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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 14_#155_novembro2005

Entrada à francesa Brasil é destaque no Mipcom 2005 e chama a atenção para a produção independente nacional

CINEMA

Entrevista exclusiva com o produtor de “A Marcha do Imperador”

RADIODIFUSÃO

Modelo de negócios é o centro do debate da TV digital


N達o disponivel


Foto: marcelo kahn

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André Mermelstein

a n d r e @ t e l a v i v a . c o m . b r

O digital muda tudo

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m dos painéis do congresso do último Mipcom, que aconteceu em Cannes, França, em outubro último, tinha um título curioso. O painel falava sobre conteúdos para celular, mas seu título pode ser transformado em um slogan para os novos tempos que começamos a viver: “It’s digital, stupid!”. Ou, em uma tradução livre, algo como “É tudo digital, idiota”. E quem são estes “stupids” a quem o título se refere? Todos os que não perceberam ainda que os modelos tradicionais de negócio de entretenimento e mídia vêm sofrendo e sofrerão muito mais ainda com a revolução tecnológica dos conteúdos digitais. Duas matérias e um artigo nesta edição dão conta de que a questão se coloca com intensidade cada vez maior. As telefônicas fixas, pressionadas pela queda nas receitas com serviços de voz, vêm apostando na distribuição de conteúdos por redes de banda larga como uma saída importante. Na França, por exemplo, já existem ofertas de serviços de IPTV sendo anunciadas em revistas e outdoors (quem quiser pode conferir em www. malignetv.fr). Na Espanha, a Telefônica também já oferece o serviço. Nos EUA, a competição vem se acirrando entre operadoras de cabo e as teles. E no Brasil o serviço deve surgir já no próximo ano. As celulares não ficam atrás, e fincaram pé no debate sobre a TV digital, que aos poucos vai deixando para trás a discussão sobre padrões de transmissão e passa a focar no que realmente importa: a definição do modelo de negócios. As teles querem ver contemplada no modelo uma abertura para que possam prover serviços de vídeo (e começam a ganhar apoio de diversas entidades defensoras da democratização das comunicações). As emissoras de TV marcam posição, defendendo uma opção que lhes garanta automaticamente o direito de transmitir seu sinal de todas as formas que a tecnologia permite. E não estamos falando de nada distante da realidade. Como se pode ver na matéria sobre convergência, nesta edição, a Telefônica, a Nokia e o grupo Albertis começaram este mês um teste piloto com DVB-H na Espanha, no qual oferecem a 500 consumidores o acesso via celular a 15 canais de TV. Os primeiros lançamentos comerciais da tecnologia devem acontecer em 2006 na Itália e na Malásia. Como disse o ministro da Cultura, Gilberto Gil, em Cannes, a regulamentação das comunicações virá, mais cedo ou mais tarde, e terá o apoio até daqueles que no passado recente atacaram projetos semelhantes. Afinal, ninguém pode ficar passivo diante de tantas mudanças.

ilustração de capa: ricardo bardal

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(índice)

(cartas) Retificação A revista Tela Viva de outubro de 2005 publicou uma matéria com o título “Canais internacionais remetem R$ 1,5 bi em 30 meses”, na coluna “No Ar”, assinada por Edianez Parente, na qual há uma informação de que os recursos não aplicados pela Discovery - cerca de R$ 800 mil - foram para os cofres da Ancine após estourado o prazo para seu uso. Tais recursos são destinados ao Tesouro Nacional, e não ao caixa da Agência Nacional do Cinema. Agradecendo pela atenção de sempre,

Invasão verde-amarela

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No Ano do Brasil na França, produtoras e emissoras garantem espaço de destaque no Mipcom 2005

scanner figuras mercado

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Traffic expande atuação no exterior

radiodifusão

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TV digital: hora de debater o modelo

convergência

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Quem regula o mundo IP?

Artigo

José Zimmerman, ouvidor-geral da Ancine

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O novo modelo da comunicação, por Alexandre Annenberg 36

Agradecimento Vimos através desta agradecer a valiosa colaboração da TELA VIVA para a melhor realização do Festival do Rio 2005. É certamente contando com este apoio que conseguimos fazer um dos maiores festivais de cinema do mundo. Atenciosamente,

no ar audiência making of cinema

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Emmanuel Priou, o homem dos pingüins

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Os debates do Maxi Mídia 2005 48

Vilma Lustosa, direção; Rossine A. Freitas e Vânia Beatriz, coord. de marketing; e Gabriella Santoro, assistente da coordenação de marketing do Festival do Rio 2005.

upgrade agenda

52 Tela Viva edita as cartas recebidas, para adequá-las a este espaço, procurando manter a máxima fidelidade ao seu conteúdo. Envie suas críticas, comentários e sugestões para cartas@telaviva.com. br.

Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

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( scanner ) Atuação internacional

Fotos: divulgaçÃo

Derrota americana A Conferência Geral da Unesco, encerrada em 21 de outubro, aprovou por 148 votos a dois, e quatro abstenções, uma convenção internacional sobre a diversidade cultural, uma vitória da proposta capitaneada por Brasil e Canadá, que contou com o envolvimento pessoal do ministro Gilberto Gil (Cultura) no diálogo com alguns países africanos. A “Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais” reitera “o direito soberano dos Estados de conservar, adotar e aplicar as políticas e medidas que considere necessárias para proteger e promover a diversidade das expressões culturais em seus respectivos territórios”. Também define que os bens e serviços culturais, são “de índole ao mesmo tempo econômica e cultural, porque são portadores de identidades, valores e significados e, por consegüinte, não devem ser tratados como se só tivessem valor comercial”. Assim, o texto impede que temas como subsídios e taxações sejam usados em negociações comerciais na Organização Mundial do Comércio, por exemplo. Os Estados Unidos, que pregavam uma total liberalização da indústria cultural, evidentemente visando facilitar a penetração de sua produção nos mercados mundiais, chegaram a enviar a secretária de estado Condoleeza Rice à reunião preparatória para garantir sua posição. A Convenção agora precisa ser ratificada individualmente pelos países-membros da Unesco.

Celular multimídia Jogos em 3D que podem ser baixados da rede para o celular. Este é o novo recurso do celular LG Music Shot, da Vivo. Para divulgar o novo serviço, a Fischer América criou uma campanha com filme para televisão e cinema e Internet. No filme, um casal de namorados está no clube e o rapaz pega o celular da mesa e começa a jogar. Aperta sem querer uma tecla e começam a ouvir uma música. O celular então toca e a moça pergunta se o namorado não vai atender. Então ele revela que o celular não é dele. A criação é de Rubens Kato e Fernanda Guerreiro, com direção de criação de Jáder Rosseto, Pedro Cappeletti e Flávio Casarotti. A animação é da Laruccia Animação & Efeitos.

A produtora Bossa Nova Films está ampliando sua participação no mercado internacional. Em outubro, a produtora realizou uma campanha de três filmes para o cliente CVS, em parceria com a Gogogo Films, produtora que representa a Bossa Nova nos Estados Unidos. Os filmes, criados pela Hill Holliday, serão veiculados no mercado hispânico norteamericano, e têm direção de Paula Trabulsi. O núcleo de Production Services também está atuante, tendo atuado recentemente no suporte à produtora mexicana Distrito Filmes, que esteve no Brasil para filmar uma campanha para a Copa de 2006 estrelada por Pelé. As filmagens aconteceram em São Paulo. A Bossa Nova firmou, ainda, um acordo com a produtora ADN Filmes, de Portugal, que vai representar a produtora brasileira e divulgar seu núcleo de Production Services no mercado português.

ABTA quer ser pró-ativa

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ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) ganhou, no final de outubro, uma nova diretoria, com mandato até o final de 2007. O novo presidente do conselho diretor é Chris Torto, presidente da Vivax. É a primeira vez que o cargo fica com um executivo que não represente a Net ou a TVA, e a promessa é que a associação comece a agir em áreas em que não vinha atuando. Chris Torto diz que pretende simplificar a atuação da associação, centrando esforços onde ela realmente fizer a diferença. “O princípio básico é: se não houver consenso sobre um tema, vamos discutir. Se de fato os interesses dos associados forem inconciliáveis, então a ABTA não agirá”, afirmou. Chris Torto pretende ainda definir um conjunto de ações que a ABTA conduzirá de forma ativa. “Hoje nós reagimos



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mais do que propomos. Acho importante definir alguns projetos que a ABTA apresente aos associados. Por exemplo, um esforço de promoção da imagem do setor. Ações como os trabalhos que fazemos na questão da pirataria e da publicidade são muito boas e devem ser mantidas, assim como a feira anual, que encontrou um excelente formato”. Torto também espera que o conselho se reúna menos vezes,

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Chris Torto


Somente os detalhes Malu Mader é a estrela da nova campanha de prêmios que comemora os 30 anos do Shopping Iguatemi Salvador. O filme foi criado por Antonio Luiz Nilo, da Engenho Novo, e tem direção de Giovani Lima, da Malagueta Filmes. A peça foi filmada no estúdio da produtora, onde Malu Mader apresenta os quatro carros que o shopping sorteará. No filme, a atriz não aparece por inteiro, apenas alguns detalhes, como as pernas, as sobrancelhas e as mãos. A fotografia é de Carlos Pacheco e a trilha é da Estúdio Base.

Viacom do Brasil lança VH1

Música documentada O Canal Brasil exibiu em outubro no programa “Luz, Câmera, Canção”, um documentário sobre o violonista Raphael Rabello, realizado pela parceria entre a jornalista Monica Ramalho e a diretora Lara Velho. Monica recebeu uma bolsa da Rioarte para escrever um livro sobre Rabello, e Lara deu a idéia do formato para TV, no ano em que se completam dez anos da morte do músico, que morreu aos 33 anos. O programa de 25 minutos contou a trajetória de Rabello por meio de entrevistas e shows, pela perspectiva de suas irmãs, a cavaquinista Luciana e a cantora Amélia, e do compositor Paulo César Pinheiro, seu principal parceiro. As autoras pretendem ainda transformar o documentário, com as informações que ficaram de fora, em um DVD. Lara e Monica trabalham também na série “Parcerias”, junto a Marcelo Moutinho, em 2006, também no Canal Brasil. Os programas pretendem reunir célebres parceiros da música brasileira, como João Bosco e Aldir Blanc, Chico Buarque e Edu Lobo, Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho, entre outros. Além disso, Lara pretende estrear na direção de longas na adaptação do livro Contra o Brasil, de Diogo

mas de forma mais produtiva. “São ações que vou propor aos colegas e definir em conjunto”. Desafios A ABTA tem alguns desafios importantes para o ano de 2006. O primeiro deles será encarar a maior consolidação já proposta para este mercado no Brasil, que é a fusão entre DirecTV e Sky. A ABTA não trata do assunto, mas as repercussões institucionais da operação, sobretudo no Congresso Nacional, podem gerar problemas para a associação, que acaba sendo uma espécie de pára-raios de todas as reclamações que deputados e senadores tenham contra o setor de TV paga. Como a fusão é um ato polêmico, sobrará sem dúvida para a ABTA. Outro desafio será lidar com a questão da abertura do mercado de comunicação para empresas de telecomunicações. Por um lado, a ABTA não pode defender

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A Viacom Networks Brasil foi lançada no início de novembro para representar e distribuir no Brasil os canais Nickelodeon e os lançamentos Logo TV e VH1, além dos canais para as plataformas digitais VH1 Soul, MTV Hits, MTV Jams e Gas. Segundo Pierluigi Gazzolo, diretor-geral da MTV Networks Latin America, a nova empresa foi necessária para melhor atender o mercado nacional de TV paga, que é o terceiro em tamanho na América Latina. “Só em publicidade, crescemos 30% mais no primeiro semestre em relação a 2004”, diz. De acordo com ele, os novos canais atendem a demandas do mercado. O VH1, por exemplo, busca um público dos 25 aos 49 anos. Trata-se de um canal internacional com algumas opções locais. O canal foi primeiramente oferecido à MTV do Brasil - joint-venture entre a MTV Brasil e a Viacom -, mas o Grupo Abril não se interessou porque, conforme relatou a Tela Viva o diretor geral da MTV Brasil, André Mantovani, teria dificuldades de distribuição. O VH1 terá sinal dedicado para o Brasil, com equipe criativa local e coordenação musical específica para o País. O canal terá legendas e voice over em português e deve ter, no futuro, VJs brasileiros, além de produzir especiais com bandas brasileiras para a atração “Storytellers”.

que empresas de telecomunicações entrem no mercado de distribuição de conteúdos. Por outro lado, parte significativa do mercado é composta por programadores, que acham louvável a entrada de novos canais de distribuição. Afinal, são fornecedores de conteúdo e precisam da expansão do mercado para crescer. Questões como a flexibilização das regras de capital estrangeiro para TV a cabo parecem estar fora de debate para 2006. Chris Torto, como se sabe, é norte-americano, apesar de ter família brasileira e estar no Brasil há uma década, mas dificilmente poderá aparecer em público em questões que envolvam sentimentos nacionalistas, cada vez mais comuns. “Minha função acaba sendo mais interna, é para definir os rumos da ABTA juntamente com o conselho. A imagem externa da associação continua sendo representada pelo Alexandre Annenberg (direto executivo)”, conclui. (SP)

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( scanner ) Fotos: divulgaçÃo

História da Copa

German Von Hartenstein

Diego Lerner

Distribuição unificada Uma nova empresa, formada pela Walt Disney Television International Latin America e a ESPN Latin America, foi criada: Disney & ESPN Media Networks Latin America. Ela tem seu braço no Brasil e fica responsável pelas vendas dos canais de TV por assinatura ESPN, ESPN Brasil, Disney Channel e Jetix. A ESPN já representava os canais Disney Channel e Jetix na venda de publicidade e os canais eram distribuídos aos afiliados via HBO Latin America Group, que continua com a Walt Disney Company no seu quadro de sócios. No Brasil, German Von Hartenstein, gerente geral da ESPN, irá supervisionar a nova empresa. De acordo com Diego Lerner, presidente da The Walt Disney Company Latin America, a união é natural e sela uma etapa de consolidação de empresas pertencentes a uma mesma companhia e que se prepara para estratégia futura. O lançamento de novos canais e mais conteúdos produzidos localmente integram, segundo o executivo, os novos planos da empresa.

A Multipole Internacional pela fechou um acordo com a OTI (Organização de Televisão Iberoamericana) para a distribuição da série “A História da Copa do Mundo” para a América Latina. A OTI está coordenando a transmissão da Copa do Mundo de 2006 na região e este acordo dará acesso à série aos seus associados (canais de televisão aberta, cabo e satélite latino-americano). Com produção da BBC Worldwide e da Fifa, os episódios contam a história da competição entre 1930 e 2002, por meio dos arquivos oficiais da Federação, de entrevistas com os maiores jogadores das Copas, como Beckham, Beckenbauer, Cruyff e Zidane, e de histórias dos bastidores. A série traz em seis capítulos o futebol de diversas nações, incluindo Brasil, Itália, Argentina, Alemanha, França, Holanda e Inglaterra. Os episódios foram produzidos por Tom Ware, com produção executiva de Michael Poole.

Amigo da onça Com direção de Paola Siqueira, da O2 Filmes, a nova campanha do Shopping Center Norte, de São Paulo, joga com a brincadeira de amigo secreto. Uma pessoa segura um embrulho que nitidamente é um guarda-chuva e começa a dar dicas de quem pode ser o “felizardo” que vai ganhar aquele presente. No final, o locutor anuncia que é no Shopping Center Norte que as pessoas encontram o presente certo. A agência é a Fallon São Paulo, com criação de Leandro Lourenção e Bruno Bomediano, e direção de criação de Eugenio Mohallem.

Investimento em marca

Francisco Valim

A Net Serviços está investindo cerca de R$ 10 milhões em uma campanha de reposicionamento de marca. Segundo a operadora de TV por assinatura, o investimento é para acelerar o ritmo de novas adesões até o final deste ano. Os serviços de banda larga e de TV por assinatura registraram recorde de vendas em agosto e setembro. A agência contratada para a campanha, que terá como slogan “O mundo é dos Nets”, foi a Talent. A campanha tem por objetivo difundir a Net como uma marca que abriga vários produtos, como, por exemplo, o Vírtua e o serviço de TV por assinatura. “Agora queremos que a Net passe a ser reconhecida como marca-mãe. Os demais produtos devem ficar embaixo do seu guarda-chuva”, explica Francisco Valim, presidente da Net Serviços. Com a ação, os produtos passam a levar sempre a marca Net na frente: Net Futebol, Net Vírtua, Net PPV etc. Sobre o slogan, Valim explica que “ser um Net é sinônimo de modernidade, inovação e liderança”. A campanha conta com comerciais em TV aberta e por assinatura, anúncios para jornais e revistas e peças de mídia exterior. Além da campanha publicitária, a Net fará uma oferta para o Vírtua em novembro, oferecendo o acesso de 2 Mbps por R$ 79,90.



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Enfim o Prêmio Adicional

Foto: divulgaçÃo

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Ancine disponibilizou no final de outubro para consulta pública a Instrução Normativa para a concessão do Prêmio Adicional de Renda — PAR, como instrumento de fomento direcionado ao incentivo da produção, da distribuição e da exibição de obras cinematográficas de longa-metragem brasileiras de produção independente. O Prêmio Adicional de Renda, vale lembrar, está previsto na Medida Provisória 2228-1, que criou a Ancine. O objetivo do mecanismo é criar uma linha de fomento automático voltado a produtores, distribuidores e exibidores, conforme a performance de cada filme no mercado. O prêmio sempre gerou discussões acaloradas no setor, e não foi diferente no período da consulta. O próprio critério para a distribuição do prêmio é tema polêmico. Isso porque não se trata de uma conta simples em que a performance em bilheteria dá direito a um prêmio proporcional. Segundo a Ancine, o prêmio será baseado no desempenho de mercado, mas buscando reduzir a dificuldade de afirmação dos chamados filmes médios. Mesmo dentro da Ancine esse critério gerou discordâncias. O diretor da agência João Eustáquio da Silveira votou contra a minuta proposta pela Ancine, mesmo sendo favorável à implantação do Prêmio. João da Silveira explicou a Tela Viva que discorda “da doutrina e dos critérios adotados”, que levam à burocratização da Ancine e do mecanismo em si. “Um dos méritos do Prêmio Adicional de Renda é sua automaticidade, sendo o mercado responsável por determinar Gustavo Dahl, quem deve receber”, explica. presidente da Ancine A minuta define um piso de público alcançado para que os filmes possam receber o prêmio e, embora não defina um teto, aplica um critério por faixas que pode resultar em prêmios menores para filmes que atinjam um público grande. Pela minuta, as produtoras de filmes com público inferior a 50 mil pessoas não teriam direito ao prêmio, enquanto as produtoras de filmes com público acima de um milhão de pessoas teriam direito, apenas para a faixa que ultrapasse o primeiro milhão, a 0,1% do valor total do PAR. No caso das distribuidoras, os critérios são semelhantes, mas o piso é para filmes com público de até 50 mil pessoas. A maior parte do bolo, em ambos os casos, vai para os filmes médios. Essa proposta, para João da Silveira, não serviria para regular as distorções de mercado, uma vez que o volume de recursos do Prêmio Adicional de Renda não é significativo. Na primeira edição do prêmio, referente ao desempenho de produtores, distribuidores e exibidores em relação ao cinema brasileiro em 2004, serão destinados aproximadamente R$ 4 milhões. A expectativa da Ancine é de que os recursos para o Prêmio Adicional de Renda venham a aumentar nos próximos anos. Entre produtores, alguns reclamam do critério pela bilheteria, defendendo que deveria ser levada em conta a média de público por cópia. Há ainda os que ressentem uma premiação conforme a performance dos filmes em festivais internacionais. Exibidores Está também em consulta pública, até o dia 24 de novembro, a Instrução Normativa que regulamenta o envio obrigatório, pelas empresas exibidoras, dos relatórios contendo os resultados de exibição das obras cinematográficas nacionais e estrangeiras. Pela proposta, os exibidores emitirão relatórios de exibição de obras cinematográficas nacionais e estrangeiras e os enviarão à Ancine até trinta dias após o encerramento de cada semana cinematográfica. O envio do relatório dispensará a empresa exibidora do envio daquele previsto na Instrução Normativa específica sobre Cota de Tela. Os relatórios deverão informar, entre outras, o número de assentos das salas, o título dos filmes exibidos, o número de espectadores e as receitas líquida e bruta. (FL) 10

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Novos editais

A Secretaria do Audiovisual do MinC do lançou no final de outubro o Programa de Editais de Fomento à Produção 20052006. Contando com recursos da ordem de R$ 23,903 milhões, o programa estimulará a realização de 182 projetos, distribuídos em dez editais. Compõe essas ações a realização de dez longas-metragens de baixo orçamento, sendo cinco ainda este ano e outros cinco em 2006. Também haverá um edital para a produção de 20 curtasmetragens de ficção e dez de animação. O segmento infantil será contemplado com o Curta Criança - edital de 20 telefilmes, em parceria com a TVE Brasil, e com exibição garantida. Será realizado um concurso para o desenvolvimento de dez roteiros de longas-metragens e para dez projetos de jogos eletrônicos culturais e educativos. E, ainda, serão apoiadas oito teses acadêmicas. O MinC anunciou também uma nova ação de fomento à produção de documentários, o Documenta Brasil, feito em parceria com a Petrobrás. O projeto abre perspectivas de articulação com as televisões privadas e apoiará quatro projetos. O Programa de Editais incluirá novas edições do Programa DocTV e do projeto Revelando os Brasis. Em sua terceira edição o DocTV, uma parceria com a Fundação Padre Anchieta e a Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), viabilizará a produção de 35 documentários e ampliará seu escopo de atuação, ganhando caráter internacional através do DocTV Iberoamérica, viabilizando a produção de mais 15 documentários. Pelo Revelando os Brasis serão apoiados 40 vídeos para comunidades com até 20 mil habitantes.

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Fotos: divulgaçÃo

( scanner ) Cidade rural

Ensaio recuperado

O violão de Tom Zé antes...

...e após a recuperação.

A TeleImage, em parceria com a TV Cultura e com a Trama, está fazendo a recuperação das imagens e a autoração de DVD de programas antigos da série “Ensaio”. Em primeiro lugar já foram recuperados os episódios com Gal Costa, Baden Powel e Tim Maia, usando o Casablanca Restore Sistem, um conjunto de equipamentos e softwares para a restauração digital das imagens. Os próximos projetos da coleção são: Tom Zé, Chico, Caetano, Dorival Caymmi, Paulinho da Viola, Tributo a Luis Gonzaga, Leci Brandão e Jair Rodrigues.

Além de já ter comprado novos estúdios no Rio de Janeiro, a Record constrói em São Paulo uma cidade cenográfica. É para a produção de uma nova novela, sobre texto do autor Lauro César Muniz. A Record alugou uma fazenda nos arredores de São Paulo, em Bragança Paulista, onde está sendo levantada a cidade fictícia. Nela, serão criados os cenários da passagem de algumas décadas a partir dos anos 60, incluídos na trama. Segundo Alexandre Raposo, presidente da emissora, a partir da estréia do terceiro horário das telenovelas, o que acontece em 2006, haverá um momento em que a emissora estará produzindo simultaneamente seis novelas, entre as que estiverem no ar e as que irão estrear.

Banda larga móvel

Bazar do bem

A TVA e a Samsung assinaram no início de novembro parceria para a implementação da tecnologia WiMAX no Brasil - a fabricante coreana será a fornecedora da tecnologia e dos equipamentos. Segundo Virgílio Amaral, diretor de tecnologia da TVA, a tecnologia tende a popularizar a banda larga móvel no Brasil, já que o custo de implantação das plataformas wireless são mais baixos. “Esse tem que ser um produto de massa, e pode complementar a oferta de ADSL e cable modem ”, explicou. O lançamento comercial deve ser em novembro de 2006 em São Paulo e, em 2007, no Rio de Janeiro. Mas, segundo Leila Loria, diretora de distribuição eletrônica do Grupo Abril, a tecnologia deve passar rapidamente para as outras praças onde a TVA tem licença de operação de MMDS e para outras cidades atendidas Leila Loria por operadoras filiadas à Neotec. Para liberar espaço em sua freqüência para o novo serviço, a TVA está digitalizando quase todo o serviço de TV por assinatura em São Paulo. Segundo Leila Loria, deve ser mantida uma oferta de apenas 12 canais analógicos para assinantes de pacotes populares. Todos os outros assinantes serão transferidos para a base digital, que tem uma oferta mais completa de canais, até o final deste mês de novembro.

A modelo Ellen Jabour é a estrela do comercial do Q!Bazar, criado pela Grey e produzido pela Estação 8. No filme, dirigido por Stela Rizzo, Ellen Jabour aparece em cena provando looks das principais grifes em frente ao espelho. A indecisão na escolha “mais fashion” valoriza os atributos do maior bazar da América Latina. No final, vestindo a camiseta da Fundação Hope, a modelo reforça o lado social do evento.

Mônica no cinema O longa-metragem da Turma da Mônica “Uma Aventura no Tempo” tem lançamento previsto para dezembro de 2006. O filme é uma parceria entre a Mauricio de Sousa Produções e a Diler & Associados, com co-produção da Miravista (braço produtor da Buena Vista International para a América Latina) e da Globo Filmes. “Queremos conquistar o mercado nacional, que está carente de animação, tomando o cuidado para que os personagens não percam as características brasileiras, alegres e otimistas, e continuem passando valores”, disse Mauricio de Sousa. A animação, que será realizada pela Labo Cine, contará com uma equipe de 72 pessoas. O filme será digital, com mistura de animações em 2D e 3D. O custo da produção foi calculado em R$ 6 milhões. O produtor Diler Trindade está otimista quando o assunto é financiamento e sua expectativa é que o filme supere o público de um milhão de pessoas no mercado nacional. “Não faltarão investidores interessados em um filme do Mauricio de Sousa”, disse. Além do Brasil, o longa deve ser distribuído na América Latina, com possibilidade de atingir o resto do mercado internacional. 12

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Câmera nas alturas Foto: marcelo kahn

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e trabalhar naquilo que se gosta já não é uma conquista fácil, pilotar helicóptero e trabalhar com audiovisual parecem dois gostos impossíveis de conciliar. Mas Sidnei Paifer conseguiu: hoje ele é piloto de helicóptero e só trabalha em filmagens, gravações e vôos para fotografia. Sempre quis ser piloto, mas de avião. Não tinha dinheiro para tirar o brevê, então fiz um curso de química e comecei a trabalhar como analista químico. Com isso consegui fazer o curso, mas acabei optando pelo helicóptero. Sidnei começou a pilotar há cerca de 20 anos, mas foi só depois de dez anos que teve o primeiro contato com as câmeras. Antes era piloto de táxi aéreo e costumava levar executivos de um lugar para outro. Nesse trabalho, precisamos ser muito cuidadosos nas manobras, não podemos fazer uma curva mais aberta. Muita gente passa mal. Nas filmagens, porém, a liberdade é maior e podemos fazer vôos mais emocionantes. Sem contar que ficamos mais à vontade, sem precisar usar uniforme. Empolgado, Sidnei fez um curso de operação de câmera e começou a cursar Rádio e TV na Universidade Metodista. Acabei saindo depois de dois anos porque nessa época ainda fazia táxi aéreo e tinha que viajar muito. Para ele, o trabalho não tem muito mistério, mas é preciso ter feeling e entrar em sintonia com o diretor com o operador de câmera, porque quem faz os movimentos, na verdade, é o helicóptero. Equipado com um monitor para que o diretor possa, do banco da frente, checar as imagens captadas pelo operador, Sidnei conta que participa das decisões dos movimentos de câmera e discute com o diretor as tomadas.

Sidnei Paifer Para que as imagens sejam captadas, muitas vezes é preciso manter o helicóptero parado no ar, o que pode ser um desafio maior do que criar movimentos inusitados. Por causa

“É preciso ter feeling e entrar em sintonia com operador de câmera”.

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do vento, é muito difícil fazer o helicóptero parar. Se o vento é de, por exemplo, 20 nós, preciso acionar o helicóptero na direção contrária com os mesmos 20 nós para neutralizar o movimento. Só que, para isso, é preciso ter algum ponto de referência em terra. Uma vez, estava gravando em Ilha Bela (litoral de São Paulo) e estávamos a uma grande altura, não dava para ver nada na água. O diretor reclamou que o helicóptero estava se mexendo, mas eu não conseguia ter um ponto de referência. Até que localizei a sombra do helicóptero ao lado de um petroleiro estacionado e só assim consegui estabilizar. Cada vez mais especializado no assunto, Sidnei hoje encontrou mais uma atividade para complementar seu trabalho. Estou me dedicando a projetos de movimentação de câmera para helicóptero. Na empresa em que trabalho, queríamos importar uma grua,mas era muito caro. Então desenvolvemos um projeto de grua e enviamos para uma empresa de engenharia executar. Depois disso, comecei a me dedicar a pensar nesse tipo de solução.


Diretor premiado

Trilhas e discos

Antonio Pinto, autor de trilhas de longas-metragens como “Cidade de Deus”, “Central do Brasil”, “Abril Despedaçado” e dos hollywoodianos “Colateral” e “O Senhor das Armas”, acaba de associar-se a Beto Villares na produtora e gravadora Ambulante. Pinto trabalhava com Zezinho Mutarelli, na Sax Anp.

Carmine Bagnato — diretor premiado este ano no Video Music Brasil (VMB), da MTV — é o mais novo contratado da TGD Filmes, produtora de Porto Alegre com filial em São Paulo. Bagnato dirigiu o clipe da banda CPM 22. Italiano radicado no Brasil há 12 anos, além de clipes, o diretor traz no currículo a direção e a montagem de comerciais, tendo feito parte das equipes da CinemaCentro e SFilmes, de onde saiu para a TGD.

Jurada internacional

A diretora Paula Trabulsi, da Bossa Nova Films, integrou o júri da VIII edição do El Ojo de Iberoamérica, que aconteceu em Buenos Aires, de 7 a 9 de novembro. O evento premia as melhores peças das empresas e profissionais da região ibero-americana e é um espaço de encontro e debate para os profissionais e estudantes da região. Paula participou do júri na categoria “Melhor Pós-Produção”.

Expertise em conteúdos

A executiva Mônica Sonzogni assumiu a gerência de conteúdos da Rede Telecine. Formada em jornalismo pela Universidad de Buenos Aires, a executiva tem passagens pelos canais Space, Cinecanal (da LAPTV) e TNT Latin América. Com 14 anos de profissão, Mônica leva para a Rede Telecine o seu conhecimento de planejamento estratégico de programação.

Atendimento e criação

A RDigital Mixer, produtora do grupo Mixer responsável pelas contas de varejo, contratou dois novos profissionais. Adriana Kordon é a nova assistente de atendimento da conta de Casas Bahia e Helder Santos é designer gráfico e vai atuar na criação de vinhetas. Adriana tem no currículo passagens pela Rede Record e produtoras como Olhos de Cão e O2 Filmes, e Helder assina a criação da abertura do longa “A Máquina”, de João Falcão, além de ter criado vinhetas para Daslu TV, GNT Fashion e outros programas.

Cores no Mega

Magda Palma é a nova colorista dos Estúdios Mega para os projetos de publicidade. Magda trabalhou na Casablanca e, na nova casa, vai operar o novo Datacine Cintel DSX, fruto de um upgrade feito no antigo Telecine C-Reality do Mega. Além do novo telecine, a colorista trabalhará na mesa Da Vinci, que passou de 2K para 2K plus.


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André Mermelstein* e Edianez Parente, de Cannes

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Presença marcante

Participação das produtoras independentes nacionais faz história na maior feira internacional de produção audiovisual. E o projeto de exportação de conteúdos começa a apresentar resultados.

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e a intenção era fechar as comemorações do Ano do Brasil na França em grande estilo, a presença brasileira no Mipcom 2005 não fez por menos. Sob a bandeira da Brazilian TV Producers (nome internacional do projeto de exportação de conteúdos independente brasileiro criado pela ABPI-TV em conjunto com o MinC, Sebrae e Apex, com apoio das TVs públicas), a indústria audiovisual brasileira se projetou diante do mercado internacional. O projeto foi o patrocinador principal do evento. Na prática, isso significou que a bandeira do Brasil, estilizada no logo do BTVP, foi onipresente dentro e fora do Palais des Congress e des Festivals. Os brasileiros patrocinaram a cerimônia de abertura, estamparam escadarias do palácio de convenções, e de quebra contaram com um garoto-propaganda da cultura nacional que dispensa apresentações: o próprio ministro Gilberto Gil. “É a primeira vez que um governo (brasileiro) está atento a isso (produção de TV), e criando políticas públicas nessa área, unindo todos os envolvidos”, disse o ministro. E completou: “Na TV brasileira é pouco clara a diferença do papel do produtor e do distribuidor na TV comercial, e o ambiente e o momento são próprios para começar a mudar isso”, concluiu. Também pela primeira vez num evento deste porte, o Brasil mereceu um painel exclusivo, dedicado à sua produção, em que executivos 16

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do projeto, tocar no assunto-tabu chamado Ancinav. Gilberto Gil afirmou que a idéia de uma agência única para regular a mídia e as comunicações não está descartada, e que apesar da resistência de alguns grupos, o próprio mercado “em dois, três ou cinco anos”, vai perceber a necessidade de um órgão que funcione desta maneira. Em entrevista à imprensa internacional, Gil disse que a idéia da agência única, bem como da Lei Geral de Comunicação, gera divisões, e que os atores dos velhos modelos querem manter o status quo. “Mas em alguns anos teremos um tamanho desenvolvimento no audiovisual brasileiro que todos teremos que ir para esse caminho. Quando se vir que os grandes grupos internacionais poderão sufocar os grupos locais, a agência será uma realidade”, concluiu. À TELA VIVA, Gil afirmou que tanto a agência quanto a lei de comunicação seguem em discussão no governo, em um grupo formado pelo MinC, Casa Civil e Comunicações, apesar das recentes informações dando conta de que o projeto estaria sendo “engavetado”. Em seguida à entrevista, em sua participação no painel sobre o mercado brasileiro, Gil voltou ao tema e fez em público a defesa do malogrado projeto de criação da Ancinav: “Fomos acusados de dirigismo. Por falta de aprofundamento, análise e visão. O futuro recuperará a nossa iniciativa junto à sociedade brasileira”, afirmou. Gil também destacou a importância de se aproveitar um fórum de negócios como é a feira do Mipcom para que se discuta a dimensão conceitual da produção. Mas ele lembra

fotos: andré mermelstein

das principais redes estandes na feira comerciais de TV, - pegaram “carona” das redes públicas, na badalação sobre a do governo, Ancine produção nacional, e e produtores puderam também mandar independentes o seu recado. expuseram seus Segundo Marco pontos de vista Altberg, presidente da e atuação aos ABPI-TV, os resultados do participantes da feira. projeto de exportação Não é pouca estão aparecendo coisa. O Mipcom é a mais rápido do que se grande feira anual de imaginava. “As condições conteúdo para todos são favoráveis, tivemos os continentes. Neste este Ano do Brasil na Gilberto Gil: agência para regular ano, por exemplo, França, a presença e telecom virá, 11,7 mil participantes comunicações do ministro Gil, e a mais cedo ou mais tarde. foram até Cannes, própria característica Ministro foi destaque na feira, onde marcou o apoio do governo balneário do sul dos produtos e dos à produção televisiva. da França, para empresários, que são na uma semana de maioria jovens, com visão intensa ferveção comercial. A feira moderna”, afirmou. Ele ressaltou o caráter tem cerca quatro mil empresas conciliador da presença brasileira em participantes, vindas de quase cem Cannes. “Aqui se juntaram atores do setor países. De desenhos animados que no Brasil nem sempre caminham a novelas, passando por filmes e de mãos dadas (como as emissoras e reality shows, de tudo é negociado produtores independentes). É como a no evento, onde também se abrem Seleção Brasileira. No Brasil, cada um tem portas para as co-produções, atual seu time, mas aqui cria-se um espírito de objeto do desenho no campo união”. internacional das produtoras Altberg destacou a aproximação brasileiras independentes. O que vem havendo entre emissoras e estande da ABPI-TV, de 130 metros produtoras. “Já temos uma conversa quadrados, virou QG da produção ótima com as educativas, como nacional naquela semana na Cultura, TVE e Futura, e agora estamos França. Por ali circularam, além conversando mais com as comerciais. do ministro Gil, o secretário do Record e Band já mostraram interesse Audiovisual, Orlando Senna; os na produção independente. Com a presidentes da TV Cultura, Marcos Band estamos organizando seminários Mendonça; da Record, Alexandre para apresentar projetos. Raposo; da TVE, Beth Carmona; e da Temos também conversas RedeTV!, Amilcare Dallevo. Também com a Endemol”, conta estiveram ali executivos de outras Altberg. emissoras abertas e programadoras de TV A volta da agência por assinatura, como Globo, O ministro da Cultura Bandeirantes, Globosat e usou o palco francês CinebrasilTV. para, pela primeira vez E não foram apenas os desde o “arquivamento” produtores nacionais independentes os beneficiados por esta exposição. Das mais de 30 empresas brasileiras Para Marco Altberg, da ABPI-TV, os resultados estão que também se inscreveram no vindo mais rápido do que se Mipcom, as redes abertas Globo esperava, graças à conjunção de e Record - que inclusive tinham fatores positivos. T ela

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( capa ) Curtas de cannes

Alexandre Raposo (Rede Record) e Fernando Dias (Grifa Mixer e ABPI-TV) no estande brasileiro em Cannes. Evento facilitou as conversas entre emissoras comerciais e produtoras independentes.

Record, Fox e Total em série nacional

Uma rede aberta, uma programadora de TV paga e uma produtora nacional independente juntaram esforços para estrearem, no primeiro trimestre de 2006, o seriado nacional “Avassaladoras”. A Rede Record, o Canal Fox e a produtora Total Filmes estão juntas no projeto que envolve 22 capítulos, orçados cada um acima de US$ 100 mil, custando mais de US$ 2,5 milhões toda temporada. A série é uma derivação do longa-metragem de mesmo nome, de Mara Mourão. Para a televisão, quatro diretores foram contratados. Na TV paga, a exibição será do canal Fox, que também terá seus direitos para a América Latina. Para os demais países, os direitos são da produtora Total Filmes, de Iafa Britz. A série, cuja produção está em fase adiantada, já poderia estrear no início do ano na Record, mas o período de férias não foi considerado adequado pela emissora. No papel que foi de Reynaldo Giannechini no cinema, assume agora Márcio Garcia. “Avassaladoras”, a série, perdeu, no entanto, a atriz Lavinia Vlasak, que estrelou o filme, para a própria Record: ela é protagonista da nova novela da rede, “Prova de Amor”.

Segundo Gil, o Brasil passa por um reposicionamento, e parte da política do Ministério da Cultura para a TV e cinema é dar apoio à exportação - Gil lembrou que se tratam de programas que passam por vários ministérios. Embora seu discurso tenha salientado que o MinC insiste nas abordagens entre cultura e desenvolvimento, o ministro lembrou que o parque produtor brasileiro ainda se concentra em ‘“cinco ou seis grandes estruturas”. Seminário A seção especial dedicada à produção audiovisual nacional atraiu na platéia, em sua maioria, os profissionais brasileiros presentes no evento e também boa parte dos executivos de empresas com interesses e negócios na TV do País. Representantes de todas as grandes redes nacionais - com exceção do SBT, que não participou do evento este ano assistiram às apresentações da Secretaria do Audiovisual, da Rede Globo, Rede Record, Abepec (a associação brasileira das emissoras públicas e educativas), ABPI-TV e Ancine, além do encerra­mento de Gilberto Gil. Orlando Senna, secretário do Audiovisual, abriu a sessão lembrando que “o Brasil sabe fazer TV, o que está provado através de suas telenovelas e minisséries”. Ele afirmou que o mercado audiovisual

Endemol tem reality para Carnaval

A Endemol Globo levou ao Mipcom formatos feitos no Brasil para as demais subsidiarias da Endemol pelo mundo. Um exemplo é o reality show “Celebrity Carnival Adventure”, no qual celebridades de um determinado país são levadas ao Carnaval de Salvador, na Bahia, onde a equipe Carla Affonso acompanha a folia das personalidades e seu comportamento diante do clima festivo. Outra proposta da Endemol Globo às suas parceiras é a oferta de locações para alguns de seus >>

Para o secretário Orlando Senna, mercado audiovisual pode ser dez vezes maior que o atual.

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brasileiro pode ser dez vezes maior do que seu tamanho atual, “e é neste sentido que trabalha o governo, na elaboração de políticas públicas, e atuando para que os produtores nacionais trabalhem em sinergia com países de língua portuguesa”. Pela Globo, falou Ricardo Scalamandré, diretor de negócios internacionais da emissora, que enumerou alguns exemplos do impacto cultural que as produções da casa provocam nos países para onde a Globo exporta. Scalamandré foi o único dos palestrantes, todos brasileiros, a se apresentar em inglês - os demais se pronunciaram em português. Alexandre Raposo, presidente da Rede Record, destacou que a emissora já se faz presente em 80 países através de seu sinal internacional, e que se mirou no exemplo da Globo para buscar o crescimento: com investimentos em teledramaturgia. “A Record já é o segundo maior produtor de novelas do Brasil e é por isso que estamos criando um grande centro de produção”, afirmou. Jorge da Cunha Lima, pela Abepec, elencou o que diferencia a TV pública brasileira dos demais tipos de televisão que se faz no País: a TV comercial e a estatal (como as legislativas, por exemplo). Segundo ele, a TV pública pode ter idéias que não cabem nas demais. Ele disse que o mercado

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( capa ) programas, como o “Worlds Apart” — atração já exibida pelo GNT na versão norte-americana, no qual pessoas de um lugar do planeta moram temporaria­mente em outro. Pantanal Mato-grossense e Lençóis Maranhenses estão entre os lugares possíveis. Segundo a diretora geral da Endemol Globo, Carla Affonso, nestes casos a empresa oferece seus formatos e a estrutura de apoio necessária que a parceira requeira. Mais um formato original feito no Brasil é o “Music Call”, em que os fãs de um cantor ou banda participam de todo o processo de produção de um CD e DVD, com participação interativa, desde a composição das letras e músicas até a execução.

Futura compra da ZED

O Canal Futura, que integrou a delegação brasileira em Cannes, realizou na feira sua primeira grande aquisição internacional na área de documentários. O canal fechou um acordo de compra de 30 horas por ano da produtora francesa ZED. Todos os documentários são feitos em alta definição. Renato Wilmersdorfer, diretor de relações internacionais do Futura, conta que houve interesse de produtores e canais de países como Canadá, Libano, África do Sul e Alemanha pelo projeto do canal denominado “Message in a Renato Wilmersdorfer Bottle”, que propõe uma leva de dez episódios com variação de um a três minutos direcionado a jovens de 14 a 17 anos. O projeto busca uma troca de informações sobre aspectos da vida em diferentes países, em segmentos diversos como trabalho, música, transporte, religião etc. São programetes de baixo custo em que cada país produz localmente seu material, em que os próprios jovens narram sua experiência, dando a chance de um programete similar ser feito no outro país, para intercâmbio entre os países. O Futura também busca no mercado internacional representantes para seus conteúdos, >> 20

na exportação - isso mercado internacional “vai começou há quase se cansar de ver sempre o 30 anos, e a primeira mesmo em todos os lugarvenda foi com “O es”. Daí, segundo ele, cabe à Bem-Amado”. A TV pública cumprir o papel novidade agora é da busca pela diversidade que a TV Record, e pela identidade cultural. que já copia a Globo “O primeiro governo que naquilo que ela faz compreendeu a política de melhor, também cultural da comunicação foi começa a obter o que tem Gilberto Gil como algum sucesso com ministro”, finalizou. a venda de seus O presidente da ABPI-TV, produtos de teledraMarco Altberg, lembrou que maturgia. Tanto que o modelo de televisão no a emissora montou Brasil é verticalizado, ou seja, Cunha Lima, da Abepec: “mercado vai se cansar de assistir semestande próprio a TV produz quase todo o pre as mesmas coisas”. para a venda de conteúdo que exibe, o que “A Escrava Isaura” deixa pouco espaço para e da mais recente outros desenvolvedores de “Essas Mulheres”, além de apresentar produção. um produto futuro, a atual Ele elencou as características que “Prova de Amor”. fazem do Brasil um bom lugar para se O segmento de teledramaturgia produzir, como a diversidade étnica, ganhou atenção especial nesta cultural e de locações, a qualidade da edição do Mipcom. Pela primeira vez, mão-de-obra e os custos relativamente houve uma seção de “screenings” baixos, além da legislação favorável - exibição a compradores cadastrae dos incentivos fiscais. dos, sem interferência da empresa Segundo Altberg, o projeto de produtora - durante a feira. Entre produção internacional da ABPI-TV, que as 30 telenovelas mais requisitadas previa gerar receitas de US$ 6 milhões pelo mercado internacional, dentre em dois anos, conseguiu fazer as 70 disponíveis na sessão especial US$ 8,9 milhões apenas no primeiro ano. aberta a este gênero no “Telenovelas Este número certamente terá que ser revisto para mais após o Mipcom. O presidente da Ancine, Gustavo Dahl, por sua vez, lembrou que o cinema é “o vértice da pirâmide do audiovisual, cuja base é a TV”, e observou que em países como os EUA, a bilheteria representa apenas cerca de 16% da receita de um filme hoje. De acordo com, os mecanismos de incentivo já injetaram, em dez anos, cerca de US$ 650 milhões na atividade. Hoje, afirmou, há cerca de cem títulos em produção no Brasil, inclusive documentários. Novelas As novelas brasileiras, especialmente as da Globo, são desde sempre destaque Até nas escadas. Logotipo das produtoras brasileiras podia ser visto em todo o pavilhão

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( capa ) que possam distribuir a sua programação em especial em países de todo o continente americano, para emissoras comerciais ou de cunho cultural. A Imavision e a Worldline Entertainemnt foram as que mais avançaram nas conversações.

A Globo está fechando parcerias de co-produção com empresas de vários países, para produzir seus programas localmente, nas línguas locais, conta Ricardo Scalamandré.

Screenings” (exibições a 62 empresas compradoras), ficaram quatro títulos do Brasil: “Celebridade”, da Rede Globo, foi a nona mais requisitada. A emissora teve também listadas “O Sabor da Paixão” (em 22º) e “Da Cor do Pecado (em 30º). Esta “requisição” significa que algum comprador se interessou em assistir a um trecho da novela. Vale lembrar que todas estas novelas já foram apresentadas em outros eventos internacionais. Portanto, não são novos lançamentos ao mercado. A Record também apareceu na 29ª colocação, com a sua versão de “A Escrava Isaura”, que também já fora vendida a diversos países. Do lado da Globo, mais um fator foi motivo de otimismo, uma vez que durante o evento foram anunciados os finalistas ao prêmio Emmy Internacional, cuja entrega ocorre agora em novembro, em Nova York. A emissora teve três indicações: melhor ator para Douglas Silva, de “Cidade dos Homens”; e mais duas para “Hoje é Dia de Maria” - nas categorias atriz e minissérie. Outro finalista do Brasil foi a TVE, com a programação especial dedicada ao Dia Internacional da Criança. De acordo com Ricardo Scalamandré, as indicações podem ajudar mais ainda a trajetória no exterior de “Cidade dos

Fremantle faz novelas

A Fremantle Media, que emplacou no Brasil o reality show “O Aprendiz” (que terá em 2006 sua terceira edição), e está no ar no SBT também com o game “Family Feud”, tem no seu catálogo uma série de modelo semelhante ao das telenovelas. A empresa britânica negocia novelas em várias modalidades, seja o produto enlatado, o roteiro, o licenciamento ou a sua co-produção, que é feita localmente sob a supervisão do head of production da multinacional. Flavia da Matta, diretora da Fremantle no Brasil, diz que o País é um mercado interessante para os formatos, uma vez que hoje a indústria já entende sua essência. “O formato nada mais é do que a idéia testada”, afirma Flavia. Ela atualmente trabalha com o SBT para a edição brasileira do sucesso “American Idol”, que na emissora de Silvio Santos se chamará apenas Ídolos.

Netinho busca musicais

O apresentador Netinho de Paula, que está lançando a emissora TV da Gente, marcou presença no Mipcom em busca de conteúdos para o seu canal, cuja data de estréia estava marcada para dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra. Segundo ele, o canal entra na freqüência de UHF em São Paulo e em Netinho mais cinco capitais (em Fortaleza será o canal 19). Entre as atrações que o apresentador negociou na feira de programação estão programas do Family Channel norte-americano e da européia Tracy - o que inclui também o licenciamento de produtos. Segundo Netinho, a Tracy tem um >> conteúdo de black

Homens”, produção independente da Globo com a O2. “Pode ajudar ainda mais a venda da minissérie, que já vinha tendo um bom desempenho (em especial na Europa), já tendo sido vendida para 40 países”. Para “Hoje É dia de Maria”, será necessário fazer uma nova edição do material, em especial para a Europa, com a atração sendo compilada em dois capítulos de duas horas cada. Scalamandré conta que o desempenho das suas novelas no ranking dos screenings foi acima do esperado, uma vez que as obras já tinham sido apresentadas ao mercado no evento do ano passado. “Nossa estratégia foi colocar durante o ano todo ao mercado um total de nove produtos”, conta ele, que vendeu “Da Cor do Pecado” para mais de 30 países; e “Senhora do Destino”, para mais de 20. A Globo vende anualmente 26 mil horas de produções e, segundo Scalamandré, registrou um alcance médio diário de suas novelas de 100 milhões de pessoas - fora o público do Brasil. “Nos últimos cinco anos, foi um crescimento de 85% em volume de horas vendidas”, afirma. Mas a maior novidade da emissora é ingressar no segmento internacional de co-produção. Sem especificar os canais/produtoras, a divisão internacional da TV Globo está fechando parcerias de co-produção com empresas de países como Rússia, Alemanha, França e Estados Unidos, com vistas a produzir conteúdo em línguas DVD de “Cidade dos Homens” anunciado no metrô de Paris. Brasil ganha mercado.

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estrangeiras, customizando as obras por países ou região. Para Scalamandré, este é um novo e promissor ramo de atuação para projetos de dramaturgia. Segundo ele, os negócios variam de acordo com as necessidades de cada cliente: “O modelo não é rígido. A Globo entra nos projetos com seus textos e seu padrão de qualidade. Queremos nos posicionar como parceiros em produção”. Scalamandré diz que é possível diminuir custos ao se fazer “remakes” de suas próprias obras com menos núcleos de histórias, o que representa elencos menores, gerando um melhor custo/benefício. “Mas é claro que não vai dar pra baixar tanto o preço como o de uma Telefé” diz ele, em referência à emissora argentina. Scalamandré não revelou projetos, mas este noticiário apurou que um dos roteiros em negociação para produção local é o do humorístico “Os

Leyla Formoso, diretora da Nelvana para a América latina e Ibéria, com Célia Catunda, Rogério Barion e Kiko Mistrorigo, da TV Pingüim. Acordo de coprodução de US$ 4,8 milhões para 52 episódios de animação.

Normais”, que se enquadra no perfil para produções locais, com trama focada e elenco reduzido. Record A Record levou sua cúpula ao evento. Além do presidente Alexandre Raposo, o CEO da emissora, Honorilton Gonçalves, estava diariamente no estande no Mipcom. A emissora espera crescer 50% em seu faturamento neste ano em relação a 2004, chegando aos R$ 750 milhões, aproximadamente. E para 2006, ano em que a Record planeja estrear uma série de novos produtos, entre os quais um terceiro horário de novelas, a projeção de

alta se mantém. “Nós não fechamos o planejamento ainda para o próximo ano, mas não devemos esperar nada abaixo dos 30% ou 35% acima de 2005”, afirmou Alexandre Raposo. Ele ressaltou a importância de ter estado num evento junto ao Ministério da Cultura e dos demais produtores brasileiros, dos quais a TV se aproxima. Também destacou o fato de a emissora estar se posicionando

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( capa ) music muito rico, além dos direitos de acervo da Motown.

Roberto D’Avila, da Moonshot Pictures, com sua parceira indiana Cleford Rajini, da Dessin Works, com quem fechou acordo de co-produção para a série “Zuzubalândia”. O orçamento total é de R$ 3 milhões.

Série brasileira

A M.Altberg levou a Cannes a série “Joana e Marcelo”, exibida aqui na TV por assinatura. O canal franco-alemão Arte já assinou uma carta de intenção e deve adquirir a série. A produtora também finaliza um documentário sobre a Panair do Brasil e prepara um outro sobre o cantor Jamelão. A produtora também finaliza a série “Todo dia é dia de índio”, realizada em coprodução com a Turner e Canal Futura, com recursos do Art. 39.

exportadora, com um produto como novelas. O executivo descarta qualquer comparação com o SBT e não esconde a ambição da rede: ela mira a Globo, quer ser a primeira colocada em audiência e trabalha nesta direção. “Nós não nos balizamos no SBT. Vamos atrás da Globo para chegar a ser líder”. As suas produções de época tiveram um receptividade além da esperada na feira, com “Escrava Isaura” (que tem quase o triplo de capítulos em relação à primeira versão feita pela Globo), já vendida também em outros eventos, e o folhetim mais recente “Essas Mulheres”. Para Raposo, o mercado já acordou para a alta qualidade dos seus produtos. Segundo ele, desde que a emissora entrou na teledramaturgia, foram criados mil empregos na Record. Na linha de variedades, o “Domingo Espetacular” segue com investimentos em programação. Para enriquecê-lo com documentários, foi fechado no Mipcom um contrato de fornecimento de programação com a Discovery, válido por um ano. Em filmes e séries, a Record entra em 2006 no segundo ano do contrato de cinco anos com a Universal Studios (filmes “Van Helsing”, “Mais Velozes e Furiosos”, e o vindouro “King Kong”, só para citar alguns), e também com a MGM. Também da Universal, há os seriados “Monk” e “Lei e Ordem.

Parceria canadense

O Centro Técnico de Audiovisual (CTAv), ligado à Secretaria do Audiovisual do MinC, renovou o acordo de cooperação com o National Film Board, do Canadá. O presidente do órgão canadense, Jaques Bensimon, virá ao país para concluir a negociação. O acordo prevê a cooperação das duas entidades na áreas de coprodução, distribuição, cooperação tecnológica e educacional, cinema digital e novas mídias. Segundo o diretor do CTAv, José Araripe, o NFB é “quase um espelho” do órgão brasileiro. “Há uma coincidência nas políticas públicas, desde o tipo de filme produzido até a distribuição”, afirmou. Na atual gestão, foram investidos R$ 2 milhões no CTAv, para sua modernização. O próximo passo, diz Araripe, é transformar o órgão também em uma programadora, distribuindo os filmes para o circuito não-comercial de cinema. Além disso, o site do CTAv está sendo reformulado, e os usuários terão acesso, via Internet, aos filmes co-produzidos pelo órgão, que poderão ser vistos online.

Infantil O Brasil começa a produzir de acordo com o lugar de destaque que tem no cenário televisivo internacional. Em pesquisa divulgada no Mipcom, aparece como o país onde as crianças mais assistem à televisão, entre nove nações pesquisadas em levantamento da Eurodata TV Worldwide. Os países pesquisados foram Brasil, EUA, Indonésia, Itália, África do Sul, Espanha, Reino Unido, França e Alemanha, e o estudo foi apresentado no Mipcom

Joanne Leduc (NFB), José Araripe Jr. (CTAv) e Jaques Bensimon (NFB)

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Junior, evento paralelo ao Mipcom destinado à programação infantojuvenil. O Brasil aparece, na média de 2004, com audiência diária de 3 horas e 31 minutos para as crianças de 4 a 11 anos. Não por acaso, duas produtoras fecharam acordos de produção internacional para animação: a TV Pingüim, com o Canadá; e a Moonshot (TeleImage), com a Índia. Foi com a canadense Nelvana, uma das maiores empresas de animação do mundo, que a TV Pingüim fechou um acordo de co-produção para 52 episódios de 11 minutos do personagem “Peixonauta” (“Fishtronaut”, em inglês), criado por Célia Catunda. O projeto está orçado em aproximadamente US$ 4,8 milhões, e a produção será dividida igualmente entre as empresas. A produção será em 2D digital. Um dos requisitos para a aprovação do personagem, segundo o diretor da TV Pingüim Kiko Mistrorigo, era que o personagem fosse “toyetic”, na expressão dos canadenses. Ou seja, que pudesse gerar subprodutos como brinquedos, o que já está previsto no projeto - a produtora levou amostra de um peixe de pelúcia ao Mipcom. Já a Moonshot Pictures, que produz a série animada “Zuzubalândia”, levou à feira o piloto da série que já desenvolve em parceria com a Índia. A co-produção tem orçamento total de R$ 3 milhões e é feita com a indiana Dessin Works. *O jornalista viajou a convite do Ministério da Cultura.


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Traffic monta portfólio para vender ao mundo Empresa quer aproveitar seu networking adquirido com a venda de eventos esportivos para levar produções brasileiras ao mercado internacional.

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que a opção pela Traffic se deu pelo fato de ser melhor atuar no mercado internacional com quem já tem experiência (por causa dos esportes) e por se tratar de uma empresa brasileira. Com a Rede Bandeirantes, a Traffic fechou a exibição internacional da cober­ tura ao vivo via satélite do Carnaval 2006 de Salvador. Outros conteúdos que a Traffic passa a distribuir são a competição Rally dos Sertões e documentários como “Mar Sem Fim”, sobre as aventuras de Amyr Klink “Já tenho 170 países comprando meus produtos. Não tenho mais onde crescer em termos de eventos de futebol. Embora o futebol ainda seja um alavancador de negócios e abridor de portas, o passo natural foi procurar um outro segmento para utilizar o mesmo networking internacional. E é isso que fazemos agora, na área de conteúdo”. Marcelo Milliet agregou à nova empresa sua experiência anterior como programador de TV por assinatura. Milliet dirigiu por alguns anos a HBO no Brasil, numa época anterior ao Artigo 39 da Ancine, quando a programadora notabilizou-se por incentivar o cinema nacional, além de fazer co-produção de documentários brasileiros na área de musicais. O raciocínio do

foto: divulgação

Traffic resolveu expandir seus horizontes. Por não ter mais por onde crescer com o futebol, que foi e ainda tem sido o seu principal produto nos últimos anos, a empresa criou uma divisão que quer levar ao mundo mais programação local. Esse foi o mote da criação da Traffic Media & Entertainment, nova empresa do grupo voltada à distribuição internacional de conteúdo audiovisual brasileiro e que comprou 50% da produtora Canal Azul. “Estamos hoje buscando conteúdo de produtoras independentes brasileiras para essa nova divisão que criamos dentro da Traffic”, explica o CEO da empresa pertencente a J. Háwilla, Marcelo J. Milliet. Segundo ele, o foco é buscar os produtores independentes brasileiros de qualidade, onde existam diferenciais: “A idéia é poder criar um grande portfólio — seja de música, de natureza, de infantil e esportes, onde brasileiros tenham diferenciais”. A empresa nasce com um leque pronto para oferta no mercado internacional e já vende o conteúdo infantil da TV Cultura e TV Rá-Tim-Bum, (“Cocoricó”, “Ilha Rá-TimBum”, “Glub- Glub” e “Castelo Rá-Tim-Bum”, entre outros). Marcos Mendonca, presidente da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura e TV Rá-Tim-Bum), afirma

“Estamos buscando conteúdo brasileiro para vender em 170 países.” Marcelo J. Milliet, da Traffic

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executivo segue a seguinte lógica: há poucas empresas brasileiras de mídia que têm o número de clientes no exterior que a Traffic possui. “Na hora em que eu falo com a BSkyB (operadora de satélite do Reino Unido) sobre esportes, posso chegar a quem também compra outros produtos; da mesma forma, com as emissoras de TV podemos falar em co-produções”, diz Marcelo Milliet. Canal Azul A compra da Canal Azul complementa o ingresso em produção - segmento em que a Traffic já atuava com sua própria produtora, a TV7. Mas a nova aquisição agrega um know-how ao grupo. “A Canal Azul tem bem um sistema que é o que a gente enxergava para a TV7, que é usar o mercado internacional como alavancador da produção. Enquanto numa produção no Brasil hoje se consegue captar, no máximo, US$ 50 mil, para um super-episódio de uma hora ou dois ou três episódios, você consegue captar no mercado internacional até US$ 500 mil”, afirma Milliet. Tanto que a Canal Azul está a pleno vapor com uma co-produção internacional para a Discovery, o documentário “Shark Rebellions”. Na visão da Traffic, os canais internacionais do porte de uma Discovery, por exemplo, são os únicos com tamanha capacidade de investimentos, pois visam vários países, ou a América Latina toda, ou o mundo inteiro. “Também vamos usar a experiência da Canal Azul com as leis de incentivo”, diz Milliet, que define


Investimentos Na hora de citar investimentos, valores não são quantificados, em especial sobre as aquisições. O que Marcelo Milliet abre é que o modelo adotado é o de parcerias. “Não posso falar o valor (da compra de metade da Canal Azul), mas o esquema é

foto: andré mermelstein

a produtora como detentora de certificados de qualidade, excelência e transparência em captar um incentivo e entregar o que captou. Entre os canais onde a produtora já emplacou produtos estão National Geographic, Discovery, Globosat, Fox, Cultura — sempre na linha de documentários com foco na natureza. Na área ficcional, Marcelo Milliet diz que a Traffic quer sim, ingressar; no entanto, para isso é preciso fazer mais uma aquisição - ele não revela qual. “Mas dentro da linha de nonfiction, a idéia é começar a usar o financiamento das leis de incentivo fiscal e fazer alguma coisa diferente”. A Canal Azul já participou de um longa, “Eliana e os Golfinhos”. Milliet diz que a proposta da Traffic é adequar o material a ser produzido com a necessidade que o patrocinador tenha de associar sua imagem. “Isso é melhor do que ficar só com o logo no fim do filme, o que é importante, mas existem outras formas de se trabalhar e, com isso, esperamos criar um mercado, não só pra gente como também para outros”.

Eduardo Simantob (centro), radicado na Suíça, foi chamado para representar na Europa a Canal Azul, de Rico Aidar (esq.) e Lawrence Wahba (dir.), agora ligada à Traffic.

um pouco de compra e um pouco de ampliar o capital de giro. Então, a Traffic agrega na Canal Azul um parque técnico, um networking internacional e nacional, e dinheiro. Até pra permitir que a gente possa ficar com mais direitos. Em alguns casos, hoje se produz para um canal internacional, entrega-se a obra e eles ficam para o resto da vida com o conteúdo. E o foco agora é começarmos a segurar”. Marcelo Milliet enumera somente os investimentos feitos pela TV7 em digitalização de arquivos, da ordem de US$ 350 mil. Mas ele revela que para 2006 o plano é investir mais de US$ 1 milhão em equipamentos para produção. “Já compramos uma câmera HD já para a Canal Azul e Traffic. Com essa introdução dos canais digitais na Europa e Ásia, o material tem de ser em HD e há uma carência absurda de material em high-definition”,

conta Milliet. Para ele, quem estiver na frente e começar a produzir material em HD vai conquistar mercado desde já: “A expectativa é que o mercado de conteúdo internacional vai gerar uma demanda incrível nos próximos dez anos. Só na Itália, cada canal (da TV aberta) vai virar quatro. Cadê o conteúdo para os outros três?”, indaga. A estratégia da Traffic leva em conta que, nesta gama de oportunidades que o digital abre, terá mais sucesso quem tiver a capacidade de produzir localmente e de distribuir internacionalmente, que nada mais seria do que copiar o modelo americano. “Não estamos inventando nada. O mercado americano já dá lucro em qualquer produção; o resto é ainda mais lucro”.

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( mercado ) Futebol ainda é um grande business Na área do marketing esportivo, o principal produto da Traffic ainda é o futebol, mas a empresa começa a entrar em outros segmentos: em golfe, promove o Mastercard Open (o aberto do Brasil). Para Milliet, este esporte é complementar, pois quem patrocina o golfe não patrocina o futebol. “Entramos também como agentes da NLB, a liga de basquetebol do Oscar, a fim de revitalizar o esporte”. O basquete já foi negociado para a ESPN Brasil. Os eventos também geram produtos em várias janelas. “Acabamos de fazer quatro acordos no Japão para DVD de futebol”. Milliet conta que o DVD que a Traffic fez sobre a trajetória do time do São Paulo na Libertadores da América foi um sucesso de vendas da revista Placar, que o encartou. O acordo com o Japão é sobre as eliminatórias latino-americanas da Copa do Mundo — Brasil incluído. A Traffic também está para fechar um acordo com uma empresa japonesa de IPTV. Até para a Copa de 2010, na África, a Traffic já começa a selar acordos. Já garantiu os jogos eliminatórios do Brasil - é necessário negociar seleção por seleção, pois cada país é dono do seu direito.

Expansão no interior paulista

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Traffic começou a mirar sua expansão internacional a partir da entrada do investidor Hicks, Müse, Tate & Furst, em 1999. O foco da empresa naquele momento era o esporte, com ênfase na América Latina e Estados Unidos. O restante do mercado (Ásia, Europa e África) representava 5%, “muito mal aproveitados”, nas palavras de Milliet. Em 2001, a Traffic cortou os agentes internacionais, passando a ter contato direto com os clientes. A partir daí, começou a desenvolver um novo formato de entrega do produto, levando um pouco dos conceitos da TV por assinatura e criando uma espécie de programação. “Em vez de eu vender simplesmente um jogo, eu vendo uma programação para o cliente internacional e dou todo um tratamento para este produto”, explica. Então, a Traffic passou a pósproduzir todos os jogos. “Se você pega um evento como a Copa Libertadores da América, que tem 138 jogos, nenhuma TV vai colocar isso tudo no ar. Então, selecionamos um jogo por semana, baixamos o sinal na TV7, fazemos uma narração em inglês, colocando gráficos internacionais. Daí subimos para o satélite,

assumindo o custo, e distribuímos para o mundo inteiro. Toda a semana, durante a Libertadores, fazemos um programa de meia hora com highlights e mandamos via satélite”. Milliet conta que, com esse sistema, a emissora compradora simplesmente precisa mirar a antena tal qual na TV por assinatura, captar um jogo e/ou colocar a narração própria. “Na Ásia, eles baixam a nossa narração diretamente para o consumidor final”. A Traffic vende a Copa América para 170 países ao vivo. Channel 4 e Televisa são alguns dos clientes deste negócio que eliminou os intermediários que, de acordo com Marcelo Milliet, eram agentes que cobravam fortunas pelos chamados custos técnicos - pegar o sinal e entregar para a emissora. O CEO da Traffic explica que o antigo esquema impedia que o mercado crescesse. “Para se ter uma idéia, em 2002 a Libertadores tinha um único cliente fora das Américas. Hoje há 90 países transmitindo”. Por quê? Ele responde: “Por exemplo, a Ucrânia, que não tem dinheiro para pagar o custo do evento mais o satélite, começou a comprar, porque ela não precisa mais pagar o satélite. Na realidade, eu pego o custo do satélite e da produção e estou distribuindo para 90 países. Então, o que eu comecei a ganhar em termos 30

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de distribuição foi muito mais do que estamos gastando para pósprodução”. Esse é o lado futebol da Traffic, cujo foco são torneios inter-continentais sul-americanos (Libertadores, Sul-Americana, Copa América, Eliminatórias da Copa do Mundo). A empresa não entra na disputa por campeonatos locais, como o brasileiro, porque só haveria a Globo como cliente, do mesmo modo que não lhe interessa o campeonato argentino. Desde 2002, quando foi desfeita a parceria com a Hicks, J. Háwilla voltou a ter 100% da Traffic. Abriu a TV7 (produtora do grupo que dá suporte às produções e que visa ser um produtora independente para televisão). O grupo também comprou afiliadas da Rede Globo da família Marinho no rico interior do Estado de São Paulo, formando a TV Tem. Investe ainda em outras searas: acaba de adquirir um jornal impresso (O Dia, de S. José do Rio Preto), com a idéia de crescer regionalmente. Começa a atuar no segmento de e-commerce, usando a força da TV Tem, com a clara idéia de formar um grupo multimídia focado no interior.

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(radiodifusão)

Samuel Possebon

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TV digital: hora de definir o modelo A primeira discussão referente ao modelo de negócios do SBTVD recaiu sobre a mobilidade, e já aí aparecem vários obstáculos. O prazo para a definição de todo o resto está cada vez mais apertado.

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das universidades brasileiras e evitado dar prioridade à posição dos radiodifusores. A hipótese desta corrente no governo é que o sistema brasileiro precisa de escala, precisa ser interativo, precisa atender a necessidades específicas do Brasil (como set-tops de baixo custo e transmissões em definição padrão — SDTV). Para esta tendência, a lógica indica que o Brasil caminha para o padrão DVB (europeu) nacionalizado, ou seja, um DVB que incorpore aplicações e middleware nacionais. Isso porque, até o momento, o padrão DVB foi o que mais abriu canais de diálogo com o governo sobre a integração da tecnologia brasileira. Além disso, o governo (essa parte

foto: ana nascimento / bg press

prazo para a conclusão dos trabalhos de pesquisa para o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) está no fim. Em tese, em novembro as instituições que conduziram os estudos deverão apresentar ao governo um conjunto de conclusões que permitam que até fevereiro de 2006 uma posição seja tomada. O nível de tensão envolvendo o assunto chega ao ponto máximo, e finalmente começa-se a discutir publicamente o que realmente interessa: qual será o modelo da TV digital brasileira? Não existem consensos nem tendências únicas, e as discussões começam a ficar acaloradas, pelo menos nos bastidores. É verdade que, por enquanto, apenas as maiores forças conseguem ter voz: governo, radiodifusores e empresas de telefonia. Basicamente, há duas posições no governo. Para uma delas, capitaneada pela Casa Civil, ainda é preciso que se definam claramente as contrapartidas que os padrões internacionais oferecerão ao Brasil e como as instituições de pesquisa nacionais serão integradas ao desenvolvimento das tecnologias. Essa tendência tem como seu maior expoente André Barbosa, assessor especial da ministra Dilma Rousseff, pessoa que tem se exposto publicamente em defesa dos trabalhos

A Casa Civil, da ministra Dilma Roussef, defende um padrão adaptado às exigências brasileiras... do governo) acredita que o DVB daria escala para terminais de baixo custo e garantiria a possibilidade de transmissões em SDTV. Outra tendência dentro do governo é a defendida pelo ministro Hélio Costa, das Comunicações. Para Costa, não se pode escolher algo que não seja viável para os radiodifusores, que basicamente serão os responsáveis pelos riscos e investimentos da digitalização da TV aberta brasileira. E os radiodifusores, pelo menos os maiores, representados pela SET (Sociedade de Engenharia de Televisão), defendem a adoção do padrão japonês, o ISDB-T. Os japoneses têm se mostrado menos dispostos a dialogar sobre adaptações 32

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em seu padrão, e também têm um problema de escala, já que o padrão só existe no próprio Japão. Correndo por fora está o padrão norte-americano, o ATSC. Governo (qualquer uma das facções) e radiodifusores quase se esquecem que ele existe em suas manifestações públicas, mas dependendo da conformação de negócios que se venha a adotar e das prioridades que sejam colocadas, é um padrão que não pode ser descartado, até pela sua dimensão geopolítica. Tecnicamente, dizem seus representantes, só não se resolveu ainda o problema da mobilidade, até porque não existe modelo de negócios para isso. Mas nos EUA já existem soluções sendo adotadas, como o chip de modulação M-VSB, que está sendo desenvolvido, ou redes paralelas, como o MediaFLO (uma tecnologia proprietária da Qualcomm desenvolvida para multicast de conteúdos para terminais móveis), que começa a operar em 2006. Observando-se mais de perto percebe-se que o ATSC não jogou a toalha e deverá entrar também no campo de batalha também com armas políticas. Além da tecnologia A discussão de modelo, necessária e finalmente presente, está nas entrelinhas do debate tecnológico. Cada caminho representa uma possibilidade. De um lado, estão os radiodifusores, que naturalmente buscam um modelo em que eles participem de 100% do processo de digitalização, possam explorar,


fotos: arquivo

sem depender de terceiros, todas as teles também entram no mundo da as alternativas der negócios e, de TV digital na oferta de acesso de canais preferência, não abra espaço para para interatividade dos serviços que concorrentes. O ISDB-T é, na visão serão agregados, além, é claro, do papel das emissoras de TV, assim. Com ele, de operador de redes: sem condições elas poderão oferecer alta definição econômicas de digitalizar toda a sua (que vêem como um diferencial infra-estrutura, e para evitar redundância importante em relação a todas as de investimentos, talvez seja mais lógico, demais mídias de transmissão de na visão do CPqD, que uma empresa conteúdos audiovisuais) e terão pleno terceirizada invista em toda a cobertura e controle do espectro destinado à preste serviços para as emissoras. “Vejo a mobilidade, já que a tecnologia utiliza possibilidade de um operador de a mesma faixa de freqüência para rede, e as empresas de telecomunicações enviar os sinais para terminais móveis sabem fazer isso”. e fixos, em alta definição ou definição padrão. Ou seja, todo o conjunto de Mercado apertado possibilidades ficaria na mão dos Acontece que já hoje, no mundo próprios radiodifusores. analógico, tem sido difícil para a maior Mas há, dentro do governo, parte das emissoras encontrar um ponto quem defenda que possa ser criada de equilíbrio financeiro. A Globo, que no Brasil a figura de um operador navega tranqüila na liderança do market de rede, que seriam empresas que share de audiência e publicidade, fica explorariam apenas a infra-estrutura com a maior parte do mercado. As demais tecnológica da TV digital, deixando empresas disputam os 20% de recursos a produção para quem que sobram. Se tiverem quisesse fazer conteúdo. que dividir parte dessa Esse operador de rede receita com um operador prestaria serviço às TVs, de rede, se tiverem que oferecendo a rede de ficar dependentes de uma transmissão e poupando empresa que prestará o os radiodifusores de serviço de transmissão, investimentos em infratemem ficar em posição estrutura. O próprio vulnerável. Além disso, as CPqD, que organiza as TVs querem proteger seu pesquisas que estão espaço. Uma das barreiras sendo realizadas para o de entrada a novos players Sistema Brasileiro de TV no mercado de televisão Digital, fala abertamente é a falta de freqüências nessa possibilidade. de transmissão, que Ricardo Benetton, diretor ... enquanto o são controladas pelos de TV digital do centro radiodifusores, também Minicom, de Hélio de pesquisa, mostrou em Costa, apóia a opção responsáveis pela produção apresentação a empresas das emissoras. do conteúdo. Se por de telecomunicações acaso essas freqüências realizada durante a Futurecom (evento forem digitalizadas e colocadas sob do setor de telefonia que aconteceu a responsabilidade de um operador em outubro em Florianópolis) que terceirizado, nada impede que qualquer elas podem participar do processo produtor de conteúdo se credencie a ser de digitalização da TV aberta como também um radiodifusor, abrindo espaço a empacotadoras e gerenciadoras novos competidores em um mercado que de conteúdos digitais, que serão mal suporta os competidores atuais. necessários às transmissões abertas, Outro problema é o modelo para a da mesma forma como fazem hoje mobilidade. Os radiodifusores dizem que as operadoras de cabo e DTH no oferecerão seus canais a terminais móveis de mercado por assinatura. Para o CPqD, forma gratuita. Já as empresas de telefonia

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( radiodifusão ) celular querem ganhar dinheiro está se desenvolvendo para as empresas vendendo conteúdos móveis, e móveis entrarem no ramo de distribuição de acreditam que o melhor modelo conteúdos multicast (um para muitos, como existente seja o modelo por assinatura. faz a radiodifusão) é o da rede independente, Quem tiver o controle dos meios de e a Qualcomm se apressou em adquirir distribuição certamente definirá o licenças e montar uma rede de transmissão modelo. Se os radiodifusores tiverem que adotará o seu padrão MediaFLO. O a garantia de que terão as freqüências segundo passo é fechar com operadores para transmissões móveis, cresce móveis o desenvolvimento de terminais que seu poder de barganha na defesa recebam tanto os sinais de voz e dados das de um modelo gratuito. Se um operadoras de telefonia quanto os sinais de operador de rede ou uma empresa de TV digital Mas será que essa disputa toda telecomunicações tiver a freqüência por uma TV digital móvel se justifica como para a TV digital móvel, o modelo potencial de negócios? pode ser outro. Por isso a discussão A TV digital móvel, por exemplo, se o Brasil adotará o ISDB-T ou o DVB aparece, na média, com uma percepção de nacionalizado. “As TVs fazem conteúdo importância para apenas 27% da população e até hoje tiveram plena autonomia em uma pesquisa realizada pelo CPqD como sobre como distribuí-lo. Não sabemos parte do processo de definição do Sistema se isso vai mudar com a digitalização da Brasileiro de TV Digital. Segundo Ricardo TV, mas não faz sentido perdermos o Benetton, mesmo sendo o último lugar de poder de decisão. A discussão é sobre uma longa lista de atributos da TV digital, isso quem definirá o modelo de negócios”, não é ruim, disse Roberto Franco, diretor do SBT e presidente da Sociedade de Engenharia de Televisão (SET) a empresas de telecomunicações, também durante a Futurecom. Com o ISDB-T, o poder de decisão do “O padrão que deixar modelo ficaria nas o Brasil participar terá mãos das emissoras. chances de ser No outro caso, não, escolhido. Defendemos já que a versão o desenvolvimento do móvel do DVB, o conhecimento no País.” DVB-H, opera em André Barbosa, da Casa Civil uma freqüência paralela. Um exemplo é o que está considerando-se que é uma tecnologia muito acontecendo na Europa. No exemplo nova e que poucos compreendem. mais recente, a Telefônica, a Nokia e Os dez possíveis atributos da TV digital o grupo de mídia espanhol Albertis aberta que mais se destacam entre o começam este mês um teste piloto interesse das pessoas pesquisadas são, com DVB-H na Espanha. As empresas na ordem: imagens mais nítidas (82%), oferecerão a 500 consumidores de imagem sem chuviscos ou fantasmas (80%), Madri e Barcelona o acesso via celular manutenção dos canais atuais (74%), melhor a 15 canais de TV e avaliarão o melhor som (71%), canais com informações (70%), modelo de negócio, as dificuldades gravação digital (57%), possibilidade de de transmissão e os conteúdos mais canais governamentais (55%), maior número adequados. Já foram feitos testes de canais (55%), Internet na TV (49%) e com transmissão de TV para celulares informações sobre a programação (44%). via DVB-H em mais de 15 países Mas além da mobilidade ainda há uma diferentes. Os primeiros lançamentos série de pontos sobre o que será o modelo comerciais devem acontecer em 2006 de TV digital que não começaram a aflorar na Itália e na Malásia. de forma pública e que devem gerar o Também nos EUA o caminho que mesmo tipo de discussão. Por exemplo, 34

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sobre a exploração dos canais em definição padrão (SD). Todos eles serão explorados pelos atuais radiodifusores? Será aberta a possibilidade de que novos players explorem estas freqüências? As emissoras de TV darão contrapartidas (como espaço para produção independente ou conteúdo educativo) para manterem o controle de toda a faixa de freqüência destinada às transmissões digitais mesmo que não transmitam o tempo todo em alta definição? Como serão resolvidos os desafios de interatividade? Os canais adicionais poderão ser cobrados? Quem oferecerá os canais de retorno para a interatividade desejada pelo governo? Que garantias serão dadas aos conteúdos e tecnologias nacionais? Estas e outras perguntas ainda estão para ser respondidas. André Barbosa diz que a definição da TV digital precisará ser feita respeitando as premissas de que o Brasil tenha acesso à tecnologia, que esta seja interativa e viável ao maior número de pessoas possível. “Os europeus (padrão DVB) estão vindo ao Brasil porque conheceram as aplicações desenvolvidas pelas nossas instituições e estão dispostos a incorporá-las. Isso é o que o governo quer que aconteça. Os japoneses também virão ao Brasil no final do ano e esperam que abram o mesmo espaço, porque não foi o que fizeram até aqui. Quem deixar o Brasil participar terá chances de ser escolhido”, disse o assessor, referindo-se às mais de cem aplicações que as instituições de pesquisa desenvolveram com base no trabalho do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). “Quero deixar claro ao meu amigo Johnny Saad, da Rede Bandeirantes, que não estamos defendendo o padrão europeu. Estamos defendendo o desenvolvimento de conhecimento no Brasil. Quem nos der esse espaço, está dentro”. Mas, vale lembrar, a posição de André Barbosa não é a posição do governo brasileiro como um todo. O debate continua.


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( convergência )

Pelo telefone? Teles falam abertamente na oferta de serviços de vídeo em redes de banda larga e começam a surgir conflitos sobre como viabilizar os novos modelos de negócio.

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nquanto na definição do modelo de TV digital o ponto mais crítico (até aqui) tem sido a manutenção ou não do modelo de negócios das emissoras versus a entrada de novos players (como os operadores de rede) no mercado, uma nova tsunami se forma no oceano do mundo IP. As teles brasileiras nunca falaram tanto em oferecer serviços de televisão pelas redes de banda larga como agora. A mudança de cenário competitivo, com a presença das empresas de telefonia na exploração dos conteúdos audiovisuais, coloca

de pernas para o ar o modelo das TVs abertas, das empresas de TV por assinatura e os limites regulatórios vigentes. A mais recente definição do problema foi dada pelo ministro Hélio Costa, das Comunicações: “As tecnologias que estão chegando revolucionam a televisão, e o modelo regulatório atual está com o prazo de validade vencido. É fundamental regulamentar a produção e a distribuição de conteúdos”, disse o ministro. As teles não escondem mais seus planos. Só no último mês, Telefônica e Telemar anunciaram projetos de oferecer serviços de vídeo sob demanda e payper-view em redes banda larga no Brasil. 36

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A Brasil Telecom só espera que o governo diga se pode ou não pode. É claro que esse não é um negócio com o qual elas pretendam ganhar dinheiro no curto prazo, mas é uma ação de diversificação inevitável, dizem, dada a iminência de perda de receitas tradicionais nos serviços de voz e dados. “Temos possibilidades tecnológicas, e não podemos correr o risco de não explorá-las”, disse Fernando Xavier Ferreira, presidente da Telefônica, durante a Futurecom, evento de telecomunicações que aconteceu em outubro. Ele não sabe se vai ganhar dinheiro com

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( convergência) “A entrada de mais players só dividiria mais um bolo que ainda não cresceu.”

fotoS: arquivo

mas sabe que é um projeto que não pode deixar de ser olhado. “Hoje, pesquisas mostram que 43% dos usuários querem TV sobre a rede ADSL, 43% querem música sob demanda”, afirmou, acrescentando ainda que a idéia de uma tarifa fixa é considerada interessante por 78% das pessoas, uma conta única para todos os serviços agrada outros 61% e que 42% dos clientes de telecomunicações mudariam de prestadora para uma que tivesse toda a oferta de serviços. São expectativas, não resultados. Mesmo assim, Xavier vê a necessidade de investir em outros serviços como uma chance de transformar a convergência em uma oportunidade e não uma ameaça. O problema da realidade convergente é quem faz o que, quem toma espaço de quem, quem ganha e quem perde. Todos têm, naturalmente, medo das teles, que são responsáveis por cerca de 90% do bolo de recursos movimentados se for somado o que se fatura com telecomunicações e o que se fatura com publicidade. Por exemplo, a televisão não vê com bons olhos que empresas de telecom produzam conteúdo, porque alegam que os interesses nacionais expressos na Constituição precisam ser preservados, e com acionistas estrangeiros, as teles não poderiam dar essas garantias. Ou, como disse Roberto Irineu Marinho, presidente do grupo Globo, em entrevista a TELA VIVA no início do ano, “já que se vendeu o corpo é preciso proteger a alma”. O corpo seriam as redes de telecomunicações. A alma, o conteúdo. “Nada contra a importação de conteúdos estrangeiros. Achamos também que quanto mais meios de distribuição, melhor. Mas nossa

Ricardo Miranda, da Sky.

doutrina é de que a produção de conteúdo nacional deva ser preservada e estimulada. A Constituição separa claramente o que é radiodifusão e o que é telecomunicações”, diz José Francisco de Araújo Lima, consultor jurídico da TV Globo. Reservadamente, as teles acham pouco provável que, no médio e longo prazo, possam dizer que nunca vão querer produzir, gerenciar ou administrar os conteúdos. Como a própria experiência da TV aberta mostra, definir o que será exibido, em que horários, em que condições é a chave do sucesso de qualquer produto que explore conteúdos audiovisuais. Oficialmente, até para evitar conflitos com as emissoras de TV, as teles dizem que querem distância de conteúdo, e buscam parcerias. Xavier diz que, ao contrário do modelo praticado na Espanha pela própria Telefônica, aqui no Brasil a empresa não vai produzir conteúdo. “Não precisamos replicar os modelos de outros países. Aqui vejo a chance de parcerias comerciais com quem faz conteúdo”. Mas Xavier desconversa quando o assunto é o projeto de emenda constitucional do senador Maguito Vilela (PMDB/GO), que jogaria para novas tecnologias as mesmas regras da Constituição impostas às TVs (como

“Temos possibilidades tecnológicas e não podemos correr o risco de não explorá-las.” Fernando Xavier, da Telefonica

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limite de capital estrangeiro, obrigações de programação etc). “Nosso entendimento é que a proposta afeta todos os setores, inclusive a distribuição”, disse, ao ser perguntado se entendia a PEC apenas como uma proposta que coloca regras sobre conteúdos. “A Constituição impõe regras para a exploração de radiodifusão, mas há alguns modelos de exploração de serviços de vídeo, como vídeo sob-demanda, serviços pagos por evento, que não estão limitados pelas regras constitucionais”, esclareceu. Disparidade Nesse ponto, as empresas de telecom acabam entrando na praia das empresas de TV por assinatura, e aí a briga deixa de ser entre dois cachorros grandes para ser entre desiguais. “Um modelo de negócios para IPTV sem broadcast ou TV paga não funciona”, diz o diretor de novos negócios e estratégia corporativa da Telemar, André Bianchi. Ele afirma que um modelo de IPTV baseado apenas em vídeo on demand está muito próximo de não se pagar. “Precisamos de assinatura mensal e de uma grade mínima de canais”. “É uma briga de David contra Golias, onde há grandes disparidades entre os players no que se refere a obrigações regulatórias e poder econômico”, disse o presidente da Net Serviços, Francisco Valim, fazendo a analogia entre a TV paga (David) e as empresas de telecomunicações (Golias). “Se as empresas de telecom quiserem oferecer serviços de vídeo levando também os canais obrigatórios, os 21 canais que eu tenho que levar na cidade de São Paulo, eu acho justo. Mas


porque eles podem ter o direito de passar apenas o gol e eu tenho que levar um monte de canais? É desequilibrado”, disse. Bianchi rebate. Para ele, a assimetria regulatória pesa a favor das empresas de TV paga. “Hoje, elas podem oferecer serviços de VoIP, mas as teles não têm clareza sobre o modelo para poderem explorar serviços de vídeo”. “Nesse momento, fica claro que precisamos de normas claras para quem produz e para quem distribui, mas essas normas têm que ser diferentes porque os papéis são diferentes”, diz Alexandre Annenberg, diretor executivo da ABTA, associação das empresas de TV paga. “Os papéis de cada um são diferentes. A TV por assinatura é quem tem hoje o know-how para entrega de conteúdo e para se relacionar com o cliente e com o programador”, diz Annenberg. Para Ricardo Miranda, presidente da Sky, o mercado de TV por assinatura não cresceu o que se previa e só agora passa por uma consolidação. “Além da questão das regras, que precisam ser isonômicas, a entrada de mais players faria um bolo, que ainda não cresceu suficientemente, ter que se dividir apenas mais”. Para Fernando Xavier, “o

atual estado da tecnologia traz novas questões que ainda não podem ser tratadas pelos atuais marcos regulatórios”. Foi isso que propôs em outubro a Telebrasil, associação que congrega os operadores de telecom, que em estudo realizado pela Accenture e pela empresa de consultoria do ex-

é que apóiam a PEC do senador Maguito Vilela. O ministro Hélio Costa parece ter se convencido de que é necessária uma revisão no marco legal através de uma Lei de Comunicação, que passou a defender. Para Renato Guerreiro, “não dá

O problema da realidade convergente é quem faz o que, quem toma espaço de quem, quem ganha e quem perde. presidente da Anatel, Renato Guerreiro, propôs mudanças no ambiente normativo das comunicações para permitir casamentos convergentes. A mudança é complexa e nem a Telebrasil nem deputados como Alberto Goldman (PSDB/SP) ou Jorge Bittar (PT/RJ), que entendem do assunto e discutiram a proposta da associação, sabem dizer se seria necessária uma mudança constitucional. As empresas de TV entendem que sim, tanto

“Nada contra estrangeiros, mas a produção nacional deve ser preservada.” José Francisco Araújo Lima, da Globo

para desenvolver o trabalho com um desses setores apartado do processo. O conteúdo precisa ser trazido para dentro”. Aí começam a surgir os problemas. As teles falam em uma agência reguladora única, convergente. Os radiodifusores rechaçam a idéia, e o próprio ministro Hélio Costa diz que o órgão regulador das televisões é o Minicom. O governo toca rapidamente o barco para definir o padrão de TV digital, de modo que mais esse ponto será definido sem que haja uma lei balizadora. A confusão está armada. Samuel Possebon


( artigo )

Alexandre Annenberg*

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Modelos de negócio: coragem para mudar foto: arquivo

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futuro está chegando, chegando, e quando a gente menos perceber ele terá virado presente. Enquanto isso, muitos de nós, do setor de telecomunicações, continuamos olhando para o passado. Há louváveis tentativas, como a da associação Telebrasil, de propor um novo modelo de telecomunicações para o país. Há também o anúncio, ainda não concretizado, de se iniciar a discussão de uma Lei de Comunicação de Massa. Entretanto ninguém foi ainda capaz de fazer sentar em torno de uma mesma mesa os principais protagonistas da transição que já começou: os operadores de telecom e os radiodifusores. Cada um desses segmentos entende que deverá enfrentar uma guerra e prefere, por enquanto, permanecer em posição defensiva e promover esporádicos ataques exploratórios contra as trincheiras adversárias. Ambos os segmentos procuram ganhar tempo para fortalecer suas posições. As “incumbents” (concessionárias de telefonia fixa) estão mais preocupadas (com razões de sobra) pela renovação de seus contratos. Os “broadcasters” estão empenhados em garantir que, com a digitalização, nada mude. Nesse meio tempo correm no Congresso, meio sorrateiramente, projetos de lei e de emendas constitucionais que, em vez de olhar para a frente, procuram garantir maior sobrevida aos modelos vigentes. Devemos encarar essa questão com mais coragem — a coragem de dizer que os modelos vão mudar. E isto exige uma clara discussão; inclusive para preservar as conquistas alcançadas até aqui, que são muito importantes e significativas, tanto no campo das telecomunicações como no da radiodifusão. O cerne do problema está na separação clara entre o que é produção e o que

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* Alexandre Annenberg é Diretorexecutivo da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA).

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é distribuição de conteúdo. Esta questão é o fator mais relevante da revolução das comunicações neste início do século XXI, já que os meios de distribuição se multiplicaram e se tornaram mais acessíveis, enquanto que, ao mesmo tempo, a produção de conteúdos pode ser feita por cada vez mais pessoas, a baixo custo, com grande qualidade. No Brasil, os modelos em vigor não estabelecem distinção entre essas duas atividades (ou três, se incluirmos também a operação de redes como o terceiro elo dessa cadeia de valor). Tome-se como exemplo a TV aberta, que produz e distribui seu próprio conteúdo, tudo sob uma mesma concessão e regras únicas. É um paradigma que começou a mudar com a TV por assinatura, onde as duas coisas são claramente distintas. Aliás é desse setor, da TV paga, que surge a maior demanda no sentido de se estabelecer marcos regulatórios específicos para cada um desses segmentos, sem sobrecarregar quem apenas distribui conteúdos com regras destinadas a quem produz (e vice-versa). Mas parece que os importantes “players” do setor procuram passar ao largo da questão. Isto até que se explica. Os radiodifusores sempre viveram num modelo vertical em que a produção do conteúdo, sua distribuição e a operação da rede eram uma coisa só. Já os operadores de telecom preferem especular com as perspectivas do “triple play”, que parece ser a solução para todas as suas aflições. Mas estas realidades estão mudando. A Internet subverteu os modelos e o “status quo”. A televisão IP (IPTV) está aí para virar o mundo de pernas para o ar. Além de prover os serviços básicos


de televisão, a IPTV pode oferecer alter­ para os operadores de redes. de transmissão, interconexão de nativas revolucionariamente novas Os produtores de conteúdo redes, atendimento a normas de de fruição da televisão “broadcast” deverão estar submetidos às condições planejamento urbano, regras para — trans­missão e recepção de televisão estabelecidas na Lei de Imprensa, na a manutenção da integridade das de/pa­ra qual­quer parte do planeta, Lei de Direitos Autorais e na própria comunicações e para garantir a canais de televisão segmentados Constituição. A regulamentação dessa isonomia de tratamento para múltiplos e personaliza­dos, publicidade atividade tem a ver com liberdade de distribuidores de conteúdo. endereçável, guias eletrônicos de expressão, com diversidade de fontes Ou seja: cada macaco em seu programação, televisão “on demand”, de informação, com a preservação da galho. Isto não quer dizer que uma canais interativos, e nada disso é identidade e cultura nacionais. A eles empresa ou um grupo não possam ficção científica. deverá ser garantido pleno acesso às optar por uma estrutura vertical e se As empresas de dedicar a todos os elos da telecomunicações partem cadeia. Mas o importante O cerne do problema está na separação do princípio de que clara entre o que é produção e o que é dis- é que marcos regulatórios tudo isso não passa de específicos viabilizem tribuição de conteúdo. novos “serviços de valor estratégias de parcerias que adicionado”. As empresas de televisão redes de distribuição. poderão transformar a competição procuram preservar a integridade do Já os distribuidores de conteúdo belicosa num processo negociado de seu negócio. estão sujeitos ao Código de Defesa do “ganha-ganha” do qual a Telmex, a E, enquanto isso, ninguém Consumidor, às restrições relativas à Globo, a Embratel, a Claro e a Net são discute novos modelos regulatórios transmissão de conteúdo ilegal ou danoso, um interessante exemplo. (e de negócios) que estabeleçam a questões relativas à publicidade, ao Infelizmente nem o Ministério das com clareza as regras do jogo tanto patrocínio, à exclusividade. Comunicações, nem a Anatel, e nem o para os produtores, quanto para os Os operadores de rede, por sua vez, Congresso parecem estar preparados distribuidores de conteúdo, quanto devem se preocupar com qualidade para liderar essa discussão.

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Edianez Parente

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Você sabia que:

TV Real

oA Fox e Universal, que vão lançar para a América Latina um canal específico para os conteúdos de ficção científica, estão em dúvida sobre o nome? Sci-Fi e Sci-Fox são as opções. nSerá sobre a vida e trajetória de Marechal Rondon a minissérie que Bruno Barreto fará para a Rede TV!? Programada para o próximo ano, a atração deve entrar na grade entre o telejornal noturno e o “Superpop”, de Luciana Gimenez.

O canal de TV do clube espanhol de futebol Real Madrid dá um show de bola para qualquer time que queira entrar nessa empreitada - até agora, nenhum clube brasileiro se arriscou a ter seu próprio canal. A RealMadrid TV está disponível como canal de TV por assinatura, 24h, aos cinco continentes. Na sua grade, tudo sobre o time, os seus “galácticos”, programas de variedades, debates, mesas redondas, jogos clássicos do time. E o mais importante: foi lançado sem “matar” o mercado de direitos, pois não exibe jogos atuais do time nos campeonatos espanhol e europeu de clubes.

nUma das filhas de Silvio Santos será a diretora do concurso musical “Ídolos”, versão do SBT para o formato de “American Idol” que a emissora comprou? A moça fez um giro pelos EUA numa espécie de treino preparatório para assumir o programa.

FOtoS: divulgação

oA confirmada quinta temporada do seriado “24 Horas”, da Fox, chega em março ao Brasil? A série estréia em janeiro na TV americana. Na TV aberta, os direitos são da Globo, que ainda exibiria a quarta temporada; mas em janeiro a emissora deve colocar o sucesso “Lost”, atração do canal pago AXN que comprou da Disney. o“Finding Rodrigo”, novela da Fremantle Media, tem como tema um reality show e fez o maior sucesso na Colômbia? Na história, o Rodrigo do título é um participante de programa de TV que se faz passar por gay a fim de angariar a simpatia do público e sair vencedor do jogo, com prêmio de US$ 1 milhão. nUm documentário sobre o brasileiro Oscar Niemeyer, co-produzido pela brasileira Polo de Imagem e produtores da Bélgica, é um dos conteúdos de destaques no portfólio da indústria audiovisual daquele país?

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Câmbio

Com o dólar estabilizado em tendência de baixa, é de se esperar que as emissoras brasileiras tendam a aumentar suas compras de conteúdos estrangeiros, ante os altos custos da produção local. Mas não é o que vale, pelo menos no caso da TV Globo. Segundo Roberto Buzzoni, que dirige as aquisições internacionais da emissora, o budget da rede para as compras é fixado em dólares; portanto, nada se altera.

Revival

Na nova safra de seriados da TV americana, Don Johnson volta a atacar. Ele era o astro do seriado “Miami Vice”, sucesso da TV aberta por aqui nos anos 80 e volta com a série “Just Legal”, para a WB. Outro seriado que a Buena Vista quer emplacar na América Latina via produção local é o remake de “A Gata e o Rato” (“Moonlighting”) — seriado das antigas que trazia a parceria entre o “rato” Bruce Willis e “a gata” Cybill Shepperd, ambos no auge da boa forma. V iva

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Série sueca no Brasil

“Baker and Becker” é o nome de uma série documental de 12 episódios sobre o mundo do alto luxo e celebridades que vai rodar o mundo, passando por São Paulo, e que será exibida no Kanal 5 da Suécia no ano que vem. A produtora é a norte-americana Atlan Entertainment e a distribuidora internacional é a CABLEready. Os apresentadores são os donos do clube Lotus, de Nova York; e do Spy Bar, de Estocolmo. São Paulo será a única cidade latinoamericana a servir de locação para a atração.

Mais um

Em novembro, entrou na Sky a Logo TV (foto), no formato de pay-per-view. Embora o Logo seja um canal de variedades, é direcionado ao público gay. Nos EUA, concorre com a Q Television Network, que estreou antes e que se orgulha de ser o canal oficial para os Gay Games, que acontecem em 2006 em Chicago. Scott Withers, VP executivo do canal Q, está muito empolgado com o mercado brasileiro: diz que está perto de fechar com uma operadora nacional, sem no entanto revelar qual. A LogoTV, por 72 horas, custa de R$ 12 a R$ 14.

Band investe em estúdios A finalização da compra por parte da Band das instalações que eram da Frame, nos arredores da capital paulista, era uma questão de detalhes até o fechamento desta edição. Os estúdios são necessários para a realização das novas novelas da emissora — e é com a RTP de Portugal que a emissora do Morumbi vai dividir a produção. A versão 2006 de “Floribella” será, tal como foi neste ano, toda rodada no Rio de Janeiro, no espaço do Pólo de Cinema.

Playgirl TV quer produção local

Em busca de parceiros e de “new faces” locais, o canal adulto de sexo explícito voltado ao público feminino Playgirl TV (no Brasil, exclusivo da Sky) quer rodar produções no Brasil. De acordo com Mark Graff, presidente da empresa que distribui o canal, no mercado norte americano está cada vez mais difícil achar belos rapazes para estrelar as produções. O canal é voltado às mulheres (75% de seu público), mas também tem forte apelo junto ao público homossexual masculino. Segundo Graff, que não revela números, as vendas no Brasil crescem surpreendentemente, a uma taxa de 50% a cada mês. O canal é vendido em pay-per-view. A Sky, aliás, torna-se a operadora brasileira com a maior oferta em conteúdo adulto e diversificado. T ela

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Fox emplaca formatos

O mundo dos formatos é dominado por Endemol e Fremantle Media, mas todos os grandes estúdios avançam neste segmento. A Fox, por exemplo, emplacou para o Brasil outras duas criações suas, uma para o SBT e outra para a Record. Como ponto comum, a vida conjugal. Em “Troca de Esposas”, para a Record, duas famílias aceitam o desafio de passar 15 dias com a mãe da outra. Para o SBT, o formato fechado e em plena produção é o de “Casamento à Brasileira”, baseado no “Married by America”. Este tem a condução do próprio Silvio Santos. Nos EUA, a Fox emplacou na ABC o novíssimo “The Ex-Wife Club”, um clube em que celebridades dão apoio a mulheres recém-separadas (fotos).

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(audiência - TV paga)

Com tubarões, Discovery sobe para o 5º lugar

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foto: Divulgação

O

s números de alcance (total de indivíduos que sintonizam e permanecem num mesmo canal por mais de um minuto) do Ibope Mídia referentes a setembro repetem nas quatro primeiras posições os mesmos canais do mês anterior, agosto. A novidade vem a partir da quinta colocação, onde figura o Discovery Channel, seguido de perto por Warner Channel. Em seguida, vêm Universal Channel e AXN, que caiu três posições em relação a agosto/05. Os números consideram o total de indivíduos de 18 anos ou mais com TV por assinatura (na Grande São Paulo + Grande Rio de Janeiro + Porto Alegre + Curitiba + Belo Horizonte + Distrito Federal = 4,2 milhões de indivíduos). Nestas localidades, os canais da TV paga aferidos apresentaram um alcance diário médio de 50,8%, ou 2,1 milhões de pessoas/dia; e um tempo médio diário de audiência de duas horas e três minutos. Já entre o público de 4 a 17 anos com TV por assinatura (nas mesmas praças acima = 905 mil indivíduos), estes canais tiveram um alcance diário médio de 56,7%, ou 513,7 mil pessoas/dia, com um tempo médio diário de audiência de duas horas e 14 minutos. Para esta faixa de indivíduos, os canais Cartoon Network e Nickelodeon repetem a performance de agosto, na primeira e segunda colocação, respectivamente.

Semana do Tubarão, atração de setembro no Discovery

No entanto, na terceira posição, o Discovery Kids assume o lugar que no mês passado ficara com o Multishow, agora em quarto. Jetix sobe também para a quinta posição, com a TNT caindo para sexto lugar.

alcance e tempo médio diário 

Total canais pagos TNT GloboNews Multishow SporTV Discovery Warner Channel Universal Channel AXN Sony SporTV2 National Geographic Cartoon Network Telecine Premium GNT Fox People + Arts ESPN Nickelodeon Telecine Action

De 4 a 17 anos* 

(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 50,8 2174,7 2:03:09 14,6 626,4 0:28:49 12,1 516,3 0:44:21 11,4 490,2 0:18:06 11,1 473,4 0:42:29 9,7 417,3 0:21:44 9,5 405,5 0:29:00 8,9 379,9 0:26:28 8,8 374,9 0:22:29 8,0 344,5 0:20:38 7,9 339,9 0:21:38 7,8 331,8 0:18:38 7,7 330,2 0:33:13 7,6 327,1 0:26:34 7,6 323,2 0:16:19 7,5 321,1 0:17:46 6,1 260,8 0:18:06 5,8 248,8 0:20:13 5,7 243,1 0:26:28 5,4 230,7 0:21:09

*Universo 4.283.000 indivíduos

*Universo 905.700 indivíduos

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(Das 6h às 5h59)

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio Total canais pagos 513,7 2:14:20 Cartoon Network 26,9 243,3 1:08:53 Nickelodeon 21,9 198,3 0:44:35 Discovery Kids 11,9 107,3 1:03:22 Multishow 11,8 107,2 0:30:53 Jetix 11,3 102,1 1:01:29 TNT 11,0 99,8 0:27:27 Disney Channel 7,4 67,4 0:54:11 Discovery 7,3 66,5 0:23:51 SporTV 6,6 60,1 0:31:53 Warner Channel 5,6 51,0 0:20:18 Telecine Premium 5,3 48,2 0:30:11 Boomerang 5,2 47,1 0:36:22 Fox 5,2 47,0 0:22:36 AXN 5,2 46,7 0:12:28 People + Arts 5,0 45,4 0:17:40 Sony 5,0 45,1 0:19:29 Universal Channel 4,9 44,3 0:13:15 GloboNews 4,3 39,2 0:16:51 National Geographic 4,3 39,1 0:21:28

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Fonte: Ibope Telereport - tabela minuto a minuto - setembro/2005

Acima de 18 anos*


N達o disponivel


( making of )

Lizandra de Almeida

l i z a n d r a @ t e l a v i v a . c o m . b r

Celebrando a Vida U

unindo a vida das pessoas”, afirma o diretor do filme, Luciano Moura, que trabalhou em parceria com Fernando Meirelles. “O Fernando fez todo o planejamento junto com a agência, mas não pôde filmar, então continuei daí.” O filme mostra a “Vida” — uma mulher onírica que flutua entre nuvens no céu de uma grande cidade — observando e dando “empurrõezinhos” para promover encontros. Em um dos casos dois carros quase batem quando a Vida empurra,

“Todo o filme foi rodado em 16 mm, com a câmera na mão. Exceto nas vistas aéreas, que tiveram de ser feitas de helicóptero, especialmente a cena do Viaduto Santa Ifigênia, no Centro de São Paulo. Filmamos primeiro todas as cenas de cidade e depois levamos para o estúdio, onde a Vida foi filmada em fundo de recorte. Em alguns casos, ela teve de ser pendurada mesmo e filmamos em slow motion, porque como ela é

fotos: divulgação

m filme de 60 segundos com quatro situações que se desdobram em quatro versões de 30 segundos compõem a nova campanha da cerveja Kaiser. A protagonista dos filmes é a “Vida”, que está sempre interferindo no cotidiano das pessoas. O mote da campanha é que a cerveja serve para comemorar os bons momentos da vida e, no caso dessa primeira leva de filmes, o que se celebra é o encontro.

O clima de naturalidade foi dado pela câmera 16 mm na mão, que criou um aspecto documental no filme.

“Fizemos uma pesquisa e descobrimos que grande parte dos consumidores está cansada de propaganda de cerveja com futebol e mulheres”, afirma o diretor de criação Fernando Campos. “Queremos recuperar a imagem da cerveja como a bebida do dia-a-dia, uma coisa casual, por isso criamos o slogan ‘Viva!’.” A naturalidade e o tom documental foram a linguagem escolhida para representar esses conceitos. “Usamos muita gente que não é ator”, continua Campos. “Nossa filmagem foi solta, quase documental. A fotografia é mais despojada e os efeitos especiais entraram de uma forma muito natural, só para realizar mesmo a brincadeira sobre o destino

literalmente, um caminhão para o meio da rua. Os dois motoristas, um rapaz e uma moça, saem do carro e vêem que se conhecem. Em seguida, uma garota anda apressada, carregando um monte de papéis. Quando a Vida sopra, um vento espalha tudo e ela encontra um garoto que vê os papéis caindo do andar de baixo. Depois, uma chuva aproxima um rapaz e uma moça na porta de um bar e os dois resolvem esperar a chuva passar juntos, tomando uma cerveja. E por fim, uma mulher está em um elevador carregando uma caixa de cervejas. Entra um rapaz e logo em seguida a Vida dá um jeito de travar o elevador. Os dois tomam cerveja no chão, batendo papo. “Colocamos gente normal no filme, fazendo coisas normais. Cada um bebe por seus motivos”, continua Luciano. 46

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gigante, os movimentos não seriam os mesmos. O cabelo, por exemplo, se move de outra forma.” Uma das preocupações constantes nesse tipo de filme, em que duas cenas filmadas em momentos diferentes são aplicadas, é a continuidade da luz. “Em geral temos que prestar muita atenção para reproduzir no estúdio a luz da hora e do local em que filmamos. Isso também foi feito aqui, mas nesse caso até poderia haver alguma diferença, já que ela está no céu”, conta o diretor. Como a Vida também está envolta em nuvens, isso ajudou a diluir as passagens e a minimizar o recorte. Na hora em que empurra o caminhão, por exemplo, a atriz no estúdio


ficha técnica Cliente Produto Agência Dir. Criação Criação Produtora Direção Fotografia Dir. de Arte Montagem Pós-produção Trilha

Cervejarias Kaiser do Brasil Cerveja Kaiser Giovanni, FCB Fernando Campos e Valdir Bianchi Alessandro Bernardo, André Godoi, David Romanetto, Eduardo Foresti, Erick Rosa, Icaro Dória, Marco Pernil Gianelli, Murilo Lico, Renato Lopes, Silvio Medeiros, Thiago Carvalho, Vico, Benevides, Fernando Campos e Valdir Bianchi O2 Filmes Fernando Meirelles e Luciano Moura Ricardo Della Rosa Beto Grimaldi Rogério Ferreira Alves Casablanca e O2 Filmes Voicez

Para quem quer tudo

A

comunicação da nova versão bicombustível do utilitário EcoSport, da Ford, tinha que abordar dois conceitos diferentes. De um lado, era preciso enfatizar o aspecto off-road do veículo e a idéia de aventura e liberdade. De outro, chamar a atenção para a nova versão que roda com álcool ou gasolina. “Pensamos que o personagem do filme teria de ser uma pessoa que quer tudo e sempre tem de fazer escolhas, até que, com o EcoSport, ele consegue ter duas opções sem precisar escolher”, conta o redator João Caetano Brasil. O filme então mostra o personagem desde bebê, tendo que escolher entre duas mamadeiras. Maiorzinho, coloca um tênis de cada cor. Depois, não sabe se quer uma ou outra garota e assiste dois programas de TV ao mesmo tempo. Até que sai com seu EcoSport e chega a um posto de gasolina de interior. Lá, pode abastecer seu carro com os dois combustíveis. “Escolhemos um personagem ruivo, para que fosse marcante e o espectador conseguisse entender que em todas as fases é a mesma pessoa”, diz João. Como essas imagens são uma volta no tempo, coube à produtora criar cenários de época, como a discoteca que o jovem freqüenta. O posto de gasolina foi criado em uma locação no interior do Paraná. “A equipe de produção encontrou

uma borracharia nesse lugar, que era perfeito cinematograficamente. Então foram criadas as bombas de gasolina e colocadas no local”, completa. fotos: divulgação

realmente empurrou um objeto. Depois, a cena foi aplicada sobre a outra, da cidade. “O recorte é muito sutil. Hoje a maioria dos filmes tem alguma coisa de computação gráfica. Na cena da chuva, por exemplo, as luzes se apagam na mesma hora. Há alguns anos teríamos de ensaiar várias pessoas e colocá-las nos apartamentos para apagar a luz todas juntas. Mas hoje filmamos duas ou três luzes para saber exatamente como é o real e reproduzimos isso na pós. O ideal é sempre misturar, porque se fizéssemos só em computação, não seria a mesma coisa”, explica Luciano.

Borracharia no interior do Paraná foi transformada em posto. Idéia era demonstrar que o carro oferece opções.

ficha técnica Cliente Produto Agência Dir. de Criação Criação Produtora Direção Fotografia Montagem Pós-Produção Locução Trilha

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Ford EcoSport Flex JWT Átila Francucci João Caetano Brasil, Fábio Brandão, Theo Rocha e Cláudia Fugita Repúblika Filmes Carlos Manga Jr. Lito Mendes Rocha Alex Lacerda Casablanca / GP2 André Abujamra Sax Anp (Zezinho Mutarelli)

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( cinema)

Na trajetória dos pingüins O produtor Emmanuel Priou, que bancou a idéia ousada de seu diretor, conta a saga para a realização de “A Marcha do Imperador”, maior sucesso do cinema francês.

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foto: Divulgação

incrível sucesso de “A Marcha do Imperador” (“La Marche de l’Empereur”, França, 2005), previsto para estrear no Brasil em janeiro próximo, tem sido celebrizado na mídia internacional como um marco da chegada dos documentários ao rol dos blockbusters nos cinemas. O filme é a maior bilheteria de um filme francês na história, já tendo superado “O Quinto Elemento” (de Luc Besson, estrelado por Bruce Willis) e “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. Nos Estados Unidos, onde os documentáriosdenúncia de Michael Moore atraem um tipo muito específico de público - basicamente, o americano democrata e anti-Bush -, “A Marcha” lotou mais de duas mil salas, atraindo o público médio WASP, conservador, habituado às fórmulas consagradas por Hollywood. Daí a surpresa do produtor responsável pelo filme, o francês Emmanuel Priou. Um dos três sócios da produtora Bonne Pioche, ele rebate, ao ter a obra tachada como pró-Bush por uma suposta retomada de valores tradicionalistas no argumento de “A Marcha do Imperador”: “Recebo cartas e e-mails de todos os lados, além do público em geral, famílias. Vêm de comunidades homossexuais, de feministas, de grupos religiosos; enfim, parece que todos, inclusive as minorias, se vêem retratados no filme. É espantoso”, afirma o produtor. “Acho que o sucesso do filme dá-se, antes de tudo, por mostrar uma história de sobrevivência. É o filme do pós-11 de Setembro”, assinala Priou. O fato de já ter arrecadado milhões de dólares nesta sua primeira produção em que foca o mundo

Emmanuel Priou, da produtora Bonne Pioche

animal não tira de Emmanuel Priou a simplicidade ao contar a saga do longa. Aliás, ele mesmo mostra-se um sujeito comum, um realizador que toca sua produtora com todas as dificuldades de qualquer mercado, há 13 anos. Um dos diretores do quadro da Bonne Pioche, Luc Jacquet, alimentava há nada menos do que dez anos o projeto pessoal de realizar “A Marcha do Imperador”. Ano após ano, o diretor, que também é biólogo e já filmara na Antártida anteriormente, enriquecera o seu projeto com mais detalhes, fruto de pesquisas in loco e de uma obstinação pessoal que fascinaram Priou em 2002, quando Jacquet lhe apresentou o roteiro: uma história anônima, que trata apenas da vida real dos pingüinsimperadores, ave que só foi descoberta no século 20. “Por ser uma descoberta recente dos homens, não havia ainda uma mitologia sobre essa espécie”, diz Priou. Contagiado pelo enredo, o produtor partiu para a própria saga: levantar os 2,8 48

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milhões (cerca de R$ 7,8 milhões) necessários à empreitada, rodada em 16 mm. “Convencer os patrocinadores foi uma luta, pois era muito difícil fazer as empresas financiarem um projeto que não podiam ainda ver”, diz o produtor. Afinal, tratava-se, literalmente, de um projeto “ na geladeira”. Canal Plus, rede France 3 e a Buena Vista Intl. na França foram os maiores investidores do longa. Levantados os recursos, começou a corrida contra o relógio: havia apenas dois meses para que tudo ficasse pronto e a equipe pudesse partir e chegar à base francesa na Antártida, ainda no verão. De outra forma, dada a impossibilidade de ali se fixar no inverno, o projeto teria de ser adiado por mais um ano. Luc Jacquet e sua equipe de mais três homens filmaram no continente gelado de janeiro de 2003 a fevereiro de 2004. Desse período, nove meses foram a parte mais difícil - com passagens dramáticas, como o dia em que o diretor e mais um assistente foram pegos por uma tempestade e acabaram resgatados por voluntários, em condições climáticas impensáveis: foram necessárias seis horas para o percurso de um único quilômetro. Na volta à civilização, no início de 2004, bastaram alguns clipes, com cerca de cinco minutos, com uma prévia da edição do material, para a distribuidora Wild Bunch pagar 1 milhão para ter o direito de distribuição de “A Marcha do Imperador” fora da França. No festival de Cannes daquele ano, em dois dias, o filme foi negociado pela distribuidora para praticamente todos os mercados. Com o detalhe que sequer estava editado. “Terminamos


o filme em janeiro de 2005, quando houve a grande estréia na França”, conta Emmanuel Priou. Em julho, “A Marcha do Imperador”, com narração de Morgan Freeman, foi lançado nos EUA - onde saltou de modestas duas salas de exibição em Nova York e outras duas em Los Angeles para mais de duas mil no país inteiro. Desde então, tem sido a glória - e uma avalanche de “novos amigos” na vida do jovem Emmanuel Priou. Ele não fala quanto mais o filme, que acaba de ser lançado em DVD na França, rendeu à produtora, mas conta que já soma cinco projetos para novas produções. De qualquer forma, como bom francês, tudo fica menor quando Emmanuel Priou exalta a grande façanha de “A Marcha do Imperador”: a produção deu, pela primeira vez no gênero documental, a liderança nas bilheterias da Inglaterra! André Mermelstein e Edianez Parente

emoção em primeira pessoa O que fez de “A Marcha do Imperador” um filme tão popular, sobretudo nos EUA? Vendo o filme, não é tão difícil adivinhar. Começa pelas cenas deslumbrantes dos cenários gélidos do pólo, somadas a closes que põem o espectador praticamente no meio do bando de pingüins-imperadores em sua época de reprodução, quando marcham do mar em direção a uma área deserta, longe dos predadores, mas também do alimento. A partir deste cenário, desenvolve-se uma história familiar, narrada sempre em primeira pessoa por vozes de um homem, uma mulher e uma criança. Temas caros aos americanos (mas também universais) como a união para vencer a diversidade, o cuidado com os filhos e a valorização do núcleo familiar fazem do filme uma história com a qual é fácil se identificar, mas que às vezes esbarra no puro sentimentalismo.


( publicidade )

Daniele Frederico

d a n i e l e @ t e l a v i v a . c o m . b r

Mercado otimista Maxi Mídia aponta boas perspectivas para a publicidade em 2006.

A

s previsões para o mercado publicitário brasileiro em 2006 e os caminhos a serem adotados em um futuro próximo, com a integração de mídias, foram dois dos principais temas abordados nas discussões do 15° Maxi Mídia 2005, que aconteceu entre os dias 18 e 20 de outubro, em São Paulo. Roberto Gianetti da Fonseca, da Sílex Trading e Octávio Florisbal, da Rede Globo, concordaram que é necessário olhar para o ano de 2006 com otimismo, já que desde 2003 o mercado publicitário tem conseguido crescer. Florisbal ressaltou a importância de se considerar os impactos econômicos que acontecem no Brasil, como o aumento da renda pessoal e a queda da inflação, já que isso pode beneficiar o aumento do consumo interno de produtos e serviços populares, os maiores investidores em publicidade no País. Segundo o executivo da Globo, uma projeção otimista para o mercado publicitário prevê um crescimento de 12% para o próximo ano. Para 2006, também devem ser levados em conta os impactos tecnológicos e regulatórios, como a definição do Sistema Brasileiro de TV Digital e os serviços 3G nos celulares. Florisbal lembrou ainda que as mídias que vendem conteúdo estão crescendo, e que se deve estar atento ao público jovem. “Eles têm intimidade com as novas mídias, como Internet e celular”, afirmou.

Mercado aposta no desempenho da economia e em eventos como a Copa do Mundo.

fotos: arquivo meio&mensagem

As previsões para o mercado publicitário em 2006 também levam em conta os eventos sazonais, como a Copa do Mundo e as eleições. O executivo da Globo disse que o horário eleitoral interfere negativamente de duas maneiras nas redes de televisão: primeiro, na diminuição do tempo comercial disponível, depois na perda de audiência já que as duas inserções eleitorais, de 50 minutos cada, exigem uma reestruturação da programação, causando uma mudança nos hábitos do espectador. “Temos de colocar programas muito fortes depois da propaganda eleitoral”, afirmou. Target Para o publicitário americano Joe Cappo, da Ad Age, a preocupação das agências de publicidade,

“A TV por assinatura concentra o público mais jovem e melhor educado” Joe Cappo, da Ad Age

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pensando no futuro, não deve ser a televisão aberta. Segundo o executivo, é a TV por assinatura que concentra o público mais jovem e melhor educado, enquanto a TV aberta atinge os mais velhos e com menor nível de educação. “Não é esse o público que os publicitários querem atingir”, opinou, manifestando uma visão claramente centrada na realidade do mercado norteamericano. Ele lembrou ainda que a televisão não é hoje a mídia mais importante do mundo, já que divide o seu espaço com outros meios, como a Internet, que apresenta uma capacidade de integração maior. “No final dos anos 60, se um anunciante colocasse sua propaganda nos três principais canais de televisão, em um mesmo horário, era capaz de atingir cerca de 90% de domicílios. Hoje, a mesma estratégia sairia muito mais cara e atingiria menos de 40% das casas”, exemplifica. Ele comparou o caso do Brasil ao dos países do Leste Europeu, no que diz respeito à predominância


da TV aberta nos lares. “Pode-se ter certeza que se um programa tem 50% do share de audiência hoje, isso vai mudar conforme apareçam mais oportunidades de mídia para a população”, disse o publicitário, que acredita que no Brasil essa mudança deve acontecer a partir do momento que as pessoas puderem pagar pela TV por assinatura, especialmente pelas atrações disponíveis em pay-perview. O pay-per-view e a televisão capaz de gravar a programação (com dispositivos como DVR), no entanto, representam uma ameaça às agências, já que esses formatos eliminam os comerciais. Para Sérgio

“O aumento da renda e a queda da inflação podem beneficiar o consumo interno de produtos e serviços populares” Octavio Florisbal, da TV Globo

Valente, da DM9 DDB, uma possível solução seria investir em merchandising, desde que o mesmo seja muito bem planejado. “Filmes como ‘O Náufrago’ têm uma proposta de merchandising maravilhosa. Neste caso, a Fedex não pagou ou apoiou a ação, mas obteve resultados impressionantes”, disse o executivo. Cappo também ressaltou o sucesso de marcas que não utilizaram nenhum tipo de publicidade, como a rede de cafeterias Starbucks. “É uma

questão de comunicar-se com o público, não necessariamente de anunciar”, concluiu, lembrando que publicidade demais pode causar desgaste do formato. Cinema Chamou a atenção no Maxi Mídia a presença de representantes de grupos exibidores para comercialização de publicidade nas salas de cinema. Marcaram presença a Sala 3, que comercializa publicidade para as salas do Grupo Araújo, que atua principalmente em cidades do interior; a Kinomax (grupos Cinemark, UCI e Hoyts), que conta com mais de 450 salas em sua carteira; e a Rain Network, que comemora a marca de 450 mil comerciais exibidos, em 90 salas. Ao contrário de seus concorrentes, a Rain usa projeções digitais para a publicidade, podendo distribuir o conteúdo via satélite, contornando assim os custos da cópia em película.


( upgrade )

Processamento distribuído

N

o final de outubro, a Avid apresentou a nova geração de sua solução de armazenamento compartilhado: a Avid Unity ISIS (Infinitely Scalable Intelligent Storage). A tecnologia usada na nova solução, ao contrário de outros dispositivos baseados em rede SAN (Storage Area Network), que usam um processamento centralizado para gerenciar dados, é baseada em uma arquitetura que distribui o processamento de dados em 16 “lâminas” individuais de armazenamento confinadas em um mesmo chassi, o Avid ISIS Engine. Ele é responsável por processar o conteúdo, enquanto compartilha dados e gerencia o fluxo de trabalho entre grupos de drives de armazenamento conectados à rede. É justamente essa arquitetura distribuída de processamento que garante que o sistema não tenha limitações de conectividade e evita “gargalos” comuns às redes de compartilhamento de conteúdo. O resultado é um ambiente de fluxo de trabalho com capacidade de armazenamento virtualmente infinitamente expansível com capacidade de conectar números bastante elevados de clientes. O novo produto se encaixa entre dois membros da família de redes da Avid, o Unity MediaNetwork, baseado em redes Fibre Channel, e o Unity LANshare, para usuários “lower-end”. A primeira versão do Avid Unity ISIS vem equipada com até 64 TB por sistema, com 8 TB na configuração mínima. Além disso, há a possibilidade de conectar vários Avid ISIS Engines para aumentar a capacidade. O sistema permite até cem clientes trabalhando em tempo real em redes Gigabit Ethernet comuns, com velocidade de transferência dual-stream de 50

A Avid Unity ISIS leva em um chassi (ao lado) 16 “lâminas” responsáveis pelo armazenamento e o processamento.

Mbps. Traz ainda compatibilidade nativa com outras tecnologias Ethernet, como os produtos da Cisco Systems. A Avid, que prega o uso de sua nova solução com um hub para todas as soluções de produção e finalização, seguiu com este lançamento a tendência em adotar tecnologias desenvolvidas para ambientes de TI (tecnologia da informação) para garantir conectividade em rede Ethernet de baixo custo. A solução, segundo a Avid, é apropriada para ambiente de produção de jornalismo, redes de produção, produção de reality shows, etc. Foi aplicada ainda no novo sistema da Avid uma tecnologia de “autocura” para as diferentes “lâminas” de armazenamento. Sempre que um drive apresenta problemas, seu conteúdo é redistribuído entre os outros drives, que usam processamento paralelo para evitar perda de performance. Quanto mais capacidade existe no sistema, mais rápida será a “autocura”. Quando o drive problemático é substituído, a reposição dos arquivos se dá de forma até 20 vezes mais rápida que em sistema RAID, dependendo da capacidade total do sistema. Cada uma das 16 lâminas em cada chassis conta com dois drives e uma placa mãe simplificada, responsável apenas por fazer uma ponte entre o cliente e os drives. É como se cada lâmina fosse um servidor. Com isso, há um número realmente elevado de drives, processadores e memória RAM em cada chassis. A nova solução da Avid é baseada em Windows XP e, por enquanto, suportará apenas clientes baseados em Windows. O suporte para clientes Macintosh deve ser lançado ainda no primeiro semestre de 2006. O Avid Unity ISIS já começou a ser distribuído mundialmente, com um preço inicial de US$ 107 mil. A ferramenta de administração permite gerenciar a capacidade de cada disco.

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FOTOS: divulgação

Avid entra na corrida por tecnologias de baixo custo baseadas no universo de TI para aplicações de vídeo.


Universo 3D A Autodesk, que recentemente finalizou o processo de compra da Discreet, lançou o 3ds Max 8, a nova versão do software de modelagem, animação e renderização 3D. Voltado para as áreas de desenvolvimento de jogos e produção de filme e vídeo, o software agora conta com renderização em rede com número ilimitado de unidades trabalhando em conjunto. Assim, através do Autodesk Backburner os usuários podem distribuir as funções de renderização em rede sem custos adicionais. Agora a criação de personagens conta com animação não-linear. A modelação e texturização suporta também DirectX e .fx. O preço sugerido para o software nos Estados Unidos é de US$ 35 mil. O upgrade a partir da versão anterior custa US$ 795.

Clipes de animação podem ser carregados no Motion Mixer para edição não-linear.

O novo painel Quaternion/Euler permite editar as curvas de animação para personagens bípedes.

Nova camcorder da Panasonic traz pequenas melhorias e é politicamente correta.

Evolução do 24p A Panasonic apresentou no final de outubro a nova versão de sua câmera Mini-DV capaz de gravar em 24p. Trata-se da AG-DVX100B, que agora está de acordo com a especificação que será adotada na Europa no próximo ano abolindo o uso de substâncias nocivas no equipamento, como arsênico. O equipamento traz algumas novidades como a possibilidade de sincronizar o time code “camera-to-camera” e de configurar manualmente as transmissões de arquivos pela porta IEEE 1394, o que facilita o uso da AG-DVX100B em gravação multicâmera. Outra inovação é o uso de faixas letterbox no monitor para captação em 16:9, eliminando distorções ou ainda a dificuldade de configuração de foco e íris quando operada remotamente. Além disso, seu monitor agora conta com maior resolução: 210 mil pixels no monitor LCD e 235 mil pixels no viewfinder. O microfone embutido na camcorder agora tem maior sensibilidade. E o alto falante mais próximo do monitor LCD torna mais fácil monitorar o áudio na execução vídeo na própria câmera. Além do novo lançamento, a Panasonic criou um blog (www. defperception.com) para educar os usuários no uso da nova câmera AG-HVX200, que grava em HD e SD usando cartões de memória em estado sólido.

Gravador no mercado A divisão profissional da Sony Brasil está comercializando no País o gravador de disco de vídeo em estúdio DVCAM, modelo DSR-DR1000A Master. O novo equipamento oferece todos os recursos do antigo DSR-DR1000, porém com uma capacidade de 80 GB, permitindo um total de 12 horas de gravação, e aprimoramento no protocolo de disco, aumentando a versatilidade em aplicações de controle. Concebido fundamentalmente para aplicações de gravação e alimentação de edição à família DVCAM, o equipamento aproveita os benefícios da gravação em disco, enquanto mantém operação semelhante à de um VTR. O gravador apresenta ainda uma velocidade variável de reprodução em aproximadamente duas vezes a velocidade normal. Outra característica é sua capacidade de operação em rede, gravação e reprodução simultâneas, além de reprodução de segmentos de clip. O preço sugerido pelo fabricante é de US$ 9,5 mil. T ela

V iva

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DSR-DR1000A Master: maior capacidade que a versão anterior e operação semelhante à de um VTR.

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( agenda ) > JANEIRO 24 a 26 Natpe 2005. Hotel Mandalay Bay Resort, Las Vegas, EUA. Tel.: (1-310) 453-4440. E-mail: info@natpe.org. Web: www.natpe.org. 24 a 29 Fipa 2006. Biarritz, França. Tel: (33-5) 5943-5320. E-mail: accueil@fipa.tm.fr. Web: www.fipa.tm.fr.

> MARÇO 28 e 29 Seminário IPTV. ITM-Expo, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3214-3747. E-mail: info@convergeeventos.com.br. Web: www.convergeeventos.com.br.

> ABRIL 1° e 2 MipDoc. Noga Hilton, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: justask@reedmidem.com.

Web: www.mipdoc.com. 3 a 7 MipTV/Milia. Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: justask@reedmidem.com. Web: www.miptv.com.

Serviços e Entretenimento Wireless. Tel.: (11) 3214-3747. E-mail: info@convergeeventos.com.br. Web: www.convergeeventos.com.br.

9 a 11 NCTA 2006. Georgia World Congress Center, Atlanta, EUA. Tel: (1- 202) 775-3669. E-mail: thenationalshow@ncta.com. Web: www.thenationalshow/atlanta.

5 a 10 Annecy 2006 — Festival e Mercado de Animação. Annecy, France. Tel: (33-4) 5010-0900. E-mail: info@annecy.org. Web: www.annecy.org.

22 a 27 NAB 2005. Las Vegas Convention Center, Las Vegas, EUA. Tel.: (1-202) 595-2052. E-mail: register@nab.org. Web: www.nabshow.com. 28 a 7/5 HotDocs. Toronto, Canadá. Tel: (1-416) 203-2155. Web: www.hotdocs.ca.

> MAIO 10 e 11 V Tela Viva Móvel - Encontro dos

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6 e 7 VII Fórum Brasil de Programação e Produção. ITM Expo, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3120-2351. E-mail: info@convergeeventos.com.br. Web: www.convergeeventos.com.br. 11 a 14 Banff — World Television Festival. Fairmont Banff Springs, Canadá. Tel: (1-403) 678-1216. E-mail: info@achillesmedia.com.


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Revista Tela Viva 155 - Novembro 2005  
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