, da Rede Globo, o que mais chamou a atenção de Roni (que é praticante de windsurfe) foram as manobras radicais com que Vilfredo conduz seu veleiro Aysso de 55 pés. A Cinergia contratou uma equipe de food stylist local para compor os pratos feitos com produto e consumidos pela aventureira família no cockpit do Aysso. A produtora que ocupa uma área total de 4 mil m2, no bairro Saco Grande da capital catarinense, acaba de contratar Andrea Paiva, que já atuou no mercado de São Paulo e trabalhava na agência Centro de Comunicação, de Porto Alegre (RS), como atendimento para o escritório que mantém na capital sul-riograndense, destinado exclusivamente às agências de publicidade do Rio Grande do Sul.

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TESOUROS CINEMATOGRÁFICOS A Warner Bros. doou US$ 100 mil para a Film Foundation, uma organização dedicada à busca e recuperação de tesouros cinematográficos, no lançamento de “De olhos bem fechados”, de Stanley Kubrick, nos EUA no último dia 16 de julho. O custo da remasterização de um filme mudo em preto e branco Fotos: Divulgação

O diretor da Cinergia Cinema e Televisão, de Florianópolis (SC), João Roni Garcia esteve em Matahari Island, na Indonésia, filmando a nova campanha do óleo Soya, criada pela Agência Propague (SC), para seu cliente Ceval, O veleiro Aysso à bordo do veleiro da família Schürmann. Durante as filmagens na ilha que se situa a aproximadamente 50 km de Jacarta, duas grandes tempestades obrigaram o capitão do veleiro, Pack shot Vilfredo Schürmann, a procurar um abrigo seguro, inclusive para todo equipamento locado na capital indonésia.

sai por US$ 15 mil e até quatro vezes esse valor para os coloridos. Essa luta foi encampada por Kubrick (recém-falecido), Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, George Lucas e Steven Spielberg no começo dos 90 quando foi criada a entidade.

O material recuperado é mandado para as instituições atuantes no estudo e na solução dos problemas e métodos de preservação. Segundo um estudo da Comissão de Preservação do Filme Nacional da Biblioteca do Congresso dos EUA, Recém-fundada, no Rio de Janeiro, a metade dos filmes ABPI-TV - Associação Brasileira de norte-americanos Produtores Independentes de Televisão feitos antes de 1950 foi formada para organizar e defender se perdeu ou por falta os direitos das empresas que produzem de armazenamento ou para as televisões e buscar a ampliação porque o antigo deste mercado. acetato tinha grande poder de combustão. Já na primeira assembléia, com a E os que sobraram participação de 22 produtoras, foi escolhida estão sendo alterados a primeira diretoria, com a seguinte pelo tempo, sofrendo formação: Marcos Altberg, da M. Altberg um processo de Cinema e Vídeo, na presidência; Nelson degradação das cores Hoineff, da Comunicação Alternativa, na e uma deterioração vice-presidência; Clélia Bessa, Raccord do acetato conhecida Produções, como secretária-geral; Marcello como “síndrome Dantas, da Magnetoscópio, e Luis Antonio do vinagre”. Silveira, da Giros Produções, como diretores.

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PRODUTORES INDEPENDENTES


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c a p a Emerson Calvente e Mario Luis Buonfiglio *

RUMO À TV DO FUTURO Este ano, o maior e mais importante evento de broadcasting do país, Broadcast & Cable 99, será realizada no Rio de Janeiro, no Pavilhão de Exposições do Riocentro, durante os dias 23, 24 e 25 de agosto, das 9h00 às 18h00.

Os profissionais de televisão, cinema e vídeo brasileiros terão a oportunidade de conhecer os equipamentos e serviços que os fabricantes e fornecedores estão disponibilizando para o mercado e discutir as tendências mundiais durante a Broadcast & Cable 99. O evento, promovido pela Certame, integra a Feira de Tecnologia em Equipamentos e Serviços para Engenharia de Televisão, o 13º Congresso Brasileiro da Sociedade Brasileira 16

de Engenharia de Televisão (SET) e o Seminário Nacional da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). O tema central do evento será “A televisão para o próximo milênio”. A feira mostrará ao vivo o que há de mais avançado em termos de tecnologia de equipamentos e serviços para a engenharia de televisão enquanto um panorama da TV Digital no mundo - desde convergência dos sistemas até a questão do padrão de transmissão a ser adotado no País (o ATSC norteamericano ou o DVB europeu) que atenda às necessidades da indústria, broadcasters e usuários - será o foco das atenções das palestras (leia box), a começar pela cerimônia de abertura, no dia 23 de agosto, às 9h00, quando o keynote speaker Roberto Blois Montes de Souza, vice-secretário geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), fará o relato da visão da entidade sobre as novas tecnologias de radiodifusão de padrão digital, abrangendo rádio AM/FM e TV. Os fabricantes esperam

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atrair a atenção dos visitantes exibindo as novidades que foram destaque na última NAB. Num estande de 235 m2 a Sony terá um estúdio totalmente digital para exibir sua linha de câmeras, inclusive as de baixo custo, sua linha de gravadores e reprodutores DVCAM e Betacam SX e estará lançando no Brasil o sistema de edição nãolinear ES-3. Para o segmento de sistemas de armazenagem em disco com processamento MPEG exibirá os equipamentos MAV-70 e o VideoStore 2000.

destaques Os cenários virtuais da RT-SET poderão ser conferidos no estande da Eletro Equip. A RT-SET tem sede em Israel e tem dezenas de sistemas instalados em emissoras de todo o mundo, a exemplo da Rede Record, a mexicana Televisa e a americana WCBS. Mas a grande novidade este ano fica por conta dos personagens animados a partir dos movimentos de atores reais, no sistema Typhoon da DreamTeam. A tecnologia baseia-se em uma roupa especial com sensores que são capazes de interpretar os movimentos do ator real enviando as informações para o ator virtual, em tempo real. Outro destaque será para o ShakeOut da Snell & Wilcox, que é um estabilizador digital de imagem que elimina movimentos indesejados de câmera, provenientes de fontes de sinal de vídeo de baixa qualidade (como vídeos amadores) ou captados em situações não ideais, como em eventos esportivos ou em imagens captadas de helicópteros. Para a área de produção estará em exibição o gerador de caracteres Collage, da PixelPower, que entre outras características permite composição gráfica, animação 2D e 3D e still store. Para aplicações de baixo custo, será apresentado o Trinity, da Play, que se apresenta como uma workstation de vídeo com switcher, gerador de efeitos


3D, composição gráfica, edição de vídeo e mixer de áudio integrados. Entre os equipamentos apresentados pela Barco, o público brasileiro terá a oportunidade de avaliar o desempenho das soluções DSNG - Digital Satellite News Gathering, que é uma tecnologia amplamente empregada para reportagens externas, através do Saturn, que é um encoder com modulador QPSK, 8PSK, 16QAM e o Stellar IRD, que é um decoder IRD. Na área de compressão a Barco oferecerá aos usuários possibilidade de comparar as tecnologias MPEG2 e ETSI, já amplamente utilizadas mas que ainda são motivo de vários questionamentos. Em transmissão, o padrão DVB-T será o destaque, através da tecnologia COFDM (Orthogonal Frequency Division Multiplexer), que segundo a empresa, propõe um grande número de aplicações de broadcasting. A Leitch apresentará produtos destinados às áreas de servidores, switcher digital, gerador de caracteres e routing switcher. Entre os destaques, será apresentado o VR 400, servidor de vídeo multiformato (MPEG2, DVCPRO 25/50 e Betacam SX); o Monarch 1RU, que é um conversor de aspecto; e a linha HDTV Glue, que é um sistema criado para atender diversas aplicações no campo digital, entre elas, conversão analógico-digital/ digital-analógico, amplificação e distribuição de vídeo nos formatos 1080I/720P e video frame syncronizer. Em paralelo, será apresentada outro pacote de soluções, como o Genesis, que é formado por um amplificador de sinal SDI e o Lynx, que é um redutor de ruído. Além dos equipamentos em demonstração, serão atendidos através de catálogos os interessados na linha DFS-3005, que é um Digital Frame Syncronizer; o Opus, switcher de alta definição para controle mestre; a série HD LogoMotion, que é um sistema

de animação em plataforma PC; e o gerador de caracteres LeFont, com capacidade para operar com gráficos de alta definição. A Hitachi estará relançando a câmera profissional Z-3000W com CCDs de 640 mil pixels com o novo sistema de transmissão triaxial componente, com saída D1 opcional, permitindo atingir distâncias de até 1,5 mil metros. Também pode ser docada com todos os VTRs analógicos (S-VHS, Betacam SP e PRO, Hi-8) e digitais (DVCAM, DVCPRO, Digital-S, Betacam SX) disponíveis no mercado. Na Àccom poderá ser conferido o lançamento do Abekas 6000 que é um servidor de vídeo para utilização em jornalismo e esportes e a nova versão de software para as unidades de edição não-linear StrataSphere com plataforma Macintosh G3 e que trabalha em real time com qualquer tipo de efeitos, luzes, wipes e transições aplicadas, sem necessidade de renderização. Utilizando o Quicktime Native, pode trocar arquivos com qualquer outro Mac ou Windows NT. A Videodata, representante oficial de vários fabricantes mundiais, vai apresentar a linha de servidores de vídeo Profile (PDR 200, 300, 400 e Profile PRO) da Grass Valley Group. No segmento de edição não-linear, será apresentado um sistema completo em tempo real baseado nas placas da Pinnacle Systems: a ReelTime Nitro. Para representar a Editware, o editor linear DPE 500, o servidor e sistema de automação de baixo custo Adtec, o servidor de vídeo Soloist e o Ad-Maestro para automação. Para completar a exibição deste ano, o sistema de automação broadcast da Louth Automation, a instrumentação da Tektronix e os monitores da Barco.

Por falar em Grass Valley/ Tektronix, a empresa estará promovendo durante a feira o switcher Kalypso Video Production Center que combina as facilidades tradicionais do equipamento com uma arquitetura aberta que permite um grau de automação operacional sem precedentes nas teleproduções. O equipamento será lançado oficialmente durante a IBC, em setembro, e estará disponível a partir de novembro. De acordo com Mark Narveson, gerente de marketing de produtos para sistemas de produção de vídeo, “além dos efeitos para transmissões esportivas e previsão do tempo, a mesma imagem base pode ser tratada e transmitida de duas maneiras a partir do Kalypso, isto é, ter letterings e efeitos diferentes para ser veiculada em dois diferentes canais”. Este ano, o estande da Crosspoint dará destaque aos seguintes fabricantes: Avid/ Softimage, Pinnacle Systems, Videotek, Digital Fusion e Commotion. Na área destinada à Avid/Softimage, será apresentada, em forma de teatro, a total conformidade entre os sistemas Media Composer e Symphony. Haverá uma edição em tempo real, com a ajuda e sugestões da platéia, de um clip em off line em um Media Composer e finalizado em um sistema Symphony. Ainda em relação a Avid/Softimage, será demonstrado o Avid Unity Media Net, que é um sistema de gerenciamento compartilhado de storage e mídia. As soluções em plataforma NT recém-lançadas pela Avid também serão mostradas, além do Softimage DS e 3D. Entre os equipamentos da Pinnacle Systems, serão apresentados o gerador (animador) de caracteres FX Deko e o servidor de vídeo Thunder, além dos novos features do DVExtreme Plus. Na

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capa

área destinada à Videotek, as novidades incluem equipamentos de medição e monitoração, entre os quais destaca-se o Waveform e Vectorscope VTM200 e o lançamento da família de demoduladores, o DM-200. O estande da Crosspoint estará hospedando a DM&AS (Digital Media and Art School) que é o Centro de Treinamento Autorizado Avid/Softimage no Brasil, no qual poderão ser consultados os preços e cursos oferecidos no Brasil. Serão apresentados os softwares Digital Fusion e Commotion, que podem trabalhar em complementação às soluções Avid ou mesmo standalone. E para completar a exibição deste ano, será apresentada uma ilha de edição de baixo custo: a Splicer, integrada pela empresa americana CIS, utilizando tecnologia Pinnacle ou Matrox podendo operar em Adobe After Effects ou in:sync Speed Razor. Com a marca de 15 mil unidades

do Digital-S já vendidas, a JVC apresentará sua linha digital de VTRs D-9 em 50 Mbps, componente digital, quatro canais de áudio e preparado para o ambiente 480/30P com aspecto 16:9. De olho na HDTV, será apresentado o D-9 HD para o formato 720P e 1080I. Para o segmento de pós-produção, poderá ser conferida a performance do BR-D95, com capacidade para slow motion. Na linha de câmeras, as novidades correrão por conta da DY-90W, com peso reduzido e menor consumo de energia, além de seleção de aspecto 4:3 ou 16:9. Para edição não-linear, o destaque será para a versão 2.0 do MWS1000 Time Gate, com efeitos em 2D e 3D em tempo real. Mas o que poderá atrair mais a atenção dos visitantes será, sem dúvida nenhuma, a GY-DV500, que é uma camcorder no formato DV, para jornalismo e multimídia. O estande da Philips estará

repleto de soluções. Entre os produtos e serviços que serão apresentados na feira, estão a linha de câmeras LDK e todos os VTs DVCPRO para edição de jornalismo e DVCPRO50 para edição de produção, além do DCR75 que é um laptop com um conjunto portátil de edição completa para DVCPRO. Entre as matrizes para áudio, vídeo e dados, estarão a Venus e a Triton. Para o controle das matrizes e da mesa de controle mestre Saturn, que também estará em exposição, serão mostrados os painéis e o software Jupiter. Para completar a área de produção, o servidor de vídeo Media Pool, os switchers DD-10 e DD-35 e o sistema de edição nãolinear para jornalismo EditStream. No segmento de transmissão, a Philips estará mostrando sua plataforma de compressão de áudio, vídeo e dados MPEG-2/DVB. Os sinais de vídeo e áudio são codificados pela nova família de encoders, o Program Encoder. O CleverCast é a plataforma Philips

o congresso O tema da digitalização será abordado nas seguintes sessões do congresso da SET: • TV Digital: uma realidade? (23/08 das 9h30 às 12h30), coordenado por Fernando Bittencourt, diretor da Central Globo de Engenharia e coordenador do grupo SET/Abert que discute o padrão da TV digital a ser adotado no Brasil. • No painel DAB in Band (25/08 às 9h00), Djalma Ferreira, da Abert/SET, coordenará o debate sobre o padrão de transmissão a ser adotado no Brasil, analisando os in band on channel (Iboc) da Lucent, USA Digital Radio e DRE-Digital Radio Express. • Transmissão digital no ar, coordenado por Liliana Nakonechny, da SET/Rede Globo (23/08 às 13h30); • Receptores para TV Digital: custos, recursos, mercado e evolução, coordenado por Olímpio Franco, da Olympic Engenharia (24/08 às 9h00); • Digitalização no cabo e MMDS: TV, telefonia, dados e Internet, coordenado por Vírgilio José do Amaral, da SET/TVA (25/08 às 9h00); • Analógico para digital: o desafio da transição - coordenado por José Antônio Garcia, da SET/TV Cultura (25/08 às 9h00); • Desmitificando: TV Digital para não especialistas, coordenado 18

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por Euzebio Tresse, da SET/Rede Globo (25/08 às 11h30); • HDTV e Filme: a convergência, coordenado por Celso Hatori, da SET/TV Cultura (25/08 às 13h30); • TV e Internet: convergência ou divergência? (25/08 às 14h00). Outros destaques • Regulamentando as radiações de RF, que vai contar com a presença do Prof. José Thomaz Senise como palestrante, representantes da Abricem e da Anatel e moderado por Valderez Donzelli, da SET/TV Cultura (24/08 às 14h00), abordando a influência das radiações de rádio e TV no corpo humano. • Richard Ducey, diretor de tecnologia da National Association of Broadcasters (NAB), também estará no evento para falar das Perspectivas tecnológicas e de novos negócios para rádio e televisão, com Fernando Ernesto Corrêa, vice-presidente da Abert (23/08 às 14h00). • painel Redes de telecomunicações de alta velocidade disponíveis para rádio e TV, contará com participantes da Telemar, Tele Centro-Sul, Embratel e Telefônica. Neste painel serão discutidas as disponibilidades das operadoras para transportar os sinais de alta velocidade (24/08 às 11h00). Será moderado por Fernando Ferreira, da SET/Rede RBS.


que torna possível a integração de uma série de aplicações interativas à rede. Com ele, aplicações como Internet via satélite para uso doméstico ou corporativo, educação à distância, jogos interativos, home banking e outros, tornam-se possíveis. Os equipamentos que serão mostrados, já visando o futuro da integração entre os vários sistemas de telecomunicações, têm interfaces e funcionalidades para comunicação via satélite, cabo, MMDS, SDH e ATM. Na Exec Technology uma equipe de dez pessoas estará recepcionando os visitantes e demonstrando as últimas versões do Flame V.6, Smoke V.3 e Edit V.5, da Discreet, num estande de 80 m2. As plataformas Digisuite DTV e Multicast, da Floripa Tecnologia; sistema de circuito fechado de TV CFTV, da Presença Componentes Eletrônicos; sistema de comunicação OrionII, da Systec; microondas fixo

e móvel, transmissor de TV, receptor de satélite e modulador de áudio/vídeo, da Teclar, também estarão sendo lançados durante a Broadcast & Cable deste ano. Novidade é a palavra de ordem para a Lumatek, representante de diversas marcas de iluminação. Da Strand Lighting será apresentada a nova linha de refletores HMI Fresnel e Par para estúdio. Luminárias para estúdios e externas, kits e elipsoidais da Dexel Lighting. Dimmers e mesas da marca Litec (fabricados pela Dexel Lighting). Novos modelos de tripés e cabeças para câmeras de vídeo completam a apresentação deste ano. A Motion vai apresentar ao mercado sua câmera Panavision para locação e duas novas lentes, entre elas uma grande-angular de 6 mm sem distorção. No segmento de movimentos de câmera, a novidade vem da Inglaterra: é o Polecam, que é uma vara de até 6 m com uma cabeça eletrônica e uma

microcâmera acoplada (exclusividade Motion para locação e vendas). No estande da Fuji TZ, estará em exibição a nova linha de lentes da Fujinon para câmeras digitais, entre elas os modelos A22 x 8.7 e A10 x 4.8. Na Miranda está programado o lançamento do novo sistema de monitoração virtual chamado Kaleido, capaz de mostrar até 16 imagens em uma única tela, podendo ser configurada a distribuição e tamanho de cada uma das janelas até 256 presets. A Chyron estará exibindo o Max! gerador de caracteres para aplicações em broadcast e pós-produção, com interfaces analógicas ou digitais, canal de key, animação de gráficos fullframe, captura de vídeo e playback em tempo real e duplo preview de saída. * Colaborou Edylita Falgetano

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p r o d u ç ã o Beto Costa

A transportadora é uma das mais antigas do setor. Ali atuam 20 motoristas que chegam a fazer juntos até 300 trabalhos por mês. Chijo defende o peixe dele. “Aqui todos os motoristas são especializados. Conhecem os lugares onde são feitas pesquisas de produção, objeto, figurino. Se alguém falar: ‘Vai lá na Bonsucesso buscar uma cadeira’, já sabemos onde é”, conta referindo-se ao antiquário muito procurado pelas produtoras de objeto.

disputa

REVOLUÇÃO EM TRÂNSITO As transportadoras especializadas em atender às produtoras vivem dias difíceis. Boa parte delas já baixou as portas. As sobreviventes buscam novos nichos, mas sabem que a tendência é o mercado ser invadido pelos autônomos.

Os orçamentos cada vez mais enxutos dos filmes publicitários continuam fazendo vítimas. Uma forte pressão sobre os gastos vem reduzindo cada vez mais os gastos de alguns itens, entre eles, a verba do transporte. Algumas empresas especializadas na locomoção de pessoal e equipamentos para as produtoras estão até fechando as portas. Os motoristas que trabalhavam

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nessas transportadoras acabam seguindo carreira solo. O resultado é uma guerra de preços. Os motoristas autônomos cobram mais barato porque têm custos operacionais baixos, basicamente o celular e a van. As empresas que ainda atuam no mercado de São Paulo têm de manter uma estrutura maior e sentem que estão perdendo terreno. A maioria das empresas de transportes que dá suporte às produtoras funciona em esquema de cooperativa. Cada motorista tem veículo próprio e paga uma taxa mensal equivalente a um dia de trabalho para ajudar a bancar os custos de aluguel do imóvel, fax, telefone e impostos. “Se a empresa for manter uma frota fixa acaba quebrando. Muita gente se deu mal por causa disso. Depois para tentar recuperar cobrava qualquer preço e não conseguia manter a qualidade. Chegavam a colocar até anúncio em jornal procurando motorista”, avalia Reinaldo Chijo, um dos donos da Futura.

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Só que a concorrência está acirradíssima. Quem entende do assunto diz que o mercado hoje está dividido entre autônomos e transportadoras. E a crença é de que a tendência das transportadoras é acabar. “Faz três anos que o custo da hora cobrada é o mesmo, R$ 12. Só este ano a gasolina subiu quatro vezes. Um motorista de empresa que fica entre 15 e 20 horas à disposição tira bruto R$1,8 mil. Com as despesas de combustível, prestação do carro, ele vai levar uns R$ 600 para casa”, desabafa Ivanílton Santos, um dos donos da Cinevan, com 15 anos de experiência no mercado. Com a diminuição dos jobs, a empresa dele está buscando novos nichos de mercado fora da área de produção de cinema e comerciais (leia box). A idéia é intensificar relações com o mundo do show business. “Temos feito muito transporte para este pessoal. Já corresponde a 10% do nosso faturamento”, conta. O motivo desta revolução do mercado é o surgimento dos chamados “pacoteiros”. São os motoristas autônomos que tiveram de aproveitar os bons contatos para continuar atuando no setor, depois que as transportadoras onde trabalhavam fecharam as portas. E são muitos os pacoteiros surgidos nos últimos tempos. De 97 para cá, pelo menos seis empresas encerraram as atividades.


Sérgio Yoshicuni está há nove anos pegando estrada para atender as produtoras. A maior parte deste tempo trabalha como autônomo. “Eu não posso dizer desta água não beberei, mas se puder, não volto a trabalhar em transportadora”. Ele conta que ganha basicamente o mesmo salário de antes, só com uma grande diferença. “Eu não preciso estar todo o dia, o tempo todo na transportadora esperando trabalho. Tenho tempo para resolver as minhas coisas. Quando toca o celular eu vou lá atender o pessoal.” A maioria dos trabalhos que faz é para um circuito de velhos conhecidos: Movi&Art, O2, Júlio Xavier e Cia. Ilustrada. Do confronto de interesses surge a guerra de preços e de informação. Os empresários dizem que os pacoteiros fazem concorrência predatória, cobrando até 30% mais barato. Os autônomos dizem que nem precisam cobrar menos, já que vivem de uma relação de confiança com os clientes. E afirmam que são as transportadoras que estão tendo de baixar os preços. Se existe a guerra de números, as produtoras não estão muito preocupadas. A TVC, por exemplo, raramente trabalha com autônomos. “Compensa contratar as empresas. Eu considero pequeno os preços do transporte. Valeria a pena trabalhar com os

CAMARIM AMBULANTE O setor de transporte especializado no atendimento às produtoras tem outras vertentes ainda pouco exploradas. A Trailer Camarim Aluguel, como o próprio nome diz, domina o mercado carioca de aluguel de camarins móveis. “São trailers com camarim para maquiagem, banheiro com chuveiro quente e ar-condicionado. Foram fabricados especialmente para isso, inclusive com gerador acoplado. É um apartamento de luxo móvel”, conta Gilberto de

Souza, o dono da empresa. Foi num desses trailers que Fernanda Montenegro suportou dois meses de gravação no sertão baiano. A empresa de Souza também tem outros atrativos sobre rodas. Aluga jeeps e caminhonetes que são equipadas com plataformas que funcionam como praticáveis, que tanto podem servir para ambientação quanto para suporte, e também trailers especiais. “Ele

pacoteiros se tivéssemos um grande volume de serviço”, constata Alfredo Gomes dos Santos, responsável pelo setor de transportes da TVC. Na O2 o esquema é diferente, o que vale é o perfil do motorista, já que a casa impõe o valor de uma diária mais hora extra como padrão de negociação. “O que importa é o motorista. Às vezes pegamos até uma Besta, que não é muito confortável, porque o motorista ajuda a produzir, conhece todo mundo e o funcionamento do negócio”, afirma a produtora Regina Correa da Costa. Os empresários do setor de transportes torcem para que a tendência não se torne uma realidade. As palavras de Ivanílton

é aberto de um lado. Tem dez metros de recuo de câmera. Foi usado num comercial do Guaraná Kas, o pessoal da ‘Malhação’ (Globo) usa bastante, também”. Gilberto orgulha-se de já ter atendido à produções de “Xangô de Baker Street” e “O que é isso companheiro?” e de Xuxa ter inagurado dois novos trailers. Reclama do mercado, mas quando o assunto é cifras, prefere manter o bico calado. Talvez um bom sinal.

Santos, definem a encruzilhada do setor: “Ou achamos outro nicho de mercado ou vamos virar pacoteiro”. Mas, a realidade é que a transportadora fecha e coloca na rua um novo profissional. Como cada vez tem menos condições de suportar a carga de impostos e outros insumos, este parece ser um caminho irreversível. É bom que fique claro, que isto não significa necessariamente desemprego, mas o acirramento de uma espécie de seleção natural. As produtoras dão sinais de que estão atrás de gente experiente e de boa vontade. Aquele motorista mal-humorado que fica esperando alguém lhe dizer qual é o melhor caminho já é coisa do passado. Ainda bem.

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p u b l i c i d a d e Mônica Teixeira

HIT PARADE COMERCIAL Vender um produto através de música ainda é uma estratégia poderosa, desde que usada com critérios. A criação de jingles publicitários é fruto da parceria entre a agência de publicidade e a produtora de som e muitos deles fazem parte da história televisiva.

Pergunte a um compositor qual é a melhor trilha sonora para cinema. A maioria deve responder: a que se encaixa tão bem no filme que, no final, você nem se lembra mais dela. Sair do cinema assobiando a música é um mau sinal, segundo os entendidos em trilha sonora. Mas basta substituir a tela grande pela TV, o filme de uma hora e meia por um de 30 segundos para que a receita de uma boa trilha seja exatamente o oposto. 22

Em publicidade, os responsáveis pela parte musical de um comercial queimam neurônios para conseguir o efeito contrário ao do cinema: levar o consumidor a assobiar, cantarolar, tocar na cabeça o máximo possível e é claro, comprar o produto anunciado através da canção. Não é à toa que a música de um comercial ficou sendo conhecida aqui no Brasil pelo nome de jingle, ou seja, um tinido. No meio publicitário o jingle define a música que acompanha um comercial de rádio, ou spot. Na televisão, ela é chamada de trilha, sendo cantada ou não. Na prática, independente do veículo, a música tem de soar como um jingle, tinir na cabeça de quem ouve. Por isso, esta matéria se refere a qualquer trilha sonora de comercial como jingle, na falta de um nome mais adequado em português. Para buscar os melhores exemplos de jingles vale a pena voltar no tempo. Uma velha música pode não funcionar mais para vender o produto. Mas se ela foi boa, ainda é lembrada. Caso do comercial das duchas Corona: “Duchas Corona, um banho

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de alegria, um mundo de água quente.”. Ou aquele das Casas Pernambucanas: “Não adianta bater, que eu não deixo você entrar, as Casas Pernambucanas, é que vão aquecer o meu lar...”. Ou para quem foi criança no fim dos anos 70: “Roda, roda, roda baleiro, atenção! Quando o baleiro parar põe a mão. Pega a bala mais gostosa do planeta. Não deixe que a sorte se intrometa. Bala de leite Kids, a melhor bala que há. Bala de leite Kids, quando o baleiro parar...”.

na memória Vender um produto através de música foi comum nos primórdios da televisão. Ainda sem identidade própria, a caixa de imagens usava as mesmas estratégias que funcionavam no rádio. E a música era uma delas. Cinqüenta anos depois, o jingle não ficou ultrapassado. Ele ainda é uma estratégia poderosa, desde que usado com critérios. Muitas músicas dos atuais comerciais também vão fazer parte da memória televisiva das pessoas daqui a alguns anos. Mas há as que já foram assimiladas no diaa-dia, como a da cerveja Bavária: “Hoje é sexta-feira...”. Esta ode ao fim de semana, entoada pelos amigos sertanejos foi uma criação da agência DM9. Aliás, dizem no meio publicitário que Nizan Guanaes, diretor da DM9, é um exímio autor de letras para jingles. Ele é o criador das músicas dos comerciais de guaraná Antártica, como “pipoca com guaraná” e “pizza com guaraná”. A criação da agência também assina outros hits publicitários, entre eles, o dos mamíferos da Parmalat, dos cigarros Derby e da cerveja Antártica. “Fazer jingle é muito difícil”, assume Rui Branquinho, redator da DPZ. “Há o desafio de tornar a música conhecida por si própria”. A dificuldade, muitas vezes, faz o publicitário optar por músicas


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conhecidas, que já estão fazendo de telespectadores interessados sucesso. A DPZ preferiu usar em comprar a trilha sonora com a a música de Gilberto Gil para música do comercial. o lançamento da campanha do Itaú Bankline Internet. “Foi uma papel fundamental associação óbvia porque o Gil tinha acabado de lançar o disco História parecida aconteceu Quanta, com uma letra sobre a com a trilha composta para o Internet”. Às vezes, a escolha da comercial do Unibanco, cantada música não é tão óbvia assim. A por Olivia Byington. A música, campanha desse mesmo banco numa levada bossa nova, vendia agora está sendo veiculada com a idéia de que o Unibanco era uma trilha sonora bastante antiga: um banco único. Apesar do teor “Amanhã, será um lindo dia...”. comercial, houve quem quisesse Com um arranjo novo, a trilha comprar o CD para apreciar em funcionou muito bem. “Dá menos casa. Foram tantas as inserções na trabalho, o material já está pronto”, mídia que a YB diz que a trilha diz Branquinho. do Unibanco foi a bossa nova A criação de um jingle é fruto mais tocada nos últimos cinco da parceria entre a agência de anos. João Gilberto e sua turma publicidade e ficariam muito a produtora de chateados em som. A letra da saber disso... A música tem um música pode ser Esta não deixa totalmente escrita papel fundamental de ser uma pelo departamento prova de que a de criação da música é uma nos comerciais, agência ou pode boa estratégia nascer nas mãos publicitária. mesmo quando do músico a partir Segundo Lima, de palavras-chave “não é o não está explícita estabelecidas pela jingle que agência. “Noventa funciona, é em forma de jingle. a idéia. Não porcento das letras não vêm prontas”, adianta ter diz Carlos Lima, uma idéia diretor da YB produtora de som. que não comporta letra e “Às vezes, o briefing da agência é querer por letra”. “Tem de saber uma idéia bem vaga. Outras vezes, quando usar o jingle”, reforça ele nos orienta quanto à influência Branquinho. “Quando se usa a musical, por exemplo, uma trilha música gratuitamente, ela não parecida com Carlinhos Brown.” agrada. Quando a letra fala das O produtor de áudio tem a missão características do produto, de traduzir em notas musicais a é mais efetiva”. idéia do publicitário. A maior parte Um bom exemplo disso é o famoso da produção da YB é de trilhas jingle do MacDonald’s para o seu instrumentais. As trilhas cantadas, Big Mac. Impossível não decorar ou jingles, correspondem a 30% os ingredientes do tal sanduíche: do trabalho. A produtora assina a dois hambúrgueres, alface, queijo, criação musical do comercial da molho especial, cebola, picles Mercedes-Benz, uma adaptação de num pão com gergelim! A letra “When you wish upon a star” na não exigiu grandes sacrifícios. voz de Carlos Fernando, do creme O segredo está no ritmo e na dental Sorriso, do lançamento do adequação. Mas não se pode exigir Corsa e do Omega Suprema. Esta de uma música explicações demais. última rendeu muitos telefonemas “O jingle não serve para explicar 24

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coisas muito complicadas, como as novas ligações DDD e DDI, por exemplo.” Foi preciso uma série de comerciais esclarecedores - mas nem tanto - antes que os publicitários decidissem apelar para a música. Agora, os gordinhos da Embratel estão no ar soltando suas vozes desafinadas numa canção que tenta nos convencer a usar o “dedo para discar o 021”. Mas as regras param por aí. Na hora da criação, os publicitários descartam os manuais e confiam no bom senso, na sensibilidade e na criatividade. Como fez a W/Brasil na criação de um dos personagens mais irritantes da publicidade, o ratinho da Folha de São Paulo. A estratégia é dar um nó nos conceitos da boa publicidade e agarrar a atenção do consumidor através daquela voz irritante. Agora, a agência está fazendo o bichinho cantar. Em cada propaganda, um ritmo diferente: sertanejo, axé, dance music etc. E continua dando certo. Uma coisa é certa. A música tem papel fundamental num comercial, mesmo quando não está explícita em forma de jingle. A trilha sonora instrumental aquela que acompanha o texto do locutor ou do garoto-propaganda - também merece cuidados especiais. “Os comerciais feitos no exterior exploram muito a trilha instrumental. O consumidor é capaz de reconhecer o produto pela trilha”, diz Branquinho. Parece exigir demais do ouvido do pobre consumidor, mas qualquer um de nós pode provar a veracidade dessa afirmação. Basta se lembrar das músicas das propagandas dos cigarros Carlton e Marlboro. Certo? A regra mais importante a ser seguida pelos publicitários e músicos na hora da criação da trilha sonora se resume a um simples ditado: “Uma boa trilha sonora pode salvar um filme, uma trilha ruim pode estragar um bom filme”.


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c i n e m a Hamilton Rosa Jr.

INTERCÂMBIO CINEMATOGRÁFICO A comissão técnica do Centro Nacional de Cinematografia Francês e os produtores, distribuidores e exibidores brasileiros se encontraram no mês passado com o objetivo de acertar novas parcerias.

No último mês de julho, a Unifrance aportou no Brasil com uma delegação de estrelas encabeçadas por Emmanuelle Beart para promover a 1ª Mostra do Cinema Francês nas capitais de São Paulo e Rio de Janeiro. A festa ofuscou um encontro mais importante que estava acontecendo nos bastidores. Um debate entre a comissão técnica do CNC (Centro Nacional de Cinematografia) e os produtores, distribuidores e exibidores brasileiros com o objetivo de acertar novas parcerias. O diálogo ainda está começando mas duas coisas podem 26

se tornar efetivas deste contato: uma reforma no esquema de co-produção entre os dois países, hoje quase inexistente e o aumento da difusão da cinematografia brasileira no exterior. As propostas se cristalizaram numa reunião organizada no Centro Cultural Itaú (São Paulo) no último mês de julho. Para ativar o esquema de coprodução é necessário apoio diplomático. É perfeitamente viável criar mecanismos que ajudem as empresas francesas a terem uma entrada maior no Brasil e vice-versa, mas o cineasta brasileiro não deve se animar muito com a possibilidade de parcerias imediatas. “Existe um antigo tratado de co-produção entre os dois países que precisa ser revisto. Ele foi firmado nos anos 70 e não oferece mais as facilidades de outrora”, aponta Francisco Ramalho Jr., produtor de “Coração iluminado” e diretor de “Besame mucho”. “Há estímulo para chegarmos a isso em nível diplomático, agora é preciso haver interesse dos produtores franceses para desenvolver a parceria

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na prática”, argumenta. No antigo acordo, a co-produção colhia os benefícios da dupla nacionalidade. A Embrafilme entrava com subsídios para a produção, distribuição e marketing no Brasil. Em território francês, o CNC cuidava para que os filmes brasileiros recebessem as mesmas facilidades destinadas ao produto interno. Havia algumas regras a serem seguidas. Se o filme fosse rodado no Brasil, deveria ter uma porcentagem de atores franceses no elenco e parte da sonorização seria feita lá, bem como a finalização. Tanto fazia o filme ser falado em francês ou português. Foi desta forma que foram produzidos filmes como “Os herdeiros” e “Joanna francesa”, ambos de Carlos Diegues. Em “Joanna francesa”, o diretor se deu ao luxo de trazer a musa da nouvelle vague, Jeanne Moreau, para viver a protagonista e ter o estilista Pierre Cardim disponível para desenhar os figurinos da atriz.

pobreza Esse tipo de cooperação é proibitiva atualmente. A primeira questão que torna a produção brasileira pouco atraente em termos de investimento hoje são os custos. “Hoje filmamos quase ao mesmo preço que na Europa”, diz Luciana Boal Marinho, produtora de “O dia da caça”. A política comercial francesa também mudou neste período. As coisas se complicaram quando o processo de unificação européia se iniciou nos anos 90. O governo francês decidiu criar uma reserva de mercado, e estabeleceu leis austeras, que dariam subvenção ou incentivos apenas aos filmes falados na língua nativa. Segundo Luciana, o governo brasileiro poderia ter criado meios através do Itamaraty para abrir precedentes ao Brasil. “Mas era a gestão do presidente Fernando Collor de Mello, e ele não via essa questão com interesse.” “O dia da caça” preenchia as antigas regras do acordo feito entre os ministérios das Relações Exteriores


dos dois países, mas não obteve o incentivo estrangeiro. É um bom exemplo para ilustrar a necessidade de reciclagem do antigo tratado. “O roteiro previa que dois personagens importantes da ação deveriam ser feitos por franceses. Em função disso, levamos o projeto para ser apreciado por vários produtores locais e participamos de muitas reuniões sem sucesso. Então recorremos ao Fund Sud du Cinema, que prevê ajuda de custos a países de cinematografia do hemisfério sul. Eles acharam a idéia interessante, mas disseram que não podiam financiá-la. Em outras palavras não era o tipo de filme que eles queriam produzir sobre o Brasil”, conta Luciana. Em sua opinião, é pelo país do samba, da favela e da miséria que eles se interessam. E a prova maior disso aconteceu logo em seguida, quando a entidade beneficiou “Central do Brasil”. “Vejo isso como uma reflexão importante, porque demonstra que o público no exterior está identificado apenas com uma realidade. Precisamos quebrar esse preconceito.” Márcio Guimarães, do Bureau de Audiovisual no Consulado Francês, é atualmente o intermediário das relações cinematográficas dos dois países. Ele acha que a produção foi um item relevante na pauta da reunião das delegações em São Paulo, mas o mais importante

é reforçar o esquema de codistribuição. “Não adianta produzir filmes se eles não encontram circuito para ser apresentados.”

atração No balanço de Guimarães, o resultado mais importante do encontro das delegações foi a proposta de co-distribuição fechada com a Riofilme. Na análise de José Carlos Avellar, diretor da Riofilme, a grande questão no cinema hoje é criar canais de distribuição. Avellar vai à França em setembro para uma reunião com o novo presidente do CNC, Jean Pierre Hoff, onde pretende efetivar o mesmo modelo de co-distribuição partilhado com o México. “Precisamos estabelecer um entendimento. As formas para chegar a isso são muito variadas, com o México criamos um esquema de cooperação definido pelo número de filmes. Selecionamos um pacote para distribuir lá, dandolhes o direito de exibir o mesmo número de filmes aqui”. Esse acordo passou a vigorar recentemente com o lançamento de “Como nascem os anjos” na Cidade do México, ao mesmo tempo que “O evangelho das maravilhas”, entrou em cartaz no Rio de Janeiro e São Paulo. Com relação à França, o retorno das cifras pode ser maior. “Temos

de ter em mente o sucesso que ‘Central do Brasil’ fez na Europa e, especialmente na França”. A Sony Classics registrou 1,3 milhão de espectadores no Velho Continente, sendo 580 mil só na terra dos irmãos Lumière. De acordo com Avellar o público ficou tão animado com o nosso cinema, que houve uma freqüência maciça de espectadores na retrospectiva “Do cinema novo ao novo cinema brasileiro”. O ciclo apresentou 40 dos principais filmes tupiniquins a Paris. “A produção é preocupante sim, mas de que adianta ter produto, se não temos um público que revele esse interesse pelos filmes do nosso país?”, indaga Avellar. “Não podemos propor uma co-produção se não conhecemos os novos diretores, se não temos intimidade com a cultura do país. É menos arriscado fazer uma retrospectiva do Truffaut, que o público será muito mais numeroso, que lançar o filme de um novo cineasta francês.” Como sensibilizar o público com uma cinematografia que ele não conhece? A co-distribuição, sem dúvida, pode ser uma alternativa para sanar uma deficiência. Outras com certeza vão surgir derivadas desta primeira. A próxima cartada brasileira em terreno francês é “Orfeu”, de Cacá Diegues (visto no Brasil por mais de um milhão de espectadores).

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José Paulo Lacerda/AE

e n t r e v i s t a Carlos Eduardo Zanatta

AUTOCONTROLE DAS EMISSORAS OU RESTRIÇÕES EM LEI? De tempos em tempos, especialmente quando recrudesce a briga pela audiência e as emissoras às turras apelam para atrações “baixo nível” ou “bem a gosto do povão”, dependendo do ponto de vista do observador, vem à tona a questão do conteúdo da programação da TV. No Executivo Federal houve pelo menos uma movimentação inédita patrocinada pela Secretaria de Direitos Humanos do Ministério da Justiça. José Gregory, o primeiro secretário de direitos humanos do Brasil, vem se empenhando em provar que “direitos humanos é algo mais que defender bandidos”, segundo suas próprias palavras, e entrou na guerra pelo conteúdo da televisão brasileira, obtendo das emissoras algum tipo de compromisso de auto-regulamentação. O primeiro prazo dado pelo secretário terminou em junho. No mês de julho Gregory reuniu-se novamente com os responsáveis marcando o dia 20 de setembro como a nova data limite para que todos apresentem seus manuais. Depois disso...

com a peneira. A Bandeirantes, por exemplo, me mandou o que seria um manual interno de qualidade. A Globo disse que havia contratado um especialista para cuidar da qualidade da programação, especialmente da programação infantil da emissora. Nenhuma delas deixou de se interessar pelo assunto. Mas aí vem a discussão da nova lei, e se não houver possibilidade de que as emissoras tenham sua própria regulação, vamos ter de incluir nesta lei alguma coisa neste sentido.

Tela Viva - O senhor tem trabalhado na questão do conteúdo da televisão. Qual foi a conclusão?

TV - A prática não mostra que mais vale a ditadura da audiência que a liberdade de escolha do público?

José Gregory - Realmente o governo tem trabalhado muito neste assunto, não só porque quer garantir o cumprimento da Constituição, mas também em razão de muitas reclamações que chegaram até nós, especialmente em relação à violência que hoje existe na televisão. Conversei separadamente com todas as emissoras, com muito cuidado, porque sei que a Constituição proíbe a censura. As emissoras me receberam bem, porque ninguém quis tapar o sol 30

TV - O que considera importante constar num manual de qualidade de uma emissora de TV?

JG - Eu não gostaria de interferir no manual deles. Salvo se faltarem algumas coisas. Por exemplo, deveria haver horários em que nenhum tipo de violência fosse mostrado. Inclusive o jornalismo, onde a criatividade é infinita, encontraria meios e modos para documentar um degolamento de forma a não chocar e não apelar para o sensacionalismo.

JG - A maior audiência das TVs educativas está justamente nas classes D e E, questionando a idéia de que estas classes querem ver programações de baixa qualidade na televisão. Isso não é verdade. TV - É razoável acreditar que as emissoras vão se autocontrolar na definição de sua programação?

JG - Acredito que sim, porque, desde que começou esta discussão a programação da televisão não

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piorou, um sinal que eles estão sensíveis à questão. TV - Instrumentos de controle utilizados pelos responsáveis pela família, semelhantes ao V-Chip, seriam viáveis no Brasil?

JG - Este problema não pode ficar só para ser resolvido pelas emissoras de televisão. Quem decide sobre a programação que será vista na minha casa sou eu e não o dono da emissora. Atualmente a escolha já custa dinheiro, porque efetivamente na programação da TV por assinatura, que custa dinheiro, é possível se fazer uma boa seleção de programação. Neste sentido não haveria problema em incorporar um dispositivo tecnológico. Os pais e responsáveis têm de decidir sobre a programação que seus filhos vão assistir. TV - Um instrumento do tipo Conselho de Comunicação Social, previsto na Constituição, com lei aprovada e jamais implantado seria aproveitável para esta discussão de conteúdo?

JG - O Conselho não foi implantado porque alguma coisa ele tem que não está correta. TV - Não seria o fato do Congresso ter uma grande parcela de radiodifusores?

JG - Não. O Congresso tem tomado decisões que não são propriamente do agrado de muitas bancadas. Esta não é a causa.


N達o disponivel


MA Lizandra

de

K

ING

O

F

Almeida

MUITOS ANOS DEPOIS

Criança preocupada com o futuro.

Dois filmes foram produzidos em paralelo para uma campanha institucional do Banco Real voltada para a área de seguros e previdência privada. Os dois são idênticos, mas varia o casting. Em um, são crianças. Em outro, velhinhos. A idéia de contrapor personagens de idades distintas em situações semelhantes foi do próprio cliente. Apesar de as cenas seguirem o mesmo roteiro e tratarem de temáticas dentro da mesma área, havia um enfoque diferente em cada um deles. O filme das crianças realmente ressaltava a questão do futuro e a necessidade de um plano de previdência. No caso dos velhinhos, o banco ainda acrescentava um outro elemento, que é seu programa de atividades voltadas à terceira idade. O tema está embutido no filme e é melhor explicado nas campanhas de mídia impressa. Segundo o diretor Julio Xavier, a idéia inicial era a de colocar crianças em uma postura mais conservadora e velhinhos fazendo molecagens. Com a sugestão do cliente, agência e produtora passaram a criar situações mais soltas, mais inusitadas para os velhinhos do que para as crianças. De

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Alegria e despreocupação ...

qualquer forma, algumas cenas conseguiram incorporar uma certa graça pelo ineditismo em ambas as versões, como é o caso do cooper, quando a garota e, no outro filme, uma senhora passam correndo, paramentadas para a ginástica. Em outro momento, há um romance ao pôr-do-sol que também é simpático em ambos os filmes. Para produzir as estrepolias dos velhinhos, porém, a produtora teve um pouco mais de trabalho. Começou procurando o casting em locais menos convencionais do que agências especializadas. A produção foi a clubes da terceira idade, bailes e clubes esportivos procurar quem fizesse esportes radicais ou tivesse uma cara diferente do público. Em alguns casos, teve de trabalhar F I C H A

T É C N I C A

Cliente: Banco Real Agência: Lew Lara Criação: Jaques Lewkovicz, Aaron Sutton, Marcelo Reis, Braulio Kuwabara Produto: Institucional Produtora: JX Filmes Direção: Julio Xavier Fotografia: Walter Carvalho Trilha: YB Montagem: João Araujo Finalização: Zezinho Correia

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... na terceira idade.

com dublês - foi o caso da cena do skate. Nenhum dos candidatos a ator tinha essa característica e por isso foi necessário usar o velho truque cinematográfico do corte da perna para a parte superior do corpo. Em outro caso, o dublê tornou-se ator depois. É o caso do bicampeão mundial master de salto ornamental, Fernando Telles, contratado para ser dublê do salto de trampolim de outro senhor. Com sua simpatia, conquistou o diretor e ganhou o papel. As filmagens foram feitas ao mesmo tempo com crianças e velhinhos forma ainda mais fácil de trabalhar com as crianças, que já assistiam as filmagens no video assist e sabiam exatamente o que fazer. Na hora de escolher as crianças, o critério de utilizar carinhas pouco conhecidas e com habilidades esportivas também foi usado. Ao todo, cerca de 150 pessoas foram envolvidas, entre crianças e velhinhos, principais e figurantes. Por isso, a parte mais trabalhosa do filme foi a preparação e produção. Toda a logística foi afinada com antecedência, para garantir o transporte seguro para todos, dentro das três diárias de filmagens, em vários locais de São Paulo e também no Guarujá. “É importante calcular


Fichas técnicas de c o m e r c i a i s

tudo milimetricamente, pois não podíamos deixar transparecer nossa apreensão diante de todo o elenco. Pensamos em uma luz para cada cena e tínhamos, às vezes, apenas 15 minutos”, conta Julio Xavier. A trilha sonora foi composta em cima de uma música dos Beatles, cuja temática é justamente o futuro e a maneira como a pessoa será tratada quando for velha (When I’m

http://www.telaviva.com.br

sixty four). Julio Xavier explica que, inicialmente, além da música, seria usada uma locução explicando os produtos. Mas isso prejudicaria a compreensão da letra da música. Em entendimento com agência e cliente, decidiu-se transformar o texto em um letreiro rotativo no final do filme, em preto e branco, evitando-se a poluição sonora e chamando ainda mais atenção sobre as informações.

“Foi muito bom que o cliente tivesse aceitado essa nossa sugestão, pois conseguimos com isso um filme mais clean, cuja mensagem foi melhor compreendida”, explica o diretor. Na pós-produção, além dos letterings, poucos recursos foram utilizados. Como já é de praxe, alguns retoques foram feitos nas tonalidades e nas luzes, no telecine e na edição.

TOTALMENTE VIRTUAL Para ressaltar as características das lapiseiras Poly, que estão sendo lançadas em versões 0,5 e 0,7, a agência criou um filme em que a própria lapiseira é atriz principal. Sempre aparecendo em close, o produto tem várias cores e detalhes de funcionamento cuja filmagem seria impossível. “Teríamos de construir um mock-up imenso e traquitanas para movimentar a lapiseira”, explica o diretor Mateus de Paula Santos. Isso porque o filme mostra, por exemplo, que a borracha inserida na extremidade oposta ao grafite projetase quando rotacionada. Além disso, para mostrar todos os detalhes do corpo do produto, movimentos de câmera praticamente impossíveis são realizados ao vivo. A opção foi unir o trabalho da Vetor Zero com o da Lobo Filmes. Os artistas da Vetor construíram a lapiseira em 3D no Maya, em cores diferentes. O modelo é absolutamente perfeito, preservando as sombras e reflexos sobre o plástico como o original. A equipe da Lobo foi responsável pela direção de arte e concepção dos fundos sobre os quais o modelo realiza seu balé, incluindo aí o desenho dos letterings, que acrescentam informações sobre o produto, com uma fonte que

Computação gráfica viabilizou o comercial.

simula o risco em lápis. Em primeiro lugar, foi criada a trilha do filme, que pontua os movimentos da lapiseira. Sobre o ritmo, foi criada a coreografia. Em cima dessa animação, foram construídos os fundos e os elementos (grafismos, letras e fios) com os quais a lapiseira interage. Todo o layout foi feito em Photoshop e a composição no After Effects. Como as cores do corpo plástico da lapiseira são muito diferentes e contrastantes, foi preciso criar vários arquivos a partir do modelo. Na hora da edição, os arquivos de cores diferentes são trocados e dessa seqüência é feita a animação. O RTV da Giovanni FCB, Victor Alloza, conta que, inicialmente, foi feito outro roteiro, mas como a intenção era destacar as características do produto

Trabalho da Vetor Zero.

em lançamento, foi preciso fazer uma adaptação diante das necessidades técnicas. “Precisávamos de um filme com uma linguagem jovem para o público adolescente de volta às aulas, mas com o produto sempre em primeiro plano”, diz. “A única forma que encontramos de viabilizar, combinando a qualidade do trabalho com um preço competitivo, foi em computação gráfica.” F I C H A

T É C N I C A

Cliente: Faber Castell Agência: Giovanni, FCB Produto: Lapiseiras Poly Produtora: Vetor Zero / Lobo Filmes Direção: Mateus de Paula Santos Trilha: Job Finalização: Vetor Zero

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t e l e v i s ã o

A Rede TV! dá os primeiros passos em busca da reorganização. A operação inclui mudanças de endereço e compra de novos equipamentos. Na inglória tarefa de ressurgir das cinzas, é certo que o jornalismo ocupará boa parte da grade de programação.

Os funcionários da extinta Rede Manchete viveram um pesadelo de outubro do ano passado até o final de maio deste ano. Foram sete meses imaginando que o pior iria acontecer: salários atrasados que não seriam pagos jamais, medo de

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a emissora perder as concessões, temor da insolvência. Muitos imaginavam que teriam o mesmo destino dos funcionários da antiga Tupi, que sucumbiram de bolso vazio com a massa falida. Pois bem, eis que surge a dupla salvadora: Amílcare Dallevo Jr. e Marcelo Carvalho, sócios da TeleTV e atuais donos da Rede TV!. O desafio deles é fazer algo que nunca se viu no país - ressucitar uma rede de TV. Transformar terra arrasada da noite para o dia, amealhar audiência e fazer um conjunto de cinco emissoras e uma sucursal dar lucro, ser rentável. O projeto da nova emissora de ressurgir das cinzas está apenas no estágio inicial. Os salários atrasados já começam a ser pagos. Das 12 parcelas acertadas com os trabalhadores, três já foram quitadas. A dívida trabalhista (PIS, INSS, Pasep etc.), que passa dos R$ 200 milhões, está sendo levantada e negociada. Além de ficar de bem com os credores, é também necessário um completo processo de reorganização. A transição de Manchete para Rede TV! envolve uma operação

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de guerra. A mudança é completa, literalmente. Nenhum dos prédios que eram ocupados pela estrutura criada pelos Bloch no Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Brasília serão aproveitados, já que ficaram fora do negócio. Em São Paulo, as atividades foram transferidas do bairro da Casa Verde para Alphaville, em Barueri, na Grande São Paulo. O novo endereço já trouxe alguns acidentes de percurso. Um entrevistado desistiu de seguir até a emissora para conceder uma entrevista ao vivo. Um grande congestionamento na rodovia Castelo Branco, rotina naquela região, acabou virando uma grande pedra no caminho. No Rio, cabeça-de-rede da emissora, está sendo avaliada a mudança para o Teleporto. Um prédio inteligente já dotado de cabeamento por fibra óptica. No local estão instaladas algumas empresas do setor de telecomunicações.

infra-estrutura A fase de colocar a nova emissora nos eixos inclui até uma espécie de grande faxina. Os longos anos de agonia que a emissora dos Bloch enfrentou, trouxeram sérios danos ao parque técnico. Os transmissores estão recebendo manutenção depois de mais de 15 anos. “Não vamos trocá-los. Por enquanto, só algumas peças estão sendo repostas. Só isto vai ser suficiente para quase dobrar a capacidade de eficiência deles que não ultrapassava os 50%”, constata Conrado Nobile, diretor geral interino da Rede TV! A aquisição de novas câmeras, ilhas e sets virtuais está sendo negociada. A filosofia da TV! segue a mesma linha das outras empresas de Dallevo e Marcelo Carvalho. “A idéia é usar tecnologia digital em tudo”, afirma Nobile. Por enquanto, estão sendo usadas a velhas


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televi s ã o

câmeras e ilhas Betacam SP. Muitas sofrendo também com problemas de falta de manutenção. Com uma infra-estrutura inteira a ser montada, é pouco provável que a nova programação vá ao ar este mês, como estava previsto inicialmente.

alicerce No final de julho Rogério Gallo foi contratado para assumir a Superintendência Artística e de Programação da Rede TV!. A meta da emissora é estrear boa parte da nova programação no dia 20 de setembro e continuar reformulando tudo até final de março. As primeiras estréias são das faixas horizontais, ou seja, os diários. A intenção é fazer uma programação de qualidade, mas comercial. “Não queremos entrar na obsessão da audiência e resvalar na baixaria. Pretendemos ser um referencial de qualidade”, afirma Gallo. Um dos programas com estréia prevista é o de Adriane Galisteu, para o público jovem. Não vai ser um game show como o da MTV, onde ela deve continuar, mas um debate com a participação do público e um pouco de música. As contratações de Andréa Sorvetão e de João Kléber também estão confirmadas. A ex-paquita comandará um infantil e a atração

HOMEM DE NEGÓCIOS Desde que deixou o jornalismo da Globo, Alberico de Souza Cruz, não é apenas um jornalista de altos cargos executivos que traz 30 anos de bagagem. É também um homem de negócios. Ele é sócio do Canal 23, um canal de TV por assinatura, em Belo Horizonte, que dedica-se quase

exclusivamente à cobertura jornalística local. Aliás, foi o Canal 23 que flagrou e emprestou para diversas emissoras, o exato momento da queda daquela ônibus num rio em BH, um acidente que matou nove pessoas e deixou dezenas de feridos, em julho. “Eu me desemcompatibilizei

do humorista pretende ser um “celeiro de talentos humorísticos”. Em todos os casos, a programação deve incorporar a tecnologia que já é dominada pelo grupo diretor da rede: a interatividade. Por enquanto estão sediados em uma produtora provisória na Lapa, enquanto a sede definitiva, que será em Alphaville, não fica pronta. O que se fala genericamente na emissora é que a nova programação estará alicerçada em cinco bases: filmes, shows, programa de artistas, jornalismo e esporte. Para começar a caminhar com as próprias pernas, os sócios devem fazer uma injeção de investimento da ordem de R$ 100 milhões. Neste dinheiro estão incluídos os gastos estruturais e algumas contratações. Tudo indica que o jornalismo

deve ser o carro chefe da programação da emissora que tenta sair da UTI. O primeiro sinal claro foi a contratação do novo superintendente de jornalismo, Alberico de Souza Cruz, (leia box) um nome de peso no mercado. Alberico é considerado da turma do presidente Fernando Henrique Cardoso, com trânsito fácil em Brasília e uma agenda recheada de fontes quentíssimas. Tanto que um dos primeiros feitos do novo departamento de jornalismo foi anúncio do nome dos novos ministros. A TV! foi uma das primeiras emissoras a divulgar a reforma ministerial ocorrida em meados de julho. Há quem entenda, entre os funcionários da própria emissora, que Alberico pode se traduzir em jornalismo “chapa branca”, atrelado aos interesses do

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totalmente do Canal 23, quem toca o projeto é o Lauro Diniz”, diz Alberico. A próxima empreitada dele é a implantação da Brasil Telecom, uma multioperadora de TV a cabo nas dez principais cidades de Minas Gerais. A concessão foi outorgada pela Anatel no ano passado.


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televi s ã o

governo. Ele era o diretor de jornalismo da Globo, no famoso episódio do debate entre os candidatos à presidência em 89 - Lula e Collor -, cuja edição que foi ao ar no “Jornal Nacional” na véspera da eleição, dando um tratamento bem mais generoso para o candidato de Alagoas. A primeira medida do novo superintendente foi a contratação de Paulo Roberto Leandro, exdiretor regional da Globo em São Paulo, que vai ser o braço direito dele. Alberico está tomando pé da situação da empresa. Para acalmar os ânimos, não fala em cortes. Mas talvez tenha de tomar providências neste sentido. Dos 1.621 funcionários da antiga Manchete, que foram mantidos pela Rede TV!, boa parte é dos departamentos de jornalismo e técnico. Uma estrutura que gente do mercado entende como “repleta

de gordurinhas”. Para frente das câmeras, entretanto, contratações serão inevitáveis.

reforços Alberico demonstra especial apreço por Paulo Henrique Amorim, que negocia há meses com a Bandeirantes a recisão de seu contrato. “Eu já fui subordinado e chefe do Paulo Henrique. Gostaria muito de tê-lo como repórter. Como âncora ele também é bom, mas como repórter, um dos melhores do Brasil. A Cristina Franco (excolunista de moda do “Jornal Hoje”) também poderia ter um programa aos sábados. E eu gostaria muito, também, de ter um comentarista esportivo do porte de um Juca Kfouri”, desfia o superintendente de jornalismo, que também está à frente do departamento de esportes.

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Os novos jornalísticos da TV! ainda estão naquela fase de tempestade de idéias. Já se sabe que um programa de economia pode constar da nova grade. A idéia é também abrir espaço para produções independentes, principalmente na área de documentários. Não existe uma estratégia definitiva determinando qual o tamanho da mordida do jornalismo na nova grade de programação. Mas há uma boa pista. “Os sócios da emissora querem que o telespectador nos identifique como uma TV de jornalismo. E nós vamos fazer isto de acordo com a realidade da empresa. O nosso objetivo é a agilidade. Nada nos impede de usar o telefone, recursos de rádio, para colocar uma notícia de primeira mão no ar. Também vamos usar edição não-linear, nestes casos o próprio repórter pode editar”, afirma Alberico, que não descarta o uso de helicóptero quando a cobertura exigir, sinalizando que os recursos existem, mas serão usados com moderação. Ele define como um “caos administrável” a atual situação da emissora. As acomodações da Rede TV! em Alphaville, por exemplo, são ainda bastante precárias. O estúdio à disposição é muito pequeno, mas ele diz “que outros serão construídos”, quatro exatamente, estando prevista a construção de um para transmissão em high definition. O prédio onde está todo mundo trabalhando hoje vai abrigar somente o departamento administrativo. Outro prédio ao lado, que deve ser finalizado até a virada do ano, vai ficar com o pessoal de produção e jornalismo. Alberico gosta de repetir que o jornalismo da Rede TV! terá uma “obsessão pela qualidade”. Isto vai incluir uma reformulação completa do padrão gráfico e visual. “Até 1º de setembro vamos colocar o novo jornalismo no ar, pelo menos diferente do que era feito pela antiga emissora”, diz o novo superintendente. Beto Costa com colaboração de Lizandra de Almeida

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m u l t i m í d i a Lizandra

de

Almeida

CONEXÃO COM O MUNDO Casablanca implanta sistema de transmissão de dados que vai permitir aprovação de comerciais via satélite.

Há cerca de dois anos, a Casablanca começou a desenvolver um projeto de transmissão de dados que permitisse interligar agências e produtoras remotamente. Os trabalhos em realização na casa seriam acompanhados por monitores de computadores on line pelos clientes, sem a necessidade de deslocamento. Mas o monopólio das telecomunicações só permitia as transmissões por rotas de microondas ou com a instalação de um sistema próprio de transmissão de dados, como por exemplo uma rede de fibras ópticas. Com o fim do monopólio da Embratel, a Casablanca conseguiu uma concessão para transmitir via satélite e criou a Casablanca On-Line, que tem carros equipados com uplinks capazes de transmitir a partir de qualquer ponto, diretamente para o satélite. Essa tecnologia permitiu o desenvolvimento de um novo serviço, que pretende ser a concretização da idéia inicial. Batizado de Casablanca Xpress, o sistema tem uma interface web e permite que agências e produtoras assistam aos materiais armazenados na Casablanca e ainda enviem esses dados para aprovação em outros países. A cobertura de satélite da empresa abrange todo o hemisfério sul, mais América do Norte e Europa Ocidental, chegando até a França. 40

Segundo a diretora geral da produtora, Arlette Siaretta, a intenção é interligar até 100 pontos até o final de agosto. Com custos mais acessíveis do que o projeto inicial por microondas, o novo sistema já pode ser assinado. Os recursos necessários são uma antena parabólica de, no mínimo, 2,8 metros de diâmetro e um computador PC com placa de recepção via satélite. O diretor técnico da empresa, Alex Pimentel, estima o investimento em US$ 5 mil. Entre os primeiros clientes do novo sistema estão as produtoras Ema Vídeo, de Brasília, CinemaCentro e Companhia Ilustrada, de São Paulo. Entre as agências, estão a Master, de Curitiba, e a Full Jazz, de São Paulo.

como funciona A partir da concretização da assinatura, o cliente instala os equipamentos necessários em sua sede e já pode acessar o site da Casablanca, entrando na área reservada para o sistema Casablanca Xpress. Lá estão disponíveis os trabalhos que podem ser enviados pelo cliente. É possível transmitir som, imagem e arquivos para impressão. Por meio da Internet, são enviadas as ordens para o sistema, que é privativo e só pode ser liberado com a senha do assinante. O próprio computador aciona o sistema e envia por satélite o arquivo. “Com o alinhamento de contas que vem sendo implantado mundialmente, os clientes possuem agências em vários países. Esse sistema permite que o cliente escolha o local mais barato para sua produção sem se preocupar com a distância. Isso vai tornar a produção brasileira mais competitiva, gerando

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novos serviços de produção e pósprodução - o que também nos beneficia diretamente”, explica Alex Pimentel. Uma vez transmitido o arquivo, o receptor salva em disco e se pode assisti-lo em qualquer parte do mundo.

filosofia O Casablanca Xpress faz parte de uma filosofia mais ampla de trabalho que vem sendo implementada pela empresa como um todo. Segundo Arlette Siaretta, o conceito é o de provedor de serviços de comunicação e telecomunicação. Todas as áreas da empresa trabalham com imagens de alta definição, que têm saída em D1, desde a revelação no laboratório até a telecinagem no datacine Spirit, que depois podem ser manipuladas nos equipamentos de computação gráfica e pós-produção. Um dos mais recentes investimentos da empresa gerou a divisão Casablanca Print, que permite dar saída para impressão dos arquivos trabalhados em vídeo. Com isso, as filmagens já são suficientes para a mídia impressa. O sistema permite imprimir em pequenos e grandes formatos, facilitando também a criação de material de divulgação para cinema, por exemplo. Apesar dos investimentos e atualizações que vêm sendo feitos, alguns setores ainda esperam definições para evoluírem. Dois impasses persistem: a definição do formato em HDTV para captação e a transmissão de imagens de filmes, bola cantada por George Lucas, que prevê a extinção das cópias cinematográficas e de veiculação de comerciais em cinema. Arlette explica que já existe tecnologia para transmitir filmes de um servidor central para as salas de projeção, sem a necessidade de impressão de cópias positivas. “Quando criamos o laboratório de revelação já prevíamos a instalação de um sistema de copiagem. Mas agora que dominamos a tecnologia de transmissão e isso pode se tornar um padrão de exibição, preferimos aguardar para iniciar novos investimentos”, pondera Arlette.


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e q u i p a m e n t o s

O PODER DAS PLACAS DE CAPTURA

Com o advento da tecnologia digital e a melhora de performance do Windows NT e dos PCs, as placas de captura de áudio e vídeo tornaramse comuns, transformando computadores pessoais em poderosas estações de edição não-linear em tempo real.

As placas de captura são semelhantes aos VTRs na medida em que permitem reproduzir e gravar sinais de áudio e vídeo. É possível encontrar muitos fabricantes e modelos de placas com diferentes inputs e outputs, analógicos ou digitais. Os sistemas de compressão de vídeo digital 42

variam entre o M-JPEG e o MPEG-2. Muito mais que digitalizadoras de sinais, as placas que operam em tempo real têm processadores on board que permitem acelerar funções de áudio ou vídeo tais como wipes, dissolves, keys e titles. Muitos usuários adquirem as placas e configuram seus próprios sistemas separadamente, tentando gastar menos dinheiro. Porém, tratando-se de um sistema PC, a configuração pode ser complicada. A integração de placas de áudio e vídeo com placas mãe, HDs SCSI, placas controladoras, diferentes processadores e outros periféricos, pode ser difícil e frustrante. Normalmente, o processador é de um fabricante, as placas de captura de outro, os HDs de um terceiro, os softwares para a edição são de vários fabricantes, e assim por diante. Quando surge um problema, o que não é difícil, iniciase a batalha dos suportes técnicos, onde cada fabricante atribui o problema ao componente do outro. Para evitar essa situação, todos os fabricantes de placas de captura criaram parcerias com a indústria de informática para oferecerem

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sistemas completos, os chamados ready to edit ou turn keys. A maioria dos usuários prefere comprar o sistema completo. A vantagem é o suporte técnico ao conjunto dos equipamentos. Apesar de ser possível configurar seu próprio sistema e em alguns casos realmente mais barato, o usuário que quiser correr o risco deverá entender de informática e consultar as listas de compatibilidade publicadas nos sites de alguns fabricantes de placas.

windows nt É quase consenso que o sistema operacional Windows NT tornouse um padrão em sistemas de edição não-linear, principalmente a partir da versão 4.0. Essa versão disponibiliza ao usuário um ambiente poderoso e estável. Como prova e conseqüência imediata da melhoria de performance do Windows e do PC, grandes fabricantes de softwares para edição, entre eles Avid e Discreet, desenvolveram suas versões para Windows NT. Muitas vezes, na comercialização de um sistema completo ou de uma placa de captura, os softwares para edição acompanham os produtos e são embalados com eles (bundled), especialmente o Premiere da Adobe, atualmente na versão 5.1a e o Speed Razor da in:sync.

placas A Truevision, recentemente comprada pela Pinnacle Systems, desenvolve placas para computadores pessoais desde o início da revolução do desktop video. A família Targa é composta por dez diferentes placas para todas as aplicações. Uma tabela de comparação entre elas está disponível na Internet (www.pinnaclesys.com). Sistemas completos, utilizando as placas de captura Targa, são


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equipa m ent o s

oferecidos pela Truevision. O usuário escolhe a placa e o software para edição, entre eles o MCXpress, da Avid; o Edit, da Discreet; o Premiere, da Adobe ou o Final Cut Pro, da Apple. Outros aplicativos podem ser incluídos no pacote, como o After Effects ou o 3D Studio Max. As principais diferenças entre as placas são a diversidade de inputs e outputs e a capacidade para processar efeitos em 2D e 3D. A Pinnacle Systems oferece as placas ReelTime e Nitro. Segundo Francisco Costabile, representante de edição não-linear da Videodata, dealer da Pinnacle Systems no Brasil, “a Nitro é a antiga placa Genie Plus, da Pinnacle, para acrescentar capacidade de processamento de efeitos 3D em tempo real à placa ReelTime”. Para aumentar a produtividade, o sistema permite a renderização off line de animações e composições de outros sistemas enquanto o usuário trabalha on line no ReelTime Nitro. A Matrox Digital Video Solutions dispõe de três placas real time: DigiSuite, DigiSuite LE e DigiSuite DTV. Segundo Lucas de Oliveira, da Digital Image Systems, dealer da Matrox no Brasil, “invariavelmente oferecemos para um cliente em potencial a possibilidade dele editar

e finalizar em nossas máquinas para demonstração antes de optar pela compra de um hardware ou um software”. O cliente pode escolher entre os softwares Premiere, Speed Razor ou Edit (bundled). Entre as características comuns às placas Matrox DigiSuite, estão: suporte para edição em wide screen/16:9 (captura, edição e display), opção de processamento de efeitos 3D em tempo real e opção de interface DV-1394. A DigiSuite DTV é a opção da Matrox para a era da televisão digital. Com grande variedade de interfaces de conectividade analógicas e digitais, a placa suporta todos os formatos DV, DV50 e MPEG-2, incluindo o Digital-S, da JVC; o DVCPRO e o DVCPRO50, da Panasonic; o DVCAM, da Sony e o Blue Book, especificação usada por fabricantes como Canon e Sharp.

liberdade de escolha O 601 (six-o-one) sistema de edição da Fast Multimedia é um conjunto de hardware e software proprietário. Trabalha em MPEG-2 com I/Os analógicos e digitais, entre eles o SDI (SMPTE 259M), o DV/i.LINK (opcional) e o componente analógico/YUV (opcional). O software Fast-Studio permite ilimitadas trilhas de vídeo,

overlay, titling e áudio. A edição é em tempo real utilizando-se até duas trilhas de vídeo (para cortes, dissolves e wipes), uma trilha de titling (sem compressão) e até oito trilhas de áudio. Para usuários que já têm um computador, o diferencial da DV Plus, dealer da Fast Multimedia no Brasil, é que após uma avaliação e aprovação do hardware de informática do cliente, o suporte técnico estende-se para todo o sistema. Todos os dealers de fabricantes mundiais de placas de captura para PCs oferecem também sistemas completos de edição. O usuário pode configurar seu próprio sistema na medida de seu bolso e de suas necessidades. Pode escolher o processador, o tamanho do HD, a quantidade de memória RAM, o software para edição, entre outras possibilidades, e ter garantia e suporte técnico de uma única empresa para todos os componentes. Vale lembrar, que sempre é possível fazer um upgrade para melhorar a performance do sistema ou a capacidade de conectividade. Após anos de evolução, a união da tecnologia de informática à tecnologia de vídeo permite ao usuário, enfim, escolher.

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Emerson Calvente


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p r o f i s s ã o

Os donos

Fazer locução é uma profissão sedutora, que faz brilhar os olhos de qualquer um, principalmente de quem tem um vozeirão e está em busca de um bom emprego.

Ser locutor pode parecer trabalho fácil. E acima de tudo, bem remunerado. Mas o passaporte para se dar bem nesta profissão vai além da bela voz. Ela é pré-requisito básico, é claro, mas não único. Hoje, quanto mais amplo for o currículo de um locutor, maior a chance de se estabelecer nesse mercado. Exige-se do dono da voz um talento que vai além da leitura. É preciso passar credibilidade, clareza e emoção ao mesmo tempo. Parece fácil, mas não é. Afinal, os textos que caem nas mãos desses profissionais não são poemas de Vinícius de Morais. Você deve concordar que interpretar um texto que enaltece as características de um sabão em pó ou de uma marca de cerveja não é uma tarefa fácil. Mas quando aquela voz diz “Omo faz, Omo mostra”, você bem que acredita! Os comerciais dessa marca de sabão em pó usam a voz de um dos locutores mais bem conceituados do Brasil. Ferreira Martins, também é jornalista e publicitário e foi apresentador de telejornal nas TVs Tupi, Globo e 46

da voz

Bandeirantes. Quem não se lembra do rosto, com certeza reconhece a voz de Ferreira Martins nos comercias de Omo, da Ford e do extinto Banco Bamerindus. Ele cobra R$ 3 mil para emprestar a voz grave, séria e a sua credibilidade a uma propaganda. Depois de 30 anos no rádio e 20 na TV, hoje ele se dedica exclusivamente à publicidade. Na área de locução, não existe tabela de preços. Nem critérios objetivos. O próprio locutor estabelece o seu valor. Mas é claro que só quem já tem fama no meio é que pode se dar a esse luxo. Ferreira Martins é a favor de um controle dos preços cobrados. Mas que fique bem claro: ele defende a criação de um piso, não de um teto. Para ele, “deveria existir um preço mínimo a ser cobrado, embora reconheça que isto é muito difícil. Hoje, a concorrência é predatória”. A queixa é a de o mercado andar tropeçando no critério qualidade e usando locutores desqualificados, porém mais baratos. Vem da voz deste locutor a seguinte frase: “Estamos vivendo a última geração de locutores. O rádio não forma mais profissionais, não há necessidade de ter um belo padrão de voz. Esses locutores que estão no mercado são os últimos, quando eles se forem, os atores é que vão fazer publicidade”.

vozes dissonantes Há um coro de vozes que compartilha da mesma opinião de Ferreira Martins. A preocupação em manter a qualidade de locução no mercado deu origem,

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em 1992, ao Clube da Voz, uma associação de locutores profissionais na área de publicidade. Os 45 associados pagam uma mensalidade de R$ 70 para ter benefícios como um CD duplo atualizado a cada dois anos com o repertório de todos os locutores que é distribuído em agências de publicidade, rádios, emissoras de TV e produtoras e ainda um site na Internet (www.clubedavoz.com.br) onde é possível ouvir 30 segundos ou dois minutos de demonstrações das habilidades vocais de cada locutor. Mas o clube não é para qualquer um. A lista de exigências é grande: é preciso estar atuando como locutor de publicidade há pelo menos dois anos, ter feito 24 comerciais em produtoras distintas no eixo Rio-São Paulo (média de um comercial por mês) e passar por uma avaliação da diretoria. Uma peneira muito fina. Mas necessária segundo o jornalista e locutor Carlos Henrique Corrêa, o KK, que participa da administração da entidade desde a sua criação: “Este é um mercado muito sujeito a aventureiros. Algumas pessoas olham para os locutores bem-sucedidos e acham que é uma profissão que dá dinheiro. E acabam se tornando locutores por oportunismo. Isso inflaciona o mercado”, argumenta KK que também faz parte do primeiro time de locutores brasileiros e tem um currículo bastante extenso. Começou a trabalhar em rádio em 1975 e ingressou na publicidade em 1984. Foi apresentador de jornal nas TVs Globo e Cultura. Ficou à frente do “Jornal 60 minutos” da TV Cultura durante sete anos, até sair para emprestar sua voz à campanha de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso em 1998. Hoje, sua imagem está fora da TV, mas sua voz pode ser ouvida em vários comerciais, de automóveis a shampoos. Mas há vozes dissonantes no mercado, que não concordam com a filosofia do clube. Madeleine Alves, locutora e apresentadora da TV Cultura é uma delas. Apesar de trabalhar em rádio desde os 13 anos de idade,


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pr o fi s s ã o

ter diploma de jornalista e ser apresentadora de telejornal há 12 anos, Madeleine não tem os 24 comerciais exigidos para ser aceita no Clube da Voz, porque normalmente faz locução para vídeos institucionais e programas de rádio. “Acho que não deveriam permitir atores e atrizes. Não é a mesma categoria.” Segundo Elyseu Pacheco, atual presidente do Clube da Voz, os atores são aceitos porque têm a experiência exigida. A atuação do clube é direcionada ao mercado publicitário, por isso o que importa é o número de comerciais feitos e não a formação do locutor. “Somos locutores de publicidade. Hoje, de todo o clube, só dois ou três ainda trabalham em rádio. A maioria vive exclusivamente de publicidade”, argumenta Pacheco. Durante sete anos, ele fez os comerciais da United Airlines e atualmente é a voz da Shell e da Unicor.

a crise fala mais alto Um locutor do Clube da Voz grava, em média, de 10 a 15 comerciais por mês. Mas este número já foi maior. Eles fazem coro quando dizem que o mercado está em crise. Se o primeiro escalão de locutores anda reclamando, o que dizer de quem está querendo encontrar um lugar ao sol? Os locutores recém-formados passam o dia em emissoras de rádio, TV e produtoras. Mas na maioria das vezes, não vão além da recepção. Paula Szyfer concluiu o curso de locução do Senac, em São Paulo, no ano passado. Com o seu registro em mãos, visitou cerca de 40 produtoras, quase todas as rádios e deixou 25 fitas com a demonstração do seu trabalho. Até agora, nenhuma proposta. “Trabalho tem, mas se você não conhece as pessoas, não consegue uma oportunidade sequer.” Paula Szyfer tem 40 anos e sobrevive hoje com ajuda de custos. Mudou de Brasília para São Paulo em 1997 só para fazer um curso profissionalizante de locução. Sua experiência na área se resumia a dois comercias de TV para uma rede local de supermercados, onde fazia a apresentação e a locução das ofertas. A chance lhe caiu nas mãos 48

por acaso. Paula era produtora de uma agência e o diretor pediu que ela lesse o texto de um comercial. Ele gostou e ela acabou gravando para valer. Depois disso, fez teste em uma produtora de áudio de Brasília e foi elogiada, o que lhe deu mais confiança para tentar carreira em São Paulo. Mas... “Aqui não existe regra. Se eu tivesse conhecimento do mercado e se os locutores fossem unidos eu estaria trabalhando.” O cachê para novatos também não é dos mais sedutores. Paula diz que chegaram a lhe oferecer R$ 20 para fazer uma locução. Na capital paulista, fez até agora, um único trabalho. E não recebeu nada por isso. Foi um teste, segundo ela, para a Rádio Globo que acabou sendo veiculado no programa Paulo Lopes durante seis meses. Paula não poupa voz na hora de fazer críticas. Na sua opinião, o Clube da Voz é o maior vilão do mercado. Pacheco discorda: “A aceitação no mercado vai depender do trabalho dessas pessoas. Nós, do clube, também começamos levando fitinha em produtoras. É um caminho que todo mundo tem de percorrer”. Jorge Adbel, 25 anos, vozeirão grave, está seguindo este conselho. Formouse no Senac há um ano, na mesma turma de Paula, e desde então visita, todo santo dia, uma rádio ou uma produtora. Enquanto a chance não aparece, ele aceita empregos de locutor de supermercado, apresentando ofertas e sorteando brindes em meio às gôndolas. Ganha R$ 40 por oito horas de trabalho. Mas é menos radical que sua companheira de classe: “O mercado é fechado, mas com o tempo a gente consegue”. Se serve como consolo, Ferreira Martins passou sete anos indo a estúdios para conseguir emprego no início de sua carreira.

o sexo da voz “Não queremos voz feminina”. Esta é uma das explicações ouvidas por Paula na sua peregrinação em busca de emprego. José Carlos Pastor, chefe de produção da Rádio 89 admite que “ainda existe por parte do cliente um

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preconceito em usar a voz feminina”. Na rádio trabalham oito homens e duas mulheres como locutores. Mas para Pastor, esta desproporção é um reflexo do mercado: “Ainda existem mais homens do que mulheres na área de locução”. Apesar de serem minoria, Paula Pelosini e Luka, da 89, estão entre os três locutores mais populares da emissora. Um sinal de que o preconceito está na cabeça dos anunciantes e não do público. O produtor P.C. Bernardes, da MCR, produtora de áudio que trabalha com as maiores agências de publicidade do País, acredita que o pensamento do empresário segue a seguinte linha de raciocínio: se está dando certo com uma voz masculina, por que arriscar? “Existe o estereótipo de que Deus é homem. Se o comercial pede a voz de Deus, ela tem de ser grave e poderosa. Não dá para ser voz feminina”, brinca Bernardes. Ele usa o exemplo para desmitificar a história de que existe um padrão de voz exigido pelo mercado. “Não existe padrão. A escolha da voz é um trabalho tão criativo quanto a composição de uma música. Eu posso precisar até de uma voz fanha...”, diz. A produtora de áudio é a responsável pela trilha sonora e pela locução do comercial. Ela recebe o briefing da agência e a partir daí decide o tipo de música e de voz que melhor se encaixa no conceito. No caso de um produto que precisa de uma bela voz que passe credibilidade, o produtor normalmente recorre ao Clube da Voz. “O clube facilitou muito o nosso trabalho”, diz Bernardes, “mas não é um monopólio”. A MCR também recorre a contatos pessoais. Outras vezes, busca vozes de personagens que têm de ser fora do padrão. “Nós pagamos o piso de um cachê de profissional (R$ 500) para estes novatos.” Como nesse meio das vozes elas nem sempre estão afinadas, uma vez que não existe um senso comum entre os profissionais, o único jeito é soltar a voz. Um dia, alguém vai te ouvir.

Mônica Teixeira


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DENTRO

TUDO SOBRE A LEI ROUANET

OFICINA DE CINEMA

A Delegacia Regional do Ministério da Cultura em São Paulo criou um serviço novo no mercado de produção audiovisual. São pequenos seminários, com duração de três horas, sobre a Lei Rouanet. O programa está dividido em duas etapas: na primeira, pretende informar os participantes sobre como formatar projetos para a Lei; a segunda é uma sessão de esclarecimento de dúvidas. O serviço pode ser acionado por grupos entre 10 e 15 pessoas, que podem agendar os seminários pelos telefones: (11) 539-6304 ou 539-6308, na própria delegacia.

Estudantes e profissionais de comunicação da capital paulista têm, a partir deste semestre, uma nova opção de curso de formação na área audiovisual. A Oficina de Cinema - Escola de Cine e TV, que há três anos promove cursos de formação geral de cinema e vídeo na cidade de Campinas, abre uma nova unidade na cidade de São Paulo, em parceria com a Quanta. O curso será dividido em três módulos: o Módulo I, com aulas práticas de roteiro, visitas a locais de produção e aulas teóricas abordando todos os níveis de produção, tem quatro meses de duração, com carga de três horas-aula por semana e início em 21 de agosto. Os módulos II, com aulas práticas e teóricas, e III, com a realização de um curta-metragem pelos alunos, acontecerão no próximo ano. Ao mesmo tempo, a Oficina de Cinema dá continuidade a cursos similares em Santos, em parceria com a Universidade Santa Cecília, e também em Campinas. Além disso planeja workshops em cidades como Vitória e Curitiba, ainda para este semestre. Inscrições até 19 de agosto. Mais informações no site: www.oficinadecinema.cjb.net ou nos telefones (11) 5584-6744 e (19) 258-2267.

NAB PARA A AL A NAB organizou uma feira voltada somente para o mercado latino-americano. A NAB América Latina acontecerá entre os dias 25 e 27 de agosto, em Miami, nos EUA, e contará com a participação de mais de 150 fabricantes de equipamentos para broadcast. Os temas em pauta serão: questões tecnológicas, gerenciais, de Internet, programação e de marketing. Mais informações no site www.nab.org/ conventions/ ou pelo telefone (1 202) 429-4194.

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TELA VIVA agosto DE 1999


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Revista Tela Viva 84 - Agosto 1999  
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