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Nº71 JULHO 98 http://www.telaviva.com.br

como usar o dolby nr no áudio de comerciais seminÁrio debate a regionalização da tv globo e record avaliam seus testes em hdtv


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Este símbolo liga você aos serviços Tel a V iva na Internet. Ô Guia Te la V iva Ô Fichas técnicas de c o m e r c i a i s Ô Edições anteriores d a T el a Vi v a Ô Legislação do audio v i s u a l Í N DICE

GENTE na tela

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SCANNER

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S E M I N Á R I O

O timing da regionalização

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C A P A

O audiovisual em três eventos

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TELEVISÃO

TV Globo São Paulo

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hDTV

Os testes brasileiros

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sdtv

Demonstração de multicanais

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making of

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entrevista

Hervé Bourges

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CINEMA

Hi-tech em Cannes

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ÁUDIO

Dolby Noise Reduction

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FIQUE POR DENTRO

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AGENDA

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A Lei de Comunicação Eletrônica de Massa apenas começou a ser esboçada pelo Ministério das Comunicações e já é motivo de preocupações entre os broadcasters nacionais. Durante o I Seminário Tela Viva/Converge, realizado em São Paulo, ficou evidente a vontade que empresários e entidades representativas têm de participar da elaboração das normas que regularão o setor. Não há dúvida de que essa colaboração é imprescindível para evitar que se elabore um projeto mirabolante e inexeqüível. Mas a participação de toda a sociedade, num amplo debate sobre o que se quer e ao que se deve assistir ao ligar a televisão dentro de casa tem de nortear o Congresso para se conseguir aprovar uma lei que atenda não só às questões técnicas e tecnológicas dos meios de comunicação de massa, mas que, principalmente, vise à formação e informação de brasileiros alijados de educação e daqueles que vivem longe de grandes centros. A regionalização da programação é uma das principais questões a serem tratadas na nova lei. Ela é essencial à comunidade. Mas precisa de meios para ser produzida. É necessário que se preveja de onde virão os recursos que serão investidos nas emissoras locais antes que se criem mais aberrações como as retransmissoras educativas que, em sua maioria, ao invés de cumprir os preceitos legais, driblam as normas servindo de instrumento político nas mãos de seus permissionários. A radiodifusão, no caminho inexorável da digitalização, não deve mais ser vista fora do contexto dos demais serviços de telecomunicações (embora isso exija uma reforma constitucional). O principal veículo de comunicação nacional precisa ser regulamentado e regulado pela sociedade, principal interessada em seus serviços. E não nivelado por baixo, seguindo apenas índices do Ibope e temática apelativa. Edylita Falgetano


GENTE NA TELA

Foram mais de 25 anos de serviços prestados à Rede Globo, mas agora Nilton Simon está enfrentando um novo desafio. “Já estava me sentindo sem perspectivas e pensando em montar um negócio próprio quando a Record me chamou”, afirma Simon. A idéia de deixar o cargo de contato em São Paulo na Globo já era um fato e, uma semana depois Nilton Simon de seu desligamento da emissora, foi chamado pela concorrente para trabalhar como atendimento sênior. “O departamento está muito bem estruturado. Estou me sentindo um garoto de 20 anos”, comemora.

N A B AH I A A partir de 2 de julho, data em que se comemora a Independência da Bahia, está no ar a Rede Bahia de Comunicação. Não se trata de nenhuma nova emissora, mas sim da nova denominação para o grupo de 14 empresas comandado por Antônio Carlos Magalhães Júnior. Os diretores executivos dos segmentos são: Rodolfo Tourinho, para rádio e TV aberta; Paulo Sobral, para TV por assinatura; Marco Souza, para jornal e gráfica; e Luiz Larangeira para incorporação e construção. O maior crescimento do conglomerado se dará na área de TV por assinatura, que aguarda o resultado das licitações para cabo e MMDS para investir ainda mais no Estado natal de ACM. Zenilton Bezerra, que durante dez anos foi chefe de redação da TV Bahia, responde agora pela Assessoria de Comunicação Social do grupo.

EQUIPE EM NOVOS POSTOS Parte da equipe da The Artists Company, recentemente desativada, já está de volta ao mercado. A coordenadora de produção Ivany Rocha está integrando o time de profissionais da Companhia Ilustrada. Mariana Machado que atuava como assistente de Ivany tem agora uma nova atividade: é RTV da Touché Propaganda. O diretor Marcelo “Tintin” Trotta, já está dirigindo na Trattoria di Frame. Desde que chegou à produtora, em maio, ele assinou as campanhas da TAM, para agência UpGrade; do jornal O Globo, para Giovanni-Rio; e do Ponto Frio, para Fischer, Justus. 

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NEGÓCIOS PRÓPRIOS Ex-funcionários da TV1, os engenheiros Antônio Ferreira Guimarães e Paulo Ferreira e o técnico Milton Ferro agora prestam serviços para o ex-empregador. Com a decisão da produtora de acabar com sua central técnica e vender todos os seus equipamentos, os três responsáveis pelo departamento abriram a Tecnoponta, empresa especializada na locação e assessoria em equipamentos de captação. Para competir no mercado, já foram adquiridas cinco unidades de captação D30, da Sony, mais acessórios, filtros, microfones e lentes. Além da TV1, a Espiral Filmes também já faz parte da carteira de clientes da nova empresa. Após cinco anos como gerente de vendas da Crosspoint, distribuidora Avid, Marco Fadiga está abrindo seu próprio negócio. A Post Solutions nasceu de uma reviravolta no sistema de vendas e atendimento na Crosspoint, que vai passar a ter uma estrutura focada em contas. Trabalhando como revendedor autorizado no Rio de Janeiro, Espírito Santo e sul de Minas Gerais, Fadiga já anuncia novidades no atendimento: distribuirá um boletim periódico entre seus clientes com as novidades relacionadas aos seus produtos.

E S P I R AL Foto: Divulgação

Foto: André Jung

ELIXIR DA JUVENTUDE

Neusa, Beto e Mônica

Com o fim da sociedade entre Rosa Jonas, Sílvia Maurício e Ronaldo Soares na versão carioca da Espiral Filmes, a produtora paulistana decidiu entrar diretamente no mercado do Rio. Montou uma estrutura própria, encabeçada por Neusa Regina Duarte, vinda da Ammirati Puri Lintas, e completada por Mônica Orlandini (ex-RTV na Salles). O novo diretor da casa é Beto Macedo, que já esteve na TV Zero e Conspiração. A produtora começou com duas campanhas: Ponto Frio e Caixa Econômica Federal. O diretor Ronaldo Soares deixou a sociedade com a Espiral e agora está dirigindo para a TV Zero.


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GENTE NA TELA

A Philips está realizando altos investimentos no Brasil em equipamentos de demonstração, atendimento ao cliente, laboratórios e assistência técnica para “marcar sua posição e dar mais segurança ao mercado brasileiro”, de acordo com Paul Paul e Alfredo Duncker, diretor regional para América do Sul da Philips Digital Video Systems. E, para tocar a nova estrutura também está investindo na contratação de profissionais como Alfredo Duhamel (ex-Tektronix), como o novo business development manager da Philips Digital Video Systems. Após uma temporada de estudos na Holanda, Alemanha, Dinamarca e Inglaterra, como um “bom filho que a casa torna”, Alfredo volta a enfrentar o batente na empresa onde trabalhou, durante nove anos (Philips Sound & Vision), nos departamentos de qualidade, laboratório de desenvolvimento e compras internacionais.

DA NET PARA A CULTURA Idarny Martinez está animadíssimo com as mudanças que estão sendo prometidas pela nova diretoria da TV Cultura. Ele deixa a consultoria de programação da Net São Paulo para assumir a chefia do Departamento de Programação da emissora e garante que a casa está entrando em ordem e se preparando para investir na produção de novos programas, além de manter os grandes sucessos da casa, os programas infantis.

LUGAR CATIVO Luciano “Gafanhoto” Designe é o novo contratado da Film Planet, como diretor exclusivo. Ao lado de Pablo Escorel, também fixo na casa, Gafanhoto faz parte dos novos planos de expansão da produtora de Flavia Moraes. É a chance que ele precisava para consolidar sua carreira de diretor, depois de consagrado como um dos melhores técnicos de som direto.

MEGA PRODUÇÃO Foto: Divulgação

Foto: André Jung

B O M F I LH O

RAÍZES DISTANTES Trabalhando na produção da próxima novela das sete da Globo, “Terra do sol”, a produtora de arte Lígia Novaes enfrentou o desafio de descobrir raízes do passado cearense para reconstituir uma vila missionária de 300 anos atrás. Foi na Internet que a produtora conseguiu algumas informações, mas descobriu também que o Estado do Ceará ainda fazia parte da capitania de Pernambuco na época e praticamente nada havia na

E S C LA R E C I M E N T O O título “Órfãos paulistas” utilizado em nota na última edição (junho - nº 70) a respeito da Crosspoint gerou má interpretação por parte de alguns leitores. A intenção foi enfatizar a importância que a empresa dá ao mercado de São Paulo, mostrando que novos funcionários estão à disposição para atender os seus clientes paulistas, que se consideravam como órfãos sem a presença da empresa em solo paulistano (leia mais no Scanner). 

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Mário Lúcio, Aritana e Afukaka

Como diretor de produção do documentário “O Brasil dos Villas-Bôas”, da Beta Filmes, Mário Lúcio de Andrade está mergulhando de cabeça na vida dos irmãos e indigenistas Claudio e Orlando Villas-Bôas. O projeto vai contar a história dos irmãos, desde a adolescência até as expedições que ajudaram a conhecer várias populações indígenas antes totalmente isoladas e consiste de quatro episódios para TV (com exibição em negociação) e uma versão cinematográfica. O documentário, com direção de Nilson “Big” Villas-Bôas, sobrinho dos indigenistas, e fotografia de Roberto Santos Filho, deve estar pronto até o final do ano. O patrocínio é da Telebrás e a Beta Filmes, de Laércio Silva e Ricardo Lara, também recebeu apoio da Ford, que ofereceu três caminhonetes novas para a equipe formada por 15 pessoas. O orçamento do projeto é de cerca de US$ 2 milhões.


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CANNER

MULTI RIO A Multi Rio, Empresa Municipal de Multimeios, da Prefeitura do Rio de Janeiro, comemora cinco anos de existência em grande fase. Atualmente, a empresa produz 22 programas educativos veiculados nas TVs Educativa e Bandeirantes (Rio de Janeiro). O sucesso de alguns programas levou-os à veiculação nacional, como é o caso de “Na arquibancada”, pela TV Bandeirantes, e “Arquivo ciências”, na Cultura. Os planos para o futuro incluem um canal de TV a cabo financiado pela prefeitura carioca, com grande parte da programação feita pela Multi Rio.

M A I S Q U AL I D A D E A TV Sergipe, afiliada da Rede Globo, está planejando investimentos de US$ 200 mil nos próximos meses, para aperfeiçoar seu visual nos programas jornalísticos. A emissora vem procurando seguir os padrões da matriz, produzindo vinhetas de qualidade. A afiliada deve receber um novo gerador de caracteres da Inscriber e um Logomotion da Leitch, para a inserção de logotipos, além da terceira ilha Beta do departamento, com uma mesa de efeitos FX-120. O diretor técnico Nilton Linhares também vem planejando a aquisição de um novo transmissor de 20 kW. O atual transmissor instalado, de mesma potência, substituiria o reserva, que é de apenas 6 kW, “para manter a qualidade do sinal e a abrangência em qualquer situação”. Nesse setor, os investimentos devem chegar a US$ 600 mil.

prejuízo Após o terceiro, e arrasador, incidente ocorrido com o Estúdio Abertura nos últimos quatro meses, o proprietário da empresa, Joaquim Clemente, pediu um tempo aos 70 funcionários da empresa para decidir se continua ou não funcionando. Essa decisão deve ser tomada ainda em julho. Em 17 de março, Clemente foi baleado por dois motoqueiros perto da sede da finalizadora. No dia 28 de abril, o Departamento de Narcóticos recebeu uma denúncia anônima e fez uma busca na empresa onde encontrou alguns quilos de cocaína no banheiro do saguão principal da casa. No último dia 22 de junho quatro homens armados com metralhadoras renderam os seguranças e atearam fogo aos equipamentos causando uma explosão que derrubou as paredes do andar térreo e provocou rachaduras nas outras. Todas as masters dos clientes ficaram ilesas, mas 16 filmes foram danificados ou perdidos. O advogado criminalista José Carlos Dias, contratado pela família para acompanhar as investigações policiais, acredita que os três fatos estejam ligados. Até o fechamento desta edição, o prejuízo ainda não havia sido calculado, mas sabe-se que a finalizadora não tinha seguro total. 

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NEGÓCIO VANTAJOSO Neste mês deve ser formalizada a compra da Softimage, subsidiária da Microsoft voltada para as áreas de animação e edição, pela Avid. A empresa pagará à Microsoft cerca de US$ 285 milhões, sendo US$ 93 milhões em ações ordinárias da própria Avid. Com a transação a Microsoft será proprietária de 9,1% da Avid e terá um lugar importante em um mercado muito desejado por Bill Gates, a televisão. Daniel Langlois, fundador da Softimage, fará parte do conselho da Avid. Embora não se saiba se os representantes da Softimage continuarão com a empresa, o esperado é que as revendas Softimage e Avid passem a representar as duas.

P É N A F I N AL I Z A Ç Ã O A Salatini Filmes adquiriu na última NAB um equipamento Flint, com o qual pretende dar mais um passo na direção de entregar filmes finalizados ao cliente. Segundo o diretor Beto Salatini, o equipamento vai permitir à equipe da casa ampliar a pesquisa de soluções em finalização, com mais autonomia. Animado com o desempenho da produtora no primeiro semestre (dirigiu 26 filmes até junho), espera amortizar seu investimento no período de seis meses a um ano. O técnico Sérgio Jacobino foi treinado para operar a nova máquina.

CAMINHO INVERSO A Vision, representante da Sea Change, está se voltando para o mercado de TV broadcast depois de consolidar sua experiência no mercado de cabo. Seu sistema Media Cluster, utilizado para a colocação de comerciais no ar, agora está disponível com uma configuração menos robusta do que a de 24 canais. Por US$ 90 mil, a emissora pode adquir um sistema de geração de dois canais, com encoder e decoder. O sistema do cabo já é utilizado na Globosat, que insere comerciais em seis capitais diferentes a partir de sua central no Rio.

ÁUDIO NA GLOBO A T-Com, empresa especializada na venda e locação de microfones, intercomunicadores e acessórios, fechou o maior negócio de sua história. Ainda em julho, a empresa deve estar equipando a nova sede da Rede Globo, em São Paulo (leia matéria na página 24), com multicabos e painéis de comunicação e conexão, da Wire Works, realizando todas as conexões de áudio de todas as centrais técnicas do novo prédio. Sem abrir as cifras envolvidas no negócio, o diretor da T-Com, Geraldo Ribeiro, garante que o contrato foi grande. A empresa está investindo US$ 200 mil na aquisição de equipamentos para locação que poderão ser testados antes da compra.


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CANNER

MINAS NO AR

UPGRADE

A Rede Globo Minas está programando a compra de um helicóptero para seu departamento de jornalismo, equipado com um link de transmissão e outro de recepção. O projeto deverá ser concluído até o final do ano. O helicóptero será adquirido por leasing e equipado com todos os itens necessários para garantir entradas ao vivo durante os jornais.

A Procimar está trazendo para o Brasil a nova versão de seu equipamento Casablanca, da Draco, para edição nãolinear. O pacote, recém-lançado na NAB, inclui hardware e software e um kit de comunicação para PC. O equipamento trabalha com qualidade Betacam e, em sua versão mais simples, tem um HD de nove gigabytes, com capacidade para armazenar 45 minutos de imagem digitalizada. Todos os equipamentos da linha já instalados podem ser atualizados, informa o gerente Carlos Marachlian.

Além do helicóptero, está investindo na troca de seu servidor para colocação de comerciais no ar. O sistema automático convencional analógico em operação deverá ser substituído por um servidor Tektronix, preparando para o upgrade para o sistema digital que a emissora prevê para o próximo ano. Nos dois projetos, a Globo Minas pretende investir um total de US$ 800 mil. Já em operação, está um novo sistema DVE, digital, que permite a realização de cerca de 30 efeitos no jornalismo. Um deles é a divisão das telas, permitindo mostrar reportagem ao vivo e estúdio na mesma imagem. O equipamento, da Pinnacle, também poderá ser utilizado com equipamentos digitais.

A HORA DE JUNDIAI Com apenas um ano e meio de atuação no mercado de Jundiaí (interior de São Paulo), o faturamento da produtora de comerciais Ponto Onze Produções cresceu cerca de 50% desde que a Rede Globo decidiu instalar uma de suas chamadas unidades na cidade (com departamentos comercial e jornalístico) integrando-a à área de cobertura da TV Aliança Paulista (de Sorocaba). Segundo o diretor Tobias Musiael Jr., até o fim do ano passado Jundiaí não tinha sequer uma notícia local na TV. Por estar a menos de 100 km da capital, recebia toda a programação de São Paulo, o que tornava inviável ao pequeno anunciante a inserção de peças. A mudança está motivando os comerciantes locais e alguns supermercados chegaram a criar uma parceria televisiva, anunciando em conjunto. A Bandeirantes já abriu uma sede de reportagem na cidade e pesquisa a possibilidade de também instalar uma retransmissora.

A empresa também está entrando na área de áudio e já disponibiliza para o mercado 85 CDs com trilhas sonoras e três de efeitos sonoros da JRT Music, empresa norteamericana especializada em música para audiovisual. A coleção, segundo Marachlian, atende, principalmente, às necessidades do vídeo empresarial.

INTEGRADOR SILICON No começo de junho a Eletro Equip Telecomunicações fechou acordo e passa a ser o mais novo integrador de sistemas Silicon Graphics para os mercados de filme, vídeo e animação. Simultaneamente, através de um acordo com a Crosspoint, a empresa torna-se revendedora Avid e Softimage. Segundo seu diretor executivo, Claudio F. Younis, “as parcerias com a Silicon Graphics e a Crosspoint permitem que possamos oferecer uma interessante gama de soluções para as produtoras de vídeo”.

ESTUDOS HISTÓRICOS A produtora de efeitos especiais Lobo Filmes está preparando a abertura e o encerramento em animação para o documentário “Confidências do Rio das Mortes”, da Grifa Cinematográfica. Esta é a segunda grande produção da Grifa, que já emplacou com sucesso a série “Três chapadas e um balão”. Para a pesquisa, a equipe da Lobo Filmes está estudando gravuras de Debret e Rugendas, que servirão de inspiração para as animações.

E S T Ú D I O V I R T U AL N A R E C O R D

D I G I T AL N O W

Desde a abertura da Copa, a TV Record está utilizando um sistema de cenário virtual na introdução dos jogos, comentários nos intervalos e a mesa redonda no fim do dia. A tecnologia usada é da empresa israelense RT-SET e permite que, a partir de um estúdio todo azul e com uma mesa azul, todas as imagens sejam geradas em um sistema Silicon Graphics Onyx2. Um blue-screen pôde ser convertido em qualquer tipo de cenário, possibilitando o uso de vidiwall ou outros equipamentos em um estúdio em Paris sem que se tivesse problemas com transporte.

Sob o tema “Digital Now”, a Sony mostrou inovações nos seus sistemas de projeção, edição digital, equipamentos de gravação e sistema de áudio e videoconferência, durante a Infocomm que realizou-se em Dallas (EUA) entre 9 e 11 de junho. Na área de display, lançou o novo projetor LCD portátil com luminosidade de 500 ANSI lúmens e o novo cubo para o sistema de vidiwall. Dando continuidade aos lançamentos feitos na NAB’98, a empresa demonstrou na área de vídeo as novas camcorders DVCAM 1/2” CCD e DVCAM 1/3” CCD com o nível de iluminação melhorado.

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Quadros, secretário-executivo do Ministério das Comunicações, noticiou a proximidade dos resultados dos Fábio Koleski editais de radiodifusão, de onde sairão novas emissoras do Brasil. O ponto da palestra de Quadros que mais chamou a atenção, porém, foi a elaboração da Lei de Comunicação Eletrônica de Massa. O secretárioexecutivo avisou que esta ainda está em sua etapa inicial, e ouviu dos presentes insistentes pedidos de participação na elaboração da lei. Os broadcasters demonstraram preocupação em conhecer são, de fato, pouco mais Para viabilizar a produção o texto provisório da do que repetidoras regional afiliadas e cabeçaslei antes mesmo que do sinal que vem ela seja publicada para das cabeças-de-rede de-rede precisam mudar sua consulta pública no localizadas nos Diário Oficial da União. forma de atuação e se adaptar grandes centros. Em Segundo eles, isto é geral, são poucos administrativa e tecnicamente. importante porque, uma os programas vez publicado o texto para produzidos O 1º Seminário Tela Viva/Converge joão carlos bordin consulta, não há garantia localmente, sendo reuniu, no dia 3 de junho, em São de que as sugestões que, em muitos Paulo, empresários, engenheiros e sejam aceitas pelo Minicom. “Não casos, somente a publicidade é administradores de emissoras de sabemos que critério o Ministério das inserida na praça da geradora. TV de todo o país para discutir o Comunicações usará para aceitar, ou Esta atitude - muitas vezes timing da regionalização ao lado não, as sugestões que fizermos. A decorrente das dificuldades e do de debatedores como: Francisco experiência mostra que muita pouca custo da produção local - faz com Góes, diretor da Central Globo coisa é modificada na lei após ela que se deixe de lado muitas de Afiliadas e Expansão; ir para consulta pública”, declarou possibilidades de Rubens Furtado, diretor Fernando Ernesto Corrêa. oferecer um melhor geral de programação serviço ao público da Rede Bandeirantes; dúvida na retransmissão e, em decorrência, Flávio Cavalcanti aos anunciantes. Para Jr., diretor regional Não se pode falar em regionalização mudar este cenário, do SBT em Brasília; sem pensar, antes, em como viabilizátanto as grandes redes Joaquim Mendonça e la tecnicamente. Ou seja: o sinal de nacionais quanto as Fernando Ernesto Corrêa, uma cabeça-de-rede deve chegar, de emissoras locais terão presidente e vice-presidente, evandro guimarães de mudar a forma como se alguma forma, às emissoras locais. respectivamente, da Abert Como fazer isto? Qual é a tecnologia relacionam, além de investirem em (Associação Brasileira das Emissoras adequada? Estas perguntas foram equipamentos de transmissão e de de Rádio e Televisão); José Munhoz o ponto de partida das palestras produção. Tudo isto em uma época e Olímpio Franco, respectivamente de Valderez Donzelli, chefe da de incerteza quanto à tecnologia, presidente e diretor da SET Divisão de Projetos Técnicos da TV com a perspectiva da chegada da (Sociedade Brasileira de Engenharia Cultura, de São Paulo, e de Wander TV digital, e quanto à de Televisão). de Castro, gerente de legislação, uma Poder oferecer ao público uma transmissão e expansão vez que a Lei de programação local com qualidade da Rede Record. Comunicação de e, ao mesmo tempo, conseguir Há basicamente três meios Massa, que regulará sobreviver aos altos custos que de transmissão e repetição o assunto, ainda isto acarreta, é um desafio para as dos sinais: enlaces de UHF, está em sua fase emissoras que estão espalhadas enlaces de microondas e embrionária. por todo o país. Com o status de satélite. Abrindo o emissoras locais, muitas empresas A repetição via UHF foi seminário, Juarez fernando ernesto corrêa

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Fotos: André Jung

O duro caminho da regionalização

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a primeira a ser mineiras recebem o sinal empregada no Brasil. da rede em formato Tem custo baixo, digital. Para tanto, foi embora apresente investido US$ 860 mil dificuldades na na construção de um implantação devido à uplink, que envia o sinal grande possibilidade ao satélite. Cada estação de interferência, receptora, o downlink, vida útil curta e, custa R$ 3 mil. Um custo francisco góes principalmente, o grande alto se comparado a um congestionamento do dowlink analógico, que espectro, que praticamente inviabiliza está na faixa dos US$ 500. Somado a seu uso isto, deve-se levar em conta, ainda, em grandes cidades. os altos custos de aluguel Os links de de transponders microondas também no satélite. têm o problema Já os sistemas de enlaces causado pelo terrestres também têm as congestionamento suas vantagens, uma vez do espectro. Muitas que é uma solução mais das faixas são barata para interligações compartilha­das com entre cidades com até 100 luís carlos navarro serviços de teleco­mu­ km de distância. Os links ni­cações e, em grandes cidades, com digitais custam cerca de a geração de imagens de externa. US$ 30 mil e os digitais US$ 70 mil. As faixas mais utilizadas são as de A transmis­são digital oferece melhor 3 e 7 GHz. Uma alternativa qualidade e pode transmitir mais que está surgindo de um canal ao mesmo é a faixa superior tempo, além de se tornar a 13 GHz, ainda uma importante estrutura pouco interessante de serviços de telecomu­ para outros serviços. nicações, se tornando a Valderez Donzelli opção cara, mas ideal. lembrou, porém, que E a escolha entre links esta banda requer uma terrestres e digitais deve tecnolo­gia muito cara. ser feita de acordo valderez donzelli Já os satélites são o com a necessidade e a meio mais confiável de transmissão, característica de cada área. embora muito caro. Valderez citou, ainda, formas alternativas guerra dos formatos de transmissão: redes físicas, de fibra ótica, próprias ou A guerra entre os sistemas de mesmo contratadas produção junto a empresas de em formato digital e telecomunicações. analógico já acabou, e o Tanto os links terrestres vencedor foi o formato como os satélites vêm digital. O analógico, sendo usados, hoje, porém, ainda vai na forma analógica. sobreviver por um Há apenas algumas bom tempo dentro dos experiências brasileiras estúdios e emissoras wander de castro na transmissão digital de TV, por questões às afiliadas. A Record de custo. Esta foi a é uma das redes que vem usando esta constatação de Luís Carlos Navarro, tecnologia. Wander de Castro, mostrou diretor de planejamento e expansão da o exemplo de casa: as afiliadas Central Globo de Afiliadas e Expansão.

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Para que as geradoras se adaptem à é fundamental. Mesmo mercado para uma nova tendência, porém, elas vão ter nos Estados Unidos, repetidora de televisão. de conviver com um novo dilema da não se sabe qual Mas não é o que indústria: ao comprar os equi­pa­men­tos, formato de televisão ocorre. A TV Barriga o importante vai ser saber escolher que será adotado no futuro, Verde, afiliada da Rede formato digital será usado. após o advento da Bandeirantes, investe Esta nova guerra envolve não televisão digital. Um forte em programação apenas os formatos de captação e mesmo broadcaster local. “Não é nada rubens furtado edição, como o DVCAM, DVCPRO, utilizará, em horários fácil, o mercado nem Digital-S e o Beta-SP, mas também diferentes, transmissões sempre dá retorno ao os padrões de processamento e de TV em alta definição, standard investimento”, lamentou João Carlos as taxas de compressão. O preço ou programação multiplexada. E os Bordin, diretor geral da TV Barriga destes sistemas vem caindo bastante investimentos a serem feitos hoje Verde, que tem a sua sede em e algumas soluções oferecidas têm devem levar em consideração esta Florianópolis. “No interior, buscamos custos semelhantes a sistemas confusão, uma vez que só se liderança de audiência quando analógicos, mas terá a certeza de como exibimos nossos programas locais. mesmo assim, ainda será a TV digital no País Afinal, somos os únicos a fazer isto”, é caro trocar todos dentro de alguns anos. continuou o diretor. os equipamentos de Estima-se, por exemplo, As dificuldades se resumem, é claro, uma geradora. Ainda que a TV digital só terá a dinheiro. Paulo Velloso, diretor mais correndo-se se consolidado no Brasil executivo da empresa, lamenta o o risco de comprar daqui a 15 anos. pouco interesse das agências de equipamentos que se Para se preparar deve-se publicidade de São Paulo e do Rio de tornem rapidamente levar em conta alguns Janeiro em investirem em emissoras joaquim mendonça obsoletos ou que não pontos. O primeiro, e locais. Como exemplo, promoveu o sejam compatíveis com mais importante, é a evento Verão Vivo em Florianópolis, a estrutura já montada. Este é um compatibilidade de formatos entre mas não conseguiu vender a idéia a risco grande, uma vez que ainda não geradoras, emissoras e cabeças-degrandes agências. se sabe qual formato irá prevalecer. rede. Cada empresa destas passará, A dificuldade com verbas Navarro recomendou, durante sua também, por mudanças operacionais: publicitárias não se restringe à TV palestra, nunca adquirir a forma de trabalhar em Barriga Verde. Efraino Menezes, equipamentos de arquitetura TV vai mudar, e os da TV Rio Negro, afiliada da fechada, que não profissionais terão de Bandeirantes em Manaus, afirmou tenham compatibilidade se adaptar a novos que também sofre com a falta de com equipamentos de conceitos. Os estúdios dinheiro para alavancar a produção outra série ou modelo. mudam, uma vez que, regional. A emissora já investiu US$ A indefinição quanto ao com a TV digital, muda- 1,5 milhão em Betacam digital para padrão de transmissão se o velho formato se adequar aos níveis de qualidade e do período de 4 x 3 para o formato da cabeça-de-rede, mas o retorno transição para a TV 16 x 9, mais próximo não é adequado. “É preciso dividir juarez quadros digital brasileira não ao formato de uma as verbas publicitárias das cabeçaimpede, porém, que as tela de cinema. Assim, de-rede levando em conta as emissoras se digitalizem. A compra estúdios passam a ser mais largos e características de cada região. dos equipamentos digitais deverá não precisam ter um pé direito muito Assim, emissoras regionais terão seguir a ordem de sua necessidade alto. E um telejornal, por exemplo, dinheiro para melhorar a qualidade dentro de uma emissora sem causar dificilmente terá apenas um da sua programação, qualquer prejuízo pois até que as apresentador, que apareceria anunciantes venderiam normas sejam estabelecidas todos o isolado em uma tela mais seus produtos investimento realizado já deverá ter muito ampla. e todos ganhariam”, sido pago, uma vez que, em média, conta Menezes. a vida útil de equipamentos usados barriga verde O repasse das verbas numa emissora de TV é de cinco publicitárias depende anos. Joaçaba, uma cidade dos contratos firmados O upgrade nos equipamentos pode com 30 mil habitantes entre as cabeças-deser feito aos poucos, segundo no interior de Santa rede e suas afiliadas. paulo velloso Navarro, mas a prudência na escolha Catarina, seria o típico Cada rede age de 16

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forma diferente, algumas até mesmo apresentam políticas diferenciadas de repasse para cada afiliada.

altos custos Os custos da regionalização não são baixos. Flávio Cavalcanti Jr., diretor regional do SBT em Brasília, conta que uma afiliada do SBT, a TV Serra Dourada, de Goiânia, gasta 64% do seu faturamento para produzir 100 minutos diários de programação local. “Já se foi o tempo em que a produção local era forte, com muitos funcionários em cada emissora. Naqueles tempos, as empresas viviam endividadas, os funcionários, quando recebiam, tinham salários baixos. Hoje, o mercado se profissionalizou e não é mais possível produzir muito localmente”, contou Cavalcanti Jr. Assim, uma grande flávio cavalcanti jr. quantidade de produção local seria inviável. E a regionalização, por conseqüência, também. “Nem mesmo a receita de sorteios, nos moldes do 0900, substituem o financiamento necessário para a regionalização”, explicou Evandro Guimarães, vice-presidente de relações institucionais das Organizações Globo. “Assim, é a lógica de cada mercado regional que vai mostrar como irá ser financiada esta regionalização”, continuou. Tanto Cavalcanti quanto Guimarães temem os impactos da Lei de Comunicação de Massa sobre a radiodifusão. Um dos possíveis pontos de discussão é justamente a obrigatoriedade de um percentual mínimo de programação local nas emissoras afiliadas. “Já ouvi falar da possível obrigatoriedade de 20% a 25% de programação local, o que é loucura”, ponderou Cavalcanti.

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Cinema fora do eixo Um seminário em Santa Catarina

discute as dificuldades de formação de um mercado comum para o

audiovisual. No Maranhão, o Guarnicê de São Luís marca lançamento do Pólo Cinematográfico do Estado e mostra

Paulo Boccato

diversidade da produção brasileira. No Cine Ceará, em Fortaleza, a infraestrutura para a produção de filmes esteve na pauta do dia.

Integração ainda não existe no Mercosul Profissionais do setor audiovisual e representantes dos governos de vários países estiveram reunidos em Florianópolis, entre os dias 31 de maio e 5 de junho últimos, no II Seminário de Cinema e Televisão do Mercosul. O tema central dos debates foi a integração dos mercados latinos. Brasil, Argentina, Uruguai, Espanha e Portugal participaram das discussões e todos concordaram que a necessidade de um intercâmbio é urgente, mas que as dificuldades para se chegar lá continuam imensas. O Mercosul ainda é um ideal para o setor. Barreiras alfandegárias, diferentes legislações e competição desleal nos mercados domésticos são os principais obstáculos para que o mercado comum se torne realidade. Há 12 anos um filme brasileiro não entra em cartaz nas salas argentinas e as co-produções 18

entre os países membros sofrem com entraves burocráticos. A relação com os países da Europa também é ainda muito pequena. Não existe uma distribuição regular de filmes entre os dois mercados e as relações comerciais limitam-se à venda de telenovelas. No setor audiovisual, os países membros do Mercosul vivem momentos bastante distintos. Paraguai e Chile têm uma produção cinematográfica muito pequena e o Uruguai produz apenas cinco ou seis longas por ano, um bom número, se considerarmos que o total de espectadores de cinema no país dificilmente ultrapassa um milhão de pessoas. Nenhum desses países têm uma legislação específica de apoio ao setor. A Argentina vive um momento especial: seus filmes

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conquistaram, nos últimos dois anos, cerca de 20% de um mercado de 25 milhões de espectadores (no Brasil, não chegamos a 10% do mercado de salas). A legislação de apoio ao cinema argentino é baseada em uma forte relação com a TV e tem rendido bons frutos. Parte dos recursos para a produção vem de um fundo formado por taxas sobre os ingressos de cinema, a locação de fitas de vídeo e, principalmente,


o faturamento publicitário das TVs abertas e o faturamento com assinaturas das TVs pagas. Além disso, os filmes recebem bônus pelo seu desempenho nas bilheterias e há concursos anuais que premiam projetos de longas de cineastas estreantes, garantindo uma renovação permanente. Uma integração entre esses mercados e o mercado brasileiro significaria um potencial de cerca de 200 milhões de espectadores ao ano.

problemas domésticos A distribuição dos filmes dentro dos próprios países de produção é muito complexa. O Brasil vive as velhas dificuldades de conquistar uma brecha nas salas e de vender as produções para a TV por um bom preço. Além disso, o produto audiovisual de língua espanhola é associado, por aqui, a novelas mexicanas de baixa qualidade e, provavelmente, a recíproca é verdadeira nos países latinoamericanos e ibéricos (o filme “O quatrilho”, que teve um marketing fortemente associado ao sucesso de seus atores nas novelas ao ser lançado em Portugal, resultou num tremendo fracasso de bilheteria, já que o público jovem do país, predominante nos cinemas, rejeita o produto televisivo). Se a distribuição entre os países é um sonho que deve demorar a se tornar realidade, as coproduções internacionais têm sido um pesadelo para os envolvidos. O longa “O toque do oboé”, de Cláudio MacDowell, co-produção entre Brasil e Paraguai em fase de finalização, sofreu com as barreiras alfandegárias: a aduana brasileira cobrou altas taxas de exportação temporária para a saída dos equipamentos utilizados na locação no país vizinho e os mesmos equipamentos passaram dias retidos na alfândega paraguaia à espera do pagamento de uma taxa de importação temporária, como se os dois países não participassem de um

CAMI N H O S DISC U TID O S EM F L O RIA N Ó P O L IS A troca de informações entre os participantes do II Seminário de Cinema e Televisão do Mercosul mostra experiências positivas que podem trazer bons resultados de integração regional:

• A formação de film

commissions, escritórios de apoio logístico às produções audiovisuais, são um passo importante para a redução dos custos e a facilidade de intercâmbio entre os países. A Oficina de Locacciones de Montevideo já apoiou a produção de 12 longas, vários documentários e programas de TV na capital uruguaia nos últimos dois anos. • A prefeitura de Montevideo fechou acordo operacional com exibidores gaúchos e catarinenses para a exibição comercial de filmes uruguaios que participem da competição oficial do Festival de Gramado. • Na Argentina, a maioria dos filmes que alcançaram o sucesso financeiro nas salas de cinema tem a televisão como parceira. • A formação profissional mudou de cara nos últimos anos. Na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Buenos Aires já existe a carreira de Designer Audiovisual. A idéia é formar profissionais capazes de planejar uma produção audiovisual do argumento ao lançamento,

com uma visão clara de como inserir sua obra no mercado. • O Parlamento Cultural do Mercosul acaba de formar uma Secretaria Executiva de Cultura, que servirá como interlocutor entre profissionais e governos na resolução de entraves legais, alfandegários e trabalhistas e no apoio à livre circulação de produções. • O Paraguai propôs, nas reuniões do Parlamento, a criação de um Banco de Projetos Culturais, com linhas de crédito abertas aos produtores do Mercosul. • A Secretaria para o Desenvolvimento e Integração ao Mercosul do governo catarinense acaba de constituir um Tribunal Internacional de Arbitragem, para resolver querelas jurídicas entre os países membros. O funcionamento do tribunal prevê, por exemplo, que um problema alfandegário envolvendo co-produções cinematográficas seja discutido por produtores de cinema e não por juízes sem o conhecimento das peculiaridades do setor. • Os países latinos, com

mercado comum. Problemas como esses ocorreram durante toda a produção, gerando atrasos e inchando o orçamento além do previsto. A grande questão é que ainda não há uma integração entre os ministérios da Cultura dos países membros e seus departamentos de Receita, para que se tenha uma livre circulação de bens culturais. As exigências e peculiaridades de uma produção cinematográfica

a participação do Brasil, estudam a implantação, para o próximo ano, do Programa Ibermedia: um fundo de apoio à produção, distribuição e exibição cinematográfica aberto a todos os países ibero-americanos e, provavelmente, à França e à Itália. O programa funcionará nos moldes do fundo Euroimage, da Comunidade Européia. • O governo gaúcho acaba de lançar uma Carteira de Investimento na Indústria Audiovisual. O Estado dará aportes de R$ 100 mil à pré-produção de três longas, além de abrir uma linha de crédito de R$ 1 milhão para os filmes escolhidos, com captação de recursos pela lei gaúcha avalizada pelo Banrisul. A meta é atingir os investidores de médio porte. • Os gaúchos firmaram também um consórcio com os exibidores do Estado para abertura e reforma de salas de cinema no interior. Os recursos vêm de uma linha de crédito na Finep, com juros baixos e aval do Sebrae, da renúncia fiscal do Estado, através da Lei do ICMS, e de aportes dos municípios envolvidos.

também não são respeitadas: o Paraguai, por exemplo, não tem nenhum laboratório, o que gerava, no caso do filme de MacDowell, a necessidade de “importações” e “exportações” diárias de negativo para revelação e copiagem no Rio de Janeiro. É óbvio que esse material não pode estar sujeito às taxações de praxe se a meta é incentivar a coprodução internacional. O pagamento de contribuições

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sindicais quando se trabalha em outros países do Mercosul também gera impasses. Outras co-produções, como “Lua de outubro”, de Henrique de Freitas Lima, com participação de Brasil, Uruguai e Argentina, tiveram problemas na definição do montante de recursos destinado por cada parte envolvida, devido às diferentes legislações de incentivo ao audiovisual de cada país. A questão é saber se há o empenho dos países membros em resolver a questão da co-produção e da distribuição no Mercosul. A ausência de representantes do governo brasileiro nos primeiros dias de discussão, suprida com a chegada do chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento do Audiovisual (SDAv), José Francisco do Valle, no último dia de debates, pode servir como indício. Há interesse do Brasil em mercados tão pequenos como Uruguai ou Paraguai? A pergunta, feita pela cineasta uruguaia Beatriz Flores, presente ao seminário, pode ser respondida positivamente se pensarmos em questões como custos de produção e mão-de-obra, certamente mais baratos nesses países. As vantagens de uma parceria com a Argentina são evidentes para ambos, já que são dois mercados crescentes, que lutam com os mesmos problemas de competição interna com o produto estrangeiro e necessitam expandir suas fronteiras para tornarem suas produções economicamente viáveis. As questões discutidas no seminário e as conclusões levantadas na II Carta de Florianópolis, assinada pelos participantes ao final do evento, mostram que o caminho para se chegar a um Mercosul audiovisual e, principalmente, a um mercado latino integrado ainda é muito longo, exige muita vontade política dos governos e convicção dos profissionais do setor. Mas há saídas e o debate deve ser aprofundado nos próximos anos.

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Maranhão quer intercâmbio

entre pólos de cinema

São Luís do Maranhão também quer ter seu pólo de cinema. O projeto foi lançado durante o XXI Festival Guarnicê de Cine-Vídeo, realizado na cidade entre os últimos dias 13 e 18 de junho. Representantes do governo estadual, da Universidade Federal do Maranhão, promotora do festival, e dos profissionais maranhenses do setor audiovisual assinaram a cartacompromisso para a formação do Bureau de Cinema e Vídeo do Estado durante a cerimônia de premiação. O bureau é apenas uma parte do projeto do pólo de cinema, que envolverá também a promoção de cursos de formação de mão-de-obra, o intercâmbio com outros pólos e o apoio aos produtores locais na captação de recursos pelas leis fe­derais, estadual (em pro­ces­so de aprovação) e mu­nicipal da capital maranhense. As atribui­ções do bureau incluirão a assistên­cia na procura de locações e na infra-estrutura das produções rodadas no Maranhão, o auxílio à pes­quisa e às articulações entre as em­presas produtoras e a comunidade local. Uma comissão presidida pelo vereador Ivan Sarney, irmão do ex-presidente, e formada pelo

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escritor e roteirista José Louzeiro; pelo coordenador do Guarnicê, Euclides Moreira Netto; pelo empresário Benjamin Haickel; e pelo Secretário Estadual da Cultura, Luís Bulcão, estará encarregada de estudar, nos próximos meses, a melhor maneira de implantar oficialmente o projeto. A idéia é montar um sistema cooperativo entre os vários pólos de cinema existentes no País, com intercâmbio de mão-de-obra e centralização das reivindicações. A UFMA, as secretarias de Turismo e da Indústria e Comércio, além de entidades como Sesc e Senac, devem ser parceiras no empreendimento. “Nossa política será pelo barateamento das produções e acreditamos que esse intercâmbio é importante nesse sentido. Além disso, trabalharemos com captadores cadastrados que prestarão grande auxílio na busca de recursos para as produções”, afirma Louzeiro, que lutará também pela criação de leis de incentivo em municípios importantes do estado, como Pinheiro, Caxias e Pedreiras.

crime do baú Os primeiros projetos que contarão com o apoio do pólo já começam a surgir: um longa-metragem maranhense deve ser produzido no próximo ano. “O caso Visgueiro”,


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com direção de Murilo Santos, produção de Alvarina de Souza e Silva e roteiro do próprio Louzeiro, de Márcia Mello e de Maria Laura, contará a história de um crime famoso na sociedade de São Luís do século XVIII. Um respeitado desembargador local, enfurecido pela rejeição amorosa da filha de sua empregada, resolve matá-la a punhaladas, esquartejando seu corpo e escondendo-o num baú. O filme focalizará principalmente o julgamento do criminoso, defendido com veemência pela sociedade local, embora ele mesmo pedisse sua condenação. Visgueiro acabou sendo preso, mas saiu no mesmo dia pela porta dos fundos do presídio, exilando-se em Portugal até o fim de seus dias. A atriz paraense Dira Paes deve interpretar a vítima, enquanto Walmor Chagas, Lima Duarte e Paulo Autran estão cotados para o papel do desembargador. O cineasta Nelson Pereira dos Santos também deve filmar em São Luís nos próximos meses. Parte das cenas da minissérie em 13 episódios para o GNT, “Casa grande & senzala”, será realizada na cidade. Presente ao Guarnicê, acompanhado do produtor e diretor Luís Carlos Lacerda, o Bigode, Pereira anuncia o início das filmagens para o final do ano. Os roteiros, escritos por ele, Bigode, Geraldo Sarno, Maurice Capovilla, André Klotzel, Gilberto Loureiro e Sérgio Vilela, estão concluídos e a captação de recursos caminha conforme o esperado. A série será filmada em 16 mm, com a participação de seis diretores divididos em diferentes frentes de trabalho no Brasil, Europa e África. A narração dos episódios, que misturam documentário, ficção e dados biográficos do autor, será de José Wilker. A sede da produção será o Recife (PE), onde acontecerá 22

a maior parte das filmagens. A produtora Alice Gonzaga, da Cinédia, também espera contar com o apoio do pólo para as filmagens do longa-metragem “Morfina”, ainda em fase de elaboração do projeto.

festival O Festival de Cinema de São Luís não tem a pompa de outros festivais brasileiros mas desempenha um papel muito importante nesse cenário. Criado em 1977, com o nome de Jornada Maranhense de Super-8, o Guarnicê não parou de crescer e, nesse período, só deixou de ser realizado uma vez. Fechando o ciclo de festivais, que começarão a exibir uma nova safra de curtas nos próximos meses, engloba, em sua Mostra Competitiva de Filmes, o melhor das produções do ano anterior. Na Mostra de Vídeos participam trabalhos de várias regiões: o Guarnicê é o único festival onde se pode encontrar produções e realizadores de lugares tão distantes como Rondônia e o interior do Paraná, de Goiás e do interior paulista. A safra de vídeos mostra uma tendência de redescoberta do documentário, com trabalhos de qualidade como “Puberdade”, de Aloysio Raulino (SP), “Rainha de papel”, de Estevan A.S. (PR), “Opara”, de Cláudio Assis (PE), “Dois mundos”, de Luiz Eduardo Lerina (RJ), e “Segredos da mata”, de Dominique Gallois e Vincent Carelli (AP). Uma nova maneira de narrar um documentário veio de Porto Velho (RO), com “Marcas da Amazônia”, de Jurandir Costa. Um prato cheio para os programadores de TVs brasileiras, ávidos por preencher sua grade horária com qualidade.

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Paulo Boccato

Cinema sob o sol

cearense

Infra-estrutura. Se era isso que faltava para que o Pólo de Cinema do Ceará se firmasse de vez, pode se preparar para uma avalanche de filmes feitos sob o sol nordestino. É em Fortaleza, por exemplo, que está surgindo o primeiro laboratório fora do eixo Rio-SP. O Filmelab oferecerá serviços de revelação, telecine e pósprodução e, em um próximo estágio, até de copiagem, segundo seu diretorpresidente Wilson Brunca, para atingir não só o mercado do nordeste, mas de todo o Brasil. Brunca foi pessoalmente à Europa e aos Estados Unidos em busca do que, segundo ele, é o que há de melhor em equipamentos hoje em dia, em um inves­ti­mento de cerca de US$ 2 milhões, finan­ciados em parte pelo Banco do Nor­des­te e em parte pelas leis Jereissati e do Audiovisual. Para tocar a estrutura, Brunca está trazendo dois técnicos estran­geiros, que além de trabalhar na empre­sa, vão ajudar na forma­ção de novos profissionais que aos poucos devem assumir funções dentro do laboratório.

projetos futuros Em matéria de áudio o Ceará também não vai ficar devendo para ninguém. Também apoiado nas leis Jereissati e do Audiovisual, o Studio X, de São Paulo, associou-se à produtora cearense Bucaneiro, do cineasta Wolney Oliveira, para montar um estúdio de som de primeira linha em Fortaleza, que custará cerca de US$ 2 milhões e deve estar pronto em até um ano. “Será um estúdio de multifacilidades”, explica a diretora do Studio X, Patrícia Levy. “Seremos a única produtora de áudio do Brasil a fazer desde o trabalho de estúdio até mixagem Dolby e THX”, orgulha-se Patrícia. Assim como Brunca, Patrícia também vai trazer de fora dois profissionais norte-americanos, um engenheiro e um especialista em edição. “Teremos cursos com eles para formar mão-de-obra especializada”, conta.


André Mermelstein

furamos o bloqueio”, diz Edna. No entanto, explica, a Quanta ainda está observando o que acontece no cenário da produção cearense. Segundo ela, grande parte dos equipamentos que a Quanta oferece no Ceará ficam lá mesmo, mas dispositivos mais sofisticados ainda são trazidos de São Paulo até que a produção local justifique o investimento de ter este material lá. “Mas acreditamos no pólo e em seu desenvolvimento, por isso estamos no Ceará”, completa, Edna.

apoio oficial Na produção propriamente dita, o Estado conta também com empresas já bastante tarimbadas. A Cia. de Imagem, da paulista radicada no Ceará Sandra Kraucher, está por trás de produções como “Iremos a Beirute”, de Marcos Moura, “Oropa, França e Bahia”, de Glauber Filho. E para este ano estão programadas a pós-produção de “Eu não conhecia Tururu”, de Florinda Bolkan e a filmagem do segmento cearense de “Villa-Lobos, uma vida de paixão”, de Zelito Vianna, além da série “Manhê”, de Bia Lessa, que deve ser veiculada pelo canal de TV por assinatura Futura. No papel, um filme com o cantor brega-pop Falcão e uma adaptação de histórias de cordel. Com tudo isso, Sandra ainda não gosta de chamar de “pólo” a iniciativa do cinema no Estado. “Ainda estamos caminhando para ser um pólo verdadeiro. Estamos dando o primeiro passo”, explica a produtora. Na área de locação de equipa­men­ tos, o pólo conta com uma franquia da Quanta, de São Paulo, dirigida pelo diretor de fotografia Roberto Santos Filho. Aberta em agosto de 97, a empresa enfrentou, como conta sua diretora Edna Fujii, bastante resistência por parte de quem já estava estabelecido no Estado. Mas vai co-produzir agora o longa de Florinda Bolkan, entrando com os equipamentos de câmera e luz. “A partir deste filme acredito que

No centro do projeto do governo estadual para o desenvolvimento da indústria audiovisual local está o Bureau de Cinema do Ceará (www. secult.ce.gov.br/indexbcv.htm), elevado recentemente, segundo sua coordenadora, a jornalista Elizabete Jaguaribe, à condição de sócio permanente da Association of Film Commissions International (AFCI). Isto quer dizer que o bureau passa a figurar da lista oficial de film commissions do mundo todo e serve como referência para iniciativas semelhantes no país. Elizabete explica que há uma série de

exigências para que um órgão como o bureau se torne membro da AFCI, como a participação em cursos como o Cineposyum e a participação nos eventos mundiais das film commis­sions, além de ter de responder a vários questionários. Também é exigido, como condição fundamental, que o órgão seja ligado ao governo e ofereça os serviços gratuitamente. Uma das preocupações do bureau é com a formação de profissionais locais para trabalhar nas futuras produções do pólo. Este trabalho é realizado pelo Instituto Dragão do Mar, dirigido pelo cineasta Maurice Capovilla, que só em 97 teve 198 turmas de estudantes. “Houve até o caso de uma continuísta daqui que a Tizuka Yamazaki quis levar para trabalhar com ela no Rio, durante as filmagens do último longa do Renato Aragão”, conta Elizabete. A garota acabou ficando no Ceará, mas o exemplo é bom para mostrar que o Estado está formando profissionais de qualidade. O próximo passo é montar um curso para formar produtores, a principal carência profissional detectada pela indústria local. No site da Tela Viva na Internet você pode conferir a lista de todos os filmes produzidos no Ceará desde a criação do Bureau em 1995.

CINE CEARÁ ESTÁ NO CALENDÁRIO OFICIAL O Cine Ceará, com seu Festival Nacional de Cinema e Vídeo e a Mostra Internacional de Novos Talentos não precisa mais provar nada para ninguém. A edição deste ano, que aconteceu em Fortaleza dos dias 29/5 a 5/6, contou com presenças de peso do cinema nacional, como o produtor Luís Carlos Barreto, os diretores Nelson Pereira dos Santos, como homenageado especial, Silvio Back, Bruno Barreto entre vários outros, além de globetes em geral. “O festival entrou no calendário da cidade”, conta o cineasta Wolney Oliveira, um dos organizadores. “As pessoas já sabem e esperam sua repetição em 99”, completa. Foram exibidos cinco longas-metragens na mostra competitiva, vindos da Índia, República Tcheca, Bósnia, Irlanda e Brasil. Nosso país foi vencedor com o filme “Iremos a Beirute”, do cearense Marcos Moura, em vitória cedida, não por coincidência, pelo público presente. Uma ação entre amigos. Para valer mesmo foi a mostra de curtas em cinema e vídeo, que trouxe desde o veterano cineasta gaúcho Jorge Furtado, que levou o prêmio de melhor curta em cinema com seu “Ângelo anda sumido” até a estreante Marina Amaral, de Bauru (SP), que papou com “Café noturno”, baseado em um quadro de Van Gogh, o prêmio de melhor vídeo experimental. E falando em estreantes, chega-se até ao exagero: o púbere Ítalo Maia ganhou o prêmio de melhor curta de animação com “O nordestino e o toque de sua lamparina”. Ítalo tem 13 anos. A Paraíba fez bonito também no Cine Ceará com as produções “A árvore da miséria”, prêmio de melhor fotografia em cinema para Jane Malaquias, e o vídeo “Terra de morada - fragmentos de identidades” de Durval Leal Filho. Das produções cearenses, o destaque em cinema foi para o belo “Náufrago”, de Amilcar M. Claro, rodado em preto e branco. A relação completa dos vencedores pode ser lida no site da Tela Viva na Internet (www.telaviva.com.br). Além dos filmes, fizeram bastante sucesso também os seminários realizados na Universidade Federal do Ceará durante o festival. Personalidades da indústria local e nacional discutiram durante três dias temas como a linguagem do cinema nacional e, o tema preferido, a situação da indústria audiovisual no Brasil.

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t e l e v i s ã o Mario Luis Buonfiglio*

TV Globo São Paulo Para abrigar os novos equipamentos estão sendo construídos prédios que levam em conta a flexibilidade de operação dos canais de televisão.

A Rede Globo finalmente vai resgatar uma grande dívida para com a cidade de São Paulo no final deste ano. Depois de vários anos instalada em edifícios antigos em áreas desvalorizadas da região central da cidade, a emissora prepara-se para ocupar os 40 mil m2 de área construída de sua nova sede em uma das regiões mais nobres da cidade. Em breve os arredores da Avenida Engenheiro Luis Carlos Berrini, atual pólo de negócios da zona sul da cidade, ganharão mais um vizinho ilustre. Os tapumes pintados de prata e azul, com várias evoluções do logotipo global, começam a ser 24

retirados para dar lugar à obra do arquiteto Edo Rocha. Incorporando avançadas técnicas de engenharia e novos conceitos em tecnologia, as futuras instalações da TV Globo São Paulo pretendem alcançar a meta de ser um dos maiores centros de produção de jornalismo do Brasil. Para tanto, equipes de engenharia civil e eletrônica uniram-se num projeto ambicioso. Em duas etapas, sendo a primeira com término previsto para novembro deste ano, dois estúdios de 400 m2 mais uma redação integrada com todo um leque de tecnologias de ponta permitirão que até 14 repórteres entrem ao vivo de vários pontos da cidade sem a necessidade de passar pela imagem do âncora no estúdio. Na segunda fase, um estúdio multisset com 600 m2 e uma torre com 15 andares abrigarão toda a administração, departamento comercial e de exibição. “Nós estimamos um ganho de produtividade da ordem de 20% apenas com a concentração de nossas atividades em um único local”,

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garante Raymundo Barros, diretor da divisão de engenharia em São Paulo. Até que a nova sede seja finalizada, os funcionários ainda terão de se deslocar entre os 11 endereços espalhados pela cidade, que embora próximos, causam muitos transtornos principalmente às operações de jornalismo, que disputam um único estúdio de 300 m2.

flexibilidade Atento ao atual cenário tecnológico, o projeto conta com 5 mil m2 de áreas técnicas que foram planejadas para adotar o conceito de flexibilidade e modularidade. Cada área técnica será uma grande caixa com pisos elevados e divisórias modulares, que incluirão também cabines de locução préfabricadas. Desta forma, o conceito de “obra limpa”, como é chamada, permitirá à emissora readequar a estrutura de acordo com a demanda de programação, inclusive levando em conta a transmissão de múltiplos canais e HDTV. Para que as soluções de engenharia


à espera de um formato O destaque do projeto é a implantação da tecnologia de servidores de vídeo para edição e exibição de jornalismo. O sistema permitirá o acesso simultâneo ao material bruto armazenado no servidor por várias ilhas de edição, sem a necessidade de fazer cópias, inclusive com a possibilidade de alterar a edição de uma matéria, momentos antes do telejornal entrar no ar e eliminando o tráfego de fitas na emissora. Com um investimento total de US$ 35 milhões em equipamentos, o

destaque será o acesso por servidores às matérias sem a necessidade de fazer cópias, inclusive com a possibilidade deste acesso ser feito por até três editorias ao mesmo tempo. A experiência piloto com a utilização de servidores e múltiplas ilhas acessando o mesmo material deverá ser implantada com a primeira fase da nova sede, onde será avaliado o ganho de produtividade. Num primeiro momento o sistema poderá ser adotado na área de esportes ou GloboNews. Quanto ao formato de gravação, a emissora não optou ainda por nenhum formato digital de tape, lembrando que inicialmente serão transferidos grande parte das 100 máquinas Betacam SP e as 35 unidades de captação externa da antiga sede. Para Raymundo Barros, mesmo com prazo para escolha se esgotando, ainda está muito cedo para definir um novo formato. “Com certeza estaremos fazendo experiências com formatos digitais até porque está previsto um aumento da capacidade de produção que com certeza não será com Beta SP. Temos de considerar vários aspectos, não só a qualidade técnica. O mais importante é a compatibilidade com o arquivo existente. Dependendo do formato digital escolhido, podemos ter complicadores operacionais sérios. O Betacam SX permitiria a compatibilidade com o Beta SP, mas

Foto: Divulgação

e o gerenciamento e construção das obras tivessem o alinhamento necessário, a Rede Globo escolheu a Racional Engenharia, através do conceito Project Management, uma modalidade de contratação inédita no Brasil. Neste formato de trabalho, a empresa construtora assumiu total responsabilidade pelo gerenciamento do projeto antes mesmo da aquisição do terreno, o que garantiu uma absorção total da cultura e necessidades de uma empresa de comunicação do porte da Rede Globo. Durante nove meses foram feitos brain storms em conjunto com a engenharia visando à maturação do projeto, além de pesquisas em várias emissoras de outros países a fim de conhecer outras arquiteturas dentro das mesmas funções tecnológicas.

Maquete do complexo Berrini.

não há uma garantia do mercado que este será o formato dominante. Nessa guerra entre DVCPRO, DVCAM, Beta SX e Digital-S, ainda não temos uma posição definida. Podemos adotar inclusive o Betacam Digital, que é o formato que está em uso no Projac”, avalia Barros.

estúdios O bloco que abrigará três estúdios com 10 m de pé direito foi projetado usando o princípio de construção conhecido como “caixa dentro da caixa”, isto é são duas caixas independentes entre si. A construção externa é toda em concreto, inclusive as paredes e o telhado. No vão interno entre os pisos foi aplicada uma camada de filme de polietileno expandido, para impedir a passagem de qualquer vibração externa. As paredes internas são formadas de duas placas de gesso, conhecido com drywall, que garantirá ao estúdio um nível NC (noise coeficient) de isolamento acústico em torno de 15,

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que é o mesmo do Projac. Toda a ligação dos 450 KVA do grid de iluminação dimmerizados, e grande parte dos pontos de iluminação estarão alimentados por no break, o que permitirá uma maior confiabilidade e flexibilidade na operação dos estúdios, que foram projetados com o auxílio de lentes especiais utilizando tabelas de enquadramento para a HDTV. Para garantir um bom aterramento (usado para manter o mesmo nível eletrostático em todos os setores do estúdio e impedir a radiofreqüência), todo o aço do concreto foi eletrossoldado, formando uma imensa malha metálica. Mezaninos removíveis para a guarda de equipamentos de uso geral, no brakes dedicados para a iluminação e circuitos de visitação para o público, são os detalhes que completam o projeto. Mesmo o espaço físico destinado à redação contemplou características cênicas, como decoração e pé direito, já que o espectador já assimilou o conceito de ver a notícia sendo produzida.

complexo técnico Mesmo operando internamente em full digital, a área de recepção de sinais ainda será híbrida, já que grande parte dos sinais externos da emissora são analógicos, incluindo as interfaces com a Embratel que não permitem receber sinais digitais. Serão ao todo três controles de estúdio digitais com amplos recursos e área física, 16 ilhas de edição e quatro de pós-produção (entre lineares e nãolineares), central técnica para receber múltiplos sinais via satélite, fibras ópticas e microondas, incluindo o departamento de arte e ilustração. “É um projeto que vai atender e permitir que o jornalismo em São Paulo possa atuar com liberdade, o que não acontece no prédio da Marechal Deodoro, que está operando com sobrecarga há mais de 15 anos”, explica Raymundo Barros.

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Fotos: André Jung

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Obras do interior do novo prédio.

Quanto à transferência de pessoal e equipamentos para a nova sede, a estratégia não será gradual, já que seria inviável manter dois complexos operando ao mesmo tempo em endereços diferentes. Portanto, o cronograma prevê que logo após as eleições, será dado início ao período de treinamento dos sistemas, onde serão produzidos telejornais simulados com a possibilidade de alguma edição ser levada ao ar. “Com as facilidades que a Globo já dispõe, como microondas e pontes de fibras ópticas, será permitido aos jornalistas enviar matérias para a sede de diversos pontos da cidade. Aqui teremos uma estrutura inteligente que tem tudo a ver com o fluxo de produção, captação e edição. “A Rede Globo pretende ter uma sede que esteja à altura do talento das nossas equipes e da importância da cidade de São Paulo”, completa Raymundo Barros. * Colaborou Fernando Lauterjung


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h d t v Edylita Falgetano

a experiência brasileira As redes Globo e Record fazem a avaliação dos testes das transmissões de HDTV em 1.080 linhas que realizaram, independentemente, no mês passado.

Autorizadas pela Anatel - Agência Na­cio­nal de Telecomunicações - as re­des Globo e Record deram o start para as transmissões de alta definição no País. Embora o Ministério das Comunicações ainda não tenha definido o padrão que o Brasil irá adotar, ambas optaram por realizar os primeiros testes usando o americano ATSC. No dia 8 de junho a Rede Record convidou jornalistas, engenheiros, produtores e agentes envolvidos com a atividade de televisão para assistirem à primeira exibição de um programa de televisão produzido em HDTV no Memorial da América Latina, em São Paulo (SP). As imagens do clip de 15 minutos foram gravadas em São Paulo com uma câmera HDW 700 da Sony, alugada da HD Vision e editadas em Los Angeles em uma produtora da Sony Pictures High Definition Center. A Record usou um transmissor Harris de 1 kW, de estado sólido equipado com um excitador/modulador ATSC 8VSB da série CD, instalado na Rua da

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técnicos responsáveis pelo teste. A Record anuncia que já está mantendo entendimentos com fabricantes nacionais visando incentivar a produção interna de equipamentos para HDTV, mas prefere não dar nome aos bois para não estragar as próximas surpresas. Ikegami, Philips, Sony e JVC participaram da demonstração fornecendo receptores, projetores e telões especiais para recepção de sinais de HDTV.

no jogo Várzea, no bairro da Barra Funda, em São Paulo, e uma antena Deltawing de faixa larga para UHF operando o canal 61. A instalação e operação ficou a cargo da Eletro Equip, representante da Harris no Brasil. “A experiência foi válida para começarmos a estudar os problemas que teremos de enfrentar, uma vez que não existe meio termo, isto é, a recepção de má qualidade com fantasmas e chuviscos. Nas transmissões digitais o sinal está ou não na tela”, diz Roberto Franco, diretor de engenharia da Rede Record. Suscetibilidade para interferência por qualquer ruído de ignição e otimização da relação de potência transmissão/recepção em relação ao sistema analógico são as principais observações feitas pelos engenheiros e

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A Rede Globo escolheu a Copa para realizar a primeira transmissão intercontinental em alta definição. Catorze jogos foram transmitidos diretamente da França para São Paulo utilizando equipamentos de tecnologia digital. O sinal, produzido nos estádios pela NHK japonesa e o consórcio europeu liderado pelo canal France 2 foi transmitido para o International Broadcasting Center da Copa do Mundo, em Paris. A Comark Digital Services forneceu produção turnkey e a transmissão em 1.080 linhas em HDTV. “A NHK usou até oito câmeras Hi-Vision para gerar as imagens enviadas a um centro de pós-produção em HDTV que montamos em conjunto com a Globo com equipamentos (também da Hi-


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h dtv

Vision) alugados da HD Vision, de Dallas”, diz Mark Aitken, diretor de marketing da Comark. A Globo criou sua própria versão para apresentar os jogos que exibiu para públicos fechados, fez a compressão no formato ATSC e enviou o sinal pelo Intelsat 801 até o Pico do Jaraguá, em São Paulo, onde foi modulado digitalmente. Através de um transmissor digital Comark UHF LDMOS TVU-2005 SD de estado sólido que atinge 1,25 kW de potência de pico para transmissões digitais, o sinal foi enviado para a cidade de São Paulo através do canal 19 e as partidas de futebol puderam ser vistas, ao vivo, através de receptores e telões da Panasonic, Sharp e Zenith, instalados pela Globo, em alguns pontos da cidade. O som ambiente era original, isto é, da NHK. A narração - cedida pelas transmissões

analógicas da Rede Globo - foi mixada no prédio da Al. Santos, em São Paulo, onde estavam instalados os equipamentos de recepção. As medições de campo para ver o comportamento do sinal e a variação muito grande nos receptores deverão fazer parte do relatório que a Central Globo de Engenharia irá elaborar sobre os testes que realizaram. “Temos um longo caminho a percorrer. E embora os equipamentos de recepção instalados para nossas demonstrações sejam protótipos, até mesmo retirados dos laboratórios dos fabricantes, sentimos algumas diferenças no sinal recebido por cada um deles”, avalia Liliana Nakonechnyj, diretora de telecomunicações da Rede Globo. O projeto todo - desde o dimensionamento do link de satélite da França até o Brasil, passando pelo projeto do transmissor e da antena

de UHF, até o cálculo do sinal recebido no topo de cada prédio e sua distribuição para as diversas salas de exibição - levou seis meses para ficar pronto. “Foi um trabalho pesado de engenharia. Mas ao ver o resultado na tela já nos sentimos recompensados por toda a tensão e ansiedade que vivemos para realizálo”, comemora Fernando Wiktor Quintela Pietrukowicz, engenheiro do Departamento de Projetos de Engenharia de Telecomunicações da CGE, satisfeito com a qualidade de vídeo obtida nas transmissões. Tanto a Globo quanto a Record farão relatórios detalhados sobre os testes que realizarão para serem discutidos com a SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão), Abert (Associação da Emissoras Brasileiras e Rádio e TV) e com o Minicom. Ambas pretendem realizar testes usando o padrão europeu DVB neste segundo semestre.

esquema fornecido pela Rede Globo

esquema de transmissão da rede globo

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S DT V Steve McClellan

TESTE DE MULTICANAIS A demonstração de SDTV - TV digital multicanal c o m i m a g e m p a d r ã o ­‑ d a Sinclair, realizada de última hora em Baltimore teve algumas falhas e poucos representantes do governo.

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Em setembro do ano passado o presidente da Sinclair Communica­ tions, David Smith, prometeu aprontar suas estações de HDTV, somente quando houvesse clara demanda por este tipo de serviço. Na semana passada, a Sinclair fez a sua tantas vezes adiada demonstração de televisão digital multicanal, em Baltimore. O chefe de tecnologia da empresa, Nat Ostroff, enfatizou que a Sinclair tem certeza absoluta de que as aplicações de DTV com multicanais - e qualidade de imagem standard - estimularão a demanda por TV digital. Segundo ele, o modelo DTV multicanal dará oportunidade aos broadcasters de obter um retorno decente dos bilhões de dólares que estão 32

investindo na mudança para digital. A demonstração despertou pouco interesse dos agentes políticos diretamente envolvidos em Washington. Da FCC, apenas dois membros do gabinete da Comissária Susan Ness assistiram à demonstração realizada no início de junho. Mas ninguém do Congresso ou dos Comitês de Comércio do Senado, ou suas assessorias, esteve presente. Das 100 pessoas que participaram da demonstração, metade pertencia à comunidade financeira, segundo estimativa de Mark Hyman, diretor de relações governamentais para a Sinclair. Os restantes incluíam produtores, broadcasters, técnicos e imprensa. O demo apareceu no último minuto, quando a Sinclair obteve a palavra da Panasonic, de que emprestaria quatro protótipos de set-tops capazes de receber e sintonizar sinais digitais comprimidos. Essas são as únicas caixas que existem, e a Sinclair teve permissão para usá-las por uma semana, segundo Ostroff. Segundo Hyman, o anúncio de última hora e problemas de agenda dos funcionários da FCC e do Congresso impediram a participação de Washington. A demonstração incluiu transmissões digitais ao vivo pela WBFF (TV) de Baltimore, a principal estação da Sinclair. A emissora levou ao ar quatro programas simultâneos, dentre eles um sinal scan progressivo de 480 linhas e três

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sinais interlace de 480 linhas. A LMA, outra estação da Sinclair, pôs no ar ao vivo um sinal interlace précodificado de HDTV 1080 linhas. O ponto-chave da demonstração e a principal questão no debate sobre a TV digital, segundo Ostroff, é se a diferença da qualidade de imagem entre a HDTV e a TV digital de definição padrão SDTV é tão grande que os broadcasters não acabarão abrindo mão das oportunidades no ramo de multicanal. “A oportunidade do multicanal cria modelos de negócios em que se começa a enxergar o retorno dos investimentos”. Eddie Edwards, presidente da WNUV (TV), da Glencairn, disse que DTV multicanal pode ser a chave para criar maior diversidade de programação para audiências minoritárias. “Basicamente, o cabo serve a audiência negra com BET (Black Entertainment Television), por exemplo.” E a DTV multicanal “é a oportunidade para criar redes pelo ar para negros, latinos e outras minorias - até para escolas e hospitais”. A demonstração teve falhas. Um dos set-tops receptores quebrou durante a apresentação. Várias vezes as telas escureceram devido a problemas com os equipamentos. Ostoff descreveu como “assustador” o estado do equipamento de DTV disponível, a apenas cinco meses do lançamento comercial do digital em novembro.


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Pombas fazem malabarismos, ...

Parte de uma campanha de vários filmes para o lançamento da Revista Época, da Editora Globo, o filme “Pombos” chama a atenção pelos movimentos que um grupo destas aves faz em frente à câmera. Em um parque, um rapaz lê a revista e come pipoca. As pombas, interessadas na pipoca, colocam-se à frente do leitor, que, concentrado, nem percebe sua aparição. Para tentar atrair a atenção do leitor, as pombas fazem malabarismos, dão cambalhotas, criam uma pirâmide “pombal”, mas ele nem se abala. No fim, vão embora cabisbaixas e sem pipoca. Ao expor a idéia ao diretor João Daniel, a agência já pedia que se evitasse o uso de uma computação gráfica que ficasse evidente, explica o diretor de arte Amauri Teçariolli. Mas o grande desafio da computação gráfica, apesar de toda a evolução, é a criação de texturas orgânicas. Por isso, foram criadas pombas virtuais a partir de animais reais. Para começar, o diretor planejou cada cena e os movimentos a serem realizados. A locação foi o 34

... dão cambalhotas para ...

Parque da Aclimação, na capital paulista, e a primeira tentativa de filmagem aconteceu durante a semana. Mas a tenda armada para abrigar a equipe e evitar a fuga dos pombos, feita de tule, refletia o sol. Por isso, a filmagem teve de ser feita em um domingo de sol, com todos os curiosos em volta. Em outro horário, a tenda, de 100 m2, ficou totalmente transparente à câmera. Os pombos foram trazidos pelo treinador Gilberto, que utilizou pombos-correio e comuns, diferentes entre si. Ao chegar, os pombos pousam bem em frente à câmera. Para isso, os animais foram treinados. “Usamos uma lente angular, por isso os pombos tinham de pousar no ângulo exato, para ficarem na proporção e dentro do quadro”, conta João Daniel. A cena teve de ser repetida diversas vezes até ficar a contento, já que pombos não são animais exatamente treináveis, como cachorros. Em fundo de recorte, o diretor captou imagens de partes dos pombos, como asas, patas, penas, cabeças etc., formando um

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... ganharem pipoca. Mas ...

banco de imagens para municiar a computação gráfica. Entrou em cena, então, a modelagem e composição virtuais. Laís Dias, responsável pelo projeto na Terracota, modelou os pombos em 3D e utilizou as imagens captadas como uma roupa para os modelos. Assim, pôde variar na aparência das aves e manter a textura mais próxima possível do real. Os pombos foram gerados com cor e máscara. A luz foi feita em separado, assim como as sombras, reproduzidas a partir da observação da filmagem. “Coloquei muito grão, fiz um pesado tratamento de cor sobre o material telecinado, tudo para integrar ao máximo os dois tipos de imagem”, explica Laís. Os pombos virtuais eram quase “frankensteins”. Cada modelo recebeu as texturas filmadas de diversos animais reais, para se diferenciarem. As cores variavam entre marrom, cinza, cor de mel e branco, com caudas, asas e manchas diferentes, de modo que nenhum pombo é igual ao outro. A parte mais complexa do trabalho, porém, foi a animação,


Fichas técnicas de c o m e r c i a i s

http://www.telaviva.com.br

CORES AO VENTO

... não conseguem chamar a atenção.

feita por keyframe. As aves foram animadas individualmente e depois compostas. Em várias cenas, pombos reais estão misturados aos virtuais e não é possível distingui-los. Ao todo, 18 pombos foram animados. Para manter o realismo das cenas, Laís procurou animar as aves mantendo a possível dificuldade que elas teriam para realizar movimentos complexos como uma cambalhota, mesmo sabendo que isso seria impossível. “Tentamos achar um ‘tom de interpretação’ dos modelos”, brinca. F I C H A

T É C N I C A

Cliente: Editora Globo Agência: Lowe Loducca Produto: Revista Época Produtora: Jodaf Direção: João Daniel Tikhomiroff Fotografia: Jean Benoit Crepon Produção Executiva: Sérgio Tikhomiroff Montagem: Zeca Sadeck Trilha: Dr. DD Efeitos especiais: Terracota Pós-produção: Terracota

A delicadeza dos movimentos do vento é o mote para o novo filme dos cigarros Carlton. Sem exatamente uma história, mas seguindo a tradição dos filmes da marca que têm uma característica poética e onírica, o filme mostra cenas do vento sobre cadeiras na praia e flores, por exemplo, sempre com as cores preto, branco e vermelho. A produção, em si, foi simples, mas os ângulos de câmera, a direção de arte e a luz foram sofisticadas. A filmagem externa, realizada em uma praia no Arraial do Cabo, foi feita em cores, tratadas no telecine, no Flame e no Henry. Os detalhes vermelhos foram acrescentados na pós-produção, que recebeu o filme preto e branco do telecine. Realizado no auge das chuvas que castigaram o Rio de Janeiro este ano, o filme conseguiu ser feito no meio de uma estiagem de apenas um dia. As cenas internas foram filmadas em locação, na própria cidade do Rio. Justamente pela falta de uma história tradicional, a montagem do filme tinha infinitas combinações possíveis. Ao todo, conta a produtora Isabelle Tanugi, foram feitas 29 versões, para que cliente e agência escolhessem. “Tivemos sorte na filmagem, com o breve período de sol no meio de uma temporada chuvosa, mas a pós-produção exigiu dois meses de trabalho”, explica. A visão do diretor Michael Shapiro, norte-americano que já realizou diversas produções pela Zohar, era de um filme mais contrastado. Mas pela própria

tradição da marca, o cliente preferiu uma versão menos radical. A grande dificuldade, explica Isabelle, é justamente trabalhar com a tradição, inovando dentro de limites relativamente rígidos. O resultado, porém, compensou, resultando em um filme gráfico bastante atraente. Para finalizar é sempre bom lembrar que nos filmes de cigarros: “O Ministério da Saúde adverte: fumar ...”.

Cadeiras ao vento.

Flores em vermelho, preto e branco. F I C H A

T É C N I C A

Cliente: Souza Cruz Agência: DPZ Produtora: Zohar Filmes Direção: Michael Shapiro Fotografia: Neill Shapiro Dir. Arte: Tony Vanzolini Pós-produção: Casablanca

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e n t r e v i s t a

Como ser um país integrado ao mundo globalizado e ainda assim manter sua cultura quase intocada pela imensa onda de influências das maiores indústrias culturais do mundo (leia-se Estados Unidos)? Esse é um desafio que várias nações tentam resolver. O que dizer então de um país como a França, centro da Europa, ponto de encontro obrigatório do mundo ocidental? São algumas das questões que Hervé Bourges, presidente do forte CSA, Conselho Superior do Audiovisual francês, responde nesta entrevista concedida a Tela Viva em junho.

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Foto: Divulgação

Audiovisual à francesa Tela Viva - Como está o atual ambiente regulatório na França nas questões referentes às comunicações de massa? Já há uma legislação específica para o assunto que engloba toda a gama de serviços hoje disponíveis e os que ainda devem surgir?

Hervé Bourges - Temos uma lei sobre a “liberdade de comunicação”, que trata da mídia audiovisual (rádio, televisão) e que determina o princípio da existência de uma autoridade administrativa independente, o Conselho Superior do Audiovisual (CSA), encarregado da regulamentação desse setor. O CSA autoriza o uso das freqüências, controla o respeito de suas obrigações pelas emissoras (privadas ou públicas) e aplica sanções quando necessário. Sua responsabilidade é garantir o exercício efetivo dessa liberdade de comunicação, tanto para as operadoras quanto para os usuários, que só pode ser limitada em nome de princípios tais como o pluralismo das correntes de

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pensamento e de opinião, da ordem pública, a proteção dos menores, o respeito pela dignidade da pessoa etc., e é o papel do CSA evitar que esses limites sejam ultrapassados e definir os seus contornos, tarefa nem sempre muito fácil. A filosofia geral dessa lei está baseada num postulado bastante simples: as freqüências são um bem público. Uma vez que as operadoras privadas estão autorizadas a utilizar essas freqüências por um tempo determinado ficam sujeitas a certas obrigações de interesse público como as cotas de música francesa para as rádios, ou as cotas de produção francesa e européia para os canais de televisão. No entanto, uma lei não pode prever tudo, e o setor das comunicações de massa conhece evoluções tecnológicas extremamente rápidas que supõem uma espécie de atualização permanente dos textos de lei. Hoje, por exemplo, a lei francesa que data de 1986 e que inclusive tem sofrido modificações


e adaptações constantes, ainda não foi modificada com a inclusão dos programas digitais transmitidos via satélite. Este é o ponto crucial da próxima atualização da lei que deverá acontecer no próximo outono no parlamento. TV - A França é um país conhecido por fazer um esforço muito grande em preservar sua cultura, principalmente a língua, nos meios de comunicação. Em que medida e de que formas o CSA atua para garantir esta presença cultural nacional? hb - A indústria hollywoodiana do cinema e da televisão tem como mercado o mundo inteiro. Se não prestarmos atenção, as imagens vindas dos estúdios americanos podem representar muito rapidamente a fonte única de abastecimento das emissoras européias, simplesmente porque os programas americanos, já amortizados no mercado doméstico, estão muito mais baratos para os canais de televisão europeus do que as produções nacionais.

obras francófonas (40%). O sistema é quase o mesmo para as rádios que devem respeitar na sua programação mensal uma cota de 40 % de músicas francesas.O CSA controla o respeito por essas cotas de transmissão e sanciona eventualmente as falhas constatadas. TV - O que está sendo feito para garantir a pluralidade e a competição entre os grupos de comunicação atuantes no país? Como a França está combatendo o monopólio nos meios de comunicação de massa? HB - Existe na França um dispositivo anticon­centração destinado a evitar que os principais meios de informação sejam concentrados nas mãos de um pequeno número de operadoras: é a defesa do pluralismo que o CSA está encarregado de assegurar.

Na França, 40% das cotas de programação de TV e rádio são reservadas para obras nacionais.

Alguns países do mundo, como o Brasil, souberam, pelo tamanho de seu mercado, criar uma indústria de programas poderosa e capaz de preservar a identidade cultural dos programas de televisão. Os países da Europa têm por sua vez mercados mais restritos; além do mais, a produção é cara e não se exporta facilmente de uma país para outro. Por esse motivo, foi preciso instaurar, não só na França mas em escala européia, um sistema de cotas de transmissão que obriga cada canal de televisão a consagrar a maior parte de sua programação de ficção e de variedades ou de documentários a obras européias, e, na França, a

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Nesse aspecto, a França conhece porém uma situação mais favorável do que a maioria de seus vizinhos europeus. O exemplo do desenvolvimento recente dos programas digitais via satélite é eloqüente: temos atualmente três ofertas de programas digitais via satélite propostas por três operadoras diferentes. O que permite um real pluralismo da oferta e um jogo da concorrência que favorece afinal de contas o consumidor. O importante é fazer com que essa concorrência virtuosa e esse pluralismo sejam duradouros. TV - Como a França está lidando com a presença da mídia estrangeira dentro do contexto da União Européia? HB - A diretriz européia “Televisão sem fronteiras” definiu as normas T E L A V I V A JU L HO D E 1 9 9 8

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e n t r evi s ta

comuns a cada país membro da União para que os programas de televisão possam circular livremente de um país para outro. Foi o que permitiu o nascimento de canais paneuropeus como Eurosport, Euronews, Arte etc. Ao mesmo tempo, a diretriz protege as indústrias nacionais instaurando uma cota de programas europeus, que pode ser atingida seja pela programação de obras nacionais, seja pela programação de obras provenientes de um país da União e atendendo a certos critérios de nacionalidade. Da mesma forma, os fundos de ajuda à produção oriundos do programa “Mídia” da Comissão Européia permitem financiar co-produções européias. Não há pois divórcio entre a preservação das culturas nacionais e o objetivo de integração européia.

incentivo à produção audiovisual nacional? Quais estão sendo os resultados desta política? HB - A política de desenvolvimento da indústria nacional dos programas baseia-se na França nos dois mecanismos já citados: cotas de transmissão e obrigação de produção, que se apoiam na contribuição ativa das emissoras francesas. Devemos acrescentar uma política de ajudas à produção que é menos um sistema de subvenções do que um mecanismo de redistribuição. Um imposto anual sobre as receitas publicitárias dos canais de televisão é assim redistribuído aos produtores de forma a lhes permitir produzirem

Parte do imposto anual sobre a receita publicitária das emissoras é repassado à produção audiovisual.

No que diz respeito aos grupos de mídias estrangeiros na França, podem, conforme o Tratado de Roma, ser acionistas de canais de televisão ou de rádio, em condições iguais às aplicadas às operadoras francesas. TV - Qual é a política francesa de

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programas destinados a esses mesmos canais. Para o cinema, o sistema de ajuda é também financiado por um imposto sobre o preço do ingresso.

Esse dispositivo todo permitiu manter o cinema francês no primeiro plano das cinematografias européias em termos de número de filmes produzidos. Permite também um desenvolvimento notório da produção de ficção francesa estes últimos anos, que ocupa agora as grades de programas de todos os canais nas horas de maior audiência e faz muito sucesso junto ao público. No entanto, até agora, essas produções não se exportam bastante para permitir a seus produtores realizarem lucros. Porém, o resultado dessas ações em favor da produção nacional é amplamente positivo: as despesas das emissoras na produção francesa de ficção quase duplicaram nestes dez últimos anos. André Mermelstein


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c i n e m a Hamilton Rosa Jr.

restringiu a poucos compradores. Parte desse problema se deve à retração que já vinha afetando o mercado de vídeo brasileiro desde 96 e que vem sendo responsável pelo fechamento de várias empresas.

cibernético

Show high-tech A tecnologia dos efeitos visuais deu seu show no Festival de Cinema de Cannes.

franceses estenderam o tapete do luxuoso Grand Theatre Lumiere a Sharon Stone, Bruce Willis, Liv Tyler, Elizabeth Taylor e provaram que na hora da tietagem é até possível esquecer as restrições do país ao cinema americano. Existe uma reserva de mercado na França que é uma das mais rígidas com Hollywood. Para cada quatro filmes exibidos no circuito, um deve ser francês e outro de qualquer nacionalidade que não seja americana. Em Cannes tudo isso é relegado. Das 485 realizações exibidas no Mercado Internacional do Filme, um evento que ocorre em paralelo ao festival e exibe uma nova oferta de produções, mais da metade eram americanas e apenas 15% francesas. O evento de Cannes também 40

é considerado um importante mostruário das novas tendências mercadológicas. Cerca de 800 filmes estavam à venda na feira, sendo que 485 foram projetados nos quase 50 cinemas que existem na Riviera. Com a crise das distribuidoras independentes de todo o mundo (à exceção do mercado japonês), as produtoras estavam num impasse e precisavam vender seus pacotes. As redes de TV paga não deixaram de aproveitar o momento. O maior boato em Cannes era sobre o namoro entre o francês Canal Plus e a Polygram Filmed Entertain­ ment. A produtora independente americana é responsável por sucessos como “Quatro casamentos e um funeral” e o ainda inédito “O jogo”, com Michael Douglas. No lote de produções novas, a Polygram prometia “The green mile”, o novo de Tom Hanks, e “What dreams may come”, com Robin Williams. Vale lembrar que a HBO comprou os direitos da Polygram para a TV a cabo. A supremacia das redes de TV por assinatura nas negociações ofuscou o trabalho das distribuidoras de cinema e vídeo brasileiras. À luz de um passado quando as companhias de cinema e vídeo chegaram a ter a terceira maior delegação, a participação em Cannes 98 se

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A alta tecnologia americana também dominou o mercado com a exibição de um promo de 48 minutos de “Armageddon” para um seleto grupo de jornalistas e do lançamento de “Godzilla”, outra das maravilhas high-tech de Hollywood. Havia ainda trailers de “O resgate do soldado Ryan”, o novo filme de Steven Spielberg, que encena a invasão da Normandia com Tom Hanks no meio de milhares de soldados criados pela tecnologia digital e “Small soldiers”, uma espécie de “Toy story”, misturando live action (ação de atores em carne e osso) com o melhor da animação cibernética. “Godzilla” é o filme-evento de uma Hollywood globalizada. O lagartão tem a alma japonesa da Sony, foi executado por uma equipe que abrange a direção de um alemão, Roland Emmerich, e a confecção visual de uma nova empresa de efeitos visuais, a Centropolis, formada por técnicos ingleses, canadenses, holandeses e uma legião americana. A exemplo de James Cameron, que idealizou a Digital Domain em conjunto com a IBM para realizar filmes como “O exterminador do futuro” e “Titanic”, Emmerich criou a Centropolis com a equipe vencedora que fez os efeitos de “Independence day”. O look da versão anos 90 de “Godzilla” era um segredo que estava sendo guardado a sete chaves pelo marketing da Sony. Ao mesmo tempo que o filme era mostrado para os jornalistas, no dia 24 de maio, as licenciadas começaram a expor peças, jogos e brinquedos com os motivos do monstro. A Sony gastou U$ 125 milhões na produção e está


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ci n e m a

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finalizando um parque temático em Los Angeles, que deve ser para a empresa o que o Epcot Center é para a Disney. Para novembro, a Sony prepara ainda a estréia de um seriado de animação para a TV e para 2001, uma seqüência cinematográfica. Debaixo dessa artilharia pesada, o espanhol Carlos Saura apresentou “Tango”, o primeiro longa-metragem fotografado em Imovision, sistema de alta resolução eletrônica que coloca o filme feito de nitrato no ostracismo. A experiência com câmeras de alta definição vinha sendo usada pelo mestre Vitorio Storaro desde “O fundo do coração” (em 1982), mas quando subiu para receber o Grande Prêmio Técnico na noite de Entrega da Palma de Ouro, Storaro explicou: “Vocês acreditam que ‘Tango’ foi todo filmado com câmeras de vídeo? O sistema Imovision nos dá a possibilidade de fazer um filme usando apenas a tecnologia do vídeo e da computação”. Esse mesmo sistema foi testado depois na transmissão da Copa 98 pela emissora estatal japonesa NHK.

forma X conteúdo A discussão mais importante que surgiu em Cannes 98 veio da Dinamarca e leva o sério nome de “Dogma 95”. O manifesto foi criado por quatro jovens cineastas num jantar em Copenhague. Eles dialogavam sobre o marasmo do cinema mundial, que virou escravo da alta tecnologia e de repente resolveram fazer um pacto. O grupo se prontificou a estabelecer dez preceitos para a realização de um filme, que fugisse do atual lugar-comum do cinema dos anos 90. Em síntese, que cada um deles rodasse um longa em que o tema fosse mais importante que a técnica. Trilha sonora, iluminação de estúdio e outros virtuosismos não deveriam ser utilizados, a menos que fossem fundamentais. As produções inaugurais do Dogma são “Idiots” e “Festen”. O primeiro é dirigido por Lars Von Triers - “As Ondas do Destino” -, o segundo por Thomas 42

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O sistema Imovision usado em “Tango” foi testado pela NHK na transmissão da Copa do Mundo. Vinterberg. As imagens de “Idiots” são chocantes. Um grupo de jovens faz-se passar por loucos e monta uma sociedade alternativa. Até sexo grupal é permitido e Von Triers faz a transa rolar de forma explícita. A dupla baniu a steady-cam e a edição eletrônica do cenário. Tanto “Idiots” como “Festen” são filmados com câmera de 16 mm e uma equipe de dois ou três técnicos, segurando iluminação e microfone. O inglês John Borman, que venceu o prêmio de direção por “O general”, aplaudiu a proposta dos rapazes. “O cinema não precisa apenas de ousadia da forma, precisa de idéias instigantes e estes são os únicos garotos preocupados com isso”, disse. Por sua vez, Michael Bay, que dirige “Armageddon”, filme que tem um arsenal tecnológico de primeira, não vê razão para o estardalhaço. “O cinema dos anos 90 não aponta apenas um caminho, nada me proíbe de fazer um filme de US$ 100 milhões como ‘Armageddon’ e depois outro com uma Super-8”, declarou Bay. “Festen”, de Vinterberg, ganhou o prêmio de Júri, mas a imprensa achou que quem merecia o prêmio era Von Triers com seu “Idiots”. O diretor, que encabeçou o filme-bomba do festival, não chegou a tempo para defendê-lo. Von Triers não viaja de avião, trem ou navio. “Tenho medo destes artefactos tecnológicos e não gosto de andar em algo que não é dirigido por mim”, justificou numa carta endereçada aos organizadores do festival. Muita gente acha que o “Dogma 95” é um retrocesso. “É como voltar para a Idade da Pedra do cinema”, disse um crítico brasileiro. Mas, considerando o jeito que o filme foi aplaudido pela imprensa no Grand Theatre Lumiere, a polêmica deve aumentar.


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á u d i o Beto Costa

Ligar ou desligar o Dolby Noise Reduction é uma dúvida que atormenta técnicos de produtoras na hora de gravar, editar e fazer cópias de exibição de filmes publicitários.

Há alguns anos, quando o Betacam era referência obrigatória para produções broadcasting, a Sony resolveu melhorar a qualidade do áudio desta bitola. O propósito era diminuir o nível de ruído natural­mente contido na fita. Em busca de ganhos nas respostas de alta freqüên­­ cia, os japoneses fecharam negócio com os laboratórios Dolby e implemen­taram o Dolby Noise Redution do tipo C. Só que para o Brasil a iniciativa não deu certo. Desinformação e referências equivocadas já causaram muita confusão. Um erro po­de até causar sérios danos na rela­ção produtoras/ agências com anunciantes. Ligar ou desligar o botão Dolby NR envolve uma série de outras variáveis, mas é certo que com o dolby off a probabilidade de enfrentar problemas com o áudio é muito maior. Se você decide ligar ou desligar o dolby na base do “minha mãe mandou...”, continue lendo esta matéria. Parece maluquice desprezar o uso de um redutor de ruído (principalmente porque a qualidade do áudio do Beta 44

é limitada), mas a lógica “para evitar problema, desliga” acabou criando o padrão informal do dolby off. O que pode ser perigoso, já que é um padrão empírico e muitas vezes adotado em ambientes fora de controle. O resultado é que muitas vezes descobre-se tarde que o áudio tem problemas (em alguns casos, com o comercial no ar), algo indesejável para qualquer anunciante. A agência Carillo Pastore EURO RSCG já teve uma experiência bastante desagradável. Na semana de lançamento de um produto, o filme da Philips chega às emissoras com o áudio compro­metido. Como era um comercial em que a trilha tinha papel fundamental, o transtorno foi ainda maior. “Eu quase tive um ataque histérico. Nós tivemos de refazer seis cópias e repassar para as emissoras”, conta Vanessa Walner, coordenadora de RTV da agência. O episódio acon­ te­ceu em abril deste ano, mas até hoje Vanessa não sabe ao certo se o problema aconteceu porque o dolby esta­va ligado ou desligado. Para evitar dúvidas em momentos tão cruciais ela formulou uma regra: se ninguém recomendar nada, o dolby é des­li­ga­do.

na dúvida ... A dúvida cartesiana aterroriza produtoras e finalizadoras. Boa parte tem optado por editar em digital e fazer a cópia da master que é enviada para as emissoras com o redutor de ruído desligado. O curioso é que a mesma escolha acontece por motivos diferentes.

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A 5.6 trabalha com o dolby off. O engenheiro de manutenção da produtora, João Geraldo Arantes Rodrigues, explica que “se a cópia é feita com o dolby ligado e é exibida numa máquina com dolby off você acaba perdendo o agudo, o som fica meio abafado. Seria para atenuar o ruído, mas o filtro não é perfeito”. A O2 Filmes segue o padrão informal do dolby desligado, mas o gerente de finalização, Carlos Freitas, não parece convencido e fala insistentemente na necessidade de uma padronização para valer. “Minha referência são as produtoras de áudio. Elas costumam trabalhar com o dolby desligado e eu fecho questão por aí. Mas gostaria que fossem feitos testes mais apro­fun­da­dos para daí se chegar a um pa­drão para produtoras e emissoras”, conclui. O Estúdio Abertura (fechado em ju­nho por causa de um incêndio) segue a linha “para evitar confusão desligue o dolby”. A escolha deve-se à falta de controle sobre a máquina que exibirá a cópia. “Se todo mundo usasse BVW não haveria problema de incompatibilidade já que ela não perde na respos­ta de freqüência e é fácil ligar ou desligar o dolby”, afirma Cláudio Prange, diretor técnico do Aber­tura. Para ele a vilã da história é a Sony. O barateamento de gravadores e editores que sucederam a série BVW, da Sony (série PVW e por último as máquinas UVW), popularizaram o Betacam. Uma PVW custa metade do preço de uma BVW e a UVW sai por 50% menos que a PVW. Comparar as performances destas máquinas é simplesmente impossível - só a BVW é broadcasting. “Nas UVW não existe no menu a opção para desligar o dolby. Você tem de criar a função externamente colocando a chave em paralelo”, explica Prange. O esforço hercúleo para trabalhar com dolby off funciona como um verdadeiro amplificador de confusão. Quando uma cópia é feita com o dolby desligado e exibida numa má­qui­na com dolby on gera-se a pior das incom­patibilidades. O resultado é que o áudio fica com oscilações brus­cas, um desastre. Como muitas agên­cias, produtoras


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á u di o

e até emissoras pelo interior do país compraram equi­pa­mentos UVW, dá para imaginar o tamanho do problema. Principalmente nas agências, onde a presença de um engenheiro é rara, para não dizer inexistente. Apesar de mais recentes, os Beta digital da Sony não facilitam a vida de quem quer desligar o dolby. “É um parto, bem complicado, mesmo. Tem de ler o manual pelo menos três vezes. É coisa para engenheiro”, desabafa Freitas da O2. A Casablanca já viveu seu inferno astral com o Dolby Noise Redution. Toda semana chegava pelo menos uma reclamação de alguma peça que estava com problema no áudio. Inves­ti­gadas as causas, o culpado era sempre o Dolby. Hoje, a inci­dên­cia do problema é quase nula, e acredite, a solução foi encontrada fugindo da tendência do mercado. A Casablanca trabalha com o dolby on! “Quem usa o dolby desligado está desinformado. Pedido de cópias com dolby off, só por escrito”, provoca o diretor técnico da produtora, Alex Pimentel. A escolha pelo dolby on aconteceu depois de diversos testes compa­rativos dos casos de incompatibilidade. “Quando a gravação é feita sem o dolby e a reprodução acontece numa máquina com dolby ocorre aque­la oscilação do áudio e realmen­te inco­moda. Quando você grava com dolby e reproduz sem, existe o refor­ço das freqüências altas, fica mais agu­do, mas é o melhor dos casos”, desafia. Apesar de ser a tendência minoritária, a Casablanca não está sozinha. A Júlio Xavier Filmes também realizou testes e optou pelo dolby on. “O dolby realmen­te reduz o ruído do magnético. Só que nós usamos este expediente para copiar a master analógica. Editar de Be­ta para Beta com dolby ligado é lou­cura. Depois de cinco gerações já per­de o dolby”, justifica Iko Kásper, finali­zador de áudio e vídeo da Júlio Xavier.

palavra do fabricante A questão não é simplesmente ligar ou desligar o Dolby Noise Redution. Entendendo o processo global, existe um comportamento ideal diferente para 46

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D O L BY

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EMISS O RAS

Depois de a maior emissora do país ter desligado o redutor de ruído dos Beta/Sony o mercado entendeu que a pergunta já tinha resposta e criou-se um padrão para as cópias de veiculação. EMISSORA DOLBY NR

GLOBO OFF

RECORD OFF

SBT OFF

cada etapa. “A captação deve ser feita com dolby on e a edição com dolby off tanto no player, como no rec. Só na hora de se verificar é que se liga o dolby. E a exibição deve ser com dolby on”, recomenda Alexandre de Souza Alves, supervisor de assis­tência técnica broadcasting da Sony. O Dolby Noise Redution do tipo C (os do tipo A e B são de uso doméstico) é capaz de reduzir a sujeira do áudio intrínseco da fita em até 20 dB. Só que o grande perigo é trabalhar com o dolby on durante a edição ou em material que passa por multi­geração. “Cada vez que você edita, em cada geração você deforma o sinal. O dolby sempre acentua a curva de alta freqüência. Se você deixar ele ligado nestas etapas vai acentuar novamente a curva”, esclarece Alexandre. Para os casos das cópias master dos comerciais que são enviados às emissoras a recomendação é usar o dolby on, pois nos casos de incom­patibilidade a probabilidade de incidir no caso menos sensível é bem maior. “Só pode desligar o dolby quem tem certeza que a máquina que vai exibir também estará com dolby off.” A Sony reconhece ser difícil desabilitar o dolby da UVW e do Beta digital. Um motivo a mais para fugir do padrão informal do dolby off.

padrão global O maior responsável pela criação do padrão informal do dolby desligado entre produtoras e emissoras é a Rede Globo. Tudo começou no jorna­lis­mo. Os engenheiros da casa perce­be­ram que o material de multigeração era processado com dolby on, mesmo procedimento adotado durante as edições. Duas práticas desaconselháveis. “Ninguém recomenda repetição de processamento. Depois de várias gerações a qualidade do áudio degrada totalmente”, explica Luis Fernando

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BAND OFF

MANCHETE OFF

MTV ON

Pereira, supervisor de manutenção de áudio da Rede Globo. Como as máquinas da emissora é muito grande e é difícil con­trolar a origem das fitas, a determi­nação para desligar o redutor de ruído chegou a todos os setores da emissora. E é claro que a decisão da líder de audiência ia acabar balizando o mercado. A Globo orienta as produ­to­ras e agências para que enviem a master dos comerciais com dolby off, mesmo assim a emissora tem um proce­dimento de segu­ran­ça. Todo material que chega é copiado e a master original fica de standby. A opção da Globo pelo dolby off também leva em consideração a falta de cultura de áudio dos operadores. “Os ope­radores se preocupam mais com a qualidade da imagem. E para usar um noise redution você tem de ter uma boa condição de nível. En­tão, às vezes gravavam baixo demais e dava problema na exibição porque o nível não era compatível”, conta Pereira. A MTV é a única das emissoras abertas (UHF para Rio e São Paulo) que foge do jogo de contingências e trabalha com o dolby ligado. Como a programação é basicamente musical, recebe muito material da matriz americana com dolby on, seria besteira desprezar o redutor de ruído. Quem assiste a um videoclip quer também ter um bom som e, de preferência, sem chiado. A emissora já teve problemas com comer­ciais e clipes que foram ao ar com dolby off em exibidora dolby on geran­do o áudio oscilatório, um problema que poderia ser evitado se as produtoras fossem mais cuidadosas com a informação. “Tudo que vai para o ar é transcrito para D2. Mas muitas vezes não somos notificados se o dolby está on ou off”, explica Miguel Angel Lopes, supervisor de operações da MTV brasileira. Parece que ligar ou desligar o dolby é mais um problema que só vai desa­pa­recer com a digitalização. Com áudio digital, adeus dúvida cruel...


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F I Q UE P O R DENTR O

RIOCINE O 14º Rio Cine Festival será realizado de 23 a 30 de julho no Rio de Janeiro. O Seminário sobre Mercado Internacional já tem a presença confirmada de represen­ tantes dos canais Arte (França), ZDF (Alemanha) e Channel Four (Inglaterra). No Ciclo de Workshops, estarão presentes os norteamericanos Richard Walter, especialista em roteiro para cinema e TV; Rob Burke, da produtora Lakeshore, e Stephen Klein, da distribuidora Miramax, falando sobre as estratégias de marketing para o cinema, além dos executivos Duncan Clark, da Columbia, e Nadia Bronson, da Universal, tratando de possíveis parcerias com o mercado latino-americano. O Rio Cine contará ainda com a presença de executivos de vários diretores de grandes redes de TV, produtores e distribuidores de cinema independente, diretores dos principais festivais de cinema do mundo e de entidades como o MoMA, de Nova York, e o Centre Georges Pompidou, de Paris. Paralelamente, ocorrerá um seminário sobre preservação da memória cinematográfica brasileira, mostras competitivas de curtas e vídeos, além das mostras internacionais de televisão e de filmes independentes.

o f icin a s de cinem a Oficinas Integradas é o novo curso de cinema do Studio Fátima Toledo composto por sete módulos equivalentes a todas as etapas da realização de um filme. Os módulos são divididos em: roteiro, direção geral, produção, assistência de direção e continuidade, direção de arte, direção de fotografia/iluminação/câmera e edição/montagem/ finalização. O aluno pode fazer módulos à sua escolha, o que possibilitará a entrada de profissionais do mercado em busca de reciclagem e atualização. O curso resultará num curta-metragem, feito pelos alunos que se destacarem em cada fase. Com duração de seis meses, o primeiro curso terá início no dia 16 de julho com aulas de duas a três vezes por semana, das 19h30 às 22h30. Mais informações pelo telefone (011) 570-0067 e 549-5087.

F E S T I V AL A D I A D O

O I Festival Mutum de Cinema e Vídeo de Maceió (AL), inicialmente programado para o segundo semestre deste ano, acaba de ser adiado. Será realizado em março de 99. Na programação, uma novidade: os filmes serão exibidos em bairros pobres da periferia da capital alagoana, com a presença dos realizadores para debater com a comunidade.

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F I Q UE P O R DENTR O

mud a nç a s em gr a m a do O 26º Festival de Gramado - Cinema Latino e Brasileiro, que se realizará de 8 a 15 de agosto, anuncia mudanças. A edição deste ano, promoverá um único concurso para os filmes longas-metragens 35 mm brasileiros e latinos, com um único júri. Entre seus objetivos, o festival quer estimular os debates entre produtores, distribuidores, exibidores, cineastas e atores; valorizar o aspecto cultural de discussão do cinema latino-americano e discutir a sua viabilidade como produto. A produção nacional de curta e média-metragem volta a competir separadamente neste ano. A mostra competitiva de Super-8 volta-se para a produção do sul do país e incluí cerca de dez produções gaúchas e catarinenses. Na programação paralela, Gramado vai exibir títulos inéditos como “Carne trêmula” de Pedro Almodóvar, entre outras produções estrangeiras e brasileiras, além de promover debates, encontros, oficinas e a exibição de filmes em bairros e municípios.

cinem a jud a ico

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De 3 a 9 de agosto próximos acontece o 3º Festival de Cinema Judaico, organizado pela AIA Produções. O festival trará vedetes como o vencedor do Oscar de documentário “The long way home”, de Mark Harris, e “Wild man blues”, de Barbara Kopple, que conta a história da lendária banda de jazz do cineasta Woody Allen em Nova York. Já estão confirmadas as participações de 11 filmes, de países como Estados Unidos, França, Israel e Alemanha. Os filmes serão exibidos no Clube Hebraica e no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo.

cursos No segundo semestre, a Escola de Formação em Cine & TV, com sede em Campinas e aulas na sede da Quanta, em São Paulo, terá uma programação de cursos nas duas cidades. De 29 de agosto a 19 de dezembro, aos sábados, acontece o curso regular da escola em Campinas, em seu módulo I. De 15 de agosto a 5 de dezembro, o curso acontece em São Paulo, também aos sábados. O curso é dirigido para profissionais do setor, estudantes de comunicação, atores e atrizes, e abordará tópicos como linguagem, gêneros e história do cinema e da TV, equipamentos, roteiro, fotografia e câmera, produção, sonoplastia, trilha, montagem e edição, direção, direção de arte, entre outros. O curso inclui visitas a empresas do setor. Mais informações pelo telefone: (019) 258-2267.

R E C I C LA G E M E A P E R F E I Ç O A M E N T O Pelo quinto ano consecutivo, a LM Stein Produções organizará o Ciclo de Workshops “Novas Tecnologias no Brasil”. As inscrições estarão abertas do dia 27 de julho até 25 de agosto. Uma primeira fase terá workshops sobre direção de fotografia, assistência de câmera, elétrica, produção, captação de som direto, edição/montagem e pós-produção não-linear. Esta fase é destinada à reciclagem de profissionais da área de cinema e vídeo. A segunda fase, composta de 16 palestras, é destinada, principalmente, a estudantes de cinema, rádio e televisão, propaganda e publicidade. Será realizada uma seleção dos participantes através dos dados contidos nas fichas de inscrição, com resultado dia primeiro de setembro. Os workshops terão início dia 15 e as palestras dia 22 de setembro. Mais informações pelo telefone (011) 6959-6245 ou pelo e-mail lmstein@hotmail.com. 50

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AGENDA j

Diretor e Editor Rubens Glasberg Editora Geral Edylita Falgetano Editor da Home Page Samuel Possebon Editor de Projetos Especiais André Mermelstein Redação Diogo Schelp, Edianez Parente, Fábio Koleski, Fernando Lauterjung (Assistente) Colaboradores Beto Costa, Hamilton Rosa Jr., Lizandra de Almeida, Mario Buonfiglio, Paulo Boccato Sucursal de Brasília Carlos Eduardo Zanatta Edição de Arte Claudia Intatilo Produção Gráfica Rubens Jardim Editoração Eletrônica Geraldo José Nogueira Capa Claudia Intatilo Comercial Manoel Fernandez (Gerente): Almir B. Lopes, Alexandre Gerdelmann e Patrícia M. Patah (Contatos); Ivaneti Longo (Assistente) Coordenação de Circulação e Assinaturas Gislaine Gaspar Coordenação de Marketing Mariane Ewbank Administração Vilma Pereira (Gerente); Gilberto Taques (Assistente Financeiro) Serviço de Atendimento ao Leitor 0800-145022 Internet http://www.telaviva.com.br E-Mail telaviva@telaviva.com.br Tela Viva é uma publicação mensal da Editora Glasberg - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001 Telefone (011) 257-5022 e Fax (011) 257-5910 São Paulo, SP. Sucursal: SCN - Quadra 02, sala 424 Bloco B - Centro Empresarial Encol CEP 70710-500 Fone/Fax (061) 327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Fotolito/Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. Ltda.

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13 a 24 - Curso: “Roteiro cinematográfico I”. EICTV, Havana, Cuba (*). 13 a 31 - Curso: “Fotografia cinematográ­fica I”. EICTV, Havana, Cuba (*). 18 - Curso de sonorização da SPX. SPX, São Paulo, SP. Início da turma de sábado. Fone: (011) 3666-6950. 19 a 24 - Siggraph’98. Orlando, EUA. Fone: (1-312) 321-6830. Fax: (0-312) 321-6876. E-mail: siggraph98@siggraph.org. Internet: www.siggraph.org/s98. 20 a 31 - Curso: “Introdução à filmagem”. AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 573-4069, r. 119. Fax: (011) 571-8659. E-mail: advideotech@cst.com.br. 23 a 30 - Rio Cine Festival. Rio de Janeiro, RJ. Fone: (021) 267-4219 ou 522-6843. 27 a 31 - Curso: “Softimage level I”. Sisgraph, São Paulo, SP. Fone: (011) 889-2000. Fax: (011) 887-7763. Internet: www.intergraph.com/brazil. 27 a 7/8 - Oficina: “Roteiros de telenovela”. EICTV, Havana, Cuba (*). 27 a 14/8 - Curso: “Teoria e prática do mergulho e da fotografia e filmagem submarina”. EICTV, Havana, Cuba (*). 27 a 14/8 - Curso: “Fotografia cinematográfica II”. EICTV, Havana, Cuba (*). 27 a 31 - Curso: “Edição analógica”. AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 573-4069, r. 119. Fax: (011) 571-8659. E-mail: advideotech@cst.com.br. AGOSTO ag

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3 a 5 - Curso: “Introdução à animação e modelagem 3D”. Sisgraph, São Paulo, SP. Fone: (011) 889-2000. Fax: (011) 887-7763. Internet: www.intergraph.com/brazil. 3 a 14 - Curso: “Roteiro cinematográfico II”. EICTV, Havana, Cuba (*). 3 a 14 - Oficina: “teoria e prática do ensino de cinema e vídeo inde­

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penden­te”. EICTV, Havana, Cuba (*). 4 a 6 - Feria Mundial de la Radio y Televisión. Miami Beach Convention Center, Miami, EUA. Fone: (1-305) 638-5005. Fax: (1-305) 638-0571. E-mail: lacn@paxcc.org. 8 a 29 - Curso: “Introdução à filmagem”. AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 573-4069, r. 119. Fax: (011) 571-8659. E-mail: advideotech@cst.com.br. 9 - Curso de sonorização da SPX. SPX, São Paulo, SP. Início da turma de segunda a quinta. Fone: (011) 3666-6950. 10 a 14 - Curso: “Edição analógica”. AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 573-4069, r. 119. Fax: (011) 571-8659. E-mail: advideotech@cst.com.br. 10 a 21 - Curso: “A imagem criativa”. AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 573-4069, r. 119. Fax: (011) 571-8659. E-mail: advideotech@cst.com.br. 15 - Curso de sonorização da SPX. SPX, São Paulo, SP. Início da turma de sábado. Fone: (011) 3666-6950. 15 a 5/12 - Curso: “Cinema e TV - módulo I”, da EFCTV. Aulas aos sábados. Auditório da Quanta, São Paulo, SP. Fone: (019) 258-2267. 18 a 20 - Brasil New Media Show - Broadcast & Cable’98 (Congresso Técnico da SET). Anhembi, São Paulo, SP. Fone: (021) 512-8747. 20 a 29 - Mostra Internacional de Curta-metragens. MIS, São Paulo, SP. Fone/fax: (011) 852-9601. E-mail: spshort@ibm.net. Internet: www.kinoforum.org/shorts. 24 a 28 - Curso: “Edição analógica”. AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 573-4069, r. 119. Fax: (011) 571-8659. E-mail: advideotech@cst.com.br.

(*) Informações sobre os cursos da EICTV podem ser obtidas com o Projeto Pro-Arte em Bú­zios (RJ), fone/fax (0246) 29-1345, e-mail: proarte@novanet.com.br ou em São Paulo no Nacla, fone/fax (011) 3666-8538, e-mail: acoirups@mandic.com.br.


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Revista Tela Viva 71 - Julho 1998  
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