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Nº72 agosto 98 www.telaviva.com.br

o closed caption na

curtas no cenário

programação da tv

do cinema nacional


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EDITORIAL

Este símbolo liga você aos serviços Tela V iva na Internet. Ô Guia Tela V iva Ô Fichas técnicas de c o m e r c i a i s Ô Edições anteriores d a T e l a Vi v a Ô Legislação do audio v i s u a l Í N DICE

GENTE na tela

4

SCANNER

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C A P A

Broadcast & Cable’98

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AUDIOVISUAL

Vera Cruz

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REDES

O custo/benefício dos centros de produção

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PRODUÇÃO

Padrões Dolby e THX

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CLOSED CAPTION

PROGRAMAÇÃO PARA DEFICIENTES AUDITIVOS

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CINEMA

Curtas-metragens

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making of

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ÁUDIO

Dolby noise reduction

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TECNOLOGIA

Formatos de gravação

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LEGISLAÇÃO

Lei de comunicação eletrônica de massa

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TELEVISÃO

Remodelação das emissoras

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FIQUE POR DENTRO

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AGENDA

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A realidade do broadcasting - ninguém mais discute - é digital. Resta agora saber, dentro do mundo digital, para onde a radiodifusão brasileira vai se encaminhar. Uma coisa torna-se óbvia: a TV aberta não será mais a mesma. Deixará, em primeiro lugar, de ser analógica e monocanal. E a possibilidade de, além de ser digital, operar de forma multicanal mudará conceitos aqui estabelecidos há quase 50 anos. A definição do que é um broadcaster vai mudar. Os regulamentos que todos conhecemos terão de ser rediscutidos e revisados. Em caso contrário, as leis e normas acabarão atropeladas pelas realidades do mercado, da mesma maneira que a Lei da Informática brasileira naufragou na década passada. A forma de fazer televisão, sem dúvida, será diferente. A possibilidade de prestar outros serviços, além da transmissão convencional de TV, mudará a natureza atual dos negócios de radiodifusão. TV paga, broadcasting e outros serviços de telecomunicações tenderão a convergir cada vez mais. Essa mudança, contudo, implicará pesados investimentos. É também pouco provável que as empresas e grupos brasileiros de mídia consigam bancar de maneira independente essa mutação. A sua estrutura terá de ser modernizada, a administração familiar substituída por profissionais capacitados e não improvisados, além de se imporem alterações profundas nas formas de se capitalizar. Tudo isso terá de ser conseqüência de uma discussão que não envolva apenas o governo e os interessados diretos. Terá de englobar diferentes segmentos da sociedade, para que a legislação que venha a cuidar de um moderno setor de comunicações brasileiro possa ser legitimada. Rubens Glasberg


G ENTE NA TELA

Fotos: André Jung

OBJETIVOS DIFERENTES

SEM CRISE Qualidade, produtividade, modernização. Estas são as palavras de ordem de Wilson Borges, conselheiro da Líder Cine Laboratórios, que há quatro meses está na equipe que pretende consolidar e ampliar o mercado da empresa, oferecendo serviços de qualidade a um custo menor do que o praticado no exterior. Nesse período, a Líder, em sua matriz carioca, já adquiriu novos equipamentos e, segundo Borges, está se preparando para obter o certificado ISO 9000. O primeiro resultado inclui uma carta do produtor Luiz Carlos Barreto, elogiando a cópia do filme “Bela donna”.

Fernando Simões

O diretor paulista Fernando Simões foi o premiado na etapa da região Leste-Oeste do Prêmio Profissionais do Ano, realizada em Goiânia (GO), com o institucional “Natal da criança”. O filme produzido pela Ema Comunicações, para a Federação do Comércio de Brasília, foi realizado à época do Natal mostrando várias famílias pobres em situações de miséria que são comparadas às tradições natalinas. Seu talento, agora, estará sendo colocado à disposição de outra causa. Simões fará parte da equipe de diretores que dirigirão a campanha de Fernando Henrique Cardoso à reeleição. Além de Simões, Osvaldo Zanetti e Johnny Jardim também dividem a direção dos programas.

Enquanto isso, em São Paulo, o mercado se agitava com a notícia de que funcionários estariam de aviso prévio. Wilson Borges, porém, garante que não há planos de fechar a filial paulistana. “Estamos fazendo transformações internas, são ajustes naturais do processo de modernização e qualidade”, afirma

SUA PRAIA

NEM PENSAR EM VOAR Enquanto o 20º Prêmio Profissionais do Ano alça seus vôos interplanetários pelas regiões brasileiras, um dos integrantes da equipe coordenada pelo gerente de eventos institucionais, Toni L. Rodrigues, nem pensa em deixar seu posto no prédio da Al. Santos, em São Paulo. Enquanto Toni e Patrícia Molina viajam para as cidades que sediam as premiações regionais, Sandro Marcelo Assunção Pires continua, em terra firme, debruçado sobre o mailing da área comercial da Globo para evitar furos na correspondência expedida para agências, clientes, entidades e jornalistas, além de dar suporte aos estratosféricos trabalhos de seu coordenador.

NOVO DIRETOR Rogério Gallo é o novo diretor contratado pela 5.6 e já estreou na nova casa filmando em Los Angeles. Gallo vem do Rio, onde trabalhava na Videofilmes de Walter Salles Jr., e substitui Oscar Rodrigues Alves, que foi para a Cia. Ilustrada. No atendimento a Gallo e Wellington Amaral, está Carla Brauninger, também contratada há pouco. 

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Rene Nestori Neto

Decididamente ele não quer sair da praia. Mesmo que esteja de paletó e gravata! Depois de atuar dois anos na área comercial da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo em Santos, litoral de São Paulo, R e n e N e s t o r i N e t o , está respirando, agora, os ares de Cabo Frio (RJ), onde assumiu a gerência de marketing da TV Alto Litoral, também afiliada à Globo. Para desempenhar duas de suas principais tarefas - promover eventos e projetos regionais e dar subsídios ao atendimento comercial da emissora para alavancar a venda de espaço publicitário -, conta com a experiência adquirida nos seus 12 anos de Central Globo de Afiliadas e Expansão (CGAE), onde trabalhou antes de optar pela Baixada Santista.


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G ENTE NA TELA

Paulo e Katia A empresa F.A. Fator Projetos Culturais, de Katia Ludemann, é a responsável pela reforma do Museu da Imagem e do Som de São Paulo. A empresa já está com o projeto aprovado na Lei Rouanet e agora procura investidores para apoiarem a reforma. O projeto prevê gastos de US$ 8 milhões, este ano, e US$ 5 milhões em 1999. A casa já foi uma elegante residência. Entre as mudanças previstas estão a ambientação das salas destinadas a exposições, com divisórias móveis e iluminação adequada, além da ampliação do auditório e de modificações nos laboratórios de restauro. Com essa medida, o MIS poderá oferecer serviços para fora e gerar receita para seu funcionamento.

Além de trabalhar no projeto da reforma, Katia Ludemann, ao lado de Paulo Klein, também é responsável pela programação do MIS este ano. A dupla pretende ir além das exposições, criando projetos integrados. Entre as atrações programadas para o segundo semestre estão uma homenagem ao cineasta Joaquim Pedro de Andrade. Uma retrospectiva de filmes e debates marcarão os dez anos da morte do diretor de “Macunaíma”. A partir desse ano, o MIS também deve começar o ciclo “Profissão: Cinema”, que prevê várias edições anuais, cada vez sobre uma atividade profissional. O ciclo pretende reciclar e promover o encontro entre profissionais ligados ao setor, com a exibição de filmes e palestras. Atrações não faltam. Mais algumas, só para despertar o interesse dos leitores. Ainda este ano, acontece o Encontro Internacional de Videoarte, com um apanhado da história da videoarte no País, além de exposição e mostra. Também haverá um evento já intitulado “Trajetória”, que pretende reunir a geração de videomakers da década de 80 que criou um estilo e deu personalidade a essa forma de expressão. Tadeu Jungle e Walter Silveira são presenças confirmadas. Todos esses projetos estão inscritos em leis de incentivo e abertos a patrocínios externos. 

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T U D O E M FA M Í L I A A produtora dC & Cia, de Cuiabá (MT), agora assina “del Cueto Assessoria e Produção”. A produtora estará ampliando sua área de atuação para o Rio de Janeiro, já que a jornalista e diretora Valéria del Cueto uniu-se ao seu pai, Jayme del Cueto, para aumentar a atividade da empresa. O primeiro trabalho da nova parceria será a viabilização do filme de Valéria, “História sem fim... do Rio Paraguai - a expedição”. A dupla já atuou no cinema em “A reunião dos demônios”, de A. S. Cecílio Neto. O objetivo da produtora é implementar a prestação de serviços a terceiros no Mato Grosso, além de viabilizar produções próprias.

IÉS Uma produtora apesar de estar instalada na casa que foi de Marilyn Monroe nos anos 50 tem um ar brasileiro. A Hollywood Television, de Julio Sobral, faz programetes sobre filmes, atores e o que os estúdios de Hollywood desejam promover na América Latina. Com três câmeras Sony DXC 637, um estúdio e equipamento de iluminação o produtor cobre festas, eventos, Calçada da Fama, Teatro Chinês etc., para brasileiro ver. Em suas andanças já conseguiu até gravar o ator Robin Williams cantando em português na entrega do troféu Globo de Ouro. As produções de Julio, promovendo a Universal, Disney, Warner Bros. e Columbia, podem ser conferidas no USA Network e Bandeirantes. Além de produzir para seus conterrâneos, a produtora também realiza programas que podem ser vistos na Antena 3, da Espanha; no canal japonês NHK, entre outros.

ARTE EM VÍDEO O artista plástico Ivan David resolveu utilizar os ruídos provocados pela mistura de sistema de imagem como forma de expressão artística. David, que faz mestrado em artes plásticas na USP e durante o ano Uma das obras de Ivan David passado esteve em Estocolmo estudando vídeo e mídias digitais, liga aparelhos de videocassete a televisores de sistemas diferentes e daí extrai imagens que fotografa ou imprime em jato de tinta e laser. O resultado está na exposição “Infografias Poéticas”, no MIS de São Paulo.

Foto: Divulgação

Foto: André Jung

AGITANDO O MIS


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G ENTE NA TELA

70 PROFISSIONAIS

Foto: André Jung

TURN OVER

Com a decisão de fechar o Estúdio Abertura, cerca de 70 profissionais ficaram à disposição do mercado. Alguns deles, porém, já estão em casas novas. Odécio Pavan Filho e Gilberto da Silva Guardia, o Giba, estão na produtora de documentários Pólo de Imagem. A dupla, que já editava em Avid no Abertura, mantêm a função na nova casa. Lili Domingues passou a integrar a equipe da produtora de som Play it Again. Lili continua fazendo atendimento, só que agora, em vez de produtoras, entra em contato com agências. Marcos Gilberto Kachekian continua militando na área de som. Fará a sonoplastia da campanha de Orestes Quércia para governador e, depois, já está garantido no staff da Play it Again. Bettina e Chiara

A jornalista e diretora de documentários Bettina Turner está dinamizando este ano sua produtora, a Turner Comunicação, com a entrada da sócia Chiara Grazzini. Também jornalista, Chiara vem da área empresarial e deve reforçar a área empresarial da produtora, prospectando clientes. Simultaneamente, Bettina continua viabilizando documentários, sua grande paixão.

VIVA SAPATO O cineasta Luís Carlos Lacerda, co-diretor do recém-lançado longa “For all, o trampolim da vitória”, inicia a captação de recursos de seu próximo projeto, “Viva sapato”, com roteiro do próprio. O argumento tem a participação do ator cubano Jorge Perrugoría, de “Navalha na carne”.

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FUTURO JÁ A Casablanca já entrou no futuro. No final de julho foi assinado o contrato de compra de um Spirit, o datacine da Philips, cuja tecnologia ainda é inédita no Brasil. O equipamento transfere a imagem de película para vídeo com uma qualidade extra para efeitos especiais e facilita a volta da imagem para película, em caso de kinescopia. O equipamento será embarcado em setembro e será a primeira unidade a entrar em operação na América do Sul.

PARANÁ NO SATÉLITE A Rede Paranaense de Televisão, com seis emissoras afiliadas à Rede Globo, está finalizando o projeto de colocar seu sinal no satélite. A fim de ampliar a participação do interior nos telejornais locais e nacionais, foram instalados uplinks em Londrina e Curitiba. As cidades de Maringá e Paranavaí já enviam sua programação por microondas para Londrina. Ponta Grossa conta com um enlace de microondas com Curitiba. Assim, as principais cidades do estado estarão trocando informações via satélite. O equipamento adquirido é do tipo fly way, ou seja, “pode ser instalado em caminhões ou transportado em caixas para outras cidades”, explica o superintendente de engenharia da Rede Parananense, Enio Sergio Jacomino. Essa mobilidade faz parte do projeto de aumentar a contribuição de jornalismo. Em uma segunda etapa a emissora estará definindo sua transição para o sistema digital, com a escolha da melhor forma de transmissão. Assim, o uplink poderá rodar o estado em coberturas especiais.

OURO NO SOM

MEGA EM SAMPA A sucessão de tragédias que afetou o Estúdio Abertura foi o start para o início dos projetos de expansão da Mega Filmes, do Rio de Janeiro. A Mega começava a investir em equipamentos de finalização com a aquisição de um telecine Ursa Gold Rank Cintel e uma parceria com o Abertura no treinamento dos coloristas. Com o fim do Abertura, os diretores da Mega decidiram apressar um projeto para o futuro: uma casa de pós-produção em São Paulo. O primeiro passo foi a contratação de Maria Clara Fernandes, ex-atendimento do Abertura, para começar a preparar o terreno para a casa. Nos próximos meses, Maria Clara estará no “QG” da Mega em São Paulo, instalado na produtora de som Sax So Funny, de Zezinho Mutarelli. De lá, ela coordena a aquisição de uma sede e a contratação de profissionais, inclusive alguns do staff do Abertura. Os coloristas Sergio Pasqualino, o Serginho, e Ely Silva já estão contratados. Estão no Rio, mas podem voltar a São Paulo, caso sejam concretizadas as pretensões de comprar um novo telecine. A filosofia da empresa, explica Hirsch, é a de criar condições para a integração completa entre os recursos audiovisuais. Por isso, a aquisição de equipamentos vai levar em conta o crescimento do cinema nacional e a futura implantação de sistemas de HDTV e DVD. Os investimentos previstos só serão possíveis graças à composição acionária da empresa. A Mega surgiu como um estúdio de som e gravação de discos há dez anos, dirigida por Liber Gadelha e Felipe Neiva, além de dois sócios ligados ao mercado financeiro. “São investidores que apostam no mercado de comunicações”, afirma José Rubens Hirsch. Atualmente, a empresa tem um prédio próprio no bairro de Humaitá, no Rio, e há dois anos vem implantando recursos de finalização.

A produtora Sax So Funny, de Zezinho Mutarelli, está comemorando o resultado de seu trabalho no Festival de Cannes. Dos 25 filmes brasileiro incluídos na short list do Festival, oito tiveram suas trilhas criadas pelo compositor. E o filme “Leds”, criado pela Young & Rubicam e produzido pela Jodaf, levou o Leão de Ouro. A parceria com a Jodaf vem rendendo frutos: a dupla conquistou a última edição dos Prêmios Colunistas com o Comercial do Ano em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasil.

Entre os equipamentos já disponíveis no Rio estão o telecine, com corretor de cores Da Vinci; um Henry V8, da Quantel; um sistema Softimage DS; e um Omnimix, mesa de edição de áudio com 36 canais, Dolby Stereo Surround e capacidade de armazenamento de até seis horas de imagem digitalizada em baixa resolução para sincronia, instalado em computador SSL.

Mas nem só de comerciais vive a produtora de Mutarelli. Nos últimos tempos, afirma o compositor, a televisão aberta e fechada - também vem gerando demanda de vinhetas e trilhas para chamadas e aberturas. Entre os clientes da produtora, já estão SporTV e Futura, além de trabalhos para GNT, HBO, Cinemax, para a Rede Globo e Canal 21.

A Comunicação Alternativa, produtora de Nelson Hoineff, prepara a produção da série de cinco programas “TV ano zero”, baseada no livro “A nova televisão”, do próprio Hoineff. A série, dirigida por Davi França Mendes, vai mostrar o impacto das transformações tecnólogicas, da digitalização e da abertura do leque de canais na linguagem e no dia-a-dia da produção televisiva.

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TV ANO ZERO


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P O T   N C I A N O V AL E

BANESPA NA TELONA

A Rede Bandeirantes está aumentando sua potência no Vale do Paraíba com a construção de duas novas torres. As obras devem estar prontas até o final do ano. Em Taubaté, a Band Vale constrói sua central de transmissão na região, em terreno próprio. Será instalado um transmissor novo de 10 kW, para a entrada da TV no canal 18 UHF. O transmissor atual, correspondente ao canal 6, será atualizado de 1 kW para 5 kW. O investimento em Taubaté soma US$ 1,2 milhões.

O Banespa foi a empresa que mais investiu em cinema no ano passado, aplicando cerca de US$ 14,5 milhões em audiovisual. Dezoito longas foram beneficiados. Segundo a analista do setor de marketing do banco, Rita de Cássia Lima, a política é a de escolher filmes com condições de finalização. “Poderíamos pulverizar os investimentos, agradando um pouquinho a vários projetos, mas preferimos garantir que o filme em que entramos vai terminar”, afirma.

A rede também investe em São José dos Campos, saindo do posto da prefeitura para um terreno próprio. Além da nova torre, a emissora terá um transmissor novo de 5 kW e uma antena, ambos da Harris. Em São José dos Campos, o investimento chega a US$ 2 milhões, pois a Band está atualizando também seu transmissor de FM, que atingirá 35 kW de potência.

Essa política fez com que filmes de diferentes estilos fossem escolhidos, de infantis a documentários, com diretores estreantes ou veteranos, destinados a públicos amplos ou restritos. Quanto ao risco de investir em diretor estreante, Rita responde: “Existe, mas nós acreditamos”. Entre os novatos contemplados com o apoio do Banespa estão Lucas Amberg (“Um sonho no caroço do abacate”), Tata Amaral (“Através da janela” e, antes, “Um céu de estrelas”) e Beto Brant (“Ação entre amigos”).

OESTE AUTOMÁTICO Desde o final do mês passado, os intervalos comerciais da TV Globo Oeste Paulista, em Bauru (SP), estão sendo exibidos através do SpotWare, novo processo de automatização digital. O principal diferencial é o aumento considerável na qualidade de som e imagem dos comerciais exibidos para mais de 110 municípios de sua área de cobertura, pois sem os desgastes das fitas magnéticas, os mesmos podem ser exibidos infinitas vezes com a mesma qualidade. O equipamento fabricado pela empresa catarinense Floripa Tecnologia, armazena na memória cerca de 500 comerciais de 30 segundos e além da maior segurança e confiabilidade na operação dos intervalos, o software desenvolvido para o SpotWare permite versatilidade e rapidez nas alterações de última hora, como plantões jornalísticos, sem prejudicar a exibição dos comerciais, além de evitar choques de concorrentes.

CENTRO DE SP GANHA MULTIPLEX O sistema multiplex, novo conceito de salas de exibição que vem tomando o circuito comercial de cinemas na Grande São Paulo, chega ao Centro da cidade. O grupo PlayArte inaugura, até o final de 98, o Multiplex Marabá, com oito salas na famosa esquina da Ipiranga com a São João, região cujos cinemas de rua têm se transformado, nos últimos cinco anos, em templos evangélicos e lojas de eletrodomésticos. Na mesma época, será inaugurado o Multiplex PlayArte Center 3, com dez salas na esquina da Augusta com a Paulista. Para 1999, os planos da empresa incluem a abertura de multiplex no Mappin Itaim e na cidade de Ribeirão Preto. 14

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Para este ano, acredita a analista, o banco pode continuar investindo. O departamento financeiro do Banespa está recebendo projetos, mas o resultado só sai em dezembro, “época de safra”, segundo Rita. Entretanto, não é garantido que o banco mantenha essa política, mesmo em um futuro próximo. Em preparação para a privatização, só Deus sabe o que acontece depois das eleições.

NA MÓDULOS Após a entrega do último programa da série “Novos empreendedores”, projeto com 20 episódios realizado para a produtora Alumiar Editorial e Comunicação e veiculado nas manhãs de sábado pela TV Cultura, a assessoria de produção da Módulos foi contratada para montar a estrutura de produção e operações da campanha do candidato a governador pelo PDT em São Paulo. Fruto de bons negócios, a Módulos investiu alto para aumentar a lista de equipamentos de seu núcleo de locação e, também, no de edição. A nova câmera de vídeo DXC D30 F1, da Sony, veio juntar-se às outras câmeras D30 do parque de equipamentos para locação da empresa. O novo modelo conta com uma lente mais potente e mais luminosa de que a maioria das câmeras no mercado. Em seu núcleo de edição, a produtora está atualizando os seus equipamentos de edição não-linear com a aquisição de mais um sistema Media 100, aumentando a produtividade com computadores mais rápidos, em rede e com qualidade de compressão 2:1. Foi também desenvolvido na empresa o processo de tratamento de imagens CINEmatch, que altera imagens capturadas em vídeo para que tenham visual semelhante ao de imagens filmadas.


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CINEMA CABRA-MACHO O cinema paraibano volta a viver uma boa fase. Depois da fase documentarista que revelou Linduarte Noronha e Wladimir Carvalho nos anos 60 e do ciclo do Super8 no final dos anos 70, que contava com Umbelino Brasil, Machado Bittencourt, os irmãos Romero e Rômulo Azevedo e o fotógrafo Manoel Clemente, a Paraíba tem apresentado trabalhos de qualidade em vídeo e cinema. O curta “A árvore da miséria”, de Marcus Vilar, premiado pelo Ministério da Cultura no final de 97, vem recebendo prêmios importantes em todos os festivais de que participa. Vilar já prepara um novo trabalho: um documentário sobre Ariano Suassuna, em co-direção com Torquato Joel e sob a produção de Durval Leal Filho. Seus parceiros também têm projetos próprios: Joel prepara “O sertão dos sobrados”, sobre o Ciclo do Couro no Nordeste, e “O verme na alma”. Leal deve dirigir o curta de ficção “Adeus Rosinha” e acaba de produzir o média “Eu sou o servo”, de Eliezer Filho, com fotografia de Dib Lutfi. Além disso, a Paraíba deve produzir em breve o curta “Funesto - uma farsa irreparável em três tempos”, de Carlos Dowling, e o longa “Por trinta dinheiros”, com roteiro de Vânia Perazzo e direção dela e do marido, o cineasta búlgaro Ivan Hlebanov. A direção de fotografia será do conterrâneo Walter Carvalho e o elenco contará com Luís Carlos Vasconcelos e Chico Diaz. Toda a produção paraibana gira em torno do Núcleo de Documentários (Nudoc), criado na década de 70 através de um convênio com o Instituto Jean Rouch (França) e ligado à Coordenadoria de Extensão Cultural da Universidade Federal da Paraíba. O Estado e o município de João Pessoa contam também com suas Leis de Incentivo à Cultura.

DVD MADE IN BRAZIL Prevista para o início de setembro a entrada em operação da primeira replicadora de DVD da América Latina. A CD+ investiu R$ 25 milhões (R$ 16 milhões financiados pelo BNDES) para se instalar em Fortaleza (CE), estimulada por incentivos fiscais. O empreendimento pode ser considerado ousado uma vez que o mercado de DVD no Brasil ainda busca o seu caminho. Para se ter uma idéia: até dois meses atrás existia apenas um filme em DVD legendado em português (“Era uma vez na América”). O lançamento recente de novos títulos pode dar novo ânimo ao mercado. Para diminuir riscos, a CD+ vai apostar em outros nichos. Pretende em um ano abocanhar 7% do mercado nacional de CDs. A empresa vai utilizar tecnologia da gigante holandesa Toolex/Omde. 16

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B U S I N E S S I N H O LL Y W O O D Os grandes estúdios estão faturando alto com as companhias independentes. A Disney foi a primeira a sentir o potencial, ao comprar a Miramax há três anos. Desde então foi só alegria, com “O paciente inglês”, “Pânico” e “Gênio indomável”. A Fox criou uma nova divisão, a Fox Searchlight e no ano passado colheu os louros do fenômeno “Ou tudo ou nada”. A Columbia, através da Sony Classics, incrementou seu departamento de independentes depois que “Character” tirou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de “O que é isso companheiro?”. E a Universal ficou muito satisfeita com os resultados obtidos por “O apóstolo”, da October Films. A empresa conseguiu transformar um filme de quase três horas, sobre um tema pouco vendável como a pregação religiosa, num sucesso de US$ 20 milhões nos EUA e quase US$ 50 milhões no resto do mundo. Nada mal para uma produção que marca a estréia do ator Robert Duval como diretor e que custou apenas US$ 5 milhões. Agora a Universal prepara-se para explorar o potencial do filme no mercado de vídeo. A Universal está num dilema: flertava com os executivos da Gramercy, produtora que se notabilizou no mercado americano com “Mr. Bean”, em 96, e agora promete arrasar nos cinemas com “The last days of disco”. O problema é que a Universal está atrelada à distribuição de outra independente, a Polygram, que não foi nada bem com “The game”, com Michael Douglas, e “The borrowers”, com John Goodman, mas recebeu uma injeção financeira ao se fundir com a Seagram. Todo mundo está rezando para “What dreams may come”, com Robin Williams, e “Very bad things”, com Cameron Diaz e Christian Slater ser um sucesso, senão a Seagram, terá grandes problemas financeiros e a Universal poderá quebrar o contrato de distribuição. Quem espera ascender em Hollywood este ano é a Dreamworks SKG. A companhia fundada por Steven Spielberg, Jeffrey Katzenberg e David Geffen invadiu este verão americano com três pesos-pesados: “Impacto profundo”, “Small soldiers” e “O resgate do soldado Ryan”. A companhia pode faturar mais de US$ 500 milhões com estes três filmes, para desespero da Sony (leia-se Columbia) e da Warner, os estúdios mais apreensivos no momento. A Sony reinou suprema em 97 com o fenômeno “MIB - homens de preto”, e os sucessos de “O casamento de meu melhor amigo” e “Melhor é impossível”, mas perdeu a supremacia nos negócios com os péssimos resultados de “Godzilla” no atual verão americano. Para ficar no pódium entre a Paramount, a Universal, e a Disney, com os melhores resultados no último trimestre, a empresa a aguarda os números de “A marca do Zorro” e torce para os filmes da Dreamworks não cativarem o público.


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c a p a Edylita Falgetano*

a realidade digital A TV digital será a principal atração da Broadcast & Cable’98. O evento terá a presença de mais de 130 empresas do Brasil e pretende esboçar as diretrizes da transição brasileira para a era digital.

A oitava edição da Broadcast & Cable - Brasil Newmedia Show e o 12º Congresso Brasileiro de Engenharia de Televisão - SET’98, eventos para profissionais de broadcasting, TV paga e multimídia, serão realizados de 18 a 20 de agosto, no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo. No dia 19/07 será realizada a eleição da nova diretoria da SET (Sociedade de Engenharia de Televisão), das 17 às 18 horas. A vedete deste show tupiniquim será a TV digital, que além de aparecer nos lançamentos de equipamentos será o tema dominante das palestras do congresso que se realiza em paralelo à mostra (veja box pág. 20). O processo de transição já está em andamento no Brasil. Os broadcasters nacionais já preparam o funeral dos seus equipamentos analógicos de produção e começam a instalar sistemas digitais de retransmissão. Mas falta ainda a definição do padrão para as transmissões de HDTV e DTV. Com um aumento de quase 20% no número de empresas expositoras 18

em relação ao evento do ano passado, realizado no Rio de Janeiro, fornecedores e representantes estarão disputando a atenção de pelo menos 8 mil visitantes em busca de soluções para enfrentar o período de incertezas quanto aos padrões, mas de certezas quanto às exigências de qualidade de som e imagem necessárias para não perder terreno para seus concorrentes. A Sony manterá o mesmo tema abordado na NAB’98: Digital Reality. Na linha DVCAM estarão sendo lançados o camcorder, o gravador portátil e o drive. O editor portátil e o VTR são as novidades da linha Betacam SX. “Além dos sistemas DVCAM, Betacam SX, ES7, Flexys, Switcher Digital com Digital Multi Effects e sistema de gravação em disco FARAD, ES-3 e áudio, estaremos demonstrando dois softwares no VideoStore (BZSR-100 e MicroFirst)”, adianta Luiz Padilha, diretor do Departamento BC/ISC da Sony.

ao vivo Na linha JVC, representada pela Tecnovídeo, serão apresentadas as novas máquinas Digital-S BR-D92 (gravador) e BR-D52 (player), com processamento de sinal 4:2:2 e quatro canais de áudio independentes e editáveis. Uma novidade da Tecnovídeo na B&C’98 é sua participação, pela primeira vez, como Commercial System Integrator da Silicon Graphics para os mercados de TV, vídeo, filme e animação no Brasil. Em função disto ela estará apresentando softwares como

T E L A V I V A A GOS T O D E 1 9 9 8

o Jaleo (da CIC, que integra edição sem compressão com qualidade D1 e composição multilayers num mesmo ambiente) em máquinas O2 e Octane, da Silicon Graphics. A Silicon Graphics, que além da Tecnovídeo, tem como parceiros a Exec, a Eletro Equip e a TV Plus, estará demonstrando o cenário virtual da RT-SET, num sistema interligado com o estande da Tektronix, que conta com o servidor Origin 200 e sistema de automação de redação de jornalismo para mostrar ao vivo o funcionamento da solução. “É a primeira vez que estaremos mostrando um cenário virtual em Onix e O2”, explica Luiz Cassio Godoy, gerente de mercado para TV/filme/animação da SG. Outro chamariz será o WSI, um sistema para apresentação de previsão do tempo. A maioria dos produtos que a Videodata, representante da Tektronix para a área de Video, Networking e Instrumentação, da Louth Automation, da Pinnacle, da DNF Industries, da Editware e monitores Barco, estará mostrando já prepara o terreno para a entrada da HDTV, como o Digital Media Foundation, rede de armazenagem e roteadores de dados para edição e produção ao vivo. Durante a feira a empresa estará integrando os equipamentos de seus representados, criando um ambiente onde se pode verificar as vantagens de se trabalhar com plataformas abertas. A transferência de arquivos entre Profiles rodando aplicações de jornalismo e estações da Silicon Graphics serão feitas através de rede de Fibre Channel, transportando as informações de áudio, vídeo e dados em velocidade cinco vezes superior à de tempo real. “Com esta iniciativa, será demonstrado que o uso de fita de vídeo, dentro da estação de TV, pode dar lugar a um processo mais rápido, seguro e econômico através de novas tecnologias”, diz Rosalvo Carvalho, diretor da Videodata. A cada hora um telejornal ao vivo estará no ar usando o NewStar (que permite a transição para o formato 16 x 9 de DTV). As matérias serão


editadas com o script num EditStar, e o material hi-end pode ser editado de maneira não-linear num Lightworks integrado via Fibre Channel.

câmeras “No nosso estande estaremos mostrando três câmeras Hitachi portáteis, sendo que duas são docáveis com os VTs Sony (BVV-5, PVV-3, DV-CAM), Panasonic (MII, DVCPRO) e JVC (Digital-S, S-VHS) e uma camcorder DVCPRO”, diz Sergio Constantino, da Divisão Broadcast da Video Systems. A Philips destaca duas câmeras nesta edição da feira: uma camcorder digital DVCPRO e uma com processamento totalmente digital para uso em estúdio, ENG e camcorder, que pode ser conectada ao sistema Triax ou a um VTR DVCPRO ou VTR Beta, e além disso pode ser adaptada a um sistema de lentes de grande porte através de um SuperXpander. A JVC (Tecnovídeo) estará exibindo uma câmera com processamento digital do sinal e uma camcorder Digital-S.

edição não-linear Entre os sistemas de edição não-linear (com e sem compressão) que estarão sendo mostrados no estande da Crosspoint, destaca-se o lançamento do Avid NewsCutter DV para jornalismo. A Quantel e seu representante exclusivo - Tacnet - estarão mostrando o EditBox Magnum 4x4, que foi exibido na NAB’98, um sistema de edição nãolinear on line com o corretor de cores YUV em flettle. Com qualidade Betacam SP, o StrataSphere, da Scitex/Abekas, pode ser visto no estande da Video Systems. Na Videodata o representante é o Editware, integrado ao Profile de forma não-linear. A Procimar pretende trazer o Fury, um sistema de edição não-linear em tempo real, com qualidade Beta digital, da Blosson. “Estamos dependendo da alfândega, pois de nada adianta trazer o equipamento se ele não puder funcionar para demonstração”, conta o diretor da empresa, Carlos

Marachlian. O destaque da Procimar é o sistema de edição Casablanca. A versão 2.0 do Softimage/DS, software para edição não-linear, que traz a possibilidade de ver efeitos em tempo real, suporta controles de MIDI externos e aumenta o número de tipos de arquivos suportados, é uma das atrações da Sisgraph.

transmissão Harris, Telavo e Linear estarão disputando a atenção de quem está atrás de novos transmissores para suas emissoras. A ABE Eletrônica, fabricante italiano de transmissores e retransmissores de TV em VHF e UHF e sistemas de microondas fixos e portáteis, representada no Brasil pela Tacnet, para esta edição da feira trouxe um transmissor de TV em UHF com potência de 100 W que atende às especificações básicas de operação analógica e digital. Também estará mostrando um enlace completo de microondas ultraportátil com um transmissor acoplável a uma câmera acompanhado de seu respectivo receptor e antenas. A NEC do Brasil mostra seu sistema de microondas digital na faixa de 6,7 GHz, 34 Mb, link de microondas portátil ML-B00 e o amplificador de potência V10000GU - para transmissor de TV UHF.

animação e efeitos visuais A Tecnovídeo estará apresentando softwares para criação de efeitos visuais e animação de personagens em 3D, como o Maya (da Alias|Wavefront). As atrações da Sisgraph em softwares ficam por conta da Softimage, com as novas versões do DS, 3D, Toonz e o novo renderizador Twister. O sistema de renderização Twister TM (nome código) estará com sua versão beta, pois só será lançado no último trimestre de 98. O Twister é baseado na tecnologia Mental Ray 2.0 e é um módulo da, também em fase de testes, nova plataforma 3D, Sumatra, que apresentará um novo

conceito de animação não-linear. Por enquanto o Twister será utilizado como parceiro da nova versão do Softimage/3D, a versão 3.8. O novo 3D trará algumas ferramentas e possibilidades que foram criadas para o Sumatra. A animação de personagens e a criação de jogos foi o mais levado em conta nesta nova versão. Também para animação, só que em duas dimensões, o Toonz 4.2 traz correções de alguns bugs da versão antiga do software e melhorou sua interface, tornando seu uso mais intuitivo. A Sisgraph também mostrará em seu estande as workstations Intergraph TDZ 2000 e Studio Z, inclusive estações configuradas para 3Dmax, Edit e Maya. O PaintBox F.A.T, da Quantel, presente no estande da Tacnet, é um conjunto completo de pintura e animação, projetado para atender às necessidades de gráficos com animação em noticiários, esportivos e aberturas. Ao seu lado poderá ser visto o Hal V6, sistema para design de vídeo para boa parte da área de imagens criativas para broadcasters e pós-produtores - desde vinhetas e títulos até trabalhos institucionais e comerciais. Na Video Systems, o Dveous ADVE5100, da Scitex/Abekas, para uso em produção ao vivo e pós-produção, geração de efeitos como roll, drop shadows entre muitos outros, tem até 12 entradas, podendo ser compostas de sinais analógicos e digitais. No estande da Exec Technololy, em conjunto com a Discreet Logic, estarão sendo mostrados os recursos do Effect (Flint) rodando em O2; do Flame, Smoke e do Frost, rodando em Octane; e o Fire e o Inferno em Onix. O Edit, da D-Vision também estará presente Broadcast & Cable’98 - Brasil Newmedia Show Exposição Data: 18 a 20 de agosto Horário: das 14h00 às 21h00 Local: Palácio das Convenções do Anhembi Endereço: Avenida Olavo Fontoura, 1.209 Ingresso: Livre para profissionais da área (maiores de 16 anos), mediante retirada de convite. Congresso SET’98 Inscrições - Telefone: (021) 512-8747 Internet: www.set.com.br

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c a p a

rodando em Intergraph. Será realizado um sorteio para um curso de Effect (Flint) com duração de três dias (na própria Exec) para quem se cadastrar durante a feira. Sistemas para compositing e layering, de pós-produção e computação gráfica podem ser vistos nas demonstrações que a Crosspoint estará realizando. Entre os lançamentos destacase o Avid Symphony, um sistema de finalização sem compressão para long format.

de tudo

s e m i n á r i o s Além das palestras, o ponto principal do SET’98 é o simpósio de TV digital, na quarta-feira, dia 19. Todos os aspectos para esclarecer a situação atual das transmissões digitais estarão em pauta neste dia. As empresas que desenvolveram e aplicaram esta tecnologia - MPEG-2 vídeo (Divicom), MPEG-2 áudio (DVB), AC-3 áudio (Dolby Labs.), Studio Issues (CDS), Studio Issues/Atlantic Project (Snell Wilcox), 8-VSB Modulation (Zenith), COFDM Modulation (DVB), Studio to transmitter link (Harris), Transmitter technology (Comark e Harris), Antenas Issues (Dieletric) - estarão discutindo sua experiência nesta área dando uma visão geral de tudo que está sendo feito tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.

terça dia 18

quarta dia 19

quinta dia 20

Auditório G Auditório G Auditório G Cenário Virtual (9:00/11:00) Cerimônia de Abertura (9:00/9:30) Simpósio de TV Digital (9:00/13:30) Roberto Franco - TV Record TV Digital: Perspectiva Brasil Liliana Nakonechnyj - TV Globo e Visão Mundial (9:30/13:30) Sistemas de Jornalismo (11:30/13:30) José Antônio Garcia - TV Cultura TV por Assinatura (15:30/17:00) Simpósio de TV Digital (15:30/17:00) Antônio João Filho - Net Liliana Nakonechnyj - TV Globo Copa do Mundo (15:30/18:00) Redes de Multisserviços (17:00/18:00) AGO - Assembléia Geral Claudio Younis - Eletro Equip Ordinária - SET (17:00/18:00) Coquetel de Integração (18:30/20:00)

Além dos sistemas para automação de TV da Louth Automation (Videodata), a Auditório E Auditório E Auditório E Philips mostra o DiskCahe, Sistemas Integrados de Tecnologias de Redes e um sistema compacto e de Intercomunicação (9:00/11:00) Distribuição de Sinal (9:00/11:00) baixo custo de automação Geraldo Ribeiro - T-Com Valderez de A. Donzelli - TV Cultura de vídeo servidor, matrizes Pós-produção: Edição Formatos de TV (11:30/13:30) de vídeo e controle mestre não-linear e composição (11:30/13:30) José Wanderley Schmaltz integrados. Ainda no estande Luís Godoy-Silicon Graphics TV Anhangüera da Philips, matrizes para Efeitos biológicos das Radiações Áudio Digital (15:30/17:00) Transmissão Digital por áudio, vídeo e dados; mesa Eletromagnéticas (15:30/18:00) José Roberto Sanseverino - Satélite Dimensionado (15:30/17:00) Euzebio da Silva Tresse - TV Globo Interwave Assis Brasil - KTV de controle mestre Saturn, com 16 entradas de vídeo e áudio analógico ou digital; estará apresentando um gerador de receptores de satélite analógicos e redutor de ruído VSdB2 que permite caracteres digital, o Texus (Scitex/ digitais; switchers; equipamentos melhorar a performance de todos Abekas), podendo rodar rolls e crawls para transmissão de sinal analógico os sinais que serão comprimidos em em ambas as direções com aceleração e digital em fibra óptica; codecs de MPEG-2; vídeo encoder operando ou desaceleração, zips, reveals, pop, áudio e vídeo desenvolvidos para em MP@ML, que suporta tanto o dissolve ou wipe em caractere único transmitir sinal broadcast analógico e padrão de vídeo de 50 Hz quanto ou grupo de caracteres, mudar efeitos digital com alta qualidade utilizando o 60 Hz; encoder de áudio MPEGinstantaneamente e aplicá-los em tecnologias de compressão ETSI, ANSI 2/DVB que trabalha de maneira qualquer imagem on screen incluindo e MPEG; conversores; equipamentos independente do sinal de vídeo, full size icons, entre outros. de iluminação; tripés; microfones; poderão ser vistos entre outros A Pinnacle apresenta no estande da fitas profissionais de alta qualidade produtos da empresa. Videodata, seu gerador de caracteres e durabilidade, utilizando a nova Além da Quantel, a Tacnet estará TypeDeko, que faz a conversão de tecnologia de armadura cerâmica, apresentando equipamentos da arquivos Chyron para seu formato disponíveis em todos os QTV, fabricante de sistemas de aberto e flexível. Rodando em PC modelos e tempo de duração, trilhas teleprompters. O novo sistema com Windows NT, possui uma sonoras, enfim tudo o que emissoras e Wincuenet de controle e edição de biblioteca quase irrestrita, já que produtoras precisam estará exposto na roteiro de programas de TV estará trabalha com fontes True Type. Não Broadcast & Cable’98. sendo demonstrado no estande. há renderização e as letras podem ser Faça sua lista, pesquise bem. E para O equipamento para inserção de colocadas em infinitos layers. tomar fôlego e relaxar, Tela Viva logos no sistema PAL-M é a atração A Procimar finalizava a negociação coloca seu estande (nº 59) à sua da Leitch Technology. As três versões para apresentar transmissores de disposição para um cafezinho. de logo generator digital 4:2:2, da áudio e vídeo sem fio da V-Link. Miranda, podem ser vistas no estande Routings; monitores de alta resolução; da Video Systems que também * Colaborou Fernando Lauterjung moduladores; demoduladores; 20

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AUDI O V ISUAL André Mermelstein

Hollywood brasileira A TV Cultura de São Paulo está investindo R$ 17 milhões na recuperação e reestruturação dos estúdios da Vera Cruz em São Bernardo do Campo (SP). O local será um centro completo de produção para cinema e TV e requalificação profissional.

Em um terreno de 25 mil m2, localizado a alguns (bons) minutos da capital paulista, está aquela que já foi a Meca do cinema nacional. E que em um par de anos pode voltar a ser. A TV Cultura, através de seu Programa de Integração Cinema/TV, está liderando o projeto que vai não

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apenas reformar os dois estúdios e as outras facilidades da antiga Companhia Cinematográfica Vera Cruz, mas transformá-los em um centro moderno de produção, pósprodução e treinamento profissional em produção audiovisual. O custo total da reforma é de R$ 17 milhões, sendo que R$ 5 milhões vêm do orçamento da Secretária de Cultura do Estado de São Paulo e o restante está sendo captado pela Lei Rouanet. A obra, executada pela construtora Spenco, a mesma que fez a reforma da Pinacoteca do Estado de SP, do Theatro São Pedro e está reformando a Estação Júlio Prestes, deve estar pronta em cerca de um ano, e a instalação de todos os equipamentos deve levar ainda mais um ano. Segundo Ivan Ísola, coordenador do projeto, a idéia é, além de prestar serviços, ser um centro de experimentação e pesquisa. “A tecnologia, especialmente agora com o HDTV, traz desafios técnicos e de linguagem. O cinema e a TV voltam a se aproximar. É

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necessária uma requalificação dos profissionais”, diz ele. Para isso, agregado aos estúdios, funcionará o Centro Experimental Alberto Cavalcanti (nome provisório, mas que deverá ser adotado, em homenagem a um dos responsáveis pelo sucesso da companhia em sua primeira fase). O Centro será o responsável pelo treinamento de profissionais, principalmente técnicos, mas também roteiristas, diretores e afins. Inicialmente, explica Ísola, ele será usado para a requalificação profissional do próprio pessoal da TV. Depois oferecerá cursos segmentados e pode no futuro chegar até a oferecer formação de nível superior.

estrutura A Nova Vera Cruz contará em seu edifício principal com um estúdio blimpado de 3 mil m2, um outro de mil m2 e mais dois de cine/VT. No térreo ainda haverá um laboratório, um estúdio de efeitos especiais e oficinas para a criação de cenários


etc. No segundo piso funcionará o Centro Experimental, com suas salas de aula, e a administração. O terceiro andar terá biblioteca, sala de reuniões e apartamentos para artistas ou estudantes, que podem funcionar também como camarins. A estrutura se completa com um estúdio de som, estúdios para gravação de orquestra e uma locadora de equipamentos. Ísola explica que os serviços serão licenciados através de edital, e que as empresas prestadoras dos serviços terão de cumprir exigências feitas pela Nova Vera Cruz e obedecerão ao perfil estabelecido pelo projeto. “Não se trata de sublocação dos espaços”, explica, “mas sim uma parceria entre a TV e as empresas”, completa Ísola. Os licenciados terão, por exemplo, a obrigação de ajudar na formação de mãode-obra para suprir o mercado. Por outro lado, a aquisição dos equipamentos pode vir a ser feita

O Bureau de Cinema do Estado de SP seguirá os moldes das film commissions. em conjunto com a TV, que tem isenção de impostos. Além disso, consta no projeto a habilitação das empresas licenciadas junto ao Ministério da Cultura para obter recursos na Lei do Audiovisual. O complexo será usado pela TV Cultura em seus projetos de produção e pós-produção, mas também será alugada, segundo Ísola, a preços vantajosos em relação ao mercado. Além da estrutura de produção, a Nova Vera Cruz contará também com um centro cultural com sala de projeção, auditório e biblioteca, além de um memorial

da Companhia Vera Cruz, que será administrado pela prefeitura de São Bernardo do Campo, que cedeu o terreno à TV Cultura para a construção do complexo. Vinculado à reestruturação da Vera Cruz, está o projeto de criação de um Bureau de Cinema do Estado de São Paulo, nos moldes das film commissions norte-americanas. Segundo Ísola, esse bureau faria a comercialização dos serviços do complexo, principalmente no exterior, e funcionaria como um facilitador para equipes de filmagem que quisessem produzir em São Paulo. A TV Cultura já chegou a enviar representante para reuniões da Associação Internacional de Film Commissions, órgão que congrega todos os bureaus mundialmente. Mas a instalação do órgão deve seguir o ritmo dos tijolos e do concreto, e deve ocorrer definitivamente quando a obra estiver concluída.

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r e d e s Beto Costa

Cada capítulo de “Torre de Babel” sai em média por US$ 85 mil, mas os capítulos iniciais, aqueles que imprimem o ritmo da trama chegam a custar US$ 315 mil. “Hoje, os orçamentos metas são cumpridos, sem aumentar o custo alvo pretendido”, avalia Manuel Martins, diretor executivo da Central Globo de Produção (CGP).

incógnita

o dramalhão do retorno Os investimentos da Globo e SBT em seus centros de produção de teledramaturgia batem quase em US$ 400 milhões. Ambos fazem mistério sobre o retorno conseguido até agora, mas mostram disposição de ampliar a produção para amortizar os custos das megas estruturas montadas. A Bandeirantes, com investimentos bem mais modestos, também persegue um modelo de produção eficiente e enxuto e pela primeira vez nos últimos 16 anos engata uma novela sem co-produção.

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Se depender do que dizem as grandes redes, a oferta de teledramaturgia em 99 vai praticamente dobrar. Isto acontece porque Globo, SBT e Bandeirantes, guardadas as devidas proporções, seguem o mesmo caminho. Montaram suas produtoras de teledramaturgia e agora correm para fazê-las funcionar. E funcionar ativamente. Diria, até a todo vapor, já que a ociosidade das estruturas montadas coloca em risco o retorno dos investimentos. O Projac (Projeto Jacarepaguá), centro de produção da Rede Globo, está em funcionamento desde 95, no Rio de Janeiro. Consumiu US$ 140 milhões nos dois primeiros anos de vida. Até o final de 99 vai amealhar mais US$ 110 milhões. A mega produtora da Globo pretende na virada do século estar produzindo toda a programação de entretenimento da emissora. Como o Projac é um projeto quase aberto, foi planejado em fases de construção que duram dois anos cada, a Globo evita estimar o retorno conseguido até o momento. E ainda não tem um número fechado que dimensione a queda dos custos de produção.

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A matemática das novelas não é simples. A produção está sempre correndo na corda bamba do orçamento para atingir todas as situações previstas na sinopse. Se o índice de acerto for bom, o orçamento não estoura. Mas como a teledramaturgia da Globo passa por constante avaliação de pesquisas qualitativas, tudo pode acontecer. A regra é basicamente atender aos desejos do público. O propósito do Projac é centralizar os recursos disponíveis, permitir o gerenciamento integrado. “Antes, como a estrutura era segmentada, cada um fazia seu plano de trabalho. Agora, todas as diretrizes vêm das centrais e toda operação sai do guarda-chuva da produtora”, explica Martins. A estrutura do Projac quer cada vez mais oferecer possibilidades para que a produção não dependa de recursos do mercado. Uma alteração no rumo da novela que precise de uma solução de cenografia não disponível, por exemplo, é um custo de risco indesejável que a Globo quer eliminar. Até o final de 99 a emissora pretende ter os orçamentos sob controle total, com interferência mínima de custos indiretos. Para isto terá à disposição mais dois estúdios de mil metros quadrados cada, totalizando seis. Também existem planos da construção de quatro estúdios simples, sem switcher. A estrutura contará ainda com uma central de pós-produção. Hoje, toda a finalização é feita no Jardim Botânico. Seguindo a fórmula


da “estrutura fixa e ociosa a mais enxuta possível” a Globo pretende ainda desenvolver produtos de teledramaturgia exclusivamente para o mercado externo. “Nós não descartamos co-produções visando mercados específicos”, salienta Martins. O Projac pode ser aproveitado ainda pela Globo Filmes, mas na condição de produtora prestadora de serviço. De qualquer forma, a amortização dos investimentos realizados é tarefa de novelas e minisséries. Melhor dizendo, do sucesso delas.

no vermelho Desde que o SBT inaugurou seu centro de produções às margens da Rodovia Anhangüera, muito se criticou os pesados investimentos realizados, dá ordem de US$ 150 milhões (teledramaturgia abocanhou uma parcela não declarada pela emissora). A principal crítica é de que houve um descompasso entre a programação idealizada por Sílvio Santos, guiado basicamente por seu feeling, e o projeto Anhangüera. Passados dois anos, apenas um dos estúdios para teledramaturgia está em uso. O outro jamais foi usado em uma gravação. Mas desde o início deste ano, o SBT dá sinais de que vai revitalizar a produção de teledramaturgia. “Fascinação”

significa a retomada da produção de novelas sem parcerias. Um rumo que a emissora pretende seguir. Cada capítulo da produção tem custo médio de R$ 30 mil e a audiência tem batido na casa dos 10 pontos. “É excelente! Nunca se fez tão barato com tanto resultado”, comemora Daniel Scherer, diretor executivo da produtora de teledramaturgia do SBT. Scherer

O mercado faz uma estimativa tosca de que uma novela que consegue atingir 10 pontos de audiência possibilita um retorno financeiro da ordem de R$ 10 milhões. assumiu o cargo no início deste ano, antes respondia pela gerência financeira. Uma boa pista para entender porque Silvio Santos resolveu intensificar a produção de novelas. Talvez tenha achado o homem para aproveitar a produtora da emissora com os pés no chão. A novela “Éramos seis” teve o custo médio de cada capítulo na faixa dos R$ 80 mil, um padrão de custos dos quais a emissora quer fugir, apesar

do folhetim ter conseguido até 16 pontos de audiência. “Evitamos gastos elevados com cenografia e figurinos. Hoje, as despesas são mais em função da história, sem tantas externas”, explica Scherer. A disposição do SBT para 99 é de produzir pelo menos mais duas novelas e formar um núcleo de formação de atores e autores. “O SBT não terá mais interrupções na gravação de novelas”, garante Scherer. A sucessora de “Fascinação” ainda está em fase de pré-produção e deve ir ao ar no final do ano. A disposição é dar seqüência às produções, mas o projeto de teledramaturgia do SBT ainda está sendo configurado. A emissora está em negociações com a Televisa. “Pode ser que ocorra um intercâmbio”, afirma Scherer sem dar muitos detalhes. De qualquer forma, a emissora de Sílvio Santos busca um modelo de utilização de sua fábrica de novelas. Desde que entrou em operação foram gravadas sete novelas, e duas (“Pérola negra” e “Direito de nascer”) não foram e não têm previsão de exibição. Destas, apenas “Éramos seis” teve retorno significativo. Existe um chute do mercado, uma estimativa tosca, de que uma novela que dá 10 pontos possibilita um retorno de R$ 10 milhões. Dá para imaginar que

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rede s

o dramalhão do “retorno” do SBT, fazendo jus à história recente da emissora, com certeza tem pitadas da dramaturgia mexicana.

canal das paixões A Bandeirantes luta contra um estigma: o de ser identificado pela audiência como o canal de esportes. Mas a emissora quer abrir seu leque e atacar outros nichos. Especificamente, as mulheres das classes C e D. E o caminho mais curto escolhido para chegar até elas é a produção de novelas. “Serras azuis” simboliza bem esta transição. A novela foi lançada em plena Copa do Mundo. “É um período onde a nossa audiência aumenta. Quisemos aproveitar o bolo de audiência da Copa, quando vamos para a viceliderança”, explica Rubens Furtado, diretor geral da Band. A estratégia não deu muito certo, a audiência tem oscilado entre 2 e 3 pontos. “Serras azuis” pode ser um recomeço, quase renascimento. Há 16 anos a Band não realizava uma novela sem co-produção. Aquela idéia de exibir uma novela totalmente gravada é um capítulo considerado encerrado. A Band teve sérios problemas com este formato de produção. “Durante a novela ‘O campeão’, produzida pela TV Plus, nós fizemos uma pesquisa e descobrimos que o público detestava três personagens. Não teve outro

jeito, tivemos de agüentar 70 capítulos do jeito que estava”, conta Furtado. A Bandeirantes não sabe bem quando, mas quer consolidar-se como uma emissora que também oferece telenovelas. Para isto investiu R$ 12,5 milhões para montar sua produtora de teledramaturgia. Ninguém se arrisca a estipular um tempo para recuperar o dinheiro investido. “Nós não vamos investir R$ 100 milhões. Se tivesse este dinheiro ia investir em produção”, alfineta Furtado. O primeiro produto é “Serras azuis”, cujo custo/capítulo está em torno de R$ 50 mil. O centro de teledramaturgia da Band vai gerar vários formatos de programas. A emissora acertou recentemente com a Sony e com a Columbia Pictures os direitos de adaptar roteiros de algumas sitcoms. A guinada da Band não acontece porque a emissora de repente descobriu que novela pode ser um bom negócio. Mas, tem a ver com a elevação substancial dos direitos de transmissão de grandes eventos esportivos. A emissora consolidouse como canal dos esportes numa época em que TV por assinatura era conversa futurista e praticamente não havia concorrência nas transmissões esportivas, que aliás, custavam bem menos do que hoje. “Com o dinheiro dos 34 jogos do ‘Campeonato Brasileiro’, hoje, dá para produzir duas novelas de 150 capítulos”, faz as contas Furtado, mostrando a nova moeda de produção da emissora.

PRÓ - F U N DA A Record pretende até o final de 99 iniciar a gravação de novelas em seu centro de produção de teledramaturgia, o Pró-Funda, como gosta de brincar o diretor de programação, Eduardo Lafon. O investimento estimado para construção de dois estúdios, cenografia, equipamentos para captação e finalização é dá ordem de R$ 10 milhões. “Tudo bem dentro do normal, nada em excesso, tudo paulatinamente dentro de um controle rigoroso para não jogar dinheiro fora”, conta Lafon. O projeto de teledramaturgia da Record prevê a criação da infra-estrutura e utilização com mão-de-obra terceirizada. Até lá a emissora de Edir Macedo continua terceirizando totalmente suas novelas. Recentemente foi acertado com a VTM a produção de mais 100 capítulos de “Estrela de fogo”, que deve ter um total de 200 e ficar no ar até fevereiro de 99. A novela tem atingido a média de sete pontos de audiência e o custo de cada capítulo gira em torno de US$ 33 mil. Algumas cenas são gravadas com até 20 capítulos de antecedência, mas editados bem próximo ao dia de exibição para ter maior controle sobre a trama. “É importante terceirizar e acompanhar de perto as gravações. Não adianta terceirizar e deixar lá”, avisa Lafon.

Furtado reconhece que a transição não será fácil. Principalmente porque o horário nobre da emissora ainda é comprometido com os esportes. Essa novela, ainda vai longe.

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PR O DUÇÃ O Paulo Boccato

Padrões de qualidade Dolby e THX são nomes que quando inseridos nos créditos, na apresentação ou na entrada de teatros e cinemas, visam garantir ao espectador a qualidade do som e da imagem da produção. Estúdios e salas de exibição brasileiros começam a investir para se adequar a estes padrões técnicos mundiais.

O sistema THX, um conjunto de padrões técnicos para salas de exibição e estúdios de mixagem desenvolvido pela empresa norteamericana Lucasfilm, do cineasta e produtor George Lucas, está

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chegando ao Brasil. Os Estúdios Mega, do Rio de Janeiro, investem na instalação do sistema em uma de suas salas de mixagem, que acaba de ser construída no Pólo de Cinema e Vídeo de Jacarepaguá, na capital fluminense. Segundo José Rubens Hirsch, diretor operacional do Mega, o sistema deverá estar em pleno funcionamento no próximo ano. “Acabamos de construir o prédio que abrigará a sala de mixagem e agora estamos começando a cuidar do isolamento acústico em seu interior e da compra dos equipamentos adequados”, diz Hirsch. O custo total estimado do empreendimento é de US$ 1milhão. “Ainda é cedo para dizermos se esse será o custo definitivo”, afirma o diretor. A Lucasfilm presta assessoria ao estúdio carioca desde o início da construção do prédio. O sistema foi desenvolvido para que as salas de projeção alcançassem o máximo de qualidade de som e imagem. Para isso, sua instalação demanda cuidados com a parte arquitetônica do prédio que abrigará a sala, com sua localização e com a adequação dos tipos de

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equipamentos utilizados ao seu tamanho e formato. A empresa Lucasfilm começou a desenvolver o THX (cujo nome é uma referência ao primeiro longametragem dirigido por George Lucas, a ficção científica “THX 1138”) em 1980, preocupada em conseguir o que eles batizaram de “ultimate theatre experience” (que pode ser traduzido como “o máximo em exibição”) para o filme “O retorno de Jedi”, que faz parte da trilogia “Guerra nas estrelas”. Na ocasião, foi contratado o designer de áudio Tomlinson Holman, que cuidou de desenvolver alguns padrões que permitissem a maior visibilidade e a luminância adequada para a imagem e um som mais límpido, que alcançasse cada assento da sala uniformemente, sem distorção, com uma resposta suave e alta gama de freqüência.

critérios A partir dessas primeiras experiências, a empresa sentiu que tinha um grande know-how nas mãos, que poderia ser vendido para outras salas de projeção. Atualmente, o selo THX consta de mais de duas mil instalações em todo o mundo (1,4 mil salas só nos Estados Unidos), sendo que 60 dessas instalações são estúdios de mixagem. Pesquisas indicam que, nas salas de exibição comercial que possuem o selo, a freqüência de espectadores atinge índices 25% maiores do que a média. Para conseguir o selo, a sala deve receber uma visita dos técnicos da Lucasfilm, que indicarão os passos a serem seguidos em sua reforma. No caso de salas construídas especialmente para a adoção do sistema, suas plantas devem ser submetidas à aprovação dos consultores da empresa. Entre os critérios técnicos utilizados, estão a medição do background noise - ruído de fundo provocado por aparelhos de ar-condicionado, projetores, transformadores e exaustores -, o isolamento de ruídos


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P R O D U Ç Ã O

externos, o nível de reverberação (calculado de acordo com o volume do auditório), o ângulo de visão (o ângulo o ideal é de 36 para o assento central mais distante da tela, com projeção em CinemaScope), a adequação aos padrões SMPTE de projeção, o layout e a instalação dos equipamentos de acordo com normas rígidas. Os equipamentos utilizados devem constar de uma lista elaborada pela própria Lucasfilm. Entre esses equipamentos, estão os sistemas de leitura de áudio Dolby Digital, DTS e SDDS. O acordo de licenciamento inclui o uso da marca THX na sala, o custo de design, kits promocionais com traillers e posters e o acompanhamento periódico dos consultores da empresa. A renovação do certificado é anual. Entre os circuitos exibidores brasileiros, há possibilidade de aquisição do selo em algumas salas da Grande São Paulo no próximo ano. A informação, fornecida pela empresa norte-americana, não foi confirmada pelas empresas locais.

José Francisco Neto *

Dolby não é tudo igual

O Dolby Laboratories Inc. lidera o segmento de processamento de áudio há anos. Hoje a sede da empresa fica em São Francisco e existem escritórios e fábricas espalhadas por vários países. São mais de 300 patentes em 34 países, mais de 780 licenças de software e 160 licenças de hardware ativas. A palavra Dolby é sempre identificada com o mundo do áudio. Mas, é bom que se esclareça: Dolby não é tudo igual. A utilização do Dolby do cinema é diferente do Dolby Noise Redution usado em produção (leia matéria na página 46). A única semelhança é que ambos foram criados pelos Laboratórios Dolby, mas cada um tem aplicação diferente. A empresa foi fundada em 1965, em Londres, por Ray Dolby, que após ter trabalhado no desenvolvimento do primeiro VTR profissional, na Ampex, e ter passado dois anos na Índia como

consultor resolveu direcionar suas pesquisas para o processamento de áudio e redução de ruído. O primeiro produto desenvolvido pela nova empresa foi o sistema de redução de ruídos Dolby A Type. Este redutor utilizava várias técnicas inovadoras no tratamento do áudio. Sua eficiência era tamanha que rapidamente se tornou padrão de gravação nos estúdios profissionais que se multiplicavam naquela época. A gravação analógica multipista e suas várias gerações (down mixing) tornaram-se possíveis graças aos baixos níveis de ruído que o uso do Dolby tipo A proporcionou. Um tremendo sucesso, com mais de 180 mil sistemas vendidos no total. Em 1968, Ray Dolby introduziu um novo produto: o Dolby B Type

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Noise Reducer, desenvolvido para o mercado doméstico, e para isso a tecnologia seria licenciada e não de fabricação exclusiva da Dolby Lab. A idéia era torná-lo presente em todo gravador cassete que fosse lançado. O primeiro deles foi um Nakamichi lançado em 1970. Seu sucessor só foi lançado em 1980, o Dolby C. Mais poderoso na redução de ruídos e mais eficiente.

a vez do cinema A empresa realizava pesquisas sobre a capacidade da película alcançar um som de alta qualidade, já que até então as trilhas sonoras dos filmes eram reproduzidas em som mono, de acordo com os padrões vigentes desde a década de 30. Em 1975 foi a vez dos cinemas ganharem som de melhor qualidade com o Dolby Stereo. Até então os filmes 35 mm eram exibidos nos cinemas em um único canal mono. O Dolby Stereo colocou no mesmo espaço de película que o áudio

ótico mono ocupava, dois canais de áudio (estéreo) com informações do lado direito e esquerdo da tela, além de um terceiro canal central (center screen) e mais um quarto canal (surrounding) para som ambiente e efeitos especiais. Tudo isso com redução de ruído e total compatibilidade com as salas mono. Com a difusão dos videocassetes, videodiscos laser e outros aparelhos de uso doméstico, criou-se a oportunidade de levar para dentro de casa, os quatro canais de áudio que se ouviam no cinema com seus DE N TRO

fantásticos efeitos sonoros. Então em 1982 foi lançado o Dolby Surround, quatro canais de áudio decodificados a partir de dois originais. Essa codificação acontece na execução do print master. As salas de mixagem equipadas com o sistema permitem rigorosa monitoração dos quatro canais. Na sonorização do filme, os quatro canais da matriz são codificados em dois, que são decodificados inversamente em quatro no momento da exibição, desde que a sala tenha o decodificador fornecido pela empresa.

DOS

PADR Õ ES

O cinema brasileiro ganha mais um aliado na competição com os altos padrões técnicos dos filmes norte-americanos: a JLS Facilidades Sonoras, de São Paulo, acaba de adquirir um sistema Dolby Digital para sua sala de mixagem, poupando os cineastas de viagens ao exterior para mixar suas produções. O padrão sonoro do sistema é um dos mais avançados da atualidade. O estúdio paulistano também está instalando uma mesa de mixagem com automação Cinemix, com 68 canais e motor faders, consoles que se movem automaticamente seguindo uma programação inicial. De fabricação holandesa, a mesa é um modelo específico para cinema, com facilidades desenhadas de acordo com as especificações da Dolby. Para o futuro, há planos de implantação do sistema THX na JLS. “Para adotar o THX, teremos de estudar seus custos e a maneira como adaptaríamos nossas atuais instalações para atingir o isolamento acústico e o nível de ruído de fundo exigidos pela Lucasfilm”, diz o mixador José Luís Sasso, proprietário da JLS.

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P R O D U Ç Ã O

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Totalmente compatível com sistemas estéreo existentes foi amplamente adotado na transcrição de filmes longametragem para o mercado doméstico. Como desenvolvimento do Dolby Surround foi lançado o Dolby Prologic, que permite a codificação de cinco canais de áudio nos dois canais estéreo normais. Usa ainda uma análise dinâmica do som de cada canal, reduzindo ruídos e melhorando a qualidade total do som. É o sistema presente na imensa maioria dos home theater que invadiram o mercado recentemente. O Dolby SR (spectral recording) veio dar nova vida ao som ótico dos filmes projetados em 1986. A qualidade do som analógico durante a mixagem e a impressão ótica na película ganhou baixíssimos níveis de ruído e larga banda de freqüência com qualidade sonora próxima dos sistemas digitais a um custo extremamente baixo. É um sistema analógico de processamento que não se limita a reduzir ruídos, mas otimiza a gravação do sinal de áudio na fita magnética. Logo veio a versão doméstica para uso nos cassetes, o Dolby S.

fidelidade No domínio digital, a empresa introduziu em 1984 o Dolby AC-1, um processador na base codificador/decodificador, destinado a reduzir a quantidade de bits a serem transmitidos, sem diminuir a qualidade do som. Foi destinado principalmente para transmissões via cabo e satélite. O Dolby AC-2 somente surgiu em 1989, sendo uma evolução do AC-1. Já o Dolby AC-3, surgiu em 1992 e representa um tremendo avanço na codificação de áudio digital multicanal. Seus algorítimos são capazes de monitorar o som de cada um dos canais e “inteligentemente” mascarar o ruído presente. Como resultado temos cinco canais de áudio codificados em menos data que um único canal em um CD. O Dolby AC-3 é também conhecido como Dolby Digital. O desenvolvimento desse sistema mudou a concepção das salas de

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exibição, que tiveram de se equipar para reproduzir com fidelidade toda a complexidade sonora dos filmes, e o próprio conceito de edição de som, permitindo trabalhar com uma faixa dinâmica e um número de canais muito maior. “Um exemplo dessa mudança é o filme ‘Titanic’, onde a parte de áudio consumiu 10% do orçamento da produção”, diz Carlos Klachquin, consultor da Dolby no Brasil e América Latina. Entre as mudanças ocorridas, há um aumento da potência sonora em até dez vezes e a possibilidade de se ter a banda sonora completa: de 20 Hz a 20 kHz. Para evitar que as salas de cinema que não tenham o decodificador Dolby Digital não possam passar o filme, a empresa desenvolveu um sistema muito interessante: as informações são impressas por contato, entre as perfurações da película, ficando resguardada a trilha básica para os cinemas menos equipados. Os custos de produção não aumentam, já que se utiliza o mesmo negativo de som e a mesma cópia. Na mixagem, o material é gravado em dois print masters, que ainda hoje são óptico-magnéticos, discos de uso interno dos estúdios que contêm a trilha SR e a trilha digital. Esses discos são transferidos simultaneamente para o óptico em câmeras especiais, ainda não existentes no Brasil. No laboratório, é feita a impressão por contato, com uma cabeça de imagem e outra para os dois discos agora transformados em um único negativo de som. Os produtores que quiserem ter o som Dolby Digital em suas trilhas sonoras devem pagar uma taxa de licenciamento, que inclui acompanhamento de todas as etapas de sonorização do filme. “É importante que essa consultoria seja solicitada com a máxima antecedência, já que os próprios padrões de captação do som direto podem mudar com o uso do Dolby Digital”, ressalta Klachquin. * Colaborou Paulo Boccato


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C L O SED C APTI O N

TV PARA QUEM NÃO OUVE As emissoras estão perdendo a oportunidade de atingir milhões de telespectadores completamente esquecidos. Já existe tecnologia relativamente barata que permite a legendagem para deficientes auditivos até de programas ao vivo. Até agora, a Globo é a única emisora que investiu em closed caption.

Para os deficientes auditivos entenderem a programação da TV, eles dependem basicamente da leitura labial de apresentadores e repórteres. Quando o texto está em off, e se a história não for completamente contada visualmente, aí vira puro exercício de adivinhação. Mas esta história está começando a mudar. Desde agosto 34

do ano passado, o “Jornal Nacional” presta um enorme serviço a este contingente de excluídos (no Brasil estima-se a existência de 2,5 milhões de surdos, mas há quem sustente que este número pode ser até cinco vezes maior). O noticiário mais assistido do país já pode ter todo o seu conteúdo lido no rodapé da TV, como um homevideo legendado. A experiência inovadora usa legendas ocultas que podem ser decodificadas pela maioria dos aparelhos de TV à venda hoje no Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, este expediente é obrigatório e a lei é cumprida à risca pelas emissoras. Mas por aqui, a TV para surdos ainda engatinha. Talvez porque faltem pesquisas para indicar a representatividade da audiência dos surdos e seu potencial de consumo. A Globo usa tecnologia da canadense Norpak para transmitir o “JN” com closed caption. O texto que os apresentadores lêem no telempronter passa também por um software que faz a legendagem e a endereça para o inseridor. As reportagens e entradas ao vivo são transcritas em tempo real. Uma

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estenotipista escuta o conteúdo e imediatamente o repassa para um outro computador equipado com teclado/estenógrafo (símbolos que representam uma gama variada de palavras). Um software, que funciona como dicionário, faz a tradução e envia a legenda para o inseridor de closed caption que transmite tudo juntamente com o sinal de vídeo, exatamente no intervalo vertical, a parte invisível da tela. A própria emissora desenvolveu um software que conjuga a operação dos dois computadores.

desafio O grande desafio de legendar programas ao vivo é que não basta só a tecnologia e o estenógrafo. A operação depende fundamentalmente de um estenotipista bem treinado, ágil, capaz de transcrever o programa com um delay mínimo. A Globo em parceira com a Esteno do Brasil treinou a única estenotipista que fez o “JN” durante seis meses, antes de levar ao ar a primeira edição com as legendas ocultas. Atualmente, outras duas pessoas estão sendo treinadas para a função. Outra dificuldade é que o estenógrafo sempre foi usado no Brasil apenas nos tribunais. Ou seja, foi configurado para o jurisdiquês. “No começo, o nosso dicionário tinha apenas 20 mil palavras. Toda hora aparecia alguma tradução equivocada no meio da legenda. Agora, que estamos com 100 mil palavras o problema diminuiu bastante. Se trabalhássemos com o inglês, com 30 mil palavras não haveria risco algum”, explica Paulo Roberto André, diretor do Departamento de Manutenção da Central Globo de Engenharia. Como o “JN” é transcrito ao vivo, a única maneira de evitar erros é fazer com que o estenotipista acompanhe parte das edições e antecipe ao dicionário alguma palavra que ele ainda não conhece. Durante a Copa do Mundo a Globo


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C L OS E D

C A P T I O N

LEI

ULTRAPASSADA

A lei 6.606/78 obriga as emissoras a exibir uma vez por semana um programa com legendas em português. O cumprimento da legislação em vigor (que já tem 20 anos) é esporádico e soa até como piada entender que os deficientes auditivos só têm problemas para compreender a programação da TV uma vez por semana. Com data e hora marcada ainda por cima. Tramita pelo senado há dois anos um projeto de lei da senadora Benedita da Silva (PT-RJ) que pretende modernizar a legislação vigente. Se for transformada em lei, dá prazo de um ano para que as emissoras incluam closed caption até atingir o patamar mínimo de 50% da grade de programação. Seriam priorizados os telejornais, programas educativos e infantis, além da propaganda oficial dos governos federal, estaduais e municipais.

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experimentou a inserção de closed caption na transmissão dos jogos do Brasil. Mas apenas os comentários foram legendados. O ano passado a emissora investiu US$ 300 mil em seu projeto de tornar o “Jornal Nacional” compreensível aos surdos. Este ano o mesmo montante deve ser gasto. “O ideal seria legendar vários programas, aí o custo por programa cai”, contabiliza André. Ele ainda revela que as novelas podem ser as próximas a receber closed caption, mas o projeto esbarra no fato de que os primeiros capítulos normalmente são fechados em cima da hora, sem tempo para legendagem prévia. Inserir legendas em novelas é bem mais complicado, porque comparando com o “Jornal Nacional”, não há telempronter para dar um fôlego para a estenotipista.

dado alarmante O SBT tem condições operacionais de monitorar closed caption, mas não produz nenhum programa legendado. Somente enlatados importados dos Estados Unidos são exibidos com legendas, mas em inglês. É o caso do desenho animado “O mundo maravilhoso de Bob”. Bandeirantes e Manchete nem isto fazem. Só a Record promete seguir os passos da Globo. A emissora, como o SBT, já transmite enlatados com legendas em inglês, mas promete até o final do ano inserir closed caption em português em outras atrações. Os programas jornalísticos devem ser os primeiros a atender

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às necessidades dos deficientes auditivos. Depois devem vir os programas de variedades. A emissora está em negociações com a Norpak e promete investir US$ 50 mil na empreitada e, inicialmente, só deve legendar programas gravados. “Só num terceiro momento é que vamos inserir legendas nos programas ao vivo. Mesmo assim, naqueles em que a tarefa não seja muito complicado”, afirma Roberto Franco, diretor de engenharia da Record. “Já imaginou quantos asteriscos nas legendas teria o Ratinho Livre”, brinca referindo-se à elevada quantidade de palavrões utilizado pelo apresentador durante seu programa. Um projeto de lei da senadora Benedita da Silva (PT-RJ), que tramita no Congresso (leia box) ressalta ainda um dado alarmante que talvez sensibilize o executivos das emissoras. Projeta-se um aumento de 30% no número de brasileiros com problemas auditivos nos próximos 20 anos. Parece perverso, mas talvez as emissoras só trabalhem com closed caption para valer quando o prejuízo nos índices de audiência tornar-se (sem trocadilho) gritante. O investimento para inserção de closed caption não é astronômico, os novos aparelhos de TV estão equipados com decodificador, e nem por isto custam mais caro, mas as outras emissoras não parecem interessadas em ter a audiência dos deficientes auditivos. Como é possível incluir merchadising nas closed caption, talvez, aí a coisa vai. (Beto Costa)


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C INE M A

produzido com recursos próprios e com sobras de negativo do longa “Guerra de Canudos” doadas pelo diretor Sérgio Rezende.

caminho para o longa

PARA ONDE VAI O CURTA? A produção de curtas sofre com altos custos e procura espaços para crescer.

O filme de curta-metragem já foi a peça de resistência do cinema brasileiro. Nos últimos anos da década de 80, quando a Embrafilme andava mal das pernas, e no começo dos anos 90, durante o governo Collor, o formato era a única alternativa viável para se fazer cinema no País. Uma geração de cineastas surgiu nessa entressafra da produção de longas, também beneficiada pela segunda etapa de funcionamento da Lei do Curta, que vigorou de 1984 a 89. Nomes como Tata Amaral, Beto Brant, Lírio Ferreira, Jorge Furtado, Carlos Gerbase e Paulo Caldas começaram aí. Na era da Lei do Audiovisual, o curta vive um impasse. O formato continua atraindo público em exibições especiais, festivais e mostras, mas os custos de produção subiram muito e o curta encontra dificuldades para chegar às salas

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de cinema e ao mercado de TV. Na raiz do dilema, fica a pergunta: o curta pode ser encarado como produto de mercado? “O ideal seria oferecer curta e longa como produtos de mercado, de preferência até sem a existência de leis de incentivo. O problema é que a distância entre esse ideal e a realidade é muito grande. No caso do curta, enorme”, opina Romeu DiSessa, diretor do curta em 16 mm “Átimo” e, atualmente, envolvido na captação de recursos de “Sem pressa de amar”, curta em 35 mm com Beatriz Segall, Lima Duarte e Cláudio Corrêa e Castro no elenco. Essa distância começa na captação de recursos. Num sistema de financiamento ao audiovisual que privilegia a busca de recursos na iniciativa privada, o formato sai perdendo. “O curta tem um espaço de rentabilidade muito pequeno e não seduz a maioria dos investidores, que esperam retorno financeiro quando investem pela Lei do Audiovisual”, diz o corretor João Henrique Figueira de Mello, da Supra DTVM. “Para o curta, a melhor saída é a Lei Roaunet e as leis estaduais e municipais”, opina o diretor e roteirista Paulo Halm, que finaliza o curta em 35 mm “Bela e galhofeira”,

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O realizador que sai à cata de recursos para colocar seu curta nas telas deve estar ciente de que o retorno institucional desse tipo de produção para as empresas investidoras ainda é considerado muito pequeno. Nessas horas, uma boa idéia ou um trabalho anterior do cineasta podem contar mais pontos que afinidades com o marketing da empresa. “Consegui alguns recursos pela Lei Rouanet porque um empresário viu meus outros trabalhos e gostou bastante, resolvendo investir e recomendou o filme para outras empresas”, conta Phillip Barcinski, diretor de “Postal branco”, curta em 35 mm que custou cerca de R$ 70 mil para ser produzido. Parte desses recursos veio pela lei federal, completando um prêmio de R$ 40 mil recebido do Ministério da Cultura no ano passado. As leis de incentivo não são o único, nem o melhor caminho para a produção de curtas, já que há inúmeros concursos que garantem bons trocados para os curta-metragistas, promovidos pelos governos federais, estaduais, municipais e por canais de TV (veja box pág. 42). Mas admite-se que sua existência influencia a maneira de se pensar o formato. “O curta ficou mais profissional, envolve técnicos e atores de primeira linha e, por isso, está bem mais caro”, diz Halm. “Por um lado, isso é bom; mas, ao mesmo tempo, ele perde seu caráter de experimentação, que não significa necessariamente amadorismo, mas uma maneira dos cineastas exercitarem sua profissão sem a pressão de fazer algo para o mercado”, completa. “Envolver, na produção de curtas, orçamentos superiores a R$ 100 mil e atores globais é mais ou menos como


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comprar um carro importado para aprender a dirigir”, compara. Para Barcinski, o curta pode ser encarado como um caminho para o longa que possibilita testar algumas idéias do cineasta. “No curta dá para ousar mais, é como a rede do trapezista. Quando partimos para o longa deve estar bem ensaiado, porque aí é salto sem rede, não se pode errar”, diz. “Muitos curtas recentes parecem vir com o selo ‘vejam como eu posso usar bem o seu dinheiro’. São tecnicamente perfeitos, mas com poucas idéias novas. Esse compromisso com o mercado atrapalha um pouco”, opina o cineasta gaúcho Giba Assis Brasil, da Casa de Cinema de Porto Alegre, importante pólo de produção de curtas há mais de uma década.

problemas do 16 mm Além das leis, outro fator colabora para um aumento do custo médio

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ESPAÇO

* Alguns festivais e mostras de cinema realizados no Brasil privilegiam a exibição de curtas: casos do Festival Internacional de São Paulo (agosto); da mostra Curta Cinema, no Rio de Janeiro (novembro); do Festival de Cinema Universitário, em Niterói (maio/junho); do Cine Ceará (junho); do Guarnicê de São Luís (junho) e do Vitória Cine Vídeo (novembro). Além disso, o curta encontra espaço, em algumas cidades, no circuito comercial, e em projetos especiais. * Na TV, há programas especializados no formato. Veja quais são os outros espaços para o curta: “Curta Brasil”: programa de TV produzido pela Funarte, Riofilme e TVE (Rio de Janeiro). O formato usual coloca dois curtas de diferentes gerações, com seus respectivos representantes em um debate com a apresentadora Ivana Bentes. Exibido às quintas e domingos na TVE. Os realizadores recebem R$ 250 pela exibição do filme. “Curta circuito”: projeto do curta-metragista Christian Saghaard que exibe curtas em casas noturnas de São Paulo. Para o próximo ano, Saghaard espera atingir outras regiões do País e remunerar os realizadores dos curtas exibidos, contando com o apoio das leis de incentivo. “Curta adoidado”: mostra de curtas 16 mm realizada anualmente dentro da programação do Festival de Inverno de Santa Teresa (Rio de Janeiro). “Curta nas telas”: programa conjunto da Prefeitura de Porto Alegre, dos realizadores e exibidores gaúchos, que exibe e remunera

dos curtas: a opção que a maioria dos realizadores tem feito pela bitola 35 mm. “A bitola 16 é muito ingrata. O que você economiza em negativo, acaba perdendo em oportunidades de exibição”, afirma DiSessa. “Eu perdi a chance de exibir o ‘Átimo’ em salas do circuito comercial por causa da bitola. Sem contar o descaso com que o filme de 16 mm é tratado em grande parte dos festivais de cinema”, completa. Os festivais de Brasília e Gramado, por exemplo, exibem curtas 16 em salas separadas, geralmente em horários pouco freqüentados. “O problema não fica só na exibição: a maioria dos laboratórios de

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DO

CURTA

filmes de curta-metragem nos cinemas da cidade. Os filmes são selecionados por etapas. “Cinema para todos”: programa de exibição de curtas em cidades do interior do Mato Grosso, produzido pelo cineasta Amauri Tangará. Nas primeiras sessões do projeto, o público atingiu mais de dez mil espectadores. “Fora de foco”: exibido durante o ano passado no Canal São Paulo, da TVA, o programa, uma produção independente de um grupo de ex-alunos da Escola de Comunicações e Artes (USP), trazia matérias sobre cinema e curtas de várias épocas. Paralisado por falta de recursos, busca patrocínio através das leis de incentivo para voltar ao ar ainda este ano. “Já recebemos alguns convites de canais abertos e pagos. A idéia é ter uma verba para remunerar os realizadores, pagando cerca de R$ 1 mil por filme”, planeja Edwin Perez, um dos diretores do programa. “Zoom”: a produção da TV Cultura muda de cara e horário. Passa a ser exibido semanalmente às terças-feiras, privilegiando a produção experimental de curtas, vídeos e animações e incluindo matérias sobre eventos da área. “Primeiro plano”: produção independente da Comunicação Alternativa. Exibido durante dois anos no GNT e até julho na TV Cultura, com programas formados por um ou mais curtas de um mesmo realizador, que participa debatendo seu trabalho. Há negociações para a exibição do programa na TVE.

som e imagem no Brasil trabalha muito pouco com a bitola, usando equipamentos sucateados e sem a mínima condição técnica”, reclama Tetê Mattos, que acaba de dirigir o curta “Era Araribóia um astronauta?” em 16 mm. “Como meu filme é um documentário, que exige equipamento mais leve, optei por essa bitola”, explica. Há cineastas que juram jamais voltar a trabalhar em 16 mm nos laboratórios brasileiros. “Especialmente na parte de som, onde não há o mínimo cuidado com o 16”, diz Marina Person, que dirigiu “Almoço executivo” e finaliza o documentário “Person”, sobre seu pai, o cineasta Luís Sérgio Person. “Nesse caso, o filme está saindo


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bastante caro, pois eu trabalho com filmes caseiros, feitos em Super-8, com material de arquivo em 16 e 35 mm, coisas rodadas em Super16, uma mistura de formatos. O que eu puder finalizar no exterior, farei”, diz Marina.

alternativas de exibição Com o filme pronto, começa outra via sacra: a luta para colocar o filme nas telas, conseguindo algum retorno financeiro. Algumas iniciativas isoladas têm contribuído para levar o curta para as salas do circuito comercial, como ocorre em Porto Alegre (veja box pág. 40). Mas, para certos setores da produção cinematográfica, o formato deve ter lugar garantido por lei nas telas do cinema, como ocorria na década de 80. “A nova lei do curta está parada no Congresso e só deve ser votada após as eleições. O problema é que, da forma como está redigida, dificilmente será regulamentada. O que precisamos é sentar com os exibidores e discutir uma saída”, diz Halm, que é também presidente da Associação Brasileira de Documentaristas, sessão do Rio de Janeiro, entidade que congrega grande número de realizadores. Para alguns deles, essa não é uma questão fundamental. “Tenho muito medo de que a obrigatoriedade gere produtos precários financiados pelos

exibidores, como chegou a ocorrer nos anos 80”, diz Paulo Morelli, da O2 Filmes, que parte para a produção do curta “Separação”, seu segundo trabalho no formato em dois anos. Há saídas interessantes, como a adotada pelas produtoras Zohar e Zeppelin no lançamento de “Curtas histórias de amor”, longa que reuniu cinco curtas com temática semelhante, ficando várias semanas em cartaz nas principais capitais do País. “Nós tínhamos vários filmes interessantes, feitos por profissionais e atores de primeira linha e sabíamos, pelos festivais e mostras, que o público gosta muito de curtas. Por isso, resolvemos apostar no seu lançamento comercial e atingimos bons resultados”, conta Leila Hipólito, diretora de “Decisão”, curta que integra a experiência e que, segundo ela, computando a O

DI N H EIRO

bilheteria dos cinemas, os prêmios em festivais e as vendas para a TV, chegou a dar lucro. Para Ademar de Oliveira, diretor de programação do Espaço Unibanco, a experiência foi válida. “Tivemos um boa média de espectadores. Os produtores de curtas têm de tomar mais iniciativas desse tipo, buscando organizar a distribuição e a mídia dos filmes, para que possamos abrir o espaço das salas”, afirma. A TV tem exibido alguns curtas brasileiros em sua programação, mas ainda remunera muito pouco. “Recebi propostas de canais de TV a cabo que eram vergonhosas”, conta DiSessa, sobre seu filme “Átimo”. A maior parte dos programas que exibem curtas é iniciativa de produtores independentes, normalmente sem recursos para pagar o realizador. Paulo Boccato DO

* Boa parte dos curtas produzida nos últimos anos chegou às telas graças a inúmeros concursos realizados por várias entidades, como o Prêmio do Ministério da Cultura, que deve ter uma segunda edição ainda neste semestre; o prêmio da Riofilme; e o Prêmio Estímulo, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. * Para o cineasta novato, o canal USA abre anualmente o concurso “Dirija o seu talento”. O autor do roteiro premiado ganha um curso de cinema em Nova York e os recursos para rodar seu projeto, além da exibição no canal. As inscrições para este ano já se encerraram. * Para os filmes prontos, o canal MultiShow, da Globosat, ofereceu, até o ano passaodo, o prêmio MultiCurta aos melhores trabalhos brasileiros do Festival Internacional de Curtas de São Paulo. Este ano, o prêmio será oferecido a curtas estrangeiros, ficando o prêmio para os nacionais a cargo do “Canal Brasil”, que deve entrar no ar em setembro. O canal Bravo Brasil, da TVA, costuma premiar curtas em festivais de cinema brasileiro, adquirindo os direitos de exibição dos filmes.

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CURTA

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Uma mãe e seu filho, entre eles uma janela. Em seu segundo longa-metragem - “Através da janela” -, a diretora Tata Amaral volta a abordar um tema psicológico, a exemplo de seu bem sucedido “Um céu de estrelas”. As relações conflituosas entre a mãe, uma enfermeira aposentada vivida por Laura Cardoso, e seu filho de 22 anos, interpretado pela revelação do teatro paulista Fransérgio Araújo, do grupo teatral de José Celso Martinez Corrêa, ocorrem em uma casa de classe média e é através de uma janela, como diz o próprio título do filme, que se desenvolvem os conflitos. O filme está orçado em US$ 1,7 milhões e é produzido pela A. F. Produções, de Alain e Van Fresnot. Além dos dois personagens principais - Selma e Raimundo - o filme ainda conta com as participações de Ana Lúcia Torres, como a amiga de Selma, Tomasina, e participações especiais de Fernando Alves Pinto, Leona Cavalli, Débora Duboc, João Acaiabe, Antônio Pétrin, José Wilker e Eucir de Souza. O plano de produção prevê oito F I C H A

T É C N I C A

Direção: Tata Amaral Produção: A. F. Produções Roteiro: Fernando Bonassi e Jean-Claude Bernardet Dir. de Fotografia: Hugo Kovenski Dir. de Som: Eduardo Santos Mendes e João Godoy Dir. Arte: Ana Mara Abreu e Clô Azevedo Figurinos: Cristina Camargo Storyboard: Líbero Malavoglia Preparação de Atores: Márcio Aurélio Música Original: Lívio Tragtemberg e Wilson Sukorski Montagem: Idê Lacreta Dir. de Produção: Caio e Fabiano Gullane Produção Executiva: Van Fresnot

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Foto: Divulgação

A T R A V É S D A J A N E LA

Fachada cenografada simula abandono.

semanas de filmagem, com fim marcado para este mês, principalmente na locação que representa a casa da personagem principal. A precipitação dos acontecimentos na trama acontece a partir do momento que Raimundo e seus amigos trazem para casa um rapaz ferido. E toda a história se desenvolve entre a casa de Selma e uma casa abandonada bem em frente, durante o período de cinco dias. “A proposta era de que realmente a locação proporcionasse essa relação com a janela, onde a personagem pudesse ver a rua e a casa em frente e não houvesse preocupação de que isso não parecesse real”, explica o diretor de produção Caio Gullane. Por isso, a escolha da locação foi fundamental. A casa escolhida está no bairro da Lapa, região residencial na Zona Oeste de São Paulo, e possui uma grande janela. Além da casa em si, a produção ainda conseguiu convencer os donos da casa em frente a transformar sua residência de classe média em casa abandonada. A fachada foi toda cenografada, mas internamente a casa continuou igual e habitada. A casa escolhida para locação foi totalmente reformada e preparada para a filmagem.

TELA VIVA agosto DE 1998

Como cerca de 70% das filmagens acontecem dentro da casa, a produção resolveu investir em sua preparação. Toda a estrutura foi modificada. A sala e um dos quartos tiveram o forro e parte do madeiramento removidos para a instalação do grid de iluminação. Todos os cabos foram passados pelo teto, evitando tropeções e a possibilidade de aparecerem em cena. Exposto, o telhado precisou de tratamento acústico. A cozinha também foi modificada, para que parte dela servisse de cenário e outra fosse usada pela produção. Essa pré-produção consumiu cerca de cinco semanas da equipe. DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA

Segundo o diretor de fotografia, Hugo Kovenski, as mudanças compensaram, pois tornaram a locação extremamente funcional. A iluminação suspensa, assim como os cabos, deixam o assoalho totalmente livre para a ação e os movimentos de câmera. O equipamento utilizado é uma câmera leve da Aaton, de 35 mm, com Aaton Code para a pós-produção. No maquinário, também consta um dolly Fischer 11, que é pequeno e passa por todas as portas, além de um steadycam. A linguagem do filme está totalmente marcada na fotografia. Kovenski explica que a fotografia se altera à medida que o tempo passa no filme. “Os enquadramentos, as lentes, os movimentos e a luz vão dando maior dramaticidade conforme a narrativa se aprofunda”, conta. O filme conta com muitos planos seqüência e travellings, acompanhando os personagens. “Nosso desafio é superar a monotonia


Foto: André Jung

http://www.telaviva.com.br

Foto: Divulgação

Foto: André Jung

Fichas técnicas de c o m e r c i a i s

Teto sem forro para instalar luzes e cabos.

A ambientação destaca a cozinha moderna...

... versus o conservadorismo da sala.

e a sensação de claustrofobia”, diz. Como o contraste vai se intensificando ao longo da ação, a dificuldade está em reproduzir a luz de planos seguidos quando filmados separadamente. Por isso, a diretora procurou trabalhar em blocos de continuidade. “Este filme é maior, tem mais cenários. ‘Um céu de estrelas’ foi feito em seqüência, mas nesse caso nem tudo é possível”, acredita o diretor de fotografia. Kovenski adianta que o filme deve estrear um novo equipamento de trabalho, a estação Indaw, da Aaton. O equipamento permite sincronizar som e imagem em off line, fazendo com que o montador já comece a trabalhar com o material todo sincado.

conservadora”, afirma a diretora de arte Clô Azevedo. Ao mesmo tempo, ela tem eletrodomésticos modernos na cozinha, o que reforça a idéia da mulher que já trabalhou mas, aposentada, hoje dedica-se à casa. A janela ampla da sala - condição absoluta para a escolha da locação - deixa ver a casa abandonada em frente. Vidros quebrados, pintura descascada, madeiras encostadas e portões envelhecidos alteraram completamente a casa cedida. Por ser em um bairro residencial, as casas também permitem a filmagem na própria rua e a equipe não se afasta muito de seu QG para filmar externas, onde as amigas Selma e Tomasina passeiam e conversam.

direção dos atores. Seu trabalho no filme teve início dois meses antes da filmagem. Em uma primeira fase, discutiu e estudou o roteiro com a diretora, para melhor conhecimento e adaptação dos personagens. Em seguida, começou a ensaiar os atores principais. “A Tata me pediu um trabalho ‘limpo’, com o desenvolvimento narrativo das personagens de forma e simples, além dos exercício de situações”, conta o diretor. Foram contatados um médico e uma enfermeira para fornecer dados concretos de suas profissões e aspectos técnicos que deveriam ser utilizados principalmente pela personagem Selma. As conversas foram gravadas e trabalhadas nos exercícios. Márcio Aurélio já tivera contato com Laura Cardoso, “namoros para trabalhar juntos”, como ele diz, mas nunca concretizados. A motivação para encarar o filme também veio da fase inicial do trabalho, que agradou ao diretor. O trabalho com cinema está ainda sendo intercalado com produções teatrais, que o diretor prepara para serem exibidas em Weimar, na Alemanha. No futuro, quem sabe alguma produção em cinema, mas por enquanto o diretor prefere investir mais em outros trabalhos desse tipo. “Para reconhecer elementos contemporâneos e de tecnologia”, afirma.

DIREÇÃO DE ARTE PREPARAÇÃO DOS ATORES

O ambiente em que circulam os personagens foi totalmente criado pela equipe de direção de arte. Além da reforma estrutural, a casa também passou por uma mudança cenográfica. A fachada, que tinha grades com lanças, recebeu um murinho e portões baixos. A sala ganhou elementos vazados, que combinaram com os móveis e enfeites. “É como se a moradora tivesse se casado na década de 70, montado sua casa e nunca mais mexido em nada, pois é uma personagem

O diretor teatral Márcio Aurélio está estreando no cinema com a preparação dos atores de “Através da janela”. Mas as câmeras não são suas desconhecidas. “Minha formação é de TV, fiz direção na RAI e, ao voltar para o Brasil, é que comecei no teatro”, conta. A oportunidade de voltar a um meio audiovisual, diz Márcio Aurélio, foi interessante não só como exercício pessoal, mas pela oportunidade de oferecer outro tipo de trabalho na

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Á u d i o José Francisco Neto*

O DOLBY MAIS UMA VEZ Muitas são as implicações dos sistemas de redução de ruído na produção audiovisual e broadcasting. Voltamos ao assunto para esclarecer e dar mais dicas sobre a utilização do Dolby NR.

A matéria publicada na edição anterior de Tela Viva (julho/98 nº 71) abordou vários aspectos envolvendo o mito do Dolby NR entre os profissionais de vídeo e áudio do nosso mercado. Traduzindo e analisando a verdadeira selva de conceitos existentes, acabou suscitando polêmica entre os produtores. Muitos profissionais buscam informação junto a outros e acabam fixando seus parâmetros com base no “ouvi dizer...”. Por isso, retomamos o tema para desfazer a idéia que o Dolby NR é algo incompreensível, eliminarmos a impressão de que tudo pode dar errado a qualquer momento e que a peça sonora que consumiu tempo, trabalho e dinheiro pode, na cópia final, ficar abafada e distorcida. Desde a introdução dos primeiros 46

VCRs Betacam SP pela Sony, há vários anos, já existia um conflito de idéias a respeito do uso do Dolby C Type (leia matéria da página 28) disponível em todas as máquinas da Sony. O caso não se agravou porque sua aplicação era restrita a emissoras de TV e poucas produtoras que usavam a linha BVW, onde os técnicos sabiam como utilizá-lo. Logo depois a Sony introduziu uma linha Betacam de menor custo, os PVW. E ampliou ainda mais a participação dos VCRs Betacam no mercado de vídeo, praticamente substituindo os U-Matic, muito usados na produção de vídeos institucionais e produções de orçamento menor. Mas a linha PVW e a linha BVW têm no painel frontal uma chave “Dolby NR - on/off” que facilita a vida do operador e não se registraram muitos problemas até então. A grande confusão a respeito do uso do Dolby surgiu pela conjunção de três fatores principalmente: 1 - A Rede Globo decidiu desligar o Dolby de seus Betacam. Esta atitude acabou por influenciar seus fornecedores de programação (publicitária ou não) a fazerem o mesmo quando passaram a solicitar a entrega de material Betacam com Dolby off. 2 - Foi introduzida no mercado a linha Betacam UVW - mais barata, portanto mais acessível e

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pasmem, sem a opção da chave Dolby on/off. Todas as máquinas da linha UVW saem de fábrica com o Dolby C Type ligado. Como resultado do baixo custo, rapidamente tornou-se um sucesso de vendas, levando a tecnologia Betacam (e a impossibilidade de escolher o Dolby) aos mais variados usuários. Desde o pessoal que tinha um PC com 3D Studio pirata, até o RTV das maiores agências de publicidade. 3 - A Sony não se pronunciou de forma objetiva a respeito do assunto, deixando dúvidas sobre como proceder no uso do Dolby.

on ou off? Pronto, está feita a confusão. Temos cada um trabalhando num padrão, muita desinformação, máquinas UVW com Dolby sempre ligado e outras que tiveram o Dolby desligado. A decisão da Globo de desligar o Dolby foi acertada. Pelo simples fato de que na emissora, toda a produção era copiada muitas vezes, e o Dolby C não foi desenvolvido para multigeração. O resultado é realmente muita distorção no áudio que foi repetidamente copiado com Dolby on. Mas como funciona o tal do Dolby? O mais importante é saber que o Dolby C Type usado nos VCRs


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Á udi o

Betacam é um código adicionado ao áudio que está entrando no VCR. Portando a fita que se grava numa máquina com Dolby on, possui um sinal codificado no lugar do som original. Esta fita, quando reproduzida em outra máquina deve ter seu sinal decodificado para que o áudio original seja restaurado. Em outras palavras, fitas com Dolby on devem ser reproduzidas em um VCR com Dolby on. Fitas com Dolby off, em VCR com Dolby off. Qualquer possibilidade diferente dessas duas descritas, vai causar muitos problemas! Quando você tiver em mãos uma fita Betacam SP sem marcação de Dolby on/off, a única maneira de descobrir como a fita foi gravada é trocando a posição da chave on/off e ouvindo atentamente o resultado. Pode ser um pouco difícil em alguns casos, mas é a única saída! Uma fita gravada (rec) com Dolby off, ao ser reproduzida (play) em VCR com Dolby on resulta num som abafado, distorcido e até com flutuações no volume. Uma fita gravada (rec) com Dolby on, ao ser reproduzida (play) em um VCR com Dolby off resulta num som com grande reforço nos agudos (altas freqüências), além de ruído excessivo.

sistema casado Um fato muito interessante ajudou a aumentar o caos. As pessoas que ouviram fitas com Dolby off em VCR com Dolby on, perceberam que ao ligar a chave Dolby, o som ficava abafado e distorcido. Concluíram então que “o Dolby não presta! Ele estraga o som!”. Ora, nada mais errado que isso. De fato essas pessoas desconheciam que o Dolby C é um sistema casado, do tipo CODEC (CODificador/DECodificador) e seu benefício só é efetivo no processo gravação/reprodução completo. Existem também aquelas pessoas que fizeram o contrário, ouviram uma fita com Dolby on em VCR com Dolby off. Nesse caso, o som 48

MEDIDAS

PRÁTICAS

Como as opiniões a respeito do uso do Dolby nos VCR Betacam são muito desencontradas, algumas medidas práticas se fazem necessárias: • Na sua produtora (de vídeo ou áudio), converse com o técnico responsável e peça uma posição clara quanto ao padrão adotado internamente. Ou procure consultores confiáveis para analisar seu caso e ajudá-lo a optar pelo padrão mais adequado. • Na captação de vídeos em Betacam, procure seguir os padrões de sua empresa, certificando-se que o equipamento da sua produtora esteja dentro das normas. • Quando alugar equipamentos de terceiros, consulte que padrão o equipamento está utilizando, visto que em algumas camcorders é bem difícil mudar a posição do Dolby e isso requer a presença de um técnico especializado. • Para quem usa VCRs Betacam da linha UVW, é fundamental colocar a famosa chavinha de Dolby. Somente com ela você pode ter certeza que está seguindo o padrão de qualquer fita que receba. Eu sou

particularmente contra pendurar fios em qualquer tipo de equipamento, mas aqui na Módulos, nós desenvolvemos uma técnica que não altera o painel do UVW e nem pendura fios e chaves. O resultado é muito eficiente e mantém a boa aparência do equipamento. • Certifique-se que pode fazer cópias com Dolby on ou off, seguindo as necessidades de seus clientes, independentemente do seu padrão interno. • Se você é receptor de material (agência de publicidade, empresa de veiculação em cinemas, painéis eletrônicos etc.) procure esclarecer junto aos seus fornecedores, como você quer sua cópia. • Finalmente o mais importante. Coloque sempre, sempre, sempre nas etiquetas, claramente qual a posição de Dolby em que foi gravada a fita. Escreva Dolby on ou Dolby off. Isto é fundamental para que qualquer pessoa possa facilmente entender como proceder.

resultante tem um enorme reforço nos agudos e um brilho forte. Quando se liga o Dolby o som volta ao normal (sem tanto brilho). Fica então a falsa sensação de que antes - apesar do ruído - o som era melhor. Como conseqüência, estas pessoas erradamente decretam que o Dolby deve ficar sempre desligado! Na verdade, como já foi dito, o Dolby C Type é um processo CODEC, onde a redução de ruído começa na gravação da fita e só termina com a correta decodificação do sinal durante a reprodução da fita. Como seus antecessores A Type e B Type, ele foi desenvolvido para atenuar o ruído característico de todas as gravações em tape, o HISS (ruído de alta freqüência), mas também atua em outras faixas do espectro audível, começando em 300 Hz e conseguindo atenuações de até 20 dB. O processo é extremamente sofisticado e envolve técnicas como slide banding e spectral skewing. Isto quer dizer que o filtro atua de maneira diferente em várias faixas de freqüência e níveis de sinal, otimizando o processo de saturação durante a gravação da fita. O resultado do uso correto do Dolby

C Type nas máquinas Betacam é extremamente satisfatório. Eu diria que se deve evitar seu uso somente em casos como o da Globo, em que se emprega multigeração em Betacam SP. No mercado de produção publicitária, por exemplo, onde a maior parte do processo é feita dentro do domínio digital (praticamente livre de degradação), só há benefícios ao se usar a redução de ruídos com o Dolby C Type. Quanto à cópia de veiculação, esta sim deve seguir os padrões requisitados por cada emissora. O mais importante é que cada empresa que produz ou copia material em Betacam SP analise seus métodos, consulte fontes seguras e determine um padrão de trabalho que deixe claro nas etiquetas de suas fitas, a condição do Dolby on/off. Assim todos aqueles que forem assistir tal fita poderão ouvir aquilo que consumiu tanto dinheiro para produzir.

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* José Francisco Neto é sócio-diretor da Módulos. Trabalhou na Globotec, foi diretor técnico da Miksom e da New Vision.


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TE C N O L O G IA Armando Moraes *

O breve período das mudanças tecnológicas dos formatos de gravação, desde a introdução do VT na televisão, já fez muitos virarem peça de museu. Quais equipamentos analógicos ainda podem ser utilizados? Quais são os formatos digitais compatíveis com a televisão de alta definição?

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Quem tem pelo menos 15 anos de trabalho em gravações de vídeo, presenciou as mudanças de formatos de gravação analógica em fitas, desde o formato quadruplex, de duas polegadas; para os helicoidais, de uma polegada; os transportáveis de 3/4 de polegada; os atuais portáteis de 1/2 polegada e os digitais. A velocidade das mudanças tecnológicas no broadcasting só perde para o segmento de informática. Para a captação externa, os transportáveis dividiram as opiniões do meio, pois sua qualidade de reprodução sempre ficou a desejar em relação à qualidade de gravação dos sistemas anteriores de 2” e de 1”, porém a praticidade aliada ao seu custo, operacionalidade e confiabilidade tornaram-nos a solução ideal para captação externa de jornalismo. No Brasil, isso viabilizou a TV local. O formato que predominou a desde o final da década de 70 aos anos 80, o U-Matic, possibilitou que pequenas emissoras do interior do Sul e do Sudeste e de várias capitais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste tivessem seus jornais locais.

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Já nessa época, os engenheiros esquentavam suas cabeças com decisões do tipo qualidade X custo, praticidade e confiabilidade. O U-Matic não era a única opção. Apareceram até soluções de 1/4 de polegada, o conhecido VHS disputava com o Betamax o mercado doméstico, numa briga de final conhecido por todos: venceu o lado comercial e não a qualidade de gravação e reprodução.

mais prático O mesmo foi acontecendo com o U-Matic, mais prático, transportável, substituía as câmeras de filme 16 mm e 8 mm que tinham no incomodo processo da revelação e telecinagem além da perda de tempo essencial para o jornalismo televisivo. O baixo custo do U-Matic, tanto para a compra quanto para operação e manutenção, colocou os engenheiros numa verdadeira sinuca diante dos empresários de comunicação: porque insistir em equipamentos tão mais caros, se era possível operar com equipamentos que embora sacrificassem a qualidade aumentavam os recursos e as


ferramentas de produção? Assimilando esse processo a maioria dos engenheiros de TV aprendeu a utilizar a relação custo/benefício na prática e na década seguinte esse aprendizado foi bastante valioso, pois novamente se depararam com inovações que colocaram em cheque esse conceito. O aparecimento dos sistemas de gravação SP (Superior Performance), em 1/2 polegada,

mudou de transportável para portátil a captação externa. Com as camcorders o custo de operação caiu, pois um operador com luz acoplada à câmera pode realizar sozinho o trabalho feito anteriormente por três profissionais. No final da década de 80 e início dos anos 90, a opção Betacam SP ainda era uma operação de custo elevado, para algumas emissoras brasileiras e

D V C A M

D I G I T A L - S

Fabricante: Sony Representante Comercial no Brasil: Sony do Brasil Comércio e Indústria Ltda. Rua Inocêncio Tobias, 125 São Paulo Tel: (011) 3824-6656

Fabricante: JVC Representante Comercial no Brasil: Tecnovideo Comércio e Representações Ltda Rua Sumidouro, 325 São Paulo Tel: (011) 816-4021

Características técnicas principais: 4:1:1 - 25 Mbps Fita: 1/4” polegada Compressão - 5:1 Velocidade da fita: 28,19 mm/s Largura da trilha de gravação: 15 µm Quatro canais analógicos de áudio ou dois canais digitais de áudio

Características técnicas principais: 4:2:2 - 50 Mbps Fita: 1/2” polegada Compressão: 3,3:1 Velocidade da fita: 57,737 mm/s Largura da trilha de gravação: 20 µm 2 canais digitais de áudio

Compatibilidades: Entradas de vídeo Analógicas: Vídeo composto NTSC e vídeo componente Digital: serial digital component Saídas de vídeo Analógicas: vídeo composto NTSC e vídeo componente Digital: serial digital component Recursos Reproduz fitas gravadas no formato DV Interface digital para transferências de alta velocidade entre sistemas como servidores e editores não-lineares. Capacidade de transferência em quatro vezes a velocidade normal Slow motion Linha de Produtos nV  TR recorder + VTR player para ilha de edição low cost com editor externo n VTR recorder/player very low cost n VTR dockable n Dois tipos de camcorder

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Compatibilidades: Entradas de vídeo Analógicas: vídeo composto NTSC e vídeo componente Digital: serial digital component Saídas de vídeo Analógicas: vídeo composto NTSC e vídeo componente Digital: serial digital component Recursos Reproduz fitas gravadas no formato S-VHS Interface digital para transferências de alta velocidade entre sistemas como servidores e editores não-lineares. Capacidade de transferência em quatro a velocidade normal Slow motion Linha de Produtos n VTR completo com editor incorporado nV  TR recorder + VTR player para ilha de edição low cost com editor externo n VTR dockable n Camcorder n Sistema de edição não-linear

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muito elevado para a maioria. Mas trabalhar com camcorder passou a ser exigência de um mercado onde os custos de produção (jornalística principalmente), são maiores que a receita gerada pela veiculação. O corte de despesas passou a ser fundamental e, infelizmente, a tecnologia mais uma vez contribuiu possibilitando a diminuição do pessoal técnico/operacional, através de dois formatos com qualidade inferior porém com custos reduzidíssimos, o S-VHS e o Hi-8, formatos ainda utilizados principalmente por pequenas emissoras. Grande parte porém só os utilizou como formato de transição nos cinco primeiros anos de 90, substituindo-os gradativamente pelos Betacam SP low cost e padronizando o mercado mais uma vez.

nova era

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Nem terminamos essa década, muitos equipamentos SP ainda nem fizeram dois anos de uso e nos deparamos novamente com o mesmo problema. O mercado agora exige tecnologia digital e o aparecimento dos formatos digitais de baixo custo a partir do meio da década consolidou essa tendência viabilizando o uso do digital na captação jornalística. Lançado em 1995, o DVCPRO, da Panasonic, foi o primeiro dos formatos digitais a aparecer para o mercado de broadcasting como opção para a substituição dos formatos analógicos, baseado na fórmula encontrada pelo acordo dos fabricantes para a unificação do formato digital doméstico o DV de 1/4 de polegada. O DVCPRO nasceu como uma solução broadcasting de baixo custo, respeitando compatibilidade com o formato doméstico DV e foi a primeira boa surpresa. A Sony apostou primeiro no formato Betacam SX que respeita a compatibilidade com o seu formato analógico, o Betacam SP. A JVC esperou um ano para mostrar

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B E T A C A M

S X

Fabricante: Sony Representante Comercial no Brasil: Sony do Brasil Comércio e Indústria Ltda Rua Inocêncio Tobias, 125 São Paulo Tel: (011) 3824-6656 Características técnicas principais: 4:2:2 - 18 Mbps Fita: 1/2” polegada Velocidade da fita: 59,6 mm/s Dez trilhas por frame Quatro canais digitais de áudio ou quatro canais analógicos Duas trilhas auxiliares de CUE e CTL Compatibilidades: Entradas de vídeo Analógicas: vídeo composto NTSC e vídeo componente Digital: serial digital Component SDDI Saídas de vídeo Analógicas: vídeo composto NTSC e vídeo componente Digital: serial digital Component Recursos Reproduz fitas gravadas no formato Betacam SP Interface digital para transferências de alta velocidade entre sistemas como servidores e editores não-lineares. Capacidade de transferência em quatro vezes a velocidade normal Slow motion Hibrido VTR + hard disk, capacidade de edição no próprio equipamento Linha de Produtos nH  ibrido VTR com hard disk incorporado, não necessitando segundo VTR para edição (dois modelos) n VTR player n VTR player low cost n VTR dockable n Dois tipos de camcorder n Sistema de edição digital compacto n Editor não-linear para jornalismo n VTR recorder de campo (portátil) n Ilha de edição compacta (portátil)

sua solução o Digital-S também compatível com o seu formato analógico o Super VHS. O ano de vantagem rendeu ao DVCPRO uma preferência comercial, a Sony notando o grande interesse


do mercado pela solução digital em fitas de 1/4”, correu atrás do prejuízo e lançou o seu formato compatível com o DV, o DVCAM. Essas são as quatro opções para os novos investimentos em broadcasting. Não que seja premente aposentar os S-VHS e Betacam ainda em uso, mas os formatos digitais trazem melhoria de custo, operacionalidade, confiabilidade e apresentam o que nenhum outro novo formato mais econômico havia ainda apresentado ao mercado: qualidade.

renovação Mas um problema eles trouxeram: a dúvida. Em nenhum momento da história do broadcast tantas boas opções, com características tão semelhantes, dividiram o cenário simultaneamente. Como a televisão brasileira está passando por um grande processo de renovação, devido à implantação das TVs pagas e das novas concessões, estamos no momento mais adequado para discutir esses novos modelos digitais de gravação, que certamente irão contribuir para uma sensível melhora da qualidade final na casa do telespectador. Os recursos oferecidos, suas aplicações, compatibilidade com formatos anteriores e com as novas aplicações abertas pela tecnologia digital tais como: edição não-linear, servidores de vídeo, fibras óticas, entre outros podem ser conferidos ao longo da matéria. As informações sobre os formatos foram coletadas em catálogos dos fabricantes e revistas especializadas, quaisquer informações adicionais devem ser solicitadas diretamente aos representantes no Brasil, que estão citados nesta análise. * Armando Moraes é consultor para broadcasting e telecomunicações da ISI - Integrated Systems, Inc.

D V CP R O

Fabricante: Panasonic Representante Comercial no Brasil: Simtek Eletrônica Ltda Rua Augusta, 2709 14 andar Cj 141 São Paulo Tel: (011) 883-5600 Características técnicas principais: 4:1:1 - 25 Mbps (DVCPRO50: 4:2:2 50 Mbps) Fita: 1/4” polegada Compressão - 5:1 (DVCPRO50: 3,3:1) Velocidade da fita: 33,8 mm/s Largura da trilha de gravação: 18 µm 2 canais analógicos de áudio 2 canais digitais de áudio, Sampling de 48KHz, 16 bits 2 trilhas auxiliares de CUE e CTL Compatibilidades: Entradas de vídeo Analógicas: Vídeo Composto NTSC e Vídeo Componente Digital: Serial Digital Componente Saídas de vídeo Analógicas: Vídeo Composto NTSC e Vídeo Componente Digital: Serial Digital Componente Recursos Reproduz fitas gravadas nos formatos DV e DVCAM Interface Digital para transferências de alta velocidade entre sistemas como servidores e editores não-lineares. Capacidade de transferência em quatro vezes a velocidade normal Slow motion

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Linha de Produtos n VTR completo com editor incorporado nV  TR recorder + VTR player para ilha de edição low cost com editor externo n VTR recorder de campo (portátil) n VTR player de campo (portátil) n Ilha de edição compacta (portátil) n VTR dockable n Dois tipos de camcorder nE  ditor não-linear com drive DVCPRO incorporado nT  em linha hi-end para pós-produção com características técnicas superiores, porém compatível com toda a linha, o DVCPRO50 cujas características estão entre parênteses tem aplicações onde se exige maior qualidade e está preparado para aceitar gravações com a relação de aspecto 16 x 9 do HDTV.

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FORMATOS COMPATÍVEIS PARA HDTV Dean Lyon **

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Embora não exista ainda um padrão definido para as transmissões de HDTV, a tendência de produtores e pós-produtores é adotar o formato de maior resolução em 1080 P. Porém, nenhum dos formatos propostos para HDTV nos EUA é compatível com os padrões europeus, mas existem dois padrões de alta definição compatíveis em todo o mundo. O primeiro é um formato relativamente novo, mas universalmente estabelecido, conhecido como SVGA (Super Video Graphics Adapter). Esse formato progressivo scanned tem mais de mil linhas de resolução e é tão comum quanto um computador pessoal ou uma workstation. Tem a vantagem adicional de conectar-se ao sistema universal de distribuição programada conhecido como Internet. Mas aí está o problema. A largura de banda necessária para uma programação de alta qualidade HDTV distribuída pela Internet está muitos anos distante de se tornar realidade. Atualmente, dependendo da localização do servidor e do método de transmissão pode levar um minuto para fazer o download de um arquivo 300 dpi 640 X 480 JPEG em uma conexão T-1. Imagine a irritação do telespectador típico esperando pela seqüência de quadros em 1080 P! O segundo, é o venerável padrão mundialmente aceito de filmes 35 mm. Apesar de toda a parafernália tecnológica dos últimos 50 anos, o filme continua sendo um formato universalmente aceito e com certeza o melhor meio de alta definição. Os maiores problemas são os custos da duplicação, o transporte volumoso e o imenso equipamento necessário para projetá-lo. Parece que tudo se resume em descobrir um meio eletrônico capaz de distribuir qualidade de resolução “como a do cinema” ao público consumidor da

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TV de alta definição. Do ponto de vista da produção e pós-produção, então, o filme é potencialmente ainda a melhor forma de tentar se garantir contra a obsolescência do formato e proteger seu acervo de programas.

mesma filosofia Como tem sido uma prática comum desde o começo das produções high end para televisão e vídeo, o mesmo se dá com a tomada no filme. É digitalizada numa sessão de telecine, pós-processada e finalmente exportada para a fita para ser transportada a um ponto de broadcast. Neste modelo, a sessão de telecine determina o output de resolução uma vez que é ele quem converte o filme em uma resolução de vídeo aceitável como o NTSC. No modelo HDTV, a sessão de telecine normal é substituída por uma sessão scanning. O datacine Spirit, da Phillips, ou o C-Reality, da Cintel, podem converter a resolução das imagens do filme em seqüências de dados de 2 K frame, em arquivos de formatos compatíveis. O método alternativo e mais utilizado para caracterizar efeitos de filme, é importar os clips do filme para um formato de computador utilizando um Oxberry ou um scanner similar. Os prós e os contras da qualidade versus velocidade, CCD versus elementos de tubo e o registro adequado do quadro dariam assunto para outro artigo de revista. Resta dizer que ambas as filosofias funcionam, cada uma com seus próprios problemas. ** Consultor e diretor de efeitos visuais em Hollywood, até há pouco supervisionava a destruição da estação espacial russa Mir e grande parte da cidade de Nova York no filme “Armagedon”. Pode ser consultado no endereço: deanlyon@ix.netcom.com


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LE G ISLAÇÃ O

Resposta: Todos os assuntos que dizem respeito à radiodifusão serão amplamente discutidos e debatidos antes de ser proposto um texto definitivo.

PERGUNTAS E RESPOSTAS O Ministério das Comunicações inicia o processo de consultas para elaborar o projeto da Lei sobre Comunicação Eletrônica de Massa e publica a nova tabela de valores do Fistel.

Durante o 1º Seminário Tela Viva/Converge - “O timing da regionalização da TV brasileira”, realizado em 03 de junho, em São Paulo, muito se falou e questionou sobre a Lei de Comunicação Eletrônica de Massa. Uma das principais questões abordada foi a necessidade da participação da sociedade e dos próprios meios de comunicação para se elaborar o projeto de lei. No final de jullho, o Ministério das Comunicações, através da Secretaria de Serviços de Radiodifusão, lançou a primeira pesquisa de opinião, através do seu site na Internet, com o tema “Deveres do Poder Público”, que ficou por três semanas em consulta para a sociedade. Entretanto nenhum tipo de divulgação foi feita pelo Minicom para alertar os interessados em expressar sua posição. Novas pesquisas sobre outros temas relativos à comunicação eletrônica serão realizadas na seqüência. Para responder às perguntas bastar acessar a home page do Minicom no endereço http://www.mc.gov.br. 56

O secretário executivo do Ministério das Comunicações, Juarez Quadros do Nascimento, cumpriu sua promessa, feita durante o seminário, de que responderia por escrito às perguntas formuladas pelo plenário. Transcrevemos abaixo o ofício recebido com as respostas que ficaram pendentes no encontro. Pergunta 1 - “O senhor falou sobre a importância da discussão da programação da TV brasileira. Citou o código italiano e o V-chip. Poderia adiantar para nós qual o encaminhamento que o Ministério pretende dar a este assunto?”

Resposta: O código italiano e o uso do V-chip são assuntos que dizem respeito ao controle da programação, que pode ser feito pelos pais ou responsáveis. Tais assuntos serão exaustivamente debatidos com a sociedade, para saber da conveniência de serem ou não adotados no Brasil e, em caso afirmativo, constar da nossa legislação. Pergunta 2 - “Estão sendo consideradas discussões sobre a participação de capital estrangeiro nas empresas de TV aberta?”

Pergunta 3 - “Pelo pouco que já se conhece sobre a Lei de Comunicações de Massa, não está sendo abordada a questão da TV digital. Como o Minicom está tratando a questão, que é urgente e demanda tanto trabalho por parte do governo e dos radiodifusores?”

Resposta: A possibilidade da utilização de novas tecnologias pelos atuais serviços de radiodifusão será uma das premissas do Projeto de Lei de Comunicação de Massa. Pergunta 4 - “No Decreto no 2.598, artigo 6º, está previsto o pagamento pelo uso da radiofreqüência associada. Na Consulta Pública nº 45, da Anatel, que estabelece critérios e cálculo de pagamento pelo uso de radiofreqüências associadas, estariam também incluídos os serviços ancilares de radiodifusão, uma vez que a Anatel é a coordenadora do espectro radioelétrico? Em caso positivo, o custo pelo seu uso seria muito elevado (entre R$ 75 mil e R$ 100 mil). De que forma seria efetuado o pagamento e quando?

Resposta: A Anatel está analisando os comentários recebidos sobre a Consulta Pública nº 45 e ainda não temos uma posição definida sobre o assunto. (Edylita Falgetano)

F ISTEL No Diário Oficial de 23 de julho foi publicada a Lei nº 9.691 de 22 de julho de 1998 que altera os valores da taxa de fiscalização e instalação de serviços de radiodifusão e telecomunicações. Vários desdobramentos por serviços foram acrescentados para adequar os valores cobrados às condições de operações das emissoras. As taxas referem-se aos valores cobrados para as novas instalações. Mas, todos os anos as emissoras devem pagar 50% desse valor para continuarem em operação.

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FI Q UE P O R DENTR O

CINEMA NA PRAIA Além da realização do Cinema na Praia, o V Vitória Cine Vídeo espera levar 9 mil espectadores ao Cine Glória. O evento acontecerá de 16 a 21 de novembro com mostras competitivas de vídeos e filmes (curtas e médias-metragens em 35 mm e 16 mm) e mostra de longas convidados. O festival também abrangerá oficinas audiovisuais. O Cine Vídeo terá pré-lançamento no Festival de Gramado, onde distribuirá o regulamento.

MAIS CLIPS O MTV Video Music Brasil, prêmio da MTV aos melhores clips exibidos de junho de 97 a junho de 98, conta este ano com um recorde de inscrições: são 284 concorrentes, contra 241 da edição passada. A entrega dos prêmios, comandada por Carlinhos Brown, acontece no dia 13 de agosto, às 21h30. Os prêmios incluem as categorias de Revelação, Direção, Edição, Fotografia, MPB, Pop, Rap, Rock, Melhor do Ano e Democlip, mais uma nova categoria técnica, instituída este ano, a de Direção de Arte. Vinte clips selecionados previamente estão sendo votados pela audiência e o total será analisado por um júri formado por cerca de 200 pessoas, de várias áreas.

MUDANÇAS NO 20º PROFISSIONAIS As datas das festas regionais e nacional 20º Prêmio Profissionais do Ano, oferecido pela Rede Globo, mudaram. Confira as alterações: LOCAL DATA REGIÃO Curitiba 11 de agosto Sul Rio de Janeiro 1º de setembro Sudeste Capitais São Paulo 29 de setembro Nacional

VÍDEOS EM CINCO MINUTOS As inscrições para o V Festival Nacional de Vídeo “A Imagem em 5 Minutos” estão abertas até o dia 30 de setembro. Poderão ser inscritos vídeos de cinco minutos incluindo os créditos, com temática livre. O festival, que acontecerá de 4 a 8 de novembro, em Salvador, dará prêmios de R$ 2 mil a R$ 10 mil. Mais informações pelos telefones (071) 322-6113 / 322-6115 ou pelo fax (071) 243-3187.

CURSOS NO RIO José Louzeiro e Ely Azeredo são os coordenadores do programa de cursos oferecidos pelo Casarão de Laranjeiras, no Rio de Janeiro. São oferecidos cursos livres e oficinas de Cinema e TV, com a participação de roteiristas, diretores e especialistas em diversas áreas técnicas. Já estão abertas as inscrições para os cursos de Iniciação e Extensão em Roteiro de Cinema e TV e Criação de Sinopses para TV. Ainda podem ser reservadas vagas para os cursos de Produção, Direção, Documentário, Iniciação à Fotografia (Cinema e TV) e Iniciação ao Cinema (História e Linguagem). Informações pelo telefone (021) 285-5900 (2ª a 6ª-feira) e (021) 205-1592 (diariamente).

F E S T I V AL T E C N O L Ó G I C O A segunda edição do Cinec, festival de novas tecnologias empregadas na indústria cinematográfica, acontecerá entre os dias 19 e 21 de setembro em Munique, na Alemanha. A comissão julgadora do Cinec já recebeu as inscrições. Só podem participar novas criações e que tenham sido usadas pela industria cinematográfica nos últimos dois anos.

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FI Q UE P O R DENTR O

COMPETIÇÃO UNIFICADA Catorze longas latinos concorrem, entre os dias 8 e 15 de agosto, aos prêmios do XXVI Festival de Gramado. Ao contrário do ano passado, quando os filmes brasileiros não competiram com os estrangeiros, a corrida pelos Kikitos neste ano será unificada. As produções brasileiras selecionadas são: “Amores”, de Domingos de Oliveira; “Um sonho no caroço do abacate”, de Lucas Amberg; “A reunião dos demônios”, de Cecílio Neto, e “O toque do oboé”, de Cláudio MacDowell. A competição de curtas 35 mm terá 15 produções, de nove Estados brasileiros. A chiadeira, mais uma vez, vem da turma dos curtas e médias 16 mm. Excluídos da mostra competitiva do ano passado, os filmes nesse formato voltarão a ser exibidos este ano. O problema é que havia a previsão de que 15 trabalhos nessa bitola seriam selecionados e, na realidade, a organização do Festival escolheu apenas sete.

NOVO ENDEREÇO A Delegacia Regional do Ministério da Cultura em São Paulo está de mudança: deixa o prédio da Fundação Bienal, no Parque do Ibirapuera, e assume uma sala nas instalações da Cinemateca Brasileira, no Largo Senador Raul Cardoso (Vila Clementino).

CINEMA IBERO-AMERICANO A produção de trabalhos de estudantes da área de cinema é muito extensa e merece um destaque. É com este intuito que o I Festival Ibero-Americano de Estudantes de Cinema busca criar um espaço permanente em São Paulo para exibição destes trabalhos. O festival, destinado exclusivamente para estudantes de cinema, será realizado do dia 1º ao dia 6 de dezembro com projeções no auditório do MIS de São Paulo em 35 mm, 16 mm, Super-8 e vídeo. Durante o festival acontecerão encontros e debates com a participação de cineastas ibero-americanos. Paralelamente a FEISAL estará realizando seu congresso no MIS, com um representante de cada uma das instituições a ela ligadas. Serão premiados os melhores vídeos de ficção, documentário, animação, e experimental, e os melhores nas mesmas categorias. Poderão participar os trabalhos realizados de janeiro de 96 até a data do término das inscrições (9 de outubro) e deverão ter até 20 minutos. Para mais informações contatar o setor de cinema do MIS pelos telefones (011) 881-4417 e 852-9197, ou a FEISAL: (011) 818-4020 e 818-4343.

CONGRESSO

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O 21º Congresso Brasileiro de Radiodifusão, a 18ª Exposição de Equipamentos de Radiodifusão e a 17ª Exposição Nacional de Equipamentos acontecerão entre os dias 9 e 11 de setembro, no Hotel Rafain Palace, em Foz do Iguaçu (PR). Fazem parte do programa do congresso um debate com dirigentes do Minicom, palestras com Antônio Rosa Neto, Daniel Godri, Joãozinho Trinta, Pedro Malan e Roberto Gretz; e um Curso Técnico Intensivo para engenheiros, técnicos e estudantes de engenharia. Quem estiver inscrito no congresso pode fazer o curso sem custo adicional, engenheiros e técnicos que só desejarem fazer curso, o preço será de R$ 100 e, para estudantes, R$ 50. O telefone da Abert é (061) 327-4600. A Golden Foz Turismo é responsável pelas inscrições ao seminário. O telefone é (045) 523-2121.


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Diretor e Editor Rubens Glasberg Editora Geral Edylita Falgetano Editor da Home Page Samuel Possebon Editor de Projetos Especiais André Mermelstein Redação Diogo Schelp, Edianez Parente, Fábio Koleski, Fernando Lauterjung (Assistente) Colaboradores Armando Moraes, Beto Costa, Hamilton Rosa Jr., José Francisco Neto, Lizandra de Almeida, Paulo Boccato Sucursal de Brasília Carlos Eduardo Zanatta Edição de Arte Claudia Intatilo Produção Gráfica Rubens Jardim Editoração Eletrônica Geraldo José Nogueira Capa Claudia Intatilo Comercial Manoel Fernandez (Gerente): Almir B. Lopes, Alexandre Gerdelmann e Patrícia M. Patah (Contatos); Ivaneti Longo (Assistente) Coordenação de Circulação e Assinaturas Gislaine Gaspar Coordenação de Marketing Mariane Ewbank Administração Vilma Pereira (Gerente); Gilberto Taques (Assistente Financeiro) Serviço de Atendimento ao Leitor 0800-145022 Internet http://www.telaviva.com.br E-Mail telaviva@telaviva.com.br Tela Viva é uma publicação mensal da Editora Glasberg - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001 Telefone (011) 257-5022 e Fax (011) 257-5910 São Paulo, SP. Sucursal: SCN - Quadra 02, sala 424 Bloco B - Centro Empresarial Encol CEP 70710-500 Fone/Fax (061) 327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Fotolito/Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. Ltda.

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15 - Curso de sonorização da SPX. SPX, São Paulo, SP. Início da turma de sábado. Fone: (011) 3666-6950. 15 a 5/12 - Curso: “Cinema e TV - módulo I”, da EFCTV. Aulas aos sábados. Auditório da Quanta, São Paulo, SP. Fone: (019) 258-2267. 17 - Curso: direção, roteiro e produção. CIMC. São Paulo, SP. Fone: (011) 575-6279 ou 573-7457. 18 a 20 - Brasil New Media Show - Broadcast & Cable’98 (Congresso Técnico da SET). Anhembi, São Paulo, SP. Fone: (021) 512-8747. 20 a 29 - Mostra Internacional de Curtas-metragens. MIS, São Paulo, SP. Fone/fax: (011) 852-9601. E-mail: spshort@ibm.net. Internet: www.kinoforum.org/shorts. 22 e 23 - Workshop de produção. CIMC. São Paulo, SP. Fone: (011) 575-6279 ou 573-7457. 24 a 27 - Workshop sobre o equipamento Editbox. Tacnet Quantel, São Paulo, SP. Fone: (021) 325-9042. Fax: (021) 430-8340. E-mail: tacnet@openlink.com.br. 24 a 28 - Curso: “Edição analógica”. AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 573-4069, r. 119. Fax: (011) 571-8659. E-mail: advideotech@cst.com.br. 24 a 28 - Curso: “Softimage level I”. Sisgraph, São Paulo, SP. Fone: (011) 889-2000. Fax: (011) 887-7763. Internet: www. intergraph.com/brazil. 29 a 19/12 - Curso: “Cinema e TV - módulo I”, da EFCTV. Aulas aos sábados. Campinas, SP. Fone: (019) 258-2267. 29 e 30 - Workshop de produção. CIMC. São Paulo, SP. Fone: (011) 575-6279 ou 573-7457. 31 a 25/9 - Oficina de especialização em TV: “Produção e realização de séries de ficção para TV”. EICTV, Havana, Cuba. Fone/fax (0246) 29-1345, e-mail proarte@novanet.com.br ou

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fone/fax (011) 3666-8538, e-mail acoirups@mandic.com.br. 31 a 27/11 - Oficina de especialização: “Escritura e metodologia do trabalho de roteirista”. EICTV, Havana, Cuba. Fone/fax (0246) 29-1345, e-mail proarte@novanet.com.br ou fone/fax (011) 3666-8538, e-mail acoirups@mandic.com.br. S

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5 a 26 - Curso: “Introdução à filmagem”. AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 573-4069, r. 119. Fax: (011) 571-8659. E-mail: advideotech@cst.com.br. 9 a 11 - 21º Congresso Brasileiro de Radiodifusão. 18º Seminário Técnico Nacional e 18ª Exposição de Equipamentos de Radiodifusão. Hotel Rafain Palace, Foz do Iguaçu, PR. Fone: (045) 523-2121. E-mail: abert@nutecnet.com.br. 11 a 15 - IBC’98. The World’s Electronic Media Event. Amsterdam, Holanda. Fone: (44-171) 240-3839. Fax: (44-171) 240-3724. E-mail: show@ibc.org.uk. Internet: www.ibc.org.uk/ibc. 14 - Curso de sonorização da SPX. SPX, São Paulo, SP. Início da turma de segunda a quinta. Fone: (011) 3666-6950. 14 a 18 - Curso: “Edição analógica”. AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 573-4069, r. 119. Fax: (011) 571-8659. E-mail: advideotech@cst.com.br. 14 a 25 - Curso: “A imagem criativa”. AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 573-4069, r. 119. Fax: (011) 571-8659. E-mail: advideotech@cst.com.br. 19 - Curso de sonorização da SPX. SPX, São Paulo, SP. Início da turma de sábado. Fone: (011) 3666-6950. 19 a 21 - Cinec - 2nd International Trade Fair for Motion Picture Technology and Postproduction. M.O.C. Events Center, Munique, Alemanha. Fone: (089) 9-49-20600. Fax: (089) 9-49-20609.


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Revista Tela Viva 72 - Agosto 1998  
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